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"Assim como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros"

(Jo 13, 34)

 
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Todo o homem é chamado a ser um guerreiro Imprimir e-mail

 

Todo o homem é chamado por Deus a ser um guerreiro 

 

O homem traz em si a agressividade, o impulso por batalhar, o coração de guerreiro

O nosso Deus é um Deus guerreiro. Esta é uma característica forte Nele, e a sua morte de Cruz comprova isto. Para se entregar da forma como Cristo se entregou só um verdadeiro herói poderia ir até ao fim. Somos imagem e semelhança deste Deus e, nós homens, de forma especial, somos chamados por Deus a assumir o papel de guerreiros na luta por causas justas.

No primeiro livro de Samuel, capítulo 17, é dado início à história de David. David era o oitavo filho de Jessé, mais novo e menos preparado para a guerra, menos ainda para reinar sobre Israel. Ao entrar no acampamento do exército israelita, o jovem depara-se com o Filisteu Golias que anda a amedrontar as tropas do Rei Saul, pois ninguém tinha coragem de lutar contra ele.

Este trecho da história de David mostra a sua força, a sua inteligência e disposição em lutar por aquilo que para ele é importante. David revela-se um guerreiro. Mas não um guerreiro qualquer, ele mostra que não basta a um homem ser forte, ele precisa de usar a sua força em causas nobres. David não entra na batalha para ser reconhecido, mas luta pelo seu povo e pela honra do seu Deus.

Hora da batalha

Jesus sabia muito bem quando deveria entrar numa batalha e não temia usar a sua força, se necessário. Quando está no templo de Jerusalém e se depara com um comércio montado, a sua ação é expulsar todos e derrubar as mesas (Cf. Mt 21, 12). Jesus lutou pela casa de seu Pai, a sua intenção era ensinar que há certas batalhas que o homem precisa de travar. Da mesma forma, no capítulo 4 do Evangelho de São Lucas 14,30, Jesus está na sinagoga de Nazaré, e no fim dessa leitura vemos que Jesus se retira do meio do povo que deseja lançá-Lo num precipício. Um guerreiro sabe também evitar batalhas desnecessárias.

O homem traz em si a agressividade, o impulso por batalhar, o coração de guerreiro. Isto não é algo ruim, mas hoje não temos referências com quem possamos aprender a usar essa potência de forma positiva. Vemos esse dom a perder o seu sentido e a nossa sociedade está cheia de homens que se confundem na sua identidade, deixando-se dominar por prazeres e conquistas pequenas. O Papa emérito Bento XVI diz: “Deus veio ao mundo para despertar em nós a sede pelas grandes coisas”.

Ele precisa de ter firme na sua mente que Deus quer estar com ele nas batalhas. Mas, ensinam-nos por aí que somos fracos, que não conseguimos. Então, como encontrar um meio de usar a nossa força de forma correta? O Pai quer-nos treinar para isso, Ele quer dar-nos motivos fortes para usarmos essa força, motivos nobres. O Salmo 144,1 diz: “Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que treina as minhas mãos para a batalha e os meus dedos para o combate”. Sim, Deus quer-nos treinar para usar a nossa força quando for preciso.

 O homem tem desistido das suas batalhas e assim toda a humanidade perde. Um casamento, por exemplo, é um motivo pelo qual todo o homem precisa de estar disposto a batalhar e assim também pelos seus filhos, amigos, pela sua fé.

Legado de pai para o filho

Na história da humanidade esse legado era transmitido de pais para filhos. Era com o seu pai que um jovem aprendia como usar a força. Houve uma ruptura neste ciclo e os pais de hoje não sabem como ensinar os filhos a assumirem o papel de homem, pois também ninguém os ensinou. A nós, cabe buscar em Deus a referência que precisamos. Deus é nosso Pai e Ele quer treinar-nos, quer nos fazer homens com toda a potencialidade que Ele criou.

Para que nos possamos encontrar na nossa identidade masculina é preciso que, antes, nos encontremos no coração do Pai, no coração de Deus. Se, primeiro, provarmos da experiência de que somos filhos amados de Deus, poderemos assumir a nossa identidade e com isso retomar o ciclo de pais, que são verdadeiramente pais, e filhos que se sentem filhos.

Somente no coração de Deus conseguiremos encontrar o caminho que nos restituirá ao que realmente somos, homens guerreiros.

 
O mundo está cada vez mais religioso Imprimir e-mail

 

O mundo vai ficando cada vez mais religioso

 

A laicização – uma ateização dissimulada – progride em leis, acordos internacionais, declarações de chefes de Estado e de máximos líderes religiosos um pouco por toda a parte.

Mas isto não reflete todas as tendências que estão a mudar as pessoas.

Uma visualização mais arguta e complexa das propensões da humanidade na sua vida concreta está a ser corroborada por análises científicas, sociológicas, psicológicas reforçadas pelos resultados de consultas populares da maior relevância, escreveu Marita Carballo no jornal “La Nación”, de Buenos Aires.

 Ela é presidente de Voices! e vice-presidente do Comitê Científico do World Values Survey.

Esta visão verifica que a religião não só não perdeu vigência, mas cresce, anunciando um futuro cada vez mais voltado para o sobrenatural.

O século XIX acreditou nas profecias sobre o desaparecimento da noção de Deus, substituída pela euforia das descobertas e da globalização incipiente.

Pensadores laicistas e/ou ateus como Comte, Durkheim, Marx, Nietzsche e Weber refletiam esta histórica mudança social. Porém, hoje os seus livros estão entre os menos comprados e lidos, apanhando mofo em muitas bibliotecas.

Se os padres fundadores das ciências sociais laicistas pudessem ressuscitar, talvez preferissem voltar aos seus túmulos, à vista da importância que os jovens dão à espiritualidade.

Jürgen Habermas e o sociólogo Peter L. Berger, entre outros, falam deste crescimento.

Berger até desdiz nos seus escritos anteriores e insiste na sua principal mudança intelectual: “Vejo que o mundo, com notáveis exceções, é tão religioso como sempre, e em alguns lugares mais do que nunca”, escreveu em 2001.

A era da modernidade, da globalização e da intercomunicação planetária minou a religiosidade, sobretudo na Europa Ocidental.

Mas, o ter banido a religião abriu um vazio que as pessoas agora querem preencher. Então procuram em Deus, em Nossa Senhora, nos anjos e nos santos um refúgio acolhedor dentro de um mundo frio e devorador.

Segundo Marita Carballo, o World Values Survey e a última sondagem internacional de WIN/Voices! em 68 países de todos os continentes constataram que 62% das pessoas dizem-se religiosas, 75% acreditam na existência da alma e 72% em Deus. Apenas 25% se declararam não religiosas e 9% ateias.

O nível educativo pesa. Aqueles que passaram menos pelas máquinas educacionais ateizantes sentem-se mais religiosos, e vice-versa.

Por isso, na Europa Ocidental, o já multissecular processo de laicização inaugurado pela Revolução Francesa multiplicou agnósticos e ateus.

Análogo efeito produziu a modernização da Igreja Católica no período pós-conciliar: os índices de assistência às igrejas, aos casamentos, vocações, batizados, etc. caíram vertiginosamente.

Hoje, apenas dois em cada dez suecos e quatro em cada dez franceses se dizem religiosos. Os países nórdicos batem o recorde de descrença em Deus. Com exceção da Itália, os que acreditam em Deus nas nações europeias não superam 50%.

Mas nesta queda está incubado o contragolpe psico-sociológico.

Os EUA lideraram o desenvolvimento material e a globalização, mas atualmente a maioria dos americanos diz-se religiosa e atribui grande importância a Deus na sua vida.

Quem aspira a um cargo público deve declarar a sua religião, ainda que não acredite nela.

O presidente Trump bateu todos os recordes mandando bênçãos urbi et orbe no encerramento do seu discurso em Varsóvia, quando anunciou a sua futura política internacional.

Na França, multidões lotam as “Manifs pour tous” em nome de uma tradição e um passado católico que talvez não tenham conhecido. E isto não é efeito de uma pregação do clero ou de movimentos eclesiais organizados.

Na América Latina, entre oito e nove em cada dez pessoas declaram-se religiosos na maioria dos países, entre 90 e 98% acreditam em Deus e na existência da alma.

O singular é que a perda da fé no continente não está ligada à falta de formação escolar. Os países sul-americanos mais ricos e evoluídos são o exemplo.

Na Argentina, 78% dizem-se religiosos e a Constituição nacional reconhece o catolicismo.

No Brasil, a virada não pode ser mais espetacular. A corrida dos candidatos presidenciais Dilma e Serra para exibir a sua religiosidade no intuito de obter votos foi um exemplo clamoroso.

A maior bancada do Congresso – articulada pelas crenças evangélicas – e a derrocada das esquerdas laicistas, são apenas mais alguns indícios da viragem pela religião, que do ponto de vista sociológico só pode ser qualificada de colossal.

Na África, no Oriente Médio e grande parte de Ásia a religiosidade mantém-se alta, apesar de maculada por inúmeras superstições.

Em países como Tailândia, Índia, Bangladesh, Paquistão, Indonésia, Fiji, Papua Nova Guiné, Nigéria, Gana, Costa de Marfim, Armênia e Filipinas as percentagens dos que se dizem religiosos está à beira dos 100%.

 

 

 

 
O pecado é o motivo da nossa tristeza Imprimir e-mail

 

O pecado é o motivo da nossa tristeza 

 

Tenha a certeza: o pecado é o motivo da sua tristeza, e só Jesus lhe pode devolver a alegria verdadeira

 

Em algumas situações específicas, em que duas pessoas eram condenadas à morte, os romanos costumavam aplicar uma pena extremamente cruel. Amarravam as duas pessoas uma à outra, rosto com rosto, braço com braço, mão com mão, perna com perna e assim por diante. Depois, matavam apenas um deles e colocavam ambas no sepulcro, amarradas. À medida que o cadáver se ia decompondo, libertava substâncias que consumiam em vida o corpo daquele que com ele estava amarrado.

Desta maneira, podemos entender melhor a que São Paulo aludia ao dizer: “Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?” (Rm 7,24). Ele não falava do seu corpo físico, mas do corpo do pecado ao qual estava amarrado.

Qual aquele condenado, não temos forças para nos livrar deste corpo de pecado que nos consome. Estamos de tal maneira amarrados a ele, que parecemos formar um só corpo, e não estamos amarrados por fora, mas por dentro, no nosso coração.

Precisamos de alguém que nos desamarre e nos livre deste corpo que nos mata e faz apodrecer em vida.

Os cristãos são o suave odor de Cristo, mas, quando se tem um corpo de pecado trancado no coração, o próprio coração se corrompe e começa a empestar, com o mau cheiro, o ar à sua volta. Em vez de ser causa de alegria e felicidade para si e para os outros, torna-se causa de sofrimento e infelicidade, porque se afasta de Deus e entra em discórdia com as pessoas para defender interesses egoístas.

A verdade é que somos as primeiras vítimas desse mal; sentimo-nos tristes, abatidos e abandonados, porque somos pecadores e, no nosso coração, vive uma lepra chamada pecado, que o insensibilizou à presença amorosa de Deus. E o pior é que não podemos fugir dele, como se foge de uma pessoa desagradável. Não podemos fugir, porque o pecado nos fala de dentro do nosso coração (cf. Sl 36,2), nós levamo-lo connosco para onde vamos.

Só Jesus lhe pode devolver a alegria verdadeira

Tenha certeza: o pecado é o motivo da sua tristeza, e só Jesus pode lhe devolver a alegria verdadeira. É necessário que Ele o liberte desse mal, mate essa lepra e mude o seu coração corrompido num novo coração. Toda a pessoa que pensa ser impossível que os seus pecados lhe sejam perdoados, entra em desespero, e torna o seu estado pior do que era antes. Então, tenha confiança em Deus!

Se você, alguma vez, já se sentiu perdido por causa de alguma coisa que fez, se teve medo de cair no inferno, se sentiu desolado e sem forças, se, depois de repetidas lutas contra um mesmo pecado, mais uma vez você foi vencido e sentiu vontade de desistir, tenho uma ótima notícia para você: só quem assim se sentiu pode experimentar o que é ser salvo pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e este mesmo Jesus pode eliminar a sua tristeza na raiz.

 
Como identificar pensamentos suicidas Imprimir e-mail

 

Como identificar pensamentos suicidas

 

Alguns factores de risco e uma pergunta

 

Muitos de nós sentimo-nos impotentes quando se trata de reconhecer um suicídio.

 “Isto é tão trágico”.

 “Que desperdício de uma bela vida”.

 “Por que é que ele não nos falou sobre isto?”

 

Por vezes, estamos totalmente perdidos em como lidar com o suicídio, um assunto profundamente devastador.

Mas estamos muito mal informados para discutir isto de forma substancial. O que é compreensível, pois a maioria de nós não é treinada em serviços psiquiátricos e faz o melhor para lidar com as próprias dificuldades na vida.

Descobrir como resolver o problema do suicídio parece estar acima da nossa autoridade.

É importante que cada um de nós se comprometa a ser melhor em falar sobre isso e quebrar certos tabus.

 

Como identificar que uma pessoa está a pensar em suicídio?

A verdade é que cada um de nós pode ter um amigo suicida neste momento mas que não nos conta nada sobre isso.

Eles não nos contam porque sabem que vivem num mundo cruel, mal preparado para ajudá-los sem julgá-los.

A principal razão que impede as pessoas que pensam em acabar com a própria vida de falar sobre o suicídio é o medo de serem rotuladas como frágeis e problemáticas pelo resto da vida.

É preciso muita coragem para falar sobre o desejo de se suicidar, especialmente quando estás a passar por isso.

Toda a pessoa apresenta risco de suicídio. O suicídio não tem rosto.

Mães, pais, jovens, pastores, artistas, o pensamento de acabar com a vida pode enraizar-se na mente de todos.

Mas existem alguns grupos que são mais propensos ao suicídio do que outros.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, lésbicas, gays e bissexuais têm quatro vezes mais probabilidade de tentar suicidar-se do que pessoas heterossexuais.

E 25% dos jovens transgéneros relataram terem tentado tirar a própria vida.

O que algumas pessoas não sabem é que livrar-se desta ideia e aprender a curtir a vida não é uma opção para aqueles que estão verdadeiramente deprimidos.

 

Por que é que o suicídio começa a parecer uma opção viável?

Como identificar que uma pessoa está a pensar em suicídio?

 

John Gibson, um pastor cujo nome foi lançado recentemente como parte do hack de Ashley Madison (onde muitas pessoas foram expostas por criarem contas com a intenção de traírem os seus cônjuges) cometeu suicídio em Agosto.

 “Ele falava sobre a depressão. Ele falava sobre ter o seu nome lá, e disse que estava muito, muito triste. O que sabemos sobre ele é que ele devotou a vida a outras pessoas, e ele o fez de graça, misericórdia e perdão para todos. Mas de alguma forma, ele não conseguia estender isto para si mesmo”.

– Christi Gibson, sobre o suicídio do seu marido, John.

Jody Nelson, um assistente social clínico em Lansing, Michigan, explica parte do porquê uma pessoa se pode sentir atraída pelo suicídio:

 “Uma pessoa suicida muitas vezes vê o suicídio como uma solução pura, limpa e autónoma para o seu estado emocional de desespero. O suicídio nunca é puro. Nunca é limpo. E nunca verdadeiramente autónomo. As pessoas suicidas não são capazes de ver ou prever as consequências do seu ato na vida das pessoas ao redor. A sua própria doença faz com que seja impossível para eles verem isso.”

Ele aconselha-nos a conhecer os fatores de risco:

 

Como identificar que uma pessoa está a pensar em suicídio?

1. Depressão. Isolamento. Perdas.

2. Grandes mudanças de vida (e, às vezes, apenas algumas pequenas como começar ou parar de tomar certos medicamentos).

3. Tentativas de suicídio anteriores. Abuso de substâncias.

4. Comportamentos irracionais ou instáveis.

5. Dificuldades financeiras.

6. Acesso a meios de cometer o ato.

7. Intenção suicida.

8. Uma história de suicídio na família.

9. Ligações a outras pessoas que morreram por suicídio.

Jody Nelson diz que, se percebermos esses sinais, devemos perguntar diretamente a pessoa algo do tipo:

 “Eu notei que estiveste particularmente em baixo ultimamente. Estás a pensar em te fazer mal?”

Isto não fará com que alguém que não tenha tendências suicidas passe a considerar a ideia de repente.

O que isto fará, caso alguém esteja a pensar em suicidar-se, é fazê-lo atravessar uma parede que te está a manter isolado e, de repente, aliviar parte dos sentimentos acumulados, com os quais ele lidou sozinho.

Uma pessoa com depressão e sentimentos suicidas é muitas vezes grata por encontrar alguém com quem possa falar francamente sobre o que está a pensar.

E caso alguém responda que sim, escute-o e converse com ele. Mas também leve-o à emergência, leve-o até lá, vá com ele. Assim, eles terão acesso ao acompanhamento adequado.

Em seguida, fique de olho e acompanhe a situação. Continue a conversar com ele, pois ele vai tentar minimizar a situação. Quem não faria isto?

É por isso que é importante para nós falar sobre isto publicamente e agora.

 

Como identificar que uma pessoa está a pensar em suicídio?

Quando aprendermos a falar sobre o suicídio de forma mais produtiva e demonstrarmos publicamente que estamos a tentar entender um pouco melhor o que costumávamos, abriremos portas caso alguém no nosso círculo esteja a pensar em se suicidar.

Devemos demonstrar que não iremos julgar os nossos amigos e pessoas amadas – apenas amá-los.

 
Por que é que muitos homens não gostam de ir ao médico? Imprimir e-mail

 

Por que é que muitos homens não gostam de ir ao médico? 

 

Homens × saúde

 

Por que é que, para o homem, é tão “tensa” esta realidade de se relacionar com a sua saúde? Por que, para o homem, é algo demorado a ida ao médico? (Isto quando vai!).

Alguns pontos que nos podem ajudar a chegarmos a um possível consenso.

1º) Fomos criados para ser “fortes”

Quando éramos pequenos e caíamos ao chão, esfolávamos os joelhos ou arrebentávamos o dedo grande do pé, escutávamos: “Sê forte! Não chores. Não foi nada!”. Não podíamos mostrar fraqueza, afinal, “um homem não chora”. Isto, de certa forma, deixou marcas em nós e um desconforto ao assumirmos fragilidades. Logo, ir ao médico é, no mínimo, assumir que “não somos imortais”, que podemos estar “falhos” (doentes). Isto seria assumir as fraquezas. Então, deixe o médico para lá, pois “isto é para os fracos!”

2º) O homem não sente dor

A nossa relação com a dor, na linha do 1º ponto, seguiu o mesmo caminho. Às vezes, sentíamos uma certa dor, mas, diante dos amigos e até dos pais, tínhamos de fazer aquela cara de “eu aguento”. Desta forma, assumir que o corpo padece é também tocar na fraqueza e questionar a nossa masculinidade.

3º) O nosso tempo é precioso

O nosso tempo é precioso. Precisamos de fazer, produzir e realizar algo a todo o momento. O masculino traz em si o papel do “fazer” como um dos elementos estruturantes de si mesmo. Logo, ir ao médico é deixar de “fazer” (produzir, realizar), e não dá para perder horas na fila de espera, no consultório do médico ou naquele exame demorado, pois isso seria perda de tempo.

4º) Não somos de muita conversa

Marcar horário para conversar com alguém que mal conheço? Nem pensar! Se nem com a minha esposa eu sou de muitas conversas, imagine com um médico! Nós homens, na maioria dos casos, temos dificuldades para falar de nós mesmos. Qual a primeira pergunta que o médico faz: “Como está?”

5º) Temos medo do desconhecido

Nós homens gostamos de ter controle sobre as variáveis da vida. Logo, não saber o que é essa ardência ao urinar ou a mancha aqui ou aquela dor ali é também ter de enfrentar o desconhecido. Queremos, ao máximo, deixar para depois. Fazer aquele exame e esperar o resultado pode ser angustiante. E se der um… (três pontinhos que angustiam qualquer homem)

Poderíamos ainda falar de várias outras hipóteses de resposta, como o medo que o homem traz de se mostrar, de ser invadido (colonoscopia, endoscopia, etc.) ou tocar na sua finitude. São questões que questionam a masculinidade de muitos homens.

Masculinidade

Precisamos de nos apropriar da nossa masculinidade, não ter medo de a libertar desses clichês que aniquilam a nossa essência masculina. Precisamos de assumir que a nossa fortaleza não está no facto de sempre sermos fortes e poderosos, mas na capacidade de reconhecer as nossas fraquezas e limites, procurando enfrentá-los. Temos de assumir que a nossa dor pode ser diminuída quando assimilada como nossa e como verdade de nós mesmos; quando fazemos muito, mas a nossa eficiência está no transbordamento do nosso ser. Precisamos de integrar o nosso eu interior quando nos colocarmos em relação com o outro, buscando ali novas respostas. O desconhecido só amedronta, porque eu o desconheço. Quando o reconheço, encontro nele novas oportunidades de superá-lo.

Nestes novos tempos que estamos a viver, é preciso que nós homens nos assumamos naquilo que somos, não tendo medo das nossas fraquezas, mas permitindo-nos enfrentar, com coragem, os nossos fantasmas mais escondidos. A nossa relação com a saúde não deve ser a de “intervenção” (quando já estamos doentes), mas sim de prevenção. Marcar consultas preventivas, exames que nos podem antecipar de grandes patologias tornam-se grandes ferramentas para o exercício da nossa masculinidade. Afinal, um grande homem sempre tem uma boa estratégia! E por que não uma estratégia de saúde?

Vamos marcar a sua consulta médica!

 

 
O que fazer quando sentes que chegaste ao teu limite? Imprimir e-mail

 

O que fazer quando sentes que chegaste ao teu limite?

 

Um lindo poema, que se tornou oração, vai ajudar quando estiveres sem o controle das situações mais difíceis

Um dia ma amiga muito querida queria partilhar comigo algo que lhe doía na alma. Pouco a pouco, as lágrimas começaram a brotar e veio uma súplica: “Padre, fiz tudo o que estava ao meu alcance. Não sei o que mais posso fazer. Será que Deus não vê que eu não tenho mais forças?”

Mais tarde, depois de rezar e receber a bênção eucarística, uma mãe disse-me que passou semanas a suportar a dor de uma filha rebelde que vive uma relação tóxica. Ela comentava que a moça tinha deixado a casa dela.

A mãe, então, foi buscar a filha a uma festa. Quando a filha a viu, chamou os amigos, que começaram a discutir e brigar com a mãe. A mãe veio desabafar e disse: “Cheguei ao limite. Não sei mais o que fazer”.

Pode-se perguntar: “O que fazer se cheguei ao limite das minhas possibilidades? Render-me? Deixar de lutar?”

Este poema (oração) composto pelo beato John Henry Newman, intitulado “O pilar da nuvem”, pode ser uma valiosa ajuda:

“Guia-me, amável Luz, entre a escuridão que me rodeia. Guia-me! A noite está escura e eu estou longe de casa. Guia-me!

Cuida dos meus passos; não posso ver a paisagem distante. Um passo é o suficiente para mim.

Não foi sempre assim. Nem sempre pedi que me guiasses; amava escolher e ver o meu caminho. Mas agora, guia-me!

Amava o dia brilhante, e, apesar dos medos, o orgulho regia a minha vontade. Não lembres os anos passados!

O Teu poder protegeu-me durante tanto tempo, certamente continuará a guiar-me.

Entre terrenos ermos e pântanos, entre precipícios e correntes, até que a noite se vá,

e, ao amanhecer, os anjos sorrirão, os que eu amei desde há muito tempo e os que há muito tempo perdi!”

 
As falsas amizades e como lidar com elas Imprimir e-mail

 

O perigo das falsas amizades e como lidar com elas 

 

As falsas amizades são os maiores obstáculos para o crescimento espiritual

 

Assim como Deus nos dá amigos para nos conduzir à vida eterna e experimentarmos as realidades do céu, corremos o risco de nos deixar confundir pela falsidade, pelo erro das amizades que podem aparecer para nos desencaminhar da santidade e da verdade. Precisamos de pedir o discernimento dos espíritos [cf. I Coríntios 12,10], a fim de analisar se as amizades são de Deus ou não.

Podemos ter amigos que querem o nosso bem e outros que querem o mal. Estes últimos são chamados falsos amigos. As falsas amizades são as que se fundem em qualidades sensíveis ou frívolas: “Não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê das suas ideias frívolas” (cf. Efésios 4,17), que são uma espécie de egoísmo disfarçado. Estas amizades vivem daquilo que é mundano: “Principalmente aqueles que correm com desejos impuros atrás dos prazeres da carne e desprezam a autoridade” (cf. II Pedro 2, 10).

Três espécies de falsas amizades

São Francisco de Sales distingue três espécies de falsas amizades: as amizades carnais, que atraem pelas paixões carnais e pela devassidão (cf. II Pedro 2, 18) buscando os prazeres voluptuosos; as amizades sensuais, que se prendem ao ver a formosura, ao ouvir uma doce voz, ao tocar; e as amizades frívolas, fundadas em qualidades vãs (festas, bebedeiras, etc).

Existem diversos tipos de amigos falsos: os amigos do copo, que se reúnem somente para beber; amigos da prostituição; amigos do furto e roubo; amigos de fofocas; amigos de ganância e interesses; amigos do sexo.

Como podemos identificar a origem das falsas amizades?

Partimos da origem: elas começam de maneira repentina e forte, pois parte de uma simpatia, de um instinto, de qualidades exteriores e brilhantes e emoções vivas ou apaixonantes. O seu desenvolvimento: alimentadas por meios de conversas insignificantes, mas afetuosas, outras por meio de conversas muito íntimas e perigosas, por olhares frequentes, por carícias, entre outros. Efeitos: são vivas, absorventes e exclusivas, imaginam que serão eternas e seguidas por outras afeições.

Perigos destas amizades: são os maiores obstáculos para o crescimento espiritual. À medida que os apegos vão crescendo, vai-se perdendo o recolhimento interior, a paz da alma, o gosto dos exercícios espirituais e do trabalho. O pensamento foge, muitas vezes, para o amigo ausente. A sensibilidade toma as rédeas da vontade, que se torna fraca. Partindo para os perigos relacionados à pureza.

Devemos fugir destas amizades por intermédio da aplicação do remédio certo desde o começo, pois assim é mais fácil, porque o coração ainda não está preso. O rompimento deve ser feito de maneira firme e energética. É necessário evitar procurar e pensar na pessoa em questão, e cortar toda a espécie de vínculo ou ligação, antes que seja tarde.

“Cortai, despedaçai, rompei; não vos deveis deter a descoser estas loucas amizades, é forçoso rasgá-las; não convém, desatai os seus nós, devem-se romper ou cortar” (São Francisco de Sales). Quem se expõe ao perigo acaba por sucumbir.

 
Conhecer-se a si mesmo para alcançar liberdade e equilíbrio Imprimir e-mail

 

Conhecer-se a si mesmo para alcançar liberdade e equilíbrio 

 

Conhecer-se a si mesmo é importante para encontrar liberdade e equilíbrio

Sem se conhecer, não pode construir como convém. E esta não é uma tarefa fácil. Ninguém se torna maduro e equilibrado sem se conhecer. Temos de ter coragem de ver as escravidões e traumas que o passado possa ter deixado na nossa vida, não importa por quem e como, e buscar liberdade e equilíbrio.

Vivemos acreditando num montão de coisas que não podemos ter, que não podemos ser, que não vamos conseguir.

Liberdade para arrebentar as correntes

A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!

Reconheça os seus valores e empregue-os para o bem dos outros. Isto não é egoísmo nem soberba. Humildade não é desvalorizar-se ou pisar em si mesmo, é ser fiel à verdade sobre si próprio.

Quando começamos a conhecer-nos, vencemos as ilusões sobre nós mesmos; vamos deixando as máscaras e as falsidades; deixamos o “palco” e entramos na vida real.

Quando olhas a vida de frente, tomas posse dela. Não tenhas medo de constatar as tuas forças, fraquezas e erros.

Assume tudo e recomeça a corrigir o que estiver errado, com calma e perseverança. Não é fácil enfrentar-se e superar-se, mas é necessário. É preciso querer.

Os nossos comportamentos têm causas boas ou más; investigue-as; só assim se vai conhecer. Sem medo. Não se esqueça, é claro, de anotar os seus valores; faça uma contabilidade correta.

Na verdade, você vai descobrir que é um pouco santo e um tanto pecador; um tanto sábio e outro tanto tolo; um tanto mentiroso e um tanto honesto; um tanto qualificado e um tanto incompetente; um tanto alegre e um tanto triste.

Aceitar com tolerância a si mesmo

Aprenda a amar-se e a aceitar-se com a devida tolerância consigo mesmo. Quando fazemos um exame profundo do nosso interior, experimentamos renascer em nós a liberdade e a vida. Assim, os fantasmas da alma desaparecem e o seu verdadeiro eu pode erguer-se.

Preste atenção àquilo que as pessoas honestas dizem de si, e se conhecerá um pouco mais.

O que mais acontece nos relacionamentos humanos é o facto de as pessoas não verem e não assumirem as suas falhas, tentando sempre empurrar a culpa das coisas erradas para os outros; é o chamado “bode expiatório”.

Temos também que ter coragem de aceitar as boas críticas, pois fazem-nos mais bem aqueles que honestamente nos criticam do que aqueles que nos bajulam. Os primeiros ajudam-nos a crescer, os outros fazem-nos orgulhosos.

Se você aprender a lidar consigo mesmo, lidar com os outros será mais simples e você será feliz.

 
Amigos são aqueles que fazem parte da nossa vida constantemente Imprimir e-mail

Amigos são aqueles que fazem parte da nossa vida constantemente 

 

Amizade é cumplicidade e também parceria para a vida toda

 

Os amigos são, de verdade, um presente. Não podemos viver sem eles. Não tem graça nenhuma. Mas, afinal de contas, o que faz uma pessoa ser meu amigo e o outro ser somente meu colega?

Amizade é encontro que Deus mesmo realiza. Amigo é aquele com quem podemos viver tudo perto dele, sejam os momentos de alegria, festa, conversa, mas também os de dor, angústia e sofrimento.

Quem é amigo?

Amigo é aquele que chega quando todos se foram embora e ficámos na solidão. Amigo é aquele que chora connosco quando as nossas lágrimas já se secaram.

Amigo é tudo de bom! É a certeza de que Deus está próximo, cuidando de nós nos momentos em que mais precisamos.

Toda a amizade, porém, precisa de ser cativada e cultivada. Na amizade, tem que acontecer aquela rivalidade para ver quem ama mais, tem de se gastar tempo e preocupar-se com o outro.

Será que tu tens cuidado cm os teus amigos? Amigo, que é amigo, é para toda a hora. Amizade é como um fruto que amadurece lentamente, crescendo, cada dia, na sua amizade. Vive isto!

 

Para reflectir:

 

Não é receber, é dar.

Não é magoar, é incentivar.

Não é descrer, é crer.

Não é criticar, é apoiar.

Não é ofender, é compreender.

 Não é humilhar, é defender.

 Não é julgar, é aceitar.

 Não é esquecer, é perdoar.

 

 Amizade…

É simplesmente AMAR.

 
Consideras-te uma pessoa livre? Imprimir e-mail

 

Consideras-te uma pessoa livre?  

 

Entende o que é liberdade e reflecte se és uma pessoa livre

Quantos de nós já não tivemos uma imensa vontade de andar a “voar” por aí, vendo-nos livres das responsabilidades, das dificuldades, daquilo que nos aflige, daquela prova que não queremos fazer, da decisão que não queremos tomar ou, simplesmente, ser livres para não seguir regras de casa, dos pais, da sociedade.

Mas será que tudo é permitido? A nossa referência é da liberdade enquanto puder, ou seja, daquele desejo de ultrapassar limites. Nesse sentido, quanto menos limites, Mas, isto é uma visão distorcida do verdadeiro ser livre. Esta passagem bíblica traz-nos esta recordação: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (cf. I Cor 6,12).

Não é possível negar uma realidade que sempre impõe regras a serem respeitadas e delas dependem a convivência saudável de uma comunidade. Assumir as suas escolhas, analisar as possibilidades e observar os caminhos disponíveis de forma consciente são atos de liberdade responsável, especialmente quando, de facto, tomamos um posicionamento definido.

Não escolher, já é uma escolha. Porém, as escolhas podem ser mais ou menos conscientes. Quando ela não é clara para o homem, quando os motivos não estão explicitados, a escolha transforma-se em condenação, pois, de qualquer maneira, haverá uma escolha.

Entenda o conceito de liberdade

A liberdade é própria do homem. Quando podemos ser livres nas escolhas, colocamo-nos em papel de responsáveis pelos atos e consequências destes. Fugindo e deixando que os outros pensem por nós, decidam por nós, ou ainda quando atribuímos alguma responsabilidade para o outro, isto também é um ato livre, mas, talvez, não o mais consciente.

Ser livre é assumir responsabilidade por cada momento do seu viver, cuidando das suas escolhas da maneira mais autêntica possível, encarando os desafios e a angústia de estar lançado num mundo que não oferece nenhum tipo de garantia de sucesso ou felicidade. Estas conquistas vão depender da maneira como cada um constrói o seu caminho para a realização dos seus projetos e como cada um de nós assume o projeto de liberdade responsável na nossa vida, conduzindo a nossa existência, porque “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”.

 
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O que significa o 666?  

 

Quando se fala em 666 do Apocalipse de São João surgem muitas dúvidas

 

O que significa 666? Para não ser enganado, é preciso saber o que os números representavam para os antigos judeus. Por exemplo: os 144 mil eleitos (Apocalipse, cap. 14) é o povo cristão, que não aderiu ao culto imperial, permanecendo fiel a Cristo. 144.000 = 12 x 12 x 1000. O número 12 era símbolo da perfeição e é citado 187 vezes na Bíblia. O número 1000 representava a glória de Deus.

O simbolismo do 666 é claramente interpretado pela Igreja

A mentalidade judia afirmava que o número 7 significava a perfeição e o contacto com Deus, e o que estava abaixo era imperfeito, de modo que o número 6 era sinal de imperfeição, de erro. Temos, por exemplo, os 7 Sacramentos, os 7 dons do Espírito Santo, as 7 dores de Virgem Maria e de São José, etc; é um número símbolo de perfeição. O número 6 repetido, quer dizer “perfeição da maldade”, e o autor do Apocalipse identifica a besta com o 666, fala desta como de vários personagens ou de alguém que perseguia os cristãos dessa época.

Perseguição ao Cristianismo

O Apocalipse foi escrito no fim do séc. I (95 d.C), em grego, e tinha como destino as comunidades cristãs da Ásia Menor (Ap 1,4; 2,1-3,22), que falavam o grego. Nessa época, esta região estava sob o domínio do Império Romano e o Cristianismo era duramente perseguido pelo terrível imperador Domiciano (81-96 d.C). Este imperador considerava-se um deus e exigia que todos os seus súbditos o adorassem, o que os cristãos nunca aceitaram.

São João, escreve o Apocalipse, divinamente inspirado, proclama que, no final, o Cristianismo sairá vencedor. Querendo dizer quem era a besta, sem poder falar claramente para não ser acusado de crime de “lesa majestade” (estava desterrado na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus – cf. Ap. 1,9). De maneira que o apóstolo fez uso da gematria, que consistia em atribuir um número formado pela soma das letras de certo alfabeto para expressar uma verdade conhecida pelos leitores.

Os povos antigos não usavam o sistema arábico (o nosso) para expressar os números, mas as próprias letras do alfabeto. Os romanos usavam apenas 7 letras. Também os judeus e os gregos atribuíam números às letras dos seus respectivos alfabetos, mas de forma muito mais ampla que os romanos, já que toda a letra (grega ou hebraica) possuía um certo valor. Alfabeto Grego: Alfa = 1; Beta = 2; Gama = 3; Delta = 4; Epsilon = 5; Stigma = 6 (antiga letra grega que depois de certo tempo deixou de ser usada); Zeta = 7; Eta = 8; Teta = 9; Iota = 10; Kapa = 20; Lamba = 30; Mu = 40; Nu = 50; Xi = 60; Omicron = 70; Pi = 80; Ro = 100; Sigma = 200; Tau = 300; Upsilon = 400; Phi = 500; Chi = 600; Psi = 700 e Omega = 800. Alfabeto Hebraico: Alef = 1; Bet = 2; Guimel = 3; Dalet = 4; He = 5; Vau = 6; Zayin = 7; Chet = 8; Tet = 9; Yod = 10; Kaf = 20; Lamed = 30; Mem = 40; Num = 50; Sameq = 60; Ayin = 70; Pe = 80; Tsadi = 90; Kof = 100; Resh = 200; Shin = 300; Tau = 400.

Origem do 666

São João era de origem hebraica e escreveu o Apocalipse em grego. Se fizermos a gematria da expressão grega “NVRN RSQ” (César Nero), usando o alfabeto hebraico, totalizaremos 666, pois: N(50)V(6)R(200)N(50) R(200)S(60)Q(100)=666.

As comunidades da Ásia Menor falavam o grego, mas conheciam os caracteres hebraicos. São João misturou aí dois idiomas, ou seja, o grego e hebraico por este facto. Se, acaso, o livro caísse nas mãos das autoridades romanas, que não conheciam o hebraico, não colocaria em risco os seus leitores. Nero (†67) foi o primeiro grande perseguidor dos cristãos e, na época em que foi escrito o Apocalipse (anos 90), Domiciano voltava a perseguir os cristãos com mais força e crueldade. Era “um novo Nero”. Esta e outras evidências levaram aos estudiosos a interpretar que a Besta do Apocalipse era o próprio Imperador Romano, perseguidor dos cristãos.

O Ap 17,10-11 reafirma esta interpretação. Este versículo diz: “São também sete reis, dos quais cinco já caíram, um existe e o outro ainda não veio, mas quando vier deverá permanecer por pouco tempo. A Besta, que existia e não existe mais, é ela própria o oitavo e também um dos sete, mas caminha para a perdição”. Os reis de que trata a citação são os imperadores romanos. Considerando, cronologicamente, os imperadores a partir da vinda de Cristo, até à época da redação do livro do Apocalipse: cinco já caíram – Augusto (31aC-14dC), Tibério (14-37dC), Calígula (37-41dC), Cláudio (41-54dC) e Nero (54-68dC); 1 existe:– Vespasiano (69-79dC); e 1 durará pouco: – Tito (79-81dC: só 2 anos!); a besta é o oitavo Domiciano (81-96dC).

As duas bestas do Apocalipse, quem são?

A primeira besta, que sobe do mar (v. 1), é o próprio imperador de Roma, Domiciano (como foi explicado); o mar é o Mediterrâneo, onde se localizava Roma, a capital do Império. A sua autoridade vem de satanás (v. 2) e as palavras blasfemas que profere (v. 5) referem-se ao culto de adoração ao imperador imposto por Domiciano a todos os povos do Império. A segunda besta, que sai da terra (v.11), classificada como “falso profeta” (Ap 16, 13; 19,20; 20,10), é a ideologia do culto imperial favorecido pelas religiões pagãs. A prostituta (caps. 16-17) significa a Roma pagã e idólatra (v. 9). Os reis das terras que se prostituíram com ela (v. 2) são os povos que adotaram o culto de adoração ao imperador.

De maneira figurada, o 666 pode ser símbolo também de toda a força, cultura, pessoa, que combata contra Deus e a sua santa Igreja. São João dizia, no séc. I, que o anti-Cristo já estava no mundo.

Felipe Aquino

 
O Deus das Maravilhas Imprimir e-mail

O Deus-Maravilha - O Deus das Maravilhas - As Maravilhas de Deus - No princípio era Deus…

 

E Deus resolveu dar início às suas maravilhas: como criador, como libertador, como redentor.

Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome.

Celebrai os seus louvores, dizei a Deus: maravilhosas são as vossas obras (Sl 65).

A primeira maravilha foi a criação.

As primeiras páginas da Bíblia, que se referem à criação, não devem ser tomadas à letra. São uma mensagem de fé e não um relato histórico de como as coisas aconteceram.

Deus, com uma única palavra – "Faça-se" –, criou tudo o que existe. E é de facto uma maravilha, porque tudo o que existe podia não existir.

A criação é um dom, uma graça, e, em linguagem do Papa Francisco, uma carícia de Deus.

Esta é a mensagem de fé: Deus criou o mundo e tudo o que nele existe.

Como é que tudo isto aconteceu?

Os cientistas tentam penetrar, mas em vão, no pensamento de Deus no momento da criação. Descobriram uma partícula a que puseram o disparatado nome de "partícula de Deus". Como se pudéssemos chegar ao pensamento de Deus através de uma partícula!

Deus lá no céu ri-se de nós. Com uma única palavra criou tudo, e não precisou de nenhum acelerador de partículas. Isto foi há muitos milhares de milhões de anos. Em relação a Deus nós chegamos sempre atrasados.

E Deus desafia a pretensão dos cientistas, e pergunta: "Onde estavas, ó cientista, quando criei a Primavera e as borboletas, as papoilas e os malmequeres, o ninho das andorinhas e o pescoço das girafas, as asas da águia e o cântico dos rouxinóis? Quem ensinou o papagaio a falar? Quem ensinou as crianças a dizer mamã, a mandar beijinhos, a contar as estrelas, a rir-se dos adultos, a sonhar com os anjos, a namorar com os desenhos animados? Onde estáveis, ó cientistas, quando criei a música, a poesia, a dança, o amor e o sorriso das crianças? Qual foi o cientista que foi o meu conselheiro?"

Dizem que a palavra com que Deus criou o mundo não foi uma palavra, foi um poema e uma canção.

E uma criança, que gostava de poemas e de canções, não gostou de algumas notas desta canção. Olhou para a criação e ficou intrigada com o pescoço da girafa, e perguntou: "Ó Deus, o pescoço da girafa foi ideia tua ou saiu assim?" E Deus respondeu: "Não, querida, não foi ideia minha, saiu assim, porque na altura da criação eu tinha muitas coisas em que pensar"…

Estamos a brincar com a criança, mas a pergunta que ela fez tem todo o sentido, foi uma pergunta inteligente, até parece ter sido feita por mim quando era criança…

Estamos a falar no Deus das maravilhas, mas neste mundo acontecem muitas coisas que de maravilha não têm mesmo nada.

É certo que de muitos males que há no mundo somos nós os responsáveis, mas não somos responsáveis por todos. Por outro lado, o buraco de ozono, o efeito de estufa, as alterações climáticas, a austeridade e ameaças de Bruxelas e as trapalhadas dos políticos não explicam tudo. Não somos responsáveis pela explosão dos vulcões, pela violência dos terramotos, pelos tsunamis, pelos mosquitos que andam por aí a ferrar toda a gente e a provocar doenças.

E a criança continua a perguntar: "Ó Deus, estas coisas que nos causam tanto sofrimento foram ideia tua ou saíram assim? Porque permitiste os fornos em que Hitler queimava judeus como se fossem lenha?"

Com estas perguntas não se brinca. Mas ficamos com esta questão fundamental inquietante: é certo, absolutamente certo, que, aconteça o que acontecer, Deus é sempre um "Deus maravilhoso", embora às vezes não pareça…

Como última nota desta canção, Deus criou Adão. E como não queria que Adão ficasse sozinho, adormeceu-o, tirou-lhe uma costela e criou Eva.

Uma serpente começou para ali a falar e disse: "Podeis comer a maçã", e "sereis como deuses".

E comeram a maçã.

Adão e Eva pecaram. Deus não gostou. Adão culpou Eva, Eva culpou a serpente, e a serpente culpou o diabo, mas o diabo era ela.

O pecado é ruptura com Deus, com o próximo, com a natureza. Entre Adão e Eva começou a ruptura. Dizem que Adão perguntou a Eva: "Amas-me?" E Eva responde: "Que remédio, não tenho mais ninguém".

Parece anedota, mas não é. Quando se ama alguém porque não há mais ninguém, o divórcio está perto. São as rupturas do frágil amor humano.

"Sereis como deuses." – disse a serpente. É este o "pecado original" de todos os tempos: querermos ser deuses. Em vez de adorarmos a Deus, adoramos a nós mesmos e a outros bezerros de ouro.

Estamos a falar das maravilhas de Deus. As coisas não podiam ficar assim. Deus perdoou e prometeu a salvação. Disse à serpente: "Porei inimizade entre ti e a Mulher e esta te esmagará a cabeça".

Seja quem for esta mulher (Nossa Senhora), o certo é que Deus anuncia a salvação.

Quer dizer, a última palavra da história humana não pertencerá ao mal, ao pecado, mas ao perdão, à misericórdia de Deus.

O Senhor da história não é a serpente, não somos nós, mas Deus. Aconteça o que acontecer, Deus terá sempre a última palavra.

As maravilhas de Deus criador continuam no Deus libertador.

O povo de Deus vive no Egipto sujeito à escravidão. Mas Deus não gosta mesmo nada de escravos e decide intervir.

Chama Moisés e diz-lhes: "Vai ter com o Faraó, e diz a esse cavalheiro que tem que deixar partir o meu povo". – "Se me perguntarem o Teu nome, que devo dizer?"

Eu sou aquele que sou, Eterno presente.

Não fui nem serei.

Eu sou.

E aprenderás, Moisés, a conhecer-Me, quando vires o que farei…

Deus pronunciou mais uma vez a palavra mágica da criação – "Faça-se" – e aconteceu a libertação.

 Eu sou aquele que sou. Não fui nem serei.

Aprenderás, Moisés, a conhecer-Me, quando vires o que farei…

Moisés foi falar com o Faraó em nome de Deus, de sandálias nos pés e um cajado na mão. E as sandálias e o cajado venceram o ceptro e os carros do Faraó.

O povo partiu. O mar secou e Israel passou. O deserto floriu. Do rochedo brotaram rios de água e do céu caiu o maná.

Muitos anos mais tarde, Jesus refere-se a este alimento que caiu do céu: "Eu sou o pão – disse Jesus – que desceu do céu. Não sou como o pão que os vossos pais comeram e depois morreram. Quem come deste pão viverá para sempre. Não foi Moisés que vos deu o pão que veio do céu. Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do céu"…

No monte Sinai, depois da caminhada pelo deserto, Deus estabelece a aliança com o seu povo.

A criação foi uma maravilha; a libertação do Egipto foi outra maravilha; mas a maravilha das maravilhas chama-se Jesus Cristo.

Jesus, o pão que desceu do céu, anunciou o Reino de Deus, e pôs tudo isto de pernas para o ar. Porque o Reino de Deus será o reino dos pobres, dos "mãos vazias", dos coxos, surdos, paralíticos e leprosos, será o reino dos pecadores e publicanos, dos zaqueus e samaritanos, das mulheres de má vida e dos ladrões arrependidos. O Reino de Deus será o reino onde os "filhos pródigos" em vez de marginalizados serão recebidos por Deus Pai com festa, abraços e beijos, música e dança, nem que todos os escribas e fariseus do mundo fiquem amuados à entrada da porta por não quererem participar do banquete do perdão.

Em palavras do Papa Francisco, o Reino de Deus será o reino dos marginalizados sem dignidade, considerados como "resíduos" e "sobras" da humanidade.

Em Jesus Cristo, Deus pôs o mundo às avessas: derrubou os soberbos, os poderosos, os ricos, exaltou os humildes e declarou felizes os pobres, os mansos, os misericordiosos, os puros, os perseguidos e insultados por causa do seu nome.

Dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Mas sabe também fazer o contrário: escrever torto por linhas direitas, quando consideramos linhas direitas os nossos disparates.

Até tenho a impressão de que Deus gosta mais da escrita torta do que da direita, e das coisas tortas mais do que das direitas. Deus não usa cadernos com linhas, porque as linhas é Ele que as faz. E as linhas de Deus são muito diferentes das nossas.

Quando as coisas andam demasiado direitinhas, muito organizadinhas e certinhas, como se fôssemos robôs comandados por computadores, a vida parou, o futuro fugiu, e o dia-a-dia transforma-se numa pasmaceira chata, a cheirar a sala de estar, e a saber a chá de cidreira e pastéis de nata. A vida não é nem um tratado de lógica, nem um tratado de geometria, nem um tratado de informática. Se calhar, é uma mistura de muitas coisas: certas e erradas, direitas e tortas, com linhas e sem linhas, coisas que são pensadas e outras que "saem assim". É a vida! A vida é mesmo assim!

E Jesus aprendeu com o seu Pai a ter os mesmos gostos. Jesus é mesmo um especialista em endireitar as coisas, pondo-as ao contrário:

Os primeiros serão os últimos…

Quem for o menor é que será o maior…

Quem governa deve ser como quem serve…

Quem quiser ser o primeiro deve primeiro aprender a servir…

As grandes coisas começam por ser pequenas: sal, fermento, grão de trigo, grão de mostarda, pequeno rebanho.

E nas bodas de Caná Jesus até fez vinho com água, e ninguém deu conta…

Mas a maravilha de Deus por excelência foi a Paixão-Ressurreição de Jesus.

Em Jesus, na cruz, despojado de tudo, abandonado por todos, senhor de nada, nem sequer dos seus braços porque estavam pregados, manifestou-se o poder de Deus. Porque a omnipotência de Deus manifesta-se quando perdoa e salva.

E nós não podemos ser "turistas do Calvário". Não podemos assistir à morte de Jesus e depois irmos embora a falar da chuva…

Jesus morreu e foi sepultado. Mas a morte não podia ter a última palavra. Sobre o túmulo de Jesus não cresceram nem a grama nem os cardos. Ouviu-se uma grande explosão. A pedra do túmulo saltou. Jesus ressuscitou. E os pobres polícias continuam a vigiar um sepulcro vazio…

Jesus ressuscitado ficou entre nós. Diz o Apocalipse: "Olha que eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo".

Lume novo, lareira acesa na cidade,

És Tu, Senhor, o clarão da tarde.

A notícia, a carícia, a Ressurreição.

Passa outra vez, Senhor, e dá-nos a mão.

E nós rezamos: Senhor Jesus, olha para a nossa fragilidade.

Passa outra vez, Senhor, pela nossa vida, e dá-nos a mão.

 
Por que é que o Católico não pode ser Espírita? Imprimir e-mail

Por que é que o Católico não pode ser Espírita?

 

O católico não pode ser espírita porque:

 

1 - O católico acredita nos Mistérios e aceita as Verdades contidas na Sagrada Escritura e na Tradição católica, certo de que elas foram reveladas ou inspiradas por Deus.

Ao contrário, o espírita proclama que não há mistérios e tudo o que ultrapassa a compreensão natural da mente humana é falso e deve ser rejeitado.

 

2 - O católico instruído crê que Deus pode fazer milagres e que houve e há milagres ao longo da História.

O espírita rejeita a possibilidade de milagres e ensina que Deus também está submisso às leis da natureza.

 

3 - O católico crê que a Sagrada Escritura foi inspirada por Deus e, portanto, não pode conter erros em questão de fé e moral.

O espírita declara que a Bíblia está cheia de erros e contradições e que nunca foi inspirada por Deus.

 

4 - O católico crê que Nosso Senhor Jesus Cristo enviou o Espírito Santo aos apóstolos e que a Igreja tem a assistência do Espírito Santo para que os autênticos sucessores dos apóstolos possam transmitir fielmente a sua doutrina.

O espírita declara que os apóstolos e os seus autênticos sucessores não entenderam os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo e que tudo quanto transmitiram está errado ou foi falsificado.

 

5 - O católico crê que o Papa, sucessor de São Pedro, é infalível em questões de fé e moral.

O espírita declara que os papas só espalharam o erro e a incredulidade.

 

6 - O católico crê que Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu a Igreja para continuar a sua obra.

O espírita declara que até à vinda de Allan Kardec, a obra de Cristo estava inutilizada e perdida.

 

7 - O católico crê que Nosso Senhor Jesus Cristo encerrou toda a Revelação e que não há mais nada para ser revelado.

O espírita proclama que o espiritismo é a terceira revelação, destinada a rectificar e até mesmo substituir o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

8 - O católico crê na Santíssima Trindade.

O espírita nega esta verdade.

 

9 - O católico crê que Deus é o Criador de tudo, Ser pessoal, distinto do mundo.

O espírita afirma que os homens são partículas de Deus (panteísmo).

 

10 - O católico crê que a alma humana é criada do nada, directamente por Deus, no momento da concepção.

O espírita afirma que a nossa alma é resultado de lenta e longa evolução, tendo passado pelo reino mineral, vegetal e animal.

 

11 - O católico crê que o homem é um ser composto, substancialmente, de alma e corpo (união substancial).

O espírita afirma que é composto entre perispírito e alma e que o corpo é apena um invólucro temporário, um “alambique para purificar o espírito”.

 

12 - O católico obedece a Deus que, sob severas penas, proíbe a evocação dos mortos.

O espírita faz desta evocação uma nova religião.

 

13 - O católico crê na existência de anjos e demónios.

O espírita afirma que não há anjos, mas espíritos evoluídos e que eram homens;

Que não há demónios, mas apenas espíritos imperfeitos que alcançarão a perfeição.

 

14 - O católico crê que Nosso Senhor Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho Unigénito de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

O espírita nega esta verdade fundamental da fé e afirma que Cristo era apenas um grande médium.

 

15 - O católico crê que Nosso Senhor Jesus Cristo é verdadeiro homem, com corpo real e alma humana.

Grande parte dos espíritas afirma que Cristo tinha apenas um corpo aparente ou fluídico.

 

16 - O verdadeiro católico crê que Maria Santíssima é a Mãe de Deus, Imaculada e assunta ao céu.

O espírita nega e ridiculariza todos os privilégios da Santíssima Virgem.

 

17 - O católico crê que Nosso Senhor Jesus Cristo veio para nos salvar, pela sua Paixão e Morte.

O espírita afirma que Nosso Senhor Jesus Cristo não é nosso Redentor, mas apenas veio para ensinar algumas verdades e de modo obscuro; e que cada pessoa precisa de se remir a si mesma.

 

18 - O católico crê que Deus pode perdoar ao pecador contritamente arrependido.

O espírita afirma que Deus não pode perdoar os pecados sem que haja rigorosa expiação e reparação feita pelo próprio pecador, sempre em novas reencarnações.

 

19 - O católico crê nos Sete Sacramentos e na graça própria de cada Sacramento.

O espírita não aceita nenhum Sacramento, nem mesmo o poder da graça santificante.

 

20 - O católico crê que o homem vive uma só vez sobre a Terra e que desta única existência depende a vida eterna.

O espírita afirma que a pessoa nasce, vive, morre e renasce, e progride continuamente (reencarnação).

 

21 - O católico crê que depois desta vida existe o céu e o inferno.

O espírita nega, pois crê em novas reencarnações.

 
Os pecados da língua podem chegar a ser graves e mortais Imprimir e-mail

 

Os pecados da língua podem chegar a ser graves e mortais.

 

 

Uma das “categorias” de pecado que costumamos minimizar com mais frequência são os pecados da língua ou da palavra.

 

 

No entanto, talvez a maneira mais comum de pecar seja precisamente o mau uso da palavra.

 

Com grande facilidade, quase sem pensar, nos envolvemos em fofocas, conversas fiadas, mentiras, exageros, ataques venenosos e observações sem caridade.

 

Com a língua, podemos espalhar o ódio, incitar os outros ao medo e à malícia, espalhar a desinformação, atiçar a tentação, desencorajar, ensinar o erro e arruinar reputações.

 

 

Não há dúvida de que podemos causar grandes estragos por meio do dom da palavra, com o qual poderíamos fazer tanto bem!

 

 

E também podemos causar estragos por omissão, já que, com frequência, ficamos em silêncio quando deveríamos falar, deixamos de corrigir os erros do próximo quando deveríamos abordá-los com a devida discrição e gentileza.

 

Hoje em dia, o triunfo do mal é largamente amparado pelo silêncio dos bons, pelo nosso silêncio como povo cristão, inclusive.

 

 

Os profetas devem anunciar a palavra de Deus, mas nós, muitas vezes, encarnamos aquilo que Isaías diz em 56, 10:

 

“Os vigias de Israel estão cegos; todos eles carecem de conhecimento; todos eles são como cães mudos, que não podem ladrar; eles mentem, sonham e gostam de dormir”.

 

Bem disse São Tiago: “Todo aquele que não peca no falar é varão perfeito” (Tg 3, 2).

 

É verdade que nem todo o pecado de palavra é grave ou mortal, mas também é verdade que podemos infligir grandes males com a nossa fala: por isso, os pecados da língua podem chegar a ser graves e mortais.

 

 

Jesus adverte-nos: os homens terão de dar contas, no dia do juízo, de toda a palavra inútil que tiverem proferido (cf. Mt 12,36).

 

Falemos num aspecto dos pecados da palavra que comumente chamamos “fofoca“.

 

Numa definição geral, este termo pode aplicar-se a comentários triviais sobre a vida alheia, mas, quando considerada especificamente como pecado;

 

 

A fofoca consiste em falar de alguém de modo injusto, seja mediante a mentira; seja mediante a divulgação de assuntos pessoais ou privados que não dizem respeito a ninguém, exceto à própria vítima da fofoca.

 

 

Geralmente, a fofoca envolve conversas inapropriadas e sem caridade sobre pessoas que não estão presentes.

 

Além do mais, a fofoca quase sempre acrescenta erros e variações na informação que é transmitida.

 

São Tomás de Aquino inclui a fofoca no seu tratado sobre a justiça (II, IIae 72-76) na Summa Theologica; já que, através da fofoca, nós prejudicamos a reputação dos outros.

 

O Catecismo da Igreja Católica também inclui as fofocas como matéria do oitavo mandamento, o de “não levantar falsos testemunhos”.

 

Com base nas diversas formas de injustiça no falar identificadas por São Tomás de Aquino, podemos mencionar várias modalidades de pecados da língua:

 

 

1 – A ofensa ou injúria

 

 

Consiste em desonrar uma pessoa, normalmente na presença dela própria e, com frequência, também diante de terceiros.

 

 

A ofensa ou injúria é cometida de forma aberta, audível e geralmente motivada por impulsos de raiva e por desrespeito pessoal.

 

 

Ela pode incluir insultos, palavrões e até “pragas rogadas”.

 

No dia-a-dia, nem sempre nos damos conta de que a injúria é uma forma de ataque à reputação da pessoa ofendida; pois, ao contrário da fofoca, que no geral é feita pelas costas, a injúria ou ofensa é “lançada na cara” da pessoa, que, portanto, teria a chance de se defender.

 

Mesmo assim, a injúria precisa de ser mencionada quando citamos os pecados da língua porque ela caminha lado a lado com a desonra, prejudicando a boa fama da vítima.

 

A sua essência é muito próxima da essência da fofoca.

 

 

Injuriar é um pecado que tem a intenção de causar constrangimento ou desonra pessoal.

 

 

Há maneiras mais adultas e mais cristãs de se resolverem os desentendimentos.

 

 

2 – A difamação

 

 

Consiste em falar mal do próximo de maneira injusta e pelas costas.

 

 

É lesar o bom nome de alguém perante terceiros, mas sem que a vítima saiba.

 

 

Este tipo covarde de fofoca impede que a pessoa de quem se fala consiga defender-se ou esclarecer aquilo que está a ser dito a seu respeito.

 

Podemos mencionar duas modalidades de difamação:

 

 

a) A calúnia – Consiste em dizer mentiras sobre alguém pelas costas.

 

 

b) A maledicência – Consiste em dizer verdades sobre alguém pelas costas;

 

 

Mas verdades que são prejudiciais a esse alguém e que os outros não têm necessidade alguma de conhecer.

 

Trata-se de informações que, por mais que sejam verdadeiras, têm o poder de arranhar desnecessariamente a reputação ou prejudicar o bom nome da vítima diante dos outros.

 

 

Por exemplo, pode ser verdade que Fulano enfrenta certos problemas com a dependência química, mas esta é uma informação que não precisa de ser partilhada com qualquer um.

 

Há momentos, é claro, em que é importante dividir certas verdades com os outros, mas somente se for com pessoas que, por justa causa, precisam de conhecer essas informações.

 

 

Além disso, as informações devem ser comprovadamente verdadeiras e não apenas baseadas em boatos.

 

 

Por fim, só podem ser partilhadas legitimamente as informações que são estritamente necessárias, evitando-se um relatório excessivo, motivado por curiosidades fúteis e mesquinharias.

 

 

3 – A murmuração-sabotagem

 

 

Podemos identificar ainda um tipo específico de fofoca que muito se assemelha à difamação, mas que tem matizes particularmente graves.

 

Enquanto o difamador fala pelas costas visando prejudicar a reputação de uma pessoa ausente, o murmurador-sabotador é um mexeriqueiro que, além de falar pelas costas, ainda procura criar problemas concretos para a sua vítima, levando as pessoas a agirem contra ela. Talvez ele pretenda prejudicá-la profissionalmente, talvez o seu objetivo seja incitar reações de ira ou até de violência contra a vítima dos seus fuxicos.

 

O facto é que o mexeriqueiro que pratica a murmuração-sabotagem quer incitar alguma ação contra a pessoa de quem ele está fofocando.

 

Isto vai além do prejuízo da reputação: neste caso, o fuxiqueiro pretende prejudicar, por exemplo, os relacionamentos, as finanças, a situação legal da sua vítima etc.

 

 

4 – A ridicularização - Consiste em fazer as pessoas rirem-se de alguém, de alguma característica física ou comportamental da pessoa, do seu jeito de ser etc.

 

 

Isto pode parecer uma coisa leve, mas, muitas vezes é um tipo de bochicho que se transforma em gestos de burla ou em palavras humilhantes e ofensivas que diminuem a pessoa ou a desonram dentro da comunidade.

 

Em não poucos casos, a ridicularização transforma-se naquilo que hoje em dia se tornou conhecido por “bullying”.

 

 

5 – A maldição ou “praga” - É o desejo publicamente expresso de que uma pessoa seja vitimada por algum mal ou sofra algum dano.

 

A “praga” pode ou não ser rogada diante da própria vítima, o facto é que se trata de um tipo de pecado da língua que também provoca a desonra da vítima diante de terceiros.

 

 

O objetivo de se maldizer alguém, com frequência, é incitar os outros a terem raiva desse alguém.

 

A seriedade dos pecados da palavra ou da língua depende de uma série de fatores; entre os quais o alcance do dano cometido contra a reputação da vítima, as circunstâncias de lugar; tempo e linguagem utilizada e quantas e quais foram as pessoas que ouviram os comentários venenosos.

 

 

Se não houver intenção de prejudicar a vítima, a culpa do pecador até pode diminuir, mas não se elimina o facto de que falar mal dos outros é um pecado em si mesmo.

 

 

Desonrar uma pessoa, especialmente com a intenção consciente de prejudicar a sua reputação e a sua posição diante dos outros, é um pecado que, além do mais, pode facilmente tornar-se muito grave.

 

Um dos tesouros mais preciosos de qualquer pessoa é a sua reputação, já que nela repousa a sua possibilidade de se relacionar com os outros e de se envolver em quase todas as formas de interação humana.

 

 

É muito sério, portanto, prejudicar a reputação de alguém.

 

 

Por mais que este dano possa parecer leve em muitos casos, não podemos descartar que aquilo que consideramos coisa pequena pode causar, na verdade, danos muito maiores do que imaginamos.

 

São Tiago diz, a respeito da língua fofoqueira: “Uma grande floresta pode ser incendiada por uma pequena fagulha.

 

Também a língua é um fogo, um mundo de iniquidade.

 

A língua está entre as partes do nosso corpo e contamina o corpo inteiro, e inflamada pelo inferno, incendeia todo o curso da nossa vida” (Tg 3,6).

 

 

É verdade que, às vezes, precisamos de ter conversas necessárias sobre pessoas que não estão presentes.

 

Talvez estejamos em busca de conselhos para lidar com uma situação delicada, talvez precisemos de algum incentivo para lidar com uma pessoa difícil ou tenhamos que fazer uma legítima verificação de factos, talvez, especialmente em contextos profissionais, sejamos convidados a fazer alguma avaliação sobre colegas, funcionários ou situações.

 

Em casos como estes, temos que limitar o escopo das nossas conversas ao estritamente necessário, abordando somente as pessoas e factos que de verdade precisarem de ser abordados.

 

Ao procurar aconselhamento ou incentivo, devemos falar somente com pessoas que sejam de confiança e que possam razoavelmente ser de ajuda.

 

Sempre que possível, devemos omitir detalhes desnecessários, entre os quais o próprio nome da pessoa de quem estamos a falar.

 

 

Discrição é a palavra-chave também nas conversas necessárias sobre o próximo.

 

 

Por outro lado, é importante saber que o sigilo extremo pode ser inútil e até prejudicial.

 

Há momentos em que as situações flagrantes precisam ser abordadas de maneira direta e bem clara.

 

Neste tipo de caso, temos de seguir as normas estabelecidas por Jesus no Evangelho de Mateus, 18, 15-17: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o em particular. Se ele te ouvir, terás ganhado o teu irmão. Mas se ele não te ouvir, leva contigo uma ou duas outras pessoas, de modo que qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Se ainda assim ele se recusar a ouvir, dize-o à Igreja e se ele se recusar a ouvir também a Igreja, trata-o então como gentio e publicano”.

 

 

Por outras palavras, a discrição deve abrir espaço também para a transparência em determinadas circunstâncias, como aquelas em que uma comunidade precisa de tratar de certas questões de forma pública e clara.

 

Como regra geral, no entanto, devemos manter sempre um grande cuidado com os pecados da língua ou da palavra.

 

Com muita facilidade, afinal, corremos o risco de arruinar a reputação e a dignidade dos outros por causa das nossas fofocas.

 

A conversa fiada sobre os outros pode causar grandes danos, além de levar ao pecado todas as pessoas que tomam parte nesse tipo de conversa.

 

O Salmo 141, 3 eleva a Deus esta prece: “Guarda a minha boca, ó Senhor; vigia a porta dos meus lábios”.

 

Nós também podemos fazer preces como esta, por exemplo: “Ajuda-me, Senhor! Mantém o teu braço sobre o meu ombro e a tua mão sobre a minha boca!

 

Põe a tua palavra no meu coração, de modo que, quando eu falar, sejas Tu, na verdade, aquele que fala por meio de mim. Amém”.

 
O preço de ser "bonzinho" Imprimir e-mail

O preço de ser “bonzinho”

 

Você não consegue dizer "não" às pessoas e vive engolindo sapos? Então leia isto

 

Muita gente confunde bondade com incapacidade de dizer “não”, de colocar limites, de dizer o que gosta e o que não gosta, de satisfazer as próprias necessidades.

 

Aprender a dizer “não”, não é andar aos pontapés às portas. É estar pronto para amadurecer com confiança, certo de que não deixará de ser amado só porque decidiu levar os seus desejos e opiniões em consideração.

 

Não se trata de dizer que “não somos obrigados a nada”, mas de entender que é importante aprender a posicionar-se diante da vida, das exigências do dia a dia, das pessoas e do que cada situação exige.

 

A vida exige rupturas. Exige que abandonemos os nossos ninhos no alto das árvores e ganhemos o céu. Mesmo que o preço seja cair e ferir-nos algumas vezes, a recompensa de nos tornarmos quem realmente somos faz valer a pena.

 

Esqueceram-se de nos contar que podíamos recusar aquele convite, que não era pecado dizer “não” àquilo que não estávamos dispostos a fazer, que não nos devíamos sentir culpados quando impúnhamos limites ou sentíamos necessidade de nos agradar em primeiro lugar.

 

Esqueceram-se de nos contar que ser “bonzinho” é diferente de ser bom. Que quando me desagrado para agradar aos outros estou a não cumprir a lei do amor que diz: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”.

 

Ser bom é ter empatia, é compadecer-se da dor do outro e estar a postos para ajudar, é ter compaixão, tolerância e respeito pelos que nos cercam. Ser “bonzinho” é satisfazer as expectativas dos outros, o que nem sempre satisfaz as nossas próprias expectativas. É carregar um fardo às costas, já que é exaustivo corresponder fielmente ao que é esperado por todos, mas nem sempre está de acordo com o que intimamente queremos.

 

O preço de ser bonzinho é a fragilidade. Pois enquanto preferirmos corresponder às expectativas externas em detrimento do nosso próprio bem estar, estaremos frágeis, susceptíveis ao julgamento externo, vulneráveis ao que pensam ou deixam de pensar a nosso respeito. Quem deixa de ser “bonzinho” fortalece-se. Descobre que tem valor mesmo quando recusa um favor ou prefere pintar o cabelo de azul.

 

A vida ensina sussurrando. Enquanto não aprendermos a ser autênticos no querer ou não querer, no permitir ou não permitir, no autorizar ou não autorizar, iremos sofrer as consequências de não sermos gentis com o nosso próprio espírito. Não se trata de ser egoísta, mas se respeitar em primeiro lugar. Só assim estaremos prontos para ajudar. Só assim estaremos aptos para amar…

 
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O amor entre os homens e os animais  

 

Compreenda a relação de amor entre os homens e os animais

 

O homem descobriu a afeição pelos animais, e o cão foi, posteriormente, eleito “o melhor amigo do homem”. Enquanto algumas espécies de animais correm o risco de se extinguirem nas nossas matas e florestas, outros se multiplicam dentro das nossas cidades e casas. É comum andar nas cidades e assistir a donos a passear nas ruas com os seus animaizinhos.

 

A relação do homem com os animais é muito antiga. Parece que a mais remota é com os auroques (espécie de bovinos já extintos), que serviam para a sobrevivência do homem. Essa relação foi se aprofundando e surgiu a co-habitação e domesticação de algumas espécies como ovelhas, aves e gatos. A domesticação dos cavalos trouxe grande progresso para a humanidade. O homem descobriu a afeição pelos animais, e o cão foi, posteriormente, eleito “o melhor amigo do homem”. Mais recentemente, projetos científicos mostraram e elaboraram formas de relacionamento que trazem benefícios psicológicos e até físicos para o homem, como é o caso da equitação.

 

Os animais, então, serviam para o alimento, os serviços gerais e certa amizade, figurada na imagem do cão. Na ideia do domínio natural do homem sobre os animais, o termo usado para se referir aos bichos que alguém cuida na sua propriedade é “criação”. Sempre, por mais que se amasse um animal, ele nunca seria mais do que uma “criação”.

 

Porém, no êxtase do individualismo da pós-modernidade, os animais estão a ganhar um novo significado e status na relação com os seus donos. É o status amoroso. Num mundo no qual o homem desiste dos homens, sobram os animais. Qualquer tipo de relação afetiva com uma pessoa humana é exigente, porque a perseverança no afeto pede o amor, e este é exigente. Para evitar esse risco, muitos decidiram ficar sozinhos e manter relacionamentos distantes, pouco comprometidos. Nesta lógica, muitos casais resolveram não ter filhos, ou, quando muito 1 ou 2, que para eles já é demais. Optaram pelo individualismo institucionalizado. Mas a solidão é o fruto indesejável desse individualismo e o homem não foi feito para viver só.

Então, como equacionar a crise da solidão individualista?

 

Os animais e a solidão do homem

 

O “amor” aos animais é a solução! É simples: compro um bichinho e passo a ter um relacionamento amoroso com ele. Ele passa a ser o amigo, o filho, o confidente. Ele satisfaz as minhas carências, é uma companhia, mas anda segundo as minhas determinações e obedece ao meu estilo de vida, porque eu sou o dono dele. Ainda melhor, ele nunca vai exigir o meu amor, simplesmente porque, não sendo livre, tem poucas vontades e, assim, o nosso amor nunca passará de um grande afeto. É uma boa solução, mas, na verdade, não resolve o problema da solidão, pois esta só é vencida na grandeza do amor entre duas pessoas.

 

A pessoa humana só é plenamente humana, só é feliz, quando persegue o verdadeiro amor. Claro, é muito mais fácil o afeto que o amor. Ainda mais com animais, que, não possuindo liberdade, subjugam-se aos sabores do seu dono. A questão é que o relacionamento de amor entre seres humanos – seja de amizade, esponsal, entre pais e filhos, ou outros (irmãos de uma mesma fé, profissional, colegas, etc) – tem a grandeza de nos fazer livres a partir da liberdade do outro.

 

Este costume generalizado na sociedade, de substituir o amor que nos torna livres por algum afeto, traz o perigo de uma cultura pseudo-humana. Não é necessário continuar a perseguir a grandeza da sexualidade e do amor humano, as virtudes, a capacidade de dar a vida por alguém, a liberdade de ser bom quando o outro é mau. Os relacionamentos limitam-se a uniões afetivas, e o modelo de amor dentro de uma família torna-se apenas mais uma opção, mas indesejável, porque é muito exigente e difícil, e é uma mera opção.

 

Os animais são criaturas de Deus, portanto, têm uma dignidade própria. Devem ser respeitados e podem receber dos homens uma grande afeição a que, vulgarmente, chamamos “amor”. O Catecismo da Igreja Católica no nº 2418 diz: “Pode-se amar os animais, porém não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas”. As belas histórias de amizade entre pessoas, crianças e animais tornar-se-ão falácias no dia em que esses amores forem, à medida do amor humano, o máximo de amor que um ser humano pode dar a alguém. Se for assim, nos reduziremos à dignidade dos animais.

 

Amemos muito mais os homens, para que sejamos plenamente humanos!

Amemos os homens que passam necessidades, carências de toda a ordem. E há tantos!

 
Sob ameaça de morte, é permitido fingir que renegamos a fé cristã Imprimir e-mail

Sob ameaça de morte,

é permitido fingir que renegamos a fé cristã?

 Até que ponto podemos ser chamados ao martírio?

A resposta para esta questão é bastante drástica. Existe algum caso em que o cristão pode renegar a sua fé? Não. E se ele estiver sob ameaça de morte de um fanático terrorista? Também não. E se for evidente e inevitável que ele vai ser assassinado se não renegar a fé cristã? Também não. E se for só “de mentirinha”, quando, na verdade, ele conserva a fé interiormente? Também não. Mas ele vai perder a vida! Alto lá: ele vai perder ESTA vida, mas não A Vida! Aliás, ele vai ganhá-la de modo garantido: o sincero e autêntico martírio pela fé, afinal, confere-nos indulgência plenária!

São João Paulo II abordou este tema na encíclica Veritatis splendor. Ela contém uma seção intitulada O martírio, exaltação da santidade inviolável da lei de Deus (números 90-94).

O número 91 diz: A Igreja propõe o exemplo de numerosos santos e santas que testemunharam e defenderam a verdade moral até ao martírio ou preferiram a morte a um só pecado mortal. Elevando-os à honra dos altares, a Igreja canonizou o seu testemunho e declarou verdadeiro o seu juízo, segundo o qual o amor de Deus implica obrigatoriamente o respeito dos seus mandamentos, inclusive nas circunstâncias mais graves, e a recusa de atraiçoá-los, mesmo com a intenção de salvar a própria vida.

A última frase diz tudo.

E continua o texto no número 92: No martírio, enquanto afirmação da inviolabilidade da ordem moral, refulge a santidade da lei divina e, conjuntamente, a intangibilidade da dignidade pessoal do homem, criado à imagem e semelhança de Deus: é uma dignidade que nunca é permitido aviltar ou contrariar, nem mesmo com boas intenções, sejam quais forem as dificuldades. Jesus adverte-nos, com a máxima severidade: «Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?» (Mc 8, 36).

Convém notar as palavras “nem mesmo com boas intenções”. A boa intenção é um elemento necessário no agir, mas não é suficiente. A boa intenção não transforma o que é mau em bom; por isso, não pode justificar o que injustificável.

No Evangelho também encontramos algumas palavras do próprio Jesus que fecham a questão:

 “Todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10, 32).

Sim, custa entender que a mensagem de Jesus no Evangelho seja tão exigente; mas é. E é até ao extremo.

O exemplo dos cristãos coptas martirizados pelos fanáticos do Estado Islâmico, em 2015, é certamente admirável. A Igreja copta proclama-os oficialmente santos: afinal, eles deram a vida por Cristo.

Aliás, a propósito deles:

O que a mídia não mostrou sobre o vídeo da execução dos 21 cristãos egípcios

Na época do Império Romano, as perseguições foram atrozes e, algumas, generalizadas. E nunca houve dúvidas entre os fiéis cristãos de que eles eram chamados a confessar a fé até ao martírio. Eles eram orientados a não procurar o martírio, mas, caso se vissem em tal situação, a encará-lo de frente, sem temer, sem hesitar, sem rejeitar a sua fé. Não havia desculpas.

O que chegou a ser discutido foi o perdão e o reingresso na Igreja daqueles que, por fraqueza, tinham cedido. A questão resolveu-se sempre de acordo com o Evangelho: sim, é claro que é possível o perdão e o retorno à Igreja, pois não existe pecado que Deus não esteja disposto a perdoar a quem está sinceramente arrependido e pede misericórdia de coração contrito e confiante. Mas ninguém duvidava de que a negação da própria fé, mesmo diante de uma ameaça tão apavorante, era um pecado gravíssimo, já que não priorizava o amor a Deus acima de todas as coisas.

A história também testemunha a serena fortaleza dos mártires.

Deus sempre deu a Sua graça – extraordinária, se quisermos qualificá-la assim – para encarar a prova suprema e o chamamento extremo a testemunhar a fé. Aliás, “martírio”, em grego, significa precisamente “testemunho”.

Tertuliano escreveu, por volta do ano 200, que o sangue dos mártires era semente de novos cristãos. Foi assim, é assim e será assim.

 

 
Quais são os amores de Jesus Cristo? Imprimir e-mail
Quais são os amores de Jesus Cristo? 

I. A glória de Seu Pai 

Estudando o nosso divino Salvador, tal como nos é representado nos Santos Evangelhos, veremos que não há nada, se nos é permitido arriscar esta expressão, nada mais semelhante a uma paixão n’Ele dominante que o Seu tão vivo, tão ardente desejo da glória de Seu Pai. 

Desde o dia em que, na idade de doze anos, deixou Maria para ficar em Jerusalém, até à Sua última palavra na Cruz, essa dedicação à glória de Deus sobressai em cada página do livro sagrado. Assim como d’Ele se disse, numa ocasião, que o zelo da casa de Deus O devorava, assim nós podemos dizer que era devorado por uma fome e sede contínuas da glória de Seu Pai. 

Era como se se houvesse perdido na terra a glória de Deus, e Ele tivesse vindo para a encontrar; e quão oprimido trouxe o coração enquanto a não encontrou! Foi este o exemplo que nos deu; e a Sua intenção, dando-nos a graça, é que a empreguemos em glorificar o Seu Pai que está nos céus. 

Agora, lançando a vista pelo mundo e em volta de nós, poderemos deixar de ver como a glória de Deus está perdida na terra? O interesse de Jesus pede que a procuremos e que a encontremos. Sem falar desses escândalos públicos que dão os grandes pecadores, não será doloroso ver como Deus é esquecido, completamente esquecido pela maior parte dos homens? 

Vivem como se Deus não existisse. Não se revoltam precisamente contra Ele, mas não pensam n’Ele, desconhecem-no. Deus é neste mundo, que Ele fez por Suas próprias mãos, como um objeto importuno. Foi posto de parte tão despreocupadamente como se faria a uma estátua antiga que se tivesse tornado caricata. 

Os sábios e os homens de Estado estão de acordo neste ponto; agente de negócios e os financeiros entenderam que era acertadíssimo nada dizerem a respeito de Deus, pois é difícil falar d’Ele ou mesmo ocupar n’Ele apenas o espirito, sem nos sentirmos dispostos o conceder-Lhe demasiado. 

Ali está um obstáculo terrível, e poderíamos dizer um obstáculo insuperável, se não fosse a graça de Deus, para os interesses de Jesus. Oh! Quanto nos dilacera o coração semelhante espetáculo, e nos faz suspirar por uma outra vida! Pois, que fazer em tão desesperada situação? Mas alguma coisa devemos tentar. 

Quanto não poderão fazer os terços devotamente rezados e as medalhas bentas? E não é infinito o poder duma só missa? Depois, confessamo-lo com as lágrimas nos olhos, há um grande número de pessoas com reputação de piedosas, que estão longe de dispensarem à glória de Deus um quinhão suficientemente avultado: há muitas pessoas que manifestam devoção, e que aliás não lhe querem dar o primeiro lugar em todas as coisas. 

Têm necessidade de luz para melhor conhecerem a glória de Deus; falta-lhes discernimento para descobrirem armadilhas do mundo e do demónio sob o véu da moderação e da prudência, por meio do qual estes dois inimigos de Deus se esforçam pelo privar da Sua glória; não têm coragem para afrontar a opinião do mundo, e firmeza para pôr sempre a sua vida em harmonia com a sua crença. Pobre gente! E, sem o suspeitar, a própria peste da Igreja. Convém sem dúvida aos interesses de Jesus, que essas pessoas se vejam a si mesmas e a tudo que as rodeia, tais quais são. 

Aqui encontramos, pois, mais uma obra a executar. Oremos por todas as pessoas virtuosas, principalmente pelas que trabalham para o ser, para que conheçam o que reverte em glória de Deus, e o que Lhe é oposto. Oh! Quantas perdas nos causa todos os dias esta falta de discernimento! 

Depois, existem ordens religiosas que, cada uma à sua maneira e conforme o fim da sua instituição, vão trabalhando com a bênção da Igreja, na glória de Deus. Há bispos e padres que com uma singular perseverança e perfeição admirável dedicam os seus esforços a este único fim. Qual é também o alvo duma infinidade de associações e confrarias que existem, senão a glória de Deus? 

Temos de sofrer males, afrontar perigos e suportar escândalos; a sorte da Igreja é curvar hoje a cabeça ante o mundo e nele reinar amanhã. Ora, em tudo isto tem Jesus os Seus interesses, e é dever nosso tratar deles. Meia dúzia de homens que percorressem o mundo procurando somente a glória de Deus, poderiam transportar montanhas. É esta a promessa feita aos homens animados de fé viva. Por que não havemos de ser nós desses homens? 

II. O fruto da Sua Paixão 

Eis o segundo dos grandes interesses de Jesus. Sempre que possamos impedir que se cometa um pecado, por leve que seja, muito faremos pelos interesses de Jesus. Melhor poderemos apreciar a grandeza dum tal serviço, se fizermos esta reflexão: ainda que pudéssemos fechar para sempre o inferno, salvar todas as almas que lá estão a sofrer, despovoar o purgatório, e converter todos os homens do mundo em outros tantos santos como os bem aventurados apóstolos Pedro e Paulo, dizendo a mais leve mentira que fosse, não a deveríamos dizer; pois a glória de Deus sofreria mais com essa pequena mentira do que lucraria com tudo o mais. 

Avaliai por isto quanto se faz pelos interesses de Jesus impedindo um pecado mortal! E todavia é isto tão fácil! Se todas as noites, antes de nos deitarmos, pedíssemos à Virgem Santa que oferecesse a Deus o precioso sangue de Seu querido Filho, para impedir um pecado mortal que ameaçasse cometer-se em qualquer parte do mundo durante a noite; e se renovássemos o mesmo pedido todas as manhãs, para o mesmo fim durante as horas do dia, não há dúvida que semelhante oferta, apresentada por tais mãos, não poderia deixar de obter a graça desejada; e assim cada um de nós poderia provavelmente impedir tantos pecados mortais em cada ano. 

Assim também, todas as vezes que possamos resolver alguém, que o necessite, a confessar-se, ainda que não tenha a acusar senão pecados veniais, aumentamos o fruto da Paixão do nosso Redentor. Cada ato de contrição que qualquer pessoa faça, a instâncias nossas; cada oração que nós façamos com o fim de lhe alcançar esta graça, acrescenta os mesmos frutos. Cada nova austeridade, cada ligeira penitência que promovamos, dá o mesmo resultado. O mesmo aconteceria com os nossos esforços para fazermos apreciar a comunhão frequente. 

Disse um santo que uma só lágrima vertida pelos sofrimentos do nosso doce Salvador era mais preciosa a Seus olhos, que um ano inteiro de jejum a pão e água. O que não seria, pois, se nós pudéssemos interessar os outros em juntarem as suas lágrimas às nossas, e unirem-se conosco no sentimento duma terna piedade pela Paixão de Jesus! 

Oh! Quão grandes são os frutos duma simples oração! Suavíssimo Jesus! Porque somos nós tão insensíveis, tão frios? Acendei em nós esse fogo que viestes trazer à terra! 

III. A honra de Sua Mãe 

Aqui está outro dos principais interesses de Jesus, e toda a história da Igreja nos mostra como é apreciado pelo Seu Sagrado Coração. Foi o Seu amor por Maria que, mais que tudo, o fez descer dos céus, e foram os merecimentos de Maria que determinaram a época da santíssima e indivisível Trindade; era Ela a filha predileta do Pai, a Mãe predestinada do Filho, e a Esposa eleita do Espírito Santo. 

A verdadeira doutrina de Jesus tem estado, em todos os tempos, intimamente ligada com a devoção a Maria; e os golpes que ferem a Mãe devem passar pelo Filho. Assim, Maria é a herança do católico humilde e obediente. A santidade cresce na razão da devoção que por Ela se tem. Os santos formaram-se na escola do Seu amor. O pecado não tem maior inimigo que Maria; basta pensar n’Ela para o conjurar, e os demónios tremem ao ouvir o Seu nome. 

Ninguém pode amar o Filho sem que aumente também em si o amor da Mãe; ninguém pode amar Maria sem que ao mesmo tempo sinta inflamar-se-lhe o coração pelo Filho. Jesus colocou-a à frente da Sua Igreja para ser a garantia das graças que por meio d’Ela repartiria, e a pedra de escândalo para os Seus inimigos. Que admira pois, que os interesses do Filho e a honra da Mãe sejam uma só e a mesma coisa? 

Se em reparação das blasfêmias com que os heréticos mancham a Sua dignidade fizermos um ato de amor ou de ação de graças, em honra da Sua Imaculada Conceição e da Sua perpétua Virgindade, de cada vez que o fizermos, favoreceremos os interesses de Jesus. Tudo quanto possamos fazer para propagar o Seu culto, e principalmente para inspirar aos católicos uma terna devoção para com Ela, será uma obra meritória aos olhos de Jesus, que não deixará de nos recompensar generosamente, como Ela e Ela pode. 

Atrair os fiéis à sagrada mesa nos dias de festas de Maria, alistarem-se nas Suas Confrarias, conservarem alguma imagem d’Ela, ganharem indulgências pelas almas do purgatório que na terra tiveram uma especial devoção por ela, rezar o terço ou o rosário todos os dias; são coisas que todos podem fazer e todas elas concorrem para os interesses de Jesus. 

Depositemos mais confiança nas preces da nossa divina Mãe; descansemos nela com menos hesitação; endereçamos-lhe os nossos pedidos com mais afoiteza; numa palavra, termos mais fé nela. 

Haveria mais amor por Maria se houvesse mais fé em Maria; mas vivemos em tempos conturbados e é difícil permanecer no meio da neve sem arrefecer. Ó Jesus, reanimai a nossa confiança em Maria, não só para que trabalhemos nos Vossos amáveis interesses, mais para que o façamos do modo que vós desejais, não permitindo que nenhuma criatura ocupe no nosso coração mais lugar que Aquela que tinha no Vosso maior quinhão, maior que o de todas as outras criaturas juntas! 

IV. A estimação da Sua graça 

O mundo teria uma feição inteiramente diferente, se os homens estimassem a graça no seu justo valor. Existe em todo o universo algum objeto que tenha valor intrínseco, a não ser a graça? E não obstante, com que fraqueza vamos atrás das futilidades, que nada têm de comum com os interesses de Jesus! Que cegueira! Que tempo perdido! Quanto mal fazemos! Quanto bem deixamos de fazer! 

E todavia, apesar disto, com que carinho, com que paciência nos trata Jesus! Se todos soubessem apreciar dignamente a graça, todos os outros interesses de Jesus medrariam. Quando estes sofrem, é precisamente por que não se dá a graça a estimação que ela merece. As graças vêm incessantemente, e os merecimentos a adquirir multiplicam-se tão rapidamente como as pulsações do Sagrado Coração de Jesus. 

Enquanto este coração se abrasa por nós no amor mais ardente, nós dizemos: “Não tenho obrigação de fazer isto; não preciso de me privar deste prazer; deve-se moderar o entusiasmo religioso.” Ó Jesus Cristo! Ó Caríssimo Jesus Cristo! Vede ao que chegam os que não sabem dignamente apreciar a graça. Mais valeria morrer, do que desprezar uma só inspiração da graça. Acreditamo-lo todos? Não, mas julgamos crê-lo. 

Dizem os teólogos: “Se se recebessem todos os dons da natureza e todas as perfeições naturais dos anjos, estas vantagens nada seriam, comparadas com a adição de um grau de graça, como Deus no-lo dá quando resistimos durante um quarto de hora a um sentimento de ira; pois a graça é uma participação da natureza divina.” 

Oh! E não poremos nós isto em prática, nós que tentamos persuadi-lo aos outros! Mostrai-me na Igreja um abuso, um mal qualquer, e estou pronto a demonstrar-Vos o que se não teria dado, se os Seus filhos houvessem correspondido dignamente à graça, e ainda mais, que tudo amanhã reentrará na ordem, se os fiéis quiserem começar a apreciar a graça no seu justo valor. 

Não é verdade que de nada serviria a um homem ganhar o mundo inteiro, se por esse motivo devesse sofrer o menor dano na sua alma imortal? Ide propagar esta doutrina entre os vossos amigos; mostrai-lhes os tesouros que podem juntar com o auxílio da graça, mostrai-lhes como uma graça chama outra, como ela se converte num merecimento, finalmente como os merecimentos conduzem a glória eterna dos céus. Ah! Servirei realmente os interesses de Nosso Senhor, se assim obrardes, e servi-lO-eis muito melhor do que pensais. 

Pedi somente que os homens concebam uma ideia mais elevada e mais verdadeira da graça, e tornar-vos-eis ignotos apóstolos de Jesus. Todas as graças estão n’Ele: é a fonte e a plenitude delas; consome-O o desejo de as espalhar abundantemente sobre as almas que Lhe são caras, e pelas quais morreu; e elas não lhe querem permitir, pois devem, para obter outras, corresponder às graças já obtidas. Ide ajudar Jesus. Por que há de perecer uma só dessas almas, pelas quais Ele deu a Sua vida? Digo uma só, pois é coisa horrorosa pensar na perda de uma alma. E por que se perderá ela? Porquê? 

O precioso sangue está à disposição daqueles que o querem pedir, e o sangue dá a graça. São Paulo consagrou toda a sua vida a pregar aos homens a doutrina da graça, a pedir a Deus que lha enviasse, e que eficazmente os impulsionasse a fazerem bom uso dela quando a houvessem obtido. Após uma fervorosa comunhão, quando a fonte de todas as graças brota em nosso coração, como um manancial de água viva, peçamos-Lhe que abra os olhos dos homens à beleza da Sua graça; e a nossa oração sem dúvida obterá bom despacho. 

Assim faremos prosperar os interesses de Jesus, pois a natureza deste bom senhor é tal, quanto mais dá, mais rico se torna. Ó muito amado Rei da almas, como podemos nós gastar o nosso tempo com outro? Considerar que Ele nos permite ocuparmo-nos dos Seus interesses, não é um pensamento capaz de nos encher de admiração? Quanto a mim, espanto-me de que semelhante pensamento não nos faça cair em êxtase. 

Mas nós não conhecemos os nossos privilégios; e por quê? Por que não estudamos suficientemente o nosso amável Salvador. E por que não começaremos no tempo o que deve fazer a nossa felicidade em toda a eternidade? Estudemos Jesus. O céu não é céu senão por que Jesus lá está; e eu não compreendo porque a terra não é igualmente céu, pois Jesus também está na terra. 

Ai! É porque nos deixou a miserável liberdade de O ofendermos. Eliminemos esta miséria e teremos neste mundo, se não o céu, pelo menos o purgatório, que é a porta do céu. Chegará finalmente o dia em que cessemos de pecar, em que não mais firamos o Sagrado Coração de Jesus? Ó Deus de amor, fazei nascer bem depressa o sol que não terá ocaso antes de ver realizar-se para nós esse glorioso privilégio! 

Para quê afligirmo-nos e perguntarmos temerosos se iremos para o céu logo que partamos deste mundo, ou se primeiro teremos de passar pelo purgatório? Que importa? A grande questão é perdermos a faculdade de ofender o Deus do nosso amor!
 
Por que é importante o batismo numa criança? Imprimir e-mail
 Por que é importante ministrar o batismo numa criança?     

O sacramento do batismo é um sinal visível de uma graça invisível 

O batismo é um sinal visível da realidade oculta da salvação, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, número 774. A Igreja ensina isto a respeito de todos os sacramentos; neste caso, o sacramento mostra-se visível pelo sinal da água, que é derramada sobre a criatura. Por meio desta graça, a pessoa torna-se filho ou filha de Deus. 

Batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo 

No início da Igreja, os apóstolos obedeceram ao mandato do Senhor: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos que os apóstolos foram testemunhas do principal evento da humanidade: a Morte de Jesus por amor à humanidade e Sua Ressurreição. 

Os apóstolos anunciavam o Cristo, e aqueles que aderiam a Ele eram batizados. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16,16). Quando Pedro anunciou Jesus à família de Cornélio, este e toda a sua família foram batizados. Ora, será que só havia adultos na família? Quando o carcereiro fez uma experiência de Deus, o que é que Paulo lhe disse? “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, como também todos os de tua casa”; depois, completou o autor dos Atos dos Apóstolos: “E, imediatamente, foi batizado, juntamente com todos os seus familiares (cf. Atos 16,31-33). Será que as crianças não faziam parte da família? 

Jesus sempre quis bem às crianças. “Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isto, os discípulos repreendiam-nas. Jesus, porém, chamou-as e disse: ‘Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará’” (Lc 18,15-17). 

Podemos constatar que há batismo de crianças no tempo da Igreja primitiva, pois Jesus quer bem a elas. Se ganho algo bom, quero partilhar com os meus. Os adultos fizeram uma experiência com Jesus Salvador e foram batizados e conquistaram este sacramento também para os seus filhos. 

Sacramentos da iniciação 

Na nossa Igreja, os sacramentos da iniciação são: batismo, Eucaristia e crisma, sendo o primeiro a porta de entrada para os demais. Após o batismo, os pais e padrinhos tornam-se os principais evangelizadores e catequistas dos neobatizados, vão ensiná-los sobre a fé e proporcionar-lhes experiências de oração. O padrinho deve ser presente e dar testemunho de fé em Jesus Cristo, este é o maior presente que pode e deve dar ao seu afilhado. 

O batismo, além da graça da filiação divina, concede o perdão dos pecados. A criança tem pecado? Sim, tem o pecado original, que significa o mal cometido por Adão e Eva. Eles foram chamados à santidade original – todos os homens foram e são chamados à santidade em Adão e Eva. Uma vez que os primeiros pais pecaram pela desobediência, a santidade original foi ferida. 

O apóstolo São Paulo confirmou isto quando disse: “Assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação…” Mas como é que uma criancinha pode ter pecado? 

O pecado não foi cometido, mas transmitido. O Catecismo da Igreja Católica também diz: “é um pecado «contraído» e não «cometido» um estado, não um ato.” (n. 404), e a consequência dele é a morte da alma. Por esta razão, a Igreja confere o batismo às crianças. Que desgraça foi o pecado original!

No entanto, o mesmo São Paulo continuou: “Assim também, pela obra de justiça de um só [Cristo], virá para todos a justificação que dá a vida” (Rm 5,18). Jesus Cristo concede a graça da santidade original graças à Sua Páscoa e todo aquele que O acolhe e é batizado e salvo (cf. Mc 16,16). Sinal visível de uma graça invisível Enfim, o batismo é um sacramento, uma graça sobrenatural.

Há pais que dizem que a criança tinha melhorado após o batismo ou que nasceu com problemas e tiveram de batizá-la ali mesmo no hospital, à pressa, e ela saiu de lá com saúde. Não é superstição.

O batismo é um sinal visível de uma graça invisível, pode e é recomendado pela Igreja, insere a pessoa na linda família cristã, perdoa o pecado original e devolve a santidade original, a qual, a partir daí, deve ser ajudada com os pais, padrinhos e pela comunidade de fé.

 

 
Escolher a profissão ideal Imprimir e-mail
 Dicas para escolher a profissão ideal       

 

 

A escolha da profissão ideal exige autoconhecimento, tempo e pesquisa 

Vem um momento importante na vida das pessoas em que elas precisam escolher uma profissão. E a pergunta que surge para os jovens é: “Estou preparado para saber o que eu quero ser para o resto da minha vida?” 

Aparecem muitos jovens não estão preparados para responder a esta pergunta, mas podemos ajudá-los nesta escolha difícil, sem tentar realizar os sonhos dos pais nos filhos. A resposta para a segunda parte da pergunta é que as nossas escolhas de hoje não são para sempre; podemos, na vida profissional, realizar pós-graduações e mestrados e reposicionar a carreira inicial escolhida. Existem algumas dicas que podem ajudar estes jovens a tomar uma decisão correta. 

Comece por pensar que atividades ou hobbies gosta de realizar, pois a tendência é fazer aquilo de que goste e que lhe dê prazer. O autoconhecimento é fundamental nessa hora. 

Para isso, é preciso fazer um diagnóstico de cenários internos e externos. Para estabelecer o cenário interno, o caminho é um levantamento de qualidades e defeitos pessoais para conhecer as suas forças e os seus desafios. O autoconhecimento das potencialidades e das dificuldades individuais ajuda o estudante a alinhar o que gosta com as suas habilidades. 

Definir o cenário externo começa com o conhecimento das profissões do momento, mas pensando a longo prazo. Conhecer as profissões é possível com orientações de profissionais da área comportamental e dos que atuam no mercado escolhido. 

Não deixe as pessoas influenciarem a sua escolha 

É preciso analisar a profissão desejada, buscar possibilidades académicas e profissionais, conhecer as competências exigidas pelas organizações. Cuidado com a pressa! Faça isto ao longo do tempo e não nas vésperas de um exame.

Outro lembrete: não deixe as pessoas e as situações influenciarem a sua escolha, pois quem vai atuar na profissão é você, portanto, a escolha é sua. A leitura correta do cenário externo ajuda a delimitar melhor as escolhas e facilitar as decisões. 

Com o diagnóstico do SWOT em mãos, é momento de planear a carreira, definir o que vai ser feito com métodos, prazos e responsabilidades; e, finalmente, colocar em ação o plano estabelecido. 

O exame é uma etapa deste plano que deve ser o coroamento de todo o estudo realizado anteriormente; portanto, o sucesso começa com 1% de inspiração e 99% de transpiração na busca dos seus objetivos. 

Se houver dúvidas entre o que gosta e o que tem habilidade de fazer, a orientação é que faça faculdade das duas opções mais viáveis; com o tempo, acontecerá o amadurecimento da escolha. Toda escolha tem um custo e um bónus, e, às vezes, uma carreira rentável exige uma vida intensa de trabalho; outras serão menos rentáveis, mas, vão oferecer melhor qualidade de vida. Que bónus é mais importante para você? 

Estágios 

Outra etapa importante são os estágios para testar se as escolhas foram corretas, pois todo o plano precisa de adequações ao longo da execução. Colocar o conhecimento adquirido em ação permite testar habilidades, facilita a análise e a escolha. 

Na etapa profissional, é válido lembrar que uma carreira não termina com a entrada num emprego ou com a abertura de um negócio; é apenas o fechamento de um ciclo e o início de outro. Portanto, invista tempo no levantamento e na análise de informações, pois elas ajudarão no balizamento da escolha da sua profissão.

 

 
4 sinais para saber se o seu trabalho na Igreja é por amor a Deus ou por vaidade Imprimir e-mail
4 sinais para saber se o teu trabalho na Igreja é por amor a Deus ou por vaidade  

 

Uma reflexão curtinha e fantástica: Santo Afonso Maria de Ligório vai direto ao nosso coração  

Primeiro: quem age só para Deus não se perturba em caso de fracasso, porque Deus não querendo, ele também não quer.  

Segundo: alegra-se com o bem que os outros fazem, como se ele mesmo o tivesse feito.   Terceiro: sem preferências para trabalhos, aceita de boa vontade o que a obediência lhe pede.  

Quarto: tendo cumprido o seu dever, não fica à espera de louvores nem aprovações dos outros. Por isso, não fica triste se o criticam ou desaprovam, alegrando-se somente em ter contentado a Deus. Se, por acaso, recebe qualquer elogio do mundo, não se envaidece, mas afasta a vanglória, dizendo-lhe: Segue o teu caminho, chegaste tarde porque o meu trabalho já está dado todo a Deus.  (Santo Afonso Maria de Ligório, em “A Prática do amor a Jesus Cristo”)
 
3 vícios que desrespeitam o ritmo da natureza Imprimir e-mail
 3 vícios que desrespeitam o ritmo da natureza – e nos prejudicam todos os dias      

 

Muitas das nossas atitudes do dia-a-dia interferem diretamente no nosso estado de humor, na sua produtividade, na qualidade do descanso, no bem-estar. Mudar atitudes é difícil, especialmente quando elas já se tornaram hábitos, mas… é fundamental rever alguns comportamentos quotidianos e nocivos se quisermos seriamente melhorar a nossa qualidade de vida. 3 hábitos nocivos que vão contra os ritmos da natureza e que é preciso controlar agora:    

 

1 – A luz azul de curto-comprimento: chega de smartphone, antes de dormir!  

 

A nossa sociedade cada vez mais artificializada tende a dar cada vez menos atenção aos ritmos da natureza, no longo prazo, ou no dia-a-dia. No entanto, as consequências deixam claro que estes ritmos não podem simplesmente ser ignorados como se pudéssemos mandar na ordem natural (e não é pouca a quantidade de gente que pensa que mandamos na natureza…).    

 

Um dos elementos naturais que variam ao longo do dia com mais evidência é a luz.  

 

Já ouviste falar na luz azul de curto-comprimento? Pois bem: os raios de sol contêm altas concentrações deste tipo de luz. Quando expomos os olhos a ela, o nosso organismo interrompe a produção da melatonina, que é o hormônio indutor do sono, deixando-nos, portanto, mais atentos. Já quando os raios solares perdem a luz azul, no fim da tarde, acontece o contrário: o nosso corpo volta a produzir melatonina e, por consequência, vai-nos deixando sonolentos. Por fim, durante a noite, quando os raios do sol não nos atingem e o nosso cérebro naturalmente não espera exposição à luz, ficamos especialmente sensíveis à luz azul de curto-comprimento, com consequências para o nosso humor, nível de energia e qualidade do sono. Acontece que muitos dispositivos em que estamos viciados, como smartphones e tablets, emitem a luz azul de curto-comprimento diretamente aos nossos olhos. E o que acontece com a produção de melatonina quando somos expostos a esta luz? Ela é interrompida, interferindo no nosso sono. E o que acontece no dia seguinte quando a qualidade do nosso sono foi ruim? E o que acontece quando isto se repete todas as noites e todos os dias? Está na hora de respeitar um pouco mais estes ritmos da natureza.    

 

2 – Os 15 minutos consecutivos de foco: chega de interrupções, avisos e alarmes!  

 

O nosso cérebro precisa, em média, de 15 minutos consecutivos para focar numa tarefa única. Ao atingirmos o foco nesta tarefa, entramos num fluxo contínuo de produtividade no qual rendemos cinco vezes mais do que quando interrompemos a concentração. Mas o que é que tendemos a fazer ao longo do dia? Olhar as mensagens na rede social, conferir os resultados do campeonato, dar uma passeata pelos portais de notícias, fazer (mais) uma “pequena” pausa para um “breve” lanche… Tudo isto nos tira do ambiente de concentração e… exige mais 15 minutos de dedicação contínua, após cada interrupção, para voltarmos ao estado de foco. Isto vale também para um hábito que pode até parecer produtivo, mas não é: o de programar notificações, alertas e alarmes que nos distraem ao longo do dia todo. Cada vez que somos notificados de uma nova mensagem ou tarefa pendente, somos também tirados daquele fluxo de produtividade que o nosso cérebro tinha demorado 15 preciosos minutos de foco ininterrupto para conseguir atingir! Em vez de sabotar a sua própria concentração com avisos sonoros e visuais espalhados pela jornada, trace horários fixos em que vai responder aos e-mails, verificar as mensagens, fazer pausas. Assim preserva a sua concentração nas tarefas específicas de cada um dos seus objetivos e vai avançando mais rápido, focando numa coisa de cada vez, fazendo bem feito e evitando refazer ou ter de recomeçar porque se distraiu (de novo).   

 

 3 – O começo só começa ao começar: sim, isto é óbvio, mas… então por que é que vai adiando?  

 

A ordem normal do tempo, conforme a nossa experiência natural no quotidiano, é sequencial: primeiro vem o “antes”, depois vem o “durante” e por fim vem o “depois”. Excetuando realidades paralelas muito interessantes da ficção científica, é nesta ordem que as coisas acontecem: elas começam, prosseguem e terminam. Mas muita gente não começa! Fica a imaginar como será a vida “depois que” eu resolver tal pendência, “depois que” eu arrumar a casa, “depois que” eu ler tal livro, “depois que” eu fizer tal trabalho, “depois que” conquistar tal objetivo, “depois que” solucionar tal problema que estou a empurrar com a barriga há meses e meses… Depois, sim, eu “vou ser” feliz, eu “vou saber” tal idioma, eu “vou ter” uma casa bem ordenada, eu “vou fazer” o meu trabalho com mais cuidado, eu “vou ter tempo” para a família, para os amigos, para Deus… É uma tentação comum a de esperar para começar a fazer algo só quando temos a “certeza” de que vai dar certo. É evidente que não se pode fazer as coisas costumeiramente aos trancos e barrancos e sem planeamento, mas também deveria ser evidente que ficar a vida toda a planear, a sonhar e a calcular e nunca tirar nada do papel, também não dá! Como pretendes produzir algo se não começares nunca? Como esperas melhorar os resultados se não testares as tuas ideias e identificares na prática o que pode ser ajustado? Se escreveres uma página ruim, poderás editá-la; mas nunca poderás editar uma página em branco.
 
Batismo de filho adotado por casais homossexuais Imprimir e-mail
 Batismo de filho adotado por casais homossexuais     

 

Casais homossexuais podem batizar os filhos?   Com a decisão de autorizar a adoção de crianças por casais homossexuais e com o desejo destes de batizar estas crianças na Igreja Católica, gerou-se um debate sobre o batismo delas.  O batismo de crianças  A Igreja, a quem foi confiada a missão de evangelizar e batizar, desde os primeiros séculos, batizou não só os adultos, mas também as crianças. Nas Palavras do Senhor: “Quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3,5). A Igreja Católica, conforme os Cânones 849, 868 do Direito Canónico, “sempre entendeu que as crianças não devem ser privadas do batismo, uma vez que são batizadas na fé da Igreja, proclamada pelos pais e padrinhos e por todos os fiéis presentes”. Neles está representada tanto a Igreja local como a comunidade universal dos santos e fiéis: a mãe Igreja, que, toda ela, gera a todos e a cada um (Santo Agostinho, Epist. 98, 5: PL 33,362).  

 

 

A prática sacramental da Igreja Católica relativa ao batismo sempre levou em conta duas realidades: a necessidade do batismo para a salvação e a responsabilidade dos pais e padrinhos no processo da completa realização da iniciação cristã. O Catecismo da Igreja Católica (n. 1250) ensina que “por nascerem com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, também as crianças precisam do novo nascimento no batismo, a fim de serem libertadas do poder das trevas e serem transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, para o qual todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no batismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o batismo pouco depois do seu nascimento”.

Os efeitos principais deste sacramento são “a purificação dos pecados e o novo nascimento no Espírito Santo”. As crianças devem ser educadas na fé A Igreja, ao batizar crianças, pede que se ofereçam garantias mínimas para a educação na fé do neófito e o acompanhamento necessário para que a iniciação cristã seja completada e se garanta uma participação consciente e frutuosa no seio da Igreja. As crianças devem ser educadas na fé em que foram batizadas, a fim de que descubram, pouco a pouco, o plano de Deus em Cristo, para que, finalmente, possam ratificar por si mesmas a fé em que foram batizadas.  

 

 

O batismo de filhos de pessoas em união homossexual  

 

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii gaudium (n. 47), pediu que a Igreja fosse sempre a “casa aberta do Pai” e que, além das portas do templo, se considerasse com prudência e audácia não fechar outras portas, pois “todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade, e nem sequer as portas dos sacramentos se deveriam fechar por uma razão qualquer.

Isto vale, sobretudo, quando se trata daquele sacramento que é a “porta”: o batismo. […] Muitas vezes, agimos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a Igreja não é uma alfândega; é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida cansativa”.  Entre as múltiplas situações que exige atenção pastoral na administração do batismo está o facto de pessoas do mesmo sexo, que convivem em união estável ou não, pedirem o batismo para as crianças adotadas, ou filhos biológicos de um dos parceiros ou parceira. Trata-se de fiéis católicos que pedem o batismo para crianças tuteladas por eles. A Igreja tem uma atitude de acolhimento, de misericórdia, compaixão e proximidade.

Nunca as portas estarão fechadas para ninguém. O facto de a Igreja Católica aceitar o batismo das crianças adotadas ou filhas de casais homossexuais não significa que ela aprova o casamento homossexual. A Igreja está a dizer que os filhos deles podem ser batizados, mas continua contrária à união entre pessoas do mesmo sexo.

Embora objetivamente se encontrem numa situação contrária à doutrina da fé católica, são membros da Igreja de pleno direito e, como tal, responsáveis por promover o crescimento da Igreja e a sua contínua santificação. Convém, portanto, recordar que a situação de vida do pai ou da mãe não é mais importante que a graça do batismo, e que a criança não tem nenhuma responsabilidade pelo estado de vida de quem pede para ele o sacramento, e isso vale para qualquer situação. Devemos ressaltar que a questão dos pais não infringe o sacramento das crianças. Mesmo permanecendo contra a união entre pessoas do mesmo sexo, a Igreja Católica deve adotar uma atitude respeitosa e não julgadora em relação aos que vivem nestas uniões, e acolher filhos de casais gays. O tema está descrito no Instrumentum Laboris da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos (n. 120), que evidenciou-se o dever da Igreja de averiguar as garantias da transmissão da fé ao filho e recordou que, em caso de dúvidas sobre a capacidade efetiva de educar cristãmente o filho por parte de pessoas do mesmo sexo, se garantisse o apoio adequado, podendo-se lançar mão da contribuição que, neste sentido, outras pessoas do seu ambiente familiar e social podem oferecer.

Indicava-se também que para estes casos o pároco tenha particular cuidado na preparação do batismo e que se dê uma atenção específica na escolha do padrinho e da madrinha. Diz o texto: “Caso as pessoas que vivem nestas uniões (de pessoas do mesmo sexo) peçam o batismo para o filho, as respostas, quase unanimemente, ressaltam que o filho deve ser acolhido com as mesmas atenção, ternura e solicitude que recebem os outros filhos.  Muitas respostas indicam que seria útil receber diretrizes pastorais mais concretas para estas situações. É evidente que a Igreja tem o dever de averiguar as condições reais em vista da transmissão da fé ao filho.

Caso se alimentem dúvidas racionais sobre a capacidade efetiva de educar cristãmente o filho por parte de pessoas do mesmo sexo, garanta-se o apoio adequado – como de resto é exigido de qualquer outro casal que pede o batismo para os seus filhos. Neste sentido, uma ajuda poderia vir também de outras pessoas presentes no seu ambiente familiar e social. Nestes casos, a preparação para o eventual batismo do filho será particularmente cuidada pelo pároco, também com uma atenção específica na escolha do padrinho e da madrinha”.    Celebração do batismo e escolha dos padrinhos  

 

 

A prudência pastoral indica que se cuide para que a celebração do batismo não seja interpretada como uma espécie de aprovação eclesial da união homossexual. O pároco cuidará para que a celebração do batismo não seja instrumentalizada para fins políticos ou como propaganda da assim chamada “cultura gay”.  

 

No entanto, a concessão do batismo a crianças pressupõe o compromisso dos pais e padrinhos de as educarem na fé que eles devem exemplarmente professar e viver. A Igreja exige, por assim dizer, as condições mínimas para que a semente da fé (a graça), plantada no batismo, encontre as condições para desabrochar e florescer (natureza). A graça pressupõe a natureza.  

 

Cabe aos pais a tarefa de escolher com critério e responsabilidade os padrinhos, de modo a garantir que, na ausência deles, o filho tenha educação cristã de qualidade, não só pelo ensinamento da doutrina, mas, principalmente, pela vivência diária da fé.

Que os padrinhos sejam exemplos a serem seguidos, inspirando o batizando a viver também o sentido profundo do seu batismo, que ”é a fonte da vida nova em Cristo, fonte esta da qual brota toda a vida cristã” (Catecismo da Igreja Católica, 1254).
 
Como posso ser perdoado após ter cometido aborto? Imprimir e-mail
 Como posso ser perdoado após ter cometido aborto?     

 

 QUEM COOPERA PARA QUE O ABORTO ACONTEÇA deve também confessar este pecado e pedir perdão?    

 

 

A prática do aborto pode ser perdoada? A Igreja ensina: “A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, o ser humano deve ver os seus direitos de pessoa reconhecidos, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida”. (Cat. 2270) 

Deus diz por meio do profeta Jeremias: “Antes mesmo de te formares no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei” (Jr 1,5). Isto é, o ser humano é obra sagrada de Deus. No momento em que há a concepção, Deus cria uma alma nova e coloca-a na primeira célula humana. O salmista diz: “Os meus ossos não te foram escondidos quando eu era feito, em segredo, tecido na terra mais profunda” (Sl 139,15). 

Desde o século I, a Igreja afirmou a maldade moral de todo o aborto provocado. Este ensinamento não mudou, continua invariável. O aborto direto, quer dizer, querido como um fim ou como um meio, é gravemente contrário à lei moral. O pequeno catecismo do primeiro século já dizia: “Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido” (Didaque 2,2). 

O Concílio Vaticano II reafirmou este ensinamento da Igreja: 

“Deus, senhor da vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservar a vida, para ser exercido de maneira condigna ao homem. Por isso, a vida deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção. O aborto e o infanticídio são crimes nefandos”. (GS 51,3). 

A Igreja afirma que “a cooperação formal para um aborto constitui uma falta grave, e aplica a pena canónica de excomunhão a este crime contra a vida humana” (Cat. n. 2271). “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae (automática), “pelo próprio facto de cometer o delito” e nas condições previstas pelo Código de Direito Canónico” (§ 1398). Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao ‘inocente morto, aos seus pais e a toda a sociedade” (CIC 2272).

 

 
Como lidar com pessoas difíceis no trabalho Imprimir e-mail
 Como lidar com pessoas difíceis no trabalho       O sonho de ter o melhor emprego do mundo acaba, muitas vezes, quando nos deparamos com pessoas difíceis 

Quem dera que o nosso local de trabalho fosse um ambiente formado por pessoas que aceitassem as nossas opiniões, andassem sempre bem humoradas, com vontade de produzir! Pessoas que fossem flexíveis e ponderadas nas suas atitudes, sem reclamações e dentro da mais perfeita harmonia. Quem dera que não houvesse pessoas difíceis! 

Por vezes, deparamo-nos com aquele colega orgulhoso, o “sabe-tudo”, o interesseiro; há também o bajulador, o que empurra o serviço para o outro, o invejoso, o ciumento, o explosivo… Enfim, pessoas difíceis que julgamos ser realmente complicadas de lidar e que, diariamente, criam conflitos com os demais. 

Como resolver o conflito 

Quando um problema deste tipo é diagnosticado, o modo mais comum de agirmos é ignorando, acreditando ser uma situação passageira, que em breve terá fim. Com o passar do tempo, pouca mudança é percebida e a solução correta do facto fica de lado. 

Fingir que nada está a acontecer e continuar a sofrer as consequências sem nenhuma atitude só contribui para crescer aquele “monstro” dentro de nós. Vamos fazer o quê? Fazer mais confusão? Isto é problema nosso? 

O bom senso é a chave para entrar num caminho delicado e renovador. Resolver problemas não é tarefa agradável, por isso tantas pessoas se esquivam deles. Desejamos que os outros venham até nós sem defeitos nem ajustes. Culpamos a todos e nunca paramos para pensar sobre as nossas próprias atitudes. Temos de nos livrar de certos preconceitos e tentar entender os que estão ao nosso redor para os auxiliar. A melhoria pode partir de quem está incomodado e não de quem incomoda. 

Respeito e ponderação 

O individualista não percebe que está a centralizar as tarefas nele, impedindo o trabalho em equipa. O explosivo grita, responde de modo ríspido às ordens, sem compreender quanto mal está a causar aos que estão à sua volta. Mostrar-lhes que atitudes como estas não colaboram para um ambiente sadio de trabalho é de extrema necessidade. Não cabe somente ao líder tomar esta iniciativa. Se tu fazes parte deste grupo e te sentes prejudicado, fala. Com respeito e ponderação, uma boa conversa é libertadora. 

Foge da armadilha do “toma lá, dá cá”, de andar à procura de formas de “dar o troco” a quem te tira a paciência. Concentra a tua atenção em observar os teus colegas, tentando buscar formas de evoluí-los. Evita responder às provocações, estimular mexeriquices e comentários na ausência do outro, respira fundo e só depois fala. 

A oração da serenidade ensina-nos: 

“Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que posso e sabedoria para distinguir umas das outras”.

 

 
Qual a verdadeira identidade masculina? Imprimir e-mail
Qual a verdadeira identidade masculina?  

Na sociedade atual, qual é a verdadeira identidade masculina?

Nunca se falou tanto em direitos humanos e dignidade da pessoa como nos tempos atuais. Mas, contrário a estes discursos, o quotidiano mostra, cada vez mais, o aumento do número de casos de crimes e violência de cunho sexual. É uma falsa ideia de liberdade que prega o uso do corpo para alcançar o prazer, pois, na prática, os resultados têm-se mostrado de libertinagem e prejuízo próprio. As consequências de tudo isto são, na sua grande maioria, sentidas pelos mais fracos e indefesos, mulheres e crianças. Assim, fica óbvio atribuir ao ser masculino não só a autoria dos crimes, mas um desvio no comportamento dos homens desta geração.

Então, podemos perguntar: O que está a acontecer com o homem – ser masculino? Porquê tantos episódios do uso da força e autoridade para estupros e pedofilia? E ainda, por quê tantas esposas frustradas com os maridos, e filhos com os pais?

 

Para responder a tudo isto é preciso recorrer à essência do homem. São João Paulo II disse, num dos seus discursos, que “o mistério da masculinidade revela-se em toda a profundidade no significado gerador e paterno”. Ou seja, a primeira e mais profunda vocação do homem é ser pai. Seguindo nesta descoberta, encontraremos o sentido completo e a forma ideal de desenvolver a paternidade. Frei Raniero Cantalamessa, pregador oficial do Vaticano, comparou o amor de Deus ao amor humano de pai e mãe, distintamente. Dizia ele: “O amor paterno é feito de estímulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado à plena maturidade”.

 

A paternidade é feita pela solicitude e pelo estímulo. O homem é aquele que ensina a realizar, trabalhar e, enquanto não vê o seu aprendiz chegar à maturidade, ele faz-se seu provedor. A realização pessoal masculina está em transformar os elementos do cosmos para si, para a família e para a sociedade. No início, Deus manda que o homem extraia sustento da natureza (Gn 3, 17).

 

Desde a época das cavernas foi assim. Então, o cérebro dos homens tem sido condicionado a desenvolver diferentes percepções ao da mulher. O homem saía para caçar, o que lhe trouxe maiores aptidões em áreas específicas para cumprir esse seu ofício, como um maior senso de direção (localização, orientação e posicionamento), também de foco num alvo (a presa), o que o tornou mais sensitivo aos apelos visuais, e ainda agilidade e força física.

 

Também o homem é mais inclinado ao ato sexual por uma razão biologicamente fácil de entender. Ele possui a semente (sémen), então, a excitação nele diz respeito ao tempo para distribuir as sementes, diferente do organismo feminino que gera e amamenta. Buscando desde a troca de olhares, indícios de segurança e companheirismo para o tempo suficiente de criar os filhos, isto fez a mulher levar mais tempo para se convencer do sexo.

 

Esta erotização e insistente incidência de estímulos sexuais, quase em todos os ambientes em que estamos, podem acabar por tirar todo o ser humano do domínio de si, das suas forças vitais e, consequentemente, alterando o comportamento social, pois o dom da sexualidade não diz somente respeito aos órgãos genitais, mas a todos os aspectos da pessoa humana, inclusive na sua capacidade de criar vínculos afetivos, até mesmo de amizades (Catecismo da Igreja Católica, 2332).

 Por isso, com a revolução sexual e a massificação do sexo, o alvo mais suscetível foi o ser mais visual e propenso ao acto em si: o homem. “Quando um homem olha, repetidamente, para uma pornografia, ele encontra dificuldade em se relacionar com mulheres na vida real, pois acostuma-se a ver as mulheres como ‘objetos a serem usados’. O prazer acintoso toma o lugar do amor e a fantasia substitui a realidade” (O brilho da castidade, Prof. Felipe Aquino, Ed. Cleofas, pág 77).

Sendo tão subjugado pelas suas paixões, o ser masculino tende a esvaziar das suas capacidades o sentido e a forma plena de canalizar a sua essência. A sua força agora será usada para satisfazê-lo, a sua autoridade para impor. O vigor próprio do homem, sem estar direcionado para a sua finalidade paterna, esvai-se, tornando o homem um indivíduo de mentalidade fraca, sem firmeza e decisão, com medo da vida e as suas exigências.

 Aprender e assumir ser “chefe de família” corresponde, antes de tudo, a uma responsabilidade e um serviço perante a mulher e os menores na sociedade. Mas, não raro, percebemos muitas famílias que carecem de presença e bom exemplo por parte do pai, tornando esposas acusadas e filhos revoltados. Ou, então, em casos cada vez mais crescentes, estupros e abusos de menores. Quem deveria proteger está a ser treinado a agredir pela indiferença verbal ou física. É a animalização do ser masculino. O feminismo também ajuda neste processo, quando, declaradamente, toma o lugar do homem na sociedade ou, quando velado, inverte, sorrateiramente, os papéis de homens e mulheres, até fabricando o homem de hoje como um sujeito vaidoso em excesso.

É certo também que as mulheres, quando apelam para a sensualidade, ajudam que todo o nosso sentido visual desperte instintos primitivos. Mas não precisamos de ficar a olhar. Homem, foge do que te é tentador. Não estou a procurar culpados, apenas alertando-te dos perigos. Algumas mulheres podem estar a contribuir, mas não são as culpadas. Enquanto não mudarmos o nosso foco e nos inspirarmos na castidade e na pureza da Sagrada Família, nada disso vai mudar. Para todos nós, seres humanos – falando principalmente aos homens –, começando por aquilo que é visual e com o conteúdo que estamos a absorver, devemo-nos encher de sentido existencial por meio dos exemplos dos santos e de Jesus Cristo.

Partindo da consciência do que precisamos de ser – pais, estimuladores, provedores, presenças, companheiros e castos, é que conseguiremos introduzir algo bom no lugar do que é ruim, trocar a violência pelo amor mudando, toda uma mentalidade e a sociedade para melhor. Acredito que o olhar puro de um homem é objecto de cura e restauração para muitas mulheres que nunca tiveram isso e é o que os filhos, as crianças, esperam de nós.

São José, valei-nos e rogai por nós!
 
Qual a diferença entre venerar e adorar? Imprimir e-mail
  Qual é a diferença entre venerar e adorar?      

 

 

Muitas vezes, somos confundidos com os verbos venerar e adorar. Mas qual é a real diferença entre eles?  Nós, católicos, somos acusados de adorar imagens e santos, e de sermos idólatras. E quando não conhecemos a doutrina da nossa Igreja, é muito comum sairmos dessas situações com raiva, frustrados, ou coisa parecida.  Precisamos de aprender mais sobre a nossa fé. Precisamos de aprender aquilo que professamos. O católico não adora imagens. O católico venera os santos. Há uma diferença entre adoração e veneração.  

Adorar = Prestar culto a…

 Venerar = Reverenciar, fazer memória, ter grande respeito…  

A adoração é quando existe um culto no qual é envolvido um sacrifício. Se você pegar no Antigo Testamento, vai encontrar várias passagens bíblicas que mostram que quando os judeus iam adorar, ofereciam algum animal em sacrifício a Deus. Este tipo de sacrifício é conhecido como “sacrifício cruento, ou seja, com derramamento de sangue. Ao morrer por nós, na Cruz, Jesus ofereceu-se em sacrifício por nós. Ofereceu a sua Carne e o seu Sangue. Por isso, Lhe chamamos Cordeiro de Deus. Na celebração da santa Missa, nós renovamos (tornamos novo) este sacrifício. Porém, no momento da Celebração Eucarística há o sacrifício incruento, ou seja, sem derramamento de sangue.

Quando adoramos o Santíssimo Sacramento, adoramos o próprio Corpo de Cristo, e fazem-no somente em virtude do santo sacrifício da santa Missa, por meio do qual o pão se transforma no Corpo de Cristo e o Vinho se transforma no Sangue de Nosso Senhor. É por isso que, muitas vezes, ouvimos a Igreja dizer-nos que o maior culto de adoração é a santa Missa.

Não existe adoração sem sacrifício.  Já a veneração é semelhante àquilo que os filhos têm para com os pais, quando lhes pedem algo, elogiando-os, agradecendo-lhes… Fazem isso porque admiram, respeitam e amam os pais.  Percebe a diferença?  Então quando alguém, – que não conhece o real sentido da adoração, vê um católico a venerar um santo, acaba por o acusar de fazer algo a uma criatura que, segundo ele, só caberia ao Criador. Isto acontece porque eles não vivem a real dimensão da adoração.  

Mas e as imagens?  No século I, não existia máquina fotográfica. Mas as pessoas gostavam de se recordar dos entes queridos. Assim como, hoje, fotografamos alguém e guardamos aquela foto. Naquela época, reproduziam-se imagens, desenhos, estátuas… Era uma prática comum. De forma que esses objetos acabaram por se tornar um meio de relembrar, de fazer memória a pessoas amadas e queridas.

Nós, católicos, em particular, fazemos isso para prestar memória aos homens e mulheres que viveram a radicalidade da fé: os santos. Uma fé cheia de virtudes e, muitas vezes, de martírio. Fé esta que gerou neles a santidade.  Se não podemos ter estas imagens, também não podemos ter fotografias de pessoas que já se foram. Duvido muito que aqueles que nos acusam de idolatria lancem fora as fotos e lembranças de pessoas queridas. Assim como duvido que eles esqueçam as virtudes dos seus…  

Nós, católicos, em especial, temos e devemos ter, sem medo, imagens dos santos e das santas de Deus em nossas casas. É importante reverenciá-los, lembrando as virtudes e o amor deles por Jesus Cristo, e pedindo-lhes a intercessão junto de Deus. Afinal, eles estão no céu. Fazem parte do corpo místico da Igreja. E se você não crê na intercessão, meu amigo, não peça que ninguém reze por você.  

Adorar: somente a Deus. Prestar culto: somente a Deus.

  Mas venerar? Venere, sem medo, a todos os santos e santas de Deus.  E se alguém, um dia, vier acusá-lo de idolatria ou coisa semelhante, não esquente a cabeça. Fique em paz. E lembre-se de que apenas os que participam do santo sacrifício da santa Missa é que fazem a verdadeira adoração.
 
O que vais ser quando cresceres? Imprimir e-mail
 O que vais ser quando cresceres? 

 

 As questões vocacionais dividem-se entre as dimensões humana e divina  Toda a criança escuta a famosa pergunta: “O que vais quando cresceres?”. Assim, mesmo sem entendermos bem, crescemos com questões vocacionais dentro de nós. A palavra “vocação” vem do latim vocatione (substantivo) e significa chamada, escolha, talento, aptidão; ou vocare (verbo), que significa chamar.  Podemos dizer que existem dois tipos de chamamento: um humano e outro divino. O que chamamos de humano consiste na possibilidade de realização de todas as nossas capacidades ou talentos. A dimensão divina consiste no chamamento a termos de uma relação pessoal com Deus. As duas dimensões são igualmente importantes.  Humanização da profissão  Falemos um pouco da primeira dimensão, ou seja, da humana. Na escolha por uma profissão, é importante levarmos em conta a realização pessoal e o serviço ao próximo. Para descobrirmos a nossa vocação, precisamos de responder a algumas perguntas: Do que gosto? Quais são as minhas aptidões naturais? O que fala mais alto em mim quando penso numa vocação? Responder a estas perguntas é o primeiro passo para a descoberta da nossa vocação.  Entretanto, é preciso dizer que precisamos de perceber em que temos uma maior habilidade e adaptar o nosso talento natural à realidade, pois o trabalho também possui uma outra dimensão, que é a de prover a subsistência de cada um de nós.  Victor Frankl afirma: “O trabalho pode representar o campo em que o caráter de algo único do indivíduo se relaciona com a comunidade, recebendo assim o seu sentido e valor. Contudo, este sentido e valor são inerentes em cada caso, à realização (com que se contribui para a comunidade) e não a profissão concreta como tal. Não é, por conseguinte, um determinado tipo de profissão que oferece ao homem a possibilidade de atingir a plenitude. Neste sentido, pode-se dizer que nenhuma profissão faz o homem feliz. A profissão em si não é ainda suficiente para tornar o homem insubstituível; o que a profissão faz é simplesmente dar-lhe a oportunidade para o vir a ser”.   Ser um bom profissional 

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ossa profissão constitui-se numa possibilidade de nos colocarmos ao serviço do outro, e é nessa possibilidade que o nosso trabalho ganha importância e significado, permitindo-nos a descoberta de quem realmente somos. A realização que vem do trabalho tem relação com o que há de mais específico e original em cada um de nós.  No exercício profissional, podemos expressar, de forma única, quem somos e, assim, oferecer uma contribuição para a sociedade que somente nós podemos dar. Isto independentemente do que fazemos. Portanto, a questão não está no que fazemos, mas sim em como o fazemos. Claro, precisamos de estar atentos à realidade em que vivemos e as oportunidades que, por acaso, possam surgir para bem as aproveitar. Mas o mais importante é entendermos que não é uma profissão que faz o homem feliz; uma profissão apenas oferece oportunidade para sermos felizes. A verdadeira felicidade está no servimos ao outro e a Deus.  Dimensões vocacionais  São Domingos Sávio dizia: “Ser santo é cumprir bem os deveres e ser alegre”. Ele deixou-nos a lição de que “trabalhar com alegria” é um bom caminho que podemos seguir rumo à santidade e, desta forma, podemos unir as duas dimensões vocacionais: a humana e a divina.  Façamos tudo com alegria, na certeza de que, independentemente da nossa profissão e do que nós fazemos, podemos contribuir para o bem de outros, podemos deixar a marca da nossa singularidade, pois somos únicos e irrepetíveis, como bem dizia Victor Frankl. Procuremos viver, cada dia, o princípio deixado por São Paulo: “Quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Cor 10,31).

 

 
Fantasia, a "louca da casa" Imprimir e-mail
 

Fantasia, a "louca da casa"  

 

O povo diz que a fantasia, a imaginação é a ‘louca’ da casa. E é mesmo. Muitas vezes, o Senhor dá-nos algo, realmente, inspirado. Na oração, vem uma palavra de profecia, sabedoria ou de ciência; por meio de uma imagem, uma revelação ou uma citação bíblica clara e incisiva Deus fala-nos. Mas, nessa hora, a nossa fantasia a louca da casa age e começamos a fazer castelos, porque ela gosta de enfeitar as coisas.

 

Muitas vezes, pensamos: ‘Foi uma inspiração. Senhor, eu tenho a certeza, o meu coração bateu forte’. Está certo, mas, nessa hora, infelizmente, a imaginação começou a tecer considerações fantasiosas.

 

“Os homens vêem as aparências, mas Deus vê o coração”.

 

Temos de estar atentos à atuação da ‘louca da casa’, não misturando as coisas, não nos deixando levar por considerações fantasiosas.

 

As coisas que o Senhor nos diz são grandes, porque Ele é grande. Quando Ele fala, quer realizar conosco uma obra maravilhosa. Às vezes, a partir da Palavra, começamos a fantasiar uma obra grandiosa, mas de acordo com a nossa fantasia.

 

Dá para imaginar obra mais poderosa do que a obra de Jesus? E ela não se faz com simplicidade? Ela não se fez, justamente, no revés, no sofrimento e na contradição? Como é que Jesus terminou? No alto da cruz. Claro que depois veio a ressurreição. Mas o ponto crucial foi a cruz.

 

O auge do tempo messiânico começa numa estrebaria e termina numa cruz, e não houve obra maior do que a obra que o Pai realizou através do seu Filho, Jesus Cristo. Jesus nem saiu da palestina, um país pequeno, Ele ficou com aquele povo, um povo de cabeça dura. Jesus não foi à Grécia, não foi a Roma nem à Ásia.

 

 Jesus viveu a sua vida com simplicidade.

 

Muitas vezes, a nossa mente começa a criar fantasias e temos de ter o cuidado de estar sempre dispostos a aprender.

 

Todos temos sensibilidades, emoções, sentimentos… A nossa sensibilidade é afogueada, efervescente, parece que tem gás (água com gás). Tu abres e ela transborda.

 Quando o Senhor nos faz uma revelação e nos dá algo importante, a nossa sensibilidade, como leite a ferver, faz aquela espuma! Tudo isto é sensibilidade. Vai devagar com ela. Tenta discernir as coisas, dá tempo ao tempo, deixa a coisa acalmar, não pretendas pensar que tudo é revelação especial para ti. Vai devagar! Os dons de Deus são irreversíveis. Uma profecia pode ficar um mês incubada para ser digerida, mas, quando ela vem, é forte. Não é força da sensibilidade, mas do Espírito Santo.
 
Como tirar força da minha fraqueza Imprimir e-mail
 

Como tirar força da minha fraqueza  

  “Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (2 Cor 12,10).Este versículo parece uma grande contradição paulina. Como posso tirar força da minha fraqueza? Como posso diante da minha impotência ser potente? Isto só é possível dentro da perspectiva de alguém que se reconhece necessitado de Deus. Alguém que, como Paulo, sabe que sem a ação do Espírito Santo não se pode fazer nada. Quem era Paulo de Tarso? Paulo era um homem muito estudado, de inteligência ímpar. Mas sabia que a sua humanidade possuía fraquezas. E como lidava com isso? Somente submetendo tudo a Deus. Fraco não é aquele que possui fraquezas, mas sim, aquele que se rende a elas.  Tocar nas minhas fraquezas, no meu vazio, é perceber que quando não tenho mais nada posso contar com o Tudo de Deus. Somos humanos, somos gente. Sentimos dor, sentimos sede, sentimo-nos impotentes. Até Jesus na Sua humanidade também sentiu dor. E Ele não teve medo de apresentar as fraquezas d’Ele aos amigos e a Deus. No Getsémani foi isso que nos foi apresentado de forma clara. Lembro aqui uma história antiga: Um garoto de dez anos de idade decidiu praticar judo, apesar de ter perdido o braço num terrível acidente de carro. O menino ia muito bem. Mas sem entender o porquê, após três meses de treino, o mestre tinha-lhe ensinado somente um movimento. O garoto então disse-lhe:– Mestre, não devo aprender mais movimentos? O mestre respondeu-lhe, calmamente e com convicção:– Este é realmente o único movimento que tu sabes, mas também é o único movimento que tu precisarás de saber.Meses mais tarde, o mestre inscreveu o menino no seu primeiro torneio. O menino ganhou facilmente os seus primeiros dois combates e foi para a luta final do torneio. O seu oponente era bem maior, mais forte e mais experiente. O garoto usando os ensinamentos do mestre entrou na luta e, quando teve oportunidade, usou o seu movimento para prender o adversário. Foi assim que o garoto ganhou a luta e o torneio. E foi campeão. Mais tarde, em casa, o menino e o mestre reviram cada luta. Então, o menino criou coragem para perguntar o que estava realmente em sua mente: – Mestre, como é que eu consegui ganhar o torneio somente com um movimento?– Tu ganhaste por duas razões – respondeu o mestre. – Em primeiro lugar, dominaste um dos golpes mais difíceis do judo. E, em segundo lugar, a única defesa conhecida para este movimento é o seu oponente agarrar o teu braço esquerdo. Conclusão A maior fraqueza do menino tinha-se transformado na sua maior força. Assim, também nós podemos usar a nossa fraqueza para que ela se transforme na nossa força. Não podemos ter medo de deixar o Mestre Jesus trabalhar a nossa fraqueza. Ele sabe lidar com o nosso “húmus”, com aquilo que aparentemente é nossa fraqueza e dela tirar a maior riqueza e fortaleza.
 
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