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Basta-me saber que sois jovens para eu vos amar

São João Bosco

 
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De budista a tomista Imprimir e-mail

De budista a tomista

Paul Williams, catedrático de filosofia budista e professor de religiões da Índia na Universidade de Bristol, foi durante mais de 30 anos, uma das principais autoridades académicas sobre budismo no Reino Unido. Também era um budista convencido, intelectual e praticante. Porém em 1999 surpreendeu os seus alunos, companheiros e familiares quando anunciou que se convertia ao cristianismo, mais ainda ao catolicismo mais ortodoxo. Em 2002 publicou um livro com o seu testemunho de conversão e as suas reflexões.

Na revista budista inglesa Dharmalife não escondiam a sua perplexidade: "Williams é um dos principais estudiosos britânicos do budismo e um budista praticante de muitos anos. O seu livro 'O Budismo Mahayana' é uma jóia de claridade e visão. Que surpreendente foi saber há dois anos que tinha decidido ser católico. [...] Catolicismo! Tinha tendência a acreditar que enquanto o budismo é uma opção vital e espiritual para as pessoas modernas, o catolicismo pertence a um passado problemático. A minha visão do catolicismo é influenciada pelos testemunhos de amigos ex-católicos, sobre os efeitos debilitadores da culpa, a sua busca de bases emocionais saudáveis para as suas vidas... Como poderia uma pessoa inteligente e bem informada tomar tal opção?", pergunta-se o crítico da revista. Williams explicou tudo no seu livro "Unexpected Way", e em algumas entrevistas e testemunhos escritos.

Juventude anglicana tíbia

Paul Williams nasceu em 1950. A família da sua mãe não era religiosa, mas depois da sua conversão descobriu que teve uma bisavó católica. A família do seu pai era tipicamente anglicana. Sendo muito jovem, Paul juntou-se ao coro da paróquia anglicana, porque gostava de cantar. Foi crismado na sua adolescência pelo bispo anglicano de Dover, e com 18 anos recorda que ia comungar algumas vezes. Mas não tinha uma relação próxima com Cristo nem recebeu formação.

O seu irmão trouxe da biblioteca um livro sobre yoga, e com ele Williams afeiçoou-se à cultura oriental nos muito alternativos anos 60. "Estive implicado no estilo de vida e nas coisas que os adolescentes fazem. Ao aproximarem-se os exames públicos deixei o coro, deixei de servir na igreja, perdi o contacto com ela, deixei o cabelo comprido e vestia-me de maneira diferente".

Meditação e budismo

A estudar na Universidade de Sussex, especializou-se em filosofia indiana e depois em budismo. "Durante algum tempo fiz a Meditação Transcendental de Maharishi Mahesh Yogui, porém deixei-a porque não gostava da sua superficialidade e parecia-me que distorcia a tradição indiana", escreveu no seu livro.

Em 1973 já tinha tudo claro: tinha estudado tanto o budismo que via o mundo com categorias budistas. Refugiou-se formalmente como budista na tradição tibetana Dgelugspa, a do Dalai Lama. Sendo professor na Universidade de Bristol criou o seu próprio círculo de budistas.

Praticava a meditação, dava palestras em encontros budistas, aparecia em debates televisivos como budista tibetano e participou de debates públicos com o católico dissidente Hans Küng e o catalão orientalista Raimon Panikkar.

O que atraía no budismo

"Interessava-me a filosofia, mas também a meditação e o exótico Oriente. Muitos de nós considerávamos o budismo interessante, porque parecia muito mais racional do que as alternativas, e às vezes muito mais exótico. Os budistas não crêem em Deus, ou melhor, não parecia ter razões para crer em Deus e a existência do mal era para nós um argumento positivo no seu contrário. Nós que tínhamos crescido como cristãos estávamos fartos de defender Deus num mundo hostil, cheio de detratores. No budismo existe um sistema de moralidade, espiritualidade e filosofia imensamente sofisticado, que não necessita de Deus para nada", explica Williams.

Anos depois, ao converter-se ao catolicismo, o filósofo escreveu: "Se repararmos como são os budistas do Ocidente, o chamado Budismo Ocidental, o que encontramos com regularidade é uma forma de cristianismo na qual tiraram as partes que os cristãos 'pós-cristãos' encontram mais dificuldades em aceitar".

Williams conheceu um líder chamado Sthaira Sangharakshita que propunha aos budistas de passado cristão praticar a "blasfémia terapêutica", para conseguirem desapegar-se do seu fundo cristão, insultando coisas consideradas santas na sua cultura. Para Williams esta ideia parecia uma barbaridade.

O problema da reencarnação

O budismo no Ocidente apresenta-se sobretudo como uma técnica para viver experiências positivas: paz, harmonia, relaxamento... Mas à medida que Williams via o passar dos anos, como filósofo não podia evitar fazer-se perguntas, e entre elas: o que se passa depois da morte? Há budistas que preferem não pensar no tema, e consideram que é "Mara", uma "ilusão", uma distracção, um tema no qual não vale a pena pensar, mas pode um filósofo deixar de perguntar-se?

"Os budistas crêem no renascimento, ou melhor, na reencarnação, como é chamada. Não há um início na série de vidas renascidas: todos temos renascido infinitas vezes, não há princípio nem se necessita de um Deus que o inicie", explica.

Williams recorda que na época dos primeiros cristãos as crenças a favor da reencarnação estavam muito difundidas na Grécia e Roma, mas o cristianismo nunca as aceitou. "E por boas razões: se a reencarnação é verdade, nós não temos nenhuma esperança".

O que há de mim numa barata?

Imaginemos que vamos ser executados sem dor amanhã pela manhã, mas sabemos com toda a segurança que depois reencarnaremos como uma barata. "Acostumar-te-ás, não há problema, ser barata não é como o nada ou o grande vazio, é uma vida, continuarás vivo... Mas por que é que nada disso nos consola?", argumenta Williams.

Mais específico ainda: "Não peço que imagineis que despertais dentro do corpo de uma barata, como na Metamorfose de Kafka. Serias uma barata, e quem sabe quais são os sonhos ou imaginações de uma barata?"

"O terror de ser executado na aurora e renascer como barata é que, simplesmente, isto seria o meu fim. Não posso imaginar como é renascer como barata porque não há nada que imaginar! Simplesmente, não teria nada de mim aí. Se a reencarnação é verdade, nem eu nem os meus seres queridos sobreviveríamos à morte. O eu, a pessoa real que sou, a minha história, acaba. Quem sabe haja outro ser vivo com algum tipo de conexão causal com a vida que eu fui, alguém influenciado por meu karma, mas eu já não estou".

"No nível quotidiano, os budistas tendem a obscurecer este facto - que eu desapareço do tudo com a morte - quando falam do ´meu renascer´ ou de ´preocupar-se com as vidas futuras´, mas na realidade qualquer renascer - como uma barata sul-americana - não seria ´eu mesmo´, e portanto cabe perguntar-se por que hei de preocupar-me com as minhas reencarnações futuras".

Iluminação, sim... mas quem a consegue?

Para escapar do ciclo das reencarnações, o budismo ensina que é possível alcançar a iluminação, o nirvana, uma absoluta perfeição e desapego nesta vida. Quando alguém tem 20 anos pode pensar que com muito esforço o conseguirá. Mas Williams, com mais de 20 anos de intensa prática budista e meditativa o tinha claro: "É evidente que não vou conseguir a iluminação nesta vida. Todos os budistas tenderão a dizer isto de toda a gente. A iluminação é uma conquista extremadamente rara e suprema, para heróis espirituais, não para nós, não para gente como eu. Assim eu, e os meus amigos e familiares, não temos esperança".

Karma: pagar pelas outras vidas tuas... que não eras tu

Williams explica rapidamente a teoria do karma: alguns males e alguns bens que experimentas, são consequência do que fizeste numa vida passada. "Mas como se pode dizer que um ditador cruel que foste noutra vida eras tu? A ideia que um bebé fica doente por algo que fez outra pessoa, não nos consegue convencer. Não se pode dizer que o que alguém fez noutra vida, seja a resposta mais aceitável para o problema do mal. O bebé não foi quem fez os actos malvados, como também eu não sou uma barata depois da minha execução".

O cristianismo oferece esperança

"O budismo não tinha esperança. Os cristãos, sim, têm esperança, por isso quis ser cristão. Voltei a examinar as coisas que tinha rejeitado na minha juventude. Dei-me conta que é racional crer em Deus, mais racional do que crer, como os budistas, que não há Deus".

Examinou a chave da proposta cristã: que Jesus tinha ressuscitado. "Assombrou-me descobrir que a ressurreição literal de Cristo dentre os mortos depois da sua crucifixão é a explicação mais racional do sucedido. Isto fazia do cristianismo a opção mais racional das religiões teístas, e como cristão considerei que devia dar prioridade à Igreja Católica."

"O cristianismo é a religião do valor infinito de cada pessoa. Cada pessoa é uma criação individual de Deus, e como tal Deus ama-a e valoriza-a infinitamente. Nisto se baseia toda a moral cristã, desde o valor da família ao altruísmo e o sacrifício dos santos. Por sermos infinitamente valiosos, é que Jesus morreu por nós, para salvar cada um. E somos as pessoas que somos, com as nossas histórias, amigos e parentes. A nossa fé é que em Deus as nossas mortes terão significado para cada um de nós, de formas que excedem a nossa imaginação, mas que inclusive agora já suscitam a nossa esperança e alimentam as nossas vidas".

Hoje Paul Williams é um laico dominicano e um grande admirador de São Tomás de Aquino. Lamenta que às vezes, em encontros ecuménicos ou análises de religião comparada, se faça o contraste entre os místicos cristãos de linguagem simples (como São João da Cruz) com teóricos budistas muito elaborados, com um discurso muito intelectualizado que fazem parecer o místico cristão uma versão simples de uma filosofia complexa. Williams considera que estes autores budistas devem comparar-se com autores sistemáticos como São Tomás.

in Religion en Libertad

 
Infância, juventude, maturidade, a soma virtuosa da vida do homem Imprimir e-mail

 

Infância, mocidade, maturidade, a soma virtuosa da vida do homem!

 

Se nos fosse dado escolher a idade para fixar a vida, o que escolheríamos? A infância? A juventude? A maturidade? Ou a velhice? Ou viver cento e tantos anos?

Uma ajuda:

“A criança sonha com o maravilhoso: é fraca, débil, pequenina, mas é pura. Então, o puro e o maravilhoso são próprios do menino”.

“Depois começa a maturidade. Com ela perdem-se o idealismo e o élan. A força é uma força de estabilidade, de fixação.

A pessoa vê a realidade mais concreta, manda, governa. Já não tem a força de um soldado de vanguarda, mas tem o vigor de um general”.

Mais tarde vem a velhice. É outra forma de sabedoria. Ou o contrário? Se mal vivida, pode ser o oposto:

 “Nada é nada. O meu egoísmo é tudo. Fico chupando a minha boca vazia de dentes, tolerando a minha cabeça vazia de ideias, carregando os meus olhos vazios de luz e os meus ouvidos vazios de som.”

Mas tudo se inicia na infância:

 “Uma boa criança tem uma forma de abertura de alma por onde ela é muito pouco interesseira.

É desinteressada, é meiga, é afável; com facilidade dá o que tem.

Toda a criança boa faz pequenos desenhos que procura dar aos outros.

Tem um senso de admiração muito grande em relação aos mais velhos.

Procura vê-los sob os melhores aspectos e encanta-se com estes aspectos”.

 “A criança boa é movida pelo princípio de que a vida dá certo, e de que vale a pena viver porque é algo grande. Embora tenha sofrimentos, tudo no fim tem a sua explicação, e ela é verdadeira. O aborto é o zero!”

 “Resulta daí aquela espécie de optimismo que caracteriza a criança. Ela é cheia de esperança, crê com facilidade no que lhe contam, e é toda voltada para entregar-se, para servir, para admirar.

“Por causa das graças do baptismo, a infância é um apogeu. Trata-se de saber se a vida do homem cresce depois de apogeu em apogeu, até à ancianidade, ou se ele tem ‘desapogeus’…

 “Como diz uma oração a Nossa Senhora, ‘Vós tendes os vossos desígnios em relação a mim’.

 “Depois vem o jovem. Puro, já não ouso afirmar, mas é idealista, forte, romântico, amoroso. As más tendências entram com o romântico e o amoroso.

 “É a trajectória de uma vida. É uma luta de classes de uma época contra outra da vida.

Essa concepção [errada, de luta de classes] faz parte do evolucionismo, que é sempre a destruição de uma coisa em nome da outra, dando a isto o nome de continuidade, embora sendo a descontinuidade por excelência.”

Portanto, as idades não se opõem, elas somam-se!

 
Violência... em nome de Deus? Imprimir e-mail

 

Violência... em nome de Deus?

 

Todos os dias somos confrontados com actos de violência extrema, em nome da religião. Mas será que Deus pede mesmo isto?

 

Uma história de violência

 

Cristianismo

 

Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, (Jesus Cristo)

 

As cruzadas

 

Na Idade Média os Papas, com o apoio de alguns reis, organizaram as Cruzadas com a finalidade de recuperar a Terra Santa onde Jesus viveu. Os exércitos cristãos julgavam estar a fazer a vontade de Deus quando matavam os ocupantes. Todas essas guerras cristãs semearam a destruição e a morte. Acabaram num grande fracasso.

 

A Inquisição

 

A Inquisição vem também da Idade Média. Era um tribunal que julgava as pessoas hereges e as condenava por vezes à morte. Não havia tolerância nem liberdade religiosa. A Inquisição foi instaurada em Portugal em 1536 por D. João III e durante séculos houve pessoas mortas por quem, em nome de Deus, julgava fazer uma obra boa.

 

Islamismo

 

Vós que acreditais, vivei todos em paz.

 

Corão

 

A guerra santa

 

Maomé fundou no século VII uma religião, cujo centro é Meca. Pregava a “jihad”, que consistia no empenho de impor o islamismo, a todos os povos. Os califas, seus sucessores, encarregam-se de submeter os povos pela violência. Faziam-no em nome de Deus (Alá). Chegaram ao norte de África e à Península Ibérica.

 

O Estado Islâmico

 

Esta organização terrorista, que prega a guerra santa em nome de Alá, nasceu recentemente e tem como finalidade obrigar as pessoas a seguirem o Islamismo. O “Estado Islâmico” já controla grande parte do Iraque e da Síria. Quem não aceita nesta religião as suas leis, corre o risco de ser morto.

 

Porquê a violência em nome de Deus?

 

As contradições

 

Todas as religiões têm como ideal a paz. Mas em todas as épocas da história há geralmente crentes que interpretam de maneira diferente os textos sagrados: a Bíblia para os cristãos e o Corão para o islamismo. De facto, nestes textos, ao lado de muitas palavras de paz, há textos guerreiros.

Os cruzados cristãos gritavam: “Deus o quer!” Hoje sabemos que Deus não quer a morte de ninguém, mas que todos vivam.

Os maus muçulmanos, ao semearem o terror, julgam que esta é a vontade de Alá e que terão o Céu como recompensa.

 

Os fanáticos

 

Em todas as religiões há sempre alguns fanáticos. Julgam-se possuidores de toda a verdade e querem impô-la aos outros através da violência.

Actualmente este “fundamentalismo” é mais visível nos líderes do Estado islâmico. O fanatismo é tão forte que leva os crentes seguidores de Maomé a sacrificarem a própria vida, persuadidos que serão recompensados por Deus!

Podem existir também fanáticos no cristianismo, embora se limitem a utilizar a arma da palavra e da murmuração. O papa Francisco já denunciou várias vezes este fanatismo, que é contrário ao Evangelho.

 

A violência religiosa é excepção

 

As religiões vivem pacificamente

 

Apesar de ter havido ou haja quem pratique a violência em nome de Deus, a verdade é que a imensa maioria dos crentes nada tem a ver com o fanatismo ou com o fundamentalismo.

A grande maioria dos muçulmanos e dos cristãos acreditam que Deus gravou no coração de cada pessoa o mandamento “Não matarás!” Por isso, para os crentes a vida humana é um valor a respeitar. Todas, em excepção, condenam o assassínio.

Igualmente todos os crentes afirmam que não devemos fazer aos outros aquilo que não queremos que nos façam a nós. E para todos a paz é um bem precioso.

 

Existe o diálogo inter-religioso

 

Apesar de ter havido ou haja quem pratique a violência em nome de Deus, os responsáveis religiosos reúnem-se para dialogar acerca daquilo que une as religiões.

O Papa Francisco, em Maio de 2014, ao visitar Jerusalém, encontrou-se com líderes religiosos e, junto ao Muro das Lamentações, abraçaram-se fraternalmente. Pouco tempo depois, reuniram-se no Vaticano, onde plantaram uma oliveira, como sinal de paz. Nas suas viagens pastorais, está habitualmente no programa, um encontro com os líderes das outras religiões, num grande respeito pelas diferenças. Porque o Deus é Amor, Deus é Paz.

 

O cristianismo

 

Cerca de 2,2 biliões de pessoas.

Um quarto dos cristãos vive na Europa, o outro na América central e do sul, o terceiro na África. 12% na América do Norte e 13% na Ásia. É a religião mais dispersa.

Origem: Jesus foi um judeu nascido na Palestina. Os seus discípulos reconheceram-no como o Filho de Deus, que veio à Terra para salvar a humanidade. Foi morto e ressuscitou.

Os cristãos estão divididos: católicos (50%), ortodoxos e protestantes.

 

O Islamismo

 

Cerca de 1,5 biliões de pessoas.

62% dos muçulmanos vive na Ásia (sobretudo na Indonésia e Paquistão) e 205 vivem nos países árabes (África do Norte e Médio Oriente).

Origem: Maomé nasceu por volta do ano 570 depois de Cristo, na actual Arábia Saudita. Acreditam num Deus único, Alá, que revelou os preceitos que todos os muçulmanos devem seguir. Acreditam que o Corão foi ditado a Maomé por Deus.

Os muçulmanos estão divididos por duas correntes: os sunitas e os chiitas.

 
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Prudência, um grande bem 

 

Prudência não é medo; é discernimento. Ela não só nos manda ficar, mas também nos manda ir

 

“E se alguém ama a justiça, os seus trabalhos são virtudes; ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a força: não há ninguém que seja mais útil aos homens na vida. Se alguém deseja uma vasta ciência, ela sabe o passado e conjectura o futuro; conhece as subtilezas oratórias e revolve os enigmas; prevê os sinais e os prodígios, e o que tem que acontecer no decurso das idades e dos tempos. Portanto, resolvi tomá-la por companheira da minha vida, cuidando que ela será para mim uma boa conselheira, e minha consolação nos cuidados e na tristeza” (Sabedoria 8, 7-9).

A crise das virtudes

O mundo de hoje vive uma grande crise de virtudes. Cresce de modo assustador o grande problema dos vícios, seja de que natureza for: vícios de drogas, entorpecentes, cigarro, álcool, entre outros. Este tipo de conduta chegou a atingir um ponto tão alarmante que, muitas vezes, temos vergonha de fazer a coisa certa.

Não é permitido mais fazer o certo, pois, se estás certo, estás errado no conceito do mundo. Além dos vícios físicos, ainda há os vícios da alma. Pensa-se: “Perdoar? Imagine! Eu não preciso de ninguém!”

As pessoas acreditam que a virtude se deve dobrar diante do vício; mas é exatamente o contrário que precisa de acontecer: é o vício que se deve dobrar diante da virtude. Por isso, há uma necessidade muito grande da presença das virtudes em nossas vidas.

Prudência não é sinónimo de cautela

Vamo-nos aprofundar na que é considerada a ”mãe das virtudes”: a prudência. Não existe nenhuma outra coisa se esta não existe. Pensa-se que prudência é ser cauteloso, mas não é isso que as Sagradas Escrituras nos ensinam. Prudência não é sinónimo de cautela.

Prudência é ver e perceber o que realmente é importante; é perceber as coisas a partir da luz de Deus e dar a resposta certa no momento certo. Prudência não é medo; é discernimento. Ela não só nos manda ficar, mas também nos manda ir.

A sabedoria é fruto da prudência, as duas são iguais. Compreendemos o que é preciso fazer; vamos lá e fazemos. Mas para tomar essa atitude precisamos de ver.

As virgens prudentes

A prudência sabe contornar as situações. Vejamos o exemplo da “Parábola das Dez Virgens Prudentes”, que se encontra em Mateus 25, 1-13:

“O Reino dos céus será semelhante a dez virgens, que saíram com as lâmpadas ao encontro do esposo. Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes. Tomando as lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo. As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas.

Tardando o esposo, todas elas adormeceram. No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro. E as virgens levantaram-se todas e prepararam as lâmpadas. As tolas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso óleo, porque as nossas lâmpadas se estão a apagar.’ As prudentes responderam: ‘Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós.’ Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta. Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: ‘Senhor, senhor, abre-nos!’ Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: não vos conheço!’ Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora”.

Esta passagem bíblica mostra bem, o que é a prudência. Às vezes, mesmo que tenhamos vontade de sermos solidários, não podemos dar algo que nos vá faltar. Muitas vezes, damos de graça aquilo que nos era necessário. Prudência, é fruto de Deus, é virtude que vem do Alto.

Nem todo o bem, nos faz bem

É fácil saber o que tem de ser feito, a que horas fazer e como fazer? Claro que não. Para cada momento existe uma decisão diferente. Não é sempre a mesma resposta. Se tu dás sempre uma mesma resposta para todos os teus problemas, está na hora de seres mais prudente.

Escolher entre o que é bom e ruim no nosso mundo é fácil. Se eu te oferecer um pudim cheio de terra e um limpo, qual vais escolher? É claro que o pudim limpo. Ninguém quer o que não é bom.

Então, por que é que as pessoas escolhem coisas ruins? A escolha entre o bem e o mal é questão apenas de inteligência, lembra-nos Santo Inácio de Loyola.

Por isso, escolher entre o bem e o mal é questão apenas de sobrevivência. Mas a vida não está baseada, simplesmente, na escolha do bem. É preciso saber que nem todo o bem nos faz bem, nem todo bem faz bem a todos. Isto é o discernimento, é preciso saber escolher entre o bem e o bem devido.

Se olhamos, por exemplo, o açúcar, é um bem, é bom, mas não faz bem a quem é diabético, nem a quem recupera de cirurgias. Ou seja, nem todo o bem nos faz sempre bem.

Saber fazer as escolhas

Escolher entre o bem e o bem devido é questão de prudência. Para ser feliz é preciso saber romper com o apego das coisas que são incompatíveis com nossa vida. Esta é a vontade de Deus!

Precisamos de amadurecer para as escolhas mais difíceis como esta, escolher entre tudo que é bom e encontrar a vontade do Senhor, o bem que nos é devido. Acertar nessa escolha é questão de realização.

A prudência é a mãe de todas as virtudes e é nela que nos encontramos com o Senhor. Ser de Deus não é fácil, mas é possível. Pede a Jesus Cristo prudência para as tuas decisões. Amém.

 
Como lidar com pessoas pessimistas Imprimir e-mail

Como lidar com pessoas pessimistas

Está mais do que provado que o bom humor colabora com a qualidade de vida, e sorrir é uma das melhores coisas do mundo. Mas a verdade é que, encontrar pessoas realmente felizes hoje em dia é quase como descobrir um Oásis no meio do deserto. Andamos tensos, apressados, conectados no telefone, e sem tempo para olharmos com atenção para as coisas boas da vida e sermos gratos. Por outro lado, ouvimos constantes reclamações a respeito da chuva, do calor, do governo, do trânsito, da crise, etc.. Talvez nem percebamos, mas, são manifestações de pessimismo que, aos poucos, nos contagia. É claro que nem tudo são flores nesta vida, e coisas boas e ruins alternam-se no dia a dia, alterando também os nossos sentimentos a cada instante; mas, se temos como meta a felicidade, é preciso levantar-se depois das quedas, sacudir a poeira e seguir em frente com um sorriso de esperança, sem se deixar levar pelas lamúrias. Afinal, como lidar com pessoas pessimistas?

Ter uma visão positiva ou negativa em relação aos acontecimentos é, antes de tudo, uma questão de escolha. A pessoa pessimista, por exemplo, consegue imaginar tudo de ruim que possa acontecer e não enxerga nada de bom que já esteja a acontecer. O otimista, ao contrário, mesmo que esteja na pior, tem tanta certeza que vai vencer, que passa pela dor com serenidade. E não é que esteja a viver fora da realidade, mas é a sua atitude em reconhecer quem é, e a certeza de que não está sozinho neste mundo, que o faz ir além. Portanto, se você é do tipo que fica muito chateado, ou até mesmo arrasado quando as coisas não acontecem do jeito que planeou, experimente, na próxima vez que isso acontecer, analisar a situação com calma e pedir para Deus lhe mostrar uma nova perspectiva do acontecimento. Se viver a experiência com fé e coragem, tenho a certeza de que vai surpreender-se. Uma vez que, optamos por andar nos caminhos de Deus, Ele proporciona-nos graças em todas as situações, só que, por vezes, é preciso procurá-las.

Na adolescência, li um livro que me ajudou bastante neste sentido. É um clássico de Eleonor Porter, chamado Polyana. O livro narra a história de uma menina pobre (materialmente falando), mas com um entusiamo tão grande, que conseguia contagiar até os corações mais duros e resistentes à alegria. Por exemplo, ela desejava muito ganhar uma boneca, mas recebeu um par de muletas por engano. Em vez de ficar triste, concluiu, com a ajuda do pai, que tinha um grande motivo para se alegrar: “O facto de não precisar de muletas”. Foi aí que começaram a jogar o “jogo do contente” como vieram a chamar à dinâmica que consiste em encontrar qualquer motivo para se alegrar e agradecer a Deus, por tudo o que acontece. Seja o que for. Polyana ensinava o “jogo” a todos que encontrava, e o resultado foi uma transformação total da cidade. A história é linda e tem um final feliz, é claro! Agora, na vida real, será que nós não podemos fazer algo parecido e levar um pouco de esperança e alegria aos corações abatidos?

A importância de mudar o ponto de vista

Não se trata simplesmente de pensar de forma positiva ou de tentar fazer coisas boas acontecerem com o poder dos pensamentos. Trata-se de ver as coisas do ponto de vista de Deus, lembrando que Ele nos ama, e pedir que Ele nos mostre como que uma circunstância aparentemente negativa, pode na verdade, trazer-nos algo de bom. Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito (Rm 8,28). Esta verdade gravada na Sagrada Escritura deve ser trazida à memória, sempre que passamos por situações que nos contrariam, porque, ela nos leva a ver segundo a perspectiva de Deus, que é bom e só deseja o bem para os seus filhos.

É verdade que, muitas vezes não conseguimos mudar as situações, mas, quando fazemos a opção pela confiança em vez da lamentação, em meio às provas mudamos totalmente a maneira como lidamos com a vida, e o mundo carece de atitudes assim. Façamos, hoje, a experiência de acreditar mais no amor de Deus e semear mais alegria e esperança nos corações. Tenho a certeza de que isto dará um novo sentido à nossa vida. Porque sempre há um aceno do amor misericordioso de Deus para cada situação que vivemos.

 
O que fazer com uma imagem sabgrada que foi abençoada, mas se quebrou Imprimir e-mail

 

O que fazer com uma imagem sagrada que foi abençoada, mas se quebrou? 

 

Posso lançar fora uma imagem sagrada abençoada, que se quebrou?

Antes destacamos a importância e o valor das imagens na Igreja. Começo por recordar que o católico não adora imagens, mas tem por elas veneração.

 

São João Damasceno diz que “antigamente, Deus, que não tem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas, agora que se mostrou na carne e viveu com os homens, posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. (…) Com o rosto descoberto, contemplamos a glória do Senhor” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1159).

Nesta perspectiva, o Catecismo da Igreja ensina que, “na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos padres e da tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos, com toda a certeza e acerto, que as veneráveis e santas imagens […] devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1161). A Igreja sempre valorizou tais práticas que conduzem para o próprio Deus.

Como dispensar com zelo imagens sacras abençoadas, quebradas?

Um primeiro ponto a ser observado em relação a uma imagem sacra que se quebrou, é verificar a possibilidade de a restaurar, se for oportuno.

Após uma avaliação do estado da imagem e não havendo possibilidade ou interesse na sua restauração, o próximo passo seria utilizar a forma mais coerente de se desfazer do objecto, levando em conta o seu significado.

A sugestão é que não há “necessidade” de levar as imagens quebradas para as depositar nas Igrejas, cemitérios, lançar em rios ou noutros lugares, mas elas podem ser trituradas e enterradas no jardim ou num vaso de sua casa. O sentido é evitar a possibilidade de as imagens que foram abençoadas serem escarnecidas, ao serem lançadas no lixo com indignidade ou deixadas em lugar indevido.

Com isso, deve-se desfazer das imagens danificadas de forma que o seu valor espiritual e significado religioso não sejam afectados, evitando qualquer sinal de desrespeito.

Dizia São João Damasceno que “a beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espectáculo do campo estimula o meu coração a dar glória a Deus”.

Assim, a função, tanto das imagens abençoadas como dos ícones santos em boas condições é entrar “na harmonia dos sinais da celebração, para que o mistério celebrado se grave na memória do coração e se exprima em seguida na vida nova dos fiéis” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1162).

Portanto, uma imagem que está quebrada ou danificada não atinge todo o seu objectivo, por isso, pode ser dispensada sem nenhum problema.

 
Como lidar com pessoas difíceis Imprimir e-mail

 

COMO LIDAR COM PESSOAS DIFÍCEIS

 

Atrás de cada lamentação há um grito desesperado para “me amar quando eu menos mereço”

O que você pode fazer se o seu marido voltar do trabalho todos os dias de mau humor e arruinar o ambiente em sua casa… e se arrepender depois? Você pode mudar uma personalidade difícil? (Não falamos de personalidades abusivas, mas apenas de tipos mal-humorados).

Onde faltar o amor, semeie o amor e você colherá o amor. A verdade é que é difícil amar as pessoas mal-humoradas e complicadas, mas será mais fácil fazer isso se entendermos que por trás de cada lamentação há um grito desesperado para “me amar quando eu menos mereço porque é quando eu mais preciso disso”.

Todos nós nascemos com um temperamento em que temos que trabalhar para formar o nosso carácter. É uma característica inata que herdamos, e não é algo que mudamos apertando um botão. É assim que as nossas emoções espontâneas respondem; são nossas reações típicas quando enfrentamos estímulos externos.

Mas o carácter é a nossa maneira pessoal de ser. É a soma dos traços e características que formamos no decorrer da nossa vida e que nos tornam únicos. Ao contrário do temperamento, o carácter pode ser formado e educado, o que significa que pode mudar, graças à influência do ambiente e da educação, das coisas que vivemos e da nossa inteligência emocional, entre outros factores.

Portanto, o temperamento não pode ser alterado, mas o carácter pode sempre ser moldado até alcançar uma personalidade encantadora.

Se o seu cônjuge tem um fusível curto, é mal-humorado ou cria uma atmosfera má, leia isto:

Compreensão

O primeiro e mais importante ponto é compreendê-lo com um coração aberto e misericordioso. Certamente, é muito cansativo lidar com uma personalidade assim, e a coisa mais frustrante é a nossa própria incapacidade de mudá-lo. Mas podemos escolher a atitude com a qual responderemos a essa personalidade ou nos momentos em que percebemos que a outra pessoa está a criar uma atmosfera má no lar. O amor é compreensivo, disse São Paulo. Quando o seu marido chega do trabalho de mau humor ou quando a sua esposa está histérica, você tem a certeza de que ele está bravo? Pode ser que haja algo de tristeza, preocupação, desilusão, medo ou frustração que conduz o seu comportamento? Pense nisso… Se você é capaz de entender o que está por trás desse rosto “amarrado”, você será mais capaz de evitar ser sugada para a atitude negativa.

Evite colocá-lo para baixo

Tanto quanto você pode querer lançar insultos ao seu cônjuge, não importa quanto você sinta que ele merece isso, nunca magoe o seu cônjuge com palavras ofensivas ou a sua esposa: “Tu és uma mulher louca; é por isso que ninguém te ama” ou “Nem a tua mãe te suporta” ou “Tu és como a tua mãe”.

Onde faltar o amor, semeie o amor e você colherá amor

Embora seja difícil amá-lo naquele momento, ame-o! Como? Apenas tomando uma atitude diferente, sendo gentil e não defensiva. Faça com que o cônjuge sinta que em sua casa ele é incrivelmente amado e aceite. De forma amorosa, faça-o saber que você está lá para ele incondicionalmente para que juntos possam encontrar a raiz dessa raiva. Acredite, se é difícil para você estar com alguém assim, veja como é ser essa pessoa. É ainda mais difícil para eles viverem consigo mesmos.

Faça acordos

Num momento de “lucidez”, quando as coisas se acalmaram, fale sobre isso e ajude-o a entender como você se sente quando vê que ele perdeu o controle. Você pode fazer estratégias e pactos, como: “Quando eu perceber que você está perdendo o controle ou criando uma atmosfera negativa em nossa casa, deixarei você sozinho e esse será o sinal de que você precisa para se acalmar”.

Os seres humanos não são perfeitos, mas somos aperfeiçoáveis. Portanto, uma personalidade complicada sempre terá a chance de melhorar. Mas ele ou ela tem que ser o único a decidir fazer isso. Não é fácil, mas é possível. Em alguns casos, a pessoa pode precisar de ajuda profissional para descobrir quais feridas emocionais precisam de ser curadas e o que o faz reagir desse modo.

Para os fiéis, a ajuda de Deus é sempre importante para curar feridas interiores e fazer mudanças na vida.

 
Conselhos de Santa Tresinha para lidar com pessoas antipáticas Imprimir e-mail

Conselhos de Santa Teresinha para aprender a lidar com pessoas antipáticas

 

Ela também não foi uma pessoa fácil, mas aprendeu a dominar a arte da empatia

Santa Teresa de Lisieux era conhecida como uma mulher tranquila e modesta. E com ela aprendemos que não dá para apelidar de “pequena flor” alguém que propaga insultos no Twitter ou que publica críticas contra os outros.

Santa Teresinha desenvolveu a habilidade de lidar com gente desagradável com tanta doçura que as pessoas antipáticas pensavam, erroneamente, que ela tinha um carinho especial por elas.

Todos temos pessoas chatas à nossa volta, não é? Às vezes não nos damos bem com elas, já que elas dão a impressão de que só existem para nos aborrecer.

Essas pessoas que nos fazem bufar estão sempre na mesma festa em que estamos. Assim, tentamos evitar qualquer contacto visual quando cruzamos com elas e logo pegamos no telefone para fingir que estamos a analisar mensagens importantíssimas. Não me digas que nunca fizeste isto?

Porém, não conseguimos escapar completamente delas, porque, como mostra a experiência de Santa Teresa, elas estão em toda a parte, inclusive nos conventos. Santa Teresa dominou rapidamente a arte de tratar com pessoas difíceis e aprendeu a mostrar empatia por elas. Talvez porque a própria Teresinha tenha sido uma pessoa difícil na sua juventude.

Ao contrário do que muitos pensam, Santa Teresa de Lisieux nasceu com um temperamento violento. De acordo com a mãe dela, a menina fazia birras terríveis quando as coisas não saíam do jeito dela e se deitava ao chão como uma desesperada, pensando que tudo estava perdido. “Havia momentos em que a birra era mais forte e ela perdia a respiração”, dizia a mãe.

Santa Teresa também diz na sua biografia que, se não tivesse tido pais tão bons, que a ajudaram a remediar este defeito de carácter, ela poderia – facilmente – “ter saído muito má”.

Quando entrou para a vida religiosa, escreveu: “tudo neste convento me agradou”. Mas, rapidamente aprendeu que precisava de melhorar o seu comportamento antipático e que o mesmo acontecia com as mulheres com quem convivia.

Ela, inclusive, teve problemas com uma das suas superioras, que era severa com ela. “Não se podia cruzar com ela sem ter que beijar o chão”, conta Teresa, que afirma que o simples facto de fazer a limpeza do chão se transformava em motivo para ser humilhada. “Recordo que, certa vez, havia deixado uma teia de aranha no claustro e ela me disse diante da comunidade: ‘Pensei que o claustro tivesse sido varrido por uma menina de 15 anos’”.

Esta humilhação foi só uma de uma série de acusações de preguiça. A superiora frequentemente reclamava: “Esta menina não faz absolutamente nada”. Entretanto, Teresa teve que aprender a conviver com a superiora, pois, para o bem ou para o mal, elas passaram a maior parte do tempo juntas. Mas a situação só piorava e, com o tempo, Teresa percebeu que tinha que aprender a lidar com pessoas antipáticas. E deixou conselhos para quem também tem que enfrentar este tipo de desafio.

Busque o seu valor autêntico

As pessoas antipáticas são incansavelmente negativas. Elas encontram sempre algo de que não gostam e, certo ou não, concentram-se sempre nisso.  A madre superiora, por exemplo, havia decretado que Teresa era preguiçosa e lembrava isso a toda hora. Teresa resolveu este problema, deixando de dar importância ao que a sua detratora pensava e buscando o seu verdadeiro valor interior.

Ela decidiu fazer o seu trabalho silenciosamente e sem chamar a atenção, visando satisfazer a sua própria estima e honrar a Deus. Na realidade, ela dava sempre o crédito do seu trabalho a outras pessoas, pois sabia que isso as deixaria alegres. Quando ela parou de se preocupar com o facto da superiora apreciar ou não o seu trabalho, ela conseguiu liberar-se da negatividade.

Não desperdice energias em vão

Com isso, Teresa não quer dizer que devemos ser indolentes, mas que quando nos acusam ou nos julgam erroneamente, não devemos entrar nessa guerra. Quando a superiora a acusava de preguiçosa, Teresa podia ter contestado e começado uma disputa verbal. Mas sabia que não adiantar nada.

Por exemplo, conta a história que apareceu um vaso quebrado no convento e que a madre acusou Teresa de não ter recolhido os pedaços. Ela entendeu que não importava quem havia quebrado o vaso e que não valia a pena o esforço para provar a sua inocência. Assim, como ninguém assumiu a culpa, Teresa recolheu os cacos. Com o tempo, as ações dizem mais do que as palavras.

Aperfeiçoe a sua capacidade de amar

É fácil amar a família e os amigos, mas é difícil amar uma pessoa que parece não ter capacidade de redenção. Teresa fala de uma freira de quem sentia aversão natural, e de como entendeu que o amor é uma atitude, não um sentimento, já que essa freira a ensinou a amar melhor.

“Eu prestava-lhe todos os serviços que podia. Quando sentia a tentação de a contestar de maneira desagradável, limitava-me a me dirigir a ela da maneira mais encantadora possível: com o meu sorriso”, disse Teresa. Depois de certo tempo, confessou que os seus sentimentos começaram a mudar de verdade.

Definitivamente, uma pessoa difícil só nos pode prejudicar se nós permitirmos. Como Teresa demonstrou, há sempre uma alternativa. Talvez seja difícil ou até pareça impossível. Mas este exemplo revela que até a pessoa mais antipática do mundo pode transformar-se em santa.

 
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Como lidar com pessoas difíceis no trabalho?

 

Aprenda a conviver com aquelas pessoas que fazem da sua vida profissional um verdadeiro inferno

Pessoas tóxicas, gente amarga, misantropos… Particularmente, não sou a favor dessas e tantas outras etiquetas. Prefiro chamar-lhes pessoas com atitudes difíceis ou feridas, já que é isso que as leva a ter um tipo de comportamento não tão agradável.

Sejamos realistas, ninguém – por pior que seja a pessoa – acorda pensando: “hoje serei feliz sendo amargo, fazendo a vida difícil aos outros”.

Por isso, é importante entender o que se passa na vida de quem tem um comportamento azedo. Por traz de cada rosto que não sorri pode haver uma história de dor, carência ou uma marca de abandono.

Então, longe de julgarmos, precisamos de olhar com compaixão.

Este tipo de gente está por toda a parte; não é só no ambiente profissional. Algumas vezes, tu e eu também agimos como pessoas difíceis.

A arte da simpatia

Como lutar contra essas pessoas que querem tornar a nossa vida mais difícil no trabalho? São Paulo dizia que é preciso afundar o mal com abundância de bem.

Portanto, a nossa primeira arma é o sorriso. Pode parecer tolice, mas um sorriso desarma qualquer um.

Talvez tu sejas o único a dar esse presente a uma pessoa difícil. A tua expressão poderá ser um bálsamo para um coração que passa por um momento traumático. Com um sorriso, queremos dizer o seguinte: “o que eu posso fazer para aliviar a tua carga? Conta comigo”.

Por outro lado, lembra-te que os maus tratos são como qualquer presente: tu escolhes se o aceita ou não. É verdade, é horrível chegar ao trabalho e sentir-se logo num ambiente hostil.

Portanto, além de contar com a tua arma mais poderosa – o teu sorriso – tu podes adoptar estes conselhos na hora de te relacionar com pessoas difíceis e mal humoradas:

• Tenta compreender a pessoa. Se vires que não há uma resposta positiva, dedica-lhe o mínimo de tempo possível e dirige-lhe a palavra apenas se necessário;

• Quando conversarem, centraliza o assunto na pessoa, não em ti. Assim, evitarás que ela distorça as suas palavras ou manipule a informação;

• Trata-a da mesma forma como gostarias de ser tratado;

• Toma cuidado com o que vais dizer, pois essas pessoas costumam sentir-se atacadas ou ofendidas por nada. Sim, é desgastante tomar todos esses cuidados. Mas, lembra-te: tu estás a falar com alguém que está ferido;

• Procura não levar as coisas para o lado pessoal, nem mesmo os ataques directos a ti;

• Fala de forma clara, concisa e sem rodeios. Não queiras que a pessoa entenda o teu ponto de vista, pois ela não entenderá;

• Não partilhes assuntos pessoais. Por causa das tuas próprias feridas emocionais, essas pessoas geralmente são pouco prudentes quanto à vida pessoal dos outros;

• Deixa as regras do jogo bem claras. Diz que a respeitas e exige respeito. Antes de tudo, segue as políticas e procedimentos da empresa.

Por último, a pergunta de um milhão: por quê uma atitude amarga de outrem te está a tirar a paz? O que é que poderias mudar em ti mesmo para que este tipo de atitude não te impacte tanto?

 
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Como entender a segunda vinda de Jesus 

 

Podemos entender a segunda vinda de Cristo como parte essencial da nossa história da salvação

Ao falar da vinda de Cristo, São Bernardo de Claraval fala-nos da vinda intermediária que se dá entre a primeira, a da Encarnação, e a segunda, a conhecida como Parusia. A vinda intermediária é a que se dá por meio dos sacramentos, por meio da presença do Senhor em nós. De facto, diz a Sagrada Escritura: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (cf. Jo 14,23).

Segundo São Bernardo, na vinda intermediária cada um percebe Cristo em si mesmo e recebe a salvação. Diz ainda que, na primeira vinda, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder da sua graça; na última, virá com todo o esplendor da Sua glória. Cabe a nós a reflexão sobre a última, conhecida como a segunda vinda de Cristo, a da Parusia, do esplendor da Sua glória.

O sentido de glória, aqui, não quer em nada diminuir o sentido da primeira vinda na Encarnação em humildade e na força do Seu amor, mas ressaltar a seguinte verdade: Cristo que virá na glória é o mesmo no brilho da Sua humildade, bondade e justiça. O Cristo que virá na glória aparecerá com a mesma vontade de salvar a todos, o que não significa a aceitação de todos. Assim, a Parusia, de certa forma, é a consumação da Encarnação.

O que encontramos na Sagrada Escritura sobre a segunda vinda de Cristo?

Pensemos na criação. Ao falar de criação, isto não significa que o mundo teve origem no tempo, mas que o tempo passou a ter origem com o mundo. A criação é um evento para além do espaço e do tempo, e não podemos pensá-la apenas tendo em vista as duas categorias que tornam possível a história humana. O mundo foi criado por Deus com o tempo e não no tempo. O mundo, o espaço e o tempo têm a sua originam na vontade eterna e criadora de Deus. Assim como na criação (cf. Gn 1,1s), a consumação (cf. Mc 13,4.24s.29ss) do mundo se dará também com o tempo e o espaço, e não no tempo e no espaço, portanto, não os devemos pensar nos limites da nossa forma de conhecer.

A consumação deste mundo dar-se-á na experiência da Ressurreição de Jesus e de cada um de nós, não mais de maneira presa às categorias deste mundo, será uma realidade que se dará no mundo, mas que estará para além dele. Ou seja, será uma realidade histórica, mas que a transcenderá.

O que diz o Catecismo da Igreja Católica?

A volta gloriosa de Jesus é um evento ligado ao Juízo Final/Universal (cf. n. 1040-1042). Sobre quando isto se dará, nem o Catecismo afirma, apenas diz que “só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo”. Por meio do Filho, Ele pronunciará a Sua palavra definitiva sobre toda a história.

O Catecismo ainda afirma que “a partir da Ascensão, a vinda de Cristo na glória é iminente, embora não nos ‘caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com a sua própria autoridade’ (At 1,7)… antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma provação final que abalará a fé de muitos. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o ‘mistério da iniquidade’, sob a forma de uma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade” (n. 674-675).

Nós, como cristãos, vivamos este tempo em esperança e vigilância, na certeza de que a Igreja só entrará na glória do Reino por meio da derradeira Páscoa, em que seguirá o seu Senhor na Sua Morte e Ressurreição. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal, assumirá a forma do Juízo Final depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa, como afirma o Catecismo (n. 677).

Assim, podemos entender a segunda vinda de Cristo como parte essencial da nossa história de salvação. Enquanto Ele não vem, temos de escolhê-Lo todos os dias, sem negar a Sua graça em nós, para não nos tornarmos “juízes” de nós mesmos, negando a graça de Cristo em nós, o que seria algo terrível e triste. O que queremos são as alegrias da vida eterna em Deus.

 
25 segredos de Jesus a Santa Faustina na luta contra o demónio Imprimir e-mail

  

Os 25 segredos que Jesus revelou a Santa Faustina para lutar contra o demónio

 

Jesus começou por dizer: “Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual”. E deu-lhe estes conselhos:

 

1. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade.

A confiança é uma arma espiritual. Ela é parte do escudo da fé que São Paulo menciona na Carta aos Efésios (6, 10-17): a armadura do cristão. O abandono à vontade de Deus é um ato de confiança; a fé em ação dissipa os maus espíritos.

2. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome.

Em tempos de guerra espiritual, reza imediatamente a Jesus. Invoca o seu Santo Nome, que é muito temido pelo inimigo. Leva as trevas à luz contando tudo ao teu diretor espiritual ou confessor, e segue as suas instruções.

3. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração.

No Jardim do Éden, Eva negociou com o diabo e perdeu. Precisamos de recorrer ao refúgio do Sagrado Coração. Correr até Jesus é a melhor maneira de virar as costas ao demónio.

4. Na primeira oportunidade, conta-a ao confessor.

Uma boa confissão, um bom confessor e um bom penitente, são a receita perfeita para a vitória sobre a tentação e a opressão demoníaca. Isto não falha!

5. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações.

O amor próprio é natural, mas precisa de ser ordenado, livre de orgulho. A humildade vence o diabo, que é o orgulho perfeito. Satanás tenta-nos no amor próprio desordenado, que nos leva à piscina do orgulho.

6. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma.

A paciência é uma grande arma secreta que nos ajuda a manter a paz da nossa alma, inclusive nas grandes tempestades da vida. A paciência consigo mesmo é parte da humildade e da confiança. O diabo tenta-nos à impaciência, a voltar-nos contra nós mesmos, de maneira que fiquemos com raiva. Olha para ti mesmo com os olhos de Deus. Ele é infinitamente paciente.

7. Não descuides as mortificações interiores.

A Escritura ensina-nos que alguns demónios só podem ser expulsos com oração e jejum. As mortificações interiores são armas de guerra. Podem ser pequenos sacrifícios oferecidos com grande amor. O poder do sacrifício por amor desaloja o inimigo.

8. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor.

Cristo falava a Santa Faustina, que morava num convento. Mas todos nós temos pessoas com autoridade sobre nós. O diabo tem como objetivo dividir e conquistar; então, a obediência humilde à autoridade autêntica é uma arma espiritual.

9. Foge dos que murmuram, como se foge da peste.

A língua é uma poderosa embarcação que pode causar muito dano. Estar a murmurar ou a fazer fofoca nunca é de Deus. O diabo é um mentiroso que gera acusações falsas e fofocas que podem matar a reputação de uma pessoa. Rejeita as murmurações.

10. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.

A mente da pessoa é a chave na guerra espiritual. O diabo é um intrometido que tenta arrastar a todos. Procura agradar a Deus e deixa de lado as opiniões dos outros.

11. Observa a Regra o mais fielmente possível.

Jesus refere-se à Regra de uma ordem religiosa. Mas todos nós já fizemos algum tipo de voto ou promessa diante de Deus e da Igreja e precisamos de ser fiéis a isso: promessas batismais, votos matrimoniais, etc. Satanás tenta-nos para nos levar à infidelidade, à anarquia e à desobediência. A fidelidade é uma arma para a vitória.

12. Se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer.

Ser um canal da misericórdia divina é uma arma para fazer o bem e derrotar o mal. O diabo trabalha usando o ódio, a raiva, a vingança, a falta de perdão. Muitas pessoas já nos ofenderam. O que daremos em troca? Responder com uma bênção destrói maldições.

13. Evita a dissipação.

Uma alma faladeira será mais facilmente atacada pelo demónio. Derrama os teus sentimentos somente diante do Senhor. Os sentimentos são efémeros. A verdade é tua bússola. O recolhimento interior é uma armadura espiritual.

14. Cala-te quando te repreenderem.

Todos nós já fomos repreendidos em algum momento. Não temos nenhum controle sobre isso, mas podemos controlar a nossa resposta. A necessidade de ter a razão o tempo todo pode levar-nos a armadilhas demoníacas. Deus sabe a verdade. Deixa-a ir. O silêncio é uma proteção. O diabo pode utilizar a justiça própria para nos fazer tropeçar também.

15. Não peças a opinião a todos, mas do teu diretor espiritual: diante dele sê franca e simples como uma criança.

A simplicidade da vida pode expulsar os demónios. A honestidade é uma arma para derrotar Satanás, o mentiroso. Quando mentimos, colocamos um pé no terreno dele, e ele tentará seduzir-nos mais ainda.

16. Não te desencorajes com a ingratidão.

Ninguém gosta de ser subestimado. Mas quando nos encontramos com a ingratidão ou com a insensibilidade, o espírito de desânimo pode ser um peso para nós. Resiste a todo desânimo, porque isso nunca vem de Deus. É uma das tentações mais eficazes do diabo. Sê grata diante de todas as coisas do dia e sairás a ganhar.

17. Não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo.

A necessidade de conhecer e a curiosidade pelo futuro são tentações que levaram muitas pessoas aos quartos escuros do ocultismo. Escolhe caminhar na fé. Decide confiar em Deus, que te leva ao caminho do céu. Resiste sempre ao espírito de curiosidade.

18. Quando o enfado e o desânimo bateram à porta do teu coração, foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração.

 

Jesus entrega a mesma mensagem pela segunda vez. Agora Ele refere-se ao tédio. No começo do Diário, Ele disse a Santa Faustina que o diabo tenta mais facilmente as almas ociosas. Tem cuidado com isso, porque as almas ociosas são presa fácil do demónio.

19. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.

O medo é a segunda tática mais comum do diabo (a primeira é o orgulho). A coragem intimida o diabo; ele fugirá diante da perseverante coragem que se encontra em Jesus, a rocha. Todas as pessoas lutam, e Deus é nossa provisão.

20. Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo.

Jesus pede a Santa Faustina que lute com convicção. Ela pode fazer isso porque Cristo a acompanha. Nós, cristãos, somos chamados a lutar com convicção contra todas as táticas demoníacas. O diabo tenta aterrorizar as almas, mas precisamos de resistir ao seu terrorismo. Invoca o Espírito Santo ao longo do dia.

21. Não te guies pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, mas todo o mérito reside na vontade.

Todo o mérito radica na vontade, porque o amor é um ato da vontade. Somos completamente livres em Cristo. Precisamos de fazer uma escolha, uma decisão para bem ou para mal. Em que lado vivemos?

22. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras.

Aqui, Jesus está instruindo uma freira. Todos nós temos o Senhor como nosso superior (representado também pelos padres, confessores, diretores espirituais). A dependência de Deus é uma arma de guerra espiritual, porque não podemos ganhar pelos nossos próprios meios.

23. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas.

Santa Faustina sofreu física e espiritualmente. Ela estava preparada para grandes batalhas, pela graça de Deus. Cristo nos instrui claramente na Bíblia a estar preparados para grandes batalhas, para nos revestir da armadura de Deus e resistir ao diabo (Ef 6, 11).

24. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam.

Estamos todos num grande cenário no qual o céu e a terra nos vêem. Que mensagem estamos a dar com a nossa forma de vida? Que tonalidades irradiamos: luz? Escuridão? Cinza? A forma como vivemos atrai mais luz ou escuridão? Se o diabo não nos conseguir levar para a escuridão, tentará manter-nos na categoria dos medíocres, do cinza, que não é agradável a Deus.

25. Luta como uma valorosa guerreira, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.

 

As palavras do Senhor a Santa Faustina podem transformar-se no nosso lema: “Luta como um guerreiro(a)!” Um soldado de Cristo sabe bem a causa pela qual luta, a nobreza da sua missão, conhece o Rei ao qual serve; e luta até ao final, com a abençoada certeza da vitória.

Se uma jovem polaca, sem formação, uma simples freira, unida a Cristo, pôde lutar como um cavaleiro, um soldado, todo o cristão pode fazer o mesmo. A confiança é vitoriosa.

 
Judas Iscariotes foi condenado ao inferno? Imprimir e-mail

 

Judas Iscariotes foi condenado ao inferno?

 

"A envergadura do pecado não o torna irremissível"

Jesus disse que seria melhor que Judas não tivesse nascido. Ele se tornou-se exemplo de traição, de suicida irredento. A Divina Comédia coloca-o no último círculo do inferno. Mas ele foi condenado “oficialmente” pela Igreja?

A primeira coisa que é preciso dizer é que a Igreja proclamou de modo solene a santidade – e, portanto, a salvação eterna – de muitas pessoas, mas nunca declarou oficialmente a condenação de ninguém. Nem de Judas. Por quê? A resposta é simples: Deus dá a todos uma última oportunidade de arrependimento no momento da morte. E não sabemos a resposta de cada um.

Portanto, a explicação que damos aqui não é propriamente a doutrina ou a posição da Igreja, mas o que os cristãos têm pensado sobre o tema. É preciso levar em conta que o fim de Judas foi marcado mais pelo desespero do que pela traição. A narrativa evangélica é clara ao assinalar que ele estava arrependido da traição. Mas, o seu desespero levou-o ao suicídio.

Entretanto, lembremos que a envergadura do pecado não o torna irremissível; o que é verdadeira irremissível é a falta de arrependimento final.

As revelações privadas, embora os seus conteúdos não são propriamente partes da fé da Igreja, podem contribuir de alguma forma neste caso. Mas também não encontramos nelas uma resposta totalmente conclusiva sobre o caso em questão. Santa Catarina de Siena, Doutora da Igreja, diz:

“Este é o pecado que nunca é perdoado, nem agora nem nunca: o abandono, o desprezo da minha misericórdia. Pois me ofende mais que todos os outros pecados cometidos. Por isso, o desespero de Judas desagradou-me e era um insulto maior ao meu Filho do que a sua traição. Assim, os que agem dessa forma são reprovados, por este falso juízo de considerar o seu pecado maior do que a minha misericórdia. Não te direi o que fiz com Judas para ninguém abuse da minha misericórdia. Podes pensar como quiseres”.

Obviamente, como dito anteriormente, não resta em nenhum caso a gravidade do foi que feito. Com razão, o nome de Judas ficou e ficará sendo sinónimo de traidor.

 
A importância da Oitava da Páscoa Imprimir e-mail

 

A importância da Oitava da Páscoa

 

Após o domingo de Páscoa a Igreja vive o Tempo Pascal; são sete semanas em que celebra a presença de Jesus Cristo Ressuscitado entre os Apóstolos, dando-lhes as suas últimas instruções (At 1,2). Quarenta dias depois da Ressurreição Jesus teve a sua Ascensão ao Céu, e ao final dos 49 dias enviou o Espírito Santo sobre a Igreja reunida no Cenáculo com a Virgem Maria. É o coroamento da Páscoa. O Espírito Santo dado à Igreja é o grande dom do Cristo glorioso.

O Tempo Pascal compreende estes cinquenta dias (em grego = “pentecostes”), vividos e celebrados “como um só dia”. Dizem as Normas Universais do Ano Litúrgico que: “os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até ao domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, “como se fosse um único dia festivo”, como um grande domingo” (n. 22).

É importante não perder o carácter unitário destas sete semanas. A primeira semana é a “oitava da Páscoa”. Ela termina com o domingo da oitava, chamado “in albis”, porque nesse dia os recém batizados tiravam as vestes brancas recebidas no dia do Batismo.

Este é o Tempo litúrgico mais forte de todo o ano. É a Páscoa (passagem) de Cristo da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a Páscoa também da Igreja, seu Corpo. No dia de Pentecostes a Igreja é introduzida na “vida nova” do Reino de Deus. Daí para frente o Espírito Santo guiará e assistirá a Igreja na sua missão de salvar o mundo, até que o Senhor volte no Último Dia, a Parusia. Com a vinda do Espírito Santo à Igreja, entramos “nos últimos tempos” e a salvação está definitivamente decretada; é irreversível; as forças o inferno, vencidas por Cristo na cruz, não são mais capazes de barrar o avanço do Reino de Deus, até que o Senhor volte na Parusia.

A Igreja logo nos primórdios começou a celebrar as sete semanas do Tempo Pascal, para “prolongar a alegria da Ressurreição” até à grande festa de Pentecostes. É um tempo de prolongada alegria espiritual. Este tempo deve ser vivido na expectativa da vinda do Espírito Santo; deve ser o tempo de um longo Cenáculo de oração confiante.

Nestes cinquenta dias de Tempo Pascal, e, de modo especial na Oitava da Páscoa, o Círio Pascal é aceso em todas as celebrações, até ao domingo de Pentecostes. Ele simboliza Cristo ressuscitado no meio da Igreja. Ele deve  lembrar-nos que todo o medo deve ser banido porque o Senhor ressuscitado caminha connosco, mesmo no vale da morte (Sl 22). É tempo de renovar a confiança no Senhor, colocar em suas mãos a nossa vida e o nosso destino, como diz o salmista: “Confia os teus cuidados ao Senhor e Ele certamente agirá” (Salmo 35,6).

Os vários domingos do Tempo Pascal não se chamam, por exemplo, “terceiro domingo depois da Páscoa”, mas “III domingo de Páscoa”. As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa estão voltadas para a Ressurreição. A primeira leitura é sempre dos Actos dos Apóstolos, as acções da Igreja primitiva, que no meio de perseguições anunciou o Senhor ressuscitado e o seu Reino, com destemor e alegria.

Portanto, este é um tempo de grande alegria espiritual, onde devemos viver intensamente na presença do Cristo ressuscitado que transborda sobre nós os méritos da Redenção. É um tempo especial de graças, onde a alma mais facilmente bebe nas fontes divinas. É o tempo de vencer os pecados, superar os vícios, renovar a fé e assumir com Cristo a missão de todo o baptizado: levar o mundo para Deus, através de Cristo. É tempo de anunciar Cristo ressuscitado e dizer ao mundo que somente nele há salvação.

Então, a Igreja deseja que nos oito dias de Páscoa (Oitava de Páscoa) vivamos o mesmo espírito do domingo da Ressurreição, colhendo as mesmas graças. Assim, a Igreja prolonga a Páscoa, com a intenção de que “o tempo especial de graças” que significa a Páscoa, se estenda por oito dias, e o povo de Deus possa beber mais copiosamente, e por mais tempo, as graças de Deus neste tempo favorável, onde o céu beija a terra e derrama sobre elas suas Bênçãos copiosas.

Mas, só pode beneficiar destas graças abundantes e especiais, aquele que tem sede, que conhece, que acredita, e que pede. É uma lei de Deus, quem não pede não recebe. E só recebe quem pede com fé, esperança, confiança e humildade.

As mesmas graças e bênçãos da Páscoa estendem-se até ao fim da Oitava. Não deixes passar este tempo de graças em vão! Vive oito dias de Páscoa e colhe todas as suas bênçãos. Não tenhas pressa! Reclamamos tanto das nossas misérias, mas desprezamos tanto os salutares remédios que Deus coloca à nossa disposição tão frequentemente.

Muitas vezes somos miseráveis sentados em cima de grandes tesouros, pois perdemos a chave que podia abri-lo. É a chave da fé, que tão maternalmente a Igreja coloca todos os anos em nossas mãos. Aproveitemos este tempo de graça para renovar a nossa vida espiritual e crescer em santidade.

 

 
Se os católicos naõ adoram imagens, por que adoram um objecto, a criz? Imprimir e-mail

 

Se os católicos não adoram imagens, por que adoram um objecto, a cruz?

 

Em primeiro lugar, é preciso diferenciar a cruz de Cristo (a real, ainda que esteja espalhada pelo mundo inteiro em pequenas lascas) das cruzes que vemos e tocamos.

Na celebração da Sexta-Feira Santa, de facto, há um momento litúrgico em que os fiéis vão “adorar” a cruz: ajoelham-se diante dela, com uma simples inclinação de cabeça, ou a beijam. Este gesto simboliza a adoração à cruz de Jesus, na qual Ele foi pregado (Suma Teológica III, 25, 4).

O que veneramos não é o objecto, mas a verdadeira cruz de Jesus, que o objecto representa. A cruz de Jesus forma uma unidade com Ele, ao estar impregnada do seu sangue precioso. Não podemos separar Cristo da sua cruz na redenção.

É verdade que a cruz foi um instrumento de tortura, mas também é verdade que, unida ao Corpo de Cristo, ela adquire para nós uma conotação totalmente diferente. A cruz adquire um novo significado pela presença de Jesus nela.

Se não podemos separar Jesus da cruz e da obra redentora, também não podemos separar o cristão da cruz. Jesus pede-nos que carreguemos a nossa cruz, e é por isso que não se pode conceber um cristão sem cruz.

Quando a Igreja nos apresenta a cruz para veneração, o que ela nos propõe é que adoremos Jesus sofredor na sua cruz, esse mesmo Jesus no acto da sua imolação.

Adorar a cruz de Jesus é um gesto inclusive de gratidão, de agradecimento ao Senhor Jesus pelo seu amor extremo, redentor e concreto, não só a favor da humanidade em termos coletivos, mas por cada pessoa, individualmente.

A imagem da cruz, ou até as relíquias da cruz de Jesus não merecem culto por si mesmas, mas somente enquanto relacionadas a Cristo e à adoração que Ele merece de maneira absoluta.

Portanto, nenhum católico adora ou idolatra objectos. A idolatria significa que algo que não é Deus (um ídolo) toma o lugar de Deus. Os católicos só adoram o próprio Deus. A cruz remete a Deus, e é a Deus que adoramos, não a cruz em si.

O católico sabe muito bem que a idolatria é um pecado grave, pois isso significa negar o carácter único de Deus, para o atribuir a pessoas ou coisas criadas. Os católicos não fazem isso. Na idolatria, a pessoa compara (dá o mesmo peso e importância) a criatura com o seu Criador, e esta comparação, sob qualquer ponto de vista, é inaceitável.

 
Por que chamamos a Deus "nosso Pai"? Imprimir e-mail

 

Por que chamamos a Deus “nosso Pai”?

 

Em que sentido Deus é Pai

 Aqui deparam-se-nos duas questões: saber em que sentido Deus é Pai e o que lhe devemos enquanto tal. Ora, Deus é chamado Pai (a) em razão do modo especial com que nos criou, fazendo-nos à sua imagem e semelhança, não impressas nas criaturas inferiores: “Não é ele teu Pai, teu Criador, que te fez e te estabeleceu?” (Dt 32, 6). Também o é (b) em razão do seu governo; ora, ainda que tudo esteja sob o seu poder, a nós Ele governa como senhores, ao passo que as demais coisas são como escravas em suas mãos: “Sois vós, Pai, que o governais pela vossa Providência” (Sb 14, 3) e, como se lê no mesmo livro, “nos governais com muita indulgência” (Sb 12, 18). Deus é Pai, além disso, (c) a título de adoção, pois se às outras criaturas concedeu alguns pequenos dons, a nós transmitiu uma herança, porque nos fez filhos seus e, “se filhos, também herdeiros” (Rm 8, 17). Como diz o Apóstolo, “não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai!” (Rm 8, 15) [1].

O que Lhe devemos Da nossa parte, devemos-Lhe quatro coisas.

a) Em primeiro lugar, que o honremos: “Se eu, pois, sou vosso pai, onde está a minha honra?” (Ml 1, 6), a qual consiste em três coisas: (i) em relação a Deus, dar-lhe louvor, como canta o salmista: “Honra-me quem oferece um sacrifício de louvor” (Sl 49, 23), que deve estar não só nos lábios, mas também no coração: “Esse povo”, disse o Senhor <por boca do profeta>, “vem a mim apenas com palavras e me honra só com os lábios, enquanto o seu coração está longe de mim” (Is 29, 13); (ii) em relação a si mesmo, guardar a pureza de corpo, <como exorta o Apóstolo>: “Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1Cor 6, 20); (iii) em relação ao próximo, julgá-lo com equidade, como diz o Salmo: “Reina o rei poderoso que ama a justiça” (Sl 98, 4).

b) Em segundo, que o imitemos, uma vez que é nosso Pai: “Chamar-me-ás pai, e não cessarás de me seguir” (Jr 3, 19). Ora, imitamo-lo perfeitamente quando a ele nos assemelhamos em três aspectos: (i) no amor: “Sede, pois, imitadores de Deus como filhos muito amados. Progredi na caridade” (Ef 5, 1), e isso deve estar no coração; (ii) na misericórdia, pois o amor deve vir acompanhado de compaixão [2]: “Sede, portanto, misericordiosos” (Lc 6, 36), o que tem de manifestar-se em nossas obras; e (iii) na perfeição, pois o amor e a misericórdia devem ser perfeitos: “Portanto, sede perfeitos, assim como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48).

c) Em terceiro lugar, que lhe sejamos obedientes: “Com quanto mais razão nos havemos de submeter ao Pai das nossas almas?” (Hb 12, 9). E isto por três motivos [3]: primeiro, (i) pelo seu domínio, já que ele é o Senhor: “Faremos tudo o que o Senhor disse e seremos obedientes” (Ex 24, 7); segundo, (ii) pelo exemplo que nos deu o verdadeiro Filho, ao fazer-se obediente ao Pai até à morte, como se diz na Epístola aos Filipenses (cf. Fl 2, 8); terceiro, (iii) porque nos é proveitoso: “Dançarei diante do Senhor que me escolheu” (2Sm 6, 21s) [4].

d) Por fim, que sejamos pacientes nas adversidades com que ele nos castiga, <como aconselha o rei Salomão>: “Meu filho, não desprezes a correção do Senhor, nem te espantes que ele te repreenda, porque o Senhor castiga aquele a quem ama, e pune o filho a quem muito estima” (Pr 3, 11s).

“… nosso…”

O que devemos ao próximo Com esta palavra se põem em evidência os nossos dois deveres para com o próximo. O primeiro é o (a) amor. Com efeito, visto que todos são filhos de Deus, temos de tratar o próximo como a um irmão: “Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê”, diz São João, “é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4, 20). O segundo é o (b) respeito, por ser ele filho de Deus: “Acaso não é um mesmo o Pai de todos nós? Não foi um mesmo Deus que nos criou? Por que razão somos pérfidos uns para com os outros?” (Ml 2, 10); “Adiantai-vos em honrar uns aos outros” (Rm 12, 10). <Assim temos de tratar o nosso semelhante>, por causa do fruto que recebemos daquele que “se tornou autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb5, 9).

Referências

1.A noção de paternidade aplicada a Deus, diz Santo Tomás, só existe propriamente no seio da Santíssima Trindade, uma vez que o Pai gera o Filho ab æterno de sua própria substância, coigual e coeterno a si com a mesma glória e segundo a mesma natureza divina. Em S. Th. I, q. 33, a. 3, co., o Aquinate diferencia quatro tipos de filiação que podem atribuir-se às criaturas com respeito a Deus, não em sentido próprio e adequado, mas em razão de certa semelhança, que pode ser: a) de vestígio, e assim ele é chamado Pai das criaturas irracionais (cf. Jó 38, 28); b) de imagem, e assim ele é Pai das criaturas racionais (cf. Dt 32, 6); c) de graça, e deste modo ele é Pai dos homens que, sendo seus filhos adotivos, ordenam-se à herança da glória eterna pelo dom da graça que lhes foi concedido (cf. Rm 8, 16s); e d) de glória, e neste sentido Deus é Pai dos santos que já entraram na posse da herança eterna (cf. Rm 5, 2).

2.Ao longo de S. Th. II-II, qq. 28-33, São Tomás trata dos efeitos imediatos, tanto internos como externos, do acto principal da virtude da caridade, que é o amor. Entre os efeitos internos, o Angélico enumera a misericórdia, “uma virtude especial […] que nos inclina a compadecer-nos das misérias e desgraças do próximo, considerando-as de certo modo como próprias, enquanto entristecem o nosso irmão e na medida em que podemos, além disso, ver-nos a nós mesmos em semelhante estado. É a virtude por excelência dentre todas as que se referem ao próximo; e o mesmo Deus manifesta em grau sumo a sua omnipotência ao compadecer-se misericordiosamente dos nossos males e remediar as nossas necessidades” (A. Royo Marín, Teología de la Perfección Cristiana. Madrid: BAC, 2012, p. 526, n. 366). O Aquinate chega a afirmar que, considerada em si mesma, a misericórdia é a maior das virtudes, visto que a ela pertence repartir com os outros e socorrê-los na necessidade, o que é característico de quem é superior. É por iso que se diz que ter misericórdia é próprio de Deus, que está acima de todas as criaturas. Mas, do ponto de vista do sujeito, a misericórdia só pode considerar-se a maior virtude se quem a possui for o mais eminente, sem ninguém acima que o socorra e tendo abaixo de si todos os demais. Ora, para quem tem um superior ao qual recorrer é melhor unir-se a ele do que suprir as necessidades de alguém inferior. Por isso, a caridade, pela qual nos unimos a Deus, essencial e soberanamente superior a todos, tem prioridade sobre a misericórdia, pela qual socorremos aos necessitados, acidental e circunstancialmente inferiores a nós (cf. S. Th. II-II, q. 30, a. 4, co.).

3.A obediência, diz São Tomás, é uma virtude moral que nos dispõe a cumprir prontamente as ordens e preceitos de um superior (cf. S. Th. II-II, q. 104, a. 2, ad 3), seja ele outro homem ou o próprio Deus, a cujo império devemos sujeitar a nossa vontade em razão de certa necessidade de justiça, visto que ele é o primeiro motor não só das coisas que se movem naturalmente, mas também de todas as vontades livres (cf. S. Th. II-II, q. 104, a. 4, co.).

4.“Grandes são as vantagens da obediência tanto para a inteligência como para a vontade e o coração. — 1.ª) Para a inteligência: a) Certeza de conhecer e fazer infalivelmente a vontade divina. b) Certeza do socorro divino: Ego ero tecum (Ex 3, 21). c) Certeza de êxito (Rm 8, 28), ainda que o superior esteja equivocado. — 2.ª) Para a vontade: a) É fonte da verdadeira liberdade. Nada escraviza tanto como o apego à própria vontade. b) É fonte de fortaleza; para obedecer até ao heroísmo é preciso ser muito valente; c) É garantia de perseverança no bem. — 3.ª) Para o coração: a) Fonte de paz individual e coletiva. Que sossego no coração, que paz tão profunda reina numa casa ou no mosteiro de pessoas obedientes! b) Princípio de ordem. Cada coisa no seu lugar: o superior, mandando; o súbdito, obedecendo. Resultado: a paz. c) Ausência de responsabilidade e escrúpulos: ‘obedeci’, única conta que temos de prestar a Deus” (A. Royo Marín, op. cit., pp. 581-582, n. 420).

 
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A estação das flores 

 

Como é certo que colhemos o que plantamos, contemplar as flores encoraja-nos a viver à espera do fruto

Quem já plantou uma semente e esperou os dias passarem para vê-la germinar, crescer e frutificar, certamente sabe dar mais valor a um campo florido. É que leva um tempo determinado para cada coisa acontecer também na natureza, e as flores são sinais de etapas superadas. Apontam um novo tempo, uma nova estação.

Como é certo que colhemos o que plantamos, contemplar as flores encoraja-nos a viver à espera do fruto. A sábia natureza ensina-nos que é preciso respeitar o processo de espera; o problema é que, muitas vezes, nos esquecemos disso e queremos colher, imediatamente, sem considerar o tempo certo para cada coisa.

Seria cómico ver que alguém plantou uma semente de abacate e, no dia seguinte, já quisesse colher os seus frutos. Pior ainda, se essa pessoa, ao não encontrar abacates, ficasse irritada e arrancasse a semente da terra, ignorando o processo necessário para o seu desenvolvimento.

O que diríamos de uma situação assim? Talvez a achemos estranha, mas, muitas vezes, é isso que acontece connosco. Queremos colher, no dia seguinte ou na mesma hora, o que ainda estamos a plantar; e quando não acontece como esperávamos, ficamos irritados, destruímos a semente e desistimos dos sonhos.

A Palavra do Senhor garante-nos que “o que semeia com fartura, com abundância também ceifará” (II Coríntios 9,6b). Mas também afirma que “há um tempo para cada coisa debaixo dos céus: Tempo para plantar e tempo para colher…” (cf. Eclesiastes 3, 1-15).

Vale a pena semear o bem

Estamos a viver uma nova estação, a “estação das flores”. O inverno passou, o deserto floriu e as flores que colho são sinais de que valeu a pena semear, cultivar e esperar.

Vale a pena semear o bem, mesmo que seja com lágrimas e entre espinhos. No exercício da missão que assumo, no contacto com diversas pessoas, infelizmente, encontro muita gente sem esperança, sem paciência e nenhum sentido na vida; muitas vezes, cansadas ou paralisadas em decepções ou sonhos perdidos. Pessoas que pararam de semear por não contemplarem de imediato o fruto dos seus esforços.

Tenho a certeza de que não é essa a vontade de Deus para nenhum de Seus filhos, mas compreendo também que, na verdade, o Senhor sempre respeita a nossa liberdade e espera de nós o mínimo de abertura para realizar a obra d’Ele. É preciso sair do comodismo! Creio que temos muita força de vontade, disposição e coragem para serem utilizadas. É hora de reagir!

A cultura do imediatismo, na qual estamos inseridos, vai, aos poucos, minando em nós a disposição para cultivar e esperar o tempo de contemplar o milagre do germinar, crescer e desabrochar. Dá-se a impressão de que o homem pode tudo e, na hora que ele determina. No entanto, o curso natural da vida ensina-nos que não é bem assim. Os sábios já descobriram isso!

Uma história para refletir

Eis a história de um menino que compreendeu bem esse segredo, e acredito que o seu exemplo nos vem ajudar. O seu nome é Nike. Ele tinha apenas dez centavos no bolso quando procurou um fazendeiro e apontou para um tomate de aparência deliciosa, pendendo do pé. Disse-lhe: “Dou-lhe dez centavos por aquele tomate”, ofereceu o menino. “Aquele tipo de tomate custa vinte centavos”, afirmou o fazendeiro. “E aquele ali?” perguntou Nike, apontando para um tomate menor, mais verde e menos atraente. O fazendeiro concordou: “Aquele, custa dez centavos”. “Está bem”, disse Nike, e fechou o negócio pondo o dinheiro na mão do fazendeiro. “Venho apanhá-lo daqui a duas semanas”, conclui o garoto. 

Podemos aprender com Nike, que investiu dez centavos num tomate que valeria vinte no futuro. Se estivermos dispostos a semear agora o bem que desejamos colher no amanhã, e soubermos respeitar as etapas do desenvolvimento, certamente veremos o nosso campo florir e a estação das flores virá até nós.

 
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Como lidar com os pensamentos negativos? 

 

Quanto mais evitamos uma situação, mais ela nos amedronta com pensamentos negativos

 

É muito comum, ao nos ferirmos nos nossos relacionamentos, dizermos frases assim: “Nunca mais vou me envolver com outra pessoa”, “Nunca mais terei alguém”. E, a partir destas frases, de facto, a pessoa nunca se abre a outras possibilidades ou avalia todas as pessoas ou situações da mesma forma.

Muitas vezes, percepções distorcidas, interpretações exageradas ou extremamente negativas determinarão a forma como passamos a ver o mundo, as pessoas e os relacionamentos. A partir daí, uma espécie de fechamento dá-se na nossa vida, e começamos a evitar situações ou pessoas. E quantos de nós já não vivemos isto?

Quais são os seus medos?

Os conceitos que vamos construindo a respeito do mundo estão diretamente ligados às nossas percepções, crenças, cultura e aos nossos valores; muitas vezes, ligados também aos nossos diálogos internos, os quais parecem extremamente reais, ou seja, levam-nos a acreditar em coisas que nem sempre correspondem às verdades dos factos.

Por exemplo: muitas pessoas queixam-se de medos intensos e ficam bloqueadas para fazer algo. Se pararmos e olharmos a fundo, nem sempre esse medo corresponderá a algo possível de acontecer. Até porque, ao pensar de forma negativa e disparar uma série de pensamos distorcidos sobre uma situação, todo o nosso corpo se mobiliza; então, surgem as fobias, o pânico, o desespero, uma ansiedade aumentada que, no fim, mexe diretamente com o nosso corpo.

Como reconhecer os pensamentos negativos?

Assim como no medo, quando nos confrontamos com uma situação que nos bloqueia, podemos pensar em algumas situações para lidar com tais sentimentos:

1- Procure compreender de onde vêm esses sentimentos e se, de facto, eles correspondem a algo possível de ocorrer, ou se não é um exagero dos seus pensamentos;

 2- Enfrente uma situação e actue racionalmente, isto ajuda especialmente na superação de uma dificuldade. Quanto mais evitamos uma situação, mais ela nos amedronta;

 3- Procure analisar a situação de uma outra forma. Se há, por exemplo, uma dificuldade nos relacionamentos afectivos, não necessariamente você precisa de se isolar e de se fechar ao outro. Pense o que acontece com os seus relacionamentos, que posicionamentos deve tomar, como vê o mundo e procure uma nova forma de reagir e avaliar os seus pensamentos;

 4- Quando estiver a passar por um momento difícil, procure respirar e avaliar a situação. Não fuja do que está a acontecer e evite uma postura de fechamento. Lembre-se: mesmo que algo não tenha dado certo uma ou mais vezes, não significa que você está condenado a coisas tristes e nunca mais terá um relacionamento positivo.

Quando aprendemos a reconhecer os nossos pensamentos, podemos ter uma nova atitude diante dos acontecimentos. Ao deixar de lado ideias negativas, deixamos que uma forma de ver a vida mais racional e equilibrada, se torne presente. Certamente, todos ao nosso redor receberão os resultados positivos dessa mudança de pensamento e comportamento.

 
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Por que cometemos sempre os mesmos pecados?  

 

O encontro pessoal com Cristo ressuscitado provoca uma transformação no nosso interior. O amor de Deus é responsável pelo nascimento de homens e mulheres novos, gerados na água e no Espírito (cf. Jo 3,3-5). As nossas aspirações passam a ser enveredar pelo caminho da santidade, procurar o arrependimento dos pecados, para não ofender o Senhor, que revelou quanto nos ama.

A esperança renasce, uma força contagia e, principalmente, um novo conceito de si, a partir da dignidade de filho de Deus, abrange os nossos corações. Mas, decorrido algum tempo, pode acontecer voltarmos a cometer alguns pecados. Mesmo com luta e vigilância, acabamos por cair, uma vez ou outra, nos mesmos erros. São os chamados “pecados de estimação”.

O que acontece connosco?

Temos a consciência e a inspiração de não pecar, então, por que nos percebemos fracos diante de certos impulsos? A primeira coisa a entender é que o Senhor criou o homem todo no bem, para o bem e pelo bem. “E viu (Deus) que tudo era muito bom” (Gn 1,31). São Tomás de Aquino diz que “o homem, ao seguir qualquer desejo natural, tende à semelhança divina, pois todo o bem naturalmente desejado é uma certa semelhança com a bondade divina”. Ainda citando São Tomás de Aquino, ele diz: “O pecado é desviar-se da reta apropriação de um bem”.

O que leva o ser humano a pecar sempre será o desejo de alcançar o bem que nele foi constituído. Pecamos quando usamos esses bens dons e talentos depositados em nós por Deus de forma incorreta. Este anseio pelo bem nunca será extirpado, e ainda que a forma de buscar alcançá-lo seja errada “o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se, mas não consegue destruir o senso moral até à raiz” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1865). O dom nunca morrerá, mesmo que o estejamos a usar para o pecado. “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11,29).

Se todas as nossas faculdades humanas foram criadas para o bem, mas, por nossa livre iniciativa ou porque aprendemos as coisas de forma pecaminosa, nós ainda não conseguimos livrar-nos de uma prática ruim, significa que estamos a lidar com um traço da nossa personalidade criada para o bem; mas, durante a história pessoal, foi habituado na forma de pecado e não de virtude.

Aqui entra satanás, o autor do pecado com as suas artimanhas. A tentação será maior numa área do que noutra, pois o demónio conhece as nossas fraquezas, ou melhor, conhece os nossos traços e quer acabar com o que temos de melhor. Jesus, no deserto, foi tentado justamente na Sua mais sagrada particularidade, naquilo que só Ele é: “Se és Filho de Deus!” (Mt 4,3-6). De Job, o demónio pediu contas do seu maior mérito: a fé (cf. Job 1,21; 2,9-10).

Também a nossa maior luta será nas maiores características do nosso ser, no que diz respeito ao núcleo íntimo de cada um. É por isso que voltamos à prática do pecado, pois foi afetado um traço da sacra individualidade do ser, está selado em nós e não há como lançar fora o que somos. Exemplo disso: uma grande habilidade de comunicar-se, em vez de ser usufruída para levar a Boa Nova pode estar a ser desenvolvida para a maledicência.

Se uma fraqueza persiste, há ali um forte traço da nossa humanidade. É um valioso dom, mas não o percebemos como riqueza, pois estamos a lutar para o sufocar, já que está manifesto na forma de pecado. O homem que enterrou o seu único talento, no fim perdeu-o, exatamente por não ter investido corretamente (cf. Mt 25, 14-30). O livro “Pecados e Virtudes Capitais”, do professor Felipe Aquino, salienta que os erros e os bens capitais têm todos uma mesma raiz, somente que um é inverso do outro.

O que se deve fazer agora é direcionar essas forças para o bem, descobrindo em que ponto nos apropriamos, aprendemos ou canalizamos essa característica individual de forma errada e potencializá-la de maneira que venha à tona toda a riqueza que o Altíssimo deu a cada um de nós.

Também é essencial não lutarmos sozinhos! Tanto para detectar em que ponto da nossa vida o dom se foi inclinando para o pecado como para bem canalizá-lo será importante a ajuda de uma outra pessoa. Procura auxílio: biológico (se for patologia ou vício), psicológico e espiritual.

Nesta descoberta, que é permeada pela luta, acima de tudo devemos ter paciência connosco. Sendo humanos, somos limitados e sempre conviveremos com as nossas misérias, mas, não nos podemos render a elas. A busca da santidade não é atingir a perfeição, mas lutar contra as nossas fraquezas. Nisto o ser humano avança, torna-se humanamente melhor e mais próximo de Deus.

São Francisco de Sales ensinava: “Considerai os vossos defeitos com mais dó do que indignação, com mais humildade do que severidade, e conservai o coração cheio de um amor brando, sossegado e terno”.

Caíste? Levanta-te! Não te conformes com o pecado nem desanimes. Tu vais vencer! O Catecismo da Igreja Católica afirma, no número 943: “os leigos têm o poder de vencer o império do pecado em si mesmos e no mundo”. Além de o Senhor nos dotar com a força interior, que é mais potente do que as nossas faltas, ainda podemos recorrer à Sua graça. “Mas Jesus disse: Basta-te a minha graça”.

Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, necessidades, perseguições e no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. “Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (II Cor 12,9a-10).

A graça de Deus também se manifesta na nossa pobreza. Quando nos percebemos impotentes diante de um facto, só podemos recorrer à Misericórdia Divina, que, neste mundo, se manifesta por excelência no sacramento da confissão. Confessar-se será sempre a melhor via de libertação.

 
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A surpreendente verdade sobre o pecado do orgulho

 

O orgulho é o maldito pecado que expulsou os anjos do paraíso e os precipitou no inferno. Este pecado começou com o mundo.

Peca-se por orgulho de diferentes maneiras. Uma pessoa terá orgulho no traje, na linguagem, na postura, até no modo de andar.

Há pessoas que, quando estão na rua, andam com ufania e parecem dizer ao mundo que as vê: “Vejam como eu sou grande, como sou empertigado e sei andar bem!”

Outras, que, quando fazem algum bem andam sempre a contá-lo, e, se deixam de o fazer, ficam desoladas, pensando que vão ter má opinião delas…

Outras que se incomodam muito por estar com pobres quando encontram pessoas conhecidas; procuram sempre a companhia de ricos.

Se por acaso, são recebidas pelos grandes do mundo, gabam-se, tiram disso vaidade.

Há outras que têm orgulho no falar: examinam o que vão dizer e esforçam-se na boa linguagem, e, se lhes não ocorre uma palavra, ficam muito aborrecidas, por terem medo de que falem delas.

Uma pessoa humilde não é isto… Quer zombem dela, quer a estimem, quer a desprezem, quer lhe prestem atenção, quer a deixem de lado, para ela é a mesma coisa.

Se quiserdes conhecer quando uma pessoa é orgulhosa, escutai-a falar: será sempre ela quem terá a palavra; e só falará de si; terá sempre feito melhor que os outros; só ela é que faz bem; censura todas as acções dos outros, esperando deste modo salientar as suas.

Há pessoas que dão esmolas para se fazerem estimar: isto não!… Estas pessoas não tirarão fruto algum das suas boas obras. Ao contrário, as suas esmolas tornar-se-ão pecado.

Nós pomos o orgulho em toda a parte, como o sal. Gostamos de ver as nossas boas obras conhecidas. Se prestam atenção à nossa virtude, ficamos alegres: se percebem os nossos defeitos, ficamos tristes.

Isto em grande número de pessoas; se lhes dizem alguma coisa, isTo inquieta-as, aborrece-as.

Os santos não eram assim; afligiam-se se as suas virtudes eram conhecidas, e ficavam contentes de que vissem a sua imperfeição.

Uma pessoa orgulhosa julga que tudo o que faz é bem feito; quer dominar sobre todos quantos tratam com ela; tem sempre razão; julga sempre o seu sentir melhor do que o dos outros…

Não é isto! Uma pessoa humilde e instruída, se lhe perguntam o seu sentir, diz muito simplesmente, depois de deixar falar os outros. Quer eles tenham razão, quer não, ela não diz mais nada.

Os santos eram tão desapegados de si mesmos, que pouco se lhes dava que os outros fossem da sua opinião. Dizem: “Oh! os santos eram simples!”

Sim, eles eram simples para as coisas do mundo; mas para as coisas de Deus, eram bem entendidos. As preocupações mundanas pareciam-lhe de tão pouca importância que não lhes davam atenção.

 
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A Soberba, o pior de todos os pecados 

 

A soberba faz a pessoa sentir-se como se fosse a fonte dos seus próprios bens materiais e espirituais

 

Deus tem um plano para nós, que inclui felicidade e salvação. Pecamos quando erramos o alvo na nossa vida e pagamos o preço, ou seja, as consequências das nossas escolhas erradas. Mas, é possível reconhecer que erramos, começar tudo de novo e refazer a nossa caminhada. Deus espera-nos sempre de braços abertos como o pai do filho pródigo (cf. Lc 15,11-32). Reflectir sobre o pecado da soberba e as suas consequências na nossa vida pode ajudar muito a entendê-lo melhor e a fugir dele.

 

Vamos reflectir sobre o pecado do orgulho ou soberba:

 

A soberba é o pior de todos os pecados capitais. É o que levou os anjos maus a rebelarem-se contra Deus, levou Adão e Eva à desobediência e ao pecado original. Alguém disse que o orgulho está tão enraizado em nós, por causa do pecado original, que “só morre meia hora depois do dono”. Por outro lado, por ser o oposto da soberba, a humildade é grande virtude, a que mais caracterizou o próprio Jesus, “manso e humilde de coração” (cf. Mt 11,29), e também marcou a vida de Maria, “a serva do Senhor” (cf. Lc 1, 38), José e todos os santos da Igreja.

 

O demónio não pode nada contra uma alma humilde

 

São Vicente de Paulo ensinava aos seus filhos que o demónio não pode nada contra uma alma humilde, uma vez que, sendo ele soberbo, não se sabe defender da humildade. Por isso, com esta arma, o maligno foi vencido por Jesus, Maria, José, São Miguel e os santos. A soberba consiste em a pessoa se sentircomo se fosse a “fonte” dos seus próprios bens materiais e espirituais. Acha-se cheia de si mesma e esquece-se de que tudo vem de Deus e é dom do Alto, como disse São Tiago: “Toda a dádiva boa e todo o dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes” (Tg 1,17).

 

O soberbo esquece-se de que é uma simples criatura, que saiu do nada pelo amor e chamamento de Deus, e que, portanto, depende do Senhor em tudo. Como disse Santa Catarina de Sena, a soberba “rouba a glória de Deus”, pois quer para si as homenagens e os aplausos que pertencem só a Ele. São Paulo lembra aos coríntios que “a nossa capacidade vem de Deus” (II Cor 3,5). Aos romanos disse: “Não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto” (Rm 12,3). “Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos às coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12,16). Aos gálatas, o apóstolo dos gentios destacou: “Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (Gl 6,3). A soberba tem muitos filhos: orgulho, vaidade, vanglória, arrogância, prepotência, presunção, autossuficiência, amor-próprio, exibicionismo, egocentrismo, egolatria.

 

Podemos dizer que a soberba é a “cultura do ego”. Já reparaste quantas vezes por dia dizemos a palavra “eu”? “Eu vou, eu acho, eu penso que, eu prefiro (…)”. A luta do cristão é para que esta “força” o puxe para Deus e não para o ego. Jesus, nosso modelo, afirmou: “Não busco a minha glória” (Jo 8,50). São Paulo insistia no mesmo ponto: “É porventura, o favor dos homens que eu procuro ou o de Deus? Por acaso tenho interesse em agradar aos homens? Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Deus” (Gl 1,10).

 

A soberba é o oposto da humildade

 

A soberba é o oposto da humildade, palavra esta que vem de “húmus”, aquilo que se acha na terra, pó. O humilde é aquele que reconhece o seu “nada”, embora seja a mais bela obra de Deus sobre a Terra, a glória d’Ele, como dizia Santo Irineu, já no século II. São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja, no século V, ressaltou: “Toda a vitória do Salvador dominando o demónio e o mundo foi iniciada na humildade e consumada na humildade!”

 

Doutrina da Igreja

 

Adão e Eva, sendo criaturas, quiseram “ser como deuses” (cf. Gen 3,5). Jesus, sendo Deus, fez-se Criatura. Da manjedoura à cruz do Calvário, toda a vida de Cristo foi vivida na humildade e na humilhação. Por isso, Ele afirmou que, no Reino de Deus, os últimos serão os primeiros e quem se exaltar será humilhado. Façamos como Santa Teresinha do Menino Jesus, que procurava o último lugar. Nosso Senhor Jesus já nos deu a receita para vencermos o orgulho e a soberba: a virtude da humildade.

 

Oração diante das tentações

 

Mãe querida, acolhe-me em teu regaço, cobre-me com o teu manto protector e, com este doce carinho que tens pelos teus filhos, afasta de mim as ciladas do inimigo e intercede intensamente para impedir que as suas astúcias me façam cair. A ti me confio e em tua intercessão espero. Enchei o meu coração das virtudes da humildade e mansidão, que são qualidades que a Tu imprimiste no teu filho Jesus Cristo. Amém.

 
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Posso casar na Igreja com alguém não católico? 

 

A posição da Igreja em relação ao casamento de pessoas de religiões diferentes

 

Cresce o número de jovens católicos e protestantes, ou de outras religiões, que namoram, desejam casar na Igreja Católica e perguntam se podem fazê-lo. Antes de tudo é preciso compreender que há duas situações diferentes: uma é o “casamento misto”, entre um católico e uma pessoa não católica, porém, baptizada numa comunidade eclesial cristã. Um outro caso é quando há “disparidade de culto”, isto é, o casamento entre um católico e uma pessoa não baptizada, não cristã. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que:

“Em muitos países, a situação do casamento misto (entre católico e baptizado não-católico) se apresenta com muita frequência. Isto exige uma atenção particular dos cônjuges e dos pastores. O caso dos casamentos com disparidade de culto (entre católico e não baptizado) exige uma circunspecção maior ainda” (CIC §1634).

A Igreja pode autorizar o matrimónio, desde que, obedeçam a certas exigências. Sobretudo, é preciso que se amem e cada um respeite o outro e a sua fé, vivendo cada um, a seu modo, a fidelidade a Cristo. A Igreja não deixa de lembrar as dificuldades que podem surgir nesta união, pois, a fé é um ponto básico na unidade do casal. O católico, por exemplo, gostará de ter em sua casa o crucifixo e outras imagens para venerar; bem como rezar o Terço de Nossa Senhora, entre outros. Já a outra parte pode não aceitar isto. Mais difícil ainda, quando o outro cônjuge, não-cristão, não aceita a fé em Cristo do outro, ou até mesmo, se ele quiser praticar cultos que a fé da Igreja não aceita. E a grande preocupação da Igreja é com relação à educação dos filhos.

O que diz o Catecismo?

“A diferença de confissão entre os cônjuges não constitui obstáculos insuperável para o casamento, desde que consigam pôr em comum o que cada um deles recebeu na sua comunidade e aprender um do outro o modo de viver a sua fidelidade a Cristo. Mas nem por isso devem ser subestimadas as dificuldades dos casamentos mistos. Elas devem-se ao facto de que a separação dos cristãos é uma questão ainda não resolvida. Os esposos correm o risco de sentir o drama da desunião dos cristãos no seio do próprio lar. A disparidade de culto pode agravar ainda mais essas dificuldades. As divergências concernentes à fé, à própria concepção do casamento, como também mentalidades religiosas diferentes, podem constituir uma fonte de tensões no casamento, principalmente no que toca à educação dos filhos. Uma tentação pode então apresentar-se: a indiferença religiosa” (CIC §1635.)

A Igreja exige, nos casos acima citados, a autorização expressa da autoridade eclesiástica, normalmente do bispo. E exige que os noivos se comprometam a educar os filhos na fé católica. Afirma o Catecismo:

“Conforme o direito em vigor na Igreja Latina, um casamento misto exige, para a sua liceidade, a permissão expressa da autoridade eclesiástica. Em caso de disparidade de culto, requer-se uma dispensa expressa do impedimento para a validade do casamento. Esta permissão ou esta dispensa supõem que as duas partes conheçam e não excluam os fins e as propriedades essenciais do casamento, e também que a parte católica confirme o empenho, com o conhecimento também da parte não-católica, de conservar a própria fé e assegurar o baptismo e a educação dos filhos na Igreja católica” (CIC §1636).

O diálogo precisa de existir

Portanto, para um (a) jovem católico (a) que namora uma pessoa de outra religião, esta será a primeira questão a ser discutida com o (a) companheiro (a). Será que ele (a) aceita isto? O Código de Direito Canônico da Igreja afirma:

Cân. 1124 § “O matrimónio entre duas pessoas baptizadas, das quais uma tenha sido baptizada na Igreja católica ou nela recebida depois do baptismo, e que não tenha dela saído por acto formal, e outra pertencente a uma Igreja ou comunidade eclesial que não esteja em plena comunhão com a Igreja católica, é proibido sem a licença expressa da autoridade competente”.

E sobre a disparidade de culto confirma o Código o seguinte:

Cân. 1086 § 1. “É inválido o matrimónio entre duas pessoas, uma das quais tenha sido baptizada na Igreja católica ou nela recebida e que não a tenha abandonado por um acto formal, e outra que não é baptizada.

 § 2. Não se dispense deste impedimento, a não ser cumpridas as condições mencionadas nos cân. 1125 e 1126”.

Cân. 1125 § “O Ordinário local [Bispo] pode conceder esta licença, se houver causa justa e razoável; não a conceda, porém, se não se verificarem as condições seguintes:

1°- a parte católica declare estar preparada para afastar os perigos de defecção da fé, e prometa sinceramente fazer todo o possível a fim de que toda a prole seja baptizada e educada na Igreja católica;

2°- informe-se, tempestivamente, destes compromissos da parte católica à outra parte, de tal modo que conste estar esta verdadeiramente consciente do compromisso e da obrigação da parte católica;

3°- ambas as partes sejam instruídas a respeito dos fins e propriedades essenciais do matrimónio, que nenhum dos contraentes pode excluir”.

Cân. 1126 § “Compete à Conferência dos Bispos estabelecer o modo segundo o qual devem ser feitas estas declarações e compromissos, que são sempre exigidos, como também determinar como deve constar no foro externo e como a parte não-católica deve ser informada”.

E como deve ser celebrado o matrimónio nestes casos? O Código de Direito exige o seguinte:

Cân. 1127 § 1. “No que se refere à forma a ser empregada nos matrimónios mistos, observem-se as prescrições do cân. 1108; mas, se a parte católica contrai matrimónio com outra parte não-católica de rito oriental, a forma canónica deve ser observada só para a liceidade; para a validade, porém, requer-se a intervenção de um ministro sagrado, observando-se as outras prescrições do direito.

§ 2. Se graves dificuldades obstam à observância da forma canónica, é direito do Ordinário local da parte católica dispensar dela em cada caso, consultado, porém o Ordinário do lugar onde se celebra o matrimónio e salva, para a validade, alguma forma pública de celebração; compete à Conferência dos Bispos estabelecer normas, pelas quais se conceda a dispensa de modo concorde.

§ 3. Antes ou depois da celebração realizada de acordo com o § 1, proíbe-se outra celebração religiosa deste matrimónio para prestar ou renovar o consentimento matrimonial; do mesmo modo, não se faça uma celebração religiosa em que o assistente católico e o ministro não-católico, executando simultaneamente cada qual o próprio rito, solicitam o consentimento das partes”.

Cân. 1128 § “Os Ordinários locais e os outros pastores de almas cuidem que não faltem o cônjuge católico e aos filhos nascidos de matrimónio misto o auxílio espiritual para as obrigações que devem cumprir, e ajudem os cônjuges a alimentarem a unidade da vida conjugal e familiar”.

Cân. 1129 § “As prescrições dos cân. 1127 e 1128 devem aplicar-se também aos matrimónios em que haja o impedimento de disparidade de culto, mencionado no cân. 1086, § 1”.

Como nem sempre é fácil interpretar estas normas da Igreja, a providência primeira, será procurar o pároco e conversar com ele sobre o seu caso.

 
O que tens feito com o dinheiro que recebes? Imprimir e-mail

 

O que tens feito com o dinheiro que recebes?

 

Não podemos deixar o dinheiro controlar-nos. Temos de lutar contra a ganância do nosso coração

O que temos feito com o dinheiro que recebemos? Jesus sempre combateu a idolatria ao dinheiro, pois este e Deus não se casam na mesma altura. Todos necessitamos do dinheiro, mas não podemos servir aos dois, pois iremos amar um e detestar o outro.

Para seguir Jesus, precisamos de ter um coração desprendido. E quando Ele fala sobre as necessidades que temos do dinheiro, refere-se à ganância. O ganancioso coloca a sua vida sob os seus bens, por isso deixa o Senhor.

O problema não é a luta pelo trabalho nem o dinheiro que conquistamos, mas o que temos feito com ele. Jesus pede-nos que o usemos para entrar nas moradas eternas. O dinheiro pode levar-nos para o céu, e é com esta finalidade que precisamos de usá-lo; do contrário, ele pode fechar-nos as portas do céu, e isso depende da forma como o usamos, com egoísmo e ganância.

Nós ganhamos o céu com o dinheiro quando o usamos para as nossas necessidades essenciais e ajudamos os que não o têm. Santa Isabel de Portugal era rainha; e sabendo que aquela riqueza poderia levá-la ao céu, começou a fazer obras de caridade e doar bens aos que precisavam.

Nós reclamamos tanto dos nossos governantes, mas fazemos como eles, a diferença só está na quantidade de dinheiro. Tudo, no entanto, é corrupção. O amor pelo dinheiro corrompe-nos e faz-nos escravos. Nós temos de lutar para não sermos gananciosos, e a única forma é ajudar os que necessitam.

Amigos do dinheiro ou amigos de Deus? A ganância não pode estar no coração de quem serve ao Senhor. A nossa riqueza e o nosso grande tesouro é Jesus Cristo e não há outro.

 
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Como lidar com o medo 

 

O medo paralisa-nos e implode, perturba a alma; por isso é importante enfrentá-lo

O medo da desgraça é pior do que a desgraça. O medo de sofrer é pior do que o sofrimento. É natural ter medo, é algo humano, mas devemos enfrentá-lo para que ele não paralise a nossa vida.

Há muitas formas de medo: temos medo do futuro incerto, da doença, da morte, do desemprego, do mundo… O medo paralisa-nos e nos implode, perturba a alma; por isso é importante enfrentá-lo. Talvez seja ele uma das piores realidades dos nossos dias.

Coragem não é ausência do medo, mas a capacidade de alcançar metas apesar do medo, caminhar e enfrentar as adversidades. É o que devemos fazer. Não podemos derrotar-nos, entregar-nos por causa desse sentimento [medo].

A maioria das coisas que tememos acontecer connosco acabam por acontecer. O medo antecipado faz-nos sofrer muito, preocupa-nos em demasia e faz-nos perder horas de sono. Muitas vezes, acaba por acontecer o que menos esperamos. Como disse alguém: “Não podemos sangrar antes do tiro!”

É preciso policiar a nossa mente, pois ela solta-se a si mesma e pode fabricar fantasmas assustadores, especialmente de madrugada. Os medos em geral são sombras imaginárias sem bases na realidade.

Cuidado com as aflições imaginárias

Há pessoas que se sentem ameaçadas por tudo e por todos: “Fulano não gosta de mim, veja como me olha!” Ou: “Sicrano persegue-me; todos conjuram contra mim, o meu trabalho não vai dar certo…” E assim vão dramatizando os factos e fabricando tragédias.

É preciso acordar, deixar de se torturar com as fantasias e pesadelos imaginários; o que assusta é irreal. Quando amanhece, as trevas somem-se. Para onde foram? Não foram para lugar nenhum, simplesmente desapareceram, porque não existiam, não eram reais. Quanto menor o medo, menor o perigo. As aflições imaginárias doem tanto como as outras.

Quando Jesus chamou Pedro para vir ao encontro d’Ele, andando sobre as águas do mar da Galileia, ele foi, mas permitiu que o medo tomasse conta do seu coração; então, começou a afundar-se. Depois de o salvar, Jesus lastimou-se: “Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 15,31).

Confiar em Deus é essencial para superar o medo

Pedro sentiu medo, porque olhou para o vento e para a fúria do mar em vez de manter os olhos fixos em Jesus. Este também é o nosso grande erro, em vez de mantermos os olhos fixos em Deus, permitimos que as circunstâncias que nos envolvem nos amedrontem.

Não podemos, em hipótese nenhuma, abrigar o medo e o pânico na alma, não podemos permitir que “durmam” connosco. Não! Temos de arrancá-los pela fé, pela oração e por um acto de vontade decididamente.

É claro que toda a fé em Deus não nos dispensa de fazer a nossa parte. Não basta rezar e confiar, cruzando em seguida os braços; o Senhor não fará a nossa parte. Ele está pronto a mover todo o céu para fazer aquilo que não podemos fazer, mas não faz nada que podemos fazer. Vivemos dizendo a Deus que temos confiança n’Ele, mas passamos o tempo todo a provar o contrário, pelas nossas preocupações.

Quando agimos com fé e confiança em Deus, Ele dá-nos equilíbrio e luz para agirmos, guiando-nos e abrindo portas para resolvermos o problema que nos angustia. Se tivermos um problema, é porque ele terá solução, então teremos de resolvê-los; se o problema não tiver solução, então não será mais um problema, mas um facto consumado que devemos aceitar.

Em vez de ficarmos a pensar nas nossas fraquezas, deficiências, problemas e fracassos, reais ou imaginários, pensemos como o salmista: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação. A quem temerei?” (Sl 26,1).

 
As redes sociais podem ser uma armadilha Imprimir e-mail

AS REDES SOCIAIS PODEM SER UMA ARMADILHA

 

O Padre Paulo Ricardo explica de que maneira as redes sociais se podem tornar uma armadilha para a castidade e o pudor das pessoas

Escondendo grandes perigos por trás de coisas aparentemente pequenas e sem importância, o demónio, como quem semeia joio no meio do trigo (cf. Mt 13, 25), sabe servir-se das realidades humanas para fazer perecer o próprio homem. É assim que o Facebook, uma das redes sociais mais bem sucedidas da história, se tem tornado uma verdadeira armadilha para a castidade de muita gente.

O problema reside, de modo geral, nas chamadas “fotos de perfil”. Moças em poses provocativas, rapazes sem camisa, figuras sensuais e excitantes, tudo isto, além de poluir ainda mais o mundo virtual — saturado de pornografia —, é gatilho certo para pecarmos contra a santa pureza. Não é preciso ser lá muito sábio nem profundo conhecedor da natureza humana; todos sabemos, pois todos partilhamos da mesma inclinação para o mal, que toda a imagem ou representação que de alguma forma aluda à sexualidade tem um forte impacto sobre a nossa sensibilidade, facilmente impressionável e educada somente a duras penas.

Basta lembrar que o nosso cérebro, diante de um estímulo de ordem sexual, está programado para descarregar altas doses de dopamina, um neurotransmissor intimamente relacionado com a sensação de prazer e bem-estar. A dopamina, além disso, está associada ao chamado “circuito de recompensa“, que reforça e cristaliza os atos ou hábitos que mais satisfazem os desejos naturais do organismo. Ao deparar-se, pois, com uma foto provocativa (por mais “ingénua” que a queiramos julgar), o nosso cérebro está mais do que pronto para dar início a um processo estimulante que nos levará a estados de excitação sexual cada vez mais intensos e, portanto, mais difíceis de serem controlados.

Por isso, a melhor estratégia para guardarmos a castidade é evitar, com simplicidade e discrição, qualquer situação que nos coloque em ocasião de pecar contra esta virtude, inclusive as mais “leves” e “corriqueiras”, como as que nos oferecem as fotos de perfil no Facebook. Devemos resistir, sim, aos primeiros assaltos da carne logo que os percebemos, antes que cresçam e se agigantem. Quando entrarmos na internet ou em qualquer rede social, devemo-nos perguntar sinceramente: o que é que a minha esposa, o que é que a minha noiva ou namorada pensaria se visse o que eu costumo ver ao navegar na rede? Em que tipo de coisas, afinal, gosto de descansar ou estimular a vista? Ao olhar com mais demora para aquela moça ou aquele rapaz já não estou, segundo as palavras do Salvador (cf. Mt 5, 28), a cometer adultério no meu coração, sendo infiel com os meus desejos, deixando-me arrastar mar dentro, onde serei engolido, ao fim e ao cabo, pelas vagas de sensualidade que circulam pela web?

Lembremo-nos sempre de que o olhar de Deus, puro e sem malícia, penetra os nossos rins e corações (cf. Rm 8, 27). Peçamos-lhe com confiança a graça de, sendo fiéis a Ele e a quem nos foi dado por esposa ou esposo, evitarmos — com o heroísmo de quem deseja amar e entregar-se de todo — as pequenas armadilhas, para escaparmos às grandes quedas.

 
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Cuidado com as superstições

“Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 19,31). “Serás inteiramente do Senhor; teu Deus” (Dt 18,13). “Não praticareis a adivinhação nem a magia” (Lv 19,26b)

Sempre houve esta condenável idolatria, que continua moderna, chamada superstição, pela qual se procura uma divinização espúria das energias ocultas. Até mesmo entre os católicos, mal formados, se multiplicam, superstições que tocam o ridículo. São muitas e variadas.

Entre elas, muitos são os que colocam na entrada das lojas e casas vasos com a espada de São Jorge; outros, ferraduras, raminhos de arruda; inúmeros os que andam com “pedras, pêndulos, cristais e outras bugigangas para espantar as energias negativas”.

Há também aqueles que vivem impressionados com os males que possam advir dos “trabalhos” realizados nos terreiros. Querem combater as forças do mal de qualquer maneira e, apesar de frequentarem os Sacramentos da Igreja, usam estes “rituais” para se “purificarem”.

Estamos já no início do terceiro milénio e, no entanto, prevalecem os feitiços: uma pedra, uma raiz, uma pena de pássaro, uma concha, um dente de animal, ainda há pessoas que pregam uma ferradura atrás da porta para atrair sorte nas questões económicas ou vão atrás do trevo de quatro folhas, portador de felicidade.

A enorme lista de superstições que aparece na vida de tantas pessoas, poderia ser abandonada se houvesse mais confiança em Deus e na protecção dos anjos e santos; e não se entregariam a práticas tão irrisórias, fundadas num temor doentio. Trazer um amuleto não pode nunca atrair qualquer tipo de ajuda sobrenatural, nem afastar as investidas do Maligno, o qual, segundo São Pedro, deve ser vencido unicamente pela fé (1 Pd 5,8).

Todas as crendices envolvidas nas superstições carecem de qualquer base filosófica e teológica. É inteiramente destituída de lógica a associação de causa e efeito professada pelos supersticiosos. Sob o ponto de vista da teologia, as práticas supersticiosas demonstram um senso religioso decadente.

No fundo, apesar dos pesares, é a nostalgia do Absoluto que impera. Aquele que perde a fé na Providência de Deus que governa sabiamente o mundo e se interessa pelos homens de modo especial, tende a curvar-se ao império de uma força cega criada pela fantasia humana.

O cristão deve dar sempre a demonstração de uma crença robusta, firmada nas Escrituras, acreditando numa palavra que Jesus repetiu tantas vezes: “Não tenhais medo” (Mc 6,50; Lc 24,36; Jo 6,20). “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5); e queria dizer que com Ele tudo pode quem Nele confia. Fora de Jesus não há salvação (At 4,12), disse São Pedro aos chefes judeus.

O escritor romano Varrão († 7 a.C.) exprimia muito bem, na sua linguagem politeísta, o que significa a religiosidade inferior, quando afirmava que “o supersticioso é o homem que teme os deuses como inimigos, ao passo que o homem religioso os reverencia como pais” (citado por S. Agostinho, De civ. Dei 6.9.2). Quintiliano († 120 d.C.), por sua vez, notava que a “superstição difere da religião como o homem que procura por curiosidade difere do homem que procura por amor” (De inst. orat. VIII 3). Em suma, vê-se que já entre os romanos pagãos a superstição era tida como uma deterioração ou contrafação da Religião.

O Catecismo da Igreja diz que: “A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, por exemplo: quando atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si mesma legítimas ou necessárias. Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que exigem, é cair na superstição” (n.2111). Aqui se enquadram as tais “correntes de oração obrigatórias” sob pena de castigos.

A adivinhação, leitura de cartas ou qualquer outro rito supersticioso do tipo, apontam para a predição de coisas futuras ou ocultas sem recorrer a Deus. Pretende-se descobrir aquilo que só Deus pode conhecer. O grande pecado da superstição está que a pessoa quer procurar fora de Deus, poder e conhecimento, que Deus não nos quer dar porque não é bom para nós. O supersticioso, por práticas mágicas quer impor a Deus fazer a sua vontade por meios mágicos.

Deus revelou-nos algumas coisas sobre o futuro, que nos interessam, por exemplo, haverá um juízo particular e um final; e depois o céu ou inferno. E deu-nos inteligência, liberdade, vontade, consciência e outros recursos para que nos preparemos responsavelmente para o futuro. Não podemos controlar o futuro, pois ele está nas mãos do Senhor. Precisamos de confiar Nele como um Pai infinitamente bom e cooperar com a sua graça para fazer a parte que nos corresponde.

No entanto, o homem, levado pela soberba, quer ter tudo sob controle, sem colocar a sua confiança em Deus. É este o pecado da superstição, buscando conhecimento ilícito, por caminhos que estão fora da revelação divina, como a adivinhação. É preciso saber que estes recursos ocultistas, sem que se saiba, recorrem ao demónio; e quem a pratica fica, de alguma maneira, vinculado a ele. São Paulo disse que: “As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demónios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demónios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demónios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demónios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que ele?” (1Cor 10,20-22).

À medida que se perde a fé, aumentam as superstições, mesmo entre pessoas que não pertencem a estes grupos, mas que buscam solução para os seus problemas. Alguns pensam que seja mera brincadeira e fazem-no por curiosidade ou pela pressão de um grupo. Mas precisamos de recordar que aí está em jogo a nossa fidelidade a Deus, com quem não se brinca.

Quando o homem não encontra o Deus verdadeiro, e não se entrega a Ele, então, fabrica o seu deus, à sua pequena imagem e semelhança; semelhante à pedra, ao cristal, à magia, etc.

Sobretudo na festa de Ano Novo os espíritos esotéricos exaltam-se em busca das melhores condições para serem agraciados pelos seus deuses e pelos poderes ocultos do além. Para uns é a exigência de começar o Ano com o pé direito; para outro é estar de roupa branca, mesmo as mais íntimas, ainda que alma não esteja tão clara; para outros é pular as ondinhas do mar… e a pobre miséria humana multiplica as fantasias e as suas falsidades.

O homem tem sede de Deus! Ou ele adora e serve ao Deus verdadeiro, “Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis”, ou passa a adorar e a servir a deuses falsos, mesmo que conscientemente não se dê conta disso. Outros ainda, mais desorientados, correm atrás de horóscopos, de zodíacos, de mapas astrais, de cartomantes, de necromantes, de búzios… Nas grandes e pequenas livrarias, proliferam todos estes tipos de livros, muito bem explorados por alguns escritores e editoras. Lamentavelmente, muitos cristãos (e até católicos!), por ignorância religiosa na sua maioria, acabam também por seguir esses caminhos tortuosos e perigosos para a própria vida espiritual.

Ao cristão é permitido buscar unicamente em Deus, pela oração, todo o consolo, auxílio e força de que necessita – e em nenhum outro meio ou lugar. São Paulo disse: “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças” (Fl 4,6). E São Paulo advertiu severamente as comunidades cristãs de que fugissem da idolatria (cf. I Cor 10,14).

Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demónios. Ou queremos provocara ira do Senhor?” (1 Cor 10,20-22). Quando Deus não atende um pedido nosso, Ele sabe a razão; e, se temos fé e confiança Nele, não vamos atrás de coisas proibidas.

O Ano que começa é um grande presente de Deus para cada um de nós; e deve ser colocado inteiramente em Suas mãos, para que Ele cuide de cada dia e de nós. Nada alegra tanto a Deus do que vivermos na fé. Não devemos recorrer a nenhuma destas práticas ou ritos, pois são totalmente contrárias à nossa fé. Recordemos que o inimigo anda como “um leão procurando a quem devorar”.

 

 
Será que tenho obsessão por compras? Imprimir e-mail

 

Será que tenho obsessão por compras? 

 

Para quem tem compulsão por compras, ir aos “centros” de compras em época de liquidação e datas comemorativas é um grande perigo

 

Em certas épocas do ano, somos inclinados a gastar mais do que normalmente gastamos. A mídia, o comércio e a nossa remuneração levam-nos a este gasto. Com isto, é aquele “entra e sai” de loja de sapato, roupa, perfumaria, acessórios e até supermercados, sempre com uma sacola. Alguns até com o discurso de que estão a comprar, “porque merecem”, porque trabalham o ano inteiro; outras que se escondem e dizem que não estavam a poder comprar, mas precisavam de uma roupa nova.

Será que a compulsão por compras é uma doença? Falta de vergonha na cara? Falta de planeamento orçamental?

 

Pergunta a ti próprio:

1. Tens uma preocupação excessiva e/ou perda de controle sobre o acto de comprar?

 2. Tens notado um aumento progressivo do volume de compras?

 3. Percebes que há tentativas frustradas de reduzir ou controlar as compras?

 4. Tens comprado para lidar com a angústia ou outra emoção negativa?

 5. Envolveste-te em mentiras para encobrir o descontrole com compras?

 6. Notaste prejuízos nos âmbitos social, profissional e familiar?

 7. Apresentas problemas financeiros causados por compras?

 

Sê honesto ao responder. Enquadras-te em quantos deles? Podes estar a ser acometido por uma doença psíquica e não sabes disso.

 

Perceber o transtorno de comprar

O transtorno de comprar está inserido no DSM-5 (manual diagnóstico e estatístico), no grupo dos transtornos de controle dos impulsos. A compulsão por compras traz uma associação em cadeia, até que, seja estabelecida como patologia. Inicialmente, a pessoa precisa de ter o “start”, e quem tem esta função é o acto impulsivo, o desejo impetuoso de comprar, de obedecer aos seus pensamentos obsessivos que geram angústia e desconforto, chegando o momento em que, a voz de comando seja obedecida, neste caso: o acto da compra. Pois, a pessoa só pensa em comprar sempre.

O pensamento intrusivo surge sem que haja o desejo e aprovação da pessoa e invade a nossa mente. Não conseguindo desviá-lo, a pessoa acaba por se entregar ao acto compulsivo para obter o alívio, o que gera um sentimento de culpa, sofrimento e arrependimento, por saber que cedeu ao seu pensamento e que não poderia ter comprado, mas que não é suficiente para inibir a próxima compulsão.

Ao responder a este pensamento (obsessivo) intrusivo, são libertados, imediatamente, neurotransmissores (cérebro), que produzem a sensação de prazer e alívio. Fechando este ciclo, ele repete-se constantemente pela necessidade de responder a esta voz, que são os pensamentos intrusivos, configurando-se num acto compulsivo. Podemos notar então que se trata de uma patologia, que não é tão simples e exige uma intervenção em três áreas disfuncionais diferentes: impulsividade, obsessão e compulsão.

O acto de comprar dá-se pelo desejo

Podemos compreender que a compulsão é um comportamento repetitivo e incontrolável, mal adaptativo, que podemos adquirir de qualquer coisa, seja por comida, drogas, álcool, sexo, cigarros, trabalho, actividade física ou compras. Neste caso, o acto de comprar dá-se pelo desejo e não pela necessidade.

Para quem tem compulsão por compras, ir aos centros de compras em época de liquidação e datas comemorativas é um grande perigo. É preciso fugir do perigo, porque o facto de saber que está em promoção, independentemente do quanto de desconto aquela loja oferece, já é um grande atrativo para o compulsivo. Quantos não exageraram na “Black Friday”? Consumiram muito mais pela força da propaganda do que pela necessidade do produto. E os exageros das festas de fim de ano? Roupas e brinquedos caros que enchem os olhos e realizam sonhos no Natal!

A disposição das mercadorias nas vitrines, as cores, os produtos (…), todas as coisas são apresentadas de forma a atrair o olhar do consumidor. No entanto, existe uma parcela da população que é atraída com maior facilidade, por terem este transtorno consciente ou inconscientemente. É preciso ter consciência daquilo que tu és, das tuas limitações, para que possas lutar contra elas de forma adequada e com um poder de força maior por conhecer o meu “inimigo”.

Qual é a causa desta compulsão?

Infelizmente, não é como uma receita de bolo, que tem os seus ingredientes e preparação bem descritos. Na psicologia, é preciso sempre averiguar a história da pessoa, pois pode ser que a raiz do problema seja fruto de um processo traumático vivido numa determinada etapa da vida, que hoje, na vida adulta, se apresenta desta forma. Esta resposta é um mecanismo de defesa adquirido por consequência de um quadro de vulnerabilidade emocional, ansiedade, sentimento de perda ou até mesmo um comportamento aprendido, que é acionado quando se sente ameaçado. Este comportamento, normalmente, vem associado também a um transtorno de humor; no caso, depressão, ansiedade e fobia podem estar associados ou não. Inicialmente, o que se deve fazer é fugir da ocasião que o leva à compulsão, é entrar nas lojas apenas se verdadeiramente houver necessidade de compra e aprender a responder aos seus pensamentos intrusivos, para domá-los.

As respostas precisam de ser coerentes e reais, para ser capaz de modificar o pensamento – o que não é fácil –, pois ele é imaginário e potente. Pode ser que sozinho não consigas resistir e responder aos teus pensamentos, por isso, o ideal é procurar ajuda psicológica para que um profissional te auxilie a vencer esta limitação.

O acto de comprar pode gerar prazer. A questão está em alimentá-lo com grande frequência, tendo por vezes comportamento impulsivo, caindo num ciclo vicioso, e que a pessoa perde o controle. Diante deste cenário e vivendo tempos de crise, lanço uma pergunta: Posso consumir tanto quanto tenho costume? Ou será que não estou a conseguir controlar os meus impulsos e acabo por comprar mais do que deveria e poderia?

 
Todo o homem é chamado a ser um guerreiro Imprimir e-mail

 

Todo o homem é chamado por Deus a ser um guerreiro 

 

O homem traz em si a agressividade, o impulso por batalhar, o coração de guerreiro

O nosso Deus é um Deus guerreiro. Esta é uma característica forte Nele, e a sua morte de Cruz comprova isto. Para se entregar da forma como Cristo se entregou só um verdadeiro herói poderia ir até ao fim. Somos imagem e semelhança deste Deus e, nós homens, de forma especial, somos chamados por Deus a assumir o papel de guerreiros na luta por causas justas.

No primeiro livro de Samuel, capítulo 17, é dado início à história de David. David era o oitavo filho de Jessé, mais novo e menos preparado para a guerra, menos ainda para reinar sobre Israel. Ao entrar no acampamento do exército israelita, o jovem depara-se com o Filisteu Golias que anda a amedrontar as tropas do Rei Saul, pois ninguém tinha coragem de lutar contra ele.

Este trecho da história de David mostra a sua força, a sua inteligência e disposição em lutar por aquilo que para ele é importante. David revela-se um guerreiro. Mas não um guerreiro qualquer, ele mostra que não basta a um homem ser forte, ele precisa de usar a sua força em causas nobres. David não entra na batalha para ser reconhecido, mas luta pelo seu povo e pela honra do seu Deus.

Hora da batalha

Jesus sabia muito bem quando deveria entrar numa batalha e não temia usar a sua força, se necessário. Quando está no templo de Jerusalém e se depara com um comércio montado, a sua ação é expulsar todos e derrubar as mesas (Cf. Mt 21, 12). Jesus lutou pela casa de seu Pai, a sua intenção era ensinar que há certas batalhas que o homem precisa de travar. Da mesma forma, no capítulo 4 do Evangelho de São Lucas 14,30, Jesus está na sinagoga de Nazaré, e no fim dessa leitura vemos que Jesus se retira do meio do povo que deseja lançá-Lo num precipício. Um guerreiro sabe também evitar batalhas desnecessárias.

O homem traz em si a agressividade, o impulso por batalhar, o coração de guerreiro. Isto não é algo ruim, mas hoje não temos referências com quem possamos aprender a usar essa potência de forma positiva. Vemos esse dom a perder o seu sentido e a nossa sociedade está cheia de homens que se confundem na sua identidade, deixando-se dominar por prazeres e conquistas pequenas. O Papa emérito Bento XVI diz: “Deus veio ao mundo para despertar em nós a sede pelas grandes coisas”.

Ele precisa de ter firme na sua mente que Deus quer estar com ele nas batalhas. Mas, ensinam-nos por aí que somos fracos, que não conseguimos. Então, como encontrar um meio de usar a nossa força de forma correta? O Pai quer-nos treinar para isso, Ele quer dar-nos motivos fortes para usarmos essa força, motivos nobres. O Salmo 144,1 diz: “Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que treina as minhas mãos para a batalha e os meus dedos para o combate”. Sim, Deus quer-nos treinar para usar a nossa força quando for preciso.

 O homem tem desistido das suas batalhas e assim toda a humanidade perde. Um casamento, por exemplo, é um motivo pelo qual todo o homem precisa de estar disposto a batalhar e assim também pelos seus filhos, amigos, pela sua fé.

Legado de pai para o filho

Na história da humanidade esse legado era transmitido de pais para filhos. Era com o seu pai que um jovem aprendia como usar a força. Houve uma ruptura neste ciclo e os pais de hoje não sabem como ensinar os filhos a assumirem o papel de homem, pois também ninguém os ensinou. A nós, cabe buscar em Deus a referência que precisamos. Deus é nosso Pai e Ele quer treinar-nos, quer nos fazer homens com toda a potencialidade que Ele criou.

Para que nos possamos encontrar na nossa identidade masculina é preciso que, antes, nos encontremos no coração do Pai, no coração de Deus. Se, primeiro, provarmos da experiência de que somos filhos amados de Deus, poderemos assumir a nossa identidade e com isso retomar o ciclo de pais, que são verdadeiramente pais, e filhos que se sentem filhos.

Somente no coração de Deus conseguiremos encontrar o caminho que nos restituirá ao que realmente somos, homens guerreiros.

 
O mundo está cada vez mais religioso Imprimir e-mail

 

O mundo vai ficando cada vez mais religioso

 

A laicização – uma ateização dissimulada – progride em leis, acordos internacionais, declarações de chefes de Estado e de máximos líderes religiosos um pouco por toda a parte.

Mas isto não reflete todas as tendências que estão a mudar as pessoas.

Uma visualização mais arguta e complexa das propensões da humanidade na sua vida concreta está a ser corroborada por análises científicas, sociológicas, psicológicas reforçadas pelos resultados de consultas populares da maior relevância, escreveu Marita Carballo no jornal “La Nación”, de Buenos Aires.

 Ela é presidente de Voices! e vice-presidente do Comitê Científico do World Values Survey.

Esta visão verifica que a religião não só não perdeu vigência, mas cresce, anunciando um futuro cada vez mais voltado para o sobrenatural.

O século XIX acreditou nas profecias sobre o desaparecimento da noção de Deus, substituída pela euforia das descobertas e da globalização incipiente.

Pensadores laicistas e/ou ateus como Comte, Durkheim, Marx, Nietzsche e Weber refletiam esta histórica mudança social. Porém, hoje os seus livros estão entre os menos comprados e lidos, apanhando mofo em muitas bibliotecas.

Se os padres fundadores das ciências sociais laicistas pudessem ressuscitar, talvez preferissem voltar aos seus túmulos, à vista da importância que os jovens dão à espiritualidade.

Jürgen Habermas e o sociólogo Peter L. Berger, entre outros, falam deste crescimento.

Berger até desdiz nos seus escritos anteriores e insiste na sua principal mudança intelectual: “Vejo que o mundo, com notáveis exceções, é tão religioso como sempre, e em alguns lugares mais do que nunca”, escreveu em 2001.

A era da modernidade, da globalização e da intercomunicação planetária minou a religiosidade, sobretudo na Europa Ocidental.

Mas, o ter banido a religião abriu um vazio que as pessoas agora querem preencher. Então procuram em Deus, em Nossa Senhora, nos anjos e nos santos um refúgio acolhedor dentro de um mundo frio e devorador.

Segundo Marita Carballo, o World Values Survey e a última sondagem internacional de WIN/Voices! em 68 países de todos os continentes constataram que 62% das pessoas dizem-se religiosas, 75% acreditam na existência da alma e 72% em Deus. Apenas 25% se declararam não religiosas e 9% ateias.

O nível educativo pesa. Aqueles que passaram menos pelas máquinas educacionais ateizantes sentem-se mais religiosos, e vice-versa.

Por isso, na Europa Ocidental, o já multissecular processo de laicização inaugurado pela Revolução Francesa multiplicou agnósticos e ateus.

Análogo efeito produziu a modernização da Igreja Católica no período pós-conciliar: os índices de assistência às igrejas, aos casamentos, vocações, batizados, etc. caíram vertiginosamente.

Hoje, apenas dois em cada dez suecos e quatro em cada dez franceses se dizem religiosos. Os países nórdicos batem o recorde de descrença em Deus. Com exceção da Itália, os que acreditam em Deus nas nações europeias não superam 50%.

Mas nesta queda está incubado o contragolpe psico-sociológico.

Os EUA lideraram o desenvolvimento material e a globalização, mas atualmente a maioria dos americanos diz-se religiosa e atribui grande importância a Deus na sua vida.

Quem aspira a um cargo público deve declarar a sua religião, ainda que não acredite nela.

O presidente Trump bateu todos os recordes mandando bênçãos urbi et orbe no encerramento do seu discurso em Varsóvia, quando anunciou a sua futura política internacional.

Na França, multidões lotam as “Manifs pour tous” em nome de uma tradição e um passado católico que talvez não tenham conhecido. E isto não é efeito de uma pregação do clero ou de movimentos eclesiais organizados.

Na América Latina, entre oito e nove em cada dez pessoas declaram-se religiosos na maioria dos países, entre 90 e 98% acreditam em Deus e na existência da alma.

O singular é que a perda da fé no continente não está ligada à falta de formação escolar. Os países sul-americanos mais ricos e evoluídos são o exemplo.

Na Argentina, 78% dizem-se religiosos e a Constituição nacional reconhece o catolicismo.

No Brasil, a virada não pode ser mais espetacular. A corrida dos candidatos presidenciais Dilma e Serra para exibir a sua religiosidade no intuito de obter votos foi um exemplo clamoroso.

A maior bancada do Congresso – articulada pelas crenças evangélicas – e a derrocada das esquerdas laicistas, são apenas mais alguns indícios da viragem pela religião, que do ponto de vista sociológico só pode ser qualificada de colossal.

Na África, no Oriente Médio e grande parte de Ásia a religiosidade mantém-se alta, apesar de maculada por inúmeras superstições.

Em países como Tailândia, Índia, Bangladesh, Paquistão, Indonésia, Fiji, Papua Nova Guiné, Nigéria, Gana, Costa de Marfim, Armênia e Filipinas as percentagens dos que se dizem religiosos está à beira dos 100%.

 

 

 

 
O pecado é o motivo da nossa tristeza Imprimir e-mail

 

O pecado é o motivo da nossa tristeza 

 

Tenha a certeza: o pecado é o motivo da sua tristeza, e só Jesus lhe pode devolver a alegria verdadeira

 

Em algumas situações específicas, em que duas pessoas eram condenadas à morte, os romanos costumavam aplicar uma pena extremamente cruel. Amarravam as duas pessoas uma à outra, rosto com rosto, braço com braço, mão com mão, perna com perna e assim por diante. Depois, matavam apenas um deles e colocavam ambas no sepulcro, amarradas. À medida que o cadáver se ia decompondo, libertava substâncias que consumiam em vida o corpo daquele que com ele estava amarrado.

Desta maneira, podemos entender melhor a que São Paulo aludia ao dizer: “Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?” (Rm 7,24). Ele não falava do seu corpo físico, mas do corpo do pecado ao qual estava amarrado.

Qual aquele condenado, não temos forças para nos livrar deste corpo de pecado que nos consome. Estamos de tal maneira amarrados a ele, que parecemos formar um só corpo, e não estamos amarrados por fora, mas por dentro, no nosso coração.

Precisamos de alguém que nos desamarre e nos livre deste corpo que nos mata e faz apodrecer em vida.

Os cristãos são o suave odor de Cristo, mas, quando se tem um corpo de pecado trancado no coração, o próprio coração se corrompe e começa a empestar, com o mau cheiro, o ar à sua volta. Em vez de ser causa de alegria e felicidade para si e para os outros, torna-se causa de sofrimento e infelicidade, porque se afasta de Deus e entra em discórdia com as pessoas para defender interesses egoístas.

A verdade é que somos as primeiras vítimas desse mal; sentimo-nos tristes, abatidos e abandonados, porque somos pecadores e, no nosso coração, vive uma lepra chamada pecado, que o insensibilizou à presença amorosa de Deus. E o pior é que não podemos fugir dele, como se foge de uma pessoa desagradável. Não podemos fugir, porque o pecado nos fala de dentro do nosso coração (cf. Sl 36,2), nós levamo-lo connosco para onde vamos.

Só Jesus lhe pode devolver a alegria verdadeira

Tenha certeza: o pecado é o motivo da sua tristeza, e só Jesus pode lhe devolver a alegria verdadeira. É necessário que Ele o liberte desse mal, mate essa lepra e mude o seu coração corrompido num novo coração. Toda a pessoa que pensa ser impossível que os seus pecados lhe sejam perdoados, entra em desespero, e torna o seu estado pior do que era antes. Então, tenha confiança em Deus!

Se você, alguma vez, já se sentiu perdido por causa de alguma coisa que fez, se teve medo de cair no inferno, se sentiu desolado e sem forças, se, depois de repetidas lutas contra um mesmo pecado, mais uma vez você foi vencido e sentiu vontade de desistir, tenho uma ótima notícia para você: só quem assim se sentiu pode experimentar o que é ser salvo pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e este mesmo Jesus pode eliminar a sua tristeza na raiz.

 
Como identificar pensamentos suicidas Imprimir e-mail

 

Como identificar pensamentos suicidas

 

Alguns factores de risco e uma pergunta

 

Muitos de nós sentimo-nos impotentes quando se trata de reconhecer um suicídio.

 “Isto é tão trágico”.

 “Que desperdício de uma bela vida”.

 “Por que é que ele não nos falou sobre isto?”

 

Por vezes, estamos totalmente perdidos em como lidar com o suicídio, um assunto profundamente devastador.

Mas estamos muito mal informados para discutir isto de forma substancial. O que é compreensível, pois a maioria de nós não é treinada em serviços psiquiátricos e faz o melhor para lidar com as próprias dificuldades na vida.

Descobrir como resolver o problema do suicídio parece estar acima da nossa autoridade.

É importante que cada um de nós se comprometa a ser melhor em falar sobre isso e quebrar certos tabus.

 

Como identificar que uma pessoa está a pensar em suicídio?

A verdade é que cada um de nós pode ter um amigo suicida neste momento mas que não nos conta nada sobre isso.

Eles não nos contam porque sabem que vivem num mundo cruel, mal preparado para ajudá-los sem julgá-los.

A principal razão que impede as pessoas que pensam em acabar com a própria vida de falar sobre o suicídio é o medo de serem rotuladas como frágeis e problemáticas pelo resto da vida.

É preciso muita coragem para falar sobre o desejo de se suicidar, especialmente quando estás a passar por isso.

Toda a pessoa apresenta risco de suicídio. O suicídio não tem rosto.

Mães, pais, jovens, pastores, artistas, o pensamento de acabar com a vida pode enraizar-se na mente de todos.

Mas existem alguns grupos que são mais propensos ao suicídio do que outros.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, lésbicas, gays e bissexuais têm quatro vezes mais probabilidade de tentar suicidar-se do que pessoas heterossexuais.

E 25% dos jovens transgéneros relataram terem tentado tirar a própria vida.

O que algumas pessoas não sabem é que livrar-se desta ideia e aprender a curtir a vida não é uma opção para aqueles que estão verdadeiramente deprimidos.

 

Por que é que o suicídio começa a parecer uma opção viável?

Como identificar que uma pessoa está a pensar em suicídio?

 

John Gibson, um pastor cujo nome foi lançado recentemente como parte do hack de Ashley Madison (onde muitas pessoas foram expostas por criarem contas com a intenção de traírem os seus cônjuges) cometeu suicídio em Agosto.

 “Ele falava sobre a depressão. Ele falava sobre ter o seu nome lá, e disse que estava muito, muito triste. O que sabemos sobre ele é que ele devotou a vida a outras pessoas, e ele o fez de graça, misericórdia e perdão para todos. Mas de alguma forma, ele não conseguia estender isto para si mesmo”.

– Christi Gibson, sobre o suicídio do seu marido, John.

Jody Nelson, um assistente social clínico em Lansing, Michigan, explica parte do porquê uma pessoa se pode sentir atraída pelo suicídio:

 “Uma pessoa suicida muitas vezes vê o suicídio como uma solução pura, limpa e autónoma para o seu estado emocional de desespero. O suicídio nunca é puro. Nunca é limpo. E nunca verdadeiramente autónomo. As pessoas suicidas não são capazes de ver ou prever as consequências do seu ato na vida das pessoas ao redor. A sua própria doença faz com que seja impossível para eles verem isso.”

Ele aconselha-nos a conhecer os fatores de risco:

 

Como identificar que uma pessoa está a pensar em suicídio?

1. Depressão. Isolamento. Perdas.

2. Grandes mudanças de vida (e, às vezes, apenas algumas pequenas como começar ou parar de tomar certos medicamentos).

3. Tentativas de suicídio anteriores. Abuso de substâncias.

4. Comportamentos irracionais ou instáveis.

5. Dificuldades financeiras.

6. Acesso a meios de cometer o ato.

7. Intenção suicida.

8. Uma história de suicídio na família.

9. Ligações a outras pessoas que morreram por suicídio.

Jody Nelson diz que, se percebermos esses sinais, devemos perguntar diretamente a pessoa algo do tipo:

 “Eu notei que estiveste particularmente em baixo ultimamente. Estás a pensar em te fazer mal?”

Isto não fará com que alguém que não tenha tendências suicidas passe a considerar a ideia de repente.

O que isto fará, caso alguém esteja a pensar em suicidar-se, é fazê-lo atravessar uma parede que te está a manter isolado e, de repente, aliviar parte dos sentimentos acumulados, com os quais ele lidou sozinho.

Uma pessoa com depressão e sentimentos suicidas é muitas vezes grata por encontrar alguém com quem possa falar francamente sobre o que está a pensar.

E caso alguém responda que sim, escute-o e converse com ele. Mas também leve-o à emergência, leve-o até lá, vá com ele. Assim, eles terão acesso ao acompanhamento adequado.

Em seguida, fique de olho e acompanhe a situação. Continue a conversar com ele, pois ele vai tentar minimizar a situação. Quem não faria isto?

É por isso que é importante para nós falar sobre isto publicamente e agora.

 

Como identificar que uma pessoa está a pensar em suicídio?

Quando aprendermos a falar sobre o suicídio de forma mais produtiva e demonstrarmos publicamente que estamos a tentar entender um pouco melhor o que costumávamos, abriremos portas caso alguém no nosso círculo esteja a pensar em se suicidar.

Devemos demonstrar que não iremos julgar os nossos amigos e pessoas amadas – apenas amá-los.

 
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