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Basta-me saber que sois jovens para eu vos amar

São João Bosco

 
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Jovens com valor
Jovem, não te contentes com o que é passageiro Imprimir e-mail

Jovem, não te contentes com o que é passageiro  

 Como jovem, gasta a tua força com aquilo que realmente vale a pena

 “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes.” Trata-se de uma afirmação, e como jovem posso dizer que também é uma clara constatação. Não me refiro à mera aparência de um jovem musculoso, bombado, ou daquela jovem com o seu corpo bem delineado, mas é uma “característica” da alma, do coração, uma força e fortaleza que está incutida no coração de cada jovem, uma vitalidade, garra e ousadia que o faz desbravar e até mesmo inconformar-se com as situações. Isto é muito bom, desde que essa energia e força sejam canalizadas e aproveitadas da melhor maneira, porque a mesma força que gera construção, se mal aproveitada, pode gerar a destruição de si e da sociedade.

Temos que reconhecer e valorizar a importância e a potência que existe em cada jovem, mas que, ao mesmo tempo, merece atenção, cuidado, ajuda, para que, de facto, a sua jovialidade não seja apenas de aparência, mas se torne uma positiva influência.

Longe de um conceito reduzido e erróneo, o jovem cristão é chamado a ser protagonista, a começar da sua própria história, mas, ao mesmo tempo, ser um agente de protagonismo na sociedade e na história naquilo que lhe compete. A mesma Palavra que afirma que “sois forte”, em sequência, aponta a fonte dessa força e quem podemos vencer apoiados nela: “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a Palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno. (cf. I Jo 2,14)

 Dando um passo a mais, não basta “termos a força”, é preciso termos fortaleza interior, e é apoiados na Palavra da Verdade que encontramos a segurança e a confiança da qual necessitamos, e aí, sim, podemos vencer o mal que se levanta contra nós, para nos destruir, pois não sejamos ingénuos, o mal sabe do que somos capazes, por isso ele investe tanto contra nós, para impedir que sejamos quem devemos e somos chamados a ser. A força da Palavra de Deus muda muitos corações, e muitos podem concordar com isto.

Como um jovem manterá pura a sua vida? Sendo fiel às vossas palavras (Sl 118,9)

 

Há dias aconteceu a abertura de um processo de beatificação não muito comum, pois se trata de um jovem samurai chamado Takayama, que ajudava nas atividades missionárias no Japão e era protetor dos cristãos e dos missionários jesuítas.

 

 “Abriu mão de posses por amor a Cristo e foi constatada a sua grande fidelidade à vocação cristã, ele que perseverou apesar de todas as dificuldades”. O Papa Francisco aprovou o decreto que reconhece o seu martírio, e ele será declarado beato e entrará na lista de católicos japoneses que preferiram morrer a renunciar a sua fé.

 

É desta força que falo, como este jovem destemido que entregou a vida, não a perdeu, mas ganhou na eternidade. Que como jovens gastemos a nossa força, a nossa vida naquilo que realmente vale a pena, não nos contentemos com aquilo que é meramente passageiro, mas vamos em direcção ao que o nosso coração anseia: a eternidade! O jovem não tem um “coração pequeno”, ele é grande, ele não quer simplesmente viver de passagens, mas anseia permanecer, deseja o eterno.

 Jovens, sede revolucionários! Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é ‘curtir’ o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas ‘para sempre’, uma vez que não se sabe o que nos reserva o amanhã. Nisto peço que se rebelem contra a cultura do provisório, a qual, no fundo, crê que não sois capazes de assumir responsabilidades, que não sois capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vós, jovens, e rezo por vós. Tende coragem de ‘ir contra a corrente’. E também tende coragem de ser felizes!” (Papa Francisco)
 
Nennolina, uma santa com seis anos de idade Imprimir e-mail

«NENNOLINA»
 

Uma santa com apenas seis anos de idade

 

Antonieta Meo, nasceu em Roma, no dia 15 de Dezembro de 1930, no seio de uma família de sólidos princípios morais e religiosos, onde se rezava o Terço todos os dias. Era uma menina muito viva, sempre alegre e gostava de cantar.
 

Um dia caiu e bateu com um joelho numa pedra. Como as dores não passavam, recorreu aos médicos, que inicialmente não determinavam a origem da dor. Por fim, o diagnóstico acusou «osteosarcoma», cancro ósseo, com a consequente amputação da perna.

Nennolina, com pouco mais de 5 anos, passou a usar uma pesada prótese ortopédica, mas a sua vivacidade continuou, sendo a mesma de sempre, multiplicando a oração e adquiriu o costume de pôr aos pés de um crucifixo, uma pequena carta, que, primeiro, ditava à sua mãe e depois escrevia-a, ela mesma.

Nennolina deixou junto a um diário mais de cem pequenas cartas dirigidas a Jesus, Nossa Senhora, a Deus Pai e ao Espírito Santo, que mostram bem uma vida impregnada de grande misticismo, mas também um «pensamento» teológico surpreendente, que se esconde atrás de frases muito simples.

Nennolina, apesar da sua pouca idade, compreendeu que, no Calvário, Maria sofreu com Jesus e por Jesus e escreve:

«Querido Jesus, Tu que sofreste muito na Cruz: eu quero fazer muitos oferecimentos e ficar sempre no Calvário, perto de Ti e da Tua Mãezinha» (28.01.1937).

«Querido Jesus – escreveu noutra ocasião – eu Te amo muito, quero abandonar-me nas Tuas mãos. Quero abandonar-me nos Teus braços para fazeres de mim o que Tu quiseres»; «Ajuda-me com a Tua Graça, ajuda-me porque sem a Tua Graça, não posso fazer nada».

As pequenas cartas a Nossa Senhora são cheias de afecto: «Querida “Mãezinha”, és tão boa, toma o meu coração e leva-o a Jesus. Óh, Mãezinha, Tu és a mesma do nosso coração». (08.09. 1936).

Diante de Nossa Senhora, ela fez o propósito de ser sempre obediente como Jesus: «Quero receber Jesus das Tuas mãos para ser mais digna». Durante os frequentes internamentos hospitalares, pedia, todos os dias, que a levassem de cadeira de rodas até ao nicho de Nossa Senhora, para rezar e pôr aos Seus pés flores campestres colhidas pela sua mãe.
No dia da Imaculada do ano de 1936, quando se aproximava do seu último Natal, Nennolina escreveu: «Estou contente porque hoje é a Tua Festa, querida Mãezinha! Na Tua próxima Festa e a de Jesus, farei pequenos sacrifícios, e diz a Jesus que me faça morrer, antes de cometer um pecado mortal».
Consumida pelo tumor, depois de longo sofrimento, Nennolina faleceu no dia 3 de Julho de 1937, aos 7 anos incompletos; num Sábado, numa clínica Romana.
Após a morte de Nennolina, aconteceram várias conversões e graças, e a sua fama de santidade difunde-se por toda a parte. Dois anos depois, começou a circular a sua biografia, inclusive fora de Itália.
O corpo de Antonieta descansa numa pequena capela adjacente à que conserva as Relíquias da Paixão de Jesus, dentro da Basílica da Santa Cruz de Jerusalém, na qual foi baptizada e que se encontra no bairro de Roma, onde passou a sua breve vida.
 
Fala 4 idiomas, toca violino, dá conferências...tem Trissomia 21 Imprimir e-mail
Fala 4 idiomas, toca violino, dá conferências...tem Trissomia 21 

Tem 20 anos. Fala inglês e espanhol na perfeição e domina o francês e o latim com fluência. Sendo ainda um adolescente, a sua destreza com o violino é memorável, tendo já protagonizado concertos com orquestras sinfónicas. Chegou a dar também conferências nos EUA e outros países.  O seu nome é Emmanuel Joseph Bishop e, atentando na sua história, é possível dizer que está por certo num patamar elevado quando comparado com a maioria dos jovens da sua idade.

Este jovem talento tem síndroma de Down. Em vários países, a lei permite abortar casos como este, eliminando-os antes do seu nascimento: abortável por Down.  A sua história causa um impacto tal, que tem dado a volta ao mundo através das redes sociais.  Um talento em perigo de extinção  Na actualidade será bastante complicado encontrar um talento como o de Emmanuel, uma vez que não o iriam deixar nascer por ter síndroma de Down. Simplesmente por não cumprir os requisitos que, alegadamente, são necessários para ser digno desta vida. Tudo isto é suportado pela lei. No entanto, a história de Emmanuel aparece como um vendaval que destrói todas estas falácias que justificam o aborto de milhares e milhares de bebés que não são considerados aptos.

Este adolescente americano veio demonstrar todas as suas potencialidades, provando ao mundo do que era capaz.  Um católico devoto Emmanuel é ainda um católico muito devoto, segundo o próprio afirma orgulhoso.

Para além disso, realiza as suas orações em latim. Dirigiu o Terço em várias ocasiões, assim como orações comunitárias.  Neste sentido, o jovem pretende utilizar o dom com que Deus o brindou para um fim maior. Os seus esforços estão destinados a mostrar àqueles com diferenças nas capacidades que são igualmente dotadas de habilidades para mostrar ao mundo. Definitivamente, convencê-los que são igualmente úteis, contrariamente ao que o mundo os tenta convencer. Um talento precoce Emmanuel nasceu a 16 de Dezembro de 1996 na cidade norte americana de Grafton. Cedo começou a surpreender todos em seu redor.

Aos dois anos já lia e aos três já era capaz de ler cartões em francês num colégio do Ilinóis. Com seis anos apenas leu o discurso de boas vindas da conferência anual da Sociedade Nacional do Síndroma de Down. Fê-lo em três idiomas perante um auditório de mais de 600 pessoas. Já com essa idade aprendia a tocar violino, uma das suas grandes paixões. A vida de Emmanuel evoluía a um ritmo vertiginoso. Aos 8 anos andava de bicicleta e já era medalhista nas Olimpíadas Especiais do seu Estado tanto em Golf como em Natação, onde ganhou os 200 e 400m livres. Dois anos mais tarde marcava vários recordes na categoria de juniores em diferentes provas de natação. O violino: a sua arma e o seu escudo  Aos 12 anos deu um recital em violino no décimo congresso mundial de síndroma de Down celebrado na Irlanda em 2009. Para além disso, no mesmo evento, realizou uma apresentação numa das sessões de trabalho.  Um ano de pois passou a ser auxiliar na sua paróquia e aos 14 anos recebia o sacramento da Confirmação.

Em 2010 cumpria um dos seus sonhos quando no dia mundial do síndroma de Down foi convidado a tocar na Turquia com uma orquestra sinfónica. O seu objectivo de ajudar outras crianças Emmanuel foi educado em casa com os seus pais, que nunca duvidaram das suas capacidades. Com esforço e perseverança, este rapaz viria a sobrepor-se às limitações da sua condição. Assim, a principal função de Emmanuel era que o seu exemplo de superação movesse mais rapazes e raparigas.

Nas suas apresentações fala, no fundo, da sua vida, um adolescente com síndroma de Down e com interesses, que gosta de desporto, de música, que vai frequentemente  nadar e andar de bicicleta.

Os seus objectivos dividem-se em quatro pontos:

1. Destacar as habilidades, talentos e potencial das crianças na mesma condição

2. Quebrar o mito das baixas expectativas atribuídas aos jovens com síndroma de Down

3. Demonstrar que a alegria de viver não se opõe a estas pessoas

4. Alertar para a incidência de que tudo o que está dito e escrito acerca do síndroma de Down tem origem em pessoas que não possuem esta condição.  Um exemplo para todos  O resultado de toda esta dinâmica foi efectivado na reunião anual sobre Trissomia 21 em Houston (Texas). Ali, Emmanuel iluminou todos com os testemunhos das aventuras das suas viagens pelo mundo, bem como dos seus estudos e do seu violino. Falou inclusivamente em francês, comentando as obras de arte que havia admirado na sua passagem por Paris. De seguida respondeu a perguntas que lhe foram feitas acerca da sua vida e esclareceu outras dúvidas que o público lhe colocou. A educação que recebeu em casa deixou muitos perplexos, bem como a sua alfabetização precoce.

Exemplos concretos ajudam visivelmente a luta contra a corrente. O seu testemunho, mais pela sua capacidade de superação que pelas suas habilidades adquiridas, é um estímulo, uma força tanto para crianças com síndroma de Down como para as suas famílias. Nenhum deles está só. Todos são úteis na sociedade, por vezes mais até do que podem imaginar.
 
A história de Ana de Guigné Imprimir e-mail

A história da Venerável Ana de Guigné

“Uma tão grande alma para uma tão pequena menina”

 

Em 1915, um ano após o início da primeira guerra mundial, enquanto os combates se atolam nas trincheiras…

 Todas as famílias de França sabem que uma visita de oficiais do estado civil num lar significa o anúncio de uma morte a frente de batalha.

Assim, quando a 29 de Julho de 1915, a Senhora de Guig

né vê o presidente da câmara de Annecy-le-Vieux chegar à porta da sua residência; ela percebe que o seu marido, ferido já em três ocasiões, não regressará mais.

 

 “Ana, se me queres consolar, tens de ser boazinha”, diz a mãe à sua filha de tão-somente quatro anos de idade, a mais velha dos seus quatro filhos.

 

A partir desse momento, a criança até aí voluntariosamente desobediente, orgulhosa e invejosa, vai realizar, com tenacidade e continuidade; um combate de cada instante a fim de se tornar boa, o combate da sua transformação interior que ela vencerá graças à sua vontade; obviamente, mas sobretudo – e é ela a dizê-lo – através da oração e de sacrifícios que ela se impõe.

 

Vêem-na ficar vermelha, serrando os seus pequenos punhos para controlar o seu forte caráter perante as contrariedades que enfrenta; depois, pouco a pouco, as crises diminuem até ao ponto dos seus familiares e conhecidos ficarem com a impressão que tudo se lhe tornou agradável.

 

O amor pela sua mãe que ela quer consolar vai assim tornar-se o seu caminho para o seu Deus.

 

Este caminho encontra-se balizado pelas numerosas reflexões de Ana que nos revelam a intensidade da sua vida espiritual e; pelos numerosos testemunhos dos seus próximos que recordam os esforços contínuos que ela fazia para progredir na sua conversão.

 

Vida curta, mas Santa

 

Para Ana de Guigné, o farol que ilumina o seu caminho de conversão é a sua primeira comunhão à qual aspira com todo o seu ser e toda a sua alma e que ela prepara com alegria.

 

Chegado o momento, a sua tenra idade necessitando uma licença especial; o bispo impõe-lhe um exame que ela ultrapassará com uma facilidade desconcertante.

 

“Desejo que estejamos sempre ao nível de instrução religiosa desta criança”, dirá o seu examinador.

 

A continuação da sua curta vida traduz a paz de uma grande felicidade íntima alimentada pelo amor ao seu Deus que se aplica; à medida que cresce, a um círculo de pessoa cada vez mais vasto: seus parentes e familiares, pessoas com quem vai contactando, os doentes, os pobres, os não crentes.

 

Ela vive, reza, sofre pelos outros. Atingida precocemente pelo reumatismo, ela sabe o que é o sofrimento e corresponde-lhe com uma oferta:

 

 “Jesus, eu vo-lo ofereço”, ou ainda “Ó, eu não sofro; aprendo a sofrer!”

 

Mas em Dezembro de 1921, é afetada por uma doença cerebral – sem dúvida uma meningite – que a força a permanecer acamada.

 Ela repete incessantemente: “Meu Deus, eu quero tudo o que quiserdes”, e acrescenta; sistematicamente às orações que são feitas pelas suas melhoras: “e curai também todos os outros doentes”.

Ana de Guigné morre na madrugada de 14 de Janeiro de 1922 após este último diálogo com a religiosa que vela por ela:

 

“Irmã, posso ir com os anjos?” – “Sim, minha bela pequena menina”. “Obrigada, Irmã! Ó obrigada!”.

 

Esta menina é uma “santa”, tal é então o veredito geral. Os testemunhos abundam, artigos são publicados e o Bispo de Annecy inicia em 1932 o processo de beatificação.

 

Mas então a Igreja não tinha tido ainda a necessidade de ajuizar sobre a santidade de uma criança que não fosse mártir.

 

Os estudos conduzidos em Roma sobre a possibilidade da heroicidade das virtudes da infância foram concluídos positivamente em 1981; e a 3 de Marco de 1990 o decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Ana de Guigné e declarando-a “venerável” era assinado pelo papa João Paulo II.

 

Notas escritas e bilhetes

  

“Meu pequeno Jesus, eu vos amo e para vos agradar tomo a resolução de obedecer sempre.” (Bilhete deixado sobre o altar aquando da sua primeira comunhão)

 

 “O pequeno Jesus, parece-me que me respondeu no meu coração. Eu dizia-Lhe que queria ser muito obediente e pareceu-me ouvir: sim, sê-o.” (bilhete à mãe 1917)

 

 “Eu quero que o meu coração seja puro como um lírio”.

 

“Quero que Jesus viva e cresça em mim. Que meios tomar para isso?” (Notas de retiro 1920)

 

 “Bem podemos sofrer por Jesus pois Jesus sofreu por nós”.

 

Numa imagem do Calvário que ela tinha feito, Ana escreve: “De pé diante da Cruz sobre a qual o seu Filho estava suspenso, a Mãe das dores chorava com resignação. Dai-me a graça de chorar convosco”. Ela acrescentava: “Porque Jesus não é suficientemente amado”.

 

Emprestai-m’O, Oh Maria minha boa Mãe (Canto composto por Ana para a comunhão)

 Emprestai-me o vosso filho, apenas um segundo,Colocai-o nos meus humildes braços.Permiti-me, MariaDe beijar os pés do vosso querido FilhoQue me deu tantas graças.Como eu desejo, ó MariaReceber nos meus braços o vosso Filho,Dai-m’O, dai-m’O!Que feliz eu sou agoraPois tenho-O comigo! À sua mãe que lhe pergunta por que razão deixou de usar o seu missal, ela responde: “Porque sei de cor as suas orações e distraio-me facilmente ao lê-lo. Pelo contrário, quando falo ao pequeno Jesus nunca me distraio. É como quando falamos com alguém, Mãezinha, sabemos muito bem o que dizemos”. (Dezembro de 1919)
 
Para sair de apuros Imprimir e-mail

“Para sair de apuros, não há coisa melhor do que rezar o terço!” 

 Havia entre os religiosos trapistas de Sept-Fons, na França, um irmão leigo, muito velho e enfermo, que tinhas sempre nas mãos o seu terço.   Quando em 1812 o exército francês, vencido, voltava da Rússia, a coluna de Teodoro, extenuada de cansaço e de fome, encontrou-se em frente de uma bateria russa que barrava o caminho de fuga. Um verdadeiro desespero se apoderou de todos: oficiais e soldados atiravam as armas ao solo.  Que fazer? Era no rigor do inverno e tinham caminhado longas horas sobre a neve e o gelo.  Que fazer? Voltar era impossível. Ir adiante? Ali estava a poderosa bateria inimiga.  Permanecer naquele posto? Era condenar-se a morrer de frio e de inanição.  De repente adianta-se um oficial: – Venham comigo os valentes!… Coisa rara nos anais de guerra: nem uma voz respondeu. Ou melhor, um só homem, um só, o irmão Teodoro, saiu da fila dizendo: – Irei sozinho, se o Senhor quiser.  Dizendo isto, tira a mochila e o fuzil e ajoelha-se na neve, benze-se diante de todos e reza uma dezena (um mistério) do terço com fervor como nunca.  Toma novamente o fuzil e, de cabeça baixa, lança-se a passo de carreira, com tanta confiança como se dez mil homens o seguissem.  Estava para alcançar a bateria inimiga, quando os russos, crendo que os franceses queriam apanhá-los pelas costas, enquanto se ocupassem de um só inimigo, abandonaram a sua peça e bagagem e fugiram.  Dono do campo, disse o nosso herói com admirável naturalidade:

– Aqui está! Para sair de apuros, não há coisa melhor do que rezar o terço.  O oficial entusiasmado corre para ele, tira a sua própria Cruz de Honra e pendura-a ao peito do jovem, exclamando com lágrimas nos olhos:  

– Valente soldado, tu a mereces mais do que eu! – Comandante (respondeu Teodoro), não fiz mais do que o meu dever.  Cinquenta anos mais tarde, com o seu hábito de trapista, quando, no mais rigoroso inverno, passava a maior parte do dia de joelhos rezando o terço, gostava de repetir:

– Não faço mais do que o meu dever!
 
Jovens com valor Imprimir e-mail

JOVENS COM VALOR 

Jovens, jovens… 

Todos falam dos jovens e de jovens: por razões diferentes.
Eu, que há mais de cinquenta anos trabalho com jovens, e para jovens, (para eles e com eles fundei há trinta anos um movimento que tem por nome Juventude Alegria de Maria - JAM - também gosto muito de falar dos jovens e de jovens.

Nesta página venho falar de JOVENS COM VALOR,
que os há, muitos e mais do que nós pensamos.

Ai se nós nos aproximássemos mais dos jovens, se nós os escutássemos, se nós lhes déssemos a mão em tantas iniciativas lindas e arrojadas que eles tantas vezes começam…

Se os amparássemos mais nos seus legítimos desejos e anseios…

Convido os jovens a lerem estes exemplos de jovens como eles. Mas convido também os adultos a que leiam, que meditem, que fiquem a admirar e a respeitar mais os valores, a força e o querer dos jovens, quando bem orientados e apoiados.

 

 

 
Jovem sindicalista Imprimir e-mail

Mundo operário, evangelização, Cristo, religião, compromisso

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Vivíamos seis em duas divisões. Que poderia fazer em tão pouco espaço ao voltar da fábrica? A tarde entretinha-me a percorrer as ruas, de um lado para o outro.
Tinha dezassete anos. Detinha-me nos largos da minha terra a conversar com as raparigas, via algum filme, tomava uns copos no bar.
Foi precisamente enquanto assim vivia que senti uma chamada. Um jovem que tinha a ajuda de uma coisa a que chamava JOC disse-me certo dia: «Roger, convido-te para a nossa Assembleia-geral». Ali vi alguns jovens que tomavam a palavra; eram rapazes operários, como eu. Era inacreditável. Diziam que era possível mudar as coisas na nossa vida de operários. Utilizavam palavras que eu entendia perfeitamente. Naquela tarde uni-me à luta operária. Diga-se, ainda, que ali se respirava um ambiente sagrado. Havia cânticos que me impressionaram. «Orgulha-te, operário. Sem ti, que seria do mundo?». Os cânticos falavam do amor mais forte do que o ódio, dizendo que era necessário construir um mundo melhor. Palavras verdadeiras, mas como seria possível pôr os jovens em movimento, só com palavras? «Avante, jocista!» Não havia dúvida que era preciso seguir em frente!
Comecei a ser assíduo às reuniões e um dia filiei-me. Quando viram o meu emblema na oficina começaram a atacar-me, o que já era de esperar. Não me atacavam pelo problema dos operários mas sim pela religião, pelos padres. Então aqueles ataques fizeram surgir dentro de mim várias questões sobre a palavra JOC (Juventude Operária Cristã). Era necessário que eu entendesse melhor por que razão a JOC apelava a Cristo. Quando me diziam na oficina:
«Tu andas atrás dos padres», eu replicava: «Não, eu ando é com os jovens trabalhadores». Certo dia, porém, disse-lhes sem hesitações: «Eu sigo a Cristo!». Foi inesperado.
Pedi aos jocistas o livrinho que eles tinham e a que chamavam evangelho. Quando comecei a lê-lo prometi que a minha vida ia mudar. Aceitei ir a uma reunião muito especial, a um retiro. Foi inesquecível. À tarde falavam-nos de Cristo; depois recomendavam-nos que falássemos nós próprios com Ele, quando estivéssemos sozinhos. Eu sabia que na nossa classe operária Cristo não era conhecido; eu, porém, conhecia-O, ouvia-O falar no Evangelho. Ao ler as suas palavras: “Agora chamo-vos amigos”, compreendi que Ele me dizia: “Roger, eu chamo-te meu amigo”.

 

 

 
Um casal… como as outras? Imprimir e-mail

Amor, confiança, fidelidade, firmeza, providência, simplicidade

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Vocês estão loucos! Sem trabalho, sem dinheiro, sem casa!
— Não vês que só tens vinte anos?
— Mas se vocês ainda estão a estudar!
— E se tiverem um filho?
Tínhamos vinte e três e vinte anos. Será que nessa idade se é demasiado jovem para casar? A nossa vontade não brotava do desejo momentâneo. Tinha crescido com os anos, desde que descobríramos, ainda adolescentes, que qualquer coisa de especial nos unia. Cresceu à medida que aprendemos, à nossa custa, que o verdadeiro amor não nos tira a liberdade; quando falávamos horas a fio sobre os nosso conflitos e as nossas diferenças; quando enfrentávamos longas separações, aprendendo a dar valor à riqueza da fidelidade no amor; também quando rezávamos juntos e reuníamos coragem para perdoar e esquecer ou quando optámos pela castidade, porque acreditávamos que o sexo precisa de maturidade e compromisso para se desenvolver plenamente. Além disso, fomos sempre crescendo, visto que nos preocupávamos mais com os problemas dos outros do que com os nossos.
Tínhamos percorrido esse caminho com bastante esforço; agora a meta, esse caminho comum que construíamos com Cristo, já estava próxima. Mas..., que se está a passar? Que são todos estes obstáculos que nos impedem de cruzá-la? Eram obstáculos tais como a falta de rendimentos fixos, a falta de casa, não ter com que adquiri-la e prepará-la: era a «insegurança» total que detinha a muitos.
Nós, após a primeira surpresa, parámos um momento e olhámos à nossa volta: queremos ser como eles? Já temos o mais importante: confiamos plenamente na providência, O nosso amor passou por provas difíceis e é forte; optámos pela simplicidade. De que precisamos, verdadeiramente? De um tecto. Podemos alugá-lo. Será modesto, mas proteger-nos-á igualmente. Dinheiro para comer. Já temos trabalhado no Verão, certamente nos vão conceder uma bolsa. Sabes? Julgo que com este equipamento podemos cruzar a meta. O risco não nos assusta, porque sabemos que Deus nos ama.
E cruzámos a meta. Casámo-nos há três anos. Tivemos pingas lá em casa e passámos um certo frio durante o Inverno. Renovámos muito pouco o nosso guarda-roupa e a nossa comida era simples, mas fomos imensamente felizes. Travámos amizade com muita gente simples. Terminámos os estudos e a amiga providência divina em breve nos arranjou trabalho.
Embora não saibamos o que nos trará a vida, destes primeiros anos de matrimónio conservamos a fortaleza, a alegria e a esperança, que recebemos como garantia de futuro. Por tudo isso, continuamos a dar graças a Deus.
MARIA GLÓRIA

 

 

 
Arantxa, campeã de ténis e de tenacidade Imprimir e-mail

Vontade, segurança, fé, simplicidade

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Podemos dizer que Arantxa Sánchez Vicário satisfaz todas as expectativas que se têm sobre ela: é bem disposta e saudável, ri-se com a candura e a franqueza da criança pequena a quem acabam de contar uma anedota maliciosa, tem um trato muito fácil e é tão robusta como um gladiador. Além disso, e como todos sabem, é muito simpática, tem um brilho de vitalidade nos olhos e uns pais fantásticos.
— Além de gostar da sua forma de jogar, o que me fascina de verdade em si é a segurança incrível que tem da sua pessoa...
— Sim, sempre a tive, desde pequena; é uma coisa natural e, à medida que se vai crescendo, vai-se amadurecendo mais, não é verdade? Eu sempre soube por que razão ia ganhando, quais eram as minhas qualidades, o que devia ir melhorando; sempre pensei de forma muito positiva, tanto dentro como fora do campo, e além disso sempre tive o apoio da minha família. E verdade, como tu dizes, sempre tive muita confiança em mim mesma, ou seja, estou consciente de faço tudo muito bem e de eu própria me posso ultrapassar nos momentos bons e nos momentos mais difíceis.
— Julgo que se propôs chegar ao primeiro lugar quando tinha treze anos...
— Bom, ganhei o primeiro torneio profissional em 1988 e, então, disse para comigo: hei-de chegar a ser a primeira do mundo, e sempre trabalhei muitíssimo para tentar situar-me entre as cinco melhores, e assim fui subindo pouco a pouco. Neste momento sou a número três e vejo que o meu sonho um dia se poderá tornar realidade, porque já estou bastante perto, não? Sempre tive a mente muito tranquila, sou muito sofredora, tenho trabalhado muitíssimo, aguento tudo e nunca me dou por vencida.
Assim é Arantxa. Porque é esta a sua vida e graças a uma reflexão constante e a arrumar a cabeça dessa forma tão simples, e a reafirmar-se, pôde chegar ao lugar que hoje ocupa, e conseguir prodígios tais como não se deixar afectar pela tensão do ambiente...
— Ouvi dizer que você é muito crente...
— Sim, sou crente, muito religiosa, vou todos os domingos à missa, quer esteja em Espanha, quer no estrangeiro; sou muito praticante e acredito muito em Deus.
- E reza todas as noites antes de se deitar?
- Sim, rezo antes de me deitar e também antes das partidas de ténis, peço sempre a Deus que me ajude, e muitas vezes, quando olho para o céu, é para Lhe dar graças.

 

 

 
Carta a Deus escrita por uma jovem estudante Imprimir e-mail

Gratidão, conversão, oração, felicidade

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Deus, se eu soubesse como começar, tudo o resto seria fácil; mas hoje parece-me muito difícil, embora saiba que, se eu começar a carta assim, acabarei por Te contar muitas coisas. Bom, Tu já sabes por onde vou, e conheces-me. Antes de continuar, quero dar-Te graças porque estás sempre à minha espera e eu sei que gostas de mim. No meio deste mundo tão maravilhoso, é bom saber que gostas de mim!... Não me relaciono muito contigo, mas sabes que o desejo. Penso que ninguém tem o exclusivo da verdade, mas todos juntos (todos os homens juntos), se procurarmos com sinceridade, alcançá-la-emos, porque cada pessoa possui um pouco da verdade. Só Tu tens a verdade, porque Tu és a verdade.
Estou certa de que quem julga ter a verdade ainda tem muito que aprender. A minha busca solitária é importante, porque me encontro um pouco mais a mim própria; no entanto, essa mesma busca leva-me a partilhar com os outros. Julgo que, por vezes, o nosso grupo não funciona, embora seja o meio que temos para Te procurar e construir a comunidade. Devemos prosseguir todos juntos, ajudando-nos e respeitando-nos nas parcelas de verdade que tenhamos, e pensando:
«Talvez a sua verdade não seja a minha, mas ajuda-me».
Jesus Cristo, sabes que sou sincera e gostaria de partilhar mais a minha vida contigo, gostaria de Te escutar mais ou, simplesmente, de estar contigo e de saber que Tu estás comigo. Se Eu não soubesse que Te tenho, não saberia que fazer. Sou tão feliz desde que descobri que Tu és a verdade!
Tb no meu grupo, desde que digo o que sinto, me chamam louca, mas se isso é ser louca, viva a loucura! Em minha casa tento superar a minha preguiça, apesar de ser muito preguiçosa.
Não quero esquecer-me de Te dizer que estou muito feliz, porque agora também sinto amor. Sim, sinto amor por todas as pessoas e também pelas que me são mais próximas. Devo pedir-Te perdão pela minha atitude para com os outros e por muito mais coisas que Tu já sabes, porque as viste no meu coração.
Eu quero mudar por Ti, não para me atar a Ti, mas porque Tu me tornas livre, me tornas tão livre! Que maravilha, Jesus Cristo!
Sabes mais uma coisa? Quero ser barro para que Tu me modeles. Se alguma me afastar de Ti, lembra-te que eu Te disse que quero mudar, quero que Tu as o oleiro, que modele o meu coração.
Agora despeço-me; mas, como hei-de despedir-me de Ti, se vais continuar no coração, se todos os meus instantes são teus? Não, não posso despedir-me; Te quero dizer, mesmo que pareça muito romântico: amo-Te, e este «amo-Te» ai mudar a minha vida. Obrigada por Me escutares. Perdoa os borrões, são como da minha vida; então, perdoa a minha vida. Até breve, Senhor.
PATRÍCIA

 

 

 
Salvos do álcool Imprimir e-mail

Alcoolismo, superação, ajuda

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As reuniões abertas dos AA (Alcoólicos Anónimos), em que «não se fazem discursos insuportáveis», mas em que cada um dá a sua própria experiência pessoal e a confronta com a dos outros, levam uns e outros a trocar sugestões para deixarem de beber e para enfrentarem todo o tipo de problemas.
O João é um rapaz alto, moreno, de olhos muito expressivos. Não consegue explicar nada sem mexer continuamente as mãos. Este facto, associado à sua maneira de vestir, confere-lhe um ar solto e alegre. Cármen também é morena; os seus cabelos, atados com uma fita grossa, caem em todas as direcções, como cascata indisciplinada.
— João, porque te tornaste alcoólico?
— Julgo que me tornei alcoólico — fique bem claro que já não sou — porque não reflectia. Comecei por uma imperial, depois por uma caneca... No primeiro ano do secundário apanhei a primeira bebedeira. Tínhamos saído com umas raparigas e, depois de termos passado a tarde com elas, reunimo-nos só o nosso grupo de amigos e começámos a beber cerveja atrás de cerveja. Acabámos todos bêbados. No dia seguinte fiz catorze anos.
— O meu caso foi diferente — diz a Cármen. — Até aos dezoito anos, eu tinha uma imagem de filha-modelo e vivia em conformidade com ela. Cheguei mesmo a ganhar uma bolsa para estudar na Universidade. Quando comecei o curso superior entrou em mim uma espécie de rebelião e comecei a beber nas festas e nos fins-de-semana. Escolheram-me para delegada de turma, mas não correspondia como tal nem estudava absolutamente nada. O álcool atraía-me cada vez mais, porque me fazia esquecer os problemas.
— O álcool domina-nos rapidamente — garante o João — e tudo é pretexto para beber. Eu obtive documentos falsos para demonstrar que era mais velho e assim consegui ter automóvel e tudo... não imaginas — acrescenta com um gesto expressivo. — Comecei a misturar a bebida com a condução e podes imaginar os resultados...
No meu grupo de amigos, medíamos o êxito escolar pelo número de festas a que assistíamos, os casos que tínhamos com raparigas e as vezes que nos embebedávamos. Nos estudos, íamos passando como podíamos. O nosso maior esforço consistia tentar «passar bem», como nós dizíamos.
— Julgo que isso de passar bem — intervém a Cármen — deu cabo de muitos de nós. Os meus pais, ao verem que eu não me concentrava nos estudos, mandaram-me passar o Verão fora, para que assim deixasse alguns grupos de amigos e assentasse a cabeça. Mas isso ainda foi pior, porque na aldeia em que estive, como não tinha diversões, aborrecia-me imenso, passando a ser frequentadora aficionada do bar. Passei assim de beber só aos fins-de-semana a beber todos os dias. O álcool dominou-me por completo. Quando bebia antes das aulas, sentia-me a mais, e tinha vergonha de assistir a elas; apesar disso, depois de viver algum tempo com estes sentimentos, comecei a beber para poder ir às aulas, para aceitar encontrar-me com rapazes e para conseguir ir às festas.
Graças a um amigo — continua Cármen — fui assistir a uma reunião de AA, mas pensei que aquilo não ligava com os meus vinte anos, pois ainda me sentia muito jovem; por outro lado, julgava que sem álcool já não poderia divertir-me, pelo que não voltei lá. Contudo, as tensões, a solidão, o sentimento de culpa, os remorsos e a tristeza iam aumentando à medida que crescia a minha dependência do álcool.
— E uma sensação terrível — comenta João. — O meu estado chegou a um ponto tão desastroso, que os meus pais tiveram de me internar numa clínica e, quando tive alta, passados dois meses, recomecei a beber. Finalmente, chegou o dia em que me convenci de que o álcool era mais forte do que eu, e que precisava de ajuda; foj assim que assisti a uma reunião de AA. A partir de então, há já mais de dois anos, nunca mais bebi um único trago. O que mais me impressionou foi a compreensão demonstrada pelos membros desta associação; ali eu podia mostrar-me tal qual era. Os AA. devolveram-me à Universidade e, desde logo, o meu conceito de «passar bem» mudou completamente. Agora penso de outra maneira.
— A minha experiência é semelhante — reforça Cármen. — Como a minha tristeza e solidão ia aumentando, eu cada vez bebia mais para ficar atordoada e, além disso, levava as minhas amigas a beber cerveja atrás de cerveja, até que um dia percebi, horrorizada, que estava a perder a memória. Foi quando disse para comigo: “Nunca mais volto a beber; no entanto, como sabia que não tinha força de vontade para tanto, recorri de novo aos AA, e aqui estou, e aqui continuo. Agora sou uma rapariga muito diferente, que não quer esquecer essa experiência dolorosa. Passei muito mal. Gostaria de ajudar, sobretudo, os que começam a beber álcool, sem se preocuparem minimamente com o perigo que correm.

 

 

 
Mártires de hoje Imprimir e-mail

Fé, morte, entrega

Uma rapariga chinesa escreve a uma amiga: «Quando receberes esta carta, já estarei na prisão. Tenho de me apresentar na esquadra no dia 14.
Não esqueças essa data memorável... Tive de passar por vários interrogatórios, o primeiro de nove horas, o segundo de três, ontem de cinco. São momentos muito duros.
A minha irmã ficou doente, preocupada comigo, e está no hospital. Reza por mim. Não podes imaginar o meu sofrimento... No dia em que os meus pais viram o meu nome no jornal, entre a lista dos culpados, ajoelharam-se à minha frente, pedindo-me para renegar a minha fé. Então compreendi plenamente pela primeira vez, o que é o sofrimento.
Não tenho nada para te oferecer, a não ser o meu afecto. Ofereço-to, antes de morrer, a ti e às Madres, que foram tão boas comigo. Mesmo que perca a vida, prefiro esta morte à morte eterna, que mereceria se renegasse a minha fé. Canta comigo: Aleluia!»

BERNARDITA

 

 

 
A primeira miss Estados Unidos converte-se ao catolicismo Imprimir e-mail

Rima Fakih, a primeira miss Estados Unidos, de religião muçulmana, converte-se ao catolicismo

Em 16 de Maio de 2010, Rima Fakih, de origem libanesa, que se apresentava no concurso nacional como Miss Michigan, ganhou o título de Miss Estados Unidos, com especial notoriedade por se tratar de uma jovem muçulmana. Embora já antes se definiu a si mesma como "primeiro, americana, depois libanesa-americana, depois árabe-americana e depois muçulmana-americana".

Recentemente converteu-se ao cristianismo e em breve contrairá matrimónio com um católico maronita.

Há tempos, Rima deu senais da sua conversão na sua conta oficial de Twitter publicando uma frase do Novo Testamento: "Tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses 4, 13).

Numa entrevista em 2010 disse ter "um cunhado cristão e uma irmã que baptizou os seus sobrinhos na fé, e também um tio que se converteu ao cristianismo e se fez sacerdote".

Rima Fakih vem de una família xiita, mas foi educada numa escola católica.

 
Jovem seminarista e surfista Imprimir e-mail

Jovem seminarista e surfista

 

O processo para estudo da vida do jovem seminarista e surfista Guido Schäffer foi solicitado à Congregação para as Causas dos Santos.

 

Guido Schäffer, seminarista carioca que amava a praia e o surf, pode ganhar a causa de beatificação uma vez declarada a santidade de vida.

 

Guido nasceu no município de Volta Redonda, mas foi morar em Copacabana, na capital fluminense, ainda bem pequeno. Em 1998 concretizou o sonho de se tornar médico para ajudar o próximo. Mas sete anos antes sentiu que Deus lhe fazia um convite especial.

 

Pouco tempo depois de terminar o curso de medicina, Guido decidiu atender o convite, de forma voluntária, colaborando na Santa Casa de Misericórdia com as Missionárias da Caridade, congregação fundada por Madre Teresa de Calcutá.  

 

Em 2002, iniciou os estudos preparatórios ao Mosteiro de São Bento para, em seguida, entrar no Seminário de São José, em 2008. Entretanto, não deixava de ir à praia pegar uma onda. Foi a praticar esta paixão, em 2009, aos 34 anos de idade, que perdeu a vida. Após uma contusão na nuca, ao surfar na Barra da Tijuca, sofreu desmaio e afogamento.

 

No enterro, o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, esteve presente. E colocou uma estola sobre o caixão, lembrando o maior desejo do jovem: tornar-se padre.

 
O maratonista Jorge Pina Imprimir e-mail

 O MARATONISTA JORGE PINA

Lisboa, 08 julho 2016 – O maratonista Jorge Pina, um dos atletas portugueses apurados para os Jogos Paraolímpicos 2016, alia o sonho de uma medalha ao desejo de correr até ao Vaticano e encontrar-se com o Papa Francisco.

Jorge Pina reconhece a importância de haver “mais ética e humanidade” no desporto e na vida, hoje tantas vezes tomados por outros interesses, competitivos e financeiros, e a necessidade dos atletas serem exemplos, “mensageiros” desses valores.

 “Um atleta tem em si uma responsabilidade se calhar maior do que os outros, como figura pública ou pessoa ligada ao desporto”.

É nesse contexto que Jorge Pina quer ir ao Vaticano, “saindo de Fátima e passando pelos Caminhos de Santiago e Lourdes”, e depois ao encontro do Papa, uma figura que várias vezes já destacou a importância do desporto ser um espaço para a transmissão de valores.

 “Eu acho que o Papa Francisco está a fazer um bom trabalho, gostava de o conhecer, abraçar”, confidenciou o atleta paraolímpico, cuja história de vida mudou radicalmente quando ficou cego, em 2004.

Antigo campeão nacional de boxe, Jorge Pina estava a preparar-se para o título mundial quando uma lesão na retina o deixou quase completamente cego, com apenas 10 por cento de visão no olho direito.

 “Acabei por cegar, e essa cegueira veio transformar-me no ser humano que sou hoje, porque eu costumo dizer que dantes é que era cego, agora é que vejo, vejo de uma forma diferente nítida e clara, e sei o que eu quero para mim e o que quero passar para os outros”.

“A minha corrida é uma corrida muito interior, sou uma pessoa que gosto de desafiar-me a mim, e o meu maior adversário sou eu mesmo. Tenho muita fé, aprendi a conhecer-me a mim e a querer entender o mundo e o universo e fui aprendendo com a vida, ela ensinou-me a não precisar de ver para acreditar”.

Além de uma associação, e de projetos como o ‘Music Boxe’, que combina junto dos mais novos o boxe, a dança e a música, Jorge Pina criou também a primeira Escola de Desporto Adaptado em Portugal, para pessoas com deficiência.

“Não criei a escola para criar campeões do mundo no desporto, e os meus projetos não são para criar campeões no desporto, mas que eles possam ser campeões do mundo na vida. O maior combate e a maior corrida é a corrida da vida, e às vezes nós esquecemo-nos dela e queremos só correr nas outras corridas e essa é a mais importante”.

 
O amor derruba todos os muros Imprimir e-mail

Jovens, compromisso, marginalização, educação, pobreza

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A entrega aos outros com amor derruba todos os muros. Posso dizer que cresci dividido ao meio. Tinha duas escolas: a da minha família, que tentava educar-me para a paz e para o respeito pelo próximo. E a dos meus companheiros da escola e da rua, onde dominava a lei do mais forte.
Fora das aulas eram frequentes as batalhas com pedras entre dois bandos do bairro. Muitos dos meus companheiros os mais frágeis, e os que sentiam a falta de uma presença mais contínua e mais próxima da família, acabavam integrados nos bandos locais, onde as coisas se tornavam mais sérias e se começava a aprender a roubar.
Mais tarde, perto do fim do bacharelato, inscrevi-me na extrema-esquerda. Tentávamos dar uma solução aos problemas que nos afligiam a nós, os jovens. Durante aquele período, eu pensava que a única revolução possível era fazer mudar de ideias os que não pensavam como nós. Sentia-me arrastado por uma corrente juvenil que expressava o seu próprio desacordo. No entanto, notava dentro de mim que as denúncias gritadas pelo megafone não eram suficientes para resolver os problemas dos meus companheiros.
Havia já algum tempo que me tinha afastado da Igreja, embora pertencesse a uma família muito praticante, pelo que, quando uma rapariga me convidou a participar num grupo juvenil da paróquia, aceitei apenas por estar interessado nela.
Foi a primeira pessoa a quem ouvi falar de Deus de forma convincente: pertencia ao Movimento Gen. Deus amava-nos e convidava-nos a fazer o mesmo pelos outros, que viviam ao nosso lado. Contudo, o que mais me impressionou, foi o trabalho concreto que aqueles jovens faziam em favor dos mais pobres.
O primeiro encontro com uma daquelas famílias deixou-me desconcertado. A cena metia dó. O cheiro era insuportável. Um homem, que vivia paralisado na cama, com o único braço que tinha são ameaçava com uma faca a mulher e os cinco filhos. Nenhum dos filhos ia à escola. Andavam sempre ao cartão.
Também eu comecei a recolher papel velho, cartão, trapos e ferro com aquele grupo. Com aquilo que recolhemos começámos a arranjar a barraca. No entanto, o dinheiro que conseguíamos não bastava para cobrir as necessidades destes infelizes. Assim, para aumentar as entradas, comecei a trabalhar com outro amigo num cinema, vendendo bebidas, gelados e guloseimas.
O trabalho de todos tornou possível que, pouco a pouco, as coisas fossem mudando naquela família. Com a assistente social do bairro, conseguimos encontrar uma escola para as crianças, obter uma pensão de invalidez para o marido, e transmitir uma certa serenidade ao drama daquela família.
Sentia-me feliz. Por fim estava a ser útil a alguém. Entretanto, tinha começado a aproximar-me da fé. Voltei também a seguir o Evangelho, que aquela rapariga me tinha proposto, através de um comentário das Sagradas Escrituras, que variava de mês para mês.
Todas as noites — para surpresa dos meus — fechava-me no quarto a ler aquelas palavras que estavam a mudar a minha vida. Pareciam-me novas. Todas elas me incitavam a sair do meu egoísmo e a ir ao encontro dos outros. Sentia-me atraído, de forma especial, pelas pessoas mais necessitadas, pelos últimos, com quem Jesus se tinha identificado; e entre estes, com os jovens.
Comecei a pensar seriamente no meu futuro. Até que, no meio desta busca, me encontrei com um salesiano que me ensinou como podia pôr-me ao serviço dos outros. Compreendi que podia estar ao serviço das pessoas e, em particular, dos jovens, com o estilo de D. Bosco. Foi uma decisão que surpreendeu a todos, sobretudo à minha família.
A primeira experiência foi muito forte. Eu estava a terminar o bacharelato numa escola de um certo prestígio, frequentada sobretudo por jovens ricos. É de imaginar o sacrifício que isto me custava, visto que tinha optado por dedicar a minha vida aos jovens mais pobres. E agora tocava-me trabalhar ao lado daqueles que considerava «filhos do papá», que muitas vezes chegavam à escola com carros impressionantes.
A participação num Genfest foi o que acabou por me abrir o coração de par em par. Fez-me compreender que também aqueles jovens eram «pobres», embora não o fossem de bens materiais. Tinham necessidade de um amor desinteressado, também neles devia reconhecer Cristo.
Assim, da forma radical que o Evangelho requer, tentei aproveitar todas as ocasiões que me eram proporcionada e, em pouco tempo, apercebi-me que entre eles eu tinha sido derrubado o «muro» que nos separava.

Ernesto

 

 

 
Segurança em discotecas, hoje sacerdote Imprimir e-mail

O bispo do Algarve presidiu à ordenação de dois sacerdotes para a diocese, Fernando Rafael Rocha e José Chula, respetivamente de 37 e 26 anos e naturais de Quarteira e Monchique.

O diácono Fernando Rafael Rocha decidiu mudar de vida e foi batizado aos 28 anos, depois de ter trabalhado como segurança em bares e discotecas e instrutor em ginásios.

Em entrevista ao jornal diocesano do Algarve, ‘Folha do Domingo’, o futuro sacerdote recorda que não tinha frequentado a catequese nem nunca tinha tido qualquer prática religiosa a não ser a das orações que a bisavó lhe ensinara, em criança.

 “Entrei para o Seminário praticamente sozinho. A minha família estava em pânico porque pensava que eu iria deixar-lhes quase mil euros em despesas e encargos mensais como casa e outros”, relata.

Agora, com 37 anos de idade, o diácono Rafael Rocha será ordenado sacerdote na sua cidade natal, depois de ter ficado impressionado com as palavras do bispo diocesano, D. Manuel Quintas, que lhe falou da falta de sacerdotes na região.

 “Não sou eu que decido o momento porque, cada vez mais, sinto que ser ordenado é obra de Deus e não minha. Eu, simplesmente, disponibilizo a minha vida com as minhas fraquezas, pecados, qualidades e defeitos”.

 

+ Natural de Monchique, o diácono José Chula tem 26 anos e sentiu o chamamento para o sacerdócio há oito, num caminho que se foi construindo com a ajuda dos mais próximos.

 “Havendo falta de padres percebi que o Senhor me chamava a dar o meu contributo para colmatar essa falta. Sei que é com orgulho que a minha família me verá ser ordenado padre, mas nunca senti a mais pequena pressão nesse sentido”, refere ao jornal ‘Folha do Domingo’.

 
Testamento de um jovem Imprimir e-mail

Morte, perdão, oração, guerra

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Ghasibé Kayrouz, jovem cristão libanês, de vinte e dois anos de idade, seminarista, morreu assassinado na noite de Natal entre Balbeck e Nabha, quando se dirigia para a sua aldeia natal, para passar as festas com a sua família. Antes de empreender viagem, teve o pressentimento de que o iam matar, e redigiu uma carta que, mais tarde, viria a ser encontrada em sua casa, em Jammour.
Eis algumas passagens deste emocionante texto de um jovem cristão que sente de perto a morte...

«Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.
Ao começar a escrever este testamento, é como se outra pessoa estivesse a ocupar o meu lugar. Todos, libaneses ou residentes no Líbano, estamos hoje em perigo. Eu sou um deles. Vejo-me assaltado e assassinado no caminho que deveria conduzir-me à minha aldeia de Nabha. E para o caso de este pressentimento chegar a tomar-se realidade, quero deixar algumas palavras à minha família, ao povo da minha aldeia, a todos os habitantes do meu país. A minha mãe e irmãs, digo com toda a certeza: não fiquem tristes ou, pelo menos, não chorem nem se lamentem demasiado. Esta ausência, por muito longa que seja, será sempre curta: voltaremos a encontrar-nos na morada eterna do céu. Não temam: a misericórdia de Deus voltará a reunir-nos.
Tenho apenas um pedido a fazer-vos: perdoai de todo o coração aos que me matarem. Peçam comigo que o meu sangue, embora seja o sangue de um pecador, sirva de fiança pelos pecados do Líbano. Que ele se misture com o sangue de todas as vítimas que já caíram, seja qual for o seu signo ou a sua confissão religiosa; ofereço-o como preço da paz, do amor e da compreensão, que desapareceram neste país e, inclusivamente, no mundo inteiro. Que a minha morte ensine aos homens a caridade; que Deus vos console; cuide de vocês, vos ajude na vida... Não tenham medo. A única coisa que me entristece é que vocês se entristeçam. Rezem, rezem, rezem e amem os vossos inimigos.
Ao meu país, digo o seguinte: os habitantes da mesma casa podem ter pareceres diferentes, mas não se odeiam; podem zangar-se uns com os outros, mas sem se converterem em adversários; podem discutir, mas não se matam. Lembrem-se dos dias antigos, de compreensão e de caridade; deixem que caiam por terra a cólera e os confrontos. Juntos bebemos, comemos e trabalhámos; juntos elevámos a nossa oração ao único Deus; juntos caminhámos para a morte. O meu pai tinha como sócio um muçulmano. Viveram como sócios durante setenta e cinco anos, sem nunca quebrar o seu contrato nem fazer contas.
Lembrem-se disto: há alturas em que é impossível pedir cem libras emprestadas ao próprio irmão e, então, bastar ir ter com algum homem da aldeia, a ele muçulmano, maronita, sunita ou druso, que vos tirará de apuros. Isto não é novidade para ninguém, todos nós o sabemos; no entanto, o pecado cegou-nos.
Cada qual tem de se voltar para a oração, segundo a sua própria fé e a sua própria consciência, para que Deus elimine a cólera e para que os projectos dos poderosos deste mundo sejam reduzidos a pó sobre o solo deste país, que não deve pagar com o seu sangue as suas maquinações.
No céu eu não terei repouso enquanto durar esta situação no Líbano!
Fazei o meu funeral como se fosse o dia da minha ordenação sacerdotal, que seja um dia de enterro ou de tristeza. No que se refere ao meu enterro, que o padre Butros celebre a missa sem assistência numerosa de outros sacerdotes e sem lho comunicar oficialmente. E se Abou-KhaIil pudesse fazer-me o féretro com as tábuas de algumas caixas velhas, sentir-me-ia muito contente. Nada de banquete de enterro. Que as pessoas me perdoem..., não quero tiros nem balas; com efeito, eu sou pó; mas a força de Deus tornar-me-á participante da vida divina…
As pessoas falarão, mas não lhes dêem importância alguma. Mesmo que alimentassem um pouco de piedade, não deixariam de se matar umas às outras e não permitiriam que os lobos fossem melhores do que nós. Como se enganam!».

 

 

 

 
Dinho, um rapaz angolano Imprimir e-mail

 

Dinho, da rua ao futuro: ‘Basta e não volto atrás’

 

O testemunho de um rapaz angolano. Vindo de um passado difícil, mudou de vida.

 

Em pequeno não conheci o meu pai, que tinha outra mulher e foi para a guerra. Minha mãe juntou-se com outro homem, que foi meu padrasto. Sofri muito eles: os dois batiam-se muito. Um dia achei o meu verdadeiro pai. Tinha 4 anos e fugia às escondidas para o ir visitar. Mas quando chegava a casa, a minha mãe batia-me.

Durante algum tempo fui à escola. Mas depois, cansado de apanhar e ver brigas, fugi de casa e andei pelas ruas de Luanda, e ali fiz amizades com outros rapazes: dormia ao relento sobre um papelão, à chuva e ao frio. Vestia roupa suja e comecei a cheirar a ‘gasolina’ . Depois, para comer e vestir-me juntei-me a um grupo de gente crescida que me obrigavam, a mim e aos da minha idade, a pedir esmola em seu lugar: se não conseguíssemos, castigavam. Às vezes de noite a polícia acordava-nos e obrigava a limpar os locais da estação e a lavar carros... E também nos castigava.

Estava cansando desta vida. E ali encontrei Dom Bosco através dos salesianos. Um padre salesiano e alguns voluntários vinham todas as semanas: jogavam connosco, projectavam-nos filmes sobre Jesus Cristo e sobre a vida de D. Bosco; aconselhavam e convidavam-nos a deixar a rua e ir ao Centro Juvenil. Cansado de sofrer, eu e um meu amigo fomos ao Centro D. Bosco. E fomos recebidos com afecto. Fiz o curso de alfabetização e comecei a praticar desporto, e a dar passeios. Hoje a Lucrécia, nossa cozinheira, faz também de nossa mãe; e os nossos educadores são nossos irmãos porque nos corrigem.

Reconciliei-me com a minha mãe. Aprendi a rezar e gosto dos cantos que nos ensinam. Comigo há mais 20 colegas. O nosso sonho é aprender um ofício para ganhar a vida no futuro.

Tenho um amigo melhor: chama-se Eliseu e com ele sinto-me bem. Gosto de rezar e todos os dias peço a Jesus e a Nossa Senhora que me ajudem a não voltar à rua, e também peço pelos meus colegas, a quem procuro ajudar. Agradeço a D. Bosco e a todos os meus educadores pelo bem que me fizeram.

 
Sou Frei Tomás e vim aqui para ser santo! Imprimir e-mail
"Sou frei Tomás e vim aqui para ser santo!"  

 

Desde jovem, Francesco Antonio Placidi - este é o seu nome de baptismo – conhecia os Frades Menores do convento de São Francisco da sua cidade natal, Cori, na província de Latina, ao sul de Roma. Perdeu a mãe e o pai com a idade de 14 anos, e antes de escolher a vida religiosa tomou conta das suas duas irmãs mais novas.

Depois que as irmãs se casaram, o futuro santo entrou, em 1677, na ordem dos franciscanos, e foi enviado para o Mosteiro da Santíssima Trindade em Orvieto (província de Perugia) para o noviciado.

Ordenado sacerdote em 1683, o irmão Tomás de Cori foi conhecido como o fundador dos "retiros" de São Francisco em Civitella (agora Bellegra, perto de Subiaco) e de São Francisco em Palombara Sabina, ambos na região Lazio, Itália. À chegada em 1684 ao humilde convento de Civitella, apresentou-se com a seguinte frase: "Sou frei Tomás de Cori e vim aqui para ser santo!”

Com a excepção de seis anos como guardião do convento de Palombara, o irmão Tomás de Cori passou o resto da vida em Bellegra. O seu nome está relacionado com a redação das Constituições dos Retiros por ele fundados. Conservadas em Bellegra, as regras escritas pelo irmão Tomás foram ampliadas em 1756 pelo Capítulo Geral de Múrcia a todos os Retiros da Ordem dos Frades Menores.

Em particular, o mais marcante na sua espiritualidade é a centralidade da Eucaristia. Durante 40 anos, a sua vida de oração foi caracterizada por uma total ausência de consolo “sensível”, que, segundo os seus biógrafos, foi vivida pelo futuro santo com grande serenidade.

O seu incansável apostolado ao serviço do povo e dos pobres da região Lazio e especialmente na área de Subiaco rendeu-lhe o apelido de "o apóstolo de Subiaco." Notável também foi o amor demonstrado para com os seus irmãos.

Frei Tomás morreu em 11 Janeiro de 1729 com a idade de 74 anos. Foi beatificado em 1786 pelo Papa Pio VI, e canonizado pelo Papa João Paulo II em 21 de Novembro de 1999. Para João Paulo II – que o definiu como "verdadeiro discípulo de São Francisco de Assis" - toda a vida de Frei Tomás de Cori "foi um sinal do Evangelho, testemunha do amor do Pai Celestial, revelado em Cristo e operante no Espírito Santo, para a salvação do homem”.

 
História de Patrick: da rua à universidade Imprimir e-mail

 

Quénia - História de Patrick: da rua à universidade

 

Ver-se, aos seis anos, sem pais, maltratado pelos parentes, e com a responsabilidade de cuidar dos irmãos mais pequenos: é, infelizmente, a situação ideal para se decidir a viver pelas ruas. Foi o que aconteceu a Patrick, que entretanto teve a sorte, grande, de achar quem lhe desse a possibilidade de voltar a sonhar. Vejamos a sua história.

O meu nome é Patrick Ngugi Gichuhi. Nasci em 1986 de uma família muito humilde. Sou o primeiro de seis filhos: tenho três irmãos e duas irmãs. Dispunha de uma linda família  que cuidava muito de nós. E mais importante ainda: eu sonhava. Sonhava como qualquer outro rapaz que tem uma família que o possa ajudar a realizar os seus sonhos. Entretanto, todos eles acabaram por se desvanecer com o passar de poucos anos...

Em 1991 os meus pais separaram-se: o meu pai era traficante de droga, passando a maior parte do tempo na cadeia, em vez de tomar conta da família. A minha mãe, depois de toda uma série de esforços para o convencer a mudar de profissão, chegou a um ponto de não mais volta: e foi-se embora, deixando-nos a todos nós.

O meu pai decidiu levar-nos à nossa casa de campo, em Nyeri, onde tínhamos parentes pelo lado de minha mãe; mas porque o pai não tinha com eles bom relacionamento, em vez de nos levar directamente ao meu avô, simplesmente nos descarregou numa cidade vizinha, Kiganjo, encarregando-me de cuidar dos meus irmãos e de encontrar os meus parentes.

Depois de algum tempo achei quem me ajudou a encontrá-los. Mas, para minha grande surpresa, eles não foram nada hospitaleiros connosco. Além disso, havia maus tratos que se repetiam…. Não nos consideravam da família: viam-nos como um peso. Por tudo isto em 1992 eu e o meu irmão menor, deixámos Nyeri e fomos a Karatina, de onde depois de poucos dias partimos para Nairóbi. Ali nos tornámos ‘meninos de rua’.

Decidimos viver, mendigar, comer, e dormir sempre na rua. Isto durou dois anos. Em 1995 fomos presos como… parqueadores abusivos e enviados a um centro para a infância, em Kabete. Depois de um ano, porque ninguém veio interessar-se por nós, o Ministério Público perguntou-me o que desejava fazer. Eu tinha ouvido falar, através de alguns rapazes, de um lugar chamado ‘Dom Bosco’, onde as crianças podiam ir à escola, receber comida e roupa, e, sem vacilar, disse que queria ser adoptado por Dom Bosco.

Fui recebido pela comunidade salesiana de Nairóbi-Kariua, uma das sedes do programa “Bosco Boys”; e retomei os estudos. Dali, graças aos meus bons resultados escolares, fui inserido no primeiro grupo que, da escola salesiana, passava às escolas públicas de grau superior, completando todos os níveis e chegando, com a graça de Deus, até conseguir o Láurea em ‘International Business Administration’ (Administração Internacional de Empresas) com especialização em Finanças.

Sinto uma profunda gratidão pelos Salesianos de Dom Bosco por seu empenho e determinação em ajudar jovens como eu a dar uma guinada na vida. Agradeço também a todos os benfeitores e protectores. Mas sobretudo agradeço ao nosso bom Senhor Jesus Cristo, que me concedeu obter estes meus sucessos na vida.

 
Eu era católica e Deus converteu-me Imprimir e-mail

  

EU ERA CATÓLICA E DEUS CONVERTEU-ME

 

 A história de uma jovem cuja vida foi transformada pela infinita misericórdia do Senhor.

 

Em Setembro completei o meu primeiro ano de conversão. Se eu era ateia, protestante ou budista? Definitivamente não, talvez fosse o tipo mais difícil de converter: eu era católica.

Fiz uma experiência muito forte do amor de Deus. Quero contar o que me aconteceu e especialmente destacar o papel de um Padre em tudo isto. Em 2012, fui morar no Rio de Janeiro: o emprego dos sonhos, lá teria a minha casa, muitos ideais na cabeça, coração a bater forte e desejoso de aventuras e novas histórias... Quando lá cheguei foi tudo BEM diferente. O dono do escritório começou a rivalizar fortemente comigo e demitiu-me exatamente um mês depois, sem me conseguir apontar o motivo razoável. Ao mesmo tempo o meu namorado, lindo, inteligente, que tocava viola, também resolveu abandonar-me. De alegrias, a minha vida passou a um inferno dos mais dantescos. Fui para casa, comprei os acessórios, enchi a despensa, tratei das plantas... Aquela cena que se ensaia mil vezes desde a infância, mas eu pensava que teria um gosto diferente, que estaria em segurança, tudo daria certo e eu seria feliz. Mas o gosto era TÃO AMARGO... Não se parecia em nada com a doçura que essas ideias românticas de felicidade prometem. Então, o vazio tomou conta de mim de forma avassaladora. O meu coração ardia de vontade de me confessar. Procurei o pároco da linda Igreja de São José, o Revmo. Padre André, sacerdote jovem que tinha acabado de voltar dos estudos em Roma. Sentei-me no banco, nem o conhecia, e comecei a contar os meus pecados. Só que desta vez, irritada por tantas coisas que eu já não entendia, disse ao Padre num surto de sinceridade que eu não me arrependia porque "eu não concordava". O Padre calmamente disse: "Minha filha, então eu não te posso absolver. Sem o arrependimento sincero e o compromisso de não buscar mais esses caminhos de nada vale a confissão. Quer um conselho? Pare de sofrer. Saia da Igreja já que ela não te satisfaz, mas não selecione apenas as partes que te agradam e ainda diga que é católica. Não existe isso de não concordar e fazer o que se quer, seja honesta e saia. Outra opção é você buscar as respostas das suas dúvidas no Catecismo e obedecer ao Papa. Desta forma você vai ser de facto uma católica. Como está, você não o é". Eu fiquei atónita. NUNCA tinha ouvido UM Padre sequer, dizer aquilo. Ele disse mais outras coisas específicas para cada pecado que eu tinha cometido e especialmente para aqueles dos quais que eu não me arrependia. Foi TÃO CLARO que não tive modo de eu defender as minhas ideias, era óbvio que eu tinha construído um muro de retórica para me defender e legitimar as minhas más escolhas e vícios. Até àquele ponto eu tinha vivido como a maioria, de um modo muito simplista: se eu extinguisse a culpa, o erro não seria meu. De um jeito que eu não sei explicar, eu disse ao Padre que eu me arrependia. E disse isto com toda a minha alma e entendimento. Recebi ali uma cura incrível que jamais vou conseguir explicar. Passei a amar o Papa com TODAS AS MINHAS FORÇAS e fiquei muito curiosa em relação ao Catecismo e aos Evangelhos, parecia que tinha passado muito tempo exilada, sentia saudade da Vida porque estando tão distante de Deus eu tinha-me afastado de mim mesma e esquartejado corpo, alma e espírito em pequenas e indecifráveis partes que não faziam sentido por elas mesmas ou em conjunto. Eu tinha desenvolvido um soberbo exo-esqueleto de pretensa "razão" e por ele me sustentava. O meu corpo físico e místico estava em frangalhos dentro daquela dura casca de superficialidade. Depois disto voltei aos Sacramentos, à Missa ao Domingo, à Adoração... Mas, quase não conseguia levantar-me da cama, fiquei doente e sem forças por muitas semanas. Eu só me levantava para comprar comida às vezes e para ir à Igreja. Levantar um braço doía muito. Eu não quis contar à minha família ou amigos o que tinha acontecido. Sentia uma mistura de choque, medo, raiva, tristeza, indignação, revolta, pânico, culpa, vergonha... Tive anorexia. Anemia. Problemas de estômago. Infecções alimentares. Dores fortes no corpo todo. Depois de uns dois meses consegui sair de casa para fazer desporto. E adquiri o hábito de caminhar junto ao rio, rezando o Terço. As pessoas olhavam curiosas achando engraçado uma jobem com visual moderno de roupa de ginástica a caminhar com o Terço na mão. Eu queria fazer lembrar as pessoas que sempre têm tempo para rezar o Terço. Não há desculpa. Então passei a participar do dia-a-dia da Igreja e fiz novos amigos, já que os primeiros, do escritório, nunca me ligaram nem para saber se eu estava viva ou precisando de alguma coisa. E o tal namorado ainda fez questão de me esfregar outra garota na cara o mais que pôde. De que tinha valido tanta lua cheia, viola e romance? Nem respeito por mim ele conseguia ter! Naquela solidão radical eu fiquei a pensar no que eu tinha por valores, quanto tempo eu gastava dando satisfações às outras pessoas, por que eu superestimava ser a "fofa, querida, gracinha" na boca dos outros e de que isto me valia no final de contas... Qual era o sentido da minha vida, afinal? O meu dinheiro estava no limite. Às vezes eu tinha de racionar o pão. Tudo estava muito estranho... Tudo em que eu acreditava se tinha transformado em fumaça. Nenhuma das minhas velhas teorias poderia explicar ou me socorrer naquela nova situação. Mas fiquei doente por mais muito tempo, sempre alternando "estiagens" e vontade de fazer as coisas. Nestas minhas temporadas na cama eu buscava coisas para ver, para me encorajar... Já que eu não queria conversar com as pessoas e ter de explicar o que nem eu mesma compreendia. Foi numa dessas, naqueles vídeos relacionados que eu achei um outro Padre. Vi um vídeo, gostei, mesmo que ele me parecesse "duro demais" e até mesmo fanático. Mas havia algo diferente naquele Padre: ele tinha AUTORIDADE. Digo isto não somente pelo incrível domínio teórico e por citar as fontes e documentos oficiais com precisão, mas era outro tipo de autoridade, aquilo só poderia ter sido dado pelo próprio Deus. Eu entendi isto com a alma, mais que apenas com a razão, por isso ele convenceu-me. Estou muito grata a Deus também por me ter enviado este Padre para me ajudar e a muitos como eu. Nós só amamos verdadeiramente aquilo que conhecemos, então este Padre tem o carisma de alimentar a nossa fé através do conhecimento.

Muita gente prende-se apenas ao plano teórico e continua a ser um descrente com muitas informações. Discutem, posicionam-se, mas não amam ou vivem aquilo de que falam. É importante usar o conhecimento como uma poderosa ferramenta vivificadora da fé. Às vezes é preciso ver uma foto para entendermos uma determinada situação, este Padre revela-nos através de "imagens teóricas" o que vemos com pouca definição.

Hoje rezo com mais fé porque entendo que tem real importância e valor, mesmo com os meus limites. Também sinto mais paz e segurança porque este conhecimento otimizou o meu tempo de oração: entendo o que devo temer e o que não, isto muda muito o foco. Passei cinco meses sem trabalho, e finalmente voltei para minha casa. Vivi um tipo de retiro espiritual onde eu menos poderia imaginar... Voltei outra, menos ruidosa, mais obediente, estudiosa, centrada, vendo as necessidades alheias e sobretudo FELIZ!

Eu entendi que o Amor é a origem da própria vida, ou seja, é a alma do próprio Deus. O amor humano é a sua imagem e semelhança. Felicidade é uma escolha definitiva pelo Amor. E a alegria é a consequência de tudo isto! Hoje eu consigo trabalhar melhor que antes, viver a minha vida e sonhos com a certeza de que Deus sonha e realiza tudo comigo. Ajudo e amparo muitas pessoas com as coisas que aprendi estudando, sofrendo e rezando. Aprendi o valor da penitência, intercessão, fé e, sobretudo, da obediência.

Para ser livre é preciso ter regras. Se não as tens, és escravo dos teus sentidos e ignorância. A santa obediência ensina muito aos que buscam a humildade e a ela se submetem. Muitos dos meus amigos inteligentíssimos não compreendem a Deus porque os seus ricos vasos estão sempre cheios, e dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Deus espera que nos esvaziemos de nós mesmos para poder entrar. Ele não nos invadiria nem para nos salvar. Este é o verdadeiro sentido da liberdade que Ele nos deu. Uma profunda fé em Deus coloca TUDO em justa perspectiva. Depois que o centro se alinha, as coisas tomam os seus devidos lugares e proporções. L.B.

 
Wanda Wojtasik e São João Paulo II Imprimir e-mail

Wanda Półtawska: do campo de concentração até São João Paulo II

 

No início da Segunda Guerra Mundial, Wanda Wojtasik, uma católica polaca de 17 anos, juntou-se à resistência. A Gestapo apanhou-a, torturou-a para lhe arrancar os nomes dos companheiros e, como não conseguiu, fecharam-na no campo de concentração de Ravensbrück, juntamente com centenas de milhares de outras mulheres, amontoadas num recinto incrivelmente pequeno para tanta gente, obrigadas a trabalhar até à exaustão, muitas vezes com neve. A maioria delas morreu, mas o número total foi sempre em aumento, por causa do afluxo de novas prisioneiras. Perdiam tudo, até o nome, substituído por uma matrícula.

A 7709 passou pelas torturas extravagantes de Ravensbrück. Uma das piores era o pavilhão das lésbicas, onde algumas prisioneiras descontroladas agrediam as outras e se exibiam, enlouquecidas. Impressiona que as crianças fossem um dos alvos e impressiona a reacção da maioria das prisioneiras (a maioria católicas praticantes), agarradas à oração, no meio daquele delírio de violência e degradação.

A 7709 foi também escolhida para servir de «Kaninchen» (cobaia, na linguagem macabra de Ravensbrück). Partiam os ossos às «Kaninchens», infectavam-lhes as feridas com madeiras e trapos sujos (não vale a pena adiantar pormenores) e a seguir ensaiavam medicamentos novos, a ver quem resistia. Muitas não aguentavam e as que sobrevivessem deveriam ser mortas. Neste ponto da história, aconteceu um momento sublime de ternura. A multidão das prisioneiras de Ravensbrück, que morria de fome e de frio, pediu clamorosamente que poupassem as «Kaninchens» e – mais estranho ainda – as SS aceitaram o pedido. Em 1945, quando os soviéticos chegaram, a 7709 foi libertada.

Demorou muito tempo até a 7709 se habituar a ser novamente Wanda. As dores atrozes e os pesadelos ficaram para sempre. Casou-se com o Prof. Andrzej Półtawska, com quem teve 4 filhas, e ainda arranjou força para fazer o curso de medicina e especializar-se em psiquiatria.

Lembrei-me desta mulher quando li a mensagem do Papa Francisco neste Natal: «o meu pensamento vai para todos as crianças que hoje são mortas e maltratadas... antes de verem a luz, privadas do amor generoso dos seus pais e sepultadas no egoísmo de uma cultura que não ama a vida».

Em plena ditadura comunista, Wanda Półtawska comparou o drama do aborto com o Holocausto, deixando as comunistas polacas de cabeça perdida. E, em vez de voltar atrás, insistiu: «como é que dizem defender a liberdade da mulher e condenam à morte os seres mais indefesos que existem no mundo? O número de abortos realizados no planeta é aterrador e ultrapassa em muito o número de vítimas de todas as guerras».

Wanda viu recém-nascidos serem atirados para os fornos de Ravensbrück e prometeu a si mesma que, se sobrevivesse, estudaria e trabalharia para defender a vida humana.

O encontro de Wanda com o Padre Karol Wojtyła foi decisivo e durou para sempre. Quando não podiam encontrar-se, trocavam cartas, que Wanda Półtawska reuniu, com considerações suas, num volume intitulado «Diário de uma Amizade» (publicado depois da morte de João Paulo II, editado em português pela Paulus). Os textos centram-se na Eucaristia e na importância da oração. Há também cartas muito interessantes sobre o sentido do sofrimento e a santificação da vida familiar e profissional. O prólogo é do marido, Andrzej Półtawska.

A intensa amizade desta família com Karol Wojtyła inclui muitas colaborações e alguns favores curiosos. Em 1962, quando o Bispo Wojtyła estava em Roma para o Concílio Vaticano II, Wanda foi internada no hospital com cancro. O marido preveniu Wojtyła por telegrama e este escreveu uma carta ao Padre Pio de Pietralcina, um franciscano com fama de santidade, para que pedisse a Deus o milagre. A cura foi total e inexplicável, e o Bispo Wojtyła voltou a escrever ao Padre Pio, a agradecer-lhe a oração.

 
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O menino que foi enforcado três vezes

 

Estamos na Palestina, pátria de Jesus, onde se disse a primeira Missa e os Apóstolos fizeram a sua primeira comunhão…

E que é hoje a Palestina? Terra de poucos católicos.

Um menino cismático de oito anos começou a sentir-se atraído à religião dos católicos, aos seus cantos e festas que lhe contavam os companheiros.

Um dia quis ir ver. Com muito segredo, por temor dos pais, assistiu à missa numa capela.

Ficou encantado. Depois da missa continuou ali com as crianças da catequese. Terminada a cerimónia, o Padre, que não o conhecia, aproximou-se dele para saudá-lo carinhosamente.

O corado estava ganho, e o menino, às escondidas, continuou a ir à missa todos os domingos. Um dia, porém, o pai descobriu-o e perguntou-lhe:

— Tu estiveste com os malditos católicos?

— Sim, pai.

— Eu não te tinha proibido?

— Sim, senhor.

— Jura-me que não voltarás lá?

— Não posso, pois no meu coração, eu sou católico.

— Então não juras?

— Não, senhor.

— Enforcar-te-ei…

— Pode enforcar-me.

Passou o bárbaro uma corda a uma viga do teto e o laço ao pescoço do filho e puxou-o para cima.

Quando os pezinhos do menino deixaram de mover-se, o pai desceu-o, soltou o laço e, vendo que ainda estava vivo, disse:

— Agora prometes-me não ir ter com aqueles malditos…

— Não, pai, não posso.

Segunda e terceira vez repetiu o pai o cruel suplício, mas não conseguiu mudar o propósito do menino.

Disfarçando, então, a sua cólera, tentou o bárbaro pai, outros meios.

Tomando nos seus braços o corpo extenuado do pobrezinho, disse:

— Mas, meu filho, tu não me amas?

— Amo-o, pai.

— Como é, pois, que não me queres obedecer?

— É que eu amo a minha alma mais do que ao meu pai.

O menino, pouco a pouco, recobrou as forças e fez-se batizar, tornando-se católico.

O seu pai e a sua mãe morreram de tifo no ano seguinte e não muito depois teve o pequenino mártir a morte de um santo.

 
José Luis Sánchez Imprimir e-mail

José Luis Sánchez: um compêndio da vida cristã em apenas 14 anos 

O martírio do jovem mexicano testemunha que a santidade não é questão de idade, mas um dom da fé

A santidade não tem a ver com a idade: é um dom da fé, como mostra a história do beato mexicano José Luis Sanchez del Río, o jovem brutalmente assassinado com a idade de apenas 14 anos, vítima do ódio à fé cristã.

José Luis nasceu em Sahuayo, México, em 28 de Março de 1913, filho de Macario Sánchez e María del Río. A sua vida parece antecipar os frutos da fé de uma vida madura. Aos 10 anos, começou a realizar a sua obra de missionário da fé, ensinando os companheiros a orar e acompanhando-os à Igreja para a adoração eucarística.

Em 1926, a Igreja mexicana sofreu uma forte perseguição do governo do presidente Plutarco Elías Calles. Começou um período de ataques violentos, chamado “guerra cristera”, que foi travada pelos católicos mexicanos como reação às leis anticristãs que pretendiam eliminar os elementos básicos da vida cristã da sociedade civil.

Seus irmãos se alistaram numa espécie de exército do povo, que queria defender a liberdade religiosa. Por causa da sua tenra idade (ele tinha apenas 13 anos), José não foi autorizado a entrar nessa formação, mas, com a sua insistência, conseguiu alistar-se primeiro como ajudante de campo e, pouco depois, como porta-bandeira e tocador de trombeta no grupo do general Luis Guizar Morfin.

Distinguiu-se pelos seus atos de generosidade e humildade. Por exemplo, em 6 de Fevereiro de 1928, viu morrer o cavalo do general Luis e decidiu doar o seu ao comandante, dizendo: “A sua vida é mais útil do que a minha”.

A confirmação da sua vocação a dar a vida veio aos 14 anos, quando ele foi visitar o túmulo do beato Anacleto González Flores, assassinado como mártir por ter professado a fé abertamente. Sua oração diante do túmulo foi muito clara: “Quero ter a coragem de dar testemunho da verdade do Evangelho a ponto de estar disposto a oferecer completamente a minha vida…”.

José foi preso pelas tropas do governo, que, depois de o terem insultado, espancado  e torturado, propuseram que abjurasse a fé em troca da liberdade, uma boa quantidade de dinheiro, uma carreira militar e a oportunidade de começar uma nova vida nos Estados Unidos. José recusou todas as propostas tentadoras com o grito de “Viva Cristo Rei! Viva a Virgem de Guadalupe!”.

Seus captores exigiram um resgate para devolver o jovem vivo à sua família, mas José conseguiu convencer a mãe a não pagar nenhuma quantia de dinheiro. Sua mãe, apesar do enorme sofrimento diante do destino de José, decidiu acatar as exigências do filho e aceitar a sua vontade. No dia da sua morte, o jovem ainda conseguiu receber da tia Madalena a última Eucaristia de sua vida, como um incentivo para caminhar com confiança rumo à casa do Pai.

Naquele dia, começou a sua paixão: os soldados arrancaram a pele da sola dos seus pés, o fizeram andar sobre sal e depois levaram-no para o cemitério, escarnecido e empurrado pelos guardas durante todo o percurso. Ao longo do caminho, eles ainda lhe pediam que renunciasse à sua fé para salvar a vida. Os guardas lhe diziam: “Se você gritar ‘morra Cristo Rei’, nós salvamos a sua vida. Diga ‘morra Cristo Rei!’”. Mas ele respondia com firmeza: “Viva Cristo Rei!”.

No cemitério, os soldados fizeram-lhe o último convite à apostasia, mas ele continuou impávido a proclamar a sua fé em Cristo. O capitão, diante de mais um grito de “Viva Cristo Rei!”, matou-o com um tiro de pistola.

Os primeiros frutos deste martírio não tardaram: duas crianças, que tinham visto a barbárie dos perseguidores de José, em contraste com a fé corajosa e perseverante do menino mártir, se tornaram, quando adultos, fundadores de duas congregações religiosas.

Os restos mortais de José repousam na igreja do Sagrado Coração de Jesus de Sahuayo. José foi beatificado em 20 de Novembro de 2005, sob o pontificado de Bento XVI, durante uma missa solene celebrada em Guadalajara, no México, pelo cardeal José Saraiva Martins.

Qual é a herança deixada à Igreja pela vida deste beato? Certamente, um precioso compêndio de vida cristã vivida intensamente, ainda que em poucos anos sobre a terra. A força espiritual deste santo vinha da Eucaristia, que foi, para ele, uma fonte de graças e um exemplo de vida. Nosso tempo, marcado por um enfraquecimento acentuado da vida cristã, nos fez esquecer que a real participação no sacramento significa oferecer a própria adesão interior e dar a vida por amor a Deus e ao próximo.

A segunda característica distintiva de José é o seu constante recurso à oração, que lhe inflama o coração de amor de Deus para se deixar transformar em testemunha da caridade divina. A oração diante do túmulo de um mártir teve para ele um significado preciso: não somente de gratidão por um testemunho de autêntica vida cristã, mas também a graça de retraçar os passos vivificantes da vida do beato.

José nos lembra que a oração não é um ritual vazio, feito de fórmulas a ser repetidas mecanicamente; não é um modo de nos deixar em paz por cumprir um preceito, nem uma prática religiosa para melhorar habilidades pessoais. A oração é uma assinatura em uma folha em branco, dando a Deus o nosso livre consentimento para que Ele escreva a nossa história com a mão, utilizando as gotas de tinta dos nossos trabalhos e sofrimentos.

O último elemento da vida de José é a resistência diante de dores extremas por amor a Cristo e à Igreja. Ao contemplarmos a vida deste grande beato, fica claro para nós que a oferta de riquezas, bem-estar e poder em troca de apostasia são as mesmas tentações vividas por Cristo no deserto. José não cedeu sequer ao diálogo com seus perseguidores: ele se limitou a proclamar a realeza de Cristo e a materna proteção de Maria.

Ele professou a sua fé até o fim. E ela foi testemunhada por duas crianças que atestaram o seu martírio. A sua fé ainda é lembrada por muitas pessoas que fazem peregrinações para rezar junto ao túmulo do beato. O último ensinamento de José é que a fé de um homem que sofreu o martírio não morre, mas se multiplica, conforme o exemplo do grão de trigo que, só morrendo, dá muito fruto.

 
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