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Deus é Amor

Papa Bento XVI

 
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O desagravo das ofensas cometidas contra Jesus no Carnaval Imprimir e-mail

 

O desagravo das ofensas cometidas contra Jesus no Carnaval

 

Nestes dias do Carnaval, para desagravar nosso Senhor Jesus Cristo ao menos um pouco pelos ultrajes que lhe são feitos, os santos aplicavam-se, de modo especial, ao recolhimento, à oração, à penitência, e multiplicavam os actos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado.

Procuremos imitar o exemplo dos santos, e se mais do que eles, não pudermos fazer, visitemos muitas vezes o Santíssimo Sacramento e fiquemos certos de que Jesus Cristo nos recompensará com as graças mais importantes para a nossa salvação. Como diz o Eclesiástico: “Guarda a fé com o teu amigo na sua pobreza, para que também te alegres com ele nas suas riquezas” (Eclo 22, 28).

Este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que principalmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e é como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado já desonra Deus, o injuria e o despreza, imaginemos quanto o divino Redentor deve afligir-Se neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, até mesmo por pessoas que Lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é suscetível à dor, mas, se ainda pudesse sofrer, morreria nestes dias desgraçados, tantas vezes quantas são as ofensas que Lhe são feitas.

Na Liturgia pré-conciliar, no chamado domingo de Quinquagésima, que precedia as festas de Carnaval, não sem razão mística a Igreja propunha para a nossa meditação uma leitura do Evangelho na qual Jesus Cristo prediz a sua dolorosa Paixão. Com isto, a nossa boa Mãe deseja que nós, seus filhos, unamo-nos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e O consolemos com os nossos obséquios; porquanto os pecadores, nestes dias, mais do que em outros tempos, Lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho.

Nestes tristes dias, os cristãos, e até entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e O entregarão nas mãos do demónio. Eles trairão o Senhor, já não às ocultas, mas nas praças e vias públicas, fazendo ostentação da sua traição! Eles trairão Jesus, não por trinta moedas de prata, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo!

Uma das mais baixas infâmias que Jesus Cristo sofreu na sua Paixão foi que os soldados Lhe vendaram os olhos e, como se Ele nada visse, O cobriram de escarros, e Lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? (cf. Lc 22, 64).

Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não as pudesse reconhecer, não têm pejo de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus e as coisas santas!

Segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus, por isso, nestes dias, Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes.

É exactamente isto que Jesus Cristo quis dizer a Santa Gertrudes aparecendo-Lhe num domingo de Quinquagésima, todo coberto de sangue, com as carnes rasgadas, na atitude do “Ecce Homo” (Jo 19, 5), e com dois algozes ao lado, que lhe apertavam a coroa de espinhos e Lhe batiam sem piedade. Ah! Meu pobre Senhor!

Aproximando-se Jesus da cidade de Jericó, um cego estava sentado à beira da estrada e pedia esmolas. Ao saber que por ali passava Jesus de Nazaré, apesar das rudes repreensões, para que se calasse, não cessava de gritar: “Jesus, Filho de David, tende piedade de mim” (Lc 18, 38). O cego mereceu que, em recompensa da sua fé, o Senhor lhe restituísse a visão: “A tua fé te salvou” (Lc 18, 42).

Nestes dias, se quisermos agradar ao Senhor, imitemos a fé daquele pobre cego e, neste tempo de libertinagem desenfreada, enquanto os outros só pensam em se divertir com prazeres mundanos, procuremos estar, mais do que de costume, diante do Santíssimo Sacramento. Não nos importemos com os escárnios do mundo, mas lembremo-nos do que dizia São Pedro Crisólogo: “Quem quiser brincar com o demónio, não poderá gozar com Cristo”. Quando nos acharmos na presença de Jesus Cristo no sacrário, peçamos-Lhe luz para detestarmos as ofensas que O magoam tão profundamente. Peçamos ao Senhor não somente para nós mesmos, mas também para tantos irmãos nossos desviados: “Senhor, fazei que eu veja” (Lc 18, 41).

Para desagravar o Senhor um pouco de tantos ultrajes, os santos aplicavam-se no tempo de Carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor ao seu Bem-Amado:

No tempo de carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso para expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Francisco de Sales, tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as e exortava-as à comunhão frequente.

Todos os santos, porque amaram Jesus Cristo, esforçaram-se o mais que podiam para santificar o tempo do Carnaval. Sendo assim, se amamos também o amabilíssimo Redentor, imitemos os santos. Se não podemos fazer mais, procuremos ao menos ficar, mais do que noutro tempo, na presença do Santíssimo Sacramento, ou bem recolhidos em nossas casas, aos pés de Jesus Cristo crucificado, para chorar as muitas ofensas que Lhe são feitas nesses dias.

Santa Gertrudes viu num êxtase o divino Redentor que ordenava ao Apóstolo São João que escrevesse com letras de ouro os actos de virtude feitos por ela no Carnaval, para a recompensar com graças especialíssimas. Foi exactamente neste mesmo tempo, enquanto Santa Catarina de Sena estava a orar e a chorar os pecados que se cometiam nestes dias que o Senhor a declarou sua esposa, em recompensa dos obséquios praticados pela Santa no tempo de tantas ofensas.

Oração de Santo Afonso Maria de Ligório para o tempo do Carnaval

Amabilíssimo Jesus, Vós que sobre a cruz perdoastes aos que Vos crucificaram, e desculpastes o seu horrendo pecado perante o vosso Pai, tende piedade de tantos infelizes que, seduzidos pelo Espírito da mentira, e com o riso nos lábios, vão neste tempo de falso prazer e de dissipação escandalosa, correndo para a sua perdição. Ah! pelos merecimentos de vosso divino sangue, não os abandoneis, assim como mereceriam. Reservai-lhes um dia de misericórdia, em que cheguem a reconhecer o mal que fazem e a converter-se. — Protegei-me sempre com a vossa poderosa mão, para que não me deixe seduzir no meio de tantos escândalos e não venha a ofender-Vos novamente. Fazei que eu me aplique tanto mais aos exercícios de devoção, quanto estes são mais esquecidos pelos iludidos filhos do mundo.

Amabilíssimo Jesus, não é tanto para receber os vossos favores como para fazer coisa agradável ao vosso divino Coração, que quero nestes dias unir-me às almas que Vos amam, para Vos desagravar da ingratidão dos homens para convosco, ingratidão essa que foi também a minha, cada vez que pequei. Em compensação de cada ofensa que recebeis, quero oferecer-Vos todos os actos de virtude, todas as boas obras, que fizeram ou ainda farão todos os justos, que fez Maria Santíssima, que fizestes Vós mesmo quando estáveis nesta terra. Entendo renovar esta minha intenção todas as vezes que nestes dias disser:

† Meu Jesus, misericórdia. ― Ó grande Mãe de Deus e minha Mãe Maria, apresentai Vós este humilde acto de desagravo ao vosso divino Filho, e por amor do seu sacratíssimo Coração obtende para a Igreja sacerdotes zelosos, que convertam grande número de pecadores.

Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.

 
Depois de comungar, o que é mais aconselhável? Imprimir e-mail

Depois de comungar, o que é mais aconselhável?

 (Re)descubra um dos momentos mais especiais da santa missa

A Igreja ensina que depois de receber a Sagrada Hóstia, presença real de Jesus (corpo, sangue, alma e divindade), Ele está substancialmente presente em nós até que o nosso organismo consuma as espécies do trigo; isto pode levar cerca de 15 minutos. Depois disto, Jesus passa a estar na nossa alma pela acção do Espírito Santo e da Sua graça.

O grande São Pedro Julião Eymard, no seu livro "Flores da Eucaristia" (Ed. Palavra Viva, Sede Santos!, Distribuidora Loyola, pgs 131-135), ensina a importância da Acção de Graças. Transcrevo aqui alguns dos seus ensinamentos para a sua meditação:

“O momento mais solene da vossa vida é o da Acção de Graças, em que possuis o Rei da Terra e do Céu, vosso Salvador e Juiz, disposto a conceder-vos tudo o que Lhe pedirdes”.

“A Acção de Graças é de imprescindível necessidade, para evitar que a Santa Comunhão degenere num simples hábito piedoso.”

“Nosso Senhor permanece pouco tempo nos nossos corações, após a Santa Comunhão, mas os efeitos da Sua Presença prolongam-se. As santas espécies são como que um invólucro, que se rompe e desaparece para que o remédio produza salutares efeitos no organismo. A alma torna-se então como um vaso que recebeu um perfume precioso.”

“Dedicai à Acção de Graças meia hora se for possível, ou, pelo menos, um rigoroso quarto de hora (15 minutos). Dareis prova de não ter coração e de não saber apreciar devidamente o que é a Comunhão, se, depois de ter recebido Nosso Senhor, nada sentísseis e não Lhe soubésseis agradecer.”

“Deixai que a Santa Hóstia permaneça um momento sobre a vossa língua para que Jesus, verdade e santidade, a purifique e santifique. Introduzia-a depois no vosso peito, no trono do vosso coração, e, adorando em silêncio, começai a Acção de Graças”.

“Adorai Jesus sobre o trono do vosso coração, apoiando-vos sobre o Dele, ardente de amor. Exaltai-Lhe o poder… proclamai-o Senhor vosso, reconhecei que sois felizes servos, dispostos a tudo para Lhe dar prazer.”

“Agradecei-Lhe a honra que vos fez, o amor que vos testemunhou, e o muito que vos deu nesta Comunhão! Louvai a Sua bondade e o seu amor para convosco, que sois tão pobre, tão imperfeito, tão infiel! Convidai os anjos, os santos, a Imaculada Mãe de Deus para O louvar e Lhe agradecer por vós. Uni-vos às acções de graças amantes e perfeitas da Santíssima Virgem.”

“Agradeçamos por meio de Maria, pois quando um filho pequeno recebe alguma coisa, cabe à mãe agradecer por ele. A Acção de Graças identificada com a de Maria Santíssima será perfeita e bem aceita pelo Coração de Jesus.”

“Na Acção de Graças de Comunhão, chorai os vossos pecados aos pés de Jesus com Madalena (Jo 12,3), prometei-lhe fidelidade e amor, fazei-Lhe o sacrifício das vossas acções desregradas, da vossa tibieza, da vossa indolência em empreender o que vos custa. Pedi-Lhe a graça de não mais O ofender, professar-Lhe que preferis a morte ao pecado.”

“Pedi tudo o que quiserdes; é o momento da graça, e Jesus está disposto a dar-vos o próprio Reino. É um prazer que Lhe proporcionamos, oferecer-Lhe ocasião de distribuir os seus benefícios.”

“Pedi-lhe o reinado da santidade em vós, nos vossos irmãos, e que a sua caridade abrase todos os corações.”

Na Acção de Graças podemos e devemos orar pela Igreja, pelas necessidades, intenções e saúde do Papa e dos nossos bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, coordenadores de comunidades, missionários, catequistas, vocações sacerdotais e religiosas, etc.

É o momento privilegiado para pedir a Jesus, pelo Seu Sacrifício, o sufrágio das almas do Purgatório (dizendo-Lhe os nomes), de pedir por cada pessoa da nossa família e de todos os que se recomendaram às nossas orações e por todos aqueles por quem somos mais obrigados a rezar. E supliquemos a Jesus todas as graças necessárias para podermos cumprir bem a missão que Ele nos deu neste mundo, familiar, profissional ou apostólica. É também o momento da nossa cura interior, pelo Sangue de Jesus.

Não nos esqueçamos nunca do que Ele disse: “Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira” (Jo 15, 1-6). É melhor não Comungar do que Comungar mal.

 
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Como fazer um retiro espiritual? 

O retiro espiritual é uma força que encontramos para viver bem a nossa caminhada

A vida espiritual é muito necessária, porque é a partir dela que conseguimos encarar a vida com mais leveza, como ela realmente deve ser vivida. O grande risco é notar que a vida está a passar sem que tenhamos feito algo dela. O que apreciamos da vida? Que laços temos criado com as pessoas? Não sabemos o dia de amanhã, então, como viver o hoje? Um bom retiro espiritual ajuda-nos na caminhada com Deus.

É por isso que, a vida espiritual, a vida em Deus, nos ilumina como viver, como caminhar e dar os passos na vida comum.

A vida no Senhor não está desconcertada da vida comum, onde todos precisam de trabalhar e estudar, onde todos choram e riem. Mas, pode-se reforçar que, aqueles que levam uma vida espiritual, conseguem dar sentido a tudo, nas situações que deram certo ou naquelas que deram errado.

 Para a vida espiritual a comunhão com Deus ajuda-nos muito. Por isso, muitas vezes, precisamos de nos retirar; parar um pouco para escutar os “ruídos interiores”; apresentá-los a Deus e, assim, escutá-Lo e saber como lidar com essas inquietações. Claro que, o retiro é valido não só quando estamos inquietos ou com alguma dificuldade; ele também serve quando estamos bem. Dizem: “Na equipa que ganha, não se mexe”. Sim, mas pode-se melhorá-la. Então, um bom retiro espiritual tira-nos de uma crise e, também, reforça a caminhada que já está boa.

Mas como fazer um retiro espiritual? Cito alguns itens básicos:

1) Ter um local de silêncio. Precisas de te concentrar, examinar o teu interior; não dá para fazer isso com eficiência se estás no barulho, na agitação do dia a dia. Para que haja um bom retiro, “cala-te”, permite perceberes-te a si mesmo, permite escutares Deus.

2) Ter um texto para meditação. Se tens um(a)companheiro (a) espiritual, diante daquilo que ele(a) conversou contigo, podes dar-lhe um texto bíblico ou um escrito de um santo para meditar – normalmente, o texto possui algumas perguntas que vão ajudá-lo a viver o retiro. Caso não tenhas um(a) acompanhante espiritual, não há problema, pensa qual é, hoje, a tua principal necessidade. Por exemplo: “Hoje, tenho medo do futuro, de perder o emprego e, consequentemente, faltar dinheiro e passar por necessidades”. Talvez, seja interessante ler o Evangelho de Mateus capítulo 6 de 25 até 34, onde Jesus fala sobre o abandono à providência. Dentro dessa temática é possível ler o Salmo 22(23), “O Senhor é o meu Pastor”.

3) Olhar para dentro de ti. A meditação, o teu contacto com Jesus após a leitura, deve ajudar-te a olhar para dentro de ti, a fazer uma leitura da tua caminhada e identificar os pontos que precisam de ser melhorados, onde a cura de Deus precisa de chegar.

4) Rezar. Retiraste-te, meditaste, olhaste para dentro de ti? Agora reza. Fala com Deus sobre as descobertas que fizeste, pede a cura, a direcção, pede a força do Alto para não desanimar.

5) Comprometer-se e criar metas. Ainda na oração, finaliza-a agradecendo a Deus pelo tempo de silêncio, de contacto com Ele, agradece as descobertas feitas e faz um compromisso de melhorar. Se for o caso, e isso ajuda, anota quais serão as tuas metas dali em diante.

Parar, olhar, reflectir, decidir e agir

Vês como é simples? Há outras formas de retiro, estes tópicos não são únicos e nem exclusivos, mas ajudam a pensar a vida e vivê-la. Parar, olhar, reflectir, decidir e agir.

Bom retiro!

 
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É possível provar a existência da alma?

A experiência interna da liberdade é uma prova clara de que a acção humana é especificamente distinta da de um animal ou de um computador e só pode ser explicada por referência a um princípio superior à matéria.

Podemos provar a existência da alma humana? Dizemos provar, e não demonstrar, porque o que nos importa saber é se é possível, ao menos em certa medida, ter experiência da própria alma, de maneira que a existência dela se nos apresente como um facto provado, ou seja, como realidade vivida e incontestável. Antes, porém, de analisar a prova, convém entender o método em que ela se baseia.

Partimos aqui da comparação entre o que percebemos dentro de nós e o que vemos nos animais e computadores. Se pudermos constatar que algum fenómeno da interioridade humana — acessível a qualquer pessoa — é inexplicável em termos de pura neurologia animal ou de funções computacionais, então é forçoso reconhecer em nós a existência de um princípio de operações irredutível à matéria.

Visto isto, olhemos primeiro para os animais. Sabemos que a conduta dos demais seres vivos é instintiva; obedece, por assim dizer, a uma “programação” prévia que os determina a agir e reagir de forma padronizada diante de determinados estímulos. Ora, todo o ser vivo possui, como instinto básico e inato, a tendência à autoconservação, que se traduz fundamentalmente como busca natural do prazer e repúdio natural da dor.

No caso dos animais irracionais, esta tendência manifesta-se de modo mais ou menos automático, desprovida de um momento reflexivo prévio acerca da sua própria finalidade. Ainda que o comportamento animal, sobretudo nas espécies superiores, não seja simples automatismo — reflexo e involuntário —, é evidente que os animais não sabem o que fazem, como o fazem nem por que o fazem, o que revela que a sua conduta não é resultado de eleição. Daí que eles sejam incapazes, por um lado, de renunciar ao que lhes parece bom (um prazer, por exemplo) aqui e agora e, por outro, de considerar como um bem o que apreendem como mal (uma situação de perigo, uma dor, etc.).

O ser humano, ao contrário, pode transcender e pôr entre parênteses a sua tendência à autoconservação, reorientando livremente os seus desejos e receios. De facto, todos nós experimentamos dia após dia esta liberdade interior, que nos permite actuar e escolher com relativa independência da nossa “programação” biológica e cerebral. Não estamos, por outras palavras, obrigados a agir conforme os impulsos de um desejo, já que podemos a qualquer momento pôr em cheque a bondade, a conveniência, a oportunidade, a possibilidade etc. daquilo que desejamos.

É por isso que somos capazes de renúncia, de sacrifício, de nos propor ideais e, inclusive, de nos sentir angustiados ante o horizonte de alternativas possibilitadas pela nossa vontade [1].

Este livre dinamismo da conduta humana também evidencia que o homem não se comporta como um computador. Um computador, com efeito, só pode funcionar a partir do que já possui, ou seja, limitando-se ao que faz parte da sua configuração. Um computador só pode alterar a própria programação ou “aprender” novos comandos ou soluções se essas possibilidades já fizerem parte da sua estrutura, elaborada sempre por alguém distinto do mesmo computador.

Tudo isto nos indica claramente que a liberdade, um fenómeno que qualquer pessoa pode verificar dentro de si, está vinculada a uma dimensão do ser humano que não é material, que não encontra explicação plausível em nenhuma condição ou lei física, química, biológica ou eletrónica. A existência de um princípio interno e imaterial surge, assim, como exigência necessária para poder explicar a especificidade do nosso agir livre, o qual só pode ser efeito da actuação de uma alma espiritual.

“Esta afirmação”, obviamente, “em nada se opõe às leis naturais nem ao espírito científico; simplesmente afirma que, juntamente com as dimensões que podem ser estudadas pela ciência experimental, existem outras (as espirituais) que, por transcenderem o âmbito natural, também transcendem o âmbito das ciências. Trata-se, porém, de dimensões reais, que devem ser admitidas para explicar os dados da experiência” [2], realizável por qualquer um, e inclusive da própria ciência como actividade humana.

Referências

1.         Cf. J. A. García Cuadrado, Antropología Filosófica. 6.ª ed., Pamplona: EUNSA, 2014, pp. 160-162.

2.         Mariano Artigas, Filosofía de la Naturaleza. 5.ª ed., Pamplona: EUNSA, 2003, p. 272.

 
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Uma conversa sincera com Deus

Deus: Sentei-me aqui para conversar um pouco. Sei que tenho andado distante ultimamente. Reconheço que mil coisas têm rondado os meus pensamentos e tomado o lugar que deveria ser o teu por direito. Entre os incontáveis assuntos com os quais me tenho ocupado, a prioridade deveria ser aproximar-me de Ti.

Sei que não tenho parado para te escutar, embora eu te acuse inconscientemente algumas vezes. Chego a pensar que não me tens ouvido como me ouvias antes. Bem lá no fundo, eu sei que fui eu quem ficou insensível aos teus apelos de amor.

Mas, embora eu ande distante, ainda acredito no teu poder. Por isso mesmo eu te peço: faz-me voltar e andar nos teus caminhos. Conduz-me com o teu braço forte e com a tua paciência infinita e faz-me perceber que nunca me deixaste caminhar só.

Senhor, permite-me ver a tua providência divina a amparar-me nos momentos difíceis; permite-me sentir o teu calor quando as dificuldades desolarem o meu coração. Restaura o meu coração, Senhor.

Faz-me um coração inteiro, novamente. Permite-me compreender e superar todas as dores e angústias que tenho vivido.

Dá-me a força necessária para que eu possa sorrir e alegrar-me, apesar da incerteza que paira sobre os meus pensamentos. Sei que conheces os caminhos para onde me dirijo e pretendes ir comigo. E embora eu possa parecer indiferente, não desistas destes teus planos de permaneceres ao meu lado.

Concede-me Senhor, a sabedoria necessária para que eu te escolha antes de tudo e acima de tudo; que eu possa seguir em paz, na tua presença consoladora. Livra-me da descrença, do descuido e da falta de fé que porventura me possam afastar de Ti.

Que eu saiba ser firme e persistente; que eu possa agir com coragem e determinação, encarando os obstáculos que surgirem. Que eu enfrente tudo, por amor do teu nome.

Que eu veja a tua mão estendida e segure os teus dedos; que eu me aninhe nos teus braços. Quero poder aconchegar-me no teu colo e sentir bem de perto o amor que sentes por mim. Desejo retribuir, não à altura, porque isto me é impossível, mas com toda a sinceridade dos sentimentos que existem dentro de mim.

Que eu saiba reconhecer que, de todas as companhias possíveis, a tua é a mais agradável entre todas elas. Que possamos caminhar juntos, com amizade e intimidade, e seguir unidos e inseparáveis. A Tua presença é a minha maior necessidade. E embora eu não sinta que mereça, te peço: cuida de mim!

Jesus, eu confio e espero em Ti!

 
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A ALMA

 

O que é a alma?

 

Aí está uma pergunta do catecismo. A resposta procura distinguir, no ser humano, uma parte espiritual criada por Deus, a alma, e uma parte material que nos vem dos nossos pais, o corpo. A consciência que ele tem de si mesmo, o pensamento, a vontade que ele exercita, a liberdade que põe em acção, os sentimentos que experimenta, tudo isto é de uma ordem diferente dos órgãos e das funções do corpo. Compreende-se que os filósofos da antiguidade tenham insistido nesta dualidade do ser humano que, por sua vez, impregnou o cristianismo. Nesta perspectiva, a alma espiritual é pura e o corpo impuro; a alma é a sede das virtudes mais elevadas como a vontade de se dirigir livremente para o bem: deve, pois, governar o corpo e não se deixar escravizar por ele já que aquela é tida como boa e este como mau. É a alma que torna o homem semelhante a Deus e, por isso, é imortal enquanto o corpo é mortal, sendo a morte provocada pela separação dos dois.

Esta linguagem já não corresponde à nossa maneira de pensar e à nossa experiência. Sabemos que há pessoas que perderam as suas faculdades humanas de inteligência e de memória sem, com isso, terem perdido a vida. A existência dos animais questiona-nos. O que é que provoca a sua morte? Terão, então, alma? A sua consciência e a sua aptidão para comunicar também nos são desconhecidas. Onde começa o que é próprio do homem? Também na bíblia a noção de alma não é nítida. Ela utiliza palavras diferentes para designar este princípio imaterial: a vida, o coração, o sopro... Uma coisa é certa: não há oposição entre a alma e o corpo; pelo contrário, há unidade da pessoa.

Será preciso ir mais longe e perguntar se a questão da alma é uma questão com sentido? De facto, a pessoa é o seu corpo. Ela não existe sem as células nervosas que lhe permitem pensar. Não existe sem a memória que lhe permite reconhecer os outros e, assim, saber quem é. O corpo não é um instrumento ao serviço de um espírito que pensa. Também não é o invólucro da alma. Ele é capacidade de comunicar, de se ligar aos outros, capacidade de amor. Sem esta capacidade, a pessoa não existe. É outra lógica da existência humana diferente da lógica da criação de um ser acabado, vindo não se sabe donde. É a lógica de um processo no decurso do qual a pessoa se torna ele mesma; pelos seus laços com os outros e com o mundo, a sua identidade vai-se construindo. A fé cristã não está em contradição com esta visão do ser humano. Ela diz-nos que o próprio Deus incarnou. Fez-se carne, quer dizer, teve um rosto humano e um corpo de homem em Jesus Cristo. E é esse corpo que Deus ressuscita depois da morte de Jesus, na cruz. Como penhor da nossa própria ressurreição. Acreditamos, dizem os cristãos no Credo, na ressurreição da carne. A questão do modo, permanece, mas a esperança cristã é a de uma ressurreição da pessoa toda, na sua plenitude.

 
A Alma e o Espírito não são exactamente a mesma coisa? Imprimir e-mail

Alma e Espírito não são exactamente a mesma coisa?

 

Qual a diferença entre alma e espírito?

Espírito é um ser dotado de inteligência e vontade, mas sem corpo, sem dimensões materiais, sem forma, sem tamanho. Há 3 tipos de espírito:

1) Espírito não criado: Deus.
2) Espírito criado para existir sem corpo: o anjo (bom ou mal)
3) Espírito criado para se aperfeiçoar no corpo: a alma humana.

Portanto, o ser humano é composto de corpo material e alma espiritual. O corpo é mortal, pois consta de elementos materiais que, com o tempo, se vão desgastando. A alma humana, sendo espiritual, é imortal por si mesma; sendo simples, ela não se decompõe. Em cada ser humano há uma só alma espiritual.

Corpo e alma, embora sejam distintos um do outro, são complementares entre si. Nenhuma actividade do homem é meramente psíquica ou meramente somática. Embora a alma seja espiritual e imortal por si mesma, ela precisa do corpo para desenvolver as suas potencialidades.

A doutrina católica não é dualista. O dualismo implica antagonismo entre partes opostas. Ocorre no hinduísmo, por exemplo, que tem a matéria como algo de intrinsecamente mau e o espírito como algo de bom. A doutrina cristã rejeita o dualismo, pois afirma que a matéria é, como o espírito, criatura de Deus e, portanto, ontologicamente boa. Mas nem por isso a doutrina cristã cai no monismo, que identifica entre si matéria e espírito. A doutrina cristã professa, sim, a dualidade. A dualidade faz distinção de espírito e matéria, mas não os julga antagónicos entre si, mas sim, complementares. Analogamente, homem e mulher são criaturas distintas uma da outra, mas não antagónicas, mas feitas para se complementar mutuamente.

Em 1Ts 5,23, São Paulo parece distinguir 3 componentes no ser humano: espírito (PNEUMA, em grego), alma (PSYCHÉ) e corpo. Na verdade, porém, o apóstolo não teve intenção de ensinar antropologia nem definir um dogma, mas aludiu ao ser humano, usando uma das maneiras de falar da sua época: a tricotomia platónica. Esta é a única vez que Paulo a menciona. Em geral, ele é dicotómico, falando de corpo (ou carne) e espírito. Veja: Gl 5,5,17; 1Cor 2,11; etc.

1Ts 5,23 pode ser entendido de outro modo: PSYCHÉ seria a alma e PNEUMA seria o dom da graça divina que propicia a comunhão com Deus. Tal distinção é nítida em 1Cor 2,14-15 e 1Cor 15,14.16:

"O HOMEM PSÍQUICO (ou NATURAL) não aceita o que vem do Espírito de Deus. É loucura para ele; não pode compreender, pois isso deve ser julgado espiritualmente. O HOMEM ESPIRITUAL, ao contrário, julga a respeito de tudo e por ninguém é julgado."

"Se há um CORPO PSÍQUICO (corpo natural), há também um CORPO ESPIRITUAL (...) Primeiro não foi feito o que é ESPIRITUAL, mas o que é PSÍQUICO; o que é ESPIRITUAL vem depois."

São Paulo reconhece o PNEUMA (Espírito) como Pessoa Divina que habita no cristão:

"Se o PNEUMA (Espírito) Daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos HABITA EM VÓS, Aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos DARÁ TAMBÉM VIDA AOS VOSSOS CORPOS MORTAIS mediante o seu PNEUMA (Espírito), QUE HABITA EM VÓS." (Rm 8,11)

Há tb quem cite Lc 1,46-47 ("A minha ALMA engrandece o Senhor e o meu ESPÍRITO exulta em Deus meu Salvador") para sustentar a tricotomia. Ora, o texto é poético e a poesia hebraica segue o ritmo do paralelismo sinónimo. Nesta passagem, alma e espírito são sinónimos entre si. O louvor a Deus é proferido 2 vezes pelo "eu" de Maria, ora designado como alma, ora como espírito.

Dom Estêvão Bettencourt

 
"Eu não preciso de Deus para ser bom" Imprimir e-mail
 “Eu não preciso de Deus para ser bom”

 

O que podemos pensar desta e de outras afirmações típicas dos ateus?

Há pessoas que se consideram autossuficientes na sua “bondade”. O venerável Arcebispo Fulton Sheen referia-se ironicamente a elas como pessoas legais.

As pessoas legais vêem a crença em Deus como necessária somente para os mais fracos, que precisam que uma força divina os obrigue a agir de forma ética e solidária, sob ameaça de punição.

De facto, não é preciso ter uma religião para ser um cidadão correcto. “Todos temos um código moral intrínseco. Não preciso dos Dez Mandamentos para saber que não devo matar alguém”, disse o autor agnóstico Dan Brown. Esta declaração está de acordo com o ensinamento de São Paulo:

Os pagãos, que não têm a lei, fazendo naturalmente as coisas que são da lei, embora não tenham a lei, a si mesmos servem de lei; eles mostram que o objecto da lei está gravado nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua consciência, bem como os seus raciocínios, com os quais se acusam ou se escusam mutuamente. (Romanos 2, 14-15)

A ideia comum de “boa pessoa” é simplesmente a de alguém que não mata e não rouba, e que, eventualmente, até pratica alguns actos de solidariedade. Isto é bem distante do ideal cristão de “homem novo”: aquele que busca alcançar a santidade. Para ser bom (dentro do critério de bondade meramente mundano), ninguém precisa de religião. Mas para ser santo, só mesmo implorando a graça de Deus.

Esta diferença fica clara no encontro de Cristo com o jovem rico. O jovem não matava, não roubava, respeitava os pais, não mentia. Tudo isto ele já fazia, mesmo antes de ter encontrado o Senhor. Mas, Jesus indicou-lhe que, se o seu desejo era ir além e alcançar a perfeição, deveria deixar os seus bens e segui-Lo (Mateus 19,16-21).

Cristo e o Evangelho não são métodos de aprimoramento pessoal. Quem vê a religião assim, acaba por desanimar e por abandonar a prática religiosa, ou então afunda-se cada vez mais no moralismo – uma prática devocional que se reduz ao seguimento de regras. Porque, mais cedo ou mais tarde, a pessoa descobre que não precisa de Cristo para ser uma pessoa legal, com um comportamento considerado ético e até admirável pela sociedade.

O cristianismo não tem por objectivo ensinar-nos a ser pessoas legais, mas a mostrar-nos como podemos morrer e nascer de novo, ressurgindo para o mundo como novas criaturas. Por isso, Jesus disse a Nicodemos: “quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus” (João 3, 3).

Esta morte que precede o renascimento espiritual, necessariamente, passa pela dor de carregar com amor as nossas cruzes diárias – desde as pequeninas até às grandes cruzes.

A religião tem um efeito moralizador, que injecta equilíbrio em vidas que antes estavam perdidas no caos. São muitos os testemunhos de pessoas que viviam no crime, na prostituição ou escravizadas pelas drogas, e que só se libertaram destas amarras após abraçarem alguma prática religiosa. É claro que isto não é ruim, é muito bom. Mas, a religião não existe meramente para isto.

Reduzir o papel da religião à tarefa de nos tornar “bons meninos” e “boas meninas” (ou “homens e mulheres de bem”) é equipará-la à prática desportiva, à psicanálise, às ONGs ou à meditação. Porque, assim como muitos largaram as drogas, o crime e a prostituição graças à igreja, outros tantos conseguiram o mesmo efeito por aqueles outros meios.

A proposta de Cristo não é tornar-nos pessoas melhores: é fazer-nos NOVAS CRIATURAS.

Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Dentro de vós meterei o meu espírito, fazendo com que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis os meus preceitos. (Ezequiel 36 26-27)

A Boa Nova é uma doutrina de regeneração radical, não de mero aprimoramento. É uma proposta de vida para pessoas que se reconhecem como nada sem Deus. Isto fica evidente na parábola do fariseu e do publicano:

Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no seu interior, assim: Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros. O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. (Lucas 18, 10-14)

Esta passagem do Evangelho é desconcertante! A pessoa mostrada por Cristo como referência é um exemplo de arrependimento, não um exemplo de moral. Porque somente quem reconhece o seu nada está pronto para reconhecer que precisa de ser preenchido pelo tudo de Deus.

Nisto consiste o plano de Deus para a nossa vida: em nos transformar em um “outro Cristo”: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2, 20).

Quem pratica a religião simplesmente como um meio de se “manter na linha” é o tipo que mais facilmente desespera e perde a fé quando as coisas vão mal. Quando as doenças, as traições, os problemas financeiros, a morte de alguém amado ou a humilhação batem à porta, a pessoa revolta-se, pois não acha justo Deus ter permitido tais sofrimentos abaterem alguém “tão bom” como ele: “Eu não merecia isto!”

Antes de tudo, Deus não espera de nós um bom comportamento, mas sim ARREPENDIMENTO e FÉ. Sobre esta dupla base, ELE FARÁ A SUA OBRA EM NÓS, Ele transformará o nosso coração por meio da acção do Espírito Santo. Por isso São Paulo ensina que seremos salvos pela fé, e não pelas obras, para que ninguém se vanglorie (Efésios 2, 8,9).

Transformados pela graça de Deus, podemos ser cada vez mais capazes de realizar as boas obras, que são o sinal de uma fé verdadeira. Pois Cristo nos criou para as boas ações, que devem ser por nós praticadas (Efésios 2, 10).

 
A inquietante descrição do Inferno feita por Santa Faustina Imprimir e-mail

 

A inquietante descrição do Inferno feita por Santa Faustina

Hoje, conduzida por um anjo, fui levada às profundezas do inferno, um lugar de grande castigo; ai, como é grande a sua extensão! Tipos de tormentos que lá vi:

O primeiro tormento que constitui o inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso da consciência; o terceiro, o de que esse destino nunca mudará; o quarto tormento é o fogo que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, o terrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demónios e as almas condenadas vêem-se mutuamente e vêem todo o mal dos outros e o deles mesmos. O sexto é a continua companhia do demónio; o sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfémias.

São tormentos que todos os condenados sofrem juntos. Mas não é o fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos se não me sustentasse a omnipotência de Deus.

Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda a eternidade. Escrevo por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há inferno ou que ninguém esteve lá e não sabe como é.

Eu, irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos para falar às almas e testemunhar que o inferno existe. Sobre isto não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isto por escrito. Os demónios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham que me obedecer.

O que eu escrevi dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi. Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão é justamente daqueles que não acreditavam que o inferno existisse. Quando voltei a mim, não me podia refazer do terror de ver como as almas sofrem ali terrivelmente e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles.

Ó meu Jesus, prefiro agonizar até ao fim do mundo nos maiores suplícios do que ter de Vos ofender com o menor pecado que seja!

in Diário de Santa Faustina, 741

 
6 conselhos espirituais do Padre Pio para cuidar da alma Imprimir e-mail

           

6 conselhos espirituais do Padre Pio para cuidar da alma

 

1 – União constante a Deus e paciência nas adversidades

Mantenha-se firme e constantemente unido a Deus, consagrando-Lhe todos os seus afectos, todos os seus problemas, todo o seu ser, esperando pacientemente a volta do belo sol, enquanto aprouver ao Esposo da alma que o visite com a provação da aridez e da escuridão de espírito (Epist. III, pág. 670).

2 – Oração para fortalecer a vontade

A sua vontade, com a ajuda divina, será sempre superior, e o divino Amor nunca faltará ao seu espírito se você não descuidar a oração (Epist. III, pág. 80).

3 – Diligência e bom uso do tempo

Quem tem tempo não espere o tempo. Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje. Do bem são transbordantes os poços… E quem garante que amanhã estaremos vivos? Escutemos a voz da nossa consciência. Se hoje escutares a voz do Senhor, não feches os teus ouvidos (TN, in Epist. IV, pág. 877s).

4- Não desistir de fazer o bem

Suplico-lhe, pela mansidão de Jesus e pelo âmago misericordioso do Pai celestial: nunca esfrie no caminho do bem. Corra sempre e nunca pare, sabendo que, neste caminho, ficar imóvel equivale a retroceder nos próprios passos (Epist. II, pág. 259).

5 – Recolhimento e bom exame de consciência antes de dormir

Nunca se deite sem antes ter examinado na sua consciência como passou o dia, nem sem antes ter dirigido todos os seus pensamentos a Deus, com o oferecimento e a consagração da sua pessoa e de todos os cristãos. Além disso, ofereça à glória da Divina Majestade o descanso que você está prestes a ter e nunca se esqueça de que o seu anjo da guarda está consigo (Epist. II, pág. 277).

6 – Guardar somente o necessário para o bem

Sejam como pequenas abelhas espirituais, que não guardam nas colmeias mais do que mel e cera. A sua casa tem que estar cheia de doçura, de paz, de harmonia, de humildade e de piedade nas suas conversas (Epist. III, pág. 563).

 
Carro consumido pelo fogo, mas teca, terço e oração ficam intactos Imprimir e-mail

 

O carro é consumido pelo fogo, mas teca, terço e oração ficam intactos

 

 “É um facto impressionante”, disse o bispo da cidade onde ocorreu o incêndio

Aconteceu na Itália. A Ministra da Eucaristia Maria Emília da Silveira Castaldi, de 76 anos, estava a sair de casa para ir à Missa e depois levar a Sagrada Comunhão a enfermos da paróquia. Os objectos que ela utilizaria, como o terço, a teca vazia, e o livro de liturgia diária estavam no banco do passageiro do carro dela. Segundo a Ministra, quando ela deu partida no veículo, uma fumaça começou a sair do capô. Rapidamente o fogo se espalhou.

O carro, um Gol, estava na garagem da casa e precisou de ser empurrado para a rua. Um vizinho e um rapaz que passavam pelo local ajudaram e chamaram os Bombeiros.

Enquanto o fogo avançava, a dona Emília disse que ficou em oração, pedindo que as chamas não chegassem ao tanque de combustível e provocassem uma explosão. Logo os bombeiros controlaram o fogo e autorizaram a proprietária a abrir o carro. Foi quando ela se surpreendeu: “Abri a porta e vi que estavam os três objectos intactos. A oração ‘Oferecimento do Dia’, além de não se queimar, também não se molhou. O carro ficou preto, todos os plásticos se derreteram; dos bancos, ficaram somente os ferros”.

Ao presenciar aquela cena, a reacção da Ministra foi chorar. “Foi muito emocionante. Para mim foi uma graça muito grande. Não tem explicação… Os materiais não têm marca de queimado nem cheiro…

 “Tenho a certeza que a graça de Deus estava comigo. Se não estivesse, teria acontecido o pior”, disse Dona Emília.

A palavra do bispo

Para o bispo local, Dom Paulo Roberto, o ocorrido é um facto que impressiona. “Não podemos negar que Deus nos possa comunicar algo através dos factos da vida. Mas são experiências particulares, que respeitamos”.

E acrescentou: “não podemos medir a nossa fé, experiência de Deus e de Igreja por factos assim. O que Deus tem para nos comunicar de mais concreto sobre a sua verdade e a sua vontade está presente nas Sagradas Escrituras, na Revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo e no Magistério da Igreja. Esta é a nossa segurança e o caminho que devemos seguir”.

 
O que é a Divina Providência? Imprimir e-mail

 O que é a Divina Providência? 

 

O homem é chamado a confiar inteiramente na Divina Providência

Deus sustenta e conduz toda a criação, realizando a Sua vontade por meio da Divina Providência. Assim, para viver uma vida de santidade, é necessário confiar inteiramente nela. Mas muitos ainda têm dúvidas sobre o que ela é e como viver dela.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) define a Divina Providência como as disposições pelas quais Deus conduz a Sua criação em ordem à perfeição: “Deus guarda e governa, pela Sua providência, tudo quanto criou, atingindo com força, de um extremo ao outro, e dispondo tudo suavemente” (Sb 8,1), porque “tudo está nu e patente a seus olhos” (Hb 4,13), mesmo o que “depende da futura acção livre das criaturas” (CIC 302).

Desta maneira, o Senhor criou o homem para a santidade e, por isso, Ele nunca o abandona; por isso o conduz, a cada instante, para uma perfeição última, ainda a atingir pelos caminhos que só Ele conhece.

Por outro lado, mesmo conduzindo tudo, Ele nunca retira a liberdade do homem, uma vez que este não é marionete. “Em Deus, vivemos, nos movemos e existimos” (Act 17,28). Ele está presente em todas as situações, mesmo nas ocorrências dolorosas e nos acontecimentos aparentemente sem sentido. Ele também escreve direito pelas linhas tortas da nossa vida; o que nos tira e o que nos dá, tudo constitui ocasiões e sinais da Sua vontade, afirma o Youcat (49).

Reconhecer, confiar nesta dependência total do Senhor é fonte de sabedoria e liberdade, de alegria e confiança (Sb 11,24-26). O próprio Jesus recomendou o abandono total à providência celeste, sendo Ele o próprio a testemunhar, com a Sua vida, que o Senhor cuida de todas as coisas: “Não vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer?’ ‘Que havemos de beber?’ […] Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Mt 6,31-33).

Por que é que Deus não evita o mal?

Se Deus conduz todas as coisas, surge então a pergunta: Por que é que Ele não evita o mal?

Afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A esta questão, tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, não é possível dar uma resposta rápida e satisfatória. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta questão: a bondade da criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela Encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pela agregação à Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir, mas à qual podem, também de antemão, negar-se, por um mistério terrível. Não há nenhum pormenor da mensagem cristã que não seja, em parte, resposta ao problema do mal” (CIC 309).

São Tomás de Aquino afirmava: “Deus só permite o mal para fazer surgir dele algo melhor”. Ora, o mal no mundo é um mistério sombrio e doloroso, por isso tão incompreensível; mas temos a certeza de que o Senhor é cem por cento bom, Ele nunca é o autor de algo mau. Ele criou o mundo bom, embora ainda não aperfeiçoado.

Olhando para a história, é possível descobrir que o Senhor, na sua providência, tirou um bem das consequências de um mal (mesmo moral) causado pelas criaturas: “Não, não fostes vós – diz José a seus irmãos – que me fizestes vir para aqui. Foi Deus. […] Premeditastes contra mim o mal: o desígnio de Deus aproveitou-o para o bem […] e um povo numeroso foi salvo” (Gn 45,8; 50,20).

“Do maior mal moral nunca praticado, como foi o repúdio e a morte do Filho de Deus, causado pelos pecados de todos os homens, Deus, pela superabundância da sua graça, tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa redenção. Mas nem por isso o mal se transforma em bem”. (CIC 314).

Confiar inteiramente na Divina Providência

O certo é que “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade: Santa Catarina de Sena afirmou: “Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem e não com nenhum outro fim”. São Tomás Morus, pouco antes do seu martírio, disse estas palavras: “Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom” (CIC 315).

Portanto, o homem é chamado a confiar inteiramente na Divina Providência, pois esta é o meio pelo qual Ele conduz, com sabedoria e amor, todas as criaturas para o seu último fim, que é a santidade, mesmo sabendo que, muitas vezes, os caminhos da sua providência são desconhecidos. A resposta para aquele que deseja viver uma vida na vontade do Senhor é o abandono, pois esta é a ordem de Deus: “Lançai sobre o Senhor toda a vossa inquietação, porque Ele vela por vós” (1 Pe 5,7).

 
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Escravos do pecado 

O que a Igreja ensina sobre o pecado

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) mostra toda a gravidade do pecado: “Aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave do que o pecado e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro” (§ 1488). São palavras fortíssimas, pois mostram que não há nada pior do que o pecado. Por outro lado, o Catecismo afirma que ele é uma realidade: “O pecado está presente na história dos homens: seria inútil tentar ignorá-lo ou dar a esta realidade obscura outros nomes” (CIC, §386).

Deus disse a Santa Catarina de Sena, em “O Diálogo”: “O pecado priva o homem de Mim, Sumo Bem, ao tirar-lhe a graça”. São Paulo, numa frase lapidar, explica toda a hediondez do erro e razão de todos os sofrimentos deste mundo: “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Tudo o que há de mal na história do homem e do mundo é consequência desta falha que “começou” com Adão. “Por meio de um só homem, o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rom 5,12). O Catecismo ensina que: “A morte corporal, à qual o homem teria sido subtraído se não tivesse pecado (GS,18), é assim o último inimigo do homem a ser vencido” (1Cor 15, 26).

Santo Agostinho dizia que: “É desígnio de Deus que toda a alma desregrada seja para si mesma o seu castigo”, e acrescentava: “O homem faz-se réu do pecado no mesmo momento em que decide cometê-lo.” Sintetizava tudo dizendo que “pecar é destruir o próprio ser e caminhar para o nada”. Ele dizia de si mesmo nas confissões: “Eu pecava, porque em vez de procurar em Deus os prazeres, as grandezas e as verdades, procurava-os nas suas criaturas: em mim e nos outros. Por isso precipitava-me na dor, na confusão e no erro”.

Toda a razão de ser da Encarnação do Verbo foi para destruir, na Sua carne, a escravidão do pecado. “Como imperou o pecado na morte, assim também, imperou a graça por meio da justiça, para a vida eterna, através de Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rom 5,21).

O demónio escraviza a humanidade com a corrente do pecado, mas Jesus vem exactamente para a quebrar. São João deixa bem claro na sua carta: “Sabeis que Ele se manifestou para tirar os pecados” (1Jo 3,5). “Para isto é que o Filho de Deus se manifestou, para destruir as obras do diabo” (1 Jo 3,8). Esta “obra do diabo” é exactamente o pecado, que nos separa da intimidade e da comunhão com Deus e nos rouba a vida bem-aventurada.

Com a Sua Morte e Ressurreição triunfante, Jesus libertou-nos das cadeias do pecado e, por Sua graça, podemos agora viver uma nova vida. É o que São Paulo nos ensina na Carta aos Colossenses: “Se, pois, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Col 3,1). Aos romanos ele garante: “Já não pesa mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. A Lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da morte” (Rom 8,1).

Aos gálatas o apóstolo, diz: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão” (Gal 5,1). A vitória contra o pecado custou a vida do Cordeiro de Deus. São João Baptista, o precursor, aquele que foi encarregado por Deus para apresentar ao mundo o Seu Filho, podia fazê-lo de muitas formas: “Ele é o Filho de Deus”, ou, “Ele é o esperado das nações”, como diziam; ou ainda: “Ele é o Santo de Israel”, ou quem sabe: “Eis aqui o mais belo dos filhos dos homens”, etc.; mas em vez de usar estas expressões que designavam o Messias que haveria de vir, João preferiu dizer: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).

O perigo do erro

Aqueles que querem dar outro sentido à vida de Jesus, que não o d’Aquele que “tira o pecado do mundo”, esvaziam a Sua Pessoa, a Sua missão e a missão da Igreja. A partir daí, a fé é esvaziada e toda a “sã doutrina” (1Tm 4,6) é pervertida. Eis o perigo da “teologia da libertação” que exigiu a intervenção directa da Santa Sé e do próprio Papa João Paulo II, pois, na sua essência, esta “teologia” substitui o Cristo Redentor do pecado por um Cristo apenas libertador dos males sociais e terrenos, reinterpreta o Evangelho e o Cristianismo dentro de uma exegese e de uma hermenêutica, que não é aceita pelo Magistério da Igreja.

Assim, como a missão de Cristo foi a de libertar o homem da culpa, a missão da Igreja, que é o Seu Corpo místico e a Sua continuação na história, é também, a de libertar a humanidade do pecado e levá-la à santificação. Fora disso, a Igreja esvazia-se e não cumpre a missão dada pelo Senhor. “Jesus” quer dizer, em hebraico, “Deus salva”. Salva dos pecados e da morte. Na anunciação, o anjo disse a Maria: “[…] pôr-lhe-ás o nome de Jesus” (Lc 1,31).

A José, o mesmo anjo, disse: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21). A salvação dá-se pelo perdão dos pecados; e já que “só Deus pode perdoar os pecados” (Mc 2, 7), Ele enviou o Seu Filho para salvar o Seu povo dos pecados. “Foi Ele quem nos amou e nos enviou o Seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1Jo 4,10). “Este apareceu para tirar os pecados” (1Jo 3,5).

Tudo isto mostra que a grande missão de Jesus era, de facto, “tirar o pecado do mundo”, e Ele não teve dúvida de chegar até à morte trágica para tal facto. Agora, Vivo e Ressuscitado, Vencedor do pecado e da morte, pelo ministério da Igreja, dá o perdão a todos os homens. Jesus disse aos apóstolos na Última Ceia: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Guardar os mandamentos é a prova do amor por Jesus. Quem obedece aos Seus mandamentos, foge do pecado.

O grande São Basílio Magno (329-379), bispo e doutor da Igreja, ensina nos seus escritos, que há três formas de amar a Deus: a primeira é como o mercenário, que espera a retribuição; a segunda é como o escravo que obedece, por medo do chicote, o castigo de Deus; e o terceiro é o amor filial, daquele que obedece, porque, de facto, ama o Pai. É assim que devemos amar o Senhor; e a melhor forma de amá-Lo é repudiando todo mal.

Os Dez Mandamentos são a salvaguarda contra o pecado. Por isso, o primeiro compromisso de quem almeja a santidade deve ser o compromisso de viver, na íntegra, os mandamentos. Diante da gravidade do pecado, o autor da Carta aos Hebreus chega a dizer aos cristãos: “Ainda não resististes até ao sangue na luta contra o pecado” (Hb 12,4). Nesta luta, justifica-se chegar até ao sangue, se for preciso, como Jesus o fez.

 
Como posso tornar-me uma pessoa madura na fé? Imprimir e-mail

 

Como posso tornar-me uma pessoa madura na fé? 

 

Os 30 “quês” de uma pessoa madura na fé

 

Estamos num mundo muito pluralista, por isso precisamos de nos tornar verdadeiros especialistas em matéria de fé e conversão. Se não for assim, os cristãos “mais ou menos” não vão resistir. Daí, então, a necessidade de um amadurecimento real e concreto na fé.

 

Em comunhão com a evangelização, é preciso levar os outros ao encontro pessoal com Jesus, pois só assim nos vamos tornando maduros na fé, que nada mais é do que sermos crianças nas mãos de Deus. Livres da “maturidade” somente humana que questiona tudo, vamos a caminho de sermos “verdadeiros cristãos com coluna vertebral”, como expressou João Paulo II.

 

Textos bases para um aprofundamento e um exame de consciência a respeito da nossa fé: 1 Cor 3,1-9; Heb 5,12-14; Ef 4,11-15.

 

Como ser uma pessoa madura na fé?

 

A pessoa que tem uma fé vivida de forma madura com Deus:

 

1 –  Escolhe inteiramente Deus;

 2 – Sabe discernir a vontade d’Ele;

 3 – Faz a vontade d’Ele até ao fim;

 4 – Vive o Evangelho sem perguntas;

 5 – É livre no Senhor;

 6 – Sabe obedecer;

 7 – Sabe reconhecer os sinais dos tempos;

 8 – Vive uma individualidade, não um individualismo;

 9 – É capaz de viver a alteridade;

 10 – Vive uma fé com obras.

 

Amor e compaixão ao próximo

 

A pessoa que tem uma fé vivida de forma madura com o próximo:

 

1 – Pergunta sem duvidar do próximo;

 2 – Vive a fé com o próximo;

 3 – Consegue adaptar-se ao diferente;

 4 – Alegra-se com o crescimento do próximo;

 5 – Reconhece o outro, por este ser também um filho de Deus;

 6 – Sabe o seu papel na sociedade;

 7 – Contagia o próximo com a santidade;

 8 – Tem como única competição amar mais o próximo;

 9 – Ama com caridade;

 10 – É original na fé e na opinião.

 

Ser fiel consigo

 

A pessoa que tem uma fé vivida de forma madura consigo:

 

1 – Tem autonomia na fé;

 2 – É perseverante mesmo no sofrimento;

 3 – Agarra-se, compromete-se;

 4 – É especialista no que faz;

 5 – É como “para-raios” na intercessão;

 6 – Conhece a própria verdade;

 7 – Assume as experiências vividas;

 8 – Sabe receber elogios e também críticas;

 9 – Sabe falar e também escutar;

 10 – Deixa-se trabalhar no temperamento pelo Espírito de Deus.

 
A Leitura Espiritual Imprimir e-mail

 

A LEITURA ESPIRITUAL

 

O que é a “leitura espiritual”?

Há muitos tipos de leitura religiosa. Falemos daquele que, na linguagem clássica cristã, se chama «leitura espiritual», em sentido estrito, e que costuma fazer parte do programa diário das pessoas que querem levar a sério a sua vida interior.

Consiste na leitura atenta e bem assimilada de um livro que trate de assuntos de «vida espiritual», com seriedade e boa doutrina, e que os focalize de maneira prática, de modo que nos ajude a aplicá-los à nossa vida diária.

É preciso ter em conta que dentro do conceito estrito de «vida espiritual» ou de «vida interior», não só entram as práticas de oração, de adoração, a Eucaristia, o amor a Nossa Senhora e outras devoções… – que são, sem dúvida, elementos básicos de uma vida espiritual autêntica-, mas entram também as virtudes e o modo de melhorá-las (fé, caridade, paciência, firmeza, temperança, constância, etc.), bem como os defeitos (vaidade, preguiça, ira, inveja, desordem sensual, etc.) e o modo de vencê-los; e ainda o esforço por santificar a família, por achar Deus no trabalho, por levar Deus a outras almas, etc, etc. Em suma, entra tudo quanto nos ajuda a procurar a santidade e o apostolado no dia-a-dia.

Como fazer a leitura espiritual?

1) Antes de mais nada, é preciso convencer-se da sua necessidade e tomar a decisão de fazê-la diariamente, sempre que possível.

2) Ao tomar esta decisão deverá ter em conta:

a) Primeiro: que é importante escolher o melhor momento do dia – o “seu” melhor momento - para esta leitura. Antes do café da manhã? No escritório, antes de começar o trabalho? No começo da tarde (hora que pode ser útil para estudantes, para algumas mães de família…)? Ao visitar uma igreja, antes de voltar para casa? No autocarro ou no metro, desde que possa sentar-se? Pense, faça experiências, e decida.

b) Pense que será mais fácil definir o horário, se tiver consciência de que a leitura não precisa de ser longa: ordinariamente bastam dez ou quinze minutos para tirar bom fruto desta prática espiritual. Vivendo-a com constância, em pouco tempo terá lido, e aproveitado, mais livros bons do que imagina.

c) É importante que defina – volto a dizer – o lugar, o momento e a duração da leitura espiritual. E acrescento um conselho, fruto da experiência: se você definir dez minutos de leitura, faça sempre dez minutos como “norma”, nunca menos. Caso queira esticar esta leitura por mais tempo, ou deseje ler mais noutra hora, não há problema, mas considere isto como “leitura extra”. É só em relação ao seu programa diário, aos seus dez ou quinze minutos, que se deve sentir comprometido, com sincera exigência.

d) Escolha bem, em cada momento, o livro de leitura espiritual. Para isso, é muito útil pedir conselho a uma pessoa de critério que conheça a sua alma e as lutas da sua vida. Em todo o caso, sempre que possível, procure ler um livro que vá ao encontro das suas necessidades espirituais daquela temporada.

e) Uma vez definido o livro, leia-o devagar, pausadamente, em sequência, e do começo ao fim (lendo, relendo, sublinhando alguma palavra ou frase, refletindo, rezando). Quem borboleteia nas leituras, “debicando” por curiosidade pedacinhos de vários livros ao mesmo tempo, sem completar nenhum, tira pouco proveito e permanece superficial na sua vida interior.

f) Não importa quanto tempo demorar a terminar um livro, mesmo que seja breve. Também não importa, antes pelo contrário, reler vários dias em seguida os mesmos trechos do livro, se a sua intenção é assim gravá-los melhor, para tirar deles mais fruto. Um livro bom pode ser relido todos os anos (por exemplo, um clássico sobre a Paixão de Cristo, no tempo da Quaresma; ou um bom livro sobre Nossa Senhora, em Maio, mês de Maria).

g) Depois da leitura diária, ao fechar o livro pergunte-se: O que foi que eu li, o que compreendi, o que me ficou mais gravado?

3. É muito bom ter o desejo de conhecer (de ler) as obras clássicas de espiritualidade, que têm ajudado inúmeras pessoas a aproximarem-se de Deus e a melhorar. Para ter ideia de que tipo de livros estou a falar, vou citar alguns, apenas alguns, dentre os mais conhecidos:

─ Tomás de Kempis: A imitação de Cristo

─ São Francisco de Sales: Introdução à vida devota (também chamado Filoteia), Tratado do Amor de Deus (mais “teológico”)

─ Santo Afonso Maria de Ligório: A oração, A prática do amor a Jesus Cristo, As Glórias de Maria

─ Santa Teresa de Lisieux (Santa Teresinha): História de uma alma (também chamado Manuscritos autobiográficos)

─ Santa Teresa de Ávila: O livro da vida, Caminho de perfeição

─ Santa Catarina de Sena: O diálogo

E muitos outros, além de numerosas obras excelentes de autores antigos e contemporâneos, que podem fazer um bem imenso à nossa alma. Pesquise, pergunte, consulte a quem lhe puder dar um bom conselho. Acredite na leitura espiritual. A ela se pode aplicar perfeitamente o dito de Jesus: Pelos seus frutos os conhecereis (Mt 7,16).

4. Dois esclarecimentos:

a) Não confunda a «leitura espiritual» com a «oração mental» (ou a «meditação»). É muito frequente o engano de pessoas que utilizam determinados livros para fazer a sua oração mental (ou a sua meditação), e acham que com isto estão a fazer leitura espiritual. Misturam e confundem conceitos diferentes.

Para a oração mental ou meditação, cada dia, se quiser, você pode escolher à vontade textos de livros diferentes, os que achar que lhe podem servir de apoio para meditar sobre a sua vida e “falar com Deus”. A «leitura espiritual», porém, como acabamos de ver, é coisa diferente: trata-se de ler em sequência, quase que de “estudar” um livro inteiro, completo, que garanta o aprofundamento da sua formação. Não esqueça esta distinção;

b) Há outras leituras, que também nos fazem muito bem; mais ainda, que nos fazem muita falta: as que nos proporcionam formação doutrinal. Entre elas, podem-se destacar os catecismos: desde o Primeiro Catecismo ou o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, até o próprio Catecismo da Igreja Católica, amplo, profundo, excelente, ainda que exige certa preparação doutrinária para o entender bem. Um bom livro de teologia para leigos, que sempre se recomenda, é a obra do americano Leo Trese, A fé explicada; excelente, pedagógico e claro. Em bastantes casos, pode ser usado também como “leitura espiritual”.

Todos deveríamos achar algum tempo (não precisa de ser diário, pode ser semanal, mais longo nas férias) para ler obras doutrinais. Hoje, num mundo de ideias confusas, é uma necessidade vital.

 
A eficácia da bênção do sacerdote Imprimir e-mail

  

A eficácia da bênção do sacerdote 

 

A eficácia da bênção do sacerdote deve ser acolhida ou pedida com fé

Em toda a Santa Missa temos a graça de recebermos a bênção de Deus através do sacerdote. Digo a Santa Missa pois é o rito mais comum que podemos presenciar, mas em todo o sacramento temos a bênção de Deus, que nos vem por meio de um ministro ordenado. E, ainda, outras celebrações devocionais onde é possível, também, contar com a bênção de um sacerdote.

O Catecismo da Igreja Católica ensina nos números 1078 e 1079: “Abençoar é uma acção divina que dá a vida e de que o Pai é a fonte. A sua bênção é, ao mesmo tempo, palavra e dom. Aplicada ao homem, tal palavra significará a adoração e a entrega ao seu Criador, em acção de graças.

 Desde o princípio até à consumação dos tempos, toda a obra de Deus é bênção. Desde o poema litúrgico da primeira criação até aos cânticos da Jerusalém celeste, os autores inspirados anunciam o desígnio da salvação como uma imensa bênção divina.”

A bênção vem sempre de Deus, no Antigo Testamento temos uma das fórmulas mais antigas que, inclusive, se usa no final da Santa Missa no tempo comum, trata-se da bênção de Aarão (cf. Nm 6,22-27). A bênção serviu para o povo de Deus continuar a sua caminhada rumo à terra prometida, a bênção foi uma graça animadora, um envio e uma protecção para os israelitas para que fossem fiéis a Deus, livres dos males ou que enfrentassem as dificuldades com esperança.

Deus age em cada sacerdote

O sacerdote, desde o Antigo Testamento, era constituído para oferecer sacrifícios a Deus em favor do povo. Assim também, acontece no Novo Testamento (cf. Hb 5,1), principalmente através do sacrifício Eucarístico (cf. CIC 1552).

O sacerdote é o Cristo único e eterno que quis contar com colaboradores que agem na sua Pessoa: “IN PERSONA CHRISTI CAPITIS”, “na pessoa de Cristo Cabeça”.  Apesar de agir em nome de Cristo, de ser o Cristo, o sacerdote não está livre de pecar, é um pecador, mas a bênção é transmitida através dele, ele comunica “um poder sagrado que é o poder de Cristo”. Ele possui uma autoridade que vem de Cristo e Ele constituiu sacerdotes para que cuidassem das suas ovelhas (cf. CIC 1550-1551).

A eficácia da bênção sacerdotal não depende da santidade do ministro, Deus age em todo o sacerdote do mais santo ao mais pecador, do mais experiente ao recém-ordenado. Muitas vezes, depende da abertura do fiel àquela bênção, a fé acaba por ser um importante critério para receber a graça. Mas é sempre dom de Deus, a pessoa que pede deve ter fé, deve acreditar, deve perseverar na vontade de Deus.

Deus sempre abençoa e quer abençoar

Enfim, a eficácia da bênção do sacerdote deve ser acolhida ou pedida com fé para ti, para alguém ou para alguma situação. Deus abençoa sempre e quer abençoar. No Evangelho, encontramos pessoas que foram abençoadas, porque pediram directamente a Jesus (cf. Mt 8,1-4; 9,27-31), pessoas que pediram por outras (cf. Mt 9,1-8) e pessoas curadas porque Jesus se aproximou (cf. Mt 12,9-13).

Seja como for dê o seu passo, creia e peça, tenha fé e peça por alguém, seja ousado e creia na bênção concedida em cada acto litúrgico, tenha fé e peça a bênção de Deus por meio de um sacerdote. A bênção concedida por um sacerdote tem uma eficácia extraordinária que se manifesta nas coisas simples e nas mais complicadas. Peça a bênção, mas tenha também discernimento: não chateie o sacerdote, quem acabou de participar na Santa Missa já recebeu a bênção, não peça uma “bênção especial”, pois não existe bênção maior do que a da Santa Missa.

 
Para agradar a Deus, reza pela conversão dos pecadores Imprimir e-mail

 

Para agradar a Deus, reza pela conversão dos pecadores

 

As orações que fazemos pelos outros, mormente pelos pecadores, são muito agradáveis a Deus.

O Senhor queixa-se dos seus servos que não rezam pelos pecadores.

Um dia, lamentava-se Nosso Senhor a Santa Maria Madalena de Pazzi: “Vê, minha filha, como caem os cristãos nas mãos do demónio; se os meus escolhidos não os livrassem pelas suas orações, seriam tragados por ele”.

De um modo todo especial, porém, Nosso Senhor deseja e exige isto dos sacerdotes e religiosos.

Por isso, dizia muitas vezes a Santa às suas religiosas:  “Irmãs, Deus separou-nos do mundo, não somente para fazermos bem a nós mesmas, mas também para nós procurarmos aplacar a sua ira contra os pecadores”.

Falou-lhe, uma vez, o Senhor:  “Eu vos dei, a vós, esposas escolhidas, a cidade de refúgio, (isto é, a Paixão de Jesus Cristo), para que tenhais onde recorrer para ajudar as minhas criaturas; por isso, recorrei a ela e ali oferecei auxílio às minhas criaturas que perecem; sacrificai mesmo a vossa vida por elas”.

Pelo que a Santa, inflamada de santo zelo, oferecia a Deus, cinquenta vezes por dia, o sangue do Redentor pelos pecadores e se consumia em desejos pela sua conversão, dizendo:  “Que pena, Senhor! Como sinto ver que posso ajudar as tuas criaturas com o sacrifício da minha vida e, contudo, não poder realizá-lo!”

Ela, em todos os exercícios de piedade, recomendava os pecadores a Deus; e na sua vida se conta que não passava uma hora do dia sem que não pedisse por eles.

Frequentemente levantava-se à meia noite e dirigia-se à Igreja, onde estava o Santíssimo Sacramento, para rezar pelos pecadores.

Apesar de tudo isto, foi encontrada, uma vez, a chorar e, interrogada do motivo das lágrimas, respondeu: “Porque me parece que nada faço pela conversão dos pecadores”.

Chegou até a oferecer-se padecer as penas do inferno pela conversão deles, contanto que lá não tivesse de odiar a Deus.

Frequentes vezes conseguiu ser atormentada por graves dores e enfermidades pela salvação dos pecadores.

Rezava especialmente pelos sacerdotes, vendo que estes, com uma vida exemplar, seriam causa da salvação de muitos e com uma vida má levariam muitos à ruína e perdição.

Pedia a Nosso Senhor que a castigasse pelas culpas deles e dizia: “Senhor, fazei-me morrer tantas vezes e tornar à vida, até satisfazer por eles a Vossa justiça”…

Esta santa, pelas suas orações, libertou de facto muitas almas das garras de Satanás.

 
Porque é que Deus é o nosso Pai Imprimir e-mail

Porque é que Deus é o nosso Pai, e porque devemos honrá-lo.

 

Perguntamos: como é que Deus é Pai? E quais são nossas obrigações para com Ele devido à sua paternidade?

 

Chamamos-Lhe Pai, por causa do modo especial com que nos criou.

Criou-nos à sua imagem e semelhança, imagem e semelhanças estas, que não imprimiu em nenhuma outra criatura inferior ao homem.

Não é ele teu Pai, teu Criador que te estabeleceu? (Dt 32, 6).

Deus merece também o nome de Pai, por causa da solicitude particular que tem para com os homens no governo do universo.

Nada escapa ao seu governo, sendo este exercido de modo diferente em relação a nós e em relação às criaturas inferiores a nós.

Os seres inferiores são governados como escravos e nós como senhores.

Ó Pai, diz o livro da Sabedoria (14, 3), a vossa providência rege e conduz todas as coisas; e (12, 18) a nós governa com indulgência.

Deus, enfim, tem direito ao nome de Pai, porque nos adotou.

Enquanto não deu, às outras criaturas, senão pequenas dádivas, a nós fez o dom da sua herança, e isto porque somos seus filhos.

São Paulo diz (Rm 8, 17): Porque somos seus filhos, somos também seus herdeiros, e ainda (vers. 15): Vós não recebestes um espírito de servidão, para recairdes no temor, mas recebestes um espírito de adoção, que nos faz clamar: Abba, Pai.

Em primeiro lugar, devemos honrá-lo.

Se sou Pai, diz o Senhor, por Malaquias, (1,6) onde está a minha honra?

Esta honra consiste em três coisas: a primeira em relação aos nossos deveres para com Deus; a segunda, os nossos deveres para conosco mesmos; a terceira, os nossos deveres para com o próximo.

A honra devida ao Senhor consiste, primeiramente, em oferecer a Deus o dom do louvor, seguindo o que está escrito (Sl 49, 23): O sacrifício de louvor me honrará.

Este louvor deve estar não só nos lábios, como no coração.

Está escrito em Isaías (29,13): Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.

A honra devida a Deus, em segundo lugar, consiste na pureza dos nossos corpos, pois o Apóstolo escreveu: (1 Cor 6, 20) Glorificai e trazei a Deus em vosso corpo.

Consiste, enfim, esta honra, na equidade dos nossos julgamentos para com o próximo. O Salmo 98, 4, diz: Honrar o rei é amar a justiça.

 

Fonte: Retirado do livro “O Pai nosso e a Ave Maria: sermões de São Tomás de Aquino”.

 
Testemunhas de Jeová tentam converter um padre Imprimir e-mail

 

Testemunhas de Jeová tentam converter um padre e levam aula de doutrina

 

Estando eu numa comunidade de irmãs religiosas, a pregar o retiro, uma das irmãs disse: “Padre, tem uma visita para o senhor”. E começou a sorrir. Percebi que havia algo estranho e, quando fui ao portão, eram duas senhoras a distribuir folhetos.

Aproximei-me e saudei as duas. Uma pergunta: “Qual o seu nome?”

– Padre Gabriel.

– Ah, sim… Já vi o senhor de longe, passando de carro. E como lhe posso chamar?

– Padre Gabriel.

– Ah, certo… (dando um sorriso irónico).

– Senhor Gabriel, estamos aqui a entregar estes convites para a celebração da morte de Jesus. Como o senhor sabe, ele fez a última ceia, tomou o pão e disse que era um símbolo do seu corpo…

– Minha amiga, ele não disse isso. Ele disse “ISTO É O MEU CORPO”. Não uma representação.

– Sim, mas isso não significa que aquele pão é a carne de Jesus…

– Então ele estava a brincar. Ele poderia dizer muito bem “isto representa o meu corpo”, mas disse “ISTO É”.

– Então o senhor acredita que aquele pão se transforma num pedaço de carne?

– É claro que sim. Assim como Jesus transformou água em vinho, Ele tem poder de transformar qualquer coisa. A Palavra de Deus criou o céu e a terra do NADA, quanto mais transformar uma matéria noutra. Ele mesmo disse em João cap. 6: “O pão que eu darei é a minha própria carne para a salvação do mundo”.

– Sim… Nós conhecemos esta passagem. Nós também temos o corpo de Cristo.

– Eu sei, mas vocês fazem um teatro, uma recordação do passado. A prova é que, quando tudo termina, o pão e o vinho que sobram são descartados. Já o nosso Pão Consagrado vai para o Sacrário e lá fica para a adoração dos fiéis. É verdadeiramente o Corpo de Jesus!

– Ok, padre. Mas eu queria lhe mostrar outra coisa. Sabemos que há uma esperança celestial e outra terrena, não é verdade?

– A minha esperança é o Céu. Esta terra aqui não me interessa. Tudo vai passar…

– A minha esperança é terrena, porque somente 144.000 poderão entrar na esperança celestial.

– Minha amiga, quantos Testemunhas de Jeová existem no mundo?

– Mais de 8 milhões.

– E o restante dessa turma vai pra onde???

– Ficarão aqui na terra, como diz o salmo. “Os justos possuirão a terra”.

– Mas essa esperança terrestre é vetero-testamentária. Os judeus que queriam um reino terreno. Jesus deixou bem claro, no diálogo com Pilatos, que o reino d’Ele não é deste mundo! Eu não sou do Antigo Testamento. Somos cristãos. E o próprio Apocalipse vai dizer, que João viu uma multidão que ninguém podia contar… Logo, são mais que 144 mil, porque 144 mil é uma conta exacta.

– É, mas a minha esperança é terrena.

– Minha senhora, e Colossenses cap.3? São Paulo não nos diz para BUSCAR AS COISAS DO ALTO e não fixar os nossos olhos nas coisas daqui da terra?

Outra dupla de mulheres que estavam à espera das colegas atrás do meu carro, aproximaram-se e uma disse:

– Então leia Apocalipse 21, 4.

– Agora mesmo!

Tomei a Bíblia dela, abri no capítulo 21 e comecei a ler a partir do versículo primeiro. Ela interrompeu-me:

– Eu disse o versículo 4.

– Sim, minha irmã. Mas nós, católicos, não lemos versículos soltos. Nós lemos o texto integral para entender o sentido.

Li o trecho, expliquei o significado da “nova terra” e, antes que eu terminasse, a dupla afastou-se. Pedi que aguardassem, mas não fui atendido. As outras que chegaram primeiro disseram:

– Olha, senhor. Nós não queremos discutir religião.

– Não estamos a discutir. Estamos a dialogar. E por falar em religião, eu já vi na vossa revista Sentinela muitas acusações e calúnias contra a Igreja Católica. Inclusive dizendo que os nossos santos são coisas más.

– É porque o senhor não leu o…

– O salmo 115?

– Isso.

– Pois eu li. Aliás, tive 7 anos de teologia antes da minha ordenação. Não foi apenas um curso para andar de casa em casa.

Enquanto isto, elas já se iam despedindo e deixando-me só, no portão. Eu pedi:

– Esperem um pouco. Se há tempo para bater na porta dos católicos, deve haver um tempo para escutar os católicos. O salmo 115 fala dos ídolos. “Os ídolos deles são ouro e prata”. Por acaso a Igreja afirmou alguma vez que Maria é um ídolo? Que São Francisco é um ídolo? Que Santo António é um ídolo?

– Não… Eles foram exemplos.

– Exactamente, minha irmã. O próprio São Paulo escreveu na Bíblia: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo”. Todos os santos podem dizer o mesmo: sejam meus imitadores, porque eu pratiquei a caridade de Cristo. Por isso temos as suas pinturas e representações. Não são ídolos.

– Tá certo, senhor. Tenha um bom dia.

– Bom dia para vocês também. Deus vos abençoe!

Por mais uma vez, tive que expor a verdadeira doutrina para quem não a conhecia. Graças a Deus que eu tinha a certeza da minha religião e o conhecimento da Palavra de Deus. O Católico que possui isto nunca terá a sua fé abalada.

Pe. Gabriel Vila Verde - 22 de Março de 2018

 
Por que é que o Espírito SAnto é representado por uma pomba? Imprimir e-mail

 

Por que é que o Espírito Santo é representado por uma pomba?

 

Um dos símbolos mais antigos de Deus, reconhecido também pelos judeus antes mesmo do batismo de Jesus

O Novo Testamento menciona especificamente a forma de pomba ao se referir ao Espírito Santo durante o batismo de Jesus: “O Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba” (Lucas 3, 22).

Mas por quê uma pomba?

Em primeiro lugar, estudiosos bíblicos destacam que o Talmud da Babilónia compara a uma pomba o Espírito de Deus que paira sobre as águas na criação: “E o espírito de Deus pairava sobre a face das águas – como uma pomba que paira sobre os seus filhotes sem os tocar”. Tal texto não consta com estas mesmas palavras no livro do Génesis, mas o primeiro livro da Bíblia também afirma, já no seu início: “O Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Génesis 1, 2).

Em segundo lugar, Noé enviou uma pomba em busca de terra quando as águas do dilúvio começaram a baixar. O Génesis relata que a pomba voltou pela tarde, trazendo no bico uma folha verde de oliveira (cf. Génesis 8, 11). O episódio é diretamente ligado ao batismo de Jesus, dado que o dilúvio é visto no cristianismo como prefiguração do batismo.

Em terceiro lugar, ainda no contexto pagão, as pombas eram vistas no mundo antigo como representativas do divino. Era muito comum que deuses e deusas fossem representados cercados por pombas.

Assim, nos tempos do Novo Testamento, as pombas já eram bastante associadas a Deus e, mais especificamente, ao Espírito Divino. Os primeiros cristãos mantiveram esta imagem e começaram a representar o Espírito Santo quase que exclusivamente como uma pomba.

Na arte cristã, a pomba é vista não somente nas imagens que recordam o batismo de Jesus, mas ainda em vários outros episódios bíblicos como a Anunciação, quando Maria foi saudada com a notícia de que conceberia e daria à luz o Filho de Deus. Alguns dos primeiros tabernáculos também eram feitos em forma de pomba suspensa sobre o altar.

Com as suas penas brancas e puras, a pomba recorda a pureza de Deus e o seu voo evoca os muitos movimentos do Espírito Santo na nossa alma.

É, em suma, um símbolo belo para se falar do Espírito Divino; uma imagem que vem sendo transmitida de coração a coração ao longo de séculos e séculos.

 
Afinal, quem é o Espírito Santo? Imprimir e-mail

Afinal, quem é o Espírito Santo?

Resumo completo sobre a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a partir do Catecismo Ilustrado de São Pio X

O resumo de toda a fé de um católico é proclamado no “Credo” – precisamente por isso é que esta oração-declaração tem este nome, cujo significado é “Eu creio“. Ao professarmos o Credo católico, uma das afirmações que fazemos é esta: “Creio no Espírito Santo“.

Mas, afinal, quem é o Espírito Santo?

O Catecismo Ilustrado, resumo explicativo da fé da Igreja publicado sob o pontificado de São Pio X, ensina:

1. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, que procede do Pai e do Filho.

2. O Espírito Santo é Deus; a Igreja definiu esta verdade, dizendo nos seus símbolos que o Espírito Santo deve ser adorado conjuntamente com o Pai e o Filho.

3. A mesma verdade nos ensina também a Sagrada Escritura, que dá ao Espírito Santo o nome de Deus. Quando São Pedro repreendeu Ananias e Safira por terem mentido ao Espírito Santo, exprimiu-se nestes termos: “Não mentiste a homens, mas a Deus” (Atos 5, 1-11).

4. As seguintes palavras de Nosso Senhor ensinam-nos que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho: “Quando vier o Consolador, esse Espírito de verdade que procede do Pai, e que eu vos enviarei da parte de meu Pai, Ele dará testemunho de mim“.

5. O Espírito Santo é, pois, igual em tudo ao Pai e ao Filho; é como Eles todo-poderoso, eterno, de perfeição, grandeza e sabedoria infinitas.

6. Chama-se ordinariamente ao Espírito Santo:

•1º Dom de Deus, porque é o dom mais precioso que Deus concede aos homens;

•2º Consolador, porque nos consola em nossas aflições;

•3º Espírito de oração, porque nos ajuda a orar.

7. Chama-se “Santo”, porque Ele é santo por sua natureza e porque é Ele que nos santifica.

8. A santidade do Espírito Santo difere da santidade dos santos que nós honramos com o nosso culto:

•1º o Espírito Santo é santo por si mesmo e por sua natureza, enquanto os santos se tornam tais pela Graça de Deus;

•2º o Espírito Santo é infinitamente santo, enquanto os santos apenas o são em certo grau.

9. O Espírito Santo desceu muitas vezes sobre a terra de modo visível. Desceu em forma de pomba sobre nosso Senhor Jesus Cristo no dia do Seu Batismo e sobre os apóstolos e discípulos em forma de línguas de fogo no dia de Pentecostes.

10. “No dia de Pentecostes, diz a Sagrada Escritura, de repente, veio do Céu um estrondo, como o de vento que sopra impetuoso, que encheu toda a casa onde estavam os apóstolos. E apareceram-lhes repartidas umas como línguas de fogo, das quais pousou uma sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar várias línguas” (Atos 2, 1-4).

11. Depois de terem recebido o Espírito Santo, os apóstolos foram pregar o Evangelho a todas as nações.

12. Antes da pregação dos apóstolos, todos os povos da terra, à exceção dos judeus, adoravam criaturas.

13. Da pregação dos apóstolos resultou a conversão de uma multidão imensa de judeus e pagãos, que abraçaram a religião cristã.

14. A religião cristã não se estabeleceu sem obstáculos; foi combatida durante trezentos anos, e milhões de cristãos sofreram toda a espécie de torturas e a própria morte em nome de Jesus Cristo.

15. A destruição das falsas religiões, na maior parte do mundo conhecido, foi o maior milagre que o Espírito Santo operou por meio dos apóstolos, bastando por si só para provar a divindade do cristianismo.

16. O Espírito Santo também se manifesta a nós de modo invisível pelas graças que derrama nas nossas almas para as santificar.

17. O Espírito Santo habita em nós quando nos achamos em estado de graça; por isso São Paulo diz que somos templos do Espírito Santo.

18. O Espírito Santo governa a Igreja, dando-lhe força para resistir aos seus inimigos e preservando-a de qualquer erro no seu ensino.

19. O Espírito Santo dá ainda à Igreja todas as graças e todos os dons necessários à sua conservação, como o dom dos milagres e o dom da profecia.

20. Devemos orar muitas vezes ao Espírito Santo porque, sem o Seu auxílio, nada podemos fazer de útil para a nossa salvação.

21. Devemos ter todo o cuidado para não afastar o Espírito Santo da nossa alma pelo pecado mortal e para não o contristar pelo pecado venial.

 
Como fazer para viver na presença de Deus Imprimir e-mail

Como fazer para viver na presença de Deus?

 

Faz silêncio e ouve a orientação que vem de Deus!

 

Este é o ponto mais importante da vida espiritual. Deus habita em nós desde o baptismo (1Cor 3,15), desde que estejamos na graça de Deus; mas, infelizmente, esquecemo-nos disto com muita facilidade. São Paulo disse aos filósofos gregos em Atenas, no areópago: “em Deus nos existimos, nos movemos e somos” (Act 17,28). Mas esquecemos.

 

Assim como o pássaro vive no ar, e nele voa e se desloca, assim nós fomos feitos para “viver mergulhados em Deus”. Sem o ar que o envolve o pássaro não consegue voar; no vácuo não teria a sustentação da resistência do ar e cairia; de nada lhe valeriam as asas.

 

Nós também, sem Deus não temos sustentação para viver em equilíbrio e paz, caímos. O mesmo vale para o peixe; ele vive na água; fora dela ele não se pode mover, respirar e morre. É isto que acontece connosco quando nos afastamos da Presença de Deus. Como disse São Tomás, nos “aproximamos do nada”.

 

Deus está em todo o lugar, sempre, pois é Omnipresente. Então, estejas tu onde estiveres, fazendo qualquer actividade, boa ou má, Deus aí está. Não há como viver longe Dele. Precisamos de meditar profundamente, o que diz o salmista:

“Senhor, Vós me perscrutais e me conheceis, sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais os meus pensamentos. Quando ando e quando repouso, Vós me vedes, observais todos os meus passos. A palavra ainda me não chegou à língua, e já, Senhor, a conheceis toda. Vós me cercais por trás e pela frente, e estendeis sobre mim a vossa mão. Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa, ele é tão sublime que não posso atingi-lo. Para onde irei, longe do Vosso Espírito? Para onde fugir, apartado do Vosso olhar? Se subir até aos céus, ali estareis; se descer à região dos mortos, lá vos encontrareis também. Se tomar as asas da aurora, se me fixar nos confins do mar, é ainda a Vossa mão que lá me levará, e a Vossa destra que me sustentará. Se eu dissesse: pelo menos as trevas me ocultarão, e a noite, como se fora luz, me há-de envolver. As próprias trevas não são escuras para vós, a noite Vos é transparente como o dia e a escuridão, clara como a luz.” (Sl 138)

 

Deus está em nós, e junto de nós, mas às vezes somos cegos a esta realidade. Se um cego estiver na presença do rei, mas não souber disso, pode comportar-se mal, distraído; mas se sabe que o rei está presente, então muda de atitude. Nós agimos muitas vezes assim como cegos na presença do Rei divino, sem saber que Ele está ali; então, comportamo-nos mal, agimos mal, rezamos mal; somos distraídos na Presença do Rei.

 

Quando vamos rezar, então, a primeira necessidade é “colocar-se na presença de Deus”; tomar consciência de que Ele está ali, vendo-me, ouvindo-me. Então podemos ter uma devoção profunda, falando com Ele no silencio da alma, familiarmente, como um filho fala com o seu querido pai.

 

Quando Deus chamou Abraão para uma Aliança especial, da qual nasceria o povo de Deus, e dele o Salvador, fez duas exigências fundamentais a Abraão: “Anda em minha presença e sê perfeito” (Gn 17,1). “Anda na minha presença”: Abraão saiu do paganismo da Babilónia, para dele nascer o povo de Deus; precisava de ser guiado pela mão por Deus. Então, Deus exige, “anda na minha presença”; “sem isto não vais ouvir a minha voz, não vais saber o caminho da Terra Prometida que Eu te quero dar, não vais ter luz no teu caminho, e nem força para caminhar”. Então, por favor, “anda na minha presença”. E Abraão soube obedecer a esta ordem; por isso levou a sua família até à Palestina e fez Aliança com Deus. Tinha familiaridade com Deus, conversava com Deus como um Amigo.

 

E Deus exigiu também, “se perfeito”. Deus é santo, três vezes santo, disse Paulo VI. E não convive com o pecado. Para que Abraão andasse sempre na sua presença, precisava de ser integro; não se deixar corromper pelos ídolos e fascinações do pecado. E Abraão foi integro; foi obediente a Deus a tal ponto de estar disposto a imolar Isaac, se Deus de facto quisesse.

 

Nós também temos de viver assim: na presença de Deus, lutando para ser íntegro. Então, permaneceremos em Deus; e Ele será a nossa luz na caminhada, a nossa força, a nossa esperança. Na sua luz teremos resposta às nossas dúvidas, paz no meio dos conflitos, tentações, tribulações. Teremos harmonia e verdade, porque a luz eterna vai connosco. Dele vêm as nossas inspirações, com Ele todo o medo e insegurança serão banidos.

 

Por isso, cultivar essa amizade e intimidade com Deus na oração, na meditação e na contemplação, será sempre a melhor garantia de colher bons frutos na acção familiar, profissional e, especialmente, pastoral e missionária. Aqueles que se atiram a um activismo frenético na pastoral, sem vida interior com Deus, cansam-se, desiludem-se, desanimam e largam tudo. Porque agem com as próprias forças e não com as de Deus. A Igreja perdeu muitos por causa disto.

 

Se tu estás perdido, se já não sabes o que fazer na vida, é porque perdeste essa Luz divina que reside no teu ser. Faz silêncio e ouve a orientação que vem de lá. Não deixes que ela se apague em ti por causa do pecado. O pecado fere a Majestade divina e a sua justiça. A força para não ofender a Deus está na própria consciência da Sua Presença. Certos dela, teremos constrangimento de pecar.

 

Sem esta Presença divina, estará excluindo-te de ti mesmo; pois não conhecerás a tua identidade. O querido papa São João Paulo II, disse na encíclica Redemptor Hominis, que “sem Jesus Cristo, o homem permanece para si mesmo um desconhecido, um enigma indecifrável, um mistério insondável”. Está perdido!

 

Deus esconde-se na nossa alma, porque quer ser procurado, amado; quer que tenhamos sede Dele. O autor das Crónicas disse: “O Senhor está convosco assim como vós estais com Ele. Se vós O procurais, Ele se manifestará a vós, mas se vós O abandonais, ele vos abandonará” (2 Cr 15,2). Jesus mandou: “Permanecei em Mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis dar fruto, se não permanecerdes em Mim… sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

 

Todos os nossos pensamentos, palavras, actos e decisões, precisam de ser realizados na Presença de Deus, para que sejam acertados. Não vemos Deus, mas Ele vê-nos. A Esposa do Cântico dos Cânticos, disse: “Ele está escondido, não o posso ver, mas Ele vê-me, Ele está a ver-me…” De modo muito especial isto se aplica quando estamos diante de Jesus Sacramentado. Não O vemos no Sacrário, mas Ele vê-nos e ouve-nos.

 

Na Presença de Deus temos então, um respeito profundo com a Sua divina Majestade. E precisamos de pedir como o Salmista: “Nunca me lances longe da Tua Presença, ó meu Deus, não tires de mim o Teu Santo Espírito” (Sl 50,13).

 
Diferença entre valores e virtudes Imprimir e-mail

 

Diferença entre valores e virtudes

 

Devemos procurar a perfeição cristã, não basta ter valores: é preciso cultivar as virtudes

As virtudes são hábitos bons que nos levam a fazer o bem. Podemos tê-las desde que nascemos ou adquiri-las depois. São um meio muito eficaz para colaborar com Deus, pois implicam em decidir, livre e voluntariamente, fazer o bem, ou seja, cumprir o plano de Deus.

 O objetivo de uma vida virtuosa é chegar a ser semelhantes a Cristo. Não se trata de perfeccionismo, no qual a pessoa elimina defeitos porque considera que não deve ter tal ou qual falha; isto seria vaidade apenas. Nem é um narcisismo de ver-se bem, ou que todos pensem que tu és o máximo. A virtude não é uma higiene moral, pela qual tu “limpas” a tua pessoa.

Os valores, por outro lado, estão orientados ao crescimento pessoal por um convencimento intelectual: sabemos que, se estivermos limpos, seremos mais aceites pelos outros; sabemos que, mantendo as nossas coisas em ordem, poderemos encontrá-las com mais facilidade ao procurá-las.

Os valores são bens que a inteligência do homem conhece, aceita e vive como algo bom para ele como pessoa. O valor é tudo aquilo que se “valoriza” como bom, desejável, necessário para a vida. Para uma pessoa, um valor pode ser ter um belo carro, enquanto, para outra, isto não significa nada.

Neste sentido, podemos dizer que os valores são mais ambíguos, pois nem todas as pessoas consideram as mesmas realidades como valores. As virtudes têm um caráter mais universal, pois o que é uma virtude numa pessoa também o é noutra.

 Estabelecidas as diferenças, é importante reconhecer que, na vida de fé, sempre há propostas feitas por Jesus que, quando comparadas com o que o mundo nos apresenta, tendem a parecer semelhantes, mas não o são necessariamente. Vejamos alguns exemplos.

 A Bíblia ensina-nos a necessidade do jejum como remédio eficaz contra a concupiscência e como mecanismo de domínio de si; o mundo propõe-nos a dieta como método eficaz para manter o controle do peso corporal e de uma saúde adequada. Primeira conclusão: jejuar não é a mesma coisa que fazer dieta, e menos ainda passar fome. Ainda que semelhantes na forma, não são iguais no fundo.

 Jesus convida à castidade como maneira de entender a sexualidade e o corpo humano como instrumentos de santificação e de oblação a Deus e ao cônjuge, enquanto muitos optam pela abstinência sexual como forma de liberdade interior para alcançar outros fins que consideram mais nobres. Então, ser casto não é a mesma coisa que ser abstinente, e menos ainda ser assexuado.

 Enquanto a dieta e a abstinência sexual podem chegar a ser considerados como valores para alguns, o jejum e a castidade são, em si, virtudes de caráter espiritual para todos. É importante saber, além disso, que os valores não precisam da graça de Deus, já que, pelo facto de possuírem uma ponderação intelectual, são vividos a partir da racionalidade.

 Já as virtudes, por buscarem colaborar no plano de Deus e na semelhança com Cristo, requerem a ajuda do Senhor, um auxílio especial da sua magnificência, já que o ser humano, por suas próprias forças, não pode alcançá-las.

 É possível ser abstinente sem ser casto e fazer dieta sem jejuar. O sentido de cada prática difere muito segundo a sua finalidade. Os cristãos não estão chamados apenas a ter valores (necessários em todo o ser humano), mas a preencher as suas vidas de virtudes, tanto cardeais como teologais.

Se aprofundarmos mais, poderemos encontrar muitos outros valores que têm semelhança com as virtudes e, por isso, tendem a ser confundidos com elas. Há pessoas que acham que fanatismo é sinônimo de fé, que estar apaixonado é amar, que estar entusiasmado é ter esperança, que timidez é o mesmo que prudência, etc.

 Todos os seres humanos possuem valores. Todos nós atribuímos valor a certas coisas. Há coisas pelas quais certas pessoas chegam a dar a vida. Mas, para alcançar a perfeição cristã, não bastam os valores: as virtudes são necessárias.

 
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Crescer na vida de intimidade com Deus

Para ter intimidade é preciso ter contacto com o Senhor

Já alguma vez perguntaste a ti mesmo o que estás a fazer neste mundo? Para que é que estás aqui?

Nós fomos criados por Deus, por amor e para amar. Aqui é uma passagem para a eternidade. Nós estamos no mundo, mas não somos deste mundo. Tu não és um acidente genético, mas sim um filho ou filha amado pelo Criador.

Quem já fez pipocas? O segredo para fazer pipocas é mexer sempre. Quanto mais eu mexo o milho, melhor a pipoca ficará. Mas, infelizmente, alguns milhos não estouram. É isto que Deus quer fazer em nós, muitos já estouraram, mas outros ainda precisam de estourar. Cada um de nós é este milho, a temperatura certa para estourar vem da nossa abertura ao Espírito Santo, cada milho precisa de se transformar numa pipoca. Não podemos desistir dos que não estouraram.

Procura ser cada vez mais íntimo de Deus. Intimidade necessita de contacto. E que sintas a alegria e o prazer de estar com o Senhor. Reserva o melhor momento para adorá-lo e serás feliz. Quanto mais eu me abro ao Senhor, mais as ações de Deus operam na minha vida. É uma questão de fé.

Pelo batismo nós fomos cheios do Espírito Santo. As reclamações, difamações, problemas e murmurações vão-nos esvaziando, mas ao irmos à Igreja, rezamos e enchemo-nos de novo da Água Viva. Deus não nos quer apenas cheios do Espírito, mas transbordantes.

 
Efeito retroactivo da oração Imprimir e-mail

EFEITO RETROACTIVO DA ORAÇÃO

 

O Sr.‘Thompson era um americano furiosamente ímpio.

Não permitiu que as filhas fossem baptizadas, nem na religião católica, nem na protestante. Uma delas, chamada Mythle morreu sem que o pai a deixasse receber o baptismo.

Passados anos, Thompson converteu-se à religião católica.

Fê-lo com toda a alma, tomando-se cristão fervoroso.

Agora, que tinha fé, pensava:

— Onde estará a minha filha Mythle?

No céu não está certamente porque morreu sem baptismo. E a culpa foi minha e só minha. Este pensamento atormentava-o sempre, como terrível pesadelo.

Um dia foi desabafar a sua mágoa com o Padre Hayes, que mais tarde seria Cardeal Arcebispo de Nova Iorque.

        O que poderei fazer, meu Padre, pela minha filha?

        Rezar a Deus por ela.

        Mas, de que lhe pode servir a minha oração, se morreu sem baptismo?

        Peça a Deus pela menina e deixe o resto nas mãos de Deus.

        Mas que pode fazer o próprio Deus por ela, se tudo pertence ao passado e o passado não tem remédio? Se à hora da morte a minha filha não se salvou, nem o próprio Deus a vai agora meter no céu.

        Mas, o Senhor não sabe que para Deus não há passado nem futuro?

        Então, se pedir agora pela minha filha, ela salvar-se-á?

        Eu não disse tal coisa — respondeu o Padre Hayes. Afirmo que Deus, para quem até o futuro é presente, vendo a oração que o Senhor agora faz pela sua filha, pode ter ouvido essa oração e ter salvado a menina.

Por outras palavras: Deus pode ter atendido a oração que já sabia que o Senhor havia de fazer.

Thompson foi-se embora muito consolado com esta explicação.

Durante anos bombardeou o céu com orações para que a sua filhinha se tivesse salvado.

Certo dia aparece radiante de alegria em casa do Padre Hayes.

        Padre, — exclama muito feliz — Deus ouviu a minha oração. A minha filhinha salvou-se e está no céu.

Pensou o sacerdote que o pobre homem tivesse perdido o juízo, mas logo se convenceu que estava a falar a sério.

  • Imagine, Padre, que Betsy, uma velha criada católica irlandesa, que durante largos anos serviu em minha casa, me veio ontem visitar.

  • E então?

  • Quando soube que eu me tinha convertido ao catolicismo, abraçou-me e beijou-me de alegria.

  • Como Deus é bom! — disse ela. Rezei muitos anos pela sua conversão e, enfim, tive o gosto de ver o meu pedido satisfeito.

    No meio da conversa contei-lhe a minha aflição pela minha filhinha ter morrido sem baptismo.

  • Qual filhinha? — perguntou a criada.

  • Mytle, de quem você gostava tanto.

  • Quem é que lhe disse que Mytle morreu sem baptismo?

  • Eu proibi até ao último momento que lho administrassem.

  • Mas eu não fiz caso das suas proibições. Era o que faltava! Sem que o Senhor soubesse, levei-a a baptizar à Paróquia.

  • Como? Será verdade? — pergunta o velho pai?

  • Tão verdade como eu estar aqui. Se quer tirar as dúvidas, vamos à Paróquia e ali poderá ver o registo de baptismo de Maria Mytle.

    O Senhor Thompson lá foi. E agora mostrava ao Padre Hayes a certidão de baptismo da filhinha. A sua oração tinha tido efeito para trás, no tempo. Deus, atendendo às suas futuras súplicas, fez que a criada levasse a menina a baptizar.

     

    Muitos séculos antes da vinda de Cristo à terra, Deus perdoava os pecados dos homens atendendo à paixão e morte que o seu Divino Filho tinha de sofrer por nosso amor.

    Também agora pode atender às orações que já sabe que daqui a muito tempo, Lhe hão-de ser dirigidas.

 
Como conquistar a virtude da fortaleza Imprimir e-mail

 

Como conquistar a virtude da fortaleza?

 

Pode-se dizer que há “três forças” com as quais podemos conquistar a virtude da fortaleza. Não só com uma ou duas delas, mas com as três.

 

1. A força do Ideal

 

Só pode ter a virtude cristã da fortaleza – ser corajoso para lançar-se, e ser firme para aguentar – aquele que possui um motivo poderoso, um ideal pelo qual valha a pena viver e morrer.

 

Numa sala da sede central do Opus Dei em Roma, São Josemaria Escrivá mandou colocar, como sanefa junto ao teto, a seguinte frase, várias vezes repetida: “Vale a pena, vale a pena…”. Um visitante perguntou-lhe por que estava tão repetida, e ele respondeu:

 

«Porque mesmo assim há alguns que não se apercebem disto».

 

Uma vida sem ideal é triste, facilmente se decompõe e afunda na moleza. Nietzsche dizia (e desta vez acertou): «quando se tem algum “porquê”, qualquer “como” se pode suportar». É penoso ver tanta gente sem “porquê”.

 

Nós, os cristãos, «temos um tesouro de vida e de amor que não pode enganar» (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, n.265). O Amor, com maiúscula, este é o grande ideal do cristão.

 

Aquele que o conhece, que o assume, e que ganha entusiasmo por ele, renova as suas forças, cria asas como de águia, corre e não se afadiga, anda, anda e nunca se cansa (Is 40, 31).

 

Quem conhece Cristo, quem se enamorou dele e dele fez o seu ideal (pois isto é ser cristão), entende por experiência estas palavras do Cântico dos Cânticos: O amor é forte como a morte…, as suas chamas são chamas de fogo, labaredas divinas. Águas torrenciais não puderam extinguir o amor (Ct 8, 6-7).

 

Como diz o Papa Francisco: «Precisamos de nos deter em oração para pedir a Jesus que volte a cativar-nos» (Evangelii Gaudium, n. 264).

 

2. A segurança da fé

 

«Alguns passam pela vida como por um túnel, e não compreendem o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé» (Caminho, 575).

 

Queremos ver ao vivo o “esplendor, segurança e calor” da fé? Ouçamos as experiências de São Paulo, exemplo impressionante de fortaleza.

 

Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?… Mas em todas essas coisas somos mais que vencedores pela virtude do que nos amou! (Rm 8, 35.37).

 

Será que era um optimista por natureza? Não. Ele conhecia bem a sua fraqueza. Na mesma carta aos Romanos, falava dela: Quem me livrará deste corpo de morte? (Rom 7, 4). E também escreveu aos coríntios, contando-lhes a sua incapacidade de superar uma dificuldade – tudo indica que era uma doença – que o limitava e, às vezes, o prostrava, atrapalhando o seu trabalho. Sentindo-se incapaz de vencer este mal, dirigiu a Cristo uma oração cheia de humildade e de fé: Por três vezes pedi ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele disse-me: “Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que a minha força se revela totalmente” (2 Cor 12, 8-9). Depois disso, São Paulo escrevia: Alegro-me nas minhas fraquezas…, pois, quando me sinto fraco, então é que sou forte (Ibidem,12, 10). E, com o coração cheio de confiança em Deus, desafiava as provações e contrariedades: Tudo posso naquele que me dá força! (Fl 4, 13).

 

Esta é a grande “fonte” da fortaleza cristã: a confiança total em Deus – porque Tu és, ó Deus, a minha fortaleza (Sl 42 [43],2) –, manifestada na oração cheia de fé e constância, e na luta esforçada por corresponder à ajuda divina. Essa luta é precisamente a terceira força para ganhar fortaleza.

 

3. A têmpera do sacrifício

 

A virtude humana da fortaleza – como todas as virtudes morais – consolida-se e cresce com o nosso esforço repetido. O Catecismo frisa que «as virtudes morais são adquiridas humanamente…, por actos deliberados,… com todas as forças sensíveis e espirituais» (nn. 1803, 1804, 1810). Quando lutamos com fé e amor, a graça do Espírito Santo sobrenaturaliza-as (cf. Caps. 9 e 10).

 

A luta por fazer «actos deliberados» da virtude da fortaleza exige necessariamente o sacrifício, a mortificação da moleza e das outras fraquezas.

 

Mais uma vez, é preciso repetir: «Onde não há mortificação, não há virtude» (Caminho, n. 180).

 

Se queremos ser fortes, contemos em primeiro lugar com a fortaleza de Deus, e depois descubramos – com generosidade, sem medo – as mortificações concretas de que precisamos para vencer a moleza de carácter e a falta de espírito de sacrifício.

 

Podem servir de orientação os seguintes pensamentos de Caminho:

 

– «Acostuma-te a dizer que não» (n. 5). Naturalmente trata-se agora do “não” que dizemos às tentações da facilidade e da cobardia.

 

– «Vontade. – Energia. – Exemplo. – O que é preciso fazer, faz-se… Sem hesitar… Sem contemplações» (n. 11). Ou seja, sem concessões nem desculpas, por mais “razoáveis” que pareçam.

 

– «As tuas grandes cobardias de agora são – é evidente – paralelas às tuas pequenas cobardias diárias. “Não pudeste” vencer nas coisas grandes, porque “não quiseste” vencer nas coisas pequenas» (n. 828).

 

– «Vontade. É uma característica muito importante. Não desprezes as pequenas coisas, porque, através do contínuo exercício de negar e negares-te a ti próprio nessas coisas – que nunca são futilidades nem ninharias –, fortalecerás, virilizarás, com a graça de Deus, a tua vontade, para seres, em primeiro lugar, inteiro senhor de ti mesmo. – E depois, guia, chefe, líder!

 

– Que prendas, que empurres, que arrastes, com o teu exemplo e com a tua palavra e com a tua ciência e com o teu império» (n. 19).

 
O que significa "morrer no Senhor"? Imprimir e-mail

 

O que significa “morrer no Senhor”?

 

 “Bem-aventurados os que morrem no Senhor”.

 

É preciso morrer no Senhor para ser bem-aventurado, para gozar a felicidade desde esta vida.

Esta felicidade é a que podemos ter já antes de ir para o céu, muito menor na certa do que a alegria do céu, mas que supera todas as alegrias sensíveis desta vida:

 “A paz de Deus, que vai além de toda a compreensão, guarde os vossos corações e os vossos espíritos”.

Para alcançar esta paz, mesmo no meio das ofensas e calúnias, é preciso estar morto no Senhor.

O morto, ainda que maltratado e desprezado pelos outros, não se ressente.

Também a pessoa mansa de coração, como o morto, não vê nem ouve, procura suportar todos os desprezos.

Quem ama de coração a Nosso Senhor Jesus Cristo chegará facilmente a isto.

Unido inteiramente com a vontade de Deus, com a mesma paz e a mesma tranquilidade, recebe as coisas favoráveis e as desfavoráveis, as alegrias e as tristezas, as injúrias e os louvores.

Assim fez São Paulo que podia dizer: “Estou cheio de alegria no meio das minhas tribulações”.

Feliz aquele que atinge este grau de virtude! Goza de uma paz contínua, que é bem maior que os outros bens do mundo.

Dizia São Francisco de Sales: “Que vale todo o mundo em comparação com a paz do coração?”

Realmente, o que adiantam todas as riquezas e todas as honras do mundo para quem vive inquieto e sem paz no coração?

Para estarmos sempre unidos a Jesus Cristo, é preciso fazermos tudo com tranquilidade, sem nos inquietarmos com alguma dificuldade que se apresente:

 “O Senhor não está na agitação”. Deus não mora nos corações agitados!

Vejamos os belos ensinamentos que nos dá o mestre da mansidão, São Francisco de Sales:

 “Nunca vos irriteis, nem mesmo abrais a porta à cólera por qualquer motivo. Se ela entrar em nós, já não poderemos expulsá-la nem dominá-la, quando quisermos.

Os meios para isso são: primeiro, afastar imediatamente a cólera, desviando a atenção para outra coisa e calando-se.

Segundo, imitando os apóstolos quando viram a tempestade, recorrer a Deus a quem pertence pôr o coração em paz.

Terceiro, se a cólera, por vossa fraqueza, já colocou o pé em vosso coração, esforçai-vos por vos tranquilizar e; depois, praticai actos de humildade e mansidão para com a pessoa com quem vos sentis irritados.

Tudo isto deve ser feito com suavidade e sem violência, porque é importante não irritar mais as feridas”.

O próprio São Francisco de Sales dizia que precisou de se esforçar durante toda a sua vida para vencer duas paixões que o dominavam: a cólera e o amor.

Para vencer a paixão da cólera, confessava ter se esforçado durante vinte e dois anos.

Quanto à paixão do amor, tinha procurado modificar o objecto, deixando as criaturas e dirigindo todo os seus afectos a Deus.

Deste modo, alcançou uma paz interior tão grande que até mesmo exteriormente a demonstrava, apresentando quase sempre um rosto sereno e um sorriso nos lábios.

 
Ai de vós... Imprimir e-mail

Ai de vós... (cfr. Mt 23,14)

Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, foi a palavra dura dita por Jesus, àqueles que eram sepulcros caiados de branco, por fora, mas por dentro cheios de imundície, de inveja, de injustiça, de vaidade, hipocrisia, de falsidade.

Ai de vós, porque continuais a rezar, a ter práticas devocionais, a celebrar Eucaristias, mas não amais o próximo com sinceridade, não servis com humildade, não vos dais sem reservas, não abris o coração ao verdadeiro amor.

Ai de vós, porque continuais a querer iludir-vos, pensando que valeis por aquilo que os homens vêem e esqueceis que só Deus vê e conhece o coração, que valeis segundo as boas obras, que o que Deus sabe e conhece de vós é que é importante.

Ai de vós, porque com a mesma língua com que louvais a Deus, com que rezais e cantais os louvores do Senhor, com que dizeis Pai Nosso e professais o Credo, continuais a criticar, a murmurar, a ser agressivos, ofensivos, difamadores e caluniadores.

Ai de vós, porque não entendestes que só serão "benditos" aqueles que amam, que servem os outros, que dão de comer a quem tem fome, que descobrem o rosto de Cristo em cada pessoa, de um modo particular em cada pobre, doente, marginalizado.

Ai de vós, porque tendes tempo para tudo menos para Deus e para a Oração, para a leitura meditada da Palavra, para, no silêncio e recolhimento, escutar o Senhor e entrar na intimidade com Ele, para ouvir os seus apelos e as suas exigências.

Ai de vós, que continuais a não querer ouvir que os últimos é que são os primeiros, que Deus Se revela aos humildes, que os que estão dispostos a perder é que ganham, que para Deus sobe-se descendo em humildade, em esvaziamento, em pobreza.

Ai de vós, porque continuais a cometer injustiças, a explorar o pobre, a não pagar salários justos, a não vos preocupardes com os desempregados, os que estão sós, os que não têm casa, pão, amor, os que vivem sem meios de cultura, e os que não podem tratar da saúde.

Ai de vós...

 
A diferença entre perdoar e desculpar Imprimir e-mail

 

A diferença entre perdoar e desculpar

 

Há ofensas que merecem ser perdoadas. Para outras, apenas uma desculpa é suficiente

 

Sem dúvida, alguns dos maiores desafios que temos que enfrentar são os atos de perdoar e desculpar. Estas ações parecem a mesma coisa, mas não são. As duas têm um denominador comum: exigem muita humildade, muito amor e muita vontade de fazer acontecer. A diferença entre elas está na pessoa, pois desculpa-se o inocente e perdoa-se o culpado.

Uma história:

Era aniversário da Mónica, uma amiga querida, daquelas que, se a gente não a cumprimenta em datas importantes, ela fica sem falar connosco durante três meses. Ela é sentida, sentida e sentida…

Não confiando na minha memória, anotei a data na minha agenda pessoal e no telemóvel, para que eu não me esquecesse de modo nenhum.

Pois bem: chegou o grande dia e, desde cedo, o alarme do meu telemóvel avisou-me que eu deveria ligar para a Mónica. Como eu estava cheia de compromissos, pensei em encontrar um horário mais tarde para poder ligar. E este horário chegou três dias depois! Podem imaginar como ela estava…

O que eu tive que fazer foi pedir desculpas à Mónica, já que, de verdade, foi um descuido involuntário por causa do excesso de trabalho, da minha falta de atenção e da minha péssima memória. Isto não quer dizer que eu deixei de a cumprimentar porque queria que ela ficasse chateada.

A Mónica, que já me conhece, compreendeu que o que eu fiz foi realmente sem querer. Por isso, desculpou-me e libertou-me de toda a culpa. O que ela fez foi adotar um gesto de justiça, reconhecendo que eu não era culpada.

Por outro lado, o perdão é um assunto ainda mais complexo. Ele transcende a justiça estrita, pois, muitas vezes, o culpado não merece o perdão. E se ele é perdoado, o ato transforma-se em algo além da justiça: é um maravilhoso gesto de misericórdia e amor.

Há muitas coisas para serem perdoadas. Ofensas de todos os tamanhos, cores e sabores!

Por exemplo, se um dia eu resolver ficar de mau humor porque tive um péssimo dia e ofender algum dos meus filhos por causa disso, não basta pedir-lhe desculpas. Devo pedir perdão pelo dano causado, já que eu fui culpada. Ao me perdoar, o que meu filho me oferece é um gesto de profunda misericórdia.

Quando entendemos que o outro não teve culpa, há uma reação espontânea de desculpa; não há resistência para desculpar, pois a “inculpabilidade” está clara. Mas a coisa muda de figura quando sabemos que quem ofende é culpado. Neste caso, queremos que ele pague pela falta cometida e assuma as consequências do que fez. Ao perdoá-lo, oferecemos-lhe o nosso ato voluntário de caridade e misericórdia.

Enfim, é importante refletir quando alguém nos faz “algo” que tomamos como ofensa e enxergar as coisas na sua justa medida. Assim, evitaremos um desgaste inútil. Há ofensas que merecem ser perdoadas. Mas, obviamente, para a maioria uma simples desculpa é suficiente.

 
Se quer que Deus o escute, ouça-O primeiro Imprimir e-mail

 

Se quer que Deus o escute, ouça-O primeiro 

 

Deus quer falar consigo

 

A maioria das pessoas acredita na coincidência, mas a vida foi me mostrando que nada é por acaso, que não cai um fio de cabelo sem que Deus o saiba.

Pare e escute

Há algumas coisas que Deus quer que você saiba. Ele tem-no visto ocupado, com a cabeça sempre cheia. Também o tem visto, algumas vezes, triste e cansado. Por isso, Ele quer falar consigo.

As coisas podem ser diferentes. Pode ser que, muitas vezes, você tenha dificuldade em escutá-Lo e acabe por acreditando que Ele não ouve as suas orações. O Senhor, no entanto, tem coisas para lhe dizer, perguntas para responder. Mas Ele também quer escutá-lo.

Se quer que Deus o escute, então, procure ouvi-Lo primeiro.

O Senhor quer fazer mais do que ouvir, Ele quer dar-lhe uma prova do que pode fazer em seu favor, quer abastecê-lo com a Sua graça. Esteja preparado, porque o que Deus tem para si vai além do que imagina! Antes mesmo de terminar esta página, você já terá feito uma experiência que superará as suas expectativas.

Deus é bom, e o que Ele tem para você é maravilhoso! Deixe que Ele lho mostre!

Amor misericordioso

Não se trata de aprender mais coisas, mas sim de fazer uma experiência. Você vai experimentar Deus! De uma maneira diferente, mas muito concreta, você vai tocar o Senhor. Experimentará o que muitos chamam poder de Deus e que eu chamo “Amor misericordioso do Senhor, que atua salvando e curando” todos os que d’Ele precisam.

Deus pode tudo! É Ele quem virá ao seu encontro. O que digo, não digo por mim mesmo. Foi o próprio Senhor quem nos assegurou: “Eu vos darei um coração novo… e um espírito novo”. Ele está disposto a fazer-lhe isto, hoje.

Eu tenho a certeza de que Ele não falhará consigo. Acredito que a sua vida nunca será a mesma depois de tê-lo deixado agir no seu coração. Não se preocupe! Você verá como Jesus tem o poder de libertá-lo de toda a tristeza, do sentimento de vazio e devolver o sentido à vida dos que o buscam com fé.

Eu mesmo experimentei e tenho visto isto realizar-se na vida de tantas pessoas. Uma vida completamente diferente, mais rica e mais feliz. É o que o espera, é o que Senhor tem para você.

 
O que é ter fé e também ser uma pessoa de fé Imprimir e-mail

 

O que é ter fé e também ser uma de pessoa de fé? 

 

A Bíblia e a Igreja sobre o que é a fé

 

A Sagrada Escritura, na carta aos Hebreus capítulo 11 versículo 1, diz que “a fé é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se vêem”. A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele em nós, que nos certifica dos bens vindouros, como a promessa da vida eterna.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse, revelou e a Santa Igreja nos propõe a crer, porque Ele é a própria verdade. Pela fé, “o homem entrega-se livremente todo a Deus”. Por isso, o fiel procura conhecer e fazer a vontade d’Ele. “O justo viverá da fé” (Rm 1,17). A fé viva “age pela caridade” (Gl 5,6). (CIC. 1814).

Nesta perspectiva, a Igreja diz que “a fé é, primeiramente, uma adesão pessoal do homem a Deus; é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o assentimento livre a toda verdade que Deus revelou” (CIC 150). Isto porque “a fé é a resposta do homem a Deus, que se revela e a ele se doa, trazendo, ao mesmo tempo, uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último da sua vida” (CIC 26). Assim, não é suficiente dizer que temos fé, mas é preciso responder, concretamente, com a vida o que Deus nos revelou, o seu amor e salvação: Jesus Cristo.

Com isso, para que o homem possa entrar em intimidade com Deus, numa experiência pessoal, o próprio Senhor quis “revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana.” (CIC. 35). Pois, como bem explicou o Papa São João Paulo II: “a fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.”

O que é ser uma pessoa de fé?

A carta aos Hebreus, no capítulo 11, após acentuar o que é a fé, traz também instruções sobre o que é ser uma pessoa de fé.

“É pela fé que compreendemos que os mundos foram organizados por uma Palavra de Deus. Por isso é que o mundo visível não tem a sua origem em coisas manifestas” (Hb 11,3). A pessoa de fé é aquela que crê na existência de Deus, que criou todas as coisas visíveis e invisíveis, e que é Ele o organizador de toda a criação.

“Foi pela fé que Henoc foi arrebatado (…). Antes de ser arrebatado, porém, recebeu o testemunho de que foi agradável a Deus. Ora, sem a fé é impossível ser-lhe agradável” (Hb 11,5-6). Uma pessoa de fé é agradável a Deus, porém, deve-se crer não pelos possíveis benefícios a serem recebidos, mas simplesmente por aquilo que Deus é.

“Foi pela fé que Noé, avisado divinamente daquilo que ainda não se via, levou a sério o oráculo e construiu uma arca para salvar a sua família” (Hb 11,7). Ser pessoa de fé é ouvir a Deus e colocar em prática aquilo que aos olhos humanos parece impossível. Assim como Noé, é preciso confiar no anúncio de Deus, que nos é direcionado diariamente.

“Foi pela fé que Abraão, respondendo ao chamamento, obedeceu e partiu para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde ia” (Hb 11,8). Só quem crê, confia. A pessoa de fé obedece e responde a Deus, mesmo sem ter seguranças humanas e materiais, pois, como Abraão, é necessário caminhar na fé rumo à pátria celeste, que é o céu.

“Foi pela fé que também Sara, apesar da idade avançada, se tornou capaz de ter uma descendência, porque considerou fiel o autor da promessa” (Hb 11,11). A fé faz-nos perseverar nas promessas de Deus, que pode até tardar, mas não falha, porque para Deus nada é impossível.

“Foi pela fé que Moisés (…) deixou o Egito, sem temer o furor do rei, e resistiu como se visse o invisível. Foi pela fé que atravessaram o mar vermelho, como se fosse terra enxuta” (HB 11,24.27.29). Uma pessoa de fé acredita no ordinário e extraordinário, que leva a vislumbrar o que não se vê. Já que, também, “foi pela fé que as muralhas de Jericó caíram, depois de um cerco de sete dias” (HB 11,30).

Por fim, no Novo Testamento, o iniciador e consumador da fé, Jesus Cristo, é o exemplo por excelência de uma pessoa de fé, e é n’Ele que nós encontramos a plenitude do que devemos crer e realizar. Assim, é pela obediência da fé a Cristo que conseguimos dar respostas a Deus. Mesmo sem ver, cremos, pois o próprio Jesus diz: “Felizes aqueles que crêem sem ter visto” (Jo 20,29).

 
Ou santos ou nada Imprimir e-mail
 

Ou santos ou nada

 

Deus quer que sejas santo: Ou santos ou nada

O que é a santidade?

As pessoas abusaram da palavra santidade. Alguns pensam que é só parar de pecar. Se deixaste de pecar, ainda estás na estaca zero. Ser santo é amar!

As pessoas acham que só há dois tipos de pessoa: o pecador e o santo. Mas entre estes dois, existe uma terceira: o “mundano”.

Tu podes parar de pecar. Mas, parar de ficar doente, ainda não é a saúde. A pessoa que sai da UTI precisa de fisioterapia, depois passa a um tratamento mais rigoroso. Todos nós podemos querer a medalha da santidade.

Ainda não somos santos, ainda temos bastante “mundo” dentro de nós. Estamos dentro da Igreja, mas invejamos pela janela lá fora. “Tudo o que eu gosto é ilegal, imoral ou chato”, esta é a mentalidade do “mundano”. Ela não está no pecado, mas está com inveja dos pecadores. Esta é a doença dos pecadores. Se pecas, vai confessar-te; caíste, levanta-te. Vamos em frente! Mas, Deus não quer que sejas bonzinho, Deus quer que sejas santo.

Um dia, chegou um jovem esbaforido e perguntou a Jesus: “o que tenho que fazer para entrar no Reino dos Céus?” E Jesus responde: Não cometer adultério, não matar, não roubar, não levantar falso testemunho. E o rapaz disse: “Ah, Jesus, eu já vivo isso tudo desde pequeno. Então Jesus diz: Que bom! Então, deixa tudo e segue-me! Radicalidade! É preciso evangelizar com a vida, com o caminho de santidade.

Tu vais-te confessar, arrepende-te dos teus pecados, recebe a absolvição. Perdoado, levantas-te, tens um ataque cardíaco e morres. Pergunto: “Achas que esta pessoa está salva?” Sim, está. Pergunto: esta pessoa vai para o céu? Não. Vai para o purgatório, porque não é pecador, mas também não é um santo! Aquele jovem estava na graça, como amigo de Deus, portanto, salvo!

Tu ainda não és santo porque o teu coração é um coração dividido. Tu amas a Deus, mas amas tanto outras coisas. És generoso, mas custa-te abrir a mão para ajudar o outro. És fiel à tua esposa, namorada, mas passa-te cada tentação na cabeça. Deixaste o mundo, mas dentro do teu coração olhas pela janela invejando o mundo. Isto quer dizer que o teu coração é um campo de batalha.

O que é um santo? É aquele que ama a Deus com todo o seu coração, com todo o seu entendimento, com toda a sua alma.

Amar a Deus sobre todas as coisas. De um lado, ter todas as coisas, de outro lado, Deus. E preferir a Deus! O martírio não é para quem quer, é para quem Deus escolhe.

Qual o caminho da santidade?

São as chamadas “5 pedrinhas”:

1) confissão: a confissão coloca-te dentro daquilo a que os santos chamam primeira morada. A pessoa ainda não está no caminho da santidade, mas já está salva. Vai para o purgatório, até se purificar, porque no Céu só entra quem ama a Deus de toda a sua alma, de todo o seu coração e de todo o seu entendimento. Se não estás em estado de graça, se não te confessas há mais de um ano, se faltas à Missa aos domingos, se usas métodos anti-conceptivos, não estás a seguir os mandamentos.

Com a tua namorada tu deves ser casto, este é o caminho, porque sexo tem a ver com família. Se não queres ser pai, se não queres ser mãe, então, sê casto. Se bebes até te embriagar, usas droga, se desejaste o mal aos outros, quiseste matar pessoas – e isto não é somente ter raiva – tu estás em pecado grave. Tu precisas de te confessar! Porque precisas de voltar à amizade com Deus.

2) e 3) Eucaristia e Palavra de Deus: precisas de comungar sempre em estado de graça. Quem está na segunda morada, é porque já tem uma vida de oração pessoal e comunhão diária. Se não tens oração pessoal, não passas para a segunda morada, não vais ser santo porque não vais ter força para isso. Não basta comungar, porque há muita gente que comunga todos os dias, mas nunca será santo. É preciso ter fé! Tu não podes comungar sem ter fé. Tu precisas de crer que é Ele! Se queres ser santo, a segunda pedrinha que te vai colocar na segunda morada é a Eucaristia. São apenas 15 minutos, precisas de estender isto com a oração pessoal. Se vais crescendo de fé em fé, então, estás na segunda morada. A santidade, de verdade, é para quem está na quarta morada.

4) Jejum: precisa de te sacrificar. Todo o santo precisa de ser mãe e pai espiritual, assim, tu vais matando o egoísta que há dentro de ti, e sem ter tempo para ti mesmo, deixando-te devorar pelos irmãos, deixando-te devorar, pelas almas, chegas a num ponto em que não consegues mais purificar-te. Aí entra Deus! É como uma roupa que já foi lavada muitas vezes, mas ainda precisa de ser lavada na água sanitária. Aí sim, tu começas a amar de um jeito que não achava que eras capaz de amar.

5) Terço: A boa notícia é que neste caminho difícil e árduo, existe um elevador, uma escada rolante: É Maria, a “quinta pedrinha”.

Esta foi a resposta para a crise que a Igreja vivia nos anos 70. Milhares e milhares de sacerdotes deixaram o seu ministério, as igrejas iam-se esvaziando. O papa Paulo VI chegou a desabafar na praça de São Pedro dizendo que “a fumaça de Satanás tinha entrado na Igreja”, aí, ele escreve a “Evangelii Nuntiandi”. Foram os santos que resgataram a Igreja. Não há outro caminho para sair da crise profunda desta “fumaça” que entra na igreja se não abraçarmos a santidade. Por isso, não basta ser “bonzinho”. O único caminho é: ou santo ou nada!

 Em todos os estados de vida, é possível ser santo.

Podemos ser instrumentos de Deus para a salvação. É uma maravilha: não precisamos de lutar somente para não pecar, mas podemos amar e dar a vida como os grandes santos deram a vida.

Podes dizer: “eu não tenho força”. É verdade! Mas existe o caminho.

Tu és como um “marido traidor”: parou de trair a Deus, mas não quer amar, tu só queres parar de trair, tu só queres parar de cometer adultério, mas Deus chama-te a parar de rastejar como a serpente, Deus chama-te à altura do Amor. Vamos parar com a mediocridade! O teu coração está a arder porque: Jesus pegou-te. Agora, Ele quer tudo, quer fazer-te feliz, e para isso, precisamos de entregar tudo! Ou santos ou nada! Esta é a nossa vocação! Igreja, acorda para a tua vocação verdadeira.

 
Como identificar o escrúpulo Imprimir e-mail

 

Como identificar o escrúpulo? 

 

O escrúpulo tenaz vem acompanhado de obstinação

 

A palavra escrúpulo vem do latim scrupulu e significa pedrinha, embaraço, inquietação, receio, mas, em sentido moral, designa uma razão, muitas vezes, insignificante. Porém, pode exprimir a inquietação excessiva que expressa a consciência por motivos fúteis de terem ofendido a Deus.

Este tipo de escrúpulo pode ser de aspecto natural (doença física e moral), produzindo uma desordem na vida da pessoa, levando-a a uma espécie de depressão nervosa e a pensamentos de obsessão em relação ao pecado cometido. No aspecto moral, a pessoa fica imersa em coisas sem importância, no desejo de ter a certeza absoluta das coisas, fazendo com que tenha um espírito mal esclarecido e obstinado, vendo Deus sempre como um juiz.

O caso pode tornar-se sério e grave se a pessoa escrupulosa viver tanto a causa física como moral dessa forma, de modo que será difícil a sua cura. Por isso, precisa de ajuda psicológica e, acima de tudo, espiritual.

Nem tudo, porém, é doença física ou espiritual (diabo). Deus pode permitir que uma pessoa tenha dificuldade para lidar com os seus escrúpulos para prová-la, expiando-lhe as faltas cometidas e levando-a, assim, a um grau maior de santidade. Como também para libertá-la da soberba, principalmente, da vã complacência. Por outro lado, não podemos esquecer que, muitas vezes, esse sentimento provém do demónio sim, que deseja lançar perturbações na alma da vítima, persuadindo-a a achar-se sempre em pecado mortal e, assim, impedindo-a de comungar ou confessar, embaraçando-a quanto à real gravidade do estado de pecado em que ela se encontra.

Como identificar este tipo de escrúpulo?

Parte da pessoa vê pecado onde não existe. Contudo, o escrúpulo tenaz vem acompanhado de obstinação. Por isso, precisamos de fazer uma distinção entre a consciência delicada e a escrupulosa. A primeira [consciência delicada] ama a Deus com fervor, e, para agradá-Lo, evita pecar, por menor que seja o pecado; tem verdadeiro horror ao pecado. Conhece a sua própria fraqueza, tem temor a Deus. Tem consciência de pecado grave e venial. E a segunda, [a escrupulosa], é guiada por certo egoísmo, que a faz desejar com excessiva ansiedade, a segurança de estar em graça. A vítima também, depois de ter feito muitas confissões, fica a olhar para o passado, achando que não foi perdoada, por isso, confessa os mesmos pecados sempre. O escrupuloso teme muito quando tem maus pensamentos e imagens, principalmente quando perigosos e obscenos. Assim, martiriza-se por ter consentido neles; por isso, entra em grande desespero.

O remédio para se curar deste tipo de escrúpulo é buscar um bom confessor e um diretor espiritual.

 (Texto baseado no Compêndio de Teologia Ascética e Mística de Ad. Tanquerey)

 
Como imterpretar a frase"Seja feita a vossa vontade"? Imprimir e-mail

Como interpretar a frase “Seja feita a vossa vontade”?

 

O que está por trás de uma das frases mais conhecidas do Pai-Nosso

Pergunta: Sempre achei que a frase do Pai-Nosso “Seja feita a vossa vontade” fosse um convite a aceitar a vontade de Deus; de facto, em momentos difíceis da minha vida, sempre foi muito útil refletir sobre estas palavras que dizemos com frequência na oração. Recentemente, durante um encontro, um padre convidou-nos a ler esta frase como um convite a agir, a trabalhar para que a vontade de Deus seja feita no mundo: uma exortação ao compromisso dos cristãos na construção de uma sociedade segundo o que Deus quer. Qual seria, então, a interpretação mais correta, para a Igreja? Ou será que as duas leituras são corretas e podem ser integradas?

Resposta de Filippo Belli, docente de teologia bíblica: Para entender o Pai-Nosso, é preciso olhar para Aquele que nos ensinou esta oração. É a sua oração que se torna nossa. Não há oração mais santa, mais exata, mais verdadeira que esta, porque ela surge da própria relação que Jesus tem com o Pai no Espírito Santo. Ele não nos passou uma formulação, mas transmitiu-nos o conteúdo do seu diálogo com o Pai. Por isso, a graça destas palavras é imensa, e a riqueza do seu significado, como de cada palavra que sai da boca de Deus, é inesgotável.

Por isso, inclusive a sua interpretação ao longo da história até hoje não deixou de interpelar teólogos, exegetas e santos escritores (recordemos os mais antigos e famosos, como Tertuliano, Orígenes, Cipriano, Agostinho, Tomás de Aquino), bem como indivíduos fiéis e pastores. E é bom que seja assim, para que estas palavras não se atrofiem numa fórmula estereotipada.

A pergunta, portanto, é pertinente, e a resposta está dentro da sua formulação. De facto, não se pode separar a disposição interior do cristão da sua prática efetiva. Desta maneira, não se pode simplesmente concordar com o coração e a vontade à vontade divina sem que esta disposição interior tenha uma correspondência na nossa maneira de agir e atuar nas diversas situações da vida.

O problema que a pergunta traz implicitamente parece ser outro, ou seja, uma concepção estática, determinista do que é a vontade divina, à qual o homem deveria, inevitavelmente e muitas vezes de má vontade, ceder. De facto, esta é a impressão que frequentemente temos da vontade de Deus, ou seja, como se ela fosse algo inamovível e que não corresponde à nossa vontade. Daí o esforço em aceitá-la.

Que a vontade de Deus se manifeste por meio das diversas circunstâncias da vida – muitas vezes inevitáveis – a torna ainda mais dura de acolher, porque não há nada mais imprevisível e misterioso que as circunstâncias que vivemos e que dificilmente podemos controlar.

No entanto, a Bíblia dá-nos testemunho, da primeira à última página, da radical bondade e benevolência de Deus, de uma obstinada e insistente vontade do bem da sua parte, da positiva disposição da criação, da sua vontade de salvar o homem e de favorecer a vida até à sua plenitude.

Deus convidou o ser humano a participar da vontade do bem desde o início, dando-lhe os meios necessários para realizar este bem. Portanto, somos por natureza orientados para a vontade do bem de Deus, para participar e colaborar, junto dele, com a vida.

Mas, desde a sua origem, a humanidade também vive uma fratura (que a Bíblia documenta continuamente) entre a própria liberdade e a vontade de Deus, fazendo-as parecer antagonistas, inclusive inimigas. O antigo pecado original está precisamente nesta discrepância entre a vontade humana e a divina, razão pela qual sentimos às vezes que a vontade de Deus é alheia a nós.

Em Jesus Cristo, esta fratura foi consertada, a ferida foi curada, a oposição foi conciliada. E é necessário também ser conscientes de como isso aconteceu. O Evangelho mostra-nos o caminho de Jesus em contínua tensão para fazer a vontade do Pai. Não sem dificuldade.

 
3 infalíveis conselhos para o bem do próximo e de si mesmo Imprimir e-mail

3 Infalíveis conselhos para o bem do próximo e de si mesmo.

   

1)  Procurar nunca aborrecer ninguém: não dar motivo de desgosto; não fazer o que se sabe ser do seu desagrado; não colocá-lo em circunstâncias que ele tenha que fazer esforços para manter a calma interior.

 

2) Procurar desfazer os aborrecimentos dos demais: quando vir que alguém está impaciente, transmitir-lhe um pouco da sua paciência;

Quando alguém necessitar de ser acalmado, manifestar-lhe razões de confiança e de serenidade; quando alguém se exceder nas apreciações, expressões ou atitudes, contribuir com o seu senso de justa medida e proporção.

 

3) Procurar sempre manifestar a sensibilidade para o lado da alma, com a convicção de que  o aspecto espiritual é o essencial da vida e que esta deve estar ancorada nas três virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade (ou seja, no amor de Deus).

 

 “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5,4)

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humildade de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e a minha carga é leve” (Mt 11,28-30).

 

Nesta passagem Nosso Senhor indica a tranquilidade de alma como sendo a maior recompensa, aqui na terra, para os que seguem os seus mandamentos e procuram ser úteis às demais pessoas.

 

A propósito afirma que o seu jugo é suave e é leve o cumprimento das obrigações

por Ele impostas.

 

De facto, que fardo nos impõe quando nos manda evitar todo o desejo que nos possa perturbar?

 

Que coisa mais leve que o abster-se de maldade, querer o bem, não querer o mal, amar a todos por amor de Deus, não aborrecer a ninguém;

 

Não querer para os outros o que não queremos para nós mesmos, não nos engolfar nas ocupações diárias, mas de tudo procurar tirar proveito para a vida eterna.

 

Senhor,
ensina-me a santidade,
aquela atitude permanente de dizer Sim
a tudo o que é a Tua vontade.
Esta atitude brota de uma vida intensa de oração,
de abertura à luz e à graça de Deus
que me fortifica
e me torna capaz daquilo
que é humanamente impossível.
Senhor,
que me abra sempre à Tua graça.
Quero abrir espaços no meu tempo
e na minha vida
para me encontrar conTigo
e encher-me da Tua luz e graça.
Ajuda-me, Senhor!

 
Despedida de solteiro com Missa? Imprimir e-mail

Despedida de solteiro com Missa? Mas é claro que sim!

 

E esta foi exatamente a celebração escolhida por este noivo!

Conor Gildea, um estudante escocês da Universidade Católica de Glasgow que pretende ser professor de religião. Tem 24 anos e resolveu celebrar a sua despedida de solteiro com uma Missa!

A celebração eucarística foi a sua primeira ideia quando começou a pensar na despedida – e não ficou apenas na intenção: a Missa aconteceu mesmo, na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Assunção, situada na capital, Edimburgo.

A página da catedral no Facebook divulgou uma imagem e um comentário sobre a celebração:

 “Recebemos muitas solicitações de vários grupos que desejam celebrar uma Missa privada. O grupo de hoje, porém, foi muito incomum, porque era um grupo de solteiros! Isto mesmo: o noivo insistiu muito para que a sua despedida de solteiro começasse com a celebração da Santa Missa”.

Muitos internautas felicitaram o noivo e amigos pela iniciativa. Aliás, Conor já costumava participar na celebração eucarística com os colegas. Na sua entrevista ao Catholic Herald, ele declarou:

“Ter todos os meus amigos rezando comigo e por mim foi incrível. Isto me deu muito incentivo na minha preparação para o matrimónio. Ir à Missa exatamente uma semana antes foi muito importante para me preparar espiritualmente”.

O jovem observou que alguns dos convidados ficaram “surpresos” com a sua inusitada despedida de solteiro, pois não participavam da Missa desde que saíram do colégio – e, mesmo no colégio, só iam por obrigação. Apesar da surpresa inicial, eles “começaram a perguntar por que era tão importante para nós ir à Missa”, o que serviu a Conor como deixa para lhes testemunhar que “a fé se baseia no encontro pessoal com Cristo” e que visitar o Santíssimo Sacramento é “a forma mais profunda de se encontrar com Ele”. Os amigos, considera Conor, “podem até não concordar, mas tiveram a oportunidade de conhecer a razão por trás desta iniciativa”.

Depois da Missa, o noivo e os amigos foram comer e assistir a uma partida de futebol.

A catedral de Edimburgo, também via Facebook, desejou “um longo, feliz e frutífero matrimónio” ao novo casal. E nós, que desejamos o mesmo, lhes agradecemos pelo belo testemunho de espontaneidade e coerência na prática da fé católica!

 
Aprenda a ouvir a voz de Deus Imprimir e-mail

 

Aprenda a ouvir a voz de Deus e a aceitar os planos dele para a sua vida

 

Deite fora os seus rascunhos e deixe Ele escrever uma nova história

 

Se não sabe que direção tomar, que rumo seguir ou o que fazer, ore. Falar com Deus traz-nos paz, enche o nosso coração de tranquilidade e manda embora toda a angústia. A angústia que chega a apertar o peito, que parece sufocar todas as nossas esperanças, achando um modo de esmagar a nossa fé. Achando um jeito de sugar as nossas forças.

 

Aprenda a ouvir a voz de Deus e a aceitar os planos dEle para a sua vida. Deite fora os seus rascunhos e deixe que Ele escreva uma nova história. Deixe Deus pilotar a sua vida, dê-lhe a sua direção. Eu sei, você deve estar com medo, achando que pode não dar certo novamente e já nem sabe distinguir se deve tentar outra vez. Não sabe se deve dar um passo à frente, porque você não quer é retroceder. Não quer ganhar novas feridas.

 

Talvez você esteja a achar que tudo será igual novamente e se esteja a apegar ao passado, aos fracassos e fazendo disso o lema da sua vida, mas saiba que você não é um colecionador de erros e tentativas falhas, você pode ser um colecionador de histórias, de coisas novas e de mudanças. Tudo na nossa vida é aprendizagem.

 

Infelizmente, não estamos livres da decepção, dos erros e do medo, mas podemos escolher ver as coisas de outra forma, temos a oportunidade todos os dias de recomeçar. E é mesmo bonito, poder recomeçar.

 

Então, se for para desapegar, desapegue dos seus medos, da insegurança e da falta de anseio. Queira muito, mas também permita-se. Deus não lhe daria qualquer coisa, então não espere coisas pequenas de um Deus tão grande. Confie nos planos dEle e deixe Ele agir. Esqueça os seus enganos, eles são só… enganos. E se der errado novamente? Pense que tudo nos transforma, tudo nos ensina algo. Se deu errado até aqui, continue a tentar.

 

A vida segue numa velocidade assustadora e não nos permite pausas ou retrocessos. Você precisa é de seguir em frente, você não pode estacionar nos seus medos. Faça uma troca. É, uma troca. Troque o medo pela fé, troque a ilusão pela esperança, as paragens pelos avanços e em vez de se negar e negar sempre, permita-se.

 

Um coração entregue a Deus não significa que nada dará errado, mas, certamente, ele está num lugar seguro, onde guerra alguma abala a sua paz. Onde barulho nenhum o impede de ouvir a voz de Deus. Você continuará a errar, por isso continue a tentar. Não deixe de acreditar nas pessoas, no amor, na vida, porque a dor vem, mas não faz morada. Não deixe que nada que não te acrescente, tome uma proporção significativa na sua vida.

 

Eu não sei o que toma conta do seu coração, se é o medo, as dores, as feridas, a angústia, a insegurança ou a dúvida, mas sei que quando entregar o seu coração a Deus, verá que a paz nunca fez uma morada tão longa no seu coração.

Vale a pena experimentar.

 
Como interpretar a frase "Seja feita a vossa vontade"? Imprimir e-mail

Como interpretar a frase “Seja feita a vossa vontade”?

 

O que está por trás de uma das frases mais conhecidas do Pai-Nosso

 

Pergunta: Sempre achei que a frase do Pai-Nosso “Seja feita a vossa vontade” fosse um convite a aceitar a vontade de Deus; de facto, em momentos difíceis da minha vida, sempre foi muito útil refletir sobre estas palavras que dizemos com frequência na oração. Recentemente, durante um encontro, um padre convidou-nos a ler esta frase como um convite a agir, a trabalhar para que a vontade de Deus seja feita no mundo: uma exortação ao compromisso dos cristãos na construção de uma sociedade segundo o que Deus quer. Qual seria, então, a interpretação mais correta, para a Igreja? Ou será que as duas leituras são corretas e podem ser integradas?

 

Resposta de Filippo Belli, docente de teologia bíblica: Para entender o Pai-Nosso, é preciso olhar para Aquele que nos ensinou esta oração. É a sua oração que se torna nossa. Não há oração mais santa, mais exata, mais verdadeira que esta, porque ela surge da própria relação que Jesus tem com o Pai no Espírito Santo. Ele não nos passou uma formulação, mas transmitiu-nos o conteúdo do seu diálogo com o Pai. Por isso, a graça destas palavras é imensa, e a riqueza do seu significado, como de cada palavra que sai da boca de Deus, é inesgotável.

 

 Por isso, inclusive a sua interpretação ao longo da história até hoje não deixou de interpelar teólogos, exegetas e santos escritores (recordemos os mais antigos e famosos, como Tertuliano, Orígenes, Cipriano, Agostinho, Tomás de Aquino), bem como indivíduos fiéis e pastores. E é bom que seja assim, para que estas palavras não se atrofiem numa fórmula estereotipada.

 

 A pergunta, portanto, é pertinente, e a resposta está dentro da sua formulação. De facto, não se pode separar a disposição interior do cristão da sua prática efetiva. Desta maneira, não se pode simplesmente concordar com o coração e a vontade à vontade divina sem que esta disposição interior tenha uma correspondência na nossa maneira de agir e atuar nas diversas situações da vida.

 

 O problema que a pergunta traz implicitamente parece ser outro, ou seja, uma concepção estática, determinista do que é a vontade divina, à qual o homem deveria, inevitavelmente e muitas vezes de má vontade, ceder. De facto, esta é a impressão que frequentemente temos da vontade de Deus, ou seja, como se ela fosse algo inamovível e que não corresponde à nossa vontade. Daí o esforço em aceitá-la.

 

 Que a vontade de Deus se manifeste por meio das diversas circunstâncias da vida – muitas vezes inevitáveis – a torna ainda mais dura de acolher, porque não há nada mais imprevisível e misterioso que as circunstâncias que vivemos e que dificilmente podemos controlar.

 

 No entanto, a Bíblia dá-nos testemunho, da primeira à última página, da radical bondade e benevolência de Deus, de uma obstinada e insistente vontade do bem da sua parte, da positiva disposição da criação, da sua vontade de salvar o homem e de favorecer a vida até à sua plenitude.

 

 Deus convidou o ser humano a participar da vontade do bem desde o início, dando-lhe os meios necessários para realizar este bem. Portanto, somos por natureza orientados para a vontade do bem de Deus, para participar e colaborar, junto dele, com a vida.

 

 Mas, desde a sua origem, a humanidade também vive uma fratura (que a Bíblia documenta continuamente) entre a própria liberdade e a vontade de Deus, fazendo-as parecer antagonistas, inclusive inimigas. O antigo pecado original está precisamente nesta discrepância entre a vontade humana e a divina, razão pela qual sentimos às vezes que a vontade de Deus é alheia a nós.

 

 Em Jesus Cristo, esta fratura foi consertada, a ferida foi curada, a oposição foi conciliada. E é necessário também ser conscientes de como isso aconteceu. O Evangelho mostra-nos o caminho de Jesus em contínua tensão para fazer a vontade do Pai. Não sem dificuldade.

 
Mesmo que tu caias, vale a pena caminhar Imprimir e-mail
Mesmo que tu caias, vale a pena caminhar 

Sempre ganhamos algo, ainda que cheguemos ao fundo do poço: isto acontece porque somos capazes de usar a terra para escalar e sair de lá de dentro. 

Caminhe, caminhe, caminhe. Não se canse nunca de caminhar, pois é aí que mora o porquê de existir, a vontade das nossas lutas, a valentia de todos aqueles que não conhecem o que significa render-se. Ainda que caia, levante-se e siga: você merece a oportunidade de viver o que um dia duas pessoas decidiram começar por você. 

É logo depois do nascimento que nos ensinam a caminhar, e com isso, a compreender que para fazê-lo precisamos de aprender a manter o equilíbrio. Na verdade, você caiu uma vez ou outra, mas havia alguém para o ajudar a levantar do chão em cada vez: porque cair significa voltar e recomeçar. 

 “O que afoga alguém não é cair ao rio, mas manter-se dentro dele.” - Paulo Coelho - 

É assim até que andar se torna uma ação individual de mover os pés dando passos cada vez mais longe. De repente já estamos acostumados e não cair desajeitados como quando éramos pequenos, e as quedas físicas dão lugar às quedas emocionais, das quais vamos demorar muito mais tempo para aprender a levantar-nos. 

Errei. Qual é o problema? 

Talvez isso aconteça porque as quedas passam a doer mais do que antes, e as cargas passam a ser cada vez mais pesadas: acabamos caminhando com feridas de alguns desastres, com a chuva das tormentas, com os vazios cheios de nostalgias e com algumas metas frustradas por causa de enganos. 

Os danos não são suficientes para derrotar quem acredita na possibilidade da cicatrização, haverá mais tempestades e mais incêndios se decidir esperar e não buscar, haverá pessoas que o ajudarão a levantar, e então você deve ocupar a mente para que deixe de sentir falta do que já não está mais consigo. 

Não existe nenhum problema em errar. Somos humanos e, como tal, chegamos às nossas metas acompanhados de uma série de fracassos superados, tentativas frustradas, dúvidas e fraquezas que conseguiram tornar-se fortes. É benéfico ir sempre olhando para o horizonte, sem deixar de acreditar nos ensinamentos que estão por trás de um “não” e na virtude de conhecer bem o solo sobre o qual estamos a caminhar. 

 “Quando fizer a sua viagem à Itaca peça que o caminho seja longo,cheio de aventuras, cheio de experiências.” - Kavafis- 

Só perde quem não sabe perder 

Na vida aprendi que ninguém perde se está disposto a reconhecer o que ganha nos momentos mais difíceis. Porque é certo que sempre ganhamos algo, mesmo que cheguemos ao fundo do poço: isso acontece porque somos capazes de usar a terra para escalar e sair de lá de dentro. 

Ninguém se salva de uma queda emocional e ainda me atrevo a dizer que ela é absolutamente necessária, porque o seu objetivo verdadeiro é ensinar a limpar os joelhos, curar os arranhões e a seguir adiante com mais experiência. Claro, há experiências muito duras cujas dores são terríveis, mas se tentarmos entender os sinais do corpo e os confrontarmos, isso ajudará a nos sentirmos muito melhor. 

Se caí é porque estava a caminhar 

As vitórias desses desafios contínuos da vida serão a sua maior conquista. De cada dificuldade sairemos cada vez mais vivos. Vale a pena o risco de cair por todas as outras emoções que sentimos durante o resto do caminho, e por essas pessoas que estão ao seu lado apostando no seu sorriso. 

Caminhar é o mais importante: é encontrar o sentido pelo qual estamos no mundo e dar-nos a oportunidade de crescer. É desfazer os muros e acreditar nos sonhos, é fazer novos planos se os antigos falharam, é saborear o que é saboroso e digerir o ruim. Temos que caminhar sem nos render: sempre podemos, sempre devemos, sempre precisamos de pensar em nós, em continuar. 

 “E já não vale a pena ir deste mundosem ter gostado tanto da vida.” - Frida Kalho -

 

 
Estamos doentes, mas Deus quer curar-nos Imprimir e-mail
 Estamos doentes, mas Deus quer curar-nos    

Nós queremos muitas coisas, mas não nos satisfazemos com nada. O nosso coração só se vai apaziguar em Deus 

Em algumas traduções das Bíblias, lemos assim: “Jesus disse: ‘Vai, a tua fé te curou'”. E em outras: “Vai, a tua fé te salvou”. Na verdade, curar e salvar falam da mesma realidade na Sagrada Escritura. 

Jesus pagou o preço do nosso resgate. Nós estamos doentes e precisamos de ser curados, precisamos de ser salvos. Deus quer nos salvar, ou seja, Ele quer nos curar. Este conceito funciona bastante, porque está enraizado na constatação de que não estamos totalmente conforme o sonho que Ele teve para nós. Este sonho foi realizado somente em Jesus Cristo, que é um Homem como Deus pensou. 

Marcados pelo pecado original 

Podemos dizer, com toda a certeza, que nunca vimos uma pessoa inteira. Só temos experiência de “pedaços” de homens, pessoas “deformadas” que trazem em si a marca do pecado. A nossa condição é a de pessoas marcadas pelo pecado, pois somos doentes e precisamos de tomar consciência disto, para que vivamos uma mudança de mentalidade. 

O mundo acha que tudo o que se vive por aí é normal. É assim que a nossa sociedade decide o que está certo ou errado.  

Somos pessoas marcadas pela “doença” do pecado original. As nossas reações não são todas normais. Se não nos dermos conta disso, não nos vamos converter. O primeiro passo que o doente tem de dar para se curar é o de se convencer de que está doente. Se ele achar que está muito bem, não vai mudar. 

É muito mais fácil uma espiritualidade “otimista” que aplauda e canonize tudo aquilo que as pessoas fazem. Precisamos levar a sério as consequências do pecado original. Se sou obcecado pela felicidade que encontro na comida, na bebida, esse tipo de pensamento diz que a fome é um instinto natural, criado por Deus; logo, é bom e não tem nenhum problema. Embora isso tenha sido criado por Deus, traz a marca do pecado original, pois nos afasta d’Ele. 

O pecado e as suas consequências 

Santo Agostinho faz a comparação: Imaginemos que um noivo dê um presente à sua noiva, e ela fica tão fascinada com o presente, que esquece do noivo e vai para casa. Aquilo que o noivo deu como sinal de amor torna-se um caminho de separação. Deus deu-nos este mundo como um presente, mas a nossa tendência é transformá-lo em deus, colocar os presentes d’Ele no lugar d’Ele. É aqui que está a nossa doença. 

Dizer que uma pessoa é saudável é diferente de dizer que um alimento é saudável. Uma pessoa é saudável quando tem saúde e um alimento é saudável quando traz saúde. Da mesma forma, podemos falar de pecado original de formas diferentes: uma coisa é dizer “eu cometi um pecado”, que é uma transgressão, algo que ofende a Deus e destrói a quem o pratica. Quando dizemos que Adão e Eva pecaram, posso chamar esta primeira transgressão, pecado original. E quando digo que tenho este pecado [original], isto tem outro sentido, pois é algo recebido, hereditário. Podemos tentar explicar isto por meio da liberdade que Deus nos dá como filhos. Ele está do nosso lado, protege-nos, mas leva a sério a nossa liberdade. Se tu fizeres algo de mal, Ele vai respeitar a tua liberdade, e vai sofrer por isso, já que nos ama. 

Os pecados que cometemos afetam os outros, às vezes, até de forma irreparável. Se tu contraires AIDS, não podes fazer de conta que isso não existe, pois podes morrer com esta doença ou contaminar outras pessoas. O pecado tem consequências, assim como, a partir do pecado original, surgiu em nós uma tendência para o mal. 

A importância da ascese 

Os mesmos instintos que os animais têm, nós também os temos. Assim como um macaco gosta de comer, beber, ter relações sexuais, o nosso instinto é o mesmo. Mas, há uma grande diferença: nós temos alma. Nós não fomos feitos só para isto, temos uma sede maior. Não adianta apenas comer, beber, ter relações sexuais, porque dentro de nós vai permanecer um vazio. O teu coração vai permanecer inquieto, como disse, com clareza, Santo Agostinho. Nós não nos satisfazemos com nada, nós queremos muitas coisas, mas o nosso coração só vai apaziguar-se em Deus. 

Pensemos, então, numa conscientização das “doenças” que estão dentro de nós. E uma vida espiritual que as combata numa tentativa de reverter as consequências do pecado original. É claro que a cura total não será neste mundo, mas na nossa ressurreição. Mas, por mais que seja assim, nós podemos e devemos viver uma vida ascética, de ascese, esforço para curar estas más tendências que existem dentro de nós. Quando falo de ascese, falo de jejum, vigílias, sacrifícios, abstinências, esforços espirituais. Tudo isto não para “pagar os pecados” – pois eles já foram pagos por Jesus -, mas para combater a tendência ao pecado que, dentro de nós, é como a lei da gravidade, puxando-nos para baixo. Precisamos de fazer algo para não acabar por nos “envenenar” espiritualmente, pois sabemos da nossa condição, da nossa “doença” espiritual. Não é só na Quaresma que precisamos de fazer jejuns e oferecer sacrifícios. Se não combatermos essas “enfermidades”, seremos vítimas delas.
 
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