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3 vícios que desrespeitam o ritmo da natureza Imprimir e-mail
 3 vícios que desrespeitam o ritmo da natureza – e nos prejudicam todos os dias      

 

Muitas das nossas atitudes do dia-a-dia interferem diretamente no nosso estado de humor, na sua produtividade, na qualidade do descanso, no bem-estar. Mudar atitudes é difícil, especialmente quando elas já se tornaram hábitos, mas… é fundamental rever alguns comportamentos quotidianos e nocivos se quisermos seriamente melhorar a nossa qualidade de vida. 3 hábitos nocivos que vão contra os ritmos da natureza e que é preciso controlar agora:    

 

1 – A luz azul de curto-comprimento: chega de smartphone, antes de dormir!  

 

A nossa sociedade cada vez mais artificializada tende a dar cada vez menos atenção aos ritmos da natureza, no longo prazo, ou no dia-a-dia. No entanto, as consequências deixam claro que estes ritmos não podem simplesmente ser ignorados como se pudéssemos mandar na ordem natural (e não é pouca a quantidade de gente que pensa que mandamos na natureza…).    

 

Um dos elementos naturais que variam ao longo do dia com mais evidência é a luz.  

 

Já ouviste falar na luz azul de curto-comprimento? Pois bem: os raios de sol contêm altas concentrações deste tipo de luz. Quando expomos os olhos a ela, o nosso organismo interrompe a produção da melatonina, que é o hormônio indutor do sono, deixando-nos, portanto, mais atentos. Já quando os raios solares perdem a luz azul, no fim da tarde, acontece o contrário: o nosso corpo volta a produzir melatonina e, por consequência, vai-nos deixando sonolentos. Por fim, durante a noite, quando os raios do sol não nos atingem e o nosso cérebro naturalmente não espera exposição à luz, ficamos especialmente sensíveis à luz azul de curto-comprimento, com consequências para o nosso humor, nível de energia e qualidade do sono. Acontece que muitos dispositivos em que estamos viciados, como smartphones e tablets, emitem a luz azul de curto-comprimento diretamente aos nossos olhos. E o que acontece com a produção de melatonina quando somos expostos a esta luz? Ela é interrompida, interferindo no nosso sono. E o que acontece no dia seguinte quando a qualidade do nosso sono foi ruim? E o que acontece quando isto se repete todas as noites e todos os dias? Está na hora de respeitar um pouco mais estes ritmos da natureza.    

 

2 – Os 15 minutos consecutivos de foco: chega de interrupções, avisos e alarmes!  

 

O nosso cérebro precisa, em média, de 15 minutos consecutivos para focar numa tarefa única. Ao atingirmos o foco nesta tarefa, entramos num fluxo contínuo de produtividade no qual rendemos cinco vezes mais do que quando interrompemos a concentração. Mas o que é que tendemos a fazer ao longo do dia? Olhar as mensagens na rede social, conferir os resultados do campeonato, dar uma passeata pelos portais de notícias, fazer (mais) uma “pequena” pausa para um “breve” lanche… Tudo isto nos tira do ambiente de concentração e… exige mais 15 minutos de dedicação contínua, após cada interrupção, para voltarmos ao estado de foco. Isto vale também para um hábito que pode até parecer produtivo, mas não é: o de programar notificações, alertas e alarmes que nos distraem ao longo do dia todo. Cada vez que somos notificados de uma nova mensagem ou tarefa pendente, somos também tirados daquele fluxo de produtividade que o nosso cérebro tinha demorado 15 preciosos minutos de foco ininterrupto para conseguir atingir! Em vez de sabotar a sua própria concentração com avisos sonoros e visuais espalhados pela jornada, trace horários fixos em que vai responder aos e-mails, verificar as mensagens, fazer pausas. Assim preserva a sua concentração nas tarefas específicas de cada um dos seus objetivos e vai avançando mais rápido, focando numa coisa de cada vez, fazendo bem feito e evitando refazer ou ter de recomeçar porque se distraiu (de novo).   

 

 3 – O começo só começa ao começar: sim, isto é óbvio, mas… então por que é que vai adiando?  

 

A ordem normal do tempo, conforme a nossa experiência natural no quotidiano, é sequencial: primeiro vem o “antes”, depois vem o “durante” e por fim vem o “depois”. Excetuando realidades paralelas muito interessantes da ficção científica, é nesta ordem que as coisas acontecem: elas começam, prosseguem e terminam. Mas muita gente não começa! Fica a imaginar como será a vida “depois que” eu resolver tal pendência, “depois que” eu arrumar a casa, “depois que” eu ler tal livro, “depois que” eu fizer tal trabalho, “depois que” conquistar tal objetivo, “depois que” solucionar tal problema que estou a empurrar com a barriga há meses e meses… Depois, sim, eu “vou ser” feliz, eu “vou saber” tal idioma, eu “vou ter” uma casa bem ordenada, eu “vou fazer” o meu trabalho com mais cuidado, eu “vou ter tempo” para a família, para os amigos, para Deus… É uma tentação comum a de esperar para começar a fazer algo só quando temos a “certeza” de que vai dar certo. É evidente que não se pode fazer as coisas costumeiramente aos trancos e barrancos e sem planeamento, mas também deveria ser evidente que ficar a vida toda a planear, a sonhar e a calcular e nunca tirar nada do papel, também não dá! Como pretendes produzir algo se não começares nunca? Como esperas melhorar os resultados se não testares as tuas ideias e identificares na prática o que pode ser ajustado? Se escreveres uma página ruim, poderás editá-la; mas nunca poderás editar uma página em branco.
 
Batismo de filho adotado por casais homossexuais Imprimir e-mail
 Batismo de filho adotado por casais homossexuais     

 

Casais homossexuais podem batizar os filhos?   Com a decisão de autorizar a adoção de crianças por casais homossexuais e com o desejo destes de batizar estas crianças na Igreja Católica, gerou-se um debate sobre o batismo delas.  O batismo de crianças  A Igreja, a quem foi confiada a missão de evangelizar e batizar, desde os primeiros séculos, batizou não só os adultos, mas também as crianças. Nas Palavras do Senhor: “Quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3,5). A Igreja Católica, conforme os Cânones 849, 868 do Direito Canónico, “sempre entendeu que as crianças não devem ser privadas do batismo, uma vez que são batizadas na fé da Igreja, proclamada pelos pais e padrinhos e por todos os fiéis presentes”. Neles está representada tanto a Igreja local como a comunidade universal dos santos e fiéis: a mãe Igreja, que, toda ela, gera a todos e a cada um (Santo Agostinho, Epist. 98, 5: PL 33,362).  

 

 

A prática sacramental da Igreja Católica relativa ao batismo sempre levou em conta duas realidades: a necessidade do batismo para a salvação e a responsabilidade dos pais e padrinhos no processo da completa realização da iniciação cristã. O Catecismo da Igreja Católica (n. 1250) ensina que “por nascerem com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, também as crianças precisam do novo nascimento no batismo, a fim de serem libertadas do poder das trevas e serem transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, para o qual todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no batismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o batismo pouco depois do seu nascimento”.

Os efeitos principais deste sacramento são “a purificação dos pecados e o novo nascimento no Espírito Santo”. As crianças devem ser educadas na fé A Igreja, ao batizar crianças, pede que se ofereçam garantias mínimas para a educação na fé do neófito e o acompanhamento necessário para que a iniciação cristã seja completada e se garanta uma participação consciente e frutuosa no seio da Igreja. As crianças devem ser educadas na fé em que foram batizadas, a fim de que descubram, pouco a pouco, o plano de Deus em Cristo, para que, finalmente, possam ratificar por si mesmas a fé em que foram batizadas.  

 

 

O batismo de filhos de pessoas em união homossexual  

 

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii gaudium (n. 47), pediu que a Igreja fosse sempre a “casa aberta do Pai” e que, além das portas do templo, se considerasse com prudência e audácia não fechar outras portas, pois “todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade, e nem sequer as portas dos sacramentos se deveriam fechar por uma razão qualquer.

Isto vale, sobretudo, quando se trata daquele sacramento que é a “porta”: o batismo. […] Muitas vezes, agimos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a Igreja não é uma alfândega; é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida cansativa”.  Entre as múltiplas situações que exige atenção pastoral na administração do batismo está o facto de pessoas do mesmo sexo, que convivem em união estável ou não, pedirem o batismo para as crianças adotadas, ou filhos biológicos de um dos parceiros ou parceira. Trata-se de fiéis católicos que pedem o batismo para crianças tuteladas por eles. A Igreja tem uma atitude de acolhimento, de misericórdia, compaixão e proximidade.

Nunca as portas estarão fechadas para ninguém. O facto de a Igreja Católica aceitar o batismo das crianças adotadas ou filhas de casais homossexuais não significa que ela aprova o casamento homossexual. A Igreja está a dizer que os filhos deles podem ser batizados, mas continua contrária à união entre pessoas do mesmo sexo.

Embora objetivamente se encontrem numa situação contrária à doutrina da fé católica, são membros da Igreja de pleno direito e, como tal, responsáveis por promover o crescimento da Igreja e a sua contínua santificação. Convém, portanto, recordar que a situação de vida do pai ou da mãe não é mais importante que a graça do batismo, e que a criança não tem nenhuma responsabilidade pelo estado de vida de quem pede para ele o sacramento, e isso vale para qualquer situação. Devemos ressaltar que a questão dos pais não infringe o sacramento das crianças. Mesmo permanecendo contra a união entre pessoas do mesmo sexo, a Igreja Católica deve adotar uma atitude respeitosa e não julgadora em relação aos que vivem nestas uniões, e acolher filhos de casais gays. O tema está descrito no Instrumentum Laboris da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos (n. 120), que evidenciou-se o dever da Igreja de averiguar as garantias da transmissão da fé ao filho e recordou que, em caso de dúvidas sobre a capacidade efetiva de educar cristãmente o filho por parte de pessoas do mesmo sexo, se garantisse o apoio adequado, podendo-se lançar mão da contribuição que, neste sentido, outras pessoas do seu ambiente familiar e social podem oferecer.

Indicava-se também que para estes casos o pároco tenha particular cuidado na preparação do batismo e que se dê uma atenção específica na escolha do padrinho e da madrinha. Diz o texto: “Caso as pessoas que vivem nestas uniões (de pessoas do mesmo sexo) peçam o batismo para o filho, as respostas, quase unanimemente, ressaltam que o filho deve ser acolhido com as mesmas atenção, ternura e solicitude que recebem os outros filhos.  Muitas respostas indicam que seria útil receber diretrizes pastorais mais concretas para estas situações. É evidente que a Igreja tem o dever de averiguar as condições reais em vista da transmissão da fé ao filho.

Caso se alimentem dúvidas racionais sobre a capacidade efetiva de educar cristãmente o filho por parte de pessoas do mesmo sexo, garanta-se o apoio adequado – como de resto é exigido de qualquer outro casal que pede o batismo para os seus filhos. Neste sentido, uma ajuda poderia vir também de outras pessoas presentes no seu ambiente familiar e social. Nestes casos, a preparação para o eventual batismo do filho será particularmente cuidada pelo pároco, também com uma atenção específica na escolha do padrinho e da madrinha”.    Celebração do batismo e escolha dos padrinhos  

 

 

A prudência pastoral indica que se cuide para que a celebração do batismo não seja interpretada como uma espécie de aprovação eclesial da união homossexual. O pároco cuidará para que a celebração do batismo não seja instrumentalizada para fins políticos ou como propaganda da assim chamada “cultura gay”.  

 

No entanto, a concessão do batismo a crianças pressupõe o compromisso dos pais e padrinhos de as educarem na fé que eles devem exemplarmente professar e viver. A Igreja exige, por assim dizer, as condições mínimas para que a semente da fé (a graça), plantada no batismo, encontre as condições para desabrochar e florescer (natureza). A graça pressupõe a natureza.  

 

Cabe aos pais a tarefa de escolher com critério e responsabilidade os padrinhos, de modo a garantir que, na ausência deles, o filho tenha educação cristã de qualidade, não só pelo ensinamento da doutrina, mas, principalmente, pela vivência diária da fé.

Que os padrinhos sejam exemplos a serem seguidos, inspirando o batizando a viver também o sentido profundo do seu batismo, que ”é a fonte da vida nova em Cristo, fonte esta da qual brota toda a vida cristã” (Catecismo da Igreja Católica, 1254).
 
Como posso ser perdoado após ter cometido aborto? Imprimir e-mail
 Como posso ser perdoado após ter cometido aborto?     

 

 QUEM COOPERA PARA QUE O ABORTO ACONTEÇA deve também confessar este pecado e pedir perdão?    

 

 

A prática do aborto pode ser perdoada? A Igreja ensina: “A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, o ser humano deve ver os seus direitos de pessoa reconhecidos, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida”. (Cat. 2270) 

Deus diz por meio do profeta Jeremias: “Antes mesmo de te formares no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei” (Jr 1,5). Isto é, o ser humano é obra sagrada de Deus. No momento em que há a concepção, Deus cria uma alma nova e coloca-a na primeira célula humana. O salmista diz: “Os meus ossos não te foram escondidos quando eu era feito, em segredo, tecido na terra mais profunda” (Sl 139,15). 

Desde o século I, a Igreja afirmou a maldade moral de todo o aborto provocado. Este ensinamento não mudou, continua invariável. O aborto direto, quer dizer, querido como um fim ou como um meio, é gravemente contrário à lei moral. O pequeno catecismo do primeiro século já dizia: “Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido” (Didaque 2,2). 

O Concílio Vaticano II reafirmou este ensinamento da Igreja: 

“Deus, senhor da vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservar a vida, para ser exercido de maneira condigna ao homem. Por isso, a vida deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção. O aborto e o infanticídio são crimes nefandos”. (GS 51,3). 

A Igreja afirma que “a cooperação formal para um aborto constitui uma falta grave, e aplica a pena canónica de excomunhão a este crime contra a vida humana” (Cat. n. 2271). “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae (automática), “pelo próprio facto de cometer o delito” e nas condições previstas pelo Código de Direito Canónico” (§ 1398). Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao ‘inocente morto, aos seus pais e a toda a sociedade” (CIC 2272).

 

 
Como lidar com pessoas difíceis no trabalho Imprimir e-mail
 Como lidar com pessoas difíceis no trabalho       O sonho de ter o melhor emprego do mundo acaba, muitas vezes, quando nos deparamos com pessoas difíceis 

Quem dera que o nosso local de trabalho fosse um ambiente formado por pessoas que aceitassem as nossas opiniões, andassem sempre bem humoradas, com vontade de produzir! Pessoas que fossem flexíveis e ponderadas nas suas atitudes, sem reclamações e dentro da mais perfeita harmonia. Quem dera que não houvesse pessoas difíceis! 

Por vezes, deparamo-nos com aquele colega orgulhoso, o “sabe-tudo”, o interesseiro; há também o bajulador, o que empurra o serviço para o outro, o invejoso, o ciumento, o explosivo… Enfim, pessoas difíceis que julgamos ser realmente complicadas de lidar e que, diariamente, criam conflitos com os demais. 

Como resolver o conflito 

Quando um problema deste tipo é diagnosticado, o modo mais comum de agirmos é ignorando, acreditando ser uma situação passageira, que em breve terá fim. Com o passar do tempo, pouca mudança é percebida e a solução correta do facto fica de lado. 

Fingir que nada está a acontecer e continuar a sofrer as consequências sem nenhuma atitude só contribui para crescer aquele “monstro” dentro de nós. Vamos fazer o quê? Fazer mais confusão? Isto é problema nosso? 

O bom senso é a chave para entrar num caminho delicado e renovador. Resolver problemas não é tarefa agradável, por isso tantas pessoas se esquivam deles. Desejamos que os outros venham até nós sem defeitos nem ajustes. Culpamos a todos e nunca paramos para pensar sobre as nossas próprias atitudes. Temos de nos livrar de certos preconceitos e tentar entender os que estão ao nosso redor para os auxiliar. A melhoria pode partir de quem está incomodado e não de quem incomoda. 

Respeito e ponderação 

O individualista não percebe que está a centralizar as tarefas nele, impedindo o trabalho em equipa. O explosivo grita, responde de modo ríspido às ordens, sem compreender quanto mal está a causar aos que estão à sua volta. Mostrar-lhes que atitudes como estas não colaboram para um ambiente sadio de trabalho é de extrema necessidade. Não cabe somente ao líder tomar esta iniciativa. Se tu fazes parte deste grupo e te sentes prejudicado, fala. Com respeito e ponderação, uma boa conversa é libertadora. 

Foge da armadilha do “toma lá, dá cá”, de andar à procura de formas de “dar o troco” a quem te tira a paciência. Concentra a tua atenção em observar os teus colegas, tentando buscar formas de evoluí-los. Evita responder às provocações, estimular mexeriquices e comentários na ausência do outro, respira fundo e só depois fala. 

A oração da serenidade ensina-nos: 

“Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que posso e sabedoria para distinguir umas das outras”.

 

 
Qual a verdadeira identidade masculina? Imprimir e-mail
Qual a verdadeira identidade masculina?  

Na sociedade atual, qual é a verdadeira identidade masculina?

Nunca se falou tanto em direitos humanos e dignidade da pessoa como nos tempos atuais. Mas, contrário a estes discursos, o quotidiano mostra, cada vez mais, o aumento do número de casos de crimes e violência de cunho sexual. É uma falsa ideia de liberdade que prega o uso do corpo para alcançar o prazer, pois, na prática, os resultados têm-se mostrado de libertinagem e prejuízo próprio. As consequências de tudo isto são, na sua grande maioria, sentidas pelos mais fracos e indefesos, mulheres e crianças. Assim, fica óbvio atribuir ao ser masculino não só a autoria dos crimes, mas um desvio no comportamento dos homens desta geração.

Então, podemos perguntar: O que está a acontecer com o homem – ser masculino? Porquê tantos episódios do uso da força e autoridade para estupros e pedofilia? E ainda, por quê tantas esposas frustradas com os maridos, e filhos com os pais?

 

Para responder a tudo isto é preciso recorrer à essência do homem. São João Paulo II disse, num dos seus discursos, que “o mistério da masculinidade revela-se em toda a profundidade no significado gerador e paterno”. Ou seja, a primeira e mais profunda vocação do homem é ser pai. Seguindo nesta descoberta, encontraremos o sentido completo e a forma ideal de desenvolver a paternidade. Frei Raniero Cantalamessa, pregador oficial do Vaticano, comparou o amor de Deus ao amor humano de pai e mãe, distintamente. Dizia ele: “O amor paterno é feito de estímulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado à plena maturidade”.

 

A paternidade é feita pela solicitude e pelo estímulo. O homem é aquele que ensina a realizar, trabalhar e, enquanto não vê o seu aprendiz chegar à maturidade, ele faz-se seu provedor. A realização pessoal masculina está em transformar os elementos do cosmos para si, para a família e para a sociedade. No início, Deus manda que o homem extraia sustento da natureza (Gn 3, 17).

 

Desde a época das cavernas foi assim. Então, o cérebro dos homens tem sido condicionado a desenvolver diferentes percepções ao da mulher. O homem saía para caçar, o que lhe trouxe maiores aptidões em áreas específicas para cumprir esse seu ofício, como um maior senso de direção (localização, orientação e posicionamento), também de foco num alvo (a presa), o que o tornou mais sensitivo aos apelos visuais, e ainda agilidade e força física.

 

Também o homem é mais inclinado ao ato sexual por uma razão biologicamente fácil de entender. Ele possui a semente (sémen), então, a excitação nele diz respeito ao tempo para distribuir as sementes, diferente do organismo feminino que gera e amamenta. Buscando desde a troca de olhares, indícios de segurança e companheirismo para o tempo suficiente de criar os filhos, isto fez a mulher levar mais tempo para se convencer do sexo.

 

Esta erotização e insistente incidência de estímulos sexuais, quase em todos os ambientes em que estamos, podem acabar por tirar todo o ser humano do domínio de si, das suas forças vitais e, consequentemente, alterando o comportamento social, pois o dom da sexualidade não diz somente respeito aos órgãos genitais, mas a todos os aspectos da pessoa humana, inclusive na sua capacidade de criar vínculos afetivos, até mesmo de amizades (Catecismo da Igreja Católica, 2332).

 Por isso, com a revolução sexual e a massificação do sexo, o alvo mais suscetível foi o ser mais visual e propenso ao acto em si: o homem. “Quando um homem olha, repetidamente, para uma pornografia, ele encontra dificuldade em se relacionar com mulheres na vida real, pois acostuma-se a ver as mulheres como ‘objetos a serem usados’. O prazer acintoso toma o lugar do amor e a fantasia substitui a realidade” (O brilho da castidade, Prof. Felipe Aquino, Ed. Cleofas, pág 77).

Sendo tão subjugado pelas suas paixões, o ser masculino tende a esvaziar das suas capacidades o sentido e a forma plena de canalizar a sua essência. A sua força agora será usada para satisfazê-lo, a sua autoridade para impor. O vigor próprio do homem, sem estar direcionado para a sua finalidade paterna, esvai-se, tornando o homem um indivíduo de mentalidade fraca, sem firmeza e decisão, com medo da vida e as suas exigências.

 Aprender e assumir ser “chefe de família” corresponde, antes de tudo, a uma responsabilidade e um serviço perante a mulher e os menores na sociedade. Mas, não raro, percebemos muitas famílias que carecem de presença e bom exemplo por parte do pai, tornando esposas acusadas e filhos revoltados. Ou, então, em casos cada vez mais crescentes, estupros e abusos de menores. Quem deveria proteger está a ser treinado a agredir pela indiferença verbal ou física. É a animalização do ser masculino. O feminismo também ajuda neste processo, quando, declaradamente, toma o lugar do homem na sociedade ou, quando velado, inverte, sorrateiramente, os papéis de homens e mulheres, até fabricando o homem de hoje como um sujeito vaidoso em excesso.

É certo também que as mulheres, quando apelam para a sensualidade, ajudam que todo o nosso sentido visual desperte instintos primitivos. Mas não precisamos de ficar a olhar. Homem, foge do que te é tentador. Não estou a procurar culpados, apenas alertando-te dos perigos. Algumas mulheres podem estar a contribuir, mas não são as culpadas. Enquanto não mudarmos o nosso foco e nos inspirarmos na castidade e na pureza da Sagrada Família, nada disso vai mudar. Para todos nós, seres humanos – falando principalmente aos homens –, começando por aquilo que é visual e com o conteúdo que estamos a absorver, devemo-nos encher de sentido existencial por meio dos exemplos dos santos e de Jesus Cristo.

Partindo da consciência do que precisamos de ser – pais, estimuladores, provedores, presenças, companheiros e castos, é que conseguiremos introduzir algo bom no lugar do que é ruim, trocar a violência pelo amor mudando, toda uma mentalidade e a sociedade para melhor. Acredito que o olhar puro de um homem é objecto de cura e restauração para muitas mulheres que nunca tiveram isso e é o que os filhos, as crianças, esperam de nós.

São José, valei-nos e rogai por nós!
 
Qual a diferença entre venerar e adorar? Imprimir e-mail
  Qual é a diferença entre venerar e adorar?      

 

 

Muitas vezes, somos confundidos com os verbos venerar e adorar. Mas qual é a real diferença entre eles?  Nós, católicos, somos acusados de adorar imagens e santos, e de sermos idólatras. E quando não conhecemos a doutrina da nossa Igreja, é muito comum sairmos dessas situações com raiva, frustrados, ou coisa parecida.  Precisamos de aprender mais sobre a nossa fé. Precisamos de aprender aquilo que professamos. O católico não adora imagens. O católico venera os santos. Há uma diferença entre adoração e veneração.  

Adorar = Prestar culto a…

 Venerar = Reverenciar, fazer memória, ter grande respeito…  

A adoração é quando existe um culto no qual é envolvido um sacrifício. Se você pegar no Antigo Testamento, vai encontrar várias passagens bíblicas que mostram que quando os judeus iam adorar, ofereciam algum animal em sacrifício a Deus. Este tipo de sacrifício é conhecido como “sacrifício cruento, ou seja, com derramamento de sangue. Ao morrer por nós, na Cruz, Jesus ofereceu-se em sacrifício por nós. Ofereceu a sua Carne e o seu Sangue. Por isso, Lhe chamamos Cordeiro de Deus. Na celebração da santa Missa, nós renovamos (tornamos novo) este sacrifício. Porém, no momento da Celebração Eucarística há o sacrifício incruento, ou seja, sem derramamento de sangue.

Quando adoramos o Santíssimo Sacramento, adoramos o próprio Corpo de Cristo, e fazem-no somente em virtude do santo sacrifício da santa Missa, por meio do qual o pão se transforma no Corpo de Cristo e o Vinho se transforma no Sangue de Nosso Senhor. É por isso que, muitas vezes, ouvimos a Igreja dizer-nos que o maior culto de adoração é a santa Missa.

Não existe adoração sem sacrifício.  Já a veneração é semelhante àquilo que os filhos têm para com os pais, quando lhes pedem algo, elogiando-os, agradecendo-lhes… Fazem isso porque admiram, respeitam e amam os pais.  Percebe a diferença?  Então quando alguém, – que não conhece o real sentido da adoração, vê um católico a venerar um santo, acaba por o acusar de fazer algo a uma criatura que, segundo ele, só caberia ao Criador. Isto acontece porque eles não vivem a real dimensão da adoração.  

Mas e as imagens?  No século I, não existia máquina fotográfica. Mas as pessoas gostavam de se recordar dos entes queridos. Assim como, hoje, fotografamos alguém e guardamos aquela foto. Naquela época, reproduziam-se imagens, desenhos, estátuas… Era uma prática comum. De forma que esses objetos acabaram por se tornar um meio de relembrar, de fazer memória a pessoas amadas e queridas.

Nós, católicos, em particular, fazemos isso para prestar memória aos homens e mulheres que viveram a radicalidade da fé: os santos. Uma fé cheia de virtudes e, muitas vezes, de martírio. Fé esta que gerou neles a santidade.  Se não podemos ter estas imagens, também não podemos ter fotografias de pessoas que já se foram. Duvido muito que aqueles que nos acusam de idolatria lancem fora as fotos e lembranças de pessoas queridas. Assim como duvido que eles esqueçam as virtudes dos seus…  

Nós, católicos, em especial, temos e devemos ter, sem medo, imagens dos santos e das santas de Deus em nossas casas. É importante reverenciá-los, lembrando as virtudes e o amor deles por Jesus Cristo, e pedindo-lhes a intercessão junto de Deus. Afinal, eles estão no céu. Fazem parte do corpo místico da Igreja. E se você não crê na intercessão, meu amigo, não peça que ninguém reze por você.  

Adorar: somente a Deus. Prestar culto: somente a Deus.

  Mas venerar? Venere, sem medo, a todos os santos e santas de Deus.  E se alguém, um dia, vier acusá-lo de idolatria ou coisa semelhante, não esquente a cabeça. Fique em paz. E lembre-se de que apenas os que participam do santo sacrifício da santa Missa é que fazem a verdadeira adoração.
 
O que vais ser quando cresceres? Imprimir e-mail
 O que vais ser quando cresceres? 

 

 As questões vocacionais dividem-se entre as dimensões humana e divina  Toda a criança escuta a famosa pergunta: “O que vais quando cresceres?”. Assim, mesmo sem entendermos bem, crescemos com questões vocacionais dentro de nós. A palavra “vocação” vem do latim vocatione (substantivo) e significa chamada, escolha, talento, aptidão; ou vocare (verbo), que significa chamar.  Podemos dizer que existem dois tipos de chamamento: um humano e outro divino. O que chamamos de humano consiste na possibilidade de realização de todas as nossas capacidades ou talentos. A dimensão divina consiste no chamamento a termos de uma relação pessoal com Deus. As duas dimensões são igualmente importantes.  Humanização da profissão  Falemos um pouco da primeira dimensão, ou seja, da humana. Na escolha por uma profissão, é importante levarmos em conta a realização pessoal e o serviço ao próximo. Para descobrirmos a nossa vocação, precisamos de responder a algumas perguntas: Do que gosto? Quais são as minhas aptidões naturais? O que fala mais alto em mim quando penso numa vocação? Responder a estas perguntas é o primeiro passo para a descoberta da nossa vocação.  Entretanto, é preciso dizer que precisamos de perceber em que temos uma maior habilidade e adaptar o nosso talento natural à realidade, pois o trabalho também possui uma outra dimensão, que é a de prover a subsistência de cada um de nós.  Victor Frankl afirma: “O trabalho pode representar o campo em que o caráter de algo único do indivíduo se relaciona com a comunidade, recebendo assim o seu sentido e valor. Contudo, este sentido e valor são inerentes em cada caso, à realização (com que se contribui para a comunidade) e não a profissão concreta como tal. Não é, por conseguinte, um determinado tipo de profissão que oferece ao homem a possibilidade de atingir a plenitude. Neste sentido, pode-se dizer que nenhuma profissão faz o homem feliz. A profissão em si não é ainda suficiente para tornar o homem insubstituível; o que a profissão faz é simplesmente dar-lhe a oportunidade para o vir a ser”.   Ser um bom profissional 

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ossa profissão constitui-se numa possibilidade de nos colocarmos ao serviço do outro, e é nessa possibilidade que o nosso trabalho ganha importância e significado, permitindo-nos a descoberta de quem realmente somos. A realização que vem do trabalho tem relação com o que há de mais específico e original em cada um de nós.  No exercício profissional, podemos expressar, de forma única, quem somos e, assim, oferecer uma contribuição para a sociedade que somente nós podemos dar. Isto independentemente do que fazemos. Portanto, a questão não está no que fazemos, mas sim em como o fazemos. Claro, precisamos de estar atentos à realidade em que vivemos e as oportunidades que, por acaso, possam surgir para bem as aproveitar. Mas o mais importante é entendermos que não é uma profissão que faz o homem feliz; uma profissão apenas oferece oportunidade para sermos felizes. A verdadeira felicidade está no servimos ao outro e a Deus.  Dimensões vocacionais  São Domingos Sávio dizia: “Ser santo é cumprir bem os deveres e ser alegre”. Ele deixou-nos a lição de que “trabalhar com alegria” é um bom caminho que podemos seguir rumo à santidade e, desta forma, podemos unir as duas dimensões vocacionais: a humana e a divina.  Façamos tudo com alegria, na certeza de que, independentemente da nossa profissão e do que nós fazemos, podemos contribuir para o bem de outros, podemos deixar a marca da nossa singularidade, pois somos únicos e irrepetíveis, como bem dizia Victor Frankl. Procuremos viver, cada dia, o princípio deixado por São Paulo: “Quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Cor 10,31).

 

 
Fantasia, a "louca da casa" Imprimir e-mail
 

Fantasia, a "louca da casa"  

 

O povo diz que a fantasia, a imaginação é a ‘louca’ da casa. E é mesmo. Muitas vezes, o Senhor dá-nos algo, realmente, inspirado. Na oração, vem uma palavra de profecia, sabedoria ou de ciência; por meio de uma imagem, uma revelação ou uma citação bíblica clara e incisiva Deus fala-nos. Mas, nessa hora, a nossa fantasia a louca da casa age e começamos a fazer castelos, porque ela gosta de enfeitar as coisas.

 

Muitas vezes, pensamos: ‘Foi uma inspiração. Senhor, eu tenho a certeza, o meu coração bateu forte’. Está certo, mas, nessa hora, infelizmente, a imaginação começou a tecer considerações fantasiosas.

 

“Os homens vêem as aparências, mas Deus vê o coração”.

 

Temos de estar atentos à atuação da ‘louca da casa’, não misturando as coisas, não nos deixando levar por considerações fantasiosas.

 

As coisas que o Senhor nos diz são grandes, porque Ele é grande. Quando Ele fala, quer realizar conosco uma obra maravilhosa. Às vezes, a partir da Palavra, começamos a fantasiar uma obra grandiosa, mas de acordo com a nossa fantasia.

 

Dá para imaginar obra mais poderosa do que a obra de Jesus? E ela não se faz com simplicidade? Ela não se fez, justamente, no revés, no sofrimento e na contradição? Como é que Jesus terminou? No alto da cruz. Claro que depois veio a ressurreição. Mas o ponto crucial foi a cruz.

 

O auge do tempo messiânico começa numa estrebaria e termina numa cruz, e não houve obra maior do que a obra que o Pai realizou através do seu Filho, Jesus Cristo. Jesus nem saiu da palestina, um país pequeno, Ele ficou com aquele povo, um povo de cabeça dura. Jesus não foi à Grécia, não foi a Roma nem à Ásia.

 

 Jesus viveu a sua vida com simplicidade.

 

Muitas vezes, a nossa mente começa a criar fantasias e temos de ter o cuidado de estar sempre dispostos a aprender.

 

Todos temos sensibilidades, emoções, sentimentos… A nossa sensibilidade é afogueada, efervescente, parece que tem gás (água com gás). Tu abres e ela transborda.

 Quando o Senhor nos faz uma revelação e nos dá algo importante, a nossa sensibilidade, como leite a ferver, faz aquela espuma! Tudo isto é sensibilidade. Vai devagar com ela. Tenta discernir as coisas, dá tempo ao tempo, deixa a coisa acalmar, não pretendas pensar que tudo é revelação especial para ti. Vai devagar! Os dons de Deus são irreversíveis. Uma profecia pode ficar um mês incubada para ser digerida, mas, quando ela vem, é forte. Não é força da sensibilidade, mas do Espírito Santo.
 
Como tirar força da minha fraqueza Imprimir e-mail
 

Como tirar força da minha fraqueza  

  “Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (2 Cor 12,10).Este versículo parece uma grande contradição paulina. Como posso tirar força da minha fraqueza? Como posso diante da minha impotência ser potente? Isto só é possível dentro da perspectiva de alguém que se reconhece necessitado de Deus. Alguém que, como Paulo, sabe que sem a ação do Espírito Santo não se pode fazer nada. Quem era Paulo de Tarso? Paulo era um homem muito estudado, de inteligência ímpar. Mas sabia que a sua humanidade possuía fraquezas. E como lidava com isso? Somente submetendo tudo a Deus. Fraco não é aquele que possui fraquezas, mas sim, aquele que se rende a elas.  Tocar nas minhas fraquezas, no meu vazio, é perceber que quando não tenho mais nada posso contar com o Tudo de Deus. Somos humanos, somos gente. Sentimos dor, sentimos sede, sentimo-nos impotentes. Até Jesus na Sua humanidade também sentiu dor. E Ele não teve medo de apresentar as fraquezas d’Ele aos amigos e a Deus. No Getsémani foi isso que nos foi apresentado de forma clara. Lembro aqui uma história antiga: Um garoto de dez anos de idade decidiu praticar judo, apesar de ter perdido o braço num terrível acidente de carro. O menino ia muito bem. Mas sem entender o porquê, após três meses de treino, o mestre tinha-lhe ensinado somente um movimento. O garoto então disse-lhe:– Mestre, não devo aprender mais movimentos? O mestre respondeu-lhe, calmamente e com convicção:– Este é realmente o único movimento que tu sabes, mas também é o único movimento que tu precisarás de saber.Meses mais tarde, o mestre inscreveu o menino no seu primeiro torneio. O menino ganhou facilmente os seus primeiros dois combates e foi para a luta final do torneio. O seu oponente era bem maior, mais forte e mais experiente. O garoto usando os ensinamentos do mestre entrou na luta e, quando teve oportunidade, usou o seu movimento para prender o adversário. Foi assim que o garoto ganhou a luta e o torneio. E foi campeão. Mais tarde, em casa, o menino e o mestre reviram cada luta. Então, o menino criou coragem para perguntar o que estava realmente em sua mente: – Mestre, como é que eu consegui ganhar o torneio somente com um movimento?– Tu ganhaste por duas razões – respondeu o mestre. – Em primeiro lugar, dominaste um dos golpes mais difíceis do judo. E, em segundo lugar, a única defesa conhecida para este movimento é o seu oponente agarrar o teu braço esquerdo. Conclusão A maior fraqueza do menino tinha-se transformado na sua maior força. Assim, também nós podemos usar a nossa fraqueza para que ela se transforme na nossa força. Não podemos ter medo de deixar o Mestre Jesus trabalhar a nossa fraqueza. Ele sabe lidar com o nosso “húmus”, com aquilo que aparentemente é nossa fraqueza e dela tirar a maior riqueza e fortaleza.
 
O que não dizer a uma pessoa com cancro Imprimir e-mail
 O que não dizer a uma pessoa com cancro     

 

Ninguém nasce forte para sofrer, mas escolhe não se enfraquecer diante das dores, porque escolhe a vida O que não dizer a uma pessoa com cancro? “Cabelo é o menos!”, “O que sentiste mesmo? Acho que estou a sentir o mesmo. Morro de medo de ter o que tu tens!”, “Deus sabe o que faz. Eu não suportaria, é porque tu és forte!”, “Deus dá o frio conforme o cobertor!” Estas e outras frases não têm nada de consoladoras! Portanto, se uma pessoa que tu conheces descobrir que tem cancro, por favor, tiras estas palavras da tua lista quando fores conversar com ela. Especialmente, se for uma mulher. 

Começo falando da frase sobre o cabelo. Sinto muito, mas o cabelo não é o menos! Para a mulher, muito mais do que apenas estética, o cabelo representa boa parte da identidade feminina, e algumas trazem uma história com as suas madeixas; então, perdê-las de um dia para o outro não é tarefa simples, mas não é impossível também.

 

 Lembro-me de quando soube que ia passar pela quimioterapia e fiquei a pensar o que faria com os meus cabelos. Na época, ele estava no meio das costas e aloirados, como eu tanto gostava! O meu esposo levou-me ao salão e, delicadamente, convenceu-me de que eu ficaria linda com um cabelo mais curto. Foi uma experiência estranha, mas, no fim, senti-me bem. Porém, aquele corte duraria pouco. A quimioterapia logo começaria. Ganhei da minha mãe uma peruca moderna, daquelas que colam na cabeça e imitam couro cabeludo. Com ela, eu passaria pela multidão e me livraria dos olhares de piedade do tipo: “Pobre moça, tão jovem e com cancro!” Resolvi “disfarçar-me”. Um dia antes da primeira sessão, raspei a cabeça para colocar a peruca depois. Foi divertido ver a cara de espanto do meu marido, olhando-me careca. Aí eu disse: “O que foi? Nunca viste?”. Pergunta óbvia! E ele (para meu total espanto) disse: “Agora tenho a certeza de uma coisa: tu és realmente linda, porque, mesmo careca, fics bonita. Como pode?”. Achei tão engraçado aquilo! Ele era mesmo apaixonado por mim! E eu fiquei ainda mais por ele. 

Estou a contar tudo isto para dizer que não é tarefa simples para uma mulher perder os cabelos, eles não são “o menos”. Por isso, sugiro que tu, ao presenciares alguém perder os cabelos, especialmente uma mulher, te lembres de que só ela sabe o que isso significa para ela. Então, frases do tipo “’Como queres que eu te ajude a sentires-te melhor?’ ou ‘O que acreditas que vai combinar contigo? Uma peruca ou um lenço? Queres experimentar antes?’” podem fazer mais efeito. Se não souberes o que dizer, o silêncio não é sinónimo de vazio, ele pode falar mais do que palavras.

 

 As outras frases que citei acima, referem-se, naturalmente, ao facto de que, quando uma pessoa passa por um cancro, ela torna-se um “para-raio” de informações sobre a doença. As pessoas têm medo de ter o que tu tiveste e algumas querem, com uma ideia hipotética de controlar a própria vida, saber detalhes do que aconteceu para prevenir a doença em si mesmo.

Até certo ponto, isto é bom, e eu mesma tenho alegria em ajudar e alertar as mulheres. O ruim é sempre o exagero, quando olham para ti e fazem o sinal da cruz, com medo. Essas esquecem-se de que o sofrimento é inerente ao ser humano, e que, no dia anterior ao meu diagnóstico, eu também lia nas revistas as histórias de mulheres com cancro e, igualmente, não imaginava que um dia seria um delas.

Creio que falta para alguns mais naturalidade à percepção de que somos mortais. A escolha diante do sofrimento Dizer “Eu não suportaria, é por que tu és forte” é uma verdadeira falácia!

Ninguém gosta de sofrer e ninguém se programa para isso, mas quando o sofrimento bate à nossa porta, temos de fazer uma escolha: deixamos que ele defina quem somos, esmagando-nos e tornando-nos, ou decidimos que ele só reforçará o que temos de melhor, e aproveitaremos a vida após essa experiência de uma maneira muito mais sábia e interessante. Então, ninguém nasce forte para sofrer, mas escolhe não se enfraquecer diante das dores, porque escolhe a vida.  Lembro-me de que as frases que mais me faziam bem eram: “Comunguei por ti hoje na Missa!” ou “Lá em casa, um mistério do Terço é pela tua intenção”. Ouvir isto era como um bálsamo. Primeiro, porque a força da oração é capaz de nos sustentar em situações humanamente impossíveis de suportar; segundo, porque saber que alguém se lembrou de nós numa oração, mesmo com tantas outras intenções na sua vida, é prova de que, realmente, ela se importa connosco, e isto faz com que nos sintamos amadas; e o amor cura.  Apesar de ter citado estas frases, entendo perfeitamente que o sofrimento assusta a todos nós.

Quantas vezes, diante de uma pessoa que sofria, fiquei sem palavras e até disse tolices! Então, ouvi frases felizes e infelizes durante o meu tratamento, mas não trago nenhum rancor, porque olhei para mim mesma e vi que não estou preparada para lidar com o sofrimento alheio. Assim, não tenho o direito de exigir de ninguém as melhores palavras. Hoje, quando me lembro de algumas situações, até me divirto e tento rever-me quando me aproximo de algum sofredor. Mas, de qualquer forma, fica a partilha da minha experiência.
 
Animais que me aproximam do bem Imprimir e-mail
 “Animais que me aproximam do bem” – o exemplo que Santo António Claret tirou dos animais 

O Espírito Santo diz-me: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, observa o seu proceder e dela aprende a sabedoria” (Pr 6,6). 

Desejo aprender não só da formiga, mas também do galo, do burro e do cão. 

O galo   “Quem deu inteligência ao galo?”(Job 38,36); “E nesse instante um galo cantou” (Mt 26,74). 

O galo acorda-me e eu, como Pedro, devo-me lembrar dos pecados para os chorar; 

Assim como o galo canta de dia e de noite, assim tenho de louvar a Deus a cada hora e levar os outros a fazer o mesmo. 

O galo vigia o galinheiro dia e noite. Eu devo cuidar noite e dia das almas que o Senhor me confiou.  O galo, ao perceber o menor ruído de perigo, dá alarme. Eu devo fazer o mesmo. Exortar as pessoas ao menor perigo de pecar. 

O galo defende o seu terreiro quando outro animal ou ave de rapina vem para atacar. E eu devo defender as almas que o Senhor me confiou, contra os gaviões dos vícios, erros e pecados. 

O galo é muito generoso, se encontra comida, chama as galinhas. Devo abster-me das comodidades e ser generoso e caritativo, principalmente com os mais necessitados. 

O galo, antes de cantar, agita as asas. Eu, antes de pregar, devo agitar as asas do estudo e da oração. 

O galo é muito fecundo. Eu também o devo ser, espiritualmente, a tal ponto, que possa dizer como o apóstolo Paulo: “Pelo Evangelho, eu vos gerei em Cristo” (1Cor).  

O burro 

O burro é o animal mais humilde por natureza. O seu próprio nome denota desprezo, a sua habitação, uma cocheira. A sua comida é palha e pobre os seus arreios. Também devo ser humilde, pobre na moradia, na roupa e na comida, para dar exemplo às pessoas como Jesus Cristo. Já que, pela natureza frágil, a minha tendência é para o orgulho e o poder. 

O burro é um animal muito paciente. Leva pessoas e cargas, recebe pancadas, sem se queixar. Hei-de levar com paciência a carga dos deveres e sofrer com resignação, trabalhos, perseguições e calúnias. 

Nossa Senhora serviu-se do burro para a Sua viagem na fuga para o Egito, com a perseguição de Herodes. Também me ofereço a Maria para levar o seu nome a toda a parte com prazer e alegria. Também devo meditar com devoção os santos mistérios, particularmente os dolorosos. 

Jesus usou um jumento para a sua entrada triunfal em Jerusalém. Peço a Jesus que se digne servir-se de mim para levar a toda a gente o seu triunfo sobre o mal dos pecados e com ele entrar triunfante na Glória do Pai. A Ele todo o louvor e toda a glória que lhe puder dar na minha vida missionária.  

O cão 

 “Cães mudos que não sabem ladrar” (Is 56,10). 

O cão é um animal tão fiel e constante companheiro do seu dono, que nem a pobreza nem o trabalho o separam dele. A mesma fidelidade e constância devem ligar-me ao meu Senhor Jesus Cristo e conservar-me no meu serviço. 

Direi com São Paulo: “Nem a vida, nem a morte, nem outra coisa qualquer, me pode separar do amor de Cristo” (Rm8,35). 

O cão é um animal leal. Mais obediente que um filho ou um empregado, mais dócil que uma criança. Não só faz voluntariamente o que manda o seu dono, mas olha a fisionomia do seu senhor para conhecer a sua intenção e vontade, para a cumprir sem esperar que o mandem. 

E ainda o faz com a maior prontidão e alegria e ainda corresponde aos afetos do dono, de tal maneira que é amigo dos amigos e inimigos dos estranhos ao seu dono. Eu devo possuir estas excelentes qualidades e fazê-las servir o meu Deus e Senhor. 

Farei, portanto, o que ele mandar diretamente ou por intermédio dos seus representantes. Os amigos de Deus serão meus amigos e os seus inimigos tratarei com respeito, porém sem tolerâncias. E sem contestação, deverei lutar contra os inimigos da alma, por não serem amigos de Deus. 

O cão vigia durante o dia e à noite redobra a sua vigilância. É o guarda fiel. Se suspeita das más intenções de alguém, ladra sem parar e avança, se decide. A defesa do seu dono está acima de tudo. 

Proponho vigiar-me também e estar contra os inimigos de Deus. 

O maior prazer do cão é estar e andar na presença do seu dono. Mostrar-lhe contentamento. Procurarei andar sempre, com prazer e alegria na presença do meu Deus, o querido Senhor, e assim não pecarei e serei perfeito, segundo a palavra do Senhor a Abraão: “Anda na minha presença e sê perfeito”(Gn 17,1).

 

 
Sofrer as consequências do pecado de Adão e Eva Imprimir e-mail
Por que temos de sofrer as consequências do pecado de Adão e Eva?  

Todos nós, seres humanos, fomos criados de tal modo, que podemos livremente eleger entre os possíveis caminhos que temos adiante, inclusive com a terrível capacidade de negarmos o nosso próprio Criador.

Realmente, é impressionante a liberdade humana. Deus nos cria com ela, preferindo o risco de que O neguemos a nos obrigar a amá-Lo por coacção. Deseja, assim, que o amemos livremente, como filhos, e não como escravos.

Observando nossa história pessoal, não é difícil perceber que a cada uma dessas escolhas que fazemos nos tornamos responsáveis pelas suas consequências. Quando preferimos o pecado à vontade de Deus, inevitavelmente experimentamos suas amargas consequências, e é justo que seja assim. Mas o que dizer quando o pecado de uma outra pessoa passa a ser, de algum modo, atribuído também a nós? Por que temos de sofrer as consequências do pecado de Adão e Eva, nossos primeiros pais?

Com efeito, afirma São Paulo: “Como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o género humano, porque todos pecaram” (Rm 5, 12). Nossos primeiros pais pecaram gravemente. Abusando de sua liberdade, desobedeceram ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem (cf. Rm 5, 19). Por esse pecado perderam o estado de santidade no qual haviam sido criados. O pecado entra na história, portanto, não procedendo de Deus, mas do mal uso da liberdade do homem.

Embora esse primeiro pecado tenha sido um ato pessoal de Adão e Eva, existe tamanha solidariedade entre os homens, que tal pecado afeta a todos nós, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (cf. n. 404):

 “Todo o género humano é, em Adão, como um só corpo dum único homem». Em virtude desta «unidade do género humano», todos os homens estão implicados no pecado de Adão, do mesmo modo que todos estão implicados na justificação de Cristo. Todavia, a transmissão do pecado original é um mistério que nós não podemos compreender plenamente. Mas sabemos, pela Revelação, que Adão tinha recebido a santidade e a justiça originais, não só para si, mas para toda a natureza humana; consentindo na tentação, Adão e Eva cometeram um pecado pessoal, mas esse pecado afeta a natureza humana que eles vão transmitir num estado decaído”.

Para distinguir a relação que se dá entre Adão e Eva e cada um de nós com o pecado original, os teólogos utilizam duas expressões bastante elucidativas: “pecado original originante” (para se referir ao pecado daqueles, um pecado cometido diretamente pelos nossos primeiros pais), e “pecado original originado” (para se referir ao pecado original com o qual todos nascemos, um pecado próprio de cada um, mas não cometido pessoalmente por nós, senão contraído em virtude de nossa natureza). O “pecado original originado” – o pecado original em nós – é chamado de “pecado” de maneira análoga. Trata-se do estado de perda com o qual todos nós nascemos daquela santidade original com a qual Deus havia criado o homem. Este estado não se transmite por imitação dos maus exemplos dos nossos antecessores, mas por propagação, afetando diretamente a nossa natureza. Já nascemos assim.

Agora, se por um lado em Adão todos pecaram, continua o Apóstolo, “pela obediência de um só todos se tornarão justos”. Em Cristo, o novo Adão, todos temos acesso à santidade.

 Por meio do sacramento do batismo, a redenção alcançada pelo Senhor Jesus Cristo com sua Cruz e Ressurreição é aplicada a cada um de nós, e nos tornamos livres do pecado original, orientados novamente para Deus, embora as consequências deste pecado – não o pecado original – persistirão em nós, e exigirão até o fim de nossa vida um intenso combate espiritual para vivermos de forma coerente com esta nova vida divina que nos vem pelo batismo.
 
Uma foto que ganhou o mundo Imprimir e-mail

UMA FOTO QUE GANHOU O MUNDO!

 

Um gesto comovente mas....sem direitos de autor!

 

O que era para ser, unicamente, uma atitude pessoal, ganhou o mundo graças a uma turista do Arizona, que registou com a câmara do seu telemóvel e colocou no Facebook a imagem de um ser humano agindo com humanidade.

 

Estranho, este nosso mundo...O que deveria ser corriqueiro, causou espanto e admiração...

 Tudo começou quando Larry De Primo, um polícia de Nova York de 25 anos, fazia a sua ronda normal pela 7.ª Avenida, junto da Rua 44...

De Primo, viu sentado na calçada um sem-abrigo, que tremia de frio...

Sem ter com que se cobrir e descalço, o homem tentava aquecer-se mantendo-se encolhido e silencioso.

Diante desta cena, o jovem polícia aproximou-se, olhou, deu meia volta, entrou numa loja e, com o dinheiro que tinha no bolso, comprou um par de meias térmicas e umas botas de inverno - gastando 75 dólares.

De volta à presença do morador de rua, De Primo, entregou-lhe as meias e as botas.

O homem, fez um sorriso de orelha a orelha e disse:

 “Eu nunca tive um par de sapatos em toda a minha vida”.

No entanto, o gesto não se concluiu na entrega do presente...

Percebendo que o sem-abrigo tinha dificuldade em mover-se, o polícia agachou-se, colocou as meias, as botas, apertou os atacadores e perguntou: ficou bom?

A resposta, foram dois olhos felizes, lacrimejados e um novo sorriso.

Ao despedir-se, perguntou se o homem queria um copo de café e algo para comer...

“Ele olhou-me e, cortesmente, declinou a oferta. Disse que eu já tinha feito muito por ele”.

Aqui deveria ser o fim da cena. O pano cairia e todos iriam para casa... Mas não foi.

Jennifer Foster, autora da foto, foi para casa, abriu o computador e colocou na sua página a foto e escreveu o seguinte texto, dirigido ao Departamento de Polícia de Nova York.

 “Hoje, deparei-me com a seguinte situação. Caminhava pela cidade, quando vi um homem sentado na rua com frio, sem cobertor e descalço. Aproximei-me e, justamente quando ia falar com ele, surgiu por trás de mim um polícia do seu departamento. O polícia disse: ‘tenho umas botas tamanho 12 para si e umas meias. As botas servem para todo o tipo de clima. Vamos calçar!?”

“Afastei-me e fiquei a observar. O polícia abaixou-se, calçou as meias ao homem, as botas e amarrou os atacadores. Disse mais alguma coisa que não entendi, levantou-se e disse, cuide-se!”

 “Foi discreto, não fez aquilo para chamar a atenção, não esperou reconhecimento, apenas fez”. Foi-se embora sem perceber que eu o via e que tinha fotografado a cena.

Pena, faltou-me coragem para me aproximar, estender-lhe a mão e dizer obrigado por me fazer crer que a polícia que eu sonho é possível”.

“Bem, digam-lhe isto por mim”. Jennifer Foster.

Em poucas horas, o texto e a foto de Jennifer correram por todo o território americano e por uma boa parte do mundo.

Larry De Primo, soube por um colega que lhe telefonou a contar... Quando voltou ao trabalho e se preparava para sair para a rua, foi chamado pelos seus superiores, ouviu um elogio, recebeu abraços dos companheiros e quando o seu chefe lhe disse que o departamento iria ressarci-lo do dinheiro que gastou do seu próprio bolso, Larry recusou e disse:

“Não senhor, obrigado! Com o meu dinheiro, faço as coisas em que acredito”.

 

 
É hora de decisão Imprimir e-mail
É hora de decisão     Não é saudável adiar uma escolha, por isso agora é hora de decisão  Perdas e ganhos entrelaçam-se na arte de viver. Cada dia surgem novas descobertas e sempre nos deparamos com a oportunidade de nos decidirmos por algo. Tomar uma decisão nunca foi fácil, afinal, decidir implica escolher, e escolher uma coisa é inevitavelmente abrir mão de outra.

O facto é que, alguma vez na vida, todos nós tivemos que tomar uma decisão. Lembro-me de tantas vezes em que precisei tomar sérias decisões na minha vida, como mudar de emprego, fazer certo curso, terminar um relacionamento, fazer uma viagem, silenciar ou falar naquela hora… e uma série de decisões tomadas ao longo da minha história. O que seria de mim se não tivesse tomado cada decisão, e recordo-me, com gratidão, das pessoas que me ajudaram a dar os passos necessários.  Duas dicas para tomar uma decisão  Pedir ajuda: acredito que diante das situações quase sempre tensas, nas quais precisamos de nos decidir por algo, a primeira atitude que devemos tomar é pedir a ajuda de quem nos ama, de preferência que essa pessoa não esteja envolvida no caso. Mesmo que a decisão seja só nossa, podemos ser ajudados no sentido de avaliarmos bem os dois lados da moeda. Quando a situação nos pressiona a nos decidirmos, corremos sério risco de agirmos guiados por sentimentos, pela razão ou por impulsos. Ter calma: a pressa também pode ser nossa inimiga nessa hora; então, acalme-se! Esperar um momento e deixar a poeira baixar pode ser muito proveitoso.

Dizem que depois de uma noite de sono muita coisa pode mudar. Mas atenção! Também não podemos deixar passar a hora da graça e nos acostumarmos à falta de decisão, começarmos a conviver com o problema e adiar o momento de agir. Atitudes assim corroem o coração, ofuscam o brilho da vida, roubam os sonhos e enfraquecem a vontade. É preciso coragem para dar os passos certos na hora certa!  Hoje, talvez seja o dia de uma grande decisão na sua vida. Portanto, não tenha medo de dar os passos que devem ser dados. Partilhe isso com alguém da sua confiança e tenha a coragem de passar pelo processo necessário da mudança. Pode ser mais fácil do que você imagina, mas só o saberá agindo. A natureza nos ensina muito sobre renovação e mudanças. Basta contemplarmos a mesma árvore em cada estação do ano, e ficaremos impressionados como a sua vida se vai entrelaçando entre perdas e ganhos. Connosco não é diferente, e saber perder para ganhar é questão de sobrevivência.  A Palavra de Deus diz em Deuteronómio 31,6: “Sede fortes e corajosos; não temais, nem vos atemorizeis, porque o Senhor vosso Deus é quem vai convosco. Não vos deixará nem vos desamparará”. Esta é a promessa do Senhor e Ele é fiel. Posso testemunhar que sou uma pessoa feliz; e o meio pelo qual Deus me forma, cada dia, é dando-me a liberdade de fazer escolhas.

A minha contribuição é fazer uso dessa liberdade e tentar fazer sempre a melhor escolha. Desejo que você também faça esta experiência, e confiando seguramente no Senhor, escolha hoje para a sua vida o que é nobre e digno diante de Deus. Não tenha medo de abrir mão do que já não lhe pertence. Perdas e ganhos se entrelaçam na arte de viver bem, e a natureza nos ensina esta lição, no silêncio.  Eu sou aprendiz. E tu?
 
Como ligar com o desânimo Imprimir e-mail

Como lidar com o desânimo  

 

Não deixe o desânimo atrapalhar os seus planos

 

Já deve ter ouvido alguém dizer: “Estou desanimado, não tenho vontade para nada!

 

Para avaliarmos as situações que geram desânimo, convido-o a perceber como consegue ter habilidade para lidar com as dificuldades e as situações delicadas da vida.

 

Atribuímos esta capacidade ao que chamamos de resiliência, ou seja, a capacidade de conviver com as situações da vida, superar dificuldades e dar um novo sentido à vida.

 

Interroguemo-nos:

 

Qual é o sentido da vida? De que forma posso encontrar propósito, realização e satisfação? Consigo construir algo que tenha duração plena?

 

Muitas pessoas nunca pararam para pensar no sentido da vida e, um dia, depois de muitos anos, começam a questionar por que é que os seus relacionamentos não deram certo e por que é que se sentem tão vazias, mesmo tendo alcançado algum objetivo anteriormente estabelecido. Um jogador de futebol, que alcançou sucesso neste desporto, foi questionado sobre o que gostaria que lhe tivessem dito quando ainda estava a começar a jogar futebol. Ele respondeu: “Eu gostaria que alguém me tivesse dito que, quando tu chegas ao topo, não há nada lá.” Ou seja, muitos propósitos para os quais nos voltamos não fazem sentido pleno. Vamos atrás de propósitos que nos completem, como o sucesso no trabalho, prosperidade, relacionamentos, entretenimento, entre outros; no entanto, muitos de nós, quando conseguimos tudo isto, ainda sentimos que nada nos parece preencher.

 

O sentido da vida é descobrir qual é o seu sentido, ou seja, descobrir quem somos, de onde viemos e para onde vamos, sobre a procura da felicidade, sobre o amor ao próximo e outros. O sentido da vida é também o progresso material e especialmente espiritual, pois no crescimento individual neste campo, a pessoa faz-se e consegue compreender.

 

Muitas vezes, paramos em situações até mesmo simples, dando-lhes mais importância do que elas realmente merecem, maximizando problemas ou vendo situações que nem sempre são adequadas, e nisto acabamos por cair no desânimo.

 Nem todos temos uma vida perfeita, mas o mais importante é entendermos que, por vezes, precisamos de parar, colocando-nos de forma ativa diante das dificuldades, de modo a compreender que a vida se faz em cada momento que superamos as dificuldades. Confiar, aceitar as capacidades e limitações, aceitar algumas coisas e dar passos na mudança de outras, será muito importante neste caminho.
 
Conviver com a solidão Imprimir e-mail

Conviver com a solidão  

Experimente silenciar e conviver com a solidão

Um dos grandes erros que cometemos, nos dias de hoje, no que diz respeito ao seguimento de Cristo e até mesmo ao exercício de alguma função é o não saber silenciar.

Já parou para pensar como facilmente perdemos a concentração? Qualquer barulho, por mais simples que seja, nos tira o foco, chama a nossa atenção e nos desvia do objetivo.

Como se já não bastasse essa tendência natural, o mundo também nos estimula nisso, pois tudo é muito “barulhento”: as músicas, os carros, a rua. Não “escutamos o silêncio”, não ouvimos a voz da natureza, não ouvimos nem mesmo o irmão que está ao nosso lado, que mora conosco, que trabalha no mesmo departamento, e ainda mais: não ouvimos a voz de Deus, que fala no silêncio. Já percebeu que quando chegamos em casa a primeira coisa que fazemos é ligar o televisor ou o aparelho de som?

Se não soubermos silenciar, não escutaremos a voz de Deus, não escutaremos o irmão, não escutaremos nem mesmo a nossa consciência, e é nesse ponto que o erro acontece, erro que pode modificar uma vida inteira.

Ah, como seria bom se aprendêssemos a silenciar, como fazem os monges, os eremitas, os santos, os estudiosos, os místicos! Homens e mulheres que se refugiam em locais especiais, que de especial estes têm o silêncio, a natureza, a solidão. E quando não há ninguém por perto encontramos a Deus, encontramos a nós mesmos, encontramos a todos.

O silêncio é a primeira canção que o ministro de música precisa ouvir. Saber conviver com a solidão é sinal de maturidade espiritual.

A princípio não é fácil lidar com o silêncio, temos dificuldades. Mas isso é de se esperar, pois não estávamos acostumados. No entanto, com disciplina e perseverança, tornamos o que não é natural em algo espontâneo.

Silencie! E ouça a mais bela voz de todas. Que voz é essa? Experimente silenciar!
 
O veneno da inveja e suas consequências Imprimir e-mail
 O veneno da inveja e suas consequências  

 

Por vezes encontramos pessoas que se alegram com as dores do outro. Quando alguém não consegue uma vitória que tinha buscado, há uma solidariedade por vezes camuflada. Nem todos se alegram, mas é verdade também que nem todos se compadecem. É mais fácil ser solidário na dor do que se alegrar com as conquistas dos amigos. Ver a felicidade alheia causa sintomas que roubam a paz que falta no olhar de quem vê o sorriso da vitória.

Um sorriso que não nasce dos nossos próprios lábios sempre é fácil de ser digerido. Bom mesmo é sorrir com as nossas conquistas e ver o olhar do outro querendo consumir em prestações a nossa felicidade. Triste realidade de quem vive na dependência do consumismo alheio. Mais triste ainda é ver a inveja destruir amizades.

Há diamantes querendo ser topázios, no entanto, não compreenderam que o rubi nunca será uma esmeralda. Cada um é um, no projeto singular da existência humana. Se Deus nos fez diamantes, Ele irá, ao longo da vida, lapidar-nos para que sejamos um diamante mais bonito, mas nunca deixaremos de ser um diamante para nos tornarmos topázio. Precisamos de aceitar as nossas belezas e deixar que o outro seja tão belo quanto ele foi criado. Este processo leva tempo, requer maturidade e confiança na graça de Deus, pois Ele nos fez únicos para sermos luz no mundo.

A inveja talvez tenha a sua raiz na incapacidade que uma pessoa carrega em si de fazer a diferença a partir das suas próprias capacidades. Quando o jardim do outro parece mais bonito do que o nosso próprio jardim, deixamos o cuidado do nosso tempo ao descuido e passamos a vida a contemplar as flores que não nos pertencem; deixamos as nossas morrerem secas pela inveja que não nos permite cuidar da nossa própria vida.

A inveja deixa os olhos grandes, mas de incapacidades que poderiam ter se transformados em lindos jardins. Não é o elogio que faz o outro feliz, mas a capacidade que temos de cuidar da nossa própria vida e deixar o outro seguir os seus próprios caminhos. Quem se preocupa demais com a vida alheia é porque já não tem tempo de cuidar das suas próprias demandas. Transformou a sua vida no mito de Narciso, mas, em vez de contemplar a sua própria face, enxerga sempre no lago dos seus pensamentos o rosto da felicidade alheia. Perdeu os seus olhos num mundo que nunca será seu. O tempo que se usa a vigiar a vida do outro seria muito mais bem aproveitado se se cuidasse das suas próprias fragilidades humanas.
 
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Como virar o ano sem dívidas?  

 Conheça três dicas para virar o ano sem dívidas o ano de 2016 está próximo do fim! Natal, férias e virada do ano são o contexto do momento. Dada a atual crise económica, muitas famílias estão focadas não nas celebrações, mas em como passar de ano sem dívidas. Embora o noticiário hora ou outra dê uma notícia razoável, ainda estamos a ser bombardeados com notícias ruins: alta do combustível, queda do PIB, endividamento crescente do Governo, reformas que vão cortar benefícios para ajustes de contas. Diante deste cenário, como virar o ano sem dívidas?

Como pagar as contas e curtir a virada do ano sem preocupações?

Em primeiro lugar, não há mágica nem sorte em finanças e economia. Não há uma forma de virar o ano sem dívidas se estas estiverem fora de controle. O que se pode alcançar é administrar as dívidas ou até mesmo eliminá-las, mas isso depende muito da situação particular de cada pessoa/família. O planeamento financeiro, no fim do ano, é imprescindível, até mesmo porque Dezembro e Janeiro são marcados por gastos altos com festas de Natal, presentes, viagens, impostos e contas de fim de ano.Vamos aos três principais pilares para pagar as dívidas ou virar o ano com tranquilidade de ter tomado as rédeas das suas finanças:

 

1. Planeamento Financeiros

Se você é daqueles que faz as contas de cabeça, chegou o momento de mudar de atitude. Quem não fizer o planeamento do fim de ano e início de 2017 pode cair em armadilhas e gastar além do necessário. Planeamento financeiro inclui prever os gatos e ter alternativas para emergências ou imprevistos.

2. Quanto e Quando.Em Finanças e Economia, estas são as perguntas a serem respondidas sempre. Quanto eu devo ao somar tudo o que tenho a pagar? Cartão de crédito + consignado + financiamentos, etc. Nesta pergunta, coloque o que você vai ter de pagar em Janeiro: material escolar, contas do fim de ano, pagamento de 13º para funcionários. A palavra “quando” faz toda a diferença. Posso gastar agora o que estou a ver nas vitrines, propagandas e internet? Ou posso, dado o tamanho da minha dívida, esperar as promoções de Janeiro? É uma questão de tempo. Adiar o consumo pode fazer você virar o ano com mais tranquilidade.3. Equilíbrio entre pagar dívida e comemorar com a família. É imprescindível celebrar o Natal em família, comemorar a data mais importante do Cristianismo, dar ou ganhar presentes. No entanto, se já temos um planeamento financeiro e sabemos quanto devemos ou precisamos de pagar em Dezembro e Janeiro, podemos entrar na palavra “quando”.

Diante dos números e da necessidade de celebração com a família e os amigos, qual a escolha razoável que podemos tomar? Para os casados, decisões partilhadas e dialogadas são sempre a melhor opção. Para famílias com filhos, a dica é dialogar com eles, explicar a situação, ser transparente; isto é fundamental para celebrar sem se preocupar.

Neste fim de ano, não vire 2016-2017 sem refletir sobre as suas finanças. É melhor tomar o pé da situação e ver o tamanho do passo que se pode dar. Passos maiores do que as pernas podem dar dor de cabeça na entrada do ano. Se você tem 13º e possui dívidas, procure usar uma boa parte para eliminá-las. Muitos, no fim do ano, abusam do cartão, cheque especial, e são surpreendidos logo no início do ano seguinte. É melhor prever agora. Viva o tempo das festas com sobriedade, mas sem abrir mão da alegria em família. Afinal, o dinheiro existe para servir, mas não nos podemos enroscar, pois a conta chega sempre!
 
Será que o mau-olhado existe mesmo? Imprimir e-mail
 Será que o mau-olhado existe mesmo?    Será que realmente há pessoas que lançam mau-olhado sobre os outros? Muitas pessoas perguntam: “O mau-olhado existe?” A resposta que vem logo pronta é esta: se Deus é por nós, quem será contra nós? De facto, quem está sob o manto de Deus não tem de que temer. Mas, no fundo, no fundo, as pessoas continuam desconfiadas de que o tal mau-olhado exista. Pois bem, existe mesmo! Quem é que gosta de receber um olhar malvado, invejoso, raivoso, de desprezo? Um olhar mau faz-nos sempre mal, incomoda, deixa-nos cismados, tristes. A palavra  providência”  significa  olhar favorável. A Divina Providência é o olhar amoroso e cheio de graça e paz,”com que Deus contempla cada um de nós. Precisamos de ter essa visão beatífica todos os dias. No Céu, seremos acalentados eternamente por esse olhar de bênção. Mas já aqui, na Terra, precisamos de viver sob o signo da Divina Providência, ou seja, sob o olhar favorável de Deus. Imaginemos como foi para aquela mulher surpreendida em adultério e que seria apedrejada. Jesus decretou: “Quem não tiver pecados, atire a primeira pedra”. A mulher no chão, com o rosto escondido, tremia de medo esperando a morte certa. Mas nenhuma pedra veio sobre ela. E ela teve coragem de olhar para cima quando ouviu Jesus dizer: “Mulher, ninguém te condenou? Nem eu te condeno. Va, mas não voltes a pecar!”” Imaginemos o olhar que ela viu nos olhos de Jesus Misericordioso!Podemos ir mais longe com a nossa imaginação. Como seria o olhar providente entre Maria e o Menino Jesus? Como teria sido o olhar de Maria ao visitar Isabel? E como seria o olhar entre lágrimas de Maria ao pé da cruz?

São tantos olhares providentes, que não vale a pena gastar o nosso tempo com os olhares raivosos, como os que vemos na TV, por exemplo. Eles contagiam-nos com o seu mal. É melhor vivermos sob o olhar de Deus.

Este é o caminho da felicidade!
 
Não quero abortar, mas não tenho condições de criar um filho Imprimir e-mail
 

Não quero abortar, mas não tenho condições de criar um filho  

O que fazer para não abortar um filho

É um problema real e grave, que afeta a vida de milhares de mulheres que vivem o drama entre o aborto, a consciência moral e a criação do filho. Em muitas situações, a mãe tem consciência da moralidade do ato de abortar, estão grávidas e, por isso, já vivem o dom da maternidade; porém, vivem o medo da incapacidade, por motivos económicos, afetivos ou sociais para criar o filho.

É um drama existencial e moral. Há muitas mulheres que trazem no seu coração a cicatriz causada por essa angústia sofrida e dolorosa.

Numa mulher com convicções normais, com fé ou sem fé, a decisão de abortar é um processo complicado e doloroso. Há uma tendência natural nas mulheres de continuar a maternidade começada com a concepção do novo indivíduo. A decisão de abortar pode gerar uma crise por diversos fatores externos e/ou internos, que conflitam o psicológico da mulher, como o peso que ela vê na criação do filho, especialmente se já tem outros filhos. Esta situação pode desembocar num autêntico conflito interior enfrentado pela mulher com a necessidade de tomar uma decisão. Se necessitar de conselho, o que lhe dirão, em grande parte dos casos, a empurrará ao aborto, especialmente se, no seu caso, a lei civil o ampara, a medicina o garante e para a sociedade é indiferente.

O acompanhamento de mulheres nesta situação é uma arte a favor do bem e da vida. É assegurar para a mãe que o bebé é um dom de Deus, um sinal da providência, e que nunca deverá ser visto como um problema a mais na vida dela. O feto é um ser humano, igual a qualquer um de nós, e parte integral da comunidade humana, que tem dignidade. Mas, a destruição de uma vida humana não é solução para o que, basicamente, é um problema económico e social. Consiste em ajudar essa mãe a perceber que nunca estará sozinha, a ser corajosa na decisão de não abortar.

Todas as experiências abortivas são automaticamente “estressantes” e angustiantes; e o que a mulher pensa ser a solução para um problema, no caso a situação económica, acaba por se tornar outro problema maior ainda: encarar a realidade da consciência de, um dia, ter provocado um aborto e que aquele filho poderia estar com ela na luta pela vida. O aborto de um filho nunca poderá ser olhado como solução para um problema social.

O aborto não é uma “solução fácil” de um grave problema, mas um ato agressivo, que terá repercussões contínuas na vida da mulher; e é nesse sentido que ela é vítima da sua própria decisão. A maioria das mulheres que se submeteram a abortos, teriam preferido outra solução para o problema.

Muitas mulheres praticam o aborto numa situação desesperadora de medo ou insegurança. Por mais “liberta” que a mulher esteja dos padrões morais e religiosos, por mais consciente da impossibilidade de levar a termo a sua gestação, por mais indesejada que tenha sido a gravidez, abortar é uma decisão que, na grande maioria das vezes, envolve angústia e drama de consciência. Os factos comprovam que o aborto não é uma solução para dificuldades psicossociais, pelo contrário, após o aborto persiste a crise e acrescenta-se o risco de novas e mais graves consequências psíquicas.

Algumas atitudes práticas para ajudar uma mulher a não abortar e escolher a vida para o bebé é, primeiro, ter a mesma atitude de Jesus, aproximar-se sem julgar ou condenar. Acolher a mãe na sua história, angústia e conflito; demonstrar compaixão, sentir a dor daquela mãe, demonstrar confiança. Ouvir a história da mulher que pensa em abortar, porque ouvir é acolher, é respeitar e ter carinho. Procure saber como ela está, deixe a pessoa falar. Para ajudar é preciso ouvir; e foi desta forma que Jesus agiu com os discípulos de Emaús, primeiro escutou-os. Deixe a mãe contar o que está a acontecer, quais as razões que levam essa mulher a pensar em abortar. Por que é que ela pensa que o aborto vai solucionar o problema?

O apoio afetivo é muito importante. A mulher precisa de perceber que não está sozinha. É preciso manifestar solidariedade para com ela. A mulher precisa de perceber que alguém se importa com ela e está disposto em ajudá-la. Mostre que ela é forte e capaz de superar aquele momento, que ter um filho não é o fim do mundo; pelo contrário, é um dom de Deus, é uma notícia a ser celebrada com alegria. As tribulações passam, as crises superam-se, mas para o aborto não existe volta, e ele pode marcar a vida da mulher para sempre. O filho que ela espera é uma vida a ser acolhida e cuidada. Neste momento, uma amizade sincera e verdadeira é muito importante. Converse um pouco sobre o aborto, as suas consequências e sequelas.

Busque exemplo nas mães que enfrentaram os dissabores da gravidez inesperada e hoje estão felizes, com paz de consciência por terem feito a opção de não abortar.

Para certas situações, não bastam somente palavras, é preciso ter propostas concretas. Busque, na sua cidade e comunidade, formas de ajudar esta mulher que pensa no aborto. Ela pode precisar de ajuda médica, material, psicológica e espiritual. De imediato, você pode não saber onde encontrar esses serviços, mas prontifique-se a procurar e entrar em contacto com ela o mais rápido possível.

O drama pessoal pelo qual passa a gestante não pode ser superado com a eliminação do mais “fraco”, “não se pode tentar resolver o que é dramático com o trágico! No dramático há a possibilidade de uma positividade, no trágico, só a destruição”. A vida deve ser acolhida como dom e compromisso. Dizia o Papa Bento XVI: “o amor de Deus não faz diferença entre o neoconcebido, ainda no seio de sua mãe, e a criança, o jovem, o homem maduro ou o idoso. Não faz diferença, porque em cada um deles vê a marca da própria imagem e semelhança” (cf. Gn 1,26).

 “Senhor, Tu modelaste as entranhas do meu ser e formaste-me no seio de minha mãe. Dou-te graças por tão espantosas maravilhas; admiráveis são as tuas obras. Conhecias até o fundo da minha alma”, reza um Salmo (Sl 139 [138], 13-14), referindo-se à intervenção direta de Deus na criação de cada novo ser humano.

 
No Céu reconheceremos os nossos parentes? Imprimir e-mail

No Céu, reconheceremos os nossos parentes?

No Céu, ainda viveremos com os nossos parentes, assim como Nosso Senhor ainda é, e será eternamente, Filho da Virgem Santíssima

Há pessoas que desejariam saber o que acontece à família no Céu, isto é, se Deus ali a recompõe, e se a esperança de possuir os parentes na pátria celeste é uma consolação de que se possa gozar sem receio, sem escrúpulo e sem imperfeição.

Deus coroou de glória e honra a família cristã, e faz brilhar na sua fronte o reflexo dos três principais mistérios da nossa religião.

Vede por onde ela começa: – Por um Sacramento que é o sinal sagrado da união do Verbo de Deus com a natureza humana, da união de Jesus Cristo com a sua Igreja, e da união do mesmo Deus com a alma justa.

Quem o disse? Um grande Papa, Inocêncio III. Vede por onde continua:

 “Maridos, amai vossas mulheres como Jesus Cristo amou a sua Igreja e se entregou por ela; mulheres, amai vossos maridos como a igreja ama a Jesus Cristo e se entrega por Ele”. Quem o disse? O grande apóstolo S. Paulo (Eph., V, 25).

Vede por onde acaba:  – Pelas relações de origem que os anjos nos enviam, tanto elas nos recordam as da Trindade e nos procuram alegrias; porque o homem é do homem como Deus é de Deus. Assim o disse um grande doutor, S. Tomás de Aquino.

Mas teria mais poder o sopro da morte para destruir esta obra prima, do que a virtude força para lhe conservar o esplendor?

E visto que o amor é forte como a morte (Cant., VIII, 6), dar-se-á que a caridade de Deus, que criou a família, que a caridade do homem que lhe santifica o uso, não queira ou não possa refazer eternamente no Céu o que a morte desfez temporariamente na terra?

Tertuliano dizia: “Na vida eterna, Deus não separará aqueles que unira na terra, cuja separação também não permite nesta vida inferior. A mulher pertencerá a seu marido, e este possuirá o que há de principal no matrimónio – o coração. A abstenção e ausência de toda a comunicação carnal, nada lhe fará perder. Não será tanto mais honrado um marido quanto mais puro for?”

Aquele que nos deu este preceito: Não separe o homem o que Deus uniu (Mat, 19, 6), deu-nos também o exemplo. O Verbo contratou com a humanidade um divino desponsório: repudiou ele porventura a sua esposa subindo ao Céu? Pelo contrário, fê-la assentar consigo à direita do seu Eterno Pai.

O Homem Deus tem uma Mãe que é bendita entre todas as mulheres: dignou-se Ele fazê-la participante da sua glória? Depois de associá-la à sua Paixão na terra, fê-la gozar das alegrias da sua Ressurreição e dos esplendores do seu triunfo, atraindo ao Céu, após si, o seu corpo e a sua alma.

Jesus Cristo tinha dado a alguns homens o nome de irmãos: desconhecê-los-ia mais tarde? Não. Reconheceu os seus Apóstolos no martírio que sofreram por Ele, e fez-se reconhecer por eles no esplendor de que os cerca na Corte Celeste.

Mas o Filho de Deus que assim se dignou recompor, em redor de si, a sua família por natureza e por adoção, não quereria recompor da mesma forma, no Paraíso, esta cristã e religiosa família, que é a vossa e também a sua?

Quer, sim, e o Céu oferecerá um espetáculo não menos tocante do que admirável.

Assim como a primeira pessoa da Augustíssima Trindade, dirigindo-se à segunda, lhe diz:

Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Act., XIII, 33); e a segunda diz à primeira, com o acento da piedade filial: Meu Pai, Pai justo, Pai santo, guarda aqueles que me foram dados em teu nome para que sejam um, como nós somos um, vós em mim e eu neles (Jo, XVII, 11, 22-25): assim também uma criatura humana se voltará para outra e lhe dirá com ternura: Meu filho, minha filha! E do coração desta subirá para aquela, esta exclamação de amor: Meu Pai!

Assim como o único Filho de Deus se regozija de poder dizer a uma mulher: Vós sois minha Mãe; também inumeráveis escolhidos exultarão de alegria dizendo igualmente a uma mulher: Minha mãe!

Ora, se fosse verdade…

Que os membros da mesma família se não reconhecessem no Céu, Jesus não reconheceria já a sua Mãe nem seria reconhecido por ela. Não será horrível pensar nisto e muito mais dizê-lo?

Um piedoso autor estava por certo mais bem inspirado, quando escrevia: “A Santíssima Virgem conserva intacta a sua autoridade maternal sobre o corpo do seu Filho, Nosso Senhor, mesmo depois da Ressurreição e Ascensão; porque o seu direito é perpétuo e inalienável.

Depois de se ter deleitado, durante a sua vida mortal, na submissão a Maria, Jesus compraz-se ainda em mostrar-se seu filho na bem-aventurada imortalidade, e em reconhecê-la por sua Mãe.

Temos a prova disto nas numerosas aparições, em que ele se tem feito ver sob a forma de um menino entre os braços de sua Mãe, e se tem mesmo dado a alguns Santos pelas suas virginais mãos.

Na glória, os parentes conservam um contínuo cuidado dos seus próximos, e particularmente dos filhos, que são uma parte deles mesmos, e por assim dizer, outros eles.

É, pois, indubitável que a Mãe de Jesus tem sempre o pensamento unido a tudo o que toca ao corpo do seu querido Filho, tanto na obscuridade do Sacramento como nos esplendores da glória. Segue-o, do alto do Céu, com a vista e com o coração em todos os lugares em que se encontra presente na terra, pela consagração eucarística”.

A eterna duração desta maternal ternura e desta filial piedade, explica e justifica o belo título de Nossa Senhora do Sagrado Coração, dado a Maria.

 “Tomando a natureza humana, o Verbo Divino apropriou-se de todos os elementos que a compõem, no estado de perfeição a que a elevou a união hipostática (Hebr., II, 17).

Nosso Senhor possui no mais alto grau o sentimento do amor filial, um dos mais nobres do coração humano, e longe de se despojar dele depois da ressurreição e da sua gloriosa ascensão, tê-lo-ia dilatado, fortificado e elevado no seu mais sublime poder, se fora permitido dizê-lo, no seu estado de bem-aventurada transfiguração, em que está assentado à direita de seu Pai.

Daqui é fácil concluir que a augusta Virgem Maria possui sobre o seu divino Coração um soberano poder, de que ela é verdadeiramente a Senhora ou a Rainha”.

 
O dogma da Comunhão dos Santos Imprimir e-mail

O dogma da Comunhão dos Santos

 

Rezamos no Credo: Creio na Comunhão dos Santos!

 

 Que vem a ser a Comunhão dos Santos?

 

Santos são os cristãos que vivem na graça de Deus. Os primeiros cristãos eram assim chamados.

Santos, são os justos no céu, os que se salvaram e estão na posse de Deus.

Santos são os justos que padecem no purgatório. Não são verdadeiras santas as almas confirmadas na graça e à espera da eterna visão do céu?

Pois, comunhão ou comunicação é a união dos fiéis da terra, do céu e do purgatório. Formam eles as três Igrejas – a Igreja militante, somos nós os que combatemos neste mundo; a Igreja triunfante, os fiéis já no céu no triunfo eterno da glória; e a Igreja padecente, os fiéis que se purificam nas chamas do purgatório.

Todos são membros de Cristo. Todos formam o Corpo Místico de Cristo, nossa Cabeça. Estamos todos unidos em Jesus Cristo como os membros unidos à cabeça. Que sublime doutrina!

Cristo nosso Senhor é glorificado no céu pelos membros triunfantes; sofre no purgatório pelos seus membros padecentes; luta connosco neste mundo com os membros militantes.

Pois com esta doutrina admirável do Corpo Místico, podemo-nos auxiliar uns aos outros nesta sublime solidariedade em Cristo e por Cristo.

As almas do purgatório já não podem mais merecer, dependem de nós os que ainda temos à nossa disposição os tesouros da Redenção e os méritos de Cristo. Podemos ajudá-las, podemos socorrê-las e dependem de nós.

Por sua vez, os santos do céu junto de Deus, na posse da eterna felicidade podem nos valer nesta vida, podem interceder por nós.

Então recorremos à Igreja triunfante, pedindo socorro, e ajudamos à Igreja padecente. É isto o dogma da Comunhão dos Santos.

Podem os santos do céu ajudar as almas do purgatório? Há relações entre a Igreja triunfante e a Igreja padecente? Cremos que sim, São Tomás de Aquino o afirma.

Muitos autores nos ensinam. Os Santos não podem merecer no céu como nós aqui na terra. Portanto, satisfazer pelas almas não podem, mas pedir e interceder por elas muitos teólogos o afirmam, com muito fundamento.

Aliás, há uma oração da Igreja que nos autoriza esta crença: “Ó Deus que perdoais aos pecadores e que desejais a salvação dos homens, imploramos a vossa clemência por intercessão da Bem-Aventurada Maria sempre Virgem e de todos os Santos, em favor dos nossos irmãos, benfeitores e parentes que já saíram deste mundo, a fim de que alcancem a bem-aventurança eterna”.

 

 
Os tormentos que as almas sofrem no inferno Imprimir e-mail

Os tormentos que as almas sofrem no inferno são as piores possíveis. - Rev. Pe. David Francisquini

 

É um ponto da fé que há um inferno, horrível prisão destinada a punir os que se revoltaram contra Deus.

 

O que é o inferno? Um lugar de tormentos, como lhe chama o mau rico condenado.

É um lugar de tormentos, onde todos os sentidos e todas as faculdades  do condenado, terão o seu tormento próprio, e quanto mais alguém tiver ofendido a Deus com algum dos sentidos, tanto mais terá a sofrer neste mesmo sentido.

A vista será atormentada pelas trevas. Que compaixão não sentiríamos, se soubéssemos que um pobre homem está encerrado num cárcere escuro por toda a vida, por quarenta ou cinquenta anos!

O inferno é um abismo fechado de todos os lados, onde nunca penetrará um raio de sol ou de qualquer outra luz.

O fogo mesmo que na terra ilumina, no inferno deixará de ser luminoso, tão somente arderá.

O olfato terá também o seu suplício. Quanto não sofreríamos se estivéssemos num quarto junto com um cadáver em putrefação?

O condenado deve ficar no meio de milhões e milhões de cadáveres, vivos com relação aos sofrimentos, mas verdadeiros cadáveres pelo mau cheiro que exalam.

Diz São Boaventura que o corpo de um só condenado, se fosse atirado á terra, bastaria com a infecção para fazer morrer todos os homens.

Infelizes, quanto mais lá encontrarem, tanto mais sofrerão, por causa da infecção, dos gritos e do aperto, porque os réprobos estarão no inferno tão juntos uns dos outros, como ovelhas encerradas no curral durante a tempestade.

Para melhor dizer, serão como uvas esmagadas no lagar da cólera de Deus. Daí nasce o suplício da imobilidade.

Da maneira como o condenado cair no inferno no último dia estará sempre, sem nunca poder mudar de situação, sem nunca poder mexer pés nem mãos, enquanto Deus for Deus.

No inferno será também atormentado o ouvido, pelos rugidos e queixas daqueles infelizes desesperados.

Como não se sofre, quando se quer dormir e se ouvem os gemidos contínuos de um enfermo, o ladrar de um cão ou o choro de uma criança?

Qual não será então o tormento dos condenados obrigados a ouvir incessantemente durante toda a eternidade estes ruídos e clamores insuportáveis?

O gosto será atormentado pela fome. O condenado sentirá uma fome canina, mas nunca terá nem uma só migalha de pão. Terá uma tal sede, que nem todas as águas do mar bastariam para lha apagar; mas nem terá uma só gota.

O mau rico pediu-a, mas nunca a obteve e nunca a obterá, nunca.

Aqui, Senhor, tendes aos vossos pés aquele desgraçado que tão pouco caso fez das vossas graças e dos vossos castigos! Aí de mim, se não tivésseis piedade!

Quantos anos teriam passado já nessa fornalha infecta, onde ardem tanto dos meus semelhantes! Ó meu Redentor, quanto este pensamento me abrasa no Vosso amor!

Como poderei no futuro pensar em Vos ofender? Ah, não! Meu bom Jesus, nunca isso aconteça; fazei-me antes mil vezes morrer.

Já que haveis começado, acabasse a vossa obra. Tirastes-me do lodaçal dos meus muitos pecados e convidastes-me a Vos amar. Fazei com que empregue o tempo, que ainda me dais todo para Vós.

Com que ardor não desejariam os condenados um dia, uma hora desse tempo, que me concedeis! E eu continuarei a consumi-lo em coisas que Vos desagradam?

Não, meu Jesus, peço-Vos, pelos merecimentos do vosso Sangue, que não o permitais. Amo-Vos, soberano Bem, e porque Vos amo, pesa-me de Vos ter ofendido.

Não quero mais ofender-Vos, mas sim, amar-Vos sempre. Minha Rainha e minha Mãe, Maria, rogai a Jesus por mim, e obtende-me o dom da perseverança e do seu Santo amor.

 
Se morresses hoje, para onde iria a tua alma? Imprimir e-mail

Se agora tivesses de morrer hoje, para onde iria a tua alma? - Rev. Pe. David Francisquini

 

Não sabes suportar uma centelha caída de uma vela sobre a tua mão, e poderás suportar a permanência num abismo de fogo devorador, desolado e desamparado de todos, por toda a eternidade?

– Ah, quantos na mesma idade que tu, talvez conhecidos e companheiros teus, estão agora ardendo naquela fornalha ardente, sem a mínima esperança de poderem remediar a sua desgraça!

Agora talvez não te importe perder o paraíso e Deus;

Conhecerás porém a tua cegueira, quando vires os bem-aventurados em triunfo e no gozo do reino dos céus, e tu, como um cão lazarento, fores excluído daquela pátria feliz, da bela presença de Deus, da companhia de Maria Santíssima, dos Anjos e dos Santos.

Então gritarás enfurecido: Ó paraíso de felicidades, ó Deus, Bem infinito, não sois nem sereis jamais para mim!

Ânimo!

Faz penitência, muda de vida; não esperes que não haja mais tempo para ti. Pede a Jesus, pede a Maria que te tenham piedade de ti.

Aqui tendes Senhor, a vossos pés, o desgraçado que tão pouco caso fez da vossa graça e dos vossos castigos.

Ai de mim! Quantos anos já devia estar abandonado por Vós e ardendo na fornalha do inferno!

Mas vejo que me quereis salvar a todo o preço, porquanto com tamanha bondade me ofereceis o perdão, se eu quiser detestar os meus pecados; ofereceis-me a vossa graça e o vosso amor, se eu Vos quiser amar.

Sim, meu Jesus, quero sempre chorar as ofensas que Vos fiz e amar-Vos de todo meu coração.

– Fazei-me saber o que quereis; quero satisfazer-Vos em tudo.

Permiti que eu viva e morra na vossa graça; não me mandeis ao inferno onde não Vos poderia mais amar, e disponde de mim segundo a vossa vontade.

– Ó Maria, minha esperança, guardai-me sob a vossa proteção, e não permitais que eu venha a perder o meu Deus.

 
O Inferno: os tempos mudaram? Imprimir e-mail

Inferno: os tempos mudaram? - Rev. Pe. David Francisquini

 

Imaginemos um teólogo em cujo espírito germinasse uma ideia nova…sobre uma doutrina já consagrada e sempre ensinada na Igreja Católica, qual seja a da existência do inferno e da sua eternidade. Era de supor que ele bem poderia colocar em risco o seu futuro e cair no ostracismo.

 

A fé assegura-nos que o fogo do inferno e os tormentos dos condenados são eternos. Não se trata de opiniões controvertidas entre os teólogos e estudiosos.

A eternidade do inferno é uma verdade de fé que nenhuma autoridade pode mudar — nem sequer o Papa —, pois está expressa nas próprias Sagradas Escrituras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

As Escrituras opõem-se à ideia de que o inferno não seja eterno ao afirmar: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno” (Mt 25, 41).

De onde se segue que, se o fogo é eterno, também o é o suplício do condenado. Não haveria razão para Deus ter criado um fogo eterno se não fosse para castigar eternamente os condenados.

Em outro lugar nas Escrituras pode-se ler: “Irão estes para o fogo eterno” (idem 46). “Ir para a geena, para o fogo inextinguível, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga” (Mc 9, 43 a 44).

No Apocalipse 14, 11 está escrito: “A fumaça dos seus tormentos subirá pelos séculos dos séculos. Não terão descanso algum, nem de dia nem de noite, esses que adoram a besta e a sua imagem, e todo aquele que acaso tenha recebido o sinal do seu nome”.

Uma pena que não fosse eterna — e durasse pouco — faria com que o inferno deixasse de ser inferno e Deus deixasse de ser Deus.

O Castigo e o Prémio são eternos

Ao meditar sobre a eternidade do inferno, Santo Afonso Maria de Ligório sugere multiplicar todos os milhões de anos em infinitas vezes. O resultado dessa multiplicação mostraria que o inferno estaria apenas começando…

Uma coisa é a bondade de Deus, que persegue o pecador para convertê-lo, afastá-lo do mau caminho, concedendo-lhe graças, dons, e até mesmo castigos.

Outra coisa é a bondade e a misericórdia da Igreja, sempre de coração aberto e mãos estendidas para receber e perdoar o pecador convertido.

Não podemos confundir esse pecador com aquele que não abandona o seu mau procedimento e morre empedernido. Se assim viveu e morreu foi por sua própria culpa.

Escolheu livre e espontaneamente o lugar que se chama inferno. Deus dá o prémio aos bons e o castigo aos maus.

Como Deus é eterno, também eternos são o prémio e o castigo. Deus deixaria de ser Deus se fosse apenas misericordioso e não desse o prémio e o castigo de acordo com as obras. Deus é misericordioso porque justo. Esta eternidade é de fé, porque revelada por Deus, e não uma simples opinião.

“Apartai-vos de Mim malditos para o fogo eterno. Irão estes ao suplício eterno. Pagarão a pena da eterna perdição. Todos serão assolados pelo fogo” (Mt 25, 41. 46; 1Ts1,8; Mc 9,48).

Assim como o sal conserva o alimento, o fogo do inferno atormenta os condenados, mas ao mesmo tempo tem a propriedade do sal ao conservar-lhes a vida.

 “Ali o fogo consome de tal modo — disse São Bernardo — que se conserva sempre”. Santo Afonso ensina: “O poço não fecha a boca, porque se fechar a abertura em cima, se abrirá em baixo para devorar os réprobos”.

Continua ele: “Enquanto vivo, o pecador pode ter alguma esperança, mas, se a morte o surpreender em pecado, perderá toda esperança” (Pr 11,7).

Se os condenados pudessem ao menos embalar-se em alguma enganosa ilusão que aliviasse o seu desespero horrível… Afinal, um infeliz delinquente condenado à prisão perpétua também procura alívio em seu pesar, na esperança remota de evadir-se e obter assim a liberdade.

Mas o condenado não pode sequer ter a ilusão de que um dia poderá sair de sua prisão! Não, no inferno não há esperança. O desgraçado réprobo terá sempre diante de si a sentença que o obriga a gemer perpetuamente nesse cárcere de sofrimentos.

 “Uns para a vida eterna, e outros para o opróbrio que terão sempre diante dos olhos” (Dn 12,2). Para Santo Afonso, o réprobo não sofre somente a pena de cada instante, mas sofre a cada instante a pena da eternidade.

Eis o que está escrito no Eclesiastes: “Quando as nuvens estiverem carregadas, derramarão chuvas sobre a terra. Se a árvore cair para a parte do meio dia, ou para a do norte, em qualquer lugar onde cair, ficará” (Ecl. 11, 3).

Tal é a sorte do justo e do pecador: ficará para sempre, no Céu ou no inferno.

 
O que fazer para curar os afectos e as emoções? Imprimir e-mail

O que fazer para curar os afetos e as emoções?  

A restauração dos nossos afetos e das nossas emoções só se tornará possível quando nos abrirmos ao amor divino e ao amor humano

Muitos de nós precisamos de conquistar cura e equilíbrio nos nossos afetos, visto que somos seres profundamente relacionais e, justamente por isso, colecionamos feridas que nasceram dos relacionamentos que experienciamos na vida. Nascemos e vivemos num contexto profundamente relacional, pois, desde a mais tenra idade, encontramo-nos ligados a outras pessoas na família, na escola e, posteriormente, no trabalho.

Ninguém nasce para viver sozinho. Todos precisam de amigos, de relações calorosas e afetuosas, de uma família, etc. É natural do ser humano o desejo de estar emocionalmente conectado e, quando esta necessidade não é satisfeita ou quando é vivida de maneira desequilibrada, acontece um intenso sofrimento psicológico/emocional que acaba por nos marcar com profundas feridas.

A causa das nossas feridas afetivo/emocionais estará sempre ligada à experiência do amor, a sua ausência ou a sua incorreta expressão e vivência. Apenas o amor poderá curar as feridas por ele ocasionadas. Não, obviamente, a experiência de “qualquer amor”, mas de um amor que seja verdadeiro e que realmente nos devolva à vida.

Para um autêntico processo de cura, é necessário, inicialmente, abrir-se inteiramente à experiência do amor de Deus, que é infinito e incondicional, acolhe-nos como somos e nos abarca nas nossas afetivas necessidades. Por consequência, abrir-se à experiência do amor humano, visto que todos temos a necessidade de amar e sermos amados para alcançarmos a cura e o equilíbrio interior.

A derradeira restauração nos nossos afetos só se tornará possível, como bem expressou a Encíclica Deus Caritas Est, com a união de dois amores no nosso coração: o humano e o divino, o Eros e o Ágape. Serão estas, pois, as duas realidades que transformarão as nossas emoções: o amar e ser amado, na dimensão humana, e o permitir-se ser amado por Deus, também amando-O. Será este o amor que nos curará e nos devolverá à vida, visto que ele traz em si a perene possibilidade de nos ressuscitar, transformando os nossos emocionais invernos em belíssimas primaveras.

Lamentavelmente, muitos são os corações que colecionam profundas feridas emocionais em virtude de, na vida, só terem experienciado “relacionamentos de troca”. Em tais relacionamentos, o afeto é ausente e imperam unicamente a cobrança e os pessoais interesses. Em virtude desta realidade, tais corações não se sentiram amados e “aprovados” por aquilo que verdadeiramente são, sendo sempre acostumados a “pagar” para receberem o afeto e a alheia aprovação.

Estas pessoas só eram amadas e valorizadas quando davam algo em troca, correspondendo aos interesses egoístas de alguém. Este imperfeito modelo de relacionalidade, acrescenta, ainda que de forma velada pelo inconsciente, agudas marcas e feridas no coração. Essa prática é, infelizmente, muito comum e, ao mesmo tempo, extremamente prejudicial, visto que gera uma concepção utilitarista do amor por meio do qual o afeto será falsamente ofertado no “mercado” dos interesses pessoais, na maioria das vezes, acentuadamente egoístas. Assim, o coração humano sente-se constantemente usado e abusado e, por consequência, vazio de amor e afeto num verdadeiro raquitismo emocional, o qual se fará ausentar da sua compreensão a crença no imenso valor presente na sua vida e na sua história. Tal concepção e comportamento é, sem dúvida alguma, a génese de muitas feridas e deformidades emocionais contemporâneas.

Para dar concretos passos neste processo de cura, precisamos de nos empenhar para construir relacionamentos de comunhão; não de troca. Na comunhão, as iniciativas de amor são livres e realizam o ofício de vivificar a essência do bem no coração. Estes relacionamentos não exigem nada (nenhuma paga) em troca do amor. É claro que eles não são mágicos nem caem do céu, mas precisam, obviamente, de ser construídos com paciência e, sobretudo, com constantes iniciativas de amor.

 
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O que é o Apocalipse?  

A interpretação deste género literário requer critérios precisos

A palavra grega “apokálypsis” quer dizer “revelação”. O Apocalipse quer incutir nos leitores uma confiança inabalável na Providência Divina em tempos difíceis para os cristãos. É uma forma literária, que era usada em Israel, repleta de simbolismos de números, animais, aves, monstros etc., e que não é fácil de ser hoje entendido. As páginas mais tipicamente apocalípticas do Antigo Testamento são os capítulos 7 a 12 do livro de Daniel.

Algumas características do género apocalíptico são: As frequentes intervenções de anjo: aparecem como ministros de Deus ou como intérpretes das visões ou revelações que o autor do livro descreve (Ez 40,3; Zc 2,1s; Ap 7, 1-3; 8, 1-13). Simbolismo rico, singular. Animais podem significar homens e povos; feras e aves representam geralmente as nações pagãs; os anjos bons são descritos como se fossem homens, e os maus como estrelas caídas.

O recurso aos números 3, 7, 10, 12 e 1000 são símbolos de bonança; 3 1/2, símbolo de tribulação. Forte nota escatológica. Os apocalipses voltam-se todos para os tempos finais da história, com intervenção solene de Deus em meio a um cenário cósmico, o julgamento dos povos, o abalo da natureza, a derrota dos maus e a exaltação dos bons.

Por que é que Jesus fez esta Revelação a São João, que estava preso na ilha de Patmos, no mar Egeu?

No fim do século I, era cada vez mais difícil a situação dos cristãos no Império Romano por causa da terrível perseguição dos imperadores. Tudo começou com Nero, no ano 64, e continuou na terrível perseguição de Domiciano (81-96). Muitos cristãos foram martirizados, mas muitos também estavam desanimados, abandonavam a fé (apostasia) e aderiam às práticas pagãs. Isto pode ser notado nas mensagens às sete igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Laodiceia, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Filadélfia e Sardes. Foi em tais circunstâncias sombrias que São João escreveu o Apocalipse.

O livro visava encorajar os fiéis. O Apocalipse é, basicamente, “o livro da esperança cristã” ou da confiança inabalável no Senhor Jesus e as Suas promessas de vitória. Ele quer anunciar a “vitória do bem sobre o mal”, do reino de Cristo sobre o reino do mal, especialmente para aquele momento muito difícil em que se encontrava a Igreja.

Nem todo o livro do Apocalipse está redigido em estilo apocalíptico. Compreende duas partes anunciadas em Ap 1,19-3,22, revisão de vida das sete comunidades da Ásia Menor às quais São João escreve em estilo pastoral; Ap 4,1-22,15, as coisas que devem acontecer depois. Esta é a parte apocalíptica propriamente dita para a qual se volta a nossa atenção: 4,1-5,14, a corte celeste com a sua liturgia. O Cordeiro “de pé, como que imolado” (5,6), recebe em suas mãos o livro da história da humanidade. A mensagem principal é esta: “Tudo o que acontece no mundo está sob o domínio do Senhor, que é o Rei dos séculos”.

A parte apocalíptica do livro abre-se com uma grandiosa cena de paz e segurança, qualquer quadro de desgraça está subordinado a isto.

O núcleo central do sentido do Apocalipse apresenta, sob forma de símbolos, a luta entre Cristo e Satanás, luta que é o eixo de toda a história, e que já tem Cristo como vencedor, apesar dos sofrimentos dos cristãos. Os sete selos (septenários) revelam essa luta. A seguir, de 17,1 a 22,17, após os três septenários, ocorre a queda dos agentes do mal; 17,1-19,10: a queda de Babilónia (símbolo da Roma pagã); 19,11-21: a queda das duas bestas que regem Babilónia (o poder imperial pagão e a religião oficial do império romano); 20,1-15: a queda do Dragão, instigador do mal, satanás.

A seção final (21,1-22,15) mostra a Jerusalém Celeste, Esposa do Cordeiro, o oposto da Babilónia pervertida. Os versículos 22,16-21 constituem o epílogo do livro.

O Apocalipse de São João apresenta os grandes protagonistas da história da Igreja: a Mulher e o Dragão no capítulo 12; a Mulher-Mãe, que exerce a sua maternidade por toda a história da salvação, se consumará na Jerusalém celeste, a Esposa do Cordeiro (Ap 21 s). As duas bestas, manipuladas pelo Dragão, sendo que a primeira sobe do mar e representa o poder imperial perseguidor (Roma); a segunda Besta sobe da terra (Ásia Menor), onde está o culto religioso do Imperador. (cf. Ap 13,1 e 11).

A batalha entre Miguel e o Dragão não corresponde à queda original dos anjos, mas significa a derrota de satanás, vencido quando Cristo venceu a morte por Sua Ressurreição e Ascensão. Deus permite-lhe tentar os homens, nestes séculos da história da Igreja, para provar e consolidar a fidelidade deles. Satanás só age por permissão de Deus.

Em resumo, as calamidades que o Apocalipse apresenta não podem ser interpretadas ao pé da letra, é uma linguagem figurada. Unindo as aflições na terra e a alegria no céu, quer dizer aos seus leitores que as tribulações desta vida estão de acordo com a Sabedoria de Deus; foram cuidadosamente previstas pelo Senhor, dentro de um plano harmonioso, onde nada escapa, embora não entendamos.

A mensagem mais importante é esta: ao padecer as aflições da vida quotidiana, os cristãos não devem desanimar. Foi uma forma de consolo que o Apocalipse queria incutir aos seus leitores; não só do séc. I, mas de todos os tempos da história; isto é, os acontecimentos que nos atingem aqui na terra fazem parte da luta vitoriosa do bem sobre o mal; é a prolongação da obra do Cordeiro que foi imolado, mas, atualmente, reina sobre o mundo com as suas chagas glorificadas (cf. c.5). Os cristãos na terra gemem, mas os bem-aventurados na glória cantam aleluia.

No céu, os justos não desesperam com o que acontece com os que sofrem na terra; antes, continuam a cantar jubilosamente a Deus, porque percebem o sentido das nossas tribulações. O Apocalipse quer mostrar que a mesma paz do céu deve ser também a dos cristãos na terra, porque, embora vivam no mundo presente, já possuem em suas almas a eternidade e o céu em forma de semente, pela graça santificante, que é a semente da glória celeste.

Assim, o Apocalipse oferece uma imagem do que é a vida do cristão e a vida da Igreja: uma realidade ao mesmo tempo da terra e do céu, do tempo e da eternidade. A vida do cristão é celeste, deve ser tranquila, como a vida dos justos que no céu possuem em plenitude aquilo mesmo que os cristãos possuem na terra.

A mensagem básica do Apocalipse é esta: as desgraças da vida presente, por mais aterradoras que pareçam, estão sujeitas ao sábio plano da Providência Divina, a qual tudo “faz concorrer para o bem daqueles que O amam” (Rm 8,28).

O Apocalipse finaliza com chave de ouro, num diálogo amoroso impressionante entre a Esposa, que é a Igreja, animada pelo Espírito Santo, e o seu Esposo no céu. É um diálogo que deve ser vivido por cada um dos cristãos que desejam o encontro com Cristo, um encontro que já começa na Eucaristia: João repete as palavras de Jesus no Evangelho (Jo 7, 37): “Quem tiver sede venha!” O Espírito e a Esposa dizem: Vem!”

 
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O segredo para a cura emocional  

A cura emocional é a “porta de entrada” para todas as outras curas

Sabemos que Jesus veio ao mundo para nos trazer a Boa Nova. Ouvimos, nos dias de hoje, tantas más notícias! Mas os anjos disseram aos pastores que Jesus nascera em Belém para trazer ao mundo a Boa Notícia.

O Cristianismo é a religião da alegria. Precisamos de ser um povo de louvor, e não “quietinho”, triste; mas um povo que louva a Deus constantemente.

Somos muito tímidos e medrosos, e a Bíblia chama-nos a sermos um povo valente, que louva a Deus publicamente. Os anjos disseram aos pastores que anunciavam uma Boa Nova para todos os povos. Portanto, precisamos de louvar ao Senhor diante de todas as nações. Mas isso só é possível mediante um profundo arrependimento.

Na confissão, necessitamos de experimentar o abraço do Pai. A confissão não foi feita para ser apenas uma penitência, mas também uma libertação completa. Tu deverias sair da confissão com um sorriso nos lábios.

Infelizmente, há um destaque muito grande para a cura física. Mas Jesus não veio ao mundo apenas para fazer os paralíticos andarem e os cegos verem. Ele veio para nos transformar inteiramente. Daí a importância da cura emocional, pois ela é o início, a “porta de entrada” para a cura física.

A Palavra de Deus fala do cego que gritou para o Senhor: “Jesus, filho de David, tem piedade de mim!” Ele chamou-o e perguntou: “Que queres?” É esta pergunta que o Senhor nos faz hoje. Ele fez esta pergunta, porque sabia que o cego necessitava não somente de uma cura física, mas, antes, de cura emocional e espiritual.

Por que afirmo isto? Porque aquele cego, depois de ter sido curado por Jesus, pôs-se a segui-Lo. É isto o que o Senhor quer fazer com cada um de nós, curar-nos para que nos coloquemos no Seu seguimento.

A cura emocional é a “porta de entrada” para todas as outras curas. A pessoa não experimentará a cura psíquica, a cura dos vícios nem a libertação do mal se ela não passar, primeiro, pela experiência da cura interior. Precisamos de saber como rezar e pedi-la.

A oração é algo científico, ela não vem “do nada”, por isso precisamos de rezar a partir dos sintomas. Eles são importantes, são indicações, sinais que nos ajudam a descobrir quais são as nossas doenças emocionais.

São 4 as principais doenças emocionais. A primeira é o sentimento de rejeição. Jesus foi rejeitado e crucificado; e a crucificação tinha o objetivo de não apenas matar os condenados, mas também de os humilhar publicamente.

Jesus foi crucificado por inveja. Eu vejo a inveja como a grande “porta de entrada” para as doenças emocionais. A grande dor de Jesus na cruz não foi a causada pelos pregos nas Suas mãos e pés, mas a causada pelo abandono que sofreu na cruz. Hoje, vejo muitas pessoas a sofrerem por trazerem, dentro de si, o sentimento de abandono. Pessoas abandonadas por aqueles que menos esperavam, ou seja, pelas pessoas amadas.

O primeiro passo para a cura emocional é detectar os sintomas do problema e encontrar as causas também. É importante encontrar a raiz deste mal. Para um caso ser resolvido é preciso saber antes que a “causa-raiz” tenha sido descoberta. E como descobrir a “causa-raiz”? Primeiro: rezar ao Espírito Santo. O trabalho dele não é somente descobrir a verdade de Deus para nós, mas também descobrir a verdade que trazemos diante de Deus. Precisamos de rezar ao Espírito Santo constantemente. Segundo: rezar pelo meu passado, mas não com sentimento de culpa.

A causa raiz pode estar em qualquer um dos quatro estágios da minha vida: 1) A minha árvore genealógica; 2) A minha vida intrauterina (dentro do ventre materno no período da gestação); 3) A minha infância até à juventude; 4) A minha juventude até à idade adulta.

A oração é igual ao medicamento: não podes tomar pouco nem em demasia; tem de ser na dose certa.

Padre Rufus Pereira

 
Deus é responsável por nascerem crianças com deficiências? Imprimir e-mail

 

Deus é responsável por nascerem crianças com deficiências?  

 

Deus é responsável por crianças nascerem com deficiências e outros padecimentos da humanidade?

O primeiro parágrafo do Catecismo da Igreja afirma que “Deus é Perfeito e Bem-aventurado”, n’Ele não há erro nem maldade. “Deus é amor” (1Jo 4,8); “Eterna é a Sua misericórdia” (Sl 117,1).

A Bíblia é repleta de passagens que falam do amor de Deus por nós. “Deus amou o mundo a tal ponto que deu o Seu Filho único para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). São Paulo disse que “esta é prova do amor de Deus por nós, porque, ainda quando éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Rom 5,8). Será que pode haver maior prova de amor por nós? Diante de tudo isto, não há como alguém pensar que Deus possa ser responsável por uma criança nascer com deficiência. Então, de onde vem esse mal?

Deus é suficientemente bom para tirar do próprio mal o bem

A resposta católica para o problema do mal e do sofrimento foi dada de maneira clara por Santo Agostinho († 430) e por São Tomás de Aquino († 1274):

 “A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; ao contrário, Ele só permite o mal, porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem” (Enchiridion, c. 11; ver Suma Teológica l qu, 22, art. 2, ad 2). Como entender isto?

Deus, sendo Perfeitíssimo, não pode ser causa do mal, logo, esta é a própria criatura, que pode falhar, já que não é perfeita como o seu Criador. Só Deus é infalível e isento de imperfeições. Na verdade, o mal, ensina a filosofia, é a carência do bem. Por exemplo, a doença é a carência do estado de saúde, a ignorância é a carência do saber, e assim por diante. Por outro lado, o mal pode ser também o uso errado, mau, de coisas boas. Uma faca é boa na mão da cozinheira, mas na mão do assassino… Até mesmo a droga é boa, na mão do anestesista.

Deus permite que as criaturas vivam conforme a natureza de cada uma; permite, pois, as falhas respectivas. Assim, o sofrimento é, de certa forma, inerente à criatura. Mas por que é que Deus permite o sofrimento? Ele é Amor e Omnipotência, poderia evitá-lo!

Para que o homem fosse “grande”, digno e nobre, Deus o fez livre, inteligente, dotado de mãos maravilhosas, sensibilidade, vontade, memória, etc., que nem as pedras, árvores e animais receberam. A liberdade é o toque maior da nossa semelhança com Deus. Ele teve de correr o risco de nos fazer livres, para que fôssemos dignos, mesmo sabendo que a criatura lhe poderia voltar as costas. Deus não poderia impedir o homem de lhe dizer “não”, senão, tirava-lhe a liberdade, e ele seria apenas um robô. Deus não quis isso, mas Ele deu-nos também a inteligência, como uma luz para guiar os nossos passos; e deu-nos a vontade para permanecer no bem e evitar o mal.

Ele quis fazer a criatura humana livre como Ele, criou-a da melhor maneira possível, à Sua imagem. É a liberdade que nos diferencia dos animais, dos robôs e teleguiados. Podemos escolher espontaneamente o rumo da nossa vida e o teor das nossas ações. E nisto podemos errar, cometendo graves danos, especialmente quando usamos mal a nossa liberdade e inteligência, desobedecendo a Deus.

É Deus quem nos sustenta e nos mantém vivos, mas Ele não tira a nossa liberdade. Do contrário, não haveria merecimento nem culpa da nossa parte. Não haveria dignidade no homem. Então, por isso, Ele não quer, mas permite a morte e o sofrimento no mundo. Aqui está o nó da questão: Deus respeitou e respeita a liberdade da criatura que lhe diz ‘não’, embora pudesse e possa obrigá-la ao ‘sim’ – o que evitaria sofrimentos –, mas isso destruiria a grandeza do homem, que consiste na sua liberdade de opção.

Deus não é paternalista, é Pai

Depois de dar ao homem todas estas faculdades maravilhosas, Deus pôs-lhe o mundo em suas mãos, para cuidar dele como um jardineiro. “O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo” (Gen 2, 15). Se o homem não cuida bem deste mundo, se não ama os irmãos, se não obedece às leis divinas, então dá origem à dor, e isso não é culpa de Deus. Daí, surge o pecado e o mal moral, que gera também o mal físico. “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Por isso, Jesus foi até à cruz, para “tirar o pecado do mundo” (Jo 1,29), a causa de todo o sofrimento e morte.

Deus não é paternalista, é Pai, ou seja, Ele não fica “passando a mão por cima” dos erros dos homens e consertando os seus estragos como fazem muitos pais. O Senhor deixa que o homem sofra as consequências dos seus erros. Esta é a lei da justiça, e quem erra deve arcar com as consequências dos seus erros.

Os nossos erros geram sofrimentos para os nossos descendentes também. Os filhos não herdam os pecados dos pais, mas podem sofrer por causa desses pecados. Eu sofro não só por causa dos meus pecados, mas também por causa dos pecados dos homens, de todos os tempos e lugares, especialmente daqueles que estão mais ligados a mim: parentes, amigos, etc. A humanidade é solidária.

É lógico que os vícios de um pai fazem sofrer os filhos e a esposa; e assim por diante. Deus não é o culpado nem deseja nada disso. A culpa é nossa. Que culpa teria Deus, se, por exemplo, um pai irresponsável, passasse uma noite a beber e, depois, sofresse um acidente de carro e morresse por conduzir embriagado? Não! A culpa não é de Deus, é do homem.

O Senhor não desrespeita as leis que Ele mesmo criou

Se teimares em ligar o teu ventilador numa tomada de 220 volts, quando o manual manda ligar em 110 volts, é claro que vais queimar o motor do ventilador. Que culpa tem Deus disso?

O mesmo se deu e se dá com o mundo e com o homem.

Temos um Projetista que fez o homem e o mundo belos, organizados, harmoniosos, mas não respeitamos o seu catálogo; então, destruímos a Sua bela obra e geramos o sofrimento.

Quando ouvimos que é preciso “aceitar a vontade de Deus” diante do sofrimento e da morte, não quer dizer que foi Deus quem quis aquele mal, aquela tragédia, doença, etc. Não! Deus não pode querer o mal. Mas Ele permite o mal, porque não desrespeita as leis que Ele mesmo criou e, de modo especial, o nosso livre arbítrio. Deus respeita a nossa dignidade e semelhança a Ele.

Se Ele nos livrasse das consequências dos nossos pecados, nunca nos tornaríamos filhos maduros. Se Ele, por exemplo, suspendesse a lei da gravidade quando alguém salta de uma altura para a morte, ele destruiria o mundo todo.

 “Deus não fez a morte nem tem prazer em destruir os viventes”, diz o livro da Sabedoria (1,13). “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem da sua própria natureza. É por inveja do demónio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demónio prová-la-ão” (Sab 2,23).

Podemos então dizer que é, principalmente por causa da sua liberdade, que o homem é grande; por isso, pode sofrer. Ele é imagem de Deus sem ser Deus. Na sua sabedoria e bondade infinitas, Deus achou por bem correr o risco de nos poder ver errar e sofrer. Foi o preço da nossa semelhança a Ele.

O Criador poderia estar constantemente a vigiar o mundo, de modo que nunca houvesse algum desastre ou sofrimento. Mas esse procedimento seria menos digno de Deus, que deseja dar ao homem a oportunidade de se realizar, de se tornar grande, com liberdade e nobreza.

As crianças e os inocentes sofrem, porque participam da dignidade humana, e partilham a sorte da humanidade.

Então, a criança não sofre para pagar os pecados de uma suposta vida anterior. Ela sofre, porque é solidária com a humanidade; e as consequências dos seus erros atingem a criança também, embora inocente. Não é precioso inventar teorias complicadas para explicar o sofrimento, nem mesmo culpar Deus pelo erro que é nosso.

Deus não interfere no sofrimento da criança a todo instante, fazendo milagres para impedir o mal, para não destruir a ordem natural que Ele mesmo criou.

Em consequência do pecado, o sofrimento e a morte fazem parte da história de todos os homens, inocentes ou pecadores. A fé ensina que Deus Pai, pelo sofrimento redentor de Jesus, resgatará todo o sofrimento da criança inocente e fará cada uma ressuscitar um dia com Cristo.

Não devemos esquecer que os primeiros mártires da Igreja são os inocentes que morreram pelas mãos de Herodes, em Belém (Jr 31,15). Hoje, são santos mártires da Igreja. O seu sofrimento não foi em vão. Não podemos olhar os factos só com os olhos deste mundo; é preciso vê-los à luz da fé.

A Paixão e Morte de Jesus resgataram o mundo. O Pai entregou Jesus por nós, assim.

Ainda duvidamos do Seu amor?

 
Como ler a Bíblia dentro do seu contexto Imprimir e-mail

 

Como ler a Bíblia dentro do seu contexto  

É necessário compreender um pouco o contexto no qual o texto bíblico foi escrito

Este artigo quer ajudar-nos a entender melhor uma regra de ouro da literatura, qualquer que seja ela: ler o texto dentro do seu contexto. Isto significa vê-lo também como produto de pessoas diferentes e de épocas também diferentes.

Muitas vezes, sentimo-nos desencorajados com determinados textos bíblicos por não conseguirmos entendê-los. Quem nunca leu uma passagem bíblica e não apreendeu quase nada do que estava escrito ali? Quem nunca deparou com conceitos muito complicados e muito distantes daquilo que entendemos e vivemos hoje?

Isto acontece porque cada um dos livros da Sagrada Escritura faz parte de um contexto mais amplo, cujos textos foram escritos numa época muito distante da nossa. Assim, a leitura torna-se um pouco mais complexa e, não raras vezes, incompreensível, em virtude de uma distância temporal, linguística e cultural existente entre a redação do texto bíblico e a leitura e a interpretação que fazemos hoje.

A melhor forma de leitura

Daí a necessidade de uma leitura mais cuidadosa e não tão rápida e superficial, para que não ocorra uma interpretação equivocada e arriscada. Porque é natural entendermos o que lemos a partir de conceitos e da ideia que temos do mundo moderno em que vivemos, esquecendo-nos de que a Bíblia é formada por textos antigos, construídos num mundo diferente do nosso.

Assim, precisamos de buscar o máximo de informações sobre o texto que iremos estudar. Tudo que o cerca, de modo especial o período em que foi escrito e qual o contexto histórico que o influencia. Quanto mais informações tivermos a respeito do texto, tanto mais nos poderemos guiar pela regra literária citada no começo deste artigo: ler o texto dentro do contexto.

Mas como podemos saber mais sobre a época em que os textos bíblicos foram compostos e sob quais condições se deu esse processo de redação do texto que vamos ler?

É fácil. Basta consultarmos as nossas próprias Bíblias, pois elas fornecem-nos essas informações. Precisamos de conferir as introduções apresentadas antes de cada livro bíblico. Assim acontece, por exemplo, nas traduções da Bíblia, como a versão da TEB, da Bíblia Jerusalém e do Peregrino. Ou ainda, como na tradução da Bíblia Ave-Maria que traz logo na sua abertura um comentário sobre cada um dos livros bíblicos.

Estas introduções são muito importantes, pois dão-nos informações preciosas a respeito do livro que vamos ler, informações estas muito úteis e práticas a respeito do período de composição do texto, sobre o contexto histórico no qual se deu essa redação, a qual grupo esse texto foi primeiramente dirigido, quem o redigiu, entre outros.

Caso tenhamos acesso a fontes confiáveis que podem, da mesma maneira e talvez de forma mais completa, fornecer-nos essas informações, podemos e devemos utilizá-las, pois, como dissemos anteriormente, quanto mais informações temos do texto, tanto maior será nossa segurança de que o leremos dentro do contexto, evitando erros e equívocos. Mas, lembre-se: é importante que conheçamos bem essa literatura secundária utilizada para não consultarmos uma bibliografia que nos possa levar ao erro.

O  perigo  de  informações pela internet

Um alerta aos que fazem uso da internet: muito cuidado ao procurar essas informações no espaço virtual. Não tenho nada contra a rede mundial de computadores; muito pelo contrário, sou usuário e a vejo como um facilitador da vida quotidiana. Mas, infelizmente, em se tratando de estudos bíblicos, a grande maioria das coisas que encontro nela possui muitos erros ou está ligada a outra doutrina diferente da católica.

Outro recurso apresentado pelas Bíblias, que além de nos auxiliar na compreensão dos textos, também nos fornece informações importantes sobre o conteúdo do que lemos são as notas de rodapé. Essas observações são muito valiosas porque são explicativas e por meio delas são-nos esclarecidas questões ligadas à língua, à geografia, à cultura, entre tantas outras coisas que facilitam o nosso entendimento sobre eles. Muitos as ignoram, justamente por serem pequeninas, às vezes é difícil enxergá-las, mas elas estão ali para servir de auxílio para que o texto se torne mais acessível a nós que estamos distantes temporal, cultural e linguisticamente dos textos bíblicos.

Enfim, é necessário fazer uso dos recursos presentes nas nossas Bíblias, assim como das introduções nos livros e das notas de rodapé. Esses recursos fazem, de certo modo, parte da leitura e não podemos ignorá-los. A Igreja, e os nossos tradutores, conhecem as distâncias entre nós e o texto e, consequentemente, sabem do risco de uma leitura fora de contexto. Ou seja, informações presentes na própria Bíblia, ainda que não sejam o texto bíblico propriamente dito, são não apenas importantes, mas necessárias para uma leitura da Palavra de Deus sem equívocos e que permita, verdadeiramente, o nosso encontro com o sagrado.

 
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