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Deus é Amor

Papa Bento XVI

 
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 O que é a Divina Providência? 

 

O homem é chamado a confiar inteiramente na Divina Providência

Deus sustenta e conduz toda a criação, realizando a Sua vontade por meio da Divina Providência. Assim, para viver uma vida de santidade, é necessário confiar inteiramente nela. Mas muitos ainda têm dúvidas sobre o que ela é e como viver dela.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) define a Divina Providência como as disposições pelas quais Deus conduz a Sua criação em ordem à perfeição: “Deus guarda e governa, pela Sua providência, tudo quanto criou, atingindo com força, de um extremo ao outro, e dispondo tudo suavemente” (Sb 8,1), porque “tudo está nu e patente a seus olhos” (Hb 4,13), mesmo o que “depende da futura acção livre das criaturas” (CIC 302).

Desta maneira, o Senhor criou o homem para a santidade e, por isso, Ele nunca o abandona; por isso o conduz, a cada instante, para uma perfeição última, ainda a atingir pelos caminhos que só Ele conhece.

Por outro lado, mesmo conduzindo tudo, Ele nunca retira a liberdade do homem, uma vez que este não é marionete. “Em Deus, vivemos, nos movemos e existimos” (Act 17,28). Ele está presente em todas as situações, mesmo nas ocorrências dolorosas e nos acontecimentos aparentemente sem sentido. Ele também escreve direito pelas linhas tortas da nossa vida; o que nos tira e o que nos dá, tudo constitui ocasiões e sinais da Sua vontade, afirma o Youcat (49).

Reconhecer, confiar nesta dependência total do Senhor é fonte de sabedoria e liberdade, de alegria e confiança (Sb 11,24-26). O próprio Jesus recomendou o abandono total à providência celeste, sendo Ele o próprio a testemunhar, com a Sua vida, que o Senhor cuida de todas as coisas: “Não vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer?’ ‘Que havemos de beber?’ […] Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Mt 6,31-33).

Por que é que Deus não evita o mal?

Se Deus conduz todas as coisas, surge então a pergunta: Por que é que Ele não evita o mal?

Afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A esta questão, tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, não é possível dar uma resposta rápida e satisfatória. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta questão: a bondade da criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela Encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pela agregação à Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir, mas à qual podem, também de antemão, negar-se, por um mistério terrível. Não há nenhum pormenor da mensagem cristã que não seja, em parte, resposta ao problema do mal” (CIC 309).

São Tomás de Aquino afirmava: “Deus só permite o mal para fazer surgir dele algo melhor”. Ora, o mal no mundo é um mistério sombrio e doloroso, por isso tão incompreensível; mas temos a certeza de que o Senhor é cem por cento bom, Ele nunca é o autor de algo mau. Ele criou o mundo bom, embora ainda não aperfeiçoado.

Olhando para a história, é possível descobrir que o Senhor, na sua providência, tirou um bem das consequências de um mal (mesmo moral) causado pelas criaturas: “Não, não fostes vós – diz José a seus irmãos – que me fizestes vir para aqui. Foi Deus. […] Premeditastes contra mim o mal: o desígnio de Deus aproveitou-o para o bem […] e um povo numeroso foi salvo” (Gn 45,8; 50,20).

“Do maior mal moral nunca praticado, como foi o repúdio e a morte do Filho de Deus, causado pelos pecados de todos os homens, Deus, pela superabundância da sua graça, tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa redenção. Mas nem por isso o mal se transforma em bem”. (CIC 314).

Confiar inteiramente na Divina Providência

O certo é que “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade: Santa Catarina de Sena afirmou: “Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem e não com nenhum outro fim”. São Tomás Morus, pouco antes do seu martírio, disse estas palavras: “Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom” (CIC 315).

Portanto, o homem é chamado a confiar inteiramente na Divina Providência, pois esta é o meio pelo qual Ele conduz, com sabedoria e amor, todas as criaturas para o seu último fim, que é a santidade, mesmo sabendo que, muitas vezes, os caminhos da sua providência são desconhecidos. A resposta para aquele que deseja viver uma vida na vontade do Senhor é o abandono, pois esta é a ordem de Deus: “Lançai sobre o Senhor toda a vossa inquietação, porque Ele vela por vós” (1 Pe 5,7).

 
Escravos do pecado Imprimir e-mail
 

Escravos do pecado 

O que a Igreja ensina sobre o pecado

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) mostra toda a gravidade do pecado: “Aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave do que o pecado e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro” (§ 1488). São palavras fortíssimas, pois mostram que não há nada pior do que o pecado. Por outro lado, o Catecismo afirma que ele é uma realidade: “O pecado está presente na história dos homens: seria inútil tentar ignorá-lo ou dar a esta realidade obscura outros nomes” (CIC, §386).

Deus disse a Santa Catarina de Sena, em “O Diálogo”: “O pecado priva o homem de Mim, Sumo Bem, ao tirar-lhe a graça”. São Paulo, numa frase lapidar, explica toda a hediondez do erro e razão de todos os sofrimentos deste mundo: “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Tudo o que há de mal na história do homem e do mundo é consequência desta falha que “começou” com Adão. “Por meio de um só homem, o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rom 5,12). O Catecismo ensina que: “A morte corporal, à qual o homem teria sido subtraído se não tivesse pecado (GS,18), é assim o último inimigo do homem a ser vencido” (1Cor 15, 26).

Santo Agostinho dizia que: “É desígnio de Deus que toda a alma desregrada seja para si mesma o seu castigo”, e acrescentava: “O homem faz-se réu do pecado no mesmo momento em que decide cometê-lo.” Sintetizava tudo dizendo que “pecar é destruir o próprio ser e caminhar para o nada”. Ele dizia de si mesmo nas confissões: “Eu pecava, porque em vez de procurar em Deus os prazeres, as grandezas e as verdades, procurava-os nas suas criaturas: em mim e nos outros. Por isso precipitava-me na dor, na confusão e no erro”.

Toda a razão de ser da Encarnação do Verbo foi para destruir, na Sua carne, a escravidão do pecado. “Como imperou o pecado na morte, assim também, imperou a graça por meio da justiça, para a vida eterna, através de Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rom 5,21).

O demónio escraviza a humanidade com a corrente do pecado, mas Jesus vem exactamente para a quebrar. São João deixa bem claro na sua carta: “Sabeis que Ele se manifestou para tirar os pecados” (1Jo 3,5). “Para isto é que o Filho de Deus se manifestou, para destruir as obras do diabo” (1 Jo 3,8). Esta “obra do diabo” é exactamente o pecado, que nos separa da intimidade e da comunhão com Deus e nos rouba a vida bem-aventurada.

Com a Sua Morte e Ressurreição triunfante, Jesus libertou-nos das cadeias do pecado e, por Sua graça, podemos agora viver uma nova vida. É o que São Paulo nos ensina na Carta aos Colossenses: “Se, pois, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Col 3,1). Aos romanos ele garante: “Já não pesa mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. A Lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da morte” (Rom 8,1).

Aos gálatas o apóstolo, diz: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão” (Gal 5,1). A vitória contra o pecado custou a vida do Cordeiro de Deus. São João Baptista, o precursor, aquele que foi encarregado por Deus para apresentar ao mundo o Seu Filho, podia fazê-lo de muitas formas: “Ele é o Filho de Deus”, ou, “Ele é o esperado das nações”, como diziam; ou ainda: “Ele é o Santo de Israel”, ou quem sabe: “Eis aqui o mais belo dos filhos dos homens”, etc.; mas em vez de usar estas expressões que designavam o Messias que haveria de vir, João preferiu dizer: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).

O perigo do erro

Aqueles que querem dar outro sentido à vida de Jesus, que não o d’Aquele que “tira o pecado do mundo”, esvaziam a Sua Pessoa, a Sua missão e a missão da Igreja. A partir daí, a fé é esvaziada e toda a “sã doutrina” (1Tm 4,6) é pervertida. Eis o perigo da “teologia da libertação” que exigiu a intervenção directa da Santa Sé e do próprio Papa João Paulo II, pois, na sua essência, esta “teologia” substitui o Cristo Redentor do pecado por um Cristo apenas libertador dos males sociais e terrenos, reinterpreta o Evangelho e o Cristianismo dentro de uma exegese e de uma hermenêutica, que não é aceita pelo Magistério da Igreja.

Assim, como a missão de Cristo foi a de libertar o homem da culpa, a missão da Igreja, que é o Seu Corpo místico e a Sua continuação na história, é também, a de libertar a humanidade do pecado e levá-la à santificação. Fora disso, a Igreja esvazia-se e não cumpre a missão dada pelo Senhor. “Jesus” quer dizer, em hebraico, “Deus salva”. Salva dos pecados e da morte. Na anunciação, o anjo disse a Maria: “[…] pôr-lhe-ás o nome de Jesus” (Lc 1,31).

A José, o mesmo anjo, disse: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21). A salvação dá-se pelo perdão dos pecados; e já que “só Deus pode perdoar os pecados” (Mc 2, 7), Ele enviou o Seu Filho para salvar o Seu povo dos pecados. “Foi Ele quem nos amou e nos enviou o Seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1Jo 4,10). “Este apareceu para tirar os pecados” (1Jo 3,5).

Tudo isto mostra que a grande missão de Jesus era, de facto, “tirar o pecado do mundo”, e Ele não teve dúvida de chegar até à morte trágica para tal facto. Agora, Vivo e Ressuscitado, Vencedor do pecado e da morte, pelo ministério da Igreja, dá o perdão a todos os homens. Jesus disse aos apóstolos na Última Ceia: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Guardar os mandamentos é a prova do amor por Jesus. Quem obedece aos Seus mandamentos, foge do pecado.

O grande São Basílio Magno (329-379), bispo e doutor da Igreja, ensina nos seus escritos, que há três formas de amar a Deus: a primeira é como o mercenário, que espera a retribuição; a segunda é como o escravo que obedece, por medo do chicote, o castigo de Deus; e o terceiro é o amor filial, daquele que obedece, porque, de facto, ama o Pai. É assim que devemos amar o Senhor; e a melhor forma de amá-Lo é repudiando todo mal.

Os Dez Mandamentos são a salvaguarda contra o pecado. Por isso, o primeiro compromisso de quem almeja a santidade deve ser o compromisso de viver, na íntegra, os mandamentos. Diante da gravidade do pecado, o autor da Carta aos Hebreus chega a dizer aos cristãos: “Ainda não resististes até ao sangue na luta contra o pecado” (Hb 12,4). Nesta luta, justifica-se chegar até ao sangue, se for preciso, como Jesus o fez.

 
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Como posso tornar-me uma pessoa madura na fé? 

 

Os 30 “quês” de uma pessoa madura na fé

 

Estamos num mundo muito pluralista, por isso precisamos de nos tornar verdadeiros especialistas em matéria de fé e conversão. Se não for assim, os cristãos “mais ou menos” não vão resistir. Daí, então, a necessidade de um amadurecimento real e concreto na fé.

 

Em comunhão com a evangelização, é preciso levar os outros ao encontro pessoal com Jesus, pois só assim nos vamos tornando maduros na fé, que nada mais é do que sermos crianças nas mãos de Deus. Livres da “maturidade” somente humana que questiona tudo, vamos a caminho de sermos “verdadeiros cristãos com coluna vertebral”, como expressou João Paulo II.

 

Textos bases para um aprofundamento e um exame de consciência a respeito da nossa fé: 1 Cor 3,1-9; Heb 5,12-14; Ef 4,11-15.

 

Como ser uma pessoa madura na fé?

 

A pessoa que tem uma fé vivida de forma madura com Deus:

 

1 –  Escolhe inteiramente Deus;

 2 – Sabe discernir a vontade d’Ele;

 3 – Faz a vontade d’Ele até ao fim;

 4 – Vive o Evangelho sem perguntas;

 5 – É livre no Senhor;

 6 – Sabe obedecer;

 7 – Sabe reconhecer os sinais dos tempos;

 8 – Vive uma individualidade, não um individualismo;

 9 – É capaz de viver a alteridade;

 10 – Vive uma fé com obras.

 

Amor e compaixão ao próximo

 

A pessoa que tem uma fé vivida de forma madura com o próximo:

 

1 – Pergunta sem duvidar do próximo;

 2 – Vive a fé com o próximo;

 3 – Consegue adaptar-se ao diferente;

 4 – Alegra-se com o crescimento do próximo;

 5 – Reconhece o outro, por este ser também um filho de Deus;

 6 – Sabe o seu papel na sociedade;

 7 – Contagia o próximo com a santidade;

 8 – Tem como única competição amar mais o próximo;

 9 – Ama com caridade;

 10 – É original na fé e na opinião.

 

Ser fiel consigo

 

A pessoa que tem uma fé vivida de forma madura consigo:

 

1 – Tem autonomia na fé;

 2 – É perseverante mesmo no sofrimento;

 3 – Agarra-se, compromete-se;

 4 – É especialista no que faz;

 5 – É como “para-raios” na intercessão;

 6 – Conhece a própria verdade;

 7 – Assume as experiências vividas;

 8 – Sabe receber elogios e também críticas;

 9 – Sabe falar e também escutar;

 10 – Deixa-se trabalhar no temperamento pelo Espírito de Deus.

 
A Leitura Espiritual Imprimir e-mail

 

A LEITURA ESPIRITUAL

 

O que é a “leitura espiritual”?

Há muitos tipos de leitura religiosa. Falemos daquele que, na linguagem clássica cristã, se chama «leitura espiritual», em sentido estrito, e que costuma fazer parte do programa diário das pessoas que querem levar a sério a sua vida interior.

Consiste na leitura atenta e bem assimilada de um livro que trate de assuntos de «vida espiritual», com seriedade e boa doutrina, e que os focalize de maneira prática, de modo que nos ajude a aplicá-los à nossa vida diária.

É preciso ter em conta que dentro do conceito estrito de «vida espiritual» ou de «vida interior», não só entram as práticas de oração, de adoração, a Eucaristia, o amor a Nossa Senhora e outras devoções… – que são, sem dúvida, elementos básicos de uma vida espiritual autêntica-, mas entram também as virtudes e o modo de melhorá-las (fé, caridade, paciência, firmeza, temperança, constância, etc.), bem como os defeitos (vaidade, preguiça, ira, inveja, desordem sensual, etc.) e o modo de vencê-los; e ainda o esforço por santificar a família, por achar Deus no trabalho, por levar Deus a outras almas, etc, etc. Em suma, entra tudo quanto nos ajuda a procurar a santidade e o apostolado no dia-a-dia.

Como fazer a leitura espiritual?

1) Antes de mais nada, é preciso convencer-se da sua necessidade e tomar a decisão de fazê-la diariamente, sempre que possível.

2) Ao tomar esta decisão deverá ter em conta:

a) Primeiro: que é importante escolher o melhor momento do dia – o “seu” melhor momento - para esta leitura. Antes do café da manhã? No escritório, antes de começar o trabalho? No começo da tarde (hora que pode ser útil para estudantes, para algumas mães de família…)? Ao visitar uma igreja, antes de voltar para casa? No autocarro ou no metro, desde que possa sentar-se? Pense, faça experiências, e decida.

b) Pense que será mais fácil definir o horário, se tiver consciência de que a leitura não precisa de ser longa: ordinariamente bastam dez ou quinze minutos para tirar bom fruto desta prática espiritual. Vivendo-a com constância, em pouco tempo terá lido, e aproveitado, mais livros bons do que imagina.

c) É importante que defina – volto a dizer – o lugar, o momento e a duração da leitura espiritual. E acrescento um conselho, fruto da experiência: se você definir dez minutos de leitura, faça sempre dez minutos como “norma”, nunca menos. Caso queira esticar esta leitura por mais tempo, ou deseje ler mais noutra hora, não há problema, mas considere isto como “leitura extra”. É só em relação ao seu programa diário, aos seus dez ou quinze minutos, que se deve sentir comprometido, com sincera exigência.

d) Escolha bem, em cada momento, o livro de leitura espiritual. Para isso, é muito útil pedir conselho a uma pessoa de critério que conheça a sua alma e as lutas da sua vida. Em todo o caso, sempre que possível, procure ler um livro que vá ao encontro das suas necessidades espirituais daquela temporada.

e) Uma vez definido o livro, leia-o devagar, pausadamente, em sequência, e do começo ao fim (lendo, relendo, sublinhando alguma palavra ou frase, refletindo, rezando). Quem borboleteia nas leituras, “debicando” por curiosidade pedacinhos de vários livros ao mesmo tempo, sem completar nenhum, tira pouco proveito e permanece superficial na sua vida interior.

f) Não importa quanto tempo demorar a terminar um livro, mesmo que seja breve. Também não importa, antes pelo contrário, reler vários dias em seguida os mesmos trechos do livro, se a sua intenção é assim gravá-los melhor, para tirar deles mais fruto. Um livro bom pode ser relido todos os anos (por exemplo, um clássico sobre a Paixão de Cristo, no tempo da Quaresma; ou um bom livro sobre Nossa Senhora, em Maio, mês de Maria).

g) Depois da leitura diária, ao fechar o livro pergunte-se: O que foi que eu li, o que compreendi, o que me ficou mais gravado?

3. É muito bom ter o desejo de conhecer (de ler) as obras clássicas de espiritualidade, que têm ajudado inúmeras pessoas a aproximarem-se de Deus e a melhorar. Para ter ideia de que tipo de livros estou a falar, vou citar alguns, apenas alguns, dentre os mais conhecidos:

─ Tomás de Kempis: A imitação de Cristo

─ São Francisco de Sales: Introdução à vida devota (também chamado Filoteia), Tratado do Amor de Deus (mais “teológico”)

─ Santo Afonso Maria de Ligório: A oração, A prática do amor a Jesus Cristo, As Glórias de Maria

─ Santa Teresa de Lisieux (Santa Teresinha): História de uma alma (também chamado Manuscritos autobiográficos)

─ Santa Teresa de Ávila: O livro da vida, Caminho de perfeição

─ Santa Catarina de Sena: O diálogo

E muitos outros, além de numerosas obras excelentes de autores antigos e contemporâneos, que podem fazer um bem imenso à nossa alma. Pesquise, pergunte, consulte a quem lhe puder dar um bom conselho. Acredite na leitura espiritual. A ela se pode aplicar perfeitamente o dito de Jesus: Pelos seus frutos os conhecereis (Mt 7,16).

4. Dois esclarecimentos:

a) Não confunda a «leitura espiritual» com a «oração mental» (ou a «meditação»). É muito frequente o engano de pessoas que utilizam determinados livros para fazer a sua oração mental (ou a sua meditação), e acham que com isto estão a fazer leitura espiritual. Misturam e confundem conceitos diferentes.

Para a oração mental ou meditação, cada dia, se quiser, você pode escolher à vontade textos de livros diferentes, os que achar que lhe podem servir de apoio para meditar sobre a sua vida e “falar com Deus”. A «leitura espiritual», porém, como acabamos de ver, é coisa diferente: trata-se de ler em sequência, quase que de “estudar” um livro inteiro, completo, que garanta o aprofundamento da sua formação. Não esqueça esta distinção;

b) Há outras leituras, que também nos fazem muito bem; mais ainda, que nos fazem muita falta: as que nos proporcionam formação doutrinal. Entre elas, podem-se destacar os catecismos: desde o Primeiro Catecismo ou o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, até o próprio Catecismo da Igreja Católica, amplo, profundo, excelente, ainda que exige certa preparação doutrinária para o entender bem. Um bom livro de teologia para leigos, que sempre se recomenda, é a obra do americano Leo Trese, A fé explicada; excelente, pedagógico e claro. Em bastantes casos, pode ser usado também como “leitura espiritual”.

Todos deveríamos achar algum tempo (não precisa de ser diário, pode ser semanal, mais longo nas férias) para ler obras doutrinais. Hoje, num mundo de ideias confusas, é uma necessidade vital.

 
A eficácia da bênção do sacerdote Imprimir e-mail

  

A eficácia da bênção do sacerdote 

 

A eficácia da bênção do sacerdote deve ser acolhida ou pedida com fé

Em toda a Santa Missa temos a graça de recebermos a bênção de Deus através do sacerdote. Digo a Santa Missa pois é o rito mais comum que podemos presenciar, mas em todo o sacramento temos a bênção de Deus, que nos vem por meio de um ministro ordenado. E, ainda, outras celebrações devocionais onde é possível, também, contar com a bênção de um sacerdote.

O Catecismo da Igreja Católica ensina nos números 1078 e 1079: “Abençoar é uma acção divina que dá a vida e de que o Pai é a fonte. A sua bênção é, ao mesmo tempo, palavra e dom. Aplicada ao homem, tal palavra significará a adoração e a entrega ao seu Criador, em acção de graças.

 Desde o princípio até à consumação dos tempos, toda a obra de Deus é bênção. Desde o poema litúrgico da primeira criação até aos cânticos da Jerusalém celeste, os autores inspirados anunciam o desígnio da salvação como uma imensa bênção divina.”

A bênção vem sempre de Deus, no Antigo Testamento temos uma das fórmulas mais antigas que, inclusive, se usa no final da Santa Missa no tempo comum, trata-se da bênção de Aarão (cf. Nm 6,22-27). A bênção serviu para o povo de Deus continuar a sua caminhada rumo à terra prometida, a bênção foi uma graça animadora, um envio e uma protecção para os israelitas para que fossem fiéis a Deus, livres dos males ou que enfrentassem as dificuldades com esperança.

Deus age em cada sacerdote

O sacerdote, desde o Antigo Testamento, era constituído para oferecer sacrifícios a Deus em favor do povo. Assim também, acontece no Novo Testamento (cf. Hb 5,1), principalmente através do sacrifício Eucarístico (cf. CIC 1552).

O sacerdote é o Cristo único e eterno que quis contar com colaboradores que agem na sua Pessoa: “IN PERSONA CHRISTI CAPITIS”, “na pessoa de Cristo Cabeça”.  Apesar de agir em nome de Cristo, de ser o Cristo, o sacerdote não está livre de pecar, é um pecador, mas a bênção é transmitida através dele, ele comunica “um poder sagrado que é o poder de Cristo”. Ele possui uma autoridade que vem de Cristo e Ele constituiu sacerdotes para que cuidassem das suas ovelhas (cf. CIC 1550-1551).

A eficácia da bênção sacerdotal não depende da santidade do ministro, Deus age em todo o sacerdote do mais santo ao mais pecador, do mais experiente ao recém-ordenado. Muitas vezes, depende da abertura do fiel àquela bênção, a fé acaba por ser um importante critério para receber a graça. Mas é sempre dom de Deus, a pessoa que pede deve ter fé, deve acreditar, deve perseverar na vontade de Deus.

Deus sempre abençoa e quer abençoar

Enfim, a eficácia da bênção do sacerdote deve ser acolhida ou pedida com fé para ti, para alguém ou para alguma situação. Deus abençoa sempre e quer abençoar. No Evangelho, encontramos pessoas que foram abençoadas, porque pediram directamente a Jesus (cf. Mt 8,1-4; 9,27-31), pessoas que pediram por outras (cf. Mt 9,1-8) e pessoas curadas porque Jesus se aproximou (cf. Mt 12,9-13).

Seja como for dê o seu passo, creia e peça, tenha fé e peça por alguém, seja ousado e creia na bênção concedida em cada acto litúrgico, tenha fé e peça a bênção de Deus por meio de um sacerdote. A bênção concedida por um sacerdote tem uma eficácia extraordinária que se manifesta nas coisas simples e nas mais complicadas. Peça a bênção, mas tenha também discernimento: não chateie o sacerdote, quem acabou de participar na Santa Missa já recebeu a bênção, não peça uma “bênção especial”, pois não existe bênção maior do que a da Santa Missa.

 
Para agradar a Deus, reza pela conversão dos pecadores Imprimir e-mail

 

Para agradar a Deus, reza pela conversão dos pecadores

 

As orações que fazemos pelos outros, mormente pelos pecadores, são muito agradáveis a Deus.

O Senhor queixa-se dos seus servos que não rezam pelos pecadores.

Um dia, lamentava-se Nosso Senhor a Santa Maria Madalena de Pazzi: “Vê, minha filha, como caem os cristãos nas mãos do demónio; se os meus escolhidos não os livrassem pelas suas orações, seriam tragados por ele”.

De um modo todo especial, porém, Nosso Senhor deseja e exige isto dos sacerdotes e religiosos.

Por isso, dizia muitas vezes a Santa às suas religiosas:  “Irmãs, Deus separou-nos do mundo, não somente para fazermos bem a nós mesmas, mas também para nós procurarmos aplacar a sua ira contra os pecadores”.

Falou-lhe, uma vez, o Senhor:  “Eu vos dei, a vós, esposas escolhidas, a cidade de refúgio, (isto é, a Paixão de Jesus Cristo), para que tenhais onde recorrer para ajudar as minhas criaturas; por isso, recorrei a ela e ali oferecei auxílio às minhas criaturas que perecem; sacrificai mesmo a vossa vida por elas”.

Pelo que a Santa, inflamada de santo zelo, oferecia a Deus, cinquenta vezes por dia, o sangue do Redentor pelos pecadores e se consumia em desejos pela sua conversão, dizendo:  “Que pena, Senhor! Como sinto ver que posso ajudar as tuas criaturas com o sacrifício da minha vida e, contudo, não poder realizá-lo!”

Ela, em todos os exercícios de piedade, recomendava os pecadores a Deus; e na sua vida se conta que não passava uma hora do dia sem que não pedisse por eles.

Frequentemente levantava-se à meia noite e dirigia-se à Igreja, onde estava o Santíssimo Sacramento, para rezar pelos pecadores.

Apesar de tudo isto, foi encontrada, uma vez, a chorar e, interrogada do motivo das lágrimas, respondeu: “Porque me parece que nada faço pela conversão dos pecadores”.

Chegou até a oferecer-se padecer as penas do inferno pela conversão deles, contanto que lá não tivesse de odiar a Deus.

Frequentes vezes conseguiu ser atormentada por graves dores e enfermidades pela salvação dos pecadores.

Rezava especialmente pelos sacerdotes, vendo que estes, com uma vida exemplar, seriam causa da salvação de muitos e com uma vida má levariam muitos à ruína e perdição.

Pedia a Nosso Senhor que a castigasse pelas culpas deles e dizia: “Senhor, fazei-me morrer tantas vezes e tornar à vida, até satisfazer por eles a Vossa justiça”…

Esta santa, pelas suas orações, libertou de facto muitas almas das garras de Satanás.

 
Porque é que Deus é o nosso Pai Imprimir e-mail

Porque é que Deus é o nosso Pai, e porque devemos honrá-lo.

 

Perguntamos: como é que Deus é Pai? E quais são nossas obrigações para com Ele devido à sua paternidade?

 

Chamamos-Lhe Pai, por causa do modo especial com que nos criou.

Criou-nos à sua imagem e semelhança, imagem e semelhanças estas, que não imprimiu em nenhuma outra criatura inferior ao homem.

Não é ele teu Pai, teu Criador que te estabeleceu? (Dt 32, 6).

Deus merece também o nome de Pai, por causa da solicitude particular que tem para com os homens no governo do universo.

Nada escapa ao seu governo, sendo este exercido de modo diferente em relação a nós e em relação às criaturas inferiores a nós.

Os seres inferiores são governados como escravos e nós como senhores.

Ó Pai, diz o livro da Sabedoria (14, 3), a vossa providência rege e conduz todas as coisas; e (12, 18) a nós governa com indulgência.

Deus, enfim, tem direito ao nome de Pai, porque nos adotou.

Enquanto não deu, às outras criaturas, senão pequenas dádivas, a nós fez o dom da sua herança, e isto porque somos seus filhos.

São Paulo diz (Rm 8, 17): Porque somos seus filhos, somos também seus herdeiros, e ainda (vers. 15): Vós não recebestes um espírito de servidão, para recairdes no temor, mas recebestes um espírito de adoção, que nos faz clamar: Abba, Pai.

Em primeiro lugar, devemos honrá-lo.

Se sou Pai, diz o Senhor, por Malaquias, (1,6) onde está a minha honra?

Esta honra consiste em três coisas: a primeira em relação aos nossos deveres para com Deus; a segunda, os nossos deveres para conosco mesmos; a terceira, os nossos deveres para com o próximo.

A honra devida ao Senhor consiste, primeiramente, em oferecer a Deus o dom do louvor, seguindo o que está escrito (Sl 49, 23): O sacrifício de louvor me honrará.

Este louvor deve estar não só nos lábios, como no coração.

Está escrito em Isaías (29,13): Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.

A honra devida a Deus, em segundo lugar, consiste na pureza dos nossos corpos, pois o Apóstolo escreveu: (1 Cor 6, 20) Glorificai e trazei a Deus em vosso corpo.

Consiste, enfim, esta honra, na equidade dos nossos julgamentos para com o próximo. O Salmo 98, 4, diz: Honrar o rei é amar a justiça.

 

Fonte: Retirado do livro “O Pai nosso e a Ave Maria: sermões de São Tomás de Aquino”.

 
Testemunhas de Jeová tentam converter um padre Imprimir e-mail

 

Testemunhas de Jeová tentam converter um padre e levam aula de doutrina

 

Estando eu numa comunidade de irmãs religiosas, a pregar o retiro, uma das irmãs disse: “Padre, tem uma visita para o senhor”. E começou a sorrir. Percebi que havia algo estranho e, quando fui ao portão, eram duas senhoras a distribuir folhetos.

Aproximei-me e saudei as duas. Uma pergunta: “Qual o seu nome?”

– Padre Gabriel.

– Ah, sim… Já vi o senhor de longe, passando de carro. E como lhe posso chamar?

– Padre Gabriel.

– Ah, certo… (dando um sorriso irónico).

– Senhor Gabriel, estamos aqui a entregar estes convites para a celebração da morte de Jesus. Como o senhor sabe, ele fez a última ceia, tomou o pão e disse que era um símbolo do seu corpo…

– Minha amiga, ele não disse isso. Ele disse “ISTO É O MEU CORPO”. Não uma representação.

– Sim, mas isso não significa que aquele pão é a carne de Jesus…

– Então ele estava a brincar. Ele poderia dizer muito bem “isto representa o meu corpo”, mas disse “ISTO É”.

– Então o senhor acredita que aquele pão se transforma num pedaço de carne?

– É claro que sim. Assim como Jesus transformou água em vinho, Ele tem poder de transformar qualquer coisa. A Palavra de Deus criou o céu e a terra do NADA, quanto mais transformar uma matéria noutra. Ele mesmo disse em João cap. 6: “O pão que eu darei é a minha própria carne para a salvação do mundo”.

– Sim… Nós conhecemos esta passagem. Nós também temos o corpo de Cristo.

– Eu sei, mas vocês fazem um teatro, uma recordação do passado. A prova é que, quando tudo termina, o pão e o vinho que sobram são descartados. Já o nosso Pão Consagrado vai para o Sacrário e lá fica para a adoração dos fiéis. É verdadeiramente o Corpo de Jesus!

– Ok, padre. Mas eu queria lhe mostrar outra coisa. Sabemos que há uma esperança celestial e outra terrena, não é verdade?

– A minha esperança é o Céu. Esta terra aqui não me interessa. Tudo vai passar…

– A minha esperança é terrena, porque somente 144.000 poderão entrar na esperança celestial.

– Minha amiga, quantos Testemunhas de Jeová existem no mundo?

– Mais de 8 milhões.

– E o restante dessa turma vai pra onde???

– Ficarão aqui na terra, como diz o salmo. “Os justos possuirão a terra”.

– Mas essa esperança terrestre é vetero-testamentária. Os judeus que queriam um reino terreno. Jesus deixou bem claro, no diálogo com Pilatos, que o reino d’Ele não é deste mundo! Eu não sou do Antigo Testamento. Somos cristãos. E o próprio Apocalipse vai dizer, que João viu uma multidão que ninguém podia contar… Logo, são mais que 144 mil, porque 144 mil é uma conta exacta.

– É, mas a minha esperança é terrena.

– Minha senhora, e Colossenses cap.3? São Paulo não nos diz para BUSCAR AS COISAS DO ALTO e não fixar os nossos olhos nas coisas daqui da terra?

Outra dupla de mulheres que estavam à espera das colegas atrás do meu carro, aproximaram-se e uma disse:

– Então leia Apocalipse 21, 4.

– Agora mesmo!

Tomei a Bíblia dela, abri no capítulo 21 e comecei a ler a partir do versículo primeiro. Ela interrompeu-me:

– Eu disse o versículo 4.

– Sim, minha irmã. Mas nós, católicos, não lemos versículos soltos. Nós lemos o texto integral para entender o sentido.

Li o trecho, expliquei o significado da “nova terra” e, antes que eu terminasse, a dupla afastou-se. Pedi que aguardassem, mas não fui atendido. As outras que chegaram primeiro disseram:

– Olha, senhor. Nós não queremos discutir religião.

– Não estamos a discutir. Estamos a dialogar. E por falar em religião, eu já vi na vossa revista Sentinela muitas acusações e calúnias contra a Igreja Católica. Inclusive dizendo que os nossos santos são coisas más.

– É porque o senhor não leu o…

– O salmo 115?

– Isso.

– Pois eu li. Aliás, tive 7 anos de teologia antes da minha ordenação. Não foi apenas um curso para andar de casa em casa.

Enquanto isto, elas já se iam despedindo e deixando-me só, no portão. Eu pedi:

– Esperem um pouco. Se há tempo para bater na porta dos católicos, deve haver um tempo para escutar os católicos. O salmo 115 fala dos ídolos. “Os ídolos deles são ouro e prata”. Por acaso a Igreja afirmou alguma vez que Maria é um ídolo? Que São Francisco é um ídolo? Que Santo António é um ídolo?

– Não… Eles foram exemplos.

– Exactamente, minha irmã. O próprio São Paulo escreveu na Bíblia: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo”. Todos os santos podem dizer o mesmo: sejam meus imitadores, porque eu pratiquei a caridade de Cristo. Por isso temos as suas pinturas e representações. Não são ídolos.

– Tá certo, senhor. Tenha um bom dia.

– Bom dia para vocês também. Deus vos abençoe!

Por mais uma vez, tive que expor a verdadeira doutrina para quem não a conhecia. Graças a Deus que eu tinha a certeza da minha religião e o conhecimento da Palavra de Deus. O Católico que possui isto nunca terá a sua fé abalada.

Pe. Gabriel Vila Verde - 22 de Março de 2018

 
Por que é que o Espírito SAnto é representado por uma pomba? Imprimir e-mail

 

Por que é que o Espírito Santo é representado por uma pomba?

 

Um dos símbolos mais antigos de Deus, reconhecido também pelos judeus antes mesmo do batismo de Jesus

O Novo Testamento menciona especificamente a forma de pomba ao se referir ao Espírito Santo durante o batismo de Jesus: “O Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba” (Lucas 3, 22).

Mas por quê uma pomba?

Em primeiro lugar, estudiosos bíblicos destacam que o Talmud da Babilónia compara a uma pomba o Espírito de Deus que paira sobre as águas na criação: “E o espírito de Deus pairava sobre a face das águas – como uma pomba que paira sobre os seus filhotes sem os tocar”. Tal texto não consta com estas mesmas palavras no livro do Génesis, mas o primeiro livro da Bíblia também afirma, já no seu início: “O Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Génesis 1, 2).

Em segundo lugar, Noé enviou uma pomba em busca de terra quando as águas do dilúvio começaram a baixar. O Génesis relata que a pomba voltou pela tarde, trazendo no bico uma folha verde de oliveira (cf. Génesis 8, 11). O episódio é diretamente ligado ao batismo de Jesus, dado que o dilúvio é visto no cristianismo como prefiguração do batismo.

Em terceiro lugar, ainda no contexto pagão, as pombas eram vistas no mundo antigo como representativas do divino. Era muito comum que deuses e deusas fossem representados cercados por pombas.

Assim, nos tempos do Novo Testamento, as pombas já eram bastante associadas a Deus e, mais especificamente, ao Espírito Divino. Os primeiros cristãos mantiveram esta imagem e começaram a representar o Espírito Santo quase que exclusivamente como uma pomba.

Na arte cristã, a pomba é vista não somente nas imagens que recordam o batismo de Jesus, mas ainda em vários outros episódios bíblicos como a Anunciação, quando Maria foi saudada com a notícia de que conceberia e daria à luz o Filho de Deus. Alguns dos primeiros tabernáculos também eram feitos em forma de pomba suspensa sobre o altar.

Com as suas penas brancas e puras, a pomba recorda a pureza de Deus e o seu voo evoca os muitos movimentos do Espírito Santo na nossa alma.

É, em suma, um símbolo belo para se falar do Espírito Divino; uma imagem que vem sendo transmitida de coração a coração ao longo de séculos e séculos.

 
Afinal, quem é o Espírito Santo? Imprimir e-mail

Afinal, quem é o Espírito Santo?

Resumo completo sobre a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a partir do Catecismo Ilustrado de São Pio X

O resumo de toda a fé de um católico é proclamado no “Credo” – precisamente por isso é que esta oração-declaração tem este nome, cujo significado é “Eu creio“. Ao professarmos o Credo católico, uma das afirmações que fazemos é esta: “Creio no Espírito Santo“.

Mas, afinal, quem é o Espírito Santo?

O Catecismo Ilustrado, resumo explicativo da fé da Igreja publicado sob o pontificado de São Pio X, ensina:

1. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, que procede do Pai e do Filho.

2. O Espírito Santo é Deus; a Igreja definiu esta verdade, dizendo nos seus símbolos que o Espírito Santo deve ser adorado conjuntamente com o Pai e o Filho.

3. A mesma verdade nos ensina também a Sagrada Escritura, que dá ao Espírito Santo o nome de Deus. Quando São Pedro repreendeu Ananias e Safira por terem mentido ao Espírito Santo, exprimiu-se nestes termos: “Não mentiste a homens, mas a Deus” (Atos 5, 1-11).

4. As seguintes palavras de Nosso Senhor ensinam-nos que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho: “Quando vier o Consolador, esse Espírito de verdade que procede do Pai, e que eu vos enviarei da parte de meu Pai, Ele dará testemunho de mim“.

5. O Espírito Santo é, pois, igual em tudo ao Pai e ao Filho; é como Eles todo-poderoso, eterno, de perfeição, grandeza e sabedoria infinitas.

6. Chama-se ordinariamente ao Espírito Santo:

•1º Dom de Deus, porque é o dom mais precioso que Deus concede aos homens;

•2º Consolador, porque nos consola em nossas aflições;

•3º Espírito de oração, porque nos ajuda a orar.

7. Chama-se “Santo”, porque Ele é santo por sua natureza e porque é Ele que nos santifica.

8. A santidade do Espírito Santo difere da santidade dos santos que nós honramos com o nosso culto:

•1º o Espírito Santo é santo por si mesmo e por sua natureza, enquanto os santos se tornam tais pela Graça de Deus;

•2º o Espírito Santo é infinitamente santo, enquanto os santos apenas o são em certo grau.

9. O Espírito Santo desceu muitas vezes sobre a terra de modo visível. Desceu em forma de pomba sobre nosso Senhor Jesus Cristo no dia do Seu Batismo e sobre os apóstolos e discípulos em forma de línguas de fogo no dia de Pentecostes.

10. “No dia de Pentecostes, diz a Sagrada Escritura, de repente, veio do Céu um estrondo, como o de vento que sopra impetuoso, que encheu toda a casa onde estavam os apóstolos. E apareceram-lhes repartidas umas como línguas de fogo, das quais pousou uma sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar várias línguas” (Atos 2, 1-4).

11. Depois de terem recebido o Espírito Santo, os apóstolos foram pregar o Evangelho a todas as nações.

12. Antes da pregação dos apóstolos, todos os povos da terra, à exceção dos judeus, adoravam criaturas.

13. Da pregação dos apóstolos resultou a conversão de uma multidão imensa de judeus e pagãos, que abraçaram a religião cristã.

14. A religião cristã não se estabeleceu sem obstáculos; foi combatida durante trezentos anos, e milhões de cristãos sofreram toda a espécie de torturas e a própria morte em nome de Jesus Cristo.

15. A destruição das falsas religiões, na maior parte do mundo conhecido, foi o maior milagre que o Espírito Santo operou por meio dos apóstolos, bastando por si só para provar a divindade do cristianismo.

16. O Espírito Santo também se manifesta a nós de modo invisível pelas graças que derrama nas nossas almas para as santificar.

17. O Espírito Santo habita em nós quando nos achamos em estado de graça; por isso São Paulo diz que somos templos do Espírito Santo.

18. O Espírito Santo governa a Igreja, dando-lhe força para resistir aos seus inimigos e preservando-a de qualquer erro no seu ensino.

19. O Espírito Santo dá ainda à Igreja todas as graças e todos os dons necessários à sua conservação, como o dom dos milagres e o dom da profecia.

20. Devemos orar muitas vezes ao Espírito Santo porque, sem o Seu auxílio, nada podemos fazer de útil para a nossa salvação.

21. Devemos ter todo o cuidado para não afastar o Espírito Santo da nossa alma pelo pecado mortal e para não o contristar pelo pecado venial.

 
Como fazer para viver na presença de Deus Imprimir e-mail

Como fazer para viver na presença de Deus?

 

Faz silêncio e ouve a orientação que vem de Deus!

 

Este é o ponto mais importante da vida espiritual. Deus habita em nós desde o baptismo (1Cor 3,15), desde que estejamos na graça de Deus; mas, infelizmente, esquecemo-nos disto com muita facilidade. São Paulo disse aos filósofos gregos em Atenas, no areópago: “em Deus nos existimos, nos movemos e somos” (Act 17,28). Mas esquecemos.

 

Assim como o pássaro vive no ar, e nele voa e se desloca, assim nós fomos feitos para “viver mergulhados em Deus”. Sem o ar que o envolve o pássaro não consegue voar; no vácuo não teria a sustentação da resistência do ar e cairia; de nada lhe valeriam as asas.

 

Nós também, sem Deus não temos sustentação para viver em equilíbrio e paz, caímos. O mesmo vale para o peixe; ele vive na água; fora dela ele não se pode mover, respirar e morre. É isto que acontece connosco quando nos afastamos da Presença de Deus. Como disse São Tomás, nos “aproximamos do nada”.

 

Deus está em todo o lugar, sempre, pois é Omnipresente. Então, estejas tu onde estiveres, fazendo qualquer actividade, boa ou má, Deus aí está. Não há como viver longe Dele. Precisamos de meditar profundamente, o que diz o salmista:

“Senhor, Vós me perscrutais e me conheceis, sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais os meus pensamentos. Quando ando e quando repouso, Vós me vedes, observais todos os meus passos. A palavra ainda me não chegou à língua, e já, Senhor, a conheceis toda. Vós me cercais por trás e pela frente, e estendeis sobre mim a vossa mão. Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa, ele é tão sublime que não posso atingi-lo. Para onde irei, longe do Vosso Espírito? Para onde fugir, apartado do Vosso olhar? Se subir até aos céus, ali estareis; se descer à região dos mortos, lá vos encontrareis também. Se tomar as asas da aurora, se me fixar nos confins do mar, é ainda a Vossa mão que lá me levará, e a Vossa destra que me sustentará. Se eu dissesse: pelo menos as trevas me ocultarão, e a noite, como se fora luz, me há-de envolver. As próprias trevas não são escuras para vós, a noite Vos é transparente como o dia e a escuridão, clara como a luz.” (Sl 138)

 

Deus está em nós, e junto de nós, mas às vezes somos cegos a esta realidade. Se um cego estiver na presença do rei, mas não souber disso, pode comportar-se mal, distraído; mas se sabe que o rei está presente, então muda de atitude. Nós agimos muitas vezes assim como cegos na presença do Rei divino, sem saber que Ele está ali; então, comportamo-nos mal, agimos mal, rezamos mal; somos distraídos na Presença do Rei.

 

Quando vamos rezar, então, a primeira necessidade é “colocar-se na presença de Deus”; tomar consciência de que Ele está ali, vendo-me, ouvindo-me. Então podemos ter uma devoção profunda, falando com Ele no silencio da alma, familiarmente, como um filho fala com o seu querido pai.

 

Quando Deus chamou Abraão para uma Aliança especial, da qual nasceria o povo de Deus, e dele o Salvador, fez duas exigências fundamentais a Abraão: “Anda em minha presença e sê perfeito” (Gn 17,1). “Anda na minha presença”: Abraão saiu do paganismo da Babilónia, para dele nascer o povo de Deus; precisava de ser guiado pela mão por Deus. Então, Deus exige, “anda na minha presença”; “sem isto não vais ouvir a minha voz, não vais saber o caminho da Terra Prometida que Eu te quero dar, não vais ter luz no teu caminho, e nem força para caminhar”. Então, por favor, “anda na minha presença”. E Abraão soube obedecer a esta ordem; por isso levou a sua família até à Palestina e fez Aliança com Deus. Tinha familiaridade com Deus, conversava com Deus como um Amigo.

 

E Deus exigiu também, “se perfeito”. Deus é santo, três vezes santo, disse Paulo VI. E não convive com o pecado. Para que Abraão andasse sempre na sua presença, precisava de ser integro; não se deixar corromper pelos ídolos e fascinações do pecado. E Abraão foi integro; foi obediente a Deus a tal ponto de estar disposto a imolar Isaac, se Deus de facto quisesse.

 

Nós também temos de viver assim: na presença de Deus, lutando para ser íntegro. Então, permaneceremos em Deus; e Ele será a nossa luz na caminhada, a nossa força, a nossa esperança. Na sua luz teremos resposta às nossas dúvidas, paz no meio dos conflitos, tentações, tribulações. Teremos harmonia e verdade, porque a luz eterna vai connosco. Dele vêm as nossas inspirações, com Ele todo o medo e insegurança serão banidos.

 

Por isso, cultivar essa amizade e intimidade com Deus na oração, na meditação e na contemplação, será sempre a melhor garantia de colher bons frutos na acção familiar, profissional e, especialmente, pastoral e missionária. Aqueles que se atiram a um activismo frenético na pastoral, sem vida interior com Deus, cansam-se, desiludem-se, desanimam e largam tudo. Porque agem com as próprias forças e não com as de Deus. A Igreja perdeu muitos por causa disto.

 

Se tu estás perdido, se já não sabes o que fazer na vida, é porque perdeste essa Luz divina que reside no teu ser. Faz silêncio e ouve a orientação que vem de lá. Não deixes que ela se apague em ti por causa do pecado. O pecado fere a Majestade divina e a sua justiça. A força para não ofender a Deus está na própria consciência da Sua Presença. Certos dela, teremos constrangimento de pecar.

 

Sem esta Presença divina, estará excluindo-te de ti mesmo; pois não conhecerás a tua identidade. O querido papa São João Paulo II, disse na encíclica Redemptor Hominis, que “sem Jesus Cristo, o homem permanece para si mesmo um desconhecido, um enigma indecifrável, um mistério insondável”. Está perdido!

 

Deus esconde-se na nossa alma, porque quer ser procurado, amado; quer que tenhamos sede Dele. O autor das Crónicas disse: “O Senhor está convosco assim como vós estais com Ele. Se vós O procurais, Ele se manifestará a vós, mas se vós O abandonais, ele vos abandonará” (2 Cr 15,2). Jesus mandou: “Permanecei em Mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis dar fruto, se não permanecerdes em Mim… sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

 

Todos os nossos pensamentos, palavras, actos e decisões, precisam de ser realizados na Presença de Deus, para que sejam acertados. Não vemos Deus, mas Ele vê-nos. A Esposa do Cântico dos Cânticos, disse: “Ele está escondido, não o posso ver, mas Ele vê-me, Ele está a ver-me…” De modo muito especial isto se aplica quando estamos diante de Jesus Sacramentado. Não O vemos no Sacrário, mas Ele vê-nos e ouve-nos.

 

Na Presença de Deus temos então, um respeito profundo com a Sua divina Majestade. E precisamos de pedir como o Salmista: “Nunca me lances longe da Tua Presença, ó meu Deus, não tires de mim o Teu Santo Espírito” (Sl 50,13).

 
Diferença entre valores e virtudes Imprimir e-mail

 

Diferença entre valores e virtudes

 

Devemos procurar a perfeição cristã, não basta ter valores: é preciso cultivar as virtudes

As virtudes são hábitos bons que nos levam a fazer o bem. Podemos tê-las desde que nascemos ou adquiri-las depois. São um meio muito eficaz para colaborar com Deus, pois implicam em decidir, livre e voluntariamente, fazer o bem, ou seja, cumprir o plano de Deus.

 O objetivo de uma vida virtuosa é chegar a ser semelhantes a Cristo. Não se trata de perfeccionismo, no qual a pessoa elimina defeitos porque considera que não deve ter tal ou qual falha; isto seria vaidade apenas. Nem é um narcisismo de ver-se bem, ou que todos pensem que tu és o máximo. A virtude não é uma higiene moral, pela qual tu “limpas” a tua pessoa.

Os valores, por outro lado, estão orientados ao crescimento pessoal por um convencimento intelectual: sabemos que, se estivermos limpos, seremos mais aceites pelos outros; sabemos que, mantendo as nossas coisas em ordem, poderemos encontrá-las com mais facilidade ao procurá-las.

Os valores são bens que a inteligência do homem conhece, aceita e vive como algo bom para ele como pessoa. O valor é tudo aquilo que se “valoriza” como bom, desejável, necessário para a vida. Para uma pessoa, um valor pode ser ter um belo carro, enquanto, para outra, isto não significa nada.

Neste sentido, podemos dizer que os valores são mais ambíguos, pois nem todas as pessoas consideram as mesmas realidades como valores. As virtudes têm um caráter mais universal, pois o que é uma virtude numa pessoa também o é noutra.

 Estabelecidas as diferenças, é importante reconhecer que, na vida de fé, sempre há propostas feitas por Jesus que, quando comparadas com o que o mundo nos apresenta, tendem a parecer semelhantes, mas não o são necessariamente. Vejamos alguns exemplos.

 A Bíblia ensina-nos a necessidade do jejum como remédio eficaz contra a concupiscência e como mecanismo de domínio de si; o mundo propõe-nos a dieta como método eficaz para manter o controle do peso corporal e de uma saúde adequada. Primeira conclusão: jejuar não é a mesma coisa que fazer dieta, e menos ainda passar fome. Ainda que semelhantes na forma, não são iguais no fundo.

 Jesus convida à castidade como maneira de entender a sexualidade e o corpo humano como instrumentos de santificação e de oblação a Deus e ao cônjuge, enquanto muitos optam pela abstinência sexual como forma de liberdade interior para alcançar outros fins que consideram mais nobres. Então, ser casto não é a mesma coisa que ser abstinente, e menos ainda ser assexuado.

 Enquanto a dieta e a abstinência sexual podem chegar a ser considerados como valores para alguns, o jejum e a castidade são, em si, virtudes de caráter espiritual para todos. É importante saber, além disso, que os valores não precisam da graça de Deus, já que, pelo facto de possuírem uma ponderação intelectual, são vividos a partir da racionalidade.

 Já as virtudes, por buscarem colaborar no plano de Deus e na semelhança com Cristo, requerem a ajuda do Senhor, um auxílio especial da sua magnificência, já que o ser humano, por suas próprias forças, não pode alcançá-las.

 É possível ser abstinente sem ser casto e fazer dieta sem jejuar. O sentido de cada prática difere muito segundo a sua finalidade. Os cristãos não estão chamados apenas a ter valores (necessários em todo o ser humano), mas a preencher as suas vidas de virtudes, tanto cardeais como teologais.

Se aprofundarmos mais, poderemos encontrar muitos outros valores que têm semelhança com as virtudes e, por isso, tendem a ser confundidos com elas. Há pessoas que acham que fanatismo é sinônimo de fé, que estar apaixonado é amar, que estar entusiasmado é ter esperança, que timidez é o mesmo que prudência, etc.

 Todos os seres humanos possuem valores. Todos nós atribuímos valor a certas coisas. Há coisas pelas quais certas pessoas chegam a dar a vida. Mas, para alcançar a perfeição cristã, não bastam os valores: as virtudes são necessárias.

 
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Crescer na vida de intimidade com Deus

Para ter intimidade é preciso ter contacto com o Senhor

Já alguma vez perguntaste a ti mesmo o que estás a fazer neste mundo? Para que é que estás aqui?

Nós fomos criados por Deus, por amor e para amar. Aqui é uma passagem para a eternidade. Nós estamos no mundo, mas não somos deste mundo. Tu não és um acidente genético, mas sim um filho ou filha amado pelo Criador.

Quem já fez pipocas? O segredo para fazer pipocas é mexer sempre. Quanto mais eu mexo o milho, melhor a pipoca ficará. Mas, infelizmente, alguns milhos não estouram. É isto que Deus quer fazer em nós, muitos já estouraram, mas outros ainda precisam de estourar. Cada um de nós é este milho, a temperatura certa para estourar vem da nossa abertura ao Espírito Santo, cada milho precisa de se transformar numa pipoca. Não podemos desistir dos que não estouraram.

Procura ser cada vez mais íntimo de Deus. Intimidade necessita de contacto. E que sintas a alegria e o prazer de estar com o Senhor. Reserva o melhor momento para adorá-lo e serás feliz. Quanto mais eu me abro ao Senhor, mais as ações de Deus operam na minha vida. É uma questão de fé.

Pelo batismo nós fomos cheios do Espírito Santo. As reclamações, difamações, problemas e murmurações vão-nos esvaziando, mas ao irmos à Igreja, rezamos e enchemo-nos de novo da Água Viva. Deus não nos quer apenas cheios do Espírito, mas transbordantes.

 
Efeito retroactivo da oração Imprimir e-mail

EFEITO RETROACTIVO DA ORAÇÃO

 

O Sr.‘Thompson era um americano furiosamente ímpio.

Não permitiu que as filhas fossem baptizadas, nem na religião católica, nem na protestante. Uma delas, chamada Mythle morreu sem que o pai a deixasse receber o baptismo.

Passados anos, Thompson converteu-se à religião católica.

Fê-lo com toda a alma, tomando-se cristão fervoroso.

Agora, que tinha fé, pensava:

— Onde estará a minha filha Mythle?

No céu não está certamente porque morreu sem baptismo. E a culpa foi minha e só minha. Este pensamento atormentava-o sempre, como terrível pesadelo.

Um dia foi desabafar a sua mágoa com o Padre Hayes, que mais tarde seria Cardeal Arcebispo de Nova Iorque.

        O que poderei fazer, meu Padre, pela minha filha?

        Rezar a Deus por ela.

        Mas, de que lhe pode servir a minha oração, se morreu sem baptismo?

        Peça a Deus pela menina e deixe o resto nas mãos de Deus.

        Mas que pode fazer o próprio Deus por ela, se tudo pertence ao passado e o passado não tem remédio? Se à hora da morte a minha filha não se salvou, nem o próprio Deus a vai agora meter no céu.

        Mas, o Senhor não sabe que para Deus não há passado nem futuro?

        Então, se pedir agora pela minha filha, ela salvar-se-á?

        Eu não disse tal coisa — respondeu o Padre Hayes. Afirmo que Deus, para quem até o futuro é presente, vendo a oração que o Senhor agora faz pela sua filha, pode ter ouvido essa oração e ter salvado a menina.

Por outras palavras: Deus pode ter atendido a oração que já sabia que o Senhor havia de fazer.

Thompson foi-se embora muito consolado com esta explicação.

Durante anos bombardeou o céu com orações para que a sua filhinha se tivesse salvado.

Certo dia aparece radiante de alegria em casa do Padre Hayes.

        Padre, — exclama muito feliz — Deus ouviu a minha oração. A minha filhinha salvou-se e está no céu.

Pensou o sacerdote que o pobre homem tivesse perdido o juízo, mas logo se convenceu que estava a falar a sério.

  • Imagine, Padre, que Betsy, uma velha criada católica irlandesa, que durante largos anos serviu em minha casa, me veio ontem visitar.

  • E então?

  • Quando soube que eu me tinha convertido ao catolicismo, abraçou-me e beijou-me de alegria.

  • Como Deus é bom! — disse ela. Rezei muitos anos pela sua conversão e, enfim, tive o gosto de ver o meu pedido satisfeito.

    No meio da conversa contei-lhe a minha aflição pela minha filhinha ter morrido sem baptismo.

  • Qual filhinha? — perguntou a criada.

  • Mytle, de quem você gostava tanto.

  • Quem é que lhe disse que Mytle morreu sem baptismo?

  • Eu proibi até ao último momento que lho administrassem.

  • Mas eu não fiz caso das suas proibições. Era o que faltava! Sem que o Senhor soubesse, levei-a a baptizar à Paróquia.

  • Como? Será verdade? — pergunta o velho pai?

  • Tão verdade como eu estar aqui. Se quer tirar as dúvidas, vamos à Paróquia e ali poderá ver o registo de baptismo de Maria Mytle.

    O Senhor Thompson lá foi. E agora mostrava ao Padre Hayes a certidão de baptismo da filhinha. A sua oração tinha tido efeito para trás, no tempo. Deus, atendendo às suas futuras súplicas, fez que a criada levasse a menina a baptizar.

     

    Muitos séculos antes da vinda de Cristo à terra, Deus perdoava os pecados dos homens atendendo à paixão e morte que o seu Divino Filho tinha de sofrer por nosso amor.

    Também agora pode atender às orações que já sabe que daqui a muito tempo, Lhe hão-de ser dirigidas.

 
Como conquistar a virtude da fortaleza Imprimir e-mail

 

Como conquistar a virtude da fortaleza?

 

Pode-se dizer que há “três forças” com as quais podemos conquistar a virtude da fortaleza. Não só com uma ou duas delas, mas com as três.

 

1. A força do Ideal

 

Só pode ter a virtude cristã da fortaleza – ser corajoso para lançar-se, e ser firme para aguentar – aquele que possui um motivo poderoso, um ideal pelo qual valha a pena viver e morrer.

 

Numa sala da sede central do Opus Dei em Roma, São Josemaria Escrivá mandou colocar, como sanefa junto ao teto, a seguinte frase, várias vezes repetida: “Vale a pena, vale a pena…”. Um visitante perguntou-lhe por que estava tão repetida, e ele respondeu:

 

«Porque mesmo assim há alguns que não se apercebem disto».

 

Uma vida sem ideal é triste, facilmente se decompõe e afunda na moleza. Nietzsche dizia (e desta vez acertou): «quando se tem algum “porquê”, qualquer “como” se pode suportar». É penoso ver tanta gente sem “porquê”.

 

Nós, os cristãos, «temos um tesouro de vida e de amor que não pode enganar» (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, n.265). O Amor, com maiúscula, este é o grande ideal do cristão.

 

Aquele que o conhece, que o assume, e que ganha entusiasmo por ele, renova as suas forças, cria asas como de águia, corre e não se afadiga, anda, anda e nunca se cansa (Is 40, 31).

 

Quem conhece Cristo, quem se enamorou dele e dele fez o seu ideal (pois isto é ser cristão), entende por experiência estas palavras do Cântico dos Cânticos: O amor é forte como a morte…, as suas chamas são chamas de fogo, labaredas divinas. Águas torrenciais não puderam extinguir o amor (Ct 8, 6-7).

 

Como diz o Papa Francisco: «Precisamos de nos deter em oração para pedir a Jesus que volte a cativar-nos» (Evangelii Gaudium, n. 264).

 

2. A segurança da fé

 

«Alguns passam pela vida como por um túnel, e não compreendem o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé» (Caminho, 575).

 

Queremos ver ao vivo o “esplendor, segurança e calor” da fé? Ouçamos as experiências de São Paulo, exemplo impressionante de fortaleza.

 

Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?… Mas em todas essas coisas somos mais que vencedores pela virtude do que nos amou! (Rm 8, 35.37).

 

Será que era um optimista por natureza? Não. Ele conhecia bem a sua fraqueza. Na mesma carta aos Romanos, falava dela: Quem me livrará deste corpo de morte? (Rom 7, 4). E também escreveu aos coríntios, contando-lhes a sua incapacidade de superar uma dificuldade – tudo indica que era uma doença – que o limitava e, às vezes, o prostrava, atrapalhando o seu trabalho. Sentindo-se incapaz de vencer este mal, dirigiu a Cristo uma oração cheia de humildade e de fé: Por três vezes pedi ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele disse-me: “Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que a minha força se revela totalmente” (2 Cor 12, 8-9). Depois disso, São Paulo escrevia: Alegro-me nas minhas fraquezas…, pois, quando me sinto fraco, então é que sou forte (Ibidem,12, 10). E, com o coração cheio de confiança em Deus, desafiava as provações e contrariedades: Tudo posso naquele que me dá força! (Fl 4, 13).

 

Esta é a grande “fonte” da fortaleza cristã: a confiança total em Deus – porque Tu és, ó Deus, a minha fortaleza (Sl 42 [43],2) –, manifestada na oração cheia de fé e constância, e na luta esforçada por corresponder à ajuda divina. Essa luta é precisamente a terceira força para ganhar fortaleza.

 

3. A têmpera do sacrifício

 

A virtude humana da fortaleza – como todas as virtudes morais – consolida-se e cresce com o nosso esforço repetido. O Catecismo frisa que «as virtudes morais são adquiridas humanamente…, por actos deliberados,… com todas as forças sensíveis e espirituais» (nn. 1803, 1804, 1810). Quando lutamos com fé e amor, a graça do Espírito Santo sobrenaturaliza-as (cf. Caps. 9 e 10).

 

A luta por fazer «actos deliberados» da virtude da fortaleza exige necessariamente o sacrifício, a mortificação da moleza e das outras fraquezas.

 

Mais uma vez, é preciso repetir: «Onde não há mortificação, não há virtude» (Caminho, n. 180).

 

Se queremos ser fortes, contemos em primeiro lugar com a fortaleza de Deus, e depois descubramos – com generosidade, sem medo – as mortificações concretas de que precisamos para vencer a moleza de carácter e a falta de espírito de sacrifício.

 

Podem servir de orientação os seguintes pensamentos de Caminho:

 

– «Acostuma-te a dizer que não» (n. 5). Naturalmente trata-se agora do “não” que dizemos às tentações da facilidade e da cobardia.

 

– «Vontade. – Energia. – Exemplo. – O que é preciso fazer, faz-se… Sem hesitar… Sem contemplações» (n. 11). Ou seja, sem concessões nem desculpas, por mais “razoáveis” que pareçam.

 

– «As tuas grandes cobardias de agora são – é evidente – paralelas às tuas pequenas cobardias diárias. “Não pudeste” vencer nas coisas grandes, porque “não quiseste” vencer nas coisas pequenas» (n. 828).

 

– «Vontade. É uma característica muito importante. Não desprezes as pequenas coisas, porque, através do contínuo exercício de negar e negares-te a ti próprio nessas coisas – que nunca são futilidades nem ninharias –, fortalecerás, virilizarás, com a graça de Deus, a tua vontade, para seres, em primeiro lugar, inteiro senhor de ti mesmo. – E depois, guia, chefe, líder!

 

– Que prendas, que empurres, que arrastes, com o teu exemplo e com a tua palavra e com a tua ciência e com o teu império» (n. 19).

 
O que significa "morrer no Senhor"? Imprimir e-mail

 

O que significa “morrer no Senhor”?

 

 “Bem-aventurados os que morrem no Senhor”.

 

É preciso morrer no Senhor para ser bem-aventurado, para gozar a felicidade desde esta vida.

Esta felicidade é a que podemos ter já antes de ir para o céu, muito menor na certa do que a alegria do céu, mas que supera todas as alegrias sensíveis desta vida:

 “A paz de Deus, que vai além de toda a compreensão, guarde os vossos corações e os vossos espíritos”.

Para alcançar esta paz, mesmo no meio das ofensas e calúnias, é preciso estar morto no Senhor.

O morto, ainda que maltratado e desprezado pelos outros, não se ressente.

Também a pessoa mansa de coração, como o morto, não vê nem ouve, procura suportar todos os desprezos.

Quem ama de coração a Nosso Senhor Jesus Cristo chegará facilmente a isto.

Unido inteiramente com a vontade de Deus, com a mesma paz e a mesma tranquilidade, recebe as coisas favoráveis e as desfavoráveis, as alegrias e as tristezas, as injúrias e os louvores.

Assim fez São Paulo que podia dizer: “Estou cheio de alegria no meio das minhas tribulações”.

Feliz aquele que atinge este grau de virtude! Goza de uma paz contínua, que é bem maior que os outros bens do mundo.

Dizia São Francisco de Sales: “Que vale todo o mundo em comparação com a paz do coração?”

Realmente, o que adiantam todas as riquezas e todas as honras do mundo para quem vive inquieto e sem paz no coração?

Para estarmos sempre unidos a Jesus Cristo, é preciso fazermos tudo com tranquilidade, sem nos inquietarmos com alguma dificuldade que se apresente:

 “O Senhor não está na agitação”. Deus não mora nos corações agitados!

Vejamos os belos ensinamentos que nos dá o mestre da mansidão, São Francisco de Sales:

 “Nunca vos irriteis, nem mesmo abrais a porta à cólera por qualquer motivo. Se ela entrar em nós, já não poderemos expulsá-la nem dominá-la, quando quisermos.

Os meios para isso são: primeiro, afastar imediatamente a cólera, desviando a atenção para outra coisa e calando-se.

Segundo, imitando os apóstolos quando viram a tempestade, recorrer a Deus a quem pertence pôr o coração em paz.

Terceiro, se a cólera, por vossa fraqueza, já colocou o pé em vosso coração, esforçai-vos por vos tranquilizar e; depois, praticai actos de humildade e mansidão para com a pessoa com quem vos sentis irritados.

Tudo isto deve ser feito com suavidade e sem violência, porque é importante não irritar mais as feridas”.

O próprio São Francisco de Sales dizia que precisou de se esforçar durante toda a sua vida para vencer duas paixões que o dominavam: a cólera e o amor.

Para vencer a paixão da cólera, confessava ter se esforçado durante vinte e dois anos.

Quanto à paixão do amor, tinha procurado modificar o objecto, deixando as criaturas e dirigindo todo os seus afectos a Deus.

Deste modo, alcançou uma paz interior tão grande que até mesmo exteriormente a demonstrava, apresentando quase sempre um rosto sereno e um sorriso nos lábios.

 
Ai de vós... Imprimir e-mail

Ai de vós... (cfr. Mt 23,14)

Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, foi a palavra dura dita por Jesus, àqueles que eram sepulcros caiados de branco, por fora, mas por dentro cheios de imundície, de inveja, de injustiça, de vaidade, hipocrisia, de falsidade.

Ai de vós, porque continuais a rezar, a ter práticas devocionais, a celebrar Eucaristias, mas não amais o próximo com sinceridade, não servis com humildade, não vos dais sem reservas, não abris o coração ao verdadeiro amor.

Ai de vós, porque continuais a querer iludir-vos, pensando que valeis por aquilo que os homens vêem e esqueceis que só Deus vê e conhece o coração, que valeis segundo as boas obras, que o que Deus sabe e conhece de vós é que é importante.

Ai de vós, porque com a mesma língua com que louvais a Deus, com que rezais e cantais os louvores do Senhor, com que dizeis Pai Nosso e professais o Credo, continuais a criticar, a murmurar, a ser agressivos, ofensivos, difamadores e caluniadores.

Ai de vós, porque não entendestes que só serão "benditos" aqueles que amam, que servem os outros, que dão de comer a quem tem fome, que descobrem o rosto de Cristo em cada pessoa, de um modo particular em cada pobre, doente, marginalizado.

Ai de vós, porque tendes tempo para tudo menos para Deus e para a Oração, para a leitura meditada da Palavra, para, no silêncio e recolhimento, escutar o Senhor e entrar na intimidade com Ele, para ouvir os seus apelos e as suas exigências.

Ai de vós, que continuais a não querer ouvir que os últimos é que são os primeiros, que Deus Se revela aos humildes, que os que estão dispostos a perder é que ganham, que para Deus sobe-se descendo em humildade, em esvaziamento, em pobreza.

Ai de vós, porque continuais a cometer injustiças, a explorar o pobre, a não pagar salários justos, a não vos preocupardes com os desempregados, os que estão sós, os que não têm casa, pão, amor, os que vivem sem meios de cultura, e os que não podem tratar da saúde.

Ai de vós...

 
A diferença entre perdoar e desculpar Imprimir e-mail

 

A diferença entre perdoar e desculpar

 

Há ofensas que merecem ser perdoadas. Para outras, apenas uma desculpa é suficiente

 

Sem dúvida, alguns dos maiores desafios que temos que enfrentar são os atos de perdoar e desculpar. Estas ações parecem a mesma coisa, mas não são. As duas têm um denominador comum: exigem muita humildade, muito amor e muita vontade de fazer acontecer. A diferença entre elas está na pessoa, pois desculpa-se o inocente e perdoa-se o culpado.

Uma história:

Era aniversário da Mónica, uma amiga querida, daquelas que, se a gente não a cumprimenta em datas importantes, ela fica sem falar connosco durante três meses. Ela é sentida, sentida e sentida…

Não confiando na minha memória, anotei a data na minha agenda pessoal e no telemóvel, para que eu não me esquecesse de modo nenhum.

Pois bem: chegou o grande dia e, desde cedo, o alarme do meu telemóvel avisou-me que eu deveria ligar para a Mónica. Como eu estava cheia de compromissos, pensei em encontrar um horário mais tarde para poder ligar. E este horário chegou três dias depois! Podem imaginar como ela estava…

O que eu tive que fazer foi pedir desculpas à Mónica, já que, de verdade, foi um descuido involuntário por causa do excesso de trabalho, da minha falta de atenção e da minha péssima memória. Isto não quer dizer que eu deixei de a cumprimentar porque queria que ela ficasse chateada.

A Mónica, que já me conhece, compreendeu que o que eu fiz foi realmente sem querer. Por isso, desculpou-me e libertou-me de toda a culpa. O que ela fez foi adotar um gesto de justiça, reconhecendo que eu não era culpada.

Por outro lado, o perdão é um assunto ainda mais complexo. Ele transcende a justiça estrita, pois, muitas vezes, o culpado não merece o perdão. E se ele é perdoado, o ato transforma-se em algo além da justiça: é um maravilhoso gesto de misericórdia e amor.

Há muitas coisas para serem perdoadas. Ofensas de todos os tamanhos, cores e sabores!

Por exemplo, se um dia eu resolver ficar de mau humor porque tive um péssimo dia e ofender algum dos meus filhos por causa disso, não basta pedir-lhe desculpas. Devo pedir perdão pelo dano causado, já que eu fui culpada. Ao me perdoar, o que meu filho me oferece é um gesto de profunda misericórdia.

Quando entendemos que o outro não teve culpa, há uma reação espontânea de desculpa; não há resistência para desculpar, pois a “inculpabilidade” está clara. Mas a coisa muda de figura quando sabemos que quem ofende é culpado. Neste caso, queremos que ele pague pela falta cometida e assuma as consequências do que fez. Ao perdoá-lo, oferecemos-lhe o nosso ato voluntário de caridade e misericórdia.

Enfim, é importante refletir quando alguém nos faz “algo” que tomamos como ofensa e enxergar as coisas na sua justa medida. Assim, evitaremos um desgaste inútil. Há ofensas que merecem ser perdoadas. Mas, obviamente, para a maioria uma simples desculpa é suficiente.

 
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Se quer que Deus o escute, ouça-O primeiro 

 

Deus quer falar consigo

 

A maioria das pessoas acredita na coincidência, mas a vida foi me mostrando que nada é por acaso, que não cai um fio de cabelo sem que Deus o saiba.

Pare e escute

Há algumas coisas que Deus quer que você saiba. Ele tem-no visto ocupado, com a cabeça sempre cheia. Também o tem visto, algumas vezes, triste e cansado. Por isso, Ele quer falar consigo.

As coisas podem ser diferentes. Pode ser que, muitas vezes, você tenha dificuldade em escutá-Lo e acabe por acreditando que Ele não ouve as suas orações. O Senhor, no entanto, tem coisas para lhe dizer, perguntas para responder. Mas Ele também quer escutá-lo.

Se quer que Deus o escute, então, procure ouvi-Lo primeiro.

O Senhor quer fazer mais do que ouvir, Ele quer dar-lhe uma prova do que pode fazer em seu favor, quer abastecê-lo com a Sua graça. Esteja preparado, porque o que Deus tem para si vai além do que imagina! Antes mesmo de terminar esta página, você já terá feito uma experiência que superará as suas expectativas.

Deus é bom, e o que Ele tem para você é maravilhoso! Deixe que Ele lho mostre!

Amor misericordioso

Não se trata de aprender mais coisas, mas sim de fazer uma experiência. Você vai experimentar Deus! De uma maneira diferente, mas muito concreta, você vai tocar o Senhor. Experimentará o que muitos chamam poder de Deus e que eu chamo “Amor misericordioso do Senhor, que atua salvando e curando” todos os que d’Ele precisam.

Deus pode tudo! É Ele quem virá ao seu encontro. O que digo, não digo por mim mesmo. Foi o próprio Senhor quem nos assegurou: “Eu vos darei um coração novo… e um espírito novo”. Ele está disposto a fazer-lhe isto, hoje.

Eu tenho a certeza de que Ele não falhará consigo. Acredito que a sua vida nunca será a mesma depois de tê-lo deixado agir no seu coração. Não se preocupe! Você verá como Jesus tem o poder de libertá-lo de toda a tristeza, do sentimento de vazio e devolver o sentido à vida dos que o buscam com fé.

Eu mesmo experimentei e tenho visto isto realizar-se na vida de tantas pessoas. Uma vida completamente diferente, mais rica e mais feliz. É o que o espera, é o que Senhor tem para você.

 
O que é ter fé e também ser uma pessoa de fé Imprimir e-mail

 

O que é ter fé e também ser uma de pessoa de fé? 

 

A Bíblia e a Igreja sobre o que é a fé

 

A Sagrada Escritura, na carta aos Hebreus capítulo 11 versículo 1, diz que “a fé é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se vêem”. A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele em nós, que nos certifica dos bens vindouros, como a promessa da vida eterna.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse, revelou e a Santa Igreja nos propõe a crer, porque Ele é a própria verdade. Pela fé, “o homem entrega-se livremente todo a Deus”. Por isso, o fiel procura conhecer e fazer a vontade d’Ele. “O justo viverá da fé” (Rm 1,17). A fé viva “age pela caridade” (Gl 5,6). (CIC. 1814).

Nesta perspectiva, a Igreja diz que “a fé é, primeiramente, uma adesão pessoal do homem a Deus; é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o assentimento livre a toda verdade que Deus revelou” (CIC 150). Isto porque “a fé é a resposta do homem a Deus, que se revela e a ele se doa, trazendo, ao mesmo tempo, uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último da sua vida” (CIC 26). Assim, não é suficiente dizer que temos fé, mas é preciso responder, concretamente, com a vida o que Deus nos revelou, o seu amor e salvação: Jesus Cristo.

Com isso, para que o homem possa entrar em intimidade com Deus, numa experiência pessoal, o próprio Senhor quis “revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana.” (CIC. 35). Pois, como bem explicou o Papa São João Paulo II: “a fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.”

O que é ser uma pessoa de fé?

A carta aos Hebreus, no capítulo 11, após acentuar o que é a fé, traz também instruções sobre o que é ser uma pessoa de fé.

“É pela fé que compreendemos que os mundos foram organizados por uma Palavra de Deus. Por isso é que o mundo visível não tem a sua origem em coisas manifestas” (Hb 11,3). A pessoa de fé é aquela que crê na existência de Deus, que criou todas as coisas visíveis e invisíveis, e que é Ele o organizador de toda a criação.

“Foi pela fé que Henoc foi arrebatado (…). Antes de ser arrebatado, porém, recebeu o testemunho de que foi agradável a Deus. Ora, sem a fé é impossível ser-lhe agradável” (Hb 11,5-6). Uma pessoa de fé é agradável a Deus, porém, deve-se crer não pelos possíveis benefícios a serem recebidos, mas simplesmente por aquilo que Deus é.

“Foi pela fé que Noé, avisado divinamente daquilo que ainda não se via, levou a sério o oráculo e construiu uma arca para salvar a sua família” (Hb 11,7). Ser pessoa de fé é ouvir a Deus e colocar em prática aquilo que aos olhos humanos parece impossível. Assim como Noé, é preciso confiar no anúncio de Deus, que nos é direcionado diariamente.

“Foi pela fé que Abraão, respondendo ao chamamento, obedeceu e partiu para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde ia” (Hb 11,8). Só quem crê, confia. A pessoa de fé obedece e responde a Deus, mesmo sem ter seguranças humanas e materiais, pois, como Abraão, é necessário caminhar na fé rumo à pátria celeste, que é o céu.

“Foi pela fé que também Sara, apesar da idade avançada, se tornou capaz de ter uma descendência, porque considerou fiel o autor da promessa” (Hb 11,11). A fé faz-nos perseverar nas promessas de Deus, que pode até tardar, mas não falha, porque para Deus nada é impossível.

“Foi pela fé que Moisés (…) deixou o Egito, sem temer o furor do rei, e resistiu como se visse o invisível. Foi pela fé que atravessaram o mar vermelho, como se fosse terra enxuta” (HB 11,24.27.29). Uma pessoa de fé acredita no ordinário e extraordinário, que leva a vislumbrar o que não se vê. Já que, também, “foi pela fé que as muralhas de Jericó caíram, depois de um cerco de sete dias” (HB 11,30).

Por fim, no Novo Testamento, o iniciador e consumador da fé, Jesus Cristo, é o exemplo por excelência de uma pessoa de fé, e é n’Ele que nós encontramos a plenitude do que devemos crer e realizar. Assim, é pela obediência da fé a Cristo que conseguimos dar respostas a Deus. Mesmo sem ver, cremos, pois o próprio Jesus diz: “Felizes aqueles que crêem sem ter visto” (Jo 20,29).

 
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Ou santos ou nada

 

Deus quer que sejas santo: Ou santos ou nada

O que é a santidade?

As pessoas abusaram da palavra santidade. Alguns pensam que é só parar de pecar. Se deixaste de pecar, ainda estás na estaca zero. Ser santo é amar!

As pessoas acham que só há dois tipos de pessoa: o pecador e o santo. Mas entre estes dois, existe uma terceira: o “mundano”.

Tu podes parar de pecar. Mas, parar de ficar doente, ainda não é a saúde. A pessoa que sai da UTI precisa de fisioterapia, depois passa a um tratamento mais rigoroso. Todos nós podemos querer a medalha da santidade.

Ainda não somos santos, ainda temos bastante “mundo” dentro de nós. Estamos dentro da Igreja, mas invejamos pela janela lá fora. “Tudo o que eu gosto é ilegal, imoral ou chato”, esta é a mentalidade do “mundano”. Ela não está no pecado, mas está com inveja dos pecadores. Esta é a doença dos pecadores. Se pecas, vai confessar-te; caíste, levanta-te. Vamos em frente! Mas, Deus não quer que sejas bonzinho, Deus quer que sejas santo.

Um dia, chegou um jovem esbaforido e perguntou a Jesus: “o que tenho que fazer para entrar no Reino dos Céus?” E Jesus responde: Não cometer adultério, não matar, não roubar, não levantar falso testemunho. E o rapaz disse: “Ah, Jesus, eu já vivo isso tudo desde pequeno. Então Jesus diz: Que bom! Então, deixa tudo e segue-me! Radicalidade! É preciso evangelizar com a vida, com o caminho de santidade.

Tu vais-te confessar, arrepende-te dos teus pecados, recebe a absolvição. Perdoado, levantas-te, tens um ataque cardíaco e morres. Pergunto: “Achas que esta pessoa está salva?” Sim, está. Pergunto: esta pessoa vai para o céu? Não. Vai para o purgatório, porque não é pecador, mas também não é um santo! Aquele jovem estava na graça, como amigo de Deus, portanto, salvo!

Tu ainda não és santo porque o teu coração é um coração dividido. Tu amas a Deus, mas amas tanto outras coisas. És generoso, mas custa-te abrir a mão para ajudar o outro. És fiel à tua esposa, namorada, mas passa-te cada tentação na cabeça. Deixaste o mundo, mas dentro do teu coração olhas pela janela invejando o mundo. Isto quer dizer que o teu coração é um campo de batalha.

O que é um santo? É aquele que ama a Deus com todo o seu coração, com todo o seu entendimento, com toda a sua alma.

Amar a Deus sobre todas as coisas. De um lado, ter todas as coisas, de outro lado, Deus. E preferir a Deus! O martírio não é para quem quer, é para quem Deus escolhe.

Qual o caminho da santidade?

São as chamadas “5 pedrinhas”:

1) confissão: a confissão coloca-te dentro daquilo a que os santos chamam primeira morada. A pessoa ainda não está no caminho da santidade, mas já está salva. Vai para o purgatório, até se purificar, porque no Céu só entra quem ama a Deus de toda a sua alma, de todo o seu coração e de todo o seu entendimento. Se não estás em estado de graça, se não te confessas há mais de um ano, se faltas à Missa aos domingos, se usas métodos anti-conceptivos, não estás a seguir os mandamentos.

Com a tua namorada tu deves ser casto, este é o caminho, porque sexo tem a ver com família. Se não queres ser pai, se não queres ser mãe, então, sê casto. Se bebes até te embriagar, usas droga, se desejaste o mal aos outros, quiseste matar pessoas – e isto não é somente ter raiva – tu estás em pecado grave. Tu precisas de te confessar! Porque precisas de voltar à amizade com Deus.

2) e 3) Eucaristia e Palavra de Deus: precisas de comungar sempre em estado de graça. Quem está na segunda morada, é porque já tem uma vida de oração pessoal e comunhão diária. Se não tens oração pessoal, não passas para a segunda morada, não vais ser santo porque não vais ter força para isso. Não basta comungar, porque há muita gente que comunga todos os dias, mas nunca será santo. É preciso ter fé! Tu não podes comungar sem ter fé. Tu precisas de crer que é Ele! Se queres ser santo, a segunda pedrinha que te vai colocar na segunda morada é a Eucaristia. São apenas 15 minutos, precisas de estender isto com a oração pessoal. Se vais crescendo de fé em fé, então, estás na segunda morada. A santidade, de verdade, é para quem está na quarta morada.

4) Jejum: precisa de te sacrificar. Todo o santo precisa de ser mãe e pai espiritual, assim, tu vais matando o egoísta que há dentro de ti, e sem ter tempo para ti mesmo, deixando-te devorar pelos irmãos, deixando-te devorar, pelas almas, chegas a num ponto em que não consegues mais purificar-te. Aí entra Deus! É como uma roupa que já foi lavada muitas vezes, mas ainda precisa de ser lavada na água sanitária. Aí sim, tu começas a amar de um jeito que não achava que eras capaz de amar.

5) Terço: A boa notícia é que neste caminho difícil e árduo, existe um elevador, uma escada rolante: É Maria, a “quinta pedrinha”.

Esta foi a resposta para a crise que a Igreja vivia nos anos 70. Milhares e milhares de sacerdotes deixaram o seu ministério, as igrejas iam-se esvaziando. O papa Paulo VI chegou a desabafar na praça de São Pedro dizendo que “a fumaça de Satanás tinha entrado na Igreja”, aí, ele escreve a “Evangelii Nuntiandi”. Foram os santos que resgataram a Igreja. Não há outro caminho para sair da crise profunda desta “fumaça” que entra na igreja se não abraçarmos a santidade. Por isso, não basta ser “bonzinho”. O único caminho é: ou santo ou nada!

 Em todos os estados de vida, é possível ser santo.

Podemos ser instrumentos de Deus para a salvação. É uma maravilha: não precisamos de lutar somente para não pecar, mas podemos amar e dar a vida como os grandes santos deram a vida.

Podes dizer: “eu não tenho força”. É verdade! Mas existe o caminho.

Tu és como um “marido traidor”: parou de trair a Deus, mas não quer amar, tu só queres parar de trair, tu só queres parar de cometer adultério, mas Deus chama-te a parar de rastejar como a serpente, Deus chama-te à altura do Amor. Vamos parar com a mediocridade! O teu coração está a arder porque: Jesus pegou-te. Agora, Ele quer tudo, quer fazer-te feliz, e para isso, precisamos de entregar tudo! Ou santos ou nada! Esta é a nossa vocação! Igreja, acorda para a tua vocação verdadeira.

 
Como identificar o escrúpulo Imprimir e-mail

 

Como identificar o escrúpulo? 

 

O escrúpulo tenaz vem acompanhado de obstinação

 

A palavra escrúpulo vem do latim scrupulu e significa pedrinha, embaraço, inquietação, receio, mas, em sentido moral, designa uma razão, muitas vezes, insignificante. Porém, pode exprimir a inquietação excessiva que expressa a consciência por motivos fúteis de terem ofendido a Deus.

Este tipo de escrúpulo pode ser de aspecto natural (doença física e moral), produzindo uma desordem na vida da pessoa, levando-a a uma espécie de depressão nervosa e a pensamentos de obsessão em relação ao pecado cometido. No aspecto moral, a pessoa fica imersa em coisas sem importância, no desejo de ter a certeza absoluta das coisas, fazendo com que tenha um espírito mal esclarecido e obstinado, vendo Deus sempre como um juiz.

O caso pode tornar-se sério e grave se a pessoa escrupulosa viver tanto a causa física como moral dessa forma, de modo que será difícil a sua cura. Por isso, precisa de ajuda psicológica e, acima de tudo, espiritual.

Nem tudo, porém, é doença física ou espiritual (diabo). Deus pode permitir que uma pessoa tenha dificuldade para lidar com os seus escrúpulos para prová-la, expiando-lhe as faltas cometidas e levando-a, assim, a um grau maior de santidade. Como também para libertá-la da soberba, principalmente, da vã complacência. Por outro lado, não podemos esquecer que, muitas vezes, esse sentimento provém do demónio sim, que deseja lançar perturbações na alma da vítima, persuadindo-a a achar-se sempre em pecado mortal e, assim, impedindo-a de comungar ou confessar, embaraçando-a quanto à real gravidade do estado de pecado em que ela se encontra.

Como identificar este tipo de escrúpulo?

Parte da pessoa vê pecado onde não existe. Contudo, o escrúpulo tenaz vem acompanhado de obstinação. Por isso, precisamos de fazer uma distinção entre a consciência delicada e a escrupulosa. A primeira [consciência delicada] ama a Deus com fervor, e, para agradá-Lo, evita pecar, por menor que seja o pecado; tem verdadeiro horror ao pecado. Conhece a sua própria fraqueza, tem temor a Deus. Tem consciência de pecado grave e venial. E a segunda, [a escrupulosa], é guiada por certo egoísmo, que a faz desejar com excessiva ansiedade, a segurança de estar em graça. A vítima também, depois de ter feito muitas confissões, fica a olhar para o passado, achando que não foi perdoada, por isso, confessa os mesmos pecados sempre. O escrupuloso teme muito quando tem maus pensamentos e imagens, principalmente quando perigosos e obscenos. Assim, martiriza-se por ter consentido neles; por isso, entra em grande desespero.

O remédio para se curar deste tipo de escrúpulo é buscar um bom confessor e um diretor espiritual.

 (Texto baseado no Compêndio de Teologia Ascética e Mística de Ad. Tanquerey)

 
Como imterpretar a frase"Seja feita a vossa vontade"? Imprimir e-mail

Como interpretar a frase “Seja feita a vossa vontade”?

 

O que está por trás de uma das frases mais conhecidas do Pai-Nosso

Pergunta: Sempre achei que a frase do Pai-Nosso “Seja feita a vossa vontade” fosse um convite a aceitar a vontade de Deus; de facto, em momentos difíceis da minha vida, sempre foi muito útil refletir sobre estas palavras que dizemos com frequência na oração. Recentemente, durante um encontro, um padre convidou-nos a ler esta frase como um convite a agir, a trabalhar para que a vontade de Deus seja feita no mundo: uma exortação ao compromisso dos cristãos na construção de uma sociedade segundo o que Deus quer. Qual seria, então, a interpretação mais correta, para a Igreja? Ou será que as duas leituras são corretas e podem ser integradas?

Resposta de Filippo Belli, docente de teologia bíblica: Para entender o Pai-Nosso, é preciso olhar para Aquele que nos ensinou esta oração. É a sua oração que se torna nossa. Não há oração mais santa, mais exata, mais verdadeira que esta, porque ela surge da própria relação que Jesus tem com o Pai no Espírito Santo. Ele não nos passou uma formulação, mas transmitiu-nos o conteúdo do seu diálogo com o Pai. Por isso, a graça destas palavras é imensa, e a riqueza do seu significado, como de cada palavra que sai da boca de Deus, é inesgotável.

Por isso, inclusive a sua interpretação ao longo da história até hoje não deixou de interpelar teólogos, exegetas e santos escritores (recordemos os mais antigos e famosos, como Tertuliano, Orígenes, Cipriano, Agostinho, Tomás de Aquino), bem como indivíduos fiéis e pastores. E é bom que seja assim, para que estas palavras não se atrofiem numa fórmula estereotipada.

A pergunta, portanto, é pertinente, e a resposta está dentro da sua formulação. De facto, não se pode separar a disposição interior do cristão da sua prática efetiva. Desta maneira, não se pode simplesmente concordar com o coração e a vontade à vontade divina sem que esta disposição interior tenha uma correspondência na nossa maneira de agir e atuar nas diversas situações da vida.

O problema que a pergunta traz implicitamente parece ser outro, ou seja, uma concepção estática, determinista do que é a vontade divina, à qual o homem deveria, inevitavelmente e muitas vezes de má vontade, ceder. De facto, esta é a impressão que frequentemente temos da vontade de Deus, ou seja, como se ela fosse algo inamovível e que não corresponde à nossa vontade. Daí o esforço em aceitá-la.

Que a vontade de Deus se manifeste por meio das diversas circunstâncias da vida – muitas vezes inevitáveis – a torna ainda mais dura de acolher, porque não há nada mais imprevisível e misterioso que as circunstâncias que vivemos e que dificilmente podemos controlar.

No entanto, a Bíblia dá-nos testemunho, da primeira à última página, da radical bondade e benevolência de Deus, de uma obstinada e insistente vontade do bem da sua parte, da positiva disposição da criação, da sua vontade de salvar o homem e de favorecer a vida até à sua plenitude.

Deus convidou o ser humano a participar da vontade do bem desde o início, dando-lhe os meios necessários para realizar este bem. Portanto, somos por natureza orientados para a vontade do bem de Deus, para participar e colaborar, junto dele, com a vida.

Mas, desde a sua origem, a humanidade também vive uma fratura (que a Bíblia documenta continuamente) entre a própria liberdade e a vontade de Deus, fazendo-as parecer antagonistas, inclusive inimigas. O antigo pecado original está precisamente nesta discrepância entre a vontade humana e a divina, razão pela qual sentimos às vezes que a vontade de Deus é alheia a nós.

Em Jesus Cristo, esta fratura foi consertada, a ferida foi curada, a oposição foi conciliada. E é necessário também ser conscientes de como isso aconteceu. O Evangelho mostra-nos o caminho de Jesus em contínua tensão para fazer a vontade do Pai. Não sem dificuldade.

 
3 infalíveis conselhos para o bem do próximo e de si mesmo Imprimir e-mail

3 Infalíveis conselhos para o bem do próximo e de si mesmo.

   

1)  Procurar nunca aborrecer ninguém: não dar motivo de desgosto; não fazer o que se sabe ser do seu desagrado; não colocá-lo em circunstâncias que ele tenha que fazer esforços para manter a calma interior.

 

2) Procurar desfazer os aborrecimentos dos demais: quando vir que alguém está impaciente, transmitir-lhe um pouco da sua paciência;

Quando alguém necessitar de ser acalmado, manifestar-lhe razões de confiança e de serenidade; quando alguém se exceder nas apreciações, expressões ou atitudes, contribuir com o seu senso de justa medida e proporção.

 

3) Procurar sempre manifestar a sensibilidade para o lado da alma, com a convicção de que  o aspecto espiritual é o essencial da vida e que esta deve estar ancorada nas três virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade (ou seja, no amor de Deus).

 

 “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5,4)

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humildade de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e a minha carga é leve” (Mt 11,28-30).

 

Nesta passagem Nosso Senhor indica a tranquilidade de alma como sendo a maior recompensa, aqui na terra, para os que seguem os seus mandamentos e procuram ser úteis às demais pessoas.

 

A propósito afirma que o seu jugo é suave e é leve o cumprimento das obrigações

por Ele impostas.

 

De facto, que fardo nos impõe quando nos manda evitar todo o desejo que nos possa perturbar?

 

Que coisa mais leve que o abster-se de maldade, querer o bem, não querer o mal, amar a todos por amor de Deus, não aborrecer a ninguém;

 

Não querer para os outros o que não queremos para nós mesmos, não nos engolfar nas ocupações diárias, mas de tudo procurar tirar proveito para a vida eterna.

 

Senhor,
ensina-me a santidade,
aquela atitude permanente de dizer Sim
a tudo o que é a Tua vontade.
Esta atitude brota de uma vida intensa de oração,
de abertura à luz e à graça de Deus
que me fortifica
e me torna capaz daquilo
que é humanamente impossível.
Senhor,
que me abra sempre à Tua graça.
Quero abrir espaços no meu tempo
e na minha vida
para me encontrar conTigo
e encher-me da Tua luz e graça.
Ajuda-me, Senhor!

 
Despedida de solteiro com Missa? Imprimir e-mail

Despedida de solteiro com Missa? Mas é claro que sim!

 

E esta foi exatamente a celebração escolhida por este noivo!

Conor Gildea, um estudante escocês da Universidade Católica de Glasgow que pretende ser professor de religião. Tem 24 anos e resolveu celebrar a sua despedida de solteiro com uma Missa!

A celebração eucarística foi a sua primeira ideia quando começou a pensar na despedida – e não ficou apenas na intenção: a Missa aconteceu mesmo, na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Assunção, situada na capital, Edimburgo.

A página da catedral no Facebook divulgou uma imagem e um comentário sobre a celebração:

 “Recebemos muitas solicitações de vários grupos que desejam celebrar uma Missa privada. O grupo de hoje, porém, foi muito incomum, porque era um grupo de solteiros! Isto mesmo: o noivo insistiu muito para que a sua despedida de solteiro começasse com a celebração da Santa Missa”.

Muitos internautas felicitaram o noivo e amigos pela iniciativa. Aliás, Conor já costumava participar na celebração eucarística com os colegas. Na sua entrevista ao Catholic Herald, ele declarou:

“Ter todos os meus amigos rezando comigo e por mim foi incrível. Isto me deu muito incentivo na minha preparação para o matrimónio. Ir à Missa exatamente uma semana antes foi muito importante para me preparar espiritualmente”.

O jovem observou que alguns dos convidados ficaram “surpresos” com a sua inusitada despedida de solteiro, pois não participavam da Missa desde que saíram do colégio – e, mesmo no colégio, só iam por obrigação. Apesar da surpresa inicial, eles “começaram a perguntar por que era tão importante para nós ir à Missa”, o que serviu a Conor como deixa para lhes testemunhar que “a fé se baseia no encontro pessoal com Cristo” e que visitar o Santíssimo Sacramento é “a forma mais profunda de se encontrar com Ele”. Os amigos, considera Conor, “podem até não concordar, mas tiveram a oportunidade de conhecer a razão por trás desta iniciativa”.

Depois da Missa, o noivo e os amigos foram comer e assistir a uma partida de futebol.

A catedral de Edimburgo, também via Facebook, desejou “um longo, feliz e frutífero matrimónio” ao novo casal. E nós, que desejamos o mesmo, lhes agradecemos pelo belo testemunho de espontaneidade e coerência na prática da fé católica!

 
Aprenda a ouvir a voz de Deus Imprimir e-mail

 

Aprenda a ouvir a voz de Deus e a aceitar os planos dele para a sua vida

 

Deite fora os seus rascunhos e deixe Ele escrever uma nova história

 

Se não sabe que direção tomar, que rumo seguir ou o que fazer, ore. Falar com Deus traz-nos paz, enche o nosso coração de tranquilidade e manda embora toda a angústia. A angústia que chega a apertar o peito, que parece sufocar todas as nossas esperanças, achando um modo de esmagar a nossa fé. Achando um jeito de sugar as nossas forças.

 

Aprenda a ouvir a voz de Deus e a aceitar os planos dEle para a sua vida. Deite fora os seus rascunhos e deixe que Ele escreva uma nova história. Deixe Deus pilotar a sua vida, dê-lhe a sua direção. Eu sei, você deve estar com medo, achando que pode não dar certo novamente e já nem sabe distinguir se deve tentar outra vez. Não sabe se deve dar um passo à frente, porque você não quer é retroceder. Não quer ganhar novas feridas.

 

Talvez você esteja a achar que tudo será igual novamente e se esteja a apegar ao passado, aos fracassos e fazendo disso o lema da sua vida, mas saiba que você não é um colecionador de erros e tentativas falhas, você pode ser um colecionador de histórias, de coisas novas e de mudanças. Tudo na nossa vida é aprendizagem.

 

Infelizmente, não estamos livres da decepção, dos erros e do medo, mas podemos escolher ver as coisas de outra forma, temos a oportunidade todos os dias de recomeçar. E é mesmo bonito, poder recomeçar.

 

Então, se for para desapegar, desapegue dos seus medos, da insegurança e da falta de anseio. Queira muito, mas também permita-se. Deus não lhe daria qualquer coisa, então não espere coisas pequenas de um Deus tão grande. Confie nos planos dEle e deixe Ele agir. Esqueça os seus enganos, eles são só… enganos. E se der errado novamente? Pense que tudo nos transforma, tudo nos ensina algo. Se deu errado até aqui, continue a tentar.

 

A vida segue numa velocidade assustadora e não nos permite pausas ou retrocessos. Você precisa é de seguir em frente, você não pode estacionar nos seus medos. Faça uma troca. É, uma troca. Troque o medo pela fé, troque a ilusão pela esperança, as paragens pelos avanços e em vez de se negar e negar sempre, permita-se.

 

Um coração entregue a Deus não significa que nada dará errado, mas, certamente, ele está num lugar seguro, onde guerra alguma abala a sua paz. Onde barulho nenhum o impede de ouvir a voz de Deus. Você continuará a errar, por isso continue a tentar. Não deixe de acreditar nas pessoas, no amor, na vida, porque a dor vem, mas não faz morada. Não deixe que nada que não te acrescente, tome uma proporção significativa na sua vida.

 

Eu não sei o que toma conta do seu coração, se é o medo, as dores, as feridas, a angústia, a insegurança ou a dúvida, mas sei que quando entregar o seu coração a Deus, verá que a paz nunca fez uma morada tão longa no seu coração.

Vale a pena experimentar.

 
Como interpretar a frase "Seja feita a vossa vontade"? Imprimir e-mail

Como interpretar a frase “Seja feita a vossa vontade”?

 

O que está por trás de uma das frases mais conhecidas do Pai-Nosso

 

Pergunta: Sempre achei que a frase do Pai-Nosso “Seja feita a vossa vontade” fosse um convite a aceitar a vontade de Deus; de facto, em momentos difíceis da minha vida, sempre foi muito útil refletir sobre estas palavras que dizemos com frequência na oração. Recentemente, durante um encontro, um padre convidou-nos a ler esta frase como um convite a agir, a trabalhar para que a vontade de Deus seja feita no mundo: uma exortação ao compromisso dos cristãos na construção de uma sociedade segundo o que Deus quer. Qual seria, então, a interpretação mais correta, para a Igreja? Ou será que as duas leituras são corretas e podem ser integradas?

 

Resposta de Filippo Belli, docente de teologia bíblica: Para entender o Pai-Nosso, é preciso olhar para Aquele que nos ensinou esta oração. É a sua oração que se torna nossa. Não há oração mais santa, mais exata, mais verdadeira que esta, porque ela surge da própria relação que Jesus tem com o Pai no Espírito Santo. Ele não nos passou uma formulação, mas transmitiu-nos o conteúdo do seu diálogo com o Pai. Por isso, a graça destas palavras é imensa, e a riqueza do seu significado, como de cada palavra que sai da boca de Deus, é inesgotável.

 

 Por isso, inclusive a sua interpretação ao longo da história até hoje não deixou de interpelar teólogos, exegetas e santos escritores (recordemos os mais antigos e famosos, como Tertuliano, Orígenes, Cipriano, Agostinho, Tomás de Aquino), bem como indivíduos fiéis e pastores. E é bom que seja assim, para que estas palavras não se atrofiem numa fórmula estereotipada.

 

 A pergunta, portanto, é pertinente, e a resposta está dentro da sua formulação. De facto, não se pode separar a disposição interior do cristão da sua prática efetiva. Desta maneira, não se pode simplesmente concordar com o coração e a vontade à vontade divina sem que esta disposição interior tenha uma correspondência na nossa maneira de agir e atuar nas diversas situações da vida.

 

 O problema que a pergunta traz implicitamente parece ser outro, ou seja, uma concepção estática, determinista do que é a vontade divina, à qual o homem deveria, inevitavelmente e muitas vezes de má vontade, ceder. De facto, esta é a impressão que frequentemente temos da vontade de Deus, ou seja, como se ela fosse algo inamovível e que não corresponde à nossa vontade. Daí o esforço em aceitá-la.

 

 Que a vontade de Deus se manifeste por meio das diversas circunstâncias da vida – muitas vezes inevitáveis – a torna ainda mais dura de acolher, porque não há nada mais imprevisível e misterioso que as circunstâncias que vivemos e que dificilmente podemos controlar.

 

 No entanto, a Bíblia dá-nos testemunho, da primeira à última página, da radical bondade e benevolência de Deus, de uma obstinada e insistente vontade do bem da sua parte, da positiva disposição da criação, da sua vontade de salvar o homem e de favorecer a vida até à sua plenitude.

 

 Deus convidou o ser humano a participar da vontade do bem desde o início, dando-lhe os meios necessários para realizar este bem. Portanto, somos por natureza orientados para a vontade do bem de Deus, para participar e colaborar, junto dele, com a vida.

 

 Mas, desde a sua origem, a humanidade também vive uma fratura (que a Bíblia documenta continuamente) entre a própria liberdade e a vontade de Deus, fazendo-as parecer antagonistas, inclusive inimigas. O antigo pecado original está precisamente nesta discrepância entre a vontade humana e a divina, razão pela qual sentimos às vezes que a vontade de Deus é alheia a nós.

 

 Em Jesus Cristo, esta fratura foi consertada, a ferida foi curada, a oposição foi conciliada. E é necessário também ser conscientes de como isso aconteceu. O Evangelho mostra-nos o caminho de Jesus em contínua tensão para fazer a vontade do Pai. Não sem dificuldade.

 
Mesmo que tu caias, vale a pena caminhar Imprimir e-mail
Mesmo que tu caias, vale a pena caminhar 

Sempre ganhamos algo, ainda que cheguemos ao fundo do poço: isto acontece porque somos capazes de usar a terra para escalar e sair de lá de dentro. 

Caminhe, caminhe, caminhe. Não se canse nunca de caminhar, pois é aí que mora o porquê de existir, a vontade das nossas lutas, a valentia de todos aqueles que não conhecem o que significa render-se. Ainda que caia, levante-se e siga: você merece a oportunidade de viver o que um dia duas pessoas decidiram começar por você. 

É logo depois do nascimento que nos ensinam a caminhar, e com isso, a compreender que para fazê-lo precisamos de aprender a manter o equilíbrio. Na verdade, você caiu uma vez ou outra, mas havia alguém para o ajudar a levantar do chão em cada vez: porque cair significa voltar e recomeçar. 

 “O que afoga alguém não é cair ao rio, mas manter-se dentro dele.” - Paulo Coelho - 

É assim até que andar se torna uma ação individual de mover os pés dando passos cada vez mais longe. De repente já estamos acostumados e não cair desajeitados como quando éramos pequenos, e as quedas físicas dão lugar às quedas emocionais, das quais vamos demorar muito mais tempo para aprender a levantar-nos. 

Errei. Qual é o problema? 

Talvez isso aconteça porque as quedas passam a doer mais do que antes, e as cargas passam a ser cada vez mais pesadas: acabamos caminhando com feridas de alguns desastres, com a chuva das tormentas, com os vazios cheios de nostalgias e com algumas metas frustradas por causa de enganos. 

Os danos não são suficientes para derrotar quem acredita na possibilidade da cicatrização, haverá mais tempestades e mais incêndios se decidir esperar e não buscar, haverá pessoas que o ajudarão a levantar, e então você deve ocupar a mente para que deixe de sentir falta do que já não está mais consigo. 

Não existe nenhum problema em errar. Somos humanos e, como tal, chegamos às nossas metas acompanhados de uma série de fracassos superados, tentativas frustradas, dúvidas e fraquezas que conseguiram tornar-se fortes. É benéfico ir sempre olhando para o horizonte, sem deixar de acreditar nos ensinamentos que estão por trás de um “não” e na virtude de conhecer bem o solo sobre o qual estamos a caminhar. 

 “Quando fizer a sua viagem à Itaca peça que o caminho seja longo,cheio de aventuras, cheio de experiências.” - Kavafis- 

Só perde quem não sabe perder 

Na vida aprendi que ninguém perde se está disposto a reconhecer o que ganha nos momentos mais difíceis. Porque é certo que sempre ganhamos algo, mesmo que cheguemos ao fundo do poço: isso acontece porque somos capazes de usar a terra para escalar e sair de lá de dentro. 

Ninguém se salva de uma queda emocional e ainda me atrevo a dizer que ela é absolutamente necessária, porque o seu objetivo verdadeiro é ensinar a limpar os joelhos, curar os arranhões e a seguir adiante com mais experiência. Claro, há experiências muito duras cujas dores são terríveis, mas se tentarmos entender os sinais do corpo e os confrontarmos, isso ajudará a nos sentirmos muito melhor. 

Se caí é porque estava a caminhar 

As vitórias desses desafios contínuos da vida serão a sua maior conquista. De cada dificuldade sairemos cada vez mais vivos. Vale a pena o risco de cair por todas as outras emoções que sentimos durante o resto do caminho, e por essas pessoas que estão ao seu lado apostando no seu sorriso. 

Caminhar é o mais importante: é encontrar o sentido pelo qual estamos no mundo e dar-nos a oportunidade de crescer. É desfazer os muros e acreditar nos sonhos, é fazer novos planos se os antigos falharam, é saborear o que é saboroso e digerir o ruim. Temos que caminhar sem nos render: sempre podemos, sempre devemos, sempre precisamos de pensar em nós, em continuar. 

 “E já não vale a pena ir deste mundosem ter gostado tanto da vida.” - Frida Kalho -

 

 
Estamos doentes, mas Deus quer curar-nos Imprimir e-mail
 Estamos doentes, mas Deus quer curar-nos    

Nós queremos muitas coisas, mas não nos satisfazemos com nada. O nosso coração só se vai apaziguar em Deus 

Em algumas traduções das Bíblias, lemos assim: “Jesus disse: ‘Vai, a tua fé te curou'”. E em outras: “Vai, a tua fé te salvou”. Na verdade, curar e salvar falam da mesma realidade na Sagrada Escritura. 

Jesus pagou o preço do nosso resgate. Nós estamos doentes e precisamos de ser curados, precisamos de ser salvos. Deus quer nos salvar, ou seja, Ele quer nos curar. Este conceito funciona bastante, porque está enraizado na constatação de que não estamos totalmente conforme o sonho que Ele teve para nós. Este sonho foi realizado somente em Jesus Cristo, que é um Homem como Deus pensou. 

Marcados pelo pecado original 

Podemos dizer, com toda a certeza, que nunca vimos uma pessoa inteira. Só temos experiência de “pedaços” de homens, pessoas “deformadas” que trazem em si a marca do pecado. A nossa condição é a de pessoas marcadas pelo pecado, pois somos doentes e precisamos de tomar consciência disto, para que vivamos uma mudança de mentalidade. 

O mundo acha que tudo o que se vive por aí é normal. É assim que a nossa sociedade decide o que está certo ou errado.  

Somos pessoas marcadas pela “doença” do pecado original. As nossas reações não são todas normais. Se não nos dermos conta disso, não nos vamos converter. O primeiro passo que o doente tem de dar para se curar é o de se convencer de que está doente. Se ele achar que está muito bem, não vai mudar. 

É muito mais fácil uma espiritualidade “otimista” que aplauda e canonize tudo aquilo que as pessoas fazem. Precisamos levar a sério as consequências do pecado original. Se sou obcecado pela felicidade que encontro na comida, na bebida, esse tipo de pensamento diz que a fome é um instinto natural, criado por Deus; logo, é bom e não tem nenhum problema. Embora isso tenha sido criado por Deus, traz a marca do pecado original, pois nos afasta d’Ele. 

O pecado e as suas consequências 

Santo Agostinho faz a comparação: Imaginemos que um noivo dê um presente à sua noiva, e ela fica tão fascinada com o presente, que esquece do noivo e vai para casa. Aquilo que o noivo deu como sinal de amor torna-se um caminho de separação. Deus deu-nos este mundo como um presente, mas a nossa tendência é transformá-lo em deus, colocar os presentes d’Ele no lugar d’Ele. É aqui que está a nossa doença. 

Dizer que uma pessoa é saudável é diferente de dizer que um alimento é saudável. Uma pessoa é saudável quando tem saúde e um alimento é saudável quando traz saúde. Da mesma forma, podemos falar de pecado original de formas diferentes: uma coisa é dizer “eu cometi um pecado”, que é uma transgressão, algo que ofende a Deus e destrói a quem o pratica. Quando dizemos que Adão e Eva pecaram, posso chamar esta primeira transgressão, pecado original. E quando digo que tenho este pecado [original], isto tem outro sentido, pois é algo recebido, hereditário. Podemos tentar explicar isto por meio da liberdade que Deus nos dá como filhos. Ele está do nosso lado, protege-nos, mas leva a sério a nossa liberdade. Se tu fizeres algo de mal, Ele vai respeitar a tua liberdade, e vai sofrer por isso, já que nos ama. 

Os pecados que cometemos afetam os outros, às vezes, até de forma irreparável. Se tu contraires AIDS, não podes fazer de conta que isso não existe, pois podes morrer com esta doença ou contaminar outras pessoas. O pecado tem consequências, assim como, a partir do pecado original, surgiu em nós uma tendência para o mal. 

A importância da ascese 

Os mesmos instintos que os animais têm, nós também os temos. Assim como um macaco gosta de comer, beber, ter relações sexuais, o nosso instinto é o mesmo. Mas, há uma grande diferença: nós temos alma. Nós não fomos feitos só para isto, temos uma sede maior. Não adianta apenas comer, beber, ter relações sexuais, porque dentro de nós vai permanecer um vazio. O teu coração vai permanecer inquieto, como disse, com clareza, Santo Agostinho. Nós não nos satisfazemos com nada, nós queremos muitas coisas, mas o nosso coração só vai apaziguar-se em Deus. 

Pensemos, então, numa conscientização das “doenças” que estão dentro de nós. E uma vida espiritual que as combata numa tentativa de reverter as consequências do pecado original. É claro que a cura total não será neste mundo, mas na nossa ressurreição. Mas, por mais que seja assim, nós podemos e devemos viver uma vida ascética, de ascese, esforço para curar estas más tendências que existem dentro de nós. Quando falo de ascese, falo de jejum, vigílias, sacrifícios, abstinências, esforços espirituais. Tudo isto não para “pagar os pecados” – pois eles já foram pagos por Jesus -, mas para combater a tendência ao pecado que, dentro de nós, é como a lei da gravidade, puxando-nos para baixo. Precisamos de fazer algo para não acabar por nos “envenenar” espiritualmente, pois sabemos da nossa condição, da nossa “doença” espiritual. Não é só na Quaresma que precisamos de fazer jejuns e oferecer sacrifícios. Se não combatermos essas “enfermidades”, seremos vítimas delas.
 
Que fazer quando perdemos a vontade de rezar? Imprimir e-mail
O que fazer quando perdemos a vontade de rezar?   

 

Perdi a vontade de rezar. E agora?  Há horas em que não sinto a menor vontade de dialogar com algumas pessoas, mas, porque preciso, acabo por deixar a minha vontade de lado e vou ao encontro delas, converso, trabalho, convivo e sigo em frente.

Com Deus não é diferente. Às vezes, envolvo-me tanto com as coisas, que não sinto vontade de falar com Ele, ou seja, de rezar, mas porque sei que preciso e até sei que dependo da Sua graça, vou ao Seu encontro por meio da oração.  É claro que isto exige empenho e perseverança, porque, na verdade, a vida de oração é uma conquista diária; e como nenhuma conquista é isenta de lutas, é preciso lutar para ser orante.

Santa Teresa de Jesus afirma, na sua autobiografia, que oração e vida cómoda não combinam em nada; e diz ela que uma das maiores vitórias do demónio é convencer alguém de que não é preciso rezar. Ou seja, quando o assunto é vida de oração, é preciso ter consciência de que se trata de uma luta espiritual, e para vencer, o único caminho é rezar com ou sem vontade.

Até porque, como diz o ditado popular, “vontade dá e passa”. Se eu escolho deixar-me guiar apenas pelo meu querer, corro o risco de ser vazia, sem sentido. Deserto espiritual Eu sei que, com o passar do tempo e a acumulação de atividades, corremos o sério risco de, aos poucos, irmos deixando a oração de lado ou rezarmos de qualquer jeito, até chegarmos a um “deserto espiritual” e termos uma certa apatia quando o assunto é oração.

Mas é precisamente, nesta hora, que precisamos de ir além dos sentimentos e considerarmos que o “deserto também é fecundo” quando vivido em Deus, e pela sua misericórdia na nossa vida tudo é graça!  Consolações e desolações, alegria e tristeza, perdas e ganhos, tudo é fruto do amor de Deus, que permite vivermos as provas enquanto nos chama a crescermos e frutificarmos em toda e qualquer situação. Portanto, no ponto em que tu estás agora, volta a fixar a tua alma em Deus e permite que Ele te devolva a ti mesmo, pela força da oração.  Ao absorvermos tanta agitação e estímulos em nossos dias, acabamos por perder o contacto com a nossa verdadeira essência, e ficamos tão distraídos e preocupados com tudo o que está a acontecer à nossa volta, que acabamos fragmentados, confusos e inseguros, sem nos lembrarmos de onde viemos, onde estamos e menos ainda para onde vamos.

Só Deus nos pode reorientar. Jesus tinha consciência disto quando disse aos Seus discípulos: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação” (Mateus 26,41); eu diria, principalmente, a tentação de esquecer quem és tu e qual é o teu papel neste mundo.  Então, vamos rezar? Algumas pistas que podem servir para abrir caminho no teu relacionamento com Deus. Quando encontrares a tua própria trilha, caminharás livremente e cada vez mais experimentará a alegria, que está na presença d’Ele por meio da oração.  

 

1- Escolhe o horário e o tempo que queres dedicar à oração e procura ser fiel a este propósito. Assim como nos alimentamos diariamente, a oração deve ser o alimento diário da alma, aconteça o que acontecer.  

 

2- Fundamenta a tua oração na Palavra de Deus e na Sua verdade. Fala com Ele com confiança e sem reservas, como quem fala com um amigo. Agindo assim, encontrarás a paz e a harmonia interior que tanto procuras, pois, como ensina São João da Cruz, “o conhecimento de si mesmo é fruto da intimidade com Deus, e é o meio essencial para a liberdade interior”.  

 

3- Reza com humildade, detendo-te sempre na palavra: “Seja feita a vossa vontade”. Lembra-te de que a tua oração não pode ser movida simplesmente por gosto ou exigência, mas, acima de tudo, por gratuidade e confiança na misericórdia de Deus.  

 

4- Pratica o que rezaste e não desvincules as tuas obras da oração, pois uma coisa tem tudo a ver com a outra. Caridade, perdão, alegria, confiança, fraternidade e paciência são características de quem reza.  

 

5- Tem o teu próprio ritmo de oração. A imitação e a comparação não ajudam em nada. A vida dos santos, por exemplo, são setas que apontam para o céu, mas és quem deve dar os seus próprios passos para chegar até lá. Desejo que em cada amanhecer e também nas “noites escuras” experimentes pela oração o amor e a verdadeira felicidade, uma vez que esta consiste em amar e sentir-se amado.

E ninguém nos ama tanto como Deus.

Se alguma vez perderes a vontade de rezar, já sabes o que deves fazer: reza assim mesmo e sê feliz!
 
Foge da vaidade Imprimir e-mail

Foge da Vaidade!

 Tudo para a maior glória de Deus

Entra hoje seriamente em ti mesmo e vê com que intenções fazes as tuas obras.

Se as faze maquinalmente e sem intenção alguma, nem boa nem má, ser-te-ão inúteis para o Céu.

Se as fazes com intenção de agradar aos homens e por vaidade, por boas que em si sejam, tais obras tornam-se más e dignas de castigo.

Se pelo contrário em todas as tuas obras só em Deus pões a mira, se somente procuras a glória e o cumprimento da vontade de Deus, és feliz: porque então tu adquires mérito e tesouros para a eternidade.

Foge da vaidade; “guardai-vos, não façais as vossas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles: de outro modo não teríeis a recompensa da mão de vosso Pai que está nos Céus”.

Pois que esta é a glória do mundo: um fumo vão!

Em todas boas obras contenta-te com o testemunho da tua consciência, contenta-te com saber que todas as tuas ações tens a Deus por testemunha, e nunca vás mendigar dos homens uma glória que te faça perder a verdadeira.

Lá no fundo do teu coração diz e repete continuamente: “A Deus só, seja honra e glória pelos séculos dos séculos. Senhor, daí glória não a nós mas ao vosso nome”.

Oculta tanto quanto possível as tuas acções e tem cuidado de, antes de a começares, certificar a intenção, dizendo com Santo Inácio de Loyola: “Meu Deus, isto vou eu fazer por amor de vós e para a vossa maior glória”.

Se no meio da tua ação vier o demónio tentar-te de vaidade, não a interrompas por isso, diz-lhe com São Bernardo: “Nem por ti começou, nem por ti hei-de acabar”.

Tudo seja para Deus, seja tudo para sua glória.

Que todos os dias seja esta a tua divisa.

 

 
Eu, Irmã Faustina, estive nos abismos do Inferno Imprimir e-mail
  “Eu, Irmã Faustina, estive nos abismos do Inferno”

 “Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe.”

Um dos argumentos de que mais se servem os inimigos da Igreja para pôr em questão a verdade do inferno diz respeito à misericórdia divina. “Se Deus é misericordioso”, dizem, “não condenará ninguém a fogo nenhum, quanto mais eternamente.”

O primeiro problema por trás desta forma de pensamento é, sobretudo, a falta de fé. Se Jesus Cristo realmente é Deus, como crê e ensina desde o princípio a Igreja Católica, e se foi Ele próprio quem disse, conforme consignado inúmeras vezes no Evangelho, que existe o “inferno” (cf. Mt 11, 23; 23, 33; Lc 12, 5; 16, 23), o “fogo eterno” (cf. Mt 18, 8; 25, 41), a “geena” (cf. Mt 5, 22ss; 10, 28; Mc 9, 43ss), ou o “castigo eterno” (cf. Mt 25, 46), a única resposta possível do ser humano é crer em suas palavras. O próprio Deus falou; a segunda Pessoa da Santíssima Trindade se pronunciou, Ele que “não se engana nem nos pode enganar”. Ou aceitamos por isso a verdade do inferno, ou então estamos a brincar quando dizemos crer em Deus, em Jesus e na sua Igreja. Quem escolhe da doutrina que o próprio Senhor revelou somente aquilo que lhe agrada, pondo de lado o que lhe desagrada, não é em Deus que crê, mas em si mesmo; não é católico, mas herege.

É claro que a teologia pode explicar a doutrina do inferno e demonstrar, àqueles que já crêem, a razoabilidade deste ensinamento de Nosso Senhor. O Deus cristão, afinal de contas, é também “logos”; o que Ele faz não nasce do puro arbítrio, como acreditam os voluntaristas, os fideístas ou os muçulmanos. Ao mesmo tempo, porém, àqueles que estão do lado de fora, nenhuma explicação será suficiente para que creiam. Se estas pessoas, resistindo, não derem o seu assentimento de fé à autoridade de Deus revelante, aceitando em sua totalidade o depositum fidei que a Igreja guarda e anuncia, todo e qualquer esforço argumentativo será em vão.

Neste sentido, a visão de Santa Faustina Kowalska, descrita a seguir, serve menos para convencer os descrentes que para confirmar, no coração dos católicos mornos ou vacilantes, a veracidade da doutrina católica de sempre sobre o inferno. Pode-se muito bem, é verdade, duvidar desta revelação privada que recebeu a Apóstola da Misericórdia, assim como se pode duvidar da visão do inferno de Fátima e de outros tantos fenómenos místicos semelhantes por que passaram os santos da Igreja. O que não pode questionar, ao menos quem foi batizado na fé da Igreja e enche a boca para se dizer “católico”, é que o inferno existe e a condenação eterna é uma possibilidade real e terrível, confirmada pelos Evangelhos, pela Tradição e pelo Magistério — ainda que, na verdade, os teólogos avessos a essas revelações privadas (aprovadas pela Igreja!) sejam, na maioria das vezes, justamente os hereges que rechaçam essa parte, incómoda, da doutrina católica.

Quem tem fé, entretanto, na vida eterna (e talvez até seja devoto da Divina Misericórdia), atente-se bem às palavras dessa santa religiosa, que recebeu de Deus o privilégio de visitar o inferno: “Estou a escrever isto por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é“; “Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe“. O testemunho de Santa Faustina é dirigido a nós, homens céticos e incrédulos do século XXI!

Escutemos o apelo que a Misericórdia Divina nos faz e, temendo a principal pena do inferno, que é “a perda de Deus”, aprendamos a evitar o pecado, que nos faz viver a amargura e a infelicidade ainda nesta vida.

Hoje conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno. É um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi: o primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso de consciência; o terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca; o quarto tormento, é o fogo, que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, um horrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demónios e as almas condenadas vêem-se mutuamente e vêem todo o mal dos outros e o seu; o sexto é a contínua companhia do demónio; o sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias. São tormentos que todos os condenados sofrem juntos, mas não é o fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a omnipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda eternidade. Estou a escrever isto por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é.

Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isto por escrito. Os demónios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham que me obedecer. O que eu escrevi dá apenas a pálida imagem das coisas que vi. Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão, é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existisse. Quando voltei a mim, não me podia refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. “Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios a ter que Vos ofender com o menor pecado que seja.”

Hoje ouvi as palavras: No Antigo Testamento, Eu enviava Profetas ao Meu povo com ameaças. Hoje estou enviando-te a toda a humanidade com a Minha misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la estreitando-a ao Meu misericordioso Coração. Utilizo os castigos, apenas quando eles mesmos Me obrigam a isso, e é com relutância que a Minha mão empunha a espada da justiça. Antes do dia da justiça estou enviando o dia da Misericórdia. Eu respondi: “Ó meu Jesus, falai Vós mesmo às almas, porque as minhas palavras são insignificantes.
 
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O mundo moderno não aceita fazer penitência 

Se há um conceito radicalmente oposto à mentalidade moderna é o da penitência.

 

O termo e a noção de penitência evocam a ideia de um sofrimento que infligimos a nós mesmos para expiar os nossos pecados ou os de outras pessoas; e nos unirmos aos méritos da Paixão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

O mundo moderno rejeita o conceito de penitência por estar imerso no hedonismo e professar o relativismo; que é a negação de qualquer bem pelo qual vale a pena sacrificar-se, exceto a busca do prazer.

 

Cujos mosteiros são descritos como locais de tortura, só porque neles se pratica uma vida de austeridade e penitência.

 

Usar o cilício ou gravar o monograma do nome de Jesus no peito é considerado uma barbárie; mas praticar o sadomasoquismo ou tatuar indelevelmente o próprio corpo é considerado hoje um direito inalienável da pessoa.

 

Com toda a força de que os meios de comunicação são capazes, os inimigos da Igreja repetem as acusações anticlericais de sempre.

 

O que é novo é a atitude das autoridades eclesiásticas, que em vez de defender as freiras difamadas, as abandonam ao carrasco mediático com secreto comprazimento; fruto da incompatibilidade entre as regras tradicionais que essas religiosas estão decididas a observar e os novos padrões impostos pelo “catolicismo adulto”.

 

Mesmo que o espírito de penitência tenha pertencido desde o início à Igreja Católica; como o recordam as figuras de São João Batista e de Santa Maria Madalena; qualquer incitamento às práticas ascéticas antigas é considerado hoje intolerável até por muitos eclesiásticos.

 

No entanto, não há doutrina mais razoável do que aquela que fundamenta a necessidade de mortificação da carne.

 

Se o corpo está em revolta contra o espírito (Gl. 5, 16-25), não é razoável e prudente reprimi-lo?

 

Nenhum homem está livre do pecado, nem mesmo os “cristãos adultos”.

 

Não age portanto segundo um princípio lógico e salutar quem expia seus pecados mediante a penitência?

 

As penitências mortificam o “eu”, dobram a natureza rebelde, reparam e expiam os próprios pecados e os dos outros.

 

Se, pois, considerarmos as almas que amam a Deus, que buscam a semelhança com o Crucificado; então a penitência se torna uma exigência do amor.

 

São famosas as páginas de De Laude flagellorum de São Pedro Damião; o grande reformador do século XI, cujo mosteiro de Fonte Avellana se caracterizava por uma extrema austeridade nas regras.

 

Escrevia ele: “Quero sofrer o martírio por Cristo, mas não tenho ocasião; submetendo-me às flagelações, pelo menos manifesto a vontade de minha alma ardente” (Epístola VI, 27, 416 c.).

 

Toda reforma na história da Igreja foi feita com a intenção de reparar os males do tempo por meio da austeridade e da penitência.

 

Nos séculos XVI e XVII, os Mínimos de São Francisco de Paula praticam (e o fizeram até 1975) um voto de via quaresmal; que lhes impõe a abstenção perpétua não só de carne, mas de ovos, de leite e de todos os seus derivados; os Recoletos consomem a própria refeição no chão, misturam cinza nos alimentos, prosternam-se diante da porta do refeitório sob os pés dos religiosos que entram; os Irmãos hospitalares de São João de Deus estabelecem na sua constituição; “comer no chão, oscular os pés dos irmãos, sofrer repreensões públicas e acusar-se publicamente”.

 

Análogas são as regras dos Barnabitas, dos Escolápios, do Oratório de São Filipe Neri, dos Teatinos.

 

Não há instituto religioso, como documenta Lukas Holste, que não inclua em sua constituição a prática do capítulo de culpas; a disciplina várias vezes por semana; os jejuns, a diminuição das horas de sono e de repouso (Codex regularum monasticarum et canonicarum, (1759) Akademische Druck und Verlaganstalt, Graz 1958).

 

A essas penitências “de regra” os religiosos mais fervorosos juntavam as chamadas penitências “superrogatórias”, deixadas ao critério de cada um.

 

Santo Alberto de Jerusalém, por exemplo; na Regra escrita para os Carmelitas e confirmada pelo Papa Honório III em 1226, depois de descrever o género de vida da Ordem e as respectivas penitências a praticar; conclui: “Se alguém no entanto quiser dar mais, o próprio Senhor em seu retorno o recompensará”.

 

Bento XIV, que era um Papa meigo e equilibrado, confiou a preparação do Jubileu de 1750 a dois grandes penitentes; São Leonardo de Porto Maurício e São Paulo da Cruz.

 

Frei Diego de Florença deixou um diário da missão realizada por São Leonardo de Porto Maurício na Praça Navona, em Roma, de 13 a 25 Julho 1759.

 

Com uma pesada corrente em volta do pescoço e uma coroa de espinhos na cabeça, o santo se flagelava diante da multidão, gritando: “Ou penitência ou inferno” (São Leonardo de Porto Maurício, Obras Completas. Diário de Fra Diego, Veneza, 1868, vol. V, p. 249).

 

São Paulo da Cruz terminava sua pregação infligindo-se golpes tão violentos; que com frequência algum fiel não resistia mais ao espetáculo e saltava no palco, com o risco de ser atingido; para deter-lhe o braço (Os processos de beatificação e de canonização de São Paulo Cruz, Postulação geral dos Padres Passionistas I, Roma 1969, p. 493).

 

A penitência foi praticada ininterruptamente durante dois mil anos pelos santos, canonizados ou não, que com suas vidas têm ajudado a escrever a história da Igreja; por Santa Joana de Chantal e Santa Veronica Giuliana, que gravaram com um ferro quente o cristograma no peito; e por Santa Teresinha do Menino Jesus, que escreveu o Credo com o seu sangue; no final do livrinho dos Santos Evangelhos que trazia sempre sobre o coração.

 Contudo, essa generosidade não caracteriza somente as monjas contemplativas.

No século XX, dois santos diplomatas iluminaram a Cúria Romana: O cardeal Merry del Val (1865-1930), Secretário de Estado de São Pio X, e o Servo de Deus Mons. José Canovai (1904-1942); representante da Santa Sé na Argentina e no Chile.

 

O primeiro usava sob a púrpura cardinalícia uma camisa de crina trançada com pequenos ganchos de ferro.

 

Do segundo, autor de uma oração escrita com sangue, o cardeal Siri escreve: “As correntes, os cilícios, as flagelações horríveis com lâminas de barbear, as feridas, as cicatrizes aumentadas pelas sucessivas lesões; não são o ponto de partida, mas de chegada de um fogo interior; não a causa, mas a eloquente e reveladora explosão desse fogo.

 

Tratava-se da clareza com a qual ele via em si e em cada coisa um meio para amar a Deus, e com a qual; no lancinante sacrifício do sangue, via garantida a sinceridade das demais renúncias interiores” (Memorial para a Positio de beatificação de 23 de Março 1951).

 

Foi nos anos cinquenta do século XX que as práticas espirituais e ascéticas da Igreja começaram a declinar.

 

O padre João Batista Janssens, Geral da Companhia de Jesus (1946-1964); interveio mais de uma vez para chamar os próprios irmãos a retornar ao espírito de Santo Inácio.

 

Em 1952 enviou-lhes uma carta sobre a “mortificação contínua”; na qual se opunha às posições da nouvelle théologie, tendentes a excluir as penitências reparadoras e impetratórias; e escrevia que jejuns, flagelação, cilícios e outros rigores deviam permanecer escondidos dos homens, segundo a norma de Cristo (Mt. 6, 16-18); mas deviam ser ensinados e inculcados nos jovens jesuítas até ao segundo noviciado, chamado terceiro ano de aprovação (Dizionario degli Istituti di Perfezione, vol. VII, col. 472).

 

Ao longo dos séculos, as formas de penitência podem mudar, mas não o espírito, que é sempre oposto ao do mundo.

 

Prevendo a apostasia espiritual do século XX, Nossa Senhora em pessoa recordou em Fátima a necessidade da penitência.

 

Penitência não é senão a recusa das falácias do mundo; a luta contra os poderes das trevas, que disputam com as forças angélicas o domínio das almas; e a mortificação contínua da sensualidade e do orgulho, enraizados no mais profundo do nosso ser.

 

Somente aceitando essa luta contra o mundo, o demónio e a carne (Ef. 6, 10-12); podemos compreender o significado da visão cujo centésimo aniversário celebraremos dentro de um ano.

 Os pastorinhos de Fátima viram: “ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia que iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: o Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!”
 
As distracções involuntárias na oração Imprimir e-mail
 

As distrações involuntárias na oração

 

As distrações involuntárias nos momentos de oração e as suas causas.

 

Precisamos de ver quais são as causas de distracção na oração; por quê? Porque não há somente as distrações voluntárias, ou seja, colocamo-nos numa tentativa de rezar, mas a nossa cabeça começa a “voar” para tantas coisas e preocupações; por quê? Pode ser porque não temos virtude, ou seja, queremos tomar as rédeas da nossa vida espiritual.

 

Não há somente distrações voluntárias. Há distrações involuntárias, das quais não somos culpados. É importante saber quais são essas distrações e quais são as suas, para que não fiquemos amargurados. Porque senão, propomo-nos rezar, mas as distrações acontecem e então dizemos: “puxa vida, eu sou um pecador mesmo…”, não é? E vamo-nos confessar de uma coisa que, no fundo, no fundo, não temos culpa alguma.

 

Quais são então as cinco causas de distrações involuntárias, das quais nós não somos culpados? Em primeiro lugar, o objeto que queremos contemplar, ou seja, a que queremos aplicar a nossa inteligência, a nossa vontade, é o que nós chamamos recolhimento. Este é um objeto obscuro, digamos assim, difícil de alcançar para o nosso intelecto. Pois, a nossa inteligência está acostumada com a luminosidade das coisas que nós vemos e não com a obscuridade do objeto da fé.

 

Uma comparação: imaginemos um cenário, que está totalmente na penumbra, mas há um objeto bem iluminado. O que é que a nossa visão faz? O que é que os nossos olhos fazem? Procuram o lugar onde está a luz. Fazendo isto, sentimo-nos muito mais confortáveis, por ver aquilo que está iluminado, do que ficar procurando um objeto escondido na penumbra, que não vemos direito. Este é o problema da oração.

 A oração é procurar um objeto na penumbra da fé, enquanto a nossa inteligência se sente muito mais confortável enxergando um objeto na luminosidade do nosso dia a dia. Por isso, é mais fácil pensar na conversa que tivemos com o nosso amigo, momentos antes da oração, do que pensar na vida eterna ou no amor de Deus, que são objetos que estão lá, são verdadeiros, mas estão escondidos na penumbra da fé.

A primeira coisa é que existe uma tendência para a distração na própria realidade que estamos tentando contemplar, que estamos tentando ver através de um ato de fé, que é a oração.

 

Além disso, quais são as outras quatro causas? Esta primeira é uma causa intrínseca do próprio objeto, mas existe o problema da nossa natureza decaída. Esta segunda causa de nossas distrações na oração faz com que a nossa inteligência e a nossa vontade sejam afetadas a todo o momento pelas nossas paixões desordenadas. Nós temos certa debilidade da inteligência e da vontade por causa do nosso pecado.

 

Se nós fôssemos Jesus Cristo ou se nós fôssemos a Virgem Maria, sem o pecado original, a nossa inteligência e a nossa vontade não teriam dificuldade nenhuma de rezar. Além disso, nós ainda não passámos pelo processo de purificação, nós ainda somos principiantes. Ainda não temos aquilo que os santos adquirem quando passam pela purificação. Então, vamos ter que aguentar as nossas paixões desordenadas. Além disso, temos o facto de que fisicamente podemos estar doentes, esta é a terceira causa.

 

Há doenças físicas que nos indispõem para rezar. Às vezes, uma dor de cabeça, um mal-estar, ou alguma outra coisa, impede de nos concentrar. Não é algo que quisemos. E, se estamos doentes, a oração fica difícil. Então, realmente, às vezes, a oração torna-se uma verdadeira luta, por causa da realidade física.

 

As duas últimas distrações são: os ataques do demónio; ou a simples permissão divina, na qual Deus permite as distrações para nos provar. Contra os ataques dos demónios, nós podemos lutar, principalmente usando a água benta. Este sacramental ajuda bastante a evitar este tipo de ataque, embora não seja uma coisa 100% garantida. Podemos também pedir a Deus, antes de iniciar a oração, que nos livre destes ataques do demónio. Esta prática igualmente não é uma coisa que nós podemos garantir 100%, porque aí vem o número cinco: há as permissões divinas. Deus, às vezes, quer nos ver lutar; por quê? Porque a luta é uma forma de mostrarmos o nosso amor. Se nunca lutamos por nada, é porque nunca amamos nada.

 Se lutamos por Deus, se mostramos que amamos Deus, talvez seja aqui que nós tenhamos que passar pelo vale da sombra da morte (cf. Sl 22, 4) das distrações. Quem sabe até pelo vale da aridez, que são as distrações quando elas realmente se tornam uma realidade estável na nossa vida. Se Deus permite as distrações, é porque nos quer ver lutar. Quer ver o nosso amor por Ele.
 
O pecado contra o Espírito Santo Imprimir e-mail
 O pecado contra o Espírito Santo  O que é este pecado?

Antes de tudo é preciso entender que não é um pecado como os outros; isto é, um acto: roubar, matar, prostituir, adulterar, corromper, mentir, etc. 

Trata-se de uma ofensa grave ao próprio Deus na Pessoa do Espírito Santo. De que forma?

 

No §1864 o Catecismo da Igreja explica: “Aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não terá remissão para sempre. Pelo contrário, é culpado de um pecado eterno” (Mc 3,29). A misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus pelo arrependimento, rejeita o perdão dos seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo. Semelhante endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna”.

Portanto, o pecado contra o Espírito Santo é o endurecimento do coração. Não que a misericórdia de Deus seja insuficiente para amolecer um coração empedernido, mas é a pessoa que não se abre para acolher o perdão e a misericórdia de Deus. É o caso do pecador que não se arrepende dos seus pecados, mesmo tendo consciência deles, sabendo que está errado e agindo deliberadamente contra a vontade de Deus.

Os Evangelhos mostram casos de pessoas que endureceram o coração diante de Jesus, mesmo vendo os seus enormes milagres, deliberadamente não quiseram dar-lhe crédito, e preferiram tramar a sua morte, por conveniência e por inveja.

Um caso marcante é o que São João conta sobre a ressurreição de Lázaro de Betânia. Esta ressurreição era a prova cabal da divindade de Jesus; um milagre realizado bem perto de Jerusalém, e que muitos judeus presenciaram.

Muitos deles creram em Jesus, como conta S. João: “Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele”. (Jo 11,45)Mas algumas autoridades judaicas, em vez de ceder às evidências do milagre, por conveniência, para manter o seu “status-quo”, preferiram tramar a morte do Senhor. Diz S. João: “Alguns deles, porém, foram aos fariseus e contaram-lhes o que Jesus realizara. Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Este homem multiplica os milagres. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação… E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida”. (Jo 11, 47s)

E o mais interessante é que as autoridades judaicas procuravam também tirar a vida a Lázaro por que ele era a prova do milagre de Jesus. “Uma grande multidão de judeus veio a saber que Jesus estava lá; e veio, não somente por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, que ele ressuscitara. Mas os príncipes dos sacerdotes resolveram tirar a vida também a Lázaro, porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus” (Jo 12, 9-11).

Este é um caso típico de endurecimento do coração e pecado contra o Espírito Santo.Outro modo de atentar contra o Espírito Santo é desesperar da própria salvação, achando que o seu pecado é tão grande que a misericórdia de Deus já não o pode perdoar. É o pecado da desesperança. Qualquer pecado por pior que seja pode ser perdoado por Deus se a pessoa se arrepende verdadeiramente.

Um belo exemplo é São Pedro; depois de negar o Mestre, tristemente, por três vezes, arrependeu-se, chorou amargamente, e acreditou no perdão e na misericórdia de Deus. Judas, ao contrário, desesperou e foi-se matar. Ambos pecaram gravemente, mas um desesperou e o outro confiou no perdão de Deus.

O nosso Catecismo diz: “Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. “Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança o seu perdão, desde que o seu arrependimento seja sincero.” Cristo que morreu por todos os homens, quer que, na sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado”. (§982)

Portanto, ninguém deve desesperar da própria salvação, mesmo que tenha pecado gravemente e de muitas maneiras. O Coração Sagrado de Jesus está sempre aberto para nos dar a sua misericórdia quando voltamos a ele arrependidos como o filho pródigo. Prof. Felipe Aquino
 
Motivos para rezar todos os dias Imprimir e-mail
 

Cinco motivos para rezar todos os dias  

 A oração é o alimento da alma. Se não ingerirmos uma determinada quantidade de nutrientes necessários diariamente, o nosso organismo começará a reagir de modo negativo; com o passar do tempo, vamos adquirir uma anemia.

O mesmo processo acontece com a vida interior. Se cada dia não cultivarmos uma vida de oração, a nossa alma contrairá uma anemia espiritual. Precisamos de cuidar do coração para que a nossa fé seja sempre renovada no amor e na esperança.

Aumentando a imunidade contra os ataques do inimigo

Deixo aqui cinco motivos para rezarmos todos os dias e aumentarmos a imunidade contra os ataques do inimigo

1 – Fortalecimento da fé:

A nossa vida de fé alimenta-se daquilo que oferecemos à nossa alma. Quando nos descuidamos da oração, a nossa vida de fé diminui gradativamente. Muitos descuidaram-se a tal ponto da vida de oração, que hoje se encontram espiritualmente anémicos, sem forças diante das difíceis situações da vida. Quanto mais rezamos, mais a nossa fé cresce e se fortalece.

2 – Resistência contra os ataques do mal:

Todos os dias, somos cercados de muitas forças do mal, as quais nos tentam roubar a paz. Uma vida de oração fecunda e intensa afasta de nós as forças das trevas. A luz que irradia da nossa fé deixa cego o inimigo. Mergulhados em Deus, criamos uma resistência espiritual contra todo o vírus do mal.

3 – Santificação pessoal:

Os santos alcançaram a glória divina, porque na vida foram pessoas de oração e caridade. A vida de oração caminha de mãos unidas com a ação, e para ser santo é preciso ser pessoa de oração. Quando a nossa vida se torna oração por completo, até mesmo no trabalho estamos a rezar, porque nos unimos de tal maneira a Deus que não nos podemos separar d’Ele.

4 – Imunidade contra o negativismo:

As pessoas mal-humoradas têm tendência a serem de pouca oração. Quem reza é mais animado, olha a vida com mais amor, acolhe com mais carinho os irmãos, reconhece nos sofredores o próprio Cristo, são promotores da paz, praticam a caridade sem esperar retorno. Investe na oração e verás os benefícios na tua alma.

5 – Amadurecimento espiritual e humano:

Aquele que cultiva uma vida de oração aos poucos vai adquirindo a sabedoria necessária diante das realidades humanas e espirituais. Uma vida de oração assídua desenvolve na alma o amadurecimento espiritual, que nos faz abandonar nas mãos de Deus todas as nossas fragilidades e confiar a sua misericórdia às difíceis situações da vida, para as quais não encontramos solução.

Os benefícios para quem investe um período do seu dia no cultivo da oração são enormes. Não há contra-indicações e todos podem ser beneficiados pelo amor misericordioso de Deus, que restaura o coração e devolve a saúde espiritual à alma abatida.
 
Por que é preciso rezar? Imprimir e-mail
 

Por que é preciso rezar?  

 

Uma das maiores descobertas que já fiz na vida foi saber que Deus me ama e me acolhe independente do que faço, pois Ele me ama a partir do que sou. Neste caso, se eu rezo ou não rezo, Ele continua a amar-me com a mesma intensidade. No mundo, há milhões de pessoas que nunca rezaram, no entanto, não deixam de viver. Trabalham, estudam, viajam, fazem descobertas, constroem prédios, vão à praia, ao shopping e vivem naturalmente. Daí, vem a pergunta, que se ouve muitas vezes: “Por que é preciso rezar?”

 

A resposta pode ser dada de inúmeras formas, mas acredito que a vida diz mais do que as palavras. Quantas vezes na nossa vida, sem saber o que fazer, procurámos uma direção da parte de Deus por meio da oração e fomos ajudados... Certamente, muitos de nós já vivemos experiências assim, e é nessas horas que percebemos o valor da oração na nossa vida.

 Aproximação de Deus

O Padre Kentenich, autor do livro ‘Santidade de todos os dias’, diz que, quando oramos, além de nos assemelharmos a Cristo, que é orante por excelência, e nos aproximamos do Pai, que nos ama em Cristo, tornamo-nos também possuidores das riquezas divinas, já que a vida dos santos e cristãos piedosos confirma que os tesouros de Deus estão à disposição daqueles que rezam. Na verdade, existe algo que não podemos esquecer nunca: Não é Deus quem precisa das nossas orações, somos nós que precisamos da Sua graça, e esta costuma manifestar-se quando a Ele recorremos por meio da oração.

 

A oração também tem o poder de despertar os nossos sentidos para percebermos os presentes que Deus nos dá, mas que, por uma razão ou outra, não conseguimos reconhecê-los. É que quando oramos, o Espírito Santo nos devolve a calma; assim, temos condições de ver o outro lado da história, tirando os olhos de nós mesmos e do problema em si. Aliás, esta é uma das maiores graças alcançadas pela oração. Já que quando estamos com dificuldades, naturalmente acabamos por colocar o problema no centro da vida, e isto impede-nos de encontrarmos solução para ele.

 

A oração é o socorro

 

A oração é como um grito, um pedido de socorro, mesmo que seja no silêncio, pois Deus vê o coração e não deixa quem ora sem resposta. Existe até uma história que pode ilustrar esta afirmação:

  “Conta-se que um navio, estando há vários dias no mar, havia esgotado a sua reserva de água potável. O capitão não avistava margem nenhuma no horizonte, e os viajantes sentiam cada vez mais sede… Até que avistaram um barco, que vinha ao seu encontro e, aos gritos, pediram que os socorressem com água doce.

No entanto, obtiveram, também aos gritos, a resposta: ‘Ora, tirai a água do mar e bebei, não vêem que é água doce?’ Experimentaram. E recolhendo a água do mar, notaram que, já a algum tempo, navegavam em água doce, no imenso estuário de um rio”.

 

Podemos concluir que se os tripulantes do navio não pedissem ajuda, poderiam morrer de sede estando tão próximos da água doce. No nosso caso, quando não oramos, corremos o mesmo risco. Ou seja, de estarmos bem próximos da solução, mas não conseguirmos percebê-la.

 

Sintonia com Deus

 

Por estas e outras razões, considero a oração como algo importante e, até diria, fundamental para uma vida plena. Ela põe-nos em sintonia com Deus, e esta é a maior graça que podemos almejar como cristãos. Também é verdade que, quando oramos, o brilho da vida divina, que está em nós, brota do interior, como que transfigurando o nosso rosto. Basta reparar que as pessoas idosas, que levaram uma vida pura e agradável a Deus, têm uma aparência sobrenatural; um exemplo claro disso é o inesquecível e saudoso João Paulo II. Pessoas santas, independentemente da idade que têm, às vezes parecem-nos seres de um outro mundo. É que a oração transfigura-nos e torna-nos, aos poucos, semelhantes Àquele a quem buscamos. Portanto, apesar de saber que Deus nos ama e nos acolhe, independentemente de rezarmos ou não, temos muitas razões para recorrer a Ele por meio da oração.

 

Quem passa por alguma situação difícil, se está atribulado e não sabe a quem recorrer, fica convidado a rezar. É o próprio Senhor quem nos diz: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11,28). Jesus chama para si todas as nossas dores, aflições e angústias, Ele nos dá a certeza de que, se crermos na Sua Palavra e guardarmos os Seus mandamentos, seremos libertos do mal.

 

Rezemos juntos

 

Coloquemo-nos na presença de Jesus Cristo e oremos juntos:

  “Senhor Jesus Cristo, eu tomo posse do Teu amor, acolho a salvação que nos trouxeste pela Tua morte na cruz e ressurreição gloriosa. Convido-te para entrar agora na minha vida, tocar o meu coração e possuir todo o meu ser. Vem curar as minhas feridas, Senhor, lava com o Teu Sangue o meu coração sofrido e restaura a minha esperança, a minha fé e a minha alegria. Eu só tenho a Ti, Senhor, e hoje Te busco de todo o meu coração. Obrigado pelo Teu amor infinito, Senhor, obrigado por acolheres a minha oração e a de tantos que rezam nesta hora. A Ti toda a honra, glória e louvor para sempre!“ 
 
Ter paz no coração Imprimir e-mail
“Ter a paz no coração”  

“De onde vem a guerra, senão da vossa concupiscência?”

Quando alguém fica tomado de cólera por qualquer contrariedade, pensa encontrar alívio e paz desafogando sua raiva com actos ou, ao menos, com palavras. É um engano porque, depois desse desabafo, ficará muito mais perturbado do que antes. Quem deseja conservar-se em paz contínua, procure jamais estar de mau humor. Percebendo estar dominado por ele, procure libertar-se imediatamente e não o deixe dormir consigo nem uma noite, distraindo-se com alguma leitura, um canto piedoso, ou a conversa agradável de algum amigo.

Diz a sagrada Escritura: “É no coração dos insensatos que reside a irritação”. A cólera no coração dos insensatos, que pouco amam a Jesus Cristo, encontra morada por muito tempo. Mas no coração daqueles que amam a Jesus Cristo, se por acaso entrar, é logo expulsa e não permanece. Quem ama a Jesus de coração, nunca está de mau humor. Não querendo senão o que Deus quer, sempre tem tudo o que quer e por isso se encontra sempre tranquilo e sempre o mesmo. A vontade de Deus o tranquiliza em todas as dificuldades que acontecem, e por isso demonstra para com todos uma total mansidão. Esta mansidão não pode ser encontrada sem um grande amor a Jesus Cristo. De facto, nunca somos mais delicados e mansos com os outros, do que quando sentimos maior ternura a Jesus Cristo.

Por não experimentarmos sempre essa ternura, é preciso que na oração mental nos preparemos para sofrer as contrariedades que nos possam sobrevir. Assim fizeram os santos e ficaram prontos para receber com paciência e mansidão as ofensas, os insultos e as mágoas.

No momento em que somos atingidos pelos insultos do próximo, se não estivermos preparados, dificilmente saberemos o que fazer para não sermos vencidos pela raiva. São João Crisóstomo diz que não é um bom meio para apagar um fogo aceso no coração do próximo, usar fogo de uma resposta ressentida, que mais o inflama: “Fogo não se apaga com fogo”.

- Mas não é justo – diria alguém – usar delicadeza e mansidão com um atrevido que nos ofende sem razão.

- “É preciso usar de mansidão – responde São Francisco de Sales – não só com a razão, mas também contra a razão”.

Nestes casos é preciso responder com uma palavra branda: este é o meio de apagar o fogo: “A resposta mansa aplaca a ira”. Mas, quando o nosso ânimo está agitado, o melhor é calar-se. Diz São Bernardo: “A vista ofuscada pela raiva não enxerga direito”. Os olhos ofuscados pela ira já não vêem o que é justo ou injusto. A paixão é como um véu posto diante dos olhos que não permite distinguir o certo do errado. “É necessário fazer contrato com a língua, de não falar quando o meu coração estiver agitado”.
 
O que fazer para se livrar da escravidão do pecado Imprimir e-mail

O que se deve fazer para se livrar da escravidão do pecado

Santo Agostinho rejeitou os prazeres dos pecados impuros, e tornou-se um dos maiores Doutores da Igreja.
Discípulo. — O Senhor conta coisas cada vez mais horripilantes! Não haverá mesmo saída para quem teve a infelicidade de enveredar por asse caminho?
Mestre. — Sim, há um modo de reconhecer as faltas e emendar-se e isto consiste em:
1.° — Uma vontade firme.
2.° — Eliminar e afugentar as ocasiões.
3.° — Praticar os Sacramentos. É sobretudo numa vontade firme que isto consiste.
Santo Agostinho levou uma vida de libertino até aos trinta anos, mas quando abriu os olhos, sentiu tão grande vergonha que se converteu;abandonou os prazeres e as loucuras da mocidade, tornou-se sacerdote, bispo, Santo, e célebre doutor da Igreja.
O mesmo aconteceu a Santo Inácio de Loiola, que com trinta anos se aborreceu da vida até então tida:
e com uma vontade resoluta foi a correr bater à porta de um convento, onde fez duras penitências; lavou as culpas passadas, e fundou a Ordem dos Jesuítas, de quem é glória e orgulho.
São Camilo de Lelis, da nobre família dos “Abbruzzi” muito jovem também se entrega aos divertimentos e aos prazeres mundanos; mas aos vinte e cinco anos toma o hábito e consagra a Deus e a Maria Santíssima a sua vida, em favor dos doentes e dos moribundos.
Em segundo lugar, eliminar e afugentar as ocasiões.
Aqui também os Santos nos ensinam. Santo Tomás de Aquino, jovem elegante de família nobre, é fechado numa torre e ali é tentado por uma mulher infame.
Não tendo outro meio de se livrar dela, tira do fogão um tição ardente e brandindo-o grita: “Saia, saia, ou eu a queimo”, consegue assim a fuga da tentadora sem escrúpulos.
 
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O que é um Mártir?
A palavra mártir tem a sua origem no grego mártyr, que significa “testemunha”. O mártir é, portanto, uma testemunha do amor de Cristo.
A Igreja, desde os primeiros séculos, celebra de forma especial o martírio ou testemunho que esses cristãos deram, ao morrer pela sua fé na Igreja, em Cristo e em Deus.As comunidades católicas primitivas costumavam venerar o lugar do martírio dessas testemunhas da fé.
Posteriormente, surgiu o culto às relíquias daqueles que morreram pela fé, espalhadas por diversos lugares, possibilitando que o culto aos mártires se estendesse pelo mundo inteiro.
A data em que a Igreja comemora um mártir é a da sua morte. Isto porque através da morte se realizou a plenitude da vida.
A morte para os cristãos é a celebração do verdadeiro nascimento.
O martírio é um ato supremo de fé, e o mártir é apresentado aos fiéis como um modelo de imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O Catecismo da Igreja Católica (n° 2473) diz que o martírio é “o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé; designa um testemunho que vai até à morte”.
No sentido cristão, o mártir é a pessoa que dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Para dar testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã, o mártir suporta a morte com um ato de fortaleza: “Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus” (Santo Inácio de Antioquia).
 
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