Mensagem

Basta-me saber que sois jovens para eu vos amar

São João Bosco

 
Início seta A Família
A Família
Os filhos estão a ser educados com excesso ou falta de amor? Imprimir e-mail

 

Os filhos estão a ser educados com excesso ou falta de amor? 

 

Quando o assunto é educação, surgem as dúvidas: estamos a educar os filhos com falta ou excesso de amor?

Diante de um mundo em que predomina o desequilíbrio económico, que alguns países possuem excesso de riqueza e outros a escassez de recursos, as pessoas acabam por se acostumar a conviver com essas diferenças; muitas vezes, deixam de perceber as consequências. Na formação dos filhos, também, podemos ver excessos ou escassez nos relacionamentos. Por isso, precisamos de nos perguntar como anda o equilíbrio da afectividade nas famílias, sejam elas carentes ou não, e que consequências têm sido colhidas na vida adulta.

É claro que, como mantedores das necessidades emocionais e físicas dos filhos, as acções dos pais impactam fortemente na constituição da psique dos filhos. No entanto, a falta de tempo e o excesso de culpa têm permeado muitas relações e trazido muitos sofrimentos. Por isso, é momento de estar mais presente e não assumir a responsabilidade das decisões que são tomadas pelos filhos e que não pertencem aos pais.

Equilíbrio na dose de afecto

As mães, no papel maternal, geralmente propiciam vínculos afectivos e amor incondicional pelos seus filhos, e mesmo não concordando com atitudes deles, não os abandona, nem se rendem ao impossível. Entretanto, a escassez de tempo, a necessidade de vencer no mundo profissional e a opção de deixar outra pessoa em seu lugar, pode levá-las a um vazio. Ao contrário, uma mãe que não trabalha, não tem projetos, pode passar um tempo em excesso com as crianças, levando-as [as mães] a considerar a maternidade um peso. Depois, por serem responsáveis pela felicidade da mãe, muitos filhos adultos apresentam uma conta afectiva alta, que os impede de seguir a vida. O equilíbrio na dose de afecto maternal vai definir quem os filhos serão emocionalmente.

Outro ponto importante é o relacionamento do casal, pois, é a mãe quem abre espaço para a relação entre pai e filho. Muitas vezes, as esposas competem pelo amor do filho, atrapalhando a criação de vínculos que vão organizar a afectividade deles com os pais. É importante que, o casal invista na vida a dois e, também, no convívio com os filhos. São amores diferentes, que, bem equilibrados, se completam. Filhos são importantes, entretanto, não são a única prioridade do casal.

Os pais, no papel masculino, contribuem com o cumprimento da lei, fazem o corte entre mãe e filho, permitindo que esse se enxergue como indivíduo. Quando chega o tempo de o filho buscar novos horizontes, faz o convite para sair do ninho em busca da liberdade, a qual traz responsabilidades e direitos. As escolhas fazem parte do processo de amadurecimento. Alguns pais, excedem nas leis e, gastam pouco tempo na convivência que ajudaria nessa aprendizagem, ou, por insegurança, dificultam a saída de casa, criando filhos dependentes e frágeis.

Independentemente da maneira, é preciso demonstrar afecto

É lógico que, as crianças não restringem as relações apenas aos pais. À medida que crescem, expandem o convívio social, mas, na primeira infância, as referências que marcam a existência das pessoas, provêm do ambiente familiar. A demonstração de afecto varia de pessoa para pessoa, sendo pais ou filhos. Alguns capricham no carinho, outros investem na educação ou têm um senso prático de solucionar problemas, não importa a forma, mas a criança precisa de se sentir amada e valorizada para poder amar e valorizar o outro.

Isto leva-nos a uma reflexão: o relacionamento com os filhos tem sido permeado pela escassez ou abundância? Ou, então, encontrou o equilíbrio que, possivelmente, formará adultos mais saudáveis e comprometidos com o equilíbrio do mundo.

 
Como lidar com a pressão social por estar solteiro Imprimir e-mail

 

Como lidar com a pressão social por estar solteiro 

 

Por que sofro por estar solteiro?

 

Por que é que algumas pessoas sofrem mais que outras por estar solteiras? A angústia do estado de solteiro, principalmente entre as mulheres, tem aumentado cada vez mais, sobretudo para as pessoas que estão entre os 30 anos. A potencialização deste sofrimento, depois dos 30, acontece pelo facto de a pessoa se sentir frustrada nos seus projetos.

É natural e faz parte do desenvolvimento humano este projetar, planear e sonhar. No entanto, quando a pessoa chega a esta fase da vida adulta média, que contempla entre 30 a 40 anos, pode ver-se de uma forma mais definitiva o curso da sua vida. Percebe-se já não estar no início da vida nem no fim, mas que o processo de estabilidade foi iniciado. Quando uma das dimensões da vida, neste caso a afetiva, tem uma lacuna, uma ausência, pode gerar um sofrimento maior. Tudo isto já acontece de forma natural.

Pressão social

Junto a isto, existe uma pressão imposta pela sociedade, especialmente por aqueles que estão próximos. A família começa a dizer piadinhas, os amigos começam a namorar e, por vezes, casam-se. Todos, então, perguntam: “Tu não namoras?”, “Ah! Mas és muito exigente! Desse jeito, não vais namorar ninguém!” Ou até mesmo: “Coitada (o)! Está até hoje sozinha(o)?” E aí, aqueles que sofrem por estar solteiros têm vontade de abrir um buraco e entrar nele.

Para saber lidar bem com esta pressão que a sociedade impõe, é preciso, antes, compreender por que sofre, entender por que, quando ouve determinadas coisas, isto lhe causa tanto desconforto, pois sofrer pelo estado de vida em que se encontra não é algo geral. Há jovens, adultos e idosos solteiros que são felizes por estarem solteiros. A questão é individual, parte da experiência e vivência de cada um.

Conhecer-se é essencial

A nossa mente funciona como um grande arquivo, o qual, a todo momento, é acessado a partir de palavras que escutamos, situações que vivemos ou aquilo que vemos. Todas estas experiências funcionam como gatilhos, que trazem à tona um arquivo já escondido. Então, quando temos um arquivo na dimensão afetiva, que nos faz acreditar que somos ruins, que nunca vamos encontrar alguém, que vamos morrer solteiros, que ninguém nos ama, que sou indesejável, imperfeito, que vamos ficar sozinhos para sempre, a sociedade pressiona-nos a dar uma resposta. Isto dispara o gatilho em direção a algo que gera sofrimento, por não acreditarmos que, um dia, conseguiremos encontrar alguém para ser nosso companheiro.

Aciono, então, todo o tipo de emoção desconfortável que possa ser vivida, como a ansiedade, a tristeza, angústia, desesperança, medo, solidão e desespero. Sentimentos que podem ter o poder de paralisar a vida de uma pessoa, pois ela começa a acreditar que ficará solteira para sempre! Pois como são consequência de um pensamento ruim, aumentam esse pensamento, dando peso a essa emoção. O primeiro ponto é: Por que sofro por estar solteiro? Que verdade existe dentro da minha cabeça sobre este assunto que me assusta tanto?

Quando sabes o que te causa sofrimento, é mais fácil enfrentar a pressão da sociedade, pois o sofrimento está em acreditar que, um dia, não darás essa resposta à sociedade, a qual, no fundo, querias dar. O solteiro está solteiro e não é solteiro; ele é uma pessoa antes de definir o seu estado de vida, seja solteiro, casado ou celibatário. Encontre-se com a sua verdade, assuma-a e o sofrimento diminuirá!

 
Já não amo o meu cônjuge. E agora? Imprimir e-mail

 

Já não amo o meu cônjuge. E agora? 

 

Não há nenhum sentimento positivo entre mim e o meu cônjuge

 

Parece que foi ontem o dia do casamento, mas os anos passaram e não existe mais nenhum sentimento positivo. Olho para o meu cônjuge e não sinto nada, apenas um desejo de ficar longe dele. “Não o admiro, ele é cheio de defeitos! Não sinto nem mesmo atracção. Chego a não querer ter relações sexuais, não quero ficar próximo. Acho que não o amo mais!”

Estas expressões são bastante comuns na clínica e no dia a dia de quem atende ou escuta os casais. Entretanto, o que, na realidade, pode estar a acontecer? O que significa esta expressão comum dos casais: “eu não amo mais?” O que pode fazer com que as pessoas sintam este esfriamento emocional e esta distância do outro? Há saída?

Quando o casal vivencia conflitos e tensões no dia a dia, estas situações marcam-nos de alguma forma e, geralmente, de maneira negativa. A partir desses conflitos diários, identificamos duas produções: os conceitos negativos e a mágoa.

Conceitos negativos

Os conceitos negativos sobre o cônjuge são formados no dia a dia, diante das diversas situações como excesso de cobranças, volume e tom de voz, palavras duras e grosseiras, agressividades, silêncios, falta de colaboração, dificuldade de partilha financeira, entre outras dificuldades do relacionamento a dois. Tais situações provavelmente constroem uma visão negativa sobre o outro, não permitem ver mais os atributos e características positivas que, um dia, os fizeram amar-se e admirarem um ao outro. Então, por meio destas vivências desajustadas, podemos perceber que entra em cena um sentimento muito pouco reconhecido, normalmente escondido por nós mesmos: a mágoa.

A mágoa é um sentimento que nos afecta, quando interpretamos que alguém nos ofendeu, agrediu, foi injusto ou diminuiu o nosso valor, provocando como consequência o afastamento progressivo dessa pessoa. Portanto, o que nos leva a uma sensação de falta de amor é, na verdade, a mudança de conceitos que aos poucos vamos introduzindo em nós diante dos conflitos diários e a mágoa que surge a partir das vivências negativas advindas dos conflitos e tensões que o casal vive.

Temos identificado que existem “estágios” da mágoa. Existe um estágio inicial no qual a pessoa apresenta um sentimento negativo, mas ainda há admiração pelo cônjuge. Posteriormente, a pessoa vivencia um período no qual a mágoa o leva a sentimentos mais intensos de ira e a necessidade de um distanciamento cada vez maior, logo a seguir o último estágio, no qual a pessoa não vê mais nada de positivo no cônjuge, ela o vê como mau, como alguém impossível de conviver e, mais ainda, inicia-se um processo de desejar o mal, falar mal dessa pessoa e até a vingança.

Que saída?

É preciso buscar o remédio para a mágoa, que se chama perdão. Ele é um acto de amor e misericórdia. Segundo Griffa e Moreno, no livro “As chaves para a psicologia do desenvolvimento”, os estágios do desenvolvimento da noção do perdão são as últimas aquisições no desenvolvimento da personalidade. O perdão, como máxima expressão do amor, é indicador do auge do desenvolvimento moral. O perdão é uma atitude madura da personalidade e deve ser vivido diariamente. É justamente esta atitude que fará com que se diminuam os sentimentos negativos, as atitudes de distanciamento e, ao mesmo tempo, poderá diminuir ainda tantos conceitos ruins que criamos a partir das nossas vivências no relacionamento a dois.

 
Como preparar o filho para lidar com a frustração Imprimir e-mail

 

Como preparar o filho para lidar com a frustração 

 

A “escola da vida” é uma excelente academia para treinar e lidar com a frustração

 

Num mundo de opções tão variadas é possível preparar, os filhos, para conviver com esta diversidade? É possível dizer “não” àquilo que não é bom para eles, e ensiná-los a conviver com as frustrações?  Para responder a estas perguntas precisamos, primeiro, de entender o que é frustração. É um estado que vivenciamos quando algo nos impede de realizar o nosso objecto de prazer. Na vida, sabemos que existem várias barreiras limitadoras – sociais, psicológicas, físicas ou espirituais – e, é bom que assim seja, pois elas impedem-nos de termos comportamentos nocivos para nós e para os outros. Mas a forma de lidar com isto gera satisfação ou insatisfação.

Durante toda a nossa vida, vivemos realidades permeadas de expectativas não atendidas, tais como a falta de pessoas e de sentimentos, que, gostaríamos que elas as tivessem ou não para connosco. Estes sentimentos podem despertar em nós emoções de raiva ou tristeza, que acabam por se transformar em ira ou depressão, levando os nossos filhos a pequenos ou grandes sofrimentos.

A frustração pode atacar principalmente a autoestima dos nossos filhos e levá-los a fazerem escolhas erradas, tais como drogas ou relacionamentos complicados.

Como fazer para que as crianças aprendam a conviver e a trabalhar estas frustrações inevitáveis? Este é um grande dilema vivenciado diariamente por muitos pais.

A escola da vida é uma excelente academia para treinarmos desde pequenos e, colocarmos limites nos possibilita criar condicionamentos mentais, que nos vão propiciando amadurecimento e condições para lidarmos com frustrações maiores. Poder trabalhar, preventivamente, é um ponto importante para quem tem filhos pequenos.

Neste ponto, temos vivido uma realidade preocupante. Como a vida profissional dos pais exige que, estes fiquem muito tempo fora, eles acabam por atendendo os desejos dos filhos (não deveriam) para acalmar o sentimento de culpa que sentem por causa da ausência.

Superar a frustração

A grande maioria dos pais, quando perguntados sobre o que mais querem para os filhos, provavelmente responderão: que sejam felizes. Para isso, esforçam-se por oferecer às crianças as melhores condições, mas, muitas vezes, perdem a oportunidade de ensinar a simplicidade da felicidade. Temos de entender que, dentro de cada um de nós, existe uma pessoa fraca e uma, forte. A pergunta que temos de nos fazer é: qual estamos a alimentar mais nos nossos filhos? Ensiná-los a lidar com as emoções e os sentimentos faz parte do nosso papel de educador, a fim de que possam superar as frustrações que enfrentarão por toda a vida.

Devemos começar por criar condições principalmente no desenvolvimento do quociente intelectual, mas esquecemo-nos do quociente emocional e espiritual, que é a nossa capacidade de lidar com as emoções, diante dos desafios diários da vida. A capacidade de transcender, abrir mãos de necessidades atendidas no presente para uma vida futura melhor.

Educação de filhos

O nosso papel é trabalhar as competências dos nossos filhos, os seus conhecimentos, as suas habilidades e, principalmente, as suas atitudes aos valores e às crenças que inculcamos neles a partir da forma como vemos o mundo. A escola pode ser parceira, mas os pais não podem terceirizar uma função que é inerente à sua vocação. E a vocação dos pais católicos é serem os primeiros educadores e catequistas de seus filhos.

O que podemos, então, fazer como pais para ajudar os filhos desde pequenos? Primeiro, buscar o autoconhecimento, pois quem se conhece tem mais possibilidade de se aceitar com foco na construção da autoconfiança. Pessoas que, reconhecem as suas qualidades e defeitos, têm mais facilidade para trabalhar comportamentos inadequados, sem se sentir uma pessoa inadequada. Isto permite que, ela tenha coragem de mudar quando for preciso, e aceitar o que ela não pode mudar.

Caminho para ajudar a lidar com a frustração

Trabalhar a paciência para que, eles aprendam a esperar, fazendo com que a frustração seja menos dolorida. O diálogo é fundamental para a criança aprender a partilhar os seus sentimentos, que, quando falados, podem ser melhor trabalhados. Aprender a ser persistente, pois, pouca coisa nós conseguimos sem que tenhamos de batalhar por elas. A vida não é o que a televisão vende, mas algo conquistado passo a passo. Como diz São Paulo, precisamos de combater o bom combate. Ter a capacidade de mudar de estado, de acordo com algumas situações, controlar impulsos e aceitar as adversidades e as alegrias como parte da vida, porque o mundo não se restringe ao nosso umbigo, mas a uma coletividade.

Porém, nada disso é possível sem que os pais se lembrem de que, o comportamento dos filhos é modelado pelos seus exemplos, portanto, precisam de ser os primeiros a reconhecer os seus próprios sentimentos e lidar com as suas frustrações diante da realidade da vida.

Lembrem-se: os nossos filhos são como folhas em branco, nas quais podemos escrever nossas frustrações; os nossos medos ou contribuir para aprender a lidar com as decepções e superá-las, assim como numa academia, temos de começar com exercícios leves até chegar aos mais exigentes, ou seja, ajudá-los a serem adultos maduros e felizes.

 
Como lidar com a saudade de um filho que está longe Imprimir e-mail

 

Como lidar com a saudade dos filhos que estão longe 

 

Aprenda a lidar com a saudade que sente dos filhos

 

Saudade, sentimento tão falado e cantado em prosa e verso, que vai nascendo devagarinho no coração daqueles que amam.

Sinto saudade de muitas coisas, situações e pessoas. Hoje, no entanto, vou contar-lhes a minha vivência em relação à saudade de uma filha que saiu de casa para estudar.

Neste momento, passam-se flashs de situações que vivemos juntas: a gravidez tranquila, o nascimento, dor que explode em alegria, a ansiedade da mãe desajeitada dos primeiros meses, os primeiros passos, as crises de bronquite, o primeiro dia na maternidade, o nascimento da irmã, as mudanças de casa e de cidade, as brigas com a irmã, o seu carinho com os pais e avós, a primeira menstruação, as festas com os amigos, o primeiro namorado, a orientação vocacional, a espera do resultado, o “enfim passei”, a arrumação das coisas, o dia da partida.

Deixar ir faz parte da vida

Como bons pais, fomos levá-la e deixámos milhares de recomendações. Já ao entrar no carro, para voltar para casa, olhei para trás e… onde está ela? Pensei: tudo bem, é só por um tempo. A viagem foi calada, só interrompida rezar para Deus não nos desamparar neste momento, para a proteger, e todas aquelas orações que os pais que amam sabem fazer.

Cheguei a casa e o mesmo ritmo de vida continuou, isto é, uma correria. Mas, em alguns momentos, passando pelo seu quarto, vendo uma peça de roupa sua, a falta na mesa para o almoço, encontrando-me com as suas colegas, a lembrança vinha tão forte, que parecia como um soco no estômago. Eu pensava: “Como estará ela? Será que comeu? Terá dormido bem? Não estará doente? E a rinite alérgica? Estará a gostar do curso, da casa, das colegas?”

Preocupação é diferente de saudade

Nas conversas pelo telefone, tudo era respondido, mas, dentro de mim, ficava uma tristeza tão grande depois que desligava o telefone; então, compreendi que era saudade, e que precisava de diferenciá-la das preocupações. A preocupação sempre existiu e sempre vai existir, e só é aliviada quando se tem confiança em Deus. A saudade, no entanto, deixa um buraco no coração; é como se algo faltasse e nada nem ninguém diferente dessa pessoa pudesse preencher. O lugar dela está ali e é só ela quem cabe naquele espaço.

Compreender isto, ajudou a lidar com a saudade, pois entendi que quem ama sofre muito mais de saudade, mas o amor que sente é maior que tudo, maior que a dor da separação e até maior que a morte. Então, se sofro por amor, este próprio amor preenche o espaço deixado pela falta.

Muitas vezes, eu questiono-me: “Porque deixei que ela fosse?”; então, penso que esta era a decisão certa, pois eu não poderia prender aquela que criei para ser livre, para realizar a missão a ela destinada, para ser aquilo que deve ser.

Os anos passaram, e hoje faço um balanço: sou mais mãe, ela é mais filha, estamos mais maduras, aprendemos uma com a outra e Deus está a realizar uma oração que faço todos os dias pelas minhas filhas: Senhor, Deus todo poderoso, que elas sejam felizes!

 
Como elogiar o seu filho de modo correcto Imprimir e-mail

 

Como elogiar o seu filho de modo correcto 

 

Elogiar a inteligência ou o esforço de uma criança?

 

O segredo da maioria das coisas é a forma como elas são administradas. A falta ou o excesso de elogios pode ser prejudicial em muitas situações.

 

Elogiar a inteligência ou o esforço de uma criança? Esta é uma questão que certamente gera dúvida.

Quando elogiamos a inteligência de um filho, não damos margem, por exemplo, a um erro ou a uma nota baixa. Quando elogiamos o seu esforço, damos estímulo para que ele se possa esforçar outras vezes.

Elogios excessivos acabam por ser vazios e não ajudam no desenvolvimento saudável dos filhos, porque acabamos por colaborar para um estilo quase infalível e muito vaidoso de uma criança. O elogio excessivo pode, até mesmo, colaborar para que uma criança não aceite uma correcção quando necessário. Ou seja, quando estiver errada, certamente terá dificuldade de ser orientada nas suas atitudes.

Quando uma criança é elogiada demais, sente-se muito melhor que os outros e pode, em muitos casos, crescer na sua presunção e arrogância.

Preferencialmente, os elogios devem estar assentes em factos, em comportamentos ou atitudes. O elogio do tipo “como tu és lindo, meu filho!”, ou “que maravilha de menina!” estão assentes nas impressões de um adulto, mas não colaboram especialmente em alguma atitude diferenciada na criança.

Que elogios, então, podem ajudar uma criança a ter uma atitude saudável? Por exemplo: “Filho, que bom teres ajudado o teu colega de escola!”, “Parabéns pelo teu esforço no estudo e pelas notas que tiraste!”, “É muito normal teres partilhado os teus brinquedos com o teu amigo. Dividir é muito importante!”, “Que bom porque me ajudaste, gosto muito quando fazes assim!”

Estes elogios são baseados em coisas reais, em coisas que o seu filho realmente fez e não em impressões vazias, que contribuem para que ele possa repetir os comportamentos positivos.

Tudo o que é excesso não faz bem

Fazer uma criança amada não é estar sempre a dizer-lhe: “eu  amo-te”, “como tu és lindo” ou coisas deste tipo.

A medida é importante, já o excesso não faz bem. Quando uma criança passa a frequentar outros ambientes como escola, igreja ou natação, nem sempre será elogiada na mesma quantidade que os pais fazem, e isto pode gerar nela grande decepção e frustração, inclusive na fase adulta, quando tiver de lidar com a falta de elogios e recompensas no trabalho, o que pode ser altamente desmotivador e frustrante para ela.

Procure dar atenção não apenas às qualidades, mas às atitudes da criança, pois são perceptíveis e envolvem a acção e o empenho dela em algo. Também o cuidado de não desejar que ela seja o que não fomos, é importante. Muitas vezes, o elogio é dado no sentido de que o seu filho sempre supere, sempre seja o melhor, sempre seja mais. Daí, novamente, a medida é importante e a intensidade também, para que o positivo seja um facto desmotivador para ele.

 
O Papa alerta para três perigos nas famílias Imprimir e-mail

 

O Papa alerta para três perigos nas famílias  

Três alertas que nos são apresentados na Amoris Laetitia, sobre os perigos nas famílias.

Individualismo

O individualismo exagerado desvirtua os laços familiares e acaba por considerar cada membro da família como uma ilha, fazendo prevalecer, em certos casos, a ideia de um sujeito que se constrói segundo os seus próprios desejos assumidos com carácter absoluto.

As tensões causadas por uma cultura individualista exagerada da posse e fruição geram, no seio das famílias, dinâmicas de impaciência e agressividade.

Independência

A liberdade de escolher permite projectar a própria vida e cultivar o melhor de si mesmo, mas, se não houver objectivos nobres e disciplina pessoal, degenera numa incapacidade de se dar generosamente.

Se estes riscos se transpõem para o modo de compreender a família, esta pode transformar-se num lugar de passagem, onde uma pessoa vai quando parecer conveniente para si mesma ou para reclamar direitos, enquanto os vínculos são deixados à precariedade volúvel dos desejos e das circunstâncias.

Amor provisório

Refiro-me à rapidez com que as pessoas passam duma relação afectiva para outra. Crêem que o amor, como acontece nas redes sociais, se possa conectar ou desconectar ao gosto do consumidor, inclusive bloquear rapidamente.

Penso também no medo que desperta a perspectiva de um compromisso permanente, na obsessão pelo tempo livre, nas relações que medem custos e benefícios e mantêm-se apenas se forem um meio para remediar a solidão, ter protecção ou receber algum serviço.

Faz impressão ver que as rupturas ocorrem, frequentemente, entre adultos já de meia-idade, que buscam uma espécie de «autonomia» e rejeitam o ideal de envelhecer juntos cuidando-se e apoiando-se.

Correndo o risco de simplificar, poderemos dizer que vivemos numa cultura que impele os jovens a não formarem uma família, porque nos privam de possibilidades para o futuro.

 
Como deve ser a espiritualidade da família Imprimir e-mail

 

Como deve ser a espiritualidade da família?  

A espiritualidade da família é formada por alegria, festa, sexualidade, descanso e sofrimentos

Muitos casais, acostumados a uma participação activa na comunidade e a um ritmo na vida de oração, sentem-se um pouco confusos, se estão a crescer na sua espiritualidade. É que o matrimónio, a chegada ou não dos filhos e tantos acontecimentos que influenciam na família, acabam por causar consequências no dia a dia. É aí que surgem dúvidas. Algumas pessoas acham que a família é empecilho para uma vida no Espírito.

Na verdade, é o contrário, a vida em família “é um percurso de que o Senhor Se serve para levá-la às alturas da união mística”, conforme ensina o Papa Francisco na Exortação Pós-sinodal Amoris Laetitia.

Espiritualidade feita de gestos concretos

 “A espiritualidade do amor familiar é feita de milhares de gestos reais e concretos. Deus tem a sua própria habitação na variedade de dons e encontros que fazem maturar a comunhão”, avisa o Papa. O dinamismo das relações favorece características fundamentais desta espiritualidade específica. A intimidade do amor conjugal dá glória a Deus.

“O Senhor habita na família real e concreta, com todos os seus sofrimentos, lutas, alegrias e propósitos diários. Quando se vive em família, é difícil fingir e mentir, não podemos mostrar uma máscara. Se o amor anima a autenticidade, o Senhor reina nela com a sua alegria e paz”, acrescenta. O Papa explica que a família vive a sua espiritualidade própria, sendo uma igreja doméstica e uma célula viva para transformar o mundo.

Vida no Espírito

Pessoas que “têm desejos espirituais profundos não devem sentir que a família os afasta do crescimento na vida do Espírito”. A graça divina é alcançada, pouco a pouco, por meio da vida matrimonial. Dificuldades e sofrimentos oferecidos por amor permitem-nos participar no mistério da cruz de Cristo. Momentos de alegria, descanso, festa, sexualidade são sentidos como uma participação na vida plena da sua Ressurreição.

Gestos quotidianos moldam a família em espaço teologal, possibilitando experimentar a presença mística do Senhor ressuscitado. A espiritualidade matrimonial advém do vínculo habitado pelo amor divino. Dedicação que une humano e divino, porque está cheia do amor de Deus.

Oração em família

Meio privilegiado para expressar e reforçar a fé pascal é a oração em família. O Papa Francisco indica “alguns minutos, cada dia, para estar unido na presença do Senhor vivo”. Nesses momentos, é possível dizer a Deus o que nos preocupa, rezar pelas necessidades familiares, orar por alguém necessitado, pedir ajuda para amar, agradecer pela vida e as coisas boas, suplicar a protecção de Nossa Senhora.

“Com palavras simples, o momento de oração pode fazer muito bem à família. As várias expressões da piedade popular são um tesouro de espiritualidade para muitas famílias. O caminho comunitário de oração atinge o seu ponto culminante ao participarem juntos na Eucaristia, sobretudo no contexto do descanso dominical. Jesus bate à porta da família para partilhar com ela a Ceia Eucarística”, diz Amoris Laetitia.

Amor por toda vida

“Quem não se decide a amar para sempre é difícil que possa amar deveras um só dia”, afirma o Papa Francisco. “É uma pertença do coração, lá onde só Deus vê. Cada manhã, quando se levanta, o cônjuge renova diante de Deus a decisão de fidelidade, suceda o que se suceder ao longo do dia”, completa o Santo Padre.

Família não é realidade perfeita

Na busca pelo crescimento, consola-nos a afirmação do Papa Francisco de que “nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar”. Esta consciência impede-nos de julgar os nossos vizinhos com dureza e permite-nos avaliar o percurso da nossa família “para deixar de pretender das relações interpessoais uma perfeição, uma pureza de intenções e uma coerência que só poderemos encontrar no Reino definitivo”.

Que queres que te faça?

Fica aqui um exercício especialmente para os casais. Imitando a atitude de Jesus, que se põe diante do cego Bartimeu com toda a disponibilidade: “Que queres que te faça?” (Mc 10, 51), põe-te diante do teu cônjuge e pergunta: “Que queres que te faça?” Quando uma pessoa se entrega gratuitamente, é consequência estar diante do outro e esquecer-se de tudo o que existe em redor. Por isso vais ver a ternura florescer, suscitarás em todos a alegria de te sentires amado.

 
Amor é laço e não nó Imprimir e-mail

Amor é laço e não nó

O teu relacionamento é "laço" ou é "nó"?

Nó em cima de nó fica emaranhado – e quem consegue desatar depois? Amor precisa de duas mãos para enlaçar, sem apertar – apenas envolver com cuidado e confiança deixando o outro à vontade, livre e abraçado num sentimento leve, sem se sentir sufocado.

É mais favorável um relacionamento laço, baseado na parceira, envolvimento, confiança e liberdade do que aqueles “enozados”, nos quais não há individualidade, mas uma confusão mental e sentimental sem início e fim.

Liberdade é uma palavra que deve estar presente, ainda mais num relacionamento. Não confundir relação com prisão e viver a vida do outro, pois é valioso manter o teu ir e vir, as tuas companhias, a tua vida em paralelo com a do parceiro. Ninguém pertence a ninguém. Casal é soma, não subtração.

Uma jovem dizendo que não namora porque ama a sua liberdade. Ora, se relacionamento é usurpar a liberdade, então fiquemos solteiros para sempre! Ninguém quer perder os seus movimentos porque prefere alguém na vida.

Respeitar o espaço do outro, deixar este humano ser, e ter isso em troca é o segredo da unidade dos casais. Parece até um paradoxo, mas é assim mesmo que funciona. Do contrário, torna-se uma relação de posse, dependência, cárcere e de um jogo emocional que anda na contramão do amor.

Não há necessidade de privar o parceiro das suas atividades, dos seus hobbies e paixões. Casal que se ama e vive bem, se apoia, incentiva e não limita. É triste ver os casais que só saem juntos, não fazem nada separados, que vivem de obrigações e permissões. Isto não é parceria, é medo, é dependência emocional. É preciso bom senso e tolerância.

Dos amores laço que devem viver os relacionamentos. Se apertar muito, torna-se nó! Conhecer o tamanho da linha, aprender a desatar nós, quando necessário e como enlaçar faz toda a diferença.

Sempre que escolhemos estar com alguém, esta vontade parte de uma livre escolha, portanto, é deste princípio que a relação deve ser guiada, dentro do respeito e cumplicidade. Relação é união e não fusão, e além disso não há necessidade de se acorrentar almas.

A individualidade é o nosso bem precioso, perder isto é abrir mão de quem somos. Desta forma não há encontro, não há reconhecimento do ser. Perde-se a espontaneidade, as paixões e no fim, ficam dois estranhos numa relação, estranhando-se um ao outro. Respeitar o outro ser humano é fundamental.

Isto significa amor incondicional. Amar um ser livre, sem posse, sem dependência; pessoas que estão juntas pelos laços que as unem. Quanto mais liberdade na relação, mais presos a ela ficamos, por livre e espontânea vontade.

 
Banindo o mal do casamento Imprimir e-mail

Banindo o mal do casamento

O homem que constrói a sua casa sobre a areia está condenado a vê-la desmoronar com a chegada da ventania e da tempestade. Infelizmente, os nossos lares deixaram de ser construídos na rocha: não são construídos em Deus.
O Senhor chama-nos a deixar a mentalidade que o mundo nos tem transmitido, para sermos reconstrutores desta arca da salvação, que é a família, em bases sólidas. Não mais construídas na areia, no egoísmo, mas reconstruídas no amor, em Deus. Isso significa doação, entrega, dor...
Não há acto de amor mais lindo do que gerar, mesmo quando isso nos faz sofrer.
O amor é doloroso como um parto!
O Senhor convida-nos a ser construtores da nossa casa e, Ele próprio nos mostra os meios: a Palavra de Deus, a oração, os Mandamentos divinos, o sofrimento acolhido com amor, uma casa construída sobre a rocha.
Deus quer salvar-te e toda a sua família.
Tu és o Noé que Deus escolheu para reconstruir a arca, que é a sua casa.

Experiência pastoral na Itália de separados fiéis ao matrimónio
«Quase uma vocação dentro da vocação matrimonial»

 Reconstrução da pessoa que vive de forma aguda o sofrimento do repúdio, o perdão do cônjuge e a renovação do “sim” matrimonial a Deus». Estas são as etapas do caminho espiritual que um grupo de pessoas separadas que permanecem fiéis ao vínculo matrimonial percorre na arquidiocese italiana de Palermo.
A Comissão diocesana para a pastoral da família encarrega-se de dar acompanhamento a estes fiéis separados  -que não iniciaram outra convivência - que buscam um caminho espiritual que tenha em conta a fidelidade à indissolubilidade matrimonial e ao sacramento que um dia receberam.
Trata-se do grupo Santa Maria de Caná, coordenado por Maria Pia Campanella, que na citada Comissão diocesana organizou no domingo passado uma jornada de reflexão e de oração - da qual se fez eco o jornal «Avvenire» - que finalizou com a Eucaristia e a «renovação do sim».
«Ainda que o casal viva separado, a indissolubilidade dá ao cônjuge fiel a graça necessária para continuar cumprindo a missão do matrimónio: a santificação do cônjuge e a própria».
Foi um caminho desejado por Maria Pia Campanella, que nos últimos anos viajou pela Itália e em algumas ocasiões fora do país, para conhecer o que a Igreja propõe aos separados que não têm intenção de iniciar outro vínculo de casal.
«Estou casada desde 1968 e vivo separada desde 1990 - conta a senhora Companella, de 62 anos, docente aposentada com três filhos adultos -. Apesar da grande dor, entendi imediatamente que não tentaria “refazer minha vida”, como se diz. Contudo, buscava o sentido de meu sofrimento».

«O que verdadeiramente me sustentou foi a frequência quotidiana na Eucaristia, a Palavra de Deus lida a cada dia e a oração pessoal que elevava a Deus desde meu coração ferido. A isto acrescentava a leitura dos documentos da Igreja sobre o matrimónio, tentando compreender que sentido tinha a indissolubilidade na separação conjugal».
Buscando um itinerário específico, a senhora Campanella percebeu que quase nunca os grupos de pastoral para os separados se orientavam a quem não se tivesse voltado a casar, quase nunca oferecem meditações sobre o sacramento do matrimónio.
«Fala-se do tema sempre com incómodo», observa. Daí a eleição, guiada pelo bispo auxiliar de Palermo, Dom Salvatore Di Cristina, de pôr em andamento um grupo de cônjuges fiéis ao sacramento do matrimónio.
«O grupo não reúne só para orar, mas tenta valorizar o matrimónio-sacramento e aprofundar no sentido da indissolubilidade na situação de separação conjugal».

«As etapas do caminho são a reconstrução da pessoa que vive de forma aguda o sofrimento do repúdio, o perdão do cônjuge e a renovação do “sim” matrimonial a Deus. A ferida existe, mas é importante que não se converta em praga ou em gangrena», explica.
«Há que ajudar estas pessoas a introduzi-las na vida comunitária. É interessante este caminho de espiritualidade, para que quem forma parte dele possa apoiar-se mutuamente no consolo. É uma comunhão de esperança, quase uma vocação dentro da vocação matrimonial. É a demonstração de que o sacramento do matrimónio é duradouro, porque reflecte a fidelidade de Deus, que não se arrepende nunca do amor que dá».

 
Família: Oásis de amor Imprimir e-mail

Família: Oásis de amor

 

Todos nós precisamos do amor puro uns dos outros. Precisamos do amor dos nossos Pais...e como é importante a presença, o carinho, a segurança e a firmeza do pai e da mãe... tudo isso é amor. Amor próprio dos pais, necessário, imprescindível na nossa formação. Essencial para o nosso crescimento, nosso equilíbrio afectivo, nossa maturidade.
A família é o nosso hábitat. A família é o ambiente natural, criado por Deus, para aprendermos a dar e receber amor. É aí que se aprende a amar! É aí que se aprende a receber amor.

Nós precisamos de aprender a receber amor. E é no ambiente caloroso de um lar, no aconchego de uma família, por mais simples e pobre que seja, que aprendemos a ser amados. Deixe-se amar. Deixe-se ser atingido por gestos de amor, de bondade, de carinho, de compreensão, de perdão...

É na família que nos conhecemos, nos descobrimos, nos aproximamos...nos corrigimos, nos desentendemos e nos perdoamos... Na família nem tudo é cem por cento...mas nela nos amamos, nos perdoamos, nos reconciliamos. E aí está o essencial: a família é um oásis de amor!

 
Viver em Família Imprimir e-mail

Viver em Família 

 

Coerência de vida, caminho de santidade. Reflexão para o Tempo do Natal

José pousou no banco de carpinteiro o tampo da mesa que estavam a construir e aproveitou a pequena pausa para esticar um pouco os braços e costas doridas. Do outro lado, Jesus encaixava uma das pernas com a facilidade que dá a experiência. José olhou para o filho com um íntimo orgulho. Jesus, aos seus dezasseis anos era já um hábil carpinteiro. O trabalho de entalhe era o preferido dele: unia duas peças de madeira com tal mestria que era difícil descobrir a união sem uma observação muito atenta.

Um pouco mais atrás, o sobrinho mais velho Tiago, com um ar muito compenetrado, trazia as ferramentas que estavam a ser precisas e arrumava as que não estavam. No dia seguinte faria doze anos, o que era uma data importante, e tinha de ser festejada como convinha.

Com o falecimento súbito de Cléofas, o irmão de José, aparecera em Nazaré a viúva dele, também chamada Maria, – "a-outra-Maria" começaram-na a chamar por brincadeira, e tinha ficado como alcunha – e veio com uma escadinha de seis filhos. Não tendo mais família próxima, foi procurar ajuda a casa de José, que conseguiu fazer um anexo à pequenina casa, que ocupava com Maria e Jesus, para poder acomodar a cunhada e os sobrinhos. O trabalho de carpinteiro que dava sem problemas para três passou a ter de manter dez bocas.

Ao outro lado do pátio onde José tinha a oficina, podia-se ouvir a animada conversa mantida entre a sua esposa Maria e a outra Maria, que parecia nunca esgotar o tema de conversa. Tinha chegado de fazer umas compras havia uns momentos e devia trazer notícias frescas da praça. Jesus, sem deixar o trabalho, fazia esforços para conter o riso ao ouvir as frustradas tentativas da sua mãe para intervir na conversa.

A irmãzinha de Tiago saiu de casa com um cesto quase tão grande como ela com roupa para estender. Tiago acabou de pousar as ferramentas no lugar devido e correu a ajudá-la.

As sombras alongavam-se e só faltava ajustar a última perna da mesa. José aplicou a cola, encaixou a perna com cuidado e bateu suavem/ com o martelo na extremidade. Assim estava terminada a encomenda de mobília feita por um casal que se acabava de instalar em Nazaré. Em breve teriam um filho – e viriam encomendar o berço, pensou José, com espírito prático. Como Jesus não tivera berço quando nasceu, José dava sempre prioridade a esse trabalho.

Maria, a mãe de Jesus, saiu de casa com outro cesto de roupa. Aproximou-se da oficina e disse: - Temos a comida quase pronta; ide acabando o que estais a fazer.

O aroma que vinha da cozinha confirmava isso e fazia lembrar aos dois carpinteiros que levavam umas boas horas de trabalho desde a última refeição consistente.

- Temos uma porta a roçar no chão, era preciso dar um jeito – acrescentou Maria.

- Deve ser uma dobradiça que cedeu – respondeu Jesus; olhou de relanço para a cara fatigada do pai – Eu vou já ver isso, immi.

Deu um último retoque à perna da mesa. Levantou os olhos para José e disse

- Vamos pôr a mesa de pé, abbá?

Podia acrescentar, "então acordei".

Este episódio poderia ter acontecido na casa de Nazaré onde vivia a Sagrada Família. Não é nenhuma verdade de fé, nem sequer tem preocupação de rigor histórico, mas é um exercício de imaginação na sua aplicação mais nobre, que é ver o rosto humano de Cristo.

O facto é que Deus escolheu, para entrar na nossa história, o meio familiar. Durante trinta anos – em noventa por cento da sua vida - Ele viveu no seio de uma família como qualquer outra, «Não é Ele o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Suas irmãs não estão todas entre nós?» (Mt 13, 55-56) diziam estranhados os conterrâneos de Jesus. É o sinal claro da simplicidade da sua vida durante aquele tempo todo. Ninguém mais do que Maria e José sabiam que estavam a brincar, falar ou trabalhar com o Filho eterno de Deus, o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Vejamos como é sagrada a família que o próprio Deus é uma família, e o Amor dentro dessa família é tal que é, Ele próprio uma Pessoa divina, o Espírito Santo.

«Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.» (Mt, 5, 48) O ser humano não é um indivíduo – O Senhor Deus disse: «Não ê conveniente que o homem esteja só...» (Gen 2, 18) - mas uma família (como Deus). A sociedade moderna prefere tratar com o indivíduo, solitário, indefeso e nu, fácil de dominar e manipular, e não com a envolvente familiar que o defende e lhe dá referências e valores para defender.

De facto a família é a fundamental referência humana, o verdadeiro valor, porque está fundada na única realidade absoluta que é o Amor: Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele (1 Jo4,16).

Mas a família é uma coisa concreta: a minha família, uma minúscula sociedade – a célula originária da sociedade humana (Compêndio do CIC, 457) – e como tal, marido e mulher, filhos, e outros parentes que, a constituam têm de "trabalhar para o bem comum", que é a essência de uma sociedade saudável. Esse bem comum começa pela própria manutenção da família, ultrapassando as pequenas diferenças e atritos, inevitáveis no convívio prolongado. Isso começa por esquecer 1 pouco o n/ "eu", tão pesado às vezes, e procurar fazer felizes os outros.

Como tudo na vida cristã, exige esforço. Os filhos não são adjudicados à escola que faça deles o que quer que seja, mas a educação é uma responsabilidade grave dos pais, e a educação não é saber o teorema de Tales ou ler os Lusíadas... antes fosse, seria muito mais fácil.

A educação religiosa não é um trabalho de três quartos de hora semanais na Catequese, são os seis dias e vinte e três horas e um quarto durante os quais o filho tem os pais por referência: «Melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem ao mar, do que escandalizar um só destes pequeninos» (Lc 17, 2). Mesmo nas borrascas da adolescência, os pais são o porto de abrigo, se se empenharem um pouco. Não queiramos ouvir naquele dia: «Porque foste preguiçoso, porque foste comodista, porque não tiveste tempo, porque foste cobarde... pedi-te conselho e tu não me aconselhaste, pedi-te exemplo e tu não mo deste, pedi, mesmo, que me ralhasses com razão… e tu não o fizeste!».

Coerência de vida:

Somos cristãos vinte e quatro horas por dia. Somos cristãos na empresa onde uma empregada fica grávida – vou despedi-la? (o problema é dela...).

Somos cristãos na vida política onde querem aprovar uma lei do aborto ou do "casamento" homossexual – vou deixar aprovar sem reagir? (não è nada comigo...).

Sou cristão no meu ambiente social – vou abdicar de intervir nos conselhos de pais da escola? (isso é com os professores...).

Quando estas perguntas surjam, podemos recuar àquela casinha de Nazaré, e imaginar a vida diária que lá decorreria. A nossa oração neste tempo de Natal poderia consistir em pedir à nossa imaginação que nos levasse a dar uma volta com a Sagrada Família. Ir às compras com Maria, ajudar a José a terminar uma mobília, ir pedir a Maria para fazer uns bolinhos daqueles tão bons que ela sabe fazer para a festa de anos do meu filho, ir com Jesus tirar as medidas para as traves de uma casa e, por fim, jantar, num descanso merecido, com Jesus, Maria e José, contar-lhes as peripécias do meu dia, rir com eles das anedotas divertidas que sempre acontecem, dizer-lhes, também, os momentos menos divertidos, que também os há sempre, porque saberão dar-me umas palavras de consolação.

A seguir, abrirei os olhos e verei a minha família. Sem se deixarem notar, Jesus, Maria e José estão sentados à mesma mesa. Vou ser educado com eles.

Propósito______________________

Fazer todos os dias um pequeno serviço a cada um dos membros da minha família: por exemplo, arrumar as cadeiras ao levantar-me da mesa, ajudar a fazer os deveres ao meu irmão pequeno, ter um café quente, ou um refresco (conforme gostar) quando o marido chega do trabalho, «...quem vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.»... (Mc 33,41)

 

Oração

_____________João Paulo II - Ângelus de 28/12/1980.

Oh Deus, de quem procede toda a paternidade no céu e na terra,

Pai, que és Amor e Vida, faz que cada família humana sobre a terra se converta, por meio de teu Filho, Jesus Cristo, "nascido de Mulher"', e mediante o Espírito Santo, fonte de caridade divina, em verdadeiro santuário da vida e do amor para as gerações que sempre renovam.

Faz que a tua graça guie os pensamentos e as obras dos esposos para o bem das suas famílias e de todas as famílias do mundo.

Faz que as jovens gerações encontrem na família um forte apoio para a sua humanidade e o seu crescimento na verdade e no amor.

Faz que o amor reafirmado pela graça do sacramento do matrimónio, se revele mais forte que qualquer crise, pelas quais, às vezes, passam as nossas famílias.

Faz, finalmente, te pedimos por intercessão da Sagrada Família de Nazaré, que a Igreja em todas as nações da terra possa cumprir frutuosamente a sua missão na família e por meio da família. Tu, que és a Vida, a Verdade e o Amor, na unidade do Filho e do Espírito Santo. Ámen

 
O desafio de viver em família Imprimir e-mail

O desafio de viver em família


(Trecho da Carta de São João Paulo II às famílias -1994)

 

A família é realmente uma comunidade de pessoas, para quem o modo próprio de existirem e viverem juntas é a comunhão: comunhão de pessoas. Também aqui, sempre ressalvando a absoluta transcendência do Criador relativamente à criatura, emerge a referência exemplar ao «Nós» divino. Somente as pessoas são capazes de viver «em comunhão». A família tem início na comunhão conjugal, que o Concílio Vaticano II classifica como «aliança», na qual o homem e a mulher «mutuamente se dão e recebem um ao outro» .


Na família assim constituída, manifesta-se uma nova unidade, na qual encontra pleno cumprimento a relação «de comunhão» dos pais. A experiência ensina que esse cumprimento representa, no entanto, uma tarefa e um desafio. A tarefa empenha os cônjuges, na actuação da sua aliança originária.


Os filhos, por eles gerados, deveriam —
está aqui o desafio — consolidar tal aliança, enriquecendo e arraigando a comunhão conjugal do pai e da mãe. Quando tal não sucede, há que perguntar-se se o egoísmo, que, por causa da inclinação humana para o mal, se esconde inclusive no amor do homem e da mulher, não seja mais forte do que este amor

 

É preciso que os esposos estejam bem cientes disto.

 

É necessário que, desde o princípio, eles tenham os corações e os pensamentos voltados para aquele Deus, «do Qual toda a paternidade toma o nome», a fim de que a sua paternidade e maternidade tirem daquela fonte a força de se renovarem continuamente no amor.
Paternidade e maternidade representam em si mesmas uma particular confirmação do amor, cuja extensão e profundidade original permitem descobrir. Isto, porém, não acontece automaticamente. É, antes, um dever confiado a ambos: ao marido e à esposa. Nas suas vidas, a paternidade e a maternidade constituem uma «novidade» e uma riqueza tão sublime que apenas «de joelhos» é possível abeirar-se delas.


A experiência ensina que o amor humano, por sua natureza orientado para a paternidade e a maternidade, é às vezes afectado por uma profunda crise, que o deixa seriamente ameaçado. Há que tomar em consideração, nesses casos, o recurso aos serviços oferecidos pelos consultórios matrimoniais e familiares, mediante os quais é possível valer-se, entre outras coisas, da ajuda de psicólogos e psicoterapeutas especificamente preparados.

Não se pode esquecer, todavia, que continuam sempre válidas as palavras do Apóstolo: «Dobro os joelhos diante do Pai, do Qual toda a paternidade, nos Céus como na Terra, toma o nome». O matrimónio, o matrimónio sacramento, é uma aliança de pessoas no amor.
E o amor pode ser aprofundado e guardado apenas pelo Amor, o Amor que é «derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi concedido» (Rom 5, 5).

A oração no Ano da Família não deveria concentrar-se sobre o ponto crucial e decisivo da passagem do amor conjugal à geração e, por isso, à paternidade e maternidade? Não é precisamente então que se torna indispensável a «efusão da graça do Espírito Santo», invocada na celebração litúrgica do sacramento do matrimónio? O Apóstolo, dobrando os joelhos diante do Pai, implora-Lhe q «vos conceda que sejais poderosamente fortalecidos pelo seu Espírito quanto ao crescimento do homem interior» (Ef 3, 16).

Esta «força do homem interior» é necessária na vida familiar, especialmente nos  momentos críticos, ou seja, quando o amor, q no rito litúrgico do consentimento conjugal foi expresso pelas palavras: «Prometo ser-te fiel, por toda a nossa vida», é chamado a superar um difícil exame.

 
A família, escola de valores Imprimir e-mail

A família, escola de valores


A família é primordial nos valores que regem a nossa vida e a nossa história. Vejamos algumas riquezas e também alguns obstáculos que encontramos na vida familiar hoje.

Tratando-se dos problemas do mundo actual, a família é, sem dúvida, um dos mais preocupantes. Sobre ela pesa a ameaça da degenerescência dos valores fundamentais, que as gerações passadas nos transmitiram, e que hoje são deixados à deriva ou, até, proscritos como nocivos.
Distanciando-se dos modelos de relação conjugal, paterna e filial que a própria Sagrada Escritura ensina, vemos surgirem associações humanas, das mais disparatadas, rotulando-se como famílias, segundo formas supostamente novas, “pós-modernas”. Neste quadro, é evidente o desprezo pelos princípios de convivência, próprios da dignidade do ser humano.
Um exemplo clássico do perigo que assedia constantemente a união familiar, desejada e constituída por Deus, é o divórcio. O cônjuge, mesmo que contrário à separação, vê-se obrigado a aceitá-la, mediante decisão judicial que, buscando resguardar a liberdade de alguém, condena o outro à desagregação da própria vida. Esta é uma injustiça que clama contra a dignidade da pessoa humana.


O Matrimónio requer, antes de mais nada, vocação. Muitos pensam que ele seja a única via para a realização afectiva do ser humano. Pelo contrário, nem todos têm vocação para o Matrimónio, mas aceitam-no como o cumprimento de uma “obrigação social”, para a qual não se encontram dispostos nem preparados. Infelizmente, desconhecem as alegrias do celibato, que encaminha o ser humano a desabrochar no amor, mediante uma vida toda consagrada a Deus e aos irmãos, sem exclusivismos, mas dedicada a todos.


Quando se fala de Matrimónio, o essencial é o amor de um pelo outro, sentimento que transcende a paixão, e sobrevive “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença...”. Não apenas sobrevive, mas amadurece, aprofunda-se, robustece-se para além da atracção mútua, embora esta seja ingrediente importante na vida a dois.


Alguns aspectos, que não esgotam o significado do Matrimónio, mas, ao menos, o delineiam: vida em comum, partilhada no amor e alicerçada na fidelidade; os mesmos ideais e a luta para concretizá-los no apoio mútuo; abertura ao dom da vida, pelo acolhimento da paternidade/maternidade responsável. Quem não se sente chamado a realizar tais exigências, não tem vocação para o Matrimónio ou, pelo menos, não está preparado para assumi-lo.
Os filhos são outra questão gravíssima. Quem, por opção, exclui a prole do seu projecto de vida matrimonial não se casa validamente: o Matrimónio é nulo, segundo a lei da Igreja. Existem muitas outras causas de nulidade. Quero apenas alertar para a seriedade de um vínculo que só se realiza validamente mediante disposições bem definidas. Não se trata de uma experiência do tipo que pode, ou não, “dar certo”. E tais valores, muitas vezes, não são levados em conta, quando não há vocação para o Matrimónio.
Evidentemente, não é preciso ter uma multidão de filhos, mas somente os que se possa educar com dignidade. Por outro lado, há os que querem um filho só, para lhe dar tudo o que não tiveram. Cuidado: quem dá ao filho tudo o que ele quer, vai ter dele o que não espera. Marque-se bem isto. Como quer que seja, o importante é acolher quantos Deus quiser enviar, o que não impede um planeamento familiar responsável, baseado nos métodos que a Igreja aprova e ensina.


O Papa João Paulo II, concluindo a Exortação Apostólica sobre a Família (Familiaris Consortio), escreveu: “O futuro da humanidade passa pela família”. E o Papa acrescentou: “O futuro da Igreja e o da religião também passam pela família”. Isto é uma grande verdade, porque o amor autêntico, que deve perpassar as gerações, brota, floresce e frutifica na família, sob a forma dos mais preciosos valores que conhecemos.
Outra ameaça à estabilidade familiar, é a falta de recursos para a sua sobrevivência digna. Em muitos casos, trata-se de situações de miséria, que assolam grande parte do mundo e, infelizmente, do nosso país, e até da nossa cidade. Diz o Papa: “Merece também a nossa atenção o facto de que, nos países do assim chamado Terceiro Mundo, faltem muitas vezes às famílias quer os meios fundamentais para a sobrevivência, como o alimento, o trabalho, a habitação, os medicamentos, quer as mais elementares liberdades. Nos países mais ricos, pelo contrário, o bem-estar excessivo e a mentalidade consumista, paradoxalmente unida a uma certa angústia e incerteza sobre o futuro, roubam aos esposos a generosidade e a coragem de suscitarem novas vidas humanas: assim a vida é muitas vezes entendida não como uma bênção, mas como um perigo de que é preciso defender-se” (FC n°6).


Compreende-se como, em ambas as situações, as famílias necessitem de justiça e solidariedade, seja a partir da sociedade em que se encontram, seja a partir do seu próprio interior, como celeiro de valores cristãos e humanos. E a solidariedade deve levar à fraternidade. Mas, ou se aprende a solidariedade e a fraternidade, em casa, na família, ou não se aprende mais. Na rua, é impossível, e a escola, mesmo sendo boa, será apenas uma extensão da família.

Quanto mais a família viver a solidariedade e a busca do bem comum, tanto mais será abençoada. Isto não significa uniformidade de opiniões. É muito saudável quando os filhos adolescentes começam a questionar os pais, e estes se abrem ao diálogo, oportunidade excelente para transmitirem os valores que vivenciam na maturidade.
As rixas “ideológicas” entre irmãos também são comuns.
A família deve ser, também, a primeira e mais profunda escola de oração. A oração que se aprende no colo materno, no seio da família, essa é que persiste. Pode-se aperfeiçoar com o estudo, no contacto com palavras mais eruditas, tudo isto é óptimo. Mas se não tem a base na vivência familiar, será sempre algo artificial. Lembro-me sempre de como meu pai e minha mãe rezavam. Eram pessoas com autêntica vida de oração, que nos deixaram preciosos exemplos a este respeito.
Uma das experiências mais dolorosas para mim foi ver a minha família dispersar-se. Isto deu-se em consequência do amadurecimento natural, levando-nos a diferentes caminhos, nas respectivas missões que assumimos. Mesmo assim, foi difícil. Hoje, moramos distantes uns dos outros, mas isto não diminuiu a nossa união.
O grande amor que sempre tive à minha família, eu gostaria de transfundir a todos os amigos e amigas, para que o conservem entre os maiores valores, as maiores alegrias e as maiores realizações em suas vidas. E peçamos a Deus Pai, a Jesus nosso irmão, e ao Espírito de Amor que tornem as nossas famílias unidas, observantes das coisas mais santas e dedicadas a autênticos ideais. Pois, é tarefa da família cristã “formar os homens para o amor e educá-los a agir com amor em todas as relações humanas, de modo que o amor fique aberto à comunidade inteira, permeado do sentido de justiça e de respeito para com os demais, consciente da própria responsabilidade para com a mesma sociedade” (FC n°64).

 
Os discípulos afastavam as crianças... Imprimir e-mail

"Os discípulos afastavam as crianças. Jesus disse-lhes: 'Deixai-as vir a mim'"


O pai e a mãe deram mutuamente um "sim" total diante de Deus, o qual constitui a base do sacramento que os une; do mesmo modo, para que a relação interna da família seja completa, é necessário que digam também um "sim" de aceitação aos seus filhos, aos que geraram ou adoptaram e que têm a sua própria personalidade e carácter. Assim, eles irão crescendo num clima de aceitação e amor, e é de se desejar que ao alcançar uma maturidade suficiente queiram dar, por sua vez, um "sim" a quem lhes deu a vida...
Cristo sempre revelou qual é a fonte suprema da vida para todos e, portanto, também para a família: "Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos" (Jo 15, 12-13). O amor do próprio Deus foi derramado sobre nós no baptismo. Portanto, as famílias sejam chamadas a viver essa qualidade de amor, pois o Senhor é quem se faz garante de que isso é possível para nós através do amor humano, sensível, afectuoso e misericordioso como o de Cristo.
Com a transmissão da fé e do amor do Senhor, uma das maiores tarefas da família é a de formar pessoas livres e responsáveis. Por isso os pais devem ir desenvolvendo nos seus filhos a liberdade, da qual durante algum tempo são tutores. Se estes vêem que seus pais e em geral os adultos que os rodeiam vivem a vida com alegria e entusiasmo, apesar das dificuldades, crescerá neles mais facilmente o prazer imenso de viver que os ajudará a superar certamente os possíveis obstáculos e contrariedades que a vida humana comporta. Além disso, quando a família não se fecha em si mesma, os filhos vão aprendendo que toda a pessoa é digna de ser amada, e que tem uma fraternidade fundamental universal entre todos os seres humanos.

 
É preciso que Jesus fique na minha família Imprimir e-mail

 


É preciso que Jesus fique na minha família


A nossa casa precisa de ser do Senhor. A nossa família toda precisa de ser inteiramente do Senhor. Unicamente d’Ele. É triste ver que ainda há muitos dos nossos que estão longe de Deus e não querem saber d’Ele; são renitentes, teimosos.
Em nossa casa há muitos que não frequentam a igreja. Não querem saber de padres, da Igreja, de oração, de confissão, de Missa e, principalmente, de Eucaristia. Também há pessoas duras, difíceis, autoritárias, ruins, maldosas, que dizem palavrões, que fazem coisas erradas... na nossa casa. O nosso coração sofre vendo que pessoas da nossa família agem assim ou porque estão no vício, na bebida... Elas não calculam o mal que fazem para si mesmas e para a família.
Assim como Jesus escolheu Zaqueu, Ele nos escolheu para levá-Lo para nossa casa. Olhemos para esta passagem do Evangelho de São Lucas:
“Tendo entrado em Jericó, Jesus atravessava a cidade. Apareceu um homem chamado Zaqueu, chefe dos colectores de impostos, muito rico. Ele procurava ver quem era Jesus, e não conseguia por causa da multidão, pois era de pequena estatura. Então correu para a frente e subiu a um sicómoro a fim de ver Jesus, que ia passar por ali. Quando Jesus chegou a esse lugar, levantando os olhos, disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa: hoje preciso de ficar em tua casa’” (Lc 19,6-7).


Naquele dia, foi Jesus quem quis ir à casa de Zaqueu. Hoje, é à nossa casa que Ele quer ir.
“Zaqueu desceu depressa e acolheu-o, todo alegre. Vendo isto, todos murmuravam; diziam: ‘É na casa de um pecador que ele se foi hospedar’” (Lc 19,6-7). Jesus ficou na casa de Zaqueu e quer ficar também em nossa casa. Somos fracos, temos muitos erros, muitas fraquezas, cometemos muitos pecados, mas o Senhor escolheu-nos. Ele decretou que quer ficar no nosso lar.
“Mas Zaqueu, adiantando-se, disse ao Senhor: ‘Pois bem, Senhor, vou repartir pelos pobres a metade dos meus bens e, se prejudiquei alguém, restituo-lhe quatro vezes mais’” (Lc 19,8).
Zaqueu fez isto porque a sua vida já tinha mudado. Só se mexe no bolso quando o Senhor toca no coração.
“Então Jesus disse a seu respeito: ‘Hoje veio a salvação a esta casa, pois também ele é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido’” (Lc 19,9-10).
O Senhor realiza este Evangelho! Este é o clamor do povo: “Quero Deus, necessito de Deus na minha família”.

Diz ao Senhor:
Jesus, escolheste-me apesar da minha fraqueza e do meu pecado. Escolheste-me para Te levar para a minha casa.
Senhor, não sou digno de que entres na minha casa, mas preciso que entres e digas uma Palavra. Porque basta que digas uma Palavra e a minha casa será transformada. A minha família será mudada. Entra na minha casa e permanece nela, Senhor.

 
Quando o casal reza... Imprimir e-mail

Quando o casal reza...


Uma porta se abriu para nós!


Desde o dia em que – atingidos por cruéis e inimagináveis provações – começámos a rezar juntos, como que por milagre, uma porta se abriu para nós e nunca mais se fechou.


Lembro-me das muitas vezes em que nos olhávamos fixamente nos olhos, abraçados na nossa cama, um pouco antes de dormir, ou após momentos de intimidade, e expressávamos a alegria pelo dom da oração a dois que realizávamos no nosso casamento.


Algumas vezes passámos por tribulações, limitações do cansaço, desânimo e outros tantos problemas que invadem a vida de uma família e de um casal. Mas perseverámos, e colhemos os frutos das nossas orações, que se tornavam cada vez mais verdadeiras.


Durante este tempo, aprendemos a rezar com um só coração! Rezávamos cansados, tristes um com o outro, chateados, apaixonados, tomados pelo sono. Mas um puxava pelo outro. Entusiasmados, seguimos até hoje fazendo assim! Quisemos ser tão fiéis que, algumas vezes, até rezámos por telefone!


O nosso amor cresceu muito! O jeito de sentir quanto nos amamos ganhou uma nova dimensão. Vimo-nos mais apaixonados, num tempo de plenitude de amor.


A nossa vida sexual foi premiada com muita alegria, leveza e gozo.


A palavra da Sagrada Escritura e a reflexão, eram a nossa base de apoio.


Fomos imensamente provados! A verdade é que não fazíamos ideia da montanha que começávamos a subir e, de repente, num ponto em que não se podia mais retornar, só nos restava seguir em frente.


Apesar de tantas limitações e de um esforço enorme, desvencilhámo-nos de pesos e coisas supérfluas, o que ajudou no amadurecimento do nosso amor, do amor pelo nosso filho, pela nossa comunidade e por Deus.


À medida que realizávamos os estudos bíblicos, invadíamos um terreno espiritual novo, antes escondido ou dominado pelo mal, e começávamos a dominá-lo em nome de Deus, pela força do sacramento do matrimónio.


Desta forma, sofremos na pele e na alma a fúria do inimigo de Deus, que foi preciso afastar. Mas, graças novas virão acompanhadas de intensa batalha espiritual!


Imaginamos os resultados surpreendentes que outros casais poderão desfrutar da graça do sacramento do matrimónio vivido na oração e desejamos que sejam fortes no Senhor, de modo a não permitir que as suas limitações e tentações, inevitáveis, os impeçam de seguir em frente! Que escolham juntos um momento para o realizar e se comprometam, da forma como quiserem, a fazê-lo sempre juntos, dia após dia.


O grande desafio será, sem dúvida, realizar o diário regularmente superando os obstáculos mais simples, como cansaço, preguiça, pequenos desentendimentos, situações mal resolvidas, compromissos, até encontrarem uma maneira de prosseguir e colher os frutos desta experiência. Estes surgirão na medida da perseverança, do conhecimento que possuem um do outro e de uma boa dose de persistência.


Desde já avisamos que, invariavelmente, os dois se deverão ajudar para chegar até ao fim! Tenham paciência, saibam esperar, porém sejam determinados e audaciosos.


Que nenhum fique à espera do outro!


Que o casal, ao aprender a rezar juntos, reze cada vez mais e melhor e seja, por isso, neste mundo, o maior e mais pungente sinal do Amor de Deus.


 


Somos de Deus


Tu escolheste hoje o Senhor para ser o teu Deus, para seguires os seus caminhos, guardares as suas leis, os seus mandamentos e os seus decretos, e para obedeceres à sua voz. E o Senhor escolheu-te, hoje, para que sejas um povo particular, como te havia dito, a fim de guardares todos os seus mandamentos. Assim ele te fará mais famoso do que todas as nações que ele criou para seu louvor, sua fama e glória, a fim de que sejas um povo santo para o Senhor teu Deus, conforme ele falou. (Dt 26,17-19)


 


Reflexão


Esta palavra da Sagrada Escritura revela quão decisiva é a escolha que Deus faz a respeito de cada um de nós. A Sua escolha é um pacto, uma aliança que transborda nos aspectos mais simples da nossa vida. A minha esposa e eu possuímos histórias muito diferentes e fortemente seladas com a experiência deste pertencer-se: na nossa casa, à mesa, durante as refeições, nos nossos momentos mais íntimos. Também a maneira como recebemos os amigos revela este traço, concretizado no jeito feliz de acolher, servir uma refeição, conversar…


Cada um de nós precisa, aos poucos, de revelar segredos das nossas magníficas histórias de amor e pertença a Deus.


Foi ele que imprimiu em nós a sua marca e nos deu como garantia o Espírito derramado em nossos corações. (2Cor 1,22)

 
Joelhos nos chão, família em pé Imprimir e-mail

 


Joelhos no chão, família em pé


Durante a nossa caminhada fomos conquistando as graças de Deus por meio da oração. A nossa família é comum, mas o que nos torna diferentes é acreditar que, pela oração, alcançamos as graças vindas de Deus.
Se uma casa é alicerçada pelo Senhor, mesmo que tenha rachaduras, depois da tempestade, ela é restaurada.
Deus tem um projecto e quer restaurar a tua casa. Talvez estejas a construir em cima da areia. Desta forma, ela não tem um alicerce firme, por isso, não aguenta a tempestade. Deus quer reconstruir a tua casa no lugar certo.
O mundo de hoje está totalmente contra a família. Não se vê apoio nenhum a ela; ao contrário, somente descaracterizam e brincam com a imagem dela. E, às vezes, até aplaudimos a degradação da família.
Eu sempre percebi durante o nosso namoro [dele com a mulher, Benedita] que o Senhor nos fecundava a partir da oração. No início virou um grande lema dentro do nosso casamento:
“Amar não é querer alguém construído, mas é construir alguém querido.” Esta frase tornou-se um verdadeiro lema para nós. Por isso, digo aos casais, que estão a iniciar a vida: nós não estamos prontos. Tu que já casaste há mais de 20 anos, também não estás pronto. Eu estou casado há 2 anos e meio, e não estou pronto; tenho muito a enfrentar. Mas graças a Deus, o alicerce da minha casa está firmado em Jesus. Se o Senhor não for o alicerce da tua casa, tudo vai por água abaixo.
Se nós não construirmos o nosso namoro, noivado e casamento em Jesus, seremos assolados. O mundo vem com todas as suas armadilhas, como o ar que polui e nós nem percebemos. Ele vem com subtileza. Quantas vezes, tu és tentado por mulheres que se metem na tua vida. E tu dás brechas, esquecendo que tens uma casa, uma família. E por aí tu acabas por cair.
Convido-te a olhar para a tua própria casa. Como ela está? Para uma família ser feliz é preciso existir diálogo e partilha. Tu precisas de falar com a tua esposa das tentações que viveste no dia e pedir-lhe que reze por ti. Quem hoje em dia faz isto?
Eu posso dizer que os meus pais acabaram por se separar por causa das armadilhas do demónio. Eu sei o que é a dor do adultério, da traição... E não penses que o homem que adultera se acha feliz. Não, ele carrega um peso sempre. O mundo faz com que as pessoas nem pensem no que estão a fazer; mas quando elas se deitam, para dormir, reflectem e percebem o que fizeram. O mundo não quer que reflictamos. Ele quer que nós engulamos tudo, como novelas, prostituição, drogas, aborto. Quer que tu engulas que é normal que a tua filha leve o namorado para dentro de casa [para dormirem juntos], que é normal ensinar o teu filho a desrespeitar as mulheres e usá-las como objectos. Se agires assim, estarás a ensinar o teu filho e a tua filha a serem adúlteros.
Nós precisamos de construir uma família séria,
em Deus. Pai e mãe, vós precisais de reconquistar s filhos para Deus. Se hoje precisas de recomeçar a partir de ti mesmo, então, recomeça. Começa abandonando o adultério, as novelas, as tuas amizades que só trazem malícia para as conversas, que só trazem desânimo, fofoca.
Eu posso testemunhar que a nossa filha, desde o início, já foi sendo acostumada a frequentar a Santa Missa diária. Com apenas um ano e alguns meses, ela já faz o sinal da cruz; sabe quem é Jesus, sabe quem é a Mãe do céu. Quando estávamos grávidos, nós pedíamos à Camila o dom da alegria. Quando ela nasceu, eu fui ao quarto e lhe disse-lhe que era o pai dela, que estava lá, e a primeira coisa que ela fez foi sorrir. Ela sabe que é feliz e alegre, porque foi amada, querida, desejada.


Se queres conquistar os filhos para Deus, ama-os! Quantos dão um computador somente para que o filho fique entretido. Isto é errado. Desta forma, estás a tirar o teu filho das mãos de Deus. Precisas de conversar com os teus filhos se quiseres que eles sejam de Deus. Precisas de ser uma esposa abençoada, precisa de ser um esposo abençoado, e não um peso.


O meu pai não teve uma experiência com Deus; graças a Deus, eu tive. Então, eu preciso de amá-lo e não julgá-lo como todos fazem. Mulher, olha que não é atirando à cara do teu marido os defeitos dele que ele vai mudar, porque isto o mundo já faz. Tu precisas de o amar. Deixa Deus cuidar da tua família, porque Ele quer salvá-la.
No nosso relacionamento [ele e o pai], eu sabia das lutas dele, das dificuldades que ele enfrentava. E, constantemente, eu não tinha receio de ir para a capela e colocar as minhas mãos na cabeça dele. E diante dos defeitos dele, Deus dizia-me que eu precisava de olhar para ele como Ele olhava: Com misericórdia e amor.


Nós precisamos de levantar esta bandeira de que somos capazes de construir uma pessoa para Deus – pela força da oração e pela força do amor. Nós que somos casados temos a graça do matrimónio. Tu não deves abaixar esta bandeira; mas sim, levantá-la e acreditar nesta força do amor e da oração. Tu deves tomar posse dessa verdade e dizer: Eu amo e rezo!
Um dia, uma amiga, disse-me: “Joelhos no chão, família em pé!” Quantas famílias já foram resgatadas por Deus por causa da força da oração, da insistência. Por isso, mesmo quando tu achares que não vale mais a pena rezar, tu, insiste. Tu não podes desanimar! Eu não posso desistir da minha família. Precisas de acreditar nesta palavra: “Crê em Jesus e serás salvo tu e a tua família”.

Acompanhe o que diz a Bíblia: (Lc 18, 1-):
“Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de o fazer. Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma. Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com frequência à sua presença para lhe dizer: Faz-me justiça contra o meu adversário. Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, reflectiu consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens; todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me molestar. Prosseguiu o Senhor: Ouvis o que diz este juiz injusto? Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que clamam por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los? Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?”.


Vós, sede homens e mulheres de fé. Acreditai que Deus tudo pode mudar. Hoje, juntamente contigo, há uma família que pode mudar. Sabemos da luta enorme, mas Deus no fim será vitorioso.
Se achas que o amor passou, eu te digo que Jesus quer que retomes este amor. Ele que é a fonte sublime, Ele que derramou o seu sangue na cruz, Ele que acredita em ti, mesmo que tu não acredites. Que acredita naquela pessoa em quem nem tu acreditas.
Fala com Jesus se a tua fé passou, se não tens forças, entrega-Lhe tudo isto. Insiste para que a tua família seja salva. Diz o que quiseres, sim, que o teu marido largue o alcoolismo, que a tua filha e o teu filho encontrem Jesus, que a tua esposa seja uma mulher de Deus. Insiste para que Jesus realize esta obra. Diz-Lhe como está o teu coração. Se estás sufocado, angustiado pela dor, fala com Ele. Não uses máscaras, sê verdadeiro com Ele.

 
A chegada de um filho com Sìndrome de Down Imprimir e-mail

A chegada de um filho

 com Síndrome de Down

 

Tenho 4 anos e sonho com um reino em que todos se sintam iguais, onde possam estudar, praticar desporto, brincar e dançar, assim como eu.

Tenho uma alteração genética, também conhecida como Síndrome de Down. Por favor, não me chamem de mongol, pois eu não nasci na Mongólia!

A mamã apanhou um susto no começo e ficou preocupada, porque nem imaginava quantas coisas bonitas eu poderia fazer. Ela precisou de ler alguns livros para entender melhor sobre o assunto, mas fui eu quem lhe mostrou que essa alteração não é nenhum bicho-papão.

Nasci assim e ninguém sabe dizer exactamente porquê. Sei que sou diferente, mas não somos todos diferentes? Uns magros, outros gordos e loiros... Eu sou menorzinho, tenho as mãos pequenas e as orelhas mais baixas. Quando me vejo ao espelho, acho-me bonito e não me importo de ter os olhinhos puxados.

Eu tenho hipotonia... Já ouvi falar sobre a Síndrome de Down mais de mil vezes, mas até agora não sei bem como explicar o que é. Então, vou pedir a ajuda da minha mãe.

Não se preocupem, pois ela garantiu-me que vai explicar de maneira muito fácil de entender.

 
Oração para 25 anos de casados Imprimir e-mail

ORAÇÃO PARA 25 ANOS de CASADOS


Ó Deus, de quem procede toda a paternidade no céu e na terra, Pai, que sois amor e vida, fazei que a nossa família seja um verdadeiro santuário de vida e de amor e que Vos procure sempre antes de todas as coisas, pois somente assim poderemos viver na unidade.

Vinde com o vosso Espírito sobre o nosso lar e removei os problemas que em nós existam: males do corpo, da alma, do espírito, do coração.

Vinde, com a vossa Mãe divina, vinde habitar na nossa família.

Que façamos como se tudo dependesse de nós, mas certos de que somente com a vossa graça poderemos, mesmo nos sofrimentos, permanecer na vossa paz.

Que nunca nos cansemos de fazer o bem.

Que sejamos profundamente amigos, nos ajudemos mutuamente a crescer na prática da fé e reavivemos sempre o amor que num dia muito feliz, livremente, selámos diante de Vós, num compromisso sagrado e para sempre.

Que nos lembremos que o maior presente que os nossos queridos filhos podem receber, é o amor entre nós, seus pais.

Vinde, Deus misericordioso e da paz, abençoar a nossa família e as famílias do mundo inteiro.

Vós, que sois a Vida, a Verdade e o Amor, na unidade do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 
Nesta cidade não há divórcios Imprimir e-mail

Nesta cidade não há divórcios, por que será?

A cidade de Siroki Brijeg (na Bósnia e Herzegovina), tem uma maravilhosa particularidade: ninguém se lembra que tenha existido um só divórcio, entre os seus milhares de habitantes, nem alguma família que tenha deixado a Fé católica. A população é quase toda composta por croatas, que são católicos fervorosos.

O segredo é simples: os habitantes croatas têm mantido a sua fé católica, suportando por causa disso a perseguição dos turcos durante séculos, e depois dos comunistas. A sua Fé está fortemente arraigada no conhecimento do poder salvador da Cruz de Jesus Cristo.

Este povo possui uma grande sabedoria, que vem sabendo aplicar ao Matrimónio e à Família. Eles sabem que o Matrimónio está indissoluvelmente ligado à Cruz de Cristo. O sacerdote diz-lhes: “Encontraste a tua cruz. É uma cruz para amar, levá-la contigo, uma cruz que não se tira, mas que se guarda, enterra-se na tua alma”. Quando um casal se prepara para contrair Matrimónio, não lhes dizem que encontraram a “pessoa perfeita”. Não! A Cruz representa o Amor Maior e o Crucifixo é o tesouro da casa. Quando os noivos vão à Igreja, levam o Crucifixo com eles. O sacerdote benze o Crucifixo.

Quando chega o momento de afirmar os seus votos, a noiva põe a mão direita sobre o crucifixo e o noivo põe a mão sobre a dela, de maneira que as duas mãos estão unidas à cruz. O sacerdote cobre as mãos deles com a estola, enquanto proclamam as promessas segundo o rito da Igreja: de serem fiéis um ao outro, nas alegrias e nas penas, na saúde e na enfermidade, até à morte.

Depois, os noivos não se beijam, mas ambos beijam a cruz. Se um dos dois abandona o outro, abandona a Cristo na Cruz. Depois da cerimónia, os recém-casados levam o crucifixo para casa, onde é posto num lugar de honra. Será para sempre o ponto de referência e o lugar de oração familiar.

Em tempo de dificuldades não vão ao advogado, nem ao psiquiatra, mas vão juntos diante da cruz em busca da ajuda de Jesus. Chorarão e abrirão os seus corações, pedindo perdão ao Senhor e um ao outro. E irão dormir em paz porque no seu coração receberam o consolo e o perdão do Único que tem o poder para salvar.

Ensinarão os filhos a beijar a cruz cada dia, e a não irem dormir como os pagãos sem dar graças primeiro a Jesus. Sabem que Jesus os tem nos Seus braços e não há nada a temer.

 
Como fazer para educar e criar bem os meus filhos? Imprimir e-mail

Como fazer para educar e criar bem os meus filhos? 

 

Educar os filhos é uma missão que exige compreensão e sabedoria

 

Que pai e mãe nunca falaram ou ouviram a célebre frase: “Eles não vêm com manual!” Eu sou mãe de três e já falei e ouvi, várias vezes, esta frase; ri muito, mas, hoje, penso na quantidade de manuais que recebemos, diariamente, sobre como educar os nossos filhos.

É um excesso de manuais que ensinam, de diversas formas, como educar os filhos, o que você deve ou não fazer, como eles devem ou não comportar-se, o que deve ou não ser aceite. Como se eles fossem máquinas que precisassem de ser programadas. Ou como se todos fossem tão iguais, que o mesmo manual servisse para todos, “pode confiar, não tem erro!”

Cada filho é um

Como eu disse, sou mãe de três, e cada é um de um de seu modo, mesmo com idades próximas (7, 5 e 3 anos). São educados pelos mesmos pais, seguem os mesmos princípios, mas, meu Deus, como são diferentes! E precisam de ser tratados assim, cada um com a sua didática. Somos, constantemente, bombardeados pelas redes sociais, por revistas, por pessoas que, muitas vezes, só estão interessadas no nosso dinheiro, vendendo os seus pacotes milagrosos, que transformam os nossos filhos em anjos.

Primeiro, filhos não são anjos. Eles são, a princípio, crianças que precisam de ser amadas e educadas, mas não à base de ferro e fogo. O alicerce precisa de ser o amor. Sei que não é fácil, e, aqui em casa, é uma luta diária!

O mundo vive uma fase em que tudo precisa de ser “fast”. Se não for rápido, se não for fácil, está errado. Quem sabe, então, terceirizar os nossos filhos seja a solução! Então vem a creche, a escola a tempo inteiro (faço uma ressalva, aqui, para os pais que precisam de trabalhar o dia todo para levar o sustento para os seus lares. Neste caso, a creche e a escola em tempo inteiro são fundamentais!); porém, há pais que podem passar mais tempo com os filhos, mas preferem enchê-los de atividades durante o dia, para que, ao chegarem a casa, se sintam tão cansados e não deem trabalho nenhum.

Com este excesso de manuais que temos, acabamos por nos esquecer do essencial: Deus deu-nos algo muito melhor, o instinto. Muitas vezes, nele está a resposta para os conflitos que vivemos em nossa casa. É só acalmar o nosso coração e ouvir a voz que vem a nós; normalmente, não tem erro!

É claro que há problemas como TDHA, síndrome de down, autismo… Nestes casos, a ajuda profissional para a família toda é, realmente, essencial. Mas se os filhos não apresentam nenhum destes problemas, porque não confiar naquilo que você traz de instinto, naquilo que aprendeu com os seus pais? A vida é feita de acertos e erros, e os nossos filhos precisam de ver isto, até para não acharem que tudo é perfeito e que eles não precisam de ser perfeitos. Não podemos exigir isto deles.

Passe mais tempo ao lado deles

Pare um pouco de ler os artigos que ensinam como educar os filhos e passe mais tempo com eles. Talvez, aí já esteja a solução. Com o telemóvel de lado, pergunte como foi a escola, quem são os amigos, se ele já tem sonhos. Fale do amor que sente por eles, faça um bolo juntos, dê risadas com eles, faça uma brincadeira em família, reze em família, mas não imponha nada. Aos poucos, coloque estas práticas na rotina da casa.

A única coisa que uma criança precisa é um lar e amor. Lar não é só uma casa física, tijolos e paredes, mas uma família estruturada, onde há respeito, amor, compreensão, tempo de qualidade juntos, TV desligada um pouco, para desconectar do mundo e estar em família.

Comece a observar o seu lar e ver como está sua relação com os seus filhos, onde ela pode melhorar. Lembre-se de que os filhos são a nossa herança, e precisamos de cuidar deles. Comece a dar passos em direção a eles, mesmo que não sejam pequenos, pois a reconciliação é possível, ainda dá tempo de ajustar as estruturas da casa, reconstruir os laços que, com o tempo, se foram desfazendo.

Deus abençoe você a sua família. Faça você o seu manual e nunca se esqueça de que o nosso lugar e o de nossos filhos é o Céu.

Oração pelos filhos

Sois, ó meu Deus, o Criador e o verdadeiro Pai dos meus filhos.

Das Vossas mãos os recebi como a dádiva mais preciosa e cara que me podíeis ter dado, e que a Vossa bondade conserva e mantém em meu poder, para minha consolação e ufania.

Consagrando-me devotamente ao Vosso serviço e amor, eu Vo-los consagro também, para que sempre Vos sirvam e sobre todas as coisas Vos amem.

Abençoai-os, Senhor, enquanto eu, por mim, igualmente os abençoo em Vosso sacratíssimo nome.

Não permitais que, por negligência da minha parte, venham eles a desertar, um dia, do caminho da virtude e do bem.

Velai por mim, para que eu possa velar por eles, educando-os no Vosso santo temor, em harmonia com os ditames da Vossa lei.

Fazei-os dóceis, obedientes, inimigos do pecado, para que nunca Vos ofendam, como eu tanto e tanto Vos tenho ofendido.

Colocai-os, Senhor de bondade, sob a maternal proteção de Maria Santíssima, Vossa Divina Mãe e nosso incomparável modelo, para que possam guardar sempre ilibado o formoso lírio da pureza que tanto amais.

Afastai deles as doenças, a pobreza e as riquezas perigosas.

Livrai-os, Senhor, de todas as desgraças e perigos da alma e do corpo, e concedei-lhes todas as graças que eu não sei pedir, mas que lhes são precisas, para que sejam bons filhos e católicos fervorosíssimos.

Fazei, finalmente, meu Deus, que com todos os meus filhos possa eu desfrutar, no seio do paraíso, a doce e eterna ventura que destinais aos Vossos eleitos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Amém

 
Como falar sobre a sexualidade aos filhos? Imprimir e-mail

 

Como falar sobre a sexualidade aos nossos filhos? 

 

É preciso falar, de forma saudável, sobre sexualidade

 

Somos seres sexuados. Desde que são pequenas, falamos com as crianças sobre as suas características pessoais, como olhos pretos, castanhos ou azuis, cabelos loiros ou castanhos, mão pequena, nariz afilado, sexo feminino ou masculino e assim por diante. Então, por que não falar sobre sexualidade, isto é, sobre tudo o que envolve ser homem ou mulher?

Hoje, vemos dois extremos perigosos quanto à sexualidade infantil: por um lado, há a super-estimulação ocorrida por parte dos pais, adultos em geral e, principalmente, pela mídia; por outro, a repressão excessiva, sequela de gerações anteriores nas quais estes assuntos não estavam na pauta do dia a dia.

Educação sexual

Lidamos com a sexualidade não somente a partir do momento em que ela é falada, mas em todos os momentos da vida. Quando os pais cuidam do bebé, a maneira como se relacionam com ele, por meio da relação afetiva deles [pais], quando os papéis sociais são bem definidos e as perguntas da criança são respondidas com clareza, quando são supridas as suas necessidades emocionais e a maturidade e o desenvolvimento psicossocial deles são respeitados, a criança está a receber educação sexual.

Alguns pais, por diversos motivos, antecipam informações e disparam a falar além da necessidade da criança, gerando nela ansiedade e tensão. No entanto, o melhor a fazer é responder, de maneira simples e na linguagem dela, aquilo que perguntou. Caso ela não tenha entendido, perguntará novamente. Se há uma relação de afeto positiva e uma abertura para o diálogo na família, há um terreno fértil para que a criança se sinta à vontade para falar sobre qualquer assunto. Contudo, precisamos de saber o que é apropriado para a criança.

Refiro-me, principalmente, a programas televisivos, músicas, revistas, insinuações que estimulam comportamentos erotizados e sensuais, prejudicando o desenvolvimento dela, pois tais conteúdos podem gerar distorção na sua capacidade de sentir, interagir, conhecer e relacionar-se. Desta forma, a criança é estimulada a dar um salto para a sexualidade genital, sendo que não possui condições emocionais, biológicas nem maturidade para a compreender, despertando nela, muitas vezes, alto nível de ansiedade e depressão.

Influências externas

Insisto sobre a influência da televisão de moldar os comportamentos, principalmente das crianças e dos jovens. As crianças passam horas diante da televisão, e o que agrava a situação é que 80% da programação a que assistem é para adultos.

Esta é uma questão ampla, pois envolve todo um contexto socioeconómico e cultural pelo qual passa a sociedade moderna e em transformação como a nossa, na qual as mães saem para trabalhar e os filhos ficam sozinhos em casa.

Há também a questão da violência, que faz com que a maioria das crianças e jovens não saiam para brincar nas ruas com as outras. No entanto, não podemos parar nessas condições e cruzar os braços, como se não dependesse de nós mudarmos esta situação. Comece em sua casa, com os seus filhos. Converse com o seu esposo(a). Procure o diálogo, partilhe a sua vida, a sua história. Que Deus os abençoe nesta empreitada!

 
A minha mulher tem um novo amor Imprimir e-mail

 

A minha mulher tem um novo amor 

 

O nascimento do primeiro filho traz mudanças importantes na vida da mulher e do casal

Um primeiro olhar, as primeiras conversas, o interesse mútuo crescente que desemboca num compromisso: o namoro. Depois disto, com a bênção de Deus e a aplicação de ambos, o homem e a mulher tornam-se cada vez mais unidos, até terem a certeza de que querem viver um com o outro “até que a morte os separe”.

Celebra-se o matrimónio, um sacramento poderoso que ainda aguarda reflexões teologais à altura do que realmente significa e opera.

Nova fase na vida do casal 

Se as histórias de amor entre príncipes e princesas acabam aí, no matrimónio cristão este é o ponto de início de uma nova fase e desejo: gerar filhos.

O amor tem por característica unir, derramar-se e multiplicar-se. O fruto no ventre da esposa é um novo momento de intensa alegria para o casal, o amor está tomando a forma de um novo ser, uma perfeita síntese dos dois.

No entanto, quando a criança nasce, o marido parece ser o mesmo, ganhou um novo título de “pai” e uma cara que reflete uma alegria que não consegue colocar em palavras, mas, a mulher torna-se mãe. Não exagero. Se o homem está a tentar vestir a roupa de “pai”, a mulher (sabendo ou não como lidar com a criança) tornou-se uma mãe.

Depois de passar por isto três vezes, posso dizer que o impacto do primeiro filho é sempre maior.

Para o homem, que pode acompanhar tudo como espectador, a realidade à sua volta começa a mudar: existe um único e poderoso centro das atenções, que é o filho que chegou.

Tudo gira em torno dele, e parece até que o homem passa a ser o terceiro na hierarquia da casa, pois, depois do reizinho, os cuidados com a mãe (para que esta possa servir ao filho) passam a ser preponderantes.

O novo e exigente amor

Aí percebemos que, embora não tenhamos sido trocados por ninguém, a nossa mulher tem um novo e exigente amor.

Do ponto de vista do relacionamento familiar e do casal, é importante que o homem respeite este momento extraordinário que a nova mãe está a viver.

Não há como o ser masculino entender estes nove meses que a mulher passa gestando o filho, além de todas as reações e emoções que ela tem antes, durante e após o nascimento.

Pesa também, mesmo que inconscientemente, a responsabilidade dela de nutrir, proteger e ajudar a desenvolver este novo ser que nasceu, de modo que ela gasta todas as suas energias e atenções neste processo. Algo que, antes, realizava sem quase nenhuma dificuldade durante a gestação.

A mulher, ao se tornar mãe, precisa do apoio, presença e firmeza do marido ao seu lado. Não dá para serem “dois bebés” querendo atenção (um muito mais velho e temporão!) ou suportar um ser bicudo, que se está a sentir um pouco de lado e, por isso, passa a ser grosseiro e resistente.

A missão fundamental do esposo

Por outro lado, faz parte da missão própria do marido, no matrimônio cristão, ajudar a mulher a encontrar um equilíbrio na vida e na família.

Cabe ao homem servir de baliza, fornecendo base e bordas seguras para que a mulher se possa movimentar sem cair em exageros.

Assim, a atenção ao filho é primordial, mas é o marido quem ajuda a esposa a não cair em extremos de não comer, não dormir ou ficar emocionalmente instável por se preocupar demais com a criança.

A primeira febre do bebé, para algumas mães, é tão apavorante.

Com o passar dos anos, o equilíbrio entre uma educação materna, que se esforça a proteger a qualquer custo, e uma educação paterna, que exige a formação de independência, é extremamente salutar para a criança, o adolescente, o jovem e o ser humano.

Cabe também ao marido continuar o papel delicado e constante de ajudar a mulher a entender que o filho é criado para o mundo, e não para os pais; e que ela precisa, para o bem de ambos, de se ir desvencilhando deste – já não tão novo – amor, mas sempre e cada vez mais exigente.

Este novo ser continua a ser amado pela mãe, mas passará a amar e a querer unir-se com outro ser e criar uma nova família.

Ao pai fica a dica: você receberá não só uma nova e linda criaturinha no lar, o filho, mas também irá deparar-se com uma pessoa que, embora você tenha se casado com ela, é completamente diferente de tudo o que você conhecia antes, é uma nova mãe.

Ela continua a ser tão amável como sempre foi, mas trará, agora, necessidades e desejos especiais. Bem-vindo à fase dois!

 
Como ter uma boa convivência com a sogra Imprimir e-mail

 

Como ter uma boa convivência com a sogra

 

Nunca entre em competição com ela

Fala-se muito das interferências da sogra na vida conjugal, pois nem sempre as opiniões dela caem em boa hora ou são aceitas com naturalidade. Já ouvimos, muitas vezes, o ditado: “Em briga de marido e mulher, ninguém põe a colher”. Se tal advertência é válida para todos os demais parentes, muito especialmente o será para as sogras.

Uma boa convivência com a sogra

Há sogras de todos os tipos. Algumas agem como conhecedoras de todas as situações e, não contentes em apenas opinar, fazem mil e uma recomendações ao filho, criticam a educação dos netos como se fossem seus filhos. Outras chegam a intrometer-se no gosto da decoração da casa ou em outras coisas particulares do casal.

Grandes são as crises estabelecidas entre nora e sogra, especialmente quando esta insiste em querer agir como mãe não somente do filho, mas fazer as vezes de mãe também da nora. Muitas acreditam que a melhor atitude, diante de uma situação particular do casal, é fazer aquilo que elas próprias orientam.

É evidente que a experiência de vida de nossa sogra é superior à nossa, mas, assim como a vida nos foi capacitando para superarmos os obstáculos, também na vida conjugal aprenderemos a resolver outras questões; agora assumidas e resolvidas entre marido e mulher.

O problema será maior quando a mãe do esposo perder a noção de que o “seu menino” cresceu, sem respeitar o momento ou mesmo o lugar, der palpites, esquecendo que o casal agora já constitui uma nova família; e que uma nova história será contada.

Entretanto, nem sempre a sogra é a grande vilã ou a “pedra no sapato” na vida da nora. Assim como pode acontecer de sogras perderem a noção de que o filho cresceu, há também filhos que não conseguem desligar-se do cordão umbilical que os une às genitoras. Neste caso, seja por uma dependência financeira, seja por mimos ou falta de maturidade, o filho recorre ao “colo” da mãe diante de qualquer pequena dificuldade. Acostumado com os “amparos” da mãe, isso, por sua vez, abre precedentes para que a sogra também dê os seus palpites na vida do casal.

A importância da presença na casa dos pais

O facto de sermos casados não significa que devemos deixar de visitar a casa dos nossos pais ou desconsiderar as opiniões deles. Contudo, não podemos fazer dessas visitas um pretexto para apresentar um relatório das experiências e das dificuldades da vida a dois. Caso contrário, o almoço e as festas, que deveriam ser momentos de confraternização, serão aproveitados para que os parentes se “alfinetem” ou transformem o encontro em ocasião para “lavarem a roupa suja”, num território em que a nora se poderá sentir humilhada diante do assunto trazido em pauta.

É interessante considerarmos que cada família estabelece as suas próprias regras e normas, em comum acordo, entre os cônjuges. Uma vez detectado o possível problema, cabe ao casal aproveitar essa oportunidade para expor, entre si, a situação que não lhe agrada, no sentido de juntos se adequarem ao impasse. Se ele não consegue ainda separar-se da mãe, mesmo depois de casado, talvez seja um bom começo equilibrar o tempo de permanência na casa materna.

Por outro lado, a interferência da mãe do esposo na relação conjugal do filho, entre estas e outras situações citadas acima, pode ser um indicador de que comentários (os quais deveriam permanecer estritamente entre os muros da vida do casal) estejam a ser ventilados em conversas, mais para se ter o que falar do que para oferecer ajuda.

Para que as sogras possam sair das margens dos relacionamentos, basta que elas se lembrem de que os seus filhos agora têm vida própria e que os seus conselhos, quando não forem impostos, poderão ser úteis quando solicitados.

 
Ciúme: sinal de alerta nos relacionamentos Imprimir e-mail

Ciúme: sinal de alerta nos relacionamentos  

 

O ciúme mexe com as estruturas de qualquer relacionamento

Quem nunca ouviu dizer que o ciúme é o tempero do amor? Temos assistido a muitos casos nos quais este sentimento é o “fósforo aceso na pólvora”, ou seja, provoca reações inesperadas e de total descontrole. Pensando assim, ainda achas que o sentir é normal?

Tempero no amor

Factores culturais fazem-nos acreditar que o ciúme é uma prova de amor e que pequenos sacrifícios, como deixar de ir a determinados lugares ou trocar de roupa para que a pessoa amada não se chateie, são bem-vindos e são o “tempero” no amor.

A grande questão é que os tais “pequenos sacrifícios” e este “tempero” transformam-se em aprisionamentos à medida em que o tempo passa. Estar com o outro, passa, então, a não ter tanto sentido, perde a graça, e, certamente, mexe com as estruturas de qualquer relacionamento.

Do ponto de vista psicológico, é um sentimento que envolve o medo de perder o amor da pessoa amada e está diretamente relacionado com a falta de confiança no outro, sobretudo em si próprio.

Quando ele se torna exagerado, consideramos que se transforma em doença, chegando a pensamentos obsessivos. A complexidade do ciúme é grande, pois envolve pensamentos, emoções, comportamentos e reações físicas.

Insegurança

Pessoas ciumentas costumam certificar-se, frequentemente, se são queridas, se as pessoas podem dar provas de amor ou mesmo pedindo provas para que este amor seja certificado, tais como: proibir o amado de visitar um determinado lugar, usar esta ou aquela roupa, prometer que fará ou não fará uma coisa, dentre tantas outras.

Muitas vezes, coloca-se nestes pedidos, que são coisas externas, o significado do amor, que de um sentimento interior, passa a ser construído com provas externas.

Ciumentos fazem interpretações distorcidas e, geralmente, fazem isso não apenas com o seu par amoroso, mas também nas relações de amizade, trabalho, família… Eles cobram atenção, e isto vale até mesmo para o uso de objetos pessoais por outras pessoas.

Problemas psicológicos

Convém lembrar que, quando excessivo, o ciúme se torna um problema de saúde psicológica, pois a pessoa começa a ter sentimentos paranóicos, delírios de perseguição e temor imaginário de que a pessoa está a ser vítima do mundo, com muitas fantasias, imprecisões, dúvidas ligadas aos ideais supervalorizados ou delirantes.

Por vezes, a pessoa passa a ter compulsão em dirimir as suas dúvidas e, com isto, passa a invadir a privacidade do outro, abrindo a correspondências, mexendo nos bolsos, no telemóvel, nas redes sociais, fazendo um perfil falso para tentar “encontrar” provas de infidelidade e tantas outras atitudes extremistas.

Parecem atitudes tolas e até mesmo são reconhecidas pelo parceiro, mas não servem em nada para aliviar o ciúme, mas, aumentam a sensação de desconforto.

Se tu passas por esta situação, é importante que converses (diálogo, muito diálogo) bastante sobre o assunto com o teu par, procurando, juntos, as alternativas que permitam que o verdadeiro amor, baseado na confiança e na cumplicidade, possa crescer entre vocês, deixando também que Deus actue na insegurança, nos reflexos de dificuldades afetivas do passado, bem como buscar ajuda especializada quando perceber que a situação tomou uma proporção maior do que aquela que vocês podem administrar sozinhos.

 
Como ser uma boa esposa para o marido Imprimir e-mail

 

Como posso ser uma boa esposa para o meu marido? 

 

O mais bonito de ser esposa são os elos que ela constrói com o seu esposo, com os seus filhos e a sua família

É preciso que estejamos bem com nós mesmos para cultivarmos relacionamentos saudáveis. A esposa deve estar num ambiente que possa ser aceita, respeitada, valorizada e amada pela família. Um espaço que apresenta essas características é estímulo para que elas possam desenvolver bons relacionamentos com os seus cônjuges, filhos e sobrinhos, com a sua sogra, o seu genro, os seus cunhados e amigos; enfim, com as pessoas que lhes são próximas.

Refletir o papel da esposa é o mesmo que refletir: “Esposa, onde estás?”, “Marido, onde estás?”, “Filhos, onde estais?”, “Família, onde estás?”. Este é o universo que recebe, com festa, uma mulher casada. Ela, animadamente, decide conviver nesse lugar, ter filhos e formá-los; casar-se para sempre.

Com o passar do tempo, é percebido que o modelo familiar e as contingências que a cercam não permitem que a sociedade perceba a esposa como aquela que edifica a sua casa por conta da sua sabedoria. Ao contrário, meninas tornando-se esposas, esposas tornando-se meninas e novos arranjos familiares surgindo; provavelmente, por conta desta falta de correspondência entre função, habilidade, necessidade e responsabilidade em ocupar um espaço que requer todas as competências. Contudo, exige também estímulos para estar, reforço positivo para continuar.

Função da esposa

Uma das funções mais lindas da esposa é a de desenvolver um relacionamento saudável com o seu companheiro. De acordo com Roberto Shinyaschiki, no seu livro ‘A Carícia Essencial – Viva bem com as pessoas que você ama’, “alguém que vive angustiado vai criar angústia nos seus relacionamentos. Alguém que vive irritado vai criar sempre brigas ao seu redor”. Por causa dessas consequências, as esposas deverão sempre perguntar-se: “Qual é a minha função no lugar em que estou e com quem estou?” “Quem sou eu, ou como eu estou a ser como esposa?”.

A forma como eu convivo determina o modo que sou nos meus relacionamentos. Portanto, para viver bem, a esposa deverá estar bem com sigo mesma, e isso significa estar disposta a cuidar das suas carências afetivas e não permitir que se instale um comportamento de solidão dentro do seu coração.

Solidão

Complementa Shinyaschiki: “Um coração vazio é lugar para carícias negativas, que somente aumentam a dor da solidão”. Então, esposa, quem és tu? Aquela que deverá ser tratada com carícias positivas, que se sente bem ao estar ao lado do seu marido, que sempre é recebida pelos seus familiares com saudações do tipo: “Que bom que tu vieste!” A esposa que é solicitada pelo seu amado para conversar, namorar, sair, rezar e divertir-se. Tudo isto, porque a esposa, cercada de influências como esta, também proporcionará ao ambiente do seu casamento e da sua família a alegria, a tranquilidade, a oração, a solução, a festa e a boa convivência.

Que Deus afaste do teu coração o vazio que a leva à solidão, mas também a falta de vontade em continuar a ser a esposa esperada pelo seu companheiro e pelos seus filhos. Assim, o marido deverá refletir sobre o lugar que ele ocupa na vida dela e dos seus filhos. Então, esposo, esposa, filhos, onde estais?

 “Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a vós” (Rm 12,10). É tempo de Páscoa, vamos dar honra aos que estão na nossa família!

 
Como preparar o filho para lidar com a frustração Imprimir e-mail

 

Como preparar o seu filho para lidar com a frustração  

 

A escola da vida é uma excelente academia para treinar e lidar com a frustração

 

Num mundo de opções tão variadas, é possível preparar os nossos filhos para conviver com esta diversidade? É possível dizer ‘não’ àquilo que não é bom para eles e ensiná-los a conviver com as frustrações?  Para responder a estas perguntas precisamos, primeiro, de entender o que é frustração. É um estado que vivenciamos quando algo nos impede de realizar o nosso objeto de prazer. Na vida, sabemos que existem várias barreiras limitadoras – sejam elas sociais, psicológicas, físicas ou espirituais –, e é bom que assim seja, pois elas impedem-nos de ter comportamentos nocivos para nós e para os outros. Mas a forma de lidar com isto gera satisfação ou insatisfação.

Durante toda a nossa vida, vivemos realidades permeadas de expectativas não atendidas, tais como a falta de pessoas e de sentimentos que gostaríamos que elas tivessem ou não para connosco. Estes sentimentos podem despertar em nós emoções de raiva ou tristezas, as quais acabam por se transformar em ira ou depressão, levando os nossos filhos a pequenos ou grandes sofrimentos.

A frustração pode atacar principalmente a autoestima dos nossos filhos e levá-los a fazer escolhas erradas, tais como drogas ou relacionamentos complicados.

Como fazer para que as crianças aprendam a conviver e a trabalhar as frustrações inevitáveis? Este é um grande dilema vivenciado diariamente por muitos pais.

A escola da vida é uma excelente academia para treinarmos desde pequenos, e colocarmos limites possibilita-nos criar condicionamentos mentais, que nos vão propiciando amadurecimento e condições para lidarmos com frustrações maiores. Poder trabalhar preventivamente é um ponto importante para quem tem filhos pequenos.

Neste ponto, temos vivido uma realidade preocupante. Como a vida profissional dos pais exige que estes fiquem muito tempo fora, eles acabam por atender aos desejos dos filhos, que não deveriam, para acalmar o sentimento de culpa que sentem por causa da ausência.

Superar a frustração

A grande maioria dos pais, quando perguntados sobre o que mais querem para os seus filhos, provavelmente responderão: que sejam felizes. Para isso, esforçam-se para oferecer às crianças as melhores condições, mas, muitas vezes, perdem a oportunidade de ensinar a simplicidade da felicidade. Temos de entender que, dentro de cada um de nós, existe uma pessoa fraca e uma, forte. A pergunta que temos de nos fazer é: qual estamos a alimentar mais em nossos filhos? Ensiná-los a lidar com as emoções e os sentimentos faz parte do nosso papel de educador, a fim de que possam superar as frustrações que enfrentarão por toda a vida.

A primeira aprendizagem que focamos muito como sucesso é o que o mundo nos ensina, ou seja, criarmos condições principalmente no desenvolvimento do quociente intelectual, mas esquecemo-nos do quociente emocional e espiritual, que é a nossa capacidade de lidar com as emoções diante dos desafios diários da vida. A capacidade de transcender, abrir mãos de necessidades atendidas no presente para uma vida futura melhor.

O nosso papel é trabalhar as competências dos nossos filhos, os seus conhecimentos, as suas habilidades e, principalmente, as suas atitudes aos valores e às crenças que introjetamos neles a partir da forma como vemos o mundo. A escola pode ser parceira, mas os pais não podem passar para terceiros uma função que é inerente à sua vocação. E a vocação dos pais católicos é serem os primeiros educadores e catequistas de seus filhos.

O que podemos, então, fazer como pais para ajudar os filhos desde pequenos? Primeiro, buscar o autoconhecimento, pois quem se conhece tem mais possibilidade de se aceitar com foco na construção da autoconfiança. Pessoas que reconhecem as suas qualidades e defeitos têm mais facilidade para trabalhar comportamentos inadequados sem se sentir uma pessoa inadequada. Isto permite que ela tenha coragem de mudar quando for preciso e aceitar aquilo que ela não pode mudar.

Caminho para ajudar a lidar com a frustração

Trabalhar a paciência para que eles aprendam a esperar, fazendo com que a frustração seja menos dolorida. O diálogo é fundamental para a criança aprender a partilhar os seus sentimentos, os quais, quando falados, podem ser melhor trabalhados. Aprender a ser persistente, pois pouca coisa nós conseguimos sem que tenhamos de batalhar por elas. A vida não é o que a televisão vende, mas algo conquistado passo a passo. Como diz São Paulo, precisamos de combater o bom combate. Ter a capacidade de mudar de estado de acordo com algumas situações, controlar impulsos e aceitar as adversidades e as alegrias como parte da vida, pois o mundo não se restringe ao nosso umbigo, mas a uma coletividade.

Porém, nada disto é possível sem que os pais se lembrem de que o comportamento dos filhos é modelado por os seus exemplos; portanto, precisam ser os primeiros a reconhecer os seus próprios sentimentos e lidar com as suas frustrações diante da realidade da vida.

Lembrem-se: os nossos filhos são como folhas em branco, nas quais podemos escrever as nossas frustrações e os nossos medos ou contribuir para a aprendizagem de como lidar com as decepções e superá-las. Como numa academia, temos de começar com exercícios leves até chegar aos mais exigentes, ou seja, ajudá-los a serem adultos maduros e felizes.

 
As consequências do mau relacionamento dos pais na vida dos filhos Imprimir e-mail

 

As consequências do mau relacionamento dos pais na vida dos filhos 

 

Quando os pais se relacionam mal, isso gera consequências nos filhos, independente da idade que estes tenham

Atitudes são decisões internas que geram comportamentos, ações diante de diferentes circunstâncias. Estes comportamentos são fruto do temperamento, do ambiente que vivem e das escolhas que vão sendo feitas a partir de determinadas realidades que os pais vivem com os filhos.

Muitos problemas de comportamento são gerados no relacionamento com pessoas, tais como colegas, professores e irmãos, mas o de grande impacto é a interação com os pais.

Muitos pais, no entanto, não percebem que a forma como se relacionam um com o outro interfere na formação, no comportamento dos filhos.

Comportamentos conflituosos

Discussões entre o casal podem marcar uma criança para toda a sua vida, gerando comportamentos conflituosos ou inadequados.

A percepção dos filhos sobre o amor, o matrimónio, o companheirismo, os confrontos e divórcios, entre outras situações vivenciadas pelos pais, pode ser causa de um tumulto na vida adulta dos filhos.

As crianças, na primeira infância, ficam vulneráveis e confusas diante de um ambiente conturbado; muitas vezes, assumem a culpa pelas dificuldades do casal. Por não terem ainda muita consciência, acabam escamoteando os sentimentos.

Na idade escolar, podem apresentar problemas de relacionamento consigo e com o outro, de aproveitamento na escola e, em alguns casos, podem fugir de casa para se livrarem do ambiente conturbado ou por acharem que vão unir os pais.

Na adolescência, o impacto do mau relacionamento dos pais reflete-se no amadurecimento precoce, na vergonha, no uso de drogas por parte dos filhos e na gravidez precoce.

Filhos que não se querem casar

Muitas vezes, as brigas presenciadas na infância impedem que os filhos, na fase adulta, se queiram casar, pois o medo da situação conflituosa se repetir paralisa algumas pessoas.

Em todas as idades, quando o relacionamento do casal se deteriora, causando a separação, os filhos podem apresentar hostilidade, insegurança pela perda do amor de quem sai do lar e medo do padrasto tomar o lugar paterno.

Em casos de separação, é importante manter a presença física e emocional, pois ausência paterna é entendida como falta de amor, podendo aumentar o sentimento de culpa pela separação dos pais.

Quanto mais cedo os pais têm consciência destas consequências, melhor, porque permite que eles ensinem aos filhos a trabalharem os sentimentos diante das situações, criarem espaço para que seja partilhada e entendida a ansiedade que as brigas provocam e tentem reconstruir uma relação saudável na vida conjugal em benefício da vida atual e futura dos filhos.

Em alguns casos, torna-se necessário a contratação de um profissional para juntos entenderem as circunstâncias que acarretaram o problema de comportamento e a forma de relacionamento entre a criança e os seus pais, porque uma melhor interação contribui para romper o círculo vicioso de comportamentos negativos.

 
A educação dos filhos e a palmada Imprimir e-mail

 

A educação dos filhos e a palmada  

Desabafo de um pai:

Os filhos são educados pela fé e conquista, mesmo que hoje seja mais difícil educá-los

Uma boa educação dos filhos não se impõe com leis, muito menos com a lei das palmadas.

Quanto menos educação tem um povo, tanto mais leis criam os seus governantes, dizem os sociólogos. O que precisamos é de educar os pais, colocar o amor de Deus no coração deles e ensinar-lhes que os filhos são dons preciosos que o Senhor lhes confiou para os educar com carinho e modelá-los como preciosos diamantes. É preciso proteger a família, lutar contra toda a imoralidade que a destrói e desfigura. É assim que vamos assegurar aos filhos uma boa educação, sem violência e sem a intervenção do Estado.

O filho educa-se pela fé e pela conquista, mesmo que hoje seja mais difícil educar, porque uma inundação de “falsos valores” entra em nossa casa pela mídia. No entanto, com um trabalho dedicado e atencioso, os pais podem realizar uma boa educação. Mas, para isso, terão de “conquistar” os seus filhos, sem o que, eles não ouvirão a sua voz nem colocarão em prática os seus conselhos. Mas esta conquista não acontece com o que damos aos nossos filhos, mas com o que “somos” para eles. Temos tempo para eles? Brincamos com eles? Conversamos com eles? Ajudamo-los nas suas dificuldades? Sabemos acolher os seus amigos? Tornamos o lar um lugar agradável? Sabemos corrigi-los com delicadeza e firmeza, sem os humilhar? Sabemos descer ao seu nível de idade e sentimentos? Sabemos valorizá-los, estimulá-los e elogiá-los? Brincamos com os nossos filhos?

Um dia, quando os meus cinco filhos ainda eram adolescentes, eu li uma frase que me fez pensar muito: “Conquiste o seu filho antes que o traficante o faça”.

Antes de tudo, os filhos precisam de “ter orgulho” dos pais; sem isso, a educação poderá ficar comprometida. Se o filho tiver mais amor ao mundo do que aos pais, então, ele ouvirá mais o mundo do que os genitores. É assim que os pais “perdem” os seus filhos e já não ouvem a voz deles.

Conclui-se daí que os primeiros a serem educados são os pais, para poderem educar os filhos. André Berge, pedagogo francês, dizia que “os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos”.

Deixar Deus de fora da educação dos filhos é um risco

Foi Deus quem nos criou, Ele nos conhece até a mais profunda e escondida fibra do nosso ser, seja no campo biológico, psicológico, racional, sensitivo ou espiritual. Por isso, querer educar os filhos sem Deus e as Suas santas leis é relegar o homem a um plano muito inferior ao que ele ocupa: o de filho de Deus, imagem e semelhança do seu Criador. Deixar Deus de fora da educação dos filhos seria algo comparável a alguém que quisesse montar uma bela e complexa máquina ou estrutura sem usar e seguir o projeto detalhado do projetista. É claro que tudo sairia errado.

Educar é uma bela e nobre missão, pela qual vale a pena gastar o tempo, o dinheiro e a vida; afinal, estamos diante da maior preciosidade da vida: os nossos filhos. Tudo será pouco em vista da educação deles. Por esta razão, não é preciso palmadas nem leis para isso.

 
Uma carta à minha Mãe Imprimir e-mail

 

Uma carta à minha Mãe

Querida mamã:

Apesar de tu não teres querido que eu nascesse, não posso deixar de chamar-te “mamã”.

Escrevo-te do mundo de além, para te dizer que estava «muito feliz quando comecei a viver no teu seio... Eu desejava nascer, conhecer-te... e pensava que um dia seria uma criança muito alegre. Sonhei poder ir à escola e chegar a ser um homem importante... Eu acreditava que, quando se completassem os nove meses de estar juntinho ao teu coração e nascesse, todos lá em casa iriam alegrar-se com a minha chegada. Mas, tu não pensavas como eu - não é verdade, mamã?... e um dia, quando estava tão feliz a brincar no mais íntimo das tuas sagradas entranhas, senti algo muito estranho, que não saberia como explicar: algo que me fez estremecer. Senti que me tiravam a vida!... Uma faca surpreendeu-me quando eu brincava feliz e quando só desejava nascer para te amar.

Naquele momento, não compreendi quem me estava a tirar a vida... Diz-me, mãe: - Quem poderia entrar cruelmente dentro de ti e chegar onde, com tanta segurança, eu me encontrava, para me matar? Quem é que sabia que eu estava lá?... Quem foi, mamã?

Não sei o que cheguei a pensar... Perdoa-me, mas, por um momento a dúvida passou pela minha cabeça e acreditei que só tu o poderias ter feito. Perdoa-me este juízo. Como poderia eu imaginar que uma mãe fosse capaz de matar o seu filho quando, em casa, não estorvam nem o gato, nem a televisão?

Agora, mamã, sei tudo... Estou aqui, no outro mundo e um companheiro que teve a mesma sorte que eu, disse-me que sim, que foste tu... Disse-me que há mães que matam os filhos antes de nascer. Mãe, como foste capaz de matar-me?... Como foi possível que tivesses feito tal coisa contra mim? Pensavas comprar uma máquina de lavar ou um aspirador, com os gastos que talvez eu te iria causar? O mau conselho que te deram, escutaste-o, antes de ouvir o teu coração.

Como consentiste que me cortassem aos bocados e me atirassem para um balde?

Tinha tantas ilusões... tiraste-mas todas... Pensava poder vir a ser um bom engenheiro, ou um sacerdote ou um santo... Poderia ter sido um bom filho e ser um bom pai, mas, tu negaste-me tudo... Sabes uma coisa, mamã?...

Ontem estive a falar com Deus e pedi-Lhe que, por favor, me esclarecesse tudo acerca da verdade da minha morte. Ele abraçou-me, com muito carinho e disse-me muitas coisas...

As mesmas que sempre sonhei escutar dos teus lábios, quando esperava que, um dia, me embalasses nos teus braços. Disse-me que só Ele é o Senhor da vida e que ninguém tem o direito de a tirar. Olha, mamã, já me ia esquecer de que Ele me disse que terás de Lhe dar contas do que fizeste! Dos meus olhos caíram torrentes de lágrimas e de saudade.

Mamã, antes de me despedir de ti, peço-te um favor: que esta carta que te escrevo, a dês a ler às tuas amigas e futuras mães, para que não cometam o monstruoso crime que tu cometeste.

Envio-te o carinho que desejaria ter-te dado em vida... e peço-te que te arrependas daquilo que fizeste ao teu filho, que nunca nasceu.

 
Os bebés dentro do útero gostam de "ver" os rostos humanos Imprimir e-mail

Os bebés dentro do útero gostam muito de “ver” os rostos humanos

Será que eles estão tão ansiosos para conhecer os nossos rostos, como nós para vermos os deles?

No terceiro trimestre da gestação, o feto está cada vez mais consciente do mundo fora do útero. Ele consegue ouvir a voz da mãe desde a 18.ª semana da gravidez. Algumas semanas depois, ele também já vê a luz que ultrapassa as paredes do útero.

São factos que intrigaram os cientistas. Se um bebé que ainda não nasceu pode enxergar a luz, e podemos fazer um ultrassom 4D e ter uma ideia muito clara das reações do bebé, então ele seria atraído para uma configuração de luz semelhante ao rosto? Foi o que perguntaram os pesquisadores. Vincent Reid e os seus colegas da universidade britânica de Lancaster observaram 39 bebés no útero, virando a cabeça deles em direção a três pontos de luz que brilhavam através da parede uterina. A luz destinava-se a imitar um padrão de rosto rudimentar, com dois pontos acima, como os olhos, e um centralizado abaixo deles, onde seria uma boca.

Mas eles não estavam interessados somente nos pontos luminosos. Os cientistas descobriam que os bebés eram mais propensos a seguir o padrão que imitava um rosto humano. Quando os pesquisadores invertiam o formato das luzes, os bebés não reagiam.

Nós sabemos que os recém-nascidos são atraídos para os rostos humanos, embora sua visão seja muito pobre. Eles não vêem detalhes, apenas manchas escuras e leves que indicam os olhos e a boca da mãe, desde que ela não esteja muito distante. E quanto aos bebés nascidos prematuramente, eles são tão interessados em rostos quanto os bebés que atingem o período gestacional completo.

A questão, como sempre, é “por que é que isto tudo interessa?” Interessa porque todos querem saber sobre o que os bebés podem fazer dentro do útero, quanto eles sabem, etc. Mas, isso não vai transformar toda a  gente em pró-vida, já que nem a ultrassom o fez.

Ainda assim, isto é muito importante para mim. Estou sentada aqui e sentindo o meu próprio filho minúsculo,  contorcendo-se dentro de mim. Eu acho que isso importa porque diz que o bebé, a seu modo, está tão ansioso para ver o meu rosto como eu para ver o dele. Ele diz que ele se está a preparar para mim, assim como eu me estou a preparar para ele. O amor começa muito pequeno, em ações tão simples como o contacto com os olhos. E esta conexão cresce tanto que reflete o próprio amor de Deus, a própria essência de Deus. Este meu bebé já se está a preparar para se apaixonar, primeiro por mim, depois pela sua família, e espero, finalmente, por toda a família humana, especialmente por Cristo, que tem um rosto humano também.

Os seres humanos são feitos para o amor. E eu adorei saber que, mesmo antes do nascimento do meu filho, ele está a desenvolver uma atração inata para o rosto humano. É exatamente a maneira como a sua vida deve começar, uma vez que o trabalho da nossa vida inteira é gerar essa semente de amor e torná-la algo celestial.

 
Um pai escreve ao filho Imprimir e-mail

Um rei justo eleva a terra


Filho caríssimo, ensino-te em primeiro lugar que ames o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de todas as tuas forças; sem isto não há salvação.

Filho, guarda-te de tudo o que sabes que desagrada a Deus, isto é, de todo o pecado mortal, de tal modo que prefiras ser atormentado por qualquer espécie de martírio a cometer um pecado mortal.

Além disso, se o Senhor permitir que sofras alguma tribulação, suporta-a benignamente e com ação de graças, pensando que reverterá em bem e talvez justamente a mereceste. E, se o Senhor te conceder prosperidade, deves também humildemente agradecer-Lhe precavendo-te para não te tornares pior, por vaidade ou de qualquer outra maneira, porque não deves usar dos bens de Deus para O atacar ou O ofender.

De boa vontade, sigas igualmente o ofício na Igreja, e enquanto estiveres na igreja não olhes para os lados, não digas coisas vãs, mas suplica ao Senhor com devoção.

Tem um coração compassivo para com os pobres, os miseráveis e os aflitos, e segundo as tuas posses, socorre-os e consola-os. Dá graças a Deus por todos os benefícios que te foram concedidos. Para com os súbditos sê justo, mantendo a linha da justiça, sem declinar para a direita ou a esquerda. Fica sempre mais ao lado do pobre do que do rico, até que estejas certo da verdade. Cuida com diligência que todos os teus súbditos se mantenham em justiça e paz, principalmente os eclesiásticos e os religiosos. 

Sê devoto e obediente à nossa mãe, a Igreja Romana, e ao sumo Pontífice, como pai espiritual. Empenha-te em banir das tuas terras todo o pecado, especialmente o de blasfêmia e heresia. Filho caríssimo, enfim dou-te todas as bênçãos que um pai amoroso pode transmitir ao filho, e a Santíssima Trindade e todos santos te guardem de qualquer mal. O Senhor te conceda a graça de fazer de tal modo a Sua vontade que Ele seja servido e honrado por ti, e assim, após esta vida, juntos chegaremos a vê-Lo, amá-Lo e louvá-Lo eternamente. Amém.

(Do Testamento Espiritual de São Luís da França a seu filho)

 
Carta emocionante de uma filha, para o pai que a abandonou Imprimir e-mail

Carta emocionante de uma filha, para o pai que a abandonou

No quarto da jovem, a mãe encontra uma carta com a qual a filha confronta os seus sentimentos com relação ao pai, o homem que a fez e depois a abandonou.

Ser abandonada pelo pai é algo terrivelmente doloroso e que nenhuma criança ou família deveria ter que enfrentar. Isto deixa marcas para a vida toda e é difícil lidar com os sentimentos causados por esta perda. Com é que tu te sentirias com relação a este pai que um dia simplesmente decidiu tomar outro rumo sem pensar nas pessoas que ele ia deixar para trás? No quarto desta jovem, a mãe encontra uma carta com a qual a filha confronta os seus sentimentos com relação ao pai, o homem que a fez e depois a abandonou. É difícil colocar-se no lugar desta menina:

 “Querido pai que eu nunca conheci,

Eu não sei o seu nome e eu não quero saber porque isto não tem nenhum propósito para mim. Você provavelmente está a ler isto pensando que eu vou dizer que você foi um pai terrível e que você se deveria envergonhar de como você me abandonou. Não é este o caso. O que eu estou aqui para dizer é…

Eu perdoo-te, pai.

Eu perdoo por você não ter estado lá porque isto fez-me mais forte. Quando eu era mais nova e nós tínhamos a celebração do Dia do Pai na escola, eu tinha o meu avô. Quando me perguntaram “Onde está o teu pai?”, eu disse que eu não tinha um, mas tinha a coisa mais próxima disso. Ele já tinha sido pai, antes, então ele sabia o que eu precisava de aprender. Ele ensinou-me a nunca me intimidar com nada nem ninguém. Ele mostrou-me que eu nunca deveria ser tratada como nada menos do que um ser humano.

Eu perdoo, por me afastar de você porque isto me fez encontrar novos braços para me aproximar. A minha avó ensinou-me a ser respeitável e confiável. Ensinou-me a ser sempre verdadeira com toda a gente com quem você entrar em contacto, porque mentir seria pior do que qualquer palavra que você lhes dissesse. Ela não permitia que eu fosse desrespeitosa com os outros, e se eu fosse, ela também me ensinou que a punição era algo real. E eu digo que ela não tinha medo de fazer uso dela.

Eu perdoo por não ter sido um pai porque a mãe foi capaz de limpar a sua asneira. Ela tem tido este mesmo trabalho desde o primeiro segundo em que eu nasci. Ela criou duas crianças, aguentou um emprego das 9h às 17h e sempre nos manteve. Às vezes, pode ser que nem sempre tenha sido exatamente o que ela nos quis dar, mas nós somos eternamente gratos por tudo o que ela fez por nós. Quando nós íamos de férias, ela trabalhava duro para nos levar a viajar, e ter a certeza de que nós tivéssemos os melhores dias das nossas vidas. Ela foi a todos os eventos dos quais eu participei, todos os shows, todos os concertos, e tem fotos de cada um deles. Ela sempre esteve presente em tudo e teve orgulho de mim por cada memória que eu criei.

Eu perdoo por todas estas coisas porque eu sei que sou uma pessoa melhor por isso. Eu fui para o meu primeiro dia de aula no ensino fundamental sem você, eu formei-me no ensino médio sem você, eu comecei e fui até metade da faculdade sem você. Eu estou em paz com quem eu sou e com quem eu quero ser. Agora sei que pais eu tenho como modelo para quando eu for mãe. Não te ter não definiu o meu sucesso, isso empurrou-me e me motivou para que eu fosse ainda mais bem sucedida. Não porque eu quis provar algo para você, mas porque quis provar para mim mesma. Quando eu olho ao redor, esta família que cresceu com o tempo e as pessoas que entraram e saíram da minha vida preencheram o vazio que você deixou.

Apenas lembre-se, você não me ferrou quando você foi embora, quando você deixou de estar com a mãe e quando você fugiu dos seus problemas. O meu mundo continuou sem você. Eu realmente espero que você tenha encontrado a felicidade, e eu perdoo por ter sido o homem que me fez, mas que não me quis.

Sinceramente,

A menina que você trouxe ao mundo, mas não a quis”.

 

Quando alguém nos abandona, deixemo-los ir. Tudo acontece por uma razão, e se esta pessoa não foi feita para estar ao nosso lado, deve haver uma explicação para isso. A vida é bela e esta jovem soube tirar o maior proveito dela sem o pai ter estado presente. Uma linda carta de uma mulher que perdoou algo a quem nem todos nós perdoaríamos.

 
As fases das descobertas das diferenças sexuais Imprimir e-mail
 

As fases das descobertas das diferenças sexuais  

Como podemos observar, a sexualidade está impressa no ser humano desde a sua concepção. No entanto, é aos poucos que a criança vai tomando consciência das diferenças sexuais. Isto ocorre por volta dos três anos de idade, quando ela começa a descobrir as diferenças anatómicas existentes entre o homem e a mulher, como também percebe as diferenças entre o comportamento masculino e o feminino e as suas atitudes peculiares.

O despertar para as diferenças suscita na criança a curiosidade sobre o porquê e o para quê das diferenças sexuais e, assim, começam as perguntas que desconcertam a maioria dos pais: de onde viemos, como nascemos, como fomos colocados dentro da barriga da mãe, por que é que a mãe tem seios grandes, por que é que a menina não tem pénis, entre outras perguntas.

Os pais precisam de dar educação sexual aos filhos

Muitos pais desavisados preocupam-se com tais perguntas, achando-as precoces demais, espantam-se com isto e não percebem que este não é o único assunto que interessa à criança, mas também é algo que a preocupa, visto que essa é a fase da descoberta do mundo e também da sexualidade.

O desejo de conhecer leva a criança a ficar atenta a tudo. Olha com atenção para as características dos outros quando estão nus, querem tocar para sentir a diferença (pois exploram com as mãos); assim como exploram o próprio corpo, tocando nos seus órgãos genitais, e encontram prazer nesta manipulação. E se esta for uma das únicas formas de prazer da criança, pode se tornar um vício.

Portanto, é preciso saber lidar com esta situação: tirando com delicadeza a mão da criança dos seus genitais, dizendo-lhe que pode se magoa e reafirmando a função desse órgão. Talvez o mais importante seja proporcionar à criança momentos prazerosos na companhia de outras crianças e com os pais.

Brincadeiras sexuais

É muito comum que a criança elabore e incorpore estas novas descobertas por meio de jogos e brincadeiras, podendo brincar de médico e paciente; de pai e mãe, que dormem na mesma cama e se beijam como forma de encobrir a curiosidade sexual e a exploração do corpo.

Deve-se responder a estas questões com atitudes permissivas, considerando-as com naturalidade, assim como oferecer informações adequadas à capacidade de compreensão da criança, estar atento e orientar de forma oportuna as brincadeiras, valorizar de maneira positiva as diferenças sexuais e a complementaridade homem-mulher, demonstrar afeto, respeito e amor pelo cônjuge. Todos estes cuidados permitem que a criança viva esta etapa do desenvolvimento de maneira saudável, passando por esta fase sem acarretar problemas futuros, como a repressão exagerada e a hiperexcitação. Os pais também devem proporcionar à criança o tempo necessário para que a questão da sexualidade e genitalidade volte no momento adequado, isto é, na adolescência e vida adulta.

Mara Lourenço, Psicóloga

 
Amor é laço e não nó Imprimir e-mail

Amor é laço e não nó

O teu relacionamento é "laço" ou é "nó"?

Nó em cima de nó fica emaranhado – e quem consegue desatar depois? O amor precisa de duas mãos para enlaçar, sem apertar – apenas envolver com cuidado e confiança deixando o outro à vontade, livre e abraçado num sentimento leve, sem se sentir sufocado.

É mais favorável um relacionamento laço, baseado na parceira, envolvimento, confiança e liberdade do que os “enozados”, nos quais não há individualidade, mas uma confusão mental e sentimental sem princípio e fim.

Liberdade é uma palavra que precisa de estar presente, ainda mais num relacionamento. Não confundir relação com prisão e viver a vida do outro, pois é valioso manter o seu ir e vir, as suas companhias, a sua vida em paralelo com a do parceiro. Ninguém pertence a ninguém. Casal é soma, não subtração.

Um jovem diz que não namora porque ama a sua liberdade. Ora, se relacionamento é usurpar a liberdade então fiquemos solteiros para sempre! Ninguém quer perder os seus movimentos porque prefere alguém na vida.

Respeitar o espaço do outro, deixar este humano ser, e ter isto em troca é o segredo da unidade dos casais. Parece até um paradoxo, mas é assim mesmo que funciona. De contrário, torna-se uma relação de posse, dependência, cárcere e de um jogo emocional que anda na contramão do amor.

Não há necessidade de privar o parceiro das suas atividades, dos seus hobbies e paixões. Casal que se ama e vive bem, apoia-se, incentiva e não limita. É triste ver casais que só saem juntos, não fazem nada separado, que vivem de obrigações e permissões. Isto não é parceria, é medo, é dependência emocional. É preciso bom senso e tolerância.

Dos amores laço que devem viver os relacionamentos. Se apertar muito, torna-se nó! Conhecer o tamanho da linha, aprender a desatar nós quando necessário e como enlaçar faz toda a diferença.

Sempre que escolhemos estar com alguém, esta vontade parte de uma livre escolha, portanto, é deste princípio que a relação deve ser guiada, dentro do respeito e cumplicidade. Relação é união e não fusão, e além disso não há necessidade de acorrentar almas.

A individualidade é o nosso bem precioso, perder isto é abrir mão do que somos. Assim não há encontro, não há reconhecimento do ser. Perde-se a espontaneidade, as paixões e no fim, ficam dois estranhos numa relação, mas estranhando-se. Respeitar o outro ser humano é fundamental.

Isto significa amor incondicional. Amar um ser livre, sem posse, sem dependência; pessoas que estão juntas pelos laços que as unem. Quanto mais liberdade na relação, mais presos a ela ficamos, por livre e espontânea vontade.

 
Mamã, quero morrer para ver Deus Imprimir e-mail
  “Mamã, eu quero morrer para ver Deus” 

Uma experiência que vivi com o meu filho de 5 anos 

Um dia, um dos meus filhos, de seis anos, na época com cinco, disse que queria morrer. Sim, morrer. Foi um choque muito grande para mim ouvir aquela frase… 

– “Mamã, eu quero morrer.” 

A minha reação foi querer saber o motivo que levaria uma criança de cinco anos aparentemente feliz e tranquila a desejar… morrer. Ele não quis partilhar os motivos, o que se passava naquela cabecinha, e aquele dia para mim foi um dos mais longos da minha vida, custou a passar. 

Dias depois, tomando banho, ele disse: 

– “Mamã, leva-me a um deserto?” 

– “Deserto? Por que queres ir para um deserto?” 

– “Lá há cobras, uma delas pode picar-me e então eu vou morrer, eu quero morrer, mamã, eu já te disse isso.” 

– “Se me disseres por que queres morrer e eu concordar com a tua justificativa, eu te levarei a um deserto.” 

Obviamente, nenhum motivo no mundo justificaria tamanha loucura, mas naquele momento era o meu trunfo, a minha forma de entender o que se passava na cabeça daquela criança. 

– “Jura mamã, você sabe o caminho para chegar ao deserto?” 

– “Não sei, mas a mamã coloca no GPS e com certeza nós chegaremos lá.” 

– “Promete, mamã?” 

– “Lembre-se, eu tenho que concordar” 

Então veio a resposta que eu jamais imaginaria… 

– “Quero morrer para ver Deus.” 

Os meus olhos encheram-se de água. Respirei fundo e pedi a presença do Espírito Santo para que ele me pudesse ajudar naquele momento. Em segundos, senti-me calma e então respondi: 

– “Filho, nós não precisamos de morrer para encontrar Deus.” 

– “Mas, mamã, como chegaremos ao Céu sem morrer? Ele não fica lá no Céu?” 

– “Filho, nós podemos sentir e até mesmo ver Deus daqui. Vamos terminar o banho e eu quero mostrar-te uma coisa.” 

Fomos até ao jardim e chegamos perto de uma roseira, havia um lindo botão e eu disse: 

– “Olha para este botãozinho de flor, ele vai abrir e transformar-se-á numa linda e enorme rosa. Como achas que isto acontece? Olhe o pé de pitanga, cheio de frutinhos! Deus faz com que tudo isto aconteça; então, ao vermos toda esta beleza no jardim, estamos a ver a ação de Deus. Vem aqui que eu quero-te mostrar outra coisa.” 

Abri o meu computador e mostrei uma imagem que eu gosto muito. Particularmente eu gosto muito de meditar sobre imagens, algumas fascinam-me, transmitem de uma maneira infinita. Mostrei-lhe esta imagem: 

– “Mamã, você está a ver Deus aqui? Deus não é leão e também não é uma menininha.” 

– “Vítor, tudo o que nos acalma vem de Deus. Às vezes você fica com medo de alguma coisa, não fica? Você chora e a mamã te acalma, não é? Então, nesse momento, quando eu consigo acalmar-te, é Deus que está ali, Deus está presente, eu nunca conseguiria acalmar-te sem a presença de Deus. Aqui nesta foto você seria o leão e a menininha é Deus através da mamã e Ele também te usa, sabias? 

– “Jura mamã, como?” 

– “Sabes quando a mamã chega super cansada de uma viagem?” 

– “Sei mamã, eu tiro-lhe os sapatos, você coloca os pés para cima, eu faço uma massagem.” 

– “Eu fico calminha, não fico?” 

– “Fica mamã, você até diz que o cansaço vai embora.” 

– “Então! Desta vez eu fui o leão e tu a menina, e você só me consegue acalmar com a presença de Deus! Filho, tudo o que nos traz bons sentimentos vem de Deus. Todas as nossas boas ações são nossas reações a Deus, tudo, tudinho o que é bom brota de Deus! Quando vem uma vontade de fazermos o bem, não somos nós sozinhos, mas sim nós na presença de Deus.” 

– “Percebes agora que, se tu queres ver Deus, tu não precisas de morrer? Basta prestar atenção em você e ao seu redor. Cada coisa boa da sua vida, cada contentamento, cada momento que você se sente feliz e vivo, lembre-se que estás mais do que a ver Deus, tu estás a ver e sentir a presença do Pai do Céu.” E terminei: 

– “Se fizeres isto, perceber em você estes momentos, se você fizer isto durante a vida, aqui na Terra, conquistaremos super poderes e começaremos daqui a viver a eternidade.” 

– “Eternidade mamã, viver para sempre?” 

– “Sim filho, eternidade, mas vamos deixar este assunto para outro banho.”  
 
Quero ter mais filhos, mas o meu cônjuge não quer. Imprimir e-mail
 Quero ter mais filhos, mas o meu cônjuge não quer. O que fazer?    

A Igreja ensina que o casamento tem duas finalidades principais: o bem dos cônjuges e a geração e educação dos filhos 

Sabemos que existe uma forte cultura no sentido de evitar filhos, e são muitos os motivos para isso: medo do futuro, dificuldades financeiras, falta de conhecimento da vontade de Deus sobre o matrimónio e também o egoísmo e o comodismo, uma vez que os filhos exigem dedicação e sacrifícios. 

Evidentemente, um casal só deve ter filhos de comum acordo, cientes da grandeza que significa dar a vida a um ser humano, “imagem e semelhança de Deus” (Gen 1,26) – “a glória de Deus” (Santo Irineu de Lião) –, e que, um dia, vai viver eternamente com o Senhor. Nós não somos capazes de gerar nada mais belo do que um filho. 

A Palavra de Deus diz: “Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas”. “Feliz o homem que assim encheu a sua aljava…” (Sl 126,3-5). O Catecismo da Igreja diz: “A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais”. (Cat.§ 2373) 

O amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo 

“A fecundidade é um dom do matrimónio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio âmago dessa doação mútua, da qual é fruto e realização. Chamados a dar a vida, os esposos participam do poder criador e da paternidade de Deus. “Os cônjuges sabem que, no ofício de transmitir a vida e ser educador – o que deve ser considerado como missão própria deles –, são cooperadores do amor de Deus criador e como que seus intérpretes”. (n. 2366-7) 

O cônjuge que não quer ter mais filhos, quando o casal os pode ter e quando um deles quer, pode estar movido pelos sentimentos negativos citados; então, a parte que os deseja ter precisa de mostrar ao outro a vontade de Deus sobre o matrimónio. Isto deve ser feito com muito amor e carinho, mostrando ao outro o que a Igreja ensina sobre a paternidade responsável. 

Há casos em que é lícito o casal espaçar o nascimento dos filhos – não é evitar indefinidamente – quando há sérios problemas de saúde e financeiros, para que o casal recupere deles, e depois possa ter outros filhos. 

Confiança na Providência Divina 

Um casal só aceita ter todos os filhos que pode ter se agir segundo a vontade de Deus, na fé, numa vida de confiança na Providência Divina, que jamais abandona um casal na criação dos seus filhos. São Paulo repete o que disse o profeta Habacuc: “O justo vive pela fé” (Rom 1,17; Hab 2,4). E a carta aos hebreus diz: “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Heb 1,6). Portanto, quando um dos cônjuges quer ter um filho e o outro não quer, é preciso que o que quer o filho fortaleça a fé do outro e lhe mostre a vontade de Deus. O sentido mais profundo de gerar e educar os filhos é criar seres que, um dia, vão ocupar um lugar no Céu. 

Lá, não se gera mais filhos, não há casamento; só aqui na Terra. Então, Deus quer contar com a generosidade dos pais para gerar os seus filhos que, com Ele, viverão por toda a eternidade, desfrutando da Sua felicidade. Esta é uma missão sagrada e sublime do casal. Só com este sentimento um casal “aceita ter todos os filhos que Deus lhe enviar”, como prometeram a Deus no dia do casamento. 

É preciso meditar no que diz a Igreja sobre este assunto. O Papa Bento XVI disse: “Uma nação que não tem filhos é uma nação sem futuro”. É o que acontece com muitos países hoje. É triste ver a situação da Europa, do Japão e outros países envelhecidos, sem braços jovens para trabalhar e continuar a história dessas nações. 

Perigos que os métodos contraceptivos 

Na década de 60, os pesquisadores inventaram a pílula anticonceptiva. Logo em seguida, em 25 de Julho de 1968, o Papa Paulo VI escreveu a Encíclica Humanae Vitae (HV), alertando sobre os perigos que os métodos contraceptivos representavam para a humanidade. 

Já se passaram cerca de 50 anos, e o tempo mostra como o Papa Paulo VI tinha razão. Os países da Europa envelheceram; nenhum deles hoje consegue sequer repor a taxa mínima da natalidade para que a população do continente não diminua. Nenhum deles tem taxa de 2,1 filhos por mulher, o mínimo necessário para se manter a população estável. Os governantes agora multiplicam os incentivos para os casais terem filhos, mas sem sucesso. 

Isto acontece, hoje, por causa do drástico controle da natalidade facilitado pela pílula e outros métodos artificiais contraceptivos. Logo no início da referida encíclica HV, Paulo VI destacou: “O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias […]. O matrimónio e o amor conjugal estão por si mesmos ordenados para a procriação e educação dos filhos. Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimónio e contribuem grandemente para o bem dos pais” (n.9). 

Paternidade responsável 

Uma das advertências que o Papa colocou é que o casal deve viver a paternidade responsável, ter todos os filhos que puder criar com dignidade, sem cair na tentação do medo, do egoísmo e do comodismo de evitá-los. 

O Santo Padre insistiu que o ato sexual tem dois aspectos fundamentais e não podem ser separados: o unitivo e o procriativo. Se forem separados, haverá o uso indevido e egoísta do sexo” (n.11). 

Paulo VI lembrou também que a esterilização do homem ou da mulher fere o plano de Deus: “É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta (vasectomia e laqueação), quer perpétua ou temporária, tanto do homem como da mulher” (n.14). 

Não posso ter um filho agora. Existe alguma alternativa? 

Para os casais que precisam seriamente de evitar uma gravidez por um tempo, o Pontífice recomendou “os métodos naturais” de contracepção. Um exemplo é o conhecido Método Billings, que funciona muito bem quando o casal sabe usá-lo corretamente. A sua grande vantagem é que não fere a vontade de Deus e a mulher não toma medicamentos constantemente, o que pode fazer mal à sua saúde. Além disso, assim, estabelece-se entre o casal cristão um clima de amor, compreensão e respeito de mortificação que tanto santifica. 

Somente uma reflexão profunda sobre este tema fundamental da vida pode fazer com que o casal decida, numa expressão profunda do seu amor recíproco e no amor a Deus, aceitar os filhos que Ele lhe enviar.
 
Casais que cultivam práticas religiosas são mais felizes Imprimir e-mail
 Casais que cultivam práticas religiosas são mais felizes, diz pesquisa 

O cultivo de práticas religiosas pode ser determinante na longevidade do relacionamento de um casal, contanto que as façam juntos 

A oração é um poderoso elemento de vínculo entre homem e mulher. O cultivo de práticas religiosas pode ser determinante na longevidade do relacionamento de um casal, contanto que as façam juntos. É o que diz uma pesquisa recente do Institute for Family Studies (IFS), entidade norte-americana que trabalha com pesquisas comportamentais sobre temas de família. 

Segundo o IFS, rezar unidos, lado a lado e com frequência, diz muito sobre a qualidade do relacionamento. O doutor Bradford Wilcox, um dos responsáveis pelo estudo, diz que isto se deve ao facto de que a fé partilhada é um poderoso elemento de vínculo entre homem e mulher e a oração é, tradicionalmente, a melhor forma de manter viva a experiência religiosa. “Vimos que casais que vão à igreja juntos e que, ainda mais, rezam juntos, alcançam níveis altos de qualidade do relacionamento, disse Wilcox, que é diretor do National Marriage Project, da Universidade da Virgínia, e autor de vários estudos envolvendo religião e casamento.  

De acordo com o estudo, casais que rezam juntos pelo menos uma vez por semana são 17% mais propensos a considerarem-se “muitos felizes juntos”. Wilcox diz notar também um “poder ritualístico na oração que dá sentido de comunhão ao relacionamento, de estar unidos de uma maneira mais profunda e intensa”. Para os pesquisadores trata-se de “um símbolo de comprometimento mútuo”. 

No entanto, se apenas um dos dois vai à igreja, isso não apresenta nem benefícios nem riscos para a relação, mas há grandes diferenças dependendo se é ele ou ela quem frequenta os cultos. 

Os pesquisadores perceberam que são mais felizes os casais em que ambos frequentam a igreja ou aqueles em que apenas o homem frequenta. Quando apenas a mulher vai à igreja, o grau de felicidade cai, ficando abaixo até mesmo dos casais em que nenhum dos dois frequenta a igreja. 

A sua pesquisa revelou ainda que: 

– 78% dos casais que regularmente vão à igreja juntos, consideram-se muito ou extremamente felizes. 

Os benefícios da prática religiosa regular vão ainda além do nível de satisfação com o próprio relacionamento. Os dados mostram que casais que vão regularmente à igreja, são menos propensas a ter filhos fora do casamento ou a envolverem-se em casos de infidelidade. 

As redes de amizades, comuns nesses ambientes, também contribuem para o fortalecimento de modos de vida que respeitem determinados valores morais, além de se tornarem ambientes acolhedores em momentos difíceis. Os pesquisadores dizem que casais que frequentam esses círculos de amizade são mais propensos a estar disponíveis quando alguém perde o emprego, tem problemas no casamento ou perdem um ente querido. “Isso é verdade, seja você religioso ou não. Se os seus amigos conhecem a sua esposa e os amigos dela, você tende a permanecer-lhe fiel.” 

Quanto à constatação de que casais nos quais a mulher vai sozinha à igreja são menos felizes, Wilcox tem algumas teorias. Pode ser que mulheres com dificuldades no relacionamento costumem procurar alguma igreja, então elas já estariam menos felizes antes de ir à igreja. É também possível que as mulheres que vão à igreja vejam os seus amigos indo com os seus parceiros e percebam que isso beneficia o seu relacionamento e a sua vida, o que as faz desapontar-se com a própria relação.

 

 
A reunião anual que todos os casais deveriam ter Imprimir e-mail
 A reunião anual que todos os casais deveriam ter    

 

 

Administrar o dinheiro é um tema crítico na relação dos casais. Por isso, os problemas financeiros são um fator que contribui com muitos conflitos matrimoniais.  

No dia a dia, aparecem situações financeiras difíceis e a única saída é falar serenamente com o seu marido ou a sua esposa sobre isso. A comunicação é fundamental para se chegar a um acordo que satisfaça as duas partes. Apressar-se a tomar decisões financeiras sem o consentimento do outro somente trará problemas à relação.

  Outros comportamentos errados na hora de lidar com o dinheiro no casamento são:   – A atitude déspota do cônjuge que trabalha em relação ao que fica em casa. A expressão “eu ganho o dinheiro, portanto decido como gastá-lo” é totalmente equivocada. O casamento é uma sociedade e, como tal, ambos têm o mesmo direito de decidir como gastar e como economizar dinheiro;  

 

– Desviar parte do dinheiro destinado à manutenção da casa para o uso pessoal;  

 

– A atitude machista da mulher que gasta o dinheiro que ganha somente com ela mesma, pois tem a impressão errada de que o homem é obrigado a manter a família;  

 

– Hobbies de um dos cônjuges excessivamente caros, que tiram a qualidade de vida da família ou a oportunidade de passarem férias todos juntos;  

 

– Esquecer que o cônjuge que fica em casa e que não recebe salário precisa de dinheiro para os seus gastos pessoais, sem ter que ficar a pedir  para o que trabalha. Isto pode ser muito humilhante.  

 

Conheçam-se financeiramente  

 

A unidade e a transparência no uso do dinheiro são fundamentais numa relação conjugal. O ideal é que os casais, antes do casamento, tirem um tempo para falar sobre a forma como vão administrar as suas finanças, conhecendo o que cada um possui.  Se ainda não fez isto, e acha conveniente fazê-lo, convoque uma reunião para falar sobre o tema com o seu marido ou a sua esposa. Os dois devem ter uma noção cabal do que necessitam e do que dispõem.  E façam esta reunião pelo menos uma vez ao ano e analisem com profundidade as vossas finanças. Não esperem o momento de crise para rever e planear, pois isso causa estresse e ansiedade.  

 

Os temas de discussão, nessa reunião, podem incluir tópicos como:  

 

– Documentos importantes: os dois devem saber exatamente onde estão os documentos importantes como as apólices de seguro, os testamentos, os formulários de impostos, os números das contas bancárias, informações específicas sobre investimentos e muito mais.  

 

– O orçamento doméstico: avaliem como estão a gastar o dinheiro. Se os seus gastos não coincidem com as vossas prioridades, modifiquem o orçamento doméstico para que tenham o máximo rendimento das vossas receitas.  

 

– Avaliem as vossas metas: analisem novamente as metas financeiras que foram definidas na última reunião. Perguntem se estão a conseguir atingi-las e se elas ainda fazem sentido para vós. Discutam outra meta com que gostariam de trabalhar, tanto a curto, como a longo prazo.  

 

– Analisem os pontos fracos:

Encontrem os pontos fracos da situação financeira do casal. Vós tendes muitas dívidas? Não estais seguros em relação aos vossos empregos e receitas? Não tendes entradas suficientes para cobrir os gastos? Se identificarem estas fraquezas, podem evitar dificuldades futuras.  

 

– Responsabilidades de cada um:

Dividam as tarefas financeiras. A administração do dinheiro de um casal é trabalho para os dois. A responsabilidade de lidar com as finanças é um exercício para ser partilhado. Analisem também se a divisão financeira que fizeram é prática. O sistema funciona ou uma pessoa sente-se sobrecarregada?  

 

– Contas bancárias:

Avaliem a autonomia financeira de cada um. Alguns casais preferem contas separadas e dividem as faturas que têm para pagar. Isto dá liberdade para cada um usar o seu dinheiro.

Outra opção é colocar as entradas numa conta conjunta e pagar todas as faturas a partir desta conta, e que cada um tenha a sua conta individual para gastos pessoais. Se tiverem conta conjunta, assegurem-se de comunicar cada transação realizada ao seu cônjuge.  

 

– Cartões de crédito:

Deve ser mantido pelo menos um cartão de crédito em seu próprio nome, para criar um histórico de crédito próprio, sem depender do cônjuge.  Não descuide o lado financeiro do seu lar.

Lembre-se de que isto é fundamental para uma relação saudável e baseada no amor.
 
<< Início < Anterior | 1 2 3 4 5 | Seguinte > Final >>

Resultados 1 - 40 de 196

Webdesign Contabilidade Porto Porto Apartments