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Basta-me saber que sois jovens para eu vos amar

São João Bosco

 
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8 motivos para amar os nossos inimigos Imprimir e-mail

8 MOTIVOS PARA AMAR OS NOSSOS INIMIGOS

Cada um de nós tem "inimigos" na vida. Pessoas que parecem gostar de nos magoar, de nos fazer sofrer e nos ferir. Às vezes criamos inimigos por causa de diferenças de personalidade e outras vezes porque as pessoas nos odeiam sem motivo aparente.

De facto, não importa por que tens um "inimigo", a tentativa de combater mal com mal está fadada ao fracasso e, de facto, existem 8 razões pelas quais os inimigos podem ser um factor positivo na vida. Quando entendes estas razões, podes desenvolver um entendimento mútuo ou, pelo menos, um entendimento da tua parte, que te ajudará a desenvolver melhores relacionamentos em vez de continuar o ciclo de ódio e raiva.

1. Uma lição simples sobre como conter e evitar a raiva

Sendo bem honestos: os nossos inimigos são as melhores pessoas para nos ensinar autocontrole e como dominar a raiva. Embora seja verdade que os nossos "inimigos" têm maneiras de nos irritar, isso é exactamente o que nos pode ajudar a lidar melhor com a emoção negativa. Afinal de contas, não podemos ficar irritados para sempre com pessoas que são importantes para nós e que queremos amar. Além disso, muitas vezes acabamos por nos sentir culpados por causa dos sentimentos de raiva que temos por causa deles.

Para fazer isto da maneira mais eficiente, tenta entender o que te incomoda na atitude do teu "inimigo" em relação a ti e, só depois de entender conscientemente, serás capaz de lidar com a raiva de uma maneira melhor e mais saudável. Pensa nos teus adversários como terapeutas que te ajudam a lidar com as emoções negativas com as quais não queres lidar ou que não consegues lidar sozinho.

2. Aproveita a oportunidade para manter uma competição saudável

Tu podes não ver desta maneira agora, mas os teus "inimigos" estão sempre a pensar em ti como um concorrente, e se estiveres numa situação de competição, eles podem ajudar a sentires-te ainda mais competitivo. No entanto, é importante que continues a ser tu mesmo e não te tornes desagradável e rude só para entrar na competição. Não prejudiques a ti mesmo ou aos outros, e não deixes que a tua moral se manche no processo. Se vês o teu relacionamento como uma "competição" em vez de uma "rivalidade", isso pode ajudar a reduzir a raiva ou até ensinar-te a lidar melhor com ela.

3. Críticas negativas podem ajudar a crescer

Provavelmente os teus "inimigos" não têm muitas coisas boas a dizer sobre ti; na verdade eles devem falar mal a teu respeito. No entanto, mesmo que falem com más intenções, pode haver alguma verdade nas suas palavras. Sempre que ouvires algo desagradável de um dos teus "inimigos", reflecte e tenta avaliar. Há uma chance de que o teu "inimigo" esteja a dizer algo com fundo de verdade, mas de maneira errada. Então se conseguires entender o que eles estão a tentar dizer, darás um passo significativo no teu crescimento pessoal.

4. Os teus "inimigos" podem ser os teus melhores aliados

Se decidires amar os teus "inimigos", darás o primeiro passo para desenvolver um relacionamento mais saudável e pacífico com eles. Os nossos "inimigos" nem sempre querem intencionalmente ofender-nos e, às vezes, eles só se sentem feridos por nós. Em último caso, se conseguires construir um relacionamento saudável superando as lacunas entre os dois, farás um amigo em vez de um inimigo, e todos precisamos de amigos. Esta abordagem irá ajudar-te a longo prazo, e irá proporcionar-te paz de espírito, desde que possas desenvolver uma relação cordial entre ti e eles. A barreira para isso está principalmente na tua cabeça.

5. Terás a capacidade de ver a vida de uma forma mais positiva

Quando estamos preocupados com as pessoas que se opõem a nós e com o quanto elas nos ferem, é muito difícil mudarmos os nossos pensamentos e torná-los positivos, mesmo com relação à vida em geral. No entanto, se aceitares os teus "inimigos" e entenderes que todos temos esse tipo de pessoas na vida, também deixarás de te preocupar tanto com eles e terás cada vez menos pensamentos negativos inundando a tua mente. Se além disso cultivares sentimentos de amor pelos teus "inimigos", aprenderás como entender coisas ruins e frustrantes que aconteçam contigo de uma maneira mais positiva e, assim, a forma que a tua mente interpretar as coisas boas ou ruins será influenciada por essa atitude.

6. Podes perceber que o ódio é simplesmente um mal-entendido

Às vezes criamos inimigos simplesmente por causa de um pequeno mal-entendido. É muito difícil perceber quando isso acontece, mas um pequeno mal-entendido pode colocar uma pressão sobre qualquer relacionamento; e se for um relacionamento com um inimigo, isso apenas aumentará a tensão. Se tu tentares criar um diálogo calmo entre ambos e descobrir a causa do problema, logo entenderás como consertar a situação e o teu relacionamento com a pessoa. Desentendimentos acontecem a todo o momento e tu tens que desenvolver a habilidade de resolvê-los a tempo.

7. Aprende a apreciar verdadeiramente o amor

Ter a certeza de que tens "inimigos" na vida pode ajudar-te a melhorar o teu relacionamento com pessoas que ama como elas merecem. Amor e ódio não são necessariamente sentimentos opostos. De facto, pode-se dizer que o oposto de ambos é a indiferença. Portanto, em qualquer relacionamento em que o amor exista, o ódio momentâneo ou contínuo pode surgir, e se isso acontecer, geralmente mostra que há de facto um grande amor escondido.

Entende também que, assim como sempre vão existir pessoas contra ti, também existirão aqueles que te amam. Lembra-te disso, pois essas pessoas são as que merecem o teu amor de volta. Nunca deixes o teu ódio contra os teus "inimigos" afectar o teu relacionamento com as pessoas que te amam. Caso desistas de aprender a amar aqueles que não te amam, procura demonstrar mais amor às pessoas que te são queridas.

8. Entende que tu realmente não precisas do ódio

Os nossos "inimigos" injectam um veneno nas nossas vidas que lentamente vai permeando as nossas reacções com relação a outras pessoas. Se quiseres evitar isso, precisas de entender que não precisas de carregar o peso do ódio às costas. O ódio não leva ninguém a lugar nenhum, enquanto que o amor nos leva a tentar progredir e melhorar sempre. Na jornada da vida, leva sempre uma bagagem leve de amor, em vez do peso do ódio. Isto tornará a viagem muito mais fácil.

 
3 pecados que cometemos quando comunicamos Imprimir e-mail

 

3 pecados que cometemos quando comunicamos 

 

Num discurso aos jornalistas, o Papa Francisco identificou o que ele chama de “pecados da comunicação”. A Sua palestra foi especificamente sobre como a média se comunica, mas a lição aplica-se a todos nós. De acordo com Francisco, aqui estão os três erros que cometemos quando nos comunicamos, juntamente com formas de abordá-los nas nossas próprias vidas:

Desinformação

Não é uma informação mentirosa. É partilhar apenas um lado do argumento e deixar qualquer outra informação de fora. Isto realmente é mais insidioso do que mentir, porque é muito mais fácil de justificar. Eu sei que posso, com uma consciência limpa, falar com os outros de tal forma que as minhas próprias acções pareçam razoáveis ​​e perfeitamente justificadas, mas isso é só porque deixei muita informação de lado. Estou realmente apenas a comunicar metade da história. No final, a desinformação distorce a verdade tanto como a mentira.

Em vez de desinformação, vamos falar com clareza e total honestidade. Pode ser mais humilde admitir a nossa parte num conflito, mas, em longo prazo, ser sincero e reconhecer toda a verdade levará a uma linha de comunicação muito mais saudável.

Calúnia

Calúnia é a descrição sensacionalista das acções do outro, ou um exagero sobre as suas palavras e motivos. É tentador caluniar porque faz com que a nossa própria resposta pareça mais restrita, mas leva a ferir sentimentos e, no seu extremo, leva-nos a desumanizar os outros e transformá-los em inimigos com os quais não podemos nem nos devemos comprometer.

Em vez de caluniar, podemos manter-nos a um nível de precisão na forma como falamos sobre os outros. Com toda a honestidade, o que é que essa pessoa realmente disse? Qual o motivo mais positivo que posso atribuir às suas palavras e acções? Se usarmos o que Francisco chama de “palavras cuidadosamente ponderadas e claras” quando falamos dos outros, manteremos as linhas de comunicação abertas.

Difamação

A difamação é o hábito de trazer de volta à luz falhas obsoletas ou erros passados. Eu difamo alguém quando menciono sempre as suas falhas. Posso dizer a verdade sobre essa pessoa, mas a própria comunicação é desnecessária e prejudicial. Sempre que faço isto, mais tarde percebo que fiz isso para aliviar os meus próprios sentimentos de culpa e para fazer eu sentir-me melhor, mas não é justo trazer os erros do passado para ganhar discussões ou seguir o meu caminho.

Em vez de difamar os outros, tenhamos o hábito de falar positivamente sobre eles. Eu criei uma regra para mim. Sempre que uma pessoa é mencionada durante uma conversa, as primeiras palavras da minha boca em resposta devem ser algo positivo sobre essa pessoa. Ao longo do tempo, essa regra tornou-se um hábito e ficou cada vez mais fácil. Talvez o resultado mais surpreendente para mim foi que à medida que os meus hábitos de comunicação mudaram, a maneira como eu realmente penso sobre as pessoas tornou-se mais positiva também.

Estas são as lições que ensino às minhas filhas enquanto trabalhamos na formação de hábitos positivos de comunicação, e elas são úteis para mim também quando preciso de me comunicar com os outros e, caso haja algum desentendimento, isso mantém uma relação civilizada. O seu progresso e o meu são prova de que uma comunicação positiva e construtiva é muito possível.

 
3 poderosos sacramentais para trazer na pasta ou no bolso Imprimir e-mail

 

3 poderosos sacramentais para trazer na bolsa, na pasta ou no bolso

Os sacramentais fazem parte da vida na Igreja desde o início do cristianismo, mas são vistos por muita gente, de forma errada, como uma espécie de “superstição”. De facto, ao longo dos séculos, muitos católicos têm usado os sacramentais de modo supersticioso por falta de compreensão do seu verdadeiro sentido: em vez de instrumentos da graça de Deus, eles são tratados como objectos “mágicos”, coisa que não são.

Os sacramentais servem para enriquecer a nossa vida espiritual, não para a prejudicar. Foram instituídos pela Igreja para incentivar em nós um relacionamento cada vez mais profundo com Cristo e para nos ajudar a focar na santificação de cada parte da nossa vida, inclusive nas mais singelas e quotidianas. Os sacramentais são extensões dos sete sacramentos e ajudam-nos a enxergar e acolher a graça de Deus no nosso dia-a-dia.

Um lugar onde os sacramentais são especialmente poderosos é o lar: se os usarmos com espírito de fé, os sacramentais podem-nos livrar de perigos espirituais e inspirar-nos a viver uma vida santa, dedicada a Deus na prática de cada dia.

Mas não é só em casa que podemos usá-los: também é recomendável conservar sacramentais junto a nós no nosso carro, no local de trabalho e até dentro da bolsa, da pasta, da mochila ou mesmo do bolso!

É o caso dos seguintes:

Água benta

É suficiente um pequeno frasco, que seja fácil e prático para transportar no dia-a-dia.

A água benta tem o duplo significado de nos lembrar o nosso batismo e simbolizar a limpeza espiritual. É usada inclusive em exorcismos: o diabo não suporta a água benta porque é inteiramente impuro, imundo para toda a eternidade. Ela evoca a água que fluiu do lado de Cristo, símbolo do baptismo, e traz à mente o dia da derrota do diabo: a crucificação de Cristo para nos redimir do pecado e nos oferecer a salvação.

Um antigo costume era fixar recipientes com água benta em algumas paredes da casa: podiam ser simples copos de louça, em cuja água benta cada morador da casa tocava antes de fazer o Sinal da Cruz, acolhendo assim a bênção de Deus. Era frequente que esses recipientes simples, porém dignos, estivessem fixados perto das portas, de modo que as pessoas recorressem a eles ao saírem e voltarem a casa, ou dentro dos quartos dos membros da família, como convite a manterem-se sempre puros e próximos de Deus. A água benta também ficava sempre ao alcance quando se desejava de modo especial afastar as influências do maligno.

O Crucifixo

É um dos sacramentais mais simples para se levar consigo. Um pequeno crucifixo sempre presente no seu quotidiano pode ser um poderoso lembrete do grande amor que Deus tem por nós, além de ser um sinal visível de fé para os seus colegas e amigos que tiverem a oportunidade de ver que você o usa com devoção, naturalidade e simplicidade (sem pretender exibir-se, é claro).

Um crucifixo perto de nós nos diversos ambientes mundanos do dia-a-dia pode ser um meio da graça para sacudir a nossa consciência quando nos sentimos tentados, por futilidades aparentemente banais, por actos abertamente prejudiciais à nossa saúde psicológica e espiritual. O olhar de Cristo crucificado voltado para o nosso olhar nos chama-nos de volta à verdade!

De preferência, peça a um sacerdote para lhe abençoar o crucifixo!

O Rosário

Oferecida por Maria Santíssima durante uma aparição em 1214 a São Domingos de Gusmão, a oração do rosário é uma contemplação dos mistérios da vida de Jesus, em união com Nossa Senhora, enquanto recitamos, em séries, o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória com o auxílio de uma corrente de contas ou nós, que também recebe o nome de “rosário”.

O termo vem de “rosa” e representa a oferta de rosas espirituais a Nossa Senhora. Já o nome “terço” se refere à oração de apenas uma das três partes do tradicional rosário completo, formado por quatro conjuntos de mistérios: Gozosos, Dolorosos e Gloriosos. São João Paulo II acrescentou os Luminosos, mas o termo “terço” continuou a ser usado mesmo assim.

 
Carta de um sacerdote católico para o New York Times Imprimir e-mail

Carta de um sacerdote católico para o NEW YORK TIMES

 

Caro irmão e irmã jornalista:

 

Sou um simples sacerdote católico.

Estou feliz e orgulhoso da minha vocação.

Há vinte anos que vivo em Angola como missionário.

Vejo em muitos meios de informação, sobretudo no vosso jornal, a ampliação do tema dos sacerdotes pedófilos, com investigações de forma mórbida sobre a vida de alguns sacerdotes.

Falam de um de uma cidade nos Estados Unidos dos anos '70, de outro na Austrália dos anos '80, e seguida de outros casos recentes...

Certamente isto deve ser condenado!

Vêem-se alguns artigos de jornal equilibrados, mas também outros cheios de preconceitos e até de ódio.

O facto que pessoas, que deveriam ser manifestação do amor de Deus, sejam como um punhal na vida de inocentes, provoca em mim uma imensa dor.

Não existem palavras para justificar tais acções. E não há dúvida que a Igreja não pode deixar de estar ao lado dos mais fracos e dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a protecção e a prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.

Todavia, cria curiosidade a desinformação e o desinteresse para milhares e milhares de sacerdotes que se gastam para milhões de crianças, para muitíssimos adolescentes e para os mais desvantajosos em todo o mundo!

Considero que, ao vosso meio de informação não interesse saber que, eu em 2002, passando por zonas cheias de minas, tenha devido transferir muitas crianças desnutridas de Cangumbe para Lwena (em Angola), porque nem o governo se importava, nem as ONG's estavam autorizadas. E penso que também não vos importa que eu tenha tido de sepultar dezenas de criancinhas, mortas na tentativa de fugir das zonas de guerra ou procurando regressar, nem que salvamos a vida a milhares de pessoas no México graças ao único posto médico em 90.000 Km2, e graças também à distribuição de alimentos e sementes.

Não vos interessa também saber que nos últimos dez anos demos a oportunidade de receber educação e instrução a mais de 110.000 crianças...

Não tem uma ressonância mediática o facto que, com outros sacerdotes, eu tive de fazer frente à crise humanitária de quase 15.000 pessoas guarnições da guerrilha, após a sua rendição, porque não chegavam alimentos nem do Governo, nem da ONU.

Nāo faz noticia que um sacerdote de 75 anos, Padre Roberto, todas as noites percorra a cidade de Luanda

e cuide dos meninos da rua, os leve para uma casa de acolhimento na tentativa de os desintoxicar da gasolina e que às centenas sejam alfabetizadas.

Não faz notícia que outros sacerdotes, como o Padre Stefano, se ocupem em acolher e dar proteção a crianças maltratadas e até violadas.

E nāo é de vosso interesse saber que o Frade Maiato, não obstante os seus 80 anos, vá de casa em casa confortando pessoas doentes e sem esperança.

Não faz notícia que mais de 60.000, entre os 400.000 sacerdotes e religiosos, tenham deixado a própria pátria e a própria família para servir os seus irmãos num leprosário, nos hospitais, nos campos de refugiados, nos institutos para crianças acusadas de feitiçaria ou órfãs de pais mortos por SIDA, nas escolas para os mais pobres, nos centros de formação profissional, nos centros de assistência aos seropositivos... ou, sobretudo, nas paróquias e nas missões, encorajando as pessoas a viver e a amar.

Não faz notícia que o meu amigo, Padre Marco Aurélio, para salvar alguns jovens durante a guerra em Angola os tenha conduzido de Kalulo até Dondo e no caminho de regresso à sua missão foi cravado de balas; não interessa que frade Francesco e cinco catequistas, para ir ajudar nas zonas rurais mais isoladas, tenham morrido na estrada num acidente; não importa a ninguém que dezenas de missionários em Angola sejam mortos por falta de assistência sanitária, por uma simples malária; que outros tenham morrido por causa de uma mina ao ir visitar a sua gente. No cemitério de Kalulo encontramos os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram a esta região...nenhum deles chegou a completar os 40 anos!

Não faz notícia acompanhar a vida de um sacerdote “normal” na sua vida quotidiana, entre as suas alegrias e as suas dificuldades, enquanto gasta a própria vida, sem fazer ruído, a favor da comunidade pela qual está ao serviço.

Na verdade não procuramos fazer notícia, mas procuramos simplesmente levar a Boa Nova, aquela que sem ruído iniciou na noite de Páscoa.

Faz mais ruído uma árvore que cai do que uma floresta a crescer.

Não é minha intenção fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes.

O sacerdote não é nem um herói, nem um neurótico.

É um simples homem que, com a sua humanidade, procura seguir Jesus e servir os seus irmãos.

Nele existem misérias, pobreza e fragilidade como em cada ser humano; mas existem também beleza e bondade como em cada criatura...

Insistir de forma obsessiva e persecutória sobre um tema, perdendo a visão do inteiro, cria realmente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico e é disto que me sinto ofendido.

Jornalista: procure a Verdade, o Bem e a Beleza. Tudo isto o fará nobre na sua profissão.

Amigo... peço-lhe apenas isto...

 

Em Cristo,

Padre Martín Lasarte sdb

 

“O meu passado, Senhor, confio-o à tua Misericórdia; o meu presente ao teu Amor; o meu futuro à tua Providência”.

 

 
O ser humano tem necessidade de praticar a religião? Imprimir e-mail

 

O ser humano tem necessidade de praticar a religião?

 

O homem e a religião

O conhecimento do nosso Criador obriga os homens a praticar a religião, que os une a Deus como seu princípio e último fim.

Conhecemos Deus e o homem: Deus, com os seus atributos infinitos, a sua Providência que a tudo governa; o homem, criatura de Deus, com a sua alma espiritual, livre e imortal.

Daí resultam as relações naturais, essenciais e obrigatórias do homem com Deus.

A religião é o laço que une o homem a Deus. Este laço compõe-se de deveres que o homem deve cumprir para com o Ser supremo, seu criador, benfeitor e senhor.

Estes deveres incluem verdades que devem ser cridas, preceitos que devem ser praticados, um culto que se deve tributar a Deus.

A religião é necessária ao homem, porque está fundada sobre a natureza de Deus e a natureza do homem, e se baseia nas relações necessárias entre Deus e o homem.

Impor uma religião é direito de Deus; praticá-la, é dever do homem.

Deus necessita das homenagens dos homens?

Deus não necessita de nada. Ele basta-se plenamente a si mesmo, e as nossas homenagens não o tornam mais perfeito nem mais feliz.

Mas Deus dotou-nos de inteligência e capacidade de amar, para que o conheçamos e amemos. Tal é o fim da criação.

A religião é, pois, um dever de estrita justiça. O homem está obrigado a praticar a religião para respeitar os direitos de Deus, e obter assim o seu último fim.

 
A missão de fé dos leigos na vida quotidiana e na Igreja Imprimir e-mail

 

A missão de fé dos leigos na vida quotidiana e na Igreja 

 

Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em saída”, ao serviço do Reino. Sal da terra e luz do mundo

A Igreja é formada, na sua expressiva maior parte, de leigos. Poucos são os clérigos: diáconos, presbíteros e bispos, que estão ao serviço dos leigos. Sobre os leigos, diz o Catecismo: “nas comunidades eclesiais, a acção deles é tão necessária, que sem ela o apostolado dos pastores não pode, na maior parte das vezes, obter o pleno efeito” (CIC 900).

Desde o tempo em que o Novo Testamento foi escrito, os leigos são importantes e têm o seu lugar nas comunidades. Lucas, no capítulo 8,1-3, fala das mulheres que seguiam Jesus e ajudavam na Sua missão. Olhemos os amigos de São Paulo, nas suas viagens (2Tm 4, 19); a mãe de Jesus e o pai, Maria e José, eram leigos. Ainda: quando nasceu Jesus, os seus primeiros adoradores foram os leigos (Lc 2,15-20).

Agir é muito mais produtivo do que falar

Para cumprir bem a sua missão, o leigo precisa de saber que é batizado, e, portanto, tem a graça e a obrigação de viver e anunciar o Evangelho. Ele deve buscar empenho pastoral, conforme o dom recebido do Senhor. Também é bom recordar que o leigo deve trabalhar com os pastores. Lembremo-nos: a Igreja vive da Eucaristia. É comum ver, nas redes sociais, pessoas que criticam os pastores e proclamam, do alto dos seus sofás, como a Igreja deveria agir. Seria muito mais proveitoso se os mesmos se colocassem à disposição para visitar os hospitais, auxiliar na catequese, na limpeza das igrejas, evangelizar as comunidades periféricas, enfim, empenhar-se para que todos os nossos irmãos e irmãs tenham trabalho, saúde e educação: vida digna. Agir é muito mais produtivo do que falar.

Oxalá os leigos e leigas tenham coerência entre a fé que professam e a vida quotidiana! Afinal, o mundo e a história da humanidade são o grande campo da acção do amor de Deus. Podemos mais, podemos melhor. Vivamos o grande dom que Deus nos deu: o Evangelho!

 
É verdade que a nossa fé é cega? Imprimir e-mail

 

É verdade que a nossa fé é cega?

 

A nossa fé católica é cega? É-nos imposta pela Igreja? Somos por acaso proibidos de investigar os fundamentos de nossa fé?

 

Primeira acusação: É cega a fé dos católicos? Pode esta cegueira ou obscuridade referir-se a duas coisas: ou ao objecto de fé, ou aos seus motivos. Se os espíritas querem dizer que é cega a nossa fé porque cremos sem motivos suficientes, então estão erradíssimos e mostram grande ignorância. Mas se pensam que a nossa fé é cega porque é obscuro o seu objecto, aí eles têm razão. Isto, todavia, de modo nenhum pode ser censurado. É essencial à fé.

 

É por isso que o crer se contrapõe ao ver. Quantas coisas nós cremos sem ver e só por testemunho humano! Irrazoável, blasfemo e pecaminoso seria não crer na palavra de Deus, apesar de saber que Deus falou e que é infinitamente sábio e veraz.

 

Segunda acusação: A fé é-nos imposta pela Igreja? Absolutamente não! A Igreja apenas continua a missão de Cristo e dos Apóstolos: “Ide, ensinai a todas as gentes a observar tudo o que vos tenho mandado” (Mt 28, 20); “quem crer e for baptizado, será salvo; quem não crer, será condenado” (Mc 16, 16).

O acto de fé deve ser sempre livre e espontâneo da parte de quem o aceita.

 

Cumprindo esta sua missão, a Igreja propõe a doutrina e os mandamentos de Cristo. O acto de fé deve ser sempre livre e espontâneo da parte de quem o aceita. Queres salvar-te? — pergunta a Igreja ao homem. — Então crê o que Cristo ensinou. Não queres crer? Não te obrigo contra a tua vontade; mas não te salvarás…  “Quem não crer será condenado”. É palavra de Cristo, do Salvador e não da Igreja. Ela apenas repete.

 

Terceira acusação: Somos proibidos de procurar os fundamentos da nossa fé?  Isto é repetido mil vezes pelos espíritas, ou porque são ignorantes, ou porque querem caluniar.

 

Dizem que nós não pensamos nem estudamos; que nós cremos sem nada examinar, sem verificar o conteúdo da nossa fé; que qualquer indagação um pouco mais aprofundada dos nossos dogmas teria como resultado uma mão cheia de verdades quebradas, desconexas, contraditórias, irracionais, etc.; que, portanto, nós aceitamos as ideias mais abstrusas, não nos preocupando nem com a lógica, nem com o bom senso, nem tendo a menor ideia das recentes descobertas feitas pelas ciências exactas; que nós nos entrincheiramos pertinazmente atrás dos dogmas, tendo um pavor imenso de qualquer pessoa que sabe pensar e cerrando obstinadamente os olhos para não ver os resultados dos estudos modernos.

 

Assim podemos ler em Leão Denis que a Igreja Romana, durante quinze séculos, sufocou o pensamento; que ela sempre se esforçou por impedir o homem de usar do direito de pensar; que ela se nos apresenta despoticamente com as palavras “crê e não raciocines; ignora e submete-te; fecha os olhos e aceita o jugo” (Cristianismo e Espiritismo, 50.ª ed., p. 126s).

 

Mas a verdade é que a Igreja, desde o princípio, tem favorecido de todos os modos o estudo sério e aprofundado das verdades da fé.

Quanto mais penetramos nas verdades que Deus se dignou nos revelar, tanto mais nos sentimos seguros de abraçar a verdade.

 

Homens houve, inteligentes, sérios e santos, em todos os tempos, que, amparados e fomentados pela Igreja, dedicaram a vida inteira ao estudo das verdades da fé. A ciência que se dedica a este estudo chama-se teologia. E só o ignorante em história pode repetir as acusações ineptas de Denis.

 

Nunca a Igreja proibiu ou impediu a investigação séria da fé. Os livros para estudar as bases da fé católica estão à disposição de todos. E a Igreja insiste mesmo nestes estudos. Pois ela bem conhece a admoestação do Príncipe dos Apóstolos: “Guardai santamente em vossos corações Cristo Senhor, sempre prontos a satisfazer a quem quer que vos peça razões da esperança que vos anima” (1Pd 3, 15).

 

E quanto mais penetramos nas verdades que Deus se dignou nos revelar, tanto mais nos sentimos seguros de abraçar a verdade; quanto mais estudamos sobre os dados da fé, tanto mais exultamos na santa alegria de filhos de Deus; quanto mais enfrentamos as objecções que a impiedade e o orgulho dos homens sem fé nos lança em rosto, tanto mais nos vemos confirmados naquilo que Deus realmente nos disse.

 

Não! Não temos motivos para nos envergonharmos da nossa fé, nem precisamos de temer os ataques da incredulidade. Não é a verdadeira ciência que conduz os homens à apostasia: é a falta de estudos sérios, é a vida desregrada, é o coração desprendido de Deus e demasiadamente apegado aos bens passageiros que leva à perda da fé e à incredulidade.

 

Nunca a Igreja proibiu ou impediu a investigação séria da fé. Os livros para estudar as bases da fé católica estão à disposição de todos.

 

A inteligência esclarecida, o coração recto e a vida imaculada só podem levar a Deus e à fé em Deus. Não, a nossa fé não é irracional nem nos proíbe o raciocínio. Não, a Igreja não impede o estudo, nem cremos que algum dos nossos amigos terá recebido semelhante proibição.

 

Se há católicos que não mostram interesse pela sua fé; se existem até intelectuais que se dizem católicos e que desconhecem as noções mais elementares da sua fé, a culpa não será da Igreja que lhes proibiu esse estudo ou lhes sonegou os necessários livros, mas a culpa será deles mesmos: o seu desinteresse pelas coisas santas e a sua negligência em se instruir é que são os únicos responsáveis.

 

Uma última acusação: A Igreja proíbe a leitura da Bíblia! Falsíssimo. Semelhante afirmação, além de implicar uma injuriosa calúnia, é outro atestado de grande ignorância. A Igreja recomenda vivamente a leitura diária da Sagrada Escritura.

 

Recomendações de alguns Papas: “Os mais preciosos serviços”, diz Bento XV, “são prestados à causa católica por aqueles que, em diferentes países, puseram e põem ainda o melhor do seu zelo em editar, sob formato cómodo e atraente, e em difundir os livros do Novo Testamento e uma selecção dos livros do Antigo”. E um pouco antes disse: “Nunca cessaremos de exortar todos os cristãos a fazerem a sua leitura quotidiana principalmente dos santíssimos Evangelhos de Nosso Senhor”.

 

E Pio XII admoesta os Bispos que “favoreçam e auxiliem as associações que têm por fim difundir entre os fiéis exemplares da Sagrada Escritura, particularmente dos Evangelhos, e procurar que nas famílias cristãs se leiam regularmente todos os dias com piedade e devoção”.

 
O que dizer a uma pessoa que não crê em Deus Imprimir e-mail

 

O que dizer a uma pessoa que não crê na existência de Deus?

 

São Tomás de Aquino apresenta as vias que provam a existência de Deus

Algumas pessoas acham que Deus é uma realidade mentirosa. Procuram logo dizer que Deus não existe; que é algo da criação do homem para fugir da verdade concreta. Dizem que para colocar a culpa das suas fraquezas, fracassos e decepções, o ser humano criou Deus da sua própria imaginação, assim, dizia o filósofo Sartre.

Segundo Sartre, “não há Deus, mas há o ser que projecta ser Deus, isto é, o homem: projecto que é, ao mesmo tempo, acto de liberdade humana e destino que a condena à falência”.

Alguns que se dizem serem ateus, negam de primeira a existência de Deus, mas na verdade não existem ateus, porque só se pode negar algo, verdade ou realidade, que existe na inteligência e conhecimento do homem. Não se pode negar algo que não existe ou que não tenha já falado ou criado.

Um ex-ateu testemunha sobre isto: “falando sobre ateísmo, por ter estudado a sua dimensão psíquica e filosófica, opino que não há ateu, pois todo o ateu é ‘deus de si mesmo’. Por quê? Porque apesar de desconhecer inúmeros fenómenos da existência, tais como os mistérios do universo, os segredos do tempo e os segredos da construção da inteligência humana, os ateus possuem uma crença ateísta tão absolutista de que Deus não existe, e isso só um ‘deus’ poderia ter” (Augusto Cury).

Eles negam a Deus para se sentirem livres e fazerem o que querem, pensando que Deus proíbe o homem de fazer as coisas. Porque se Deus não existe é mais fácil prestar contas da própria vida. Engano, a consciência do ser humano nunca fica tranquila negando a Deus. Ele não cobra nenhum dos nossos actos e pecados, apenas ama e ama, sem querer nada em troca. Cada um faz da sua liberdade e da sua vida o que quer.

Deus criou o mundo

Olhando a realidade concreta do mundo, as coisas existentes, isso mostra que alguém fez, pois nenhuma explosão, ser humano ou coisa seria capaz de criar aquilo que os nossos olhos “topam”, mesmo que se acontecesse uma explosão ou uma junção de átomos, precisaria de alguém para organizar o caos que ficou. E o único Ser capaz de fazer tudo isto é Deus.

Ele criou por amor e não espera nada em troca. Olhe para si e o que é, somente Deus poderia criar uma criatura perfeita.

A ciência pode ir até determinado ponto, mas se for além, não tem como provar ou explicar; somente por meio da fé. Com o limite da ciência, só nos resta inclinarmo-nos diante do grande mistério de que é Deus, onde somente a nossa fé alcança, ainda que limitada.

As vias da existência de Deus

São Tomás de Aquino elaborou cinco vias que são provas da existência de Deus:

Primeira: via do movimento – o movimento exige um motor primeiro. Tudo o que se move é movido por outro. Um ser, sob o mesmo aspecto e modo, não pode ser movente e movido, que passe por si mesmo da potência para o acto. Este motor é Deus.

Segunda: via da causalidade eficiente – todo o produzido se faz por outro, ou seja, uma coisa não pode produzir-se a si mesma. Deve existir, excluída a progressão ao infinito, uma causa absolutamente primeira que é a origem de toda a causalidade. Deus é a causa absoluta.

Terceira: via da contingência - o mundo físico compõe-se de seres contingentes que não possuem, a razão do seu próprio existir, visto que não existem sempre e de forma necessária. Os seres contingentes devem ter, noutra fonte, a razão da sua existência, isto é, necessita de outro ser como razão da sua existência. Isto é Deus.

Quarta: via dos graus de perfeição dos seres – os graus de beleza revelam que os seres a possuem por participação de uma beleza absoluta, infinita e transcendente. O princípio primeiro deve ser, necessariamente, perfeito.

Quinta: via da finalidade ou ordem do mundo – existe uma ordem universal que só se explica pela existência de um princípio inteligente e ordenador das coisas em direcção ao seu fim. Deus é o ordenador do universo.

Realmente não há motivo para negar – com razão - a existência de Deus, principalmente nos factos concretos da vida.

 
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O Homem só é livre pela participação na liberdade de Deus

 

 A liberdade pode ser definida como a faculdade de tomar posição em face de uma exigência de Deus, mas somente pela participação da liberdade divina. Em si mesma a liberdade é somente a faculdade de fazer voluntariamente o bem. A possibilidade de fazer o mal não pertence à sua essência.

Só há liberdade onde há força de vencer o mal; onde a pessoa pode, no mais íntimo de si mesma, tomar posição em face de uma requisição do bem ou de uma solicitação do mal. O homem é livre à imagem de Deus.

O homem como ser criado e radicalmente livre foi criado em liberdade. Claro que a liberdade foi dada por Deus ao homem, é um dom. Mas a liberdade leva o homem a uma abertura para a realidade do plano salvífico de Deus.

Na realidade, no pecado, o mau uso da liberdade constitui o mais baixo grau de participação na liberdade de Deus, por isso, uma diminuição da própria liberdade humana. Ao contrário, a mais alta participação na liberdade divina, portanto, a mais nobre liberdade humana, consiste em agir totalmente sob a influência da graça.

Negar que o homem é capaz de escolher entre o bem e o mal, é supor que ele não é capaz de decidir e estar radicalmente sob a imposição de Deus. Uma vez que o homem faz mau uso da sua liberdade, há um enfraquecimento daquela liberdade original, conduzindo-o a uma rejeição do plano salvífico de Deus.

A grandeza da liberdade humana manifesta-se da maneira mais sublime quando ela se abandona totalmente à direcção da graça e se torna forte para dizer a Deus, em Cristo, o sim de um amor filialmente obediente.

A liberdade é um dom e um dever. No acto da nossa criação, Deus fez-nos livres. A liberdade pode crescer até ao grau em que o homem se deixa conduzir totalmente pelo Espírito de Deus: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde há o Espírito do Senhor aí há liberdade” ( 2 Cor 3, 17).

A liberdade humana está sujeita a muitas formas de restrições: o temperamento individual, ao ambiente e o meio social. “Mas é só na liberdade que o homem se pode converter ao bem. Os homens de hoje apreciam grandemente e procuram com ardor esta liberdade; e com toda a razão. Muitas vezes, porém, fomentam-na dum modo condenável, como se ela consistisse na licença de fazer seja o que for, mesmo o mal, contanto que agrade.

A liberdade verdadeira é um sinal privilegiado da imagem divina no homem. Pois Deus quis «deixar o homem entregue à sua própria decisão», para que busque por si mesmo o seu Criador e livremente chegue à total e beatífica perfeição, aderindo a Ele. Exige, portanto, a dignidade do homem que ele proceda segundo a própria consciência e por livre adesão, ou seja movido e induzido pessoalmente desde dentro e não levado por cegos impulsos interiores ou por mera coacção externa.

O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se da escravidão das paixões, tende para o fim pela livre escolha do bem e procura a sério e com diligente iniciativa os meios convenientes. A liberdade do homem, ferida pelo pecado, só com a ajuda da graça divina pode tornar plenamente efectiva esta orientação para Deus. E cada um deve dar conta da própria vida perante o tribunal de Deus, segundo o bem ou o mal que tiver praticado” (Gaudium et Spes, 17).

O homem é directamente responsável por todo o objecto da sua decisão livre referente a uma acção ou uma omissão.

 
Bom humor no trabalho Imprimir e-mail

 

Bom humor no trabalho

 

4 dicas para evitar o mau humor no ambiente de trabalho

Há pessoas que se queixam do próprio mau humor, imagine! Essas pessoas devem reflectir sobre quanto se sentem insatisfeitas com isso e como podem agir para mudar esse padrão emocional.

A irritação é uma emoção que varia de intensidade desde um simples desconforto até à fúria e, portanto, pode gerar grande confusão mental e descontrole emocional.

O problema maior é quando a pessoa passa a reagir intensamente sobre algo que não tem a devida proporção. Como se não bastasse, esse estado mental ainda costuma provocar outros sentimentos como ansiedade e agitação, além de alterações fisiológicas como tremor, falta de ar, dor muscular, coração acelerado, etc.

Até certo ponto é possível controlar-se sozinho, mas quando a pessoa não se sente capaz, quanto antes procurar ajuda especializada, melhor.

Normalmente as pessoas que manifestam irritação relatam que os factores externos são predominantemente os responsáveis por este sentimento negativo. Procuro, então, levá-las a entender que os acontecimentos em si não justificam o mau humor e que, na verdade, não são os outros que nos irritam, mas nós é que nos irritamos com as pessoas.

A conscientização de que temos o controle sobre a maneira como acatamos as situações leva-nos a pensar em novas formas emocionais e atitudes.

É bom lembrar que as pessoas só fazem connosco aquilo que permitimos. Assim, não é o colega folgado, nem mesmo o chefe “cricri” que te irrita, mas o que tu permites que te afecte nas atitudes deles.

Mas qual a razão pela qual se deixar afectar? Esta é uma reflexão individual que pode somar muito no processo de autoconhecimento; fundamental para operar as transformações íntimas necessárias para viver melhor e mais saudável.

O facto é que geralmente passamos o maior tempo dos dias no ambiente de trabalho e, portanto, manter bons relacionamentos é essencial e isso só será possível com muito bom humor.

Algumas dicas podem ser úteis para manter o bom humor no trabalho:

1- Faça alguns alongamentos, acompanhados com exercícios de respiração, isso provocará uma sensação de relaxamento.

2- Foque o pensamento na situação presente, sem resgatar mágoas passadas que intensificam o problema.

3- Analise se a situação tem real importância, isso evitará que você se aborreça com coisas que não fazem nenhuma diferença na sua vida.

4- Busque desenvolver a assertividade, objectividade e discrição; assim evitará intromissões negativas e os famosos “mexericos”.

Por fim, é bom ter em mente que as atitudes alheias não têm o poder de mudar as suas próprias atitudes, portanto, não há razão para se preocupar tanto com os outros e as suas opiniões. Todos merecem o seu respeito; inclusive e principalmente; você mesmo!

 
9 estratégias dos santos para combater a preguiça Imprimir e-mail

 

9 estratégias dos santos para combater a preguiça

 

Quem nunca caiu nas mãos arrebatadoras da “preguiça”?

Hoje em dia, está muito fácil cair na preguiça, no ócio e até na negligência. São tantas as distracções desnecessárias que temos ao alcance das mãos! O nosso smartphone está sempre perto e disposto a distrair-nos, sempre com uma notificação, uma mensagem de WhatsApp, um e-mail, um joguinho, etc.

É só ouvir o barulhinho da notificação e a gente, sem perceber, dá mais atenção a isso do que deveria, perdendo, assim, um instante precioso da nossa vida.

São João Bosco lembra o que alguns pais da Igreja já disseram: “A preguiça é a mãe de todos os vícios”, pois enfraquece a nossa atenção e abre a porta a outros vícios que nos oprimem.

O contrário da preguiça são a diligência, a presteza, a constância, a actividade, o trabalho, a responsabilidade. E, embora não pareça, vencer a preguiça é muito fácil. Só é preciso tomar a decisão e pôr em prática estes simples conselhos que os santos nos dão:

1 – Estabelecer metas e prioridades

“Cuida da ordem para que a ordem cuide de ti” – Agostinho de Hipona.

Estabeleça metas diárias, semanais e anuais para tudo, inclusive (por que não?) para a vida. Trate de as cumprir. Seja organizado e, se vir que não consegue, reavalie as metas e estabeleça outras (talvez mais realizáveis). Uma boa organização com metas pode ajudar a erradicar a preguiça.

2 – Minimizar grandes tarefas

“Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará a fazer o impossível”  – São Francisco de Assis.

Às vezes, deparamo-nos com coisas tão difíceis de fazer que passamos a evitá-las, dizendo: “eu nunca vou conseguir”. A estratégia, neste ponto, consiste em dividir uma grande tarefa em várias partes, empregando ciclos para as realizar. Siga o conselho de São Francisco: comece aos poucos.

3 – Ter disciplina

“Para manter uma lâmpada acesa temos que continuar a colocar azeite nela” – Madre Teresa de Calcutá.

Estabeleça horários para tudo e trate de os seguir. Isto ajuda a melhorar a disciplina e a não cair na preguiça.

4 - Treinar

“Tem paciência com todas as coisas, principalmente contigo mesmo” – São Francisco de Sales.

Imite os grandes atletas. Se você falhar, tente novamente. Não desista até conseguir.

5 – Eliminar distracções

“As distrações na vida podem ser internas ou externas. Se alguém está distraído no seu interior, é mais provável e possível que fique em condições de maior fragilidade exterior” – São João Paulo II.

As distracções devem ser combatidas desde o seu interior para evitar que elas sejam exteriorizadas.

6 – Ser entusiasta com os outros

“O amor perfeito tem esta força: fazer-nos esquecer da nossa própria alegria para alegramos a quem amamos” – Santa Teresa de Ávila.

O facto de deixarmos o egoísmo e nos aproximarmos de quem está ao nosso lado também nos ajuda a evitar a preguiça.

7 – Viver o presente

“Faça tudo por amor e para o amor, fazendo bom uso do tempo presente. E não estará ansioso com o futuro” – São Francisco de Sales.

Deixe de lado a procrastinação e não adie as obrigações. “Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”.

8 - Não se sobrecarregar com responsabilidades 

“Procure o suficiente, procure o que basta. E não queira mais. O que passar disto é opressão, não alívio. Isto derruba, em vez de levantar” – Santo Agostinho.
Não tente fazer milhares de coisas ao mesmo tempo. O “multitasking” está cientificamente comprovado que não funciona. É melhor fazer uma coisa bem feita do que dez, atrapalhadas. Assim, você não cairá no esgotamento.

9 - Descanso não é preguiça

“...porque o descanso não é fazer nada: é distrair-se nas actividades que exigem menos esforços”- São Josemaria Escrivá.
Não confunda com preguiça o descanso depois de uma árdua tarefa, de uma meta alcançada. Precisamos e merecemos descansar para recarregar as energias e continuar a produzir.

 
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O que não dizer a uma pessoa com cancro 

 

Ninguém nasce forte para sofrer, mas escolhe não enfraquecer diante do cancro, porque escolhe a vida

O que não dizer a uma pessoa com cancro? “Cabelo, é o menos!”, “O que sentiste mesmo? Acho que estou a sentir o mesmo. Morro de medo de ter o que tu tens!”, “Deus sabe o que faz. Eu não suportaria, é porque tu és forte!”, “Deus dá o frio conforme o cobertor!”

Estas frases não são nada consoladoras! Portanto, se uma pessoa que conheces descobrir que tem cancro, por favor, tira estas palavras da tua lista quando fores conversar com ela. Especialmente, se for uma mulher.

Começo pela frase sobre o cabelo. Sinto muito, mas cabelo não é o de menos! Para a mulher, muito mais do que apenas estética, o cabelo representa boa parte da identidade feminina, e algumas têm uma história com as suas madeixas; então, perdê-las, de um dia para o outro, não é tarefa simples, mas não é impossível também.

Resolvi disfarçar

Lembro-me de que, quando soube que ia passar pela quimioterapia, fiquei a pensar o que faria com os meus cabelos. Na época, tinha-o até ao meio das costas e aloirados, como eu tanto gostava! O meu esposo levou-me ao salão e, delicadamente, convenceu-me de que eu ficaria linda com um cabelo mais curto. Foi uma experiência estranha, mas, ao fim, senti-me bem. Porém, aquele corte duraria pouco. A quimioterapia logo começaria.

Ganhei da minha mãe uma peruca moderna, daquelas que colam na cabeça e imitam couro cabeludo. Com ela, eu passaria pela multidão e me livraria dos olhares de piedade do tipo: “Pobre rapariga, tão jovem e com cancro!” Resolvi “disfarçar-me”.

Um dia antes da primeira sessão, raspei a cabeça, para depois colocar a peruca. Foi divertido ver a cara de espanto do meu marido, vendo-me careca. E eu disse: “O que foi? Nunca viste?” Pergunta óbvia! E ele (para meu total espanto) disse: “Agora, tenho a certeza de uma coisa: tu és realmente linda, porque, mesmo careca, ficas bonita. Como pode?”. Achei tão engraçado aquilo! Ele era mesmo apaixonado por mim! E eu fiquei ainda mais por ele.

O que dizer nessa hora?

Não é tarefa simples para uma mulher perder os cabelos, eles não são “o de menos”. Por isso, sugiro que, ao presenciares alguém perder os cabelos, especialmente uma mulher, lembra-te de que, só ela sabe o que isso significa para ela.

Frases do tipo “Como queres que eu a ajude a sentir-se melhor?” ou “O que acreditas que vai combinar contigo? Uma peruca ou um lenço? Queres experimentar antes?”, podem fazer mais efeito. Se não souberes o que dizer, o silêncio não é sinónimo de vazio, ele pode dizer mais do que palavras.

As outras frases que citei acima, referem-se naturalmente ao facto de que, quando uma pessoa passa por um cancro, se torna um “para-raio” de informações sobre a doença. As pessoas têm medo de ter o que tiveste e algumas querem, com uma ideia hipotética de controlar a própria vida, saber detalhes do que aconteceu para prevenir a doença em si mesmo. Até certo ponto, isto é bom, e eu mesma tenho a alegria em ajudar e alertar as mulheres. O mau é sempre o exagero, quando olham para ti e fazem o sinal da cruz, com medo.

Elas esquecem-se de que o sofrimento é inerente ao ser humano, e que, no dia anterior ao meu diagnóstico, eu também lia nas revistas as histórias de mulheres com cancro e, igualmente, não imaginava que um dia seria uma delas. Creio que falta a alguns, mais naturalidade à percepção de que somos mortais.

A escolha diante do sofrimento

Dizer “Eu não suportaria”; “É porque tu és forte”, é um verdadeiro engano! Ninguém gosta de sofrer e ninguém se programa para isso, mas quando o sofrimento bate à nossa porta, temos de fazer uma escolha: deixamos que ele defina quem somos, esmagando-nos e vitimando-nos ou decidimos que ele só reforçará o que temos de melhor, e aproveitaremos a vida após esta experiência de uma maneira muito mais sábia e interessante. Então, ninguém nasce forte para sofrer, mas escolhe não se enfraquecer diante das dores, porque escolhe a vida.

Lembro-me de que, as frases que mais me faziam bem eram: “Comunguei por ti hoje na Missa!” ou “Lá em casa, um mistério do Terço é em tua intenção”. Que bom! Ouvir isto era como um bálsamo. Primeiro, porque a força da oração é capaz de nos sustentar em situações humanamente impossíveis de suportar; segundo, porque saber que alguém se lembrou de nós numa oração, mesmo com tantas outras intenções na sua vida, é prova de que realmente, ela se importa connosco, e isso faz com que nos sintamos amadas; e o amor cura.

O sofrimento assusta a todos nós

Apesar de ter citado estas frases, entendo perfeitamente que o sofrimento assusta a todos nós. Quantas vezes, diante de uma pessoa que sofria, fiquei sem palavras e até disse balelas! Então, ouvi frases felizes e infelizes durante o meu tratamento, mas não trago nenhum rancor, porque olhei para mim mesma e vi que não estou preparada para lidar com o sofrimento alheio. Assim, não tenho o direito de exigir de ninguém as melhores palavras. Hoje, quando lembro algumas situações, até me divirto e tento me rever quando me aproximo de algum sofredor. Mas, de qualquer forma, fica a partilha da minha experiência.

 
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O que é a formação da Consciência Moral? 

 

Formar a consciência é educar os sentidos e atitudes, visando alcançar as virtudes

Numa definição com base nos ensinamentos da Igreja, a “consciência é o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus,” afirma a Constituição Pastoral Gaudium et Spes.

Para a psicologia, a consciência em si, refere-se à excitabilidade do sistema nervoso central aos estímulos externos e internos sob o ponto de vista quantitativo e, também, à capacidade de integração harmoniosa desses estímulos internos e externos, passados e presentes, sob o ponto de vista qualitativo. A consciência, em termos psicanalíticos, é o conjunto de mecanismo psíquicos que se põem à expressão das pulsões primárias. A primeira forma de consciência passa pelas interdições parentais recalcadas pela criança, e consequente formação do superego.

O termo consciência, no seu sentido moral, é uma habilidade e a capacidade que uma pessoa possui de ter uma intuição ou julgamento do intelecto que distingue o certo do errado. Juízos morais deste tipo podem reflectir valores ou normas sociais, ou seja, princípios e regras.

A pessoa, mesmo sabendo que uma determinada postura é errada, toma atitudes que vão contra as regras, princípios e valores de uma instituição ou até da família; e assim, continua a cometer erros, mas não por falta de informação ou conhecimento. E, muitas vezes, justificamos os nossos erros com os erros dos outros; e desistimos da verdade muito facilmente! Contudo, é preciso deixar ser guiado pela voz da consciência e tal processo é uma crescente.

Na Palavra de Deus, São Paulo ao escrever ao Coríntios alerta: “Más companhias corrompem bons costumes” (Cf: 1Cor 15,33). Sobretudo, a Palavra de Deus, um bom director espiritual, um confessor e até um especialista como psicólogo, são instrumentos que ajudam na boa formação da consciência.

Ninguém é capaz de viver sozinho em sociedade; dependemos uns dos outros. Porém, para viver em sociedade, numa comunidade, é preciso observar as leis e as regras, e todos devem segui-las para o bem comum.

Dignidade da consciência moral

Para os cristãos católicos, a Igreja indica caminhos para uma boa formação da consciência moral. Assim, encontramos na Constituição Pastoral Gaudim Et Spes: “Pela fidelidade à voz da consciência, os cristãos estão unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social. Quanto mais, portanto, prevalecer a recta consciência, tanto mais as pessoas e os grupos estarão longe da arbitrariedade cega e procurarão conformar-se com as normas objectivas da moralidade” (GS 16).

O Padre Francisco Faus, sacerdote da Obra Opus Dei, diz que, “para educar a consciência é necessário tomar quatro atitudes”.

Primeira: Com o conhecimento da Palavra de Deus, – luz para o nosso caminho – que deve ser assimilada na fé e na oração. Com o exame da nossa consciência, confrontado com Cristo, o seu amor, a sua Cruz. Tomando como guia o ensinamento autorizado da Igreja. Acolhendo o exemplo e os conselhos de outros. E invocando a assistência do Espírito Santo (cf. CCE n. 1785).

Segunda: Com a luta ascética para avançar nas virtudes, especialmente na virtude da caridade. Não é suficiente o conhecimento. São Tomás diz que é indispensável uma espécie de – conaturalidade [sintonia experimental] entre o homem e o verdadeiro bem – (S.Th. II-II, q.45, a.2; e VS n. 64). O que Camões chamaria “saber de experiência feito”. O bem só pode ser bem “conhecido” quando praticado e saboreado: então a alma abre-se aos dons do Espírito Santo, que iluminam e aquecem.

Terceira: Lutando seriamente contra as justificativas que o orgulho sempre quer apresentar; contra a falta de sinceridade com quem nos pode orientar; contra a vergonha de nos abrirmos na confissão, etc.

Quarta: Lutando contra a cegueira causada pela tibieza e o hábito do pecado. Não sabes que és cego (…), diz Cristo ao tíbio, no Apocalipse (Ap 3,17). A consciência erra, diz também a Constituição Pastoral Gaudium et spes, – quando a consciência se torna quase cega em consequência do hábito do pecado – (n. 16). E, o Catecismo desenvolve este pensamento: O servilismo às paixões, a pretensão de uma mal entendida autonomia da consciência [orgulho] (…), a falta de conversão ou de caridade, podem estar na origem dos desvios do julgamento na conduta moral (n. 1792).

Toda a pessoa é capaz de fazer boas escolhas. É preciso estar atento para que não destruamos os bons relacionamentos e não percamos a confiança uns nos outros. Que possamos buscar a luz da Palavra de Deus, por meio da leitura da vida dos santos e com o auxílio de um bom director espiritual, e assim, formar a nossa consciência moral.

 
O mundo poderia existir sem o mal? Imprimir e-mail

 

O mundo poderia existir sem o mal? 

 

Tudo o que Deus criou era muito bom e não existia o mal

Para entender esta questão, em primeiro lugar, é preciso entender o que é o mal. “Deus é inacessível ao mal” (Tg 1,13). Portanto, o mal não é um lado de Deus, nem um outro deus, uma outra força divina, porque o Senhor  revelou-se como único Deus a Israel em inúmeras situações. Então, o que seria o mal? Na verdade, ser mau não é um ser, uma coisa ou força, mas uma carência do bem, assim como as trevas é a ausência de luz. Por isso, disse Bento XVI: “O mal só existe onde Deus é insuficiente”.

O mundo foi criado bom por Deus. É notável e maravilhoso que, no relato da criação, em Géneses 1,1-31, ao fim da criação de cada coisa é dito: “E Deus viu que tudo era bom”. Ao fim de todo o relato, no versículo 31, o autor bíblico diz: “Deus viu que tudo o que tinha feito era muito bom”. Portanto, tudo o que Deus criou é “muito bom” e não existia o mal em nada.

Como é que o mal entrou no mundo?

O capítulo terceiro do livro do Génesis conta como o mal entrou no mundo. Numa linguagem figurada, vemos a imagem da serpente que alicia Eva e, por meio dela, Adão. O significado deste texto é que o homem, que até então vivia em intimidade e perfeita harmonia com Deus, se rebelou contra Ele, seduzido por um ser enganador. Sem Deus, o homem e o mundo estão sujeitos ao mal moral (carência da finalidade a que o homem deve tender, especialmente felicidade e amor) e físico (carência de algo no plano material como a fome e a dor).

Quem é esse ser enganador? Um deus do mal? Inúmeros textos bíblicos fazem referência a anjos decaídos, ou seja, seres criados por Deus que são puro espírito, que deveriam servir a Deus, mas “rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus e o Seu Reino” (CIC 392).

Alguns textos do Antigo Testamento são interpretados pela tradição cristã como um relato da queda de um anjo chefe, satanás, que se volta contra Deus (cf. Is 14,13-14; Ez 28,17). Especialmente Ap 12,7-10 fala da batalha do dragão e seus anjos contra Miguel e os anjos dele. O dragão e os anjos passam a ser os tentadores, ou sejam, aqueles seres que não são deuses, mas que, identificados como o mal, tentam levar o homem a escolher o mal.

Então, assim, o mal entra na existência simplesmente como aquilo que rejeita “Deus, que é amor” (I Jo 4,8).

O mundo poderia existir sem o mal

É claro, então, que o mundo não só poderia existir sem o mal, como ele já existiu sem o mal. Mais ainda, o mundo voltará a existir sem o mal: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia.

Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo.

Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda a lágrima dos seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. Então, o que está assentado no trono disse: ‘Eis que eu renovo todas as coisas’. Disse ainda: ‘Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras’. Novamente me disse: ‘Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ómega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isto; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho’” (Ap 21,1-7).

 
O fim do "nosso" tempo Imprimir e-mail

O fim do “nosso” tempo

 

No Evangelho de São Lucas (Lc 21, 5-19), Nosso Senhor faz o seu famoso “sermão escatológico”: fala-nos a respeito do fim dos tempos.

 

Também hoje, assim como na época de Cristo, este tema desperta interesse geral.

Todos querem saber, afinal, “quando acontecerá” e “qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer”.

Os cristãos devem precaver-se, contudo, para não se deixarem levar por um espírito de curiosidade frívola acerca desta matéria, transformando a sua fé em “futurologia” ou convertendo as próprias Escrituras Sagradas em instrumento para práticas adivinhatórias.

Esta definitivamente não é a lição que quer passar-nos Jesus ao tratar o fim dos tempos.

Que pretende ensinar-nos então o Senhor, quando menciona as terríveis coisas que estão por vir?

A primeira chave de leitura desta passagem é a imitação de Cristo.

Os verdadeiros discípulos de Cristo conformarão as suas vidas à do Mestre:

Serão “presos e perseguidos”, como Ele foi sequestrado e maltratado;

Serão “entregues às sinagogas e postos na prisão”, “levados diante de reis e governadores”, como Ele mesmo foi julgado pelas autoridades religiosas do seu tempo e “padeceu sob Pôncio Pilatos”;

Serão “entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos”, como Ele foi perseguido em Nazaré;

Alguns chegarão a sofrer a morte, e nisto se assemelharão ainda mais a Jesus, que foi injustamente crucificado.

 “Todos vos odiarão por causa do meu nome”, em suma.

Com isso, fica patente que o caminho da Cruz não é excepção, mas a regra.

O testemunho da fé, significado na palavra de origem grega “martírio”, é a via ordinária por que se salvam os homens, sejam os escolhidos para derramarem por causa de Cristo o seu sangue, sejam os chamados a levarem com heroísmo uma vida consagrada à oração e à penitência.

A segunda chave de interpretação é o que dá sentido a tudo o que nos narra o Senhor neste Evangelho.

Mesmo experimentando o sofrimento inerente a esta vida, adverte o Cristo providente, “vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça”.

Numa interpretação fiel ao texto original, isto quer dizer que nada do que sofrermos será em vão; nada de tudo aquilo por que passarmos ficará sem a sua recompensa.

Assim se consumará, então, o nosso processo de configuração a Cristo: morrendo com Ele, também com Ele viveremos (cf. Rm 6, 8).

 “É permanecendo firmes”, conclui Jesus, inspirando-nos confiança, “que ireis ganhar a vida!”

Como se dará isto? Qual o segredo para permanecermos firmes e ganharmos, no termo desta vida, a recompensa eterna?

A resposta está na oração.

 “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem o vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo”, diz uma prece litúrgica.

A verdade da nossa condição é que somos fracos e pecadores; para sermos fortes e santos, precisamos de nos comportarmos realmente como “mendigos da graça de Deus”.

É Ele quem nos concederá, a cada dia, o “pão nosso” para sustento do nosso organismo espiritual, tornando-nos capazes de oferecer o amor que lhe é devido.

Não seremos santos — e até mesmo a nossa salvação corre grande risco —, se não rezarmos, e não rezarmos muito.

Muitas vezes, porém, o que nos falta para tomarmos de assalto a vida espiritual é justamente o “choque de realidade” de sabermos que esta existência é breve, que a morte chega para todos e que nos espera, do outro lado, uma eternidade ou de glória ou de tormentos.

Falta-nos a meditação sobre as “últimas coisas” — os Novíssimos, sobre os quais tanto insistiram os santos.

Para corrermos atrás do prejuízo, todavia, nem é preciso que tomemos em mãos uma “Preparação para a morte”, de Santo Afonso de Ligório, ou uma “A arte de morrer bem”, de São Roberto Belarmino — ainda que sejam obras muitíssimo recomendáveis.

Basta, para tanto, que pensemos um pouco nos infortúnios que subitamente advêm a tantos dos nossos irmãos, ou nas mortes trágicas que com tanta frequência vemos relatadas nos jornais e noticiários televisivos.

Deus não nos fala só por palavras, mas também por acontecimentos: a todo o momento Ele está a ensinar-nos que este mundo passa e que só no Céu, de facto, encontraremos a nossa morada definitiva.

Tenhamos em mente duas sugestivas imagens.

Primeiro, a do caixão: para muitos de nós, será ele o marco do nosso fim, o fim dos nossos tempos.

Segundo, a da mulher grávida, com a qual Nosso Senhor comparou certa vez a situação de quem morre na graça:

“A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora.

Mas depois que a criança nasceu, já não se lembra mais das dores, na alegria de um ser humano ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza.

Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada” (Jo 16, 21-23).

Assim seja! Amém!

 
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De budista a tomista

Paul Williams, catedrático de filosofia budista e professor de religiões da Índia na Universidade de Bristol, foi durante mais de 30 anos, uma das principais autoridades académicas sobre budismo no Reino Unido. Também era um budista convencido, intelectual e praticante. Porém em 1999 surpreendeu os seus alunos, companheiros e familiares quando anunciou que se convertia ao cristianismo, mais ainda ao catolicismo mais ortodoxo. Em 2002 publicou um livro com o seu testemunho de conversão e as suas reflexões.

Na revista budista inglesa Dharmalife não escondiam a sua perplexidade: "Williams é um dos principais estudiosos britânicos do budismo e um budista praticante de muitos anos. O seu livro 'O Budismo Mahayana' é uma jóia de claridade e visão. Que surpreendente foi saber há dois anos que tinha decidido ser católico. [...] Catolicismo! Tinha tendência a acreditar que enquanto o budismo é uma opção vital e espiritual para as pessoas modernas, o catolicismo pertence a um passado problemático. A minha visão do catolicismo é influenciada pelos testemunhos de amigos ex-católicos, sobre os efeitos debilitadores da culpa, a sua busca de bases emocionais saudáveis para as suas vidas... Como poderia uma pessoa inteligente e bem informada tomar tal opção?", pergunta-se o crítico da revista. Williams explicou tudo no seu livro "Unexpected Way", e em algumas entrevistas e testemunhos escritos.

Juventude anglicana tíbia

Paul Williams nasceu em 1950. A família da sua mãe não era religiosa, mas depois da sua conversão descobriu que teve uma bisavó católica. A família do seu pai era tipicamente anglicana. Sendo muito jovem, Paul juntou-se ao coro da paróquia anglicana, porque gostava de cantar. Foi crismado na sua adolescência pelo bispo anglicano de Dover, e com 18 anos recorda que ia comungar algumas vezes. Mas não tinha uma relação próxima com Cristo nem recebeu formação.

O seu irmão trouxe da biblioteca um livro sobre yoga, e com ele Williams afeiçoou-se à cultura oriental nos muito alternativos anos 60. "Estive implicado no estilo de vida e nas coisas que os adolescentes fazem. Ao aproximarem-se os exames públicos deixei o coro, deixei de servir na igreja, perdi o contacto com ela, deixei o cabelo comprido e vestia-me de maneira diferente".

Meditação e budismo

A estudar na Universidade de Sussex, especializou-se em filosofia indiana e depois em budismo. "Durante algum tempo fiz a Meditação Transcendental de Maharishi Mahesh Yogui, porém deixei-a porque não gostava da sua superficialidade e parecia-me que distorcia a tradição indiana", escreveu no seu livro.

Em 1973 já tinha tudo claro: tinha estudado tanto o budismo que via o mundo com categorias budistas. Refugiou-se formalmente como budista na tradição tibetana Dgelugspa, a do Dalai Lama. Sendo professor na Universidade de Bristol criou o seu próprio círculo de budistas.

Praticava a meditação, dava palestras em encontros budistas, aparecia em debates televisivos como budista tibetano e participou de debates públicos com o católico dissidente Hans Küng e o catalão orientalista Raimon Panikkar.

O que atraía no budismo

"Interessava-me a filosofia, mas também a meditação e o exótico Oriente. Muitos de nós considerávamos o budismo interessante, porque parecia muito mais racional do que as alternativas, e às vezes muito mais exótico. Os budistas não crêem em Deus, ou melhor, não parecia ter razões para crer em Deus e a existência do mal era para nós um argumento positivo no seu contrário. Nós que tínhamos crescido como cristãos estávamos fartos de defender Deus num mundo hostil, cheio de detratores. No budismo existe um sistema de moralidade, espiritualidade e filosofia imensamente sofisticado, que não necessita de Deus para nada", explica Williams.

Anos depois, ao converter-se ao catolicismo, o filósofo escreveu: "Se repararmos como são os budistas do Ocidente, o chamado Budismo Ocidental, o que encontramos com regularidade é uma forma de cristianismo na qual tiraram as partes que os cristãos 'pós-cristãos' encontram mais dificuldades em aceitar".

Williams conheceu um líder chamado Sthaira Sangharakshita que propunha aos budistas de passado cristão praticar a "blasfémia terapêutica", para conseguirem desapegar-se do seu fundo cristão, insultando coisas consideradas santas na sua cultura. Para Williams esta ideia parecia uma barbaridade.

O problema da reencarnação

O budismo no Ocidente apresenta-se sobretudo como uma técnica para viver experiências positivas: paz, harmonia, relaxamento... Mas à medida que Williams via o passar dos anos, como filósofo não podia evitar fazer-se perguntas, e entre elas: o que se passa depois da morte? Há budistas que preferem não pensar no tema, e consideram que é "Mara", uma "ilusão", uma distracção, um tema no qual não vale a pena pensar, mas pode um filósofo deixar de perguntar-se?

"Os budistas crêem no renascimento, ou melhor, na reencarnação, como é chamada. Não há um início na série de vidas renascidas: todos temos renascido infinitas vezes, não há princípio nem se necessita de um Deus que o inicie", explica.

Williams recorda que na época dos primeiros cristãos as crenças a favor da reencarnação estavam muito difundidas na Grécia e Roma, mas o cristianismo nunca as aceitou. "E por boas razões: se a reencarnação é verdade, nós não temos nenhuma esperança".

O que há de mim numa barata?

Imaginemos que vamos ser executados sem dor amanhã pela manhã, mas sabemos com toda a segurança que depois reencarnaremos como uma barata. "Acostumar-te-ás, não há problema, ser barata não é como o nada ou o grande vazio, é uma vida, continuarás vivo... Mas por que é que nada disso nos consola?", argumenta Williams.

Mais específico ainda: "Não peço que imagineis que despertais dentro do corpo de uma barata, como na Metamorfose de Kafka. Serias uma barata, e quem sabe quais são os sonhos ou imaginações de uma barata?"

"O terror de ser executado na aurora e renascer como barata é que, simplesmente, isto seria o meu fim. Não posso imaginar como é renascer como barata porque não há nada que imaginar! Simplesmente, não teria nada de mim aí. Se a reencarnação é verdade, nem eu nem os meus seres queridos sobreviveríamos à morte. O eu, a pessoa real que sou, a minha história, acaba. Quem sabe haja outro ser vivo com algum tipo de conexão causal com a vida que eu fui, alguém influenciado por meu karma, mas eu já não estou".

"No nível quotidiano, os budistas tendem a obscurecer este facto - que eu desapareço do tudo com a morte - quando falam do ´meu renascer´ ou de ´preocupar-se com as vidas futuras´, mas na realidade qualquer renascer - como uma barata sul-americana - não seria ´eu mesmo´, e portanto cabe perguntar-se por que hei de preocupar-me com as minhas reencarnações futuras".

Iluminação, sim... mas quem a consegue?

Para escapar do ciclo das reencarnações, o budismo ensina que é possível alcançar a iluminação, o nirvana, uma absoluta perfeição e desapego nesta vida. Quando alguém tem 20 anos pode pensar que com muito esforço o conseguirá. Mas Williams, com mais de 20 anos de intensa prática budista e meditativa o tinha claro: "É evidente que não vou conseguir a iluminação nesta vida. Todos os budistas tenderão a dizer isto de toda a gente. A iluminação é uma conquista extremadamente rara e suprema, para heróis espirituais, não para nós, não para gente como eu. Assim eu, e os meus amigos e familiares, não temos esperança".

Karma: pagar pelas outras vidas tuas... que não eras tu

Williams explica rapidamente a teoria do karma: alguns males e alguns bens que experimentas, são consequência do que fizeste numa vida passada. "Mas como se pode dizer que um ditador cruel que foste noutra vida eras tu? A ideia que um bebé fica doente por algo que fez outra pessoa, não nos consegue convencer. Não se pode dizer que o que alguém fez noutra vida, seja a resposta mais aceitável para o problema do mal. O bebé não foi quem fez os actos malvados, como também eu não sou uma barata depois da minha execução".

O cristianismo oferece esperança

"O budismo não tinha esperança. Os cristãos, sim, têm esperança, por isso quis ser cristão. Voltei a examinar as coisas que tinha rejeitado na minha juventude. Dei-me conta que é racional crer em Deus, mais racional do que crer, como os budistas, que não há Deus".

Examinou a chave da proposta cristã: que Jesus tinha ressuscitado. "Assombrou-me descobrir que a ressurreição literal de Cristo dentre os mortos depois da sua crucifixão é a explicação mais racional do sucedido. Isto fazia do cristianismo a opção mais racional das religiões teístas, e como cristão considerei que devia dar prioridade à Igreja Católica."

"O cristianismo é a religião do valor infinito de cada pessoa. Cada pessoa é uma criação individual de Deus, e como tal Deus ama-a e valoriza-a infinitamente. Nisto se baseia toda a moral cristã, desde o valor da família ao altruísmo e o sacrifício dos santos. Por sermos infinitamente valiosos, é que Jesus morreu por nós, para salvar cada um. E somos as pessoas que somos, com as nossas histórias, amigos e parentes. A nossa fé é que em Deus as nossas mortes terão significado para cada um de nós, de formas que excedem a nossa imaginação, mas que inclusive agora já suscitam a nossa esperança e alimentam as nossas vidas".

Hoje Paul Williams é um laico dominicano e um grande admirador de São Tomás de Aquino. Lamenta que às vezes, em encontros ecuménicos ou análises de religião comparada, se faça o contraste entre os místicos cristãos de linguagem simples (como São João da Cruz) com teóricos budistas muito elaborados, com um discurso muito intelectualizado que fazem parecer o místico cristão uma versão simples de uma filosofia complexa. Williams considera que estes autores budistas devem comparar-se com autores sistemáticos como São Tomás.

in Religion en Libertad

 
Infância, juventude, maturidade, a soma virtuosa da vida do homem Imprimir e-mail

 

Infância, mocidade, maturidade, a soma virtuosa da vida do homem!

 

Se nos fosse dado escolher a idade para fixar a vida, o que escolheríamos? A infância? A juventude? A maturidade? Ou a velhice? Ou viver cento e tantos anos?

Uma ajuda:

“A criança sonha com o maravilhoso: é fraca, débil, pequenina, mas é pura. Então, o puro e o maravilhoso são próprios do menino”.

“Depois começa a maturidade. Com ela perdem-se o idealismo e o élan. A força é uma força de estabilidade, de fixação.

A pessoa vê a realidade mais concreta, manda, governa. Já não tem a força de um soldado de vanguarda, mas tem o vigor de um general”.

Mais tarde vem a velhice. É outra forma de sabedoria. Ou o contrário? Se mal vivida, pode ser o oposto:

 “Nada é nada. O meu egoísmo é tudo. Fico chupando a minha boca vazia de dentes, tolerando a minha cabeça vazia de ideias, carregando os meus olhos vazios de luz e os meus ouvidos vazios de som.”

Mas tudo se inicia na infância:

 “Uma boa criança tem uma forma de abertura de alma por onde ela é muito pouco interesseira.

É desinteressada, é meiga, é afável; com facilidade dá o que tem.

Toda a criança boa faz pequenos desenhos que procura dar aos outros.

Tem um senso de admiração muito grande em relação aos mais velhos.

Procura vê-los sob os melhores aspectos e encanta-se com estes aspectos”.

 “A criança boa é movida pelo princípio de que a vida dá certo, e de que vale a pena viver porque é algo grande. Embora tenha sofrimentos, tudo no fim tem a sua explicação, e ela é verdadeira. O aborto é o zero!”

 “Resulta daí aquela espécie de optimismo que caracteriza a criança. Ela é cheia de esperança, crê com facilidade no que lhe contam, e é toda voltada para entregar-se, para servir, para admirar.

“Por causa das graças do baptismo, a infância é um apogeu. Trata-se de saber se a vida do homem cresce depois de apogeu em apogeu, até à ancianidade, ou se ele tem ‘desapogeus’…

 “Como diz uma oração a Nossa Senhora, ‘Vós tendes os vossos desígnios em relação a mim’.

 “Depois vem o jovem. Puro, já não ouso afirmar, mas é idealista, forte, romântico, amoroso. As más tendências entram com o romântico e o amoroso.

 “É a trajectória de uma vida. É uma luta de classes de uma época contra outra da vida.

Essa concepção [errada, de luta de classes] faz parte do evolucionismo, que é sempre a destruição de uma coisa em nome da outra, dando a isto o nome de continuidade, embora sendo a descontinuidade por excelência.”

Portanto, as idades não se opõem, elas somam-se!

 
Violência... em nome de Deus? Imprimir e-mail

 

Violência... em nome de Deus?

 

Todos os dias somos confrontados com actos de violência extrema, em nome da religião. Mas será que Deus pede mesmo isto?

 

Uma história de violência

 

Cristianismo

 

Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, (Jesus Cristo)

 

As cruzadas

 

Na Idade Média os Papas, com o apoio de alguns reis, organizaram as Cruzadas com a finalidade de recuperar a Terra Santa onde Jesus viveu. Os exércitos cristãos julgavam estar a fazer a vontade de Deus quando matavam os ocupantes. Todas essas guerras cristãs semearam a destruição e a morte. Acabaram num grande fracasso.

 

A Inquisição

 

A Inquisição vem também da Idade Média. Era um tribunal que julgava as pessoas hereges e as condenava por vezes à morte. Não havia tolerância nem liberdade religiosa. A Inquisição foi instaurada em Portugal em 1536 por D. João III e durante séculos houve pessoas mortas por quem, em nome de Deus, julgava fazer uma obra boa.

 

Islamismo

 

Vós que acreditais, vivei todos em paz.

 

Corão

 

A guerra santa

 

Maomé fundou no século VII uma religião, cujo centro é Meca. Pregava a “jihad”, que consistia no empenho de impor o islamismo, a todos os povos. Os califas, seus sucessores, encarregam-se de submeter os povos pela violência. Faziam-no em nome de Deus (Alá). Chegaram ao norte de África e à Península Ibérica.

 

O Estado Islâmico

 

Esta organização terrorista, que prega a guerra santa em nome de Alá, nasceu recentemente e tem como finalidade obrigar as pessoas a seguirem o Islamismo. O “Estado Islâmico” já controla grande parte do Iraque e da Síria. Quem não aceita nesta religião as suas leis, corre o risco de ser morto.

 

Porquê a violência em nome de Deus?

 

As contradições

 

Todas as religiões têm como ideal a paz. Mas em todas as épocas da história há geralmente crentes que interpretam de maneira diferente os textos sagrados: a Bíblia para os cristãos e o Corão para o islamismo. De facto, nestes textos, ao lado de muitas palavras de paz, há textos guerreiros.

Os cruzados cristãos gritavam: “Deus o quer!” Hoje sabemos que Deus não quer a morte de ninguém, mas que todos vivam.

Os maus muçulmanos, ao semearem o terror, julgam que esta é a vontade de Alá e que terão o Céu como recompensa.

 

Os fanáticos

 

Em todas as religiões há sempre alguns fanáticos. Julgam-se possuidores de toda a verdade e querem impô-la aos outros através da violência.

Actualmente este “fundamentalismo” é mais visível nos líderes do Estado islâmico. O fanatismo é tão forte que leva os crentes seguidores de Maomé a sacrificarem a própria vida, persuadidos que serão recompensados por Deus!

Podem existir também fanáticos no cristianismo, embora se limitem a utilizar a arma da palavra e da murmuração. O papa Francisco já denunciou várias vezes este fanatismo, que é contrário ao Evangelho.

 

A violência religiosa é excepção

 

As religiões vivem pacificamente

 

Apesar de ter havido ou haja quem pratique a violência em nome de Deus, a verdade é que a imensa maioria dos crentes nada tem a ver com o fanatismo ou com o fundamentalismo.

A grande maioria dos muçulmanos e dos cristãos acreditam que Deus gravou no coração de cada pessoa o mandamento “Não matarás!” Por isso, para os crentes a vida humana é um valor a respeitar. Todas, em excepção, condenam o assassínio.

Igualmente todos os crentes afirmam que não devemos fazer aos outros aquilo que não queremos que nos façam a nós. E para todos a paz é um bem precioso.

 

Existe o diálogo inter-religioso

 

Apesar de ter havido ou haja quem pratique a violência em nome de Deus, os responsáveis religiosos reúnem-se para dialogar acerca daquilo que une as religiões.

O Papa Francisco, em Maio de 2014, ao visitar Jerusalém, encontrou-se com líderes religiosos e, junto ao Muro das Lamentações, abraçaram-se fraternalmente. Pouco tempo depois, reuniram-se no Vaticano, onde plantaram uma oliveira, como sinal de paz. Nas suas viagens pastorais, está habitualmente no programa, um encontro com os líderes das outras religiões, num grande respeito pelas diferenças. Porque o Deus é Amor, Deus é Paz.

 

O cristianismo

 

Cerca de 2,2 biliões de pessoas.

Um quarto dos cristãos vive na Europa, o outro na América central e do sul, o terceiro na África. 12% na América do Norte e 13% na Ásia. É a religião mais dispersa.

Origem: Jesus foi um judeu nascido na Palestina. Os seus discípulos reconheceram-no como o Filho de Deus, que veio à Terra para salvar a humanidade. Foi morto e ressuscitou.

Os cristãos estão divididos: católicos (50%), ortodoxos e protestantes.

 

O Islamismo

 

Cerca de 1,5 biliões de pessoas.

62% dos muçulmanos vive na Ásia (sobretudo na Indonésia e Paquistão) e 205 vivem nos países árabes (África do Norte e Médio Oriente).

Origem: Maomé nasceu por volta do ano 570 depois de Cristo, na actual Arábia Saudita. Acreditam num Deus único, Alá, que revelou os preceitos que todos os muçulmanos devem seguir. Acreditam que o Corão foi ditado a Maomé por Deus.

Os muçulmanos estão divididos por duas correntes: os sunitas e os chiitas.

 
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Prudência, um grande bem 

 

Prudência não é medo; é discernimento. Ela não só nos manda ficar, mas também nos manda ir

 

“E se alguém ama a justiça, os seus trabalhos são virtudes; ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a força: não há ninguém que seja mais útil aos homens na vida. Se alguém deseja uma vasta ciência, ela sabe o passado e conjectura o futuro; conhece as subtilezas oratórias e revolve os enigmas; prevê os sinais e os prodígios, e o que tem que acontecer no decurso das idades e dos tempos. Portanto, resolvi tomá-la por companheira da minha vida, cuidando que ela será para mim uma boa conselheira, e minha consolação nos cuidados e na tristeza” (Sabedoria 8, 7-9).

A crise das virtudes

O mundo de hoje vive uma grande crise de virtudes. Cresce de modo assustador o grande problema dos vícios, seja de que natureza for: vícios de drogas, entorpecentes, cigarro, álcool, entre outros. Este tipo de conduta chegou a atingir um ponto tão alarmante que, muitas vezes, temos vergonha de fazer a coisa certa.

Não é permitido mais fazer o certo, pois, se estás certo, estás errado no conceito do mundo. Além dos vícios físicos, ainda há os vícios da alma. Pensa-se: “Perdoar? Imagine! Eu não preciso de ninguém!”

As pessoas acreditam que a virtude se deve dobrar diante do vício; mas é exatamente o contrário que precisa de acontecer: é o vício que se deve dobrar diante da virtude. Por isso, há uma necessidade muito grande da presença das virtudes em nossas vidas.

Prudência não é sinónimo de cautela

Vamo-nos aprofundar na que é considerada a ”mãe das virtudes”: a prudência. Não existe nenhuma outra coisa se esta não existe. Pensa-se que prudência é ser cauteloso, mas não é isso que as Sagradas Escrituras nos ensinam. Prudência não é sinónimo de cautela.

Prudência é ver e perceber o que realmente é importante; é perceber as coisas a partir da luz de Deus e dar a resposta certa no momento certo. Prudência não é medo; é discernimento. Ela não só nos manda ficar, mas também nos manda ir.

A sabedoria é fruto da prudência, as duas são iguais. Compreendemos o que é preciso fazer; vamos lá e fazemos. Mas para tomar essa atitude precisamos de ver.

As virgens prudentes

A prudência sabe contornar as situações. Vejamos o exemplo da “Parábola das Dez Virgens Prudentes”, que se encontra em Mateus 25, 1-13:

“O Reino dos céus será semelhante a dez virgens, que saíram com as lâmpadas ao encontro do esposo. Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes. Tomando as lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo. As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas.

Tardando o esposo, todas elas adormeceram. No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro. E as virgens levantaram-se todas e prepararam as lâmpadas. As tolas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso óleo, porque as nossas lâmpadas se estão a apagar.’ As prudentes responderam: ‘Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós.’ Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta. Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: ‘Senhor, senhor, abre-nos!’ Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: não vos conheço!’ Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora”.

Esta passagem bíblica mostra bem, o que é a prudência. Às vezes, mesmo que tenhamos vontade de sermos solidários, não podemos dar algo que nos vá faltar. Muitas vezes, damos de graça aquilo que nos era necessário. Prudência, é fruto de Deus, é virtude que vem do Alto.

Nem todo o bem, nos faz bem

É fácil saber o que tem de ser feito, a que horas fazer e como fazer? Claro que não. Para cada momento existe uma decisão diferente. Não é sempre a mesma resposta. Se tu dás sempre uma mesma resposta para todos os teus problemas, está na hora de seres mais prudente.

Escolher entre o que é bom e ruim no nosso mundo é fácil. Se eu te oferecer um pudim cheio de terra e um limpo, qual vais escolher? É claro que o pudim limpo. Ninguém quer o que não é bom.

Então, por que é que as pessoas escolhem coisas ruins? A escolha entre o bem e o mal é questão apenas de inteligência, lembra-nos Santo Inácio de Loyola.

Por isso, escolher entre o bem e o mal é questão apenas de sobrevivência. Mas a vida não está baseada, simplesmente, na escolha do bem. É preciso saber que nem todo o bem nos faz bem, nem todo bem faz bem a todos. Isto é o discernimento, é preciso saber escolher entre o bem e o bem devido.

Se olhamos, por exemplo, o açúcar, é um bem, é bom, mas não faz bem a quem é diabético, nem a quem recupera de cirurgias. Ou seja, nem todo o bem nos faz sempre bem.

Saber fazer as escolhas

Escolher entre o bem e o bem devido é questão de prudência. Para ser feliz é preciso saber romper com o apego das coisas que são incompatíveis com nossa vida. Esta é a vontade de Deus!

Precisamos de amadurecer para as escolhas mais difíceis como esta, escolher entre tudo que é bom e encontrar a vontade do Senhor, o bem que nos é devido. Acertar nessa escolha é questão de realização.

A prudência é a mãe de todas as virtudes e é nela que nos encontramos com o Senhor. Ser de Deus não é fácil, mas é possível. Pede a Jesus Cristo prudência para as tuas decisões. Amém.

 
Como lidar com pessoas pessimistas Imprimir e-mail

Como lidar com pessoas pessimistas

Está mais do que provado que o bom humor colabora com a qualidade de vida, e sorrir é uma das melhores coisas do mundo. Mas a verdade é que, encontrar pessoas realmente felizes hoje em dia é quase como descobrir um Oásis no meio do deserto. Andamos tensos, apressados, conectados no telefone, e sem tempo para olharmos com atenção para as coisas boas da vida e sermos gratos. Por outro lado, ouvimos constantes reclamações a respeito da chuva, do calor, do governo, do trânsito, da crise, etc.. Talvez nem percebamos, mas, são manifestações de pessimismo que, aos poucos, nos contagia. É claro que nem tudo são flores nesta vida, e coisas boas e ruins alternam-se no dia a dia, alterando também os nossos sentimentos a cada instante; mas, se temos como meta a felicidade, é preciso levantar-se depois das quedas, sacudir a poeira e seguir em frente com um sorriso de esperança, sem se deixar levar pelas lamúrias. Afinal, como lidar com pessoas pessimistas?

Ter uma visão positiva ou negativa em relação aos acontecimentos é, antes de tudo, uma questão de escolha. A pessoa pessimista, por exemplo, consegue imaginar tudo de ruim que possa acontecer e não enxerga nada de bom que já esteja a acontecer. O otimista, ao contrário, mesmo que esteja na pior, tem tanta certeza que vai vencer, que passa pela dor com serenidade. E não é que esteja a viver fora da realidade, mas é a sua atitude em reconhecer quem é, e a certeza de que não está sozinho neste mundo, que o faz ir além. Portanto, se você é do tipo que fica muito chateado, ou até mesmo arrasado quando as coisas não acontecem do jeito que planeou, experimente, na próxima vez que isso acontecer, analisar a situação com calma e pedir para Deus lhe mostrar uma nova perspectiva do acontecimento. Se viver a experiência com fé e coragem, tenho a certeza de que vai surpreender-se. Uma vez que, optamos por andar nos caminhos de Deus, Ele proporciona-nos graças em todas as situações, só que, por vezes, é preciso procurá-las.

Na adolescência, li um livro que me ajudou bastante neste sentido. É um clássico de Eleonor Porter, chamado Polyana. O livro narra a história de uma menina pobre (materialmente falando), mas com um entusiamo tão grande, que conseguia contagiar até os corações mais duros e resistentes à alegria. Por exemplo, ela desejava muito ganhar uma boneca, mas recebeu um par de muletas por engano. Em vez de ficar triste, concluiu, com a ajuda do pai, que tinha um grande motivo para se alegrar: “O facto de não precisar de muletas”. Foi aí que começaram a jogar o “jogo do contente” como vieram a chamar à dinâmica que consiste em encontrar qualquer motivo para se alegrar e agradecer a Deus, por tudo o que acontece. Seja o que for. Polyana ensinava o “jogo” a todos que encontrava, e o resultado foi uma transformação total da cidade. A história é linda e tem um final feliz, é claro! Agora, na vida real, será que nós não podemos fazer algo parecido e levar um pouco de esperança e alegria aos corações abatidos?

A importância de mudar o ponto de vista

Não se trata simplesmente de pensar de forma positiva ou de tentar fazer coisas boas acontecerem com o poder dos pensamentos. Trata-se de ver as coisas do ponto de vista de Deus, lembrando que Ele nos ama, e pedir que Ele nos mostre como que uma circunstância aparentemente negativa, pode na verdade, trazer-nos algo de bom. Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito (Rm 8,28). Esta verdade gravada na Sagrada Escritura deve ser trazida à memória, sempre que passamos por situações que nos contrariam, porque, ela nos leva a ver segundo a perspectiva de Deus, que é bom e só deseja o bem para os seus filhos.

É verdade que, muitas vezes não conseguimos mudar as situações, mas, quando fazemos a opção pela confiança em vez da lamentação, em meio às provas mudamos totalmente a maneira como lidamos com a vida, e o mundo carece de atitudes assim. Façamos, hoje, a experiência de acreditar mais no amor de Deus e semear mais alegria e esperança nos corações. Tenho a certeza de que isto dará um novo sentido à nossa vida. Porque sempre há um aceno do amor misericordioso de Deus para cada situação que vivemos.

 
O que fazer com uma imagem sabgrada que foi abençoada, mas se quebrou Imprimir e-mail

 

O que fazer com uma imagem sagrada que foi abençoada, mas se quebrou? 

 

Posso lançar fora uma imagem sagrada abençoada, que se quebrou?

Antes destacamos a importância e o valor das imagens na Igreja. Começo por recordar que o católico não adora imagens, mas tem por elas veneração.

 

São João Damasceno diz que “antigamente, Deus, que não tem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas, agora que se mostrou na carne e viveu com os homens, posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. (…) Com o rosto descoberto, contemplamos a glória do Senhor” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1159).

Nesta perspectiva, o Catecismo da Igreja ensina que, “na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos padres e da tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos, com toda a certeza e acerto, que as veneráveis e santas imagens […] devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1161). A Igreja sempre valorizou tais práticas que conduzem para o próprio Deus.

Como dispensar com zelo imagens sacras abençoadas, quebradas?

Um primeiro ponto a ser observado em relação a uma imagem sacra que se quebrou, é verificar a possibilidade de a restaurar, se for oportuno.

Após uma avaliação do estado da imagem e não havendo possibilidade ou interesse na sua restauração, o próximo passo seria utilizar a forma mais coerente de se desfazer do objecto, levando em conta o seu significado.

A sugestão é que não há “necessidade” de levar as imagens quebradas para as depositar nas Igrejas, cemitérios, lançar em rios ou noutros lugares, mas elas podem ser trituradas e enterradas no jardim ou num vaso de sua casa. O sentido é evitar a possibilidade de as imagens que foram abençoadas serem escarnecidas, ao serem lançadas no lixo com indignidade ou deixadas em lugar indevido.

Com isso, deve-se desfazer das imagens danificadas de forma que o seu valor espiritual e significado religioso não sejam afectados, evitando qualquer sinal de desrespeito.

Dizia São João Damasceno que “a beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espectáculo do campo estimula o meu coração a dar glória a Deus”.

Assim, a função, tanto das imagens abençoadas como dos ícones santos em boas condições é entrar “na harmonia dos sinais da celebração, para que o mistério celebrado se grave na memória do coração e se exprima em seguida na vida nova dos fiéis” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1162).

Portanto, uma imagem que está quebrada ou danificada não atinge todo o seu objectivo, por isso, pode ser dispensada sem nenhum problema.

 
Como lidar com pessoas difíceis Imprimir e-mail

 

COMO LIDAR COM PESSOAS DIFÍCEIS

 

Atrás de cada lamentação há um grito desesperado para “me amar quando eu menos mereço”

O que você pode fazer se o seu marido voltar do trabalho todos os dias de mau humor e arruinar o ambiente em sua casa… e se arrepender depois? Você pode mudar uma personalidade difícil? (Não falamos de personalidades abusivas, mas apenas de tipos mal-humorados).

Onde faltar o amor, semeie o amor e você colherá o amor. A verdade é que é difícil amar as pessoas mal-humoradas e complicadas, mas será mais fácil fazer isso se entendermos que por trás de cada lamentação há um grito desesperado para “me amar quando eu menos mereço porque é quando eu mais preciso disso”.

Todos nós nascemos com um temperamento em que temos que trabalhar para formar o nosso carácter. É uma característica inata que herdamos, e não é algo que mudamos apertando um botão. É assim que as nossas emoções espontâneas respondem; são nossas reações típicas quando enfrentamos estímulos externos.

Mas o carácter é a nossa maneira pessoal de ser. É a soma dos traços e características que formamos no decorrer da nossa vida e que nos tornam únicos. Ao contrário do temperamento, o carácter pode ser formado e educado, o que significa que pode mudar, graças à influência do ambiente e da educação, das coisas que vivemos e da nossa inteligência emocional, entre outros factores.

Portanto, o temperamento não pode ser alterado, mas o carácter pode sempre ser moldado até alcançar uma personalidade encantadora.

Se o seu cônjuge tem um fusível curto, é mal-humorado ou cria uma atmosfera má, leia isto:

Compreensão

O primeiro e mais importante ponto é compreendê-lo com um coração aberto e misericordioso. Certamente, é muito cansativo lidar com uma personalidade assim, e a coisa mais frustrante é a nossa própria incapacidade de mudá-lo. Mas podemos escolher a atitude com a qual responderemos a essa personalidade ou nos momentos em que percebemos que a outra pessoa está a criar uma atmosfera má no lar. O amor é compreensivo, disse São Paulo. Quando o seu marido chega do trabalho de mau humor ou quando a sua esposa está histérica, você tem a certeza de que ele está bravo? Pode ser que haja algo de tristeza, preocupação, desilusão, medo ou frustração que conduz o seu comportamento? Pense nisso… Se você é capaz de entender o que está por trás desse rosto “amarrado”, você será mais capaz de evitar ser sugada para a atitude negativa.

Evite colocá-lo para baixo

Tanto quanto você pode querer lançar insultos ao seu cônjuge, não importa quanto você sinta que ele merece isso, nunca magoe o seu cônjuge com palavras ofensivas ou a sua esposa: “Tu és uma mulher louca; é por isso que ninguém te ama” ou “Nem a tua mãe te suporta” ou “Tu és como a tua mãe”.

Onde faltar o amor, semeie o amor e você colherá amor

Embora seja difícil amá-lo naquele momento, ame-o! Como? Apenas tomando uma atitude diferente, sendo gentil e não defensiva. Faça com que o cônjuge sinta que em sua casa ele é incrivelmente amado e aceite. De forma amorosa, faça-o saber que você está lá para ele incondicionalmente para que juntos possam encontrar a raiz dessa raiva. Acredite, se é difícil para você estar com alguém assim, veja como é ser essa pessoa. É ainda mais difícil para eles viverem consigo mesmos.

Faça acordos

Num momento de “lucidez”, quando as coisas se acalmaram, fale sobre isso e ajude-o a entender como você se sente quando vê que ele perdeu o controle. Você pode fazer estratégias e pactos, como: “Quando eu perceber que você está perdendo o controle ou criando uma atmosfera negativa em nossa casa, deixarei você sozinho e esse será o sinal de que você precisa para se acalmar”.

Os seres humanos não são perfeitos, mas somos aperfeiçoáveis. Portanto, uma personalidade complicada sempre terá a chance de melhorar. Mas ele ou ela tem que ser o único a decidir fazer isso. Não é fácil, mas é possível. Em alguns casos, a pessoa pode precisar de ajuda profissional para descobrir quais feridas emocionais precisam de ser curadas e o que o faz reagir desse modo.

Para os fiéis, a ajuda de Deus é sempre importante para curar feridas interiores e fazer mudanças na vida.

 
Conselhos de Santa Tresinha para lidar com pessoas antipáticas Imprimir e-mail

Conselhos de Santa Teresinha para aprender a lidar com pessoas antipáticas

 

Ela também não foi uma pessoa fácil, mas aprendeu a dominar a arte da empatia

Santa Teresa de Lisieux era conhecida como uma mulher tranquila e modesta. E com ela aprendemos que não dá para apelidar de “pequena flor” alguém que propaga insultos no Twitter ou que publica críticas contra os outros.

Santa Teresinha desenvolveu a habilidade de lidar com gente desagradável com tanta doçura que as pessoas antipáticas pensavam, erroneamente, que ela tinha um carinho especial por elas.

Todos temos pessoas chatas à nossa volta, não é? Às vezes não nos damos bem com elas, já que elas dão a impressão de que só existem para nos aborrecer.

Essas pessoas que nos fazem bufar estão sempre na mesma festa em que estamos. Assim, tentamos evitar qualquer contacto visual quando cruzamos com elas e logo pegamos no telefone para fingir que estamos a analisar mensagens importantíssimas. Não me digas que nunca fizeste isto?

Porém, não conseguimos escapar completamente delas, porque, como mostra a experiência de Santa Teresa, elas estão em toda a parte, inclusive nos conventos. Santa Teresa dominou rapidamente a arte de tratar com pessoas difíceis e aprendeu a mostrar empatia por elas. Talvez porque a própria Teresinha tenha sido uma pessoa difícil na sua juventude.

Ao contrário do que muitos pensam, Santa Teresa de Lisieux nasceu com um temperamento violento. De acordo com a mãe dela, a menina fazia birras terríveis quando as coisas não saíam do jeito dela e se deitava ao chão como uma desesperada, pensando que tudo estava perdido. “Havia momentos em que a birra era mais forte e ela perdia a respiração”, dizia a mãe.

Santa Teresa também diz na sua biografia que, se não tivesse tido pais tão bons, que a ajudaram a remediar este defeito de carácter, ela poderia – facilmente – “ter saído muito má”.

Quando entrou para a vida religiosa, escreveu: “tudo neste convento me agradou”. Mas, rapidamente aprendeu que precisava de melhorar o seu comportamento antipático e que o mesmo acontecia com as mulheres com quem convivia.

Ela, inclusive, teve problemas com uma das suas superioras, que era severa com ela. “Não se podia cruzar com ela sem ter que beijar o chão”, conta Teresa, que afirma que o simples facto de fazer a limpeza do chão se transformava em motivo para ser humilhada. “Recordo que, certa vez, havia deixado uma teia de aranha no claustro e ela me disse diante da comunidade: ‘Pensei que o claustro tivesse sido varrido por uma menina de 15 anos’”.

Esta humilhação foi só uma de uma série de acusações de preguiça. A superiora frequentemente reclamava: “Esta menina não faz absolutamente nada”. Entretanto, Teresa teve que aprender a conviver com a superiora, pois, para o bem ou para o mal, elas passaram a maior parte do tempo juntas. Mas a situação só piorava e, com o tempo, Teresa percebeu que tinha que aprender a lidar com pessoas antipáticas. E deixou conselhos para quem também tem que enfrentar este tipo de desafio.

Busque o seu valor autêntico

As pessoas antipáticas são incansavelmente negativas. Elas encontram sempre algo de que não gostam e, certo ou não, concentram-se sempre nisso.  A madre superiora, por exemplo, havia decretado que Teresa era preguiçosa e lembrava isso a toda hora. Teresa resolveu este problema, deixando de dar importância ao que a sua detratora pensava e buscando o seu verdadeiro valor interior.

Ela decidiu fazer o seu trabalho silenciosamente e sem chamar a atenção, visando satisfazer a sua própria estima e honrar a Deus. Na realidade, ela dava sempre o crédito do seu trabalho a outras pessoas, pois sabia que isso as deixaria alegres. Quando ela parou de se preocupar com o facto da superiora apreciar ou não o seu trabalho, ela conseguiu liberar-se da negatividade.

Não desperdice energias em vão

Com isso, Teresa não quer dizer que devemos ser indolentes, mas que quando nos acusam ou nos julgam erroneamente, não devemos entrar nessa guerra. Quando a superiora a acusava de preguiçosa, Teresa podia ter contestado e começado uma disputa verbal. Mas sabia que não adiantar nada.

Por exemplo, conta a história que apareceu um vaso quebrado no convento e que a madre acusou Teresa de não ter recolhido os pedaços. Ela entendeu que não importava quem havia quebrado o vaso e que não valia a pena o esforço para provar a sua inocência. Assim, como ninguém assumiu a culpa, Teresa recolheu os cacos. Com o tempo, as ações dizem mais do que as palavras.

Aperfeiçoe a sua capacidade de amar

É fácil amar a família e os amigos, mas é difícil amar uma pessoa que parece não ter capacidade de redenção. Teresa fala de uma freira de quem sentia aversão natural, e de como entendeu que o amor é uma atitude, não um sentimento, já que essa freira a ensinou a amar melhor.

“Eu prestava-lhe todos os serviços que podia. Quando sentia a tentação de a contestar de maneira desagradável, limitava-me a me dirigir a ela da maneira mais encantadora possível: com o meu sorriso”, disse Teresa. Depois de certo tempo, confessou que os seus sentimentos começaram a mudar de verdade.

Definitivamente, uma pessoa difícil só nos pode prejudicar se nós permitirmos. Como Teresa demonstrou, há sempre uma alternativa. Talvez seja difícil ou até pareça impossível. Mas este exemplo revela que até a pessoa mais antipática do mundo pode transformar-se em santa.

 
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Como lidar com pessoas difíceis no trabalho?

 

Aprenda a conviver com aquelas pessoas que fazem da sua vida profissional um verdadeiro inferno

Pessoas tóxicas, gente amarga, misantropos… Particularmente, não sou a favor dessas e tantas outras etiquetas. Prefiro chamar-lhes pessoas com atitudes difíceis ou feridas, já que é isso que as leva a ter um tipo de comportamento não tão agradável.

Sejamos realistas, ninguém – por pior que seja a pessoa – acorda pensando: “hoje serei feliz sendo amargo, fazendo a vida difícil aos outros”.

Por isso, é importante entender o que se passa na vida de quem tem um comportamento azedo. Por traz de cada rosto que não sorri pode haver uma história de dor, carência ou uma marca de abandono.

Então, longe de julgarmos, precisamos de olhar com compaixão.

Este tipo de gente está por toda a parte; não é só no ambiente profissional. Algumas vezes, tu e eu também agimos como pessoas difíceis.

A arte da simpatia

Como lutar contra essas pessoas que querem tornar a nossa vida mais difícil no trabalho? São Paulo dizia que é preciso afundar o mal com abundância de bem.

Portanto, a nossa primeira arma é o sorriso. Pode parecer tolice, mas um sorriso desarma qualquer um.

Talvez tu sejas o único a dar esse presente a uma pessoa difícil. A tua expressão poderá ser um bálsamo para um coração que passa por um momento traumático. Com um sorriso, queremos dizer o seguinte: “o que eu posso fazer para aliviar a tua carga? Conta comigo”.

Por outro lado, lembra-te que os maus tratos são como qualquer presente: tu escolhes se o aceita ou não. É verdade, é horrível chegar ao trabalho e sentir-se logo num ambiente hostil.

Portanto, além de contar com a tua arma mais poderosa – o teu sorriso – tu podes adoptar estes conselhos na hora de te relacionar com pessoas difíceis e mal humoradas:

• Tenta compreender a pessoa. Se vires que não há uma resposta positiva, dedica-lhe o mínimo de tempo possível e dirige-lhe a palavra apenas se necessário;

• Quando conversarem, centraliza o assunto na pessoa, não em ti. Assim, evitarás que ela distorça as suas palavras ou manipule a informação;

• Trata-a da mesma forma como gostarias de ser tratado;

• Toma cuidado com o que vais dizer, pois essas pessoas costumam sentir-se atacadas ou ofendidas por nada. Sim, é desgastante tomar todos esses cuidados. Mas, lembra-te: tu estás a falar com alguém que está ferido;

• Procura não levar as coisas para o lado pessoal, nem mesmo os ataques directos a ti;

• Fala de forma clara, concisa e sem rodeios. Não queiras que a pessoa entenda o teu ponto de vista, pois ela não entenderá;

• Não partilhes assuntos pessoais. Por causa das tuas próprias feridas emocionais, essas pessoas geralmente são pouco prudentes quanto à vida pessoal dos outros;

• Deixa as regras do jogo bem claras. Diz que a respeitas e exige respeito. Antes de tudo, segue as políticas e procedimentos da empresa.

Por último, a pergunta de um milhão: por quê uma atitude amarga de outrem te está a tirar a paz? O que é que poderias mudar em ti mesmo para que este tipo de atitude não te impacte tanto?

 
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Como entender a segunda vinda de Jesus 

 

Podemos entender a segunda vinda de Cristo como parte essencial da nossa história da salvação

Ao falar da vinda de Cristo, São Bernardo de Claraval fala-nos da vinda intermediária que se dá entre a primeira, a da Encarnação, e a segunda, a conhecida como Parusia. A vinda intermediária é a que se dá por meio dos sacramentos, por meio da presença do Senhor em nós. De facto, diz a Sagrada Escritura: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (cf. Jo 14,23).

Segundo São Bernardo, na vinda intermediária cada um percebe Cristo em si mesmo e recebe a salvação. Diz ainda que, na primeira vinda, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder da sua graça; na última, virá com todo o esplendor da Sua glória. Cabe a nós a reflexão sobre a última, conhecida como a segunda vinda de Cristo, a da Parusia, do esplendor da Sua glória.

O sentido de glória, aqui, não quer em nada diminuir o sentido da primeira vinda na Encarnação em humildade e na força do Seu amor, mas ressaltar a seguinte verdade: Cristo que virá na glória é o mesmo no brilho da Sua humildade, bondade e justiça. O Cristo que virá na glória aparecerá com a mesma vontade de salvar a todos, o que não significa a aceitação de todos. Assim, a Parusia, de certa forma, é a consumação da Encarnação.

O que encontramos na Sagrada Escritura sobre a segunda vinda de Cristo?

Pensemos na criação. Ao falar de criação, isto não significa que o mundo teve origem no tempo, mas que o tempo passou a ter origem com o mundo. A criação é um evento para além do espaço e do tempo, e não podemos pensá-la apenas tendo em vista as duas categorias que tornam possível a história humana. O mundo foi criado por Deus com o tempo e não no tempo. O mundo, o espaço e o tempo têm a sua originam na vontade eterna e criadora de Deus. Assim como na criação (cf. Gn 1,1s), a consumação (cf. Mc 13,4.24s.29ss) do mundo se dará também com o tempo e o espaço, e não no tempo e no espaço, portanto, não os devemos pensar nos limites da nossa forma de conhecer.

A consumação deste mundo dar-se-á na experiência da Ressurreição de Jesus e de cada um de nós, não mais de maneira presa às categorias deste mundo, será uma realidade que se dará no mundo, mas que estará para além dele. Ou seja, será uma realidade histórica, mas que a transcenderá.

O que diz o Catecismo da Igreja Católica?

A volta gloriosa de Jesus é um evento ligado ao Juízo Final/Universal (cf. n. 1040-1042). Sobre quando isto se dará, nem o Catecismo afirma, apenas diz que “só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo”. Por meio do Filho, Ele pronunciará a Sua palavra definitiva sobre toda a história.

O Catecismo ainda afirma que “a partir da Ascensão, a vinda de Cristo na glória é iminente, embora não nos ‘caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com a sua própria autoridade’ (At 1,7)… antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma provação final que abalará a fé de muitos. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o ‘mistério da iniquidade’, sob a forma de uma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade” (n. 674-675).

Nós, como cristãos, vivamos este tempo em esperança e vigilância, na certeza de que a Igreja só entrará na glória do Reino por meio da derradeira Páscoa, em que seguirá o seu Senhor na Sua Morte e Ressurreição. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal, assumirá a forma do Juízo Final depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa, como afirma o Catecismo (n. 677).

Assim, podemos entender a segunda vinda de Cristo como parte essencial da nossa história de salvação. Enquanto Ele não vem, temos de escolhê-Lo todos os dias, sem negar a Sua graça em nós, para não nos tornarmos “juízes” de nós mesmos, negando a graça de Cristo em nós, o que seria algo terrível e triste. O que queremos são as alegrias da vida eterna em Deus.

 
25 segredos de Jesus a Santa Faustina na luta contra o demónio Imprimir e-mail

  

Os 25 segredos que Jesus revelou a Santa Faustina para lutar contra o demónio

 

Jesus começou por dizer: “Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual”. E deu-lhe estes conselhos:

 

1. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade.

A confiança é uma arma espiritual. Ela é parte do escudo da fé que São Paulo menciona na Carta aos Efésios (6, 10-17): a armadura do cristão. O abandono à vontade de Deus é um ato de confiança; a fé em ação dissipa os maus espíritos.

2. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome.

Em tempos de guerra espiritual, reza imediatamente a Jesus. Invoca o seu Santo Nome, que é muito temido pelo inimigo. Leva as trevas à luz contando tudo ao teu diretor espiritual ou confessor, e segue as suas instruções.

3. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração.

No Jardim do Éden, Eva negociou com o diabo e perdeu. Precisamos de recorrer ao refúgio do Sagrado Coração. Correr até Jesus é a melhor maneira de virar as costas ao demónio.

4. Na primeira oportunidade, conta-a ao confessor.

Uma boa confissão, um bom confessor e um bom penitente, são a receita perfeita para a vitória sobre a tentação e a opressão demoníaca. Isto não falha!

5. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações.

O amor próprio é natural, mas precisa de ser ordenado, livre de orgulho. A humildade vence o diabo, que é o orgulho perfeito. Satanás tenta-nos no amor próprio desordenado, que nos leva à piscina do orgulho.

6. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma.

A paciência é uma grande arma secreta que nos ajuda a manter a paz da nossa alma, inclusive nas grandes tempestades da vida. A paciência consigo mesmo é parte da humildade e da confiança. O diabo tenta-nos à impaciência, a voltar-nos contra nós mesmos, de maneira que fiquemos com raiva. Olha para ti mesmo com os olhos de Deus. Ele é infinitamente paciente.

7. Não descuides as mortificações interiores.

A Escritura ensina-nos que alguns demónios só podem ser expulsos com oração e jejum. As mortificações interiores são armas de guerra. Podem ser pequenos sacrifícios oferecidos com grande amor. O poder do sacrifício por amor desaloja o inimigo.

8. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor.

Cristo falava a Santa Faustina, que morava num convento. Mas todos nós temos pessoas com autoridade sobre nós. O diabo tem como objetivo dividir e conquistar; então, a obediência humilde à autoridade autêntica é uma arma espiritual.

9. Foge dos que murmuram, como se foge da peste.

A língua é uma poderosa embarcação que pode causar muito dano. Estar a murmurar ou a fazer fofoca nunca é de Deus. O diabo é um mentiroso que gera acusações falsas e fofocas que podem matar a reputação de uma pessoa. Rejeita as murmurações.

10. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.

A mente da pessoa é a chave na guerra espiritual. O diabo é um intrometido que tenta arrastar a todos. Procura agradar a Deus e deixa de lado as opiniões dos outros.

11. Observa a Regra o mais fielmente possível.

Jesus refere-se à Regra de uma ordem religiosa. Mas todos nós já fizemos algum tipo de voto ou promessa diante de Deus e da Igreja e precisamos de ser fiéis a isso: promessas batismais, votos matrimoniais, etc. Satanás tenta-nos para nos levar à infidelidade, à anarquia e à desobediência. A fidelidade é uma arma para a vitória.

12. Se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer.

Ser um canal da misericórdia divina é uma arma para fazer o bem e derrotar o mal. O diabo trabalha usando o ódio, a raiva, a vingança, a falta de perdão. Muitas pessoas já nos ofenderam. O que daremos em troca? Responder com uma bênção destrói maldições.

13. Evita a dissipação.

Uma alma faladeira será mais facilmente atacada pelo demónio. Derrama os teus sentimentos somente diante do Senhor. Os sentimentos são efémeros. A verdade é tua bússola. O recolhimento interior é uma armadura espiritual.

14. Cala-te quando te repreenderem.

Todos nós já fomos repreendidos em algum momento. Não temos nenhum controle sobre isso, mas podemos controlar a nossa resposta. A necessidade de ter a razão o tempo todo pode levar-nos a armadilhas demoníacas. Deus sabe a verdade. Deixa-a ir. O silêncio é uma proteção. O diabo pode utilizar a justiça própria para nos fazer tropeçar também.

15. Não peças a opinião a todos, mas do teu diretor espiritual: diante dele sê franca e simples como uma criança.

A simplicidade da vida pode expulsar os demónios. A honestidade é uma arma para derrotar Satanás, o mentiroso. Quando mentimos, colocamos um pé no terreno dele, e ele tentará seduzir-nos mais ainda.

16. Não te desencorajes com a ingratidão.

Ninguém gosta de ser subestimado. Mas quando nos encontramos com a ingratidão ou com a insensibilidade, o espírito de desânimo pode ser um peso para nós. Resiste a todo desânimo, porque isso nunca vem de Deus. É uma das tentações mais eficazes do diabo. Sê grata diante de todas as coisas do dia e sairás a ganhar.

17. Não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo.

A necessidade de conhecer e a curiosidade pelo futuro são tentações que levaram muitas pessoas aos quartos escuros do ocultismo. Escolhe caminhar na fé. Decide confiar em Deus, que te leva ao caminho do céu. Resiste sempre ao espírito de curiosidade.

18. Quando o enfado e o desânimo bateram à porta do teu coração, foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração.

 

Jesus entrega a mesma mensagem pela segunda vez. Agora Ele refere-se ao tédio. No começo do Diário, Ele disse a Santa Faustina que o diabo tenta mais facilmente as almas ociosas. Tem cuidado com isso, porque as almas ociosas são presa fácil do demónio.

19. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.

O medo é a segunda tática mais comum do diabo (a primeira é o orgulho). A coragem intimida o diabo; ele fugirá diante da perseverante coragem que se encontra em Jesus, a rocha. Todas as pessoas lutam, e Deus é nossa provisão.

20. Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo.

Jesus pede a Santa Faustina que lute com convicção. Ela pode fazer isso porque Cristo a acompanha. Nós, cristãos, somos chamados a lutar com convicção contra todas as táticas demoníacas. O diabo tenta aterrorizar as almas, mas precisamos de resistir ao seu terrorismo. Invoca o Espírito Santo ao longo do dia.

21. Não te guies pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, mas todo o mérito reside na vontade.

Todo o mérito radica na vontade, porque o amor é um ato da vontade. Somos completamente livres em Cristo. Precisamos de fazer uma escolha, uma decisão para bem ou para mal. Em que lado vivemos?

22. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras.

Aqui, Jesus está instruindo uma freira. Todos nós temos o Senhor como nosso superior (representado também pelos padres, confessores, diretores espirituais). A dependência de Deus é uma arma de guerra espiritual, porque não podemos ganhar pelos nossos próprios meios.

23. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas.

Santa Faustina sofreu física e espiritualmente. Ela estava preparada para grandes batalhas, pela graça de Deus. Cristo nos instrui claramente na Bíblia a estar preparados para grandes batalhas, para nos revestir da armadura de Deus e resistir ao diabo (Ef 6, 11).

24. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam.

Estamos todos num grande cenário no qual o céu e a terra nos vêem. Que mensagem estamos a dar com a nossa forma de vida? Que tonalidades irradiamos: luz? Escuridão? Cinza? A forma como vivemos atrai mais luz ou escuridão? Se o diabo não nos conseguir levar para a escuridão, tentará manter-nos na categoria dos medíocres, do cinza, que não é agradável a Deus.

25. Luta como uma valorosa guerreira, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.

 

As palavras do Senhor a Santa Faustina podem transformar-se no nosso lema: “Luta como um guerreiro(a)!” Um soldado de Cristo sabe bem a causa pela qual luta, a nobreza da sua missão, conhece o Rei ao qual serve; e luta até ao final, com a abençoada certeza da vitória.

Se uma jovem polaca, sem formação, uma simples freira, unida a Cristo, pôde lutar como um cavaleiro, um soldado, todo o cristão pode fazer o mesmo. A confiança é vitoriosa.

 
Judas Iscariotes foi condenado ao inferno? Imprimir e-mail

 

Judas Iscariotes foi condenado ao inferno?

 

"A envergadura do pecado não o torna irremissível"

Jesus disse que seria melhor que Judas não tivesse nascido. Ele se tornou-se exemplo de traição, de suicida irredento. A Divina Comédia coloca-o no último círculo do inferno. Mas ele foi condenado “oficialmente” pela Igreja?

A primeira coisa que é preciso dizer é que a Igreja proclamou de modo solene a santidade – e, portanto, a salvação eterna – de muitas pessoas, mas nunca declarou oficialmente a condenação de ninguém. Nem de Judas. Por quê? A resposta é simples: Deus dá a todos uma última oportunidade de arrependimento no momento da morte. E não sabemos a resposta de cada um.

Portanto, a explicação que damos aqui não é propriamente a doutrina ou a posição da Igreja, mas o que os cristãos têm pensado sobre o tema. É preciso levar em conta que o fim de Judas foi marcado mais pelo desespero do que pela traição. A narrativa evangélica é clara ao assinalar que ele estava arrependido da traição. Mas, o seu desespero levou-o ao suicídio.

Entretanto, lembremos que a envergadura do pecado não o torna irremissível; o que é verdadeira irremissível é a falta de arrependimento final.

As revelações privadas, embora os seus conteúdos não são propriamente partes da fé da Igreja, podem contribuir de alguma forma neste caso. Mas também não encontramos nelas uma resposta totalmente conclusiva sobre o caso em questão. Santa Catarina de Siena, Doutora da Igreja, diz:

“Este é o pecado que nunca é perdoado, nem agora nem nunca: o abandono, o desprezo da minha misericórdia. Pois me ofende mais que todos os outros pecados cometidos. Por isso, o desespero de Judas desagradou-me e era um insulto maior ao meu Filho do que a sua traição. Assim, os que agem dessa forma são reprovados, por este falso juízo de considerar o seu pecado maior do que a minha misericórdia. Não te direi o que fiz com Judas para ninguém abuse da minha misericórdia. Podes pensar como quiseres”.

Obviamente, como dito anteriormente, não resta em nenhum caso a gravidade do foi que feito. Com razão, o nome de Judas ficou e ficará sendo sinónimo de traidor.

 
A importância da Oitava da Páscoa Imprimir e-mail

 

A importância da Oitava da Páscoa

 

Após o domingo de Páscoa a Igreja vive o Tempo Pascal; são sete semanas em que celebra a presença de Jesus Cristo Ressuscitado entre os Apóstolos, dando-lhes as suas últimas instruções (At 1,2). Quarenta dias depois da Ressurreição Jesus teve a sua Ascensão ao Céu, e ao final dos 49 dias enviou o Espírito Santo sobre a Igreja reunida no Cenáculo com a Virgem Maria. É o coroamento da Páscoa. O Espírito Santo dado à Igreja é o grande dom do Cristo glorioso.

O Tempo Pascal compreende estes cinquenta dias (em grego = “pentecostes”), vividos e celebrados “como um só dia”. Dizem as Normas Universais do Ano Litúrgico que: “os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até ao domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, “como se fosse um único dia festivo”, como um grande domingo” (n. 22).

É importante não perder o carácter unitário destas sete semanas. A primeira semana é a “oitava da Páscoa”. Ela termina com o domingo da oitava, chamado “in albis”, porque nesse dia os recém batizados tiravam as vestes brancas recebidas no dia do Batismo.

Este é o Tempo litúrgico mais forte de todo o ano. É a Páscoa (passagem) de Cristo da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a Páscoa também da Igreja, seu Corpo. No dia de Pentecostes a Igreja é introduzida na “vida nova” do Reino de Deus. Daí para frente o Espírito Santo guiará e assistirá a Igreja na sua missão de salvar o mundo, até que o Senhor volte no Último Dia, a Parusia. Com a vinda do Espírito Santo à Igreja, entramos “nos últimos tempos” e a salvação está definitivamente decretada; é irreversível; as forças o inferno, vencidas por Cristo na cruz, não são mais capazes de barrar o avanço do Reino de Deus, até que o Senhor volte na Parusia.

A Igreja logo nos primórdios começou a celebrar as sete semanas do Tempo Pascal, para “prolongar a alegria da Ressurreição” até à grande festa de Pentecostes. É um tempo de prolongada alegria espiritual. Este tempo deve ser vivido na expectativa da vinda do Espírito Santo; deve ser o tempo de um longo Cenáculo de oração confiante.

Nestes cinquenta dias de Tempo Pascal, e, de modo especial na Oitava da Páscoa, o Círio Pascal é aceso em todas as celebrações, até ao domingo de Pentecostes. Ele simboliza Cristo ressuscitado no meio da Igreja. Ele deve  lembrar-nos que todo o medo deve ser banido porque o Senhor ressuscitado caminha connosco, mesmo no vale da morte (Sl 22). É tempo de renovar a confiança no Senhor, colocar em suas mãos a nossa vida e o nosso destino, como diz o salmista: “Confia os teus cuidados ao Senhor e Ele certamente agirá” (Salmo 35,6).

Os vários domingos do Tempo Pascal não se chamam, por exemplo, “terceiro domingo depois da Páscoa”, mas “III domingo de Páscoa”. As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa estão voltadas para a Ressurreição. A primeira leitura é sempre dos Actos dos Apóstolos, as acções da Igreja primitiva, que no meio de perseguições anunciou o Senhor ressuscitado e o seu Reino, com destemor e alegria.

Portanto, este é um tempo de grande alegria espiritual, onde devemos viver intensamente na presença do Cristo ressuscitado que transborda sobre nós os méritos da Redenção. É um tempo especial de graças, onde a alma mais facilmente bebe nas fontes divinas. É o tempo de vencer os pecados, superar os vícios, renovar a fé e assumir com Cristo a missão de todo o baptizado: levar o mundo para Deus, através de Cristo. É tempo de anunciar Cristo ressuscitado e dizer ao mundo que somente nele há salvação.

Então, a Igreja deseja que nos oito dias de Páscoa (Oitava de Páscoa) vivamos o mesmo espírito do domingo da Ressurreição, colhendo as mesmas graças. Assim, a Igreja prolonga a Páscoa, com a intenção de que “o tempo especial de graças” que significa a Páscoa, se estenda por oito dias, e o povo de Deus possa beber mais copiosamente, e por mais tempo, as graças de Deus neste tempo favorável, onde o céu beija a terra e derrama sobre elas suas Bênçãos copiosas.

Mas, só pode beneficiar destas graças abundantes e especiais, aquele que tem sede, que conhece, que acredita, e que pede. É uma lei de Deus, quem não pede não recebe. E só recebe quem pede com fé, esperança, confiança e humildade.

As mesmas graças e bênçãos da Páscoa estendem-se até ao fim da Oitava. Não deixes passar este tempo de graças em vão! Vive oito dias de Páscoa e colhe todas as suas bênçãos. Não tenhas pressa! Reclamamos tanto das nossas misérias, mas desprezamos tanto os salutares remédios que Deus coloca à nossa disposição tão frequentemente.

Muitas vezes somos miseráveis sentados em cima de grandes tesouros, pois perdemos a chave que podia abri-lo. É a chave da fé, que tão maternalmente a Igreja coloca todos os anos em nossas mãos. Aproveitemos este tempo de graça para renovar a nossa vida espiritual e crescer em santidade.

 

 
Se os católicos naõ adoram imagens, por que adoram um objecto, a criz? Imprimir e-mail

 

Se os católicos não adoram imagens, por que adoram um objecto, a cruz?

 

Em primeiro lugar, é preciso diferenciar a cruz de Cristo (a real, ainda que esteja espalhada pelo mundo inteiro em pequenas lascas) das cruzes que vemos e tocamos.

Na celebração da Sexta-Feira Santa, de facto, há um momento litúrgico em que os fiéis vão “adorar” a cruz: ajoelham-se diante dela, com uma simples inclinação de cabeça, ou a beijam. Este gesto simboliza a adoração à cruz de Jesus, na qual Ele foi pregado (Suma Teológica III, 25, 4).

O que veneramos não é o objecto, mas a verdadeira cruz de Jesus, que o objecto representa. A cruz de Jesus forma uma unidade com Ele, ao estar impregnada do seu sangue precioso. Não podemos separar Cristo da sua cruz na redenção.

É verdade que a cruz foi um instrumento de tortura, mas também é verdade que, unida ao Corpo de Cristo, ela adquire para nós uma conotação totalmente diferente. A cruz adquire um novo significado pela presença de Jesus nela.

Se não podemos separar Jesus da cruz e da obra redentora, também não podemos separar o cristão da cruz. Jesus pede-nos que carreguemos a nossa cruz, e é por isso que não se pode conceber um cristão sem cruz.

Quando a Igreja nos apresenta a cruz para veneração, o que ela nos propõe é que adoremos Jesus sofredor na sua cruz, esse mesmo Jesus no acto da sua imolação.

Adorar a cruz de Jesus é um gesto inclusive de gratidão, de agradecimento ao Senhor Jesus pelo seu amor extremo, redentor e concreto, não só a favor da humanidade em termos coletivos, mas por cada pessoa, individualmente.

A imagem da cruz, ou até as relíquias da cruz de Jesus não merecem culto por si mesmas, mas somente enquanto relacionadas a Cristo e à adoração que Ele merece de maneira absoluta.

Portanto, nenhum católico adora ou idolatra objectos. A idolatria significa que algo que não é Deus (um ídolo) toma o lugar de Deus. Os católicos só adoram o próprio Deus. A cruz remete a Deus, e é a Deus que adoramos, não a cruz em si.

O católico sabe muito bem que a idolatria é um pecado grave, pois isso significa negar o carácter único de Deus, para o atribuir a pessoas ou coisas criadas. Os católicos não fazem isso. Na idolatria, a pessoa compara (dá o mesmo peso e importância) a criatura com o seu Criador, e esta comparação, sob qualquer ponto de vista, é inaceitável.

 
Por que chamamos a Deus "nosso Pai"? Imprimir e-mail

 

Por que chamamos a Deus “nosso Pai”?

 

Em que sentido Deus é Pai

 Aqui deparam-se-nos duas questões: saber em que sentido Deus é Pai e o que lhe devemos enquanto tal. Ora, Deus é chamado Pai (a) em razão do modo especial com que nos criou, fazendo-nos à sua imagem e semelhança, não impressas nas criaturas inferiores: “Não é ele teu Pai, teu Criador, que te fez e te estabeleceu?” (Dt 32, 6). Também o é (b) em razão do seu governo; ora, ainda que tudo esteja sob o seu poder, a nós Ele governa como senhores, ao passo que as demais coisas são como escravas em suas mãos: “Sois vós, Pai, que o governais pela vossa Providência” (Sb 14, 3) e, como se lê no mesmo livro, “nos governais com muita indulgência” (Sb 12, 18). Deus é Pai, além disso, (c) a título de adoção, pois se às outras criaturas concedeu alguns pequenos dons, a nós transmitiu uma herança, porque nos fez filhos seus e, “se filhos, também herdeiros” (Rm 8, 17). Como diz o Apóstolo, “não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai!” (Rm 8, 15) [1].

O que Lhe devemos Da nossa parte, devemos-Lhe quatro coisas.

a) Em primeiro lugar, que o honremos: “Se eu, pois, sou vosso pai, onde está a minha honra?” (Ml 1, 6), a qual consiste em três coisas: (i) em relação a Deus, dar-lhe louvor, como canta o salmista: “Honra-me quem oferece um sacrifício de louvor” (Sl 49, 23), que deve estar não só nos lábios, mas também no coração: “Esse povo”, disse o Senhor <por boca do profeta>, “vem a mim apenas com palavras e me honra só com os lábios, enquanto o seu coração está longe de mim” (Is 29, 13); (ii) em relação a si mesmo, guardar a pureza de corpo, <como exorta o Apóstolo>: “Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1Cor 6, 20); (iii) em relação ao próximo, julgá-lo com equidade, como diz o Salmo: “Reina o rei poderoso que ama a justiça” (Sl 98, 4).

b) Em segundo, que o imitemos, uma vez que é nosso Pai: “Chamar-me-ás pai, e não cessarás de me seguir” (Jr 3, 19). Ora, imitamo-lo perfeitamente quando a ele nos assemelhamos em três aspectos: (i) no amor: “Sede, pois, imitadores de Deus como filhos muito amados. Progredi na caridade” (Ef 5, 1), e isso deve estar no coração; (ii) na misericórdia, pois o amor deve vir acompanhado de compaixão [2]: “Sede, portanto, misericordiosos” (Lc 6, 36), o que tem de manifestar-se em nossas obras; e (iii) na perfeição, pois o amor e a misericórdia devem ser perfeitos: “Portanto, sede perfeitos, assim como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48).

c) Em terceiro lugar, que lhe sejamos obedientes: “Com quanto mais razão nos havemos de submeter ao Pai das nossas almas?” (Hb 12, 9). E isto por três motivos [3]: primeiro, (i) pelo seu domínio, já que ele é o Senhor: “Faremos tudo o que o Senhor disse e seremos obedientes” (Ex 24, 7); segundo, (ii) pelo exemplo que nos deu o verdadeiro Filho, ao fazer-se obediente ao Pai até à morte, como se diz na Epístola aos Filipenses (cf. Fl 2, 8); terceiro, (iii) porque nos é proveitoso: “Dançarei diante do Senhor que me escolheu” (2Sm 6, 21s) [4].

d) Por fim, que sejamos pacientes nas adversidades com que ele nos castiga, <como aconselha o rei Salomão>: “Meu filho, não desprezes a correção do Senhor, nem te espantes que ele te repreenda, porque o Senhor castiga aquele a quem ama, e pune o filho a quem muito estima” (Pr 3, 11s).

“… nosso…”

O que devemos ao próximo Com esta palavra se põem em evidência os nossos dois deveres para com o próximo. O primeiro é o (a) amor. Com efeito, visto que todos são filhos de Deus, temos de tratar o próximo como a um irmão: “Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê”, diz São João, “é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4, 20). O segundo é o (b) respeito, por ser ele filho de Deus: “Acaso não é um mesmo o Pai de todos nós? Não foi um mesmo Deus que nos criou? Por que razão somos pérfidos uns para com os outros?” (Ml 2, 10); “Adiantai-vos em honrar uns aos outros” (Rm 12, 10). <Assim temos de tratar o nosso semelhante>, por causa do fruto que recebemos daquele que “se tornou autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb5, 9).

Referências

1.A noção de paternidade aplicada a Deus, diz Santo Tomás, só existe propriamente no seio da Santíssima Trindade, uma vez que o Pai gera o Filho ab æterno de sua própria substância, coigual e coeterno a si com a mesma glória e segundo a mesma natureza divina. Em S. Th. I, q. 33, a. 3, co., o Aquinate diferencia quatro tipos de filiação que podem atribuir-se às criaturas com respeito a Deus, não em sentido próprio e adequado, mas em razão de certa semelhança, que pode ser: a) de vestígio, e assim ele é chamado Pai das criaturas irracionais (cf. Jó 38, 28); b) de imagem, e assim ele é Pai das criaturas racionais (cf. Dt 32, 6); c) de graça, e deste modo ele é Pai dos homens que, sendo seus filhos adotivos, ordenam-se à herança da glória eterna pelo dom da graça que lhes foi concedido (cf. Rm 8, 16s); e d) de glória, e neste sentido Deus é Pai dos santos que já entraram na posse da herança eterna (cf. Rm 5, 2).

2.Ao longo de S. Th. II-II, qq. 28-33, São Tomás trata dos efeitos imediatos, tanto internos como externos, do acto principal da virtude da caridade, que é o amor. Entre os efeitos internos, o Angélico enumera a misericórdia, “uma virtude especial […] que nos inclina a compadecer-nos das misérias e desgraças do próximo, considerando-as de certo modo como próprias, enquanto entristecem o nosso irmão e na medida em que podemos, além disso, ver-nos a nós mesmos em semelhante estado. É a virtude por excelência dentre todas as que se referem ao próximo; e o mesmo Deus manifesta em grau sumo a sua omnipotência ao compadecer-se misericordiosamente dos nossos males e remediar as nossas necessidades” (A. Royo Marín, Teología de la Perfección Cristiana. Madrid: BAC, 2012, p. 526, n. 366). O Aquinate chega a afirmar que, considerada em si mesma, a misericórdia é a maior das virtudes, visto que a ela pertence repartir com os outros e socorrê-los na necessidade, o que é característico de quem é superior. É por iso que se diz que ter misericórdia é próprio de Deus, que está acima de todas as criaturas. Mas, do ponto de vista do sujeito, a misericórdia só pode considerar-se a maior virtude se quem a possui for o mais eminente, sem ninguém acima que o socorra e tendo abaixo de si todos os demais. Ora, para quem tem um superior ao qual recorrer é melhor unir-se a ele do que suprir as necessidades de alguém inferior. Por isso, a caridade, pela qual nos unimos a Deus, essencial e soberanamente superior a todos, tem prioridade sobre a misericórdia, pela qual socorremos aos necessitados, acidental e circunstancialmente inferiores a nós (cf. S. Th. II-II, q. 30, a. 4, co.).

3.A obediência, diz São Tomás, é uma virtude moral que nos dispõe a cumprir prontamente as ordens e preceitos de um superior (cf. S. Th. II-II, q. 104, a. 2, ad 3), seja ele outro homem ou o próprio Deus, a cujo império devemos sujeitar a nossa vontade em razão de certa necessidade de justiça, visto que ele é o primeiro motor não só das coisas que se movem naturalmente, mas também de todas as vontades livres (cf. S. Th. II-II, q. 104, a. 4, co.).

4.“Grandes são as vantagens da obediência tanto para a inteligência como para a vontade e o coração. — 1.ª) Para a inteligência: a) Certeza de conhecer e fazer infalivelmente a vontade divina. b) Certeza do socorro divino: Ego ero tecum (Ex 3, 21). c) Certeza de êxito (Rm 8, 28), ainda que o superior esteja equivocado. — 2.ª) Para a vontade: a) É fonte da verdadeira liberdade. Nada escraviza tanto como o apego à própria vontade. b) É fonte de fortaleza; para obedecer até ao heroísmo é preciso ser muito valente; c) É garantia de perseverança no bem. — 3.ª) Para o coração: a) Fonte de paz individual e coletiva. Que sossego no coração, que paz tão profunda reina numa casa ou no mosteiro de pessoas obedientes! b) Princípio de ordem. Cada coisa no seu lugar: o superior, mandando; o súbdito, obedecendo. Resultado: a paz. c) Ausência de responsabilidade e escrúpulos: ‘obedeci’, única conta que temos de prestar a Deus” (A. Royo Marín, op. cit., pp. 581-582, n. 420).

 
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