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João Paulo II

 
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Ainda existem homens de Deus Imprimir e-mail

 

Ainda existem homens de Deus? 

 

Mesmo que pareça raridade, existem sim homens tementes a Deus

Esta pergunta é geralmente feita por mulheres que desejam namorar e casar com um homem que seja diferente da maioria que se vê hoje. Entendamos “homens de Deus” como os que assumem compromissos e responsabilidades, que sejam cavalheiros. Resumindo: dons masculinos que estão intrínsecos no ser, por isso, são naturais (podemos até dizer que são obrigações do homem, já que todas estas qualidades são desdobramentos do amor). E se existe a capacidade de amar, existe a necessidade de eles serem assim. E realmente está difícil encontrá-los hoje em dia.

Se pensarmos em tudo isto que é o natural, ainda acrescido de intimidade com Deus, amor às Suas Leis e desígnios, um rapaz que tenha a sensibilidade de perceber as realidades eternas, sobrepondo-se às suas circunstâncias e aos planos humanos, pode parecer ainda mais impossível.

Às vezes, tu, menina, até achaste que estavas a pedir demais, não é? Contudo, este é o desejo do Altíssimo para ti, mulher de Deus. Não te deixes conformar com menos! Ainda existem homens de Deus? É claro que existem homens tementes ao Senhor! Mesmo que te pareça raridade, não há dúvidas de que há muitos rapazes por aí que são de Deus, que são homens de oração e levam uma vida coerente com o Evangelho. Alias, só pertencem mesmo ao Senhor os que demonstram estas características com atitudes e com a vida.

Então, pode pensar: “A resposta não parece ser tão simples assim! Se existem homens de Deus, porque é tão difícil encontra-los?”

Realmente, a mentalidade do mundo veio corromper toda a beleza do amor, tanto em homens como em mulheres. Mas, fica aqui um segredo: também não é fácil encontrar uma mulher de Deus.

O primeiro ponto que “pega”, quando o rapaz quer ser fiel ao Senhor e começa a namorar, é a castidade. Muitas vezes, e digo muitas mesmo, são as namoradas que não querem viver a castidade, são elas que provocam o rapaz. Mas não estamos aqui para discutir o que um sexo faz de errado e o outro também, nem para medir quem tem mais culpa. O importante é que homens de Deus são atraídos por mulheres de Deus e vice-versa.

Pessoas convertidas de verdade não se deixam levar só por um rosto, um corpo, um sentimento de fogo de palha ou outra superficialidade. É aí que já filtramos muitos candidatos. Sim, é um processo racional, o qual tens de aprender a fazer ou então te vais deixar levar por qualquer um. Não diminuas as tuas chances, és tu quem deve escolher melhor. Em todo o início de relacionamento devemos encontrar afinidades na outra pessoa, e que estas afinidades sejam à volta das coisas do Senhor.

Menina, sê de Deus; assim, os homens que Lhe pertencem te encontrarão! Que a tua vida seja um testemunho do amor divino. O rapaz reconhecerá em ti uma beleza diferente, sem os apelos da sensualidade. Presta atenção às tuas roupas, de verdade! Quando nós homens nos encantamos com as curvas de uma mulher, os nossos instintos sexuais são provocados, e não o nosso interesse no que há na sua alma. Percebemos uma beleza que vem mais pela aparência do que somente pela doçura.

Depois, quando nos aproximarmos mais, a sua fidelidade sugestiona-nos uma mulher forte. Então, somos impulsionados a ser ainda mais fiéis e fortes, não para competir, mas para fortalecer a nossa relação com o Senhor e com nós mesmos. Esta fidelidade e força relembra-nos e reafirma o nosso dom de vos proteger a vós mulheres. Sabemos que estes dons (protecção, fidelidade e força) só os encontraremos em Deus, e queremos buscá-los ainda mais. A mulher torna-se sustento do homem por aquilo que ela é, sem forçar nada.

Por último, quando temos a certeza de que aquela mulher é de Deus, convencemo-nos de que não temos o direito de extrair nem tocar no que nela pertence exclusivamente ao Senhor. Neste ponto, já nos comprometemos a respeitá-la e amá-la para sempre, porque vemos que ela tem algo sagrado.  O seu corpo, os seus dons, as suas aspirações, a sua dignidade e alma, antes de serem nossos, são de Deus. O Senhor antecipou-se nela para nos encontrar e, agora, Ele põe-nos como guardião do nosso sagrado. O homem aprende a salvaguardar a sensibilidade, a feminilidade, a sexualidade das mulheres e até aquilo que não entendem em vocês. Assim, sentimo-nos homens ainda mais completos. Isto expressamos não só na castidade, mas, em grande parte, por meio dela, desde o namoro até no casamento (também na castidade própria de casados).

Não estou, com tudo isto, a deitar a responsabilidade para as mulheres, apenas digo que vocês são um grande sinal da essência da verdadeira beleza, a qual é sustentada por uma fidelidade que gera força, uma força que vem daquilo que é sagrado: o amor. Os homens de Deus precisam deste amor.

 
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A bênção da masculinidade 

 

O homem realiza a sua identidade mais profunda quando vive a bênção da masculinidade

O primeiro capítulo da Bíblia é um belo poema que narra o projecto original de Deus para a criação. Cada estrofe desta canção é intercalada por um refrão, que é repetido de modo insistente: “E Deus viu que tudo era bom”.

Dia após dia, o Criador diz palavras de vida que se tornam realidade. A luz, as terras, as águas, florestas, estrelas, pássaros e peixes, animais de todo tipo são criados. Após tudo criar, Deus abençoa a criação dizendo: “Sede fecundos, enchei as águas dos mares e que o pássaro prolifere sobre a terra” (Gn 1,22). A primeira bênção da Bíblia é a bênção da fecundidade. Por meio dela, a obra criada continuará o seu curso. A força de vida que Deus depositou na sua obra agora tem vida própria. Cada ser vivo é chamado a colaborar com o Criador, continuando a obra da vida. “E Deus viu que tudo era bom”.

Mas no sexto dia da criação, antes de descansar, Deus criou o ser humano. O versículo 27 do Génesis é bastante claro: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou; criou-os macho e fêmea”. Esta é a identidade original do ser humano. Ele realiza a sua identidade mais profunda quando vive a bênção da masculinidade e da feminilidade. Deus não criou o ser humano como anjo. Criou seres sexuados. A sexualidade é uma força de vida que torna o ser humano capaz de colaborar com Deus ao continuar a obra da criação. O versículo 28 descreve a primeira bênção que a humanidade teria recebido: “Deus abençoou-os e disse: ‘Sede fecundos, enchei a terra’ (…)”.

A bênção da fecundidade

Após dar a bênção da masculinidade e da feminilidade, dá a bênção da fecundidade. Deus concede esta graça à criação para que o ser humano a administre com responsabilidade. Fomos nomeados “jardineiros” da criação. E, neste momento, o refrão deste belo poema muda de modo surpreendente. Deus contempla tudo o que criou e vê que não é apenas “bom”, mas “Deus viu que era MUITO bom” (Gn 1, 31).

Tudo isto é muito sério, pois hoje vivemos um tempo de “anti-bênção”, de “anti-criação”. Vivemos no meio de uma geração “mal-criada”. Nem vou gastar muito tempo em alertar para os riscos de uma “cultura gay” que já não se contenta em exigir os “seus direitos”. Esta minoria autoritária não suporta ouvir críticas e cria mil maneiras de firmar-se como padrão de comportamento. A coisa é tão séria que muitos homens precisam de simular uma certa homossexualidade para não parecer fora de moda. Precisamos de defender o direito de ser do modo como Deus nos criou. É preciso exaltar a família, a sexualidade vivida de maneira serena e sadia.

É verdade que, algumas pessoas trazem o espinho da homossexualidade, e sofrem por isso. Precisam da nossa compreensão e da nossa solidariedade. Mas isso não nos faz tímidos em anunciar que o projecto original de Deus inclui a bênção da fecundidade. É preciso louvar o Criador por isso.

Peço, neste dia, por tantos casais que têm dificuldades para ter filhos e que suplicam esta bênção. Peço por tantos jovens que ensaiam para serem bons maridos. Quantas mulheres esperam encontrar esta “bênção de homem”.

 
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O que se espera da vida dos homens  

 

São 4 as características que Deus pensou para o homem na sua origem, desde quando formou o ser masculino, para que este chegue a concretizar a sua missão neste mundo.

Acolhedor – Deus fez o homem primeiro que a mulher. Por quê? Para ele ser maior que ela? Não! Para que, a partir do que Ele criou, preparar-lhe o ambiente. O homem é como o anfitrião da mulher.

Podemos ver esta imagem também na cultura judaica. Quando um casal estava prometido em casamento, sabemos, pela tradição, que a obrigação de construir a casa era do homem e, no dia do casamento, ele ia buscar, com os seus amigos (cf. Jo 3,29), a noiva, que o esperava na casa de seus pais juntamente com as virgens (cf. Mt 25,1). Portanto, a mulher foi dada ao homem, o Senhor apresentou-lha (cf. Gn 2,22). Temos de ver as mulheres de forma diferente da que o mundo nos propõe; temos de as ver como Deus as vê. A partir daí, conseguiremos enxergar a riqueza daquela que compartilhará a nossa vocação esponsal.

Portanto, se um homem não respeita, não acolhe nem tem cuidado com a mulher, se ele a vê como objeto de sua satisfação, está a agir fora da sua própria essência, pois está a desobedecer ao sentido da sua existência e não se realizará enquanto pessoa, não será feliz.

Nunca se viu um homem feliz ou de bem com a vida, se usa ou expõe uma mulher, se a tortura psicologicamente, a agride verbal ou fisicamente.

Condutor – O homem deve “Chamar para si a responsabilidade de guiar a esposa e os filhos pelos caminhos corretos e santos para chegarem ao Céu. Conduzir aqui não significa ser opressor, invasor, centrado em si mesmo, que faz com que todos sigam o seu pensamento. Mas simboliza o sacrifício de si próprio para o bem-estar do outro. Muitas vezes, aquele que vai à frente numa viagem é o que se dispõe a colocar-se primeiro diante dos riscos, justamente para assegurar a vida dos que vêm atrás. Ele motiva e estimula quando necessário, mas está atento aos seus e ao ritmo diferente de cada um. Quando no ato do casamento o noivo  colocou o anel no dedo da noiva, e o padre os declarou marido e mulher, Nosso Senhor entregou ao noivo um cajado, que parece um pauzinho curvo de Luz: trata-se de uma graça que Deus dá ao homem. É um dom de autoridade de Deus Pai, para esse homem guiar o pequeno rebanho que são os filhos, que nascem desse matrimónio, e também para defender o matrimónio.

Paternidade – A mais profunda vocação do homem é ser pai. Ele nasce e se desenvolve para isso. O homem, com tudo o que lhe pertence – os dons, talentos e habilidades, todo o seu conhecimento, prática e técnica que adquire, tudo o que desenvolve durante a sua vida –, só encontrará plena realização se canalizar tudo para o exercício da sua paternidade.

Geralmente, é a figura paterna quem ensina o filho a andar de bicicleta – segura-o para não cair, soltando-o quando vê que ele já adquiriu certo equilíbrio, ainda que o pequeno não confie em si mesmo. A criança experimenta o prazer de ser desafiada pelas ocasiões da existência e alcançar pequenas vitórias pessoais. Também é o pai quem, na maioria das vezes, brinca pedindo ao filho que pule de alguma altura para o segurar no colo. Dificilmente, veremos uma mãe a brincando assim!

Tudo isto vai sendo registado na cabecinha da criança como: “Tu és capaz”, “Eu acredito em ti”, “Existe alguém junto de ti, alguém que te vê, mesmo quando tu te sentes sozinho no desafio”.

Na pré-adolescência ou juventude, também é comum que seja o pai a ensinar como o mundo funciona ou até mesmo ensinar um ofício ao filho. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com o seu pai José.

Se um pai não gosta de trabalhar, é adúltero ou cultiva vícios, o filho seguirá o seu exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra ele.

Enfrentamento – “O substrato básico do ser humano está na feminilidade, e o sexo masculino, para se desenvolver, precisa de surgir por meio de um esforço”. Isto é verdadeiro biológica, psíquica e espiritualmente.

Biológico, pois o embrião inicialmente é feminino. Se seguir de forma linear, ou seja, conforme já vem acontecendo o desenvolvimento do embrião desde a sua fecundação, nascerá então uma menina. Para que surja um menino, é preciso que ocorra uma revolução química. Não que não haja as propriedades masculinas, o cromossomo Y está lá, mas precisa de acontecer essa revolução.

Psíquico, porque tanto o menino como a menina são criados pela mãe; por isso, ficam mais tempo com ela. As meninas estão em harmonia com a mãe e desenvolvem-se femininas. O menino precisa de se afastar do mundo da mãe e, ao afastar-se, torna-se homem.

Espiritual, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher”.

Desde pequenos, buscamos autenticar a nossa masculinidade – competimos entre nós, desafiamo-nos, impomos condições, ritos de passagem para sermos aceites e aprovarmos o outro.

Todo o homem precisa de ter por que lutar. O prémio final, a vitória será a consequência do que adquirirmos durante a batalha. Portanto, a grande missão masculina é sermos acolhedores, condutores e paternos, enfrentarmos o mundo como linha da frente.

 

 
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Qual a verdadeira identidade masculina? 

 

Na sociedade atual, qual é a verdadeira identidade masculina?

 

Nunca se falou tanto em direitos humanos e dignidade da pessoa como nos tempos atuais. Porém, contrário a estes discursos, o quotidiano mostra, cada vez mais, o aumento do número de casos de crimes e violência de cunho sexual. É uma falsa ideia de liberdade que prega o uso do corpo para alcançar o prazer, pois, na prática, os resultados têm se mostrado de libertinagem e prejuízo próprio. As consequências de tudo isto são, na sua grande maioria, sentidas pelos mais fracos e indefesos, mulheres e crianças. Assim, fica óbvio atribuir ao ser masculino não só a autoria dos crimes, mas um desvio no comportamento da identidade masculina desta geração.

O que acontece com a identidade masculina

Então, podemo-nos perguntar: “O que está a acontecer com o homem – ser masculino? Por quê tantos episódios do uso da força e autoridade para estupros e pedofilia? E ainda, por que é que vemos tantas esposas frustradas com os maridos, e filhos com os pais?”

Para responder a tudo isto, é preciso recorrer à essência do homem. São João Paulo II disse, num dos seus discursos, que “o mistério da identidade masculina se revela em toda a profundidade no significado gerador e paterno”. Ou seja, a primeira e mais profunda vocação do homem é ser pai.

Seguindo nesta descoberta, encontraremos o sentido completo e a forma ideal de desenvolver a paternidade. Frei Raniero Cantalamessa, pregador oficial do Vaticano, comparou o amor de Deus ao amor humano de pai e mãe distintamente. Dizia ele: “O amor paterno é feito de estímulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado à plena maturidade”.

A paternidade é feita pela solicitude e pelo estímulo.

O homem é aquele que ensina a realizar, trabalhar e, enquanto não vê o seu aprendiz chegar à maturidade, ele se faz seu provedor. A realização pessoal masculina está em transformar os elementos do cosmos para si, para a família e para a sociedade. No início, Deus manda que o homem extraia sustento da natureza (Gn 3, 17).

Cérebro do homem

Desde a época das cavernas foi assim. Então, o cérebro dos homens tem sido condicionado a desenvolver diferentes percepções ao da mulher.

O homem saía para caçar, o que lhe trouxe maiores aptidões em áreas específicas para cumprir este seu ofício, como um maior senso de direção (localização, orientação e posicionamento), também de foco num alvo (a presa), o que o tornou mais sensitivo aos apelos visuais, e ainda agilidade e força física.

Também o homem é mais inclinado ao ato sexual por uma razão biologicamente fácil de entender. Ele possui a semente (sémen), então, a excitação nele diz respeito ao tempo para distribuir as sementes, diferente do organismo feminino que gera e amamenta.

Buscando desde a troca de olhares, indícios de segurança e companheirismo para o tempo suficiente de criar os filhos, isto fez a mulher levar mais tempo para se convencer do sexo.

Esta erotização e insistente incidência de estímulos sexuais, quase em todos os ambientes em que estamos, podem acabar por tirar todo o ser humano do domínio de si, das suas forças vitais e, consequentemente, alterando o comportamento social, pois o dom da sexualidade não diz somente respeito aos órgãos genitais, mas de todos os aspectos da pessoa humana, inclusive na sua capacidade de criar vínculos afetivos, até mesmo de amizades (Catecismo da Igreja Católica, 2332).

Revolução sexual e massificação do sexo

Por isso, com a revolução sexual e a massificação do sexo, o alvo mais suscetível foi o ser mais visual e propenso ao ato em si: o homem. “Quando um homem olha, repetidamente, para uma pornografia, ele encontra dificuldade em se relacionar com mulheres na vida real, pois se acostuma a ver as mulheres como ‘objetos a serem usados’. O prazer acintoso toma o lugar do amor e a fantasia substitui a realidade” (O brilho da castidade, Prof. Felipe Aquino, Ed. Cleofas, pág 77).

Sendo tão subjugado pelas suas paixões, a identidade masculina tende a esvaziar das suas capacidades o sentido e a forma plena de canalizar a sua essência. A sua força agora será usada para satisfazê-lo, a sua autoridade para impor.

O vigor próprio do homem, sem estar direcionado para a sua finalidade paterna, esvai-se, tornando o homem um indivíduo de mentalidade fraca, sem firmeza e decisão, com medo da vida e suas exigências.

Chefe de família

Aprender e assumir ser “chefe de família” corresponde, antes de tudo, a uma responsabilidade e um serviço perante a mulher e os menores na sociedade. Mas, não raro, percebemos muitas famílias que carecem de presença e bom exemplo por parte do pai, tornando esposas acuadas e filhos revoltados. Ou, então, em casos cada vez mais crescentes, estupros e abusos de menores.

Quem deveria proteger está a ser treinado a agredir pela indiferença verbal ou física. É a animalização do ser masculino.

O feminismo também ajuda neste processo, quando, declaradamente, toma o lugar do homem na sociedade ou, quando velado, inverte, sorrateiramente, os papéis de homens e mulheres, até fabricando o homem de hoje como um sujeito vaidoso em excesso.

Instintos primitivos

É certo também que as mulheres, quando apelam para a sensualidade, ajudam que todo o nosso sentido visual desperte instintos primitivos. Mas não precisamos de ficar a olhar. Ó homem, foge do que te é tentador. Não estou à procura de culpados, estou apenas a alertar dos perigos. Algumas mulheres podem estar a contribuir, mas não são as culpadas.

Enquanto não mudarmos o nosso foco e nos inspirarmos na castidade e na pureza da Sagrada Família, nada disto vai mudar. Para todos nós, seres humanos – falando principalmente aos homens –, começando por aquilo que é visual e com o conteúdo que estamos a absorver, devemo-nos preencher de sentido existencial por meio dos exemplos dos santos e de Cristo Jesus.

Partindo da consciência do que precisamos de ser – pais, estimuladores, provedores, presenças, companheiros e castos –, é que conseguiremos introduzir algo bom no lugar daquilo que é ruim, trocar a violência pelo amor mudando, toda uma mentalidade e a sociedade para melhor.

Acredito que o olhar puro de um homem é objeto de cura e restauração para muitas mulheres que nunca tiveram isto e é o que as nossas crianças esperam de nós.

São José, valei-nos e rogai por nós!

 
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A grande missão masculina

 

Mas qual é esta grande missão?

Deus pensou para o homem na sua origem, quatro características das quais desde quando formou o ser masculino, a fim de que este chegue a concretizar a sua missão neste mundo.

 

Acolhedor – Deus fez o homem primeiro que a mulher. Por quê? Para ele ser maior que ela? Não! Para que, a partir do que Ele criou, preparar-lhe o ambiente. O homem é como o anfitrião da mulher.

Podemos ver esta imagem também na cultura judaica. Quando um casal estava prometido em casamento, sabemos, pela tradição, que a obrigação de construir a casa era do homem e, no dia do casamento, ele ia buscar, com os seus amigos (cf. Jo 3,29), a noiva, que o esperava na casa de seus pais juntamente com as virgens (cf. Mt 25,1). Portanto, a mulher foi dada ao homem, o Senhor a apresentou a ele (cf. Gn 2,22). Temos de ver as mulheres de forma diferente da que o mundo nos propõe; temos de vê-las pela ótica do Senhor, ou seja, como Deus as vê. A partir daí, conseguiremos enxergar a riqueza daquela que compartilhará a nossa vocação esponsal.

Portanto, se um homem não respeita, não acolhe nem tem cuidado com a mulher, se ele a vê como objeto da sua satisfação, está a agir fora da sua própria essência, pois está a desobedecer ao sentido da sua existência e, consequentemente, não se realizará enquanto pessoa, não será feliz.

Já viste algum homem feliz ou de bem com a vida, que usa ou expõe uma mulher, que a tortura psicologicamente, a agride verbal ou fisicamente?

Condutor – O homem deve “Chamar a si a responsabilidade de guiar a sua esposa e os seus filhos pelos caminhos correctos e santos para chegarem ao Céu. […] Conduzir aqui não significa ser opressor, invasor, centrado em si mesmo, que faz com que todos sigam o seu pensamento. Mas simboliza o sacrifício de si próprio para o bem-estar do outro. Muitas vezes, aquele que vai à frente numa viagem é o que se dispõe a colocar-se primeiro diante dos riscos, justamente para assegurar a vida daqueles que vêm atrás. Ele motiva e estimula quando necessário, mas está atento aos seus e ao ritmo diferente de cada um. Certa vez, lendo um livro de espiritualidade, encontrei uma representação do que é isso: [...] ‘Quando o meu pai colocou o anel no dedo da minha mãe, e o padre os declarou marido e mulher, Nosso Senhor entregou ao meu pai um cajado, que parecia um pauzinho curvo de Luz, tratava-se de uma graça que Deus dá ao homem. É um dom de autoridade de Deus Pai, para esse homem guiar o pequeno rebanho que são os filhos, que nascem desse matrimónio, e também para defender o matrimónio’ (Lv. ‘O livro da vida! Da ilusão à verdade’. POLO, Glória. Goiânia: América Ltda, 2009. p. 40)”.

A mais profunda vocação do homem é ser pai

Paternidade – A mais profunda vocação do homem é ser pai. Ele nasce e desenvolve-se para isso. O homem, com tudo o que lhe pertence – os seus dons, talentos e habilidades, todo o seu conhecimento, prática e técnica que adquire, tudo o que desenvolve durante a vida –, só encontrará plena realização se canalizar tudo para o exercício da sua paternidade.

Geralmente, é a figura paterna quem ensina o filho a andar de bicicleta – segura-o para não cair, soltando-o quando vê que ele já adquiriu certo equilíbrio, ainda que o pequeno não confie em si mesmo. A criança experimenta o prazer de ser desafiada pelas ocasiões da existência e alcançar pequenas vitórias pessoais. Também é o pai quem, na maioria das vezes, brinca pedindo ao filho que pule de alguma altura para o receber no colo. Dificilmente, veremos uma mãe a brincar assim!

Tudo isso vai sendo registrado na cabecinha da criança como: “Tu és capaz”, “Eu acredito em ti”, “Existe alguém contigo, alguém que te vê, mesmo quando tu te sentes sozinho no desafio”.

Na pré-adolescência ou juventude, também é comum que seja o pai a ensinar como o mundo funciona ou até mesmo ensinar um ofício ao filho. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com o seu pai José.

Se um pai não gosta de trabalhar, é adúltero ou cultiva vícios, o seu filho seguirá o seu exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra ele.

Afetividade Masculina

Todo o homem precisa de uma luta

Enfrentamento – “O substrato básico do ser humano está na feminilidade, e o sexo masculino, para se desenvolver, precisa de surgir por meio de um esforço”. Isto é verdadeiro biológica, psíquica e espiritualmente.

Biológico, pois o embrião inicialmente é feminino. Se seguir de forma linear, ou seja, conforme já vem acontecendo, o desenvolvimento do embrião desde a sua fecundação, nascerá então uma menina. Para que surja um menino, é preciso que ocorra uma revolução química. Não que não haja as propriedades masculinas, o cromossomo Y está ali, mas precisa de acontecer essa revolução.

Psíquico, porque tanto o menino como a menina são criados pela mãe; consequentemente, ficam mais tempo com ela. As meninas estão em harmonia com a mãe e desenvolvem-se femininas. O menino precisa de se afastar do mundo da mãe e, ao afastar-se, torna-se homem.

Espiritual, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher”.

Desde pequenos, buscamos autenticar a nossa masculinidade – competimos entre nós, desafiamo-nos, impomos condições, ritos de passagem para sermos aceitos e aprovarmos o outro.

Todo o homem precisa de ter por que lutar. O prémio final, a vitória será a consequência do que adquirirmos durante a batalha. Portanto, a grande missão masculina é sermos acolhedores, condutores e paternos, enfrentarmos o mundo como linha da frente.

 
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