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Abri as portas ao Redentor

João Paulo II

 
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Jovem católica é ridicularizada Imprimir e-mail

 

Jovem católica é ridicularizada

 

Uma linda menina pertencia ao grupo de jovens da Comunidade. Bem dotada, ela era a coordenadora do grupo. Uma menina cheia de vida e comunicativa.
Um dia, esta jovem conseguiu emprego num escritório grande da cidade, que tinha muitos rapazes e moças. Alguns dias depois, ela procurou o padre, apavorada, e disse-lhe: "Eu não sei o que está a acontecer comigo. Lá no escritório, todos zombam de mim, por eu ser aqui da igreja!"
O padre orientou-a dizendo: "Não te preocupes. Tu estás a ser "brasa na cabeça" dos teus colegas de trabalho. Continua como és, e não trates mal a ninguém".
O padre referia-se a Pr 25,21-22: "Se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer. Se tem sede, dá-lhe de beber. Assim amontoarás brasas sobre a sua cabeça, e o Senhor te retribuirá".
Da mesma maneira que nós procuramos tirar logo uma brasa que cai na nossa cabeça, também tentamos fazer calar as pessoas que vivem perto de nós e dão testemunho de Cristo, se nós não damos. Mas o Espírito Santo assiste ao discípulo ou discípula de Jesus, para que continue a dar testemunho na hora dos ataques.
Alguns meses depois, a jovem voltou ao padre, com as mãos na cabeça e disse admirada: "O senhor padre nem imagina o que aconteceu. Um colega meu de trabalho, justamente aquele que mais zombava de mim, perguntou se podia vir no sábado que vem, à reunião do nosso grupo! Eu disse que sim".
Resultado: Algum tempo depois, toda aquele grupo do escritório estava no grupo de jovens da Comunidade e o ambiente no escritório virou ao contrário. Passaram a ser alegres discípulos de Jesus.

Nós somos chamados por Cristo a ser fermento, luz do mundo e sal da terra.

 
Uma formiga levou-me a rezar Imprimir e-mail

 

UMA FORMIGA LEVOU-ME A REZAR

 

Outro dia, vi uma formiga que carregava uma enorme folha. A formiga era pequena e a folha devia ter, no mínimo, dez vezes o seu tamanho. A formiga carregava a folha com muito sacrifício. Ora a arrastava, ora a tinha sobre a cabeça. Quando o vento batia, a folha tombava, fazendo cair também a formiga. Foram muitos os tropeções, mas nem por isso a formiga desanimou da sua tarefa. Eu observei-a e acompanhei-a, até que chegou próximo de um buraco, que devia ser a porta de sua casa. Então pensei: “Até que enfim que terminou seu empreendimento”. Ilusão minha. Na verdade, tinha apenas terminado uma etapa. A folha era muito maior do que a boca do buraco, o que fez com que a formiga a deixasse do lado de fora para, então, entrar sozinha. Foi aí que disse para mim mesmo: “Coitada, tanto sacrifício para nada.”

Lembrei-me então do ditado popular: “Nadou, nadou e morreu na praia.” Mas a pequena formiga surpreendeu-me de novo. Do buraco saíram outras formigas, que começaram a cortar a folha em pequenos pedaços. Elas pareciam alegres na tarefa. Em pouco tempo, a grande folha tinha desaparecido, dando lugar a pequenos pedaços e que pouco a pouco entraram todos dentro do buraco.

Imediatamente vieram-me à memória as minhas experiências. Quantas vezes desanimei diante do tamanho das minhas dificuldades? Quem sabe, se a formiga tivesse olhado para o tamanho da folha, nem sequer teria começado a carregá-la. Invejei a persistência, a força daquela formiguinha. Naturalmente, transformei a minha reflexão em oração e pedi ao Senhor que me desse a tenacidade daquela formiga, para “carregar” as dificuldades do dia-a-dia. Que me desse a perseverança da formiga, para não desanimar diante das quedas. Que eu pudesse ter a sua inteligência, a sua esperteza, para dividir em pedaços o fardo, que, às vezes, se apresenta grande demais. Que eu tivesse a humildade para partilhar com os outros o êxito da chegada, mesmo que o trajeto tivesse sido solitário. Pedi ao Senhor a graça de, como aquela formiga, não desistir da caminhada, mesmo quando os ventos contrários me fazem andar cabisbaixo, mesmo quando, pelo tamanho da carga, não consigo ver com nitidez o caminho a percorrer. A alegria dos filhotes da formiga que, provavelmente, esperavam lá dentro pelo alimento, fez aquela formiga esquecer e superar todas as adversidades da estrada.

Após o meu encontro com aquela formiga, saí mais fortalecido para continuar a minha caminhada. Agradeci ao Senhor por ter colocado aquela formiga no meu caminho ou por me ter feito passar pelo seu caminho.

Os Sonhos não morrem, apenas nos adormecem por dentro.

 
Frei Junípero e a capacidade de suportar as crísticas Imprimir e-mail

 

Frei Junípero e a capacidade de suportar as críticas e a maldicência

 

Frei Junípero, um dos primeiros discípulos e companheiros de S. Francisco de Assis, não conseguia ficar em silêncio quando era repreendido ou quando alguém lhe fazia uma observação desagradável. Para se corrigir desse defeito fez o propósito de, durante seis meses, não dar réplica nem mesmo às mais pesadas injúrias que lhe fossem feitas.

Essa luta contra si mesmo custou-lhe grandes sacrifícios. Certa vez, ao ser insultado de forma brutal, fez tal esforço para se conter que sentiu subir-lhe aos lábios uma golfada de sangue que vinha do seu peito. Nesse dia, muito aflito, o bom frade entrou numa igreja, prostrou-se diante de um crucifixo e exclamou:

– Vede, meu Senhor, o que suporto por amor a Vós!

Então, cheio de temor e encanto, viu o divino Crucificado despregar do madeiro a mão direita e colocá-la sobre a chaga aberta pela lança do centurião, enquanto que lhe dizia:

– E Eu, o que suporto por amor a ti? Profundamente emocionado, Junípero era outro homem ao levantar-se. Ele, que antes não conseguia aturar sem sofrimento qualquer pequena injúria, passou a receber com alegria as mais graves ofensas, como se fossem pedras preciosas para ornar a sua alma.

 
A Bíblia parou a bala e o soldado sobreviveu à guerra Imprimir e-mail

A Bíblia parou a bala e o soldado sobreviveu à guerra

 

Foi na I Guerra Mundial, cujo fim acaba de completar 100 anos. O projéctil parou em Isaías 49: "Eu te socorrerei"

A Bíblia fazia parte do “kit de sobrevivência” de todo o soldado britânico na I Guerra Mundial (1914 a 1918). Este facto histórico soa hoje quase inimaginável devido ao agressivo processo de laicização da sociedade britânica nas últimas décadas. Entre outros motivos, é também por isso que a ONG Bible Society organizou diversas iniciativas neste ano para resgatar a memória da presença da Bíblia junto às tropas do país.

A Bible Society distribuiu durante a I Guerra mais de 9 milhões de Bíblias, em 80 idiomas, tanto a soldados britânicos como a prisioneiros de guerra. Era frequente que os combatentes gravemente feridos tirassem do bolso a sua Bíblia e a lessem enquanto morriam. Grande parte dos corpos encontrados após a Batalha do Somme, por exemplo, tinham a Bíblia nas mãos.

Uma das histórias resgatadas pela Bible Society é a do soldado George Vinall.

Uma bala contra Isaías 49, 8

Ele estava a sair de um aviário transformado em alojamento, para receber um amigo da tropa, quando o local foi alvejado. Os dois correram para uma trincheira e, ao voltarem, encontraram doze soldados atingidos no alojamento – dois deles mortalmente. Vinall relatou em carta à sua família: “Quatro balas foram disparadas. Uma parou na minha mochila, onde eu estava apoiando a cabeça até ao momento em que chegou o meu amigo. Outra bala estava no chão, no local em que eu estava deitado. A terceira estava no bolso do meu casaco: foi detida pela minha Bíblia, como vocês podem ver. A quarta atravessou o sobretudo de Gibson, que estava pendurado no compartimento ao lado do meu. Como podem ver, escapámos por segundos”.

Ele enviou aos familiares a Bíblia em questão, juntamente com a carta. A bala continuava lá, bloqueada pelas páginas – mais precisamente, pelas páginas do livro de Isaías, capítulo 49.

Entre os seus versículos, estampam-se as seguintes promessas:

“Eis o que diz o Senhor: no tempo da graça eu te atenderei, no dia da salvação eu te socorrerei. Eu te formei e designei para fazer a aliança com os povos, para restaurar o país e distribuir as heranças devastadas” (Is 49,8).

“Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto das suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca” (Is 49,15).

 

Deus não se esqueceu de George Vinall, nem ele de Deus. O soldado sobreviveu à guerra e tornou-se missionário.

 
A taça a transbordar Imprimir e-mail

A taça a transbordar

 

Contam que um califa de Bagdá tinha um filho, já moço, muito acanhado e tímido. Não saía à rua para que o não vissem e dessem tento do seu modo de andar e o apontassem como sucessor do rei.

O pai, a quem muito mortificava a timidez do filho, um dia chamou-o e disse-lhe:

- Toma esta taça de cristal. Hás-de levá-la com água a transbordar, desde este palácio até à mesquita, sem contudo entornares uma gota sequer. É esta a minha ordem. Muito triste ficarei se me desobedeceres!

Pelas longas e tortuosas ruas sai o moço a caminhar com imensa cautela, completamente alheio ao rebuliço da massa popular e indiferente aos olhares dos curiosos espectadores. Era preciso obedecer ao pai. E fez exactamente como lhe fora ordenado. Voltando a casa, perguntou-lhe o rei se tinha notado a curiosidade dos transeuntes.

- Com me seria possível fazê-lo – respondeu – tendo na mão a taça a transbordar?

 

Assim também, se tu andasses pela vida preocupado com uma taça a transbordar, afastarias de ti o respeito humano e caminharias pela estrada do dever com tranquila confiança.

Ora, a taça mais frágil que o vidro, mas que deve absorver os teus sentidos, é a tua alma de cristão. E se possuis esta preciosa e delicada taça e desejas transportá-la, por que dar tanta importância aos olhares e críticas dos transeuntes que querem perturbar a tua jornada gloriosa pela vida?

 
O Menino Jesus pede presentes Imprimir e-mail

 

 

O Menino Jesus pede presentes

 

Certa vez, no dia do Natal, um pequenito entrou na igreja e foi directo ao presépio. E, na sua inocência, disse ao Menino Jesus: "Desculpa, Jesus, hoje é o teu aniversário e eu não trouxe nenhum presente!"
Jesus resolveu conversar com ele: "Mas eu gostaria que me desses três presentes." "Como, se eu não tenho nenhum?" respondeu o menino. "Tens sim", disse Jesus.
"O primeiro presente que eu quero é o último desenho que fizeste na escola".

- "Iii, Jesus! E logo aquele? Ninguém gostou dele, e a professora deu-me nota zero!"
"Por isso mesmo", disse Jesus, "Quero que me dês tudo do que os outros não gostaram, e também o que te deixa triste ou frustrado."
"Outro presente que eu quero é o teu prato".

- "Quebrei-o!" interrompeu o garoto. "Justamente por isso", continuou Jesus, "Vou consertá-lo. Eu conserto tudo o que tu quebras na tua vida".
"E a última coisa que quero de presente é a resposta que deste à tua mãe, quando ela te perguntou pelo prato".

A criança pôs a mão do lado da boca e disse baixinho:

- "Eu menti-lhe!" "Eu sei", respondeu Jesus, "Mas quero que me tragas sempre o que em ti está errado: maldades, mentiras, preguiça... Não quero que andes com estas coisas. Quero libertar-te, a partir de hoje, de tudo o que pesa em ti. Foi para isso que eu vim. Combinado? O meu aniversário é um dia especial para fazermos um contrato: quero que tenhas a minha alegria, a minha paz, a minha verdade, a minha vida plena, e o meu amor, para cada dia do ano que começa."

 

O garoto sorriu e disse emocionado: "Obrigado, Jesus! Assim eu terei não só um ano novo, mas a vida toda muito feliz".


Esta história descreve a pura verdade. O melhor presente que damos a Jesus é libertarmo-nos dos nossos pecados, pois foi para isso que Ele veio, para nos libertar desses pesos. Há quanto tempo que não te confessas?

 
Menina impede de tirar o nome de Jesus Imprimir e-mail

 

Menina impede escola de tirar o nome de Jesus de uma música natalícia

 

A escola queria preservar os alunos que não são católicos. Mas até eles ficaram do lado da menina

 

Aconteceu numa escola da Riviera del Brenta, na região metropolitana de Veneza, Itália. Segundo o jornal “Il Messagero”, os alunos do quinto ano estavam ensaiando a música “Buon Natale in allegria” (“Feliz Natal em Alegria”), que seria apresentada na festa de fim de ano da escola. Um dos versos da canção diz: “Vamos! Brindemos! Celebremos! Este é o dia de Jesus”.

 

Mas, para surpresa de uma aluna de 10 anos, a professora decidiu tirar da música a parte que fala de Jesus. A profissional alegou que a iniciativa visava evitar ofender as crianças que não são católicas.

 

A aluna ficou revoltada. E foi para a luta. Ela resolveu fazer um abaixo-assinado pedindo a volta do verso que menciona Jesus. A grande maioria dos alunos da escola assinou o documento, inclusive crianças muçulmanas que estudam na mesma sala da garota.

 

Diante de tanta polêmica, a professora cedeu e o colégio resolveu manter o verso. A música será apresentada na íntegra no espetáculo de Natal.

 

O caso foi levado até o conselheiro regional da Riviera de Brenta, Alberto Semenzato. Em sua conta no Facebook, o político falou sobre o caso, parabenizou a iniciativa da aluna – que ele chamou de Ângela – e comemorou a decisão da escola de manter o verso que fala de Jesus. Veja o que ele escreveu na rede social:

 “Hoje recebi uma carta de uma menina muito esperta que frequenta uma escola de ensino fundamental na província de Veneza. A pequena lutou, a fim de que não retirem a palavra Jesus no texto da canção da festa escolar de Natal (…). A equipe da escola, tomando nota do desejo das crianças, deixou o texto completo e, portanto, as crianças cantarão este ano uma canção falando sobre Jesus! Muito bem Ângela, que você seja a primeira gota de um grande mar e obrigado por me contar a sua história”.

 
Os ensinamentos do avô Imprimir e-mail

   OS ENSINAMENTOS DO AVÔ

 

Certo dia, um simpático e sábio avô estava a conversar com os netos à beira de um rio. Na outra margem, havia uma família a fazer um piquenique. De repente, os membros daquela família começaram a discutir, gritando uns com os outros. O avô sábio virou-se para os netos e perguntou:

– Por que é que aquelas pessoas gritam umas com as outras tão zangadas? Os netos pensaram um pouco.

Um deles disse:

– Porque, quando perdemos a calma, sempre gritamos.

O avô respondeu-lhe:

– Mas por quê gritar, se a outra pessoa está ali, ao seu lado? A pessoa poderia dizer o que tem a dizer de forma suave!

Cada neto tentava dar as suas respostas, mas nenhuma satisfazia os outros.

Finalmente, o sábio avô explicou:

– Quando duas pessoas estão zangadas uma com a outra, os seus corações distanciam-se. Para cobrir essa distância, elas têm que gritar, para que uma consiga ouvir a outra. Quanto mais zangadas elas estiverem, mais for-te elas gritam para cobrir essa distância.

E complementou:

– Mas o que acontece quando duas pessoas estão apaixonadas? Elas não gritam uma com a outra! Elas falam baixinho, porque os seus corações estão próximos! A distância entre elas é muito pequena. E à medida que elas se amam ainda mais intensamente, o que acontece? Elas não falam, apenas sussurram! E vão ficando ainda mais próximas uma da outra. Chega um ponto em que elas não precisam sequer sussurrar: basta apenas olharem-se.

O sábio avô propôs então aos netos:

– Quando vocês discutirem, não deixem que o vosso coração se afaste. Não digam palavras que vos distanciem uns dos outros. Pode chegar um dia em que a distância seja tão grande que vocês já não mais consigam encontrar o caminho do reencontro.

 

(Adaptação: Madalena Palma)

 
A prova de que Deus existe Imprimir e-mail

           

 A PROVA DE QUE DEUS EXISTE

 

Talvez conheçam a história daquela mulher viúva que ficou com sete filhos, o mais velho com 13-14 anos, o que mostra logo a idade dos outros. Não tinha creche nem ninguém que cuidasse dos filhos, por isso também não podia ir trabalhar. Então começou a desfazer-se dos seus bens para poder alimentar os filhos; a única coisa com que ficou foi um rádio, exactamente porque no momento da fome e do desespero ao ligar o rádio e ouvir uma música para distrair os filhos para eles adormecessem e não reclamassem com a fome pois não tinha quase nada para lhes dar; um dia não tinha mesmo nada. Ligou o rádio uma vez mais, e ouviu o locutor dizer: “Você que me ouve, tem a certeza de que Deus existe? Se tem a certeza que Ele existe, então ligue para nós e narre-nos o facto que lhe dá essa certeza.” Ao ouvir isto, aquela mulher correu para a casa da vizinha e pediu o telefone e ligou para aquele locutor dizendo: “Eu tenho a certeza de que Deus existe!”. O locutor respondeu-lhe: “A senhora pensa que Deus existe”. “Não, não, eu tenho a certeza de que Deus existe”, respondeu a senhora convictamente. O locutor voltou à carga: “Então diga-me como é que a senhora tem mesmo a certeza de que Ele existe!” “Se Deus não existisse – respondeu a senhora viúva – os meus filhos não estariam vivos sem comer há sete dias. Só Deus, só Deus pode sustentar a vida numa circunstância destas; e o senhor, por favor, deixe-me fazer um apelo, porque eu tenho a certeza que Deus vai tocar o coração de alguém, e esse alguém, em nome de Deus vai mandar comida para os meus filhos e um emprego que me dê a oportunidade de trazer o sustento para o meu lar”. Estava alguém muito especial, o dono de uma cadeia de supermercados, ateu, totalmente ateu, a ouvir; também a ele chegou a oportunidade de afirmar que Deus não existia. Ligou para a rádio, dizendo ao locutor: “Mande dizer a essa senhora que eu estou a mandar uma camionete carregada de géneros alimentícios e outras coisas para lhe entregar”. Obviamente a rádio mandou alguém para fazer essa cobertura. O dono do super-mercado chamou os dois empregados encarregados de conduzir o transporte e disse-lhes: “Quando a senhora perguntar quem mandou tudo isto, vós ides dizer: «foi o diabo». E se ela não perguntar, vocês vão-lhe dizer: a senhora não quer saber quem lhe mandou tudo isto, vocês vão dizer-lhe «o diabo». Os dois homens ficaram assustados e disseram: “Nós não temos coragem de dizer isso!”

“Então, respondeu o dono do supermercado, então vocês vão perder o vosso emprego. Não esqueçam, eu vou ficar a ouvir na rádio. “Mas, qual não foi a surpresa; quando eles chegaram e começaram a descarregar, a mulher, ajoelhada no chão dizia: “Obrigado, meu Deus!”. Os dois homens olharam um para o outro e um deles disse: “Certamente vamos perder o emprego e continuou – a senhora não quer saber quem mandou tudo isto para si?” “Não, não preciso de saber, meu filho… pois quando o meu bom Deus manda, até o diabo obedece!”

 
Como um camponês aprendeu o pai-nosso Imprimir e-mail

Como um camponês aprendeu o pai-nosso

 

Era uma vez um camponês que tinha um coração duro, e não era esmoler.
Um dia foi-se confessar, e o confessor deu-lhe por penitência rezar sete vezes o Pai-Nosso.

— Não o sei, nunca o pude aprender — respondeu o aldeão.
— Pois neste caso imponho-te por penitência emprestares um alqueire de trigo a todas as pessoas que te forem pedir, da minha parte.
No dia seguinte de manhã apresentou-se o primeiro pobre.
— Como te chamas? — perguntou-lhe o camponês.
— Pai-Nosso, que estais nos céus — respondeu o pobre.
— E o teu sobrenome?
— Santificado seja o vosso nome.
E o pobre foi-se embora com o seu alqueire de trigo.
No outro dia chegou um segundo pobre.
— Como te chamas?
— Venha a nós o vosso reino.
— E o teu sobrenome?
— Seja feita a vossa vontade.
E partiu com o seu alqueire de trigo.
Veio um terceiro pobre.
— Como te chamas?
— Assim na terra como no céu.
— E o teu sobrenome?
— O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
E levou o seu alqueire.
Vieram ainda dois pobres sucessivamente, e passou-se tudo da mesma forma, até chegar ao "amém".
Pouco tempo depois o confessor encontrou o aldeão.
— Então já sabes o Pai-Nosso?
— Não, senhor cura. Sei apenas os nomes completos dos pobres a quem emprestei o meu trigo.
— Quais são?
E o aldeão enumerou-os a seguir, e pela ordem em que cada um se tinha apresentado.

— Já vês que não era muito difícil aprender o Pai-Nosso, porque já o sabes perfeitamente.


(Guerra Junqueiro, "Contos para a infância" - Lello & Irmão, Porto, 1953)

 
O conto do demónio e do burro Imprimir e-mail

O conto do demónio e do burro – e de como nós fazemos o resto…

 

Era uma vez um burro amarrado a uma árvore. Veio o demónio e soltou-o...

O burro entrou na horta dos camponeses vizinhos e começou a comer tudo.

A mulher do camponês dono da horta, quando viu aquilo, pegou numa arma e disparou.

O dono do burro ouviu o disparo, saiu, viu o burro morto, ficou enraivecido, também pegou na sua arma e atirou contra a mulher do camponês.

Ao voltar para casa, o camponês encontrou a mulher morta e matou o dono do burro.

Os filhos do dono do burro, ao verem o pai morto, queimaram a fazenda do camponês.

O camponês, em represália, matou-os a todos, também.

 

Toda a desgraça que o demónio desejava, estava agora realizada. E, para o conseguir, a única coisa que ele precisou de fazer foi muito simples: soltar o primeiro burro.

 
A Flor Mais Bela Imprimir e-mail

A FLOR MAIS BELA

 

Uma graciosa lenda persa que exprime uma grande verdade.

Deus, assentado no trono excelso da sua glória, chamou um anjo e disse-lhe:
— Vai àquele jardim, lá em baixo, e traz-me a flor mais bela que encontrares.
O anjo, mensageiro de Deus, desceu ao jardim e contemplou a variedade e a graça com que milhares de flores ali se misturavam, como um mosaico admirável.
Viu o minúsculo jasmim ao lado do grande helianto, a dália à sombra da madressilva abraçada ao oleandro; viu a margarida, a pervinca, a primavera e todas as outras belezas que erguem o seu hosana ao Criador. Mas o seu olhar fixou-se na rainha das flores, a rosa aveludada e odorosa, e disse:
— Esta é, certamente, a flor mais bela.
Colheu-a e voou ao trono do Altíssimo.
— A rosa — disse Deus — é o símbolo do amor, doce expressão de um coração ardente. Com a sua formosura, atrai os olhares; é suave, perfumada, delicada, mas não é a flor mais bela.

O anjo voou de novo ao jardim. Não olhou para o cravo, nem para a margarida, nem para a flor-de-lis. Não deu atenção ao amor-perfeito nem à tulipa soberba, mas, voando pressuroso a um canto escondido do jardim, colheu uma humilde violeta e disse:
— Certamente o símbolo da humildade há-de ser a mais bela das flores.
Retomando o voo, foi ajoelhar-se aos pés da Majestade suprema. Deus, tomando a violeta, sentiu-lhe o delicado perfume e disse:
— Sim, é bela a violeta oculta, humilde e pequenina e de tão agradável fragrância. A humildade é a virtude que faz os santos, vence os demónios e opera grandes maravilhas nos corações dos homens. Todavia, não é a mais bela das flores.
O anjo retornou ao jardim. Fixando o olhar no lírio, ficou encantado com a sua alvura imaculada, o seu porte altivo, o seu perfume suave. Contemplou-o demoradamente, pensando e dizendo:
— Eis o símbolo da pureza imaculada. Esta, sim, deve ser a flor mais bela.
Vendo-o, Deus exultou e disse:
— O símbolo da pureza, da pérola mais fúlgida, mais heróica e sublime. Esta, sim, é a mais bela das flores.
E os olhos divinos brilharam de complacência.

 
O amigo invisível Imprimir e-mail

O amigo invisível

 

Um certo senhor acompanhado pela sua filhinha ia subir uma montanha bastante alta; sugeriu que a menina fosse na frente e ele atrás. Ela começou a subida com muito entusiasmo pois queria mostrar ao pai como era forte e capaz.

O caminho, porém, tornava-se cada vez mais íngreme e difícil e a menina por isso de vez em quando caía; mas, porque era corajosa, levantava-se e retomava novamente a subida.

Os espinhos do mato rasgavam-lhe a roupa e a pele, mas mesmo assim continuava a subir… Finalmente, não conseguia mais e deu um tombo muito grande. Chorando voltou-se para o pai… Este tomando-a nos braços levantou-a e levou-a até ao cimo. O Pai nunca esperou que ela subisse sozinha.

 

Deus não quer que subamos a montanha da vida sozinhos. Toda a nossa experiência nos ensina que temos um grande amigo invisível, mas muito real, que espera o momento em que nós, conscientes da nossa fraqueza nos voltemos para Ele em busca da protecção e auxílio que Ele nos quer dar.

 
O vilão que conquistou o Paraíso Imprimir e-mail

 

O vilão que conquistou o Paraíso

 

Um vilão morreu, e com ele aconteceu o que nunca tinha acontecido antes e seguramente nunca voltará a acontecer: ninguém ficou a saber da sua morte, nem no Céu nem no inferno.

Como pôde acontecer isto, não sei.

Sei com segurança é que, no momento em que a alma dele se separou do corpo, não havia por ali nem anjos nem diabos para a recolher, e com isso o pobre homem ficou sem guia.

E também não havia ninguém com atenção posta nele, para o proibir de fazer o que bem entendesse com a sua alma, de modo que resolveu por sua própria conta e risco tomar o caminho do paraíso.

Não conhecia o caminho, mas viu de longe o arcanjo São Miguel a conduzir uma alma, e seguiu-o distraído, como quem não quer nada.

Chegou à porta do Céu juntamente com São Miguel. São Pedro, ouvindo que o chamavam, abriu a porta e deixou que entrassem o anjo e o convidado.

Quando viu do lado de fora o vilão sozinho, repreendeu-o:

— Aqui não se entra sem acompanhante, e além disso não queremos saber de vilões. Portanto, suma-se!

— Como ousais chamar-me vilão? Vilão sois vós, e grandíssimo vilão. Depois de negar três vezes a Nosso Senhor, ainda vos achais com direito de impedir a entrada de um cidadão honrado num lugar onde nem deveríeis estar?

Isso é conduta para um apóstolo? Como é que Deus foi consentir em entregar a guarda do paraíso a quem age desta maneira!

São Pedro não estava acostumado a ouvir sermões como este, e ficou tão desnorteado que correu para dentro, sem nada responder.

Encontrou São Tomé e contou-lhe a vergonha que acabara de passar.

— Deixe isso comigo — respondeu São Tomé. — Vou ver esse mendigo, e logo o despacharei.

Aproximou-se da porta e falou duramente ao vilão:

— Como ousas apresentar-te no lugar dos escolhidos, onde nunca entrou quem não fosse mártir ou confessor?

— Ah! É o senhor que vem me dizer isso? E o que está o senhor a fazer aí dentro?

Um homem sem fé, que não acreditou na Ressurreição do Senhor, duvidando da palavra de pessoas dignas de crédito.

E ainda precisou de tocar nas chagas do Ressuscitado, para poder acreditar. Se gente tão descrente como o senhor entra aqui, por que não posso entrar eu, que sempre tive fé?

São Tomé baixou a cabeça, envergonhado, e voltou aonde estava São Pedro. São Paulo, que passava por ali, ouviu as lamentações dos dois apóstolos e aproximou-se.

Fizeram-lhe um relato do acontecido, e ele disse aos dois apóstolos desapontados:

— É que não sabeis fazer as coisas direito. Vou já acertar o passo desse vilão.

Foi até à porta com passo decidido, pegou no vilão pelo braço e quis forçá-lo a sair aos empurrões.

O vilão resistiu e lançou em rosto a São Paulo:

— Não me estranha nem um pouco esta brutalidade num homem como o senhor, perseguidor de cristãos que nunca escondeu a sua tirania.

Para convertê-lo, foi necessário que Deus demonstrasse tudo o que sabe fazer, em matéria de milagres, e ainda assim o senhor foi um revoltoso, discutindo com um superior que era São Pedro.

Mesmo não sendo eu Santo Estêvão nem nenhum dos bons cristãos que o senhor torturou, deixe estar, que eu o conheço muito bem.

Apesar da segurança que São Paulo tinha inicialmente demonstrado, desconcertou-se tanto como os outros.

Achou melhor juntar-se a eles, e combinaram ir queixar-se a Deus.

Como chefe dos apóstolos, São Pedro tomou a palavra diante de Nosso Senhor, para pedir justiça.

Terminou dizendo que a insolência do vilão o deixara tão envergonhado, que não se atrevia a voltar ao seu posto enquanto o insolente se encontrasse ali.

— Eu mesmo irei falar com esse homem — disse Nosso Senhor.

Ao chegar diante da porta, Nosso Senhor perguntou ao vilão:

— Por que é que o senhor compareceu sem a companhia de um anjo? Aqui só se entra acompanhado, e além disso o senhor não tem o direito de insultar os meus apóstolos.

— Senhor, os vossos apóstolos quiseram afastar-me, e eu acho que tenho tanto direito de entrar como eles, pois não vos reneguei, não duvidei da vossa Ressurreição nem apedrejei ninguém. Sei que ninguém é recebido aqui sem passar por um julgamento, e por isso quero me submeter ao vosso.

  “Vós fizestes-me nascer na pobreza, suportei as minhas penas sem me queixar e trabalhei toda a minha vida.

 “Ensinaram-me a crer no vosso Evangelho, e eu acreditei. Fiz tudo o que me disseram que devia fazer.

 “Dei esmolas aos que eram mais pobres do que eu e reparti o meu pão com eles.

 “Confessei-me e comunguei quando o vigário mandou, e ele disse-me que quem vive assim ganha o Céu.

 “Por fim fizeste-me entrar para ser interrogado, e aqui vou ficar, pois vós mesmo elogiastes no Evangelho uma que “escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”, e não podeis voltar a vossa palavra atrás.

— Muito bem, podes ficar! Sem dúvida ganhaste o Céu pelos teus discursos, que enunciaste de modo convincente. Esta é a vantagem de ter frequentado boa escola.

 
Uma história edificante! Imprimir e-mail

Uma história edificante!

 

Dizem que isto aconteceu num mosteiro chinês há muito tempo atrás. Um discípulo foi ter com o seu mestre e perguntou:

– Mestre, por que devemos ler e decorar a Palavra de Deus, se nós não conseguimos memorizar tudo e com o tempo acabamos por esquecer? Somos obrigados a constantemente decorar de novo o que já nos esquecemos.

O mestre não respondeu imediatamente. Ficou a olhar para o horizonte durante alguns minutos e depois ordenou ao discípulo:

– Pegue aquele cesto de junco, desça até ao riacho, encha o cesto de água e traga até aqui.

O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do mestre, mas, mesmo assim, obedeceu. Pegou no cesto, desceu os cem degraus da escadaria do mosteiro até ao riacho, encheu o cesto de água e começou a subir. Como o cesto era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e, quando chegou, junto do mestre já não restava nada.

O mestre perguntou-lhe:

– Então, meu filho, o que aprendeu?

O discípulo olhou para o cesto vazio e disse, jocosamente:

– Aprendi que cesto de junco não segura água.

O mestre ordenou-lhe que repetisse o processo. Quando o discípulo voltou com o cesto vazio novamente, o mestre perguntou-lhe:

– Então, meu filho, e agora, o que aprendeu?

O discípulo novamente respondeu com sarcasmo:

– Que cesto furado não segura água.

O mestre, então, continuou a mandar que o discípulo repetisse a tarefa. Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de tanto descer e subir as escadarias. Porém, quando o mestre lhe perguntou:

– Então, meu filho, o que aprendeu?

O discípulo, olhando para dentro do cesto, percebeu admirado:

– O cesto está limpo! Apesar de não segurar a água, a repetição constante de encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo.

O mestre, por fim, concluiu:

– Não importa que você não consiga decorar todas as passagens da Bíblia que você lê, o que importa, na verdade, é que no processo a sua mente e a sua vida ficam limpas diante de Deus.

Autor desconhecido

 
Cristo mutilado Imprimir e-mail

CRISTO MUTILADO

 

Um grupo de soldados, com maus instintos, passou junto dum crucifixo de pedra que estava num cruzamento e partiram-Lhe as pernas e os braços.

 

Pouco depois passou por ali uma senhora, uma boa senhora, que, ao ver o sucedido, escreveu na base: "Pára, caminhante, porque Cristo já não tem braços nem pernas para fazer o bem".

 

É verdade, Cristo, hoje precisa, quer a nossa boca, quer os nossos braços e as nossas pernas para fazer o bem. E há tanto bem para fazer.

 

E se Cristo chegasse junto de nós e nos pedisse os nossos braços, as nossas pernas e a nossa boca para fazer o bem, que Lhe responderíamos?

 

Sim, tu que responderias ao pedido de Jesus?

 
Você é a esposa de Deus? Imprimir e-mail

VOCÊ É A ESPOSA DE DEUS?

 

Um menino de sete anos estava descalço, parado em frente da montra de uma sapataria e fixava uns sapatos na vitrina; tremia de frio. Uma senhora acercou-se do menino e perguntou-lhe: “Ouve lá, meu menino o que é que estás a olhar com tanto interesse na vitrina?” “Estava a pedir a Deus que me desse um par de sapatos”, foi a resposta do menino.

A senhora pegou no menino pela mão e entraram na loja. Pediu meia dúzia de pares de meias para o menino. Pediu também um recipiente com água e uma toalha e foram para o fundo da loja onde lhe lavou os pés; calçou-lhe as meias e comprou-lhe um par de sapatos; juntou o resto dos pares de meias e deu-lhos. Acariciou a cabeça do menino e disse-lhe: “certamente, amiguinho, que agora te sentes melhor!”

Quando a senhora estava a dar meia volta para se ir embora o menino agarrou-lhe a mão e com as lágrimas nos olhos perguntou-lhe: “Você é a esposa de Deus?

 

Com os anos vamos perdendo a inocência de criança que não é outra coisa senão a sabedoria com que Deus nos presenteou.

 
Não há rosas sem espinhos Imprimir e-mail

 “Não há rosas sem espinhos”

 

Um rapazinho, bom como um anjo, chamado Edmundo, brincava certo dia colhendo flores num campo.


D
e repente, levantando os olhos, vê, surgir na sua frente um terraço coberto de trepadeiras muito alta, muito comprida, toda ornada de belíssimas e perfumadas rosas.

Diante daquela aparição que não pôde explicar, fica atordoado sem saber o que fazer, quando ouve alguém a chamá-lo:

– Edmundo, Edmundo.

O menino olha, olha. A voz vinha lá do outro extremo do terraço.

Por fim, vê lá no fundo uma criança com a cabecinha crespa, linda, de uma beleza de anjo, que, com as mãozinhas cheias de rosas, lhe faz sinais para que se aproxime e lhe diz:

– Vem brincar comigo Edmundo, eu sou Jesus!

Edmundo não espera um segundo convite, e encaminha-se sobre o terraço florido. Mas ai! Que foi? Espinhos agudos magoavam-lhe os pés.

Ele pára, desanimado, mas a vozinha meigamente vai repetindo:

– Coragem Edmundo, não olhes para os espinhos!

Edmundo torna a tentar a prova, mas pára de novo porque os pezinhos sangram.

– Não tenhas medo, diz a voz; aqui estou Eu, Jesus!

Animado, e resoluto, põe-se a caminho e, desprezando as picadas, alcança, a correr, Jesus que o acaricia e lhe faz mil agrados, enquanto os pezinhos, já curados, repousam sobre pétalas perfumadas.

 

Conclusão: “Não há rosas sem espinhos”, diz o ditado.

Quereis alcançar Jesus e merecer as suas carícias? Não temais os espinhos, ou seja, as dificuldades, os pequenos incómodos;

Submetei-vos de boa vontade a alguma leve privação para chega-vos. Para vós também Ele transformará os espinhos em rosas perfumadas!

Para a frente sempre! Sem medo, nem temores, vamos a Jesus!

 
O rei, o servo e os cães selvagens Imprimir e-mail

 

 

O rei, o servo e os cães selvagens

 

Um rei tinha dez cães selvagens. Quando um servo cometia um erro, ele lançava-o aos cães.

Certo dia, um dos servos fez algo errado. O rei ordenou que ele fosse lançado aos cães.

O servo disse: “Eu servi-o durante dez anos, por favor dê-me dez dias antes de me lançar aos cães”. O rei concedeu-lhe.

Na prisão, o servo disse ao guarda que gostaria de tratar os cães durante os próximos dez dias. O guarda concordou e o servo pôde alimentar os cães, limpá-los e dar-lhes com todo o conforto.

Quando os dez dias acabaram, o rei ordenou que o servo fosse lançado aos cães como punição. Quando foi lançado, toda a gente ficou surpresa ao ver os cães vorazes a lamber os pés do servo!

O rei, perplexo com o que estava a ver, disse: “O que aconteceu com os meus cães?”

O servo respondeu: “Eu servi os cães apenas dez dias e eles não esqueceram os meus serviços; no entanto, eu o servi o rei durante dez anos e o senhor esqueceu-se de tudo no meu primeiro erro”.

O rei percebeu o seu erro e ordenou que o servo fosse salvo.

* * *

Que grande lição para todos aqueles que se esquecem das coisas boas que uma pessoa fez por eles e assim que a pessoa comete um erro, eles já a condenam.

Lembremo-nos também dos acertos, e não só dos erros!

 
Cada um dá o que tem Imprimir e-mail

CADA UM DÁ O QUE TEM

 

Duas fazendeiras moravam próximas uma da outra, mas não eram amigas. Uma era cristã, a outra não e tinha mesmo aversão aos cristãos.

 

Um dia, esta senhora, com o coração cheio de ódio, resolveu insultar a piedosa senhora, mandando-lhe como presente uma cesta cheia de estrume de animais, e com um cheiro insuportável.

Quando o presente chegou às mãos da vizinha generosa, ela chamou a empregada e disse: Vai ao jardim, colhe as mais belas e cheirosas flores, enche uma cesta e envolve-a com um laço bonito.

Depois de tudo preparado, escreveu um bilhete e colocou-o também dentro da cesta. A empregada foi entregar o presente, em nome da sua patroa piedosa, à vizinha inimiga.

Quando ela abriu a cesta sentiu um agradável perfume. Mas, ao ler o bilhete, viu a mensagem que descrevia tudo o que estava a acontecer: “CADA UM DÁ O QUE TEM”.

 
Obrigado, pai Imprimir e-mail

Os olhos de quem vê

 

Um dia, um pai de família rica, grande empresário, levou o seu filho para viajar até um lugarejo com o propósito de lhe mostrar como as pessoas podem ser pobres.

O objetivo era convencer o filho da necessidade de valorizar os bens materiais que possuía, o prestígio social; o pai queria desde cedo passar estes valores para o seu herdeiro.

Eles ficaram um dia e uma noite numa pequena casa de madeira, de um morador da fazenda do seu primo. Quando voltavam da viagem, o pai perguntou ao filho:

 

- Então, filho, como foi a viagem?

- Muito boa, pai, respondeu o pequeno.
- Viste a diferença entre viver com riqueza e viver na pobreza?

- Sim pai! Retrucou o filho, pensativo.
- E o que é que aprendeste, com tudo o que viste nestes dias, naquele lugar tão paupérrimo
?

O menino respondeu: - Pai, eu vi q nós temos só um cão em casa, e eles têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança metade do jardim, eles têm um rio que não tem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada com lâmpadas fluorescentes e eles têm as estrelas e a lua no céu. O nosso quintal vai até ao portão de entrada e eles têm uma floresta inteira. Nós temos alguns canários numa gaiola, eles têm todas as aves que a natureza lhes pode oferecer, soltas!

O filho suspirou e continuou:

- E além do mais pai, observei que eles rezam antes de qualquer refeição, enquanto que nós em casa, sentamo-nos à mesa falando de negócios, de euros, de festas sociais, comemos, empurramos o prato e pronto! No quarto onde fui dormir com o Tonho, fiquei envergonhado, pois não sabia sequer rezar, enquanto que ele se ajoelhou e agradeceu a Deus por tudo, inclusive pela nossa visita a casa deles. Na nosssa casa vamos para o quarto, deitamo-nos, vemos a TV e dormimos. Conforme o filho ia falando, o pai ficava estupefacto, calado e envergonhado. Outra coisa, pai, dormi na rede do Tonho, e ele dormiu no chão, pois não havia uma rede para cada um.
Na nossa casa colocamos a Marieta, nossa empregada, a dormir no quarto onde guardamos entulhos, sem nenhum conforto, apesar de termos camas macias e cheirosas de sobra. O filho na sua sábia ingenuidade e no seu brilhante desabafo, levantou-se, abraçou o pai e ainda acrescentou:

- Obrigado pai, por me ter mostrado como nós somos pobres!

 
O combate contra o gigante Ferragut Imprimir e-mail
O combate contra o gigante Ferragut
Terminada a conquista da região de Monjardin, anunciaram a Carlos Magno que em Najera havia um gigante da raça de Golias, chamado Ferragut.

Tinha vindo da Síria, enviado pelo emir de Babilônia com 20.000 turcos, para combater o monarca franco. Possuía o vigor de quarenta homens fortes. Media uns sete pés.

Quando o gigante se inteirou da chegada do Imperador, saiu alegre ao seu encontro e lhe propôs um combate singular. Um cavaleiro devia lutar contra ele.

Saiu primeiro Ojeros até Ferragut, e o gigante pegou-o com sua mão direita e o levou como uma ovelha até a cidade. Carlos mandou Reinaldo de Montalbán.

Tomando-o pelo braço, Ferragut o encerrou no cárcere da cidade. Tiveram idêntica sorte vários guerreiros. Carlos desistiu então da idéia de prosseguir a luta.

Roland pediu permissão ao Rei para medir as suas forças com o gigante.

O David franco se acercou de seu rival. Ferragut, tomando-o pela direita, o pôs ante si sobre o cavalo, conduzindo-o até a cidade para prendê-lo com seus compatriotas cristãos.

O franco, porém, com rapidez, conseguiu derrubar o gigante ao chão. Levantou-se com presteza e montou de novo em seu cavalo. Roland brandiu sua espada e descarregou um forte golpe para matar o seu adversário.

A força da espada partiu em dois o cavalo, e Ferragut proferia terríveis ameaças contra o franco. Começaram a lutar com a espada. Porém Roland conseguiu desarmá-lo.

O Golias sarraceno intentou matar Roland com um murro, mas a mão cerrada caiu sobre a cabeça do cavalo de Roland, matando-o e deixando o cristão em posição parecida com a de seu inimigo. Perdida a cavalgadura, a luta continuou durante toda a tarde. Fizeram uma trégua, e os dois prometeram continuar a luta no dia seguinte, sem cavalos nem lanças.

No dia seguinte nada pôde conseguir Roland em seus intentos, para ferir com paus e pedras o seu invulnerável inimigo. Fizeram novas tréguas. Ferragut caiu, dormindo no próprio campo de batalha.

Roland, como bom cavaleiro, pôs uma pedra sob a cabeça do gigante, para lhe servir de almofada e assim poder descansar melhor. As tréguas eram tempos sagrados.

Quando Ferragut despertou, Roland sentou-se ao seu lado. Perguntou qual era a razão de sua invulnerabilidade, não sendo ele atingido por espadas, bastões ou pedras.
— Porque tan solo por el ombligo puedo ser herido — confessou o gigante, falando em espanhol.

Continuaram conversando longo tempo, interessando-se o gigante pela origem e religião do franco, que aproveitou a ocasião para evangelizar o pagão, fazendo uma minuciosa exposição dos dogmas cristãos.

A discussão teológica terminou com uma reação normal naqueles tempos: a verdade religiosa e a aceitação da fé ficou submetida ao resultado da batalha entre os dois campeões.
— Lutarei contigo — disse Ferragut — com a condição de que, se é verdadeira essa fé que sustentas, seja eu o vencido. E se é falsa, o sejas tu.

O cristão aceitou. O duelo feroz se iniciou logo depois. Um golpe de espada de Ferragut partiu em dois a arma de Roland. Ao vê-lo desarmado, o gigante avançou sobre ele, aplastando-o sob o peso de seu corpo.

Compreendeu Roland que não podia fugir, e invocando a Virgem, revolveu sob o ventre do opressor. Tomando então o punhal, cravou-lho no umbigo, fugindo imediatamente. Aos gritos do gigante invocando Maomé, acudiram os sarracenos, levando seu capitão a Najera.

Então as hostes cristãs atacaram os mouros perto do castelo que domina a povoação, conquistando a cidade e a fortaleza e pondo em liberdade os prisioneiros cristãos.

 
A raposa e o corvo Imprimir e-mail

A raposa e o corvo

 Um dia um corvo achou um grande pedaço de queijo e pousou-o num galho para o comer tranquilamente, sem ser molestado.
Mas aconteceu de uma raposa passar por baixo da árvore e quando viu o queijo, começou a pensar no modo de o roubar.
E foi assim que disse:
— Belo Corvo, há muito que ouço falar de vós, da vossa nobreza e da vossa galhardia. Embora eu vos tenha procurado por toda a parte, não consegui encontrar-vos antes.
Mas, agora que vos vejo, acredito que sedes muito superior a tudo quanto me diziam. E para que vejais que não procuro bajular-vos, não somente falarei dos vossos bons dons, mas também dos defeitos que vos atribuem.
Todos dizem que, sendo preta a cor da vossa plumagem, olhos, patas e garras, e sendo que o preto não é tão belo como as outras cores, o facto de ser assim preto vos torna muito feio.
Mas eles não percebem o erro, pois embora as vossas plumas sejam pretas, elas têm um tom azulado, como as do pavão, que é a mais bela das aves.
E posto que os olhos foram feitos para ver, enxerga-se melhor quando são pretos e por isso todos louvam os olhos da gazela, que os têm mais escuros que qualquer animal.
Além do mais, o vosso bico e as vossas garras são mais fortes que as de qualquer outra ave do vosso tamanho.
Também vos quero dizer que voais com tanta velocidade que podeis ir contra o vento, ainda quando é muito forte, coisa que muitas outras aves não podem fazer tão facilmente como vós.
Por tudo isto acredito que, Deus que tudo faz bem, não teria consentido que vós, tão perfeito em tudo, não pudesses cantar melhor do que o resto das aves.
E porque Deus me concedeu a dita de vos ver e de comprovar que sedes mais belo do que dizem, eu me sentiria muito ditosa ouvindo o vosso canto.
Embora a intenção da raposa fosse enganar o corvo, sempre disse verdades pela metade. Mas uma enganosa meia-verdade produz os piores males e os maiores prejuízos.
E quando o corvo sentindo-se tão bajulado pela raposa e achando que era verdade tudo o que dizia, supos que não estava sendo logrado mas que era sua amiga, não suspeitou que falava só para lhe tirar o queijo.
Ludibriado por palavras e afagos, o corvo abriu o bico para cantar e agradar à raposa. Quando isto fez, o queijo caiu por terra.
Pegou-o logo a raposa e fugiu com ele.
Assim o corvo ficou iludido pelas bajulações da sua falsa amiga, que o fez acreditar que era mais belo e mais perfeito do que realmente era.
 Quem acha em ti qualidades que não tens,
sempre procura tirar-te alguns bens.
 
Enquanto os ventos sopram... Imprimir e-mail

ENQUANTO OS VENTOS SOPRAM...



Um fazendeiro possuía terras ao longo do litoral do Atlântico. Ele constantemente anunciava que precisava de empregados. A maioria das pessoas estavam pouco dispostas a trabalhar em fazendas ao longo do Atlântico. Temiam as horrorosas tempestades que varriam a região, fazendo estragos nas construções e nas plantações. Procurando novos empregados, ele ...recebeu muitas recusas. Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, aproximou-se do fazendeiro.
- Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro.
- Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram, respondeu o pequeno homem.
Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, empregou-o.
O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer até ao anoitecer, e o fazendeiro estava satisfeito com o trabalho do homem.
Mas, uma noite, o vento uivou ruidosamente. O fazendeiro pulou da cama, agarrou num lampião e correu para o alojamento dos empregados. Sacudiu o pequeno homem e gritou: Levanta-te! Uma tempestade está a chegar! Amarra as coisas antes que sejam arrastadas!
O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente, - Não senhor. Eu já disse: eu posso dormir enquanto os ventos sopram.
Enfurecido pela resposta, o fazendeiro pensou em despedi-lo imediatamente. Em vez disso, foi preparar o terreno para a tempestade. Do empregado, trataria depois.
Mas, para seu assombro, verificou que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos nos viveiros, e todas as portas muito bem travadas. As janelas bem fechadas e seguras. Tudo foi amarrado. Nada poderia ser arrastado. O fazendeiro então entendeu o que o seu empregado quis dizer. Então voltou para a cama para também ele dormir enquanto o vento soprava.

Quando se está preparado - espiritualmente, mentalmente e fisicamente - não se tem nada a temer.
 
O Soldado que cravou a lança em Jesus Imprimir e-mail
O Soldado que cravou a lança em Jesus: A história de São Longuinho.  

 

Longuinho foi o centurião (chefe de cem homens) que, estando de pé com os seus soldados perto da Cruz, furou o lado do Salvador com uma lança por ordem de Pilatos. Mas vendo o sol obscurecer-se e o terremoto, ele acreditou.

Passou a acreditar ainda mais quando, segundo relatam alguns autores, esfregando os olhos com o sangue de Nosso Senhor que corria pela lança, estes voltaram logo a enxergar. Renunciou então à condição militar e, instruído pelos Apóstolos, passou vinte e oito anos na vida monástica em Cesárea de Capadócia, convertendo muitas pessoas à fé com a sua palavra e o seu exemplo.

Recusando-se a sacrificar aos ídolos quando feito prisioneiro pelo governador, este mandou arrancar-lhe todos os dentes e a língua.

Longuinho, contudo, não perdeu o uso da palavra, e pegando num machado quebrou todos os ídolos dizendo: ‒ “Vamos ver se estes são deuses”.

Os demónios saíram na mesma hora dos ídolos e entraram no governador e em todos os seus companheiros. Estes começaram então a praticar toda a espécie de doidices, e pulando como cachorros foram prostrar-se aos pés de Longuinho.

O santo disse aos demónios: “Por que habitais nos ídolos?”Eles responderam: “Onde o nome de Cristo não está inscrito ou simbolizado, aí está a nossa moradia”. O governador estava furioso e perdeu a visão. Longuinho disse-lhe: ‒ “Fica a saber que não serás curado senão após ter-me matado. Com efeito, logo após receber a morte de tuas mãos, rezarei por ti e obterei a saúde do teu corpo e da tua alma”.

Então o governador mandou que cortassem a cabeça de Longuinho. Em seguida foi até ao seu corpo, prostrou-se com lágrimas nos olhos e fez penitência.

Recuperou imediatamente a visão e a saúde, acabando os seus dias na prática de boas obras.
 
A ponte do diabo em Montoulieu Imprimir e-mail

A ponte do diabo em Montoulieu


Perto da formidável fortaleza de Foix, na região de Languedoc, França, não longe da fronteira com a Espanha há uma ponte.

É a ponte de Montoulieu que existe até hoje.

Há turistas que chegam perto, mas não sabem o que fazem!

É melhor ir bem confessado!!! exclamam os que conhecem. Pois dela se conta a seguinte história:

Numa manhã, Raymond Roger, conde de Foix, acordou de péssimo humor. Passara mal na noite por culpa do javali que jantou na noite anterior.

Desse jeito, fez selar seu cavalo favorito e partiu ao galopo rumo às montanhas.

Ele atravessou logo o burgo de Foix e entrou pelo caminho que corre ao longo do rio Ariège. Ele ia pelo lado esquerdo cavalgando no sentido contrário da correnteza.

Assim ele passou por Ferrières e Prayols. Mas, logo depois lhe deu na fantasia de mudar de lado. Ele mandou o cavalo cruzar o córrego. Porém, naquele lugar o rio Ariège corre entre paredes de pedra enormes e a água é profunda.

O cavalo não quis passar. O conde ficou furioso, deu meia-volta e voltou para o castelo.

Imediatamente, ele mandou vir o barão de Saint-Paul, e disse-lhe encolerizado:

‒
Sr. barão, o desvio na tua região põe-me em cólera...


‒
Mas, meu senhor, sempre foi assim desde que existe este rio!

‒
Chega! Eu te ordeno construir uma ponte no local. E rápido!!!

‒
Bom vou tentar…” sussurrou o barão consternado diante da perspectiva de uma tarefa quase impossível.

‒
Se num mês eu não vejo a ponte, a tua vida vai pender de um fio!


E o conde retirou-se deixando o pobre barão completamente desolado.

Acontecia que o barão era um poeta que não se preocupava pelo dia de amanhã e gastava logo os escudos que ganhava. Por isso, ele não tinha um tostão sequer para começar os trabalhos.

Então, ele que cantava sempre, ficou todo triste. Os dias passavam e não aparecia nenhuma solução. Ele foi até aos bordes do Ariège e muito desanimado lamentou-se:

‒ Ah! Eu faria um pacto até com o diabo para sair desta enrascada!”

Fora o diabo malandro que soprara esta ideia no miolo mole do barão poeta.

‒
“¨Cá estou eu ... disse uma voz por trás do barão.

O diabo, cheirando a enxofre, apareceu e estendeu-lhe a mão dizendo:

‒
A tua ponte estará pronta no dia combinado!...”

‒
“É verdade? Não posso acreditar... bem, muito obrigado... quer dizer... bom, sim, sim, obrigado...
, gaguejou o tolo.

‒
Sim, sim..., disse o diabo. Mas o que é que você me vai dar em troca?


‒
Quer dizer... bem... gaguejou o barão compreendendo tarde demais que tinha posto os pés pelas mãos.

‒
Você não tem dinheiro... eu sei..., continuou o diabo, sabido. Olha aqui!


O espírito da mentira pegou numa pedra e atirou-lha. Na hora de apanhá-la, o barão viu que se tinha transformado em moedas de ouro!

‒
Mas... eu... quer dizer... não sei...
‒ O que eu quero... ‒ e nessa hora o olhar do demónio faiscava como fogo do inferno ‒ é que você me entregue a alma do primeiro que passe pela ponte!

O barão fechou os olhos e disse:

‒
Tá bom! Eu te juro pela minha honra que a alma do primeiro que passar pela ponte será tua!”

E cada um partiu para seu lado. Mas, a partir daquela data, o barão estava cada vez mais triste. Ele tinha feito um pacto com o diabo!

Cheio de remorsos, ele foi para o lugar onde vão todos os que tem necessidade de um reconforto.

Ele foi para a igreja do mosteiro de São Volusien.

Envergonhado pelo seu pecado, escondeu-se detrás da primeira coluna à direita, e prosternou-se no chão, a chorar.

O irmão sacristão percebeu esse homem imenso por terra e foi chamar o reverendíssimo abade:

‒
Meu pai, disse ele, há um ladrão na igreja!...

‒
Um ladrão? Como assim? Vamos ver...

O abade foi pé ante pé até ao homem deitado por terra, escutou e ouviu os prantos.

‒
Mas não é um ladrão! É um homem que sofre!, sussurrou para o irmão.E, avançando, tocou no ombro do barão, dizendo:

‒
Meu amigo, venha...


E levou-o à sacristia onde reconheceu o barão de Saint-Paul. Este então contou-lhe o caso, a sua dor e confessou o seu pecado.

Quando a confissão acabou, o reverendo padre disse estas palavras na orelha do barão sonhador e atrapalhado:

‒
Amanhã, vos será necessário... então vós fareis... então... a solução!

Ninguém ficou a saber o que saiu neste momento. Mas o abade passou a noite a rezar muitas “missas baixas” pelo barão.

O barão, por sua parte, voltou para sua casa, cantando como um passarinho de alegria.

Entrementes, durante aquela noite toda, ouviu-se no vale o eco de uma barulheira infernal. Era um canteiro de obras pavoroso!!!

Os aldeões de Montoulieu não puderam dormir.

E no raiar da aurora apareceu bem construída uma ponte sobre o perigoso córrego.

Belzebu instalou-se sobre o murinho da ponte, aguardando o primeiro passante para levá-lo ao inferno.

E quando desabrochavam os primeiros alvores matinais, envolto numa capa preta, apareceu o barão de Saint-Paul.

O diabo zombou dele:

‒
Ah, sim, você vai ser o primeiro!...

‒
Não, não, respondeu o barão. O primeiro, aquele que é para você... olha está aqui!

E abrindo uma sacola ocultada sob a capa puxou um enorme gato negro que tinha uma panela amarrada na cauda.

E o gato saiu disparado. Usando todas as suas patas atravessou a ponte.
O diabo soltava vapores pelas orelhas e partiu para pegar o barão, quando na encosta de um morro apareceu a procissão dos monges de São Volusien.

Eles vinham a cantar a Ladainha de Todos os Santos, com a Cruz na frente e o Padre Abade levando o hissope e aspergindo a ponte com água benta.

O diabo afundou na terra!!! Vitória!!!

Durante muitos e longos anos poucas pessoas ousaram atravessar a ponte durante a noite.

Entretanto, há mais de dez séculos que não se ouve falar de sinais de Lúcifer na ponte de Montoulieu.
 
O Capítulo dos Animais Imprimir e-mail
 

O Capítulo dos Animais

 
O leão condena o burro por uma falta mínima.
 

Certa vez o leão ouviu que os frades faziam um Capítulo no qual todos se acusavam culpados dos pecados que tinham cometido e se submetiam a uma pena.


Disse então: — “Ora, se os frades fazem um Capítulo de todos diante do seu superior, eu que sou o maior de todos os animais da terra e o senhor de todos eles, deverei ser pior?”


E logo mandou ordenar o Capítulo de todos os animais, para que comparecessem diante dele.


Uma vez todos reunidos, ele ocupou o trono e, quando estava bem sentado, ordenou que todos se sentassem em volta dele.


E desde o trono, disse o leão: — “Eu não quero ser pior do que os outros nisto. Quero que façamos um Capítulo como fazem os frades, e que nele se confesse todo o pecado e mal feito; e, sendo eu o maior, quero saber de tudo. Eu ouvi dizer que muitos males foram feitos por vós. Eu direi de quem é a vez de se acusar. Porém, quero que cada um confesse o seu pecado. Vinde, um por um, todos a mim, vos acusando como pecadores daquilo que tendes feito”.


Ordenou então ao burro que fosse o primeiro a se penitenciar. O burro foi até ao leão, e ajoelhando-se, disse:- “Misericórdia!”


O leão falou: — “O que fizeste? Diz já o que fizeste”.


E o burro falou: — “Misericórdia, eu pertenço a um camponês que às vezes me carrega com um monte de palha e me leva até à cidade para a vender. E aconteceu que certa vez, enquanto andava, engoli um bocado de palha sem que o meu patrão percebesse. E assim fiz mais de uma vez”.


Então, disse o leão:  — “Oh, ladrão! Ladrão, traidor e malvado; não percebes todo o mal que fizeste? Quando é que poderás restituir o valor daquilo que roubaste e comeste?”


E ordenou que este burro fosse preso e recebesse grande número de chibatadas. E assim foi feito.


Depois dele compareceu a cabra, que do mesmo modo se ajoelhou pedindo misericórdia.


Disse o leão:  — “O que é que tu fizeste? Oh, conta já o teu pecado”.


A cabra respondeu: — “Meu Senhor, eu me acuso da minha culpa: certa vez, para fazer estrago, passei perto da horta de uma mulher, precisamente de uma viúva, que tinha muitas ervinhas odoríferas, salsa, manjerona e tomilho; e causei dano às couves e a outras mudas, comendo as suas pontas mais tenras.


“E após fazer dano a esta, também fiz mal a muitas hortas; e por vezes fiz dano de modo a não deixar nada que fosse verde”.


Disse então o leão:  — “Oh! Acabo de encontrar duas consciências muito diversas. Uma é subtil, até demais, e a outra é grossona, como a daquele ladrão do burro.


“Mas tu percebias o mal em comer essas ervinhas? Pois bem, vai em paz, vai não tenhas problema de consciência. Oh! Vai pura como eu. Não é necessário confessar esse pecado, é costume das cabras fazerem coisas dessas. Tens uma grande desculpa, porque foste obrigada a fazer isso. Vai, vai, que eu te absolvo e não penses mais nisso”.


Depois da cabra apareceu a raposa, que se pôs de joelhos diante do leão.


Disse o leão: — “Ora, confessa os teus pecados. O que fizeste?

 


A raposa disse:  — “Misericórdia, eu recito as minhas culpas: matei muitas galinhas e comi-as. E às vezes entrei no galinheiro onde dormiam, e vendo que não poderia chegar até elas, fingi que a minha cauda era uma vara e que eu ia subir. E quando elas acreditaram, logo pularam para o chão; e então corri atrás delas e matei todas as que pude apanhar; comi todas as que conseguia e as outras deixava-as mortas; algumas vezes levei comigo mais de uma”.


Disse o leão:  — “Oh, como tendes uma consciência delicada! Em boa hora vai embora, vai! Em ti é natural tudo isso que fazes e eu não te darei penitência alguma, e nada te imputo como pecado. Também te digo que continues a agir corajosamente como fazes e não te acuses senão das galinhas que ficaram vivas”.


Partiu a raposa e apareceu o lobo e disse: - “Meu Senhor, uma vez eu fui ao curral das ovelhas para ver como estava feito. Vós sabeis que a cerca em volta é alta, e eu comecei a pensar por onde poderia entrar facilmente. E assim que achei, procurei uma madeira que acho que era pesada como uma ovelha, para entrar e sair por cima dela. E assim fiz para não ser apanhado pelos cães. Entrei sorrateiramente e matei mais ovelhas do que tinha necessidade, e voltei carregando só uma”.


Disse o leão:  — “Oh, mais uma consciência delicada! Sabes o que te respondo? Não sintas dor de consciência por essas coisas. Doravante vai e faz galhardamente o que fazes sem te preocupar comigo”.


E logo que o lobo partiu, entrou a ovelha, com a cabeça baixa, dizendo:  — “Be, be.”


Disse o leão:— “O que fizeste, mulher hipócrita?”


Ela respondeu:
— “Misericórdia, certas vezes em que passei pelas trilhas em cujo lado está semeado o capim, eu subi sobre um montículo e, vendo aquelas ervinhas verdes e tenras, não comi tudo, mas apenas as partes de cima, as mais tenras”.
Então disse o leão: — “Oh maldita ladra, ladra traidora, foi assim que fizeste tanta maldade! E andas por ali dizendo ‘be, be’ enquanto roubas pela estrada! Oh, maldita ladra, quanto mal fizeste! Chega; dai-lhe muitas vergastadas; e dai-lhe tantas até surrá-la toda inteira, e fazei de modo que ela fique três dias sem comer coisa alguma”.

Que lição se tira deste conto! Entendestes?


O corvo não fura o olho de outro corvo. Quando um bicho ruim, como o lobo ou a raposa, faz uma coisa, o ruim encobre para que não se veja.


Mas, se for a ovelhinha, ou o burro, quer dizer a viúva, a criança ou um coitadinho que diz ou faz alguma coisa pequena, o ruim pede: mata, mata. O lobo não come outro lobo, mas come a carne dos outros animais.


Oh, tu que governas, não punas com demasia o burro e a ovelha por pequenas coisas e não deixes de condenar o lobo e a raposa pelos seus grandes crimes!


O que deves fazer?
Escolhe a punição com prudência, discernindo a falta de uns e o crime dos outros.


(Autor: São Bernardino de Siena, “Apologhi e Novellette”,
Intratext).
 
As doze palavras ditas e retornadas Imprimir e-mail

AS DOZE PALAVRAS DITAS E RETORNADAS

 Era uma vez um homem muito trabalhador e honrado, mas infeliz em todo negócio em que se metia. Tinha ele devoção ao Anjo da Guarda, rezando todos os dias em sua intenção.
Cada vez mais pobre, o homem perdeu a paciência, e um dia gritou, desesperado com sua triste sina:
— Acuda-me o diabo, que o Anjo da Guarda não me quer ajudar!
Apareceu um sujeito alto, todo vestido de preto, barbudo e feio, com uma voz roufenha e desagradável:
— Aqui estou! Aqui estou! Que é que queres de mim?
— Quero ficar rico.
O diabo indicou uma gruta onde havia um tesouro enterrado, e disse:
— Daqui a vinte anos voltarei para buscar-te. Se não disseres as doze palavras ditas e retornadas, serás meu para toda a eternidade.
O homem começou a viver folgadamente, em festas e alegrias, cercado de amigos e de mulheres.
O tempo foi passando, e uma noite ele lembrou-se de que estava condenado às penas do inferno. Só se soubesse as doze palavras ditas e retornadas...
— Isso deve ser fácil — disse ele consigo.
— Todo mundo deve saber.
No dia seguinte perguntou aos amigos, aos vizinhos e a todos os moradores da cidade, e não havia quem soubesse o que vinha a ser o que ele lhes perguntava.
O homem afligiu-se muito. Cada vez mais o tempo passava, e ninguém sabia o segredo das doze palavras ditas e retornadas. Largou ele a vida má que levava, fez penitência e saiu pelo mundo, perguntando. Todos diziam:
— Não sei, nunca ouvi falar...
O homem só faltava morrer, com o pavor da ideia de ter de encontrar-se com o diabo e ser carregado para o fogo eterno.
Já correra muito tempo desde que deixara o folguedo dos ricos, vestindo com modéstia e dando esmolas.
Uma tarde, ia por um bosque na hora da "Ave-Maria". Ajoelhou-se para rezar, e ao terminar viu um velho que se aproximava dele.
Cumprimentou-o, e foram andando juntos para a vila. Perguntou ao velho como se chamava.
— Chamo-me Custódio — respondeu.
E falou-lhe nas doze palavras ditas e retornadas. E o velho Custódio disse:
— Eu sei as doze palavras ditas e retornadas.
O homem ficou tão satisfeito que abraçou o velho, dando graças a Deus e dizendo que aquilo era um milagre do Anjo da Guarda, sua devoção antiga.
— Como são as doze palavras ditas e retornadas? Qual é a primeira, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! A primeira palavra dita e retornada é a Santa Casa de Belém, onde nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo, para nos remir e salvar.
— E as duas palavras ditas e retornadas, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As duas palavras ditas e retornadas são as duas tábuas de Moisés, em que Nosso Senhor pôs seus divinos pés, e a primeira é a Santa Casa de Belém.
— E as três palavras ditas e retornadas, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo não! As três palavras ditas e retornadas são as três pessoas da Santíssima Trindade, as duas são as duas tábuas de Moisés, e a primeira é a Santa Casa de Belém.
— E as quatro palavras ditas e retornadas, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As quatro palavras ditas e retornadas são os quatro evangelistas, as três são as pessoas da Santíssima Trindade, as duas são as tábuas de Moisés, e a primeira é a Santa Casa de Belém.
— E as cinco palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As cinco palavras ditas e retornadas são as cinco chagas de Nosso Senhor.
— E as seis palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As seis palavras ditas e retornadas são as seis velas bentas que estão no altar-mor de Jerusalém.— E as sete palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As sete palavras ditas e retornadas são os Sete Sacramentos.
— E as oito palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As oito palavras ditas e retornadas são as oito bem-aventuranças pregadas por Nosso Senhor Jesus Cristo.— E as nove palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As nove palavras são os nove meses que a Virgem Mãe trouxe Nosso Senhor.
— E as dez, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As dez palavras ditas e retornadas são os Mandamentos da Lei de Deus.
— E as onze palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As onze palavras são as onze mil virgens.
— E as doze, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As doze palavras ditas e retornadas são os doze apóstolos, as onze, são as onze mil virgens, as dez, os Mandamentos, as nove, os meses de Nossa Senhora, as oito as bem-aventuranças, as sete, os Sacramentos, as seis, as velas bentas, as cinco, as chagas, as quatro, os evangelistas, as três, a Santíssima Trindade, as duas as tábuas de Moisés, a primeira a Santa Casa de Belém, onde nasceu quem nos salvou. Amém! Estas são as doze palavras ditas e retornadas.
— De joelhos te agradeço, amigo Custódio, essa esmola, que me há de salvar do demónio!— Custódio, sim, e teu amigo. Sou o Anjo da Guarda que vem perdoar-te pelo arrependimento e pela penitência.
E sumiu-se. O homem, quando chegou o prazo para prestar contas ao diabo, disse as doze palavras ditas e retornadas, e o maldito rebentou como uma bola de fogo, espalhando cheiro de enxofre.
O homem viveu santamente os seus dias, e acabou na paz de Deus, salvando-se graças ao seu Anjo da Guarda.
 
O senhor feudal criminoso e o misterioso barril Imprimir e-mail

 

O senhor feudal criminoso, o ermitão piedoso e o misterioso barrilzinho

 

Habitava nos confins da Normandia um destemido cavaleiro, cujo nome causava terror na região. De seu castelo fortificado junto ao mar, não receava nem mesmo o rei.

 

 De grande estatura e belo porte, era no entanto vaidoso, desleal e cruel, não temendo a Deus nem aos homens.

 

 Não fazia jejum nem abstinência, não assistia à Missa nem ouvia sermões. Não se conhecia homem tão mau.

 

 Numa Sexta-feira Santa, bradou ele aos cozinheiros:

— Aprontai-me para o almoço a peça que cacei ontem.

 

 Ouvindo isto, seus vassalos exclamaram:

— Senhor, hoje é Sexta-feira Santa. Todos jejuam, e vós quereis comer carne? Crede-nos: Deus acabará por vos punir.

— Até que tal aconteça, terei enforcado e roubado muita gente.

— Estais seguro de que Deus tolerará mais isso? Vós devíeis arrepender-vos sem demora. Em um bosque vizinho há um padre eremita, varão de grande santidade. Vamos até lá e confessemo-nos — insistiram os vassalos.

— Confessar-me? Aos diabos! — respondeu com desprezo o senhor.

— Vinde ao menos fazer-nos companhia.

— Para me divertir, concedo. Por Deus, nada farei.

 

E puseram-se a caminho. Na floresta solitária e quieta encontraram o santo varão na ermida.

 

 Advertido pelos vassalos, que se confessaram, saiu o eremita ao encontro do orgulhoso senhor, que ficara montado. E disse-lhe:

— Sede bem-vindo, senhor. Visto que sois cavaleiro, deveis ser cortês. Desmontai e vinde falar comigo.

— Falar convosco? Por que diabos? Estou com pressa.

— Entrai e conhecei minha capela e minha morada.

 

 Muito a contragosto e resmungando, o cavaleiro apeou. O eremita tomou-o pelo braço, conduziu-o diante do altar e disse-lhe:

— Senhor, matai-me, se quiserdes, mas daqui não saireis sem antes confessar-vos.

— Não contarei nada! E não sei o que me impede de matar-vos.

— Irmão, dizei-me um só pecado. Deus vos ajudará a confessar os demais.

— Diabos! Não me dareis sossego? Eu o farei, mas de nada me arrependerei.

 E com grande arrogância contou de um só lance todos os pecados.

 

 Depois de ouvi-lo, o eremita propôs:

— Senhor, pelo menos sujeitai-vos a uma penitência.

— O quê!? Penitência!? Caçoais de mim! — vociferou furioso o cavaleiro.

— Jejuareis todas as Sextas-feiras durante três anos.

— Três anos! Estais louco! Jamais!

— Então, um mês.

— Também não.

— Ireis a uma igreja e direis aí um Padre-Nosso e uma Ave-Maria.

— Para mim seria enfadonho, e ademais, tempo perdido.

— Pelo amor de Deus todo poderoso, pegai pelo menos neste barrilzinho, enchei-o no regato próximo e trazei-mo de volta.

— Bem, isto não me custa tanto. E sobretudo para ficar livre de vós, concedo.

 

 Saiu o cavaleiro em direção à fonte, e de um só golpe afundou na água o barrilzinho. Neste não entrou uma gota sequer. Tentou novamente de um jeito, de outro... Nada!

 

 Intrigado e rangendo os dentes de raiva, voltou à ermida e esbravejou:

— Barril enfeitiçado! Não consigo meter-lhe uma só gota de água!

— Senhor, que triste estado é o vosso! Uma criança o teria trazido transbordando. Isto é um sinal de Deus, por causa de vossos pecados.

— Pois eu vos juro que não lavarei minha cabeça, não farei a barba nem cortarei as unhas enquanto não encher este barril, ainda que tenha de dar a volta ao mundo. E nisto empenho minha palavra!

 

E assim partiu o cavaleiro com o barrilzinho, levando só a roupa do corpo. Em todos os poços e regatos, cascatas e rios, lagos e mares, experimentava encher o pequeno tonel, mas sempre em vão. Caminhando sem cessar, passando frio e calor, por planícies e montanhas, percorreu ele muitos países.

 

 Maltrapilho e sujo, curtido pelo sol, obrigado a mendigar, sofreu fome, insultos e chacotas, pois muitos desconfiavam dele. Seu corpo ia definhando, e o barrilzinho pesava-lhe enormemente, amarrado ao pescoço.

 

 Ao cabo de um ano de fracassos, decidiu voltar à ermida, onde por fim chegou, exatamente na Sexta-feira Santa. O eremita, não o reconhecendo, perguntou:

— Caro irmão, quem vos deu esse barrilzinho? Há um ano entreguei-o a um belo cavaleiro, que não voltou mais aqui. Nem sei se ainda vive.

— Esse cavaleiro sou eu, e este é o estado em que me colocaste! — respondeu cheio de cólera o desgrenhado peregrino, contando a seguir suas desventuras.

 

 O santo homem indignou-se ante tanta dureza de alma, bradando:

— Vós sois o pior dos homens! Um cão, um animal qualquer teria enchido o barril. Ah! bem vejo que Deus não aceitou a vossa penitência, porque não vos arrependestes!

 E pondo-se a chorar, rogou à Santíssima Virgem que intercedesse por aquele pecador empedernido.

 

 Enquanto o eremita soluçava em sua longa oração, o cavaleiro, quieto, foi tocado pela graça. Seu coração tão duro comoveu-se. Os olhos se lhe turvaram. Uma grossa lágrima rolou-lhe pela face ressequida, caindo diretamente dentro do barrilzinho, que trazia amarrado ao pescoço. E esta única lágrima encheu-o até os bordos.

 

 Sinceramente arrependido, o cavaleiro pediu para confessar-se. O eremita, maravilhado, abraçou-o em prantos de alegria. Após ministrar a absolvição sacramental ao penitente, o eremita perguntou-lhe se queria receber a comunhão.

— Sim, meu pai. Mas apressai-vos, porque sinto que vou morrer.

Tendo recebido o Santíssimo Sacramento, com a alma purificada, o cavaleiro agradeceu comovido ao eremita, e colocou-se em suas mãos. Pouco depois exalava o último suspiro.

A capela iluminou-se, e os anjos levaram sua alma ao Paraíso. Diante do altar, o eremita velou longamente aquele corpo coberto de andrajos, tendo junto de si o prodigioso barrilzinho.

 (Fonte: Adaptado de "Poètes et prosateurs du Moyen Âge", Hachette, Paris, 1921).

 
Uma história para reflectir Imprimir e-mail

 

UMA HISTÓRIA PARA REFLECTIR

 

A nossa cultura irreverente e cada vez mais cética deixou de lado as histórias piedosas que, de geração em geração, transmitiam mensagens de fé e convidavam à reflexão. Esta é uma das histórias que se contavam décadas atrás, sobre um caso que teria acontecido durante a grande crise económica mundial da década de 1930, em Chicago, nos Estados Unidos.

Era ainda madrugada quando o Dr. Braun foi despertado pelo seu telefone, que não parava de tocar. Sonolento, ele atendeu e ouviu uma voz suplicante:

– O senhor é o Dr. Braun?

– Sim, sou eu.

– Por favor, venha depressa! É muito urgente, um caso de vida ou morte!

– Onde é que o senhor mora?

– Alan Street, número 17. Venha rápido, por favor!

O Dr. Braun vestiu-se depressa, pegou na sua bolsa de médico e dirigiu-se à rua indicada. Sozinho, guiou o seu carro pelas ruas escuras da cidade. A região para onde ia era distante do centro, num bairro em que nem sequer durante o dia os habitantes se sentiam seguros.

A casa ficava num beco um tanto isolado. Estranhando não ver nenhuma luz acesa, o Dr. Braun bateu à porta. Depois de uma pausa, bateu novamente e, de novo, não recebeu resposta. Quando bateu pela terceira vez, alguém perguntou com voz grossa:

– Quem é?

– Sou o Dr. Braun. Recebi uma chamada de emergência.

– Ninguém chamou o senhor. É melhor que o senhor desapareça rápido, daqui!

Afastando-se, o Dr. Braun pensou ter anotado o número errado. Algumas semanas mais tarde, uma nova ligação. Desta vez ela veio durante o dia e era do serviço de emergência do hospital. A enfermeira explicava que um certo John Turner, a ponto de morrer por causa de um acidente grave, queria falar urgentemente com o Dr. Braun. E ela acrescentou:

– Dr. Braun, por favor, venha depressa, pois o homem já está a morrer e não nos quer dizer por que insiste tanto em falar com o senhor.

O Dr. Braun prometeu chegar logo, embora tivesse a certeza de não conhecer nenhum John Turner. O próprio moribundo lhe confirmou:

– Dr. Braun, o senhor não me conhece, mas eu devo falar consigo antes de morrer para pedir perdão. O senhor com certeza lembra-se de um telefonema durante a noite, algumas semanas atrás.

– Sim, mas…

– Fui eu. Estava sem trabalho. Vendi todas as coisas preciosas da casa e, mesmo assim, não consegui alimentar a minha família. Não conseguia mais suportar os olhares suplicantes dos meus filhos, que estavam a passar fome. No meu desespero, resolvi chamar um médico durante a noite. Eu queria matá-lo, roubar o seu dinheiro e vender os seus instrumentos.

O Dr. Braun ficou paralisado de terror. Ainda assim, perguntou:

– Mas eu fui até lá. Por que é que o senhor não me matou?

– Pensei que o senhor viria sozinho, mas quando vi aquele jovem grande e forte ao seu lado, fiquei com medo. Perdoe-me, por favor!

– Claro que vou perdoar, murmurou o Dr. Braun, boquiaberto.

O facto é que o médico tinha mesmo ido sozinho. Ou, pelo menos, era isto o que ele pensava.

Foi à saída do hospital que ele ouviu de uma enfermeira um comentário que lançou luz sobre aquele mistério. A enfermeira, que nada sabia da história, disse-lhe:

– Como são admiráveis os caminhos de Deus, não é, doutor? Quantas vezes os nossos anjos nos protegem de perigos iminentes, sem que nós sequer estejamos conscientes!

– Por que está a dizer isso, enfermeira?

– Porque os filhos deste homem que acaba de falecer estiveram a ponto de morrer de fome, sozinhos em casa, quando foram encontrados por uma senhora.

– Não entendi a relação.

– A senhora foi a casa deles porque um jovem grande e forte lhe pediu o favor de entregar lá um pacote. O pacote continha comida e o endereço de uma tia das crianças com quem tinham perdido o contacto. E nem a tia, nem a senhora, nem as crianças conheciam nenhum jovem grande e forte.

Se não era um anjo, quem mais poderia ser?

 
O Bispo e a florista Imprimir e-mail

O Bispo e a florista

 

O Cardeal Pie, arcebispo de Poitiers, na França, costumava contar:

"Conheci perfeitamente um rapazinho pobre, nascido na aldeia humilde de Chartres. Desejava muito ser sa­cerdote, mas os seus pais diziam-lhe que não era possível, porque não tinham dinheiro para pagar o seminário.

Certa vez, o pequeno entrou na Sé. Ao presenciar as ceri­mónias, tornaram-se mais fortes os desejos de ser sacerdote, mas... como consegui-lo?

Sem ser capaz de conter a tristeza, desatou a chorar. Ao sair da igreja uma mulher, que vendia flores na praça, fixou-o e disse-lhe:

- Ó meu menino, porque choras? Que te fizeram?

Os soluços impediam-no de responder. Por fim falou, como quem confia um segredo:

- Eu queria ser sacerdote, mas não tenho quem me ajude.

- Não te aflijas, filho, eu te ajudarei.

E assim foi. A vendedeira de flores trabalhava durante todo o dia e gastava muitas horas da noite a costurar. Com o dinheiro que ia juntando, ajudou a pagar os estudos da­quele rapazinho.

A vendedeira de flores já morreu. Os anjos levaram-na para um lugar muito alto no céu. O seu protegido vive e trabalha pela salvação das almas. Vós conhecei-lo. O pobrezinho que chegou a ser sacerdote, graças aos sacrifícios de uma santa mulher, sou eu, o vosso bispo”.

 
O monge que voltou 400 anos depois Imprimir e-mail

Frei Pacómio, o monge que voltou 400 anos depois

 

Em princípios do século décimo, vivia num convento de beneditinos um santo religioso, chamado frei Pacómio, que não podia compreender como os bem-aventurados não se cansam de contemplar por toda a eternidade as mesmas belezas e gozar dos mesmos gozos.
Um dia mandou-o o Prior a um bosque vizinho, para recolher alguma lenha. Foi com gosto, mas mesmo no trabalho não o largavam as dúvidas.
De repente ouviu a voz de uma avezinha que cantava maravilhosamente entre os ramos. Ergueu-se e viu um animalzinho tão encantador, como jamais vira em sua vida. Saltava de um ramo para outro, cantando, brincando e internando-se na selva.
Seguiu-o frei Pacômio, todo enlevado, sem dar-se conta do tempo nem do lugar.
A certa altura a avezinha atirou aos ares o último e mais doce gorjeio e desapareceu. Lembrando-se então de seu trabalho, frei Pacômio procurou o machado para voltar ao convento.
Mas - coisa estranha! - achou-o enferrujado. Quis pegar o feixe de lenha que ajuntara, mas não o encontrou.
- Alguém mo terá roubado? - pensou.
Pôs-se a andar, mas não encontrava o caminho. Chegou, afinal, à beira do bosque, mas não encontrou o mato que tão bem conhecia. Ali estava agora um campo de trigo, em que trabalhavam homens desconhecidos.
Perguntou a um deles o caminho do mosteiro, pois de certo se tinha extraviado. Todos olharam para ele com surpresa, e em seguida indicaram-lhe o mosteiro.
Chegou afinal ao mosteiro. Mas - grande Deus! - como estava mudado! Em lugar da casa modesta de sempre, viu um edifício magnífico ao lado de uma grandiosa capela. Intrigado, bateu à porta; um irmão desconhecido veio abrir. - Sois novo, aqui - disse-lhe Pacómio. - Eu venho do bosque aonde me mandou esta manhã o Prior D. Anselmo, para buscar lenha.
Admirado, o porteiro deixou ali o hóspede e foi avisar o Prior que estava na portaria um monge com hábito velho, barba e cabelos brancos como a neve, a perguntar pelo Prior Anselmo.
O caso era curioso. O Prior, abrindo os registos do convento, descobriu o nome do Prior Anselmo, que ali viveu há quatrocentos anos.
Continuou a ler, e achou nos anais daquele tempo o seguinte:
- Esta manhã frei Pacómio foi mandado buscar lenha no bosque e desapareceu.
Chamaram o hóspede e fizeram-no entrar e contar a sua história.
Frei Pacómio narrou o caso das suas dúvidas sobre a felicidade do paraíso, e o Prior começou a compreender o mistério.
Deus quis mostrar ao pio religioso que, se o canto de uma avezinha era capaz de encantar-lhe a alma por séculos inteiros, quanto mais a formosura de Deus há-de embevecer os bem-aventurados por toda a eternidade, sem que eles jamais se cansem.
(Pe. Francisco Alves, C.SS.R., "Tesouro de Exemplos" - Vozes, Petrópolis, 1953)

 
O que aconteceu ao rei Ricardo de Inglaterra Imprimir e-mail

O que aconteceu com o rei Ricardo da Inglaterra

quando pulou no mar para lutar contra os mouros


Um dia, o conde Lucanor afastou-se com o seu conselheiro Patronio e falou-lhe assim:

– Patronio, eu confio muito no seu juízo. E sei que você sabe aconselhar como nenhuma outra pessoa no mundo. Por isso vos peço para me aconselhar como melhor sabes no que vou dizer agora.
Você sabe muito bem que já não sou jovem e, desde que nasci até agora, cresci e vivi sempre envolvido em guerras, às vezes contra os mouros, outras vezes com os cristãos, e na maioria delas contra reis, senhores, ou vizinhos.
Nas minhas lutas com os meus irmãos cristãos, embora eu tentasse que a culpa não fosse minha, foi inevitável que muitos inocentes recebessem um grande dano.
Fiz penitência por isso e por outros pecados que cometi contra Deus Nosso Senhor. Porém, vejo que nada nem ninguém neste mundo pode ter a certeza de que hoje não vai morrer.
E tenho a certeza de que, posta a minha idade, não vou viver muito mais tempo e sei que devo comparecer diante de Deus, que é juiz que não se deixa enganar por palavras.
É um Juiz que julga cada um pelas suas boas ou más ações. E eu tenho a certeza de que, se Deus achar em mim pecados que merecem o castigo eterno, não poderei evitar as dores do inferno, e não há nada de bom neste mundo que possa aliviar a dor eterna.
No entanto, também sei que se Deus se mostrar misericordioso e me incluir no número dos seus, no Paraíso, não há prazer ou alegria deste mundo que se possa igualar a essa.
E, como Céu ou no inferno já não há como mudar de lugar nem fazendo obras, peço-vos que, de acordo com o meu estado e dignidade, você me aconselhe a melhor maneira de fazer penitência pelos meus pecados e obter a graça diante de Deus.

– Senhor Conde, disse Patronio, muito me agradam as vossas razões. E especialmente porque vos aconselhais de acordo com o vosso estado. Agrada-me muito ver o vosso desejo de fazer penitência pelos vossos pecados, de acordo com o vosso estado e dignidade.
Tende como certo que se vós, Conde Lucanor, quisésseis deixar o vosso estado e entrar em religião ou fazer vida retirada, não poderíeis evitar que vos acontecesse uma destas duas coisas:
A primeira, é que seríeis muito mal julgado pelas pessoas, pois todos diriam que vós fazeis isso por pobreza de espírito e porque não vos apraz viver entre os bons;
A segunda, é que vos seria muito difícil suportar as asperezas e sacrifícios da vida conventual, e que se tivésseis de abandoná-la ou vivê-la sem respeitar a Regra como se deve, causar-vos-ia grande dano à alma e muita vergonha e perda da vossa boa fama.

Como vejo que vós tendes muito boas intenções, contar-vos-ei o que Deus revelou em vida a um santo eremita sobre o que aconteceria com ele e com o Rei Ricardo da Inglaterra.
O conde pediu-lhe então para lhe dizer o que aconteceu.

– Senhor Conde, disse Patronio, houve um eremita que teve vida muito santa, que era muito bom e fez muitas penitências para alcançar a graça de Deus.
E o Senhor foi misericordioso para com ele e prometeu-lhe entrar no reino dos céus.
O eremita estava muito grato por essa revelação divina e, como estava certo da sua salvação, implorou a Deus mostrar-lhe quem seria o seu companheiro no Paraíso.
Nosso Senhor tinha-lhe dito por intermédio de um anjo que não deveria pedir uma coisa dessas, mas tanto insistiu o eremita que o Senhor concordou em lhe dar uma resposta.
Dessa maneira fez-lhe saber por um anjo que o rei da Inglaterra e ele estariam juntos no Paraíso.
Tal resposta não foi do agrado do eremita, pois este bem sabia que o rei estava sempre em guerras e tinha matado, roubado e deserdado muitos, e levado uma vida oposta à sua, parecendo muito distante do caminho da salvação.
Por tudo isso o eremita ficou muito chateado.
Quando Deus nosso Senhor viu isso, enviou-lhe uma mensagem por meio do anjo para não reclamar ou ficar surpreso com o que Deus tinha dito, e que tivesse a certeza de que o Rei Ricardo conquistou mais honra e mais prémio diante de Deus com um só salto de cavalo do que o eremita com todas as suas boas ações.
O eremita ficou surpreso e perguntou ao anjo como podia ser.
O anjo então contou-lhe que os reis da França, da Inglaterra e da Navarra tinham ido para a Terra Santa. E quando chegaram ao ponto do desembarque, todos armados para empreender a conquista, viram nas margens tantos mouros que duvidavam em descer.
Então o rei da França pediu ao rei da Inglaterra para vir ao seu navio para decidirem o que fazer.
O rei da Inglaterra, que estava a cavalo, após ouvir o mensageiro, mandou responder ao rei da França que, como infelizmente tinha injustiçado e ofendido a Deus muitas vezes e sempre Lhe tinha pedido a oportunidade de fazer as pazes e apresentar desculpas, via que, graças a Deus, tinha chegado o dia que tanto esperava.
Porque, se morria, como havia feito penitência antes de deixar a sua terra e tinha muitos remorsos, estava certo que Deus teria piedade da sua alma, e se os mouros fossem derrotados, seria para honra de Deus, e como bons cristãos eles só se poderiam sentir muito felizes.

E logo que disse isto, confiou o seu corpo e a sua alma a Deus, invocou-O em sua ajuda fazendo o sinal da cruz, e convidou os seus soldados a segui-lo.
E picando o seu cavalo com as esporas, saltou para o mar em direção à costa onde os mouros estavam.
Embora tudo acontecesse muito perto do porto, o mar no local era muito profundo, de modo que o rei e o seu cavalo foram cobertos pela água e pareciam não ter salvação.
Porém Deus, que é omnipotente e muito piedoso, lembrando do que prometeu nos Evangelhos de que não procura a morte do pecador, mas que este se arrependa e viva, ajudou neste perigo o rei da Inglaterra, impedindo a sua morte carnal, concedendo-lhe a vida eterna e salvando-o do afogamento.
O Rei, em seguida, atirou-se contra os mouros.
Quando os ingleses viram o seu rei em combate, pularam todos para o mar e correram para ajudá-lo contra os inimigos.
Vendo isto, como não suportam a desonra, os franceses acharam que seria uma afronta não se envolver no combate e pularam todos para o mar e lutaram contra os mouros.
Mas estes, quando viram os cristãos iniciar o ataque sem medo de morrer e tão bem-humorados, recusaram-se a enfrentá-los e, abandonando a fortaleza, fugiram em desordem.
Pondo pé em terra, os cristãos mataram quantos puderam alcançar e obtiveram a vitória, prestando grande serviço à causa de Deus. Tão grande vitória começou com o salto ao mar do rei de Inglaterra.
Ouvindo isto, o eremita ficou muito contente e compreendeu que Deus lhe concedia uma grande honra pondo-o como companheiro no Paraíso de um homem que O tinha servido desta maneira e que tinha glorificado a fé católica.
– E vós, Senhor Conde, acrescentou Patronio, se quiserdes servir a Deus e fazer penitência pelos vossos pecados, reparai os danos que podeis ter feito nesta terra.
Fazei penitência pelos vossos pecados sem ouvirdes as elegâncias do mundo, que é tudo vaidade.
E, posto que Deus vos entregou terras onde O poderíeis servir lutando contra os mouros por mar e por terra, fazei quanto possais para garantir o que já tendes.

E deixando em paz os vossos senhorios e tendo pedido perdão pelas vossas culpas, para fazer a devida penitência e para que todos bendigam as vossas boas obras, podereis abandonar tudo, ficando sempre ao serviço de Deus e assim terminar a vossa vida.
Esta é, na minha opinião, a melhor maneira de salvar a vossa alma de acordo com o vosso estado e dignidade. Por esta razão vós deveis acreditar que, pelo facto de servir a Deus desta maneira, não ireis morrer antes nem viver mais tempo na terra.
Se morrerdes servindo a Deus, vivendo como eu disse, sereis contado entre os mártires e estareis junto da Bem-aventurada Virgem Maria.
Embora possais não morrer em combate, a boa vontade e as boas obras farão de vós um mártir, e aqueles que vos quereriam criticar não poderão fazê-lo, pois todos verão que não abandonais a cavalaria, mas desejais ser cavaleiro de Deus e deixais de ser cavaleiro do diabo e das vaidades do mundo, que são perecedouras.
Agora, oh conde!, eu vos tenho aconselhado, como me pedistes, para que possais salvar a vossa alma permanecendo no vosso estado. E assim vós imitareis o Rei Ricardo da Inglaterra, quando pulou para o mar para iniciar uma ação gloriosa.
O Conde realmente gostou do conselho que lhe deu Patronio e pediu a Deus para o ajudar a pô-lo em prática, como o seu conselheiro desejava.

 
Buscai o Senhor enquanto é tempo Imprimir e-mail

Buscai o Senhor enquanto é tempo 

Um homem riquíssimo estava a morrer. O filho estava ao lado dele, junto ao leito, e o homem disse:

-“Filho, segura a minha mão”.

Ele pegou-lhe na mão, enquanto o pai continuava:

- “Filho, estás a segurar a mão do homem que se tornou o maior dos fracassados dentre todos os homens deste mundo.”

O filho retrucou:

- “Pai, por que fala assim? O senhor é o presidente de uma das maiores empresas, além de dezenas de outras propriedades. O senhor tem milhares de amigos.”

O pai respondeu:

-“Eu vivi para o tempo e não para a eternidade. Eu não me preparei para este momento.

Tudo o que tenho, vou deixá-lo aqui. À minha frente está tudo muito escuro e frio. Onde estão os tais amigos?”

Logo a seguir morreu, com um semblante triste.

 

Conclusão: É costume medir o sucesso de uma pessoa pelos bens que ela possui. Se os tem em abundância, julga-se ser uma pessoa bem sucedida.

Se não apresenta património, dizemos que fracassou. “O ser humano é como um sopro; os seus dias, uma sombra, que passa” (Sl 144,4).

 
Impressionante confiança de um engraxador Imprimir e-mail

Impressionante confiança de um engraxador

 

Um menino cantava alegremente um canção religiosa enquanto engraxava os sapatos de um freguês.

Querendo zombar do pequeno, perguntou-lhe o freguês:

- Por que cantas com tanta força e tão alegremente?

- Porque Deus é um bom Pai.

O ateu, que há pouco tinha comprado um saco de laranjas, tirou uma e disse:

- Dou-te esta laranja se me disseres onde está Deus.

O rapazito respondeu com firmeza:

- Se eu tivesse, dava-lhe duas laranjas para o senhor me dizer onde é que Deus não está.

 
Aprendeu a rezar de forma impressionante Imprimir e-mail

Este homem aprendeu a rezar de forma impressionante

 

Um camponês, plantador de trigo, tinha o coração duro, e não dava esmolas.

Foi-se confessar uma vez, e o confessor deu-lhe por penitência rezar sete vezes o Pai Nosso.

 “Não o sei, e nunca o pude aprender, respondeu o aldeão.”

“Pois nesse caso, tornou o confessor, imponho-te, por penitência, dar de graça um pacote de trigo a todas as pessoas que lhe forem pedir, da minha parte.”

No dia seguinte de manhã apresentou-se o primeiro pobre.

 “Como te chamas?” perguntou-lhe o camponês.

“Pai – Nosso – Que – Estais – No – Céu”, respondeu o pobre.

“E o teu sobrenome?”

“Seja – Santificado – O – Vosso – Nome.”

E o pobre foi-se embora com o seu pacote de trigo.

Ao outro dia veio o segundo pobre.

 “Como te chamas?

“Venha – A – Nós – O – Vosso – Reino.”

“E o teu sobrenome?”

“Seja – Feita – A – Vossa – Vontade.”

E partiu com o seu pacote de trigo.

Veio o terceiro pobre.

 “Como te chamas?”

“Assim – Na – Terra – Como – No – Céu.”

“E o teu sobrenome?”

“Dai-nos – Hoje – O – Pão – Nosso – De – Cada – Dia.”

E levou o seu pacote de trigo.

Vieram ainda dois pobres, sucessivamente, e passou-se tudo da mesma forma até chegar ao Amem.

Pouco tempo depois o confessor encontrou o camponês.

 “Então, já sabes o Pai Nosso?”

“Não, sr. padre, sei só os nomes e sobrenomes dos pobres a quem, por sua recomendação, dei um pacote do  meu trigo.”

“Quais são?” tornou o padre.

E o camponês enumerou-lhos a seguir, na ordem pela qual cada “pobre” se tinha apresentado.

 “Já vês, disse o confessor, que não era muito difícil aprender o Pai Nosso, porque já o sabes perfeitamente…”

*  *  *

Nota: Este conto evoca exatamente aquelas palavras de Nosso Senhor: “Onde está o seu tesouro, ali estará o seu coração!” Mt 6, 21.

Como o camponês tinha o seu coração posto num bem terreno, não necessitou de nenhum esforço de memória para aprender a oração do Pai Nosso.

Igualmente se fizermos das verdades eternas o tesouro do nosso coração (ou seja, a atenção preponderante de nossos anseios e nossas cogitações) a nossa vida será abençoada e tudo nos será dado por acréscimo.

E em nós se realizará também a promessa do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo:

 “Serei Eu mesmo a vossa recompensa demasiadamente grande” (Gn 15, I), pois nada pode satisfazer plenamente a criatura humana, a não ser o Criador.

A maior felicidade consiste em estar inteiramente unido a Deus, ser um filho amado por Ele, sentir-se agradável a Ele. E isto só conseguiremos por meio de uma verdadeira devoção à Santíssima Virgem.

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Fonte: Contos para a infância”, por Guerra Junqueiro – Typographia Universal – Imprensa da Casa Real – Lisboa – 1877.

 
O cavaleiro de Tundale e a sua visita ao inferno Imprimir e-mail

O cavaleiro de Tundale e a sua visita ao inferno

 

O cavaleiro irlandês Tundale aprendeu uma lição de um seu soldado, que nunca esqueceu.

 

 Tundale era um bravo homem e bom soldado, mas não levava uma vida muito boa. Um dia, enquanto estava sentado a uma mesa, caiu inconsciente e ficou naquele estado durante três dias.

 

 Quando recobrou a consciência, era um homem mudado. Começou a louvar a Deus e a fazer penitência por todas as coisas más que tinha feito.

 

 Por quê uma mudança tão repentina? Ele contou aos amigos que, enquanto estava inconsciente, a sua alma pareceu deixar o corpo, e ele achou-se rodeado de demónios que queriam levá-lo para o inferno.

 

 Os demónios atormentavam-no terrivelmente, até que o seu anjo da guarda apareceu e expulsou-os.

 

 Então o anjo conduziu-o através do inferno e do purgatório, mostrando-lhe pessoas que tinha conhecido quando vivas.

 

Tundale disse ao seu anjo quanto ele tinha padecido nas mãos dos demónios, e o anjo respondeu-lhe: “Tenho estado sempre ao teu lado, mas tu nunca me pediste ajuda”.

 
Um testemunho verídico sobre o Terço Imprimir e-mail

 

Um Testemunho Verídico Sobre o Terço

 

A humildade de uma devota de Maria Santíssima. 

 

Havia uma senhora muito simples que vendia verduras na vizinhança. Certo dia, Tia Joana, conhecida por toda a vizinhança, foi vender as suas verduras a casa de um protestante e perdeu o terço no jardim da casa dele. Passados alguns dias, Joana voltou novamente àquela casa. O protestante veio logo zombar da Tia Joana, e disse-lhe:

- ''Tu perdeste o teu Deus''?

Ela humildemente respondeu:

- ''Eu, perder o meu Deus? Nunca!''

Ele, então, pegou no terço e disse:

- ''Não é este o teu Deus?''

- ''Graças a Deus que o senhor encontrou o meu terço. Muito obrigada''.

- ''Por que não trocas este cordão com estas sementinhas pela Bíblia?''

- ''Porque eu não sei ler a Bíblia, e com o terço eu medito toda a palavra de Deus e guardo-a no coração''.

- ''Meditas a Palavra de Deus? Como fazes? 

Respondeu a Tia Joana, pegando no terço: Quando pego na cruz, lembro-me que o Filho de Deus deu todo o Seu Sangue, pregado numa cruz, para salvar a humanidade.

Esta primeira conta grossa lembra-me que há um só Deus Omnipotente.

Estas três contas pequenas lembram-me as três pessoas da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. 

Esta conta grossa faz-me lembrar a oração que o Senhor nos ensinou, que é o Pai Nosso.

O terço tem cinco mistérios que fazem as cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo cravado na Cruz, e cada mistério tem dez Ave-Marias, que me fazem lembrar os Dez Mandamentos que o Senhor escreveu nas tábuas de Moisés. 

 
A verdadeira felicidade vem de Deus Imprimir e-mail

 

A verdadeira felicidade da vida vem de Deus.

 

Corre entre os russos esta história:

 

O czar (imperador) caiu gravemente doente. Não encontrando remédio, disse:

 

— Darei metade do meu reino a quem me curar. Reuniram-se então todos os sábios para uma consulta com este tema:

 

— Como havemos de curar o imperador?

 

Depois de muito discutirem, disse um: — Procurai um homem feliz, tirai-lhe a camisa e levai-a ao czar e, vestindo-a, ele sarará.

 

Os mensageiros percorriam todo o império à procura do homem feliz, mas não o encontravam, porque: um era rico, mas sempre doente; outro era são, mas pobre;

 

Este são e rico, mas sem filhos; aqueles são, rico e com filhos, mas atribulado; todos, enfim, tinham de que lamentar-se.

 

Um dia, o filho do czar aproximou-se, à noitinha, de uma cabana, parou e ouviu que dentro um homem a falar assim: — Graças a Deus, trabalhei, comi e vou para a cama contente de ter cumprido o meu dever. Nada me falta, sou feliz…

 

O filho do czar não cabia em si de contente, pois encontrara afinal o homem feliz e estava disposto a dar-lhe quanto dinheiro quisesse pela camisa, que levaria ¡mediatamente ao czar, seu pai.

 

Bateu à porta, entrou, pôs-se diante do homem feliz para lhe comprar a cobiçada camisa, mas… que é que viu?

 

O homem feliz não tinha nem uma camisa!

 

Comentários: Esta história mostra bem como a felicidade relativa que se pode ter aqui na terra não se encontra nos bens terrenos (prestígio, poder, riqueza, gozo, saúde física, etc.)

 

Mas consiste em perceber e aceitar os desígnios de Deus a nosso respeito e em saber tirar bom proveito daquilo que se tem para realizá-los do modo mais perfeito.

 

Somente assim se consegue a quota de felicidade terrena acessível a cada um de nós, com vista à felicidade plena na vida eterna.

 
Uma carta no correio Imprimir e-mail


UMA CARTA NO CORREIO

 

Ruth, olhou para a sua caixa de correio, mas só havia uma carta.

Pegou nela e olhou-a antes de a abrir. Mas parou, para observar com mais atenção. Não havia selo nem marcas do correio, somente o seu nome e endereço. Ela decidiu ler a carta: "Querida Ruth.  Estarei próximo da tua casa, no sábado à tarde, e passarei para te visitar. Com amor, Jesus."

As mãos da mulher tremiam quando colocou a  carta em cima da mesa.

 "Porq é q o Senhor me vem visitar? Não sou ninguém especial, não tenho nada para Lhe oferecer..." pensou.  Preocupada, Ruth recordou o vazio reinante nas prateleiras da sua cozinha.  "Ai, não!, não tenho nada para Lhe oferecer." Terei q ir ao mercado e comprar alguma coisa  para o jantar.

 Ruth abriu a carteira e colocou o conteúdo sobre a mesa: 5,40 €.

 "Bom, comprarei pão e alguma outra coisa, pelo menos." E saiu. Uns pães, um pouco de fiambre e um pacote de leite...

Ruth ficou somente com 0,12 €  que deveriam durar até segunda-feira.

Mesmo assim, sentiu-se bem e voltou para casa, com a humilde compra debaixo do braço. Olá, senhora, pode-nos ajudar? Ruth estava tão distraída pensando no jantar, que não viu as duas pessoas que estavam de pé no corredor.

Um homem e uma mulher, os dois vestidos com pouco mais que farrapos.

Olhe, senhora, não tenho emprego. A minha mulher e eu temos vivido ali fora, na rua.

Faz frio e sentimos fome. Se a senhora nos pudesse ajudar, ficaríamos muito agradecidos... Ruth olhou para eles com  mais cuidado.

Estavam sujos e tinham mau cheiro e, francamente, ela estava segura de que eles poderiam conseguir algum emprego se realmente quisessem.

 Senhor, eu queria ajudar, mas eu mesma sou uma mulher pobre. Tudo o que tenho são umas fatias de pão, mas receberei um hóspede importante nesta noite e planeava servir isto a Ele. Sim, bom, sim senhora, entendo... De qualquer maneira, obrigado - respondeu o homem.  O pobre homem fez sinal à mulher, e os dois dirigiram-se para a saída. Ao vê-los  a sair, Ruth sentiu um forte pulsar no seu coração.

Senhor, espere!

O casal parou e voltou atrás.

Olhem,  querem aceitar este lanche?  Conseguirei algo para servir ao meu convidado. Obrigado,  senhora, muito obrigado. Obrigada, disse a mulher.

Foi aí q Ruth se apercebeu de que a mulher tremia de frio. Sabe, tenho outro casaco em minha casa,  tome este.  Tirou o próprio casaco e colocou-o sobre os ombros da mulher. Sorrindo, voltou a caminho de casa... sem casaco e sem nada para servir  ao seu convidado. Obrigado, senhora, muito obrigado – despediu-se,  agradecido, o casal. Ruth estava a tremer de frio quando chegou à porta de casa.

Agora não tinha nada para oferecer ao Senhor. Procurou a chave rapidamente na carteira, enquanto notava q estava outra carta na caixa do correio. "Estranho, o correio nunca vem duas vezes num dia" pensou... Pegou na carta e  abriu-a: "Querida Ruth.  Foi bom vê-la novamente. Obrigado pelo delicioso lanche e pelo esplêndido casaco. Com amor, Jesus." 

O ar estava frio, porém, ainda sem se agasalhar,  Ruth nem percebeu.

Nem sempre Deus vem nos momentos em que nós queremos, mas ELE nunca chega atrasado.

 
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