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Abri as portas ao Redentor

João Paulo II

 
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Obrigado, pai Imprimir e-mail

Os olhos de quem vê

 

Um dia, um pai de família rica, grande empresário, levou o seu filho para viajar até um lugarejo com o propósito de lhe mostrar como as pessoas podem ser pobres.

O objetivo era convencer o filho da necessidade de valorizar os bens materiais que possuía, o prestígio social; o pai queria desde cedo passar estes valores para o seu herdeiro.

Eles ficaram um dia e uma noite numa pequena casa de madeira, de um morador da fazenda do seu primo. Quando voltavam da viagem, o pai perguntou ao filho:

 

- Então, filho, como foi a viagem?

- Muito boa, pai, respondeu o pequeno.
- Viste a diferença entre viver com riqueza e viver na pobreza?

- Sim pai! Retrucou o filho, pensativo.
- E o que é que aprendeste, com tudo o que viste nestes dias, naquele lugar tão paupérrimo
?

O menino respondeu: - Pai, eu vi q nós temos só um cão em casa, e eles têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança metade do jardim, eles têm um rio que não tem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada com lâmpadas fluorescentes e eles têm as estrelas e a lua no céu. O nosso quintal vai até ao portão de entrada e eles têm uma floresta inteira. Nós temos alguns canários numa gaiola, eles têm todas as aves que a natureza lhes pode oferecer, soltas!

O filho suspirou e continuou:

- E além do mais pai, observei que eles rezam antes de qualquer refeição, enquanto que nós em casa, sentamo-nos à mesa falando de negócios, de euros, de festas sociais, comemos, empurramos o prato e pronto! No quarto onde fui dormir com o Tonho, fiquei envergonhado, pois não sabia sequer rezar, enquanto que ele se ajoelhou e agradeceu a Deus por tudo, inclusive pela nossa visita a casa deles. Na nosssa casa vamos para o quarto, deitamo-nos, vemos a TV e dormimos. Conforme o filho ia falando, o pai ficava estupefacto, calado e envergonhado. Outra coisa, pai, dormi na rede do Tonho, e ele dormiu no chão, pois não havia uma rede para cada um.
Na nossa casa colocamos a Marieta, nossa empregada, a dormir no quarto onde guardamos entulhos, sem nenhum conforto, apesar de termos camas macias e cheirosas de sobra. O filho na sua sábia ingenuidade e no seu brilhante desabafo, levantou-se, abraçou o pai e ainda acrescentou:

- Obrigado pai, por me ter mostrado como nós somos pobres!

 
O combate contra o gigante Ferragut Imprimir e-mail
O combate contra o gigante Ferragut
Terminada a conquista da região de Monjardin, anunciaram a Carlos Magno que em Najera havia um gigante da raça de Golias, chamado Ferragut.

Tinha vindo da Síria, enviado pelo emir de Babilônia com 20.000 turcos, para combater o monarca franco. Possuía o vigor de quarenta homens fortes. Media uns sete pés.

Quando o gigante se inteirou da chegada do Imperador, saiu alegre ao seu encontro e lhe propôs um combate singular. Um cavaleiro devia lutar contra ele.

Saiu primeiro Ojeros até Ferragut, e o gigante pegou-o com sua mão direita e o levou como uma ovelha até a cidade. Carlos mandou Reinaldo de Montalbán.

Tomando-o pelo braço, Ferragut o encerrou no cárcere da cidade. Tiveram idêntica sorte vários guerreiros. Carlos desistiu então da idéia de prosseguir a luta.

Roland pediu permissão ao Rei para medir as suas forças com o gigante.

O David franco se acercou de seu rival. Ferragut, tomando-o pela direita, o pôs ante si sobre o cavalo, conduzindo-o até a cidade para prendê-lo com seus compatriotas cristãos.

O franco, porém, com rapidez, conseguiu derrubar o gigante ao chão. Levantou-se com presteza e montou de novo em seu cavalo. Roland brandiu sua espada e descarregou um forte golpe para matar o seu adversário.

A força da espada partiu em dois o cavalo, e Ferragut proferia terríveis ameaças contra o franco. Começaram a lutar com a espada. Porém Roland conseguiu desarmá-lo.

O Golias sarraceno intentou matar Roland com um murro, mas a mão cerrada caiu sobre a cabeça do cavalo de Roland, matando-o e deixando o cristão em posição parecida com a de seu inimigo. Perdida a cavalgadura, a luta continuou durante toda a tarde. Fizeram uma trégua, e os dois prometeram continuar a luta no dia seguinte, sem cavalos nem lanças.

No dia seguinte nada pôde conseguir Roland em seus intentos, para ferir com paus e pedras o seu invulnerável inimigo. Fizeram novas tréguas. Ferragut caiu, dormindo no próprio campo de batalha.

Roland, como bom cavaleiro, pôs uma pedra sob a cabeça do gigante, para lhe servir de almofada e assim poder descansar melhor. As tréguas eram tempos sagrados.

Quando Ferragut despertou, Roland sentou-se ao seu lado. Perguntou qual era a razão de sua invulnerabilidade, não sendo ele atingido por espadas, bastões ou pedras.
— Porque tan solo por el ombligo puedo ser herido — confessou o gigante, falando em espanhol.

Continuaram conversando longo tempo, interessando-se o gigante pela origem e religião do franco, que aproveitou a ocasião para evangelizar o pagão, fazendo uma minuciosa exposição dos dogmas cristãos.

A discussão teológica terminou com uma reação normal naqueles tempos: a verdade religiosa e a aceitação da fé ficou submetida ao resultado da batalha entre os dois campeões.
— Lutarei contigo — disse Ferragut — com a condição de que, se é verdadeira essa fé que sustentas, seja eu o vencido. E se é falsa, o sejas tu.

O cristão aceitou. O duelo feroz se iniciou logo depois. Um golpe de espada de Ferragut partiu em dois a arma de Roland. Ao vê-lo desarmado, o gigante avançou sobre ele, aplastando-o sob o peso de seu corpo.

Compreendeu Roland que não podia fugir, e invocando a Virgem, revolveu sob o ventre do opressor. Tomando então o punhal, cravou-lho no umbigo, fugindo imediatamente. Aos gritos do gigante invocando Maomé, acudiram os sarracenos, levando seu capitão a Najera.

Então as hostes cristãs atacaram os mouros perto do castelo que domina a povoação, conquistando a cidade e a fortaleza e pondo em liberdade os prisioneiros cristãos.

 
A raposa e o corvo Imprimir e-mail

A raposa e o corvo

 Um dia um corvo achou um grande pedaço de queijo e pousou-o num galho para o comer tranquilamente, sem ser molestado.
Mas aconteceu de uma raposa passar por baixo da árvore e quando viu o queijo, começou a pensar no modo de o roubar.
E foi assim que disse:
— Belo Corvo, há muito que ouço falar de vós, da vossa nobreza e da vossa galhardia. Embora eu vos tenha procurado por toda a parte, não consegui encontrar-vos antes.
Mas, agora que vos vejo, acredito que sedes muito superior a tudo quanto me diziam. E para que vejais que não procuro bajular-vos, não somente falarei dos vossos bons dons, mas também dos defeitos que vos atribuem.
Todos dizem que, sendo preta a cor da vossa plumagem, olhos, patas e garras, e sendo que o preto não é tão belo como as outras cores, o facto de ser assim preto vos torna muito feio.
Mas eles não percebem o erro, pois embora as vossas plumas sejam pretas, elas têm um tom azulado, como as do pavão, que é a mais bela das aves.
E posto que os olhos foram feitos para ver, enxerga-se melhor quando são pretos e por isso todos louvam os olhos da gazela, que os têm mais escuros que qualquer animal.
Além do mais, o vosso bico e as vossas garras são mais fortes que as de qualquer outra ave do vosso tamanho.
Também vos quero dizer que voais com tanta velocidade que podeis ir contra o vento, ainda quando é muito forte, coisa que muitas outras aves não podem fazer tão facilmente como vós.
Por tudo isto acredito que, Deus que tudo faz bem, não teria consentido que vós, tão perfeito em tudo, não pudesses cantar melhor do que o resto das aves.
E porque Deus me concedeu a dita de vos ver e de comprovar que sedes mais belo do que dizem, eu me sentiria muito ditosa ouvindo o vosso canto.
Embora a intenção da raposa fosse enganar o corvo, sempre disse verdades pela metade. Mas uma enganosa meia-verdade produz os piores males e os maiores prejuízos.
E quando o corvo sentindo-se tão bajulado pela raposa e achando que era verdade tudo o que dizia, supos que não estava sendo logrado mas que era sua amiga, não suspeitou que falava só para lhe tirar o queijo.
Ludibriado por palavras e afagos, o corvo abriu o bico para cantar e agradar à raposa. Quando isto fez, o queijo caiu por terra.
Pegou-o logo a raposa e fugiu com ele.
Assim o corvo ficou iludido pelas bajulações da sua falsa amiga, que o fez acreditar que era mais belo e mais perfeito do que realmente era.
 Quem acha em ti qualidades que não tens,
sempre procura tirar-te alguns bens.
 
Enquanto os ventos sopram... Imprimir e-mail

ENQUANTO OS VENTOS SOPRAM...



Um fazendeiro possuía terras ao longo do litoral do Atlântico. Ele constantemente anunciava que precisava de empregados. A maioria das pessoas estavam pouco dispostas a trabalhar em fazendas ao longo do Atlântico. Temiam as horrorosas tempestades que varriam a região, fazendo estragos nas construções e nas plantações. Procurando novos empregados, ele ...recebeu muitas recusas. Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, aproximou-se do fazendeiro.
- Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro.
- Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram, respondeu o pequeno homem.
Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, empregou-o.
O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer até ao anoitecer, e o fazendeiro estava satisfeito com o trabalho do homem.
Mas, uma noite, o vento uivou ruidosamente. O fazendeiro pulou da cama, agarrou num lampião e correu para o alojamento dos empregados. Sacudiu o pequeno homem e gritou: Levanta-te! Uma tempestade está a chegar! Amarra as coisas antes que sejam arrastadas!
O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente, - Não senhor. Eu já disse: eu posso dormir enquanto os ventos sopram.
Enfurecido pela resposta, o fazendeiro pensou em despedi-lo imediatamente. Em vez disso, foi preparar o terreno para a tempestade. Do empregado, trataria depois.
Mas, para seu assombro, verificou que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos nos viveiros, e todas as portas muito bem travadas. As janelas bem fechadas e seguras. Tudo foi amarrado. Nada poderia ser arrastado. O fazendeiro então entendeu o que o seu empregado quis dizer. Então voltou para a cama para também ele dormir enquanto o vento soprava.

Quando se está preparado - espiritualmente, mentalmente e fisicamente - não se tem nada a temer.
 
O Soldado que cravou a lança em Jesus Imprimir e-mail
O Soldado que cravou a lança em Jesus: A história de São Longuinho.  

 

Longuinho foi o centurião (chefe de cem homens) que, estando de pé com os seus soldados perto da Cruz, furou o lado do Salvador com uma lança por ordem de Pilatos. Mas vendo o sol obscurecer-se e o terremoto, ele acreditou.

Passou a acreditar ainda mais quando, segundo relatam alguns autores, esfregando os olhos com o sangue de Nosso Senhor que corria pela lança, estes voltaram logo a enxergar. Renunciou então à condição militar e, instruído pelos Apóstolos, passou vinte e oito anos na vida monástica em Cesárea de Capadócia, convertendo muitas pessoas à fé com a sua palavra e o seu exemplo.

Recusando-se a sacrificar aos ídolos quando feito prisioneiro pelo governador, este mandou arrancar-lhe todos os dentes e a língua.

Longuinho, contudo, não perdeu o uso da palavra, e pegando num machado quebrou todos os ídolos dizendo: ‒ “Vamos ver se estes são deuses”.

Os demónios saíram na mesma hora dos ídolos e entraram no governador e em todos os seus companheiros. Estes começaram então a praticar toda a espécie de doidices, e pulando como cachorros foram prostrar-se aos pés de Longuinho.

O santo disse aos demónios: “Por que habitais nos ídolos?”Eles responderam: “Onde o nome de Cristo não está inscrito ou simbolizado, aí está a nossa moradia”. O governador estava furioso e perdeu a visão. Longuinho disse-lhe: ‒ “Fica a saber que não serás curado senão após ter-me matado. Com efeito, logo após receber a morte de tuas mãos, rezarei por ti e obterei a saúde do teu corpo e da tua alma”.

Então o governador mandou que cortassem a cabeça de Longuinho. Em seguida foi até ao seu corpo, prostrou-se com lágrimas nos olhos e fez penitência.

Recuperou imediatamente a visão e a saúde, acabando os seus dias na prática de boas obras.
 
A ponte do diabo em Montoulieu Imprimir e-mail

A ponte do diabo em Montoulieu


Perto da formidável fortaleza de Foix, na região de Languedoc, França, não longe da fronteira com a Espanha há uma ponte.

É a ponte de Montoulieu que existe até hoje.

Há turistas que chegam perto, mas não sabem o que fazem!

É melhor ir bem confessado!!! exclamam os que conhecem. Pois dela se conta a seguinte história:

Numa manhã, Raymond Roger, conde de Foix, acordou de péssimo humor. Passara mal na noite por culpa do javali que jantou na noite anterior.

Desse jeito, fez selar seu cavalo favorito e partiu ao galopo rumo às montanhas.

Ele atravessou logo o burgo de Foix e entrou pelo caminho que corre ao longo do rio Ariège. Ele ia pelo lado esquerdo cavalgando no sentido contrário da correnteza.

Assim ele passou por Ferrières e Prayols. Mas, logo depois lhe deu na fantasia de mudar de lado. Ele mandou o cavalo cruzar o córrego. Porém, naquele lugar o rio Ariège corre entre paredes de pedra enormes e a água é profunda.

O cavalo não quis passar. O conde ficou furioso, deu meia-volta e voltou para o castelo.

Imediatamente, ele mandou vir o barão de Saint-Paul, e disse-lhe encolerizado:

‒
Sr. barão, o desvio na tua região põe-me em cólera...


‒
Mas, meu senhor, sempre foi assim desde que existe este rio!

‒
Chega! Eu te ordeno construir uma ponte no local. E rápido!!!

‒
Bom vou tentar…” sussurrou o barão consternado diante da perspectiva de uma tarefa quase impossível.

‒
Se num mês eu não vejo a ponte, a tua vida vai pender de um fio!


E o conde retirou-se deixando o pobre barão completamente desolado.

Acontecia que o barão era um poeta que não se preocupava pelo dia de amanhã e gastava logo os escudos que ganhava. Por isso, ele não tinha um tostão sequer para começar os trabalhos.

Então, ele que cantava sempre, ficou todo triste. Os dias passavam e não aparecia nenhuma solução. Ele foi até aos bordes do Ariège e muito desanimado lamentou-se:

‒ Ah! Eu faria um pacto até com o diabo para sair desta enrascada!”

Fora o diabo malandro que soprara esta ideia no miolo mole do barão poeta.

‒
“¨Cá estou eu ... disse uma voz por trás do barão.

O diabo, cheirando a enxofre, apareceu e estendeu-lhe a mão dizendo:

‒
A tua ponte estará pronta no dia combinado!...”

‒
“É verdade? Não posso acreditar... bem, muito obrigado... quer dizer... bom, sim, sim, obrigado...
, gaguejou o tolo.

‒
Sim, sim..., disse o diabo. Mas o que é que você me vai dar em troca?


‒
Quer dizer... bem... gaguejou o barão compreendendo tarde demais que tinha posto os pés pelas mãos.

‒
Você não tem dinheiro... eu sei..., continuou o diabo, sabido. Olha aqui!


O espírito da mentira pegou numa pedra e atirou-lha. Na hora de apanhá-la, o barão viu que se tinha transformado em moedas de ouro!

‒
Mas... eu... quer dizer... não sei...
‒ O que eu quero... ‒ e nessa hora o olhar do demónio faiscava como fogo do inferno ‒ é que você me entregue a alma do primeiro que passe pela ponte!

O barão fechou os olhos e disse:

‒
Tá bom! Eu te juro pela minha honra que a alma do primeiro que passar pela ponte será tua!”

E cada um partiu para seu lado. Mas, a partir daquela data, o barão estava cada vez mais triste. Ele tinha feito um pacto com o diabo!

Cheio de remorsos, ele foi para o lugar onde vão todos os que tem necessidade de um reconforto.

Ele foi para a igreja do mosteiro de São Volusien.

Envergonhado pelo seu pecado, escondeu-se detrás da primeira coluna à direita, e prosternou-se no chão, a chorar.

O irmão sacristão percebeu esse homem imenso por terra e foi chamar o reverendíssimo abade:

‒
Meu pai, disse ele, há um ladrão na igreja!...

‒
Um ladrão? Como assim? Vamos ver...

O abade foi pé ante pé até ao homem deitado por terra, escutou e ouviu os prantos.

‒
Mas não é um ladrão! É um homem que sofre!, sussurrou para o irmão.E, avançando, tocou no ombro do barão, dizendo:

‒
Meu amigo, venha...


E levou-o à sacristia onde reconheceu o barão de Saint-Paul. Este então contou-lhe o caso, a sua dor e confessou o seu pecado.

Quando a confissão acabou, o reverendo padre disse estas palavras na orelha do barão sonhador e atrapalhado:

‒
Amanhã, vos será necessário... então vós fareis... então... a solução!

Ninguém ficou a saber o que saiu neste momento. Mas o abade passou a noite a rezar muitas “missas baixas” pelo barão.

O barão, por sua parte, voltou para sua casa, cantando como um passarinho de alegria.

Entrementes, durante aquela noite toda, ouviu-se no vale o eco de uma barulheira infernal. Era um canteiro de obras pavoroso!!!

Os aldeões de Montoulieu não puderam dormir.

E no raiar da aurora apareceu bem construída uma ponte sobre o perigoso córrego.

Belzebu instalou-se sobre o murinho da ponte, aguardando o primeiro passante para levá-lo ao inferno.

E quando desabrochavam os primeiros alvores matinais, envolto numa capa preta, apareceu o barão de Saint-Paul.

O diabo zombou dele:

‒
Ah, sim, você vai ser o primeiro!...

‒
Não, não, respondeu o barão. O primeiro, aquele que é para você... olha está aqui!

E abrindo uma sacola ocultada sob a capa puxou um enorme gato negro que tinha uma panela amarrada na cauda.

E o gato saiu disparado. Usando todas as suas patas atravessou a ponte.
O diabo soltava vapores pelas orelhas e partiu para pegar o barão, quando na encosta de um morro apareceu a procissão dos monges de São Volusien.

Eles vinham a cantar a Ladainha de Todos os Santos, com a Cruz na frente e o Padre Abade levando o hissope e aspergindo a ponte com água benta.

O diabo afundou na terra!!! Vitória!!!

Durante muitos e longos anos poucas pessoas ousaram atravessar a ponte durante a noite.

Entretanto, há mais de dez séculos que não se ouve falar de sinais de Lúcifer na ponte de Montoulieu.
 
O Capítulo dos Animais Imprimir e-mail
 

O Capítulo dos Animais

 
O leão condena o burro por uma falta mínima.
 

Certa vez o leão ouviu que os frades faziam um Capítulo no qual todos se acusavam culpados dos pecados que tinham cometido e se submetiam a uma pena.


Disse então: — “Ora, se os frades fazem um Capítulo de todos diante do seu superior, eu que sou o maior de todos os animais da terra e o senhor de todos eles, deverei ser pior?”


E logo mandou ordenar o Capítulo de todos os animais, para que comparecessem diante dele.


Uma vez todos reunidos, ele ocupou o trono e, quando estava bem sentado, ordenou que todos se sentassem em volta dele.


E desde o trono, disse o leão: — “Eu não quero ser pior do que os outros nisto. Quero que façamos um Capítulo como fazem os frades, e que nele se confesse todo o pecado e mal feito; e, sendo eu o maior, quero saber de tudo. Eu ouvi dizer que muitos males foram feitos por vós. Eu direi de quem é a vez de se acusar. Porém, quero que cada um confesse o seu pecado. Vinde, um por um, todos a mim, vos acusando como pecadores daquilo que tendes feito”.


Ordenou então ao burro que fosse o primeiro a se penitenciar. O burro foi até ao leão, e ajoelhando-se, disse:- “Misericórdia!”


O leão falou: — “O que fizeste? Diz já o que fizeste”.


E o burro falou: — “Misericórdia, eu pertenço a um camponês que às vezes me carrega com um monte de palha e me leva até à cidade para a vender. E aconteceu que certa vez, enquanto andava, engoli um bocado de palha sem que o meu patrão percebesse. E assim fiz mais de uma vez”.


Então, disse o leão:  — “Oh, ladrão! Ladrão, traidor e malvado; não percebes todo o mal que fizeste? Quando é que poderás restituir o valor daquilo que roubaste e comeste?”


E ordenou que este burro fosse preso e recebesse grande número de chibatadas. E assim foi feito.


Depois dele compareceu a cabra, que do mesmo modo se ajoelhou pedindo misericórdia.


Disse o leão:  — “O que é que tu fizeste? Oh, conta já o teu pecado”.


A cabra respondeu: — “Meu Senhor, eu me acuso da minha culpa: certa vez, para fazer estrago, passei perto da horta de uma mulher, precisamente de uma viúva, que tinha muitas ervinhas odoríferas, salsa, manjerona e tomilho; e causei dano às couves e a outras mudas, comendo as suas pontas mais tenras.


“E após fazer dano a esta, também fiz mal a muitas hortas; e por vezes fiz dano de modo a não deixar nada que fosse verde”.


Disse então o leão:  — “Oh! Acabo de encontrar duas consciências muito diversas. Uma é subtil, até demais, e a outra é grossona, como a daquele ladrão do burro.


“Mas tu percebias o mal em comer essas ervinhas? Pois bem, vai em paz, vai não tenhas problema de consciência. Oh! Vai pura como eu. Não é necessário confessar esse pecado, é costume das cabras fazerem coisas dessas. Tens uma grande desculpa, porque foste obrigada a fazer isso. Vai, vai, que eu te absolvo e não penses mais nisso”.


Depois da cabra apareceu a raposa, que se pôs de joelhos diante do leão.


Disse o leão: — “Ora, confessa os teus pecados. O que fizeste?

 


A raposa disse:  — “Misericórdia, eu recito as minhas culpas: matei muitas galinhas e comi-as. E às vezes entrei no galinheiro onde dormiam, e vendo que não poderia chegar até elas, fingi que a minha cauda era uma vara e que eu ia subir. E quando elas acreditaram, logo pularam para o chão; e então corri atrás delas e matei todas as que pude apanhar; comi todas as que conseguia e as outras deixava-as mortas; algumas vezes levei comigo mais de uma”.


Disse o leão:  — “Oh, como tendes uma consciência delicada! Em boa hora vai embora, vai! Em ti é natural tudo isso que fazes e eu não te darei penitência alguma, e nada te imputo como pecado. Também te digo que continues a agir corajosamente como fazes e não te acuses senão das galinhas que ficaram vivas”.


Partiu a raposa e apareceu o lobo e disse: - “Meu Senhor, uma vez eu fui ao curral das ovelhas para ver como estava feito. Vós sabeis que a cerca em volta é alta, e eu comecei a pensar por onde poderia entrar facilmente. E assim que achei, procurei uma madeira que acho que era pesada como uma ovelha, para entrar e sair por cima dela. E assim fiz para não ser apanhado pelos cães. Entrei sorrateiramente e matei mais ovelhas do que tinha necessidade, e voltei carregando só uma”.


Disse o leão:  — “Oh, mais uma consciência delicada! Sabes o que te respondo? Não sintas dor de consciência por essas coisas. Doravante vai e faz galhardamente o que fazes sem te preocupar comigo”.


E logo que o lobo partiu, entrou a ovelha, com a cabeça baixa, dizendo:  — “Be, be.”


Disse o leão:— “O que fizeste, mulher hipócrita?”


Ela respondeu:
— “Misericórdia, certas vezes em que passei pelas trilhas em cujo lado está semeado o capim, eu subi sobre um montículo e, vendo aquelas ervinhas verdes e tenras, não comi tudo, mas apenas as partes de cima, as mais tenras”.
Então disse o leão: — “Oh maldita ladra, ladra traidora, foi assim que fizeste tanta maldade! E andas por ali dizendo ‘be, be’ enquanto roubas pela estrada! Oh, maldita ladra, quanto mal fizeste! Chega; dai-lhe muitas vergastadas; e dai-lhe tantas até surrá-la toda inteira, e fazei de modo que ela fique três dias sem comer coisa alguma”.

Que lição se tira deste conto! Entendestes?


O corvo não fura o olho de outro corvo. Quando um bicho ruim, como o lobo ou a raposa, faz uma coisa, o ruim encobre para que não se veja.


Mas, se for a ovelhinha, ou o burro, quer dizer a viúva, a criança ou um coitadinho que diz ou faz alguma coisa pequena, o ruim pede: mata, mata. O lobo não come outro lobo, mas come a carne dos outros animais.


Oh, tu que governas, não punas com demasia o burro e a ovelha por pequenas coisas e não deixes de condenar o lobo e a raposa pelos seus grandes crimes!


O que deves fazer?
Escolhe a punição com prudência, discernindo a falta de uns e o crime dos outros.


(Autor: São Bernardino de Siena, “Apologhi e Novellette”,
Intratext).
 
As doze palavras ditas e retornadas Imprimir e-mail

AS DOZE PALAVRAS DITAS E RETORNADAS

 Era uma vez um homem muito trabalhador e honrado, mas infeliz em todo negócio em que se metia. Tinha ele devoção ao Anjo da Guarda, rezando todos os dias em sua intenção.
Cada vez mais pobre, o homem perdeu a paciência, e um dia gritou, desesperado com sua triste sina:
— Acuda-me o diabo, que o Anjo da Guarda não me quer ajudar!
Apareceu um sujeito alto, todo vestido de preto, barbudo e feio, com uma voz roufenha e desagradável:
— Aqui estou! Aqui estou! Que é que queres de mim?
— Quero ficar rico.
O diabo indicou uma gruta onde havia um tesouro enterrado, e disse:
— Daqui a vinte anos voltarei para buscar-te. Se não disseres as doze palavras ditas e retornadas, serás meu para toda a eternidade.
O homem começou a viver folgadamente, em festas e alegrias, cercado de amigos e de mulheres.
O tempo foi passando, e uma noite ele lembrou-se de que estava condenado às penas do inferno. Só se soubesse as doze palavras ditas e retornadas...
— Isso deve ser fácil — disse ele consigo.
— Todo mundo deve saber.
No dia seguinte perguntou aos amigos, aos vizinhos e a todos os moradores da cidade, e não havia quem soubesse o que vinha a ser o que ele lhes perguntava.
O homem afligiu-se muito. Cada vez mais o tempo passava, e ninguém sabia o segredo das doze palavras ditas e retornadas. Largou ele a vida má que levava, fez penitência e saiu pelo mundo, perguntando. Todos diziam:
— Não sei, nunca ouvi falar...
O homem só faltava morrer, com o pavor da ideia de ter de encontrar-se com o diabo e ser carregado para o fogo eterno.
Já correra muito tempo desde que deixara o folguedo dos ricos, vestindo com modéstia e dando esmolas.
Uma tarde, ia por um bosque na hora da "Ave-Maria". Ajoelhou-se para rezar, e ao terminar viu um velho que se aproximava dele.
Cumprimentou-o, e foram andando juntos para a vila. Perguntou ao velho como se chamava.
— Chamo-me Custódio — respondeu.
E falou-lhe nas doze palavras ditas e retornadas. E o velho Custódio disse:
— Eu sei as doze palavras ditas e retornadas.
O homem ficou tão satisfeito que abraçou o velho, dando graças a Deus e dizendo que aquilo era um milagre do Anjo da Guarda, sua devoção antiga.
— Como são as doze palavras ditas e retornadas? Qual é a primeira, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! A primeira palavra dita e retornada é a Santa Casa de Belém, onde nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo, para nos remir e salvar.
— E as duas palavras ditas e retornadas, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As duas palavras ditas e retornadas são as duas tábuas de Moisés, em que Nosso Senhor pôs seus divinos pés, e a primeira é a Santa Casa de Belém.
— E as três palavras ditas e retornadas, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo não! As três palavras ditas e retornadas são as três pessoas da Santíssima Trindade, as duas são as duas tábuas de Moisés, e a primeira é a Santa Casa de Belém.
— E as quatro palavras ditas e retornadas, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As quatro palavras ditas e retornadas são os quatro evangelistas, as três são as pessoas da Santíssima Trindade, as duas são as tábuas de Moisés, e a primeira é a Santa Casa de Belém.
— E as cinco palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As cinco palavras ditas e retornadas são as cinco chagas de Nosso Senhor.
— E as seis palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As seis palavras ditas e retornadas são as seis velas bentas que estão no altar-mor de Jerusalém.— E as sete palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As sete palavras ditas e retornadas são os Sete Sacramentos.
— E as oito palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As oito palavras ditas e retornadas são as oito bem-aventuranças pregadas por Nosso Senhor Jesus Cristo.— E as nove palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As nove palavras são os nove meses que a Virgem Mãe trouxe Nosso Senhor.
— E as dez, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As dez palavras ditas e retornadas são os Mandamentos da Lei de Deus.
— E as onze palavras, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As onze palavras são as onze mil virgens.
— E as doze, amigo Custódio?
— Custódio, sim; amigo, não! As doze palavras ditas e retornadas são os doze apóstolos, as onze, são as onze mil virgens, as dez, os Mandamentos, as nove, os meses de Nossa Senhora, as oito as bem-aventuranças, as sete, os Sacramentos, as seis, as velas bentas, as cinco, as chagas, as quatro, os evangelistas, as três, a Santíssima Trindade, as duas as tábuas de Moisés, a primeira a Santa Casa de Belém, onde nasceu quem nos salvou. Amém! Estas são as doze palavras ditas e retornadas.
— De joelhos te agradeço, amigo Custódio, essa esmola, que me há de salvar do demónio!— Custódio, sim, e teu amigo. Sou o Anjo da Guarda que vem perdoar-te pelo arrependimento e pela penitência.
E sumiu-se. O homem, quando chegou o prazo para prestar contas ao diabo, disse as doze palavras ditas e retornadas, e o maldito rebentou como uma bola de fogo, espalhando cheiro de enxofre.
O homem viveu santamente os seus dias, e acabou na paz de Deus, salvando-se graças ao seu Anjo da Guarda.
 
O senhor feudal criminoso e o misterioso barril Imprimir e-mail

 

O senhor feudal criminoso, o ermitão piedoso e o misterioso barrilzinho

 

Habitava nos confins da Normandia um destemido cavaleiro, cujo nome causava terror na região. De seu castelo fortificado junto ao mar, não receava nem mesmo o rei.

 

 De grande estatura e belo porte, era no entanto vaidoso, desleal e cruel, não temendo a Deus nem aos homens.

 

 Não fazia jejum nem abstinência, não assistia à Missa nem ouvia sermões. Não se conhecia homem tão mau.

 

 Numa Sexta-feira Santa, bradou ele aos cozinheiros:

— Aprontai-me para o almoço a peça que cacei ontem.

 

 Ouvindo isto, seus vassalos exclamaram:

— Senhor, hoje é Sexta-feira Santa. Todos jejuam, e vós quereis comer carne? Crede-nos: Deus acabará por vos punir.

— Até que tal aconteça, terei enforcado e roubado muita gente.

— Estais seguro de que Deus tolerará mais isso? Vós devíeis arrepender-vos sem demora. Em um bosque vizinho há um padre eremita, varão de grande santidade. Vamos até lá e confessemo-nos — insistiram os vassalos.

— Confessar-me? Aos diabos! — respondeu com desprezo o senhor.

— Vinde ao menos fazer-nos companhia.

— Para me divertir, concedo. Por Deus, nada farei.

 

E puseram-se a caminho. Na floresta solitária e quieta encontraram o santo varão na ermida.

 

 Advertido pelos vassalos, que se confessaram, saiu o eremita ao encontro do orgulhoso senhor, que ficara montado. E disse-lhe:

— Sede bem-vindo, senhor. Visto que sois cavaleiro, deveis ser cortês. Desmontai e vinde falar comigo.

— Falar convosco? Por que diabos? Estou com pressa.

— Entrai e conhecei minha capela e minha morada.

 

 Muito a contragosto e resmungando, o cavaleiro apeou. O eremita tomou-o pelo braço, conduziu-o diante do altar e disse-lhe:

— Senhor, matai-me, se quiserdes, mas daqui não saireis sem antes confessar-vos.

— Não contarei nada! E não sei o que me impede de matar-vos.

— Irmão, dizei-me um só pecado. Deus vos ajudará a confessar os demais.

— Diabos! Não me dareis sossego? Eu o farei, mas de nada me arrependerei.

 E com grande arrogância contou de um só lance todos os pecados.

 

 Depois de ouvi-lo, o eremita propôs:

— Senhor, pelo menos sujeitai-vos a uma penitência.

— O quê!? Penitência!? Caçoais de mim! — vociferou furioso o cavaleiro.

— Jejuareis todas as Sextas-feiras durante três anos.

— Três anos! Estais louco! Jamais!

— Então, um mês.

— Também não.

— Ireis a uma igreja e direis aí um Padre-Nosso e uma Ave-Maria.

— Para mim seria enfadonho, e ademais, tempo perdido.

— Pelo amor de Deus todo poderoso, pegai pelo menos neste barrilzinho, enchei-o no regato próximo e trazei-mo de volta.

— Bem, isto não me custa tanto. E sobretudo para ficar livre de vós, concedo.

 

 Saiu o cavaleiro em direção à fonte, e de um só golpe afundou na água o barrilzinho. Neste não entrou uma gota sequer. Tentou novamente de um jeito, de outro... Nada!

 

 Intrigado e rangendo os dentes de raiva, voltou à ermida e esbravejou:

— Barril enfeitiçado! Não consigo meter-lhe uma só gota de água!

— Senhor, que triste estado é o vosso! Uma criança o teria trazido transbordando. Isto é um sinal de Deus, por causa de vossos pecados.

— Pois eu vos juro que não lavarei minha cabeça, não farei a barba nem cortarei as unhas enquanto não encher este barril, ainda que tenha de dar a volta ao mundo. E nisto empenho minha palavra!

 

E assim partiu o cavaleiro com o barrilzinho, levando só a roupa do corpo. Em todos os poços e regatos, cascatas e rios, lagos e mares, experimentava encher o pequeno tonel, mas sempre em vão. Caminhando sem cessar, passando frio e calor, por planícies e montanhas, percorreu ele muitos países.

 

 Maltrapilho e sujo, curtido pelo sol, obrigado a mendigar, sofreu fome, insultos e chacotas, pois muitos desconfiavam dele. Seu corpo ia definhando, e o barrilzinho pesava-lhe enormemente, amarrado ao pescoço.

 

 Ao cabo de um ano de fracassos, decidiu voltar à ermida, onde por fim chegou, exatamente na Sexta-feira Santa. O eremita, não o reconhecendo, perguntou:

— Caro irmão, quem vos deu esse barrilzinho? Há um ano entreguei-o a um belo cavaleiro, que não voltou mais aqui. Nem sei se ainda vive.

— Esse cavaleiro sou eu, e este é o estado em que me colocaste! — respondeu cheio de cólera o desgrenhado peregrino, contando a seguir suas desventuras.

 

 O santo homem indignou-se ante tanta dureza de alma, bradando:

— Vós sois o pior dos homens! Um cão, um animal qualquer teria enchido o barril. Ah! bem vejo que Deus não aceitou a vossa penitência, porque não vos arrependestes!

 E pondo-se a chorar, rogou à Santíssima Virgem que intercedesse por aquele pecador empedernido.

 

 Enquanto o eremita soluçava em sua longa oração, o cavaleiro, quieto, foi tocado pela graça. Seu coração tão duro comoveu-se. Os olhos se lhe turvaram. Uma grossa lágrima rolou-lhe pela face ressequida, caindo diretamente dentro do barrilzinho, que trazia amarrado ao pescoço. E esta única lágrima encheu-o até os bordos.

 

 Sinceramente arrependido, o cavaleiro pediu para confessar-se. O eremita, maravilhado, abraçou-o em prantos de alegria. Após ministrar a absolvição sacramental ao penitente, o eremita perguntou-lhe se queria receber a comunhão.

— Sim, meu pai. Mas apressai-vos, porque sinto que vou morrer.

Tendo recebido o Santíssimo Sacramento, com a alma purificada, o cavaleiro agradeceu comovido ao eremita, e colocou-se em suas mãos. Pouco depois exalava o último suspiro.

A capela iluminou-se, e os anjos levaram sua alma ao Paraíso. Diante do altar, o eremita velou longamente aquele corpo coberto de andrajos, tendo junto de si o prodigioso barrilzinho.

 (Fonte: Adaptado de "Poètes et prosateurs du Moyen Âge", Hachette, Paris, 1921).

 
Uma história para reflectir Imprimir e-mail

 

UMA HISTÓRIA PARA REFLECTIR

 

A nossa cultura irreverente e cada vez mais cética deixou de lado as histórias piedosas que, de geração em geração, transmitiam mensagens de fé e convidavam à reflexão. Esta é uma das histórias que se contavam décadas atrás, sobre um caso que teria acontecido durante a grande crise económica mundial da década de 1930, em Chicago, nos Estados Unidos.

Era ainda madrugada quando o Dr. Braun foi despertado pelo seu telefone, que não parava de tocar. Sonolento, ele atendeu e ouviu uma voz suplicante:

– O senhor é o Dr. Braun?

– Sim, sou eu.

– Por favor, venha depressa! É muito urgente, um caso de vida ou morte!

– Onde é que o senhor mora?

– Alan Street, número 17. Venha rápido, por favor!

O Dr. Braun vestiu-se depressa, pegou na sua bolsa de médico e dirigiu-se à rua indicada. Sozinho, guiou o seu carro pelas ruas escuras da cidade. A região para onde ia era distante do centro, num bairro em que nem sequer durante o dia os habitantes se sentiam seguros.

A casa ficava num beco um tanto isolado. Estranhando não ver nenhuma luz acesa, o Dr. Braun bateu à porta. Depois de uma pausa, bateu novamente e, de novo, não recebeu resposta. Quando bateu pela terceira vez, alguém perguntou com voz grossa:

– Quem é?

– Sou o Dr. Braun. Recebi uma chamada de emergência.

– Ninguém chamou o senhor. É melhor que o senhor desapareça rápido, daqui!

Afastando-se, o Dr. Braun pensou ter anotado o número errado. Algumas semanas mais tarde, uma nova ligação. Desta vez ela veio durante o dia e era do serviço de emergência do hospital. A enfermeira explicava que um certo John Turner, a ponto de morrer por causa de um acidente grave, queria falar urgentemente com o Dr. Braun. E ela acrescentou:

– Dr. Braun, por favor, venha depressa, pois o homem já está a morrer e não nos quer dizer por que insiste tanto em falar com o senhor.

O Dr. Braun prometeu chegar logo, embora tivesse a certeza de não conhecer nenhum John Turner. O próprio moribundo lhe confirmou:

– Dr. Braun, o senhor não me conhece, mas eu devo falar consigo antes de morrer para pedir perdão. O senhor com certeza lembra-se de um telefonema durante a noite, algumas semanas atrás.

– Sim, mas…

– Fui eu. Estava sem trabalho. Vendi todas as coisas preciosas da casa e, mesmo assim, não consegui alimentar a minha família. Não conseguia mais suportar os olhares suplicantes dos meus filhos, que estavam a passar fome. No meu desespero, resolvi chamar um médico durante a noite. Eu queria matá-lo, roubar o seu dinheiro e vender os seus instrumentos.

O Dr. Braun ficou paralisado de terror. Ainda assim, perguntou:

– Mas eu fui até lá. Por que é que o senhor não me matou?

– Pensei que o senhor viria sozinho, mas quando vi aquele jovem grande e forte ao seu lado, fiquei com medo. Perdoe-me, por favor!

– Claro que vou perdoar, murmurou o Dr. Braun, boquiaberto.

O facto é que o médico tinha mesmo ido sozinho. Ou, pelo menos, era isto o que ele pensava.

Foi à saída do hospital que ele ouviu de uma enfermeira um comentário que lançou luz sobre aquele mistério. A enfermeira, que nada sabia da história, disse-lhe:

– Como são admiráveis os caminhos de Deus, não é, doutor? Quantas vezes os nossos anjos nos protegem de perigos iminentes, sem que nós sequer estejamos conscientes!

– Por que está a dizer isso, enfermeira?

– Porque os filhos deste homem que acaba de falecer estiveram a ponto de morrer de fome, sozinhos em casa, quando foram encontrados por uma senhora.

– Não entendi a relação.

– A senhora foi a casa deles porque um jovem grande e forte lhe pediu o favor de entregar lá um pacote. O pacote continha comida e o endereço de uma tia das crianças com quem tinham perdido o contacto. E nem a tia, nem a senhora, nem as crianças conheciam nenhum jovem grande e forte.

Se não era um anjo, quem mais poderia ser?

 
O Bispo e a florista Imprimir e-mail

O Bispo e a florista

 

O Cardeal Pie, arcebispo de Poitiers, na França, costumava contar:

"Conheci perfeitamente um rapazinho pobre, nascido na aldeia humilde de Chartres. Desejava muito ser sa­cerdote, mas os seus pais diziam-lhe que não era possível, porque não tinham dinheiro para pagar o seminário.

Certa vez, o pequeno entrou na Sé. Ao presenciar as ceri­mónias, tornaram-se mais fortes os desejos de ser sacerdote, mas... como consegui-lo?

Sem ser capaz de conter a tristeza, desatou a chorar. Ao sair da igreja uma mulher, que vendia flores na praça, fixou-o e disse-lhe:

- Ó meu menino, porque choras? Que te fizeram?

Os soluços impediam-no de responder. Por fim falou, como quem confia um segredo:

- Eu queria ser sacerdote, mas não tenho quem me ajude.

- Não te aflijas, filho, eu te ajudarei.

E assim foi. A vendedeira de flores trabalhava durante todo o dia e gastava muitas horas da noite a costurar. Com o dinheiro que ia juntando, ajudou a pagar os estudos da­quele rapazinho.

A vendedeira de flores já morreu. Os anjos levaram-na para um lugar muito alto no céu. O seu protegido vive e trabalha pela salvação das almas. Vós conhecei-lo. O pobrezinho que chegou a ser sacerdote, graças aos sacrifícios de uma santa mulher, sou eu, o vosso bispo”.

 
O monge que voltou 400 anos depois Imprimir e-mail

Frei Pacómio, o monge que voltou 400 anos depois

 

Em princípios do século décimo, vivia num convento de beneditinos um santo religioso, chamado frei Pacómio, que não podia compreender como os bem-aventurados não se cansam de contemplar por toda a eternidade as mesmas belezas e gozar dos mesmos gozos.
Um dia mandou-o o Prior a um bosque vizinho, para recolher alguma lenha. Foi com gosto, mas mesmo no trabalho não o largavam as dúvidas.
De repente ouviu a voz de uma avezinha que cantava maravilhosamente entre os ramos. Ergueu-se e viu um animalzinho tão encantador, como jamais vira em sua vida. Saltava de um ramo para outro, cantando, brincando e internando-se na selva.
Seguiu-o frei Pacômio, todo enlevado, sem dar-se conta do tempo nem do lugar.
A certa altura a avezinha atirou aos ares o último e mais doce gorjeio e desapareceu. Lembrando-se então de seu trabalho, frei Pacômio procurou o machado para voltar ao convento.
Mas - coisa estranha! - achou-o enferrujado. Quis pegar o feixe de lenha que ajuntara, mas não o encontrou.
- Alguém mo terá roubado? - pensou.
Pôs-se a andar, mas não encontrava o caminho. Chegou, afinal, à beira do bosque, mas não encontrou o mato que tão bem conhecia. Ali estava agora um campo de trigo, em que trabalhavam homens desconhecidos.
Perguntou a um deles o caminho do mosteiro, pois de certo se tinha extraviado. Todos olharam para ele com surpresa, e em seguida indicaram-lhe o mosteiro.
Chegou afinal ao mosteiro. Mas - grande Deus! - como estava mudado! Em lugar da casa modesta de sempre, viu um edifício magnífico ao lado de uma grandiosa capela. Intrigado, bateu à porta; um irmão desconhecido veio abrir. - Sois novo, aqui - disse-lhe Pacómio. - Eu venho do bosque aonde me mandou esta manhã o Prior D. Anselmo, para buscar lenha.
Admirado, o porteiro deixou ali o hóspede e foi avisar o Prior que estava na portaria um monge com hábito velho, barba e cabelos brancos como a neve, a perguntar pelo Prior Anselmo.
O caso era curioso. O Prior, abrindo os registos do convento, descobriu o nome do Prior Anselmo, que ali viveu há quatrocentos anos.
Continuou a ler, e achou nos anais daquele tempo o seguinte:
- Esta manhã frei Pacómio foi mandado buscar lenha no bosque e desapareceu.
Chamaram o hóspede e fizeram-no entrar e contar a sua história.
Frei Pacómio narrou o caso das suas dúvidas sobre a felicidade do paraíso, e o Prior começou a compreender o mistério.
Deus quis mostrar ao pio religioso que, se o canto de uma avezinha era capaz de encantar-lhe a alma por séculos inteiros, quanto mais a formosura de Deus há-de embevecer os bem-aventurados por toda a eternidade, sem que eles jamais se cansem.
(Pe. Francisco Alves, C.SS.R., "Tesouro de Exemplos" - Vozes, Petrópolis, 1953)

 
O que aconteceu ao rei Ricardo de Inglaterra Imprimir e-mail

O que aconteceu com o rei Ricardo da Inglaterra

quando pulou no mar para lutar contra os mouros


Um dia, o conde Lucanor afastou-se com o seu conselheiro Patronio e falou-lhe assim:

– Patronio, eu confio muito no seu juízo. E sei que você sabe aconselhar como nenhuma outra pessoa no mundo. Por isso vos peço para me aconselhar como melhor sabes no que vou dizer agora.
Você sabe muito bem que já não sou jovem e, desde que nasci até agora, cresci e vivi sempre envolvido em guerras, às vezes contra os mouros, outras vezes com os cristãos, e na maioria delas contra reis, senhores, ou vizinhos.
Nas minhas lutas com os meus irmãos cristãos, embora eu tentasse que a culpa não fosse minha, foi inevitável que muitos inocentes recebessem um grande dano.
Fiz penitência por isso e por outros pecados que cometi contra Deus Nosso Senhor. Porém, vejo que nada nem ninguém neste mundo pode ter a certeza de que hoje não vai morrer.
E tenho a certeza de que, posta a minha idade, não vou viver muito mais tempo e sei que devo comparecer diante de Deus, que é juiz que não se deixa enganar por palavras.
É um Juiz que julga cada um pelas suas boas ou más ações. E eu tenho a certeza de que, se Deus achar em mim pecados que merecem o castigo eterno, não poderei evitar as dores do inferno, e não há nada de bom neste mundo que possa aliviar a dor eterna.
No entanto, também sei que se Deus se mostrar misericordioso e me incluir no número dos seus, no Paraíso, não há prazer ou alegria deste mundo que se possa igualar a essa.
E, como Céu ou no inferno já não há como mudar de lugar nem fazendo obras, peço-vos que, de acordo com o meu estado e dignidade, você me aconselhe a melhor maneira de fazer penitência pelos meus pecados e obter a graça diante de Deus.

– Senhor Conde, disse Patronio, muito me agradam as vossas razões. E especialmente porque vos aconselhais de acordo com o vosso estado. Agrada-me muito ver o vosso desejo de fazer penitência pelos vossos pecados, de acordo com o vosso estado e dignidade.
Tende como certo que se vós, Conde Lucanor, quisésseis deixar o vosso estado e entrar em religião ou fazer vida retirada, não poderíeis evitar que vos acontecesse uma destas duas coisas:
A primeira, é que seríeis muito mal julgado pelas pessoas, pois todos diriam que vós fazeis isso por pobreza de espírito e porque não vos apraz viver entre os bons;
A segunda, é que vos seria muito difícil suportar as asperezas e sacrifícios da vida conventual, e que se tivésseis de abandoná-la ou vivê-la sem respeitar a Regra como se deve, causar-vos-ia grande dano à alma e muita vergonha e perda da vossa boa fama.

Como vejo que vós tendes muito boas intenções, contar-vos-ei o que Deus revelou em vida a um santo eremita sobre o que aconteceria com ele e com o Rei Ricardo da Inglaterra.
O conde pediu-lhe então para lhe dizer o que aconteceu.

– Senhor Conde, disse Patronio, houve um eremita que teve vida muito santa, que era muito bom e fez muitas penitências para alcançar a graça de Deus.
E o Senhor foi misericordioso para com ele e prometeu-lhe entrar no reino dos céus.
O eremita estava muito grato por essa revelação divina e, como estava certo da sua salvação, implorou a Deus mostrar-lhe quem seria o seu companheiro no Paraíso.
Nosso Senhor tinha-lhe dito por intermédio de um anjo que não deveria pedir uma coisa dessas, mas tanto insistiu o eremita que o Senhor concordou em lhe dar uma resposta.
Dessa maneira fez-lhe saber por um anjo que o rei da Inglaterra e ele estariam juntos no Paraíso.
Tal resposta não foi do agrado do eremita, pois este bem sabia que o rei estava sempre em guerras e tinha matado, roubado e deserdado muitos, e levado uma vida oposta à sua, parecendo muito distante do caminho da salvação.
Por tudo isso o eremita ficou muito chateado.
Quando Deus nosso Senhor viu isso, enviou-lhe uma mensagem por meio do anjo para não reclamar ou ficar surpreso com o que Deus tinha dito, e que tivesse a certeza de que o Rei Ricardo conquistou mais honra e mais prémio diante de Deus com um só salto de cavalo do que o eremita com todas as suas boas ações.
O eremita ficou surpreso e perguntou ao anjo como podia ser.
O anjo então contou-lhe que os reis da França, da Inglaterra e da Navarra tinham ido para a Terra Santa. E quando chegaram ao ponto do desembarque, todos armados para empreender a conquista, viram nas margens tantos mouros que duvidavam em descer.
Então o rei da França pediu ao rei da Inglaterra para vir ao seu navio para decidirem o que fazer.
O rei da Inglaterra, que estava a cavalo, após ouvir o mensageiro, mandou responder ao rei da França que, como infelizmente tinha injustiçado e ofendido a Deus muitas vezes e sempre Lhe tinha pedido a oportunidade de fazer as pazes e apresentar desculpas, via que, graças a Deus, tinha chegado o dia que tanto esperava.
Porque, se morria, como havia feito penitência antes de deixar a sua terra e tinha muitos remorsos, estava certo que Deus teria piedade da sua alma, e se os mouros fossem derrotados, seria para honra de Deus, e como bons cristãos eles só se poderiam sentir muito felizes.

E logo que disse isto, confiou o seu corpo e a sua alma a Deus, invocou-O em sua ajuda fazendo o sinal da cruz, e convidou os seus soldados a segui-lo.
E picando o seu cavalo com as esporas, saltou para o mar em direção à costa onde os mouros estavam.
Embora tudo acontecesse muito perto do porto, o mar no local era muito profundo, de modo que o rei e o seu cavalo foram cobertos pela água e pareciam não ter salvação.
Porém Deus, que é omnipotente e muito piedoso, lembrando do que prometeu nos Evangelhos de que não procura a morte do pecador, mas que este se arrependa e viva, ajudou neste perigo o rei da Inglaterra, impedindo a sua morte carnal, concedendo-lhe a vida eterna e salvando-o do afogamento.
O Rei, em seguida, atirou-se contra os mouros.
Quando os ingleses viram o seu rei em combate, pularam todos para o mar e correram para ajudá-lo contra os inimigos.
Vendo isto, como não suportam a desonra, os franceses acharam que seria uma afronta não se envolver no combate e pularam todos para o mar e lutaram contra os mouros.
Mas estes, quando viram os cristãos iniciar o ataque sem medo de morrer e tão bem-humorados, recusaram-se a enfrentá-los e, abandonando a fortaleza, fugiram em desordem.
Pondo pé em terra, os cristãos mataram quantos puderam alcançar e obtiveram a vitória, prestando grande serviço à causa de Deus. Tão grande vitória começou com o salto ao mar do rei de Inglaterra.
Ouvindo isto, o eremita ficou muito contente e compreendeu que Deus lhe concedia uma grande honra pondo-o como companheiro no Paraíso de um homem que O tinha servido desta maneira e que tinha glorificado a fé católica.
– E vós, Senhor Conde, acrescentou Patronio, se quiserdes servir a Deus e fazer penitência pelos vossos pecados, reparai os danos que podeis ter feito nesta terra.
Fazei penitência pelos vossos pecados sem ouvirdes as elegâncias do mundo, que é tudo vaidade.
E, posto que Deus vos entregou terras onde O poderíeis servir lutando contra os mouros por mar e por terra, fazei quanto possais para garantir o que já tendes.

E deixando em paz os vossos senhorios e tendo pedido perdão pelas vossas culpas, para fazer a devida penitência e para que todos bendigam as vossas boas obras, podereis abandonar tudo, ficando sempre ao serviço de Deus e assim terminar a vossa vida.
Esta é, na minha opinião, a melhor maneira de salvar a vossa alma de acordo com o vosso estado e dignidade. Por esta razão vós deveis acreditar que, pelo facto de servir a Deus desta maneira, não ireis morrer antes nem viver mais tempo na terra.
Se morrerdes servindo a Deus, vivendo como eu disse, sereis contado entre os mártires e estareis junto da Bem-aventurada Virgem Maria.
Embora possais não morrer em combate, a boa vontade e as boas obras farão de vós um mártir, e aqueles que vos quereriam criticar não poderão fazê-lo, pois todos verão que não abandonais a cavalaria, mas desejais ser cavaleiro de Deus e deixais de ser cavaleiro do diabo e das vaidades do mundo, que são perecedouras.
Agora, oh conde!, eu vos tenho aconselhado, como me pedistes, para que possais salvar a vossa alma permanecendo no vosso estado. E assim vós imitareis o Rei Ricardo da Inglaterra, quando pulou para o mar para iniciar uma ação gloriosa.
O Conde realmente gostou do conselho que lhe deu Patronio e pediu a Deus para o ajudar a pô-lo em prática, como o seu conselheiro desejava.

 
Buscai o Senhor enquanto é tempo Imprimir e-mail

Buscai o Senhor enquanto é tempo 

Um homem riquíssimo estava a morrer. O filho estava ao lado dele, junto ao leito, e o homem disse:

-“Filho, segura a minha mão”.

Ele pegou-lhe na mão, enquanto o pai continuava:

- “Filho, estás a segurar a mão do homem que se tornou o maior dos fracassados dentre todos os homens deste mundo.”

O filho retrucou:

- “Pai, por que fala assim? O senhor é o presidente de uma das maiores empresas, além de dezenas de outras propriedades. O senhor tem milhares de amigos.”

O pai respondeu:

-“Eu vivi para o tempo e não para a eternidade. Eu não me preparei para este momento.

Tudo o que tenho, vou deixá-lo aqui. À minha frente está tudo muito escuro e frio. Onde estão os tais amigos?”

Logo a seguir morreu, com um semblante triste.

 

Conclusão: É costume medir o sucesso de uma pessoa pelos bens que ela possui. Se os tem em abundância, julga-se ser uma pessoa bem sucedida.

Se não apresenta património, dizemos que fracassou. “O ser humano é como um sopro; os seus dias, uma sombra, que passa” (Sl 144,4).

 
Impressionante confiança de um engraxador Imprimir e-mail

Impressionante confiança de um engraxador

 

Um menino cantava alegremente um canção religiosa enquanto engraxava os sapatos de um freguês.

Querendo zombar do pequeno, perguntou-lhe o freguês:

- Por que cantas com tanta força e tão alegremente?

- Porque Deus é um bom Pai.

O ateu, que há pouco tinha comprado um saco de laranjas, tirou uma e disse:

- Dou-te esta laranja se me disseres onde está Deus.

O rapazito respondeu com firmeza:

- Se eu tivesse, dava-lhe duas laranjas para o senhor me dizer onde é que Deus não está.

 
Aprendeu a rezar de forma impressionante Imprimir e-mail

Este homem aprendeu a rezar de forma impressionante

 

Um camponês, plantador de trigo, tinha o coração duro, e não dava esmolas.

Foi-se confessar uma vez, e o confessor deu-lhe por penitência rezar sete vezes o Pai Nosso.

 “Não o sei, e nunca o pude aprender, respondeu o aldeão.”

“Pois nesse caso, tornou o confessor, imponho-te, por penitência, dar de graça um pacote de trigo a todas as pessoas que lhe forem pedir, da minha parte.”

No dia seguinte de manhã apresentou-se o primeiro pobre.

 “Como te chamas?” perguntou-lhe o camponês.

“Pai – Nosso – Que – Estais – No – Céu”, respondeu o pobre.

“E o teu sobrenome?”

“Seja – Santificado – O – Vosso – Nome.”

E o pobre foi-se embora com o seu pacote de trigo.

Ao outro dia veio o segundo pobre.

 “Como te chamas?

“Venha – A – Nós – O – Vosso – Reino.”

“E o teu sobrenome?”

“Seja – Feita – A – Vossa – Vontade.”

E partiu com o seu pacote de trigo.

Veio o terceiro pobre.

 “Como te chamas?”

“Assim – Na – Terra – Como – No – Céu.”

“E o teu sobrenome?”

“Dai-nos – Hoje – O – Pão – Nosso – De – Cada – Dia.”

E levou o seu pacote de trigo.

Vieram ainda dois pobres, sucessivamente, e passou-se tudo da mesma forma até chegar ao Amem.

Pouco tempo depois o confessor encontrou o camponês.

 “Então, já sabes o Pai Nosso?”

“Não, sr. padre, sei só os nomes e sobrenomes dos pobres a quem, por sua recomendação, dei um pacote do  meu trigo.”

“Quais são?” tornou o padre.

E o camponês enumerou-lhos a seguir, na ordem pela qual cada “pobre” se tinha apresentado.

 “Já vês, disse o confessor, que não era muito difícil aprender o Pai Nosso, porque já o sabes perfeitamente…”

*  *  *

Nota: Este conto evoca exatamente aquelas palavras de Nosso Senhor: “Onde está o seu tesouro, ali estará o seu coração!” Mt 6, 21.

Como o camponês tinha o seu coração posto num bem terreno, não necessitou de nenhum esforço de memória para aprender a oração do Pai Nosso.

Igualmente se fizermos das verdades eternas o tesouro do nosso coração (ou seja, a atenção preponderante de nossos anseios e nossas cogitações) a nossa vida será abençoada e tudo nos será dado por acréscimo.

E em nós se realizará também a promessa do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo:

 “Serei Eu mesmo a vossa recompensa demasiadamente grande” (Gn 15, I), pois nada pode satisfazer plenamente a criatura humana, a não ser o Criador.

A maior felicidade consiste em estar inteiramente unido a Deus, ser um filho amado por Ele, sentir-se agradável a Ele. E isto só conseguiremos por meio de uma verdadeira devoção à Santíssima Virgem.

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Fonte: Contos para a infância”, por Guerra Junqueiro – Typographia Universal – Imprensa da Casa Real – Lisboa – 1877.

 
O cavaleiro de Tundale e a sua visita ao inferno Imprimir e-mail

O cavaleiro de Tundale e a sua visita ao inferno

 

O cavaleiro irlandês Tundale aprendeu uma lição de um seu soldado, que nunca esqueceu.

 

 Tundale era um bravo homem e bom soldado, mas não levava uma vida muito boa. Um dia, enquanto estava sentado a uma mesa, caiu inconsciente e ficou naquele estado durante três dias.

 

 Quando recobrou a consciência, era um homem mudado. Começou a louvar a Deus e a fazer penitência por todas as coisas más que tinha feito.

 

 Por quê uma mudança tão repentina? Ele contou aos amigos que, enquanto estava inconsciente, a sua alma pareceu deixar o corpo, e ele achou-se rodeado de demónios que queriam levá-lo para o inferno.

 

 Os demónios atormentavam-no terrivelmente, até que o seu anjo da guarda apareceu e expulsou-os.

 

 Então o anjo conduziu-o através do inferno e do purgatório, mostrando-lhe pessoas que tinha conhecido quando vivas.

 

Tundale disse ao seu anjo quanto ele tinha padecido nas mãos dos demónios, e o anjo respondeu-lhe: “Tenho estado sempre ao teu lado, mas tu nunca me pediste ajuda”.

 
Um testemunho verídico sobre o Terço Imprimir e-mail

 

Um Testemunho Verídico Sobre o Terço

 

A humildade de uma devota de Maria Santíssima. 

 

Havia uma senhora muito simples que vendia verduras na vizinhança. Certo dia, Tia Joana, conhecida por toda a vizinhança, foi vender as suas verduras a casa de um protestante e perdeu o terço no jardim da casa dele. Passados alguns dias, Joana voltou novamente àquela casa. O protestante veio logo zombar da Tia Joana, e disse-lhe:

- ''Tu perdeste o teu Deus''?

Ela humildemente respondeu:

- ''Eu, perder o meu Deus? Nunca!''

Ele, então, pegou no terço e disse:

- ''Não é este o teu Deus?''

- ''Graças a Deus que o senhor encontrou o meu terço. Muito obrigada''.

- ''Por que não trocas este cordão com estas sementinhas pela Bíblia?''

- ''Porque eu não sei ler a Bíblia, e com o terço eu medito toda a palavra de Deus e guardo-a no coração''.

- ''Meditas a Palavra de Deus? Como fazes? 

Respondeu a Tia Joana, pegando no terço: Quando pego na cruz, lembro-me que o Filho de Deus deu todo o Seu Sangue, pregado numa cruz, para salvar a humanidade.

Esta primeira conta grossa lembra-me que há um só Deus Omnipotente.

Estas três contas pequenas lembram-me as três pessoas da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. 

Esta conta grossa faz-me lembrar a oração que o Senhor nos ensinou, que é o Pai Nosso.

O terço tem cinco mistérios que fazem as cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo cravado na Cruz, e cada mistério tem dez Ave-Marias, que me fazem lembrar os Dez Mandamentos que o Senhor escreveu nas tábuas de Moisés. 

 
A verdadeira felicidade vem de Deus Imprimir e-mail

 

A verdadeira felicidade da vida vem de Deus.

 

Corre entre os russos esta história:

 

O czar (imperador) caiu gravemente doente. Não encontrando remédio, disse:

 

— Darei metade do meu reino a quem me curar. Reuniram-se então todos os sábios para uma consulta com este tema:

 

— Como havemos de curar o imperador?

 

Depois de muito discutirem, disse um: — Procurai um homem feliz, tirai-lhe a camisa e levai-a ao czar e, vestindo-a, ele sarará.

 

Os mensageiros percorriam todo o império à procura do homem feliz, mas não o encontravam, porque: um era rico, mas sempre doente; outro era são, mas pobre;

 

Este são e rico, mas sem filhos; aqueles são, rico e com filhos, mas atribulado; todos, enfim, tinham de que lamentar-se.

 

Um dia, o filho do czar aproximou-se, à noitinha, de uma cabana, parou e ouviu que dentro um homem a falar assim: — Graças a Deus, trabalhei, comi e vou para a cama contente de ter cumprido o meu dever. Nada me falta, sou feliz…

 

O filho do czar não cabia em si de contente, pois encontrara afinal o homem feliz e estava disposto a dar-lhe quanto dinheiro quisesse pela camisa, que levaria ¡mediatamente ao czar, seu pai.

 

Bateu à porta, entrou, pôs-se diante do homem feliz para lhe comprar a cobiçada camisa, mas… que é que viu?

 

O homem feliz não tinha nem uma camisa!

 

Comentários: Esta história mostra bem como a felicidade relativa que se pode ter aqui na terra não se encontra nos bens terrenos (prestígio, poder, riqueza, gozo, saúde física, etc.)

 

Mas consiste em perceber e aceitar os desígnios de Deus a nosso respeito e em saber tirar bom proveito daquilo que se tem para realizá-los do modo mais perfeito.

 

Somente assim se consegue a quota de felicidade terrena acessível a cada um de nós, com vista à felicidade plena na vida eterna.

 
Uma carta no correio Imprimir e-mail


UMA CARTA NO CORREIO

 

Ruth, olhou para a sua caixa de correio, mas só havia uma carta.

Pegou nela e olhou-a antes de a abrir. Mas parou, para observar com mais atenção. Não havia selo nem marcas do correio, somente o seu nome e endereço. Ela decidiu ler a carta: "Querida Ruth.  Estarei próximo da tua casa, no sábado à tarde, e passarei para te visitar. Com amor, Jesus."

As mãos da mulher tremiam quando colocou a  carta em cima da mesa.

 "Porq é q o Senhor me vem visitar? Não sou ninguém especial, não tenho nada para Lhe oferecer..." pensou.  Preocupada, Ruth recordou o vazio reinante nas prateleiras da sua cozinha.  "Ai, não!, não tenho nada para Lhe oferecer." Terei q ir ao mercado e comprar alguma coisa  para o jantar.

 Ruth abriu a carteira e colocou o conteúdo sobre a mesa: 5,40 €.

 "Bom, comprarei pão e alguma outra coisa, pelo menos." E saiu. Uns pães, um pouco de fiambre e um pacote de leite...

Ruth ficou somente com 0,12 €  que deveriam durar até segunda-feira.

Mesmo assim, sentiu-se bem e voltou para casa, com a humilde compra debaixo do braço. Olá, senhora, pode-nos ajudar? Ruth estava tão distraída pensando no jantar, que não viu as duas pessoas que estavam de pé no corredor.

Um homem e uma mulher, os dois vestidos com pouco mais que farrapos.

Olhe, senhora, não tenho emprego. A minha mulher e eu temos vivido ali fora, na rua.

Faz frio e sentimos fome. Se a senhora nos pudesse ajudar, ficaríamos muito agradecidos... Ruth olhou para eles com  mais cuidado.

Estavam sujos e tinham mau cheiro e, francamente, ela estava segura de que eles poderiam conseguir algum emprego se realmente quisessem.

 Senhor, eu queria ajudar, mas eu mesma sou uma mulher pobre. Tudo o que tenho são umas fatias de pão, mas receberei um hóspede importante nesta noite e planeava servir isto a Ele. Sim, bom, sim senhora, entendo... De qualquer maneira, obrigado - respondeu o homem.  O pobre homem fez sinal à mulher, e os dois dirigiram-se para a saída. Ao vê-los  a sair, Ruth sentiu um forte pulsar no seu coração.

Senhor, espere!

O casal parou e voltou atrás.

Olhem,  querem aceitar este lanche?  Conseguirei algo para servir ao meu convidado. Obrigado,  senhora, muito obrigado. Obrigada, disse a mulher.

Foi aí q Ruth se apercebeu de que a mulher tremia de frio. Sabe, tenho outro casaco em minha casa,  tome este.  Tirou o próprio casaco e colocou-o sobre os ombros da mulher. Sorrindo, voltou a caminho de casa... sem casaco e sem nada para servir  ao seu convidado. Obrigado, senhora, muito obrigado – despediu-se,  agradecido, o casal. Ruth estava a tremer de frio quando chegou à porta de casa.

Agora não tinha nada para oferecer ao Senhor. Procurou a chave rapidamente na carteira, enquanto notava q estava outra carta na caixa do correio. "Estranho, o correio nunca vem duas vezes num dia" pensou... Pegou na carta e  abriu-a: "Querida Ruth.  Foi bom vê-la novamente. Obrigado pelo delicioso lanche e pelo esplêndido casaco. Com amor, Jesus." 

O ar estava frio, porém, ainda sem se agasalhar,  Ruth nem percebeu.

Nem sempre Deus vem nos momentos em que nós queremos, mas ELE nunca chega atrasado.

 
Eu voltarei... Imprimir e-mail

EU VOLTAREI…

"Um pai e a filha de nove anos estavam a tomar banho no mar. De repente a maré começou a vazar rapidamente.

Como estavam um pouco separados, o pai, não sendo bom nadador, sabia que sozinho não teria forças para lutar contra a maré e ainda puxar a filha para um lugar seguro.

A sua única esperança seria chamar um socorro o mais depressa possível.

“Fica a  boiar e nada mansamente", gritou ele para a filha. "Não tenhas medo.

Eu voltarei para te buscar". E correu a buscar um barco salva-vida.

Quando vieram, a pequena já estava longe, arrastada pela maré, e demorou para os homens a localizarem.

Quando finalmente a encontraram, ela estava a boiar e a nadar calmamente como o pai lhe tinha recomendado.

Mais tarde os salva vidas perguntaram-lhe como foi capaz de se manter assim tão calma.

"O meu pai disse que  voltaria. Eu sabia que viria e por isso não estava com medo.

Fiz exactamente como me disse", respondeu a menina calmamente.

 

Com a mesma confiança da menina no seu pai, com a sua maravilhosa calma, aguardemos o cumprimento da promessa de Jesus: "Virei outra vez".

Jesus virá para os que O esperam para a salvação".

 
O domador de feras Imprimir e-mail

O domador de feras

Um velho ermitão “n”, uma daquelas pessoas que amam a Deus, retirou-se para a solidão do deserto, floresta ou montanhas para se dedicar à oração e penitência, pois muitas vezes queixou-se de que tinha muito trabalho.
Um dia, um daqueles que o visitou, perguntou-lhe:
•Como é possível ter tanto trabalho se está só no meio do nada?
O eremita respondeu:
•Preciso de treinar dois falcões, duas águias, manter dois coelhos, ver uma cobra, um burro de carga e domar um leão.
O visitante olhou em volta na esperança de ver alguns animais, mas não viu nada.
•E onde estão todos estes animais? Perguntou.
O eremita deu a seguinte explicação:
•Estes animais estão em nós:
•Os dois falcões, são os meus olhos, estão sobre todas as presas, seja bom ou ruim.
•As duas águias, que com as garras ferem e destroem, são as minhas mãos e tenho que treiná-las para se dedicarem a servir os outros e ajudar sem fazer mal.
•Os coelhos, são os meus pés, eles querem ir sempre para onde quiserem e evitar as coisas difíceis e eu tenho que os ensinar a estarem quietos, embora haja sofrimento ou problemas. 
•Embora seja mais difícil controlar a cobra, que é a minha língua, porque embora esteja fechada numa gaiola de trinta e dois obstáculos, basta abrir a porta, está sempre pronta para morder e envenenar a todos. Se não a guardar pode fazer muito mal.
•O burro é muito teimoso, nunca quer fazer o seu dever. É o meu corpo que está sempre cansado e a muito custo assume e carrega os fardos de todos os dias.
•Eu preciso domar o leão que está em mim e que é o meu coração. Ele quer ser rei, quer sempre ser o primeiro, é muito vaidoso e orgulhoso.
•Embora eu não tenha mais medo do tigre; que é o meu caráter. Um pouco da minha negligência já está a atacar alguém.
Percebes agora o grande trabalho que tenho?
Cada um de nós tem todas estas feras selvagens, e provavelmente alguns mais sob controle.

 

O nosso amigo desta história viveu no deserto, mas nós vivemos numa família, trabalhamos com parceiros, brincamos com os amigos; em suma, há muitas oportunidades para "bestas" dentro de nós sairem e causar dano.

Há pessoas que vão ao psicólogo para os ajudar a dominar, o que não é mau, mas a psicologia é insuficiente se a chave está em falta: o amor.

 

São Paulo diz-nos: “Portanto, como povo escolhido por Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência.
Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor vos perdoou.
Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.
Que a paz de Cristo seja o juiz no seu coração, visto que fostes chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos.” (Col 3: 12-15)

 
Nunca pares de sonhar Imprimir e-mail

Nunca pares de sonhar

 

Havia no alto de uma montanha três árvores. Elas sonhavam com o que iriam ser depois de grandes. A primeira, vendo as estrelas disse: eu quero ser o baú mais precioso do mundo e viver cheia de tesouros.

A segunda, vendo um riacho suspirou: eu quero ser um navio bem grande para transportar reis e rainhas. A terceira olhou para o vale e disse: quero crescer e ficar aqui no alto da montanha; quero crescer tanto que as pessoas ao olharem para mim, levantem os olhos e pensem em Deus.

Muitos anos se passaram, as árvores cresceram. Surgiram três lenhadores que, sem saber do sonho das árvores, cortaram as três. A primeira árvore acabou por se transformar num cocho de animais, coberto de feno. A segunda virou um barco de pesca transportando pessoas e peixes todos os dias. A terceira foi cortada em vigas e deixada num depósito. Desiludidas as três árvores lamentaram os seus destinos.

Mas, numa certa noite, com o céu cheio de estrelas, uma jovem mulher colocou o seu bebé recém-nascido naquele cocho. De repente, a árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo. A segunda, certo dia, transportou um homem que acabou por dormir no barco. E, quando uma tempestade quase afundou o barco, o homem levantou-se e disse PAZ! E, imediatamente, as águas acalmaram-se. E a árvore transformada em barco entendeu que transportava o rei dos céus e da terra.

Tempos mais tarde, numa Sexta-feira, a árvore espantou-se quando as vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. A árvore sentiu-se horrível vendo o sofrimento daquele homem. Mas logo entendeu que aquele homem salvou a humanidade e as pessoas lembrar-se-iam de Deus ao olharem para a cruz.

 

O exemplo das árvores é sinal que é preciso sonhar e ter fé. SEMPRE!

Não importa o tamanho dos sonhos que tenhas, sonha muito e sempre. Mesmo que os teus sonhos não se realizem exactamente como desejaste, fica a saber que eles se concretizarão da maneira que Deus entendeu ser a melhor para ti.

 
Impressionante história de perdão Imprimir e-mail

 

 

 

Impressionante história de Perdão

 

João Gualberto era homem como outros. Trazia uma espada à cintura e costumava viver metido em brigas e desafios.

Tinha um irmão a quem amava com toda a alma. Um dia, porém, alguém matou o seu irmão.

Mas Gualberto conhecia muito bem o assassino, e daquele dia em diante procurava ocasião de varar-lhe o peito com a espada. Ele tinha-o jurado e assim o faria.

Era uma Sexta-feira Santa. João Gualberto montou a cavalo e saiu a passear pelo campo… Foi andando, até que se meteu num caminho estreito entre penhascos muito altos.

A dado momento vê que vem ao seu encontro um viandante… fixa-o… conhece-o… e, veloz como um raio, salta do seu cavalo.

Era o assassino do seu irmão. Ali o tinha diante de si; ia saciar os seus desejos de vingança, e grita:

— Canalha! Assassino! por Barrabás, agora mesmo vais morrer nas minhas mãos.

E, desembainhando a espada, lança-se sobre o outro.

O assassino, que ia desarmado, prostra-se-lhe aos pés e, com voz angustiosa e com os braços em cruz, dirigi-lhe esta súplica:

— Irmão, hoje é Sexta-feira Santa; por amor de Cristo crucificado, perdoa-me!…

Gualberto conteve-se; ergueu os olhos ao céu… olhou para a cruz gravada na sua espada… Pensou em Jesus Cristo que do alto da cruz perdoou aos seus crucificadores.

— Irmão — disse Gualberto ao assassino — por amor de Jesus Cristo eu te perdoo.

Despediram-se. O assassino afastou-se arrependido e dando graças a Deus. Gualberto entrou numa igreja que encontrou no caminho.

 

Ajoelhou-se diante da imagem de Cristo que ali estava pregado na cruz. Tirou a espada, suspendeu-a aos pés daquela Vitima divina e jurou aos pés da mesma deixar tudo e enveredar pelo caminho da santidade. E assim fez.

 

E, agora, é santo. A Igreja comemora-o a 12 de Julho.

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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A JANELA DO EREMITA

 

A vista do Céu torna leves os mais duros sofrimentos.


Um piedoso eremita, que Deus tinha provado com longos e penosos sofrimentos, foi visitado em sua cela por alguns de seus amigos.
Maravilhados da suma tranquilidade e alegria que em seu rosto transparecia, perguntaram-lhe como se mostrava tão alegre e paciente em meio de tantos padecimentos.
Sorrindo, o eremita apontou para a janela da sua cela e disse:

— Aquela janela torna-me suportável e leve toda a dor.

— Como pode ser isto? — perguntou um dos visitantes.
— Por meio daquela janela eu vejo o Céu, e esta vista conforta-me e anima a padecer por Jesus Cristo todos os meus sofrimentos.

 
Um baralho de cartas Imprimir e-mail

UM BARALHO DE CARTAS

 

O capelão dum quartel dava aulas de religião aos soldados. Um dia, reparou que um soldado estava distraído com um baralho de cartas, e mandou-lho meter no bolso.

No fim da aula, o soldado justificou-se dizendo que o baralho de cartas só lhe levantava o pensamento para Deus e exemplificou:

 

“O ás, lembra-me que há um só Deus criador do céu e da terra;

o dois, os dois Testamentos: Antigo e Novo;

o três lembra-me as três Pessoas da Santíssima Trindade;

o quatro, os quatro evangelistas;

o cinco, as cinco chagas de Cristo;

o seis, os seis dias da criação;

o sete, as sete dores da Nossa Senhora;

o oito, as oito bem-aventuranças;

o nove, as novenas para preparar as festas religiosas;

o dez, os dez Mandamentos da Lei de Deus;

a dama, lembra-me Nossa senhora;

o valete, lembra-me S. José que valia com o seu trabalho à Sagrada Família;

o rei, lembra-me o rei do Céu e da Terra a quem devemos servir, obedecer e adorar;

as 40 cartas, lembram-me os 40 dias de jejum que Jesus quis passar no deserto e os 40 dias da Quaresma;

e as 12 figuras, lembram-me os 12 apóstolos.

Veja, meu capelão, que o baralho só me eleva para Deus.

 
Avó doente e analfabeta evangeliza em aldeia chinesa Imprimir e-mail

Avó doente e analfabeta evangeliza em aldeia


A vários quilómetros de Pequim existe uma aldeia povoada por católicos muito devotos como a avó Xiu Lan, que nos seus 83 anos de idade não permite que a doença, o clima ou as suas limitações temporais lhe impeçam de compartilhar a fé com os seus compatriotas.
Segundo um repórter da agência Fides, a avó – cujo nome de baptismo é Isabel – é conhecida na aldeia e em toda a região pela sua grande fé e porque apesar de ter passado fome e ter as costas curvadas, "
cada manhã, no verão e no Inverno, é sempre a primeira a chegar à igreja da aldeia para assistir à Missa às cinco e meia da manhã
" e "terminada a Missa, quando as pessoas se foram, fica a limpar a igreja".
O mais surpreendente é o seu apostolado. "Cada manhã a avó percorre 20 quilómetros
para visitar os idosos sem assistência ou sem parentes, preparando-lhes a comida e, principalmente, falando-lhes de Jesus Cristo".
"Os seus familiares só a vêem à noite. Graças a ela, ao menos 20 anciãos conheceram Jesus e foram baptizados. Mas também os jovens são seus amigos e numerosas jovens, com a sua ajuda, são agora fervorosas católicas".
Quando alguém pergunta à Xiu onde encontra a força para fazer tudo isto, ela responde: "Nós somos filhos de Deus, somos protegidos pelo Senhor. Pensem quão doloroso seria morrer sem conhecer a Deus misericordioso! Basta-me pensar isto para sentir imensa tristeza. Ajudar o próximo a conhecer a Jesus é a nossa tarefa!"

 
Inteligente ou ignorante?! Imprimir e-mail

INTELIGENTE ou... IGNORANTE?!?!?!

 

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas divertia-se com o idiota da aldeia.

Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.

Diariamente  chamavam "o idiota" ao bar onde se reuniam e davam-lhe a escolher entre duas moedas: uma, maior, de 500 REIS e outra menor, de 2.OOO REIS.

Ele escolhia sempre a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.

Um dia, um dos membros do grupo perguntou-lhe se ainda não tinha percebido que a moeda maior valia menos.

'Eu sei' - respondeu o tolo - 'Ela vale cinco vezes menos, mas no dia em que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e nunca mais irei ganhar a minha moeda'.

 

Podemos tirar daqui várias conclusões:

 

A primeira: Quem parece idiota, nem sempre o é.

 

A segunda: Quem eram os verdadeiros idiotas da história?

 

A terceira: Se fores ganancioso, acabas por estragar a tua fonte de rendimento.

 

A quarta e mais interessante é: A perceção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.

 

Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim quem realmente somos.

 

Moral da História...

' O maior prazer de uma pessoa inteligente é fazer-se de idiota, diante de um idiota que julga ser inteligente'.

 
Nunca damos valor ao que temos Imprimir e-mail

 

Nunca damos valor ao que temos…

Havia uma moça cega que se odiava porque era cega.
Ela odiava toda a gente, excepto o seu dedicado namorado...
Ela podia contar sempre com ele...
Ela disse ao namorado, 'Se eu pudesse ver o mundo, eu casar-me-ia contigo.'
Um dia, alguém lhe doou um par de olhos.
Quando lhe tiraram os pensos dos olhos, ela conseguiu ver tudo ao seu redor, inclusive o seu namorado.
Ele perguntou-lhe:
'Agora que podes ver o mundo, casas-te comigo?'
A moça olhou para o namorado e reparou que era cego.
O aspecto dos olhos do namorado, com as pálpebras fechadas, chocou-a.
Ela não estava à espera de tal cena.
O pensamento, de que tinha de vê-lo assim para o resto da vida, levou-a a recusar o pedido de casamento.
O seu namorado saiu em lágrimas e uns dias depois escreveu-lhe um bilhete a dizer:
'Toma bem conta dos teus olhos, minha querida, pois antes de eles serem teus, eles eram meus.'
Isto é como a mente humana trabalha, na maioria das vezes, principalmente quando a nossa situação muda.
Apenas alguns se lembram como era a sua vida antes e de quem os acompanhou nas situações mais dolorosas.

A vida é um presente.
Hoje
antes de dizeres uma palavra indelicada
- pensa em alguém que não pode falar.
Antes
de te queixares do sabor da comida
- pensa em alguém que não tem nada para comer.
Antes
de te queixares do teu marido /da tua esposa
- pensa em alguém que chora na solidão e pede a Deus por um companheiro(a).
Hoje
antes de te queixares da vida que tens
- pensa em alguém que morreu novo ou 'cedo' demais.
Antes
de te lamentares pela distância que tens de guiar
- pensa em alguém que anda essa mesma distância a pé.
E quando estiveres cansado(a) e te queixares do teu trabalho
- pensa nos desempregados, nas pessoas com deficiência e naqueles que gostariam ter um trabalho.
E quando pensamentos negativos te deprimem
- põe um sorriso na cara e pensa que estás vivo(a) e ainda aqui andas.
 
Ofensas: Quem sai mais prejudicado Imprimir e-mail

Ofensas: Quem Sai Mais Prejudicado

 

Rodrigo chegou da escola muito nervoso. Subiu para o seu quarto, bateu a porta e deitou-se na cama a chorar.

O pai, um homem simples mas muito sábio, foi verificar o que tinha acontecido com o filho.

Quando viu o menino chorar, sentou-se na beira da cama e perguntou o que de grave tinha ocorrido.

O menino então desabafou:

- Foi o Maurício pai, o meu melhor amigo! Humilhou-me na frente de todos por causa do jogo de futebol. Estou com muita raiva! Tomara que ele fique doente e nunca mais possa ir à escola!

O pai calmamente agarrou o filho pela mão e disse:

- Vem comigo, vamos fazer uma brincadeira.

O menino obedeceu.

Foram até ao quintal, perto da churrasqueira onde havia uma pilha de carvão.

O pai então pediu ao filho que pegasse em carvões e tentasse atingir um lençol branco, que estava pendurado na corda a uma certa distância.

O menino gostou da brincadeira; começou a atirar os pedaços de carvão em direção ao lençol. Quando terminou, havia muitos carvões espalhados pelo chão, mas pouquissimos tinham atingido o lençol que continuava estendido na corda.

O pai pegou novamente o menino pela mão, levou-o até um espelho e perguntou como se estava a sentir.

O menino depois de se olhar no espelho disse:

- Cansado e sujo.

Então o pai completou:

- Estás a ver, meu filho?

  Ao atirar carvão contra o lençol, ficaste cansado e muito mais sujo do que o lençol. Assim também é com a raiva que sentes pelo teu amigo. Trouxe mais prejuizo para ti do que para ele.

 

Quando decidimos remoer as ofensas que recebemos, somos mais atingidos e prejudicados do que a pessoa que nos ofendeu.

 

As ofensas prejudicam muito mais a nós do que ao outro.

 
Cada um dá o que tem Imprimir e-mail

CADA UM DÁ O QUE TEM

Duas fazendeiras moravam próximas uma da outra, mas não eram amigas. Uma era cristã, a outra não era e tinha aversão a cristãos.

Um dia, esta senhora, com o coração cheio de ódio, resolveu insultar a piedosa senhora, mandando-lhe como presente uma cesta cheia de estrume de animais, e com um cheiro insuportável.

Quando o presente chegou às mãos da vizinha generosa, ela chamou a empregada e disse:

 – Vai ao jardim, colhe as mais belas e cheirosas flores, enche uma cesta e envolve-a com um laço bonito.

Depois de tudo preparado, escreveu um bilhete e colocou-o também dentro da cesta. A empregada foi entregar o presente, em nome da sua patroa piedosa, à vizinha inimiga.

Quando ela abriu a cesta sentiu um agradável perfume. Mas, ao ler o bilhete, viu a mensagem que descrevia tudo o que estava a acontecer: “CADA UM DÁ O QUE TEM”.

 
Gestão do tempo Imprimir e-mail

 

GESTÃO DO TEMPO

 

 Um homem quis surpreender a plateia durante uma conferência. Tirou debaixo da mesa um frasco grande, de boca larga. Colocou-o sobre a mesa, ao lado de uma pilha de pedras do tamanho de um punho, e perguntou:

  "Quantas pedras acham que cabem neste frasco?"

Após algumas conjecturas dos presentes, o homem começou a colocar as pedras, até encher o frasco. Perguntou, então:

  - Está cheio?

Todos olharam para o frasco e disseram que sim. Em seguida, tirou um saco com pedrinhas bem pequenas debaixo da mesa. Colocou parte das pedrinhas dentro do frasco e agitou-o. As pedrinhas penetraram pelos espaços encontrados entre as pedras grandes. O senhor sorriu, com ironia, e repetiu:

  - Está cheio? 

  Desta vez, os ouvintes duvidaram: 

-Talvez não.

Muito bem!" exclamou o senhor, pousando sobre a mesa um saco com areia, que começou a despejar no frasco. A areia filtrava-se nos pequenos buracos deixados pelas pedras e pelas pedrinhas.

  - Está cheio? perguntou de novo.

  Não! exclamaram os ouvintes. Pegou, então num jarro e começou a deitar água dentro do frasco, que absorvia a água, sem transbordar. Deu por encerrada a experiência e perguntou:  o que acabamos de demonstrar? Um participante respondeu:

  "Que não importa como está cheia a nossa agenda; se quisermos, conseguiremos sempre fazer com que caibam lá outros compromissos."

 

- Não! concluiu o senhor. O que esta história nos ensina é que, se não colocamos as pedras grandes primeiro, nunca seremos capazes de colocá-las depois. E quais são as grandes pedras na nossa vida? São os nossos filhos, a pessoa amada, a família, os amigos, os nossos sonhos, a nossa saúde.... O resto é resto e encontrará o seu lugar..."

Não há sucesso profissional que compense o fracasso familiar.

 
A flor que não foi cuidada Imprimir e-mail
   

A flor que não foi cuidada

Havia uma jovem muito bonita, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que pagava muitíssimo bem, uma família unida. O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isto, o trabalho e os afazeres ocupavam-lhe todo o tempo e a sua vida era prejudicada nalgumas áreas.

Se o trabalho consumia muito tempo, ela tirava dos filhos; se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido. E assim, as pessoas que ela amava, eram sempre deixadas para depois…

Até que um dia, o pai, um homem muito sábio, deu-lhe um presente: uma pequena árvore muito cara e raríssima, da qual havia apenas um exemplar em todo o mundo. E disse-lhe:

- “Filha, esta arvorezinha vai-te ajudar muito, mais do que imaginas! Terás apenas que regá-la e podá-la de vez em quando, e ela te dará em troca o perfume maravilhoso e lindas flores.”

A jovem ficou emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da árvore. Ela chegava do serviço, olhava, a arvorezinha e as folhas ainda estavam lá, não mostravam nenhum sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas. Então ela, passava direto.

Mas um dia, sem mais nem menos, a árvore morreu. Ela chegou a casa e apanhou um susto! Estava completamente morta, as raízes estavam ressequidas, as flores caídas e as folhas amarelas. A jovem chorou muito e contou ao pai o que tinha acontecido.

O pai respondeu-lhe:

“Eu já imaginava que isto aconteceria, e não posso dar-te outra flor, porque não há outra igual a esta; ela era única assim como os teus filhos, o teu marido e a tua família. Todos são bênçãos que o Senhor te deu, mas tu tens que aprender a regá-los, podá-los e dar-lhes atenção, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Tu acostumaste-te a ver a flor lá, sempre florida, sempre perfumada, e esqueceste-te de cuidar dela. Cuidadas pessoas que amas!”

Conclusão: E nós? Temos cuidado com as pessoas que Deus nos deu? Principalmente dos nossos familiares, amigos e benfeitores? Ele no-los dá, mas nós é que temos que cuidar deles. Só o verdadeiro amor (ou seja, o amor aos outros por amor de Deus, baseado na virtude), preserva e conserva.

 
Antiga lenda da Idade Média Imprimir e-mail

Antiga lenda da Idade Média

Conta uma antiga lenda que, na Idade Média, um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento procurou-se um "bode expiatório" para acobertar o verdadeiro assassino.

 O homem foi levado a julgamento e o resultado foi a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para o condenarem e que teria pouca chance de sair vivo desta história. O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado que provasse a sua inocência. Disse o juiz:

- Eu sou muito religioso e por isso vou deixar a tua sorte nas mãos do Senhor; vou escrever num pedaço de papel palavra INOCENTE e noutro pedaço a palavra CULPADO.

Tu sortearás um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá o teu destino, determinou o juiz. Sem que o acusado percebesse, o juiz separou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativas para o pobre homem. O juiz colocou os dois papéis numa mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a vibração, aproximou-se confiante da mesa, pegou num dos papéis e rapidamente meteu-o na boca e engoli-o. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

- Mas o que fizeste? E agora? Como vamos saber qual é o teu veredicto?

 - É muito fácil, respondeu o homem – basta ver o outro papel e saberemos que engoli o seu contrário. Imediatamente o homem foi libertado.

 

Mensagem: Por mais difícil que seja uma situação, não deixes de acreditar e de lutar até Ao último momento.

SÊ CRIATIVO! QUANDO TUDO PARECER PERDIDO, OUSA!

 
O elefante e a formiga medem forças Imprimir e-mail

 

O elefante e a formiga medem forças

Um elefante e uma formiga tiveram um desentendimento. O elefante julgava-se dono da floresta e não respeitava os formigueiros, pisando em cima deles.
Uma formiga protestou, dizendo que elas também tinham o direito de ser respeitadas. Como não chegaram a acordo, a formiga disse: "Já que não queres resolver pelo diálogo, vamos decidir pela força".
O elefante deu uma risada e disse: "Está bom. Pior para vós. Vamos então decidir pela força". E começou a pisar nos formigueiros, com as suas patas lentas e desajeitadas. A formiga avisou as colegas e vieram todos os formigueiros vizinhos.
Começaram a subir pelas quatro patas do elefante, e a picá-lo por todos os lados. Ele batia com o rabo e com a tromba, para lá e para cá, mas não adiantava.
Por fim, o elefante levantou a bandeira branca e pediu nova reunião. E nesta reunião, atendeu às exigências das formigas.

 

Por isso até hoje os elefantes respeitam os formigueiros e não pisam neles.

 

No mundo moderno, o grande testemunho de Cristo que as Comunidades cristãs são chamadas a dar é o da união. Somos, talvez, mais fracos que as grandes estruturas pecadoras. Mas, com a nossa união, tendo Cristo no meio, somos fortíssimos e podemos vencer até um elefante.

Que Maria Santíssima nos ajude a ser discípulos e missionários do seu Filho.

 
As 12 palavras ditas e retornadas Imprimir e-mail


As doze palavras ditas e retornadas

Era uma vez um homem muito trabalhador e honrado, mas infeliz em todo o negócio em que se metia. Mas tinha devoção ao Anjo da Guarda, rezando todos os dias em sua intenção. Cada vez mais pobre, o homem perdeu a paciência, e um dia gritou, desesperado com a sua triste sina:
- Acuda-me o diabo, que o Anjo da Guarda não me quer ajudar!
Apareceu um sujeito alto, todo vestido de preto, barbudo e feio, com uma voz roufenha e desagradável:
- Aqui estou! Aqui estou! Que é que queres de mim?
- Quero ficar rico.
O diabo indicou uma gruta onde havia um tesouro enterrado, e disse:
- Daqui a vinte anos voltarei para buscar-te. Se não disseres as doze palavras ditas e retornadas, serás meu para toda a eternidade.
O homem começou a viver folgadamente, em festas e alegrias, cercado de amigos e de mulheres.
O tempo foi passando, e uma noite lembrou-se de que estava condenado às penas do inferno. Só se soubesse as doze palavras ditas e retornadas...
-Isso deve ser fácil, disse ele consigo. Todo o mundo deve saber.
No dia seguinte perguntou aos amigos, aos vizinhos e a todos os moradores da cidade, e não havia quem soubesse o que vinha a ser o que ele lhes perguntava.
O homem afligiu-se muito. Cada vez mais o tempo passava, e ninguém sabia o segredo das doze palavras ditas e retornadas. Largou a vida má que levava, fez penitência e saiu pelo mundo, perguntando. Todos diziam:
- Não sei, nunca ouvi falar...
O homem só faltava morrer, com o pavor da ideia de ter de se encontrar com o diabo e ser levado para o fogo eterno.
Já passara muito tempo desde que deixara o folguedo dos ricos, vestindo com modéstia e dando esmolas.
Uma tarde, ia por um bosque na hora da "Ave-Maria". Ajoelhou-se para rezar, e ao terminar viu um velho que se aproximava dele.
Cumprimentou-o, e foram andando juntos para a vila. Perguntou ao velho como se chamava.
- Chamo-me Custódio - respondeu.
E falou-lhe nas doze palavras ditas e retornadas. E o velho Custódio disse:
- Eu sei as doze palavras ditas e retornadas.
O homem ficou tão satisfeito que abraçou o velho, dando graças a Deus e dizendo que aquilo era um milagre do Anjo da Guarda, sua devoção antiga.
- Como são as doze palavras ditas e retornadas? Qual é a primeira, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! A primeira palavra dita e retornada é a Santa Casa de Belém, onde nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo, para nos remir e salvar.
- E as duas palavras ditas e retornadas, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As duas palavras ditas e retornadas são as duas tábuas de Moisés, em que Nosso Senhor pôs os seus divinos pés, e a primeira é a Santa Casa de Belém.
- E as três palavras ditas e retornadas, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo não! As três palavras ditas e retornadas são as três pessoas da Santíssima Trindade, as duas são as duas tábuas de Moisés, e a primeira é a Santa Casa de Belém.
- E as quatro palavras ditas e retornadas, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As quatro palavras ditas e retornadas são os quatro evangelistas, as três são as pessoas da Santíssima Trindade, as duas são as tábuas de Moisés, e a primeira é a Santa Casa de Belém.
- E as cinco palavras, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As cinco palavras ditas e retornadas são as cinco chagas de Nosso Senhor.
- E as seis palavras, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As seis palavras ditas e retornadas são as seis velas bentas que estão no altar-mor de Jerusalém.
- E as sete palavras, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As sete palavras ditas e retornadas são os Sete Sacramentos.
-E as oito palavras, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As oito palavras, ditas e retornadas, são as oito bem-aventuranças pregadas por Nosso Senhor Jesus Cristo.
- E as nove palavras, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As nove palavras, são os nove meses em que a Virgem Mãe trouxe Nosso Senhor.
- E as dez, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As dez palavras, ditas e retornadas são os Mandamentos da Lei de Deus.
- E as onze palavras, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As onze palavras, são as onze mil virgens.
- E as doze, amigo Custódio?
- Custódio, sim; amigo, não! As doze palavras ditas e retornadas são os doze apóstolos, as onze, são as onze mil virgens, as dez os Mandamentos, as nove, os meses de Nossa Senhora, as oito as bem-aventuranças, as sete, os Sacramentos, as seis, as velas bentas, as cinco, as chagas, as quatro, os evangelistas, as três, a Santíssima Trindade, as duas, as tábuas de Moisés, a primeira, a Santa Casa de Belém, onde nasceu quem nos salvou. Amém!
Estas são as doze palavras, ditas e retornadas.
- De joelhos te agradeço, amigo Custódio, a esmola, a qual há-de salvar-me do demónio!
- Custódio, sim, e teu amigo. Sou o Anjo da Guarda, que vem perdoar-te pelo arrependimento e pela penitência.
E sumiu-se.
O homem, quando chegou o prazo para prestar contas ao diabo, disse as doze palavras ditas e retornadas, e o maldito rebentou como uma bola de fogo, espalhando cheiro de enxofre.
O homem viveu santamente os seus dias, e acabou na paz de Deus, salvando-se graças ao seu Anjo da Guarda.
(Fonte: “Maravilhas do conto popular” - Cultrix, SP, 1960)

 
O perdão Imprimir e-mail

O PERDÃO

Era um vez um rapaz que ia muito mal na escola. As suas notas e o comportamento eram uma decepção para os seus pais que sonhavam em vê-lo formado e bem sucedido.
Um belo dia, o bom pai propôs-lhe um acordo: Se tu, meu filho, mudares o comportamento, te dedicares aos estudos e conseguires ser nota suficiente para a Faculdade de Medicina, dou-te então um carro de presente.
E, por causa do carro, o rapaz mudou da água para o vinho.
Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação. Sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma conversão sincera, mas apenas do interesse em obter o automóvel. E isto era mau!
O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado dos seus esforços. Assim, o grande dia chegou! Foi aprovado para o curso de Medicina. Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz tinha por certo que na festa o pai lhe daria o automóvel.
Quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e passou-lhe para as mãos uma caixa com um presente. Crendo que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote.
Para sua surpresa, o presente era uma Bíblia. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse.
A partir daquele dia, o silêncio e a distância separavam pai e filho. O jovem sentia-se traído e, agora, lutava para ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus da Universidade. Raramente mandava notícias à família.
O tempo passou, ele formou-se, conseguiu um emprego num bom hospital e esqueceu-se completamente do pai. Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão. Até que um dia o velho, muito triste com a situação, adoeceu e não resistiu. Faleceu.
No enterro, a mãe entregou ao filho, indiferente, a Bíblia que tinha sido o último presente do pai e que havia sido deixada para trás. Ao chegar a casa, o rapaz, que nunca perdoara ao pai, quando ao pôr o livro numa estante, notou que havia um envelope dentro dele.
Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque. A carta dizia: "Meu querido filho, sei o quanto desejas ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para que escolhas aquele que mais te agradar. No entanto, fiz questão de te dar um presente ainda melhor: A Bíblia Sagrada. Nela aprenderás o Amor a Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência".
Corroído de remorso, o filho caiu em profundo pranto.

Como é triste a vida dos que não sabem perdoar. Isto leva a erros terríveis e a um fim ainda pior.
Antes que seja tarde, perdoa também tu àquele a quem pensas ter feito mal. Talvez se olhares com cuidado, vais ver que há também um "cheque escondido" em todas as adversidades da vida.

 
O Rei sem um dedo Imprimir e-mail

Deus é Bom!

Há muito tempo, num Reino distante, havia um Rei que não acreditava na bondade de Deus. Havia, porém, um súbdito que sempre o lembrava desta verdade. Em todas as situações dizia: "Meu Rei, não desanime, porque Deus é bom!"
Um dia, o Rei saiu para caçar juntamente com o seu súbdito, e uma fera da floresta atacou o Rei. O súbdito conseguiu matar o animal, mas não conseguiu  evitar que o Rei perdesse o dedo mínimo da mão direita. O Rei, furioso pelo que havia acontecido, e sem reconhecer ter a vida salva pelos esforços do servo, perguntou-lhe: "E agora, o que me dizes? Deus é bom? Se Deus fosse bom eu não teria perdido o meu dedo!"
O servo respondeu: "Meu Rei, apesar de tudo quero dizer lhe que Deus é bom e é o bem!" O Rei, indignado com a resposta do súbdito, mandou que fosse preso, e na cela mais escura e mais fétida do calabouço.
Após algum tempo, o Rei saiu novamente para caçar e aconteceu ele ser atacado, desta vez por uma tribo de índios que vivia na selva. Estes índios eram temidos por todos, pois sabia-se que faziam sacrifícios humanos para os seus deuses. Mal prenderam o Rei, passaram a preparar, cheios de júbilo, o ritual do sacrifício.
Quando já estava tudo pronto, e o Rei já estava diante do altar, o sacerdote indígena, ao examinar a vítima, observou furioso: "Este homem não pode ser sacrificado, pois é defeituoso, falta-lhe um dedo!"
E o Rei foi libertado. Ao voltar para o palácio, muito alegre e aliviado, libertou o seu súbdito e pediu que viesse à sua presença. Ao ver o servo, abraçou-o afectuosamente, dizendo-lhe: "Meu caro, Deus foi realmente bom. Fica a saber que escapei da morte justamente porque não tinha um dos dedos. Mas, ainda tenho no meu coração uma grande dúvida: Se Deus é tão bom, por que permitiu que tu ficasses preso da maneira como ficaste... Logo tu que tanto o defendeste?" O servo sorriu e disse: "Meu Rei, que bom foi Deus! Se eu estivesse livre e contigo nesta caçada, certamente teria sido sacrificado em teu lugar, pois não me falta dedo algum!"

Portanto, lembre-se sempre: TUDO O QUE DEUS FAZ É BOM!

 
A bicicleta de Deus Imprimir e-mail

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Numa noite quente de verão, um jovem foi falar com um velho sábio:

"Mestre, como posso ter a certeza de que eu estou a gastar a minha vida direito?
Como posso ter a certeza de que tudo o que faço é o que Deus me pede para fazer? “
O velho sábio sorriu satisfeito e disse: "Uma noite fui dormir com o coração muito aflito, pois estava a tentar, sem sucesso, responder a estas perguntas.
Foi então, que tive um sonho... Sonhei com uma bicicleta com dois selins.
Vi que a minha vida era como andar numa bicicleta para duas pessoas: Uma bicicleta tandem.
E vi que Deus ia sentado no selim, atrás de mim e... me ajudava a pedalar...
Mas aconteceu que Deus me disse para trocar de lugar... eu concordei... Mas a partir desse momento a minha vida nunca mais foi a mesma: Deus tinha transformado a minha vida… feliz e emocionante.
Mas...o que aconteceu desde que trocámos de lugar? Percebi que quando eu estava a dirigir, eu sabia o caminho. E tudo era descontado, chato e previsível.
Mas quando Deus começou a guiar, tudo era diferente... Ele conhecia lindos atalhos, e subia as montanhas, por lugares rochosos em alta velocidade...Eu continuava sentado no selim...Tudo era maravilhoso! O vento no rosto, e Deus continuava a dizer: «Pedala, pedala!»
Às vezes fiquei preocupado, e quando perguntei: "Senhor, mas para onde me estás a levar?"
“Ele” apenas sorriu e não respondeu. Entretanto, eu não sei como, comecei a confiar.
 Logo esqueci a minha vida “chata” e entrei na aventura e quando eu dizia: “Senhor, estou com medo...», Ele voltava-se para trás, tocava na minha mão e imediatamente uma grande serenidade substituía o medo.
Ele levou-me....
Algumas pessoas deram-me presentes para levar comigo ao longo do caminho, na minha viagem, ou seja, de Deus e minha. E partimos.
Deus disse-me: "Entrega os presentes...são bagagem a mais, muito peso”.
Então, comecei a dar os presentes às pessoas que encontrávamos, e percebi que em dar presentes... era eu que RECEBIA, e o nosso fardo era mais leve.
No começo não confiava NELE a comandar a minha vida. Pensei que me levaria ao desastre.
Mas ELE conhecia os segredos da bicicleta, sabia como incliná-la nas curvas fechadas, pular para superar lugares cheios de pedras, voar para encurtar os caminhos difíceis. E estou a aprender a ficar calado... e a pedalar nos lugares mais estranhos, e já aprecio o panorama ao redor e a brisa fresca no rosto com um companheiro de viagem MARAVILHOSO, como é Deus. E quando tenho a certeza de não aguentar mais para seguir em frente, não consigo avançar. ELE apenas sorri e diz-me: «Não te preocupes, EU guio, tu pedala!»

É uma história que nos encoraja ao abandono confiante nos braços de Deus.
A vida é como pedalar numa bicicleta.Tu só cais se parares de pedalar!!!

Sê inteligente: põe a tua vida nas mãos de Deus e deixa-te guiar.

 
Não faças julgamentos precipitados Imprimir e-mail

Não faças julgamentos precipitados...

Havia numa aldeia um velho muito pobre que possuía um lindo cavalo branco.
Numa manhã descobriu que o cavalo não estava na cocheira.
Os amigos disseram ao velho:
- Mas que desgraça, o seu cavalo foi roubado!
E o velho respondeu: Calma, não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. O resto é julgamento vosso.
As pessoas riram-se do velho.
Quinze dias depois, de repente, o cavalo voltou. Tinha fugido para a floresta. E trouxe uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente as pessoas reuniram-se e disseram:
- Ó velho, você tinha razão. Não era uma desgraça, era uma bênção.
E o velho disse:
- Vocês estão a precipitar-se de novo. Quem pode dizer se é uma bênção ou não? Apenas digam que o cavalo está de volta...
O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens. Uma semana mais tarde, caiu de um dos cavalos e fracturou as pernas.
As pessoas reuniram-se e, mais uma vez, puseram-se a julgar:
- E não é que você tinha razão, velho? Foi uma desgraça o seu único filho perder o uso das duas pernas.
E o velho disse:
- Mas vocês estão obcecados por julgamentos, hein? Não se adiantem tanto. Digam apenas que o meu filho fracturou as pernas.
Ninguém sabe ainda se isto é uma desgraça ou uma bênção...
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram obrigados a alistar-se, menos o filho do velho. E os que foram para a  guerra, morreram...
Quem é obcecado por julgar, cai sempre na armadilha de basear o seu julgamento em pequenos fragmentos de informação, o que o levará a conclusões precipitadas.
 Nunca encerres uma questão de forma definitiva, pois quando um caminho termina, outro começa, quando uma porta se fecha, outra se abre...
Às vezes enxergamos apenas a desgraça, e não vemos a bênção que ela nos traz...

 
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