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"A Tua Palavra é Luz para os meus passos"

(Sl 119, 105)

 
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Discurso do Papa aos Catequistas

Queridos catequistas,

Estou feliz por este encontro: a catequese é um pilar para a educação da fé, e precisamos de bons catequistas! Obrigado por este serviço à Igreja e na Igreja. Mesmo se às vezes possa ser difícil, trabalha-se tanto, empenha-se e não se vêem os resultados desejados, educar na fé é belo! Ajudar as crianças, os jovens, os adultos a conhecer e a amar sempre mais o Senhor é uma das aventuras educativas mais belas, constrói-se a Igreja! “Ser” catequistas! Vejam bem, não disse “fazer” os catequistas, mas “sê-lo”, porque envolve a vida. Conduz-se ao encontro com Jesus com as palavras e com a vida, com o testemunho. E “ser” catequistas requer amor, amor sempre mais forte por Cristo, amor pelo seu povo santo. E este amor, necessariamente, parte de Cristo.

O que significa este partir de Cristo para um catequista, para vós, também para mim, porque também eu sou um catequista?

1. Primeiro de tudo, partir de Cristo significa ter familiaridade com Ele. Jesus o recomenda com insistência aos discípulos na Última Ceia, quando estava prestes a viver o dom mais alto do amor, o sacrifício da Cruz. Jesus utiliza a imagem da videira e dos ramos e diz: permanecei no meu amor, permanecei ligados a mim, como o ramo está ligado à videira. Se estamos unidos a Ele, podemos dar frutos, e esta é a familiaridade com Cristo.

A primeira coisa, para um discípulo, é estar com o Mestre, escutá-lo, aprender com Ele. E isto vale sempre, é um caminho que dura toda a vida! Para mim, por exemplo, é muito importante permanecer diante do Tabernáculo; é um estar na presença do Senhor, deixar-se olhar por Ele. E isto aquece o coração, mantém aceso o fogo da amizade, faz-te sentir que Ele verdadeiramente te olha, está próximo de ti e te quer bem. Entendo que para vocês não é assim simples: especialmente para quem é casado e tem filhos, é difícil encontrar um tempo longo de calma. Mas, graças a Deus, não é necessário fazer tudo do mesmo modo; na Igreja há variedade de vocações e variedade de formas espirituais; o importante é encontrar o modo adequado para estar com o Senhor; e isto pode-se, é possível em toda etapa da vida. Neste momento, cada um pode perguntar-se: como vivo este “estar” com Jesus? Tenho momentos em que permaneço na sua presença, em silêncio e deixo-me guiar por Ele? Deixo que o seu fogo aqueça o meu coração? Se no nosso coração não há o calor de Deus, do seu amor, da sua ternura, como podemos nós, pobres pecadores, aquecer os corações dos outros?

2. O segundo elemento é este: partir de Cristo significa imitá-Lo no sair de si e ir ao encontro do outro. Esta é uma experiência bela, e um pouco paradoxal. Por quê? Porque quem coloca no centro da própria vida Cristo, sai do centro! Mais se une a Jesus e Ele torna-se o centro da tua vida, mais Ele te faz sair de ti mesmo, te descentraliza e te abre aos outros. Este é o verdadeiro dinamismo do amor, este é o movimento do próprio Deus! Deus é o centro, mas é sempre doação de si, relação, vida que se comunica… Assim nos tornamos também nós, se permanecemos unidos a Cristo, Ele faz-nos entrar neste dinamismo do amor. Onde há verdadeira vida em Cristo, há abertura ao outro, há saída de si para ir ao encontro do outro em nome de Cristo.

O coração do catequista vive sempre movimento de “sístole – diástole”: união com Jesus, encontro com o outro. Sístole – diástole. Se falta um destes dois movimentos não bate mais, não vive. Recebe como dom o Kerigma, e por sua vez oferece-o como dom. É esta a natureza do próprio Kerigma: é um dom que gera missão, que impulsiona sempre para fora de si mesmo. São Paulo dizia: “O amor de Cristo nos impulsiona”, mas este “nos impulsiona”, pode-se traduzir também em “nos possui”. É assim: o amor te atrai e te envia, te toma e te doa aos outros. Nesta tensão se move o coração do cristão, em particular o coração do catequista: união com Jesus e encontro com o outro? Alimenta-se no relacionamento com Ele, mas para levá-Lo aos outros? Eu digo-vos uma coisa: eu não entendo como um catequista pode permanecer parado, sem este movimento.

3. O terceiro elemento está sempre nesta linha: partir de Cristo significa não ter medo de ir com ele às periferias. Vem-me à mente a história de Jonas, uma figura verdadeiramente interessante, especialmente nos nossos tempos, de mudanças e incertezas. Jonas é um homem piedoso, com uma vida tranquila e organizada, que o leva a ter os seus esquemas bem claros e a julgar tudo e todos com estes esquemas, de modo rígido. Por isso, quando o Senhor o chama e lhe diz para ir a Nínive, a grande cidade pagã, Jonas não quer ir. Nínive está fora dos seus esquemas, é a periferia do seu mundo. E então, ele escapa, foge, embarca num navio que vai para longe. Releiam o livro de Jonas! É breve, mas é uma palavra muito instrutiva, especialmente para nós que estamos na Igreja.

O que é que nos ensina? Ensina a não ter medo de sair dos nossos esquemas para seguir a Deus, porque Deus vai sempre além, Deus não tem medo das periferias. Deus é sempre fiel e criativo, não é fechado e por isso nunca é rígido, acolhe-nos, vem ao nosso encontro, compreende-nos. Para ser fiel, para ser criativo, é necessário saber mudar. Para permanecer com Deus é preciso saber sair, não ter medo de sair. Se um catequista se deixa dominar pelo medo, é um covarde; se um catequista está tranquilo, acaba por ser uma estátua de museu; se um catequista é rígido, torna-se encarquilhado e estéril. Pergunto-vos: alguém quer ser um covarde, estátua de museu ou estéril?

Não tenhais medo de partir. Jesus disse: Ide, eu estou convosco! Esta é a nossa beleza e a nossa força. Se nós partimos, se saímos para levar o seu Evangelho com amor, com verdadeiro espírito apostólico, com parresia, Ele caminha conosco, precede-nos, é o primeiro sempre. Vós aprendestes o sentido desta palavra. E isto é fundamental para nós: Deus precede-nos sempre! Quando pensamos estar longe, numa extrema periferia, e talvez temos um pouco de temor, na verdade Ele já está lá. Jesus espera-nos no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sem fé. Jesus está ali, naquele irmão. Ele precede-nos sempre.

Caros catequistas, digo-vos obrigado por aquilo que fazeis, mas, sobretudo, porque estais na Igreja, no Povo de Deus em caminho. Permanecei (permaneçamos) com Cristo, procuremos ser sempre uma só coisa com Ele; sigamo-Lo, imitando-O no seu movimento de amor, no seu ir ao encontro do homem; e saiamos, abramos as portas, tenhamos a audácia de trilhar novas estradas para o anúncio do Evangelho!

 
SER, SABER E SABER FAZER Imprimir e-mail

Imagem vazia padrãoTrês Qualidades do Catequista
O povo de Deus recebeu a vocação e a consagração de anunciar e testemunhar o Evangelho. Nesta vocação comum, o Senhor escolhe alguns para o serviço da catequese. Portanto, os catequistas são convocados por Deus mediante a Igreja, para desempenhar a missão evangelizadora da educação na fé.
A fim de que estes agentes pastorais possam desempenhar de maneira responsável e qualitativa o seu ministério, devem prestar uma particular atenção às suas competências, entre as quais está o serviço à Palavra de Deus e à Igreja.

A formação
A formação integral dos catequistas, delineada no Directório Geral para a Catequese numa tríplice dimensão: ser, saber e saber fazer, procura tornar os catequistas capazes de desempenhar de forma mais consciente a sua tarefa na comunidade eclesial.
A finalidade destas três características educativas consiste em acompanhar progressiva e permanentemente o agente pastoral da catequese, a fim de que ele possa desenvolver a própria personalidade cristã, aonde confluem os valores e a sabedoria humana, a síntese da fé e o compromisso pastoral.
Este programa didascálico comporta o conhecimento da Bíblia e da teologia, da pedagogia e da comunicação, da liturgia e da espiritualidade. Tudo isto não diz respeito de maneira exclusiva a um simples saber intelectual, mas sim a um conhecimento a nível de testemunho, ou seja, a uma profunda experiência de comunhão, de misericórdia e de certeza do amor de Deus, que consiga fazer do catequista um autorizado educador na fé.

Servidor da Palavra
A atitude típica do cristão consiste em praticar na sua própria existência o projecto de vida do Mestre, expresso de forma categórica, com as seguintes expressões: Com efeito, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10, 45). Por conseguinte, é mediante a participação no Mistério pascal de Cristo que cada um dos baptizados se une à vontade do Pai, mas de maneira ainda mais específica aqueles que desempenham um determinado ministério no seio da comunidade eclesial.
Consequentemente, a espiritualidade do catequista impõe uma escuta participativa da Palavra em ordem a uma interiorização, a um confronto e a uma resposta existencial. Consciente do seu papel a desempenhar na Igreja, ele tem necessidade de uma familiaridade com a Sagrada Escritura para acompanhar os irmãos na intimidade com o Verbo do Pai.
Da meditação fiel da Bíblia, como uma consequência lógica, o catequista poderá iluminar, encorajar e instruir os catequizandos a não se deixarem desanimar pelas dificuldades, a não se submeterem aos critérios secularizadores, hoje predominantes na sociedade, e a não venderem a sua dignidade de filhos de Deus.
Os livros sagrados forjam a mente e o coração do catequista, tornando-o capaz do martírio, ou seja, de dar testemunho da fé, onde se manifesta a sabedoria bíblica, porque conquista o domínio da Sagrada Escritura; inquietude missionária, porque adquire a consciência do incansável zelo missionário evangelizador de Jesus, caminha no seguimento dos seus passos para alcançar todas as pessoas com amor salvífico; caridade veemente, porque segundo o exemplo do Senhor se inclina diante do sofrimento do homem para dar alívio e infundir esperança, sinais evidentes de que o seu agir constitui um eco do novo mandamento: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas» (Mt 22, 37-40).
Da recepção humilde e obediente da Palavra revelada, o catequista dispõe-se a servir a comunidade eclesial para a edificar na comunhão, na diaconia e na missionariedade.

Servidor da Igreja
O ministério do catequista nasce, vive e realiza-se no seio da Igreja; por isso, ele pode ser considerado plena e justamente animador da comunidade eclesial, promotor da educação, da alimentação e do amadurecimento da sua fé, além de testemunha daquilo em que o povo de Deus acredita, daquilo que o mesmo celebra, vive e reza.
Uma das finalidades específicas da catequese consiste em iniciar os catecúmenos na vida comum, onde se vive a experiência de amar e louvar a Deus, de se ajudarem uns aos outros e de se aperfeiçoarem fraternamente, de com partilharem as tribulações e as alegrias, de oferecerem a própria disponibilidade, tolerância, paciência e prudência nos relacionamentos interpessoais, de tal maneira que, em qualquer situação, a Igreja se apresente como ícone da Santíssima Trindade.
Nesta altura, é necessário relevar a importância do relacionamento de colaboração entre os catequistas e os pastores, em vista de realizar conjuntamente a programação pastoral da catequese, para que ela possa corresponder de maneira constante à sua natureza no contexto da missão evangelizadora da Igreja.
Por sua vez, os pastores que se interessam sinceramente pela preparação dos catequistas, cuidam da sua competência doutrinal e metodológica, enquanto se dedicam à orientação espiritual e virtuosa destes agentes pastorais. E tudo isto, sempre para servir e edificar a Igreja de Deus, na certeza de que cada um dos ministérios encontra a sua génese na confiante chamada divina. "Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e que vos destinei para irdes e dardes fruto, e que o vosso fruto permaneça" (Jo 15, 16).

O serviço eclesial à Palavra
Através de uma análise da realidade social contemporânea, evidencia-se o afastamento de tantos baptizados da Igreja, porque os valores que no passado orientavam o comportamento humano, actualmente são ameaçados por uma mentalidade ateia; por conseguinte, é necessária uma séria e qualificada catequese em que a Palavra de Deus seja apresentada orgânica e unitariamente, mediante a sua linguagem narrativa dos acontecimentos salvíficos e através do seu impetuoso poder de redenção.
Não com menos urgência, é necessário demonstrar a identidade apostólica da igreja, onde o catequista desempenha o seu serviço em particular sintonia e comunhão com ela. Quanto mais forem evidenciados o amor e a responsabilidade em relação à comunidade eclesial, tanto mais os catequizandos se sentirão como verdadeiros filhos da igreja, orientados pelas Sagradas Escrituras.
(L'Osservatore Romano)

 

 

 
«Os nossos Catequistas» Imprimir e-mail

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Juntamente com outras vocações na vida da Igreja, sobressai a vocação do catequista tão vital para a comunidade eclesial.
A catequese é um carisma e um ministério na Igreja. Uma força divina conferida a alguém em vista das necessidades de uma comunidade; é um ministério porque a missão que o catequista assume em forma de serviço à comunidade provém de vocação, de chamamento. A missão é exercida em nome de Deus, da Igreja e da comunidade.
Quando falo de catequistas, não penso exclusivamente nas comunidades eclesiais reunidas nas igrejas paroquiais, capelas filiais ou de colégios, mas sim em todos e todas as catequistas que, nos lugares, reúnem crianças, jovens ou adultos para lhes abrir os ouvidos e os olhos para a Palavra de Deus, suscitando-lhes a fé, a esperança e a caridade.
Um dia, no Brasil, houve um encontro de serviço com o papa João Paulo II, juntamente com outros três bispos: falavam da ajuda das coroinhas femininas, recentemente reconhecidas como válidas para o serviço das celebrações litúrgicas. Um dos interlocutores não se mostrava favorável a esta admissão. O papa interrompeu-o, com voz vibrante e muita convicção: “Não nos podemos esquecer que a fé cristã sobreviveu aos setenta anos de regime comunista na Rússia graças às mães e avós que ensinavam os pequeninos e os reuniam cada domingo para a lembrança do dia do Senhor que em todo mundo cristão é oferecido o sacrifício de Cristo na cruz durante a missa. As avós ou mães repassavam o tempo litúrgico e as partes da missa. Quando chegado o tempo que seria da consagração, exortavam os assistentes a um silêncio, pois não tinham a presença do sacerdote ordenado a fim de presidir a Eucaristia. Depois, prosseguiam.”
Toda a comunidade cristã tem a responsabilidade de manter acesa a chama da catequese que vem de Cristo Jesus, destinada a iluminar todo o homem que vem a este mundo. Pelo sacramento do matrimónio os pais recebem a graça e a responsabilidade de serem os primeiros catequistas dos seus filhos. Mesmo diante dos desafios actuais da família, ela é chamada a dar os primeiros passos na educação da fé dos filhos. Espera-se que seja no quotidiano do lar, na harmonia e aconchego, mas também nos limites e fracassos, que os filhos experimentem a alegria da proximidade de Deus através dos pais. A experiência cristã positiva vivida no ambiente familiar é uma marca decisiva para a vida do cristão. A própria vida familiar deve-se tornar itinerário de fé e escola de vida cristã.
Repercute sempre no coração da Igreja, espalhada pelo mundo inteiro, e particularmente nas nossas comunidades eclesiais a voz de Cristo Jesus antes da ascensão aos céus: “Ide, pois, fazei discípulos entre todas as nações, e baptizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,18-20).
A fonte inspiradora da formação de catequistas é Jesus Cristo: “Vinde e vede” (Jo 1,39). Ele propõe maior profundidade, mais audácia no compromisso: “Avançai para águas mais profundas” (Lc 5,4). É ele mesmo que se apresenta como Mestre, Educador e Servidor: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13, 14).
Jesus deixou bem claro que não bastam palcos, bons programas televisivos, é essencial o testemunho pessoal para transmitir a boa nova, o evangelho. Paulo VI adverte na exortação apostólica Evangelii Nuntiandi 21: “A Boa Nova proclamada pelo testemunho da vida deverá, mais cedo ou mais tarde, ser proclamada pela palavra de vida. Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados”.

 

 

 
Uso da Bíblia na formação de catequistas Imprimir e-mail

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Apresento aqui um testemunho dum grupo de catequistas da diocese de Ávila (Espanha) que, depois dum curso de iniciação bíblica, sentiu necessidade de mais alguma coisa.

1. A quem iremos nós, Senhor? (Jo 6,68)
Com esta pergunta, que resume a inquietação de muitos catequistas da diocese de Ávila, começa uma experiência de formação bíblica que já tem dois anos de vida.
A necessidade era clara:
* O material caquéctico utiliza cada vez mais citações bíblicas e pressupõe que o catequista é capaz de situar, interpretar, actualizar... cada texto no seu contexto e dar-lhe o valor caquéctico que eles pretendem.
* Há a intuição de que nos textos bíblicos se encontra uma enorme riqueza de recursos didácticos capazes de abordar duma forma viva e atraente a mensagem a transmitir.
* As celebrações litúrgicas adquirem variedade, criatividade e, sobretudo, profundidade e vida, a partir do aprofundamento dos textos bíblicos.
Mas, como tirar tanto "sumo" dum "livro" tão difícil como a Bíblia? Que fazer?
No Secretariado da Catequese foram pensadas várias soluções, inclusive a de conferências a fazer por peritos. Foi posta de lado esta solução, porque não atingia as zonas rurais, que eram quem mais precisava. Além disso, não se tratava apenas de "ouvir". As pessoas simples (a maioria das pessoas) entendem pouco de conferências de peritos. Tinha que ser algo muito mais vivo, mais participativo, mais simples, mais "nosso". Algo que implicasse a nossa participação e "complicasse" a nossa vida, porque só isso é que deixa rasto; e que fosse uma coisa que se pudesse fazer em todas as zonas.
Contactámos a "Casa da Bíblia". Daí veio a ideia de fazer GRUPOS BÍBLICOS DE CATEQUISTAS. Era uma fórmula mais experimentada e tanto o OBJECTIVO como a METODOLOGIA e MATERIAL eram precisamente o que procurávamos.
Mas, como sempre, o mais difícil não é encontrar uma ideia, senão pô-la a funcionar. A primeira grande dificuldade é que um grupo bíblico não nasce nem funciona se não tiver Animador. Daí a necessidade de encontrar catequistas para animadores e formá-los para isso (não há pessoas mais ocupadas que os catequistas!). Utilizaram-se todos os processos para a "captação" e convocou-se um encontro de fim-de-semana. Foram convidados 30 e éramos 16 (uma coisa é pregar, outra é dar trigo!).

2. Todas as coisas têm o seu tempo (Ecl 3,1)
Tratava-se de descobrir a que tínhamos sido chamados:
* Fundamento: Abordagem da Bíblia como Palavra de Deus lida em comunidade, e conscientes da sua importância: a Bíblia situa-se no coração da Igreja. E esta tem como prioridade responder ao desafio da NOVA EVANGELIZAÇÃO.
* Objectivo: fazer crescer e amadurecer a própria vida e a própria fé à luz da Bíblia.
* Tipologia do grupo:
- O número ideal oscila entre os 7 e os 12.
- Reúnem-se cada 15 dias, durante uma a duas horas.
- Clima aberto e participativo, que facilita a comunicação entre os elementos e provoca o diálogo contínuo entre a experiência religiosa contida na Bíblia e a nossa própria experiência.
- Algumas pessoas exercem um serviço especial dentro do grupo: animador, secretário, perito...
- O grupo é temporal, com uma duração de vários anos, durante os meses de Outubro a Junho.
* O Animador:
- Convoca, coordena e favorece o desenvolvimento do grupo.
- Tem certa cultura bíblica e pedagógica; mas não é um perito.
- É um autêntico convencido da importância da Palavra de Deus na vida da Igreja; e, portanto, um assíduo ouvinte da Palavra, que necessita conhecer, estudar, meditar e testemunhar com a própria vida.
Depois dum minucioso "desenho" do que deve ser um grupo bíblico, veio a grande pergunta: Estás disposto a ser Animador deste "invento"? Quase todos dissemos que sim. Tínhamos um verão pela frente.

3. Tocai a trombeta...Convocai a assembleia (Jl 2,15)
Com o início do ano, chegou o momento da verdade! Cada animador encarregou-se de fazer a convocatória na sua paróquia. Formaram-se 11 grupos: 4 nas aldeias e 7 na capital da Província. Praticamente todos os membros dos grupos são catequistas. Apenas num grupo, a maioria não são catequistas; mas são pais que procuram no grupo respostas para os próprios filhos. A preocupação pela "transmissão da fé" é o denominador comum de todos os membros, que são maioritariamente adultos.
E COMEÇÁMOS! Com todos os medos e com a ilusão das "coisas novas". Nós, os animadores, reunimo-nos frequentemente, com o coordenador diocesano, e...que maravilha!, o "invento" funciona! Isso sim, de onze maneiras diferentes. É curioso: todos recebemos a mesma coisa, mas os grupos são a coisa mais variada do mundo!
É difícil que exista coisa tão flexível e que melhor se adapte a cada tipo de necessidade de formação bíblica: Alguns há que se reúnem uma hora por semana; outros hora e meia cada quinze dias; e, outros, uma vez por mês; uns estudam muito material; outros preferem menos "teoria" e "degustar" muitos textos da Bíblia. É como o maná: "Uns recolheram mais, outros menos....Cada um recolhera apenas o que necessitava para o seu sustento" (Ex 16,17-18).

4. Tu tens palavras de vida eterna (Jo 6,68)
Vida! A vida divina! A vida que ninguém nos pode tirar! Essa é a grande oportunidade que recebem todos os que se aproximam da Palavra e dela se alimentam. E o grupo Bíblico participa desse grande "milagre" que, apesar de ser frequente e familiar, não deixa de surpreender. Vem-se ao grupo para "melhorar o serviço" e leva-se a grande surpresa de que se está a receber VIDA. Vida em grupo: Escola de Comunidade:"o anjo retirou-se de junto dela" (Lc 1,38). Quantas vezes temos tido esta experiência de Maria! Quantas vezes temos recebido a "mensagem" do anjo que transmitia a missão e o Anjo nos deixa sozinhos. Por isso, não podemos estranhar que as pessoas que frequentam o grupo há dois anos, a primeira coisa que dizem, quando se lhes pergunta pela sua experiência, respondam: "o grupo é uma ideia genial!". E é-o porque nos "obriga" a fazer o que nos prometemos centenas de vezes: "Deveria ler todos os dias um bocadinho de Bíblia!"; "preciso de orar, mas não tenho tempo!"; "com tantos comentários de Bíblia que há, deveria...". Deveria... mas não há tempo!
O tempo! Somos escravos do urgente, do imediato, e muitíssimas vezes escapa-se-nos e o que é importante, o que é fundamental. E assim vamos andando. A vantagem do grupo é que conseguimos fazer do importante imediato. Porque temos que ir ao grupo com "os deveres feitos", para podermos estar ao corrente do que os outros dizem, para poder colaborar "com fundamento". A quantos livros não limpámos o pó, e pedimos ao Menino Jesus e fotocopiámos...! E, neste aspecto, ainda há muito caminho para andar. Porque estamos pouco habituados a ler, a saborear, a meditar e a orar à luz da Palavra, no encontro directo e pessoal com a mesma. Falta-nos ainda o hábito do silêncio, da escuta e de nos deixarmos guiar pela brisa de Deus, ao entardecer. Pesa demasiado a comodidade do que nos "dizem", "que pensam por nós e nos dêem tudo mastigadinho"
"Pedro disse: Vou pescar. Eles responderam: Nós também vamos contigo. Saíram e subiram para o barco (Jo 21,3). O grupo é uma boa ideia também porque quanto mais experiência temos de Deus, mais necessitamos duma autêntica Comunidade de irmãos para poder partilhá-la. Um ambiente onde cada um é valorizado, conhecido, aceite tal como é. Sem necessidade de máscaras nem disfarces. Não é nada fácil encontrar ambientes destes! Os encontros da comunidade paroquial são massificadores; as reuniões de catequistas são pouco frequentes, apressadas e, além disso, os temas de conversa são as crianças, os pais, os métodos, os resultados... Sempre os "outros"!
Muitos catequistas são membros de grupos onde podem fazer experiência comunitária; mas outros não são. E um sozinho no barco não pesca! Para estes, o grupo bíblico é uma magnífica Escola de Comunidade. Como é difícil, ao princípio, pôr em comum tudo aquilo que deixa entrever a própria interioridade, a experiência de fé! Isto é compreensível, se se tem em conta a prolongadíssima "educação para o silêncio" que se deu na Igreja. É que o diálogo é difícil: prestar atenção ao que fala, e falar ao grupo, preferindo os mini-diálogos ou o "fogo cruzado". É difícil convencer-se de que todos somos emissores e receptores, na mesma sintonia duma fé idêntica.
Pelo número de membros, pelos temas, pela presença do Espírito, que vai criando comunhão, progressivamente, vai surgindo o que cada um leva dentro de si: os encontros, as dúvidas, as lutas, as noites escuras, as luzes, as esperanças... A experiência da fé num Deus que Se manifesta na história, na história de cada um de nós e que caminha connosco. E as pessoas ficam surpreendidas, ao partilhar espontaneamente, o que levam dentro de si mesmas. Há reuniões em que se "apalpa" o Espírito Santo, fazendo verdadeira a profecia de Isaías: "O lobo e o cordeiro pastarão juntos, o leão e o boi comerão palha, e a serpente comerá terra. Não haverá mal nem aflição em todo o Meu Monte santo" (Is 65,25). Porque lobos e cordeiros, panteras e cabritos... há-os em todos os grupos. Mas ninguém come ninguém! Até somo amigos!

5. Estai sempre prontos a responder a quem vos perguntar a razão da vossa esperança (1 Pe 3,15)
Acontecia uma coisa curiosa: quando começámos o grupo, todos "sabíamos muito"... Bom, reconhecíamos "algumas lacunas" no que se refere ao ambiente geográfico, político, social e religioso da Bíblia, assim como as formas literárias utilizadas, o que impede de distinguir entre o conteúdo revelado e a roupagem que cada autor utiliza para exprimir dito conteúdo. No resto... todos "muito bem formados"!...
Depois, à medida que íamos confiando uns nos outros, foram surgindo as dúvidas, depois as situações que precisavam de ser iluminadas com a Palavra de Deus. Que surpresa e que alívio saber que todos tínhamos "zonas obscuras", todos necessitávamos de ser salvos, todos tínhamos necessidade de pedir ao Senhor que nos aumentasse a fé, porque, apesar de sermos catequistas não "experimentamos" a décima parte daquilo em que "acreditamos" com a cabeça.
Ainda há muitas coisas das que não sabemos "dar razão", mas também há muitas coisas das que sabemos dar razão, mas não são "nossa esperança". Que sorte ter a oportunidade de que nos ajudem a distinguir a luz das trevas! "O Verbo era a luz verdadeira que, vindo ao mundo, a todo o homem ilumina" (Jo 1,9).

6. Sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular (2 Pe 1,20)
A forma de trabalho no grupo bíblico supõe uma nova maneira de abordagem da Bíblia. Até agora, a forma de "trabalhar" com o texto supunha: ler e perguntar-se ou perguntar: "A ti, que te dizem?". E a resposta, sobretudo em crianças e adolescentes (que normalmente não se lembram do que o padre disse na homilia!) é muito gráfica, fazem cara de quem "não sabe, não responde"; e nota-se neles um certo sentimento de culpa, porque se dirão: "Como é possível que a Palavra de Deus não diga nada?". Aos adultos, acontece-nos a mesma coisa; só que sabemos disfarçar melhor!...
Falta-nos todo o processo de acercamento a uma cultura muito diferente da nossa e da qual estamos separados por muitas centenas de anos. Agora sabemos, por experiência própria, que não se pode prescindir de ler o texto no seu contexto histórico, literário e teológico, e que é preciso dedicar tempo à meditação, à reflexão pessoal e de grupo, para encontrar conexão entre essa mensagem e essa situação e o "hoje" da nossa vida pessoal e comunitária; de outro modo, corremos o risco de "obrigar" a Escritura a dizer o que nós queremos que diga, deixando a Deus, que não tem voz, sem Palavra.
Neste sentido, trabalhar cada semana ou cada 15 dias um texto, seguindo o esquema da "Lectio divina" (leitura divina) é um presente do céu, que vai criando hábito. Poucos somos os que, agora, depois de ler um texto, nos lembramos de dizer: "A ti que te dizem?" E é experiência habitual que, depois de "entender" com a cabeça e com o coração, um texto diz muitíssimas coisas que automaticamente são "luz para os nossos passos". A Lectio divina (leitura divina) é um itinerário para ler a Palavra de Deus em constante diálogo com Ele. Foi cultivada pelos Padres da Igreja e, depois, sobretudo pelos monges. Nós queremos recuperar essa experiência. Eis aqui as quatro etapas que eles costumavam seguir:
              1. LER – Lectio
              2. DEIXAR-SE INTERPELAR – Meditatio
              3. ORAR – Oratio
              4. TRASFORMAR – Contemplatio
Temos que reconhecer, com profundo agradecimento, que este acesso ao mais profundo da Escritura não seria possível para nós – que ordinariamente não dispomos dum perito em Bíblia – sem o esforço que, nestes últimos anos, fizeram os estudiosos, que dão o melhor da sua vida para que nós possamos entender a Escritura. E o esforço das editoras católicas que, cada vez mais, colocam à nossa disposição livros de introdução ao mundo da Bíblia e à sua leitura com comentários mais fáceis de ler e, ao mesmo tempo, profundos. A variedade de livros e de estudos que nos aproximam do mundo e do conteúdo da Bíblia é extraordinário. Se são caros, o grupo tem ocasião de pôr em prática a "comunhão de bens". Cada um compra o que pode e tira informações onde lhe parece bem, "pondo à disposição dos outros o dom que recebeu" (1 Pe 4,10). Isto vai-se cumprindo na medida em que cada um se vai sentindo parte do grupo. E se vão manifestando os carismas, que, ao princípio, eram um pouco forçados.

7. O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos (1 Jo 1,3)
Que diferença falar dum texto, porque está numa ficha e tem uma etiqueta: "texto eucarístico", "texto de envio", "texto sobre a oração"...e falar desse mesmo texto depois de ter sido objecto dum encontro profundo com o Senhor e com o grupo! Que diferente, quando de uma palavra podemos ser TESTEMUNHAS, porque vimos e ouvimos e o nosso coração sentiu que é VERDADE, que essa Palavra se cumpriu, que se cumpre na nossa vida, na vida da Comunidade! Que diferente, quando podemos dizer, com os habitantes da Samaria: "Já não é por causa das tuas palavras q acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos q Ele é realmente o Salvador do mundo" (Jo 4,42).

8. Os que semeiam com lágrimas recolhem entre cânticos (Sl 126,5)
Quantas mudanças de atitudes se vão produzindo entre nós! Como sempre, mais nuns do que noutros. Poder falar livremente da Palavra, sem sentido de culpabilidade por quebrar um tabú ou destruir algum "mito". Perceber entre os membros do grupo a ALEGRIA de se sentirem os "pequenos" que o Pai escolheu para revelar os segredos do Seu amor salvador. Quantas expressões e gestos desta alegria "que ninguém poderá tirar" se repetem em cada grupo! Não somente nas palavras. É também a falta de pressa na hora de terminar as reuniões (essas pessoas tão ocupadas!); isso leva-nos a pensar que os membros do grupo se vão encontrando com a VERDADE LIBERTADORA que, procedendo de Deus, se manifesta plenamente no FILHO-PALAVRA através das palavras.
Deste modo, a leitura e a meditação da palavra não se queda em pura teoria da fé ou em mera ilusão de salvação individual, mas vai criando a necessidade dum compromisso de vida pessoal e comunitário, a fim de obter a construção e extensão do Reino, hoje mais do que nunca, EVANGELHO DE ESPERANÇA, DE ALEGRIA, DE LIBERTAÇÃO E DE SALVAÇÃO.

 

 

 
DECÁLOGO DO CATEQUISTA Imprimir e-mail
1 - O Catequista compromete-se a viver a grandeza da sua missão de embaixador de Deus.
2 - O Catequista tem o sentido da obediência à Hierarquia e da colaboração.
3 - O Catequista vive a sério a sua vida cristã.
4 - O Catequista diligencia conhecer, com profundidade, a mensagem que vai transmitir.
5 - O Catequista conhece cada criança no seu meio ambiente e ama-a como filha de Deus.
6 - O Catequista ajuda a criança a desenvolver a sua vida sobrenatural.
7 - O Catequista prepara espiritual, doutrinária e pedagogicamente cada uma das suas lições.
8- O Catequista colabora com a Família e ajuda-a a bem cumprir a sua missão educadora.
9 - O Catequista ajuda a criança a integrar-se na vida comunitária da paróquia e na sua irradiação missionária.
10- O Catequista tudo faz por amor de Deus e para honrar a Santa Igreja nossa Mãe.
 
NOVAS LINGUAGENS DA FÉ Imprimir e-mail

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O Catequista é um crente enviado por Deus, em Igreja, a anunciar uma grande novidade: Deus salva a humanidade. Esta comunicação é realizada através da catequese de iniciação.
O primeiro elemento a destacar é o facto de a catequese de iniciação ser um acto de tradição viva, iniciação ordenada à revelação que Deus, em Jesus Cristo, fez à Humanidade, revelação essa que é guardada na memória da Igreja e nas Sagradas Escrituras e é constantemente comunicada por uma geração à outra, mediante uma tradição viva e activa. A Igreja transmite, assim, aquilo que Ela mesmo recebeu como dom e em que ela crê.
Esta comunicação faz-se através da doutrina, vida e culto que a Igreja presta a Deus, pelo que não se trata da transmissão de meros conceitos ou regras de comportamento. São, acima de tudo, realidades: Deus, em Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, salva a Humanidade. São as realizações e as obras do amor de Deus ao longo da história da salvação, ontem, hoje e sempre.
Estas realidades expressam-se nos Símbolos da fé, celebram-se nos sacramentos da Igreja, mostram-se nos testemunhos das vidas dos santos e na herança espiritual dos Padres e no ensino dos pastores da Igreja. Todas estas são vias por onde se tem acesso à única verdade q salva: Jesus Cristo.
Mas a transmissão da revelação acontece precisamente quando, para além das afirmações materiais, se torna efectiva a sua realidade interna sob a forma de fé, pelo que pertence à revelação, em certo sentido, também o sujeito receptor, já que sem ele não se produz a revelação. É o Espírito Santo que ilumina interiormente a pessoa para que se una a Cristo pela fé e entre em comunhão de vida com a Santíssima Trindade, através d’Ele, sendo a catequese apenas a mediação eclesial.
Por isso, actualiza-se a revelação quando, pela acção do Espírito, entramos e permanecemos em comunhão com os testemunhos que contemplaram o acontecimento revelador de Jesus Cristo e cujo testemunho se prolongou fielmente nos escritos da origem e na memória vivente da Igreja do acontecimento de Cristo, ou seja, daquela experiência original, definitiva e insuperável, que os homens fizeram de Deus na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo e que se expressa na Palavra proclamada, se revive na celebração, especialmente na Eucaristia, e se reafirma e historifica numa práxis em que se presencializa, nas novas situações dos homens, aquele modo de ser e de actuar do mesmo Jesus. A catequese há-de conseguir que, sob a acção do Espírito Santo, a revelação seja significativa para o homem de hoje. A sua função consiste em fazer ressoar a Palavra de Deus, viva e significante, de modo que toque a experiência do crente, a ilumine, o leve a interpretar a sua vida à luz da Palavra, lhe dê uma resposta positiva, com todas as implicações vitais que isso acarreta.

Linguagem da fé
Para que se verifique a transmissão da fé, é precisa uma linguagem própria: a linguagem da fé (cf. DGC 208). Jesus Cristo não se identifica em exclusivo com nenhuma cultura ou sistema de pensamento, mas revelou-se numa linguagem concreta. Foi certamente uma linguagem original e também normativa para qualquer outra linguagem que pretenda ser veículo da transmissão da Revelação, em fidelidade ao Magistério, a quem cabe discernir a sua autenticidade.
A Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição, a liturgia, os símbolos baptismais e os pronunciamentos do Magistério formam e mantêm a identidade da linguagem da fé em todas as culturas onde a Igreja confessa a única fé. À catequese cabe a missão de transmitir os documentos da fé (cf. MPD 9), que têm uma linguagem específica, capaz de dar acesso à Palavra de Deus e introduzir na dinâmica da salvação e nos acontecimentos salvíficos. A catequese tem a missão de tornar acessível ao homem actual, neste contexto cultural, a linguagem da fé. Este serviço há-de ser realizado na ‘tensão’ entre o Evangelho e a cultura actual. A inculturação da fé e o seu diálogo com a cultura será umas das tarefas que terá que assumir a catequese no seu processo de actualização da revelação divina, pelo que há-de possibilitar aos cristãos que não sejam meros repetidores de linguagens mortas, incapazes de dar razões da sua fé na sociedade hodierna, mas sim que dialoguem e dêem testemunho da sua fé. Para isso, a catequese leva a cabo uma hermenêutica tanto da existência humana actual como da Palavra eterna e historicamente dita que também fala hoje aos homens com toda a sua inigualável novidade.

Testemunho
A grande novidade da transmissão da fé realiza-se através do testemunho.
O testemunho de fé é a forma mais coerente com o modo como o próprio Deus se revelou. Pode mesmo dizer-se que a transmissão da fé é essencialmente testemunho.
Trata-se de pôr à disposição da humanidade a verdade da fé, aquela realidade viva que impregna e envolve o ser da Igreja. Trata-se de ser testemunhas pessoais da salvação de Deus e mostrar o que vimos e ouvimos (cf 1Jo 1, 1-3). Tal como Jesus dá testemunho do Pai e os apóstolos dão testemunho de Cristo, à Igreja cabe dar testemunho do Ressuscitado. Assim, através da Igreja, podemos chegar ao testemunho apostólico, e deste, ao de Jesus Cristo que nos revela o Pai.
No exercício da transmissão da fé, o testemunho é essencial e permite, em virtude da sua própria natureza, mostrar mais palpavelmente a realidade da fé, a vitalidade da verdade da fé, a proximidade de Jesus Cristo. Graças ao testemunho, a Igreja poderá afirmar diante da humanidade a força e a beleza da fé e proclamar com alegria e entusiasmo: esta é a nossa fé, esta é a fé da Igreja. A catequese, ao estar vinculada à confissão de fé da Igreja, da sua vida, favorece a coerência entre o crer e o agir, por isso, é testemunho e exigência de testemunho.

 

 

 
Oração do catequista Imprimir e-mail

Senhor,
a colheita é grande mas os trabalhadores são poucos (Mt 9, 37).
A todo o instante Tu nos chamas para tornar visível o Teu Reino,
no meio da grande messe que é o mundo.
Nas nossas comunidades são muitos os adultos,
os jovens e as crianças que têm sede de Ti
e para isto são necessários os catequistas
para aprofundar a sua fé de forma viva e convicta.
Colocamo-nos como discípulos e discípulas na tua escola
para aprender a caminhar nos Teus passos,
e vivendo o Teu exemplo,
sermos testemunhas do Teu amor, da Tua justiça e da Tua paz.
Ajuda-nos a fazer ressoar a Tua Palavra em todos os ambientes e situações.
Aquece o nosso coração para partilhar o pão
na busca de maior aprofundamento, reflexão e aprendizagem,
juntamente com os nossos irmãos e irmãs catequistas e com todos os catequizandos.
Dá-nos água da Tua fonte para nos abastecer
com a Tua mensagem, oração, espiritualidade, e prática comprometida com a vida,
para que saciados, possamos permanecer perseverantes no Teu seguimento.
E como discípulos e discípulas queremos dizer com convicção:
"em atenção à Tua Palavra, lançaremos as redes".
Senhor,
estamos convictos, de que diante da nossa missão de catequizar,
a todo o instante nos repetes:
"não tenhais medo!"
Mestre Jesus, manda-nos o Teu Espírito de Sabedoria e Entendimento
para compreendermos com alegria os Teus ensinamentos.
Amém.

 
Como se situa a catequese na missão evangelizadora da Igreja? Imprimir e-mail

Desde o Vaticano II a evangelização deixa de ter um significado restrito de "anúncio do Evangelho aos não crentes", para passar a designar todo o conjunto de actividade profética ou missionária da Igreja. A EN 24 fala da evangelização como uma realidade rica em elementos variados: "Renovação da humanidade, testemunho, anúncio explícito, adesão de coração, entrada na comunidade, atenção aos sinais, iniciativas de apostolado". Concluímos daqui que a evangelização é a missão da Igreja, isto é, a grande tarefa da Igreja é a de evangelizar: anúncio e testemunho do Evangelização através do que ela diz, faz e é.
A catequese é sempre uma forma de evangelização contínua. Ela tem origem na PALAVRA, ou melhor, em Jesus Cristo manifestado em acontecimentos históricos da sua presença no meio de dos homens: o seu caminhar histórico, a sua morte e a sua ressurreição. Desta forma ela não é a transmissão de uma doutrina elaborada pelo pensamento humano, mas uma revelação da experiência vivida pessoal e comunitariamente de um ACONTECIMENTO. Participa de toda a dignidade e importância no dinamismo da evangelização, pois ao revelar a experiência do ACONTECIMENTO a existência humana atinge um novo significado. Ela é anúncio e aprofundamento da mensagem evangélica para a maduração da fé e da vida cristã. Ela encontra-se mesmo no coração da MISSÃO DA IGREJA. Portanto o fim da catequese é o de tornar presente a cada homem a Palavra de Deus como um convite à liberdade humana, liberdade esta que leva à transformação profunda da existência e das estruturas para que o Reino possa estar cada vez mais presente no nosso mundo.
A catequese deve servir para educar a fé e não simplesmente para ensinar, pois ela deve levar a uma mudança de vida. Não se ensina catequese para comunicar um saber religioso nem para provocar costumes piedosos. Faz-se catequese para comunicar e educar a fé, para realizar a conversão e a mudança de mentalidade (metanoia).

 
FUNÇÃO DA CATEQUESE Imprimir e-mail

- Educa os crentes no curso da história da salvação, consciencializando-os da sua inserção na caminhada de um povo que ao longo dos tempos foi conhecendo Deus;
- Revela a Palavra de Deus dirigida ao homem como desafio;
- Educa progressivamente, isto é, tem em conta as etapas da vida do homem para que a fé venha a dar resposta às suas interrogações;
- Comunica uma mensagem e não uma doutrina, isto é, deve partir da vida interpelada pela Palavra e não se ficar pelo manual;
- Dirige-se a uma comunidade que se interroga sobre a fé;
- Deve capacitar para uma participação na vida da comunidade cristã incluindo a celebração do Mistério da Ressurreição;
- O seu fim é levar a uma actividade missionária, isto é, capacitar para o anúncio da Boa Nova da salvação.
A meta de toda a catequese é levar a uma confissão de fé formulada, celebrada e, sobretudo, vivida. O objectivo final da catequese é a de compromisso com Jesus Cristo e com os homens. E comprometer-se com o Salvador é comprometer-se com o bem, com a paz e a justiça, viver em solidariedade e fraternidade, valores estes vividos por Jesus.

A Catequese, que Jesus transmite?

Por D. Eugénio Rixen, bispo responsável na CNBB pela Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética

O “grande desafio” da catequese hoje é fazer com que os fiéis “se apaixonem” por Jesus, mas não o Jesus do mercado religioso moderno.

A catequese prepara para viver os sacramentos de iniciação: Baptismo, Crisma e Eucaristia. Não para celebrar ritos sem compromisso, mas para reviver os mistérios pascais da morte e ressurreição de Jesus.Mergulhados com Cristo na sua morte, viveremos também com ele para uma vida nova.

A ligação entre a Eucaristia e a partilha do pão: a partilha do pão leva a entender melhor a eucaristia, e esta leva a partilhar o pão.Uma catequese que não leva a transformar a vida e a sociedade não pode ser uma verdadeira catequese.

O lugar da catequese é a comunidade, uma comunidade que sabe partilhar. O “grande desafio” da catequese hoje é: que Jesus nós transmitimos?

No mercado religioso moderno muitos falam de Jesus, mas de quem se trata de verdade? O Jesus milagreiro? O Jesus resposta a todos os meus problemas? O Jesus que traz prosperidade material? O Jesus mítico? O Jesus para mim?

Mais do que nunca, os catequistas são convidados a conhecer o Jesus da História, que se fez igual a nós em tudo, menos no pecado.

O Jesus que carregou as nossas dores e alegrias, sofrimentos e esperanças. O Jesus revelação plena do Pai, do amor do Pai, que através da sua fraqueza na cruz revela a força de Deus. Um Jesus ressuscitado. A catequese procura que os catequizandos se apaixonem por este Jesus. Tudo o resto é consequência.

 

 
SABIA QUE… Imprimir e-mail

Sabia que o Concílio Vaticano II publicou um documento importante sobre a Palavra de Deus, chamado Dei Verbum, uma Constituição Dogmática sobre a Palavra e as suas riquezas?
Sabia que, durante muitos séculos, não houve Bíblia escrita, mas só a tradição oral que passava de pais a filhos, e contada com fidelidade de geração em geração?
Sabia que a Bíblia é uma “biblioteca” composta de 73 livros, de tamanhos diferentes, de épocas, autores e estilos diferentes?
Que o Antigo Testamento tem 46 livros e o Novo, 27 livros?
Sabia que O Antigo Testamento foi todo escrito em hebraico, excepto o livro da Sabedoria, que foi escrito em grego? E sabia que o Antigo Testamento levou 900 anos a escrever, desde o ano 950 antes de Cristo até ao ano 50 antes de Cristo?
Sabia que o Novo Testamento foi escrito até ao fim do século primeiro, ou seja, cem anos depois de Cristo? E que o primeiro texto a ser escrito foi a Primeira Carta aos Tessalonicenses e o último o Evangelho de S. João?
Sabia que os livros da Bíblia não foram escritos em capítulos? Que foi Estêvão Langton, arcebispo de Cantuária, em 1214, que dividiu os livros da Bíblia em capítulos?
Sabia que 337 anos mais tarde, em 1551, Robert Etiene dividiu o Novo Testamento em versículos, como temos agora? E que em 1565, Teodoro de Beza dividiu o resto da Bíblia em versículos?
Sabia que os livros do Antigo Testamento não foram escritos pela ordem em que os temos hoje nas nossas Bíblias? Esta ordem é lógica, começa pelo livro das origens, o Génesis, e não é uma ordem cronológica?
Sabia que o Novo Testamento foi escrito em aramaico, a língua de Jesus, e em grego? E sabia que foi S. Jerónimo quem, por volta do ano 400, traduziu a Bíblia para latim, cuja tradução se chama Vulgata?
Sabia que já havia uma tradução de todo o Antigo Testamento para grego, chamada a tradução dos LXX (setenta), muito usada no tempo de Jesus e das primeiras Comunidades cristãs?
Sabia que a Bíblia, como Palavra de Deus, é Palavra inspirada, ou seja, o Espírito Santo agiu nos autores sagrados e os inspirou a escreverem, sem eles deixarem de usar sua cultura, suas qualidades, seus talentos?
Sabia que é da Palavra que vem a fé, o alimento espiritual, a força, a graça da conversão?

Sabia que precisamos de ler, de saborear a Palavra de Deus?

 

 

 
Ser catequista é uma graça divina Imprimir e-mail

Ser catequista é uma graça divina

A vocação do catequista é a vocação do Profeta – aquele/a que fala em nome de Deus e da comunidade a que pertence.

O chamamento a ser catequista não é algo pessoal, mas obra divina, uma graça.

A missão do catequista está na raiz da palavra ‘catequese’, que vem do grego ‘katechein’ e quer dizer ‘fazer eco'.

Portanto, catequista é aquele/a que se põe ao serviço da Palavra, que se faz instrumento para que a Palavra ecoe. O Senhor chama-te para que, através da tua vida, da tua pessoa, da tua comunicação, a Palavra seja proclamada, Jesus Cristo seja anunciado e testemunhado.

O catequista não é só transmissor de ideias, conhecimentos, doutrina. A sua experiência fundante está no encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo.

Catequista, que a experiência do encontro com Jesus Cristo seja a força motivadora capaz de te trazer o encanto por este fascinante caminho de ser discípulo, cheio de desafios que o fazem crescer e acabam por gerar profundas alegrias.

 
Carta aos catequistas Imprimir e-mail

Queridos (as) Catequistas,
Ainda no início de mais um ano de catequese quero dar-vos os parabéns. Sei que nem sempre o que vós fazeis encontra apoio suficiente dos pais e da comunidade. Mas, acredito na perseverança e no entusiasmo de cada um (a) de vós. Só uma grande paixão por Jesus e pelo seu projecto pode ajudar a levar adiante a missão de catequista.
A Sagrada Escritura está no centro da nossa catequese. Em Roma ocorre neste momento – de 5 a 26 de Outubro – o Sínodo dos Bispos, com o tema a «Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja».
A Palavra de Deus ajuda a dar sentido às nossas tristezas e alegrias, nossas angústias e esperanças. Ela fecunda a nossa existência, orienta os nossos passos e aquece-nos o coração.
Deus quer encontrar-se connosco. Por isso, enviou o seu próprio Filho, que se tornou igual a nós em tudo, menos no pecado. Ele assumiu as nossas fraquezas e derrotas. Veio para nos salvar e orientar, definitivamente, as nossas vidas para o Pai. Ele é o caminho, a verdade e a vida! A Sua morte e ressurreição são fontes de vida para nós.
A celebração eucarística é fonte e ápice da nossa vida cristã. Nós somos chamados a intensificar a nossa catequese sobre a eucaristia. Mais do que falar sobre, precisamos vivenciar o mistério pascal: “morrer com Cristo, para ressuscitar com Ele”. Num mundo marcado por tantas corrupções e falsidades, o discípulo (a) de Jesus é chamado (a) a entregar a sua vida para que outros (as) tenham vida.
O (a) catequista é um (a) vocacionado (a). Participa da missão evangelizadora da Igreja. O seu papel na comunidade é de fundamental importância. Mais do que transmitir a Palavra pela boca, deve testemunhá-la com a própria vida.
Que Deus vos abençoe na vossa missão, que é tão nobre e tão bela!

 

 

 
A missão do catequista Imprimir e-mail

A missão do catequista

Todo o cristão é responsável em anunciar a Palavra de Deus

Quando se fala em catequese, pensamos logo nas pessoas que preparam as crianças para a Primeira Eucaristia ou para o Crisma.
Engana-se quem acha que catequese é o mesmo que "dar catecismo", pois ela faz parte da acção evangelizadora da Igreja que envolve todos os que aderem a Jesus Cristo.
Catequese é o ensinamento essencial da fé, não apenas da doutrina, como também da vida, levando a uma consciente e activa participação do mistério litúrgico e irradiando uma acção apostólica.
A catequese é um processo de educação da fé em comunidade, é dinâmica, é sistemática e permanente.
O Papa João Paulo II disse: "A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com o fim de os iniciar na plenitude da vida cristã" (CT).
Segundo o Novo Catecismo da Igreja Católica (1992), "no centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa, a de Jesus Cristo de Nazaré, Filho único do Pai...”.
A finalidade definitiva da catequese é levar à comunhão com Jesus Cristo: só Ele pode conduzir ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar da vida da Santíssima Trindade. Todo o catequista deveria poder aplicar a si mesmo a misteriosa palavra de Jesus: 'A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou' (Jo 7,16)" (NCIC, 426-427).
Na sua origem, o termo "CATEQUESE" diz respeito à proclamação da Palavra. O termo liga-se a um verbo que significa "Fazer", "Ecoar" (gr. Kat-ekhéo). Assim, ela tem por objectivo último fazer escutar e repercutir a Palavra de Deus.
A catequese faz parte da acção evangelizadora da Igreja que envolve os que aderem a Jesus Cristo.
Catequese é o ensinamento essencial da fé, não apenas da doutrina como também da vida, levando a uma consciente e activa participação do mistério litúrgico e irradiando uma acção apostólica.
Todo o cristão que aceita Cristo por inteiro é o verdadeiro baptizado; ele é responsável em anunciar a Palavra de Deus, a começar por si próprio e pela família. Para tanto, tem uma maturidade cristã de fé e de amor ao próximo e à Igreja.
A missão do catequista mais do que ensinar regras, a doutrina, é promover entre a Pessoa de Jesus e o catequizando um encontro pessoal. A verdadeira catequese promove um encontro com Jesus.

Oração do Catequista:

Concedei-me, Senhor, o dom da sabedoria que provém do vosso Santo Espírito. Dai-me o entendimento da vossa verdade para que eu possa vivê-la e comunicá-la a tantas pessoas que desejam conhecê-la. Iluminai-me com a luz da verdadeira fé para que eu a possa transmitir aos corações sedentos de autenticidade.
Jesus, Mestre Divino, que formastes os apóstolos segundo os princípios do vosso Evangelho, conduzi-me sempre pelos caminhos da vossa verdadeira ciência.
Ajudai-me, Senhor, a assumir o compromisso da minha missão de catequista e fazei que eu me torne capaz de orientar muitos outros no caminho da verdadeira felicidade.
Que eu me deixe envolver profundamente pelo amor do Pai e possa comunicar esse amor aos meus irmãos e irmãs. Amém.

 
Pais e filhos no Dia do Senhor Imprimir e-mail

Pais e filhos na celebração do Dia do Senhor

 

A Igreja, chamada 'casa de Deus, é o lugar no qual habita a Sua família, e as Paróquias são os diversos endereços dela, onde vivemos em comunidade e fazemos a experiência com Deus.

A Paróquia é uma célula viva da Igreja, e cada uma delas abarca dezenas de actividades pastorais evangelizadoras em diversos campos, que deve abranger todas as idades dos fiéis e buscar oportunidades de estar próximas das mais variadas situações em que eles se encontram e, de modo especial, com um olhar voltado para a família, a fim de que todos se sintam à vontade e abraçados pelo Pai nas suas dificuldades e necessidades por meio dos seus discípulos. Portanto, a Paróquia deve ser o lugar onde se encontra um espaço comunitário para se formar na fé e crescer comunitariamente nas suas diversas celebrações e, principalmente na Eucaristia dominical.

Muitos testemunhos de fé fazem parte da vida das pessoas que tiveram uma experiência positiva na infância, a partir do encontro com a pessoa de Jesus. São relatos que demonstram a importância da formação cristã desde pequeninas.

A atitude de sair de casa, em família, aos domingos para ir à missa, pode passar despercebida, a princípio, mas forma nos pequeninos, raízes que os sustentarão na vida com Deus e com os homens. Sem grandes comentários ou explicações, esta atitude dos pais passa a ser o rumo que os filhos tomarão no futuro, mesmo que em algum momento, eles se percam no caminho.

 

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