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João Paulo II

 
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O desagravo das ofensas cometidas contra Jesus no Carnaval Imprimir e-mail

 

O desagravo das ofensas cometidas contra Jesus no Carnaval

 

Nestes dias do Carnaval, para desagravar nosso Senhor Jesus Cristo ao menos um pouco pelos ultrajes que lhe são feitos, os santos aplicavam-se, de modo especial, ao recolhimento, à oração, à penitência, e multiplicavam os actos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado.

Procuremos imitar o exemplo dos santos, e se mais do que eles, não pudermos fazer, visitemos muitas vezes o Santíssimo Sacramento e fiquemos certos de que Jesus Cristo nos recompensará com as graças mais importantes para a nossa salvação. Como diz o Eclesiástico: “Guarda a fé com o teu amigo na sua pobreza, para que também te alegres com ele nas suas riquezas” (Eclo 22, 28).

Este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que principalmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e é como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado já desonra Deus, o injuria e o despreza, imaginemos quanto o divino Redentor deve afligir-Se neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, até mesmo por pessoas que Lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é suscetível à dor, mas, se ainda pudesse sofrer, morreria nestes dias desgraçados, tantas vezes quantas são as ofensas que Lhe são feitas.

Na Liturgia pré-conciliar, no chamado domingo de Quinquagésima, que precedia as festas de Carnaval, não sem razão mística a Igreja propunha para a nossa meditação uma leitura do Evangelho na qual Jesus Cristo prediz a sua dolorosa Paixão. Com isto, a nossa boa Mãe deseja que nós, seus filhos, unamo-nos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e O consolemos com os nossos obséquios; porquanto os pecadores, nestes dias, mais do que em outros tempos, Lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho.

Nestes tristes dias, os cristãos, e até entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e O entregarão nas mãos do demónio. Eles trairão o Senhor, já não às ocultas, mas nas praças e vias públicas, fazendo ostentação da sua traição! Eles trairão Jesus, não por trinta moedas de prata, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo!

Uma das mais baixas infâmias que Jesus Cristo sofreu na sua Paixão foi que os soldados Lhe vendaram os olhos e, como se Ele nada visse, O cobriram de escarros, e Lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? (cf. Lc 22, 64).

Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não as pudesse reconhecer, não têm pejo de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus e as coisas santas!

Segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus, por isso, nestes dias, Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes.

É exactamente isto que Jesus Cristo quis dizer a Santa Gertrudes aparecendo-Lhe num domingo de Quinquagésima, todo coberto de sangue, com as carnes rasgadas, na atitude do “Ecce Homo” (Jo 19, 5), e com dois algozes ao lado, que lhe apertavam a coroa de espinhos e Lhe batiam sem piedade. Ah! Meu pobre Senhor!

Aproximando-se Jesus da cidade de Jericó, um cego estava sentado à beira da estrada e pedia esmolas. Ao saber que por ali passava Jesus de Nazaré, apesar das rudes repreensões, para que se calasse, não cessava de gritar: “Jesus, Filho de David, tende piedade de mim” (Lc 18, 38). O cego mereceu que, em recompensa da sua fé, o Senhor lhe restituísse a visão: “A tua fé te salvou” (Lc 18, 42).

Nestes dias, se quisermos agradar ao Senhor, imitemos a fé daquele pobre cego e, neste tempo de libertinagem desenfreada, enquanto os outros só pensam em se divertir com prazeres mundanos, procuremos estar, mais do que de costume, diante do Santíssimo Sacramento. Não nos importemos com os escárnios do mundo, mas lembremo-nos do que dizia São Pedro Crisólogo: “Quem quiser brincar com o demónio, não poderá gozar com Cristo”. Quando nos acharmos na presença de Jesus Cristo no sacrário, peçamos-Lhe luz para detestarmos as ofensas que O magoam tão profundamente. Peçamos ao Senhor não somente para nós mesmos, mas também para tantos irmãos nossos desviados: “Senhor, fazei que eu veja” (Lc 18, 41).

Para desagravar o Senhor um pouco de tantos ultrajes, os santos aplicavam-se no tempo de Carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor ao seu Bem-Amado:

No tempo de carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso para expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Francisco de Sales, tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as e exortava-as à comunhão frequente.

Todos os santos, porque amaram Jesus Cristo, esforçaram-se o mais que podiam para santificar o tempo do Carnaval. Sendo assim, se amamos também o amabilíssimo Redentor, imitemos os santos. Se não podemos fazer mais, procuremos ao menos ficar, mais do que noutro tempo, na presença do Santíssimo Sacramento, ou bem recolhidos em nossas casas, aos pés de Jesus Cristo crucificado, para chorar as muitas ofensas que Lhe são feitas nesses dias.

Santa Gertrudes viu num êxtase o divino Redentor que ordenava ao Apóstolo São João que escrevesse com letras de ouro os actos de virtude feitos por ela no Carnaval, para a recompensar com graças especialíssimas. Foi exactamente neste mesmo tempo, enquanto Santa Catarina de Sena estava a orar e a chorar os pecados que se cometiam nestes dias que o Senhor a declarou sua esposa, em recompensa dos obséquios praticados pela Santa no tempo de tantas ofensas.

Oração de Santo Afonso Maria de Ligório para o tempo do Carnaval

Amabilíssimo Jesus, Vós que sobre a cruz perdoastes aos que Vos crucificaram, e desculpastes o seu horrendo pecado perante o vosso Pai, tende piedade de tantos infelizes que, seduzidos pelo Espírito da mentira, e com o riso nos lábios, vão neste tempo de falso prazer e de dissipação escandalosa, correndo para a sua perdição. Ah! pelos merecimentos de vosso divino sangue, não os abandoneis, assim como mereceriam. Reservai-lhes um dia de misericórdia, em que cheguem a reconhecer o mal que fazem e a converter-se. — Protegei-me sempre com a vossa poderosa mão, para que não me deixe seduzir no meio de tantos escândalos e não venha a ofender-Vos novamente. Fazei que eu me aplique tanto mais aos exercícios de devoção, quanto estes são mais esquecidos pelos iludidos filhos do mundo.

Amabilíssimo Jesus, não é tanto para receber os vossos favores como para fazer coisa agradável ao vosso divino Coração, que quero nestes dias unir-me às almas que Vos amam, para Vos desagravar da ingratidão dos homens para convosco, ingratidão essa que foi também a minha, cada vez que pequei. Em compensação de cada ofensa que recebeis, quero oferecer-Vos todos os actos de virtude, todas as boas obras, que fizeram ou ainda farão todos os justos, que fez Maria Santíssima, que fizestes Vós mesmo quando estáveis nesta terra. Entendo renovar esta minha intenção todas as vezes que nestes dias disser:

† Meu Jesus, misericórdia. ― Ó grande Mãe de Deus e minha Mãe Maria, apresentai Vós este humilde acto de desagravo ao vosso divino Filho, e por amor do seu sacratíssimo Coração obtende para a Igreja sacerdotes zelosos, que convertam grande número de pecadores.

Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.

 

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