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"A Tua Palavra é Luz para os meus passos"

(Sl 119, 105)

 
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O que é a superstição? Tu és uma pessoa supersticiosa? Imprimir e-mail

 

O que é superstição? Tu és uma pessoa supersticiosa? 

 

Quem nunca ouviu falar de superstição e nas crendices do povo?

A história da humanidade está repleta de relatos relacionados com a superstição. Medo de gato preto, não passar debaixo de escadas, dentre tantas outras, são histórias que permeiam a vida de todos nós.

As superstições são tão antigas como a humanidade. Estão presentes na história e associadas aos rituais pagãos, em que as pessoas louvavam a natureza.  Quem nunca ouviu falar de uma delas? Há séculos convivemos com estes costumes, muitas vezes, sem saber como nasceram.

Algumas destas práticas são tão presentes no nosso quotidiano que as multiplicamos automaticamente na nossa vida.

Bater na madeira é um hábito milenar dos pagãos, pois acreditam que as árvores seriam a moradia dos deuses, batiam na madeira como forma de espantar os maus espíritos que rondavam, chamando o poder das divindades.

Afinal, o que é superstição?

O termo “superstição” vem do latim “superstitio” e tem a sua origem no que acreditamos a partir do conhecimento popular. Trata-se de uma crendice sem base na razão ou conhecimento, ou ainda, algo muito relacionado ao comportamento supersticioso e mágico, ligado à maior ou menor “sorte”, em determinada situação.

Desde a antiguidade, os povos eram cheios de crenças ligadas aos aspectos mágicos, identificando situações que dariam ou não sorte aos que seguissem determinadas práticas.

Muitas superstições nascem de hábitos do passado que fazem sentido e que cuja razão se perdeu ao longo do tempo, multiplicando uma situação inexistente que, muitas vezes, vem do modo fácil e tranquilo: usar a roupa da sorte, a bebida especial, a planta de tal tipo. A superstição responde à nossa necessidade de segurança, conforme afirmação de Kloetzel. “Não é simples coincidência que, justamente o campo da saúde e da doença, em que o nosso desamparo se torna mais evidente, esteja mais ‘minado’ por toda a sorte de crendices” […]. “Sabe-se, também, que é entre os idosos, às voltas com a ideia de morte, que o misticismo e a religião encontram maior número de devotos”, revela o autor.

Estamos em pleno século XXI, mas ainda há muitos factos assim, sem uma base exacta. E, a verdade é que, até aqueles que são mais descrentes, céticos, muitas vezes, vão atrás da “boa sorte”. E por mais que digam que a religião pode carregar características supersticiosas, é um grande erro confundir as coisas, pois religião não é magia.

 Acto supersticioso é o facto de alguém trazer um talismã, evitar situações, praticar actos de sorte ou coisas do género. Religião é algo que permanece com o tempo e necessário é crer de forma intensa; enquanto que, a superstição é algo em que não se acredita 100%, mas se faz esta ou aquela simpatia, carrega-se um objeto da sorte.

Não acredites na superstição

O que chamamos de comportamento supersticioso nem sempre é comprovado e, muitas vezes, é lendário, ou seja, de tanto se acreditar que algo dá azar ou sorte, a tradição deu àquele número, objecto ou situação um carácter de favorecimento e crença.

E tu? Já paraste para pensar naquilo que cultivas e em que acreditas? Será que tens dado mais valor às superstições do que à tua vida de cristão?

Aqui fica esta reflexão para revermos como cada um de nós assume medos, crenças e crendices que tantas vezes mobilizam as nossas vidas.

 
O orgulho . A Arma secreta" do diabo para nos destruir Imprimir e-mail

O ORGULHO - A arma “secreta” do diabo para nos destruir

O diabo tem uma arma secreta para imobilizar aqueles que lhe tiram as almas e colaboram para a salvação delas. Ele tem armadilhas subtis e usa a sua estratégia mais efectiva: a “descrença”.

Assim, ele faz com que a palavra das pessoas perca o valor. Ninguém mais as ouvirá.

De alguma maneira, ele deixa as pessoas desacreditadas diante do mundo. E, assim, tira-as do combate. Deixa-as sem palavras, para que elas não se tornem uma moléstia para ele e para os seus planos de acabar com as nossas almas.

Como acontece isto? É muito simples. Quando um sacerdote ou um leigo começa a destacar-se no caminho da santidade, atraindo muitas almas para Deus, isso torna-se impensável para o demónio, que fará tudo para que estas pessoas fiquem em suas mãos.

Como ele é esperto, quando começa a perder almas, puxa pela sua arma preferida: tornar descrente a pessoa que faz um belo apostolado. Ele esforçar-se-á para fazê-la cair em pecado, por meio de subtilezas e armadilhas quase invisíveis. Ou simplesmente tratará de semear o que temos latente em nossos corações: o orgulho.

O orgulho é capaz de ofuscar a tua fé e te destruir facilmente.

Conta-se a história de um frade muito santo, sobre o qual todos falavam. O Papa, ao conhecer a sua santidade, quis conhecê-lo e convidou-o para que o viesse visitar. O pontífice sentou-se ao lado do frade, para o ouvir melhor. Entretanto, ao voltar para casa, o frade encheu-se de orgulho e descuidou-se da vida de oração. E passou a queixar-se que as pessoas não o tratavam com a dignidade que ele merecia, por ter estado ao lado do Papa. Com o tempo, ele abandonou a sua ordem religiosa e morreu negando a sua fé.

Ao longo da vida nós aprendemos que “o orgulho é um mau conselheiro”. Mas como blindar-se dele? Esforçando-se para manter uma vida santa, permanecendo no amor de Jesus: confissão frequente, fazer muita oração e receber os outros sacramentos são como um muro que te protege dos ataques diários do maligno. Ele é muito subtil. E tu deves ficar sempre alerta. O diabo é mais do que mau, é péssimo!

Eu conheço casos recentes de pessoas que escalavam a montanha de Deus e, de repente, tropeçaram, rolaram por aí abaixo. Duas senhoras que requentavam aqui as tardes de oração, mas que se perderam pelo orgulho: uma saiu e começou a dizer que ela era deusa. A outra dava conselhos a toda a gente. E dizia que era uma santa. Mas uma amiga apanhou-a porque viu que ela falava muito, levou-a para o espiritismo e agora é um tormento em casa para o marido e para a família. Ninguém a segura. Estas pessoas caíram porque não lutaram para se levantar novamente e descuidaram os seus apostolados. Como o demónio conseguiu fazer isto? Muito simples: desanimando-os. Quando tu ficas desanimado (a), deixas logo de caminhar, separas-te do grupo, abandona a oração e isolas-te.

Já aconteceu isto contigo? Eu penso muito nisto. Em momentos assim, difíceis, deves rezar, rezar mais e pedir a Deus o discernimento para compreenderes o que está a acontecendo contigo, descobrir a vontade do Senhor e encontrar uma saída rápida.

Pede ao Espírito Santo que renove a tua vida, que te devolva a alegria do apostolado, essa paz sobrenatural que te preenchia e te fazia levar o seu testemunho aos outros.  E te sentias feliz e realizada.

Luta! Não permitas que a tua voz se cale. Não deixes de levar um abraço fraterno, um prato de comida, uma palavra de alento a quem precisa.

Não tenhas medo. Resiste! Deus está contigo. E espera muito de ti.

E tu, sempre com humildade, confia muito no Senhor e avança.

 
O que farias hoje, se o mundo acabasse amanhã? Imprimir e-mail

O que farias hoje, se o mundo acabasse amanhã?

O fim do mundo é um assunto que preocupa muita gente e causa diversas reacções: medo, agitação, ansiedade, indiferença. Tais comportamentos podem variar de acordo com a filosofia de vida de cada pessoa, com a sua crença.
 
Os católicos, por exemplo, acreditam no fim dos tempos, que se refere à segunda vinda de Cristo, o que não significa que o mundo vai acabar.
 
Nós acreditamos que, com a segunda vinda de Cristo, haverá céus novos e terra nova, onde nós viveremos com Cristo. Fim do mundo é a morte, o fim deste mundo. Só que nós acreditamos que somos apenas peregrinos neste mundo, o nosso lugar é o céu.
 
A partir da Revelação, sabe-se que o mundo não é definitivo, o que significa que ele terá o seu fim. Porém, não se sabe quando isso vai acontecer.
 
O próprio Filho do Homem disse que nós não sabemos nem o dia e nem a hora em que isso acontecerá. Desde o início dos séculos sempre apareceram falsos profetas que anunciaram o fim do mundo e, como era de se esperar, todas essas previsões foram por água abaixo, continua a ser válido o que o Senhor disse a seus discípulos.
 
Comportamento humano diante do fim do mundo
 
Várias são as hipóteses levantadas para o fim do mundo, mas o que costuma ser comum é o comportamento do homem frente a essa possibilidade. Normalmente, as pessoas tendem a preocupar-se com o aspecto material, querendo realizar tudo o que elas não puderam fazer. O lado espiritual, por sua vez, nem sempre é contemplado.
As pessoas são fruto do tempo presente e hoje estão inseridas num mundo consumista, que põem desejos passageiros e que deixam as pessoas num ritmo frenético. Desta forma, passam a querer adquirir tudo a todo o custo.
 
Viver uma situação destas, vai causando um esvaziamento de si mesmo, uma falta de princípio de valores e deixa o homem angustiado e ansioso. Dentro do campo do comportamento humano, é o que resulta neste consumismo desenfreado.

Rompimento com os valores
 
Diante da hipótese da proximidade do fim do mundo, é possível o surgimento de desejos que a pessoa não alimentaria na sua vida, talvez por ir contra as suas crenças e comportamentos mais enraizados.
 
As pessoas vivem a partir de normas e, tomando como exemplo o campo religioso, elas adequam-se a essas regras porque desejam viver a experiência com Deus. No entanto, o mundo também provoca desejos.
 
Preparação espiritual
 
E se por um lado o fim do mundo desperta a vontade de satisfazer desejos humanos, mesmo os mais improváveis e surpreendentes, por outro coloca em questão o aspecto espiritual.
 
A partir da passagem bíblica presente em Actos dos Apóstolos (1, 4-8), vemos que a Igreja entende que Deus não quer que façamos especulações sobre quando Jesus vai voltar, principalmente no sentido de marcar datas.
 
O que a Igreja recomenda mesmo, e inclusive neste tempo do Advento se insiste, é que estejamos preparados. Assim como devemos estar preparados para a primeira vinda dele no Natal, também devemos estar preparados para a sua segunda vinda.
 
Tudo o que gera temor em relação ao futuro não é do espírito cristão, uma vez que o Senhor é o “Príncipe da Paz” e não quer gerar a má ansiedade no coração dos seus filhos.
 
Ele quer sim que nós, esperando a sua vinda gloriosa, esperando o fim deste mundo passageiro e o começo de uma nova criação, estejamos a todo o momento preparados através de uma contínua purificação e conversão para que quando Ele venha encontre em nós a imagem de seu Filho, homens e mulheres restaurados por Cristo e Ele, identificando o seu Filho em cada um de nós, nos acolherá para vivermos eternamente com Ele no céu. Esta deve ser a nossa atitude.


 
O cristão pode consultar o horóscopo? Imprimir e-mail

 

O cristão pode consultar o horóscopo?

 

A astrologia pretende definir a vida humana a partir da posição ocupada pelos astros no dia do nascimento da pessoa. A astrologia e o horóscopo são cultivados desde remotas épocas antes de Cristo, ou seja, desde a civilização dos caldeus da Mesopotâmia, por volta de 2500 a. C.. Nessa época, os estudiosos pouco sabiam a respeito do sistema solar e dos astros em geral.

Motivos da falsidade

Segundo o grande mestre D. Estevão Bettencourt, tal “ciência” é falsa por diversos motivos:

1 – Baseia-se na cosmologia geocêntrica de Ptolomeu; conta sete planetas apenas, entre os quais é enumerado o Sol;

 2 – A existência das casas do horóscopo ou dos compartimentos do zodíaco é algo de totalmente arbitrário e irreal;

 3 – Os astros existentes no cosmo são quase inumeráveis; conhece-se interferências deles no espaço que outrora se ignorava. É notório também o fato de que os astros modificam incessantemente a sua posição no espaço. Por que, então, a astrologia leva em conta a influência de uma constelação apenas?;

 4 – A astrologia incute uma mentalidade fatalista e alienante, que deve ser combatida, pois não corresponde aos genuínos conceitos de Deus e do homem. Registam-se erros flagrantes de astrólogos. (Revista PR, Nº 266 – Ano 1983 – Pág. 49).

O que dizem os estudos

Uma pesquisa realizada nos EUA mostra que seguir os horóscopos “pode fazer mal à saúde mental”. O estudo foi publicado na revista “Journal of Consumer Research” e descobriu que pessoas que lêem o horóscopo diariamente são mais propensas a um comportamento impulsivo ou a serem mais tolerantes com os seus “desvios” quando a previsão do zodíaco é negativa. Cientistas das universidades Johns Hopkins e da Carolina do Norte recrutaram 188 indivíduos, que leram um horóscopo desfavorável.

Os resultados mostraram que para as pessoas que acreditam que podem mudar o seu destino, um horóscopo desfavorável aumentou a probabilidade de elas caírem em alguma “tentação”. “Acreditava-se que, para uma pessoa que julga poder mudar o seu destino, o horóscopo deveria fazê-la tentar modificar alguma coisa no seu futuro”, disseram os autores da pesquisa. No entanto, viu-se o oposto: aqueles que acreditam no horóscopo, quando vêem que a previsão é negativa, acabam por ceder às suas “tentações”, levando-os a um comportamento impulsivo e, eventualmente, irresponsável.

Prova do erro

Uma prova do erro da astrologia é a desigualdade de sortes de crianças nascidas no mesmo lugar e no mesmo instante, até mesmo dos gémeos. Veja, por exemplo, o caso de Esau e Jacob (Gen 25). Se os astros regem a vida dos homens, como não a regem uniformemente nos casos citados? Quem conhece os gémeos sabe muito bem disso.

Santo Agostinho, já no século IV, combatia veementemente as superstições e a astrologia. No seu livro ‘A doutrina cristã’ escreve: “Todo o homem livre vai consultar os tais astrólogos, paga-lhes para sair escravo de Marte, de Vénus ou quiçá de outros astros”.

O cristão deve repudiar

Querer predizer os costumes, os actos e os eventos baseando-se sobre este tipo de observação é grande erro e desvario. O cristão deve repudiar e fugir completamente das artes da superstição malsã e nociva, baseada sobre maléfico acordo entre homens e demónios. Estas artes não são notoriamente instituídas para o amor de Deus e do próximo; fundamentam-se no desejo privado dos bens temporais e arruínam assim o coração.

Em doutrinas deste género, portanto, deve-se temer e evitar a sociedade com os demónios que, juntamente com o seu príncipe, o diabo, não buscam outra coisa senão fechar e obstruir a estrada do nosso retorno a Deus.”

 “Os astrólogos dizem: a causa inevitável do pecado vem do céu; Saturno e Marte são os responsáveis. Assim isentam o homem de toda a falta e atribuem as culpas ao Criador, àquele que rege os céus e os astros” (Confissões I, IV, c. 3).

Cuidado para não prestar culto que não seja a Deus

“Um astrólogo não pode ter o privilégio de se enganar sempre”, dizia o sarcástico Voltaire.

“O interesse pelo horóscopo como também por Tarô, I Ching, Numerologia, Cabala, jogo de búzios, cartas, etc. é alimentado por mentalidade que se pode dizer “mágica”. Quem se entrega à prática de tais processos de adivinhação, de certo modo, acredita estar subordinado às forças cegas e misteriosas; o cliente de tais instâncias amedronta-se e dobra diante de poderes fictícios, o que não é cristão.”

São Tomás de Aquino, na sua obra “Exposição do Credo”, afirma que o demónio quer ser adorado, por isso esconde-se atrás dos ídolos. E São Paulo diz que “as coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam aos demónios e não a Deus” (1 Cor 10,21). Então, é preciso cuidado para não prestar um culto que não seja a Deus.

 
Fantasmas, almas penadas ou vagantes, é possível? Imprimir e-mail

 

Fantasmas, almas penadas ou vagantes, é possível? 

Será que é possível que almas penadas ou vagantes andem “soltas por aí”?

Esta questão nada tem a ver com espiritismo ou reencarnação. Pois não se tratar da possibilidade das almas encarnarem uma segunda, terceira ou quarta vez, que é o conceito da reencarnação. Isto para nós é claro que não há nenhuma possibilidade e que a doutrina da Igreja encerrou o assunto sobre esta questão.

Estamos a falar do que “popularmente” as pessoas chamam almas penadas ou vagantes; outras pessoas chamam-lhe fantasmas e etc…É a questão de pessoas vivas, aqui na terra, dizerem terem visto almas de pessoas ou almas de parentes que morreram e coisas do tipo…

A doutrina da Igreja é bem clara nesta questão no sentido de que, quando alguém morre, imediatamente acontece o seu julgamento pessoal, julgamento este em que há a possibilidade de 3 destinos: o céu, o inferno ou o purgatório. Lembrando que o Purgatório não é um destino definitivo, é um período de purificação que a alma passará, e passado este tempo, o céu será o seu destino eterno.

O Catecismo da Igreja Católica, no número 1022 diz:

“Cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca a sua vida em relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação. (Conc. de Lião II, DS 856; Conc. de Florença, DS 1384; Conc. de Trento, DS 1820), seja para entrar de imediato na felicidade do céu (Con. de Lião II, DS 857; João XXII, DS 991; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1305), seja para se condenar de imediato para sempre.” (Conc. de Lião II, DS 858; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1306).

Há pessoas que ainda insistem em dizer que viram “almas penadas“, que viram almas de algum ente querido…

E o que dizer a estas pessoas? Simplesmente que estão loucas? Que o que viram foi fruto da sua imaginação? Foi algo que o seu estado psicológico as fizeram imaginar?

Certamente a questão do estado psicológico e emocional da pessoa precisa de ser questionado, pois há pessoas que após a morte de um ente querido entram num certo grau de desespero, e que é possível estarem realmente a projectar e a ver certas “aparições” que na realidade é fruto do seu emocional abalado.

Para o falecido Exorcista, Padre Gabriele Amorth, esta questão ainda é algo que a Igreja e os Teólogos precisam de se debruçar com maior cuidado e dedicação. Ele relata que num Exorcismo, o espírito de quem dizia estar a possuir aquela pessoa não era em si um Demónio, mas era uma alma condenada. Mas o Padre Gabriele Amorth diz que com o passar do tempo e com mais Exorcismos, se verificou que se tratava realmente de Demónios que estavam a possuir aquela pessoa e mentindo dizendo que era a alma de um condenado que estava a possuí-la.

 Num dos seus livros, o Padre Gabriele Amorth dedicou um capitulo a esta questão das experiências que os Exorcistas já fizeram durante o ritual do Exorcismo, e na qual se depararam com a realidade de não ser um Demónio a possuir uma pessoa, mas sim a alma de um condenado… As opiniões são bem diversas pelos Exorcistas, mas a grande maioria não acredita que possa haver esta possibilidade.

O Padre Rufus Pereira sobre esta questão, disse que realmente há muitos debates sobre esta realidade, mas que a experiência dele no que se refere a Exorcismos e Libertação, ele acreditava que é sempre o Demónio a possuir uma pessoa. Ainda que o espírito insistisse em dizer que é era alma condenada, seria sempre uma mentira do Demónio.

O Padre Jose Fortea, Exorcista espanhol, que defendeu há algum tempo atrás a sua tese de Doutorado sobre Exorcismo, na Espanha, disse que “quanto a esta questão não há argumentos incontestáveis“, e afirma que portanto os “Teólogos precisam ainda de apresentar mais estudos sobre esta realidade.”

O Padre Duarte Sousa Lara, Exorcista em Portugal, também afirma que isto tem sido muito discutido nos encontros da Associação Internacional de Exorcistas.

Portanto o que fica claro para nós depois de todos estes relatos, juntamente com a doutrina da Igreja, é termos a certeza que uma vez que a pessoa morreu, acontece de forma imediata o seu Juízo Particular. Neste Juízo, a pessoa vai para o Céu, Inferno ou Purgatório…Portanto não ficam de forma nenhuma vagantes por aí, sem nenhum tipo de destino, soltas…Há um juízo e definição de estado…

O que realmente ainda é um mistério, é a possibilidade de algum tipo de acção destas almas sobre o estado/lugar em que se encontram…

Sabemos dos relatos de alguns santos, como por exemplo Santa Margarida Maria Alacoque, Santa Gertrudes, e outros, que tiveram a experiência de ver algumas almas, e que as mesmas, afirmavam eles, eram almas do Purgatório que precisavam de Orações. Uma vez que assumiram a atitude de celebrar missas e rezar por estas almas, as mesmas deixaram de lhes aparecer.

As almas que se encontram no céu unem-se a nós que estamos na terra dentro da realidade que a Igreja nos ensina sobre a “Comunhão dos Santos“, que o Catecismo traz a partir do número 946…

As almas que se encontram no inferno, sabemos que não há mais a possibilidade de salvação para elas, mas, se existe algum outro tipo de intervenção na terra, continua a ser um mistério para nós.

Um facto muito importante sobre a questão de ver almas penadas ou de parentes que morreram, é que não se pode excluir a possibilidade de uma acção do Demónio, para iludir a pessoa. Fazendo assim com que ela busque meios inapropriados como o espiritismo, a psicografia e as seitas ocultas, para terem contacto com tais espíritos, e aí sim, isso fará com que tais pessoas tenham contactos directamente com demónios, como afirma São Tomas de Aquino, na sua Suma Teológica.

Então qualquer tipo de experiência que tenhamos vivido, ou que ouvimos de outras pessoas e podemos aconselhar é: devemos rezar por estas almas! A forma mais eficaz é o oferecimento de missas por elas, como nos ensina a doutrina Católica.

Embora não tenhamos a compreensão de tantos mistérios e desígnios de Deus, podemo-nos aproximar dEle como Pai, e mesmo sem as respostas que queremos, uma coisa é certa, o Seu amor não nos falta nunca; isto nos basta!

 
Como identificar e tratar a dependêcia afectiva Imprimir e-mail

 

Como identificar e tratar a dependência afectiva 

Tenho dependência afectiva. O que fazer?

A dependência afectiva é um estado que faz parte da natureza humana por nascermos dependentes tanto no campo físico: alimentação, cuidados etc., como no campo afectivo. As experiências que adquirimos no nosso desenvolvimento farão com que tenhamos ou não, a nossa independência afectiva.

É muito importante esclarecer que esta independência não significa individualismo, muito menos solidão. E, sim, a capacidade de não nos vincularmos excessivamente a alguém, é a possibilidade de tomarmos as nossas decisões, escolhas e dar passos na capacidade e na autonomia em cuidar de nós mesmos e assumir o que fizemos de certo ou errado.

Aprenda a observar

Para que possa perceber se é uma pessoa – excessivamente – dependente de alguém, é importante observar alguns pontos:

– Precisa de alguém para se sentir seguro e tranquilo?

– Percebe que, mesmo em situações simples de escolha e decisão, precisa dessa pessoa ao seu lado?

– Sente-se dependente para fazer escolhas, precisando da aprovação dessa pessoa?

– Sente que a sua autonomia é prejudicada, ou seja, é difícil fazer algo sem aquela pessoa?

É claro que, muitos de nós, gostamos que uma outra pessoa dê uma opinião a nosso respeito (se a roupa nos fica bem, se devemos comprar algo, se devemos mudar de emprego, etc.), o que não significa que sejamos dependentes. A dependência caracteriza-se sempre que há algum excesso, aquela dificuldade em sair do lugar sem que o outro nos apoie, como uma muleta, um suporte, que precisamos e fazemos questão de suportar ao longo de toda a nossa vida.

O que fazer?

Quando estamos nesta situação, geralmente temos dificuldade para perceber, negamos esta dificuldade e irritamo-nos quando somos apontados como dependentes. Temos, também, dificuldades com a autoestima e a maturidade emocional, e costumamos fazer outras coisas em excesso, como trabalhar, comer, beber, falar, jogar, entre outros. Podemos, ainda, viver sentimentos muito extremos (amar demais, odiar demais), bem como sensação de vazio e falta de significado na nossa vida, sem compreender exactamente o que está ocorrendo.

Nem sempre as escolhas afectivas dependentes são conscientes e claras para quem passa por isso. Dependências podem se dar com coisas, objectivos, drogas, jogos, chegando às pessoas e às palavras amigas. A dependência afectiva faz com que procuremos exteriormente, o apoio e a protecção, para suportarmos os problemas vividos nos relacionamentos e nas situações sociais. Somos humanos e somos efectivamente influenciados sempre. Podemos lembrar que, como seres sociais que somos, efectivamente seremos influenciados e influenciaremos sempre, e isto faz parte da nossa natureza.

Limites nos relacionamentos

Das relações sadias, por meio das quais os pais estimulam e acreditam no potencial de uma criança, – fazendo com que ela supere desafios e aprenda a ganhar e a perder – é que nasce uma autoestima positiva e a sensação de segurança pessoal, bem como a capacidade de cuidar de si. No entanto, quando isto não acontece, por vezes, vamos buscar essa dependência, para que, outra pessoa nos estimule, mas quando entra o excesso, passamos a não viver mais sem a ajuda dela, mesmo em pequenas decisões. É interessante, pois, nesta relação “disfuncional” sempre haverá o outro, ou seja, aquele que é a pessoa mais segura na relação, mas que, de alguma forma, também alimenta essa dependência.

Sendo assim, é muito importante que a pessoa dependente estabeleça limites nos seus relacionamentos, reconhecendo a sua realidade, que, muitas vezes, passa pela negação dos factos e a ilusão de viver em situações fantasiosas. Assim, ela deve assumir a responsabilidade em administrar as suas necessidades, reconhecer as suas atitudes, emoções e os seus comportamentos, sejam eles positivos ou não, percebendo as vivências da raiva, do medo, da vergonha, da culpa e, com isto, reconhecendo essas questões na sua vida e comprometendo-se com a mudança.

 
O mundo divide-se entre defensores de Abel e defensores de Caim Imprimir e-mail

 

 “O mundo divide-se entre defensores de Abel e defensores de Caim” - Pe. Zezinho

 

"Alguns não perdoarão nem daqui a mil anos, mas querem ser perdoados já no dia seguinte"

Para alguns é impossível perdoar. Não perdoarão quem frustrou os seus planos, nem daqui a mil anos. Mas querem ser perdoados, já no dia seguinte, porque consideram que matar o outro não é crime porque foi por uma boa causa. Por exemplo: aborto!

E quem ousar dizer que assassinato é assassinato, seja ele perpetrado com a mão direita ou com a esquerda, tal pensador será ofendido e colocado na lista dos inimigos da pátria e da humanidade!

O mundo divide-se entre os defensores de Abel e os defensores de Caim. E culpam o escritor da Bíblia que diz que Deus foi bom para Abel e injusto para com Caim. Por isso Caim revoltou-se.

Religiosa e politicamente há pessoas que simplesmente só aceitam a própria vitória. Não vencendo, lutarão até ao fim da vida para provar que só no outro lado houve crime. Do lado deles foi revolução redentora.

Foi assim na URSS, RÚSSIA, CHINA, USA, VENEZUELA, CUBA, NICARÁGUA, ISRAEL, SÍRIA, ISIS, TUTUS, ARGENTINA, BRASIL e mais de vinte outros países nestes últimos 50 anos. O pecado veio da outra trincheira.

E quem ousa dizer que foram crimes dos dois lados será silenciado, caluniado e denegrido. Fizeram isto contra Jesus que denunciou a injustiça que vinha dos muitos outros lados em Israel.

A Cruz é uma lembrança do que fizeram contra Ele porque ensinou o perdão aos inimigos. Para um cristão: perdoar é um dever. Para um não cristão, vingar-se também é um dever!

O cristão sabe que terá que escolher!…

 
Qual a relação da Palavra de Deus com as ciências humanas? Imprimir e-mail

 Qual a relação da Palavra de Deus com as ciências humanas? 

Fé e razão

O debate público é de enorme relevância, pois a Igreja mesma entende a necessidade do esclarecimento sobre a relação da Palavra de Deus (Bíblia) com as diversas ciências, ou seja, da fé com a razão. A competência da comunidade de decidir sobre os rumos das ciências não deve ficar só nas mãos dos cientistas e dos políticos. A humanidade inteira deve ter suas instâncias de participação.

Um dos sectores mais envolvidos, neste debate, e que mais recebe críticas é a Igreja Católica. A Igreja é criticada por pessoas e sectores da comunidade alegando dogmatismo, imposição, arbitrariedade, desrespeito pela liberdade, intenção de dominar o Estado. Muitos afirmam que o Estado é laico, por isso a Igreja não se deve  “intrometer”, e que a Bíblia nada tem a dizer. Afinal, a Bíblia diz algo?

A Bíblia não é um livro de ciências, mas apresenta princípios ético-religiosos que iluminam as actividades das ciências. A Igreja à luz da Palavra de Deus defende o que chamamos de “lei natural”, lei estabelecida por Deus pela ordem da criação, inscrita no coração do homem e que sempre diz “faça o bem e evita o mal”. Independentemente da cultura ou da época histórica, nunca é lícito qualquer acção ou lei que contradiz a vontade de Deus inscrita no coração do homem e escrita na Bíblia. O filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) chegou a afirmar: “Pouca ciência afasta o homem de Deus, porém, muita ciência a Deus o conduz”. A ciência que esteja em diálogo com a Palavra de Deus consegue adquirir a verdade do conhecimento com conclusões honestas e lícitas a respeito da vida.

As ciências estão ao serviço da humanidade

Quando a Bíblia relata alguns factos “aparentemente científicos”, não é seu interesse fazer ciências, mas valorizar a razão, a inteligência do homem. Ela dará sempre orientações para acções em defesa da pessoa e da criação. É preciso, por parte das ciências, ter uma atitude de humildade para dialogar com a Bíblia e reconhecer o seu limite. Como sublinha o Magistério Católico, “nem tudo que é tecnicamente possível ou realizável é eticamente aceitável”. A Igreja, inspirada na Palavra de Deus, expressou sempre a apreciação pelas ciências e busca nestas, fundamentos racionais para a própria fé, no desejo de integrar “evidências” racionais e “convicções” crentes.

Enfocar a relação Bíblia e ciências é entender a salvação na sua totalidade segundo o Concílio Vaticano II: “É a pessoa humana que deve ser salva. É a sociedade humana que deve ser renovada. É, portanto, o homem considerado na sua unidade e totalidade, corpo e alma, coração e consciência, inteligência e vontade”.

Afirmamos que o progresso científico e tecnológico serve para o bem de toda a humanidade e os seus benefícios não podem ser colocados em favor apenas de poucos. As ciências estão ao serviço da humanidade. Pelo progresso das ciências e conformidade com o projecto de Deus, o homem contribui com a obra da criação. Como diz o Papa Francisco, para evitar a “trágica divisão” entre “a cultura humanista-literária-teológica e a científica”, bem como para “encorajar um maior diálogo também entre a Igreja, comunidade de crentes, e a comunidade científica”, sublinha a “necessidade premente do humanismo”.

Deus confiou ao homem o cuidado da Sua criação

Deus criou o mundo, tendo também, consequentemente, criado os seres humanos com capacidade de participar da Sua criação. Afirma Tomás de Aquino: “Uma vez que se diz que os seres humanos foram feitos à imagem de Deus em virtude de terem uma natureza que inclui um intelecto, tal natureza é à imagem de Deus sobretudo em virtude de ser o que mais consegue imitar Deus” (ST Ia q. 93 a. 4). As ciências, em respeito à lei natural, lei estabelecida por Deus, possibilita ao ser humano esta participação.

No início da Bíblia, Deus apresenta-se como o Supremo Criador: “No começo, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1,1) revelando a ideia bíblica de criação ex nihilo (do nada) e as acções desenvolvidas pelo Criador, a fim de preparar a terra para produzir e sustentar a vida, confiando ao homem a continuação da Sua obra criadora. Por isso, a Igreja sempre teve grande apreço pelas ciências, porque o ser humano, “única criatura que Deus quis por si mesmo”, é imagem e semelhança de um Deus que criou o mundo por amor e confiou ao homem o cuidado da criação de modo responsável, na lógica da gratuidade, do amor, do serviço, e não a do domínio e da prepotência.

Afirma o Magistério Católico: “O homem de hoje, considerado quer individual quer colectivamente, é posto em confronto, cada dia, com problemas morais delicados que o desenvolvimento das ciências humanas, por um lado, e a mundialização das comunicações, por outro lado, colocam constantemente em discussão, ao ponto de que também crentes convictos têm a impressão de que algumas certezas de outrora estão anuladas. Pense-se apenas nos modos diversos de abordar a ética da violência, do terrorismo, da guerra, da imigração, da partilha das riquezas, do respeito dos recursos naturais, da vida, do trabalho, da sexualidade, das pesquisas no campo genético, da família ou da vida comunitária. Diante desta complexa problemática, nos últimos decénios pode ter havido a tentação, em teologia moral, de marginalizar, em todo ou em parte, a Escritura. Que fazer quando a Bíblia não dá respostas completas? E como integrar os dados bíblicos, quando para elaborar um discurso moral sobre tais questões é preciso recorrer às luzes da reflexão teológica, da razão e da ciência? Este será agora o nosso projecto”.

Defender a vida

A Igreja não deve julgar à priori os possíveis desdobramentos dos avanços das ciências, mas manter um diálogo constante com o mundo científico para se inteirar das possibilidades, perigos e limites dessa nova etapa que se descortina na história da humanidade. Portanto, é preciso que haja uma espécie de vigilância ética no âmbito técnico-científico, com o intuito de inibir qualquer ciência que ameace ou viole a dignidade humana.

Isso não significa, porém, impedir o avanço científico em áreas que trarão claros benefícios à humanidade. A Igreja, à luz da Bíblia, deve estar atenta à necessidade de defender a vida em geral e também a vida individualizada, de cada ser humano, portador de características próprias; a lutar contra toda e qualquer ciência que fere directamente a vida.

Cabe à Igreja zelar para que os benefícios decorrentes das diversas ciências não fiquem restritos a uma ínfima parcela de privilegiados, mas estejam ao alcance de toda a humanidade. A atitude da Igreja é, e deve ser sempre, fundamentada na Bíblia, de denunciar com coragem, franqueza (paresia) toda a ameaça à vida, tudo o que contraria a lei estabelecida por Deus. A Igreja conhecedora do projecto Divino presente na Bíblia e consciente da sua missão assume o compromisso de defender a vida que é ferida, agredida por uma sociedade que a ameaça.

 
Composição, origem e destino do Ser Humano Imprimir e-mail

Composição, origem e destino do Ser Humano

 

O ser humano é composto de corpo e alma. O corpo é material, por isso corruptível. A alma é imaterial, por isso é imortal, nunca irá desaparecer. A alma é a forma do corpo, ou seja, é o que faz com que a matéria que compõe o corpo daquele ser humano componha um ser humano e não seja outra coisa qualquer.

Para tentar perceber isto melhor: uma garrafa de plástico é uma garrafa de plástico, porque aquele plástico (matéria) tem a forma de uma garrafa. Aquela matéria poderia ter outra forma, de prato, por exemplo, e nesse caso seria um prato de plástico e não uma garrafa.

Do mesmo modo, é a alma que dá forma ao corpo, que faz com que a matéria que o compõe esteja unida como um corpo. De tal maneira que quando se dá a separação entre a alma e o corpo, ou seja, quando a pessoa morre, o corpo se vai degradando, até que aquela matéria se transforme noutra coisa qualquer.

A alma humana, ao contrário do corpo, não é gerada na fecundação, quando se dá a união entre a gâmeta masculino e feminino. A alma é infundida por Deus após a concepção. Sendo imagem de Deus, a alma é imaterial e possui duas faculdades: inteligência e vontade. São estas características da alma humana que distinguem o ser humano de qualquer outro animal à face da Terra.

Os animais não têm inteligência e vontade, têm instintos e, alguns, capacidade de aprendizagem por repetição. O ser humano, graças à inteligência, pode tentar compreender o mundo que o rodeia, e a si mesmo, especular, apreender conceitos e ter pensamentos abstractivos. Com a vontade consegue pode tentar perceber se um determinado objecto ou acção lhe é favorável ou desfavorável e em que medida.

Os animais são apenas matéria, por isso quando morrem desaparecem. O ser humano é matéria (corpo) e espírito (alma), por isso nunca irão desaparecer mesmo depois da morte. O corpo fica na Terra e desaparecerá. A alma será julgada por Deus e será salva ou perdida para sempre, consoante o amor a Deus e aos outros que pautou as acções daquela pessoa até ao seu último suspiro de vida terrena. No fim dos tempos, os corpos ressuscitarão e unir-se-ão às almas, as que estão no Céu para a felicidade eterna e as que estão no Inferno para o sofrimento eterno.

João Silveira

 
Como foi a descendência de Adão e Eva? Imprimir e-mail

Como foi a descendência de Adão e Eva?

 

Se Adão e Eva foram as primeiras pessoas do mundo, como tiveram netos? Será que os seus filhos se casaram entre si?

A pergunta que não podemos calar: como é que Adão e Eva tiveram descendentes? Foi por meio de relações incestuosas?

A Bíblia não explica como se desenvolveu a descendência de Adão e Eva. Sabemos que Adão e Eva tiveram muitos filhos (Gn 5, 4), dos quais os primeiros foram Caim e Abel (Gn 4, 1-2), e conhecemos também o facto do fratricídio (Gn 4, 3-16) que levou uma descendência de Caim (malvada e irreligiosa – Gn 4, 17-24) separada da descendência de Set (boa e religiosa – Gn 5, 6-32), o filho “escolhido” por Deus (Gn 4, 25-26. 5, 3-4) para substituir Abel, do qual depois se chegará a Noé e ao dilúvio.

Como se gerou esta descendência? Houve muitas hipóteses e todas acabaram por encontrar o problema do incesto (relações sexuais entre parentes próximos), fruto de uma interpretação literal da Bíblia.

Para tentar mitigar o problema, foram procuradas muitas explicações: não havia uma lei contra o incesto; viviam muitos anos e casar-se com sobrinhos parece que era “menos grave”, etc. Mas nenhuma delas deu uma explicação convincente.

Felizmente, os dois últimos séculos de estudos da Bíblia permitem-nos compreender algumas coisas sobre ela que nos ajudam a resolver dificuldades como esta.

Sobre como se deu a descendência de Adão e Eva, é preciso dizer duas coisas:

A primeira refere-se ao género literário dos primeiros capítulos do Génesis. Os estudos deixam claro que Gn 1-11 não pode ser considerado uma narração histórica real. Não podemos achar que estes capítulos sejam a crónica dos primeiros anos da história humana.

Além disso, a sua redacção, procedente de fontes orais, aconteceu na época do exílio e pós-exílio babilónico (aprox. séc. VI-V a.C.). A intenção dos autores não era fazer história, mas contar verdades fundamentais para a relação do homem com Deus.

Mas, ao mesmo tempo, é preciso ter claro que nem se trata de mitologia, ainda que o texto utilize uma linguagem mítica. João Paulo II explicou isto: “O termo ‘mito’ não designa um conteúdo fabuloso, mas simplesmente um modo arcaico de expressar um conteúdo mais profundo” (Catequese de 7/11/1979).

Para compreender isto, podemos comparar o texto com as parábolas de Jesus. É claro que tais parábolas têm uma linguagem de “conto” e que não são relatos históricos. No entanto, expressam, muito melhor que uma crónica, qual é a verdade das coisas, e assim “contam” a “verdadeira” história da humanidade (por exemplo, o filho pródigo).

Acontece o mesmo com os primeiros capítulos do Génesis: “Estes textos não devem ser interpretados como história nem como mito (…), senão que o texto proclama a relação particular que Deus mantém com a sua criação” (W. Brueggemann, Genesi, Claudiana, Turim 2002, p. 34).

A segunda reflexão é mais simples e deriva da primeira: quando a Bíblia não especifica e não dá detalhes, isso não é necessariamente um erro, também porque não dizer tudo, faz parte do estilo narrativo que estes relatos utilizam.

Quem não gostaria de saber em que idade Maria teve Jesus ou o que Ele fez nos primeiros 30 anos da sua vida? Quantas curiosidades temos sobre a Bíblia! Mas as Escrituras não foram redigidas sob a inspiração de Deus para satisfazer a nossa curiosidade, mas para nos fazer crescer e agir segundo a vontade de Deus.

Ainda que soubéssemos como Caim e Set tiveram filhos, isso não seria de muita utilidade. Os textos como Gn 1-11 contêm a verdade sobre o projecto de Deus com relação à criação do homem, sobre a Queda e as suas consequências, e esta é a verdade que precisamos de procurar.

 
Não quero abortar, mas não tenho condições de criar um filho Imprimir e-mail

Não quero abortar, mas não tenho condições de criar um filho 

 

O que fazer para não abortar o seu filho

 Trata-se de um problema real e grave, que afecta a vida de tantas mulheres que vivem o drama entre o aborto, a consciência moral e a criação do filho. Em muitas situações, a mãe tem consciência da moralidade do acto de abortar, estão grávidas e, por isso, já vivem o dom da maternidade; porém, vivem o medo da incapacidade, por motivos económicos, afectivos ou sociais para criar o filho.

Numa mulher com convicções normais, com fé ou sem fé, a decisão de abortar é um processo complicado e doloroso. Existe uma tendência natural nas mulheres de continuar a maternidade começada com a concepção do novo indivíduo. A decisão de abortar pode gerar uma crise por diversos factores externos e/ou internos, que que ponham em conflito o psicológico da mulher, como o peso que ela vê na criação do filho, especialmente se já tem outros filhos. Esta situação pode desembocar num autêntico conflito interior enfrentado pela mulher com a necessidade de tomar uma decisão. Se necessitar de conselho, o que lhe darão, em grande parte dos casos, a empurrará ao aborto, especialmente se, no seu caso, a lei civil o ampara, a medicina o garante e para a sociedade é indiferente.

O acompanhamento de mulheres nesta situação é uma arte a favor do bem e da vida. É assegurar para a mãe que o bebé é um dom de Deus, um sinal da providência, e que nunca deverá ser visto como um problema a mais na vida dela. O feto é um ser humano, igual a qualquer um de nós, e parte integral da comunidade humana, que tem dignidade. Agora, a destruição de uma vida humana não é solução para o que, basicamente, é um problema económico e social. Consiste em ajudar esta mãe a perceber que nunca estará sozinha, a ser corajosa na decisão de não abortar.

Todas as experiências abortivas são automaticamente “estressantes” e angustiantes; e o que a mulher pensa ser a solução para um problema, no caso a situação económica, acaba por se tornar outro problema maior ainda: encarar a realidade da consciência de, um dia, ter provocado um aborto e que aquele filho poderia estar com ela na luta pela vida. O aborto de um filho nunca poderá ser olhado como solução para um problema social.

O aborto não é definitivamente uma “solução fácil” de um grave problema, mas um acto agressivo, que terá repercussões contínuas na vida da mulher; e é nesse sentido que ela é vítima da sua própria decisão. A maioria das mulheres que conheci, e que se submeteram a abortos, teriam preferido outra solução para o problema.

Muitas mulheres praticam o aborto numa situação desesperadora de medo ou insegurança. Por mais “liberta” que a mulher esteja dos padrões morais e religiosos, por mais consciente da impossibilidade de levar a termo a sua gestação, por mais indesejada que tenha sido a gravidez, abortar é uma decisão que, na grande maioria das vezes, envolve angústia e drama de consciência. Os factos comprovam que o aborto não é uma solução para dificuldades psicossociais, pelo contrário, após o aborto persiste a crise e acrescenta-se o risco de novas e mais graves consequências psíquicas.

Algumas atitudes práticas para ajudar uma mulher a não abortar e escolher a vida para o bebé é, primeiro, ter a mesma atitude de Jesus, aproximar-se sem julgar ou condenar. Acolher a mãe na sua história, angústia e conflito; demonstrar compaixão, sentir a dor daquela mãe, demonstrar confiança. Ouvir a história da mulher que pensa em abortar, porque ouvir é acolher, é respeitar e ter carinho. Procure saber como ela está, deixe a pessoa falar. Para ajudar é preciso ouvir; e foi desta forma que Jesus agiu com os discípulos de Emaús, primeiro escutou-os. Deixe a mãe contar o que está a acontecer, quais as razões que levam essa mulher a pensar em abortar. Por que é que ela pensa que o aborto vai solucionar o problema?

O apoio afectivo é muito importante. A mulher precisa de perceber que não está sozinha. É preciso manifestar solidariedade para com ela. A mulher precisa de perceber que alguém se importa com ela e está disposto em ajudá-la. Mostre que ela é forte e capaz de superar aquele momento, que ter um filho não é o fim do mundo; pelo contrário, é um dom de Deus, é uma notícia a ser celebrada com alegria. As tribulações passam, as crises superam-se, mas para o aborto não existe volta, e ele pode marcar a vida da mulher para sempre. O filho que ela espera é uma vida a ser acolhida e cuidada. Neste momento, uma amizade sincera e verdadeira é muito importante. Converse um pouco sobre o aborto, as suas consequências e sequelas.

Busque exemplo nas mães que enfrentaram os dissabores da gravidez inesperada e hoje estão felizes, com paz de consciência por terem feito a opção de não abortar.

Para certas situações, não bastam somente palavras, é preciso ter propostas concretas. Busque, na sua cidade e comunidade, formas de ajudar esta mulher que pensa no aborto. Ela pode estar a precisar de ajuda médica, material, psicológica e espiritual. De imediato, você pode não saber onde encontrar estes serviços, mas prontifique-se a procurar e entrar em contacto com ela o mais rápido possível.

O drama pessoal pelo qual passa a gestante não pode ser superado com a eliminação do mais “fraco”, “não se pode tentar resolver o que é dramático com o trágico! No dramático existe a possibilidade de uma positividade, no trágico só a destruição”. A vida deve ser acolhida como dom e compromisso. Como afirma o Papa Bento XVI, “o amor de Deus não faz diferença entre o neoconcebido, ainda no seio de sua mãe, e a criança, o jovem, o homem maduro ou o idoso. Não faz diferença, porque em cada um deles vê a marca da própria imagem e semelhança” (cf. Gn 1,26).

 “Tu modelaste as entranhas do meu ser e formaste-me no seio de minha mãe. Dou-te graças por tão espantosas maravilhas; admiráveis são as tuas obras. Conhecias até o fundo da minha alma”, como reza um Salmo (Sl 139 [138], 13-14), referindo-se à intervenção directa de Deus na criação de cada novo ser humano.

 
Liberdade ou libertinagem? Imprimir e-mail

 

Liberdade ou libertinagem?

 

Enquanto as paixões nos dominarem, não seremos livres e felizes

 

A maior aspiração do ser humano é a felicidade. E isto é consequência natural de termos sido criados à “imagem e semelhança de Deus” (cf. Gen 1,26), para participar da sua vida bem-aventurada. Deus pôs em nós uma sede infinita para que somente n’Ele ela pudesse ser saciada.

Santo Agostinho (354-430), depois de buscar a felicidade nos prazeres do mundo, na retórica, na oratória e no maniqueísmo, somente saciou o seu coração quando encontrou o Evangelho. E mais adiante, lamentou ter demorado tanto para ter descoberto a verdadeira fonte da felicidade: “Ó Jesus Cristo, amável Senhor, por que, em toda a minha vida amei, por que desejei outra coisa senão Vós?”

O Criador não quis para nós uma felicidade pequena, esta que se encontra entre as coisas do mundo: o prazer dos sentidos, o delírio das riquezas ou o fascínio do poder e do prestígio. Tudo isso é ilusão, porque o que está abaixo de nós não pode satisfazer a nossa alma. Isso é muito pouco para nós. Deus quis que a nossa felicidade fosse muito maior; quis que esta fosse Ele próprio. E isso é um grande ato de amor do Pai para connosco. O Pai sempre quer “o melhor” para o filho.

É preciso distinguir entre liberdade e libertinagem, entre ser livre e ser libertino. Liberdade – sem compromisso com a verdade e com a responsabilidade – torna-se libertinagem; e esta jamais poderá gerar a felicidade, já que vai desembocar no pecado. E “o salário do pecado é a morte” (Rom 6,23).

Ser livre não é “fazer tudo o que eu quero”. Não. Muitas vezes, isso é loucura. A verdade é o trilho da verdadeira liberdade. Liberdade sem verdade é loucura. Será liberdade assegurar que dois mais dois são cinco? Será liberdade desrespeitar o manual do seu aparelho de TV e em vez de ligá-lo em uma tomada de 120 volts, como alerta o manual, você teimar em ligá-lo em outra de 210 volts?

Será liberdade, por exemplo, usar drogas, para se sentir livre, mesmo destruindo a vida?

Da mesma forma, será liberdade usar o sexo – sem o compromisso do casamento – apenas por prazer, mesmo sabendo que ele poderá gerar uma gravidez não desejada, um aborto, um adultério? Não. Tudo isso não é liberdade; é loucura!

A liberdade não pode ser confundida com libertinagem; posso dar socos no ar à vontade, mas até não atingir o nariz do meu irmão. Pregar a liberdade de expressão – sem respeitar os direitos dos outros – equivale à perversão intelectual e a volta à barbárie.

A liberdade de expressão não dá o direito a alguém de ofender ou ridicularizar o pai ou a mãe dos outros. Defender a liberdade absoluta de expressão é, muitas vezes, uma forma de “corporativismo doentio” de uma mídia às vezes mal formada, sem princípios éticos, que mascara a truculência e o arbítrio, e se esconde atrás de uma interpretação maldosa da lei.

A liberdade, que faz a felicidade, é alicerçada na verdade e na responsabilidade. Fora disso é loucura, libertinagem, irresponsabilidade... pecado, que vai gerar a dor, o sofrimento e as lágrimas. Não queira experimentá-la. É muito melhor aprender com o erro dos outros. Abra os olhos e tenha coragem de ver!

Experimente hoje dar a um jovem tudo o que ele quiser: dinheiro à vontade, prazer até não poder mais, e você verá que a sua “fome” de felicidade continuará insaciada. Não fosse isto verdade, não teríamos tantos jovens de famílias ricas, mas delinquentes, envolvidos com as drogas, crimes, etc. Por outro lado, vá a um mosteiro e pergunte a um monge, que abdicou de todos os prazeres do corpo e do espírito, para abraçar somente a Deus, se lhe falta algo para ser feliz. A resposta será não! Nada lhe falta para ser feliz.

A liberdade só atinge a perfeição quando está ordenada para Deus, seu bem último. Quanto mais praticar o bem e a virtude, tanto mais livre a pessoa será. Enquanto as paixões nos dominarem, não seremos livres e felizes. Enquanto o espírito do homem for escravo da sua carne e da sua sensibilidade, este ainda não será livre. Ainda viverá se arrastando pela vida.

Por exemplo, no tempo de Carnaval parece que se oficializou a prática do pecado; a liberação de todo vício e de todos os mais baixos instintos. Pobre criatura humana ferida pelo pecado original! Mergulha na lama mais fétida achando que sairá dela perfumada.

E o pior de tudo é quando as autoridades constituídas, que deveriam primar pelo bom senso, pelo pudor, pelo equilíbrio, entre outros, agem ao contrário e fomentam a imoralidade e a depravação distribuindo fartamente a “camisinha” e a “pílula do dia seguinte”, para que haja “sexo seguro”.

O cristão, que vive segundo a lei de Cristo, sabe que tudo isto é mau e aumenta o sofrimento e a escravidão da pessoa; por isso, não compactua com esta situação.

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito” (Rm 12,2).

 
É correcto usar a mão esquerda para fazer o sinal da cruz? Imprimir e-mail

É correcto usar a mão esquerda para fazer o sinal da cruz? Por quê?

Depois de descobrir o significado deste gesto, terás muito orgulho de fazer o sinal da cruz

Pergunta

É correcto usar a mão esquerda para fazer o sinal da cruz? Sou canhota e às vezes faço-o com a esquerda. Quando eu era criança, a minha mãe ensinou que só se faz com a mão direita. É verdade ou mito?

Resposta

 “O cristão começa o seu dia, as suas orações, as suas actividades, pelo sinal da cruz ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém’. O baptizado consagra o dia à glória de Deus e apela à graça do Salvador, que lhe permite agir no Espírito, como filho do Pai. O sinal da cruz fortalece-nos nas tentações e nas dificuldades” (Catecismo da Igreja Católica, 2157).

A primeira pessoa a fazer o sinal da cruz foi o próprio Jesus, que estendeu os seus braços na cruz. E os seus braços estendidos entre o céu e a terra traçaram o sinal indelével da Aliança.

Nos primeiros séculos, era costume fazer o sinal da cruz sobre a testa. Pouco a pouco, o costume transformou-se no que conhecemos hoje: fazer uma grande cruz sobre nós mesmos, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito.

E por que é que os padres abençoam com a mão direita?

Porque os antigos ícones mostram Cristo ou os hierarcas da Igreja a abençoar com a mão direita.

A direita recorda-nos a alegria dos que foram salvos, dos que fazem a vontade de Deus, já que o Filho colocará as ovelhas fiéis à sua direita (Mt 25, 31).

Esta forma de fazer o sinal da cruz também tem um significado teológico profundo.

O sinal da cruz começa com a mão direita da cabeça até ao peito, aceitando que Jesus Cristo desceu do alto (isto é, do Pai) à terra pela sua santa Encarnação.

O sinal da cruz continua, partindo do lado esquerdo, onde está o coração, lugar no qual se guarda com amor o mistério pascal de Jesus (a sua dolorosa Paixão e Morte), e dirigindo-se depois ao lado direito, recordando que Jesus está sentado à direita do Pai pela sua gloriosa Ascensão. Ou seja, a cruz termina na glória celestial.

A Igreja sempre considerou o lado direito como preponderante. É por isso que, para traçar o sinal da cruz, se usa também a mão direita.

Ao incensar o altar, também se começa sempre pelo lado direito.

Jesus diz que, entre outras coisas, a caridade também se faz com a mão direita: “Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita” (Mt 6, 3).

Mas é importante fazer o sinal da cruz de maneira especial?

Sim. Nós não temos nenhuma autoridade para mudar, negar ou criticar, segundo a nossa maneira de pensar, a tradição cristã que é observada hoje e que começou há muitos séculos.

Precisamos de levar em consideração que, no âmbito da vida social, há protocolos que têm de ser respeitados, mesmo quando ainda não conhecemos a sua origem ou significado. Quando se cumprimenta alguém, dá-se a mão direita, não a esquerda, por exemplo.

As regras de boas maneiras na sociedade não são meras formalidades, mas expressam respeito e cordialidade. Quando, em nome da espontaneidade, as pessoas deixam de lado as boas maneiras, podem acabar por se tornar até brutas, ásperas, toscas.

Na vida de piedade acontece a mesma coisa. A mão direita é considerada mais “digna” e por isso a usamos.

 Assim, por exemplo, o padre dá a comunhão com a mão direita, mesmo que seja canhoto. Não é proibido nem pecado que se dê a comunhão com a esquerda, mas é uma questão de boa educação litúrgica, bem como um detalhe de amor a Jesus.

De qualquer maneira, é bom conservar detalhes que têm um significado e, se fazemos por amor, valem ainda mais. Não se trata de formalismos vazios. A nossa fé dá sentido a estes gestos.

Utilizar a mão direita para as acções litúrgicas e/ou religiosas nunca pode ser ofensivo para os canhotos. De facto, os bispos e os sacerdotes canhotos também fazem o sinal da cruz e dão bênçãos com a mão direita.

Evidentemente, utilizar a direita, mais que uma questão de fé, é uma convenção, que busca expressar uma maior dignidade no que se faz – daí que signifique um maior respeito e, portanto, mais amor também.

Na liturgia, a elegância também é uma virtude e, se os gestos são feitos com amor, o seu significado e mérito serão maiores.

Valorizar a cruz

Quando entendemos o que a cruz implicou para Jesus a favor nosso, quando recordamos que na cruz Jesus nos amou até ao extremo, e se o nosso pequeno gesto do sinal da cruz é consciente, estaremos continuamente reorientando a nossa vida em boa direcção, pois carregar a cruz é o que Jesus pede para o seguir.

Todo o gesto simbólico nos pode ajudar a entrar em comunhão com aquilo que o gesto significa, e isto é o mais importante.

 
Deus criou o mal no mundo? Imprimir e-mail

 

Deus criou o mal do mundo?

 

 “Deus criou tudo?” Perguntou o professor.

“Sim senhor”, respondeu o jovem.

O professor respondeu: “Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal. Pois o mal existe, e partindo do preceito de que as nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?”

O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor que, feliz, se regozijava por ter provado mais uma vez que a fé era um mito.

Outro estudante levantou a mão e disse: “Posso fazer uma pergunta, professor?”

“Lógico.” Foi a resposta do professor.

O jovem ficou de pé e perguntou: “Professor, o frio existe?”

 “Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso tu nunca sentiste frio?”

O rapaz respondeu: “De facto, professor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo o corpo ou objecto é susceptível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia.

 O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criámos esta definição para descrever como nos sentimos quando não temos calor”.

 “E, existe a escuridão?”, continuou o estudante.

 O professor respondeu: “Existe.”

O estudante respondeu: “Novamente comete um erro, professor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz pode-se estudar, a escuridão não!

 Até existe o prisma de Nichols para decompor a luz branca nas várias cores de que está composta, com as suas diferentes longitudes de ondas.

 A escuridão não! Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz.

Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é? Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente”.

Finalmente, o jovem perguntou ao professor: “Professor, o mal existe?”

O professor respondeu: “Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, estas coisas são do mal.”

E o estudante respondeu: “O mal não existe, professor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus.

 Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz.

 O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações.

 É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.”

 (Diálogo atribuído a Einstein e seu professor)

 
Como lidar com a pressão social por estar solteiro? Imprimir e-mail

 

Como lidar com a pressão social por estar solteiro? 

 

Por que sofro por estar solteiro?

 

Por que é que algumas pessoas sofrem mais que outras por estar solteiras? A angústia do estado de solteiro, principalmente entre as mulheres, tem aumentado cada vez mais, sobretudo para as pessoas que estão entre os 30 anos. A potencialização deste sofrimento, depois dos 30, acontece pelo facto de a pessoa se sentir frustrada nos seus projetos.

 

É natural e faz parte do desenvolvimento humano este projectar, planear e sonhar. No entanto, quando a pessoa chega a esta fase da vida adulta média, que contempla entre 30 a 40 anos, pode ver-se de uma forma mais definitiva o curso da sua vida. Percebe-se já não estar no início da vida nem no fim, mas que o processo de estabilidade foi iniciado. Quando uma das dimensões da vida, neste caso a afectiva, tem uma lacuna, uma ausência, pode gerar um sofrimento maior. Tudo isto já acontece de forma natural.

 

Pressão social

 

Junto a isto, existe uma pressão imposta pela sociedade, especialmente por aqueles que estão próximos. A família começa a dizer piadinhas, os amigos começam a namorar e, por vezes, casam-se. Todos, então, perguntam: “Tu não namoras?”, “Ah! Mas tu estás muito exigente! Desse jeito, não vais namorar ninguém!”. Ou até mesmo: “Coitada(o)! Está até hoje sozinha(o)?”. E aí, aqueles que sofrem por estar solteiros têm vontade de “cavar” um buraco e entrar nele.

 

Para saber lidar bem com esta pressão que a sociedade impõe, é preciso, antes, compreender por que sofre, entender por que, quando ouve determinadas coisas, isto lhe causa tanto desconforto, pois sofrer pelo estado de vida em que se encontra não é algo geral. Há jovens, adultos e idosos solteiros que são felizes por estarem solteiros. A questão é individual, parte da experiência e vivência de cada um.

 

Conhecer-se é essencial

 

A nossa mente funciona como um grande arquivo, o qual, a todo momento, é acessado a partir de palavras que escutamos, situações que vivemos ou aquilo que vemos. Todas estas experiências funcionam como gatilhos, que trazem à tona um arquivo já escondido. Então, quando temos um arquivo na dimensão afectiva, que nos faz acreditar que somos ruins, que nunca vamos encontrar alguém, que vamos morrer solteiros, que ninguém nos ama, que sou indesejável, imperfeito, que vamos ficar sozinhos para sempre, a sociedade pressiona-nos a dar uma resposta. Isto dispara o gatilho em direcção a algo que gera sofrimento, por não acreditarmos que, um dia, conseguiremos encontrar alguém para ser nosso companheiro.

 

Acciono, então, todo o tipo de emoção desconfortável que possa ser vivida, como a ansiedade, a tristeza, angústia, desesperança, medo, solidão e desespero. Sentimentos que podem ter o poder de paralisar a vida de uma pessoa, pois ela começa a acreditar que ficará solteira para sempre! Pois como são consequência de um pensamento ruim, aumentam este pensamento, dando peso a esta emoção. O primeiro ponto é: por que sofro por estar solteiro? Que verdade existe dentro da minha cabeça sobre este assunto que me assusta tanto?

 

Quando tu sabes o que te causa sofrimento, é mais fácil enfrentar a pressão da sociedade, pois o sofrimento está em acreditar que, um dia, não darás esta resposta à sociedade, a qual, no fundo, tu querias dar. O solteiro está solteiro e não é solteiro; ele é uma pessoa antes de definir o seu estado de vida, seja solteiro, casado ou celibatário. Encontra-te com a tua verdade, assume-a e o sofrimento diminuirá!

 
Violência psicológica, o que é? Imprimir e-mail

 

Violência psicológica, o que é? 

 

Violência psicológica é um tipo de agressão que, em vez de magoar o corpo da vítima, traz danos ao seu psíquico e emocional, fere o equilíbrio afectivo, a capacidade de tomar decisões e o estado de bem-estar necessário para que o indivíduo possa viver com dignidade.

Este tipo de hostilidade não deixa sinais físicos, por isso não é tão perceptível, mas, por vezes, imprime marcas negativas tão profundas em quem a sofre, que abalam e traumatizam o resto da vida.

Um factor geralmente ligado à violência psicológica é a dependência afectiva da vítima. De alguma forma, o agredido vê, na brutalidade do agressor, um tipo de segurança para ele. A carência afectiva o faz manter uma certa cumplicidade com tais sofrimentos, associa que o parceiro com temperamento explosivo é o protector, o ciúme patológico como demonstração de quem quer manter o relacionamento a todo o custo e as ameaças como que gestos desesperados de amor.

Outro ponto é que a pessoa dominada, na maioria das vezes, tem baixa autoestima, um provável reflexo de opressões e angústias vivenciados no seu histórico.

Não são somente os casais que vivem este tipo de problema, mas crianças, pessoas deficientes e idosos que dependem dos cuidados de outros. Estes, não raramente, sofrem por negligência, impaciência e intolerância dos seus responsáveis.

Tipos de agressões

– Violência verbal: caracteriza-se por proferir obscenidades ou palavras que desclassificam e julgam o outro incapaz.

– Indiferença: é o comportamento neutro, a omissão ou o descaso com a vida e as necessidades do outro, o que, por vezes, magoa mais do que o ódio declarado.

– Intolerância ou discriminação: despreza as características, a cultura, os valores e a crença do outro.

– Perseguição: disposição em causar dano ou mesmo só o escárnio a alguém de forma sequencial, quando não basta agredir ou ridicularizar apenas uma vez. Numa palavra mais moderna, é o famoso bullying.

– Chantagem: condicionar o bem que se pode fazer ao outro, isentá-lo de punição ou suprir uma das suas necessidades mediante uma retribuição ou satisfação imoral para o agressor.

– Causar dependência do outro: acontece quando uma pessoa identifica (ainda que inconscientemente) a carência afectiva do outro e usa isso para oprimir, sufocar e impor as suas vontades na vida dele.

– Económica: sustentar o outro em necessidades básicas ou os seus apegos e vícios; em troca, tirar-lhe a liberdade e impor condições para satisfazer a vontade própria.

– Exposição pública: constranger, desrespeitar, causar medo ou vergonha, divulgar factos da intimidade de alguém, de forma que muitas outras pessoas possam ver ou ter acesso. Também, denunciar em público o que deveria ser levado a uma autoridade.

– Impor condição privilegiada: O agressor argumenta que a sua condição está acima da vítima e, por isso, ninguém vai acreditar nele ou considerá-lo.

– Ameaça ou intimidação: quando o agressor impõe uma vantagem, força ou instrumento de força (uma arma, por exemplo) apenas como forma de intimidar, ameaçando de agressão física ou obrigando a vítima a ceder algo contra a sua vontade.

Há também a violência psicológica institucionalizada, como é o caso do terrorismo, dos governos ditatoriais e da acção de organizações criminosas, verdadeiros organismos que se articulam para impor os seus ideais a um povo ou localidade.

Provavelmente, todos nós, ainda que num nível superficial, vivenciamos algum destes tipos de violência psicológica. Na escola, em casa, no trabalho, entre conhecidos, na rua, fomos vítimas ou quem sabe agressores. Daí a importância de tomarmos consciência do mal que podemos fazer e renunciar a este tipo de atitude.

Num mundo que, cada vez mais, vive a violência de tantos tipos, precisamos, a partir de nós, de romper com todo o tipo de agressão, a começar pelos nossos mais simples gestos.

 
Os leigos e a crise na Igreja Imprimir e-mail

Os leigos e a crise na Igreja

 

O ofício de ensinar foi confiado directamente à hierarquia da Igreja (o Papa e os bispos em si mesmos, e padres e diáconos por extensão), mas os leigos não só podem, como devem “pregar”. Neste tempo de grande confusão entre os próprios membros da hierarquia, que supostamente deveriam exercer este ofício, a “pregação” do laicado — incluindo a sua maciça presença na internet — assume uma importância ainda maior.

Este tema já foi abordado pelo Papa Leão XIII na sua carta encíclica Sapientiae Christianae, de 1890. Recordando que cabe ao episcopado ensinar com autoridade em nome de Cristo, o Papa afasta uma falsa conclusão que disso se poderia extrair:

Ninguém pense que ficou proibido aos particulares de cooperar com alguma diligência no ministério de ensinar, principalmente às pessoas a quem Deus concedeu dotes de inteligência juntamente com o desejo de serem úteis ao próximo. A todos os fiéis cristãos, principalmente aos que têm superioridade e obrigação de ensino, suplicamos por intermédio de Jesus Cristo, e em virtude da autoridade deste mesmo Senhor e Salvador nosso, lhes ordenamos, que apliquem todo o seu zelo e trabalho em desviar esses erros e eliminá-los da luta da Igreja, e difundir a luz puríssima da nossa fé’ (Concílio Vaticano I, Cons. Dogm. Dei Filius).

Por fim, lembrem-se todos que podem e devem disseminar a fé católica com a autoridade do exemplo e pregá-la com uma profissão constante. Assim, nos deveres que nos ligam a Deus e à Igreja está em primeiro lugar o zelo com que cada qual deve trabalhar segundo as suas forças em propagar a doutrina cristã e refutar os erros.

Quando uma pessoa é baptizada, é introduzida no múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo Senhor (cf. CI C, nn. 901-913): é o que denominamos “sacerdócio universal dos fiéis”. Devido ao carácter sacramental impresso na essência das suas almas, os cristãos têm o poder de oferecer a Deus os seus corpos e almas, os seus trabalhos e sofrimentos — o mundo inteiro, enfim, que geme por salvação. Este acto de auto-oblação, em união com o Salvador da humanidade, e de esforço por conduzir as realidades temporais à sua finalidade evangélica, deve penetrar todos os aspectos da vida diária do cristão, ainda que ele sempre venha a encontrar a resistência do mundo, da carne e do diabo.

É assim também que S. Tomás de Aquino entende os efeitos do sacramento da Confirmação (cf. Suma Teológica, III, q. 72): a todo o cristão, em virtude do carácter sacramental conferido por esta unção, é dada a força para testemunhar publicamente a única fé verdadeira, pelo exemplo de vida, pela pregação e a apologética, por qualquer outro tipo de testemunho, inclusive o do sofrimento silencioso.

Para o laicado, assim como para as pessoas que estão na vida religiosa, pregar obviamente não significa uma pregação formal no contexto da liturgia. Mas, se tivermos um entendimento mais profundo de pregar como levar o Evangelho ao mundo e torná-lo vivo pela graça de Deus, veremos que não há limites para o número de maneiras através das quais a Boa Nova pode ser espalhada e compartilhada com as pessoas.

A mãe e o pai de família que ensinam os filhos sobre Deus, que os introduzem na vida de Jesus, de sua Mãe e dos santos, são verdadeiros anunciadores da Boa Nova, transmissores do depósito da fé, “mestres da verdade e pregadores da graça”, como São Domingos. Através de um direito e um dever ao mesmo tempo natural e dado por Deus, eles servem como os primeiros catequistas e pregadores da fé a seus filhos e, nesse sentido, possuem um direito e um dever de transmitir a ortodoxia e afastar a heresia, que não podem ser removidos nem substituídos por pastor algum da Igreja — ainda que seja também verdade que o laicado permanece sob a guia e a autoridade magisterial dos seus pastores, responsáveis que são por transmitir a palavra da verdade.

A pregação aos afundados no erro ou na descrença deve ser, no mais das vezes, ou apologética ou argumentativa, tentando mostrar a essas pessoas a verdade da posição católica. Mas também precisa de fomentar as questões para as quais só o Evangelho — ou melhor, a Pessoa de Cristo — pode dar respostas definitivas.

Devido à disseminação do materialismo científico e comercial, existe hoje uma tremenda ignorância das realidades espirituais, uma falta de admiração a respeito de Deus e da alma, uma falta do tipo de questões que constituem terreno fértil para a graça da conversão. O convite a um banquete não é atractivo senão quando se tem fome e sede.

A pregação aos que já são católicos, os de nome, os que estão à margem, aos confusos, aos sinceros, tenderá a ser, por outro lado, expositiva e exortativa, um esforço por conduzir essas pessoas a um entendimento mais profundo, bem como a uma integração mais consistente de fé e vida. Os melhores “pregadores” leigos devem encontrar modos de acender nos católicos uma consciência do imenso caudal de graças que eles receberam no Baptismo — sobretudo, o poder de receber Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na Santa Comunhão: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim, e eu nele” (Jo 6, 56), e a tremenda misericórdia do sacramento da Confissão, por meio do qual o mesmo sangue lava os nossos pecados e restaura ou aumenta a graça em nossas almas.

Em tudo isto, podemos ver o enorme poder e responsabilidade do jornalismo e das publicações católicas em todos os meios de comunicação. Esse trabalho é parte da missão evangelizadora da Igreja, um verdadeiro apostolado de repassar a fé católica recebida.

Por isso, na próxima vez que tu fores tentado a reclamar por uma homilia ruim que escutaste ou de um pastor que não vive de acordo com o seu ofício de pregador (porque diz falsidades, sem dizer nada de substancial, porque vive de uma maneira que contradiz a fé católica), faz uma pausa, olha para dentro de ti mesmo e pergunta-te como anda a tua própria “pregação”: o teu compromisso com a vida de oração, o teu bom exemplo e as tuas obras de testemunho.

 
Ataques de pânico: o que são e como lidar com eles Imprimir e-mail

Ataques de pânico: o que são e como lidar com eles

 

Os sintomas parecem assustadores, mas compreendê-los pode ajudar a superá-los

Todos nós já ouvimos falar de ataques de pânico. Talvez um amigo ou membro da família os tenha tido, ou talvez tu te perguntes se já tiveste.

Mas, o que é um ataque de pânico? Como podes lidar com ele ou ajudar alguém que tu amas a lidar com isto?

Francesco Vincelli – psicólogo, psicoterapeuta e professor italiano – dá uma resposta num artigo recente publicado numa revista italiana, BenEssere, la salute con l’anima. Aqui estão algumas das principais ideias e sugestões.

O que é um ataque de pânico?

Entre a ampla gama de transtornos de ansiedade, os ataques de pânico distinguem-se pelo seu início repentino e pela dissonância emocional generalizada que criam. Consistem no súbito aparecimento de medo intenso que atinge o seu pico em apenas alguns instantes, durante os quais tu sofres uma combinação particular de sintomas físicos e cognitivos, que variam um pouco de pessoa para pessoa.

Sintomas físicos

Entre os sintomas mais comuns estão palpitações cardíacas, transpiração, dores no peito e sensação de sufocamento, que muitas vezes levam as pessoas a procurar assistência médica de emergência, porque estes sintomas podem fazer com que as pessoas pensem que estão a ter um ataque cardíaco. Outros sintomas comuns incluem desconforto abdominal, vertigem e formigueiro generalizado, sensação de formigueiro, calafrios ou ondas de calor.

Sintomas psicológicos

Os sintomas psicológicos de um ataque de pânico incluem um medo esmagador de perder o controle ou de “enlouquecer”, e um medo de morte iminente. Sofredores de um ataque de pânico também podem experimentar um sentimento de irrealidade ou desapego, o que os faz sentir como se as pessoas e coisas ao seu redor fossem irreais, estranhas ou deformadas, como se estivessem num sonho; elas também podem ter uma autopercepção alterada, como se elas próprias – ou a totalidade ou parte do seu corpo – fossem irreais ou desligadas da sua consciência. Os nomes técnicos para estes sentimentos são “desrealização” e “despersonalização”.

Um ataque de pânico pode seguir um estado de tranquilidade emocional ou de ansiedade, e quando o ataque termina, a pessoa pode voltar a qualquer estado. A maioria das pessoas que tiveram um ataque de pânico descrevem o primeiro como sendo um relâmpago num céu azul, acontecendo sem qualquer aviso. No entanto, quando olham para as semanas ou meses anteriores, muitas vezes podem identificar algum evento estressante na sua vida ou ambiente, muitas vezes relacionado com problemas interpessoais (no trabalho, na família ou no relacionamento amoroso) ou a doenças ou luto. Algumas pessoas só têm um ataque de pânico; outros experimentam-nos ocasionalmente ou com frequência.

O medo do medo

Neste último caso, o sistema natural de “alerta” de tais pessoas torna-se permanentemente activo, criando um “medo do medo”; eles estão constantemente aterrorizados com a possibilidade de outro ataque de pânico. Esta condição em si predispõe fortemente a outras manifestações de intensa ansiedade, criando um ciclo de feedback negativo.

Agorafobia

A experiência de um ataque de pânico é muitas vezes complicada, segundo Vincelli, pelo aparecimento da agorafobia, um distúrbio que leva o nome da palavra grega “agora”, um espaço público aberto.

A agorafobia consiste num grande medo ou ansiedade relacionada a estar em certos lugares ou situações, como andar em transporte particular ou público; estar em espaços abertos ou fechados; esperar numa fila; estar numa multidão; ou apenas sair de casa sozinho. As pessoas que tiveram ataques de pânico evitam situações em que pode ser difícil para elas escaparem ou onde não teriam acesso para ter ajuda se tivessem outro ataque de pânico ou algum outro problema que pudesse fazê-las sentirem vergonha, como vomitando ou sendo incontinente.

A agorafobia, nas suas formas mais intensas, pode limitar significativamente a vida social e profissional de uma pessoa; algumas pessoas acabam por ficar em casa, ou tendo uma necessidade absoluta de um companheiro para enfrentar o mundo exterior – o chamado “companheiro de fobia” – sem as quais se sentiriam perdidas e incapazes de enfrentar as situações que desencadeiam a sua fobia.

Conselhos para aqueles que sofrem de ataques de pânico

Que conselho o autor dá aos que sofrem de ataques de pânico? Acima de tudo, explica Vincelli, é importante tornar-se mais consciente dos estressores que põem em risco o nosso equilíbrio psicológico, sejam esses estressores passados ​​ou presentes. E aponta que os ataques de pânico são situações temporárias que geralmente duram cerca de 10 minutos, e durante os quais os sintomas físicos não são o resultado de uma doença biológica, mas são canais para descarregar a tensão psicológica acumulada. Entender a natureza e a origem do que está a acontecer pode ajudar a reduzir o estresse, a ansiedade e o medo.

Pessoas que sofrem de um ataque de pânico podem beneficiar de um esforço para respirar mais lenta e profundamente, porque a respiração curta e superficial comum durante um ataque de pânico piora os sintomas físicos, o que aumenta a ansiedade. Também pode ser útil desviar a atenção do próprio corpo e concentrar-se no ambiente externo, de modo a deter a espiral descendente de ansiedade que se alimenta dos sintomas físicos.

Ao lidar com ataques de pânico, especialmente se você os tiver frequentemente, é vitalmente importante procurar ajuda profissional. Um psicoterapeuta pode fornecer a medicação apropriada e a psicoterapia necessária para ajudar o paciente a entender os mecanismos da ansiedade e ensiná-los técnicas comportamentais para ajudá-los a enfrentar a ansiedade com mais sucesso.

Sofrer ataques de pânico não é inevitável, nem eles têm que durar para sempre. Um ataque de pânico é um estado psicológico transitório, composto de pensamentos e comportamentos irracionais que, com a devida ajuda, podemos aprender a superar.

 
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Sem medo da velhice

 

A velhice tem sentido!

“Que os homens idosos sejam sóbrios, dignos, ponderados, cheios de uma fé sadia, de amor, de perseverança. Igualmente as mulheres idosas devem comportar-se como convém a pessoas santas: nem maldizentes, nem dadas a excessos de vinho. Incitem ao bem, ensinem as jovens a amar seus maridos e filhos, a ser modestas, castas, dedicadas aos afazeres domésticos, boas, submissas a seus maridos, a fim de não ser blasfemada a palavra de Deus.” (Tito 2,1-5).

A velhice, como todas as etapas do ciclo de vida humano, é plena de significado, realizações e desafios. Compreende, de certa forma, três tarefas: “olhar para trás”, “viver o presente” e “olhar para a frente”.

Olhar para trás é a acção que leva o idoso a fazer um balanço da sua vida: suas experiências, conquistas, aprendizados, alegrias, perdas, dores... que construíram sua história pessoal. Esse olhar deve inicialmente procurar os êxitos, as acções bem sucedidas, as experiências felizes, o que foi suportado com coragem, as contribuições próprias que foram prestadas à humanidade e, principalmente, o amor recebido e o amor doado. Esta colheita dos frutos da própria existência, é algo q sempre pode ser contemplado com os olhos do espírito. São os dons que banharam em ouro a vida do homem. Esse olhar para trás, por fim, leva o idoso a saber “para que foi bom ele ter vivido”.

O filósofo Emanuel Kant expressa esse olhar de forma muito bela: “Dias luminosos... não chores por terem passado, antes sorrias por haverem existido”. Mas o olhar retrospectivo também trás outras coisas à lembrança: os dias cinzentos, a angústia, os medos, fracassos, a vida que não foi vivida, o tempo não aproveitado ou erradamente aproveitado... são lembranças que pesam na alma da pessoa idosa, pois resta-lhe pouco tempo para acrescentar à vida alguma coisa que possua sentido. Uma recomendação às pessoas idosas é que busquem a reconciliação no seu olhar para trás. Perdoar é uma das grandes oportunidades de sentido na velhice, e realizá-lo equivale a reconciliar-se consigo mesmo, com os outros e com a própria história. O perdão pode recuperar toda uma vida sem sentido e, no instante final, dar a ela a plenitude existencial.

A segunda tarefa que chamamos de “viver o presente”, é a oportunidade de que agora se pode e se deve fazer aquilo para o qual se é chamado. Cada ser humano tem um chamado para alguma coisa, mas esta “alguma coisa” não lhe pode ser imposta. Ele mesmo deve encontrá-la com a sabedoria do seu coração, ele mesmo precisa afirmá-la como o seu sim à vida. O homem cresce por suas tarefas, mas também diminui com a perda delas, por isso, é necessário que, em cada fase da vida, se desempenhe tarefas adequadas à própria situação e às próprias forças. Na velhice, esta é uma vantagem, pois o esquema rígido de actividades a serem cumpridas, de normas e pressões, desafoga-se, permitindo que as tarefas sejam realizadas muito mais por prazer do que por exigência económica e social.

Não esqueçamos isto: o idoso já realizou sua parte de contributo à sociedade. Ele não pode mais ser convocado como uma mão-de-obra barata para outros serviços, apenas podemos pedir-lhe sua ajuda onde ela se faz necessária. O que ele fizer, que o faça espontaneamente. Esta perspectiva corresponde ao carácter da “vida como tarefa”, pois a todo homem é dada uma tarefa, mesmo que seja apenas a de suportar sua situação com bom humor e paciência. Esta tarefa é o sentido do momento presente.

A terceira tarefa é olhar para a frente, pois também o idoso tem um futuro diante de si, mesmo que esse futuro esteja resumido a dias, meses ou anos. Muitas pessoas idosas não começam nada de novo porque pensam que não vale mesmo a pena. O medo de começar algo e vir a deixar incompleto é uma justificativa, mas assim deveria ser para todos nós: crianças, jovens e adultos, pois quem de nós pode assegurar a própria existência? Nunca sabemos até que ponto iremos chegar quando iniciamos uma coisa nova e, mesmo que o futuro não venha a realizar-se, o facto de olhar para ele e de planeá-lo já é, em si, uma experiência bonita, uma vivência que vale a pena ser vivida.

Por fim, quem vive consciente da responsabilidade de dar a cada momento um sentido à sua vida, pode olhar tranquilo para a velhice e para a morte. O olhar para a frente traz consigo também o olhar para a morte, e nesse caminhar para a pátria verdadeira do ser humano: o Céu, uma vida plena de significado e um confiante olhar para Deus, renova a esperança de um dia ouvir: “Vinde, benditos de meu Pai!”. Na vanguarda deste caminho, estão os idosos...

 
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Pais e filhos falam sobre dinheiro 

 

Como é que os pais podem falar sobre dinheiro e consumo com os filhos?

Não é simples falar sobre a relação pais, filhos e dinheiro. A sociedade consumista empurra-nos, a todo instante, a gastar cada vez mais. Cartão de crédito, débito, 10x sem juros, ou seja, consumir sem precisar de pagar no mesmo instante. Comprar para ter, por desejar, por ver famosos a usar, a divulgar.

Antes dos anos 1930, comprar era uma questão de necessidade. Com o surgimento do American way of life, o estilo consumista propagado nos EUA e para o mundo, fomos lançados neste ambiente de consumo e prazer. Adolescentes, jovens e crianças recebem esta investida consumista com ainda mais força. As campanhas publicitárias focam directamente este público jovem para os conquistar, quanto antes, e poder fazê-los compradores fiéis, e até defensores das suas marcas. Diante deste cenário, como é que os pais podem falar sobre dinheiro e consumo com os seus filhos?

Primeiramente, não existe receita pronta ou uma espécie de panaceia financeira capaz de resolver todos os problemas de todas as famílias. Cada pai e mãe sabe os filhos que têm, e cada um reage de forma diferente, não é mesmo? A mesma educação que, muitas vezes, três filhos recebem pode trazer respostas variadas, correspondências, rebeldias, silêncio, contestação. No entanto, é possível trilhar alguns caminhos que pode ajudar neste processo.

Educar e conquistar pelo amor

Em primeiro lugar, os pais precisam de ter claro de que não podem ser “amiguinhos” dos filhos, colegas de turma, apoiá-los em toda e qualquer situação. Mas ser pai e mãe, educar, incentivar mais do que corrigir, e também não aplaudir os comportamentos errados. Pais são para educar e conquistar pelo amor, e não podem querer aprovação imediata dos filhos. Pais que são liberais ao extremo e que se esquivam de colocar algumas regras claras estão a permitir a criação de jovens mal formados.

No que toca ao dinheiro, é preciso ter a consciência que os pais devem, sim, dar o conforto material, e o que for possível, aos seus filhos, mas não são obrigados, por exemplo, a comprar o Iphone mais caro do mercado. Muitos jovens fazem com que os seus pais contraiam dívidas. Conhece algum? Não estamos a falar da culpa estar nos filhos, mas o modelo posto no mundo de hoje é este: propagandas, sociedade consumista e jovens a serem impulsionados a exigir dos pais a última moda de eletrónicas, roupas, festas e viagens.

Diálogo financeiro

Há jovens que obrigam os pais a venderem bens para eles irem viajar. Era como se os pais fossem obrigados a endividar-se para mandar os filhos passear. Há aqui uma inversão de valores. Os pais podem proporcionar o que for possível aos filhos, mas com o devido cuidado para darem de mão beijada tudo o que a sociedade empurra para eles. É preciso mostrar aos filhos o que é trabalhar duro para comprar coisas, para viajar, para ter um Iphone.

Outro ponto fundamental é o diálogo financeiro aberto, sincero e acolhedor. Os pais precisam de ter, ao menos uma vez por mês, uma conversa sobre questões financeiras com os filhos. Como andam as finanças da família, as contas atrasadas e as que irão vencer em breve, os gastos imprevistos, a conta de luz que subiu muito ou a comida que foi lançada ao lixo, o banho demorado demais, etc.

Claro, falar também sobre as próximas férias, como planear, onde a família deseja conhecer, quanto é preciso para realizar. Amor, verdade e participação, estas são as três palavras-chave de um bom diálogo financeiro familiar. Momentos como este, sem distracções nem interrupções, de forma descontraída e relaxada, favorecem que os filhos aprendam, desde cedo, o real sentido do dinheiro, a sua importância como ferramenta de realização de sonhos. Aprende-se também que nunca o dinheiro pode tomar o lugar de Deus na família! A providência Divina rege todas as coisas.

Quando será o próximo diálogo financeiro da tua família? Algumas rezam o terço antes deste momento ou lêem a Bíblia, um Salmo ou uma oração espontânea, para pedir e consagrar a Deus os bens e o património da família.

 
Consagre o seu dinheiro a Deus Imprimir e-mail

 

Consagre o seu dinheiro a Deus 

Muitos cristãos consagram a vida e a família a Deus, mas não consagram o dinheiro e os bens

Na Idade Média, muitos mercenários eram baptizados em conjunto, num rio, por exemplo. No acto do batismo, muitos desses não mergulhavam as espadas na água, e diziam que tudo estava consagrado a Deus, menos as espadas. Ou seja, Deus pode controlar tudo, menos a minha arma, a minha espada, que eu mesmo irei controlar. Infelizmente, muitos cristãos, hoje, fazem como estes mercenários: consagram a vida e a família a Deus, mas não consagram o dinheiro nem os bens. Acabam por pensar que Deus pode controlar todas as coisas, mas o dinheiro é tarefa de cada um.

O profeta Isaías diz: “Os meus pensamentos não são os vossos, e o vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor, mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e os meus pensamentos ultrapassam os vossos” (Is 55,8-9). Os pensamentos de Deus para as nossas vidas, o nosso património, o nosso dinheiro, os bens, casas, carros, poupança, dívidas, débitos vencidos, precisamos de estar sob o Senhorio de Jesus. Precisamos de ter a coragem de colocar tudo sob a mão de Deus, e não querer controlar o que de Deus recebemos. Muitos já o fizeram, e experimentaram uma verdadeira guinada financeira nas suas vidas.

Com isto não significa prosperidade, enriquecimento, mas um conforto de que Deus está no comando, e proporciona todas as nossas necessidades. É verdade que alguns, depois de colocarem o dinheiro, o negócio, a profissão, a empresa, aos cuidados de Deus, e rezam por tudo isto, experimentaram um grande crescimento, satisfação, realização. Mas, para cada filho de Deus, o nosso Pai, tem uma pedagogia, uma forma de educar e formar.

Orçamento equilibrado

 “O orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos se a nação não quiser ir à falência. As pessoas devem, novamente, aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública. (Cícero)

Ao consagrar as nossas finanças a Deus, não significa que podemos gastar sem compromisso, sem responsabilidade, sem planeamento. De forma nenhuma! Deus deu-nos conhecimento, faculdades mentais poderosas, amigos, livros e escritos para nos auxiliar nesta empreitada financeira, muitas vezes, desafiadora. O filósofo Grego Cícero dizia que o orçamento deve ser equilibrado.

O filósofo segue ainda com relação as dívidas, que devem ser reduzidas. Mas como fazer? Os meios práticos são as famosas planilhas e aplicativos de telemóvel. Alguns precisamos de cortar custos, outros precisam de trabalhar alguns fins de semana para aumentar a renda temporariamente. Deus também pode dar inspirações para a nossa guinada financeira, que sem sombra de dúvidas, irá exigir muito, muito trabalho. Não há almoço de graça, diria Milton Friedman, famoso economista americano. É preciso ralar, esforçar-se e ter fé, contar com a graça de Deus!

 
Ver para crer? Imprimir e-mail

Ver para crer?

 

A simplicidade das crianças numa história que nos ensina a crer em Deus sobre todas as coisas

 

Uma professora quis demonstrar aos alunos do 1º Ciclo que Deus é um mito. Mas a turma reagiu.

 

Professora: Hoje vamos aprender que Deus não existe. (E, dirigindo-se a uma das crianças disse:): Tito, estás a ver aquela árvore lá fora?

 

Tito: Sim, professora.

 

Professora: Tito, estás a ver a erva?

 

Tito: Sim, professora.

 

Professora: Vai lá fora e olha para cima e diz-me se viste o céu.

 

Tito: (Voltando alguns minutos depois) Sim, vi o céu, professora.

 

Professora: E viste Deus?

 

Tito: Não, professora.

 

Professora: É exactamente aqui que eu queria chegar. Podemos ver tudo o que existe, mas não podemos ver Deus, porque Ele não existe. É apenas um mito.

 

Neste momento, uma colega de Tito, pediu à professora para fazer algumas perguntas a Tito. A professora aceitou.

 

Maria: Tito, estás a ver as árvores lá fora?

 

Tito: Sim.

 

Professora: Estás a ver a erva?

 

Tito: (Já aborrecido com tantas perguntas, responde) Siiiimmm.

 

Maria: Estás a ver a professora?

 

Tito: Siiimm.

 

Maria: Tudo o que existe vê-se, certo?

 

Tito: Siiiimm.

 

Maria: Estás a ver o cérebro da professora?

 

Tito: Nãããoooo.

 

Maria: Então, Tito, segundo aprendemos hoje, a nossa professora não tem cérebro!

 

CONCLUSÃO: Nem tudo o que existe se pode ver. DEUS EXISTE, MAS NÃO SE PODE VER…AQUI NA TERRA.

 
Por que pedimos a bênção ao padre? Imprimir e-mail

Por que pedimos a bênção ao padre?

E por que muitos católicos estão a deixar esta tradição?

Talvez não tenhamos a dimensão do tamanho da graça que recebemos de Deus ao ter sacerdotes ao nosso lado. Por isso, muitas vezes, acabamos deixando passar despercebido, por exemplo, o valor da bênção que eles nos podem dar e acabamos por perder este costume.

São João Maria Vianney, proclamado pela Igreja o padroeiro dos sacerdotes, dizia: “Se eu encontrasse um sacerdote e um anjo, saudaria o sacerdote antes de saudar o anjo. O anjo é o amigo de Deus, mas o sacerdote ocupa o seu lugar”.

Ao serem ordenados, os sacerdotes assumem agir in persona christi, ou seja, são, para nós, representantes do próprio Cristo. Por isso, o santo dizia que o padre “ocupa” o lugar de Deus, portanto, era digno de primeira saudação, antes mesmo de um anjo. Além disso, o sacerdote recebeu de Deus o poder de trazer Cristo para o meio de nós, função que nem os anjos podem desempenhar.

Assim sendo, durante a ordenação de todo o sacerdote, há dois momentos importantes: a imposição das mãos do bispo e a unção das mãos do então padre. Ao receber o óleo nas palmas das suas mãos, o sacerdote assume quatro dimensões importantes: acolher, abençoar, oferecer e consagrar.

A segunda dimensão é a que nos fala hoje. Quando pedimos a bênção de um sacerdote, é um gesto que diz que desejamos participar desta unção recebida por ele, queremos fazer parte desta bênção. Há alguns que têm até o costume de beijar as mãos dos sacerdotes, justamente, por serem elas que nos trazem Cristo, são instrumentos da graça de Deus para os fiéis.

Por que muitos já não pedem a bênção aos padres?

Não pedir bênção ao sacerdote é reflexo de pessoas que já não pedem a bênção aos próprios pais.

“Pedir a bênção é um costume ensinado pelos pais. Tanto para eles mesmos e familiares, como para os sacerdotes. Há mães que dizem às suas crianças: pede a bênção ao senhor padre, e a criança lá estende a mãozinha. Agora, aqueles que nem a bênção pedem aos pais, menos ainda se preocuparão em pedir aos sacerdotes”.

Não deixe de pedir a bênção aos padres e participar desta unção dada por Deus. E não se esqueça de rezar sempre pelo seu pároco e pelos padres que você conhece. Eles são instrumentos de Deus para nós, riqueza que nos é dada pela Igreja, eles precisam das nossas orações e é a nossa maneira de demonstrar a nossa gratidão por dedicarem as suas vidas ao povo de Deus, a nós.

 
É possível deixar de sentir atracçãso por pessoas do mesmo sexo? Imprimir e-mail

É possível deixar de sentir atracção por pessoas do mesmo sexo?

Richard Cohen, psicoterapeuta americano, apresentou em Espanha o seu trabalho: 'Comprender y sanar la homosexualidad' (compreender e curar a homossexualidade), no qual deixa aos homossexuais, que querem deixar de o ser, uma mensagem de esperança: “Nunca desista, a mudança é possível”. Baseia-se também na sua própria experiência, pois ele mesmo sentiu atracção por pessoas do mesmo sexo.

É verdade que a pessoa nasce homossexual?

- Richard Cohen: De acordo com a Associação Americana de Psicologia (APA), não se nasce necessariamente com a atracção pelo mesmo sexo: "Apesar de terem sido bastante investigadas as possíveis influências genéticas, hormonais, do crescimento, sociais e culturais sobre a orientação sexual, não há evidências que permitam os cientistas concluir que a orientação sexual esteja determinada por um ou por mais factores concretos. Muitos acreditam que tanto a natureza como a educação desempenham um papel complexo. A maioria das pessoas sentem que tiveram pouca capacidade de escolha na sua orientação sexual ", diz a Associação Americana de Psicologia.

Por que existem pessoas com atracção pelo mesmo sexo?

- Richard Cohen: Mais de oitenta anos de literatura científica têm encontrado muitas razões pelas quais as pessoas experimentam sentimentos homossexuais. Sei isto pela minha própria vida, pela vida de centenas de pessoas com as quais trabalhei como terapeuta, e de milhares através dos nossos workshops de cura e aulas através de videoconferência. Muitas pessoas não acham o modo de vida "gay" engraçado e gostariam de outro estilo de vida. Querem mudar os seus sentimentos homossexuais, ter família e filhos.

É possível a transição da homossexualidade para a heterossexualidade?

- Richard Cohen: Durante os últimos vinte e dois anos, como psicoterapeuta na International Healing Foundation, tive um sucesso notável ajudando homens e mulheres a resolverem a sua atracção indesejada por pessoas do mesmo sexo e realizar os seus sonhos de heterossexualidade.

Como?

- Richard Cohen: o nosso plano consiste em quatro etapas para passar de gay para não gay, e funciona se alguém estiver realmente interessado na mudança. Através do nosso programa, as pessoas mudam de dentro para fora. Não é apenas a mudança de comportamento. Quando alguém identifica e corrige as feridas do seu passado, e experimenta o amor numa relação saudável e não sexual com pessoas do mesmo sexo, surge naturalmente o desejo heterossexual.

Tem visto isto no seu consultório...

- Richard Cohen: eu experimentei isto pessoalmente e tenho observado a mesma transformação na vida de milhares de homens e mulheres com quem trabalhei como conselheiro, em seminários de cura ou aulas por videoconferência. Os quatro ingredientes da mudança são: 1) motivação pessoal, 2) um tratamento eficaz, 3) o apoio dos demais, 4) o amor de Deus.

Por que é que o lobby gay não quer assumir que muitas pessoas homossexuais sofrem por causa dos seus sentimentos e querem ser livres para fazer a transição?

- Richard Cohen: Os activistas homossexuais trabalharam muito para evitar que os profissionais da saúde médica e psicológica oferecessem a sua ajuda aos que experimentam atracção indesejada pelo mesmo sexo. A razão é que os homossexuais sofrem muitos preconceitos. Tudo o que eles querem é ser amados e aceites. Portanto, desenvolvem a teoria de que ser gay é algo inato e imutável e não pode ser alterado. Mas isso não é cientificamente correcto.

Qual é então o medo de falar de mudança?

- Richard Cohen: Quando afirmo que é possível mudar de homossexual para heterossexual, os homens e mulheres gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais sentem-se ameaçados. Compreendo a sua preocupação. Eu sofri discriminação e preconceitos, quando vivia como gay. Sinto o mesmo amor e compaixão por todos os homens e mulheres homossexuais, por aqueles que vivem uma vida gay e por aqueles que procuram uma mudança para viver uma vida heterossexual. Todos somos livres de decidir a vida que queremos levar. Respeitemo-nos uns aos outros num espírito de amor e verdade. É um direito humano de autodeterminação e de liberdade de expressão.

No seu livro diz que, para esta transição, é preciso curar as feridas emocionais. Que feridas são essas?

- Richard Cohen: Se estudar a literatura científica, vai encontrar os diversos factores que levam alguém a sentir-se atraído por pessoas do seu próprio sexo. Se conversar e escutar os gays e as lésbicas, vai encontrar as similitudes nas suas origens. Há dez causas potenciais que levam homens e mulheres a ter sentimentos homossexuais.

Quais são?

- Richard Cohen: Ninguém nasce, essencialmente, com sentimentos homossexuais. Ninguém escolhe simplesmente ter atracção pelo mesmo sexo. Há muitas razões para isto acontecer. Algumas causas potenciais dos sentimentos homossexuais são:

1) a carência de vínculos entre o filho e o pai, ou entre a filha e a mãe;

2) o temperamento hiper-sensível;

3) a identificação exagerada entre o filho e a mãe, ou entre a filha e o pai;

4) a falta de conexão com os companheiros do mesmo sexo, rapazes que não se sentem à vontade com outros rapazes, e meninas que não se sentem à vontade com outras meninas;

5) o abuso sexual. Estas são só algumas experiências que podem levar alguém a desenvolver a atracção pelo mesmo sexo. Nunca é apenas um factor que origina os sentimentos homossexuais.

Então existe uma causa nos pais?

- Richard Cohen: Não é a educação dos pais em si mesma que gera sentimentos homossexuais, mas a percepção que a criança tem desta educação. Por detrás da atracção pelo mesmo sexo, encontramos dois pontos principais:

1) traumas que não foram resolvidos no passado;

2) necessidades legítimas de amor por pessoas do mesmo sexo. Estes dois pontos conduzem à atracção pelo mesmo sexo.

É possível prevenir a orientação homossexual?

- Richard Cohen: Sim. A família e os amigos podem ajudar as pessoas atraídas pelo mesmo sexo a mudarem e realizarem o seu destino heterossexual. Como nós conhecemos o que produz os sentimentos homossexuais, é fácil entender a forma de ajudar os homens e as mulheres homossexuais. Por outras palavras: um menino recebe o seu senso da masculinidade em primeiro lugar do seu pai, e depois dos parentes e companheiros homens; e uma menina recebe o senso da feminilidade primeiramente da sua mãe, e depois das parentes e das companheiras mulheres. Depois, quando o rapaz atravessa a adolescência, surgem naturalmente os desejos heterossexuais. Neste último livro, eu descrevo doze princípios que a família e os amigos podem aplicar para ajudar os seus entes queridos homossexuais a conseguirem atingir a sua verdadeira identidade de género. Funciona se a pessoa seguir o programa. Nós conseguimos um grande sucesso ao longo dos anos.

Por que é que a sua fé em Deus foi tão importante e decisiva para a sua transição da homossexualidade para a heterossexualidade?

- Richard Cohen: Realmente não foi a minha fé em Deus que me ajudou a curar e sair da homossexualidade. Foi a confiança de Deus em mim que me ajudou a mudar! Durante muitos anos, eu achava que era a pior pessoa do mundo porque tinha sentimentos homossexuais. Ouvi dizer que a homossexualidade era o pior "pecado". Mas finalmente percebi que Deus me amava incondicionalmente. Quando senti o seu amor, tocou-me no mais profundo da alma e comecei a ficar curado.

Passamos do ridicularizar e silenciar os homossexuais a aceitar quase todas as ideias do lobby gay.

Acha que muitas organizações médicas e religiosas deveriam pedir desculpas aos homossexuais por não os ter ajudado no passado, e nem fazê-lo agora por medo de serem criticados por serem politicamente incorrectos?

- Richard Cohen: Muitas organizações religiosas, médicas e psicológicas deixam que a criança escorregue pelo ralo da banheira. Abdicam das suas crenças fundamentais em nome da tolerância. Em vez de pedir desculpa aos homossexuais pelos seus erros passados, mudam as suas crenças. Isto não é útil nem agradável para a comunidade homossexual.

Então?

- Richard Cohen: Temos que pedir desculpa pelas nossas palavras e comportamentos ofensivos do passado, e oferecer-lhes o presente do nosso amor e compreensão, que ajudará verdadeiramente a que todos os homossexuais se descubram a si mesmos em toda a sua verdade e autenticidade. Quando o fizermos, surgirá em todos nós uma mudança real e duradoura.

O que diria a uma pessoa com sentimentos homossexuais que sofre e quer mudar sua orientação?

- Richard Cohen: Entendo o que sente. Passei por isso. Tenha esperança de que todos os seus sonhos serão realidade. Mudar é possível! Vivi uma vida gay e agora estou casado há trinta anos. Não desista. Se seguir as quatro etapas da cura de 'Compreender y Sanar la homosexualidad', encontrará a liberdade que tanto deseja. Nunca desista.

 
Se Deus é amor, por que razão criou o inferno? Imprimir e-mail

Se Deus é amor, por que razão criou o Inferno?

 

Basicamente, as objecções dos que não crêem são duas:

a) é totalmente desproporcional impor uma punição infinita por uma ofensa finita;

b) um Deus amoroso não poderia torturar eternamente um filho Seu no Inferno.

Parece-me que a apologética tradicional se tem esmerado por mostrar:

a) que uma ofensa à majestade infinita de Deus não é “finita”, mas infinita, uma vez que a gravidade da ofensa se mede, também, pela dignidade do ofendido (e assim, v.g., um murro que eu desferisse contra três homens diferentes seria gradualmente mais grave conforme o esmurrado fosse um jovem colega de trabalho, um idoso ou o meu pai), e a justiça exige alguma proporção entre crime e castigo.

b) Deus é amor, mas é também, em igual – e infinita – medida, justiça, e é precisamente o amor d’Ele que permite aos Seus filhos optarem por negá-Lo; de modo que, rigorosamente falando, é possível dizer, em alternativa a “Deus condena as almas ao tormento eterno”, que “as almas rejeitam a Deus e se condenam, portanto, à separação definitiva d’Ele”.

Mas fica a parecer que essas coisas não se compreendem perfeitamente quando não se tem uma noção clara dos seus fundamentos: dito de outra maneira, as perguntas acima estão mal formuladas. O que importa, na verdade, não é que Deus tenha criado o Inferno, e sim que Ele tenha feito homens livres e, portanto, capazes quer de mérito, quer de culpa. Quando se entende isso com todas as suas necessárias consequências, todo o resto do quebra-cabeça resolve-se sem grandes dificuldades intelectuais.

O que é ser «livre»? É poder ser responsabilizado pelas suas escolhas e, por conseguinte, ser por elas premiado ou castigado. É evidente que a liberdade humana não é “absoluta” porque o seu conhecimento é limitado e a sua vontade é fraca; isso não está em discussão. Mas existe alguma liberdade no homem e, portanto, em alguma medida ele é capaz de mérito ou demérito, de prémio ou de castigo.

«Mérito» e «culpa» estão aqui empregados no sentido mais directo de um prémio devido por uma acção moralmente virtuosa e uma punição imposta em consequência de uma atitude moralmente condenável. As duas coisas estão em estreita relação de mútua dependência: uma vez que ambas dependem daquela liberdade fundamental de optar pelo bem ou pelo mal. Não é possível haver mérito se não existir possibilidade de culpa (uma vez que a virtude de uma escolha reside precisamente na rejeição à possibilidade de se fazer a escolha oposta – caso contrário, não haveria liberdade verdadeira) e não é possível existir culpa se não houver possibilidade de mérito (vice-versa). Ambas emanam, directa e imediatamente, da liberdade humana: só há mérito/culpa porque há liberdade e, se há liberdade, há também e necessariamente mérito e culpa.

Portanto, a raiz do prémio e da punição está na liberdade humana, é-lhe inerente e, aliás, faz parte da sua própria definição: ser livre é ser responsável por seus actos, e ser responsável pelos seus actos é ser capaz de receber, por eles, retribuições positivas ou negativas. Se qualquer um desses três termos – liberdade, mérito e culpa – deixasse de existir, os outros dois cessariam de haver no mesmo exacto instante. Ou os três existem, ou não existe nenhum. Por definição. Não dá para ser de outro modo.

Ora, qual é a característica central da Criação de Deus no que concerne ao ser humano? É que Ele nos fez à Sua imagem e semelhança, i.e., fez-nos dotados de inteligência e de vontade, de livre-arbítrio, fez-nos capazes de mérito e culpa. E a liberdade é um bem: por isso que Deus criou-a. E é um dom precioso, preciosíssimo: por isso é que foi por amor a nós que Ele no-lo concedeu. E o livre-arbítrio foi-nos concedido para que optássemos por Deus. Se há homens que optam livremente por rejeitá-Lo, aí já é uma coisa cuja possibilidade – pela própria natureza da liberdade humana – não pode ser afastada.

E quanto ao Inferno ser eterno? Ora, só há duas opções: ou a capacidade humana de ganhar méritos e acumular culpas – de ser premiado e castigado – cessa em algum momento, ou ela não cessa jamais, et tertium non datur. Se ela cessa em algum momento (v.g. com a morte – é a posição católica), então as pessoas que estão no Paraíso nele não podem mais pecar para o perder e, pela mesma razão, as que estão no Inferno não podem se arrepender para de lá sair. E, se ela não cessa em momento algum, então não deixará jamais de haver culpas a serem expiadas, posto que sempre haverá novos pecados em almas eternamente capazes de pecar. Em qualquer dos dois casos, portanto, o Inferno precisa de ser eterno. A diferença é apenas se algumas pessoas ficarão lá de uma vez por todas ou se todas as pessoas ficarão eternamente entrando e saindo de lá. Olhadas as coisas por esse ângulo, não parece que a segunda hipótese seja melhor do que a primeira, não é verdade?

Algumas vezes já me perguntam porque é que Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal no meio do jardim do Éden, onde Adão poderia facilmente alcançar-lhe os frutos. Ora, os pais terrestres mantêm as facas de cozinha e os produtos químicos fora do alcance das suas crianças: por que motivo Deus, Pai Perfeitíssimo, fez exactamente o contrário disso com Adão e Eva? A resposta é que Adão e Eva não eram crianças sem uso da razão, e sim seres humanos inteligentíssimos e extremamente aptos, adultos capazes de auto-determinação. Eles não comeram do fruto proibido como uma criança que se magoa sem querer com uma tomada, mas exactamente ao contrário: o Pecado Original foi cometido livre e deliberadamente, com plena consciência e manifesta vontade. É exactamente por isso que é pecado.

E porque é que, ainda, Deus permitiu que os nossos Primeiros Pais tivessem a possibilidade de cometer uma coisa tão horrenda como o Pecado? Por tudo o que já se disse até aqui, a resposta é imediata: porque Deus amava-os e, amando-os, queria premiá-los com a participação na Sua Eterna Bem-Aventurança a título de mérito, e para que os homens merecessem (na medida contingente da sua natureza de criatura) a Vida Eterna era necessário que eles pudessem, ao mesmo tempo, rejeitar a oferta de Deus. Liberdade, mérito e culpa existem sempre e necessariamente os três juntos, lembremo-nos. Eis aqui, pois, nascidos ao mesmo tempo, de um mesmo gesto de liberalidade divina, o livre-arbítrio, o Céu e o Inferno.

Num dos primeiros cantos (o terceiro, se a memória não me falha) da Comédia de Dante, o poeta coloca no frontispício da porta que conduz às profundezas do Hades uma inscrição que diz ter sido o Amor Supremo quem criou o Inferno. E foi exactamente isso o que aconteceu: foi por Amor que Deus criou os homens livres, e é da liberdade humana que decorre a possibilidade de amar a Deus ou de O rejeitar, de ir para o Céu ou para o Inferno. O verso do poeta é perfeito, e não significa que um sadismo divino criou, para próprio capricho, arbitrariamente, um lugar para torturar os homens: não, nada disso. Significa, isso sim, que o Amor queria premiar os homens com a Vida Eterna – e, para que tal fosse possível, por uma necessidade imperiosa daquilo mesmo que essas palavras significam, era necessária esta porta pela qual se pode chegar à morada das dores.

Uma vez que se entenda isto, as objecções iniciais deixam de fazer sentido; e, em contrapartida, sem que se compreenda a história completa, nenhuma explicação parcial da justiça do Inferno é capaz de convencer.

Jorge Ferraz, in Deus lo vult

 
Somos responsáveis pelos nossos actos, não pelos nossos sentimentos Imprimir e-mail

Somos responsáveis pelos nossos actos, não pelos nossos sentimentos

 

Uma situação injusta, um comentário que magoa. Como te sente nestas situações? E como te comportas?

Para termos o controle total das nossas emoções, seria preciso termos também o controle absoluto de todos os factores externos que, como sabemos, não dependem de nós. O nosso metabolismo recebe todos os tipos de estímulos – inclusive aqueles que não desejamos.

Por outro lado, o que conta é o nosso comportamento, o que realmente decidimos fazer diante destes estímulos que recebemos. Neste sentido, a nossa inteligência intervém, assim como a nossa capacidade de discernimento, de escolhas e de assumir responsabilidades.

Não podemos controlar totalmente os nossos estados de ânimo, o que sentimos e percebemos. Mas podemos, sem dúvidas, decidir o que queremos fazer diante de determinada situação, exercitando, assim, a nossa liberdade.

O importante é saber diferenciar entre o valor dos nossos actos livres e as relações fisiológicas inevitáveis, que são consequências dos estímulos externos.

O verdadeiro exercício da nossa liberdade está no comportamento, nas acções. Podemos sempre melhorar a nossa capacidade de autocontrole e gestão do mundo emocional. Mas sentir e perceber são coisas que o nosso organismo continuará a administrar de maneira intuitiva. A liberdade humana pode ser percebida no desenvolvimento de grandes faculdades, como a inteligência e a vontade.

Diferenças entre emoções e sentimentos

As emoções e os sentimentos vêm depois das sensações, como consequências da percepção e dos sentidos.

A emoção é uma reação complexa do cérebro diante de um estímulo externo (algo que vejo ou ouço) ou interno (pensamento, lembranças, imagens internas). As emoções surgem sem uma análise particular da nossa parte. Isto não impede a possibilidade de análise e a capacidade que temos de sermos conscientes do que vivemos a cada instante. Mas temos que ter em mente que o controle total do nosso mundo emocional é impossível. Só é possível controlar as nossas acções. Ainda assim, não somos perfeitos neste quesito. A busca por uma contínua superação neste sentido já é um óptimo caminho.

Os sentimentos são a soma da emoção + o pensamento. São a experiência subjectiva das nossas experiências emocionais. Uma emoção transforma-se em sentimento na medida em que tomamos consciência dela. Ou seja, no sentimento existe, além da reacção fisiológica, um componente cognitivo e subjectivo. Um sentimento, portanto, dá-se quando rotulamos a emoção e emitimos um juízo sobre ela.

Os sentimentos costumam durar mais tempo que as emoções. As emoções duram o tempo que pensamos nelas. Já os sentimentos dão-se depois das emoções. Para concluir: não há sentimento sem emoção.

 
Qual o segredo da alegria do cristão? Imprimir e-mail

 

Qual o segredo da alegria do cristão?

 

 “O pecado é a tua tristeza, deixa que a santidade seja a tua alegria” - Santo Agostinho

A alegria do cristão não se confunde com prazer, que é a satisfação do corpo; é o bem estar da alma. É importante saber que a alegria não está nas coisas, mas em nós. As coisas nos dão prazer, mas nem sempre nos dão alegria, que é a felicidade da alma. A alegria nasce no interior de um espírito cultivado pela beleza, pela pureza e pelas virtudes. Esta é a alegria cristã, brota no bojo das virtudes.

São Paulo disse aos romanos: “Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração.

Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram” (Rom 12, 12-16).

O Apóstolo recomenda três remédios contra a tristeza: esperança, paciência e oração. Em primeiro lugar é preciso esperança, que é uma virtude teologal, vem de Deus. Ele é a nossa esperança, a nossa força; Ele comanda o mundo e nada escapa de suas mãos; então, essa esperança traz a vida e a coragem de vencer a tristeza que sufoca a alma.

O salmista nos ensina: “Em silêncio, abandona-te ao Senhor, põe tua esperança nele” (Sl 36,7).

Paul Claudel, um grande convertido francês, dizia que “uma alma que se eleva, é uma alma que canta”. Para cantar é preciso se elevar, isto é, cultivar no coração coisas boas e belas. O bom e o belo nos levam a cantar; é a alegria do espírito, que não se consegue com os simples prazeres da carne. O salmista sabia que a alegria viria depois da luta:

 “Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria. Na ida, caminham chorando, os que levam a semente a espargir. Na volta, virão com alegria, quando trouxerem os seus feixes” (Sl 125,5-6).

Mas a alegria brota somente num coração justo e cheio de esperança. Não pode haver alegria onde impera o pecado. Santo Agostinho dizia: “o pecado é a tua tristeza, deixa que a santidade seja a tua alegria”. “Para o justo é uma alegria a prática da justiça, mas é um terror para aqueles que praticam a iniquidade” (Prov. 21,15). “A luz resplandece para o justo, e a alegria é concedida ao homem de coração reto” (Sl 96,11). “Possam minhas palavras lhe ser agradáveis! Minha única alegria se encontra no Senhor” (Sl 103,34). “Brados de alegria e de vitória ressoam nas tendas dos justos” (Sl 117,15).

Você pode notar que as pessoas bondosas e caridosas são alegres e prestativas. A alegria é como que uma medida pela qual se pode julgar o grau de caridade de uma alma e até mesmo de um grupo de pessoas.

A alegria cristã brota do amor. “Nada se iguala ao sabor do pão partilhado”, disse Saint-Exupéry. Quando olhamos para as feridas dos outros, e as curamos, as nossas quase desaparecem; o mal é ficar morbidamente debruçado sobre nossas misérias. Isto nos leva ao mal da auto piedade e nos rouba a alegria.

Vimos que São Paulo recomenda a paciência. Quando o sofrimento está a nossa frente e nada podemos contra ele, resta então a paciência, com esperança, certo de que “não há bem que dure para sempre nesta vida, mas também não há mal que não se acabe”, como diz o povo.

Impacientar-se diante da dor é o mesmo que aumentá-la; não se livra da tristeza desesperando-se diante dela ou, pior ainda, desanimando. Ao contrário, é preciso agir com a paciência sustentada pela esperança e pela fé em Deus, que tudo comanda. A Bíblia é repleta de exortações sobre a paciência; pois ela é a virtude dos mártires.

 “O homem paciente esperará até um determinado tempo, após o qual a alegria lhe será restituída” (Eclo 1, 29).

 “Vós, que temeis o Senhor, esperai nele; sua misericórdia vos será fonte de alegria” (Eclo 2, 9).

Por fim o Apóstolo recomenda rezar. Quem reza permanece alegre, porque Deus é a sua força e alegria; mas é preciso “orar sem cessar” e sem desanimar. O que quer dizer isso? É manter o espírito em Deus, ter a alma ligada a Deus, mesmo no trabalho, no volante do carro, no banho da criança, na parede que se levanta… elevar o espírito a Deus, sentir sua Presença, falar com Ele familiarmente, recomendar-se a Ele, entregar-lhe as preocupações e ansiedades, confiar Nele.

Rezar é também viver os Sacramentos. Que bem faz a santa Missa pela manhã! Que alegria entregar o dia a Jesus na Comunhão! “O temor do Senhor alegra o coração. Ele nos dá alegria, regozijo e longa vida” (Eclo 1, 12).

 Como você pode notar nestas palavras, a alegria brota também no coração daquele que ama a Palavra de Deus e os seus ensinamentos.

 “A Minha herança eterna são as vossas prescrições, porque fazem a alegria de meu coração” (Sl 118,111). “Encontro minha alegria na vossa palavra, como a de quem encontra um imenso tesouro” (Sl 118,162).

Não nos é proibido desfrutar das saudáveis alegrias da vida; a presença dos filhos, um passeio agradável, um almoço festivo… mas tudo isso é transitório e deve apenas nos ajudar a viver em Deus e para Deus.

São Paulo manda alegrar-se em Deus. Deus está perto e tudo vê. Em Deus podemos nos alegrar continuamente, pois Ele não muda. Se você põe a sua alegria somente no seu time de futebol, já experimentou que essa alegria é alternada com muitas tristezas. O mesmo se dá se a raiz da nossa alegria forem as coisas que passam e que mudam.

O Apóstolo nos garante que assim “a paz de Deus guardará os nossos corações”.

 “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus” (Fil 4, 4-7).

Prof. Felipe Aquino

 
A alegria que vem de Cristo Imprimir e-mail

 

A alegria que vem de Cristo


Por causa de um amor que ultrapassa todas as barreiras


Que Deus nos possa impactar a vida e alargar a visão, para tirar toda a limitação que nos impede de experimentar o Senhor da alegria em todas as circunstâncias. Este júbilo é aquele que não passa após uma festa, uma noitada; muito menos com o sofrimento. Ele é permanente porque a fonte é Deus, é amor que ultrapassa todas as barreiras.


Esta alegria é-nos revelada por Jesus nas bem-aventuranças que fazem parte do Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus! Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim"(Mt 5, 3-11).


Olhando profundamente para esta palavra podemos perceber que
a alegria do consagrado, do servo, do Cristão é o oposto da alegria oferecida pelo mundo
, e até mesmo concebida pela nossa razão, pois esta é pautada pelo consumismo, por uma sexualidade desregrada e pelo hedonismo, que são coisas momentâneas, passageiras e que causam um grande estrago e um profundo vazio.
A alegria que Cristo propõe é permanente e pode ser vivida na pobreza de espírito, na mansidão, na humildade, na misericórdia, na pureza de coração, na promoção da paz, na fome e sede de justiça, e até mesmo em situações que, muitas vezes, aos nossos olhos, são negativas, mas que em Cristo são transformados em alegria, como a aflição, a perseguição, a calúnia e as mentiras sobre nós por causa de Jesus. Isso é totalmente contrário à pregação do mundo! É uma alegria constante e verdadeira.


N
a cruz de Jesus há alegria, pois ali aconteceu a vitória, e na nossa cruz pessoal existe uma fonte de contentamento.
Que vivas com intensidade a alegria de Cristo. Foi isto que os santos descobriram, é a perfeita alegria que São Francisco experimentou.
"Que a alegria do Senhor seja sempre a nossa força".

 
As evidências da existência de Deus Imprimir e-mail

As evidências da existência de Deus, segundo São Tomas de Aquino 

 

Com os argumentos de São Tomás de Aquino, conhecemos as coerências racionais para a existência de Deus

Aqui ficam, de forma muito simples e com auxílio das fontes expressas abaixo, as cinco vias ou argumentos do grande doutor São Tomás de Aquino. Nelas, o doutor angélico explica, com grandeza, as coerências racionais para a existência de Deus. Que este texto sirva apenas de estímulo para conhecer e estudar as cinco vias de São Tomás:

1ª Via do movimento/primeiro motor;

 2ª Via da causa eficiente;

 3ª Via do contingente e do necessário;

 4ª Via dos graus de perfeição;

 5ª Via do governo das coisas/da finalidade ser.

 

1ª Via do movimento/primeiro motor:

A primeira via fala de um facto do mundo: o movimento. O sentido da palavra movimento aqui não é simplesmente a locomoção de um lado a outro, mas a modificação dos entes. Percebemos pelos sentidos que as coisas se movimentam. “Os nossos sentidos atestam, com toda a certeza, que, neste mundo, algumas coisas se movem. Ora, tudo o que é movido é movido por outro. Nada se move que não esteja em potência em relação ao termo do seu movimento; pelo contrário, o que se move o faz enquanto se encontra em acto” (S. Th. I, q.2, a. 3). São Tomás diz que, antes do movimento, os seres estão em potência, isto é, possuem a possibilidade de se tornar diferentes do que são. Ao se moverem, a potência transforma-se em acto (actualização). Se tentarmos regressar para buscar a origem, vamos perceber que é necessário ter um primeiro motor, não movido por nenhum outro senão Deus.

1- No mundo, algumas coisas são movidas;

 2- Tudo o que é movido, é movido por outro;

 3- Não se pode preceder até ao infinito nos moventes e movidos;

 4- Logo, é necessário um primeiro motor não movido por outrem, que é Deus.

 

2ª Via da causa eficiente:

A segunda via observa que tudo depende de uma causa para agir e existir. Ela tem forte semelhança com a primeira, mas, nessa, os seres dependem de uma causa eficiente para existir, enquanto naquela se observa a necessidade de uma causa motriz. Se, regressarmos na relação causa e efeito, chegaremos a uma causa primeira não subordinada e não causada, pois não pode ser causada por outra, caso contrário, não seria a primeira nem poderia ser absolutamente independente no agir e no causar. A essa causa eficiente primeira, chamamos Deus.

1- No mundo, todas as coisas têm uma causa eficiente;

 2- Nada pode ser a causa eficiente de si mesmo;

 3- Não é possível que se proceda até ao infinito nas causas eficientes;

 4- Logo, existe uma causa primeira eficiente, que é Deus.

 

3ª Via do contingente e do necessário:

A terceira via é semelhante à primeira e à segunda. Entrando mais intimamente na essência dos entes do universo, procura o ponto de partida na entidade desses seres contingentes, ou seja, dependente de outro ser necessário para existir.

Vemos que há seres contingentes que existem, mas poderiam não existir, por não ter em si mesmos, na sua essência, a razão da sua existência. Da possibilidade de não existir, fica a necessidade de outro ser que lhe cause a existência. Se, remontarmos ao infinito, chegaremos ao ser necessário, que tem em si a razão absoluta da sua existência. Contendo na sua própria essência a sua existência, seria absurdo não existir. Desta forma, é necessário afirmar a existência de um ser necessário por si mesmo, e que é a causa e a necessidade de todos os outros: Deus.

1- No mundo, há coisas contingentes que existem, mas poderiam não existir;

 2- Mas é preciso que algo seja necessário entre as coisas;

 3- Não é possível que se proceda ao infinito nas coisas necessárias;

 4- Logo, existe um primeiro necessário, que é Deus.

 

4ª Via dos graus de perfeição:

A quarta via é aprovada pelos graus de perfeição dos entes. O nosso entendimento percebe que existe um grau de perfeição em todas as coisas. Esses graus estão presentes desde os objetos mais comuns até aos sentimentos mais obscuros ou nobres, julgamos sobre tais graus de tais coisas, tendo como referência alguma coisa de grau máximo. Se para cada coisa existente há um grau máximo, portanto, deve existir um Ser que contém todos os atributos e coisas possíveis nos seus graus de perfeição no máximo – e que seria gerador de todas as coisas em grau de perfeição menor. São Tomás de Aquino diz que “se encontra nas coisas algo mais ou menos bom, mais ou menos verdadeiro, mais ou menos nobre, etc.. Ora, mais e menos se dizem de coisas diversas, conforme elas se aproximam diferentemente daquilo que é em si o máximo”. Esse Ser é Deus.

1- No mundo, as coisas têm diferentes graus de perfeição;

 2- Os graus de perfeição atribuem-se em relação à proximidade do grau máximo;

 3- O grau máximo de um género é a causa de todas as coisas desse género;

 4- Logo, há algo que é a causa da existência para todas as coisas, que é Deus.

 

5ª Via do governo das coisas/da finalidade ser:

A quinta via é a prova pela ordem do universo. Se considerarmos a ordem existente no universo, desde os componentes microscópicos existentes até aos gigantescos astros do firmamento; a harmonia, a actividade e relação entre eles, facilmente chegamos à seguinte conclusão: houve uma inteligência que criou e ordenou tudo isso; caso contrário, seria absurdo dizer que isso é fruto do acaso.

“De facto, apenas a inteligência pode ser razão da ordem, quer dizer, da organização dos meios em vista de um fim, ou dos elementos em vista do todo que eles compõem: os corpos ignoram os fins e, por conseguinte, se os corpos ou os elementos conspiram em conjunto, é necessário que a sua organização tenha sido obra de uma inteligência”.

Garrigou-Lagrange diz: “Os seres privados de razão não tendem a um fim se não são guiados por uma inteligência, como a flecha pelo arqueiro. Com efeito, uma coisa não pode estar ordenada à outra senão por uma causa ordenadora, que necessariamente deve ser inteligente, sapientis est ordinare. Por quê? Porque só a inteligência conhece a razão de ser das coisas”.

Que inteligência ordena o universo?

Tem de ser diferente dos seres da natureza, porque os minerais e vegetais são desprovidos da ciência das coisas e os animais não possuem intelecto. Deve ser, também, diferente da inteligência humana, que, apesar de perceber e explicar a ordem que existe, não a cria. Tem que ser, pois, a suma inteligência, dado que a ordem do universo supõe um ser que possua a ciência de todos os seres e as suas propriedades. Por isso, conclui Garrigou-Lagrange: “Os animais conhecem sensivelmente o objecto que constitui o seu fim, mas nesse objecto não percebem a razão formal do fim. Por conseguinte, se não houvesse uma inteligência ordenadora, que governasse o mundo, a ordem e a inteligibilidade que há no universo e que as ciências descobrem, proviria da inteligibilidade, e ainda mais, as nossas próprias inteligências proviriam de uma causa cega e ininteligível; uma vez mais, o mais sairia do menos, o que é absurdo”.

Inteligência Criadora e Ordenadora

É preciso esclarecer que a Inteligência Criadora e Ordenadora do universo é Infinita e Divina. Um ser natural, na sua criação, não é precedido por nada e as suas propriedades e capacidades provêm da sua própria essência. Daí, a ordem interna de cada ser e, por conseguinte, das relações destas essências entre si, resulta a ordem externa do universo.

Sendo a causa total de toda a ordem, o Autor dessas essências precisa de ser também Criador, por tirá-las do nada. Portanto, a Inteligência ordenadora é também, Criadora. Também, essa Inteligência não pode ter sido criada, porque seria como qualquer outro ser existente e não ordenaria, mas seria ordenada por outra inteligência. Por fim, a Inteligência ordenadora deve ser também por si subsistente e infinita. A esse ser Criador, subsistente por si e infinito, chamamos Deus.

1- No mundo, algumas coisas operam por causa de um fim.

 2- Essas coisas não atingem o fim por acaso.

 3- Essas coisas não tendem a um fim a não ser que estejam a ser dirigidas por algo inteligente.

 4- Logo, existe algo inteligente, que é Deus, que dirige as coisas a um fim.

 
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OS NOSSOS INIMIGOS

Cada um de nós tem "inimigos" na vida. Pessoas que parecem gostar de nos magoar, de nos fazer sofrer e nos ferir. Às vezes criamos inimigos por causa de diferenças de personalidade e outras vezes porque as pessoas nos odeiam sem motivo aparente.

De facto, não importa por que tens um "inimigo", a tentativa de combater mal com mal está fadada ao fracasso e, de facto, existem 8 razões pelas quais os inimigos podem ser um factor positivo na vida. Quando entendes estas razões, podes desenvolver um entendimento mútuo ou, pelo menos, um entendimento da tua parte, que te ajudará a desenvolver melhores relacionamentos em vez de continuar o ciclo de ódio e raiva.

1. Uma lição simples sobre como conter e evitar a raiva

Sendo bem honestos: os nossos inimigos são as melhores pessoas para nos ensinar autocontrole e como dominar a raiva. Embora seja verdade que os nossos "inimigos" têm maneiras de nos irritar, isso é exactamente o que nos pode ajudar a lidar melhor com a emoção negativa. Afinal de contas, não podemos ficar irritados para sempre com pessoas que são importantes para nós e que queremos amar. Além disso, muitas vezes acabamos por nos sentir culpados por causa dos sentimentos de raiva que temos por causa deles.

Para fazer isso da maneira mais eficiente, tenta entender o que te incomoda na atitude do teu "inimigo" em relação a ti e, só depois de entender conscientemente, serás capaz de lidar com a raiva de uma maneira melhor e mais saudável. Pensa nos teus adversários como terapeutas que te ajudam a lidar com as emoções negativas com as quais não queres lidar ou que não consegues lidar sozinho.

2. Aproveita a oportunidade para manter uma competição saudável

Tu podes não ver desta maneira agora, mas os teus "inimigos" estão sempre a pensar em ti como um concorrente, e se estiveres numa situação de competição, eles podem ajudar a sentires-te ainda mais competitivo. No entanto, é importante que continues a ser tu mesmo e não te tornes desagradável e rude só para entrar na competição. Não prejudiques a ti mesmo ou aos outros, e não deixes que a tua moral se manche no processo. Se vês o teu relacionamento como uma "competição" em vez de uma "rivalidade", isso pode ajudar a reduzir a raiva ou até ensinar-te a lidar melhor com ela.

3. Críticas negativas podem ajudar a crescer

Provavelmente os teus "inimigos" não têm muitas coisas boas a dizer sobre ti; na verdade eles devem falar mal a teu respeito. No entanto, mesmo que falem com más intenções, pode haver alguma verdade nas suas palavras. Sempre que ouvires algo desagradável de um dos teus "inimigos", reflecte e tenta avaliar. Há uma chance de que o teu "inimigo" esteja a dizer algo com fundo de verdade, mas de maneira errada. Então se conseguires entender o que eles estão a tentar dizer, darás um passo significativo no teu crescimento pessoal.

4. Os teus "inimigos" podem ser os teus melhores aliados

Se decidires amar os teus "inimigos", darás o primeiro passo para desenvolver um relacionamento mais saudável e pacífico com eles. Os nossos "inimigos" nem sempre querem intencionalmente ofender-nos e, às vezes, eles só se sentem feridos por nós. Em último caso, se conseguires construir um relacionamento saudável superando as lacunas entre os dois, farás um amigo em vez de um inimigo, e todos precisamos de amigos. Esta abordagem irá ajudar-te a longo prazo, e irá proporcionar-te paz de espírito, desde que possas desenvolver uma relação cordial entre ti e eles. A barreira para isso está principalmente na tua cabeça.

5. Terás a capacidade de ver a vida de uma forma mais positiva

Quando estamos preocupados com as pessoas que se opõem a nós e com o quanto elas nos ferem, é muito difícil mudarmos os nossos pensamentos e torná-los positivos, mesmo com relação à vida em geral. No entanto, se aceitares os teus "inimigos" e entenderes que todos temos esse tipo de pessoas na vida, também deixarás de te preocupar tanto com eles e terás cada vez menos pensamentos negativos inundando a tua mente. Se além disso cultivares sentimentos de amor pelos teus "inimigos", aprenderás como entender coisas ruins e frustrantes que aconteçam contigo de uma maneira mais positiva e, assim, a forma que a tua mente interpretar as coisas boas ou ruins será influenciada por essa atitude.

6. Podes perceber que o ódio é simplesmente um mal-entendido

Às vezes criamos inimigos simplesmente por causa de um pequeno mal-entendido. É muito difícil perceber quando isso acontece, mas um pequeno mal-entendido pode colocar uma pressão sobre qualquer relacionamento; e se for um relacionamento com um inimigo, isso apenas aumentará a tensão. Se tu tentares criar um diálogo calmo entre ambos e descobrir a causa do problema, logo entenderás como consertar a situação e o teu relacionamento com a pessoa. Desentendimentos acontecem a todo o momento e tu tens que desenvolver a habilidade de resolvê-los a tempo.

7. Aprende a apreciar verdadeiramente o amor

Ter a certeza de que tens "inimigos" na vida pode ajudar-te a melhorar o teu relacionamento com pessoas que ama como elas merecem. Amor e ódio não são necessariamente sentimentos opostos. De facto, pode-se dizer que o oposto de ambos é a indiferença. Portanto, em qualquer relacionamento em que o amor exista, o ódio momentâneo ou contínuo pode surgir, e se isso acontecer, geralmente mostra que há de facto um grande amor escondido.

Entende também que, assim como sempre vão existir pessoas contra ti, também existirão aqueles que te amam. Lembra-te disso, pois essas pessoas são as que merecem o teu amor de volta. Nunca deixes o teu ódio contra os teus "inimigos" afectar o teu relacionamento com as pessoas que te amam. Caso desistas de aprender a amar aqueles que não te amam, procura demonstrar mais amor às pessoas que te são queridas.

8. Entende que tu realmente não precisas do ódio

Os nossos "inimigos" injectam um veneno nas nossas vidas que lentamente vai permeando as nossas reacções com relação a outras pessoas. Se quiseres evitar isso, precisas de entender que não precisas de carregar o peso do ódio às costas. O ódio não leva ninguém a lugar nenhum, enquanto que o amor nos leva a tentar progredir e melhorar sempre. Na jornada da vida, leva sempre uma bagagem leve de amor, em vez do peso do ódio. Isto tornará a viagem muito mais fácil.

 
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