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Basta-me saber que sois jovens para eu vos amar

São João Bosco

 
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O que se espera da vida dos homens  

 

São 4 as características que Deus pensou para o homem na sua origem, desde quando formou o ser masculino, para que este chegue a concretizar a sua missão neste mundo.

Acolhedor – Deus fez o homem primeiro que a mulher. Por quê? Para ele ser maior que ela? Não! Para que, a partir do que Ele criou, preparar-lhe o ambiente. O homem é como o anfitrião da mulher.

Podemos ver esta imagem também na cultura judaica. Quando um casal estava prometido em casamento, sabemos, pela tradição, que a obrigação de construir a casa era do homem e, no dia do casamento, ele ia buscar, com os seus amigos (cf. Jo 3,29), a noiva, que o esperava na casa de seus pais juntamente com as virgens (cf. Mt 25,1). Portanto, a mulher foi dada ao homem, o Senhor apresentou-lha (cf. Gn 2,22). Temos de ver as mulheres de forma diferente da que o mundo nos propõe; temos de as ver como Deus as vê. A partir daí, conseguiremos enxergar a riqueza daquela que compartilhará a nossa vocação esponsal.

Portanto, se um homem não respeita, não acolhe nem tem cuidado com a mulher, se ele a vê como objeto de sua satisfação, está a agir fora da sua própria essência, pois está a desobedecer ao sentido da sua existência e não se realizará enquanto pessoa, não será feliz.

Nunca se viu um homem feliz ou de bem com a vida, se usa ou expõe uma mulher, se a tortura psicologicamente, a agride verbal ou fisicamente.

Condutor – O homem deve “Chamar para si a responsabilidade de guiar a esposa e os filhos pelos caminhos corretos e santos para chegarem ao Céu. Conduzir aqui não significa ser opressor, invasor, centrado em si mesmo, que faz com que todos sigam o seu pensamento. Mas simboliza o sacrifício de si próprio para o bem-estar do outro. Muitas vezes, aquele que vai à frente numa viagem é o que se dispõe a colocar-se primeiro diante dos riscos, justamente para assegurar a vida dos que vêm atrás. Ele motiva e estimula quando necessário, mas está atento aos seus e ao ritmo diferente de cada um. Quando no ato do casamento o noivo  colocou o anel no dedo da noiva, e o padre os declarou marido e mulher, Nosso Senhor entregou ao noivo um cajado, que parece um pauzinho curvo de Luz: trata-se de uma graça que Deus dá ao homem. É um dom de autoridade de Deus Pai, para esse homem guiar o pequeno rebanho que são os filhos, que nascem desse matrimónio, e também para defender o matrimónio.

Paternidade – A mais profunda vocação do homem é ser pai. Ele nasce e se desenvolve para isso. O homem, com tudo o que lhe pertence – os dons, talentos e habilidades, todo o seu conhecimento, prática e técnica que adquire, tudo o que desenvolve durante a sua vida –, só encontrará plena realização se canalizar tudo para o exercício da sua paternidade.

Geralmente, é a figura paterna quem ensina o filho a andar de bicicleta – segura-o para não cair, soltando-o quando vê que ele já adquiriu certo equilíbrio, ainda que o pequeno não confie em si mesmo. A criança experimenta o prazer de ser desafiada pelas ocasiões da existência e alcançar pequenas vitórias pessoais. Também é o pai quem, na maioria das vezes, brinca pedindo ao filho que pule de alguma altura para o segurar no colo. Dificilmente, veremos uma mãe a brincando assim!

Tudo isto vai sendo registado na cabecinha da criança como: “Tu és capaz”, “Eu acredito em ti”, “Existe alguém junto de ti, alguém que te vê, mesmo quando tu te sentes sozinho no desafio”.

Na pré-adolescência ou juventude, também é comum que seja o pai a ensinar como o mundo funciona ou até mesmo ensinar um ofício ao filho. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com o seu pai José.

Se um pai não gosta de trabalhar, é adúltero ou cultiva vícios, o filho seguirá o seu exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra ele.

Enfrentamento – “O substrato básico do ser humano está na feminilidade, e o sexo masculino, para se desenvolver, precisa de surgir por meio de um esforço”. Isto é verdadeiro biológica, psíquica e espiritualmente.

Biológico, pois o embrião inicialmente é feminino. Se seguir de forma linear, ou seja, conforme já vem acontecendo o desenvolvimento do embrião desde a sua fecundação, nascerá então uma menina. Para que surja um menino, é preciso que ocorra uma revolução química. Não que não haja as propriedades masculinas, o cromossomo Y está lá, mas precisa de acontecer essa revolução.

Psíquico, porque tanto o menino como a menina são criados pela mãe; por isso, ficam mais tempo com ela. As meninas estão em harmonia com a mãe e desenvolvem-se femininas. O menino precisa de se afastar do mundo da mãe e, ao afastar-se, torna-se homem.

Espiritual, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher”.

Desde pequenos, buscamos autenticar a nossa masculinidade – competimos entre nós, desafiamo-nos, impomos condições, ritos de passagem para sermos aceites e aprovarmos o outro.

Todo o homem precisa de ter por que lutar. O prémio final, a vitória será a consequência do que adquirirmos durante a batalha. Portanto, a grande missão masculina é sermos acolhedores, condutores e paternos, enfrentarmos o mundo como linha da frente.

 

 
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Qual a verdadeira identidade masculina? 

 

Na sociedade atual, qual é a verdadeira identidade masculina?

 

Nunca se falou tanto em direitos humanos e dignidade da pessoa como nos tempos atuais. Porém, contrário a estes discursos, o quotidiano mostra, cada vez mais, o aumento do número de casos de crimes e violência de cunho sexual. É uma falsa ideia de liberdade que prega o uso do corpo para alcançar o prazer, pois, na prática, os resultados têm se mostrado de libertinagem e prejuízo próprio. As consequências de tudo isto são, na sua grande maioria, sentidas pelos mais fracos e indefesos, mulheres e crianças. Assim, fica óbvio atribuir ao ser masculino não só a autoria dos crimes, mas um desvio no comportamento da identidade masculina desta geração.

O que acontece com a identidade masculina

Então, podemo-nos perguntar: “O que está a acontecer com o homem – ser masculino? Por quê tantos episódios do uso da força e autoridade para estupros e pedofilia? E ainda, por que é que vemos tantas esposas frustradas com os maridos, e filhos com os pais?”

Para responder a tudo isto, é preciso recorrer à essência do homem. São João Paulo II disse, num dos seus discursos, que “o mistério da identidade masculina se revela em toda a profundidade no significado gerador e paterno”. Ou seja, a primeira e mais profunda vocação do homem é ser pai.

Seguindo nesta descoberta, encontraremos o sentido completo e a forma ideal de desenvolver a paternidade. Frei Raniero Cantalamessa, pregador oficial do Vaticano, comparou o amor de Deus ao amor humano de pai e mãe distintamente. Dizia ele: “O amor paterno é feito de estímulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado à plena maturidade”.

A paternidade é feita pela solicitude e pelo estímulo.

O homem é aquele que ensina a realizar, trabalhar e, enquanto não vê o seu aprendiz chegar à maturidade, ele se faz seu provedor. A realização pessoal masculina está em transformar os elementos do cosmos para si, para a família e para a sociedade. No início, Deus manda que o homem extraia sustento da natureza (Gn 3, 17).

Cérebro do homem

Desde a época das cavernas foi assim. Então, o cérebro dos homens tem sido condicionado a desenvolver diferentes percepções ao da mulher.

O homem saía para caçar, o que lhe trouxe maiores aptidões em áreas específicas para cumprir este seu ofício, como um maior senso de direção (localização, orientação e posicionamento), também de foco num alvo (a presa), o que o tornou mais sensitivo aos apelos visuais, e ainda agilidade e força física.

Também o homem é mais inclinado ao ato sexual por uma razão biologicamente fácil de entender. Ele possui a semente (sémen), então, a excitação nele diz respeito ao tempo para distribuir as sementes, diferente do organismo feminino que gera e amamenta.

Buscando desde a troca de olhares, indícios de segurança e companheirismo para o tempo suficiente de criar os filhos, isto fez a mulher levar mais tempo para se convencer do sexo.

Esta erotização e insistente incidência de estímulos sexuais, quase em todos os ambientes em que estamos, podem acabar por tirar todo o ser humano do domínio de si, das suas forças vitais e, consequentemente, alterando o comportamento social, pois o dom da sexualidade não diz somente respeito aos órgãos genitais, mas de todos os aspectos da pessoa humana, inclusive na sua capacidade de criar vínculos afetivos, até mesmo de amizades (Catecismo da Igreja Católica, 2332).

Revolução sexual e massificação do sexo

Por isso, com a revolução sexual e a massificação do sexo, o alvo mais suscetível foi o ser mais visual e propenso ao ato em si: o homem. “Quando um homem olha, repetidamente, para uma pornografia, ele encontra dificuldade em se relacionar com mulheres na vida real, pois se acostuma a ver as mulheres como ‘objetos a serem usados’. O prazer acintoso toma o lugar do amor e a fantasia substitui a realidade” (O brilho da castidade, Prof. Felipe Aquino, Ed. Cleofas, pág 77).

Sendo tão subjugado pelas suas paixões, a identidade masculina tende a esvaziar das suas capacidades o sentido e a forma plena de canalizar a sua essência. A sua força agora será usada para satisfazê-lo, a sua autoridade para impor.

O vigor próprio do homem, sem estar direcionado para a sua finalidade paterna, esvai-se, tornando o homem um indivíduo de mentalidade fraca, sem firmeza e decisão, com medo da vida e suas exigências.

Chefe de família

Aprender e assumir ser “chefe de família” corresponde, antes de tudo, a uma responsabilidade e um serviço perante a mulher e os menores na sociedade. Mas, não raro, percebemos muitas famílias que carecem de presença e bom exemplo por parte do pai, tornando esposas acuadas e filhos revoltados. Ou, então, em casos cada vez mais crescentes, estupros e abusos de menores.

Quem deveria proteger está a ser treinado a agredir pela indiferença verbal ou física. É a animalização do ser masculino.

O feminismo também ajuda neste processo, quando, declaradamente, toma o lugar do homem na sociedade ou, quando velado, inverte, sorrateiramente, os papéis de homens e mulheres, até fabricando o homem de hoje como um sujeito vaidoso em excesso.

Instintos primitivos

É certo também que as mulheres, quando apelam para a sensualidade, ajudam que todo o nosso sentido visual desperte instintos primitivos. Mas não precisamos de ficar a olhar. Ó homem, foge do que te é tentador. Não estou à procura de culpados, estou apenas a alertar dos perigos. Algumas mulheres podem estar a contribuir, mas não são as culpadas.

Enquanto não mudarmos o nosso foco e nos inspirarmos na castidade e na pureza da Sagrada Família, nada disto vai mudar. Para todos nós, seres humanos – falando principalmente aos homens –, começando por aquilo que é visual e com o conteúdo que estamos a absorver, devemo-nos preencher de sentido existencial por meio dos exemplos dos santos e de Cristo Jesus.

Partindo da consciência do que precisamos de ser – pais, estimuladores, provedores, presenças, companheiros e castos –, é que conseguiremos introduzir algo bom no lugar daquilo que é ruim, trocar a violência pelo amor mudando, toda uma mentalidade e a sociedade para melhor.

Acredito que o olhar puro de um homem é objeto de cura e restauração para muitas mulheres que nunca tiveram isto e é o que as nossas crianças esperam de nós.

São José, valei-nos e rogai por nós!

 
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A grande missão masculina

 

Mas qual é esta grande missão?

Deus pensou para o homem na sua origem, quatro características das quais desde quando formou o ser masculino, a fim de que este chegue a concretizar a sua missão neste mundo.

 

Acolhedor – Deus fez o homem primeiro que a mulher. Por quê? Para ele ser maior que ela? Não! Para que, a partir do que Ele criou, preparar-lhe o ambiente. O homem é como o anfitrião da mulher.

Podemos ver esta imagem também na cultura judaica. Quando um casal estava prometido em casamento, sabemos, pela tradição, que a obrigação de construir a casa era do homem e, no dia do casamento, ele ia buscar, com os seus amigos (cf. Jo 3,29), a noiva, que o esperava na casa de seus pais juntamente com as virgens (cf. Mt 25,1). Portanto, a mulher foi dada ao homem, o Senhor a apresentou a ele (cf. Gn 2,22). Temos de ver as mulheres de forma diferente da que o mundo nos propõe; temos de vê-las pela ótica do Senhor, ou seja, como Deus as vê. A partir daí, conseguiremos enxergar a riqueza daquela que compartilhará a nossa vocação esponsal.

Portanto, se um homem não respeita, não acolhe nem tem cuidado com a mulher, se ele a vê como objeto da sua satisfação, está a agir fora da sua própria essência, pois está a desobedecer ao sentido da sua existência e, consequentemente, não se realizará enquanto pessoa, não será feliz.

Já viste algum homem feliz ou de bem com a vida, que usa ou expõe uma mulher, que a tortura psicologicamente, a agride verbal ou fisicamente?

Condutor – O homem deve “Chamar a si a responsabilidade de guiar a sua esposa e os seus filhos pelos caminhos correctos e santos para chegarem ao Céu. […] Conduzir aqui não significa ser opressor, invasor, centrado em si mesmo, que faz com que todos sigam o seu pensamento. Mas simboliza o sacrifício de si próprio para o bem-estar do outro. Muitas vezes, aquele que vai à frente numa viagem é o que se dispõe a colocar-se primeiro diante dos riscos, justamente para assegurar a vida daqueles que vêm atrás. Ele motiva e estimula quando necessário, mas está atento aos seus e ao ritmo diferente de cada um. Certa vez, lendo um livro de espiritualidade, encontrei uma representação do que é isso: [...] ‘Quando o meu pai colocou o anel no dedo da minha mãe, e o padre os declarou marido e mulher, Nosso Senhor entregou ao meu pai um cajado, que parecia um pauzinho curvo de Luz, tratava-se de uma graça que Deus dá ao homem. É um dom de autoridade de Deus Pai, para esse homem guiar o pequeno rebanho que são os filhos, que nascem desse matrimónio, e também para defender o matrimónio’ (Lv. ‘O livro da vida! Da ilusão à verdade’. POLO, Glória. Goiânia: América Ltda, 2009. p. 40)”.

A mais profunda vocação do homem é ser pai

Paternidade – A mais profunda vocação do homem é ser pai. Ele nasce e desenvolve-se para isso. O homem, com tudo o que lhe pertence – os seus dons, talentos e habilidades, todo o seu conhecimento, prática e técnica que adquire, tudo o que desenvolve durante a vida –, só encontrará plena realização se canalizar tudo para o exercício da sua paternidade.

Geralmente, é a figura paterna quem ensina o filho a andar de bicicleta – segura-o para não cair, soltando-o quando vê que ele já adquiriu certo equilíbrio, ainda que o pequeno não confie em si mesmo. A criança experimenta o prazer de ser desafiada pelas ocasiões da existência e alcançar pequenas vitórias pessoais. Também é o pai quem, na maioria das vezes, brinca pedindo ao filho que pule de alguma altura para o receber no colo. Dificilmente, veremos uma mãe a brincar assim!

Tudo isso vai sendo registrado na cabecinha da criança como: “Tu és capaz”, “Eu acredito em ti”, “Existe alguém contigo, alguém que te vê, mesmo quando tu te sentes sozinho no desafio”.

Na pré-adolescência ou juventude, também é comum que seja o pai a ensinar como o mundo funciona ou até mesmo ensinar um ofício ao filho. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com o seu pai José.

Se um pai não gosta de trabalhar, é adúltero ou cultiva vícios, o seu filho seguirá o seu exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra ele.

Afetividade Masculina

Todo o homem precisa de uma luta

Enfrentamento – “O substrato básico do ser humano está na feminilidade, e o sexo masculino, para se desenvolver, precisa de surgir por meio de um esforço”. Isto é verdadeiro biológica, psíquica e espiritualmente.

Biológico, pois o embrião inicialmente é feminino. Se seguir de forma linear, ou seja, conforme já vem acontecendo, o desenvolvimento do embrião desde a sua fecundação, nascerá então uma menina. Para que surja um menino, é preciso que ocorra uma revolução química. Não que não haja as propriedades masculinas, o cromossomo Y está ali, mas precisa de acontecer essa revolução.

Psíquico, porque tanto o menino como a menina são criados pela mãe; consequentemente, ficam mais tempo com ela. As meninas estão em harmonia com a mãe e desenvolvem-se femininas. O menino precisa de se afastar do mundo da mãe e, ao afastar-se, torna-se homem.

Espiritual, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher”.

Desde pequenos, buscamos autenticar a nossa masculinidade – competimos entre nós, desafiamo-nos, impomos condições, ritos de passagem para sermos aceitos e aprovarmos o outro.

Todo o homem precisa de ter por que lutar. O prémio final, a vitória será a consequência do que adquirirmos durante a batalha. Portanto, a grande missão masculina é sermos acolhedores, condutores e paternos, enfrentarmos o mundo como linha da frente.

 
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É verdade que homem não chora? 

 

Quem de nós, homens, nunca ouviu estas frases? “Para de chorar menino! Um homem não chora.”

 

Desde pequenos, somos condicionados a reter os nossos sentimentos, principalmente as dores e angústias, sufocando-as no nosso íntimo. E, assim, inconscientemente, vamos encarnando, como uma verdade, que para sermos homens crescidos devemos desenvolver a insensibilidade aos sofrimentos próprios e, consequentemente, aos alheios também.

É verdade que o homem não chora?

Mas quem disse que homem não chora? Chora, sim! E deve chorar quando necessário, quando sentir que a dor está a transbordar do seu coração.

Em certas situações, realmente não fica bem, nem se espera de um homem que ele fique prostrado diante de um acontecimento. A natureza deu ao ser masculino maior potência muscular, além de características psíquicas de iniciativa, impulsividade, capacidade de responder de imediato ao que lhe é colocado como desafio, e outros aspectos, para que ele seja o primeiro a enfrentar os problemas (lançar-se no enfrentamento).

Desde pequenos somos tratados de forma mais firme, e isso é natural e perfeitamente aceitável.

As meninas brincam às casinhas, que simbolizam interação, cooperação, ambiente acolhedor e carinho. Aprendem balé ou dançam balançando os seus vestidos para os seus pais; e então ouvem elogios referentes à sua beleza e ao quanto são amadas. Nisto a sensibilidade delas é trabalhada e entendemos como: “elas têm direito” a demostrar fragilidades.

Os meninos brincam aos carrinhos, em que geralmente simulam acidentes e consertos, ou fantasiam uma aventura, quase sempre tendo ocasiões de luta. Perceba que são atividades que iniciam o pequeno a sair de si e enfrentar a vida, ou seja, a sociedade, a família e até os amigos moldam um homem por meio de desafios. Há a expectativa de que ele seja forte física e emocionalmente.

Portanto, ao ver uma mulher a chorar, provavelmente iremos compadecer-nos do seu sofrimento e será um tanto mais suportável vê-la prolongar a sua lástima. Já no caso de um rapaz, talvez até aceitemos as suas lágrimas por um tempo, mas, depois, ficaremos com a sensação de “Já deu! Agora levante-se e reaja!”

O problema é quando nos fixamos num esteriótipo e tiramos o direito e a dignidade de um homem como pessoa, alguém com sentimentos, que não tem a obrigação de ser sempre forte.

Realmente, esperamos que o homem se comporte diferente da mulher, que, se necessário, esteja preparado para tomar a frente e puxar a fila diante do facto desagradável. Mas, para isso, o homem precisa, principalmente num primeiro momento, de chorar e pôr cá fora a sua dor.

Aliás, o primeiro estágio para se superar uma dificuldade, é admitir que fomos atingidos e quanto esta contrariedade afectou o nosso coração.

As lágrimas fazem parte deste processo. Primeiro, ponha fora a sua indignação e o impacto da má notícia, e isto o ajudará a, depois, não reagir pela raiva ou impensadamente. O pranto contido se transformará em mágoa e ela ficará armazenada na alma, podendo gerar doenças e traumas que nos deixam cada vez mais insensíveis e intransigentes.

Enfim, chorar faz bem e não contratestemunha a masculinidade.

 
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Sabia que o homem sente medo? 

 

Para alguns, dizer que homem tem medo é o mesmo que duvidar da sua masculinidade

 

Esta afirmação, ainda, assusta muitas pessoas. Para alguns, dizer que homem tem medo é o mesmo que duvidar da sua masculinidade. Para outros, é dizer que estes homens são fracos, incapazes. No entanto, afirmar que o homem também tem medo pode ser libertador, mais ainda, pode ajudar a muitos homens, que dizem não ter medo de nada, a descobrirem o seu verdadeiro papel no mundo: a missão dada a cada um pelo próprio Deus.

Para tanto, basta olharmos para São José, o pai adotivo de Jesus. Se lermos atentamente o Evangelho segundo São Mateus, na passagem sobre o Nascimento de Jesus, veremos que este grande santo sentiu medo em virtude de tudo o que estava a acontecer na sua vida naquele momento. Diz o texto que Maria estava prometida a José, mas, antes que coabitassem, ela engravidou por obra do Espírito Santo. José, por ser homem bom, resolveu rejeitá-la secretamente para não lhe causar mal (Cf. Mt 1,18-19). Ele já se tinha decidido a isso, até que, em sonho, um anjo do Senhor lhe apareceu e disse: “José, filho de Davi, não tenhas medo de acolher Maria como tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo” (Mt 1,20).

O pai adotivo de Jesus teve medo. Se isto não fosse verdade, o anjo não o teria tranquilizado e dito a frase: “Não tenhas medo”. Isto não diminui o heroísmo e as virtudes de tão grande santo. Pelo contrário, mostra que ele não somente teve medo, mas que também o enfrentou, confiando na Palavra do Senhor. Com este impulso divino, assumiu a missão que lhe fora confiada.

O que aconteceu foi algo que precisamos de analisar à luz do Antigo Testamento. São José sentiu-se perplexo e sem orientação diante de tão grande mistério que, ele sabia, não seria capaz de compreender. Esta reação de fuga diante da presença misteriosa de Deus e, ao mesmo tempo, de medo frente ao chamamento divino, nós a vemos, sobretudo, repetidas vezes na história de vários profetas e personagens do Antigo Testamento.

Este acto de José pode, então, significar o seu chamamento, a sua vocação, que, após o assombro frente a tão grande mistério e, consequente negativa diante de tão grande responsabilidade: assume a missão que lhe é confiada de proteger a vida do Menino Jesus, Aquele que salva, Deus connosco. Sendo assim, o texto apresenta-nos uma dinâmica que deseja chamar a nossa atenção, entre outras coisas, para o chamamento e missão do pai adotivo de Jesus.

É preciso transcender o medo

Tudo isto para nos dizer que é normal ter medo. Especialmente nós homens. Podemos ter medo diante das situações complexas que vivemos, ter medo frente às coisas novas que se nos apresentam, medo do chamamento de Deus, medo de assumirmos o nosso papel no meio em que vivemos.

Pelo exemplo de São José, não podemos parar no medo. É preciso transcender esse sentimento e captar nesses momentos a doce voz de Deus, que nos chama para a missão e nos conduz pelos Seus caminhos. Para que assim também levemos aos outros, e a nós mesmos, a salvação e a presença de Jesus, o Deus connosco, como o fez o nosso glorioso São José por meio do seu exemplo e, agora, pela sua intercessão.

Na hora da tribulação, o anjo não vos valeu? Valei-nos, São José!

 

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