Mensagem

"Assim como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros"

(Jo 13, 34)

 
Início seta O Homem seta É verdade que o homem não chora?
É verdade que o homem não chora? Imprimir e-mail

 

É verdade que homem não chora? 

 

Quem de nós, homens, nunca ouviu estas frases? “Para de chorar menino! Um homem não chora.”

 

Desde pequenos, somos condicionados a reter os nossos sentimentos, principalmente as dores e angústias, sufocando-as no nosso íntimo. E, assim, inconscientemente, vamos encarnando, como uma verdade, que para sermos homens crescidos devemos desenvolver a insensibilidade aos sofrimentos próprios e, consequentemente, aos alheios também.

É verdade que o homem não chora?

Mas quem disse que homem não chora? Chora, sim! E deve chorar quando necessário, quando sentir que a dor está a transbordar do seu coração.

Em certas situações, realmente não fica bem, nem se espera de um homem que ele fique prostrado diante de um acontecimento. A natureza deu ao ser masculino maior potência muscular, além de características psíquicas de iniciativa, impulsividade, capacidade de responder de imediato ao que lhe é colocado como desafio, e outros aspectos, para que ele seja o primeiro a enfrentar os problemas (lançar-se no enfrentamento).

Desde pequenos somos tratados de forma mais firme, e isso é natural e perfeitamente aceitável.

As meninas brincam às casinhas, que simbolizam interação, cooperação, ambiente acolhedor e carinho. Aprendem balé ou dançam balançando os seus vestidos para os seus pais; e então ouvem elogios referentes à sua beleza e ao quanto são amadas. Nisto a sensibilidade delas é trabalhada e entendemos como: “elas têm direito” a demostrar fragilidades.

Os meninos brincam aos carrinhos, em que geralmente simulam acidentes e consertos, ou fantasiam uma aventura, quase sempre tendo ocasiões de luta. Perceba que são atividades que iniciam o pequeno a sair de si e enfrentar a vida, ou seja, a sociedade, a família e até os amigos moldam um homem por meio de desafios. Há a expectativa de que ele seja forte física e emocionalmente.

Portanto, ao ver uma mulher a chorar, provavelmente iremos compadecer-nos do seu sofrimento e será um tanto mais suportável vê-la prolongar a sua lástima. Já no caso de um rapaz, talvez até aceitemos as suas lágrimas por um tempo, mas, depois, ficaremos com a sensação de “Já deu! Agora levante-se e reaja!”

O problema é quando nos fixamos num esteriótipo e tiramos o direito e a dignidade de um homem como pessoa, alguém com sentimentos, que não tem a obrigação de ser sempre forte.

Realmente, esperamos que o homem se comporte diferente da mulher, que, se necessário, esteja preparado para tomar a frente e puxar a fila diante do facto desagradável. Mas, para isso, o homem precisa, principalmente num primeiro momento, de chorar e pôr cá fora a sua dor.

Aliás, o primeiro estágio para se superar uma dificuldade, é admitir que fomos atingidos e quanto esta contrariedade afectou o nosso coração.

As lágrimas fazem parte deste processo. Primeiro, ponha fora a sua indignação e o impacto da má notícia, e isto o ajudará a, depois, não reagir pela raiva ou impensadamente. O pranto contido se transformará em mágoa e ela ficará armazenada na alma, podendo gerar doenças e traumas que nos deixam cada vez mais insensíveis e intransigentes.

Enfim, chorar faz bem e não contratestemunha a masculinidade.

 

Webdesign Contabilidade Porto Porto Apartments