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João Paulo II

 
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A diferença entre perdoar e desculpar

 

Há ofensas que merecem ser perdoadas. Para outras, apenas uma desculpa é suficiente

 

Sem dúvida, alguns dos maiores desafios que temos que enfrentar são os atos de perdoar e desculpar. Estas ações parecem a mesma coisa, mas não são. As duas têm um denominador comum: exigem muita humildade, muito amor e muita vontade de fazer acontecer. A diferença entre elas está na pessoa, pois desculpa-se o inocente e perdoa-se o culpado.

Uma história:

Era aniversário da Mónica, uma amiga querida, daquelas que, se a gente não a cumprimenta em datas importantes, ela fica sem falar connosco durante três meses. Ela é sentida, sentida e sentida…

Não confiando na minha memória, anotei a data na minha agenda pessoal e no telemóvel, para que eu não me esquecesse de modo nenhum.

Pois bem: chegou o grande dia e, desde cedo, o alarme do meu telemóvel avisou-me que eu deveria ligar para a Mónica. Como eu estava cheia de compromissos, pensei em encontrar um horário mais tarde para poder ligar. E este horário chegou três dias depois! Podem imaginar como ela estava…

O que eu tive que fazer foi pedir desculpas à Mónica, já que, de verdade, foi um descuido involuntário por causa do excesso de trabalho, da minha falta de atenção e da minha péssima memória. Isto não quer dizer que eu deixei de a cumprimentar porque queria que ela ficasse chateada.

A Mónica, que já me conhece, compreendeu que o que eu fiz foi realmente sem querer. Por isso, desculpou-me e libertou-me de toda a culpa. O que ela fez foi adotar um gesto de justiça, reconhecendo que eu não era culpada.

Por outro lado, o perdão é um assunto ainda mais complexo. Ele transcende a justiça estrita, pois, muitas vezes, o culpado não merece o perdão. E se ele é perdoado, o ato transforma-se em algo além da justiça: é um maravilhoso gesto de misericórdia e amor.

Há muitas coisas para serem perdoadas. Ofensas de todos os tamanhos, cores e sabores!

Por exemplo, se um dia eu resolver ficar de mau humor porque tive um péssimo dia e ofender algum dos meus filhos por causa disso, não basta pedir-lhe desculpas. Devo pedir perdão pelo dano causado, já que eu fui culpada. Ao me perdoar, o que meu filho me oferece é um gesto de profunda misericórdia.

Quando entendemos que o outro não teve culpa, há uma reação espontânea de desculpa; não há resistência para desculpar, pois a “inculpabilidade” está clara. Mas a coisa muda de figura quando sabemos que quem ofende é culpado. Neste caso, queremos que ele pague pela falta cometida e assuma as consequências do que fez. Ao perdoá-lo, oferecemos-lhe o nosso ato voluntário de caridade e misericórdia.

Enfim, é importante refletir quando alguém nos faz “algo” que tomamos como ofensa e enxergar as coisas na sua justa medida. Assim, evitaremos um desgaste inútil. Há ofensas que merecem ser perdoadas. Mas, obviamente, para a maioria uma simples desculpa é suficiente.

 

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