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Abri as portas ao Redentor

João Paulo II

 
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3 infalíveis conselhos para o bem do próximo e de si mesmo Imprimir e-mail

3 Infalíveis conselhos para o bem do próximo e de si mesmo.

   

1)  Procurar nunca aborrecer ninguém: não dar motivo de desgosto; não fazer o que se sabe ser do seu desagrado; não colocá-lo em circunstâncias que ele tenha que fazer esforços para manter a calma interior.

 

2) Procurar desfazer os aborrecimentos dos demais: quando vir que alguém está impaciente, transmitir-lhe um pouco da sua paciência;

Quando alguém necessitar de ser acalmado, manifestar-lhe razões de confiança e de serenidade; quando alguém se exceder nas apreciações, expressões ou atitudes, contribuir com o seu senso de justa medida e proporção.

 

3) Procurar sempre manifestar a sensibilidade para o lado da alma, com a convicção de que  o aspecto espiritual é o essencial da vida e que esta deve estar ancorada nas três virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade (ou seja, no amor de Deus).

 

 “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5,4)

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humildade de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e a minha carga é leve” (Mt 11,28-30).

 

Nesta passagem Nosso Senhor indica a tranquilidade de alma como sendo a maior recompensa, aqui na terra, para os que seguem os seus mandamentos e procuram ser úteis às demais pessoas.

 

A propósito afirma que o seu jugo é suave e é leve o cumprimento das obrigações

por Ele impostas.

 

De facto, que fardo nos impõe quando nos manda evitar todo o desejo que nos possa perturbar?

 

Que coisa mais leve que o abster-se de maldade, querer o bem, não querer o mal, amar a todos por amor de Deus, não aborrecer a ninguém;

 

Não querer para os outros o que não queremos para nós mesmos, não nos engolfar nas ocupações diárias, mas de tudo procurar tirar proveito para a vida eterna.

 

Senhor,
ensina-me a santidade,
aquela atitude permanente de dizer Sim
a tudo o que é a Tua vontade.
Esta atitude brota de uma vida intensa de oração,
de abertura à luz e à graça de Deus
que me fortifica
e me torna capaz daquilo
que é humanamente impossível.
Senhor,
que me abra sempre à Tua graça.
Quero abrir espaços no meu tempo
e na minha vida
para me encontrar conTigo
e encher-me da Tua luz e graça.
Ajuda-me, Senhor!

 
Despedida de solteiro com Missa? Imprimir e-mail

Despedida de solteiro com Missa? Mas é claro que sim!

 

E esta foi exatamente a celebração escolhida por este noivo!

Conor Gildea, um estudante escocês da Universidade Católica de Glasgow que pretende ser professor de religião. Tem 24 anos e resolveu celebrar a sua despedida de solteiro com uma Missa!

A celebração eucarística foi a sua primeira ideia quando começou a pensar na despedida – e não ficou apenas na intenção: a Missa aconteceu mesmo, na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Assunção, situada na capital, Edimburgo.

A página da catedral no Facebook divulgou uma imagem e um comentário sobre a celebração:

 “Recebemos muitas solicitações de vários grupos que desejam celebrar uma Missa privada. O grupo de hoje, porém, foi muito incomum, porque era um grupo de solteiros! Isto mesmo: o noivo insistiu muito para que a sua despedida de solteiro começasse com a celebração da Santa Missa”.

Muitos internautas felicitaram o noivo e amigos pela iniciativa. Aliás, Conor já costumava participar na celebração eucarística com os colegas. Na sua entrevista ao Catholic Herald, ele declarou:

“Ter todos os meus amigos rezando comigo e por mim foi incrível. Isto me deu muito incentivo na minha preparação para o matrimónio. Ir à Missa exatamente uma semana antes foi muito importante para me preparar espiritualmente”.

O jovem observou que alguns dos convidados ficaram “surpresos” com a sua inusitada despedida de solteiro, pois não participavam da Missa desde que saíram do colégio – e, mesmo no colégio, só iam por obrigação. Apesar da surpresa inicial, eles “começaram a perguntar por que era tão importante para nós ir à Missa”, o que serviu a Conor como deixa para lhes testemunhar que “a fé se baseia no encontro pessoal com Cristo” e que visitar o Santíssimo Sacramento é “a forma mais profunda de se encontrar com Ele”. Os amigos, considera Conor, “podem até não concordar, mas tiveram a oportunidade de conhecer a razão por trás desta iniciativa”.

Depois da Missa, o noivo e os amigos foram comer e assistir a uma partida de futebol.

A catedral de Edimburgo, também via Facebook, desejou “um longo, feliz e frutífero matrimónio” ao novo casal. E nós, que desejamos o mesmo, lhes agradecemos pelo belo testemunho de espontaneidade e coerência na prática da fé católica!

 
Aprenda a ouvir a voz de Deus Imprimir e-mail

 

Aprenda a ouvir a voz de Deus e a aceitar os planos dele para a sua vida

 

Deite fora os seus rascunhos e deixe Ele escrever uma nova história

 

Se não sabe que direção tomar, que rumo seguir ou o que fazer, ore. Falar com Deus traz-nos paz, enche o nosso coração de tranquilidade e manda embora toda a angústia. A angústia que chega a apertar o peito, que parece sufocar todas as nossas esperanças, achando um modo de esmagar a nossa fé. Achando um jeito de sugar as nossas forças.

 

Aprenda a ouvir a voz de Deus e a aceitar os planos dEle para a sua vida. Deite fora os seus rascunhos e deixe que Ele escreva uma nova história. Deixe Deus pilotar a sua vida, dê-lhe a sua direção. Eu sei, você deve estar com medo, achando que pode não dar certo novamente e já nem sabe distinguir se deve tentar outra vez. Não sabe se deve dar um passo à frente, porque você não quer é retroceder. Não quer ganhar novas feridas.

 

Talvez você esteja a achar que tudo será igual novamente e se esteja a apegar ao passado, aos fracassos e fazendo disso o lema da sua vida, mas saiba que você não é um colecionador de erros e tentativas falhas, você pode ser um colecionador de histórias, de coisas novas e de mudanças. Tudo na nossa vida é aprendizagem.

 

Infelizmente, não estamos livres da decepção, dos erros e do medo, mas podemos escolher ver as coisas de outra forma, temos a oportunidade todos os dias de recomeçar. E é mesmo bonito, poder recomeçar.

 

Então, se for para desapegar, desapegue dos seus medos, da insegurança e da falta de anseio. Queira muito, mas também permita-se. Deus não lhe daria qualquer coisa, então não espere coisas pequenas de um Deus tão grande. Confie nos planos dEle e deixe Ele agir. Esqueça os seus enganos, eles são só… enganos. E se der errado novamente? Pense que tudo nos transforma, tudo nos ensina algo. Se deu errado até aqui, continue a tentar.

 

A vida segue numa velocidade assustadora e não nos permite pausas ou retrocessos. Você precisa é de seguir em frente, você não pode estacionar nos seus medos. Faça uma troca. É, uma troca. Troque o medo pela fé, troque a ilusão pela esperança, as paragens pelos avanços e em vez de se negar e negar sempre, permita-se.

 

Um coração entregue a Deus não significa que nada dará errado, mas, certamente, ele está num lugar seguro, onde guerra alguma abala a sua paz. Onde barulho nenhum o impede de ouvir a voz de Deus. Você continuará a errar, por isso continue a tentar. Não deixe de acreditar nas pessoas, no amor, na vida, porque a dor vem, mas não faz morada. Não deixe que nada que não te acrescente, tome uma proporção significativa na sua vida.

 

Eu não sei o que toma conta do seu coração, se é o medo, as dores, as feridas, a angústia, a insegurança ou a dúvida, mas sei que quando entregar o seu coração a Deus, verá que a paz nunca fez uma morada tão longa no seu coração.

Vale a pena experimentar.

 
Como interpretar a frase "Seja feita a vossa vontade"? Imprimir e-mail

Como interpretar a frase “Seja feita a vossa vontade”?

 

O que está por trás de uma das frases mais conhecidas do Pai-Nosso

 

Pergunta: Sempre achei que a frase do Pai-Nosso “Seja feita a vossa vontade” fosse um convite a aceitar a vontade de Deus; de facto, em momentos difíceis da minha vida, sempre foi muito útil refletir sobre estas palavras que dizemos com frequência na oração. Recentemente, durante um encontro, um padre convidou-nos a ler esta frase como um convite a agir, a trabalhar para que a vontade de Deus seja feita no mundo: uma exortação ao compromisso dos cristãos na construção de uma sociedade segundo o que Deus quer. Qual seria, então, a interpretação mais correta, para a Igreja? Ou será que as duas leituras são corretas e podem ser integradas?

 

Resposta de Filippo Belli, docente de teologia bíblica: Para entender o Pai-Nosso, é preciso olhar para Aquele que nos ensinou esta oração. É a sua oração que se torna nossa. Não há oração mais santa, mais exata, mais verdadeira que esta, porque ela surge da própria relação que Jesus tem com o Pai no Espírito Santo. Ele não nos passou uma formulação, mas transmitiu-nos o conteúdo do seu diálogo com o Pai. Por isso, a graça destas palavras é imensa, e a riqueza do seu significado, como de cada palavra que sai da boca de Deus, é inesgotável.

 

 Por isso, inclusive a sua interpretação ao longo da história até hoje não deixou de interpelar teólogos, exegetas e santos escritores (recordemos os mais antigos e famosos, como Tertuliano, Orígenes, Cipriano, Agostinho, Tomás de Aquino), bem como indivíduos fiéis e pastores. E é bom que seja assim, para que estas palavras não se atrofiem numa fórmula estereotipada.

 

 A pergunta, portanto, é pertinente, e a resposta está dentro da sua formulação. De facto, não se pode separar a disposição interior do cristão da sua prática efetiva. Desta maneira, não se pode simplesmente concordar com o coração e a vontade à vontade divina sem que esta disposição interior tenha uma correspondência na nossa maneira de agir e atuar nas diversas situações da vida.

 

 O problema que a pergunta traz implicitamente parece ser outro, ou seja, uma concepção estática, determinista do que é a vontade divina, à qual o homem deveria, inevitavelmente e muitas vezes de má vontade, ceder. De facto, esta é a impressão que frequentemente temos da vontade de Deus, ou seja, como se ela fosse algo inamovível e que não corresponde à nossa vontade. Daí o esforço em aceitá-la.

 

 Que a vontade de Deus se manifeste por meio das diversas circunstâncias da vida – muitas vezes inevitáveis – a torna ainda mais dura de acolher, porque não há nada mais imprevisível e misterioso que as circunstâncias que vivemos e que dificilmente podemos controlar.

 

 No entanto, a Bíblia dá-nos testemunho, da primeira à última página, da radical bondade e benevolência de Deus, de uma obstinada e insistente vontade do bem da sua parte, da positiva disposição da criação, da sua vontade de salvar o homem e de favorecer a vida até à sua plenitude.

 

 Deus convidou o ser humano a participar da vontade do bem desde o início, dando-lhe os meios necessários para realizar este bem. Portanto, somos por natureza orientados para a vontade do bem de Deus, para participar e colaborar, junto dele, com a vida.

 

 Mas, desde a sua origem, a humanidade também vive uma fratura (que a Bíblia documenta continuamente) entre a própria liberdade e a vontade de Deus, fazendo-as parecer antagonistas, inclusive inimigas. O antigo pecado original está precisamente nesta discrepância entre a vontade humana e a divina, razão pela qual sentimos às vezes que a vontade de Deus é alheia a nós.

 

 Em Jesus Cristo, esta fratura foi consertada, a ferida foi curada, a oposição foi conciliada. E é necessário também ser conscientes de como isso aconteceu. O Evangelho mostra-nos o caminho de Jesus em contínua tensão para fazer a vontade do Pai. Não sem dificuldade.

 
Mesmo que tu caias, vale a pena caminhar Imprimir e-mail
Mesmo que tu caias, vale a pena caminhar 

Sempre ganhamos algo, ainda que cheguemos ao fundo do poço: isto acontece porque somos capazes de usar a terra para escalar e sair de lá de dentro. 

Caminhe, caminhe, caminhe. Não se canse nunca de caminhar, pois é aí que mora o porquê de existir, a vontade das nossas lutas, a valentia de todos aqueles que não conhecem o que significa render-se. Ainda que caia, levante-se e siga: você merece a oportunidade de viver o que um dia duas pessoas decidiram começar por você. 

É logo depois do nascimento que nos ensinam a caminhar, e com isso, a compreender que para fazê-lo precisamos de aprender a manter o equilíbrio. Na verdade, você caiu uma vez ou outra, mas havia alguém para o ajudar a levantar do chão em cada vez: porque cair significa voltar e recomeçar. 

 “O que afoga alguém não é cair ao rio, mas manter-se dentro dele.” - Paulo Coelho - 

É assim até que andar se torna uma ação individual de mover os pés dando passos cada vez mais longe. De repente já estamos acostumados e não cair desajeitados como quando éramos pequenos, e as quedas físicas dão lugar às quedas emocionais, das quais vamos demorar muito mais tempo para aprender a levantar-nos. 

Errei. Qual é o problema? 

Talvez isso aconteça porque as quedas passam a doer mais do que antes, e as cargas passam a ser cada vez mais pesadas: acabamos caminhando com feridas de alguns desastres, com a chuva das tormentas, com os vazios cheios de nostalgias e com algumas metas frustradas por causa de enganos. 

Os danos não são suficientes para derrotar quem acredita na possibilidade da cicatrização, haverá mais tempestades e mais incêndios se decidir esperar e não buscar, haverá pessoas que o ajudarão a levantar, e então você deve ocupar a mente para que deixe de sentir falta do que já não está mais consigo. 

Não existe nenhum problema em errar. Somos humanos e, como tal, chegamos às nossas metas acompanhados de uma série de fracassos superados, tentativas frustradas, dúvidas e fraquezas que conseguiram tornar-se fortes. É benéfico ir sempre olhando para o horizonte, sem deixar de acreditar nos ensinamentos que estão por trás de um “não” e na virtude de conhecer bem o solo sobre o qual estamos a caminhar. 

 “Quando fizer a sua viagem à Itaca peça que o caminho seja longo,cheio de aventuras, cheio de experiências.” - Kavafis- 

Só perde quem não sabe perder 

Na vida aprendi que ninguém perde se está disposto a reconhecer o que ganha nos momentos mais difíceis. Porque é certo que sempre ganhamos algo, mesmo que cheguemos ao fundo do poço: isso acontece porque somos capazes de usar a terra para escalar e sair de lá de dentro. 

Ninguém se salva de uma queda emocional e ainda me atrevo a dizer que ela é absolutamente necessária, porque o seu objetivo verdadeiro é ensinar a limpar os joelhos, curar os arranhões e a seguir adiante com mais experiência. Claro, há experiências muito duras cujas dores são terríveis, mas se tentarmos entender os sinais do corpo e os confrontarmos, isso ajudará a nos sentirmos muito melhor. 

Se caí é porque estava a caminhar 

As vitórias desses desafios contínuos da vida serão a sua maior conquista. De cada dificuldade sairemos cada vez mais vivos. Vale a pena o risco de cair por todas as outras emoções que sentimos durante o resto do caminho, e por essas pessoas que estão ao seu lado apostando no seu sorriso. 

Caminhar é o mais importante: é encontrar o sentido pelo qual estamos no mundo e dar-nos a oportunidade de crescer. É desfazer os muros e acreditar nos sonhos, é fazer novos planos se os antigos falharam, é saborear o que é saboroso e digerir o ruim. Temos que caminhar sem nos render: sempre podemos, sempre devemos, sempre precisamos de pensar em nós, em continuar. 

 “E já não vale a pena ir deste mundosem ter gostado tanto da vida.” - Frida Kalho -

 

 
Estamos doentes, mas Deus quer curar-nos Imprimir e-mail
 Estamos doentes, mas Deus quer curar-nos    

Nós queremos muitas coisas, mas não nos satisfazemos com nada. O nosso coração só se vai apaziguar em Deus 

Em algumas traduções das Bíblias, lemos assim: “Jesus disse: ‘Vai, a tua fé te curou'”. E em outras: “Vai, a tua fé te salvou”. Na verdade, curar e salvar falam da mesma realidade na Sagrada Escritura. 

Jesus pagou o preço do nosso resgate. Nós estamos doentes e precisamos de ser curados, precisamos de ser salvos. Deus quer nos salvar, ou seja, Ele quer nos curar. Este conceito funciona bastante, porque está enraizado na constatação de que não estamos totalmente conforme o sonho que Ele teve para nós. Este sonho foi realizado somente em Jesus Cristo, que é um Homem como Deus pensou. 

Marcados pelo pecado original 

Podemos dizer, com toda a certeza, que nunca vimos uma pessoa inteira. Só temos experiência de “pedaços” de homens, pessoas “deformadas” que trazem em si a marca do pecado. A nossa condição é a de pessoas marcadas pelo pecado, pois somos doentes e precisamos de tomar consciência disto, para que vivamos uma mudança de mentalidade. 

O mundo acha que tudo o que se vive por aí é normal. É assim que a nossa sociedade decide o que está certo ou errado.  

Somos pessoas marcadas pela “doença” do pecado original. As nossas reações não são todas normais. Se não nos dermos conta disso, não nos vamos converter. O primeiro passo que o doente tem de dar para se curar é o de se convencer de que está doente. Se ele achar que está muito bem, não vai mudar. 

É muito mais fácil uma espiritualidade “otimista” que aplauda e canonize tudo aquilo que as pessoas fazem. Precisamos levar a sério as consequências do pecado original. Se sou obcecado pela felicidade que encontro na comida, na bebida, esse tipo de pensamento diz que a fome é um instinto natural, criado por Deus; logo, é bom e não tem nenhum problema. Embora isso tenha sido criado por Deus, traz a marca do pecado original, pois nos afasta d’Ele. 

O pecado e as suas consequências 

Santo Agostinho faz a comparação: Imaginemos que um noivo dê um presente à sua noiva, e ela fica tão fascinada com o presente, que esquece do noivo e vai para casa. Aquilo que o noivo deu como sinal de amor torna-se um caminho de separação. Deus deu-nos este mundo como um presente, mas a nossa tendência é transformá-lo em deus, colocar os presentes d’Ele no lugar d’Ele. É aqui que está a nossa doença. 

Dizer que uma pessoa é saudável é diferente de dizer que um alimento é saudável. Uma pessoa é saudável quando tem saúde e um alimento é saudável quando traz saúde. Da mesma forma, podemos falar de pecado original de formas diferentes: uma coisa é dizer “eu cometi um pecado”, que é uma transgressão, algo que ofende a Deus e destrói a quem o pratica. Quando dizemos que Adão e Eva pecaram, posso chamar esta primeira transgressão, pecado original. E quando digo que tenho este pecado [original], isto tem outro sentido, pois é algo recebido, hereditário. Podemos tentar explicar isto por meio da liberdade que Deus nos dá como filhos. Ele está do nosso lado, protege-nos, mas leva a sério a nossa liberdade. Se tu fizeres algo de mal, Ele vai respeitar a tua liberdade, e vai sofrer por isso, já que nos ama. 

Os pecados que cometemos afetam os outros, às vezes, até de forma irreparável. Se tu contraires AIDS, não podes fazer de conta que isso não existe, pois podes morrer com esta doença ou contaminar outras pessoas. O pecado tem consequências, assim como, a partir do pecado original, surgiu em nós uma tendência para o mal. 

A importância da ascese 

Os mesmos instintos que os animais têm, nós também os temos. Assim como um macaco gosta de comer, beber, ter relações sexuais, o nosso instinto é o mesmo. Mas, há uma grande diferença: nós temos alma. Nós não fomos feitos só para isto, temos uma sede maior. Não adianta apenas comer, beber, ter relações sexuais, porque dentro de nós vai permanecer um vazio. O teu coração vai permanecer inquieto, como disse, com clareza, Santo Agostinho. Nós não nos satisfazemos com nada, nós queremos muitas coisas, mas o nosso coração só vai apaziguar-se em Deus. 

Pensemos, então, numa conscientização das “doenças” que estão dentro de nós. E uma vida espiritual que as combata numa tentativa de reverter as consequências do pecado original. É claro que a cura total não será neste mundo, mas na nossa ressurreição. Mas, por mais que seja assim, nós podemos e devemos viver uma vida ascética, de ascese, esforço para curar estas más tendências que existem dentro de nós. Quando falo de ascese, falo de jejum, vigílias, sacrifícios, abstinências, esforços espirituais. Tudo isto não para “pagar os pecados” – pois eles já foram pagos por Jesus -, mas para combater a tendência ao pecado que, dentro de nós, é como a lei da gravidade, puxando-nos para baixo. Precisamos de fazer algo para não acabar por nos “envenenar” espiritualmente, pois sabemos da nossa condição, da nossa “doença” espiritual. Não é só na Quaresma que precisamos de fazer jejuns e oferecer sacrifícios. Se não combatermos essas “enfermidades”, seremos vítimas delas.
 
Que fazer quando perdemos a vontade de rezar? Imprimir e-mail
O que fazer quando perdemos a vontade de rezar?   

 

Perdi a vontade de rezar. E agora?  Há horas em que não sinto a menor vontade de dialogar com algumas pessoas, mas, porque preciso, acabo por deixar a minha vontade de lado e vou ao encontro delas, converso, trabalho, convivo e sigo em frente.

Com Deus não é diferente. Às vezes, envolvo-me tanto com as coisas, que não sinto vontade de falar com Ele, ou seja, de rezar, mas porque sei que preciso e até sei que dependo da Sua graça, vou ao Seu encontro por meio da oração.  É claro que isto exige empenho e perseverança, porque, na verdade, a vida de oração é uma conquista diária; e como nenhuma conquista é isenta de lutas, é preciso lutar para ser orante.

Santa Teresa de Jesus afirma, na sua autobiografia, que oração e vida cómoda não combinam em nada; e diz ela que uma das maiores vitórias do demónio é convencer alguém de que não é preciso rezar. Ou seja, quando o assunto é vida de oração, é preciso ter consciência de que se trata de uma luta espiritual, e para vencer, o único caminho é rezar com ou sem vontade.

Até porque, como diz o ditado popular, “vontade dá e passa”. Se eu escolho deixar-me guiar apenas pelo meu querer, corro o risco de ser vazia, sem sentido. Deserto espiritual Eu sei que, com o passar do tempo e a acumulação de atividades, corremos o sério risco de, aos poucos, irmos deixando a oração de lado ou rezarmos de qualquer jeito, até chegarmos a um “deserto espiritual” e termos uma certa apatia quando o assunto é oração.

Mas é precisamente, nesta hora, que precisamos de ir além dos sentimentos e considerarmos que o “deserto também é fecundo” quando vivido em Deus, e pela sua misericórdia na nossa vida tudo é graça!  Consolações e desolações, alegria e tristeza, perdas e ganhos, tudo é fruto do amor de Deus, que permite vivermos as provas enquanto nos chama a crescermos e frutificarmos em toda e qualquer situação. Portanto, no ponto em que tu estás agora, volta a fixar a tua alma em Deus e permite que Ele te devolva a ti mesmo, pela força da oração.  Ao absorvermos tanta agitação e estímulos em nossos dias, acabamos por perder o contacto com a nossa verdadeira essência, e ficamos tão distraídos e preocupados com tudo o que está a acontecer à nossa volta, que acabamos fragmentados, confusos e inseguros, sem nos lembrarmos de onde viemos, onde estamos e menos ainda para onde vamos.

Só Deus nos pode reorientar. Jesus tinha consciência disto quando disse aos Seus discípulos: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação” (Mateus 26,41); eu diria, principalmente, a tentação de esquecer quem és tu e qual é o teu papel neste mundo.  Então, vamos rezar? Algumas pistas que podem servir para abrir caminho no teu relacionamento com Deus. Quando encontrares a tua própria trilha, caminharás livremente e cada vez mais experimentará a alegria, que está na presença d’Ele por meio da oração.  

 

1- Escolhe o horário e o tempo que queres dedicar à oração e procura ser fiel a este propósito. Assim como nos alimentamos diariamente, a oração deve ser o alimento diário da alma, aconteça o que acontecer.  

 

2- Fundamenta a tua oração na Palavra de Deus e na Sua verdade. Fala com Ele com confiança e sem reservas, como quem fala com um amigo. Agindo assim, encontrarás a paz e a harmonia interior que tanto procuras, pois, como ensina São João da Cruz, “o conhecimento de si mesmo é fruto da intimidade com Deus, e é o meio essencial para a liberdade interior”.  

 

3- Reza com humildade, detendo-te sempre na palavra: “Seja feita a vossa vontade”. Lembra-te de que a tua oração não pode ser movida simplesmente por gosto ou exigência, mas, acima de tudo, por gratuidade e confiança na misericórdia de Deus.  

 

4- Pratica o que rezaste e não desvincules as tuas obras da oração, pois uma coisa tem tudo a ver com a outra. Caridade, perdão, alegria, confiança, fraternidade e paciência são características de quem reza.  

 

5- Tem o teu próprio ritmo de oração. A imitação e a comparação não ajudam em nada. A vida dos santos, por exemplo, são setas que apontam para o céu, mas és quem deve dar os seus próprios passos para chegar até lá. Desejo que em cada amanhecer e também nas “noites escuras” experimentes pela oração o amor e a verdadeira felicidade, uma vez que esta consiste em amar e sentir-se amado.

E ninguém nos ama tanto como Deus.

Se alguma vez perderes a vontade de rezar, já sabes o que deves fazer: reza assim mesmo e sê feliz!
 
Foge da vaidade Imprimir e-mail

Foge da Vaidade!

 Tudo para a maior glória de Deus

Entra hoje seriamente em ti mesmo e vê com que intenções fazes as tuas obras.

Se as faze maquinalmente e sem intenção alguma, nem boa nem má, ser-te-ão inúteis para o Céu.

Se as fazes com intenção de agradar aos homens e por vaidade, por boas que em si sejam, tais obras tornam-se más e dignas de castigo.

Se pelo contrário em todas as tuas obras só em Deus pões a mira, se somente procuras a glória e o cumprimento da vontade de Deus, és feliz: porque então tu adquires mérito e tesouros para a eternidade.

Foge da vaidade; “guardai-vos, não façais as vossas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles: de outro modo não teríeis a recompensa da mão de vosso Pai que está nos Céus”.

Pois que esta é a glória do mundo: um fumo vão!

Em todas boas obras contenta-te com o testemunho da tua consciência, contenta-te com saber que todas as tuas ações tens a Deus por testemunha, e nunca vás mendigar dos homens uma glória que te faça perder a verdadeira.

Lá no fundo do teu coração diz e repete continuamente: “A Deus só, seja honra e glória pelos séculos dos séculos. Senhor, daí glória não a nós mas ao vosso nome”.

Oculta tanto quanto possível as tuas acções e tem cuidado de, antes de a começares, certificar a intenção, dizendo com Santo Inácio de Loyola: “Meu Deus, isto vou eu fazer por amor de vós e para a vossa maior glória”.

Se no meio da tua ação vier o demónio tentar-te de vaidade, não a interrompas por isso, diz-lhe com São Bernardo: “Nem por ti começou, nem por ti hei-de acabar”.

Tudo seja para Deus, seja tudo para sua glória.

Que todos os dias seja esta a tua divisa.

 

 
Eu, Irmã Faustina, estive nos abismos do Inferno Imprimir e-mail
  “Eu, Irmã Faustina, estive nos abismos do Inferno”

 “Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe.”

Um dos argumentos de que mais se servem os inimigos da Igreja para pôr em questão a verdade do inferno diz respeito à misericórdia divina. “Se Deus é misericordioso”, dizem, “não condenará ninguém a fogo nenhum, quanto mais eternamente.”

O primeiro problema por trás desta forma de pensamento é, sobretudo, a falta de fé. Se Jesus Cristo realmente é Deus, como crê e ensina desde o princípio a Igreja Católica, e se foi Ele próprio quem disse, conforme consignado inúmeras vezes no Evangelho, que existe o “inferno” (cf. Mt 11, 23; 23, 33; Lc 12, 5; 16, 23), o “fogo eterno” (cf. Mt 18, 8; 25, 41), a “geena” (cf. Mt 5, 22ss; 10, 28; Mc 9, 43ss), ou o “castigo eterno” (cf. Mt 25, 46), a única resposta possível do ser humano é crer em suas palavras. O próprio Deus falou; a segunda Pessoa da Santíssima Trindade se pronunciou, Ele que “não se engana nem nos pode enganar”. Ou aceitamos por isso a verdade do inferno, ou então estamos a brincar quando dizemos crer em Deus, em Jesus e na sua Igreja. Quem escolhe da doutrina que o próprio Senhor revelou somente aquilo que lhe agrada, pondo de lado o que lhe desagrada, não é em Deus que crê, mas em si mesmo; não é católico, mas herege.

É claro que a teologia pode explicar a doutrina do inferno e demonstrar, àqueles que já crêem, a razoabilidade deste ensinamento de Nosso Senhor. O Deus cristão, afinal de contas, é também “logos”; o que Ele faz não nasce do puro arbítrio, como acreditam os voluntaristas, os fideístas ou os muçulmanos. Ao mesmo tempo, porém, àqueles que estão do lado de fora, nenhuma explicação será suficiente para que creiam. Se estas pessoas, resistindo, não derem o seu assentimento de fé à autoridade de Deus revelante, aceitando em sua totalidade o depositum fidei que a Igreja guarda e anuncia, todo e qualquer esforço argumentativo será em vão.

Neste sentido, a visão de Santa Faustina Kowalska, descrita a seguir, serve menos para convencer os descrentes que para confirmar, no coração dos católicos mornos ou vacilantes, a veracidade da doutrina católica de sempre sobre o inferno. Pode-se muito bem, é verdade, duvidar desta revelação privada que recebeu a Apóstola da Misericórdia, assim como se pode duvidar da visão do inferno de Fátima e de outros tantos fenómenos místicos semelhantes por que passaram os santos da Igreja. O que não pode questionar, ao menos quem foi batizado na fé da Igreja e enche a boca para se dizer “católico”, é que o inferno existe e a condenação eterna é uma possibilidade real e terrível, confirmada pelos Evangelhos, pela Tradição e pelo Magistério — ainda que, na verdade, os teólogos avessos a essas revelações privadas (aprovadas pela Igreja!) sejam, na maioria das vezes, justamente os hereges que rechaçam essa parte, incómoda, da doutrina católica.

Quem tem fé, entretanto, na vida eterna (e talvez até seja devoto da Divina Misericórdia), atente-se bem às palavras dessa santa religiosa, que recebeu de Deus o privilégio de visitar o inferno: “Estou a escrever isto por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é“; “Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe“. O testemunho de Santa Faustina é dirigido a nós, homens céticos e incrédulos do século XXI!

Escutemos o apelo que a Misericórdia Divina nos faz e, temendo a principal pena do inferno, que é “a perda de Deus”, aprendamos a evitar o pecado, que nos faz viver a amargura e a infelicidade ainda nesta vida.

Hoje conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno. É um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi: o primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso de consciência; o terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca; o quarto tormento, é o fogo, que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, um horrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demónios e as almas condenadas vêem-se mutuamente e vêem todo o mal dos outros e o seu; o sexto é a contínua companhia do demónio; o sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias. São tormentos que todos os condenados sofrem juntos, mas não é o fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a omnipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda eternidade. Estou a escrever isto por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é.

Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isto por escrito. Os demónios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham que me obedecer. O que eu escrevi dá apenas a pálida imagem das coisas que vi. Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão, é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existisse. Quando voltei a mim, não me podia refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. “Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios a ter que Vos ofender com o menor pecado que seja.”

Hoje ouvi as palavras: No Antigo Testamento, Eu enviava Profetas ao Meu povo com ameaças. Hoje estou enviando-te a toda a humanidade com a Minha misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la estreitando-a ao Meu misericordioso Coração. Utilizo os castigos, apenas quando eles mesmos Me obrigam a isso, e é com relutância que a Minha mão empunha a espada da justiça. Antes do dia da justiça estou enviando o dia da Misericórdia. Eu respondi: “Ó meu Jesus, falai Vós mesmo às almas, porque as minhas palavras são insignificantes.
 
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O mundo moderno não aceita fazer penitência 

Se há um conceito radicalmente oposto à mentalidade moderna é o da penitência.

 

O termo e a noção de penitência evocam a ideia de um sofrimento que infligimos a nós mesmos para expiar os nossos pecados ou os de outras pessoas; e nos unirmos aos méritos da Paixão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

O mundo moderno rejeita o conceito de penitência por estar imerso no hedonismo e professar o relativismo; que é a negação de qualquer bem pelo qual vale a pena sacrificar-se, exceto a busca do prazer.

 

Cujos mosteiros são descritos como locais de tortura, só porque neles se pratica uma vida de austeridade e penitência.

 

Usar o cilício ou gravar o monograma do nome de Jesus no peito é considerado uma barbárie; mas praticar o sadomasoquismo ou tatuar indelevelmente o próprio corpo é considerado hoje um direito inalienável da pessoa.

 

Com toda a força de que os meios de comunicação são capazes, os inimigos da Igreja repetem as acusações anticlericais de sempre.

 

O que é novo é a atitude das autoridades eclesiásticas, que em vez de defender as freiras difamadas, as abandonam ao carrasco mediático com secreto comprazimento; fruto da incompatibilidade entre as regras tradicionais que essas religiosas estão decididas a observar e os novos padrões impostos pelo “catolicismo adulto”.

 

Mesmo que o espírito de penitência tenha pertencido desde o início à Igreja Católica; como o recordam as figuras de São João Batista e de Santa Maria Madalena; qualquer incitamento às práticas ascéticas antigas é considerado hoje intolerável até por muitos eclesiásticos.

 

No entanto, não há doutrina mais razoável do que aquela que fundamenta a necessidade de mortificação da carne.

 

Se o corpo está em revolta contra o espírito (Gl. 5, 16-25), não é razoável e prudente reprimi-lo?

 

Nenhum homem está livre do pecado, nem mesmo os “cristãos adultos”.

 

Não age portanto segundo um princípio lógico e salutar quem expia seus pecados mediante a penitência?

 

As penitências mortificam o “eu”, dobram a natureza rebelde, reparam e expiam os próprios pecados e os dos outros.

 

Se, pois, considerarmos as almas que amam a Deus, que buscam a semelhança com o Crucificado; então a penitência se torna uma exigência do amor.

 

São famosas as páginas de De Laude flagellorum de São Pedro Damião; o grande reformador do século XI, cujo mosteiro de Fonte Avellana se caracterizava por uma extrema austeridade nas regras.

 

Escrevia ele: “Quero sofrer o martírio por Cristo, mas não tenho ocasião; submetendo-me às flagelações, pelo menos manifesto a vontade de minha alma ardente” (Epístola VI, 27, 416 c.).

 

Toda reforma na história da Igreja foi feita com a intenção de reparar os males do tempo por meio da austeridade e da penitência.

 

Nos séculos XVI e XVII, os Mínimos de São Francisco de Paula praticam (e o fizeram até 1975) um voto de via quaresmal; que lhes impõe a abstenção perpétua não só de carne, mas de ovos, de leite e de todos os seus derivados; os Recoletos consomem a própria refeição no chão, misturam cinza nos alimentos, prosternam-se diante da porta do refeitório sob os pés dos religiosos que entram; os Irmãos hospitalares de São João de Deus estabelecem na sua constituição; “comer no chão, oscular os pés dos irmãos, sofrer repreensões públicas e acusar-se publicamente”.

 

Análogas são as regras dos Barnabitas, dos Escolápios, do Oratório de São Filipe Neri, dos Teatinos.

 

Não há instituto religioso, como documenta Lukas Holste, que não inclua em sua constituição a prática do capítulo de culpas; a disciplina várias vezes por semana; os jejuns, a diminuição das horas de sono e de repouso (Codex regularum monasticarum et canonicarum, (1759) Akademische Druck und Verlaganstalt, Graz 1958).

 

A essas penitências “de regra” os religiosos mais fervorosos juntavam as chamadas penitências “superrogatórias”, deixadas ao critério de cada um.

 

Santo Alberto de Jerusalém, por exemplo; na Regra escrita para os Carmelitas e confirmada pelo Papa Honório III em 1226, depois de descrever o género de vida da Ordem e as respectivas penitências a praticar; conclui: “Se alguém no entanto quiser dar mais, o próprio Senhor em seu retorno o recompensará”.

 

Bento XIV, que era um Papa meigo e equilibrado, confiou a preparação do Jubileu de 1750 a dois grandes penitentes; São Leonardo de Porto Maurício e São Paulo da Cruz.

 

Frei Diego de Florença deixou um diário da missão realizada por São Leonardo de Porto Maurício na Praça Navona, em Roma, de 13 a 25 Julho 1759.

 

Com uma pesada corrente em volta do pescoço e uma coroa de espinhos na cabeça, o santo se flagelava diante da multidão, gritando: “Ou penitência ou inferno” (São Leonardo de Porto Maurício, Obras Completas. Diário de Fra Diego, Veneza, 1868, vol. V, p. 249).

 

São Paulo da Cruz terminava sua pregação infligindo-se golpes tão violentos; que com frequência algum fiel não resistia mais ao espetáculo e saltava no palco, com o risco de ser atingido; para deter-lhe o braço (Os processos de beatificação e de canonização de São Paulo Cruz, Postulação geral dos Padres Passionistas I, Roma 1969, p. 493).

 

A penitência foi praticada ininterruptamente durante dois mil anos pelos santos, canonizados ou não, que com suas vidas têm ajudado a escrever a história da Igreja; por Santa Joana de Chantal e Santa Veronica Giuliana, que gravaram com um ferro quente o cristograma no peito; e por Santa Teresinha do Menino Jesus, que escreveu o Credo com o seu sangue; no final do livrinho dos Santos Evangelhos que trazia sempre sobre o coração.

 Contudo, essa generosidade não caracteriza somente as monjas contemplativas.

No século XX, dois santos diplomatas iluminaram a Cúria Romana: O cardeal Merry del Val (1865-1930), Secretário de Estado de São Pio X, e o Servo de Deus Mons. José Canovai (1904-1942); representante da Santa Sé na Argentina e no Chile.

 

O primeiro usava sob a púrpura cardinalícia uma camisa de crina trançada com pequenos ganchos de ferro.

 

Do segundo, autor de uma oração escrita com sangue, o cardeal Siri escreve: “As correntes, os cilícios, as flagelações horríveis com lâminas de barbear, as feridas, as cicatrizes aumentadas pelas sucessivas lesões; não são o ponto de partida, mas de chegada de um fogo interior; não a causa, mas a eloquente e reveladora explosão desse fogo.

 

Tratava-se da clareza com a qual ele via em si e em cada coisa um meio para amar a Deus, e com a qual; no lancinante sacrifício do sangue, via garantida a sinceridade das demais renúncias interiores” (Memorial para a Positio de beatificação de 23 de Março 1951).

 

Foi nos anos cinquenta do século XX que as práticas espirituais e ascéticas da Igreja começaram a declinar.

 

O padre João Batista Janssens, Geral da Companhia de Jesus (1946-1964); interveio mais de uma vez para chamar os próprios irmãos a retornar ao espírito de Santo Inácio.

 

Em 1952 enviou-lhes uma carta sobre a “mortificação contínua”; na qual se opunha às posições da nouvelle théologie, tendentes a excluir as penitências reparadoras e impetratórias; e escrevia que jejuns, flagelação, cilícios e outros rigores deviam permanecer escondidos dos homens, segundo a norma de Cristo (Mt. 6, 16-18); mas deviam ser ensinados e inculcados nos jovens jesuítas até ao segundo noviciado, chamado terceiro ano de aprovação (Dizionario degli Istituti di Perfezione, vol. VII, col. 472).

 

Ao longo dos séculos, as formas de penitência podem mudar, mas não o espírito, que é sempre oposto ao do mundo.

 

Prevendo a apostasia espiritual do século XX, Nossa Senhora em pessoa recordou em Fátima a necessidade da penitência.

 

Penitência não é senão a recusa das falácias do mundo; a luta contra os poderes das trevas, que disputam com as forças angélicas o domínio das almas; e a mortificação contínua da sensualidade e do orgulho, enraizados no mais profundo do nosso ser.

 

Somente aceitando essa luta contra o mundo, o demónio e a carne (Ef. 6, 10-12); podemos compreender o significado da visão cujo centésimo aniversário celebraremos dentro de um ano.

 Os pastorinhos de Fátima viram: “ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia que iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: o Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!”
 
As distracções involuntárias na oração Imprimir e-mail
 

As distrações involuntárias na oração

 

As distrações involuntárias nos momentos de oração e as suas causas.

 

Precisamos de ver quais são as causas de distracção na oração; por quê? Porque não há somente as distrações voluntárias, ou seja, colocamo-nos numa tentativa de rezar, mas a nossa cabeça começa a “voar” para tantas coisas e preocupações; por quê? Pode ser porque não temos virtude, ou seja, queremos tomar as rédeas da nossa vida espiritual.

 

Não há somente distrações voluntárias. Há distrações involuntárias, das quais não somos culpados. É importante saber quais são essas distrações e quais são as suas, para que não fiquemos amargurados. Porque senão, propomo-nos rezar, mas as distrações acontecem e então dizemos: “puxa vida, eu sou um pecador mesmo…”, não é? E vamo-nos confessar de uma coisa que, no fundo, no fundo, não temos culpa alguma.

 

Quais são então as cinco causas de distrações involuntárias, das quais nós não somos culpados? Em primeiro lugar, o objeto que queremos contemplar, ou seja, a que queremos aplicar a nossa inteligência, a nossa vontade, é o que nós chamamos recolhimento. Este é um objeto obscuro, digamos assim, difícil de alcançar para o nosso intelecto. Pois, a nossa inteligência está acostumada com a luminosidade das coisas que nós vemos e não com a obscuridade do objeto da fé.

 

Uma comparação: imaginemos um cenário, que está totalmente na penumbra, mas há um objeto bem iluminado. O que é que a nossa visão faz? O que é que os nossos olhos fazem? Procuram o lugar onde está a luz. Fazendo isto, sentimo-nos muito mais confortáveis, por ver aquilo que está iluminado, do que ficar procurando um objeto escondido na penumbra, que não vemos direito. Este é o problema da oração.

 A oração é procurar um objeto na penumbra da fé, enquanto a nossa inteligência se sente muito mais confortável enxergando um objeto na luminosidade do nosso dia a dia. Por isso, é mais fácil pensar na conversa que tivemos com o nosso amigo, momentos antes da oração, do que pensar na vida eterna ou no amor de Deus, que são objetos que estão lá, são verdadeiros, mas estão escondidos na penumbra da fé.

A primeira coisa é que existe uma tendência para a distração na própria realidade que estamos tentando contemplar, que estamos tentando ver através de um ato de fé, que é a oração.

 

Além disso, quais são as outras quatro causas? Esta primeira é uma causa intrínseca do próprio objeto, mas existe o problema da nossa natureza decaída. Esta segunda causa de nossas distrações na oração faz com que a nossa inteligência e a nossa vontade sejam afetadas a todo o momento pelas nossas paixões desordenadas. Nós temos certa debilidade da inteligência e da vontade por causa do nosso pecado.

 

Se nós fôssemos Jesus Cristo ou se nós fôssemos a Virgem Maria, sem o pecado original, a nossa inteligência e a nossa vontade não teriam dificuldade nenhuma de rezar. Além disso, nós ainda não passámos pelo processo de purificação, nós ainda somos principiantes. Ainda não temos aquilo que os santos adquirem quando passam pela purificação. Então, vamos ter que aguentar as nossas paixões desordenadas. Além disso, temos o facto de que fisicamente podemos estar doentes, esta é a terceira causa.

 

Há doenças físicas que nos indispõem para rezar. Às vezes, uma dor de cabeça, um mal-estar, ou alguma outra coisa, impede de nos concentrar. Não é algo que quisemos. E, se estamos doentes, a oração fica difícil. Então, realmente, às vezes, a oração torna-se uma verdadeira luta, por causa da realidade física.

 

As duas últimas distrações são: os ataques do demónio; ou a simples permissão divina, na qual Deus permite as distrações para nos provar. Contra os ataques dos demónios, nós podemos lutar, principalmente usando a água benta. Este sacramental ajuda bastante a evitar este tipo de ataque, embora não seja uma coisa 100% garantida. Podemos também pedir a Deus, antes de iniciar a oração, que nos livre destes ataques do demónio. Esta prática igualmente não é uma coisa que nós podemos garantir 100%, porque aí vem o número cinco: há as permissões divinas. Deus, às vezes, quer nos ver lutar; por quê? Porque a luta é uma forma de mostrarmos o nosso amor. Se nunca lutamos por nada, é porque nunca amamos nada.

 Se lutamos por Deus, se mostramos que amamos Deus, talvez seja aqui que nós tenhamos que passar pelo vale da sombra da morte (cf. Sl 22, 4) das distrações. Quem sabe até pelo vale da aridez, que são as distrações quando elas realmente se tornam uma realidade estável na nossa vida. Se Deus permite as distrações, é porque nos quer ver lutar. Quer ver o nosso amor por Ele.
 
O pecado contra o Espírito Santo Imprimir e-mail
 O pecado contra o Espírito Santo  O que é este pecado?

Antes de tudo é preciso entender que não é um pecado como os outros; isto é, um acto: roubar, matar, prostituir, adulterar, corromper, mentir, etc. 

Trata-se de uma ofensa grave ao próprio Deus na Pessoa do Espírito Santo. De que forma?

 

No §1864 o Catecismo da Igreja explica: “Aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não terá remissão para sempre. Pelo contrário, é culpado de um pecado eterno” (Mc 3,29). A misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus pelo arrependimento, rejeita o perdão dos seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo. Semelhante endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna”.

Portanto, o pecado contra o Espírito Santo é o endurecimento do coração. Não que a misericórdia de Deus seja insuficiente para amolecer um coração empedernido, mas é a pessoa que não se abre para acolher o perdão e a misericórdia de Deus. É o caso do pecador que não se arrepende dos seus pecados, mesmo tendo consciência deles, sabendo que está errado e agindo deliberadamente contra a vontade de Deus.

Os Evangelhos mostram casos de pessoas que endureceram o coração diante de Jesus, mesmo vendo os seus enormes milagres, deliberadamente não quiseram dar-lhe crédito, e preferiram tramar a sua morte, por conveniência e por inveja.

Um caso marcante é o que São João conta sobre a ressurreição de Lázaro de Betânia. Esta ressurreição era a prova cabal da divindade de Jesus; um milagre realizado bem perto de Jerusalém, e que muitos judeus presenciaram.

Muitos deles creram em Jesus, como conta S. João: “Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele”. (Jo 11,45)Mas algumas autoridades judaicas, em vez de ceder às evidências do milagre, por conveniência, para manter o seu “status-quo”, preferiram tramar a morte do Senhor. Diz S. João: “Alguns deles, porém, foram aos fariseus e contaram-lhes o que Jesus realizara. Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Este homem multiplica os milagres. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação… E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida”. (Jo 11, 47s)

E o mais interessante é que as autoridades judaicas procuravam também tirar a vida a Lázaro por que ele era a prova do milagre de Jesus. “Uma grande multidão de judeus veio a saber que Jesus estava lá; e veio, não somente por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, que ele ressuscitara. Mas os príncipes dos sacerdotes resolveram tirar a vida também a Lázaro, porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus” (Jo 12, 9-11).

Este é um caso típico de endurecimento do coração e pecado contra o Espírito Santo.Outro modo de atentar contra o Espírito Santo é desesperar da própria salvação, achando que o seu pecado é tão grande que a misericórdia de Deus já não o pode perdoar. É o pecado da desesperança. Qualquer pecado por pior que seja pode ser perdoado por Deus se a pessoa se arrepende verdadeiramente.

Um belo exemplo é São Pedro; depois de negar o Mestre, tristemente, por três vezes, arrependeu-se, chorou amargamente, e acreditou no perdão e na misericórdia de Deus. Judas, ao contrário, desesperou e foi-se matar. Ambos pecaram gravemente, mas um desesperou e o outro confiou no perdão de Deus.

O nosso Catecismo diz: “Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. “Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança o seu perdão, desde que o seu arrependimento seja sincero.” Cristo que morreu por todos os homens, quer que, na sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado”. (§982)

Portanto, ninguém deve desesperar da própria salvação, mesmo que tenha pecado gravemente e de muitas maneiras. O Coração Sagrado de Jesus está sempre aberto para nos dar a sua misericórdia quando voltamos a ele arrependidos como o filho pródigo. Prof. Felipe Aquino
 
Motivos para rezar todos os dias Imprimir e-mail
 

Cinco motivos para rezar todos os dias  

 A oração é o alimento da alma. Se não ingerirmos uma determinada quantidade de nutrientes necessários diariamente, o nosso organismo começará a reagir de modo negativo; com o passar do tempo, vamos adquirir uma anemia.

O mesmo processo acontece com a vida interior. Se cada dia não cultivarmos uma vida de oração, a nossa alma contrairá uma anemia espiritual. Precisamos de cuidar do coração para que a nossa fé seja sempre renovada no amor e na esperança.

Aumentando a imunidade contra os ataques do inimigo

Deixo aqui cinco motivos para rezarmos todos os dias e aumentarmos a imunidade contra os ataques do inimigo

1 – Fortalecimento da fé:

A nossa vida de fé alimenta-se daquilo que oferecemos à nossa alma. Quando nos descuidamos da oração, a nossa vida de fé diminui gradativamente. Muitos descuidaram-se a tal ponto da vida de oração, que hoje se encontram espiritualmente anémicos, sem forças diante das difíceis situações da vida. Quanto mais rezamos, mais a nossa fé cresce e se fortalece.

2 – Resistência contra os ataques do mal:

Todos os dias, somos cercados de muitas forças do mal, as quais nos tentam roubar a paz. Uma vida de oração fecunda e intensa afasta de nós as forças das trevas. A luz que irradia da nossa fé deixa cego o inimigo. Mergulhados em Deus, criamos uma resistência espiritual contra todo o vírus do mal.

3 – Santificação pessoal:

Os santos alcançaram a glória divina, porque na vida foram pessoas de oração e caridade. A vida de oração caminha de mãos unidas com a ação, e para ser santo é preciso ser pessoa de oração. Quando a nossa vida se torna oração por completo, até mesmo no trabalho estamos a rezar, porque nos unimos de tal maneira a Deus que não nos podemos separar d’Ele.

4 – Imunidade contra o negativismo:

As pessoas mal-humoradas têm tendência a serem de pouca oração. Quem reza é mais animado, olha a vida com mais amor, acolhe com mais carinho os irmãos, reconhece nos sofredores o próprio Cristo, são promotores da paz, praticam a caridade sem esperar retorno. Investe na oração e verás os benefícios na tua alma.

5 – Amadurecimento espiritual e humano:

Aquele que cultiva uma vida de oração aos poucos vai adquirindo a sabedoria necessária diante das realidades humanas e espirituais. Uma vida de oração assídua desenvolve na alma o amadurecimento espiritual, que nos faz abandonar nas mãos de Deus todas as nossas fragilidades e confiar a sua misericórdia às difíceis situações da vida, para as quais não encontramos solução.

Os benefícios para quem investe um período do seu dia no cultivo da oração são enormes. Não há contra-indicações e todos podem ser beneficiados pelo amor misericordioso de Deus, que restaura o coração e devolve a saúde espiritual à alma abatida.
 
Por que é preciso rezar? Imprimir e-mail
 

Por que é preciso rezar?  

 

Uma das maiores descobertas que já fiz na vida foi saber que Deus me ama e me acolhe independente do que faço, pois Ele me ama a partir do que sou. Neste caso, se eu rezo ou não rezo, Ele continua a amar-me com a mesma intensidade. No mundo, há milhões de pessoas que nunca rezaram, no entanto, não deixam de viver. Trabalham, estudam, viajam, fazem descobertas, constroem prédios, vão à praia, ao shopping e vivem naturalmente. Daí, vem a pergunta, que se ouve muitas vezes: “Por que é preciso rezar?”

 

A resposta pode ser dada de inúmeras formas, mas acredito que a vida diz mais do que as palavras. Quantas vezes na nossa vida, sem saber o que fazer, procurámos uma direção da parte de Deus por meio da oração e fomos ajudados... Certamente, muitos de nós já vivemos experiências assim, e é nessas horas que percebemos o valor da oração na nossa vida.

 Aproximação de Deus

O Padre Kentenich, autor do livro ‘Santidade de todos os dias’, diz que, quando oramos, além de nos assemelharmos a Cristo, que é orante por excelência, e nos aproximamos do Pai, que nos ama em Cristo, tornamo-nos também possuidores das riquezas divinas, já que a vida dos santos e cristãos piedosos confirma que os tesouros de Deus estão à disposição daqueles que rezam. Na verdade, existe algo que não podemos esquecer nunca: Não é Deus quem precisa das nossas orações, somos nós que precisamos da Sua graça, e esta costuma manifestar-se quando a Ele recorremos por meio da oração.

 

A oração também tem o poder de despertar os nossos sentidos para percebermos os presentes que Deus nos dá, mas que, por uma razão ou outra, não conseguimos reconhecê-los. É que quando oramos, o Espírito Santo nos devolve a calma; assim, temos condições de ver o outro lado da história, tirando os olhos de nós mesmos e do problema em si. Aliás, esta é uma das maiores graças alcançadas pela oração. Já que quando estamos com dificuldades, naturalmente acabamos por colocar o problema no centro da vida, e isto impede-nos de encontrarmos solução para ele.

 

A oração é o socorro

 

A oração é como um grito, um pedido de socorro, mesmo que seja no silêncio, pois Deus vê o coração e não deixa quem ora sem resposta. Existe até uma história que pode ilustrar esta afirmação:

  “Conta-se que um navio, estando há vários dias no mar, havia esgotado a sua reserva de água potável. O capitão não avistava margem nenhuma no horizonte, e os viajantes sentiam cada vez mais sede… Até que avistaram um barco, que vinha ao seu encontro e, aos gritos, pediram que os socorressem com água doce.

No entanto, obtiveram, também aos gritos, a resposta: ‘Ora, tirai a água do mar e bebei, não vêem que é água doce?’ Experimentaram. E recolhendo a água do mar, notaram que, já a algum tempo, navegavam em água doce, no imenso estuário de um rio”.

 

Podemos concluir que se os tripulantes do navio não pedissem ajuda, poderiam morrer de sede estando tão próximos da água doce. No nosso caso, quando não oramos, corremos o mesmo risco. Ou seja, de estarmos bem próximos da solução, mas não conseguirmos percebê-la.

 

Sintonia com Deus

 

Por estas e outras razões, considero a oração como algo importante e, até diria, fundamental para uma vida plena. Ela põe-nos em sintonia com Deus, e esta é a maior graça que podemos almejar como cristãos. Também é verdade que, quando oramos, o brilho da vida divina, que está em nós, brota do interior, como que transfigurando o nosso rosto. Basta reparar que as pessoas idosas, que levaram uma vida pura e agradável a Deus, têm uma aparência sobrenatural; um exemplo claro disso é o inesquecível e saudoso João Paulo II. Pessoas santas, independentemente da idade que têm, às vezes parecem-nos seres de um outro mundo. É que a oração transfigura-nos e torna-nos, aos poucos, semelhantes Àquele a quem buscamos. Portanto, apesar de saber que Deus nos ama e nos acolhe, independentemente de rezarmos ou não, temos muitas razões para recorrer a Ele por meio da oração.

 

Quem passa por alguma situação difícil, se está atribulado e não sabe a quem recorrer, fica convidado a rezar. É o próprio Senhor quem nos diz: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11,28). Jesus chama para si todas as nossas dores, aflições e angústias, Ele nos dá a certeza de que, se crermos na Sua Palavra e guardarmos os Seus mandamentos, seremos libertos do mal.

 

Rezemos juntos

 

Coloquemo-nos na presença de Jesus Cristo e oremos juntos:

  “Senhor Jesus Cristo, eu tomo posse do Teu amor, acolho a salvação que nos trouxeste pela Tua morte na cruz e ressurreição gloriosa. Convido-te para entrar agora na minha vida, tocar o meu coração e possuir todo o meu ser. Vem curar as minhas feridas, Senhor, lava com o Teu Sangue o meu coração sofrido e restaura a minha esperança, a minha fé e a minha alegria. Eu só tenho a Ti, Senhor, e hoje Te busco de todo o meu coração. Obrigado pelo Teu amor infinito, Senhor, obrigado por acolheres a minha oração e a de tantos que rezam nesta hora. A Ti toda a honra, glória e louvor para sempre!“ 
 
Ter paz no coração Imprimir e-mail
“Ter a paz no coração”  

“De onde vem a guerra, senão da vossa concupiscência?”

Quando alguém fica tomado de cólera por qualquer contrariedade, pensa encontrar alívio e paz desafogando sua raiva com actos ou, ao menos, com palavras. É um engano porque, depois desse desabafo, ficará muito mais perturbado do que antes. Quem deseja conservar-se em paz contínua, procure jamais estar de mau humor. Percebendo estar dominado por ele, procure libertar-se imediatamente e não o deixe dormir consigo nem uma noite, distraindo-se com alguma leitura, um canto piedoso, ou a conversa agradável de algum amigo.

Diz a sagrada Escritura: “É no coração dos insensatos que reside a irritação”. A cólera no coração dos insensatos, que pouco amam a Jesus Cristo, encontra morada por muito tempo. Mas no coração daqueles que amam a Jesus Cristo, se por acaso entrar, é logo expulsa e não permanece. Quem ama a Jesus de coração, nunca está de mau humor. Não querendo senão o que Deus quer, sempre tem tudo o que quer e por isso se encontra sempre tranquilo e sempre o mesmo. A vontade de Deus o tranquiliza em todas as dificuldades que acontecem, e por isso demonstra para com todos uma total mansidão. Esta mansidão não pode ser encontrada sem um grande amor a Jesus Cristo. De facto, nunca somos mais delicados e mansos com os outros, do que quando sentimos maior ternura a Jesus Cristo.

Por não experimentarmos sempre essa ternura, é preciso que na oração mental nos preparemos para sofrer as contrariedades que nos possam sobrevir. Assim fizeram os santos e ficaram prontos para receber com paciência e mansidão as ofensas, os insultos e as mágoas.

No momento em que somos atingidos pelos insultos do próximo, se não estivermos preparados, dificilmente saberemos o que fazer para não sermos vencidos pela raiva. São João Crisóstomo diz que não é um bom meio para apagar um fogo aceso no coração do próximo, usar fogo de uma resposta ressentida, que mais o inflama: “Fogo não se apaga com fogo”.

- Mas não é justo – diria alguém – usar delicadeza e mansidão com um atrevido que nos ofende sem razão.

- “É preciso usar de mansidão – responde São Francisco de Sales – não só com a razão, mas também contra a razão”.

Nestes casos é preciso responder com uma palavra branda: este é o meio de apagar o fogo: “A resposta mansa aplaca a ira”. Mas, quando o nosso ânimo está agitado, o melhor é calar-se. Diz São Bernardo: “A vista ofuscada pela raiva não enxerga direito”. Os olhos ofuscados pela ira já não vêem o que é justo ou injusto. A paixão é como um véu posto diante dos olhos que não permite distinguir o certo do errado. “É necessário fazer contrato com a língua, de não falar quando o meu coração estiver agitado”.
 
O que fazer para se livrar da escravidão do pecado Imprimir e-mail

O que se deve fazer para se livrar da escravidão do pecado

Santo Agostinho rejeitou os prazeres dos pecados impuros, e tornou-se um dos maiores Doutores da Igreja.
Discípulo. — O Senhor conta coisas cada vez mais horripilantes! Não haverá mesmo saída para quem teve a infelicidade de enveredar por asse caminho?
Mestre. — Sim, há um modo de reconhecer as faltas e emendar-se e isto consiste em:
1.° — Uma vontade firme.
2.° — Eliminar e afugentar as ocasiões.
3.° — Praticar os Sacramentos. É sobretudo numa vontade firme que isto consiste.
Santo Agostinho levou uma vida de libertino até aos trinta anos, mas quando abriu os olhos, sentiu tão grande vergonha que se converteu;abandonou os prazeres e as loucuras da mocidade, tornou-se sacerdote, bispo, Santo, e célebre doutor da Igreja.
O mesmo aconteceu a Santo Inácio de Loiola, que com trinta anos se aborreceu da vida até então tida:
e com uma vontade resoluta foi a correr bater à porta de um convento, onde fez duras penitências; lavou as culpas passadas, e fundou a Ordem dos Jesuítas, de quem é glória e orgulho.
São Camilo de Lelis, da nobre família dos “Abbruzzi” muito jovem também se entrega aos divertimentos e aos prazeres mundanos; mas aos vinte e cinco anos toma o hábito e consagra a Deus e a Maria Santíssima a sua vida, em favor dos doentes e dos moribundos.
Em segundo lugar, eliminar e afugentar as ocasiões.
Aqui também os Santos nos ensinam. Santo Tomás de Aquino, jovem elegante de família nobre, é fechado numa torre e ali é tentado por uma mulher infame.
Não tendo outro meio de se livrar dela, tira do fogão um tição ardente e brandindo-o grita: “Saia, saia, ou eu a queimo”, consegue assim a fuga da tentadora sem escrúpulos.
 
O que é um Mártir Imprimir e-mail
O que é um Mártir?
A palavra mártir tem a sua origem no grego mártyr, que significa “testemunha”. O mártir é, portanto, uma testemunha do amor de Cristo.
A Igreja, desde os primeiros séculos, celebra de forma especial o martírio ou testemunho que esses cristãos deram, ao morrer pela sua fé na Igreja, em Cristo e em Deus.As comunidades católicas primitivas costumavam venerar o lugar do martírio dessas testemunhas da fé.
Posteriormente, surgiu o culto às relíquias daqueles que morreram pela fé, espalhadas por diversos lugares, possibilitando que o culto aos mártires se estendesse pelo mundo inteiro.
A data em que a Igreja comemora um mártir é a da sua morte. Isto porque através da morte se realizou a plenitude da vida.
A morte para os cristãos é a celebração do verdadeiro nascimento.
O martírio é um ato supremo de fé, e o mártir é apresentado aos fiéis como um modelo de imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O Catecismo da Igreja Católica (n° 2473) diz que o martírio é “o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé; designa um testemunho que vai até à morte”.
No sentido cristão, o mártir é a pessoa que dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Para dar testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã, o mártir suporta a morte com um ato de fortaleza: “Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus” (Santo Inácio de Antioquia).
 
Por que cometemos sempre os mesmos pecados? Imprimir e-mail
 Por que cometemos sempre os mesmos pecados?  

O encontro pessoal com Cristo ressuscitado provoca uma transformação no nosso interior. O amor de Deus é responsável pelo nascimento de homens e mulheres novos, gerados na água e no Espírito (cf. Jo 3,3-5). As nossas aspirações passam a ser de enveredar pelo caminho da santidade, procurar o arrependimento dos pecados, para não ofender o Senhor, que revelou quanto nos ama.A esperança renasce, uma força contagia e, principalmente, um novo conceito de si, a partir da dignidade de filho de Deus, abrange os nossos corações. Mas, decorrido algum tempo, pode acontecer de voltarmos a cometer alguns pecados. Mesmo com luta e vigilância, acabamos por cair, uma vez ou outra, nos mesmos erros. São os chamados “pecados de estimação”. O que acontece connosco? Temos a consciência e a inspiração de não pecar, então, por que nos percebemos fracos diante de certos impulsos? A primeira coisa a entender é que o Senhor criou o homem todo no bem, para o bem e pelo bem. “E viu (Deus) que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

São Tomás de Aquino diz que “o homem, ao seguir qualquer desejo natural, tende à semelhança divina, pois todo o bem naturalmente desejado é uma certa semelhança com a bondade divina”. Ainda citando São Tomás de Aquino, ele diz: “O pecado é desviar-se da reta apropriação de um bem”.

O que leva o ser humano a pecar sempre será o desejo de alcançar o bem que nele foi constituído. Pecamos quando usamos esses bens dons e talentos depositados em nós por Deus de forma incorreta. Este anseio pelo bem nunca será extirpado, e ainda que a forma de buscar alcançá-lo seja errada “o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se, mas não consegue destruir o senso moral até à raiz” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1865). O dom nunca morrerá, mesmo que o estejamos a usar para o pecado. “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11,29).Se todas as nossas faculdades humanas foram criadas para o bem, mas, por nossa livre iniciativa ou porque aprendemos as coisas de forma pecaminosa, nós ainda não conseguimos livrar-nos de uma prática ruim, significa que estamos a lidar com um traço da nossa personalidade criada para o bem; mas, durante a história pessoal, foi habituado na forma de pecado e não de virtude.Aqui entra satanás, o autor do pecado com as suas artimanhas. A tentação será maior numa área do que noutra, pois o demónio conhece as nossas fraquezas, ou melhor, conhece os nossos traços e quer acabar com o que temos de melhor. Jesus, no deserto, foi tentado justamente na Sua mais sagrada particularidade, naquilo que só Ele é: “Se és Filho de Deus!” (Mt 4,3-6). De Job, o demónio pediu contas do seu maior mérito: a fé (cf. Job 1,21; 2,9-10). Também a nossa maior luta será nas maiores características do nosso ser, no que diz respeito ao núcleo íntimo de cada um. É por isso que voltamos à prática do pecado, pois foi afetado um traço da sacra individualidade do ser, está selado em nós e não há como lançar fora o que somos. Exemplo disso: uma grande habilidade de comunicar-se, em vez de ser usufruída para levar a Boa Nova pode estar a ser desenvolvida para a maledicência.  Se uma fraqueza persiste, há ali um forte traço da nossa humanidade. É um valioso dom, mas não o percebemos como riqueza, pois estamos a lutar para o sufocar, já que está manifesto na forma de pecado. O homem que enterrou o seu único talento, no fim perdeu-o, exatamente por não ter investido corretamente (cf. Mt 25, 14-30). Os erros e os bens capitais têm todos uma mesma raiz, somente que um é inverso do outro. O que se deve fazer agora é direcionar as forças para o bem, descobrindo em que ponto nos apropriamos, aprendemos ou canalizamos essa característica individual de forma errada e potencializá-la de maneira que venha à tona toda a riqueza que o Altíssimo deu a cada um de nós.Também é essencial não lutarmos sozinhos! Tanto para detectar em que ponto da nossa vida o dom se foi inclinando para o pecado como para bem canalizá-lo será importante a ajuda de uma outra pessoa. Procura auxílio: biológico (se for patologia ou vício), psicológico e espiritual.Nesta descoberta, que é permeada pela luta, acima de tudo devemos ter paciência connosco. Sendo humanos, somos limitados e sempre conviveremos com as nossas misérias, mas, não nos podemos render a elas. A busca da santidade não é atingir a perfeição, mas lutar contra as nossas fraquezas. Nisto o ser humano avança, torna-se humanamente melhor e mais próximo de Deus. São Francisco de Sales ensinava: “Considerai os vossos defeitos com mais dó do que indignação, com mais humildade do que severidade, e conservai o coração cheio de um amor brando, sossegado e terno”.Caíste? Levanta-te! Não te conformes com o pecado nem desanimes. Tu vais vencer! O Catecismo da Igreja Católica afirma, no número 943: “os leigos têm o poder de vencer o império do pecado em si mesmos e no mundo”. Além de o Senhor nos dotar com a força interior, que é mais potente do que as nossas faltas, ainda podemos recorrer à Sua graça. “Mas Jesus disse: Basta-te a minha graça”.Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, necessidades, perseguições e no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. “Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (II Cor 12,9a-10).A graça de Deus também se manifesta na nossa pobreza. Quando nos percebemos impotentes diante de um facto, só podemos recorrer à Misericórdia Divina, que, neste mundo, se manifesta por excelência no sacramento da confissão. Confessar-se será sempre a melhor via de libertação.
 
Não nos deixeis cair em tentação Imprimir e-mail
 Não nos deixeis cair em tentação

Quando rezamos o Pai-Nosso, fazemos sete pedidos fundamentais ao Pai, e nesses pedidos está a nossa salvação. No sexto pedido, rezamos: “Não nos deixeis cair em tentação”. Em grego, isto significa: “não me deixes cair no caminho do pecado”.Segundo o Catecismo, temos que fazer, sempre, este pedido diante das tentações e provações. Há dois tipos que precisamos de diferenciar: o que é provação e o que é tentação. Deus prova-nos para sermos aprovados. Provação é tribulação, sofrimento e prova, e temos modos de passar pelas provas: com Deus ou sem Deus, com fé ou sem fé.Deus não nos tenta; tentação é perdição, e o pai da tentação é o inimigo. A tentação é veneno, assim como o açúcar para os diabéticos. O demónio tenta-nos com algo que parece bom, agradável, mas é mortífero. Quando nos dirigimos a Deus e pedimos para que Ele não nos deixe cair em tentação, estamos a pedir inteligência.Aristóteles dizia que todo o pecador é um ignorante, que ficou cego, foi seduzido e se separou de Deus. São Tiago diz que é bem-aventurado o homem que aguenta a tentação. Provados, todos somos para sermos aprovados, assim como o ouro é submetido a tratamentos para ficar purificado. Somos ouro para Deus.Em Génesis 3, o autor descreve o inimigo como uma serpente, é rasteiro, tem uma beleza que atrai. As palavras do demónio parecem belas, e ele inocula o veneno, faz com que seja solto aos poucos para nos separar completamente de Deus, o único que nos faz plenamente felizs e que a humanidade aspira.Não nos deixeis cair em tentaçãoNo pecado original, o homem foi tentado na razão e no orgulho. O demónio manda-nos tentações nas áreas que estamos debilitados, carentes.Como um exemplo de quem caiu em tentação, temos Judas, que era um escolhido por Jesus e tinha dons vindos de Deus, como expulsar demónios. No entanto, Judas deixou que a tentação entrasse na sua vida pela brecha da ganância. Ele era ambicioso. O coração de Judas ficou longe e já não batia com o de Cristo.Judas era quem cuidava do dinheiro dos discípulos, mas ele era ladrão, roubava o dinheiro. Jesus sabia disso, mas dava-lhe um voto de confiança, assim como Deus nos dá chances para nos convertermos antes da nossa morte.Jesus não queria perder Judas, ele não nos quer perder também, por isso encontramos cinco atitudes que Deus nos dá para não cairmos em tentação:1. Ser fiel diante das tentações;2. Ter disciplina;3. Vigiar e fugir das ocasiões de tentação;4. Fazer mortificação diária, jejuar e praticar penitência;5. Viver em comunidade.
 
Virtude: o que é? Imprimir e-mail
 Virtude: o que é?   Virtude, uma disposição habitual e firme de fazer o bemEntre os cristãos, costuma-se também orar com pequenas aclamações, elogios, palavras de amor, confiança e súplicas a Deus e aos santos. Aos poucos, essas orações pequeninas, chamadas jaculatórias, foram sendo sistematizadas e agrupadas em forma de ladainhas. Na ladainha do Coração de Jesus, rezada geralmente na sexta-feira, há esta invocação: “Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós!” O Coração de Jesus é a fonte de todo o bem, graça e virtude.O que diz o Catecismo da Igreja CatólicaO Catecismo da Igreja Católica diz que virtude é uma disposição habitual e firme de fazer o bem. É bom recordar que as virtudes humanas podem ser agrupadas em torno de quatro: prudência, justiça, fortaleza e temperança. São chamadas “virtudes cardeais”, porque desempenham papel de dobradiças; as outras agrupam-se em torno delas.A prudência dispõe a razão a discernir o verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para o realizar. A justiça consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A fortaleza dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na busca do bem. A temperança modera a atração dos prazeres sensíveis e procura o equilíbrio no uso dos bens criados.A educação é a metade da virtude, diz o povo, referindo-se aos bons modos que facilitam a boa convivência entre as pessoas. As virtudes morais crescem pela educação, pelos atos deliberados e pela perseverança no esforço. A graça divina purifica-as e eleva-as. As virtudes humanas fundem-se nas virtudes teologais, que se referem diretamente a Deus. São elas: fé, esperança e caridade.Pela fé, cremos em Deus e em tudo o que Ele nos revelou; cremos que a Santa Igreja nos propõe a crer. Pela esperança, desejamos e aguardamos de Deus a vida eterna e as graças para merecê-la. Pela caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, por amor a Deus.Jesus fez da caridade o novo mandamento: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Virtudes, qualidades e sentimentos dão colorido, força e vida, facilitam o relacionamento entre os humanos e aproximam-nos da perfeição plena, que é Deus.Por isso pedimos: “Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!” Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós, fazei-nos cada vez mais ricos das virtudes do acolhimento, alegria, amor, bondade, caridade, doçura, entusiasmo, esperança, fé, fidelidade, fortaleza, generosidade, honestidade, humildade, justiça, mansidão, misericórdia, modéstia, paciência, paz, perseverança, piedade, prudência, pureza, sabedoria, silêncio, sinceridade, temperança…
 
Deus quer falar contigo. Queres ouvir? Imprimir e-mail
Deus quer falar contigo; tu queres ouvir?Às vezes, em casa chamamos os filhos mas eles fingem não escutar. Assim fazemos nós com Deus. E porque é que Deus chama? Porque nos vê caídos no pecado.Cair é natural, não podemos é ficar no chão. Nos trilhos da vida, às vezes as quedas são consequências do pecado ou das tribulações.Quando os problemas vêm, às vezes caímos, mas não podemos ficar caídos. Deus fala contigo e diz-te: “levanta-te, sacode a poeira e continua”. A criança quando cai, levanta-se e vai logo a correr. Quando crescemos, amaduremos parece que ficamos tolinhos, caímos e parece que não nos sabemos levantar, precisamos de reaprender o que é elementar.O que nos põe de pé é o fruto dos nossos lábios que é a oração. Os recursos humanos não nos ajudarão a ficar de pé, confiar nas nossas forças não evitarão a nossa queda e o nosso sofrimento. O Senhor convida-nos a levantar.Hoje nós fabricamos idolatrias e a maior delas são os excessos. Excessos de trabalho, preocupação com o futuro, com o corpo, finanças.Muitas das nossas tribulações vieram dos nossos excessos humanos. Por exemplo, o cancro do pulmão que veio do cigarro que a pessoa fumou, a cirrose vem das bebidas que consumiu, há os que quase enlouquecem porque trabalham demais. Há mulheres viúvas de marido vivo, homens que trabalham demais, chegam em casa e vão directo dormir.O que é o excesso? É o desequilíbrio. Deus quer-nos equilibrar. Mas sozinhos não vamos conseguir, então temos que escutar o Senhor. Todas as vezes que cometemos excessos é porque não ouvimos a voz do Senhor. As pessoas hoje em dia andam por aí com fones, ouvidos sempre ocupados. E acabamos por servir o que ouvimos, o que entra nos nossos ouvidos acaba por ser o nosso deus.Dê ouvidos à Palavra de Deus, ela vai para o nosso coração. Queres saber quem tens servido? Presta atenção ao que tens dado ouvidos. Como combatemos os males que entraram nos nossos ouvidos? Dando ouvidos a Deus. Fomos feitos para ouvir a Deus. Os ouvidos estão no excesso das propagandas, que querem seduzir. “Aproveite, compre 10 vezes sem juros”. Tu dás ouvidos e depois sofres com as dívidas que adquiriste.Quando abrimos os ouvidos, a voz de Deus vai para o coração e lá fica gravada. E o Senhor convida-nos: “Volta para mim, dá-me os teus ouvidos”. É este o exercício que o Senhor quer que façamos no tempo da tribulação, pois pessoas para nos aconselhar não nos faltam, mas o Senhor quer que fiquemos com a voz dEle. “Deus quer falar contigo, mas tu queres ouvir?”Em tempos difíceis os sentimentos afloram e atraiçoam-nos, quando o coração está desequilibrado. Não sabemos explicar o que está a acontecer dentro de nós, dizemos até que estamos a sentir um “combóio”. Ficamos preocupados com o que está a acontecer do lado de fora e não sabemos resolver o que está a acontecer dentro de nós.Sabes porque é que nos perdemos no desespero durante a tribulação? Porque perdemos a capacidade de ouvir. Fizemos do nosso ouvido um depósito, viciado em conversas maldosas.Quem vive a partir dos excessos, a vida fica um caos. Se eu não estou organizado interiormente, junto problemas de fora com os de dentro e tudo vai ficar um caos.Há pessoas que passam por tribulações e conseguem sair muito bem delas, é porque a pessoa tem Deus consigo. Ouvir a Deus não é ouvir simplesmente na cabeça, precisa deixar cair no coração. Uma pessoa desequilibrada não consegue passar pela mínima situação, é logo derrubada.Reza pedindo a Deus que restabeleça o teu interior. Deus quer falar contigo, mas queres ouvir? Estamos acostumados com excessos tão grandes que se Deus não aparecer com um grande cenário, com efeitos especiais, nós não acreditamos.Deus quer fazer eu e tu ter coragem de reconhecer o Deus que nos diz em coisas tão pequenas. Abre-te a Ele!
 
Tu tens valor diante de Deus Imprimir e-mail
 Tu tens valor diante de Deus   Vence as inferioridades e rejeições! Tu tens grande valor para DeusPrecisamos de reconhecermos que somos obra das mãos do Criador. É preciso vencer toda a rejeição, carências e negatividade, e pedir a Deus que cure o nosso coração. Confira sua mensagem:Quando nos colocamos diante da Palavra de Deus entendemos que não há como sermos do Senhor e atentarmos contra uma vida.Por vezes não nos achamos maravilhosos porque não temos o nosso coração curado. Quem é o santo? Santo não é a pessoa perfeita, mas o que se deixou restaurar à imagem e semelhança do Senhor.A pessoa santa é uma pessoa curada por Deus, feliz, realizada, que se sente amada por Ele. A cura é um processo diário e começa quando compreendemos que cada um de nós é uma obra maravilhosa criada pelas mãos do Senhor.A nossa criatividade é passageira! Se permitirmos ao mundo colocar-nos um padrão, viveremos de modismos. Se pudéssemos ver-nos com os olhos que o Senhor nos vê, entenderíamos que somos uma obra maravilhosa.A nossa maior beleza está dentro. Louvemos a Deus por nos ter feito de forma tão maravilhosa. Olhemo-nos e admiremo-nos porque o Senhor nos criou de modo maravilhoso.Escolhamos pela vida e não pela morte. Não entendemos como somos maravilhosos porque não nos conhecemos. Quanto mais nos conhecermos, mais nos amamos.Deus acredita e investe em nós independentemente das nossas limitações. Amar é aprender a confiar em nós mesmos, é dar valor e ouvir a voz da nossa consciência. O Senhor colocou dentro de nós uma voz que fala ao nosso coração. Aprendamos a escutá-la, pois Deus fala-nos ao coração.Confiar em nós é acreditar naquilo que Deus nos mostra. Amar a si mesmo é respeitar os nossos limites. Para respeitarmos os nossos limites é preciso conhecermo-nos. Está em nossas mãos transformarmos a nossa vida. Expressemos os nossos sentimentos, sintamo-nos capazes, amemo-nos. O Senhor criou-nos com amor, formou-nos no seio de nossa mãe e fez de nós uma obra maravilhosa.Avancemos na vida independentemente da aprovação dos outros. Precisamos de descobrir o amor de Deus no nosso coração. Não busquemos nos outros a resposta para a nossa vida, pois se pararmos na complicação, nunca caminharemos.Nenhuma obra de arte acontece do nada, mas é um processo. Na nossa vida também, tudo é um constante processo. Eliminemos da nossa vida o que retira o gosto de nós mesmos. Retiremos as críticas negativas, exageradas e constantes que não nos elevam, mas só nos levam para baixo. E quantas vezes quem mais nos critica somos nós mesmos.A culpa só nos serve para nos aproximarmos de Deus e pedir perdão. Retiremos as carências, os medos, as frustrações. A carência só se resolve com cura! Cada um colhe o que planta, então, não nos comparemos com as pessoas. Façamos coisas que nos deixam felizes! E procuremos a cura do nosso coração.
 
Dicas de Santidade no Caminho Espiritual Imprimir e-mail

 

Dez Dicas de Santidade no Caminho Espiritual – São Vicente Palotti

 

1 - Dedicar um tempo à oração, todos os dias.

 

Temos que orar a Nosso Senhor Jesus Cristo para descobrirmos a sua santíssima vontade.

 

Na oração, conhecemos melhor a Deus e a nós mesmos. Devemos ser generosos e dedicar 30 ou 15 minutos de oração, contemplação ou meditação, diárias.

 

A oração bem feita, ajuda-nos a começarmos o dia dispostos a reavivar a fé e o amor. “Quem reza salva-se, quem não reza condena-se”. (Santo Afonso Maria de Ligório).

 

2 - Escolher uma intenção para cada dia.

 

Oferecer as orações, os esforços e os trabalhos do dia.

 

Podem ser intenções particulares como por uma pessoa doente, pela conversão dos pecadores ou pela santificação dos que se dedicam à salvação das almas.

 

Quando nos concentramos numa intenção concreta, é mais fácil rezar.

 

3 - Rezar o Terço ou o Rosário todos os dias.

 

Ao rezarmos o terço ou o rosário todos os dias, confiamos mais directamente na presença e no auxílio de Nossa Senhora.

 

E no rosário meditamos os principais mistérios da nossa fé.

 

Os frutos das nossas orações − fortalecimento na prática do bem, abnegação, paz, percepção e distinção entre o que é bom e o que é ruim, o que é verdadeiro e o que é falso − dependem do modo como se reza.

 

4 - Ler todos os dias um livro de piedade (de preferência escrito por um santo) ou comentários da Sagrada Escritura feitos por um dos santos Padres da Igreja: São João Crisóstomo, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, etc). (Lectio Divina).

 

A doutrina da Igreja deve ser o alimento principal da nossa vida de oração. Os ensinamentos dos santos é a luz que nos deve guiar na estrada para a felicidade eterna.

 

Há pessoas que sabem mais de futebol, de novelas, de internet do que de Nosso Senhor Jesus Cristo e da sua Igreja.

 

5 - Conhecer os mandamentos e as promessas que Deus fez ao seu povo.

 

Todo o católico deve saber discorrer sobre os Dez Mandamentos.

 

Quem conhece e medita os mandamentos e as promessas de Nosso Senhor sabe como discernir a verdade e o erro, e poderá evitar o pecado, com a intenção de agradar a Deus.

 

6 - A confissão frequente.

 

O sacramento da Confissão ajuda-nos a manter pura e limpa a nossa alma e a não relaxar no nosso combate contra o pecado.

 

Ajuda-nos a vencer os nossos vícios mais enraizados e a formar melhor a nossa consciência. Aquele que percebe o valor da confissão, na qual são perdoados os nossos pecados, é mais robusto na fé e mais penitente.

 

7 - Fazer mortificações.

 

A mortificação é necessária porque ajuda a dominar os instintos humanos que tantas vezes arrastam ao pecado.

 

Aproveitar as ocasiões que se têm durante o dia para fazer alguma renúncia. Todo o sacrifício suportado por amor de Deus durante o dia transforma-se em salvação para muitas almas.

 

O jejum é um meio simples e eficaz de pôr em prática este espírito de penitência e renúncia por um bem maior. Por exemplo, livrar-se de um defeito ou de um vício.

 

8 - A caridade para com o nosso próximo.

 

O verdadeiro amor ao próximo torna-nos mais semelhantes a Nosso Senhor Jesus Cristo. E o bom exemplo é o principal meio de praticá-lo.

 

9 - Fazer pequenos actos de humildade.

 

Toda a pessoa tem tendência para a soberba, para exagerar as suas qualidades perante os outros.

 

A humildade é a virtude que leva a pessoa a não se comparar com os outros e reconhecer, sem cobiça, os autênticos predicados daqueles que a rodeiam, tributando-lhes a atenção e as honras proporcionadas.

 

10 - Exame de consciência diário.

 

Através do exame de si próprio é possível o conhecimento daquilo que anima e dá contentamento na prática do bem; assim como o conhecimento dos defeitos e dos vícios que impelem à sensualidade, ao amor egoístico (mania de se considerar como centro das atenções).

 

É importante terminar o exame de consciência com um pequeno acto de contrição pedindo a Deus o seu perdão e a sua misericórdia pelas faltas cometidas ao longo do dia.

 

Acto de Contrição.

 

Ó meu Deus, eu Vos agradeço todos os favores que me concedestes. Perdoai as minhas infidelidades. Tende Piedade de Mim, porque sou pecador.

 

Quero fazer todo o esforço para não pecar e amar-Vos com um fervor sempre crescente. Esta graça eu Vo-la peço por intermédio de Maria Santíssima, Vossa e nossa Mãe. Amém.

 
O caminho para o Céu é estreito Imprimir e-mail

SANTA FAUSTINA - O caminho para o Paraíso é estreito e tortuoso, mas leva à Felicidade Eterna. – Uma visão de Santa Faustina:

Um dia, vi duas estradas:

Uma estrada larga, atapetada de areia e flores, cheia de alegria e de música e de vários prazeres.

As pessoas caminhavam por esta estrada dançando e divertindo-se – estavam a chegar ao fim, sem se aperceberem disso.

E, no fim da estrada, havia um enorme precipício, ou seja, o abismo do Inferno.

As almas caíam às cegas na voragem desse abismo; à medida que iam chegando, assim tombavam. E o seu número era tão grande que não era possível contá-las.

E avistei uma outra estrada, ou antes uma vereda, porque era estreita e cheia de espinhos e de pedras, por onde as pessoas seguiam com lágrimas nos olhos e sofrendo dores diversas.

Uns tropeçavam e caiam por cima dessas pedras, mas logo se levantavam e iam adiante.

E no fim da estrada havia um magnífico jardim, repleto de todos os tipos de felicidade e aí entravam todas essas almas.

E, no primeiro momento, esqueciam os seus sofrimentos.

 
Precisamos de dar frutos bons Imprimir e-mail

Precisamos de ser bons! Precisamos de dar frutos bons!

 “Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. Toda a árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de plantas espinhosas.” (Lc 6,43-44)

Jesus diz: “nem todo aquele que me diz ´Senhor, Senhor´, vai entrar no reino dos céus”. Isto quer dizer que há pessoas ruins que O adoram, que O procuram, pessoas ruins que dizem: “Jesus, eu te adoro, Tu és o meu Senhor”. E há pessoas boas que dizem a mesma coisa… Tu estás incluído onde? Naqueles que dizem que adoram Jesus, que rezam o terço, mas que, quando chegam a casa, os que moram conosco dizem: “a víbora chegou”?

Precisamos de dar frutos bons!

A minha vida com Deus deve gerar frutos bons! Se participo na missa, se rezo o terço, se comungo, quando chego a casa as pessoas deveriam dizer: “que bom que já chegaste, tu fazes tanta falta”. Temos que viver o que o Senhor quer que vivamos.

Olhai estes dois homens: um é de igreja e o outro não é. Na Jornada Mundial da Juventude deste ano, o Papa Francisco foi à Polónia e visitou o campo de concentração de Auschwitz. Entrou no campo em silêncio, sentou-se, abaixou a cabeça e começou a rezar. E ficou um bom tempo a rezar. Depois, levantou-se, continuou a caminhada, e entrou numa sala escura, onde São Maximiliano Kolbe morreu de fome. Ele chegou, sentou-se na cadeira e, mais uma vez, ficou ali parado a rezar. Antes de sair escreveu num caderno de memórias: “Senhor, tem piedade do teu povo. Senhor, perdão por tanta crueldade”.

O que aconteceu naquele lugar? Um homem, chamado Hitler, deu frutos maus. Na cabeça dele, Hitler achava que tinha que formar uma raça pura. Por isso mandou matar tanta gente, os judeus, os polacos e tantos que também sofreram. Diz-se que foram 6 milhões de pessoas que morreram ali! Morreram de fome, assadas, lançadas ao fogo, outras eram enterradas vivas… que fruto, meu Deus, que fruto ruim! Quanta maldade feita! Não o vou julgar, mas dizer: quanto fruto ruim! Muitas pessoas até hoje são marcadas por tudo isto e foi por elas que o Papa Francisco rezou, por tantas pessoas que sofreram lá, que morreram lá. Um fruto ruim.

Agora vou falar de um outro homem: São Francisco. Totalmente o inverso de Hitler. Se um mata, o outro recupera. São Francisco viveu numa sociedade onde havia leprosos, pessoas que eram deixadas de lado, esquecidas. O próprio Francisco tinha nojo, tinha medo de apanhar a lepra. E, num ato de superação, ele vai além da repugnância e beija o leproso. A partir de então, ele começa a cuidar dos leprosos, a cuidar das feridas, cuidar da saúde, ía por Assis pedindo esmola para dar de comer e beber aos leprosos. Deu frutos bons! Jesus diz que pelo fruto se conhece a árvore, pois nem todo que diz ´Senhor, Senhor´ entrará no Reino dos céus…

Que frutos tu tens dado?

A quem estás a fazer o bem? E pergunto a mim também: “que fruto eu estou a dar como sacerdote”? Quantas vezes a maldade, dentro de mim, impera. Eu, que celebro missa, que rezo o terço todos os dias, que leio a Sagrada Escritura, mas que tantas vezes dou frutos ruins.

Decide-te a ser bom

Madre Teresa de Calcutá passou a vida fazendo o bem. São João Paulo II também. Se eles conseguiram, por que é que não podes conseguir também? Eles eram todos iguais a nós, todos filhos de Deus. Mas veio um dia que eles decidiram: “eu quero ser bom, quero fazer coisas boas”.

Um avô disse um dia ao seu neto: “dentro de nós há dois homens, um bom e um mau. No fim da vida, qual dos dois vai ganhar?” E eu pergunto: no fim, quem é que vai ganhar? É simples: vai ganhar aquele que tu mais alimentares! Se deres de comer ao homem mau que tens dentro de ti, ele vai ficar forte e o homem bom vai morrer. Então, preciso de alimentar o homem bom dentro de mim para que o mau morra. Tu estás a alimentar quem?

Dê bondade, dê amor, mesmo que não recebas nada em troca, faz a tua parte. Ao menos quando morreres, as pessoas vão dizer a verdade: “era um homem bom”.

Uma história: Um homem vinha dentro de um Ferrari, feliz por mostrar a toda a gente que tinha um carro maravilhoso. De repente, uma pedra bate e amassa a lateral do carro. Parou o carro, sai enfurecido e, ao avistar um garoto, corre e pega o garoto pelos colarinhos, dizendo: “tu amassaste o meu carro, é caríssimo! Olha o que fizeste!” O miúdo apontou para o lado e disse: aquele ali no chão é meu irmão. Ele anda de cadeira de rodas e sou eu quem o leva para todos os lugares. Mas ele é muito pesado e eu acabei por o deitar ao chão. Todo o carro que passava, eu chamava para me tentar ajudar, mas ninguém me dava atenção. Foi então que eu peguei numa pedra e atirei ao seu carro, para fazer você parar e nos ajudar”. O homem largou o garoto, foi até junto do irmão dele, levantou-o do chão, colocou-o na cadeira de rodas, deu um abraço aos dois e foi embora no seu carro. Este homem nunca mandou tirar a parte amassada do seu carro, para que se lembrasse de pensar mais no outro e não apenas em si próprio.

Vamos ser bons? Vamos ser santos? É claro que tu até vais à missa e rezas o terço, mas nem todo aquele que diz ´Senhor, Senhor´, entrará no Reino dos céus, só os bons… esses sim entrarão! Eu quero ser santo.

Que árvore és tu? Que árvore sou eu? Só Deus sabe. Mas o que posso dizer, é que não está a ser fácil deixar o homem ruim que há em mim com fome, para que ele morra. E eu preciso de alimentar apenas o homem bom, eu preciso. Eu preciso!

 
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Deus escolheu-nos para sermos santos, e é para isso que precisamos de nos esforçar

 “Em Cristo, ele escolheu-nos, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor” (Efésios 1, 4).

Sim, foi no “amor” que o Pai nos escolheu. Antes de nos escolher, foi no amor que o Pai nos criou à Sua imagem e semelhança.

Para que é que o Pai nos criou? Deus fez-nos para que fôssemos santos e irrepreensíveis, porque Ele é todo santo e irrepreensível, e não se deixa levar por nenhum erro ou mal. É verdade que a nossa natureza ficou indisciplinada, mal inclinada e, muitas vezes, deixamos de ser santos, não conseguimos ser puros como precisamos de ser.

A graça de Deus purifica-nos e renova-nos. E onde está a graça de Deus? A graça está em Cristo Jesus, Ele é o Senhor da graça. É a renovação de que a nossa alma e o nosso coração precisam!

Por isso, se queremos ser santos, isso é muito importante: santidade é uma escolha, uma opção, uma decisão de luta, de empenho e entrega à vontade de Deus. Não é a preocupação de ser “santo de altar”, como foi São Francisco, São Paulo, Santo Inácio de Loyola e tantos outros santos que a Igreja e o povo canonizaram e aclamaram.

Sejamos santos na medida em que podemos e devemos ser santos. Um pai santo, uma mãe santa, um padre santo, um jovem santo, uma jovem santa. Isto não é beatice, pelo contrário, é apenas corresponder à graça que um dia fomos chamados a ter, a mesma graça que recebemos no nosso batismo.

Não podemos fazer da santidade uma questão de brincadeira, não podemos ficar a tirar sarro, menosprezando as pessoas que procuram ser virtuosas, crescerem na oração, na piedade e na vontade de Deus, porque isto é obrigação de todos nós.

É verdade que a santidade não é simplesmente levar uma vida beatíssima, em altíssimo grau de oração. Ainda que seja imprescindível para que a graça da santidade cresça em nós. O caminho da oração é o caminho de união e comunhão com Jesus, é o caminho pelo qual o Espírito age e nos liberta!

A santidade precisa de ser vivida nos atos, nos gestos e atitudes. Há santidade no querer fazer o bem aos outros, há também a santidade daqueles que rezam muito e fazem tanto mal aos outros. Isto não é santidade! Há outros que falam e escutam a Deus, têm diálogos intermináveis com Ele, mas não sabem dialogar com o próximo, na sua casa, não sabem ouvir a pessoa do outro… isto também não é santidade.

Santidade é ser justo, é saber dar a Deus o que é d’Ele. É saber tratar com amor, com ternura e com muito respeito o seu próximo!

Deus quer, e a Sua graça em nós age para que sejamos santos. Foi para isto que Deus nos escolheu e é para isto que precisamos de nos esforçar! Para este grande empreendimento divino de nos fazermos, de facto, à imagem e semelhança de Deus que é santo e irrepreensível.

 
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Doenças espirituais causadas pelos pecados capitais  

A cura para as doenças espirituais é obra do Espírito Santo

Para que uma doença seja tratada, é preciso descobrir, por meio de exames, o que a causou. Uma vez diagnosticado o problema, aplicam-se os medicamentos necessários para o restabelecimento da saúde corporal.

A nossa vida espiritual passa por este mesmo processo. Muitas vezes, a nossa alma está contaminada por doenças espirituais que, aos poucos, nos roubam a paz e nos desequilibram espiritualmente, afastando-nos do caminho da santidade e conduzindo-nos ao pecado.

Diante de tal realidade, é preciso diagnosticar que doenças espirituais estão a deixar a nossa alma enferma. Contudo, para que o medicamento correto faça o efeito desejado, é preciso nomear essas doenças. E quais são as doenças espirituais?

São sete: gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e soberba. As doenças espirituais são os sete pecados capitais, os quais, quando não diagnosticados, causam um terrível mal ao coração do ser humano.

Gula: é a doença espiritual do desejo insaciável. É preciso consumir sempre mais para a própria satisfação. Quando esta enfermidade se aloja no coração, faz-nos escravos de uma vontade que nos rouba o direito da liberdade. Tornamo-nos escravos e será sempre preciso ir além do necessário. O remédio para a gula é o autocontrole, é aprender a ficar satisfeito com o necessário e dizer ‘não’ ao excesso.

Avareza: é o apego ao dinheiro e aos bens materiais. Esta doença escraviza a pessoa, pois faz o coração prisioneiro dos desejos, esquecendo-se de Deus e do próximo. Para curar esta doença, é necessário o abandono em Cristo e o desapego de tudo o que nos aprisiona.

Luxúria: é deixar-se dominar pelas paixões. Esta doença deixa a pessoa presa aos desejos carnais, à corrupção dos costumes e à sensualidade. Todos estes desejos se agravam com o tempo, caso não seja cuidado com o remédio necessário, que consiste em reconhecer-se Templo do Espírito Santo e recuperar a consciência da dignidade de filho de Deus.

Ira: é o sentimento de raiva, ódio, rancor e vingança. É uma doença complexa, pois, calmamente, vai transformando a pessoa naquilo que ela sente. Ela age aos poucos no coração e, se não for remediada a tempo, pode destruir vidas. O remédio para esta doença é o perdão e a busca da paz com todos. Muitos encontram-se enfermos deste sentimento, por isso torna-se necessário cuidar deles urgentemente.

Inveja: é a cobiça por aquilo que não é teu. Muitos passam pela vida desejando aquilo que não é seu e esquecem-se de cuidar da própria vida. Esta doença afasta a pessoa da realidade da sua própria vida e a torna prisioneira do que o outro possui. O remédio para esta enfermidade consiste em retirar o olhar da vida do outro e cuidar da sua própria existência. Somente quem consegue voltar o olhar para a sua vida liberta o outro dos seus olhares invejosos.

Preguiça: é a doença do desleixo, da moleza, da falta de vontade, da aversão ao trabalho. O preguiçoso vive em estado constante de paralisia. Esta doença faz o ser humano acostumar-se a uma vida medíocre. Para curar esta enfermidade, é preciso sair do espaço de conforto que criou para si mesmo e ter atitude diante da vida. Muitas pessoas alimentam esta doença nos seus semelhantes.

Soberba: esta doença está ligada ao orgulho excessivo, à vaidade, e à arrogância. Muitos vivem achando-se melhores do que as outras pessoas. Olham e expressam nos seus semblantes o pouco caso com os seus irmãos. Para curar esta doença, é preciso reconhecer-se pecador e necessitado da misericórdia de Deus. Somente quem se reconhece criatura e não Criador consegue libertar-se desta enfermidade.

A cura das doenças espirituais é um processo de mudança interior que acontece com a ajuda do Espírito Santo, o médico das almas.

 
Por que é que Deus nos manda desafios difíceis? Imprimir e-mail

Por que é que Deus nos manda desafios difíceis? Deus pode mandar-nos causas “impossíveis”?

Deus envia desafios difíceis para que roguemos pelo auxílio d'Ele.

Não podemos e não devemos acreditar, diz Santo Agostinho, que Deus, obrigando-nos a observar a lei, queira ordenar o impossível, fazendo-nos compreender que somos incapazes de observar todos os Seus mandamentos.

Ele admoesta-nos a fazer as coisas fáceis com as graças que nos dá e a fazer depois as coisas difíceis com o auxílio maior, que podemos impetrar pela oração.

 “Por isso mesmo cremos, com firmeza que Deus não pode mandar coisas impossíveis e somos advertidos do que devemos fazer nas coisas fáceis e do que devemos pedir nas difíceis”.

Por quê, perguntará alguém, Deus impõe coisas impossíveis para as nossas forças? Justamente para procurarmos, pela oração, o que não podemos com a graça comum.

 “Deus manda-nos algumas coisas superiores às nossas forças, para que saibamos o que Lhe devemos pedir”.

E noutro lugar: “A lei foi dada, para que se procure a graça. A graça é dada para que se cumpra a lei”. A lei não pode ser observada sem a graça, e Deus, para este fim, deu a lei, para que sempre suplicássemos a graça necessária, para a observarmos.

E de novo, noutro lugar, diz: “A lei é boa se dela fizermos bom uso. Em que consiste, pois, o bom uso da lei?” Ele responde: “Consiste em conhecer pela lei a própria fraqueza e em procurar o auxílio divino para obter a saúde”.

Santo Agostinho, diz que nós devemos servir a lei.

– Mas para que fim? Para conhecermos por ela (o que sem ela seria impossível) a nossa incapacidade para observar, a fim de que com a oração alcancemos o auxílio divino que cura a nossa fraqueza.

*   *   *

Fonte: retirado do livro “A Oração” de Santo Afonso de Ligório.

 
O valor inestimável de uma alma... Imprimir e-mail

O valor inestimável de uma alma…

A nossa alma é, sem dúvida, mais preciosa do que todos os bens do mundo,

Não só pela sua nobre origem, senão também, e muito mais, pelo preço do seu resgate e pela sublimidade do seu destino. Por isso o demónio estima-a tão alto, que para se apoderar dela não descansa. Ora diz-me: se o inimigo vela sempre para perder a nossa alma, como podemos nós ficar dormindo no sono da tibieza?

Devemos considerar bem que o negócio da nossa eterna salvação é um negócio das mais graves consequências, porque se trata da alma, e, tendo-se perdido esta, tudo está perdido.

A alma, diz São João Crisóstomo, deve ser tido por nós como mais preciosa que todos os bens do mundo.

E, para compreender esta verdade, acrescenta São Eleutério, se não nos basta saber que Deus a criou à sua imagem e semelhança, seja-nos ao menos suficiente saber que Jesus Cristo pagou um preço de valor infinito, para remir a alma da escravidão do demónio: “Se não acreditas no Criador, interroga ao Redentor”.

Assim é: para salvar nossas almas, o próprio Deus sacrificou seu Filho à morte; e o Verbo eterno não duvidou resgatá-las a troco de seu sangue. “Fostes comprados por alto preço”.

Pelo que um santo Padre, considerando o preço do resgate humano, chega a dizer: Parece que o homem vale tanto como Deus – Tinha razão São Filipe Neri de tratar de loucos aqueles sábios do mundo que não trabalham pela salvação da alma.

Se tem tamanho valor a nossa alma, que bens do mundo poderemos dar em troca, se viermos a perdê-la? “Que dará o homem em troca da sua alma?”.

Se houvesse na terra homens mortais e outros imortais, e se os mortais vissem os imortais preocupados com as coisas do mundo, procurando grangear honras, bens e prazeres mundanos, dir-lhes-iam sem dúvida: Como sois insensatos! Podeis adquirir bens eternos e pensais nessas coisas miseráveis e passageiras? E é por elas que vos condenais a penas eternas na outra vida? Deixai estes bens terrestres para aqueles que, como nós, tudo vêem acabar com a morte. Mas não!

Todos somos imortais. Como é então que tantas pessoas perdem a alma em troca de miseráveis satisfações deste mundo?

Antes perder a vida do que a amizade de Deus

Devemos de hoje em diante empregar toda a diligência na salvação de nossa alma, e por isso devemos fugir das ocasiões perigosas, resistir às tentações e frequentar os sacramentos.

Vede, diz Santo Agostinho; o demónio estima tanto uma alma, que para se apoderar dela, não dorme, mas anda continuamente ao redor de nós buscando perdê-la. Ora, se o inimigo vela sempre pela nossa perdição, havemos de ficar a dormir o sono da tibieza? Vigilat hostis, dormis tu?

Ah, meu Deus! De que serviram os longos anos que me destes para adquirir a salvação eterna?

Vós, ó Redentor meu, resgatastes a minha alma à custa do Vosso sangue e me a destas para trabalhar pela sua salvação, e eu não trabalhei senão para perdê-la, ofendendo-Vos a Vós, que tanto me haveis amado. Agradeço-Vos o tempo que ainda me concedeis para reparar tão grande perda. Perdi a alma e a Vossa amável graça!

Senhor, arrependo-me e sinto-o de todo o coração. Ah, perdoai-me, pois que doravante estou resolvido a perder todos os bens, incluindo a vida, antes que perder a vossa amizade. Amo-Vos sobre todas as coisas e tenho a firme vontade de Vos amar sempre, ó Bem supremo, digno de todo o amor.

Ajudai-me, ó meu Jesus, afim de que esta resolução não seja semelhante às outras que formei no passado e que foram outras tantas infidelidades.

Deixai-me antes morrer do que tornar a ofender-Vos e deixar de Vos amar.

– Ó Maria, esperança minha, salvai-me, obtendo-me a santa perseverança.

 
O que significa "morrer no Senhor? Imprimir e-mail

O que significa “morrer no Senhor”?

 

“Bem aventurados os que morrem no Senhor”.

É preciso morrer no Senhor para ser bem aventurado, para gozar a felicidade desde esta vida.

Esta felicidade é a que podemos ter já antes de ir para o céu, muito menor que a alegria do céu, mas que supera todas as alegrias sensíveis desta vida: “A paz de Deus, que vai além de toda a compreensão, guarde os vossos corações e os vossos espíritos”.

Para alcançar esta paz, mesmo no meio das ofensas e calúnias, é preciso estar morto no Senhor.

O morto, ainda que maltratado e desprezado pelos outros, não se ressente. Também a pessoa mansa de coração, como o morto, não vê nem ouve, procura suportar todos os desprezos.

Quem ama de coração a Jesus Cristo chegará facilmente a isso. Unido inteiramente com a vontade de Deus, com a mesma paz e a mesma tranquilidade, recebe as coisas favoráveis e as desfavoráveis, as alegrias e as tristezas, as injúrias e os louvores.

Assim fez São Paulo que podia dizer: “Estou cheio de alegria no meio das minhas tribulações”.

Feliz aquele que atinge este grau de virtude! Goza de uma paz contínua, que é bem maior do que os outros bens do mundo. Dizia São Francisco de Sales: “Que vale todo o mundo em comparação com a paz do coração?”

Realmente, o que adiantam todas as riquezas e todas as honras do mundo para quem vive inquieto e sem paz no coração?

Para estarmos sempre unidos a Jesus Cristo, é preciso fazermos tudo com tranquilidade, sem nos inquietarmos com alguma dificuldade que se apresente: “O Senhor não está na agitação”. Deus não mora nos corações agitados!

Diz o mestre da mansidão, São Francisco de Sales:

 “Nunca vos irriteis, nem mesmo abrais a porta à cólera por qualquer motivo. Se ela entrar em nós, já não poderemos expulsá-la nem dominá-la, quando quisermos.

Os meios para isso são: primeiro, afastar imediatamente a cólera, desviando a atenção para outra coisa e calando-se.

Segundo, imitando os apóstolos quando viram a tempestade, recorrer a Deus a quem pertence pôr o coração em paz.

Terceiro, se a cólera, por vossa fraqueza, já colocou o pé no vosso coração, esforçai-vos por vos tranquilizar e, depois, praticai atos de humildade e mansidão para com a pessoa com quem vos sentis irritados.

Tudo isto deve ser feito com suavidade e sem violência, porque é importante não irritar mais as feridas”.

O próprio São Francisco de Sales dizia que precisou de se esforçar durante toda a sua vida para vencer duas paixões que o dominavam: a cólera e o amor.

Para vencer a paixão da cólera, confessava ter-se esforçado durante vinte e dois anos.

Quanto à paixão do amor, tinha procurado modificar o objeto, deixando as criaturas e dirigindo todo os seus afetos a Deus.

Deste modo, alcançou uma paz interior tão grande que até mesmo exteriormente a demonstrava, apresentando quase sempre um rosto sereno e um sorriso nos lábios.

 

 
Como distinguir a voz de Deus? Imprimir e-mail

 

Como distinguir a voz de Deus?

 

Com um mundo tão barulhento como distinguir a voz de Deus? Os homens de Deus treinam os ouvidos para distinguir, entre tantas vozes, a mais importante.

 

“Depois de receber em sonho um aviso, retirou-se para a região da Galileia.”

 

Como distinguir a voz de Deus nos dias de hoje?

 

Quem já tentou comunicar em feiras livres, já experimentou a dificuldade que este ambiente traz a uma comunicação eficaz. Perante as ofertas gritadas pelos feirantes, as outras pessoas presentes e a conversar, o barulho que o próprio ambiente produz e os próprios pensamentos, é difícil estabelecer uma comunicação satisfatória sem que isso custe grande esforço.

 

É o que acontece conosco quando queremos distinguir a voz de Deus, hoje em dia. Há tanto barulho interior e exterior que nem sequer nos ouvimos! Isto mesmo. Quantas vezes ao dia tu conseguiste ouvir-te? E estou a falar da tua voz, nem é do teu coração, porque este, infelizmente a maioria de nós jamais ouviu como deveria.

 

Agora, imagina ouvir Deus!

 

Não é sem razão que as pessoas têm extrema dificuldade em acreditar em Jesus Cristo. Porque para se impressionar com ele basta presenciar ou acreditar que ele fez algum prodígio, mas para ouvi-lo no coração, o caminho é mais longo e difícil, e, é justamente esta atitude que gera a fé verdadeira e consequente conversão.

 

Muitas pessoas que se convertem através de uma situação de dor, tentem permanecer na fé de maneira mais fervorosa justamente porque nesse momento de dor é que elas pararam para ouvir o seu coração, avaliaram a própria vida e se abriram ao salvador que lhes falou ao coração. A fé em Jesus salvou-os.

 

Mas há aqueles que, sem precisar de chegar a este ponto já se acostumaram a ouvir o próprio coração e também o coração de Deus. José, que era justo, tinha um ouvido treinado nas coisas de Deus e, quando ouviu a voz do céu pela primeira vez, não teve dúvidas: é Deus a falar comigo! E obedeceu.

 

Neste trecho percebemos que José continuou atento ao céu, atento à voz de Deus, e teve a sua vida guiada por ela.

 

Podemos treinar os nossos ouvidos para distinguir a voz de Deus através da escuta da Igreja (Cf Jo 10, 7-10.26-27) e da leitura das sagradas escrituras. Elas são pilares que nos dão a segurança necessária para discernir, dentre tantas vozes, quando é Deus que nos fala.

 

Leia o trecho em Mt 2, 19-23

 

Promessas

 

Mt 2, 23b

 

“Isto aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno”.

 

Ordens

 

Mt 2, 20

 

“e disse-lhe: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e volta para a terra de Israel; pois já morreram aqueles que queriam matar o menino.”

 

Qual a mensagem de Deus para ti e como pôr isto em prática?

 

Qual a mensagem de Deus para mim hoje?

 

Os homens de Deus são como as ovelhas, treinados na voz do seu pastor.

 

Como posso pôr isto em prática?

 

Ouvir os profetas da Igreja que pregam hoje. Dedicar-me à escuta da palavra de Deus por leituras espirituais.

 
Dez dicas de cura interior Imprimir e-mail

Dez dicas de cura interior  

1. A cura interior, muito mais do que um objetivo a ser alcançado ou uma meta a ser conquistada, é consequência do nosso modo de viver. Cura interior é fruto e, como tal, precisa de ser cultivada. E como vivemos num mundo deserto e árido, precisamos de ter a sabedoria de gotejá-la todos os dias.

2. Na vida, precisamos de aprender a celebrar as vitórias, sejam elas pequenas ou grandes. Cada passo vivido precisa de ser saboreado e festejado. Não podemos ficar à espera para celebrar somente as grandes conquistas. Aliás, sem a celebração dos pequenos êxitos conquistados perdemos o sabor das grandes vitórias. Cada pequeno sucesso celebrado é semente para os grandes feitos almejados.

3. O pessimismo do mundo moderno acaba por contaminar o nosso coração. Tornamo-nos especialistas em ressaltar o que é negativo e o alimentamos por meio das notícias e conversas. Enfocamos o negativo com lente de aumento, e com isso especializamo-nos naquilo que não presta. É preciso educar-se para as conquistas, para o belo e positivo. A celebração de cada etapa vivida e conquistada nos ajuda nesse processo.

4. A celebração das vitórias tem também um aspecto muito importante, que precisa ser ressaltado cada vez mais: aprender a compartilhar as nossas conquistas. Vitória que não é compartilhada não pode ser assim chamada. A celebração das conquistas nos ajuda a nos prepararmos para vencer os novos desafios.

5. Feliz aquele que tem com quem partilhar as suas tristezas e dores. Mais feliz ainda aquele que tem com quem compartilhar suas alegrias. O amigo verdadeiro é aquela pessoa diante de quem podemos nos revelar por inteiro. Muita gente tem medo de partilhar suas vitórias; outras, nem mesmo têm com quem dividi-las. O outro parece sempre ser uma ameaça. Como vivemos numa constante competição, parece que ser feliz ofende os outros. Acreditar na felicidade é um bom caminho para encontrá-la, é uma trilha segura para construí-la.

6. Um coração curado sabe que a alegria verdadeira não está naquilo que temos ou conquistamos, mas na qualidade de nossos relacionamentos. O que não pode ser partilhado não merece ocupar lugar nenhum em nossa vida.

7. Para compartilhar a felicidade é preciso optar pela alegria. Divertir-se corretamente não é pecado. O grande pecado é não saborear a vida. É preciso ter seriedade suficiente para ser alegre e brincalhão. Uma boa piada, na hora certa, tem um lindo poder restaurador em nosso coração. Rir e ajudar os outros a rir é um dos mais eficientes e eficazes remédios para a cura interior. Quem aprendeu a sorrir saberá chorar na hora certa, diante das pessoas e das situações adequadas.

8. No processo de cura interior, é fundamental não perder tempo nem energia com bobagens. Cada vez que nos entristecemos devemos nos perguntar: é algo realmente sério? Será que esse fato merece a atenção que estou dando a ele? Não estou atribuindo um peso excessivo ao que a pessoa me falou ou me fez? Quanto tempo vou continuar alimentando essa tristeza em meu coração?

9. Todos nós estamos sujeitos a muitos erros e falhas. Ninguém está vacinado contra os dissabores da vida. Portanto, ficar remoendo o passado gesta o rancor, que é sempre prejudicial a nós e aos outros. A raiva emburrece a pessoa. O ressentimento bestifica. É preciso aprender a perdoar aos outros e a nós mesmos. O rancor produz medo de começar de novo. Viver é correr riscos sempre. Amar é um risco consciente; a vida é imprevisível! Só quem tem coragem de se arriscar saberá saborear a alegria das vitórias.

10. É preciso estar aberto ao novo. Não devemos temer coisas novas, pessoas, comidas ou culturas novas. Triste de quem viaja para outros países, mas logo procura um restaurante com comida típica de seu país. Então, para que viajar? É preciso deixar-se impregnar pela cultura e pelos costumes locais. Ao menos para conhecer é preciso saborear. Se a outra pessoa daquele país gosta de tal alimento, por que não me posso arriscar? Abrir-se ao novo pode ser o começo de uma experiência muito interessante.

 
Como faço para ouvir Deus? Imprimir e-mail

 

Como faço para ouvir Deus?  

 

Já ouviste a voz de Deus? Como saber se realmente é Ele quem fala e não nós mesmos?

 

No início da Bíblia, encontramos um verbo vinculado a Deus em todo o Livro Sagrado: “Deus disse” (Gn 1,3). Ao longo de toda a Escritura, podemos observar que o Senhor mantém uma relação íntima com o homem, a qual é baseada no diálogo. O próprio Livro da Bíblia é um meio que Ele usa para nos falar. Mas tu já ouviste a voz de Deus? Como saber se realmente é Ele quem fala, e não nós mesmos? Ele fala apenas com pessoas perfeitas?

 

Como faço para ouvir Deus?

 

Podemo-nos assustar ao observarmos a vida dos santos e notar o nível de diálogo que eles mantinham com o Senhor. Santa Teresa, por exemplo, em certa ocasião em que viajava, caiu numa poça de lama. Então, olhou para o céu e disse: “Senhor, por quê tantas dificuldades no caminho, se estou a cumprir as Tuas ordens?”. O Senhor respondeu: “Teresa, não sabes que é assim que trato os meus amigos?”. Ela retrucou: “Ah, Senhor, então é por isso que tens tão poucos!”

 

Deus deseja ser próximo do homem, criar intimidade e amizade com ele. Observemos, por exemplo, a relação de Deus com Adão. Ao criá-lo, o Senhor permitiu que ele desse nome a toda criação e alertou-o sobre o fruto proibido. O Senhor Deus também lhe disse: ‘Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada’” (cf. Gn 2,15s). Vejamos a proximidade com que o Senhor conservava o homem! Ele criou-nos para convivermos na Sua intimidade.

 

Existe um caminho a ser seguido para chegar a uma escuta íntima de Deus, porém, é um caminho, não uma fórmula, pois há grande erro em buscar uma uniformidade quando queremos escutar o Senhor. Ele fez-nos únicos e ama-nos com um amor particular, portanto, fala-nos de forma individual. O Senhor usa da linguagem que estamos acostumados, fala no idioma que compreendemos.

 

Vamos, então, ver alguns passos importantes nesta experiência:

 

Buscar a Deus. Isto é óbvio. Não ouviremos o Senhor se não o buscarmos. Deus é uma pessoa, e quando queremos dialogar com uma pessoa, procuramos meios para chegar a ela. Busque momentos para estar com o Senhor, só com Ele, sem telemóvel, sem música, sem leitura, apenas com o Pai. “Quando rezar, entre no seu quarto, feche a porta e reze ao seu Pai” (Mt 6,6).

 

Diga o que você quer dizer. Muitos sofrem, pois ficam com a cabeça cheia durante a oração, pensam em muitas coisas, vêem muitas situações e distraem-se facilmente. O que nos pode ajudar é, ao chegarmos à capela, dizermos a Deus tudo o que queremos, gastar uns dez minutos de limpeza da mente, falar do cansaço, do trabalho, da família, e, depois disso, fazer um pouco de silêncio.

 

O desejo de ouvir, às vezes, atrapalha. Muitas vezes, criamos ansiedade e expectativas que nos atrapalham. A tensão não colabora para que o nosso coração encontre o coração de Deus. É importante que haja liberdade em estar com Ele, sem obrigações. Esteja livremente junto d’Ele.

 

Silencie. Estamos a falar de diálogo, uma grande dificuldade da relação humana, pois não aprendemos a ouvir o outro. A agitação e o ritmo acelerado que a sociedade vive deixam-nos sempre apressados, querendo tudo para agora. Assim, não deixamos as pessoas falarem, antecipamo-nos à fala do outro, queremos adivinhar o que ele vai dizer. Do mesmo modo que agimos com as pessoas, na agitação, transferimos para Deus. Após um momento de oração, de dizer tudo o que quer a Deus, é importante dar tempo para que Ele fale, é necessário silenciar no ambiente e no nosso coração. O princípio de uma boa escuta é dar tempo para o outro falar.

 

Deus realmente falou comigo?

 

Deparamo-nos, às vezes, com esta dúvida. Para isso, precisamos sempre de ter em mente que o Senhor não se contradiz. Por isso, se aquilo que ouvirmos for contra alguma lei que Ele já instituiu, contra o amor ao outro ou contra a Igreja, é fácil saber que não vem d’Ele.

 

Conforme criamos intimidade com o Senhor, reconhecemos com mais rapidez a Sua voz na nossa consciência. Ele também nos fala nos factos, nos acontecimentos do mundo, na Bíblia, por meio de uma música ou por intermédio de outra pessoa.

 

Há um ponto importantíssimo que prova, realmente, se Deus falou comigo: Quando Ele fala, as Suas palavras ecoam por muito tempo, e o que Ele diz cumpre-se. “O que disse, executarei; o que concebi, realizarei” (Isaías 46,11). Deus é fiel ao que diz, e o que Ele diz fica gravado em nós, não se apaga, porque a Sua voz ecoa na nossa existência.

 

O Senhor deseja cultivar, com cada um de Seus filhos, uma relação pessoal e íntima. Reze e peça esta intimidade ao Espírito Santo, pois Ele é o mediador.

 

Que o Senhor nos dê um coração aberto, e ouvidos atentos à Sua voz.

 
Procurei Imprimir e-mail

Procurei

"Quando chegar o meu último dia, que ninguém se refira a que eu recebi o prémio Nobel da Paz.                                                                        

Que ninguém diga que recebi mais trezentos ou quatrocentos prémios, porque isso também não tem importância.

Mas se alguém fizer a minha oração fúnebre, que não se esqueça de dizer que:

Procurei viver ao serviço do próximo.

Procurei ser justo e caminhar com os que agiam com justiça.

Procurei amar e servir os homens.

Todas as outras coisas superficiais não têm importância.

Não quero deixar nenhum dinheiro.

Eu só quero deixar uma vida de dedicação!

E isto é tudo o que eu tenho a dizer:

Se eu puder ajudar alguém a seguir em frente

Se eu puder animar alguém com uma canção

Se eu puder mostrar a alguém o caminho certo

Se eu puder cumprir o meu dever cristão

Se eu puder levar a alguém a salvação

Se eu puder divulgar a mensagem que o Senhor deixou...então, a minha vida não terá sido em vão."

Martin Luther KingI

 
Ser santa não é ser indolente Imprimir e-mail

«Ser santa não é ser indolente,
é saber dar-se, entregar-se,
dizer sempre «Sim!» a tudo
o que o Senhor quiser,
com amor, com alegria
e generosidade.
Isto é viver a luz de Deus
que habita em mim,
viver na luz,
viver da luz
e viver para a luz!
Ser receptáculo da Luz Divina,
dessa Luz que é Deus,
que mora em mim
e me absorve em Si, -
Sou assim uma pequena centelha de Luz Imensa
que é Deus!
Amo-Te Senhor,
porque Tu és Amor!»

Serva de Deus Irmã Lúcia de Jesus | 1907 – 2005
O Meu Caminho, Vol. II, p.381

 
Será que estou a fazer a vontade de Deus? Imprimir e-mail

Será que estou a fazer a vontade de Deus?  

Deus tem planos específicos para cada um de nós

Na Sua bondade e sabedoria infinitas, Deus define coisas importantes e especiais para a nossa vida e conduz-nos à realização de cada uma delas de acordo com a permissão que lhe damos. No entanto, justamente porque somos livres, muitas vezes guiados pelas nossas emoções e desejos, fazemos escolhas erradas e desviamo-nos do plano que o Pai Eterno traçou para a nossa felicidade. Aí, sentimo-nos abatidos e, às vezes, perdemos até mesmo o sentido da vida. É como quem está no alto mar orientado por uma bússola e, fazendo uso da sua liberdade, resolve lançá-la fora e guiar-se sozinho.

No início, pode até parecer divertido e libertador, mas, depois de um tempo, começa a perceber os perigos à sua volta e procura, a todo o custo, reencontrar o caminho para o porto seguro. O pior é que, nesta busca pelo porto, agarramo-nos aos destroços de coisas e conceitos vazios que nos fazem afundar ainda mais. E isso tem acontecido muito hoje em dia, onde a cultura do liberalismo nos envolve e arrasta para longe dos desígnios de amor que Deus tem para nós. Mas existe uma esperança! Com o auxílio da Graça Divina, é sempre tempo de reencontrarmos a bússola e voltarmos para os braços de Deus.

Um dia, uma jovem falou dos encontros e desencantos que a vida lhe tem proporcionado, das emoções feridas pela insegurança de um relacionamento que não deu certo, da frustração ao ver a sua vida profissional abalada juntamente com as emoções e a dor de não ser acolhida como gostaria que fosse. Estava fragilizada, mas a sua confiança no amor de Deus ainda a mantinha em pé. Aliás, ela mesma afirmou que foi este o motivo que a fez desabafar. Depois de poucas palavras, concluiu com uma voz embargada e olhos rasos de lágrimas: “Eu só queria descobrir qual é a vontade de Deus para a minha vida!”

Saber discernir a vontade de Deus a nosso respeito é o segredo para a felicidade. Isso muda o rumo da nossa história e dá sentido a todas as coisas. Mas há um porém: não existe um manual com respostas prontas para esta descoberta. Assim como a nossa vida é única diante de Deus, a vontade d’Ele a nosso respeito também é, e esta revela-se subtilmente nas entrelinhas dos acontecimentos da nossa história. É preciso interpretá-la! Não podemos insistir em dizer a Deus o que queremos sem antes percebermos o que Ele realmente quer para nós, e isto exige humildade e perseverança.

O facto é que, conscientes ou não, lidamos com o nosso querer e o querer de Deus o tempo todo. Às vezes, estamos de comum acordo, e isto é maravilhoso, mas nem sempre é assim. E quando percebemos que o nosso querer não traz paz e tudo indica que Deus nos reserva o contrário do que desejávamos, precisamos de ter a coragem e a firme decisão de viver o abandono e optarmos pelo querer de Deus se a nossa meta for a felicidade. Isto é fácil? Claro que não! Aliás é muito difícil e a nossa natureza parece que até range por dentro sem se querer dobrar, mas a vida prova que esta é a melhor escolha. No entanto, é importante lembrar que a submissão à vontade de Deus é diferente de comodismo e falta de ideal.

É ter a coragem de sonhar, fazer planos e lutar por eles! Mas, dando a Deus a liberdade para os mudar caso seja este o Seu querer. É algo desafiante, mas libertador. A Palavra do Senhor diz que Deus tem desígnios de felicidade para a nossa vida (Jeremias 29, 11). E, por intermédio de Jesus, Ele mostrou-nos o caminho que nos leva a ela. Por isso, quando vivemos de acordo com os Seus ensinamentos expressos nas Sagradas Escrituras, a nossa vida funciona em harmonia mesmo no  meio das lutas; e quando os ignoramos, a nossa vida desintegra-se mesmo que pareça termos tudo o que desejávamos.

Confia seguramente no amor de Deus e acredita. Se fores fiel, Ele não vai desamparar-te! Quanto mais te aproximares do Senhor, por meio de uma vida comprometida com a oração e a prática da caridade, mais confiança adquires e mais cresces no amor. Assim, já não terás medo do que venha a acontecer na tua vida no próximo instante, porque, seja o que for, será o melhor meio que Deus escolheu para a tua felicidade.

 “O amor afasta todo o temor” (1 Jo 4,18)

 
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 Os prejuízos espirituais dos pecados veniais

O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal.

A santa Mãe Igreja ensina que “aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave que o pecado, e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro”. (CIC, § 1488)

Sabemos que há pecados graves, a que chamamos “mortais”, porque matam a vida da graça na nossa alma, expulsam Deus do nosso coração, perde-se o “estado de graça”. É uma infração grave da lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é o seu fim último e a sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. Fere principalmente os 10 Mandamentos, que são a base da Moral católica, conforme a resposta de Jesus ao jovem rico: “Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não enganes ninguém, honra teu pai e tua mãe” (Mc 10,19).

Para que um pecado, seja mortal são necessárias três condições ao mesmo tempo: “É pecado mortal todo o pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente”(CIC, §1857). O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, da sua oposição à lei de Deus. Mas a gravidade dos pecados é maior ou menor: um assassinato é mais grave do que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas é levada também em consideração. A violência contra os pais é mais grave do que contra um estranho.

O Catecismo diz que “se o estado de graça não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que a nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso”. (n.1861)

Há pecados menos graves, que não causam a perda do estado de graça, mas que são também muito prejudiciais à vida espiritual da pessoa. São os pecados veniais. “Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna” (Reconciliatio et Poenitentia,17). “Não priva da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna” (CIC,§ 1863). Não chega a quebrar a aliança com Deus.

Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento. Quando acontece uma falta, mas que não é contrário ao amor a Deus e ao próximo, tais pecados são veniais.

Mas a Igreja alerta-nos que o pecado venial enfraquece a caridade; mostra uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral.

O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal.

Santo Agostinho disse: “O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas os pecados a que chamamos leves, não os consideras insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então a nossa esperança? Antes de tudo, a confissão…” (Ep. João 1,6).

Podemos comparar o pecado venial às ervas daninhas que se juntam ao pé das plantas; não as matam mas impedem-nas de se desenvolverem plenamente porque sugam a seiva da terra que deveria ser só da planta. É por isso que o bom agricultor tira frequentemente as ervas daninhas, que crescem rapidamente e que têm raízes profundas. É fundamental que sejam retiradas com as raízes e não apenas cortadas, pois, é incrível a rapidez com que crescem. Diz um provérbio chinês que não é a erva daninha que mata a planta, mas a preguiça do lavrador.

Os nossos pecados veniais são pequenos, mas resistentes, e abundantes. São as palavras inconvenientes; as pequenas invejas, ciúmes, críticas, julgamentos leves, vaidades, pequenas iras, preguiças de fazer bem feito os trabalhos e orações, etc.. Cometemo-los sem mesmo tomarmos conhecimento disso muitas vezes. Esses pequenos vícios enraizados na nossa alma, sugam a sua vitalidade espiritual, enfraquecem a prática da caridade, dificultam a prática das virtudes humanas (prudência, temperança, justiça), prejudicam a oração, o reto comportamento moral, e podem nos conduzir a pecados mortais.

Por isso, com a mesma frequência e cuidado com que o horticultor retira do canteiro das verduras as pequenas pragas, o cristão precisa de estar atento para dia a dia limpar o canteiro da sua alma destes pecados. Uma boa reflexão ajuda a descobrir quais são as pragas que impedem o nosso crescimento espiritual. E a Confissão é o bom remédio para os eliminar.

Ao entrar na igreja, ao fazer o sinal da cruz com a água benta, pede a Deus o perdão desses pecados, para participares dignamente no santo mistério da missa. O ato penitencial é outra maneira de te arrependeres deles para poderes participar fervorosamente na sagrada Eucaristia.

 
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Eu preciso do Espírito Santo na minha vida?  

O Espírito Santo é a promessa do Pai para nós. Mas como temos vivido esta intimidade com Ele?

Lemos em São João 14,25-27: “Tenho-vos dito estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração.”

Sem o Espírito Santo nada podemos fazer, porque Ele é a promessa do Pai para nós. Entremos nas águas mais profundas, para que, assim, possamos entrar na intimidade do Pai.

O Espírito Santo é o Consolador, o Vivificador, o Paráclito, o Intercessor, o Amigo, Aquele que, enviado pelo Pai, nos revela a verdade de Cristo.

É Ele quem nos recorda todo o ensinamento de Jesus Cristo. Além de nos recordar esses ensinamentos, o Espírito Santo faz progredir os dons na nossa vida. Por isso, não O busquemos somente no extraordinário, mas em todos os momentos. Ao acordarmos, louvemos o Senhor e clamemos o Espírito Santo, para que Ele nos conduza.

Quando ainda crianças, fomos levados à pia batismal; ali, em nome de Jesus, fomos batizados. Agora batizados, temos de dar espaço para o Espírito Santo agir na nossa vida.

Por que necessitamos do Espírito Santo?

Só Ele nos pode dar um novo nascimento

Recordemo-nos de Nicodemos. Quando Jesus lhe diz: “É preciso nascer de novo. Nascer da água e do Espírito Santo” (cf. Jo 3,3), isto é um convite para nós. Somente com a ajuda do Paráclito nascemos de novo. Se Ele não tomasse todo o espaço da nossa vida, onde estaríamos? Abramos o coração e não tenhamos medo de clamar esta verdade: “Eu preciso do Espírito Santo!”

Ele muda o nosso coração

 “Transformarei o coração de pedra num coração de carne” (cf. Ez 36). O mover do Espírito Santo na nossa vida transforma o coração endurecido num coração humano, que se compadece do outro.

Revestir do poder do alto

O Pai reveste-nos do poder do Alto e direciona-nos a melhorarmos as nossas escolhas. Se deixarmos o Espírito Santo tomar espaço na nossa vida, erraremos menos nas nossas escolhas.

Testemunhas de Cristo

Só pela força e pelo poder do Espírito Santo, que age em nós, conseguiremos testemunhar o amor de Jesus Cristo.

Quantos são os mártires que, movidos pelo Espírito Santo, testemunharam Cristo! Sejamos também testemunhas d’Ele.

Para sermos livres

O Espírito Santo dá-nos liberdade, mas não a que o mundo prega. O Espírito de Deus faz-nos livres para caminharmos em Jesus Cristo. Esta deve ser a liberdade que desejamos e aspiramos.

Quatro atitudes para expressarmos a nossa necessidade do Espírito Santo

1 - Sede de Deus: Peçamos ao Pai que aumente essa sede em nós!

2 - Abertura: A abertura que o Senhor deseja é que tenhamos parte do perdão.

3 - Pedir: O Senhor respeita a nossa liberdade, por isso não violenta o nosso coração. Ele espera que peçamos o Paráclito. É impossível clamarmos o Espírito e não O recebermos.

4 - Gratuito: Não precisamos dar nada em troca; apenas abrir o coração e pedir.

A paz vem de Cristo

Esta Palavra continua a falar-nos: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Jesus dá-nos a sua paz!”. O batismo no Espírito Santo desabrocha em nós os frutos do Espírito e ensina-nos a agir como Jesus agiu.

O mundo ainda não encontrou a paz. No dia em que os filhos de Deus tomarem posse do Espírito Santo, reconhecendo que Jesus é o Príncipe da Paz, as guerras e indiferenças vão acabar.

Haverá paz quando Jesus Cristo reinar nos corações. Se buscarmos Jesus, caminharemos na paz e a promoveremos.

 
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Novos mártires

Não houve mártires só nos primeiros séculos, mas em todas as épocas e lugares temos muitos testemunhos de mártires. A história da Igreja em todos os cantos do planeta é permeada pelo testemunho dos mártires, sementes de novos cristãos. Porém, quando falamos de perseguição ao Cristianismo, nada se pode comparar ao século XX e a este início do século XXI. Só os mártires provenientes das grandes revoluções e regimes ditatoriais superam os de toda a história. A Revolução Russa (1917), por exemplo, levou à morte cerca de 17 mil sacerdotes e 34 mil religiosos. O Comunismo espalhou-se pelo mundo e declarou a religião como subversiva e inimiga do Estado. Igrejas, conventos e seminários são fechados e destruídos. São incontáveis os números de mártires por diversos motivos em países como União Soviética, Lituânia, Roménia, China, Vietnam, Camboja e Cuba. Mesmo em países tidos como cristãos, como Espanha e México, entre tantos outros, encontramos a perseguição e o martírio.

A perseguição, hoje, não é somente a física, ou seja, o martírio de sangue. Há outra forma de perseguição que se espalha pelo mundo e por países que, antes, eram profundamente cristãos. Segundo o Papa Emérito Bento XVI: “hoje existe o martírio da ridicularização, ou seja, se te denominas cristão no trabalho, na universidade ou pões um crucifixo ao peito, ridicularizam-te. Vão chamar-te alienado, fundamentalista, medieval. Não é uma perseguição que vem com as armas, mas com a cultura”. Este é um dos tipos que no Ocidente, tido como cristão, mais tem vilipendiado a religião e ofendido os católicos que vêem a sua fé ser ridicularizada em tantas situações.

Portanto, mártir é todo aquele que morre em nome da fé. A estes queremos pedir a graça, e que nos ensinem a ter uma fé madura e alicerçada na rocha que é Jesus Cristo.

Invocação da Igreja primitiva: “que o sangue dos mártires seja semente de novos cristãos”.

 
Quem é o meu Anjo da Guarda? Imprimir e-mail

 

Quem é o meu anjo da guarda?  

O Catecismo da Igreja diz que “a existência dos seres espirituais, não corporais, os anjos, é uma verdade de fé”. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro como a unanimidade da Tradição (n.328). Nenhum católico pode, então, negar a existência dos anjos. Eles são criaturas pessoais e imortais, puramente espirituais, dotados de inteligência e de vontade e superam em perfeição todas as criaturas visíveis (cf. Cat. n.330). São Gregório Magno disse que quase todas as páginas da Revelação escrita falam dos anjos.

A Igreja ensina que, desde o início até à morte, a vida humana é cercada pela protecção (Sl 90,10-13) e pela intercessão dos anjos. “O anjo do Senhor acampa ao redor dos que o temem e os salva” (Sl 33,8).

São Basílio Magno (†369), doutor da Igreja, disse: “Cada fiel é ladeado por um anjo como protector e pastor para conduzi-lo à vida” (Ad. Eunomium 3,1). Isto é, temos um Anjo da Guarda pessoal. Jesus disse: “Não desprezeis nenhum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus vêem continuamente a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18,10).

Festa aos Anjos da Guarda

A liturgia de 2 de Outubro celebra os Anjos da Guarda desde o século XVI, festa universalizada por Paulo V. Ora, se a Igreja celebra a festa dos Anjos da Guarda é porque, de facto, eles existem e cuidam de nós, protegem-nos, iluminam e governam a nossa vida, ajudam-nos como ajudou Tobias. Mas para isso é preciso crer neles, respeitá-los, não os afugentar pelo pecado. Disse um jovem: “Eu não vejo pornografia na internet, porque tenho vergonha do meu Anjo da Guarda!” A melhor homenagem ao nosso anjo é viver uma vida sem pecado, buscando, com a ajuda dele, fazer a vontade de Deus.

Oferecer ao Senhor as nossas orações

A Tradição da Igreja acredita que o nosso Anjo da Guarda tem a tarefa de oferecer ao Senhor as nossas orações, apoiar-nos e proteger-nos dos ataques do diabo, que tenta fazer-nos pecar e perder a vida eterna. Então, nada mais importante do que ter uma vida de intimidade com o nosso anjo, invocando-o constantemente e colocando-nos debaixo da sua protecção. Desde criança, aprendemos com a nossa mãe esta oração: “Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois que a ti me confiou a piedade divina, hoje e sempre me governa, rege, guarda e ilumina. Amém.”

Então, o melhor a fazer é não fazer nada sem pedir a luz, a protecção, o governo do bom anjo que o Senhor colocou como guarda e custódio da nossa vida, do baptismo até à morte. É por isso que muitos Papas, como São João XXIII, revelaram a sua profunda devoção pelo Anjo da Guarda, sugerindo, como também disse Bento XVI, que expressemos a nossa gratidão pelo serviço que ele presta a cada um de nós e o invoquemos todos os dias com o Anjo do Senhor...

O Santo Padre Pio teve um relacionamento profundo com o Anjo da Guarda. São inúmeras as passagens da vida deste santo com o seu anjo e com o anjo dos outros. Certa vez, ele disse a uma pessoa: “Nós rezaremos pela sua mãe, para que o seu anjo da guarda lhe faça companhia”. Invoque o seu Anjo da Guarda, pois ele o iluminará e o guiará no caminho de Deus.

Qual é o nome do meu Anjo da Guarda?

Alguns perguntam se é possível saber o nome do nosso Anjo da Guarda. A Igreja não fala sobre isto, apenas conhece o nome dos três grandes Arcanjos: Miguel, Rafael e Gabriel. Portanto, se alguém sabe o nome do seu anjo é uma revelação particular que não tem a confirmação da Igreja.

O mais importante é termos um relacionamento vivo e fervoroso com o nosso bom anjo protector durante toda a vida.

 
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