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"Assim como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros"

(Jo 13, 34)

 
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Uma cidade em que não há divórcios Imprimir e-mail

UMA CIDADE EM QUE NÃO HÁ DIVÓRCIOS

Nestes tempos tão decadentes em que vivemos, nos quais todo o sentimento religioso e moral praticamente desapareceu, uma das instituições mais atingidas pela crise é a família, reduzida infelizmente a frangalhos. O número de divórcios é avassalador - calcula-se que quase 50% dos casamentos se desfazem -, sem falar das uniões ilícitas, que se tornaram hoje um hábito corriqueiro e aparentemente sem consequências.

Por isso é salutar saber que, apesar da malícia dos tempos, há uma cidade no mundo que não se entregou à depravação universal, e na qual os vínculos da família são tão fortes, que nela não há registos de divórcios.

A cidade privilegiada é Siroki-Brijeg. Situada na Bósnia, país da Península Balcânica que fez parte da antiga Iugoslávia no período comunista, os seus aproximados 26 mil habitantes, de origem croata, sempre foram aguerridos na defesa da fé católica, mesmo diante das piores adversidades. Foi o que ocorreu, por exemplo, durante a invasão muçulmana e, depois, quando o país caiu sob as botas do ateu regime comunista, período em que a sua fé foi provada de todos os modos.

Estes católicos de escol tiveram os seus mártires quando, em 7 de Fevereiro de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, Siroki Brijeg foi palco do selvagem martírio de 66 frades franciscanos, mortos pelos sem-Deus por ódio à fé católica.

Qual a explicação para facto tão notável?

Primeiro porque, seguindo a sua profunda tradição croata, esta cidade com quase 100% de católicos vive com muita seriedade a fé. Por isso os seus habitantes consideram como ponto de honra a defesa da indissolubilidade conjugal e da família monogâmica formada pela união de um homem e uma mulher – como consta na Constituição do país – com as bênçãos da Santa Madre Igreja.

Entretanto, o que dá a profunda base religiosa a esta atitude é o facto de o matrimónio ser visto como uma cruz indissoluvelmente unida à cruz de Cristo. Isto leva os cônjuges a encarar a sua união sem romantismo, sem uma visão cinematográfica da vida, sem falsas expectativas, enfim, sem ilusões. Realistas, eles sabem que neste Vale de Lágrimas todos têm defeitos, e que não há bom entendimento mútuo sem o também mútuo exercício da paciência.

É esta visão católica do matrimónio que evita a incidência de divórcios e separações. Nela os cônjuges encontram força para, na prece em comum diante do Crucifixo que tinham em mãos na cerimónia religiosa do casamento, ser fiéis aos votos de fidelidade ali feitos.

Nesta cerimónia o sacerdote benze o Crucifixo apresentado pelos noivos, põe sobre ele a mão direita da noiva e a mão do noivo sobre a da noiva, cobre-as com a estola e diz-lhes que encontraram o “sócio” ideal com o qual devem partilhar as suas vidas: “Vós encontrastes a vossa cruz! Trata-se de uma cruz que é preciso amar, e levar convosco todos os dias das vossas vidas. Sabei apreciá-la” diz-lhes o ministro de Deus.

Os cônjuges beijam a cruz e, depois entronizam-na em lugar de honra em suas casas, pois crêem profundamente que a família deve nascer da cruz.

Quando surgem as provações, as incompreensões, as desavenças, as dificuldades, tão comuns e a que todos estão sujeitos neste mundo, ambos se vão ajoelhar diante do Crucifixo. E com uma fé que não permite enganos, pedem forças para suportá-las, pois o jugo de Nosso Senhor “é suave, e o seu fardo leve”. Esta atitude é coerente com a crença de que, uma vez que eles fundamentaram o seu matrimónio na cruz, esta lhes dará forças para superar as provações quotidianas.

Ficam deste modo a saber que, se um deles abandona o outro, estará a abandonar Cristo. Pois a experiência ensina-lhes que a fonte da perseverança pela qual ganharão a vida eterna só pode vir da Cruz de Cristo, e não de outros factores ou ajudas externas, quaisquer que sejam.

Vindo os filhos, a forte tradição familiar é-lhes inculcada, aprendendo eles desde pequenos a ver com veneração o Crucifixo da família, e a dirigir ao Crucificado as suas primeiras orações.

Assim, estes católicos aprendem a praticar desde a mais tenra idade, o que cantava o nosso imortal Camões: “Tu, que descanso buscas com cuidado, neste mar do mundo tempestuoso, não esperes achar nenhum repouso, senão em Cristo Jesus Crucificado”. E adquirem com isto, coerência para enfrentar depois as vicissitudes da vida com espírito sobrenatural.

 

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