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São João Bosco

 
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A IGREJA
O que é a Tradição da Igreja Imprimir e-mail
 O que é a tradição da Igreja?     A Escritura e a Tradição da Igreja são Palavra de Deus, ensinamentos divinos. 

Falar da Tradição da Igreja não é falar de simples costumes que se perpetuam na vida da Igreja. Não estamos a falar de tradições culturais, mas da Sagrada Tradição. A Sagrada Tradição guarda o depósito de fé da Igreja, que conserva o que Jesus ensinou.

Este depósito de fé é também chamado Revelação, ou seja, aquilo que Deus ensinou de Si e dos Seus mistérios aos homens através dos ungidos do povo de Deus na Antiga Aliança (patriarcas, juízes, profetas, autores bíblicos, etc.) mas, sobretudo através de Cristo, que depois foi ensinado pelos apóstolos, guardado e vivido na Igreja primitiva. Esta verdade revelada está contida na Tradição da Igreja e na Sagrada Escritura, a Bíblia. 

A Sagrada Escritura e a Tradição contêm, pois, toda a doutrina revelada; a Tradição chega até nós hoje, sobretudo, através dos símbolos da fé (os credos, como o dos apóstolos e o Niceno-Constantinopolitano), na liturgia e na vida (pregação e santos) da Igreja, nos escritos dos padres e doutores da Igreja que nos primeiros séculos transmitiram a fé. O Magistério da Igreja, sob a assistência do Espírito Santo, conserva e interpreta essa Revelação (cf Jo16, 12-13; Lc 22,32; Jo 21,15).

 Tanto a Escritura como a Tradição são Palavra de Deus, isto é, o ensinamento divino, comprovado por milagres e profecias; com a diferença de que a Tradição não foi escrita por aqueles a quem Deus revelou; embora, com o tempo, outras pessoas tenham podido escrevê-la, para a conservarem e transmitirem com maior fidelidade. “Daí resulta que a Igreja, à qual estão confiadas a transmissão e a interpretação da Revelação, ‘não deriva a sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado somente da Sagrada Escritura. Por isso, ambas devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência” (CIgC 82). Palavra de Deus não é só a Bíblia É importante entendermos que a Palavra de Deus não é a Bíblia, mas a Bíblia é a Palavra de Deus, porque ela é infalivelmente inspirada. Talvez assuste ouvir isto, mas esta é uma premissa fundamental para entender a fé da Igreja. A Palavra de Deus é o Verbo eterno do Pai que encarnou no ventre da Virgem Maria. Portanto, a Palavra eterna é Pessoa Divina e por mais sagrado e inspirado que seja um livro, ele não pode conter toda a Palavra. Por isso mesmo que no final do seu evangelho São João afirma: “Jesus fez muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever” (Jo 21, 25).

Então, muitas coisas que Jesus ensinou não foram escritas, mas foram ensinadas e vividas; e essas coisas constituem a Tradição da Igreja. Por isso diz o Catecismo da Igreja Católica: “Todavia, a fé cristã não é uma ‘religião do Livro’. O cristianismo é a religião da Palavra de Deus, ‘não de um verbo escrito e mudo, mas do Verbo encarnado e vivo’. Para que as Escrituras não permaneçam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna de Deus vivo, pelo Espírito Santo nos ‘abra o espírito à compreensão das Escrituras’ Lc 24, 45” (CIgC 108). 

Sagrada Tradição 

Aliás, a própria Bíblia, ou Sagradas Escrituras, têm o seu berço na Sagrada Tradição. A Tradição inicial, ou seja, a pregação dos apóstolos, é anterior à Sagradas Escrituras e durante muitos anos foi a única regra de fé. Afinal, Jesus mandou: “Ide e pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15), e não “Ide e escrevei livros” (é bom lembrar que na época não existia gráfica, nem caneta, nem máquina de dactilografar… Computador, menos ainda). Com efeito, a pregação dos apóstolos começou no próprio ano da morte de Cristo (ano 33). 

Diversamente, os livros da Sagrada Escritura só começaram a ser escritos a partir do ano 50 até ao ano 100; e sobretudo, não foram conhecidos pela Igreja universal, senão no decurso dos primeiros séculos, pois ao princípio, só eram conhecidos pelas Igrejas particulares a que se destinavam. Notável é o testemunho da própria Bíblia em favor da tradição: “Embora tivesse muitas coisas a escrever-vos, não o quis fazer por meio de tinta e papel, pois espero ver-vos e falar-vos de viva voz” (2Jo 12); “Conservai-vos firmes na fé e guardai as tradições que aprendestes, quer pela nossa pregação, quer pela nossa carta” (2Ts 2, 14); ‘O que ouviste da minha boca e de muitas testemunhas, confia-o a outros homens fiéis, capazes de instruir os outros” (2Tm 2,2). 

Se entendermos que a Escritura é a única fonte da nossa fé, como fazem os protestantes, somos forçados a achar que nos primeiros anos e séculos, não havia na Igreja fonte alguma de fé, o que é inadmissível, porque equivaleria a dizer que então não havia fé; mais admissível é aceitar uma fonte de fé distinta da Escritura, a saber, a Tradição ou ensino dos apóstolos e seus sucessores. 

A Igreja nasceu da Bíblia? 

A Bíblia nasceu da Igreja e não a Igreja nasceu da Bíblia. Não se pode saber com certeza que livros contêm na realidade a doutrina de Cristo, nem qual o seu verdadeiro sentido, a não ser pelo ensino da Igreja. Portanto, se não se acredita na assistência de Deus de infalibilidade à Igreja, também não se pode acreditar no valor infalível da Bíblia como Palavra de Deus. Não se pode celebrar o fruto negando a existência e o valor da árvore que o gerou. Por isso diz Santo Agostinho: “Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica”. 

A Igreja é essa mãe que nos alimenta da graça de Cristo, que nos ensina a fé e por isso diz São Cipriano (séc. III): “Nascemos todos do seu ventre, somos nutridos com o seu leite e animados pelo seu Espírito”.
 
A Igreja Imprimir e-mail

Organização e governo

 

Como sociedade estruturada, a Igreja Católica está organizada e governada especialmente em base a jurisdições correspondentes ao Papa e aos bispos.
O Papa é a cabeça suprema da Igreja. Ele tem a primazia de jurisdição como a honra sobre toda a Igreja.
Os bispos, em união e subordinados ao Papa, são os Sucessores dos Apóstolos para o cuidado da Igreja e para continuar com a missão do Senhor Jesus no mundo. Eles servem o povo de sua própria diocese, ou igrejas particulares, com autoridade ordinária e jurisdição. Eles também compartilham com o Papa, e entre eles, a comum preocupação e esforço pelo bom andamento de toda a Igreja.
Os bispos de status especial são os patriarcas do Rito Pascal, que dependem somente do Santo Padre, são cabeças dos fiéis que pertencem a estes ritos em todo o mundo.
Os bispos são directamente responsáveis perante o Papa, pelo exercício de seu ministério ao serviço de seu povo em várias jurisdições ou divisões da Igreja pelo mundo.
Podem ser: Arcebispos residentes e Metropolitanos (cabeças de arquidiocese), Bispos diocesanos (cabeças de dioceses), Vigários e Prefeitos Apostólicos (cabeças de pastorais apostólicas e prefeituras apostólicas), Prelados (cabeças de uma Prelatura) e Administradores Apostólicos (responsáveis temporais por uma jurisdição).
Cada um destes, nos seus respectivos territórios e de acordo com a lei canónica, têm jurisdição ordinária sobre os párocos (que são responsáveis pela administração das paróquias), sacerdotes, religiosos e leigos.
Também dependem directamente do Santo Padre os Arcebispos e Bispos titulares, ordens religiosas e congregações de Direito Pontifício, institutos e faculdades Pontifícias, Núncios do Papa e Delegados Apostólicos.
Assistindo o Papa e actuando em seu nome no governo central e administração da Igreja estão os cardeais da Cúria Romana.

A hierarquia 

A hierarquia ministerial é a designada ordenadamente de acordo com a dignidade e ordem do clero para velar pela vida espiritual dos católicos, pelo governo da Igreja e pela missão da Igreja em todo o mundo.
As pessoas pertencem à hierarquia por virtude de ordenação e missão canónica. O termo "hierarquia" é também utilizado para designar um conjunto determinado de bispos. Por exemplo: a Hierarquia da América Latina, a Hierarquia da Argentina.

O Papa, Cabeça da Igreja 

Os títulos do Papa são: Sucessor do Apóstolo Pedro, Sumo Pontífice da Igreja Universal, Patriarca do Ocidente, Primaz da Itália, Arcebispo e Metropolitano da Província de Roma, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano.
O Papa dá o seu ensinamento, como garantia da fé comum, mediante encíclicas, cartas apostólicas, mensagens, discursos, etc., e em algumas ocasiões sob a forma de definições doutrinais infalíveis. Tem na Igreja Católica a plenitude do poder legislativo, judicial e administrativo.

 
O CONCLAVE Imprimir e-mail

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A eleição de um novo Pontífice
O que acontece com a Igreja após a morte de um Papa?
Quando começa o Conclave?
O que acontece num Conclave?
Quem tem direito a eleger o novo Papa?
Quem são admitidos no Conclave?
Onde se celebra o Conclave?
Onde é que os Cardais ficam hospedados?
O Conclave é um retiro?
Como faz a votação para eleger um novo Pontífice?
Quais são os modos de eleição?
Há requisitos para ser eleito Pontífice?
Como é que o Cardeal eleito aceita ser Pontífice? 

Documento Papal:
Constituição Apostólica sobre a vacante da Sé Apostólica e a eleição do Romano Pontífice "Universi Dominici Gregis"
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A eleição de um novo Pontífice

O Papa exerce na Igreja Católica o ofício de Vigário de Cristo e Pastor da Igreja universal. Junto com o Colégio dos Bispos -do qual o Papa é a Cabeça - constitui-se em sujeito da potestade suprema e plena sobre toda a Igreja (Cfr. cânones 331 e 336).

No curso dos séculos muitos Papas consideraram seu dever regular com oportunas normas a eleição do Sucessor de Pedro. Até 1996 estava em vigor a Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo de 1 de Outubro de 1975. Sob o império desta Constituição se procedeu a eleição de João Paulo I e João Paulo II, em Agosto e Outubro de 1978 respectivamente.

Actualmente está em vigor a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, sobre a vacante da Sé Apostólica e a eleição do Romano Pontífice, de 22 de Fevereiro de 1996. Seus artigos estão precedidos pela experiência de muitos séculos e muitos deles procedem das leis anteriores sobre a eleição do Romano Pontífice. Algumas de suas normas se remontam ao século XI. As seguintes são suas normas principais.

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O que acontece com a Igreja depois da morte de um Papa?

Depois da morte de um Pontífice começa um período que se chama de Sé Vacante. Durante este período rege o princípio de nihil innovetur (que nada seja inovado). O governo da Igreja fica confiado ao Colégio dos Cardeais somente para o despacho dos assuntos ordinários ou dos inadiáveis e para a preparação de tudo o necessário para a eleição do novo Pontífice (art. 2).

O artigo 1 assinala que “o Colégio dos Cardeais não tem nenhuma potestade ou jurisdição sobre as questões que correspondem ao Sumo Pontífice em vida ou no exercício das funções de sua missão; todas estas questões devem ficar reservadas exclusivamente ao futuro Pontífice”.

Durante a Sé Vacante o Colégio de Cardeais pode se reunir em dois tipos de reuniões: as Congregações Gerais e as Congregações Particulares.

À Congregação Geral devem assistir todos os Cardeais não impedidos legitimamente; podem ausentar-se os Cardeais que não têm direito de participar da eleição do Papa. Nela são decididos os assuntos de maior importância, e devem celebrar-se diariamente. Os assuntos se decidem por maioria simples de votos. A Congregação Particular é formada pelo Cardeal Camarlengo e outros três Cardeais escolhidos por sorteio, chamados Assistentes. Nela se decidem os assuntos de trâmite e de menos importância.

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Quando começa o Conclave?

Os Cardeais têm que se reunir em Conclave para proceder à eleição do novo Romano Pontífice. O artigo 37 estabelece que começará 15 dias depois da vacante da Sé Apostólica, embora o Colégio de Cardeais pode estabelecer outra data, que não pode atrasar-se mais do que 20 dias da vacante.

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O que acontece num Conclave?

O espírito da legislação em vigor estabelece que o Conclave deve ser considerado não um mero lugar de reunião dos Cardeais com direito a voto, mas sim um âmbito de retiro sagrado em que os Cardeais eleitores invocam ao Espírito Santo para proceder a eleição do Romano Pontífice.

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Quem tem direito a escolher o novo Papa?

O artigo 33 indica que “o direito de escolher o Romano Pontífice corresponde unicamente aos Cardeais da Santa Igreja Romana, com excepção daqueles que, antes do dia da morte do Sumo Pontífice ou do dia no qual a Sé Apostólica ficar vacante, tenham completado 80 anos de idade”: Portanto, se um Cardeal fizer 80 anos depois de ocorrer a vacante – antes inclusive de que comece o Conclave – tem direito a escolher o Papa.

O cânon 351 - 2 indica que “os Cardeais são criados por decreto do Romano Pontífice, que se faz público em presença do Colégio Cardinalício; a partir do momento da publicação, têm os deveres e direitos determinados pela lei”. Por sua vez, o artigo 36 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis acrescenta que “um Cardeal da Santa Igreja Romana, que tiver sido criado e publicado em Consistório, tem por isso mesmo o direito de escolher o Pontífice segundo o N. 33 da presente Constituição, embora não lhe tivesse sido imposto o barrete, entregue o anel, nem tivesse prestado juramento. Entretanto, não têm este direito os Cardeais depostos canonicamente ou que tenham renunciado, com o consentimento do Romano Pontífice, à dignidade cardinalícia. Além disso, durante a Sé vacante, o Colégio dos Cardeais não pode readmitir ou reabilitar a estes”.

A Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis reitera em seu artigo 33 a exclusão do direito de eleição activa por parte de qualquer outra dignidade eclesiástica ou a intervenção do poder civil de qualquer ordem ou grau. O artigo 80, além disso, castiga com excomunhão latae sententiae aos Cardeais que aceitarem o encargo de uma autoridade civil de propor o veto contra algum Cardeal. Até 1904 os Reis de algumas nações católicas ostentavam direito de veto na eleição pontifícia. A última vez que se usou este direito foi no Conclave de 1903, em que o imperador da Áustria vetou o Cardeal Rampolla. O Papa eleito naquele Conclave, São Pio X, promulgou a Constituição Apostólica Vacante Sede Apostolica em 25 de Dezembro de 1904, na qual abolia qualquer direito de veto.

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Quem é admitido no Conclave?

Para satisfazer às necessidades pessoais e de ordem relacionadas com o desenvolvimento da eleição, devem entrar nas zonas reservadas à habitação ou à eleição o Secretário do Colégio Cardinalício, que actua de Secretário da assembleia electiva; o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias com dois Cerimoniais e dois religiosos colaboradores à Sacristia Pontifícia; um eclesiástico eleito pelo Cardeal Decano, ou pelo Cardeal que faça suas vezes, para que o assista em seu cargo. Também deverão estar disponíveis alguns religiosos de várias línguas para as confissões, e também dois médicos para eventuais emergências. Será também necessário prover oportunamente para que estejam disponíveis um número suficiente de pessoas colaboradoras para os serviços de copa e de limpeza.

Além disso, se algum Cardeal necessitar, poderá solicitar a presença de um enfermeiro que o acompanhe. Na Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo esta pessoa era designada pelo conclavista.

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Onde se celebra o Conclave?

O artigo 41 assinala que “o Conclave para a eleição do Sumo Pontífice se desenvolverá dentro do território da Cidade do Vaticano, em lugares e edifícios determinados, fechados aos estranhos, de modo que se garanta uma conveniente acomodação e permanência dos Cardeais eleitores e dos que, por título legítimo, estão chamados a colaborar ao normal desenvolvimento da eleição mesma”.

Deve-se assinalar a novidade que traz este artigo: até o momento, nunca se tinha prescrito de modo explícito o lugar de celebração do Conclave. A prática indica a Capela Sistina, dentro do Vaticano, como lugar habitual do Conclave.

O artigo 41 da Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo prescrevia que a eleição do Papa se realiza no Palácio Vaticano ou, por razões particulares, em outro lugar. A indeterminação de lugar se devia a uma razão de prudência, se em Roma não fosse garantida a liberdade dos Cardeais Eleitores.

No século XIX, os Conclaves eram celebrados no Palácio do Quirinal em Roma. O último conclave celebrado fora de Roma se desenvolveu em Veneza, então sob a soberania da Áustria, em Março de 1800, à morte de Pio VI. Este Papa faleceu em Valence (França) em Agosto de 1799, prisioneiro de Napoleão Bonaparte. Estando Roma ocupada pelas tropas napoleónicas, parecia prudente celebrar o conclave fora do alcance do exército francês. Pio VI da prisão tinha dado as normas necessárias para que se pudesse celebrar o conclave “em qualquer lugar de qualquer príncipe católico”. No conclave de Veneza foi eleito Pio VII.

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Onde ficam hospedados os Cardeais?

O artigo 42 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis introduz uma novidade importante:

"No momento estabelecido para o começo do processo da eleição do Sumo Pontífice, todos os Cardeais eleitores deverão ter recebido e tomado uma conveniente acomodação na chamada Domus Sanctae Marthae, construída recentemente na Cidade do Vaticano”.

Em efeito, este artigo constitui uma novidade em relação à prática seguida até o momento. Nos conclaves romanos anteriores os Cardeais eleitores e as demais pessoas que entravam na clausura do conclave eram acomodados nas habitações dos Palácios Apostólicos. A solução, embora conta com o aval dos séculos, precisava claramente de melhoras. Em torno da Capela Sixtina se delimitava um recinto amplo onde pudessem alojar-se tantas pessoas: quem já visitou os Museus Vaticanos pode imaginar quão incómodo pode resultar para pessoas mais velhas, às vezes anciãos, residir em habitações desprovidas até das facilidades mais elementares, embora isso sim, decoradas pelos mais renomados artistas que viram os séculos.

Por isso João Paulo II, que participou dos dois conclaves de 1978 e pôde observar estes inconvenientes, decidiu procurar um emprego melhor. A solução foi a Domus Sanctae Marthae: trata-se de uma residência situada no recinto do Vaticano, dedicada habitualmente a alojar o pessoal da Cúria Romana, e inaugurada em 1996 alguns dias antes da promulgação da Universi Dominici Gregis. Desse modo, além disso, oferece-se uma solução estável de alojamento a diversos altos cargos da Cúria Romana: os quais, entretanto, sabem que se for convocado um conclave devem se retirar de suas habitações por alguns dias, pois durante o Conclave o alojamento fica reservado aos eleitores e demais colaboradores.

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O Conclave é um retiro?

Até a vigente Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, o Conclave tinha um carácter de retiro espiritual físico, uma verdadeira clausura. A Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo, em seu artigo 53 e 54, regulava com detalhe a clausura do Conclave. Actualmente, pelo contrário, está previsto o traslado dos Cardeais da Domus Sanctae Marthae ao Palácio Apostólico. E os artigos 43 2º parágrafo e 45 da vigente Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis dão normas para o caso de que um estranho ao Conclave acidentalmente se cruze em seu caminho com os Cardeais eleitores: algo impensável até agora.

O Conclave continua sendo um retiro, entretanto. E o formam os Cardeais eleitores, mas a diferença é que agora não se delimita por algumas estadias fechadas ao mundo exterior, mas sim pela atitude dos Cardeais eleitores, que têm o contacto proibido com o mundo exterior. Certamente, parece obsoleto regular o Conclave como um lugar fisicamente fechado na era dos telefones celulares. A actual normativa atende à necessidade do retiro, adequando-se às circunstâncias actuais.

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Como é feita a votação para eleger um novo Pontífice?

No dia fixado para o começo do Conclave, pela manhã, se reúnem os Cardeais eleitores na Basílica São Pedro, e celebram a Missa «Pró eligendo Papa». Nessa mesma tarde os Cardeais vão em procissão à Capela Sistina. Ao chegar emitem solene juramento.

É missão do Cardeal Camarlengo, ajudado do exterior pelo Substituto da Secretaria de Estado, de que a eleição do Papa se desenvolva com a necessária reserva e discrição. Para isso pode empregar os meios técnicos que estime conveniente, de modo que assegure que não se instalem meios áudio-visuais de gravação e transmissão no exterior.

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Quais são os modos de eleição?

Neste ponto a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis introduz uma modificação significativa. Até sua promulgação, havia três modos de eleição do Romano Pontífice: per acclamationem seu inspirationem (por aclamação ou inspiração), per compromissum (por compromisso) e per scrutinium (por escrutínio). A Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis declara abolidos os modos de eleição por aclamação e por compromisso, deixando unicamente o modo por escrutínio como válido.

O Papa era eleito por aclamação ou inspiração se os Cardeais eleitores, “como iluminados pelo Espírito Santo, livre e espontaneamente, proclamam a um deles, por unanimidade e pessoalmente, Sumo Pontífice” (Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo, artigo 63). A eleição por compromisso tinha lugar se “em determinadas circunstâncias particulares, os Cardeais eleitores encomendam a um grupo deles o poder de eleger, em lugar de todos, o Pastor da Igreja Católica” (Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo, artigo 64).

A eleição por escrutínio, o único modo actualmente válido, tem lugar através da votação, individual e secreta, dos Cardeais eleitores. A Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis prescreve que se devem realizar duas votações por dia, além de uma votação na tarde em que começa o conclave. Para que seja válida a eleição deve contar com dois terços dos votos. O artigo 74 prevê que, se depois de 24 escrutínios os Cardeais não conseguem entrar em acordo sobre o Cardeal eleito, poderão decidir por maioria absoluta o modo de proceder, mas nunca se deverá prescindir do requisito de exigir maioria simples para que seja válida a eleição.

Depois de cada eleição queimam-se as papeletas. A tradição indica que os Cardeais provoquem com palha seca ou húmida que a fumaça seja negra, se o Papa ainda não foi escolhido, ou branca, se o novo Romano Pontífice já foi escolhido: é o conhecido fumo negro ou fumo branco, que se costuma ver da praça São Pedro.

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Há requisitos para ser eleito Pontífice?

A legislação canónica não impõe requisitos para ser eleito Papa: portanto, devem-se considerar requisitos os próprios do direito divino para ser Bispo, quer dizer, ser homem com pleno uso da razão. Na prática, entretanto, há muitos séculos o eleito foi sempre Cardeal.

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Como é que o Cardeal eleito aceita ser Pontífice?

Uma vez eleito, o Cardeal Decano pergunta ao eleito se aceita sua eleição canónica como Sumo Pontífice. Se o eleito que é Bispo aceita, desde esse momento adquire de fato a plena e suprema potestade sobre a Igreja universal. Uma vez que tenha aceitado, pergunta-lhe o nome pelo qual quer ser chamado. Se o eleito não é Bispo, procede-se imediatamente a sua ordenação episcopal.

Os Cardeais a seguir lhe prestam homenagem e obediência. Depois o primeiro dos Cardeais Diáconos -quer dizer, o Cardeal Protodiácono - anuncia do balcão da Basílica Vaticano ao povo reunido na praça de São Pedro a eleição do novo Papa, usando a tradicional fórmula: “Nuntio vobis gaudium magnum: habemus Papam!”. O Romano Pontífice dá a bênção Urbi et Orbi.

De acordo com o artigo 90, se o eleito se encontrar fora da Cidade do Vaticano, “devem ser observadas as normas do mencionado Ordo rituum Conclavis”

O artigo 92 indica que “o Pontífice, depois da solene cerimónia de inauguração do pontificado e dentro de um tempo conveniente, tomará posse da Patriarcal Archibasílica Lateranense, segundo o rito estabelecido”.

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COLÉGIO CARDINALÍCIO Imprimir e-mail

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O título de Cardeal foi reconhecido pela primeira vez durante o pontificado de Silvestre I (314-335). O termo vem da palavra latina cardo, que significa "bisagra". A criação de cardeais dá-se por decreto do Romano Pontífice, que os elege para serem seus principais colaboradores e assistentes.

Em princípio, o título de Cardeal era atribuído genericamente a pessoas ao serviço de uma igreja ou diaconia, reservando-o mais tarde aos responsáveis das Igrejas titulares de Roma e das igrejas mais importantes da Itália e do estrangeiro. Desde tempos do Papa Nicolau II em 1059 e gradualmente até 1438 com o Papa Eugénio IV, este título adquiriu o prestígio que o caracteriza hoje.

O Colégio Cardinalício foi instituído na sua forma actual em 1150: conta com um Decano - o Bispo de Ostia, que conserva a Igreja que tinha antes em título -, e um Camarlengo, que administra os bens da Igreja quando a Sede de Pedro está vaga. O Decano é eleito dentre os cardeais de ordem episcopal que têm o título de uma Igreja suburbicária (Cânon 352, par.2) -as sete dioceses mais próximas de Roma (Albano, Frascati, Ostia, Palestrina, Porto-Santa Ruffina e Velletri-Segni).

Os cânones 349 a 359 descrevem as responsabilidades do Colégio.

O cânon 349 afirma: "Os Cardeais da Santa Igreja Romana constituem um Colégio especial cuja responsabilidade é prover à eleição do Romano Pontífice, de acordo com a norma do direito peculiar; assim mesmo, os Cardeais assistem o Romano Pontífice, tanto colegialmente -quando são convocados para tratar juntos questões de mais importância -, como pessoalmente, mediante as diversas funções que desempenham, ajudando sobretudo o Papa no seu governo quotidiano da Igreja universal".

O número de Cardeais variou até quase fins do século XVI e foi crescendo ao ritmo dos sucessivos desenvolvimentos dos assuntos da Igreja. Os Concílios de Constancia (1414-18) e Basileia (1431-37), limitaram o número de cardeais a 24. Mas no tempo de Paulo IV (1555-59), o número aumentou até 70 e depois até 76 sob Pio IV (1559-65). Sixto V, com a Constituição 'Postquam verus' de Dezembro de 1586, fixou o número de cardeais em 70.

Mas este número voltou a aumentar até alcançar 144, depois do Consistório de Março de 1973. Paulo VI, no Motu próprio "Ad purpuratorum patrum" do 11 de Fevereiro de 1965, estendeu o Colégio Cardinalício para incluir os Patriarcas orientais. "Os Patriarcas orientais que formam parte do Colégio dos Cardeais têm como título a sua sede patriarcal" (Cânon 350, par.3).

O Cânon 350, par. 1 afirma: "O Colégio cardinalício divide-se em três ordens: o episcopal - a que pertencem os Cardeais aos quais o Romano Pontífice atribui como título uma Igreja suburbicária e os Patriarcas orientais destinados ao Colégio cardinalício -, o presbiterial e o diaconal".

O Colégio Cardinalício tem se internacionalizado notavelmente nos últimos 30 anos. Os requisitos para serem eleitos são, mais ou menos, os mesmos que estabeleceu o Concílio de Trento em sua sessão XXIV do 11 de Novembro de 1563: homens que receberam a ordenação sacerdotal e se distinguem pela sua doutrina, piedade e prudência no desempenho dos seus deveres.

Como conselheiros do Papa, os cardeais actuam colegialmente com ele através dos Consistórios, que o Romano Pontífice convoca e se desenvolvem sob a sua presidência. Os Consistórios podem ser ordinários ou extraordinários. No consistório ordinário reúnem-se os cardeais presentes em Roma, outros bispos, sacerdotes e convidados especiais. O Papa convoca estes Consistórios para fazer alguma consulta sobre questões importantes ou para dar solenidade especial a algumas celebrações. A um Consistório extraordinário são chamados todos os cardeais e celebra-se quando requerem algumas necessidades especiais da Igreja ou assuntos de maior gravidade.

Desde 1059, os Cardeais têm sido os únicos eleitores do Papa a quem elegem em conclave, seguindo as últimas orientações da Constituição Apostólica de João Paulo II "Universi Dominici gregis", de 22 de Fevereiro de 1996. Durante o período de "sede vacante" - da Sede Apostólica -, o Colégio Cardinalício desempenha uma importante função no governo geral da Igreja e, depois dos Pactos Lateranenses de 1929, também no governo do Estado da Cidade do Vaticano.

Até 14 de Dezembro de 2000, formavam parte do Sagrado Colégio Cardinalício 141 membros.
44 deles têm 80 anos de idade e segundo a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, não podem participar do conclave para a eleição de um novo Pontífice. Os Cardeais eleitores são 98 e os vacantes 22. Além disso, existem 2 Cardeais que foram criados in pectore no consistório de 21 de Fevereiro de 1998. A sua criação faz-se efectiva somente se e no momento em que o Pontífice publica os seus nomes.

Geralmente, é pedido ao Cardeais que apresentem a demissão quando cumprem 75 anos de idade. Aqueles que têm mais de 80, não podem participar no conclave. Deixam também de ser Membros dos Escritórios da Cúria Romana ou de qualquer outro organismo ou dicastério da Santa Sede.

Os Cardeais são tratados por "Sua Eminência" ou "Eminência". Os que trabalham para a Cúria Romana e residem na Cidade do Vaticano ou em Roma, são considerados cidadãos da Cidade do Vaticano.

Com o anúncio do Papa João Paulo II da criação de sete novos cardeais, adicionais aos 37, o Colégio Cardinalício ascende à cifra recorde de 185 membros, dos quais 135 são eleitores que poderão participar num eventual conclave na Capela Sixtina para a eleição de um novo Papa.

O número de cardeais que tem mais de 80 anos, e que portanto perderam o seu direito de eleger um novo Pontífice, foi elevado  para 50.
No novo consistórioi serão 133 purpurados com menos de 80 anos e até ao fim do ano, a cifra diminuirá para 130.

Acrescentando sete nomes, o Santo Padre aumentou ulteriormente a distância com respeito aos precedentes de consistórios numerosos do passado em particular o de 1969 no qual o Papa Montini (Paulo VI) criou 33 novos cardeais (um a mais que Pio XII, que no consistório de 1946 havia criado 32).

 Novo Cardeal Protodiácono 

Bento XVI confirmou no dia 1 de Março de 2008 como novo Cardeal Protodiácono D. Agostino Cacciavillan, presidente emérito da Administração do Património da Sé Apostólica.

O Cardeal Protodiácono, entre outras funções, “anuncia ao povo o nome do novo Sumo Pontífice eleito”, como enuncia o Código de Direito Canónico (cân. 356.2).

No consistório para a criação dos novos Cardeais, o Papa designa uma igreja de Roma («Título» ou «Diaconia») a cada Cardeal, como sinal de sua participação no cuidado pastoral do Papa pela cidade.  

Seguindo a tradição de incardinação na diocese de Roma, o Colégio Cardinalício está estruturado em três ordens: episcopal, presbiteral e diaconal. A inscrição dos Cardeais numa ordem é feita pelo Papa.  

Aos cardeais da ordem episcopal é designada uma diocese sufragânea de Roma.

 

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ARCEBISPO é o nome que recebe um Bispo com o título de uma Arquidiocese.

É METROPOLITANO o Arcebispo da arquidiocese central de uma província eclesial que contém várias dioceses. Tem todos os poderes do bispo em sua própria arquidiocese e supervisão, e jurisdição limitada sobre as demais dioceses (chamadas sufragâneas).

O pálio, conferido pelo Papa, é o símbolo de seu status como metropolitano.

ARCEBISPO TITULAR é aquele que tem o título de uma arquidiocese que existia no passado, mas agora só existe em título. Não tem jurisdição ordinária sobre uma arquidiocese. Assim são, por exemplo, os arcebispos na Cúria Romana, Núncios Papais, Delegados apostólicos.

ARCEBISPO AD PERSONAM é o título honorífico pessoal a modo de distinção concedido a alguns bispos. Não tem jurisdição ordinária sobre uma arquidiocese.

ARCEBISPO PRIMAZ é o título honorífico dado a Arcebispos das circunscrições eclesiásticas mais antigas ou representativas de alguns países ou regiões. Em Portugal existe o Arcebispo Primaz de Braga.

 
BISPOS Imprimir e-mail

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O BISPO DIOCESANO é aquele que governa uma diocese.

O BISPO TITULAR possui o título de uma diocese que existiu no passado e agora existe apenas em título; é normalmente bispo assistente (auxiliar) de um bispo diocesano o arcebispo.

BISPO COADJUTOR é o bispo assistente (auxiliar) de um bispo diocesano, com direito a sucessão.

O VIGÀRIO EPISCOPAL é um assistente que pode ser ou não um bispo, designado por um bispo residencial como seu delegado em uma parte fundamental da diocese, para um determinado trabalho apostólico.

A NOMEAÇÂO DOS BISPOS é realizada após um processo determinado de selecção que varia segundo as regiões e os diversos ritos católicos, mas a aprovação final em todos os casos está sob a decisão do Santo Padre.

O SÍNODO DOS BISPOS é uma assembleia de Bispos escolhidos das diversas regiões do mundo, que se reúnem em ocasiões determinadas para fomentar a união estreita entre o Romano Pontífice e os Bispos, e ajudar o Papa com seus conselhos para a integridade e melhora da fé e costumes e a conservação e fortalecimento da disciplina eclesiástica, e estudar as questões que se referem à acção da Igreja no mundo.

Foi criado pelo Papa Paulo VI em 15 de Setembro de 1965 com o Motu Proprio Apostolica Sollicitudo, aprovando seu Regulamento em 8 de Dezembro de 1966, que foi ampliado nos anos de 1969, 1971 e 1974." (D.C. 342)

O sínodo depende directamente e imediatamente do Papa, que tem a autoridade de designar a agenda, chamar a sessão e dar aos membros autoridade de deliberar e aconselhar. O Papa reserva-se o direito de designar o Secretário Geral, Secretários Especiais e até 15% do total dos membros.

Conferências episcopais

o que são e para que existem 

Uma reflexão de D. João Alves, Bispo emérito de Coimbra e antigo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa 

1 – Os bispos, ao longo da história da Igreja, sempre sentiram necessidade de se encontrarem uns com os outros por amizade e por exigências do seu ministério episcopal. Tratava-se de encontros facultativos da iniciativa dos próprios bispos. Com o evoluir das ideias, das culturas e da civilização os bispos de alguns países e regiões reconheceram a necessidade de se encontrarem com regularidade. Principalmente no século XIX foram bastantes os bispos de países do ocidente, que passaram a reunir-se com certa frequência, com a aprovação da Santa Sé. Quando se reuniu o Concílio Vaticano II esta realidade esteve presente na agenda da Assembleia Conciliar. Com efeito o assunto despertou um amplo debate e, por fim, as Conferências Episcopais foram criadas como organismos permanentes com alguns fins definidos, ficando de se acolher as conclusões futuras propostas pela experiência. Tenham-se presentes, a este propósito, os números 36 a 38 do decreto conciliar Christus Dominus em que se estabelece a primeira identidade das Conferências Episcopais, embora haja outros textos conciliares que se referem ao mesmo assunto. Pouco depois é publicada uma norma a urgir que em cada país se estabeleça, sem grande demora, a Conferência Episcopal respectiva. Graças a Deus há hoje na quase totalidade dos países do mundo Conferências Episcopais.

A Conferência Episcopal Portuguesa surge logo no pós-concílio, embora antes os bispos portugueses já se tivessem reunido bastantes vezes, por sua iniciativa, com a aprovação da Santa Sé. Actualmente a nossa Conferência Episcopal é organismo eclesial plenamente reconhecido pela Igreja como pelo Estado Português como consta no artigo 8 da Concordata de 2004, elaborada e ratificada por ambas as partes Em conclusão: Verifica-se que as Conferências Episcopais aparecem por necessidade dos bispos, como sucessores dos Apóstolos, de partilharem com os seus irmãos no episcopado as alegrias, as preocupações e as experiências pastorais no exercício do seu ministério; aparecem para, na ajuda mútua, corresponderem da melhor forma às exigências crescentes do seu ministério num mundo em rápida transformação; aparecem, em última análise, para possibilitar a experiência enriquecedora da comunhão eclesial e da comunhão do Colégio Apostólico, embora parcial.

2 – Olhando o presente e o futuro que se avizinha, as Conferências Episcopais estão chamadas a desempenharem uma importante missão na defesa e fortalecimento da unidade dos bispos no território que lhes é próprio. È que, cada vez mais, se procura dividir o Colégio dos sucessores dos Apóstolos, pensando no adágio antigo que afirma, divide e dominarás. Conseguir defender e fortalecer esta unidade é, sem dúvida, a função fundamental das Conferências Episcopais. Atinge-se este objectivo pela celebração conjunta da fé; pela atenção de todos os bispos à situação concreta de cada um; pela reunião periódica dos seus membros em assembleia plenária; pela reflexão serena e objectiva acerca da realidade em que exercem o ministério; pela definição conjunta de objectivos pastorais comuns segundo as maiores urgências pastorais; pela sua realização empenhada e pela avaliação serena e objectiva da acção pastoral em curso.  

Em resumo a Conferência Episcopal é, antes de mais nada, para fortalecer a união e comunhão entre os membros da Conferência Episcopal e, ao mesmo tempo, para promover uma acção pastoral nas dioceses, no país ou região concertada e actualizada, tendo sempre presente a comunhão maior com a Igreja Universal e com o Sucessor de Pedro, o Papa.

 

 
Paróquia, Vigararia e Missão do Vigário Imprimir e-mail

Reflexão de D. António Marto sobre a integração pastoral da paróquia na Vigararia

1. A paróquia e a vigararia hoje: pastoral de comunhão
A questão séria que se põe hoje à Igreja, às comunidades e a cada um de nós, é o anúncio e a transmissão da fé frente às mudanças culturais e às dificuldades e aos desafios que levantam: Como anunciar hoje? Qual deve ser o fundamento da evangelização? Que caminhos percorrer para que seja activa e fecunda? Não podemos contentarmo-nos com uma religiosidade vaga, genérica e superficial que não resiste às transformações culturais, à mínima tempestade provocada por um Código da Vinci e outras ficções do género.
João Paulo II, na Novo Millennio Ineunte, indica algumas linhas programáticas que poderemos sintetizar em três palavras-chave:
- Contemplação: contemplar o rosto (mistério) de Cristo para ir ao coração da fé e caminhar na estrada da santidade. É o reconhecimento do primado de Deus, da Sua graça e do Seu amor na vida e pastoral da Igreja; o apelo à essência da fé e da vida cristã (Palavra, Eucaristia, iniciação à fé);
- Comunhão: descobrir o mistério de comunhão que habita e caracteriza a forma da existência cristã e da Igreja e se torna espiritualidade pessoal e comunitária e, por conseguinte, praxis (pessoal e pastoral) de comunhão;
- Missão: para ser testemunhas alegres e convictas e fermento evangélico no mundo, atentos à vida quotidiana das pessoas e à mudança cultural do nosso tempo
A vida cristã, a vida em Cristo deve projectar-se para uma experiência de vida trinitária, vida de comunhão, que configurará a Igreja como “casa e escola de comunhão” e, por conseguinte, uma pastoral de comunhão. Isto define o aspecto fundamental da evangelização, hoje: partir sempre da comunhão, não esquecendo que esta é, antes de mais, uma espiritualidade a cultivar, como pressuposto indispensável para a práxis pastoral.
Tudo isto obriga a repensar a colocação da paróquia e sua acção pastoral.
1.1. A paróquia e a evangelização do território
A paróquia tem duas referências fundamentais: a igreja diocesana (da qual é uma célula) e o território (no qual torna a Igreja presente no meio das casas dos homens). O território deve ser entendido não só geograficamente, mas também antropologicamente: as características humanas, sociais e culturais. Dada a mobilidade característica do nosso tempo, as pessoas hoje vivem em vários territórios, geográficos e culturais. Já não vivem, nem fazem a sua vida só no espaço e no ambiente da paróquia. As referências são múltiplas. Continua, sem dúvida, a ser verdadeiro que a paróquia é a igreja presente no quotidiano das pessoas e das famílias, que as acompanha em todas as idades e etapas da vida. Todavia, não se pode mais concebê-la isolada e fechada em si mesma. Já o P.e Congar, nos meados do século passado, escreveu um livro com um título muito significativo: “Minha paróquia, vasto mundo”!
Uma pastoral de manutenção, voltada unicamente para a conservação da fé e assistência da comunidade, já não basta. É preciso uma pastoral evangelizadora e em todos os campos: ser capaz de criar e manter itinerários que aproximam as pessoas à fé, promovendo lugares de encontro com quantos andam à busca e com quem, mesmo sendo baptizado, sente o desejo de escolher de novo o evangelho como orientação de fundo da sua própria vida…
1.2. Uma pastoral integrada
Acabou o tempo da paróquia auto-suficiente que oferecia tudo para todos e respondia a todas as situações e a todos os problemas. Hoje isso é impossível. Todos devemos tomar consciência desta realidade.
Em âmbitos da pastoral litúrgica, da formação na fé, da pastoral dos jovens, da família, caridade, cultura, saúde, etc., só se pode trabalhar juntos. São terrenos onde a paróquia tem necessidade e urgência de mover-se em colaboração com as paróquias vizinhas, no contexto da vigararia, investindo corajosamente numa pastoral de conjunto.
Eis a razão pela qual é muito importante que as comunidades paroquiais colaborem cada vez mais, que haja uma colaboração e responsabilidade partilhada entre as comunidades. Não é bom que vivam lado a lado como ilhas. E não se trata apenas de uma colaboração meramente ocasional para uma determinada iniciativa, mas de um laço de colaboração duradoiro e programado. Isto é indispensável para a vitalidade das próprias comunidades.
E não se pense que se trata de uma pura “política de crise” resultante da escassez do clero. É antes uma perspectiva que se abre para o futuro. Isto resulta da unidade da missão da Igreja (missão em comunhão) para que seja vivida na busca de todas aquelas colaborações que permitam realizar iniciativas que superam as possibilidades de cada paróquia. Daqui a necessidade de uma pastoral integrada, isto é, situada dentro de um agregado mais vasto na relação com as outras paróquias.
Uma pastoral integrada põe em acção todas as energias de que o povo de Deus dispõe, valorizando-as na sua especificidade e, ao mesmo tempo, fazendo-as confluir em projectos comuns, pensados, definidos, programados e realizados em conjunto. Ela põe em rede os múltiplos recursos de que dispõe: humanos, espirituais, culturais, pastorais.
Tudo isto exige uma nova valorização da vigararia que vai mais para além das relações funcionais ou convergência de interesses práticos. Deve ser valorizada sobretudo como centro de evangelização ou “unidade pastoral” (mesmo sem a formalidade jurídica do “in solidum”), como âmbito normal de comunhão eclesial pastoral, de discernimento pastoral, de integração de iniciativas e colaborações entre paróquias de uma área, – “paróquias em rede”, num esforço de pastoral de conjunto, em ordem a uma nova qualidade de evangelização. Uma rede de fraternidade ao serviço do Evangelho.
Assim, será possível realizar também uma valorização das competências, um intercâmbio de dons e ministérios, uma partilha e poupança de recursos, um reequilíbrio dos encargos de trabalho.
Mas isto requer o difícil trabalho em equipa! Trabalhar em equipa requer, por sua vez, uma espiritualidade e uma ascese, a começar pelo “pensar em equipa”: pôr em comum os diversos pontos de vista com transparência; ter o desejo de aprender com os outros; escuta interessada e sem preconceitos; estar consciente de que em equipa se vê e discerne a realidade com maior amplidão e profundidade; renunciar ao individualismo e à indisciplina.
Além disto, é preciso tomar consciência de que o investimento pastoral na vigararia reverte numa “mais valia” para cada paróquia.
1.3. Estilo de pastoral integral
Além da pastoral integrada, é necessária também uma pastoral integral que integra as várias dimensões (profética, litúrgica e sócio-caritativa com as diferentes subdivisões), os vários sujeitos e os vários ministérios da pastoral da comunidade; uma pastoral em diálogo (dentro da comunidade, ecuménico, inter-religioso, com os de convicções não religiosas, com a cultura…)
Se acabou a época da paróquia auto-suficiente, acabou também o tempo do pároco auto-suficiente (faz-tudo), que pensa o seu ministério isolado.
Os sacerdotes devem ver-se sempre no interior do presbitério, por um lado, e dentro da sinfonia dos ministérios na comunidade, por outro. O pároco deverá cuidar de promover carismas, vocações, ministérios a partir da corresponsabilidade. Não pode reduzir os fiéis leigos ao papel de meras tropas auxiliares. Há que passar da mera ajuda (= dar uma mão) à corresponsabilidade dentro de um projecto pastoral comum.
Há pois uma tríade indivisível de elementos: comunhão, corresponsabilidade, colaboração, que desenham o rosto de comunidades que trabalham em conjunto. Estes três elementos configuram um estilo pastoral que valoriza cada recurso e cada sensibilidade, num clima de fraternidade e de diálogo, de franqueza na partilha e de humildade na busca do que corresponde ao bem de toda a comunidade; geram estilos de encontro e comunicação, através de relações interpessoais atentas a cada pessoa; e promovem relações maduras, capazes de escuta e de reciprocidade.
1.4. Conversão pastoral
Trata-se de ver nesta perspectiva não uma mera estratégia humana de organização eclesiástica, de engenharia eclesial ou lotização de poderes ou tarefas, mas antes uma indicação que nos vem do Senhor através do discernimento da situação da Igreja hoje e nos pede uma verdadeira conversão pastoral. É um apelo à fé para enfrentar as dificuldades e procurar soluções juntos; um apelo a olhar com esperança o momento presente com as suas dificuldades e chances e a não ficar parados junto ao muro das lamentações! Estamos a atravessar uma “crise epocal” que normalmente dura décadas. Não temos receitas e soluções prontas para os novos desafios. Mas a Igreja, ao longo da história, já passou por muitas destas “crises epocais” e soube encontrar sempre novas formas de presença e de anúncio do Evangelho. Também nós temos de estar à altura da hora presente!
Estou consciente de que só nesta base vos posso pedir uma atitude de conversão pastoral e o mais generoso contributo para a implementação desta orientação.
Questões para um exame de consciência pastoral:
Cuidamos da espiritualidade de comunhão entre nós e nas nossas comunidades? Se há grupos, associações e movimentos na paróquia ou vigararia sabemos – e como o estamos a fazer – discernir, integrar e cuidar da valorização das suas competências? Como cuidamos da intercomunicação dos diversos grupos específicos entre eles e com toda a comunidade e com a vigararia? Sabemos como programar e animar tudo isto? Estamos dispostos a pensar e a trabalhar em equipa? Como criar o “espírito de vigararia” em todas as paróquias?
A este exame de consciência ajuda também o “decálogo do sacerdote” apresentado por um bispo alemão já falecido (D. Klaus Hemmerle, bispo de Achen, numa jornada de estudo da Conferência Episcopal Alemã.):
É mais importante como eu vivo o sacerdócio, do que aquilo que faço enquanto sacerdote.
É mais importante o que Cristo faz através de mim, do que aquilo que faço eu.
É mais importante que eu viva a comunhão no presbitério, do que lançar-me até à exaustão sozinho no ministério.
É mais importante o serviço da oração e da palavra, do que o das mesas.
É mais importante seguir e ajudar a formar, espiritual e culturalmente, os colaboradores, do que fazer eu mesmo e sozinho o mais possível.
É mais importante estar presente em poucos, mas centrais sectores de acção, com uma presença que irradie vida, do que estar em tudo à pressa ou a meias.
É mais importante agir em comunhão com os colaboradores, do que sozinho, mesmo que me considere capaz; ou seja, é mais importante a comunhão do que a acção.
É mais importante, porque mais fecunda, a cruz do que os resultados muitas vezes aparentes, fruto de talentos e esforços simplesmente humanos.
É mais importante ter a alma aberta sobre o “todo” (comunidade, diocese, igreja universal, humanidade), do que fixada em interesses particulares, ainda que me pareçam importantes.
É mais importante que a fé seja testemunhada a todos, do que satisfazer todos os pedidos habituais.
2. A missão do Vigário
“O cargo de vigário reveste uma notável importância pastoral, enquanto colaborador próximo do Bispo na cura pastoral dos fiéis e solícito “irmão maior” dos sacerdotes da vigararia, sobretudo se estão doentes ou em situações difíceis.
Compete-lhe promover e coordenar a actividade pastoral que as paróquias realizam em comum, velar (= cuidar com solicitude) para que os sacerdotes vivam de acordo com o seu estado e seja observada a disciplina paroquial, sobretudo litúrgica” (Directório para o ministério pastoral dos bispos, nº 218).
A missão do vigário é, antes de tudo, pastoral e não só jurídico-administrativa. Inclui, em primeiro lugar, solicitude apostólica e fraternidade sacerdotal. O vigário é chamado a fomentar e coordenar a actividade pastoral comum e a animar a vida do presbitério local em comunhão. Em concreto e mais especificamente:
Promover a união e fraternidade do clero (criar laços através da boa relação, da participação e convívio nas reuniões vicariais, do contacto pessoal, do passeio anual, da visita aos colegas, do apoio espiritual e material aos colegas doentes; cuidar da dignidade dos funerais daqueles que faleceram e da salvaguarda dos livros paroquiais, dinheiros da paróquia; etc.)
Convocar e moderar as reuniões vicariais do clero (organizar e enviar a agenda, preparar com cuidado o momento de oração comunitária, promover a participação de todos, prestar atenção ao tempo para abordar os assuntos, nomear secretário para fazer a acta, etc.).
Desenvolver a vida e o trabalho de equipa (distribuição de tarefas, cuidar da substituição de um padre em casos imprevistos, marcação conjugada de férias…).
Ajudar o clero a conhecer e a aderir às propostas diocesanas, à participação na formação permanente, à avaliação periódica das propostas pastorais, à elaboração da nova contabilidade, de harmonia com o previsto na Concordata.
Propor iniciativas comuns às paróquias da vigararia para o desenvolvimento do sentido de unidade pastoral, fomentar acções da pastoral especializada na vigararia (formação dos agentes da pastoral litúrgica, preparação do matrimónio, formação de catequistas e de ministérios, pastoral juvenil, pastoral sócio-caritativa, pastoral vocacional etc.).
Convocar, presidir e animar as jornadas vicariais (ou assembleias ou encontros vicariais).
Representar a vigararia nas reuniões de vigários ou outras.
Ser meio de comunicação entre as paróquias e a Diocese (dificuldades, doença ou morte de colegas ou seus familiares); concretamente, ser mediador, de primeira instância, nas dificuldades que possam surgir entre um pároco e os fiéis, ajudando a encontrar soluções.
Tutelar e acompanhar a administração do património e dos bens eclesiásticos, aconselhando, quando se trate de obras, a consulta à Comissão de Arte Sacra. Promover a inventariação, e se for caso disso, o registo dos bens das paróquias.
Zelar para que os livros paroquiais estejam em dia e os respectivos “extractos” entregues na Cúria.

Concluindo:
-Não há missão eficaz senão dentro de um estilo de comunhão.
-Trabalhai menos. Trabalhai melhor. Trabalhai mais unidos. Rezai mais e mais unidos no mesmo Senhor Jesus!
Tu, Senhor, tens confiança em nós, no teu povo, apesar das nossas fraquezas, fadigas e resistências. Vem com o teu Santo Espírito e concede-nos a graça de acolher o teu apelo a uma maior colaboração, interacção e comunicação entre as nossas paróquias, para oferecer um testemunho cristão mais unido, mais eficaz, mais bem organizado e mais significativo no território onde somos chamados a anunciar o Evangelho.
Concede esta graça aos sacerdotes e aos fiéis leigos de colaborarem fraternamente para o bem do Teu povo; faz com que cada um acolha os grandes dons de graça e de alegria evangélica que brotam da comunhão dos corações!

António Marto, Bispo de Leiria-Fátima

 
PADRES, CÓNEGOS E MONSENHORES Imprimir e-mail

Pelo sacramento da Ordem, não há nenhuma diferença entre padre, cónego ou monsenhor. Todos são ordenados, no segundo grau deste sacramento. Todos são presbíteros do Povo de Deus.
Hoje, os títulos de cónego e monsenhor são honorários e não indicam a posse de nenhum cargo ou posição na Igreja. Antes das reformas conciliares, eles formavam o cabido diocesano, para a função de conselheiros do bispo, o governo da diocese durante a vacância e o esplendor das funções litúrgicas na catedral. Hoje, o bispo conta com diversos Conselhos, que são formados por representantes de todo o clero e do laicado. Não contam os títulos, mas a disposição para o serviço comum e comunitário da evangelização. Hoje, cónego e monsenhor são títulos de homenagem e reconhecimento pelos serviços prestados à Igreja. Além disso, o título de monsenhor é também usado para o padre que foi eleito bispo. Enquanto ele não é ordenado bispo, é chamado de monsenhor.

 

 

 
Padres para quê? Imprimir e-mail

1. Na Igreja de Cristo, a vocação está sempre ligada à missão.

Cristo chama os apóstolos e aponta-lhes um horizonte de vida: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens» (Mc 1, 17). Neste caso, dirigia-se a pescadores de peixes, propondo-lhes a rentabilização máxima do seu saber, a um nível muito superior. Jesus Cristo, sendo Deus omnipotente, é tão humilde e amigo que quer precisar de todos para a salvação do mundo. A minha identidade cristã é estruturalmente missionária. Somos baptizados com uma missão. Só vivendo em missão de serviço, provo quem sou e explico quem é que me chama e é o meu Senhor: Jesus Cristo.

2. Todos os cristãos participam do único Sacerdócio de Cristo.

Não há classes nem categorias sociais na sua e nossa Igreja. «Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos». Assim o recorda o teólogo S. Paulo (Ef 4, 4-6). Na Igreja de Cristo ninguém é mais nem menos que alguém. Mas na igualdade fundamental há diferentes funções ou ordens. Assim, «o sacerdócio ministerial está ao serviço do sacerdócio comum [dos baptizados], ordena-se ao desenvolvimento da graça baptismal de todos os cristãos. É um dos meios pelos quais Cristo não cessa de construir e guiar a sua Igreja. E é por isso transmitido por um sacramento próprio, que é o sacramento da Ordem» (Catecismo da Igreja Católica, n° 1547).

3. Para que serve um Padre?

Um Padre serve para servir. O seu centro deve estar naqueles que serve, enviado por Cristo. De modo algum pode ficar centrado no espelho da sua presumível importância ou do seu estatuto social. «Eu estou no meio de vós como aquele que serve». Assim apresentou Cristo a sua missão sacerdotal (Lc 22, 27). A autoridade na Igreja não deve significar poder e importância, mas sim presidência no serviço daqueles que lhe estão confiados.

4. Um Padre serve para oferecer Cristo eucarístico ao povo de Deus.

O sacerdócio nasceu indissoluvelmente ligado à Eucaristia, na Última Ceia de Jesus com os Apóstolos. Sacerdócio e Eucaristia mutuamente se reclamam. O Padre preside à Eucaristia não em seu nome pessoal, mas em nome de Cristo cabeça de todo o corpo da Igreja. Nesta linha, afirma o Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica Sacramento da Caridade: «É necessário que os sacerdotes tenham consciência de que, em todo o seu ministério, nunca devem colocar em primeiro plano a sua pessoa nem as suas opiniões, mas Jesus Cristo. Contradiz a identidade sacerdotal toda a tentativa de se colocarem a si mesmos como protagonistas da acção litúrgica» (n° 23). Adaptando o ditado popular: Diz-me como celebras a Eucaristia e eu te direi que Padre és... Que seria dos fiéis cristãos se não houvesse sacerdotes que, na pessoa de Cristo e em nome da Igreja, oferecessem o próprio Cristo feito pão, qual novo milagre da multiplicação dos pães, extraordinariamente melhorado?

5. Um Padre é um humano profissional do divino, cuja especialidade é ser embaixador de Cristo no nosso mundo.

A sua vida deve ser transparente daquele que o envia para abrir, pelo Baptismo, as portas da Igreja de Cristo; para perdoar, libertando-nos das cadeias do pecado; para matar a nossa fome de infinito pelo pão da Eucaristia; para unir os esposos em amor perene e fecundo; para revigorar as forças dos enfermos; para proclamar a palavra de Deus, com fidelidade e coragem...

É urgente pedir a Deus que nos envie sacerdotes,
pois necessitamos
de outros Cristos na terra.

Do Senhor é a terra e o que nela existe,
O mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas.

Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro
que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso.

Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face do Deus de Jacob (Salmo 23,1-6)

 

 

 
Igreja - Instituição Imprimir e-mail

 

Igreja – Instituição

 

Deus, no seu plano de amor, quis se comunicar com a humanidade. Através de pessoas e acontecimentos Ele  foi gradativamente revelando a Si mesmo (quem Ele é) e o seu plano para nós.  Essa Revelação não  visava  só um conhecimento intelectual, mas também  existencial, vivo : conhecer Deus para entrar em comunhão (união íntima e real) com Ele. Essa comunhão deveria  envolver também os homens entre si.

Por isso, Deus escolheu o povo de Israel para ser o Seu Povo no meio da humanidade. No seu meio realizou prodígios, sinais da sua benevolência. Por meio deste Povo, descendente de Abraão, o homem que por primeiro acreditou, a salvação chegaria a todos os povos da terra. Como um pai ou uma mãe que  pouco a pouco ensina o seu filho, assim Deus fez com o povo de Israel. Através de Moisés, dos Juízes e dos Profetas, Ele  formou, conduziu e instruiu o Seu Povo.

Tudo isto era a preparação para a sua plena Revelação: o momento em que não mais um mensageiro, mas o próprio Filho de Deus feito homem viria viver no meio dos homens. As promessas se tornariam realidade: toda a humanidade (e não um povo apenas), todas as pessoas (e não uma única raça), poderiam receber, em Jesus Cristo, o poder de se tornarem filhos de Deus.

Este Novo Povo de Deus é a Igreja (do grego «Ekklesía», que quer dizer «povo convocado»).

Muitos pensam na Igreja como um grupo social, de pessoas reunidas com determinada finalidade, como qualquer outro tipo de fenómeno associativo. Assim, uma comunidade cristã seria algo como um grupo de amigos, um clube ou uma associação beneficente. Tal visão às vezes se reflecte na afirmação: «A Igreja somos nós!». Não é verdade! A Igreja somos nós convocados, reunidos por Cristo e unidos a Ele! Como? Por um vínculo, uma ligação espiritual, mas real: a vida da graça, que é a própria vida de Deus em nós. Vínculo espiritual que se traduz em estruturas e compromissos concretos. Quando entramos nesta comunhão? No momento do Baptismo: pelo poder de Deus, através do sinal da água e das palavras transmitidas pelo próprio Cristo, nós somos regenerados (isto é, gerados de novo), nascemos para esta vida que nunca mais terá fim.

E assim, podemos dizer com o Apóstolo Paulo, «já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim»! Sim: Cristo vive na  sua Igreja! Em nós e através de nós  vai se realizando no mundo o plano de Salvação: pelo anúncio da Palavra de Deus, pela celebração dos Sacramentos que tornam presente e realizam a salvação, pelo testemunho de vida e pela acção de cada um de nós. Em nós e através de todos nós unidos num mesmo Corpo, que é a Igreja, unidos à cabeça desse Corpo que é Cristo, que nos conduz através dos Apóstolos e dos seus sucessores (os Bispos em comunhão com o Papa, sucessor de Pedro). Em nós e através de nós: mas sempre pelo poder do Espírito de Deus.

Assim, a Igreja tem como Cabeça Cristo, no coração dos seus filhos habita o Espírito Santo, tem como lei o Amor, a sua missão é ser «sal da terra» e caminhar em direcção ao Reino.

 

Os Grandes Concílios Ecuménicos.

A Igreja Católica, desde o seu nascimento no dia de Pentecostes, realizou periodicamente grandes encontros reunindo todos os Bispos do mundo. Esses encontros são chamados “Concílios Ecuménicos”, e têm como objectivo, discutir, deliberar e promulgar textos fundamentais para o desenvolvimento da Doutrina Católica, tendo sempre como referência a Bíblia Sagrada e a Tradição do Magistério Romano.

Ao longo de vinte séculos de cristianismo, houve vinte e um Concílios Ecuménicos, sendo o primeiro o Concílio de Jerusalém, com a presença de todos os Apóstolos, sob a presidência de São Pedro, o primeiro Papa; e o último, o Concilio Vaticano II, realizado no Vaticano sob a presidência dos Papas João XXIII e Paulo VI. Este Concílio teve a duração de três anos (1962-1965).

 

Principais Concílios Ecuménicos.

 

Concílio de Jerusalém

O primeiro Concílio reuniu-se em Jerusalém por volta do ano 60, na presença dos Apóstolos, presidido por São Pedro. É narrado no Livro dos “Actos dos Apóstolos”, a partir do capítulo quinze.

Este Concílio decidiu, entre outras coisas, que era necessário levar a “Boa Nova” da Salvação a todos os homens, sem se fazer distinção entre judeus e gentios. Também decidiu a não necessidade da circuncisão, bastando apenas o Baptismo cristão.

Segundo a Tradição, é neste Concílio que se elaborou o “Credo” que se recita nas missas, após a homilia do sacerdote.

 

Concílio de Nicéia

Após o Concílio de Jerusalém, reuniu-se no ano 325 na cidade de Nicéia, um novo Concílio Ecuménico de capital importância para o mundo cristão. Este Concílio ficou conhecido como “Concílio de Nicéia”.

Foi convocado e presidido pelo Papa São Silvestre I, e discutiu, entre outros temas, a questão da Trindade de Deus, definindo-a como Dogma de fé. Elaborou um novo “Credo”, onde claramente proclama a crença no Deus “Uno e Trino”.

 

Concílio de Constantinopla

No início do cristianismo, muitas heresias perturbaram o mundo católico. Mesmo após o Concílio de Nicéia, em 325, as polémicas em torno da questão da Trindade de Deus continuavam, principalmente difundidas por um bispo de nome “Ario”, que afirmava que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, isto é, o Filho, era “menor” do que o “Pai”.

Por esse motivo, um novo Concílio foi chamado em 381 pelo Papa Dâmaso I, reunindo-se na cidade de Constantinopla. Este Concílio debruçou-se mais uma vez sobre a questão da Trindade, aumentando e melhorando as definições do Concílio anterior e promulgando o “Credo Niceno-Constantinopolitano”, que é rezado até hoje nas missas mais solenes, sendo o Credo Oficial da Igreja. Com este Concílio, a questão da Trindade de Deus ficou definitivamente estabelecida.

 

Concílio de Trento

Após diversos Concílios de importância variável, reuniu-se na cidade de Trento, ao norte da Itália, um grande Concílio Ecuménico entre os anos de 1550-1560, sob a presidência do Papa São Pio V.

Foi o mais importante Concilio da era moderna, pois enfrentou diversas questões de importância capital, como a questão da transubstanciação de Cristo na Eucaristia, o verdadeiro significado da missa, a questão do sacerdócio católico, os Sacramentos da Igreja, entre outras questões de grande relevância, todas elas negadas pelo protestantismo.

Este Concílio renovou o Missal católico, bem como todos os manuais de ritos sacramentais.

Após este Concílio, a Igreja passou mais de 300 anos sem necessidade de Concílios gerais até ao século XIX.

 

Concílio Vaticano I

Reuniu-se no Vaticano sob a presidência do Papa Pio IX, entre os anos de 1868-1871.

Este Concílio tratou de diversas questões gerais e definiu a Infalibilidade Pontifícia em assuntos relacionados à Fé e à Moral, exclusivamente. Na verdade, o Concilio Vaticano I não terminou oficialmente.

Foi interrompido por diversas questões políticas, como a guerra pela unificação da Itália, a guerra entre a Prússia (Alemanha) e a França, entre outras questões.

Um novo Concílio só seria reunido no século XX.

 

Concílio Vaticano II

O último Concílio Ecuménico reuniu-se entre os anos de 1962 e 1965 no próprio Vaticano, sob a presidência dos Papas João XXIII e Paulo VI.

Este Concílio foi eminentemente um “Concílio Pastoral”, isto é, não definiu Dogmas ou novos pontos doutrinários, mas propôs novas formas de Evangelização, bem como actualizou o rito da missa, que passou a ser rezada não em latim mas em língua vernácula, para a maior participação dos fiéis católicos.

Desde então, não houve novos Concílios Gerais na Igreja de Cristo.    

 
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Os Documentos usados pelo Papa

Os documentos pontifícios são designados por diversos nomes:

Bula (o mais importante de todos os títulos),

Breve (Bula menos longa),

Rescrito (resposta a uma pergunta ou solicitação),

Motu Próprio (Carta de iniciativa do próprio Papa),

Encíclica (Carta Circular que orienta os fiéis).  

As definições sobre fé e a Moral (dogmas) são geralmente publicadas sob forma de Bula.

Qual a autoridade dos documentos pontifícios? 

Os pronunciamentos do Papa, quando exerce o seu magistério, exigem respeito e acatamento.   Todos eles são importantes, mas uma Bula tem mais peso do que uma Encíclica.  

No entanto, para o mesmo  efeito pode o Papa usar documentos diferentes; assim Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição mediante a Bulla Ineffabilis Deus em 1854, ao passo que Pio XII definiu a Assunção de Maria mediante a Carta Apostólica Munificentissimus Deus em 1950; A  Lumen Gentium (25)   diz o seguinte: “O magistério supremo (do Papa) seja reverentemente reconhecido, as suas sentenças sinceramente acolhidas, sempre de acordo com a sua mente e vontade. Esta mente e vontade consta principalmente ou da índole dos documentos ou da frequente proposição de uma mesma doutrina ou da sua maneira de falar”. 

O Código de Direito Canónico distingue entre assentimento de fé e religioso obséquio: “Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de a proclamar por acto definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela” (Cânon 752).  Jesus garantiu a infalibilidade da Igreja em assuntos de fé e de moral. “Estarei convosco até à consumação dos séculos” (Mt 28,20). Então, como é que a Igreja pode errar o caminho da salvação? Na Última Ceia  Jesus garantiu aos Apóstolos que o Espírito Santo lhes ensinaria “toda a verdade” (Jo 14, 15.25; 16,12-13). Consciente do valor destas palavras, a Igreja inteira – hierarquia e fiéis – crê e professa a verdade revelada. 

Principais documentos usados pelo Papa 

Cartas Apostólicas Carta Apostólica é a denominação genérica.   Apostólica aqui significa  “do Apóstolo Pedro, que fala pelo seu sucessor”. As Cartas Apostólicas simplesmente ditas podem tratar de assuntos ligados ao governo da Igreja: nomeação de Bispos, Cardeais, criação de uma nova diocese, canonização de algum(a) Santo(a),  temas doutrinários ou morais, comemoração de alguma data ou de algum evento importante.

Constituição 

É um documento de grande autoridade, que pode ser sobre os mais diversos temas: - Constituição Dogmática (tais são a Lumen Gentium, a Gaudium et Spes, a Sacrosanctum Concillum, a Dei Verbum, do Concílio do Vaticano II, promulgadas pelo Papa Paulo VI) …- Constituição Apostólica: pode ser relativa ao governo da Igreja; por exemplo: a Const. Regimini Ecclesiae Universae, de Paulo VI, datada de 1967, a Const. Pastor Bonus  de João Paulo II, promulgada em 1968 … Pode versar também sobre a Liturgia; assim a Const. Divini Cultus, de Pio XI, promulgada em 1928.   Sobre estudos e formação doutrinária existe a Const. Deus Scientiarum Dominus, de Pio XI, datada de 1931.  

Bula 

Na Roma antiga, “bulla” significava um pequeno globo de metal vazio, que os vencedores de um prémio traziam pendente do pescoço.   A partir do século VI os Papas empregaram a bula (portadora do nome do Papa respectivo) a fim de autenticar os seus documentos; Bulla consequentemente passou a designar o selo ou sinete do Papa.   A partir do século XIII Bula designa não apenas o globo de metal, mas a própria  carta à qual ele se prende. – Por Bula o Papa geralmente exprime algo de muito solene, tal foi o caso da Bula Ineffabilis Deus, que em 1854 formulou a definição do dogma da Imaculada Conceição.   Por Bula o Papa convoca os participantes de um Concílio geral, cria ou desmembra uma diocese. A Bula começa pelo nome do Papa, dito servus servorum Dei (servo dos servos de Deus), segue-se uma saudação e o conteúdo do documento.   Utiliza-se o pergaminho.   Outrora a letra era de tipo gótico e apresentava diversas abreviações, que tornavam difícil a leitura do documento.   Leão XIII, em 1878, determinou que se utilizasse a escrita comum.  Até 1 de Janeiro de 1908 as Bulas eram datadas a partir de 25 de Março (solenidade da Encarnação) e os dias eram contados segundo a nomenclatura romana (kalendas, idus, nonas); Pio X determinou a contagem dos dias segundo a terminologia corrente na sociedade actual.   As Bulas de muito grande importância têm, pendentes de cordões coloridos, um globo de chumbo no qual está gravada a imagem das cabeças de São Pedro e São Paulo.  

Breve 

O Breve é um documento normalmente mais curto e menos solene do que uma Bula, que normalmente trata de questões  privadas, como dispensa de irregularidades para exercer alguma função na Igreja, dispensa de certos impedimentos do matrimónio, autorização de oratório doméstico com o Santíssimo Sacramento, autorização para vender bens da Igreja, outros benefícios e favores especiais.A Santa Sé pode responder a uma petição mediante um Rescrito; uma  breve resposta da à petição.   Bula e Breve são às vezes equivalentes.   Por exemplo, mediante um Breve Pio IX em 1850 restaurou a hierarquia episcopal na Inglaterra, mas foi mediante uma Bula que Leão XIII a restabeleceu na Escócia em 1878.   A Companhia de Jesus foi reconhecida e aprovada oficialmente por uma Bula de Paulo III em 1540; foi extinta por um Breve de Clemente XIV em 1773 e finalmente restaurada por uma Bula de Pio VII em 1814.Num Breve o nome do Papa é colocado no alto e no centro com o seu número de ordem (assim João Paulo II). O destinatário é designado por um vocativo:  Dilecte Fili (Dileto Filho); após o quê há uma saudação: Salutem et Apostolicam Benedictionem, ou a afirmação de perpetuidade: Ad perpetuam rei memoriam.   O Breve termina com a indicação da data e a menção do anel do Pescador (Pedro): Datum Romae, apud Sanctum Petrum, sub annulo Piscatoris, die … O papel utilizado é branco e liso; os caracteres são os da escrita corrente, com acentuação e pontuação.  

Motu Proprio Motu Próprio

(do latim motivo próprio) é o documento que por iniciativa  do próprio Papa, com pleno conhecimento de causa.   É um documento cujo conteúdo o Papa quer recomendar com particular empenho. Tal tipo de documento traz sempre em seu título a cláusula Motu Proprio sobre alguns aspectos da celebração do sacramento de Penitência, datado de 7 de Abril de 2002 e assinado por João Paulo II. Os primeiros documentos deste tipo apareceram durante o pontificado de Inocêncio VIII (1484 -1492).   Faziam contraste às Cartas Decretais, que eram sempre a resposta dada a alguma questão levantada e indicavam como o Direito deveria ser aplicado em determinadas circunstâncias.   O Motu Proprio, publicado sem nome de destinatário, tinha alcance mais amplo.(do latim motivo próprio) é o documento que por iniciativa  do próprio Papa, com pleno conhecimento de causa.   É um documento cujo conteúdo o Papa quer recomendar com particular empenho. Tal tipo de documento traz sempre em seu título a cláusula Motu Proprio sobre alguns aspectos da celebração do sacramento de Penitência, datado de 7 de Abril de 2002 e assinado por João Paulo II. Os primeiros documentos deste tipo apareceram durante o pontificado de Inocêncio VIII (1484 -1492).   Faziam contraste às Cartas Decretais, que eram sempre a resposta dada a alguma questão levantada e indicavam como o Direito deveria ser aplicado em determinadas circunstâncias.   O Motu Proprio, publicado sem nome de destinatário, tinha alcance mais amplo.O Motu Proprio pode abordar temas importantes e introduzir novas disposições legislativas.   Assim Paulo VI pelo Motu Proprio de 6 de Agosto de 1966 “Ecclesiae Sanctae” modificou alguns traços do Direito Canónico; a 28 de Março de 1971 também apresentou normas do procedimento que investiga a nulidade de um casamento.  

Rescrito  

Rescrito vem do latim rescribere, que significa responder por escrito a uma carta ou a uma pergunta escrita.Em Roma chamavam-se rescripta as respostas que davam os imperadores às questões de Direito sobre as quais eram consultados.   No Direito Canónico tal palavra teve significados diversos no decorrer dos séculos.   O actual Código assim a define :“Por rescrito entende-se o ato administrativo baixado por escrito pela competente autoridade executiva, mediante o qual, por sua própria natureza, se concede privilégio, dispensa ou outra graça, a pedido de alguém” (cânon 59 § 1º).Pode acontecer que no texto do rescrito venha inserida a cláusula motu Proprio, ficando assim enfatizado que o favor é concedido com benevolência particular, sem que se receiem os obstáculos que poderiam entravar a concessão.Tendo em vista a matéria dos rescritos, distinguem-se rescritos de justiça e rescritos de graças; à primeira categoria pertencem todos aqueles que dizem respeito à administração da justiça como aqueles que permitem introduzir uma causa no Tribunal da Santa Sé desde a primeira instância.   A Segunda categoria compreende os demais tipos de matéria.Também é de notar que alguns rescritos concedem o favor “de maneira graciosa”, ou seja, directamente ao beneficiário; outros há que confiam ao Bispo local ou a algum intermediário o encargo de conceder o favor solicitado. 

Encíclica 

Encíclica é uma Circular.   Já nos primeiros séculos da Igreja os Bispos escreviam cartas circulares aos seus irmãos no episcopado a respeito de assuntos doutrinários ou disciplinares; assim fazia S. Atanásio  (†373), tendo em mira a heresia ariana que, fazendo do Filho a primeira criatura do Pai, ameaçava a integridade da fé.  Ora o que um Bispo efectuava em relação aos seus vizinhos, o Pontífice Romano teve a oportunidade de o fazer em relação à Igreja inteira, ficando o termo (carta) encíclica reservado aos escritos papais, ao passo que os demais Bispos escrevem

Cartas Pastorais

Somente no século XVIII, sob o pontificado de Bento XIV (1740-1758), a encíclica passou a ser entendida como em nossos dias, a saber: como a forma mais pessoal e espontânea pela qual o Papa exerce seu ministério de Pastor universal.  A partir de Gregório XVI (1831-46), os Papas têm multiplicado as suas encíclicas, de modo que através delas se pode acompanhar a vida da Igreja.Geralmente as encíclicas dirigem-se aos Patriarcas, Arcebispos, Bispos, Presbíteros, Filhos e Filhas da Igreja; todavia o círculo pode-se alargar para compreender também os homens de boa vontade (ver a enc. Redempto Hominis de João Paulo II), como pode estreitar-se, abrangendo apenas o episcopado e os fiéis de uma nação, usando a língua de tal povo.  Foi o que aconteceu na encíclica de Pio XI Non abbiamo bisogno (20/06/31) sobre o fascismo e na encíclica Mit brennender Sorge do mesmo Papa (21/03/37) sobre o nacional-socialismo.  Quando redigida em latim (língua habitual), a encíclica é muitas vezes acompanhada de uma tradução italiana. Pode-se acrescentar que as encíclicas são designadas pelas suas duas ou três palavras iniciais. As encíclicas não promulgam definições dogmáticas; abordam, sim, algum ponto doutrinário que esteja sendo mal entendido; propõem orientações em situação difícil, exaltam a figura de algum(a) Santo(a), procurando sempre fortalecer a vida cristã do povo de Deus.Embora não contenham definições infalíveis; as encíclicas merecem respeito e submissão, que levam a nada dizer ou escrever em contrário ao ensinamento de alguma encíclica. 

Afirma Pio XII na enc. Humani generis (12/08/1950): “Não se deve julgar que o que vem proposto nas encíclicas não exige assentimento, sob o pretexto de que os Papas aí não exercem o supremo poder do seu magistério”. 

SOBRE A IGREJA

Nestes tempos ingratos em que a Santa Mãe Igreja é tão atacada, dentro e fora dela, é preciso meditar nas palavras de alguns grandes homens e mulheres da Igreja: 

Santo Inácio de Antioquia, mártir no Coliseu (†107): “Onde está Cristo Jesus, está a Igreja católica.” (Carta aos erminenses 8,2) 

São João Crisóstomo (350-407), doutor da Igreja; Patriarca de Constantinopla: “Não te afaste da Igreja: Nada é mais forte do que ela. Ela é a tua esperança, o teu refúgio. Ela é  mais alta que o céu e mais vasta que a terra. Ela nunca envelhece”. 

Santo Ireneu (140-202), mártir, foi discípulo de São Policarpo (mártir de Esmirna), que foi discípulo do evangelista  São João: “Com efeito é à própria Igreja que foi confiado o dom de Deus. É nela que foi depositada a comunhão com Cristo, isto é, o Espírito Santo, penhor da incorruptibilidade, confirmação da nossa fé e medida da nossa ascensão para Deus. Pois lá onde está a Igreja, ali está também o Espírito de Deus; e lá onde está o Espírito de Deus, ali está a Igreja e toda a graça.” 

Santo Hipólito (160-235), mártir de Roma: “A Igreja é o local onde floresce o Espírito”. 

São Justino (†165; Apol. 2,7), mártir - Pastor de Hermas (†160; Vis. 2,4,1); Aristides de Atenas (†130; Apol.16, 6): “O mundo foi criado em vista da Igreja”. 

S. Clemente de Alexandria (†215), mártir: “Assim como a vontade de Deus é um acto e se chama mundo, assim também a sua intenção é a salvação dos homens, e chama-se Igreja” (Paed, 1,6) “Que estupendo mistério! Há um único Pai do universo, um único Logos do universo e também um único Espírito Santo, idêntico em todo lugar; há também uma única virgem que se tornou mãe, e me agrada chamá-la de Igreja.”. (Paed.1,6) 

São Cipriano (†258) – Bispo de Cartago: “A Esposa de Cristo não pode adulterar, é fiel e casta. Aquele que se separa dela saiba que se junta com uma adúltera, e que as promessas da Igreja já não o alcançam. Aquele que abandona a Igreja não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por mãe na terra”. 

S. Agostinho – (354 - 430), bispo e doutor: “Roma falou, encerrada a questão”. “A Igreja é o mundo reconciliado”. (Sermão 96,7,9)“Quem não crer que a Igreja lhe perdoa os pecados, a esses não lhe serão perdoados os pecados”. “A Igreja avança em sua peregrinação através das perseguições do mundo e das consolações de Deus”. (Cidade de Deus 18, 51). “Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornado não somente cristãos, mas o próprio Cristo. Compreendeis irmãos, a graça que Deus nos concedeu ao dar-nos Cristo como Cabeça? Admirai e rejubilai, nós nos tornamos Cristo, com efeito, uma vez que Ele é a Cabeça, e nós somos os membros, o homem inteiro é constituído por Ele e por nós. A plenitude de Cristo é, portanto, a Cabeça e os membros; que significa isto: a cabeça e os membros? Cristo e a Igreja (Com. ao Ev. de João 21,8). “Parece-me salutar fazer essas recomendações aos jovens estudiosos, inteligentes e tementes a Deus, que procuram a vida bem aventurada, que não se arrisquem sob o pretexto de tender à vida feliz e que não se dediquem temerariamente a seguir doutrina alguma das que se praticam fora da Igreja de Cristo”. “Onde está a Igreja, aí está o Espírito de Deus. Na medida que alguém ama a Igreja é que possui o Espírito Santo. Fazei-vos Corpo de Cristo se quereis viver do Espírito de Cristo. Somente o Corpo de Cristo vive do seu Espírito.”  “Se na Igreja não existisse a remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma perspectiva de uma vida eterna e de uma libertação eterna. Rendamos graças a Deus que deu à Sua Igreja um tal dom”. 

São Vicente de Lerins (†450): “A Igreja de Cristo, cuidadosa e cauta guardiã dos dogmas que lhe foram confiados, jamais os altera; em nada os diminui, em nada lhes adiciona; não a priva do que é necessário, nem lhe acrescenta o que é supérfluo; não perde o que é seu, nem se apropria do que pertence aos outros, mas com todo o zelo, recorrendo com fidelidade e sabedoria aos antigos dogmas, tem como único desejo aperfeiçoar e purificar aqueles que antigamente receberam uma primeira forma e esboço, consolidar e reforçar aqueles que já foram evidenciados e desenvolvidos, salvaguardar aqueles que já foram confirmados e definidos” (Commonitorium, XXIII). “Perguntando eu com toda atenção e diligência a numerosos varões, eminentes em santidade e doutrina, que norma poderia achar, segura, enquanto possível genérica e regular, para distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia, eis a resposta constante de todos eles: quem quiser  descobrir as fraudes dos hereges nascentes, evitar seus laços e permanecer sadio e íntegro na sadia fé, há de resguardá-la, sob o auxílio  divino, duplamente:   primeiro  com a  autoridade da Lei  divina, e segundo, com a tradição da Igreja Católica” (Commonitorium). 

Santo Epifânio (†403),   batalhador contra as heresias: “A Igreja é a finalidade de todas as coisas”. (Haer. 1,1,5)“ ‘Há um caminho real’, que  é a Igreja católica, e uma só senda da verdade. Toda heresia, pelo contrário, tendo deixado uma vez o caminho real, desviando-se para a direita ou para a esquerda, e abandonada a si mesma por algum tempo, cada vez mais se afunda em erros. Eia, pois, servos de Deus e filhos  da  Igreja  santa  de Deus, que conheceis  a regra segura da fé, não deixeis que vozes estranhas   vos  apartem  dela  nem  que  vos  confundam as  pretensões  das  erroneamente  chamadas  ciências”  (Haer.59,c. 12s). 

São Máximo Confessor (580-662): “Com efeito, desde a descida até nós do Verbo encarnado, todas as Igrejas cristãs de toda parte consideram e continuam considerando a grande Igreja que está aqui em Roma como única base e fundamento, visto que, segundo as próprias promessas do Salvador, as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela.” (Opus., PG 91, 137-140). 

São Leão Magno (400-461), Papa e doutor da Igreja: “Quem se aparta da confissão da verdade, muda de caminho e o percurso inteiro se torna afastamento. Tanto mais próximo da morte estará quanto mais distante da luz católica.” 

S. Basílio, S. Atanásio: “Onde está Pedro, está a Igreja; onde está a Igreja, está Cristo”. 

Santo Ambrósio (340-397), doutor da Igreja: “Da mesma forma que Eva foi formada do lado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração trespassado de Cristo morto na cruz.” (Lc. 2, 85-89). “No início se davam sinais aos não crentes. A nós, porém, na plenitude da Igreja, importa compreender a verdade. Já não por sinais, mas pela fé”. “A Igreja é esse navio que navega bem neste mundo ao sopro do Espírito Santo com as velas da cruz do Senhor plenamente desfraldadas.” (Virg. 18, 118) 

Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja, nos “Diálogos”: “Foi na dispensa da hierarquia eclesiástica que eu guardei o Corpo e o Sangue do meu Filho”. “Foi no seio da Igreja hierárquica que o Senhor depositou o seu mais precioso tesouro.” “Tenham  a  certeza  de  que quando eu morrer, a única causa da minha morte será o meu amor pela Igreja”. 

Santa Teresa de Ávila (1515-1591), doutora da Igreja: “Eu sou filha da Igreja!” “Em tudo me sujeito ao que professa a Santa Igreja Católica Romana, em  cuja fé vivo, afirmo viver e prometo viver e morrer”.  

A Igreja é apostólica

Entre as notas da Igreja está a apostolicidade. A Igreja é apostólica. O que significa isto?
A Igreja é apostólica porque foi fundada sobre os apóstolos, em triplico sentido: Primeiro, ela foi e continua a ser construída sobre "o fundamento dos apóstolos" (Ef 2,20), como diz São Paulo. Foram eles testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo.
Segundo, a Igreja conserva e transmite, com ajuda do Espírito Santo, o ensinamento recebido da boca dos apóstolos.
Terceiro, ela continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos apóstolos, até à volta de Cristo, graças aos sucessores dos apóstolos: o colégio dos bispos, assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, o papa.
Qual é a missão dos apóstolos? É a missão de Cristo. "Como o Pai me enviou, eu também vos envio" (J0 20,21), disse Jesus.
Os apóstolos são "ministros de Deus" (2 Cor 6,4), "embaixadores de Cristo" (2 Cor 5,20), "servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus" (1 Cor 4,1). São expressões de São Paulo.
Mas, há uma diferença entre os apóstolos e os seus sucessores, os bispos. Os apóstolos são testemunhas privilegiadas da Ressurreição do Senhor e fundamentos permanentes da Igreja. O que não acontece com os bispos. Jesus, porém, prometeu ficar não só com os seus apóstolos, mas com os seus sucessores até à consumação dos tempos.
A Igreja fundada sobre os apóstolos é indestrutível (Mt 16,18). É infalivelmente mantida na verdade.
Os apóstolos confiaram aos seus sucessores a missão de completar e confirmar a obra iniciada por eles. Como o Concílio do Vaticano II: Os apóstolos "constituíram... varões e administraram-lhes, depois, a ordenação a fim de que, quando eles morressem outros homens íntegros assumissem o seu ministério" (LG, 20).
Assim, permanece na Igreja a missão confiada singularmente a Pedro, primeiro dos apóstolos. Missão transmitida aos seus sucessores, os papas. Permanece a missão dos apóstolos de apascentar a Igreja. Missão hoje cumprida pelos bispos. Pois, "os bispos, por instituição divina, sucedem aos apóstolos como pastores da Igreja" (LG, 20).
  

A Igreja de Cristo é sempre santa   

A Igreja de Cristo é sempre santa, pois, o seu Fundador é Jesus Cristo, o Santo por excelência, o único Santo. E "por ela se entregou com o fim de a santificar! (LG, 39).
A Igreja, por estar unida a Cristo, é santificada por Ele e, Nele, é também santificante. Tudo o que nela faz, visa a santificação dos homens em Cristo e a glorificação de Deus (cf SC,10).
Porque possui a plenitude dos meios de salvação, é através dela que chegamos à santidade pela graça de Deus.
A Igreja é santa em muitos dos seus membros, embora a santidade deles seja sempre imperfeita. Pois, a santidade está sempre por se adquirir.
E todos os cristãos, em qualquer que seja a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição da santidade, assim como o Pai Celeste é perfeito.
A caridade é a alma da santidade. É a caridade que "dirige todos os meios de santificação, dá-lhes forma e os conduz ao fim" (LG, 42).
Mas a Igreja, embora seja santa, é necessitada de purificação. Pois, no seu seio há pecadores. Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores. Eles estão sempre em via de santificação.
Não há-de se negar que muitos membros da Igreja chegam a um alto grau de virtude, de santidade. "Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está em si e sustenta a esperança dos fiéis, propondo-os como modelos e intercessores" (828), afirma o CIC.
A história da Igreja consiste na história dos santos e santas, que marcaram a sua vida através dos séculos. Homens e mulheres de sabedoria profunda, de sabedoria de Deus. A Igreja renova-se sempre, graças a eles. Como afirma o Catecismo: "Os santos e as santas sempre foram fonte e origem de renovação nas circunstâncias mais difíceis da história da Igreja" (820).
A santidade atingiu a sua máxima perfeição em Maria Santíssima, Mãe da Igreja e membro dela. Nela a santidade existe sem mácula e sem ruga. Os cristãos, no entanto, enquanto caminham nesta Terra, por mais virtuosos que sejam, estão sempre a caminho da santidade. Crescem em santidade na medida que vencem o pecado. Mas já em Maria, a Igreja é toda santa. E é voltando o seu olhar para Ela, procurando seguir o seu exemplo, que os discípulos de Jesus caminham para a santidade.

Dom José Freire Falcão

   

 

 
Os Papas - De S. Pedro a Bento XVI Imprimir e-mail
                       De S. Pedro a Bento XVI                      

 1º. - São Pedro - Mártir -(Simão, filho de Jonas); Galileia;
 2º. - São Lino - Mártir - Itália; 67 - c.79.
 3º. - Santo Anacleto (São Cleto) - Mártir - Itália; c.79 - c.92.
 4º. - São Clemente I - Mártir -(Clemente de Roma); c.92 - c.101.
 5º. - Santo Evaristo - Mártir - Grécia; c.101 - c.107.
 6º. - Santo Alexandre - Mártir - Itália; c.107 - c.116
 7º. - São Xisto I - Provavelmente Mártir - Itália; c.116 - c.125.
 8º. - São Telésforo - Mártir - Grécia; c.125 - c.138.
 9º. - Santo Higino - Mártir - Grécia; c.138 - c.142.
10º. - São Pio I - Mártir - Itália; 142 - 155.
11º. - Santo Aniceto - Considerado Mártir - Síria; 155 - 166.
12º. - São Sotero - Mártir - Itália; c.166 - c.174.
13º. - Santo Eleutério - Mártir - Grécia; c.174 - c.189.
14º. - São Vitor I - Mártir - África; c.189 - c.199.
15º. - São Zeferino - Mártir - Itália; c.199 - c.217.
16º. - São Calixto I - Mártir - Itália; c.217 - c.222.
17º. - Santo Urbano I - Mártir - Itália; c.222 -c.230.
18º. - São Ponciano - Mártir - Itália; c.230 - c.235.
19º. - Santo Antero - Mártir - Grécia; c.235 - 236.
20º. - São Fabiano - Mártir - Itália; 236 - 250.
21º. - São Cornélio- Mártir - Itália; 251 - 253.
22º. - São Lúcio - Mártir - Itália; 253 - 254.
23º. - Santo Estevão - Mártir - Itália; 254 - 257.
24º. - São Xisto II - Mártir - Grécia; 257 - 258.
25º. - São Dionísio; 259 - 268. (26/12)
26º. - São Félix - Mártir - Itália; 269 - 274. (30/05)
27º. - Santo Eutiquiano; Itália; 275 - 283.
28º. - São Caio; Iugoslávia; 283 - 296.
29º. - São Marcelino; Itália; 296 - 304
30º. - São Marcelo; Itália; 308 - 309.
31º. - Santo Eusébio; Itália (de origem grega); (26/09) c.309 - c.310.
32º. - São Melquíades ou São Melcíades; África; 311 - 314.
33º. - São Silvestre; Itália; 314 - 335.
34º. - São Marcos; Itália; 336 (10 meses) - 07/10
35º. - São Júlio; Itália; 337 - 352.
36º. - Libério; Itália; 352 - 366.
37º. - São Dâmaso I; Espanha; 366 - 384.
38º. - São Sirício; Itália; 384 - 399.
39º. - Santo Anastácio I; Itália; 399 - 401.
40º. - Santo Inocêncio I; Albânia; 401-417.
41º. - São Zózimo; Grécia; 417-418.
42º. - São Bonifácio I; Itália; 418 - 422
43º. - São Celestino I; Itália; 422 - 432
44º. - São Xisto III; Itália; 432 - 440 - (28/03)
45º. - São Leão I (O Grande); Itália; 440 - 461
46º. - Santo Hilário; Itália; 461 - 468
47º. - São Simplício; Itália; 468 - 483.
48º. - São Félix II; Itália; 483 - 492.
49º. - São Gelásio I; África; 492 - 496.
50º. - Anastácio II; Itália; 496 - 498.
51º. - São Símaco; Itália; 498 - 514.
52º. - São Hormisdas; Itália; 514 -523.
53º. - São João I - Mártir - Itália; 523 - 526.
54º. - São Félix III; Itália; 526 - 530.
55º. - Bonifácio II; Itália; 530 - 532
56º. - João II; Itália; 533 - 535.
57º. - Santo Agapito; Itália; 535 - 536.
58º. - São Silvério - Mártir - Itália; 536 - 537.
59º. - Virgílio; Itália; 537 - 555.
60º. - Pelágio; Itália; 556 - 561.
61º. - João III; Itália; 561 - 574.
62º. - Bento I (ou Benedito I); Itália; 575 - 579.
63º. - Pelágio II; Itália; 579 - 590.
64º. - São Gregório I (O Grande); Itália; 590 - 604.
65º. - Sabiniano; Itália; 604 - 606.
66º. - Bonifácio III; Itália; 607 (9 meses)
67º. - São Bonifácio IV; Itália; 608 - 615.
68º. - São Deusdedit I ou Santo Adeodato I; Itália; 615 - 618.
69º. - Bonifácio V; Itália; 619 - c.625.
70º. - Honório I; Itália; 625 - 638.
71º. - Severino; Itália; 640 (4 meses).
72º. - João IV; Jugoslávia; 640 - 642.
73º. - Teodoro I (grego nascido em Jerusalém); 642 - 649.
74º. - São Martinho I; Itália; 649 - 655.
75º. - Santo Eugénio I; Itália; 654 - 657
76º. - São Vitaliano; Itália; 657 - 672.
77º. - Adeodato II ou Deusdedit II; Itália; 672 - 676.
78º. - Dono I; Itália; 676 - 678.
79º. - Santo Agato; Itália; 678 - 681.
80º. - São Leão II; Itália; 682 - 683.
81º. - São Bento II (ou São Benedito II); Itália; 684 - 685
82º. - João V; Síria; 685 - 686.
83º. - Cónon; provavelmente de origem italiana; 686 - 687
84º. - São Sérgio I; Síria; 687 - 701.
85º. - João VI; Grécia; 701 - 705.
86º. - João VII; Grécia; 705 - 707.
87º. - Sisínio; Síria; 708 (2 meses).
88º. - Constantino; Síria; 708 - 715
89º. - São Gregório II; Itália; 715 - 731.
90º. - São Gregório III; Síria; 731 - 741.
91º. - São Zacarias; Grécia; 741 - 752.
92º. - Estêvão; Itália; 752 (Não consagrado)
93º. - Santo Estêvão II; Itália; 752 - 757.
94º. - São Paulo I; Itália; 757 - 767.
95º. - Santo Estêvão III; Itália; 768 - 772.
96º. - Adriano I; Itália; 772 - 795.
97º. - São Leão III; Itália; 795 - 817.
98º. - São Pascoal I; Itália; 817 - 824.
99º. - Eugénio II, Itália; 824 - 827.
100º.- Valêncio; Itália; 827 (2 meses).
101º.- Gregório IV; Itália; 827 - 844.
102º.- Sérgio II; Itália; 844 - 847.
103º.- São Leão IV; Itália; 847 - 855.
104º.- Bento III (ou Benedito III); Itália; 855 - 858.
105º.- São Nicolau I (O Grande); Itália; 858 - 867.
106º.- Adriano II; Itália; 867 - 872
107º.- João VIII; Itália; 872 - 882.
108º.- Marino I ou Martinho II; Itália; 882 - 884.
109º.- Santo Adriano III; Itália; 884 - 885.
110º.- Estêvão V; Itália; 885 - 896.
111º.- Bonifácio VI; Itália; 896 (1 mês).
112º.- Estêvão VI; Itália; 896 - 897.
113º.- Romano; Itália; 897 (4 meses).
114º.- Teodoro II; Itália; 897 (1 mês).
115º.- João IX; Itália; 898 - 900.
116º.- Bento IV (ou Benedito IV); Itália; 900 - 903.
117º.- Leão V; Itália; 903 (3 meses).
118º.- Sérgio III; Itália; 904 - 911.
119º.- Anastácio III; Itália; 911 - 913.
120º.- Lando; Itália; 913 - 914.
121º.- João X (Giovani de Tossignano); Itália; 914 - 928.
122º.- Leão VI; Itália; 928 (8 meses).
123º.- Estêvão VII; Itália; 928 - 931.
124º.- João XI; Itália; 931 - 935.
125º.- Leão VII; Itália; 936 - 939.
126º.- Estêvão VIII; Itália; 939 - 942.
127º.- Marino II ou Martinho III ; Itália; 942 - 946.
128º.- Agapito II; Itália; 946 - 955.
129º.- João XII (Ottaviano); Itália; 955 - 963.
130º.- Leão VIII; Itália; 963 - 965 e Bento V (ou Benedito V); ano de 964.
131º.- João XIII; Itália; 965 - 972.
132º.- Bento VI (ou Benedito VI); Itália; 973 - 974.
133º.- Bento VII (ou Benedito VII); Itália; 974 - 983.
134º.- João XIV (Pietro Canepanova); Itália; 983 - 984.
135º.- João XV; 985 - 996.
136º.- Gregório V (Bruno da Caríntia); Alemanha; 996 - 999.
137º.- Silvestre II (Gelbert); França; 999 - 1003.
138º.- João XVII (Giovanni Sicco); Itália; 1003 (7 meses).
139º.- João XVIII (Fasano); Itália; 1003 - 1009.
140º.- Sérgio IV (Pietro Buccaporci); Itália; 1009 - 1012.
141º.- Bento VIII (ou Benedito VIII); Itália; 1012 - 1024.
142º.- João XIX; Itália; 1024 - 1032.
143º.- Bento IX, ou Benedito IX (Teofilato); Itália; 1032 - 1044 (c.)
144º.- Silvestre III (João); Itália; 1045 (2 meses)
145º.- Bento IX (ou BeneditoIX); 1045 (2 meses), pela segunda vez; deposto Itália; 973 - 974.
146º.- Gregório VI (Giovani Graziano); Itália; 1045 - 1046.
147º.- Clemente II (Suidger, lorde de Morsleben e Hornburg); Alemanha; 1046 - 1047
148º.- Bento IX (ou Benedito IX); 1047 - 1048, pela terceira vez, assume o Pontificado.
149º.- Dâmaso II (Poppo); Alemanha; 1048 (2 meses)
150º.- São Leão IX (Bruno de Egishein); Alemanha; 1049 - 1054.
151º.- Vitor II (Gebhard); Alemanha; 1055 - 1057.
152º.- Estêvão IX (Fréderic); França; 1057 - 1058.
153º.- Bento X , ou Benedito X (João Mincius, bispo de Velletri); França; 1058 - 1059.
154º.- Nicolau II (Gérard de Bourbogne); França; 1059 - 1061.
155º.- Alexandre II (Anselmo do Baggio); Itália; 1061 - 1073.
156º.- São Gregório VII (Ildebrando di Soana); Itália; 1073 - 1085.
157º.- Vitor III (Daufério, Desidério); Itália; 1086 - 1087.
157º.- Urbano II , França(Odon de Lagny);
159º.- Pascoal II (Raniero di Bieda); Itália; 1099 - 1118.
160º.- Gelásio II (Gian di Gaeta); Itália; 1118 - 1119.
161º.- Calixto II (Guy de Borgonha); França; 1119 - 1124.
162º.- Honório II (Lambert Flagano); França; 1124 - 1130.
163º.- Inocêncio II ; Itália; 1130 - 1143
164º.- Celestino II (Guido de Castelo); Itália; 1143 - 1144.
165º.- Lúcio II (Geraldo Caccianemici); Itália; 1144 - 1145.
166º.- Eugênio III (Bernardo de Montemagno); Itália; 1145 - 1153.
167º.- Anastácio IV (Conrado de Subura); Itália; 1153 - 1154.
168º.- Adriano IV (Nicholas Breakspear); Inglaterra; 1154 - 1159.
169º.- Alexandre III (Rolando Bandinelli); Itália; 1159 - 1181.
170º.- Lúcio III (Ubaldo Allucingoli); Itália; 1181 - 1185.
171º.- Urbano III (Uberto Crivelli); Itália; 1185 - 1187.
172º.- Gregório VIII (Alberto de Morra); Itália; 1187 (2 meses).
173º.- Clemente III (Paolo Scolari); Itália; 1187 - 1191.
174º.- Celestino III (Giacinto Bobo); Itália; 1191 - 1198.
175º.- Inocêncio III (Lotario de Segni); Itália; 1198 - 1216.
176º.- Honório III (Cencio Savelli); Itália; 1216 - 1227.
177º.- Gregório IX (Ugo, conde de Segni) ; Itália; 1227 - 1241.
178º.- Celestino IV (Goggredo Castiglioni); Itália; 1241 (2 meses).
179º.- Inocêncio IV (Sinibaldo Fieschi); Itália; 1243 - 1254.
180º.- Alexandre IV (Rolando de Segni); Itália; 1254 - 1261.
181º.- Urbano IV (Jacques de Pantaléon); França; 1261 - 1264.
182º.- Clemente IV (Guy Foulques); França; 1265 - 1268.
183º.- Gregório X (Tebaldo Visconti); Itália; 1271 - 1276.
184º.- Inocêncio V (Pierre de Tarentaise); Itália; 1276 (5 meses).
185º.- Adriano V (Ottobono Fieschi); Itália; 1276 (2 meses).
186º.- João XXI (Pedro Hispano); Portugal; 1276 - 1277.
187º.- Nicolau III (Gaetano Orsini); Itália; 1277 - 1280.
188º.- Martinho VI (Simon de Brion); França; 1281 - 1285.
189º.- Honório IV (Jacobus Savelli); Itália; 1285 - 1287.
190º.- Nicolau IV (Girolamo Masci); Itália; 1288 - 1292.
191º.- São Celestino V (Pietro di Morrono); Itália; 1294 (5 meses)
192º.- Bonifácio VIII (Benedeto Gaetano); Itália; 1294 - 1303.
193º.- Bento XI, ou Benedito XI (Niccolò Boccasini); Itália; 1303 - 1304.
194º.- Clemente V (Bertrand de Got) ; França; 1305 - 1314.
195º.- João XXII (Jacques Duèse); França; 1316 - 1334.
196º.- Bento XII, ou Benedito XII (Jacques Fournier) França; 1334 - 1342.
197º.- Clemente VI (Pierre- Roger de Beaufort) França; 1342 - 1352.
198º.- Inocêncio VI (Etienne Aubert) França; 1352 - 1362.
199º.- Urbano V (Guilherme de Grimoard) França; 1362 - 1370.
200º.- Gregório XI (Pierre-Roger de Beaufort II) França; 1370 - 1378.
201º.- Urbano VI (Bartolomeo Prignano) Itália; 1378 - 1389.
202º.- Bonifácio IX (Pietro Tomaselli) Itália; 1389 - 1404.
203º.- Inocêncio VII (Cosimo Migliorati) Itália; 1404 - 1406.
204º.- Gregório XII (Angelo Correr) Itália; 1406 - 1415.
205º.- Martinho V (Odomo Colonna) Itália; 1417 - 1431
206º.- Eugénio IV (Gabriel Condulmaro) Itália; 1431 - 1447.
207º.- Nicolau V (Tomaso Parentucelli) Itália; 1447 - 1455.
208º.- Calixto III (Alfonso Borgia) Itália; 1455 - 1458.
209º.- Pio II (Enea Silvio Piccolomini) Itália; 1458 - 1464.
210º.- Paulo II (Pietro Barbo) Itália; 1464 - 1471.
211º.- Xisto IV (Francesco Della Rovere) Itália; 1471 - 1484.
212º.- Inocêncio VIII (Giovanni Battista Cibo) Itália; 1484 - 1492.
213º.- Alexandre VI (Rodrigo Borgia) Espanha; 1492 - 1503.
214º.- Pio III (Francesco Todeschini Piccolomini) Itália; 1503 (2 meses).
215º.- Julio II (Giuliano della Rovere) Itália; 1503 - 1513.
216º.- Leão X (Giovanni de Medici) Itália; 1513 - 1521.
217º.- Adriano VI (Adriano Florenza Dedal) Holanda; 1522 - 1523.
218º.- Clemente VII (Giulio de Medici) Itália; 1523 - 1534.
219º.- Paulo III (Alessandro Farnese) Itália; 1534 - 1549.
220º.- Julio III (Giovanni Maria Ciocchi del Monte) Itália; 1550 - 1555.
221º.- Marcelo II (Marcello Cervini ) Itália; 1555 (2 meses).
222º.- São Paulo IV (Gian Pietro Carafa - São João Pedro Carafa) Itália; 1555 - 1559.
223º.- Pio IV (Giovani Angelo de Medici) Itália; 1559 - 1565.
224º.- São Pio V (Antonio Chislieri) Itália; 1565 - 1572.
225º.- Gregório XIII (Ugo Boncompagni) Itália; 1572 - 1585
226º.- Xisto V (Felipe Peretti) Itália; 1585 - 1590.
227º.- Urbano VIII (Giovanni Battista Cestagna) Itália; 1590 (1 mês).
228º.- Gregório XIV (Niccolò Sfondrati) Itália; 1590 - 1591.
229º.- Inocêncio IX (Giovanni A. Facchinetti) Itália; 1591 (2 meses).
230º.- Clemente VIII (Ippolito Aldobrandini) Itália; 1592 - 1605.
231º.- Leão XI (Alessandro de Medici) Itália; 1605 (1 mês).
232º.- Paulo V (Camilo Borghese) Itália; 1605 - 1621.
233º.- Gregório XV (Alessandro Ludovis) Itália; 1621 - 1623.
234º.- Urbano VIII (Maffeo Barberini) Itália; 1623 - 1644.
235º.- Inocêncio X (Giovanni Battista Pamphili ) Itália; 1644 - 1655.
236º.- Alexandre VIII (Fabio Chigi) Itália; 1655 - 1667.
237º.- Clemente IX (Giulio Rospigliosi) Itália; 1667 - 1669.
238º.- Clemente X (Emilio Altieri) Itália; 1670 - 1676.
239º.- Inocêncio XI (Benedito Odescalchi) Itália; 1676 - 1689.
240º.- Alexandre VIII (Pietro Vito Ottoboni) Itália; 1689 - 1691.
241º.- Inocêncio XII (Antonio Pignatelli) Itália; 1691 - 1700.
242º.- Clemente XI (Giovanni Francesco Albani) Itália; 1700 - 1721.
243º.- Inocêncio XIII (Michelangelo dei Conti) Itália; 1721 - 1724.
244º.- Bento XIII, ou Benedito XIII (Pietro Francesco Orsini) Itália; 1724 - 1730.
245º.- Clemente XII (Lorenzo Corsini) Itália; 1730 - 1740.
246º.- Bento XIV, ou Benedito XIV (Prospero Lambertini) Itália; 1740 - 1758.
247º.- Clemente XIII (Carlo Rezzonico) Itália; 1758 - 1769.
248º.- Clemente XIV (Giobanni Vincenzo Ganganelli) Itália; 1769 - 1774.
249º.- Pio VI (Giovanni Angelo Braschi) Itália; 1775 - 1799.
250º.- Pio VII (Barnaba Chiaramonti) Itália; 1800 - 1823.(L P. 491 (24/05)
251º.- Leão XII (Annibale della Genga) Itália; 1823 - 1829
253º.- Pio VIII (Francesco Saverio Castiglioni) Itália; 1829 - 1830.
252º.- Gregório XVI (Bartolomeo Alberto Cappelari) Itália; 1831 - 1846.
254º.- Pio IX (Giovanni Mastai Ferreti) Itália; 1846 - 1878.
255º.- Leão XIII (Gioacchino Pecci) Itália; 1879 - 1903.
256º.- São Pio X (Giuseppe Melchiorre Sarto) Itália; 1903 - 1914.
257º.- Bento XV, ou Benedito XV (Giacomo della Chiesa) Itália; 1914 - 1922.
258º.- Pio XI (Achille Ratti) Itália; 1922 - 1939.
259º.- Pio XII (Eugénio Pacelli) Itália; 1939 - 1958.
260º.- João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli) Itália; 1958 - 1963.
261º.- Paulo VI (Giovanni Battista Montini) Itália; 1963 - 1978.
262º.- João Paulo I (Albino Luciano) Itália; 1978 (33 dias).
263º.- João Paulo II (Karol Wojtyla) Polónia; 1978 - 2005.
264º.- Bento XVI, ou Benedito XVI (Joseph Ratzinger) Alemanha, 19 de Abril 2005.

 

 

 
O que é a Doutrina Social da Igreja? Imprimir e-mail
A Igreja Católica tem uma visão muito clara do mundo e das suas necessidades; e por isso oferece a solução cristã para os graves problemas da humanidade segundo a Luz do Evangelho de Jesus Cristo.
Mas, infelizmente muitos católicos desconhecem esta Doutrina.

Ela afirma que: “Não cabe aos pastores da Igreja intervir directamente na construção política e na organização da vida social. Esta tarefa faz parte da vocação dos fiéis leigos, que agem por própria iniciativa com os seus concidadãos…  Terá sempre em vista o bem comum e se conformará com a mensagem evangélica e com a doutrina da Igreja. Cabe aos fiéis leigos “animar as realidades temporais com um zelo cristão e comportar-se como artesãos da paz e da justiça” (SRS 42). (CIC §2442)

As propostas da Igreja não são soluções ideológicas com ênfase capitalista e nem comunista, mas cristãs, baseadas na dignidade da pessoa humana, filha de Deus. 

Para a Igreja o homem é o autor, o centro e o fim de toda a vida económica e social. “O ponto decisivo da questão social é que os bens criados por Deus para todos de facto cheguem a todos conforme a justiça e com a ajuda da caridade. (CIC §2459)

De um lado a Igreja não aceita o lucro idolatrado como um Deus, que explora o ser humano como se fosse uma máquina insensível; e por outro lado condenou muitas vezes o marxismo que faz do Estado uma instituição todo-poderosa que elimina a liberdade dos filhos da nação. 

De forma alguma a Igreja aceita a violência, a revolução, o terrorismo e a guerrilha para resolver o problema social, e muito menos a luta de classes, o incitamento dos pobres contra os ricos. Todas estas práticas são anti-evangélicas e não resolvem o problema social, ao contrário, agravam-no.

A “Gaudium et Spes” do Concilio Vaticano II diz que a Igreja emite um juízo moral, em matéria económica e social, “quando o exigem os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas” (GS 76,5). É uma missão distinta da missão das autoridades políticas. A Igreja preocupa-se com o bem comum, e procura ensinar as atitudes justas na relação com os bens terrenos e nas relações sócio-económicas. 
Por isso, desde Leão XIII (1878-1903) com a “Encíclica Rerum Novarum” a Igreja tem-se pronunciado sobre a questão social. A doutrina social da Igreja desenvolveu-se desde o século XIX com o encontro do Evangelho com a sociedade industrial que surgia, as suas novas estruturas para a produção de bens de consumo, a sua nova concepção da sociedade, do Estado e da autoridade, as suas novas formas de trabalho e de propriedade. 

De um lado a Igreja ensina que “todo o sistema segundo o qual as relações sociais seriam inteiramente determinadas pelos factores económicos é contrário à natureza da pessoa humana e dos seus actos” (CA, 24).

Ela ensina que:  “uma teoria que faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da actividade económica é moralmente inaceitável. O apetite desordenado pelo dinheiro não deixa de produzir os seus efeitos perversos. Ele é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social” (GS 63,3; LE 7; CA 35).

Por outro lado, o “Catecismo da Igreja” afirma que “um sistema que “sacrifica os direitos fundamentais das pessoas e dos grupos à organização colectiva da produção” é contrário à dignidade do homem (GS 65). Toda a prática que reduz as pessoas a não serem mais do que meros meios que têm em vista o lucro escraviza o homem, conduz à idolatria do dinheiro e contribui para difundir o ateísmo. ” (CIC, §2424)

 “A Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e ateias associadas, nos tempos modernos, ao “comunismo” ou ao “socialismo”. Além disso, na prática do “capitalismo” ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano (CA 10). 

A regulamentação da economia exclusivamente através do planeamento centralizado perverte na base os vínculos sociais; a sua regulamentação unicamente pela lei do mercado vai contra a justiça social, “pois há muitas necessidades humanas que não podem ser atendidas pelo mercado” (CA 34). É preciso preconizar uma regulamentação racional do mercado e das iniciativas económicas, de acordo com uma justa hierarquia de valores e em vista do bem comum.” (CIC §2425)

A Igreja valoriza sobretudo o trabalho. Ensina que o valor primordial do trabalho depende do próprio homem, que é o seu autor e destinatário. Por meio do seu trabalho, o homem participa da obra da Criação. Unido a Cristo, o trabalho pode ser redentor.

O Papa João Paulo II disse na  “Centesimus Annus”, que: “A actividade económica, sobretudo a da economia de mercado, não pode desenvolver-se num vazio institucional, jurídico e político. Ela supõe que sejam asseguradas as garantias das liberdades individuais e da propriedade, sem esquecer uma moeda estável e serviços públicos eficazes. O dever essencial do Estado, no entanto, é assegurar estas garantias, para que aqueles que trabalham possam gozar do fruto do seu trabalho e portanto sentir-se estimulados a realizá-lo com eficácia e honestidade… O Estado tem o dever de vigiar e conduzir a aplicação dos direitos humanos no sector económico; nesta esfera, porém, a primeira responsabilidade não cabe ao Estado mas às instituições e aos diversos grupos e associações que compõem a sociedade” (CA 48).

A Igreja ensina que os responsáveis pelas empresas têm perante a sociedade a responsabilidade económica e ecológica pelas suas operações (CA 37). Eles “têm o dever de considerar o bem das pessoas e não apenas o aumento dos lucros. Entretanto, estes são necessários, pois permitem realizar os investimentos que garantem o futuro das empresas, garantindo o emprego”. (CIC, § 2432)

Sobre o salário justo a Igreja ensina que ele é o fruto legítimo do trabalho, e que recusá-lo ou retê-lo pode constituir uma grave injustiça (cf. Lv 19,3; Dt 24,14-15; Tg 5,4). Para se determinar o salário justo é preciso levar em conta ao mesmo tempo as necessidades e as contribuições de cada um. 

“Levando-se em consideração as funções e a produtividade, a situação da empresa e o bem comum, remuneração do trabalho deve garantir ao homem e aos seus familiares os recursos necessários a uma vida digna no plano material, social, cultural e espiritual” (GS 67,2). “O acordo das partes não é suficiente para justificar moralmente o montante do salário”. (CIC § 2434)

A Igreja também fala sobre a greve; e diz que ela é moralmente legítima “quando se apresenta como um recurso inevitável, e mesmo necessário, em vista de um benefício proporcionado. Torna-se moralmente inaceitável quando é acompanhada de violências ou ainda quando se lhe atribuem objectivos não directamente ligados às condições de trabalho ou contrários ao bem comum.” (CIC § 2435) “É injusto não pagar aos organismos de segurança social as cotas estipuladas pelas autoridades legítimas”. (CIC § 2436).

No plano internacional, a Igreja ensina que a desigualdade dos recursos e dos meios económicos é tão grande que provoca entre as nações um verdadeiro “fosso” (SRS 14). “De um lado, estão os que detêm e desenvolvem os meios de crescimento e, de outro, os que acumulam as dívidas”. (CIC § 2437) A Igreja entende que diversas causas, de natureza religiosa, política, económica e financeira, conferem hoje “à questão social uma dimensão mundial” (SRS 9), e que a solidariedade é necessária entre as nações cujas políticas já são interdependentes.

O Papa João Paulo II pedia ao mundo, insistentemente, uma “globalização da solidariedade”. Ela é ainda mais indispensável quando se torna preciso deter “os mecanismos perversos” que impedem o desenvolvimento dos países menos avançados (SRS,17). 

A Igreja afirma que “é urgente substituir os sistemas financeiros abusivos e mesmo usurários” (CA, 35), as relações comerciais iníquas entre as nações e a corrida aos armamentos por um esforço comum no sentido de mobilizar os recursos e objectivos de desenvolvimento moral, cultural e económico, “redefinindo as prioridades e as escalas de valores” (CA, 28)”. (CIC § 2438)

As nações ricas são chamadas pela Igreja a assumir a responsabilidade moral de ajudar as nações pobres a desenvolverem-se. “È um dever de solidariedade e caridade; é igualmente uma obrigação de justiça, se o bem-estar das nações ricas provém de recursos naturais não foram equitativamente pagos”. (CIC § 2439)

Além da ajuda directa  às nações mais pobres nas necessidades imediatas, extraordinárias, causadas por catástrofes naturais, epidemias etc., a Igreja ensina que é necessário também “reformar as instituições económicas e financeiras internacionais, para que elas promovam melhor as relações equitativas com os países menos desenvolvidos” (SRS, 16). 

“É preciso apoiar o esforço dos países pobres trabalhando para o seu desenvolvimento e libertação” (CA, 26). E a Igreja alerta que esta doutrina deve ser aplicada de maneira muito especial no campo do trabalho agrícola. Os camponeses, sobretudo dos países menos desenvolvidos, constituem a grande massa dos pobres. (cf CIC § 2440). Por outro lado a Igreja insiste que é necessário “aumentar o senso de Deus e o conhecimento de si mesmo”, pois aí está a base de todo o desenvolvimento completo da sociedade humana. Este desenvolvimento completo multiplica os bens materiais e põe-nos ao serviço da pessoa e da sua liberdade. Diminui a miséria e a exploração económicas. Faz crescer o respeito pelas identidades culturais e a abertura para a transcendência (cf. SRS 32; CA51). 

Sobretudo a caridade é o eixo da Doutrina Social da Igreja; ela pergunta: “Na multidão de seres humanos sem pão, sem teto, sem terra, como não reconhecer Lázaro, mendigo faminto da parábola? Como não ouvir Jesus, que diz: “Foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25,45)? 

Este breve resumo da Doutrina Social da Igreja mostra que ela nunca se omitiu diante do problema social que se agravou no mundo a partir do século XIX com a revolução industrial. Ao contrário, a Igreja tem uma proposta sólida, que foi muito bem explanada no “Compêndio de Doutrina Social da Igreja”, publicado em 2004 pelo Pontifício Conselho de “Justiça e Paz” da Santa Sé.

Cabe aos católicos conhecerem esta Doutrina e colocarem-na em prática, rejeitando tudo o que não se coaduna com ela, pois ela vem do Espírito Santo.

Referências Bibliográficas:
RN – Carta Enc. Rerum Novarum (15 de Maio de 1891) de Leão XIII, 1892.
QA – Carta Enc. Quadragesimo Anno (15 de Maio de 1931): Papa Pio XI, 1931.
MM – Carta Enc. Mater et Magistra (15 de Maio de 1961): Papa João XXIII, 1961.
AO – Carta Apost. Octogesima Adveniens (14 de Maio de 1971) – Papa Paulo VI, 1971.
PP – Carta Enc. Populorum Progressio (26 de Março de 1967) – Papa Paulo VI, 1967.
CIC – Catecismo da Igreja Católica, Papa João Paulo II, 1992.
GS – Gaudium et Spes – Concílio Vaticano II, 1965
CS – Centesimus Annus, Carta Encíclica de João Paulo II, 1991
LE – Laborem Exercens – Carta Encíclica de João Paulo II, (14 Set 1981)
SRS – Solicitudo Rei Socialis, 1987





 
Por que é que a Igreja cobra taxas? Imprimir e-mail

 Por que é que a Igreja cobra espórtulas e taxas?  

A prática das espórtulas é inspirada no Novo Testamento 

Espórtulas são os valores cobrados pela Igreja quando administra alguns Sacramentos (Baptismo, Crisma e Matrimónio), especialmente a Santa Missa por alguma intenção especial.

Em primeiro lugar é preciso deixar bem claro que esta medida não querer cobrar pelo sacramento administrado. Cada um deles é impagável porque custou o preço do Sangue precioso de Jesus para a nossa salvação. Os sete sacramentos brotaram do Coração de Jesus trespassado pela lança na Cruz. É através deles que as graças da salvação, conquistadas para nós por Cristo, chegam a nós, e isto é impagável.

Então, por que é que a Igreja cobra uma taxa para celebrar alguns deles? A prática das espórtulas é inspirada no Novo Testamento e existe durante quase dois mil anos. Essa prática tem duplo sentido:

1) Para quem oferece a sua oferta é uma forma de participar, de maneira mais íntima, da oblação Eucarística e dos frutos desta; é expressão da fé e do amor com que tem acesso ao Pai por Cristo no Espírito Santo. Assim as espórtulas justificam-se como expressão da fé e do amor dos fiéis que desejam participar mais intimamente dos frutos da Santa Missa.

2) Para a Igreja é um meio de sustentação legítimo, baseado na tradição bíblica e que não se trata de simonia, isto é, de comércio com as coisas sagradas.

Após o Concílio do Vaticano II (1962-1965), que fez um balanço da vida eclesial, considerando as suas necessidades, o Papa Paulo VI regulamentou as espórtulas da Missa, em 13/06/1974, quando publicou o Motu próprio “Firma in Traditione”, em que dizia:

"É tradição firmemente estabelecida na Igreja que os fiéis, movidos pelo seu espírito religioso e o seu senso eclesial, acrescentem ao sacrifício eucarístico um certo sacrifício pessoal, a fim de participar mais estritamente daquele. Atendem assim às necessidades da Igreja e, mais particularmente, à subsistência dos seus sacerdotes. Isto está de acordo com o espírito das palavras do Senhor: 'o trabalhador merece o seu salário' (Lc 10,7), palavras que São Paulo lembra na sua primeira carta a Timóteo (5,18) e na primeira aos Coríntios (9,7-14)”.

"O clero que, pelo seu trabalho, merece receber o necessário para se sustentar, deveria ter a sua subsistência garantida por um sistema de financiamento independente de ofertas feitas por particulares ou pelos fiéis que peçam serviços religiosos". Depois disto, o assunto foi regulamentado também pelo Papa João Paulo II em 22 de Janeiro de 1991, no Decreto SOBRE AS ESPÓRTULAS, preparado pela Sagrada Congregação para o Clero.

O Código de Direito Canónico, promulgado em 25/11/83, quando fala das espórtulas (ofertas), diz, entre outras coisas:

Cânon 945 - § 1. "Segundo o costume aprovado pela Igreja, a qualquer sacerdote que celebra ou concelebra a Missa, é permitido receber a espórtula oferecida para que ele aplique a Missa segundo determinada intenção”. § 2. Recomenda-se vivamente aos sacerdotes que, mesmo sem receber nenhuma espórtula, celebrem a Missa segundo a intenção dos fiéis, especialmente dos pobres.

Cânon 946 – “Os fiéis que oferecem a espórtula para que a Missa seja aplicada segundo as suas intenções concorrem, com esta oferta, para o bem da Igreja e participam do seu empenho no sustento dos seus ministros e obras”. Cânon 947 – “Deve-se afastar completamente das espórtulas de Missas até mesmo qualquer aparência de negócio ou comércio.” No início da Igreja, os cristãos, ao participarem na Santa Missa, levavam consigo dons naturais (pão, vinho, leite, frutas, mel...). Depois passou a fazer-se doações também em dinheiro por ser mais prático.

A Igreja, como uma sociedade também humana e inserida neste mundo, precisa de dinheiro para exercer a missão de pregar o Evangelho, que lhe foi confiada pelo próprio Cristo, desde os tempos d'Ele. Os doze Apóstolos tinham uma caixa comum (cf. Jo 12,6). Jesus aceitava que algumas mulheres os ajudassem com os seus bens, entre elas, Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza, Susana e várias outras (cf. Lc 8,1-3).

A primeira comunidade cristã em Jerusalém praticava a voluntária partilha de bens (cf. Act 2,44; 5,1-6). Jesus elogiou a oblação da viúva no Tesouro do Templo: "Em verdade vos digo que esta viúva, que é pobre, lançou mais do que todos no Tesouro. Pois todos os outros deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua penúria, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver" (Mc 12,42-44).

E aqueles que não têm dinheiro para mandar celebrar a Santa Missa? A Igreja reza diariamente por todas as grandes intenções e necessidades da humanidade (os doentes, os moribundos, os encarcerados, os falecidos...), também pelas almas do Purgatório, em todas as Celebrações Eucarísticas. Assim, não há almas abandonadas no Purgatório por falta de dinheiro da parte dos familiares.

O Código de Direito Canónico afirma: Cânon 222 § 1. "Os fiéis têm obrigação de socorrer as necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros."

O Catecismo da Igreja Católica diz no §2043: " Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo as suas capacidades, às necessidades materiais da Igreja".

 
Números oficiais da Igreja Católica em Portugal Imprimir e-mail

Vaticano divulga números oficiais da Igreja Católica em Portugal


O Vaticano divulgou no dia 22 de Abril de 2010, os números oficiais da Igreja Católica em Portugal, que apontam para uma percentagem de 88,3% de católicos no país, o que corresponde a 9,36 milhões, para uma população de 10,6 milhões de pessoas.

Os dados disponibilizados pela Sala de Imprensa da Santa Sé referem-se ao dia 31 de Dezembro de 2008.

Os números mostram um total de 2.825 sacerdotes diocesanos e 972 sacerdotes religiosos. Os seminaristas de filosofia e teologia somam 444, entre diocesanos e religiosos.

A Igreja Católica em Portugal conta com 52 Bispos (dados de 15 de Abril de 2010), 3.797 padres, 212 diáconos permanentes, 312 religiosos e 5965 religiosas, além de 594 membros de Institutos seculares.

O número de catequistas é de 63.906 num total de 4.380 paróquias e 2.878 outros centros pastorais, espalhados por 21 dioceses.


O Vaticano elenca também os centros escolares que são propriedade da Igreja ou são dirigidos pelos seus membros: há 793 estabelecimentos até à primária, 80 secundários e 26 institutos superiores e a UCP, servindo um total de quase 130 mil alunos.

Quanto a “centros caritativos e sociais” são contabilizados 43 hospitais, 155 ambulatórios, 799 casas para idosos, 663 orfanatos ou asilos, 55 consultórios familiares e centros para a proteção da vida, 462 centros educativos especiais e 168 outras instituições.

 
A Missa na paróquia Imprimir e-mail

A importância da participação da Missa na paróquia

A Igreja paroquial é a minha casa, é o meu núcleo de fé e vida.

Domingo é o dia do Senhor. São João Maria Vianey dizia: "Um Domingo sem Missa é uma semana sem Deus". A nossa fé agrega-nos numa grande família que é a Igreja, de maneira mais particular a Paróquia, onde ponho em prática a minha fé. Ali é onde eu recebo o suporte necessário para crescer na formação humana, na espiritualidade e em todos os tesouros sacramentais para a minha salvação. A Igreja paroquial é a minha casa, é o meu núcleo de fé e vida.
Tomemos por modelo os cristãos das primeiras comunidades: "Os que receberam a sua palavra foram baptizados. Perseveravam na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fracção do pão e nas orações" (cf. Actos 2, 41-42).
Assim como eu preciso de fazer uma experiência com Cristo para O seguir, também preciso de fazer uma experiência com a comunidade de fé, que é a Igreja, a portadora do depósito da fé, a extensão do grande corpo de Cristo e da qual sou membro. A comunidade é necessária para que a minha fé não seja estéril, morta, sem obras. Na comunidade paroquial, faço uma experiência de vida fraterna que faz toda a diferença no mundo de hoje. Na experiência dos apóstolos, o Domingo tem lugar especial por se tratar do dia da ressurreição do Senhor. No início, quando eles não tinham igrejas e eram perseguidos, eles celebravam em suas próprias casas. É isso que nós cristãos, hoje, somos chamados a resgatar: o sentido de casa das nossas paróquias, casa de comunhão e fé, ressurreição e vida.
Lembro-me, com muito carinho, da minha "paróquia mãe", a Catedral de Sant'Ana. Logo depois que eu encontrei Jesus e d'Ele recebi a Vida Nova, meti-me na minha paróquia por meio do grupo de jovens, da Legião de Maria e da Missa Dominical, que não perdia por nada deste mundo; era por amor, era de coração. A partir daí, veio a Direcção Espiritual, a vida de oração e a vocação ao sacerdócio. Quantas riquezas a paróquia me pôde oferecer! Mas não me posso esquecer das desculpas imaturas de que não precisava de ir à casa de Deus para encontrar o Senhor, que podia rezar em casa, pois Deus está em todo lugar e lá não se vê tanto testemunho, etc. Estas ideias acabaram quando fui crescendo no verdadeiro sentido de ser Igreja: "Eu sou e também faço a Igreja; sou discípulo de Jesus Cristo e estou neste caminho por Ele em primeiro lugar.
D.40.1 Celebração dominical, centro da vida da Igreja:
§2177 A celebração dominical do Dia do Senhor e da Eucaristia está no coração da vida da Igreja. "O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como a festa de preceito por excelência."
"Devem ser guardados igualmente o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, de Santa Maria, Mãe de Deus; da sua Imaculada Conceição e Assunção, e, por fim, de Todos os Santos".
Domingo primeiro dia da semana
§1166 "Devido à tradição apostólica que tem origem no próprio dia da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal a cada oitavo dia, chamado, com razão, o Dia do Senhor ou domingo". O dia da ressurreição de Cristo é, ao mesmo tempo, "o primeiro dia da semana", memorial do primeiro dia da criação, e o "oitavo dia" em que Cristo, depois do seu "repouso" do grande sábado, inaugura o dia "que O Senhor fez", o "dia que não conhece ocaso". A Ceia do Senhor é o seu centro, pois é aqui que toda a comunidade dos fiéis se encontra com o Ressuscitado, que Os convida ao seu banquete: O dia do Senhor, o dia da ressurreição, o dia dos cristãos, é o nosso dia, pois foi, nesse dia, que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos o denominam dia do sol, também nós o confessamos de bom grado, pois, hoje, levantou-se a luz do mundo; hoje, apareceu o sol de justiça, cujos raios trazem a salvação.
§1167 O domingo é o dia, por excelência, da assembleia litúrgica em que os fiéis se reúnem para, ouvindo a Palavra de Deus e participando da Eucaristia, se lembrarem da Paixão, Ressurreição e Glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que os regenerou para a viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos.
Domingo dia principal da celebração eucarística:
§1193 O domingo é o dia principal da celebração da Eucaristia por ser o dia da ressurreição. É o dia da assembleia litúrgica por excelência, da família cristã, da alegria e do descanso do trabalho. O domingo é o fundamento e o núcleo do ano litúrgico.
D.40.9 Obrigação de participar da liturgia dominical:
§1389 A Igreja obriga os fiéis "a participar da divina liturgia aos domingos e nos dias festivos" e a receber a Eucaristia pelo menos uma vez ao ano, se possível no tempo pascal, preparados pelo sacramento da reconciliação. Mas recomenda, vivamente, aos fiéis que recebam a santa Eucaristia nos domingos e dias festivos ou ainda com maior frequência, e até todos os dias.
§2042 O primeiro mandamento da Igreja ("Participar da Missa inteira aos domingos, de outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho") ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da santíssima Virgem Maria e dos santos. Em primeiro lugar, participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e abstendo-se de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias.
Antes de qualquer obrigação, o meu relacionamento com Deus deve ser por amor e o meu compromisso concreto exige tempo e espaço para se actualizar, por isso, a minha paróquia é lugar de encontro com Ele e com os meus irmãos na fé, onde eu alimento a minha experiência e vida com o meu Senhor. Não existe uma experiência autêntica de Jesus Cristo fora da comunidade, nela sou formado na Palavra, no Altar, no testemunho e na doação da minha vida.
Sabendo de todas estas maravilhas e chamados a renovar o nosso compromisso com Jesus Cristo e com a Igreja Paroquial, como tem sido a tua participação na tua paróquia? Qual tem sido a tua experiência paroquial?

Tu vais à Missa todos os Domingos?

 
Não há Bíblia sem Igreja Imprimir e-mail

Por que não há Bíblia sem Igreja?

“Assim como há um só Deus, um só Cristo, um só Espírito Santo, assim também há uma só verdade divinamente revelada; uma só Fé divina que é o princípio da salvação do homem e o fundamento de toda a justificação, a Fé pela qual o justo vive e sem a qual é impossível agradar a Deus e chegar à comunhão dos Seus filhos.

Há uma só Igreja una, verdadeira, santa e católica que é a Igreja Apostólica Romana. Há uma só cátedra fundada sobre Pedro pela palavra do Senhor, fora da qual não podemos encontrar nem a verdadeira Fé, nem a salvação eterna.

Todo aquele que não tiver a Igreja como mãe, não pode ter a Deus como pai, e quem quer que abandone a cátedra de Pedro sobre a qual a Igreja foi fundada confia falsamente que está na Igreja de Cristo.

Na verdade, não pode haver crime maior e mancha mais repugnante do que se opor a Cristo, do que dividir a Igreja gerada e comprada pelo Seu Sangue, do que esquecer o amor evangélico e combater com o furor da discórdia hostil a harmonia do povo de Deus.”

(Pio IX, Singulari Quidem)

 
O que é a Tradição da Igreja Imprimir e-mail

O que é a Tradição da Igreja?  

A Escritura e a Tradição da Igreja são Palavra de Deus, ensinamentos divinos.

Falar da Tradição da Igreja não é falar de simples costumes que se perpetuam na vida da Igreja. Não estamos a falar de tradições culturais, mas da Sagrada Tradição. A Sagrada Tradição guarda o depósito de fé da Igreja, que conserva o que Jesus ensinou. Este depósito de fé é também chamado Revelação, ou seja, aquilo que Deus ensinou de Si e os Seus mistérios aos homens através dos ungidos do povo de Deus na Antiga Aliança (patriarcas, juízes, profetas, autores bíblicos etc) mas, sobretudo através de Cristo, que depois foi ensinado pelos apóstolos, guardado e vivido na Igreja primitiva. Esta verdade revelada está contida na Tradição da Igreja e na Sagrada Escritura, a Bíblia.

A Sagrada Escritura e a Tradição contêm, pois, toda a doutrina revelada; a Tradição chega a nós hoje, sobretudo, através dos símbolos da fé (os credos, como o dos apóstolos e o Niceno-Constantinopolitano), na liturgia e na vida (pregação e santos) da Igreja, nos escritos dos padres e doutores da Igreja que nos primeiros séculos transmitiram a fé. O Magistério da Igreja, sob a assistência do Espírito Santo, conserva e interpreta esta Revelação (cf Jo16, 12-13; Lc 22,32; Jo 21,15).

 Tanto a Escritura como a Tradição são Palavra de Deus, isto é, o ensinamento divino, comprovado por milagres e profecias; com a diferença de que a Tradição não foi escrita por aqueles a quem Deus revelou; embora, com o tempo, outras pessoas tenham podido escrevê-la, a fim de a conservarem e transmitirem com maior fidelidade. “Daí resulta que a Igreja, à qual estão confiadas a transmissão e a interpretação da Revelação, ‘não deriva a sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado somente da Sagrada Escritura. Por isso, ambas devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência” (CIgC 82).

Palavra de Deus não é só a Bíblia

É importante entender que a Palavra de Deus não é a Bíblia, mas a Bíblia é a Palavra de Deus, porque ela é infalivelmente inspirada. Talvez assuste ouvir isto, mas esta é uma premissa fundamental para entender a fé da Igreja. A Palavra de Deus é o Verbo eterno do Pai que encarnou no ventre da Virgem Maria. Portanto, a Palavra eterna é Pessoa Divina e por mais sagrado e inspirado que seja um livro, ele não pode conter toda a Palavra. Por isso mesmo no final do seu evangelho São João afirma: “Jesus fez muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever” (Jo 21, 25).

 Então, muitas coisas que Jesus ensinou não foram escritas, mas foram ensinadas e vividas; e essas coisas constituem a Tradição da Igreja. Por isso diz o Catecismo da Igreja Católica: “Todavia, a fé cristã não é uma ‘religião do Livro’. O cristianismo é a religião da Palavra de Deus, ‘não de um verbo escrito e mudo, mas do Verbo encarnado e vivo’. Para que as Escrituras não permaneçam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna de Deus vivo, pelo Espírito Santo nos ‘abra o espírito à compreensão das Escrituras’ Lc 24, 45” (CIgC 108).

Sagrada Tradição

Aliás, a própria Bíblia, ou Sagradas Escrituras, tem o seu berço na Sagrada Tradição. A Tradição inicial, ou seja, a pregação dos apóstolos, é anterior às Sagradas Escrituras e durante muitos anos foi a única regra de fé. Afinal, Jesus mandou: “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15), e não “Ide e escrevei livros” (é bom lembrar que na época não existia gráfica, nem caneta, nem máquina de datilografar… Computador, menos ainda). Com efeito, a pregação dos apóstolos começou no próprio ano da morte de Cristo (ano 33).

Diversamente, os livros da Sagrada Escritura só começaram a ser escritos a partir do ano 50 até ao ano 100; e sobretudo, não foram conhecidos pela Igreja universal, senão no decurso dos primeiros séculos, pois ao princípio, só eram conhecidos pelas Igrejas particulares a que se destinavam. Notável é o testemunho da própria Bíblia em favor da tradição: “Embora tivesse muitas coisas a escrever-vos, não o quis fazer por meio de tinta e papel, pois espero ver-vos e falar-vos de viva voz” (2Jo 12); “Conservai-vos firmes na fé e guardai as tradições que aprendestes, quer pela nossa pregação, quer pela nossa carta” (2Ts 2, 14); ‘O que ouviste da minha boca e de muitas testemunhas, confia-o a outros homens fiéis, capazes de instruir os outros” (2Tm 2,2).

Se entendermos que a Escritura é a única fonte da nossa fé, como fazem os protestantes, somos forçados a achar que nos primeiros anos e séculos, não havia na Igreja fonte alguma de fé, o que é inadmissível, porque equivaleria a dizer que então não havia fé; mais admissível é aceitar uma fonte de fé distinta da Escritura, a saber, a Tradição ou ensino dos apóstolos e seus sucessores.

A Igreja nasceu da Bíblia?

A Bíblia nasceu da Igreja e não a Igreja nasceu da Bíblia. Não se pode saber com certeza que livros contêm na realidade a doutrina de Cristo, nem qual o seu verdadeiro sentido, a não ser pelo ensino da Igreja. Portanto, se não se acredita na assistência de Deus de infalibilidade à Igreja, também não se pode acreditar no valor infalível da Bíblia como Palavra de Deus. Não se pode celebrar o fruto negando a existência e o valor da árvore que o gerou. Por isso diz Santo Agostinho: “Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica”.

A Igreja é a mãe que nos alimenta da graça de Cristo, que nos ensina a fé e por isso diz São Cipriano (séc. III): “Nascemos todos do seu ventre, somos nutridos com o seu leite e animados pelo seu Espírito”.

 
A Igreja tem mais de 11 mil instituições de caridade Imprimir e-mail

A Igreja tem mais de 11 mil instituições de caridade no mundo 

Segundo revelam os dados do último “Anuário Estatístico da Igreja”, publicado pela Agência Fides por ocasião da Jornada Missionária, a Igreja administra 115.352 Institutos sanitários, de assistência e beneficência em todo o mundo.

Deste número, 5.167 hospitais (a maior parte na América, 1.493 e 1.298 na África); 17.322 dispensários a maioria na África, 5.256, América 5.137 e Ásia 3.760; 648 leprosários distribuídos principalmente na Ásia (322) e África (229); 15.699 casas para idosos, doentes crónicos e deficientes – Europa (8.200) e América (3.815); 10.124 orfanatos, principalmente na Ásia (3.980) e América (2.418); 11.596 jardins da infância, a maior parte na América (3.661) e Ásia (3.441); 14.744 consultores matrimoniais, distribuídos no continente americano (5.636) e Europa (6.173); 3.663 centros de educação e reeducação social, além de 36.386 instituições de outros tipos.

 
Qual a verdadeira riqueza da Igreja? Imprimir e-mail
 Qual a verdadeira riqueza da Igreja?    

Muito se fala sobre a riqueza da Igreja, sobre o ouro do Vaticano, etc. A Igreja, sendo também uma instituição humana, incumbida por Jesus para levar a salvação a todos os homens, precisa evidentemente de um “corpo material”, sem o qual não pode cumprir a sua missão em toda a Terra. 

A palavra “católica” quer dizer “universal”. Qualquer instituição que esteja em várias nações precisa de meios materiais para se manter. O Papa é o único chefe de Estado que tem “filhos” em todos os cantos da Terra, falando todas as línguas. São cerca de 180 Núncios Apostólicos no mundo todo. Toda esta estrutura exige, claro, recursos financeiros. No último Concílio, o Vaticano II, Papa São João XXIII reuniu cerca de 2600 bispos de todas as nações, no Vaticano, durante três anos. Qual o chefe de Estado faz isto? 

Desde 1870, quando a guerra de unificação da Itália tomou, à força, as terras da Igreja, até ao fim da chamada Questão Romana (11/02/1929), os Papas consideraram-se prisioneiros no Vaticano durante cerca de 60 anos. Este período foi de relacionamento difícil entre a Igreja e o governo italiano. À força das armas, a Igreja perdeu o seu Estado Pontifício, adquirido por doações, desde Pepino o Breve, pai de Carlos Magno, em 1752. De 40 mil km2, o Vaticano ficou reduzido a 0,44 km2. 

Apesar de toda a pressão contrária, os Papas destes 60 anos, Pio IX (1846-1878), Leão XIII (1878-1903), São Pio X (1903-1914), Bento XV(1914-1922) e Pio XI (1922-1939) julgaram que não podiam abrir mão da soberania territorial da Igreja em relação às outras nações, com direito a um território próprio, ainda que muito pequeno, para que tivesse condições de cumprir a missão que Cristo lhe deu. 

Benito Mussolini, chefe do governo italiano, em 1929, percebeu a grande conveniência política de conciliar a Itália com o Vaticano. As negociações levaram dois anos e meio, terminando com a assinatura do Tratado do Latrão, aos 11/02/1929, que encerrava 60 anos de disputas entre o Vaticano e o governo da Itália. 

Cidade do Vaticano 

A cidade do Vaticano, geograficamente situada dentro de Roma, é mínima territorialmente. Quando começou a discussão da Questão Romana, muitos diziam que, em caso de restauração da soberania temporal da Igreja, ela deveria ter apenas um Estado do tamanho da República de São Marinho (60,57 Km2); ora, o Estado Pontifício renasceu com apenas 0,44 Km2, tamanho que tem hoje o Vaticano. Este território é apenas um pequeno corpo, onde a alma da Igreja pode viver. 

Os objetos contidos no Museu do Vaticano foram, em grande parte, doados aos Papas por cristãos honestos e fiéis, e pertencem ao património da humanidade. Pelo Tratado de Latrão, a Igreja não pode vender estes bens, apenas tem usufruto deles. Os Papas não vêem motivo para não conservar este valor cultural muito importante. Não é a pura venda destes objetos, de muito valor para todos os cristãos, que resolveria o problema da miséria do mundo. Será que a rainha da Inglaterra aceitaria vender o museu de Londres, ou o presidente da França vender o Louvre? 

Não há motivo, portanto, para se falar, maldosamente, da “riqueza do Vaticano”. Podemos até dizer que a Igreja foi rica no passado, antes de 1870, mas hoje não.

 Qualquer chefe de Estado de qualquer pequeno país tem à sua disposição, no mínimo, um avião. Nem isso o Papa tem. 

Doutrina da Igreja 

É inegável que a Igreja cresceu em espiritualidade depois que perdeu o grande poder temporal que o Estado Pontifício antigo lhe dava. Os últimos Papas, a partir de 1870, foram homens santos, que entregaram a vida pela Igreja, sem limites. Pio IX (Beato), Leão XIII, S. Pio X, Bento XV, Pio XI, Pio XII, João XXIII (Beato), Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, foram grandes homens, exemplos para o mundo todo. 

O Vaticano tem um órgão encarregado da caridade do Papa, o Cor Unum. Ao fim de cada ano, é publicada, no jornal do Vaticano, o L’Osservatore Romano, a longa lista de doações que o Papa faz a todas as nações do mundo, especialmente para vencer as flagelações da seca, da fome, dos terremotos, etc. É uma longa lista de doações que o Papa faz com o chamado óbolo de São Pedro, arrecadado dos fiéis católicos do mundo todo. 

A caridade é marca da Igreja Católica 

A Igreja Católica, nestes dois mil anos, sempre fez e fomentou a caridade. Muitos hospitais, sanatórios, leprosários, asilos, albergues, etc., são e foram mantidos pela Igreja em todo o mundo. Quantos santos e santas, freiras e sacerdotes, leigos e leigas, passaram a sua vida fazendo a caridade! Basta lembrar aqui alguns nomes: São Vicente de Paulo, São João Bosco, São Camilo de Lelis, Madre Teresa de Calcutá… a lista é enorme! 

Desde quando Roma desabou, no ano 476, diante dos bárbaros, quem salvou a civilização foi a Igreja, com o Papa, os mosteiros, os bispos e as igrejas. Em torno das catedrais, mosteiros e igrejas, surgiram escolas, hospitais, orfanatos, leprosários, etc. Os Papas, como Leão XIII, saíam às ruas de Roma, pessoalmente, para atender os pobres e doentes. A Igreja cuidou da caridade social até ao século 18, só depois é que surgiram as outras instituições sociais. 

Quem faz tanto como a Igreja Católica? Segundo revelam os dados do “Anuário Estatístico da Igreja” de 2015, publicado pela Agência Fides, por ocasião da Jornada Missionária, a Igreja administra 115.352 institutos de saúde, de assistência e beneficência em todo o mundo. Deste número, 5.167 hospitais: parte na América, 1.493, e 1.298 na África; 17.322 dispensários (serviços de saúde), a maioria na África com 5.256; América 5.137 e Ásia 3.760; 648 leprosários distribuídos principalmente na Ásia (322) e África (229); 15.699 casas para idosos, doentes crónicos e deficientes – Europa (8.200) e América (3.815); 10.124 orfanatos, principalmente na Ásia (3.980) e América (2.418); 11.596 jardins da infância, a maior parte na América (3.661) e Ásia (3.441); 14.744 consultores matrimoniais, distribuídos no continente americano (5.636) e Europa (6.173); 3.663 centros de educação e reeducação social, além de 36.386 instituições de outros tipos. 

Além disso, a grande riqueza da Igreja são os seus santos. São Papas, mártires, virgens, doutores, profetas, patriarcas, monges e eremitas. A sua liturgia, os sacramentos e Cristo que nos espera no sacrário e na confissão, na sua Palavra e na sua moral cheia de amor.
 
Não concordo com o que a Igreja ensina Imprimir e-mail
 Não concordo com o que a Igreja ensina. O que faço?      Como é que a Igreja poderia ensinar algo errado ou inconveniente se o Espírito Santo lhe ensina sempre toda a verdade? 

Quem não concorda com o que a Igreja ensina não conhece bem o que Jesus ensinou, fez e mandou que fizéssemos. Jesus fundou a Igreja sobre São Pedro e os apóstolos, para que ela fosse a “porta-voz” d’Ele na Terra. Disse-lhes o Senhor: “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita, e quem Me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (cf. Lc 10,16). Quer dizer, quem não a ouve não ouve Jesus! Quem não lhe obedece não O obedece. 

Sacramento universal da salvação 

Jesus ainda disse-lhes mais: “Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino”. (São Lucas 12,32). E foi à Igreja que Jesus mandou: “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura” (Marcos 16,15). Como, então, não concordar com a palavra da Igreja? E mais: “A quem perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados” (João 20,22). O Pai mandou o Filho para salvar o mundo; o Filho enviou a Igreja. Ela é o “sacramento universal da salvação” (LG, 4), a Arca de Noé que nos salva do dilúvio do pecado. 

Na Santa Ceia, na despedida dos apóstolos, Jesus fez várias promessas à Igreja, ali formada pelos Seus discípulos. Entre muitas coisas que São João narrou, em cinco capítulos do seu Evangelho (13 a 17), Jesus prometeu: 

“Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”. “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (João 14,15.25). Ora, como a Igreja poderia ensinar algo de errado se o Espírito Santo permanece sempre com ela e lhe ensina todas as coisas? 

Jesus ainda lhes disse: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (João 16,12-13). Como a Igreja poderia ensinar algo errado ou inconveniente se o Espírito Santo lhe ensina sempre “toda a verdade”? 

Coluna e fundamento da verdade 

Além disso, o próprio Jesus está na Igreja, pois Ele prometeu, antes de subir ao céu: “Eis que Eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo” (Mateus 28,20). Foi a última palavra d’Ele aos discípulos. Ora, como poderia errar se Jesus está com ela todo tempo? É impossível! É por isso que São Paulo disse a São Timóteo: “A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15). Então, ela detém a verdade que Jesus disse que nos liberta. 

É por causa de tudo isso que o nosso Credo tem 2 mil anos e nunca mudou nem vai mudar; porque é a expressão da verdade que salva. A mesma coisa acontece com os sacramentos, os mandamentos e a liturgia. A Igreja já teve 266 Papas e nunca um deles cancelou um ensinamento doutrinário que um antecessor tenha ensinado. Já realizou 21 Concílios universais, e nunca nenhum deles cancelou um ensinamento de um anterior. A verdade não muda, o Espírito Santo não se contradiz. 

Logo, como não concordar com o que Igreja ensina? Isso seria por causa da ignorância de tudo o que foi relatado acima; ou, então, seria um acto de orgulho espiritual da pessoa, que pensa saber mais do que a ela, assistida por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo. Longe de nós, isto! 

Podemos até não conseguir viver o que ela nos ensina e manda viver – isto é compreensível por causa da nossa fraqueza –, mas nunca poderemos dizer que ela está errada ou que não concordamos com o que ela ensina. A Igreja não ensina o que quer, mas o que o Seu Senhor lhe confiou.

 

 
A Igreja Católica e os não católicos Imprimir e-mail

 

A Igreja Católica e os não católicos  

A Igreja católica olha com respeito os cristãos que estão fora dos seus limites.

O Catecismo ensina-nos algo muito importante sobre isso: “Os que hoje em dia nascem em comunidades que surgiram de tais rupturas e estão imbuídos da fé em Cristo não podem ser arguidos de pecado de separação, e a Igreja católica abraça-os com fraterna reverência e amor… Justificados pela fé recebida no batismo, estão incorporados em Cristo, e por isso, com razão, são chamados com o nome de cristãos, e merecidamente reconhecidos pelos filhos da igreja católica como irmãos no Senhor” (Un. Redintegratio,3) (Catecismo nº. 818).

A Igreja também reconhece que “muitos elementos de santificação e de verdade existem fora dos limites visíveis da Igreja Católica: a palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade e outros dons do Espírito Santo” (UR, 3).

O Catecismo ainda afirma que: “O Espírito Santo de Cristo se serve dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica”. Todos estes bens provêm de Cristo e levam a Ele e impelem à “unidade católica” (Lumen Gentium, 8).

Estas palavras não querem, de forma alguma, dizer que podemos aceitar a triste realidade dos irmãos separados da fé católica, “como se tudo estivesse bem”. Não! O verdadeiro ecumenismo nunca será uma forçada justaposição de muitas igrejas, mas o reconhecimento de que só há uma Igreja fundada por Jesus e que contém com garantia todo o “depósito da fé” e a plenitude dos meios da salvação.

Instrumentos de Salvação

Embora reconheça tudo isto, a Igreja Católica tem consciência de que possui, como disse o Papa João Paulo II, “por vontade expressa de Deus, a plenitude dos meios da salvação”, ou seja, “todos os instrumentos da graça”(UR,3 e 4).

Os nossos irmãos separados da fé católica, que já nasceram nas igrejas ditas evangélicas, não podem ser culpados pela separação havida no passado; contudo, estão desprovidos de muitos meios de salvação e santificação que Jesus nos deixou: sacramentos, devoção a Maria, intercessão, santos, sacramentais, etc.

É preciso lembrar que, quando a Igreja Católica se refere às igrejas protestantes, ela pensa nas tradicionais e históricas, não na multidão incontável de seitas que se multiplicam cada dia, de maneira incontrolável e independente.

A “Lumen Gentium” deixa bem claro que: “A única Igreja de Cristo é aquela que o nosso Salvador, depois da Sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar e confiou a ele e aos outros apóstolos para a propagar e a reger… Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele” (LG, 8).

 
Uma história que não é contada nas escolas Imprimir e-mail

Uma história que não é contada nas escolas

 “Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental”. Dr. Thomas Woods

Infelizmente muitos estudantes secundários e universitários têm uma visão deformada a respeito da Igreja Católica, a sua vida e a sua História. Isto tem muito a ver com a imagem errada que muitos professores, de várias disciplinas, especialmente História, lhes passam. Isto gera nos estudantes uma aversão à Igreja desde os bancos escolares. Também a mídia, muitas vezes, cujos elementos foram formados nas mesmas universidades, é a causa de uma visão negativa e deturpada da Igreja. Há uma má vontade explícita contra a Igreja.

O livro “Código da Vinci”, e depois o filme de mesmo nome, bem como inúmeras matérias fantasiosas sobre a Igreja, sem provas históricas ou científicas, aumentaram em todo o mundo, ainda mais, esta visão de que a Igreja Católica é uma Instituição corrupta, perversa, que inventou a divindade de Cristo, e que sobre este mito criou uma Instituição poderosa e dominadora, e que a custa de sangue sempre se impôs ao mundo.

Nada mais errado e perverso. Mas, mesmo assim, as últimas pesquisas de opinião pública mostram que a Igreja está entre as primeiras instituições que têm a confiança do povo.

É hora de os jovens estudantes, especialmente os católicos, conhecerem o outro lado dessa “História” que é mal contada nas escolas. Hoje é-lhes mostrado apenas as “sombras” da vida da Igreja, mas há uma má vontade imensa que encobre as “luzes” brilhantes de sua História de 2000 anos. Uma bem montada propaganda laicista no mundo anti-Igreja Católica, envenena os jovens e os joga contra a Igreja.

Foi a Igreja quem salvou e quem moldou a nossa rica Civilização Ocidental da qual nos orgulhamos, onde se preza a liberdade, os direitos humanos, o respeito pela mulher e por cada pessoa. Sem o trabalho lento e paciente da Igreja durante cerca de dez séculos, após a queda do Império Romano e a ameaça dos bárbaros, o Ocidente não seria o mesmo.

Foi esta civilização moderna, gerada no bojo do Cristianismo que nos deu o milagre das ciências modernas, a saudável economia de livre mercado, a segurança das leis, a caridade como uma virtude, o esplendor da Arte e da Música, uma filosofia assentada na razão, a agricultura, a arquitetura, as universidades, as Catedrais e muitos outros dons que nos fazem reconhecer em nossa Civilização a mais bela e poderosa civilização da História. E a responsável por tudo isto foi a Igreja Católica, diz o historiador americano Dr. Thomas Woods, PhD de Harvard, nos EUA. Ele afirma que:

 “Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de  gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”. [Woods, 2005, p. 7]

Em sua obra o Dr. Thomas apresenta muitas referências de historiadores atuais que confirmam o trabalho da Igreja na construção da Civilização Ocidental; algumas dessas citações estão citadas em nossa Bibliografia no final deste livro para quem desejar se aprofundar no assunto. Como não tenho acesso a todas elas, fiz uso de várias de suas citações referenciadas na Bibliografia.

Foi a Igreja quem humanizou o Ocidente insistindo na sociabilidade de cada pessoa humana. Mas infelizmente tudo isto é silenciado pelos que não gostam da Igreja; por isso, é essencial recuperar esta verdade intencionalmente escondida e abafada.

Há hoje no mundo um anti-Catolicismo espalhado pela mídia e pelas universidades. É dito aos jovens, mentirosamente, que a História da Igreja é uma história de ignorância, repressão, atraso e estagnação, quando a realidade é exatamente o contrário, como têm mostrado muitos historiadores modernos, e como veremos neste livro.

Na verdade a Igreja soube aproveitar o que há de bom na civilização grega e romana, não as desprezou, e soube com os valores cristãos moldar a nossa Civilização.

É preciso saber distinguir entre a “Pessoa” da Igreja, fundada por Cristo, divina, santa, e as “pessoas” da Igreja que são seus filhos, santos e pecadores. Muito se exagera, por exemplo, sobre a Inquisição e as Cruzadas; e se quer analisá-las fora do contexto da época. Isto é um absurdo histórico; ninguém pode entender um fato fora do seu contexto moral, social, psicológico, religioso, etc., da época. Um texto retirado do contexto se torna pretexto; e neste caso para se atacar, denegrir e tentar destruir a Igreja Católica, como se ela fosse vencível neste mundo.

A maioria das pessoas reconhece a influência da Igreja na música, na arte e na arquitetura, mas a influência da Igreja foi  muito maior do que se pensa e se conhece. Muitos, mal informados, pensam que centenas de anos antes da época do Renascimento (século XVI), a Idade Média, foi um tempo de ignorância e repressão intelectual, sem brilho, como se fosse um tempo negro onde se imperou somente a superstição e a magia, como se em nome de Jesus Cristo, a ciência e o progresso fossem banidos. Nada mais errado. A Idade média cristã foi, na verdade, um tempo de grande desenvolvimento religioso, cultural e artístico, como veremos.

Nossa Civilização tem uma enorme dívida com a Igreja pelo sistema universitário, pelo trabalho de caridade realizado, pelo advento da lei internacional, o desenvolvimento das ciências, das artes, da música, do direito, da economia e muito mais. A Igreja Católica salvou e construiu a Civilização Ocidental. Com muita rapidez os críticos da Igreja Católica levantam e expõem os erros dos seus filhos em todos os tempos, mas, solertemente escondem as grandes realizações da Igreja em prol da humanidade.

O Dr. Thomas Woods mostra que nos últimos quinze anos, muitos historiadores e pesquisadores mostraram a grande contribuição da Igreja para o desenvolvimento da nossa atual Civilização.

Por exemplo, a contribuição da Igreja para o desenvolvimento da ciência foi enorme; muitos cientistas foram padres. Pe. Nicholas Steno, é considerado o “pai da geologia”. O “pai da egiptologia” foi o padre Athanasius Keicher. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi o Pe. Giambattista Riccioli. Pe Rober Boscovitch é considerado o pai da moderna teoria atómica. Os jesuítas se dedicavam ao estudo dos terremotos tal que a sismologia veio a ser conhecida como a “ciência Jesuítica”. Trinta e cinco crateras da lua foram nomeadas por cientistas e matemáticos jesuítas.

J. L. Heilbron (1999), da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que: “A Igreja Católica Romana deu mais suporte financeiro e social ao estudo da astronomia por mais de seis séculos do que qualquer outra instituição”. Woods afirma que “o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência moderna permanece um dos mais bem guardados segredos da história moderna” [p. 5].

Foram os monges da Igreja que preservaram a herança literária do mundo Antigo após a queda de Roma diante dos bárbaros em 476.

Reginald Grégoire (1985) afirma que os monges deram “a toda a Europa… uma rede de fábricas, centros de criação de gado, centros de educação, fervor espiritual,… uma avançada civilização emergiu da onda caótica dos bárbaros”. Ele afirma que: “Sem dúvida alguma São Bento (o mais importante arquiteto do monarquismo ocidental) foi o Pai da Europa. Os Beneditinos e seus filhos foram os Pais da civilização Europeia”.

O desenvolvimento do conceito de “lei internacional” é atribuída aos pensadores dos séc. XVII e XVIII, mas na verdade surgiu no séc. XVI nas universidades espanholas católicas e foi o Padre Francisco de Vitória, professor, quem ganhou o título de “pai da lei internacional”. A lei ocidental é uma dádiva da Igreja; a lei canónica foi o primeiro sistema legal na Europa, o que deu início ao primeiro corpo coerente de leis.

Segundo Harold Berman (1974), “foi a Igreja que primeiro ensinou ao homem ocidental um sistema moderno de lei. A Igreja primeiro ensinou que conflitos, estatutos, casos, e doutrina podem ser reconciliadas por análises e sínteses”. A formulação dos direitos, que surgiu da civilização ocidental, não veio de John Looke e Thomas Jefferson, mas muito antes, das leis canónicas da Igreja Católica.

Alguns historiadores de economia antiga afirmam que a moderna economia, surgiu com Adam Smith e outros teóricos da economia do séc. XVIII, mas estudos recentes estão mostrando a importância do pensamento económico dos Escolásticos da Igreja, particularmente os teólogos católicos espanhóis e séc. XV e XVI. O grande economista Joseph Schumpeter considera que esses pensadores católicos foram os fundadores da ciência económica moderna.

Woods cita Lecky, um historiador do séc. XIX, crítico contra a Igreja, que admitiu que, tanto no campo espiritual como no compromisso da Igreja com os pobres, foi feito algo novo no mundo ocidental e que representou um grande crescimento em relação à Antiguidade.

Assim, a Igreja foi berço da Civilização Ocidental em todos os seus campos: arte, filosofia, física, matemática, música, arquitetura, direito, economia, moral, ciência, letras, línguas, etc…

Para se ter ideia da importância da Civilização Ocidental, construída pela Igreja Católica, basta ver, por exemplo, a noticia de 29 Janeiro de 2007, publicada pela EFE que diz: “Intocáveis da Índia poderão entrar em templos”. Ela diz que os “dalit”, conhecidos como “intocáveis”, pessoas excluídas da sociedade indiana por estar fora do sistema de castas, poderão finalmente entrar em um templo de Orissa (leste da Índia) pela mesma porta que o resto da população, após 300 anos de proibição, conforme informou o jornal “Hindustan Times”.

Infelizmente hoje o homem ocidental se afasta de Deus e da Igreja, perigosamente, colocando em risco a própria civilização. O Papa Bento XVI assim definiu a situação do mundo hoje:

 “[…] no mundo ocidental de hoje vivemos uma nova onda de iluminismo drástico, ou laicismo, como se queira chamá-lo. Tornou-se mais difícil ter fé, pois o mundo no qual estamos é completamente feito por nós mesmos, e nele Deus, por assim dizer, já não comparece diretamente. Não se bebe mais diretamente da fonte, mas sim do recipiente em que a água nos é oferecida. Os homens reconstruíram o mundo por si mesmos, e tornou-se mais difícil encontrar Deus neste mundo” (Entrevista em Castel Gandolfo, 5 de agosto de 2006).

Devemos conhecer ao menos um pouco do trabalho maravilhoso da Igreja para salvar e construir a nossa rica Civilização Ocidental. Isto custou o sangue, o suor e as lágrimas de muitos filhos da Igreja. Se muitos deles não estiveram a altura do lugar que ocuparam, a grande maioria soube amar a Jesus Cristo e a Sua Igreja.

 
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Objectos litúrgicos

liturgia

 Cálice: é uma taça de metal ou outro material nobre, onde se coloca o vinho que vai ser consagrado na Eucaristia ou Missa.

 Patena: pequeno prato de metal em que o sacerdote coloca as hóstias para consagrar.

 Hóstia: assim se chama o pão que é oferecido no altar e se transforma em corpo de Cristo, partido em comunhão na missa. Na adoração do Santíssimo fica no hostensório.

 Sanguinho: pequena toalha branca, mais comprida do que larga, que seca o sangue de Cristo durante a celebração. É usado para limpar o cálice, a patena e a âmbula depois da comunhão.

 Corporal: pano branco, quadrado, com aproximadamente 50 cm de lado, que no momento da apresentação das ofertas é colocado no centro do altar, sobre a toalha. Chama-se corporal porque sobre ele será colocado o corpo de Cristo nas espécies do pão e vinho.

 Pala: pequeno cartão quadrado, coberto de tecido branco, que serve para proteger o cálice durante a celebração da eucaristia.

 Manustérgio: é uma pequena toalha, sempre de tecido absorvente, com que o sacerdote, na missa, e também o ministro, na celebração, enxugam as mãos, depois de as lavar após a preparação e oferecimento das ofertas do pão e do vinho.

 Altar: mesa onde se celebra a Eucaristia. É símbolo de Cristo e deve estar sempre coberto com uma toalha branca e limpa. Sobre ele podem estar acesas velas e colocada uma cruz, se no lugar não existe um crucifixo. As flores devem ser colocadas ao lado do altar, e não sobre ele.

Bandeja: Pequeno prato metálico utili­za­do na distribuição da comunhão para re­colher eventuais partículas ou gotas que caiam do pão e vinho consagrados.

 

Píxide: Tam­bém chamada *cibório”, é um vaso sa­gra­do destinado a guardar a Sagrada Reserva, a distribuir a Comunhão e a fazer a exposição do SS. Sacramento.

 
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Bispo – origem e função

 

O conhecimento exacto do termo

 

No início da pregação evangélica os apóstolos de Cristo escolheram colaboradores que, após a sua morte, lhes sucedessem no governo das comunidades nascentes e na pregação da mensagem cristã. Inicialmente eram chamados “sucessores dos apóstolos”, como nos informa Clemente Romano, no ano 96 da Era Cristã, na bela e conhecida “Carta à Igreja de Corinto”.

A missão destes sucessores era responsabilizar-se pelas comunidades que se formavam ao redor dos apóstolos, supervisionando a sua vida evangélica. Daí o verbo “episkopein” (supervisionar) do qual vem o substantivo “epískopos”: o que zela como guarda e protector, por supervisionar o rebanho. Em latim “epíscopus” e, em português “bispo”, isto é: o que tem a nobre missão, – como autêntico sucessor dos apóstolos –, de se responsabilizar pela comunidade dos fiéis.

Hoje, quem escolhe e nomeia o bispo é o sucessor de São Pedro, o Papa. O eleito recebe a plenitude do sacramento da Ordem pela “keirotonia”, isto é: imposição das mãos de três outros bispos e pela unção e oração consecratória. Há, pois, uma corrente genealógica ascendente, que chega até um dos Doze Apóstolos, do qual o bispo actual é verdadeiro sucessor.

A autoridade do bispo, sucessor dos apóstolos, vem da palavra de Jesus aos Doze:

“Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado”(Mateus 28,18b- 20a).

 
Não concordo com o que a Igreja ensina Imprimir e-mail
 

Não concordo com o que a Igreja ensina. O que faço?  

Como é que a Igreja poderia ensinar algo errado ou inconveniente se o Espírito Santo lhe ensina sempre “toda a verdade”?

Quem não concorda com o que a Igreja ensina, não conhece bem o que Jesus ensinou, fez e mandou que fizéssemos. Ele fundou a Igreja sobre São Pedro e os apóstolos para que ela fosse a “porta voz” d’Ele na Terra. Disse-lhes Jesus: “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita, e quem Me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (cf. Lc 10,16). Quer dizer, quem não ouve a Igreja, não ouve Jesus! Quem não obedece à Igreja, não obedece a Jesus.

Jesus ainda lhes disse: “Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino”. (São Lucas 12, 32). E foi à Igreja que Jesus mandou: “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura” (Marcos 16,15). Como, então, não concordar com a palavra da Igreja? E mais: “A quem vós perdoardes os pecados, os pecados estarão perdoados” (João 20.22). O Pai mandou o Filho para salvar o mundo; o Filho enviou a Igreja. Ela é o “sacramento universal da salvação” (LG, 4), a Arca de Noé que nos salva do dilúvio do pecado.

Na Santa Ceia, na despedida dos apóstolos, Jesus fez várias promessas à Igreja, ali formada pelos Seus discípulos. Entre muitas coisas que São João narrou, em cinco capítulos do seu Evangelho (13 a 17), Jesus prometeu à Igreja:

 Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”. “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (João 14,15.25). Ora, como a Igreja poderia ensinar algo de errado se o Espírito Santo permanece sempre com ela e lhe “ensina todas as coisas”?

Jesus ainda lhes disse: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (João 16,12-13). Como é que a Igreja poderia ensinar algo errado ou inconveniente se o Espírito Santo lhe ensina sempre “toda a verdade”?

Além disso, o próprio Jesus está na Igreja, pois Ele prometeu, antes de subir ao céu: “Eis que Eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo” (Mateus 28,20). Foi a última palavra d’Ele aos discípulos. Então, como é que a Igreja poderia errar se Jesus está com ela sempre? É impossível! É por isso que São Paulo disse a São Timóteo: “A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15). Então, a Igreja detém a verdade que Jesus disse que nos liberta.

É por causa de tudo isto que o nosso Credo tem mais de 2 mil anos e nunca mudou nem vai mudar; porque é a expressão da verdade que salva. A mesma coisa acontece com os sacramentos e com os mandamentos. A Igreja já realizou 21 Concílios universais, e nunca nenhum deles cancelou um ensinamento de um anterior. A verdade não muda, e está na Igreja. O Espírito Santo não se contradiz.

Logo, como não concordar com o que Igreja ensina? Isto seria por causa da ignorância de tudo o que foi relatado acima; ou, então, seria um ato de orgulho espiritual da pessoa, que acha que sabe mais do que a Igreja, assistida por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo. Longe de nós, isto!

Podemos até não conseguir viver o que a Igreja nos ensina e nos manda viver – isso é compreensível por causa da nossa fraqueza –, mas nunca poderemos dizer que ela está errada ou que eu não concordo com o que ela ensina. A Igreja não ensina o que quer, mas o que o Seu Senhor lhe confiou.

 
Deus pode permitir uma Crise na Igreja? Imprimir e-mail

Deus pode permitir uma Crise na Igreja?

Por falta de um entendimento adequado sobre a verdade inquestionável da assistência do Espírito Santo à Igreja, muitos católicos ficam confusos e inseguros.

Não querendo ir contra esta verdade, eles procuram, muitas vezes, negar a realidade de certos factos ou o sentido evidente de certas afirmações que parecem contrariar a divina assistência.

Ficam assim enredados num dilema aparentemente sem saída: ou negar os factos ou negar a assistência do Espírito Santo à Igreja.

O Espírito Santo favorece o bem na Igreja mas permite que o mal aconteça.

Trata-se de um falso dilema que resulta de uma concepção um tanto simplista da actuação do Espírito Santo na Igreja.

Confunde-se “assistência” do Paráclito, efeito da providência especial de Deus sobre a sua Igreja, com um governo directo que substitui os homens ou elimina o seu livre arbítrio.

Não é assim. Embora Jesus Cristo tenha prometido a ajuda do Consolador, Ele desejou que a Igreja fosse governada por homens, que têm a ajuda especial do Espírito Santo, mas que não são impecáveis, não estão isentos das tentações do demónio, do mundo e da carne.

Assim, embora o Paráclito assista com graças especiais os membros da Hierarquia, tal assistência não elimina o livre-arbítrio nem a tendência para o mal, herdada do pecado original.

Por outro lado, é preciso ter em conta que a acção especial da Divina Providência não apenas favorece o bem, mas, para provação nossa e castigo dos pecados, muitas vezes permite a ocorrência do mal no elemento humano da Igreja.

Portanto, não se pode invocar a assistência do Espírito Santo à Igreja como justificativa para qualquer desvio, imprudência ou escândalo, como se, em vez de ser uma mera permissão, se tratasse de um acto da vontade divina.

Deus permite crises na Igreja

É bem evidente que Deus não pode aceitar que se deturpe factos evidentes ou suficientemente documentados, como recurso para “salvar” a santidade da Igreja.

Tal atitude seria ir contra a verdade e, portanto, contra a santidade da Igreja. Ela foi seriamente condenada pelo Papa Leão XIII (1878-1903) que utilizou as próprias palavras inspiradas do livro de Job (13:7): “Deus não tem necessidade das nossas mentiras.”

Pelo contrário, acentuou o Pontífice, “O historiador da Igreja estará mais bem preparado para ressaltar a sua divina origem […] quanto mais ele for leal em não mitigar as crises pelas quais, por falta dos seus filhos e, por vezes dos seus ministros, passou a Esposa de Cristo durante o decurso dos séculos.

Estudada desta maneira, a História da Igreja constitui, por si mesma, uma magnífica e concludente demonstração da verdade e divindade do Cristianismo.”

Ao abrir os Arquivos Secretos do Vaticano aos historiadores, o mesmo Papa insistiu: “Não digam nada falso, não calem nada verdadeiro.”

Ninguém que tenha um conhecimento suficiente da História da Igreja pode negar as crises pelas quais ela tem passado e a fraqueza ou atitude escandalosa de muitos Papas.

Assim, o Papa Pio XII (1939-1958) na sua Encíclica Mystici Corporis Christi, explica que “se às vezes na Igreja se vê algo em que se manifesta a fraqueza humana, isso não deve atribuir-se à sua constituição jurídica, mas à lamentável inclinação do homem para o mal, que o seu divino Fundador às vezes permite até nos membros mais altos do seu corpo místico para provar a virtude das ovelhas e dos pastores e para que em todos cresçam os méritos da fé cristã.”

É por essa razão que historiadores católicos, — como Ludwig von Pastor, cuja monumental História dos Papas recebeu elogios do Papa Leão XIII —, não hesitaram em apresentar de modo claro e documentado os desmandos e escândalos de Papas.

Foi vontade do Espírito Santo que Alexandre VI fosse eleito?

Ninguém pode supor, por exemplo, que o Espírito Santo, que assiste aos Conclaves, tenha querido ou favorecido a escolha do Cardeal Rodrigo de Borja, para se tornar o Papa Alexandre VI (1492-1503), embora ele fosse publicamente conhecido como pai de quatro filhos da sua concubina Vannoza dei Cattanei e outros de outras mulheres.

É evidente que aí se tratou de uma permissão, para castigo da humanidade, inebriada com o paganismo renascentista.

Do mesmo modo, não se pode atribuir à vontade divina a elevação ao papado de Bento IX (1032-1044) sobre o qual escreve o historiador Fr. Joseph Brusher S.J.:

 “Um jovem, provavelmente de vinte anos de idade, ele era um clérigo. Esta era talvez a sua única qualificação para o papado. Desqualificado pela sua juventude, pela sua educação, pela sua depravação, Bento IX foi um dos poucos Papas desonrados.”

O verbete da The Catholic Encyclopedia é mais incisivo: “Ele foi uma desgraça para a Cátedra de Pedro.”

Distinguir bem entre a vontade e a permissão divinas

Tendo bem clara a distinção entre a manifestação da vontade efectiva de Deus e a sua mera permissão, fica patente que a assistência do Divino Espírito Santo à Igreja não impede que haja infidelidades e crises.

Por outro lado, como vimos acima pelos textos dos Papas Leão XIII e Pio XII, tais infidelidades e crises, longe de contrariarem a santidade da Igreja, ressaltam como somente uma instituição de origem divina poderia perdurar pelos séculos, apesar da fraqueza humana e da tendência para o mal que é a herança do pecado original.

Mas mesmo nas épocas das piores crises pelas quais passou a Igreja, graças à assistência do Espírito Santo, ela nunca deixou de santificar através dos sacramentos, de apresentar a verdade, ainda que, muitas vezes, seja requerido grande esforço dos católicos para se manterem fiéis a ela — como na crise do Arianismo, por exemplo.

Confiança em Maria Santíssima que derrotou as heresias

A crise actual — que é uma extensão, um prolongamento da crise da heresia modernista denunciada por São Pio X — está a chegar a um tal auge que desencoraja muita gente.

Nas mais altas esferas de direcção da Igreja discute-se a possibilidade de ministrar a Sagrada Comunhão a pessoas em estado objectivo de pecado mortal e chega-se a ver “dons” úteis ao cristianismo nas relações homossexuais.

Uma compreensão melhor da assistência do Espírito Santo, entendendo que esta assistência não é somente positiva, no sentido de impulsionar o zelo pela doutrina e pela salvação das almas — o que, de uma maneira ou outra Ele sempre promove — mas existe também a sua permissão para que o mal ocorra, para nos provar e em castigo dos pecados da humanidade. (1)

Assim como os fiéis, seguindo o exemplo de bispos como Santo Atanásio e Santo Hilário de Poitiers, resistiram à tremenda crise do Arianismo, nós devemos também, com a certeza do auxílio da divina Providência, resistir “fortes na fé” (1Pedro 5:9).

Mais do que nunca, neste período de trevas e confusão, devemos recorrer sempre à intercessão de Maria Santíssima, a qual “sozinha derrotou todas as heresias.” (2)

Notas:

1 - Quando se diz que Deus permite o mal, deve-se entender que essa permissão nunca é positiva, isto é, como a de um mau pai que dá licença ao filho para que frequente lugares de perdição. Trata-se apenas de uma permissão negativa: Deus apenas não dá graças especiais — além das graças comuns que todo o homem recebe — para, por esse meio extraordinário, impedir que o mal ocorra.

2 - “Rejubilai, ó Virgem Maria, por que sozinha, derrotastes todas as heresias”. (Ofício de Nossa Senhora).

 
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O que é a Tradição da Igreja?  

A Escritura e a Tradição da Igreja são Palavra de Deus, ensinamentos divinos.

Falar da Tradição da Igreja não é falar de simples costumes que se perpetuam na vida da Igreja. Não estamos a falar de tradições culturais, mas da Sagrada Tradição. A Sagrada Tradição guarda o depósito de fé da Igreja, que conserva o que Jesus ensinou. Este depósito de fé é também chamado Revelação, ou seja, aquilo que Deus ensinou de Si e Seus mistérios aos homens através dos ungidos do povo de Deus na Antiga Aliança (patriarcas, juízes, profetas, autores bíblicos, etc) mas, sobretudo através de Cristo, que depois foi ensinado pelos apóstolos, guardado e vivido na Igreja primitiva. Esta verdade revelada está contida na Tradição da Igreja e na Sagrada Escritura, a Bíblia.

A Sagrada Escritura e a Tradição contêm, pois, toda a doutrina revelada; a Tradição chega até nós hoje, sobretudo, através dos símbolos da fé (os credos, como o dos apóstolos e o Niceno-Constantinopolitano), na liturgia e na vida (pregação e santos) da Igreja, nos escritos dos padres e doutores da Igreja que nos primeiros séculos transmitiram a fé. O Magistério da Igreja, sob a assistência do Espírito Santo, conserva e interpreta essa Revelação (cf Jo16, 12-13; Lc 22,32; Jo 21,15).

 Tanto a Escritura como a Tradição são Palavra de Deus, isto é, o ensinamento divino, comprovado por milagres e profecias; com a diferença de que a Tradição não foi escrita por aqueles a quem Deus revelou; embora, com o tempo, outras pessoas tenham podido escrevê-la, a fim de a conservarem e transmitirem com maior fidelidade. “Daí resulta que a Igreja, à qual estão confiadas a transmissão e a interpretação da Revelação, ‘não deriva a sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado somente da Sagrada Escritura. Por isso, ambas devem ser aceites e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência” (CIC 82).

Palavra de Deus não é só a Bíblia

É importante entendermos que a Palavra de Deus não é a Bíblia, mas a Bíblia é a Palavra de Deus, porque ela é infalivelmente inspirada. Talvez assuste ouvir isto, mas esta é uma premissa fundamental para entender a fé da Igreja. A Palavra de Deus é o Verbo eterno do Pai que encarnou no ventre da Virgem Maria. Portanto, a Palavra eterna é Pessoa Divina e por mais sagrado e inspirado que seja um livro, ele não pode conter toda a Palavra. Por isso mesmo, no final do seu evangelho São João afirma: “Jesus fez muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever” (Jo 21, 25).

 Então, muitas coisas que Jesus ensinou não foram escritas, mas foram ensinadas e vividas; e essas coisas constituem a Tradição da Igreja. Por isso diz o Catecismo da Igreja Católica: “Todavia, a fé cristã não é uma ‘religião do Livro’. O cristianismo é a religião da Palavra de Deus, ‘não de um verbo escrito e mudo, mas do Verbo encarnado e vivo’. Para que as Escrituras não permaneçam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna de Deus vivo, pelo Espírito Santo nos ‘abra o espírito à compreensão das Escrituras’ Lc 24, 45” (CIgC 108).

Sagrada Tradição

Aliás, a própria Bíblia, ou Sagradas Escrituras, tem o seu berço na Sagrada Tradição. A Tradição inicial, ou seja, a pregação dos apóstolos, é anterior às Sagradas Escrituras e durante muitos anos foi a única regra de fé. Afinal, Jesus mandou: “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15), e não “Ide e escrevei livros” (é bom lembrar que na época não existia gráfica, nem caneta, tampouco máquina de datilografar… Computador, menos ainda). Com efeito, a pregação dos apóstolos começou no próprio ano da morte de Cristo (ano 33).

Diversamente, os livros da Sagrada Escritura só começaram a ser escritos a partir do ano 50 até ao ano 100; e sobretudo, não foram conhecidos pela Igreja universal, senão no decurso dos primeiros séculos, pois no princípio, só eram conhecidos pelas Igrejas particulares a que se destinavam. Notável é o testemunho da própria Bíblia em favor da tradição: “Embora tivesse muitas coisas a escrever-vos, não o quis fazer por meio de tinta e papel, pois espero ver-vos e falar-vos de viva voz” (2Jo 12); “Conservai-vos firmes na fé e guardai as tradições que aprendestes, quer pela nossa pregação, quer pela nossa carta” (2Ts 2, 14); ‘O que ouviste da minha boca e de muitas testemunhas, confia-o a outros homens fiéis, capazes de instruir os outros” (2Tm 2,2).

Se entendermos que a Escritura é a única fonte da nossa fé, como fazem os protestantes, somos forçados a achar que nos primeiros anos e séculos, não havia na Igreja fonte alguma de fé, o que é inadmissível, porque equivaleria a dizer que então não havia fé; mais admissível é aceitar uma fonte de fé distinta da Escritura, a saber, a Tradição ou ensino dos apóstolos e seus sucessores.

A Igreja nasceu da Bíblia?

A Bíblia nasceu da Igreja e não a Igreja nasceu da Bíblia. Não se pode saber com certeza que livros contêm na realidade a doutrina de Cristo, nem qual o seu verdadeiro sentido, a não ser pelo ensino da Igreja. Portanto, se não se acredita na assistência de Deus de infalibilidade à Igreja, tampouco se pode acreditar no valor infalível da Bíblia como Palavra de Deus. Não se pode celebrar o fruto negando a existência e o valor da árvore que o gerou. Por isso diz Santo Agostinho: “Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica”.

A Igreja é essa mãe que nos alimenta da graça de Cristo, que nos ensina a fé e por isso diz São Cipriano (séc. III): “Nascemos todos do seu ventre, somos nutridos com seu leite e animados por seu Espírito”.

 
Por que é que a Igreja cobra espórtulas e taxas? Imprimir e-mail

Por que é que a Igreja cobra espórtulas e taxas?  

 

Como meio de sustentação legítimo a espórtula não configura o comércio com as coisas sagradas.

 

Espórtulas são os valores cobrados pela Igreja quando ela administra alguns sacramentos (baptismo, crisma e matrimónio), especialmente a Santa Missa por alguma intenção.

 

Em primeiro lugar, é preciso deixar bem claro que esta medida está longe de querer cobrar pelo sacramento administrado. Cada um deles é impagável, porque custou o preço do Sangue precioso de Jesus para a nossa salvação. Os sete sacramentos brotaram do coração de Jesus trespassado pela lança na cruz. É por meio deles que as graças da salvação, conquistadas a nós por Cristo, chegam a nós, e isto é impagável.

 

Então, por que é que a Igreja cobra uma taxa para celebrar alguns deles?

 

A prática das espórtulas é inspirada no Novo Testamento e existe durante quase dois mil anos. Esta prática tem duplo sentido:

 

1) para quem oferece a sua dádiva, é uma forma de participar, de maneira mais íntima, da oblação Eucarística e dos frutos desta. É expressão da fé e do amor com que tem acesso ao Pai por Cristo no Espírito Santo. Assim, as espórtulas justificam-se como a expressão da fé e do amor dos fiéis que desejam participar mais intimamente dos frutos da Santa Missa.

 

2) para a Igreja é um meio de sustentação legítimo, baseado na tradição bíblica e que não se trata de simonia, isto é, de comércio com as coisas sagradas. Após o Concílio do Vaticano II (1962-1965), que fez um balanço da vida eclesial, considerando as suas necessidades, o Papa Paulo VI regulamentou as espórtulas da Missa, em 13/06/1974, quando publicou o Motu Próprio Firma in Traditione, em que dizia: “É tradição firmemente estabelecida na Igreja que os fiéis, movidos pelo seu espírito religioso e o seu senso eclesial, acrescentem ao sacrifício eucarístico um certo sacrifício pessoal, a fim de participar mais estritamente nele. Atendem assim às necessidades da Igreja e, mais particularmente, à subsistência dos sacerdotes. Isto está de acordo com o espírito das palavras do Senhor: ‘o trabalhador merece o seu salário’ (Lc 10,7), palavras que São Paulo lembra na primeira carta a Timóteo (5,18) e na primeira aos Coríntios (9,7-14).

“O clero que, pelo seu trabalho, merece receber o necessário para se sustentar, deveria ter a sua subsistência garantida por um sistema de financiamento independente de ofertas feitas por particulares ou pelos fiéis que peçam serviços religiosos”.

 

Depois disto, o assunto foi regulamentado também pelo Papa João Paulo II, em 22 de Janeiro de 1991, no Decreto Sobre as Espórtulas, preparado pela Sagrada Congregação para o Clero. O Código de Direito Canónico, promulgado em 25/11/83, quando fala das espórtulas, diz, entre outras coisas: Cânon 945 – § 1. “Segundo o costume aprovado pela Igreja, a qualquer sacerdote que celebra ou concelebra a Missa, é permitido receber a espórtula oferecida para que ele aplique a Missa segundo determinada intenção.

 § 2. Recomenda-se vivamente aos sacerdotes que, mesmo sem receber nenhuma espórtula, celebrem a Missa segundo a intenção dos fiéis, especialmente dos pobres.

 

Cânon 946 - Os fiéis que oferecem espórtula para que a Missa seja aplicada segundo as suas intenções concorrem, com essa oferta, para o bem da Igreja e participam do seu empenho no sustento dos seus ministros e obras.

 

Cânon 947 - Deve-se afastar completamente das espórtulas de Missas até mesmo qualquer aparência de negócio ou comércio.”

 

No início da Igreja, os cristãos, ao participarem da Santa Missa, levavam consigo dons naturais (pão, vinho, leite, frutas, mel, etc.). Depois passou a fazer-se doações também em dinheiro por ser mais prático. A Igreja, como uma sociedade também humana e inserida neste mundo, precisa de dinheiro para exercer a missão de pregar o Evangelho, confiada a ela pelo próprio Cristo, desde os tempos d’Ele. Os doze apóstolos tinham uma caixa comum (cf. Jo 12,6). Jesus aceitava que algumas mulheres os ajudassem com seus bens, entre elas, Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza; Susana e várias outras (cf. Lc 8,1-3).

 

A primeira comunidade cristã em Jerusalém praticava a voluntária partilha de bens (cf. At 2,44; 5,1-6). Jesus elogiou a oblação da viúva no Tesouro do Templo: “Em verdade vos digo que esta viúva, que é pobre, lançou mais do que todos os que ofereceram moedas ao Tesouro. Pois todos os outros deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua penúria, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver” (Mc 12,42-44).

 

E aqueles que não têm dinheiro para mandar celebrar a Santa Missa?

 

A Igreja reza diariamente por todas as grandes intenções e necessidades da humanidade (os doentes, os moribundos, os encarcerados, os falecidos, etc.), também pelas almas do Purgatório em todas as Celebrações Eucarísticas. Assim, não há almas abandonadas no Purgatório por falta de dinheiro da parte dos familiares.

 

Quando todos os católicos pagarem o dízimo que a Igreja não obriga que seja 10% do que a pessoa ganha, embora isso seja bom, então, certamente não será mais preciso cobrar taxas para a celebração dos sacramentos, como o baptismo, o crisma e o matrimónio. Mas isso ainda não é comum; por isso a Igreja precisa das taxas para suas necessidades materiais.

 

O Código de Direito Canónico afirma: Cânon 222 § 1. “Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, para que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros.”

 

Diz o Catecismo da Igreja Católica no §2043: ”Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo as suas capacidades, às necessidades materiais da Igreja”.

 

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