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"Assim como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros"

(Jo 13, 34)

 
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O mundo está cada vez mais religioso Imprimir e-mail

 

O mundo vai ficando cada vez mais religioso

 

A laicização – uma ateização dissimulada – progride em leis, acordos internacionais, declarações de chefes de Estado e de máximos líderes religiosos um pouco por toda a parte.

Mas isto não reflete todas as tendências que estão a mudar as pessoas.

Uma visualização mais arguta e complexa das propensões da humanidade na sua vida concreta está a ser corroborada por análises científicas, sociológicas, psicológicas reforçadas pelos resultados de consultas populares da maior relevância, escreveu Marita Carballo no jornal “La Nación”, de Buenos Aires.

 Ela é presidente de Voices! e vice-presidente do Comitê Científico do World Values Survey.

Esta visão verifica que a religião não só não perdeu vigência, mas cresce, anunciando um futuro cada vez mais voltado para o sobrenatural.

O século XIX acreditou nas profecias sobre o desaparecimento da noção de Deus, substituída pela euforia das descobertas e da globalização incipiente.

Pensadores laicistas e/ou ateus como Comte, Durkheim, Marx, Nietzsche e Weber refletiam esta histórica mudança social. Porém, hoje os seus livros estão entre os menos comprados e lidos, apanhando mofo em muitas bibliotecas.

Se os padres fundadores das ciências sociais laicistas pudessem ressuscitar, talvez preferissem voltar aos seus túmulos, à vista da importância que os jovens dão à espiritualidade.

Jürgen Habermas e o sociólogo Peter L. Berger, entre outros, falam deste crescimento.

Berger até desdiz nos seus escritos anteriores e insiste na sua principal mudança intelectual: “Vejo que o mundo, com notáveis exceções, é tão religioso como sempre, e em alguns lugares mais do que nunca”, escreveu em 2001.

A era da modernidade, da globalização e da intercomunicação planetária minou a religiosidade, sobretudo na Europa Ocidental.

Mas, o ter banido a religião abriu um vazio que as pessoas agora querem preencher. Então procuram em Deus, em Nossa Senhora, nos anjos e nos santos um refúgio acolhedor dentro de um mundo frio e devorador.

Segundo Marita Carballo, o World Values Survey e a última sondagem internacional de WIN/Voices! em 68 países de todos os continentes constataram que 62% das pessoas dizem-se religiosas, 75% acreditam na existência da alma e 72% em Deus. Apenas 25% se declararam não religiosas e 9% ateias.

O nível educativo pesa. Aqueles que passaram menos pelas máquinas educacionais ateizantes sentem-se mais religiosos, e vice-versa.

Por isso, na Europa Ocidental, o já multissecular processo de laicização inaugurado pela Revolução Francesa multiplicou agnósticos e ateus.

Análogo efeito produziu a modernização da Igreja Católica no período pós-conciliar: os índices de assistência às igrejas, aos casamentos, vocações, batizados, etc. caíram vertiginosamente.

Hoje, apenas dois em cada dez suecos e quatro em cada dez franceses se dizem religiosos. Os países nórdicos batem o recorde de descrença em Deus. Com exceção da Itália, os que acreditam em Deus nas nações europeias não superam 50%.

Mas nesta queda está incubado o contragolpe psico-sociológico.

Os EUA lideraram o desenvolvimento material e a globalização, mas atualmente a maioria dos americanos diz-se religiosa e atribui grande importância a Deus na sua vida.

Quem aspira a um cargo público deve declarar a sua religião, ainda que não acredite nela.

O presidente Trump bateu todos os recordes mandando bênçãos urbi et orbe no encerramento do seu discurso em Varsóvia, quando anunciou a sua futura política internacional.

Na França, multidões lotam as “Manifs pour tous” em nome de uma tradição e um passado católico que talvez não tenham conhecido. E isto não é efeito de uma pregação do clero ou de movimentos eclesiais organizados.

Na América Latina, entre oito e nove em cada dez pessoas declaram-se religiosos na maioria dos países, entre 90 e 98% acreditam em Deus e na existência da alma.

O singular é que a perda da fé no continente não está ligada à falta de formação escolar. Os países sul-americanos mais ricos e evoluídos são o exemplo.

Na Argentina, 78% dizem-se religiosos e a Constituição nacional reconhece o catolicismo.

No Brasil, a virada não pode ser mais espetacular. A corrida dos candidatos presidenciais Dilma e Serra para exibir a sua religiosidade no intuito de obter votos foi um exemplo clamoroso.

A maior bancada do Congresso – articulada pelas crenças evangélicas – e a derrocada das esquerdas laicistas, são apenas mais alguns indícios da viragem pela religião, que do ponto de vista sociológico só pode ser qualificada de colossal.

Na África, no Oriente Médio e grande parte de Ásia a religiosidade mantém-se alta, apesar de maculada por inúmeras superstições.

Em países como Tailândia, Índia, Bangladesh, Paquistão, Indonésia, Fiji, Papua Nova Guiné, Nigéria, Gana, Costa de Marfim, Armênia e Filipinas as percentagens dos que se dizem religiosos está à beira dos 100%.

 

 

 

 

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