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João Paulo II

 
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Aprenda a fazer pequenas orações ao longo do dia  

É importante que, ao longo do dia, reserves um tempo para fazer pequenas orações

 “És tu, Senhor, o meu único bem.” (Cf. Sl 16[15],2)

Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que é melhor falar “com Deus” do que “de Deus”, porque, no diálogo com os outros, sempre é possível infiltrar o amor próprio. Ela tem razão. No entanto, para dar um testemunho aos outros, precisamos também de falar de Deus.

É certo que, acima de tudo, devemos amar a Deus com aquele amor que é a base da vida cristã e que se exterioriza na oração, na atuação da sua vontade. Portanto, falar com o próximo, sem dúvida, mas sobretudo falar com Deus.

Como falar com Ele?

Simplesmente recitando as orações de todo o cristão, mas também examinando, durante o dia, por meio de alguma oração-relâmpago, se o nosso coração está realmente voltado para Ele, se é Ele o ideal da nossa vida; se lhe damos de facto o primeiro lugar no nosso coração, se O amamos sinceramente com todo o nosso ser.

Refiro-me às orações breves que são aconselhadas especialmente às pessoas que vivem no mundo e não dispõem de tempo para rezar demoradamente. São como flechas de amor que partem do nosso coração em direção a Deus, como dardos de fogo: são as chamadas “jaculatórias” que, etimologicamente, significam exatamente dardos, flechas. Elas são um meio excelente para reconduzir continuamente o nosso coração a Deus.

Na liturgia eucarística na Igreja Católica, encontramos um versículo estupendo, que pode ser considerado uma jaculatória e que ilustra bem o nosso caso: “És tu, Senhor, o meu único bem.”

Faça a experiência de orar durante o dia

Façamos a experiência de o repetir durante o dia, sobretudo quando os diversos apegos ameaçarem desviar o nosso coração para coisas, para pessoas ou para nós mesmos.

Digamos: “És tu, Senhor, o meu único bem, não aquele objeto, nem aquela pessoa, nem eu mesmo; tu e nada mais, és o meu único bem.

Experimentemos repeti-lo quando a agitação ou a pressa nos quiserem levar a não fazer bem a vontade de Deus do momento presente: “És tu, Senhor, o meu único bem; portanto, a tua vontade e não aquilo que eu quero é o meu bem.

Se a curiosidade, o amor próprio ou as mil atrações do mundo estiverem para comprometer o nosso relacionamento com Deus, digamos-lhe com todo o coração: “És tu, Senhor, o meu único bem; e não estas coisas, com as quais a minha avidez e o meu orgulho desejariam satisfazer-se!”

Experimentemos, então, repeti-lo com frequência. Experimentemos repeti-lo quando alguma sombra ofuscar a nossa alma ou quando a dor bater à porta. Será um modo de nos prepararmos para o encontro com ele.

 “És tu, Senhor, o meu único bem”. Estas simples palavras nos ajudarão a ter confiança nele, nos exercitarão a conviver com o amor. Assim, sempre mais unidos a Deus e plenificados por ele, colocaremos e recolocaremos as bases do nosso verdadeiro ser, feito à sua imagem.

Deste modo, tudo correrá bem na vida, no sentido certo. Então, sim, quando falarmos, o que dissermos não serão apenas palavras ou, pior ainda, tagarelice: também as palavras serão “dardos” capazes de abrir os corações, para que eles acolham Jesus.

Façamos, então, a experiência de colher todas as ocasiões para pronunciar estas simples palavras. No fim do dia, teremos certamente a confirmação de que elas se tornaram um remédio, um tónico para a nossa alma. Como diria Santa Catarina de Sena, fizeram com que o nosso coração se tornasse uma chama viva.

 

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