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João Paulo II

 
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Como superar as tristezas?

 

Com um rosto sorridente, o homem duplica as capacidades que possui.

Esta é uma receita espiritual para quem quer vencer, em Deus, todas as suas tristezas; não as guardar consigo, mas entregá-las todas a Deus.

Se quer ser feliz, então, proíba a si mesmo de cultivar a tristeza, de se mostrar de rosto triste e mal-humorado.

Olhe para trás e veja quantos sofrem mais do que você, com cancro, numa cadeira de rodas, num leito de hospital… e mude já esse rosto triste, ainda que tenha de fazer violência a si mesmo. Cultive a alegria; ela espalha bênçãos; ela contagia os outros. Alimentar tristezas é criar um clima de intranquilidade que gera enfermidade.

Seja feliz, porque muitos precisam de si para viver, muitos esperam o seu sorriso, muitos precisam de se contagiar com a sua alegria. Lembre-se, viver é um privilégio, por isso, você precisa de cultivar, diariamente, a planta preciosa da alegria. Você tem o direito de chorar, mas mesmo entre lágrimas nunca tem o direito de renunciar à alegria. Sorria, pois o sorriso é o idioma do amor universal: até as crianças o compreendem. Confúcio disse que “quando você nasceu todos sorriam, só você chorava. Fazer por viver de tal modo que, à hora da sua morte, todos chorem, só você sorria”.

Aconteça o que acontecer, viva alegre. A alegria dissipa as nuvens mais negras. Para isso é preciso cuidar dos pensamentos; pois a nossa felicidade depende da índole dos nossos pensamentos. Quem souber dominar os seus pensamentos, saberá governar a sua vida.

É saudável saber que nada é estável nas coisas humanas; portanto, é preciso saber evitar tanto a euforia na prosperidade como a depressão na adversidade. A imaginação é a alma da tristeza ou da alegria; ela precisa de ser dominada; é mais fácil reprimir a primeira fantasia do que todas as que a seguem.

O pensar bem é causa de saúde e de felicidade; muitas vezes, o contentamento torna os pobres ricos; o descontentamento torna os ricos pobres. “Quem ama o feio, bonito lhe parece”. Tristezas não pagam dívidas, portanto, de nada vale alimentá-las. Não se pode também ficar remoendo os tristes acontecimentos do passado, pois sabemos que “águas passadas não movem moinhos”. Como dizem os ingleses: “não adianta chorar sobre o leite derramado”; é melhor ir logo em busca de outro.

Com um rosto sorridente, o homem duplica as capacidades que possui. Um coração alegre faz tanto bem como os remédios.

O povo diz sabiamente que quem canta seus males espanta. Quando você mergulha na tristeza, não consegue subir um degrau; mas se você se firma na alegria, consegue galgar montanhas.

Acho que você já ouviu a história daquele rapaz que andava triste porque não tinha sapatos, até que encontrou alguém que não tinha os pés… estancou as lágrimas no mesmo instante. Certamente muitos estão em situação pior do que a nossa. O melhor remédio para a própria tristeza é procurar com presteza consolar a tristeza dos outros. Nada seca tão depressa como uma lágrima, quando enxugamos a lágrima alheia. A caridade produz a alegria; todas as pessoas e grupos que fazem o bem aos outros são alegres.

É fundamental manter o bom humor; ele é, em primeiro lugar, o melhor promotor da saúde. Um sorriso custa bem menos que a eletricidade e dá mais claridade. A alegria não está nas coisas, mas em nós, e ela é para o corpo humano o mesmo que o sol é para as plantas. Quem está contente nunca será arruinado. A vida não aprecia os que se lamentam. Mas coloca-os de lado. Ela ama os que a amam.

Nas horas difíceis ou constrangedoras, saiba vencer a tristeza e o mau humor com uma brincadeira saudável, sem ofender os outros. Certa vez o Papa João XXIII fez uma visita a uma paróquia de Roma; e ao passar pelo povo ouviu uma senhora dizer para outra: – “Nossa, como ele é gordo!” O Papa ouviu, virou-se para a mulher e disse sorrindo: – “Minha senhora, o Conclave não é um concurso de beleza!” E continuou a caminhada.

Um casal viajava com os filhos; e de repente a esposa começou a queixar-se para o marido: “Tu já não me abraças; não me fazes carinhos gostosos que fazias quando viajávamos juntos…” E foi reclamando. Muito tranquilo e sem se ofender o marido virou-se para ela e disse: “Meu bem, naquele tempo nós não viajávamos de Kombi com cinco crianças brigando nos bancos de trás!” E foi só risada! Saiba transformar um momento de tensão num momento de descontracção, brincando.

A lamentação é uma das coisas mais tristes do relacionamento humano; nada resolve e cria um clima de pessimismo, acusação, tristeza e amargura. Estamos acostumados a reclamar das coisas que nos aborrecem, mas não vemos o lado bom que também existe na nossa vida.

Não se queixe tanto dos impostos que paga, isso significa que você tem emprego, ou tem bens… Não posso reclamar da confusão que tenho de limpar após uma festa, pois isso significa que estive rodeado de amigos… Da mesma forma, não devo reclamar das paredes que precisam de ser pintadas, da lâmpada que precisa de ser trocada, porque isso significa que tenho a minha casa… Assim como não me devo lamentar porque eu não achei um lugar para estacionar o carro, pois isso significa que além de ter a felicidade de poder andar, tenho um carro que muitos não têm.

Não reclame da senhora que canta desafinado atrás de si, porque isso significa que você pode ouvir. Não reclame do cansaço e dos músculos doloridos que você sente ao final do dia porque isso significa que você tem saúde para trabalhar…

E assim, eu e você poderíamos multiplicar estes exemplos.

Por mais difícil que esteja a sua situação, tente sorrir, você verá que será mais fácil passar por mais essa prova… Se não resolver o seu problema, agradeça a Deus por eles e peça coragem para os enfrentar com dignidade. Não estrague o seu dia. A sua irritação não solucionará problema algum… As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas… Assim como os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar… O seu mau humor não modifica a vida. A sua tristeza não iluminará os caminhos. O seu desânimo não edificará a ninguém. As suas reclamações, ainda mesmo afectivas, não acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por si (…).

Se você acordou nesta manhã com mais saúde do que doença, você é mais abençoado do que um milhão que não sobreviverão nesta semana. Quantos por este mundo enfrentam os perigos das guerras, o horror das bombas, a solidão de uma prisão, ou as aflições da fome! Quantos não podem frequentar uma igreja sem o medo de serem perturbados, prisão, tortura, ou morte… Quantos não têm comida em casa, roupas, uma casa para morar (…). Tudo isto faz-nos concluir que é uma grande blasfêmia reclamar da vida e da própria sorte.

“O que perturba os homens não são as coisas que acontecem, mas a opinião que eles têm delas”, disse Demócrito (461-361 a.C). Uma pedra pode ser vista de muitas maneiras: O distraído tropeçou nela. O bruto usou-a como projéctil. O empreendedor, usando-a, construiu. O camponês, cansado, fez dela assento. Para meninos, foi brinquedo. Drummond poetizou-a. Já, David matou Golias. Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura. E em todos estes casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem! Não existe “pedra” no seu caminho que você não possa aproveitar para o seu próprio crescimento.

 

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