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Papa Bento XVI

 
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QUARESMA-PÁSCOA
Por que é que fazer penitência atrai o ódio do mundo moderno? Imprimir e-mail

 

Por que é que fazer Penitência atraí o ódio do mundo moderno?

 

Se há um conceito radicalmente oposto à mentalidade moderna é o da penitência.

 

O termo e a noção de penitência evocam a ideia de um sofrimento que infligimos a nós mesmos para expiar os nossos pecados ou os de outras pessoas; e nos unirmos aos méritos da Paixão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

O mundo moderno rejeita o conceito de penitência por estar imerso no hedonismo e professar o relativismo; que é a negação de qualquer bem pelo qual vale a pena sacrificar-se, exceto a busca do prazer.

 

Só isto pode explicar episódios como o furibundo ataque mediático em curso contra os Franciscanos da Imaculada; cujos mosteiros são descritos como locais de tortura, só porque neles se pratica uma vida de austeridade e penitência.

 

Usar o cilício ou gravar o monograma do nome de Jesus no peito é considerado uma barbárie; enquanto praticar o sadomasoquismo ou tatuar indelevelmente o próprio corpo é considerado hoje um direito inalienável da pessoa.

 

Com toda a força de que os meios de comunicação são capazes, os inimigos da Igreja repetem as acusações anticlericais de sempre.

O que é novo é a atitude das autoridades eclesiásticas, que em vez de defender as freiras difamadas, as abandonam ao carrasco mediático com secreto comprazimento; fruto da incompatibilidade entre as regras tradicionais que essas religiosas estão decididas a observar e os novos padrões impostos pelo “catolicismo adulto”.

 

Mesmo que o espírito de penitência tenha pertencido desde o início à Igreja Católica; como o recordam as figuras de São João Batista e de Santa Maria Madalena; qualquer incitamento às práticas ascéticas antigas é considerado hoje intolerável até por muitos eclesiásticos.

 

No entanto, não há doutrina mais razoável do que aquela que fundamenta a necessidade de mortificação da carne.

 

Se o corpo está em revolta contra o espírito (Gl. 5, 16-25), não é razoável e prudente reprimi-lo?

 

Nenhum homem está livre do pecado, nem mesmo os “cristãos adultos”.

 

Não age portanto segundo um princípio lógico e salutar quem expia os seus pecados mediante a penitência?

 

As penitências mortificam o “eu”, dobram a natureza rebelde, reparam e expiam os próprios pecados e os dos outros.

 

Se considerarmos as almas que amam a Deus, que buscam a semelhança com o Crucificado; então a penitência torna-se uma exigência do amor.

 

São famosas páginas de De Laude flagellorum de São Pedro Damião; o grande reformador do século XI, cujo mosteiro de Fonte Avellana se caracterizava por uma extrema austeridade nas regras.

 

Escrevia ele: “Quero sofrer o martírio por Cristo, mas não tenho ocasião; submetendo-me às flagelações, pelo menos manifesto a vontade da minha alma ardente” (Epístola VI, 27, 416 c.).

 

Toda reforma na história da Igreja foi feita com a intenção de reparar os males do tempo por meio da austeridade e da penitência.

 

Nos séculos XVI e XVII, os Mínimos de São Francisco de Paula praticam (e o fizeram até 1975) um voto de via quaresmal; que lhes impõe a abstenção perpétua não só de carne, mas de ovos, de leite e de todos os seus derivados; os Recoletos consomem a própria refeição no chão, misturam cinza nos alimentos, prostram-se diante da porta do refeitório sob os pés dos religiosos que entram; os Irmãos hospitalares de São João de Deus estabelecem na sua constituição: “comer no chão, oscular os pés dos irmãos, sofrer repreensões públicas e acusar-se publicamente”.

 

Análogas são as regras dos Barnabitas, dos Escolápios, do Oratório de São Filipe Neri, dos Teatinos.

 

Não há instituto religioso, como documenta Lukas Holste, que não inclua na sua constituição a prática do capítulo de culpas; a disciplina várias vezes por semana; os jejuns, a diminuição das horas de sono e de repouso (Codex regularum monasticarum et canonicarum, (1759) Akademische Druck und Verlaganstalt, Graz 1958).

 

A estas penitências “de regra” os religiosos mais fervorosos juntavam as chamadas penitências “superrogatórias”, deixadas ao critério de cada um.

 

Santo Alberto de Jerusalém, por exemplo; na Regra escrita para os Carmelitas e confirmada pelo Papa Honório III em 1226, depois de descrever o género de vida da Ordem e as respectivas penitências a praticar; conclui: “Se alguém no entanto quiser dar mais, o próprio Senhor em seu troca o recompensará”.

 

Bento XIV, que era um Papa meigo e equilibrado, confiou a preparação do Jubileu de 1750 a dois grandes penitentes; São Leonardo de Porto Maurício e São Paulo da Cruz.

 

Frei Diego de Florença deixou um diário da missão realizada por São Leonardo de Porto Maurício na Praça Navona, em Roma, de 13 a 25 julho 1759.

 

Com uma pesada corrente em volta do pescoço e uma coroa de espinhos na cabeça, o santo flagelava-se diante da multidão, gritando: “Ou penitência ou inferno” (São Leonardo de Porto Maurício, Obras Completas. Diário de Fra Diego, Veneza, 1868, vol. V, p. 249).

 

São Paulo da Cruz terminava a sua pregação infligindo-se golpes tão violentos; que com frequência algum fiel não resistia ao espetáculo e saltava no palco, com o risco de ser atingido; para deter-lhe o braço (Os processos de beatificação e de canonização de São Paulo Cruz, Postulação geral dos Padres Passionistas I, Roma 1969, p. 493).

 

A penitência foi praticada ininterruptamente durante dois mil anos pelos santos, canonizados ou não, que com suas vidas têm ajudado a escrever a história da Igreja; por Santa Joana de Chantal e Santa Veronica Giuliana, que gravaram com um ferro quente o cristograma no peito; e por Santa Teresinha do Menino Jesus, que escreveu o Credo com o seu sangue; no final do livrinho dos Santos Evangelhos que trazia sempre sobre o coração.

 

Contudo, essa generosidade não caracteriza somente as monjas contemplativas.

 

No século XX, dois santos diplomatas iluminaram a Cúria Romana:  o cardeal Merry del Val (1865-1930), Secretário de Estado de São Pio X, e o Servo de Deus Mons. José Canovai (1904-1942); representante da Santa Sé na Argentina e no Chile.

 

O primeiro usava sob a púrpura cardinalícia uma camisa de crina trançada com pequenos ganchos de ferro.

 

Do segundo, autor de uma oração escrita com sangue, o cardeal Siri escreve: “As correntes, os cilícios, as flagelações horríveis com lâminas de barbear, as feridas, as cicatrizes aumentadas pelas sucessivas lesões; não são o ponto de partida, mas de chegada de um fogo interior; não a causa, mas a eloquente e reveladora explosão desse fogo.

 

Tratava-se da clareza com a qual ele via em si e em cada coisa um meio para amar a Deus, e com a qual; no lancinante sacrifício do sangue, via garantida a sinceridade das demais renúncias interiores” (Memorial para a Positio de beatificação de 23 de Março 1951).

 

Foi nos anos cinquenta do século XX que as práticas espirituais e ascéticas da Igreja começaram a declinar.

 

O padre João Batista Janssens, Geral da Companhia de Jesus (1946-1964); interveio mais de uma vez para chamar os próprios irmãos a voltar ao espírito de Santo Inácio.

 

Em 1952 enviou-lhes uma carta sobre a “mortificação contínua”; e escrevia que jejuns, flagelação, cilícios e outros rigores deviam ficar escondidos dos homens, segundo a norma de Cristo (Mt. 6, 16-18); mas deviam ser ensinados e inculcados nos jovens jesuítas até ao segundo noviciado, chamado terceiro ano de aprovação (Dizionario degli Istituti di Perfezione, vol. VII, col. 472).

 

Ao longo dos séculos, as formas de penitência podem mudar, mas não o espírito, que é sempre oposto ao do mundo.

 

Prevendo a apostasia espiritual do século XX, Nossa Senhora em pessoa recordou, em Fátima, a necessidade da penitência.

 

Penitência não é senão a recusa dos enganos do mundo; a luta contra os poderes das trevas, que disputam com as forças angélicas o domínio das almas; e a mortificação contínua da sensualidade e do orgulho, enraizados no mais profundo do nosso ser.

 

Somente aceitando esta luta contra o mundo, o demónio e a carne (Ef. 6, 10-12); se compreende o significado da visão do centésimo aniversário que celebrámos em 2017.

 

Os pastorinhos de Fátima viram: “ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: o Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte, disse: Penitência, Penitência, Penitência!”

 
VIVER A QUARESMA Imprimir e-mail

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A QUARESMA é, no essencial do seu dinamismo espiritual, tempo de conversão. E esta devemos entendê-la no sentido paulino de METANOIA – mudança radical que englobe a CONVERSÃO da maneira de pensar, de sentir, de agir, de querer e de amar.

“Convertei-vos” foi o primeiro anúncio de JESUS CRISTO, a primeira proclamação da BOA NOVA - um ideal que exige luta, empenhamento, uma conversão ao AMOR!!!

A QUARESMA é tempo privilegiado para a ORAÇÃO, o JEJUM e a CARIDADE. Três linhas de força, três acções concretas para o nosso “plano de vida”:
- Para com DEUS – Dar mais tempo ao Senhor (Oração, Leitura da Palavra de Deus; se possível, EUCARISTIA mais frequente; Via Sacra; Adoração reparadora...)
– Para com o próximo – Serviço de esmola..., da disponibilidade.., da caridade para com todos...
– Para connosco – Jejum que é domínio de nós mesmos... Jejum de comida, de bens de consumo, de bebida..., de tabaco..., etc.
Mas “jejuar” também dos maus hábitos, dos costumes menos cristãos, de tudo quanto alimenta o meu “EU” mesquinho, o “homem velho”...

A QUARESMA é, também, tempo de Reconciliação.
Reconciliação é o caminho do perdão para uma vida nova. Diz o CONCILIO VATICANO II: “Aqueles que se aproximam do Sacramento da PENITÊNCIA recebem da misericórdia de DEUS o perdão das ofensas que LHE fizeram e, ao mesmo tempo, reconciliam-se com a Igreja, à qual infligiram ferida com o pecado, e que coopera na sua conversão com a caridade, com o exemplo e a Oração” (L.G. II).

 

 

 
CARNAVAL, CINZAS E QUARESMA Imprimir e-mail

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Olhando para o calendário, rapidamente se percebe que é a Páscoa quem rege o Carnaval: a Páscoa é celebrada no primeiro Domingo da lua cheia após o equinócio da primavera, no hemisfério Norte. O Carnaval acontece entre 3 de Fevereiro e 9 de Março, sempre quarenta e sete dias antes da Páscoa, ou seja, após o 7º Domingo que antecede o Domingo de Páscoa.

CARNAVAL
O Carnaval é uma festividade popular colectiva, cíclica e agrária. Teve como verdadeiros iniciadores os povos que habitavam as margens do rio Nilo, no ano 4000 a.C., e uma segunda origem, por assim dizer, nas festas pagãs greco-romanas que celebravam as colheitas, entre o séc. VII a.C. e VI d.C.
A Igreja viria a alterar e adaptar práticas pré-cristãs, relacionando o período carnavalesco com a Quaresma. Uma prática penitencial preparatória à Páscoa, com jejum começou a definir-se a partir de meados do século II; por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, inclusive por meio do jejum e da abstinência.
Tertuliano, São Cipriano, São Clemente de Alexandria e o Papa Inocêncio II foram grandes inimigos do Carnaval, mas, no ano 590, a Igreja Católica permite que se realizem os festejos do Carnaval, que consistiam em desfiles e espectáculos de carácter cómico.
No séc. XV, o Papa Paulo II contribuiu para a evolução do Carnaval, imprimindo uma mudança estética ao introduzir o baile de máscaras, quando permitiu que, em frente ao seu palácio, se realizasse o Carnaval romano, e corridas de cavalos, carros alegóricos, corridas de corcundas, lançamento de ovos, água e farinha e outras manifestações populares.

CINZAS
No dia seguinte, a cinza recorda o que fica da queima ou da corrupção das coisas e das pessoas. Este rito é um dos mais representativos dos sinais e gestos simbólicos do caminho quaresmal.
Nos primeiros séculos, apenas cumprem este rito da imposição da cinza os grupos de penitentes ou pecadores que querem receber a reconciliação no final da Quaresma, na Quinta-feira Santa, às portas da Páscoa. Vestem hábito penitencial, impõem cinza na sua própria cabeça, e desta forma apresentam-se diante da comunidade, expressando a sua vontade de conversão.

A partir do século XI, quando desaparece o grupo de penitentes como instituição, o Papa Urbano II estendeu este rito a todos os cristãos no princípio da Quaresma.
As cinzas, símbolo da morte e do nada da criatura em relação ao seu Criador, obtêm-se por meio da queima dos ramos de palmeiras e de oliveiras abençoados no ano anterior, na celebração do Domingo de Ramos.

QUARESMA
O termo Quaresma deriva do latim "quadragesima dies", ou seja, quadragésimo dia. É o período do ano litúrgico que dura 40 dias: começa na quarta-feira de cinzas e termina na missa "in Coena Domini" (Quinta-Feira Santa), sem inclui-la.
O sexto Domingo, que dá início à Semana Santa, é chamado "Domingo de Ramos", "de passione Domini". Desse modo, reduzindo o tempo "de passione" aos quatro dias que precedem a Páscoa, a Semana Santa conclui a Quaresma e tem como finalidade a veneração da Paixão de Cristo a partir da Sua entrada messiânica em Jerusalém.

Uma prática penitencial preparatória para a Páscoa, com jejum, começou a surgir a partir de meados do século II; outras referências a um tempo pré-pascal aparecem no Oriente, no início do século IV, e no Ocidente no final do mesmo século.
Nos primeiros tempos da Igreja, durante esse período, estavam na fase final da sua preparação os catecúmenos que, durante a vigília pascal, haveriam de receber o Baptismo.
Por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, inclusive por meio do jejum e da abstinência, marcas que ainda hoje se mantêm.
Na Liturgia, este tempo é marcado por paramentos e vestes roxas, pela omissão do "Glória" e do "Aleluia" na celebração da Missa.

''É preciso renunciar àquilo que agrada”

Desde os tempos antigos, a Quaresma foi considerada como um período de renovação da própria vida. As práticas a serem cumpridas eram, sobretudo, três: a oração, a luta contra o mal e o jejum. A oração para pedir a Deus forças para se converter e acreditar no Evangelho. A luta contra o mal para dominar as paixões e o egoísmo. Por fim, o jejum. Para seguir o Mestre é preciso ter a força de se esquecer de si mesmo, de não pensar no próprio conforto, mas no bem do seu irmão.
Assumir uma permanente atitude generosa e desinteressada é de facto difícil.
Este é o jejum. Mas pode o sofrimento ser uma coisa boa?

Como pode agradar a Deus a nossa dor? Não! Deus não quer que o homem sofra. Todavia, para ajudar o necessitado, é preciso muitas vezes renunciar àquilo que agrada, e isso custa sacrifício.
Não é o jejum em si que é bom (às vezes é feito por motivos que não tem nada a ver com religião: há quem se alimente com parcimónia simplesmente para se manter em boa forma física, para se tornar elegante, para estar com boa saúde). O que agrada a Deus é que, com o alimento que se consegue economizar com o jejum, se alivia, pelo menos por um dia, a fome de um irmão.
Um livro muito antigo, muito lido pelos primeiros cristãos, o Pastor de Hermas, explica deste modo a ligação entre o jejum e a caridade:
“Eis como deverás praticar o jejum: durante o dia de jejum, comerás somente pão e água, depois calcularás quanto terias gasto para o seu alimento naquele dia e oferecerás esse dinheiro a uma viúva, a um órfão ou a um pobre; assim tu te privarás de alguma coisa para que o teu sacrifício seja útil para alguém poder alimentar-se. Ele rezará ao Senhor por ti”.
“Se jejuares deste modo, o teu sacrifício será agradável a Deus”.
Um famoso papa dos primeiros tempos da Igreja, chamado Leão Magno, dizia numa homilia: “Nós vos prescrevemos o jejum, lembrando-vos não só a abstinência, mas também as obras de misericórdia. Deste modo, o que tiverdes economizado nos gastos normais, se transforme em alimento para os pobres”.
Quando foi instituída a Quaresma, servia também como o tempo de preparação para a reconciliação. Na Quaresma todos os cristãos são convocados a aproximarem-se do sacramento da reconciliação.

 

 

 
A QUARESMA TEMPO DE ESTAR EM FORMA Imprimir e-mail

 

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QUE É A QUARESMA? A Quaresma é o tempo de preparação para o Grande Dia da Páscoa. (Páscoa, significa PASSAR).

Para o nosso Grande Amigo Jesus Cristo, a Páscoa foi uma PASSAGEM muito difícil:

PASSAR DA MORTE À RESSURREIÇÃO, À VIDA.

Ou seja: morrer, e ressuscitar: passar a uma vida “nova”,vencendo a própria morte.

- PARA TI, a PÁSCOA pode ser PASSAR: ide ser um “qualquer” a ser ALGUÉM

+ de ser um “novato” a ser um notável

+ de “jovem velho” a jovem de ideal

+ de jovem “sem coluna vertebral” a jovem com “alma da aço”

+ de cristão de nome” a autêntico “filho de Deus”.

Jesus teve de”passar” por umas provas muito difíceis:

+ a traição de Judas + Suou sangue + Calúnias + Açoites atrozes

+ espinhos na cabeça + Paixão cruenta

Fazes ideia exacta do que tudo isto supõe?

Porém, Cristo soube e pôde superar todas as provas, incluindo a da morte. “...e ao terceiro dia RESSUSCITOU”. Aleluia! Aleluia! Vitória!

Escuta S. Paulo: “Porém, se Cristo ressuscitou, também nós ressuscitaremos...”

“Se com Ele sofremos, reinaremos com Ele; se com Ele morremos, viveremos com Ele...”

Por isso, os corajosos, aproveitam este tempo de Quaresma

- para seguir as PISTAS que nos deixou Jesus. Já sei que isso da morte te soa mal...

Porque, amigo, só é para os que querem ser semelhantes a Cristo, isto é, “CRISTÃOS”. Seguindo as pistas de Cristo, “passamos” as provas mais difíceis lutando

+ contra o egoísmo + contra a mentira + contra a preguiça + contra as grosserias + contra a impureza

+ contra o respeito humano + contra o que é falso

Um jovem cristão, valente, sabe que, se PASSA pelas muitas provas da sua vida diária, na GRANDE NOITE DA PÁSCOA, quando renovar as suas promessas Baptismais - o seu juramento de fidelidade a Cristo -, estará a renascer para uma “vida nova”, RESSUSCITANDO com Cristo. E então será: + não um “qualquer”, mas ALGUÉM

+ não um “novato”, mas um notável

+ não um “jovem velho”, mas um jovem “novo” + não um cristão “frio”, mas um cristão cheio de Deus, AUTÊNTICO.

E isto é a única coisa que vale, é o que não passa de moda, o que vale a pena conquistar...

PISTAS

Seguramente terás observado como as pessoas que valem, - os cristãos autênticos de que falámos -, durante o tempo de Quaresma, costumam deixar de fumar, de ir a espectáculos... privando-se voluntariamente de algo.

Há famílias inteiras que se privam da sobremesa, do vinho, para dar este dinheiro aos mais necessitados, nossos irmãos que sofrem, e assim preparam-se para O Grande Dia de PÁSCOA.

Tu, queres preparar a TUA PÁSCOA, queres estar em forma. Queres ser “mais homem”, como Cristo.

Aqui tens umas PISTAS. Tu acrescentarás outras...

Sê duro, sê exigente contigo mesmo durante estes dias de Quaresma - uma Quaresma jovem, dinâmica e activa -, e verás como no Dia de PÀSCOA te sentiras melhor, mais “novo” e “jovem”, mais “cristão”...

Cada manhã escolhe uma PISTA, das que te custam mais.., das que mais precisas.

Durante o dia põe-na em prática. À noite escreve num papel, com alegria:

CONSEGUI! OBRIGADO, SENHOR!


PISTAS A ESCOLHER

1 - Uma hora te silêncio na aula de...
2 - Saltar da cama ao primeiro sinal.
3 - Ajudar em casa a pôr e tirar a mesa.
4 - Rezar antes das refeições.
5 - Chegar a tudo pontualmente.
6 - Fazer em primeiro lugar o que mais custa.
7 - Falar com um companheiro antipático
8 - Farei uma confissão, bem preparado.
9 - Farei as pazes com...
10 - Comerei de tudo sem me queixar
11 - Não farei gastos inúteis.
12 - Farei uma visita a um doente,
13 - Cortarei as más conversas.
14 - Farei uma boa acção com os do meu grupos.
15 - Lerei com outros, dez minutos do Evangelho.
16 - Ajudarei na limpeza da casa.
17 - Farei uma visita a Jesus, sozinho ou com outros.
18 - Orientarei esta noite o Terço em casa.
19 - Dar uma alegria aos pais. Escolhe qual.
20 - Cumprir o que prometi a...ou em...
21 - Acabar o trabalho que comecei...
22 - Fazer sorrir a1gum, hoje.
23 - Não verei aquele programa na TV.
24 - Lerei um livro sobre Jesus Cristo (A Bíblia, por exemplo).
25 - Falarei a alguém sobre Nossa Senhora.

Para cumprires bem o que te propuseste fazer, no esqueças o que nos disse o nosso Grande Amigo,

JESUS CRISTO: ”Sem mim, nada podeis fazer”

Coragem, amigo, e terás a melhor PÀSCOA da tua vida!

 

 

 
Jesus ensina a vencer as tentações Imprimir e-mail

JESUS ENSINA A VENCER AS TENTAÇÕES!

 

Antigamente, a Quaresma era o período durante o qual, através da penitência e da provação, os catecúmenos se preparavam para receber o batismo na noite de Páscoa ou àqueles que tinham cometidos pecados graves e públicos se preparavam para retornar ao seio da sua comunidade cristã, chamavam-se “penitentes”.

 

A Liturgia sempre coloca Jesus no Evangelho do Primeiro Domingo da Quaresma vencendo as tentações do Demónio (cf. Mc 1, 12-15; mais detalhista é o Evangelho de Mt 4, 1-11). O Nosso Senhor e Mestre não só vence, mas dá-nos as dicas para vencer também o nosso inimigo e as tentações pequenas e grandes que enfrentamos todos os dias. O objetivo desta reflexão de hoje será avaliar a nossa defesa e aumentar as nossas resistências frente às tentações e celebrar a vitória com o Senhor Jesus. JESUS NOS ENSINA A VENCER AS TENTAÇÕES!

 

O Senhor derrotou o inimigo através da Docilidade ao Espírito Santo, pois “no deserto, ele era guiado pelo Espírito”, da Palavra: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem”; da Oração: “Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus”; do Jejum: Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome”, e pela Adoração: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás”. Exercendo a Sua autoridade que vinha de uma vida coerente e santa. Isto fica bem claro na leitura deste Evangelho.

 

De maneira semelhante como o antigo povo de Israel partiu durante quarenta anos pelo deserto para ingressar na terra prometida, a Igreja, o novo povo de Deus, prepara-se durante quarenta dias para celebrar a Páscoa do Senhor. Embora seja um tempo penitencial, não é um tempo triste e depressivo. Trata-se de um tempo especial de purificação e de renovação da vida cristã para poder participar com maior plenitude e gozo do mistério pascal do Senhor.

 

Jesus Cristo dando inicio a caminhada do Novo povo de Deus se dirige ao deserto como lugar de encontro com Deus, lugar de recolhimento, onde Ele se revela, onde se escuta Sua Palavra. E diferente do antigo povo da Aliança que sucumbe a tentação, se revolta, tem saudade das cebolas do Egito, onde eles tinham o que comer, mas eram escravos.

Jesus vence a tentação, vence o demónio pela oração, pelo jejum através da Palavra e da Obediência ao Pai.
 
Preparar a Páscoa Imprimir e-mail

PREPARAR A PÁSCOA  


A Quaresma caminho para a Páscoa, caminho que deve conduzir à Ressurreição, à Vida Nova. Por isso a Quaresma exige da nossa parte o esforço da conversão, a intensidade de ascese para que se realize a mudança necessária, o desejo generoso que dinamize o nosso ser para que nos abramos ao espírito que salva e converte, purifica e cura, transforma e cristifica. Para isso a Quaresma deve ter várias frentes de acção rumo à Páscoa.


Io Para com Deus, mais (melhor) oração. A Quaresma tem de ser um tempo forte de oração, de silêncio, de deserto, de mais intensidade de comunhão com Deus, de leitura da Palavra, de meditação, da escuta do Senhor. Não só o "mais", mas também o "melhor", ou seja, dar melhor, qualidade à oração que já fazemos, intensificar o nosso esforço de atenção, de escuta, de amor, de diálogo que nos apanhe, por dentro, o coração.


2o Para com o próximo, mais caridade. A santidade mede-se pelo amor. Converter-se tem de ser sempre amar mais e melhor. Só quem ama vive em Deus e com Deus. Quanto mais caridade, quanto mais obras concretas de amor ao próximo, mais conversão e mais santidade. O grande esforço da nossa Quaresma tem de ser este. Se rezamos é para amar mais, para amar melhor, para sermos mais fiéis no amor. Que vamos fazer? Como dimensionar na vida esta atitude de amor fraterno? Qual a dimensão, o sector que mais precisa? Que vamos nós intensificar?


3o Para connosco, mais penitência. Mas a melhor e mais eficaz penitência é aquela que nos leva a rezar melhor e a amar mais. Passar um dia sem criticar é, talvez, maior penitência que jejuar. Mas é mais eficaz mais fecundo. Não ver televisão para poder rezar, ler a Escritura, é maior penitência que fazer abstinência. Qual será então o estilo de penitência que vai ajudar-nos a uma vida mais orante e mais caridosa? Jejuar da crítica, da televisão, do prazer, do comodismo... Abster-se do que me afasta de Deus, me tira tempo para Ele, do que me impede de amar mais.


4o Reconciliados com o Pai. O sacramento da Reconciliação é a grande festa de Deus, que perdoa, acolhe; abraça, beija, acarinha o filho pecador que volta a Casa. A Quaresma apresenta-se como verdadeiro espaço e tempo de Reconciliação amorosa com o Pai. E precisamos de trazer os outros ao encontro do Pai de Misericórdia. Que belo apostolado da nossa Quaresma, que boa maneira de amar e de fazer penitência.

 


O Pai espera-nos. Vamos ao seu encontro. O Espírito Santo quer ajudar-nos, neste caminho em que, reconciliados com o Pai, celebraremos a Páscoa do Senhor Ressuscitado, ressuscitando com Ele. Só assim haverá verdadeira Páscoa, verdadeira passagem. Eis o grande desafio que nos é proposto... Que resposta, fiel e generosa, vai dar cada um de nós? Que programa de Quaresma vamos fazer pessoal e em família?

 
PORQUE NÃO! Imprimir e-mail

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Estamos na Quaresma. Estamos convidados à oração e à penitência. Há gastos que poderiam beneficiar necessitados, há programas de televisão que se poderiam dispensar, conversas inúteis e até menos dignas, que se podiam evitar.
Talvez mais silêncio e reflexão, mais ajuda moral e espiritual aos irmãos mais esquecidos de Deus. Mais perdão aos que nos ofendem, mais paciência em aceitar as contrariedades. Menos tempo gasto em coisas desnecessárias, e melhor aproveitamento do que temos. Menos pecados e mais penitência por aqueles que fizemos no passado, mais atenção à Palavra de Jesus Cristo – Caminho, Verdade e Vida – e menos ouvidos à palavra sem sentido e até ofensiva à dignidade humana. Menos orgulho e mais humildade. Menos distraídos e mais atentos. Menos atenção às coisas deste mundo e mais preocupação por aquelas que nos garantem felicidade no Céu.
Jesus respondeu ao demónio: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem de Deus. (Mt 4,1-5).
Quaresma, tempo de paragem, reflexão e reconciliação com Deus e com os irmãos.

 

 

 
CURE-SE PELA QUARESMA Imprimir e-mail

1 — Não tem tempo para nada?
Dizer isto pode ser uma infantilidade.
Dê todo o tempo a Deus: “Procurai antes o seu Reino, e o resto ser-vos-á dado por acréscimo”. (Lucas 12, 31)
2 - Comove-se com crianças esqueléticas na Tv?
Converta em acção a sua emoção: Destine uma percentagem do seu ordenado a instituições missionárias.
3 - A sua consciência não está tranquila?
Confesse-se com humildade, entregue a Deus os seus pecados e comece tudo como na pureza da infância.
4 - O stress tomou conta de si?
Ajoelhe, de manhã e à noite, leve o rosto até ao chão, e diga durante três minutos:
“Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-Vos; peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.
Termine com uma Avé-Maria ou a consagração a Nossa Senhora.
5 - Em sua casa não há diálogo?
Seja pontual às refeições em família.
Conquiste os filhos para fecharem a televisão.
No fim da refeição rezem a oração de vésperas.
6 -Tem demasiado peso?
Experimente jejuar a sério, um dia inteiro por semana: só água pura ou pão e água.
Corte até 50% na carne, no peixe, no álcool, nos doces e no tabaco.
7 - Os filhos são um quebra-cabeças?
Peça-a Deus todos os dias a graça de os amar para eles serem felizes e não para eles o fazerem feliz a si.
8 - Sente-se tentado a desertar?
Cante muitas vezes o versículo 8 do salmo 104:
“O Senhor jamais esquece a sua aliança”.
A aliança é o remédio da solidão.
9 - Perdeu o rumo á vida?
Seja fiel à missa dominical e ofereça-se para qualquer trabalho na comunidade paroquial.
10 - Não vai conseguir fazer tudo isto?
Faça o que puder, mas com seriedade, e com fé. Verá que o Aleluia da Ressurreição lhe vai sair mais límpido na voz e mais forte no coração.

 

UMA REFLEXÃO QUARESMAL

«Eis-me aqui, Pai. Envia-me para salvar o mundo”... No fim desta missão, que cumpriu inteiramente e com infinita generosidade, o Senhor exclama:
«Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito».
Aqui está a Vítima por excelência. O Cordeiro Imaculado, sem mancha, imolado por mim, por ti, por todos nós, pobres mortais cheios de pecado.
«Suporta os trabalhos; cumpre o teu dever, o teu ministério; porque, quanto a mim, estou já para ser oferecido em libação», diz S. Paulo ao seu discípulo Timóteo.
«Amo a Cristo; mas a Cristo crucificado.., porque não quero outra glória a não ser a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo», acrescenta o mesmo apóstolo.

Todo o santo é um herói! Mas entre os santos há ainda os «especialistas”, os heróis por excelência, os grandes, os extraordinários privilegiados do Senhor!
Mas, para tal, exige-se doação completa; generosidade sem restrições; oferecimento incondicional; um FIAT = FAÇA-SE, perfeito, sincero, constante: Vítima, Hóstia de suave perfume, de suave odor!
Para confirmar duma maneira bem concreta e ainda dentro do nosso tempo, as considerações supra, registamos estas palavras escritas pelo grande e fervoroso apóstolo do Sagrado Coração de Jesus, o famoso P. Matéo: «A cruz é a mais prodigiosa das pregações a mais conquistadora das almas...
«Sereis apóstolos sobretudo quando sofrerdes, em união com e por amor d’Ele e das almas…

«
Fala-se muito de oração, como dum elemento de primeira ordem no apostolado. Assim é na verdade. Basta reparar bem no que diz o Senhor: Rezai… pedi ao Senhor da messe, batei... procurai, etc. No entanto, um segundo elemento de igual valor, se não superior, é a imolação, o sacrifício, porquanto as cruzes e as dores constituem a mais forte e fecunda das orações, para a extensão do reino de Deus. Sim, o sofrimento é um elemento de purificação; mas é também factor importante para um apostolado real, efectivo. A fecundidade do apostolado não está propriamente no trabalho, na actividade, mas antes de tudo na oração unida ao sacrifício e no amor baseado na cruz...»
Assim pregava, pela palavra e pelo exemplo, o ardente e incansável missionário do Sagrado Coração de Jesus, que percorreu todo o mundo por várias vezes e que, antes de ir receber o prémio das suas altas virtudes da mão do Pai do céu, passou bastantes anos meio paralítico, encerrado permanentemente na sua pobre cela, agarrado generosamente à cruz purificadora, a fecundar mais e mais o campo de apostolado por onde passou a fazer o bem à semelhança do Divino Mestre. Foi pela cruz que ele muitas almas levou à luz.
 

2ª REFLEXÃO QUARESMAL

Vejamos até onde pode chegar a bondade misteriosa do Senhor, na concessão e distribuição de cruzes, e quais as alturas que uma pobre alma humana pode atingir, quando inspirada e auxiliada por uma graça extraordinária do céu, e resolvida a ser, total e incondicionalmente, uma hóstia pura, e de agradável odor, pronta a deixar-se arder, consumir, nas mãos do seu Criador e Redentor. É o caso sublime, verdadeiramente impressionante, e fora de qualquer raciocínio, ou explicação humana, das almas que, generosa, decidida e definitivamente, se oferecem ao Senhor como VÍTIMAS de EXPIAÇÃO.Realmente parece-nos impossível poder-se ir mais longe no caminho e amor da cruz, do que preferir a dor ao prazer, as lágrimas aos sorrisos, os espinhos às flores!No entanto, há ainda qualquer coisa de mais sublime e extraordinário nas vias misteriosas da santidade: é o acto heróico de oferecimento de si mesmo, e de tudo quanto lhe pertence, ou venha a pertencer, na vida e na morte, como vítima de expiação e de amor ao Senhor do céu e da terra, pelos pecados do mundo, tomados no seu conjunto, à imitação de Jesus, ou num ou noutro caso particular, especial, conforme a inspiração do momento dada pelo Divino Espírito Santo, pela Santa Igreja, pelo Papa, pela Paz, pela conversão de tal ou tal pecador, etc.É claro, um acto desta natureza, de tão largo alcance, e de tremendas mas verdadeiramente assombrosas e consoladoras consequências, está completamente fora das vias ordinárias, comuns, da graça.E por isso mesmo seria uma presunção inqualificável, para não dizer uma grandessíssima temeridade, uns simples principiante nas vias da perfeição, ou uma alma ainda imperfeitamente purificada, querer arriscar-se por caminhos tão difíceis, por voos tão altos e sublimes.«Chamar-se a si próprio vítima, ou julgar-se tal, mesmo sem o proclamar aos quatro ventos, é coisa fácil. E até por vezes agrada um pouquinho ao amor-próprio, que manhosamente se aninha no coração de todos os homens... Mas tornar-se vítima efectiva, segundo os planos e vontade de Deus, exige uma grande pureza dos sentidos; um total desprendimento das criaturas, a começar por si mesmo; um heroísmo, que leva a alma a entregar-se, generosa e constantemente, a toda a espécie de sofrimento, a todas as humilhações possíveis e imagináveis, a todas as securas e aridezes. Numa palavra: a todas as provas, físicas e morais, que a Divina Providência, nos seus insondáveis desígnios, achar bem, conveniente, oportuno, enviar a tal ou tal pessoa...“Por consequência, seria loucura rematada, ou então grande privilégio e milagre extraordinário que alguém, logo no início da sua vida espiritual, pretendesse realizar o que o próprio Divino Mestre não fez senão por degraus, paulatinamente, com muita pauta e muito tempo...»Foi assim que se exprimiu, sábia e prudentemente, a Madre Maria Teresa do Coração de Jesus, fundadora da Adoração Reparadora, e que morreu queimada viva, acidentalmente e não por incúria ou maldade dos homens. 

 

 
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A importância do Jejum


A Igreja chama ao jejum, à esmola e à oração, “remédios contra o pecado”; pois cada uma destas actividades, a seu modo, ajudam-nos a vencer o maior mal deste mundo, o pecado. A oração fortalece-nos em Deus, a esmola (obras de caridade) “cobre uma multidão de pecados”; e o jejum fortalece o nosso espírito contra as tentações da carne e do espírito, e liberta-nos e abre para os valores superiores da alma.


 “Ordenai um jejum” (Jl. 1, 14). São as palavras que ouvimos na primeira leitura da Quarta-feira de Cinzas, quando começa a Quaresma. O jejum no tempo da Quaresma é também a expressão da nossa solidariedade com Cristo, preso, torturado, flagelado, coroado de espinhos, condenado à morte, crucificado e morto.


 Ao jejuar devemos concentrar-nos não só na prática da abstenção do alimento ou das bebidas, mas no significado mais profundo desta prática. O alimento e as bebidas são indispensáveis para o homem viver, disto se serve e deve servir-se, mas não lhe é lícito abusar seja da forma que for. O jejum tem como finalidade levar-nos a um equilíbrio necessário, e ao desprendimento daquilo que podemos chamar de “atitude consumista”, característica da nossa civilização.  


O homem orientado para os bens materiais, muitas vezes abusa deles. Hoje busca-se acima de tudo a satisfação dos sentidos, a excitação que disso deriva, o prazer momentâneo e a multiplicidade de sensações cada vez maior.  E isto acaba por gerar um vazio no coração do homem moderno; pois sem Deus ele não se pode satisfazer. O barulho do mundo e o prazer das criaturas não conseguem preencher o seu coração.


 A criança hoje, e também muitos adultos, vivem de sensações, procura sensações sempre novas… E torna-se assim, sem se dar conta, escravo desta paixão actual; a vontade fica presa ao hábito, a que não sabe opor-se.


 O jejum ajuda-nos a aprender a renunciar a alguma coisa. Ele faz-nos capazes de dizer “não” a nós mesmos, e abre-nos aos valores mais nobres da nossa alma: a espiritualidade, a reflexão, a vontade consciente. O jejum põe-nos de pé e de cabeça para cima. Há muitos que caminham de cabeça para baixo; isto acontece quando o corpo comanda o espírito e o esmaga. É o prazer do corpo que o comanda e não a vontade do espírito.


É preciso entender que a renúncia às sensações, aos estímulos, aos prazeres e ainda ao alimento ou às bebidas, não é um fim em si mesmo, mas apenas um “meio”, deve apenas preparar o caminho para conquistas mais profundas. A renúncia do alimento deve servir para criar em nós condições para poder viver os valores superiores. Por isso o jejum não pode ser algo triste, enfadonho, mas uma actividade feliz que nos liberta.


Os Padres da Igreja davam grande valor ao jejum. Diz, por exemplo, São Pedro Crisólogo (†451): “O jejum é paz do corpo, força dos espíritos e vigor das almas” e ainda: “O jejum é o leme da vida humana e governa todo o navio do nosso corpo” (Sermão VII: sobre o jejum, 3.1).


Santo Ambrósio (†397) diz: “A tua carne está-te sujeita (…): Não sigas as solicitações ilícitas, mas refreia-as algum tanto, mesmo no que diz respeito às coisas lícitas. De facto, quem não se abstém de nenhuma das coisas lícitas, está também perto das ilícitas» (Sermão sobre a utilidade do jejum, III. V. VII). Até escritores, que não pertencem ao cristianismo, declaram a mesma verdade. Esta é de alcance universal. Faz parte da sabedoria universal da vida.


Mahatma Gandhi dizia: “O jejum é a oração mais dolorosa e também a mais sincera”. “Cada jejum é a oração intensa, purificação do pensamento, impulso da alma para a vida divina, a fim de nela se perder”. “O jejum é para a alma o que os olhos são para o corpo”. (Toschi, Tomas – Gandhi mensagem para hoje, Editora mundo 3, pag. 97, SP, 1977)


O jejum confere à oração maior eficácia. Por ele o homem descobre, de facto, que é mais “senhor de si mesmo” e que se tornou interiormente livre. Dá-se conta que a conversão e o encontro com Deus, por meio da oração, frutificam nele. Assim, o jejum não é algo que sobrou de uma prática religiosa dos séculos passados, mas é também indispensável ao homem de hoje, aos cristãos do nosso tempo.


A Bíblia recomenda muito o jejum, tanto o Antigo como o Novo Testamento; Jesus realizou-o durante quarenta dias no deserto antes de enfrentar o demónio e começar a sua vida pública; e muito o recomendou. “Quanto a esta espécie de demónios, só se podem expulsar à força de oração e de jejum” (Mt 17,20). “Boa coisa é a oração acompanhada de jejum, e a esmola é preferível aos tesouros de ouro escondidos”. (Tb 12,8).


O nosso jejum deve ser acompanhado de mudança de vida, conversão, arrependimento dos pecados e volta para Deus. O profeta Isaías chamava a atenção do povo para isto: “De que serve jejuar, se com isto não vos importais? E mortificar-nos, se nisto não prestais atenção? É que no dia do vosso jejum, só cuidais dos vossos negócios, e oprimis todos os vossos operários”. Passais o vosso jejum em disputas e altercações, ferindo com o punho o pobre. Não é jejuando assim que fareis chegar lá em cima a vossa voz. O jejum que me agrada porventura consiste em o homem se mortificar por um dia? Curvar a cabeça como um junco, deitar sobre o saco e a cinza? Podeis chamar isto jejum, um dia agradável ao Senhor? Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? - diz o Senhor Deus: É romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda a espécie de jugo”.  (Is 58,3-6)


Cada um de nós tem a própria individualidade; por isso, cada um deve realizar a forma de jejum que mais lhe seja adequada.

 
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«Lembra-te que és pó...»


Cada ano, com a «Quarta-Feira de Cinzas», os católicos iniciam o tempo da Quaresma, tempo no qual a liturgia da Igreja Católica nos convida a uma reflexão e actuação sobre nossas vidas, sobre o seu sentido, a sua origem, a sua missão, o seu destino último. 


Trata-se, portanto, de um tempo «forte» para a metanoia ou «conversão» que – em teologia e vida cristã – significa uma adequação de nosso ser, existir e actuar à própria vida de Jesus Cristo, a seu evangelho, a seus valores, a suas convicções, à sua proposta de vida: gastar a vida ao serviço do evangelho, ou seja, a favor dos outros, especialmente dos mais necessitados, para obter a vida eterna, a vida feliz, a vida plena. 


Por isso, a Quaresma é um caminho bíblico, pastoral, litúrgico e existencial, para cada crente pessoalmente e para a comunidade cristã em geral, que começa com as cinzas e conclui com a noite da luz, a noite do fogo e da luz: a noite santa da Páscoa de Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. 


 


 


A Quaresma simboliza, assinala e recorda um «passo», uma páscoa, um itinerário a seguir de maneira permanente: a passagem do nada à existência, das trevas à luz, da morte à vida, do insignificante à vida abundante em Deus, por meio de seu Filho Jesus Cristo. E é que converter-nos significa destruir, deixar para trás, queimar, tornar cinzas o «homem velho», o homem-sem-Cristo, para revestir-nos do homem «novo», o homem-no-espírito, que é fogo novo no mundo. 


Na quarta-feira de Cinzas, enquanto o ministro impõe as cinzas ao penitente, diz estas duas expressões alternativamente: «Convertei-vos e crede no Evangelho» e/ou «Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar». Sinal e palavras que expressam muito adequadamente nossa «criaturalidade», nossa absoluta dependência de Deus, nosso peregrinar rumo a uma pátria definitiva, nossa caducidade. 


Quarta-Feira de Cinzas em particular e Quaresma em geral são um tempo litúrgico e um convite a voltar nosso olhar e vida a Deus e aos princípios do Evangelho. Assim, se Quaresma é tempo para a conversão, para melhorar no processo de humanização pessoal e comunitário, então a Quaresma coincide com a própria vida de todo crente, com o ser e missão de toda a Igreja e com a vocação da comunidade humana inteira. 


Quaresma é um convite a mudar aquilo que temos de mudar na busca de ser melhores e mais felizes, um convite a construir em vez de destruir e a olhar e voltar para formas de vida mais justas, mais solidárias, mais humanas. Quaresma é um convite a buscar diligentemente novas formas de ser e fazer Igreja, sendo melhores e mais autênticos discípulos do Crucificado Ressuscitado. 


O tempo litúrgico da Quaresma – como nossa própria existência – é percorrido com o olhar dirigido à Páscoa da Ressurreição e à Páscoa definitiva em Deus. Páscoa de vida abundante que se opõe a toda forma de discriminação e de envelhecimento do ser humano, de sua dignidade, a toda forma de atropelo e violência, a toda forma de mentira, maldade e morte, a toda forma de corrupção e divisão, a toda forma de marginalização e opressão. Porque a Páscoa, como ponto de chegada, cume e superação da Quaresma, é absoluta novidade de vida, da vida abundante que Deus nos oferece e à qual Deus nos convida neste tempo e em todo momento. 

 
Cinco desafios para Casais, na Quaresma Imprimir e-mail

CINCO DESAFIOS PARA CASAIS, NA QUARESMA

 

Como trabalhar para deixar o seu relacionamento mais forte e alegre até à Páscoa

 

Já pensou em se unir ao seu cônjuge para que possam fazer juntos alguma penitência para a Quaresma e, com isto, melhorar o vosso relacionamento? Cada casal conhece as coisas pequenas e “óbvias” que precisa de modificar. Por exemplo, o meu marido e eu realmente precisamos de dispensar o constante jogo de empurra, tipo: “Levei as crianças à actividade física cinco vezes na semana passada, agora é a tua vez.”

A Quaresma é um bom período para olhar para as coisas maiores e mais difíceis. É um momento para pensarmos e reflectirmos sobre como podemos mudar e fazer algum sacrifício para ajudar aos outros, principalmente o nosso cônjuge.

 

Alguns “sacrifícios” que os casais podem tentar fazer durante a Quaresma.

 

Quer uma dica? Trabalhe forte para que o seu relacionamento esteja ainda mais maduro e alegre quando a Páscoa chegar.

 

  1. Negatividade

Lembra-se como foi o seu primeiro encontro? Você provavelmente não se queixou do seu namorado, querendo mostrar o seu lado positivo, pois isso é o que achamos mais atraente noutras pessoas. Mas à medida que o seu relacionamento crescia e vocês se tornavam mais próximos, o outro tornou-se um terreno de lançamento para as queixas 24 horas por dia. Sim, os cônjuges devem estar lá como caixas de som um para o outro. Você nunca deve subestimar o poder das palavras. A negatividade pode-se tornar insalubremente viciante. Comentários negativos, conversas e fofocas podem privá-lo das alegrias diárias do casamento e da vida.

Nestes 40 dias, prometa, através da comunicação, lançar uma luz positiva sobre o seu dia e sobre as pessoas que você conhece. Não será fácil! E é claro que haverá coisas e problemas ruins para apontar e discutir. Mas tente falar sobre isso de forma pró-ativa, com a empatia e a compreensão que você talvez não tenha verbalizado antes. Quando você é positivo, você sorri muito mais – e o que é mais atraente do que isso?

  1. Consumismo

Goste você ou não, as nossas carteiras estão intimamente ligadas aos nossos relacionamentos. Em muitas famílias, o consumismo está fora de controle. Basta dar uma olhada em alguns quartos-de-banho e perguntar:  vocês realmente precisam destes cinco frascos de shampoo? Esta camisa de treino é realmente necessária, já que você não vai mais à academia? Os bons hábitos financeiros não só economizam dinheiro da família, mas também ajudam a evitar disputas sobre as contas de cartão de crédito.

Nesta Quaresma, que tal adotar uma atitude mais minimalista? Decida em conjunto o que, nas compras domésticas, é uma “necessidade” e o que não é, e tente comprar menos.

 

  1. Falta de organização

Eu sei que limpar e organizar a casa juntos nunca estiveram em seus sonhos. Mas ter uma casa arrumadinha irá diminuir os seus níveis de estresse e deixar você e o seu marido mais felizes e mais tranquilos. Tente livrar-se de 40 coisas que você já não usa – uma para cada um dos 40 dias da Quaresma.

 

  1. Tecnologia

Pegue no seu smartphone e veja o seu aplicativo de mensagens, contando quantos recados você enviou para o seu marido ontem. Será que enviar mensagens se tornou a sua principal forma de comunicação com ele todos os dias? E o e-mail? São grandes as chances do seu computador ou telefone estar realmente a falar com ele muito mais do que você.

Eu sei: é impossível desistir totalmente das mensagens de texto quando você tem que gerir os horários das crianças e coordenar os compromissos. Mas você pode decidir não enviar aquele vídeo engraçado do YouTube para o seu esposo. Em vez disso, convide-o para assistir ao vídeo consigo depois do jantar.  E aqui está uma ideia ultra-radical: você pode também tentar deixar um bilhete de vez em quando na bolsa dele. Será que ele vai conseguir reconhecer a sua caligrafia?

 

  1. Maratona de filmes e séries

É a actividade favorita de todos os casais! Embora algumas pesquisas sugiram que assistir à televisão em conjunto tem benefícios para casais, isto ainda não é uma substituição para conexão real e autêntica.

Nesta Quaresma, calcule quanto tempo você passa todos os dias na frente da TV e reduza esse tempo pela metade. Use o tempo que sobrar jogando cartas, caminhando, esticando no chão, ou mesmo lendo a Bíblia juntos. Sim, você deixará de saber o que acontece na sua série favorita, mas vai ganhar algo muito mais gratificante e duradouro em troca.

 
Como viver a Quaresma? Imprimir e-mail

Como viver a Quaresma?

 

O tempo da Quaresma tem muitas imagens da sagrada escritura, o que nos ajuda a compreendê-lo. Primeiro o facto de Jesus ter passado os 40 dias no deserto, que foi um tempo de oração, de penitência, Ele que não tinha pecados, Ele fez aquele tempo de penitência para nos ensinar o caminho. Depois a imagem dos 40 anos que o povo passou no deserto. Várias vezes na Bíblia temos a figura de 40 dias, 40 anos, que significa um tempo de conversão.

 

A Quaresma é um tempo de escola, é um treino de vida cristã. É um tempo de esforço espiritual, para preparar a celebração do dia de Páscoa, e Páscoa, cada ano, é o aniversário de baptismo de cada um de nós. É um tempo de viver em profundidade, de buscar mais a penitência, o sacramento da reconciliação, de crescer na vivência da caridade.

 

Hoje em dia temos necessidade de cristãos de boa cepa, de firmeza. Cristãos com coluna vertebral. Não cristãos que vão e vêm, conforme o vento e como diz São Paulo: levados pelos ventos de doutrinas. Precisamos de gente estável. Um cristão que seja capaz de passar pela provação, pela cruz, enfrentar as provocações e dificuldades. É este o cristão que nós precisamos. Temos que amadurecer na fé.

 

Temos que nos converter. Fazer a experiência da conversão. O que é conversão? No trânsito, converter-se é mudar de caminho. Na fé, converter-se é o estímulo e a mudança de vida. Conversão quer dizer mudança de mentalidade, mudança de estilo de vida, viver segundo a proposta de Jesus q é ser um homem novo.

 

Deus está na moda. Os meios de comunicação tratam as posições da Igreja, como se ela fosse conservadora, como se a Igreja se devesse actualizar, quando na verdade, não há ninguém que esteja mais em dia do que a Igreja. Não há nada mais novo, mais actualizado que o evangelho.

 

Não há nada melhor para todas as pessoas do que ser santo. Senão as pessoas pensam que estar na moda, é viver no pecado, é viver no vício. Nós temos que espalhar isto: viver o evangelho e viver a Palavra de Deus é o que está mais actual. Nós não somos do passado, nós somos da frente, do futuro, da plenitude. Então, por isso, Deus está na moda.

 
DEUS, RICO EM MISERICÓRDIA Imprimir e-mail

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Aqui está uma leitura espiritual que pode gerar muitos frutos na tua vida. Foi tirada da encíclica de João Paulo II sobre a misericórdia (número 8):

“A Cruz de Cristo sobre o Calvário é também testemunha da força do mal em relação ao próprio Filho de Deus: em relação Àquele que, único dentre todos os filhos dos homens, era por sua natureza absolutamente inocente e livre do pecado, e cuja vinda ao mundo foi isenta da desobediência de Adão e da herança do pecado original. E eis que precisamente nEle, em Cristo, é feita justiça sobre o pecado à custa do Seu sacrifício, da Sua obediência até à morte. Aquele que era sem pecado, Deus O tratou, por nós, como pecador.

É feita justiça também sobre a morte, que, desde o início da história do homem, se tinha aliado ao pecado. E esse fazer-se justiça sobre a morte realiza-se à custa da morte daquele que era sem pecado e o único que podia, mediante a própria morte, infligir a morte à morte. Deste modo, a Cruz de Cristo, na qual o Filho consubstancial ao Pai presta plena justiça a Deus, é também revelação radical da misericórdia, ou seja, do amor que se opõe àquilo que constitui a própria raiz do mal na história do homem: opõe-se ao pecado e à morte.

A Cruz é o modo mais profundo de a divindade se debruçar sobre a humanidade e sobre tudo aquilo que o homem, especialmente nos momentos difíceis e dolorosos, considera seu infeliz destino. A Cruz é como que um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas da existência terrena do homem, é o cumprir-se cabalmente o programa messiânico, que Cristo um dia tinha formulado na sinagoga de Nazaré e que repetiu depois diante dos enviados de João Batista. Segundo as palavras da profecia de Isaías, tal programa consistia na revelação do amor misericordioso para com os pobres, os que sofrem, os prisioneiros, os cegos, os oprimidos e os pecadores. No mistério pascal são superadas as barreiras do mal multiforme de que o homem se torna participante durante a existência terrena.

Com efeito, a Cruz de Cristo faz-nos compreender as mais profundas raízes do mal que mergulham no pecado e na morte, e também ela se torna sinal escatológico. Será somente na realização escatológica e na definitiva renovação do mundo que o amor vencerá, em todos os eleitos, os germes mais profundos do mal, produzindo como fruto plenamente maduro o Reino da vida, da santidade e da imortalidade gloriosa. O fundamento dessa realização escatológica está já contido na Cruz de Cristo e em sua morte.

O facto de Cristo ter ressuscitado ao terceiro dia constitui o sinal que indica o arremate da missão messiânica, sinal que coroa toda a revelação do amor misericordioso no mundo, submetido ao mal. Tal facto constitui ao mesmo tempo o sinal que preanuncia um novo céu e uma nova terra, quando Deus enxugará todas as lágrimas de seus olhos; e não haverá mais morte, nem pranto, nem gemidos, nem dor, porque as coisas antigas terão passado. Na realização escatológica, a misericórdia se revelará como amor, ao passo que no tempo presente, na história humana, que é conjuntamente história de pecado e de morte, o amor deve revelar-se sobretudo como misericórdia e ser realizado também como tal. O programa messiânico de Cristo – programa tão impregnado de misericórdia – torna-se o programa do Seu povo da Igreja. Ao centro desse programa está sempre a Cruz, porque nela a revelação do amor misericordioso atinge o seu ponto culminante.

Enquanto não passarem as coisas antigas, a Cruz permanecerá como o lugar a que se poderiam aplicar estas palavras do Apocalipse de São João: ‘Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir, entrarei em sua casa e cearemos juntos, eu com ele e ele comigo’. Deus revela também de modo particular a sua misericórdia, quando solicita o homem, por assim dizer, a exercitar a misericórdia para com o Seu próprio Filho, para com o Crucificado.”

 

 

 
Que tipos de jejum? Imprimir e-mail

Que tipos de jejum?

 

O jejum prepara-nos para viver as renúncias

 

Todos podemos fazer jejum, inclusive os que não têm a saúde tão boa. A Quaresma é o tempo de nos prepararmos para a ressurreição de Jesus Cristo, e também, nos ensina a prática do jejum, da oração e da caridade.

Escolha a forma de jejum e de penitência, e viva uma verdadeira conversão, mas, para isso, basta compreender os tipos de jejum que podem ser feitos. Escolha o melhor jejum para si e tenha uma ótima Quaresma!

 

Mortificação é o auto-sacrifício, abnegação e auto-disciplina.

 

Para isso, basta abraçar aquilo que é difícil à nossa natureza. Por exemplo, de manhã, levantar-se a uma hora fixa, entregando-se com pontualidade à oração; assistir o Santo Sacrifício da Missa; renunciar a um prazer proibido ou a uma leitura perigosa; obedecer prontamente às ordens dos pais ou superiores; cumprir principalmente com fidelidade os deveres e os trabalhos quotidianos; suportar com paciência tribulações e sofrimentos: são, estas coisas todas, mortificações que, praticadas com pura intenção, são muito agradáveis a Deus e muito meritórias para o Céu.

 

1. Mortificação da Vista

As primeiras setas que ferem uma alma casta e, às vezes, a matam, entram pelos olhos. Por meio dos olhos entram no espírito os maus pensamentos. "Não se deseja o que não se vê", diz São Francisco de Sales.

 

Não leias, por isso, nunca, livros proibidos ou perigosos. Renuncia, de vez em quando, ao prazer de ver coisas extraordinárias, ainda que sejam inteiramente decorosas.

 

Segundo São Jerónimo (Ep. ad Fur.), é o rosto o espelho da alma e os olhos castos dão testemunho da castidade do coração.

 

2. Mortificação do Ouvido

Evita ouvir conversas inconvenientes ou difamações, e mesmo conversas mundanas sem necessidade, pois estas enchem a cabeça com uma multidão de pensamentos e imaginações que nos distraem e perturbam mais tarde nas nossas orações e exercícios de piedade.

 

Se assistires a conversas inúteis, procura quanto possível dar-lhes outra direção, propondo, por exemplo, uma importante questão. Se isso não der resultado, procura retirar-te ou, ao menos, cala-te e baixa os olhos para mostrar que não achas gosto em tais conversas.

 

3. Mortificação do Olfato

Renuncia a todos os vãos perfumes, sejam quais forem; suporta, antes, de boa vontade, o mau cheiro que reina em geral nos quartos dos doentes. Imita o exemplo dos Santos que, animados pelo espírito de caridade e mortificação, sentiam tanto gosto no ar corrompido das enfermarias, como se estivessem em jardins de flores odoríferas.

 

4. Mortificação do Tato

Quanto ao tato, esforça-te por evitar qualquer falta, pois cada falta neste sentido contêm um perigo de morte eterna para a alma. Emprega toda a modéstia e cuidado não só a respeito dos outros, mas também de ti mesmo, para conservar a bela jóia da pureza. Procura, quanto possível, refrear pela mortificação este sentido.

 

São João da Cruz dizia que, se alguém ensinasse que a mortificação do tato não é necessária, não se lhe deveria dar crédito, ainda que operasse milagres. Jesus Cristo disse uma vez à Madre Maria de Jesus, carmelita: "O mundo precipitou-se no abismo por causa do prazer, e não da mortificação".

 

Se não temos coragem de crucificar a nossa carne com penitências, ao menos esforcemo-nos por suportar com paciência as pequenas contrariedades que Deus nos envia, como doenças, calor, frio, etc.

 

Digamos com S. Bernardo (Medit., c. 15): "O desprezador de Deus deve ser esmagado; merece a morte: deve ser crucificado". Sim, meu Deus, é justo que quem Vos desprezou seja castigado; eu mereço a morte eterna; seja eu, pois, crucificado neste mundo, para que não sofra eternamente no outro.

 

5. Mortificação do Paladar

Quanto à mortificação do paladar, será bom desenvolver mais a fundo a necessidade e a maneira de nos mortificarmos neste sentido.

 

§5.1- Santo André Avelino diz que quem deseja alcançar a perfeição, deve começar com uma séria mortificação do paladar. Antes dele já o afirmara São Gregório Magno (Mor., 1. 30, c. 26): "Para se poder dispor para o combate espiritual, deve-se reprimir a gula". O comer, porém, satisfaz necessariamente ao paladar: não nos será, pois, lícito, comer coisa alguma?

 

Sim, devemos comer: Deus quer que, por esse meio, conservemos a vida do corpo para O servirmos enquanto nos permite ficar no mundo.

 

Devemos, porém, cuidar do nosso corpo do mesmo modo, como o faria um rei poderoso com um animal que ele, com as próprias mãos, tivesse de tratar várias vezes durante o dia; seguramente cumpriria o seu dever; mas, como? Contrariado e desgostoso e o mais depressa possível. "Deve-se comer para viver, diz S. Francisco de Sales, e não viver para comer".

 
O sentido da Páscoa Imprimir e-mail

O SENTIDO DA PÁSCOA

A Páscoa, a mais importante das datas Cristãs, é comemorada em todo o mundo simbolizando o perdão, a alegria, o recomeço, a redenção, a nova vida e o sentido do sacrifício. Para os cristãos, há mais de dois mil anos a Páscoa celebra a Ressurreição de Jesus Cristo. Festeja a passagem de Cristo da morte para a vida e das trevas para a luz. 
Como muitos outros rituais do Cristianismo, o período pascal incorpora outro mais antigo: do hebreu Pessach, a Páscoa Judaica é uma comemoração judaica que recorda a passagem dos judeus do Egipto até à Terra Prometida - marcada pela travessia do Mar Vermelho – e significa a passagem da escravidão para a liberdade.

 

CURIOSIDADES

A Páscoa é uma das datas móveis do nosso calendário e ocorre 47 dias depois do Carnaval.

O dia da Páscoa é o primeiro domingo que ocorre depois da Lua Cheia ou do dia de 21 Março (a data do Equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. A Igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Niceia em 325 D.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária - conhecida como a "lua eclesiástica".
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e, portanto, a Terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Este é o período da Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronómico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de Março e no máximo em 24 de Abril, transformando a Páscoa numa festa "móvel". De facto, a sequência exacta de datas da Páscoa repete-se aproximadamente a cada 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.

 

Os símbolos da Páscoa

1.      Cordeiro: representa o sacrifício do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo;

2.      Luzes, velas e fogueiras: marcas da chama da luz e da esperança;

3.      Ovos – simbolizam a nova vida que retorna à natureza;

4.      Coelhos – representam a fertilidade, o nascimento e a nova vida.

 

Páscoa no mundo

China – O “Ching-Ming” é uma festividade que ocorre na mesma época da Páscoa, onde são visitados os túmulos dos ancestrais e feitas oferendas em forma de refeições e doces, para os deixar satisfeitos com os seus descendentes.

 

Europa – A tradição é decorar ovos cozidos e fazer brincadeiras como rolá-los pela ladeira abaixo, onde será vencedor o ovo que rolar mais longe sem quebrar. Nos países da Europa Oriental, as crianças que forem bem comportadas na noite anterior ao Domingo de Páscoa e deixarem um boné num lugar escondido, ganham do coelho doces e ovos coloridos.

 

Estados Unidos – As crianças brincam na caça ao ovo. Os ovos cozidos e decorados com tintas são escondidos pelos pais para serem descobertos na manhã de Páscoa. Nalgumas cidades, a brincadeira é feita na praça pública.

 

Brasil e América Latina – O mais comum é as crianças montarem os seus próprios ninhos e enchê-los de palha ou papel picado. Os ninhos são deixados para o coelhinho colocar doces e ovinhos na madrugada de Páscoa. A caça ao ovo também é utilizada.

 

Bélgica e França – Os sinos das igrejas não tocam entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa. Uma lenda local diz que os sinos voam para Roma e, quando voltam, deixam cair ovos para todos encontrarem. As crianças fazem ninhos para que o coelho os encha de ovos.

 

Bulgária – Os ovos cozidos são coloridos após a missa na Quinta-feira Santa e são feitos pães pascais, os kolache ou kozunak. Um pão, decorado com um número ímpar de ovos vermelhos, é levado à igreja na madrugada de sábado para ser abençoado e, depois, oferecido à família. Cada pessoa da família pega num ovo e todos começam a batê-los uns contra os outros. Quem ficar com o ovo inteiro terá um ano de sorte.

 

Suécia – É semelhante ao Halloween americano. Na Quinta-feira Santa ou na véspera da Páscoa, as crianças vestem-se de bruxos, visitam os vizinhos e deixam um cartão decorado, para conseguir doce ou dinheiro.

 

OVO DE PÁSCOA: PRESENTE DESDE A ANTIGUIDADE

Ao que tudo indica, a comemoração da Páscoa foi inspirada na Antiguidade. No período do paganismo, a primavera era saudada com uma festa para o renascimento da terra, acompanhada de promessas de esperança, saúde e prosperidade.
Calcula-se, ainda, que por volta do século 13 a.C. os chineses celebravam o início desta estação oferecendo ovos de pata pintados em cores fortes aos parentes e vizinhos. Era a celebração da volta à vida, após o inverno e os longos meses em que a natureza ficava coberta de neve.
Mais tarde este hábito foi adoptado por egípcios e persas, que costumavam tingir ovos com cores alegres para presentear os amigos. Os cristãos primitivos da Mesopotâmia foram os primeiros a usar ovos coloridos na Páscoa para representar a alegria da ressurreição e o reconhecimento do sacrifício.
Na época dos czares da Rússia – período anterior à revolução bolchevique –, eles ganharam outro valor. Os imperadores encomendavam ao mais famoso joalheiro da corte, Peter Carl Fabergé, estes objectos que eram feitos de ouro e cunhados com pedras preciosas.
O surgimento do ovo de chocolate na Páscoa deu-se a partir do Séc. XVIII, em meados de 1828, com o desenvolvimento da indústria chocolateira na Inglaterra e a substituição dos ovos duros e pintados que eram escondidos nas ruas e nos jardins para serem caçados.
Foram os confeiteiros franceses que inventaram este modo atraente de apresentar o chocolate. No início os ovos eram apenas chocolate com leite. Depois, começaram a surgir os ovos crocantes. Castanhas de caju, amêndoas e avelãs davam um toque especial aos chocolates, deixando-os ainda mais gostosos. Não demorou muito e a iguaria conquistou toda a população europeia. De lá, o hábito ganhou o mundo.
O costume de usar estes ovos e bombons como forma de presentear na Páscoa é, entretanto, uma criação do Século XX, como mais uma forma de estabelecer de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro como um presente recheado de significados, que é não só gostoso, como altamente nutritivo, um rico complemento e repositor de energia.
 
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ITINERÁRIO QUARESMAL

 

A Quaresma é um tempo favorável à prática penitencial da Igreja. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC), “estes tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, peregrinações em sinal de penitência, privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras de caridade e missionárias)” (CIC, número 1.438). É um tempo de renascimento espiritual e de renovação na fé, no qual se pede aos fiéis maior interesse pelas coisas divinas, uma frequência mais assídua à Santa Missa e aos ofícios litúrgicos, maior correção nas próprias ações e um treinamento no controle de suas próprias paixões e sentimentos.

Lamentavelmente, hoje em dia a palavra “penitência” provoca mal-estar em muita gente. Entretanto, se consultarmos os Evangelhos, veremos que Jesus começou a Sua pregação exortando-nos à penitência: (Mt 4,17) “Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos céus”. Rejeitar a penitência é rejeitar a pregação de Cristo desde o princípio.

A palavra “penitência” significa simultaneamente duas coisas que, embora distintas, estão indissociavelmente ligadas: uma virtude e um sacramento, a virtude da penitência e o sacramento da penitência.

 

A virtude da penitência

 

A virtude da penitência exige também o propósito de reparar o mal cometido e de não tornar a pecar no futuro. Assim, a penitência projeta-se nos sentidos do tempo: para o passado, o arrependimento; para o presente, a reparação; e para o futuro, o propósito de emenda.

Tenhamos todos uma boa e santa Quaresma. «Desde então começou Jesus a pregar e a dizer: “Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos céus”» (Mt 4,17). E se está próximo, é porque não está distante: «O Senhor está perto de toda pessoa que o invoca» (Sl 144,18).

 

Qual penitência escolher para viver este período da Quaresma?

 

Algumas sugestões…

 

1. Penitências gastronómicas:

 

– Trocar a carne por peixe ou ovos ou legumes;

– Comer menos comida para sair da mesa com um pouco de apetite;

– Eliminar todos os doces, refrigerantes, chocolate e demais guloseimas;

– Nas refeições, acrescentar algo que seja desagradável, como diminuir a quantidade de sal ou colocar um condimento que quebre um pouco o sabor;

– Comer algum legume ou verdura de que não se goste muito;

– Diminuir ou mesmo tirar as refeições intermediárias (como o lanche da tarde);

– Evitar o café;

– Reservar algum dia para o jejum total ou parcial.

 

2. Penitências corporais:

 

(Ajudam a não perdermos o sentido do sacrifício ao longo do dia, a não sermos relaxados).

 

– Dormir sem travesseiro;

– Sentar-se apenas em cadeiras duras;

– Rezar alguma oração mais prolongada de joelhos;

– Não usar elevadores ou escadas rolantes;

– Cuidar da postura corporal;

– Sair uma paragem antes do transporte público e fazer uma parte do caminho a pé;

– Deixar de usar o carro e andar em transportes públicos.

 

3. Penitências Morais:

 

(São as mais importantes)

 

– Não reclamar das contrariedades do dia, mas agradecer e louvar a Deus;

– Sorrir sempre, mesmo quando alguma inquietação;

– Moderar a frequência às redes sociais, telemóvel e computador (reduzir a poucas vezes ao dia);

– Desligar as notificações do telemóvel;

– Fazer os serviços mais incómodos na casa e no trabalho, ajudando os outros;

– Acordar mais cedo para fazer oração;

– Não ouvir música no carro;

– Não assistir à TV, mas dedicar este tempo à leitura;

– Não jogar jogos eletrónicos;

– Fazer algum trabalho voluntário;

– Rezar mais pelos outros, do que por si mesmo;

– Reservar dinheiro para dar esmolas, mas sobretudo, atenção aos mendigos;

– Não se defender quando alguém o acusa;

– Falar bem das pessoas que se gostaria de criticar;

– Ouvir as pessoas incómodas sem as interromper;

– Dormir no horário, mesmo sem vontade.

 
O que é a QUARESMA? Imprimir e-mail
  

O que é a Quaresma?

  “A Quaresma é um tempo de jejum e de penitência, instituído pela Igreja por tradição apostólica” (São Pio X, Catecismo Maior, 35).  Para que foi instituída a Quaresma?

“A Quaresma foi instituída: 1° Para nos fazer conhecer a obrigação que temos de fazer penitência em todo o tempo da nossa vida, da qual, segundo os Santos Padres, a Quaresma é a figura; 2° Para imitar de algum modo o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo fez no deserto; 3° Para nos preparar por meio da penitência para celebrar a festa da Páscoa” (Idem, 36).

  Por que se chama dia das Cinzas o primeiro dia da Quaresma? “Chama-se o primeiro dia da Quaresma dia das Cinzas, porque a Igreja impõe naquele dia as cinzas na cabeça dos fiéis” (Idem, 37).A Igreja no-lo indica nas orações recitadas pelos seus ministros: “Deus, que não quereis a morte, mas a conversão dos pecadores tende piedade da fragilidade humana e abençoai estas cinzas que pretendemos colocar sobre a nossa cabeça, como sinal de humildade cristã por nós professada, e em sinal de penitência para obtermos perdão”. É, pois, a penitência que a Igreja nos quer ensinar pela cerimónia deste dia. Já no Antigo Testamento os homens cobriam-se de cinzas para exprimir a sua dor e humilhação (Job 42, 6). Nos primeiros séculos da Igreja, os penitentes públicos apresentavam-se nesse dia ao bispo ou penitenciário, pediam perdão revestidos de um saco; e como sinal da sua contrição, cobriam a cabeça de cinzas. Mas como todos os homens são pecadores, diz Santo Agostinho, estenderam esta cerimónia a todos os fiéis, para lhes recordar o preceito da penitência.   Por que é que a Igreja impõe as cinzas no princípio da Quaresma?“A igreja, no princípio da Quaresma, impõe as cinzas para que nós, lembrando-nos de que somos feitos de pó, e de que após a morte nos havemos de reduzir a pó, nos humilhemos e façamos penitência dos nossos pecados, enquanto temos tempo” (Idem, 38). 

Entremos nos mesmos sentimentos. Deploremos as nossas faltas ao recebermos das mãos do ministro de Deus as cinzas bentas pelas orações da Igreja. Quando o sacerdote nos disser: “Lembra-te que és pó e em pó te há de tornar”, humilhemos o nosso espírito pelo pensamento da morte, que, reduzindo-nos ao pó, nos porá sob os pés de todos. – Assim dispostos, longe de lisonjearmos o nosso corpo destinado à dissolução, decidir-nos-emos a tratá-lo com dureza, a maltratar o nosso paladar, os nossos olhos, os nossos ouvidos, a nossa língua, todos os sentidos; a observar, o mais possível, o jejum e abstinência que a Igreja nos prescreve.

  Com que disposição devemos receber as cinzas?“Devemos receber as cinzas com o coração contrito e humilhado, e com a santa resolução de passar a Quaresma em obras de penitência” (Idem, 39).A Igreja termina a bênção das cinzas por uma exortação aos fiéis: admoesta-nos a não nos contentarmos com sinais externos de penitência, mas a lhe bebermos o espírito e os sentimentos. Jejuemos, diz ela, como o Senhor deseja, mas acompanhemos o jejum com lágrimas de arrependimento, prostremo-nos diante de Deus e deplorando a nossa ingratidão na amargura dos nossos corações. Mas essa contrição, para ser proveitosa, deve ser acompanhada de confiança. Por isso a Igreja acrescenta, a seguir, que o nosso Deus é cheio de bondade e misericórdia, sempre pronto a perdoar-nos. Forte motivo este para esperarmos firmemente a remissão das nossas faltas, se delas nos arrependermos! Deus não despreza jamais um coração contrito e humilhado.  Que devemos fazer para passar bem a Quaresma, segundo o espírito da Igreja?“Para passar bem a Quaresma, segundo o espírito da Igreja, devemos fazer quatro coisas:1ª. Observar o jejum e mortificar-nos não só nas coisas ilícitas e perigosas, mas ainda, quanto pudermos, nas coisas lícitas;2ª. Fazer orações, esmolas e outras obras de caridade cristã para com o próximo, mais do que em qualquer outro tempo; 3ª Ouvir a Palavra de Deus, não por mero costume ou curiosidade, mas com o desejo de pôr em prática as verdades que ouvirmos; 4ª Ter grande cuidado em nos prepararmos para a confissão, para tornar mais meritório o jejum, e para nos dispormos melhor para a Comunhão pascal “(Idem, 40).
 
O Exercício Quaresmal do JEJUM Imprimir e-mail

O Exercício Quaresmal do JEJUM Remédio contra o Pecado

 Se a oração atinge o relacionamento do homem com Deus, o jejum celebra-o no seu relacionamento com os bens criados na virtude da esperança.

No seu relacionamento com a natureza criada, o homem é chamado a ser livre, a ser senhor da criação. Acontece porém, que muitas vezes se torna escravo dela. Por isso, a Igreja convida o homem a realizar um gesto de liberdade e de respeito em relação aos bens criados, através do rito do jejum.

 O rito do jejum não vale pelo que é, mas pelo que significa. Na acção de comer e de beber é que o homem mais se apropria das coisas. Ele mesmo consome a comida; ele faz com que ela se torne parte de si mesmo. Não só se apodera dela, mas muitas vezes, apoderando-se dela, torna-se escravo dela. Por isso, o alimento e a bebida tornam-se símbolo de tudo quanto envolve o homem.

Jejuar é abastecer-se de um pouco de comida ou bebida. É estabelecer o correcto relacionamento do homem com a natureza criada. A atitude de liberdade e de respeito diante do alimento torna-se símbolo da sua liberdade e respeito para com tudo quanto o envolve e o pode escravizar: bens materiais, qualidades, opiniões, ideias, apegos e assim por diante.

 Jejuar significa fazer espaço em si. Fazer espaço para Deus, fazer espaço para o próximo, fazer espaço para os valores que permanecem. Jejuando, a Igreja evoca Cristo jejuando quarenta dias no deserto, Cristo na sua atitude de liberdade e de domínio sobre a natureza e sobre o mal. Evocando-o, torna-o presente hoje.

A Igreja constitui o prolongamento do Cristo livre, do Cristo rei da criação. A Igreja exercita e celebra a atitude de liberdade e respeito diante da natureza durante a Quaresma, para que os cristãos vivam sempre esta atitude de harmonia com a natureza, usando dos bens para o seu crescimento em Deus.

Temos, portanto, um exercício de conversão.
 
Entremos no deserto Imprimir e-mail
 

Entremos no deserto

 

O tempo da Quaresma é a nossa oportunidade de uma caminhada intensa e sincera na vida de conversão. Cada dia é uma luz nova no nosso caminho. A Quaresma é um grande retiro, de quarenta dias, quando a nossa vida passa profundamente marcada pelo jejum, pela penitência e pela oração. É o tempo de entrarmos no deserto, com Cristo, e renovarmos a aliança com o Senhor. Isto é o que faremos solenemente na Vigília Pascal, renovando as promessas batismais. Mas para que cheguemos até lá com esta disposição, supõe-se uma caminhada intensa de conversão.

A Palavra que o Senhor nos dirige logo no Primeiro Domingo é uma séria advertência neste sentido. A leitura do Génesis mostra a ação de Deus que faz aliança com o seu povo: "Eis que vou estabelecer a minha aliança convosco e com todos os seres vivos! Nunca mais criatura alguma será exterminada pelas águas do dilúvio". E, de modo poético, comovente, o Senhor colocou no céu o seu arco, o arco-íris, como sinal de paz, de ponte que liga a criatura ao Criador: "Ponho o meu arco nas nuvens, como sinal de aliança entre mim e a Terra"! Com esta imagem tão sugestiva, a Escritura Sagrada diz que os pensamentos do Senhor em relação a nós são de paz e salvação. Podemos rezar como o Salmista: "Mostrai-me, ó Senhor, os vossos caminhos; sois o Deus da minha salvação! Recordai, Senhor, meu Deus, a vossa ternura e a vossa salvação, que são eternas! O Senhor é piedade e rectidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores"!

Se a aliança após o dilúvio já revelava a benignidade do coração de Deus, é em Cristo que tal bondade, tal misericórdia, tal compaixão se nos revelam totalmente: "Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus"! É este Mistério tão grande que vamos celebrar na Santa Páscoa. Nosso Senhor, morto na sua natureza humana, isto é, morto na carne, foi justificado, ressuscitado pelo Pai no Espírito Santo para nos dar a salvação definitiva, selando connosco a aliança eterna, da qual aquela de Noé era apenas uma prefiguração. Deus nos salvou em Cristo, dando-nos o seu Espírito Santo recebido por nós nas águas do Batismo, que purificam mais do que as do dilúvio! Nunca esqueçamos: fomos lavados, purificados, gerados de novo, no santo Batismo. O dilúvio lavou a antiga humanidade e começou um novo tempo: assim a vida batismal: somos lavados do velho homem para ressurgirmos como novas criaturas, lavados no sangue de Cristo.Somos membros do povo da aliança nova e eterna, somos uma humanidade nova, nascida "não da vontade do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 1,12). Somos o povo santo de Deus, povo resgatado pelo sangue de Cristo, povo que vive no Espírito Santo que o Ressuscitado derramou sobre nós.

Uma grande miséria dos cristãos destes tempos é terem perdido a consciência de que somos um povo sagrado, vivendo entre os outros povos do mundo. Aqueles que crêem em Cristo e nele foram batizados são a sua Igreja, são o povo santo de Deus, congregado no Corpo do Senhor Jesus para formar um só templo santo no Espírito de Cristo! Somos um povo que vive espalhado por toda a Terra, Igreja dispersa pelo mundo inteiro, que deve viver no mundo sem ser do mundo! A nossa miséria é querermos ser como todo mundo, viver como todo mundo, pensar e agir como todo mundo. Isto é trair a nossa vocação de povo sagrado, povo sacerdotal, povo que deve, com a vida e a boca, cantar as maravilhas Daquele que nos chamou das trevas para a sua luz admirável! (2Pd 2,9) Convertamo-nos! Sejamos dignos da nossa vocação! Eis o tempo favorável!

Na Quaresma somos convidados a retomar a consciência de ser este povo santo. E como fazê-lo? Como Jesus, o Santo de Deus, que passou quarenta dias no deserto em combate espiritual, sendo tentado por Satanás. A Quaresma é um tempo de deserto, de provação, de combate espiritual contra Satanás, o Pai da mentira, o enganador da humanidade. Sem combate não há vitória e não há vida cristã de verdade! A Igreja nos dá as armas para o combate: a oração, a penitência e a esmola. A Igreja pede, neste tempo, que combatamos os nossos vícios com mais atenção e empenho; a Igreja recomenda a leitura da Sagrada Escritura e de livros edificantes, que unjam o nosso coração. Entramos no deserto para o encontro com Deus, para aprendermos a combater o maligno e para aprendermos a depender só de Deus.Deixemos a preguiça, cuidemos do combate espiritual! Que cada um programe o que fazer a mais de oração. Há tantas possibilidades: rezar um salmo todos os dias, rezar todo o saltério ao longo da Quaresma, rezar a via-sacra às quartas e sextas-feiras. Quanto à penitência, não enganemos o Senhor! Que cada um tire generosamente algo da comida durante todos os dias da Quaresma (excepto aos domingos); que se abstenha da carne às sextas-feiras, como sempre pediu a tradição ascética da Igreja, que tire também algo das conversas inúteis, dos pensamentos levianos, dos programas de TV tão nocivos à saúde da alma! E a esmola, isto é, a caridade fraterna? Há tanto que se pode fazer: acolher melhor quem bate à nossa porta, aproximar-nos de quem necessita de nossa ajuda, reconciliar-nos com aqueles de quem nos afastamos, visitar os doentes e presos.
 
Quaresma, Tempo de Renovação Imprimir e-mail
QUARESMA, TEMPO DE RENOVAÇÃO   O tempo de Quaresma, ocasião privilegiada de renovação espiritual, deve levar-nos a examinar, antes de mais, o nosso próprio modo de recorrer ao Sacramento da Penitência, nomeadamente, se cumprimos as quatro condições de uma boa Confissão: sério exame de consciência, contrição sincera dos nossos pecados, confissão clara das nossas faltas e satisfação completa da penitência que nos for imposta.Mas há um aspecto da contrição em que talvez convenha insistir. Não nos referimos à clássica distinção entre contrição «perfeita» e «imperfeita», distinção muito importante e que deveríamos explicar com frequência aos fiéis; referimo-nos ao chamado «propósito de emenda».É certo que a contrição implica, por natureza, uma «conversão», isto é, a disposição de não voltar aos pecados confessados e perdoados, conversão que também se diz «metanóia», mudança interior do afastamento de Deus para o cumprimento, doravante, da sua Vontade. Mas quantas vezes até os mais piedosos fiéis se «queixam» de que, apesar do seu empenho, acabam por repetir «as mesmas faltas», sem emenda efectiva, e o confessor tem de consolá-los usando a velha comparação da nossa lavagem diária ou da limpeza periódica da casa…Neste ponto, contudo, devíamos reflectir: é verdade que as paixões e os maus hábitos não desaparecem por encanto, mas o propósito de emenda nalgum resultado prático se há-de traduzir. Porque não? Não será porque limitamos a nossa compunção a um – sincero – desejo de mudança, mas não nos dispomos a mudar as circunstâncias que nos arrastam para a tentação? Um jovem que se arrepende de tomar drogas, mas continua a frequentar os meios onde ela se vende…; alguém que se deixa arrastar pela luxúria, mas continua apegado à «navegação» internética para se «relaxar»…; ou simplesmente um pai que deseja tratar melhor os filhos, mas chega sempre a casa tarde, cansado e mal alimentado…; um piedoso fiel que fez o propósito de rezar o Terço, mas continua a deixá-lo para «antes de se deitar»…«Vinho novo, em odres novos» (cf. Lc 5, 37). A verdadeira contrição, se quer ser eficaz, não se reduz a uma boa disposição interior; exige habitualmente uma «reorganização» da nossa vida quotidiana.Se queremos realmente evitar as nossas fraquezas, faremos o que é óbvio quando adoecemos: diagnosticar ou pedir que nos diagnostiquem a enfermidade. Só depois descobriremos o remédio adequado, que, embora não seja de efeito imediato, algum bom efeito terá. Pois, se nos conformamos com as nossas faltas, sem esperança de melhoras, a compunção não passará de uma pena, do desgosto de «sermos assim». Será mesmo uma autêntica contrição?
 
O amor de Deus é sem medida Imprimir e-mail

O amor de Deus é sem medida

 

O verdadeiro Cristianismo, que passa pela cruz, mas não pára nela.

 

O amor de Deus é sem medida, como diz São Paulo, esse amor é infinito. Mas a pergunta que devemos fazer é: Quem Deus ama? Porque se Ele tem esse amor todo, com certeza, é destinado a alguém.
Por vezes, durante o nosso dia, Deus manifesta-se nesse amor incondicional, mas estamos tão ocupados com outras coisas que ele passa despercebido aos nossos olhos.
A própria Palavra de Deus ilumina o nosso caminhar e permite que enxerguemos o projecto de amor d'Ele na nossa vida. Sem o amor nada acontece, por isso o Amor fez-Se carne e habitou no meio de nós.
Num mundo tão globalizado, onde os sentimentos parecem estar cada vez mais vazios, o amor também perdeu a sua verdadeira essência e significado. E, muitas vezes, não conseguimos ter noção do significado de sermos amados por alguém, a ponto de abrir mão da própria vida para a nossa salvação. E o mais maravilhoso é que, mesmo conhecendo tudo sobre nós, o Senhor continua a amar-nos. Deus sabe tudo sobre ti e também sabe que tu precisas de ser salvo.
Não importa o teu passado, as coisas que já fizeste, Ele não olha para o teu passado, pois sabe que mereces uma segunda chance. O amor do Senhor é sem medida, a ponto de dar o Seu único Filho para nossa salvação.
Infelizmente, nos dias de hoje, o amor virou comércio. Nós amamos esperando algo em troca, nunca é um amor gratuito, sempre à espera de algo físico ou material. Mas, ao contrário disso, Deus ama-te sem esperar nada em troca, Ele não ama esperando que será amado de volta.
São Paulo diz que nada é mais intenso do que o amor de Deus, nem os nossos sofrimentos. Mas é fácil reconhecer o amor de Deus nos momentos difíceis? Infelizmente não, mas é exatamente nessa hora que precisamos de fazer a experiência com Ele, assim como o filho que busca refúgio no colo do pai.

Nós somos discípulos da cruz, por isso a nossa fé passa por ela, mas, diferentemente do que muitos pensam, a nossa fé não pára nela, muito pelo contrário, ela é apenas o começo. Por isso, em cada um dos sofrimentos que enfrentamos Deus mostra a Sua face e, através deles, nos faz crescer.
Talvez te seja difícil entender isto hoje, mas é necessário a coragem de mudar a maneira de ver as nossas dores. O amor do Senhor também se manifesta com a ajuda do “não”, pois nem tudo o que é bom nos convém.
Muitas vezes, chegamos a Deus com pedidos nobres, rectas intenções, mas mesmo assim ouvimos um "não" d'Ele. A reacção mais natural nesse momento é revoltarmo-nos sem tentarmos entender o real motivo da Sua resposta negativa. Talvez Ele esteja a preparar-nos para um "sim" muito maior que está para vir.
Não pautes a tua experiência com Deus por meio daquilo que podes receber, mas sim, pelo que estás disposto a doar. Reconhece o Seu amor e abre-te para o novo, Ele tem um plano de amor maravilhoso para a tua vida. Mas, para o viveres em plenitude, deves estar disposto a compreender e viver o verdadeiro Cristianismo, que passa pela cruz, mas não pára nela.

 

Na Sexta-feira Santa os católicos não adoram a cruz de material, mas o “Mistério da Cruz”, isto é, a Cristo que por nós morreu na cruz (Fl 3,18; 1 Cor 1,23).

 
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