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Basta-me saber que sois jovens para eu vos amar

São João Bosco

 
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VEM E SEGUE-ME! Imprimir e-mail
 
Vocação: Um desafio de amor Imprimir e-mail

Cada homem é chamado a desenvolver-se e construir-se como pessoa, pois, como o universo, também ele é inacabado. Ele deve conhecer-se e aceitar-se, cuidar da própria saúde, dominar os próprios instintos e paixões e adquirir senso crítico (não ir na onda). Deve crescer na verdade, na sinceridade, na lealdade, na honestidade e na responsabilidade.

Em relação aos outros
O homem é chamado a ser irmão do outro, a amá-lo e a respeitar os seus direitos, ajudando-o a ser mais. A nossa sociedade capitalista, que só vê o lucro e a exploração do outro, contradiz radicalmente esta vocação do homem. Os homens são todos iguais como pessoas e têm a mesma dignidade. Ninguém deve oprimir nem aceitar ser oprimido.
''Meus irmãos, a vossa fé em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas. Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis um pecado e incorreis na condenação da lei como transgressores'' (Tg 2,1.9).

Em relação a Deus
O homem é chamado a ser filho de Deus, a viver em amizade com Deus, relacionando-se com ele pela oração e seguindo a sua vontade. Ninguém consegue ser plenamente feliz sem a amizade com Deus.
As quatro dimensões estão intimamente ligadas: Se o homem recusa ser filho de Deus, acaba tornando-se opressor do irmão, escravo do mundo e de si mesmo. Na medida em que o homem vive em bom relacionamento com Deus ele vai realizando o Reino de Deus entre os homens.
''O coração humano permanecerá sempre inquieto, enquanto não repousar em Deus''. (Santo Agostinho).

VOCAÇÃO CRISTÃ
Pelo baptismo, o cristão é chamado a seguir Jesus Cristo (imitar a sua vida e seguir os seus ensinamentos), vivendo unido a Deus como filho e aos outros como irmão, formando a família de Deus que é a Igreja. Esta é a vocação cristã fundamental, que é válida para todos os cristãos indistintamente, quer sejam padres, religiosos, leigos etc. ''Pelo baptismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova'' (Rm 6,4).

VOCAÇÃO FUNDAMENTAL E VOCAÇÃO ESPECÍFICA
Além desta vocação fundamental, os cristãos têm, cada um, uma vocação específica, isto é, um é padre, outro é religioso ou religiosa, outro é leigo casado, solteiro, catequista... Vocação específica é a forma própria de servir aos irmãos que cada cristão consciente assume.
Uma pessoa só vive a sua vocação cristã fundamental numa vocação específica (o João só pode ser cristão ou como casado ou como solteiro ou como padre etc.). Por outro lado, pouco adianta alguém viver uma vocação específica, se não vive a fundamental (seguimento de Jesus, do seu evangelho, prática da justiça, da caridade...). Por exemplo: se ele se casa, será um casado mais ou menos. Se fica padre: padre mais ou menos. Se fica freira: freira mais ou menos. Se fica professor: professor mais ou menos... De mais ou menos o mundo está cheio! Gente que namora porque se encontra e se casa ''porque toda a gente casa''. ''Maria vai-com-as-outras''. São objectos da História e da sociedade de consumo! Se vives a tua vocação fundamental, pode estar certo de que acertará na sua vocação específica! As principais vocações específicas são a vocação leiga, a vocação sacerdotal e a vocação religiosa.

VOCAÇÃO LEIGA (laical)
O que é um leigo?
Leigo é toda a pessoa baptizada que segue Jesus Cristo na Igreja e escolhe viver e testemunhar a sua fé no mundo secular: na família, na escola, nas profissões, na política, etc. O cristão leigo quer viver no mundo à maneira de Jesus Cristo e transformar o mundo à maneira de Jesus Cristo. Ele actua não de fora, mas de dentro das várias instituições do mundo, como o fermento, a luz, o sal (Mt 5,13-16; 13,33).
O leigo é ao mesmo tempo o homem da Igreja no coração do mundo e o homem do mundo no coração da Igreja. Ele está sempre questionando o conjunto da Igreja com as suas experiências de participação nos problemas, desafios e urgências do mundo secular. Ao mesmo tempo está sempre questionando e enriquecendo o mundo com as riquezas da Boa-Nova de Cristo que traz em si.
Nos lugares onde vive e se relaciona, o leigo é muitas vezes a única presença da Igreja.
O campo específico da actividade evangelizadora do leigo é o vasto e complexo mundo da política, da educação, dos meios de comunicação social, da economia, da realidade social, da cultura, das ciências, das artes, da realidade internacional... A sua tarefa é transformar tudo isto conforme o projecto de Jesus Cristo, construindo o Reino de Deus na história, criando fraternidade.
Além desta sua presença activa no mundo, o Espírito Santo distribui entre os leigos dons e carismas para servirem mais directamente a comunidade eclesial. São os ministérios. Ex.: catequese, liturgia, ministério da Eucaristia, da palavra, do canto, da saúde, da promoção social etc.
São Paulo compara a Igreja com o corpo humano (1Cor 12,12-27). Assim como o corpo tem vários membros e cada um tem uma função, assim também na Igreja. Cada membro, isto é, cada um de nós tem uma função e não há ninguém sem função. Por isso ela é chamada também de corpo ministerial ou povo de servidores. (Ministério é sinónimo de serviço.)
''Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como certo; tu sabes de quem o aprendeste. Desde a tua infância conheces as sagradas Escrituras; elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus'' (2Tm 3,14-15).

VOCAÇÃO MATRIMONIAL
O casamento é uma vocação bem definida dentro da Igreja. Os esposos são chamados a viver uma espiritualidade característica. Instituído pelo próprio Cristo, o matrimónio é uma íntima comunidade de vida e de amor. O amor conjugal é um caminho para Deus e ajuda os esposos na sublime missão da maternidade e paternidade. O sentido do matrimónio é viver a caridade cristã na sua forma conjugal e viver a responsabilidade humana e cristã de transmitir a vida e educar os filhos.
Além disso, os esposos ajudam-se mutuamente, sendo um para o outro e para os filhos, testemunho da fé e do amor de Cristo. A família cristã é como uma Igreja em miniatura: está ao serviço da evangelização dos homens. É sensível às necessidades do mundo.

VOCAÇÃO SACERDOTAL
O padre é alguém escolhido do meio do povo e consagrado por Deus para o serviço deste mesmo povo nas coisas que se referem a Deus (Hb 5,1). O seu papel é continuar a missão de Jesus Cristo, o único e eterno sacerdote. Ele continua a missão de Cristo mediador entre Deus e os homens, sendo representante de Deus junto ao povo e do povo junto de Deus.
Continua também a missão de Cristo cabeça da Igreja:
- Constrói comunidades como Jesus construía.
- Perdoa os pecados como Jesus perdoava.
- Prega a Palavra de Deus como Jesus pregava.
- Une e alimenta a Comunidade pela eucaristia.
Se compararmos a Igreja a um rebanho (Jo 10,10-16), o padre continua a missão de Cristo pastor desse rebanho. Como o bom pastor, ele defende o seu rebanho do lobo e do ladrão, chegando ao ponto de dar a vida pelo rebanho, se necessário for. O padre não só anuncia a verdade, mas denuncia a mentira e a injustiça. Por isso, frequentemente é perseguido (Jo 15,18-21).

O cristão torna-se padre através do Sacramento da Ordem que tem três graus:

+ o diaconado: torna o cristão diácono
+ o presbiterado: torna o diácono padre, ou sacerdote, ou presbítero
+ o episcopado: torna o padre bispo.
Querem ser padres os jovens que, ao mesmo tempo em que são preocupados com a humanidade, com as injustiças, são entusiasmados por Jesus Cristo.
Acreditam que Cristo foi o homem que mais bem fez à humanidade e a sua estratégia é a melhor, até hoje invejada para se construir um mundo melhor. Por isso se decidem a continuá-lo, dedicando a isso toda a sua vida.
A vocação leiga é importante. Mas, sem o padre, o leigo não consegue cumprir a sua missão: quem vai presidir à eucaristia, a fonte de vida do leigo? Quando o leigo cai, quem vai perdoar os seus pecados em nome de Deus? Sem o sacerdote, as Comunidades em pouco tempo se desintegrariam e acabariam. Sem o padre a Igreja não sobrevive! Todo o cristão que ama a Igreja deve amar muito a vocação sacerdotal.

VOCAÇÃO RELIGIOSA
''O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo. Um homem acha-o e torna a esconder e, na sua alegria, vai e vende tudo o que possui e compra aquele campo'' (Mt 13,44).
Religiosos são cristãos que querem dedicar a sua vida a ele e aos irmãos. Eles encontram em Deus a sua segurança, a sua alegria, a sua realização total.
Querem continuar não tanto os gestos de Cristo (vocação sacerdotal), mas a sua vida para serem diante do mundo e dos demais cristãos um exemplo vivo (não no papel ou em palavras) do Evangelho, do projecto do Reino de Deus que Jesus deixou. Eles acreditam que o Evangelho é a melhor solução para os problemas do mundo. E mais: que ele não só é plenamente possível de ser vivido hoje, mas faz muito feliz quem o segue. É claro que não é tanto ''conhecer'' ou ''anunciar'' o Evangelho que faz a pessoa feliz e resolve os problemas do mundo, mas sim vivê-lo! Para provar isto os religiosos decidem-se em primeiro lugar a viver o Evangelho com radicalidade, isto é, de forma intensa e generosa.
O grande amor que os religiosos têm a Deus reverte num grande amor ao próximo (1Jo 4,20), especialmente aos mais pequeninos com os quais Jesus se identificou.
Lembrando-se de Jesus que disse: ''Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles'' (Mt 18,20), os religiosos reúnem-se em comunidades e procuram amar-se como se fossem uma família. Acontece, porém, que os religiosos não se escolhem para morar juntos. São pessoas de temperamentos diferentes, idades, culturas, regiões e até países diferentes que passam a viver como irmãos! Um grupo de homens ou de mulheres a morar numa mesma casa, sem que eles se escolham, e depois combinarem e viverem felizes, é um sinal do Reino ou não?
Por aí se vê que não é para fugir do mundo que os religiosos entram no convento, mas para testemunharem a fraternidade entre si e irem ao encontro das pessoas. Só que de uma forma diferente: Amando-as por causa de Deus. A própria palavra convento vem do verbo latino ''convenire'' que significa reunir-se, encontrar-se. (Deste verbo vem também a palavra convénio que significa encontro, reunião.) O convento é uma casa, um lugar de encontro. Encontro dos religiosos entre si e com as pessoas da cidade, para se amarem e se enriquecerem mutuamente de Deus. Alguns jovens querem tornar-se religiosos como sacerdotes. São padres e também religiosos. Vivem em Comunidade e fazem parte de uma Congregação religiosa. Há outros jovens que querem ser religiosos como Irmãos. Vivem também em Comunidade, fazem parte de uma Congregação religiosa sem serem padres. Assim, numa mesma Congregação, há Padres e Irmãos que vivem juntos, cada um desempenhando a sua missão e juntos testemunhando o Reino de Deus entre os homens.
E há também as religiosas. São as jovens que sentem o chamamento de Deus a deixar tudo e colocar-se inteiramente ao serviço dos irmãos mais necessitados. Estas jovens procuram conhecer várias Congregações e aquela que mais se identificar com os seus anseios, com a missão a que se sentem chamadas, nesta vão receber uma preparação adequada para posteriormente consagrarem a vida a Deus como religiosas. São Irmãs ou freiras.

Os religiosos fazem votos de pobreza, obediência e castidade. Por quê? Para imitarem a Jesus mais de perto nestes três aspectos:

Pobreza
Jesus era pobre. Possuía menos que as raposas e as aves do céu e não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8,20).
Na cruz, até a sua túnica foi sorteada (Jo 19,23-44). Por isso os religiosos são também pobres. Nenhum deles possui nada. Todos os bens são comuns, como os primeiros cristãos (Act 2,44). O voto de pobreza não é nada mais que um compromisso de partilha em todos os níveis: intelectual, profissional, de dotes, de cultura, etc. É também a intenção de empregar os bens materiais para a construção do Reino de Deus.
''Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me'' (Mt 19,21).

Obediência
Jesus era obediente. São Paulo diz que Jesus se fez obediente até à morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou (Fl 2,6-9). Jesus disse: ''Eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a de meu Pai'' (Jo 6,38). Obedecer, em última análise, é colocar-se nas mãos e no coração de Deus. É renunciar radicalmente a qualquer dominação sobre o outro. A obediência não é o voto que confere o poder, mas que o tira. Daí, aceitar ser parte, cooperar, estar com o outro. A obediência é o grande voto que constrói a união da comunidade!

Castidade
Jesus também não se casou. Ele podia muito bem ter-se casado, mas não quis, para poder ser mais disponível a todos os que precisassem d’Ele. Ele explicou que há pessoas que não se casam para poder dedicar-se mais ao Reino de Deus. Mas depois acrescentou: só entende isto, aquele a quem é dado entender (Mt 19,12). Isto é, só entende a quem Deus dá este carisma, esta vocação
O voto de castidade leva o religioso a não excluir alguém da sua amizade, do seu afecto. Isolar alguém é o maior pecado contra o voto de castidade. Este vem libertar o afecto de qualquer delimitação. Por tudo isto se vê que os votos não bloqueiam as riquezas e potencialidades da pessoa, pelo contrário, as dinamizam.
Outra característica de voto de castidade é a alegria.
Os padres, os Irmãos e as Irmãs não se casando, não querem que este gesto signifique um menosprezo ao casamento. Pelo contrário: não se casam para valorizar mais o sacramento do matrimónio. Por exemplo: Cuidando das crianças abandonadas, de velhinhos que as famílias rejeitam ou dos quais não têm condições de cuidar, procurando unir os casais que estão em crise, dando catecismo às crianças para suprir a falta de ensino religioso no lar etc.
Os religiosos são filhos de matrimónios. Como poderiam desprezá-lo?
''Todo aquele que tenha deixado casa ou irmãos ou irmãs ou pai ou mãe ou filhos, ou terras, por causa do meu nome, receberá muito mais e herdará a vida eterna'' (Mt 19,29).
Os religiosos querem dar também aos votos um sentido profético de denúncia às três grandes raízes do pecado: Abuso do prazer e do sexo: voto de castidade.
Abuso do dinheiro e da riqueza: voto de pobreza.
Abuso do poder e da autoridade: voto de obediência.
Qual destas três vocações específicas (leiga, sacerdotal e religiosa) é mais importante? - Nenhuma! Todas são igualmente importantes. O importante mesmo é o modo com que se vive cada uma!
Congregação ou Ordem Religiosa é um grupo de religiosos (padres, irmãos ou irmãs) que vivem juntos, formando como que uma família religiosa. Vivem em comunidades (as casas religiosas) e procuram dedicar-se juntos ao serviço de Deus e dos irmãos.
O que distingue uma Congregação Religiosa da outra é a sua missão na Igreja e no mundo.

 

CARISMA
A palavra carisma vem do grego ''cháris'' que significa graça, dom. É um dom do Espírito Santo para o serviço dos irmãos. O carisma nunca é dado para o benefício da própria pessoa (ou instituição) mas para benefício dos outros.
O Espírito Santo distribui carismas não só a pessoas individuais, mas também a grupos, instituições. Entre as instituições, destaca-se o carisma das Congregações Religiosas. Para se conhecer o carisma de uma Congregação, precisamos primeiro de conhecer o carisma do seu fundador. Os dois não se identificam, mas um nasce do outro. Podemos distinguir o carisma do fundador, o carisma de cada membro da Congregação e o carisma da Congregação como tal. Não é que um fundador receba um carisma, que vá sendo partilhado ou distribuído entre os membros. Cada membro recebe um carisma pessoal directo do Espírito Santo, através do qual vai continuar (não repetir) o carisma do fundador, pois os membros da Congregação vivem em situações históricas diversas das do fundador, exigindo, portanto, uma resposta evangélica diferente.

Carisma do fundador
O fundador de uma Congregação religiosa é um cristão que vive intensamente a sua Vocação em determinada situação histórica...
Deixa-se guiar pelo Espírito que, através dele, quer responder às exigências da Igreja do seu tempo e lugar concretos. O que o caracteriza como fundador é a dimensão comunitária do seu carisma, isto é, Deus mesmo quer que a sua sensibilidade e o seu testemunho se transformem em luz e chamamento por outros cristãos, que passam a encontrar nele uma ressonância determinante da sua vocação pessoal. Por isso se unem a ele e juntos dão origem a uma vida de testemunho comunitário, que é o primeiro germe da nova família religiosa.
Para se entender o carisma congregacional vamos fazer a seguinte comparação: imagina que o centro espacial de um país projecta lançar um foguete para a Lua. O foguete já está preparado na plataforma. Inicia-se a contagem regressiva e ele é lançado. Claro que a Lua está em movimento e, como o foguete só vai chegar lá 50 horas depois, tem de ser tudo muito bem calculado. Acontece que o foguete, durante a trajectória, passou perto de um astro que, pela lei da gravidade, o desviou um pouco da sua rota. Então, o centro espacial que o está a acompanhar, acciona, através do controle remoto, um pequeno foguete de reserva, que recolocará a cápsula na sua rota. Logo que a cápsula retoma a sua rota original, o foguete pára de funcionar, pois de contrário a levaria para o lado inverso. Lá na frente, a cápsula encontra uma nuvem electrónica que atrasa a sua velocidade. Neste momento outro foguete é accionado para a manter na velocidade inicial. Vencida a barreira, este foguete pára de funcionar para que a cápsula não continue com maior velocidade chegando antes do tempo ao lugar previsto para o encontro com a Lua, fracassando assim toda a missão.
O sentido da comparação é o seguinte: a cápsula é a Igreja. O centro espacial é o Espírito Santo. Os pequenos foguetes são as Congregações que o Espírito Santo suscita durante a trajectória da Igreja pela História, cada vez que ela começa a desviar-se um pouco da missão que recebeu de Cristo. Por exemplo, quando o ministério da evangelização da Igreja começou a concentrar-se em determinadas áreas, abandonando outras, especialmente as mais pobres e difíceis, o Espírito Santo suscitou a Congregação Salesiana, cujo carisma está todo voltado para a evangelização dos jovens mais pobres.

Há na Igreja outras formas de vida um pouco diferentes das três vocações específicas acima.

São os: Institutos Seculares

Este caminho é seguido por cristãos, homens e mulheres, que vivem as realidades comuns a todas as pessoas: na família, no trabalho, na cultura, na política...
Entretanto, assumem um compromisso de viver plenamente as exigências do Evangelho na pobreza, na castidade e na obediência, por causa do Reino de Deus. Esta consagração dá-lhes uma força maior para transformar o mundo sem sair do meio em que vivem. Por isso o que os caracteriza é a chamada ''secularidade'' consagrada. Alguns vivem em comunidade, outros não.

Sociedade de Vida Apostólica

São padres ou leigos que se unem em sociedade para se dedicar a uma actividade apostólica, e juntos procurar a perfeição da caridade. Geralmente não têm profissão civil, pois dedicam-se em tempo integral ao apostolado. Exige-se a vida comunitária. Não se consagram pelos votos de pobreza, castidade e obediência.

VOCAÇÃO MISSIONÁRIA

É um chamamento especial de Deus, pelo qual padres, religiosos, religiosas e leigos deixam a sua comunidade de origem, para se dedicar à evangelização de pessoas e povos diferentes, ou colaborarem com Igrejas-irmãs de regiões mais necessitadas e carentes.
''Ide, e fazei que todas as nações se tornem discípulas, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos'' (Mt 28,19-20).

 

 

 
Sinais da Vocação Sacerdotal e Religiosa Imprimir e-mail

A questão, agora, é a seguinte: Vamos falar de um jovem que pensa ingressar na vida sacerdotal ou religiosa. Que critérios (sinais, meios) deve usar para saber se está ou não preparado para deixar a sua família e passar para o seminário?

1. Querer: Apenas gostar, admirar, achar bonito não é suficiente. Estar em dúvida também não é suficiente. Precisa de estar decidido a seguir esta vida, embora saiba que no futuro, principalmente com os novos conhecimentos que irá adquirir, poderá mudar de ideia. A decisão definitiva só a terá de tomar 6 meses antes da ordenação sacerdotal e, para aqueles que querem ser Irmãos, antes dos votos perpétuos.

2. Esta tua opção deve ser por motivos válidos.

São motivos válidos – Consagrar-se a Deus. Seguir o exemplo de Jesus Cristo. Sentir-se identificado com o carisma da Congregação. Estar preocupado com a construção do Reino de Deus, com a evangelização. Estar preocupado com os pobres, com a justiça, com os problemas sociais.

São motivos falsos – Querer libertar-se da família. Buscar a salvação eterna. Desilusão num namoro. Não és tu mesmo que queres, mas é outra pessoa que quer que tu abraces esta vida, por exemplo, a tua avó, alguém que fez uma promessa... Apenas um entusiasmo de momento. Se há um ponto em que não podes de forma alguma ser precipitado é este da vocação! Tem calma…

3. Ter boa saúde física e mental: Precisa ter uma saúde suficiente para viver a vida comunitária e exercer as tarefas da Congregação.

4. Maturidade afectiva: Deve ter um desenvolvimento normal tanto na área afectiva como sexual.

5. Maturidade humana: Deve ter amor ao trabalho, ao estudo e vida social normal.

6. Vida cristã: Deve estar ligado à sua Comunidade. Participar da Missa ou Culto Dominical; se possível, desempenhar algum serviço ou ministério na Comunidade, por exemplo, catequese, grupo de jovens, música, liturgia, etc. Se um jovem desligado da Igreja entra no seminário, não aguenta muito tempo e sai.
Isto porque a vida no seminário é muito ligada com as coisas de Deus, forçando-o a uma mudança muito grande de vida. Ao passo que se ele já vive assim em casa, quando vier para o seminário haverá uma continuidade normal na sua vida. Também o empenhamento na Igreja serve de teste para ver se se dá bem mesmo com este caminho que quer seguir. Outro aspecto importante da vida cristã é o gosto pela oração, pelo diálogo com Deus. Quem não gosta de rezar e de lidar com as coisas de Deus não persevera no seminário. Como poderá perseverar, fazendo aquilo de que não gosta? Seria como alguém querer ser pintor de prédios e não suportar a altura, ou querer ser médico e não suportar ver sangue. Temos ainda outro ponto importantíssimo que é a disponibilidade nas mãos de Deus, como Maria: ''Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim conforme a tua palavra'' (Lc 1,38).

Importante – Se achas que não preenches um dos requisitos acima, não desanimes, pois podes mudar, crescer e adquirir aos poucos estas qualidades. Eu estou para te ajudar a crescer na vocação, através do acompanhamento vocacional. Também ninguém vai exigir que já tenhas adquirido todas estas qualidades. Basta que demonstres que queres e tens capacidade de as adquiri no futuro.
''Deus é testemunho de que eu vos amo a todos com a ternura de Cristo Jesus. E é isto que eu peço; que o vosso amor cresça cada vez mais, em conhecimento e sensibilidade, a fim de poderdes discernir o que mais convém, para que sejais puros e irrepreensíveis no dia de Cristo'' (Fl 1,8-10).

 

 

 

 
"PEDI AO SENHOR DA MESSE QUE MANDE OPERÁRIOS" Imprimir e-mail

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Pai santo, fonte perene da existência e do amor,
que mostras, no homem vivente, o esplendor da tua glória,
e colocas no seu coração a semente do teu chamamento,
faz com que nenhum deles ignore esse dom ou o perca,
por negligência da nossa parte,
mas que todos, com total generosidade, possam caminhar
rumo à realização do teu Amor.

Senhor Jesus, que no teu peregrinar pelas estradas da Palestina,
escolheste e chamaste os apóstolos e lhes confiaste a tarefa
de pregar o Evangelho, cuidar dos fiéis, celebrar o culto divino,
faz que também hoje não faltem na tua Igreja
numerosos e santos sacerdotes, que levem a todos
os frutos da tua morte e da tua ressurreição.

Espírito Santo, que santificas a Igreja
com a constante efusão de teus dons,
insere no coração dos chamados à vida consagrada
uma íntima e forte paixão pelo Reino,
a fim de que, com um "sim" generoso e incondicional,
coloquem a própria existência a serviço do Evangelho.

Virgem Santíssima que, sem hesitar,
ofereceste a ti mesma ao Omnipotente,
para a realização do seu projecto de salvação,
infunde confiança no coração dos jovens
para que haja sempre pastores zelosos
que guiem o povo cristão pelo caminho da vida,
e almas consagradas que saibam testemunhar
na castidade, na pobreza e na obediência,
a presença libertadora de teu Filho Ressuscitado.
Amém.

João Paulo II

 

Oração pelas vocações sacerdotais e religiosas 

Senhor Nosso, Jesus Cristo, que disseste aos Teus Apóstolos "a messe é grande mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe", humildemente Te suplicamos que envies à Tua Igreja, numerosas e santas vocações sacerdotais e religiosas. Pedimo-lo por intercessão da Santíssima Virgem Maria, Mãe nossa, e por intermédio dos nossos Santos Padroeiros e Protectores, que com a sua vida e méritos santificaram a nossa terra. Ámen.



Preces para pedir sacerdotes santos


- Para conseguir o perdão dos pecados,
dai-nos, Senhor, sacerdotes santos.
- Para que não nos falte a Eucaristia,
- Para que as crianças conservem a graça,
- Para que a juventude conheça e siga a Cristo,
- Para que os mais velhos conformem as suas vidas de acordo com a Lei de Deus,
- Para que tenhamos lares cristãos,
- Para que na nossa terra se viva a união e a caridade cristã,
- Para que os doentes recebam os auxílios espirituais,
- Para que nos acompanhem na hora da morte e ofereçam a Missa por nós,
- Santa Maria, Mãe da Igreja, alcançai-nos do Senhor sacerdotes santos.


 
EU SEMPRE QUIS SER JOGADOR DE FUTEBOL! Imprimir e-mail

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Na minha vida foi assim: eu, Alexandre de Lima Freitas, pré-noviço, sempre quis ser jogador de futebol. Nunca pensei ser outra coisa. E tudo concorria para isso, pois eu tenho quatro irmãos, destes, um é jogador profissional, que joga na Grécia, e dois foram jogadores de clubes da minha região. Depois deles, vim eu. Havia uma expectativa grande, tanto minha, como da minha família, dos meus amigos e, principalmente, do meu irmão que já é jogador.
Cresci a jogar e aprendi a jogar no meio da garotada, onde eu me sobressaía. Por causa disso, fui convidado para jogar com adultos num campeonato para amadores que havia na minha cidade, tinha eu 15 anos. Conquistei o lugar de titular na equipa e tinha um bom desempenho em campo. Contribuía bem para a minha equipa.
O dono duma equipa do interior viu-me jogar e convidou-me para jogar pela sua equipa. Joguei dois anos nessa equipa. E nesse campeonato, outro clube, bem mais estruturado que o nosso, interessou-se por mim, mas isso foi abafado pelos dirigentes da minha equipa juntamente com o meu pai antes até que eu soubesse, porque o meu irmão que é jogador, já tinha combinado tudo para que, quando eu completasse 18 anos, e concluísse o ensino secundário, fosse fazer uma experiência numa equipa na Grécia. Ele já tinha conversado com um dos dirigentes do clube e ele disse que me podia levar. Já estava tudo encaminhado, tudo certo. Eu só precisava chegar à maior idade e ir.
Mas só que, entre os meus 15 e 16 anos um famoso “olheiro”, observou-me, viu-me, fitou-me e escolheu-me. Esse “olheiro” era Jesus. Ele fez tudo e agiu de todas as formas para adquirir o meu “passe”. Ele foi-me “comprando” aos poucos…
Tive o meu primeiro encontro pessoal com Jesus aos 16 anos. Continuei a jogar e com o desejo de ser jogador. Entre 16 e 18 anos foi o tempo da negociação entre Jesus e eu. A princípio eu não queria largar nem Jesus nem o futebol: eu queria ser um jogador que seguia Jesus. Não havia nenhum problema nisto. Só que Jesus me queria por inteiro, todo para si. Não foi fácil para mim. Foi como arrancar pedaços de mim. E eu não resisti. Com 18 anos estava a fazer caminho de discernimento vocacional. E apaixonei-me de verdade por Jesus. Já não queria outra coisa a não ser a vontade Dele.
Quando eu disse à minha família que tinha iniciado um caminho de escolha vocacional e não queria mais ser jogador de futebol, foi uma grande decepção para eles, para o meu pai, e principalmente, para o meu irmão. Para a minha família e para os meus amigos, o que eu estava a fazer era uma loucura. Onde já se viu, deitar fora um futuro promissor assim! Mas como diz a Bíblia, o que é sabedoria de Deus, é loucura para o mundo. Deixei de lado o que eu sempre quis ser, para ser o que Deus quer que eu seja. Aqui está um pouco da minha história. Fico feliz porque sei que ela vai ajudar alguns de vós...

Alexandre de Lima Freitas

 
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Qual é a tua vocação?

Critérios para fazer um discernimento vocacional

Há uma tirania da nossa “modernidade líquida, relativista e subjectivista” que ilude a nossa juventude vendendo a liberdade ao preço da solidão. O resultado é o estresse, a depressão e uma incrível indecisão. O que fazer da tua vida? Qual a tua vocação? Neste momento, temos que colocar alguns pontos nos “is” e deixar claros, alguns conceitos para que esta ponte quebrada seja atravessada com segurança.

É preciso dizer que a vocação, antes de ser uma resposta, uma opção, é um chamado de Deus. E Ele chama a todos indistintamente para a “vida”. Sobre esta vocação, não precisamos de ter qualquer dúvida. Um dia fomos chamados a ser quem somos e onde somos. Não escolhemos os nossos pais. Não escolhemos a nossa cor, a cultura, a origem, o povo, a raça e a nação. Quando tomámos consciência da vida, já estávamos aí. Esta vocação de raiz não exige nenhum discernimento. Exige aceitação, cultivo e gratidão.

Depois, fomos chamados à vida cristã. Quem foi batizado na infância teve o sacramento do Crisma para confirmar a sua decisão de pertencer ao povo de Deus na Igreja Católica. Aqui, já é preciso discernimento. Não basta receber a fé dos pais. É preciso fazer a sua própria experiência de fé. Hoje em dia, quem nasce católico só permanecerá católico se se converter a partir de uma experiência pessoal de Deus na Igreja Católica. Mas ainda aqui, neste nível, não me parece que as pessoas tenham muitos problemas vocacionais. O problema vem quando é necessário escolher o seu estado de vida dentro da comunidade cristã.

No Cristianismo católico ocidental, temos três estados de vida. O cristão pode ser um fiel leigo, um religioso(a) consagrado(a) ou um ministro ordenado (diácono ou sacerdote). São estes os três estados de vida. Muitos jovens cristãos católicos entram em crise na hora de discernir a sua vocação.

Basicamente todo o cristão é leigo, pois esta palavra significa “povo de Deus” (laós em grego). Então, a coisa fica mais fácil. Todos nós somos povo de Deus. A menos que o próprio Deus nos chame para uma “consagração” ou nos dê uma “ordem”. Mas Deus não nos chama uma vez só. Ele é insistente com os que escolhe. Mas se estiveres em dúvida, dou-te uma dica prática. Se achas que estás a ouvir a voz de Deus para ser padre, entra num seminário. Não significa que serás sacerdote, mas ali terás as condições de ouvir melhor o chamado. A mesma coisa em relação à vida consagrada. Tem coragem de entrar num processo de discernimento. Em questão de vocação, a pior coisa é ficar parado. Dá um passo, sem medo que seja errado. Se fores sincero, Deus te colocará no rumo certo.

Discernimento vocacional

Agora, o conselho contrário. Mesmo que sintas um certo chamamento à vida consagrada ou sacerdotal, não dês esse passo por falta de opção. Todos os que Jesus chamou estavam ocupados e deixaram tudo para segui-Lo.

Mesmo que tu tenhas namorado(a) e um ótimo emprego, isso será mais uma confirmação vocacional se tu deixares tudo para seguir o Senhor. Os desocupados ficarão sempre na incerteza ou na indecisão. Quem deixa tudo para seguir o Mestre tem o sinal da confirmação vocacional no seu coração.

 
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Senhor, nosso Deus, continua a aproximar-Te de nós,
convoca-nos a ser protagonistas da nossa resposta generosa.
Como Moisés, faz-nos estar atentos aos sinais da tua presença
e disponíveis à tua voz que atende ao grito dos mais pobres.
Cria em nós um sentido de serviço e de comunhão para que,
descalços dos medos que nos fecham aos demais,
nos abramos à libertação dos oprimidos.
Assim, partiremos ao encontro dos que mais precisam
e vivermos com eles o desafio da tua Boa Nova
que é plena Libertação.

 

 

 
TERÇO VOCACIONAL Imprimir e-mail

 

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1º Mistério: O chamamento e envio dos discípulos – Mc 3,13-14:
“Jesus subiu depois a um monte, chamou os que Ele queria e foram ter com Ele. Estabeleceu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios.”

- A iniciativa da vocação vem de Deus. É Ele quem convoca à missão enquanto disposição de «saber estar» com Jesus e partir a anunciar a Boa Nova do Reino. Da parte de cada um, urge uma resposta generosa. Por isso, te pedimos, ó Rainha dos Apóstolos, que ajudes todos os jovens a encontrar o seu caminho e a dizer “sim” a Deus.

2º Mistério: A vocação de Levi – Mc 2, 13-14:
“Jesus saiu de novo para a beira-mar. Toda a multidão ia ao seu encontro, e Ele ensinava-os. Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me.» E, levantando-se, ele seguiu Jesus.”

- A prontidão da resposta de Levi manifesta como foi grande o impacto causado pela passagem de Jesus. Hoje necessitamos de gente que se deixe impressionar e esteja disponível ao dom de Deus, disposta a arriscar tudo pelo Evangelho. Por isso, te rogamos, ó Mãe de Jesus, que animeis os jovens a escolherem o desafio da consagração religiosa e missionária.

3º Mistério: O chamamento do jovem rico – Mt 19, 16.21:
“Aproximou-se dele um jovem e disse-lhe: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida eterna?» Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.» Ao ouvir isto, o jovem retirou-se contristado, porque possuía muitos bens.”

- O desafio da entrega total é exigente. Tudo começa pelo desprendimento dos bens e de si mesmo para ser todo para Jesus. Por isso, te intercedemos, ó Virgem de Nazaré, que faças dos jovens de hoje pessoas corajosas e destemidas para procurar a verdade que os liberta e os torna felizes.

4º Mistério: A conversão de Paulo – Act 9, 3-6:
Estava a caminho e já próximo de Damasco, quando se viu subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do Céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: «Saulo, Saulo, porque me persegues?» Ele perguntou: «Quem és Tu, Senhor?» Respondeu: «Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer.»

- Fazer uma opção de vida implica deixar-se iluminar e deixar cair as seguranças pessoais que nos agarram a nós mesmos e aos nossos costumes, para seguir por um novo caminho de vida e fé. Por isso, te pedimos, ó Rainha das Missões, que inculques no coração de cada jovem aquela sensibilidade para as coisas de teu filho Jesus Cristo, para que cada um eleve a sua vida a Deus com um «sim» quotidiano.

5º Mistério: O SIM de Maria – Lc 1, 26-28.30-31.38:
Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo. Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra».

- O exemplo confiante de uns fortalece a decisão vocacional de outros. É assim com Maria e com muitos consagrados e missionários ao longo da história. Hoje continuamos a precisar destes exemplos vivos e contagiantes. Por isso, te rogamos, ó Mestra de Vida, que ensineis os jovens a pronunciar o “SIM” que dá significado à existência e faz descobrir o “NOME” escondido de Deus no coração de cada pessoa.

 

 

 
COMEÇAR PELA CONVERSÃO DO CORAÇÃO Imprimir e-mail

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Todo o progresso interior requer uma conversão e consiste numa resposta, numa entrega de amor ao amor que Deus nos tem. Uma vez que o Senhor nos ama muito, qual deverá ser o nosso firme propósito para lhe corresponder, fazendo tudo aquilo que lhe pode agradar e evitando o que lhe poderia desagradar?

Trata-se de um movimento em dois tempos: conversão e entrega de si mesmo a Deus. No final das meditações sobre o sentido da vida e da morte, tinha o costume de convidar os rapazes do Oratório a dirigir-se a Deus e dizer-lhe de coração sincero e com decisão: «Meu Senhor, a partir deste momento eu me converto a ti; eu te amo, quero servir-te com alegria e até à morte. Virgem Santa, minha Mãe, ajuda-me a ser sempre fiel».

Antes de tudo é necessário tomar consciência de si mesmo com realismo. Isto pode ocorrer em qualquer momento e de formas diversas.
A mim aconteceu-me de forma muito clara e eficaz quando estava para cumprir vinte anos. Devo admitir que anteriormente eu tinha sido demasiado vago, bastante convencido, ocupado em diversões, jogos, exercícios físicos e outras coisas, que me alegravam momentaneamente, mas não enchiam o meu coração. No fundo, estava muito preocupado comigo próprio, como sucede à maior parte dos jovens.

Ao terminar a escola superior, questionei-me, pela primeira vez, sobre o meu futuro com grande seriedade. Dava-me conta de que os sonhos acarinhados até então tinham sido muito etéreos. Sentia, é verdade, a inclinação para ser sacerdote para me dedicar aos jovens. Mas tinha que ser realista: a minha forma de viver, certos hábitos do meu coração e a falta absoluta de virtudes necessárias para aquele estado de vida, tornavam difícil a decisão. Devia trabalhar mais profundamente.

Num primeiro momento, procurei fazer o que me vinha à cabeça. A leitura de livros espirituais e o contacto com as comunidades religiosas de Chieri tinham-me induzido a acreditar que estava chamado à vida contemplativa. Pensava que a entrada na clausura me ajudaria a vencer as paixões, sobretudo a soberba, profundamente arraigada no meu coração.

MAS estava a construir o futuro a partir de pontos de vista limitados e dos meus temores, sem ter em conta os planos de Deus. Apesar de ter sido aceite entre os Franciscanos, o projecto gorou. Então aconselhei-me com Luís Comollo, o amigo mais fiel e sério. Ele fez-me compreender em que estado de espírito me devia colocar: o de uma total disponibilidade para cumprir a vontade do Senhor, uma oferta sem condições, um abandono e uma confiança n’Ele sem ansiedade.

No fundo, toda a vocação cristã não é senão a consequência da decisão de se entregar plenamente a Deus, a partir de uma radical conversão do coração. Assim se pode dizer como o jovem Samuel: «Falai, Senhor, q o vosso servo escuta»; ou como Maria: «Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a vossa palavra».

Pus-me em estado de oração. Comecei uma novena, precedida de uma boa confissão geral. Entretanto Luís tinha escrito uma carta ao seu tio sacerdote, que já me conhecia, expondo-lhe o meu problema.
No último dia da novena confessei-me novamente, participei na eucaristia e na comunhão: estava disposto, finalmente, a fazer qualquer coisa que o Senhor me pedisse, porque estava decidido a ser todo de Deus. Não tinha no meu coração nada mais que o desejo de me colocar, como bom cristão, ao seu serviço, em qualquer lugar para onde me chamasse. Logo me dei conta de que se tratava de uma conversão verdadeira e definitiva.

Naquele mesmo dia chegou a resposta do tio de Luís. Aconselhava-me a deixar de lado por algum tempo a escolha anterior. Convidava-me a entrar no seminário. Ao longo dos estudos teria a oportunidade de compreender melhor os planos de Deus. Não devia ter medo de errar o caminho: com o vigiar do coração, o recolhimento interior e a oração superaria toda a dificuldade.
Fiz tudo quanto me sugeria. Dediquei-me seriamente àquilo que me podia preparar para dar aquele passo. Ido a casa de férias, deixei de fazer de charlatão (quanta vaidade e quanta busca de louvores naqueles espectáculos!). Entreguei-me às boas leitura, que até então tinha esquecido. No entanto, continuei a ocupar-me dos rapazes entretendo-os com narrações, em agradáveis entretenimentos e com canções. Muitos eram totalmente ignorantes a nível religioso e procurei maneira de os ensinar e de os introduzir na oração.

Para reflectires
Que tipo de «conversão» está descrita neste texto?
Porque é que a conversão e a entrega de si a Deus são aspectos complementares de uma mesma atitude espiritual?

 

 

 
PRIORESA MARIA CELINA – Expresso, 18/02/06 Imprimir e-mail

- Que motivos levam actualmente as raparigas a entrar num convento?
Hoje, como ontem, são os mesmos - Cristo. E só esse enamoramento, essa sedução, pode motivar uma decisão de entrar na vida religiosa e muito mais na vida contemplativa. Na história de uma vocação, ainda que se explique o porquê, há sempre algo que não se pode dizer, porque não se consegue. Há vivências que não se dizem, porque as palavras não as sabem traduzir… Deus chama raparigas de todas as condições; umas muito jovens, outras mais maduras, uma ainda com os livros de estudantes, outras já no exercício de uma profissão. Algumas vêm fazer uma experiência e depois não voltam, outras voltam e ficam.

A maternidade biológica revestia-se para mim de encantos sedutores. Poder ter um dia nos meus braços um, muitos filhos meus, era algo que me fazia vibrar as fibras mais íntimas do coração. Mas caíam-me os braços ao olhar para Nossa Senhora... gostava de ver as noivas... e desejava ser como a Virgem, sempre noiva, sempre virgem. Como conciliar estes dois amores?... Fui pensando e rezando. Aos 12 anos nasceu em mim o amor pelas missões. Mas ainda ficava uma insatisfação no meu coração. Aos 14 anos, numa tarde de Maio, depois de ter ouvido uma reflexão sobre a virgindade, fez-se luz no meu espírito e decidi ser carmelita. Compreendi que na vida contemplativa eu poderia atingir uma maternidade universal. Sabia que nunca poderia apalpar o fruto do meu trabalho, pois a vida contemplativa é uma vida de fé, de mãos vazias, mas vazias para implorar e para oferecer.

- Como reagiu a sua família? A minha família, como acontece quase sempre, não gostou da «ideia». Isso já eu previa, mas mais tarde aceitaram a minha decisão.
- Na infância ou adolescência pensou alguma vez ter outra profissão? Aos 17 anos desejei ser pára-quedista.
- Chegou a sentir alguma atracção por algum namorado? Costumo dizer q Jesus andou a tempo! Como é normal, os rapazes começaram a bater-me à porta. Então dizia que estava comprometida... e deixava no ar a surpresa e a interrogação – com quem!? Às vezes provoquei às minhas amigas verdadeiras piruetas de imaginação ao descrever-lhes as qualidades do meu Namorado (Jesus). Dizia-lhes que todos os dias nos encontrávamos, falava-lhes das Suas qualidades e elas lá ficavam a pensar quem seria, pois não se davam conta de nenhum Especial com quem me vissem. Depois de ter vindo para o Carmelo, uma delas disse-me: agora compreendo todo aquele mistério!...
- Porque optou pela clausura e pelas carmelitas? Vislumbrei a vida contemplativa como uma possibilidade de abraçar o mundo. Nunca gostei de coisas a meias. Ou tudo ou nada!
- Que contactos tem com o exterior? No ofício que desempenho, tenho bastantes contactos com o exterior, por telefone, por carta, ou recebendo pessoas por assuntos referentes à comunidade.
- Qual a influência da irmã Lúcia no Carmelo? Partilhou connosco o dia-a-dia com a naturalidade de todas, mas a todas marcou pela fortaleza demonstrada na busca da fidelidade, da perfeição. A sua palavra era ouvida com veneração. Foi conselheira durante quase toda a sua vida, ofício pelo qual tomou parte muito directa no governo do mosteiro.
A irmã Lúcia foi daquelas que deixou marca!

 

 

 
VOCAÇÃO: ATITUDES DOS BRAVOS Imprimir e-mail

Conhecemos muitas pessoas que dizem amar a sua profissão, o seu trabalho e que até mesmo o fariam sem remuneração. O prazer no cumprimento das tarefas para as quais nos sentimos identificados, sobrepuja qualquer outra necessidade aparente.
Certamente muitos de nós já ouvimos perguntas como: "O q vais ser quando cresceres?" e "O que farás depois do colégio?" ou "Que profissão seguirás?"
Numa pergunta simples está contido, mesmo que implicitamente, o desafio de se perceber através das situações, as leves indicações que demonstrarão nossa simpatia por determinada actividade.
Embalados por esta simpatia, a qual possivelmente deveremos abraçar e assumir como vocação, somos atraídos. A partir desse momento, assumimos atitudes que irão nos auxiliar na concretização da vivência daquilo que acreditamos ser o nosso chamado, ainda que, em estágio "embrionário".
Naturalmente, sentiremos a necessidade de conversar com alguém que viva uma vocação semelhante, para a qual nos sentimos chamados. Assim como nos devemos aproximar de pessoas dignas de confiança que se disponham em nos dar maiores informações sobre o que nos interessa e que também poderão dar-nos conselhos e orientações úteis.
Ao contrário do que poderíamos imaginar, uma pessoa que se diz realizada na sua vocação, não está isenta de dificuldades e provações; contudo, sente-se investida de uma força que sempre a impulsionará a continuar, com alegria, na caminhada e a se aventurar em novas descobertas.
Para cada um há um chamamento, o qual ressoa desde o princípio na sua alma. Um chamamento específico para uma determinada missão, para o qual não há ninguém que poderá substitui-lo plenamente no seu cumprimento. Da mesma maneira que eu não teria o mesmo zelo de um jardineiro "vocacionado" pelo seu jardim, outros não teriam o mesmo zelo para aquilo que a ti foi reservado como missão.
Incrustada na rocha dos nossos desafios, está a jóia da nossa vocação. A cada novo desafio e a cada nova conquista fundamenta-se no nosso ser a certeza de que realmente estamos a lapidar uma pedra de valor ímpar.
A dedicação e a persistência no desejo de levar a cabo o que sentimos é o que revigora as nossas forças.
Deus abençoe a tua vocação.

 

 

 
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