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Deus é Amor

Papa Bento XVI

 
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Almas do Purgatório
O Purgatório na Bíblia Imprimir e-mail

Muitas pessoas perguntam onde está na Bíblia o Purgatório? Ele é uma exigência da razão e mesmo da caridade de Deus por nós.
A palavra “Purgatório” não existe na Bíblia, foi criada pela Igreja, mas a realidade, o “conceito doutrinário” deste estado de purificação existe amplamente na Sagrada Escritura como vamos ver.
A Igreja não tem dúvida desta realidade por isso, desde o primeiro século reza pelo sufrágio das almas do Purgatório.

1 - São Gregório Magno (†604), Papa e doutor da Igreja, explicava o Purgatório a partir de uma palavra de Jesus:
“No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver pronunciado uma blasfémia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,31).
Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro” (Dial. 4, 3).
O pecado contra o Espírito Santo, ou seja a pessoa que recusa de todas as maneiras os caminhos da salvação, não será perdoado nem neste mundo, nem no mundo futuro. Mostra o Senhor Jesus, então, neste trecho, implicitamente, que há pecados que serão perdoados no mundo futuro, após a morte.

2 - O ensinamento sobre o Purgatório tem raízes já na crença dos próprios judeus do Antigo Testamento; cerca de 200 anos antes de Cristo, quando ocorreu o episódio de Judas Macabeus. Narra-se aí que alguns soldados judeus foram encontrados mortos num campo de batalha, tendo debaixo das suas roupas alguns objectos consagrados aos ídolos, o que era proibido pela Lei de Moisés.
Então Judas Macabeus mandou fazer uma colecta para que fosse oferecido em Jerusalém um sacrifício pelos pecados desses soldados. “Então encontraram debaixo da túnica de cada um dos mortos objectos consagrados aos ídolos de Jâmnia, coisas proibidas pela Lei dos judeus.
Ficou assim evidente a todos que haviam tombado por aquele motivos… puseram-me em oração, implorando que o pecado cometido encontrasse completo perdão…
Depois [Judas] ajuntou, numa colecta individual, cerca de duas mil dracmas de prata, que enviou a Jerusalém para que se oferecesse um sacrifício propiciatório. Com acção tão bela e nobre ele tinha em consideração a ressurreição, porque, se não cresse na ressurreição dos mortos, teria sido coisa supérflua e vã orar pelos defuntos. Além disso, considerava a magnífica recompensa que está reservada àqueles que adormecem com sentimentos de piedade. Santo e pio pensamento! Por isso, mandou oferecer o sacrifício expiatório, para que os mortos fossem absolvidos do pecado” (2Mc 12,39-45).
O autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, louva a acção de Judas: “Se ele não esperasse que os mortos que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerasse que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormeceram piedosamente, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis porque ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, afim de que fossem absolvidos do seu pecado”. (2 Mac 12,44s).
Neste caso, vemos pessoas que morreram na amizade de Deus, mas com uma incoerência, que não foi a negação da fé, já que estavam combatendo no exército do povo de Deus contra os inimigos da fé. Cometeram uma falta que não foi mortal.
Fica claro no texto de Macabeus que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios, e que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos e que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a crença no Purgatório e para a oração em favor dos mortos.

3 - Com base nos ensinamentos de São Paulo, a Igreja entendeu também a realidade do Purgatório.
Em 1Cor 3,10, ele fala de pessoas que construíram sobre o fundamento que é Jesus Cristo, utilizando uns, material precioso, resistente ao fogo (ouro, prata, pedras preciosas) e, outros, materiais que não resistem ao fogo (palha, madeira).
São todos fiéis a Cristo, mas uns com muito zelo e fervor, e outros com tibieza e relutância. E S. Paulo apresenta o juízo de Deus sob a imagem do fogo a provar as obras de cada um. Se a obra resistir, o seu autor “receberá uma recompensa”; mas, se não resistir, o seu autor “sofrerá detrimento”, isto é, uma pena; que não será a condenação; pois o texto diz explicitamente que o trabalhador “se salvará, mas como que através do fogo”, isto é, com sofrimentos.

4 - Na passagem de Mc 3,29, também há uma imagem nítida do Purgatório:
”Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘O meu senhor tardará a vir’. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (…) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade do seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade do seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes.” (Lc 12,45-48).
É uma referência clara ao que a Igreja chama de Purgatório. Após a morte, portanto, há um “estado” onde os “pouco fiéis” haverão de ser purificados.

5 - Outra passagem bíblica que dá margem a pensar no Purgatório é a de (Lc 12,58-59): “Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faz o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo.
O Senhor Jesus ensina que devemos sempre entrar “em acordo” com o próximo, pois caso contrário, ao fim da vida seremos entregues ao juiz (Deus), nos colocará na “prisão” (Purgatório); dali não sairemos até termos pago à justiça divina toda nossa dívida, “até o último centavo”. Mas um dia haveremos de sair.
A condenação neste caso não é eterna. A mesma parábola está em Mt 5, 22-26: “Assume logo uma atitude reconciliadora com o teu adversário, enquanto estás a caminho, para não acontecer que o adversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e, assim, sejas lançado na prisão. Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”. A chave deste ensinamento encontra-se na conclusão deste discurso de Jesus: “serás lançado na prisão”, e dali não se sai “enquanto não pagar o último centavo”.

6 - A Passagem de São Pedro 1Pe 3,18-19; 4,6, indica-nos também a realidade do Purgatório:
”Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados (…) padeceu a morte na sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (…).” Nesta “prisão” ou “limbo” dos antepassados, onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, a Igreja viu uma figura do Purgatório. O texto indica que Cristo foi pregar “àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes”. Temos, portanto, um “estado” onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, mas também não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, não é o céu. É um “lugar” onde os espíritos aguardavam a salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo.

Do livro: Purgatório. O que a Igreja ensina.




 
A Necessidade de Ajudar as Almas do Purgatório Imprimir e-mail

Impotência para se acudirem

As almas do purgatório não podem nada por elas próprias. Parecem-se com o paralítico estendido à beira da fonte de Siloé, que não podia fazer o menor movimento para ter alívio. Vêem suas companheiras de infortúnio, aliviados de tempos a tempos recebendo os frutos de uma comunhão, o valor de uma missa, e elas ficam esquecidas.
Vós que viveis na terra e tão facilmente vos comoveis ante o sofrimento e a ideia do abandono, ouvi as almas do purgatório pedindo-vos uma migalha desse pão que Deus vos dá com tanta abundância: uma pequena parte das vossas orações, boas obras, e sofrimentos! Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres corações abandonados.
"Ó irmãos! Ó amigos! Há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; chamamo-vos e não respondeis; sofremos tormentos que não há iguais, e não vos compadeceis; gememos e não consolais".
O mundo não sabe que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno. Se possível fosse fazer uma visita a essas mansões de dor, não haveria na terra quem quisesse cometer um só pecado venial, visto o rigor com que é punido.
São Francisco Xavier percorria, à noite, as ruas da cidade, convocando com uma campainha o povo a rezar pelas almas do purgatório.




 
A Santa Missa salva as almas Imprimir e-mail

A Santa Missa é o sacrifício de expiação por excelência.
É a renovação do Calvário, que salvou o género humano.
Na Missa colocou a Igreja a memória dos mortos, e no momento mais solene, em que a divina Vítima está presente sobre o altar. É a melhor, a mais eficaz, a mais rápida maneira de aliviar e libertar as almas dos nossos queridos mortos.
Um dia, celebrando a Missa numa igreja de Roma, São Bernardo caiu em êxtase e viu uma escada que ia da terra ao céu, pela qual os anjos conduziam as almas libertadas do purgatório em virtude do santo sacrifício. Nessa Igreja – Santa Maria Escada do Céu – há um quadro que representa esta visão.
Não há maior socorro às almas que a Santa Missa: A Missa é a esperança e a riqueza das almas.
Podemos duvidar do valor das nossas orações; mas da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus pelas almas, que dúvida podemos ter?
Ao Beato João D'Avila, nos últimos instantes de vida, perguntaram o que mais desejaria depois da morte. Missas! Missas!
Ao Beato Henrique Suzo apareceu depois da morte um amigo íntimo gemendo de dor e a se queixar: "Ai, já te esqueceste de mim".
- Não, meu amigo, responde Henrique, não cesso de rezar pela tua alma, desde que morreste.
- Ó, mas isto não me basta, não basta! Falta-me para apagar as chamas que me abrasam o Sangue de Jesus Cristo.
Henrique mandou celebrar inúmeras Missas pelo amigo. Este apareceu-lhe então já glorificado e diz-lhe: "Meu querido amigo, mil vezes agradecido. Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao céu e lá nunca te esquecerei”.

A cada missa, diz São Jerónimo, saem muitas almas do purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa que lhes é aplicada.

São Vicente Ferrer tinha uma irmã frívola e vaidosa. Vindo a falecer, apareceu-lhe no meio de chamas e sofrendo penas horríveis. "Ai de mim, meu irmão, fui condenada a estes suplícios até ao dia do Juízo. Mas tu poderás ajudar-me. É de grande valia a virtude do santo sacrifício. Oferece por mim trinta missas".
O santo começou a celebrá-las. No 30° dia, apareceu-lhe a irmã cercada de anjos a caminho do céu.
"Graças à valia da Santa Missa ficou reduzida a 30 dias uma expiação que deveria durar séculos".

Certo homem de negócios juntava todos os meses ao montante das suas despesas a soma necessária para mandar celebrar, todos os dias, missas pelas almas. Dizia ele: Fui recompensado: Desde que coloquei na minha casa um cofre destinado a estas esmolas, essas almas trabalham por mim.




 
Depois da Missa... A Comunhão Imprimir e-mail

Não há sufrágio mais poderoso, depois da Santa Missa, para socorrer as almas, que a santa comunhão, diz São Boaventura.
A Eucaristia é um sacramento de descanso e paz para os defuntos, diz Santo Ambrósio. E o mesmo afirmam S. Cirilo e S. João Crisóstomo. Procuremos fazer boas comunhões lembrando-nos que quanto melhor as fizermos tanto mais aliviaremos os mortos.
É célebre a sentença do Papa Alexandre VI: "Todo o que reza, e muito mais ainda quem comunga pelas almas, com o desejo de as ajudar, obriga-as a gratidão e remuneração”.
O Papa Paulo V estimulou a prática das comunhões pelas almas padecentes.
O Venerável Luiz Blois tendo feito uma comunhão muito fervorosa por um amigo que sofria no purgatório, recebeu a sua visita, com estas palavras: "Graças, mil graças, meu amigo. Vou contemplar a face do meu Deus para sempre”.




 
Como podemos ajudar as Almas do Purgatório? Imprimir e-mail
  • Sobretudo com o sacrifício da Missa, que nada pode suprir.
  • Com sofrimentos expiatórios: sofrimentos físicos ou morais oferecidos pelas almas.
  • O terço dá-lhes um grande alívio. Cada dia numerosas almas são libertadas por meio do terço, caso contrário teriam de sofrer longamente.
  • Também a via-sacra pode dar-lhes grande alívio.
  • As indulgências são de um imenso valor, dizem as almas. Elas são uma apropriação das satisfações oferecidas por Cristo a Deus, seu Pai. Quem, durante a vida terrena, ganhar muitas indulgências em favor dos defuntos, receberá, também, mais do que os outros na última hora, a graça de ganhar completamente a indulgência plenária concedida a todo cristão no momento da morte ("in articulo mortis"). É uma crueldade não usufruir destes tesouros da Igreja em favor das almas dos falecidos.
    Vejamos: Se nos encontrássemos diante de uma montanha de moedas de ouro e se tivéssemos a possibilidade de pegar à vontade para socorrer pobres incapacitados de fazerem o mesmo, não seria cruel recusar-lhes esta ajuda? Usemos muito as orações com indulgências.
  • As esmolas e as boas obras, principalmente as ofertas em favor das Missões, ajudam as almas do purgatório.
  • Acender velas ajuda as almas: esta atenção de amor dá-lhes um auxílio moral e também porque as velas bentas iluminam as trevas em que se encontram as almas.
    Um menino de onze anos da cidade de Kaiser pediu a Maria Simma que rezasse por ele. Estava no purgatório por ter, no dia dos mortos apagado as velas que ardiam sobre os túmulos no cemitério e por ter roubado a cera por divertimento. As velas bentas têm muito valor para as almas. No dia da Apresentação (2 de Fevereiro) Maria Simma teve de acender duas velas por uma alma enquanto suportava grandes sofrimentos expiatórios por ela.
  • Atirar água benta mitiga as penas dos defuntos. Um dia, Maria Simma atirou água benta pelas almas. Uma voz disse-lhe: "Mais ainda!"
    Todos os meios não ajudam as almas da mesma maneira. Se, na vida, alguém teve pouca estima pela Missa, não aproveitará muito dela quando estiver no purgatório. Se alguém errou de coração durante a vida, recebe pouca ajuda. Os que pecaram difamando os outros devem expiar duramente o seu pecado. Mas, quem teve bom coração em vida, recebe bastante ajuda.
    Uma alma que negligenciara a assistência à santa Missa pôde pedir oito Missas para si, porque durante a sua vida mortal mandara celebrar oito Missas por uma alma do purgatório.




 
A Virgem Maria e as Almas do Purgatório Imprimir e-mail

Para as almas do purgatório, Maria é a Mãe da misericórdia. Quando o seu nome ecoa no purgatório, as almas sentem uma grande alegria. Uma alma disse que Maria pedira a Jesus para libertar todas as almas que se encontravam no purgatório por ocasião da sua morte e assunção, e que Jesus atendera ao pedido de sua Mãe. Naquele dia as almas acompanharam Maria ao céu, porque ela fora coroada Mãe de misericórdia e Mãe da divina graça. No purgatório Maria distribui as graças segundo a vontade divina: ela passa com frequência pelo purgatório.
Isto é o que Maria Simma viu.
Durante a noite da festa de Todos os Santos uma alma disse-lhe: "Hoje, dia de todos os Santos, morrerão duas pessoas em Voralberg; elas estão em grandes perigo de condenação. Não se salvarão se não se rezar insistentemente por elas".
Maria Simma rezou e foi auxiliada por outras pessoas. Na noite seguinte uma alma veio dizer-lhe que as duas tinham escapado do inferno e estavam no purgatório. Um dos dois doentes recebera os santos sacramentos, o outro rejeitou-os.
Segundo o que dizem as almas do purgatório, muitos vão para o inferno porque pouco se reza por eles. Inúmeras almas poderiam ser salvas se, pela manhã e à noite, fosse rezada esta oração indulgenciada e três ave-marias por aqueles que vão morrer naquele dia:

"Ó misericordioso Jesus, que ardeis de tão grande amor pelas almas, eu Vos suplico, pela agonia do vosso Sacratíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso preciosíssimo sangue todos os pecadores da terra que estão em agonia e que hoje mesmo hão-de morrer. Coração agonizante de Jesus, tende piedade dos moribundos".

INSTRUÇÕES

As almas do purgatório preocupam-se muito connosco e com o Reino de Deus. Temos prova disso por meio das advertências que fizeram a Maria Simma. As que se seguem foram retiradas das suas anotações:
"Não é preciso lamentar-se dos tempos que atravessamos. É necessário dizer aos pais que eles são os principais responsáveis. Eles não podem prestar pior serviço aos seus filhos do que atender todos os seus desejos, dando-lhes tudo o que querem, simplesmente para que fiquem contentes e não gritem. Assim, o orgulho forma raiz no coração da criança.
Mais tarde, quando a criança começa a frequentar a escola, não saberá sequer rezar um Pai-nosso, nem fazer o sinal da cruz. De Deus, às vezes, não sabe coisa alguma. Os pais desculpam-se dizendo que isso é o dever do catequista e dos professores de religião.
Onde o ensino religioso não é dado, a partir da infância, mais tarde a religião será fraca. Ensinem a renúncia às crianças! Por que há hoje esta indiferença religiosa e esta decadência moral? Porque as crianças não aprenderam a renunciar. Mais tarde tornam-se descontentes e pessoas sem discrição que fazem tudo e querem Ter tudo em profusão. Isso provoca desvios sexuais, práticas anticoncepcionais e aborto. Todos estes actos pedem vingança ao céu!
Quem não aprendeu de criança a renunciar, torna-se egoísta, sem amor, tirânico. Por este motivo há tanto ódio e falta de caridade. Queremos ver tempos melhores? Comece-se a partir da educação das crianças.
Peça-se de modo assustador contra o amor ao próximo, sobretudo com a maledicência, o engano e a calúnia. Onde começa? No pensamento. É preciso aprender estas coisas desde a infância e procurar afastar imediatamente os pensamentos contrários à caridade. Tais pensamentos sejam combatidos e assim, não se julgará os outros sem caridade.
O apostolado é um dever para todo católico. Alguns o exercem com a profissão e outros com o bom exemplo. Lamenta-se que muitos são corrompidos pelas conversas contra a moral ou contra a religião. Por que os outros se calam? Os bons devem defender as suas convicções e declarar-se cristãos. No curso da história da Igreja a salvação das almas e da civilidade cristã não foram, para os leigos, um dever mais urgente e mais imperioso que em nossos dias? Todo o cristão deveria procurar o Reino de Deus e fazê-lo progredir; caso contrário, os homens não serão capazes de reconhecer o governo da Providência.
Dia 22 de Junho de 1955, durante a noite, ouvi distintamente: "Deus exige uma expiação". É com sacrifícios voluntários e com a oração que se pode expiar mais. Mas, se tais sacrifícios não são aceites de boa vontade, Deus os exigirá com a força. Porque a expiação é necessária.




 
A Igreja reza pelos mortos Imprimir e-mail

De 1 a 8 de Novembro celebramos a Semana das Almas, com indulgências especiais para elas.
"... é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados" 2 Mac 12,46

Ensinamentos do Papa João Paulo II
"... Igreja do Céu, Igreja da Terra e Igreja do Purgatório estão misteriosamente unidas nesta cooperação com Cristo para reconciliar o mundo com Deus."(Reconciliatio et poenitentia, 12)
"Numa misteriosa troca de dons, eles [no purgatório] intercedem por nós e nós oferecemos por eles a nossa oração de sufrágio." (LR de 08/11/92, p. 11)

"A tradição da Igreja exortou sempre a rezar pelos mortos.
O fundamento da oração de sufrágio encontra-se na comunhão do Corpo Místico... Por conseguinte, recomenda a visita aos cemitérios, o adorno dos sepulcros e o sufrágio, como testemunho de esperança confiante, apesar dos sofrimentos pela separação dos entes queridos"(LR, n. 45, de 10/11/91).

S. Gregório Magno (540-604), Papa e doutor da Igreja:
§1032 – Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala:
"Eis porque ele [Judas Macabeu] mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado" (2 Mac 12, 46).

Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico (DS 856), a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos.

A Igreja reza pelas almas em todas Orações Eucarísticas:
"Lembrai-vos também dos que morreram na paz do vosso Cristo e de todos os mortos dos quais só vós conheceis a fé". (Or. Euc. IV)
"Lembrai-vos também dos nossos irmãos e irmãs que morreram na esperança da ressurreição e de todos os que partiram desta vida: acolhei-os junto a vós na luz da vossa face." (Or. Euc. II)
"Lembrai-vos dos nossos irmãos e irmãs... que adormeceram na paz do vosso Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé só vós conhecestes: acolhei-os na luz da vossa face e concedei-lhes, no dia da ressurreição, a plenitude da vida." (Or. Euc. VI-A)
"A todos os que chamastes para a outra vida na vossa amizade, e aos marcados com o sinal da fé, abrindo os vossos braços, acolhei-os. Que vivam para sempre bem felizes no reino que para todos preparastes." (Or. Euc. V)




 
Todos os fiéis defuntos Imprimir e-mail

A festa de Todos os Fiéis Defuntos foi instituída por Santo Odilon, monge beneditino, em 31 de Outubro do ano 998.
Ao cumprir o milenário desta festividade, o Papa João Paulo II recordou que "Santo Odilon desejou exortar os seus monges a rezar de modo especial pelos defuntos. A partir do Abade começou a estender o costume de interceder solenemente pelos defuntos, e chegou a converter-se no que Santo Odilon chamou de Festa dos Mortos.
"Ao rezar pelos mortos – diz o Santo Padre –, a Igreja contempla sobretudo o mistério da Ressurreição de Cristo que pela sua Cruz nos dá a salvação e a vida eterna. A Igreja espera na salvação eterna de todos os seus filhos e de todos os homens".
Depois de destacar a importância das orações pelos defuntos, o Pontífice afirma que as "orações de intercessão e de súplica que a Igreja não cessa de dirigir a Deus têm um grande valor. O Senhor sempre se comove pelas súplicas dos seus filhos, porque é Deus de vivos. A Igreja acredita que as almas do purgatório "são ajudadas pela intercessão dos fiéis, e sobretudo, pelo sacrifício proporcionado no altar", assim como "pela caridade e outras obras de piedade".
Por esta razão, o Papa pede aos católicos "para rezar com ardor pelos defuntos, pelas suas famílias e por todos os nossos irmãos e irmãs que faleceram, para que recebam a remissão das penas devidas aos seus pecados e escutem o chamamento do Senhor".




 
As nossas relações com as almas do Purgatório Imprimir e-mail

Na Sagrada Escritura, no Magistério da Igreja, na Catequese e Teologia

“O tempo de procurar Deus, é a vida, neste mundo.
O tempo de O encontrar, é a morte.
O tempo de O possuir, é a eternidade” – S. Francisco de Sales

1 - O que nos ensina O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA sobre o PURGATÓRIO e o INFERNO
Estes lugares (os infernos) não são todos da mesma espécie. Há, com efeito, uma prisão horrível, tenebrosa, onde os condenados são atormentados com os espíritos imundos, por um fogo inextinguível. Chama-se a este lugar a "geena", abismo e inferno propriamente dito (Act 2,24; Mt10,28; Lc 1422; Ap. 9,11).
Além disso há um fogo purificador, em que as almas dos justos se purificam, em sofrimentos de uma determinada duração, esperando que se lhes possa abrir a entrada da eterna pátria, em que nada manchado seria capaz de penetrar.
O cura de almas vigiará, pois, com o maior cuidado possível, no sentido de ser pregada uma tal verdade, baseada, como o declaram os próprios Santos Padres, nos ensinamentos da Igreja pelos sagrados Concílios, na Sagrada Escritura e na Tradição apostólica, visto que somos chegados a uma época em que os homens já não acolhem tantas vezes a sã doutrina.
Um terceiro lugar, por fim, é aquele em que eram recebidas as almas dos santos mortos, antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, e onde elas gozavam de uma estadia tranquila, ao abrigo de todo o sofrimento e aliviadas pela feliz esperança da Redenção. Ora, estas almas que aguardavam o Salvador no seio de Abraão, libertou-as o próprio Cristo Nosso Senhor, "descendo aos infernos", ou à mansão dos mortos.

A Alma de Cristo desceu aos infernos,
não apenas pelo Seu poder, mas realmente

Não vamos no entanto imaginar que Cristo tenha descido aos infernos, apenas no sentido em que a Sua força e o Seu poder aí tenham ido, e não a Sua própria Alma; aquilo que o próprio Credo nos obriga a acreditar é que a Sua própria Alma tenha descido à mansão dos mortos realmente e em substância, como o prova este bem formal testemunho de David: "Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos nem permitireis que o Vosso Santo sofra a corrupção" (8115,10).

A dignidade de Cristo não sofreu nenhum dano
pelo facto de descer aos infernos

Mas embora Cristo tenha descido aos infernos, a Sua Omnipotência não sofreu com isso nenhum dano; o brilho da Sua santidade não foi embaciado pela menor mancha. Pelo contrário, este mesmo facto provou, da maneira mais clara, que tudo quanto Ele Mesmo havia dito de Sua santidade era perfeitamente verdadeiro e que Ele era na realidade o Filho de Deus, como na Sua vida antes tinha provado por tantos milagres. E nós compreendemo-lo muito facilmente, se comparamos entre si os diferentes motivos pelos quais Cristo e os demais homens vieram para este lugar. Na verdade, todos os outros homens para lá tinham ido cativos ou prisioneiros, enquanto Ele, por Sua vez, lá fora livre e vencedor entre os mortos (8187,6) e, como vencedor, para abater ou derrotar os demónios que tinham estas almas encerradas ou cativas e encadeadas, por causa das suas faltas. Aliás, de todos quantos estavam nestes lugares, uma parte deles sofriam os mais dolorosos castigos, mas os outros, sem experimentar ou sofrer dores, estavam privados da visão de Deus e reduzidos ou sujeitos a esperar a vida bem-aventurada que ansiosamente aguardavam; e assim também eles eram punidos. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo desceu aos infernos, não para sofrer fosse o que fosse, mas sim para libertar os santos e os justos do lamentável peso deste cativeiro e assim lhes aplicar os frutos da Sua Paixão. E se Ele desceu aos infernos, foi sem nada perder da Sua soberana dignidade e do Seu poder.

Quais as razões que levaram Cristo a descer aos infernos?
Nosso Senhor Jesus Cristo desceu à mansão dos mortos, não apenas para arrancar aos demónios os seus despojos e para libertar da sua prisão os santos patriarcas e os outros justos, mas também para os introduzir com Ele no Céu. E foi o que Ele realizou de uma forma admirável e infinitamente gloriosa. De facto, a Sua presença fez resplandecer imediatamente sobre todos esses cativos a mais brilhante luz e encheu as suas almas de delícias e de uma alegria infinita; e deu-lhes a posse dessa bem-aventurança tão desejada, que consiste na visão de Deus, realização ou cumprimento da promessa que Ele mesmo havia feito ao bom ladrão, dizendo-lhe: "Hoje mesmo estarás Comigo no Paraíso" (Lc 23,43).
Esta libertação dos bons, tinha-a de resto predito Oseias há muito tempo: "Ó morte, Eu serei a tua morte! Ó inferno, Eu serei a tua desolação!" (Os 13.14). E era também a isto que fazia alusão o profeta Zacarias, quando dizia: "Por causa da tua aliança de sangue, libertarei os teus cativos da fossa em q não há água" (Zac 9.11).
Finalmente, foi o que exprimiu o Apóstolo com estas palavras: "Despojando os Principados e Potestades, exibiu-os publicamente, triunfando deles pela Cruz" (CoI2,15).
Mas para melhor se compreender ainda o alcance deste mistério, é necessário muitas vezes trazer à nossa memória que não foram apenas os bons que viram o dia da vinda do Senhor, mas também os que O precederam desde Adão e os que irão viver até ao fim dos séculos, que ficaram a dever a sua salvação ao benefício da Sua Paixão. E é por isso que, antes da Sua morte e da Sua Ressurreição, as portas do Céu se não haviam ainda aberto para ninguém. As almas dos justos, ao deixar este mundo, eram levadas para o seio de Abraão, ou então, como é ainda agora o caso para aquelas que têm alguma mancha a lavar ou alguma dívida a pagar, eram purificadas pelo fogo do Purgatório.
Há ainda um outro motivo pelo qual Cristo desceu aos infernos: Foi também para neles manifestar o Seu poder e o Seu império tal como no Céu e na terra, sobretudo "para que ao Nome de Jesus, todo o joelho se dobre, nos Céus, na Terra e nos Infernos" (Fil 2.10).
E quem se não admiraria aqui da imensa bondade de Deus para com o género humano? Quem se não admiraria de O ver, não apenas aceitar por nós a mais cruel morte, mas também penetrar nas mais tenebrosas profundezas da terra, para arrancar as almas que Lhe são tão queridas e as conduzir à bem-aventurança?

2 - O que nos ensina O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA sobre o PURGATÓRIO e o INFERNO
a) - A purificação final ou PURGATÓRIO
Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.
A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório, sobretudo nos Concílios de Florença e de Trento. A Tradição da Igreja, com referência a certos textos da Escritura (Cor 3,15;I Ped1.7), fala de um fogo purificador: "Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do Julgamento, um fogo purificador; conforme afirma Aquele que é Verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfémia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado, nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 31).
Desta afirmação, podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir" (S. Gregório Magno, 4,39).
Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: "Por isso (Judas Macabeu) pediu um sacrifício expiatório, para que os mortos fossem livres das suas faltas" (2 Mac 12,46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o sacrifício eucarístico (cf DS 85) para que, purificados, pudessem chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos.
"Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício de seu pai (cf Job 1,5), porque duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações (S. João Crisóstomo, Hom. in 1 Cor 41,5). CIC, nºs 1030 a 1032.

b) - Os INFERNOS – Cristo desceu aos Infernos
As frequentes afirmações do Novo Testamento, segundo as quais Jesus "ressuscitou de entre os mortos" (Act 3,25; Rm 8,11; 1 Cor 15,20), pressupõem que, anteriormente à Ressurreição, Ele tenha estado na morada dos mortos (Hb 13,20). É este o sentido primeiro dado pela pregação apostólica à descida de Jesus aos infernos: Jesus conheceu a morte, como todos os homens, e foi ter com eles à morada dos mortos. Porém, desceu como salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam prisioneiros (1 Ped 3, 18-19).
A morada dos mortos a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos, Sheol ou hades (Filip 2,10; Act, 24; Ap 1,18; Ef 4,9), porque aqueles que aí se encontravam eram privados da visão de Deus (Sl 6, 6; 8,11- 13). Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor (Sl 88,49; 1 Sam 28,19; Ez 32,17-32), o que não quer dizer que a sua sorte seja idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no "seio de Abraão" (Lc 16,22-26). "Foram precisamente essas almas santas que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou, quando desceu aos infernos" (Cat. Rom. I, 6,3). Jesus não desceu aos infernos para de lá libertar os condenados (cf. Conc. de Roma de 745: DS 587), nem para abolir o Inferno da condenação (cf. DS pelos 1011; 1077), mas para libertar os justos que O tinham precedido (cf. IV Conc. de Toledo, em 625; DS 485; Mt 27, 52-53).
"A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos..."(1 Ped 4,6). A descida aos infernos é o cumprimento, até à plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a última fase da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta no seu significado real de extensão, da obra redentora, a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, porque todos aqueles que se salvaram se tornaram participantes da Redenção.
Cristo, portanto, desceu aos abismos da morte (Mt 12,24; Rm 10,7; Ef 4,9), para que "os mortos ouvissem a voz do Filho do Homem e os que a ouvissem, vivessem" (Jo 5,25). Jesus, "o Príncipe da Vida" (Act 5,25), "pela sua morte, reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertou a quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira" (Hb 2, 14-15). Desde agora, Cristo ressuscitado "detém as chaves da morte e do hades" (Ap 1,18) e "ao Nome de Jesus todos se ajoelhem, no Céu, na Terra e nos abismos" (Filip 2,10).
"Um grande silêncio reina hoje sobre a Terra; um grande silêncio e uma grande solidão. A Terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos (...). Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte, Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu filho (...) "Eu sou o teu Deus, que por ti Me fiz teu filho (...) Desperta, tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos; levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos" (Antiga homilia para Sábado Santo: LH, Sábado Santo, Ofício de leitura).

RESUMINDO: Na expressão "Jesus desceu aos infernos", o Símbolo confessa que Jesus morreu realmente, e que, por ter morrido por nós, venceu a morte e o Diabo, "que tem o poder da morte" (Hb 2,14).
Cristo morto, na Sua alma unida à pessoa divina, desceu à morada dos mortos. E abriu aos justos, que O tinham precedido, as portas do Céu.
(CIC nºs 632 a 637).

c) - O INFERNO
Não poderemos estar em união com Deus, se não O amarmos livremente. Mas não poderemos amar a Deus, se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos: "Quem não ama permanece na morte.
Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida; ora, vós sabeis que nenhum homicida tem em si a vida eterna" (1 Jo 3,15), Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados d'Ele, se descurarmos as necessidades graves dos pobres e dos pequeninos Seus irmãos (Mt25, 31-46). Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é a mesma coisa q morrer separado d'Ele para sempre, por livre escolha própria. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados q se designa pela palavra "Inferno".
Jesus fala muitas vezes da "gehena" do "fogo que não " se apaga" (Mt 5,22-29; 13, 42.50; Mc 9,43-48), reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, alma e corpo (Mt 10,28). Jesus anuncia, em termos mais graves, que "enviará os Seus Anjos, que tirarão do Seu Reino todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente" (Mt 13,41-42), e sobre eles pronunciará a sentença: a "Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno" (Mt 25,41).
A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, depois da morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno" (cf. DS 76; 409; 411; 80). A principal pena do Inferno consiste na separação eterna de Deus, único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.
As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: "Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!" (Mt 7, 13-14).
Como não sabemos o dia nem a hora, é preciso que, segundo a recomendação do Senhor, vigiemos continuamente, a fim de que, no termo da nossa vida sobre a Terra, que é só uma, mereçamos entrar com Ele para o banquete de núpcias e ser contados entre os eleitos, e não sejamos lançados, como servos maus e preguiçosos, no fogo eterno, nas trevas exteriores, onde "haverá choro e ranger de dentes" (LG 48).
Deus não predestina ninguém para o Inferno (cf DS 397). Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim. Na liturgia eucarística e nas orações quotidianas dos seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus, "que não quer que alguns venham a perder-se, mas que todos se possam arrepender" (2 Ped 3,9).
Aceitai benignamente, Senhor, a oblação que nós, vossos servos, com toda a vossa famí1ia, Vos apresentamos. Dai a paz aos nossos dias, livrai-nos da condenação eterna e contai-nos entre os vossos eleitos".

3 - O que nos ensina o CONCÍLIO VATICANO II sobre o PURGATÓRIO

- Purificação, depois da morte
- Orações e Sufrágios pelas ALMAS DO PURGATÓRIO
- A Comunhão dos Santos


“Enquanto o Senhor não vier, na Sua majestade, e todos os Anjos com Ele (Mt 25,31) e vencida a morte, tudo Lhe for submetido (1 Cor 15, 26-27), dos Seus discípulos, uns peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados e contemplam "claramente Deus trino e uno, como Ele é" (Lg 49).
"Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo Místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam, cultivou com muita piedade, desde os primeiros tempos do Cristianismo, a memória dos defuntos e, 'porque é coisa santa e salutar rezar pelos mortos, para serem absolvidos dos seus pecados" (2 Mac 12,46), por eles oferece sufrágios" (LG 50).
Esta venerável fé dos nossos maiores acerca da nossa união vital com os irmãos que já estão na glória celeste ou que, após a morte, estão ainda em purificação, aceita-a este sagrado Concílio com muita piedade e de novo propõe os decretos dos sagrados Concílios Niceno II, Florentino e Tridentino. Ao mesmo tempo, com solicitude pastoral, exorta todos aqueles a quem isto diz respeito a esforçarem-se por desterrar ou corrigir os abusos, excessos ou defeitos que porventura tenham surgido aqui ou além, e tudo restaurem, para maior glória de Cristo e de Deus. Ensinem, portanto, aos fiéis que o verdadeiro culto dos santos não consiste tanto na multiplicação dos actos externos quanto na intensidade do nosso amor efectivo, pelo qual, para maior bem nosso e da Igreja, procuramos "na vida dos santos um exemplo, na comunhão com eles uma participação, e na sua intercessão uma ajuda". Por outro lado, mostrem aos fiéis que as nossas relações com os bem-aventurados, quando concebidas à luz da fé, de modo algum diminuem o culto de adoração prestado a Deus Pai por Cristo, no Espírito, mas pelo contrário o enriquecem ainda mais" (LG 51).

4 - O que nos ensina o CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA sobre AS INDULGÊNCIAS

Pela própria referência que delas faz o CIC, ao nomear alguns dos meios de que nos podemos servir para aliviar as ALMAS DO PURGATÓRIO, vale bem a pena acompanhar agora a catequese que delas faz o mesmo CIC:

No Dia de Finados, "aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de Novembro, nas condições costumeiras, isto é, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Encher. Indulgentiarum, n.13)".

"Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semi-públicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai-nosso e Creio, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção)."

O que é indulgência?

A indulgência é o cancelamento das penas devidas pelos pecados que nós cometemos e que já foram perdoados na confissão. Mas é preciso explicar uma coisa: quando se comete um pecado grave, há duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é aquela ofensa que se faz a Deus e a confissão perdoa. No entanto, ainda fica a chamada 'pena temporal', que é o estrago causado pelo pecado na sua própria alma, porque você deixou de ser mais santo. Então, há de querer recuperar isso. Essa pena nós cumprimos aqui na terra com orações e penitências ou no purgatório, se a pessoa morrer com elas.

A indulgência retira estas penas das almas do purgatório; fazem o que nós chamamos de sufrágio da alma.

§1479 - Uma vez que os fiéis defuntos em vias de purificação também são membros da mesma comunhão dos santos, podemos ajudá-los obtendo para eles indulgências, para libertação das penas temporais devidas por seus pecados.
§1498 - Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados.
§1032 – A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos... "Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles." (S. João Crisóstomo, Hom. In 1Cor 41,5)
§1471 – A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do Sacramento da Penitência.
"Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos" (Paulo VI, Const. Apost., Indulgentiarum doctrina, 2)
"A indulgência é parcial ou plenária, conforme libera parcial ou totalmente da pena devida pelos pecados (Indulgentiarum Doctrina,2 ). Todos os fiéis podem adquirir indulgências (...) para si mesmos ou para aplicá-las aos defuntos" (CDC, cân 994).
§1472 - As penas do pecado. Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama pena eterna do pecado. Por outro lado, mesmo o pecado venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra quer depois da morte, no estado chamado purgatório. Esta "purificação" liberta da chamada "pena temporal" do pecado.

Condições para a Indulgência plenária (uma vez ao dia):
1 - Confessar-se e rejeitar todo o pecado (uma Confissão para várias Indulgências)
2 – Participar na Missa e Comungar com o desejo de receber a Indulgência (uma Missa e Comunhão para cada indulgência).
3 - Rezar pelo Papa ao menos: um Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
4 – Escolher uma das acções:
- Via Sacra, ou
- Reza do Terço em família, ou
- Adoração do Santíssimo, durante meia hora, ou
- Leitura meditada da Sagrada Escritura, durante meia hora.

As penas do pecado
Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, deve ter-se presente que o pecado tem uma dupla consequência.
O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus, e portanto torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama a "pena eterna" do pecado.
Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual tem de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama PURGATÓRIO. Esta purificação liberta do que se chama "pena temporal" do pecado. As duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado.
Uma conversão procedente do fervor da caridade pode chegar à total purificação do pecado, de modo que nenhuma pena subsista.
O perdão do pecado e o restabelecimento da comunhão com Deus trazem consigo a abolição das penas eternas do pecado. O cristão deve esforçar-se por aceitar, como uma graça, estas penas temporais do pecado, suportando pacientemente os sofrimentos e as provações de toda a espécie e, chegada a hora, enfrentando serenamente a morte; deve esforçar-se, através das obras de misericórdia e de caridade, bem como pela oração e pelas diferentes práticas de penitência, a despojar-se completamente "homem velho" e revestir-se do "homem novo" (Ef4,24).

A Comunhão dos Santos
O cristão que procura purificar-se do seu pecado e santificar-se com a ajuda da graça de Deus, não se encontra só. "A vida de cada um dos filhos de Deus encontra-se ligada de modo admirável, em Cristo e por Cristo, à vida de todos os outros irmãos cristãos, na unidade sobrenatural do Corpo Ia Místico de Cristo, como que uma pessoa mística" (Paulo VI, Const. Ap. InduIgentiarum doctrina 5).
Na comunhão dos santos, "existe, portanto, entre os fiéis – os que já estão na prática celeste, os que foram admitidos à expiação do Purgatório, ou os que vivem ainda peregrinos na Terra – um constante laço de amor e uma abundante permuta de todos os bens (Paulo V1, op. cit.). Nesta admirável permuta, a santidade de uns aproveita aos outros. Assim, o recurso à comunhão dos santos permite ao pecador contrito ser liberto mais depressa e mais eficazmente das penas do pecado.
A estes bens espirituais da comunhão dos santos, também lhes chamamos o tesouro da Igreja, "que não é um somatório de bens, como quando se trata das riquezas materiais acumuladas no decurso dos séculos, mas sim o preço infinito e inesgotável que têm junto de Deus as expiações e méritos de Cristo, nosso Senhor, oferecidos para que a humanidade seja liberta do pecado e chegue à comunhão com o Pai. É em Cristo, nosso Redentor, que se encontram em abundância as satisfações e os méritos da sua redenção" (Cf. Hb 7,23-25; q, 11.28). "Pertencem igualmente a este tesouro o preço verdadeiramente imenso, incomensurável e sempre novo que têm," junto de Deus as orações e boas obras da Bem-Aventurada Virgem Maria e de todos os santos, que se santificaram pela graça de Cristo, seguindo as Suas pegadas, e cumpriram uma obra agradável ao Pai, de modo que, trabalhando para sua própria salvação, igualmente cooperaram para a salvação dos seus irmãos na unidade do Corpo Místico” (cf Paulo VI, op. Cit).

Obter a Indulgência de Deus pela Igreja
A Indulgência obtém-se mediante a Igreja que, em virtude do poder de ligar e desligar que lhe foi concedido por Jesus Cristo, intervém a favor de um cristão e lhe abre o tesouro dos méritos de Cristo e dos Santos, para obter do Pai das misericórdias o perdão das penas temporais devidas pelos seus pecados. É assim que a Igreja ñ quer somente vir em ajuda deste cristão, mas também incitá-lo a obras de piedade, penitência e caridade. Uma vez que os fiéis defuntos, em vias de purificação, também são membros da mesma comunhão dos santos, nós próprios podemos ajudá-los, entre outros modos, obtendo para eles INDULGÊNCIAS, de modo que sejam libertos das penas temporais devidas pelos seus pecados. (CIC, nºs1471 a 1479).

5 - Uma voz da TEOLOGIA – O que nos ensina SÃO TOMÁS

Desceu aos infernos
Como ficou demonstrado, a morte consistiu, tanto para Cristo como para o homem, na separação da alma e do corpo, mas a divindade estava tão indissoluvelmente unida a Cristo-homem que, embora o corpo e a alma de Cristo se tivessem separado, a divindade ficou perfeitamente unida, tanto ao corpo como à alma de Cristo. E é por esse motivo que o Filho de Deus estava presente no Seu Corpo, no túmulo, e a desceu aos infernos com a Sua Alma.
Cristo desceu aos infernos com a Sua Alma por quatro razões:

1 – A primeira: Para suportar todo o castigo do pecado e expiar assim toda a falta.
Ora, o castigo do pecado era não apenas a morte do corpo; havia também um castigo para a alma, porque o pecado estava também na alma, e para que a alma fosse punida, perdendo a visão de Deus; punição das faltas pelas quais nenhuma satisfação tinha ainda sido oferecida. E por isso que, antes da vinda de Cristo, todos, mesmo os santos patriarcas, desciam aos infernos, depois da sua morte.
Para tomar sobre Si todo o peso da punição que pesava sobre a humanidade pecadora, Cristo não quis apenas morrer, quis também que a Sua Alma descesse aos infernos ou mansão dos mortos. Por isso mesmo é dito no Salmo 87.5-6: "Já estou contado entre os que descem à tumba, tornei-me como um homem inválido e sem forças. O meu leito encontra-se entre os mortos, como o dos que jazem no sepulcro". Os outros, com efeito, estavam lá como escravos, mas Cristo como um homem livre.

2 - Segunda razão desta descida de Cristo aos infernos:
Para vir em auxílio de todos os Seus amigos.
De facto, Ele tinha os Seus amigos, não apenas na terra, mas também nos infernos ou limbos. É, na verdade, amigo de Cristo todo aquele que tem a caridade. Ora, nos infernos ou limbos eram muitos os que haviam morrido com amor e fé no futuro Salvador, tais como Abraão, Isaac, Jacob, Moisés, David e outros homens justos e perfeitos. E uma vez que Cristo nos visitava agora visivelmente, nesta terra, e vinha também em sua ajuda pela Sua morte, quis visitar também aqueles dos Seus que estavam na mansão dos mortos e ir assim em seu auxílio, indo ao seu encontro: "Penetrarei em todas as profundezas da terra, e lançarei um olhar por todos os que dormem, e alumiarei todos os que confiam no Senhor"(Eccli 24,45).

3 - A terceira razão: Para triunfar perfeitamente do diabo.
Com efeito, triunfa-se perfeitamente de um outro, quando não se vence apenas no campo de batalha, mas também se persegue até à sua própria morada e se priva do seu trono e da sua residência. Ora, Cristo triunfou do Maligno, Seu inimigo; venceu-o na Cruz; e por isso diz: "Agora é que é o julgamento deste mundo; agora é que será expulso o príncipe deste mundo" (Jo 12,31).
Mas para que o Seu triunfo fosse perfeito, quis tirar-lhe o trono do seu reino e ligá-lo na sua morada, isto é, no Inferno. Eis por que desceu aos infernos: encadeou-o e arrebatou-lhe a presa. "Despojando os Principados e Potestades, exibiu-os publicamente, triunfando deles pela cruz" (CoI2,15). Da mesma forma que Cristo recebeu o domínio e a posse do céu e da terra, quis obter também o poder sobre o Inferno, para que assim, segundo a palavra do Apóstolo, "em Nome de Jesus, todo o joelho se dobrasse, no Céu, na Terra e nos Infernos" (FiI 2,10), e para realizar também a promessa de Cristo: "Em Meu Nome, expulsarão os demónios" do (Mc 16,17).

4 - A última razão: Para libertar todos os Santos que estavam nos infernos ou limbos.
Com efeito, tal como Cristo quis sofrer a morte para libertar da morte os vivos, assim quis descer aos infernos, para libertar os que neles moravam. E é assim que o profeta já diz: "Por causa da tua aliança de sangue, libertarei os teus cativos da fossa em que não há água" (Zac 9,11). "Ó morte, Eu serei a tua morte, infernos, Eu serei a vossa desolação" (Os 13,14). Com efeito, embora Cristo tenha aniquilado completamente a morte, não aniquilou completamente os infernos; Ele apenas os desolou, porque não libertou todos os que lá estavam, mas apenas os que estavam isentos de pecado mortal e do pecado original. Aqueles que tinham sido circuncidados, tinham sido pessoalmente purificados deste último pecado; antes da circuncisão, tinham sido purificados dele os que, não tendo ainda atingido o uso da razão, o eram pela fé de pais que professavam a verdadeira fé, e os que tinham já atingido a idade adulta, pelos sacrifícios e pela fé no Salvador q estava para vir.
Mas estavam ainda retidos nos infernos, por causa do pecado de Adão, de que não podiam ser libertos senão por Cristo, pois eram da raça de Adão. Em compensação deixou lá os q para lá tinham descido com um pecado mortal e as crianças não circuncidadas. E é por isso que se diz: "Ó morte, Eu serei a tua morte". Cristo desceu, pois, aos infernos pelos motivos que acabámos de indicar (Summa de S. Tomás, II,q.52).

CONCLUSÕES
Muitas conclusões podemos tirar, para nossa edificação espiritual:

1 - Uma sólida esperança em Deus
E uma sólida esperança em Deus, porque em qualquer angústia ou aflição que o homem se possa encontrar, deve sempre esperar na ajuda de Deus e ter confiança n'Ele, porque não há nada mais terrível que estar no Inferno. Se, pois, Cristo libertou aqueles que estavam nos infernos, todo aquele que seja amigo de Deus pode ter confiança que por Ele será liberto de toda a angústia. "Ela (a Sabedoria Divina) não desamparou o justo vendido, mas preservou-o do pecado, Desceu com ele à prisão, e não o abandonou nas suas cadeias, até lhe entregar nas mãos os poderes do reino e o poder sobre os seus opressores" (Sab 10, 13-14). E porque Deus ajuda muito particularmente os Seus servidores, aquele que serve a Deus, pode estar muito particularmente em segurança: "O espírito daqueles que temem a Deus será procurado; quando Deus olhar para eles será abençoado, porque Deus é a sua esperança" (Eccli 34, 14-15).

2 - Um temor salutar e aluga do perigo
De facto, embora Cristo tenha sofrido e tenha descido aos infernos pelos pecadores, Ele não libertou deles todos os que lá estavam, mas apenas aqueles que não tinham falta mortal alguma, como já se disse. Aqueles que tinham falecido em estado de pecado mortal, deixou-os lá. Que ninguém espere, pois, pelo perdão, se para lá desce em estado de pecado mortal, porque permanecerá no Inferno por tanto tempo como os santos patriarcas no Paraíso, isto é, eternamente: "E estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna" (Mt 25,46).

3 - Um temor real.
Um temor real, porque Cristo desceu aos infernos para nossa salvação. Devemos, pois, também nós, descer para lá com temor, considerando tais castigos, como o fez Ezequias, quando disse: "Eu disse: Na metade dos meus dias, vou descer às portas do sepulcro, privado do resto dos meus anos" (1s 38,10).
Com efeito, aquele que lá desce durante a sua vida, por uma atenta meditação, não descerá lá tão facilmente depois da morte: esta consideração ou meditação preserva do pecado. Nós vemos, na realidade, que neste mundo se evita cometer crimes, com medo dos castigos corporais; quanto mais os evitaremos nós por causa do castigo que é o Inferno, castigo bem maior, tanto na duração como no rigor e na diversidade. Eis por que motivo o Sábio diz: "Em todas as tuas obras, lembra-te do fim, e jamais pecarás" (Eccli 7,40).

4 - Um exemplo de caridade
Cristo, na verdade, desceu aos infernos, para deles libertar os Seus; por conseguinte, também nós devemos lá descer, para ir em auxílio dos nossos, porque eles não podem socorrer-se a si próprios.
Eis por que razão devemos ir em auxílio dos que estão no Purgatório. Seria bem duro de coração aquele que não fosse em auxílio do seu amigo prisioneiro; mas quanto mais duro é aquele que não vai em auxílio do seu parente ou amigo que está no Purgatório, cujos castigos em nada se podem comparar com os castigos deste mundo. Com Job, as Almas do Purgatório gritam-nos: "Tende piedade de mim, tende piedade de mim, ao menos vós que sois meus amigos, porque a mão de Deus feriu-me" (Job 19,21). Eis por que razão está escrito noutro lugar: "É um santo e salutar pensamento rezar pelos mortos, a fim de que eles sejam libertos de seus pecados" (2 Mac 12,16).

E ajudemo-los, sobretudo, por três meios, de que nos fala Santo Agostinho: a Santa Missa, a Oração, a Esmola. São Gregório acrescenta-lhe uma quarta: o jejum. E a razão é evidente: uma vez que, neste mundo, um amigo pode ajudar o seu amigo, isso mesmo deve acontecer também com aqueles que estão no Purgatório. (S. Tomás de Aquino)

6 - OS PASTORINHOS DE FÁTIMA viram o INFERNO

O mistério mais pavoroso da fé cristã é o "Mysterium iniquitatis" (o mistério da iniquidade) – o mistério do mal. O mal, no mundo, é uma realidade e a consequência que finalmente dele procede, o Inferno, é também ela uma verdade. A Sagrada Escritura, como já vimos, afirma em variadíssimas passagens que o demónio existe, que o Inferno existe e que cada um deverá contar com a possibilidade que tem de se condenar, por causa da sua maldade ou malícia. Não há quase santo algum em que este pensamento o não tenha cheio de temor; temor que até uma Santa Teresinha do Menino Jesus com dificuldade conseguia dominar. Na época em que vivemos, a par de uma tentativa de descrença no Inferno, existem documentos bem precisos, tanto da teologia como dos ensinamentos e catequização da Igreja que nos garantem a autenticidade da sua existência e natureza. Verdade é que todo o cristão deveria tomar tanto mais consciência e conhecimento dele, quanto maior é o número daqueles q, em nossos dias, tentam fechar os olhos a esta bem séria realidade.
Vamos encerrar esta palestra justamente com este impressionante testemunho, mesmo por tratar-se de uma versão portuguesa: trata-se da visão do Inferno que tiveram os três videntes de Fátima: os beatos Francisco e Jacinta e a vidente Lúcia.
Na 3ª aparição, no dia 13/7/1917, a Mãe de Deus confiou um segredo às três crianças. Trata-se do chamado 2º segredo. Vinte e cinco anos depois, a Autoridade eclesiástica revelou o dito segredo, em parte, para bem das almas.
Ouçamos a Irmã Lúcia: "Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial sempre q fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".
Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos como nos meses passados. O reflexo que elas expediam pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demónios e as almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, como forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com as nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor (devia ser ao deparar com essa vista que dei o "ai" que dizem ter ouvido). Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados, como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: "Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo dos seus crimes por meio da guerra, da fome e da perseguição à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei a pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia converter-se-à e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja: os bons serão martirizados; o Santo Padre terá muito que sofrer; várias nações serão aniquiladas.
Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal, conservar-se-á sempre o Dogma da Fé, etc. "
Segue-se a terceira parte do segredo... "... Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo. Quando rezais o terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente as q mais precisarem".




 
Rezemos pelas almas Imprimir e-mail

O Catecismo da Igreja Católica ensina-nos que: "Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua vocação eterna, passam, após a sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu" (cf. CIC 1030).

A homenagem e a ajuda mais valiosa que podemos prestar às almas do purgatório é "oferecer sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificadas, elas possam chegar à visão beatífica de Deus" (cf CIC 1032).
Portanto, rezemos pelas pobres almas, porque é vontade de Deus que elas dependam de nós.
Rezemos pelas almas e façamos desta obra de misericórdia um programa de vida.
"O cristão que une a sua própria morte à de Jesus, vê a morte como um caminhar ao Seu encontro e uma entrada na vida eterna." Catecismo da Igreja Católica, 1020
"Os que morrem na graça e na amizade e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo, são para sempre semelhantes a Deus, porque O vêem tal como Ele é." 1 Jo 3,2
"A vida perfeita com a Santíssima Trindade, a comunhão de vida e de Amor com Ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem aventurados, é denominada "o Céu"!
O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva." Catecismo da Igreja Católica, 1024
"Mesmo que a alma tenha de sujeitar-se, naquela passagem para o Céu, à purificação das últimas escórias, mediante o Purgatório, ela já está cheia de luz, de certeza, de alegria, porque sabe que pertence para sempre ao seu Deus." João Paulo II



 
As Almas do Purgatório, não as esqueçais Imprimir e-mail

 

AS ALMAS DO PURGATÓRIO, NÃO AS ESQUEÇAIS!

 

S. Boaventura ensina que os nossos maiores sofrimentos ficam muito aquém dos que ali se padecem. São Tomás diz que o menor dos seus sofrimentos, ultrapassam os maiores tormentos que possamos suportar.

 

O fogo do purgatório, diz S. António, é de tal maneira rigoroso que comparado com o que conhecemos na terra, este parece como pintado num painel.

 

Após uma visão do purgatório, exclama Santa Catarina de Génova. “Que coisa Terrível! Confesso que nada posso dizer e nem conceber que se aproxime sequer da realidade. As penas que lá se padecem são tão dolorosas como as penas do inferno”.

 

S. Nicolau Tolentino teve uma visão de um imenso vale onde multidões de almas se retorciam de dor num braseiro imenso e gemiam de cortar o coração. Ao perceberem o Santo, bradavam suplicantes, estendendo os braços e pedindo misericórdia e socorro. Padre Nicolau, tem piedade de nós! Se celebrares a Santa Missa por nós, quase todas seremos libertadas dos nossos dolorosos tormentos. São Nicolau celebrou sete missas em sufrágio dessas almas. Durante a última missa apareceu-lhe uma multidão de almas resplandecentes de glória que subiam ao céu.

 

S. Vicente Ferrer diz que há almas que ficaram no purgatório um ano inteiro por um só pecado. Santa Francisca afirma que a maioria das almas do purgatório, lá, sofrem de trinta a quarenta anos. Muitos santos viram almas destinadas a sofrer no purgatório até ao fim do mundo.

 

As almas simples e humildes, sobretudo as que muito sofreram neste mundo com paciência e se conformaram perfeitamente com a vontade de Deus, podem ter um purgatório muitíssimo abreviado, às vezes horas…

 

S. Paulo da Cruz, estando em oração, ouviu que batiam à porta com força. – Que queres de mim, pergunta.

- Quanto sofro. Quanto sofro, meu Deus! Sou a alma daquele padre falecido. Há tanto tempo estou num oceano de fogo, há tanto tempo!… Parecem mil anos!

S. Paulo da Cruz conheceu-o e respondeu admirado: Ó padre, há tão pouco tempo que faleceste e já falas em mil anos? O pobre padre pediu sufrágios e desapareceu.

São Paulo da Cruz, comovido, orou muito por ele e no dia seguinte celebrou a Missa pela defunto. Viu-o, então, entrar triunfante no céu, na hora da comunhão.

 

Nosso Senhor mostrou a uma santa quatro padres que estavam lá já há mais de cinquenta anos, por administrarem mal os Santos Sacramentos.

 

Toma, pois, a resolução de jamais deixar passar um dia sequer sem rezar pelos parentes falecidos. Tem piedade daqueles que nos deixaram e que agora estão sofrendo. Pensa nos membros de tua família que faleceram e que tens deixado em tão lamentável e total esquecimento.

 

O estado das almas do purgatório é de absoluta impotência. Parecem-se com o paralítico que não se pode mexer. Vêem as suas companheiras de infortúnio, aliviados de tempos a tempos recebendo os frutos de uma comunhão, o valor de uma missa, e elas ficam esquecidas.

 

Vós que viveis na terra e tão facilmente vos comoveis ante o sofrimento e a ideia do abandono, ouvi as almas do purgatório pedindo-vos uma migalha do pão que Deus vos dá com tanta abundância: uma pequena parte das vossas orações, boas obras, e sofrimentos! Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres corações abandonados.

 

“Ó irmãos! Ó amigos! Pois que há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; vos chamamos e não respondeis; sofremos tormentos que não tem iguais, e não vos compadeceis; gememos e não consolais”.

 

Ai, dizia uma alma, ignora-se no mundo que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno. Se possível fosse fazer uma visita a essas mansões de dor, não haveria na terra quem quisesse cometer um só pecado venial, visto o rigor com que é punido.

 

A Santa Missa é o sacrifício de expiação por excelência. É a renovação do Calvário, que salvou o género humano. Na Missa colocou a Igreja a memória dos mortos, e isso no momento mais solene, em que a divina Vítima está presente sobre o altar. É a melhor, a mais eficaz, a mais rápida maneira de aliviar e libertar as almas dos nossos queridos mortos.

 

Não há maior socorro às almas do que a Santa Missa: A Missa é a esperança e a riqueza das almas.

 

Podemos duvidar do valor das nossas orações; mas da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus pelas almas, que dúvida podemos ter?

 

Ao Beato João D’Avila, nos últimos instantes de vida, perguntaram o que mais desejaria depois da morte. Missas! Missas!

 

Ao Beato Henrique Suzo apareceu depois da morte um amigo íntimo gemendo de dor e a queixar-se: “Ai, já te esqueceste de mim”.

- Não, responde Henrique, não cesso de rezar pela tua alma, desde que morreste.

- Ó, mas isto não me basta, não basta! Falta-me para apagar as chamas que me abrasam o Sangue de Jesus Cristo.

Henrique mandou celebrar Missas pelo amigo. Este lhe apareceu então já glorificado e diz: “Meu querido amigo, mil vezes agradecido. Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao céu e lá nunca te esquecerei”.

 

A cada missa, diz São Jerónimo, saem muitas almas do purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa que lhes é aplicada.

 

Custa-nos muito pouco sufragar os defuntos. Somos obrigados a certas orações, a assistir Missas aos domingos, e aproximar-nos dos sacramentos, a perdoar nossos inimigos. Tudo isso é aceito por Deus e serve para alívio delas.

 

E os males do dia a dia? A fadiga do trabalho, as doenças, as humilhações, a tarefa de suportar os que nos rodeiam, os problemas, tudo isto pode servir para expiar os pecados das almas. E de que sofrimentos serão aliviados os finados!

 

Poupai as lágrimas, dizia S. João Crisóstomo, pelos defuntos, e dai-lhes mais orações. E Santo Ambrósio: “É preciso assisti-las com orações, mais do que chorá-las”.

 

Quando quero obter com certeza uma graça, diz Santa Catarina de Bolonha, recorro a essas almas que sofrem, para que apresentem a Deus o meu pedido, e sempre me é concedida a graça.

 

Nos funerais: lágrimas, soluços, flores. Depois, um túmulo e o esquecimento. Morreu… acabou-se!

 

Santa Tereza pedia: apelo amor de Deus, eu peço a cada pessoa uma Ave-Maria, a fim de Que me ajude a sair do purgatório e apresse a hora em que hei de gozar a vista de Jesus Senhor Nosso”.



LADAINHA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO

 

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santa Maria, rogai pelas almas do Purgatório.

Santa Mãe de Deus,

Santa Virgem das virgens,

São Miguel,

Santos Anjos e Arcanjos,

Coro dos Espíritos bem-aventurados,

São João Batista,

São José,

Santos Patriarcas e Santos Profetas,

São Pedro,

São Paulo,

São João,

Santos Apóstolos e Santos Evangelistas,

Santo Estêvão,

São Lourenço,

Santos Mártires,

São Gregório,

Santo Ambrósio,

Santo Agostinho,

São Jerónimo,

Santos Pontífices e Santos Confessores,

Santos Doutores,

Santos Sacerdotes e Santos Levitas,

Santos Frades e Santos Eremitas,

Santas Virgens e Santas Viúvas,

Vós todos, Santos amigos de Deus,


Sede-nos propício, perdoai-lhes, Senhor.

Sede-nos propício, ouvi-nos, Senhor.


De seus sofrimentos, livrai-as, Senhor.

Da Vossa cólera,

Da severidade da Vossa justiça,

Do remorso da consciência,

Das tristes trevas que as cercam,

Dos prantos e gemidos,

Pela Vossa encarnação,

Pelo Vosso nascimento,

Pelo Vosso doce nome,

Pela Vossa profunda humildade,

Pela Vossa obediência,

Pelo Vosso infinito amor,

Pela Vossa agonia e Vossos sofrimentos,

Pela Vossa paixão e Vossa Santa cruz,

Pela Vossa Santa ressurreição,

Pela Vossa admirável ascensão,

Pela vinda do Espírito Santo consolador,

No dia do julgamento,


Ainda que sejamos pecadores, nós Vos pedimos, ouvi-nos!

Vós que perdoastes aos pecadores e salvastes o Bom ladrão,

Vós que nos salvais por misericórdia,

Vós que tendes as chaves da morte e do inferno,

Dignai-Vos livrar das chamas nossos parentes, amigos e benfeitores,

Dignai-Vos salvar todas as almas que gemem longe de Vós,

Dignai-Vos ter piedade daqueles que não tem intercessores neste mundo,

Dignai-Vos admiti-los no número de Vossos eleitos,


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai-lhes o descanso eterno. (três vezes)


ORAÇÃO: Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas dos Vossos servos e das Vossas servas a remissão de todos os pecados, a fim de que, pelas humildes orações da Vossa Igreja, eles obtenham o perdão que sempre desejaram. É o que Vos pedimos por elas, ó Jesus, que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.

 

 
Almas do Purgatório Imprimir e-mail

Muito do que, por vezes, se conta sobre aparições de almas do Purgatório, pode atribuir-se as ilusões, ou ter uma explicação natural, de ordem parapsicológica.
Isso porém não invalida que Deus possa servir-se de "aparições" dignas de crédito (do mesmo modo que algumas aparições de anjos ou de Nossa Senhora), por exemplo, algumas narradas pelo Santo P. Pio, na linha de outras narradas por Santa Margarida Maria e outros Santos:

Numa tarde, o padre Pio estava num quarto, na parte baixa do convento, destinada a receber hóspedes. Estava só, a descansar sobre o sofá, quando de repente, lhe apareceu um homem envolto numa capa escura.
O padre Pio, surpreendido, ergueu-se e perguntou quem era e o que queria. O estranho respondeu que era uma alma do Purgatório: "Eu sou Pietro Di Mauro. Morri num incêndio neste convento, em 18 de Setembro de 1.908".
(Na realidade este convento, depois da desapropriação dos bens eclesiásticos, tinha sido transformado numa casa de repouso para anciãos). «Morri entre as chamas enquanto dormia, no meu colchão feito de palha, exactamente neste quarto.
Estou no Purgatório, mas o bom Deus, deixou-me vir aqui a pedir-lhe que celebre por mim a santa missa de amanhã pelo meu descanso eterno. Graças a ela, eu poderei entrar no Paraíso".
O P. Pio disse que sim, que celebraria a santa missa pela sua alma.
"Eu, quis acompanhá-lo - diz ele - até à porta do convento para me despedir, como se fosse uma qualquer, mas repentinamente, ele desapareceu.
Compreendi que havia falado com uma pessoa morta e reentrei no convento bastante amedrontado.
O Padre Superior do convento, Paolino de Casacalenda, notou o meu nervosismo, e então contei-lhe o que havia acontecido, pedindo-lhe permissão para celebrar a Santa Missa da manhã seguinte por aquela alma necessitada".
O Padre Paolino, despertado pela curiosidade, foi consultar o registo de óbitos da comunidade de St. Giovanni Rotondo, e pôde verificar que a história do Padre Pio era verdadeira, pois no registo encontrou o nome, o apelido e a razão da morte: No dia 18 de Setembro de 1908, no incêndio da casa de repouso, morrera o Sr. Pietro Di Mauro.
A Sra. Cleonice Morcaldi, era devota do santo padre Pio. Depois de um mês da morte de sua mãe, o Padre Pio aproximou-se dela após a confissão, e disse: "Nesta manhã, a sua mãe foi para o Céu. Vi-a enquanto celebrava a Santa Missa".
O Santo Padre Pio contou também ao Padre Anastásio: "Uma tarde, enquanto estava a rezar sozinho, vi um monge jovem que se mexia próximo do altar parecendo espanar os candelabros e regar os vasos das flores.
Pensei que fosse o Padre Leone, que andasse a preparar o altar, e como era a hora do jantar, aproximei-me dele e disse: "P. Leone vá jantar, não está na hora de espanar e preparar o altar".
Mas uma voz que não era a voz do padre Leone respondeu-me: "Eu não sou o Padre Leone." Sou um irmão seu que fez o noviciado aqui. A minha missão era limpar o altar durante o ano do noviciado. Desgraçadamente, durante todo esse tempo, não reverenciei a Jesus Sacramentado em nenhuma das vezes em que passava em frente ao altar. Por este descuido ainda estou no Purgatório. Agora, Deus, na sua bondade infinita, enviou-me aqui para que determine o dia em que eu passarei a gozar o Paraíso."
- Amanhã celebrarei a Santa Missa - respondeu o P. Pio. E contou: "Aquela alma chorou e disse: 'Ai de mim, que malvado eu fui'. «E concluiu o santo P. Pio: Aquela exclamação produziu-me uma ferida no coração, que sentirei toda a vida».

 

PURGATÓRIO – O testemunho de Santa Perpétua

 

Já nos primeiros séculos, segundo o testemunho de Tertuliano e dos Santos Padres e os monumentos, os cristãos sufragavam os mortos com orações, e pelo Santo Sacrifício da Missa celebrado sobre as sepulturas.

Nas inscrições e nos epitáfios se encontraram, nas catacumbas, belas preces pelos mortos. No século IV em 302, Santa Perpétua conta uma visão do purgatório. Diz ela: “Estávamos em oração na prisão, depois da sentença que nos condenava a sermos expostas às feras, e de repente chamei por Denócrato.

Era um meu irmão segundo a carne. Morreu com cancro na face. A lembrança da sua triste sorte afligia-me.

Fiquei admirada de me ter vindo à lembrança, este irmão e pus-me a rezar por ele com todo o fervor.

Na noite seguinte, tive uma visão na qual vi Denócrito sair de um lugar tenebroso onde estavam muitas pessoas. Estava abatido e pálido, com a úlcera que o levou à sepultura.

Tinha grande sede. Junto de mim estava uma bacia com água, mas ele em vão tentava beber e não conseguia.

Conheci que o meu irmão estava a sofrer e era preciso rezar por ele. Pedi por ele dia e noite com muitas lágrimas, para que fosse libertado.

Alguns dias depois tive outra visão, na qual Denócrito me apareceu todo brando, brilhante e belo, e se inclinou e bebeu à vontade a água que antes não pode tirar.

Conheci por isso que estava livre do suplício.”

Santo Agostinho reconhece a autenticidade das Atas de Santa Perpétua e nota que o irmãozinho da Santa deveria ter cometido alguma falta depois do batismo.

 

 
Pai Nosso das Almas (Mateus 6,9) Imprimir e-mail

“Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar”. (Jo 14,1-2).
No dia de memória dos fiéis defuntos, lembramos os nossos entes queridos que já faleceram.
Esta Palavra de Jesus conforta muito o nosso coração, pois a morte é algo doloroso e a nossa maior esperança é a RESSURREIÇÃO! E saber que estas almas agora não podem fazer mais nada por elas mesmas, mas nós na comunhão dos santos, podemos rezar por elas. Por isso, vamos rezar o Pai Nosso das almas.

- Um dia, enquanto Santa Matilde comungava pelas almas do purgatório, Jesus apareceu-lhe e disse: “Reza por elas um Pai Nosso”. E compreendeu ela que deveria fazê-lo do modo abaixo indicado. Depois de ter rezado, ela viu que multidões de almas subiam ao céu.

Pai nosso que estais no céu.
Eu Vos peço, dignai-Vos perdoar, PAI Eterno, as almas do purgatório por não Vos terem amado, por não terem rendido o culto de adoração que Vos é devido, a Vós PAI, bom e misericordioso, por Vos terem afastado dos seus corações, onde desejáveis habitar.
- Para suprir estas faltas, ofereço-Vos o amor e a honra que o Vosso amado Filho Vos rendeu sobre a terra e a imensa satisfação com que pagou a dívida de todos os seus pecados. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Santificado seja o Vosso nome.
Eu Vos suplico, ó terno PAI, que perdoeis às almas do Purgatório por não terem honrado dignamente o Vosso Nome, por O terem raras vezes invocado com devoção, por O terem tomado muitas vezes em vão e, pela sua vida pouco edificante, terem se tornado indignas do nome de CRISTO.
- Para satisfação deste pecado, ofereço-Vos a santidade de Vosso amado Filho que nas Suas pregações e em todas as suas palavras honrou e glorificou o Vosso Nome.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Venha a nós o Vosso Reino.
Eu Vos rogo, ó Eterno PAI, que perdoeis as almas do purgatório por não terem desejado ardentemente, nem procurado com bastante zelo a expansão do Vosso Reino, onde está o verdadeiro repouso e a glória eterna.
- Para expiar esta indiferença, que tiveram por todos os bens da alma, ofereço-Vos os santos desejos que JESUS teve de que fôssemos co-herdeiros do Seu Reino.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu.
Eu Vos suplico, ó Eterno PAI, que perdoeis as almas do purgatório, sobretudo às dos religiosos, por terem preferido a vontade própria à Vossa e por não terem tido em maior estima, em tudo, a Vossa vontade, para viverem e procederem, a maioria das vezes, conforme a própria satisfação.
- Para reparar esta desobediência, ofereço-Vos o dulcíssimo Coração de JESUS, bem como a submissão com que Ele Vos obedeceu até à morte na Cruz. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

O pão nosso de cada dia, nos dai hoje.
Eu Vos peço, ó Eterno Pai, que perdoeis as almas do purgatório, por não terem recebido o Pão dos anjos com vivos desejos, devida devoção e amor, por terem um grande número delas, sido indignas de O receber, por O terem recebido pouca ou nenhuma vez.
- Em expiação deste pecado, ofereço-Vos a santidade e devoção de Vosso Filho, assim como o amor e o inefável desejo que O levou a dar-nos este precioso tesouro. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Eu Vos suplico, ó Eterno PAI que perdoeis as almas do purgatório pelos pecados mortais cometidos, principalmente por não perdoarem àqueles que as ofenderam e por não terem amado os seus inimigos. Por estes pecados, ofereço-Vos a sublime oração que JESUS fez na Cruz pelos seus algozes. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Não nos deixeis cair em tentação.
Eu Vos suplico, ó Eterno PAI, que perdoeis as almas do purgatório por não terem resistido aos vícios e concupiscências, por se terem muitas vezes deixado cair nas ciladas do demónio e da carne, por se terem visto, por culpa própria, metidas em grande número de más acções.
- Por essa multidão de pecados, ofereço-Vos a vitória gloriosa com a qual JESUS CRISTO venceu o mundo e o demónio. Ofereço também, a Sua santíssima vida com os Seus trabalhos e fadigas; com a dolorosíssima Paixão, morte na Cruz e gloriosa Ressurreição. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Mas livrai-nos do mal.
Senhor, livra-as também de todo mal e de toda a pena pelos merecimentos do Vosso amado Filho e conduzi todos ao reino da Vossa glória, que sois Vós mesmo.
Amém.

 


 

 

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