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"A Tua Palavra é Luz para os meus passos"

(Sl 119, 105)

 
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Como o casal deve lidar com a frustração de não ter filhos Imprimir e-mail

 

Como o casal deve lidar com a frustração de não ter filhos 

 

Como lidar com o sentimento de frustração e pressão diante da possibilidade de não ter filhos

 

Vivemos numa constante pressão! Quando se é solteiro, a pressão é: “Quando vais casar?” Quando se é casado, a pressão é: “Quando vais ter filhos?” Quando se tem um filho, a pressão é: “Quando terás outro?” Porém, diante de tanta pressão, podemo-nos perder na indiferença do que, de facto, o outro está a viver. Talvez, o solteiro viva o sofrimento de não ter encontrado alguém para se casar; o casado, o sofrimento por não ter um filho; o pai, o sofrimento por se sentir incapaz de dar ao filho o que este deseja.

 

Mas, falemos sobre a pressão que um casal vive para ter um filho, e, por inúmeras razões (infertilidade orgânica, transitória e até mesmo esterilidade), não conseguem, gerando assim uma situação de possível e grande sofrimento. A pressão da família e da sociedade para que o casal tenha filhos, muitas vezes, é enorme; e o facto de não conseguir engravidar pode fazer a pessoa sentir-se fracassada.

 

Como administrar tal sofrimento perante a própria vida e diante da conjugalidade assumida?

 

1º) Não negue os seus sentimentos

 

A primeira coisa a viver, diante do sofrimento em não conseguir engravidar, é assumir os sentimentos, o desejo frustrado, o sonho que não se realiza. Quanto mais o casal nega esses sentimentos, mais estes ganham forças destrutivas. É preciso reconhecer a fundo o desejo que ambos (homem e mulher) trazem referente à concepção dos filhos. A aceitação e o enfrentamento do que sentes ajuda a suportar as emoções e pressões (internas e externas) com mais serenidade.

 

2º) Não te destruas pela culpa

 

Diante da dor em não conseguir ter filhos, não te autodestruas procurando os culpados: “Ah, se eu tivesse engravidado antes!”, “Ah, se eu não tivesse esperado terminar o pós-doutorado para engravidar!”, “Ah, eu poderia ter me cuidado mais” etc. Estas são vozes que tentam tirar a tua esperança e levar-te à completa aniquilação de ti mesmo e do teu cônjuge.

 

A culpa pode até impedir que tenhas uma centralidade, para, de facto, encarar o problema, impossibilitando-o de buscar ajuda médica, psicológica e, quem sabe, até espiritual. Nada de se culpar!

 

3º) Vivei a harmoniosa e fecunda vida de casados!

 

Quando a gravidez não surge, muitos casais começam a “esfriar” a relação, é como que se a impossibilidade em ter filhos lhes tirasse a vitalidade do relacionamento. Nessa hora, não só a parentalidade está em cheque, mas também a própria conjugalidade. Tentem encontrar, juntos, maneiras realistas de dividir o estresse e a frustração em não poder/conseguir ter filhos. Muitos casais pensam que a fecundidade do relacionamento está apenas na questão de gerar filhos, mas não está somente nisso, não! O Papa Francisco, na Exortação Amoris Laetitia, afirma: “Àqueles que não podem ter filhos, lembramos que «o matrimónio não foi instituído só em ordem à procriação (…). Por isso, mesmo que faltem os filhos, tantas vezes ardentemente desejados, o matrimónio conserva o seu valor e indissolubilidade, como comunidade e comunhão de toda a vida».

 

4º) Procure toda a ajuda necessária

 

É importante que, dentro da moral católica, vocês busquem toda ajuda necessária. Vá a médicos especializados, talvez a infertilidade seja de fundo psicológico; busque um bom terapeuta. Recorra à espiritualidade! Faça sua parte sem se perder numa vida obsessiva para engravidar. Mas, com calma e esperança, dê os passos que lhe cabem e ao seu cônjuge!

 

5º) Relaxe, você não é amaldiçoado

 

Sim, filhos são bênçãos de Deus! Então, se não os tenho, não sou abençoado por Ele? Calma, não é essa a lógica. De facto, é Deus quem dá o dom dos filhos, mas não quer dizer que, se não os tens, pelo facto de que Deus não os quer dar! Nesta hora, a fé é acreditar que, no mistério do sofrimento, Deus também sofre consigo. Não se permita ser invadido por pensamentos de que Deus não o ama, que você é amaldiçoado.

 

6º) Estabeleça um limite. Até onde tentar?

 

Há casais que decidem, desde o começo, por viver, de facto, o que a Igreja ensina sobre reprodução humana; por isso, esgotadas todas as possibilidades morais, é hora de escolher o que fazer. Ficar anos a tentar sem que se tenha um parecer médico favorável pode ser de maior sofrimento ainda para o casal. Lembre-se: desistir dos meios humanos não quer dizer perder a fé que Deus pode realizar o impossível!

 

7º) Abra-se à fecundidade alargada

 

O Papa Francisco, na Amoris Laetitia, afirma: “A adopção é um caminho para realizar a maternidade e a paternidade de uma forma muito generosa, e desejo encorajar aqueles que não podem ter filhos a alargar e abrir o seu amor conjugal para receber quem está privado de um ambiente familiar adequado. Nunca se arrependerão de ter sido generosos. Adoptar é o acto de amor que oferece uma família a quem não a tem.”

 

Quantos casais que se abrem à adopção como uma forma de viver a paternidade e maternidade, e, com isso, tornam-se, de facto, realizados? O amor abre sempre possibilidades!

 

Ao falar em cada um desses pontos, não se quer diminuir ou tirar o seu sofrimento em não conseguir ter filhos, mas a tentativa é fazer com que os sentimentos possam ser administrados de uma forma mais integrada e humanizada possível.

 
Quero ter mais filhos, mas o meu cônjuge não quer Imprimir e-mail

 Quero ter mais filhos, mas o meu cônjuge não quer. O que fazer? 

 

A Igreja ensina que o casamento tem duas finalidades principais: o bem dos cônjuges e a geração e educação dos filhos

Sabemos que existe uma forte cultura no sentido de evitar filhos, e são muitos os motivos para isso: medo do futuro, dificuldades financeiras, falta de conhecimento da vontade de Deus sobre o matrimónio e também o egoísmo e o comodismo, uma vez que os filhos exigem dedicação e sacrifícios.

Evidentemente, um casal só deve ter filhos de comum acordo, cientes da grandeza que significa dar a vida a um ser humano, “imagem e semelhança de Deus” (Gen 1,26) – “a glória de Deus” (Santo Irineu de Lião) –, e que, um dia, vai viver eternamente com o Senhor. Nós não somos capazes de gerar nada mais belo do que um filho.

A Palavra de Deus diz: “Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas”. “Feliz o homem que assim encheu a sua aljava…” (Sl 126,3-5). O Catecismo da Igreja diz: “A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais”. (Cat.§ 2373)

O amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo

 “A fecundidade é um dom do matrimónio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora acrescentar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio âmago dessa doação mútua, da qual é fruto e realização. Chamados a dar a vida, os esposos participam do poder criador e da paternidade de Deus. “Os cônjuges sabem que, no ofício de transmitir a vida e ser educador – o que deve ser considerado como missão própria deles –, são cooperadores do amor de Deus criador e como que seus intérpretes”. (n. 2366-7)

O cônjuge que não quer ter mais filhos, quando o casal pode tê-los e quando um deles quer, pode estar movido pelos sentimentos negativos citados; então, a parte que os deseja ter precisa de mostrar ao outro a vontade de Deus sobre o matrimónio. Isto deve ser feito com muito amor e carinho, mostrando ao outro o que a Igreja ensina sobre a paternidade responsável.

Há casos em que é lícito o casal espaçar o nascimento dos filhos – não é evitar indefinidamente – quando há sérios problemas de saúde e financeiros, para que o casal recupere deles, e depois possa ter outros filhos.

Confiança na Providência Divina

Um casal só aceita ter todos os filhos que pode ter se agir segundo a vontade de Deus, na fé, numa vida de confiança na Providência Divina, que nunca abandona um casal na criação dos filhos. São Paulo repete o que disse o profeta Habacuc: “O justo vive pela fé” (Rom 1,17; Hab 2,4). E a carta aos hebreus diz: “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Heb 1,6). Portanto, quando um dos cônjuges quer ter um filho e o outro não quer, é preciso que o que quer o filho fortaleça a fé do outro e lhe mostre a vontade de Deus. O sentido mais profundo de gerar e educar os filhos é criar seres que, um dia, vão ocupar um lugar no Céu.

Lá, não se gera mais filhos, não há casamento; só aqui na Terra. Então, Deus quer contar com a generosidade dos pais para gerar os filhos que, com Ele, viverão por toda a eternidade, desfrutando da Sua felicidade. Esta é uma missão sagrada e sublime do casal. Só com este sentimento um casal “aceita ter todos os filhos que Deus lhe enviar”, como prometeram a Deus no dia do casamento.

É preciso meditar no que diz a Igreja sobre este assunto. O Papa Bento XVI disse: “Uma nação que não tem filhos é uma nação sem futuro”. É o que acontece com muitos países hoje. É triste ver a situação da Europa, do Japão e outros países envelhecidos, sem braços jovens para trabalhar e continuar a história destas nações.

Perigos dos métodos contraceptivos

Na década de 60, os pesquisadores inventaram a pílula anticoncepcional. Logo em seguida, em 25 de julho de 1968, o Papa Paulo VI escreveu a Encíclica Humanae Vitae (HV), alertando sobre os perigos que os métodos contraceptivos representavam para a humanidade.

Já se passaram cerca de 50 anos, e o tempo mostra quanto o Papa Paulo VI tinha razão. Os países da Europa envelheceram; nenhum deles hoje consegue sequer repor a taxa mínima de natalidade para que a população do continente não diminua. Nenhum deles tem taxa de 2,1 filhos por mulher, o mínimo necessário para se manter a população estável. Os governantes agora multiplicam os incentivos para os casais terem filhos, mas sem sucesso.

Isso acontece, hoje, por causa do drástico controle da natalidade facilitado pela pílula e outros métodos artificiais contraceptivos. Logo no início da referida encíclica HV, Paulo VI destacou: “O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias […]. O matrimónio e o amor conjugal estão por si mesmos ordenados para a procriação e educação dos filhos. Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimónio e contribuem grandemente para o bem dos pais” (n.9).

Paternidade responsável

Uma das advertências que o Papa colocou é que o casal deve viver a paternidade responsável, ter todos os filhos que puder criar com dignidade, sem cair na tentação do medo, do egoísmo e do comodismo de evitá-los.

O Santo Padre insistiu que o acto sexual tem dois aspectos fundamentais e não podem ser separados: o unitivo e o procriativo. Se forem separados, haverá o uso indevido e egoísta do sexo” (n.11).

Paulo VI lembrou também que a esterilização do homem ou da mulher fere o plano de Deus: “É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta (vasectomia e laqueadura), quer perpétua ou temporária, tanto do homem como da mulher” (n.14).

Não posso ter filhos, agora. Existe alguma alternativa?

Para os casais que precisam seriamente de evitar uma gravidez por um tempo, o Pontífice recomendou “os métodos naturais” de contracepção. Um exemplo é o conhecido Método Billings, que funciona muito bem quando o casal sabe usá-lo correctamente. A sua grande vantagem é que não fere a vontade de Deus e a mulher não toma medicamentos constantemente, o que pode fazer mal à sua saúde. Além disso, deste modo, estabelece-se entre o casal cristão um clima de amor, compreensão e respeito de mortificação que tanto santifica.

Somente uma reflexão profunda sobre este tema fundamental da vida pode fazer com que o casal decida, numa expressão profunda do seu amor recíproco e no amor a Deus, aceitar os filhos que Ele lhe enviar.

 
Tenham filhos! Imprimir e-mail

“Tenham filhos!”

“Se eu pudesse dar só um conselho aos meus amigos, seria este"

 

“Se eu pudesse dar só um conselho aos meus amigos, seria este: tenham filhos. Pelo menos um. Mas se possível, tenham 2, 3, 4… Irmãos, são a nossa ponte com o passado e o porto seguro para o futuro. Mas tenham filhos.

Os filhos fazem-nos seres humanos melhores.

O que um filho faz por si nenhuma outra experiência faz. Viajar o mundo transforma-nos, uma carreira de sucesso é gratificante, independência é delicioso. Ainda assim, nada te modificará de forma tão permanente como um filho.

Esquece a história de que filhos são gastos. Os filhos tornam-te uma pessoa com consumo consciente e económica: passas a comprar roupas na Renner e não na Calvin Klein, porque no fim, são só roupas. E os ténis do ano passado, que ainda estão novinhos e confortáveis, duram 5 anos… Tens outras prioridades e só um par de pés.

Passas a trabalhar com mais vontade e dedicação, afinal, existe um pequeno ser totalmente dependente de ti, e isto torna-te um profissional com uma garra que nenhuma outra situação te daria. Os filhos fazem-nos superar todos os limites.

Começa a preocupar-te em fazer algo pelo mundo. Separar o lixo, trabalho comunitário, produtos que usam menos plástico… Tu és o exemplo de ser humano do teu filho, e nada pode ser mais grandioso do que isto.

A tua alimentação passa a importar. Não dá para comer chocolate com coca-cola e a dar-lhe bananas e… a toda a hora. Passas a cuidar melhor da tua saúde: come o resto das frutas do prato dele, planta uma horta para ter temperos frescos, desliga o frigorífico durante a semana. Um filho dá-te uns 25 anos a mais de longevidade.

Passas a acreditar em Deus e aprendes a orar. Na primeira doença do teu filho tu, quase como instinto, dobras os joelhos e pedes a Deus que olhe por ele. E assim, o teu filho ensina-te sobre fé e gratidão como nenhum padre/pastor/líder religioso nunca foi capaz.

Confronta a tua sombra. Um filho traz à tona o teu pior lado quando ele se deita ao chão do mercado porque quer um pacote de biscoitos com chocolate. Tu tens vontade de gritar, de bater, de sair a correr. Tu vês-te agressivo, impaciente e autoritário. E assim descobres que é só pelo amor e com amor que se educa. Aprendes a respirar fundo, a te agachar, a estender a mão para o teu filho e ver a situação através dos seus pequenos olhinhos.

Um filho faz que sejas uma pessoa mais prudente. Tu nunca mais irás conduzir sem cinto, ultrapassar de forma arriscada ou beber e assumir a direcção, pelo simples facto de que tu não podes morrer (tão cedo)… Quem é que criaria e amaria os teus filhos como tu, na tua ausência?! Um filho faz mais do que nunca querer estar vivo.

Mas, se ainda assim, não achares que estes motivos valem a pena, que seja pelo indecifrável que os filhos têm.

Tem filhos para sentir o cheiro dos seus cabelos sempre perfumados, para teres o prazer de pequenos bracinhos ao redor do teu pescoço, para ouvires o seu nome (que passará a ser mamã ou papá) falado, cantado naquela vozinha estridente.

Tem filhos para receber aquele sorriso e abraço apertado quando chegares a casa e sentir que és a pessoa mais importante do mundo inteirinho para aquele pequeno ser. Tem filhos para ganhar beijos babados com um hálito que listerine nenhum proporciona. Tem filhos para vê-los sorrirem como ti e caminharem como o pai, e entende a preciosidade de se ter uma parte tua, solta pelo mundo. Tem filhos para re-aprender a delícia de um banho cheio de espuma, de uma bacia de água no calor, de rolar com o cãozinho, de comer manga sem se limpar.

Tem filhos.

Sabendo que muito pouco ensinarás. Tem filhos justamente porque tens muito a aprender. Tem filhos porque o mundo precisa que nós sejamos pessoas melhores ainda nesta vida.”

Por Bruna Estrela

 
A posição da Igreja em relação à Fecundação Artificial Imprimir e-mail

 

A posição da Igreja em relação à Fecundação Artificial

Há muitos casais que, por alguma razão, não conseguem engravidar; então, buscam outros meios para ter filhos. Alguns tentam meios não naturais, como a fecundação artificial e a reprodução assistida. Mas é preciso compreender o que a Igreja diz a este respeito.

Primeiramente, a fecundação artificial é entendida como um conjunto de técnicas por meio das quais se permite a reprodução sem a união sexual do casal. A inseminação artificial e a reprodução assistida são formas de concepção que substituem a fecundação natural compreendida na relação entre os esposos. Portanto, a Igreja é muito categórica na sua concepção a respeito destas técnicas.

Para a Igreja, do ponto de vista moral, todo o ser humano deve ser acolhido como um dom, uma bênção de Deus. Uma procriação verdadeiramente responsável deve ser fruto do matrimónio e da relação sexual entre o casal.

Por que é que a Igreja defende a fecundação natural?

Podemos dizer que a procriação humana tem algumas características específicas por força da dignidade pessoal dos pais e dos filhos. A dignidade do novo concebido é tão grande, que até a forma de o conceber, a mais digna, a Igreja acredita ser a entrega do casal na relação sexual, que faz parte da conjugalidade.

O homem e a mulher colaboram com o plano do Criador, portanto, a concepção deve ser fruto da doação mútua, do amor, da fidelidade e responsabilidade entre os esposos. O acto conjugal, com o qual os esposos manifestam reciprocamente o dom de si, exprime simultaneamente a abertura ao dom da vida: é um acto indissolúvel corporal e espiritual.

Por que é imoral?

O matrimónio tem dois sentidos: o unitivo e o procriativo. Por essa razão, a reprodução não os pode separar, mas preservar estes significados. As formas de reprodução não naturais separam estes dois princípios do matrimónio e, de certa forma, não respeitam a dignidade da criança ao ser concebida. A relação sexual é uma forma de respeitar os princípios deste sacramento. Por isso, a Igreja vai contra os processos artificiais, uma vez que tudo o que vai contra os métodos naturais vai contra a dignidade do matrimónio.

Outro ponto a ser destacado é que por estes métodos a procriação é privada da sua perfeição própria, quando não querida como fruto do acto conjugal, gesto específico dos esposos. “A procriação humana está fundada sobre a conexão que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do acto conjugal: unitivo e procriador”. (Carta Encíclica Humanae Vitae)

Por fim, estes actos são ilícitos, porque efectuam a dissociação dos gestos que, pelo acto conjugal, são destinados à fecundação humana. A Igreja ensina que nunca é lícito “fabricar” um filho fora do acto sexual entre os esposos. Todo o ser humano tem o direito de ser gerado numa união física de amor dentro do casamento.

O que a Igreja indica a estes casais?

Vale ressaltar que é lícito o uso de meios artificiais encaminhados unicamente a facilitar a realização natural do acto sexual ou, uma vez este acto realizado normalmente, que seja alcançado o seu fim.

A Igreja sente pelos casais que não conseguem engravidar, não fica indiferente ao sofrimento, à busca e à angústia deles; ao contrário, torna-se solidária. Porém, não justifica apoiar aquilo que foge à dignidade do matrimónio. Há muitas crianças que aguardam a adopção, a Igreja propõe a estes casais que se compadeçam e adoptem estas crianças.

 
Como o casal deve lidar com a frustração de não ter filhos Imprimir e-mail

 

Como o casal deve lidar com a frustração de não ter filhos 

 

Como lidar com o sentimento de frustração e pressão diante da possibilidade de não ter filhos

 

Vivemos numa constante pressão! Quando se é solteiro, a pressão é: “Quando te casas?” Quando se é casado, a pressão é: “Quando tens um filho?” Quando se tem um filho, a pressão é: “Quando terás outro?” Diante de tanta pressão, podemo-nos perder na indiferença do que, de facto, o outro está a viver. Talvez, o solteiro viva o sofrimento de não ter encontrado alguém para se casar; o casado, o sofrimento por não ter um filho; o pai, o sofrimento por se sentir incapaz de dar ao filho o que este deseja.

 

Falemos sobre a pressão que um casal vive para ter um filho, mas, por inúmeras razões (infertilidade orgânica, transitória e até mesmo esterilidade), não conseguem, gerando assim uma situação de possível e grande sofrimento. A pressão da família e da sociedade para que o casal tenha filhos, muitas vezes, é enorme; e o facto de não conseguir engravidar pode fazer a pessoa sentir-se fracassada.

 

Como administrar tal sofrimento perante a própria vida e diante da conjugalidade assumida?

 

1º) Não negues os teus sentimentos

 

A primeira coisa a viver, diante do sofrimento em não conseguir engravidar, é assumir os sentimentos, o desejo frustrado, o sonho que não se realiza. Quanto mais o casal nega estes sentimentos, mais estes ganham forças destrutivas. É preciso reconhecer a fundo o desejo que ambos (homem e mulher) trazem referente à concepção dos filhos. A aceitação e o enfrentamento do que você sente ajuda a suportar as emoções e pressões (internas e externas) com mais serenidade.

 

2º) Não te destruas pela culpa

 

Diante da dor em não conseguir ter filhos, não te autodestruas procurando os culpados: “Ah, se eu tivesse engravidado antes!”, “Ah, se eu não tivesse esperando terminar o pós-doutorado para engravidar!”, “Ah, eu poderia ter me cuidado mais” etc. Estas são vozes que tentam tirar-te a esperança e levar-te à completa aniquilação de ti mesmo e do teu cônjuge.

 

A culpa pode até impedir-te que tenhas uma centralidade, para, de facto, encarares o problema, impossibilitando-te de buscares ajuda médica, psicológica e, quem sabe, até espiritual. Nada de se culpar!

 

3º) Vive a harmoniosa e fecunda vida de casados!

 

Quando a gravidez não surge, muitos casais começam a “esfriar” a relação, é como que se a impossibilidade em ter filhos tirasse deles a vitalidade do relacionamento. Nessa hora, não só a parentalidade está em cheque, mas também a própria conjugalidade. Tentem encontrar, juntos, maneiras realistas de dividir o estresse e a frustração em não poder/conseguir ter filhos. Muitos casais pensam que a fecundidade do relacionamento está apenas na questão de gerar filhos, mas não está somente nisso! O Papa Francisco, na Exortação Amoris Laetitia, afirma: “Àqueles que não podem ter filhos, lembramos que «o matrimónio não foi instituído só em ordem à procriação (…). Por isso, mesmo que faltem os filhos, tantas vezes ardentemente desejados, o matrimónio conserva o seu valor e indissolubilidade, como comunidade e comunhão de toda a vida».

 

4º) Procura toda a ajuda necessária

 

É importante que, dentro da moral católica, busqueis toda a ajuda necessária. Vai a médicos especializados, talvez a infertilidade seja de fundo psicológico. Recorre à espiritualidade, à oração! Faz a tua parte sem te perderes numa vida obsessiva para engravidar. Mas, com calma e esperança, dá os passos que deves dar, tu e o teu cônjuge!

 

5º) Relaxa, tu não és amaldiçoado

 

Sim, os filhos são bênçãos de Deus! Então, se não os tenho, não sou abençoado por Ele? Calma, não é esta a lógica. De facto, é Deus quem dá o dom dos filhos, mas não quer dizer que, se não os tens, sejas pelo facto de que Deus não os quer dar a ti! Nesta hora, a fé é acreditar que, no mistério do sofrimento, Deus também sofre contigo. Não permitas ser invadido por pensamentos de que Deus não te ama, que és amaldiçoado.

 

6º) Estabelece um limite. Até onde tentar?

 

Há casais que decidem, desde o começo, por viver, de facto, o que a Igreja ensina sobre a reprodução humana; por isso, esgotadas todas as possibilidades morais, é hora de escolher o que fazer. Ficar anos a tentar sem que se tenha um parecer médico favorável pode ser grande sofrimento para o casal. Lembra-te: desistir dos meios humanos não quer dizer perder a fé que Deus pode realizar o impossível!

 

7º) Abre-te à fecundidade alargada

 

O Papa Francisco, na Amoris Laetitia, afirma: “A adopção é um caminho para realizar a maternidade e a paternidade de uma forma muito generosa, e desejo encorajar aqueles que não podem ter filhos a alargar e abrir o seu amor conjugal para receber quem está privado de um ambiente familiar adequado. Nunca se arrependerão de ter sido generosos. Adoptar é o acto de amor que oferece uma família a quem não a tem.”

 

Quantos casais que se abrem à adopção como uma forma de viver a paternidade e maternidade, e, com isso, tornam-se, de facto, realizados? O amor abre sempre possibilidades!

 

Ao falar em cada um destes pontos, não pretendo diminuir ou tirar o teu sofrimento em não conseguires ter filhos, mas a tentativa é de fazer com que os sentimentos possam ser administrados de uma forma mais integrada e humanizada possível.

 
Não consigo engravidar Imprimir e-mail

Não consigo engravidar  

O que a Igreja recomenda para os casais que tentaram, mas ainda não conseguiram engravidar?

A Igreja sabe que os casais que não conseguem ter filhos sofrem. O Catecismo diz que “é grande o sofrimento de casais que descobrem que são estéreis” (n.2374). Mas, nem por isso, eles devem ser infelizes: “Os esposos a quem Deus não concedeu ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristã. Seu matrimônio pode irradiar uma fecundidade de caridade, acolhimento e sacrifício” (n.1654).

A Igreja recomenda que esses casais busquem, na ciência médica, a possibilidade de a mulher engravidar, mas por meios que não firam a dignidade humana.

 “As pesquisas que visam diminuir a esterilidade humana devem ser estimuladas, sob a condição de serem colocadas ‘a serviço da pessoa humana, de seus direitos inalienáveis, de seu bem verdadeiro e integral, de acordo com o projeto e a vontade de Deus’” (Instrução Donum Vitae, 2). (n.2375)

O Magistério da Igreja entende que não é lícito gerar um filho pela inseminação artificial homóloga (pais casados) ou heteróloga (pais não casados). Diz o Catecismo que “as técnicas que provocam uma dissociação do parentesco, pela intervenção de uma pessoa estranha ao casal (doação de esperma ou de óvulo, empréstimo de útero) são gravemente desonestas. Essas técnicas (inseminação e fecundação artificiais heterólogas) lesam o direito da criança de nascer de um pai e de uma mãe conhecidos dela e ligados entre si pelo casamento. Elas traem “o direito exclusivo de se tornar pai e mãe somente um por meio do outro” (n.2376).

 “Praticadas entre o casal, essas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são, talvez, menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas que remete a vida e a identidade do embrião ao poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos”.

 “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos. Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa” (n.2377).

A Igreja recomenda que se o casal que não conseguir, por meios legítimos, a fecundação, deverá juntar esse sofrimento ao de Cristo, na cruz, e poderá adotar filhos do coração, que não são menos valiosos que os da carne. Sem dúvida, é um ato de fé de quem realmente ama Deus e está disposto a oferecer esse sacrifício no cálice da Santa Missa.

O Catecismo diz: “O Evangelho mostra que a esterilidade física não é um mal absoluto. Os esposos que, depois de terem esgotado os recursos legítimos da medicina, sofrerem de infantilidade unir-se-ão à cruz do Senhor, fonte de toda fecundidade espiritual. Podem mostrar sua generosidade adotando crianças desamparadas ou prestando relevantes serviços em favor do próximo” (n.2379).

Não conhecemos os desígnios de Deus para cada casal. Por que uns têm muitos filhos e outros não têm nenhum? Só o Senhor pode responder isso. Sabemos que Ele não é o autor da esterilidade, mas o Senhor da vida. Se, no entanto, Ele não a permite, saberá dela fazer o bem.

Acreditamos, na fé, naquilo que diz São Paulo: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”. Diz a Palavra que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6). “O justo viverá pela fé” (Rm 1,17). Sem dúvida, esse é um sofrimento que só pode ser superado na fé e na oração de abandono nas mãos de Deus.

Quem de nós sabe o que é bom, hoje e amanhã, para nós ou para nossos filhos? Então, na fé, o melhor é aceitar o que Deus permite que aconteça, mesmo que nosso coração sofra. Diante d’Ele os méritos desses pais será grande.

 
A importância de falar sobre sexualidade entre casais Imprimir e-mail

 

A importância de falar sobre sexualidade entre os casais 

A grande revolução sexual da década de 1960 pôs despoletou tudo o que a humanidade dizia – bem ou mal – sobre sexualidade. De repente, todos fomos proibidos de proibir qualquer coisa. A busca do prazer, legítimo em si, entrou em velocidade crescente e sem possibilidade de usar freios que mantivessem uma velocidade de segurança.

A vida sexual plena, fora do casamento, foi estimulada sem nenhum entrave. A nova moda é juntar os trapos e morar juntos, e permanecer apenas enquanto der tudo certo. Ou então, partir para a gravidez fora da vida familiar.

Fidelidade no casamento

A fidelidade conjugal entre casais estáveis passou a ser um pio desejo. O coração não deve ser cerceado nos seus encantamentos amorosos, restando-lhe apenas uma cautela prudencial, para não ser surpreendido pelo ciúme da cara metade. Caso exista uma inclinação insopitável, provinda de factores educacionais, que arraste o indivíduo a avaliar pessoas do próprio sexo, como complementares à sua personalidade, por que não se entregar livremente a este prazer, embora de cunho incompleto? A televisão não propugna abertamente o sexo virtual, em plena luz do dia, ensinando maneiras insuspeitadas de satisfazer a libido?

A moralidade encorajada pela Bíblia é mais realista e mais humana. Ela apregoa a beleza do sexo, mostra que é uma das energias mais fortes e positivas da natureza humana. Mas é um rio caudaloso, que precisa de ser mantido dentro do seu leito, para não levar destruição à natureza.

As Escrituras testemunham a atracção irresistível que os dois sexos exercem entre si. “Deus viu que tudo o que fizera era muito bom” (Gen 1,31). Pelos exemplos concretos, apontam que a sexualidade é a energia que motiva o verdadeiro progresso da humanidade. O sexo, dentro de uma recta ordem, é factor de alegria e garantia de sobrevivência da espécie humana.

Será, no entanto, que não precisamos de uma escala de valores, onde haja espaço também para as alegrias do intelecto e do encontro místico com Deus? Tais alegrias tem o cunho de serem mais completas. “Os puros, verão a Deus” (Mt 5, 8). A educação sexual das novas gerações deve passar pelo apreço e encantamento das qualidades do outro sexo. Como também pela disciplina de guardar-se, sexualmente, para a pessoa amada.

 
Queres ter filhos, ou ser mãe? Imprimir e-mail

Queres ter filhos, ou ser mãe?

 

A diferença é grande

A pergunta, na verdade, podemos dizer que é fruto de um desejo bem egoísta, uma satisfação do próprio ego. Muitas mães têm os filhos como troféu, pois elas os expõem constantemente, exibindo o filho como aquele que “salvou” o casamento dela, depois do seu nascimento. Exibem as belas roupas caras que são capazes de dar a esse filho, expõem o seu desenvolvimento e talento, afinal de contas, o filho é especial. E, isso é perigoso, porque colocam neles um peso que ainda não são capazes de suportar, mesmo que lhes pareça interessante ou divertido, não é próprio da sua idade. As mães expõem os filhos como forma de mostrar que a sua família é perfeita. Será que é? Ou será que criou um conto de fadas para essa criança viver? Quando ela (ele) descobrir que não é a princesa ou o príncipe, qual será a reação dela (dele)?

Toda a criança passa naturalmente pela fase do narcisismo, egoísmo e egocentrismo. Porém, se essas fases forem estimuladas, pode ser que a criança não dê conta de as superar e continue presa a elas por toda a vida. Pense como é chato e desgastante uma relação com adultos narcísicos, que só pensam em quanto eles podem ser bons, belos e ostentam tudo o que têm! Ou um adulto que possui um grande sentimento de posse, que quer tudo, não se satisfaz com nada e fica envolvido em “ter coisas e pessoas”, usa tudo como “objecto”. Quem sabe ainda, um adulto egocêntrico, que se diz o dono da verdade, que a sua palavra e os seus pensamentos são sempre os melhores. Tenho a certeza de que não será fácil conviver com essas pessoas.

Mães que desejam ser mães

Ter filhos é uma resposta à sociedade! Isto revela que sou capaz e viril! Porém, a via do amor passa um pouquinho distante dessa relação social. Não é que aqueles que, desejam a todo custo ter um filho, não os amem, mas é uma manifestação de amor diferente.

Aquelas mães que desejam ser mães querem os filhos da forma como eles vierem. Seja saudável, enfermo, biológico ou do coração. Não importa a forma como o filho venha, importa que tenha amor para dar a essa criança que lhe foi confiada. Se recebesse a notícia de que não poderia gerar filhos, qual seria a sua reação? Adoptaria um cachorro e daria a ele todo o “amor” que acredita ter? Ficaria presa e nos seus sentimentos de impotência, doença ou maldição; e amargaria a vida e a Deus por não realizar o seu sonho? Ou seria capaz de acolher uma criança que foi gerada no ventre de outra pessoa? Difícil resposta, não é?

Um dia uma mãe disse a Deus que precisava de encontrar os seus filhos, porque ela sofria a falta deles e sabia que eles também sentiam a falta do amor de mãe. Deus ouviu-a e deu-lhe uma filha do coração. Este é o verdadeiro sentido de ser mãe! Saber que possui um amor tão grande que sente a ausência deste filho, o qual, muitas vezes, vem de forma surpreendente.

Adoptar uma criança pode ser um risco para aqueles que não sabem amar. Você quer ser mãe, ou quer ter filhos?

 
O que fazer quando o seu cônjuge é mal-humorado Imprimir e-mail

 

O que fazer quando o seu cônjuge é mal-humorado

 

Atrás de cada lamentação há um grito desesperado para “me amar quando eu menos mereço”

O que você pode fazer se o seu marido voltar do trabalho todos os dias de mau humor e arruinar o ambiente em sua casa… e se arrepender depois? Você pode mudar uma personalidade difícil? (Não estamos a falar de personalidades abusivas, mas apenas de tipos mal-humorados).

Onde faltar o amor, semeie o amor e você colherá o amor. A verdade é que é difícil amar as pessoas mal-humoradas e complicadas, mas será mais fácil fazer isso se entendermos que por trás de cada lamentação há um grito desesperado para “me amar quando eu menos mereço porque é quando eu mais preciso disso”.

Todos nascemos com um temperamento em que temos que trabalhar para formar o nosso carácter. É uma característica inata que herdamos, e não é algo que mudamos apertando um botão. É assim que as nossas emoções espontâneas respondem; são as nossas reações típicas quando enfrentamos estímulos externos.

Mas o carácter é a nossa maneira pessoal de ser. É a soma dos traços e características que formamos no decorrer da nossa vida e que nos tornam únicos. Ao contrário do temperamento, o carácter pode ser formado e educado, o que significa que pode mudar, graças à influência do ambiente e da educação, das coisas que vivemos e da nossa inteligência emocional, entre outros factores.

Portanto, o temperamento não pode ser alterado, mas o carácter pode sempre ser moldado até alcançar uma personalidade encantadora.

Se o seu cônjuge tem um fusível curto, é mal-humorado ou cria uma atmosfera ruim, olhe para estes itens:

Compreensão

O primeiro e mais importante ponto é compreendê-lo com um coração aberto e misericordioso. Certamente, é muito cansativo lidar com uma personalidade assim, e a coisa mais frustrante é a nossa própria incapacidade de o mudar. Mas podemos escolher a atitude com a qual responderemos a essa personalidade ou nos momentos em que percebemos que a outra pessoa cria uma atmosfera ruim no lar. O amor é compreensivo, disse São Paulo. Quando o seu marido chega do trabalho de mau humor ou quando a sua esposa está histérica, você tem certeza de que ele está bravo? Pode ser que haja algo de tristeza, preocupação, desilusão, medo ou frustração que conduz o seu comportamento? Pense nisso… Se você é capaz de entender o que está por trás deste rosto “amarrado”, você será capaz de evitar ser sugada para a atitude negativa.

Evite colocá-lo para baixo

Tanto quanto você pode querer murmurar insultos ao seu cônjuge, não importa quanto você sinta que ele merece isso, nunca magoe o seu cônjuge com palavras como “Tu és uma mulher louca; é por isso que ninguém te ama” ou “Nem a tua mãe te suporta” ou “Tu és como a tua mãe”.

Onde faltar o amor, semeie o amor e você colherá o amor

Embora seja difícil amá-lo naquele momento, ame-o! Como? Apenas tomando uma atitude diferente, sendo gentil e não defensiva. Faça com que o cônjuge sinta que em sua casa ele é incrivelmente amado e aceite. De forma amorosa, faça-o saber que você está lá para ele incondicionalmente para que juntos vocês possam encontrar a raiz desta raiva. Acredite, se é difícil para você estar com alguém assim, veja como é ser essa pessoa. É ainda mais difícil para eles viverem consigo mesmos.

Faça acordos

Num momento de “lucidez”, quando as coisas se acalmaram, fale sobre isso e ajude-o a entender como você se sente quando vê que ele perdeu o controle. Você pode fazer estratégias e pactos, como: “Quando eu perceber que tu estás a perder o controle ou a criar uma atmosfera negativa em nossa casa, te deixarei sozinho e esse será o sinal de que tu precisas para te acalmares”.

Os seres humanos não são perfeitos, mas somos aperfeiçoáveis. Portanto, uma personalidade complicada terá sempre a chance de melhorar. Mas ele ou ela tem que ser o único a decidir fazer isso. Não é fácil, mas é possível. Em alguns casos, a pessoa pode precisar de ajuda profissional para descobrir quais feridas emocionais precisam de ser curadas e o que o faz reagir desse modo. Para os fiéis, a ajuda de Deus é sempre importante para curar feridas interiores e fazer mudanças.

 

 

 

 

 

 

 

 
A coisa mais importante que pode dar aos seus filhos Imprimir e-mail

 

A coisa mais importante que você pode dar aos seus filhos… além do amor

 

E talvez devesse começar com a rotina de dormir

Eu tenho este sonho de como deve ser a hora de dormir. É uma visão serena com banhos, orações e histórias de dormir, mas a sua principal característica é tudo isto ser sem pressa. Não há pressa na minha visão. Na verdade, a minha visão é exuberante.

Aposto que você pode adivinhar por que é um sonho e não uma realidade. A realidade nunca é exuberante. A realidade é apressada e raramente serena. A realidade é cheia de jantares tardes da noite, pilhas de pratos e lição de casa inacabada e a implacável aproximação da próxima manhã. Como os autocarros escolares, os despertadores são inflexíveis. Devemos ceder… e as histórias, os banhos, as orações, e, muitas vezes, a serenidade são sacrificadas.

Odeio esta realidade, mas não tenho a certeza de como a mudar. Como mãe, sinto-me oprimida por todos os aspectos da vida. Eu sinto-me desprovida de tempo. Nunca há tempo suficiente para usar para o que eu quero fazer.

Mas, talvez eu esteja errada. Não sobre não ter tempo suficiente, mas sobre quais são as coisas opcionais e quais são as essenciais. Uma postagem em Raising Good fez uma pergunta que me faz repensar toda a minha abordagem na forma como passo o meu tempo: “quando o tempo é o nosso recurso mais limitado, como podemos concedê-lo livremente?”

 “Pergunte a qualquer pai se amam o seu filho incondicionalmente e você será ensurdecido por um ressonante e sincero ‘SIM!’ Claro que sim. Mas não importa o que digamos, tudo o que importa é como eles se sentem. E o mais importante para crianças pequenas é o tempo gasto com os pais. Quando os deixamos com outras pessoas com demasiada frequência, renunciamos, muitas vezes inconscientemente, as preciosas oportunidades de conexão. E uma desconexão excessiva pode florescer, ameaçando minar os próprios alicerces do nosso vínculo mais valoroso.

Aqui em nosso pequeno canto do mundo, vejo mais claramente o que é que estou a perseguir. Uma vida simples num mundo complexo. Em última análise, cada família deve escolher o que é certo para ela. Mas, primeiro, precisamos de perceber que temos uma escolha. Nós não precisamos de seguir o padrão se não quisermos”.

Eu não costumo deixar os meus filhos com outras pessoas. Estão quase sempre na escola ou em casa comigo. Mas costumo dar-lhes tarefas para fazer enquanto eu faço as minhas. Na maioria das vezes, na verdade. As nossas oportunidades de conexão estão-se a afogar num mar de pratos e caos.

E eu fiquei apegada a este sonho com a hora dormir durante nove anos. Há muito tempo era uma realidade, quando eu tinha apenas um filho. Eu continuo a esperar que a vida desacelere para que possa ser uma realidade novamente. Mas, no entretanto, quatro dos meus cinco filhos nunca conheceram a hora de dormir que eu quero oferecer. Eles nunca experimentaram isso. E a única certeza que tenho é que a vida não diminui a velocidade.

Se eu quiser tornar a minha visão real, tenho que descartar o padrão e tornar a vida mais lenta. Eu posso escolher comprar pratos de papel com mais frequência e aproveitar jantares rápidos para que o nosso tempo não seja inundado por cozinhar e limpar. Posso antecipar a hora do jantar, então teremos mais tempo depois. Posso lavar os pratos depois que todos estiverem na cama.

Ou eu realmente posso ser uma rebelde e começar a hora de dormir quando as crianças chegam da escola. Por que não? Quem disse que os banhos devem vir após o jantar e as histórias depois dos banhos? Por que não dar-lhes banho imediatamente e ler em voz alta enquanto o jantar cozinha? Por que não dizer orações antes do jantar e ler um livro depois, enquanto nos encurralamos no sofá e bebemos chocolate quente? Quem disse que a hora de dormir tem que vir após orações, histórias e banhos, afinal?

O tempo é finito e está a passar muito rápido. Se eu quiser dar mais disso aos meus filhos, eu tenho que encontrar uma maneira de o fazer agora. Porque se eu esperar muito mais, estes anos passarão e este sonho permanecerá apenas… um sonho.

 
Mensagem de uma mãe para o adolescente que matou o seu filho Imprimir e-mail

Mensagem de uma mãe para o adolescente que matou o seu filho

 

Em Junho de 2015, Suliman Abdul-Mutakallim, um veterano da Marinha de Cincinnati, de 39 anos, conhecido como “Sam”, volta para casa, para a sua esposa, com uma sacola de compras na mão, quando foi assaltado por três jovens e foi baleado na parte de trás da cabeça.

Enquanto estava deitado no chão, um dos assaltantes, Javon Coulter, de 14 anos, foi filmado a assaltar o bolso da vítima e partilhar o que encontrou com os outros dois homens, antes de sair com cerca de US$ 60 e as compras, abandonando Abdul-Mutakallim na calçada.

Abdul-Mutakallim, que serviu no Iraque, morreu no hospital cercado pela sua família. Quando faleceu, a sua mãe, Rukiye, muçulmana, de 66 anos, disse, segundo o Cincinnati Enquirer, “convive com a imagem de seu filho morrendo; a sua dor é constante”.

No entanto, apesar da agonia de perder o filho (que era cristão) em circunstâncias tão horríveis, Rukiye demonstrou extraordinária misericórdia perante aqueles que o mataram. Dois anos após a sua morte, dois dos agressores de Abdul-Mutakallim, incluindo Coulter e Valentino Pettis, que tinha 17 anos na época do roubo, compareceram ao Tribunal e declararam-se culpados de homicídio culposo, com Coulter também a admitir o roubo.

Numa cena emocionante logo após a admissão de culpa de Coulter de assassinato, Rukiye aproximou-se da juíza Megan Shanahan para pedir permissão para abraçar Coulter, agora com 16 anos. Num vídeo postado no Cincinnati Enquirer, Rukiye é vista com Coulter no tribunal dizendo: “Eu não te odeio, não te odeio. Não é o nosso caminho”. Com dignidade e compaixão continuou: “Demonstrar misericórdia… este é o nosso caminho”.

Determinada a que a morte de seu filho não ficasse em vão, Rukiye disse ao adolescente que queria que ele ainda tivesse uma chance na vida quando saísse da prisão. Que ela e a sua família agora seriam parte da sua vida.

 “Se eles não tiverem luz, então esta mesma doença vai se repetir, e eles vão tirar a vida do filho de outra pessoa”. E acrescentou: “A vingança não resolve nada”. Rukiye aproveitou a oportunidade para abraçar a mãe de Coulter, demonstrando compreender a dor que ela devia estar a sentir.

Enquanto a força e o amor de Rukiye pela humanidade se mostram excepcionais, ainda ecoam os valores de seu filho, que havia postado no Facebook após a morte de um vizinho: “Para todos os meus amigos e familiares, não sabemos quanto o nosso tempo na Terra durará, então se você não acertou o seu coração com Deus, por favor, não demore”.

 
A posição da Igreja em relação à Fecundação Artificial Imprimir e-mail

 

A posição da Igreja em relação à Fecundação Artificial

 

Há muitos casais que, por alguma razão, não conseguem engravidar; então, buscam outros meios de ter os filhos. Alguns tentam meios não naturais, como a fecundação artificial e a reprodução assistida. Mas é preciso compreender o que a Igreja diz a este respeito.

Primeiramente, a fecundação artificial é entendida como um conjunto de técnicas por meio das quais se permite a reprodução sem a união sexual do casal. A inseminação artificial e a reprodução assistida são formas de concepção que substituem a fecundação natural compreendida na relação entre os esposos. Portanto, a Igreja é muito categórica na sua concepção a respeito destas técnicas.

Para a Igreja, do ponto de vista moral, todo o ser humano deve ser acolhido como um dom, uma bênção de Deus. Uma procriação verdadeiramente responsável deve ser fruto do matrimónio e da relação sexual entre o casal.

Por que é que a Igreja defende a fecundação natural?

Podemos dizer que a procriação humana tem algumas características específicas por força da dignidade pessoal dos pais e dos filhos. A dignidade do novo concebido é tão grande, que até a forma de o conceber, a mais digna, a Igreja acredita ser a entrega do casal na relação sexual, que faz parte da conjugalidade.

O homem e a mulher colaboram com o plano do Criador, portanto, a concepção deve ser fruto da doação mútua, do amor, da fidelidade e responsabilidade entre os esposos. O acto conjugal, com o qual os esposos manifestam reciprocamente o dom de si, exprime simultaneamente a abertura ao dom da vida: é um acto indissolúvel corporal e espiritual.

Por que é imoral?

O matrimónio tem dois sentidos: o unitivo e o procriativo. Por essa razão, a reprodução não os pode separar, mas preservar estes significados. As formas de reprodução não naturais separam estes dois princípios do matrimónio e, de certa forma, não respeitam a dignidade da criança ao ser concebida. A relação sexual é uma forma de respeitar os princípios deste sacramento. Por isso, a Igreja vai contra os processos artificiais, uma vez que tudo o que vai contra os métodos naturais vai contra a dignidade do matrimónio.

Outro ponto a ser destacado é que por estes métodos a procriação é privada da sua perfeição própria, quando não querida como fruto do acto conjugal, gesto específico dos esposos. “A procriação humana está fundada sobre a conexão que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do acto conjugal: unitivo e procriador”. (Carta Encíclica Humanae Vitae)

Por fim, estes actos são ilícitos, porque efectuam a dissociação dos gestos que, pelo acto conjugal, são destinados à fecundação humana. A Igreja ensina que nunca é lícito “fabricar” um filho fora do acto sexual entre os esposos. Todo o ser humano tem o direito de ser gerado numa união física de amor dentro do casamento.

O que a Igreja indica a estes casais?

Vale ressaltar que é lícito o uso de meios artificiais encaminhados unicamente a facilitar a realização natural do acto sexual ou, uma vez este acto realizado normalmente, que seja alcançado o seu fim.

A Igreja sente pelos casais que não conseguem engravidar, não fica indiferente ao sofrimento, à busca e à angústia deles; ao contrário, torna-se solidária. Porém, não justifica apoiar aquilo que foge à dignidade do matrimónio. Há muitas crianças que aguardam a adopção, a Igreja propõe a estes casais que se compadeçam e adoptem estas crianças.

 
Um santo remédio para as brigas no lar Imprimir e-mail

 

Um santo remédio para as brigas no lar.

 

Um casal rico, apesar de suas riquezas, vivia em constante discórdia e brigas diárias.

O casamento era tudo menos um estado feliz para eles; a esposa,derramava, muitas vezes, lágrimas amargas.

Um dia, ela encontrou um livro manuscrito intitulado: “Remédios simples para o lar.” Estava escrito com a letra da sua avó.

Ao folhear o livro, os seus olhos recaíram, para sua surpresa, num título: “Remédio caseiro para o descontentamento”. Ela leu-o ansiosamente.

O texto dizia:

“Quando te sentires mal ou fora de ti, vai até junto de um crucifixo, e põe-te a seus pés. Contempla-o com atenção durante três minutos, e recita três Pai Nossos antes de te levantares.

Isto te restituirá a paz e o contentamento. Foi o meu confessor que me sugeriu isto. Eu experimentei o remédio durante trinta anos, e ele nunca falhou comigo.”

O quadro em questão, que tinha pertencido à sua avó, estava agora, pendurado no seu quarto.

Quando sentia que um desentendimento era iminente, usava o remédio que a sua avó recomendara.

Ao contemplar o semblante de Nosso Senhor, tão contristado e, mesmo assim, tão amoroso, ela tornava-se tão paciente e condescendente que o marido notou a mudança.

E respondeu com um sorriso: “Encontrei um excelente professor”.  Ele quis saber quem era aquele professor. Então ela contou-lhe tudo muito francamente.

Em breve o seu marido também recorria ao recurso do mesmo remédio, quando previa que alguma contrariedade doméstica estava a caminho…

Assim, com o tempo, a paz e a felicidade começaram a existir naquele círculo familiar, sem brigas.

 
O que dizer a uma criança que tirou notas baixas na escola Imprimir e-mail

 

O que dizer a uma criança que tirou notas baixas na escola?

É difícil ter calma e não se preocupar quando um filho ou uma filha tira notas baixas na escola. No entanto, manter a cabeça fria é a melhor maneira de ajudar os pequenos a restaurar a confiança que eles têm em si mesmos.

Isto porque nem todas as crianças reagem da mesma maneira quando precisam de apresentar as notas aos pais. Há as que se calam, as que demonstram que não estão nem aí (quando, na realidade, estão decepcionadas) e há também as que ficam com raiva delas próprias.

Seja como for, muitos pais acham difícil separar a verdade da mentira e saber que sentimentos as crianças estão realmente a enfrentar. Mas este trabalho de discernimento é necessário para que haja conexão com os filhos. É preciso acompanhá-los nas dificuldades que eles estão a enfrentar e encontrar as frases e comportamentos adequados para equilibrar autoridade e consolo.

A psicóloga e psicoterapeuta Berdadette Lemoine, no livro Pequenas frases para ajudar a crescer, sugere que os pais comecem uma conversa deste tipo da seguinte maneira:

• “Vejo que estás triste, decepcionado ou com raiva…” ou

•“Vejo que não estás nem aí por ter tirado notas baixas”

Outro ponto de discernimento seria tentar entender as causas do mau desempenho:

•Qual a razão destes resultados ruins?

•Deve-se a uma falta de esforço e dedicação ou a dificuldades reais? No primeiro caso, é necessário reagir com autoridade e explicar a necessidade de fazer as coisas com muito esforço. Perguntar às crianças se elas se dedicaram adequadamente e realmente fizeram o melhor que poderiam.

Procurar soluções juntamente com a criança

Continuando a conversa, os pais podem tentar procurar soluções para o problema e mostrarem-se dispostos a ajudar os filhos. Frases como as que estão abaixo costumam funcionar:

•“Podemos trabalhar juntos para melhorar isto?”

•“Vamos ver como poderias ter feito.”

•“O que pensas fazer para melhorar da próxima vez?”

O facto de os pais se juntarem aos filhos na busca de soluções, irá ajudá-los a progredir. Rever as provas com os pequenos para entender onde eles estão errados, repassar as lições e tirar possíveis dúvidas das crianças são boas ferramentas de apoio.

Não se trata de estabelecer objectivos inatingíveis, mas de oferecer apoio efectivo no processo de aprendizagem.

Será que és capaz de fazer isso?

É importante não humilhar as crianças. O que os pais devem fazer é expressar que eles confiam muito no potencial dos filhos. As frases abaixo podem ajudar nesta tarefa:

• “Sei que és capaz”.

• “Não quero que seja o melhor, mas que faças o melhor que puderes.”

O sucesso também depende da autoconfiança das crianças. Dizer que elas são burras ou que não entendem nada é um grande erro. É preciso motivá-las para gerar nelas a autoestima e a confiança nos seus pais.

 
Construir a restauração da família Imprimir e-mail
 Construir a restauração da família

 

Sendo uma realidade dinâmica, o matrimónio está aberto à construção e também às feridas que magoam e atrapalham o crescimento da vida familiar. Algumas situações acabam por ser grandes possibilidades de ruptura, mas também, se podem transformar em momentos de graça e de vida plena. É preciso aprender a construir a restauração da família.

É preciso assumir uma missão muito especial: a reconstrução, restauração e a recuperação de casamentos feridos e debilitados, que geram famílias estragadas, desunidas e machucadas.

A raiva é a emoção mais difícil de se trabalhar

Um dos elementos que precisam de ser trabalhados, de modo correcto e sereno, refere-se a tudo aquilo que provoca a raiva.

A raiva é a emoção mais difícil de se trabalhar. Ela tende a tomar conta das nossas vidas, a empurrar-nos e levar-nos a dizer e a fazer coisas que, em condições normais, provavelmente julgaríamos repugnantes e até inconcebíveis.

Na vida conjugal e familiar, a raiva tem um poder amplamente destruidor. Quando não resolvida, torna-se a ameaça “número um” dos relacionamentos.

Quanto mais o tempo passa, mais grave se torna o problema. A raiva não sara quando se casa. Se acontecer de se transformar em fúria “caminho natural da raiva não resolvida” ela não poderá mais ser controlada. Um dia, explode.  A raiva é como uma infecção que afecta a família inteira.

Além de ser doença, é geradora de muitas enfermidades: violência física, psíquica e espiritual; depressão; alcoolismo e outras dependências químicas; comportamento agressivo; indiferença e distanciamento. Se não for resolvida adequadamente, a raiva não vai embora nem simplesmente desaparece.

Ela mantém-se escondida e vai se tornando cada vez mais venenosa com o tempo. Quando domina uma família, a raiva provoca o distanciamento de todos os seus membros. Um passa a evitar o outro, e não se partilham mais as emoções bonitas e renovadoras de esperança e de compromisso familiar.

Desse silêncio pode nascer a indiferença, maior alimentadora da raiva ignorada e sufocada.

De onde vem a minha raiva?

A raiva é, até certo ponto, natural na vida conjugal e familiar. Dificilmente uma família conseguirá conviver de modo tão harmonioso que nunca vá fazer a experiência de momentos geradores de raiva. E não adianta esconder o que se sente. O grande desafio é aprender a trabalhar com a raiva, aprender a expressá-la de forma construtiva. Para trabalhar com a raiva, é preciso perguntar: “De onde vem a minha raiva? Será que estou a distorcer ou a aumentar as coisas, fazendo-as parecer muito maiores do que realmente são?” É preciso aprender a controlar-se e a comunicar. Não alimentar a raiva com pensamentos negativos, hostis e melancólicos. Ninguém está sempre certo ou completamente errado. É preciso aprender a ceder de vez em quando.

Contudo, ninguém saberá ceder de vez em quando, se não aprender a ouvir mais e a falar menos. A coisa mais importante para se proteger um amor e restaurar um relacionamento é saber ouvir. Quem não sabe ouvir, nunca saberá comunicar e nunca conseguirá experienciar uma intimidade profunda. Aprender a ouvir o outro é um mecanismo absolutamente necessário para vencer e superar a raiva. Saber ouvir fortalece o relacionamento, porque se aprende a valorizar o outro. Só quem sabe o valor que o outro tem, aprenderá a ouvi-lo com amor e respeito.

 
Dia dos Avós - 26 de Julho Imprimir e-mail

DIA DOS AVÓS – 26 de Julho

Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família

O Dia dos Avós está ligado à memória litúrgica de São Joaquim e de Santa Ana.

Segundo a tradição, Joaquim e Ana tinham uma casa num núcleo de habitação junto à Piscina de Betsaida, na cidade de Jerusalém.

Joaquim seria proprietário de grandes rebanhos de ovelhas e pertenceria à tribo de David.

Ana estava ligada à estirpe sacerdotal e talvez fosse uma irmã mais velha de Isabel de Ein Karem.

Joaquim e Ana não tinham filhos. Conta-se que durante a apresentação das ofertas no Templo de Jerusalém, Joaquim foi tratado com desprezo, porque Deus o tinha deixado sem descendência em Israel. Profundamente ofendido e abalado, ausentou-se por um tempo para o deserto seguindo os seus rebanhos e desabafando com Deus a sua mágoa.

Entretanto, recebe uma revelação divina assegurando-lhe que lhe seria concedida descendência. E assim aconteceu. Ana deu à luz uma menina a quem puseram o nome de Maria e a quem deram uma formação acurada na Lei do Senhor.

A iconografia cristã representa Santa Ana sentada ou de pé a ensinar as Escrituras Sagradas à filha.

Na verdade, pelos relatos do Evangelista São Lucas, verificamos que Maria tinha o coração plasmado pelas Escrituras. No cântico do Magnificat exalta o Senhor com as Palavras da Escritura.

O Dia dos Avós tem como referência estes dois grandes crentes Joaquim e Ana, avós de Jesus. Eles inspiram os avós de hoje e levam-nos a agradecer-lhes o testemunho admirável de uma fé forte, consolidada numa vida de relação com Deus e alimentada pela prática fiel de uma vida cristã em comunidade.

Os Avós continuam a ser os «grandes catequistas» das novas gerações e os baluartes das famílias e das nossas comunidades cristãs. São testemunhas credíveis de fé cristã na família, na Igreja e na sociedade.

Os Avós crentes, como Joaquim e Ana, transmitem às novas gerações o sentido da fé e da vida, são portadores de uma sabedoria, e experiência que ensinam que uma vida sem valores, sem amor, sem fidelidade, sem doação não tem sentido.

Eles são uma «reserva sapiencial» não só da própria família, mas da Igreja e da sociedade que a Sagrada Escritura nos exorta a valorizar: “Não desprezes os ensinamentos dos anciãos” (Ecl 8,11).

Com maior disponibilidade para a oração, com uma capacidade particular para compreender as situações difíceis e com um forte sentido de solidariedade “os Avôs e as Avós formam um «coro» permanente de um grande santuário espiritual, onde a oração de súplica e o canto de louvor sustentam a comunidade que trabalha e luta no campo da vida” (Papa Francisco).

Agradecemos ao Senhor o dom dos Avós e pedimos para eles, por intercessão de São Joaquim e de Santa Ana, o dom da alegria espiritual e a fortaleza para enfrentarem as dificuldades próprias da sua situação e, porventura, a falta de amor, de atenção e de solicitude que merecem, que lhes são devidas por parte de todos nós - família, Igreja e sociedade. A eles a nossa gratidão, votos de um feliz dia e um grande abraço no Senhor.

 
Mandamentos da pedagoga Maria Montessori para os pais Imprimir e-mail

19 mandamentos da pedagoga Maria Montessori para os pais

 

Dizem que apenas quatro pedagogos do século XX revolucionaram a criação dos pequenos. São o americano John Dewey, o alemão Georg Kerschensteiner, a italiana Maria Montessori e o pedagogo da então União Soviética, Antón Makarénko.

 

Maria Montessori escreveu pequenos mandamentos para pais de família. São orientações simples, mas se reflectir sobre elas, verá que possuem grande sabedoria em poucas palavras. Recomendamos aos pais e mães que as leiam ao menos uma vez por ano (e as ponham em prática). Desta maneira, é muito provável que a sua relação com os filhos melhore em qualidade e quantidade. Além disso, eles crescerão com uma personalidade mais desenvolvida e serão indivíduos mais próximos da vida em harmonia.

 

1. As crianças aprendem com aquilo que está ao seu redor.

2. Se você critica muito uma criança, ela aprenderá a julgar.

3. Se você elogia uma criança com frequência, ela aprenderá a valorizar.

4. Se a criança é tratada com hostilidade, ela aprenderá a brigar.

5. Se você for justo com a criança, ela aprenderá a ser justa.

6. Se você frequentemente ridicularizar a criança, ela se transformará numa pessoa tímida.

7. Se a criança cresce sentindo-se segura, aprenderá a confiar nos outros.

8. Se você denigre a criança com frequência, ela desenvolverá um sentimento de culpa que não é saudável.

9. Se as ideias da criança são aceites regularmente, ela aprenderá a sentir-se bem consigo mesma.

10. Se você for condescendente com a criança, ela aprenderá a ser paciente.

11. Se você elogia o que a criança faz, ela conquistará autoconfiança.

12. Se a criança vive numa atmosfera amigável, sentindo-se necessária, aprenderá a encontrar o amor no mundo.

13. Não fale mal de seu filho ou filha, nem quando ele ou ela estiver por perto, nem se estiver longe.

14. Concentre-se em desenvolver o lado bom da criança, de maneira que não sobre espaço para o lado mau.

15. Escute sempre o seu filho e responda quando ele quiser fazer uma pergunta ou comentário.

16. Respeite o seu filho mesmo que ele tenha cometido um erro. Deixe para corrigi-lo depois.

17. Esteja disposto a ajudar quando o seu filho andar à procura de algo, mas esteja também disposto a passar despercebido se ele já encontrou o que procurava.

18. Ajude a criança a assimilar o que ela não conseguiu. Faça isso enchendo o espaço que o rodeia com cuidado, discrição, silêncio oportuno e amor.

19. Quando se dirigir ao seu filho, faça isso da melhor maneira possível. Dê-lhe o melhor que há em si.

 
O meu filho com síndrome de Down: um presente de Deus Imprimir e-mail

 

Ângelo Pio, meu filho com síndrome de Down: um presente de Deus!

 

Uma conversa com a mãe que, solteira, decidiu ter o filho, apesar da pressão para abortar – e descobriu uma profunda felicidade

 

Pode falar um pouco sobre a sua vida antes do nascimento do Ângelo Pio?

 

 Gina: Eu era jornalista. Comecei na CBS News, trabalhei na revista 48 Hours, fui repórter de TV no Estado da Virgínia Ocidental, repórter de trânsito em Nova Iorque e em 2001, comecei a trabalhar na ABC News. O verdadeiro ponto de partida desta história, de vários pontos de vista, foi o 11 de Setembro de 2001, porque eu fiz parte de uma grande equipe de jornalistas cobrindo os eventos daquele dia no Marco Zero. Fiquei lá até a manhã do dia seguinte e vivi aquela sensação muito forte de "eu não sei o que vai acontecer quando acordar deste pesadelo". Eu sempre tinha sido muito focada, mas, depois de tudo aquilo, senti de repente a urgência de mais equilíbrio na minha vida.

O que fez para achar esse equilíbrio?

Gina: Eu resolvi tirar férias na Itália, sozinha. Sempre quis ir ao Vaticano e gostava muito do papa João Paulo II. Naquela viagem, conheci um homem e logo me apaixonei por ele. Tivemos uma relação cheia de problemas, mas continuamos indo e vindo durante alguns anos. Quando parecia que as coisas se iam consolidar e começámos a falar em casamento, eu fiquei grávida. Naquele primeiro momento, os dois ficámos muito felizes.

E o que aconteceu durante a gravidez?

Gina: Quando eu estava com três meses de gravidez, o pré-natal revelou a síndrome de Down do bebé. Foi um choque, um sofrimento. Eu quase não dormia, e, quando conseguia, acordava com uma sensação sufocante de desespero, de tristeza, medo. Várias pessoas me pressionavam para acabar com a gravidez: o meu médico era um, mas o pai do meu filho também… E isto era o mais doloroso. É de rasgar o coração quando dizem que o seu filho não deve nascer! Principalmente quando você está tão frágil…

E como lidou com a pressão para abortar o bebé?

 Gina: No meio daquilo, com toda aquela pressão, marquei uma consulta para fazer o aborto. Depois que eu desliguei o telefone, eu me lembro que senti um peso imenso por dentro, quase sufocante; era o desespero absoluto, a sensação de um quebrantamento completo… Eu não tenho palavras para descrever aquilo.

E o que a fez mudar de ideia?

 Gina: Outras pessoas na minha vida foram decisivas. Uma dessas pessoas, em especial, foi um sacerdote maravilhoso, que não deixava que eu me sentisse abandonada. Hoje eu sei que tinha um monte de gente bombardeando os céus com orações por mim e pelo meu bebé! O poder da oração não pode ser subestimado nunca, porque, no meu coração, o medo estava a vencer a batalha… Eu estava completamente destruída! Sabe aqueles desenhos com o anjinho e o diabinho sussurrando cada um numa orelha de alguém? É mesmo assim! O diabinho sussurrava no meu ouvido: "Tudo isto pode acabar de uma vez… Depois do aborto, a vida vai continuar… As coisas vão ficar normais de novo. Você não é obrigada a isto. Você vai poder ter outro filho, depois". Era um verdadeiro disco riscado a buzinar no meu ouvido. Um padre sugeriu-me conversar com as Sisters of Life [congregação das Irmãs da Vida]. Eu liguei e falei com uma das irmãs. Foi uma batalha durante algumas semanas. Depois, finalmente, recebi uma graça enorme. Terminei o meu namoro e mudei-me para o convento do Sagrado Coração de Jesus.

Mudou-se para o convento por quê?

 Gina: Eu tinha que conseguir escutar o que Deus me dizia… Eu precisava de saber: "Meu Deus, você está mesmo a pedir-me para ser mãe solteira de uma criança que tem síndrome de Down?" Quando você vive no Sagrado Coração, a sua vida de oração aumenta, você querendo ou não. E eu queria! Lembro-me, com toda a clareza, de que, quando eu decidi ir para o Sagrado Coração, eu tive aquela sensação de que você tem quando acabou de dizer "sim"! Aquela leveza, aquela paz… Eu acho que é a recompensa pela entrega, não é?

 
O conselho de uma mãe, que deixou o Papa Francisco sem reacção Imprimir e-mail

O conselho de uma mãe, que deixou o Papa Francisco sem reacção

 

Ela não sabia como resolver um grande problema que o filho estava a enfrentar. Até que veio uma luz...

Que mãe não se preocupa com os filhos?

Muitas desesperam; outras, cheias de fé, encontram sempre um conselho certo para dar. Pedir a ajuda da Virgem Maria, que também é mãe, é uma excelente saída.

Foi o que aconteceu neste belíssimo caso narrado pelo Papa Francisco:

 “Um dia, no santuário de Luján [em Buenos Aires, Argentina], eu estava no confessionário, diante do qual havia uma longa fila. Havia também um moço todo moderno, com correntes, tatuagens e todas estas coisas. E ele veio-me dizer o que estava a acontecer. Era um problema grave, difícil. E disse: contei isto à minha mãe e ela disse-me: vai à Virgem e ela dirá o que tens que fazer. Era uma mulher que tinha o dom do conselho. Ela não sabia como resolver o problema do filho, mas indicou-lhe o caminho certo: vai à Virgem e ela te dirá. Este é o dom do conselho. Esta mulher humilde e simples deu ao filho o melhor conselho. De facto, o rapaz disse: olhei para a Virgem e senti que tinha que fazer isto, isto e isto… Eu não tinha que dizer, a mãe dele já tinha ensinado tudo ao jovem. Vocês, mães, que têm este dom, peçam para os vossos filhos. O dom de dar um conselho aos filhos, é um dom de Deus.”

 
Eu ensino uma coisa e, com o colega, o meu filho aprende outra Imprimir e-mail

 

Eu ensino uma coisa e, com o colega, o meu filho aprende outra 

Como agir diante destes confrontos?

Quantos pais investem tempo e energia para educar os filhos! Quantos buscam injectar valores que eles acreditam serem certos e importantes, tais como “quem fala a verdade não merece castigo!” Porém, quando os filhos começam a ter contacto com valores externos, esses parecem ter uma força maior do que a dos familiares. Os filhos aprendem com os colegas que a mentira pode ser uma forma de fugir de conflitos e fazer aquilo que querem.

Como agir diante destes confrontos? Não há receita pronta, mas há caminhos que ajudam. Conquistar o coração é o início do processo para modelar a mente e a alma de seu filho, e não deixar que outros conquistem esses lugares.

A base de tudo é lembrar que as pessoas são quem decide de quem vão aceitar a educação e como isso se dará. Portanto, todo o trabalho da família deve ser buscar, junto dos filhos, ser essa pessoa para eles. A pergunta principal é: como conseguir que os filhos deleguem para si a orientação do processo de aprendizagem?

É preciso criar laços fortes com os filhos

Para que o filho delegue aos pais e não ao colega o ensino, o primeiro passo é criar laços fortes com ele. As crianças aprendem e assumem como verdade os ensinamentos de pessoas com as quais possuem laços afectivos e relação de confiança. Se a convivência familiar é pior do que a convivência com os amigos, o filho começa a rejeitar o processo de aprendizagem interno. Ele vai-se tornando desobediente, rebelde e desinteressado em falar com os pais. Mas, se no relacionamento entre eles existir o diálogo, será possível resolver as discordâncias entre a educação dada pelos pais e pelos colegas.

O segundo passo é trabalhar o canal da comunicação. É importante escutar o aprendizado externo e mediar com o interno, mostrando ganhos e perdas. Conversar sobre consequências sem moralismo é um caminho para o esclarecimento. Por vezes, eles trazem novidades que vão mexer com o status actual da família, os quais precisarão de ser revistos. Não assuma posições radicais. Ouça, encontre as causas do conflito e busque concordâncias.

A flexibilidade dos pais pode ajudar

Outro passo é saber que, os pais não são donos da verdade; eles precisam de reconhecer a necessidade de mudanças. Mostrar flexibilidade naquilo que não é importante, e firmeza em relação àquilo que é fundamental para o bem-estar dos filhos, sabemos que é uma linha ténue e difícil de ser definida. Não desanime, concentre esforços nos itens que têm alto impacto no carácter das crianças.

Outra dica importante é: trazer para dentro de casa os colegas dos seus filhos, conhecer com quem eles andam a conviver. Usando o conhecimento anterior, de que laços afectivos e confiança aproximam as pessoas e permitem influência sobre elas, busque isso junto dos colegas de seus filhos. A prática ensina a usar o ensino por tabela. Às vezes, é mais fácil influenciar os colegas para que, esses, actuem melhor sobre os nossos filhos.

Outras pessoas podem ajudar os pais na educação dos filhos

A educação não é uma acção solitária. Os pais podem e devem buscar apoio da escola, dos colegas e de profissionais nessa tarefa. O importante nesta caminhada não é ter razão, mas, conseguir que o seu filho seja uma pessoa feliz, saudável, realizada como pessoa, ele precisa de se lembrar que não está só no planeta. Assim, ele poderá contribuir para que outros, também, possam alcançar esse mesmo patamar. Neste processo, a caminhada espiritual ajuda muito, ela imprime valores colectivos: de perdão mútuo; de verdade que liberta; entre outros.

A nossa missão não se restringe aos nossos filhos, mas à educação de gerações. Eles serão futuros educadores dos seus filhos, e como foram modelados pelos seus pais, provavelmente modelarão os outros.

 
Cuidar do pai ou mãe idosos Imprimir e-mail

 

 

CUIDAR DO PAI OU MÃE IDOSOS

 

16 MANEIRAS DE OS FAZER FELIZES:

 

O dom do amor e da paciência é mais transformante do que podemos pensar.

 

Tive o privilégio de cuidar da minha mãe idosa até ela morrer aos 91 anos. Cuidava dela diariamente: dava banho, cuidava quando ela estava doente, trocava as suas roupas e lençóis, escutava-a durante horas sobre o mesmo assunto, consolava-a quando ela chorava, dava-lhe comida, deixava que ela ganhasse no jogo de cartas para a motivar, rezava com ela e falava-lhe sobre o céu... e eu não trocava estes momentos por nada.

Cuidar e fazer uma pessoa idosa feliz é exigente, mas é possível. Tudo o que eles precisam é de um pouco do nosso tempo, paciência e amor.

Como fazer um pai ou mãe idosos, felizes?

 

16 sugestões muito concretas

1 - Leve-o a visitar amigos e familiares. Se você não puder, organize isso com alguém que possa. As amizades são necessárias em qualquer idade.

2. Pare de discutir com ele(a). Deixe-o sentir que está certo. Isto dá-lhe segurança.

3. Deixe-os viver entre as suas memórias. Muitas vezes, é tudo o que resta e é importante para eles.

4. Deixe-os falar, mesmo que eles repitam a mesma história cem vezes. Ouça e valorize as suas palavras, que são pura sabedoria.

5. Faça-os sentir que precisa deles, que eles são úteis para si e não um fardo.

6. Deixe-os fazer as tarefas que conseguem, e ajude-os conforme o necessário.

7. Divirta-se com eles com os jogos que mais gostam, e deixe-os vencer (de forma razoável).

8. Ouça música da época deles. Deixe-os contar uma história que tem a ver com esta ou aquela música.

9. Deixe-os ficar bravos e ter as suas birras como se fossem crianças. Mas não os trate como uma criança – trate-os como um adulto que merece todo o seu respeito e compreensão.

10. Motive-os a cuidar da higiene pessoal. Qual é o perfume ou a loção favorita dele(a)? Dê-lho de presente.

11. Fale com eles num tom de voz sereno. Diga obrigado e diga-lhes que os ama. Diga-lhes quanto você valoriza a vida, o tempo e o conhecimento deles.

12. Entre no mundo deles. Entre nas histórias deles, como se estivessem a acontecer agora.

13. Toque-os, abrace-os, encha-os de beijos... Mostre-lhes a sua ternura e o seu calor humano.

14. Veja fotos com eles e deixe que conte a história por trás delas. Deixe-se surpreender com o que ouve.

15. Reze com eles. A maioria dos adultos mais velhos é muito bom nisto!

16. Pergunte: “O que posso fazer hoje para te fazer feliz?”

 
5 problemas de comunicação que podem arruinar o casamento Imprimir e-mail

 

5 problemas de comunicação que podem arruinar o casamento

 

Uma lista que vale a pena analisar e lutar para que estes itens não façam parte do seu relacionamento

A falta de comunicação autêntica é a causa de grande parte das crises, separações e divórcios. Trata-se de um fenómeno que se origina ainda antes do casamento, o que se revela um verdadeiro paradoxo no mundo em que vivemos. Hoje temos à nossa disposição, sofisticados dispositivos electrónicos para nos comunicar, mas menos habilidade para manter uma comunicação aberta e profunda, face-a-face.

O psiquiatra espanhol Aquilino Polaino elencou para o site chileno Hacer Familia cinco problemas de comunicação que contribuem para destruir o amor entre o casal. É uma lista que vale a pena analisar – e fazer o possível para sanar esses erros, caso estejam presentes no seu relacionamento.

1. A insegurança

Uma pessoa insegura tentará, em qualquer âmbito da sua vida, provar que pode ganhar. A sua própria insegurança leva-a a entender o casamento como uma conquista. “É aí que está a contradição e a dor: nenhuma conquista se alcança de uma vez por todas e para sempre”, diz Polaino. Assim, a comunicação é concebida por uma pessoa insegura como algo, na sua própria natureza, bélico.

O pensamento do inseguro está sempre pronto a rivalizar, estabelecendo hierarquias novas e artificiais para passar o dia a julgar e a recriminar o outro. “Isto significa tratar o cônjuge como um inimigo. Comportar-se desta forma é o prelúdio de um iminente conflito grave no casamento”, alerta o psiquiatra.

2. O medo

“O medo, qualquer medo, bloqueia forçosamente a comunicação”, assinala Polaino. De facto, se a comunicação amorosa é uma conduta que tende à união, o medo é um agente distanciador. Segundo o psiquiatra, embora não sejam tão numerosos como antigamente, ainda existem casos em que a mulher sente medo do marido e, para não o contrariar, cala-se e “engole” muitos conflitos.

“De um modo grotescamente ingénuo e não isento de certas influências danosas, como o machismo, o homem considera – erroneamente – que o facto de que a sua mulher o tema, faz com que ele seja mais dono dela. Quem pensa assim, esquece que ninguém conquista o outro por meio do medo”, diz o psiquiatra.

3. O ciúme

“O comportamento ciumento não é um problema ligado apenas aos relacionamentos e à sexualidade”, aponta Polaino. “Vai mais além, porque acontece quando nos comparamos. A estrutura comparativa subjaz à conduta ciumenta típica”. Isso faz com que o diálogo espontâneo seja substituído pelo cálculo: o ciumento diz algo para que o cônjuge entenda outra coisa – joga verde para colher maduro, como diz o ditado.

“O cálculo carece de sinceridade. Por essa via, cai-se na manipulação”, alerta o psiquiatra. Ao viver comparando-se, o ciumento desconfia de tudo e de todos. E é difícil que se consiga chegar ao autocontrole, porque para isso é necessário que o ciumento se dê conta da sua insegurança. Ele precisa de reconhecer a sua baixa autoestima – é ele quem continuamente se menospreza, e não o seu parceiro. Na comunicação, o ciúme causa frieza, distanciamento e susceptibilidade, e mais cedo ou mais tarde a atitudes que conduzem ao fracasso da relação.

4. A manipulação

“A manipulação é uma estratégia por meio da qual, usando a falsidade de forma até mesmo consciente, nos comportamos de maneira distinta da que somos, para produzir ou conseguir o efeito que desejamos no outro”, define o psiquiatra.

Nesse sentido, Polaino explica que enquanto os homens costumam manipular através dos seus papéis tradicionais – dinheiro, poder –, as mulheres manipulam através de estados de ânimo e emoções. “Em qualquer caso, porém, há sempre o ocultamento da verdade. A manipulação é, sobretudo, manipulação da linguagem”, diz.

5. A desconfiança

“A desconfiança gera sempre problemas de comunicação, porque se desconfiado, implica ficar com um pé atrás, não se abrir completamente”, afirma o psiquiatra. Um exemplo de um comportamento que faz crescer a desconfiança é quando um dos cônjuges conta em público algo que o outro pediu que ficasse entre o casal.

Há outros casos, porém, em que o cônjuge precisa de aprender a lidar com uma desconfiança natural, ligada à introversão. Noutras situações, porém, a desconfiança origina-se no comportamento calculista. “As pessoas calculistas comportam-se segundo o velho princípio romano do do ut des, ‘dou para que me dêem’. O seu amor é um amor matemático, estatístico”, conclui Polaino.

(Via Sempre Família)

 
As mães precisam de cultivar a feminilidade nas filhas Imprimir e-mail

 

As mães precisam de cultivar a feminilidade nas filhas 

 

O papel das mães no desenvolvimento da feminilidade das filhas

Na literatura psicanalítica, a função paterna foi muito divulgada com a descrição do complexo de Édipo, entretanto, a função materna é pouco explorada na formação subjectiva da menina. Mostra-se, portanto, que o relacionamento paterno tem importância no desenvolvimento da sua feminilidade.

Para entender o processo da relação mãe e filha, Zalcberg resgata a importância de estruturação da identidade feminina. Normalmente, o relacionamento materno é a fonte do primeiro amor para a criança. Os desdobramentos desse relacionamento terão um forte impacto na formação final, porque as meninas esperam mais das mães.

O relacionamento com os pais pode ajudar na estruturação da filha, mas não fornece identificação feminina, que é obtida na relação com a mãe. À medida que esse relacionamento se aprofunda, permite à filha ter mais identificação com a mãe, desenvolvendo ou não a sua feminilidade.

Relacionamento com a mãe

Neste relacionamento, vivenciam-se dois momentos importantes. Primeiro, a alienação, quando a criança é totalmente dependente da mãe. Na segunda fase, a separação, o corte feito para que a criança possa experimentar outras formas de identificação além da materna.

Pode-se observar que, quando a mãe é gentil, a filha sente a força do amor materno. Mães que clamam pelo Espírito Santo passam sabedoria no relacionamento com as filhas, não cedem a competições e rivalidades femininas. Aprendem com as ancestrais e repassam às filhas as habilidades de se relacionar com o sexo oposto, sem perder de vista a sua identidade feminina. O inverso também é verdadeiro. Quantas dificuldades de relacionamento entre ancestrais são repassados e atualizados em relacionamentos de mãe e filha!

Feminilidade

Outro factor importante é que as mulheres têm buscado ocupar posições masculinas no mundo e adquirido posturas opostas ao que precisam de ensinar às filhas sobre feminilidade. De uma forma explícita ou ambígua, estes comportamentos têm gerado dúvidas e indefinições no processo de estruturação da identificação feminina.

Na história da Bela e a Fera, observa-se que o conto contempla uma menina órfã, ou seja, privada da figura materna; portanto, fragilizada na modelagem da sua feminilidade. Por outro lado, a simbiose entre mãe e filha não permite que ela consiga identificar-se como alguém externo. Tanto a falta como o exagero prejudicam a filha no cultivo da sua feminilidade.

Neste mundo de excesso de atividades, que as mães possam encontrar tempo para ajudar as filhas no processo de busca da feminilidade.

 
É preciso aprender a construir a restauração da família Imprimir e-mail

 

É preciso aprender a construir a restauração da família 

 

Sendo uma realidade dinâmica, o matrimónio está aberto à construção e também às feridas que ferem e atrapalham o crescimento da vida familiar. Algumas situações acabam por ser grandes possibilidades de ruptura, mas também, podem transformar-se em momentos de graça e de vida plena. É preciso aprender a construir a restauração da família.

É preciso assumir uma missão muito especial: a reconstrução, restauração e a recuperação dos casamentos feridos e debilitados, que geram famílias estragadas, desunidas e feridas.

A raiva é a emoção mais difícil de se trabalhar

Um dos elementos que precisam de ser trabalhados, de modo correcto e sereno, refere-se a tudo aquilo que provoca a raiva.

A raiva é a emoção mais difícil de se trabalhar. Ela tende a tomar conta das nossas vidas, a empurrar-nos e levar-nos a dizer e a fazer coisas que, em condições normais, provavelmente julgaríamos repugnantes e até inconcebíveis.

Na vida conjugal e familiar, a raiva tem um poder amplamente destruidor. Quando não resolvida, torna-se a ameaça “número um” dos relacionamentos.

Quanto mais o tempo passa, mais grave se torna o problema. A raiva não sara quando se casa. Se acontecer de se transformar em fúria “caminho natural da raiva não resolvida”, não poderá mais ser controlada. Um dia, explode.  A raiva é como uma infecção que afecta a família inteira.

Além de ser doença, é geradora de muitas enfermidades: violência física, psíquica e espiritual; depressão; alcoolismo e outras dependências químicas; comportamento agressivo; indiferença e distanciamento. Se não for resolvida adequadamente, a raiva não vai embora nem simplesmente desaparece.

Ela mantém-se escondida e vai-se tornando cada vez mais venenosa com o tempo. Quando domina uma família, a raiva provoca o distanciamento de todos os seus membros. Um passa a evitar o outro, e não partilham mais as emoções bonitas e renovadoras de esperança e de compromisso familiar.

Deste silêncio pode nascer a indiferença, maior alimentadora da raiva ignorada e sufocada.

De onde vem a minha raiva?

A raiva é, até certo ponto, natural na vida conjugal e familiar. Dificilmente uma família conseguirá conviver de modo tão harmonioso que nunca vá fazer a experiência de momentos geradores de raiva. E não adianta esconder o que se sente. O grande desafio é aprender a trabalhar com a raiva, aprender a expressá-la de forma construtiva. Para trabalhar com a raiva, é necessário perguntar-se: “De onde vem a minha raiva? Será que estou a distorcer ou a aumentar as coisas, fazendo-as parecer muito maiores do que realmente são?” É preciso aprender a controlar-se e a comunicar. Não alimentar a raiva com pensamentos negativos, hostis e melancólicos. Ninguém está sempre certo ou completamente errado. É preciso aprender a ceder de vez em quando.

Contudo, ninguém saberá ceder de vez em quando, se não aprender a ouvir mais e a falar menos. A coisa mais importante para se proteger um amor e restaurar um relacionamento é saber ouvir. Quem não sabe ouvir nunca saberá comunicar e nunca conseguirá experienciar uma intimidade profunda. Aprender a ouvir o outro é um mecanismo absolutamente necessário para vencer e superar a raiva. Saber ouvir fortalece o relacionamento, porque se aprende a valorizar o outro. Só quem sabe o valor que o outro tem, aprenderá a ouvi-lo com amor e respeito.

 
Pais, como despertar o valor da Santa Missa nos filhos Imprimir e-mail

 

Pais, saibam como despertar o valor da Santa Missa nas crianças

 

Uma explicação simples e completa para pais e educadores

Qual é o significado da Santa Missa?

A Santa Missa é o ponto central da nossa fé, é a celebração da Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Cristo, que se torna presente sobre o altar. É importante relembrar que não é uma “lembrança” apenas do que se passou com Jesus, mas sim a “presentificação” do mesmo e único Calvário, que se faz presente pela ação do próprio Cristo, uma vez que Ele atua por meio do sacerdote celebrante.

Não é um ato de “multiplicação” do Calvário, mas o mesmo e único sacrifício do Senhor que se renova. As ações de Cristo são divinas e humanas, por isso não podem ser destruídas pelo tempo, como acontece com as nossas ações meramente humanas. Nós, criaturas, estamos sujeitas ao tempo; Deus não, pois Ele é o Senhor do tempo.

A finalidade da Santa Missa é oferecer a Deus Pai o sacrifício de Cristo, único e perfeito para:

1-Honrar e glorificar a Majestade Divina;

 2-Agradecer os dons e graças que recebemos de Deus a cada instante;

 3- Pedir perdão dos nossos pecados;

 4- Pedir as graças para chegarmos à vida eterna com Deus.

Os pais precisam de ser exemplo

Outras intenções podem ser colocadas. Por Cristo, no Espírito Santo, oferecemos a Deus toda a honra e glória devidas. Pela importância fundamental da Santa Missa, a Igreja obriga que a criança, após a Primeira Comunhão, participe na Missa ao menos no domingo; e os pais devem cuidar disto com esmero. Nesta idade, a criança já tem o uso da razão e pode entender as explicações sobre a celebração. Evidentemente, não é fácil fazer uma criança entender isto com profundidade e, consequentemente, participar na Santa Missa com a devida atenção e devoção. Isto deve ser atingido em processo lento de catequese, que se deve iniciar com os pais e completar-se na preparação para a Primeira Comunhão.

Em primeiro lugar, os pais precisam de conhecer bem o que é a Santa Missa, as suas partes (entrada do sacerdote, ato penitencial, oração da coleta, liturgia da Palavra, homilia, o Credo, oração da comunidade, oração eucarística e consagração, transubstanciação do pão e do vinho, ação de graças, conclusão). Há bons livros que explicam, detalhadamente, a Missa para os pais e catequistas.

As crianças só participarão na Santa Missa com a devida atenção e devoção se entenderem o seu profundo significado para a nossa salvação, se lhes explicarmos, detalhadamente, o significado de cada gesto, ato e palavra da liturgia da celebração da Missa. É fundamental que a criança entenda cada parte da liturgia e o seu significado, e isto exige dos pais um zelo carinhoso e paciente para com ela.

Ajuda dos santos

Os santos ensinam-nos o valor fundamental da Santa Missa, e isto pode e deve ser ensinado às crianças, numa linguagem adequada à idade delas. Coloco aqui alguns pensamentos importantes que os pais podem usar neste trabalho:

“Pelo martírio, o homem oferece a Deus a sua vida; na Santa Missa, porém, Deus dá o seu Corpo e o seu Sangue em sacrifício aos homens.” (Santo Tomás de Aquino)

“Uma só Missa, a que tiveres assistido em vida, será mais salutar que muitas a que os outros assistirão por ti depois da morte.” (Santo Agostinho)

“Nenhuma língua humana pode exprimir os frutos de graças, que atrai o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa.” (São Lourenço de Bríndise)

“Cada Santa Missa a que assistires, alcançar-te-á, no Céu, maior grau de glória.” (São Jerônimo)

“A Santa Missa é a obra na qual Deus coloca sob os nossos olhos todo o amor que Ele nos tem; é, de certo modo, a síntese de todos os benefícios que Ele nos faz.” (São Boaventura)

 “A Missa é o sol da Igreja.” (São Francisco de Sales)

“Após a consagração, eu tenho visto milhares de anjos formando a corte real de Jesus, em volta do tabernáculo, tenho-os visto com os meus próprios olhos.” (São João Crisóstomo)

“Duas espécies de pessoas devem comungar com frequência: os perfeitos, para se conservarem perfeitos, e os imperfeitos para chegarem à perfeição”. (São Francisco de Sales)

“Como nós devemos ouvir a Santa Missa? Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício sangrento da cruz.” (São Pio de Pietrelcina)

“Eis o meio mais adequado para assistir com fruto à Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com a sua piedosa atitude, mistérios tão santos.” (São Leonardo de Porto Maurício)

“Dizes que a Missa é longa, mas eu acrescento: porque o teu amor é curto.” (São Josemaría Escrivá)

Em que consiste a comunhão espiritual?

Santo Afonso Maria de Ligório explica muito claramente: “consiste no desejo de receber Jesus Sacramentado e em dar-lhe um amoroso abraço, como se já o tivéssemos recebido”. Esta devoção é muito mais proveitosa do que se pensa e muito fácil de realizar. Há fórmulas que nos ajudam a fazê-la como, por exemplo, esta, que é da lavra do mesmo santo:

 “O Jesus meu, creio que estais presente no Santíssimo Sacramento, amo-Te sobre todas as coisas e desejo receber-Te em minha alma. Já que, agora, não posso fazê-lo sacramentalmente, vem, ao menos, espiritualmente ao meu coração. Como se já Te tivesse recebido, abraço-Te e me uno todo a Ti. Não permitais, Senhor, que volte jamais a abandonar-Te. Amém”.

 
Casei, mas não quero ter filhos Imprimir e-mail

Casei, mas não quero ter filhos!

 

Um filho não pode ser pensado à medida da própria comodidade. Ele será sempre, “o dom mais excelente do matrimónio”

Uma reflexão acerca da geração de filhos pede, antes, uma reflexão acerca da realidade da qual ela depende: o matrimónio. A Igreja, considerando atentamente os dados da Bíblia e da sua Tradição, propõe como elementos essenciais do matrimónio cristão a unidade, a indissolubilidade e a fecundidade (Cf. Gn 1, 28; 2, 24, Mt 19, 4-6). De facto, é dupla a finalidade da união conjugal: o bem dos cônjuges, que se entregam um ao outro no amor, e a transmissão da vida, como transbordamento do amor que sentem um pelo outro e que não se pode esgotar no interior do próprio casal (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2363).

Na realidade, pela sua própria natureza, o matrimónio está ordenado à geração e à educação dos filhos (Cf. Gaudium et spes, 50). O mesmo Deus que criou o homem e a mulher e os entregou um ao outro, confiou-lhes a sublime missão de colaborar com Ele na obra da criação, quando lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos” (Gn 1, 28).

Um casal, portanto, que se fecha à transmissão da vida – sem que exista um motivo suficientemente grave e justo – acaba por negar um elemento intrínseco ao matrimónio, isto é, que está na própria essência do sacramento que receberam ao se casarem. Lembremo-nos de que uma das perguntas feitas ao casal durante a celebração litúrgica do matrimónio os questiona se estão dispostos a receber, com amor, os filhos que a eles forem confiados por Deus.

É facto que, hoje, muitos casais optam por não ter filhos e são diversos os motivos que podemos elencar para tentar explicar este fenómeno. Em primeiro lugar, temos a chamada cultura do individualismo, que propõe o eu como valor absoluto e cujos efeitos, como bem sabemos, são altamente destrutivos às relações humanas. Uma consequência muito concreta desta mentalidade é a ideia que filhos restringem a liberdade do casal, sendo, por isso, um obstáculo à concretização dos seus projetos individuais. Para estes, os filhos são uma dívida, não uma dádiva (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2378). É crescente, também, a chamada cultura do provisório, que leva as pessoas a rejeitarem tudo o que pede responsabilidade e compromisso. Além disso, a actual situação económica e os diversos problemas sociais acabam por produzir nas pessoas a sensação de instabilidade e de medo em relação ao futuro.

 “A tarefa fundamental do matrimónio e da família é estar a serviço da vida” (Catecismo da Igreja Católica, 1653), de modo que a recusa desta missão divina por parte dos que podem realizá-la é, no mínimo, uma contradição. Naturalmente que não estamos a fazer uma reflexão saudosista, que pretende reproduzir no presente o passado, quando os casais, não obstante os poucos recursos materiais, tinham muitos filhos. De facto, a geração de um filho não é, somente, um acto biológico, mas pressupõe aquilo que o Papa Francisco chama responsabilidade geradora (Cf. Amoris laetitia, 82), no sentido de que a vida gerada precisa, necessariamente, de acompanhamento material, afectivo e espiritual por parte dos que a geraram. A Igreja é mestra ao ensinar que o matrimónio está, naturalmente, ordenado à transmissão da vida, mas é mãe ao instruir os seus filhos sobre a maneira verdadeiramente humana e cristã de viver o dom da paternidade e da maternidade: respeitando a vontade de Deus, de acordo e esforço comuns, considerando as condições do tempo e da própria situação e com responsabilidade generosa.

É importante dizer, ainda, que o matrimónio não foi instituído tendo em vista, somente, a procriação (Cf. Gaudium et spes, 50). Lembremo-nos de que há casais que, mesmo depois de recorrerem aos recursos médicos legítimos, não podem gerar filhos. A adoção, para eles, pode ser um caminho válido para realizar a paternidade e a maternidade de maneira generosa, oferecendo um lar e amor a quem está privado de um ambiente familiar adequado.

De facto, as dificuldades e exigências do tempo presente não podem ser ignoradas. Porém, um filho não pode ser pensado à medida da própria comodidade. Ele será, sempre, “o dom mais excelente do matrimónio” (Catecismo da Igreja Católica, 2378). Deus dá a missão, mas concede, também, a graça necessária para bem a realizar!

 
Como ser o pai de um menino que vai morrer Imprimir e-mail

 

Como ser o pai de um menino que vai morrer

 

"Eu tenho a certeza de que, um dia, vamos todos jogar futebol no céu. E Gaspard será avançado centro. E eu vou ver a sua alegria, a sua felicidade, cheio, repleto de orgulho"

Este testemunho foi escrito pelo pai de Gaspard, um simpático menino francês que nasceu com deficiências severas. Os médicos estimam, para Gaspard, uma passagem breve por esta terra. O seu pai revela-nos, um pouco daquilo que sente diante deste desafio tão, tão imensurável – e o seu desabafo é uma lição extraordinária.

Quando há dias os meus três filhos me deram os seus tradicionais presentes feitos na escola para o Dia do Pai [na França, é comemorado em Junho], pensei no meu Gaspard e perguntei a mim mesmo, do fundo do coração, se eu fui um bom pai.

Porque, lá no fundo, às vezes, eu duvido. Eu duvido porque ser o pai de uma criança que se aproxima lentamente da morte é um longo caminho de cruz. Um caminho repleto de dúvidas sobre o sentido desta provação; repleto de arrependimentos, interrogações, momentos de tristeza e combates interiores contra um egoísmo que não tem o bom gosto de diminuir. Viver com este terrível prazo na mente é, por vezes, como remar contra a corrente: você esforça-se, mas sente que está a ser recuado à força.

Para a maioria dos pais, também existe a delicada questão do trabalho. O que fazer? Deixar a carreira em espera e parar de trabalhar? Mas durante quanto tempo? E como é que vamos pagar o aluguer? E se ele viver mais tempo que o prognosticado pelos médicos? Todas estas pedras no sapato de cada manhã tantas vezes se tornam espinhos que magoam o coração.

Ser o pai de um menino que vai morrer é também preparar o depois, aquele depois que assusta. Será impossível viver como antes, porque o nosso sol, a estrela da nossa casa, aquele em torno de quem tudo gira, não vai mais estar aqui para iluminar o nosso caminho. Ou melhor, ele estará aqui sempre, mas de outra forma. E faz parte do papel de pai, creio eu, preparar esse futuro, porque os nossos outros filhos merecem o melhor – e eles certamente se sentirão fragilizados, durante alguns anos, depois de tudo o que viveram ao lado de Gaspard. Eu não acho que alguém saia ileso desse tipo de provação.

E há uma última coisa: a impotência. E ela é, sem dúvida, a pior. Para um homem, a coisa mais difícil a encarar é não poder, não ser capaz de salvar o próprio filho, ser incapaz de impedir que ele sofra.

Devo admitir que eu não resolvi nenhum desses problemas. Eu me sinto terrivelmente impotente. Eu continuei a trabalhar, preparando o futuro do melhor modo que puder.

A única coisa que importa é que eu o ame.

Uma noite, decidi que Gaspard me mostraria o que ele esperava de mim. Decidi perguntar-lhe. Coloquei-me ao seu lado, sentado no seu quarto, e perguntei:

- “Gaspard, o que esperas de mim?”

Ele não se moveu, não emitiu nenhum som, nem sequer piscou. Permaneceu impassível. Eu esperei. Esperei quase 2 horas. Ouvia a sua respiração, olhava para ele, limpei, beijei, rezei por ele, cochilei um pouco… E a resposta, de repente, pareceu-me óbvia. Ele só quer isto. Ele só quer que eu o ame. Ele não quer que eu pare de trabalhar, ele não quer que eu o cure, ele não quer que eu desenvolva planos nebulosos para depois de amanhã. Ele só quer que, hoje, eu o ame. É só isto. E isto é muito.

Nesta noite, eu quero tirar o meu chapéu a todos os pais de crianças extraordinárias, para todos os pais que carregam este fardo tão difícil. Eu tenho a certeza de que os nossos filhos estão orgulhosos de nós. Muito orgulhosos mesmo! Eu tenho certeza de que, um dia, vamos todos jogar futebol no céu. E Gaspard será avançado centro. E eu vou ver a sua alegria, a sua felicidade, cheio, repleto de orgulho!

 
Como lidar com o primeiro namoror do filho ou filha Imprimir e-mail
    

Como lidar com o primeiro namoro do filho ou filha

Mostrar presença e valorizar os sentimentos faz com que a fase de descobertas do primeiro namoro seja atravessada com mais facilidade e colabore com o desenvolvimento do adolescente

Eles estão a crescer e de repente você começa a perceber que o seu filho ou filha está a alimentar um sentimento maior por outra pessoa – e está a ser correspondido. Talvez a situação possa fazer com que você leve um susto. Mas num lar onde a afectividade é valorizada desde cedo e sentimentos são demonstrados, esta questão pode ser mais bem compreendida e atravessada por todos.

A psicóloga Adriana Potexki explica que hoje, por exemplo, o período da adolescência é tido entre os 10 e os 25 anos e não há como dizer que uma criança de 11 anos está preparada para um relacionamento. “O adolescente mesmo de 13, 14 ou 15 anos não está maduro. E uma pessoa com 25 já se pode entender que seja suficientemente maduro”, comenta. Cabe ao pai então, compreender o filho: mais importante que a idade cronológica é entender como está o seu desenvolvimento.

Para falar sobre relacionamentos com o filho, não é preciso esperar sinais. Desde bem pequeno, ainda na pré-escola, é importante dar noções de que gostar de alguém é um sentimento bonito, mas que tem a sua hora e exige responsabilidades e limites. A criança deve entender que às vezes gostar de um amiguinho é algo bom e normal, mas que dizer aos 7 ou 8 anos que ele é seu namorado é perigoso.

“Os pais podem dizer, por exemplo: ‘Que bom que gostas dela. Esse é um grande sentimento. Mas o que me estás a dizer é um assunto para o futuro, para quando fordes mais velhos’”, ilustra Adriana. “Quando ela já puder compreender como são os sentimentos, então podeis conversar”, diz. Mais tarde, é importante que os pais se demonstrem presentes para qualquer eventualidade, sem que haja uma invasão na intimidade do adolescente.

Exemplo

A percepção que um filho tem do relacionamento dos pais contribuirá muito para essa fase de descobertas na sua vida. Um lar onde conversar sobre relacionamentos é algo comum, por exemplo, dá espaço para que o adolescente se sinta confortável em falar do que sente. “Ele vai conversar sobre isso com os pais, que vão perceber quando há alguém por quem ele se interessa”, explica.

A especialista lembra que a probabilidade de que o adolescente sinta vergonha de dizer certas coisas, nessa época, é muito grande. Então cabe aos pais entenderem o momento e organizarem-se para transmitir confiança aos filhos. “O mais importante é que os pais sejam aqueles em que as crianças mais confiem”, salienta.

Proibição

Pais que proíbem expressamente o filho, de namorar, podem estar a cometer um grande erro. “Não se pode fazer isso, porque pode haver um bloqueio nas emoções de uma pessoa, que está a aprender a amar”, diz Adriana. Ela ilustra a questão com a história de uma paciente sua que já adulta ainda estava solteira e não conseguia relacionar-se. Aquela jovem contou que uma das cenas mais traumáticas da infância foi ver a mãe encontrar um bilhetinho que ela tinha feito a um amigo por quem estava apaixonada, e tê-la feito “engolir” o papel. “Esse acto fez com que ela se bloqueasse para o amor”, conta.

Mas então como lidar com um momento como esse, quando você acha que o seu filho ainda é muito jovem para namorar? Conversar é o melhor a fazer, segundo Adriana. “Tens a certeza que ides namorar? Não achas muito cedo? E como é que vocês vêem este namoro?”, são algumas das perguntas recomendadas pela psicóloga. Dependendo da idade, é possível, segundo ela, que seja somente um namoro de WhatsApp, de andar de mãos dadas na volta do colégio ou de ir ao cinema ao sábado à tarde com outros amigos.

 
Se eu pudesse dar um só conselho aos meus amigos, seria este Imprimir e-mail

 

Se eu pudesse dar só um conselho aos meus amigos, seria este

Sim, este conselho pode TRANSFORMAR a sua vida - para melhor!

Se eu pudesse dar só um conselho aos meus amigos, seria este: tenham filhos. Pelo menos um. Mas se possível, tenham 2, 3, 4…

Os irmãos são a nossa ponte com o passado e o porto seguro para o futuro. Mas tenham filhos.

Os filhos fazem de nós seres humanos melhores. O que um filho faz por nós nenhuma outra experiência o faz. Viajar pelo mundo transforma-nos, uma carreira de sucesso é gratificante, a independência, é delicioso. Ainda assim, nada te modificará de forma tão permanente como um filho. Esqueça a história de que filhos são gastos.

Os filhos tornam-te uma pessoa com consumo consciente e económica: passas a comprar roupas numa loja e não noutra, porque no fim, são só roupas. E os ténis do ano passado, que ainda estão novinhos e confortáveis, duram 5 anos… Tens outras prioridades e só um par de pés.

Passas a trabalhar com mais vontade e dedicação, afinal, existe um pequeno ser totalmente dependente de ti, e isto faz de ti um profissional com uma garra que nenhuma outra situação te daria. Os filhos fazem-nos superar todos os limites.

Começas a preocupar-te em fazer algo pelo mundo. Separar o lixo, trabalho comunitário, produtos que usam menos plástico… Tu és o exemplo de ser humano do teu filho, e nada pode ser mais grandioso do que isto.

A tua alimentação passa a importar. Não dá para tu comeres chocolate com coca-cola e oferecer bananas e água a ele. Passas a cuidar melhor da tua saúde: comes o resto das frutas do prato dele, plantas uma horta para ter temperos frescos, etc., etc..

Um filho dá-te uns 25 anos a mais de longevidade. Passas a acreditar em Deus e aprendes como orar. Na primeira doença do teu filho, quase como por instinto, dobras os joelhos e pedes a Deus que olhe por ele. E assim, o teu filho ensina-te sobre fé e gratidão como nenhum padre/pastor/líder religioso nunca foi capaz.

Confrontas a tua sombra. Um filho traz à tona o teu pior lado quando ele se deita ao chão e berra no mercado porque quer um pacote de biscoitos. Tu tens vontade de gritar, de bater, de ir embora. Ficas agressivo, impaciente e autoritário. E assim descobres que é só pelo amor e com amor que se educa. Aprendes a respirar fundo, a te agachar, estender a mão ao teu filho e ver a situação através dos seus pequenos olhinhos.

Um filho faz-te ser uma pessoa mais prudente. Tu nunca mais irás dirigir sem cinto, ultrapassar de forma arriscada ou beber e assumir a direcção, pelo simples facto de que não podes morrer (tão cedo)… Quem é que criaria e amaria os teus filhos da mesma forma na tua ausência?! Um filho faz-te mais do que nunca querer e gostar de estar vivo. Mas, se ainda assim, não achares que estes motivos valem a pena, que seja pelo indecifrável que os filhos têm.

Tem filhos para sentires o cheiro dos seus cabelos sempre perfumados, para ter o prazer de pequenos bracinhos ao redor do teu pescoço, para ouvir o teu nome (que passará a ser mamã ou papá) ser falado, cantado naquela vozinha estridente.

Tem filhos para receber aquele sorriso e abraço apertado quando chegares a casa e sentires que és a pessoa mais importante do mundo inteirinho para aquele pequeno ser.

Tem filhos para ganhar beijos babados com um hálito que listerine nenhum proporciona.

Tem filhos para vê-los sorrir contigo e caminharem como o pai, e entende a preciosidade de se ter uma parte à sua solta pelo mundo.

Tem filhos para re-aprender a delícia de um banho cheio de espuma, de uma bacia de água no calor, de rolar com o cãozinho, de comer manga sem se limpar.

Tem filhos. Sabendo que muito pouco ensinarás.

Tem filhos justamente porque tu tens muito a aprender.

Tem filhos porque o mundo precisa que nós sejamos pessoas melhores ainda nesta vida.

 
A verdadeira missão de um pai na vida de um filho Imprimir e-mail

 

Qual é a verdadeira missão de um pai na vida de um filho?

 

Não é só necessário que um pai seja presente; é imperativo gerar vínculos afectivos sólidos com os filhos

Pai, vive de tal maneira que, quando o teu filho pensar em lealdade, honestidade, integridade, justiça, respeito, trabalho, fidelidade, serviço e caridade, a tua imagem venha à mente dele.

Embora a sociedade ocidental dê mais importância à figura materna, a figura do pai na vida dos filhos é tão importante como a da mãe, pois ele desempenha um papel único, intransferível, insubstituível e fundamental no desenvolvimento emocional, psicológico e social dos filhos.

Pai, quando eu crescer quero ser como tu

Os filhos que têm a oportunidade de contar com os pais emocional e fisicamente presentes no decorrer da vida – em especial nos momentos mais importantes do seu desenvolvimento – apresentam maior tolerância à frustração, maior confiança em si mesmos, autocontrole e autoestima elevada.

Mas não é necessário ser apenas um pai presente, é imperativo gerar vínculos afetivos sólidos com os filhos. Ou seja, ser pai ativo, sempre pendente às necessidades deles. Algumas vezes satisfarás essas necessidades ou darás ferramentas para que eles encontrem soluções. Noutros casos, simplesmente vais consolá-los e dar palmadinhas nas mãos com a seguinte mensagem oculta: “tudo correrá bem porque estou contigo”. Isto vai garantir segurança aos pequenos.

O desenvolvimento de uma relação positiva com o pai ajudará o filho a ser um adulto equânime e seguro. A sensação que lhe dá de poder contar com um pai que lhe oferece respaldo é simplesmente indescritível.

Todo o filho merece sentir-se desejado e aceite pelo pai – não somente pela mãe. A aceitação procede da vontade; o desejo, do sentimento. Se um filho percebe o abandono, o seu desenvolvimento pode sofrer um bloqueio. E não será tanto por não ter sido desejado, mas por não ter sido aceite. A aceitação da paternidade e a aceitação da sua pessoa são necessárias e muito importantes para o saudável desenvolvimento individual e social do indivíduo.

Algumas atitudes de aceitação ou rejeição:

• Tu provocas rejeição quando te transformas num pai autoritário e tirano. A mensagem que mandas para o filho é que ele não te perturbe ou que teria sido melhor se não tivesse nascido. Também provocas rejeição quando te comportas como um pai indulgente, indiferente, o “colega” dos teus filhos. A mensagem que tu passas é que o pequeno não é a tua prioridade.

• Também causa rejeição a superproteção (ou quando te transformas num pai autoritário e perfeccionista).  Neste caso, a mensagem que passas ao teu filho é que ele deve seguir o seu modelo e ser como tu. O filho sente-se com o amor condicional. Quando há superproteção ou quando passas a ser um pai narcisista, o filho pensa que não há ninguém como ele. Embora pareça o contrário, ele desenvolverá uma autoestima frágil.

A palavra convence, mas o exemplo arrasta

Se há algo que os filhos observam nos pais é a forma de trabalhar. Ou seja, o pai deve ensinar a virtude e o valor humano do trabalho. Pelo seu modo de trabalhar, um pai pode ser prestigiado ou desprestigiado pelos filhos, obterá a admiração e respeito dele ou o contrário.

Os filhos são inteligentes e se a imagem que eles têm do trabalho do pai, a partir das conversas familiares ou da sua atitude diante deles, for negativa, os feitos na educação serão nocivos.

Também terá efeito negativo o facto de o filho perceber que o que se diz não coincide com o que se faz. Com a incongruência, perde-se a autoridade, e sem autoridade dificilmente haverá admiração e respeito.

Para qualquer filho, não há nada mais fortalecedor do que sentir-se amado e protegido pelo homem que ele mais admira, o seu super-herói. Este sentimento de proteção vai com ele durante toda a vida.

No caso particular da relação pai/filha, se ela se sentir abandonada pelo pai, quando for escolher o seu marido, dificilmente saberá fazê-lo, porque terá a necessidade inconsciente de preencher o vazio que o pai lhe deixou. Portanto, em vez de buscar um companheiro de vida, em cada homem que conhecer, ela vai querer encontrar esse pai para a proteger. Isto é muito perigoso e dificilmente resultará em relações amorosas estáveis.

Por isso, mães, precisamos de deixar os pais exercerem os seus papéis de esposos e pais. É importante que a mãe dê espaço e não interfira nesta relação, mesmo que ela ache que “faria melhor do que ele”. O posto de um pai na vida de um filho ou filha é insubstituível!

 
Tenho um filho autista. O que devo fazer? Imprimir e-mail

 

Tenho um filho autista. O que devo fazer e como agir? 

 

O testemunho de uma mãe que busca superar, todos os dias, as dificuldades de ter um filho com autismo

 

Ter um filho especial é dedicar-se ainda mais à tarefa de ser pai e mãe, pois esta criança exigirá cuidados e uma atenção maior; mais do que isso, a sensibilidade diante dos seus limites. Diante desta realidade, uma mãe cujo filho possui Transtorno de Espectro Autista – TEA, buscou recursos médicos e terapêuticos, como também apoio de outras famílias para compreender o mundo de uma criança com autismo.

Carla é a mãe do Guilherme Muller Carvalho, de 16 anos, portador do TEA. Segundo ela, ter um filho autista é enfrentar desafios diários, mas com a certeza de que é possível fazer com ele tenha uma vida feliz e produtiva, com respeito e perseverança.

Quando recebeu o diagnóstico de seu filho Guilherme, Carla sentiu medo no início, mas fez daquele momento um compromisso de buscar, de todas as formas, uma vida melhor não só para ele, mas para outras famílias que precisavam de ajuda. Foi nesse momento que surgiu a ‘Associação Casa de Brincar’, cujo objetivo é dar apoio às crianças, seus familiares e amigos, por meio de oficinas lúdicas e com uma equipe de profissionais dispostos a transformar estas vidas.

 

A história de Carla e Guilherme

 

Carla Carvalho: Penso que ter um filho com autismo é poder vivenciar todo o altruísmo possível ao ser humano, porque não há como definir nem preconizar nada na nossa vida.

Nós temos de olhar para eles e fazer com que as suas necessidades sejam atendidas, buscando compreendê-los e minimizando as suas frustrações. Pode parecer muito difícil, mas é possível, sempre trilhando com esperança, paciência e otimismo. Confesso que, hoje, apesar dos desafios que a vida me impôs, sou uma pessoa mais feliz e realizada.

 

- Que desafios e cuidados especiais tem com o Guilherme?

 

Carla Carvalho: O meu maior desafio é sempre procurar ser a mãe que o Guilherme precisa, ou seja, sem protegê-lo demais. Acredito que o desafio para com o Gui, no fundo, acabe por ser o mesmo que tive com os meus outros filhos, ou seja, permitir que alcancem outros voos, e cada um na sua própria altitude. Penso que o meu melhor, agora, seja estar na retaguarda, sendo consolo e segurança, caso eles precisem.

É claro que com os outros filhos a expectativa foi que eles voassem para longe, na autonomia das suas vidas; mas com o Guilherme eu ainda não sei, só posso falar do que já vivi. Hoje, ele é um adolescente lindo e meigo, com 16 anos. Graças a Deus, tem conseguido mostrar-me, sempre, que o meu respeito, amor, dedicação e aceitação o fazem muito feliz.

 

- Como foi o processo de alfabetização do Guilherme e a convivência com outras pessoas?

 

Carla Carvalho: Eu, como uma mãe mais velha – tive o Guilherme aos 40 anos, já com 2 filhos jovens –, confesso não ter vivido as ansiedade das jovens mães em relação ao futuro. Na verdade, vivi uma alegria inexplicável pelo meu temporão, como também uma dor enorme com o seu diagnóstico. Mas sempre com muita calma e preocupação, só pedia para que Deus me mostrasse o que teria de ser feito para ser e fazer o melhor por ele. Não importava o que poderia ser o melhor para nós, mas sim para ele, e ter a sensibilidade de ver até onde ele poderia ir naquele momento, saber esperar e dar novos passos quando possível.

Quando ele tinha quatro anos, montei uma escola para que fosse feita a inclusão dele, porque, há doze anos, falar em escola inclusiva, no interior, deixava-me muito insegura. O meu filho tinha um autismo severo, portanto, não verbal; e logo nos mostrou quanto lhe era difícil ficar numa sala de aula, mesmo que com pouquíssimas crianças.

Fizemos essa escola, onde ele começou no maternal. No entanto, quando chegou à alfabetização, ele demonstrava comportamentos nada adequados, por não conseguir acompanhar as aulas. Apesar de termos tido todos os cuidados e tê-lo colocado numa sala com oito crianças, ele começou a ter uma desfasagem muito aparente em relação às outras crianças. O Guilherme começou a ter comportamentos agressivos na escola, e foi muito sofrido!

Aquilo destruiu-me de uma forma inexplicável! Naquele momento, tive a sabedoria de retirá-lo da escola e respeitar o momento dele. Não sei dizer, hoje, o que ele sabe em termos académicos, pois participou em vários processos. Conhecemos, no entanto, várias histórias de pessoas com autismo, que, às vezes, na vida adulta, mostram o que aprenderam. Porém, isso está longe de ser uma regra, e no meu caso posso dizer que o Guilherme me surpreende cada dia.

 

- O Guilherme deixou a fase infantil e está a começar a entrar na adolescência. Como é para si lidar com esta transição da fase de criança para adolescência?

 

Carla Carvalho: Na verdade, acho que ele continua na fase infantil, porque tudo para ele é um pouco mais lento, e a motivação infantil é algo ainda muito forte nele. A pureza que as crianças autistas trazem, por causa dessa infância, talvez mais longeva, faz com que sejam muito especiais. Eu tinha muito medo desse período da adolescência, sofri desnecessariamente por não viver um dia de cada vez. São as lições que a vida carinhosamente nos possibilita aprender.

Ele tornou-se um adolescente maravilhoso, amoroso e feliz. Hoje, demonstra, com clareza, o que quer e gosta, e sempre pronto para as novidades do mundo, desde que se sinta seguro e respeitado no seu limite. Acredito mesmo que esse olhar amoroso e cuidadoso o fizeram ter a coragem de experimentar e lançar-se em novas experiências na sua vida.

 

- Como é a participação do seu esposo e pai do Guilherme neste processo?

 

Carla Carvalho: A rotina do trabalho acaba por deixar o tempo um pouco escasso, pois, infelizmente, não dá para equilibrar todas as coisas; assim, o meu marido nunca conseguiu passar muitas horas com o Guilherme nem com os outros filhos, por causa dessa carga de trabalho.  Mas mesmo com a correria do dia a dia, sinceramente, ele nunca deixou a desejar como pai e homem de bem que é, com a sua honestidade, comprometimento e bem-estar da família. Com o Guilherme, em especial, ele é de uma dedicação total em relação a tudo o que pode prover materialmente e em termos de tratamento.

É graças a ele que tenho condições de fazer tudo pelo nosso filho! Mas, na verdade, a sua generosidade explodiu na criação da ‘Casa de Brincar’, uma associação totalmente filantrópica gerenciada por nós, mas provida pela empresa. Eu diria que ele tem um amor muito peculiar por todos os filhos, por todos nós e pela nossa família. Ele é um homem de bem, maravilhoso! Tenho a certeza de que, se ele não nos tivesse dado essa condição, nós não teríamos chegado aqui com o nosso filho como está hoje.

 

Tratamento para uma criança autista

 

- Após o diagnóstico, quais foram os caminhos e especialistas que procuraram?

 

Carla Carvalho: A opção de tratamento que fiz, naquele momento, foi de uma terapia comportamental muito forte, diária e de muitas horas; era uma forma de ele aprender como se comportar no nosso mundo. Não vou dizer que isto foi negativo, mas se eu, hoje, tivesse de viver tudo isto de novo, eu não teria feito desta forma.

Eu não tinha o direito de mostrar para ele como era a forma certa de se comportar, mas sim as possibilidades para se adequar. No entanto, às vezes, a gente também erra ou não faz o melhor tentando fazê-lo.

Os profissionais envolvidos neste processo foram fonoaudiólogos, professores de educação física, neurologistas e homeopatas. Mas sempre a melhor terapia será o amor e a aceitação.

 

Projeto ‘Casa de Brincar’

 

- Como surgiu a iniciativa de criar o projeto ‘Casa de Brincar’, esse grupo de auxílio aos pais de crianças autistas?

 

Carla Carvalho: Primeiro, foi feita a Casinha do Lago, uma escola regular que durou cinco anos. Quando ela fechou, o Guilherme já não estava na sala de aula há um ano e meio.

Com este projeto da escola, conseguimos beneficiar muitas pessoas, mas, uma vez que o Guilherme não estava a conseguir acompanhar o ritmo da escola, tivemos de buscar novos caminhos. Quando a escola estava para encerrar, nós já tínhamos montado um grupo de apoio para mães e familiares de crianças com autismo.

Nesse grupo de apoio, reuníamo-nos, cada 15 dias, numa sala da igreja local. Nesse grupo, fui conhecendo várias outras mães que chegavam destruídas, perdidas, com um sofrimento sem igual. Aquela troca e o dia a dia que fui vivenciando com elas foi me mostrando que, na verdade, o que eu precisava para tentar ajudar a mim e a elas é que tivéssemos um local que nos acolhesse, porque, nestes meus 16 anos com o Guilherme, talvez umas das coisas que compreendi, muito claramente, é que os nossos filhos vão espelhar a nossa realidade.

Se estivermos a passar por um sofrimento e esta tristeza for por causa deles serem assim, vamos ter crianças tristes e inseguras ou agressivas, ou seja, eles vão sentir tudo que acontece connosco. Por isso, temos de nos preparar para essa vivência e transformar a nossa vida, para que essa transformação possa acontecer também na vida deles. Foi isso que experimentei na minha vida, ou seja, foi a minha transformação, diante da nova necessidade de vida, que mudaram a nossa história.

Sempre pedi a Deus para me mostrar como ser a melhor mãe que o Guilherme precisava ter, e acho que foi essa a grande inspiração que Ele me deu. Nesses encontros, junto com a equipa que já cuidava do Gui há alguns anos, outras famílias também tiveram as suas vidas modificadas por causa da convivência com os iguais. Abro aqui um parêntese para definir toda a equipa que, hoje, faz parte da nossa família e que cuida de nós com amor e carinho únicos: são anjos que Deus colocou na nossa vida! Gratidão eterna.

Diante desta realidade, resolvemos fazer um núcleo de apoio. Confesso que, quando começámos, nós nem sabíamos qual seria o modelo. A única certeza é que queríamos acolher essas famílias. Se não tivéssemos nada para oferecer, abraçaríamos essas mães e choraríamos com cada uma, porque, naquele momento, poderia ser o que precisavam para ter coragem de seguir em frente, serem fortalecidas para conseguir fazer o melhor pelos seus filhos.

 

- Hoje, este projeto atende quantas crianças? Como é o trabalho desenvolvido com os autistas?

 

Carla Carvalho: O projeto atende, praticamente, 60 famílias. Ainda temos muitas crianças à espera, porque acabam por aparecer também algumas famílias da região. Mas 60 é o que nós conseguimos abraçar com o número de profissionais que temos e em quem confio. Não tenho como abraçar mais, embora isso me crie muita aflição e dor, porque sei da importância desta teia, que é a ‘Casa de Brincar’, e o que ela proporciona às famílias.

Lá, temos oficinas para as crianças com música, movimento, natação, integração sensorial e lúdica, mas o objetivo principal da casa é mostrar aos pais como brincar, como ter prazer e alegria com os seus filhos, pois é por meio das brincadeiras que podemos chegar a transpor as pontes que o autismo nos impõe.

 

 

- A fé ajudou-a no processo de diagnóstico do seu filho e na inspiração para o projeto ‘Casa de Brincar’?

 

Carla Carvalho: Na verdade, a fé foi a minha única e grande motivação de continuar a viver, pois nem imaginava todas as dificuldades que ainda estavam por vir. Ter a noção e a consciência de tudo o que representa este limite do meu filho é uma forma de tentar fazer com que a vida dele seja a melhor possível.

De alguma forma, foi um chamamento do céu, que me arrebatou, pois penso que, se eu não tivesse entregue o meu coração por inteiro e compreendido que eu nunca estaria sozinha nesta árdua e desconhecida caminhada, sinceramente, não conseguiria suportar. Foi esta fé que me trouxe a esperança de um futuro possível.

A fé foi tudo! Foi toda a motivação para seguir a minha vida e me lembrar que tinha outros filhos, e não achar que tudo tinha acabado. Na verdade, a fé mostrou-me que aquilo era um recomeço e uma nova forma de viver, dolorosa e bela, mas teria que ser vivida com alegria.

 

- Como define o mundo de uma criança autista e o que diria aos pais de filhos nessa situação?

 

Carla Carvalho: O mundo e a vida de uma criança com autismo podem ser muito cruéis, porque, se ela não tiver ao seu redor pessoas que a façam compreender que toda a dificuldade de compreensão do mundo e das pessoas podem ser transformadas com paciência, esperança e muito amor, será muito difícil.

Devemos aprender com os outros pais que o altruísmo é a nossa palavra de vida, pois, se soubermos viver assim e fizermos disso uma alegria e um objetivo, acho que conseguiremos transformar a nossa vida e a dos nossos filhos.

Eles são um espelho dos nossos sentimentos, porque são sensíveis, perceptíveis e sabem totalmente o que nos faz sofrer. Eles também sabem que são diferentes e não são aceites pela maioria das pessoas ao seu redor, e isto é muito triste! Então, quando penso nisto, revisto-me de uma força tão poderosa, para fazer com que, no espaço que o meu filho esteja, ele seja muito feliz.

 
O filho que eu queria abortar salvou a minha vida Imprimir e-mail

 

O filho que eu queria abortar salvou a minha vida

 

Grávida aos 19 anos, ela foi contra os pais e voltou atrás na decisão de fazer um aborto

Giulia Michelini é uma linda atriz italiana. Embora tenha começado a sua carreira em 2002, com 17 anos, os italianos conheceram-na melhor quando ela interpretou o papel de chefe da Máfia numa minissérie da televisão italiana exibida entre 2009 e 2012. Mas ela tem muito mais do que beleza física e talento para as artes. Esta atriz tem uma história pessoal cheia de dificuldade e coragem, que vale a pena contar.

Em 2015, concedeu uma entrevista à revista Vanity Fair, publicada sob o título: “Um bebé salvou-me”. Esse bebé não era um personagem de filme, mas o seu próprio filho: Giulio Cosimo Michelini.

Quando tinha 19 anos, a atriz descobriu que estava grávida. Inicialmente, achou melhor não ter o bebé, e todos os que estavam próximos dela – incluindo os seus pais – aconselharam-na a fazer um aborto “porque ter uma criança naquela idade arruinaria a sua vida”.

Giulia marcou uma consulta para combinar o aborto, mas já na clínica mudou de ideia e decidiu ir embora.

 “Eu fui sozinha à clínica. Uma garota foi chamada para entrar na sala, depois outra, e eu nem sei o que me fez levantar. Eu só sei que, em certo momento, eu me levantei e fui embora”, disse à Vanity Fair.

Desistindo do aborto

Felizmente, ela mudou de ideias, e com o coração cheio de emoções e medo, ligou para a sua mãe de um telefone público.

Na entrevista, ela disse: “Eu estava completamente em pânico. Depois que eu deixei [a sala de espera], entrei numa cabine telefónica para ligar para a minha mãe. No telefone tinha um elástico com uma faixa de cabelo de uma menina pequena … Eu sei, é estúpido, mas ao ver aquilo, eu disse para mim mesma: está bem assim, estou a fazer o que é certo”.

Medo e coragem

Na época, ela estava a passar por um momento de dificuldade com o pai do bebé – um jovem oito anos mais velho do que ela, que a levou a frequentar bairros ruins nos arredores de Roma, longe do mundo em que ela cresceu. Quando escolheu ter o seu filho, a atriz sabia que o relacionamento não tinha futuro, mas …

 “Eu não acreditava muito no meu relacionamento com o pai. Na verdade, para ser honesta, eu sabia que aquilo iria acabar, e que eu ficaria sozinha com o meu filho. Mas era como se isso me desse um impulso extra”, afirmou.

“Eu acho que ele salvou a minha vida”

A decisão de levar a gravidez adiante tornou-a responsável, deu-lhe força e coragem, e … salvou a sua vida, como ela conta:

 “Eu senti como se essa decisão definisse a minha pessoa de forma mais clara, isto permitiu-me que eu me visse, que eu quisesse ser eu mesma. Naquele momento, talvez eu precisasse de me sentir viva. Naquela idade, não queria uma criança; eu queria independência, sentir-me livre para correr como um trem … Mas este bebé deu peso à minha existência – acho que ele salvou a minha vida. Ele afastou a parte autodestrutiva de mim. Se não fosse ele, é provável que eu me teria perdido.”

A sua família não concordou, mas…

Os pais de Giulia não reagiram positivamente à decisão dela. Mas também não a impediram de manter a gravidez.

 “Na época, era difícil para mim ir contra a minha família. Foi a primeira grande decisão da minha vida. Saí de casa e não conversámos durante seis meses. Então, quando eu estava a começar a mostrar [a barriga], eles aproximaram-se de mim novamente. (…) Hoje, o meu filho é a menina dos olhos deles. Não sei o que eu faria se ele não estivesse aqui; e eu não sei o que eu faria sem eles, porque eles [os pais] me ajudaram muito, muito. Quando eu vou trabalhar, Cosimo fica com os meus pais”, disse ela à Vanity Fair.

Quando uma mãe em dificuldade não faz um aborto, ela não só salva o bebé que ela leva no ventre, mas também se salva a si mesma.

 
O que fazer quando o ex voltar a aparecer na tua vida? Imprimir e-mail

 

O que fazer quando o ex voltar a aparecer na sua vida? 

 

É possível lidar com o ex ou precisamos de o afastar da nossa vida?

 

Todos nós já experimentámos o resultado da participação de alguém na nossa vida, especialmente no tempo do namoro. Sabemos que, de uma maneira ou outra, fomos marcados por algumas pessoas. Apesar de todos os sentimentos e sensações vividas, sempre que as atitudes e os objectivos comuns não são alcançados, por razões conhecidas somente pelo casal, resolve-se interrompê-lo.

Após o rompimento de um namoro, que durou algum tempo, é muito comum que o (a) ex-namorado (a), insista em novamente querer restabelecê-lo. Assim sendo, o antigo companheiro parece surgir das “cinzas” com um amor revigorado pela namorada, tentando convencê-la de que agora será diferente. Quase que numa atitude desesperada, ele (a) vai literalmente no encalço da antiga namorada (o), com gestos que talvez, nem no tempo em que estava com ela e se dizia apaixonado, eram comuns da parte dele. Assim, ele insiste em falar com a jovem pelo telefone, enviando-lhe mensagens, mandando-lhe flores, forçando um encontro ao percorrer os mesmos caminhos que ela costuma fazer, “congestionando” as suas redes sociais. Tudo na tentativa de a reconquistar pela insistência.

O que fazer? Como agir?

Sem questionar a eficácia ou as táticas de abordagem do (a) ex-namorado (a), reatar um antigo relacionamento exige muito mais prudência por parte da pessoa que foi abandonada. Se ainda houver certo carinho pelo “ex”, a reaproximação dele, com certeza, vai mexer com os sentimentos da jovem. E, certamente, a razão poderá ficar “anestesiada” com a possibilidade de reviver o romance.

Reatar um relacionamento, que não teve um desfecho feliz; num primeiro momento vai exigir uma atenção especial, pois, ninguém o termina sem motivos. Alguma coisa justificou a atitude daquele que resolveu romper o compromisso. E antes de reviver o relacionamento de “segunda-mão”, algumas precauções devem ser consideradas, por exemplo, esclarecer abertamente quais foram os motivos que ele ou a namorada, tiveram para desistir do namoro; quais as lições que aprenderam a partir da experiência vivida, considerando-se também o que poderia ser diferente desta vez. Estes são alguns questionamentos, que precisam de ser feitos para que se consiga obter uma resposta satisfatória, além de, conhecer as razões pelas quais ele (ela) voltou a manter contacto. Porque, muitas vezes, as vantagens, facilidades, intimidades, ou até mesmo o conforto proporcionado pelo relacionamento vivido, podem ser os motivos que o (a) levaram a querer retomá-lo, e não o sentimento e o compromisso de querer construir alguma coisa duradoura.

Precisamos de ter um relacionamento sólido

Um relacionamento no qual as crises, os desentendimentos e, também, as carências não são plenamente trabalhados e solucionados, facilmente se pode transformar num eterno “vaivém”, em que um passa a ser apenas instrumento nas mãos do outro. De modo que o sentido, o objectivo e os propósitos do relacionamento acabam por se perder.

É claro que aprendemos com os nossos erros, e em algumas ocasiões, podemos ter tomado atitudes precipitadas e equivocadas. Mas, antes que o sintoma da “cegueira passional”, tome conta da inteligência e do bom senso do casal, vale a pena relembrar todos os momentos que foram vividos. E, se ainda assim, desejarem viver uma segunda chance, é necessário que ambos demonstrem sinais de maturidade, sobre o que realmente esperam da retomada do envolvimento, estabelecendo novos objectivos para o que desejam viver de maneira frutuosa, e diferente do que viveram na primeira experiência.

 
Os filhos estão a ser educados com excesso ou falta de amor? Imprimir e-mail

 

Os filhos estão a ser educados com excesso ou falta de amor? 

 

Quando o assunto é educação, surgem as dúvidas: estamos a educar os filhos com falta ou excesso de amor?

Diante de um mundo em que predomina o desequilíbrio económico, que alguns países possuem excesso de riqueza e outros a escassez de recursos, as pessoas acabam por se acostumar a conviver com essas diferenças; muitas vezes, deixam de perceber as consequências. Na formação dos filhos, também, podemos ver excessos ou escassez nos relacionamentos. Por isso, precisamos de nos perguntar como anda o equilíbrio da afectividade nas famílias, sejam elas carentes ou não, e que consequências têm sido colhidas na vida adulta.

É claro que, como mantedores das necessidades emocionais e físicas dos filhos, as acções dos pais impactam fortemente na constituição da psique dos filhos. No entanto, a falta de tempo e o excesso de culpa têm permeado muitas relações e trazido muitos sofrimentos. Por isso, é momento de estar mais presente e não assumir a responsabilidade das decisões que são tomadas pelos filhos e que não pertencem aos pais.

Equilíbrio na dose de afecto

As mães, no papel maternal, geralmente propiciam vínculos afectivos e amor incondicional pelos seus filhos, e mesmo não concordando com atitudes deles, não os abandona, nem se rendem ao impossível. Entretanto, a escassez de tempo, a necessidade de vencer no mundo profissional e a opção de deixar outra pessoa em seu lugar, pode levá-las a um vazio. Ao contrário, uma mãe que não trabalha, não tem projetos, pode passar um tempo em excesso com as crianças, levando-as [as mães] a considerar a maternidade um peso. Depois, por serem responsáveis pela felicidade da mãe, muitos filhos adultos apresentam uma conta afectiva alta, que os impede de seguir a vida. O equilíbrio na dose de afecto maternal vai definir quem os filhos serão emocionalmente.

Outro ponto importante é o relacionamento do casal, pois, é a mãe quem abre espaço para a relação entre pai e filho. Muitas vezes, as esposas competem pelo amor do filho, atrapalhando a criação de vínculos que vão organizar a afectividade deles com os pais. É importante que, o casal invista na vida a dois e, também, no convívio com os filhos. São amores diferentes, que, bem equilibrados, se completam. Filhos são importantes, entretanto, não são a única prioridade do casal.

Os pais, no papel masculino, contribuem com o cumprimento da lei, fazem o corte entre mãe e filho, permitindo que esse se enxergue como indivíduo. Quando chega o tempo de o filho buscar novos horizontes, faz o convite para sair do ninho em busca da liberdade, a qual traz responsabilidades e direitos. As escolhas fazem parte do processo de amadurecimento. Alguns pais, excedem nas leis e, gastam pouco tempo na convivência que ajudaria nessa aprendizagem, ou, por insegurança, dificultam a saída de casa, criando filhos dependentes e frágeis.

Independentemente da maneira, é preciso demonstrar afecto

É lógico que, as crianças não restringem as relações apenas aos pais. À medida que crescem, expandem o convívio social, mas, na primeira infância, as referências que marcam a existência das pessoas, provêm do ambiente familiar. A demonstração de afecto varia de pessoa para pessoa, sendo pais ou filhos. Alguns capricham no carinho, outros investem na educação ou têm um senso prático de solucionar problemas, não importa a forma, mas a criança precisa de se sentir amada e valorizada para poder amar e valorizar o outro.

Isto leva-nos a uma reflexão: o relacionamento com os filhos tem sido permeado pela escassez ou abundância? Ou, então, encontrou o equilíbrio que, possivelmente, formará adultos mais saudáveis e comprometidos com o equilíbrio do mundo.

 
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Como lidar com a pressão social por estar solteiro 

 

Por que sofro por estar solteiro?

 

Por que é que algumas pessoas sofrem mais que outras por estar solteiras? A angústia do estado de solteiro, principalmente entre as mulheres, tem aumentado cada vez mais, sobretudo para as pessoas que estão entre os 30 anos. A potencialização deste sofrimento, depois dos 30, acontece pelo facto de a pessoa se sentir frustrada nos seus projetos.

É natural e faz parte do desenvolvimento humano este projetar, planear e sonhar. No entanto, quando a pessoa chega a esta fase da vida adulta média, que contempla entre 30 a 40 anos, pode ver-se de uma forma mais definitiva o curso da sua vida. Percebe-se já não estar no início da vida nem no fim, mas que o processo de estabilidade foi iniciado. Quando uma das dimensões da vida, neste caso a afetiva, tem uma lacuna, uma ausência, pode gerar um sofrimento maior. Tudo isto já acontece de forma natural.

Pressão social

Junto a isto, existe uma pressão imposta pela sociedade, especialmente por aqueles que estão próximos. A família começa a dizer piadinhas, os amigos começam a namorar e, por vezes, casam-se. Todos, então, perguntam: “Tu não namoras?”, “Ah! Mas és muito exigente! Desse jeito, não vais namorar ninguém!” Ou até mesmo: “Coitada (o)! Está até hoje sozinha(o)?” E aí, aqueles que sofrem por estar solteiros têm vontade de abrir um buraco e entrar nele.

Para saber lidar bem com esta pressão que a sociedade impõe, é preciso, antes, compreender por que sofre, entender por que, quando ouve determinadas coisas, isto lhe causa tanto desconforto, pois sofrer pelo estado de vida em que se encontra não é algo geral. Há jovens, adultos e idosos solteiros que são felizes por estarem solteiros. A questão é individual, parte da experiência e vivência de cada um.

Conhecer-se é essencial

A nossa mente funciona como um grande arquivo, o qual, a todo momento, é acessado a partir de palavras que escutamos, situações que vivemos ou aquilo que vemos. Todas estas experiências funcionam como gatilhos, que trazem à tona um arquivo já escondido. Então, quando temos um arquivo na dimensão afetiva, que nos faz acreditar que somos ruins, que nunca vamos encontrar alguém, que vamos morrer solteiros, que ninguém nos ama, que sou indesejável, imperfeito, que vamos ficar sozinhos para sempre, a sociedade pressiona-nos a dar uma resposta. Isto dispara o gatilho em direção a algo que gera sofrimento, por não acreditarmos que, um dia, conseguiremos encontrar alguém para ser nosso companheiro.

Aciono, então, todo o tipo de emoção desconfortável que possa ser vivida, como a ansiedade, a tristeza, angústia, desesperança, medo, solidão e desespero. Sentimentos que podem ter o poder de paralisar a vida de uma pessoa, pois ela começa a acreditar que ficará solteira para sempre! Pois como são consequência de um pensamento ruim, aumentam esse pensamento, dando peso a essa emoção. O primeiro ponto é: Por que sofro por estar solteiro? Que verdade existe dentro da minha cabeça sobre este assunto que me assusta tanto?

Quando sabes o que te causa sofrimento, é mais fácil enfrentar a pressão da sociedade, pois o sofrimento está em acreditar que, um dia, não darás essa resposta à sociedade, a qual, no fundo, querias dar. O solteiro está solteiro e não é solteiro; ele é uma pessoa antes de definir o seu estado de vida, seja solteiro, casado ou celibatário. Encontre-se com a sua verdade, assuma-a e o sofrimento diminuirá!

 
Já não amo o meu cônjuge. E agora? Imprimir e-mail

 

Já não amo o meu cônjuge. E agora? 

 

Não há nenhum sentimento positivo entre mim e o meu cônjuge

 

Parece que foi ontem o dia do casamento, mas os anos passaram e não existe mais nenhum sentimento positivo. Olho para o meu cônjuge e não sinto nada, apenas um desejo de ficar longe dele. “Não o admiro, ele é cheio de defeitos! Não sinto nem mesmo atracção. Chego a não querer ter relações sexuais, não quero ficar próximo. Acho que não o amo mais!”

Estas expressões são bastante comuns na clínica e no dia a dia de quem atende ou escuta os casais. Entretanto, o que, na realidade, pode estar a acontecer? O que significa esta expressão comum dos casais: “eu não amo mais?” O que pode fazer com que as pessoas sintam este esfriamento emocional e esta distância do outro? Há saída?

Quando o casal vivencia conflitos e tensões no dia a dia, estas situações marcam-nos de alguma forma e, geralmente, de maneira negativa. A partir desses conflitos diários, identificamos duas produções: os conceitos negativos e a mágoa.

Conceitos negativos

Os conceitos negativos sobre o cônjuge são formados no dia a dia, diante das diversas situações como excesso de cobranças, volume e tom de voz, palavras duras e grosseiras, agressividades, silêncios, falta de colaboração, dificuldade de partilha financeira, entre outras dificuldades do relacionamento a dois. Tais situações provavelmente constroem uma visão negativa sobre o outro, não permitem ver mais os atributos e características positivas que, um dia, os fizeram amar-se e admirarem um ao outro. Então, por meio destas vivências desajustadas, podemos perceber que entra em cena um sentimento muito pouco reconhecido, normalmente escondido por nós mesmos: a mágoa.

A mágoa é um sentimento que nos afecta, quando interpretamos que alguém nos ofendeu, agrediu, foi injusto ou diminuiu o nosso valor, provocando como consequência o afastamento progressivo dessa pessoa. Portanto, o que nos leva a uma sensação de falta de amor é, na verdade, a mudança de conceitos que aos poucos vamos introduzindo em nós diante dos conflitos diários e a mágoa que surge a partir das vivências negativas advindas dos conflitos e tensões que o casal vive.

Temos identificado que existem “estágios” da mágoa. Existe um estágio inicial no qual a pessoa apresenta um sentimento negativo, mas ainda há admiração pelo cônjuge. Posteriormente, a pessoa vivencia um período no qual a mágoa o leva a sentimentos mais intensos de ira e a necessidade de um distanciamento cada vez maior, logo a seguir o último estágio, no qual a pessoa não vê mais nada de positivo no cônjuge, ela o vê como mau, como alguém impossível de conviver e, mais ainda, inicia-se um processo de desejar o mal, falar mal dessa pessoa e até a vingança.

Que saída?

É preciso buscar o remédio para a mágoa, que se chama perdão. Ele é um acto de amor e misericórdia. Segundo Griffa e Moreno, no livro “As chaves para a psicologia do desenvolvimento”, os estágios do desenvolvimento da noção do perdão são as últimas aquisições no desenvolvimento da personalidade. O perdão, como máxima expressão do amor, é indicador do auge do desenvolvimento moral. O perdão é uma atitude madura da personalidade e deve ser vivido diariamente. É justamente esta atitude que fará com que se diminuam os sentimentos negativos, as atitudes de distanciamento e, ao mesmo tempo, poderá diminuir ainda tantos conceitos ruins que criamos a partir das nossas vivências no relacionamento a dois.

 
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Como preparar o filho para lidar com a frustração 

 

A “escola da vida” é uma excelente academia para treinar e lidar com a frustração

 

Num mundo de opções tão variadas é possível preparar, os filhos, para conviver com esta diversidade? É possível dizer “não” àquilo que não é bom para eles, e ensiná-los a conviver com as frustrações?  Para responder a estas perguntas precisamos, primeiro, de entender o que é frustração. É um estado que vivenciamos quando algo nos impede de realizar o nosso objecto de prazer. Na vida, sabemos que existem várias barreiras limitadoras – sociais, psicológicas, físicas ou espirituais – e, é bom que assim seja, pois elas impedem-nos de termos comportamentos nocivos para nós e para os outros. Mas a forma de lidar com isto gera satisfação ou insatisfação.

Durante toda a nossa vida, vivemos realidades permeadas de expectativas não atendidas, tais como a falta de pessoas e de sentimentos, que, gostaríamos que elas as tivessem ou não para connosco. Estes sentimentos podem despertar em nós emoções de raiva ou tristeza, que acabam por se transformar em ira ou depressão, levando os nossos filhos a pequenos ou grandes sofrimentos.

A frustração pode atacar principalmente a autoestima dos nossos filhos e levá-los a fazerem escolhas erradas, tais como drogas ou relacionamentos complicados.

Como fazer para que as crianças aprendam a conviver e a trabalhar estas frustrações inevitáveis? Este é um grande dilema vivenciado diariamente por muitos pais.

A escola da vida é uma excelente academia para treinarmos desde pequenos e, colocarmos limites nos possibilita criar condicionamentos mentais, que nos vão propiciando amadurecimento e condições para lidarmos com frustrações maiores. Poder trabalhar, preventivamente, é um ponto importante para quem tem filhos pequenos.

Neste ponto, temos vivido uma realidade preocupante. Como a vida profissional dos pais exige que, estes fiquem muito tempo fora, eles acabam por atendendo os desejos dos filhos (não deveriam) para acalmar o sentimento de culpa que sentem por causa da ausência.

Superar a frustração

A grande maioria dos pais, quando perguntados sobre o que mais querem para os filhos, provavelmente responderão: que sejam felizes. Para isso, esforçam-se por oferecer às crianças as melhores condições, mas, muitas vezes, perdem a oportunidade de ensinar a simplicidade da felicidade. Temos de entender que, dentro de cada um de nós, existe uma pessoa fraca e uma, forte. A pergunta que temos de nos fazer é: qual estamos a alimentar mais nos nossos filhos? Ensiná-los a lidar com as emoções e os sentimentos faz parte do nosso papel de educador, a fim de que possam superar as frustrações que enfrentarão por toda a vida.

Devemos começar por criar condições principalmente no desenvolvimento do quociente intelectual, mas esquecemo-nos do quociente emocional e espiritual, que é a nossa capacidade de lidar com as emoções, diante dos desafios diários da vida. A capacidade de transcender, abrir mãos de necessidades atendidas no presente para uma vida futura melhor.

Educação de filhos

O nosso papel é trabalhar as competências dos nossos filhos, os seus conhecimentos, as suas habilidades e, principalmente, as suas atitudes aos valores e às crenças que inculcamos neles a partir da forma como vemos o mundo. A escola pode ser parceira, mas os pais não podem terceirizar uma função que é inerente à sua vocação. E a vocação dos pais católicos é serem os primeiros educadores e catequistas de seus filhos.

O que podemos, então, fazer como pais para ajudar os filhos desde pequenos? Primeiro, buscar o autoconhecimento, pois quem se conhece tem mais possibilidade de se aceitar com foco na construção da autoconfiança. Pessoas que, reconhecem as suas qualidades e defeitos, têm mais facilidade para trabalhar comportamentos inadequados, sem se sentir uma pessoa inadequada. Isto permite que, ela tenha coragem de mudar quando for preciso, e aceitar o que ela não pode mudar.

Caminho para ajudar a lidar com a frustração

Trabalhar a paciência para que, eles aprendam a esperar, fazendo com que a frustração seja menos dolorida. O diálogo é fundamental para a criança aprender a partilhar os seus sentimentos, que, quando falados, podem ser melhor trabalhados. Aprender a ser persistente, pois, pouca coisa nós conseguimos sem que tenhamos de batalhar por elas. A vida não é o que a televisão vende, mas algo conquistado passo a passo. Como diz São Paulo, precisamos de combater o bom combate. Ter a capacidade de mudar de estado, de acordo com algumas situações, controlar impulsos e aceitar as adversidades e as alegrias como parte da vida, porque o mundo não se restringe ao nosso umbigo, mas a uma coletividade.

Porém, nada disso é possível sem que os pais se lembrem de que, o comportamento dos filhos é modelado pelos seus exemplos, portanto, precisam de ser os primeiros a reconhecer os seus próprios sentimentos e lidar com as suas frustrações diante da realidade da vida.

Lembrem-se: os nossos filhos são como folhas em branco, nas quais podemos escrever nossas frustrações; os nossos medos ou contribuir para aprender a lidar com as decepções e superá-las, assim como numa academia, temos de começar com exercícios leves até chegar aos mais exigentes, ou seja, ajudá-los a serem adultos maduros e felizes.

 
Como lidar com a saudade de um filho que está longe Imprimir e-mail

 

Como lidar com a saudade dos filhos que estão longe 

 

Aprenda a lidar com a saudade que sente dos filhos

 

Saudade, sentimento tão falado e cantado em prosa e verso, que vai nascendo devagarinho no coração daqueles que amam.

Sinto saudade de muitas coisas, situações e pessoas. Hoje, no entanto, vou contar-lhes a minha vivência em relação à saudade de uma filha que saiu de casa para estudar.

Neste momento, passam-se flashs de situações que vivemos juntas: a gravidez tranquila, o nascimento, dor que explode em alegria, a ansiedade da mãe desajeitada dos primeiros meses, os primeiros passos, as crises de bronquite, o primeiro dia na maternidade, o nascimento da irmã, as mudanças de casa e de cidade, as brigas com a irmã, o seu carinho com os pais e avós, a primeira menstruação, as festas com os amigos, o primeiro namorado, a orientação vocacional, a espera do resultado, o “enfim passei”, a arrumação das coisas, o dia da partida.

Deixar ir faz parte da vida

Como bons pais, fomos levá-la e deixámos milhares de recomendações. Já ao entrar no carro, para voltar para casa, olhei para trás e… onde está ela? Pensei: tudo bem, é só por um tempo. A viagem foi calada, só interrompida rezar para Deus não nos desamparar neste momento, para a proteger, e todas aquelas orações que os pais que amam sabem fazer.

Cheguei a casa e o mesmo ritmo de vida continuou, isto é, uma correria. Mas, em alguns momentos, passando pelo seu quarto, vendo uma peça de roupa sua, a falta na mesa para o almoço, encontrando-me com as suas colegas, a lembrança vinha tão forte, que parecia como um soco no estômago. Eu pensava: “Como estará ela? Será que comeu? Terá dormido bem? Não estará doente? E a rinite alérgica? Estará a gostar do curso, da casa, das colegas?”

Preocupação é diferente de saudade

Nas conversas pelo telefone, tudo era respondido, mas, dentro de mim, ficava uma tristeza tão grande depois que desligava o telefone; então, compreendi que era saudade, e que precisava de diferenciá-la das preocupações. A preocupação sempre existiu e sempre vai existir, e só é aliviada quando se tem confiança em Deus. A saudade, no entanto, deixa um buraco no coração; é como se algo faltasse e nada nem ninguém diferente dessa pessoa pudesse preencher. O lugar dela está ali e é só ela quem cabe naquele espaço.

Compreender isto, ajudou a lidar com a saudade, pois entendi que quem ama sofre muito mais de saudade, mas o amor que sente é maior que tudo, maior que a dor da separação e até maior que a morte. Então, se sofro por amor, este próprio amor preenche o espaço deixado pela falta.

Muitas vezes, eu questiono-me: “Porque deixei que ela fosse?”; então, penso que esta era a decisão certa, pois eu não poderia prender aquela que criei para ser livre, para realizar a missão a ela destinada, para ser aquilo que deve ser.

Os anos passaram, e hoje faço um balanço: sou mais mãe, ela é mais filha, estamos mais maduras, aprendemos uma com a outra e Deus está a realizar uma oração que faço todos os dias pelas minhas filhas: Senhor, Deus todo poderoso, que elas sejam felizes!

 
Como elogiar o seu filho de modo correcto Imprimir e-mail

 

Como elogiar o seu filho de modo correcto 

 

Elogiar a inteligência ou o esforço de uma criança?

 

O segredo da maioria das coisas é a forma como elas são administradas. A falta ou o excesso de elogios pode ser prejudicial em muitas situações.

 

Elogiar a inteligência ou o esforço de uma criança? Esta é uma questão que certamente gera dúvida.

Quando elogiamos a inteligência de um filho, não damos margem, por exemplo, a um erro ou a uma nota baixa. Quando elogiamos o seu esforço, damos estímulo para que ele se possa esforçar outras vezes.

Elogios excessivos acabam por ser vazios e não ajudam no desenvolvimento saudável dos filhos, porque acabamos por colaborar para um estilo quase infalível e muito vaidoso de uma criança. O elogio excessivo pode, até mesmo, colaborar para que uma criança não aceite uma correcção quando necessário. Ou seja, quando estiver errada, certamente terá dificuldade de ser orientada nas suas atitudes.

Quando uma criança é elogiada demais, sente-se muito melhor que os outros e pode, em muitos casos, crescer na sua presunção e arrogância.

Preferencialmente, os elogios devem estar assentes em factos, em comportamentos ou atitudes. O elogio do tipo “como tu és lindo, meu filho!”, ou “que maravilha de menina!” estão assentes nas impressões de um adulto, mas não colaboram especialmente em alguma atitude diferenciada na criança.

Que elogios, então, podem ajudar uma criança a ter uma atitude saudável? Por exemplo: “Filho, que bom teres ajudado o teu colega de escola!”, “Parabéns pelo teu esforço no estudo e pelas notas que tiraste!”, “É muito normal teres partilhado os teus brinquedos com o teu amigo. Dividir é muito importante!”, “Que bom porque me ajudaste, gosto muito quando fazes assim!”

Estes elogios são baseados em coisas reais, em coisas que o seu filho realmente fez e não em impressões vazias, que contribuem para que ele possa repetir os comportamentos positivos.

Tudo o que é excesso não faz bem

Fazer uma criança amada não é estar sempre a dizer-lhe: “eu  amo-te”, “como tu és lindo” ou coisas deste tipo.

A medida é importante, já o excesso não faz bem. Quando uma criança passa a frequentar outros ambientes como escola, igreja ou natação, nem sempre será elogiada na mesma quantidade que os pais fazem, e isto pode gerar nela grande decepção e frustração, inclusive na fase adulta, quando tiver de lidar com a falta de elogios e recompensas no trabalho, o que pode ser altamente desmotivador e frustrante para ela.

Procure dar atenção não apenas às qualidades, mas às atitudes da criança, pois são perceptíveis e envolvem a acção e o empenho dela em algo. Também o cuidado de não desejar que ela seja o que não fomos, é importante. Muitas vezes, o elogio é dado no sentido de que o seu filho sempre supere, sempre seja o melhor, sempre seja mais. Daí, novamente, a medida é importante e a intensidade também, para que o positivo seja um facto desmotivador para ele.

 
O Papa alerta para três perigos nas famílias Imprimir e-mail

 

O Papa alerta para três perigos nas famílias  

Três alertas que nos são apresentados na Amoris Laetitia, sobre os perigos nas famílias.

Individualismo

O individualismo exagerado desvirtua os laços familiares e acaba por considerar cada membro da família como uma ilha, fazendo prevalecer, em certos casos, a ideia de um sujeito que se constrói segundo os seus próprios desejos assumidos com carácter absoluto.

As tensões causadas por uma cultura individualista exagerada da posse e fruição geram, no seio das famílias, dinâmicas de impaciência e agressividade.

Independência

A liberdade de escolher permite projectar a própria vida e cultivar o melhor de si mesmo, mas, se não houver objectivos nobres e disciplina pessoal, degenera numa incapacidade de se dar generosamente.

Se estes riscos se transpõem para o modo de compreender a família, esta pode transformar-se num lugar de passagem, onde uma pessoa vai quando parecer conveniente para si mesma ou para reclamar direitos, enquanto os vínculos são deixados à precariedade volúvel dos desejos e das circunstâncias.

Amor provisório

Refiro-me à rapidez com que as pessoas passam duma relação afectiva para outra. Crêem que o amor, como acontece nas redes sociais, se possa conectar ou desconectar ao gosto do consumidor, inclusive bloquear rapidamente.

Penso também no medo que desperta a perspectiva de um compromisso permanente, na obsessão pelo tempo livre, nas relações que medem custos e benefícios e mantêm-se apenas se forem um meio para remediar a solidão, ter protecção ou receber algum serviço.

Faz impressão ver que as rupturas ocorrem, frequentemente, entre adultos já de meia-idade, que buscam uma espécie de «autonomia» e rejeitam o ideal de envelhecer juntos cuidando-se e apoiando-se.

Correndo o risco de simplificar, poderemos dizer que vivemos numa cultura que impele os jovens a não formarem uma família, porque nos privam de possibilidades para o futuro.

 
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