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"Assim como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros"

(Jo 13, 34)

 
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Qual a verdadeira identidade masculina? 

 

Na sociedade atual, qual é a verdadeira identidade masculina?

 

Nunca se falou tanto em direitos humanos e dignidade da pessoa como nos tempos atuais. Porém, contrário a estes discursos, o quotidiano mostra, cada vez mais, o aumento do número de casos de crimes e violência de cunho sexual. É uma falsa ideia de liberdade que prega o uso do corpo para alcançar o prazer, pois, na prática, os resultados têm se mostrado de libertinagem e prejuízo próprio. As consequências de tudo isto são, na sua grande maioria, sentidas pelos mais fracos e indefesos, mulheres e crianças. Assim, fica óbvio atribuir ao ser masculino não só a autoria dos crimes, mas um desvio no comportamento da identidade masculina desta geração.

O que acontece com a identidade masculina

Então, podemo-nos perguntar: “O que está a acontecer com o homem – ser masculino? Por quê tantos episódios do uso da força e autoridade para estupros e pedofilia? E ainda, por que é que vemos tantas esposas frustradas com os maridos, e filhos com os pais?”

Para responder a tudo isto, é preciso recorrer à essência do homem. São João Paulo II disse, num dos seus discursos, que “o mistério da identidade masculina se revela em toda a profundidade no significado gerador e paterno”. Ou seja, a primeira e mais profunda vocação do homem é ser pai.

Seguindo nesta descoberta, encontraremos o sentido completo e a forma ideal de desenvolver a paternidade. Frei Raniero Cantalamessa, pregador oficial do Vaticano, comparou o amor de Deus ao amor humano de pai e mãe distintamente. Dizia ele: “O amor paterno é feito de estímulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado à plena maturidade”.

A paternidade é feita pela solicitude e pelo estímulo.

O homem é aquele que ensina a realizar, trabalhar e, enquanto não vê o seu aprendiz chegar à maturidade, ele se faz seu provedor. A realização pessoal masculina está em transformar os elementos do cosmos para si, para a família e para a sociedade. No início, Deus manda que o homem extraia sustento da natureza (Gn 3, 17).

Cérebro do homem

Desde a época das cavernas foi assim. Então, o cérebro dos homens tem sido condicionado a desenvolver diferentes percepções ao da mulher.

O homem saía para caçar, o que lhe trouxe maiores aptidões em áreas específicas para cumprir este seu ofício, como um maior senso de direção (localização, orientação e posicionamento), também de foco num alvo (a presa), o que o tornou mais sensitivo aos apelos visuais, e ainda agilidade e força física.

Também o homem é mais inclinado ao ato sexual por uma razão biologicamente fácil de entender. Ele possui a semente (sémen), então, a excitação nele diz respeito ao tempo para distribuir as sementes, diferente do organismo feminino que gera e amamenta.

Buscando desde a troca de olhares, indícios de segurança e companheirismo para o tempo suficiente de criar os filhos, isto fez a mulher levar mais tempo para se convencer do sexo.

Esta erotização e insistente incidência de estímulos sexuais, quase em todos os ambientes em que estamos, podem acabar por tirar todo o ser humano do domínio de si, das suas forças vitais e, consequentemente, alterando o comportamento social, pois o dom da sexualidade não diz somente respeito aos órgãos genitais, mas de todos os aspectos da pessoa humana, inclusive na sua capacidade de criar vínculos afetivos, até mesmo de amizades (Catecismo da Igreja Católica, 2332).

Revolução sexual e massificação do sexo

Por isso, com a revolução sexual e a massificação do sexo, o alvo mais suscetível foi o ser mais visual e propenso ao ato em si: o homem. “Quando um homem olha, repetidamente, para uma pornografia, ele encontra dificuldade em se relacionar com mulheres na vida real, pois se acostuma a ver as mulheres como ‘objetos a serem usados’. O prazer acintoso toma o lugar do amor e a fantasia substitui a realidade” (O brilho da castidade, Prof. Felipe Aquino, Ed. Cleofas, pág 77).

Sendo tão subjugado pelas suas paixões, a identidade masculina tende a esvaziar das suas capacidades o sentido e a forma plena de canalizar a sua essência. A sua força agora será usada para satisfazê-lo, a sua autoridade para impor.

O vigor próprio do homem, sem estar direcionado para a sua finalidade paterna, esvai-se, tornando o homem um indivíduo de mentalidade fraca, sem firmeza e decisão, com medo da vida e suas exigências.

Chefe de família

Aprender e assumir ser “chefe de família” corresponde, antes de tudo, a uma responsabilidade e um serviço perante a mulher e os menores na sociedade. Mas, não raro, percebemos muitas famílias que carecem de presença e bom exemplo por parte do pai, tornando esposas acuadas e filhos revoltados. Ou, então, em casos cada vez mais crescentes, estupros e abusos de menores.

Quem deveria proteger está a ser treinado a agredir pela indiferença verbal ou física. É a animalização do ser masculino.

O feminismo também ajuda neste processo, quando, declaradamente, toma o lugar do homem na sociedade ou, quando velado, inverte, sorrateiramente, os papéis de homens e mulheres, até fabricando o homem de hoje como um sujeito vaidoso em excesso.

Instintos primitivos

É certo também que as mulheres, quando apelam para a sensualidade, ajudam que todo o nosso sentido visual desperte instintos primitivos. Mas não precisamos de ficar a olhar. Ó homem, foge do que te é tentador. Não estou à procura de culpados, estou apenas a alertar dos perigos. Algumas mulheres podem estar a contribuir, mas não são as culpadas.

Enquanto não mudarmos o nosso foco e nos inspirarmos na castidade e na pureza da Sagrada Família, nada disto vai mudar. Para todos nós, seres humanos – falando principalmente aos homens –, começando por aquilo que é visual e com o conteúdo que estamos a absorver, devemo-nos preencher de sentido existencial por meio dos exemplos dos santos e de Cristo Jesus.

Partindo da consciência do que precisamos de ser – pais, estimuladores, provedores, presenças, companheiros e castos –, é que conseguiremos introduzir algo bom no lugar daquilo que é ruim, trocar a violência pelo amor mudando, toda uma mentalidade e a sociedade para melhor.

Acredito que o olhar puro de um homem é objeto de cura e restauração para muitas mulheres que nunca tiveram isto e é o que as nossas crianças esperam de nós.

São José, valei-nos e rogai por nós!

 

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