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João Paulo II

 
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Carnaval: Semana de FOLIA desenfreada Imprimir e-mail

 


CARNAVAL: Semana de FOLIA desenfreada


  No tempo do carnaval, Nosso Senhor Jesus Cristo renova a sua sangrenta Paixão; por isso, Ele repete com toda verdade as suas palavras dilaceradoras: “Troçarão de mim, cuspir-me-ão no rosto, matar-me-ão na cruz”.


Todos os pecados de gula não são, porventura, o cálice amargo renovado para Ele?

 


  Todas as imodéstias no vestir, os olhares impuros, as ações obscenas não repetem porventura o despimento das suas vestes e a sua bárbara flagelação?


  E as máscaras que escondem o rosto para não sentir o rubor de certas baixezas, não são semelhantes às vendas por dentro das quais os soldados escondem a cabeça majestosa de Deus, para ficarem mais livres de injuriá-lo?


  E toda a blasfêmia, e todo o grito imundo, e todo o riso malicioso, não assemelham às cuspidelas com que foi conspurcada a face do Senhor?


 Sim! Para Jesus a semana do carnaval é uma nova semana da Paixão; e os pecados do carnaval pesam-lhe nos ombros, como um dia lhe pesou a cruz na qual devia morrer.

 


  Por sorte, neste mundo não há apenas judeus, nem apenas soldados brutais cujo mau coração se alegra com martirizar um inocente, nem todos são como Pilatos, nem todos são como Herodes ou Caifás: há também almas boas, como Verónica, que enxugam o rosto do Salvador das lágrimas e do sangue; há também homens generosos, como Cireneu, que o ajudam a carregar a sua cruz.


  Nunca, como na semana do carnaval, Jesus é feito sinal de contradição: de um lado a loucura desenfreada, de outro o amor fiel.


  Terrível é a semana do carnaval. Nela as almas, como numa carruagem, voam ansiosas aos prazeres pecaminosos. Do fundo delas uma voz se levanta e protesta: “Pára: na estrada destes divertimentos há estendido o Corpo de Cristo, teu Rei, morto na cruz”. “Não importa! Respondem elas. – Contanto que eu possa desfrutar, avante...!” E passam adiante, e, com o calcanhar pisam as mãos chagadas, os pés chagados e o coração chagado do Crucificado.


  Mas é uma necessidade divertirmo-nos um pouco, antes de entrarmos nos dias severos da quaresma. Os que assim argumentam são, pois, aqueles que transgridem todos os jejuns, as penitências e as orações do tempo quaresmal. E, além disso, como podem chamar-se divertimentos as embriaguezes, as noitadas, os bailes e todas as desonestidades com e sem máscara? “Não divertimentos – clama São João Crisóstomo – mas sim, pecados e delitos”.


 Bem acertaram os Padres antigos quando disseram que a barafunda do carnaval é uma invenção do diabo. E que os que se chafurdam dentro dela são todos cristãos que, na prática ao menos, querem desbatizar-se. Quando eles foram levados à pia sagrada, o ministro de Deus lhes disse: “Renuncias ao demónio e às suas pompas?” “Renuncio”, foi respondido. Mas eis que nestes dias, muitíssimos arrancam do seu coração as renúncias e o batismo, e, tornados pagãos, lançam-se no culto dos sentidos e nas pompas demoníacas.


 Há outros que argumentam assim: “Não acho nada de mal em ir a certas representações, aos clubes dançantes ou cantantes, aos bailes de máscaras...”

 


 Pobres católicos! Mister faz realmente dizer que perderam o senso do bem e do mal.


 Tertuliano conta um episódio que pode nos ensinar muitíssimo, mesmo nos nossos dias. Uma senhora, apenas entrando em certo teatro, foi invadida pelo demónio. Arrastada perante o Bispo, este, exorcizando-a, forçou o Espírito maligno a dizer por que ousara molestar aquela mulher, que era boa e religiosa. “Se fiz isto – respondeu o demónio – tinha o direito de fazê-lo. Invadi-a porque a surpreendi no que é meu” (De Spect., cap. 26). 

 


 Pensai então, católicos, que pecado cometem os pais indignos que levam os filhos pequenos às reuniões carnavalescas, ou a elas deixam ir as filhas!


  Elas não têm tempo nem vontade de lavá-las aos Sacramentos de Deus, e, no entanto, permitem que elas vão – ou, pior, as acompanham – aos sacramentos do demónio. Assim chamava Santo Agostinho aos divertimentos carnavalescos, porque, em vez de nos fazerem amigos de Deus, eles nos fazem amigos do demônio; em vez de nos darem a graça, dão-nos a desgraça; em vez de nos abrirem a porta do Paraíso, escancaram-nos a porta do inferno.


  Quanto às máscaras, direi só uma coisa: “A primeira pessoa neste mundo a mascarar-se foi Satanás, quando se disfarçou sob a forma de serpente, para arruinar Eva e todos nós que viemos depois” (Pe. João Colombo).


 Santo Ambrósio exortava, no princípio do carnaval, aos católicos do seu tempo da seguinte maneira:

 


  O herói Ulisses, voltando de Tróia conquistada, devia passar pela ilha das sereias: dali elevava-se sempre uma canção fascinante, aliciadora e irresistível. Mas todo o nauta que cedia à lisonja daquela música ia à ruína; e o recife já estava todo branco de ossadas humanas. Para vencer a tentação, o astuto herói fez-se amarrar ao mastro da nau, e pediu aos companheiros que não o desamarrassem senão depois de passado o perigo. Só assim pôde salvar e rever Ítaca, o seu reino e o seu domicílio.

 

 Católicos, o carnaval pode ter para nós uma voz de sereia, irresistivelmente aliciadora: quem cede vai de encontro aos brancos escolhos da eterna ruína. Amarremos a nossa alma ao mastro da Cruz da qual pende Deus que morre pela nossa salvação; meditemos o seu gemido e também nós nos salvaremos de todo o perigo.


 

 

 

 

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