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"Assim como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros"

(Jo 13, 34)

 
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O Demónio existe
Passos para discernirmos a acção do demónio Imprimir e-mail

Passos para discernirmos a ação do demónio!

 

 Os sinais da ação do Mal…

 

Passos para o Discernimento

 

Como conseguir discernir se de facto estamos diante de uma pessoa que sofre algum tipo de ataque direto do demónio? Há um caminho a seguir para se chegar a esta conclusão?

 

Estas são as perguntas mais frequentes que geralmente fazemos para se chegar a um discernimento mais preciso do que está a acontecer com uma pessoa que diz sofrer ataques diretos do demónio.

 Antes de dar alguns conselhos sobre como podemos chegar a um discernimento mais preciso, é bom pensar sobre os tipos de ataques e de influências que o demónio pode ter sobre uma pessoa. (Tipos de Ações Diabólicas)Estes tipos de ações são ações extraordinárias, a que nem todos estão sempre sujeitos. Diferente das ações ordinárias em que todos nós passamos, que é a Tentação. 

Como ações Extraordinárias:

- Distúrbios Externos- Possessões Diabólicas- Vexações Diabólicas- Obsessões Diabólicas- Infestações Diabólicas- Sujeições Diabólicas

Tendo em mente estes tipos de ações do Inimigo é importante que interroguemos os familiares ou a pessoa que se apresentou se existem realmente razões válidas para que se proceda com tais orações. Para isso é preciso estabelecer um diagnóstico. Podemos então começar com os sintomas que a pessoa ou os seus familiares  dizem estar a ser vitimas.

Começamos então pelos sintomas dos Males Físicos:

– Na grande maioria das vezes as regiões mais atingidas por influências maléficas são a cabeça e o estômago. Geralmente a pessoa pode sofrer de dores de cabeça agudas e intensas por muitos dias, meses e até por anos; e os medicamentos se mostram ineficazes nestes casos. Ainda relacionado à cabeça e também aos jovens; é peculiar um sintoma que acontece no jovem que sofre algum tipo de influência maléfica uma rejeição brusca pelos estudos. Crianças e jovens que até ali nunca tiveram nenhuma dificuldade nos estudos e até mesmo gostavam de ir à escola de repente começam a detestar os estudos, o ambiente de escola, começam a ter muitas dificuldades de aprender, falta de concentração, a sua memória torna-se falha e por isso não querem estudar, tornam-se rebeldes e indisciplinadas. Uma observação importante: aqui não se trata de pessoas que não gostam de estudar ou somente estão a passar por alguma dificuldade nos estudos, mas esmos a falar de uma mudança muito brusca no seu comportamento.

– A boca do estômago também é um ponto geralmente atingido por influências maléficas. Dores quase que insuportáveis e constantes, e todo o tratamento se mostra ineficaz a estas dores. Muito comum é vermos estas dores na boca do estômago deslocar-se por vezes para o intestino, para os rins, ovários; e os médicos não conseguem uma explicação para isto.

– Um dos sintomas mais típicos da necessidade de Oração de Libertação ou exorcismo é a aversão ao Sagrado: Pessoas que deixaram de rezar, embora tinham uma vida de oração; já não querem ir a igreja, participar na Santa Missa, e experimentam um sinal externo de raiva em relação às coisas de Deus, chegando até mesmo a tornarem-se violentas quando o assunto é Deus e as coisas sagradas, assim como aos objetos sagrados.

Mas há outras manifestações mais espectaculares: Falar ou compreender línguas diferentes, sem que a pessoa nem mesmo tenha tido contato com essa língua, por exemplo, o Latim. Outro facto é da pessoa conhecer coisas futuras ou secretas, e ainda demonstrarem uma força sobre-humana.Ainda durante as orações é comum acontecerem casos de grande violência, comportamentos estranhos, blasfémias, etc.

É bom saber se as pessoas já recorreram aos médicos e se submeteram aos tratamentos que os mesmos recomendaram. Se sim, é muito provável que os medicamentos se tornaram ineficazes diante de uma real influência maléfica, mas mesmo assim não temos autorização de recomendar as pessoas a deixarem de tomar qualquer tipo de medicamento. E iremos perceber que após algumas orações a pessoa sentirá certo alívio em relação aos males reclamados. Nem sempre terão a cura total, pois isso dependerá do grau que esta pessoa está a sofrer estas influências e da quantidade de orações que ela precisará de receber para a total cura e libertação.
 
O Demónio é traiçoeiro Imprimir e-mail
 O DEMÓNIO É TRAIÇOEIRO   

“Doutor dos hereges, mestre dos impudicos, Pai dos mentirosos, Príncipe do mal”, é ele o autor do sofrimento…  Caim mata Abel por influência do demónio O demónio é o autor responsável dos nossos sofrimentos.

O homem pecou por instigação do demónio: era justo que fosse punido; e Deus puniu-o abandonando-o, até certo ponto, ao poder do demónio.

Todo o mal que existe no mundo, todas as desordens perturbadoras da natureza; todas e quaisquer destruições, resultam da maldita influência deste grande espírito, criado por Deus para ser como que administrador de todo o mundo material.

Tais desordens e destruições não podem provir de Deus, que é a ordem infinita; tão pouco provém dos anjos, que são ministros de paz, de ordem e de vida; Não procedem dos elementos materiais, de si destituídos de poderes e movimento: Logo vêm desta força secreta e detestável chamada o demónio, que, posto que não possa destruí-la, perturba a bela harmonia da natureza.Assim é que, por mais de mil maneiras, que os sábios chamam caus

as secundárias, o autor do mal a espaços conturba a atmosfera e; nela produz os temporais, as tempestades, o granizo, o raio e quantas assolações os acompanham.

É assim que, para fazer mal ao homem e às outras criaturas de Deus, ele empeçonha esta e aquela planta, este e aquele suco, e comunica o seu furor a alguns animais.

É também assim que, com permissão divina, ele suscita no ar e na água animais microscópicos, que difundem sobre a terra terríveis epidemias, as tão assoladoras enfermidades contagiosas: a peste, a cólera, a varíola, todas as variedades de febres, etc.  

 

A Medicina e a Ciência reconhecem os efeitos destas enfermidades; combatem e por vezes cerceiam-lhes os estragos, mediante remédios, nos quais é latente o influxo benefício e misericordioso de Deus e dos anjos; mas só a fé descortina a causa invisível de todos estes males, disseminados pelo inimigo de Deus e dos homens, o pai do mal, o horrível demónio, que está escondido como malfeitor que é.  É a fonte de que dimanam todos os males que sofremos. Instigador de todos os crimes.

 Mais do que ninguém, aquele que deve vergar ao peso da nossa indignação, quando nos vemos a braços com a perversidade e com as ruins paixões dos homens; é ele somente, que os incita ao pecado.  A inveja, a cólera, a impiedade que mataram Abel, foi ele que as suscitou no coração de Caim; assim fez, primeiro que todos, correr o sangue do homem e espremeu-lhe as primeiras lágrimas.   Foi, é e será até ao fim o instigador de todos os crimes, de todas as rebeldias, de todas as cruezas, de todos os erros, de todas as infâmias do género humano.   Todo o pecado, toda a desordem o têm por fundamento.   Por isso a Igreja, na sua linguagem enérgica e profunda, o chama doutor dos hereges, mestre dos impudicos, pai dos mentirosos, príncipe do mal.  E a sua astúcia, que poucas vezes falha, consiste em se esconder sempre e em persuadir as suas desditosas vítimas a achar que vêm de Deus os males que sofrem.   Daqui procede a blasfêmia, extraordinário e abominável mistério, pelo qual o homem infiel, quando a si próprio faz mal ou quando lho fazem; clama e se irrita contra Deus, ameaça-o e maldiz o seu santo nome.   O blasfemador que maldiz a Deus assemelha-se ao indivíduo que, ameaçado por um assassino e defendido por um amigo; confunde-se um com o outro, e, deixando intacto o assassino, arremetesse contra o amigo e o matasse.  O demónio é, pois, o autor secreto e universal do mal, e portanto do sofrimento.  Todos e quaisquer males, vêm direta ou indiretamente dele; assim como todos e quaisquer bens direta ou indiretamente vêm de Deus.  Nunca imputemos a Deus o que é obra do demónio… E assim como Deus distribui a vida a todas as criaturas pelo ministério dos seus anjos fiéis, assim também Satanás; o maior dos anjos rebeldes, difunde na criação a rebeldia, a desordem e o mal, coadjuvado por todos os outros anjos maus, que o acompanharam na sua rebeldia. 

 Esta luta invisível, que em nós tão dolorosamente repercute, só no fim do mundo acabará, porque a fidelidade ou infidelidade dos anjos não lhes pode torcer a vocação; que consiste em administrar ou governar os elementos da matéria.  De facto, não é à míngua de poder ou de bondade que o Senhor tolera o influxo maléfico dos demónios através dos séculos; a sua soberana sabedoria assim o requer, porque não pode a criatura mudar ao seu gosto os planos do Criador.  Muitos vêem as coisas por um prisma falso só porque ignoram isto.   Devemos estar precatados contra as ilusões, e nunca imputemos a Deus, extremamente bom, o que é obra do demónio e daqueles que o servem.  Fonte: Retirado do livro “Aos que sofrem, consolações” de Mons. de Ségur.
 
Causas de uma possessão diabólica Imprimir e-mail
 Quais são em geral as causas de uma Possessão ou Opressão diabólica?

Podemos aqui ter um leque de respostas para esta questão, mas há sempre algumas causas que se destacam mais; e as principais causas são as que nos podem colocar em situações de perigo:

1. Fazer um pacto com o demónio: 

Muitas pessoas em busca de respostas para a vida, em busca de fama, sucesso, dinheiro, bem estar, buscam o demónio para que ele lhes conceda tudo isto de maneira mais fácil, sem esforço e com resultados imediatos.

Muito mais pessoas do que imaginamos buscam o demónio para com ele selar um pacto, selar um acordo. Não pensem que somente pessoas inocentes caem nas garras do demónio, não; há pessoas totalmente esclarecidas que fazem esta opção de pacto com o demónio.

Muitas pessoas de livre e espontânea vontade, buscam o demónio, querem os seus benefícios, mesmo que isto lhes custe a Eternidade sem Deus. E por isso se envolvem em casos verdadeiramente absurdos e diabólicos para conseguir tais feitos. Sujeitam-se por vezes aos mais baixos tipos de realidades, sacrilégios, orgias e até mesmo sacrifícios humanos para ter um acordo com o diabo e os seus benefícios.2. Buscar Cultos Satânicos ou toda a forma de Ocultismo: Aqui também existe uma grande quantidade pessoas que escolhem por estas coisas relacionadas a seitas Satânicas, Seitas Ocultistas mesmo sabendo que não são de Deus, e é claro que como não existe o que chamam de entidades, mortos que falam, mortos que voltam, mortos que escrevem, estas pessoas estão a ter contato diretamente com demónios disfarçados de familiares, disfarçado de amigos, de anjos bons e coisas do tipo; e ai acabam por cair nas garras do demónio. 

Neste caso é mais comum pessoas com problemas financeiros, sentimentais, doenças e coisas do tipo buscarem algum tipo de seitas para conseguir uma solução, e acabam por dar diretamente com o demónio, quer por ignorância ou consciente; o demónio não quer saber se a pessoa tinha consciência ou não do que fazia, ele somente quer ter influencia sobre a vida dela…

Há pessoas que recorrem a bruxos, magos, espiritas, benzedeiros, cartomantes, seitas e tudo relacionado. Não procuraram diretamente um contacto com o demónio, mas acabou que se encontrarem com ele por meio destas entidades que em cada lugar ou seita, se apresentam com um nome diferente. Encontraram-se de uma forma ou de outra com a ação do Demónio.3. Que um pai ou uma mãe tenham consagrado ou oferecido o seu filho a Satanás: Por incrível que pareça ainda há muito destas realidades; em geral acontece com pessoas que já estão envolvidas em certos graus de seitas e cultos Satânicos que fazem este tipo de oferta. Entregam e consagram os filhos ao demónio, como uma forma de agradecimento, de oferta a algo alcançado, ou como forma de querer algo no futuro para benefício próprio.É muito triste, mas é real!

E estas consagrações ganham mais força e maiores problemas no futuro se estas consagrações acontecem com o pai e ou a mãe. Se uma outra pessoa oferecer ou consagrar um bebé ao demónio num rito ou algo parecido, a influência direta do demónio não terá a mesma forma e nem a mesma força se um pai ou uma mãe fizer tal monstruosidade.

A verdade é que estas consagrações acontecem. Umas oferecem diretamente os seus filhos em Seitas Satânicas, sabendo que são aos Demónios que os estão a oferecer. Outras acham que as realidades de entidades não se trata de espíritos Malignos, e oferecem os filhos para tais entidades; que em si não faz muita diferença nos resultados; pois de uma forma ou de outra quem as recebe é o Demónio.4. A Maldição Se uma pessoa faz uma maldição à outra e pede para que o demónio a atinja de algum modo, pode ser que isso de facto aconteça. Isto irá depender de dois fatores importantes: * Da vontade de Deus em permitir isso; 

* E de como esta pessoa está a viver a sua vida com Deus;

Há pessoas que ficaram possessas devido a maldições que lançaram sobre elas, trabalhos feitos e oferecido a demónios, mas estas pessoas não viviam uma vida em Deus e andavam de pecado em pecado, abrindo uma grande brecha para o demónio as atingir.Deus nunca permitirá que toda a maldição lançada sobre nós tenha consequências maléficas. Na maioria das vezes 95% das maldições lançadas contra as pessoas não tem efeito nenhum, por isso não devemos ter medo.Estes são os fatores mais frequentes que as pessoas se envolvem e que em geral acabam por ser relacionados a possessão diabólica ou então a uma forte opressão do Demónio.Uma possessão somente acontece quando se abre uma porta direta ao demónio para que ele entre. Ou em casos muito raros, a possessão também acontece pela permissão de Deus, para que esta pessoa passe por um tempo de purificação, como já aconteceu com alguns santos.

Importante saber: Quanto mais se tem uma vida espiritual e de oração, mais protegida a pessoa estará contra qualquer tipo de ataque ou influência do demónio.

Por isso não nos preocupemos muito.

Vivamos nós sempre na graça de Deus.
 
5 Santos que lutaram contra o demónio Imprimir e-mail

5 Santos que lutaram contra os demónios

O mundo espiritual é real e nele ocorrem verdadeiros combates. Em certas partes da Bíblia são mencionadas as lutas que existem contra o demónio e a carne, porque quanto mais próxima a pessoa está de Deus mais será tentada.

1) São Padre Pio: “Estes demónios nunca deixam de me golpear”

Foi um sacerdote italiano que nasceu no final do século XIX e morreu em 1968. Embora realizasse muitos milagres e recebesse os estigmas, o Padre Pio também sofreu ataques frequentes do demónio.

Segundo o Pe. Gabriele Amorth, famoso exorcista da diocese de Roma, “a grande e constante luta na vida do santo foi contra os inimigos de Deus e as almas, pois tratou de capturar a sua alma”. Desde a sua juventude o Padre Pio teve visões celestes, mas também sofreu ataques infernais. O Pe. Amorth explica:

 “O demónio aparecia algumas vezes em forma de um gato negro e selvagem, ou de animais repugnantes: era clara a intenção de incutir o terror. Outras vezes aparecia na forma de jovens raparigas nuas e provocativas, que dançavam de modo obsceno; era clara a intenção de tentar o jovem sacerdote na sua castidade. Entretanto, o pior perigo era quando Satanás tentava enganar o Padre Pio aparecendo como se fosse o seu director espiritual ou aparecendo em forma de Jesus, da Virgem ou de São Francisco”.

Esta última estratégia, quando o diabo aparecia em forma de alguém bom e santo, era um problema. Isto aconteceu quando o Padre Pio percebeu que as visões eram falsas: notou certa timidez quando a Virgem e o Senhor lhe apareceram, seguida de uma sensação de paz quando a visão terminou. Além disso, disfarçado de uma forma sagrada, o diabo provocou-lhe um sentimento de alegria e atracção, mas quando ia embora, ele ficava triste e arrependido.

Satanás também buscava feri-lo fisicamente. O sacerdote descreveu estas dores numa carta a um irmão, que era seu confidente:

 “Estes demónios nunca deixam de me atacar, inclusive fazem com que eu caia da cama. Também rasgam as minhas roupas para me açoitar! Mas já não me assustam porque Jesus me ama e sempre me levanta e me coloca novamente na cama”.

Padre Pio é testemunho de que se uma pessoa estiver perto de Deus não terá que temer a presença do demónio.

2) Santo Antão ‘o Grande’: “O leão rugia, desejando atacar”

Este santo viveu durante os séculos III e IV. Foi um dos primeiros monges a retirar-se para o deserto, de modo a viver entregue ao jejum e à oração. A Igreja conhece a sua história graças ao seu biógrafo: S. Atanásio.

 “Quando visitávamos Santo Antão nas ruínas onde vivia, escutávamos tumultos, muitas vozes e o choque de armas. Também víamos que durante a noite apareciam bestas selvagens e o santo combatia contra elas através da oração”, conta Atanásio.

Numa certa ocasião, nos seus 35 anos, Santo Antão decidiu passar a noite sozinho numa tumba abandonada. Então apareceu ali um grupo de demónios que o feriram. Os arranhões do demónio impediram-no de se levantar do chão. O eremita comentava que a dor causada por esta tortura demoníaca não podia ser comparada com nenhuma ferida causada pelo homem.

No dia seguinte, um amigo encontrou-o e levou-o ao povoado mais próximo para o curar. E, quando o santo recuperou os sentidos pediu ao amigo que o levasse de volta à tumba. Ao deixá-lo, Santo Antão gritou: “Sou Antão e aqui estou. Não fugirei das tuas chicotadas e de nenhuma dor ou tortura me separará do amor de Cristo”. S. Atanásio relata que os demónios voltaram e ocorreu o seguinte:

Escutou-se uma trovoada, parecia o barulho de um terremoto, que sacudiu o lugar inteiro e os demónios saíram das quatro paredes em formas monstruosas de animais e répteis. O lugar desta maneira ficou cheio de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, víboras, escorpiões e lobos. O leão rugia, querendo atacar; o touro preparava-se para atacar com os chifres; a serpente arrastava-se procurando um lugar de ataque e o lobo rosnava ao redor dele. Todos estes sons eram assustadores.

Embora Santo Antão arquejasse de dor, enfrentou os demónios dizendo: “se vocês tivessem algum poder, bastava que apenas um de vocês viesse, mas como Deus vos criou fracos, querem-me assustar com a quantidade de demónios. E o que comprova a vossa debilidade é que adoptaram a forma de animais irracionais”.

 “Se forem capazes, e se tiverem recebido um poder de ir contra mim, ataquem-me de uma vez. Mas se não são capazes, porque me perturbam em vão? Porque a minha fé em Deus é o meu refúgio e a muralha que me salva de vocês”.

De repente, o tecto do lugar foi aberto e uma luz brilhante iluminou a tumba. Os demónios desapareceram e as dores pararam. Quando percebeu que Deus o salvou, rezou: “Onde estavas? Por que não apareceste desde o começo e me libertaste das dores? ”

Deus respondeu-lhe: “Antão, eu estava ali, mas esperei para ver-te lutar. Vi como perseveraste na luta, e não caíste, estarei sempre disposto a socorrer-te e o teu nome será conhecido em toda a parte”.

Depois de escutar as palavras do Senhor, o monge levantou-se e orou. Então recebeu tanta força que sentiu que no corpo tinha mais poder do que antes.

3) Santa Gema Galgani: “As suas garras brutais”

Esta Santa italiana foi uma mística que teve experiências espirituais maravilhosas.

Numa carta dirigida a um sacerdote escreveu: “Durante dois dias, depois de receber a Santa Comunhão, Jesus disse-me: “Minha filha, brevemente o diabo começará uma guerra contra ti”.

Ela percebeu que a oração era a melhor maneira de se defender contra os ataques do demónio. Por vingança, Satanás atacava-a com fortes dores de cabeça para impedir que dormisse. Entretanto, apesar das fadigas Gema perseverou na oração: “Quantos esforços este miserável faz para que eu não reze. Ontem tentou matar-me, e quase conseguiu, mas Jesus veio e salvou-me. Estava assustada e mantive a imagem de Cristo na minha cabeça.”

Uma vez, enquanto a Santa escrevia uma carta, o diabo agarrou a caneta das suas mãos, rasgou o papel e tirou a santa da cadeira onde estava sentada, agarrando-a pelos cabelos com a violência das suas “garras ferozes”.

Ela descreve outro ataque num dos seus escritos: “O demónio apresentou-se diante de mim como um gigante e dizia: ‘Para ti já não existe esperança de salvação. Estás nas minhas mãos! ’ Eu respondi-lhe que Deus é misericordioso e, portanto, nada temo. Então bateu-me na cabeça e disse: ‘Maldita sejas! ’, e logo desapareceu.”

 “Quando voltei ao meu quarto para descansar, encontrei novamente o demónio e começou a golpear-me com uma corda com vários nós, e queria que eu gritasse que era fraca. Disse-lhe que não, e bateu-me com tanta força que caí de cabeça no chão. Naquele momento pensei: Pai eterno, em nome do preciosíssimo sangue de Jesus, livrai-me! ”

 “Não me lembro bem do que aconteceu. A besta arrastou-me da minha cama e bateu na minha cabeça com tanta força que ainda estou dorida. Perdi os sentidos e caí no chão, mas depois despertei. Graças a Deus! ”

Apesar dos ataques, Santa Gemma teve sempre fé em Jesus. Chegava a usar o humor contra Satanás. Uma vez escreveu a um sacerdote: “Tinha que ver, quando satanás fugia fazendo caretas, morreria de rir! É tão feio! Mas Jesus disse-me que eu não o deveria temer”.

4) S. João Maria Vianney: “Faz porque eu converto muitas almas para o bom Deus”

O Santo Padre de Ars nasceu na França no ano 1786. Foi um grande pregador, fazia muitas mortificações, foi um homem de oração e caridade. Tinha um dom especial para a confissão. Por isso, vinham pessoas de diferentes lugares para confessar-se com ele e escutar os seus santos conselhos. Devido ao seu frutífero trabalho pastoral foi nomeado padroeiro dos sacerdotes. Também combateu contra o maligno em várias ocasiões.

Uma vez, a sua irmã passou a noite em sua casa, localizada ao lado da igreja. Durante a noite ela escutou raspões na parede. Foi ver o seu irmão João Maria, que estava a confessar, e ele explicou: “Minha filha, não temas: é o resmungão. Ele não pode magoar-te. Ele procura-me da maneira mais atormentadora possível. Às vezes agarra os meus pés e arrasta-me pelo quarto. Ele faz isto porque eu converto muitas almas para o bom Deus”.

O demónio fazia ruídos durante horas, parecidos aos cristais, assobios e relinchos. Ficava também sob a janela do santo de Ars e gritava. O seu propósito era não deixar que o sacerdote dormisse, para ficar cansado e não ficar durante horas no confessionário, onde salvava muitas almas das garras do maligno.

Noutra ocasião, enquanto o sacerdote de Ars se preparava para celebrar a Missa, um homem disse-lhe que o seu dormitório estava a arder. Qual foi a sua resposta? “O resmungão está furioso. Quando não consegue apanhar o pássaro, queima-lhe gaiola”. Entregou a chave aos que iam ajudar a apagar o fogo. Sabia que Satanás queria impedir a Missa e não o permitiu.

Deus premiou a sua perseverança diante das provações com um poder extraordinário que lhe permitia expulsar demónios das pessoas possuídas.

5) Santa Teresa de Jesus: “Os seus chifres estavam ao redor do pescoço do sacerdote enquanto celebrava Missa”

Esta reconhecida doutora da Igreja e mística teve muitas visões espirituais. Durante as suas orações e meditações, o demónio aparecia-lhe.

 “Uma forma abominável”, escrevia, “a sua boca era horrorosa”. “Não tinha sombra, mas estava coberto pelas chamas de fogo”.

O demónio causava-lhe também fortes dores corporais. Numa ocasião atormentou-a durante cinco horas enquanto estava em oração com as suas irmãs. A Santa permaneceu firme para não as assustar.

Um dia “viu com os olhos da alma dois diabos que tinham os seus chifres ao redor do pescoço do sacerdote enquanto celebrava Missa”.

Mesmo para ela, estas visões eram estranhas. “Poucas vezes vi o demónio em forma corporal, frequentemente não vejo a sua aparência física, mas sei que está presente.

Quais eram as suas armas contra as forças do mal?

A oração, a humildade e a água benta. Santa Teresa dizia que esta última era uma arma eficaz.

Uma vez estava num oratório e o demónio apareceu ao meu lado esquerdo. Ele disse-me que agora me livrei das suas mãos, mas que ele me apanharia novamente. Ela assustou-se e benzeu-se. Entretanto, Satanás continuou perturbando-a e Teresa tomou um frasco de água benta e derramou a água sobre ele. Daí em diante nunca mais voltou.

in acidigital

 
Há anjos maus e não podemos negar a sua existência Imprimir e-mail
  Há Anjos maus e não podemos negar a existência deles  

 

A Igreja ensina que os anjos foram criados bons, porque Deus não pode criar nada intrinsecamente mau

 “Com efeito, o Diabo e outros demónios foram por Deus criados bons na sua natureza, mas tornaram-se maus pela sua própria iniciativa” (IV Concílio de Latrão, em 1215; DS 800).

São Pedro fala do pecado desses anjos: “Pois, se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento (…)”(2 Pe2, 4).

O pecado dos anjos não pode ser perdoado. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) ensina: “É o carácter irrevogável da sua opção, e não uma deficiência da infinita misericórdia divina, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado” (§ 393).

São João Damasceno (650-749), doutor da Igreja, afirma: “Não existe arrependimento para eles depois da queda, como não existe arrependimento para os homens após a morte” (Patrologia Grega, 94, 877C).

Dois erros devem ser evitados

Os últimos Papas têm chamado a atenção dos católicos para a importância de estarem conscientes da existência, natureza e acção dos demónios. É lamentável que algum teólogo ainda afirme que o demónio não existe ou não age. Na verdade, esta atitude é tudo o que o maligno quer. Dois erros devem ser evitados: negar a existência dos demónios ou pensar que todo o mal é obra deles.

O Papa Paulo VI disse na Alocução “Livrai-nos do Mal”: “Quais são hoje as maiores necessidades da Igreja? Não deixem que a minha resposta vos surpreenda como sendo simplista e, ao mesmo tempo, supersticiosa e fora da realidade. Uma das maiores necessidades da Igreja é a defesa contra o mal chamado Satanás. O diabo é uma força actuante, um ser espiritual vivo, perverso e pervertedor; uma realidade misteriosa e amedrontadora.” (L’Osservatore Romano, 24/11/1972).

Duro combate

O Catecismo lembra que devido à acção do demónio, a vida espiritual se tornou um duro combate: “Pelo pecado original o Diabo adquiriu certa dominação sobre o homem, embora este continue livre. O pecado original causa a servidão sob o poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do Diabo'” (Concílio de Trento, DS1511; Hb 2, 4) (§407). “Esta situação dramática do mundo, que ‘o mundo inteiro está sob o poder do Maligno’ (cf. 1Jo 5,19; 1 Pe 5, 8), faz da vida do homem um combate”.

Uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história universal da humanidade. Iniciada desde a origem do mundo, vai durar até o último dia, segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve lutar sempre para aderir ao bem; não consegue alcançar a unidade interior senão com grandes labutas e o auxílio da graça de Deus” (GS 37, §2) (§ 409).

Mas Deus não nos abandonou ao poder da morte e de Satanás; ao contrário, chamou o homem (cf. Gen 3,9) e anunciou-lhe de modo misterioso a vitória sobre o mal. “Então o Senhor disse à serpente: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gen 3, 15).

Por que é que o Filho de Deus se manifestou

Jesus veio para tirar a humanidade das garras do demónio; e este teme o nome do Senhor. Aquele que peca é do demónio, porque o demónio peca desde o princípio. Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demónio (1Jo 3, 8).

 “A Ressurreição de Jesus glorifica o nome do Deus Salvador, pois a partir de agora é o nome de Jesus que manifesta totalmente o poder supremo do nome acima de todo nome. Os espíritos maus temem seu nome” (At 16, 16-18; 19,13-16) / (Catecismo §434).

 O Catecismo ensina que pela Sua Paixão, Cristo livrou-nos de Satanás e do pecado. (§1708). Não há o que temer.

Cristo hoje vence o poder dos anjos maus sobre os homens, especialmente por meio dos Sacramentos, a começar do Baptismo. O Catecismo ensina: “Visto que o Batismo significa a libertação do pecado e do seu instigador, o Diabo pronuncia um (ou vários) exorcismo(s) sobre o candidato. Este é ungido com o óleo dos catecúmenos ou então o celebrante impõe-lhe a mão, e o candidato renuncia explicitamente a Satanás (§1237).

Doutrina da Igreja

O mal não é uma abstracção

Quando o Catecismo ensina sobre o conteúdo da oração do Pai-nosso com relação ao último pedido que fazemos a Deus: “(…) mas, livrai-nos do Mal”, afirma: “Neste pedido da oração do Pai-Nosso, o Mal não é uma abstracção (uma ideia, uma força, uma atitude), mas designa uma pessoa: Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O Diabo (diabolos) é aquele que “se atravessa no meio” do plano de Deus e da sua “obra de salvação” realizada em Cristo” (§2851).

 “Homicida desde o princípio, mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44), “Satanás, sedutor de toda a terra habitada” (Ap 12, 9), pois foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo e é pela derrota dele definitiva que a criação inteira será “liberta da corrupção do pecado e da morte” (Oração Eucarística, IV). “Nós sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca; o gerado por Deus preserva-se e o Maligno não o pode atingir. Nós sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno” (1 Jo 5,18-19) e (CIC §2852).

 “Ao pedir que nos livre do Maligno, pedimos igualmente que nos liberte de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador” (CIC §2854).

O livro da Sabedoria mostra toda a maldade do diabo: “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez imagem da sua própria natureza. É por inveja do demónio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demónio prová-la-ão” (Sb 2, 23-24).

Jesus referiu-se ao maligno como homicida e mentiroso: “Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8,44).

Importante ensinamento do Catecismo sobre o poder do demónio

 “Contudo, o poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de uma criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás actue no mundo por ódio contra Deus e o seu Reino em Jesus Cristo, e embora a sua acção cause graves danos de natureza espiritual e, indirectamente, até de natureza física para cada homem e para a sociedade, esta acção é permitida pela Divina Providência, que com vigor e doçura dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da actividade diabólica é um grande mistério, mas nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam. (Rom 8, 28) e (CIC § 395)

– Felipe Aquino

 
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Como o demónio em forma de crucificado apareceu a Frei Rufino

 

Frei Rufino, um dos mais nobres homens de Assis e companheiro de São Francisco, homem de grande santidade, foi fortissimamente combatido e tentado na alma, pelo demónio, sobre a predestinação, o que o fazia andar melancólico e triste.

 

O demónio tinha-lhe posto no coração que estava condenado e não era dos predestinados à vida eterna, e que era inútil o que ele fazia na Ordem.

 

A tentação durou muitos dias, e ele por vergonha não a revelou a São Francisco, sem deixar de fazer as orações e a abstinência de costume; porque o inimigo começou-lhe a mandar tristeza sobre tristeza, além da batalha interior, combatendo-o ainda exteriormente com falsas aparições.

 

Uma vez apareceu-lhe em forma de crucifixo e disse-lhe: “Ó Frei Rufino, por que te afliges com penitências e orações se não és dos predestinados à vida eterna?

 

“E crê em mim, porque sei a quem escolhi e predestinei, e não creias no filho de Pedro Bernardone, se ele te disser o contrário, nada lhe perguntes sobre isto, porque nem ele nem ninguém mais o sabe, senão eu, que sou o filho de Deus. Portanto crê-me com certeza que és do número dos condenados; e o filho de Pedro Bernardone, teu pai, e ainda o pai dele são condenados e todo aquele que o seguir está condenado e enganado”.

 

Ditas estas palavras, Frei Rufino ficou como que metido em trevas pelo príncipe das trevas e já perdia toda a fé e o amor que tinha por São Francisco, cuidando de não lhe dizer nada.

 

Mas o que ao pai santo não disse Frei Rufino, revelou-o o Espírito Santo.

 

Então, São Francisco, vendo em espírito o tal perigo do dito frade, mandou-lhe Frei Masseo; ao qual Frei Rufino respondeu: “Que tenho eu que ver com Frei Francisco?”

 

E Frei Masseo, cheio de divina sabedoria, conhecendo o engano do demónio, disse: “Ó Frei Rufino, não sabes que Frei Francisco é como um anjo de Deus, que tem iluminado tantas almas no mundo e do qual recebemos a graça de Deus? Por isso quero que a todo custo vás ter com ele; porque vejo claramente que estás enganado pelo demónio”

 

Dito isto Frei Rufino levantou-se e foi a São Francisco; e vendo-o vir de longe São Francisco começou a gritar: “Ó Frei Rufino mauzinho, em quem acreditaste?”

 

E Frei Rufino aproximando-se, contou-lhe a tentação que tinha tido do demónio dentro e fora; mostrando-lhe claramente que aquele que lhe tinha aparecido foi o demónio e não Cristo, e que de maneira nenhuma ele devia consentir nas suas sugestões.

“Mas – disse São Francisco – quando o demónio te disser ainda: “Tu estás condenado”, responde-lhe: “Abre a boca que a quero encher de esterco; e este seja o sinal de que é o demónio e não Cristo: porque, desde que lhe dês tal resposta, imediatamente fugirá. E por isso já devias ter conhecido que ele era o demónio, porque te endureceu o coração a todo bem, o que é próprio do seu oficio; mas Cristo bendito nunca endurece o coração do homem fiel, antes o enternece, conforme disse pela boca do profeta: 'Eu vos tomarei o coração de pedra e vos darei um coração de carne"'.

 

Então Frei Rufino, vendo que S. Francisco lhe dizia assim por ordem todo o modo de sua tentação, compungido pelas suas palavras começou a chorar fortissimamente e a venerar São Francisco e humildemente reconheceu a culpa de lhe ter ocultado a tentação.

 

E assim ficou todo consolado e confortado pelas admonições do pai santo e todo mudado para melhor.

 

Finalmente disse-lhe São Francisco: “Vai, filho, e confessa-te e não deixes a ocupação da oração costumada e tem como certo que esta tentação é de grande utilidade e consolação, e em breve o experimentarás”.

 

Voltou Frei Rufino à sua cela na floresta; e estando com muitas lágrimas em oração, eis que vem o inimigo em figura de Cristo, segundo a aparência exterior, e disse-lhe: “Ó Frei Rufino, não te disse que não confiasses no filho de Pedro Bernardone e que não te fatigasses com lágrimas e orações, porque estás condenado? Que te vale afligir-te enquanto estás vivo, se depois que morreres serás condenado?”

 

Subitamente Frei Rufino respondeu ao demónio: “Abre a boca, que a quero encher de esterco”.

 

O demónio, enraivecido, imediatamente partiu com tanta tempestade e comoção de pedras do monte Subásio, existente perto dali, que durante muito tempo tempo durou o desabamento das pedras que caíam; e era tão grande o choque que davam umas nas outras a rolar, que lançavam faíscas horríveis de fogo no vale.

 

E pelo rumor terrível que faziam, São Francisco e os companheiros saíram do convento para ver que novidade era aquela; e ainda se vê ali aquela ruína grandíssima de pedras.

 

Então Frei Rufino manifestamente percebeu que tinha sido o demónio que o tinha enganado.

 

E voltando a São Francisco, de novo se lançou em terra e reconheceu a sua culpa. E São Francisco confortou-o com doces palavras e mandou-o consolado à sua cela. Estando ele ali em oração devotissimamente, Cristo apareceu-lhe e toda a sua alma inflamou de divino amor e disse: “Bem fizeste, filho, de crer em Frei Francisco, porque aquele que te tinha contristado era o demónio; mas eu sou Cristo teu mestre e, para te dar a certeza, dou-te este sinal: enquanto viveres, não sentirás mais tristeza nenhuma nem melancolia”.

 

E dizendo isto Cristo partiu, deixando-o com tanta alegria e doçura de espírito e elevação de mente, que passou aquele dia e a noite absorto e arroubado em Deus.

 

Daqui em diante foi tão confirmado em graça e segurança de salvação, que se mudou inteiramente noutro homem, e teria ficado dia e noite em oração a contemplar as coisas divinas, se os outros o tivessem deixado.

 

Pelo que dizia dele São Francisco, Frei Rufino tinha sido canonizado em vida por Jesus Cristo e que na presença ou na ausência dele não duvidava de lhe chamar São Rufino, embora fosse ainda vivo na terra.

 
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SIM, O DIABO EXISTE

 

«Mas este inimigo, existe mesmo? Não será apenas uma maneira figurada de representar o mal?» Um dia perguntaram a um bispo se acreditava no demónio. O bispo foi rápi­do e objectivo: «Não, não acredito.» A jornalista pensou: «Te­nho um furo de reportagem nas mãos. Um bispo contraria o pensamento oficial da Igreja Católica e diz que não acredita no demónio.» Então ela perguntou: «O Senhor confir­ma que não acredita que o demónio existe?» E o simpático bispo respondeu com humor: «Que ele existe, existe. Mas eu não acredito nele.»

É certo que não devemos ver o demónio em toda a parte. A acção do inimigo não tira a nossa responsabilidade pessoal. Mas como diz o apóstolo Pedro: «Sede sóbrios, vigiai! O vosso adversário, o diabo, como um leão que ruge, ronda, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé» (1Pd 5, 8-9). Sabe­mos que o inimigo existe, mas não acreditamos nele. Acredita­mos no poder de Deus e na força do amor.

Há pessoas que costumam atribuir todos os problemas ao demónio. É preciso dizer que há em cada um de nós uma inclinação para o pecado, uma propensão para o mal. A Igreja chama a isto «concupiscência». É o que restou em nós do «pecado original». Recebemos este pecado por herança. O Baptismo lavou a culpa, mas permanecem as consequências. Conforme diz o CIC, «o Baptismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e reorienta o homem para Deus, mas as consequências de tal pecado para a natureza, enfraquecida e inclinada para o mal, persistem no homem e incitam-no ao combate espiritual» (n.° 405).

Sobre este «combate» o Catecismo diz de modo claro: «Esta situação dramática do mundo, que "está todo sob o po­der do Maligno" (1Jo 5, 19), transforma a vida do homem num combate: "Um duro combate contra o poder das trevas atravessa toda a história universal humana. Iniciado nas origens, há-de durar (o Senhor no-lo disse) até ao último dia. Empenhado nesta batalha, o homem deve lutar sempre para aderir ao bem; e só com grandes esforços e a ajuda da graça de Deus conseguirá realizar a sua própria unidade" (GS 37)» (Catecismo n.° 409).

Portanto, é preciso estar atento ao inimigo que nos ronda e nos procura fazer cair. Mas é necessário também vigiar o nos­so coração, que é como a muralha de uma fortaleza, mas tem a brecha da concupiscência.

Mas não tenhamos medo: em Cristo somos mais do que vencedores. Se Ele é por nós, quem será con­tra nós?

 
Revelações de Santa Romana sobre os demónios Imprimir e-mail

 

Revelações de Santa Francisca Romana sobre os demónios

Segundo Santa Francisca Romana, há três classes de demónios: demónios do inferno, demónios da terra e demónios dos ares. Resumindo um pouco a exposição de Santa Francisca Romana, ela mostra o seguinte: que Lúcifer era um Serafim que pairava no mais alto dos céus, e como Serafim que era, o pecado dele foi de uma grande responsabilidade porque os Serafins constituem o mais alto coro dos anjos. Como ele foi o maior dos revoltados, ele foi precipitado para o mais fundo dos infernos. E houve anjos que por malícia própria, por uma maldade própria, resolveram acompanhá-lo por uma iniciativa própria. Esses anjos estão no inferno com ele e ele atormenta-os continuamente porque ele é mais poderoso do que os outros e é encarregado pela justiça divina de punir eternamente os espíritos que ele mesmo induziu mas que por um entusiasmo próprio foram juntos para a catástrofe. Depois há os anjos sob a direção dele. Há três anjos principais. Asmodeu é o demónio da imoralidade e o que tenta os homens especialmente para a sensualidade, o pecado da carne. O outro é Mamon, que era um Trono. Ou seja, um anjo da categoria dos que acompanham as harmonias da História e que se enlevam vendo Deus compor a trama histórica pelos seus decretos e o encaminhar a história dos anjos e do mundo. Mamon é o demónio da avareza. Belzebú é o demónio da idolatria, dos sortilégios e dos encantamentos. Quer dizer, dos bruxedos. Lúcifer tem por característica o orgulho. Asmodeu tem por característica o vício da carne; era chefe dos Querubins. E Mamon que tem como característica a avareza, era o chefe dos Tronos; e o terceiro, que é chamado de Belzebú, é o chefe das idolatrias e das obras tenebrosas em geral. Principais anjos rebeldes: Lúcifer (o demónio do orgulho), Asmodeu (demónio da sensualidade), Mamon (demónio da avareza e do dinheiro), Belzebu (demónio da idolatria, dos sortilégios e dos encantamentos).

Vê-se, portanto, que os dois principais anjos rebeldes, Lúcifer e depois Asmodeu, são os anjos do orgulho e da sensualidade. O que corresponde à nossa concepção de que o orgulho e a sensualidade são os vícios que impulsionam e que dão rumo à Revolução gnóstica e igualitária, surgida no final da Idade Média.

Estes anjos estão no inferno e Deus só raramente permite que alguns deles saiam para catástrofe da humanidade. Mas a impressão é de que, na época atual, a “chave do poço do abismo” caiu, o inferno abriu-se e estes anjos péssimos estão espalhados por aí. E que a presença de Lúcifer é mais assídua, mais contínua, mais forte do que em qualquer época da História, depois da crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Revelações de Santa Francisca Romana sobre os demónios

Segunda categoria de anjos rebeldes: os demónios, “terceira força”.

Agora há outros anjos. Estes anjos quiseram representar entre Deus e o demónio um papel de terceira força. Quer dizer, eles, propriamente, não se revoltaram contra Deus.

Eles não se solidarizaram com Deus, mas também não se solidarizaram diretamente com Lúcifer. Ficaram numa posição como que neutra, naturalmente com simpatia por Satanás. O resultado é que eles também foram condenados…

Esta condenação deles à justiça divina tornou de algum modo menos terrível porque, em vez deles estarem a sofrer o fogo do inferno, estão na terra e nos ares,  condenados a penas terríveis.

Mas quando chegar o Juízo Final eles vão ser precipitados no inferno, e vão sofrer lá por toda a eternidade.

Mas este curto lapso de tempo – porque em face da eternidade isto é um curto lapso de tempo – que vai desde o pecado deles até ao dia do Juízo Final – é menos do que um minuto em comparação com a eternidade, na qual eles vão ser atormentados no inferno.

Na terra: contínua batalha entre os anjos da guarda e os anjos perdidos

Estes anjos condenados, “terceira força”, dividem-se em duas categorias. Uns são os anjos que estão espalhados pelos ares e que produzem as intempéries, que assustam as pessoas. Outros são os anjos que estão na terra e que são do mesmo coro dos nossos anjos da guarda.

Então há, na terra, uma batalha entre os anjos da guarda e os anjos perdidos. Há uma batalha de anjos na qual naturalmente o predomínio é dos anjos da guarda sobre as almas que se entregam a eles.

Sendo assim, nós temos aqui uma lição muito importante para compreender como o homem é pequeno. Como, dentro desta natureza que materialmente falando é maior do que nós, nós, afinal de contas, somos umas “formigas” dentro da natureza material.

Agindo nesta natureza, existem, então, espíritos angélicos de uma força e de um poder incomparavelmente maior do que nós, homens. Houve uma santa que teve a visão do seu anjo da guarda, que é da menos alta das hierarquias angélicas.

Ela ajoelhou-se pensando que fosse Deus, tal é o esplendor do anjo da guarda. Pode-se fazer a ideia qual é o esplendor, por exemplo, de um arcanjo?

E daí podemos imaginar como somos pequenos em face desta batalha de anjos que continua a realizar-se por toda parte: anjos que descem do céu; anjos que saem do inferno; anjos que impregnam os ares; anjos que se misturam no meio dos homens…

Vigiar e orar, pedindo a proteção dos Anjos da Guarda, é o grande meio de defesa contra os anjos rebeldes

Qual é o grande meio de defesa que nós temos contra isto? Aqui aplicam-se as palavras de Nosso Senhor: “é preciso vigiar e orar para não cairmos em tentação”. É preciso, antes de tudo, nós vigiarmos. O conselho de Nosso Senhor foi este.

A vigilância consiste em crermos nos poderes angélicos, crermos no demónio e na ação normal e contínua do demónio.

Quer dizer, a cada momento há uma batalha entre anjos e demónios. Há pessoas que se dão mais a Nosso Senhor e há pessoas que se dão menos a Nosso Senhor.

Isto faz parte do dinamismo da ordem das coisas posta depois da Criação e nós devemos ter isto sempre em vista de um princípio aceito pela maioria dos bons teólogos, de que, sempre que uma pessoa tem uma tentação por uma causa natural, o demónio junta-se a esta causa natural para agravar a tentação.

Por exemplo, uma pessoa que esteja tentada porque está irritada com outra por lhe causar algum incómodo físico. Esta pequena tentação de irritação terá, logo a colaboração do demónio para agravar a tentação. Quer dizer, o demónio está sempre atuando.

Os anjos da guarda estão sempre a proteger-nos. Nós devemos discernir a ação do demónio, e pedir a ação do anjo da guarda. Devemos rezar, porque, se não rezarmos e não vigiarmos, teremos medo de… pequenas formigas.

 
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1. Os demónios. Nas civilizações primitivas acreditava-se que a vida humana era influenciada, para o bem e para o mal, pelos espíritos dos mortos e por outros seres imaginários que, na versão grega da Bíblia, têm em geral o nome de demónios.
Estes, depois, foram aparecendo como os causadores de males aos homens.
No Antigo e no Novo Testamento são chamados também “espíritos maus” ou “impuros”, aos quais são atribuídas doenças, sobretudo do foro neurológico. O forte monoteísmo do povo de Israel atenuou a influência das demonologias das civilizações com que esse povo contactou (as do Médio Oriente e do Egipto). Atribuía-se então a Javé tudo o que de bom e de mau acontecia aos homens.
Depois do aprofundamento religioso promovido pelos profetas do exílio e do pós-exílio, a ideia da santidade e misericórdia de Deus favoreceu o regresso à crença de que os males humanos se devem à acção dos espíritos demoníacos, sendo provável que para isso tenha contribuído a demonologia persa com a qual os judeus estiveram em contacto nos 40 anos do exílio.
No NT, o termo *demónio é usado (63 vezes) no mesmo sentido do AT e do judaísmo do tempo. Os demónios seduzem o homem, apoderam-se dele (possessão), causam-lhe males. Jesus Cristo veio dar-lhes combate, libertando os homens do seu poder. Por vezes os demónios expulsos são muitos. Jesus Cristo chega a ser maldosamente acusado de expulsar os demónios em nome de *Belzebu, o chefe deles (Mt 12,22 e ss). O poder de Jesus Cristo sobre os demónios começa a aparecer como símbolo da salvação. Os Apóstolos recebem poder de continuar esta luta vitoriosa.

2. Satanás e Diabo. São termos que se alternam na Bíblia para designar uma entidade espiritual relacionada com os *demónios, mas distinta deles. Satã ou Satanás (do hebraico através do grego = adversário, acusador, tentador) e Diabo (do grego = caluniador) aparecem no AT quase sempre como nomes comuns ou colmo figuras pouco definidas. Mas no NT os dois termos (Satanás, 36 vezes, e Diabo, 34 vezes) identificam, em geral, um poderoso inimigo de Jesus Cristo, arrastando na sua luta contra Ele os demónios, de que é chefe. Aparece ainda com o nome de *Maligno e os epítetos de “príncipe do mundo” (Jo 12,31), acusador, dragão e serpente (Ap 12).
Nos evangelhos sinópticos, começa, no deserto, por tentar afastar Jesus da sua missão, num paralelismo claro com a tentação em que caíram os nossos primeiros pais no Éden. É também significativo que Jesus Cristo tenha chamado “satanás” a Pedro que o queria demover da sua missão; e que o Evangelho diga que Satanás entrou em Judas quando decidiu trair o Mestre. Na parábola do semeador, o Diabo tira a palavra semeada, para que não produza fruto.
No entanto, só nos escritos do NT, mais tardios, Satanás aparece a opor-se frontalmente a Jesus Cristo, tentando destruir a própria humanidade. É a serpente do paraíso (Ap), um “antideus”, o “deus deste mundo”, o “Anticristo”. Mas, a sua força foi quebrada pelo sacrifício de Jesus Cristo, e a sua completa submissão dar-se-á no fim dos tempos, quando for lançado no lago de fogo (*Inferno). Porém, até lá, continua a tentar os homens, às vezes disfarçado de “anjo de luz” e outras colmo “leão rugidor”. Por isso, Jesus Cristo e depois os Apóstolos insistem na vigilância e nas estratégias espirituais de defesa, entre as quais a oração, como a do Pai-Nosso que termina precisamente com o pedido de que Deus nos livre do *Maligno.

3. Doutrina da Igreja. Na origem da tentação e queda dos nossos primeiros pais, ouve-se a voz sedutora, oposta a Deus, que a Bíblia e a Tradição atribuem a Satanás ou Diabo (cf. Cat. 391ss).
Ele foi criado bom e livre por Deus, mas, no instante da criação, ele e outros anjos, recusaram irremediavelmente submeter-se ao Criador e foram expulsos do Céu.
O Diabo é pecador desde o princípio e pai da mentira. Na sua revolta, tenta os homens e procurou mesmo desviar Jesus Cristo da sua missão redentora (tentações no deserto).
Misteriosamente, depois do pecado original e do regresso de Jesus Cristo ao Pai, o Diabo mantém algum poder de sedução para o mal, a que no entanto podemos sempre, com a graça, resistir meritoriamente, para glória de Deus.
Jesus Cristo deixou à Igreja poderes para combater a influência do Demónio, e ela exerce-os nomeadamente através dos *exorcismos maiores (nos casos de *possessão diabólica) e os menores (incluídos nos ritos catecumenal e baptismal), e ainda em diversos sacramentais. Cf. Ritual Romano, Celebração dos Exorcismos.

4. A linguagem popular dá ao demónio diversos nomes ou inclui-o em expressões mais ou menos jocosas, depreciativas e até ofensivas: dianho, diacho, diabrete, diabinho, diabrura, levado dos diabos, mandar para o diabo, não lembra ao diabo, não vá o diabo tecê-las, o diabo seja cego, surdo e mudo, etc.



 
O teólogo do Papa Imprimir e-mail
O teólogo do Papa, afirma: «Devemos levar o demónio muito a sério»

- Pela sua acção contra o homem, «devemos tomar o demónio muito a sério», mas sem esquecer a confiança no amor de Deus – um amor «mais forte que tudo» –, cuja misericórdia «vence todo o obstáculo», explica o cardeal Georges Cottier, teólogo do Papa.


- Neste grande mistério do mal, quanto conta a acção do diabo e que parte tem a responsabilidade do homem?
- Cardeal: O diabo é o grande sedutor porque tenta levar o homem ao pecado apresentando o mal como o bem. Mas a nossa falta de responsabilidade conduz à queda porque a consciência tem capacidade de distinguir o que é bom e o que é mal.
- Por que é que o diabo quer induzir o homem ao pecado?
- Por inveja e ciúmes. O diabo quer arrastar consigo o homem porque ele mesmo é um anjo decaído. A queda do primeiro homem esteve precedida pela queda dos anjos.
- É uma heresia afirmar que também o diabo faz parte do projecto de Deus?
Satanás foi criado por Deus como anjo bom porque Deus não cria o mal. Tudo o que sai da mão criadora de Deus é bom. Se o demónio se converteu em mal é por sua culpa. É ele que fazendo mau uso da sua liberdade se fez mal.
- Por que é que o diabo, que é espírito inteligentíssimo, usa desta maneira a liberdade que é em qualquer caso sempre um dom de Deus?
Aqui estamos perante o mistério. O mistério do mal é antes de tudo o mistério do pecado. Somos golpeados justamente pelos males físicos, mas há um mal muito mais radical e mais triste que é o mal do pecado. O diabo estabeleceu-se na sua rejeição. Também o pecado do anjo é sempre mais grave que o do homem. O homem tem tantas debilidades em si que de alguma maneira a sua responsabilidade pode ficar velada; o anjo, sendo espírito puríssimo, não tem desculpas quando elege o mal. O pecado do anjo é uma eleição tremenda.
- Parece impossível que um anjo criado na luz de Deus tenha podido eleger o mal...
Quando falamos de um anjo decaído por causa do pecado, enfrentamos um tema muito grave e, portanto, devemos tratá-lo com grande seriedade. Na tentação do homem temos quase um reflexo do que foi o próprio pecado do anjo. Eis aqui a sedução suprema: pôr-se no lugar de Deus. Inclusive Satanás não reconheceu a sua condição de criatura.
- Por que é que o demónio é chamado príncipe deste mundo?
É uma expressão do Evangelho de João. Significa que o mundo, quando se esquece de Deus, é dominado pelo pecado. A acção do demónio está guiada pelo ódio para com Deus e pode fazer graves danos quando seguimos as suas tentações. O mal principal do demónio é o mal espiritual, o do pecado. Esta acção toca tanto o indivíduo como a sociedade.
- Deus não teria podido impedir tudo isto?
Sim, mas permitiu que tanto o demónio, como o homem, tivessem a liberdade de actuar e, às vezes, de pecar. É um mistério tremendo. São Paulo diz: «Tudo é para o bem dos que amam a Deus». Quando, portanto, estamos com Deus, inclusive o mal contribui para o nosso bem.
- Difícil de aceitar...
Pensemos nos mártires. No extraordinário bem espiritual que, à luz da fé, deriva-se de uma tragédia como um martírio. Santo Agostinho, comentando S. Paulo, diz: «Deus não teria permitido o mal se não quisesse fazer deste mal um bem maior». Há bens que a humanidade não teria conhecido se não tivesse estado na presença do pecado e do mal. É difícil afirmar isto, mas é a verdade.
- Como é que o diabo actua na realidade de todos os dias?
Podemos compreender isto por algumas expressões do Evangelho de João, onde diz que o demónio é homicida desde o princípio. Ou seja, é destruidor e faz morrer, tanto em sentido próprio como espiritualmente. Por isso é chamado o grande tentador.
- Referimo-nos ao diabo quando no «Pai Nosso» dizemos «não nos deixes cair em tentação»?
Sim, pedimos a Deus resistir à tentação. É errado pensar que toda a tentação venha do demónio, mas as mais fortes e mais subtis, as mais espirituais, têm certamente a sua contribuição. E são tanto tentações individuais como colectivas. O demónio actua sobre a história humana. A sua influência é negativa. A morte, o pecado, a mentira são sinais da sua presença no mundo.
- Diz-se que nem todas as tentações vêm do demónio. De que outra coisa nos devemos guardar então?
A tradição cristã diz que as fontes de tentações são três. A mais terrível é a do demónio. Depois está o mundo, a sociedade. E finalmente está a «carne», isto é, nós mesmos. São João da Cruz diz que destas três tentações a mais perigosa é a última, ou seja, nós mesmos. Para cada um de nós o inimigo mais pérfido é cada um de si mesmo. Antes de atribuir as tentações ao demónio e ao mundo, pensemos em nós mesmos. Aqui encontramos também a importância da humildade e do discernimento. O Espírito Santo dá-nos o dom do discernimento e preserva-nos da soberba de confiar demasiado em nós mesmos.
- Qual é a atitude mais correcta que o cristão deve ter frente ao mistério do maligno?
Não se esquecer que a paixão e a morte de Jesus triunfaram para sempre sobre o demónio. Isto é uma certeza, diz São Paulo. A fé é a vitória sobre o pai do pecado e da mentira. Isto quer dizer que o demónio, sendo uma criatura, não tem um poder infinito. Apesar de todos os seus esforços o demónio nunca poderá impedir a edificação do Reino de Deus, que cresce, apesar de todas as perseguições. O cristão, graças à fidelidade na fé, vence o mal.
- Em conclusão...
Devemos levar o demónio muito a sério, mas não devemos pensar que seja omnipotente. Há gente que tem um medo irracional do demónio. A confiança cristã, que se alimenta de oração, humildade e penitência, deve ser, sobretudo, confiança no amor do Pai. E este amor é mais forte do que tudo. Devemos saber que a misericórdia de Deus é tão grande que pode vencer todo o obstáculo.
 
 
 

 
Fala um exorcista Imprimir e-mail
Fala um exorcista: A estratégia de Satanás é confundir

Satanás existe e a sua estratégia é a confusão, constata nesta entrevista o padre Pedro Mendoza Pantoja, exorcista da arquidiocese do México.


- O que é um exorcista?

- É um bispo ou um sacerdote designado por este, que, por mandato de Jesus e em nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, faz uma oração na qual, de forma imperativa, em caso de possessão diabólica, ordena a Satanás sair e deixar em total liberdade o possesso, ou, de forma depreciativa, quer dizer, de intercessão ou súplica, pede-se que, pelo sangue precioso de Cristo e a intercessão da Virgem Maria, seja libertada uma pessoa, lugar, casa ou coisa de toda a influência demoníaca: infestação, obsessão ou opressão.
- Qualquer pessoa pode ser exorcista?
- Não. De acordo com o Evangelho, Cristo enriqueceu os seus apóstolos com dons carismáticos quando os enviou a evangelizar. Em Mateus 10, 1 diz: «E chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos para os expulsar e para sanar toda a enfermidade e toda a doença». Pode-se ler também em Marcos 16, 17-18. Pelo mesmo, corresponde aos bispos, sucessores dos apóstolos, exercer este ministério e expulsar os demónios; mas eles, de acordo com o cânon 1172 do Código de Direito Canónico, podem designar para exercer este ministério, de uma maneira estável ou para um caso especial, «um presbítero piedoso, douto, prudente e com integridade de vida». Isto falando de possessões diabólicas e, pelo mesmo, de exorcismo propriamente dito, chamado também exorcismo solene.
Mas todo o presbítero pela sua ordenação participa do sacerdócio ministerial de Cristo e tem com Ele a missão de libertar os fiéis de toda a obsessão, opressão ou influência demoníaca, com orações depreciativas de intercessão e súplica, com a evangelização e administração dos sacramentos, principalmente da Penitência e Eucaristia. Pelo mesmo, todo o sacerdote é exorcista quanto à Pastoral de Libertação dentro da sua missão de evangelizar, isto é, por mandato de Cristo; não precisa de ser designado para realizar o chamado exorcismo menor. Os leigos não podem ser exorcistas.
- Há também os «Auxiliares de Libertação». Quem são e o que fazem estas pessoas?
Auxiliares de Libertação são: os sacerdotes que não têm o carácter de exorcista oficial, médicos, psiquiatras, religiosos e leigos que ajudam o sacerdote exorcista no discernimento ou auxiliando-o no exercício do seu ministério, bem com a sua oração de intercessão ou em diversas eventualidades. Os sacerdotes auxiliam com oração de libertação e os leigos com oração de intercessão. O sacerdote não-exorcista oficial pode fazer o exorcismo menor, chamado também oração de libertação, auxiliado por sua vez por todos os leigos que o acompanham no discernimento e com orações de intercessão. Os leigos não podem fazer orações de libertação.
- Nos últimos 40 anos a figura do exorcista estava a desaparecer. É verdade? Efectivamente é. As causas são várias, mas diríamos que estão englobadas no grande desafio que a segunda metade do século passado apresenta à Igreja na sua tarefa de evangelização.
Na primeira metade, Satanás atacava a humanidade no campo das ideias e do pensamento: racionalismo, materialismo, gnosticismo, maçonaria, rosacrucismo, sectarismo, socialismo, marxismo-leninismo, etc., que afastam o homem de Deus. Por uma parte a negação de um Deus pessoal e a negação também da existência de Satanás como um ser pessoal, mudando o Deus Verdadeiro por um deus impessoal que se identifica com este mundo material e reduzindo Satanás a um mero símbolo. Várias nações se viram imersas em duas grandes guerras. E outras tantas sofreram revoluções e perseguições religiosas, derramando-se o sangue de muitos cristãos que sofreram o martírio como testemunho da sua fé. Contudo, a Igreja Católica mantinha-se como baluarte de evangelização. A família era a primeira escola da fé, fé que estava inculturada nas suas tradições e manifestava-se no actuar das associações católicas e nas celebrações litúrgicas, conseguindo-se assim enraizar o povo na sua fé.
Não faltaram lendas de bruxos, feiticeiros e tudo o que há agora, mas não eram relevantes nem se lhes dava importância; não havia necessidade de exorcismos, estes só se efectuavam no rito do baptismo.
Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, em 1945, começa uma revolução industrial: os grandes consórcios mundiais, que até então tinham o grande negócio da fabricação de implementos de guerra, mudam à fabricação de implementos domésticos. Evoluindo aceleradamente a ciência e a técnica, inventando aparatos e objectos que fazem mais fácil a vida: refrigeradores, estufas, rádios, televisão, etc. Isto leva a sociedade a um afã consumista: “Diz-me quanto tens e como vives e te direi quanto vales”. Os pais, que antes eram capazes de satisfazer as necessidades básicas de famílias inclusive numerosas, já não o são ante a criação de novas necessidades. Têm que trabalhar até 3 turnos e também a mulher tem de trabalhar fora do lar. A família desintegra-se e deixa de ser a primeira escola da fé. Em 1960 a Igreja encontra-se em crise, já não cumpre eficazmente a sua missão evangelizadora.
Vem a manifestação do Espírito Santo com a convocação, pelo Papa João XXIII, do Concílio Vaticano II, que começa em 1962 e termina em 1965 para pôr a Igreja em dia e em consonância com os tempos na sua tarefa evangelizadora. As conclusões do Concílio vão se concretizando nas conferências episcopais, nos sínodos diocesanos, conselhos vicariais, paroquiais, na nova e permanente missão evangelizadora.
Para os anos sessenta já a influência demoníaca fez estragos no povo de Deus: choque de gerações, rebeldia juvenil, uso de drogas, o movimento hippie e a volta às antigas e constantes ideias pregadas nos anos sessenta por Louis Pawels e Jacques Bergier com o seu livro «O Retorno dos Bruxos». Nele se relatava a história da evolução do homem: uma fantástica viagem pela ciência, a alquimia, as sociedades secretas e o conhecimento. Eram já tratados magistralmente os grandes temas que hoje preocupam a «New Age», ou Nova Era, que tomou forma em 1980 com o livro da investigadora Marilyn Ferguson «A conspiração de Aquário», que desenha uma «maneira nova» de pensar velhos problemas, o que se conhece como «novo paradigma».
Pelos anos setenta surge a chamada teologia da morte de Deus e, consequentemente, surge também com o protestante R. Bultmann a teologia da morte de Satanás.
Tal corrente infectou também os nossos teólogos, que ultimamente não falavam já do diabo nem dos anjos. Nos seminários não se dá uma preparação sobre o exorcismo. Mas como contrapartida o homem sentiu a nostalgia de Deus. E dá-se a procura do sobrenatural e mágico como solução à problemática na qual se viu envolvido pelo seu afastamento de Deus e vem a cair nas garras da New Age, que, com as suas enganosas espiritualidades e fictícias soluções mágicas e esotéricas, abriu as portas ao demónio, que se nega a ser ignorado, fazendo estragos nas pessoas que caíram nas práticas esotéricas e mágicas da New Age. A Igreja teve, pelo mesmo, que reavivar algo que já se havia esquecido como coisa do passado, ainda que oficialmente nunca se negou: os exorcistas do Evangelho como algo urgente em nossos tempos, na Missão Permanente da Nova Evangelização: anunciar aos afastados a Páscoa de Cristo, que veio para libertar-nos das armadilhas de Satanás.
- Nalguns países o avanço das seitas satânicas não pôde ser enfrentado pela Igreja de maneira adequada pela falta de exorcistas. É verdade?
- A resposta a esta pergunta está relacionada com a anterior. Com efeito, aos nossos fiéis e aos próprios sacerdotes envolveu-nos um mar de confusões ao que a New Age nos leva com a sua mescla de ideias, de enganos e mentiras, manipulando espiritualidades orientais mescladas de panteísmo, assim como as medicinas tradicionais, que em si mesmas são um dom de Deus e nada tem de diabólico, mas de cuja eficácia se servem os promotores da New Age para se dar crédito e fazer crer que tudo o que dizem é verdade. Assim também a bispos e sacerdotes apanhou-nos de surpresa, sem saber o que fazer nem como actuar ante este mar de confusões. E a alguns encheu de medo a fenomenologia que apresentam os afectados pelo demónio. Ou bem, levou-os a escudar-se num cepticismo, crasso ante estas realidades, atribuindo-as a problemas psicológicos ou a enfermidades difíceis de curar e, pelo mesmo, levou-os a não atendê-los.
- Muitos negam que possa haver pessoas possuídas pelo demónio. Dizem que se trata de problemas psicológicos ou psiquiátricos. Como é que um exorcista distingue os casos de possessão dos casos de perturbações de outro género?
- O Código de Direito Canónico e o próprio Novo Ritual de Exorcismos, assim como o Catecismo da Igreja Universal, estabelecem que antes de fazer o exorcismo maior deve fazer-se um discernimento: se se trata de uma verdadeira possessão ou de uma simples obsessão ou opressão diabólica, servindo-se inclusive de assessoramento prévio de médicos e psiquiatras, a fim de que dêem o seu diagnóstico, sendo sempre o sacerdote que deve decidir; pois, por outra parte, o ritual de exorcismo indica-nos quais são estes sinais que nos podem indicar ou fazer suspeitar de uma verdadeira possessão diabólica: falar ou entender, com se fossem próprias, línguas desconhecidas; revelar coisas ocultas ou distantes; manifestar forças superiores a sua idade ou condição física, separar-se veementemente de Deus, aversão ao Santíssimo nome de Jesus, da Virgem Maria e dos santos, a imagens, lugares e objectos sagrados.
- A estratégia do demónio é a de fazer crer que não existe. É verdade isto?
- Na realidade, segundo a minha apreciação, Satanás utiliza várias estratégias para nos afastar de Deus. O que lhe interessa mais é confundir-nos, seja para que creiamos que não existe e que, se ele não existe, tampouco existem o inferno nem o céu e assim não temamos estar distante de Deus. Por outro lado, ao contrário, manifesta-se com opressões e obsessões para atormentar terrivelmente os que lhe abriram as portas, a fim de que lhe tenham medo e não tratem de lhe fechar as portas e libertar-se dele. A alguns favorece para que creiam no seu poder e confiem nele. Assim podemos explicar o culto satânico para obter poder a seu favor e protecção. Satanás é o pai da mentira e do engano.
- Todo ministério na Igreja é uma graça de Deus e um serviço aos irmãos.
O senhor percebe como uma graça para a sua vida o ministério de exorcista?

Toda a minha vida é uma graça de Deus: o meu baptismo, o dom que me converte em filho de Deus, membro da Igreja e co-herdeiro com Cristo da sua glória; o ministério sacerdotal, o dom que me permite participar da sua páscoa e da sua obra de salvação e serviço aos meus irmãos. O ministério de exorcista é também um dom da sua graça e misericórdia, que na minha pequenez e limitações me permite experimentar, como instrumento seu, o seu poder libertador e salvífico no serviço aos meus irmãos, o qual me alenta e me impulsiona a aderir mais a Ele para ter parte na sua vitória e, com ela, da sua glória.
- Há algum caso que possa contar-nos no qual o seu ministério de exorcista lhe tenha permitido experimentar em plenitude a sua vocação como homem e sacerdote?
- São muitos os casos em que, praticando a oração de libertação (desde há vinte e quatro anos, ainda sem ser exorcista), constatei o poder de que Deus nos faz partícipes aos sacerdotes no serviço aos nossos irmãos que sofrem. A terapia de fé com a oração de cura, de libertação e de perdão, com a qual se consegue muitas vezes o que resulta impossível, fora do seu alcance, à ciência médica e psicológica.
Agora, como exorcista desde há seis anos, atendi vários casos de opressões e obsessões diabólicas em pessoas atormentadas e já desesperadas depois de terem passado por toda a classe de especialistas, curandeiros e bruxos que pioraram a sua situação, ao ponto de os fazer pensar numa possessão diabólica e pedir ansiosamente um exorcismo. Nalguns casos apresentaram-se sinais que me levaram a suspeitar de uma presença ou possessão diabólica e, ainda sem estar seguro, a fazer o chamado exorcismo de diagnóstico, ou seja, oração imperativa, conseguir com isso fazê-los entrar numa paz e tranquilidade ainda sem chegar a fazer plenamente o exorcismo solene, bastando continuar com a oração de libertação. Foi uma grande satisfação conseguir a libertação dos meus irmãos através do serviço do meu humilde ministério, pelo poder da oração de intercessão e ver o aumento da sua fé, graças a uma evangelização e catequese que os leva a converter-se, a renovar a sua fé e aderir mais plenamente ao Senhor e vê-los continuar a sua vida cheios de amor e confiança em Deus.
- Que deve fazer uma pessoa que crê ser vítima da possessão diabólica ou que conhece alguém que poderia encontrar-se nesta situação?
- Recorrer ao seu pároco e fazer uma boa confissão para que, de primeira instância, este sacerdote a atenda. Se o seu pároco descobre que há uma influência demoníaca, mas não sinais de possessão diabólica, que lhe faça oração acompanhado da sua equipa de libertação e a insira nalgum grupo de evangelização ou de crescimento na fé ou nalgum ministério da paróquia. Se o pároco percebe sinais que o façam suspeitar de uma possessão diabólica ou não se sente capaz para enfrentar o problema, então que o encaminhe para o exorcista da sua diocese ou ao exorcista mais próximo. Nunca deve recorrer a bruxos ou curas mágicas.



 
Jesus e a derrota de Satanás pela cruz Imprimir e-mail

Quando lemos os evangelhos somos chamados a perceber o confronto de Jesus e o Maligno. É o que vemos claramente a partir do início da sua vida pública, quando foi levado pelo Espírito Santo para o deserto, e foi tentado pelo diabo: "Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo diabo, durante quarenta dias" (Lc 4,1-2).
Porém, este facto é o início de um grande combate, que será travado entre Jesus e as forças do mal. É isto que está revelado no final do evangelho das tentações: "Depois de O ter assim tentado de todos os modos, o diabo afastou-se d’Ele até outra ocasião" (Lc 4,13). Esta luta desenvolve-se durante os três anos do ministério de Jesus, onde vemos Jesus a curar e a libertar os possessos:
- O diabo na sinagoga (Mc 1, 21-28; Lc 4, 31-37);
- O mudo que volta a falar (Mt 9, 32-34);
- A libertação da mulher com sete demónios (Lc 8, 1-3);
- A cura da mulher encurvada (Lc 13,10-17);
- Libertação à distância (Mt 15, 21-28; Mc 7, 24-30) etc.
Com estes e tantos outros exemplos apresentados no Novo Testamento, aprendemos:

a) O grande objectivo da missão de Jesus foi dar ao homem a vitória sobre Satanás. Hb 2,14: "...a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demónio". Esta vitória foi alcançada na cruz. CI 2,15: "Espoliou os Principados e Potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz".

b) Jesus deu poder aos seus seguidores para vencerem o inimigo, o que significa que o reino de Satanás acabou. Lc 10,19: "Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o inimigo".

c) Jesus expulsava os demónios sem fazer escândalo ou alarde. Mt 8,16: "Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demónios. Com uma palavra expulsou os espíritos e curou todos os enfermos".

d) O verdadeiro seguidor de Jesus recebe de Deus a certeza de que nunca será tentado além das suas forças. 1Cor 10,13: "Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios para a suportar e sairdes dela".

e) Lendo o Novo Testamento, principalmente o Evangelho de São Marcos, vemos Jesus ser apresentado como aquele que expulsava demónios. Assim, afirmar que o demónio não existe ou é uma mera forma para explicar a existência do mal é faltar à verdade contida nas Escrituras Sagradas.

O diabo, segundo o que ensina a Igreja:

Para entender o ensino da Igreja sobre a questão do diabo, temos de ouvir as palavras seguras do papa Paulo VI:
"... O Mal não é somente uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e pervertedor.
Terrível realidade. Misteriosa e pavorosa. Sai dos ensinamentos bíblicos e eclesiásticos quem se recusa a reconhecer a sua existência... É homicida desde o princípio... e pai da mentira, como é definido por Cristo (Jo 8, 44-45)" ("L 'Osservatore Romano", 16-11-72)

 

 
Exorcista oficial do Vaticano fala sobre a acção do demónio Imprimir e-mail

A existência do demónio e a sua acção sobre o mundo é algo que está na doutrina da Igreja.

Imagem vazia padrãoO Padre Gabriele Amorth – exorcista oficial do Vaticano – fala sobre a acção do demónio e explica o que são os exorcismos.

"Devemos distinguir a acção ordinária da acção extraordinária do demónio. A acção ordinária é a de nos tentar. Por conseguinte, todo o campo das tentações pertence à acção ordinária diabólica à qual todos somos sujeitos e o seremos até à morte. A tal ponto somos sujeitos a estas tentações, que Jesus Cristo, fazendo-se Homem, aceitou ser tentado por Satanás, não apenas nas três tentações do deserto, mas durante toda a sua vida, como também ocorreu com Maria Santíssima. Isto porque a tentação faz parte da condição humana. Esta é a acção ordinária do demónio, como dizia o Catecismo de São Pio X, “por ódio a Deus, [o demónio] tenta o homem ao mal”. Ou seja, por ódio a Deus, o demónio gostaria de nos arrastar todos para o inferno.
A acção extraordinária, por sua vez, é uma acção rara. É aquela na qual o demónio causa distúrbios particulares. Portanto, não se trata de simples tentação. Distúrbios particulares que podem chegar à possessão diabólica.
Uma pessoa pode levar vida normal com sofrimentos, de maneira que aqueles com os quais convive nem se dêem conta de que está possessa. Apenas quando sobrevém os momentos de crise, então ela comporta-se de maneira inteiramente anormal, não podendo cumprir os seus deveres de trabalho, de família, sem grande dificuldade. Nalguns casos, a pessoa pode ser assaltada pelo demónio, digamos, 24 horas ao dia. Em tal caso, a pessoa não pode fazer nada. Mas são casos raríssimos.

A libertação de uma pessoa da acção do demónio constitui sempre uma intervenção extraordinária de Deus.
Um exemplo disso foi um caso muito difícil de possessão diabólica que eu atendi, onde tinha razões suficientes que levavam a prever muitos anos de exorcismos para se libertar aquela alma das garras do demónio. Acontece que tal pessoa foi ao Santuário de Lourdes, tomou banho na piscina, acompanhou a procissão do Santíssimo Sacramento, rezou muito. Resultado: um milagre! Voltou para casa completamente livre da possessão
O exorcismo é constituído por várias orações oficiais feitas em nome da Igreja, e Deus ouve estas orações. Com efeito, existem muitas razões para isso!
O exorcismo depende muito das causas que determinaram a possessão diabólica, uma vez que estas exercem muita influência sobre o possesso. Dou-lhe um exemplo simples. Se uma pessoa se consagrou a Satanás e fez o pacto de sangue com ele, é fácil entender que ela praticou um acto voluntário de doação de si mesma ao Maligno. Então, libertar tal pessoa torna-se muito mais difícil, é necessário muito mais tempo do que o empregado para libertar um inocente, que foi vítima de um malefício causado por outra pessoa.

Pode-se libertar da possessão com o exorcismo, que é uma oração oficial da Igreja, mas reservada aos exorcistas
Outra forma, aberta a todos, são as orações de libertação. As orações mais eficazes são as de louvor, glória a Deus. Assim nós também muitas vezes, nos próprios exorcismos, recitamos o Credo, o Glória, o Magnificat, Salmos, trechos da Bíblia, o Evangelho em que Jesus liberta os endemoninhados. Elas têm grande eficácia.
A falta de fé é a principal causa do aumento do poder satânico no mundo actual. Examinando toda a história do Antigo Testamento, a história de Israel, quando esta abandona Deus, entrega-se à idolatria. É matemático, quando se abandona a Fé, entregamo-nos à superstição. Isto aplica-se, em nossos dias, a todos nós do mundo ocidental.
A página mais lida dos jornais é o horóscopo... e os quotidianos não são comprados pelos analfabetos. São os industriais, os políticos, que não tomam decisões sem antes ouvir um bruxo. Ou seja, sempre que diminui a Fé, aumenta a superstição.



 
Como se defender do demónio Imprimir e-mail

Como se defender do demónio

Doutrina e Teologia

Constatada a presença de males maléficos, é sempre uma boa atitude reforçar os próprios gestos e orações, invocando para nós ou para a pessoa atingida uma intercessão.

São três, entre todos os indicados possíveis, os que poderiam ser definidos como intercessores necessários: o Espírito Santo, o nome de Jesus e Maria Santíssima.

A propósito da Virgem Maria, convém ter presente um aspecto que não é secundário. Se tudo foi criado em vista de Cristo, pois já nos planos de Deus estava a encarnação do Verbo, o segundo ser pensado por Deus após o primeiro, que é a encarnação do Verbo, não podia ser outro senão aquele em que o Verbo de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, se encarnaria. A partir do momento em que, após o pecado de Adão, a encarnação de Cristo assumiu esta fisionomia particular, pela qual Jesus veio como Salvador e Redentor, também Maria, Sua mãe, foi associada a este desempenho, sendo isenta da culpa original em vista dos méritos de Cristo. Dado que também Maria é uma criatura humana, que faz parte da estirpe de Adão, estaria sujeita à culpa original, se tão tivesse sido isenta preventivamente, em vista da redenção de Cristo. Além disso, Maria não é somente mãe do Redentor, mas também colaborador em Sua obra redentora; não é por acaso que Imaculada é representada pelos pintores e escultores no ato de esmagar a cabeça da serpente, imagem do Demónio. Com maior razão, trata-se, pois, de uma intercessora poderosa.

A seguir, na ordem celeste, são certamente intercessores valiosos os arcanjos e anjos, que sempre intervêm com suas legiões na luta contra o Maligno; em razão disso, basta pensar no livro do Apocalipse, onde é relatada uma batalha no céu: Miguel e seus anjos contra Satanás e seus anjos rebeldes, que foram derrotados pelo arcanjo e precipitados ao Inferno.

 “Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demónio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos”. (Ap 12,7-9)

Esta é a razão pela qual se costuma invocar Miguel arcanjo, na qualidade de chefe das fileiras angelicais; a seu lado, invoco sempre também os anjos da guarda de todos os presentes, entre os quais, obviamente, não falta jamais São Gabriel arcanjo, que é meu padroeiro.

Fala-se com frequência de São Bento como patrono dos exorcistas, quando, na realidade, não está provado historicamente que o Papa Honório III o tenha nomeado como tal. Porém, a partir do momento em que não há um patrono oficial, nós o invocamos, pois, com certeza, era fortíssimo na luta contra o Demónio. São Bento era monge, talvez sequer sacerdote, e por certo não era exorcista; a razão desta identificação está no facto de que ele foi um grandíssimo santo e demonstrou uma grande força contra o Demónio, dado que frequentemente o expulsava. Sua medalha tem particularmente uma notável eficácia, contendo muitas frases contra o maligno.

Quanto ao que diz respeito aos santos, todo o exorcista invoca aqueles dos quais é pessoalmente mais devoto ou dos quais é mais devota a pessoa que é exorcizada.

Para melhor entender, um exemplo prático: meu caro colega, decano dos exorcistas italianos, que exerce o ministério há 46 anos, padre Cipriano de Meo, vice-postulador na causa de beatificação de um coirmão capuchinho, de nome padre Mateus, é devotíssimo dele e, quando o invoca, obtém grande eficácia, ao passo que quando eu o invoco não se sucede o mesmo, porque eu não tenho a mesma devoção de padre Cipriano. Portanto, pode-se dizer que não existem santos que tenham uma força especial contra o Demónio; certamente, como tais, todos os santos a possuem, mas nós invocamos aqueles de quem somos mais devotos.

Afinal, há muitos casos de santos atormentados pelo Demónio. Entre os mais emblemáticos, especialmente por se tratar de um acontecimento bastante recente, está o da irmã carmelita que passou a ser chama Pequena Árabe: com efeito, irmã Maria de Jesus Crucificado, várias vezes no decurso de sua vida, sofreu verdadeira e própria possessão diabólica e teve necessidade de ser exorcizada para obter a libertação. Por outro lado, conhecemos vários casos de santos –São João Bosco, o Santo Cura d’Ars, padre Pio, Santa Gemma Galgani, Santa Ângela de Foligno, Dom Calábria, e poderiam ser citados muitos outros numa lista sem fim- que tiveram vexações diabólicas, das quais foram libertos sozinhos, graças à oração e aos sacramentos.

A questão fundamental a ser salientada está em que a Bíblia jamais nos diz para ter medo do Demónio, porque nos garante que podemos e devemos resistir-lhe, fortes na fé. Antes, a Bíblia nos diz que devemos temer o pecado, sendo que todos os santos o combateram. Combatendo o pecado, combate-se o Demónio, como dizia Paulo VI ao ser interrogado, em seu famoso discurso de 15 de novembro de 1972, sobre o Demónio, a propósito de como se devia fazer para impugnar o Maligno: “Tudo o quanto nos defende do pecado, defende-nos de Satanás”. Nós devemos ter medo somente de não estar na graça de Deus, o que significa confessar-se, participar da Santa Missa, receber a comunhão e, além disso, fazer adoração eucarística e rezar, especialmente com os salmos e o rosário; todos estes são, entre outros, os melhores remédios contra a atividade extraordinária do Demónio: se permanecermos na graça de Deus, estamos blindados. Especialmente porque o Demónio tem muito mais interessem em possuir almas, ou seja, fazê-las cair no pecado, do que em provocar distúrbios, os quais, como vimos e vemos nos santos, em última instância obtêm somente o resultado de santificar. Com efeito, os santos oferecem os seus sofrimentos a Deus a tal ponto que um grande santo, como São João Crisóstomo, afirma que o Demónio, malgrado seu, é um santificador das almas, porque é um derrotado e porque busca sofrimentos nestas pessoas santas, que sabem oferece-los ao Senhor e, portanto, sabem fazer deles um meio de santificação.

 
As estratégias do demónio Imprimir e-mail

As estratégias do demónio

“A presença do demónio está na primeira página da Bíblia e a Bíblia acaba também com a presença do demónio, com a vitória de Deus sobre o demónio” (Papa Francisco 11/10/2013).

Quando o assunto é falar do demónio, em geral, corremos sempre dois riscos muito grandes:

  • O primeiro é o de achar que ele não existe da forma como as pessoas dizem e que a sua acção já não acontece em nosso meio; portanto, deve-se desprezar a existência dele.
  • O segundo é o de imaginar que ele está em tudo, em cada má acção que fazemos, em todos os nossos pecados, e que ele nos persegue sempre para nos fazer cair.

Deixemos de lado os dois extremos e fiquemos com o essencial de algumas verdades sobre o demónio.

O primeiro ponto a ser analisado é que o diabo existe, é real, e tudo faz para nos levar à morte e para nos tirar completamente dos caminhos de Deus. Paulo, na Carta aos Efésios, já nos alerta, de forma muita clara, de como é a acção do diabo e qual é a estratégia que ele usa para tentar agir: “Vesti a armadura de Deus para poderdes resistir às manobras do diabo” (Ef. 6,11). O apóstolo Paulo chama-lhe “manobrista”. Já todos vimos o que um manobrista faz ao pegar num carro para tentar estacionar: vai para a direita, volta para a esquerda, vai para a frente, vai para trás, até conseguir entrar com o automóvel no espaço que, em geral, “é à conta” para entrar.

O diabo, como “manobrista” que é, faz a mesma coisa para entrar na nossa vida. Tenta por todos os lados uma brecha para se poder instalar. Assim como o apóstolo dos gentios lhe chama “manobrista”, poderíamos, sem medo, chamar-lhe estrategista!

O diabo, juntamente com os seus demónios, tem como propósito molestar a humanidade e mais ainda os filhos de
Deus
. Para isso é importante sabermos como pensam os demónios e como eles trabalham para conseguir o que querem.

O Evangelho de São Mateus, 12, 43-45, mostra uma das estratégias do demónio em nossas vidas: "Quando um espírito mau sai de um homem, fica a vaguear em lugares desertos, procurando repouso, e não o encontra. Então diz: ‘Vou voltar para a casa de onde saí'. Quando chega, encontra a casa vazia, varrida e arrumada. Então vai, e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele. Entram e moram aí; e, este homem fica em condição pior do que antes. É o que vai acontecer com esta geração má".
A primeira coisa a notar é que a Palavra diz: “Quando um espírito mau sai de um homem, e fica a vaguear (...)”. Isto significa que os demónios estão constantemente à procura de uma habitação. A Bíblia diz que eles “saem de um homem”. Se eles saem, significa que estavam “dentro” ou muito “próximos” dele. E ao sair os demónios ficam “a vaguear”, como que procurando uma habitação, uma outra casa. E isto por quê? Por quê procurar uma casa, uma habitação?

Talvez porque eles já tenham um dia perdido a sua primeira casa e de lá foram expulsos para sempre. E há uma segunda habitação para os demónios, chamada de “Profundezas”, mas eles não querem ficar lá, tanto que preferem entrar em porcos a serem enviados às Profundezas (cf. Mc 1, 30).

A Bíblia também afirma que eles andam a vaguear em “lugares desertos”. Isto significa que os demónios gostam de habitar em lugares “desertos”. Em geral lugares desertos são lugares vazios e sem vida, ou com pouca vida ao redor. E o demónio acredita que pode, ao encontrar este lugar deserto, apropriar-se dele como a sua casa, como a sua habitação.

Por isso, muito cuidado com os lugares desertos e sem vida que há no teu coração! Cuidado com os vazios do teu interior, cuidado com os desertos que deveriam estar preenchidos pela presença de Deus e não estão!

A Bíblia também usa o termo “procurando repouso”. Isto significa que os demónios sabem procurar, sabem analisar, são seres exploradores, com grande capacidade de observação.

Eles procuram “repouso.” Mas, na verdade, este repouso não é um repouso comum, como nós o conhecemos, um descanso. Este repouso é no sentido de se satisfazer com algo.

E que satisfação é que o demónio procura quando encontra uma “casa vazia”? A satisfação em vê-la no sofrimento e em dores. Portanto, ele procura uma casa vazia para entrar e habitar, para se alimentar de sofrimento e de dor como satisfação.

Esta tem sido uma das estratégias mais utilizadas pelo demónio. Porque ele aproveita-se dos momentos em que estamos frágeis, sem forças, vazios... E ao nos encontrar assim, como “ele gosta”, ele faz de tudo para ganhar o território do nosso coração, dos nossos sentimentos e das nossas emoções!

Mas, como saber se realmente o demónio procura em mim uma casa, uma habitação para habitar, para se hospedar? A resposta é a seguinte: Vê como está o teu coração. Avalia o que está dentro do teu interior.

Há vida de Deus em ti? Estás a semear as coisas de Deus no teu coração, fazendo com que não haja lugares desertos no teu interior?

Não existe outro meio de se combater o mal e o maligno a não ser o encher-se de Deus! Há diferença entre uma casa vazia, mas varrida e arrumada, e uma casa deserta, vazia também, mas sem vida.

E o caminho mais seguro para se encher de Deus é o caminho da oração. Eu e tu precisamos de rezar e rezar sempre! É por meio da oração que o mal se afasta de nós e que o
Espírito Santo
nos enche com a Sua presença.

Mas se eu não rezo, se não me confesso e se deixei de ir à igreja? Cuidado! Muito provavelmente podes estar a ser observado!

 
Os demónios podem causar pesadelos? Imprimir e-mail

 

Os Demónios podem causar pesadelos?

 

Seria possível este tipo de intervenção do Mal?

 

“Tive um sonho que me assustou e quero saber o que ele significa”. (Daniel 2, 3)

 

Os Demónios podem causar pesadelos? Pelo que eu já vi e ouvi, a resposta é que sim. Os Demónios podem vir a causar pesadelos nas pessoas, apesar de ser muito difícil saber quando um pesadelo seja realmente proveniente do Demónio.

Os anjos de Deus podem intervir também por meio de sonhos, e também é muito difícil saber realmente se um bom sonho foi inspirado por um anjo ou algo relacionado.

 

Em geral quando as pessoas relatam problemas com sonhos, pesadelos e coisas do tipo, não devemos dar importância, uma vez que o sonho pode ser resultado de tantas realidades que a psicologia e a psiquiatria nos explica, e que são reais também.

Não podemos achar que todos os sonhos tenham algum tipo de significado espiritual, ou que contenham alguma mensagem; isso seria um erro tremendo e perigoso!

 

Há pessoas atormentadas por pesadelos, e que estes pesadelos eram certamente ligadas a uma realidade espiritual demoníaca! Conheci casos de pessoas que tiveram um forte envolvimento com bruxaria e coisas ocultas e que depois disso passaram a ter pesadelos terríveis, acordavam a gritar, a suar; e sempre os pesadelos se repetiam…Após um acompanhamento de Oração, e de um caminho de conversão da pessoa, tudo isso cessou. Neste caso a probabilidade daqueles pesadelos terem alguma ligação com a realidade espiritual é muito maior.

 

Conheci casos de pessoas que frequentavam terreiros e seitas ocultistas, e abandonaram estas práticas e quiseram seguir um caminho de conversão a Deus; e porque deixaram estas práticas, começaram a ter sonhos com Demónios que as ameaçavam. Mas ao perseverar na busca de uma vida em Deus, logo cessaram tais sonhos, e é claro que nada lhes aconteceu…Nestes também pode haver uma probabilidade de um Demónio querer ter certa influência sobre estas pessoas, no sentido de querer lhes causar medo para que desistam dos caminhos de Deus!

 

Portanto, os casos que eu tive conhecimento, e que posso arriscar dizendo que existe uma probabilidade de serem sonhos que por detrás existe uma ação do Maligno, foram sempre casos de pessoas que tiveram um certo tipo de contacto direto com o Ocultismo em alguma das suas formas.

 

Não vou entrar aqui na questão dos sonhos que podem ser inspirados por Deus ou pelos seus anjos, pois na Bíblia temos muitos casos, sabemos que é algo real, apesar de que nem sempre bons sonhos mesmo que relacionados com Deus, venham de Deus.

 

Então deve haver sempre cautela e o bom senso para julgar tal questão também.

 
Revelações do inferno Imprimir e-mail

REVELAÇÕES DO INFERNO feitas por SANTO ANSELMO

 

1. Jazem nas trevas exteriores. Pois, lembrai-vos, o fogo do inferno não emite nenhuma luz. Assim como, ao comando de Deus, o fogo da fornalha babilónica perdeu o seu calor mas não perdeu a sua luz, assim, ao comando de Deus, o fogo no inferno, conquanto retenha a intensidade do seu calor, arde eternamente nas trevas.


2.
É uma tempestade que nunca mais acaba de trevas, de negras chamas e de negra fumaça de enxofre a arder, por entre as quais os corpos estão amontoados uns sobre os outros sem uma nesga de ar. De todas as pragas com que a terra dos faraós foi flagelada, uma praga só, a da treva, foi chamada de horrível. Qual o nome, então, que devemos dar às trevas do inferno, que hão-de durar não por três dias apenas, mas por toda a eternidade?

3. O horror desta estreita e negra prisão é aumentado pelo seu tremendo cheiro activo. Toda a imundície do mundo, todos os monturos e escórias do mundo, correrão para lá como para um vasto e fumegante esgoto quando a terrível conflagração do último dia houver purgado o mundo. O enxofre, também, que arde lá em tão prodigiosa quantidade, enche todo o inferno com o seu intolerável fedor; e os corpos dos danados, eles próprios, exalam um cheiro tão pestilento que, como diz São Boaventura, só um deles bastaria para infeccionar todo o mundo.

4. O próprio ar deste mundo, esse elemento puro, torna-se fétido e irrespirável quando fica fechado longo tempo. Considerai, então, qual deva ser o fétido do ar do inferno. Imaginai um cadáver fétido e pútrido que tenha jazido a decompor-se e a apodrecer na sepultura, uma matéria gosmenta de corrupção líquida. Imaginai tal cadáver preso das chamas, devorado pelo fogo do enxofre a arder e a emitir densos e horrendos fumos de nauseante decomposição repugnante. E a seguir imaginai esse fedor malsão multiplicado um milhão e mais outro milhão de milhões sobre milhões de carcaças fétidas comprimidas juntas na treva fumarenta, uma enorme fogueira de podridão humana. Imaginai tudo isto e tereis uma certa ideia do horror do cheiro do inferno.

5. Mas tal fedentina não é, horrível pensamento é este, o maior tormento físico ao qual os danados estão sujeitos. O tormento do fogo é o maior tormento ao qual o demo tem sempre sujeitado as suas criaturas. Colocai o vosso dedo por um momento na chama duma vela e sentireis a dor do fogo. Mas o nosso fogo terreno foi criado por Deus para benefício do homem, para manter nele a centelha de vida e para o ajudar nas artes úteis, ao passo que o fogo do inferno é duma outra qualidade e foi criado por Deus para torturar e punir o pecador sem arrependimento.

6. O nosso fogo terrestre consome-se mais ou menos rapidamente, conforme o objecto que ele ataca for mais ou menos combustível, a ponto de a ingenuidade humana se ter sempre entregado a inventar preparações químicas para garantir ou frustrar a sua acção. Mas o sulfuroso breu que arde no inferno é uma substância que foi especialmente designada para arder para sempre e ininterruptamente com indizível fúria. Além disso, o nosso fogo terrestre destrói ao mesmo tempo que arde, de maneira que quanto mais intenso ele for, mais curta será a sua duração; já o fogo do inferno tem esta propriedade de preservar o que ele queima e, embora se enfureça com incrível ferocidade, ele enfurece-se para sempre.

7. O nosso fogo terrestre, não importa que intensidade ou tamanho possa ter, é sempre duma extensão limitada; mas o lago de fogo do inferno é ilimitado, não tem praias nem fundo. E está documentado que o próprio demónio, ao lhe ser feita a pergunta por um soldado, foi obrigado a confessar que se uma montanha inteira fosse lançada dentro do oceano ardente do inferno seria queimada num instante como um pedaço de cera. E este terrível fogo não aflige os danados somente por fora, pois cada alma perdida transforma-se num inferno dentro de si mesma, o fogo sem limites enraivecendo-se mesmo na sua essência. Oh! Quão terrível é a sorte destes desgraçados seres! O sangue ferve e referve nas veias; os cérebros ficam fervendo nos crânios; o coração no peito flamejando e ardendo; os intestinos, uma massa vermelha e quente de polpa a arder; os olhos, coisa tão tenra, flamejando como bolas fundidas.

8. Ainda assim, quanto vos disse da força, da qualidade e da ilimitação deste fogo é como se fosse nada quando comparado com a sua intensidade, uma intensidade que é justamente tida como sendo o instrumento escolhido pelo desígnio divino para punição da alma assim como do corpo igualmente. Trata-se dum fogo que procede directamente da ira de Deus, trabalhando não por sua própria actividade, mas como um instrumento da vingança divina. Assim como as águas do baptismo limpam tanto a alma como o corpo, assim o fogo da punição tortura o espírito com a carne.

9. Todos os sentidos da carne são torturados; e todas as faculdades da alma outro tanto: os olhos com impenetráveis trevas; o nariz com fétidos nauseantes; os ouvidos com berros, uivos e execrações; o paladar com matéria sórdida, corrupção leprosa, sujeiras sufocantes inomináveis; o tacto com aguilhões e chuços em brasa e cruéis línguas de chamas. E através dos vários tormentos dos sentidos a alma imortal é torturada eternamente, na sua essência mesma, no meio de léguas e léguas de ardentes fogos acesos nos abismos pela majestade ofendida de Deus Omnipotente e soprados numa perene e sempre crescente fúria pelo sopro da raiva da Divindade.

10. Considerai, finalmente, que o tormento desta prisão infernal é acrescido pela companhia dos condenados. A má companhia, sobre a terra, é tão nociva que as plantas, como que por instinto, apartam-se da companhia, seja do que for que lhes seja mortal ou funesto. No inferno, todas as leis estão trocadas lá não há nenhum pensamento de família, de pátria, de laços, de relações. O danado grita um com o outro, a sua tortura e raiva intensificam-se pela presença dos seres torturados e enfurecendo-se como ele.

11. Todo o senso de humanidade é esquecido. Os lamentos dos pecadores a sofrerem enchem os mais recuados cantos do vasto abismo. As bocas dos danados estão cheias de blasfémias contra Deus e de ódio pelos seus companheiros de suplício e de maldições, contra as almas que foram seus companheiros no pecado. Era costume, nos antigos tempos, punir o parricida, o homem que havia erguido a mão assassina contra o pai, arremessando nas profundezas do mar num saco dentro do qual também eram colocados um galo, um burro e uma serpente.

12. A intenção destes legisladores, que inventaram tal lei, a qual parece cruel nos nossos tempos, era punir o criminoso pela companhia de animais malignos e abomináveis. Mas que é a fúria destas bestas estúpidas comparada com a fúria da execração que rompe dos lábios tostados e das gargantas inflamadas dos danados no inferno, quando eles contemplam nos seus companheiros em miséria aqueles mesmos que os ajudaram e incitaram no pecado, aqueles cujas palavras semearam as primeiras sementes do mal em pensamento e em acção nos seus espíritos, aqueles cujas sugestões insensatas os conduziram ao pecado, aqueles cujos olhos os tentaram e os desviaram do caminho da virtude? Voltam-se contra tais cúmplices e amaldiçoam-nos. Não terão, todavia, socorro nem ajuda; agora é tarde demais para o arrependimento.

13. Por último de tudo, considerai o tremendo tormento das almas condenadas, as que tentaram e as que foram tentadas, agora juntas, e ainda por cima, na companhia dos demónios. Estes demónios afligirão os danados de duas maneiras: com a sua presença e com as suas admoestações. Não podemos ter uma ideia de quão terríveis são estes demónios. Santa Catarina de Sena uma vez viu um demónio e escreveu que preferia caminhar até ao fim da sua vida por um caminho de carvões em brasa a ter que olhar de novo um único instante para tão horroroso monstro.

14. Tais demónios, que outrora foram formosos anjos, tornaram-se tão repelentes e feios quanto antes tinham de lindos. Escarnecem e riem das almas perdidas que arrastaram para a ruína. É com eles que são feitas, no inferno, as vozes da consciência. Por que pecaste? Por que deste ouvido às tentações dos amigos? Por que abandonaste as tuas práticas piedosas e as tuas boas acções? Por que não evitaste as ocasiões de pecado? Por que não deixaste aquele mau companheiro? Por que não desististe daquele mau hábito, aquele hábito impuro? Por que não ouviste os conselhos do teu confessor? Por que, mesmo depois de haveres tombado a primeira, ou a segunda, ou a terceira, ou a quarta ou a centésima vez, não te arrependeste dos teus maus passos e não voltaste para Deus, que esperava apenas pelo teu arrependimento para te absolver dos teus pecados? Agora o tempo para o arrependimento foi-se. Tempo existe, tempo existiu, mas tempo não existirá mais!

15. Tempo houve para pecar às escondidas, para se satisfazer na preguiça e no orgulho, para ambicionar o ilícito, para ceder às instigações da tua baixa natureza, para viver como as bestas do campo, ou antes, pior do que as bestas do campo, porque elas, ao menos, não são senão brutos e não possuem uma razão que as guie; tempo houve, mas tempo não haverá mais. Deus falou-te por intermédio de tantas vozes, mas não quiseste ouvir. Não quiseste esmagar o orgulho e o ódio do teu coração, não quiseste devolver as acções mal adquiridas, não quiseste obedecer aos preceitos da tua Santa Igreja nem cumprir os teus deveres religiosos, não quiseste abandonar os péssimos companheiros, não quiseste evitar as perigosas tentações. Tal é a linguagem destes demoníacos atormentadores, palavras de sarcasmo e de reprovação, de ódio e de aversão. De aversão, sim! Pois mesmo eles, os demónios propriamente, quando pecaram, pecaram por meio dum pecado que era compatível com tão angélicas naturezas: foi uma rebelião do intelecto e eles. Estes mesmos, têm que se afastar, revoltados e com nojo de terem de contemplar os pecados indizíveis com os quais o homem degradado ultraja e profana o templo do Espírito Santo, e se ultraja e avilta a si mesmo.

 
As fraquezas do diabo Imprimir e-mail
As armas contra Satanás: louvor, obediência e humildade

A oração do louvor
O diabo não suporta o louvor e isso por algo muito simples: Lúcifer, ou "portador de luz", transformou-se em Satanás exactamente por não querer louvar a Deus. Isto é óbvio! Portanto, o louvor para ele é muito forte e pesado. Se nós queremos lutar contra o diabo, não temos outra coisa a fazer senão começar a louvar a Deus. Há fiéis leigos que dizem: "Mas, eu tenho medo!"
Se conheces uma pessoa que precisa de ajuda nem sempre é necessário que faças orações de libertação por ela. Se há um grupo de irmãos que rezam juntos, comecem a louvar a Deus ignorando o inimigo, e o louvor o incomodará de tal modo que ele fugirá.
Uma pergunta que é muito feita nos dias de hoje é esta: "Por que é que o diabo se apresenta mais hoje do que nos tempos passados?" Houve um tempo em que o diabo trabalhava escondido, ignorado por todos. Até há pouco tempo atrás havia pouquíssimos ou quase nenhum exorcista, não porque não existissem pessoas que necessitassem, mas porque ninguém sentia esta necessidade. Hoje é diferente. E qual é a razão do diabo parecer mais activo nestes últimos tempos?
Pelo grande louvor que está a ser feito, ele não suporta! Isto poderia ser exemplificado como um rato escondido num buraco; atiras água quente para lá e, não a podendo aguentar, ele é obrigado a sair do buraco. O louvor faz com que o inimigo saia!
Toda esta luta que o diabo trava, hoje, não é porque ele esteja mais forte do que antes, mas, provavelmente, porque está mais fraco. Graças a todo o louvor que é feito – especialmente em grupos de oração –, por meio destes movimentos espirituais, o maligno perde o controle e não sabe o que fazer. Por esta razão, temos de continuar a lutar através do louvor.
A segunda coisa que o diabo teme é a obediência. Por quê? Porque ele é desobediente. Desta forma, tudo o que ele sugere é a desobediência, sugere continuamente a desobediência! Nós, sacerdotes, em particular, devemos estar muito atentos a isto, pois é fácil cair nesta cilada do inimigo.
A terceira coisa também temida pelo diabo é a humildade. Ele sugere o “poder”. No fim de contas, ele é aquilo que é: Satanás, porque queria ter o poder. Certa vez, um exorcista fez-lhe uma pergunta: Por que é que tens pavor de Maria? E ele disse: “Tenho pavor daquela mulher, da sua grande humildade”. A humildade é uma virtude que o inimigo de Deus teme mais do que a nós, propriamente, porque esta virtude vai contra a natureza dele, pois ele é soberbo, orgulhoso, poderoso e faz o que quer. A humildade vai contra tudo isto.


ORAÇÃO A S. MIGUEL ARCANJO 

S. Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demónio. Que Deus lhe impere, instantemente o pedimos. E vós, Príncipe da Milícia celeste, pelo poder divino, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos, que vagueiam no mundo para perder as almas!Assim seja!

 
Quando o Demónio Investe Imprimir e-mail

Como é perverso o demónio, como é subtil, como é discreto nos seus ataques! Sem oração tornamo-nos presas fáceis nas suas garras.
Um dia deparei com um caso muito sério, senti quanto ele investe nos jovens, entendo porque, quando se é jovem não se preocupa muito com a oração; parece-nos coisa para pessoas mais velhas que já viveram a sua juventude e agora, para preencher as horas, começam a rezar, mas nós ainda somos muito jovens para nos preocupar com oração, com a fé, com a preparação para a volta de Jesus, e assim tornamo-nos a caça mais fácil, mais frágil, mais desprotegida, ingerimos um pouco de álcool, alguns até coisa mais forte, e sem percebermos estamo-nos a afastar de Deus, e aproximando-nos do diabo.
Mas um dia deparei com um jovem muito meu amigo, um jovem de 18 anos, belo forte, com saúde, e chorava dizendo que só esperava uma mínima desculpa para se matar, que se tivesse um carro andaria a 200 à hora para forçar um acidente, e eu perguntei: ó meu amigo o que houve, qual o teu problema para estares neste desespero? Ele respondeu, nada me dá certo, queria arranjar um emprego e não consigo, queria arranjar os meus dentes e não tenho dinheiro. Eu perguntei, tu rezas? Não, não rezo, não adianta, eu não gosto de rezar e Deus não me ouve, eu prefiro antes falar com o diabo do que com Deus. Aí eu senti que o diabo estava prestes a levar mais um filho de Deus com ele.
Se o que acontece com este meu amigo é motivo para se matar, tanta gente com problemas tão sérios e vivem felizes lutando, mas o diabo quer é isso mesmo que os jovens não rezem, não acreditem em nada, que só andem em festas, que se prostituam, que usem bebidas, drogas, porque o tempo dele é curto, e quanto mais ele se perverter, melhor. Tudo tem o seu tempo, e a sua hora, a hora em que o mundo foi criado, a hora que Jesus Cristo foi enviado pelo Pai, para viver aqui na terra, depois chegou a hora de morrer e depois ressuscitar e voltar para o Pai, antes disto houve o dilúvio,
E tudo que está escrito na sagrada escritura e ainda não se cumpriu, irá cumprir-se, e existe um tempo para isto acontecer, e felizmente, ou infelizmente, é agora na nossa geração, numa geração pervertida, maldosa, sem coração, sem amor, sem piedade, alguns governantes roubam a sociedade de cara destapada, os ladrões assaltam os postos da policia, etc.
Deus vai assistir a este sofrimento todo, à destruição da terra, os maus sendo vitoriosos sempre, e Ele não virá concertar, esperará mais 100 ou 200 anos?
Eu acredito em Deus, e confio que Ele vem em nosso socorro, e nem me importo que se riam de mim, que me chamem louco. Avisados fomos todos, orientados fomos todos, mas se o dinheiro, a fama, a farra, é mais importante do que a oração, do que a preparação para esperar os dias que vêm pela frente, cada ser humano é livre de escolher o seu caminho.
Eu vou continuando com a minha (loucura) pois Cristo avisou-nos na Sagrada escritura, que nos chamariam loucos, zombariam de nós, nos prenderiam, mas se nos calassem, as pedras falariam.
Com Deus tudo posso, sem Ele nada sou.
Laerte de Vargas.

 

 

 
A profissão do demónio é tentar-nos Imprimir e-mail

A PROFISSÃO DO DEMÓNIO É TENTAR-NOS

Vigiai e orai para não cairdes em tentação

Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26, 41-42).

Corremos o risco de orar, mas não viver a vigilância. Por isso, que Jesus Cristo disse: “Vigiai e orai”. No dicionário a palavra vigiai, significa: guardai, velai e observar atentamente. Jesus pediu isto aos discípulos para que não caíssem em tentação. A tentação existe e ser tentado não é pecado. Talvez digas: “Eu preciso ir para um mosteiro”. Não é assim! O tentador tem nome e chama-se diabo. Se ele tentou Jesus, nós não estaremos isentos dele.

Talvez, digas: “No dia em que caí, foi o dia que mais rezei. Como é que se explica isto?” A palavra de Jesus é esta: “Faltou vigilância”. A profissão do demónio é tentar-nos.

Podemo-nos questionar: “Quais são os meios que o inimigo utiliza para nos tentar? De onde provêm as tentações?” As tentações podem vir do diabo, de nós mesmos e do mundo; com mil propostas de pecado. Precisas de estar atento a estas realidades. Ou nós abrimos os olhos ou, constantemente, iremos cair em tentação. Quantas pessoas de certa formação que caíram na tentação, porque não houve vigilância.

A pior confissão que alguém pode fazer é justificar os seus pecados, não aceitar que pecou. No Evangelho de Mateus, quando Jesus estava no deserto, Ele sentiu fome e o inimigo propôs-lhe transformar as pedras em pão, mas Jesus disse: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. O diabo não nos irá tentar naquilo que não gostamos, mas com aquilo que nos é agradável. Quando temos uma vida de vigilância escutaremos a voz de Deus. Coloque-se como uma sentinela. Eu olho para a minha vida hoje, percebo que há realidades concretas que já superei e não quero voltar para elas, mas com vigilância, com luta cada dia, não voltarei.

Jesus disse: “Se o meu pai trabalha eu também trabalho”. Se vigiardes e orardes não caireis. Mas, se não vigiares e não orares, vais cair. Judas não traiu Jesus com o beijo somente, ali foi o cume da traição. Na verdade, Judas já vivia uma vida de traições. Para os doze apóstolos ele já vivia uma vida de escândalo. Como administrador da bolsa, ele já roubava o próprio grupo. Se o nosso corpo é uma das vias que o diabo usa para nos levar em tentação precisamos de vigiar.

Nós temos visto, dolorosamente, casais da Igreja, da Renovação Carismática e outros caírem em pecado por falta de vigilância. Muitos consagrados maravilhosos, por falta de vigilância, viram a sua consagração minar. As pessoas, que estão a passar por estes processos, procuram meios para se agarrarem. Mas, se elas se colocassem diante do espelho, todas as máscaras cairiam. Talvez penses: “Mas, é tão difícil ter uma vida de oração!” Santa Teresinha diz: “Para mim, a oração é um impulso do coração, um simples olhar dirigido para o céu, um grito de agradecimento e de amor, tanto do meio do sofrimento como do meio da alegria. Numa palavra, é algo grande, algo sobrenatural que me dilata a alma e me une a Jesus”.

Têm aqui lugar as chamadas cinco pedrinhas: Eucaristia, estudo da Palavra de Deus, confissão, terço e jejum. Nós arranjamos sempre desculpa para não jejuar. Se Jesus que era Jesus jejuou, tu, que és combatente, precisas de te pôr no lugar. Precisamos de saber que a nossa luta é contra o diabo, contra nós e o mundo.

Não se pode ser combatente se não rezar e vigiar. A oração precisa de ser ao ritmo da vida e precisamos de arranjar tempo para rezar. Isto quer dizer que tu precisarás de esforço para rezar.

Há dias em que chegamos a casa sem vontade de fazer mais nada, mas eu me determino a rezar. Quando tu rezas porque queres rezar, lá no fundo, tu queres agradar à tua carne. Mas, quando rezas sem vontade, tu queres agradar a Deus. Tudo pode ser motivo para rezar e um movimento para a tua oração.

 
A acção diabólica afecta a tua vida? Imprimir e-mail

A acção diabólica afecta a tua vida? O Venerável Arc.º Fulton Sheen mostra três indicativos.

O demónio age sorrateiramente na nossa vida, sempre incitando a nossa vontade para o pecado.

Três pontos onde o demónio mais perturba as pessoas.

1 – Obsessão pela nudez, com as suas derivações: pornografia, exacerbação e exploração da sexualidade.

2 – Violência (terrorismo).

3 – Divisionismo.

1. Obsessão pela nudez – A obsessão pela nudez é manifestada de vários modos. Primeiro na tendência generalizada de vestir-se imodestamente.

 “Modéstia” vem da palavra “modo”, referindo-se ao meio ou à moderação.

A imoderação no vestir-se consiste na exibição de partes impudicas com a intenção de se descobrir e chamar a atenção para as áreas privadas do corpo.

Esta mania de exibição e provocação é indicativa da acção dos demónios na sociedade moderna.

A pornografia, a exacerbação e exploração da sexualidade são aspectos da obsessão pela nudez neste mundo endemoninhado que, por meio da internet, alcançou proporções epidémicas.

O vício da pornografia é um enorme problema entre as pessoas de hoje. Sites pornográficos superam enormemente os de outras categorias.

Milhões de pessoas “consumem” enormes quantidades de pornografia e a “indústria” está a crescer exponencialmente, criando os viciados na última forma de escravidão.

As garras de satanás, através das modas impuras, atingem a muitos!

A cultura da sexualização também submete as pessoas ao poder satânico.

As novelas exploram excessivamente os temas sobre sexo de modo a expandir e aprofundar a degradação moral. E, consequentemente, a acção preternatural.

2 – Violência - Colectivamente, a violência foi transformada numa forma de entretenimento.

Os noticiários, filmes e vídeos passaram a usar a retaliação violência como foco de atenção.

O assassinato é cada vez mais proposto como solução para os problemas.

A violência começa já no ventre materno, onde os inocentes são atacados. Chamam a isto “direito” e “escolha”.

A “cultura da morte” exerce-se ainda por meio da contracepção, actividades violentas de gangues, recursos fáceis para a guerra e pena capital.

O século passado talvez tenha sido o mais sangrento já conhecido na História. Incontáveis pessoas, na casa dos milhões, morreram durante as duas guerras.

Além disso houve conflitos e guerras regionais, terríveis mortandades pela fome, como na Ucrânia, China e outros lugares; genocídios na Europa Central, na África e no sudeste da Ásia.

Satanás “ama” a violência, pois ele quer o contrário de Deus, que é bondoso, sábio e poderoso. Conforme demonstra São Tomás de Aquino, em Deus nada há de violento e antinatural.

3 – Divisão – Satanás actua sempre procurando dividir, criar encrencas. Dentro de nós mesmos, exacerbando as paixões desordenadas e insuflando revoltas.

Com as outras pessoas, através do orgulho, do amor próprio e da impaciência.

Por uma acção diabólica, as famílias dividem-se, a Igreja está dividida por um processo de auto-demolição, a diplomacia internacional está uma loucura.

A divisão atingiu ao nível máximo: religioso, racial, político e económico.

Os divórcios são exaltados e compromissos de quaisquer tipos são rejeitados e considerados impossíveis.

Estas são, pois, as três características da acção diabólica: obsessão pela imoralidade, pela violência e o desentendimento.

Num mundo dominado pelo poder das trevas, quem não quiser submergir-se nas abominações deve antes de tudo procurar conhecer a doutrina tradicional da Santa Igreja;

Observar os mandamentos da Lei de Deus, seguir os preceitos e frequentar os sacramentos.

A verdadeira e autêntica devoção à Santíssima Virgem, é o meio seguro da nossa salvação.

 
Pela oração chega-se à libertação total de uma pessoa? Imprimir e-mail

Por meio da Oração, chega-se sempre à Libertação total de uma pessoa?

O poder da Oração e o querer de Deus…

A nossa vida é e sempre será um mistério, e que aquilo que é o querer de Deus, nem sempre é de nosso entendimento…
Uma outra coisa importante que precisamos de aprender sobre a oração: Por meio da oração não obrigamos Deus a fazer aquilo que lhe pedimos, mas a oração sempre será um meio de nos achegarmos a Deus para saber qual é a Sua vontade…

Por meio da Oração, chega-se sempre à Libertação total de uma pessoa?

Não, nem sempre chegamos a uma total libertação de uma pessoa ou de um caso que acompanhamos, mesmo que esta pessoa passe diversas vezes por orações de libertação, ou até mesmo por exorcismos.
É que quando cuidamos de alguém que experimenta algum tipo de ataque do Demónio, a pessoa vive um grande sofrimento, mas de alguma forma Deus se utiliza deste sofrimento na qual a pessoa está a viver para purificá-la, para ajudar em conversões de pessoas que lhe são próximas, e para que através dela as pessoas possam crer na horrível existência do Mal. E tudo isto se torna um verdadeiro mistério para nós, muitas vezes não compreendemos, não aceitamos porque queremos que tal pessoa seja completamente liberta do Mal. Há pessoas que até mesmo se revoltam contra Deus, mas Deus na Sua infinita Misericórdia sabe servir-se de tudo para o nosso bem e a nossa salvação.

Quando não conseguimos chegar a uma completa libertação de uma pessoa, é que precisamos de continuar a rezar por ela, é necessário que um acompanhamento continue a ser feito. Se ela passa por sessões com algum exorcista, os exorcismos precisam de ser continuados, pois não sabemos quando Deus irá agir de uma vez por todas, e é bom sempre lembrarmos que apesar de muitas vezes não chegarmos a uma total libertação, a oração, as sessões de exorcismos sempre lhes consegue dar uma maior paz, uma tranquilidade maior.

A continuidade do acompanhamento pessoal destas pessoas é necessário também para que possam ir evoluindo em determinadas áreas ou aspectos das suas vidas e do dia a dia que os cercam, na qual eram atingidas com maior gravidade ou ainda não conseguiam responder de maneira positiva.

Há casos de pessoas que foram atingidas por manifestações diabólicas e que não importava onde estavam, estas pessoas tinham reações extremamente agressivas, ou reações tipicas de pessoas realmente possuídas; mas que com o passar do tempo, com um acompanhamento correto e com muita oração, estas pessoas conseguiram uma certa autonomia sobre si, e ninguém se apercebia das realidades que elas viviam.

Há casos também que quando recebiam pela primeira vez orações era necessário muitas pessoas para segurá-los e as reações eram extremamente agressivas, mas que com o passar do tempo e de muita oração, as reações já não eram tão expressivas.

É difícil compreendermos estas coisas, mas é tudo muito real! É difícil acompanharmos casos que não sabemos o porquê deles persistirem, e não conseguirmos alcançar a completa libertação da pessoa.
Mas mesmo assim não podemos desanimar, precisamos persistir!

O que acontece também em casos que não chegamos a uma total libertação, e já pudemos comprovar, é que a pessoa em questão não deu os passos necessários a que foi aconselhado e instruído. E aí, por mais que rezemos não conseguiremos grandes resultados. Por isso, eu particularmente quando percebo que a pessoa em questão não está a dar os passos, ou lá no fundo não quer ter esforço nenhum, prefiro que dê um tempo nos atendimentos, que espere mais tempo para voltar. Pois a pessoa precisa de cair em si e ver que não existe na area espiritual “passe de magia“, mas que é um caminho exigente e de muita renuncia!

E por fim,há casos que pela gravidade do envolvimento com o ocultismo, com seitas diabólicas e coisas do tipo, é necessário anos e anos de atendimentos e muita oração. Nestes casos até chegamos a uma libertação total, mas por vezes acontece que precisamos acompanhar a pessoa por dois ou três anos com orações quinzenais, e isso torna-se muito exigente tanto para a pessoa, como para quem a acompanha. E o que acontece é as pessoas abandonarem o acompanhamento no meio do caminho.

Mas não desanimemo-nos, o Senhor não tem as Suas mãos atadas e pode quando quiser e como quiser libertar um filho Seu das garras do Demónio. Façamos a nossa parte, empenhemos os esforços que cabe a cada um de nós, e a Seu tempo Deus fará o que for necessário!

 
Satanás não tem a última palavra Imprimir e-mail

- O maior triunfo de Satanás é...?
- Padre Fortea: É fazer-nos crer que não existe: Efectivamente, depois dos anos setenta, muitos teólogos disseram que era um símbolo, e este foi um grande êxito porque desde então todo o ministério do exorcismo desapareceu da Europa praticamente de forma total. Somente em Roma permaneceu de maneira continuada e inclusive diária.
- O que provocou esta atitude?
Fez-nos muito dano. O povo deixou de confiar na Palavra de Deus como autoridade perfeita na qual não cabe o erro. Já dizem: «não sabemos o que é símbolo ou o que é realidade». Mas o tema do demónio, que foi o primeiro a ser varrido pela teologia mais modernista, é um dos que mais se está a recuperar porque a realidade prevalece.
- O tentador... tenta sempre?
O demónio tenta, mas não sempre, somente algumas vezes. Não está sempre ao nosso lado ainda que pode tentar coisas muito más e demoníacas. Por exemplo, na carne. Nela vemos simbolizados muitos pecados que procedem da nossa própria pessoa. Sobretudo, o que mais se ressaltam são os pecados de luxúria, pois são nos que de maneira mais fácil cai o ser humano porque são os que menos malícia têm, são mais de debilidade. Esta classe de pecados abre a porta a pecados piores, e cada vez vamos descendo se não mudamos o caminho.
- Estamos na sociedade da perda da consciência do pecado?
Há males muito de moda, como a homossexualidade e as uniões de facto. Trata-se de fenómenos que, sobretudo, se dão em sociedades urbanas. No campo é mais difícil que ocorram de um modo generalizado, mas só como actos isolados. A sociedade do campo é mais sã, mais apegada à natureza, e tem uma consciência mais clara da lei natural. Mas num meio urbano, completamente artificial, que perdeu o conceito das leis cristãs, ali o homem é dono e senhor da lei moral. Ele faz e desfaz como quer, e isto leva-o a esquecer-se totalmente do Criador. A ser um ser autónomo e a decidir com completa independência. Frente a isto, só pode opor-se a fé, a religião como a consecução dos mais altos valores. Eu creio que isto é a única coisa que podemos opor frente a toda acção moral desviada. A única resistência é a da luz da fé no amor de Deus.
- Separação Igreja-Estado é o mesmo que separação Deus-Sociedade?
A divisão de Igreja e Estado chega a tergiversar. Que o Estado não possa dar favoritismo a uma religião concreta não significa que a sociedade, o Estado, tenha que estar separado de Deus. Por exemplo, os Estados Unidos estão consagrados pela Constituição. É somente a separação entre a Igreja e o Estado, não entre Deus e a sociedade. O Estado não favorecerá uma religião concreta, mas se dá conta de que a fé em Deus é algo bom para a sociedade e pode favorecer toda a religião e a união dos cidadãos com Deus. Há, portanto, uma diferença muito grande entre Estados Unidos e Europa. A Deus, que é Pai, não lhe dá o mesmo que apareça ou que não apareça, não lhe dá o mesmo que os seus filhos o mencionem respeitosamente ou que o esqueçam completamente.
- Só é satânico quem adora Satanás?
Com efeito. Contudo, a descristianização não é sinónimo de satanismo. Pecador não é igual a satânico. Não vejo satanismo em fenómenos morais desviados. O satanismo é algo muito grave. Ainda que se tenha uma família e se leve uma vida extremamente irrepreensível pode-se ser satanista e, ao contrário, por mais que se viva de maneira rejeitável e libertina não se é forçosamente satanista. Mas há meios que o demónio sempre aproveita para influenciar, possuir ou afectar a alma humana; coisas tão simples como os actos esotéricos: espiritismo, ritos da Nova Era... tudo o que seja invocar espíritos desconhecidos.
- Como é que Satanás actua sobre a nossa inteligência?
A resposta pastoral da Igreja frente a este mal com respeito à curiosidade dos jovens é exortá-los a que se afastem totalmente do ocultismo e da magia, que se distanciem de querer romper este véu que nos separa do mais além por meios que não sejam os que a tradição católica ensinou. Satanás infunde na inteligência espécies inteligíveis que nos parecem nossos pensamentos quando na realidade é ele quem influi derramando na nossa mente imagens que a ele interessam.
- No mundo há um espectáculo em meio ao tema do exorcismo...
A pouca informação é o tabu que se criou em torno a isto. O demónio sabe bem: quanto menos se saiba de si mesmo ou do trabalho da Igreja contra ele, muito melhor. É o que lhe interessa. A mim o que interessa é que os seus planos fiquem descobertos. Um exorcista, antes de tudo, deve saber que existe o demónio e que existe a possibilidade do exorcismo.

 

 

 
Fantasmas, almas penadas, é possível? Imprimir e-mail

Fantasmas, almas penadas ou vagantes, é possível?

É possível que almas penadas ou vagantes estejam “soltas por ai”?

Fantasmas, almas penadas ou vagantes, é possível? Esta questão nada tem haver com espiritismo ou reencarnação. Não estamos a falar da possibilidade de almas encarnarem uma segunda, terceira ou quarta vez, que é o conceito da reencarnação. Isto já está claro que não há nenhuma possibilidade e que a doutrina da Igreja “bateu com o martelo” e encerrou o assunto sobre esta questão.

Estamos a falar do que “popularmente” as pessoas chamam de almas penadas ou vagantes; outras pessoas ainda chamam a isto fantasmas e etc…É a questão de pessoas vivas, aqui na terra, dizerem terem visto almas de pessoas ou almas de parentes que morreram e coisas do tipo…

A doutrina da Igreja é bem clara nesta questão no sentido de que, quando alguém morre, imediatamente acontece o seu julgamento pessoal, julgamento que tem a possibilidade de 3 destinos: O céu, o inferno ou o purgatório. Lembrando que o Purgatório não é um destino definitivo, é um período de purificação que a alma passará, e passado este tempo, o céu será seu destino eterno.

O Catecismo no número 1022 diz: “Cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca a sua vida em relação à vida de Cristo, através de uma purificação (Conc. de Lião II, DS 856; Conc. de Florença, DS 1384; Conc. de Trento, DS 1820), para entrar de imediato na felicidade do céu (Con. de Lião II, DS 857; João XXII, DS 991; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1305), ou para se condenar de imediato para sempre.” (Conc. de Lião II, DS 858; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1306).

Até aqui está perfeitamente entendido.

A questão é que as pessoas insistem em dizer que viram “almas penadas“, que viram almas de algum ente querido…

E o que dizer a estas pessoas? Simplesmente que estão loucas? Que o que viram foi fruto da sua imaginação? Foi algo que o seu estado psicológico as fizeram imaginar?

Certamente a questão do estado psicológico e emocional da pessoa precisa de ser questionado, pois há pessoas que após a morte de um ente querido entram num certo grau de desespero, e que é possível estarem realmente a projetar e a ver certas “aparições” que na realidade é fruto do seu emocional abalado.

Para o Exorcista, Padre Gabriele Amorth, esta questão sobre a qual ainda é algo que a Igreja e os Teólogos precisam de se debruçar com maior cuidado e dedicação. Ele relata que num Exorcismo,  o espírito de quem dizia estar a possuir aquela pessoa não era em si um Demónio, mas era uma alma condenada. Mas o Padre Gabriele Amorth diz que com o passar do tempo e com mais Exorcismos, foi verificado que se tratava realmente de Demónios que possuíam aquela pessoa e mentindo dizendo que era a alma de um condenado que a possuía.

Num dos seus livros, Padre Gabriele Amorth dedicou um capitulo a esta questão das experiências que os Exorcistas já fizeram durante o ritual do Exorcismo, e na qual se depararam com a realidade de não ser um Demónio a possuir uma pessoa, mas a alma de um condenado…As opiniões são bem diversas pelos Exorcistas, mas a grande maioria não acredita que possa haver esta possibilidade.

Num dos encontros de Cura e Libertação, o Padre Rufus Pereira disse que realmente há muitos debates sobre esta realidade, mas que a experiência dele no que se refere a Exorcismos e Libertação, ele acreditava que é sempre o Demónio a possuir uma pessoa. Ainda que o espirito insistisse em dizer que é era alma condenada, seria sempre uma mentira do Demónio.

O Padre Jose Fortea, Exorcista espanhol, disse que “quanto a esta questão não há argumentos incontestáveis“, e afirma que portanto os “Teólogos precisam ainda de apresentar mais estudos sobre esta realidade.”

Portanto o que fica claro para nós depois destes relatos, juntamente com a doutrina da Igreja, temos a certeza que uma vez que a pessoa morre acontece de forma imediata o seu Juízo Particular. Neste Juízo a pessoa vai para o Céu, Inferno ou Purgatório…Portanto não ficam de forma nenhuma vagantes por aí, sem nenhum tipo de destino, soltas…Há um juízo e definição de estado…

Agora o que realmente ainda é um mistério, é a possibilidade de algum tipo de ação destas almas no estado/lugar em que se encontram…

Alguns santos, como por exemplo Santa Margarida Maria Alacoque, Santa Gertrudes, e outros mais, tiveram a experiência de ver algumas almas, e que as mesmas, afirmavam eles, eram almas do Purgatório que precisavam de Orações. Uma vez que assumiram a atitude de celebrar missas e rezar por estas almas, as mesmas pararam de lhes aparecer.

As almas que se encontram no céu unem-se a nós que estamos na terra dentro da realidade que a Igreja nos ensina sobre a “Comunhão dos Santos“, que o Catecismo traz a partir do número 946…

E as almas que se encontram no inferno, sabemos que não há mais a possibilidade de salvação para as mesmas, mas, se existe algum outro tipo de intervenção na terra, continua a ser um mistério para nós.

Um facto bem importante sobre a questão de ver almas penadas ou de parentes que morreram; é que não se pode excluir a possibilidade de uma ação do Demónio, para iludir a pessoa. Fazendo assim com que ela busque meios não apropriados como o espiritismo, a psicografia e as seitas ocultas, para terem contacto com tais espíritos, e aí sim isso fará com que tais pessoas tenham contactos directamente com Demónios, como afirma São Tomas de Aquino, na sua Suma Teológica.

Então qualquer tipo de experiência que tenhamos vivido, ou que ouvimos de outras pessoas e podemos aconselhar é: Devemos rezar por estas almas! A forma mais eficaz é o oferecimento de missas por elas, como nos ensina a doutrina Católica.

Ainda que não tenhamos a compreensão de tantos mistérios e desígnios de Deus, podemo-nos chegar a Ele como Pai, e mesmo sem as respostas que queremos, uma coisa é certa, o Seu amor não nos falta nunca; e isto nos basta!

 
Satanismo, expressão da precariedade da sociedade, Imprimir e-mail

afirma o Pe. Arboleda, especialista do Observatório Pastoral do CELAM

Nos últimos anos, o fenómeno do satanismo reapareceu em formas convidativas. Um especialista no tema, Pe. Carlos Arboleda, do observatório Pastoral do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), explica como o satanismo se converteu numa expressão da precariedade da sociedade.
Para compreender melhor o satanismo activo, ele classifica-o em três categorias: satanismo de adolescentes, satanismo ácido e satanismo racionalista.
- O satanismo de adolescentes é próprio de pessoas nessa fase de idade, que formam grupos satânicos, ainda que não conheçam nada sobre o satanismo.
Os pré-adolescentes ou adolescentes fazem isto por curiosidade e movidos por uma busca de identidade e de auto-afirmação frente aos adultos. Geralmente estão em busca de afectividade e socialização. Costumam reunir-se às sextas-feiras à noite, tomar bebidas alcoólicas, ouvir rock e, com algum iniciado no satanismo, vão aprofundando no conhecimento da filosofia do grupo. Às vezes, se há algum adulto, é ele quem os inicia em actos imorais; esse adulto geralmente tem dificuldades psicológicas ou éticas.
- O satanismo ácido reúne pessoas que já executam actos mais graves, como consumo de drogas, actos sexuais e orgias e possivelmente delitos. Geralmente são jovens com alguma conduta desviada, que escolhem esse comportamento como uma forma de agregar-se e de expressar poder diante do seu grupo social. Frequentemente não conhecem a teoria do movimento satânico, mas utilizam esse nome para gerar temor ou medo entre as pessoas.
- O satanismo racionalista é próprio de pessoas cultivadas intelectualmente, que geralmente leram obras de Nietzsche e Crowley. O seu satanismo é fruto de uma opção pessoal e de uma filosofia de vida. São pessoas comuns e correntes, não realizam necessariamente rituais e não entram em conflito com o grupo social em que estão; simplesmente não concordam com os convencionalismos culturais, religiosos ou legais da sociedade actual. Este seria o autêntico satanismo com motivações filosóficas.
Diante desta realidade, apresentam-se 2 interpretações. Uma, anti-satânica, que acredita que o satanismo é como uma máfia que organiza um complô contra os bons costumes, contra a Igreja e contra as religiões. Cria-se um rumo-pânico que produz notícias alarmantes. Por outras palavras, seria o flagelo apocalíptico do anticristo feito realidade.
Trata-se de um exagero, levado a cabo dentro de grupos fundamentalistas cristãos, ainda que haja, efectivamente, actos cometidos por grupos satânicos, mas não na proporção que eles calculam.
A outra interpretação leva a uma atitude mais crítica e mais real. O satanismo não é a obra-prima da multinacional do mal, mas a expressão da precariedade da sociedade.
A falta de afecto na família e a destruição da mesma, a marginalidade e a exclusão social e o vazio de uma sociedade competitiva, consumista e individualista são a matéria-prima do satanismo.
«Os adolescentes que crescem sem a presença dos pais, os jovens que não tiveram oportunidades na vida e a falta de uma genuína experiência religiosa em um meio voraz criam bases para o surgimento da ideologia satânica, como meio compensador de carências ou expressão dessa carência», conclui o Observatório Pastoral do CELAM.

 

 

 
Como é que os demónios nos entretêm Imprimir e-mail

A REUNIÃO - Satanás convocou uma Reunião Mundial de demónios. No seu discurso de abertura, disse: "Não podemos impedir os cristãos de irem à igreja".
"Não podemos impedi-los de lerem as suas Bíblias e conhecerem a verdade". Nem mesmo podemos impedi-los de formarem um relacionamento íntimo com o seu Salvador".
"E, uma vez que eles ganham essa conexão com Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado ".
"Então, vamos deixá-los ir às suas igrejas; vamos deixá-los com os almoços e jantares que nelas organizam, MAS, vamos roubar-lhes o tempo que têm, de maneira a que não sobre tempo algum para desenvolver um relacionamento com Jesus Cristo".
"O que quero que vocês façam é o seguinte", disse o diabo:
"Distraiam-nos a ponto de que não consigam aproximar-se do seu Salvador, para manterem esta conexão vital durante o dia todo! "
"Como vamos fazer isto? " gritaram os seus demónios.
"Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes”.
"Tentem-nos a gastarem, gastarem, gastarem, e pedir emprestado, pedir emprestado, pedir emprestado"
"Persuadam as suas esposas a irem trabalhar durante longas horas, e os maridos a trabalharem de 6 a 7 dias por semana, durante 10 a 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios."
" Criem situações que os impeçam de passar algum tempo com os filhos"
"À medida em que as suas famílias se forem fragmentando, muito em breve os seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho".
"Estimulem as suas mentes com tanta intensidade, que eles não possam mais escutar aquela voz suave e tranquila que orienta os seus espíritos".
"Induzam todos a ligarem o rádio ou o gravador, sempre que estiverem a conduzir. Que a TV, o Vídeo, os CDs e os PCs estejam sempre ligados, constantemente, nos seus lares, e providenciem que todas as lojas e todos os restaurantes do mundo toquem constantemente música que não seja bíblica".
"Isto entupirá as suas mentes e quebrar aquela união com Cristo".
"Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas e jornais".
"Bombardeiem as suas mentes com notícias, 24 horas por dia".
"Invadam os momentos em que estão dirigindo, fazendo-os prestar atenção a cartazes atractivos".
"Inundem as caixas de correio deles com papéis totalmente inúteis, catálogos de lojas que oferecem vendas pelo correio, lotarias, bolos de apostas, ofertas de produtos gratuitos, serviços, e falsas esperanças".
"Mantenham lindas e delgadas modelos nas revistas e na TV, para que os seus maridos acreditem que a beleza externa é o que importa, e eles se tornarão mal satisfeitos com as suas próprias esposas".
"Mantenham as esposas demasiadamente cansadas para amarem os seus maridos à noite, e dê-lhes dores de cabeça também".
"Se elas não dão aos seus maridos o amor que eles necessitam, eles então começam a procurá-lo noutro lugar, e isto, sem dúvida, fragmentará as suas famílias rapidamente."
"Dê-lhes o Pai Natal, para os distrair da necessidade de ensinarem aos seus filhos, o significado real do Natal."
"Dê-lhes o Coelho da Páscoa, para que eles não falem sobre a ressurreição de Jesus, e o Seu poder sobre o pecado e a morte."
"Até mesmo quando se estiverem a divertir, que seja tudo feito com excessos, para que ao voltarem dali estejam exaustos!"
"Mantenha-os de tal modo ocupados que nem pensem em ir ou ficar na Natureza, para reflectirem na criação de Deus. Mas mande-os para Parques de Diversão, acontecimentos desportivos, peças de teatro, concertos e ao cinema. Mantenha-os ocupados, ocupados, ocupados! " "E, quando se reunirem para um encontro, ou uma reunião espiritual, envolva-os em mexericos e conversas sem importância, para que, ao saírem, o façam com as consciências pesadas".
"Encham as vidas de todos eles com tantas causas nobres e importantes a serem defendidas que não tenham nenhum tempo para buscarem o poder de Jesus".
"Muito em breve, eles buscarão nas suas próprias forças, as soluções para os seus problemas, e para as causas que defendem, sacrificando a sua saúde e as suas famílias pelo bem da causa."
"Isto vai funcionar! Vai funcionar!" Este era um "senhor" plano!

Os demónios ansiosamente partiram para cumprirem as determinações do chefe, fazendo com que os cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados, e mais apressados, indo daqui para ali, e vice-versa. Tendo muito pouco tempo para Deus e para suas famílias. Não tendo nenhum tempo para contar a outros sobre o poder de Jesus para transformar vidas.

PERGUNTA: teve o diabo sucesso nas suas maquinações? Responde tu!

 

 

 
Gestos concretos para resistir ao demónio Imprimir e-mail

Gestos concretos para resistir ao demónio

 

O demónio é algo derrotado, mas ele existe. O Senhor vai pedir-te para resistires ao diabo. E para resistir, não basta uma força humana ou armas poderosas, é preciso alguns gestos concretos, por exemplo estes:

 

Primeiro: saber que somos filhos de Deus, por isso temos que invocar o batismo;

Segundo: ter comunhão com a Igreja de Jesus;

Terceiro: invocar o nome de Jesus;

Quarto: orar pela intercessão da Virgem Maria;

Quinto: acreditar no poder de combate dos anjos;

Sexto: orar com a Palavra de Deus;

Sétimo: ter uma vida sacramental.

 

A maior autoridade está na humildade. O demónio pode imitar a humildade, mas jamais saberá ser obediente. Se tu és aquele que na obediência perde tudo, mas não perde a comunhão, o demónio não passará perto de ti. Estes gestos são caminhos de aproximação com Deus e distanciamento com o demónio.

 

Queres resistir ao demónio? Sê alguém de uma só face, de uma só fé. Fala e testemunha.

 

Precisamos de entender o significado da palavra sujeitai-vos, que está no trecho bíblico de Tiago 4,7. Isto significa que devemos viver na obediência. O texto que ouvimos leva-nos à obediência e andarmos em conformidade com a Palavra de Deus. A obediência é o melhor sacrifício.

 

Tens que resistir até à última gota de sangue. Luta contra e defende-te do demónio. Há muito ungido de Deus que só é resistente quando possui um microfone na mão, mas quando chega a casa as pessoas nem o querem ver porque o consideram um problema.

 

Tu não podes ser resistente à graça de Deus, mas ao diabo. A palavra resistir tem o significado de combater e para isso precisamos de armas. E vêem-se poucos católicos com o terço e bíblia na mão!

 

Todos sabemos que para combater o maligno é preciso ter no coração a Palavra de Deus. Resistir ao diabo não é aceitar os ataques passivamente, mas é enfrentá-lo com todo o peso da Palavra Divina.

 

Uma vida de vitória sobre o mal. Se tu estás no caminho do pecado, afasta-te!

 

A Bíblia não diz que procedendo desta maneira, o diabo se retire. A Bíblia também não diz para resistir e não seremos envergonhados. Ela diz que ele fugirá de nós, pois não é capaz de resistir ao poder de Deus que está em ti.

 

Resiste, porque tu vales o Sangue de Cristo!

 
Como vencer o Maligno Imprimir e-mail

COMO VENCER O MALIGNO

A palavra de Deus instrui como vencer todas as insídias de satanás. Força particular de perdão aos inimigos.
João Paulo II dizia: «chamemos pelo nome o verdadeiro inimigo»

 

Comecemos por recordar as acções do maligno (é este o termo referido do Novo Testamento, para indicar o demónio) que tem dois aspectos: acção ordinária à qual estamos sujeitos. Também Jesus querendo ser em tudo semelhante a nós, excepto no pecado, aceitou sofrer a acção ordinária do demónio, ou seja, as tentações.

Como vencê-lo?

O próprio Jesus nos indica os dois meios indispensáveis: Vigiar e rezar, para não cair em tentação» (Mt, 26.4).

Existe também uma acção extraordinária do demónio. Além de nos encher de tentações, o maligno tem poderes, por permissão divina, de causar tormentos particulares. São habitualmente elementos em cinco formas: tormentos exteriores, possessões, vexações, obsessões, infestações. Não bastam, muitas vezes, a oração e a vigilância: o Senhor pede-nos mais. Pede-nos o jejum e sobretudo o exercício de virtudes, em particular, a humildade e a caridade.
Estas duas virtudes, tipicamente cristãs, desconcertam satanás, incomodam-no completamente. O maligno é todo orgulho, rebelião a Deus, arrogância. E não há dúvida de que o orgulho é o mais forte dos defeitos, tanto que no Salmo (18) é chamado «o grande pecado». Frente a uma alma humilde, o demónio não pode nada. Note-se que a humildade tem dois aspectos complementares: sentir-se nada, porque reconhece a sua fragilidade e confiança em Deus, que nos ama e daí vem todo o bem. O demónio sabe muito bem estas coisas e ataca-nos com a nossa complacência e com todas as formas de divisão.

A caridade é, pois, a rainha das virtudes, com muitos aspectos:
dar, dar-se, ser clemente e compassivo... e é incompreensível ao demónio porque todo ele é ódio. Mas há um aspecto particular da caridade que é verdadeiramente heróico (é talvez o preceito mais difícil do Evangelho) que tem uma força particularíssima contra os assaltos do demónio e que vão além das vitórias que satanás pode ter obtido sobre nós: é perdoar de coração e amar os inimigos (ou seja, os que habitualmente nos querem mal e até os que continuam a fazê-lo).
Foi-me dado compreender por frequentes exorcismos feitos a pessoas possuídas pelo demónio ou feridas por distúrbios maléficos menores, porque os meus exorcismos não produziam nenhum efeito. Então, procurei individualizar, com a ajuda de pessoas atingidas. Interroguei a fim de saber se na alma daquela pessoa havia ódio, ou até só rancor, se faltava o perdão do coração, que Jesus exige para conceder-nos o Seu perdão. E interroguei sobre o amor: se havia qualquer pessoa que não era sinceramente amada. Juntamente, procurava entre os familiares mais próximos, entre os amigos, os colegas de trabalho, os vivos e também os defuntos. E quase sempre encontrei carências e logo pude dizer claramente que era inútil continuar com o exorcismo sem que aquele obstáculo estivesse removido. Vi casos de perdão dados de coração, reconciliações heróicas, oração e celebrações de Missas a favor de pessoas de quem se continuava a receber o mal. Remorsos, obstáculos, a Graça de Deus descia com abundância.
Fiquei bem esclarecido que não se pode libertar de satanás só com a Palavra de Deus, as orações, os Sacramentos, o perdão, o amor sincero, sem exorcismos. Mas os exorcismos não produzem efeito se faltam estes exercícios.
Quero recordar uma verdade: quem são os mais assaltados, os mais feridos por satanás? São os jovens. Pelo que a sua vitória é duplamente meritória. Recorda-nos S. João quando exclama: «Escrevo a vós jovens, porque sois fortes, porque vencestes o maligno (1Jo 2,14).
Em relação a esta frase, o Santo Padre, João Paulo II, quando estava na ilha de S. Miguel, nos Açores (11.5.91), disse: «Sede fortes para a luta. Não para a luta contra o homem, mas contra o mal, ou melhor, chamando-o pelo nome, contra o primeiro artífice do mal. Sede fortes contra o maligno.
A táctica deste último consiste em não se revelar aparentemente, a fim de que o mal, por ele inserido, receba o seu crescimento pelo próprio homem....
É necessário ir constantemente às raízes do mal e do pecado:
juntar os seus mecanismos escondidos. - S. João: vós sois fortes e vencereis o maligno se a Palavra de Deus permanecer em vós.

O PODER DE SATANÁS


O Senhor não proíbe o maligno de fazer o mal, mas também sabe extrair deste mal o bem. 

 Há um princípio geral: Deus nunca renega as Suas criaturas. Criou-as livres e deixa-as agir. Depois, por fim, dará a cada um, segundo as suas obras. Mas, contudo, espera, como nos é dito muito bem na parábola do trigo e da cizânia. Por isso permite que satanás actue, os anjos actuem, que os bons e os maus cumpram as suas obras. Porque é que não mandou um acidente a Hitler ou a Staline? Porque é que deixa que os poderosos oprimam os fracos? Porque é que não intervém a defender os inocentes perseguidos Deus espera. Ele quer só o bem, a vida, a felicidade, a saúde, mas permite todo o mal que deriva do pecado, da rebelião a Ele. Mas é também verdade que sabe tirar do mal o bem: deixa mão livre aos persecutores e exalta os mártires.
É por isso que a Sagrada Escritura chama beato «o homem que supera as tentações» (Jo 1,12) e chama beato ao homem que podia transgredir e não transgride, que podia fazer o mal e não faz. No juízo final triunfam a Misericórdia de Deus e a Sua Justiça. Triunfa também a liberdade bem usada e é punida a liberdade mal usada.
Deus não renega, tão-pouco, as Suas criaturas que são demónios e permite que actuem como tal. A sua acção ordinária é a tentação e temos visto como Deus nos traz ao bem. Deus tira o bem até das acções extraordinárias do demónio, que raramente pode ser culpado ou não.
Então vejamos em que acção extraordinária o demónio tem o poder, seja para casos particulares, de cumprir o nosso mal. Reassume-o de modo sistemático, em cinco pontos.

1- Distúrbios externos. O demónio pode causar sofrimentos externos (ou seja, permanecendo fora da pessoa ferida) até muito graves. É o que aconteceu a muitos santos: S. Paulo da Cruz, Santo Cura d’Ars, S. Pio de Pietrelcina (Padre Pio)... Trata-se de agressões físicas, feridas de flagelo, pancadas em todas as partes do corpo. Às vezes deita a vítima por terra ou atira-a contra muros ou fá-la rolar pelas escadas. São factos raros, ocorridos não só com santos.

2 - Possessões diabólicas. É o distúrbio mais grave quando o demónio se estabiliza num corpo humano e o constringe a dizer coisas ou a fazer coisas das quais as pessoas nem têm responsabilidade, nem talvez capacidade. É neste caso que se verificam fenómenos vistosos, como falar línguas totalmente ignoradas pela vítima, demonstrar uma força sobre-humana, conhecer factos longínquos e segredos. O Evangelho apresenta-nos um típico exemplo do endemoninhado de Genezaré. Mas o Evangelho apresenta-nos também muitos outros exemplos. Os casos de possessões podem ser muito variados, às vezes com sintomas vistosos e outras vezes não.

3- Vexação diabólica. Trata-se de distúrbios menores, que não comportam possessão. Por exemplo, Job foi ferido na saúde, nos afectos, nos bens materiais, sem por isso ser possuído. Pessoas feridas na saúde (com males rebeldes sem que os medicamentos receitados por médicos consigam curar), nos afectos, nos bens e no trabalho, com fenómenos estranhos sobre a pessoa e sobre as próprias coisas, sem que por isso seja possessão diabólica.

4- Obsessão diabólica. Também neste caso o mal se apresenta de formas diferentes. Predominam pensamentos obsessivos, invencíveis, de modo a levar ao suicídio. Nestes casos, mais ainda do que nos outros, o exorcista deve estar muito atento e não confundir a acção do demónio com o mal psíquico ou com fenómenos parapsicológicos.

5 - Infestação diabólica. Infestação, é mesmo isto. Há casos em que o demónio, não actua sobre o homem, mas nas suas casas, sobre objectos, sobre animais.
Também desta forma são possíveis as acções diabólicas. São raras, mas requerem muita experiência para serem diagnosticadas, porque é muito fácil o engano, deixar-se vencer por sugestões, criar-se maneiras que dificilmente se vencem. Repetimos sempre que se trata de casos raros.
A maior prevenção é viver habitualmente na Graça de Deus. Mas também nestes casos de manifestações satânicas, Deus sabe tirar o bem, conversão, regresso a uma vida intensa de fé e de intensa de oração, abertura à caridade, perdão das ofensas, reconciliação, humildade e progresso espiritual.

S. João Crisóstomo, considera o maligno um instrumento de santificação, não para frasear um mérito, mas para glorificar a sabedoria de Deus que de tudo se serve para o nosso bem
D. Gabriel Amorth

Evangelho segundo S. Marcos 1,21-28.

Entraram em Cafarnaúm. Chegado o sábado, veio à sinagoga e começou a ensinar. E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei. Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.» Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, Doutor da Igreja


«Cala-te e sai desse homem»
«Jesus ameaçou o demónio dizendo: «Cala-te e sai desse homem.»». A Verdade não necessita do testemunho do Mentiroso. [...] «Não necessito do reconhecimento daquele que condeno. Cala-te! Que a Minha glória resplandeça no teu silêncio. Não quero que seja a tua voz a fazer o Meu elogio, mas o teu tormento; pois a tua condenação é o Meu triunfo. [...] Cala-te e sai desse homem!» Ele parece dizer: «Sai de Mim; que fazes sob o meu tecto? Eu desejo entrar: por isso, cala-te e sai desse homem, do homem, este ser dotado de razão. Abandona este lugar preparado para Mim. O Senhor deseja entrar em Sua casa, sai desse homem». [...]

Vede até que ponto a alma do homem é preciosa. Isto contraria os que pensam que nós, os homens, e os animais somos dotados de uma alma idêntica e animados por um mesmo espírito. Noutro momento, o demónio é expulso de um só homem e enviado para dois mil porcos (Mt 8, 32); o espírito precioso opõe-se ao espírito vil, um é salvo, o outro perde-se. «Sai desse homem, vai para os porcos, vai para onde quiseres, atira-te ao abismo. Abandona o homem, ou seja, aquilo que Me pertence por direito; não permitirei que possuas o homem, porque seria uma injúria para Mim se te estabelecesses nele em Meu lugar. Assumi um corpo humano, habito no homem: esta carne que tu possuis faz parte da Minha carne. Sai do homem.»

 

 
O Demónio Existe Imprimir e-mail
S. Lucas termina a narração das tentações de Jesus, dizendo: “O diabo afastou-se de junto d’Ele até um certo tempo”(4, 13).
Qual era este “certo tempo”, é o próprio Cristo que no-lo faz compreender, quando diz: “Agora é que é o julgamento deste mundo; agora é que será expulso o príncipe deste mundo”(Jo 12,31).
Mas esta luta continua depois de Cristo, no seu corpo. O Apocalipse diz que, vencido por Cristo, “furioso contra a Mulher, o Dragão foi fazer guerra ao resto dos seus filhos” (12,17). Por isso o apóstolo Pedro recomenda aos cristãos: “Sede sóbrios e vigiai! O diabo, vosso adversário, anda ao redor de vós, como um leão que ruge, buscando a quem devorar”(Pd 5,8).
Demónio, diabo, satanás, lúcifer, são quatro nomes que designam o anjo caído, lançado no inferno por Deus, em castigo da sua desobediência. E outros espíritos o seguiram. São os anjos maus.
O dogma da existência dos anjos maus ou demónios foi definido pelo IV Concílio de Latrão em 1215. A Bíblia apresenta muitas passagens, especialmente os Evangelhos.
Os anjos bons ajudam-nos a receber e a viver os bens espirituais do Reino de Deus. Os anjos maus, os demónios, podem tentar-nos no sentido de nos apartar do Reino de Deus e nos fazer cair no pecado.
Mas, graças à morte e à ressurreição de Jesus Cristo, nem a morte, nem o pecado, nem o demónio têm já poder sobre nós. A Palavra de Cristo, os Sacramentos, a nossa fé, a oração e a penitência livram-nos da malícia e da influência do demónio.
O exorcismo definitivo contra a presença em nós do demónio, foi o nosso Baptismo (“Sai desta alma, espírito Imundo, e dá lugar ao Espírito Santo”) e será sempre a graça de Deus, com a protecção dos anjos bons, da Virgem Maria e dos Santos.
A Igreja admite a possibilidade de que o demónio tenha influência sobre algumas pessoas. Nestas questões, contudo, há que ser prudente. Tal influência combate-se com a oração dirigida a Deus e com a invocação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nunca com práticas materiais, supersticiosas, violentas ou imorais.
Dizem que a maior astúcia do demónio é fazer crer que não existe.
Paulo VI: “O mal não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e pervertedor. Realidade terrível! Misteriosa e espantosa”.
Parece que ultimamente se fala pouco do demónio, mesmo a própria Igreja. Mas não é isso que o Catecismo da Igreja Católica demonstra.
E qual é o resultado deste silêncio? Algo muito estranho. Expulso pela porta, satanás entrou pela janela; expulso da fé, entrou através da superstição.
O mundo moderno, tecnológico e industrializado pulula de magos, espíritas recitadores de horóscopos, e diversas seitas satânicas.
A maior prova da existência de satanás não se tem nos pecadores ou nos endemoninhados, mas nos santos. É verdade que o demónio está presente e opera em certas formas extremas e “desumanas” de mal, quer individual quer colectivo, mas aqui ele sente-se em casa e pode esconder-se atrás de mil sósias e contrafiguras.
Ao contrário, na vida dos santos ele é obrigado a desmascarar-se, a “vir ao descoberto”; a sua acção sobressai claramente. No próprio Evangelho, a prova mais convincente da existência dos demónios não está nas histórias de libertação dos endemoninhados, mas no episódio das tentações de Jesus.
Uns mais outros menos, todos os santos e os grandes crentes dão testemunho da sua luta contra esta obscura realidade. S. Francisco de Assis um dia confiou a um seu companheiro íntimo: “Se os frades soubessem quantas e quão grave tribulações e aflições me dão os demónios, não existiria nenhum deles que não agisse com compaixão e piedade de mim”.
O confessor de Santa Catarina de Sena diz que ela era “martirizada” pelos demónios. O P. Pio de noite enfrenta lutas furibundas com os demónios. S. João Bosco, igualmente.
E se lembrarmos Job (cf 1,6 ss), vemos que Deus “confia” nas mãos de satanás os seus amigos mais queridos a fim de lhes dar a ocasião de demonstrar que não O servem só pelos seus benefícios. Dá-lhe poder não só no seu corpo, mas por vezes, misteriosamente, também na sua alma, ou pelo menos numa parte dela.
Há quem diga que o demónio não existe porque nunca o viu. É como um astronauta soviético que dizia que Deus não existe porque ele tinha viajado pelos céus e não O encontrara.
Não se deve ter excessivo medo dele. Depois da vinda de Cristo, “o demónio está ligado, como um cão à corrente; não pode morder ninguém, a não ser quem, desafiando o perigo, se aproxima dele... Pode ladrar, pode solicitar, mas não pode morder, a não ser quem o quiser. Não lhe dêmos demasiada importância. Ver o demónio em toda a parte não é menos desviador que não o ver em parte alguma. “Quando é acusado, o demónio fica contente. Quer até que tu o acuses, aceita de boa vontade qualquer reprovação, se isto serve para que não faças a tua confissão”.
Invocar a Mãe de Deus, é poderosíssima arma contra o demónio. A Imaculada esmagou-lhe a cabeça e continua a esmagá-la. Auxiliadora dos Cristãos, Ela defende-os velando por eles, cumprindo a missão recebida de seu Filho no Calvário. Escreveu Tomás Kempis: ”Os demónios temem a tal ponto a Rainha do Céu que, ao proferir se o seu grande nome, fogem de quem o profere como de fogo que abrasa”.
O DEMÓNIO E O INFERNO
Como falar às crianças?
De muitos lados me dirigem esta pergunta que interessa aos pais, catequistas e educadores.
O Senhor revelou-se no Antigo Testamento por meio dos Profetas e, por fim, manifestou-Se no Ministério público de Cristo: ensinou sempre toda a verdade a todos, grandes e pequenos. Certamente que as crianças compreendiam conforme a sua capacidade. Também o ensinamento privado deve ter em conta a idade e o método a usar com as crianças, conforme a sua capacidade, mas é erro grave esconder a verdade às crianças, temendo amedrontá-las.
Lembro-me, a este respeito, as observações da Irmã Lúcia de Fátima, quando, já idosa, pensava naquele famoso dia 13 de Julho de 1917, em que Nossa Senhora fez ver o Inferno aos pequenos videntes e lhes revelou os famosos segredos. Pois bem, Lúcia fez notar: «Quando alguma vez se teme falar do Inferno às crianças, por medo de amedrontá-las, Nossa Senhora, pelo contrário, quase sem ter em conta a nossa idade (7, 9 e l0 anos), não só falou do inferno, mas fez-nos vê-lo e ficámos aterrorizados a tal ponto que cairíamos de medo se Ela não nos tivesse segurado, pouco antes, não nos levava ao Paraíso». Esta visão e a visão das almas que em massa se precipitavam no inferno, ocasionou a estas três crianças um salto enorme de reparação, num zelo constante a oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores.
Quando Jesus aludia ao inferno, falava a todos, até às crianças, de cuja presença nos fala o Evangelho muitas vezes. O efeito produzido pela vista do inferno por parte das crianças de Fátima, diz-nos que muitas vezes as crianças compreendem perfeitamente à letra, sem minimizar, como fazem muitos adultos e teólogos, e depois comportam-se com coerência até heróica.
Além disso, creio que alguns conceitos fundamentais se podem e devem insistir com as crianças.
Conceitos básicos, para não amedrontar ninguém que devem estar bem presentes até nos adultos.
1- Um primeiro conceito é que Deus é bom e criou boas, todas as coisas e todos os seres, especialmente os seres inteligentes e imortais: anjos e homens. Deus não criou os criou diabos maus, Ele criou só anjos bons, mas deu aos anjos (como depois aos homens) o dom da liberdade.
Alguns anjos usaram mal este dom, sentiram-se grandes no seu orgulho e desobedeceram a Deus, em vez de seguirem o bem, seguiram o mal. E em vez de permanecerem anjos luminosos e felizes, tornaram-se demónios tenebrosos e desgraçados. Condenaram-se a si mesmos ao eterno suplício do inferno.
Também nós, homens, fomos criados por Deus, bons e para o bem. O fim para o qual estamos destinados é o Paraíso. Mas Deus deu-nos o dom da liberdade que dá méritos pelo bem que fazemos. Mas se copiamos o mal, temos culpa e condenamo-nos, a nós mesmos ao castigo. Efectivamente, quem faz o bem, recebe o bem, quem faz o mal, recebe o mal.
2 - Tendo-se tornado o demónio inimigo de Deus, procura fazer tudo para que também o homem se afaste de Deus e Lhe desobedeça. Eis por que nos tenta. Deus deu-nos um anjo que nos protege, cada um de nós tem o seu anjo custódio. Mas depende de nós obedecer á tentação do demónio ou à voz do anjo. Por isso, não devemos ter medo, mas sermos fiéis a Deus: quem é fiel a Deus vai para o Paraíso, como os anjos e os santos, quem se revolta contra Deus vai para o inferno, como os demónios.
3 - O demónio tem os seus aliados dos quais devemos estar à defesa. Os primeiros aliados são as nossas paixões desordenadas, que vão tomando conta de si, dos sacrifícios voluntários, com as acções vistosas, a oração, os sacramentos. Depois há outros aliados do demónio, que são as ocasiões do mal que o mundo pode apresentar, más companhias, leituras e espectáculos maus. Hoje é particularmente perigosa a televisão, que, a ser usada, seja com parcimónia e bem atentos á escolha dos programas. Por fim, desde pequenos é necessário saber distinguir o que é bom e o que é mal, o que é agradável a Deus e o que é contra os Seus ensinamentos. Obedecendo ao Senhor, se nos comportamos como os anjos, ou desobedecendo a Deus, comportando-nos como os demónios.
Como se vê, é sempre bom falar do diabo também às crianças, ensinando-as a não terem medo, porque o diabo não pode fazer-nos mal algum, se não formos nós a querê-lo. Pode tomar-se o exemplo dos anjos e dos demónios, para distinguir o bem do mal, a obediência a Deus e a desobediência a Ele e, por consequência, o prémio e o castigo que dependem do nosso comportamento.
D. Gabriele Amorth
 São Paulo e os demónios
São Paulo aconselha-nos a ser prudentes e a distinguir o bem do mal. A razão principal que dá é dupla: o nosso ‘eu’ e os Anjos infiéis. Os Anjos caídos no pecado são especialmente perigosos porque aproveitam as tendências desordenadas do nosso egoísmo e desviam as nossas boas intenções, disfarçando-se em “anjos da luz”. Estaremos, então, expostos à sua influência sem qualquer amparo? Já considerámos vários critérios, tais como a caridade, a obediência e a pureza. São Paulo, porém, ensina-nos mais sobre o mundo espiritual em que vivemos. “Não é contra seres humanos que temos de lutar, mas contra os espíritos do mal” (Ef 6,12). Porque ele nos dá este ensinamento, devemos escutá-lo com atenção.
1. Confrontação de Paulo com os demónios
São Paulo não quis conhecer nada senão CRISTO, e CRISTO crucificado. “Eu sou JESUS, a Quem tu persegues” (Act 9,5). Esta sua confrontação pessoal com JESUS perseguido diante das portas de Damasco marcou profundamente a sua vida. De modo semelhante, aquilo que São Paulo narra acerca dos espíritos caídos, aprendeu-o principalmente por uma confrontação pessoal ou pela experiência. Algumas destas fortes confrontações com os espíritos do mal são recordadas directamente na Sagrada Escritura, outras conhecemo-las de maneira mais indirecta.
a) Um espinho na carne, um anjo de Satanás
Na segunda carta aos Coríntios, capítulos 11-12, São Paulo fala largamente do seu apostolado. Ele tinha “receio que, assim como a serpente seduziu Eva com a sua astúcia, assim sejam corrompidos os vossos pensamentos, e se afastem da sinceridade para com CRISTO” (2 Cor 11,3), “por falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçados de apóstolos de CRISTO” (2 Cor 11,13). Para lhes revelar a imagem de um verdadeiro apóstolo, ele faz uma descrição do seu proceder pastoral (cf. 11,1=2), dos seus sofrimentos (cf. 11,23-29) e dos seus trabalhos abnegados em favor deles (cf. 11,7-9). A estes pertencem também as graças que DEUS lhe concedeu e as fraquezas que teve que suportar com humildade. Ele ‘foi arrebatado até ao terceiro céu” (12,2), mas foi-lhe também “dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me ferir” (12,7b), “para que não me enchesse de orgulho por causa da abundância das revelações” (12,7a). Não é muito importante saber que género de “espinho” foi mas, sim, que DEUS quis permiti-lo, e que na Sua providência os ataques de Satanás foram os meios escolhidos pelos quais DEUS quis modelar e transformar o Seu grande instrumento, levando-o à perfeição. Paulo formula assim o seu comentário: A esse respeito, “por três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim, mas ELE respondeu-me: “Basta-te a Minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza” (2 Cor 12,8-10).
b) Confrontação de Paulo com os espíritos malignos
Nos Actos dos Apóstolos, São Lucas narra longamente as actividades do Apóstolo dos gentios. Foi especialmente em Éfeso que São Paulo foi confrontado com os espíritos malignos. “DEUS fazia milagres extraordinários por intermédio de Paulo, a tal ponto que bastava aplicar aos doentes os lenços e as roupas que tinham estado em contacto com o seu corpo, para que as doenças e os espíritos malignos os deixassem” (Act 19,11-12). A sua actividade missionária foi, portanto, acompanhada da expulsão de demónios. Isto levou “alguns dos exorcistas judeus, ambulantes “, a recorrer ao seu nome: “Conjuro-vos por JESUS, a Quem Paulo anuncia... Mas o espírito maligno replicou-lhe: “eu conheço JESUS e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?” E atirando-se a eles o homem que estava possuído do espírito maligno, apoderou-se de uns e de outros e tratou-os tão violentamente, que tiveram de fugir daquela casa nus e cobertos de contusões” (Act 19,13-16). Também “muitos dos que se tinham dedicado à magia trouxeram os seus livros e queimaram-nos diante de todos. O valor dos livros foi calculado em cinquenta mil moedas de prata” (19,19). Mas apareceu “um certo Demétrio, que construía santuários de Ártemis, de prata e proporcionava aos artífices um negócio lucrativo “. Receando perder os seus negócios, estes causaram uma grande confusão e oposição ao trabalho missionário de Paulo (cf. Act 19, 24ss). Consciente disso, São Paulo disse aos “anciãos da Igreja” de Éfeso: “Sei que, depois de eu partir, se hão-de introduzir, entre vós, lobos temíveis que não pouparão o rebanho e que, mesmo no meio de vós, se hão-de erguer homens de palavras perversas para arrastarem os discípulos atrás de si. Estai, pois, vigilantes...” (Act 20, 17. 29-31).
Estas e certamente muitas outras experiências formam o pano de fundo das mais conhecidas afirmações de São Paulo acerca da luta espiritual contra os espíritos malignos, escritas precisamente aos Efésios (cf. 6, 10-12).
Estas referências aos espíritos malignos na vida de São Paulo dizem-nos antes de tudo que a sua existência é um facto. Então, a presença de DEUS entre os homens e o anúncio do Evangelho excita o inimigo: a luz da verdade divina desmascarará os filhos das trevas. Ao mesmo tempo, porém, é verdade que os inimigos de DEUS também servem os Seus planos para a santificação dos homens. Esta é uma das razões por que São Paulo transmite em todas as suas cartas uma opinião muito positiva da vida e exorta todos à alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo digo: Alegrai-vos!” (Fl 4,4; cf. 2 Cor 13,11 etc.), porque “Quem poderá separa-nos do amor de CRISTO? Estou convencido que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro nem a altura nem o abismo nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS que está em CRISTO JESUS, Senhor nosso” (Rm 8,35, 3 8-39).
2. Diferenças entre os espíritos malignos
São Paulo não hesita em falar sobre os inimigos e até o faz muitas vezes.
a) Diferenças individuais e genéricas
Ele menciona dez vezes “Satanás “, um termo que em geral é reconhecido como um nome pessoal (cf. Rm 16,20; 1 Cor 5,5. 7,5; 2 Cor 2,11. 11,14; 12,7; 1 Ts 2,18; 2 Ts 2,9; 1 Tm 1,20. 5,15). Refere seis vezes, de um modo geral, o chefe dos maus espíritos sob o nome de “diabo”, que é praticamente um título próprio (cf. Ef 4,27. 6,11; 1 Tm 3,6s.; 2 Tm 2,26 e Heb 2,14). Em duas ocasiões fala dos “demónios” (1 Cor 10,20-21 e 1 Tm 4,1). Ainda podemos acrescentar a referência aos “exércitos “; já ouvimos São Paulo dizer que a nossa luta é “contra o exército dos espíritos do mal que estão nos céus” (Ef 6,12).
b) Espíritos malignos de certos coros
São Paulo refere-se também aos maus espíritos em relação aos nomes de coros angélicos: Em Ef 6 ouvimo-lo falar da nossa luta “contra os principados, potestades, contra os dominadores (virtudes) deste mundo de trevas (Ef 6,12). Aos Colossenses ele falou da vitória de CRISTO sobre os “poderes e as autoridades, os quais expôs publicamente em espectáculo e sobre os quais celebrou o seu triunfo “. (Cl
2,15).
Implicitamente, afirma-se aqui que os Anjos são pessoas individuais. Ao mesmo tempo estão em relação uns com os outros. Por isso, foi possível que anjos individuais dos diferentes coros caíssem e continuassem a ter as características dos coros em que foram criados (cf. Cl 1,16).
c) Referências descritivas
O termo “espírito” refere simplesmente à natureza das primeiras criaturas de DEUS. Paulo refere-se expressamente a um espírito caído em Ef 2,2: “Vivestes outrora de acordo com o curso deste mundo, com o príncipe que domina os ares, o espírito que agora actua nos rebeldes “. Assim, a palavra “exércitos” e os nomes dos diferentes coros relacionam-se antes com o género das suas actividades, não com a sua escolha diante de DEUS. E por isso que São Paulo acrescenta algumas características particulares para especificar se está a falar de bons ou de maus espíritos. Tais características referem-se à qualidade moral das suas actividades, ao fruto que pretendem conseguir com as suas acções. Na carta aos Hebreus, São Paulo fala de JESUS que pela Sua morte destruiu “aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo” (Heb 2,14). E aos Coríntios, Paulo fala do “deus deste mundo” (2 Cor 4,4) e ainda aos Efésios “do príncipe que domina os ares; o espírito que agora actua nos rebeldes” (Ef 2,2), “os dominadores deste mundo de trevas” e “o exército de espíritos do mal que estão nos céus” (Ef 6,12).
3. Estarão eles presentes em toda a parte?

As descrições precedentes podem levantar certas questões: Não é necessário perguntar como é que São Paulo sabia todas estas coisas; basta-nos acreditar que a palavra que dele recebemos ‘é verdadeiramente palavra de DEUS” (1 Ts 2,13).
Há uma questão muito séria: Será que Paulo vê actuar os demónios por toda a parte, no ar, nas trevas, entre os rebeldes e onde encontramos a morte? Será que as suas cartas provocam medo aos leitores, o que poderia ser um perigo contra qual a Igreja recentemente nos avisou: “A devoção popular aos santos Anjos, que é legítima e boa, poderá, porém, fazer surgir a possibilidade de desvios se... os fiéis tiverem a ideia que o mundo está sujeito a lutas demiúrgicas... nas quais o homem fica à mercê de forças superiores.., ou se os acontecimentos diários da vida.., forem interpretados esquemática ou simplisticamente, portanto de modo infantil, o que leva a atribuir todos os revezes ao diabo e todos os sucessos ao Anjo da Guarda” (Liturgia e devoção popular, 217). O próprio Paulo alerta para tal opinião deturpada do mundo: “Não vos deixeis inferiorizar por quem quer que seja que se deleite com práticas de humildade ou culto dos anjos. E gente que, dando atenção às suas visões, em vão se gloria com a sua inteligência carnal e não se apoia naquele que é a Cabeça; é a partir dele que todo o Corpo abastecido e mantido pelas junturas e articulações recebe o seu crescimento de DEUS” (Cl 2,18-19). Todavia, para São Paulo tudo é recapitulado e está sujeito a CRISTO que é a Cabeça (cf. Ef 1,22-23). São Paulo ensina com toda a clareza — e muito mais frequentemente do que se refere ao mal — que JESUS “despojou os poderes e as autoridades” (Cl 2,15; cf. Rm 16,20) e que o PAI “nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o Reino do seu amado FILHO” (Cl 1,13). Mas é certo que não corresponderia à plena verdade se São Paulo se tivesse silenciado sobre a existência dos espíritos condenados e tivesse deixado de descrever as suas actividades, porque temos de os combater com a graça de CRISTO para ganhar a coroa.
Juntemo-nos a São Paulo na nossa vocação maravilhosa para proclamar aos homens: “Não estais nas trevas, irmãos,.., todos vós sois filhos da luz e do dia” (lTs 5,4-5). No entanto, faz parte da realidade da nossa peregrinação saber que há perigos à nossa volta, que há inimigos que não desejam a nossa felicidade. Por isso, temos de aceitar a instrução que São Paulo nos dá sobre os espíritos malignos e não deixar de transmitir a palavra do Senhor “Vigiai e rezai”, para que ninguém, por negligência nossa, deixe de chegar à grande e indescritível meta que DEUS preparou para todos nós.
Quatro formas de ver o diabo
O diabo nunca pode amar o homem 
Há quatro tipos de pessoas, que vêem de forma diferente o diabo.
1 - As que vêem o diabo em todo o lugar. Mesmo nas coisas mínimas: “Aí está o diabo!” Encontramos este modo de pensar em muitas pessoas, pois, se algo não dá certo, pensam logo em feitiços, dizem que o diabo está ao redor delas, que necessitam de exorcismo, etc. São evidentemente exageros.
2 - As pessoas para quais o diabo simplesmente não existe. O diabo é um produto cultural e nada mais, uma personificação do mal.
3 - As que crêem na existência do diabo, mas somente em teoria. De facto elas ignoram-no totalmente, nunca falam dele, não lhe atribuem nenhuma iniciativa. Isto é muito cómodo para o diabo porque, quando ele é ignorado, ele pode agir muito mais facilmente e sem ser incomodado.
4 - As que acreditam na existência do diabo, que lutam contra ele, mas consideram Cristo como o centro da teologia ou da vida.
Apesar do diabo ter sido vencido, ele faz tudo para destruir o Reino de Cristo. A sua batalha não é, principalmente, contra nós, mas contra Cristo. É contra nós enquanto somos filhos do Reino; atacando os filhos do Reino o diabo ataca o Reino de Cristo para o enfraquecer. Isto é o que motiva o inimigo.
Para uma pessoa que está na caminhada da fé, o diabo não deve meter medo. Ao contrário, é ele quem precisa de ter medo de nós e isto por uma razão muito simples: porque ele vê que tudo que Jesus reservava para ele, no início da criação, Jesus agora pôs nas nossas mãos. Toda a graça, a glória que era para Lúcifer, o anjo da luz, agora ele vê-a em nós. E o diabo vê em nós pessoas fracas, por um lado, mas fortes por outro, por causa da armadura que nos protege e pelas armas que temos em mãos.
Desta forma o diabo tem medo dos filhos de Deus e tem medo de forma especial dos sacerdotes, pelas armas que tem nas mãos, especialmente o Sacramento da Reconciliação. Na celebração do Sacramento da Reconciliação, a pessoa passa de um lado para outro: renuncia à escolha que fez a favor do diabo e aceita novamente Cristo na sua vida. Este é o momento mais forte da derrota do diabo.
O diabo nunca pode amar o homem, nem os participantes de seitas satânicas, os seus adeptos; não pode amá-los! Os diabos entre si odeiam-se, há um grande ódio entre os diabos. Um pouco de amor no inferno, apagaria tudo o que é o inferno, mas lá somente existe ódio, mesmo entre os demónios. Portanto, quando o diabo oferece ao homem alguma coisa que parece boa, por exemplo, uma cura, ela acaba num desastre.
Devemos prestar atenção, desta forma, à fonte, e não ao resultado aparente. Se a fonte é o inimigo, o inimigo é ódio, portanto, não nos pode oferecer nada por simpatia por nós.
do livro Cura do Mal e libertação do maligno – de Frei Elias Vella
Frei Elias Vella
 
Patologia psiquiátrica e satanismo cultural Imprimir e-mail

Patologia psiquiátrica e satanismo cultural

Entrevista com o presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos

Nos dias de hoje, entre as diversas formas de desvio juvenil, assistimos à expansão do fenómeno do satanismo cultural, cada vez mais preocupante, com a cumplicidade da fácil disponibilidade de conteúdos esotéricos na internet e a falta de valores fortes na família. Quem está convencido disto é o Dr. Tonino Cantelmi, psiquiatra e presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos, coautor, com a psicoterapeuta Cristina Cacace, de «O livro negro do satanismo» que fala de uma verdadeira invasão dos convites à cultura satânica através de livros, revistas, mas sobretudo blogs e cinema. Cantelmi alerta em concreto sobre os novos dramáticos cenários que esperam o homem na próxima década, e que não serão já paraísos opiláceos, mas temáticos: Second Life, salas de convívio, internet, facebook etc. projectam uma perspectiva de humanidade deprimida, mais compulsiva. 

Nesta entrevista Cantelmi explora o limiar entre possessões demoníacas e psicopatologias. 

– A nossa sociedade hipertecnológica está de verdade tão fascinada pelo satanismo?

– Cantelmi: A verdadeira questão é: nós encontramo-nos diante de cruéis aduladores de Satanás ou frágeis filhos dos tempos actuais? Nós estamos a assistir a um satanismo cultural e ao desenvolvimento de um satanismo ateu, no qual Satanás é a ocasião para um ulterior encobrimento, é uma evolução. Se até pouco tempo atrás o satanismo se escondia por trás das sombras das cidades ou nos povoados, hoje, em rede, o satanismo adquiriu pleno direito de cidadania: converteu-se num produto de consumo. Os nossos jovens são atraídos por uma série de crenças, seitas, religiões diferentes. Na amostragem examinada, 76% dos casos se interessam por magia, cartomancia, ritualismo, iniciação, esoterismo, enquanto o contacto com material satânico é facílimo em 78% dos casos, sobretudo através da música, cinema, livros e internet. Respondendo a perguntas mais específicas, mais de metade dos jovens confessa que tem curiosidade pelo satanismo; 1 de cada 3 jovens declara sentir-se atraído; 10% diz que se Satanás lhe assegurasse a felicidade, não teria dificuldade em segui-lo, sinal este de infelicidade e do sofrimento que há no mundo actual. Uma frase muito difundida na rede, em todas as páginas introdutórias de sites satânicos, é de John Milton, extraída de «Paraíso Perdido»: «É melhor ser soberanos no inferno do que servos no paraíso». 

– Pode-se falar por um lado de fenómenos sobrenaturais e por outro de patologias psiquiátricas? Há uma área nebulosa na qual estes elementos se confundem?

– Cantelmi: Num estudo levado a cabo entre 10 pessoas, entre as quais – segundo exorcistas – havia certamente fenómenos sobrenaturais, emergiram também problemas psiquiátricos. A tarefa complica-se muitíssimo se o problema é distinguir entre pessoas que sofrem doenças psiquiátricas e as que vivem experiências sobrenaturais. Lamentavelmente, a fragilidade psíquica é um forma de entrada extraordinária de sofrimento de todo tipo. Isto indica que psiquiatras e exorcistas devem colaborar uns com os outros. Muitos psiquiatras são indiferentes, relegam o mundo do exorcismo ao da superstição; a psiquiatria e a psicologia são ciências relativamente jovens que tiveram de lutar para definir os seus próprios estatutos epistemológicos e que têm muitas áreas fronteiriças. Só estabelecer o que é normal e o que é patológico já exige contribuições da antropologia e da filosofia. Freud, que para nós é como pré-histórico, categoriza o fenómeno religioso dentro dos problemas neuróticos: tende a não ver consistência neles, realidade; tende a ver o seu aspecto de vivência neurótica. Precisamente neste momento estou denunciando a discriminação que os pacientes crentes sofrem nas psicoterapias, porque os seus valores são com frequência ridicularizados por muitos terapeutas ou, na maioria das vezes, ignorados.Uma coisa que é preciso combater são os sincretismos, ou seja, os «psicossantos», os psiquiatras, os psicólogos que abençoam, que rezam com os seus pacientes. O psiquiatra deve ser psiquiatra!Penso também que nós, os psiquiatras, não podemos explicar toda a realidade humana. Descobri que os exorcistas são pessoas muito avançadas. Conseguem detectar o sofrimento psíquico e encaminhar com confiança os seus pacientes ao tratamento do psiquiatra. Os exorcistas estão absolutamente abertos à contribuição dos psiquiatras. 

– Que tipo de problemas psíquicos a possessão demoníaca pode simular?

– Cantelmi: Entrando no específico da psiquiatria, abrem-se diante de nós dois grandes âmbitos: o delírio e as alucinações. Chamamos delírio ao transtorno do pensamento, enquanto as alucinações são um transtorno das percepções: são dois elementos patológicos do ponto de vista psíquico; o pensamento é um processo mental que comporta a manipulação de símbolos; e isto dá-se através da formação de conceitos, de mecanismos de abstracção, de generalização, do raciocínio, processos elaborados que usam regras para chegar a resultados concretos.Os psiquiatras distinguem duas grandes áreas de sintomas no que se refere aos transtornos do pensamento: os de conteúdo, que se referem às ideias e empenham toda a área do delírio, e os formais, que se referem ao modo no qual estas ideias se unem. Como se identifica o delírio? Antes de tudo, deve-se dizer que o delírio não muda, não se pode sobrepor à crítica, caracteriza-se por um conteúdo não coerente com a realidade. Há delírios facilmente detectáveis e outros, ao contrário, muito mais consistentes e dificilmente detectáveis. O delírio pode ser excêntrico, privado de lógica, ou sistemático e, portanto, com uma lógica interna. O delírio pode ser de vários tipos: de influência, de referência, de perseguição, de grandeza, de ciúmes – o cônjuge é um traidor –, erotomaníaco – uma pessoa importante está apaixonada por mim –, hipocondríaco, somático – sinto que o meu fígado é de cristal –, místico, de culpa, de ruína, niilismo – o paciente está convencido de que está morto. O delírio é um sintoma de várias patologias, por exemplo, a excitação maníaca, e aqui as coisas complicam-se, porque o paciente neste estado é um paciente inteligente, activo, que talvez tenha um delírio de grandeza e que talvez tenha inclusive alucinações, vê coisas, ouve vozes, constrói uma realidade, articula-a e explica-a bem. Pode ser convincente e pode ser muito difícil captar estes aspectos. Num delírio de influência, o sujeito sente que na sua cabeça entram pensamentos, está convencido de ser tele-dirigido. Grande parte dos delírios são de perseguição: o sujeito interpreta que alguns factos estão contra ele. Outra característica é que este conteúdo é sempre interpretado como autorre-ferencial: passa um carro e toca a buzina: para mim, se estou a delirar, é um sinal, confirma o que estou a pensar, ou seja, refiro a mim mesmo uma série de experiências casuais. Alguns delírios escondem-se; há pessoas que deliram e guardam para si. Hoje, a sociedade competitiva desenvolve mais delírios de perseguição, de ameaça, de agressão, mas o ponto importante é que o delírio não está sozinho, e sim acompanhado de transtornos das percepções, que em geral confirmam o delírio. Por exemplo, no delírio de envenenamento (há alguém que me está a envenenar), quando provo certo alimento, noto o sabor do veneno, tenho uma alucinação gustativa, percebo o seu odor. Tive um paciente que derrubou uma parede porque tinha uma alucinação olfactiva, cheirava a enxofre e estava convencido de que naquela parede estava o demónio. As alucinações visíveis podem ser de dois tipos: vejo que Nossa Senhora me aparece, ou não a vejo, mas o meu cérebro constrói uma imagem, tem alucinações olfactivas, gustativas, visuais, tácteis...Os mais frequentes são os delírios auditivos, ou seja, quando ouço vozes que comentam a minha actuação, que me ofendem, que me agridem, que não me deixam em paz, que me mandam fazer algo, vozes teológicas que me dão o sentido do que estou a fazer, vozes que interpretam os demais, vozes que indicam um comportamento. Então, posso sentir-me perseguido por uma pessoa, sinto que o seu olhar me está a dizer muitas coisas, ouço que é uma voz de homem, é a voz de Deus. Entre as perturbações do pensamento está também a mistura de palavras, o falar associando ideias e conceitos por assonância, sem nem sequer conhecer o seu sentido. Na esquizofrenia, o sujeito inventa palavras, neologismos, fala com ritmo e parece que verdadeiramente fala outra língua, ainda não tendo nenhuma conexão com outra língua. Os transtornos formais do pensamento também podem ser positivos: o sujeito fala muito, de maneira detalhada; dá-se também o fenómeno da fuga das ideias, ou seja, a pessoa bloqueia porque as palavras não conseguem já seguir o seu pensamento, que é muito veloz. Ou a incapacidade de fazer associações mentais (o sujeito parte de um ponto e não chega nunca a dizer o que tem que dizer). Há também a glossolalia, ou seja, a expressão de mensagens reveladoras, com palavras incompreensíveis, típico dos esquizofrénicos, quando o sujeito está convencido de ter um anúncio para a humanidade. Ou a ecolalia, ou seja, a impossibilidade de falar se não for repetindo o que outros dizem. Dá-se também um eco dos gestos, quando as pessoas não fazem outra coisa senão repetir os gestos que vêem outros fazerem.Há também os transtornos negativos, como o bloqueio das ideias: o sujeito responde sempre do mesmo modo, tem pobreza de expressão. O ponto álgido dos transtornos formais do pensamento é o transtorno obsessivo, que se caracteriza por pensamentos, impulsos, imagens que sinto como estranhas e tento afastar, mas sem conseguir, e para fazê-lo tenho de recorrer a ritos, compulsões. Tenho um paciente obsessivo que enquanto recita as Laudes pela manhã, começa a pensar numa pessoa. O pensamento obsessivo, que é um pensamento inclusive mágico, se lhe insinua e lhe diz: «Aquela pessoa hoje morrerá», «sou responsável pela morte dessa pessoa», «se isso me acontece neste salmo, eu o repetirei nove vezes», pensa o meu paciente. Muitas pessoas obsessivas sentem com frequência o impulso de rir num funeral e blasfemar numa igreja. Na realidade, o paciente obsessivo nunca o faz, não cede, mas sofre por isso e combate-o. Porque a sua vida está feita de impulsos que são a cara comportamental das obsessões. A vida de um obsessivo transformar-se-á com o tempo numa vida terrível e dolorosa de compulsões. Desde sempre, este tipo de psique que Freud já definia como «parasita» penetrou na humanidade e desde sempre a obsessão foi considerada uma loucura lúcida, mas de grande sofrimento.

– Falávamos das origens do delírio, mas há outro fenómeno que geralmente se mistura com o delírio, o transtorno da percepção...

– Cantelmi: Sim, e as percepções podem ser de diversos tipos: temos ilusões, alucinações, as pareidolias e as pseudoalucinações. As ilusões, que são erros compatíveis com o estado emocional do sujeito, pertencem à humanidade do nosso ser, não dão lugar a patologias. São as alucinações que dão lugar a patologias. Quando se trata de pareidolias, vejo uma mancha na parede e parece-me um animal, são pseudoalucinações. Muitos não falam de ouvir vozes, mas nós compreendemos porque, enquanto eu falo, parece que estão a escutar outra coisa. Talvez a voz lhe está a dizer: «Podes confiar» ou «não confies». Aqui encontramo-nos diante de uma falsa percepção sensorial não associada a estímulos externos. Pode inclusive dar-se uma interpretação delirante da experiência alucinatória. Algumas alucinações que acompanham o sono chamam-se hipnagógicas e dão-se também em contextos normais. Podemos ter formas de alucinação quando dormimos ou despertamos, mas não são patológicas. As alucinações podem também ser de ordens: as mais frequentes são as auditivas; as visuais dão-se sobretudo nos estados de excitação maníaca, na qual o sujeito vê e interage com divindades; as olfactivas, as mais frequentes, estão ligadas a alucinações relativas ao odor de enxofre, e as tácteis são muito interessantes e muito extensas: tem-se a sensação de que alguém ou algo, algum insecto, alguma realidade ou entidade tem a ver comigo. Especialmente se há uma estrutura de personalidade histérica, o mais frequente é a percepção de relações sexuais. A esquizofrenia é uma patologia imensa. É o grande enigma da psiquiatria. Sobre a esquizofrenia temos muitíssimo conhecimento, mas não temos nem conhecimentos definitivos nem intervenções farmacológicas ou terapêuticas resolutivas. Há um grande número de pacientes esquizofrénicos com as formas mais estranhas, mais extravagantes, mais clamorosas, mais escondidas. A velha histeria descompôs-se, pela actual nosografia, em vários grupos sintomáticos: Os transtornos somatoformes, o transtorno histriónico de personalidade, e a fuga psicógena. Actualmente, assistimos a uma transformação dos transtornos da ansiedade para transtornos somatoformes, ou seja, sintomas físicos de todo o tipo que não se incluem em patologias médicas de origem psicológica. Um exemplo é a cegueira histérica, quando alguém que não vê (e recupera a vista na noite de Páscoa). A outro tipo de histeria chamamos transtorno de personalidade histriónica, em pessoas especialmente sugestivas, necessitadas de atenções e muito dependentes. Outros transtornos histéricos converteram-se na fuga psicógena: o sujeito de repente foge de casa e já não se lembra de nada, tem amnésia sobre o que fizeram; ou o sujeito esquece tudo o que lhe aconteceu sem um evento traumático. Depois estão os transtornos de personalidade. Grande parte deles contaminam muitas das pessoas que vêm pedir ajuda. Todas as formas dissociativas, os transtornos de controle dos impulsos. A nossa sociedade, que é extremamente eficiente, hipercontrolada, vê o aumento do transtorno do controle dos impulsos. O sujeito perde o próprio controle de repente, em contextos impróprios. Torna-se agressivo, desarruma tudo, não consegue suportar a tensão e grita. Em geral, tem a ver com a área de agressividade, as formas de transdissociação. São sujeitos que enfrentam formas de suspensão da consciência segundo um fundamento dissociativo. Dá-se, por exemplo, em quem usa muito o computador. Um quadro sobre o qual frequentemente os pais pedem iluminação é o da criança incontida, que nunca está quieta, que não escuta, que não controla os impulsos, é o transtorno de deficit de atenção e hiperactividade, um quadro de uma criança vivaz que pareceria ser presa de um espírito que a leva a fazer mil coisas. Os progenitores não conseguem contê-la. A criança na verdade tem um deficit de atenção, é tão veloz que não consegue manter a atenção um segundo no que lhe dizem. Se entra num supermercado, vira tudo de pernas para o ar porque se sente atraído por tudo com uma velocidade extraordinária. Alguns que têm hiperactividade – que não se associa ao retardo mental – converteram-se em verdadeiros génios, como o caso de Mozart. A sociedade actual assiste a um aumento do número de crianças hiperactivas, incontroláveis, como se tivessem uma mola que salta de repente. Também, enquanto antes nos impressionava o abuso de um adulto sobre uma criança, hoje estamos impressionados pelos abusos das crianças para com as crianças, um fenómeno muito significativo. 

– Em que se baseia a fragilidade do homem actual? 

– Cantelmi: Há raízes que um psiquiatra nota e que estão na base desta nova fragilidade do nosso tempo, ligada sobretudo à crise das relações interpessoais. O terceiro milénio caracteriza-se por uma relação «tecno-mediatizada». Hoje não há nada mais difícil, mais complexo, mais incompreensível do que uma relação interpessoal estável e duradoura. Teoriza-se, por exemplo, sobre a «polifidelidade», ou seja, a impossibilidade de ser fiéis a uma só pessoa.«Be happy», um site de psiquiatria cosmética, dirige-se às mulheres e afirma que a ideia romântica de um homem durante a vida toda é uma ideia hoje impossível; se são românticas, podem ser então «polifiéis», fiéis a vários homens. Portanto, fiel ao seu marido enquanto mãe, fiel ao seu chefe enquanto mulher de carreira, fiel ao seu amante mais jovem do que tu, enquanto mulher transgressora. Não só é impossível que tu, na plenitude de ti mesmo, possas dar-te a outra pessoa, mas também é impossível que possas dar-te a outra pessoa por longo tempo. Teoriza-se assim a monogamia intermitente: fiel sim, mas por pouco tempo. A «polifidelidade» e a monogamia intermitente são só dois exemplos de como hoje se considera a dimensão afectiva frágil. As raízes desta crise podem ser encontradas na busca exasperada de emoções: estou bem contigo porque experimento emoções intensas; não sinto nada por ti e por isso busco novas emoções. A relação interpessoal converte-se, portanto, em algo imediato, não tem passado nem futuro. Isto explica a busca de comportamentos compulsivos, de dependências comportamentais, o uso da cocaína, etc. Há na internet um vídeo que reúne tudo isto: a busca exasperada de emoções mediante a cocaína, através da transgressão, da impossibilidade de entrar em relação com outro, a solidão, a ambiguidade e o narcisismo. Este vídeo não comercial diz exactamente, ainda que em modo extremo, para onde vamos. Quem o pôs na rede foi Marylin Manson com uma série de pequenos sinais satânicos, transgressores ao seu modo. Vê-se um homem sozinho, desesperado, que busca contactos, este homem cortou o coração (o «cutting» é um sinal satânico), é um homem ambíguo, nem homem nem mulher, andrógeno; profanou a Bíblia, colocando cocaína sobre ela. Graças a este pouco de cocaína, entra numa relação sexual de tipo impessoal, na qual não há já pessoas, mas só pedaços de carne. O que aparece é um mundo feito de tudo, onde o outro é uma ocasião para masturbar-se; é o homem que se fecha ainda mais em si mesmo e acaba por morrer numa espécie de suicídio.A outra raiz da fragilidade é a ambiguidade, a renúncia ao próprio papel. O tema da ambiguidade faz saltar pelos ares a responsabilidade, o papel do casal. Hoje tudo é fluido, não há masculino e feminino.  Por último, a outra grande raiz é o desenvolvimento do narcisismo. O homem de hoje sofre, está em crise pela sua incapacidade de relação com o outro e dirige-se a um mundo feito de tristezas, depressão, compulsões e transtornos da personalidade. A tecnologia promete a salvação fazendo compreender que todos estes problemas podem ser resolvidos, renunciando à relação face a face, e propondo-lhe um mundo virtual, cheio de emoções, narcisismo, ambiguidade e máscaras. 

 
O mal e o exorcismo Imprimir e-mail

O mistério do mal e o exorcismo

Podemos falar ainda sobre o Demónio nos dias de hoje?

Ouço comentários do tipo: «Padre, essa história de novo? Não me diga que acredita nisso…»
«Depois do século 21, com todas as descobertas da ciência não podemos acreditar mais nesses mitos e símbolos…»

Muitos cristãos já não acreditam na existência de Satanás e do inferno, que é a privação completa de Deus e fazemos uma verdadeira conspiração de silêncio com relação a este assunto, mesmo dentro da Igreja Católica.

Um grande poeta do século 19, na França já dizia que a maior mentira do demónio é nos persuadir que ele não existe. Assim, ele pode agir com toda liberdade para fazer o mal, semeando a confusão nos espíritos, atiçando o ressentimento, aumentando as disputas e o ódio, empurrando-nos para cairmos em suas armadilhas, chegando ao desespero e as vezes até ao suicídio.
Ele atrai o homem ao pecado e procura o desviar de Deus, de Jesus Cristo que é o único Salvador. Procura nos desviar da obediência de sua Lei de amor. Satanás quer fazer do homem seu aliado em sua própria revolta.
Isso que eu vos digo não é somente o resultado de meus estudos teológicos teóricos, desde que comecei no ministério do exorcismo, há 3 anos, já atendi mais de 500 pessoas. Com isso, quero dizer que muitas pessoas são hoje vítimas de armadilhas do Demónio.
Não posso lhes dizer que já o vi face a face, pois ele é uma criatura espiritual, mas já o escutei muitas vezes e descobri assim um mundo espiritual bem real, um mundo de trevas, de violência, de ódio, de opressão dos homens.
Meu ministério não tem muito a ver com o que é mostrado no cinema sensacionalista, mas é um trabalho maravilhoso de escuta, de acolhida para consolar e discernir, para conduzir à cura e libertação. E veja bem, tudo isso num clima não de medo, mas na confiança e esperança.
O Cristo é o vencedor, o Cordeiro de Deus, imolado por nossos pecados, ressuscitado para nos dar a vida eterna e para que vivamos na liberdade dos filhos de Deus.
«Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou: “Que tens tu connosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus intimou-o, dizendo: “Cala-te, sai deste homem!” O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu.»
Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: “Que é isto? Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!» Marcos 1,23-27
Ouvimos dizer às vezes que o demónio não é nada além de uma forma de falar do mistério do mal, são apenas figuras míticas, simbólicas, válidas só para aquele tempo, ou apenas um jeito de falar de doenças que não eram explicadas na época.
Mas os demónios são os anjos decaídos. Os padres do Concílio de Latrão 215, definiram de maneira dogmática a existência dos demónios como criaturas espirituais, que foram criadas boas por Deus - já que Ele não pode criar nada de mau - mas eles se tornaram maus por causa da própria revolta.
Eles rejeitaram por orgulho a bem-aventurança dada por Deus, se se estabeleceram para sempre nesta revolta contra Deus e tudo o que Ele fez. Rejeitando se submeter a vontade de Deus.
«É por inveja do Demónio que a morte entrou no mundo». Sabedoria 2,24
«O poder divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade, fazendo-nos conhecer aquele que nos chamou por sua glória e sua virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo.» II Pedro 2,4
Em Mateus 10,8 Jesus faz distinção entre os problemas de origem cura de doenças e possessão do demónio: «Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios»
Fomos prevenidos assim que o demónio parte em guerra em particular contra aqueles que querem viver na obediência a deus e que dão testemunho de Jesus Cristo. (Efésios 6)
Papa Paulo VI, em 1972, afirmou que a Igreja precisa anunciar o Evangelho e também se defender do Demónio. Certamente ela precisa anunciar o Evangelho, mas da mesma forma também precisa se defender daquele que se opõe a este anúncio.

Padre Jean Régis Froppo
Padre exorcista da Diocese de Fréjus-Toulon

 
25 segredos da luta contra o maligno Imprimir e-mail

Os 25 segredos da luta espiritual que Jesus revelou a Santa Faustina

 

Estas instruções tornaram-se a arma de Faustina na luta contra o maligno inimigo.

 

Jesus começou por dizer: ”Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual”. E deu-lhe estes conselhos:

1. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade.

A confiança é uma arma espiritual. O abandono à vontade de Deus é um ato de confiança; a fé em ação dissipa os maus espíritos.

2. Na desolação, nas trevas e dúvidas, recorre a Mim e ao diretor espiritual; ele responderá sempre em Meu Nome.

Em tempos de guerra espiritual, reza imediatamente a Jesus. Invoca o seu Santo Nome, que é muito temido pelo inimigo. Leva as trevas à luz contando tudo ao teu diretor espiritual ou confessor, e segue suas instruções.

3. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração.

No Jardim do Éden, Eva negociou com o diabo e perdeu. Precisamos de recorrer ao refúgio do Sagrado Coração. Correr até Jesus é a melhor maneira de dar as costas ao demónio.

4. Na primeira oportunidade, conta-a ao confessor.

Uma boa confissão, um bom confessor e um bom penitente são a receita perfeita para a vitória sobre a tentação e a opressão demoníaca. Isto não falha!

5. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações.

O amor próprio é natural, mas precisa de ser livre de orgulho. A humildade vence o diabo, que é o orgulho perfeito. Satanás tenta-nos no amor próprio desordenado, que nos leva à piscina do orgulho.

6. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma.

A paciência é a grande arma secreta que ajuda a manter a paz da alma, até nas grandes tempestades da vida. A paciência consigo mesmo é parte da humildade e da confiança. O diabo tenta-nos à impaciência, a voltar-nos contra nós mesmos, para ficarmos com raiva. Olha para ti com os olhos de Deus. Ele é infinitamente paciente.

7. Não descuides as mortificações interiores.

A Escritura ensina que alguns demónios só podem ser expulsos com oração e jejum. Pequenos sacrifícios oferecidos com grande amor. O poder do sacrifício por amor desaloja o inimigo.

8. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor.

Todos nós temos pessoas com autoridade sobre nós. O diabo tem como objetivo dividir e conquistar; então, a obediência humilde à autoridade autêntica é uma arma espiritual.

9. Foge dos que murmuram, como se da peste.

A língua é uma poderosa embarcação que pode causar muito dano. Murmurar nunca é de Deus. O diabo é um mentiroso que gera acusações falsas que podem matar a reputação de uma pessoa. Rejeita as murmurações.

10. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.

O diabo é um intrometido que tenta arrastar a todos. Procura agradar Deus e deixa de lado as opiniões dos outros.

11. Observa a Regra o mais fielmente possível.

Satanás tenta levar-nos à infidelidade, à anarquia e à desobediência. A fidelidade é uma arma para a vitória.

12. Se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer.

Ser canal da misericórdia divina é arma para fazer o bem e derrotar o mal. O diabo usa o ódio, a raiva, a vingança. Muitas pessoas já nos ofenderam. O que daremos em troca? Responder com uma bênção destrói maldições.

13. Evita a dissipação.

A alma faladeira é facilmente atacada pelo demónio. Derrama os teus sentimentos somente diante do Senhor. Os sentimentos são efémeros. A verdade é a tua bússola. O recolhimento interior é uma armadura espiritual.

14. Cala-te quando te repreenderem.

Todos já fomos repreendidos alguma vez. Não temos nenhum controle sobre isto, mas podemos controlar a nossa resposta. A necessidade de ter sempre a razão pode nos levar a armadilhas demoníacas. Deus sabe a verdade. Deixa-a ir. O silêncio é uma proteção. O diabo pode utilizar a justiça própria para nos fazer tropeçar também.

15. Não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança.

A simplicidade da vida pode expulsar os demónios. A honestidade é uma arma para derrotar Satanás, o mentiroso. Quando mentimos, colocamos um pé no terreno dele, e ele tentará seduzir-nos mais ainda.

16. Não te desencorajes com a ingratidão.

Ninguém gosta de ser subestimado. Mas quando nos encontramos com a ingratidão ou com a insensibilidade, o espírito de desânimo pode ser um peso para nós. Resista a todo desânimo, porque isso nunca vem de Deus. É uma das tentações mais eficazes do diabo. Sê grato diante de todas as coisas do dia e sairás a ganhar.

17. Não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo.

A necessidade de conhecer e a curiosidade pelo futuro são tentações que levaram muitas pessoas aos quartos escuros do ocultismo. Escolhe caminhar na fé. Decide confiar em Deus, que te leva ao caminho do céu. Resiste sempre ao espírito de curiosidade.

18. Quando o enfado e o desânimo baterem à porta do teu coração, foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração. Tem cuidado com isso, porque as almas ociosas são presa fácil do demónio.

19. Não tenhas medo da luta: a coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.

O medo é a tática mais comum do diabo (outra é o orgulho). A coragem intimida o diabo; ele fugirá diante da perseverante coragem que se encontra em Jesus, a rocha. Todas as pessoas lutam, e Deus é a nossa força.

20. Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo.

Jesus pede a Santa Faustina que lute com convicção. Nós, cristãos, somos chamados a lutar com convicção contra todas as táticas demoníacas. O diabo tenta aterrorizar as almas, mas precisamos de resistir ao seu terrorismo. Invoque o Espírito Santo ao longo do dia.

21. Não te guies pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, mas todo o mérito reside na vontade.

Todo o mérito radica na vontade, porque o amor é um ato da vontade. Somos completamente livres em Cristo. Precisamos de fazer uma escolha, uma decisão para bem ou para mal. De que lado estamos?

22. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras.

A dependência de Deus é uma arma de guerra espiritual, porque não podemos ganhar pelos nossos próprios meios.

23. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas.

Cristo instrui-nos claramente na Bíblia a estar preparados para grandes batalhas, para nos revestir da armadura de Deus e resistir ao diabo (Ef 6, 11).

24. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam.

Estamos todos num grande cenário no qual o céu e a terra nos olham. Que mensagem estamos a dar com a nossa maneira de viver? Que tonalidades irradiamos: luz? Escuridão? Cinza? A forma como vivemos atrai mais luz ou escuridão? Se o diabo não nos conseguir levar para a escuridão, tentará manter-nos na categoria dos medíocres, dos cinza, que não é agradável a Deus.

25. Luta como valorosos cavaleiros, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.

Estas palavras do Senhor podem transformar-se no nosso lema: “Luta como um cavaleiro!” Um soldado de Cristo sabe bem a causa pela qual lutas, conhece o Rei que serves; e luta até ao fim, com a abençoada certeza da vitória.

Se uma jovem poloca, sem formação, uma simples freira, unida a Cristo, pôde lutar como um cavaleiro, um soldado, todo cristão pode fazer o mesmo. A confiança é vitoriosa.

 

 
11 perguntas ao diabo Imprimir e-mail

11 PERGUNTAS FEITAS AO DIABO:

QUEM TE CRIOU?
Lúcifer: Fui criado pelo próprio Deus, muito antes da existência do homem. [Ezequiel 28:15]

COMO ERAS QUANDO FOSTE CRIADO?
Lúcifer: Vim à existência já na forma adulta e, como Adão, não tive infância. Eu era um símbolo de perfeição, cheio de sabedoria e formosura e as minhas vestes foram preparadas com pedras preciosas. [Ezequiel 28:12,13]

ONDE MORAVAS?
Lúcifer: No Jardim do Éden e caminhava no brilho das pedras preciosas do monte Santo de Deus. [Ezequiel 28:13]

QUAL ERA A TUA FUNÇÃO NO REINO DE DEUS?
Lúcifer: Como querubim da guarda, ungido e estabelecido por Deus, a minha função era guardar a Glória de Deus e conduzir os louvores dos anjos. Um terço deles estava sob o meu comando. [Ezequiel 28:14; Apocalipse 12:4]

ALGUMA FALTAVA-TE ALGUMA COISA?
Lúcifer: (pensativo, diminuiu o tom de voz) Não, nada. [Ezequiel 28:13]

O QUE ACONTECEU QUE TE AFASTOU DA FUNÇÃO DE MAIOR HONRA QUE UM SER VIVO PODE TER?
Lúcifer: Isto não aconteceu de repente. Um dia vi-me nas pedras (como espelho) e percebi que sobrepujava os outros anjos (talvez não a Miguel ou Gabriel) em beleza, força e inteligência. Comecei então a pensar como seria ser adorado como deus e passei a desejar isto no meu coração. Do desejo passei a fazer planos, estudando como firmar o meu trono acima das estrelas de Deus e ser semelhante a Ele. Num determinado dia tentei realizar o meu desejo, mas acabei expulso do Santo Monte de Deus. [Isaías 14:13,14; Ezequiel 28: 15-17]

O QUE DETONOU FINALMENTE A TUA REBELIÃO?
Lúcifer: Quando percebi que Deus estava para criar alguém semelhante a Ele e, por consequência, superior a mim, não consegui aceitar. Manifestei então os verdadeiros propósitos do meu coração. [Isaías 14:12-14]

O QUE ACONTECEU COM OS ANJOS QUE ESTAVAM SOB O TEU COMANDO?
Lúcifer: Eles seguiram-me e também foram expulsos. Formámos, juntos, o império das trevas. [Apocalipse 12:3,4]

COMO ENCARAS O HOMEM?
Lúcifer: (com raiva) Tenho ódio da raça humana e faço tudo para destruí-la, pois eu a invejo. Eu é que deveria ser semelhante a Deus. [1Pedro 5:8]

QUAIS SÃO AS TUAS ESTRATÉGIAS PARA DESTRUIR O HOMEM?
Lúcifer: O meu objectivo maior é afastá-lo de Deus. Eu estimulo a praticar o mal e confundo as suas ideias com um mar de filosofias, pensamentos e religiões cheias de mentiras, misturadas com algumas verdades. Envio os meus mensageiros travestidos, para confundir os que querem buscar a Deus. Torno a mentira parecida com a verdade, induzindo o homem ao engano e a ficar longe de Deus, achando que está perto. E tem mais. Faço com que a mensagem de Jesus pareça uma tolice anacrónica, tento estimular o orgulho, a soberba, o egoísmo, a inimizade e o ódio dos homens. Trabalho arduamente com o meu séquito para enfraquecer as igrejas, lançando divisões, desânimo, críticas aos líderes, adultério, mágoas, friezas espirituais, avareza e falta de compromisso (ri à descarada). Tento destruir a vida dos pastores, principalmente com o sexo, ingratidão, falta de tempo para Deus e orgulho. [1Pedro 5:8; Tiago 4:7; Gálatas 5:19-21; 1 Coríntios 3:3; 2 Pedro 2:1; 2 Timóteo 3:1-8; Apocalipse 12:9]

E SOBRE O FUTURO?
Lúcifer: (com o semblante de ódio) Eu sei que não posso vencer Deus e resta-me pouco tempo para ir ao lago de fogo, minha prisão eterna. Eu e os meus anjos trabalharemos com afinco para levarmos o maior número possível de pessoas connosco. [Ezequiel 28:19; Judas 6; Apocalipse 20:10,15]

MEDITEMOS NESTA MENSAGEM. ELA FOI ELABORADA COM BASE EM VERSÍCULOS BÍBLICOS.

HOJE, SE OUVIRDES A SUA VOZ DO SENHOR, NÃO ENDUREÇAIS OS VOSSOS CORAÇÕES. HEBREUS 3:7,8

"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a Sua vida em favor dos Seus amigos." João 15:13

 
Demónio: um assunto incómodo Imprimir e-mail

Demónio: um assunto incómodo - Reflexão de D. Murilo Krieger

 

''O mal não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o maligno, o anjo que se opõe a Deus'', diz Dom Murilo, citando o Catecismo da Igreja

O irlandês C.S.Lewis, escritor e teólogo anglicano, falecido em 1963, deixou-nos textos marcados pela erudição e pelo humor. Em mais de um livro abordou a questão do diabo e, num deles, foi particularmente criativo. Para expressar as suas ideias, imaginou um velho diabo escrevendo cartas ao sobrinho, um diabo jovem, inexperiente; queria que esse sobrinho se tornasse um “bom” diabo.
O subtítulo do livro – “Como um diabo velho instrui um diabo jovem sobre a arte da tentação” – indica aonde o autor queria chegar. O experimentado diabo procurava convencer o sobrinho de que, na arte de enganar os homens, era fundamental convencê-los de que ele, o diabo, não existia. Convictos os homens, disto, a acção do sobrinho seria mais fácil, rápida e eficaz.
Lembrei-me deste livro, editado no Brasil no início da década de 1980 ("Cartas do Coisa-Ruim"), diante de colocações do Papa Francisco, desde que iniciou o seu ministério. Ao contrário da forma como muitos tratam este tema – afastam-no ou incluem-no no rol das coisas ultrapassadas e inaceitáveis –, o actual Papa tem-se referido a ele com frequência. O seu antecessor, Paulo VI, no começo da década de 1970 disse:
"O mal que existe no mundo é ocasião e efeito de uma intervenção em nós e na nossa sociedade de um agente obscuro e inimigo, o Demónio. O mal não é apenas uma deficiência, mas um ser vivo, espiritual, pervertido e pervertedor. Terrível realidade. Misteriosa e amedrontadora... O Demónio é o inimigo número um, o tentador por excelência. Sabemos que este ser obscuro e perturbador existe e realmente continua agindo... Sabe insinuar-se em nós, por  meio dos sentidos, da fantasia, da concupiscência... para introduzir desvios” (15.11.72).
Quem vivia naquela época lembra-se de que estas afirmações foram uma verdadeira bomba. Por causa delas, Paulo VI foi ironizado, acusado de obscurantista.
Para o Papa Francisco, seguindo a tradição bíblica, o Diabo não é um mito, mas um ser  real. Numa das suas pregações matinais, na Casa Santa Marta, o Papa afirmou que por trás do ódio que há no mundo em relação a Jesus e à Igreja está o “príncipe deste mundo”: “Com a sua morte e ressurreição, Jesus resgatou-nos do poder do mundo, do poder do diabo, do poder do príncipe deste mundo.
A origem do ódio é esta: estamos salvos e este príncipe do mundo, que não quer que sejamos salvos, odeia-nos e faz nascer a perseguição, que começou nos primeiros tempos de Jesus e continua até hoje. Embora o diálogo entre nós seja importante, não é possível dialogar com este “príncipe”; “podemos somente responder com a palavra de Deus que nos defende”.
O Catecismo da Igreja Católica dedica vários números ao diabo – por exemplo, quando se refere aos Anjos caídos, às tentações de Jesus, ao exorcismo, à necessidade da renúncia ao seu poder, ao domínio de Jesus sobre eles. "O mal não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o maligno, o anjo que se opõe a Deus. O ‘diabo’ é aquele que ‘se atira no meio’ do plano de Deus e de sua ‘obra de salvação’ realizada em Cristo” (nº 2851).
O seu poder não é infinito, pois ele não passa de uma criatura, “poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do reino de Deus”. A sua acção é permitida pela divina providência, “que, com vigor e doçura, dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da actividade diabólica é um grande mistério, mas “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus' (Rm 8,28)" (CIC 395, ler, também, os números anteriores: 391-394).
São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja († 407), escreveu aos cristãos de Antioquia: “Na verdade, não me dá prazer falar-vos do diabo; mas a doutrina que é consequência desta realidade será muito útil para vós”.

 
Os anjos maus Imprimir e-mail

Os anjos maus

O poder de Satanás não é infinito

A Igreja ensina que os anjos foram criados bons (Deus não pode criar nada intrinsecamente mau).

"Com efeito, o Diabo e outros demónios foram por Deus criados bons em sua natureza, mas tornaram-se maus pela sua própria iniciativa" (IV Concílio de Latrão, em 1215; DS 800).

E São Pedro fala do pecado destes anjos: "Pois, se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento (...)"(2 Pe2, 4).

O pecado dos anjos não pode ser perdoado. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) ensina que: "É o carácter irrevogável da sua opção, e não uma deficiência da infinita misericórdia divina, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado" (§ 393).

São João Damasceno (650-749), doutor da Igreja, afirma: "Não há arrependimento para eles depois da queda, como não há arrependimento para os homens após a morte" (Patrologia Grega, 94, 877C).

Os últimos Papas têm chamado a atenção dos católicos para a importância de estarem conscientes da existência, natureza e acção dos demónios. É lamentável que algum teólogo ainda afirme que o demónio não existe ou não age. Na verdade, esta atitude é tudo o que o maligno quer. Dois erros devem ser evitados: negar a existência dos demónios ou pensar que todo o mal é obra deles.

O Papa Paulo VI disse na Alocução "Livrai-nos do Mal":

"Quais são hoje as maiores necessidades da Igreja? Não deixem que a minha resposta os surpreenda como sendo simplista e, ao mesmo tempo, supersticiosa e fora da realidade. Uma das maiores necessidades da Igreja é a defesa contra este mal chamado Satanás. O diabo é uma força actuante, um ser espiritual vivo, perverso e pervertedor; uma realidade misteriosa e amedrontadora." (L'Osservatore Romano, 24/11/1972).

O Catecismo lembra que devido à acção do demónio, a vida espiritual tornou-se um duro combate:
"Pelo pecado original o Diabo adquiriu certa dominação sobre o homem, embora este continue livre. O pecado original causa a ‘servidão debaixo do poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do Diabo'" (Concílio de Trento, DS1511; Hb 2, 4) (§407). "Esta situação dramática do mundo, que é 'o mundo inteiro está sob o poder do Maligno' (cf. 1Jo 5,19; 1 Pe 5, 8), faz da vida do homem um combate".

“Uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história universal da humanidade. Iniciada desde a origem do mundo, vai durar até ao último dia, segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve lutar sempre para aderir ao bem; não consegue alcançar a unidade interior senão com grandes labutas e o auxílio da graça de Deus" (GS 37, §2) (§ 409).

Mas Deus não nos abandonou ao poder da morte e de Satanás; ao contrário, chamou o homem (cf. Gen 3,9) e lhe anunciou de modo misterioso a vitória sobre o mal. "Então o Senhor disse à serpente: "Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gen 3, 15).

Jesus veio para tirar a humanidade das garras do demónio; e este teme o nome do Senhor. “Aquele que peca é do demónio, porque o demónio peca desde o princípio. Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demónio” (1Jo 3, 8).
"A Ressurreição de Jesus glorifica o nome do Deus Salvador, pois a partir de agora é o nome de Jesus que manifesta totalmente o poder supremo do nome acima de todo nome. Os espíritos maus temem seu nome" (Act 16, 16-18; 19,13-16) / (Catecismo §434).
O Catecismo ensina que pela Sua Paixão, Cristo livrou-nos de Satanás e do pecado. (§1708). Não há que temer.

Cristo hoje vence o poder dos anjos maus sobre os homens, especialmente por meio dos Sacramentos, a começar do Baptismo. O Catecismo ensina: "Visto que o Baptismo significa a libertação do pecado e do seu instigador, o Diabo pronuncia um (ou vários) exorcismo(s) sobre o candidato. Este é ungido com o óleo dos catecúmenos ou então o celebrante impõe-lhe a mão, e o candidato renuncia explicitamente a Satanás” (§1237).

Quando o Catecismo ensina sobre o conteúdo da oração do Pai-nosso com relação ao último pedido que fazemos a Deus: "(...) mas, livrai-nos do Mal", afirma: "Neste pedido da oração do Pai-Nosso, o Mal não é uma abstracção (uma ideia, uma força, uma atitude), mas designa uma pessoa: Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O Diabo (diabolos) é aquele que "se atravessa no meio" do plano de Deus e da sua "obra de salvação" realizada em Cristo" (§2851).

"Homicida desde o princípio, mentiroso e pai da mentira" (Jo 8, 44), "Satanás, sedutor de toda a terra habitada" (Ap 12, 9), pois foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo e é pela derrota dele definitiva que a criação inteira será "liberta da corrupção do pecado e da morte" (Oração Eucarística, IV). "Nós sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca; o gerado por Deus preserva-se e o Maligno não o pode atingir. Nós sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno" (1 Jo 5,18-19) e (CIC §2852).

"Ao pedir que nos livre do Maligno, pedimos igualmente que nos liberte de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador" (CIC §2854).

O livro da Sabedoria mostra toda a maldade do diabo: "Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez imagem da sua própria natureza. É por inveja do demónio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demónio prová-la-ão" (Sb 2, 23-24).

Jesus referiu-se ao maligno como homicida e mentiroso: "Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8,44).

É importante este ensinamento do Catecismo sobre o poder do demónio:
"Contudo, o poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de uma criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás actue no mundo por ódio contra Deus e o seu Reino em Jesus Cristo, e embora a sua acção cause graves danos – de natureza espiritual e, indirectamente, até de natureza física – para cada homem e para a sociedade, esta acção é permitida pela Divina Providência, que com vigor e doçura dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da actividade diabólica é um grande mistério, mas ‘nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam’” (Rom 8, 28) e (CIC § 395).

 
Santa Francisca Romana e os demónios Imprimir e-mail

 

Revelações de Santa Francisca Romana sobre os demónios

Santa Francisca Romana (1384/1440) é uma santa que se caracterizou por visões extraordinárias a respeito dos demónios.

Talvez, na História da Igreja, nenhuma mística diz a respeito dos demónios tanto quanto disse Santa Francisca Romana.

Na “História Universal da Igreja Católica”, do Padre Rohrbacher, está descrita uma visão que Santa Francisca Romana teve:

 “A terça parte dos anjos caiu em pecado… As outras duas partes perseveraram na graça. Da parte decaída, um terço está no inferno para atormentar os condenados.

São os que seguiram Lúcifer pela sua própria malícia com inteira liberdade. Eles não saem do abismo senão por permissão de Deus e quando se trata de produzir uma grande calamidade para punir os pecados dos homens, e são eles os piores dentre os demónios.

Os outros dois terços dos anjos decaídos estão espalhados nos ares e sobre a terra; são os que não tomaram parte entre Deus e Lúcifer mas guardaram silêncio.

Os que estão nos ares provocam frequentemente geadas, tempestades, ruídos e ventos com que enfraquecem as almas apegadas à matéria, conduzem-nas à inconstância e ao temor, induzem-nas a desfalecer na fé, e a duvidar da Providência divina.

Quanto aos demónios que circulam entre nós para nos tentar, são decaídos do último coro de anjos, e os anjos fiéis que nos são dados por guardiães são todos do mesmo coro.

O príncipe e o chefe de todos os demónios é Lúcifer, ligado ao fundo do abismo, encarregado pela divina justiça de punir os demónios e os condenados.

Caído do mais elevado dos coros angélicos, os Serafins, tornou-se o pior dos demónios e condenados; o seu vício característico é o orgulho; sob ele estão três outros príncipes: o primeiro, Asmodeu, tem o vício da carne como característica, e foi chefe dos Querubins.

O segundo, chamado Mamon, caracteriza-o o vício da avareza e foi do coro dos Tronos; o terceiro, chamado Belzebu, que foi do coro das Dominações, caracteriza-o a idolatria, o sortilégio, e encantamentos.

É o chefe de tudo quanto há de tenebroso, e tem a missão de difundir as trevas sobre as criaturas racionais”.

 
Orações de Libertação Imprimir e-mail

Acerca da natureza e utilidade das Orações de Libertação

1. Os demónios existem?

Sim, existem. “A existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé”2. Alguns desses anjos, criados bons por Deus, liderados por satanás, também chamado Diabo, “radical irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino”3, e portanto deve-se afirmar que “de facto, o Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si próprios, é que se fizeram maus”4.

2. Satanás pode causar todos os males que quer?

Não. «O poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo facto de ser um puro espírito»5, isto um anjo que tal como todos os anjos «excedem em perfeição todas as criaturas visíveis» 6.

3. Qual é o maior mal que podem causar os dem6nios?

Os demónios «esforçam-se por associar o homem à sua rebelião contra Deus»7 por induzir o homem ao pecado mortal o que «tem como consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. E se não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no Inferno» 8.

4. O demónio é o instigador de todos os nossos pecados e a causa de todos os males?

Não. Como ensina Jesus na parábola do semeador, às vezes somos levados a pecar movidos pelas seduções do mundo ou pelas nossas próprias más inclinações. «Não se deve acusar o diabo em todas as coisas que acontecem, de facto, às vezes, o próprio homem faz de diabo para si mesmo»10.

5. Jesus Cristo já venceu o Diabo e os seus anjos?

Sim. «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus»11. «Cristo, pelo mistério pascal da sua morte ressurreição, livrou-nos da escravidão do Diabo e do pecado, derrubando o seu domínio e livrando todas as coisas dos contágios malignos»12. Porém, o Diabo embora já definitivamente vencido por Cristo na cruz ainda continua a exercer a sua acção maléfica no mundo e «essa acção é permitida pela divina Providência»13, que do mal sabe tirar bens maioresl4. «Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa. Com efeito, toda a história humana; começou no princípio do mundo e, segundo a palavra do Senhor, durará até ao último dia» 15.

6. Que tipos de acção exercem os demónios sobre este mundo?

«A maléfica e adversa acção do Diabo e dos demónios afecta pessoas, coisas e lugares, manifestando-se de diversos modos»16.

7. Que tipo de capacidades naturais têm os anjos e os demónios?

Têm um certo domínio sobre as realidades materiais, por exemplo, mover objectos17 e têm a capacidade de actuar sobre os nossos sentidos externos ou internos18.

8. Os demónios podem fazer verdadeiros milagres?

Não, só Deus pode fazer milagres propriamente ditos, mas os demónios pelas suas capacidades naturais podem fazer coisas prodigiosas e extraordinárias que parecem aos homens milagres. De facto, por vezes, «quando os demónios realizam algo pelo seu poder natural, nós o chamamos de milagre, não de modo absoluto mas relativamente à nossa capacidade, e é assim que os bruxos realizam milagres graças aos demónios»19.

9. Os demónios podem possuir as pessoas?

Normalmente aos demónios é apenas permitido pela Providência divina tentar os homens ao pecado, mas por vezes encontram-se casos de ataques diabólicos que vão muito para além das simples tentações. A maior parte destes distúrbios menos comuns.

1 Estas breves questões foram preparadas pelo Pe. Duarte Sousa Lara (www.santidade.net), exorcista e doutorado em teologia.
2 Catecismo da Igreja Católica, n. 328.
3 Catecismo da Igreja Católica, n. 391.
4 CONCÍLIO DE LATRÃO IV, cap. I, Defide catholica: DH 800.
5 Catecismo da Igreja Católica, n. 395.
6 Catecismo da Igreja Católica, n. 329.
7 Ritual Romano. Rito dos exorcismos, Proémio.
8 Catecismo da Igreja Católica, n. 1861.
9 Cf. Mt 13,3-8.18-23; Mc 4,3-9.13-20; Lc 8,5-8.11-15.
10 AGOSTINHO DE HIPONA (santo), Senn. 163/B,5.
11 lJo 3,8.
12 Ritual Romano. Rito dos exorcismos, Proémio.
13 Catecismo da Igreja Católica, n. 395.
14 Cf. Rom 8,28: «Ora nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus».
15 CONCÍLIO VATICANO II, Gaudium et spes, n. 37.
16 Ritual Romano. Rito dos exorcismos, Proémio.
17 Cf. At 12,7-10: «De repente apareceu um anjo do Senhor, e uma luz resplandeceu no recinto. O anjo, batendo no lado de Pedro, despertou-o, dizendo: "Levanta-te depressa!". E caíram as correntes das suas mãos. O anjo disse-lhe: 'Toma o teu cinto e calça as tuas sandálias!". E ele assim fez. E disse-lhe: "Põe sobre ti a tua capa e segue-me!". Ele, saindo, seguia-o sem dar conta de que era realidade o que se fazia por intervenção do anjo, antes julgava ter uma visão. Depois de passarem a primeira e a segunda guarda, chegaram à porta de ferro que dá para a cidade, a qual se abriu por si mesma. Saindo, passaram uma rua, e imediatamente o anjo afastou-se dele»; TOMÁS DE AQUINO (santo), Summa theologiae, I, q. 110, ao 3, ad 3: «a potência motora da alma limita ao corpo a ela unido, que ela vivifica, e mediante o qual pode mover outros corpos. No entanto, a potência do anjo não é limitada a um corpo, podendo as mover localmente corpos aos quais não está unida».
18 Cf. TOMÁS DE AQUINO (santo), Summa theologiae, 1, q. 111, ao 3, c.: «O anjo, bom ou mau, pode, em virtude da sua natureza, mover a imaginação homem»; lbidem, a. 4, c.: «O anjo pode agir sobre os sentidos do homem».
19 TOMÁS DE AQUINO (santo), Summa theologiae, l, q. 110, a. 4,ad 2.

www.santidade.net), exorcista e doutorado em teologia.
2 Catecismo da Igreja Católica, n. 328.
3 Catecismo da Igreja Católica, n. 391.
4 CONCÍLIO DE LATRÃO IV, cap. I, Defide catholica: DH 800.
5 Catecismo da Igreja Católica, n. 395.
6 Catecismo da Igreja Católica, n. 329.
7 Ritual Romano. Rito dos exorcismos, Proémio.
8 Catecismo da Igreja Católica, n. 1861.
9 Cf. Mt 13,3-8.18-23; Mc 4,3-9.13-20; Lc 8,5-8.11-15.
10 AGOSTINHO DE HIPONA (santo), Senn. 163/B,5.
11 lJo 3,8.
12 Ritual Romano. Rito dos exorcismos, Proémio.
13 Catecismo da Igreja Católica, n. 395.
14 Cf. Rom 8,28: «Ora nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus».
15 CONCÍLIO VATICANO II, Gaudium et spes, n. 37.
16 Ritual Romano. Rito dos exorcismos, Proémio.
17 Cf. At 12,7-10: «De repente apareceu um anjo do Senhor, e uma luz resplandeceu no recinto. O anjo, batendo no lado de Pedro, despertou-o, dizendo: "Levanta-te depressa!". E caíram as correntes das suas mãos. O anjo disse-lhe: 'Toma o teu cinto e calça as tuas sandálias!". E ele assim fez. E disse-lhe: "Põe sobre ti a tua capa e segue-me!". Ele, saindo, seguia-o sem dar conta de que era realidade o que se fazia por intervenção do anjo, antes julgava ter uma visão. Depois de passarem a primeira e a segunda guarda, chegaram à porta de ferro que dá para a cidade, a qual se abriu por si mesma. Saindo, passaram uma rua, e imediatamente o anjo afastou-se dele»; TOMÁS DE AQUINO (santo), Summa theologiae, I, q. 110, ao 3, ad 3: «a potência motora da alma limita ao corpo a ela unido, que ela vivifica, e mediante o qual pode mover outros corpos. No entanto, a potência do anjo não é limitada a um corpo, podendo as mover localmente corpos aos quais não está unida».
18 Cf. TOMÁS DE AQUINO (santo), Summa theologiae, 1, q. 111, ao 3, c.: «O anjo, bom ou mau, pode, em virtude da sua natureza, mover a imaginação homem»; lbidem, a. 4, c.: «O anjo pode agir sobre os sentidos do homem».
19 TOMÁS DE AQUINO (santo), Summa theologiae, l, q. 110, a. 4,ad 2.

estão directamente relacionados com formas de adivinhação20 ou magia21 em que explícita ou implicitamente os homens pedem à ajuda dos demónios22. Tais pactos, muitas vezes, conferem aos demónios a possibilidade de causar distúrbios que vão para além das simples tentações.
10. Que sinais podem indiciar a presença de distúrbios de origem diabólica?
Conhecer línguas desconhecidas à pessoa, bem como factos ocultos, manifestar uma força acima do normal e ter aversão às coisas sagradas23. Ver, ouvir, sentir, cheirar e imaginar coisas inexplicáveis à luz das ciências psicológicas. Ter doenças ou distúrbios físicos inexplicáveis à luz das ciências médicas24. Acontecimentos com objectos e animais inexplicáveis à luz da ciência, por exemplo, coisas que se movem do lugar sozinhas, electrodomésticos que se acendem e desligam sozinhos, etc.
11. O que é um exorcismo?
O exorcismo é uma celebração litúrgica em que «a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objecto seja protegido contra a acção do Maligno e subtraído ao seu domínio [...]. Sob uma forma simples, faz-se o exorcismo na celebração do Baptismo. O exorcismo solene, chamado "grande exorcismo", só pode ser feito por um presbítero e com licença do bispo»25.
12. O que é uma oração de libertação?
É uma oração dirigida a Deus, em que, tal como na última petição do Pai Nosso, pedimos para ser libertados do influxo diabólico. «Ao pedirmos para sermos libertados do Maligno, pedimos igualmente para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador»26.
13. Nos casos de pessoas que apresentem distúrbios diabólicos leves um sacerdote deve rezar orações de libertação mesmo não sendo exorcista?
Sim, deve. O Cardeal Schõnborn num retiro internacional para sacerdotes em Ars afirmou: «É preciso distinguir bem o Grande Exorcismo, reservado ao bispo ou àquele em quem o bispo delegou - porque um exorcista não se improvisa - da oração de libertação que deveria ser normal para todos nós, padres. Trata-se de uma oração pronunciada com a autoridade de Jesus, dos Santos e dos Anjos, com o fim de interceder por uma pessoa, não possessa, mas infestada, perturbada por ataques do Maligno. É preciso prestar este serviço aos nossos fiéis, pois ele faz parte do nosso ministério de padre»27.
14. Qualquer fiel pode rezar uma oração de libertação?
Sim, pode. O Senhor Jesus quer que todos os 'seus discípulos rezem o Pai Nosso e que portanto que peçam ao Pai que está nos céus a libertação «do poder do Maligno»28. Na última petição do Pai Nosso «o Mal não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus»29.
15. Qual a utilidade e eficácia de uma oração de libertação?
É eficaz como qualquer outra oração de petição a Deus30. Deve ser feita com as devidas disposições31 e estar de acordo com o plano divino de amor e salvação para cada um de nós32. Concretamente, alcançam a graça que pedem, ou seja, a efectiva libertação do domínio diabólico e de todos os males causados pelos demónios. Além disso, ajudam a discernir eventuais casos de possessão, obsessão, vexação e infestação diabólica.
20 Cf. At 16,16-19: «Aconteceu que, um dia, indo nós à oração, nos veio ao encontro uma jovem escrava que tinha um espírito pitónico, e que com as suas adivinhações dava muito lucro aos seus amos. Ela, seguindo-nos a Paulo e a nós, gritava, dizendo: "Estes homens são servos do Deus excelso e vos anunciam o caminho da salvação". E fez isto muitos dias. Paulo, porém, enfadado, tenda-se voltado para ela, disse ao espírito: "Ordena-te, em nome de Jesus Cristo, que saias dessa mulher". E ele na mesma hora saiu. Mas, vendo seus amos que se lhes tinha acabado a esperança do lucro, pegando em Paulo e em Silas, os levaram ao foro, às autoridades»; AGOSTINHO DE HIPONA (santo), De divinatione daemonum liber unus: PL 40; TOMÁS DE AQUINO (santo), Summa theologiae, II-II, q. 95, a. 2, c.: «toda a adivinhação é obra dos demónios».
21 Cf. At 19,18-19: «Muitos dos que tinham acreditado iam confessar e declarar as suas práticas. Muitos também daqueles que se tinham dedicado à magia, trouxeram os seus livros e queimaram-nos diante de todos»; AGOSTINHO DE HIPONA (santo), De Trinitate, 3,7,12: «os anjos prevaricadores [...] que conferem à magia todo o poder que essa tem».
22 Cf. TOMÁS DE AQUINO (santo), Summa theologiae. II-II, q. 95, a. 2, ad 2: «esse modo de adivinhação é culto aos demónios, enquanto com eles se fazem pactos implícitos ou explícitos».
23 Cf. Ritual Romano. Rito dos exorcismos. Preliminares, n. 16.
24 Cf. Lc 13, 11: «Estava lá uma mulher possessa de um espírito que a tinha doente havia dezoito anos; andava encurvada, e não podia levantar a cabeça».
25 Catecismo da Igreja Católica, n. 1673.
26 Catecismo da Igreja Católica, n. 2854.
27 CHRISTOPH SCHÕNBORN (cardeal), Lajoie d'être prêtre. A ta suite du Curé d~rs, ouverture par le pape Benoit XVI, Éditions des Béatitudes, Nouan-le-Fuzelier 2009, p. 90: «Il faut bien distinguer le Grand Exorcisme, réservé à 1'évêque ou à celui que 1'évêque a délégué parce qu'on ne s'improvise pás exorciste, de Ia priere de délivrance qui devrait être le commun de nous tous, prêtres. C' est une priere prononcée avec l' autorité de Jésus, des saints et des anges, afin d'intercéder pour une personne qui est, non pas possédée, mais infestée, troublée par des attaques du Malin. n faut rendre à nos fideles ce service, cela fait partie de notre ministêre de prêtre».
28 1Jo 5,19
29 Catecismo da Igreja Católica, n. 2851.
30 Cf. Jo 16,24: «pedi e recebereis»; Mt 7,7-8: «Pedi, e vos será dado; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo aquele que pede, recebe, e quem busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-á».
31 Feita em nome de Jesus (cf. Jo 16,23: «se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará»), com fé (Mt 21,22: «tudo o que pedirdes com fé na oração aicançá-Io-eis»; Tg 1,6: «peça-a com fé. sem nada hesitar»), com humildade (Lc 18,10-14; Catecismo da Igreja Católica, n. 2559: «A humildade é o fundamento da oração»), perseverança (cf. Rom 12,12: «perseverantes na oração») e de preferência em grupo (cf. Mt 18,19: «se dois de vós se unirem entre si sobre a terra a pedir qualquer coisa, esta lhes será concedida por Meu Pai que está nos céus»).
32 Cf. Lc 22,42: «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice; não se faça, contudo, a Minha vontade, mas a Tua»; 2Cor 12,8-9: «roguei três vezes ao Senhor que o apartasse de mim, mas Ele disse-me: "Basta-te a Minha graça, porque é na fraqueza que o Meu poder se manifesta por completo"».

 
Pai dos mentirosos Imprimir e-mail

 PAI DOS MENTIROSOS

“Doutor dos hereges, mestre dos impudicos, Pai dos mentirosos, Príncipe do mal”, é ele o autor do sofrimento… - Mons. de Ségur

O demónio é o autor responsável dos nossos sofrimentos

O homem pecou por instigação do demónio: era justo que fosse punido; e Deus puniu-o abandonando-o, até certo ponto, ao poder do demónio.

Se não fosse com medo de nos alongarmos, caberia aqui explicar com detalhes como todo o mal que existe no mundo, todas as desordens perturbadoras da natureza, todas e quaisquer destruições, resultam da maldita influência deste grande espírito, criado por Deus para ser como que administrador de todo o mundo material.

Tais desordens e destruições não podem provir de Deus, que é a ordem infinita; não provém dos anjos, que são ministros de paz, de ordem e de vida; não procedem dos elementos materiais, de si destituídos de poderes e movimento:

Logo vêm desta força secreta e detestável chamada demónio, que, posto que não possa destruí-la, perturba a bela harmonia da natureza.

Assim é que, por mais de mil maneiras, que os sábios chamam causas secundárias, o autor do mal a espaços conturba a atmosfera e nela produz os temporais, as tempestades, o granizo, o raio e quantas assolações os acompanham.

É assim que, para fazer mal ao homem e às outras criaturas de Deus, ele empeçonha esta e aquela planta, este e aquele suco, e comunica o seu furor a alguns animais.

É também assim que, com permissão divina, ele suscita no ar e na água animais microscópicos, que difundem sobre a terra terríveis epidemias, as tão assoladoras enfermidades contagiosas: a peste, a cólera, a varíola, todas as variedades de febres, etc.

A Medicina e a Ciência reconhecem os efeitos destas enfermidades; combatem e por vezes cerceiam-lhes os estragos, mediante remédios, nos quais é latente o influxo benefício e misericordioso de Deus e dos anjos.

Mas só a fé descortina a causa invisível de todos estes males, disseminados pelo inimigo de Deus e dos homens, o pai do mal, o horrível demónio, que está escondido como malfeitor que é.

É a fonte de que dimanam todos os males que sofremos. É o instigador de todos os crimes

Mais do que ninguém, aquele que deve vergar ao peso da nossa indignação, quando nos vemos a braços com a perversidade e com as ruins paixões dos homens, é ele tão somente, que os incita ao pecado.

A inveja, a cólera, a impiedade que mataram Abel, foi ele que as suscitou no coração de Caim; deste modo fez, primeiro que todos, correr o sangue do homem e espremeu-lhe as primeiras lágrimas.

Foi, é e será até ao fim o instigador de todos os crimes, de todas as rebeldias, de todas as cruezas, de todos os erros, de todas as infâmias do género humano.

Todo o pecado, toda a desordem o tem por fundamento. Por isso a Igreja, na sua linguagem enérgica e profunda, o cognomina doutor dos hereges, mestre dos impudicos, pai dos mentirosos, príncipe do mal.

E a sua astúcia, que poucas vezes falha, consiste em se esconder sempre e em persuadir as suas infelizes vítimas a achar que vêm de Deus os males que sofrem.

Daqui procede a blasfêmia, extraordinário e abominável mistério, pelo qual o homem infiel, quando a si próprio faz mal ou quando lho fazem, clama e se irrita contra Deus, ameaça-o e maldiz o seu santo nome.

O blasfemador que maldiz a Deus assemelha-se ao indivíduo que, ameaçado por um assassino e defendido por um amigo, confunde-se um com o outro, e, deixando intacto o assassino, arremetesse contra o amigo e o matasse.

O demónio é, pois, o autor secreto e universal do mal, e portanto do sofrimento. Todos e quaisquer males, vêm direta ou indiretamente dele; assim como todos e quaisquer bens direta ou indiretamente vêm de Deus.

Nunca imputemos a Deus o que é obra do demónio…

E assim como Deus distribui a vida a todas as criaturas pelo ministério dos seus anjos fiéis, assim também Satanás, o maior dos anjos rebelados, difunde na criação a rebeldia, a desordem e o mal, coadjuvado por todos os outros anjos maus, que o acompanharam na sua rebeldia.

A luta invisível, que em nós tão dolorosamente repercute, só no fim do mundo acabará, porque a fidelidade ou infidelidade dos anjos não lhes pode torcer a vocação, que consiste em administrar ou governar os elementos da matéria.

De facto, não é à míngua de poder ou de bondade que o Senhor tolera o influxo maléfico dos demónios através dos séculos; a sua soberana sabedoria assim o requer, porque não pode a criatura mudar a seu talante os planos do Criador.

Muitos vêem as coisas por um prisma falso só porque ignoram isto.

Uma senhora, bastante piedosa e de muita virtude até então, não tendo podido livrar uma filha de terrível enfermidade, perdeu, pode-se dizer, a fé, convenceu-se que Deus era surdo aos seus rogos, deixou de servi-lo e passou o resto da vida em sombrio desespero. Infeliz! Se ela soubesse, ou antes, se tivesse querido saber!

Um excelente pai de família, da Bretanha, cristão prático, tendo perdido consecutivamente a mulher e um filho, tão cegamente pôs à conta de Deus a sua desgraça, que, há já vinte anos, deixou de rezar e de participar em qualquer acto de piedade; nem mais foi à Igreja.

Durante o cerco de Mans pelos prussianos, declarava uma senhora que, se eles penetrassem na cidade, nunca mais rezaria nem iria à Missa. “Se, dizia a infeliz desvairada, eles entrarem, será sinal evidente de que o Céu nos abandonou. E então para que invocar mais a Deus?”

Estejamos sempre prevenidos contra as ilusões, e nunca imputemos a Deus, extremamente o bom, o que é obra do demónio e dos que o servem.

 
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Revelações de Santa Francisca Romana sobre os demónios

Santa Francisca Romana (1384/1440) é uma santa que se caracterizou por visões extraordinárias a respeito dos demónios.

Talvez, na História da Igreja, nenhuma mística diz a respeito dos demónios tanto quanto disse Santa Francisca Romana.

Na “História Universal da Igreja Católica”, do Padre Rohrbacher, está descrita uma visão que Santa Francisca Romana teve:

 “A terça parte dos anjos caiu em pecado… As outras duas partes perseveraram na graça. Da parte decaída, um terço está no inferno para atormentar os condenados.

São os que seguiram Lúcifer pela sua própria malícia com inteira liberdade. Eles não saem do abismo senão por permissão de Deus e quando se trata de produzir uma grande calamidade para punir os pecados dos homens, e são eles os piores dentre os demónios.

Os outros dois terços dos anjos decaídos estão espalhados nos ares e sobre a terra; são os que não tomaram parte entre Deus e Lúcifer mas guardaram silêncio.

Os que estão nos ares provocam frequentemente geadas, tempestades, ruídos e ventos com que enfraquecem as almas apegadas à matéria, conduzem-nas à inconstância e ao temor, induzem-nas a desfalecer na fé, e a duvidar da Providência divina.

Quanto aos demónios que circulam entre nós para nos tentar, são decaídos do último coro de anjos, e os anjos fiéis que nos são dados por guardiães são todos do mesmo coro.

O príncipe e o chefe de todos os demónios é Lúcifer, ligado ao fundo do abismo, encarregado pela divina justiça de punir os demónios e os condenados.

Caído do mais elevado dos coros angélicos, os Serafins, tornou-se o pior dos demónios e condenados; o seu vício característico é o orgulho; sob ele estão três outros príncipes: o primeiro, Asmodeu, tem o vício da carne como característica, e foi chefe dos Querubins.

O segundo, chamado Mamon, caracteriza-o o vício da avareza e foi do coro dos Tronos; o terceiro, chamado Belzebu, que foi do coro das Dominações, caracteriza-o a idolatria, o sortilégio, e encantamentos.

É o chefe de tudo quanto há de tenebroso, e tem a missão de difundir as trevas sobre as criaturas racionais”.

 
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11 PERGUNTAS FEITAS AO DIABO:

ESTA MENSAGEM FOI ELABORADA COM BASE EM VERSÍCULOS BÍBLICOS

QUEM TE CRIOU?
Lúcifer: Fui criado pelo próprio Deus, muito antes da existência do homem. [Ezequiel 28:15]

COMO ERAS QUANDO FOSTE CRIADO?
Lúcifer: Vim à existência já na forma adulta e, como Adão, não tive infância. Eu era um símbolo de perfeição, cheio de sabedoria e formosura e as minhas vestes foram preparadas com pedras preciosas. [Ezequiel 28:12,13]

ONDE MORAVAS?
Lúcifer: No Jardim do Éden e caminhava no brilho das pedras preciosas do monte Santo de Deus. [Ezequiel 28:13]

QUAL ERA A TUA FUNÇÃO NO REINO DE DEUS?
Lúcifer: Como querubim da guarda, ungido e estabelecido por Deus, a minha função era guardar a Glória de Deus e conduzir os louvores dos anjos. Um terço deles estava sob o meu comando. [Ezequiel 28:14; Apocalipse 12:4]

FALTAVA-TE ALGUMA COISA?
Lúcifer: (pensativo, diminuiu o tom de voz) Não, nada. [Ezequiel 28:13]

O QUE ACONTECEU QUE TE AFASTOU DA FUNÇÃO DE MAIOR HONRA QUE UM SER VIVO PODE TER?
Lúcifer: Isto não aconteceu de repente. Um dia vi-me nas pedras (como espelho) e percebi que sobrepujava os outros anjos (talvez não a Miguel ou Gabriel) em beleza, força e inteligência. Comecei então a pensar como seria ser adorado como deus e passei a desejar isto no meu coração. Do desejo passei a fazer planos, estudando como firmar o meu trono acima das estrelas de Deus e ser semelhante a Ele. Num determinado dia tentei realizar o meu desejo, mas acabei expulso do Santo Monte de Deus. [Isaías 14:13,14; Ezequiel 28: 15-17]

O QUE DETONOU FINALMENTE A TUA REBELIÃO?
Lúcifer: Quando percebi que Deus estava para criar alguém semelhante a Ele e, por consequência, superior a mim, não consegui aceitar. Manifestei então os verdadeiros propósitos do meu coração. [Isaías 14:12-14]

O QUE ACONTECEU COM OS ANJOS QUE ESTAVAM SOB O TEU COMANDO?
Lúcifer: Eles seguiram-me e também foram expulsos. Formámos, juntos, o império das trevas. [Apocalipse 12:3,4]

COMO ENCARAS O HOMEM?
Lúcifer: (com raiva) Tenho ódio da raça humana e faço tudo para destruí-la, pois invejo-a. Eu é que deveria ser semelhante a Deus. [1Pedro 5:8]

QUAIS SÃO AS TUAS ESTRATÉGIAS PARA DESTRUIR O HOMEM?
Lúcifer: O meu objectivo maior é afastá-lo de Deus. Estimulo a praticar o mal e confundo as suas ideias com um mar de filosofias, pensamentos e religiões cheias de mentiras, misturadas com algumas verdades. Envio os meus mensageiros travestidos, para confundir os que querem buscar Deus. Torno a mentira parecida com a verdade, induzindo o homem ao engano e a ficar longe de Deus, achando que está perto. E há mais: faço com que a mensagem de Jesus pareça uma tolice anacrónica, tento estimular o orgulho, a soberba, o egoísmo, a inimizade e o ódio dos homens. Trabalho arduamente com o meu séquito para enfraquecer as igrejas, lançando divisões, desânimo, críticas aos líderes, adultério, mágoas, friezas espirituais, avareza e falta de compromisso (ri à descarada). Tento destruir a vida dos pastores, principalmente com o sexo, ingratidão, falta de tempo para Deus e orgulho. [1Pedro 5:8; Tiago 4:7; Gálatas 5:19-21; 1 Coríntios 3:3; 2 Pedro 2:1; 2 Timóteo 3:1-8; Apocalipse 12:9]

E SOBRE O FUTURO?
Lúcifer: (com o semblante de ódio) Eu sei que não posso vencer Deus e resta-me pouco tempo para ir para o lago de fogo, minha prisão eterna. Eu e os meus anjos trabalharemos com afinco para levarmos o maior número possível de pessoas connosco. [Ezequiel 28:19; Judas 6; Apocalipse 20:10,15]


HOJE, SE OUVIRDES A VOZ DO SENHOR, NÃO ENDUREÇAIS OS VOSSOS CORAÇÕES. HEBREUS 3:7,8

 
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