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Deus é Amor

Papa Bento XVI

 
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Almas do Purgatório
É possível evitar o Purgatório e ir direto para o Céu? Imprimir e-mail

É possível evitar o Purgatório e ir direto para o Céu?

 

Embora devamos temer os castigos da outra vida, devido aos nossos pecados, não é intenção de Nosso Senhor que tenhamos um medo excessivo e estéril, sombrio e sem confiança, que tortura e desencoraja.

Se aquele fogo, inflamado pela Justiça Divina, se aquelas penas excruciantes, comparadas a todas as penitências dos santos e os sofrimentos dos mártires juntos, são como nada, quem seria capaz de olhar para essa realidade e não estremecer de pavor?

Temos aqui um medo salutar e que está em conformidade com o espírito de Jesus Cristo. O nosso divino Mestre deseja que tenhamos temor, e que temamos não apenas o Inferno, mas também o Purgatório, que é uma espécie de “Inferno mitigado”. É a fim de inspirar em nós este santo temor que Ele mostra a muitos os cárceres do Supremo Juiz, dos quais não sairemos até termos pago o último centavo.

Entretanto, não é intenção de Nosso Senhor que tenhamos um medo excessivo e estéril, sombrio e sem confiança, que tortura e desencoraja. Não, Ele deseja que nosso temor seja temperado com uma grande confiança em sua misericórdia; Ele deseja que nós temamos o mal a fim de o prevenirmos e evitarmos; Ele deseja que a consideração daquelas chamas reparadoras estimule em nós o fervor no seu serviço e nos impulsione a expiar nossas faltas neste mundo, ao invés do outro. “Mais vale purificar-se agora dos pecados e cortar todos os vícios”, diz o autor da Imitação de Cristo (p. I, c. 24, n. 2), “do que reservar a purificação para o futuro.”

Se, porém, não obstante nossos esforços por viver bem e reparar nossos pecados neste mundo, houver de nossa parte fundados temores de que teremos de passar pelo Purgatório, devemos olhar para essa possibilidade com confiança ilimitada em Deus, que nunca deixa de consolar aqueles que Ele purifica com sofrimentos.

Agora, para dar ao nosso medo esse caráter prático, esse contrapeso de confiança, depois de havermos contemplado o Purgatório em todo o rigor de suas penas, devemos considerá-lo sob outro aspecto e a partir de um ponto de vista diferente, a saber, o da Misericórdia Divina, que brilha ali não menos do que a divina Justiça.

Se Deus reserva terríveis castigos na outra vida para as menores das faltas, Ele não as inflige sem, ao mesmo tempo, temperá-las com clemência; e nada mostra melhor a harmonia admirável da perfeição divina do que o Purgatório, onde a mais severa justiça é exercida, juntamente com a mais inefável misericórdia. Se Nosso Senhor castiga aquelas almas que lhe são queridas, é em seu amor que Ele o faz: “Eu repreendo e educo os que eu amo” (Ap 3, 19). Com uma mão Ele bate, com a outra Ele cura. Ele oferece misericórdia e redenção em abundância: “Pois no Senhor se encontra toda a graça e copiosa redenção” (Sl 129, 7).

Esta misericórdia infinita do nosso Pai celestial deve ser a fundação firme da nossa confiança, a qual, segundo o exemplo dos santos, devemos manter sempre diante dos nossos olhos. Os santos nunca a perderam de vista, e é por isso que o medo do Purgatório nunca os privava da paz e da alegria de que eles gozavam no Espírito Santo.

Santa Lidvina, que conhecia bem a tremenda severidade do sofrimento expiatório, era animada desse espírito de confiança e procurava inspirar o mesmo em outras pessoas.

Uma vez ela recebeu a visita de um piedoso sacerdote que juntamente com outras pessoas virtuosas, iniciou uma conversa sobre os sofrimentos da outra vida. Vendo nas mãos de uma mulher um vaso repleto de grãos de mostarda, o padre viu aí uma ocasião para observar como ele estremecia ao pensar no fogo do Purgatório. “Não obstante”, acrescentou, “eu me daria por satisfeito indo para lá por tantos anos quantos fossem os grãos de mostarda presentes neste vaso; assim, pelo menos, eu estaria certo da minha salvação.”

“O que está a dizer, padre?”, replicou a santa. “Por que tão pouca confiança na misericórdia de Deus? Ah, se o senhor tivesse um conhecimento melhor do que é o Purgatório, de quão terríveis são os tormentos que lá se devem suportar…!” Ao que o padre respondeu: “Seja como for o Purgatório, eu persisto no que digo.”

Algum tempo depois, esse sacerdote veio a falecer, e as mesmas pessoas que estiveram presentes durante esta conversa com Santa Lidvina perguntaram-lhe qual era a condição do padre no outro mundo. “O falecido está bem, graças à vida virtuosa que levou”, disse a santa, “mas seria melhor se ele tivesse tido mais confiança na Paixão de Jesus Cristo…”

 Em que consistia a falta de confiança que mereceu a desaprovação da nossa santa? Justamente na opinião, que esse bom padre mantinha, de que seria quase impossível salvar-se, e de que deveríamos entrar no Céu só depois de ter passado por inúmeros anos de tortura.

Esta ideia é errada e contrária à confiança cristã. O nosso Salvador veio para trazer paz aos homens de boa vontade, impondo-lhes, como condição para a salvação, um jugo que é suave e um fardo que não é pesado (cf. Mt 11, 30).

Assim, pois, tenha boa vontade e encontrarás paz, e verás todas as dificuldades e temores desaparecerem. Boa vontade! Isso é tudo. Tenha boa vontade, submeta-se à vontade de Deus, coloque a sua santíssima Lei acima de todas as coisas, sirva ao Senhor com todo o seu coração, e Ele lhe dará uma assistência de tal modo poderosa que você entrará no Paraíso com uma surpreendente facilidade.

“Eu nunca acreditaria”, me dirá, “que fosse tão fácil entrar no Céu!” Mais uma vez, repito, para operar em nós a maravilha da sua misericórdia, Deus pede da nossa parte “corações ao alto”, uma boa vontade. Isso significa, propriamente falando, submeter-nos e conformar a nossa vontade à de Deus, que é a regra de toda a boa vontade, atitude que atinge a sua máxima perfeição quando nós abraçamos a vontade divina como o bem supremo, mesmo quando ela exige de nós os maiores sacrifícios, os mais agudos sofrimentos.

Ó condição admirável! A alma assim disposta parece não experimentar dor, e isso porque ela está animada do espírito do amor; e, como diz Santo Agostinho, quando se ama, não se sofre, ou, quando se sofre, ama-se o próprio sofrimento.

O amor a Deus e ao próximo transforma, transfigura o sofrimento de tal maneira, que todo o amargor é mudado em doçura. “Quando chegar ao estado em que a aflição lhe seja suave e gostosa por amor a Jesus, dê-se então por feliz, porque achou o paraíso na terra” (Imitação de Cristo, p. II, c. 12, n. 11).

Tenhamos, pois, um grande amor a Deus, grande caridade, e pouco medo precisaremos de ter do Purgatório. O Espírito Santo dá testemunho nas profundezas do nosso coração que, sendo crianças de Deus, não há por que temermos os castigos de um Pai.

Referências

             Extraído e levemente adaptado da obra “Purgatory: Explained by the Lives and Legends of the Saints” (p. II, c. 1) (http://www.todayscatholicworld.com/purgatory-book-imprimatur.pdf), Londres: Burns & Oates, 1893, pp. 124-128.

 
A urgência de rezar pelas almas do Purgatório Imprimir e-mail

 A urgência de rezar pelas almas do Purgatório

 

Poderosos são os instrumentos que a Divina Misericórdia pôs à nossa disposição para sufragarmos as almas do Purgatório. Mas com que fervor e solicitude temos trabalhado para o alívio desses nossos irmãos na fé e na caridade?

Infelizmente, quantos cristãos fazem pouco ou nada pelos que já partiram! E aqueles que não os esquecem, que têm caridade suficiente para os ajudar com os seus sufrágios, com que frequência não são remissos em zelo e fervor!

Compare-se o cuidado que dispensamos aos enfermos com a assistência que prestamos às almas sofredoras. Quando um pai ou mãe se encontra aflito com alguma doença, quando um filho ou uma pessoa que nos é querida sofre, que cuidado, que solicitude e que devoção da nossa parte! Mas as santas almas, que não nos são menos queridas, padecem sob o peso não de uma dolorosa enfermidade, mas de tormentos expiatórios mil vezes mais cruéis. Somos igualmente fervorosos, solícitos e diligentes em procurar-lhes alívio?

“Não”, responde S. Francisco de Sales, “nós não nos lembramos o suficiente dos nossos queridos amigos que partiram. A sua memória parece extinguir-se com o ressoar dos sinos fúnebres. Esquecemo-nos que a amizade que tem fim, mesmo na morte, não foi nunca uma amizade genuína.”

De onde vem esse triste e culpável esquecimento? A causa principal é a falta de reflexão. “Porque não há ninguém que considere no seu coração” (Jr 12, 11). Nós perdemos de vista os grandes motivos que nos impelem ao exercício dessa caridade para com os mortos. É a fim de estimular o nosso zelo, portanto, que temos de trazer de novo à mente esses motivos e esclarecê-los o máximo possível.

Podemos dizer que todos estes motivos estão resumidos nas seguintes palavras do Espírito Santo: “É um santo e piedoso costume o de rezar pelos defuntos, para que eles sejam livres dos seus pecados” (2Mb 12, 46), isto é, da punição temporal devida às suas faltas. Em primeiro lugar, trata-se de uma obra, santa e excelente em si mesma, e também agradável e meritória aos olhos de Deus. Consequentemente, é uma obra salutar, sumamente proveitosa a nossa salvação e a nossa felicidade neste e no mundo futuro.

“Uma das obras mais santas, um dos melhores exercícios de piedade que podemos praticar neste mundo”, diz Santo Agostinho, “é oferecer sacrifícios, esmolas, Santas Missas e outras orações pelos defuntos” (Hom., XVI).

“O alívio que nós procuramos para os mortos”, diz S. Jerónimo, “alcança-nos uma misericórdia semelhante.” Considerada em si mesma, a oração pelos mortos é uma obra de fé, caridade e com frequência até de justiça.

Em primeiro lugar, quem são, de facto, as pessoas que temos o dever de assistir, senão as santas e predestinadas almas, tão queridas a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo; tão queridas a sua mãe, a Igreja, que incessantemente as encomenda à nossa caridade; tão queridas também a nós, que talvez nos foram intimamente unidas sobre a terra, e que nos imploram ajuda com estas tocantes palavras: “Compadecei-vos de mim, compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos” (Jó 19, 21)?

Segundo, em que necessidades elas se encontram? Ai, sendo tão grandes as suas necessidades, essas almas têm direito à nossa assistência proporcionado à sua incapacidade de fazer qualquer coisa por si mesmas.

Terceiro, que bem procuramos nós para as almas, senão o maior dos bens, já que os podemos colocar na posse da bem-aventurança eterna?

“Assistir as almas do Purgatório”, diz S. Francisco de Sales, “é realizar a mais excelente das obras de misericórdia, ou melhor, é praticar da forma mais sublime todas as obras de misericórdia juntas: é visitar os doentes; é dar de beber aos que têm sede da visão de Deus; é dar de comer aos que têm fome, é visitar os encarcerados, é vestir os nus, é procurar para os pobres exilados a hospitalidade da Jerusalém celeste; é confortar os aflitos, é instruir os ignorantes — é, em suma, praticar todas as obras de misericórdia em uma.”

Esta doutrina concorda muito bem com a de São Tomás, que ensina: “Os sufrágios pelos mortos são mais agradáveis a Deus que os sufrágios pelos vivos, porque aqueles têm necessidade mais urgente deles, não estando aptos a ajudarem-se por si mesmos, como os vivos” (Supplem., q. 71, art. 5).

Nosso Senhor considera cada obra de misericórdia feita ao nosso próximo como se fosse feita a Ele próprio. “A mim o fizestes”. Isto é mais especialmente verdadeiro quanto à misericórdia praticada para com as pobres almas.

Foi revelado a Santa Brígida que aquele que liberta uma alma do Purgatório ganha o mesmo mérito de libertar o próprio Jesus Cristo do cativeiro.

 
Novembro, mês das Almas Imprimir e-mail

Novembro, mês das Almas

O mês de Novembro é chamado de «mês das almas», uma vez que é tradicionalmente dedicado às Almas do Purgatório. Depois de ter celebrado a festa de Todos os Santos no dia 1, a Igreja lembra, especialmente no dia 2 de Novembro, todos os fiéis que já partiram deste mundo e que ainda não estão na glória de Deus.

Por vezes, a existência do Purgatório causa estranheza em muitos de nós. Mas a Igreja lembra-nos que a realidade deste lugar de purificação é necessária e muito proveitosa para os que lá se encontram e para quem reza por eles.

Rezar pelas almas que esperam ver-se livres das suas faltas para entrarem no Paraíso, é uma verdadeira obra de caridade, pois elas já nada podem por si mesmas. E este acto de caridade podemos e devemos tê-lo para com os nossos familiares, amigos, conhecidos e até para com pessoas anónimas que esperam uma Missa, uma esmola, uma oração que alivie os seus sofrimentos no fogo purificador do Purgatório.

Segundo nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, passam por este fogo "os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão perfeitamente purificados". Portanto, as almas que estão no Purgatório fazem parte da mesma Igreja Católica e beneficiam de modo especial da Comunhão dos Santos, pela qual a Igreja Militante (os católicos que ainda vivem na Terra) pode pedir a intercessão à Igreja Triunfante (os Santos do Céu) e pode também aliviar as penas da Igreja Padecente (os irmãos que estão no Purgatório).

Mas será Deus tão rigoroso assim, a ponto de não tolerar nem mesmo a menor imperfeição, limpando-a com penas severas? Esta pergunta facilmente pode vir à nossa mente. Em primeiro lugar, devemos nos lembrar desta verdade: depois da nossa morte, não seremos julgados segundo nossos próprios critérios, mas segundo a Lei de Deus. Estaremos diante de um Juiz sumamente santo e perfeito e no seu Reino "não entrará nada de impuro" (Ap 21, 27).

Que faltas serão purificadas nesse lugar?  São os restos do apego exagerado à vida terrena e às criaturas, ou seja, as imperfeições, os pecados veniais, bem como a dívida dos pecados mortais já perdoados no Sacramento da Confissão. Estas imperfeições afastam-nos do Mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas.

As almas do Purgatório têm a certeza da salvação. Cabe-nos a nós, que ainda caminhamos neste mundo, ajudá-las a serem admitidas o quanto antes à presença de Deus, pedindo-Lhe que lhes dê o descanso eterno e que perdoe, pela Sua misericórdia, as faltas que as impedem de O contemplar.

Mas como podemos, concretamente, ajudar estes nossos irmãos que sofrem no Purgatório?

A oração mais útil para eles é a Santa Missa, com todos os seus méritos, que são os mesmos que Jesus obteve para nós na cruz. Mandar rezar uma Missa pela alma de um familiar ou amigo é a maneira mais eficaz de aliviar o sofrimento de uma alma.

Depois o ganho de indulgências segundo as disposições das Igreja. Muito útil para as almas são também os sacrifícios e as orações dos fiéis vivos, como a oração do Terço, o Ângelus, as jaculatórias pelos defuntos e a esmola e o jejum.

Durante este mês de Novembro, lembremo-nos especialmente destas almas, muitas delas abandonadas, sem terem quem se lembre e reze por elas, e rezemos pelo menos uma oração ao final do dia por elas. Quando estiverem no Paraíso, não esquecerão aqueles que as ajudaram a chegar ao Céu.  E nós, que continuamos na Terra, ganharemos mais intercessores junto de Deus.

 
O dogma da Comunhão dos Santos Imprimir e-mail
O dogma da Comunhão dos Santos.

 

Rezamos no Credo: Creio na Comunhão dos Santos!

Muita gente pergunta: “Que vem a ser a Comunhão dos Santos?”

Santos são os cristãos que vivem na graça de Deus.

Os primeiros cristãos eram assim chamados.

Santos, são os justos no céu, os que se salvaram e estão na posse de Deus.

Santos são os justos que padecem no purgatório.

Não são verdadeiras santas as almas confirmadas na graça e à espera da eterna visão do céu?

Pois, comunhão ou comunicação é a união dos fiéis da terra, do céu e do purgatório.

Eles formam as três Igrejas; a Igreja militante, somos nós os que combatemos neste mundo; a Igreja triunfante, os fiéis já no céu no triunfo eterno da glória, e a Igreja padecente, os fiéis que se purificam nas chamas do purgatório.

Todos são membros de Cristo.

Todos formam o Corpo Místico de Cristo, nossa Cabeça.

Estamos todos unidos em Jesus Cristo como os membros unidos à cabeça.

Que sublime doutrina!

Cristo nosso Senhor é glorificado no céu pelos membros triunfantes, sofre no purgatório pelos seus membros padecentes, luta connosco neste mundo com os membros militantes.

Pois com esta doutrina admirável do Corpo Místico, podemo-nos auxiliar uns aos outros nesta sublime solidariedade em Cristo e por Cristo.

As almas do purgatório, por elas, já não podem merecer mais, dependem de nós os que ainda temos à nossa disposição os tesouros da Redenção e os méritos de Cristo.

Podemos ajudá-las, podemos socorrê-las e dependem de nós.

Por sua vez, os santos do céu, junto de Deus, na posse da eterna felicidade podem-nos valer nesta vida, podem interceder por nós.

Então recorremos à Igreja triunfante, pedindo socorro, e ajudamos a Igreja padecente.

Isto é o dogma da Comunhão dos Santos.

Podem os santos do céu ajudar as almas do purgatório?

Há relações entre a Igreja triunfante e a Igreja padecente?

Cremos que sim, São Tomás de Aquino o afirma.

Muitos autores o ensinam.

Os Santos não podem merecer no céu como nós aqui na terra.

Portanto, satisfazer pelas almas não podem, mas pedir e interceder por elas muitos teólogos o afirmam com muito fundamento.

E demais, há uma oração da Igreja que nos autoriza esta crença: “Ó Deus que perdoais aos pecadores e que desejais a salvação dos homens, imploramos a vossa clemência por intercessão da Bem-Aventurada Maria sempre Virgem e de todos os Santos, em favor dos nossos irmãos, benfeitores e parentes que saíram deste mundo, para que alcancem a bem-aventurança eterna”.

Os primeiros cristãos sepultavam os mortos junto do túmulo dos Santos para lhes implorar a intercessão.

Podemos pois crer que os Santos, não como nós, mas intercedendo e pedindo, podem ajudar os que vivem no purgatório.

 
O Purgatório na Bíblia Imprimir e-mail

Muitas pessoas perguntam onde está na Bíblia o Purgatório? Ele é uma exigência da razão e mesmo da caridade de Deus por nós.
A palavra “Purgatório” não existe na Bíblia, foi criada pela Igreja, mas a realidade, o “conceito doutrinário” deste estado de purificação existe amplamente na Sagrada Escritura como vamos ver.
A Igreja não tem dúvida desta realidade por isso, desde o primeiro século reza pelo sufrágio das almas do Purgatório.

1 - São Gregório Magno (†604), Papa e doutor da Igreja, explicava o Purgatório a partir de uma palavra de Jesus:
“No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver pronunciado uma blasfémia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,31).
Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro” (Dial. 4, 3).
O pecado contra o Espírito Santo, ou seja a pessoa que recusa de todas as maneiras os caminhos da salvação, não será perdoado nem neste mundo, nem no mundo futuro. Mostra o Senhor Jesus, então, neste trecho, implicitamente, que há pecados que serão perdoados no mundo futuro, após a morte.

2 - O ensinamento sobre o Purgatório tem raízes já na crença dos próprios judeus do Antigo Testamento; cerca de 200 anos antes de Cristo, quando ocorreu o episódio de Judas Macabeus. Narra-se aí que alguns soldados judeus foram encontrados mortos num campo de batalha, tendo debaixo das suas roupas alguns objectos consagrados aos ídolos, o que era proibido pela Lei de Moisés.
Então Judas Macabeus mandou fazer uma colecta para que fosse oferecido em Jerusalém um sacrifício pelos pecados desses soldados. “Então encontraram debaixo da túnica de cada um dos mortos objectos consagrados aos ídolos de Jâmnia, coisas proibidas pela Lei dos judeus.
Ficou assim evidente a todos que haviam tombado por aquele motivos… puseram-me em oração, implorando que o pecado cometido encontrasse completo perdão…
Depois [Judas] ajuntou, numa colecta individual, cerca de duas mil dracmas de prata, que enviou a Jerusalém para que se oferecesse um sacrifício propiciatório. Com acção tão bela e nobre ele tinha em consideração a ressurreição, porque, se não cresse na ressurreição dos mortos, teria sido coisa supérflua e vã orar pelos defuntos. Além disso, considerava a magnífica recompensa que está reservada àqueles que adormecem com sentimentos de piedade. Santo e pio pensamento! Por isso, mandou oferecer o sacrifício expiatório, para que os mortos fossem absolvidos do pecado” (2Mc 12,39-45).
O autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, louva a acção de Judas: “Se ele não esperasse que os mortos que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerasse que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormeceram piedosamente, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis porque ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, afim de que fossem absolvidos do seu pecado”. (2 Mac 12,44s).
Neste caso, vemos pessoas que morreram na amizade de Deus, mas com uma incoerência, que não foi a negação da fé, já que estavam combatendo no exército do povo de Deus contra os inimigos da fé. Cometeram uma falta que não foi mortal.
Fica claro no texto de Macabeus que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios, e que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos e que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a crença no Purgatório e para a oração em favor dos mortos.

3 - Com base nos ensinamentos de São Paulo, a Igreja entendeu também a realidade do Purgatório.
Em 1Cor 3,10, ele fala de pessoas que construíram sobre o fundamento que é Jesus Cristo, utilizando uns, material precioso, resistente ao fogo (ouro, prata, pedras preciosas) e, outros, materiais que não resistem ao fogo (palha, madeira).
São todos fiéis a Cristo, mas uns com muito zelo e fervor, e outros com tibieza e relutância. E S. Paulo apresenta o juízo de Deus sob a imagem do fogo a provar as obras de cada um. Se a obra resistir, o seu autor “receberá uma recompensa”; mas, se não resistir, o seu autor “sofrerá detrimento”, isto é, uma pena; que não será a condenação; pois o texto diz explicitamente que o trabalhador “se salvará, mas como que através do fogo”, isto é, com sofrimentos.

4 - Na passagem de Mc 3,29, também há uma imagem nítida do Purgatório:
”Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘O meu senhor tardará a vir’. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (…) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade do seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade do seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes.” (Lc 12,45-48).
É uma referência clara ao que a Igreja chama de Purgatório. Após a morte, portanto, há um “estado” onde os “pouco fiéis” haverão de ser purificados.

5 - Outra passagem bíblica que dá margem a pensar no Purgatório é a de (Lc 12,58-59): “Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faz o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo.
O Senhor Jesus ensina que devemos sempre entrar “em acordo” com o próximo, pois caso contrário, ao fim da vida seremos entregues ao juiz (Deus), nos colocará na “prisão” (Purgatório); dali não sairemos até termos pago à justiça divina toda nossa dívida, “até o último centavo”. Mas um dia haveremos de sair.
A condenação neste caso não é eterna. A mesma parábola está em Mt 5, 22-26: “Assume logo uma atitude reconciliadora com o teu adversário, enquanto estás a caminho, para não acontecer que o adversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e, assim, sejas lançado na prisão. Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”. A chave deste ensinamento encontra-se na conclusão deste discurso de Jesus: “serás lançado na prisão”, e dali não se sai “enquanto não pagar o último centavo”.

6 - A Passagem de São Pedro 1Pe 3,18-19; 4,6, indica-nos também a realidade do Purgatório:
”Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados (…) padeceu a morte na sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (…).” Nesta “prisão” ou “limbo” dos antepassados, onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, a Igreja viu uma figura do Purgatório. O texto indica que Cristo foi pregar “àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes”. Temos, portanto, um “estado” onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, mas também não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, não é o céu. É um “lugar” onde os espíritos aguardavam a salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo.

Do livro: Purgatório. O que a Igreja ensina.




 
A Necessidade de Ajudar as Almas do Purgatório Imprimir e-mail

Impotência para se acudirem

As almas do purgatório não podem nada por elas próprias. Parecem-se com o paralítico estendido à beira da fonte de Siloé, que não podia fazer o menor movimento para ter alívio. Vêem suas companheiras de infortúnio, aliviados de tempos a tempos recebendo os frutos de uma comunhão, o valor de uma missa, e elas ficam esquecidas.
Vós que viveis na terra e tão facilmente vos comoveis ante o sofrimento e a ideia do abandono, ouvi as almas do purgatório pedindo-vos uma migalha desse pão que Deus vos dá com tanta abundância: uma pequena parte das vossas orações, boas obras, e sofrimentos! Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres corações abandonados.
"Ó irmãos! Ó amigos! Há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; chamamo-vos e não respondeis; sofremos tormentos que não há iguais, e não vos compadeceis; gememos e não consolais".
O mundo não sabe que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno. Se possível fosse fazer uma visita a essas mansões de dor, não haveria na terra quem quisesse cometer um só pecado venial, visto o rigor com que é punido.
São Francisco Xavier percorria, à noite, as ruas da cidade, convocando com uma campainha o povo a rezar pelas almas do purgatório.




 
A Santa Missa salva as almas Imprimir e-mail

A Santa Missa é o sacrifício de expiação por excelência.
É a renovação do Calvário, que salvou o género humano.
Na Missa colocou a Igreja a memória dos mortos, e no momento mais solene, em que a divina Vítima está presente sobre o altar. É a melhor, a mais eficaz, a mais rápida maneira de aliviar e libertar as almas dos nossos queridos mortos.
Um dia, celebrando a Missa numa igreja de Roma, São Bernardo caiu em êxtase e viu uma escada que ia da terra ao céu, pela qual os anjos conduziam as almas libertadas do purgatório em virtude do santo sacrifício. Nessa Igreja – Santa Maria Escada do Céu – há um quadro que representa esta visão.
Não há maior socorro às almas que a Santa Missa: A Missa é a esperança e a riqueza das almas.
Podemos duvidar do valor das nossas orações; mas da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus pelas almas, que dúvida podemos ter?
Ao Beato João D'Avila, nos últimos instantes de vida, perguntaram o que mais desejaria depois da morte. Missas! Missas!
Ao Beato Henrique Suzo apareceu depois da morte um amigo íntimo gemendo de dor e a se queixar: "Ai, já te esqueceste de mim".
- Não, meu amigo, responde Henrique, não cesso de rezar pela tua alma, desde que morreste.
- Ó, mas isto não me basta, não basta! Falta-me para apagar as chamas que me abrasam o Sangue de Jesus Cristo.
Henrique mandou celebrar inúmeras Missas pelo amigo. Este apareceu-lhe então já glorificado e diz-lhe: "Meu querido amigo, mil vezes agradecido. Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao céu e lá nunca te esquecerei”.

A cada missa, diz São Jerónimo, saem muitas almas do purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa que lhes é aplicada.

São Vicente Ferrer tinha uma irmã frívola e vaidosa. Vindo a falecer, apareceu-lhe no meio de chamas e sofrendo penas horríveis. "Ai de mim, meu irmão, fui condenada a estes suplícios até ao dia do Juízo. Mas tu poderás ajudar-me. É de grande valia a virtude do santo sacrifício. Oferece por mim trinta missas".
O santo começou a celebrá-las. No 30° dia, apareceu-lhe a irmã cercada de anjos a caminho do céu.
"Graças à valia da Santa Missa ficou reduzida a 30 dias uma expiação que deveria durar séculos".

Certo homem de negócios juntava todos os meses ao montante das suas despesas a soma necessária para mandar celebrar, todos os dias, missas pelas almas. Dizia ele: Fui recompensado: Desde que coloquei na minha casa um cofre destinado a estas esmolas, essas almas trabalham por mim.




 
Depois da Missa... A Comunhão Imprimir e-mail

Não há sufrágio mais poderoso, depois da Santa Missa, para socorrer as almas, que a santa comunhão, diz São Boaventura.
A Eucaristia é um sacramento de descanso e paz para os defuntos, diz Santo Ambrósio. E o mesmo afirmam S. Cirilo e S. João Crisóstomo. Procuremos fazer boas comunhões lembrando-nos que quanto melhor as fizermos tanto mais aliviaremos os mortos.
É célebre a sentença do Papa Alexandre VI: "Todo o que reza, e muito mais ainda quem comunga pelas almas, com o desejo de as ajudar, obriga-as a gratidão e remuneração”.
O Papa Paulo V estimulou a prática das comunhões pelas almas padecentes.
O Venerável Luiz Blois tendo feito uma comunhão muito fervorosa por um amigo que sofria no purgatório, recebeu a sua visita, com estas palavras: "Graças, mil graças, meu amigo. Vou contemplar a face do meu Deus para sempre”.




 
Revelações sobre o purgatório Imprimir e-mail

Revelações sobre o purgatório recebidas por duas místicas da Igreja Católica

Aprouve a Deus mostrar em espírito as sombrias moradas do Purgatório a algumas almas privilegiadas. Foi deste número Santa Francisca, fundadora das Oblatas.

A serva de Deus declara que, depois de ter suportado com horror indescritível a visão do Inferno, saiu daquele abismo e foi conduzida pelo seu guia celestial até às regiões do Purgatório. Ali não reinava nem o terror nem a desordem, nem o desespero nem a escuridão eterna; ali a esperança divina difundia a sua luz, de modo que, como lhe disseram, este lugar de purificação também era chamado de “estadia de esperança”. Ela viu ali almas que sofriam cruelmente, mas anjos as visitavam e assistiam nos seus sofrimentos.

O Purgatório, dizia, é dividido em três partes distintas, que são como que as três grandes províncias daquele reino de sofrimento. Elas estão situadas uma abaixo da outra, e são ocupadas por almas de diferentes ordens, estando estas mais profundamente submersas quanto mais contaminadas e distantes estiverem da hora da sua libertação.

A região mais baixa é repleta de um fogo violento, mas não tão obscuro como o do Inferno; trata-se de um vasto mar de fogo, do qual são expelidas chamas imensas. Inumeráveis almas encontram-se mergulhadas nessas profundezas: são as que se tornaram culpadas de pecados mortais, devidamente confessados, mas não suficientemente expiados em vida. A serva de Deus aprendeu que, por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos. Esse prazo não pode evidentemente ser encarado como 1 medida definitiva, mas como uma pena média, já que pecados mortais diferem em enormidade. Ainda que as almas estejam envoltas pelas mesmas chamas, os seus sofrimentos não são os mesmos: eles variam de acordo com o número e a natureza dos pecados cometidos.

Neste Purgatório mais baixo a santa notou a presença de leigos e de pessoas consagradas a Deus. Os leigos eram aqueles que, depois de uma vida de pecado, tiveram a alegria de se converterem sinceramente; as pessoas consagradas a Deus eram aquelas que não tinham vivido de acordo com a santidade do seu estado de vida.

Naquele mesmo momento, ela viu descer a alma de um sacerdote conhecido dela, mas cujo nome ela não revela: o padre tinha a face coberta com um véu que escondia uma mancha. Embora tenha levado uma vida edificante, este padre não tinha observado sempre com rigor a virtude da temperança, tendo procurado muito ardentemente as satisfações da mesa.

A santa foi conduzida ao Purgatório intermediário, destinado às almas que tinham merecido um castigo menos rigoroso. Aí havia três distintos compartimentos: um que lembrava um imenso calabouço de gelo, cujo frio era indescritivelmente intenso; o segundo, ao contrário, era como um grande caldeirão de óleo e massa fervente; o terceiro tinha a aparência de um lago de metal líquido semelhante a ouro ou prata fundidos. Tal é a visão de Santa Francisca Romana relativa ao Purgatório.

O que segue, agora, é um registro de Santa Maria Madalena de Pazzi, uma carmelita de Florença, tal como está relatado na sua biografia, escrita pelo pe. Cepare. A sua revelação dá uma figura mais completa do Purgatório, ao passo que a visão precedente não faz senão traçar os seus contornos.

Algum tempo antes da sua morte, que aconteceu em 1607, a serva de Deus, Maria Madalena de Pazzi, estando uma noite com várias outras religiosas no jardim do convento, foi arrebatada em êxtase e viu o Purgatório aberto diante de si. Ao mesmo tempo, como ela deu a conhecer depois, uma voz fez-lhe o convite para visitar todas as prisões da Justiça divina e contemplar como são verdadeiramente dignas de compaixão todas as almas detidas neste lugar.

Neste momento, ouviu-se ela dizer: “Sim, eu irei”, consentindo em empreender esta dolorosa jornada. De facto, caminhou durante duas horas em torno do jardim, que era muito grande, fazendo pausa de tempos em tempos. Cada vez que interrompia o passo, contemplava atentamente os sofrimentos que lhe eram mostrados. Ela foi vista, então, a apertar com força as mãos e a pedir compaixão, o seu rosto tornou-se pálido e o seu corpo curvou-se sob o peso do sofrimento, em presença do terrível espetáculo com o qual ela se confrontava.

A santa começou a lamentar-se em alta voz: “Misericórdia, meu Senhor, misericórdia! Descei, ó Sangue Precioso, e libertai estas almas da sua prisão. Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres. Os cárceres dos mártires, em comparação com estes, eram jardins de deleite. Não obstante, existem outros ainda mais profundos. Que feliz sorte seria a minha, se não fosse obrigada a descer para estes lugares!”

Ela desceu, no entanto, porque foi forçada a continuar o seu caminho. Tendo dado alguns passos, porém, parou aterrorizada e, suspirando, gritou: “Quê? Até religiosos nesta morada sombria! Bom Deus, como eles são atormentados! Ah, Senhor!” A santa não explica a natureza dos sofrimentos que tinha diante dos olhos, mas o horror que ela manifestava ao contemplá-los fazia com que ela suspirasse a cada passo que dava.

Daí ela passou a lugares menos obscuros. Eram as prisões das almas simples e de crianças nas quais a ignorância e a falta de razão extenuaram muitas faltas. Os seus tormentos pareciam à santa muito mais suportáveis que os das outras pessoas. Nada havia ali a não ser gelo e fogo. Ela notou que estas almas tinham consigo os seus anjos da guarda, que as fortificavam enormemente com a sua presença; mas também via demónios cujas formas pavorosas faziam aumentar os seus sofrimentos.

Avançando um pouco mais o passo, viu almas ainda mais desafortunadas, e ouviu-se ela gritar: “Ó, quão horrível é este lugar! É cheio de demónios horrendos e tormentos inacreditáveis! Quem, ó meu Senhor, são as vítimas destas cruéis torturas? Ai! Elas estão a ser perfuradas com espadas afiadas, elas estão a ser cortadas em pedaços.” Foi-lhe revelado, então, que aquelas eram as almas cuja conduta tinha sido contaminada pela hipocrisia.

Avançando um pouco, viu uma grande multidão de almas que eram feridas, por assim dizer, e esmagadas sob uma prensa; e entendeu que aquelas eram as almas que se tinham apegado à impaciência e à desobediência durante as suas vidas. Ao contemplá-las, os olhares, os suspiros e toda a atitude da santa exprimiam compaixão e terror.

Um momento depois a agitação aumentou, e a santa soltou um grito terrível. Era o cárcere dos mentirosos que se abria diante dela. Depois de o considerar atentamente, gritou bem alto: “Os mentirosos são confinados num lugar na vizinhança do Inferno, e os seus sofrimentos são muito grandes. Chumbo fundido é derramado dentro das suas bocas; eu vejo-os queimar e, ao mesmo tempo, tremer de frio.”

Ela foi então à prisão daquelas almas que tinham pecado por fraqueza, e ouviu-se ela exclamar: “Ai! Eu pensava que os encontraria entre aqueles que tinham pecado por ignorância, mas enganei-me; vós queimais com um fogo mais intenso.”

Mais adiante, viu almas que se tinham apegado demais aos bens deste mundo e tinham pecado por avareza. “Que cegueira”, disse ela, “ter buscado tão ardentemente uma fortuna perecível! Aqueles a quem as riquezas não puderam saciar o suficiente aqui são devorados com tormentos. Eles fundem-se como metal na fornalha ardente.”

Daí passou ao lugar onde as almas aprisionadas se tinham manchado com a impureza. Viu-as num cárcere tão sujo e pestilento que a visão lhe deu náuseas, e ela imediatamente deu as costas àquele espectáculo repugnante. Vendo os ambiciosos e os orgulhosos, disse: “Vede aqueles que quiseram brilhar diante dos homens! Agora estão condenados a viver nesta escuridão pavorosa.”

Foram-lhe mostradas, então, as almas que haviam sido culpadas de ingratidão para com Deus. Eram vítimas de tormentos indescritíveis e afogadas, por assim dizer, num lago de chumbo fundido, por ter feito secar, com a sua ingratidão, a fonte da piedade.

Muitas almas no Purgatório tinham consigo os seus anjos da guarda, que as fortificavam enormemente com a sua presença; mas havia também demónios cujas formas pavorosas faziam aumentar os seus sofrimentos.

Finalmente, num último cárcere, foram-lhe mostradas as almas que não se tinham dado a nenhum vício em particular, mas que, por falta da devida vigilância sobre si mesmas, cometeram todo o tipo de faltas triviais. A santa notou que estas almas tomavam parte nos castigos de todos os vícios, num grau moderado, porque as faltas que elas cometeram apenas de tempos em tempos tornaram-nas menos culpadas do que aqueles que as tinham cometido habitualmente.

Após esta última estação, a santa deixou o jardim, implorando a Deus que nunca mais a fizesse testemunha de um espectáculo tão desolador: ela sentia que não tinha forças para suportá-lo.

O êxtase continuou, e conversando com Jesus disse: “Dizei-me, Senhor, qual era o vosso desígnio em descobrir-me aquelas terríveis prisões, de que eu sabia tão pouco e agora compreendo ainda menos? Agora vejo: quisestes dar-me o conhecimento da vossa infinita santidade e fazer-me detestar cada vez mais a mínima mancha de pecado, tão abominável aos vossos olhos.” Pe. François Xavier Schouppe

Referências

1.         Recordemos o que ensina o Catecismo da Igreja Católica a respeito de revelações como estas: “No decurso dos séculos houve revelações denominadas ‘privadas’, e algumas delas têm sido reconhecidas pela autoridade da Igreja. Elas não pertencem, contudo, ao depósito da fé. A função delas não é ‘melhorar’ ou ‘completar’ a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a viver dela com mais plenitude em determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o senso dos fiéis sabe discernir e acolher o que nessas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja.” (§ 67)

2.         Importante frisar: o título desta matéria diz respeito aos pecados mortais devidamente confessados, dos quais a alma, antes de morrer, efectivamente se arrependeu. Caso contrário, a pena devida por eles não é o Purgatório, mas o Inferno.

3.         “A pena de perda consiste em estar privado, por um tempo, da visão de Deus, que é o supremo Bem, o fim beatífico para o qual foram feitas as nossas almas, assim como os nossos olhos são para a luz. É um desejo ardente (moral thirst, lit., ‘sede moral’) que atormenta a alma.” (“Purgatory...”, p. 24)

 
Como podemos ajudar as Almas do Purgatório? Imprimir e-mail
  • Sobretudo com o sacrifício da Missa, que nada pode suprir.
  • Com sofrimentos expiatórios: sofrimentos físicos ou morais oferecidos pelas almas.
  • O terço dá-lhes um grande alívio. Cada dia numerosas almas são libertadas por meio do terço, caso contrário teriam de sofrer longamente.
  • Também a via-sacra pode dar-lhes grande alívio.
  • As indulgências são de um imenso valor, dizem as almas. Elas são uma apropriação das satisfações oferecidas por Cristo a Deus, seu Pai. Quem, durante a vida terrena, ganhar muitas indulgências em favor dos defuntos, receberá, também, mais do que os outros na última hora, a graça de ganhar completamente a indulgência plenária concedida a todo cristão no momento da morte ("in articulo mortis"). É uma crueldade não usufruir destes tesouros da Igreja em favor das almas dos falecidos.
    Vejamos: Se nos encontrássemos diante de uma montanha de moedas de ouro e se tivéssemos a possibilidade de pegar à vontade para socorrer pobres incapacitados de fazerem o mesmo, não seria cruel recusar-lhes esta ajuda? Usemos muito as orações com indulgências.
  • As esmolas e as boas obras, principalmente as ofertas em favor das Missões, ajudam as almas do purgatório.
  • Acender velas ajuda as almas: esta atenção de amor dá-lhes um auxílio moral e também porque as velas bentas iluminam as trevas em que se encontram as almas.
    Um menino de onze anos da cidade de Kaiser pediu a Maria Simma que rezasse por ele. Estava no purgatório por ter, no dia dos mortos apagado as velas que ardiam sobre os túmulos no cemitério e por ter roubado a cera por divertimento. As velas bentas têm muito valor para as almas. No dia da Apresentação (2 de Fevereiro) Maria Simma teve de acender duas velas por uma alma enquanto suportava grandes sofrimentos expiatórios por ela.
  • Atirar água benta mitiga as penas dos defuntos. Um dia, Maria Simma atirou água benta pelas almas. Uma voz disse-lhe: "Mais ainda!"
    Todos os meios não ajudam as almas da mesma maneira. Se, na vida, alguém teve pouca estima pela Missa, não aproveitará muito dela quando estiver no purgatório. Se alguém errou de coração durante a vida, recebe pouca ajuda. Os que pecaram difamando os outros devem expiar duramente o seu pecado. Mas, quem teve bom coração em vida, recebe bastante ajuda.
    Uma alma que negligenciara a assistência à santa Missa pôde pedir oito Missas para si, porque durante a sua vida mortal mandara celebrar oito Missas por uma alma do purgatório.




 
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PURGATÓRIO – Jesus refere-se ao purgatório quando afirma: “Não sairá de lá, enquanto não tiver pago até ao último cêntimo”.

 

Purgatório
A Igreja chama purgatório à purificação final dos eleitos

Desde os primórdios a Igreja, assistida pelo Espírito Santo (cf. Mt 28,20; Jo 14,15.25; 16,12´13), acredita na purificação das almas após a morte, e chama a este estado - não lugar - Purgatório.
O nosso Catecismo diz a este respeito:
"Aqueles que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, estão certos da sua salvação eterna, todavia sofrem uma purificação após a morte, para obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu" (CIC, §1030).
Portanto, as almas do Purgatório "estão certas da sua salvação eterna", e isto dá-lhes grande paz e alegria.
Falando sobre isto, disse o Papa São João Paulo II: "Mesmo que a alma tenha de sujeitar-se, naquela passagem para o Céu, à purificação das últimas escórias, mediante o Purgatório, ela já está cheia de luz, de certeza, de alegria, porque sabe que pertence para sempre ao seu Deus."
O Catecismo da Igreja ensina que:
"A Igreja chama purgatório à purificação final dos eleitos, purificação esta que é totalmente diversa da punição dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório principalmente nos Concílios de Florença (1438-1445) e de Trento (1545-1563)" (§ 1031).
"Este ensinamento baseia-se também sobre a prática da oração pelos defuntos de que já fala a Escritura Sagrada: Eis porque Judas Macabeus mandou oferecer este sacrifício expiatório em prol dos mortos, para que fossem purificados do seu pecado (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em favor dos mesmos, particularmente o sacrifício eucarístico, para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos".
Devemos notar que o ensinamento sobre o Purgatório tem raízes já na crença dos próprios judeus, cerca de 200 anos antes de Cristo, quando ocorreu o episódio de Judas Macabeus. Narra-se aí que alguns soldados judeus foram encontrados mortos num campo de batalha, tendo debaixo das suas roupas alguns objetos consagrados aos ídolos, o que era proibido pela Lei de Moisés. Então Judas Macabeus mandou fazer uma coleta para que fosse oferecido em Jerusalém um sacrifício pelos pecados desses soldados. O autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, louva a acção de Judas:
"Se ele não esperasse que os mortos que tinham sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerasse que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormeceram piedosamente, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis porque ele mandou oferecer o sacrifício expiatório pelos que tinham morrido, para que fossem absolvidos do seu pecado". (2 Mac 12,44s)
Neste caso, vemos pessoas que morreram na amizade de Deus, mas com uma incoerência, que não foi a negação da fé, já que estavam a combater no exército do povo de Deus contra os inimigos da fé.


Todo o homem foi criado para participar na felicidade plena de Deus (cf. CIC, 1), e gozar da sua visão face-a-face. Mas, como Deus é "Três vezes Santo", como disse o Papa Paulo VI, e como viu o profeta Isaías (Is 6,8), não pode entrar em comunhão perfeita com Ele quem ainda tem resquícios de pecado na alma. A Carta aos Hebreus diz: "sem a santidade ninguém pode ver a Deus" (Hb 12, 14). Então, a misericórdia de Deus dá-nos a oportunidade de purificação mesmo após a morte. Entenda, então, que o Purgatório, longe de ser castigo de Deus, é graça da sua misericórdia paterna.
O ser humano carrega consigo uma certa desordem interior, que deveria extirpar nesta vida; mas quando não consegue, isto leva-o a cair novamente nas mesmas faltas. Ao confessar recebemos o perdão dos pecados; mas, infelizmente, para a maioria, a contrição ainda encontra resistência em seu íntimo, de modo que a desordem, a verdadeira raiz do pecado, não é totalmente extirpada. No purgatório essa desordem interior é totalmente destruída, e a alma chega à santidade perfeita, podendo entrar na comunhão plena com Deus, pois, com amor intenso a Ele, rejeita todo pecado.
Com base nos ensinamentos de São Paulo, a Igreja entendeu também a realidade do Purgatório. Em 1Cor 3,10, ele fala de pessoas que construíram sobre o fundamento que é Jesus Cristo, utilizando uns, material precioso, resistente ao fogo (ouro, prata, pedras preciosas) e, outros, materiais que não resistem ao fogo (palha, madeira). São todos fiéis a Cristo, mas uns com muito zelo e fervor, e outros com tibieza e relutância. E Paulo apresenta o juízo de Deus sob a imagem do fogo a provar as obras de cada um. Se a obra resistir, o seu autor "receberá uma recompensa"; mas, se não resistir, o seu autor "sofrerá detrimento", isto é, uma pena; que não será a condenação; pois o texto diz explicitamente que o trabalhador "se salvará, mas como que através do fogo", isto é, com sofrimentos.
O fogo neste texto tem sentido metafórico e representa o juízo de Deus (cf. Sl 78, 5; 88, 47; 96,3). O purgatório não é de fogo terreno, já que a alma, sendo espiritual, não pode ser atingida por esse fogo. No purgatório a alma vê com toda clareza a sua vida tíbia na terra, o seu amor insuficiente a Deus, e rejeita agora toda a incoerência a esse amor, vencendo assim as paixões que neste mundo se opuseram à vontade santa de Deus. Neste estado, a alma se arrepende até o extremo de suas negligências durante esta vida; e o amor a Deus extingue nela os afetos desregrados, de modo que ela se purifica.
Desta forma, a alma sofre por ter sido negligente, e por atrasar assim, por culpa própria, o seu encontro definitivo com Deus. É um sofrimento nobre e espontâneo, inspirado pelo amor de Deus e horror ao pecado.
Pensamentos Consoladores sobre o Purgatório
O grande doutor da Igreja, São Francisco de Sales (1567-1655), tem um ensinamento maravilhoso sobre o purgatório. Ele ensinava, já na idade média, que "é preciso tirar mais consolação do que temor do pensamento do Purgatório". Eis o que ele nos diz:
1 - As almas ali, vivem uma contínua união com Deus.
2 - Estão perfeitamente conformadas com a vontade de Deus. Só querem o que Deus quer. Se lhes fosse aberto o Paraíso, prefeririam precipitar-se no inferno a apresentar-se manchadas diante de Deus.
3 - Purificam-se voluntariamente, amorosamente, porque assim o quer Deus.
4 - Querem permanecer na forma que agradar a Deus e por todo o tempo que for da vontade Dele.
5 - São invencíveis na prova e não podem ter um movimento sequer de impaciência, nem cometer qualquer imperfeição.
6 - Amam mais a Deus do que a si próprias, com amor simples, puro e desinteressado.
7 - São consoladas pelos anjos.
8 - Estão certas da sua salvação, com uma esperança inigualável.
9 - As suas amarguras são aliviadas por uma paz profunda.
10 - Se é infernal a dor que sofrem, a caridade derrama-lhes no coração inefável ternura, a caridade que é mais forte do que a morte e mais poderosa que o inferno.
11 - O Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, porque as chamas que lá existem são chamas de amor.

 
Com a morte tudo acaba? Imprimir e-mail

 

Com a morte tudo acaba?

Sim, é verdade, com a morte tudo acaba. Lá se vão as riquezas, as honras, o luxo, as glórias terrenas e até o nosso pobre corpo tão miserável se transforma num monturo asqueroso e horrível. Voltamos ao pó de onde viemos.

Tu és pó e em pó te hás de tornar. Seremos quanto ao corpo, nada, pó, um punhado de lodo. Mas, temos uma alma imortal, criada à imagem e semelhança de Deus, e que não se acaba. É espiritual. Separa-se do corpo que ela vivificou, mas não morre. A morte não é mais do que a separação da alma do corpo. Então nem tudo se acaba na morte. Fica o principal, a alma.

Fica tudo – uma alma remida pelo Sangue de um Deus.

Não somos um bruto que nasce, cresce e morre e desaparece num monturo para sempre.

Um amigo de Sócrates, o célebre filósofo grego condenado à morte, perguntou-lhe antes que o veneno da cicuta arrebatasse a preciosa vida:

– Tem algum desejo para que o cumpramos? Porventura alguma disposição sobre o enterro?

– Que querem? Meu amigo, pensam então nessa dignidade de cristão, a dignidade do nosso corpo, sacrário de uma alma imortal e templo do Espírito Santo, destinado a ressuscitar um dia e comparecer no Tribunal do Juízo. Lembram-nos a triste condição de uma pobre alma ao comparecer diante de Deus, e implora misericórdia ao Juiz dos vivos e dos mortos.

Sim, não podemos, como cristãos e filhos da Igreja, separar o pensamento da morte do da eternidade. E como sabemos qual é a Justiça de Deus, não deixaremos de considerar que após a morte, aí vem o Purgatório para quase todos nós, e que lá na expiação, há muitas almas queridas pelas quais somos obrigados a orar por dever de Justiça e de caridade. É este o sentido da meditação da morte e da Liturgia dos mortos. Não é um pensamento de vida. A vida não foi tirada, nem desapareceu, mudou-se apenas. De terrena passou a ser eterna. Eis como o cristão pensa na morte!

As almas do purgatório na hora da morte dos que as socorrem.

É certo, diz um autor, a ingratidão não pode existir no Purgatório. Aquelas benditas almas hão de proteger e socorrer os que as aliviam nesta vida com os seus sufrágios. O célebre Cardeal Barónio conta que uma pessoa devota das santas almas foi terrivelmente tentada na hora da morte. Estava desolada e quase em estado de desespero, quando uma multidão de pessoas veio em seu auxílio. Logo ficou livre de toda a tentação e entrou em doce paz. Perguntou curiosa:

– Que multidão é esta que entrou aqui e na mesma hora senti tanto alívio e fui socorrida pelo céu?

– Somos as almas que tirastes do Purgatório, responde uma doce voz e viemos buscar a vossa alma para juntos entrarmos no céu.

Ao ouvir estas palavras, a agonizante, feliz, sorriu e expirou.

São Felipe Neri era também devotíssimo das almas, e, cheio de caridade, nunca deixou de as socorrer em toda a sua vida. Muitas vezes lhe apareceram, pois da morte do Santo, um dos seus confrades viu-o na glória do céu, cercado de uma multidão de bem-aventurados no esplendor da glória eterna.

– Que corte é esta que vos cerca? Perguntou o Padre.

– São as almas que livrei do Purgatório e que salvei. Vieram me acompanhar na glória.

Um dia Santa Brígida, numa visão que teve do Purgatório, ouviu a voz de um Anjo que descia do céu para consolar as almas e repetia:

– Bendito seja aquele que ainda na terra enquanto vivo, ajuda as almas do Purgatório com as suas orações e boas obras! A justiça de Deus exige que necessariamente as almas sejam purificadas pelo fogo, e as obras boas dos amigos das almas as possam livrar do sofrimento.

Dos abismos, a Santa ouviu também esta súplica: “Ó Cristo Jesus, nosso Juiz justíssimo, em nome da vossa misericórdia infinita, não olheis para as nossas faltas que são inumeráveis, mas para os méritos do vosso Preciosíssimo Sangue da Paixão! Senhor, fazei que os eclesiásticos, religiosos e prelados, com um sentimento de caridade que vós lhe dareis, nos venham socorrer nas nossas tristes situações pelas vossas orações, esmolas e indulgências, que eles nos tirem da nossa triste situação”.

Outras vozes respondiam agradecidas: Graças, mil graças, Senhor, a todos os que nos aliviam nas nossas desgraças. Senhor, que o vosso poder pague cem vezes mais aos nossos benfeitores que nos levaram à vossa eterna e divina luz.

Era a voz da gratidão do Purgatório.

Na morte e depois da morte seremos recompensados pelo que tivemos feito em sufrágio das benditas almas do Purgatório.

 
A Virgem Maria e as Almas do Purgatório Imprimir e-mail

Para as almas do purgatório, Maria é a Mãe da misericórdia. Quando o seu nome ecoa no purgatório, as almas sentem uma grande alegria. Uma alma disse que Maria pedira a Jesus para libertar todas as almas que se encontravam no purgatório por ocasião da sua morte e assunção, e que Jesus atendera ao pedido de sua Mãe. Naquele dia as almas acompanharam Maria ao céu, porque ela fora coroada Mãe de misericórdia e Mãe da divina graça. No purgatório Maria distribui as graças segundo a vontade divina: ela passa com frequência pelo purgatório.
Isto é o que Maria Simma viu.
Durante a noite da festa de Todos os Santos uma alma disse-lhe: "Hoje, dia de todos os Santos, morrerão duas pessoas em Voralberg; elas estão em grandes perigo de condenação. Não se salvarão se não se rezar insistentemente por elas".
Maria Simma rezou e foi auxiliada por outras pessoas. Na noite seguinte uma alma veio dizer-lhe que as duas tinham escapado do inferno e estavam no purgatório. Um dos dois doentes recebera os santos sacramentos, o outro rejeitou-os.
Segundo o que dizem as almas do purgatório, muitos vão para o inferno porque pouco se reza por eles. Inúmeras almas poderiam ser salvas se, pela manhã e à noite, fosse rezada esta oração indulgenciada e três ave-marias por aqueles que vão morrer naquele dia:

"Ó misericordioso Jesus, que ardeis de tão grande amor pelas almas, eu Vos suplico, pela agonia do vosso Sacratíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso preciosíssimo sangue todos os pecadores da terra que estão em agonia e que hoje mesmo hão-de morrer. Coração agonizante de Jesus, tende piedade dos moribundos".

INSTRUÇÕES

As almas do purgatório preocupam-se muito connosco e com o Reino de Deus. Temos prova disso por meio das advertências que fizeram a Maria Simma. As que se seguem foram retiradas das suas anotações:
"Não é preciso lamentar-se dos tempos que atravessamos. É necessário dizer aos pais que eles são os principais responsáveis. Eles não podem prestar pior serviço aos seus filhos do que atender todos os seus desejos, dando-lhes tudo o que querem, simplesmente para que fiquem contentes e não gritem. Assim, o orgulho forma raiz no coração da criança.
Mais tarde, quando a criança começa a frequentar a escola, não saberá sequer rezar um Pai-nosso, nem fazer o sinal da cruz. De Deus, às vezes, não sabe coisa alguma. Os pais desculpam-se dizendo que isso é o dever do catequista e dos professores de religião.
Onde o ensino religioso não é dado, a partir da infância, mais tarde a religião será fraca. Ensinem a renúncia às crianças! Por que há hoje esta indiferença religiosa e esta decadência moral? Porque as crianças não aprenderam a renunciar. Mais tarde tornam-se descontentes e pessoas sem discrição que fazem tudo e querem Ter tudo em profusão. Isso provoca desvios sexuais, práticas anticoncepcionais e aborto. Todos estes actos pedem vingança ao céu!
Quem não aprendeu de criança a renunciar, torna-se egoísta, sem amor, tirânico. Por este motivo há tanto ódio e falta de caridade. Queremos ver tempos melhores? Comece-se a partir da educação das crianças.
Peça-se de modo assustador contra o amor ao próximo, sobretudo com a maledicência, o engano e a calúnia. Onde começa? No pensamento. É preciso aprender estas coisas desde a infância e procurar afastar imediatamente os pensamentos contrários à caridade. Tais pensamentos sejam combatidos e assim, não se julgará os outros sem caridade.
O apostolado é um dever para todo católico. Alguns o exercem com a profissão e outros com o bom exemplo. Lamenta-se que muitos são corrompidos pelas conversas contra a moral ou contra a religião. Por que os outros se calam? Os bons devem defender as suas convicções e declarar-se cristãos. No curso da história da Igreja a salvação das almas e da civilidade cristã não foram, para os leigos, um dever mais urgente e mais imperioso que em nossos dias? Todo o cristão deveria procurar o Reino de Deus e fazê-lo progredir; caso contrário, os homens não serão capazes de reconhecer o governo da Providência.
Dia 22 de Junho de 1955, durante a noite, ouvi distintamente: "Deus exige uma expiação". É com sacrifícios voluntários e com a oração que se pode expiar mais. Mas, se tais sacrifícios não são aceites de boa vontade, Deus os exigirá com a força. Porque a expiação é necessária.




 
O homem que nunca tinha rezado Imprimir e-mail

 O homem que nunca tinha rezado

 

Ele estava no leito de morte quando tudo aconteceu

Ia morrer: no sorriso artificial de todos, que tratavam de o enganar anunciando-lhe uma próxima melhora, via que ia morrer.

Não tinha fé, nem caridade, nem esperança.

Nunca tinha rezado e gabava-se disso, como de uma façanha; não tinha apego à vida, nem temor da morte.

Dentro de uma hora, de duas, no máximo três, deixaria de viver.

Pediu que se afastassem para dormir um pouco e fechou os olhos.

Queria espiar os mínimos detalhes do seu próprio perecimento: uma imensa curiosidade; algo pueril, incrível.

A curiosidade do incrédulo que quis deliberadamente construir o seu próprio Deus, para adorar a sua própria obra, que é como adorar-se a si mesmo. E, ver como se porta este Deus.

A sua doença era uma anemia sem dores, que lhe deixava livre o espírito para espiar a chegada da morte. Queria estar acordado, porque se dormia, não despertaria nunca mais.

Já não tinha fé nem em si mesmo, seu único deus.

Andava no seu cérebro uma dúvida fastidiosa: se para além da cortina negra que logo iria abrir-se, haveria algo distinto do que tinha pensado. Para assistir ao ultimo minuto da sua vida e o primeiro da sua morte, com lúcido entendimento, negou-se a tomar qualquer droga que pudesse anestesiá-lo.

A sua curiosidade começava a inquietá-lo. Como que se encontraria quando o braço descarnado da morte corresse a negra cortina? Veria o que antes nunca quis ver? Um Deus talvez? Mas não um deus feito pelas suas mãos, senão o Deus eterno, omnipotente, ao qual nunca tinha rezado?

Tantas vezes afirmou diante dos homens que Deus não fazia falta para compreender nenhuma das coisas do universo, que acabou por crê-lo; e sem a existência de Deus houvesse dependido dele, quer dizer, se tivesse em suas mãos apagar do universo esse Deus desnecessário, o faria tranquilamente.

Imediatamente pensou que morrer não era passar para o outro lado de uma cortina negra. Posto que não tinha força nem sequer para mudar de lado na própria cama, morrer seria cair num abismo escuro e afundar-se sem ruído numa água pestífera, que se fecharia sobre a sua cabeça.

Fora um ou outro, além desta cortina ou na profundidade deste pântano hediondo, não se depararia, de repente, com essa Luz que ele tinha apagado no mundo, Luz que lhe clarearia as coisas que já não poderia mudar, porque já concluído o tempo para ele?

Um suor gelado banhou-lhe os membros e a língua colou-se ao céu da boca.

Tentou gritar e pedir que lhe trouxessem alguém com quem falar secretamente nestes últimos minutos, em que ainda podia mudar a sua eternidade.

Mas da sua garganta não saiu mais que um estertor.

Ainda está vivo. Ouviu que alguém dizia, tocando o seu pulso.

Sim, estava vivo e queria que entendessem que precisava o que sempre tinha rechaçado, algumas vezes com escárnio (burla) e desprezo e outras com tal ódio e fúria que agora ninguém proporia. E a sua língua já estava morta.

Lembrou-se que pertencia a uma sociedade de incrédulos que se tinham comprometido a não pedir auxílios religiosos na hora da morte e não atender a pedidos que algum deles fizesse naquela aflição, porque seria sinal de esquecimento cerebral. Retratavam-se antecipadamente desta possível debilidade quando estavam no pleno domínio da sua inteligência e da sua vontade.

Encontrava prisioneiro daquele juramento e rodeado de amigos que não o escutariam, ainda que gritasse a noite toda.

Tinha renegado a Luz e a Luz tinha-se retirado dele. Tinha pecado contra o Espírito.

Com as suas próprias mãos tinha construído o seu deus, um deus em que já não acreditava. E já, nem sentia pavor senão pavor do que encontraria. Oh, se fosse certo que para além da morte não existisse nada! Eis aqui que ele, pregador do Nada, agora acreditava que tinha mentido aos outros e tinha mentido para si mesmo.

Ouviu o médico que em voz baixíssima disse: – Já está morto!

E esta sentença prematura gelou de tal modo o seu coração sem caridade, que não pôde engendrar um só pensamento cristão. O tempo acabou. Deu um grito espantoso, que não chegou a sair da sua garganta, e caiu na água negra e pestilenta.

A escuridão era tão imensa, que ao seu lado as mais sombrias trevas do mundo pareceriam luminosas.

Neste momento sentiu a voz de um anjo que cantava o Nome que está acima de todo nome, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. E ocorreu o que disse São Paulo, que ao ouvir-se o nome de Jesus todo o joelho se dobra nos céus, na terra e nos infernos.

E abriu-se a porta de bronze que nenhum fogo funde, e o homem que nunca tinha rezado por não se ajoelhar ante ninguém, entrou de joelhos no inferno.

Oh, prodígio! A escuridão era ali muito mais densa, mas os olhos do condenado trespassavam-na como flechas vermelhas; e viram que ali tinha penetrado a voz do anjo, e aquele mundo de impenitência escutava-o de joelhos. E mais além, muito mais além, viu o que por toda a eternidade ia ser seu rei e senhor, rodeado de uma multidão de sombras pálidas, muito tristes, ajoelhadas. E compreendeu que o diabo formava a sua escolta predilecta com os que nunca tinham rezado e que só no inferno se ajoelhavam.

E compreendeu também uma coisa terrível, que ele mesmo dava fé: que nenhum só deles tinha sido verdadeiro ateu. Todos, no segredo da sua obstinação, tinham acreditado em Deus, mas não tinham confessado para não se humilhar ante Ele, nem na escuridão de um aposento. Agora, ao dobrar os joelhos com espantoso rugir de ossos, sentiam o pior dos tormentos do inferno* [*a privação de Deus]; mas a sua obstinação era tão grande, que se pudessem escapar por algum resquício das irredutíveis portas, nenhum deles se arrependeria, por não rezar ao que nunca tinham rezado.

As suas almas estavam irremediavelmente secas para o Amor que nasce na humilde oração.

Foi tão horroroso o seu desespero que deu um alarido e ouviu o seu médico dizer: – Enganei-me! Ainda vive! Mas logo perecerá.

Entendeu que tinha sonhado aqueles horrores e arrependeu-se da sua insensatez. E com esforço desesperado conseguiu articular estas palavras:

– Traga-me um sacerdote!

Uma pobre empregada, que não estava sob o juramento dos incrédulos obedeceu-lhe. Trouxe-lhe o sacerdote, cuja mão consagrada rompeu a couraça de barro que envolvia o seu coração; os seus pecados desprenderam-se da sua alma, como escamas, e pela primeira vez rezou.

Morreu uma hora depois e entrou no céu de joelhos, chorando de júbilo. E pôde ver a face de Deus.

 (via Vera Fidei)

 
A Igreja reza pelos mortos Imprimir e-mail

De 1 a 8 de Novembro celebramos a Semana das Almas, com indulgências especiais para elas.
"... é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados" 2 Mac 12,46

Ensinamentos do Papa João Paulo II
"... Igreja do Céu, Igreja da Terra e Igreja do Purgatório estão misteriosamente unidas nesta cooperação com Cristo para reconciliar o mundo com Deus."(Reconciliatio et poenitentia, 12)
"Numa misteriosa troca de dons, eles [no purgatório] intercedem por nós e nós oferecemos por eles a nossa oração de sufrágio." (LR de 08/11/92, p. 11)

"A tradição da Igreja exortou sempre a rezar pelos mortos.
O fundamento da oração de sufrágio encontra-se na comunhão do Corpo Místico... Por conseguinte, recomenda a visita aos cemitérios, o adorno dos sepulcros e o sufrágio, como testemunho de esperança confiante, apesar dos sofrimentos pela separação dos entes queridos"(LR, n. 45, de 10/11/91).

S. Gregório Magno (540-604), Papa e doutor da Igreja:
§1032 – Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala:
"Eis porque ele [Judas Macabeu] mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado" (2 Mac 12, 46).

Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico (DS 856), a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos.

A Igreja reza pelas almas em todas Orações Eucarísticas:
"Lembrai-vos também dos que morreram na paz do vosso Cristo e de todos os mortos dos quais só vós conheceis a fé". (Or. Euc. IV)
"Lembrai-vos também dos nossos irmãos e irmãs que morreram na esperança da ressurreição e de todos os que partiram desta vida: acolhei-os junto a vós na luz da vossa face." (Or. Euc. II)
"Lembrai-vos dos nossos irmãos e irmãs... que adormeceram na paz do vosso Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé só vós conhecestes: acolhei-os na luz da vossa face e concedei-lhes, no dia da ressurreição, a plenitude da vida." (Or. Euc. VI-A)
"A todos os que chamastes para a outra vida na vossa amizade, e aos marcados com o sinal da fé, abrindo os vossos braços, acolhei-os. Que vivam para sempre bem felizes no reino que para todos preparastes." (Or. Euc. V)




 
Todos os fiéis defuntos Imprimir e-mail

A festa de Todos os Fiéis Defuntos foi instituída por Santo Odilon, monge beneditino, em 31 de Outubro do ano 998.
Ao cumprir o milenário desta festividade, o Papa João Paulo II recordou que "Santo Odilon desejou exortar os seus monges a rezar de modo especial pelos defuntos. A partir do Abade começou a estender o costume de interceder solenemente pelos defuntos, e chegou a converter-se no que Santo Odilon chamou de Festa dos Mortos.
"Ao rezar pelos mortos – diz o Santo Padre –, a Igreja contempla sobretudo o mistério da Ressurreição de Cristo que pela sua Cruz nos dá a salvação e a vida eterna. A Igreja espera na salvação eterna de todos os seus filhos e de todos os homens".
Depois de destacar a importância das orações pelos defuntos, o Pontífice afirma que as "orações de intercessão e de súplica que a Igreja não cessa de dirigir a Deus têm um grande valor. O Senhor sempre se comove pelas súplicas dos seus filhos, porque é Deus de vivos. A Igreja acredita que as almas do purgatório "são ajudadas pela intercessão dos fiéis, e sobretudo, pelo sacrifício proporcionado no altar", assim como "pela caridade e outras obras de piedade".
Por esta razão, o Papa pede aos católicos "para rezar com ardor pelos defuntos, pelas suas famílias e por todos os nossos irmãos e irmãs que faleceram, para que recebam a remissão das penas devidas aos seus pecados e escutem o chamamento do Senhor".




 
As nossas relações com as almas do Purgatório Imprimir e-mail

Na Sagrada Escritura, no Magistério da Igreja, na Catequese e Teologia

“O tempo de procurar Deus, é a vida, neste mundo.
O tempo de O encontrar, é a morte.
O tempo de O possuir, é a eternidade” – S. Francisco de Sales

1 - O que nos ensina O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA sobre o PURGATÓRIO e o INFERNO
Estes lugares (os infernos) não são todos da mesma espécie. Há, com efeito, uma prisão horrível, tenebrosa, onde os condenados são atormentados com os espíritos imundos, por um fogo inextinguível. Chama-se a este lugar a "geena", abismo e inferno propriamente dito (Act 2,24; Mt10,28; Lc 1422; Ap. 9,11).
Além disso há um fogo purificador, em que as almas dos justos se purificam, em sofrimentos de uma determinada duração, esperando que se lhes possa abrir a entrada da eterna pátria, em que nada manchado seria capaz de penetrar.
O cura de almas vigiará, pois, com o maior cuidado possível, no sentido de ser pregada uma tal verdade, baseada, como o declaram os próprios Santos Padres, nos ensinamentos da Igreja pelos sagrados Concílios, na Sagrada Escritura e na Tradição apostólica, visto que somos chegados a uma época em que os homens já não acolhem tantas vezes a sã doutrina.
Um terceiro lugar, por fim, é aquele em que eram recebidas as almas dos santos mortos, antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, e onde elas gozavam de uma estadia tranquila, ao abrigo de todo o sofrimento e aliviadas pela feliz esperança da Redenção. Ora, estas almas que aguardavam o Salvador no seio de Abraão, libertou-as o próprio Cristo Nosso Senhor, "descendo aos infernos", ou à mansão dos mortos.

A Alma de Cristo desceu aos infernos,
não apenas pelo Seu poder, mas realmente

Não vamos no entanto imaginar que Cristo tenha descido aos infernos, apenas no sentido em que a Sua força e o Seu poder aí tenham ido, e não a Sua própria Alma; aquilo que o próprio Credo nos obriga a acreditar é que a Sua própria Alma tenha descido à mansão dos mortos realmente e em substância, como o prova este bem formal testemunho de David: "Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos nem permitireis que o Vosso Santo sofra a corrupção" (8115,10).

A dignidade de Cristo não sofreu nenhum dano
pelo facto de descer aos infernos

Mas embora Cristo tenha descido aos infernos, a Sua Omnipotência não sofreu com isso nenhum dano; o brilho da Sua santidade não foi embaciado pela menor mancha. Pelo contrário, este mesmo facto provou, da maneira mais clara, que tudo quanto Ele Mesmo havia dito de Sua santidade era perfeitamente verdadeiro e que Ele era na realidade o Filho de Deus, como na Sua vida antes tinha provado por tantos milagres. E nós compreendemo-lo muito facilmente, se comparamos entre si os diferentes motivos pelos quais Cristo e os demais homens vieram para este lugar. Na verdade, todos os outros homens para lá tinham ido cativos ou prisioneiros, enquanto Ele, por Sua vez, lá fora livre e vencedor entre os mortos (8187,6) e, como vencedor, para abater ou derrotar os demónios que tinham estas almas encerradas ou cativas e encadeadas, por causa das suas faltas. Aliás, de todos quantos estavam nestes lugares, uma parte deles sofriam os mais dolorosos castigos, mas os outros, sem experimentar ou sofrer dores, estavam privados da visão de Deus e reduzidos ou sujeitos a esperar a vida bem-aventurada que ansiosamente aguardavam; e assim também eles eram punidos. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo desceu aos infernos, não para sofrer fosse o que fosse, mas sim para libertar os santos e os justos do lamentável peso deste cativeiro e assim lhes aplicar os frutos da Sua Paixão. E se Ele desceu aos infernos, foi sem nada perder da Sua soberana dignidade e do Seu poder.

Quais as razões que levaram Cristo a descer aos infernos?
Nosso Senhor Jesus Cristo desceu à mansão dos mortos, não apenas para arrancar aos demónios os seus despojos e para libertar da sua prisão os santos patriarcas e os outros justos, mas também para os introduzir com Ele no Céu. E foi o que Ele realizou de uma forma admirável e infinitamente gloriosa. De facto, a Sua presença fez resplandecer imediatamente sobre todos esses cativos a mais brilhante luz e encheu as suas almas de delícias e de uma alegria infinita; e deu-lhes a posse dessa bem-aventurança tão desejada, que consiste na visão de Deus, realização ou cumprimento da promessa que Ele mesmo havia feito ao bom ladrão, dizendo-lhe: "Hoje mesmo estarás Comigo no Paraíso" (Lc 23,43).
Esta libertação dos bons, tinha-a de resto predito Oseias há muito tempo: "Ó morte, Eu serei a tua morte! Ó inferno, Eu serei a tua desolação!" (Os 13.14). E era também a isto que fazia alusão o profeta Zacarias, quando dizia: "Por causa da tua aliança de sangue, libertarei os teus cativos da fossa em q não há água" (Zac 9.11).
Finalmente, foi o que exprimiu o Apóstolo com estas palavras: "Despojando os Principados e Potestades, exibiu-os publicamente, triunfando deles pela Cruz" (CoI2,15).
Mas para melhor se compreender ainda o alcance deste mistério, é necessário muitas vezes trazer à nossa memória que não foram apenas os bons que viram o dia da vinda do Senhor, mas também os que O precederam desde Adão e os que irão viver até ao fim dos séculos, que ficaram a dever a sua salvação ao benefício da Sua Paixão. E é por isso que, antes da Sua morte e da Sua Ressurreição, as portas do Céu se não haviam ainda aberto para ninguém. As almas dos justos, ao deixar este mundo, eram levadas para o seio de Abraão, ou então, como é ainda agora o caso para aquelas que têm alguma mancha a lavar ou alguma dívida a pagar, eram purificadas pelo fogo do Purgatório.
Há ainda um outro motivo pelo qual Cristo desceu aos infernos: Foi também para neles manifestar o Seu poder e o Seu império tal como no Céu e na terra, sobretudo "para que ao Nome de Jesus, todo o joelho se dobre, nos Céus, na Terra e nos Infernos" (Fil 2.10).
E quem se não admiraria aqui da imensa bondade de Deus para com o género humano? Quem se não admiraria de O ver, não apenas aceitar por nós a mais cruel morte, mas também penetrar nas mais tenebrosas profundezas da terra, para arrancar as almas que Lhe são tão queridas e as conduzir à bem-aventurança?

2 - O que nos ensina O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA sobre o PURGATÓRIO e o INFERNO
a) - A purificação final ou PURGATÓRIO
Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.
A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório, sobretudo nos Concílios de Florença e de Trento. A Tradição da Igreja, com referência a certos textos da Escritura (Cor 3,15;I Ped1.7), fala de um fogo purificador: "Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do Julgamento, um fogo purificador; conforme afirma Aquele que é Verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfémia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado, nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 31).
Desta afirmação, podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir" (S. Gregório Magno, 4,39).
Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: "Por isso (Judas Macabeu) pediu um sacrifício expiatório, para que os mortos fossem livres das suas faltas" (2 Mac 12,46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o sacrifício eucarístico (cf DS 85) para que, purificados, pudessem chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos.
"Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício de seu pai (cf Job 1,5), porque duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações (S. João Crisóstomo, Hom. in 1 Cor 41,5). CIC, nºs 1030 a 1032.

b) - Os INFERNOS – Cristo desceu aos Infernos
As frequentes afirmações do Novo Testamento, segundo as quais Jesus "ressuscitou de entre os mortos" (Act 3,25; Rm 8,11; 1 Cor 15,20), pressupõem que, anteriormente à Ressurreição, Ele tenha estado na morada dos mortos (Hb 13,20). É este o sentido primeiro dado pela pregação apostólica à descida de Jesus aos infernos: Jesus conheceu a morte, como todos os homens, e foi ter com eles à morada dos mortos. Porém, desceu como salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam prisioneiros (1 Ped 3, 18-19).
A morada dos mortos a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos, Sheol ou hades (Filip 2,10; Act, 24; Ap 1,18; Ef 4,9), porque aqueles que aí se encontravam eram privados da visão de Deus (Sl 6, 6; 8,11- 13). Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor (Sl 88,49; 1 Sam 28,19; Ez 32,17-32), o que não quer dizer que a sua sorte seja idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no "seio de Abraão" (Lc 16,22-26). "Foram precisamente essas almas santas que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou, quando desceu aos infernos" (Cat. Rom. I, 6,3). Jesus não desceu aos infernos para de lá libertar os condenados (cf. Conc. de Roma de 745: DS 587), nem para abolir o Inferno da condenação (cf. DS pelos 1011; 1077), mas para libertar os justos que O tinham precedido (cf. IV Conc. de Toledo, em 625; DS 485; Mt 27, 52-53).
"A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos..."(1 Ped 4,6). A descida aos infernos é o cumprimento, até à plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a última fase da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta no seu significado real de extensão, da obra redentora, a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, porque todos aqueles que se salvaram se tornaram participantes da Redenção.
Cristo, portanto, desceu aos abismos da morte (Mt 12,24; Rm 10,7; Ef 4,9), para que "os mortos ouvissem a voz do Filho do Homem e os que a ouvissem, vivessem" (Jo 5,25). Jesus, "o Príncipe da Vida" (Act 5,25), "pela sua morte, reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertou a quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira" (Hb 2, 14-15). Desde agora, Cristo ressuscitado "detém as chaves da morte e do hades" (Ap 1,18) e "ao Nome de Jesus todos se ajoelhem, no Céu, na Terra e nos abismos" (Filip 2,10).
"Um grande silêncio reina hoje sobre a Terra; um grande silêncio e uma grande solidão. A Terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos (...). Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte, Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu filho (...) "Eu sou o teu Deus, que por ti Me fiz teu filho (...) Desperta, tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos; levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos" (Antiga homilia para Sábado Santo: LH, Sábado Santo, Ofício de leitura).

RESUMINDO: Na expressão "Jesus desceu aos infernos", o Símbolo confessa que Jesus morreu realmente, e que, por ter morrido por nós, venceu a morte e o Diabo, "que tem o poder da morte" (Hb 2,14).
Cristo morto, na Sua alma unida à pessoa divina, desceu à morada dos mortos. E abriu aos justos, que O tinham precedido, as portas do Céu.
(CIC nºs 632 a 637).

c) - O INFERNO
Não poderemos estar em união com Deus, se não O amarmos livremente. Mas não poderemos amar a Deus, se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos: "Quem não ama permanece na morte.
Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida; ora, vós sabeis que nenhum homicida tem em si a vida eterna" (1 Jo 3,15), Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados d'Ele, se descurarmos as necessidades graves dos pobres e dos pequeninos Seus irmãos (Mt25, 31-46). Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é a mesma coisa q morrer separado d'Ele para sempre, por livre escolha própria. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados q se designa pela palavra "Inferno".
Jesus fala muitas vezes da "gehena" do "fogo que não " se apaga" (Mt 5,22-29; 13, 42.50; Mc 9,43-48), reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, alma e corpo (Mt 10,28). Jesus anuncia, em termos mais graves, que "enviará os Seus Anjos, que tirarão do Seu Reino todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente" (Mt 13,41-42), e sobre eles pronunciará a sentença: a "Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno" (Mt 25,41).
A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, depois da morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno" (cf. DS 76; 409; 411; 80). A principal pena do Inferno consiste na separação eterna de Deus, único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.
As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: "Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!" (Mt 7, 13-14).
Como não sabemos o dia nem a hora, é preciso que, segundo a recomendação do Senhor, vigiemos continuamente, a fim de que, no termo da nossa vida sobre a Terra, que é só uma, mereçamos entrar com Ele para o banquete de núpcias e ser contados entre os eleitos, e não sejamos lançados, como servos maus e preguiçosos, no fogo eterno, nas trevas exteriores, onde "haverá choro e ranger de dentes" (LG 48).
Deus não predestina ninguém para o Inferno (cf DS 397). Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim. Na liturgia eucarística e nas orações quotidianas dos seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus, "que não quer que alguns venham a perder-se, mas que todos se possam arrepender" (2 Ped 3,9).
Aceitai benignamente, Senhor, a oblação que nós, vossos servos, com toda a vossa famí1ia, Vos apresentamos. Dai a paz aos nossos dias, livrai-nos da condenação eterna e contai-nos entre os vossos eleitos".

3 - O que nos ensina o CONCÍLIO VATICANO II sobre o PURGATÓRIO

- Purificação, depois da morte
- Orações e Sufrágios pelas ALMAS DO PURGATÓRIO
- A Comunhão dos Santos


“Enquanto o Senhor não vier, na Sua majestade, e todos os Anjos com Ele (Mt 25,31) e vencida a morte, tudo Lhe for submetido (1 Cor 15, 26-27), dos Seus discípulos, uns peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados e contemplam "claramente Deus trino e uno, como Ele é" (Lg 49).
"Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo Místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam, cultivou com muita piedade, desde os primeiros tempos do Cristianismo, a memória dos defuntos e, 'porque é coisa santa e salutar rezar pelos mortos, para serem absolvidos dos seus pecados" (2 Mac 12,46), por eles oferece sufrágios" (LG 50).
Esta venerável fé dos nossos maiores acerca da nossa união vital com os irmãos que já estão na glória celeste ou que, após a morte, estão ainda em purificação, aceita-a este sagrado Concílio com muita piedade e de novo propõe os decretos dos sagrados Concílios Niceno II, Florentino e Tridentino. Ao mesmo tempo, com solicitude pastoral, exorta todos aqueles a quem isto diz respeito a esforçarem-se por desterrar ou corrigir os abusos, excessos ou defeitos que porventura tenham surgido aqui ou além, e tudo restaurem, para maior glória de Cristo e de Deus. Ensinem, portanto, aos fiéis que o verdadeiro culto dos santos não consiste tanto na multiplicação dos actos externos quanto na intensidade do nosso amor efectivo, pelo qual, para maior bem nosso e da Igreja, procuramos "na vida dos santos um exemplo, na comunhão com eles uma participação, e na sua intercessão uma ajuda". Por outro lado, mostrem aos fiéis que as nossas relações com os bem-aventurados, quando concebidas à luz da fé, de modo algum diminuem o culto de adoração prestado a Deus Pai por Cristo, no Espírito, mas pelo contrário o enriquecem ainda mais" (LG 51).

4 - O que nos ensina o CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA sobre AS INDULGÊNCIAS

Pela própria referência que delas faz o CIC, ao nomear alguns dos meios de que nos podemos servir para aliviar as ALMAS DO PURGATÓRIO, vale bem a pena acompanhar agora a catequese que delas faz o mesmo CIC:

No Dia de Finados, "aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de Novembro, nas condições costumeiras, isto é, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Encher. Indulgentiarum, n.13)".

"Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semi-públicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai-nosso e Creio, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção)."

O que é indulgência?

A indulgência é o cancelamento das penas devidas pelos pecados que nós cometemos e que já foram perdoados na confissão. Mas é preciso explicar uma coisa: quando se comete um pecado grave, há duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é aquela ofensa que se faz a Deus e a confissão perdoa. No entanto, ainda fica a chamada 'pena temporal', que é o estrago causado pelo pecado na sua própria alma, porque você deixou de ser mais santo. Então, há de querer recuperar isso. Essa pena nós cumprimos aqui na terra com orações e penitências ou no purgatório, se a pessoa morrer com elas.

A indulgência retira estas penas das almas do purgatório; fazem o que nós chamamos de sufrágio da alma.

§1479 - Uma vez que os fiéis defuntos em vias de purificação também são membros da mesma comunhão dos santos, podemos ajudá-los obtendo para eles indulgências, para libertação das penas temporais devidas por seus pecados.
§1498 - Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados.
§1032 – A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos... "Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles." (S. João Crisóstomo, Hom. In 1Cor 41,5)
§1471 – A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do Sacramento da Penitência.
"Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos" (Paulo VI, Const. Apost., Indulgentiarum doctrina, 2)
"A indulgência é parcial ou plenária, conforme libera parcial ou totalmente da pena devida pelos pecados (Indulgentiarum Doctrina,2 ). Todos os fiéis podem adquirir indulgências (...) para si mesmos ou para aplicá-las aos defuntos" (CDC, cân 994).
§1472 - As penas do pecado. Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama pena eterna do pecado. Por outro lado, mesmo o pecado venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra quer depois da morte, no estado chamado purgatório. Esta "purificação" liberta da chamada "pena temporal" do pecado.

Condições para a Indulgência plenária (uma vez ao dia):
1 - Confessar-se e rejeitar todo o pecado (uma Confissão para várias Indulgências)
2 – Participar na Missa e Comungar com o desejo de receber a Indulgência (uma Missa e Comunhão para cada indulgência).
3 - Rezar pelo Papa ao menos: um Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
4 – Escolher uma das acções:
- Via Sacra, ou
- Reza do Terço em família, ou
- Adoração do Santíssimo, durante meia hora, ou
- Leitura meditada da Sagrada Escritura, durante meia hora.

As penas do pecado
Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, deve ter-se presente que o pecado tem uma dupla consequência.
O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus, e portanto torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama a "pena eterna" do pecado.
Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual tem de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama PURGATÓRIO. Esta purificação liberta do que se chama "pena temporal" do pecado. As duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado.
Uma conversão procedente do fervor da caridade pode chegar à total purificação do pecado, de modo que nenhuma pena subsista.
O perdão do pecado e o restabelecimento da comunhão com Deus trazem consigo a abolição das penas eternas do pecado. O cristão deve esforçar-se por aceitar, como uma graça, estas penas temporais do pecado, suportando pacientemente os sofrimentos e as provações de toda a espécie e, chegada a hora, enfrentando serenamente a morte; deve esforçar-se, através das obras de misericórdia e de caridade, bem como pela oração e pelas diferentes práticas de penitência, a despojar-se completamente "homem velho" e revestir-se do "homem novo" (Ef4,24).

A Comunhão dos Santos
O cristão que procura purificar-se do seu pecado e santificar-se com a ajuda da graça de Deus, não se encontra só. "A vida de cada um dos filhos de Deus encontra-se ligada de modo admirável, em Cristo e por Cristo, à vida de todos os outros irmãos cristãos, na unidade sobrenatural do Corpo Ia Místico de Cristo, como que uma pessoa mística" (Paulo VI, Const. Ap. InduIgentiarum doctrina 5).
Na comunhão dos santos, "existe, portanto, entre os fiéis – os que já estão na prática celeste, os que foram admitidos à expiação do Purgatório, ou os que vivem ainda peregrinos na Terra – um constante laço de amor e uma abundante permuta de todos os bens (Paulo V1, op. cit.). Nesta admirável permuta, a santidade de uns aproveita aos outros. Assim, o recurso à comunhão dos santos permite ao pecador contrito ser liberto mais depressa e mais eficazmente das penas do pecado.
A estes bens espirituais da comunhão dos santos, também lhes chamamos o tesouro da Igreja, "que não é um somatório de bens, como quando se trata das riquezas materiais acumuladas no decurso dos séculos, mas sim o preço infinito e inesgotável que têm junto de Deus as expiações e méritos de Cristo, nosso Senhor, oferecidos para que a humanidade seja liberta do pecado e chegue à comunhão com o Pai. É em Cristo, nosso Redentor, que se encontram em abundância as satisfações e os méritos da sua redenção" (Cf. Hb 7,23-25; q, 11.28). "Pertencem igualmente a este tesouro o preço verdadeiramente imenso, incomensurável e sempre novo que têm," junto de Deus as orações e boas obras da Bem-Aventurada Virgem Maria e de todos os santos, que se santificaram pela graça de Cristo, seguindo as Suas pegadas, e cumpriram uma obra agradável ao Pai, de modo que, trabalhando para sua própria salvação, igualmente cooperaram para a salvação dos seus irmãos na unidade do Corpo Místico” (cf Paulo VI, op. Cit).

Obter a Indulgência de Deus pela Igreja
A Indulgência obtém-se mediante a Igreja que, em virtude do poder de ligar e desligar que lhe foi concedido por Jesus Cristo, intervém a favor de um cristão e lhe abre o tesouro dos méritos de Cristo e dos Santos, para obter do Pai das misericórdias o perdão das penas temporais devidas pelos seus pecados. É assim que a Igreja ñ quer somente vir em ajuda deste cristão, mas também incitá-lo a obras de piedade, penitência e caridade. Uma vez que os fiéis defuntos, em vias de purificação, também são membros da mesma comunhão dos santos, nós próprios podemos ajudá-los, entre outros modos, obtendo para eles INDULGÊNCIAS, de modo que sejam libertos das penas temporais devidas pelos seus pecados. (CIC, nºs1471 a 1479).

5 - Uma voz da TEOLOGIA – O que nos ensina SÃO TOMÁS

Desceu aos infernos
Como ficou demonstrado, a morte consistiu, tanto para Cristo como para o homem, na separação da alma e do corpo, mas a divindade estava tão indissoluvelmente unida a Cristo-homem que, embora o corpo e a alma de Cristo se tivessem separado, a divindade ficou perfeitamente unida, tanto ao corpo como à alma de Cristo. E é por esse motivo que o Filho de Deus estava presente no Seu Corpo, no túmulo, e a desceu aos infernos com a Sua Alma.
Cristo desceu aos infernos com a Sua Alma por quatro razões:

1 – A primeira: Para suportar todo o castigo do pecado e expiar assim toda a falta.
Ora, o castigo do pecado era não apenas a morte do corpo; havia também um castigo para a alma, porque o pecado estava também na alma, e para que a alma fosse punida, perdendo a visão de Deus; punição das faltas pelas quais nenhuma satisfação tinha ainda sido oferecida. E por isso que, antes da vinda de Cristo, todos, mesmo os santos patriarcas, desciam aos infernos, depois da sua morte.
Para tomar sobre Si todo o peso da punição que pesava sobre a humanidade pecadora, Cristo não quis apenas morrer, quis também que a Sua Alma descesse aos infernos ou mansão dos mortos. Por isso mesmo é dito no Salmo 87.5-6: "Já estou contado entre os que descem à tumba, tornei-me como um homem inválido e sem forças. O meu leito encontra-se entre os mortos, como o dos que jazem no sepulcro". Os outros, com efeito, estavam lá como escravos, mas Cristo como um homem livre.

2 - Segunda razão desta descida de Cristo aos infernos:
Para vir em auxílio de todos os Seus amigos.
De facto, Ele tinha os Seus amigos, não apenas na terra, mas também nos infernos ou limbos. É, na verdade, amigo de Cristo todo aquele que tem a caridade. Ora, nos infernos ou limbos eram muitos os que haviam morrido com amor e fé no futuro Salvador, tais como Abraão, Isaac, Jacob, Moisés, David e outros homens justos e perfeitos. E uma vez que Cristo nos visitava agora visivelmente, nesta terra, e vinha também em sua ajuda pela Sua morte, quis visitar também aqueles dos Seus que estavam na mansão dos mortos e ir assim em seu auxílio, indo ao seu encontro: "Penetrarei em todas as profundezas da terra, e lançarei um olhar por todos os que dormem, e alumiarei todos os que confiam no Senhor"(Eccli 24,45).

3 - A terceira razão: Para triunfar perfeitamente do diabo.
Com efeito, triunfa-se perfeitamente de um outro, quando não se vence apenas no campo de batalha, mas também se persegue até à sua própria morada e se priva do seu trono e da sua residência. Ora, Cristo triunfou do Maligno, Seu inimigo; venceu-o na Cruz; e por isso diz: "Agora é que é o julgamento deste mundo; agora é que será expulso o príncipe deste mundo" (Jo 12,31).
Mas para que o Seu triunfo fosse perfeito, quis tirar-lhe o trono do seu reino e ligá-lo na sua morada, isto é, no Inferno. Eis por que desceu aos infernos: encadeou-o e arrebatou-lhe a presa. "Despojando os Principados e Potestades, exibiu-os publicamente, triunfando deles pela cruz" (CoI2,15). Da mesma forma que Cristo recebeu o domínio e a posse do céu e da terra, quis obter também o poder sobre o Inferno, para que assim, segundo a palavra do Apóstolo, "em Nome de Jesus, todo o joelho se dobrasse, no Céu, na Terra e nos Infernos" (FiI 2,10), e para realizar também a promessa de Cristo: "Em Meu Nome, expulsarão os demónios" do (Mc 16,17).

4 - A última razão: Para libertar todos os Santos que estavam nos infernos ou limbos.
Com efeito, tal como Cristo quis sofrer a morte para libertar da morte os vivos, assim quis descer aos infernos, para libertar os que neles moravam. E é assim que o profeta já diz: "Por causa da tua aliança de sangue, libertarei os teus cativos da fossa em que não há água" (Zac 9,11). "Ó morte, Eu serei a tua morte, infernos, Eu serei a vossa desolação" (Os 13,14). Com efeito, embora Cristo tenha aniquilado completamente a morte, não aniquilou completamente os infernos; Ele apenas os desolou, porque não libertou todos os que lá estavam, mas apenas os que estavam isentos de pecado mortal e do pecado original. Aqueles que tinham sido circuncidados, tinham sido pessoalmente purificados deste último pecado; antes da circuncisão, tinham sido purificados dele os que, não tendo ainda atingido o uso da razão, o eram pela fé de pais que professavam a verdadeira fé, e os que tinham já atingido a idade adulta, pelos sacrifícios e pela fé no Salvador q estava para vir.
Mas estavam ainda retidos nos infernos, por causa do pecado de Adão, de que não podiam ser libertos senão por Cristo, pois eram da raça de Adão. Em compensação deixou lá os q para lá tinham descido com um pecado mortal e as crianças não circuncidadas. E é por isso que se diz: "Ó morte, Eu serei a tua morte". Cristo desceu, pois, aos infernos pelos motivos que acabámos de indicar (Summa de S. Tomás, II,q.52).

CONCLUSÕES
Muitas conclusões podemos tirar, para nossa edificação espiritual:

1 - Uma sólida esperança em Deus
E uma sólida esperança em Deus, porque em qualquer angústia ou aflição que o homem se possa encontrar, deve sempre esperar na ajuda de Deus e ter confiança n'Ele, porque não há nada mais terrível que estar no Inferno. Se, pois, Cristo libertou aqueles que estavam nos infernos, todo aquele que seja amigo de Deus pode ter confiança que por Ele será liberto de toda a angústia. "Ela (a Sabedoria Divina) não desamparou o justo vendido, mas preservou-o do pecado, Desceu com ele à prisão, e não o abandonou nas suas cadeias, até lhe entregar nas mãos os poderes do reino e o poder sobre os seus opressores" (Sab 10, 13-14). E porque Deus ajuda muito particularmente os Seus servidores, aquele que serve a Deus, pode estar muito particularmente em segurança: "O espírito daqueles que temem a Deus será procurado; quando Deus olhar para eles será abençoado, porque Deus é a sua esperança" (Eccli 34, 14-15).

2 - Um temor salutar e aluga do perigo
De facto, embora Cristo tenha sofrido e tenha descido aos infernos pelos pecadores, Ele não libertou deles todos os que lá estavam, mas apenas aqueles que não tinham falta mortal alguma, como já se disse. Aqueles que tinham falecido em estado de pecado mortal, deixou-os lá. Que ninguém espere, pois, pelo perdão, se para lá desce em estado de pecado mortal, porque permanecerá no Inferno por tanto tempo como os santos patriarcas no Paraíso, isto é, eternamente: "E estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna" (Mt 25,46).

3 - Um temor real.
Um temor real, porque Cristo desceu aos infernos para nossa salvação. Devemos, pois, também nós, descer para lá com temor, considerando tais castigos, como o fez Ezequias, quando disse: "Eu disse: Na metade dos meus dias, vou descer às portas do sepulcro, privado do resto dos meus anos" (1s 38,10).
Com efeito, aquele que lá desce durante a sua vida, por uma atenta meditação, não descerá lá tão facilmente depois da morte: esta consideração ou meditação preserva do pecado. Nós vemos, na realidade, que neste mundo se evita cometer crimes, com medo dos castigos corporais; quanto mais os evitaremos nós por causa do castigo que é o Inferno, castigo bem maior, tanto na duração como no rigor e na diversidade. Eis por que motivo o Sábio diz: "Em todas as tuas obras, lembra-te do fim, e jamais pecarás" (Eccli 7,40).

4 - Um exemplo de caridade
Cristo, na verdade, desceu aos infernos, para deles libertar os Seus; por conseguinte, também nós devemos lá descer, para ir em auxílio dos nossos, porque eles não podem socorrer-se a si próprios.
Eis por que razão devemos ir em auxílio dos que estão no Purgatório. Seria bem duro de coração aquele que não fosse em auxílio do seu amigo prisioneiro; mas quanto mais duro é aquele que não vai em auxílio do seu parente ou amigo que está no Purgatório, cujos castigos em nada se podem comparar com os castigos deste mundo. Com Job, as Almas do Purgatório gritam-nos: "Tende piedade de mim, tende piedade de mim, ao menos vós que sois meus amigos, porque a mão de Deus feriu-me" (Job 19,21). Eis por que razão está escrito noutro lugar: "É um santo e salutar pensamento rezar pelos mortos, a fim de que eles sejam libertos de seus pecados" (2 Mac 12,16).

E ajudemo-los, sobretudo, por três meios, de que nos fala Santo Agostinho: a Santa Missa, a Oração, a Esmola. São Gregório acrescenta-lhe uma quarta: o jejum. E a razão é evidente: uma vez que, neste mundo, um amigo pode ajudar o seu amigo, isso mesmo deve acontecer também com aqueles que estão no Purgatório. (S. Tomás de Aquino)

6 - OS PASTORINHOS DE FÁTIMA viram o INFERNO

O mistério mais pavoroso da fé cristã é o "Mysterium iniquitatis" (o mistério da iniquidade) – o mistério do mal. O mal, no mundo, é uma realidade e a consequência que finalmente dele procede, o Inferno, é também ela uma verdade. A Sagrada Escritura, como já vimos, afirma em variadíssimas passagens que o demónio existe, que o Inferno existe e que cada um deverá contar com a possibilidade que tem de se condenar, por causa da sua maldade ou malícia. Não há quase santo algum em que este pensamento o não tenha cheio de temor; temor que até uma Santa Teresinha do Menino Jesus com dificuldade conseguia dominar. Na época em que vivemos, a par de uma tentativa de descrença no Inferno, existem documentos bem precisos, tanto da teologia como dos ensinamentos e catequização da Igreja que nos garantem a autenticidade da sua existência e natureza. Verdade é que todo o cristão deveria tomar tanto mais consciência e conhecimento dele, quanto maior é o número daqueles q, em nossos dias, tentam fechar os olhos a esta bem séria realidade.
Vamos encerrar esta palestra justamente com este impressionante testemunho, mesmo por tratar-se de uma versão portuguesa: trata-se da visão do Inferno que tiveram os três videntes de Fátima: os beatos Francisco e Jacinta e a vidente Lúcia.
Na 3ª aparição, no dia 13/7/1917, a Mãe de Deus confiou um segredo às três crianças. Trata-se do chamado 2º segredo. Vinte e cinco anos depois, a Autoridade eclesiástica revelou o dito segredo, em parte, para bem das almas.
Ouçamos a Irmã Lúcia: "Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial sempre q fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".
Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos como nos meses passados. O reflexo que elas expediam pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demónios e as almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, como forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com as nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor (devia ser ao deparar com essa vista que dei o "ai" que dizem ter ouvido). Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados, como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: "Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo dos seus crimes por meio da guerra, da fome e da perseguição à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei a pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia converter-se-à e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja: os bons serão martirizados; o Santo Padre terá muito que sofrer; várias nações serão aniquiladas.
Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal, conservar-se-á sempre o Dogma da Fé, etc. "
Segue-se a terceira parte do segredo... "... Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo. Quando rezais o terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente as q mais precisarem".




 
Rezemos pelas almas Imprimir e-mail

O Catecismo da Igreja Católica ensina-nos que: "Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua vocação eterna, passam, após a sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu" (cf. CIC 1030).

A homenagem e a ajuda mais valiosa que podemos prestar às almas do purgatório é "oferecer sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificadas, elas possam chegar à visão beatífica de Deus" (cf CIC 1032).
Portanto, rezemos pelas pobres almas, porque é vontade de Deus que elas dependam de nós.
Rezemos pelas almas e façamos desta obra de misericórdia um programa de vida.
"O cristão que une a sua própria morte à de Jesus, vê a morte como um caminhar ao Seu encontro e uma entrada na vida eterna." Catecismo da Igreja Católica, 1020
"Os que morrem na graça e na amizade e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo, são para sempre semelhantes a Deus, porque O vêem tal como Ele é." 1 Jo 3,2
"A vida perfeita com a Santíssima Trindade, a comunhão de vida e de Amor com Ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem aventurados, é denominada "o Céu"!
O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva." Catecismo da Igreja Católica, 1024
"Mesmo que a alma tenha de sujeitar-se, naquela passagem para o Céu, à purificação das últimas escórias, mediante o Purgatório, ela já está cheia de luz, de certeza, de alegria, porque sabe que pertence para sempre ao seu Deus." João Paulo II



 
As Almas do Purgatório, não as esqueçais Imprimir e-mail

 

AS ALMAS DO PURGATÓRIO, NÃO AS ESQUEÇAIS!

 

S. Boaventura ensina que os nossos maiores sofrimentos ficam muito aquém dos que ali se padecem. São Tomás diz que o menor dos seus sofrimentos, ultrapassam os maiores tormentos que possamos suportar.

 

O fogo do purgatório, diz S. António, é de tal maneira rigoroso que comparado com o que conhecemos na terra, este parece como pintado num painel.

 

Após uma visão do purgatório, exclama Santa Catarina de Génova. “Que coisa Terrível! Confesso que nada posso dizer e nem conceber que se aproxime sequer da realidade. As penas que lá se padecem são tão dolorosas como as penas do inferno”.

 

S. Nicolau Tolentino teve uma visão de um imenso vale onde multidões de almas se retorciam de dor num braseiro imenso e gemiam de cortar o coração. Ao perceberem o Santo, bradavam suplicantes, estendendo os braços e pedindo misericórdia e socorro. Padre Nicolau, tem piedade de nós! Se celebrares a Santa Missa por nós, quase todas seremos libertadas dos nossos dolorosos tormentos. São Nicolau celebrou sete missas em sufrágio dessas almas. Durante a última missa apareceu-lhe uma multidão de almas resplandecentes de glória que subiam ao céu.

 

S. Vicente Ferrer diz que há almas que ficaram no purgatório um ano inteiro por um só pecado. Santa Francisca afirma que a maioria das almas do purgatório, lá, sofrem de trinta a quarenta anos. Muitos santos viram almas destinadas a sofrer no purgatório até ao fim do mundo.

 

As almas simples e humildes, sobretudo as que muito sofreram neste mundo com paciência e se conformaram perfeitamente com a vontade de Deus, podem ter um purgatório muitíssimo abreviado, às vezes horas…

 

S. Paulo da Cruz, estando em oração, ouviu que batiam à porta com força. – Que queres de mim, pergunta.

- Quanto sofro. Quanto sofro, meu Deus! Sou a alma daquele padre falecido. Há tanto tempo estou num oceano de fogo, há tanto tempo!… Parecem mil anos!

S. Paulo da Cruz conheceu-o e respondeu admirado: Ó padre, há tão pouco tempo que faleceste e já falas em mil anos? O pobre padre pediu sufrágios e desapareceu.

São Paulo da Cruz, comovido, orou muito por ele e no dia seguinte celebrou a Missa pela defunto. Viu-o, então, entrar triunfante no céu, na hora da comunhão.

 

Nosso Senhor mostrou a uma santa quatro padres que estavam lá já há mais de cinquenta anos, por administrarem mal os Santos Sacramentos.

 

Toma, pois, a resolução de jamais deixar passar um dia sequer sem rezar pelos parentes falecidos. Tem piedade daqueles que nos deixaram e que agora estão sofrendo. Pensa nos membros de tua família que faleceram e que tens deixado em tão lamentável e total esquecimento.

 

O estado das almas do purgatório é de absoluta impotência. Parecem-se com o paralítico que não se pode mexer. Vêem as suas companheiras de infortúnio, aliviados de tempos a tempos recebendo os frutos de uma comunhão, o valor de uma missa, e elas ficam esquecidas.

 

Vós que viveis na terra e tão facilmente vos comoveis ante o sofrimento e a ideia do abandono, ouvi as almas do purgatório pedindo-vos uma migalha do pão que Deus vos dá com tanta abundância: uma pequena parte das vossas orações, boas obras, e sofrimentos! Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres corações abandonados.

 

“Ó irmãos! Ó amigos! Pois que há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; vos chamamos e não respondeis; sofremos tormentos que não tem iguais, e não vos compadeceis; gememos e não consolais”.

 

Ai, dizia uma alma, ignora-se no mundo que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno. Se possível fosse fazer uma visita a essas mansões de dor, não haveria na terra quem quisesse cometer um só pecado venial, visto o rigor com que é punido.

 

A Santa Missa é o sacrifício de expiação por excelência. É a renovação do Calvário, que salvou o género humano. Na Missa colocou a Igreja a memória dos mortos, e isso no momento mais solene, em que a divina Vítima está presente sobre o altar. É a melhor, a mais eficaz, a mais rápida maneira de aliviar e libertar as almas dos nossos queridos mortos.

 

Não há maior socorro às almas do que a Santa Missa: A Missa é a esperança e a riqueza das almas.

 

Podemos duvidar do valor das nossas orações; mas da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus pelas almas, que dúvida podemos ter?

 

Ao Beato João D’Avila, nos últimos instantes de vida, perguntaram o que mais desejaria depois da morte. Missas! Missas!

 

Ao Beato Henrique Suzo apareceu depois da morte um amigo íntimo gemendo de dor e a queixar-se: “Ai, já te esqueceste de mim”.

- Não, responde Henrique, não cesso de rezar pela tua alma, desde que morreste.

- Ó, mas isto não me basta, não basta! Falta-me para apagar as chamas que me abrasam o Sangue de Jesus Cristo.

Henrique mandou celebrar Missas pelo amigo. Este lhe apareceu então já glorificado e diz: “Meu querido amigo, mil vezes agradecido. Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao céu e lá nunca te esquecerei”.

 

A cada missa, diz São Jerónimo, saem muitas almas do purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa que lhes é aplicada.

 

Custa-nos muito pouco sufragar os defuntos. Somos obrigados a certas orações, a assistir Missas aos domingos, e aproximar-nos dos sacramentos, a perdoar nossos inimigos. Tudo isso é aceito por Deus e serve para alívio delas.

 

E os males do dia a dia? A fadiga do trabalho, as doenças, as humilhações, a tarefa de suportar os que nos rodeiam, os problemas, tudo isto pode servir para expiar os pecados das almas. E de que sofrimentos serão aliviados os finados!

 

Poupai as lágrimas, dizia S. João Crisóstomo, pelos defuntos, e dai-lhes mais orações. E Santo Ambrósio: “É preciso assisti-las com orações, mais do que chorá-las”.

 

Quando quero obter com certeza uma graça, diz Santa Catarina de Bolonha, recorro a essas almas que sofrem, para que apresentem a Deus o meu pedido, e sempre me é concedida a graça.

 

Nos funerais: lágrimas, soluços, flores. Depois, um túmulo e o esquecimento. Morreu… acabou-se!

 

Santa Tereza pedia: apelo amor de Deus, eu peço a cada pessoa uma Ave-Maria, a fim de Que me ajude a sair do purgatório e apresse a hora em que hei de gozar a vista de Jesus Senhor Nosso”.



LADAINHA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO

 

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santa Maria, rogai pelas almas do Purgatório.

Santa Mãe de Deus,

Santa Virgem das virgens,

São Miguel,

Santos Anjos e Arcanjos,

Coro dos Espíritos bem-aventurados,

São João Batista,

São José,

Santos Patriarcas e Santos Profetas,

São Pedro,

São Paulo,

São João,

Santos Apóstolos e Santos Evangelistas,

Santo Estêvão,

São Lourenço,

Santos Mártires,

São Gregório,

Santo Ambrósio,

Santo Agostinho,

São Jerónimo,

Santos Pontífices e Santos Confessores,

Santos Doutores,

Santos Sacerdotes e Santos Levitas,

Santos Frades e Santos Eremitas,

Santas Virgens e Santas Viúvas,

Vós todos, Santos amigos de Deus,


Sede-nos propício, perdoai-lhes, Senhor.

Sede-nos propício, ouvi-nos, Senhor.


De seus sofrimentos, livrai-as, Senhor.

Da Vossa cólera,

Da severidade da Vossa justiça,

Do remorso da consciência,

Das tristes trevas que as cercam,

Dos prantos e gemidos,

Pela Vossa encarnação,

Pelo Vosso nascimento,

Pelo Vosso doce nome,

Pela Vossa profunda humildade,

Pela Vossa obediência,

Pelo Vosso infinito amor,

Pela Vossa agonia e Vossos sofrimentos,

Pela Vossa paixão e Vossa Santa cruz,

Pela Vossa Santa ressurreição,

Pela Vossa admirável ascensão,

Pela vinda do Espírito Santo consolador,

No dia do julgamento,


Ainda que sejamos pecadores, nós Vos pedimos, ouvi-nos!

Vós que perdoastes aos pecadores e salvastes o Bom ladrão,

Vós que nos salvais por misericórdia,

Vós que tendes as chaves da morte e do inferno,

Dignai-Vos livrar das chamas nossos parentes, amigos e benfeitores,

Dignai-Vos salvar todas as almas que gemem longe de Vós,

Dignai-Vos ter piedade daqueles que não tem intercessores neste mundo,

Dignai-Vos admiti-los no número de Vossos eleitos,


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai-lhes o descanso eterno. (três vezes)


ORAÇÃO: Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas dos Vossos servos e das Vossas servas a remissão de todos os pecados, a fim de que, pelas humildes orações da Vossa Igreja, eles obtenham o perdão que sempre desejaram. É o que Vos pedimos por elas, ó Jesus, que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.

 

 
Almas do Purgatório Imprimir e-mail

Muito do que, por vezes, se conta sobre aparições de almas do Purgatório, pode atribuir-se as ilusões, ou ter uma explicação natural, de ordem parapsicológica.
Isso porém não invalida que Deus possa servir-se de "aparições" dignas de crédito (do mesmo modo que algumas aparições de anjos ou de Nossa Senhora), por exemplo, algumas narradas pelo Santo P. Pio, na linha de outras narradas por Santa Margarida Maria e outros Santos:

Numa tarde, o padre Pio estava num quarto, na parte baixa do convento, destinada a receber hóspedes. Estava só, a descansar sobre o sofá, quando de repente, lhe apareceu um homem envolto numa capa escura.
O padre Pio, surpreendido, ergueu-se e perguntou quem era e o que queria. O estranho respondeu que era uma alma do Purgatório: "Eu sou Pietro Di Mauro. Morri num incêndio neste convento, em 18 de Setembro de 1.908".
(Na realidade este convento, depois da desapropriação dos bens eclesiásticos, tinha sido transformado numa casa de repouso para anciãos). «Morri entre as chamas enquanto dormia, no meu colchão feito de palha, exactamente neste quarto.
Estou no Purgatório, mas o bom Deus, deixou-me vir aqui a pedir-lhe que celebre por mim a santa missa de amanhã pelo meu descanso eterno. Graças a ela, eu poderei entrar no Paraíso".
O P. Pio disse que sim, que celebraria a santa missa pela sua alma.
"Eu, quis acompanhá-lo - diz ele - até à porta do convento para me despedir, como se fosse uma qualquer, mas repentinamente, ele desapareceu.
Compreendi que havia falado com uma pessoa morta e reentrei no convento bastante amedrontado.
O Padre Superior do convento, Paolino de Casacalenda, notou o meu nervosismo, e então contei-lhe o que havia acontecido, pedindo-lhe permissão para celebrar a Santa Missa da manhã seguinte por aquela alma necessitada".
O Padre Paolino, despertado pela curiosidade, foi consultar o registo de óbitos da comunidade de St. Giovanni Rotondo, e pôde verificar que a história do Padre Pio era verdadeira, pois no registo encontrou o nome, o apelido e a razão da morte: No dia 18 de Setembro de 1908, no incêndio da casa de repouso, morrera o Sr. Pietro Di Mauro.
A Sra. Cleonice Morcaldi, era devota do santo padre Pio. Depois de um mês da morte de sua mãe, o Padre Pio aproximou-se dela após a confissão, e disse: "Nesta manhã, a sua mãe foi para o Céu. Vi-a enquanto celebrava a Santa Missa".
O Santo Padre Pio contou também ao Padre Anastásio: "Uma tarde, enquanto estava a rezar sozinho, vi um monge jovem que se mexia próximo do altar parecendo espanar os candelabros e regar os vasos das flores.
Pensei que fosse o Padre Leone, que andasse a preparar o altar, e como era a hora do jantar, aproximei-me dele e disse: "P. Leone vá jantar, não está na hora de espanar e preparar o altar".
Mas uma voz que não era a voz do padre Leone respondeu-me: "Eu não sou o Padre Leone." Sou um irmão seu que fez o noviciado aqui. A minha missão era limpar o altar durante o ano do noviciado. Desgraçadamente, durante todo esse tempo, não reverenciei a Jesus Sacramentado em nenhuma das vezes em que passava em frente ao altar. Por este descuido ainda estou no Purgatório. Agora, Deus, na sua bondade infinita, enviou-me aqui para que determine o dia em que eu passarei a gozar o Paraíso."
- Amanhã celebrarei a Santa Missa - respondeu o P. Pio. E contou: "Aquela alma chorou e disse: 'Ai de mim, que malvado eu fui'. «E concluiu o santo P. Pio: Aquela exclamação produziu-me uma ferida no coração, que sentirei toda a vida».

 

PURGATÓRIO – O testemunho de Santa Perpétua

 

Já nos primeiros séculos, segundo o testemunho de Tertuliano e dos Santos Padres e os monumentos, os cristãos sufragavam os mortos com orações, e pelo Santo Sacrifício da Missa celebrado sobre as sepulturas.

Nas inscrições e nos epitáfios se encontraram, nas catacumbas, belas preces pelos mortos. No século IV em 302, Santa Perpétua conta uma visão do purgatório. Diz ela: “Estávamos em oração na prisão, depois da sentença que nos condenava a sermos expostas às feras, e de repente chamei por Denócrato.

Era um meu irmão segundo a carne. Morreu com cancro na face. A lembrança da sua triste sorte afligia-me.

Fiquei admirada de me ter vindo à lembrança, este irmão e pus-me a rezar por ele com todo o fervor.

Na noite seguinte, tive uma visão na qual vi Denócrito sair de um lugar tenebroso onde estavam muitas pessoas. Estava abatido e pálido, com a úlcera que o levou à sepultura.

Tinha grande sede. Junto de mim estava uma bacia com água, mas ele em vão tentava beber e não conseguia.

Conheci que o meu irmão estava a sofrer e era preciso rezar por ele. Pedi por ele dia e noite com muitas lágrimas, para que fosse libertado.

Alguns dias depois tive outra visão, na qual Denócrito me apareceu todo brando, brilhante e belo, e se inclinou e bebeu à vontade a água que antes não pode tirar.

Conheci por isso que estava livre do suplício.”

Santo Agostinho reconhece a autenticidade das Atas de Santa Perpétua e nota que o irmãozinho da Santa deveria ter cometido alguma falta depois do batismo.

 

 
Pai Nosso das Almas (Mateus 6,9) Imprimir e-mail

“Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar”. (Jo 14,1-2).
No dia de memória dos fiéis defuntos, lembramos os nossos entes queridos que já faleceram.
Esta Palavra de Jesus conforta muito o nosso coração, pois a morte é algo doloroso e a nossa maior esperança é a RESSURREIÇÃO! E saber que estas almas agora não podem fazer mais nada por elas mesmas, mas nós na comunhão dos santos, podemos rezar por elas. Por isso, vamos rezar o Pai Nosso das almas.

- Um dia, enquanto Santa Matilde comungava pelas almas do purgatório, Jesus apareceu-lhe e disse: “Reza por elas um Pai Nosso”. E compreendeu ela que deveria fazê-lo do modo abaixo indicado. Depois de ter rezado, ela viu que multidões de almas subiam ao céu.

Pai nosso que estais no céu.
Eu Vos peço, dignai-Vos perdoar, PAI Eterno, as almas do purgatório por não Vos terem amado, por não terem rendido o culto de adoração que Vos é devido, a Vós PAI, bom e misericordioso, por Vos terem afastado dos seus corações, onde desejáveis habitar.
- Para suprir estas faltas, ofereço-Vos o amor e a honra que o Vosso amado Filho Vos rendeu sobre a terra e a imensa satisfação com que pagou a dívida de todos os seus pecados. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Santificado seja o Vosso nome.
Eu Vos suplico, ó terno PAI, que perdoeis às almas do Purgatório por não terem honrado dignamente o Vosso Nome, por O terem raras vezes invocado com devoção, por O terem tomado muitas vezes em vão e, pela sua vida pouco edificante, terem se tornado indignas do nome de CRISTO.
- Para satisfação deste pecado, ofereço-Vos a santidade de Vosso amado Filho que nas Suas pregações e em todas as suas palavras honrou e glorificou o Vosso Nome.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Venha a nós o Vosso Reino.
Eu Vos rogo, ó Eterno PAI, que perdoeis as almas do purgatório por não terem desejado ardentemente, nem procurado com bastante zelo a expansão do Vosso Reino, onde está o verdadeiro repouso e a glória eterna.
- Para expiar esta indiferença, que tiveram por todos os bens da alma, ofereço-Vos os santos desejos que JESUS teve de que fôssemos co-herdeiros do Seu Reino.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu.
Eu Vos suplico, ó Eterno PAI, que perdoeis as almas do purgatório, sobretudo às dos religiosos, por terem preferido a vontade própria à Vossa e por não terem tido em maior estima, em tudo, a Vossa vontade, para viverem e procederem, a maioria das vezes, conforme a própria satisfação.
- Para reparar esta desobediência, ofereço-Vos o dulcíssimo Coração de JESUS, bem como a submissão com que Ele Vos obedeceu até à morte na Cruz. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

O pão nosso de cada dia, nos dai hoje.
Eu Vos peço, ó Eterno Pai, que perdoeis as almas do purgatório, por não terem recebido o Pão dos anjos com vivos desejos, devida devoção e amor, por terem um grande número delas, sido indignas de O receber, por O terem recebido pouca ou nenhuma vez.
- Em expiação deste pecado, ofereço-Vos a santidade e devoção de Vosso Filho, assim como o amor e o inefável desejo que O levou a dar-nos este precioso tesouro. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Eu Vos suplico, ó Eterno PAI que perdoeis as almas do purgatório pelos pecados mortais cometidos, principalmente por não perdoarem àqueles que as ofenderam e por não terem amado os seus inimigos. Por estes pecados, ofereço-Vos a sublime oração que JESUS fez na Cruz pelos seus algozes. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Não nos deixeis cair em tentação.
Eu Vos suplico, ó Eterno PAI, que perdoeis as almas do purgatório por não terem resistido aos vícios e concupiscências, por se terem muitas vezes deixado cair nas ciladas do demónio e da carne, por se terem visto, por culpa própria, metidas em grande número de más acções.
- Por essa multidão de pecados, ofereço-Vos a vitória gloriosa com a qual JESUS CRISTO venceu o mundo e o demónio. Ofereço também, a Sua santíssima vida com os Seus trabalhos e fadigas; com a dolorosíssima Paixão, morte na Cruz e gloriosa Ressurreição. Amém.
Senhor JESUS, perdão e misericórdia. (dez vezes).

Mas livrai-nos do mal.
Senhor, livra-as também de todo mal e de toda a pena pelos merecimentos do Vosso amado Filho e conduzi todos ao reino da Vossa glória, que sois Vós mesmo.
Amém.

 


 

 

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