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Basta-me saber que sois jovens para eu vos amar

São João Bosco

 
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O significado das Velas na Santa Missa Imprimir e-mail

 O significado das Velas na Santa Missa

A importância das velas na Santa Missa

Cada vela compõe-se de: cera, pavio e lume, simbolizando as três Pessoas da Santíssima Trindade.

A cera simboliza o Pai; o pavio, o Filho; e o fogo, o Espírito Santo.

A vela sozinha, acesa, simboliza Cristo Nosso Senhor, porque a cera significa a sua Carne; o fogo simboliza a Divindade.

As duas velas colocadas no altar, mandadas pelo ritual romano, têm a sua origem no Antigo Testamento, quando o Rei Salomão fez dois castiçais de ouro e os pôs no altar do templo, um de cada lado (Êxodo, 25).

A importância da Vela na Santa Missa

Nesse capítulo, fala-se do candelabro que Deus mandou fazer para o templo.

Desde então foi sombra (ou figura) para a Lei da Graça, porque Cristo, na noite da Ceia, também dispôs as luzes para este sacrifício.

Os dois candelabros representam o povo gentio e o povo judeu.

O fogo simboliza a Fé. Simboliza também a alegria dos povos no nascimento do Senhor. Também simboliza Cristo, que disse: “Eu sou a luz do mundo”.

A Missa é para iluminar, e os ministros (sacerdotes) são iluminados.

A luz dos castiçais simboliza a fé do povo. Foi o Papa Melquíades quem mandou usar dois castiçais. Ele governou a Igreja de 311 a 314. Muitas velas na Missa simbolizam a Fé dos assistentes.

Acendem-se velas — diz Santo Agostinho, nos seus sermões: “Para Cristo acender, em nossos corações, o fogo da sua ardente caridade e amor, porque, por amar-nos tanto, padeceu até morrer na cruz”.

É tradição apostólica não celebrar missa sem o crucifixo. Coloca-se a cruz no meio do altar entre dois castiçais, porque significam o povo gentio e o judeu, dos quais Ele foi mediador.

 
No Céu, iremos reconhecer os nossos parentes? Imprimir e-mail

No Céu, iremos reconhecer os nossos parentes?

No Céu, ainda viveremos com os nossos parentes, assim como Nosso Senhor ainda é, e será eternamente, Filho da Virgem Santíssima

Há pessoas que desejariam saber o que acontece à família no Céu; isto é, se Deus ali a recompõe, e se a esperança de possuir os parentes na pátria celeste é uma consolação de que se possa gozar sem receio, sem escrúpulo e sem imperfeição.

Deus coroou de glória e honra a família cristã, e faz brilhar na sua fronte o reflexo dos três principais mistérios da nossa religião.

Vede por onde ela começa: Por um Sacramento que é o sinal sagrado da união do Verbo de Deus com a natureza humana, da união de Jesus Cristo com a sua Igreja, e da união do mesmo Deus com a alma justa.

Quem o disse? Um grande Papa, Inocêncio III. Vede por onde continua: “Maridos, amai as vossas mulheres como Jesus Cristo amou a sua Igreja e se entregou por ela; mulheres, amai os vossos maridos como a igreja ama a Jesus Cristo e se entrega por Ele”.

Quem o disse? O grande apóstolo S. Paulo (Ef., 5, 25).

Vede por onde acaba: Pelas relações de origem que os anjos nos enviam, tanto elas nos recordam as da Trindade e nos procuram alegrias; porque o homem é do homem, como Deus é de Deus. Assim o disse um grande doutor, S. Tomás de Aquino.

Mas teria mais poder o sopro da morte para destruir esta obra prima, do que a virtude força para lhe conservar o esplendor?

E visto que o amor é forte como a morte (Cant., 8, 6), dar-se-á que a caridade de Deus, que criou a família; que a caridade do homem que lhe santifica o uso, não queira ou não possa refazer eternamente no Céu o que a morte desfez temporariamente na terra?

Tertuliano dizia: “Na vida eterna, Deus não separará aqueles que uniu na terra, cuja separação também não permite nesta vida inferior.

A mulher pertencerá ao seu marido, e este possuirá o que há de principal no matrimónio o coração. A abstenção e ausência de toda a comunicação carnal, nada lhe fará perder.

Não será tanto mais honrado um marido quanto mais puro for?”

Aquele que nos deu este preceito: Não separe o homem o que Deus uniu (Mat., 19, 6), deu-nos também o exemplo.

O Verbo contratou com a humanidade um divino desponsório: repudiou ele porventura a sua esposa subindo ao Céu? Pelo contrário, fê-la assentar consigo à direita do seu Eterno Pai.

O Homem Deus tem uma Mãe que é bendita entre todas as mulheres: dedignou-se Ele fazê-la participante da sua glória?

Depois de a associar à sua Paixão na terra, fê-la gozar das alegrias da sua Ressurreição e dos esplendores do seu triunfo, atraindo ao Céu, após si, o seu corpo e a sua alma.

Jesus Cristo tinha dado a alguns homens o nome de irmãos: desconhecê-los-ia mais tarde? Não. Reconheceu os seus Apóstolos no martírio que sofreram por Ele, e fez-se reconhecer por eles no esplendor de que os cerca na Corte Celeste.

Mas o Filho de Deus que assim se dignou recompor, em redor de si, a sua família por natureza e por adopção; não quereria recompor da mesma forma, no Paraíso, esta cristã e religiosa família, que é a vossa e também a sua? Quer, sim, e o Céu oferecerá um espetáculo não menos tocante do que admirável.

Assim como a primeira pessoa da Augustíssima Trindade, dirigindo-se à segunda, lhe diz: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Act., 13, 33); e a segunda diz à primeira, com o acento da piedade filial: Meu Pai, Pai justo, Pai santo, guarda aqueles que me foram dados em teu nome para que sejam um, como nós somos um, vós em mim e eu neles (Jo., 17, 11, 22-25):

Assim também uma criatura humana se voltará para outra e lhe dirá com ternura: Meu filho, minha filha! E do coração desta subirá para aquela, esta exclamação de amor: Meu Pai!

Assim como o único Filho de Deus se regozija de poder dizer a uma mulher: Vós sois minha Mãe; também inumeráveis escolhidos exultarão de alegria dizendo igualmente a uma mulher: Minha mãe!

Ora, se fosse verdade… que os membros da mesma família se não reconhecessem no Céu, Jesus não reconheceria já a sua Mãe nem seria reconhecido por ela.

Um piedoso autor escrevia: “A Santíssima Virgem conserva intacta a sua autoridade maternal sobre o corpo do seu Filho, Nosso Senhor; mesmo depois da Ressurreição e Ascensão; porque o seu direito é perpétuo e inalienável.

Depois de se ter deleitado, durante a sua vida mortal, na submissão a Maria; Jesus compraz-se ainda em mostrar-se seu filho na bem-aventurada imortalidade, e em reconhecê-la por sua Mãe.

Temos a prova disto nas numerosas aparições, em que ele se tem feito ver sob a forma de um menino nos braços de sua Mãe; e se tem mesmo dado a alguns Santos pelas suas virginais mãos.

Na glória, os parentes conservam um contínuo cuidado dos seus próximos, e particularmente dos filhos, que são uma parte deles mesmos, e por assim dizer, outros eles.

É, pois, indubitável que a Mãe de Jesus tem sempre o pensamento unido a tudo o que toca ao corpo do seu querido Filho; tanto na obscuridade do Sacramento como nos esplendores da glória.

Segue-o, do alto do Céu, com a vista e com o coração em todos os lugares em que se encontra presente na terra, pela consagração eucarística”.

A eterna duração desta maternal ternura e desta filial piedade, explica e justifica o belo titulo de Nossa Senhora do Sagrado Coração, dado a Maria.

Nosso Senhor possui no mais alto grau o sentimento do amor filial, um dos mais nobres do coração humano, e longe de se despojar dele depois da ressurreição e da sua gloriosa ascensão; tê-lo-ia dilatado, fortificado e elevado no seu mais sublime poder; se fosse permitido dizê-lo, no seu estado de bem-aventurada transfiguração, em que está assentado à direita de seu Pai. Assim, é fácil concluir que a augusta Virgem Maria possui sobre o seu divino Coração um soberano poder, de que ela é verdadeiramente a Senhora ou a Rainha”.

 
Como ser santo nos dias de hoje? Imprimir e-mail

 

Como posso ser santo nos dias de hoje?

 

Deus me quer santo

 

Já paraste para pensar que Deus, por meio do Espírito Santo, derrama a santidade sobre o Seu povo fiel, porque Ele próprio quer salvar e santificar os homens? Sim, esta é uma verdade que acontece. Portanto, podemo-nos ajudar, porque Deus não nos quer salvar sozinhos, mas quer, comunitariamente, levar em conta as nossas relações, e, assim, a santidade acontece nas coisas simples.

Não precisamos de almejar realidades grandiosas, mas podemos buscar a santidade no quotidiano da nossa vida. O Papa traz o exemplo dos pais que criam os seus filhos, nos homens e mulheres que trabalham para trazer o pão para dentro de casa, nos doentes e idosos que continuam a sorrir. Estes são “os santos ao pé da porta”. Pessoas que, nos afazeres diários, buscam realizá-los com amor. O segredo está em viver com alegria, honestidade e competência o seu trabalho, ou melhor, a sua vocação. Por isso, utiliza os momentos ordinários para viver de forma extraordinária. Assim seremos santos!

 

Configurado a Cristo

 

Alcançaremos a santidade à medida que nos formos configurando e identificando com Cristo. Esta mudança a realizará o Espírito Santo, à medida que Lhe dermos abertura, para que nos transforme. Como já aprendemos, este é o desejo de Deus: a nossa santidade. Sendo assim, o próprio Deus nos apresentará situações e pessoas para que possamos crescer em santidade.

 

A fuga nunca será capaz de modelar santos; pelo contrário, somente enfrentando a nós mesmos e os que vêm ao nosso encontro teremos a possibilidade de sermos transformados em pessoas melhores. Da mesma forma que o silêncio e a oração geram em nós o homem novo, o encontro com o outro dá-nos a capacidade de agirmos como novo homem.

 

Um dos desafios para os que querem ser santos nos dias de hoje: Não cair num ativismo nem ocupação excessiva com as coisas, esquecendo o autor das coisas nem tão pouco fugindo dos encontros e obrigações próprias de qualquer pessoa comum. O Papa Francisco exorta-nos: “Precisamos de um espírito de santidade que impregne tanto a solidão como o serviço, tanto a intimidade como a tarefa evangelizadora, para que cada instante seja expressão do amor doado sob o olhar do Senhor” (n. 31).

 

Cada vez mais humanos

 

A santidade, como já deu para perceber, realiza-se na vida, no quotidiano e nas coisas simples que cada pessoa realiza. Colocar amor naquilo que fazemos dá um sentido totalmente evangélico nos afazeres da vida. Por isso, podemo-nos lançar sem medo de sermos santos, pois nada nos será tirado, nem as forças nem a alegria, porque, afinal de contas, foi Deus quem desejou isto para nós, e esta é a nossa vocação primeira, a santidade.

 

Tornar-se humano nada mais é do que fazer as coisas normais do nosso dia, mas, como acima mencionado, com amor. Eis o segredo! Contudo, um amor de facto e não um amor de teorias. Um amor traduzido em actos com aqueles que estão mais próximos de nós. Comecemos por esses. Tenhamos quase a certeza de que, durante o dia, estamos rodeados de pessoas que nos são caras ao coração, e muitas dessas pessoas podemos dizer que as amamos. Eis que temos um campo repleto de pessoas para amar, e assim nos tornarmos testemunhas de uma santidade humana, sem deixar de reconhecer a graça de Deus nas nossas atitudes.

Vamos ser o que Deus quer de nós. Santos! Por assim dizer, sermos cada vez mais humanizados e solícitos com aqueles que mais necessitam. O Papa Francisco exorta: “Não tenhas medo de apontar para mais alto, de te deixares amar e libertar por Deus. Não tenhas medo de te deixares guiar pelo Espírito Santo. A santidade não te torna menos humano, porque é o encontro com a tua fragilidade e com a força da graça” (n. 34).

 

“[…] existe apenas uma tristeza: a de não ser santo” (León Bloy)

 
Será que Deus me ama? Imprimir e-mail

 

Será que Deus me ama?

A resposta está na Bíblia, “Amei-te com um amor eterno.” (Jeremias 31:3).

Não importa até onde tentaste fugir de Deus. Ele ama-te e quer perdoar os teus pecados todos. Deus criou-te e tem um plano para a tua vida.

Descobre o amor de Deus. Lê a seguir os 4 Passos para a Paz

1. Deus ama-te e tem um propósito para ti!

A Bíblia diz: “Deus amou de tal modo o mundo que entregou o seu Filho único [Jesus Cristo], para que todo o que nele crer não se perca, mas tenha a vida eterna.” (Evangelho de João 3:16)

Jesus disse: “… eu vim para dar vida, e com abundância.” (João 10:10) — uma vida completa e com um propósito.

Mas há um problema:

2. O Homem é pecador e está separado de Deus

Todos fizemos, pensamos ou dissemos coisas erradas, a que a Bíblia chama “pecado”. A Bíblia diz: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus.” (Romanos 3:23).

O resultado do pecado é a morte, a separação espiritual de Deus (Romanos 6:23).

As boas notícias são:

3. Deus enviou o seu Filho para morrer pelos teus pecados!

Jesus morreu no nosso lugar para que pudéssemos viver com Ele eternamente.

 “Mas Deus prova o seu amor para connosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Romanos 5:8).

Mas a Sua morte na cruz não foi o fim. Ele ressuscitou e está vivo hoje!

 “Cristo morreu pelos nossos pecados,… foi sepultado, e três dias depois ressuscitou dos mortos, conforme as Escrituras.” (1 Coríntios 15:3-4).

Jesus é o único caminho para Deus.

Jesus disse, “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14:6).

4. Queres receber o perdão de Deus?

Não podemos ganhar a salvação; somos salvos pela graça de Deus quando pomos a nossa fé no Seu Filho, Jesus Cristo. Tudo o que precisas de fazer é admitir que és um pecador, crer que Cristo morreu pelos teus pecados, e pedir o Seu perdão.

Ele conhece-te e ama-te. Para Ele importa a atitude do teu coração e a tua honestidade. Sugerimos-te que faças uma oração como esta para receber Jesus como teu Salvador:

 “Senhor Jesus Cristo,

Estou arrependido das coisas erradas que tenho feito na minha vida. Peço o teu perdão e deixo agora todas essas coisas. Te agradeço por teres morrido na cruz por mim para me libertar dos meus pecados. Peço que entres na minha vida e me enchas com o teu Espírito Santo, para estares comigo para sempre.

Muito obrigado, Senhor Jesus.

Amém.”

 
Ser baptizado ou não, faz diferença? Imprimir e-mail

Ser batizado ou não, faz diferença? 

É através do Baptismo que participamos da Redenção que Jesus nos conquistou com o Seu precioso sangue. Tanto assim, que Ele disse aos Apóstolos, pouco antes da sua Ascensão ao Céu: “Quem crer e for baptizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Marcos 16,16).

Pelo pecado de Adão e Eva, a humanidade separou-se de Deus, e experimentou a danação, já que Deus é a fonte da vida do homem.

Jesus veio para “tirar o pecado do mundo” (João 1, 29) e repor o homem em comunhão com Deus.

E fez isto pela sua Paixão e Morte de Cruz, e deixou a Igreja e os Sacramentos para que esta salvação chegue a cada pessoa.

O Baptismo é exactamente este primeiro sacramento que nos faz “membros do Corpo de Cristo” (cf. I Coríntios 12, 27) e participantes dos Seus méritos. Assim, ser baptizado, é fazer parte de Jesus, é ser membro da Sua Igreja, é ser filho de Deus adoptado por Jesus Cristo, é ter o Céu por herança, e ter Maria como Mãe. Logo, ser baptizado faz muita diferença!

Ser baptizado é a maior graça que alguém pode receber na terra; por isso, a Igreja não quer que ninguém fique sem o Baptismo; e a criança, pela fé dos pais e padrinhos, deve ser baptizada quanto mais cedo melhor.

De todos os meus diplomas, nem mesmo o doutorado tem este valor; a Certidão de Baptismo é o mais importante!

 
As evidências da existência de Deus, segundo São Tomás de Aquino Imprimir e-mail

As evidências da existência de Deus, segundo São Tomas de Aquino 

Com os argumentos de São Tomás de Aquino, conhecemos as coerências racionais para a existência de Deus

Não é fácil expor, em linhas tão curtas, os raciocínios que provam, racionalmente, a existência de Deus. Seria fácil elencar realidades que causam interrogações. Destruir é sempre mais fácil, mas efémero. Construir é que denota grandeza, mais trabalho e tempo. Exponho, de forma muito simples e com auxílio das fontes expressas abaixo, as cinco vias ou argumentos do grande doutor São Tomás de Aquino. Nelas, o doutor angélico explica, com grandeza, as coerências racionais para existência de Deus. Que este texto sirva apenas de estímulo para conhecer e estudar as cinco vias de São Tomás:

1ª Via do movimento/primeiro motor;

 2ª Via da causa eficiente;

 3ª Via do contingente e do necessário;

 4ª Via dos graus de perfeição;

 5ª Via do governo das coisas/da finalidade ser.

 

1ª Via do movimento/primeiro motor:

A primeira via fala de um facto do mundo: o movimento. O sentido da palavra movimento aqui não é simplesmente a locomoção de um lado a outro, mas a modificação dos entes. Percebemos pelos sentidos que as coisas se movimentam. “Os nossos sentidos atestam, com toda a certeza, que, neste mundo, algumas coisas se movem. Ora, tudo o que é movido é movido por outro. Nada se move que não esteja em potência em relação ao termo do seu movimento; ao contrário, o que se move o faz enquanto se encontra em acto” (S. Th. I, q.2, a. 3). São Tomás diz que, antes do movimento, os seres estão em potência, isto é, possuem a possibilidade de se tornar diferentes do que são. Ao se moverem, a potência transforma-se em acto (actualização). Se tentarmos regressar para buscar a origem, vamos perceber que é necessário ter um primeiro motor, não movido por nenhum outro senão Deus.

1- No mundo, algumas coisas são movidas;

 2- Tudo o que é movido, é movido por outro;

 3- Não se pode preceder até ao infinito nos moventes e movidos;

 4- Logo, é necessário um primeiro motor não movido por outrem, que é Deus.

 

2ª Via da causa eficiente:

A segunda via observa que tudo depende de uma causa para agir e existir. Ela tem forte semelhança com a primeira, mas, nessa, os seres dependem de uma causa eficiente para existir, enquanto naquela se observa a necessidade de uma causa motriz. Se, regressarmos na relação causa e efeito, chegaremos a uma causa primeira não subordinada e não causada, pois não pode ser causada por outra, caso contrário, não seria a primeira nem poderia ser absolutamente independente no agir e no causar. A essa causa eficiente primeira chamamos Deus.

1- No mundo, todas as coisas têm uma causa eficiente;

 2- Nada pode ser a causa eficiente de si mesmo;

 3- Não é possível que se proceda até ao infinito nas causas eficientes;

 4- Logo, existe uma causa primeira eficiente, que é Deus.

 

3ª Via do contingente e do necessário:

A terceira via é semelhante à primeira e à segunda. Entrando mais intimamente na essência dos entes do universo, procura o ponto de partida na entidade desses seres contingentes, ou seja, dependente de outro ser necessário para existir.

Vemos que há seres contingentes que existem, mas poderiam não existir, por não ter em si mesmos, em sua essência, a razão da sua existência. Da possibilidade de não existir, fica a necessidade de outro ser que lhe cause a existência. Se, remontarmos ao infinito, chegaremos ao ser necessário, que tem em si a razão absoluta da sua existência. Contendo na sua própria essência a sua existência, seria absurdo não existir. Desta forma, é necessário afirmar a existência de um ser necessário por si mesmo, e que é a causa e a necessidade de todos os outros: Deus.

1- No mundo, há coisas contingentes que existem, mas poderiam não existir;

 2- Mas é preciso que algo seja necessário entre as coisas;

 3- Não é possível que se proceda ao infinito nas coisas necessárias;

 4- Logo, existe um primeiro necessário, que é Deus.

 

4ª Via dos graus de perfeição:

A quarta via é aprovada pelos graus de perfeição dos entes. O nosso entendimento percebe que existe um grau de perfeição em todas as coisas. Esses graus estão presentes desde os objetos mais comuns até aos sentimentos mais obscuros ou nobres, julgamos sobre tais graus de tais coisas, tendo como referência alguma coisa de grau máximo. Se para cada coisa existente há um grau máximo, portanto, deve existir um Ser que contém todos os atributos e coisas possíveis em seus graus de perfeição no máximo – e que seria gerador de todas as coisas em grau de perfeição menor. São Tomás de Aquino diz que “se encontra nas coisas algo mais ou menos bom, mais ou menos verdadeiro, mais ou menos nobre, etc.. Ora, mais e menos se dizem de coisas diversas, conforme elas se aproximam diferentemente daquilo que é em si o máximo”. Esse Ser é Deus.

1- No mundo, as coisas têm diferentes graus de perfeição;

 2- Os graus de perfeição atribuem-se em relação à proximidade do grau máximo;

 3- O grau máximo de um género é a causa de todas as coisas desse género;

 4- Logo, há algo que é a causa da existência para todas as coisas, que é Deus.

 

5ª Via do governo das coisas/da finalidade ser:

A quinta via é a prova pela ordem do universo. Se considerarmos a ordem existente no universo, desde os componentes microscópicos existentes até aos gigantescos astros do firmamento; a harmonia, a actividade e relação entre eles, facilmente chegamos à seguinte conclusão: houve uma inteligência que criou e ordenou tudo isso; caso contrário, seria absurdo dizer que isso é fruto do acaso.

“De facto, apenas a inteligência pode ser razão da ordem, quer dizer, da organização dos meios em vista de um fim, ou dos elementos em vista do todo que eles compõem: os corpos ignoram os fins e, por conseguinte, se os corpos ou os elementos conspiram em conjunto, é necessário que a sua organização tenha sido obra de uma inteligência”.

Garrigou-Lagrange diz: “Os seres privados de razão não tendem a um fim se não são guiados por uma inteligência, como a flecha pelo arqueiro. Com efeito, uma coisa não pode estar ordenada à outra senão por uma causa ordenadora, que necessariamente deve ser inteligente, sapientis est ordinare. Por quê? Porque só a inteligência conhece a razão de ser das coisas”.

Que inteligência ordena o universo?

Tem de ser diferente dos seres da natureza, porque os minerais e vegetais são desprovidos da ciência das coisas e os animais não possuem intelecto. Deve ser, também, diferente da inteligência humana, que, apesar de perceber e explicar a ordem que existe, não a cria. Tem que ser, pois, a suma inteligência, dado que a ordem do universo supõe um ser que possua a ciência de todos os seres e suas propriedades. Por isso, conclui Garrigou-Lagrange: “Os animais conhecem sensivelmente o objecto que constitui o seu fim, mas nesse objecto não percebem a razão formal do fim. Por conseguinte, se não houvesse uma inteligência ordenadora, que governasse o mundo, a ordem e a inteligibilidade que há no universo e que as ciências descobrem, proviria da inteligibilidade, e ainda mais, as nossas próprias inteligências proviriam de uma causa cega e ininteligível; uma vez mais, o mais sairia do menos, o que é absurdo”.

Inteligência Criadora e Ordenadora

É preciso esclarecer que a Inteligência Criadora e Ordenadora do universo é Infinita e Divina. Um ser natural, na sua criação, não é precedido por nada e as suas propriedades e capacidades provêm da sua própria essência. Daí, a ordem interna de cada ser e, por conseguinte, das relações destas essências entre si, resulta a ordem externa do universo.

Sendo a causa total de toda a ordem, o Autor dessas essências precisa de ser também Criador, por tirá-las do nada. Portanto, a Inteligência ordenadora é também, Criadora. Também, essa Inteligência não pode ter sido criada, porque seria como qualquer outro ser existente e não ordenaria, mas seria ordenada por outra inteligência. Por fim, a Inteligência ordenadora deve ser também por si subsistente e infinita. A esse ser Criador, subsistente por si e infinito, chamamos Deus.

1- No mundo, algumas coisas operam por causa de um fim.

 2- Essas coisas não atingem o fim por acaso.

 3- Essas coisas não tendem a um fim a não ser que estejam a ser dirigidas por algo inteligente.

 4- Logo, existe algo inteligente, que é Deus, que dirige as coisas a um fim.

 
Olhemos para o mundo hoje e amanhã: não há razão para ter medo Imprimir e-mail

 

Olhemos para o mundo hoje e amanhã: não há razão para ter medo

 

A Igreja Católica esteve sempre à beira da morte. E à beira de uma grande vitória. Os cardeais dizem que escolheram o Papa Francisco porque ele entende isto. “Não tenhas medo de ir e trazer Cristo para todas as áreas da vida”, disse depois de se tornar Papa.

O que precisa de mudar? Muito. As comunidades vão-se desgastando porque os vizinhos não se conhecem, o discurso político tóxico transforma a discordância em ódio, e as tecnologias de smartphone e games conectam estranhos de maneira superficial, deixando os membros da família sentindo-se isolados uns dos outros. A fé está a desaparecer em muitas comunidades, e o crime e o suicídio estão a aumentar.

 “Quando tu suprimes o desejo por Deus, isto é muito perigoso psicologicamente. Eu vejo sempre isto na forma de vícios e depressões profundas”, disse o bispo de Los Angeles, Robert Barron. “É perigoso fechar as portas a Deus.”

Mas a Igreja insiste que os católicos ainda são capazes de transformar o mundo – e até explica como.

 “O propósito do Evangelho é transformar a humanidade a partir de dentro e torná-la nova”, explicou São João Paulo II.

Como o fermento que fermenta toda a massa, o Evangelho pretende permear as culturas e dar-lhes vida a partir de dentro. O truque é parar de pensar do modo que São Pedro fez depois da crucificação, e começar a pensar da maneira como ele fez depois de Pentecostes.

Após a crucificação, tudo parecia perdido. Jesus tinha sido morto. O império e o establishment religioso estavam a trabalhar em conjunto para se opor aos cristãos, e ninguém parecia importar-se com o que eles tinham a dizer.

Depois do Pentecostes, todos estes factos permaneceram os mesmos, mas agora eles sabiam que Cristo tinha ressuscitado dos mortos e que o Espírito Santo – o próprio Deus – estava com eles.

Daquele dia em diante, o cristianismo nunca parou de crescer. Cresceu das ruínas do templo depois que foi destruído e cresceu das ruínas do império romano depois que desmoronou.

Como é que a cultura da Europa foi transformada? O Papa Bento XVI recebeu o seu nome do grande santo a quem ele atribuiu a renovação da “civilização e cultura” do Ocidente.

Hoje, para buscar um progresso verdadeiro – disse ele – ouça a Regra de São Bento como uma luz para guiar o nosso caminho. O grande monge ainda é um verdadeiro mestre.

Quando São Bento escreveu a sua Regra, a cultura do seu tempo estava em colapso em muitos dos mesmos aspectos que o nosso mundo de hoje.

As comunidades foram se desgastando quando as estradas romanas, em decomposição, se tornaram perigosas, e o comércio diminuiu. A fé rachou quando várias comunidades seguiram o seu próprio caminho, inconscientes ou desinteressadas pelo que a Igreja ensinava.

As taxas de alfabetização decaíram para irrisórias, e grandes obras da civilização foram perdidas ou ignoradas. Os mosteiros de São Bento e Santa Escolástica acenderam pequenas luzes na escuridão. E bastou isto para reacender as luzes. As abadias tornaram-se os centros de comunidade, fé e erudição.

Dos mosteiros vieram gigantes espirituais como São Gregório Magno, São Bonifácio, Agostinho de Cantuária e Santa Hildegarda, que espalharam a luz de Bento aos reinos pagãos da Europa e a alastraram como fogo.

A mesma coisa pode acontecer nos países, hoje. Quando o cardeal de Nova York, Timothy Dolan, visitou o Kansas, disse: “O sonho e o desafio dos beneditinos de renovar a cultura através do ensino superior católico é tão revolucionário hoje como era no século VI”.

As mesmas três ferramentas – comunidade, fé e erudição – podem transformar a cultura de hoje. Então não tenhas medo do mundo. Pensa nisto como um gigante desafio que precisa desesperadamente de nós.

 
O que fazer com uma imagem sagrada abençoada, mas se quebrou? Imprimir e-mail

O que fazer com uma imagem sagrada que foi abençoada, mas se quebrou? 

Posso deitar fora uma imagem sagrada abençoada que quebrou?

Destaquemos primeiro a importância e o valor das imagens na Igreja. Recordemos que católico não adora imagens, mas tem por elas veneração.

São João Damasceno diz que “antigamente, Deus, que não tem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas, agora que se mostrou na carne e viveu com os homens, posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. (…) Com o rosto descoberto, contemplamos a glória do Senhor” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1159).

Nesta perspectiva, o Catecismo da Igreja ensina que, “na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos padres e da tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos, com toda a certeza e acerto, que as veneráveis e santas imagens […] devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1161). A Igreja sempre valorizou tais práticas que conduzem para o próprio Deus.

Como dispensar com zelo imagens sagradas abençoadas, quebradas?

Um primeiro ponto a ser observado em relação a uma imagem sagrada que se quebrou, é verificar a possibilidade de a restaurar, se for oportuno.

Após uma avaliação do estado da imagem e não havendo uma possibilidade ou interesse na sua restauração, o próximo passo seria utilizar a forma mais coerente de se desfazer do objecto, levando em conta o seu significado.

A sugestão é que não há “necessidade” de se levar as imagens quebradas para depositar nas Igrejas, cemitérios, lançar ao rio ou noutros lugares, mas podem ser trituradas e enterradas no jardim ou num vaso da sua casa. O sentido é evitar a possibilidade de as imagens que foram abençoadas serem escarnecidas, ao serem lançadas no lixo com indignidade ou deixadas em lugar indevido.

Com isso, deve-se desfazer das imagens danificadas de forma que o seu valor espiritual e significado religioso não sejam afectados, evitando qualquer sinal de desrespeito.

Dizia São João Damasceno: “a beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para os meus olhos, como o espectáculo do campo estimula o meu coração a dar glória a Deus”.

Assim, a função, tanto das imagens abençoadas, como dos ícones santos em boas condições, é entrar “na harmonia dos sinais da celebração, para que o mistério celebrado se grave na memória do coração e se exprima em seguida na vida nova dos fiéis” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1162).

Portanto, uma imagem que está quebrada ou danificada não atinge todo o seu objectivo, por isso, pode ser dispensada sem nenhum problema.

 
Deus não espera que gostemos das decisões dEle, mas que as entendamos Imprimir e-mail

 

Deus não espera que gostemos das decisões d’Ele, mas que as entendamos

 

Meditemos no Evangelho de São João, no capítulo 11, versículos de 28 a 45, para entendermos algumas coisas.

 

O Evangelho mostra que Lázaro estava morto. Na voz de Maria, irmã de Lázaro, não havia revolta, ela apenas disse o que lhe doía no coração.

 

Esta Palavra é perfeita! Jesus chorou diante da dor de Maria, a alma d’Ele ficou mexida. Jesus abalou-se com as dores de Maria, assim como se abala com a dor de cada de um de nós.

 

Nunca percamos a nossa fé

 

O que distingue a fé cristã das outras é que, nós, acreditamos na ressurreição dos mortos, porque Jesus ressuscitou. Acreditamos que vamos ressuscitar pela força da fé. Nesta vida, podemos perder tudo, mas nunca percamos a nossa fé!

 

A promessa de Deus a Abraão

 

Abraão e a sua esposa eram idosos, além disso, a sua esposa era estéril. Na juventude não conseguiram ter filhos. Quando eram velhinhos, Jesus enviou-lhes três anjos para lhes dizer que, no ano seguinte, voltassem à casa deles. Porque a sua esposa, Sara, estaria grávida. Abraão, mesmo velhinho, acreditou na promessa de Deus.

 

José do Egipto, instrumento de salvação

 

José do Egipto não entendia a inveja dos seus irmãos. Um dia, engaram José para tentar matá-lo. Um dos irmãos parou e reflectiu: “Se matarmos um dos nossos, se derramarmos o sangue dele, seremos amaldiçoados”. Dizia isto, porque o queria salvar. Deu a ideia de o lançar a um poço e, depois, voltaria para salvar José. Porém, uma caravana de escravos passou por ali e os irmãos venderam José.

 

Entre tantos contratempos que José enfrentou, Deus foi-o levantando. José, foi metido na prisão como um violador, ele estava a padecer sem ter culpa alguma. E só escapou por uma intervenção divina e, a partir disso, salvou todo o Egipto.

 

Um dia, precisando de comida, os irmãos de José foram buscar alimento ao Egipto. José, reconheceu os seus irmãos, e montou uma armadilha para eles que os fez chorar. Não se vingou deles. Deus acolheu José para que ele fosse instrumento de salvação para muitos.

 

Precisamos de entender a decisão de Deus

 

Tudo o que Deus faz é sempre melhor do que esperamos. Pode ser que Deus não te tenha dado aquilo que pedias, mas aconteceram coisas bem melhores na tua vida.

 

Choramos a perda das pessoas, mas esquecemo-nos de agradecer a alegria delas terem vivido na nossa vida, das coisas boas que compartilhámos juntos. Tudo o que devolvemos a Deus está preservado para a vida eterna.

 

Muitas vezes, não entendemos o porquê Deus levou os nossos entes queridos, não entendemos os caminhos tortuosos por onde Ele nos leva, não entendemos porque a nossa graça demora a chegar. Deus não espera que gostemos das decisões d’Ele, mas apenas que as entendamos. 

 
O que é a superstição? Tu és uma pessoa supersticiosa? Imprimir e-mail

 

O que é superstição? Tu és uma pessoa supersticiosa? 

 

Quem nunca ouviu falar de superstição e nas crendices do povo?

A história da humanidade está repleta de relatos relacionados com a superstição. Medo de gato preto, não passar debaixo de escadas, dentre tantas outras, são histórias que permeiam a vida de todos nós.

As superstições são tão antigas como a humanidade. Estão presentes na história e associadas aos rituais pagãos, em que as pessoas louvavam a natureza.  Quem nunca ouviu falar de uma delas? Há séculos convivemos com estes costumes, muitas vezes, sem saber como nasceram.

Algumas destas práticas são tão presentes no nosso quotidiano que as multiplicamos automaticamente na nossa vida.

Bater na madeira é um hábito milenar dos pagãos, pois acreditam que as árvores seriam a moradia dos deuses, batiam na madeira como forma de espantar os maus espíritos que rondavam, chamando o poder das divindades.

Afinal, o que é superstição?

O termo “superstição” vem do latim “superstitio” e tem a sua origem no que acreditamos a partir do conhecimento popular. Trata-se de uma crendice sem base na razão ou conhecimento, ou ainda, algo muito relacionado ao comportamento supersticioso e mágico, ligado à maior ou menor “sorte”, em determinada situação.

Desde a antiguidade, os povos eram cheios de crenças ligadas aos aspectos mágicos, identificando situações que dariam ou não sorte aos que seguissem determinadas práticas.

Muitas superstições nascem de hábitos do passado que fazem sentido e que cuja razão se perdeu ao longo do tempo, multiplicando uma situação inexistente que, muitas vezes, vem do modo fácil e tranquilo: usar a roupa da sorte, a bebida especial, a planta de tal tipo. A superstição responde à nossa necessidade de segurança, conforme afirmação de Kloetzel. “Não é simples coincidência que, justamente o campo da saúde e da doença, em que o nosso desamparo se torna mais evidente, esteja mais ‘minado’ por toda a sorte de crendices” […]. “Sabe-se, também, que é entre os idosos, às voltas com a ideia de morte, que o misticismo e a religião encontram maior número de devotos”, revela o autor.

Estamos em pleno século XXI, mas ainda há muitos factos assim, sem uma base exacta. E, a verdade é que, até aqueles que são mais descrentes, céticos, muitas vezes, vão atrás da “boa sorte”. E por mais que digam que a religião pode carregar características supersticiosas, é um grande erro confundir as coisas, pois religião não é magia.

 Acto supersticioso é o facto de alguém trazer um talismã, evitar situações, praticar actos de sorte ou coisas do género. Religião é algo que permanece com o tempo e necessário é crer de forma intensa; enquanto que, a superstição é algo em que não se acredita 100%, mas se faz esta ou aquela simpatia, carrega-se um objeto da sorte.

Não acredites na superstição

O que chamamos de comportamento supersticioso nem sempre é comprovado e, muitas vezes, é lendário, ou seja, de tanto se acreditar que algo dá azar ou sorte, a tradição deu àquele número, objecto ou situação um carácter de favorecimento e crença.

E tu? Já paraste para pensar naquilo que cultivas e em que acreditas? Será que tens dado mais valor às superstições do que à tua vida de cristão?

Aqui fica esta reflexão para revermos como cada um de nós assume medos, crenças e crendices que tantas vezes mobilizam as nossas vidas.

 
O orgulho . A Arma secreta" do diabo para nos destruir Imprimir e-mail

O ORGULHO - A arma “secreta” do diabo para nos destruir

O diabo tem uma arma secreta para imobilizar aqueles que lhe tiram as almas e colaboram para a salvação delas. Ele tem armadilhas subtis e usa a sua estratégia mais efectiva: a “descrença”.

Assim, ele faz com que a palavra das pessoas perca o valor. Ninguém mais as ouvirá.

De alguma maneira, ele deixa as pessoas desacreditadas diante do mundo. E, assim, tira-as do combate. Deixa-as sem palavras, para que elas não se tornem uma moléstia para ele e para os seus planos de acabar com as nossas almas.

Como acontece isto? É muito simples. Quando um sacerdote ou um leigo começa a destacar-se no caminho da santidade, atraindo muitas almas para Deus, isso torna-se impensável para o demónio, que fará tudo para que estas pessoas fiquem em suas mãos.

Como ele é esperto, quando começa a perder almas, puxa pela sua arma preferida: tornar descrente a pessoa que faz um belo apostolado. Ele esforçar-se-á para fazê-la cair em pecado, por meio de subtilezas e armadilhas quase invisíveis. Ou simplesmente tratará de semear o que temos latente em nossos corações: o orgulho.

O orgulho é capaz de ofuscar a tua fé e te destruir facilmente.

Conta-se a história de um frade muito santo, sobre o qual todos falavam. O Papa, ao conhecer a sua santidade, quis conhecê-lo e convidou-o para que o viesse visitar. O pontífice sentou-se ao lado do frade, para o ouvir melhor. Entretanto, ao voltar para casa, o frade encheu-se de orgulho e descuidou-se da vida de oração. E passou a queixar-se que as pessoas não o tratavam com a dignidade que ele merecia, por ter estado ao lado do Papa. Com o tempo, ele abandonou a sua ordem religiosa e morreu negando a sua fé.

Ao longo da vida nós aprendemos que “o orgulho é um mau conselheiro”. Mas como blindar-se dele? Esforçando-se para manter uma vida santa, permanecendo no amor de Jesus: confissão frequente, fazer muita oração e receber os outros sacramentos são como um muro que te protege dos ataques diários do maligno. Ele é muito subtil. E tu deves ficar sempre alerta. O diabo é mais do que mau, é péssimo!

Eu conheço casos recentes de pessoas que escalavam a montanha de Deus e, de repente, tropeçaram, rolaram por aí abaixo. Duas senhoras que requentavam aqui as tardes de oração, mas que se perderam pelo orgulho: uma saiu e começou a dizer que ela era deusa. A outra dava conselhos a toda a gente. E dizia que era uma santa. Mas uma amiga apanhou-a porque viu que ela falava muito, levou-a para o espiritismo e agora é um tormento em casa para o marido e para a família. Ninguém a segura. Estas pessoas caíram porque não lutaram para se levantar novamente e descuidaram os seus apostolados. Como o demónio conseguiu fazer isto? Muito simples: desanimando-os. Quando tu ficas desanimado (a), deixas logo de caminhar, separas-te do grupo, abandona a oração e isolas-te.

Já aconteceu isto contigo? Eu penso muito nisto. Em momentos assim, difíceis, deves rezar, rezar mais e pedir a Deus o discernimento para compreenderes o que está a acontecendo contigo, descobrir a vontade do Senhor e encontrar uma saída rápida.

Pede ao Espírito Santo que renove a tua vida, que te devolva a alegria do apostolado, essa paz sobrenatural que te preenchia e te fazia levar o seu testemunho aos outros.  E te sentias feliz e realizada.

Luta! Não permitas que a tua voz se cale. Não deixes de levar um abraço fraterno, um prato de comida, uma palavra de alento a quem precisa.

Não tenhas medo. Resiste! Deus está contigo. E espera muito de ti.

E tu, sempre com humildade, confia muito no Senhor e avança.

 
O que farias hoje, se o mundo acabasse amanhã? Imprimir e-mail

O que farias hoje, se o mundo acabasse amanhã?

O fim do mundo é um assunto que preocupa muita gente e causa diversas reacções: medo, agitação, ansiedade, indiferença. Tais comportamentos podem variar de acordo com a filosofia de vida de cada pessoa, com a sua crença.
 
Os católicos, por exemplo, acreditam no fim dos tempos, que se refere à segunda vinda de Cristo, o que não significa que o mundo vai acabar.
 
Nós acreditamos que, com a segunda vinda de Cristo, haverá céus novos e terra nova, onde nós viveremos com Cristo. Fim do mundo é a morte, o fim deste mundo. Só que nós acreditamos que somos apenas peregrinos neste mundo, o nosso lugar é o céu.
 
A partir da Revelação, sabe-se que o mundo não é definitivo, o que significa que ele terá o seu fim. Porém, não se sabe quando isso vai acontecer.
 
O próprio Filho do Homem disse que nós não sabemos nem o dia e nem a hora em que isso acontecerá. Desde o início dos séculos sempre apareceram falsos profetas que anunciaram o fim do mundo e, como era de se esperar, todas essas previsões foram por água abaixo, continua a ser válido o que o Senhor disse a seus discípulos.
 
Comportamento humano diante do fim do mundo
 
Várias são as hipóteses levantadas para o fim do mundo, mas o que costuma ser comum é o comportamento do homem frente a essa possibilidade. Normalmente, as pessoas tendem a preocupar-se com o aspecto material, querendo realizar tudo o que elas não puderam fazer. O lado espiritual, por sua vez, nem sempre é contemplado.
As pessoas são fruto do tempo presente e hoje estão inseridas num mundo consumista, que põem desejos passageiros e que deixam as pessoas num ritmo frenético. Desta forma, passam a querer adquirir tudo a todo o custo.
 
Viver uma situação destas, vai causando um esvaziamento de si mesmo, uma falta de princípio de valores e deixa o homem angustiado e ansioso. Dentro do campo do comportamento humano, é o que resulta neste consumismo desenfreado.

Rompimento com os valores
 
Diante da hipótese da proximidade do fim do mundo, é possível o surgimento de desejos que a pessoa não alimentaria na sua vida, talvez por ir contra as suas crenças e comportamentos mais enraizados.
 
As pessoas vivem a partir de normas e, tomando como exemplo o campo religioso, elas adequam-se a essas regras porque desejam viver a experiência com Deus. No entanto, o mundo também provoca desejos.
 
Preparação espiritual
 
E se por um lado o fim do mundo desperta a vontade de satisfazer desejos humanos, mesmo os mais improváveis e surpreendentes, por outro coloca em questão o aspecto espiritual.
 
A partir da passagem bíblica presente em Actos dos Apóstolos (1, 4-8), vemos que a Igreja entende que Deus não quer que façamos especulações sobre quando Jesus vai voltar, principalmente no sentido de marcar datas.
 
O que a Igreja recomenda mesmo, e inclusive neste tempo do Advento se insiste, é que estejamos preparados. Assim como devemos estar preparados para a primeira vinda dele no Natal, também devemos estar preparados para a sua segunda vinda.
 
Tudo o que gera temor em relação ao futuro não é do espírito cristão, uma vez que o Senhor é o “Príncipe da Paz” e não quer gerar a má ansiedade no coração dos seus filhos.
 
Ele quer sim que nós, esperando a sua vinda gloriosa, esperando o fim deste mundo passageiro e o começo de uma nova criação, estejamos a todo o momento preparados através de uma contínua purificação e conversão para que quando Ele venha encontre em nós a imagem de seu Filho, homens e mulheres restaurados por Cristo e Ele, identificando o seu Filho em cada um de nós, nos acolherá para vivermos eternamente com Ele no céu. Esta deve ser a nossa atitude.


 
O cristão pode consultar o horóscopo? Imprimir e-mail

 

O cristão pode consultar o horóscopo?

 

A astrologia pretende definir a vida humana a partir da posição ocupada pelos astros no dia do nascimento da pessoa. A astrologia e o horóscopo são cultivados desde remotas épocas antes de Cristo, ou seja, desde a civilização dos caldeus da Mesopotâmia, por volta de 2500 a. C.. Nessa época, os estudiosos pouco sabiam a respeito do sistema solar e dos astros em geral.

Motivos da falsidade

Segundo o grande mestre D. Estevão Bettencourt, tal “ciência” é falsa por diversos motivos:

1 – Baseia-se na cosmologia geocêntrica de Ptolomeu; conta sete planetas apenas, entre os quais é enumerado o Sol;

 2 – A existência das casas do horóscopo ou dos compartimentos do zodíaco é algo de totalmente arbitrário e irreal;

 3 – Os astros existentes no cosmo são quase inumeráveis; conhece-se interferências deles no espaço que outrora se ignorava. É notório também o fato de que os astros modificam incessantemente a sua posição no espaço. Por que, então, a astrologia leva em conta a influência de uma constelação apenas?;

 4 – A astrologia incute uma mentalidade fatalista e alienante, que deve ser combatida, pois não corresponde aos genuínos conceitos de Deus e do homem. Registam-se erros flagrantes de astrólogos. (Revista PR, Nº 266 – Ano 1983 – Pág. 49).

O que dizem os estudos

Uma pesquisa realizada nos EUA mostra que seguir os horóscopos “pode fazer mal à saúde mental”. O estudo foi publicado na revista “Journal of Consumer Research” e descobriu que pessoas que lêem o horóscopo diariamente são mais propensas a um comportamento impulsivo ou a serem mais tolerantes com os seus “desvios” quando a previsão do zodíaco é negativa. Cientistas das universidades Johns Hopkins e da Carolina do Norte recrutaram 188 indivíduos, que leram um horóscopo desfavorável.

Os resultados mostraram que para as pessoas que acreditam que podem mudar o seu destino, um horóscopo desfavorável aumentou a probabilidade de elas caírem em alguma “tentação”. “Acreditava-se que, para uma pessoa que julga poder mudar o seu destino, o horóscopo deveria fazê-la tentar modificar alguma coisa no seu futuro”, disseram os autores da pesquisa. No entanto, viu-se o oposto: aqueles que acreditam no horóscopo, quando vêem que a previsão é negativa, acabam por ceder às suas “tentações”, levando-os a um comportamento impulsivo e, eventualmente, irresponsável.

Prova do erro

Uma prova do erro da astrologia é a desigualdade de sortes de crianças nascidas no mesmo lugar e no mesmo instante, até mesmo dos gémeos. Veja, por exemplo, o caso de Esau e Jacob (Gen 25). Se os astros regem a vida dos homens, como não a regem uniformemente nos casos citados? Quem conhece os gémeos sabe muito bem disso.

Santo Agostinho, já no século IV, combatia veementemente as superstições e a astrologia. No seu livro ‘A doutrina cristã’ escreve: “Todo o homem livre vai consultar os tais astrólogos, paga-lhes para sair escravo de Marte, de Vénus ou quiçá de outros astros”.

O cristão deve repudiar

Querer predizer os costumes, os actos e os eventos baseando-se sobre este tipo de observação é grande erro e desvario. O cristão deve repudiar e fugir completamente das artes da superstição malsã e nociva, baseada sobre maléfico acordo entre homens e demónios. Estas artes não são notoriamente instituídas para o amor de Deus e do próximo; fundamentam-se no desejo privado dos bens temporais e arruínam assim o coração.

Em doutrinas deste género, portanto, deve-se temer e evitar a sociedade com os demónios que, juntamente com o seu príncipe, o diabo, não buscam outra coisa senão fechar e obstruir a estrada do nosso retorno a Deus.”

 “Os astrólogos dizem: a causa inevitável do pecado vem do céu; Saturno e Marte são os responsáveis. Assim isentam o homem de toda a falta e atribuem as culpas ao Criador, àquele que rege os céus e os astros” (Confissões I, IV, c. 3).

Cuidado para não prestar culto que não seja a Deus

“Um astrólogo não pode ter o privilégio de se enganar sempre”, dizia o sarcástico Voltaire.

“O interesse pelo horóscopo como também por Tarô, I Ching, Numerologia, Cabala, jogo de búzios, cartas, etc. é alimentado por mentalidade que se pode dizer “mágica”. Quem se entrega à prática de tais processos de adivinhação, de certo modo, acredita estar subordinado às forças cegas e misteriosas; o cliente de tais instâncias amedronta-se e dobra diante de poderes fictícios, o que não é cristão.”

São Tomás de Aquino, na sua obra “Exposição do Credo”, afirma que o demónio quer ser adorado, por isso esconde-se atrás dos ídolos. E São Paulo diz que “as coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam aos demónios e não a Deus” (1 Cor 10,21). Então, é preciso cuidado para não prestar um culto que não seja a Deus.

 
Fantasmas, almas penadas ou vagantes, é possível? Imprimir e-mail

 

Fantasmas, almas penadas ou vagantes, é possível? 

Será que é possível que almas penadas ou vagantes andem “soltas por aí”?

Esta questão nada tem a ver com espiritismo ou reencarnação. Pois não se tratar da possibilidade das almas encarnarem uma segunda, terceira ou quarta vez, que é o conceito da reencarnação. Isto para nós é claro que não há nenhuma possibilidade e que a doutrina da Igreja encerrou o assunto sobre esta questão.

Estamos a falar do que “popularmente” as pessoas chamam almas penadas ou vagantes; outras pessoas chamam-lhe fantasmas e etc…É a questão de pessoas vivas, aqui na terra, dizerem terem visto almas de pessoas ou almas de parentes que morreram e coisas do tipo…

A doutrina da Igreja é bem clara nesta questão no sentido de que, quando alguém morre, imediatamente acontece o seu julgamento pessoal, julgamento este em que há a possibilidade de 3 destinos: o céu, o inferno ou o purgatório. Lembrando que o Purgatório não é um destino definitivo, é um período de purificação que a alma passará, e passado este tempo, o céu será o seu destino eterno.

O Catecismo da Igreja Católica, no número 1022 diz:

“Cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca a sua vida em relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação. (Conc. de Lião II, DS 856; Conc. de Florença, DS 1384; Conc. de Trento, DS 1820), seja para entrar de imediato na felicidade do céu (Con. de Lião II, DS 857; João XXII, DS 991; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1305), seja para se condenar de imediato para sempre.” (Conc. de Lião II, DS 858; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1306).

Há pessoas que ainda insistem em dizer que viram “almas penadas“, que viram almas de algum ente querido…

E o que dizer a estas pessoas? Simplesmente que estão loucas? Que o que viram foi fruto da sua imaginação? Foi algo que o seu estado psicológico as fizeram imaginar?

Certamente a questão do estado psicológico e emocional da pessoa precisa de ser questionado, pois há pessoas que após a morte de um ente querido entram num certo grau de desespero, e que é possível estarem realmente a projectar e a ver certas “aparições” que na realidade é fruto do seu emocional abalado.

Para o falecido Exorcista, Padre Gabriele Amorth, esta questão ainda é algo que a Igreja e os Teólogos precisam de se debruçar com maior cuidado e dedicação. Ele relata que num Exorcismo, o espírito de quem dizia estar a possuir aquela pessoa não era em si um Demónio, mas era uma alma condenada. Mas o Padre Gabriele Amorth diz que com o passar do tempo e com mais Exorcismos, se verificou que se tratava realmente de Demónios que estavam a possuir aquela pessoa e mentindo dizendo que era a alma de um condenado que estava a possuí-la.

 Num dos seus livros, o Padre Gabriele Amorth dedicou um capitulo a esta questão das experiências que os Exorcistas já fizeram durante o ritual do Exorcismo, e na qual se depararam com a realidade de não ser um Demónio a possuir uma pessoa, mas sim a alma de um condenado… As opiniões são bem diversas pelos Exorcistas, mas a grande maioria não acredita que possa haver esta possibilidade.

O Padre Rufus Pereira sobre esta questão, disse que realmente há muitos debates sobre esta realidade, mas que a experiência dele no que se refere a Exorcismos e Libertação, ele acreditava que é sempre o Demónio a possuir uma pessoa. Ainda que o espírito insistisse em dizer que é era alma condenada, seria sempre uma mentira do Demónio.

O Padre Jose Fortea, Exorcista espanhol, que defendeu há algum tempo atrás a sua tese de Doutorado sobre Exorcismo, na Espanha, disse que “quanto a esta questão não há argumentos incontestáveis“, e afirma que portanto os “Teólogos precisam ainda de apresentar mais estudos sobre esta realidade.”

O Padre Duarte Sousa Lara, Exorcista em Portugal, também afirma que isto tem sido muito discutido nos encontros da Associação Internacional de Exorcistas.

Portanto o que fica claro para nós depois de todos estes relatos, juntamente com a doutrina da Igreja, é termos a certeza que uma vez que a pessoa morreu, acontece de forma imediata o seu Juízo Particular. Neste Juízo, a pessoa vai para o Céu, Inferno ou Purgatório…Portanto não ficam de forma nenhuma vagantes por aí, sem nenhum tipo de destino, soltas…Há um juízo e definição de estado…

O que realmente ainda é um mistério, é a possibilidade de algum tipo de acção destas almas sobre o estado/lugar em que se encontram…

Sabemos dos relatos de alguns santos, como por exemplo Santa Margarida Maria Alacoque, Santa Gertrudes, e outros, que tiveram a experiência de ver algumas almas, e que as mesmas, afirmavam eles, eram almas do Purgatório que precisavam de Orações. Uma vez que assumiram a atitude de celebrar missas e rezar por estas almas, as mesmas deixaram de lhes aparecer.

As almas que se encontram no céu unem-se a nós que estamos na terra dentro da realidade que a Igreja nos ensina sobre a “Comunhão dos Santos“, que o Catecismo traz a partir do número 946…

As almas que se encontram no inferno, sabemos que não há mais a possibilidade de salvação para elas, mas, se existe algum outro tipo de intervenção na terra, continua a ser um mistério para nós.

Um facto muito importante sobre a questão de ver almas penadas ou de parentes que morreram, é que não se pode excluir a possibilidade de uma acção do Demónio, para iludir a pessoa. Fazendo assim com que ela busque meios inapropriados como o espiritismo, a psicografia e as seitas ocultas, para terem contacto com tais espíritos, e aí sim, isso fará com que tais pessoas tenham contactos directamente com demónios, como afirma São Tomas de Aquino, na sua Suma Teológica.

Então qualquer tipo de experiência que tenhamos vivido, ou que ouvimos de outras pessoas e podemos aconselhar é: devemos rezar por estas almas! A forma mais eficaz é o oferecimento de missas por elas, como nos ensina a doutrina Católica.

Embora não tenhamos a compreensão de tantos mistérios e desígnios de Deus, podemo-nos aproximar dEle como Pai, e mesmo sem as respostas que queremos, uma coisa é certa, o Seu amor não nos falta nunca; isto nos basta!

 
Como identificar e tratar a dependêcia afectiva Imprimir e-mail

 

Como identificar e tratar a dependência afectiva 

Tenho dependência afectiva. O que fazer?

A dependência afectiva é um estado que faz parte da natureza humana por nascermos dependentes tanto no campo físico: alimentação, cuidados etc., como no campo afectivo. As experiências que adquirimos no nosso desenvolvimento farão com que tenhamos ou não, a nossa independência afectiva.

É muito importante esclarecer que esta independência não significa individualismo, muito menos solidão. E, sim, a capacidade de não nos vincularmos excessivamente a alguém, é a possibilidade de tomarmos as nossas decisões, escolhas e dar passos na capacidade e na autonomia em cuidar de nós mesmos e assumir o que fizemos de certo ou errado.

Aprenda a observar

Para que possa perceber se é uma pessoa – excessivamente – dependente de alguém, é importante observar alguns pontos:

– Precisa de alguém para se sentir seguro e tranquilo?

– Percebe que, mesmo em situações simples de escolha e decisão, precisa dessa pessoa ao seu lado?

– Sente-se dependente para fazer escolhas, precisando da aprovação dessa pessoa?

– Sente que a sua autonomia é prejudicada, ou seja, é difícil fazer algo sem aquela pessoa?

É claro que, muitos de nós, gostamos que uma outra pessoa dê uma opinião a nosso respeito (se a roupa nos fica bem, se devemos comprar algo, se devemos mudar de emprego, etc.), o que não significa que sejamos dependentes. A dependência caracteriza-se sempre que há algum excesso, aquela dificuldade em sair do lugar sem que o outro nos apoie, como uma muleta, um suporte, que precisamos e fazemos questão de suportar ao longo de toda a nossa vida.

O que fazer?

Quando estamos nesta situação, geralmente temos dificuldade para perceber, negamos esta dificuldade e irritamo-nos quando somos apontados como dependentes. Temos, também, dificuldades com a autoestima e a maturidade emocional, e costumamos fazer outras coisas em excesso, como trabalhar, comer, beber, falar, jogar, entre outros. Podemos, ainda, viver sentimentos muito extremos (amar demais, odiar demais), bem como sensação de vazio e falta de significado na nossa vida, sem compreender exactamente o que está ocorrendo.

Nem sempre as escolhas afectivas dependentes são conscientes e claras para quem passa por isso. Dependências podem se dar com coisas, objectivos, drogas, jogos, chegando às pessoas e às palavras amigas. A dependência afectiva faz com que procuremos exteriormente, o apoio e a protecção, para suportarmos os problemas vividos nos relacionamentos e nas situações sociais. Somos humanos e somos efectivamente influenciados sempre. Podemos lembrar que, como seres sociais que somos, efectivamente seremos influenciados e influenciaremos sempre, e isto faz parte da nossa natureza.

Limites nos relacionamentos

Das relações sadias, por meio das quais os pais estimulam e acreditam no potencial de uma criança, – fazendo com que ela supere desafios e aprenda a ganhar e a perder – é que nasce uma autoestima positiva e a sensação de segurança pessoal, bem como a capacidade de cuidar de si. No entanto, quando isto não acontece, por vezes, vamos buscar essa dependência, para que, outra pessoa nos estimule, mas quando entra o excesso, passamos a não viver mais sem a ajuda dela, mesmo em pequenas decisões. É interessante, pois, nesta relação “disfuncional” sempre haverá o outro, ou seja, aquele que é a pessoa mais segura na relação, mas que, de alguma forma, também alimenta essa dependência.

Sendo assim, é muito importante que a pessoa dependente estabeleça limites nos seus relacionamentos, reconhecendo a sua realidade, que, muitas vezes, passa pela negação dos factos e a ilusão de viver em situações fantasiosas. Assim, ela deve assumir a responsabilidade em administrar as suas necessidades, reconhecer as suas atitudes, emoções e os seus comportamentos, sejam eles positivos ou não, percebendo as vivências da raiva, do medo, da vergonha, da culpa e, com isto, reconhecendo essas questões na sua vida e comprometendo-se com a mudança.

 
O mundo divide-se entre defensores de Abel e defensores de Caim Imprimir e-mail

 

 “O mundo divide-se entre defensores de Abel e defensores de Caim” - Pe. Zezinho

 

"Alguns não perdoarão nem daqui a mil anos, mas querem ser perdoados já no dia seguinte"

Para alguns é impossível perdoar. Não perdoarão quem frustrou os seus planos, nem daqui a mil anos. Mas querem ser perdoados, já no dia seguinte, porque consideram que matar o outro não é crime porque foi por uma boa causa. Por exemplo: aborto!

E quem ousar dizer que assassinato é assassinato, seja ele perpetrado com a mão direita ou com a esquerda, tal pensador será ofendido e colocado na lista dos inimigos da pátria e da humanidade!

O mundo divide-se entre os defensores de Abel e os defensores de Caim. E culpam o escritor da Bíblia que diz que Deus foi bom para Abel e injusto para com Caim. Por isso Caim revoltou-se.

Religiosa e politicamente há pessoas que simplesmente só aceitam a própria vitória. Não vencendo, lutarão até ao fim da vida para provar que só no outro lado houve crime. Do lado deles foi revolução redentora.

Foi assim na URSS, RÚSSIA, CHINA, USA, VENEZUELA, CUBA, NICARÁGUA, ISRAEL, SÍRIA, ISIS, TUTUS, ARGENTINA, BRASIL e mais de vinte outros países nestes últimos 50 anos. O pecado veio da outra trincheira.

E quem ousa dizer que foram crimes dos dois lados será silenciado, caluniado e denegrido. Fizeram isto contra Jesus que denunciou a injustiça que vinha dos muitos outros lados em Israel.

A Cruz é uma lembrança do que fizeram contra Ele porque ensinou o perdão aos inimigos. Para um cristão: perdoar é um dever. Para um não cristão, vingar-se também é um dever!

O cristão sabe que terá que escolher!…

 
Qual a relação da Palavra de Deus com as ciências humanas? Imprimir e-mail

 Qual a relação da Palavra de Deus com as ciências humanas? 

Fé e razão

O debate público é de enorme relevância, pois a Igreja mesma entende a necessidade do esclarecimento sobre a relação da Palavra de Deus (Bíblia) com as diversas ciências, ou seja, da fé com a razão. A competência da comunidade de decidir sobre os rumos das ciências não deve ficar só nas mãos dos cientistas e dos políticos. A humanidade inteira deve ter suas instâncias de participação.

Um dos sectores mais envolvidos, neste debate, e que mais recebe críticas é a Igreja Católica. A Igreja é criticada por pessoas e sectores da comunidade alegando dogmatismo, imposição, arbitrariedade, desrespeito pela liberdade, intenção de dominar o Estado. Muitos afirmam que o Estado é laico, por isso a Igreja não se deve  “intrometer”, e que a Bíblia nada tem a dizer. Afinal, a Bíblia diz algo?

A Bíblia não é um livro de ciências, mas apresenta princípios ético-religiosos que iluminam as actividades das ciências. A Igreja à luz da Palavra de Deus defende o que chamamos de “lei natural”, lei estabelecida por Deus pela ordem da criação, inscrita no coração do homem e que sempre diz “faça o bem e evita o mal”. Independentemente da cultura ou da época histórica, nunca é lícito qualquer acção ou lei que contradiz a vontade de Deus inscrita no coração do homem e escrita na Bíblia. O filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) chegou a afirmar: “Pouca ciência afasta o homem de Deus, porém, muita ciência a Deus o conduz”. A ciência que esteja em diálogo com a Palavra de Deus consegue adquirir a verdade do conhecimento com conclusões honestas e lícitas a respeito da vida.

As ciências estão ao serviço da humanidade

Quando a Bíblia relata alguns factos “aparentemente científicos”, não é seu interesse fazer ciências, mas valorizar a razão, a inteligência do homem. Ela dará sempre orientações para acções em defesa da pessoa e da criação. É preciso, por parte das ciências, ter uma atitude de humildade para dialogar com a Bíblia e reconhecer o seu limite. Como sublinha o Magistério Católico, “nem tudo que é tecnicamente possível ou realizável é eticamente aceitável”. A Igreja, inspirada na Palavra de Deus, expressou sempre a apreciação pelas ciências e busca nestas, fundamentos racionais para a própria fé, no desejo de integrar “evidências” racionais e “convicções” crentes.

Enfocar a relação Bíblia e ciências é entender a salvação na sua totalidade segundo o Concílio Vaticano II: “É a pessoa humana que deve ser salva. É a sociedade humana que deve ser renovada. É, portanto, o homem considerado na sua unidade e totalidade, corpo e alma, coração e consciência, inteligência e vontade”.

Afirmamos que o progresso científico e tecnológico serve para o bem de toda a humanidade e os seus benefícios não podem ser colocados em favor apenas de poucos. As ciências estão ao serviço da humanidade. Pelo progresso das ciências e conformidade com o projecto de Deus, o homem contribui com a obra da criação. Como diz o Papa Francisco, para evitar a “trágica divisão” entre “a cultura humanista-literária-teológica e a científica”, bem como para “encorajar um maior diálogo também entre a Igreja, comunidade de crentes, e a comunidade científica”, sublinha a “necessidade premente do humanismo”.

Deus confiou ao homem o cuidado da Sua criação

Deus criou o mundo, tendo também, consequentemente, criado os seres humanos com capacidade de participar da Sua criação. Afirma Tomás de Aquino: “Uma vez que se diz que os seres humanos foram feitos à imagem de Deus em virtude de terem uma natureza que inclui um intelecto, tal natureza é à imagem de Deus sobretudo em virtude de ser o que mais consegue imitar Deus” (ST Ia q. 93 a. 4). As ciências, em respeito à lei natural, lei estabelecida por Deus, possibilita ao ser humano esta participação.

No início da Bíblia, Deus apresenta-se como o Supremo Criador: “No começo, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1,1) revelando a ideia bíblica de criação ex nihilo (do nada) e as acções desenvolvidas pelo Criador, a fim de preparar a terra para produzir e sustentar a vida, confiando ao homem a continuação da Sua obra criadora. Por isso, a Igreja sempre teve grande apreço pelas ciências, porque o ser humano, “única criatura que Deus quis por si mesmo”, é imagem e semelhança de um Deus que criou o mundo por amor e confiou ao homem o cuidado da criação de modo responsável, na lógica da gratuidade, do amor, do serviço, e não a do domínio e da prepotência.

Afirma o Magistério Católico: “O homem de hoje, considerado quer individual quer colectivamente, é posto em confronto, cada dia, com problemas morais delicados que o desenvolvimento das ciências humanas, por um lado, e a mundialização das comunicações, por outro lado, colocam constantemente em discussão, ao ponto de que também crentes convictos têm a impressão de que algumas certezas de outrora estão anuladas. Pense-se apenas nos modos diversos de abordar a ética da violência, do terrorismo, da guerra, da imigração, da partilha das riquezas, do respeito dos recursos naturais, da vida, do trabalho, da sexualidade, das pesquisas no campo genético, da família ou da vida comunitária. Diante desta complexa problemática, nos últimos decénios pode ter havido a tentação, em teologia moral, de marginalizar, em todo ou em parte, a Escritura. Que fazer quando a Bíblia não dá respostas completas? E como integrar os dados bíblicos, quando para elaborar um discurso moral sobre tais questões é preciso recorrer às luzes da reflexão teológica, da razão e da ciência? Este será agora o nosso projecto”.

Defender a vida

A Igreja não deve julgar à priori os possíveis desdobramentos dos avanços das ciências, mas manter um diálogo constante com o mundo científico para se inteirar das possibilidades, perigos e limites dessa nova etapa que se descortina na história da humanidade. Portanto, é preciso que haja uma espécie de vigilância ética no âmbito técnico-científico, com o intuito de inibir qualquer ciência que ameace ou viole a dignidade humana.

Isso não significa, porém, impedir o avanço científico em áreas que trarão claros benefícios à humanidade. A Igreja, à luz da Bíblia, deve estar atenta à necessidade de defender a vida em geral e também a vida individualizada, de cada ser humano, portador de características próprias; a lutar contra toda e qualquer ciência que fere directamente a vida.

Cabe à Igreja zelar para que os benefícios decorrentes das diversas ciências não fiquem restritos a uma ínfima parcela de privilegiados, mas estejam ao alcance de toda a humanidade. A atitude da Igreja é, e deve ser sempre, fundamentada na Bíblia, de denunciar com coragem, franqueza (paresia) toda a ameaça à vida, tudo o que contraria a lei estabelecida por Deus. A Igreja conhecedora do projecto Divino presente na Bíblia e consciente da sua missão assume o compromisso de defender a vida que é ferida, agredida por uma sociedade que a ameaça.

 
Composição, origem e destino do Ser Humano Imprimir e-mail

Composição, origem e destino do Ser Humano

 

O ser humano é composto de corpo e alma. O corpo é material, por isso corruptível. A alma é imaterial, por isso é imortal, nunca irá desaparecer. A alma é a forma do corpo, ou seja, é o que faz com que a matéria que compõe o corpo daquele ser humano componha um ser humano e não seja outra coisa qualquer.

Para tentar perceber isto melhor: uma garrafa de plástico é uma garrafa de plástico, porque aquele plástico (matéria) tem a forma de uma garrafa. Aquela matéria poderia ter outra forma, de prato, por exemplo, e nesse caso seria um prato de plástico e não uma garrafa.

Do mesmo modo, é a alma que dá forma ao corpo, que faz com que a matéria que o compõe esteja unida como um corpo. De tal maneira que quando se dá a separação entre a alma e o corpo, ou seja, quando a pessoa morre, o corpo se vai degradando, até que aquela matéria se transforme noutra coisa qualquer.

A alma humana, ao contrário do corpo, não é gerada na fecundação, quando se dá a união entre a gâmeta masculino e feminino. A alma é infundida por Deus após a concepção. Sendo imagem de Deus, a alma é imaterial e possui duas faculdades: inteligência e vontade. São estas características da alma humana que distinguem o ser humano de qualquer outro animal à face da Terra.

Os animais não têm inteligência e vontade, têm instintos e, alguns, capacidade de aprendizagem por repetição. O ser humano, graças à inteligência, pode tentar compreender o mundo que o rodeia, e a si mesmo, especular, apreender conceitos e ter pensamentos abstractivos. Com a vontade consegue pode tentar perceber se um determinado objecto ou acção lhe é favorável ou desfavorável e em que medida.

Os animais são apenas matéria, por isso quando morrem desaparecem. O ser humano é matéria (corpo) e espírito (alma), por isso nunca irão desaparecer mesmo depois da morte. O corpo fica na Terra e desaparecerá. A alma será julgada por Deus e será salva ou perdida para sempre, consoante o amor a Deus e aos outros que pautou as acções daquela pessoa até ao seu último suspiro de vida terrena. No fim dos tempos, os corpos ressuscitarão e unir-se-ão às almas, as que estão no Céu para a felicidade eterna e as que estão no Inferno para o sofrimento eterno.

João Silveira

 
Como foi a descendência de Adão e Eva? Imprimir e-mail

Como foi a descendência de Adão e Eva?

 

Se Adão e Eva foram as primeiras pessoas do mundo, como tiveram netos? Será que os seus filhos se casaram entre si?

A pergunta que não podemos calar: como é que Adão e Eva tiveram descendentes? Foi por meio de relações incestuosas?

A Bíblia não explica como se desenvolveu a descendência de Adão e Eva. Sabemos que Adão e Eva tiveram muitos filhos (Gn 5, 4), dos quais os primeiros foram Caim e Abel (Gn 4, 1-2), e conhecemos também o facto do fratricídio (Gn 4, 3-16) que levou uma descendência de Caim (malvada e irreligiosa – Gn 4, 17-24) separada da descendência de Set (boa e religiosa – Gn 5, 6-32), o filho “escolhido” por Deus (Gn 4, 25-26. 5, 3-4) para substituir Abel, do qual depois se chegará a Noé e ao dilúvio.

Como se gerou esta descendência? Houve muitas hipóteses e todas acabaram por encontrar o problema do incesto (relações sexuais entre parentes próximos), fruto de uma interpretação literal da Bíblia.

Para tentar mitigar o problema, foram procuradas muitas explicações: não havia uma lei contra o incesto; viviam muitos anos e casar-se com sobrinhos parece que era “menos grave”, etc. Mas nenhuma delas deu uma explicação convincente.

Felizmente, os dois últimos séculos de estudos da Bíblia permitem-nos compreender algumas coisas sobre ela que nos ajudam a resolver dificuldades como esta.

Sobre como se deu a descendência de Adão e Eva, é preciso dizer duas coisas:

A primeira refere-se ao género literário dos primeiros capítulos do Génesis. Os estudos deixam claro que Gn 1-11 não pode ser considerado uma narração histórica real. Não podemos achar que estes capítulos sejam a crónica dos primeiros anos da história humana.

Além disso, a sua redacção, procedente de fontes orais, aconteceu na época do exílio e pós-exílio babilónico (aprox. séc. VI-V a.C.). A intenção dos autores não era fazer história, mas contar verdades fundamentais para a relação do homem com Deus.

Mas, ao mesmo tempo, é preciso ter claro que nem se trata de mitologia, ainda que o texto utilize uma linguagem mítica. João Paulo II explicou isto: “O termo ‘mito’ não designa um conteúdo fabuloso, mas simplesmente um modo arcaico de expressar um conteúdo mais profundo” (Catequese de 7/11/1979).

Para compreender isto, podemos comparar o texto com as parábolas de Jesus. É claro que tais parábolas têm uma linguagem de “conto” e que não são relatos históricos. No entanto, expressam, muito melhor que uma crónica, qual é a verdade das coisas, e assim “contam” a “verdadeira” história da humanidade (por exemplo, o filho pródigo).

Acontece o mesmo com os primeiros capítulos do Génesis: “Estes textos não devem ser interpretados como história nem como mito (…), senão que o texto proclama a relação particular que Deus mantém com a sua criação” (W. Brueggemann, Genesi, Claudiana, Turim 2002, p. 34).

A segunda reflexão é mais simples e deriva da primeira: quando a Bíblia não especifica e não dá detalhes, isso não é necessariamente um erro, também porque não dizer tudo, faz parte do estilo narrativo que estes relatos utilizam.

Quem não gostaria de saber em que idade Maria teve Jesus ou o que Ele fez nos primeiros 30 anos da sua vida? Quantas curiosidades temos sobre a Bíblia! Mas as Escrituras não foram redigidas sob a inspiração de Deus para satisfazer a nossa curiosidade, mas para nos fazer crescer e agir segundo a vontade de Deus.

Ainda que soubéssemos como Caim e Set tiveram filhos, isso não seria de muita utilidade. Os textos como Gn 1-11 contêm a verdade sobre o projecto de Deus com relação à criação do homem, sobre a Queda e as suas consequências, e esta é a verdade que precisamos de procurar.

 
Não quero abortar, mas não tenho condições de criar um filho Imprimir e-mail

Não quero abortar, mas não tenho condições de criar um filho 

 

O que fazer para não abortar o seu filho

 Trata-se de um problema real e grave, que afecta a vida de tantas mulheres que vivem o drama entre o aborto, a consciência moral e a criação do filho. Em muitas situações, a mãe tem consciência da moralidade do acto de abortar, estão grávidas e, por isso, já vivem o dom da maternidade; porém, vivem o medo da incapacidade, por motivos económicos, afectivos ou sociais para criar o filho.

Numa mulher com convicções normais, com fé ou sem fé, a decisão de abortar é um processo complicado e doloroso. Existe uma tendência natural nas mulheres de continuar a maternidade começada com a concepção do novo indivíduo. A decisão de abortar pode gerar uma crise por diversos factores externos e/ou internos, que que ponham em conflito o psicológico da mulher, como o peso que ela vê na criação do filho, especialmente se já tem outros filhos. Esta situação pode desembocar num autêntico conflito interior enfrentado pela mulher com a necessidade de tomar uma decisão. Se necessitar de conselho, o que lhe darão, em grande parte dos casos, a empurrará ao aborto, especialmente se, no seu caso, a lei civil o ampara, a medicina o garante e para a sociedade é indiferente.

O acompanhamento de mulheres nesta situação é uma arte a favor do bem e da vida. É assegurar para a mãe que o bebé é um dom de Deus, um sinal da providência, e que nunca deverá ser visto como um problema a mais na vida dela. O feto é um ser humano, igual a qualquer um de nós, e parte integral da comunidade humana, que tem dignidade. Agora, a destruição de uma vida humana não é solução para o que, basicamente, é um problema económico e social. Consiste em ajudar esta mãe a perceber que nunca estará sozinha, a ser corajosa na decisão de não abortar.

Todas as experiências abortivas são automaticamente “estressantes” e angustiantes; e o que a mulher pensa ser a solução para um problema, no caso a situação económica, acaba por se tornar outro problema maior ainda: encarar a realidade da consciência de, um dia, ter provocado um aborto e que aquele filho poderia estar com ela na luta pela vida. O aborto de um filho nunca poderá ser olhado como solução para um problema social.

O aborto não é definitivamente uma “solução fácil” de um grave problema, mas um acto agressivo, que terá repercussões contínuas na vida da mulher; e é nesse sentido que ela é vítima da sua própria decisão. A maioria das mulheres que conheci, e que se submeteram a abortos, teriam preferido outra solução para o problema.

Muitas mulheres praticam o aborto numa situação desesperadora de medo ou insegurança. Por mais “liberta” que a mulher esteja dos padrões morais e religiosos, por mais consciente da impossibilidade de levar a termo a sua gestação, por mais indesejada que tenha sido a gravidez, abortar é uma decisão que, na grande maioria das vezes, envolve angústia e drama de consciência. Os factos comprovam que o aborto não é uma solução para dificuldades psicossociais, pelo contrário, após o aborto persiste a crise e acrescenta-se o risco de novas e mais graves consequências psíquicas.

Algumas atitudes práticas para ajudar uma mulher a não abortar e escolher a vida para o bebé é, primeiro, ter a mesma atitude de Jesus, aproximar-se sem julgar ou condenar. Acolher a mãe na sua história, angústia e conflito; demonstrar compaixão, sentir a dor daquela mãe, demonstrar confiança. Ouvir a história da mulher que pensa em abortar, porque ouvir é acolher, é respeitar e ter carinho. Procure saber como ela está, deixe a pessoa falar. Para ajudar é preciso ouvir; e foi desta forma que Jesus agiu com os discípulos de Emaús, primeiro escutou-os. Deixe a mãe contar o que está a acontecer, quais as razões que levam essa mulher a pensar em abortar. Por que é que ela pensa que o aborto vai solucionar o problema?

O apoio afectivo é muito importante. A mulher precisa de perceber que não está sozinha. É preciso manifestar solidariedade para com ela. A mulher precisa de perceber que alguém se importa com ela e está disposto em ajudá-la. Mostre que ela é forte e capaz de superar aquele momento, que ter um filho não é o fim do mundo; pelo contrário, é um dom de Deus, é uma notícia a ser celebrada com alegria. As tribulações passam, as crises superam-se, mas para o aborto não existe volta, e ele pode marcar a vida da mulher para sempre. O filho que ela espera é uma vida a ser acolhida e cuidada. Neste momento, uma amizade sincera e verdadeira é muito importante. Converse um pouco sobre o aborto, as suas consequências e sequelas.

Busque exemplo nas mães que enfrentaram os dissabores da gravidez inesperada e hoje estão felizes, com paz de consciência por terem feito a opção de não abortar.

Para certas situações, não bastam somente palavras, é preciso ter propostas concretas. Busque, na sua cidade e comunidade, formas de ajudar esta mulher que pensa no aborto. Ela pode estar a precisar de ajuda médica, material, psicológica e espiritual. De imediato, você pode não saber onde encontrar estes serviços, mas prontifique-se a procurar e entrar em contacto com ela o mais rápido possível.

O drama pessoal pelo qual passa a gestante não pode ser superado com a eliminação do mais “fraco”, “não se pode tentar resolver o que é dramático com o trágico! No dramático existe a possibilidade de uma positividade, no trágico só a destruição”. A vida deve ser acolhida como dom e compromisso. Como afirma o Papa Bento XVI, “o amor de Deus não faz diferença entre o neoconcebido, ainda no seio de sua mãe, e a criança, o jovem, o homem maduro ou o idoso. Não faz diferença, porque em cada um deles vê a marca da própria imagem e semelhança” (cf. Gn 1,26).

 “Tu modelaste as entranhas do meu ser e formaste-me no seio de minha mãe. Dou-te graças por tão espantosas maravilhas; admiráveis são as tuas obras. Conhecias até o fundo da minha alma”, como reza um Salmo (Sl 139 [138], 13-14), referindo-se à intervenção directa de Deus na criação de cada novo ser humano.

 
Liberdade ou libertinagem? Imprimir e-mail

 

Liberdade ou libertinagem?

 

Enquanto as paixões nos dominarem, não seremos livres e felizes

 

A maior aspiração do ser humano é a felicidade. E isto é consequência natural de termos sido criados à “imagem e semelhança de Deus” (cf. Gen 1,26), para participar da sua vida bem-aventurada. Deus pôs em nós uma sede infinita para que somente n’Ele ela pudesse ser saciada.

Santo Agostinho (354-430), depois de buscar a felicidade nos prazeres do mundo, na retórica, na oratória e no maniqueísmo, somente saciou o seu coração quando encontrou o Evangelho. E mais adiante, lamentou ter demorado tanto para ter descoberto a verdadeira fonte da felicidade: “Ó Jesus Cristo, amável Senhor, por que, em toda a minha vida amei, por que desejei outra coisa senão Vós?”

O Criador não quis para nós uma felicidade pequena, esta que se encontra entre as coisas do mundo: o prazer dos sentidos, o delírio das riquezas ou o fascínio do poder e do prestígio. Tudo isso é ilusão, porque o que está abaixo de nós não pode satisfazer a nossa alma. Isso é muito pouco para nós. Deus quis que a nossa felicidade fosse muito maior; quis que esta fosse Ele próprio. E isso é um grande ato de amor do Pai para connosco. O Pai sempre quer “o melhor” para o filho.

É preciso distinguir entre liberdade e libertinagem, entre ser livre e ser libertino. Liberdade – sem compromisso com a verdade e com a responsabilidade – torna-se libertinagem; e esta jamais poderá gerar a felicidade, já que vai desembocar no pecado. E “o salário do pecado é a morte” (Rom 6,23).

Ser livre não é “fazer tudo o que eu quero”. Não. Muitas vezes, isso é loucura. A verdade é o trilho da verdadeira liberdade. Liberdade sem verdade é loucura. Será liberdade assegurar que dois mais dois são cinco? Será liberdade desrespeitar o manual do seu aparelho de TV e em vez de ligá-lo em uma tomada de 120 volts, como alerta o manual, você teimar em ligá-lo em outra de 210 volts?

Será liberdade, por exemplo, usar drogas, para se sentir livre, mesmo destruindo a vida?

Da mesma forma, será liberdade usar o sexo – sem o compromisso do casamento – apenas por prazer, mesmo sabendo que ele poderá gerar uma gravidez não desejada, um aborto, um adultério? Não. Tudo isso não é liberdade; é loucura!

A liberdade não pode ser confundida com libertinagem; posso dar socos no ar à vontade, mas até não atingir o nariz do meu irmão. Pregar a liberdade de expressão – sem respeitar os direitos dos outros – equivale à perversão intelectual e a volta à barbárie.

A liberdade de expressão não dá o direito a alguém de ofender ou ridicularizar o pai ou a mãe dos outros. Defender a liberdade absoluta de expressão é, muitas vezes, uma forma de “corporativismo doentio” de uma mídia às vezes mal formada, sem princípios éticos, que mascara a truculência e o arbítrio, e se esconde atrás de uma interpretação maldosa da lei.

A liberdade, que faz a felicidade, é alicerçada na verdade e na responsabilidade. Fora disso é loucura, libertinagem, irresponsabilidade... pecado, que vai gerar a dor, o sofrimento e as lágrimas. Não queira experimentá-la. É muito melhor aprender com o erro dos outros. Abra os olhos e tenha coragem de ver!

Experimente hoje dar a um jovem tudo o que ele quiser: dinheiro à vontade, prazer até não poder mais, e você verá que a sua “fome” de felicidade continuará insaciada. Não fosse isto verdade, não teríamos tantos jovens de famílias ricas, mas delinquentes, envolvidos com as drogas, crimes, etc. Por outro lado, vá a um mosteiro e pergunte a um monge, que abdicou de todos os prazeres do corpo e do espírito, para abraçar somente a Deus, se lhe falta algo para ser feliz. A resposta será não! Nada lhe falta para ser feliz.

A liberdade só atinge a perfeição quando está ordenada para Deus, seu bem último. Quanto mais praticar o bem e a virtude, tanto mais livre a pessoa será. Enquanto as paixões nos dominarem, não seremos livres e felizes. Enquanto o espírito do homem for escravo da sua carne e da sua sensibilidade, este ainda não será livre. Ainda viverá se arrastando pela vida.

Por exemplo, no tempo de Carnaval parece que se oficializou a prática do pecado; a liberação de todo vício e de todos os mais baixos instintos. Pobre criatura humana ferida pelo pecado original! Mergulha na lama mais fétida achando que sairá dela perfumada.

E o pior de tudo é quando as autoridades constituídas, que deveriam primar pelo bom senso, pelo pudor, pelo equilíbrio, entre outros, agem ao contrário e fomentam a imoralidade e a depravação distribuindo fartamente a “camisinha” e a “pílula do dia seguinte”, para que haja “sexo seguro”.

O cristão, que vive segundo a lei de Cristo, sabe que tudo isto é mau e aumenta o sofrimento e a escravidão da pessoa; por isso, não compactua com esta situação.

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito” (Rm 12,2).

 
É correcto usar a mão esquerda para fazer o sinal da cruz? Imprimir e-mail

É correcto usar a mão esquerda para fazer o sinal da cruz? Por quê?

Depois de descobrir o significado deste gesto, terás muito orgulho de fazer o sinal da cruz

Pergunta

É correcto usar a mão esquerda para fazer o sinal da cruz? Sou canhota e às vezes faço-o com a esquerda. Quando eu era criança, a minha mãe ensinou que só se faz com a mão direita. É verdade ou mito?

Resposta

 “O cristão começa o seu dia, as suas orações, as suas actividades, pelo sinal da cruz ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém’. O baptizado consagra o dia à glória de Deus e apela à graça do Salvador, que lhe permite agir no Espírito, como filho do Pai. O sinal da cruz fortalece-nos nas tentações e nas dificuldades” (Catecismo da Igreja Católica, 2157).

A primeira pessoa a fazer o sinal da cruz foi o próprio Jesus, que estendeu os seus braços na cruz. E os seus braços estendidos entre o céu e a terra traçaram o sinal indelével da Aliança.

Nos primeiros séculos, era costume fazer o sinal da cruz sobre a testa. Pouco a pouco, o costume transformou-se no que conhecemos hoje: fazer uma grande cruz sobre nós mesmos, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito.

E por que é que os padres abençoam com a mão direita?

Porque os antigos ícones mostram Cristo ou os hierarcas da Igreja a abençoar com a mão direita.

A direita recorda-nos a alegria dos que foram salvos, dos que fazem a vontade de Deus, já que o Filho colocará as ovelhas fiéis à sua direita (Mt 25, 31).

Esta forma de fazer o sinal da cruz também tem um significado teológico profundo.

O sinal da cruz começa com a mão direita da cabeça até ao peito, aceitando que Jesus Cristo desceu do alto (isto é, do Pai) à terra pela sua santa Encarnação.

O sinal da cruz continua, partindo do lado esquerdo, onde está o coração, lugar no qual se guarda com amor o mistério pascal de Jesus (a sua dolorosa Paixão e Morte), e dirigindo-se depois ao lado direito, recordando que Jesus está sentado à direita do Pai pela sua gloriosa Ascensão. Ou seja, a cruz termina na glória celestial.

A Igreja sempre considerou o lado direito como preponderante. É por isso que, para traçar o sinal da cruz, se usa também a mão direita.

Ao incensar o altar, também se começa sempre pelo lado direito.

Jesus diz que, entre outras coisas, a caridade também se faz com a mão direita: “Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita” (Mt 6, 3).

Mas é importante fazer o sinal da cruz de maneira especial?

Sim. Nós não temos nenhuma autoridade para mudar, negar ou criticar, segundo a nossa maneira de pensar, a tradição cristã que é observada hoje e que começou há muitos séculos.

Precisamos de levar em consideração que, no âmbito da vida social, há protocolos que têm de ser respeitados, mesmo quando ainda não conhecemos a sua origem ou significado. Quando se cumprimenta alguém, dá-se a mão direita, não a esquerda, por exemplo.

As regras de boas maneiras na sociedade não são meras formalidades, mas expressam respeito e cordialidade. Quando, em nome da espontaneidade, as pessoas deixam de lado as boas maneiras, podem acabar por se tornar até brutas, ásperas, toscas.

Na vida de piedade acontece a mesma coisa. A mão direita é considerada mais “digna” e por isso a usamos.

 Assim, por exemplo, o padre dá a comunhão com a mão direita, mesmo que seja canhoto. Não é proibido nem pecado que se dê a comunhão com a esquerda, mas é uma questão de boa educação litúrgica, bem como um detalhe de amor a Jesus.

De qualquer maneira, é bom conservar detalhes que têm um significado e, se fazemos por amor, valem ainda mais. Não se trata de formalismos vazios. A nossa fé dá sentido a estes gestos.

Utilizar a mão direita para as acções litúrgicas e/ou religiosas nunca pode ser ofensivo para os canhotos. De facto, os bispos e os sacerdotes canhotos também fazem o sinal da cruz e dão bênçãos com a mão direita.

Evidentemente, utilizar a direita, mais que uma questão de fé, é uma convenção, que busca expressar uma maior dignidade no que se faz – daí que signifique um maior respeito e, portanto, mais amor também.

Na liturgia, a elegância também é uma virtude e, se os gestos são feitos com amor, o seu significado e mérito serão maiores.

Valorizar a cruz

Quando entendemos o que a cruz implicou para Jesus a favor nosso, quando recordamos que na cruz Jesus nos amou até ao extremo, e se o nosso pequeno gesto do sinal da cruz é consciente, estaremos continuamente reorientando a nossa vida em boa direcção, pois carregar a cruz é o que Jesus pede para o seguir.

Todo o gesto simbólico nos pode ajudar a entrar em comunhão com aquilo que o gesto significa, e isto é o mais importante.

 
Deus criou o mal no mundo? Imprimir e-mail

 

Deus criou o mal do mundo?

 

 “Deus criou tudo?” Perguntou o professor.

“Sim senhor”, respondeu o jovem.

O professor respondeu: “Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal. Pois o mal existe, e partindo do preceito de que as nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?”

O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor que, feliz, se regozijava por ter provado mais uma vez que a fé era um mito.

Outro estudante levantou a mão e disse: “Posso fazer uma pergunta, professor?”

“Lógico.” Foi a resposta do professor.

O jovem ficou de pé e perguntou: “Professor, o frio existe?”

 “Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso tu nunca sentiste frio?”

O rapaz respondeu: “De facto, professor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo o corpo ou objecto é susceptível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia.

 O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criámos esta definição para descrever como nos sentimos quando não temos calor”.

 “E, existe a escuridão?”, continuou o estudante.

 O professor respondeu: “Existe.”

O estudante respondeu: “Novamente comete um erro, professor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz pode-se estudar, a escuridão não!

 Até existe o prisma de Nichols para decompor a luz branca nas várias cores de que está composta, com as suas diferentes longitudes de ondas.

 A escuridão não! Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz.

Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é? Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente”.

Finalmente, o jovem perguntou ao professor: “Professor, o mal existe?”

O professor respondeu: “Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, estas coisas são do mal.”

E o estudante respondeu: “O mal não existe, professor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus.

 Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz.

 O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações.

 É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.”

 (Diálogo atribuído a Einstein e seu professor)

 
Como lidar com a pressão social por estar solteiro? Imprimir e-mail

 

Como lidar com a pressão social por estar solteiro? 

 

Por que sofro por estar solteiro?

 

Por que é que algumas pessoas sofrem mais que outras por estar solteiras? A angústia do estado de solteiro, principalmente entre as mulheres, tem aumentado cada vez mais, sobretudo para as pessoas que estão entre os 30 anos. A potencialização deste sofrimento, depois dos 30, acontece pelo facto de a pessoa se sentir frustrada nos seus projetos.

 

É natural e faz parte do desenvolvimento humano este projectar, planear e sonhar. No entanto, quando a pessoa chega a esta fase da vida adulta média, que contempla entre 30 a 40 anos, pode ver-se de uma forma mais definitiva o curso da sua vida. Percebe-se já não estar no início da vida nem no fim, mas que o processo de estabilidade foi iniciado. Quando uma das dimensões da vida, neste caso a afectiva, tem uma lacuna, uma ausência, pode gerar um sofrimento maior. Tudo isto já acontece de forma natural.

 

Pressão social

 

Junto a isto, existe uma pressão imposta pela sociedade, especialmente por aqueles que estão próximos. A família começa a dizer piadinhas, os amigos começam a namorar e, por vezes, casam-se. Todos, então, perguntam: “Tu não namoras?”, “Ah! Mas tu estás muito exigente! Desse jeito, não vais namorar ninguém!”. Ou até mesmo: “Coitada(o)! Está até hoje sozinha(o)?”. E aí, aqueles que sofrem por estar solteiros têm vontade de “cavar” um buraco e entrar nele.

 

Para saber lidar bem com esta pressão que a sociedade impõe, é preciso, antes, compreender por que sofre, entender por que, quando ouve determinadas coisas, isto lhe causa tanto desconforto, pois sofrer pelo estado de vida em que se encontra não é algo geral. Há jovens, adultos e idosos solteiros que são felizes por estarem solteiros. A questão é individual, parte da experiência e vivência de cada um.

 

Conhecer-se é essencial

 

A nossa mente funciona como um grande arquivo, o qual, a todo momento, é acessado a partir de palavras que escutamos, situações que vivemos ou aquilo que vemos. Todas estas experiências funcionam como gatilhos, que trazem à tona um arquivo já escondido. Então, quando temos um arquivo na dimensão afectiva, que nos faz acreditar que somos ruins, que nunca vamos encontrar alguém, que vamos morrer solteiros, que ninguém nos ama, que sou indesejável, imperfeito, que vamos ficar sozinhos para sempre, a sociedade pressiona-nos a dar uma resposta. Isto dispara o gatilho em direcção a algo que gera sofrimento, por não acreditarmos que, um dia, conseguiremos encontrar alguém para ser nosso companheiro.

 

Acciono, então, todo o tipo de emoção desconfortável que possa ser vivida, como a ansiedade, a tristeza, angústia, desesperança, medo, solidão e desespero. Sentimentos que podem ter o poder de paralisar a vida de uma pessoa, pois ela começa a acreditar que ficará solteira para sempre! Pois como são consequência de um pensamento ruim, aumentam este pensamento, dando peso a esta emoção. O primeiro ponto é: por que sofro por estar solteiro? Que verdade existe dentro da minha cabeça sobre este assunto que me assusta tanto?

 

Quando tu sabes o que te causa sofrimento, é mais fácil enfrentar a pressão da sociedade, pois o sofrimento está em acreditar que, um dia, não darás esta resposta à sociedade, a qual, no fundo, tu querias dar. O solteiro está solteiro e não é solteiro; ele é uma pessoa antes de definir o seu estado de vida, seja solteiro, casado ou celibatário. Encontra-te com a tua verdade, assume-a e o sofrimento diminuirá!

 
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Violência psicológica, o que é? 

 

Violência psicológica é um tipo de agressão que, em vez de magoar o corpo da vítima, traz danos ao seu psíquico e emocional, fere o equilíbrio afectivo, a capacidade de tomar decisões e o estado de bem-estar necessário para que o indivíduo possa viver com dignidade.

Este tipo de hostilidade não deixa sinais físicos, por isso não é tão perceptível, mas, por vezes, imprime marcas negativas tão profundas em quem a sofre, que abalam e traumatizam o resto da vida.

Um factor geralmente ligado à violência psicológica é a dependência afectiva da vítima. De alguma forma, o agredido vê, na brutalidade do agressor, um tipo de segurança para ele. A carência afectiva o faz manter uma certa cumplicidade com tais sofrimentos, associa que o parceiro com temperamento explosivo é o protector, o ciúme patológico como demonstração de quem quer manter o relacionamento a todo o custo e as ameaças como que gestos desesperados de amor.

Outro ponto é que a pessoa dominada, na maioria das vezes, tem baixa autoestima, um provável reflexo de opressões e angústias vivenciados no seu histórico.

Não são somente os casais que vivem este tipo de problema, mas crianças, pessoas deficientes e idosos que dependem dos cuidados de outros. Estes, não raramente, sofrem por negligência, impaciência e intolerância dos seus responsáveis.

Tipos de agressões

– Violência verbal: caracteriza-se por proferir obscenidades ou palavras que desclassificam e julgam o outro incapaz.

– Indiferença: é o comportamento neutro, a omissão ou o descaso com a vida e as necessidades do outro, o que, por vezes, magoa mais do que o ódio declarado.

– Intolerância ou discriminação: despreza as características, a cultura, os valores e a crença do outro.

– Perseguição: disposição em causar dano ou mesmo só o escárnio a alguém de forma sequencial, quando não basta agredir ou ridicularizar apenas uma vez. Numa palavra mais moderna, é o famoso bullying.

– Chantagem: condicionar o bem que se pode fazer ao outro, isentá-lo de punição ou suprir uma das suas necessidades mediante uma retribuição ou satisfação imoral para o agressor.

– Causar dependência do outro: acontece quando uma pessoa identifica (ainda que inconscientemente) a carência afectiva do outro e usa isso para oprimir, sufocar e impor as suas vontades na vida dele.

– Económica: sustentar o outro em necessidades básicas ou os seus apegos e vícios; em troca, tirar-lhe a liberdade e impor condições para satisfazer a vontade própria.

– Exposição pública: constranger, desrespeitar, causar medo ou vergonha, divulgar factos da intimidade de alguém, de forma que muitas outras pessoas possam ver ou ter acesso. Também, denunciar em público o que deveria ser levado a uma autoridade.

– Impor condição privilegiada: O agressor argumenta que a sua condição está acima da vítima e, por isso, ninguém vai acreditar nele ou considerá-lo.

– Ameaça ou intimidação: quando o agressor impõe uma vantagem, força ou instrumento de força (uma arma, por exemplo) apenas como forma de intimidar, ameaçando de agressão física ou obrigando a vítima a ceder algo contra a sua vontade.

Há também a violência psicológica institucionalizada, como é o caso do terrorismo, dos governos ditatoriais e da acção de organizações criminosas, verdadeiros organismos que se articulam para impor os seus ideais a um povo ou localidade.

Provavelmente, todos nós, ainda que num nível superficial, vivenciamos algum destes tipos de violência psicológica. Na escola, em casa, no trabalho, entre conhecidos, na rua, fomos vítimas ou quem sabe agressores. Daí a importância de tomarmos consciência do mal que podemos fazer e renunciar a este tipo de atitude.

Num mundo que, cada vez mais, vive a violência de tantos tipos, precisamos, a partir de nós, de romper com todo o tipo de agressão, a começar pelos nossos mais simples gestos.

 
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Os leigos e a crise na Igreja

 

O ofício de ensinar foi confiado directamente à hierarquia da Igreja (o Papa e os bispos em si mesmos, e padres e diáconos por extensão), mas os leigos não só podem, como devem “pregar”. Neste tempo de grande confusão entre os próprios membros da hierarquia, que supostamente deveriam exercer este ofício, a “pregação” do laicado — incluindo a sua maciça presença na internet — assume uma importância ainda maior.

Este tema já foi abordado pelo Papa Leão XIII na sua carta encíclica Sapientiae Christianae, de 1890. Recordando que cabe ao episcopado ensinar com autoridade em nome de Cristo, o Papa afasta uma falsa conclusão que disso se poderia extrair:

Ninguém pense que ficou proibido aos particulares de cooperar com alguma diligência no ministério de ensinar, principalmente às pessoas a quem Deus concedeu dotes de inteligência juntamente com o desejo de serem úteis ao próximo. A todos os fiéis cristãos, principalmente aos que têm superioridade e obrigação de ensino, suplicamos por intermédio de Jesus Cristo, e em virtude da autoridade deste mesmo Senhor e Salvador nosso, lhes ordenamos, que apliquem todo o seu zelo e trabalho em desviar esses erros e eliminá-los da luta da Igreja, e difundir a luz puríssima da nossa fé’ (Concílio Vaticano I, Cons. Dogm. Dei Filius).

Por fim, lembrem-se todos que podem e devem disseminar a fé católica com a autoridade do exemplo e pregá-la com uma profissão constante. Assim, nos deveres que nos ligam a Deus e à Igreja está em primeiro lugar o zelo com que cada qual deve trabalhar segundo as suas forças em propagar a doutrina cristã e refutar os erros.

Quando uma pessoa é baptizada, é introduzida no múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo Senhor (cf. CI C, nn. 901-913): é o que denominamos “sacerdócio universal dos fiéis”. Devido ao carácter sacramental impresso na essência das suas almas, os cristãos têm o poder de oferecer a Deus os seus corpos e almas, os seus trabalhos e sofrimentos — o mundo inteiro, enfim, que geme por salvação. Este acto de auto-oblação, em união com o Salvador da humanidade, e de esforço por conduzir as realidades temporais à sua finalidade evangélica, deve penetrar todos os aspectos da vida diária do cristão, ainda que ele sempre venha a encontrar a resistência do mundo, da carne e do diabo.

É assim também que S. Tomás de Aquino entende os efeitos do sacramento da Confirmação (cf. Suma Teológica, III, q. 72): a todo o cristão, em virtude do carácter sacramental conferido por esta unção, é dada a força para testemunhar publicamente a única fé verdadeira, pelo exemplo de vida, pela pregação e a apologética, por qualquer outro tipo de testemunho, inclusive o do sofrimento silencioso.

Para o laicado, assim como para as pessoas que estão na vida religiosa, pregar obviamente não significa uma pregação formal no contexto da liturgia. Mas, se tivermos um entendimento mais profundo de pregar como levar o Evangelho ao mundo e torná-lo vivo pela graça de Deus, veremos que não há limites para o número de maneiras através das quais a Boa Nova pode ser espalhada e compartilhada com as pessoas.

A mãe e o pai de família que ensinam os filhos sobre Deus, que os introduzem na vida de Jesus, de sua Mãe e dos santos, são verdadeiros anunciadores da Boa Nova, transmissores do depósito da fé, “mestres da verdade e pregadores da graça”, como São Domingos. Através de um direito e um dever ao mesmo tempo natural e dado por Deus, eles servem como os primeiros catequistas e pregadores da fé a seus filhos e, nesse sentido, possuem um direito e um dever de transmitir a ortodoxia e afastar a heresia, que não podem ser removidos nem substituídos por pastor algum da Igreja — ainda que seja também verdade que o laicado permanece sob a guia e a autoridade magisterial dos seus pastores, responsáveis que são por transmitir a palavra da verdade.

A pregação aos afundados no erro ou na descrença deve ser, no mais das vezes, ou apologética ou argumentativa, tentando mostrar a essas pessoas a verdade da posição católica. Mas também precisa de fomentar as questões para as quais só o Evangelho — ou melhor, a Pessoa de Cristo — pode dar respostas definitivas.

Devido à disseminação do materialismo científico e comercial, existe hoje uma tremenda ignorância das realidades espirituais, uma falta de admiração a respeito de Deus e da alma, uma falta do tipo de questões que constituem terreno fértil para a graça da conversão. O convite a um banquete não é atractivo senão quando se tem fome e sede.

A pregação aos que já são católicos, os de nome, os que estão à margem, aos confusos, aos sinceros, tenderá a ser, por outro lado, expositiva e exortativa, um esforço por conduzir essas pessoas a um entendimento mais profundo, bem como a uma integração mais consistente de fé e vida. Os melhores “pregadores” leigos devem encontrar modos de acender nos católicos uma consciência do imenso caudal de graças que eles receberam no Baptismo — sobretudo, o poder de receber Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na Santa Comunhão: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim, e eu nele” (Jo 6, 56), e a tremenda misericórdia do sacramento da Confissão, por meio do qual o mesmo sangue lava os nossos pecados e restaura ou aumenta a graça em nossas almas.

Em tudo isto, podemos ver o enorme poder e responsabilidade do jornalismo e das publicações católicas em todos os meios de comunicação. Esse trabalho é parte da missão evangelizadora da Igreja, um verdadeiro apostolado de repassar a fé católica recebida.

Por isso, na próxima vez que tu fores tentado a reclamar por uma homilia ruim que escutaste ou de um pastor que não vive de acordo com o seu ofício de pregador (porque diz falsidades, sem dizer nada de substancial, porque vive de uma maneira que contradiz a fé católica), faz uma pausa, olha para dentro de ti mesmo e pergunta-te como anda a tua própria “pregação”: o teu compromisso com a vida de oração, o teu bom exemplo e as tuas obras de testemunho.

 
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Ataques de pânico: o que são e como lidar com eles

 

Os sintomas parecem assustadores, mas compreendê-los pode ajudar a superá-los

Todos nós já ouvimos falar de ataques de pânico. Talvez um amigo ou membro da família os tenha tido, ou talvez tu te perguntes se já tiveste.

Mas, o que é um ataque de pânico? Como podes lidar com ele ou ajudar alguém que tu amas a lidar com isto?

Francesco Vincelli – psicólogo, psicoterapeuta e professor italiano – dá uma resposta num artigo recente publicado numa revista italiana, BenEssere, la salute con l’anima. Aqui estão algumas das principais ideias e sugestões.

O que é um ataque de pânico?

Entre a ampla gama de transtornos de ansiedade, os ataques de pânico distinguem-se pelo seu início repentino e pela dissonância emocional generalizada que criam. Consistem no súbito aparecimento de medo intenso que atinge o seu pico em apenas alguns instantes, durante os quais tu sofres uma combinação particular de sintomas físicos e cognitivos, que variam um pouco de pessoa para pessoa.

Sintomas físicos

Entre os sintomas mais comuns estão palpitações cardíacas, transpiração, dores no peito e sensação de sufocamento, que muitas vezes levam as pessoas a procurar assistência médica de emergência, porque estes sintomas podem fazer com que as pessoas pensem que estão a ter um ataque cardíaco. Outros sintomas comuns incluem desconforto abdominal, vertigem e formigueiro generalizado, sensação de formigueiro, calafrios ou ondas de calor.

Sintomas psicológicos

Os sintomas psicológicos de um ataque de pânico incluem um medo esmagador de perder o controle ou de “enlouquecer”, e um medo de morte iminente. Sofredores de um ataque de pânico também podem experimentar um sentimento de irrealidade ou desapego, o que os faz sentir como se as pessoas e coisas ao seu redor fossem irreais, estranhas ou deformadas, como se estivessem num sonho; elas também podem ter uma autopercepção alterada, como se elas próprias – ou a totalidade ou parte do seu corpo – fossem irreais ou desligadas da sua consciência. Os nomes técnicos para estes sentimentos são “desrealização” e “despersonalização”.

Um ataque de pânico pode seguir um estado de tranquilidade emocional ou de ansiedade, e quando o ataque termina, a pessoa pode voltar a qualquer estado. A maioria das pessoas que tiveram um ataque de pânico descrevem o primeiro como sendo um relâmpago num céu azul, acontecendo sem qualquer aviso. No entanto, quando olham para as semanas ou meses anteriores, muitas vezes podem identificar algum evento estressante na sua vida ou ambiente, muitas vezes relacionado com problemas interpessoais (no trabalho, na família ou no relacionamento amoroso) ou a doenças ou luto. Algumas pessoas só têm um ataque de pânico; outros experimentam-nos ocasionalmente ou com frequência.

O medo do medo

Neste último caso, o sistema natural de “alerta” de tais pessoas torna-se permanentemente activo, criando um “medo do medo”; eles estão constantemente aterrorizados com a possibilidade de outro ataque de pânico. Esta condição em si predispõe fortemente a outras manifestações de intensa ansiedade, criando um ciclo de feedback negativo.

Agorafobia

A experiência de um ataque de pânico é muitas vezes complicada, segundo Vincelli, pelo aparecimento da agorafobia, um distúrbio que leva o nome da palavra grega “agora”, um espaço público aberto.

A agorafobia consiste num grande medo ou ansiedade relacionada a estar em certos lugares ou situações, como andar em transporte particular ou público; estar em espaços abertos ou fechados; esperar numa fila; estar numa multidão; ou apenas sair de casa sozinho. As pessoas que tiveram ataques de pânico evitam situações em que pode ser difícil para elas escaparem ou onde não teriam acesso para ter ajuda se tivessem outro ataque de pânico ou algum outro problema que pudesse fazê-las sentirem vergonha, como vomitando ou sendo incontinente.

A agorafobia, nas suas formas mais intensas, pode limitar significativamente a vida social e profissional de uma pessoa; algumas pessoas acabam por ficar em casa, ou tendo uma necessidade absoluta de um companheiro para enfrentar o mundo exterior – o chamado “companheiro de fobia” – sem as quais se sentiriam perdidas e incapazes de enfrentar as situações que desencadeiam a sua fobia.

Conselhos para aqueles que sofrem de ataques de pânico

Que conselho o autor dá aos que sofrem de ataques de pânico? Acima de tudo, explica Vincelli, é importante tornar-se mais consciente dos estressores que põem em risco o nosso equilíbrio psicológico, sejam esses estressores passados ​​ou presentes. E aponta que os ataques de pânico são situações temporárias que geralmente duram cerca de 10 minutos, e durante os quais os sintomas físicos não são o resultado de uma doença biológica, mas são canais para descarregar a tensão psicológica acumulada. Entender a natureza e a origem do que está a acontecer pode ajudar a reduzir o estresse, a ansiedade e o medo.

Pessoas que sofrem de um ataque de pânico podem beneficiar de um esforço para respirar mais lenta e profundamente, porque a respiração curta e superficial comum durante um ataque de pânico piora os sintomas físicos, o que aumenta a ansiedade. Também pode ser útil desviar a atenção do próprio corpo e concentrar-se no ambiente externo, de modo a deter a espiral descendente de ansiedade que se alimenta dos sintomas físicos.

Ao lidar com ataques de pânico, especialmente se você os tiver frequentemente, é vitalmente importante procurar ajuda profissional. Um psicoterapeuta pode fornecer a medicação apropriada e a psicoterapia necessária para ajudar o paciente a entender os mecanismos da ansiedade e ensiná-los técnicas comportamentais para ajudá-los a enfrentar a ansiedade com mais sucesso.

Sofrer ataques de pânico não é inevitável, nem eles têm que durar para sempre. Um ataque de pânico é um estado psicológico transitório, composto de pensamentos e comportamentos irracionais que, com a devida ajuda, podemos aprender a superar.

 
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Sem medo da velhice

 

A velhice tem sentido!

“Que os homens idosos sejam sóbrios, dignos, ponderados, cheios de uma fé sadia, de amor, de perseverança. Igualmente as mulheres idosas devem comportar-se como convém a pessoas santas: nem maldizentes, nem dadas a excessos de vinho. Incitem ao bem, ensinem as jovens a amar seus maridos e filhos, a ser modestas, castas, dedicadas aos afazeres domésticos, boas, submissas a seus maridos, a fim de não ser blasfemada a palavra de Deus.” (Tito 2,1-5).

A velhice, como todas as etapas do ciclo de vida humano, é plena de significado, realizações e desafios. Compreende, de certa forma, três tarefas: “olhar para trás”, “viver o presente” e “olhar para a frente”.

Olhar para trás é a acção que leva o idoso a fazer um balanço da sua vida: suas experiências, conquistas, aprendizados, alegrias, perdas, dores... que construíram sua história pessoal. Esse olhar deve inicialmente procurar os êxitos, as acções bem sucedidas, as experiências felizes, o que foi suportado com coragem, as contribuições próprias que foram prestadas à humanidade e, principalmente, o amor recebido e o amor doado. Esta colheita dos frutos da própria existência, é algo q sempre pode ser contemplado com os olhos do espírito. São os dons que banharam em ouro a vida do homem. Esse olhar para trás, por fim, leva o idoso a saber “para que foi bom ele ter vivido”.

O filósofo Emanuel Kant expressa esse olhar de forma muito bela: “Dias luminosos... não chores por terem passado, antes sorrias por haverem existido”. Mas o olhar retrospectivo também trás outras coisas à lembrança: os dias cinzentos, a angústia, os medos, fracassos, a vida que não foi vivida, o tempo não aproveitado ou erradamente aproveitado... são lembranças que pesam na alma da pessoa idosa, pois resta-lhe pouco tempo para acrescentar à vida alguma coisa que possua sentido. Uma recomendação às pessoas idosas é que busquem a reconciliação no seu olhar para trás. Perdoar é uma das grandes oportunidades de sentido na velhice, e realizá-lo equivale a reconciliar-se consigo mesmo, com os outros e com a própria história. O perdão pode recuperar toda uma vida sem sentido e, no instante final, dar a ela a plenitude existencial.

A segunda tarefa que chamamos de “viver o presente”, é a oportunidade de que agora se pode e se deve fazer aquilo para o qual se é chamado. Cada ser humano tem um chamado para alguma coisa, mas esta “alguma coisa” não lhe pode ser imposta. Ele mesmo deve encontrá-la com a sabedoria do seu coração, ele mesmo precisa afirmá-la como o seu sim à vida. O homem cresce por suas tarefas, mas também diminui com a perda delas, por isso, é necessário que, em cada fase da vida, se desempenhe tarefas adequadas à própria situação e às próprias forças. Na velhice, esta é uma vantagem, pois o esquema rígido de actividades a serem cumpridas, de normas e pressões, desafoga-se, permitindo que as tarefas sejam realizadas muito mais por prazer do que por exigência económica e social.

Não esqueçamos isto: o idoso já realizou sua parte de contributo à sociedade. Ele não pode mais ser convocado como uma mão-de-obra barata para outros serviços, apenas podemos pedir-lhe sua ajuda onde ela se faz necessária. O que ele fizer, que o faça espontaneamente. Esta perspectiva corresponde ao carácter da “vida como tarefa”, pois a todo homem é dada uma tarefa, mesmo que seja apenas a de suportar sua situação com bom humor e paciência. Esta tarefa é o sentido do momento presente.

A terceira tarefa é olhar para a frente, pois também o idoso tem um futuro diante de si, mesmo que esse futuro esteja resumido a dias, meses ou anos. Muitas pessoas idosas não começam nada de novo porque pensam que não vale mesmo a pena. O medo de começar algo e vir a deixar incompleto é uma justificativa, mas assim deveria ser para todos nós: crianças, jovens e adultos, pois quem de nós pode assegurar a própria existência? Nunca sabemos até que ponto iremos chegar quando iniciamos uma coisa nova e, mesmo que o futuro não venha a realizar-se, o facto de olhar para ele e de planeá-lo já é, em si, uma experiência bonita, uma vivência que vale a pena ser vivida.

Por fim, quem vive consciente da responsabilidade de dar a cada momento um sentido à sua vida, pode olhar tranquilo para a velhice e para a morte. O olhar para a frente traz consigo também o olhar para a morte, e nesse caminhar para a pátria verdadeira do ser humano: o Céu, uma vida plena de significado e um confiante olhar para Deus, renova a esperança de um dia ouvir: “Vinde, benditos de meu Pai!”. Na vanguarda deste caminho, estão os idosos...

 
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Pais e filhos falam sobre dinheiro 

 

Como é que os pais podem falar sobre dinheiro e consumo com os filhos?

Não é simples falar sobre a relação pais, filhos e dinheiro. A sociedade consumista empurra-nos, a todo instante, a gastar cada vez mais. Cartão de crédito, débito, 10x sem juros, ou seja, consumir sem precisar de pagar no mesmo instante. Comprar para ter, por desejar, por ver famosos a usar, a divulgar.

Antes dos anos 1930, comprar era uma questão de necessidade. Com o surgimento do American way of life, o estilo consumista propagado nos EUA e para o mundo, fomos lançados neste ambiente de consumo e prazer. Adolescentes, jovens e crianças recebem esta investida consumista com ainda mais força. As campanhas publicitárias focam directamente este público jovem para os conquistar, quanto antes, e poder fazê-los compradores fiéis, e até defensores das suas marcas. Diante deste cenário, como é que os pais podem falar sobre dinheiro e consumo com os seus filhos?

Primeiramente, não existe receita pronta ou uma espécie de panaceia financeira capaz de resolver todos os problemas de todas as famílias. Cada pai e mãe sabe os filhos que têm, e cada um reage de forma diferente, não é mesmo? A mesma educação que, muitas vezes, três filhos recebem pode trazer respostas variadas, correspondências, rebeldias, silêncio, contestação. No entanto, é possível trilhar alguns caminhos que pode ajudar neste processo.

Educar e conquistar pelo amor

Em primeiro lugar, os pais precisam de ter claro de que não podem ser “amiguinhos” dos filhos, colegas de turma, apoiá-los em toda e qualquer situação. Mas ser pai e mãe, educar, incentivar mais do que corrigir, e também não aplaudir os comportamentos errados. Pais são para educar e conquistar pelo amor, e não podem querer aprovação imediata dos filhos. Pais que são liberais ao extremo e que se esquivam de colocar algumas regras claras estão a permitir a criação de jovens mal formados.

No que toca ao dinheiro, é preciso ter a consciência que os pais devem, sim, dar o conforto material, e o que for possível, aos seus filhos, mas não são obrigados, por exemplo, a comprar o Iphone mais caro do mercado. Muitos jovens fazem com que os seus pais contraiam dívidas. Conhece algum? Não estamos a falar da culpa estar nos filhos, mas o modelo posto no mundo de hoje é este: propagandas, sociedade consumista e jovens a serem impulsionados a exigir dos pais a última moda de eletrónicas, roupas, festas e viagens.

Diálogo financeiro

Há jovens que obrigam os pais a venderem bens para eles irem viajar. Era como se os pais fossem obrigados a endividar-se para mandar os filhos passear. Há aqui uma inversão de valores. Os pais podem proporcionar o que for possível aos filhos, mas com o devido cuidado para darem de mão beijada tudo o que a sociedade empurra para eles. É preciso mostrar aos filhos o que é trabalhar duro para comprar coisas, para viajar, para ter um Iphone.

Outro ponto fundamental é o diálogo financeiro aberto, sincero e acolhedor. Os pais precisam de ter, ao menos uma vez por mês, uma conversa sobre questões financeiras com os filhos. Como andam as finanças da família, as contas atrasadas e as que irão vencer em breve, os gastos imprevistos, a conta de luz que subiu muito ou a comida que foi lançada ao lixo, o banho demorado demais, etc.

Claro, falar também sobre as próximas férias, como planear, onde a família deseja conhecer, quanto é preciso para realizar. Amor, verdade e participação, estas são as três palavras-chave de um bom diálogo financeiro familiar. Momentos como este, sem distracções nem interrupções, de forma descontraída e relaxada, favorecem que os filhos aprendam, desde cedo, o real sentido do dinheiro, a sua importância como ferramenta de realização de sonhos. Aprende-se também que nunca o dinheiro pode tomar o lugar de Deus na família! A providência Divina rege todas as coisas.

Quando será o próximo diálogo financeiro da tua família? Algumas rezam o terço antes deste momento ou lêem a Bíblia, um Salmo ou uma oração espontânea, para pedir e consagrar a Deus os bens e o património da família.

 
Consagre o seu dinheiro a Deus Imprimir e-mail

 

Consagre o seu dinheiro a Deus 

Muitos cristãos consagram a vida e a família a Deus, mas não consagram o dinheiro e os bens

Na Idade Média, muitos mercenários eram baptizados em conjunto, num rio, por exemplo. No acto do batismo, muitos desses não mergulhavam as espadas na água, e diziam que tudo estava consagrado a Deus, menos as espadas. Ou seja, Deus pode controlar tudo, menos a minha arma, a minha espada, que eu mesmo irei controlar. Infelizmente, muitos cristãos, hoje, fazem como estes mercenários: consagram a vida e a família a Deus, mas não consagram o dinheiro nem os bens. Acabam por pensar que Deus pode controlar todas as coisas, mas o dinheiro é tarefa de cada um.

O profeta Isaías diz: “Os meus pensamentos não são os vossos, e o vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor, mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e os meus pensamentos ultrapassam os vossos” (Is 55,8-9). Os pensamentos de Deus para as nossas vidas, o nosso património, o nosso dinheiro, os bens, casas, carros, poupança, dívidas, débitos vencidos, precisamos de estar sob o Senhorio de Jesus. Precisamos de ter a coragem de colocar tudo sob a mão de Deus, e não querer controlar o que de Deus recebemos. Muitos já o fizeram, e experimentaram uma verdadeira guinada financeira nas suas vidas.

Com isto não significa prosperidade, enriquecimento, mas um conforto de que Deus está no comando, e proporciona todas as nossas necessidades. É verdade que alguns, depois de colocarem o dinheiro, o negócio, a profissão, a empresa, aos cuidados de Deus, e rezam por tudo isto, experimentaram um grande crescimento, satisfação, realização. Mas, para cada filho de Deus, o nosso Pai, tem uma pedagogia, uma forma de educar e formar.

Orçamento equilibrado

 “O orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos se a nação não quiser ir à falência. As pessoas devem, novamente, aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública. (Cícero)

Ao consagrar as nossas finanças a Deus, não significa que podemos gastar sem compromisso, sem responsabilidade, sem planeamento. De forma nenhuma! Deus deu-nos conhecimento, faculdades mentais poderosas, amigos, livros e escritos para nos auxiliar nesta empreitada financeira, muitas vezes, desafiadora. O filósofo Grego Cícero dizia que o orçamento deve ser equilibrado.

O filósofo segue ainda com relação as dívidas, que devem ser reduzidas. Mas como fazer? Os meios práticos são as famosas planilhas e aplicativos de telemóvel. Alguns precisamos de cortar custos, outros precisam de trabalhar alguns fins de semana para aumentar a renda temporariamente. Deus também pode dar inspirações para a nossa guinada financeira, que sem sombra de dúvidas, irá exigir muito, muito trabalho. Não há almoço de graça, diria Milton Friedman, famoso economista americano. É preciso ralar, esforçar-se e ter fé, contar com a graça de Deus!

 
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