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Deus é Amor

Papa Bento XVI

 
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O Homem só é livre pela participação na liberdade de Deus

 

 A liberdade pode ser definida como a faculdade de tomar posição em face de uma exigência de Deus, mas somente pela participação da liberdade divina. Em si mesma a liberdade é somente a faculdade de fazer voluntariamente o bem. A possibilidade de fazer o mal não pertence à sua essência.

Só há liberdade onde há força de vencer o mal; onde a pessoa pode, no mais íntimo de si mesma, tomar posição em face de uma requisição do bem ou de uma solicitação do mal. O homem é livre à imagem de Deus.

O homem como ser criado e radicalmente livre foi criado em liberdade. Claro que a liberdade foi dada por Deus ao homem, é um dom. Mas a liberdade leva o homem a uma abertura para a realidade do plano salvífico de Deus.

Na realidade, no pecado, o mau uso da liberdade constitui o mais baixo grau de participação na liberdade de Deus, por isso, uma diminuição da própria liberdade humana. Ao contrário, a mais alta participação na liberdade divina, portanto, a mais nobre liberdade humana, consiste em agir totalmente sob a influência da graça.

Negar que o homem é capaz de escolher entre o bem e o mal, é supor que ele não é capaz de decidir e estar radicalmente sob a imposição de Deus. Uma vez que o homem faz mau uso da sua liberdade, há um enfraquecimento daquela liberdade original, conduzindo-o a uma rejeição do plano salvífico de Deus.

A grandeza da liberdade humana manifesta-se da maneira mais sublime quando ela se abandona totalmente à direcção da graça e se torna forte para dizer a Deus, em Cristo, o sim de um amor filialmente obediente.

A liberdade é um dom e um dever. No acto da nossa criação, Deus fez-nos livres. A liberdade pode crescer até ao grau em que o homem se deixa conduzir totalmente pelo Espírito de Deus: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde há o Espírito do Senhor aí há liberdade” ( 2 Cor 3, 17).

A liberdade humana está sujeita a muitas formas de restrições: o temperamento individual, ao ambiente e o meio social. “Mas é só na liberdade que o homem se pode converter ao bem. Os homens de hoje apreciam grandemente e procuram com ardor esta liberdade; e com toda a razão. Muitas vezes, porém, fomentam-na dum modo condenável, como se ela consistisse na licença de fazer seja o que for, mesmo o mal, contanto que agrade.

A liberdade verdadeira é um sinal privilegiado da imagem divina no homem. Pois Deus quis «deixar o homem entregue à sua própria decisão», para que busque por si mesmo o seu Criador e livremente chegue à total e beatífica perfeição, aderindo a Ele. Exige, portanto, a dignidade do homem que ele proceda segundo a própria consciência e por livre adesão, ou seja movido e induzido pessoalmente desde dentro e não levado por cegos impulsos interiores ou por mera coacção externa.

O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se da escravidão das paixões, tende para o fim pela livre escolha do bem e procura a sério e com diligente iniciativa os meios convenientes. A liberdade do homem, ferida pelo pecado, só com a ajuda da graça divina pode tornar plenamente efectiva esta orientação para Deus. E cada um deve dar conta da própria vida perante o tribunal de Deus, segundo o bem ou o mal que tiver praticado” (Gaudium et Spes, 17).

O homem é directamente responsável por todo o objecto da sua decisão livre referente a uma acção ou uma omissão.

 

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