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"A Tua Palavra é Luz para os meus passos"

(Sl 119, 105)

 
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A Família
Quero ter mais filhos, mas o meu cônjuge não quer. Imprimir e-mail
 Quero ter mais filhos, mas o meu cônjuge não quer. O que fazer?    

A Igreja ensina que o casamento tem duas finalidades principais: o bem dos cônjuges e a geração e educação dos filhos 

Sabemos que existe uma forte cultura no sentido de evitar filhos, e são muitos os motivos para isso: medo do futuro, dificuldades financeiras, falta de conhecimento da vontade de Deus sobre o matrimónio e também o egoísmo e o comodismo, uma vez que os filhos exigem dedicação e sacrifícios. 

Evidentemente, um casal só deve ter filhos de comum acordo, cientes da grandeza que significa dar a vida a um ser humano, “imagem e semelhança de Deus” (Gen 1,26) – “a glória de Deus” (Santo Irineu de Lião) –, e que, um dia, vai viver eternamente com o Senhor. Nós não somos capazes de gerar nada mais belo do que um filho. 

A Palavra de Deus diz: “Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas”. “Feliz o homem que assim encheu a sua aljava…” (Sl 126,3-5). O Catecismo da Igreja diz: “A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais”. (Cat.§ 2373) 

O amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo 

“A fecundidade é um dom do matrimónio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio âmago dessa doação mútua, da qual é fruto e realização. Chamados a dar a vida, os esposos participam do poder criador e da paternidade de Deus. “Os cônjuges sabem que, no ofício de transmitir a vida e ser educador – o que deve ser considerado como missão própria deles –, são cooperadores do amor de Deus criador e como que seus intérpretes”. (n. 2366-7) 

O cônjuge que não quer ter mais filhos, quando o casal os pode ter e quando um deles quer, pode estar movido pelos sentimentos negativos citados; então, a parte que os deseja ter precisa de mostrar ao outro a vontade de Deus sobre o matrimónio. Isto deve ser feito com muito amor e carinho, mostrando ao outro o que a Igreja ensina sobre a paternidade responsável. 

Há casos em que é lícito o casal espaçar o nascimento dos filhos – não é evitar indefinidamente – quando há sérios problemas de saúde e financeiros, para que o casal recupere deles, e depois possa ter outros filhos. 

Confiança na Providência Divina 

Um casal só aceita ter todos os filhos que pode ter se agir segundo a vontade de Deus, na fé, numa vida de confiança na Providência Divina, que jamais abandona um casal na criação dos seus filhos. São Paulo repete o que disse o profeta Habacuc: “O justo vive pela fé” (Rom 1,17; Hab 2,4). E a carta aos hebreus diz: “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Heb 1,6). Portanto, quando um dos cônjuges quer ter um filho e o outro não quer, é preciso que o que quer o filho fortaleça a fé do outro e lhe mostre a vontade de Deus. O sentido mais profundo de gerar e educar os filhos é criar seres que, um dia, vão ocupar um lugar no Céu. 

Lá, não se gera mais filhos, não há casamento; só aqui na Terra. Então, Deus quer contar com a generosidade dos pais para gerar os seus filhos que, com Ele, viverão por toda a eternidade, desfrutando da Sua felicidade. Esta é uma missão sagrada e sublime do casal. Só com este sentimento um casal “aceita ter todos os filhos que Deus lhe enviar”, como prometeram a Deus no dia do casamento. 

É preciso meditar no que diz a Igreja sobre este assunto. O Papa Bento XVI disse: “Uma nação que não tem filhos é uma nação sem futuro”. É o que acontece com muitos países hoje. É triste ver a situação da Europa, do Japão e outros países envelhecidos, sem braços jovens para trabalhar e continuar a história dessas nações. 

Perigos que os métodos contraceptivos 

Na década de 60, os pesquisadores inventaram a pílula anticonceptiva. Logo em seguida, em 25 de Julho de 1968, o Papa Paulo VI escreveu a Encíclica Humanae Vitae (HV), alertando sobre os perigos que os métodos contraceptivos representavam para a humanidade. 

Já se passaram cerca de 50 anos, e o tempo mostra como o Papa Paulo VI tinha razão. Os países da Europa envelheceram; nenhum deles hoje consegue sequer repor a taxa mínima da natalidade para que a população do continente não diminua. Nenhum deles tem taxa de 2,1 filhos por mulher, o mínimo necessário para se manter a população estável. Os governantes agora multiplicam os incentivos para os casais terem filhos, mas sem sucesso. 

Isto acontece, hoje, por causa do drástico controle da natalidade facilitado pela pílula e outros métodos artificiais contraceptivos. Logo no início da referida encíclica HV, Paulo VI destacou: “O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias […]. O matrimónio e o amor conjugal estão por si mesmos ordenados para a procriação e educação dos filhos. Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimónio e contribuem grandemente para o bem dos pais” (n.9). 

Paternidade responsável 

Uma das advertências que o Papa colocou é que o casal deve viver a paternidade responsável, ter todos os filhos que puder criar com dignidade, sem cair na tentação do medo, do egoísmo e do comodismo de evitá-los. 

O Santo Padre insistiu que o ato sexual tem dois aspectos fundamentais e não podem ser separados: o unitivo e o procriativo. Se forem separados, haverá o uso indevido e egoísta do sexo” (n.11). 

Paulo VI lembrou também que a esterilização do homem ou da mulher fere o plano de Deus: “É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta (vasectomia e laqueação), quer perpétua ou temporária, tanto do homem como da mulher” (n.14). 

Não posso ter um filho agora. Existe alguma alternativa? 

Para os casais que precisam seriamente de evitar uma gravidez por um tempo, o Pontífice recomendou “os métodos naturais” de contracepção. Um exemplo é o conhecido Método Billings, que funciona muito bem quando o casal sabe usá-lo corretamente. A sua grande vantagem é que não fere a vontade de Deus e a mulher não toma medicamentos constantemente, o que pode fazer mal à sua saúde. Além disso, assim, estabelece-se entre o casal cristão um clima de amor, compreensão e respeito de mortificação que tanto santifica. 

Somente uma reflexão profunda sobre este tema fundamental da vida pode fazer com que o casal decida, numa expressão profunda do seu amor recíproco e no amor a Deus, aceitar os filhos que Ele lhe enviar.
 
Casais que cultivam práticas religiosas são mais felizes Imprimir e-mail
 Casais que cultivam práticas religiosas são mais felizes, diz pesquisa 

O cultivo de práticas religiosas pode ser determinante na longevidade do relacionamento de um casal, contanto que as façam juntos 

A oração é um poderoso elemento de vínculo entre homem e mulher. O cultivo de práticas religiosas pode ser determinante na longevidade do relacionamento de um casal, contanto que as façam juntos. É o que diz uma pesquisa recente do Institute for Family Studies (IFS), entidade norte-americana que trabalha com pesquisas comportamentais sobre temas de família. 

Segundo o IFS, rezar unidos, lado a lado e com frequência, diz muito sobre a qualidade do relacionamento. O doutor Bradford Wilcox, um dos responsáveis pelo estudo, diz que isto se deve ao facto de que a fé partilhada é um poderoso elemento de vínculo entre homem e mulher e a oração é, tradicionalmente, a melhor forma de manter viva a experiência religiosa. “Vimos que casais que vão à igreja juntos e que, ainda mais, rezam juntos, alcançam níveis altos de qualidade do relacionamento, disse Wilcox, que é diretor do National Marriage Project, da Universidade da Virgínia, e autor de vários estudos envolvendo religião e casamento.  

De acordo com o estudo, casais que rezam juntos pelo menos uma vez por semana são 17% mais propensos a considerarem-se “muitos felizes juntos”. Wilcox diz notar também um “poder ritualístico na oração que dá sentido de comunhão ao relacionamento, de estar unidos de uma maneira mais profunda e intensa”. Para os pesquisadores trata-se de “um símbolo de comprometimento mútuo”. 

No entanto, se apenas um dos dois vai à igreja, isso não apresenta nem benefícios nem riscos para a relação, mas há grandes diferenças dependendo se é ele ou ela quem frequenta os cultos. 

Os pesquisadores perceberam que são mais felizes os casais em que ambos frequentam a igreja ou aqueles em que apenas o homem frequenta. Quando apenas a mulher vai à igreja, o grau de felicidade cai, ficando abaixo até mesmo dos casais em que nenhum dos dois frequenta a igreja. 

A sua pesquisa revelou ainda que: 

– 78% dos casais que regularmente vão à igreja juntos, consideram-se muito ou extremamente felizes. 

Os benefícios da prática religiosa regular vão ainda além do nível de satisfação com o próprio relacionamento. Os dados mostram que casais que vão regularmente à igreja, são menos propensas a ter filhos fora do casamento ou a envolverem-se em casos de infidelidade. 

As redes de amizades, comuns nesses ambientes, também contribuem para o fortalecimento de modos de vida que respeitem determinados valores morais, além de se tornarem ambientes acolhedores em momentos difíceis. Os pesquisadores dizem que casais que frequentam esses círculos de amizade são mais propensos a estar disponíveis quando alguém perde o emprego, tem problemas no casamento ou perdem um ente querido. “Isso é verdade, seja você religioso ou não. Se os seus amigos conhecem a sua esposa e os amigos dela, você tende a permanecer-lhe fiel.” 

Quanto à constatação de que casais nos quais a mulher vai sozinha à igreja são menos felizes, Wilcox tem algumas teorias. Pode ser que mulheres com dificuldades no relacionamento costumem procurar alguma igreja, então elas já estariam menos felizes antes de ir à igreja. É também possível que as mulheres que vão à igreja vejam os seus amigos indo com os seus parceiros e percebam que isso beneficia o seu relacionamento e a sua vida, o que as faz desapontar-se com a própria relação.

 

 
A reunião anual que todos os casais deveriam ter Imprimir e-mail
 A reunião anual que todos os casais deveriam ter    

 

 

Administrar o dinheiro é um tema crítico na relação dos casais. Por isso, os problemas financeiros são um fator que contribui com muitos conflitos matrimoniais.  

No dia a dia, aparecem situações financeiras difíceis e a única saída é falar serenamente com o seu marido ou a sua esposa sobre isso. A comunicação é fundamental para se chegar a um acordo que satisfaça as duas partes. Apressar-se a tomar decisões financeiras sem o consentimento do outro somente trará problemas à relação.

  Outros comportamentos errados na hora de lidar com o dinheiro no casamento são:   – A atitude déspota do cônjuge que trabalha em relação ao que fica em casa. A expressão “eu ganho o dinheiro, portanto decido como gastá-lo” é totalmente equivocada. O casamento é uma sociedade e, como tal, ambos têm o mesmo direito de decidir como gastar e como economizar dinheiro;  

 

– Desviar parte do dinheiro destinado à manutenção da casa para o uso pessoal;  

 

– A atitude machista da mulher que gasta o dinheiro que ganha somente com ela mesma, pois tem a impressão errada de que o homem é obrigado a manter a família;  

 

– Hobbies de um dos cônjuges excessivamente caros, que tiram a qualidade de vida da família ou a oportunidade de passarem férias todos juntos;  

 

– Esquecer que o cônjuge que fica em casa e que não recebe salário precisa de dinheiro para os seus gastos pessoais, sem ter que ficar a pedir  para o que trabalha. Isto pode ser muito humilhante.  

 

Conheçam-se financeiramente  

 

A unidade e a transparência no uso do dinheiro são fundamentais numa relação conjugal. O ideal é que os casais, antes do casamento, tirem um tempo para falar sobre a forma como vão administrar as suas finanças, conhecendo o que cada um possui.  Se ainda não fez isto, e acha conveniente fazê-lo, convoque uma reunião para falar sobre o tema com o seu marido ou a sua esposa. Os dois devem ter uma noção cabal do que necessitam e do que dispõem.  E façam esta reunião pelo menos uma vez ao ano e analisem com profundidade as vossas finanças. Não esperem o momento de crise para rever e planear, pois isso causa estresse e ansiedade.  

 

Os temas de discussão, nessa reunião, podem incluir tópicos como:  

 

– Documentos importantes: os dois devem saber exatamente onde estão os documentos importantes como as apólices de seguro, os testamentos, os formulários de impostos, os números das contas bancárias, informações específicas sobre investimentos e muito mais.  

 

– O orçamento doméstico: avaliem como estão a gastar o dinheiro. Se os seus gastos não coincidem com as vossas prioridades, modifiquem o orçamento doméstico para que tenham o máximo rendimento das vossas receitas.  

 

– Avaliem as vossas metas: analisem novamente as metas financeiras que foram definidas na última reunião. Perguntem se estão a conseguir atingi-las e se elas ainda fazem sentido para vós. Discutam outra meta com que gostariam de trabalhar, tanto a curto, como a longo prazo.  

 

– Analisem os pontos fracos:

Encontrem os pontos fracos da situação financeira do casal. Vós tendes muitas dívidas? Não estais seguros em relação aos vossos empregos e receitas? Não tendes entradas suficientes para cobrir os gastos? Se identificarem estas fraquezas, podem evitar dificuldades futuras.  

 

– Responsabilidades de cada um:

Dividam as tarefas financeiras. A administração do dinheiro de um casal é trabalho para os dois. A responsabilidade de lidar com as finanças é um exercício para ser partilhado. Analisem também se a divisão financeira que fizeram é prática. O sistema funciona ou uma pessoa sente-se sobrecarregada?  

 

– Contas bancárias:

Avaliem a autonomia financeira de cada um. Alguns casais preferem contas separadas e dividem as faturas que têm para pagar. Isto dá liberdade para cada um usar o seu dinheiro.

Outra opção é colocar as entradas numa conta conjunta e pagar todas as faturas a partir desta conta, e que cada um tenha a sua conta individual para gastos pessoais. Se tiverem conta conjunta, assegurem-se de comunicar cada transação realizada ao seu cônjuge.  

 

– Cartões de crédito:

Deve ser mantido pelo menos um cartão de crédito em seu próprio nome, para criar um histórico de crédito próprio, sem depender do cônjuge.  Não descuide o lado financeiro do seu lar.

Lembre-se de que isto é fundamental para uma relação saudável e baseada no amor.
 
Tenho um filho padre, sou feliz! Imprimir e-mail
TENHO UM FILHO PADRE, SOU FELIZ!

Quando o meu filho quis ser padre, eu lutei desesperadamente contra ele, eu não achava o sacerdócio uma vocação de destaque e eu esperava muito do meu filho, eu queria-o igual aos outros e não numa carreira cheias de incompreensões.

Mas ele foi mais forte do que eu e um dia recebi de suas mãos a sagrada comunhão. Depois vi muita gente mudar de vida por causa dele.

Vi um pai deixar de beber e de espancar os filhos; vi jovens chorarem de amor na Missa dele; vi outros pais desejarem um filho como ele e terem inveja de mim; vi homens mais velhos que ele a pedirem-lhe os conselhos; vi doentes morrerem felizes porque o meu filho os visitava; vi crianças pularem ao pescoço do meu filho e ele acariciá-las com pureza de verdadeiro pai; vi autoridades pedirem a sua presença e a sua ajuda em situações difíceis…e senti uma vergonha tremenda de ter antes pensado que o meu filho não deveria ser padre por não ser esta uma vocação de destaque.

Afinal foi a melhor escolha dele: o meu filho tornara-se o homem mais importante do mundo porque ensinava a amar e amava como ninguém.

Eu peço perdão a Deus e a todas as pessoas pelo que pensei e agradeço a Deus por eu ter um filho padre; eu que nem sequer o quis merecer!
 
3 poderosos sacramentais para ter em casa Imprimir e-mail
3 poderosos sacramentais para ter em casa   

 

O uso dos sacramentais é uma das práticas religiosas menos compreendidas de modo adequado pelos católicos. Embora façam parte da vida na Igreja desde o início do cristianismo, os sacramentais são vistos por muita gente, de forma errada, como uma espécie de “superstição”. Acontece que, de facto, muitos católicos, usam os sacramentais de modo supersticioso por falta de compreensão do seu verdadeiro sentido: em vez de instrumentos da graça de Deus, eles são tratados como objetos “mágicos”, coisa que não são. Os sacramentais servem para enriquecer a nossa vida espiritual, não para a prejudicar. Eles foram instituídos pela Igreja para incentivar em nós um relacionamento cada vez mais profundo com Cristo e para nos ajudar a focar na santificação de cada parte da nossa vida, inclusive nas mais singelas e quotidianas. Os sacramentais são extensões dos sete sacramentos e ajudam-nos a ver e a acolher a graça de Deus no nosso dia-a-dia. Um lugar onde os sacramentais são especialmente poderosos é o lar. Se os usarmos com espírito de fé, os sacramentais podem afastar-nos de perigos espirituais e inspirar-nos a viver uma vida santa, dedicada a Deus na prática de cada dia. Os três sacramentais que mencionamos a seguir, se forem usados ​​adequadamente, podem dar um novo impulso espiritual ao nosso lar:  

A água benta   

 

A água benta tem o duplo significado de nos lembrar o nosso batismo e simbolizar a limpeza espiritual. É usada inclusive em exorcismos: o diabo não suporta a água benta porque é inteiramente impuro, imundo para toda a eternidade. Ela evoca a água que fluiu do lado de Cristo, símbolo do batismo, e traz à mente o dia da derrota do diabo: a crucificação de Cristo para nos redimir do pecado e nos oferece a salvação. Um antigo costume era fixar recipientes com água benta em algumas paredes da casa: podiam ser simples copos de louça, em cuja água benta cada morador da casa tocava para fazer o Sinal da Cruz, acolhendo assim a bênção de Deus. Era frequente que esses recipientes simples, mas dignos, estivessem fixados perto das portas, de modo que as pessoas recorressem a eles ao saírem e voltarem a casa, ou dentro dos quartos dos membros da família, como convite a se manterem sempre puros e próximos de Deus. A água benta também ficava sempre ao alcance quando se desejava de modo especial afastar as influências do maligno.  

 

O sal abençoado   

 

Também é um antigo costume manter em casa um pequeno recipiente com sal abençoado. É preciso pedi-lo ao pároco, embora hoje em dia muitos padres não estejam muito familiarizados com esta prática. De facto, o sal abençoado é hoje um sacramental muitas vezes esquecido. Apesar disso, ele representa uma poderosa arma contra o mal, conforme o texto usado na sua bênção de acordo com o Ritual Romano: o sal abençoado é descrito como símbolo de saúde para a mente e o corpo dos que o utilizam porque tem o sentido de nos livrar da impureza e nos proteger dos ataques malignos. O próprio Cristo nos exorta, no Evangelho, a ser sal da terra e luz do mundo.  

 

O crucifixo   

 

Outro sacramental muito poderoso, e que é encontrado com mais frequência em nossas casas, é o crucifixo. Ele não apenas nos recorda o grande Amor de Deus para conosco, mas também é uma das armas principais contra os inimigos espirituais. O crucifixo é a derrota de Satanás e o sinal de tudo o que ele despreza. O recomendável é ter um crucifixo em cada parte da casa, para meditar o mais possível no imenso sacrifício que Jesus fez por nosso amor e para a nossa redenção, além de nos encorajar a ser fiéis a Deus nas horas de tentação. Lembre-se também de pedir a um sacerdote que abençoe os seus crucifixos.  

 

O escapulário  

 

 Um dos mais conhecidos sacramentais da Igreja é particularmente poderoso e inspirador: o escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Que deve ser benzido e imposto por um sacerdote.
 
Efeitos da pornografia no matrimónio Imprimir e-mail

EFEITOS DA PORNOGRAFIA NO MATRIMÓNIO

E ESPERANÇA PARA OS ESPOSOS  

 

A perspectiva de Sam: Uma semana antes do casamento                

Uma semana antes do nosso casamento, entrei numa loja de conveniência dizendo a mim mesmo que seria a última vez que usaria pornografia. Eu usava pornografia desde a escola secundária, mas pensava que depois de casar já não “precisaria” dela: a minha noiva Beth era bonita, inteligente, atlética, preocupada com a sua fé, e era a minha melhor amiga.      

 

 

Lamentavelmente, os primeiros anos do nosso matrimónio estiveram cheios de angústia, solidão e falta de confiança devido ao facto de eu usar pornografia. Procurámos ajuda de múltiplos conselheiros e sacerdotes, mas no princípio dos anos 2000 não havia muita gente que soubesse como ajudar-nos. Pela graça de Deus encontrámos um dos melhores centros de aconselhamento nos Estados Unidos para pessoas que lutam contra o uso de pornografia. Tivemos vários anos de aconselhamento matrimonial, participámos em muitos grupos de apoio e reconstruímos a confiança e a intimidade no nosso matrimónio. Pela primeira vez na minha vida, encontrei esperança, cura e sobriedade, e o nosso matrimónio começou a curar-se.              

 

Agora sou conselheiro matrimonial e dedico-me a tratar a adição de pornografia. Conheci muitos bons católicos, tanto solteiros como casados, que se estão a libertar da pornografia. Neste artigo, Beth e eu partilharemos ideias práticas e recursos que nos ajudaram, a nós e a outros casais, a curar-nos do uso de pornografia e a ter matrimónios florescentes.                           

 

 Muitas boas pessoas lutam   

Uma das maiores mentiras que Satanás levou a crer a muitos casais católicos é que estão sós nas suas lutas contra a pornografia. Podemos surpreender-nos ao saber que muitos bons católicos e cristãos estão a lutar com este problema. Uma pesquisa do grupo Barna sobre o uso de pornografia nos Estados Unidos indicou que 37% de homens cristãos e 7% de mulheres cristãs usavam pornografia várias vezes por semana ou mais, e que 64% de homens cristãos e 15% de mulheres cristãs usavam pornografia uma vez por mês ou mais. De facto, como casal, conhecemos muitos bons homens, mulheres, professores, sacerdotes, educadores de jovens e outros que lutaram com a pornografia.                        

 

 A ciência cerebral da pornografia     

 É importante que entendamos que a pornografia afecta o cérebro, utilizando-se esporadicamente ou várias vezes por semana: ver pornografia, conjugando-a habitualmente com a masturbação, afecta directamente as vias de recompensa do cérebro, e tem-se observado que tem um efeito semelhante sobre o cérebro ao da cocaína numa pessoa viciada em drogas, ou ao do álcool numa pessoa viciada em álcool. A pornografia nunca é inofensiva.                        

 

A pornografia diminui a satisfação sexual e aumenta a infidelidade          

 Um mito comum sobre a pornografia é que melhora a intimidade sexual. Isto não é verdade. Pelo contrário, as investigações indicam que a exposição à pornografia diminui a satisfação sexual nas relações tanto nos homens como nas mulheres. Numerosos médicos afirmam que a pornografia aumenta as taxas de disfunção eréctil, incluindo em homens jovens nas faixas etárias dos vinte e trinta anos. As investigações indicam que os homens casados que usam pornografia são mais propensos a ter relações extraconjugais, sentem-se menos atraídos e estão menos interessados na intimidade sexual com as suas esposas. As investigações também indicam que as mulheres que usam pornografia são mais negativas acerca dos seus corpos e têm menos relações sexuais no seu matrimónio.                    

 

No seu trabalho de aconselhamento, Sam trabalhou com casais que viram pornografia juntos em algum momento do seu matrimónio, mas depois de algum tempo as esposas sentiram-se utilizadas e exploradas. Descobrir a forte conexão da indústria pornográfica com o tráfico de pessoas e a violência contra as mulheres foi um importante ponto de inflexão para estes casais no seu caminho de cura, porque lhes mostrou o impacto do grande alcance da pornografia.             

 

Outros impactos da pornografia no matrimónio     

A pornografia pode atingir os matrimónios com efeitos financeiros, falta de confiança e riscos de separação e divórcio. Conhecemos muitos casais que lidavam com a perda de emprego porque um dos cônjuges usava pornografia no trabalho. Lamentavelmente, também conhecemos muitos casais que não protegiam os seus filhos da pornografia, por vezes devido a lutas ou enganos no seu matrimónio sobre a pornografia. A pornografia quebra a confiança e aumenta o risco de separação e divórcio. Durante uma conferência nacional de advogados especialistas em divórcio, pouco mais de metade dos advogados indicaram que a pornografia na Internet desempenhou um papel importante nos divórcios em que haviam trabalhado durante o último ano.        

 

Apoio e traição conjugal        

Estar casado com alguém que luta com a pornografia tem um custo espiritual, emocional, físico e psicológico. É importante que os cônjuges saibam que não são a razão pela qual o seu esposo ou a sua esposa procura pornografia, contrariamente ao que se lhes possa dizer; é impossível que os cônjuges compitam com a fantasia. Os cônjuges podem sofrer de sintomas de transtorno de stress pós-traumático quando descobrem a dependência de pornografia do seu cônjuge e podem sentir uma tremenda sensação de traição. Nos casos de dependência de pornografia, quando o comportamento de um cônjuge altera seriamente a vida da família, o outro cônjuge geralmente é o que mais cuida dos filhos, das finanças e da manutenção da casa, e é quem assegura a percepção, diante da família e dos amigos, de que as coisas estão bem.                       

 

Esperança para os esposos    

Mas há esperança! Ainda que livrar-se da pornografia possa ser difícil e leve tempo, é possível. O Senhor quer curar os matrimónios que foram afectados pelo uso de pornografia de um cônjuge ou de ambos os cônjuges.                 

 

Criar limites    

Estabelecer limites claros pode ajudar as pessoas a evitar o uso de pornografia. Vários limites comuns podem ser evitar dispositivos de Internet não monitorizados, pesquisa de imagens, anúncios ilícitos, smartphones na casa-de-banho, estantes de revistas, ir a quartos de hotel sozinho, deitar-se depois do cônjuge, mentir ou ocultar informação ao cônjuge. Muitos casais acharam útil utilizar softwares de prestação de contas e de filtragem em telemóveis, tablets, computadores, etc. Os softwares de filtragem bloqueiam a maior parte da pornografia na Internet e os softwares de prestação de contas podem enviar por correio electrónico informações semanais sobre a actividade na Internet a pessoas de confiança.                         

 

Construir prestação de contas           

 Falando de prestação de contas, este é um dos factores mais importantes para que as pessoas façam progressos significativos em libertar-se da pornografia. No caso dos homens, prestar contas a outros homens de confiança é uma grande ajuda, pois a maioria dos homens católicos precisam de alento e trabalho em equipa para evitar a pornografia. As mulheres também beneficiam dos grupos de prestação de contas de mulheres que se esforçam por alcançar a pureza. Num primeiro momento pode ser necessário ter muita coragem para prestar contas a outras pessoas, mas é uma das maneiras mais eficazes de libertar-se da pornografia.          

 

 Intimidade saudável 

É possível que as esposas nem sequer se dêem conta de que durante o momento mais íntimo com o seu esposo, este possa estar a lidar com pensamentos e fantasias sobre a pornografia. Um dos nossos conselheiros recomendou-nos que mantivéssemos acesa uma pequena luz ou velas no quarto e tivéssemos contacto visual enquanto fazíamos amor. O nosso conselheiro também nos animou a afirmar-nos mutuamente e a conversarmos enquanto fazíamos amor. Também desenvolvemos uma maior intimidade emocional e espiritual no nosso matrimónio praticando com a frequência a afirmação mútua, a escuta mútua, a oração juntos e a conexão emocional mútua.      

 

Recursos católicos positivos sobre o sexo e o matrimónio 

Vários anos depois de começarmos o nosso caminho em direcção à cura do nosso matrimónio, encontrámos outra grande ajuda: os ensinamentos de S. João Paulo II sobre a Teologia do Corpo, que apresentam de maneira convincente o plano de Deus para o sexo e o matrimónio. Em lugar de uma lista negativa de regras, aprendemos nos recursos da Teologia do Corpo que o sexo no matrimónio está destinado a ser sagrado, santo, e até mesmo uma renovação dos nossos votos matrimoniais.         

 

É difícil descrever quão transformadores foram estes conceitos positivos da Teologia do Corpo para a nossa vida, e quanta mais alegria e proximidade trouxeram ao nosso matrimónio. O conceito de que o sexo está destinado a ser uma renovação dos nossos votos matrimoniais ajudou-nos a ver a intimidade sexual como algo belo e sagrado no nosso matrimónio.

Começávamos por dizer uma breve oração antes de fazer amor, agradecendo a Deus pelo nosso matrimónio e pedindo-Lhe ajuda para nos amarmos e respeitarmos. Os recursos da Teologia do Corpo levaram Sam a compreender que o oposto do amor é utilizar a outra pessoa, ajudando-o a ser mais altruísta e respeitoso na nossa relação.         

 

Rezar juntos   

Descobrimos ser muito útil dizer juntos uma breve oração diária pedindo a Deus que abençoe o nosso matrimónio e a nossa família. Recentemente começámos a rezar uma dezena do Rosário com os nossos filhos à hora de dormir, juntamente com as intenções de oração. Cada um de nós procura ler as leituras diárias da Santa Missa juntamente com outras leituras espirituais. Também temos beneficiado da confissão frequente, de irmos à Santa Missa como família, da adoração eucarística, de ouvirmos a rádio católica e música cristã, de termos um director espiritual e de estarmos associados a grupos de homens e mulheres católicos.           

 

 Honestidade e confiança       

No seu trabalho como conselheiro com esposos, Sam ouviu muitas esposas dizer que as mentiras e os enganos do seu esposo sobre o uso de pornografia são tão ou mais dolorosos que o próprio uso de pornografia. Trata-se de questões delicadas, mas a abertura e a honestidade entre os cônjuges é importante para a verdadeira cura, especialmente se houve dependência da pornografia. Pode ser muito útil para os casais receber apoio de conselheiros e sacerdotes para desenvolver honestidade e confiança nos seus matrimónios.                        

 

Aconselhamento e apoio a casais     

Os esposos que se estão a curar da pornografia frequentemente precisam de aconselhamento matrimonial para reconstruir a confiança e a comunicação nos seus matrimónios. Também os programas de enriquecimento matrimonial e os fins-de-semana para casais que estão a atravessar dificuldades nos seus matrimónios podem ser de grande ajuda para que os cônjuges aprendam a confiar novamente um no outro e a crescer no amor autêntico.       

 

Libertação da adição de pornografia             

Há diversos testes online para a adição à pornografia, como a prova de detecção de adição sexual (SAST) e a prova de detecção de sexo na Internet (ISST). Três importantes estratégias para libertar-se da adição à pornografia são participar em grupos de doze passos – semelhantes aos narcóticos anónimos –, procurar aconselhamento profissional e receber aconselhamento matrimonial. As pessoas que conseguem a sobriedade a largo prazo da adição à pornografia devem participar nas reuniões de doze passos, chamar os seus padrinhos e outros membros do grupo todos os dias, e trabalhar diligentemente com recursos de recuperação de doze passos. O aconselhamento profissional é muito importante para tratar as feridas subjacentes à pornografia e curar os matrimónios.    

 

Apoio conjugal            

Para os cônjuges que se estão a curar dos efeitos da adição à pornografia do seu esposo ou esposa, o aconselhamento profissional e os grupos de apoio a casais são incrivelmente úteis. Ter um conselheiro seguro e compreensivo com quem falar pode dar claridade e apoio durante os momentos difíceis. Os grupos de apoio a cônjuges não são lugar para que alguém se queixe do seu matrimónio, mas um lugar seguro para aprender a superar momentos difíceis com graça, fortaleza e tomada de decisões saudáveis.           

 

Conclusão

Esperamos que estes recursos dêem ânimo e esperança a outros casais que, como nós, experimentaram os efeitos danosos da pornografia. Muitos bons casais católicos estão a lutar com a pornografia, e rezamos para que encontrem ajuda, e algum dia partilhem as suas histórias de esperança e cura! Esperamos que estes conceitos e recursos ajudem os casais não só a sobreviver no seu matrimónio, mas a experimentar mais alegria, felicidade duradoura e verdadeira intimidade.    

 

Em Cristo nossa esperança,    Sam e Beth Meier         
 
Como explicar o luto às crianças Imprimir e-mail
Como explicar o luto às crianças   

 

Como explicar a uma criança que uma pessoa querida já não está entre nós? É preciso, antes de tudo, evitar que os pequenos possam sofrer um trauma.    

 

Resumidamente, pode-se afirmar que as crianças até três anos dificilmente fazem diferença entre coisas vivas e não vivas. Mas percebem bem a atmosfera e as emoções.   

 

Entre três e seis anos, a diferença entre a vida e a morte já é percebida, mas é difícil compreender o caráter definitivo da morte. Nesta idade, as crianças tendem a fazer muitas perguntas, entre elas a famosa “quando tal pessoa volta?”, como se a morte fosse um longo sonho ou umas férias.   

 

Dos seis aos nove anos, as crianças compreendem o caráter irreversível da morte, ainda que o conceito de “para sempre” seja difícil de digerir. Podem nascer sentimentos difíceis de administrar, como a insegurança, a ansiedade e, como defesa, as crianças tendem a negar a morte.   

Entre os nove e os 12 anos, os já pré-adolescentes sabem que aquilo que vive também pode morrer. No entanto, eles têm uma tendência a não solicitar muita atenção porque preferem viver sozinhos os seus desgostos e, assim, não parecerem infantis. Entretanto, pode acontecer que eles se façam “fortes”, construindo um muro entre eles e a dor, procurando esconder as suas emoções mais autênticas. Alguns conselhos práticos para quem se encontra nesta situação.   

 

1 – Falar sobre o luto de maneira gradual   

 

Nenhum pai dirá brutalmente ao filho que ele não verá mais o avô ou a tia. É bom aproximar gradualmente a criança da verdade, caso ela ainda não conheça o conceito da morte. Disse o psicoterapeuta Fulvio Scaparro ao jornal Corriere della Sera: “Deve-se explicar, portanto, que o avô foi para uma longa viagem e que não voltaremos a vê-lo por muito tempo. Isso não quer dizer que tu estejas a  mentr, mas a encarar o acontecimento da maneira e no tempo adequados. As crianças são muito práticas e perguntarão: ‘então, quem me vai levar ao parque? ’ Ao não ver mais o avô, elas habituar-se-ão à ausência. A criança crescerá e dará conta de que existem cerimónias de adeus para as pessoas queridas, os funerais” .  

 

2 – Evitar chorar na presença das crianças   

 

As crianças são condicionadas às reações dos seus familiares. “Se encontrarem em casa um ambiente de pranto e desespero, elas também vão chorar, mas não porque estão chateadas pelo facto de o avô ter morrido, mas simplesmente porque os outros choram: elas vêem o mundo com os olhos de quem cuida delas e, mesmo que tu tenhas dado as explicações de esperança, a mensagem de desespero vai prevalecer”.   

 

3 – Partilhar o sofrimento   

 

 Não se deve esconder o sofrimento; pode-se, inclusive, partilhá-lo, mas da forma adequada, porque teremos crianças na frente e elas angustiam-se ao ver que não comemos ou que andamos sempre tristes e a chorar. São sinais que se vinculam à falta de esperança. Se a criança se entristece e diz: “sinto falta do papá”, é adequado partilhar, dizendo: “eu sei, eu entendo-te e também sinto falta dele”. Também é bom falar dele e recordar alguma história engraçada que eles viveram.   

 

4 – O funeral   

 

“Em geral, as crianças podem assistir a um funeral, porque é um ritual importante para a separação. É um momento para se despedir da pessoa que elas amaram e com quem tiveram os primeiros contactos com a realidade”, sublinha o professor Fulvio Scaparro que, no entanto, adverte: “Efetivamente, se for um funeral em que são previstas cenas de desespero porque a morte foi imprevista, então é melhor deixar as crianças em casa. Se, ao contrário, é prevista uma grande tristeza, mas com atitude de compostura, sou a favor da participação dos pequenos, que podem ficar sob a responsabilidade de uma pessoa que não esteja tão envolvida no luto.”   

 

5 – Explicar que a vida continua   

 

É importante transmitir às crianças a mensagem de que a vida continua e que momentos de felicidade ainda nos esperam. Não é preciso ser brusco; as referências dos ciclos da natureza como “as folhas das árvores caem e morrem, mas a árvore continua viva,” podem ajudar. Ou, quando houver maior consciência, podemos aproveitar a morte de uma planta ou de um animal para ensinarmos gradualmente o significado da morte.   

 

6 – As lembranças sempre estarão vivas   

 

Scaparro prossegue: “O aspecto positivo a sublinhar é que não veremos mais o avô, mas as lembranças dele e os seus ensinamentos permanecerão para sempre conosco. Desta forma, ensinamos às crianças que quem morre sempre deixa algo. Falar, partilhar o sentimento de perda, ver fotos e lembrar um belo momento do avô com o filho ajudam no caminho da aceitação”.   

 

7  – Suavizar a realidade   

 

Quando assistem aos desenhos animados, as crianças estão em contacto com a morte. Às vezes, comovem-se com a morte de um personagem. Neste caso, significa que elas se estão a tornar empáticas e se comovem profundamente. Quando uma criança disser: “um dia tu também não estarás mais aqui”, ela quer informar que entendeu a realidade da vida e leva em conta que um dia os pais também se vão. Em relação aos pais, convém suavizar o tema, sem contar mentiras. Pode-se dizer algo assim: “sim, nós também vamos morrer, mas não há pressa, queremos ficar mais um pouco neste mundo”.   

 

8 – Dizer-lhes sempre a verdade  

 

 Independentemente da estratégia usada na hora de explicar a morte às crianças, o importante é não ser evasivo diante das perguntas delas. Sejam perguntas secas, diretas ou implacáveis. Os pais não devem nunca responder com frases do tipo: “tu vais entender quando fores grande”, ou “esta é uma pergunta complicada agora, um dia falaremos sobre isto”. É necessário encontrar a maneira mais condizente com o estilo de pensar e com a extrema delicadeza de oferecer respostas exaustivas aos filhos.  

 

 9 – Crianças no cemitério    Ir ao cemitério também é um gesto laico. As pessoas vão ao cemitério para manter viva a lembrança dos falecidos. Por isso, é aconselhável levar as crianças a partir dos três anos. Ir ao cemitério com a família dá a possibilidade de explicar às crianças onde o ente querido descansa, mesmo que tu digas: “neste momento, ele dorme aqui, mas está vivo conosco porque nós o mantemos vivo no pensamento e também quando o vamos visitar”.   

 

10 – Elaboração do luto   A psicóloga Francesca Broccoli explica: “cada criança encontrará o seu modo pessoal e específico para elaborar o luto. É extremamente importante preparar, acompanhar e apoiar a criança que está a enfrentar a morte de um parente”. Por quê? “Porque esta experiência representará um momento de aprendizagem fundamental e formará a base com que ela enfrentará as próximas experiências de perda durante a vida”.
 
Como ensinar as crianças que ninguém pode tocar no corpo delas Imprimir e-mail
Como ensinar as crianças que ninguém pode tocar no corpo delas   

 

 

O assunto é incómodo mas faz parte do grupo de questões que não se pode deixar de encarar   

 

 

Como saber ensinar as crianças, mesmo pequenas, a não se tornarem vítimas de abuso físico ou sexual.    Pensando nos meus filhos e nos seus, eu pesquisei a respeito do que os americanos – que dão muita importância a este assunto – trazem para ser tratado de forma inteligente. Já foi tempo em que eu achava isto exagerado, hoje concordo que é muito, muito melhor prevenir. Então vamos às dicas que eu consegui reunir:   

 

 

1- O meu corpo é meu: a criança deve entender que o corpo dela lhe pertence, que ninguém tem direito, nem por brincadeira, de tocar nela de forma que a deixe constrangida. É normal que uma criança goste e aceite beijos e abraços. Mas é preciso sinceramente evitar abraços e beijos de desconhecidos ou pouco conhecidos. Uma criança nunca deve ser obrigada a ter contacto físico com quem ela não quer.   

 

 

2 – A lista das pessoas confiáveis: a criança precisa de ter a certeza de com quem ela pode contar. Quem são estas pessoas: o pai, a mãe, a avó, a professora? Que sejam. Mas é muito importante para ela que os pais identifiquem estas pessoas deixando bem claro que a criança tem a quem recorrer, em quem ela realmente deve confiar.   

 

 

3 – Partes íntimas: ninguém toca nas minhas partes íntimas, é uma mensagem muito importante que as crianças precisam de receber. Ninguém pode pedir que eu toque as partes íntimas dela também.  Outra informação importante para as crianças é de que ninguém lhe deve mostrar fotos de partes íntimas. A criança precisa de saber que pode contar para a sua lista de pessoas confiáveis se algo do tipo acontecer.   

 

 

4 – Ninguém pode ter segredo desconfortável: a criança deve ser ensinada de que não pode ter segredo com ninguém que lhe peça para algo não ser contado e que a faça sentir mal ou incomodada com isto. Se isto vier a acontecer, ela também precisa de ser ensinada a dizer a alguém do seu grupo de pessoas confiáveis sobre esta história de segredo.   

 

 

5 – Nenhum adulto desconhecido pede ajuda à criança: esta é uma regra de ouro. Os pais devem esclarecer os filhos que um adulto desconhecido não pode pedir ajuda a uma criança (seja à porta da escola, na rua, etc.).    

 

 

Que fique bem claro na cabecinha delas: os adultos não precisam de ajuda de uma criança, isto não existe. O adulto pede ajuda a outro adulto. Com isto em mente, as crianças não duvidam em dizer não, mesmo que os pais as tenham ensinado a que elas precisam de ser gentis. Assim, se alguém as abordar desta forma, elas nunca devem seguir ou acreditar nessa pessoa.

 

Há uns anos atrás, um inspector foi visitar uma escola e, à saída, e para experimentar, ofereceu um rebuçado a uma criança. E a criança, respondeu: não quero, porque o meu pai disse que não devia aceitar NADA de pessoas desconhecidas…
 
Descobri que o meu filho rouba. E agora? Imprimir e-mail
 Descobri que o meu filho rouba. E agora?        

 

 

 

 -Como corrigir esta conduta? Que sanções aplicar?    

 

 

 

-Notar que o filho abriu a sua carteira e tirou dinheiro sem a sua permissão é uma das experiências mais desagradáveis que os pais podem viver. Como é que uma criança inocente, que brinca e ri, é capaz de fazer uma coisa dessas? A tentação de recorrer ao castigo é fulminante, além de ser compreensível, sobretudo quando se teme que, se o filho não for corrigido a tempo, pode sentir o peso menos carinhoso da justiça quando ele for adulto.    

 

 

 

-Alguns pais frustram-se, pensando onde teriam fracassado. Outros culpam-se, pensando que os filhos os enganam porque não se sentem queridos ou não têm a confiança necessária para expor as necessidades aos pais. E não é raro que a situação gera discussão entre o pai e a mãe, que tentam identificar o “culpado” do “mau exemplo”.    

 

 

 

-O primeiro passo é manter a calma     

 

 

 

-O facto de uma criança ou um adolescente roubar os pais é algo que pode acontecer por diversos motivos durante o desenvolvimento evolutivo. A criança está evoluindo no plano moral e passa por etapas diferentes, em que aprimora a sua capacidade de raciocínio e de responder pelas suas acções. Não se pode criminalizar uma criança de quatro anos que pegue em algo que não lhe pertença. Também não se pode compará-la a um adolescente que rouba os pais por rebeldia.   

 

 

 

 -A psicologia evolutiva demonstra que, até aos seis anos mais ou menos, a criança ainda não tem uma consciência muito clara sobre a moral. Mas isso também depende de cada criança, do seu caráter e da sua maturidade. Nesta etapa, os pequenos imitam comportamentos, buscando a adaptação com o ambiente e copiando os modos dos outros.    

 

 

 

-A partir dos sete anos, geralmente há um desenvolvimento cognitivo suficiente que permite uma maior consciência dos próprios atos e do valor e implicações morais dos gestos e atitudes.   

 

 

 

 -Não condenar a criança    

 

 

 

-Depois de compreender esta escala evolutiva da educação moral, é importante nunca qualificar moralmente a criança, principalmente quando ela tem pouca idade. Nunca se deve chamar a um menino “ladrão”, mas, sim, estimulá-lo a melhorar o seu comportamento, para que seja uma pessoa melhor.   

 

 

 

 -O mais importante, sempre, é a educação preventiva. Ou seja: é preciso educar nos valores do respeito e da sinceridade para que a criança tenha as motivações internas necessárias para evitar este tipo de comportamento e, sobretudo, para se sentir mais motivada a distinguir o bom comportamento dos estilos de vida negativos.      

 

 

 

 -Educar na autonomia moral    

 

 

 

-Como é que uma criança aprende os valores morais? Em princípio, por imitação. Depois, de acordo com a inteligência que vai desenvolvendo e, graças à interação com os diversos contextos sociais (escola, família e amigos), a criança vai chegando, pouco a pouco, à verdadeira autonomia moral e à capacidade de juízo pessoal.    

 

 

 

-Portanto, a chave principal para educar nos valores está, em primeiro lugar, na família: os valores devem ser vividos em casa, antes de serem verbalizados numa explicação às crianças.  Elas não têm falsidade: se virem que os seus pais têm uma relação ambígua com a honestidade em relação ao dinheiro, o filho imitará a conduta que vê, em vez de interiorizar a conversa que recebe.   

 

 

 

 -Em segundo lugar, a escola deve reforçar estes valores. Na adolescência, a crise acontece quando entra um “terceiro convidado” não esperado no menu da educação, que é o grupo de amigos. O impacto do grupo sobre os próprios comportamentos também é determinante para o futuro do adolescente.  -Portanto, o castigo deve ser proporcional à sua capacidade de autonomia moral. É preciso tratar um adolescente já como um pré-adulto: convém explicar-lhe, de maneira contundente, as implicações e consequências do ato de roubar ou furtar, inclusive no âmbito legal. Para uma criança, a explicação deve ser adaptada ao seu nível de compreensão, explicando-lhe que isto é ruim e não se faz.   

 

 

 

 -Em todos os casos, é muito importante que os castigos sejam educativos. O primeiro passo será sempre devolver o que foi roubado. Mas não é o suficiente: há que se pensar em pequenas sanções que podem ser aplicadas em casa para que as crianças e adolescentes entendam que todo o ato tem consequências.  Por exemplo, se a criança roubou uma quantidade de dinheiro, além de devolver, terá que fazer de tudo para conseguir o dinheiro roubado, para que ela entenda o prejuízo que este tipo de ação provoca nas pessoas.   

 

 

 

 -O objetivo da educação é ajudar os filhos a ser maduros, felizes, seguros de si e a ter respeito para com os outros, que é a base do bom respeito para consigo mesmo. Uma boa educação buscará sempre estimular comportamentos que possam ser imitados e admirados por todos os educadores e pessoas de bom valor.    

 

 

 

-Do que os adolescentes, que já têm um nível de inteligência completamente desenvolvido, menos precisam é de grandes sermões, mas a certeza da proximidade dos pais e a constante confirmação do afeto dele para com os filhos.   

 

 

 

 -Quando o roubo esconde outros problemas      

 

 

 

 -Quando tudo o que abordamos for suficiente e a criança ou adolescente continua a roubar, convém entrar em contato com algum psicólogo ou um especialista em educação e psicologia evolutiva, que vai analisar com mais profundidade as causas e poderá intervir de maneira eficaz.   

 

 

 

 -Normalmente, por trás de comportamentos compulsivos de roubo ou hábitos rotineiros de roubo há a necessidade de preencher vazios afetivos, baixa auto estima, necessidade de possuir o que os outros possuem, problemas de insegurança, comportamentos anti sociais ou dificuldades de adaptação social.     

 

 

 

-As mentiras, as tendências ao roubo e as atitudes de rebeldia nos adolescentes costumam ser manifestações da necessidade que eles têm de encontrar o próprio espaço e de auto realização. Eles precisam de atenção e compreensão por parte dos educadores e pais, sabendo combinar a exigência e o diálogo na difícil arte de educar.   

 

 

 

 -Diante das situações de roubo ou mentiras, é importante que os pais e educadores tenham a capacidade de dialogar para perguntar aos filhos o motivo de tais ações. Um diálogo construtivo é indispensável para estimular os filhos a adotarem valores e condutas corretas, sem se limitar ao medo das sanções e condicionamentos externos.

 

 
As mães precisam de cultivar a feminilidade nas filhas Imprimir e-mail
 As mães precisam de cultivar a feminilidade nas filhas      

O papel das mães no desenvolvimento da feminilidade das filhas

 

  Na literatura psicanalítica, a função paterna foi muito divulgada com a descrição do complexo de Édipo, entretanto, a função materna é pouco explorada na formação subjetiva da menina. Mostra-se, portanto, que o relacionamento paterno tem importância no desenvolvimento da sua feminilidade.  

 

Para entender o processo da relação mãe e filha, é muito importante a estruturação da identidade feminina. Normalmente, o relacionamento materno é a fonte do primeiro amor para a criança. Os desdobramentos deste relacionamento terão um forte impacto na formação final, porque as meninas esperam mais das mães.  

 

O relacionamento com os pais pode ajudar na estruturação da filha, mas não fornece identificação feminina, que é obtida na relação com a mãe. À medida que este relacionamento se aprofunda, permite à filha ter mais identificação com a mãe, desenvolvendo ou não a sua feminilidade.  

  

Relacionamento com a mãe

  Neste relacionamento, vivenciam-se dois momentos importantes. Primeiro, a alienação, quando a criança é totalmente dependente da mãe. Na segunda fase, a separação, o corte feito para que a criança possa experimentar outras formas de identificação além da materna.  Pode-se observar que, quando a mãe é gentil, a filha sente a força do amor materno.

Mães que clamam pelo Espírito Santo passam sabedoria no relacionamento com as filhas, não cedem a competições e rivalidades femininas. Aprendem com as antigas e repassam às filhas as habilidades de se relacionar com o sexo oposto, sem perder de vista a sua identidade feminina.

O inverso também é verdadeiro. Quantas dificuldades de relacionamento entre pessoas antigas são repassadas e atualizadas em relacionamentos de mãe e filha!  

 

Feminilidade  

 

Outro factor importante é que as mulheres têm procurado ocupar posições masculinas no mundo e adquirido posturas opostas ao que precisam de ensinar às filhas sobre feminilidade. De uma forma explícita ou ambígua, estes comportamentos têm gerado dúvidas e indefinições no processo de estruturação da identificação feminina.  

 

Na história da Bela e a Fera, o conto contempla uma menina órfã, ou seja, privada da figura materna; portanto, fragilizada na modelagem da sua feminilidade. Por outro lado, a simbiose entre mãe e filha não permite que ela consiga identificar-se como alguém externo. Tanto a falta como o exagero prejudicam a filha no cultivo da sua feminilidade.  

 

Neste mundo de excesso de atividades, que as mães possam encontrar tempo para ajudar as filhas no processo de busca da feminilidade.

 

 
A Igreja Católica permite planear o número de filhos? Imprimir e-mail
 

A Igreja Católica permite planear o número de filhos?  

  Os filhos são bênçãos de Deus  

 

 

Sobre esta temática, a primeira coisa a saber é que a Igreja não se cansa de afirmar que os filhos são dádivas de Deus. Este pressuposto ajuda para que os filhos não sejam compreendidos como um problema. No entanto, não se pode esquecer que existem alguns limites físicos, psíquicos e económicos, que põem em cheque o número de filhos que o casal pode ter. Por isso mesmo, o ensino da Igreja convida os casais para o planeamento de paternidade e maternidade responsável.  

 

 

Moral Católica  

 

 

Do ponto de vista da Moral Católica, o casal pode planear a quantidade de filhos, se for necessário, desde que para tal fim sejam usados métodos naturais. Ensina o Catecismo que, por razões justas, os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos […] Mas é preciso ressaltar que tal desejo não seja proveniente do egoísmo, mas de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável. Além disso, regularão o seu comportamento segundo os critérios objetivos da moral”. (Catecismo, n.2368).  

 

Para tal fim, uma vez que somente por meio de métodos naturais este processo é lícito, existe por parte do Magistério um incentivo para que sejam promovidos “centros com os métodos naturais de regulação da fertilidade como válida ajuda à paternidade e maternidade responsável. (…) É precisamente este respeito que torna legítimo, ao serviço da procriação responsável, o recurso aos métodos naturais de regulação da fertilidade; estes têm-se aperfeiçoado progressivamente sob o ponto de vista científico e oferecem possibilidades concretas para decisões de harmonia com os valores morais”. (Evangelium Vitae, n. 88).  Por conseguinte, a Santa Mãe Igreja ensina que “[…] os métodos de regulação da natalidade baseados na auto-observação e no recurso aos períodos infecundos estão de acordo com os critérios objetivos da moralidade, pelo facto de que eles respeitam o corpo dos esposos, animam a ternura entre eles e favorecem a educação de uma liberdade autêntica” (Catecismo, n. 2370).  

 

 

Métodos naturais  

 

 

Os métodos naturais de regulação da natalidade são os únicos aceitos pela Igreja, mas convém ressaltar que também são aceitos no meio científico. Os mais conhecidos são: o método da temperatura basal, da visualização da saliva no microscópio e o método de ovulação Billings.  

 

 

O método Billings, actualmente, é o mais usado, e quando bem observados os dias férteis juntamente com a abstinência do ato sexual nesses dias, o método possui uma altíssima eficácia. A Organização Mundial da Saúde confirma até 99% de eficiência. (CNBB, 2005, n. 84).  

 

 

A Igreja não se cansa de ensinar que os filhos são bênçãos de Deus, e não maldição. Atesta o Catecismo que os filhos são o dom mais excelente do matrimónio e constituem um benefício máximo para os próprios pais. (Catecismo, n.2378).  

 

 

Mundo infértil  

 

 

A fecundidade é um dom. “Chamados a dar a vida, os esposos participam do poder criador e da paternidade de Deus” (Catecismo, n. 2367). Isto implica em dizer que todo o projeto que articula a infecundidade e, consequentemente, o controle de natalidade, é um não ao maior dom de Deus, a vida. Deste modo, fica evidente que os métodos contraceptivos artificiais tornam o mundo “infértil”, isto é, incapaz de gerar vida.  

 

Apesar de a Igreja ser a favor do planeamento do número de filhos, deve ficar esclarecido que a pregação principal dela consiste no amor pela vida. Assim sendo, o amor pela vida deve superar todos os métodos contraceptivos. Como ela ensina, se for necessário espaçar a gravidez por motivos justos, deve-se buscar os métodos naturais e nunca os artificiais.
 
Como lidar com os filhos que estão longe Imprimir e-mail
 Como lidar com a saudade dos filhos que estão longe        

 

Saudade, sentimento tão falado e cantado em prosa e verso, que vai nascendo devagarinho no coração daqueles que amam.   

FALA UMA MÃE   

Sinto saudades de muitas coisas, situações e pessoas. Mas vou contar-lhes a minha vivência em relação à saudade de uma filha que saiu de casa para estudar.   Neste momento, passam-se flashs de situações que vivemos juntas: a gravidez tranquila, o nascimento, dor que explode em alegria, a ansiedade da mãe desajeitada dos primeiros meses, os primeiros passos, as crises de bronquite, o primeiro dia na maternidade, o nascimento da irmã, as mudanças de casa e de cidade, as brigas com a irmã, o seu carinho com os pais e avós, a primeira menstruação, as festas com os amigos, o primeiro namorado, a orientação vocacional, os estudos, a espera do resultado, o “enfim passei”, a arrumação das coisas, o dia da partida.   

Deixar ir, faz parte da vida   

Como bons pais, fomos levá-la e deixamos milhares de recomendações. Logo ao entrar no carro, para voltar para casa, olhei para trás e… ela? Pensei: tudo bem, é só por um tempo. A viagem foi calada. Creio que o pai, assim como eu, veio rezando para Deus não nos desamparar neste momento, para a proteger, e todas aquelas orações que pais que amam sabem fazer.    

Cheguei a casa e o mesmo ritmo de vida continuou, isto é, uma correria. Mas, em alguns momentos, passando pelo seu quarto, vendo uma peça de roupa sua, a falta na mesa para o almoço, encontrando-me com as suas colegas, a lembrança vinha tão forte, que parecia como um soco no estômago. Eu pensava: “Como é que ela estará? Será que comeu? Estará a dormir bem? Não ficou doente? E a rinite alérgica? Está a gostar do curso, da casa, das colegas?”    

Preocupação é diferente de saudade    

Nas conversas pelo telefone, tudo era respondido, mas, dentro de mim, ficava uma tristeza tão grande depois que desligava o telefone; então, compreendi que era saudade e que precisava de diferenciá-la das preocupações. A preocupação sempre existiu e sempre vai existir, e só é aliviada quando se tem confiança em Deus. A saudade, no entanto, deixa um buraco no coração; é como se algo faltasse e nada nem ninguém diferente dessa pessoa pudesse preencher. O lugar dela está ali e é só ela quem cabe naquele espaço.    

Compreender isto ajudou-me a lidar com a saudade, pois entendi que quem ama sofre muito mais de saudade, mas o amor que sente é maior que tudo, maior que a dor da separação e até maior que a morte. Então, se sofro por amor, este mesmo amor preenche o espaço deixado pela falta.    

Muitas vezes, eu questiono-me: “Porque deixei que ela fosse?”; então, penso que esta era a decisão certa, pois eu não poderia prender aquela que criei para ser livre, para realizar a missão a ela destinada, para ser aquilo que deve ser.     

 

Os anos passaram-se, e hoje faço um balanço: sou mais mãe, ela é mais filha, estamos mais maduras, aprendemos uma com a outra e Deus tem atendido uma oração que faço todos os dias para as minhas filhas: que elas sejam felizes!

 

 
Coisas que as crianças contam ao psicólogo mas não aos pais Imprimir e-mail
7 coisas que as crianças contam ao psicólogo – mas não aos pais   

 

 

As crianças gostariam de falar com os pais, se pudessem Lembras-te de ser criança e desejar dizer algo aos teus pais, mas ficaste com medo? Talvez haja alguma coisa que gostarias de ter contado a alguém esta semana, mas mantiveste-te guardado? Como psicólogo infantil, chego a falar com muitas crianças sobre muitas questões que elas têm medo de apresentar aos pais e desejam poder (e provavelmente devem). 

Não estou a falar sobre tentar obter algo que elas querem; estou a falar de assuntos de coração, mente e alma, e questões que influenciam as nossas vidas ao longo das gerações. São os tipos de coisas que desejaria que os meus próprios filhos me dissessem se achassem necessário. Então, em nenhuma ordem particular, aqui estão algumas coisas que ouvi de algumas crianças e que os teus filhos também podem estar a pensar:

 1.“Por que tenho que me desculpar quando o meu pai não?” 

As crianças começam a aprender certo e errado nos primeiros anos de vida, inicialmente pelo que os seus pais e outras figuras de autoridade lhes dizem. Embora os adultos mantenham um status de “pedestal” por um pouco mais de tempo depois que a moral começa a desenvolver-se, não demora muito antes que as crianças comecem a notar como nós, como pais, respondemos aos nossos erros. As crianças em idade escolar percebem se os seus pais reconhecem as suas próprias reações exageradas ou erros. Ao longo do tempo, isso não só influencia a percepção de uma criança de como os seus pais ​​estão em relação aos seus próprios erros, mas também influencia a probabilidade de uma criança ou adolescente desculpar-se.

 2.“Por que é que ele (a) [novo namorado da mamãe ou nova namorada do pai] está a morar em casa agora que o pai e mãe se separaram?” 

Fiquei impressionado com o número de vezes ao longo dos anos que os pais são rápidos em tomar decisões sobre a sua situação de vida, sem sequer mencionar este novo arranjo para os seus filhos, como se fosse sinónimo de mover uma nova cómoda no quarto. Como um pai disse uma vez, esta é uma “decisão adulta” e não cabe a eles tomar esta decisão. Sim, é uma decisão adulta, mas isto pode afetar severamente o teu filho de muitas maneiras e deve ser tratado como tal.

 3.“Eu odeio quando ele (a) fuma porque não quero que o pai e a mãe morram”. 

Quer seja comer, fumar, beber ou qualquer outro mau hábito, as crianças ficam tristes pela falta de saúde dos seus pais. Além de qualquer desconforto ou estranheza, este hábito pode provocá-las, pois os filhos, sem dúvida, odeiam ver os seus pais lutando com hábitos que causam dor. O oposto também é verdade; as crianças gostam de falar e espalhar sobre as maneiras pelas quais os seus pais estão a prosperar de várias maneiras.

 4.“Mãe e pai sempre discutem e ficam irritados com tudo”. 

Esta é provavelmente uma das coisas mais comuns que ouço. Agora, com cada realidade percebida, é sempre a questão de onde a verdade está, e eu, sem dúvida, sinto que, em alguns casos, esta afirmação nem sempre reflete o clima real da casa. Mas, em algumas casas, sim, e expõe um nível de tensão que as crianças sabem muito bem que é tanto como sufocante. Elas estão profundamente sintonizadas com a nossa irritabilidade e nervosismo, e elas sentem que as declarações irritadas superam as felizes na casa.

 5.“Ele (a) nunca faz isto, então, por que é que eu deveria fazer?” 

Mais de uma criança comentou que o seu pai nunca sai do sofá para ajudar, então por que é que ela deveria? Novamente, há momentos em que os padrões duplos com pais e filhos são apropriados (por exemplo, tu não podes dirigir, mas eu posso) e onde as responsabilidades não serão necessariamente organizadas de forma simétrica perfeita. Mas eu tenho que lembrar a mim mesmo regularmente o que eu sei. Se eu quiser que os meus filhos se desenvolvam em certas áreas e assumam novas tarefas, tenho que mostrar a capacidade e a regularidade de fazê-lo sozinho. Caso contrário, eu não estou a apoiar o que digo com o que faço.

 6.“Nunca ouço nada sobre as coisas boas que faço”.  

Como pai, não é preciso pensar para falar quando os nossos filhos deixam roupas no chão ou enchem a sanita com uma quantidade de papel higiénico. Mas, quando eles fazem coisas boas, ou cumprem o que foi pedido, nem sempre dizemos algo ou agradecemos. No entanto, pesquisas dizem que comentários regulares sobre as coisas boas não só ajudam os relacionamentos que temos, mas diminuem a probabilidade de fazer coisas erradas.

 7.“Eu realmente importo-me com o que eles pensam de mim”.  Penso que é importante terminar com uma nota positiva, mesmo que os nossos filhos (especialmente os adolescentes) tenham relutância em admitir isto. À medida que as nossas crianças crescem, elas podem agir como se não se importassem com o que pensamos sobre elas e sobre o que elas fazem. No entanto, se os rótulos de mãe e pai refletem o tempo e a atenção que lhes demos, então elas importam-se com o que pensamos e dizemos delas.
 
Como ajudar os filhos a enfrentar o estresse dos exames Imprimir e-mail
Como ajudar os filhos a enfrentar o estresse antes das provas escolares?  

 

 

Quando chega a época de provas finais ou bimestrais escolares, começa o estresse dos nossos filhos. Seja porque elas têm uma validade oficial e delas depende o futuro profissional dos nossos filhos, seja porque os resultados poderão ou não interferir na escolha da profissão que eles vão seguir ou porque delas depende um título…  O estresse multiplica-se, já que o sistema nervoso trata de se preparar para o que for necessário.   O corpo começa a produzir mais hormônios, o coração bate mais rapidamente, a pressão arterial aumenta, a respiração fica mais rápida e os músculos ficam tensos. Esta situação não é ruim. Existe um estresse positivo que ajuda a aumentar a concentração, faz as pessoas sentirem-se otimistas e capazes, aumenta a vitalidade e a resistência física e mental, o que vai ajudar nas provas O problema é quando o estresse é excessivo e dura tempo demais.    Quem está nesta situação pode cair no pessimismo, num grande cansaço físico, falta de concentração, perda da capacidade de memória e aprendizagem, além de fácil irritação.  A tudo isto somam-se a baixa imunidade do organismo, problemas cardíacos, aumento de gordura corporal e perda de cálcio nos ossos.  Se notarmos que os filhos não conseguem dormir como deve ser, que por mais que durmam continuam cansados, têm dor de cabeça ou nas costas, contrações, problemas de estômago, tremor nas mãos e irritabilidade, precisamos de atuar para tentarmos ajudá-los.  

 

 

A primeira coisa é entender que eles estão num momento de estresse produtivo, cujas causas podem ser: mau planeamento, pressão por resultados, competividade consigo mesmo e com outros companheiros, etc. Depois, é importante que eles entendam que o estresse pode ser bom para a concentração, para que eles trabalhem mais intensamente e consigam melhores resultados. Mas, eles devem aprender a enfrentar as dificuldades com um espírito positivo de luta.  Devemos ajudá-los a refletir sobre as opções que eles têm, as suas capacidades e incentivá-los a assumir metas.  Como pais, devemos, principalmente, entender que o mais importante são os nossos filhos como pessoas.  Não devemos fazer mais pressão mas confiar neles – e mostrar-lhes a nossa confiança.    Também temos que explicar que o mais importante é o esforço, não o resultado. Seja qual for o resultado, eles seguirão adiante e estaremos ao lado deles para os ajudar a atingir as suas metas. Ou seja: temos que transmitir segurança e tranquilidade. Além disso, podemos sugerir-lhes que: 

 

 

1. Pratiquem exercícios físicos. Embora pareça que eles percam tempo de estudo, praticar exercícios duas vezes na semana vai ajudá-los a relaxar o corpo e esvaziar a mente para que ela possa trabalhar melhor;  

 

 

2. Ouvir música relaxante, principalmente música clássica, que estimula e descansa a mente;   

 

 

3. Sair para a rua, passear com o cão, sair com os amigos, respirar ar puro e tomar um pouco de sol. Tudo isto é bom para o corpo e para a mente e diminui a irritação e o mau humor;   

 

 

4. Dormir o suficiente. O sono é o primeiro a ser sacrificado antes dos exames. No entanto, dormir ajuda o cérebro a assimilar e a incorporar na memória de longo prazo o que foi aprendido, para que esteja disponível quando chegarem as provas;  

 

 

5. Comer chocolate! Não é brincadeira: o chocolate preto liberta endorfinas, que reduzem o estresse e têm efeito relaxante;   

 

 

6. Rezar! Está provado que as orações repetitivas – como o terço – e a oração de meditação em silêncio, produzem mudanças bioquímicas que ajudam a aumentar a eficiência das células para produzir mais energia.  E se eles resistirem, podemos lembrar-lhes de que “o tempo para relaxar é quando não há tempo para isso”.

 

 
Como o anel de casamento se tornou um sinal de alerta Imprimir e-mail

Como o meu anel de casamento se tornou um sinal de alerta

 

Como uma mulher, ao “perder” o anel de casamento, descobriu uma técnica simples que todos os casais devem tentar

 Não me lembro agora por que é que eu estava tão irritada com o meu marido. Pode ter sido por questões grandes ou pequenas.

Lembro-me de estar aborrecida, e, sentindo que algo estava fora do lugar, olhei para as minhas mãos. Vi o meu anel de casamento sozinho na minha mão direita, não na esquerda. Não me lembro disso, mas em algum momento no meu aborrecimento e raiva, devo ter mudado o anel da mão esquerda para a direita, sem pensar o que estava a fazer. 

 O meu anel de casamento – o anel de ouro dado quase 55 anos atrás pelo meu pai à minha falecida mãe – normalmente fica junto com o meu anel de noivado no dedo anelar da minha mão esquerda. Eu não os tiro nem para tomar banho ou dormir. Isto acontece desde o início dos quase 20 anos que o meu marido e eu somos casados. Tão familiar é a sensação, o peso deles, que eu já nem sequer os notava.

Até ao dia em que a minha aliança de casamento surgiu na minha outra mão. E notei. E comecei a pensar nos motivos: foi um movimento passivo-agressivo? Eu estava a tentar dizer que eu não queria continuar casada? 

Não tenho a certeza. 

Mas a experiência fez-me pensar sobre o casamento, complacência, e como nos podemos acostumar com qualquer coisa. Não me conseguia lembrar da última vez que eu tinha pensado de verdade no nosso casamento. 

Meia idade, carreiras, tragédia pessoal e pais de um adolescente e de uma criança, ao mesmo tempo deixaram pouca energia para se concentrar no que era suposto ser o relacionamento chave na nossa família. Com tanta experiência de vida, boa e má, era difícil nem sequer lembrar-se dos dois estudantes universitários que se conheceram e se apaixonaram anos atrás, e muito menos de verificar como os seus desejos, necessidades e sonhos estavam a caminhar. 

Preocupações diárias impediram-me de pensar em mim como a parceira do meu marido de qualquer outra forma significativa além da prática de atender as crianças, dividir tarefas, e garantir o trabalho de casa. Se tivesses olhado para a forma como priorizamos o nosso tempo e dinheiro, terias pensado que as crianças, o desporto, a igreja, os amigos, os nossos animais de estimação, e até mesmo a nossa casa, tiveram precedência sobre o nosso casamento. As compras de supermercado sempre são feitas. O carro geralmente recebe manutenção e revisão regular. Mas o nosso casamento foi largamente ignorado. Da mesma forma, a minha aliança de casamento, o tesouro símbolo de unidade e compromisso, passou despercebida, também, até que eu mudei para a outra mão. A nova localização levou-me a uma sensação diferente, a uma consciência dela. Isto lembrou-me de quando o meu marido e eu ficamos noivos. A sensação de ter um anel de noivado era tão brilhante e nova – assim como o nosso amor – que eu não conseguia parar de olhar para ele. Senti o peso dele quando acordei. Naqueles dias, eu considerava um prazer procurar maneiras de fazer o meu noivo sentir-se valorizado e amado. Decidi deixar o anel de casamento na minha mão direita por alguns dias e ver que sensações surgiriam. Durante esse período eu sussurrava, “sou casada”. Isto me levaria a perguntar: “eu fiz alguma coisa pelo meu casamento hoje?” Eu já disse que sou mãe de um adolescente e de uma criança. E ainda mais, um dos nossos cães é um filhote. Eu sentia-me completamente exausta. Mas eu poderia escrever uma mensagem para o meu marido, dizendo: “obrigada por levar Margaret à escola hoje”, ou “Tu és um pai tão bom”, assinado com beijos e corações. Eu poderia sair da internet por um tempo. Nada dramático aconteceu, e eu coloquei o anel na minha outra mão. Mas às vezes eu troco o anel de dedo novamente. Estar ciente do anel ajuda-me a lembrar de que as crianças, os cães, a casa, até mesmo a lista de supermercado não estariam aqui se duas pessoas não se tivessem apaixonado. Isto lembra-me que palavras amáveis ​​e valorizar o meu marido não deve acontecer somente nos aniversários, e que ser parceiros pode ir além da prática. Eu amo a literatura, mas não quero que a minha vida seja como os meus romances preferidos ou as peças de Shakespeare, onde o casamento é o ápice da história de amor e, em seguida, a história termina. Temos anos de vida à nossa frente. Então, às vezes, movo o meu anel de casamento para a outra mão. Não porque briguei com o meu marido, mas porque quero notar a minha parte na história que continua.
 
A influência do comportamento dos pais na vida dos filhos Imprimir e-mail
A influência do comportamento dos pais na vida dos filhos     

Que exemplo temos sido para os nossos filhos? Que ambiente eles têm experimentado dentro da família? 

Já deu por si a olhar para o seu filho e percebeu que ele fala como você ou faz coisas como você? Ele é tão pequeno ainda, que você nem sabe como isto acontece! Se não observou isto, convido-o a fazer esta experiência e observar o comportamento dos pequenos e dos seus pais ou cuidadores mais próximos. Verá que a criança reproduz muitos comportamentos do adulto, que é a sua referência, e este adulto nem percebe isso. Por que é que isto acontece? 

Piaget e Vygotsky observaram e estudaram muito o desenvolvimento das crianças. Ambos os autores afirmam que as crianças, inicialmente, aprendem por imitação. Isto mesmo! Os pensamentos e o comportamento da criança, inicialmente, funcionam como uma repetição daquilo que elas vêem e experimentam. 

Segundo Piaget, a criança imita ou representa o que vê ou experimenta. E são estas experiências que vão formar a base da memória e, mais tarde, do pensamento da pessoa. Neste caso, podemos dizer que a criança é como um radar, que captura tudo à sua volta e armazena na sua memória para mais tarde usar como algo que é seu. 

Vygotsky, principalmente, afirma que o comportamento, a fala e a produção intelectual se formam a partir da experiência afetiva que a criança faz com aquilo que aprende. Ou seja, segundo ele, a formação de uma criança dá-se não só por meio do que ela vê, mas, principalmente, da forma que ela experimenta. Por exemplo: Uma criança que passa toda a sua infância num ambiente que não lhe oferece segurança emocional e presencia brigas constantes dos pais, de um pai que agride a mãe verbal e, por vezes, fisicamente, tem uma grande chance de desenvolver um comportamento agressivo e uma crença de que a família é uma instituição falida. Isto porque, ao longo da sua formação infantil, aprendeu por observação e vivência emocional a comportar-se desta forma. 

Pais e filhos É muito importante estarmos atentos ao nosso comportamento, pois, depois que nos tornamos pais, somos diretamente responsáveis pela formação física e psíquica dos pequenos que Deus nos confiou. Que exemplo temos sido para os nossos filhos? Que ambiente eles têm experimentado dentro da família? O autodomínio é uma característica que eles ainda não possuem, mas nós, pais, sim! Sejamos vigilantes, proporcionemos um ambiente seguro e desejemos ser melhores pais, para que os nossos filhos se tornem homens e mulheres novos, melhores do que nós.

 

 
5 coisas que um filho precisa de ouvir do Pai Imprimir e-mail
 5 coisas que um filho precisa de ouvir do Pai  

Por graça de Deus, eu sou pai de quatro filhos fantásticos: três meninas e um menino. Assim como é maravilhoso ser pai de filhas, é maravilhoso ser pai de um filho.

  O trabalho de criar um filho é uma tarefa nobre e importante. Infelizmente, é um trabalho que muitos homens desleixam, abrindo caminho ao que agora se vê como uma crise de grandes proporções no nosso país: a crise da paternidade.   Quando tiver vagar veja as estatísticas e fica a saber que uma percentagem muito elevada dos jovens que estão na prisão, tiveram pouca ou nenhuma experiência de envolvimento com o pai. São enormes os efeitos devastadores da ausência do pai ou da sua falta de liderança na vida do filho.  

5 coisas que todo o filho precisa de ouvir do pai:   1. Gosto de ti  

Qualquer rapaz precisa de ouvir e saber que o pai o ama. Sem essa afirmação, um homem carrega feridas profundas que afectam os seus relacionamentos mais importantes.  Encontrei homens de todas idades que sonham ouvir estas palavras mágicas que significam bem mais quando vêm do pai: gosto de ti. Nesta altura o meu filho tem só 4 anos, por isso é mais fácil dizer estas coisas. Suspeito que, à medida que crescer, vai ser um pouco mais complicado. Mas continuo a pensar dizer.  Porque por detrás de uma aparência às vezes áspera de um rapaz jovem há um coração que deseja sentir o amor do pai. Olha que a primeira imagem que o miúdo vai ter do seu Pai celestial é a imagem do pai terreno quando olha para ele. Ou seja, toca a dizer ao seu rapaz que gosta dele.  2. Estou orgulhoso de ti   Nem sei dizer quantos homens conheço que ainda hoje vivem à espera de ter a aprovação do pai. No fundo do coração perguntam, porto-me minimamente bem? Estou a fazer o que é certo? O meu pai estará contente comigo?   Ando a aprender que é importante para nós, pais, sermos firmes com os filhos de muitas maneiras (ver abaixo), mas nunca devemos negar a nossa aprovação. Eles precisam de saber, nos momentos certos das suas vidas, que não é preciso que façam mais para conquistar o nosso favor.   Claro, às vezes eles vão decepcionar e temos de lho fazer saber e sentir. E, no entanto, é importante não sermos como senhores que, ao tentar motivar os nossos filhos para a grandeza, omitimos o maior condimento que pode facilitar o êxito: a confiança.   Lembro-me da aprovação que Deus faz ao seu Filho quando estava a ser baptizado por João Baptista. "Este é o meu Filho amado, em ponho a minha complacência" (Mateus 3,17 e Marcos 19,35). Sim, há implicações teológicas importantes nesta frase para além da aprovação, mas não posso deixar de ver a aprovação de Deus a Jesus como um modelo para a relação que temos com os nossos filhos.   Se o seu filho não subir à 1ª divisão, se ele entrar numa universidade que não é Harvard, se ele se tornar camionista e não um gestor de empresas, nunca lhe dês a impressão de que gostas menos dele.   3. Tu não és um choninhas, és um soldado   Hoje a cultura apresenta uma imagem confusa da masculinidade.  O que é um homem? A cultura dominante diz que ele é uma espécie de inútil e que o melhor que ele consegue é desperdiçar a adolescência satisfazendo os impulsos sexuais, brincando às guerras na playstation, e sem qualquer tipo de ambição nobre. Mas Deus não fez os nossos filhos, para serem uns indolentes, mas para serem uns soldados.  Por favor, não se ponham nervosos com a palavra "soldado". É bom para encorajar os filhos a serem masculinos. Isto não tem a ver com ser caçador de leões, condutor de camiões TIR. Muitos homens verdadeiros bebem leite, conduzem utilitários pequenos, e detestam camuflados (como eu).  

Há uma visão de masculinidade na Bíblia, de nobreza e força, de coragem e sacrifício. Um homem de verdade luta por aquilo que ama. Um homem de verdade valoriza a mulher que Deus lhe dá. Não se serve dela.   Um verdadeiro homem procura seguir o chamamento que Deus estampou na sua alma, e que é descoberto através da intimidade com Deus, da identificação com os dons e talentos recebidos, e da satisfação das necessidades profundas do mundo (para parafrasear Buechner).  Ninguém consegue ajudar melhor os nossos filhos a orientar-se para a sua missão que nós, os pais. Não deixemos o futuro dos nossos filhos ao acaso. Vamos estar ao lado deles, modelando para eles um modo de viver que tenha sentido.  4. O trabalho duro é um dom, não uma maldição   Ócio, preguiça e indecisão são as melhores ferramentas do diabo para arruinar as vidas dos homens jovens. Pessoal, os nossos filhos precisam de nos ver trabalhar no duro e ser incentivados e preparados para também eles trabalharem no duro.  Eles precisam de perceber que o trabalho é mais duro por causa da queda original, mas em última análise foi dado por Deus para saborear o seu beneplácito. Ficar com as mãos sujas no esforço, na luta, no cansaço – tudo isto é bom, não é mau.   Infelizmente muitos jovens nunca viram como é importante para um homem poder trabalhar. Vamos mostrar-lhes que o trabalho traz alegria. O trabalho honra a Deus. O trabalho bem feito dá glória ao Criador.   Seja feito com os dedos num teclado, cortando árvores à machadada, ou manobrando uma empilhadora. Seja feito num escritório com ar-condicionado, em pântanos lamacentos, ou debaixo de um carro. Mas não se enganem: o trabalho importa e o que fizermos com as nossas mãos, se for bem feito, é um sinal do Criador.   5. Tens talento, mas não és Deus   Vamos embeber os nossos filhos num sentimento de confiança, de aprovação, de dignidade. Mas vamos lembrar-lhes que, embora agraciados pelo Criador, eles não são Deus. Temos de lhes ensinar que a masculinidade genuína não se envaidece. Inclina-se. Pega numa toalha e lava os pés dos outros.   Um homem de verdade sente-se confortável tanto quando reza como quando fala. Ele sabe que a sua força não está nas suas façanhas ou naquilo que ele acha que as pessoas pensam dele. A força vem de Deus.   Esta humildade alimenta a compaixão e vai permitir-lhes perdoar àqueles que os hão-de ferir duramente. Vamos ajudar os nossos filhos a saber que as suas vidas realmente começam, não quando eles tiverem 18 anos ou quando tiverem o primeiro trabalho ou quando se apaixonarem por uma mulher.   As suas vidas começaram numa colina poeirenta há 2000 anos, aos pés de uma cruz romana, onde a justiça e o perdão se reuniram no sacrifício sangrento do seu salvador. Vamos ensiná-los que viver a vida sem Jesus é como dar um concerto no convés do Titanic. É bom enquanto dura, mas, por fim, acaba na tristeza. Daniel Darling

 

 
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Como deve ser a espiritualidade da família?  

 

A espiritualidade da família é formada por alegria, festa, sexualidade, descanso e sofrimentos

 

Muitos casais, acostumados a uma participação ativa na comunidade e a um ritmo na vida de oração, sentem-se um pouco confusos, se estão a crescer na sua espiritualidade. É que o matrimónio, a chegada ou não dos filhos e tantos acontecimentos que influenciam na família acabam por causar consequências no dia a dia. É aí que surgem dúvidas. Algumas pessoas acham que a família é empecilho para uma vida no Espírito.

 Na verdade, é o contrário, a vida em família “é um percurso de que o Senhor Se serve para as levar às alturas da união mística”, conforme ensina o Papa Francisco na Exortação Pós-sinodal Amoris Laetitia. Espiritualidade feita de gestos concretos “A espiritualidade do amor familiar é feita de milhares de gestos reais e concretos. Deus tem a sua própria habitação na variedade de dons e encontros que fazem amadurecer a comunhão”, avisa o Papa. O dinamismo das relações favorece características fundamentais desta espiritualidade específica. A intimidade do amor conjugal dá glória a Deus. “O Senhor habita na família real e concreta, com todos os seus sofrimentos, lutas, alegrias e propósitos diários. Quando se vive em família, é difícil fingir e mentir, não podemos mostrar uma máscara. Se o amor anima esta autenticidade, o Senhor reina nela com a sua alegria e paz”, acrescenta. O Papa explica que a família vive a sua espiritualidade própria, sendo uma igreja doméstica e uma célula viva para transformar o mundo. Vida no Espírito Pessoas que “têm desejos espirituais profundos não devem sentir que a família os afasta do crescimento na vida do Espírito”. A graça divina é alcançada, pouco a pouco, por meio da vida matrimonial. Dificuldades e sofrimentos oferecidos por amor permitem-nos participar no mistério da cruz de Cristo. Momentos de alegria, descanso, festa, sexualidade, são sentidos como uma participação na vida plena da sua Ressurreição. Gestos quotidianos moldam a família em espaço teologal, possibilitando experimentar a presença mística do Senhor ressuscitado. A espiritualidade matrimonial advém do vínculo habitado pelo amor divino. Dedicação que une humano e divino, porque está cheia do amor de Deus. Oração em família Um meio privilegiado para expressar e reforçar a fé pascal é a oração em família. O Papa Francisco indica “alguns minutos, cada dia, para estar unido na presença do Senhor vivo”. Nesses momentos, é possível dizer a Deus o que nos preocupa, rezar pelas necessidades familiares, orar por alguém necessitado, pedir ajuda para amar, agradecer pela vida e as coisas boas, suplicar a proteção de Nossa Senhora. “Com palavras simples, o momento de oração pode fazer muito bem à família. As várias expressões da piedade popular são um tesouro de espiritualidade para muitas famílias. O caminho comunitário de oração atinge o seu ponto culminante ao participarem juntos na Eucaristia, sobretudo no contexto do descanso dominical. Jesus bate à porta da família para partilhar com ela a Ceia Eucarística”, diz Amoris Laetitia. Amor por toda a vida “Quem não se decide a amar para sempre é difícil que possa amar deveras um só dia”, afirma o Papa Francisco. “É uma pertença do coração, lá onde só Deus vê. Cada manhã, quando se levanta, o cônjuge renova diante de Deus a decisão de fidelidade, suceda o que se suceder ao longo do dia”, completa o Santo Padre. Família não é realidade perfeita Na busca pelo crescimento, consola-nos a afirmação do Papa Francisco de que “nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar”. Esta consciência impede-nos de julgar os nossos vizinhos com dureza e permite-nos avaliar o percurso da nossa família “para deixar de pretender das relações interpessoais uma perfeição, uma pureza de intenções e uma coerência que só poderemos encontrar no Reino definitivo”. Que queres que te faça? Fica aqui um exercício especialmente para os casais. Imitando a atitude de Jesus, que se coloca diante do cego Bartimeu com toda a disponibilidade: “Que queres que te faça?” (Mc 10, 51), coloque-se diante do seu cônjuge e pergunte: “Que queres que te faça?” Quando uma pessoa se entrega gratuitamente, é consequência estar diante do outro e esquecer-se de tudo o que existe em redor. Então, verás a ternura florescer, suscitarás em todos a alegria de te sentir amado.
 
Como educar as novas gerações nas virtudes Imprimir e-mail
Como educar as novas gerações com boas virtudes  

Comparada a educação aplicada às novas gerações, as pessoas que têm mais de 40 anos percebem, facilmente, a grande diferença que há na maneira como elas foram educadas. Talvez, temendo a desonra ou a ofensa à reputação da família, exigia-se dos filhos o pudor, não somente no comportamento ou nas roupas, mas nas brincadeiras e em todas as outras atitudes.

Os ensinamentos de uma educação rígida parecia pesar mais sobre as mulheres. Assim, os decotes eram comportados e as saias compridas à altura dos joelhos. As roupas, de maneira geral, em nada podiam marcar a silhueta do corpo feminino. A mesma preocupação havia para os trajes de banho, pois estes deveriam cobrir, de maneira moderada, algumas partes do corpo.

Transmitindo, ainda hoje, a ideia de que tudo é vergonhoso, imoral ou desrespeitoso, algumas pessoas têm dificuldades para acolher, com naturalidade, as partes mais íntimas do seu próprio corpo. Outras, mal conseguem despir-se perto da pessoa com quem se casou.

Valores

É claro que os modos de se vestir não formam o caráter de ninguém. Sabemos que os tempos são outros e reconhecemos que, no passado, a maneira de se transmitir valores, quase sempre acontecia de modo opressor. No entanto, hoje, temos a impressão de que se tornou proibido proibir.

Percebemos estar cercados por uma cultura que maximiza o apelo à sensualidade. Isto parece ser a principal via nos meios de comunicação social e está presente nos programas humorísticos, nas novelas, nas propagandas. Em quase tudo, se observa a presença de uma bela modelo e, muitas vezes, ela chama mais a atenção do público do que o próprio produto apresentado.

Houve um tempo no qual as revistas com conteúdo impróprio para menores eram vendidas em embalagens escuras para ocultar as imagens da capa. Atualmente, em alguns sites na internet, ampliou-se os poderes da imaginação com cenas explícitas de sexo em alta definição. Com tanta informação disponível, pessoas de todas as idades vivem embaladas ao ritmo do prazer vendido nas fotografias ou vídeos, comportando-se como quem sofre de uma verdadeira compulsão por tudo aquilo que diz respeito ao erótico ou ao sensual. A inocência foi ofuscada pela lascividade.

Jovens e adultos, numa concepção frágil sobre aquilo que interpretam como liberdade, rompem escrúpulos, derrubam normas, vivem relacionamentos desordenados, quase tudo por conta do liberalismo massificado. Ainda que eles saibam das consequências dos seus atos, vivem como se tudo fosse natural, a ponto de transformar um ato sexual numa experiência sem compromisso. Muitas vezes, com alguém que conheceu há um dia ou com outras pessoas que, normalmente, não se relacionariam.

Virtudes

Não é difícil encontrar pessoas que se comportam como se não tivessem domínio sobre si mesmas, revelando uma incapacidade de controlar os seus impulsos.

Ensinar os filhos sobre a valorização das virtudes é prepará-los para viver o respeito ao próximo. Cabe aos pais formar neles esta consciência. Assim como foi preciso o nosso exemplo para lhes ensinar a balbuciar as primeiras palavras, será necessário ajudá-los a alcançar uma vida dentro da moral e dos bons costumes, para que eles possam discernir sobre tudo aquilo que está maquiado como “normal”.

Tal ensinamento propicia a alegria de quem amamos, sem tolher a felicidade ou oprimir a sua liberdade.
 
Eduque os filhos com valores cristãos Imprimir e-mail
 Eduque os filhos com valores cristãos     

 

Educar os filhos é formar bons cristãos e honestos cidadãos  A

 Igreja ensina que os primeiros catequistas dos filhos são os pais. É no lar que estes se tornam cristãos. Por isso, é preciso que os pais vivam a fé católica, conheçam a doutrina cristã, frequentem os sacramentos, leiam com os filhos a Palavra de Deus, cultivem a moral católica e rezem com eles em casa.  São Paulo ensina aos romanos que “a fé entra pelo ouvido”. “E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?” (Rom 10,15). É ouvindo os ensinamentos cristãos dos pais que os filhos vão sendo doutrinados na fé.

É no colo da mãe e do pai que os filhos aprendem a crer em Deus, a respeitar tudo o que é sagrado, a rezar o santo terço, a amar a Virgem Maria, os anjos e os santos. É com os pais que os filhos devem aprender as verdadeiras bases da nossa fé, os doze artigos do Credo, os sete sacramentos, os dez mandamentos e a maneira correta de viver a vida como cristãos.  

 

Dom Bosco dizia que educar os filhos é “formar bons cristãos e honestos cidadãos”. Nem sempre a escola dá às crianças uma educação moral correta. Dá-nos arrepios quando lemos que os governantes querem colocar, nas escolas, ensinamentos morais que contradizem a fé católica, ensinando, por exemplo, uma deseducação sexual, sem castidade e sem pudor.

Que tristeza saber que algumas escolas chegam a colocar máquinas para distribuir os preservativos aos jovens, fomentando a promiscuidade e a vivência sexual fora do plano de Deus. É por isso que os pais precisam de estar muito atentos sobre tudo o que os filhos estão a aprender e a ver nas escolas hoje.   Para que os pais possam passar aos filhos a boa educação católica é preciso amá-los de todo o coração, gastar tempo com eles, aceitar renunciar aos seus momentos de diversão para estar com eles. Sem isso, não será possível conquistá-los nem educá-los como precisam; e sem os conquistar, não será possível falar-lhes das coisas de Deus de maneira convincente.

O filho que não gosta do pai, porque é maltratado e humilhado por ele, não pode aprender a amar a Deus. O pai da terra é a primeira noção que o filho tem do Pai do céu. Os pais devem aproveitar os momentos de convívio – na hora do almoço e do lanche, nas conversas e nos passeios – para moldar a fé e o comportamento dos filhos segundo a fé da Igreja.

Os pais devem ensinar aos filhos as boas maneiras, o respeito com cada pessoa, especialmente com os mais velhos, com os deficientes e pobres. É no lar que a criança precisa de aprender o que é caráter, honradez, justiça, amor, pureza, bondade, desprendimento e humildade. É em casa que os pequenos aprendem a dizer sempre a verdade e a trabalhar. Enfim, o lar deve ser a primeira escola de virtude e de bons valores. O povo diz, com sabedoria: “filho de peixe peixinho é”.  

 

O livro do Eclesiástico, no capítulo 30, ensina como os pais devem educar os filhos. “Aquele que dá ensinamentos ao filho será louvado por causa dele” (v.2). “Um cavalo indómito torna-se intratável, uma criança entregue a si mesma torna-se temerária” (v.8). “Não lhe dê toda a liberdade na juventude, não feches os olhos às suas extravagâncias” (v. 11).  

 

Os educadores são unânimes em dizer que educamos os filhos muito mais pelos exemplos do que pelas palavras. Então, os pais devem ter todo o cuidado com o seu comportamento diante dos filhos. Se ele mente, o filho aprende a mentir; se diz palavrões, o filho repete-os; se a mãe é preguiçosa e desleixada, a filha imita-a; se os pais rezam, os filhos rezam, naturalmente, sem dificuldade. Disso tudo, vemos a importância que a família tem na formação na criança.

E que dizer de muitas crianças que não têm um pai a seu lado, porque este abandonou a família? A base de tudo é a família. O filho tem o direito de ter um pai, uma mãe, um lar, ser amado e educado com todo o amor.
 
A realização sexual no matrimónio Imprimir e-mail
 A realização sexual no matrimónio  

A realização sexual vem quando a pessoa consegue ser livre para doar-se e amar de forma madura

Algumas coisas na vida podem se tornar grandes desafios, mesmo sendo dom de Deus. Um dos maiores dons de todo o ser humano é viver a sua sexualidade de maneira equilibrada, isso porque ela está diretamente ligada a todos os laços relacionais que cada um tem, incluindo pessoas e coisas, o que faz com que diversos fatores possam influenciá-la. O prazer sexual é um dom de Deus.

É um presente dado por Ele para nos incentivar no esforço de viver a dois. Mas, o prazer é algo físico, uma reação química, e não tem nenhuma relação com a realização sexual ou com felicidade. Algo pode ser extremamente prazeroso, mas gerar tristeza e decepção pessoal por não ser compatível com aquilo que acreditamos sobre nós mesmos. A realização sexual vem quando a pessoa consegue ser livre para se doar e para amar de forma madura, visando o bem do outro pelo simples facto de que se sente chamada a ser assim, independente da resposta do outro.

O prazer é uma linda consequência de um relacionamento maduro, mas quando é procurado como objetivo, acaba por deturpar o sentido do sexo e transforma-o num ato egoísta, feito para a saciedade e não por amor. Assim, ele torna-se viciante, e cada vez mais é necessário um estímulo maior para obter a mesma sensação de prazer.

A formação do nosso equilíbrio sexual começa já no ventre da mãe, quando acontece a aceitação ou rejeição do sexo do bebé, e onde a criança pode desenvolver a rejeição pela sua identidade sexual. Na primeira infância, o nosso inconsciente é bombardeado com milhões de informações aprendidas no convívio diário com os nossos pais e familiares, sobre o que é ser um homem, uma mulher e como eles interagem entre si. Estas são lembranças muito profundas (sendo boas ou ruins) que vão influenciar diretamente na nossa identidade sexual, e na forma como nos relacionamos com os outros.

Quando o vínculo social se amplia e temos contato com outras pessoas, podem surgir os traumas de rejeição, a descoberta precoce do prazer, os abusos sexuais e as experiências por curiosidade. Todos os relacionamentos vividos, bons ou ruins, deixam marcas e registos do que é prazer ou não, do que faz com que as pessoas gostem de nós ou nos rejeitem. Assim vai sendo formada a nossa identidade e as nossas preferências sexuais. Em cada uma destas etapas, marcas de carência podem ser deixadas, que nos vão deixar vulneráveis à entrega aos vícios, usando do prazer para tentar saciar o nosso desejo de realização e aceitação. Por isso, o primeiro passo para tentar libertar-se de um vício sexual é ter a coragem de reler a própria história em Deus, permitindo que Ele vá curando cada lembrança, cada carência, cada trauma, deixando que o amor do Pai lhe faça acreditar que também podes reaprender a amar de verdade.

Roberta Castro - Roberta Castro é Ginecologista e especialista em terapia familiar.
 
Terror noturno infantil, o que é isto? Imprimir e-mail
 Terror noturno infantil, o que é isto?  

O terror noturno infantil ocorre, na maioria das vezes, em crianças na idade pré-escolar

Já ouviu falar em terror noturno infantil? Conhece alguém que tenha um filho que sofra deste problema? Dos transtornos de sono manifestados na infância, certamente, este está entre os considerados mais dramáticos. Aqui, falaremos brevemente sobre o problema que afeta 3% das crianças, a maioria em idade pré-escolar. A manifestação ocorre na primeira fase do sono, cerca de 60 a 120 minutos após adormecer, antes do período dos sonhos.

Em geral, durante o quadro, a criança senta-se na cama ou no berço e começa a gritar, com muita agitação e expressão de terror. O coração e a respiração ficam acelerados e a pele bastante molhada de suor. Por vezes, dizem estar a ver pessoas estranhas ou mesmo animais dentro do quarto. Além de ficarem inconsoláveis, podem nem mesmo reconhecer pessoas ou lugares que a rodeiam.  

Felizmente, a cena dura, em média, de 10 a 20 segundos, mas para quem a presencia parece ser tempo suficiente para se espantar. Há, no entanto, registos de duração de até 20 minutos. Por mais que tentem despertá-la na hora, dificilmente os pais conseguem acordar a criança. Terminado o episódio, ela volta a dormir tranquilamente; no outro dia, questionada sobre o acontecido, não se lembra de nada.

Não são totalmente conhecidas as causas do terror noturno infantil. Alguns fatores como distúrbios de ordem emocional, acontecimentos traumáticos ou mesmo febre podem estar associados ao seu desencadeamento. Estudos revelam que o transtorno é mais frequente em crianças que apresentam sonambulismo.

Existem alguns medicamentos que podem ser utilizados no tratamento dos sintomas, com resultados comprovados. Entretanto, é preciso avaliar bem cada caso antes de iniciar a terapia medicamentosa, já que se trata de uma alteração geralmente benigna e de caráter transitório, desaparecendo por si mesma durante a adolescência.

Portanto, não se preocupe se perceber que algo semelhante está a acontecer com o seu filho. Com serenidade, procure ajuda médica e, com a graça de Deus, poderá dormir tranquilo!
 
Finanças no matrimónio: conta conjunta ou separada? Imprimir e-mail
 Finanças no matrimónio: conta conjunta ou separada?   Para equilibrar as finanças do casal, o melhor é abrir uma conta conjunta ou mantê-las separadas?As pessoas se casam por amor, mas há diversas questões que deveriam ser levadas em consideração antes do ‘sim’, e a situação financeira é uma delas.Calma lá! Não quer dizer que o sucesso de um matrimónio dependa do saldo na conta bancária ou da realização de sonhos materiais, mas este assunto transforma-se numa dimensão do casamento, assim como outras coisas práticas da vida do casal que eles terão que administrar; por isso deve ser pensada e dialogada. Se o casal, no entanto, não consegue fazer acordos sobre a administração dos proventos que os irão manter, seria bom refletirem, já antes do casamento, até que ponto a diferença de metas e estilos de vida influenciará no amor que sentem um pelo outro. No casamento, o que um gasta e como gasta uma hora ou outra vai criar impacto na vida do cônjuge, positiva ou negativamente.O que fazer?Diante disto, como é que o casal se pode organizar? Como podem administrar as suas finanças? O que é melhor: ter uma conta conjunta ou tê-las separadas? É melhor dividirem as despesas na proporção do que cada um recebe ou somarem os salários para quitar as despesas?A questão mais importante não é se o casal terá uma conta bancária conjunta ou contas separadas, quem vai pagar o quê e até quanto cada um pode gastar consigo, mas que tudo isto deve ser encarado e administrado em concordância. Se o casamento é e sempre deve ser a união de vidas e encontro de corações, a dimensão financeira de um casal não escapa a essa regra. Quando o assunto é dinheiro e contas, o casal tem de atuar de forma consensual. Tanto faz se os dois trabalham fora ou apenas um, tanto faz quem ganha mais, o importante é que o casal tem de atuar de forma conjunta.Não é má a ideia de marido e mulher terem contas individuais, desde que consigam fazer acordos e negociar preferências; contudo, é recomendável uma conta conjunta por causa da aliança que esta possibilita (não quer dizer que seja ideal para todos).Ao separar as contas, há uma chance maior de cada um conduzir as suas despesas e ter as suas escolhas, e as decisões individuais podem caminhar para estilos de vida diferentes. Com o passar do tempo, as disparidades tendem a crescer até ultrapassar o campo económico.A questão monetária acaba por se transformar em questão emocional. É comum percebermos que, quando há um alto nível de cumplicidade, diálogo e capacidade de altruísmo entre os cônjuges, é provável que a situação financeira dos esposos vá “de vento em popa”; contudo, marido e mulher podem até serem muito apaixonados, mas se não conseguirem ter, ao menos, ideais comuns, a tendência é que a situação económica esteja constantemente atingir o vermelho.Seja qual for a forma de administração que o casal escolha, conta conjunta ou separada, o importante é que tenham:Ideais comunsO padrão de vida desejado deve ter uma certa correspondência com o estilo que pretende também o cônjuge. Não adianta um sonhar em morar num bairro de luxo e o outro não querer abrir mão do lugar mais modesto, que talvez fique mais próximo do trabalho.Eleger prioridadesO casal tem fazer uma lista das necessidades ou metas a serem alcançadas por ordem de importância para eles. Existem as prioridades do mês, por exemplo: depois das contas quitadas, o casal queira investir o restante do orçamento na pintura da casa que planeavam há alguns meses; daí, aquele convite dos amigos para um churrasco pode ficar para uma próxima oportunidade.Quanto às prioridades para o futuro, como viajar no fim de ano, talvez se deva cortar pela metade o valor previsto com as roupas para a família. Enfim, veja o que deve ser pago ou investido primeiro. Aprenda a fazer escolhas em conjunto.TransparênciaEm tudo sejam sinceros um com o outro; não façam nada escondido.Viste aquela bela promoção? Tiveste vontade de comprar algo fora do orçamento? Liga para o  teu cônjuge e conversa sobre o assunto. Se não conseguires ligar, reflete quanto essa compra vai ficar fora do orçamento e criar um impacto. Neste caso, resolveste comprar? Mostra quando chegares a casa e diz exatamente quanto pagaste e as condições, para vós reprogramardes ou, ao menos, para que ele fique a par dos gastos. Afinal, transparência não serve para anular  o teu gosto pelas coisas, mas para aumentar a cumplicidade com o teu amado.Controla os desejosAprendam a viver com o que cabe no vosso orçamento.Façam uma poupançaUm padrão de vida adequado ao orçamento e o controle dos desejos muito provavelmente levará o casal a ter uma sobra no fim do mês. Em vez de criar oportunidades de consumo, escolham poupar. Isto não é só vantajoso financeiramente como também aprimora o equilíbrio emocional.Além de que, uma poupança é imprescindível para atingir objetivos futuros, e o ideal para resolver imprevistos que uma hora ou outra acontecem.Tenham metasÉ preciso saber onde querem chegar. Sem uma meta, todo o esforço em conjunto fica vazio, todo o acordo perde o seu sentido de ser. Traça projetos a curto, médio e longo prazo.Enfim, o amor não está condicionado a uma situação confortável, seja ela financeira ou não. Pelo contrário, deveria ficar mais forte nas ocasiões difíceis. Quando o amor se fortalece com os obstáculos da vida, transforma-se num laço que transcendeu o fogo da paixão e encontra meios de fazer acordos, para que o casal caminhe no mesmo rumo.Para que o dinheiro não seja o “deus” de um lar, é preciso que ele esteja ao serviço do amor entre o casal, e não o casal ao serviço do dinheiro.
 
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Filhos abandonados dentro da própria casa  

Encontrar filhos abandonados emocionalmente pelas famílias é uma dura realidade

Hoje, vivemos um tempo de grande transformação nos relacionamentos sociais. Em pouco tempo, evoluímos enormemente nas possibilidades de comunicação pessoal a distância.

Os tempos mudaram e estima-se que cada pessoa passa, aproximadamente, de três horas por dia conectado, interagindo via internet, o que reduz muito a sua convivência física com amigos e familiares.

Estamos a esquecer-nos de como amar

Fico impressionada quando vejo o desenvolvimento de formas de demonstrar emoções via internet (desenhos, “se sentindo…”, carinhas de todos os tipos). As pessoas estão a tornar-se ótimas no marketing emocional externo, mas estão a esquecer-se de como amar, como fazer carinho físico, como olhar nos olhos e dar atenção a quem está perto. Será que isto não é reflexo da dificuldade de nos abrirmos aos laços emocionais reais e fortes na nossa intimidade?

Medo de expor traumas e fraquezas

Será que não é medo de expor os nossos traumas e fraquezas? Digo isto, porque, apesar da internet ser um meio real de conhecimento pessoal e uma forma de diálogo, há um fator limitante que leva essa experiência a ser uma ilusão: eu mostro somente o que quero mostrar. Já no convívio concreto, não tenho tanto o domínio sobre a exposição, porque os meus gestos, a minha entoação de voz, a linguagem corporal, a resposta imediata frente aos estímulos e as minhas atitudes reais tornam-me muito mais vulnerável a ser realmente conhecido de maneira mais completa, inclusive naquilo que ainda não está bem equilibrado em mim.

Consequências da ausência dos pais

Claro que esta desconexão dos relacionamentos concretos é um problema. E torna-se muito mais grave (e com fortes repercussões) quando a conexão enfraquecida é o laço familiar com uma criança ou adolescente. A criança nasce completamente dependente da atenção dos pais. À medida que vai crescendo, vai aprendendo a ter autonomia e tornando-se mais independente. Mas, a atenção real dos pais é indispensável para o saudável desenvolvimento emocional dos filhos. Vários estudos mostram que as consequências da ausência dos pais são graves e podem causar agressividade, tristeza, desenvolvimento de tiques e problemas na escola.

Presentes e ausentes ao mesmo tempo

Hoje, muitos pais estão presentes e ausentes ao mesmo tempo. Em corpo estão ali, mas envolvidos com outras coisas. A criança sente-se ignorada emocionalmente. Telemóvel, Ipad, TV… Corpo presente, mente e atenção noutro lugar, com outro foco. Esta falta de atenção gera o sentimento de não ser importante, de não ser amado, de não ser suficiente para atrair a mãe e pai. Os filhos precisam de sentir que há envolvimento dos pais, que eles sentem prazer em estar na sua companhia, que se divertem ao brincar com eles. O contacto físico e o carinho representam estabilidade e segurança para que eles aprendam o que é um relacionamento afetivo.

Pais e filhos

Degraus do amadurecimento humano

A vida é corrida, por isso mesmo é preciso que o tempo designado para estar com os filhos seja de grande qualidade. São preferíveis trinta minutos de exclusividade do que mais tempo ao lado deles, mas fazendo uso das redes sociais. Um dos grandes degraus do amadurecimento humano é aprender a dar importância ao que é importante. Sei que os seus filhos e a sua família são importantes para você; então, simplesmente esteja ali, de verdade, por inteiro onde estiver. O amor de Deus age por meio de nós, para nos ensinar novas formas de demonstrar o que nós sempre sentimos, o amor que temos aos que nos são preciosos. Você vai-se surpreender com a resposta dos seus filhos ao se conectarem consigo de verdade.

 
Como lidar com a frustração de não ter um filho Imprimir e-mail

Como lidar com a frustração de não ter um filho  

Como o casal deve lidar com o sentimento de frustração e pressão diante da possibilidade de não ter filhos?

Vivemos em constante pressão! Quando se é solteiro, a pressão é: “ Quando vais casar?” Quando se é casado, a pressão é: “ Quando vais ter um filho?” Quando se tem um filho, a pressão é: “ Quando terás outro?” Mas, diante de tanta pressão, podemo-nos perder na indiferença do que, de facto, o outro está a viver. Talvez, o solteiro viva o sofrimento de não ter encontrado alguém para se casar; o casado, o sofrimento por não ter um filho; o pai, o sofrimento por se sentir incapaz de dar ao filho o que este deseja e por aí adiante.

A pressão que um casal vive para ter um filho, e, por várias razões (infertilidade orgânica, transitória e até mesmo esterilidade), não consegue, gerando assim uma situação de possível e grande sofrimento. A pressão da família e da sociedade para que o casal tenha filhos, muitas vezes, é enorme; e o facto de não conseguir engravidar pode fazer a pessoa sentir um completo fracasso.

Como administrar tal sofrimento perante a própria vida e diante da conjugalidade assumida?

1º) Não negues os teus sentimentos

A primeira coisa a viver diante do sofrimento em não conseguir engravidar é assumir os sentimentos, o desejo frustrado, o sonho que não se realiza. Quanto mais se negam estes sentimentos, mais eles ganham forças destrutivas dentro de ti. É preciso reconhecer a fundo o desejo que ambos (homem e mulher) trazem referente à concepção dos filhos. A aceitação e o enfrentamento do que estás a sentir ajuda a suportar as emoções e pressões (internas e externas) com mais serenidade.

2º) Não te destruas pela culpa

Diante da dor em não conseguir ter filhos, não te autodestruas procurando os culpados: “Ah, se eu tivesse engravidado antes!”, “Ah, se eu não tivesse esperado terminar o pós-doutorado para engravidar!”, “Ah, eu poderia ter me cuidado mais”, etc. Estas são vozes que tentam tirar-te a esperança e levar-te à completa aniquilação de ti mesmo e do teu (tua) esposo (a).

A culpa pode até impedir que tenhas uma centralidade para, de facto, encarar o problema, impossibilitando-o de buscar ajuda médica, psicológica e, quem sabe, até espiritual. Nada de se culpar!

3º) Vive a harmoniosa e fecunda vida de casados!

Quando a gravidez não surge, muitos casais começam a “esfriar” a relação, é como que se a impossibilidade em ter filhos tirasse deles a vitalidade do relacionamento. Nessa hora, não só a parentalidade está em cheque, mas também a própria conjugalidade. Tentem encontrar, juntos, maneiras realistas de dividir o estresse e a frustração em não poder/conseguir ter filhos. Muitos casais pensam que a fecundidade do relacionamento está apenas na questão de gerar filhos, mas não está somente nisto, não! O Papa Francisco, na Exortação Amoris Laetitia, afirma: “Àqueles que não podem ter filhos, lembramos que «o matrimónio não foi instituído só em ordem à procriação (…). Por isso, mesmo que faltem os filhos, tantas vezes ardentemente desejados, o matrimónio conserva o seu valor e indissolubilidade, como comunidade e comunhão de toda a vida».

4º) Procura toda a ajuda necessária

É importante que dentro da moral católica busqueis toda a ajuda necessária. Vai a médicos especializados, talvez a infertilidade seja de fundo psicológico; busca um bom terapeuta. Recorre à espiritualidade! Faz a tua parte sem te perderes numa vida obsessiva para engravidar. Mas com calma e esperança dá os passos que cabe a ti e ao teu esposo (a)!

5º) Relaxa, tu não és amaldiçoado

Sim, os filhos são bênçãos de Deus! Então, se não os tenho, não sou abençoado por Ele? Calma, não é esta a lógica! De facto, é Deus quem dá o dom dos filhos, mas não quer dizer que se não os tens seja pelo facto de que Deus não tos quer dar! Nesta hora, a fé é acreditar que, no mistério do sofrimento, Deus também sofre contigo! Não permitas seres invadido por pensamentos de que Deus não te ama, que és amaldiçoado.

6º) Estabelece um limite. Até onde tentar?

Há casais que decidem, desde o começo, por viver, de facto, o que a Igreja ensina sobre reprodução humana; por isso, esgotadas todas as possibilidades morais, é hora de escolher o que fazer. Ficar anos a tentar sem que se tenha um parecer médico favorável pode ser de maior sofrimento ainda para o casal. Lembra-te: desistir dos meios humanos não quer dizer perder a fé que Deus pode realizar o impossível!

7º) Abre-te à fecundidade alargada

O Papa Francisco, na Amoris Laetitia, afirma: “A adoção é um caminho para realizar a maternidade e a paternidade de forma muito generosa, e desejo encorajar aqueles que não podem ter filhos a alargar e abrir o seu amor conjugal para receber quem está privado de um ambiente familiar adequado. Nunca se arrependerão de ter sido generosos. Adotar é o ato de amor que oferece uma família a quem não a tem.”

Quantos casais que se abrem à adoção como uma forma de viver a paternidade e maternidade, com isso tornam-se, de facto, realizados? O amor abre sempre possibilidades!

Com isto não se pretende diminuir ou tirar o teu sofrimento em não conseguir ter filhos, mas a tentativa é de fazer com que os sentimentos possam ser administrados de uma forma mais integrada e humanizada possível.

 
As mães devem cultivar a feminilidade nas filhas Imprimir e-mail
 

As mães precisam de cultivar a feminilidade nas filhas  

O papel das mães no desenvolvimento da feminilidade das filhas

Na literatura psicanalítica, a função paterna foi muito divulgada com a descrição do complexo de Édipo, entretanto, a função materna é pouco explorada na formação subjetiva da menina. Mostra-se, portanto, que o relacionamento paterno tem importância no desenvolvimento da sua feminilidade.

Para entender o processo da relação mãe e filha, Zalcberg resgata a importância de estruturação da identidade feminina. Normalmente, o relacionamento materno é a fonte do primeiro amor para a criança. Os desdobramentos desse relacionamento terão um forte impacto na formação final, porque as meninas esperam mais das mães.

O relacionamento com os pais pode ajudar na estruturação da filha, mas não fornece identificação feminina, que é obtida na relação com a mãe. À medida que esse relacionamento se aprofunda, permite à filha ter mais identificação com a mãe, desenvolvendo ou não a sua feminilidade.

Relacionamento com a mãe

Nesse relacionamento, vivenciam-se dois momentos importantes. Primeiro, a alienação, quando a criança é totalmente dependente da mãe. Na segunda fase, a separação, o corte feito para que a criança possa experimentar outras formas de identificação além da materna.

Pode-se observar que, quando a mãe é gentil, a filha sente a força do amor materno. Mães que clamam pelo Espírito Santo passam sabedoria no relacionamento com as filhas, não cedem a competições e rivalidades femininas. Aprendem com as suas ancestrais e repassam às filhas as habilidades de se relacionar com o sexo oposto, sem perder de vista a sua identidade feminina. O inverso também é verdadeiro. Quantas dificuldades de relacionamento entre ancestrais são repassadas e atualizadas em relacionamentos de mãe e filha!

Feminilidade

Outro factor importante é que as mulheres têm procurado ocupar posições masculinas no mundo e adquirido posturas opostas ao que precisam de ensinar às filhas sobre feminilidade. De uma forma explícita ou ambígua, esses comportamentos têm gerado dúvidas e indefinições no processo de estruturação da identificação feminina.

Na história da Bela e a Fera, observa-se que o conto contempla uma menina órfã, ou seja, privada da figura materna; portanto, fragilizada na modelagem da sua feminilidade. Por outro lado, a simbiose entre mãe e filha não permite que ela consiga identificar-se como alguém externo. Tanto a falta como o exagero prejudicam a filha no cultivo da sua feminilidade.

Neste mundo de excesso de atividades, que as mães possam encontrar tempo para ajudar as filhas no processo de busca da feminilidade.

 
O que é a puberdade precoce? Imprimir e-mail

O que é a puberdade precoce?  

Cada vez mais cresce o número de crianças com puberdade precoce

Criança é criança. E meninas de oito anos têm de brincar com bonecas. Este não é um tempo de incentivar o ‘namorinho’ na escola, o uso de salto nos pés ou de maquilhagem”. Estas são as palavras de uma endocrinologista que também é mãe. Com uma verdadeira preocupação materna, ela revela-nos um quadro cada vez mais alarmante: cresce o número de crianças, sobretudo meninas, com sinais claros de puberdade precoce.

O que é a puberdade precoce

Talvez o seu filho esteja a passar por este problema e você desconheça as possíveis causas. Para esclarecer as dúvidas sobre puberdade precoce e orientar os pais a lidar com ela, a doutora Priscila Aquino respondeu a algumas perguntas.

Dra. Priscila Aquino: A definição de puberdade precoce é o aparecimento de caracteres secundários nas meninas antes dos oito anos de idade, e nos meninos antes dos nove anos. O que vêm a ser estes caracteres secundários? Tanto nos meninos como nas meninas, o primeiro sinal que os pais normalmente percebem nas crianças é um odor nas axilas – próprio dos adultos e não das crianças. Em seguida, na menina começa a aparecer a mama, o broto mamário; no menino, o pêlo pubiano. Na menina, às vezes, isto inverte-se e pode ser que o primeiro sintoma seja o aparecimento do pêlo pubiano. De qualquer maneira, tanto na menina menor de oito anos como no menino menor de nove anos, se isto já estiver acontecer é sinal físico de puberdade precoce e tem de ser feita uma pesquisa diagnóstica.

A maior consequência da puberdade precoce é, primeiro, procurarmos saber a causa dela. Ela pode ocorrer por uma causa fisiológica daquela criança ou pode ser uma doença. A princípio, os pais devem procurar o pediatra, que irá encaminhar a criança para um endocrinologista. Este fará uns exames iniciais. O primeiro exame é um raio-X da idade óssea da criança. Quando avaliamos o crescimento dela, há “duas idades” a ser consideradas: a idade cronológica, baseada na data de nascimento, e a idade óssea.

O que é esta idade óssea? Quando a criança nasce, faltam-lhe todos os ossos do carpo e do metacarpo, que são os ossos da palma da mão. Conforme vai havendo a ação dos hormônios de crescimento e dos hormônios sexuais, estes ossos vão crescendo e vão-se agrupando, ocupando espaços, até ficarem separados apenas por uma pequena cartilagem. Esta idade óssea avança quando temos um caso de puberdade precoce. Por exemplo: eu tenho uma criança de seis anos com idade óssea de oito. A partir daqui, investigamos se esta puberdade precoce é central ou periférica, ou seja, se ela vem do cérebro, da glândula hipófise (central), ou se vem dos ovários – no caso das meninas – ou dos testículos – no caso dos meninos –, ou ainda da glândula supra-renal, que existe tanto nos homens como nas mulheres (periférica).

Neurologicamente, é preciso ser descartado o tumor. Graças a Deus, isto é muito raro. Mas, durante a investigação, é necessário fazer uma tomografia do crânio. Depois, a dosagem de diversos hormônios. A partir daqui, temos um diagnóstico. Se houver uma doença de causa patológica, a criança precisará de ser tratada, e o tratamento depende da causa.

O maior problema em não tratar é que a criança faz esta maturação óssea precoce e pára de crescer. Você “toma” uma criança de cinco anos com uma idade óssea de oito anos; então, ela menstrua com dez anos e pára de crescer com 1,45 m. Esta altura, para uma criança com oito anos, é “gigante”. No entanto, para um adulto é considerada pequena. O principal factor que evitamos com este tratamento é a baixa estatura.

- A que sinais os pais devem estar atentos para perceber a puberdade precoce nos seus filhos?

Dra. Priscila Aquino: O primeiro sinal é o crescimento. Mesmo antes de aparecer o pêlo pubiano ou a mama na menina, ou aparecer o odor nas axilas, se a mãe está sempre em consulta com o pediatra, este consegue acompanhar a velocidade de crescimento da criança. Infelizmente, muitos pais só levam os filhos ao pediatra nos primeiros anos de vida. Depois, só procuram o médico no caso de uma enfermidade ou urgência. Com isso, o pediatra perde esse acompanhamento da velocidade de crescimento [da referida criança]. Quero alertar aos pais de que é importante levar seu filho a cada seis meses ao pediatra, porque, se ele tem o gráfico de crescimento dela e se essa criança começa a aparentar ter um caso de puberdade precoce, o gráfico de crescimento dá um “salto” e o pediatra percebe isso. Por exemplo, uma criança que cresce doze centímetros no intervalo de um ano, sendo que ela vinha dentro de um padrão de crescimento [no gráfico], pode vir a ser um alerta de puberdade precoce.

Outro alerta é que uma menina de oito anos ou menino de nove não devem ter sinais de puberdade ainda, nem comportamento físico ou psicológico – como mudança de humor, irritabilidade e um pouco mais de agressividade, que são sinais de puberdade precoce também.

- Como é que os médicos devem orientar os filhos, quando percebem que estes estão amadurecendo mais rapidamente do que as outras crianças da mesma idade?

Dra. Priscila Aquino: A puberdade precoce nem sempre é uma doença, nem sempre precisa de tratamento médico. Às vezes, aparece em meu consultório uma menina de oito anos com o surgimento de mama e com odor nas axilas. Ao fazer todos os exames, os resultados são considerados normais. Essa criança já tem um avanço da idade óssea, tem um avanço na velocidade de crescimento, mas não há nada para tratar. Então, ao questionar os pais, observamos que a criança é muito precoce no comportamento, porque tem um estímulo visual, ou seja, assiste a canais de TV com muitas cenas de sexo, muita valorização da imagem do corpo e da moda. Com isso, acabamos vendo “minimulheres” com oito anos de idade, ou seja, ela já quer usar sandália com salto, andar maquiada, pintar as unhas, assistir a novelas e programas próprios para adultos. Isso causa um amadurecimento precoce da hipófise, sem, no entanto, haver doença nenhuma.

Criança é criança, e meninas de oito anos têm de brincar de boneca. Esse não é um tempo de incentivar o “namorinho” na escola, o uso de salto nos pés ou de maquiagem. É preciso saber o que usar naquele momento. Se a menina quer usar batom, compre um brilho labial infantil. Dei esse exemplo para afirmar que é possível você despertar a feminilidade em sua filha sem despertar a puberdade precoce. O que não dá é uma criança dessa idade passar um batom vermelho ou um esmalte escuro nas unhas! Passe uma base nas unhas da criança. Vemos, muitas vezes, um apelo absurdo em vesti-las com roupas de adultos no tamanho delas. Por que isso acontece com tanta velocidade atualmente? Por causa do meio que ela vive e desencadeia a puberdade precoce. Tanto isso é verdade, que a incidência desse problema nas meninas era igual aos meninos há alguns anos. Hoje, com esse apelo de moda e sexo na TV, a puberdade precoce tem mais incidência sobre as meninas do que sobre os meninos. Por quê? Porque os meninos são mais “desencanados”, gostam mais de futebol e brincadeiras.

- Além das causas que citou, o que mais favorece o surgimento da puberdade precoce?

Dra. Priscila Aquino: Aí entra um terceiro fator: temos que pensar na alimentação dessa criança. Existe uma grande discussão se há hormônio nos alimentos como leite, aves e ovos de granja e mesmo na carne bovina de frigorífico. Não existe ainda um trabalho com comprovação científica que mostre uma quantidade “X” desse elemento [hormônios], o qual possa desencadear a puberdade. Não existe. Agora, um facto real é a questão do peso. O que está acontecendo com nossas crianças? A incidência de sobrepeso e de obesidade infantil tem crescido dia a dia. As crianças estão mais sedentárias e comem mais alimentos calóricos. Hoje, elas comem menos frutas, verduras e legumes e muito alimento industrializado. Um factor que desencadeia a puberdade é o peso, e não somente o estímulo hormonal e visual. Uma das principais consequências da obesidade infantil é a puberdade precoce.

- Que alimentos podem contribuir para equilibrar o desenvolvimento das crianças de acordo com a faixa etária?

Dra. Priscila Aquino: Cada faixa etária tem uma demanda especial. Dividindo em três grupos, ainda na primeira infância, antes da puberdade, o bebé de 0 a 2 anos tem uma velocidade de crescimento muito grande. O bebé, em um ano, triplica o peso desde seu nascimento. Se ele nasceu com 3 kg, em um ano ele já estará com 10 kg. Portanto, a demanda daquele bebé é muito grande. Depois, de 4 a 8 anos, a velocidade de crescimento cai e ela precisa de um valor calórico menor– não nutritivo; estamos falando em calorias. Depois, quando entram na puberdade entre os 10 e 12 anos, isso volta a acelerar. Portanto, não dá para dizer que os cardápios teriam de ser iguais, porque a quantidade vai depender dessa fase em que a criança se encontra. Mas, a grosso modo, quer seja uma criança de um, cinco ou dez anos, esse cardápio tem de ser balanceado, ou seja, conter as necessidades diárias de carboidratos, proteínas, fibras, vitaminas e sais minerais – e até mesmo doces e gorduras! Por que não?

Uma regra que eu adotei no dia a dia, como mãe, e que tento passar para meus pacientes é a seguinte: durante a semana, precisamos ter uma alimentação saudável em nossa casa. O que isso significa? Nossa sobremesa é uma gelatina, uma fruta, um docinho de fruta; nas refeições, arroz, feijão, salada, carne e assim por diante. É a tal da “dieta da avó”. No café da manhã, comem um pão. No lanche da escola, um suco, uma bisnaguinha ou uma bolachinha. O jantar igual ao almoço, mas sem estripulias. Durante a semana, não há refrigerante nem vamos fazer brigadeiros de chocolate. A batata-frita e o refrigerante são para o fim de semana. Não se trata de proibir, é o uso do bom senso. Trata-se de equilibrar. Certo?

 
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Como viver a viuvez?

 

Qualquer que seja o nosso estado de vida, podemos ser felizes, se vivermos em Deus e para Deus!

 

Fiquei viúvo há três anos. Nunca antes eu tinha pensado como seria a minha vida sem a minha esposa, depois de 40 anos de casados e quatro de namoro e noivado. No fim da sua vida ela disse-me que tinha medo de me deixar sozinho…

 

Mas quando já dava para pressentir que a sua morte estava próxima, depois de um cancro de seis anos, fui pedindo a Deus que me preparasse para viver a viuvez. Cada vez mais nas minhas orações eu pedia a Deus que me desse a graça de aceitar toda a vontade dEle e pudesse continuar a viver para Ele. Penso que esta seja a primeira coisa que um viúvo (a) precisa de fazer: aceitar a vontade de Deus, que conduz a nossa vida, e sabe o que é melhor para nós cada dia. Nesta fé é preciso entregar a Deus e agradecer – claro que com lágrimas! – o cônjuge querido que Ele nos deu como um Presente durante tantos anos. O que melhor cura a ferida que fica na alma é a entrega da pessoa a Deus, agradecendo-Lhe todo o tempo bom que esta pessoa esteve a nosso lado.

 

Na nossa fé, precisamos, então, de oferecer a Deus as Missas e as Indulgências pela alma da pessoa amada que agora reza por nós. Eu procuro fazer isto todos os dias. E às segundas-feiras vou ao túmulo dela levar a minha prece e uma flor.

 

É preciso também viver para a família. No meu caso são cinco filhos, um genro e quatro noras, e onze netos (e agora, mais um a caminho). Eles precisam de nós e suprem a falta da pessoa amada. Nunca dei tanto valor a uma família numerosa como agora. Antes de morrer, ela disse aos filhos: “Cuidem do vosso pai!” Então, todo cuidado comigo agora é pouco.

 

Deus dá-nos a chamada “graça de estado” para que possamos viver bem cada etapa da vida; de modo especial eu sinto esta graça de estado da viuvez que me ajuda a viver como Deus quer.

 

No meu caso, tendo uma vida intensa na Igreja, escrevendo livros, pregando, dando formação e aulas, viajando, etc., prefiro não procurar um novo casamento. Sinto em Deus que é melhor eu viver o celibato, e uma vida meio parecida como a de um monge da cidade, meio mergulhado no barulho. Mas, no meu “eremitério” isolado, partilho a minha vida com Deus, com os familiares e amigos. Estou sempre mobilizado para ajudar algum deles. E isto dá um grande sentido à nossa vida e não nos deixa cair na solidão, depressão ou tristeza.

 

É claro que não é fácil viver sem uma esposa, sem vida sexual à qual estávamos acostumados; mas a graça de estado ajuda-nos. E o viúvo não pode andar a procurar satisfação sexual de maneiras pecaminosas; seja por pornografia ou outros meios. Deus chama-nos a viver a castidade em qualquer estado de vida, casado ou solteiro. Isto é mais difícil para o homem do que para a mulher, mas com a graça de Deus, os Sacramentos da Igreja e a oração, isto é possível. É preciso consagrar-se a Nossa Senhora e a São José, os patronos da castidade, e seguir o conselho de Jesus: “vigiai e orai!” O viúvo, então, que não deseja voltar a casar, tem de fazer uma oblação a Deus do seu estado de vida.

 

Mas sei que nem todos os viúvos podem ou querem viver assim; então, a Igreja autoriza que se casem novamente, desde que se casem na Igreja, recebendo o sacramento do matrimónio. Sabemos que a morte extingue o vínculo matrimonial, então, o viúvo é solteiro novamente. São Paulo disse que: “A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver. Mas, se morrer o marido, ela fica livre e poderá casar-se com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Cor 7,39). “Quero, pois, que as viúvas jovens se casem, cumpram os deveres de mãe e cuidem do próprio lar, para não dar a ninguém ensejo de crítica” (1 Tm 5,14)”. “Mas a que verdadeiramente é viúva e desamparada, põe a sua esperança em Deus e persevera noite e dia em orações e súplicas” (1 Tm 5,5).

 

São Lucas mostra-nos o caso daquela bela viúva de 84 anos, Ana, que com o velho Simeão adoravam o Menino Jesus. “Depois de ter vivido sete anos com o seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia com jejuns e orações.” (Lc 2,37).

 

Soube há dias que uma viúva de 70 anos, de Valença, mãe de três filhos e avó de cinco netos, entrou para um convento de irmãs franciscanas Clarissas contemplativas (fundada em 1212 por Santa Clara de Assis), onde fez votos perpétuos. O seu nome religioso é Célia de Jesus; e, antes de se consagrar vivia para ajudar os pobres. Os seus filhos e netos assistiram. Muitas viúvas tornaram-se santas e ajudaram muito o reino de Deus: Santa Isabel de Hungria, Santa Isabel de Portugal, Santa Ângela de Foligno, Santa Luzia, Santa Paula, Santa Brígida; Santa Rita de Cássia, Santa Helena, etc.. Estas mulheres foram muito importantes para a Igreja. Portanto, os viúvos não têm que enterrar as suas vidas apenas dentro de casa.

Muitos viúvos e viúvas não desejam um segundo casamento, então, é preciso continuar a viver bem. Para os que são cristãos, fica sempre a oportunidade de ajudar os filhos e a família, especialmente se já não precisam de trabalhar profissionalmente. Os nossos filhos e netos precisam da nossa ajuda. A vida moderna é dinâmica e exige muito deles; então, se temos tempo, é um bom serviço prestado a eles e a Deus.

 

A Bíblia fala muito das viúvas, e como Deus as ama, como no caso da viúva de Naim em que Jesus ressuscita o seu filho (Lc 7,12). E vemos o caso maravilhoso da viúva Judite que salvou o povo de Israel de um massacre: “Judite ficara viúva havia três anos e meio” (Jd 8,4). “Despiu o seu vestido de viúva, para consolação dos que sofriam em Israel. Ungiu o rosto com essência perfumada…” (16,7), e que assim salvou o seu povo da morte.

 

Uma coisa importante a entender é que na Igreja não há nem aposentados e nem desempregados. Há sempre trabalho no Reino de Deus para quem quer “servir ao Senhor com alegria” (Sl 99,2). Os viúvos e viúvas são pessoas maduras, muitos têm uma boa formação intelectual e podem ajudar muito a Igreja nas pastorais, sobretudo no Batismo, Primeira Comunhão, Crisma e Matrimónio. Os viúvos não podem “enterrar os seus talentos”; pois Deus vai-nos cobrar isto. A Igreja precisa da nossa experiência, dos nossos lábios e das nossas mãos. Quando nos colocamos à disposição de Deus, para O servir, logo Ele nos dá um trabalho adequado à nossa condição. E isto faz-nos felizes.

 

Hoje posso dizer que trabalho ainda mais do que no tempo em que eu não era ainda viúvo; pois hoje tenho mais tempo para as coisas de Deus. E isto dá-me força, alegria e vida.

 

O tempo da viuvez, em que normalmente se tem mais tempo, é uma oportunidade de viver mais a vida espiritual, aproveitando o silêncio e a meditação. Nunca como hoje eu me posso dedicar a isto; pois sem isto não é possível servir a Deus com alegria e eficácia. Jesus disse: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Então, gaste o seu tempo estudando a Bíblia, meditando com bons livros, fazendo caridade a quem pode, etc.. Se as pernas do corpo já não são ágeis, lembre-se de que o espírito não tem pernas. Este é o melhor tempo para a nossa vida espiritual crescer.

 

São Paulo dá-nos um ensinamento preciso na Carta aos coríntios: “É por isso que não desfalecemos. Ainda que exteriormente se desconjunte o nosso homem exterior, o nosso interior renova-se de dia para dia” (2 Cor 4,16). O mais importante é que o nosso espírito cresça para Deus; pois todos nós vamos um dia para Ele. É verdade que nesta idade, os sofrimentos podem aumentar por causa da idade avançada, mas o Apóstolo também nos lembra: “A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, proporciona-nos um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas”. (2 Cor 4,17).

 

Afinal, todos nós temos de nos preparar para a morte, que não é uma tragédia, mas um encontro com o Senhor que nos ama. Santa Teresinha dizia: “Eu não morro, entro para a vida”. A Carta aos Hebreus lembra-nos uma coisa muito importante: “Procurai a paz com todos e a santidade sem a qual ninguém pode ver o Senhor” (Heb 12,14). Isto quer dizer que ninguém entra no Céu sem ser santo; pois Deus é Santo, Santo, Santo. Então, devemos aproveitar esta bela idade dos cabelos brancos para buscar com mais determinação a santidade que nos abre as portas do Céu.

 

Mas eu cuido da minha saúde para viver bem, faço ginástica, caminhadas, ouço boas músicas, alimento-me bem, para poder estar saudável e servir melhor a Deus e aos outros, não apenas para viver mais.

 

Agora é tempo de rezar mais, eliminar os pecados que ainda não vencemos (soberba, orgulho, exibicionismo, gula, ira, inveja, maledicência, mentiras…) e amar mais as pessoas porque a “caridade é o vínculo da perfeição”. Não há nada mais triste do que um ancião sem juízo ou um jovem sem alegria.

 

Nada podemos levar para a outra vida; então, é tempo também de desapego das coisas materiais, do dinheiro. O Papa Francisco disse que nunca viu um caminhão de mudanças atrás de um enterro. Então, este é um tempo, como disse Jesus, de “dar de graça o que recebemos de graça” (Mt 10,10).

 

Qualquer que seja o nosso estado de vida, podemos ser felizes se vivermos em Deus e para Deus.

 
Consequências do mau relacionamento dos pais na vida dos filhos Imprimir e-mail

 

 

As consequências do mau relacionamento dos pais na vida dos filhos 

 

Quando os pais se relacionam mal, isso gera consequências nos filhos, independentemente da idade que estes tenham.

Atitudes são decisões internas que geram comportamentos, acções diante de diferentes circunstâncias. Estes comportamentos são fruto do temperamento, do ambiente que vivem e das escolhas que vão sendo feitas a partir de determinadas realidades.

Muitos problemas de comportamento são gerados no relacionamento com pessoas, tais como colegas, professores e irmãos, mas o de grande impacto é a interacção com os pais. Muitos pais, no entanto, não percebem que a forma como se relacionam um com o outro interfere na formação, no comportamento dos filhos. Discussões entre o casal podem marcar uma criança por toda a sua vida, gerando comportamentos conflituosos ou inadequados.

A percepção dos filhos sobre o amor, o matrimónio, o companheirismo, os confrontos e os divórcios, entre outras situações vivenciadas pelos pais, pode ser causa de uma vida tumultuada na vida adulta dos filhos.

As crianças, na primeira infância, ficam vulneráveis e confusas diante de um ambiente conturbado; muitas vezes, assumem a culpa pelas dificuldades do casal. Por não terem ainda muita consciência, acabam escamoteando os sentimentos.

Na idade escolar, podem apresentar problemas de relacionamento consigo e com o outro e de aprendizagem na escola; em alguns casos, podem fugir de casa para se livrarem do ambiente conturbado ou por acharem que vão unir os pais.

Na adolescência, o impacto do mau relacionamento dos pais reflecte no amadurecimento precoce, na vergonha, no uso de drogas por parte dos filhos e na gravidez precoce.

Muitas vezes, as brigas presenciadas na infância impedem que os filhos na fase adulta queiram casar-se, pois o medo da situação conflituosa se repetir paralisa algumas pessoas.

Em todas as idades, quando o relacionamento do casal se deteriora, causando a separação, os filhos podem apresentar hostilidade, insegurança pela perda do amor de quem sai do lar e medo do padrasto tomar o lugar paterno. Em casos de separação, é importante manter a presença física e emocional, pois a ausência paterna é entendida como falta de amor, podendo aumentar o sentimento de culpa pela separação dos pais.

Quanto mais cedo os pais tiverem consciência destas consequências, melhor, porque permite que eles ensinem os filhos a trabalharem os sentimentos diante das situações, criarem espaço para que seja compartilhada e entendida a ansiedade que as brigas provocam e tentem reconstruir uma relação saudável na vida conjugal em benefício da vida actual e futura dos filhos.

Em alguns casos, torna-se necessário a contratação de um profissional para juntos entenderem as circunstâncias que acarretaram o problema de comportamento e a forma de relacionamento entre a criança e os pais, porque uma melhor interacção contribui para romper o círculo vicioso de comportamentos negativos.

 
A internet como instrumento de união Imprimir e-mail

 

A internet como instrumento de união 

 

A internet deve promover o diálogo entre pais e filhos e não o isolamento.

 

Assim como na educação dos filhos não adianta dizer o “não” pelo “não” sem dizer o porquê, é importante deixar um caminho aberto ao diálogo e criar neles a consciência crítica. É preciso fazer pontes e não muros.

Na nossa casa, desde que os filhos eram pequenos, quisemos educá-los criando neles a consciência crítica. Quando eram pequenos nós usávamos a expressão: “Isto é de Deus? Este filme, este jogo e este programa de TV são de Deus?” Queríamos que eles criassem critérios para conseguir discernir a respeito de coisas pequenas a princípio, para que, com o passar do tempo ou quando estivessem longe dos nossos olhos, já tivessem valores internalizados sobre o que é bom, justo e verdadeiro diante de Deus e dos homens.

Deixo aqui alguns conselhos para navegar pela rede mundial de computadores e para ajudar nesta realidade de hoje que é ter a internet dentro de casa:

– Dedica, com o teu filho, uma parte do teu tempo para aprenderem juntos a usar a internet. Vais-te surpreender como isso pode ser divertido.

– Antes de permitir que a internet entre em tua casa, estabeleçam juntos as regras para navegar (por exemplo, o tempo para ficar conectado) e verifiquem sempre juntos se estas regras estão a ser respeitadas. Deste modo vais educar o teu filho a usar adequadamente este instrumento.

– Se considerares oportuno, principalmente com os filhos pequenos, activa sistemas de protecção e filtros. Mas lembra-te de que isto não os protege contra riscos e não substitui a tua intervenção educativa. A melhor protecção para o teu filho é criar nele a consciência crítica.

– Não adianta evitar instalar o computador no quarto do teu filho. Ele pode navegar com dispositivos móveis, em lugares públicos que têm Wi-Fi ou na casa de amigos. O importante é criar constantemente oportunidades para falar sobre como usar os recursos da rede, quais sites ele está acessando e com quem está relacionado.

– Valoriza os bons sites e o material que eles oferecem. Estimula o teu filho a informá-lo se encontrou sites inconvenientes e dá-lhe os parabéns por te ter informado a este respeito. Evita reacções irritadas para não o assustar.

– Ensina-o a usar responsavelmente a internet: Facebook, Twiter, sites de download de músicas, YouTube e jogos online. Ser responsável quer dizer: respeitar os outros, não publicar fotos ou vídeos ofensivos, publicar mensagens positivas e socialmente úteis, participar de iniciativas de solidariedade, respeitar os direitos quando estão reservados.

– O teu filho deve saber algumas coisas fundamentais, como: aceitar como “amigos” só pessoas conhecidas, não participar em discussões de adultos e com adultos, informar os pais se alguém pede que ele use a webcam para se comunicar com ele.

– Oriente o filho a não dar nenhuma informação pessoal pela internet (nome, endereço, números de documentos, número do telefone, e-mail ou foto) sem a tua explícita permissão. Não permitas que o teu filho se encontre com pessoas que ele conhece apenas pela internet, a não ser que ele vá acompanhado de uma pessoa da tua confiança.

– Ensina o teu filho a diversificar as actividades e o tempo livre: encontrar amigos e brincar ao ar livre.

– Estimula o diálogo sincero com o teu filho no que diz respeito à rede mundial de computadores, informa-te sobre os seus interesses e os sites que ele visita habitualmente. A melhor protecção é a boa relação familiar.

 
O que é a andropausa? Imprimir e-mail

O que é andropausa?  

 

É muito importante a orientação e a consciencialização de que esta doença existe e pode ser tratada.

Os homens também passam pelo mesmo processo fisiológico que as mulheres, a diminuição dos hormônios sexuais. Só que a mudança deles geralmente é bem diferente. Ela acontece de maneira mais lenta, gradual e, na maioria das vezes, nem é percebida. Em média, somente 30% dos homens passarão pela andropausa sintomática, podendo ter sérias repercussões na vida do casal.

O principal hormônio sexual masculino é a testosterona. Ela é responsável por diversas coisas maravilhosas: disposição de vida, força muscular, desejo sexual, produção de células do sangue, manutenção da saúde dos ossos… Todos os homens sofrem a queda desse hormônio após os 30 anos, em especial após os 50 anos. Quando essa perda é muito significativa, ela pode vir acompanhada de diversos sintomas como: diminuição da massa muscular, redução dos pelos no corpo (incluindo na barba), ausência de ereções espontâneas pela manhã, aumento da gordura corporal (em especial na barriga), diminuição do desejo sexual, suores e ondas de calor (raro), palpitações, infertilidade, problemas de memória, dificuldade de concentração, apatia, depressão e ansiedade.

Apesar de os sintomas serem graves, a andropausa ainda é algo pouco conhecido, e as pessoas têm dificuldades de fazer essa associação entre o quadro clínico e a doença. Às vezes, isso interfere diretamente na vida de toda a família, mas a maioria dos homens tem dificuldade de aceitar ir ao médico para fazer exames. Nesse ponto, acho muito importante a orientação e a conscientização de que essa doença existe e pode ser tratada.

O diagnóstico é feito principalmente pela história clínica (sintomas) e pela dosagem de testosterona no sangue. Se não for tratada, a andropausa pode causar (além dos sintomas psíquicos – depressão, apatia) osteoporose e anemia crónica. O tratamento é fácil, mas deve ser acompanhado por um médico, de preferência urologista ou endocrinologista. Ele consiste em repor a testosterona, seja por comprimido ou injeções. E os resultados costumam ser muito bons.

Como já mencionamos, nem todos os homens que têm diminuição do nível de testosterona vão ter sintomas. Mas chamo à atenção para que aqueles que sentem a chegada da andropausa: há tratamento e isso pode melhorar diretamente diversas áreas da vida. É muito importante ir ao médico para ser avaliado.

O facto real é que envelhecer não é fácil. O nosso corpo e a nossa mente passam por transformações intensas, como se a vida nos quisesse dar um empurrão e dizer: Acorda! É hora de tomar as decisões certas. Temos algum tempo pela frente, e a qualidade desta fase dependerá directamente das escolhas feitas por cada um de nós.

Mas o que virá pode ser ainda melhor do que o que passou. A vida, em especial para aqueles que acreditam em Deus, é sempre uma evolução, um crescimento. Deus tem o melhor para nós, e se Ele nos permite estar mais um dia aqui, é porque tem algo de especial para fazer em nós e por meio de nós. Vamos semear as melhores sementes que temos, e colheremos também os melhores frutos, cada um na sua época.

 
A minha filha apaixonou-se. E agora o que faço? Imprimir e-mail

A minha filha apaixonou-se e agora o que faço?

Num piscar de olhos, as nossas crianças transformaram-se em adultos. As conversas na cozinha já não são sobre os “causos” da escola ou do trabalho, mas dos interesses e das atenções que “determinada pessoa” exerce sobre as nossas “crianças”. Basta encontrarem-se com o “felizardo” que todo o ar existente na atmosfera parece desaparecer.

Depois de se enfrentar uma verdadeira bateria de “provas de espera” e orações, felizmente tem-se definido aquele com quem se gostaria de viver a experiência do namoro.

Pensando ter acertado na escolha, esbarra-se noutro detalhe “nevrálgico”: a apresentação à família. Nesses momentos, muitos questionam-se: “Os meus pais precisam de saber que estou a namorar?”

Longe de uma formalidade ou da prática de um hábito, queremos a bênção dos pais em tudo o que estamos a empreender, buscando a parceria e o apoio daqueles que sempre estiveram ao nosso lado e nos ajudaram. A esta altura, os pais já perceberam que o seu “bebé” cresceu.

Qual será a sua verdadeira intenção?

Certamente, muitas dúvidas habitam a mente dos progenitores, tais como: “E se a aparência do pretendente ou o seu modo de se vestir não vier ao encontro das nossas expectativas?”, “Qual será a sua verdadeira intenção?”, “Será que ele trabalha?”, “É uma pessoa responsável?”, “E quanto à sua espiritualidade e idoneidade?”, “Ele manifesta zelo e preocupação para com o nosso ‘tesouro’?”

Estas e muitas outras considerações acredito que sejam tão delicadas para o filho enamorado recebê-las como para os pais avaliarem.

Por outro lado, se os filhos investirem na autoafirmação, poderão colocar em risco a liberdade de viver o momento do namoro. E vivê-lo às escondidas não traria benefício algum.

Por mais ciumentos que os pais, possam ser, vale a pena acreditar na educação investida nos filhos. Uma “ditadura paternalista” pode colocar em risco a cumplicidade existente entre pais e filhos. Mesmo percebendo que o coração de “pai coruja” possa sofrer com as decepções dos enamorados, é preciso deixar que os nossos “tesouros” exercitem a responsabilidade conquistada, valorizando os princípios familiares impressos em suas vidas.

Vale a pena considerar que as grandes e acertadas decisões se conquistam a partir da partilha e da transparência sincera entre as partes envolvidas.

 
Pílula do dia seguinte e as consequências Imprimir e-mail

Pílula do dia seguinte: quais as consequências?  

 

Que consequências traz à mulher, sobretudo às jovens?

 “Ela equivale a uma bomba hormonal para a mulher, com todos os efeitos agressivos e riscos. Altera o processo de ovulação, podendo provocar esterilidade para toda a vida.

Pode causar severos danos à saúde: sangramentos, dores de cabeça e náuseas. O seu uso frequente pode provocar: danos no fígado, tapar as artérias e provocar infarto, embolias no cérebro ou no pulmão e hemorragias cerebrais, complicar as alterações provocadas pelo tabagismo, aumentar os riscos do colesterol elevado podendo produzir danos no pâncreas, pode produzir cegueira por trombose da artéria da retina, piorar o diabetes. Aumentar o risco de desenvolver câncer de colo do útero e de mama além de depressão”.

Já houve vários casos de mortes de jovens causadas pelo uso dessas pílulas. Por exemplo, uma menina de 15 anos, Caroline, filha de Jenny Bacon, morreu em Londres, após tomar a pílula do dia seguinte, o que revoltou os pais das alunas na escola onde a pílula é distribuída até para meninas com apenas onze anos.

O Dr. Jerome Lejeune, francês, um dos maiores geneticistas do século XX, já avisava na década de 90 que a pílula do dia seguinte “é uma bomba para o organismo da mulher”.

O Dr. Hélio Begliomine membro de diversas sociedades internacionais, denuncia ao público a pílula do dia seguinte pelos efeitos contrários à saúde e à vida humana que ela acarreta. E denuncia que há interesses económicos de grandes firmas que estimulam a sua difusão camuflando as consequências negativas que ela possa ter para a mulher e para a sociedade em geral. (Revista PR n.468 – 2001)

Segundo os estudos científicos do D. Rodrigo Aguiar, no caso da pílula do dia seguinte, está comprovado que pode ter três efeitos: “Primeiro: impedir ou atrasar a ovulação. Segundo: Ainda que tenha tido a ovulação, impedir que se dê a fecundação do óvulo pelo espermatozóide. Terceiro: Ainda que tenha havido a fecundação, impedir que o óvulo fecundado se anide ou implante no útero. Este efeito anti-implantatório do óvulo fecundado está fundamentado não só pelo fabricante da pílula, mas também por extensa bibliografia médica.”

A Igreja não tem dúvida de que a pílula do dia seguinte é abortiva; por isso denuncia isto. Estamos a falar de um efeito abortivo, pois, segundo a genética, a vida humana inicia-se desde o momento da fecundação do óvulo pelo espermatozóide. O óvulo fecundado tem já o seu mapa genómico próprio e individual, diferente do mapa genómico do pai e da mãe. Se se impede que este óvulo fecundado se possa implantar no útero (nidação), estamos a falar de um aborto, ou seja, de um assassinato, e do ser humano mais indefeso.

Afirma o citado Bispo que “os que promovem a pílula do dia seguinte manipulam a linguagem científica: falam de concepção até que se implante o óvulo no útero. Enquanto não se implanta o óvulo fecundado, chamam-no de pré-embrião; já implantado, chamam-no de embrião.” Para a Igreja não existe pré-embrião, mas apenas embrião, já portador de uma alma imortal desde o primeiro momento da sua concepção, mesmo antes da sua nidação no útero da mãe.

A distribuição da pílula anticonceptiva normal e agora a de emergência, provoca cada vez mais a promiscuidade, acentuando uma sexualidade onde o primordial, onde o único motivo é buscar o prazer. Nesta visão hedonista do sexo, o filho torna-se um intruso, um estorvo que se deve descartar. E a mulher é reduzida a um objecto de prazer.

A solução não é distribuir pílulas às jovens, mas reorientar o autêntico sentido da sexualidade, que é expressão do ser humano na sua totalidade. O acto sexual não é só para o prazer, mas o prazer deve acompanhar intenções mais nobres, como a unidade do casal e a comunhão do homem e da mulher, assim como a transmissão da vida. O acto sexual não pode ser apenas um acto de prazer, como para os animais; isto animaliza o homem e a mulher. Ele não é um fim último, mas um meio para a unidade do casal e a procriação. O amor que nutre o matrimónio está chamado a ser fecundo, aberto a outras vidas humanas, no sentido de paternidade responsável.

Pior mesmo do que a gravidez, é a liberação dos actos sexuais fora do matrimónio, que essas medidas geram. O nosso desafio é educar as crianças, os adolescentes e jovens a viver a sexualidade de uma maneira responsável e plena, e não ficar a distribuir pílulas, camisinhas e laqueaduras. Não estamos a lidar com animais.

O Catecismo da Igreja ensina que:

§2270 A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida.

 “Antes mesmo de te formares no ventre materno eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei” (Jr 1,5). “Os meus ossos não foram escondidos quando eu era feito, em segredo, tecido na terra mais profunda” (Sl 139,15).

A sociedade católica precisa de reagir a estes absurdos, antes que a nossa civilização volte aos tempos da barbárie dos séculos V. Prof. Felipe Aquino

 
Como o casal deve viver a sexualidade? Imprimir e-mail

Como o casal deve viver a sexualidade?  

 

Lemos no Livro de Tobias que, naquele tempo, o povo de Deus sofria muito. Vivia o exílio na Babilónia e não tinha nem mesmo direito de enterrar seus mortos. Tobit, pai de Tobias, era um homem justo. Às escondidas, correndo grande risco, arrastava os cadáveres para o fundo de sua casa e, durante a noite, os sepultava. O velho Tobit ficou cego, mas quem vacilou na fé foi Ana, sua esposa. Ela começou a pensar: “Como pode ser? Tobit vive dando esmola, nunca viveu para si nem para nossa família. Ele sempre viveu para os outros e agora fica cego? Onde está Deus? Valeu a pena fazer tantas coisas?”. Ela cedeu à tentação e um dia agrediu Tobit: “O que valeram as suas esmolas? O que valeu correres o risco, sepultando os mortos? Veja o que aconteceu contigo. Que Deus é esse em que tu confias?” Embora balançado, Tobit se volta para Deus e faz uma oração angustiada: Tu és justo, Senhor, e são justas todas as tuas obras. Todos os teus caminhos são misericórdia e verdade, e tu julgas o mundo. Agora, Senhor, lembra-te de mim e olha para mim. Não te vingues de mim por causa de meus pecados, pelas minhas faltas e as de meus antepassados, com as quais pecaram diante de ti” (Tb 3,2-3).

O mesmo capítulo relata a história de Sara, uma jovem que morava muito longe dali. Ela era filha de Raguel, de Ecbátana, na Média, e foi dada sucessivamente a sete maridos. Quando a Bíblia diz sete quer dizer muitos maridos. Assim que eles se aproximavam de Sara, um demónio chamado Asmodeu os matava. Este nome quer dizer “perdedor”. Ele fazia com que Sara perdesse seus maridos (cf. Tob 3,8).

Houve um dia em que Sara foi agredida com palavras duras por uma de suas servas: “és tu que matas os teus maridos! Já foste casada com sete homens, e com nenhum deles tiveste prazer! Por que nos maltratas por causa dos teus maridos, por terem morrido? Vai juntar-te a eles, e que nunca vejamos filho ou filha nascidos de ti!” (Tb 3,8-9).

Diante disso, Sara também levantou a Deus uma oração angustiada. “Na mesma hora foi ouvida a oração de ambos, na presença da glória de Deus” (Tb 3,16-17). Este é o versículo-chave para os nossos lares. Eram orações angustiadas de um homem e de uma mulher, e foram ouvidas ao mesmo tempo na presença do Deus Altíssimo, que enviou o arcanjo Rafael para socorrer Tobit e Sara em suas aflições.

Deus escolheu um anjo para curar, salvar e libertar o seu casamento. Ore e pede ao Senhor, mesmo na angústia. Ele moverá o céu e a terra, se preciso for, mas virá em seu socorro, como veio em auxílio de Tobit e Sara.

Nós, homens, frequentemente deixamos nossa vida “correr na banguela”. Motoristas de camião geralmente agem assim, e sabemos o risco que há em “andar na banguela”: tenta-se introduzir uma marcha reduzida, mas ela não engata e o camião não pára… Os filhos de Deus têm posto os seus lares, a arca da aliança que Deus lhes confiou, em grande risco, levando o casamento na “banguela”.

Deus hoje diz a cada um: Meu filho, tu és o caminhoneiro que coloquei na direção do seu lar. Confio em ti! Minha filha, se o seu marido não está sendo o caminhoneiro que precisa ser, és tu que está com a direção na mão. Então, não podes hesitar em tentar trocar a marcha e pisar ora no acelerador, ora no freio… Não pode levar “na banguela”. Precisas de estar com a marcha engatada em mim. A sabedoria de que precisas é a minha sabedoria, e não a do mundo. A mentalidade de que precisas é a minha mentalidade, e não a das novelas. Eu escolhi-te. Eu confio em ti.

Deus enviou o arcanjo Rafael para socorrer Sara e Tobit. Tobit resolveu mandar seu filho Tobias para uma terra estranha, distante, a fim de buscar o dinheiro que lhes pertencia e se casar com alguma jovem da sua raça. Um jovem, então, aparece para acompanhá-lo, mas Tobias nem desconfiou que era um anjo. Começam a viagem: Tendo entrado na Média e já aproximando-se de Ecbátana, disse Rafael ao jovem: “Tobias, meu irmão!” Ele respondeu: “Que há?” O anjo continuou: “Devemos passar a noite na casa de Ragüel. Ele é teu parente e tem uma filha chamada Sara. Ele não tem outro filho ou filha além de Sara, e tu és o parente mais próximo que todos os outros, com o direito de casar com ela. Também é justo que entres na posse dos bens de seu pai. Essa moça é sábia, corajosa e de grande formosura, e seu pai quer-lhe muito bem. Disse ainda: “É justo, pois, que a recebas. Ouve-me, então, e falarei sobre ele esta noite, para que a recebamos como tua noiva. Quando tivermos voltado de Rages, celebraremos o casamento”. Tobias respondeu a Rafael: “Azarias, meu irmão, ouvi dizer que ela já foi dada em casamento a sete homens, e todos morreram de noite, no seu quarto: quando estavam para se aproximar dela, morriam. Ouvi algumas pessoas dizerem que um demónio os matou. Por isso tenho medo, uma vez que este demónio a ama e não faz nada jovem, mas mata a quem se aproxima dela. Sou filho único de meu pai. Se eu vier a morrer, levarei a vida do meu pai e de minha mãe para a sepultura, cheios de dor por minha causa. E eles não têm sequer outro filho, que possa sepultá-los” (Tb 6,10-13a.14-15).

Na tradução da Bíblia Ave Maria, existem ainda dois versículos que dizem: O anjo respondeu-lhe: “Ouve-me, e eu te mostrarei sobre quem o demónio tem poder: são os que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e se entregam à paixão como o cavalo e o burro, que não têm entendimento: sobre estes o demónio tem poder. Tu, porém, quando te casares e entrares na câmara nupcial, viverás com ela em castidade durante três dias, e não vos ocupareis de outra coisa senão de orar juntos […]” (Tb 6,16-18).

Para o mundo, isso é uma loucura: casar-se e passar três dias em castidade e em oração!

Há nestes versículos uma revelação de Deus não apenas para a situação de Sara e Tobias, mas para todos os casamentos, inclusive o seu.

Esta foi a “receita” que Deus deu a Tobias por meio do anjo. Não era Sara que causava a morte de seus maridos, mas eles mesmos. Todos eram estrangeiros; sem Deus. O demónio tinha poder sobre eles, porque agiam, como diz a Palavra acima, “como o cavalo e o burro, que não têm entendimento” e buscavam apenas a beleza, a jovialidade, a sexualidade de Sara.

Tobias e o anjo chegam à casa de Raguel, pai de Sara. Assim que começam a conversar, descobrem que são parentes. Vendo um rapaz tão bem formado, Raguel entusiasma-se, toma a iniciativa de oferecer a mão de sua filha em casamento e realiza, ali mesmo, a cerimónia.

Quando terminaram de comer e beber quiseram dormir. Levaram o jovem e o acompanharam até o quarto. Tobias então lembrou-se das palavras de Rafael, e retirou da sua bolsa o coração e o fígado do peixe e os colocou sobre as brasas do incenso. O odor do peixe manteve à distância o demónio, que fugiu para as regiões mais remotas do Egito. Rafael foi até lá, prendeu-o e logo voltou (Tb 8,1-3).

Isto não é “história da carochinha”. É a Palavra de Deus para nós na Bíblia, mesmo que estranha à nossa mentalidade tão mundana. É isso que nos diz a Palavra de Deus. Tobias obedeceu a Deus, realizando o que o seu companheiro de viagem lhe havia ordenado, e o demónio foi vencido. A vitória veio da obediência. Monsenhor Jonas Abib

 
Família numerosa, mas sempre felizes Imprimir e-mail

 

Família numerosa, emigração e pobreza... mas sempre felizes

 

A nossa família não é um romance, é uma realidade

 

Deveria ter uns catorze anos quando uma amiga me aconselhou a recorrer ao Arcanjo S. Rafael pedindo-lhe que mostrasse o seu poder e me arranjasse um bom marido. Naquele tempo a sua festa celebrava-se no dia 24 de Outubro, que é também o dia do meu aniversário. Não imaginava onde me levaria este conselho, e muito menos como S. Rafael mostraria o seu poder.

 

Passaram alguns anos: A minha irmã mais velha estava a estudar Medicina em Frankfurt (Alemanha) onde vivia com o marido. Quando nasceu o primeiro filho, pediram-me para sair da Costa Rica e ir ajudá-los a cuidar do bebé. Quando cheguei, inscrevi-me num curso de dança e conheci Norbert, um rapaz que me ajudava a aprender alemão. Trabalhava para a Lufthansa e fazia parte de uma brigada especial de polícias antiterroristas que, vestidos com o uniforme da tripulação, viajavam incógnitos para garantir a segurança dos passageiros. Viajava vários dias na semana para diferentes lugares do mundo mas, quando regressava a Frankfurt encontrávamo-nos, conversávamos, riamos.

 

Quando Norbert fez 20 anos levou-me pela primeira vez a casa dos pais; a uma localidade a três horas de distância de Frankfurt. Ao visitar a Igreja da terra, reparei num dos frescos que representava o Arcanjo S. Rafael com Tobias. Seria este o sinal? Mas o tempo ia passando, e chegou o dia de regresso à Costa Rica.

 

Como ultrapassaram a separação? É possível um namoro à distância?

 

Não sei como descrever a dor que significa separarmo-nos da pessoa de quem mais gostamos. Talvez por isso tenha entendido muito bem a passagem de S. Josemaria no livro “Cristo que passa" quando referindo-se à Eucaristia fala da separação dos que se amam.

 

Durante todo este tempo escrevíamo-nos… Nos anos 80 não havia internet, nem skype, nem nada. Telefonar era muito caro e a única opção era o correio normal. Uma carta minha durava aproximadamente uma semana a chegar à Alemanha e tinha de esperar, pelo menos, outra semana para receber a resposta, isto na melhor das hipóteses, porque às vezes tinha que esperar mais tempo.

 

Durante seis anos fomos trocando correspondência mas, a certa altura, comecei a pensar se na verdade teria sentido continuar a esperar e a escrever. E se não o voltasse a ver? E se era tudo uma ilusão? Era uma loucura com o Oceano Atlântico pelo meio.

 

1985, foi o ano decisivo. Apresentou-se a oportunidade de ir a Roma, em Março, com a minha mãe e irmãs. Ao pousar em solo europeu reacendeu-se o desejo de o voltar a ver. Em Roma, quando lhe telefonei e disse que estava na Europa limitou-se a perguntar: Queres que vá ter contigo? Duvidei por uns momentos, não sabia que responder e finalmente disse que sim. Chegou dois dias depois e ficou outros dois. Disse-me que iria à Costa Rica no início de Agosto e que tínhamos que decidir se nos casávamos, se não deixávamos de nos escrever. Tínhamos juntado um “montão" de cartas.

 

Recordo-me que regressei à Costa Rica com o “coração na boca": uma decisão tão importante e com tantas consequências. Lembrei-me de outro conselho que me ajudou muito naquele problema: recorrer à ajuda de Nossa Senhora: “Coração dulcíssimo de Maria prepara-me um caminho seguro". Repeti-o milhares de vezes e pedi-lhe muito que me fizesse ver com clareza pois se dissesse que sim teria, seguramente, de ir para a Alemanha com as consequências daí decorrentes. Exactamente no dia 15 de Agosto recebi o sinal de que precisava e nesse dia disse que sim.

 

Norbert e eu, depois de tanto tempo de espera, casámo-nos e vivemos felizes. Mas a nossa vida não é um romance, é a vida, e a vida implica também dificuldades, problemas e sofrimento.

 

Fale-nos um pouco dessa “vida" cheia de alegrias mas também de pequenos e grandes sofrimentos.

 

Como eu não queria viver na Alemanha decidimos instalar-nos na Costa Rica onde vivemos os primeiros 4 anos e nasceram os nossos três primeiros filhos. Foi pela Providência divina que se tornasse difícil ficar a viver aí. Agora, com o passar do tempo, compreendo-o, mas resisti quanto pude à ideia de irmos viver para a Alemanha. A mudança implicaria que teríamos de viver algum tempo em casa dos meus sogros enquanto construíamos a nossa... E com isto passaram mais 4 anos… Anos, em que não tínhamos nada, e era preciso começar do zero.

 

Com a ajuda de Deus e os esforços de Norbert conseguimos comprar (com empréstimo bancário, claro) um terreno e começar a construir. Norbert fez ele mesmo os projectos da casa e, a par do seu trabalho habitual, aos fins-de-semana, trabalha na sua construção.

 

Uma vez ouvi dizer que os arquitectos nunca conseguiram inventar uma cozinha onde caibam duas mulheres e o ditado tem toda a razão: é indispensável que uma jovem família tenha “as suas próprias paredes".

 

Essa época foi muito intensa e extenuante. Havia dias em que me sentia como um “zombie" porque os nossos primeiros cinco filhos dormiam muito mal de noite.

 

Falando de filhos e do namoro, falaram sobre a família que queriam constituir?

 

Antes de casar, tínhamos combinado ter os filhos que viessem mas, enquanto ele estava na Alemanha e eu na Costa Rica, fizeram-me uns exames médicos e disseram que não poderia ter filhos. Escrevi-lhe e disse que, se não quiseste casar comigo, o entenderia perfeitamente. Norbert respondeu-me que não tinha importância, adoptaríamos.

 

Depois, graças a Deus, chegaram os nossos próprios filhos. Norbert e eu combinámos que eu ficaria em casa a cuidar das crianças; ele ganharia o sustento. Ainda que durante algum tempo tenha renunciado a trabalhar fora de casa, estou convencida que este não foi tempo perdido, mas sim o tempo mais valioso da minha vida: ter a oportunidade de acompanhar os primeiros passos dos meus filhos na aventura da vida, procurar formá-los cristãmente, inculcar-lhes valores.

 

Agora, enquanto escrevo, penso nos nossos cinco filhos mais velhos que já “deixaram o ninho" e agradeço a Deus que, quase onze anos depois de nascer o quinto, tenha tido a felicidade de ter a Eva Maria que agora tem onze anos. Nasceu quando tinha 44 anos e naturalmente, no início, tive medo mas, felizmente, tudo correu normalmente e, por fim, Stefanie (a mais velha) teve a sua tão desejada irmã.

 

Norbert, tão trabalhador como sempre, ajuda a sustentar os filhos que ainda estão na Universidade, se bem que continuemos a pagar empréstimos ao banco, mas já falta pouco para terminar… Deus ajuda sempre mas, como diz o refrão “Deus ajuda quem se ajuda".

 

O casamento, a família, como nos disse, apresenta desafios que nunca tinham imaginado. Como enfrentou as dificuldades resultantes de viver num país novo sem conhecer bem a língua e os costumes?

 

Adaptar-me ao meu novo país foi difícil, outros costumes e outra mentalidade, e muitas vezes sentia desejos de regressar. A sorte foi que dispunha de um bom “arrimo espiritual" que me ajudava a olhar as coisas de outra perspectiva e me dava coragem para superar as dificuldades económicas, os mal-entendidos com a sogra e a saudade (do meu país e da minha gente), etc. E fazia-me ver que todos estes sacrifícios valiam a pena. E na verdade valeram a pena.

 

Vivo na Alemanha há 25 anos. Tive que aprender muitíssimo entre outras coisas o modo de ser das pessoas: Enquanto na América Latina somos, em geral, muito comunicativos e emotivos e quando falamos usamos todo o tipo de pormenores, aqui, as pessoas são mais reservadas e moderadas, mas têm uma riqueza interior muito grande. Se temos a sorte de fazer um(a) amigo (a) tê-lo-emos para toda a vida. No início não os conhecia e estas diferenças de carácter faziam-me sofrer muito. Tive que aprender a conhecê-los e entretanto a passar por alto coisas que não percebia e me magoavam, procurar perdoar e esquecer… Valeu e vale a pena e, ao recordar estes anos, só posso agradecer a Deus tantos cuidados e bênçãos!

 

Já estamos casados há quase 30 anos, temos 6 filhos e, de vez em quando, passo pela pequena igreja da terra do meu marido para cumprimentar o meu querido S. Rafael.

 
Casamento é muito mais do que uma cerimónia bonita Imprimir e-mail

Casamento é muito mais do que uma cerimónia bonita  

O casamento é um sacramento que deve ser assumido de forma consciente, livre e aberto à fecundidade

Quem escuta ou lê esta frase pode imaginar que o casamento seja algo simples e trivial, facilmente resolvido com um check in na igreja antes dos vários passeios de lua de mel.

Antes do ‘sim’, porém, é preciso que os noivos se preparem bem para a mudança de vida. Estou a falar da casa? Da comida? Da roupa lavada? Não, nada disso! No topo da lista está a preparação das emoções para a vida de casados. Um dos espaços eficazes para isso é o curso de noivos, quando o casal poderá sedimentar a reflexão conjunta sobre a vida a dois.

Três pontos importantes para a preparação.

Quando estava noiva, eu queria muito fazer o curso de noivos numa paróquia “superfamosa” entre as noivas, por oferecer um curso bastante acolhedor, realizado na casa dos responsáveis e cheio de mimos. Mas, como o Senhor nos conduz para o que de facto precisamos, não nos conseguimos inscrever e fizemos o nosso curso numa paróquia bastante distante do centro, cuja igreja estava ainda inacabada, um ambiente bastante simples e sem qualquer pompa.

No meio daquela simplicidade, Deus falou ao nosso coração de maneira completamente inusitada, do modo que precisávamos ouvir.

Para ter uma ideia, a primeira palestra foi conduzida por um frei bastante idoso, de origem estrangeira e sotaque carregado. O tema impressionou-nos bastante: como anular o seu casamento. Ele afirmou que era fundamental saber quando um casamento é nulo, para não entrarmos “de gaiato”, como se fosse fácil separa-se. Explicou, ao mesmo tempo, que vários casamentos são apenas teatro, pois faltam premissas básicas para serem considerados válidos para a Igreja Católica.

Casamentos arranjados ou apenas para esconder uma gravidez em curso não necessariamente são válidos, por exemplo. Se não há a livre vontade de ambos para assumir essa vocação ou se esconderam um do outro informações importantes como uma enorme dívida, um casamento católico anterior ou a infertilidade de um dos noivos, não perca o seu tempo, pois o casamento não será válido. O matrimónio é entrega total, livre e verdadeira; e estar disposto a assumir a entrega faz bem para as emoções dos noivos.

Outro tema importante para o qual é preciso preparar-se: método natural de planeamento familiar. Se tens dificuldade de abordar este tema com o noivo, seja porque ele parece resistente à abstinência sexual nos dias férteis, seja por vergonha ou por pouco conhecimento da metodologia, é durante o noivado que esse jogo precisa de ser combinado. Não basta só um dos noivos querer, é preciso que ambos estejam cientes não só das renúncias que isso traz, mas da maior cumplicidade, afeto e cuidado despertado com este método.

No curso de noivos, em geral, apresenta-se a experiência de casais que utilizam esse método e comprovam a sua eficácia, convencendo até os mais céticos. Há famílias com vários filhos, que dizem utilizar o método, mas com eles não deu certo. Na verdade, só funciona se houver preparação e utilização correta, e em caso de dúvida, basta procurar as equipes pastorais para acompanhamento dos casais.

Há um outro tema bem interessante, que não foi tratado no nosso curso de noivos, mas uma amiga comentou certa vez: educação financeira do casal. Após uma palestra, cada casal planeava como ficariam as contas, quem pagaria o quê, como organizariam as despesas. Parece brincadeira, mas muitos casamentos desgastam-se devido ao desequilíbrio financeiro de um dos cônjuges, ou de ambos, que não percebem que não existirá mais o seu e o meu dinheiro, o seu e o meu pecúlio, mas a nossa dívida, os nossos encargos. E isto deve ser combinado ANTES do casamento. Imagina seres acusada de que estás a gastar demais ou ver que o teu noivo esbanja em pequenos luxos quando mal conseguem pagar as contas da casa?

A igreja tem como pré-requisito o curso de noivos exatamente para o casal tirar um tempo para si e focar no essencial em meio às diferentes listas e preparativos para a cerimónia. Se tu não marcaste o teu curso de noivos ainda, não deixes para a última hora. Se já fizeste o teu, e estes temas não foram tratados, conversa com o teu companheiro de vida. Eu te garanto que essa conversa vai render frutos.

Conversar sobre a validade do matrimónio, o planeamento familiar natural e o orçamento doméstico, além de preparar as tuas emoções para o casamento, vai evitar dores de cabeça no futuro.

O casamento é uma vocação importante demais, para a emoção se resumir na escolha dos convites em papel brilhante e o bolo da festa.

 
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Qual a melhor idade para engravidar?  

Muitas mulheres fazem esta pergunta

Qual a melhor idade para engravidar? Antes ou depois dos 40 anos? A resposta será sua depois que ponderar o lado bom e ruim da gravidez em cada faixa etária.

Se pensarmos no ponto de vista católico, o Catecismo ensina sobre a paternidade responsável, a qual não nos permite métodos contraceptivos que não sejam naturais, quando os casais podem evitar relações nos períodos férteis por motivos fortes e não egoístas.

Agora, se a nossa reflexão partir do ponto de vista humano, teremos de ponderar com a razão as vantagens e desvantagens da melhor hora, desde que acreditem que exista a melhor hora para engravidar ou que essa hora aconteça depois que você engravida. Há casais que não queriam engravidar, mas quando isso aconteceu, várias bênçãos foram derramadas nos seus lares.

Prioridades

Alguns casais vão ponderar e decidir que, antes de terem filhos, precisam de estudar, de ter estabilidade profissional e financeira, ou mesmo de fazer uma poupança para enfrentar as futuras despesas com os filhos. Outra alegação é que, antes de terem filhos, as pessoas precisam de curtir a vida, de conviver bastante para saber se querem ficar juntos, amadurecer para cuidar de uma criança e buscar capacitação para fazer escolhas mais acertadas sobre a educação dos pequenos.

Questões económicas ou individualistas?

Todas as reflexões são válidas dependendo do ponto de vista. A pergunta que tem que ser feita é: estas razões estão baseadas em questões económicas e individualistas ou, realmente, no que é melhor para os filhos? Por outro lado, sabemos que as chances de engravidar não são as mesmas com o passar do tempo, a não ser que se utilizem as tecnologias atuais, sendo que muitas delas não encontram respaldo na nossa religião e também têm custos significativos num orçamento familiar, fora do acesso para a grande maioria.

Complicações para engravidar depois dos 40

Outra preocupação deve ser considerada por quem quer engravidar depois dos 40: as possíveis complicações para a mulher durante a gestação e os riscos de problemas genéticos nas crianças, que também são maiores. Outra ponderação é que as mulheres, provavelmente, terão de trabalhar até mais tarde, pois os custos com a educação e a saúde dos filhos exigem valores que nem sempre os vencimentos da reforma conseguem fazer frente.

É claro que todos estes argumentos não devem ser desanimadores para quem não conseguiu engravidar antes dos 40, pois existem muitos exemplos bíblicos e atuais de mulheres que tiveram gestações e bebés saudáveis.

Alerta para gravidez na adolescência

Não podemos deixar de fazer um alerta sobre a gravidez na adolescência, que também deve ser considerada uma atitude de perigo para a mãe e a criança. Nesta situação, as reflexões sobre a falta de capacidade física, mental, emocional e financeira para a maternidade são justas e não egoístas.

A diferença é saber se a escolha foi sua ou das circunstâncias, por isso, a resposta à pergunta inicial diz-nos que a medida correta deve ser uma maternidade e paternidade responsáveis, baseadas em valores cristãos e éticos, e não numa cultura individualista, onde a sua felicidade vem à frente dos direitos dos seus filhos.

 

 
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Sexualidade! Como educar os filhos?  

Educar os filhos para uma sexualidade sadia

Sexualidade! Como educar os filhos? O trabalho de oferecer educação sexual aos filhos deverá ser entendido como uma ação da família, algo que já foi implantado desde quando os pais decidiram tê-los. Vencer as resistências sobre este assunto é demonstrar amadurecimento, equilíbrio pessoal e sexual no processo educativo dos filhos. Pensando assim, pode-se afirmar que a sexualidade não é uma fase que cai de paraquedas no início da puberdade, por volta dos 12 anos, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ela é fruto da relação que foi construída entre a mãe e o filho e do empenho do pai diante da sua função.

A sexualidade não se educa numa lição ou conversa, mas pelo testemunho de uma boa convivência, da presença constante do diálogo, do abraço, do reconhecimento do valor que os pais e os filhos têm no ambiente familiar, além das estratégias próprias que este conteúdo exige para que seja educado em casa, e não tão somente na escola ou pelos meios de comunicação.

A grande porta aberta e disponível aos filhos são os canais abertos de TV sem total controle dos pais, a exposição de revistas e sites pornográficos, a falta de esclarecimento das dúvidas apresentadas pelos meninos e pelas meninas e a condição de despreparo em que muitos pais se encontram, fazendo com que as orientações sejam antecipadas ou postergadas.

Atualizar-se para educar os rebentos nesta dimensão não significa que será preciso abandonar o que foi aprendido nas gerações passadas dos seus familiares. Ao contrário desta ideia, acredita-se ser necessário que os pais tirem proveito do que lhes foi ensinado, atribuindo novos significados e novas formas de ensinar e de aprender. Uma orientação desta natureza deverá nascer das crenças, dos costumes e princípios da família, mesmo que estejam um tanto ou quanto ultrapassadas. Caso contrário, os pais viram fantoches das orientações despersonalizadas, sem responsáveis, sem donos, entregues ao vento. Será a partir da sua própria história que os pais deverão nortear esta formação. Portanto, trata-se de uma orientação que não deverá ser terceirizada à escola ou aos meios de comunicação. Uma família cristã deverá considerar os ensinamentos da Igreja e fazer uma opção baseada no Evangelho.

Conversar com os filhos sobre a expectativa que os pais têm em relação à vida sexual deles não deve ser nenhum bicho de sete cabeças, mas algo tão simples quanto falar da vocação profissional, das vestimentas adequadas para determinados ambientes e tantos outros assuntos necessários, para que se estabeleça um vínculo familiar duradouro e fortalecido no amor, na aceitação e no respeito. Mas é justamente neste assunto que as famílias travam e o rito da virgindade, da proteção e defesa ao corpo não são conversados nem discutidos em família. É encarado ou com muita simplicidade ou com estranha complexidade, tornando-se motivo de crítica, descaso ou uma conversa de crentes ou de católico carismático. A falsa ideia de que as famílias têm de acompanhar a modernidade afasta-as da oportunidade de tentar ser uma célula que gera vida, que se posiciona diante do que é efémero e do que traz consequências danosas. A omissão não deverá ser entendida como respeito, mas como demonstração do medo que paralisou para agradar a sociedade nascida de um sistema considerado bruto, desigual e desumano. Por que o mundo pode apresentar as suas ideias em nossa casa e nós não podemos viver nele de acordo com a nossa formação e com o nosso proceder?

O que é que tu pensas sobre sexualidade? Tu és daqueles pais que dizem que o filho tem de ser um pegador e a filha uma princesa? Nós estamos no mundo para fazer a diferença também na forma como conduzimos a nossa sexualidade. Inclusive, é um grande motivo para completar, diariamente, o bem-estar do casal.

Segundo Richard O. Straub, no seu livro ‘Psicologia da Saúde’, no mundo inteiro, mais adolescentes se estão a tornar sexualmente ativos numa idade mais precoce do que nunca. A tríade está formada: tabaco, drogas (lícitas e ilícitas) e sexo livre são elementos comuns na vida dos jovens. O estudioso alerta sobre a adolescência de risco quando consideramos a sexualidade de forma tão banal. Com a chegada da puberdade e da adolescência, os filhos tornam-se mais responsáveis pela sua saúde, tomando decisões que favorecem e algumas que comprometem o seu bem-estar físico psicossocial.

A gravidez indesejada, por exemplo, e as consequências negativas da atividade sexual precoce implicam em vários transtornos que incluem as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs); consequentemente, este comportamento não produzirá autoestima, mas produzirá tantos outros problemas como já se observa nos dias de hoje. Contudo, não será o discurso moral nem o religioso que dará conta desta formação. Não se trata apenas de uma condição social, mas genética. Mudanças hormonais, fatores sociodemográficos e a necessidade de aceitação pelo grupo de amigos faz com que o adolescente, de acordo com Straub, se comporte de forma que o ajude a ser aceite. Estas necessidades deverão estar sob os cuidados da família, da escola, da Igreja e do Estado.

A Bíblia diz-nos que o testemunho edifica a alma. Então, o testemunho dos pais é uma grande arma para distorcer as informações que chegam velozmente a nossa casa. Um dia, um filho perguntou à mãe: “Mãe, quantas vezes na semana namoras o meu pai?”. A mãe respondeu: “Filho, ainda bem que não tenho reposta para te dar. Namorar com o teu pai não é uma obrigação, é maravilhoso e necessário para o casal”. Continuei: “Mas sei dizer-te que, quando estamos bem, o namoro sempre acontece; quando estamos chateados, o perdão precisa de vir primeiro”. O filho sorriu e saiu convencido da resposta. Outro dia, uma irmã de comunidade disse-lhe: “Como faço para o meu filho ter a mesma intimidade comigo como vejo que tu tens com os teus pais?” Ele respondeu: “A uma altura dessa está difícil! Desde que sou pequeno, trocamos roupas e tomamos banho, juntos. Aqui em casa, conversa-se sobre tudo, até…” Neste momento, ele olhou para mim e a sua expressão disse tudo: sexualidade!

 
Quando falar de sexo com os filhos? Imprimir e-mail

 

Quando falar de sexo com os filhos?  

Os pais precisam de conhecer os filhos para identificar a hora certa para falar sobre sexo com eles

Infelizmente, o mundo atual exige receitas prontas. Quando devo fazer isto? Quando falar sobre aquilo? O quê? Quando? Por quê? Quantas indagações o ser humano sofre ao longo da vida! No entanto, é preciso saber que cada um é único e não há receita de bolo para todos.

No que respeita aos filhos também é assim. Por mais que os pais desejem acertar, e assim procurem informações que lhes dê a direção certa, não há como definir o futuro das crianças.

Como acertar, então, na educação dos filhos? O ideal é acompanhar o desenvolvimento de cada um deles. Uma família nunca educa os filhos da mesma forma que a família dos colegas de escola, mas, nem por isso, as crianças deixam de sofrer a influência dos colegas. Dentro de casa, os pais podem educar os filhos da mesma forma, mas cada criança dará uma resposta diferente.

Existe hora certa?

Ao compreendermos essa amplitude do ser humano, podemos dizer que não há hora, minuto ou segundo certo para falar de sexo com os filhos, pois cada um despertará a sua curiosidade sobre o assunto em momentos diferentes. Há crianças que, aos oito anos, compreendem essa realidade; em contrapartida, há outras que, aos 17, não sabem nada nem têm tanto interesse. Diante desta realidade, como ter um diálogo saudável e assertivo?

Quando os pais acompanham os filhos, quando os conhecem, conseguem perceber o momento certo. Não é importante que esse questionamento venha dos pais, o ideal é que surja dos filhos. Eles terão a iniciativa de perguntar sobre o assunto, e assim, conforme a linguagem que ele compreenda, nasce o diálogo. Não há como tratar este assunto tão sério e necessário de forma adulta com o filho de nove anos, como também, não terá proveito algum tratar o assunto de forma lúdica com um adolescente de 15 anos. Esta curiosidade surgirá a partir dos estímulos recebidos, ou seja, daquilo que ela tem visto.

O que explica a Psicologia?

Segundo Wallon (psicólogo que se dedicou ao estudo da Psicologia do Desenvolvimento), o ser humano tem uma tendência natural e instintiva de copiar o outro, de experimentar e atribuir-se os sentimentos do outro. Baseado nisto, podemo-nos questionar: “O que é que o meu filho tem imitado/copiado? A que é que esta criança assiste na TV? O que é que ela escuta nas músicas e nas conversas? Que tipo de comportamento é estimulado?” É difícil não ter um filho que desperte para o relacionamento sexual se vive num ambiente sexualizado. Talvez, tu estejas a pensar que não tem tanta importância e que tais situações não despertem tanto para a sexualidade, mas esqueces que o adulto é o espelho da criança. Esta teoria é aceite em maior parte das abordagens da Psicologia, principalmente as que trabalham o desenvolvimento humano.

A criança, naturalmente, despertará para o autoconhecimento. A manipulação dos órgãos genitais irá conduzi-la a uma via de prazer desconhecida. Porém, é passageiro, faz parte do autoconhecimento. O que muda é a forma com que o adulto, referência dessa criança, lidará com isso: de forma assustada, estimuladora ou natural?

Passar por esta fase instruindo e não supervalorizando ou escandalizando-se é a melhor forma. Por isso, inverto a pergunta: “Como estou estimulando o meu filho na vida sexual? Estou a viver esta fase de forma sadia?” Fica aqui a reflexão.

 
Como falar sobre sexo com os filhos Imprimir e-mail

 

Como falar sobre Sexo com os Filhos!  

 

Apesar de termos terminado o século XX e com ele teoricamente deixarmos para trás muitos tabus, principalmente sobre o sexo, ainda temos uma enorme dificuldade em saber qual a maneira correta de abordar o tema sexo com os filhos.

 

Certa vez conversando com o meu diretor espiritual entrei neste assunto e o padre respondeu-me que uma boa regra seria falar com sinceridade exatamente ao que a criança perguntasse, nem mais e nem menos. Tenho tentado aplicar esta regra com os meus filhos e tenho tido bons resultados, o que não quer dizer que eu e a minha esposa não tenhamos tido algumas surpresas e momentos em que nos vemos atrapalhados pela contundência das indagações dos nossos filhos principalmente da nossa filha mais nova.

 

Para falar sobre o assunto sexo aos filhos é necessário que tenhamos claro qual o sentido verdadeiro do sexo na vida de um cristão e como o mundo distorce o plano de Deus para a nossa vida sexual. O sexo na vida, tem a função da continuidade da vida pelos filhos e da estabilidade do casal por meio de um relacionamento íntimo e completo onde corpos e mentes se complementam num momento único de entrega, entendimento e prazer.

 

A primeira lição que devemos transmitir aos filhos é que o sexo é bom, foi criado por Deus, e que tem o seu momento e local certo para acontecer de forma sadia e sem culpas.

 

As nossas crianças são diariamente bombardeadas por erotismo e má informação sobre sexo, na televisão, dos programas infantis até nas novelas, no rádio com propagandas e programas maliciosos e na rua com a proliferação de outdoors com tudo o que se possa imaginar sobre malícia e incentivo ao erro. Se não fizermos a contra-propaganda, mostrar a beleza e a maneira correta de se encarar o sexo, os filhos crescerão indefesos num mundo de doutrinação impiedosa sobre o que não é certo.

 

Nunca coloque malícia quando falar de sexo com os filhos, nem tente mostrar às crianças um aspecto para o qual ainda não estão desenvolvidos o suficiente para entender.

 

Quem não passou pela experiência da pergunta de como o bebé entra na barriga da mãe? E como ocorreu em nossa casa, após a explicação de como o bebé vai parar à barriga da mãe, a nossa filha pergunta com certa indignação se nós fazíamos isso! E ainda, quantas vezes nós já tínhamos feito: 3 (para as três gestações) ou mais? Respondemos que fazíamos sim, e muitas vezes, e que só num momento de muito amor poderíamos gerar alguém tão lindo e amado como ela.

 

Hoje em casa este é um tema livre, às vezes eu penso até que é livre demais, a tal ponto dos filhos incentivarem os nossos momentos a sós com saídas para brincar enquanto ficamos em casa ou solicitações para que viajemos sozinhos para aproveitar!

 

E como falar de sexo aos adolescentes? Nesta fase já não é fácil falar com os filhos sobre qualquer assunto ainda mais sobre sexo!

 

Primeiro devemos tentar diminuir a distância entre nós e os filhos adolescentes mostrando-lhes que, apesar de todas as transformações que acontecem nos seus corpos e nas suas mentes (muitas vezes poderíamos dizer ‘transtornações’!) isto também é bom e se não fosse, Deus não nos faria assim.

 

A adolescência é uma fase de preparação dos nossos corpos e mentes, como já dissemos, para a vida adulta. É a fase de passagem de uma vida de meninos e meninas para uma vida de homens e mulheres e nada mais natural do que o despertar para o amor e para o sexo.

 E é errado pensar em sexo na adolescência? Falar de sexo? Fazer sexo?

 

Claro que não é errado pensar em sexo na adolescência como não é errado pensar na profissão que se vai ter no futuro ou na realização de um sonho qualquer. Tudo isto faz parte do nosso desenvolvimento e de certa forma nos prepara para chegarmos lá. O que não é saudável é viver de sonhos sem estar envolvido com a realidade, imaginar-se ser um médico sem se preparar para enfrentar um vestibular ou pensar em sexo sem estar preparado para enfrentar as possíveis consequências que ele pode trazer.

 

Um dia a minha filha pediu-nos para ir à matiné de uma dessas dançarinas com as suas amigas. A minha esposa e eu deixámos, confesso que sem muita convicção da minha parte. Ao voltar fizemos as perguntas comuns de como tinha sido, se tudo correu bem e como se tinham comportado as amigas. Naturalmente o ambiente impressionou a nossa filha que achou muito certo tudo. Só não gostou da insistência dos meninos em ‘ficar’, o que fez com que ela tivesse que ‘dar vários foras’ durante o tempo em que lá estivera.

 

E o que significa ‘ficar’? É aproximar-se de alguém que nem se conhece, beijar, abraçar e acariciar, e afastar-se sem o mínimo envolvimento ou constrangimento. O prazer pelo prazer. E muitas vezes com vários parceiros diferentes no mesmo dia e no mesmo local.

 

O que seria isto? Uma preparação para uma vida fiel e casta? Com certeza não.

 

O namoro tem a função na preparação de um jovem ou uma jovem para um relacionamento completo no casamento, é a fase de conhecimento e de seleção, é a fase onde se começa a lidar com a paixão, conflitos de interesse, vontade e autocontrole. E uma das reclamações da minha filha após voltar da matiné, é que os meninos não tinham o que dizer, queriam simplesmente saber se ela queria ficar ou não.

 

E por falar em namoro é bom entrarmos no assunto virgindade. A castidade é uma prescrição bíblica para toda a nossa vida e antes do casamento a virgindade faz parte deste preceito de amor.

 

Preceito de amor porque guardar o seu corpo para a sua esposa ou guardar o seu corpo para o seu marido, dando um presente preparado durante toda a sua vida para o dia das suas núpcias tem um significado maravilhoso e é um excelente passaporte para uma vida de fidelidade e felicidade.

 

Nesta hora alguém pode argumentar que os tempos são outros e que cada vez mais a vida sexual se inicia em idade mais baixa e que isto é natural. Infelizmente este é um senso comum mesmo dentro das comunidades da Igreja. Grande engano! A vida sexual fora do casamento é errada e para a nossa fé isto não muda nem hoje nem daqui a 2000 anos. A palavra de Jesus não mudará como o próprio Jesus colocou em Mateus 24,35 e a nossa conduta não deve seguir as modas ou ‘costumes’ mas os ensinamentos de um Deus que nos ama e mostra o caminho para sermos felizes.

 

Só para terminar vamos falar em camisinha. Por que é que se diz que a Igreja é contra a camisinha? Simplesmente porque o que Jesus quer de nós e a Igreja nos transmite, isto é uma vida casta e casamentos fiéis. Quem precisa de camisinha se vivermos como Jesus quer? E a Igreja tem que se manter firme e não cair na hipocrisia de muitos, que se dizem bons pais pois nos fins de semana sempre lembram aos filhos jovens de levar consigo camisinhas para não correrem riscos. É mais ou menos a mesma coisa que ver o seu filho sair de casa com uma arma carregada na mão e o pai pergunta ao filho:

 

– ‘Onde vais, meu filho?’

-–’Não sei, mas talvez vá fazer um assalto.’

-‘ Não te esqueças do teu colete à prova de bala. Se acontecer um tiroteio estarás protegido.’

– ‘Heina! Quase me ia esquecendo. Obrigado, pai.’

– ‘Não esquecias, não; o pai é para estas coisas.’

 

Parece absurdo um diálogo destes? Então pensa que tanto não matar como não pecar contra a castidade são mandamentos de Deus e até agora não foram revogados.

 

 
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