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(Sl 119, 105)

 
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Viuvez: a quinta insegurança de muitos casais 

 

Tudo o que a Igreja nos ensina deve ser um antídoto para o medo da viuvez

É normal que os cônjuges tenham receio da viuvez, especialmente os que vivem um bom relacionamento, mas esta é uma realidade que pode atingir qualquer casal.

Eu fiquei viúvo depois de 40 anos de casado. Nunca tinha pensado como seria a minha vida sem a minha esposa. Um dia, ela disse-me que “tinha medo de me deixar sozinho”, e eu tinha receio de ficar só. Então, esta insegurança é real.

Como podemos vencer esta insegurança que ameaça qualquer casal?

Diante do medo da morte de um ente querido, é preciso ter fé. São João diz que “esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (1 João 5,4). Não há outro remédio. É claro que não é bom ficarmos a pensar na morte do outro, pois esta preocupação deve ser posta nas mãos de Deus, na fé, na certeza de que Ele cuida de nós, e de que tudo concorre para o bem dos que o amam (cf. Rom 8,29). A fé faz-nos acreditar que, quando Deus permite que o mal nos atinja, Ele tem um desígnio por trás disto, e dá-nos a graça necessária para superar o sofrimento.

A nossa vida está nas mãos de Deus! Ele no-la deu e só Ele sabe quando nos chamará para Ele. Então, não podemos andar a torturar-nos, pensando ou imaginando a morte do cônjuge; a nossa vida está nas mãos de Deus. Isto seria uma tentação imposta a nós mesmos. Deus só nos dá a graça para enfrentarmos o sofrimento quando ele acontece, não antes. Assim, andar a pensar na morte do ente querido é sofrer sem a graça de Deus; e isto dá angústia.

Jesus disse no Sermão da Montanha: “Não vos preocupeis pela vossa vida (…). Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida? (…) Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6,25-34)

Então, a melhor maneira de evitar a preocupação com uma possível viuvez é viver um dia de cada vez, deixando o futuro nas mãos de Deus, que cuidará de nós.

Quando já dava para eu pressentir que a morte da minha esposa estava próxima, depois de um cancro de seis anos, comecei a pedir a Deus que me preparasse para viver a viuvez. Cada vez mais, nas minhas orações, eu pedia a Deus que me desse a graça de aceitar toda a vontade d’Ele e pudesse continuar a viver para Ele. E Deus socorreu-me na fé. Já são quase cinco anos de viuvez, em paz com Deus e com a vida.

Assista ao 5º e último episódio:

O melhor antídoto para o medo da viuvez é apegar-se a Deus, mais até do que ao cônjuge, e viver uma vida na fé. Jesus disse que é preciso amar a Deus mais do que aos nossos entes queridos. É este amor – em primeiro lugar – que nos fortalecerá diante da ameaça de uma viuvez.

Deus dá-nos a chamada “graça de estado”, para que possamos viver bem cada etapa da vida; de modo especial, sinto esta graça de estado da viuvez que me ajuda a viver como Deus quer. É claro que não é fácil viver sem uma esposa, com quem se conviveu durante anos, mas quando se vive pela fé, a graça de estado ajuda-nos, e não temos que temer. Vejo muitas mulheres e homens viúvos e viúvas a viver bem, consolados na fé, trabalhando muito para Deus e para os outros. Não devemos pensar que a viuvez é um estado final de vida, mórbido… De modo nenhum! Um viúvo tem ainda muito que fazer pela família, pela Igreja, pela salvação das almas. Pensando em tudo isto, devemos afastar de nós o medo de uma viuvez.

É bom lembrar o que São Paulo disse sobre a viuvez: “A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver. Mas, se morrer o marido, ela fica livre e poderá casar-se com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Cor 7,39). “Quero, pois, que as viúvas jovens se casem, cumpram os deveres de mãe e cuidem do próprio lar, para não dar a ninguém ensejo de crítica” (I Tm 5,14). “Mas a que verdadeiramente é viúva e desamparada, põe a sua esperança em Deus e persevera noite e dia em orações e súplicas” (1 Tm 5,5).

São Lucas mostra-nos o caso daquela bela viúva de 84 anos, Ana, que com o velho Simeão adoravam o Menino Jesus. “Depois de ter vivido sete anos com o seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações” (Lc 2,37).

Conheço um caso acontecido na Espanha, uma viúva de 70 anos, de Valença, mãe de três filhos e avó de cinco netos, entrou para um convento de irmãs franciscanas Clarissas contemplativas (fundada em 1212 por Santa Clara de Assis), onde fez votos perpétuos. O seu nome religioso é Célia de Jesus; e antes de se consagrar vivia para ajudar os pobres. Os seus filhos e netos assistiram aos seus votos.

Muitas viúvas tornaram-se santas e ajudaram muito o Reino de Deus: Santa Isabel de Hungria, Santa Isabel de Portugal, Santa Angela de Foligno, Santa Luzia, Santa Paula, Santa Brígida, Santa Rita de Cássia, Santa Helena, etc. Estas mulheres foram muito importantes para a Igreja, portanto, os viúvos não têm de enterrar as suas vidas apenas dentro de casa.

Uma coisa importante a entender é que, na Igreja, não há aposentados nem desempregados. Sempre há trabalho no Reino de Deus para quem quer “servir ao Senhor com alegria” (Sl 99,2). Os viúvos e viúvas são pessoas maduras, muitos têm uma boa formação intelectual e podem ajudar muito a Igreja na pastoral, sobretudo no baptismo, primeira comunhão, crisma e matrimónio. Os viúvos não podem “enterrar os seus talentos”, pois Deus vai-nos cobrar isto. A Igreja precisa da nossa experiência, dos nossos lábios e mãos. Quando nos colocamos à disposição de Deus para O servir, logo Ele nos dá um trabalho adequado à nossa condição. E isto nos faz felizes.

Hoje, posso dizer que trabalho ainda mais do que no tempo em que não era ainda viúvo. Hoje, tenho mais tempo para as coisas de Deus. E isto dá-me forças, alegria e vida. Tudo isto que a Igreja nos ensina deve ser um antídoto ao medo da viuvez. Qualquer que seja o nosso estado de vida, podemos ser felizes se vivermos em Deus e para Deus.

 

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