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Jesus Cristo vai de férias? Imprimir e-mail

 

Jesus Cristo vai de férias? Sim, e dá-nos aulas de Descanso, porque há 3 coisas que nos descansam 

 

Certo homem bom, cheio de desejos de cumprir, de chegar a todo lado e a Deus, até porque "Deus nos mandou estar prontos para todo o serviço!", dizia: «Agora não posso, mas venho já», com dois telefones, um olho nas notícias, e correndo ao andar de cima, para mais um recado entre dois emails. Corria e mais corria. «Falo-te logo, depois da missa. Passo no hospital e quero chegar antes dos miúdos se deitarem.» Corria tanto que um dia não aguentou. Então parou e Deus, finalmente, conseguiu alcançá-lo! Era um pouco tarde, mas começaram aí as suas aulas de descanso: a consciência da necessidade de equilíbrio, do dizer 'Sim' e 'Não', de assumir as prioridades.

Jesus descansava

Naquela hora de calor, depois da caminhada, Jesus sentou-Se junto ao poço de Jacob. Deixou os discípulos, aprendizes, irem às compras abastecerem-se, sem Ele. Mas o que mais O descansou foi a conversa libertadora e franca com a mulher samaritana (Jo 4).

Sim, Jesus convidava os discípulos: Vinde a um local sossegado! (Mc 6, 31).

Ele próprio desaparecia e subia ao monte para rezar a sós (Mt 14, 23).

Também descansava com os amigos: sempre que podia, passava em casa de Marta, Maria e Lázaro, sem pressa, partilhava afetos e alimentos (Lc 10, 38).

Ensinava a viver em paz, dando paz, sabendo que somos ovelhas no meio de lobos (Lc 10, 6).

Aprendeu a peregrinar, sem perder a cabeça, compreensivo e frontal, perdoando e curando os males e o stress de cada um. N’Ele não se viam nem a pressa, nem a ganância, nem o individualismo, fontes de tanto desgaste.

Não haverá aqui um bom programa de formação para as nossas escolas e catequeses, nesta Europa velha e cansada de gente sem lugar, migrantes e desempregados, que, deprimida, tende a substituir o descanso pelo divertimento e pelo consumo fácil?

Onde encontrar descanso?

«Vinde a Mim, vós todos que andais cansados e oprimidos!» (Mt 11, 28). Descansar, mais do que não trabalhar, é agir de outro modo. E férias e tempo livre devem ser tempo de mais liberdade, vivido sabiamente, ocupado naquilo que equilibra, pacifica, cultiva e relaciona melhor com os outros, com o espaço e com o tempo. Numa palavra, o que nos humaniza.

Há três coisas que certamente nos descansam

A primeira é sentir-se e saber-se amado!

Não há nada que mais descanse, dando a necessária segurança que cada um precisa para gerir a sua vida, tanto nos sucessos como nos desaires.

A segunda fonte é ter um sentido na vida, ou seja, estar profundamente convencido que há futuro, que vale a pena empenhar-se porque, mesmo na dor ou na travessia do deserto, se tem a certeza de que Deus está e a seu tempo tudo se converte em bem para os que O amam. Esta fonte chama-se esperança.

A terceira fonte vem de ser reconhecido e saber que se tem lugar neste mundo. Ou seja, estar convencido que se tem uma missão única, como membro único que somos da sociedade e do corpo místico que é Cristo e a sua Igreja.

Treinar para o descanso eterno (que não é só para defuntos)

Se, como a Bíblia e a Vida nos ensinam, não há maior descanso que amar e ser amado, e se isso, em plenitude, é o Céu para que fomos feitos, então é preciso caminhar nessa direcção e prepararmo-nos, desde já, para alcançar esse pleno de comunhão com Deus e com todos os santos.

Entretanto, o descanso será sempre entremeado de cansaços e percalços, vulnerável, mas pode também ser crescente e englobante se, vivendo à maneira de Cristo as nossas relações com a natureza, connosco próprios, com os outros e com o próprio Deus, nos tornarmos concriadores e criativos, de modo a chegar ao nosso sétimo dia e com Ele descansar.

É preciso treinar. Treinar para ir vivendo já o que de verdade importa e nos descansa, isto é, nos torna plenos no que damos, no que recebemos e no que comungamos. Treinar a contemplação integradora; treinar a justiça pacificadora; treinar a verdade e a solidariedade libertadoras. Tanto trabalho “descansador”!

Rezemos sem preconceitos: dai-nos, Senhor, o eterno descanso.

Esse descanso não é só para missas de defuntos. O descanso eterno não é o que vem depois da morte, mas aquele que se experimenta superando o pecado. O pecado é que nos mata; pois mata a alegria, mata o amor e destrói o descanso.

Na praia ou no campo, no trabalho como na família, na política, na arte e no desporto, em todas as nossas relações e situações, descansar comungando. Fazendo tudo como se tudo dependesse de nós e, simultaneamente, confiando tudo como se tudo dependesse de Deus. E as duas coisas são verdadeiras e descansam. Pe.Vasco Pinto de Magalhães, SJ

 
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“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim,

não é digno de Mim.

Quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim,

não é digno de Mim”.

 

(Mt 10,37)


 

 

 

 


 

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