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Deus é Amor

Papa Bento XVI

 
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O que a Igreja pensa dos métodos orientais de meditação Imprimir e-mail

 

O que a Igreja pensa dos métodos orientais de meditação

 

Uma pergunta que já se tornou frequente devido à ampla difusão de práticas como o yoga, por exemplo

O que pensa a Igreja Católica a respeito dos métodos orientais de meditação inspirados, por exemplo, no hinduísmo e no budismo?

Trata-se de vêm adquirindo de umas décadas para cá. O que poucos sabem, na verdade, é que já existe uma resposta oficial da Igreja a esse questionamento.

Em outubro de 1989, a Congregação para a Doutrina da Fé, sob a presidência do então cardeal Joseph Ratzinger, divulgou uma carta dirigida a todo o episcopado católico para esclarecer a natureza da oração cristã e, por tabela, as maneiras erróneas de rezar.

O documento insiste, antes de tudo, em que a meditação cristã não é um simples esforço humano, cujos resultados possam obter-se pela observância de certas técnicas psicofísicas de respiração ou relaxamento. Embora não prescinda de uma participação activa do fiel, a oração cristã supõe, no fundo, uma acção divina, quer dizer, uma intervenção livre e sobrenatural da graça de Deus. O documento, porém, admite com certa benevolência que a oração cristã não é incompatível de todo com certos elementos de alguns métodos orientais, desde que submetidos a um exame atento e a uma depuração de quaisquer resquícios pagãos incompatíveis com a integridade da fé.

Em todo o caso, é preciso ter sempre em mente que a diferença fundamental entre tais métodos e a meditação cristã é de finalidade: enquanto os primeiros pretendem produzir determinados “estados” interiores de paz e serenidade, nem sempre vinculados com a dimensão moral que compromete o restante da vida, a oração cristã quer ser um encontro pessoal entre a alma e Deus, um diálogo reverente entre dois corações que conduza, como complemento espontâneo, a uma vivência mais pura e comprometida do Evangelho.

Além disso, os métodos orientais, assimilados imprudentemente num contexto cristão, apresentam o grave risco de “rebaixar o que é concedido como pura graça ao nível de psicologia natural, como ‘conhecimento superior’ ou como ‘experiência’” (n. 10). Como métodos naturais que são, as práticas orientais de meditação pertencem essencialmente ao plano do psiquismo humano e, por isso, são absolutamente incapazes de proporcionar os estados místicos extraordinários que Deus concede, por pura graça, a quem Ele quer e quando quer. Seria insensato pensar que, pelo exercício reiterado de certas técnicas, pode o homem chegar sozinho a estados de união com a divindade que superam por si mesmos as nossas forças naturais.

A oração cristã também não é um deixar a mente vagar pelo “vazio”. Por ser diálogo, ela supõe um conteúdo; e por ser diálogo com Deus, a matéria da sua meditação deve ser, obviamente, o que mais diz respeito à vida e aos mistérios de Deus, ou seja, ao conteúdo positivo da fé católica. Orar, para um cristão, não deve nunca ser uma busca exclusiva de si mesmo, mas uma busca daquele que sabemos que nos ultrapassa sempre e que se digna falar connosco, não porque o mereçamos, mas porque foi Ele quem nos amou primeiro:

O amor de Deus, único objecto da contemplação cristã, é uma realidade da qual não nos podemos “apoderar” por meio de qualquer método ou técnica; pelo contrário, devemos ter sempre o olhar fixo em Jesus Cristo, no qual o amor divino sobre a cruz chegou por nós a tal ponto que Ele assumiu sobre si mesmo também a condição de afastamento do Pai (n. 31).

Por isso, conclui a carta aos bispos, devemos “deixar decidir a Deus o modo segundo o qual Ele nos quer tornar participantes do seu amor. Mas não poderemos nunca, de nenhuma maneira, tentar pôr-nos no mesmo nível do objecto contemplado, que é o amor livre de Deus” (n. 31). A nós, cabe-nos aproximar-nos dele com humildade, suplicando de joelhos que ele nos conceda o auxílio da sua graça, ilumine a nossa inteligência com a luz da fé e, pela sua misericórdia, mova a nossa vontade tão débil e apegada às coisas do mundo a aspirar aos sagrados tesouros do céu.

Pe. Paulo Ricardo

 
A frustração do homem Imprimir e-mail

 

A frustração do homem 

 

A origem do homem é Deus e o seu fim último é o de se encontrar com Deus que é amor

Não sei se já tiveste o corpo coberto de lama. No início, a lama é fria, pegajosa e acaba por provocar uma certa aversão. No entanto, com o tempo, a lama começa a endurecer no próprio corpo, ao ponto de se tornar como uma espécie de crosta. E, quando arriscas retirar um pouco dessa lama que se tornou crosta, acabas por puxar a pele e os pelos do corpo. Existe dor, existe incómodo com a lama no corpo e ao ter que limpá-lo.

O que é o corpo? É o ambiente no qual não sou escravo, mas posso, por meio dele, amar e ser amado. No corpo e com o corpo tenho a capacidade de expressar a caridade. Quem é capaz de amar? Aquele que é imagem e semelhança do Deus que é amor. O que é a lama? Poderias responder: “É o pecado”. Mas não é somente o pecado. É tudo o que sobra e não faz parte do que é a essência e a finalidade da existência humana.

O homem é fruto do amor transbordante do Criador e, diferente de todas as criaturas, o homem tem alma, isto o faz ser alguém que não se encerra neste mundo. Há um germe de eternidade na sua existência. A origem do homem é Deus e o seu fim último é o de se encontrar com este Deus que é amor.

Portanto, a lama é o que ousa atentar contra a dignidade do ser humano. Pode ser o pecado, entretanto, podem ser, também, as ocasiões que mesmo sem pecar, a criatura esquece quem é o seu Criador. Por isso, não O busca responder com amor, acaba escolhendo viver na busca incessante pelos planos de carreira e pelas coisas passageiras, algo que não necessariamente seja pecado, mas pode ser um movimento que na sua consequência o leva a pecar. A lama ousa atentar a dignidade do homem, o que não significa conseguir de facto, mas de qualquer forma o fere profundamente.

Há um tipo de pecado que quero mencionar: o pecado contra a castidade. Pecar contra a castidade é fruto de uma má escolha e uma desordem no como amar, seja a si mesmo, ou seja, amar as pessoas. Há na pessoa uma potência para amar, mas ela, ao usar essa potência, pode fazer de maneira desordenada e, portanto, descontrolada.

O resultado é justamente o egoísmo, onde a pessoa busca nos outros ou nas coisas uma oportunidade de prazer para si, ela busca “ser amada”. E, no movimento de busca ao prazer, abre mão do que é racional em nome dele; é capaz de abrir mão do que é genuíno, apenas para obter o prazer próprio. A medida da relação humana torna-se o quanto de prazer aquela determinada relação pode oferecer. O ser humano é reduzido a objecto. Diante do outro perde-se a capacidade de admiração; contemplação; de dar a vida; e de se sacrificar se assim for preciso. Esvai todo o sentimento de altruísmo.

Aos poucos, desfigura-se o ser humano imagem e semelhança de Deus e o homem ignora a sua essência e finalidade. O que resta é a lama endurecida sobre a sua existência nesta terra. Por fim, a frustração do próprio homem.

 
12 sinais do anti-Cristo Imprimir e-mail
 

12 Sinais do anti-Cristo, segundo Fulton Sheen

 

O Arcebispo Fulton Sheen, num sermão proferido via rádio em 1947, fala dos sinais dos tempos, e, mais concretamente, dos sinais que identificam o anti-Cristo:

1. Virá disfarçado sob o título de Grande Humanitário, falando de paz, prosperidade e abundância, não como meios utilizados para nos conduzir a Deus, mas como fins em si mesmo;

2. Escreverá livros acerca de uma nova ideia de Deus que se adapta à forma como se vive;

3. Irá induzir a fé como se fosse astrologia, responsabilizando as estrelas pelos nossos pecados, em vez da nossa vontade;

4. Fará aumentar a culpa nos corações dos homens, pressionados psicologicamente relativamente à repressão das relações sexuais, fazendo-os corar de vergonha sempre que os seus amigos, familiares e colegas os acusam de não serem abertos e liberais;

5. Irá definir a tolerância como uma indiferença relativa ao certo e ao errado;

6. Irá promover mais divórcios sob o disfarce de que uma terceira pessoa na relação é fundamental;

7. Aumentará o amor pelo amor, diminuindo o amor às pessoas;

8. Usará a religião para destruir a religião;

9. Falará ainda de Cristo, dizendo que foi o maior homem que alguma vez existiu;

10. A sua missão, dirá ele, será libertar o homem da escravidão da superstição e do Fascismo, os quais acabará por nunca definir;

11. No meio do seu aparente amor pela Humanidade e do seu discurso eloquente sobre a liberdade e igualdade, terá um grande segredo o qual nunca revelará: ele não acredita em Deus. E, pelo facto da sua religião ser definida por uma irmandade sem a paternidade de Deus, enganará mesmo os eleitos.

12. Levantará uma contra-Igreja, que será considerada falsificação da própria Igreja uma vez que, o demónio é a falsificação de Deus. Será o corpo místico do anti-Cristo que irá, em todas as suas externalidades, assemelhar a Igreja ao corpo místico de Cristo. Em necessidade extrema de Deus, ele conduzirá o homem moderno, em toda a sua solidão e frustração, a querer mais e mais pertencer a uma comunidade que traga ao homem uma maior ambição de sentido, sem qualquer necessidade de emenda ou reconhecimento de culpa. Estes serão os dias em que será dada ao demónio uma oportunidade particular.

 
As 21 perguntas mais importantes da sua vida Imprimir e-mail

 

As 21 perguntas mais importantes da sua vida

 

21 perguntas em quatro áreas que podem alterar tudo sobre o que você faz.

 

Vamos começar com algumas perguntas sim/não para avaliar como você se sente.

 

1. Eu sou feliz?

2. Eu sou grato?

3. Eu gosto do meu trabalho?

4. Eu sinto-me bem?

5. Gasto tempo suficiente com a minha educação?

 

A razão pela qual estas perguntas rápidas são importantes é que você deseja ajustar a sua estratégia se responder não a qualquer uma delas.

 

Por vezes, passamos pela vida infelizes, ingratos e sentindo-nos mal por muito tempo. Se algo estiver errado na sua vida, reconheça isso rapidamente e encontre uma solução.

 

Estas perguntas não são apenas sobre você mesmo. Quando você está feliz e de bom humor, pode elevar o ânimo das pessoas.

 

É por isso que me concentro em consertar a minha própria felicidade primeiro. Caso contrário, você não pode deixar a sua esposa, família ou outras pessoas felizes.

 

Veja estas cinco primeiras perguntas como uma avaliação rápida. Seja honesto. Não há ninguém para impressionar.

 

Pense em como se sente.

 

Alguém disse que as pessoas que pensam em si mesmas são egoístas – e que temos um mundo egoísta se todos se comportarem dessa maneira.

 

Esta é uma perspectiva muito limitada e ignorante.

 

Quando você se cuida e se certifica de que está feliz, terá uma boa vida.

 

Você não terá inveja dos outros. Você vai sorrir todos os dias. E o mais importante, você terá recursos e tempo para ajudar os outros.

 

É assim que o mundo funciona. O sucesso gera sucesso. A miséria gera miséria.

 

Carreira

 

Vamos para uma área importante das nossas vidas. Você passa a maior parte das horas no trabalho. Portanto, é crucial que obtenha satisfação com isso.

 

Na verdade, trabalhar com o que você gosta é mais importante do que factores de “higiene”, como renda, segurança no trabalho, recursos, localização, etc.

 

Por isso que me pergunto regularmente:

 

6. Que coisas novas estou a aprender? Isto é o mais importante para mim. Quando eu aprendo, sinto que estou a evoluir. Quando estou a evoluir, sinto-me bem.

7. Para onde está a ir a minha carreira? Precisas de uma visão. Se não tiveres uma – cria-a.

8. Quão significativo é o meu trabalho? Eu quero sentir-me satisfeito com o meu trabalho no final do dia.

9. O que posso fazer que actualmente não estou a fazer? Estou sempre a procurar coisas para fazer no escritório e em casa. É assim que aprendes coisas novas.

10. Como posso ser melhor no que faço? Quando melhoras no que fazes, podes causar um impacto maior e resolver problemas maiores. Isto dá-te mais satisfação. E também mais renda.

 

Negócio

 

Como empreendedor, preciso de cuidar do meu negócio. Sem isto, não haverá renda nem dinheiro para pagar a nossa equipe.

 

Claro, podes levantar capital ou fazer um empréstimo. Mas acredito que deves ser capaz de fazer dinheiro como negócio.

 

É simples: se o teu negócio não gera dinheiro, não é um negócio – é um hobby.

 

Para garantir que geramos renda, perguntamos:

 

11. Qual é o maior ponto de dor que os nossos clientes têm? Apenas resolvemos problemas reais que outras pessoas ou empresas têm.

12. Qual é a solução ideal aos olhos dos nossos clientes? Dê às pessoas o que elas realmente querem.

13. Como podemos dar mais valor sem cobrar mais? Entregue mais.

14. Onde podemos alcançar os nossos clientes em potencial? Vá para onde o seu público está, em vez de tentar o contrário.

15. Como podemos diminuir os nossos custos? Nós sempre operamos os nossos negócios com baixos custos. Negociamos preços de tudo – até mesmo coisas simples como suprimentos de escritório. Isto é melhor para nós e os nossos clientes.

 

Produtividade

 

Todas as coisas acima parecem óptimas no papel, certo? Mas não são nada sem execução. Tu e eu sabemos disso.

 

Mas ainda há uma diferença entre o quão efectivo somos. Isto resume-se a uma coisa: o quanto tu és BOM em executar?

 

Estas perguntas podem ajudá-lo a descobrir isso:

 

16. Qual é a minha prioridade número 1, agora?

17. Como posso alcançar a minha prioridade número 1 mais rápido? Não é sobre ser impaciente. É sobre esforçar-se para pensar em maneiras criativas de obter resultados mais rapidamente.

18. Que tarefas devo parar de fazer? Nós todos perdemos tempo. Identifique essas tarefas e pare de executá-las.

19. Que tarefas estou procrastinando? Use o tempo que está a economizar, respondendo à pergunta anterior para isso. Todos nós evitamos tarefas importantes – coisas que deveríamos estar a fazer. Coisas que evitamos.

20. Que perguntas eu não estou me perguntando? Há muitas coisas no universo que não sabemos que não sabemos. Por isso, tente sempre procurar o desconhecido. Mantenha uma mente aberta.

 

Uma coisa que eu sei é que a vida tem mais significado quando dás mais. É por isso que eu quero fechar com isto:

 

21. Como posso ajudar uma pessoa hoje?

 

Um simples gesto é suficiente. Ligue para o seu familiar. Anime o seu amigo. Comece por ajudar as pessoas na sua vida. E então peça que elas paguem ajudando outros.

 

(via Awebic)

 
Devemos pedir a Deus que cure as nossas feridas ao longo da vida Imprimir e-mail

Devemos pedir a Deus que cure as nossas feridas ao longo da vida

Ninguém se expõe ao sol sem se queimar. Se tomarmos sol em excesso, vamos sofrer as consequências dele. Com Deus acontece algo semelhante, pois ninguém se coloca na presença d’Ele sem ser beneficiado pelas Suas graças. As marcas da presença do Todo-poderoso também são irreversíveis para a nossa salvação. Quando nós nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo, Ele dá-nos liberdade. Nunca o Senhor pensou em nos trazer para perto d’Ele para tirar algo de nós, muito menos para limitar a nossa liberdade. Se Ele não quisesse a nossa liberdade, por que nos teria criado livres?

A nossa liberdade ficou comprometida pela nossa própria culpa, porque quem peca torna-se escravo do pecado. Pelos erros e vícios que entram na nossa vida ficamos debilitados. O Pai deu-nos Cristo para nos libertar daquilo que nos amarra. Deus mostra-nos os caminhos que podemos seguir, mas a liberdade de escolher é nossa. O desejo do Senhor é libertar-nos de toda a angústia, de toda a opressão. O desejo d’Ele é ver-nos felizes.

Em Gálatas 5,1 lemos: “É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão“. Cristo amou-nos, morreu numa cruz por nossa causa, para que não fôssemos escravos do pecado. O Ressuscitado libertou-nos de todo o mal, de toda a armadilha do inimigo para que permanecêssemos livres. Contudo, ninguém é livre na maldade. Uma vez que o Espírito Santo nos visita, não há brechas para o pecado.

Quem conhece as coisas que há no homem senão o espírito do homem que nele reside? (cf. Coríntios 2,10-16). Assim também ninguém conhece as coisas de Deus senão o Seu Espírito.

Ninguém pode saber o que há no nosso interior se não abrirmos a boca e dissermos o que pensamos. Quando rezamos, Deus Pai refaz-nos e o Espírito Santo cura-nos e liberta-nos. Rezar é ficar nu na presença de Deus, é abrir-se a Ele. Quando rezamos, colocamo-nos na presença do Altíssimo, expomo-nos e somos curados. Quando tiramos a roupa diante do espelho, vemos o que queremos e o que não queremos. Quando estamos a rezar, caem as nossas vestes espirituais; assim, vemos o que queremos e o que não queremos. Tudo o que fazemos de mau volta para nós no momento da oração. No momento em que o Senhor nos mostra quem somos, Ele também nos mostra quem Ele é. Se Ele nos revela uma coisa que não está boa, é porque precisamos de a consertar.

Na oração, aprendemos a ouvir o Senhor. Não existe ninguém que, tendo rezado, Deus não lhe tenha respondido. E se Ele não lhe responde directamente, vai fazê-lo por meio de uma pessoa ou de um facto, mas Ele responde. Nós precisamos de aprender a ouvi-Lo na oração, para conhecermos os planos que Ele tem para a nossa vida.

Nós precisamos, na oração, de pedir ao Espírito Santo que nos faça descobrir o que está ruim dentro de nós. Deus sabe quando fomos maltratados e sabe como nos curar.

A nossa vida inteira é um processo de cura interior. Enquanto estivermos com os pés nesta terra, a nossa vida será um processo de cura interior. Nós temos de nos apresentar diante de Deus. O Todo-poderoso tem um plano para a nossa vida, um plano de amor, de realização e de felicidade para nós. Se não abrirmos o nosso coração para a oração, correremos o sério risco de morrer sem conhecer o plano que Deus tinha para nós.

 
Cuidado para não "cair pouco a pouco" Imprimir e-mail

 

Cuidado para não “cair pouco a pouco”…

 

Há na vida espiritual uma verdade de importância tal, que por todas as almas piedosas deve ser seriamente meditada.

E ei-la aqui, tal como a inspirou o Espírito Santo: quem despreza e não tem em conta as coisas pequenas, cairá pouco a pouco.

Compreende bem esta palavra: “cairá pouco a pouco”. Cairá insensivelmente, sem dar por isso, mas cairá.

Hoje, sob o pretexto de ser falta leve, consente numa mentira muito pequena; amanhã já deixa sair uma maior; e acabará por cair nas maiores desordens.

Teme, teme muito o desprezo das coisas pequenas; receia as faltas leves; olha que são d’algum modo mais perigosas do que as grandes, porque se não certamente cairás.

 “Ouso, diz São João Crisóstomo, avançar uma proposição que parecerá surpreendente e inaudita; e é que me parece que se deve pôr algumas vezes menos cuidado em fugir dos pecados grandes, do que em evitar as faltas pequenas. Das grandes, só a enormidade já inspira o horror; com as mais pequenas, por pouco consideráveis, facilmente nos familiarizamos”; este desprezo em que as temos impede-nos de fazer o devido esforço para as expelir, e assim por negligência nossa vão crescendo até chegar ao estado de não podermos desfazer-nos delas.

Repito: teme as faltas pequenas, teme-as e evita-as, pois, por pequenas que sejam, nem por isso deixam de ofender menos o nosso bom Mestre; teme e evita as faltas leves, porque à tibieza nos conduzem: teme as faltas leves porque Jesus Cristo disse, “quem nas coisas pequenas é fiel, sê-lo-á também nas grandes, e quem nas pequenas é injusto, injusto será nas grandes”.

Vela hoje muito sobre ti mesmo, e esforça-te para viver hoje de modo que à noite possas dizer a Jesus: “Meu bom Mestre, hoje não me acusa a consciência de falta alguma inteiramente voluntária; bendito sejais, pois foi a vossa omnipotente mão quem me amparou.

Suplico-vos que queirais perdoar toda e qualquer falta que por fragilidade me haja podido escapar; amanhã hei de fazer todos os esforços para viver melhor ainda”.

Fonte: retirado do livro “As chamas do Amor de Jesus” do Abade D. Pinnard.

 
7 pecados que "deixaram de ser pecados" Imprimir e-mail

7 pecados que "deixaram de ser pecado"

O mundo actual, com o seu ritmo de vida acelerado, com um maior acesso à informação e às novas tendências, parece ter deixado de lado a contrição e considera que o pecado e o inferno já não existem. Mas isso não é verdade.

O pecado é algo sério, o inferno existe e é o destino dos pecadores que não se arrependem. São Paulo disse: “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis.” (1 Coríntios 6, 9)

Entretanto, devemos ter esperança, pois, por meio da graça de Deus, podemo-nos apartar dos nossos pecados e encontrar a salvação em Jesus Cristo. Mas, antes de mais, devemos reconhecer os nossos pecados e que precisamos de ser salvos. A partir do momento em que tenhamos uma vida nova em Cristo, a vida cristã começa e somos chamados a colaborar com a graça de Deus para crescer em santidade.

Lista dos pecados que o mundo considera “normais”, mas que devemos levá-los a sério:

1) A mentira

 “O que aconteceria se a pessoa nunca descobrisse? Que tal se for apenas por conveniência? Ou que tal se for para conseguir um bem maior?”

Não. Mentir é mentir e está mal. Mentir é dizer uma falsidade com a intenção de enganar e sempre está mal porque é uma ofensa contra a verdade, que é Cristo (João 14, 6). A mentira é a língua nativa do demónio, a quem Jesus chama “o pai da mentira” (João 8,44). O livro da Sabedoria adverte: “a mentira destrói a tua alma” (Sabedoria 1,11).

2)  Imoralidade sexual

 “Foge da imoralidade sexual!” (Coríntios 6, 18).

Mas, por que é que não podemos fazer o que queremos com o nosso corpo? Enquanto a pessoa estiver de acordo, vale tudo?

Não. São Paulo diz: “Foge da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6, 18-20).

Nós não podemos pecar contra o nosso próprio corpo. Deus criou-nos e formou a nossa sexualidade com dignidade, valor e ordem, a qual deve ser respeitada e querida. Recordemos que Cristo pregou sobre a luxúria no coração: “Não cometerás adultério. Mas eu vos digo que qualquer pessoa que olhe para uma mulher com luxúria já cometeu adultério com ela no seu coração”.

3) Roubo

 “Não furtarás.” (Êxodo 20, 15)

Roubar é tomar posse de algo que não nos pertence. Isto pode incluir também, consoante o caso, coisas que se encontram na internet. Este pecado inclui também pedir coisas emprestadas e depois não as devolver.

4)  Alcoolismo

O álcool é um maravilhoso dom de Deus. Jesus converteu a água em vinho e os monges cristãos estavam acostumados a fazer a melhor cerveja do mundo.

Mas beber muito até ao ponto de se embriagar e perder o controle é um pecado: “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus?” (1 Coríntios 6, 9-10). “Não se embriaguem com vinho, porque isso é libertinagem”.

5) Gula

Obviamente, precisamos de comer, há um tempo para festejar e a comida pode ser desfrutada maravilhosamente. Mas, assim como o álcool, tudo deve ser desfrutado com moderação. A gula é um amor incontrolável pela comida e não só pode trazer sérias consequências à sua saúde, como também para a sua alma.

 “Porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado e agora o digo a chorar, que se portam como inimigos da cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo deus é o ventre, para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno” (Filipenses 3, 18-19).

6) Vingança

A justiça é importante e qualquer justiça que não foi dada pelo governo será rectificada por Deus no final. Mas agora, Deus chama-nos a um plano superior:

 “Não vos vingueis uns dos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor. Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a tua cabeça. Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem.” (Romanos 12, 17, 19-21)

Também devemos guardar os ensinamentos de Jesus acerca do perdão: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai Celeste também vos perdoará” (Mateus 6, 14-15).

7) Assassinato

O assassinato é a morte voluntária e directa de uma vida humana inocente, inclusive se a pessoa for pequena e está em desenvolvimento no ventre de sua mãe; e também se a pessoa estiver em desvantagem ou estiver doente e for difícil de cuidar, ou ainda se a pessoa for idosa e não tiver muito tempo de vida.  O aborto e a eutanásia são cada vez mais aceites e praticados na nossa sociedade.

O assassinato é uma ofensa contra Deus porque os seres humanos foram feitos à Sua imagem e semelhança (Génesis 1,27).

Quem tiver cometido algum destes pecados, arrependa-se e peça perdão - confessando-se a um sacerdote - e aceite a misericórdia de Deus.

adaptado de Aci Digital

 
Como seria o mundo sem religião? Imprimir e-mail

 

Já pensaste como seria o mundo sem religião? 

 

O mundo não pode existir sem religião a menos que deixe de existir o ser humano

A Igreja afirma que “a pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual” (Catecismo, n. 362). Sendo o homem um ser também espiritual, ele, naturalmente, é impelido ao transcendente, isto é, para aquilo que é superior a ele mesmo. Isto acontece, em particular, por meio da religião.

O francês Blaise Pascal, matemático, físico, inventor, filósofo e teólogo católico, ao falar sobre religião, expressou-se da seguinte maneira: “Os homens desprezam a religião, odeiam-na e temem que seja verdadeira. Para acalmá-los, é preciso começar mostrando que a religião não é contrária à razão, que é digna de veneração e de respeito; em seguida, torná-la amável, fazer com que os bons desejem que seja verdadeira, digna de veneração, pois conhece exactamente o homem; e amável, porque promete o verdadeiro bem”.

Diz o filósofo alemão Friedrich Hegel: “Tudo aquilo no que o homem procura a sua vocação, as suas virtudes e a sua felicidade, de onde a arte e a ciência retiram o seu orgulho e a sua fama, as relações ligadas à sua liberdade e à sua vontade: tudo isto tem o seu ponto central na religião, no pensamento, na consciência, no sentimento de Deus. Ele é o ponto de partida e o ponto de chegada de tudo, onde tudo começa e ao qual tudo retorna. […] Dado que Deus é o princípio e o termo do agir e do querer, então todos os homens e povos têm consciência de Deus, da substância absoluta como verdade, que é a verdade em si mesmo” (F. W. Hegel)

Forte presença da religião

O fenómeno da religião abrange toda a humanidade em tempo e espaço. Não está presente somente nesta ou naquela cultura particular, neste grupo social de determinada época histórica. Não! Trata-se de um fenómeno universal, pois está presente em todo o mundo independente da época ou contexto social.

Alguns nomes de grandes autores incluindo teólogos, filósofos, historiadores, entre outras áreas do saber, que falam sobre a religião.

Aristóteles, que disse: “Todos os homens estão convencidos de que os deuses existem”. Clemente de Alexandria escreveu: “Não há nenhum tipo de agricultor, de cidadão que possa viver desprovido de fé num ser superior”. Bergson faz a seguinte observação: “Houve, no passado e há ainda hoje, sociedades humanas que não têm ciência, arte nem filosofia. Mas não existe nenhuma sociedade sem religião”. No mesmo sentido, exprime-se Van der Leeuw: “Não há povo sem religião. No início da história, não encontramos nenhum indício de ateísmo. A religião está sempre presente, em todos os lugares”. Recentemente, N. Bobbio escreveu: “O homem continua a ser um ser religioso, apesar de todos os processos de demitização, de secularização, e de todas as afirmações da morte de Deus, características da idade moderna e, sobretudo, da idade contemporânea’” (Batista Mondin, p. 50).

A busca por Deus

Isto é tão verdade, que, mesmo antes do Judaísmo, Islamismo e, posteriormente, o Cristianismo, em todas as culturas existe a busca pelo divino. O culto a Deus ou aos outros deuses fez parte da história da humanidade. Isso prova que o homem, por natureza, é um ser religioso. Busca religar-se com o transcendente, pois percebe que a sua existência vai além da matéria, e, acima de tudo, sabe que existe um ser que lhe é superior.

A etimologia da palavra ajuda na compreensão. “O termo ‘religião’ vem do latim religare, que significa ligar, unir. De facto, a religião é um conjunto de mitos (relatos, textos sagrados, símbolos), ritos (preces, acções, sacrifícios) e normas (mandamentos, preceitos, regras) com o qual o homem exprime e realiza os seus contactos com Deus” (Batista Mondin, p. 48).

Tendo em vista que a religião é um fenómeno exclusivamente humano e não existe humanidade sem religião, vale perguntar qual a sua importância. Entre muitas relevâncias, vale salientar algumas.

Pode-se constatar que a religião leva o homem a compreender a sua origem e, ao mesmo tempo, o seu destino. “Deus, infinitamente Perfeito e Bem-aventurado em si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para o fazer participar da sua vida bem-aventurada. Eis por que, desde sempre e em todo o lugar, está perto do homem.

Chama-o e ajuda-o a procurá-lo, a conhecê-lo e a amá-lo com todas as suas forças” (Catecismo, n.1). Existe uma atracção natural do homem para Deus. Somente n’Ele o ser humano é capaz de saber de onde veio e para onde vai.

Religião

A verdadeira religião, fundamentada em Cristo, promove o respeito e o amor ao próximo. Traz consigo alguns legados, entre eles está: cria um sendo ético nas pessoas, evita a violência e, consequentemente, diminui a criminalidade. Além do mais, a religião dá sentido à vida do homem. É por isso que o ateísmo, neste caso, aparece como um grande mal, leva o ser humano a perder as suas esperanças, leva-o a viver como se estivesse morto. A vida não passa de um momento que em breve acabará. Aqui está o grande problema do ateísmo, as pessoas perdem o sentido de ser, de existir, sobretudo, o sentido de viver.

A religião dá ao homem asas que precisa para alçar voo e chegar ao sentido da sua vida e da sua existência. O homem religioso está, constantemente, voltado para o seu futuro, pois sabe que o tempo breve, neste mundo, não pode ser comparado com o que há de vir.

Em suma, sendo a pessoa um ser corporal e espiritual, um mundo sem religião seria incapaz de responder aos anseios existenciais de cada ser humano. Nenhuma ciência, por mais importante e necessária que seja, não substitui a religião. Enquanto houver um homem na Terra, haverá, da mesma forma, a religião.

 
Como celebrar a Palavra quando não há sacerdote ou diácono Imprimir e-mail

 

Como celebrar a Palavra quando não há um sacerdote ou diácono 

 

Orientações para a celebração da Palavra de Deus

A Eucaristia é, por excelência, a celebração do Dia do Senhor. O Catecismo da Igreja Católica prescreve: “O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor: ‘Aos domingos e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da Missa’. Satisfaz o preceito de participar dela quem a assiste segundo o rito católico no próprio dia da festa ou à tarde do dia anterior” (CIC 2180). A Celebração da Palavra não deve ser confundida com a Missa.

Não confundamos nunca essas celebrações com a Eucaristia. Missa é Missa. Celebração da Palavra, mesmo com a distribuição da comunhão, não deve levar o povo a pensar que se trata do Sacrifício da Missa. É errado, por exemplo, apresentar as oferendas, rezar o Cordeiro de Deus e dar a bênção própria dos ministros ordenados.

O ideal seria que todas as comunidades pudessem participar da Missa, contudo, a realidade que vivemos não é essa. Muitas comunidades não têm acesso à Celebração Eucarística presidida por um ministro ordenado. Muitas delas encontram-se em regiões distantes que não permitem aos fiéis irem a uma igreja. O que fazer em tais casos? Qual a orientação da Igreja?

Vejamos o que diz a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia: “Promova-se a celebração da Palavra de Deus nas vigílias das festas mais solenes, em alguns dias feriais do Advento e da Quaresma e nos domingos e dias de festa, especialmente onde não houver sacerdote. Neste caso, será um diácono ou outra pessoa delegada pelo bispo a dirigir a celebração” (SC, 35.4).

O diretório diz: “Quando em alguns lugares não for possível celebrar a Missa aos domingos, veja-se primeiro se os fiéis não podem deslocar-se à Igreja de um lugar mais próximo e participar ali da celebração do mistério Eucarístico.

Quando a celebração da Missa dominical não é possível, é muito recomendada a celebração da Palavra de Deus, seguida da comunhão Eucarística. Mas, é necessário que os fiéis percebam, com clareza, que tais celebrações têm simplesmente carácter supletivo e não venham a considerá-las como a melhor solução para as actuais dificuldades ou concessão feita à comodidade.

Por isso, as celebrações dominicais, na ausência do presbítero, nunca podem realizar-se aos domingos naqueles lugares onde a Missa já foi ou vier a ser celebrada nesse dia, ou tiver sido celebrada na tarde do dia anterior, mesmo noutra língua”.

A celebração dominical na ausência do presbítero é orientada por um diácono que a preside ou, na sua falta, por um leigo designado pelo pároco.

Na Celebração da Palavra, sejam valorizados os seguintes elementos: 1) Reunião em nome do Senhor; 2) Proclamação e actualização da Palavra; 3) Acção de Graças; e 4) Envio em Missão.

Com o seguinte esquema:

1. Ritos iniciais: Saudação, acolhimento, introdução no espírito da celebração, rito penitencial. Quem preside conclui os ritos iniciais com uma oração;

 2. Leitura, Salmo e Evangelho;

 3. Partilha da Palavra de Deus;

 4. Profissão de Fé;

 5. Oração dos Fiéis;

 6. Momento de Louvor: não deve ter, de modo algum, a forma de Celebração Eucarística.

 7. Oração do Senhor – Pai Nosso;

 8. Abraço da Paz;

 9. Comunhão Eucarística: Nas comunidades onde se distribui a Comunhão durante a Celebração da Palavra, o Pão Eucarístico pode ser colocado sobre o altar antes do momento da ação de graças e do louvor, como sinal da vinda do Cristo, Pão Vivo que desceu do Céu;

 10. Ritos finais.

 
3 pecados que cometemos quando comunicamos Imprimir e-mail

 

3 pecados que cometemos quando comunicamos 

Num discurso aos jornalistas, o Papa Francisco identificou o que ele chama de “pecados da comunicação”. A Sua palestra foi especificamente sobre como a média se comunica, mas a lição aplica-se a todos nós. De acordo com Francisco, aqui estão os três erros que cometemos quando nos comunicamos, juntamente com formas de abordá-los nas nossas próprias vidas:

Desinformação

Não é uma informação mentirosa. É partilhar apenas um lado do argumento e deixar qualquer outra informação de fora. Isto realmente é mais insidioso do que mentir, porque é muito mais fácil de justificar. Eu sei que posso, com uma consciência limpa, falar com os outros de tal forma que as minhas próprias acções pareçam razoáveis ​​e perfeitamente justificadas, mas isso é só porque deixei muita informação de lado. Estou realmente apenas a comunicar metade da história. No final, a desinformação distorce a verdade tanto como a mentira.

Em vez de desinformação, vamos falar com clareza e total honestidade. Pode ser mais humilde admitir a nossa parte num conflito, mas, em longo prazo, ser sincero e reconhecer toda a verdade levará a uma linha de comunicação muito mais saudável.

Calúnia

Calúnia é a descrição sensacionalista das acções do outro, ou um exagero sobre as suas palavras e motivos. É tentador caluniar porque faz com que a nossa própria resposta pareça mais restrita, mas leva a ferir sentimentos e, no seu extremo, leva-nos a desumanizar os outros e transformá-los em inimigos com os quais não podemos nem nos devemos comprometer.

Em vez de caluniar, podemos manter-nos a um nível de precisão na forma como falamos sobre os outros. Com toda a honestidade, o que é que essa pessoa realmente disse? Qual o motivo mais positivo que posso atribuir às suas palavras e acções? Se usarmos o que Francisco chama de “palavras cuidadosamente ponderadas e claras” quando falamos dos outros, manteremos as linhas de comunicação abertas.

Difamação

A difamação é o hábito de trazer de volta à luz falhas obsoletas ou erros passados. Eu difamo alguém quando menciono sempre as suas falhas. Posso dizer a verdade sobre essa pessoa, mas a própria comunicação é desnecessária e prejudicial. Sempre que faço isto, mais tarde percebo que fiz isso para aliviar os meus próprios sentimentos de culpa e para fazer eu sentir-me melhor, mas não é justo trazer os erros do passado para ganhar discussões ou seguir o meu caminho.

Em vez de difamar os outros, tenhamos o hábito de falar positivamente sobre eles. Eu criei uma regra para mim. Sempre que uma pessoa é mencionada durante uma conversa, as primeiras palavras da minha boca em resposta devem ser algo positivo sobre essa pessoa. Ao longo do tempo, essa regra tornou-se um hábito e ficou cada vez mais fácil. Talvez o resultado mais surpreendente para mim foi que à medida que os meus hábitos de comunicação mudaram, a maneira como eu realmente penso sobre as pessoas tornou-se mais positiva também.

Estas são as lições que ensino às minhas filhas enquanto trabalhamos na formação de hábitos positivos de comunicação, e elas são úteis para mim também quando preciso de me comunicar com os outros e, caso haja algum desentendimento, isso mantém uma relação civilizada. O seu progresso e o meu são prova de que uma comunicação positiva e construtiva é muito possível.

 
Estou a viver uma crise de fé. O que devo fazer? Imprimir e-mail

 Estou a viver uma crise de fé. O que devo fazer?

 

Doenças, divórcios, sofrimentos e desemprego podem ser algumas das tentações que o inimigo utiliza para fazer com que as pessoas duvidem da acção amorosa de Deus

A fé do cristão é o combustível que o faz transcender os obstáculos e permanecer firme em Deus. Todo o ser humano enfrenta lutas e sofrimentos, mas existe uma diferença entre o crente e o descrente: o sentido da existência humana. O cristão crê que, após vivenciar as provações terrenas, em Deus ele será recompensado com a salvação eterna. O descrente vive fugindo das provações, pois deseja viver uma vida terrena sem lutas, somente com bonança, saúde, dinheiro e felicidade. A vida sem fé conduz a pessoa à perda do sentido da sua existência.

Na Palavra de Deus, encontra-se a seguinte definição: “A fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se vêem” (Hb 11,1). Ou seja, a pessoa espera, com uma certeza que não tem explicação humana, por algo que não é palpável.

O Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 153, afirma: “A fé é uma graça, um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele”. Portanto, é um presente do Senhor para os Seus filhos, é a via que conduz o homem a Deus.

Se a fé é essencial para alcançar o céu, então, o inimigo fará de tudo para arrancá-la das pessoas. “A fé pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos, muitas vezes, parece estar bem longe daquilo que a fé nos assegura; as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa Nova; podem abalar a fé e tornar-se para ela uma tentação” (CIC número 165).

Doenças, divórcios, sofrimentos e desemprego podem ser algumas das tentações que o inimigo utiliza para fazer com que as pessoas duvidem da acção amorosa de Deus. Sendo assim, inicia-se um processo de afastamento do Senhor, experimenta-se uma crise de fé na qual a existência de Deus é questionada.

Passos para superar a crise

Primeiro: pedir ajuda para pessoas que sejam maduras na fé, como um padre, um director espiritual ou alguém que seja referência. Ser muito transparente e livre nas suas questões, abrir-se para ouvir os seus conselhos.

Segundo: Sair do foco para viver, nos bastidores, o combate espiritual. Para quem é líder na Igreja, pode ser tempo de ceder o “cargo” para que outra pessoa exerça a sua “função”, enquanto você passa por essa crise. Não é deixar de viver as práticas religiosas nem as actividades missionárias, mas de se cuidar, para que a luta contra o inimigo não seja desleal.

Terceiro: contar com o apoio de pessoas que, realmente, o amam e não o julgam. É uma crise que passará, e se for bem vivida, produzirá bons frutos de salvação. Deixe as pessoas dizerem o que elas quiserem, não se deixe levar pelos comentários e julgamentos, mas compreenda que, no fim da vida, o seu julgamento será entre você e Deus.

Quarto: é importante compreender que Deus nunca violará as leis humanas e a liberdade que Ele mesmo deu aos seus filhos. Exemplo: para o marido voltar para casa, após ter abandonado a esposa, é preciso que ele queira voltar e faça esse caminho de volta. Deus não vai forçá-lo a fazer isso.

Outro exemplo: para que a doença seja curada, é preciso que o tratamento pedido pelos médicos seja realizado. Se Deus quiser curar instantaneamente, é mistério de fé. É importante, no entanto, que o doente, na sua liberdade, escolha fazer todo o processo solicitado pelos médicos.

Deus ama-me e consola-me

Mediante todas as orações não atendidas e as lutas vivenciadas, tenha uma certeza de fé: Deus ama-o e consola-o. A maturidade na fé acontece quando nós crentes aprendemos que Deus não é obrigado a fazer as nossas vontades quando desejarmos. O que precisamos é do amor e consolação d’Ele, pois “o justo viverá pela fé” e “perseveramos na fé para a nossa salvação” (Hb 10,38-39).

 
As qualidades que um líder cristão deve ter Imprimir e-mail
 

As qualidades que um líder cristão precisa de ter

 

A vida de oração precisa de ser o norte do líder cristão

Certa vez, o meu bispo perguntou–me por que é que um determinado grupo de oração na diocese atraía tanta gente. Eu respondi que era porque tinha um programa bem planeado para o ano inteiro e também um notável coordenador, apoiado por um núcleo unido e cheio de dons.

Um líder cristão deve ser, sobretudo, um homem ou uma mulher de visão, assim como toda a congregação religiosa começou com uma pessoa que teve a visão do que Deus queria que ele ou ela fizesse, e que depois atraiu as pessoas a trabalharem juntas para implementarem essa mesma visão, que depois foi realizada por intermédio de uma variedade de obras e instituições. Infelizmente, tem acontecido, hoje, que só as obras e as instituições permaneceram, enquanto o espírito da comunidade se foi enfraquecendo gradualmente, e aquela visão do início tornou-se, há muito tempo, uma relíquia do passado.

O que um líder precisa de ter

Um líder precisa de ter, obviamente, o poder de liderar, de atrair outros para o acompanhar, tanto pelo que diz e faz como pelo que ele é, como os fundadores das congregações religiosas. Isto por si só, porém, não é o suficiente, porque o poder pode corromper e um líder pode tornar-se como os nossos ditadores modernos ou chefes de seitas, que levam os seus seguidores à destruição e até mesmo ao suicídio em massa. Mas um líder deve ter também a humildade de um seguidor, suficientemente gentil para reunir pessoas ao redor dele, fazendo-as sentir o seu valor e motivando-as a trabalhar juntas, delegando-lhes o seu poder.

Isto é bem diferente de muitos grupos cristãos que continuam a multiplicar-se feito cogumelos, por causa de uma luta interior de poder e da falta de coerência interior. Acima de tudo, um líder precisa de ser uma pessoa de visão e discernimento, que não apenas tem os seus “seguidores” atrás dele e com ele, mas que também os conduz confiante e alegremente para o que está à frente dele: o Reino de Deus e a Sua Glória, pois “por falta de visão o povo vive sem freios” (Prov 29,18).

Homens e mulheres segundo a Palavra de Deus

O que torna autêntica, portanto, a visão de um líder para o trabalho do seu grupo de oração ou do seu ministério para a liderança do seu núcleo e para ele mesmo na sua posição como líder principal é o carisma de discernimento. Este é um dom do Espírito Santo, pelo qual a pessoa tem a capacidade de discernir se as mensagens e as visões, as decisões e as acções que afectam o trabalho do grupo ou do ministério, e as vidas pessoais dos seus membros, estão de acordo com a vontade de Deus, embora pareçam muito santas e religiosas. É preciso questionar-se: são verdadeiramente inspiradas pelo Espírito Santo ou são resultados de preconceitos pessoais, gostos ou desprezos, trazendo à tona o que é apenas do espírito humano, ou até da influência do espírito maligno sob o disfarce de um anjo de luz? O próprio apóstolo Paulo não se surpreendeu que mesmo satanás coloque a máscara de um anjo de luz (cf. II Cor 11, 14).

Para se abrir ao carisma do discernimento e para crescer nele, o líder deve ser um homem ou uma mulher da Palavra. Como o Mestre, a Palavra feita carne, o líder deve de certa forma encarnar a Palavra de Deus nos seus ensinamentos e decisões, pois, talvez, a única Bíblia que muitos lerão ou ouvirão seja a “Bíblia aberta” que eles vêem nele. Como líderes devemo-nos comprometer em ler a Sagrada Escritura diariamente e, como a Santíssima Virgem Maria, guardá-la, meditá-la e deixá-la produzir frutos na nossa vida, tornando-nos sal da terra e luz no alqueire.

 
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O que é o voto íntimo ou o voto secreto? 

 

O que seriam os votos íntimos que fazemos ao longo da vida

 

Muitos de nós já vivemos a realidade de termos feito algum tipo de voto íntimo ou o que muitos chamam voto secreto, ao longo da nossa vida. “Se,​ ​portanto,​ ​o​ ​Filho​ ​vos​ ​libertar,​ ​sereis​ ​verdadeiramente​ ​livres”.​ ​(Jo​ ​8,36).

A primeira coisa importante a saber é de que, de facto, se trata a realidade de um voto íntimo ou voto secreto. Todo o voto é um tipo de compromisso, uma aliança, um pacto que estabelecemos diante de uma situação ou até mesmo de uma pessoa. Uma vez estabelecido esse compromisso, essa aliança, acabamos por nos deixar influenciar por eles de alguma forma.

Em geral, os votos íntimos estão sempre relacionados a acontecimentos traumáticos da nossa história ou a situações de sofrimentos que vivemos. Por causa desses acontecimentos dolorosos, estabelecemos, conscientemente ou não, uma aliança com aquela situação de dor. Essas situações, de certa forma, deixaram-nos marcas interiores, e, conforme o tempo foi passando, pode parecer até que deixamos esses traumas para trás, que nos esquecemos deles, mas se eles não foram resolvidos interiormente em nós, não conseguiremos ser homens e mulheres plenamente livres.

Memórias do passado

Viveremos o tempo presente, mas com um passado vivo, ferido e permanente dentro de nós. Um passado que, ao ser relembrado, nos traz ainda a mesma dor dos sentimentos e das emoções do tempo em que fomos feridos.

Para nós, que trabalhamos com a realidade da oração de cura e libertação, sabemos que os acontecimentos dolorosos, os sentimentos e emoções são tão reais, hoje, nessas pessoas, como foram no passado quando ocorreram. E isso as faz, de certo modo, escravas do passado.

Estas situações de dor não resolvidas vão nos descaracterizando, ferindo a nossa real identidade. Nesses momentos é que estabelecemos os votos íntimos, os quais permanecem dentro do nosso subconsciente. Mesmo guardados ali, estão vivos.

Quando, por algum motivo, no momento presente, vivemos alguma realidade que seja parecida com a situação de dor que vivemos no passado, é como se abríssemos aquela gaveta e experimentássemos tudo de novo, com a mesma intensidade.

Há pessoas que, quando criança ou adolescente, por exemplo, experimentaram, em casa, a traumática experiência de ver o casamento do pai e da mãe ser destruído pelo álcool e pela violência. Aquele adolescente, ao ver a sua mãe a apanhar do seu pai, disse para si mesmo: “Eu​ ​não​ ​acredito​ ​no​ ​casamento!​ ​Eu​ ​nunca ​quero​ ​​​casar!”

Isto foi, na verdade, um voto íntimo, pois a pessoa experimentou toda a dor da violência dos seus pais e aquilo feriu-a interiormente e não foi resolvido; ficou uma ferida. Pode acontecer que, quando esta pessoa crescer e começar a relacionar-se afectivamente com outra, iniciar um namoro, possa perceber que, até determinado ponto do relacionamento, tudo vai bem, mas, quando o relacionamento se tornar mais sério e começarem a conversar sobre um possível casamento, essa pessoa não conseguirá ir para frente com o namoro. Poderá dizer até mesmo que, por algum motivo, deixou de gostar da (o) namorada (o). Na verdade, o que está a acontecer, dentro dela, é que aquela situação de dor não resolvida e guardada, juntamente com aquele voto íntimo que ela fez, dizendo que “nunca​ ​se​ ​casaria”​, está a vir para fora novamente. Ela abriu a gaveta da situação dolorosa que a marcou, e agora, de maneira inconsciente, precisa de cumprir o voto, o pacto que fez consigo mesma. Para isso, precisa de terminar o namoro, senão, ele a colocará frente a frente com o matrimónio.

O problema é que há diversos tipos de votos íntimos que vamos fazendo e que podem, realmente, influenciar a nossa vida, mas nem percebemos que uma coisa está ligada a outra. Vamos criando pactos íntimos e carregando-os como jugo na nossa vida, como se tivéssemos o compromisso com tal ato!

Nunca diga nunca!

De certa forma, todo o voto íntimo pode trazer algum tipo de consequência, principalmente quando está ligado a uma situação de dor, mágoa, tristeza ou decepção. Isto pode reflectir-se mais claramente na nossa vida, por exemplo, quando dizemos:

“Nunca mais vou amar ninguém”

 “Nunca mais vou confiar em homem/mulher algum”

 “Nunca vou conseguir engravidar”

 “Nunca serei feliz com esta pessoa”

“Não vou conseguir nunca dirigir um carro!”

 “Eu não presto para nada”

 “Eu sou muito burro!”

Um outro exemplo é de uma jovem apaixonada por um rapaz e quer muito casar com ele, mas, por situações adversas, o relacionamento acaba por ser rompido. Esta jovem, ainda apaixonada, diz: “Se​ ​eu​ ​não​ ​me​ ​casar​ ​com​ ​ele,​ ​​não​ ​me​ ​casarei​ ​com​ ​mais​ ​ninguém”.

Nesta afirmação, ela fez um pacto consigo mesma, estabelecendo o seu voto íntimo. Depois disso, é possível perceber que esta moça somente consegue relacionar-se e apaixonar-se por pessoas erradas ou com rapazes que não queiram casar com ela. Isto porque, no seu subconsciente, relacionar-se com pessoas erradas é uma forma de não conseguir casar, cumprindo, assim, aquilo que ela determinou para a sua vida, que só se casaria com aquele antigo namorado.

Deu para entender? Ficou claro?

Acabamos por assumir estes votos como verdades, que ficam guardadas no nosso subconsciente, e, de uma hora para outra, poderão vir à tona, causando-nos grandes prejuízos! Há pessoas que acabam por determinar toda a sua vida em cima desses votos íntimos que fizeram; e, às vezes, vêem-se sem forças para sair dessas situações.

Qual é o caminho para a libertação dos votos íntimos?

O primeiro passo importante é fazermos uma averiguação e identificarmos se, na nossa história de vida, houve momentos de dores, sofrimentos, raivas, mágoas ou tristezas, que nos fizeram intimamente estabelecer um pacto com aquilo que afirmamos contra nós mesmos.

Uma vez que conseguirmos identificar isto, é necessário, agora, que o nosso passado, ainda vivo, seja re-significado dentro de nós, reescrito. Isto acontece sempre pela luz do Espírito Santo, que nos ajuda a reconciliarmo-nos com a nossa própria história, a perdoarmos a nós mesmos, perdoar às pessoas e até mesmo a necessidade de perdoar ao próprio Deus. Este caminho de reconciliação com a nossa própria história é um passo fundamental para a libertação completa.

Após essa reconciliação, é necessário que a oração coloque tudo no seu devido lugar novamente. É preciso, por meio da oração, pedir que o Senhor quebre toda a força que essas palavras possam ter tido sobre a nossa vida, pedir que tudo aquilo que nos prendia à força dessas palavras caiam por terra. Será necessário também uma Oração de Renúncia contra esses votos, para que isso seja desvinculado da nossa vida. Assim como, pessoalmente, por causa de situações dolorosas e por meio de palavras, fazemos os votos íntimos, será também por conta da ação do amor de Deus e por meio das nossas palavras que esses votos serão desfeitos.

Depois destes passos, é necessário que tenhamos, agora, a força e a determinação de superarmos o que antes, para nós, seria impossível. Começamos a perceber que, sobre determinadas situações que nos paralisavam, e talvez nos deixem em pânico, temos outros sentimentos e reacções. É claro que pode surgir o medo ou receio de não conseguirmos, mas podemos ver que haverá uma força para enfrentarmos e superarmos tal situação. Força essa que, antes, achávamos que não tínhamos.

Este, portanto, é o caminho que precisamos de trilhar para a nossa completa libertação dos votos íntimos. Que o Espírito Santo o ilumine e inspire.

 
Uma grávida morre num acidente. Onde está Deus? Imprimir e-mail

 

Uma grávida morre num acidente. Onde está Deus numa experiência sem sentido como esta?

 

“Não fique triste, a mamã está no céu”. É uma frase bonita, mas não o bastante para consolar alguém que não encontra sentido em certos acontecimentos

 

Ser honesto com uma pessoa desesperada ou sem esperança pode ser uma falta de tacto ou certa amostra de crueldade.

 

 “A verdade vos fará livres”, diz o Evangelho. Mas Sófocles também argumentou: “É terrível saber a verdade quando ela não serve à pessoa informada”.

 

Há pessoas extremamente justas na sua integridade; tão honestas que se tornam desonestas. A honestidade não depende do sentido. Quem poderia imaginar que se alguém é muito focado na integridade é capaz de causar dano a si mesmo?

 

Sim, uma honestidade exagerada pode amargar a vida de alguém e até destruir relações. No entanto, uma pessoa íntegra quer ser honesta, ou seja, conhecer o outro de verdade.

 

A existência do sentido exclui o sem sentido? E o sem sentido pode ter sentido?

 

Uma mulher jovem morre e dizemos ao filho dela: “não fiques triste, a mamã está no céu, ela está bem ali”. É uma boa frase, mas não o bastante para um consolo verdadeiro.

 

Com muita facilidade e rapidez, tratamos de dar sentido a todas as experiências. E não é em tudo que se pode encontrar. Há acontecimentos e decisões humanas que não fazem sentido, e não é certo tentar buscá-lo.

 

Foi impressionante o caso de uma mulher jovem que morreu quando estava no último mês de gravidez. Foi terrivelmente absurdo: morreu num acidente automobilístico causado por dois jovens, devido à irresponsabilidade e descuido deles. Eles também presenciaram a morte da mulher e ficaram atordoados.

 

O que não tem sentido cria mais ideias sem sentido. A maneira imprudente de dirigir dos jovens causou uma tragédia. A pessoa que vive ou age de forma que não tem sentido pode provocar um incidente sem sentido.

 

Onde está Deus quando alguém passa por uma experiência sem sentido?

 

Ele está perto de quem sofre esta experiência. Deus apresenta-se em forma de um sentido. O acontecimento em si não tem sentido, mas o significado acompanha o homem, pois Deus nunca abandona um ser humano. Nem a mulher que morre no meio do caminho.

 

Ele viajou com Edith Stein a Auschwitz. Deus esteve na câmara de gás com ela. Matar uma mulher só porque ela era judia foi o cúmulo do sem sentido. No entanto, desta morte sem sentido surgiu um sentido. Este é o grande mistério.

 

Na cruz, Jesus experimentou a maior insensatez que se poderia imaginar. Mas Ele mesmo demonstrou que o sentido é maior que o sem sentido. O sentido derivou daquilo que não tem sentido. No entanto, creio que é preciso ser cuidadoso ao tentar encontrar o sentido no que não tem sentido.

 

Deve-se buscar sentido no pecado?

 

O pecado é uma negação do sentido. E vai além: choca-se contra o sentido, trata de o destruir.

 

Cristo é como nós em tudo (menos no pecado). Ele não está no nosso pecado, mas está perto dos que pecaram. Está no sofrimento que conduz à falta de sentido. Está na nossa dor. Está no seu núcleo. Talvez, o próprio Cristo seja a nossa dor.

 

Cristo não anula a inutilidade do pecado e não menospreza o seu lado maligno. Mas também não vira as costas ao pecador, não lhe tira o sentido.

 

Pelo contrário, Ele dá a esperança de que a vida, apesar do mal que foi cometido, pode ter sentido, pode voltar a ficar imersa no sentido.

 

Do livro: P. Krzysztof Grzywocz, Hubo sentido al principio, Editorial WIĘŹ, 2018.

 
A devoção de beijar as mãos dos sacerdotes Imprimir e-mail

A devoção de beijar as mãos dos sacerdotes

São Francisco de Assis não quis fazer-se sacerdote, porque se julgava muito indigno de tão excelsa vocação. Ele venerava os sacerdotes com tal devoção, que os considerava os seus "Senhores", pois neles via somente "o Filho de Deus", e o seu amor à Eucaristia fundia-se com o amor ao sacerdote, o qual consagra e administra o Corpo e o Sangue de Jesus. De modo particular ele venerava as mãos do sacerdote, e beijava-as sempre de joelhos com grande devoção; e beijava-lhes também os pés, e até os próprios rastos deixados por um sacerdote, que tivesse por ali passado.

São João Bosco exorta a todos com estas palavras: "Eu recomendo-vos um grande respeito para com os sacerdotes, descobri a vossa cabeça em sinal de reverência, quando falardes com eles, ou quando passais por eles no caminho, e beijai-lhes obsequiosamente a mão. Tomai cuidado para não os desprezardes, com factos ou por palavras. Quem não respeita os Ministros Sagrados, deve temer um grande castigo do Senhor".

A veneração pelas mãos consagradas do sacerdote, beijadas com reverência pelos fiéis, sempre existiu na Igreja. Basta pensar que, durante as perseguições dos primeiros séculos, um dos maiores ultrajes contra os bispos e sacerdotes consistia em amputar-lhes as mãos, para que assim não pudessem mais nem consagrar, nem abençoar. Por isso, os cristãos recolhiam aquelas mãos amputadas e, mergulhadas em aromas conservavam-nas como relíquias.

Além disso, o beijo das mãos do sacerdote é uma expressão delicada de fé e de amor a Jesus, que o sacerdote personifica. Quanto mais fé e amor se tem, tanto mais nos sentimos impelidos a prostrar-nos diante do sacerdote e a beijar aquelas mãos "santas e veneráveis" (Cânon Romano) entre as quais Jesus se torna amorosamente presente entre nós cada dia. "Ó veneranda dignidade do sacerdote - exclama Santo Agostinho - em cujas mãos o Filho de Deus se encarna como no seio da Virgem!" E o Cura d'Ars dizia: "Dá-se um grande valor aos objectos que foram colocados, em Loreto, na tigela da Virgem Santa e do Menino Jesus.

Mas os dedos do sacerdote, que tocaram na Carne adorável de Jesus Cristo e penetraram no cálice, onde esteve o seu Sangue, e na âmbula, onde esteve o seu Corpo, acaso não são muito mais preciosos?" Talvez nem tenhamos ainda pensado nisto. Mas é assim. E os exemplos dos Santos confirmam-no.

 
8 motivos para amar os nossos inimigos Imprimir e-mail

8 MOTIVOS PARA AMAR OS NOSSOS INIMIGOS

Cada um de nós tem "inimigos" na vida. Pessoas que parecem gostar de nos magoar, de nos fazer sofrer e nos ferir. Às vezes criamos inimigos por causa de diferenças de personalidade e outras vezes porque as pessoas nos odeiam sem motivo aparente.

De facto, não importa por que tens um "inimigo", a tentativa de combater mal com mal está fadada ao fracasso e, de facto, existem 8 razões pelas quais os inimigos podem ser um factor positivo na vida. Quando entendes estas razões, podes desenvolver um entendimento mútuo ou, pelo menos, um entendimento da tua parte, que te ajudará a desenvolver melhores relacionamentos em vez de continuar o ciclo de ódio e raiva.

1. Uma lição simples sobre como conter e evitar a raiva

Sendo bem honestos: os nossos inimigos são as melhores pessoas para nos ensinar autocontrole e como dominar a raiva. Embora seja verdade que os nossos "inimigos" têm maneiras de nos irritar, isso é exactamente o que nos pode ajudar a lidar melhor com a emoção negativa. Afinal de contas, não podemos ficar irritados para sempre com pessoas que são importantes para nós e que queremos amar. Além disso, muitas vezes acabamos por nos sentir culpados por causa dos sentimentos de raiva que temos por causa deles.

Para fazer isto da maneira mais eficiente, tenta entender o que te incomoda na atitude do teu "inimigo" em relação a ti e, só depois de entender conscientemente, serás capaz de lidar com a raiva de uma maneira melhor e mais saudável. Pensa nos teus adversários como terapeutas que te ajudam a lidar com as emoções negativas com as quais não queres lidar ou que não consegues lidar sozinho.

2. Aproveita a oportunidade para manter uma competição saudável

Tu podes não ver desta maneira agora, mas os teus "inimigos" estão sempre a pensar em ti como um concorrente, e se estiveres numa situação de competição, eles podem ajudar a sentires-te ainda mais competitivo. No entanto, é importante que continues a ser tu mesmo e não te tornes desagradável e rude só para entrar na competição. Não prejudiques a ti mesmo ou aos outros, e não deixes que a tua moral se manche no processo. Se vês o teu relacionamento como uma "competição" em vez de uma "rivalidade", isso pode ajudar a reduzir a raiva ou até ensinar-te a lidar melhor com ela.

3. Críticas negativas podem ajudar a crescer

Provavelmente os teus "inimigos" não têm muitas coisas boas a dizer sobre ti; na verdade eles devem falar mal a teu respeito. No entanto, mesmo que falem com más intenções, pode haver alguma verdade nas suas palavras. Sempre que ouvires algo desagradável de um dos teus "inimigos", reflecte e tenta avaliar. Há uma chance de que o teu "inimigo" esteja a dizer algo com fundo de verdade, mas de maneira errada. Então se conseguires entender o que eles estão a tentar dizer, darás um passo significativo no teu crescimento pessoal.

4. Os teus "inimigos" podem ser os teus melhores aliados

Se decidires amar os teus "inimigos", darás o primeiro passo para desenvolver um relacionamento mais saudável e pacífico com eles. Os nossos "inimigos" nem sempre querem intencionalmente ofender-nos e, às vezes, eles só se sentem feridos por nós. Em último caso, se conseguires construir um relacionamento saudável superando as lacunas entre os dois, farás um amigo em vez de um inimigo, e todos precisamos de amigos. Esta abordagem irá ajudar-te a longo prazo, e irá proporcionar-te paz de espírito, desde que possas desenvolver uma relação cordial entre ti e eles. A barreira para isso está principalmente na tua cabeça.

5. Terás a capacidade de ver a vida de uma forma mais positiva

Quando estamos preocupados com as pessoas que se opõem a nós e com o quanto elas nos ferem, é muito difícil mudarmos os nossos pensamentos e torná-los positivos, mesmo com relação à vida em geral. No entanto, se aceitares os teus "inimigos" e entenderes que todos temos esse tipo de pessoas na vida, também deixarás de te preocupar tanto com eles e terás cada vez menos pensamentos negativos inundando a tua mente. Se além disso cultivares sentimentos de amor pelos teus "inimigos", aprenderás como entender coisas ruins e frustrantes que aconteçam contigo de uma maneira mais positiva e, assim, a forma que a tua mente interpretar as coisas boas ou ruins será influenciada por essa atitude.

6. Podes perceber que o ódio é simplesmente um mal-entendido

Às vezes criamos inimigos simplesmente por causa de um pequeno mal-entendido. É muito difícil perceber quando isso acontece, mas um pequeno mal-entendido pode colocar uma pressão sobre qualquer relacionamento; e se for um relacionamento com um inimigo, isso apenas aumentará a tensão. Se tu tentares criar um diálogo calmo entre ambos e descobrir a causa do problema, logo entenderás como consertar a situação e o teu relacionamento com a pessoa. Desentendimentos acontecem a todo o momento e tu tens que desenvolver a habilidade de resolvê-los a tempo.

7. Aprende a apreciar verdadeiramente o amor

Ter a certeza de que tens "inimigos" na vida pode ajudar-te a melhorar o teu relacionamento com pessoas que ama como elas merecem. Amor e ódio não são necessariamente sentimentos opostos. De facto, pode-se dizer que o oposto de ambos é a indiferença. Portanto, em qualquer relacionamento em que o amor exista, o ódio momentâneo ou contínuo pode surgir, e se isso acontecer, geralmente mostra que há de facto um grande amor escondido.

Entende também que, assim como sempre vão existir pessoas contra ti, também existirão aqueles que te amam. Lembra-te disso, pois essas pessoas são as que merecem o teu amor de volta. Nunca deixes o teu ódio contra os teus "inimigos" afectar o teu relacionamento com as pessoas que te amam. Caso desistas de aprender a amar aqueles que não te amam, procura demonstrar mais amor às pessoas que te são queridas.

8. Entende que tu realmente não precisas do ódio

Os nossos "inimigos" injectam um veneno nas nossas vidas que lentamente vai permeando as nossas reacções com relação a outras pessoas. Se quiseres evitar isso, precisas de entender que não precisas de carregar o peso do ódio às costas. O ódio não leva ninguém a lugar nenhum, enquanto que o amor nos leva a tentar progredir e melhorar sempre. Na jornada da vida, leva sempre uma bagagem leve de amor, em vez do peso do ódio. Isto tornará a viagem muito mais fácil.

 
3 pecados que cometemos quando comunicamos Imprimir e-mail

 

3 pecados que cometemos quando comunicamos 

 

Num discurso aos jornalistas, o Papa Francisco identificou o que ele chama de “pecados da comunicação”. A Sua palestra foi especificamente sobre como a média se comunica, mas a lição aplica-se a todos nós. De acordo com Francisco, aqui estão os três erros que cometemos quando nos comunicamos, juntamente com formas de abordá-los nas nossas próprias vidas:

Desinformação

Não é uma informação mentirosa. É partilhar apenas um lado do argumento e deixar qualquer outra informação de fora. Isto realmente é mais insidioso do que mentir, porque é muito mais fácil de justificar. Eu sei que posso, com uma consciência limpa, falar com os outros de tal forma que as minhas próprias acções pareçam razoáveis ​​e perfeitamente justificadas, mas isso é só porque deixei muita informação de lado. Estou realmente apenas a comunicar metade da história. No final, a desinformação distorce a verdade tanto como a mentira.

Em vez de desinformação, vamos falar com clareza e total honestidade. Pode ser mais humilde admitir a nossa parte num conflito, mas, em longo prazo, ser sincero e reconhecer toda a verdade levará a uma linha de comunicação muito mais saudável.

Calúnia

Calúnia é a descrição sensacionalista das acções do outro, ou um exagero sobre as suas palavras e motivos. É tentador caluniar porque faz com que a nossa própria resposta pareça mais restrita, mas leva a ferir sentimentos e, no seu extremo, leva-nos a desumanizar os outros e transformá-los em inimigos com os quais não podemos nem nos devemos comprometer.

Em vez de caluniar, podemos manter-nos a um nível de precisão na forma como falamos sobre os outros. Com toda a honestidade, o que é que essa pessoa realmente disse? Qual o motivo mais positivo que posso atribuir às suas palavras e acções? Se usarmos o que Francisco chama de “palavras cuidadosamente ponderadas e claras” quando falamos dos outros, manteremos as linhas de comunicação abertas.

Difamação

A difamação é o hábito de trazer de volta à luz falhas obsoletas ou erros passados. Eu difamo alguém quando menciono sempre as suas falhas. Posso dizer a verdade sobre essa pessoa, mas a própria comunicação é desnecessária e prejudicial. Sempre que faço isto, mais tarde percebo que fiz isso para aliviar os meus próprios sentimentos de culpa e para fazer eu sentir-me melhor, mas não é justo trazer os erros do passado para ganhar discussões ou seguir o meu caminho.

Em vez de difamar os outros, tenhamos o hábito de falar positivamente sobre eles. Eu criei uma regra para mim. Sempre que uma pessoa é mencionada durante uma conversa, as primeiras palavras da minha boca em resposta devem ser algo positivo sobre essa pessoa. Ao longo do tempo, essa regra tornou-se um hábito e ficou cada vez mais fácil. Talvez o resultado mais surpreendente para mim foi que à medida que os meus hábitos de comunicação mudaram, a maneira como eu realmente penso sobre as pessoas tornou-se mais positiva também.

Estas são as lições que ensino às minhas filhas enquanto trabalhamos na formação de hábitos positivos de comunicação, e elas são úteis para mim também quando preciso de me comunicar com os outros e, caso haja algum desentendimento, isso mantém uma relação civilizada. O seu progresso e o meu são prova de que uma comunicação positiva e construtiva é muito possível.

 
3 poderosos sacramentais para trazer na pasta ou no bolso Imprimir e-mail

 

3 poderosos sacramentais para trazer na bolsa, na pasta ou no bolso

Os sacramentais fazem parte da vida na Igreja desde o início do cristianismo, mas são vistos por muita gente, de forma errada, como uma espécie de “superstição”. De facto, ao longo dos séculos, muitos católicos têm usado os sacramentais de modo supersticioso por falta de compreensão do seu verdadeiro sentido: em vez de instrumentos da graça de Deus, eles são tratados como objectos “mágicos”, coisa que não são.

Os sacramentais servem para enriquecer a nossa vida espiritual, não para a prejudicar. Foram instituídos pela Igreja para incentivar em nós um relacionamento cada vez mais profundo com Cristo e para nos ajudar a focar na santificação de cada parte da nossa vida, inclusive nas mais singelas e quotidianas. Os sacramentais são extensões dos sete sacramentos e ajudam-nos a enxergar e acolher a graça de Deus no nosso dia-a-dia.

Um lugar onde os sacramentais são especialmente poderosos é o lar: se os usarmos com espírito de fé, os sacramentais podem-nos livrar de perigos espirituais e inspirar-nos a viver uma vida santa, dedicada a Deus na prática de cada dia.

Mas não é só em casa que podemos usá-los: também é recomendável conservar sacramentais junto a nós no nosso carro, no local de trabalho e até dentro da bolsa, da pasta, da mochila ou mesmo do bolso!

É o caso dos seguintes:

Água benta

É suficiente um pequeno frasco, que seja fácil e prático para transportar no dia-a-dia.

A água benta tem o duplo significado de nos lembrar o nosso batismo e simbolizar a limpeza espiritual. É usada inclusive em exorcismos: o diabo não suporta a água benta porque é inteiramente impuro, imundo para toda a eternidade. Ela evoca a água que fluiu do lado de Cristo, símbolo do baptismo, e traz à mente o dia da derrota do diabo: a crucificação de Cristo para nos redimir do pecado e nos oferecer a salvação.

Um antigo costume era fixar recipientes com água benta em algumas paredes da casa: podiam ser simples copos de louça, em cuja água benta cada morador da casa tocava antes de fazer o Sinal da Cruz, acolhendo assim a bênção de Deus. Era frequente que esses recipientes simples, porém dignos, estivessem fixados perto das portas, de modo que as pessoas recorressem a eles ao saírem e voltarem a casa, ou dentro dos quartos dos membros da família, como convite a manterem-se sempre puros e próximos de Deus. A água benta também ficava sempre ao alcance quando se desejava de modo especial afastar as influências do maligno.

O Crucifixo

É um dos sacramentais mais simples para se levar consigo. Um pequeno crucifixo sempre presente no seu quotidiano pode ser um poderoso lembrete do grande amor que Deus tem por nós, além de ser um sinal visível de fé para os seus colegas e amigos que tiverem a oportunidade de ver que você o usa com devoção, naturalidade e simplicidade (sem pretender exibir-se, é claro).

Um crucifixo perto de nós nos diversos ambientes mundanos do dia-a-dia pode ser um meio da graça para sacudir a nossa consciência quando nos sentimos tentados, por futilidades aparentemente banais, por actos abertamente prejudiciais à nossa saúde psicológica e espiritual. O olhar de Cristo crucificado voltado para o nosso olhar nos chama-nos de volta à verdade!

De preferência, peça a um sacerdote para lhe abençoar o crucifixo!

O Rosário

Oferecida por Maria Santíssima durante uma aparição em 1214 a São Domingos de Gusmão, a oração do rosário é uma contemplação dos mistérios da vida de Jesus, em união com Nossa Senhora, enquanto recitamos, em séries, o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória com o auxílio de uma corrente de contas ou nós, que também recebe o nome de “rosário”.

O termo vem de “rosa” e representa a oferta de rosas espirituais a Nossa Senhora. Já o nome “terço” se refere à oração de apenas uma das três partes do tradicional rosário completo, formado por quatro conjuntos de mistérios: Gozosos, Dolorosos e Gloriosos. São João Paulo II acrescentou os Luminosos, mas o termo “terço” continuou a ser usado mesmo assim.

 
Carta de um sacerdote católico para o New York Times Imprimir e-mail

Carta de um sacerdote católico para o NEW YORK TIMES

 

Caro irmão e irmã jornalista:

 

Sou um simples sacerdote católico.

Estou feliz e orgulhoso da minha vocação.

Há vinte anos que vivo em Angola como missionário.

Vejo em muitos meios de informação, sobretudo no vosso jornal, a ampliação do tema dos sacerdotes pedófilos, com investigações de forma mórbida sobre a vida de alguns sacerdotes.

Falam de um de uma cidade nos Estados Unidos dos anos '70, de outro na Austrália dos anos '80, e seguida de outros casos recentes...

Certamente isto deve ser condenado!

Vêem-se alguns artigos de jornal equilibrados, mas também outros cheios de preconceitos e até de ódio.

O facto que pessoas, que deveriam ser manifestação do amor de Deus, sejam como um punhal na vida de inocentes, provoca em mim uma imensa dor.

Não existem palavras para justificar tais acções. E não há dúvida que a Igreja não pode deixar de estar ao lado dos mais fracos e dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a protecção e a prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.

Todavia, cria curiosidade a desinformação e o desinteresse para milhares e milhares de sacerdotes que se gastam para milhões de crianças, para muitíssimos adolescentes e para os mais desvantajosos em todo o mundo!

Considero que, ao vosso meio de informação não interesse saber que, eu em 2002, passando por zonas cheias de minas, tenha devido transferir muitas crianças desnutridas de Cangumbe para Lwena (em Angola), porque nem o governo se importava, nem as ONG's estavam autorizadas. E penso que também não vos importa que eu tenha tido de sepultar dezenas de criancinhas, mortas na tentativa de fugir das zonas de guerra ou procurando regressar, nem que salvamos a vida a milhares de pessoas no México graças ao único posto médico em 90.000 Km2, e graças também à distribuição de alimentos e sementes.

Não vos interessa também saber que nos últimos dez anos demos a oportunidade de receber educação e instrução a mais de 110.000 crianças...

Não tem uma ressonância mediática o facto que, com outros sacerdotes, eu tive de fazer frente à crise humanitária de quase 15.000 pessoas guarnições da guerrilha, após a sua rendição, porque não chegavam alimentos nem do Governo, nem da ONU.

Nāo faz noticia que um sacerdote de 75 anos, Padre Roberto, todas as noites percorra a cidade de Luanda

e cuide dos meninos da rua, os leve para uma casa de acolhimento na tentativa de os desintoxicar da gasolina e que às centenas sejam alfabetizadas.

Não faz notícia que outros sacerdotes, como o Padre Stefano, se ocupem em acolher e dar proteção a crianças maltratadas e até violadas.

E nāo é de vosso interesse saber que o Frade Maiato, não obstante os seus 80 anos, vá de casa em casa confortando pessoas doentes e sem esperança.

Não faz notícia que mais de 60.000, entre os 400.000 sacerdotes e religiosos, tenham deixado a própria pátria e a própria família para servir os seus irmãos num leprosário, nos hospitais, nos campos de refugiados, nos institutos para crianças acusadas de feitiçaria ou órfãs de pais mortos por SIDA, nas escolas para os mais pobres, nos centros de formação profissional, nos centros de assistência aos seropositivos... ou, sobretudo, nas paróquias e nas missões, encorajando as pessoas a viver e a amar.

Não faz notícia que o meu amigo, Padre Marco Aurélio, para salvar alguns jovens durante a guerra em Angola os tenha conduzido de Kalulo até Dondo e no caminho de regresso à sua missão foi cravado de balas; não interessa que frade Francesco e cinco catequistas, para ir ajudar nas zonas rurais mais isoladas, tenham morrido na estrada num acidente; não importa a ninguém que dezenas de missionários em Angola sejam mortos por falta de assistência sanitária, por uma simples malária; que outros tenham morrido por causa de uma mina ao ir visitar a sua gente. No cemitério de Kalulo encontramos os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram a esta região...nenhum deles chegou a completar os 40 anos!

Não faz notícia acompanhar a vida de um sacerdote “normal” na sua vida quotidiana, entre as suas alegrias e as suas dificuldades, enquanto gasta a própria vida, sem fazer ruído, a favor da comunidade pela qual está ao serviço.

Na verdade não procuramos fazer notícia, mas procuramos simplesmente levar a Boa Nova, aquela que sem ruído iniciou na noite de Páscoa.

Faz mais ruído uma árvore que cai do que uma floresta a crescer.

Não é minha intenção fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes.

O sacerdote não é nem um herói, nem um neurótico.

É um simples homem que, com a sua humanidade, procura seguir Jesus e servir os seus irmãos.

Nele existem misérias, pobreza e fragilidade como em cada ser humano; mas existem também beleza e bondade como em cada criatura...

Insistir de forma obsessiva e persecutória sobre um tema, perdendo a visão do inteiro, cria realmente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico e é disto que me sinto ofendido.

Jornalista: procure a Verdade, o Bem e a Beleza. Tudo isto o fará nobre na sua profissão.

Amigo... peço-lhe apenas isto...

 

Em Cristo,

Padre Martín Lasarte sdb

 

“O meu passado, Senhor, confio-o à tua Misericórdia; o meu presente ao teu Amor; o meu futuro à tua Providência”.

 

 
O ser humano tem necessidade de praticar a religião? Imprimir e-mail

 

O ser humano tem necessidade de praticar a religião?

 

O homem e a religião

O conhecimento do nosso Criador obriga os homens a praticar a religião, que os une a Deus como seu princípio e último fim.

Conhecemos Deus e o homem: Deus, com os seus atributos infinitos, a sua Providência que a tudo governa; o homem, criatura de Deus, com a sua alma espiritual, livre e imortal.

Daí resultam as relações naturais, essenciais e obrigatórias do homem com Deus.

A religião é o laço que une o homem a Deus. Este laço compõe-se de deveres que o homem deve cumprir para com o Ser supremo, seu criador, benfeitor e senhor.

Estes deveres incluem verdades que devem ser cridas, preceitos que devem ser praticados, um culto que se deve tributar a Deus.

A religião é necessária ao homem, porque está fundada sobre a natureza de Deus e a natureza do homem, e se baseia nas relações necessárias entre Deus e o homem.

Impor uma religião é direito de Deus; praticá-la, é dever do homem.

Deus necessita das homenagens dos homens?

Deus não necessita de nada. Ele basta-se plenamente a si mesmo, e as nossas homenagens não o tornam mais perfeito nem mais feliz.

Mas Deus dotou-nos de inteligência e capacidade de amar, para que o conheçamos e amemos. Tal é o fim da criação.

A religião é, pois, um dever de estrita justiça. O homem está obrigado a praticar a religião para respeitar os direitos de Deus, e obter assim o seu último fim.

 
A missão de fé dos leigos na vida quotidiana e na Igreja Imprimir e-mail

 

A missão de fé dos leigos na vida quotidiana e na Igreja 

 

Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em saída”, ao serviço do Reino. Sal da terra e luz do mundo

A Igreja é formada, na sua expressiva maior parte, de leigos. Poucos são os clérigos: diáconos, presbíteros e bispos, que estão ao serviço dos leigos. Sobre os leigos, diz o Catecismo: “nas comunidades eclesiais, a acção deles é tão necessária, que sem ela o apostolado dos pastores não pode, na maior parte das vezes, obter o pleno efeito” (CIC 900).

Desde o tempo em que o Novo Testamento foi escrito, os leigos são importantes e têm o seu lugar nas comunidades. Lucas, no capítulo 8,1-3, fala das mulheres que seguiam Jesus e ajudavam na Sua missão. Olhemos os amigos de São Paulo, nas suas viagens (2Tm 4, 19); a mãe de Jesus e o pai, Maria e José, eram leigos. Ainda: quando nasceu Jesus, os seus primeiros adoradores foram os leigos (Lc 2,15-20).

Agir é muito mais produtivo do que falar

Para cumprir bem a sua missão, o leigo precisa de saber que é batizado, e, portanto, tem a graça e a obrigação de viver e anunciar o Evangelho. Ele deve buscar empenho pastoral, conforme o dom recebido do Senhor. Também é bom recordar que o leigo deve trabalhar com os pastores. Lembremo-nos: a Igreja vive da Eucaristia. É comum ver, nas redes sociais, pessoas que criticam os pastores e proclamam, do alto dos seus sofás, como a Igreja deveria agir. Seria muito mais proveitoso se os mesmos se colocassem à disposição para visitar os hospitais, auxiliar na catequese, na limpeza das igrejas, evangelizar as comunidades periféricas, enfim, empenhar-se para que todos os nossos irmãos e irmãs tenham trabalho, saúde e educação: vida digna. Agir é muito mais produtivo do que falar.

Oxalá os leigos e leigas tenham coerência entre a fé que professam e a vida quotidiana! Afinal, o mundo e a história da humanidade são o grande campo da acção do amor de Deus. Podemos mais, podemos melhor. Vivamos o grande dom que Deus nos deu: o Evangelho!

 
É verdade que a nossa fé é cega? Imprimir e-mail

 

É verdade que a nossa fé é cega?

 

A nossa fé católica é cega? É-nos imposta pela Igreja? Somos por acaso proibidos de investigar os fundamentos de nossa fé?

 

Primeira acusação: É cega a fé dos católicos? Pode esta cegueira ou obscuridade referir-se a duas coisas: ou ao objecto de fé, ou aos seus motivos. Se os espíritas querem dizer que é cega a nossa fé porque cremos sem motivos suficientes, então estão erradíssimos e mostram grande ignorância. Mas se pensam que a nossa fé é cega porque é obscuro o seu objecto, aí eles têm razão. Isto, todavia, de modo nenhum pode ser censurado. É essencial à fé.

 

É por isso que o crer se contrapõe ao ver. Quantas coisas nós cremos sem ver e só por testemunho humano! Irrazoável, blasfemo e pecaminoso seria não crer na palavra de Deus, apesar de saber que Deus falou e que é infinitamente sábio e veraz.

 

Segunda acusação: A fé é-nos imposta pela Igreja? Absolutamente não! A Igreja apenas continua a missão de Cristo e dos Apóstolos: “Ide, ensinai a todas as gentes a observar tudo o que vos tenho mandado” (Mt 28, 20); “quem crer e for baptizado, será salvo; quem não crer, será condenado” (Mc 16, 16).

O acto de fé deve ser sempre livre e espontâneo da parte de quem o aceita.

 

Cumprindo esta sua missão, a Igreja propõe a doutrina e os mandamentos de Cristo. O acto de fé deve ser sempre livre e espontâneo da parte de quem o aceita. Queres salvar-te? — pergunta a Igreja ao homem. — Então crê o que Cristo ensinou. Não queres crer? Não te obrigo contra a tua vontade; mas não te salvarás…  “Quem não crer será condenado”. É palavra de Cristo, do Salvador e não da Igreja. Ela apenas repete.

 

Terceira acusação: Somos proibidos de procurar os fundamentos da nossa fé?  Isto é repetido mil vezes pelos espíritas, ou porque são ignorantes, ou porque querem caluniar.

 

Dizem que nós não pensamos nem estudamos; que nós cremos sem nada examinar, sem verificar o conteúdo da nossa fé; que qualquer indagação um pouco mais aprofundada dos nossos dogmas teria como resultado uma mão cheia de verdades quebradas, desconexas, contraditórias, irracionais, etc.; que, portanto, nós aceitamos as ideias mais abstrusas, não nos preocupando nem com a lógica, nem com o bom senso, nem tendo a menor ideia das recentes descobertas feitas pelas ciências exactas; que nós nos entrincheiramos pertinazmente atrás dos dogmas, tendo um pavor imenso de qualquer pessoa que sabe pensar e cerrando obstinadamente os olhos para não ver os resultados dos estudos modernos.

 

Assim podemos ler em Leão Denis que a Igreja Romana, durante quinze séculos, sufocou o pensamento; que ela sempre se esforçou por impedir o homem de usar do direito de pensar; que ela se nos apresenta despoticamente com as palavras “crê e não raciocines; ignora e submete-te; fecha os olhos e aceita o jugo” (Cristianismo e Espiritismo, 50.ª ed., p. 126s).

 

Mas a verdade é que a Igreja, desde o princípio, tem favorecido de todos os modos o estudo sério e aprofundado das verdades da fé.

Quanto mais penetramos nas verdades que Deus se dignou nos revelar, tanto mais nos sentimos seguros de abraçar a verdade.

 

Homens houve, inteligentes, sérios e santos, em todos os tempos, que, amparados e fomentados pela Igreja, dedicaram a vida inteira ao estudo das verdades da fé. A ciência que se dedica a este estudo chama-se teologia. E só o ignorante em história pode repetir as acusações ineptas de Denis.

 

Nunca a Igreja proibiu ou impediu a investigação séria da fé. Os livros para estudar as bases da fé católica estão à disposição de todos. E a Igreja insiste mesmo nestes estudos. Pois ela bem conhece a admoestação do Príncipe dos Apóstolos: “Guardai santamente em vossos corações Cristo Senhor, sempre prontos a satisfazer a quem quer que vos peça razões da esperança que vos anima” (1Pd 3, 15).

 

E quanto mais penetramos nas verdades que Deus se dignou nos revelar, tanto mais nos sentimos seguros de abraçar a verdade; quanto mais estudamos sobre os dados da fé, tanto mais exultamos na santa alegria de filhos de Deus; quanto mais enfrentamos as objecções que a impiedade e o orgulho dos homens sem fé nos lança em rosto, tanto mais nos vemos confirmados naquilo que Deus realmente nos disse.

 

Não! Não temos motivos para nos envergonharmos da nossa fé, nem precisamos de temer os ataques da incredulidade. Não é a verdadeira ciência que conduz os homens à apostasia: é a falta de estudos sérios, é a vida desregrada, é o coração desprendido de Deus e demasiadamente apegado aos bens passageiros que leva à perda da fé e à incredulidade.

 

Nunca a Igreja proibiu ou impediu a investigação séria da fé. Os livros para estudar as bases da fé católica estão à disposição de todos.

 

A inteligência esclarecida, o coração recto e a vida imaculada só podem levar a Deus e à fé em Deus. Não, a nossa fé não é irracional nem nos proíbe o raciocínio. Não, a Igreja não impede o estudo, nem cremos que algum dos nossos amigos terá recebido semelhante proibição.

 

Se há católicos que não mostram interesse pela sua fé; se existem até intelectuais que se dizem católicos e que desconhecem as noções mais elementares da sua fé, a culpa não será da Igreja que lhes proibiu esse estudo ou lhes sonegou os necessários livros, mas a culpa será deles mesmos: o seu desinteresse pelas coisas santas e a sua negligência em se instruir é que são os únicos responsáveis.

 

Uma última acusação: A Igreja proíbe a leitura da Bíblia! Falsíssimo. Semelhante afirmação, além de implicar uma injuriosa calúnia, é outro atestado de grande ignorância. A Igreja recomenda vivamente a leitura diária da Sagrada Escritura.

 

Recomendações de alguns Papas: “Os mais preciosos serviços”, diz Bento XV, “são prestados à causa católica por aqueles que, em diferentes países, puseram e põem ainda o melhor do seu zelo em editar, sob formato cómodo e atraente, e em difundir os livros do Novo Testamento e uma selecção dos livros do Antigo”. E um pouco antes disse: “Nunca cessaremos de exortar todos os cristãos a fazerem a sua leitura quotidiana principalmente dos santíssimos Evangelhos de Nosso Senhor”.

 

E Pio XII admoesta os Bispos que “favoreçam e auxiliem as associações que têm por fim difundir entre os fiéis exemplares da Sagrada Escritura, particularmente dos Evangelhos, e procurar que nas famílias cristãs se leiam regularmente todos os dias com piedade e devoção”.

 
O que dizer a uma pessoa que não crê em Deus Imprimir e-mail

 

O que dizer a uma pessoa que não crê na existência de Deus?

 

São Tomás de Aquino apresenta as vias que provam a existência de Deus

Algumas pessoas acham que Deus é uma realidade mentirosa. Procuram logo dizer que Deus não existe; que é algo da criação do homem para fugir da verdade concreta. Dizem que para colocar a culpa das suas fraquezas, fracassos e decepções, o ser humano criou Deus da sua própria imaginação, assim, dizia o filósofo Sartre.

Segundo Sartre, “não há Deus, mas há o ser que projecta ser Deus, isto é, o homem: projecto que é, ao mesmo tempo, acto de liberdade humana e destino que a condena à falência”.

Alguns que se dizem serem ateus, negam de primeira a existência de Deus, mas na verdade não existem ateus, porque só se pode negar algo, verdade ou realidade, que existe na inteligência e conhecimento do homem. Não se pode negar algo que não existe ou que não tenha já falado ou criado.

Um ex-ateu testemunha sobre isto: “falando sobre ateísmo, por ter estudado a sua dimensão psíquica e filosófica, opino que não há ateu, pois todo o ateu é ‘deus de si mesmo’. Por quê? Porque apesar de desconhecer inúmeros fenómenos da existência, tais como os mistérios do universo, os segredos do tempo e os segredos da construção da inteligência humana, os ateus possuem uma crença ateísta tão absolutista de que Deus não existe, e isso só um ‘deus’ poderia ter” (Augusto Cury).

Eles negam a Deus para se sentirem livres e fazerem o que querem, pensando que Deus proíbe o homem de fazer as coisas. Porque se Deus não existe é mais fácil prestar contas da própria vida. Engano, a consciência do ser humano nunca fica tranquila negando a Deus. Ele não cobra nenhum dos nossos actos e pecados, apenas ama e ama, sem querer nada em troca. Cada um faz da sua liberdade e da sua vida o que quer.

Deus criou o mundo

Olhando a realidade concreta do mundo, as coisas existentes, isso mostra que alguém fez, pois nenhuma explosão, ser humano ou coisa seria capaz de criar aquilo que os nossos olhos “topam”, mesmo que se acontecesse uma explosão ou uma junção de átomos, precisaria de alguém para organizar o caos que ficou. E o único Ser capaz de fazer tudo isto é Deus.

Ele criou por amor e não espera nada em troca. Olhe para si e o que é, somente Deus poderia criar uma criatura perfeita.

A ciência pode ir até determinado ponto, mas se for além, não tem como provar ou explicar; somente por meio da fé. Com o limite da ciência, só nos resta inclinarmo-nos diante do grande mistério de que é Deus, onde somente a nossa fé alcança, ainda que limitada.

As vias da existência de Deus

São Tomás de Aquino elaborou cinco vias que são provas da existência de Deus:

Primeira: via do movimento – o movimento exige um motor primeiro. Tudo o que se move é movido por outro. Um ser, sob o mesmo aspecto e modo, não pode ser movente e movido, que passe por si mesmo da potência para o acto. Este motor é Deus.

Segunda: via da causalidade eficiente – todo o produzido se faz por outro, ou seja, uma coisa não pode produzir-se a si mesma. Deve existir, excluída a progressão ao infinito, uma causa absolutamente primeira que é a origem de toda a causalidade. Deus é a causa absoluta.

Terceira: via da contingência - o mundo físico compõe-se de seres contingentes que não possuem, a razão do seu próprio existir, visto que não existem sempre e de forma necessária. Os seres contingentes devem ter, noutra fonte, a razão da sua existência, isto é, necessita de outro ser como razão da sua existência. Isto é Deus.

Quarta: via dos graus de perfeição dos seres – os graus de beleza revelam que os seres a possuem por participação de uma beleza absoluta, infinita e transcendente. O princípio primeiro deve ser, necessariamente, perfeito.

Quinta: via da finalidade ou ordem do mundo – existe uma ordem universal que só se explica pela existência de um princípio inteligente e ordenador das coisas em direcção ao seu fim. Deus é o ordenador do universo.

Realmente não há motivo para negar – com razão - a existência de Deus, principalmente nos factos concretos da vida.

 
O homem só é livre pela participação na liberdade de Deus Imprimir e-mail

O Homem só é livre pela participação na liberdade de Deus

 

 A liberdade pode ser definida como a faculdade de tomar posição em face de uma exigência de Deus, mas somente pela participação da liberdade divina. Em si mesma a liberdade é somente a faculdade de fazer voluntariamente o bem. A possibilidade de fazer o mal não pertence à sua essência.

Só há liberdade onde há força de vencer o mal; onde a pessoa pode, no mais íntimo de si mesma, tomar posição em face de uma requisição do bem ou de uma solicitação do mal. O homem é livre à imagem de Deus.

O homem como ser criado e radicalmente livre foi criado em liberdade. Claro que a liberdade foi dada por Deus ao homem, é um dom. Mas a liberdade leva o homem a uma abertura para a realidade do plano salvífico de Deus.

Na realidade, no pecado, o mau uso da liberdade constitui o mais baixo grau de participação na liberdade de Deus, por isso, uma diminuição da própria liberdade humana. Ao contrário, a mais alta participação na liberdade divina, portanto, a mais nobre liberdade humana, consiste em agir totalmente sob a influência da graça.

Negar que o homem é capaz de escolher entre o bem e o mal, é supor que ele não é capaz de decidir e estar radicalmente sob a imposição de Deus. Uma vez que o homem faz mau uso da sua liberdade, há um enfraquecimento daquela liberdade original, conduzindo-o a uma rejeição do plano salvífico de Deus.

A grandeza da liberdade humana manifesta-se da maneira mais sublime quando ela se abandona totalmente à direcção da graça e se torna forte para dizer a Deus, em Cristo, o sim de um amor filialmente obediente.

A liberdade é um dom e um dever. No acto da nossa criação, Deus fez-nos livres. A liberdade pode crescer até ao grau em que o homem se deixa conduzir totalmente pelo Espírito de Deus: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde há o Espírito do Senhor aí há liberdade” ( 2 Cor 3, 17).

A liberdade humana está sujeita a muitas formas de restrições: o temperamento individual, ao ambiente e o meio social. “Mas é só na liberdade que o homem se pode converter ao bem. Os homens de hoje apreciam grandemente e procuram com ardor esta liberdade; e com toda a razão. Muitas vezes, porém, fomentam-na dum modo condenável, como se ela consistisse na licença de fazer seja o que for, mesmo o mal, contanto que agrade.

A liberdade verdadeira é um sinal privilegiado da imagem divina no homem. Pois Deus quis «deixar o homem entregue à sua própria decisão», para que busque por si mesmo o seu Criador e livremente chegue à total e beatífica perfeição, aderindo a Ele. Exige, portanto, a dignidade do homem que ele proceda segundo a própria consciência e por livre adesão, ou seja movido e induzido pessoalmente desde dentro e não levado por cegos impulsos interiores ou por mera coacção externa.

O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se da escravidão das paixões, tende para o fim pela livre escolha do bem e procura a sério e com diligente iniciativa os meios convenientes. A liberdade do homem, ferida pelo pecado, só com a ajuda da graça divina pode tornar plenamente efectiva esta orientação para Deus. E cada um deve dar conta da própria vida perante o tribunal de Deus, segundo o bem ou o mal que tiver praticado” (Gaudium et Spes, 17).

O homem é directamente responsável por todo o objecto da sua decisão livre referente a uma acção ou uma omissão.

 
Bom humor no trabalho Imprimir e-mail

 

Bom humor no trabalho

 

4 dicas para evitar o mau humor no ambiente de trabalho

Há pessoas que se queixam do próprio mau humor, imagine! Essas pessoas devem reflectir sobre quanto se sentem insatisfeitas com isso e como podem agir para mudar esse padrão emocional.

A irritação é uma emoção que varia de intensidade desde um simples desconforto até à fúria e, portanto, pode gerar grande confusão mental e descontrole emocional.

O problema maior é quando a pessoa passa a reagir intensamente sobre algo que não tem a devida proporção. Como se não bastasse, esse estado mental ainda costuma provocar outros sentimentos como ansiedade e agitação, além de alterações fisiológicas como tremor, falta de ar, dor muscular, coração acelerado, etc.

Até certo ponto é possível controlar-se sozinho, mas quando a pessoa não se sente capaz, quanto antes procurar ajuda especializada, melhor.

Normalmente as pessoas que manifestam irritação relatam que os factores externos são predominantemente os responsáveis por este sentimento negativo. Procuro, então, levá-las a entender que os acontecimentos em si não justificam o mau humor e que, na verdade, não são os outros que nos irritam, mas nós é que nos irritamos com as pessoas.

A conscientização de que temos o controle sobre a maneira como acatamos as situações leva-nos a pensar em novas formas emocionais e atitudes.

É bom lembrar que as pessoas só fazem connosco aquilo que permitimos. Assim, não é o colega folgado, nem mesmo o chefe “cricri” que te irrita, mas o que tu permites que te afecte nas atitudes deles.

Mas qual a razão pela qual se deixar afectar? Esta é uma reflexão individual que pode somar muito no processo de autoconhecimento; fundamental para operar as transformações íntimas necessárias para viver melhor e mais saudável.

O facto é que geralmente passamos o maior tempo dos dias no ambiente de trabalho e, portanto, manter bons relacionamentos é essencial e isso só será possível com muito bom humor.

Algumas dicas podem ser úteis para manter o bom humor no trabalho:

1- Faça alguns alongamentos, acompanhados com exercícios de respiração, isso provocará uma sensação de relaxamento.

2- Foque o pensamento na situação presente, sem resgatar mágoas passadas que intensificam o problema.

3- Analise se a situação tem real importância, isso evitará que você se aborreça com coisas que não fazem nenhuma diferença na sua vida.

4- Busque desenvolver a assertividade, objectividade e discrição; assim evitará intromissões negativas e os famosos “mexericos”.

Por fim, é bom ter em mente que as atitudes alheias não têm o poder de mudar as suas próprias atitudes, portanto, não há razão para se preocupar tanto com os outros e as suas opiniões. Todos merecem o seu respeito; inclusive e principalmente; você mesmo!

 
9 estratégias dos santos para combater a preguiça Imprimir e-mail

 

9 estratégias dos santos para combater a preguiça

 

Quem nunca caiu nas mãos arrebatadoras da “preguiça”?

Hoje em dia, está muito fácil cair na preguiça, no ócio e até na negligência. São tantas as distracções desnecessárias que temos ao alcance das mãos! O nosso smartphone está sempre perto e disposto a distrair-nos, sempre com uma notificação, uma mensagem de WhatsApp, um e-mail, um joguinho, etc.

É só ouvir o barulhinho da notificação e a gente, sem perceber, dá mais atenção a isso do que deveria, perdendo, assim, um instante precioso da nossa vida.

São João Bosco lembra o que alguns pais da Igreja já disseram: “A preguiça é a mãe de todos os vícios”, pois enfraquece a nossa atenção e abre a porta a outros vícios que nos oprimem.

O contrário da preguiça são a diligência, a presteza, a constância, a actividade, o trabalho, a responsabilidade. E, embora não pareça, vencer a preguiça é muito fácil. Só é preciso tomar a decisão e pôr em prática estes simples conselhos que os santos nos dão:

1 – Estabelecer metas e prioridades

“Cuida da ordem para que a ordem cuide de ti” – Agostinho de Hipona.

Estabeleça metas diárias, semanais e anuais para tudo, inclusive (por que não?) para a vida. Trate de as cumprir. Seja organizado e, se vir que não consegue, reavalie as metas e estabeleça outras (talvez mais realizáveis). Uma boa organização com metas pode ajudar a erradicar a preguiça.

2 – Minimizar grandes tarefas

“Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará a fazer o impossível”  – São Francisco de Assis.

Às vezes, deparamo-nos com coisas tão difíceis de fazer que passamos a evitá-las, dizendo: “eu nunca vou conseguir”. A estratégia, neste ponto, consiste em dividir uma grande tarefa em várias partes, empregando ciclos para as realizar. Siga o conselho de São Francisco: comece aos poucos.

3 – Ter disciplina

“Para manter uma lâmpada acesa temos que continuar a colocar azeite nela” – Madre Teresa de Calcutá.

Estabeleça horários para tudo e trate de os seguir. Isto ajuda a melhorar a disciplina e a não cair na preguiça.

4 - Treinar

“Tem paciência com todas as coisas, principalmente contigo mesmo” – São Francisco de Sales.

Imite os grandes atletas. Se você falhar, tente novamente. Não desista até conseguir.

5 – Eliminar distracções

“As distrações na vida podem ser internas ou externas. Se alguém está distraído no seu interior, é mais provável e possível que fique em condições de maior fragilidade exterior” – São João Paulo II.

As distracções devem ser combatidas desde o seu interior para evitar que elas sejam exteriorizadas.

6 – Ser entusiasta com os outros

“O amor perfeito tem esta força: fazer-nos esquecer da nossa própria alegria para alegramos a quem amamos” – Santa Teresa de Ávila.

O facto de deixarmos o egoísmo e nos aproximarmos de quem está ao nosso lado também nos ajuda a evitar a preguiça.

7 – Viver o presente

“Faça tudo por amor e para o amor, fazendo bom uso do tempo presente. E não estará ansioso com o futuro” – São Francisco de Sales.

Deixe de lado a procrastinação e não adie as obrigações. “Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”.

8 - Não se sobrecarregar com responsabilidades 

“Procure o suficiente, procure o que basta. E não queira mais. O que passar disto é opressão, não alívio. Isto derruba, em vez de levantar” – Santo Agostinho.
Não tente fazer milhares de coisas ao mesmo tempo. O “multitasking” está cientificamente comprovado que não funciona. É melhor fazer uma coisa bem feita do que dez, atrapalhadas. Assim, você não cairá no esgotamento.

9 - Descanso não é preguiça

“...porque o descanso não é fazer nada: é distrair-se nas actividades que exigem menos esforços”- São Josemaria Escrivá.
Não confunda com preguiça o descanso depois de uma árdua tarefa, de uma meta alcançada. Precisamos e merecemos descansar para recarregar as energias e continuar a produzir.

 
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O que não dizer a uma pessoa com cancro 

 

Ninguém nasce forte para sofrer, mas escolhe não enfraquecer diante do cancro, porque escolhe a vida

O que não dizer a uma pessoa com cancro? “Cabelo, é o menos!”, “O que sentiste mesmo? Acho que estou a sentir o mesmo. Morro de medo de ter o que tu tens!”, “Deus sabe o que faz. Eu não suportaria, é porque tu és forte!”, “Deus dá o frio conforme o cobertor!”

Estas frases não são nada consoladoras! Portanto, se uma pessoa que conheces descobrir que tem cancro, por favor, tira estas palavras da tua lista quando fores conversar com ela. Especialmente, se for uma mulher.

Começo pela frase sobre o cabelo. Sinto muito, mas cabelo não é o de menos! Para a mulher, muito mais do que apenas estética, o cabelo representa boa parte da identidade feminina, e algumas têm uma história com as suas madeixas; então, perdê-las, de um dia para o outro, não é tarefa simples, mas não é impossível também.

Resolvi disfarçar

Lembro-me de que, quando soube que ia passar pela quimioterapia, fiquei a pensar o que faria com os meus cabelos. Na época, tinha-o até ao meio das costas e aloirados, como eu tanto gostava! O meu esposo levou-me ao salão e, delicadamente, convenceu-me de que eu ficaria linda com um cabelo mais curto. Foi uma experiência estranha, mas, ao fim, senti-me bem. Porém, aquele corte duraria pouco. A quimioterapia logo começaria.

Ganhei da minha mãe uma peruca moderna, daquelas que colam na cabeça e imitam couro cabeludo. Com ela, eu passaria pela multidão e me livraria dos olhares de piedade do tipo: “Pobre rapariga, tão jovem e com cancro!” Resolvi “disfarçar-me”.

Um dia antes da primeira sessão, raspei a cabeça, para depois colocar a peruca. Foi divertido ver a cara de espanto do meu marido, vendo-me careca. E eu disse: “O que foi? Nunca viste?” Pergunta óbvia! E ele (para meu total espanto) disse: “Agora, tenho a certeza de uma coisa: tu és realmente linda, porque, mesmo careca, ficas bonita. Como pode?”. Achei tão engraçado aquilo! Ele era mesmo apaixonado por mim! E eu fiquei ainda mais por ele.

O que dizer nessa hora?

Não é tarefa simples para uma mulher perder os cabelos, eles não são “o de menos”. Por isso, sugiro que, ao presenciares alguém perder os cabelos, especialmente uma mulher, lembra-te de que, só ela sabe o que isso significa para ela.

Frases do tipo “Como queres que eu a ajude a sentir-se melhor?” ou “O que acreditas que vai combinar contigo? Uma peruca ou um lenço? Queres experimentar antes?”, podem fazer mais efeito. Se não souberes o que dizer, o silêncio não é sinónimo de vazio, ele pode dizer mais do que palavras.

As outras frases que citei acima, referem-se naturalmente ao facto de que, quando uma pessoa passa por um cancro, se torna um “para-raio” de informações sobre a doença. As pessoas têm medo de ter o que tiveste e algumas querem, com uma ideia hipotética de controlar a própria vida, saber detalhes do que aconteceu para prevenir a doença em si mesmo. Até certo ponto, isto é bom, e eu mesma tenho a alegria em ajudar e alertar as mulheres. O mau é sempre o exagero, quando olham para ti e fazem o sinal da cruz, com medo.

Elas esquecem-se de que o sofrimento é inerente ao ser humano, e que, no dia anterior ao meu diagnóstico, eu também lia nas revistas as histórias de mulheres com cancro e, igualmente, não imaginava que um dia seria uma delas. Creio que falta a alguns, mais naturalidade à percepção de que somos mortais.

A escolha diante do sofrimento

Dizer “Eu não suportaria”; “É porque tu és forte”, é um verdadeiro engano! Ninguém gosta de sofrer e ninguém se programa para isso, mas quando o sofrimento bate à nossa porta, temos de fazer uma escolha: deixamos que ele defina quem somos, esmagando-nos e vitimando-nos ou decidimos que ele só reforçará o que temos de melhor, e aproveitaremos a vida após esta experiência de uma maneira muito mais sábia e interessante. Então, ninguém nasce forte para sofrer, mas escolhe não se enfraquecer diante das dores, porque escolhe a vida.

Lembro-me de que, as frases que mais me faziam bem eram: “Comunguei por ti hoje na Missa!” ou “Lá em casa, um mistério do Terço é em tua intenção”. Que bom! Ouvir isto era como um bálsamo. Primeiro, porque a força da oração é capaz de nos sustentar em situações humanamente impossíveis de suportar; segundo, porque saber que alguém se lembrou de nós numa oração, mesmo com tantas outras intenções na sua vida, é prova de que realmente, ela se importa connosco, e isso faz com que nos sintamos amadas; e o amor cura.

O sofrimento assusta a todos nós

Apesar de ter citado estas frases, entendo perfeitamente que o sofrimento assusta a todos nós. Quantas vezes, diante de uma pessoa que sofria, fiquei sem palavras e até disse balelas! Então, ouvi frases felizes e infelizes durante o meu tratamento, mas não trago nenhum rancor, porque olhei para mim mesma e vi que não estou preparada para lidar com o sofrimento alheio. Assim, não tenho o direito de exigir de ninguém as melhores palavras. Hoje, quando lembro algumas situações, até me divirto e tento me rever quando me aproximo de algum sofredor. Mas, de qualquer forma, fica a partilha da minha experiência.

 
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O que é a formação da Consciência Moral? 

 

Formar a consciência é educar os sentidos e atitudes, visando alcançar as virtudes

Numa definição com base nos ensinamentos da Igreja, a “consciência é o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus,” afirma a Constituição Pastoral Gaudium et Spes.

Para a psicologia, a consciência em si, refere-se à excitabilidade do sistema nervoso central aos estímulos externos e internos sob o ponto de vista quantitativo e, também, à capacidade de integração harmoniosa desses estímulos internos e externos, passados e presentes, sob o ponto de vista qualitativo. A consciência, em termos psicanalíticos, é o conjunto de mecanismo psíquicos que se põem à expressão das pulsões primárias. A primeira forma de consciência passa pelas interdições parentais recalcadas pela criança, e consequente formação do superego.

O termo consciência, no seu sentido moral, é uma habilidade e a capacidade que uma pessoa possui de ter uma intuição ou julgamento do intelecto que distingue o certo do errado. Juízos morais deste tipo podem reflectir valores ou normas sociais, ou seja, princípios e regras.

A pessoa, mesmo sabendo que uma determinada postura é errada, toma atitudes que vão contra as regras, princípios e valores de uma instituição ou até da família; e assim, continua a cometer erros, mas não por falta de informação ou conhecimento. E, muitas vezes, justificamos os nossos erros com os erros dos outros; e desistimos da verdade muito facilmente! Contudo, é preciso deixar ser guiado pela voz da consciência e tal processo é uma crescente.

Na Palavra de Deus, São Paulo ao escrever ao Coríntios alerta: “Más companhias corrompem bons costumes” (Cf: 1Cor 15,33). Sobretudo, a Palavra de Deus, um bom director espiritual, um confessor e até um especialista como psicólogo, são instrumentos que ajudam na boa formação da consciência.

Ninguém é capaz de viver sozinho em sociedade; dependemos uns dos outros. Porém, para viver em sociedade, numa comunidade, é preciso observar as leis e as regras, e todos devem segui-las para o bem comum.

Dignidade da consciência moral

Para os cristãos católicos, a Igreja indica caminhos para uma boa formação da consciência moral. Assim, encontramos na Constituição Pastoral Gaudim Et Spes: “Pela fidelidade à voz da consciência, os cristãos estão unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social. Quanto mais, portanto, prevalecer a recta consciência, tanto mais as pessoas e os grupos estarão longe da arbitrariedade cega e procurarão conformar-se com as normas objectivas da moralidade” (GS 16).

O Padre Francisco Faus, sacerdote da Obra Opus Dei, diz que, “para educar a consciência é necessário tomar quatro atitudes”.

Primeira: Com o conhecimento da Palavra de Deus, – luz para o nosso caminho – que deve ser assimilada na fé e na oração. Com o exame da nossa consciência, confrontado com Cristo, o seu amor, a sua Cruz. Tomando como guia o ensinamento autorizado da Igreja. Acolhendo o exemplo e os conselhos de outros. E invocando a assistência do Espírito Santo (cf. CCE n. 1785).

Segunda: Com a luta ascética para avançar nas virtudes, especialmente na virtude da caridade. Não é suficiente o conhecimento. São Tomás diz que é indispensável uma espécie de – conaturalidade [sintonia experimental] entre o homem e o verdadeiro bem – (S.Th. II-II, q.45, a.2; e VS n. 64). O que Camões chamaria “saber de experiência feito”. O bem só pode ser bem “conhecido” quando praticado e saboreado: então a alma abre-se aos dons do Espírito Santo, que iluminam e aquecem.

Terceira: Lutando seriamente contra as justificativas que o orgulho sempre quer apresentar; contra a falta de sinceridade com quem nos pode orientar; contra a vergonha de nos abrirmos na confissão, etc.

Quarta: Lutando contra a cegueira causada pela tibieza e o hábito do pecado. Não sabes que és cego (…), diz Cristo ao tíbio, no Apocalipse (Ap 3,17). A consciência erra, diz também a Constituição Pastoral Gaudium et spes, – quando a consciência se torna quase cega em consequência do hábito do pecado – (n. 16). E, o Catecismo desenvolve este pensamento: O servilismo às paixões, a pretensão de uma mal entendida autonomia da consciência [orgulho] (…), a falta de conversão ou de caridade, podem estar na origem dos desvios do julgamento na conduta moral (n. 1792).

Toda a pessoa é capaz de fazer boas escolhas. É preciso estar atento para que não destruamos os bons relacionamentos e não percamos a confiança uns nos outros. Que possamos buscar a luz da Palavra de Deus, por meio da leitura da vida dos santos e com o auxílio de um bom director espiritual, e assim, formar a nossa consciência moral.

 
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O mundo poderia existir sem o mal? 

 

Tudo o que Deus criou era muito bom e não existia o mal

Para entender esta questão, em primeiro lugar, é preciso entender o que é o mal. “Deus é inacessível ao mal” (Tg 1,13). Portanto, o mal não é um lado de Deus, nem um outro deus, uma outra força divina, porque o Senhor  revelou-se como único Deus a Israel em inúmeras situações. Então, o que seria o mal? Na verdade, ser mau não é um ser, uma coisa ou força, mas uma carência do bem, assim como as trevas é a ausência de luz. Por isso, disse Bento XVI: “O mal só existe onde Deus é insuficiente”.

O mundo foi criado bom por Deus. É notável e maravilhoso que, no relato da criação, em Géneses 1,1-31, ao fim da criação de cada coisa é dito: “E Deus viu que tudo era bom”. Ao fim de todo o relato, no versículo 31, o autor bíblico diz: “Deus viu que tudo o que tinha feito era muito bom”. Portanto, tudo o que Deus criou é “muito bom” e não existia o mal em nada.

Como é que o mal entrou no mundo?

O capítulo terceiro do livro do Génesis conta como o mal entrou no mundo. Numa linguagem figurada, vemos a imagem da serpente que alicia Eva e, por meio dela, Adão. O significado deste texto é que o homem, que até então vivia em intimidade e perfeita harmonia com Deus, se rebelou contra Ele, seduzido por um ser enganador. Sem Deus, o homem e o mundo estão sujeitos ao mal moral (carência da finalidade a que o homem deve tender, especialmente felicidade e amor) e físico (carência de algo no plano material como a fome e a dor).

Quem é esse ser enganador? Um deus do mal? Inúmeros textos bíblicos fazem referência a anjos decaídos, ou seja, seres criados por Deus que são puro espírito, que deveriam servir a Deus, mas “rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus e o Seu Reino” (CIC 392).

Alguns textos do Antigo Testamento são interpretados pela tradição cristã como um relato da queda de um anjo chefe, satanás, que se volta contra Deus (cf. Is 14,13-14; Ez 28,17). Especialmente Ap 12,7-10 fala da batalha do dragão e seus anjos contra Miguel e os anjos dele. O dragão e os anjos passam a ser os tentadores, ou sejam, aqueles seres que não são deuses, mas que, identificados como o mal, tentam levar o homem a escolher o mal.

Então, assim, o mal entra na existência simplesmente como aquilo que rejeita “Deus, que é amor” (I Jo 4,8).

O mundo poderia existir sem o mal

É claro, então, que o mundo não só poderia existir sem o mal, como ele já existiu sem o mal. Mais ainda, o mundo voltará a existir sem o mal: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia.

Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo.

Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda a lágrima dos seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. Então, o que está assentado no trono disse: ‘Eis que eu renovo todas as coisas’. Disse ainda: ‘Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras’. Novamente me disse: ‘Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ómega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isto; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho’” (Ap 21,1-7).

 
O fim do "nosso" tempo Imprimir e-mail

O fim do “nosso” tempo

 

No Evangelho de São Lucas (Lc 21, 5-19), Nosso Senhor faz o seu famoso “sermão escatológico”: fala-nos a respeito do fim dos tempos.

 

Também hoje, assim como na época de Cristo, este tema desperta interesse geral.

Todos querem saber, afinal, “quando acontecerá” e “qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer”.

Os cristãos devem precaver-se, contudo, para não se deixarem levar por um espírito de curiosidade frívola acerca desta matéria, transformando a sua fé em “futurologia” ou convertendo as próprias Escrituras Sagradas em instrumento para práticas adivinhatórias.

Esta definitivamente não é a lição que quer passar-nos Jesus ao tratar o fim dos tempos.

Que pretende ensinar-nos então o Senhor, quando menciona as terríveis coisas que estão por vir?

A primeira chave de leitura desta passagem é a imitação de Cristo.

Os verdadeiros discípulos de Cristo conformarão as suas vidas à do Mestre:

Serão “presos e perseguidos”, como Ele foi sequestrado e maltratado;

Serão “entregues às sinagogas e postos na prisão”, “levados diante de reis e governadores”, como Ele mesmo foi julgado pelas autoridades religiosas do seu tempo e “padeceu sob Pôncio Pilatos”;

Serão “entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos”, como Ele foi perseguido em Nazaré;

Alguns chegarão a sofrer a morte, e nisto se assemelharão ainda mais a Jesus, que foi injustamente crucificado.

 “Todos vos odiarão por causa do meu nome”, em suma.

Com isso, fica patente que o caminho da Cruz não é excepção, mas a regra.

O testemunho da fé, significado na palavra de origem grega “martírio”, é a via ordinária por que se salvam os homens, sejam os escolhidos para derramarem por causa de Cristo o seu sangue, sejam os chamados a levarem com heroísmo uma vida consagrada à oração e à penitência.

A segunda chave de interpretação é o que dá sentido a tudo o que nos narra o Senhor neste Evangelho.

Mesmo experimentando o sofrimento inerente a esta vida, adverte o Cristo providente, “vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça”.

Numa interpretação fiel ao texto original, isto quer dizer que nada do que sofrermos será em vão; nada de tudo aquilo por que passarmos ficará sem a sua recompensa.

Assim se consumará, então, o nosso processo de configuração a Cristo: morrendo com Ele, também com Ele viveremos (cf. Rm 6, 8).

 “É permanecendo firmes”, conclui Jesus, inspirando-nos confiança, “que ireis ganhar a vida!”

Como se dará isto? Qual o segredo para permanecermos firmes e ganharmos, no termo desta vida, a recompensa eterna?

A resposta está na oração.

 “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem o vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo”, diz uma prece litúrgica.

A verdade da nossa condição é que somos fracos e pecadores; para sermos fortes e santos, precisamos de nos comportarmos realmente como “mendigos da graça de Deus”.

É Ele quem nos concederá, a cada dia, o “pão nosso” para sustento do nosso organismo espiritual, tornando-nos capazes de oferecer o amor que lhe é devido.

Não seremos santos — e até mesmo a nossa salvação corre grande risco —, se não rezarmos, e não rezarmos muito.

Muitas vezes, porém, o que nos falta para tomarmos de assalto a vida espiritual é justamente o “choque de realidade” de sabermos que esta existência é breve, que a morte chega para todos e que nos espera, do outro lado, uma eternidade ou de glória ou de tormentos.

Falta-nos a meditação sobre as “últimas coisas” — os Novíssimos, sobre os quais tanto insistiram os santos.

Para corrermos atrás do prejuízo, todavia, nem é preciso que tomemos em mãos uma “Preparação para a morte”, de Santo Afonso de Ligório, ou uma “A arte de morrer bem”, de São Roberto Belarmino — ainda que sejam obras muitíssimo recomendáveis.

Basta, para tanto, que pensemos um pouco nos infortúnios que subitamente advêm a tantos dos nossos irmãos, ou nas mortes trágicas que com tanta frequência vemos relatadas nos jornais e noticiários televisivos.

Deus não nos fala só por palavras, mas também por acontecimentos: a todo o momento Ele está a ensinar-nos que este mundo passa e que só no Céu, de facto, encontraremos a nossa morada definitiva.

Tenhamos em mente duas sugestivas imagens.

Primeiro, a do caixão: para muitos de nós, será ele o marco do nosso fim, o fim dos nossos tempos.

Segundo, a da mulher grávida, com a qual Nosso Senhor comparou certa vez a situação de quem morre na graça:

“A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora.

Mas depois que a criança nasceu, já não se lembra mais das dores, na alegria de um ser humano ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza.

Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada” (Jo 16, 21-23).

Assim seja! Amém!

 
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