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"A Tua Palavra é Luz para os meus passos"

(Sl 119, 105)

 
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O Sofrimento
Deus é responsável por crianças nascerem com deficiência? Imprimir e-mail
Deus é responsável por crianças nascerem com deficiências?   O primeiro parágrafo do Catecismo da Igreja afirma que “Deus é Perfeito e Bem-aventurado”, n’Ele não há sobra, erro nem maldade. “Deus é amor” (1Jo 4,8); “Eterna é a Sua misericórdia” (Sl 117,1). 

A Bíblia é repleta de passagens que falam do amor de Deus por nós. “Deus amou o mundo a tal ponto que deu o Seu Filho único para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). São Paulo disse que “esta é prova do amor de Deus por nós, porque, ainda quando éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Rom 5,8). Será que pode haver maior prova de amor por nós? Diante de tudo isto, não há como alguém pensar que Deus possa ser responsável por uma criança nascer com deficiência. Então, de onde vem esse mal? 

Deus é suficientemente bom para tirar do próprio mal o bem 

A resposta católica para o problema do mal e do sofrimento foi dada de maneira clara por Santo Agostinho († 430) e por São Tomás de Aquino († 1274): 

“A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; pelo contrário, Ele só permite o mal, porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem” (Enchiridion, c. 11; ver Suma Teológica l qu, 22, art. 2, ad 2). Como entender isto? 

Deus, sendo Perfeitíssimo, não pode ser causa do mal, portanto, esta é a própria criatura, que pode falhar, já que não é perfeita como o seu Criador. Só Deus é infalível e isento de imperfeições. Na verdade, o mal, ensina a filosofia, é a carência do bem. Por exemplo, a doença é a carência do estado de saúde, a ignorância é a carência do saber, e assim por diante. Por outro lado, o mal pode ser também o uso errado, mau, de coisas boas. Uma faca é boa na mão da cozinheira, mas na mão do assassino… Até mesmo a droga é boa, na mão do anestesista. 

Deus permite que as criaturas vivam conforme a natureza de cada uma; permite, pois, as falhas respectivas. Assim, o sofrimento é, de certa forma, inerente à criatura. Mas por que é que Deus permite o sofrimento? Ele é Amor e Omnipotência, poderia evitá-lo! 

Para que o homem fosse “grande”, digno e nobre, Deus o fez livre, inteligente, dotado de mãos maravilhosas, sensibilidade, vontade, memória, etc., que nem as pedras, árvores e animais receberam. A liberdade é o toque maior da nossa semelhança com Deus. Ele teve de correr o risco de nos fazer livres, para que fôssemos dignos, mesmo sabendo que a criatura lhe poderia voltar as costas. Deus não poderia impedir o homem de lhe dizer “não”, senão, tiraria dele a liberdade, e ele seria apenas um robô. Deus não quis isso, mas deu-nos também a inteligência, como uma luz para guiar os nossos passos; e deu-nos a vontade para permanecer no bem e evitar o mal. 

Ele quis fazer a criatura humana livre como Ele, criou-o da melhor maneira possível, à Sua imagem. É a liberdade que nos diferencia dos animais, dos robôs e teleguiados. Podemos escolher espontaneamente o rumo da nossa vida e o teor das nossas ações. E nisso podemos errar, cometendo graves danos, especialmente quando usamos mal da nossa liberdade e inteligência, desobedecendo a Deus. 

É Deus quem nos sustenta e nos mantém vivos, mas Ele não tira a nossa liberdade. Ao contrário, não haveria merecimento nem culpa da nossa parte. Não haveria dignidade no homem. Então, por isso, Ele não quer, mas permite a morte e o sofrimento no mundo. Aqui está o nó da questão: Deus respeitou e respeita a liberdade da criatura que lhe diz ‘não’, embora pudesse e possa obrigá-la ao ‘sim’ – o que evitaria sofrimentos –, mas isso destruiria a grandeza do homem, que consiste na sua liberdade de opção. 

Deus não é paternalista, é Pai 

Depois de dar ao homem todas estas faculdades maravilhosas, Deus deu-lhe o mundo para as suas mãos, para cuidar dele como um jardineiro. “O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo” (Gen 2, 15). Se o homem não cuida bem deste mundo, se não ama os irmãos, se não obedece às leis divinas, então dá origem à dor, e isto não é culpa de Deus. Daí, surge o pecado e o mal moral, que gera também o mal físico. “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Por isso, Jesus foi até à cruz, para “tirar o pecado do mundo” (Jo 1,29), a causa de todo o sofrimento e morte. 

Deus não é paternalista, é Pai, ou seja, Ele não “passa a mão por cima” dos erros dos homens e conserta os seus estragos como fazem muitos pais. O Senhor deixa que o homem sofra as consequências dos seus erros. Esta é a lei da justiça, e quem erra deve arcar com as consequências dos seus erros. 

Os nossos erros geram sofrimentos para os nossos descendentes também. Os filhos não herdam os pecados dos pais, mas podem sofrer por causa desses pecados. Eu sofro não só por causa dos meus pecados, mas também por causa dos pecados dos homens, de todos os tempos e lugares, especialmente daqueles que estão mais ligados a mim: parentes, amigos, etc. A humanidade é solidária. 

É lógico que os vícios de um pai fazem sofrer os filhos e a esposa; e assim por diante. Deus não é o culpado nem deseja nada disto. A culpa é nossa. Que culpa teria Deus, se, por exemplo, um pai irresponsável, passasse uma noite a beber e, depois, sofresse um acidente de carro e morresse por dirigir embriagado? Não! A culpa não é de Deus, é do homem. 

O Senhor não desrespeita as leis que Ele mesmo criou 

Se teimares em ligar o teu ventilador numa tomada de 220 volts, quando o manual manda ligar em 110 volts, é claro que vais queimar o motor do ventilador. Que culpa tem Deus disto? 

O mesmo se deu e se dá com o mundo e com o homem. 

Temos um Projetista que fez o homem e mundo belos, organizados, harmoniosos, mas não respeitamos o seu catálogo; então, destruímos a Sua bela obra e geramos o sofrimento. 

Quando ouvimos que é preciso “aceitar a vontade de Deus” diante do sofrimento e da morte, não quer dizer que foi Deus quem quis aquele mal, aquela tragédia, doença, etc. Não! Deus não pode querer o mal. Mas Ele o permite, porque não desrespeita as leis que Ele mesmo criou e, de modo especial, o nosso livre arbítrio. Deus respeita a nossa dignidade e semelhança a Ele. 

Se Ele nos livrasse das consequências dos nossos pecados, nunca nos tornaríamos filhos maduros. Se Ele, por exemplo, suspendesse a lei da gravidade quando alguém salta de uma altura para a morte, ele destruiria o mundo todo. “Deus não fez a morte nem tem prazer em destruir os viventes”, diz o livro da Sabedoria (1,13). “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem da sua própria natureza. É por inveja do demónio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demónio prová-la-ão” (Sab 2,23). 

Podemos então dizer que é, principalmente por causa da sua liberdade, que o homem é grande; por isso, pode sofrer. Ele é imagem de Deus sem ser Deus. Na sua sabedoria e bondade infinitas, Deus achou por bem correr o risco de nos poder ver errar e sofrer. Foi o preço da nossa semelhança a Ele. 

O Criador poderia estar constantemente a vigiar o mundo, de modo que nunca houvesse algum desastre ou sofrimento. Mas este procedimento seria menos digno de Deus, que deseja dar ao homem a oportunidade de se realizar, tornar-se grande, com liberdade e nobreza. As crianças e os inocentes sofrem, porque participam da dignidade humana, como já explicamos, e compartilham a sorte da humanidade. 

Então, a criança não sofre para pagar os pecados de uma suposta vida anterior. Ela sofre, porque é solidária com a humanidade; e as consequências dos seus erros a atingem também, embora inocente. Não é preciso inventar teorias complicadas para explicar o sofrimento, nem mesmo culpar Deus pelo erro que é nosso.

 

 
O sofrimento Imprimir e-mail

O SOFRIMENTO

 

1 - Eu te farei cavalgar sobre as alturas da terra (Is 58,14)

       Dizem que uma das primeiras regras que o piloto aprende é pôr o avião de encontro ao vento e voar contra ele. O vento eleva-o a maiores alturas. Onde foi que aprenderam isto?

 Foi com as aves. Se um pássaro voa por prazer, ele vai ao sabor do vento.

  Mas se enfrenta algum perigo, faz meia volta e voa contra o vento, para ir mais para cima; e sobe cada vez mais.

 Os sofrimentos são os ventos de Deus, ventos contrários, às vezes ventos fortes.

 São os furacões de Deus, mas tomam a nossa vida e elevam-na a alturas maiores e em direcção aos céus de Deus.

 Todos nós já observamos no verão dias em que a atmosfera está tão opressiva que é até difícil respirar. Mas depois aparece uma nuvem no horizonte, e ela cresce, e derrama-se em rica bênção sobre a terra. É o relâmpago que corta os ares, é o trovão que ressoa, é a pesada chuva que cai. A atmosfera fica leve, e há uma vida nova no ar; tudo mudou.

     Exactamente este mesmo princípio é o que opera na vida humana. Quando a tempestade cai, a atmosfera do coração transforma-se, é purificada e recebe vida nova; uma parte do céu é trazida à terra. Os obstáculos deveriam fazer-nos cantar. O vento canta, não quando está a atravessar a amplidão dos mares, mas quando encontra o obstáculo dos braços das árvores ou quando é quebrada por finas cordas. Então ele canta com poder e beleza.

   Libertemos as nossas almas para cruzar os obstáculos da vida as sombrias florestas da dor, ou até mesmo os pequenos embaraços e aborrecimentos que o próprio amor oferece, e ela também cantará.

 

2 - Hoje tens três armas muito poderosas para enfrentar obstáculos:

       Fé, a Esperança e o Amor!

      Deixa que a fé te inspire, que a esperança te ajude a crer em novas oportunidades e que o amor sirva como princípio básico para guiar a tua vida.

      Precisas de ver a vida com a perspectiva da fé!

      Isto é essencial para viver uma vida realizada. Precisamos de ser visionários que podem ver através dos olhos da fé o que outros consideram impossível.

      Isto tudo é uma questão de perspectiva. Deus deseja tocar os nossos olhos para que as escamas da incredulidade caiam e possamos vislumbrar no céu as novas possibilidades.

Reflecte sobre esta quadra:

          Dois homens olharam para fora das grades da prisão.

          Ali pensando na vida puseram-se a observar

          Um deles viu apenas lama e escuridão

          o outro olhou para o céu e viu as estrelas a brilhar!

      Precisas de tirar os teus olhos da "lama e da escuridão" para os colocares no "céu e nas estrelas a brilhar"?

      Pede fé a Deus e começa a ver a vida como Deus a vê.

      Precisas de experimentar a cura que a esperança traz!

      Quando parecer que tudo está perdido e o desespero começar a instalar-se - espera ouvir aquela voz que no meio da tempestade diz:

      "Coragem, sou eu! Não tenhas medo!"

      e assim acalma os ventos e as ondas. Já ouviste esta voz no meio das tormentas da vida?

      Deus deseja colocar esperança na tua existência para que tu possas intervir na realidade da vida do teu próximo levando a esperança de uma vida melhor. Tu anunciará a libertação aos cativos, a vista aos cegos, a liberdade ao explorado e boas novas aos pobres.

      Pede a Deus para curar a tua alma das feridas da desilusão com pessoas, das circunstâncias adversas e dos sonhos transformados em pesadelo.

      Ousa esperar que Deus não apenas cure a tua alma mas te ajude a levar esperança para os que estão ao teu redor.

      Precisas de experimentar a nova vida que brota do amor!

      Agarra o amor e aplica-o às feridas da tua família, amigos e inimigos.

      Caminha como Jesus caminhou - vestindo quem não tem roupa, alimentando o faminto, ajudando o enfermo, oferecendo um copo de água fria a quem tem sede.

      Deixa o amor ser a razão maior da tua existência - o padrão que usas para, no segredo do teu coração, avaliar e examinar cada pensamento, cada acção, cada plano, cada alvo e cada passo que deres.

      O verdadeiro amor é muito mais do que um sentimento que dá calafrios ou nos faz chorar com emoção.

      Examina o teu coração e nota que tu e Deus estais a conversar com intimidade.

      Tem dias de fé, esperança e amor de Deus na tua vida...

 

Já é de manhã!

 

Ouço a tua voz dizendo:

Meu filho, acorda, já é de manhã.

Eu lembrei-me das minhas misericórdias

Já se renovaram esta manhã

Sei que a noite foi longa e triste

Mas das tuas lágrimas, não me esqueci.

 

Noite de lágrimas, sem luz, sem vida,

Noite de solidão, de medo e dor.

Ó meu Senhor, só espero em Ti

Sei que trabalhas enquanto ainda é noite

Mas como espero pelo romper da manhã!

Como espero ouvir-TE dizer:

Meu filho acorda, já é de manhã!

 

Às vezes passamos por períodos na vida que parecem uma longa e escura noite,

mas o nosso Deus trabalha à noite, aliás Ele não descansa, e enquanto choramos,

Ele trabalha para pôr fim ao sofrimento e para nos confortar.

Busquemos sempre a solução em Deus.

 

A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas pelo romper da manhã. (Salmo 130-6)

Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem ao amanhece (Salmo 30-5b)

As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. (Lamentações 3,22-23a)

 
O martírio Imprimir e-mail

O MARTÍRIO

 

O martírio, eis o sonho da minha juventude.

Comecemos o nosso martírio,

deixemos Jesus tirar-nos o que nos é mais caro,

e não Lhe recusemos nada.

O martírio ignorado, conhecido só por Deus,

que o olho da criatura não pode descobrir,

martírio sem honra, sem triunfo.

Eis o amor levado ao heroísmo!

Morrer de amor é um bem doce martírio!

Jesus, que por Ti eu morra mártir,

o martírio de coração ou do corpo,

ou antes todos os dois.

 

Santa Teresinha do Menino Jesus

 
Por que é que Deus permite o sofrimento? Imprimir e-mail

Por que é que Deus permite o sofrimento?

Jesus sofreu por nós. Nunca nos devemos esquecer distoDo ponto de vista natural, pode-se dizer que o sofrimento decorre da própria natureza do homem.Todo o ser dotado de sensibilidade está sujeito à dor, assim como à alegria. Quando os objetos ou as pessoas estão em harmonia com a sua sensibilidade, ela experimenta prazer; quando, ao contrário, ferem essa sensibilidade, ele sofre. É possível, portanto, sofrer sem culpa própria.Mas a fé ensina-nos que o sofrimento entrou no mundo por causa do pecado. Por um ato de bondade infinita e essencialmente gratuita, Deus tinha preservado o homem da dor.Criado num lugar de delícias, ele devia, se fosse fiel a Deus, passar deste Paraíso terrestre diretamente para o Céu, para nele gozar por toda a eternidade, de uma felicidade sem sombras.O pecado de Adão, transmitido aos seus descendentes, veio transtornar este belo plano.Com o pecado, a dor e a morte entraram no mundo, não somente como uma consequência natural da sensibilidade, mas também como um castigo pelo pecado.Era justo: pois, tendo o homem pecado por um amor desordenado ao prazer, para satisfazer o seu orgulho e a sua sensualidade, era bom que ele sofresse para expiar a sua falta, e para sentir-se mais inclinado a evitar toda a transgressão, vendo que há uma justiça imanente e que o culpado é punido pelo seu pecado.Assim, o sofrimento que parece ser um mal, torna-se um bem na ordem moral, uma reparação e um preventivo contra novas transgressões.Esta ideia torna-se mais clara com o grande mérito da Redenção; para reparar a ofensa infinita cometida contra Deus pelos nossos primeiros pais e pela sua posteridade, o Filho de Deus consente em fazer-se homem, e tornar-se o representante da Humanidade culpada; em assumir sobre si o peso das nossas iniquidades, em expiá-las durante 33 anos de sofrimentos e, sobretudo, pela imolação no Calvário.Assim, o sofrimento é reabilitado, enobrecido e divinizado. Já não é somente um castigo mas um ato de obediência aceite voluntária e generosamente por amor, um ato que, na pessoa de Jesus Cristo, tem um valor infinito.Por ele, Jesus glorifica a Deus muito mais do que o pecado que O tinha ofendido, e coloca o homem, sob vários pontos de vista, a um estado superior ao de Adão inocente.Este ato tem para nós, portanto, as mais felizes consequências. Associando os nossos sofrimentos aos seus, Nosso Senhor dá-lhes um valor incomensurável: tornam-se, não mais um castigo, mas uma reparação: nós tínhamos pecado por desobediência e por egoísmo; ao sofrer com Jesus e pelas suas intenções, reparamos a nossa falha por um ato de obediência e de amor.Mas, além disso, utilizamos o sofrimento para progredir na santidade: cada dor pacientemente suportada por amor a Jesus aproxima-nos de Deus e aumenta o nosso amor por Ele.E aumenta, ao mesmo tempo, a glória que nos caberá no Céu: como afirma São Paulo, as nossas tribulações são breves e fáceis de suportar, em comparação com a glória imensa e eterna que receberemos em recompensa!Por isso o apóstolo alegra-se nas suas enfermidades e gloria-se nas suas tribulações, feliz por uni-las às de Cristo Jesus e completar assim a Sua Paixão, para o maior bem da Igreja e das almas.Milhões de santos, caminhando nas pegadas do Mestre, sofreram e sofrem com alegria; dentre eles, muitos ofereceram-se como vítimas, à Justiça divina para expiar as suas faltas e as dos outros; e também ao Amor, para serem consumidos pela Divina Caridade, para viver e morrer como mártires e assim ter uma parte maior na eterna visão e no eterno amor.
 
Por que existe o sofrimento? Imprimir e-mail

 

Por que existe o sofrimento?

 

Se Deus existe, por que permite tanta desgraça, especialmente com pessoas inocentes?

 

O sofrimento faz parte da vida do homem, contudo, este debate-se diante disso. E o que mais o faz sofrer é o sofrimento inútil, sem sentido.

Saber sofrer é saber viver. Os que sofrem fazem os outros sofrer também. Por outro lado, os que aprendem a sofrer podem ver um sentido tão grande no sofrimento que até o conseguem amar.

No entanto, só Jesus Cristo pode nos fazer compreender o significado do sofrimento. Ninguém sofreu como Ele nem soube enfrentá-lo [sofrimento] e dar-lhe um sentido transcendente. Ninguém o enfrentou com tanta audácia e coragem como Cristo.

Há uma distância infinita entre o Calvário de Jesus Cristo e o nosso; ninguém sofreu tanto e tão injustamente como Ele. Por isso, Ele é o Senhor do sofrimento, como disse Isaías, o Homem das Dores.

Só a fé cristã pode ajudar o homem a entender o padecimento e a se livrar do desespero diante dele.

Muitos filósofos sem fé fizeram muitos sofrer. Marcuse levou muitos jovens ao suicídio. Da mesma forma, Schopenhauer, recalcado e vítima trágica das decepções, levou o pessimismo e a tristeza a muitos. Zenão, pai dos estóicos, ensinava diante do sofrimento apenas uma atitude de resignação mórbida, que, na verdade, é muito mais um complexo de inferioridade. O mesmo fez Epicuro, que estimulava uma fantasia prejudicial e vazia, sem senso prático. Da mesma forma, o fazia Séneca. E Jean Paul Sartre olhava a vida como uma agonia incoerente vivida de modo estúpido entre dois nadas: começo e fim; tragicomédia sem sentido à espera do nada definitivo.

Os materialistas e ateus não entendem o sofrimento e não sabem sofrer; pois, para eles o sofrer é uma tragédia sem sentido. Os seus livros levaram o desespero e o desânimo a muitos. ‘O Werther, de Goethe, induziu dezenas de jovens ao suicídio. “’A Comédia Humana, de Balzac, levou muitos a trágicas condenações. Depois de ler ‘A Nova Heloísa, de Rosseau, uma jovem estourou os miolos numa praça de Genebra. Vários jovens também se suicidaram, em Moscou, depois de ler Os sete que se enforcaram, de Leonid Andreiv.

Um dia Karl Wuysman, escritor francês, entre o revólver e o crucifixo, escolheu o crucifixo. Para muitos, essa é a alternativa que resta.

Esses filósofos, sem fé, levaram muitos à intoxicação psicológica, ao desespero e à depressão, por não conseguirem entender o sofrimento à luz da fé.

Quem nos ensinará sobre o sofrimento? Somente Nosso Senhor Jesus Cristo e aqueles que viveram a Sua doutrina. Nenhum deles disse um dia: O Senhor me enganou! Não. Ao contrário, nos lábios e na vida de Cristo encontraram força, ânimo e alegria para enfrentar o sofrimento, a dor e a morte.

Alguns perguntam: “Se Deus existe, por que Ele permite tanta desgraça, especialmente com pessoas inocentes?”

Será que o Todo-poderoso não pode ou não quer intervir na nossa vida ou será que não ama os Seus filhos? Cada religião dá uma interpretação diferente para esta questão. A Igreja, com base na Revelação escrita e transmitida pela Sagrada Escritura, ensina com segurança. A resposta católica para o problema do sofrimento foi dada de maneira clara por Santo Agostinho (430) e por São Tomás de Aquino (1274): “A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; ao contrário, Ele só permite o mal porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem” (Enchiridion, c. 11; ver Suma Teológica l qu, 22, art. 2, ad 2).

Como entender isto?

Deus, sendo por definição o Ser Perfeitíssimo, não pode ser a causa do mal, logo, esta é a própria criatura que pode falhar, já que não é perfeita como o seu Criador. Deus não poderia ter feito uma criatura ser perfeita, infalível, senão seria outro deus.

Na verdade, o mal não existe, ensina a filosofia; ele é a carência do bem. Por exemplo, a doença é a carência do estado de saúde; a ignorância é a carência do saber, e assim por diante.

Por outro lado, o mal pode ser também o uso errado de coisas boas. Uma faca é boa na mão da cozinheira, mas na mão do assassino… Até mesmo a droga é boa, na mão do anestesista.

O Altíssimo permite que as criaturas vivam conforme a natureza de cada uma; permite, pois, as falhas respectivas. Toda criatura, então, pelo fato de ser criatura, é limitada, finita e, por isso, sujeita a erros e a falhas, os quais acabam gerando sofrimentos. Assim, o sofrimento é, de certa forma, inerente à criatura. O Papa João Paulo II, em 11/02/84, na Carta Apostólica sobre este tema disse: “O sentido do sofrimento é tão profundo quanto o homem, precisa-mente porque manifesta, a seu modo, a profundidade própria do homem e ultrapassa esta. O sofrimento parece pertencer à transcendência do homem” (Dor Salvífica, nº 2). De uma forma ou de outra, o sofrimento parece ser, e de facto é, quase inseparável da existência terrestre do homem (DS, nº 3).

 
O sofrimento reparador Imprimir e-mail

O sofrimento reparador

 

Façamos das nossas dores um trampolim

 

As mensagens de Nosso Senhor Jesus Cristo são tão ricas que dão margem a várias reflexões, com as quais podemos mudar e melhorar a nossa vida. Muitas vezes, nós nos lastimamos pelos nossos sofrimentos, quando deveríamos enfrentá-los, com coragem e paciência, na esperança de dias melhores. O pobre da parábola contada no Evangelho de São Lucas 16, 91-31 sofria, mas se contentava com as migalhas que caíam da mesa do rico. No entanto, ao morrer, “foi levado pelos anjos ao seio de Abraão”.

O seu mérito não foi ser pobre, mas enfrentar a sua vida de sofrimentos com galhardia e paciência, sem revolta.

Ninguém gosta de sofrimento, mas ele acontece a todos. Jesus Cristo suou sangue ao pensar no sofrimento que O esperava, mas enfrentou-o com coragem, paciência e amor. A Ressurreição do Senhor é uma prova de que o sofrimento, aqui na terra, é efémero e o que importa é a abertura do nosso coração a Deus e os Seus desígnios e ao nosso irmão, a fim de que possamos dar-lhe a mão e, juntos, vencer as dores, os sofrimentos e os obstáculos que surgem na nossa vida e na vida do outro.

A dor lava a nossa alma do pecado, assim como a pedra preciosa cintila cada vez mais bela quando é burilada e fica livre das impurezas. Conhecemos vários exemplos, na vida dos santos de Deus e até no nosso quotidiano, de que o sofrimento nos enobrece, nos torna mais fortes, firmes e seguros “como o cedro do Líbano”.

Cristo afirma que fazer das nossas dificuldades um muro de lamentações não melhora a situação nem nos mostra caminhos melhores. Devemos enfrentar as nossas dores como se elas fossem um trampolim para um amor maior; abraçar a nossa cruz com carinho e energia pode nos levar a dias de felicidade e à esperança da nossa ressurreição com Cristo Jesus.

 
Por que sofremos? Imprimir e-mail
E como enfrentar as situações de dor e sofrimento?
 
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Esta é uma pergunta que atormenta a nossa humanidade. Para Victor Frankl, médico e psiquiatra austríaco, fundador da escola da Logoterapia, o sentido da vida humana pode ser encontrado mediante a realização de alguma coisa, mediante um acolhimento à beleza da natureza ou das artes, por meio das quais a pessoa se realiza e se sente plena. Podemos citar o exemplo de pessoas que enfrentam escaladas a altas montanhas e ao atingir o cume, saboreiam uma sensação de plenitude. E por último, mediante o enfrentamento de limitações da vida, as quais abrem um incalculável leque de possibilidades diante de situações limites, como as doenças.
A questão é que temos a tendência de exagerar o lado positivo ou negativo da vida, pois exageramos o tom do prazer ou do desprazer em nossas vivências. Dependendo do grau de importância que atribuímos a esses aspectos (positivos ou negativos), caímos na reclamação, na murmuração da vida e, muitas vezes, tornamo-nos amargos.
O sofrimento, assim como o prazer e a alegria, faz parte da vida. Não podemos fugir das situações de sofrimento, e muito menos impedir que as pessoas que amamos sofram. Portanto, precisamos de aprender a aproveitar as situações que nos fazem sofrer da forma mais positiva possível.
Anselm Grun diz no seu livro “O céu começa em ti” o seguinte: “Onde está o maior dos meus problemas, ali está também a maior de todas as chances, ali está também o meu tesouro. É ali que eu entro em contacto com a minha verdadeira essência. E é ali que alguma coisa poderá ganhar vida e desabrochar”.
Enfrentar ou suportar a dor e o sofrimento é atitude que nos é custosa; não é fácil, requer garra, escolha e perseverança. Enfrentá-los não faz com que saiamos das situações ilesos, sem marcas, mas podemos sair renovados, com um novo sentido para a nossa vida.
Mas como enfrentar as situações de dor e sofrimento? Aí seguem algumas dicas que nos podem ajudar nesses momentos: em primeiro lugar, precisamos de encarar essas situações como parte do ciclo da vida e como ciclo, manter a certeza de que elas irão passar. É importante darmos sentido ao sofrimento que enfrentamos para que ele não passe em vão, e assim não caiamos no perigo de perder a oportunidade de crescer como pessoas.
A segunda dica é buscarmos manter um olhar positivo e a confiança de que vamos superar essa adversidade, mudando o que é possível mudar, aceitando o que não pode ser mudado, mas em tudo e sempre mantendo o olhar de esperança.
A terceira dica é fundamental: precisamos de manter a nossa fé firme em Deus, buscando no Senhor forças e inspiração, buscando n’Ele a graça de visualizarmos novas possibilidades diante da situação que enfrentamos. Ao pedirmos esta graça a Deus, precisamos de dar outro passo.
A quarta dica é: precisamos de nos manter abertos para mudanças, seja de rotina das nossas vidas ou qualquer outra mudança que a situação irá exigir. Por fim, a quinta dica é: não podemos deixar de buscar o apoio das pessoas com as quais convivemos e amamos, familiares, amigos, as pessoas do grupo de oração ou da paróquia na qual participamos, pois este apoio é fonte de força e perseverança.
Precisamos de guardar na nossa mente e no nosso coração que as situações de sofrimento fazem parte da vida, e nelas estão escondidas inúmeras possibilidades, por meio das quais podemos crescer como pessoa, pois como diz Goethe: “Não há nenhuma situação que se não possa enobrecer, o que quer que seja realizando ou suportando”.

“Deus não criou o sofrimento, mas criou-nos a todos como criaturas livres e capazes de amar e sofrer. Para que fôssemos capazes de amar e sofrer dignamente e com valor redentor deu-nos um exemplo, o exemplo de Jesus. Quem aceita livremente o sofrimento, torna-se vencedor dos poderes do Mundo, faz parte do mistério redentor de Deus, entra nele e torna-se capaz de vencer as estruturas do próprio pecado”.

Jesus não elimina o sofrimento, mas ensina-nos a carregá-lo com amor e esperança, para que dê frutos de vida eterna…
Deus nunca nos abandona… Resta-nos confiar nele.
Os cristãos não descobriram o caminho para evitar o sofrimento.
Sofrem como os outros e, às vezes, até mais do que os outros,
mas descobriram que a Cruz de Jesus Cristo é redentora.
Carregar a cruz sozinhos é desesperador…
Mas unidos a Cristo, todo o sofrimento é salvador, inclusive o nosso.
 
 
 
 
 
«Spe Salvi», encíclica para dar esperança à humanidade Imprimir e-mail
Bento XVI: a vida «não acaba no vazio».
Bento XVI apresentou a encíclica «Spe Salvi» («Salvos na esperança»), na qual apresenta uma humanidade por vezes desenganada na dimensão da esperança oferecida por Cristo.
Começa com uma passagem da Carta do apóstolo São Paulo aos Romanos, «é na esperança que fomos salvos» (8, 24), e destaca como «elemento distintivo dos cristãos o facto de eles terem um futuro»: a sua vida «não acaba no vazio» (número 2).
A esperança, um encontro

«Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança», declara no número 3 da carta.
O Papa mostra o que é a esperança cristã apresentando o exemplo da escrava sudanesa Santa Josefina Bakhita, nascida em 1869, em Darfur, que dizia «eu sou definitivamente amada, aconteça o que acontecer; este grande Amor espera-me».
A encíclica explica que Jesus não trouxe uma «mensagem sócio-revolucionária», «não era um combatente por uma libertação política». Trouxe «o encontro com Deus vivo», «com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o mundo».
Cristo «diz-nos quem é na realidade o homem e o que ele deve fazer para ser verdadeiramente homem». «Ele indica ainda o caminho para além da morte; só quem tem a possibilidade de fazer isto é um verdadeiro mestre de vida».
Para o Papa está muito claro que a esperança não é algo, mas Alguém: não se fundamenta no que passa, mas em Deus, que se entrega para sempre.
Neste sentido, acrescenta, a «crise actual da fé» «é sobretudo uma crise da esperança cristã».
Desilusões
A encíclica mostra as desilusões vividas pela humanidade nos últimos tempos, como por exemplo o marxismo, que «esqueceu o homem e a sua liberdade. Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive para o mal. Pensava que, uma vez colocada em ordem a economia, tudo se arranjaria.»
«O seu verdadeiro erro é o materialismo: de facto, o homem não é só o produto de condições económicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições económicas favoráveis.»
A fé cega no progresso é outra das desilusões analisadas, assim com o mito segundo o qual o homem pode ser redimido pela ciência.
«A ciência pode contribuir muito para a humanização do mundo e dos povos. Mas, pode também destruir o homem e o mundo, se não for orientada por forças que se encontram fora dela». «Não é a ciência a que redime o homem. O homem é redimido pelo amor.» (25-26)
Lugares da esperança
O Papa indica quatro «lugares» de aprendizagem e de exercício da esperança.
O primeiro é a oração: «Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve. Quando já não posso falar com ninguém, nem invocar mais ninguém, a Deus sempre posso falar» (32).
Recorda o testemunho do cardeal Nguyen Van Thuan, que durante treze anos esteve nas prisões vietnamitas, nove deles em isolamento: «numa situação de desespero aparentemente total, a escuta de Deus, o poder falar-Lhe, tornou-se para ele uma força crescente de esperança».
O segundo lugar de aprendizagem da esperança é o «agir». «A esperança, em sentido cristão, é sempre esperança para os demais». «Só a grande esperança-certeza de que, não obstante todos os fracassos, a minha vida pessoal e a história no seu conjunto estão conservadas no poder indestrutível do Amor e, graças a isso e por isso, possuem sentido e importância, só uma tal esperança pode, naquele caso, dar ainda a coragem de agir e de continuar».
O sofrimento é outro lugar de aprendizagem: «Certamente é preciso fazer tudo o possível para diminuir o sofrimento»; contudo, «não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor».
O último lugar de aprendizagem da esperança é o Juízo de Deus: «Sim, existe a ressurreição da carne. Existe uma justiça. Por isso, a fé no Juízo final é, primariamente, e sobretudo esperança – aquela esperança, cuja necessidade se tornou evidente justamente nas convulsões dos últimos séculos».
Mas a esperança não é egoísta. «Ninguém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho. Continuamente entra na minha existência a vida dos outros: naquilo que penso, digo, faço e realizo. E, vice-versa, a minha vida entra na dos outros: tanto para o mal como para o bem».
«O que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança?», pergunta o Papa; e responde «Então terei feito também o máximo pela minha salvação pessoal».
A encíclica conclui apresentando «Maria, estrela da esperança». «Mãe nossa - invoca -, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o seu reino! Estrela-do-mar, brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho».
 

Sentido do sofrimento, na encíclica sobre esperança de Bento XVI

O homem vale tanto para Deus que Ele mesmo se fez homem para poder «com-padecer» com ele; a partir daí se difunde em cada sofrimento «o consolo do amor participado de Deus e assim aparece a estrela da esperança».
Segundo a fé cristã, a salvação ou a redenção que nos foi dada é uma «esperança fiável graças à qual podemos enfrentar o nosso presente»; o fundamento da esperança é Deus, «o Deus que tem um rosto humano e que nos amou até ao extremo, cada um em particular e a humanidade no seu conjunto».
Este rosto é Jesus, e o que trouxe, «tendo morto Ele mesmo na cruz», «é o encontro com o Senhor de todos os senhores, o encontro com Deus vivo», ponto essencial na existência humana, porque, como diz Bento XVI, «quem não conhece Deus» «está sem a grande esperança que sustenta toda a vida»: o amor de Deus, incondicional, «manifestado em Cristo Jesus».
Pois nas provas verdadeiramente graves é necessária esta grande esperança, reconhece o Papa. E uma dessas provas é o sofrimento, que pode converter-se em «escola» de esperança, como propõe na sua encíclica.
«Podemos tentar limitar o sofrimento, lutar contra ele, mas não podemos suprimi-lo»; «o que cura o homem» não é fugir da dor, «mas a capacidade de aceitar a tribulação, amadurecer nela e encontrar nela um sentido mediante a união com Cristo, que sofreu com amor infinito», aponta o Santo Padre.
Entre as testemunhas de esperança que oferece como exemplo está o mártir vietnamita Paulo Le-Bao-Thin, falecido em 1857, cuja carta «desde o inferno» evidencia a «transformação do sofrimento mediante a força da esperança que provém da fé».
«No meio destes tormentos que aterrorizariam qualquer um, pela graça de Deus estou cheio de gozo e alegria, porque não estou só, mas Cristo está comigo», escreveu o mártir. Desde a esperança, ele ensinou que «o sofrimento – sem deixar de ser sofrimento – se converte, apesar de tudo, em canto de louvor».
A questão é crucial porque seja tratando-se do indivíduo ou da sociedade, «a grandeza da humanidade está determinada essencialmente por sua relação com o sofrimento e com quem sofre».
«Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a ‘com-paixão’, para que o sofrimento seja compartilhado e levado também interiormente, é uma sociedade cruel e inumana».
Mas para aceitar os que sofrem, é necessário «encontrar pessoalmente no sofrimento um sentido, um caminho de purificação e de maturidade, um caminho de esperança», conscientes de que a esperança cristã não é individualista, mas deve ser compartilhada.
 
 
 

 
A grande causa do sofrimento, são os nossos pecados Imprimir e-mail
Fazer o que Deus quer

Vamos ver a Palavra de Deus que está em Hebreus 13, 6: “Por isso é que podemos dizer com confiança: O Senhor é meu socorro, e nada tenho que temer. Que me poderá fazer o homem (Sl 117,6)?
Deus está acima de tudo. Nada nos pode atingir neste mundo, se o Senhor não permitir. Nenhum pardal cai por terra sem que Ele permita. No entanto, nós só acreditamos nisso quando está tudo bem, mas na hora da dor é difícil, pois dá a impressão de que rezamos e que o Pai não nos ouve.
Ele ouve sim! Não tenham medo, porque o Senhor ressuscitado caminha contigo. Uma das piores coisas é o medo porque este sentimento destrói a fé. Quando eu digo: “O Senhor é meu socorro, e nada tenho que temer”, nada é nada. Se perderes o teu filho, perderes o emprego ou uma doença te afligir, não tenhas medo, pois Jesus está aí contigo na tua dor.
Precisamos de vencer o nosso medo. A primeira forma é não ficar a olhar para o perigo, mas, sim, para Deus. O perigo amedronta-nos e não resolve os nossos problemas. Se tu perdes o emprego e começas a pensar que os teus filhos vão passar fome, que as tuas contas não vão ser pagas, que o seu nome vai na praça pública ou que o teu casamento se vai desmoronar... Acalma-te, Deus é mais! Não existe o impossível para Ele. Eu não sei como nem onde, mas o Pai vai resolver este teu problema. Deus gosta quando nos entregamos a Ele.
Vive na fé, mas fazendo a tua parte. Não adianta ficares sentado à espera da solução para os teus problemas. Reza pensando que tudo depende só de Deus, mas actua como se as coisas dependessem só de ti.
A terra não produz o feijão se tu não adubares, não regares, não tirares as ervas daninhas. Deus faz o milagre do feijão crescer e nascer, é a natureza. Mas é preciso que tu faças a tua parte. O Senhor não coloca a semente na terra. Se tu não a colocares no solo, não haverá nada. O Senhor não faz a tua parte!
Não é Deus quem fez o sofrimento; Ele não te quer ver a chorar nem desesperar com os teus problemas. Como diz São Paulo, em Romanos 6, 26: “O salário do pecado é a morte”. A grande causa do sofrimento são os nossos pecados. O nosso sofrimento é consequência dos nossos pecados. O Senhor dá-nos o livre-arbítrio e Ele não tem culpa dos caminhos que tu escolhes para a tua vida. Jesus veio para fazer o essencial que eu e tu não podemos fazer, mas o Pai não tem culpa da tua dor; pois ela é fruto dos teus pecados.
Queres ser santo? Então, faz o que Deus queres e quer o que o Senhor faz. O Pai não quer que nós pequemos, este é o maior desejo d'Ele; quer que vivamos a santidade. Tu precisas de aceitar o que acontece na tua vida que não pode ser mudado, como a morte, por exemplo. Aceita não como uma coisa que Deus quis, mas como algo que Ele permitiu para que tu crescesses e colhesses algum fruto.
Aceita o que for impossível mudar. Deus não castiga, Ele corrige com o sofrimento. Não foi Ele quem fez nem mandou tu sentires esta dor, mas Ele a permitiu porque sabe que pode ser bem para ti de alguma maneira.
Jesus sabe usar o sofrimento. Não tenhas medo da dor, pois o Senhor está por trás dela olhando por ti. Deus é fiel, Ele não permite que sejas provado além das tuas forças; o Pai é justo. Se Ele permitiu a cruz que estás a carregar, é porque tu aguentas com o peso dela.
 
 
 
 
 
A dor faz-nos crescer Imprimir e-mail
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Deixa o tempo passar e verás que todas as coisas se resolvem
A dor ensina-nos a mudar e a sermos melhores. Sim, é verdade, a dor faz-nos crescer! A dor faz-nos amadurecer e enxergar a vida e as pessoas de maneira diferente, de maneira nova e transformadora. Como isso é possível? Quando não ficamos presos ao sofrimento, mas usamos dele como um meio e uma oportunidade – dados por Deus – para sermos melhores e tirarmos algo bom dele.
Mergulhar na dor e ficar presos a ela não é bom nem positivo para a nossa maturidade de cristãos, de filhos de Deus, de homens e mulheres que buscam uma vida nova em Cristo.
Que dor tu hoje vives? A dor da separação? A dor da injustiça, da mentira, da calúnia? Ou será a dor da traição? Da perseguição? Do abandono? Ou a dor da falsidade, da perda de um filho, parente, amigo...? Seja qual for a dor por que está a passar, sabe que tu és capaz de a superar e ser um vitorioso, uma vitoriosa diante deste facto ou acontecimento. Sabe também que Deus te ajudará a vencer e te dará a vitória. Acredita!
O importante nesta vida é não deixar-se abalar nem desanimar, nem entregar-se às provações, sofrimentos e dores dos momentos presentes da vida; mas confiar, rezar, acreditar em Deus e dar a volta por cima e recomeçar sempre.
A tua fé e a oração são forças poderosas para fazer de ti uma guerreira, um guerreiro. Não te entregues à dor, isto é importante e fundamental para superares, nem te revoltes, e também não alimentes a raiva, o ódio, a vingança, a tristeza, o ressentimento e a mágoa por aqueles que de alguma maneira e forma te causaram dor e te fizeram sofrer ou ainda te fazem sofrer. Estes sentimentos são ruins, são destruidores, fazem-nos mal e derrotam-nos.
Deixa o tempo passar e verás que todas as coisas se resolvem e passam... Aprenderás também que a dor nos ensina a mudar e a ser melhores. Seja qual for a tua dor, ela passará porque não é eterna. Mas o amor de Deus e os seus cuidados são eternos por ti e n'Ele tu és mais do que vencedor, tu és mais do que vencedora.
Verás no fim de tudo que cada momento da nossa vida, seja este bom ou ruim, serve para o nosso crescimento, aproxima-nos de Deus e faz-nos mais santos. E aqueles que nos feriram, nos maltrataram ou nos causaram dor terão também as suas atitudes e vidas transformadoras – porque aprenderam de alguma forma, permitida por Deus –, que o que fizeram não foi bom e arrependidos mudaram também.
Deus espera de TODOS uma mudança, conversão e arrependimento diário. Faz a tua parte! Faz a diferença! Sabe que Deus muda tudo e muda para melhor.




 
O inestimável trabalho dos enfermeiros e das enfermeiras Imprimir e-mail
Em primeiro lugar dirijo-lhes o meu penhorado agradecimento, pelo que eles representam dentro de um hospital.
Para os doentes, os enfermeiros e as enfermeiras são fonte de segurança e reconforto; para os visitantes, são as intermediárias entre eles e a instituição, onde se encontra o seu ente querido. Com um sorriso acolhedor, um toque competente e gentil, são o rosto que humaniza qualquer internamento, sobretudo as mais penosas.
A circunstância da doença acomete o enfermo na sua dimensão física mas, também, na sua dimensão psicológica e espiritual, sobretudo quando a situação é grave e dolorosa.
Há quartos e enfermarias de onde saem gemidos pungentes... Então, verifica-se, frequentemente, o problema do desânimo, do pessimismo, da angústia. Nas UTI’s, principalmente, o doente vê-se isolado do convívio com outras pessoas, muitas vezes sob o efeito de diversos remédios. A doença atinge a família, o emprego do enfermo e, até, a sociedade, num quadro mais amplo. Tudo isto é angustiante.
A questão desdobra-se, inclusive, numa dúvida de cunho teológico e existencial: “Por que a doença atinge determinada pessoa (ou a mim mesmo)? Qual a razão para isto? Será que a doença é necessária, como um caminho de pedagogia, de correcção para o ser humano, ou ocorre, simplesmente, como um desgaste da natureza?” Quando o sofrimento atinge as crianças, inocentes que sofrem inconscientemente, as perguntas tornam-se inevitáveis, mesmo entre pessoas de fé.
Somente na Cruz de Cristo se encontra a resposta para este, que parece ser o maior dilema com o qual a humanidade se defronta: o sofrimento.
Na Cruz, o sofrimento transfigura-se em vitória, pois adquire carácter redentor. Além disso, os doentes são, para os que têm saúde, objecto da caridade, no seu sentido mais nobre de abnegação. O próprio Cristo se declara acolhido, na pessoa de cada doente: “Eu estava enfermo e me visitastes” (Mt 25,36).
Aqui entra a missão dos enfermeiros e das enfermeiras, que exige uma qualificação profissional, humana e, até mesmo, espiritual muito grande. Eles precisam ser peritos nas questões de saúde e, também, nos relacionamentos. No trato com os médicos, aos quais estão subordinadas, os enfermeiros e as enfermeiras aprendem a conciliar a observância de normas e deveres com a competência de iniciativa e liderança, que lhes é essencial nos momentos de crise e de actuação com todo o tipo de doentes.
Em relação aos enfermos, colocam-se ao seu lado, assistindo-os dia e noite, desenvolvendo uma certa empatia com eles, muito benéfica para a recuperação. Muitos actuam, inclusive, com tanta delicadeza e sensibilidade, que administram o tratamento necessário, sem importunar o paciente. Esta empatia brota da compaixão, isto é, leva a experimentar em si mesmo o sofrimento do outro. “Só pode ajudar o doente quem sofre com ele”, disse um médico cirurgião.
Para os familiares e amigos visitantes, os enfermeiros e as enfermeiras também oferecem algum socorro. Quantos não ficam inibidos diante da realidade da doença e da dor, com a qual não estão acostumados a lidar? Frequentemente, faltam-nos as palavras de consolo que gostaríamos de dizer, mas que calamos por medo, seja de mentir ao doente sobre a sua situação, seja de o alarmar. Então, os enfermeiros e as enfermeiras ocupam o nosso lugar, quando já não sabemos o que dizer.
Por tudo isto, é de desejar que os enfermeiros e as enfermeiras sejam pessoa que, pelo menos, creiam em Deus. Muito melhor, ainda, se professarem a fé verdadeira, pois, ao tocarem nos enfermos, eles saberão que estão a tocar na imagem do próprio Cristo: “Tudo o que fizestes ao menor destes meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25,40).
Aquilo que se faz de bem, e o serviço que se presta aos doentes, não passa sem recompensa diante de Deus.
A enfermagem é, verdadeiramente, uma missão de cunho humanitário, que requer altíssima qualificação, e tem o poder de melhorar a vida das pessoas e, consequentemente, tornar a sociedade mais humana.
Durante a noite, o mundo dorme. Mas há os que velam, alguns por hábitos noctívagos, outros por função profissional. Entre estes estão os enfermeiros e as enfermeiras, que, silenciosamente, se achegam ao leito dos doentes, respeitando o precioso sono que, muitas vezes, só chegou alta madrugada, depois de angústias e dores. Lá não estão os médicos. São eles que, como verdadeiros anjos, acompanham os sinais vitais, como respiração, batimentos cardíacos, pressão sanguínea, temperatura, e proporcionam todos os cuidados primários, que o paciente deve receber num hospital.
O Crucificado, que conheceu o mais profundo e terrível dos sofrimentos, para nos curar, salvar e redimir, os abençoe com abundância de graças, tornando a sua missão portadora da misericórdia divina.
 
 
 
 
 
Por que é que as crianças e os inocentes sofrem? Imprimir e-mail
Não sofremos para redimir faltas de vidas passadas...
 
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Muitos perguntam por que é que as crianças, tão inocentes, sofrem, e se Deus não estará a ser injusto permitindo isto. Deus não pode ser injusto, caso contrário, não seria Deus.
As crianças e os inocentes sofrem porque participam da dignidade humana e compartilham a sorte da humanidade.
O espiritismo quer explicar o sofrimento humano pela via da reencarnação, segundo a lei do Karma, de acordo com o qual se estaria expiando as culpas dos pecados cometidos em vidas anteriores. As sucessivas reencarnações se repetiriam até alcançar a purificação total da pessoa.
Acontece que ninguém provou de maneira positiva a reencarnação. Em estado psíquico normal, sem hipnose, ninguém tem consciência de já ter vivido anteriormente. Até mesmo um grande adepto moderno da reencarnação reconhece que:
"O mais importante argumento contra a reencarnação é o esquecimento quase geral das vidas passadas; são extremamente raras as recordações da reencarnação; eis por que podem ser consideradas como ilusões individuais... Se é verdade que já vivemos algumas vezes, como se explica não só o esquecimento geral das vidas anteriores, mas o esquecimento dessas vidas por espíritos elevados e sobretudo pelos místicos, os quais penetram até a essência do ser?" (W. Lutoslawski, Preesistenza e Reincarnazione 61s).
Se
uma pessoa sofre neste mundo para se redimir da sua culpa, mas não sabe que culpa é esta, de nada valerá o seu sofrimento. Se ela não conhece os erros que cometeu no passado, como poderá corrigir a sua vida? Como, então, poderá melhorar a sua vida através da reencarnação, se não sabe em que melhorar? Esta é uma grande incoerência da "lei do Karma".
É interessante dizer que, mesmo sob estado hipnótico, em geral, as pessoas que dizem lembrar-se das suas vidas anteriores, se identificam com pessoas ilustres e importantes; nunca com pessoas comuns. Douglas Home, observador destes factos, dizia que já tinha encontrado doze Marias Antonietas, rainha da França; seis ou sete Marias Stuart, rainha da Inglaterra; muitos São Luizes, rei de França; uns vinte Alexandres Magno e Césares... No entanto, nunca encontrara alguém que dissesse que foi em outra vida uma pessoa sem importância.
Quando se visita uma clínica de doentes mentais também é possível encontrar alguns doentes que se identificam com personagens importantes da história, afirmando: “Eu sou Napoleão!...”
Então, é claro que a criança não sofre para pagar os pecados de uma suposta vida anterior. Ela sofre porque é solidária com a humanidade, e as consequências dos erros desta atingem-na também, embora seja inocente. Não é preciso inventar teorias complicadas para explicar o sofrimento; e nem mesmo culpar a Deus por erros que são nossos.
Deus não interfere no sofrimento da criança, a todo instante fazendo milagres para impedir o mal, para não destruir a ordem natural que Ele mesmo criou. Deus não quis fazer o homem e o mundo como um teatro de marionetes, teleguiado por Ele. Ele impôs-lhe leis que regulam a vida e a natureza.
Em consequência do pecado, o sofrimento e a morte fazem parte da história de todos os homens, inocentes ou pecadores. Muitas vezes, um inocente morre por causa de um pecador. Os acidentes das estradas comprovam isto todos os dias. E ninguém pode culpar a Deus, mas sim, aos verdadeiros culpados que são os maus.
São Paulo ensina que “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6,23); e esta pode atingir a todos, inocentes e culpados, porque a humanidade é solidária; é unida. Cada pecado atinge a todos os homens; assim como cada acto bom também os atinge.
A fé ensina que Deus Pai, pelo sofrimento redentor de Jesus, resgatará todo o sofrimento da criança inocente e fará cada uma ressuscitar um dia com Cristo.
Não devemos esquecer que os primeiros mártires da Igreja são os inocentes que morreram pelas mãos de Herodes, em Belém (Jeremias 31,15). Hoje, são santos mártires da Igreja. O seu sofrimento não foi em vão. Não podemos olhar os factos só com os olhos deste mundo; é preciso vê-los à luz da fé.
A paixão e morte de Jesus resgatou o mundo. Há uma história muito bela que não sei se é verídica, mas que faz pensar.
Nalgumas cidades americanas há pontes sobre um largo rio, formadas de duas partes que se abrem e levantam quando passam sob elas os navios.
Havia uma dessas pontes, que além de tudo continha uma estrada de ferro sobre ela. Um homem é que a comandava. Quando vinha o comboio, baixava a ponte para ele passar; quando vinha um navio, levantava-a comandando máquinas e engrenagens enormes, que ficavam sob os seus pés.
Certo dia, o seu filho pequeno foi visitá-lo, com uma bola nas mãos. Ao brincar com a bola, esta escapou-lhe e caiu no meio das engrenagens. Logo, o garoto desceu os degraus para a apanhar, sem que o pai pudesse impedi-lo, e meteu-se no meio das grandes engrenagens. E eis que o comboio estava a chegar; e ele teria de baixar logo a ponte, sabendo que o filho estava lá em baixo correndo risco. Gritou desesperado para que o filho deixasse a bola e subisse, mas este não o ouvia. O comboio aproximava-se rapidamente, e ele sentiu que não teria tempo de ir buscar o garoto antes de o comboio passar... Ficou com o coração na mão... o dilema era enorme: se baixasse a ponte, as engrenagens matariam o seu filho; se não a baixasse, seria uma enorme tragédia, muitas pessoas pereceriam no acidente.
Não teve alternativa, com o coração a sangrar e os olhos cheios de lágrimas, baixou a ponte. O comboio passou e as pessoas, como faziam habitualmente, abanavam-lhe os lenços e davam-lhe adeus e sorrisos...
O Pai entregou Jesus por nós assim... Ainda duvidaremos do Seu amor!? Por isso, diante da dor e da morte, mesmo duma criança inocente, façamos silêncio e nunca ousemos culpar Deus. Pois não somos dignos e nem capazes de compreender os Seus santos desígnios. É melhor não crer em Deus, do que crer num Deus que seja malvado.
 
 
 

 
Pegadas na areia Imprimir e-mail
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Sonhei que caminhava na praia na companhia do Senhor e, no firmamento, passavam cenas da minha vida. Após cada cena, percebi que ficavam dois pa-res de pegadas na areia: um era o meu e o outro era do Senhor.
Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás e notei que muitas vezes, no cami¬nho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angus¬tiosos do meu viver. Isso aborreceu-me muito e perguntei ao Senhor:
— Senhor, Tu disseste que, uma vez que resolvi seguir-Te, Tu andarias sem-pre comigo, em todos os caminhos. Con¬tudo, notei que durante as maiores tri-bulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreen¬do por que é que, nas horas em que eu necessitava de Ti, me deixaste sozinho.
O Senhor respondeu-me:
— Meu querido filho, jamais te dei¬xaria nas horas da angústia e do sofri¬mento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exactamente aí que peguei em ti ao colo. Ademar de Barros
 
 
 
 
 
Não sofras sozinho? Imprimir e-mail
"Naquele dia em que gritei, Vós me escutastes, ó Senhor" (Sl 137)

Como o Salmista, ao longo de todo este dia, lancemos um grito ao Senhor, em todas as circunstâncias. Talvez até achamos que somos capazes de resolver todas as coisas sozinhos, mas é um engano pensarmos assim. Nós precisamos e dependemos do auxílio do Senhor.
"Naqueles dias, a Rainha Ester, temendo o perigo de morte que se aproximava, procurou refúgio no Senhor. Prostrou-se por terra desde a manhã até ao anoitecer, juntamente com as suas servas, e disse: Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, tu és bendito. Vem em meu socorro, pois estou só e não tenho outro defensor fora de ti, Senhor" (Ester 4,17).
A nossa atitude precisa de ser também como a da rainha Ester, que no meio do perigo, procurou refúgio no Senhor, e não nas pessoas, nos bens que ela possuía, e muito menos nas nossas próprias forças, porque o único auxílio eficaz para a nossa vida é o que vem do Senhor.
Aconteça o que acontecer hoje, lancemos um grito ao céu: Senhor, salva-me, livra-me do mal. Jesus, eu confio em Vós!
 
 
 

 
O sofrimento oferecido Imprimir e-mail
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"Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos". (Col 3, 15).
O sofrimento quando não é oferecido torna-se desespero, angústia, grito, murmuração. O sofrimento oferecido transforma-nos e dá forças. Não estou a dizer que nos devemos conformar com o sofrimento. A oficina de Deus é a vida, e Ele nos formará na dureza do dia-a-dia.
Não podemos acreditar em falsas promessas. O sofrimento faz parte da nossa caminhada.
Há pessoas que desperdiçam o sofrimento, mas há uma força imensa no sofrimento oferecido.
Dizia uma senhora na sua cadeira de rodas: "Deus é mais do que esta cadeira de rodas, mais do que os meus sofrimentos, mais do que as minhas limitações.
O que tens feito com o teu sofrimento?
Na hora do sofrimento somos sempre tentados, e a primeira coisa que pensamos é em parar. Dizemos que não damos conta, que não aguentamos. Mas Deus não te chamou para viver na angústia.
No mundo de hoje, diante de muitas tensões e vendo o povo sofrer, passando dificuldades, é interessante observar que ele, por mais sofrido que seja, guarda a esperança no seu coração. Ele sofre, mas tem a certeza de que Deus está com ele. Por isso, tu, abre o teu coração a Deus. Que triunfe a paz de Cristo no teu coração!
Que vença a paz de Cristo!
O Senhor diz: “Apesar de tudo o que estás a passar, que triunfe no teu coração a minha paz!”
Este é o grito do Senhor que deu a vida por ti: "Ó povo meu, que mais eu podia fazer por vós? Quantas vezes eu chamei por ti? Quantas vezes tu não Me quiseste ouvir? Quantas vezes eu te procurei e só encontrei saudades? Quantas vezes quis te dar o meu amor, mas tu não me estendeste a tua mão? Porquê, diz-me por quê? Não consigo entender! Que mais eu podia fazer por ti que eu não fiz?

Precisamos de aprender a agradecer nos momentos do sofrimento.
Há momentos em que parece que não vamos aguentar diante de tanta provação, mas é nesses momentos que vemos o socorro de Deus.
Somos chamados a oferecer ao Senhor o que estamos a passar. Quando oferecemos o sofrimento ao Senhor, conseguimos entendê-lo.
No dia de hoje talvez estejas mergulhado no sofrimento, mas fica a saber que Deus te vê. Deixa Deus ser Deus na tua vida. Entrega-te a Ele.
Não devo dizer: "Deus, eu tenho um grande problema". Devo dizer: "Problema, eu tenho um grande Deus!
 
 
 
 
 
Onde está Deus diante do sofrimento? Imprimir e-mail

 

Onde está Deus diante do sofrimento?  

Diante do sofrimento, muitas vezes nos questionamos sobre onde está Deus

Quanta gente se estragou pelas tolices que fez no campo da sua sexualidade e afetividade! Paixão não é amor, e as consequências das coisas vividas na paixão são sentidas até hoje. Quantos meninos e meninas carregam com eles os resultados desse sentimento mal vivido!

Não quero falar apenas da questão afetiva, mas também da financeira. Quantos compraram, seduzidos pela liberdade de pagar em prestacções, e se envolveram em empréstimos, acabaram por tornar a vida um inferno por causa de uma decisão mal tomada! Muitas vezes, tu, mais do que seres culpado, és a vítima das paixões dos outros, da afetividade errada dos outros.

Tu sofres decepções causadas por pessoas que te ama profundamente, como o teu pai e a tua mãe. Foste a vítima deles, por isso sofres. Muitos ressentimentos viveste por causa das atitudes dos outros.

O Evangelho diz que o sol levanta-se sobre os maus e bons. Assim, também os sofrimentos levantam-se não somente sobre os maus, mas também sobre os bons. Nessa hora, tens de fazer a diferença e entregar o teu caminho ao Senhor.

Deus sabe como cuidar das marcas e feridas que trazes no teu coração. Ele mesmo disse que carregaria o fardo contigo. Quantas vezes tu culpas o Senhor por aquilo que está a acontecer na tua família, por aquilo que está a acontecer com o teu filho. Mas Deus não é o responsável pelo teu sofrimento, porque este é gerado pelo pecado cometido por ti e pelos outros. No entanto, é Ele quem sabe cuidar e curar as tuas feridas e chagas. É preciso entregar o teu caminho ao Senhor. Tu tens de Lhe entregar tudo.

Quando digo tudo, é tudo mesmo! Até mesmo os teus pecados, para que o Senhor possa agir em tudo na tua vida. Entrega o teu passado, as tuas loucuras para que Deus possa cuidar de tudo. Para isso precisas de estar cheio do Espírito Santo.

O Senhor não nos deu um espírito de covardia, mas de fortaleza, sabedoria e amor. A solução não é negar o sofrimento, mas afrontá-lo. Precisamos de enfrentar a dor como um surfista enfrenta a onda, pois este consegue superar uma onda que o mataria, porque está em cima de uma prancha, treinando para isso. É preciso superar o sofrimento!

O mundo em que vivemos acostumou-nos a não aguentarmos o sofrimento. Qualquer dor é motivo de remédio. Queremos, sempre e em todos os momentos, sombra e água fresca!

Precisamos de aprender a encarar o sofrimento, aprender a sofrer. Para isso é necessário estarmos cheios do Espírito Santo.

 
Se Deus é Bom, porque existe o mal? Imprimir e-mail
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Se Deus Pai é Todo-Poderoso, criou um mundo ordenado e bom e cuida de todas as suas criaturas, porque então existe o mal? Eis aí uma pergunta tão misteriosa, dolorosa e inevitável.
Conforme o seu poder infinito, Deus sempre poderia criar algo melhor. No entanto, na sua sabedoria e bondade infinita, Deus quis criar um mundo em "estado de caminhada" para a sua perfeição última. Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para o seu destino com livre-arbítrio e amor preferencial. Pode, entretanto, desviar-se. E, de facto, pecaram. Foi assim que o mal entrou no mundo.
Portanto, Deus não é a causa do mal. No entanto, permite-o, respeitando a liberdade da sua criatura e, misteriosamente, sabe tirar do mal o bem.
Olha como os santos sabiamente entenderam este mistério:
"Deus nunca deixaria qualquer mal existir nas suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal." (Santo Agostinho)
"Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus." (Rom 8,28)
"Aos que se revoltam com o que lhes acontece: Tudo procede do amor, tudo está ordenado à salvação do homem, Deus não faz nada que não seja para esta finalidade." (Santa Catarina de Sena)
"Não pode acontecer nada que Deus não tenha querido. Ora, tudo o que Ele quer, por pior que nos possa parecer, é o que há de melhor para nós." (Tomás More, pouco antes do martírio)
"Aprendi que era preciso apegar-me à fé, e crer que todas as coisas irão bem. Tu mesma verás que qualquer tipo de circunstância servirá para o bem" (Lady Julian)
Do maior mal jamais cometido, o homicídio do Filho de Deus, Deus tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa Redenção. Cremos, assim, que Deus é o Senhor da história e os seus caminhos muitas vezes são-nos desconhecidos. Só no final, diante de Deus, conheceremos os caminhos pelos quais, mesmo através do mal e do pecado, Deus terá conduzido a sua criação até ao descanso desse "Sábado" definitivo. Novo Catecismo 309-314
 
 
 

 
Como superar os nossos sofrimentos? Imprimir e-mail
Deixa Deus falar no teu coração, deixa o Senhor consolar-te. Abre-te e experimenta a sua graça neste momento!

Por mais que não consigamos enxergar, atrás de todo o sofrimento que vivemos existe uma grande bênção escondida. Isto é real!

Que sofrimento tens vivido e como o tens vivido?

Seja qual for: problemas no casamento, dívidas, vícios, dores, dificuldades de relacionamento, doenças incuráveis, medos, solidão, dúvidas, desemprego, etc., tem a certeza que Deus não é indiferente à tua dor. Ele vê tudo o que acontece contigo.

Independente do motivo que nos leva a sofrer, não podemos viver o sofrimento de qualquer maneira; ele sempre no traz grandes lições; não nos podemos revoltar.

Isto é fácil? Não, não é! Afinal, temos o direito de expressar os nossos sentimentos. O importante é não culpar Deus.

Impressionante: O Senhor é tão misericordioso que mesmo nas nossas revoltas, através dos nossos sofrimentos, sempre nos concede um bem maior. E quantas vezes não o reconhecemos!

Em vez de nos decepcionarmos com Deus, precisamos de buscar nele toda a força necessária para superar o que vivemos e pedir a graça de fixar os olhos nele e na bênção que virá depois.

Se olhamos para a cruz de Jesus, vamos ver que para a ressurreição ter acontecido, houve antes a passagem pelo calvário, houve muito sofrimento. Um sofrimento de redenção, de doação de vida pela salvação da humanidade.

O teu sofrimento também pode ser oferecido e muitas almas podem ser salvas; muitas vidas libertas pela oferta da tua dor, daquilo que não entendes, mas acolhe acreditando que fazendo assim, participas da paixão redentora do Senhor pelo seu povo.

Precisamos de aprender a esperar o tempo do Senhor em nossas vidas, porque quando O buscamos em primeiro lugar com recta intenção, por aquilo que Ele é não somente por aquilo que Ele nos pode dar, tudo virá por acréscimo; mesmo que não venha da forma que desejamos, mas da forma que Deus quer.

Decide olhar de modo diferente para os teus sofrimentos e acredita que o Senhor te concede um grande momento de purificação. Ele dá-te a oportunidade de oferecer tudo isto por pessoas que necessitam de graças e para que alcances graças na tua própria vida. Procura a bênção que está escondida no teu sofrimento.

Aguenta firme! Coragem! Não desistas! Busca ajuda! Procura pessoas que possam rezar por ti num grupo de oração, na tua paróquia, busca ajuda com um sacerdote.

Se tu e eu não temos a graça de mudar os sofrimentos, de fazer com que eles desapareçam, podemos pelo menos mudar a nossa maneira de pensar sobre eles e de os encarar. Pensa nisto!

Que o Senhor convença o nosso coração que, de facto, os momentos dolorosos nos ensinam: é tempo de crescer! E diante deles, Deus está bem perto para nos refazer. Não podemos desesperar nem desanimar! O Senhor nos concederá a vitória!

Tu crês? Eu creio! Então, juntos, aceitemos as bênçãos de Deus, reservadas para nós neste dia!
 
 
Oração para os momentos de sofrimento
 
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Ó sangue adorável do meu amado Jesus, preço da redenção do mundo e fonte de vida eterna que purificas as nossas almas, sangue preciosíssimo, que intercedes poderosamente por nós ante o trono da suprema misericórdia.

Eu Vos adoro profundamente e quero reparar com as minhas adorações e o meu fervor todas as injúrias e ultrajes que continuamente recebes dos homens, especialmente no Santíssimo Sacramento do altar.

Eu Vos adoro, meu doce Jesus; imprime na minha alma a recordação da tua Sacratíssima Paixão. Faz que a memória das tuas dores e sofrimentos infunda na minha alma um horror supremo ao pecado e um ardentíssimo amor por ti, para corresponder de algum modo ao sacrifício que ti mesmo fizeste na Cruz por minha salvação e resgate. Amém

 
 
 
 
O problema do mal Imprimir e-mail
O problema do mal - Por Dom Murilo Krieger

 “Acreditas em Deus?” Com esta pergunta, a jornalista terminava uma longa entrevista com um conhecido desportista nacional. A resposta expressa o que muita gente pensa a respeito do problema do mal. O drama e a angústia do desportista são a angústia e o drama de inúmeras pessoas, em situações, épocas e lugares diferentes:

“É difícil dizer que acredito em Deus. Quanto mais desgraças vejo na vida, menos acredito em Deus. É uma confusão na minha cabeça; não encontro explicação para o que acontece. Por que é que o meu filho nasce em berço de ouro, enquanto outro, infeliz, nasce para sofrer, morrer de doença, e existe tudo isto de triste que a gente vê na vida? É uma coisa que não entendo e, como não tenho explicação, é difícil acreditar num Ser superior.”

O mal, o sofrimento e a doença fazem parte do nosso quotidiano. As injustiças, a fome e a dor são tão frequentes no nosso mundo que parecem ser normais e obrigatórias. Se colocássemos numa biblioteca todos os livros já escritos para tentar explicar o porquê desta realidade, ficaríamos surpresos com a quantidade.

Para o cristão, mais do que um culpado, o mal tem uma causa: a liberdade. Fomos criados livres, com a possibilidade de escolher os nossos caminhos. Podemos, pois, fazer tanto o bem como o mal. Se não tivéssemos inteligência e vontade, não existiria o mal no mundo; se fôssemos meros robôs, também não. Por outro lado, sem liberdade não haveria o bem e nem saberíamos o que é um gesto de amor. Também não conheceríamos o sentido de palavras como gratidão, amizade, solidariedade e lealdade.

O mal nasce do abuso da liberdade ou da falta de amor. Nem sempre ele é feito consciente ou voluntariamente. Quanto sofrimento acontece por imprudência! Poderíamos recordar os motoristas que abusam da velocidade ou que dirigem embriagados, e acabam mutilando e matando pessoas inocentes. Não é da vontade de Deus que isto aconteça. Mas Ele não vai corrigir cada um dos erros e descuidos. Não impedirá, por exemplo, que o gás que ficou ligado na casa fechada asfixie o idoso que ali dorme. Repito: Deus não intervém a todo o momento para modificar as leis da natureza ou para corrigir os erros humanos.

O que mais nos angustia, talvez pela gravidade das consequências, é o mal causado pela violência, pelo ódio e egoísmo. Os assassinatos e roubos, os sequestros e acidentes, as guerras e destruições são como que pegadas da passagem do homem pelo mundo. O mal acontece porque usamos de forma errada a nossa liberdade ou não aceitamos o plano de Deus, expresso nos mandamentos. Quando nos deixamos levar pelo egoísmo e seguimos as nossas próprias ideias, construímos o nosso mundo, não o mundo desejado por Deus para nós.

Outro imenso campo de sofrimento é o das injustiças. Quantos se aproveitam da sua posição e do seu poder para se enriquecer sempre mais, à custa da miséria dos fracos e do sofrimento dos indefesos! Terrível poder o nosso: podemos fechar-nos no nosso próprio mundo e contemplar, indiferentes, a desgraça dos outros.

Não se pode, também, esquecer o mal causado pela natureza, quando as suas leis não são respeitadas. Com muita propriedade, o povo diz: “Deus perdoa sempre; o homem, nem sempre; a natureza, nunca!” A devastação das florestas e a contaminação das águas fluviais trazem consequências inevitáveis, permanentes e dolorosas para a vida da humanidade. Culpa de Deus?...

Diante do mal, não podemos ter uma atitude de mera resignação. Cristo ensina a lutar, combatendo o mal nas suas causas. O bom uso da liberdade e a prática do bem ajudarão a construir o mundo que o Pai sonhou para nós. Descobriremos, então, que somos muito mais responsáveis pelos nossos actos do que imaginamos. Fugir desta responsabilidade, procurando fora de nós a culpa dos nossos erros é uma atitude cómoda, ineficiente e incoerente. Assumirmos a própria história, pondo as nossas capacidades ao serviço dos outros, é uma tarefa exigente, sim, mas que nos dignifica e nos realiza como seres humanos e filhos de Deus.

 

 
O que é a depressão? Imprimir e-mail
Resumidamente, poderíamos definir a depressão, como uma tristeza profunda, que a pessoa acha que vai vivenciar, e acaba vivenciando mesmo. A depressão tem alguns sintomas que a acompanham. Por exemplo: à tristeza profunda, se junta a ansiedade, angústia, e um sentimento de solidão. A pessoa acaba por ter também um sentimento de incapacidade. Então, tudo isto poderíamos dizer que é um diagnóstico com relação à depressão.
E o que faz uma pessoa ficar com depressão? Quais são as causas?
São vários os factores que causam a depressão. Em primeiro lugar, podemos colocar a perda, quando a pessoa vivência uma perda profunda – um pai que morreu ou qualquer outro tipo de perda. Uma outra coisa que tem causado a depressão é o stress. A vida muito corrida das pessoas, que não têm tempo para nada, a não ser para trabalhar ou debruçar-se num activismo muito grande, que não precisa de ser necessariamente o trabalho, causa o stress. E o stress leva a pessoa a entrar em depressão. A situação de tensão que a pessoa vive, qualquer tipo de situação de tensão que provoque a tensão na pessoa, pode ser causa de depressão também.
"Eu estou com depressão, conheço alguém com depressão. O que é que vou fazer para acabar com esta doença, esta ansiedade, este stress que me deixa 'para baixo?'"
A primeira coisa que a pessoa deve fazer é pedir ajuda, buscar socorro. A pessoa não pode ficar fechada em si mesma e, a tendência é justamente o fechamento. A primeira atitude que a pessoa tem que ter é pedir ajuda. E pedir ajuda a pessoas que sejam entendidas no assunto. Não adianta falar com um amigo. Talvez o amigo me escute, mas não vai compreender o que está a acontecer comigo; é preciso procurar pessoas especializadas, por exemplo, um sacerdote. E dedicarmo-nos à oração. A oração tem levantado muitas pessoas da depressão.
Se rezarmos com o coração sincero, o Senhor não faltará.
Um dia tive um pequeno acidente: para salvar do fogo uma avó e um neto, queimei-me. Foi em má situação, as chamas queimaram os meus braços, o peito, o rosto, a testa… No hospital disseram-me que eu tinha necessidade de fazer uma operação plástica. Durante o percurso, na ambulância, disse à minha mãe e à minha irmã: cantai um pouco! Logo reagiram com surpresa: mas como podemos cantar neste momento, vemos que estás desfigurada! E eu respondi: mas alegrai-vos, agradeçamos a Deus!
Quando chegámos ao hospital, uma amiga, vendo-me, disse: estás muito queimada, como podes permanecer assim? Eu respondi serenamente: se Deus quer que eu permaneça assim, aceitarei em paz. Pelo contrário, se deseja que tudo seja curado completamente, significa que este episódio foi um dom para eu salvar a avó e o neto. Quer dizer também que estou no início da minha missão, na qual devo servir só a Deus.
Acreditem: Um mês depois não tinha nada, nem uma pequena cicatriz! Estou muito feliz. Todos me diziam: vê-te ao espelho. Eu respondia: não, não o farei… Eu vejo-me por dentro: só ali encontro o meu espelho!
Se rezarmos com o coração e com amor, o Senhor nunca faltará.
 
 
 
 
 
Porque sofrem as crianças inocentes? Imprimir e-mail

 

Porque sofrem as crianças inocentes?

Na visita do Papa às Filipinas, uma criança perguntou-lhe: “Porque sofrem as crianças inocentes?”

Esta criança tem 12 anos e chama-se Glyzelle Palomar. Mas não tem só este nome. Tem muitos outros, uma multidão, o nome de todas as crianças inocentes que sofrem por esse mundo fora.

O Papa Francisco não explicou, nem podia explicar. Os mistérios não se explicam, aceitam-se. A racionalização do mistério pode terminar em blasfémia.

O Papa limitou-se a dizer que estamos a perder a capacidade de chorar, quer dizer, a capacidade de ter compaixão. Porque há paixão e compaixão; há padecer e compadecer-se. Sim, é preciso recuperar a capacidade de chorar com quem chora e, num êxtase de comunhão, dizer-lhe, olhos nos olhos: "Eu não posso acabar com o teu sofrimento, só posso ‘estar contigo’: dói-me a tua dor; choro as tuas lágrimas; sofro contigo”.

Há paixão e compaixão; há solidão e consolação. Bento XVI dizia que a palavra consolação (con-sola-ção) significa isto mesmo: “Estar com alguém que sofre na solidão”.

A pergunta feita ao Papa Francisco é uma pergunta universal, intemporal, que atravessa os séculos da história humana. É, no fundo, uma pergunta feita a Deus. Mas as perguntas a Deus não podem obedecer às regras da lógica humana. As perguntas a Deus fazem-se de joelhos, de mãos postas, cabeça inclinada e pés descalços...

Segundo os critérios da lógica humana, não vale a pena continuar a perguntar. Se Deus permitiu Auschwitz, acabaram-se as perguntas. Não há mais nada para perguntar...

Quando, na cruz, Jesus rezou: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”, estavam esgotadas todas as respostas humanas. Então Jesus entregou-se a Deus: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”.

Parece que Deus é um Deus ausente, incompreensível. E é mesmo: “Portanto, se compreendeste, não é Deus. Inversamente, se se trata de Deus, então não O compreendeste. Como queres, pois, falar d’Ele, se não pudeste compreendê-ro?”

Gostaríamos de ver, de tocar Deus, nas esquinas da vida, e que nos momentos de sofrimento nos pusesse a mão no ombro e sussurrasse: “Estou aqui”. Isto não vai acontecer...

Deus não se deixa ver, não se deixa ouvir, não se deixa tocar. Deus não mora à superfície, ao alcance da mão... O nosso Deus é um Deus escondido” (Is 45,15). Está presente na pergunta sobre o sofrimento, mas sob a forma de fé e de esperança.

Na hora do sofrimento, “só nos resta a nossa ‘pouca fé’, comple­tamente nua, tentando encontrar coragem para olhar nos olhos quem sofre, e neles só conseguimos ler a pergunta: ‘Porquê’?

Mas eu não sei, meu Deus, na verdade não sei. E depois essa pequena fé faz a única coisa que sabe fazer: respira fundo e assume sobre si própria todas essas pergun­tas, dolorosamente abertas como feridas por sarar, e então, num único ato de confiança, precipita-se no mar sombrio do mistério, em que não vê, mas, pelo menos, pressente a espe­rança: Eu não sei, mas Tu sabes”.

 

A pergunta pelo sentido do sofri­mento é a “rocha do ateísmo”. De facto, ela pode conduzir à negação de Deus. Mas pode também ser o ponto de partida para a fé. E a fé “não é uma muleta, é um cajado”, um cajado para a nossa caminhada de crentes. Esta caminhada de fé exige paciência. A paciência com Deus “é a principal diferença entre fé e ateísmo”.

Deus está presente no sofrimento sob a forma de fé e de esperança... “Eu posso sempre continuar a esperar, ainda que pela minha vida ou pelo momento histórico que estou a viver aparentemente não tenha mais qualquer motivo para esperar”.

“A esperança significa a ousadia de deixar a eternidade de Deus romper através das nuvens do agora”. Tantas vezes a vida decorre na escu­ridão de uma interminável noite de sofrimento, sem fé, sem esperança, “longe de todos os sóis”.

 

O silêncio de Deus e a “escuridão da noite” não são a “última palavra” sobre o sofrimento. O “escondimento” de Deus tem uma janela: Jesus Cristo. Mas Cristo “não res­ponde diretamente e não responde de modo abstrato a esta pergunta humana sobre o sentido do sofri­mento. O homem percebe a sua resposta salvífica à medida que se vai tornando participante dos sofrimentos de Cristo. (...) Cristo não explica abstratamente as razões do sofrimento: mas, antes de mais nada, diz: ‘Segue-me! Vem! Participa com o teu sofrimento nesta obra da salva­ção do mundo, que se realiza por meio do meu próprio sofrimento! Por meio da minha cruz’”.

E S. Paulo: “Completo na minha came o que falta aos sofrimentos de Cristo”.

 

Mas a cruz não é a “última palavra” de Deus sobre o sofrimento: "A eloquência da cruz e da morte é completada com a eloquência da Ressurreição’’. “Acreditar signi­fica abrir o coração e perceber que agora, neste preciso momento, a pedra selada foi rolada para o lado e os raios da manhã de Páscoa triunfaram sobre o sepulcro frio e sombrio”.

 

“Porque sofrem as crianças inocentes?”

“Eu não sei, mas Tu, Deus, sabes”.

“Deus é incompreensível. Se o compreendes, já não é Deus”.

“Os mistérios não se explicam. Acolhem-se”.

“O silêncio de Deus não é a última palavra”.

“A escuridão do mistério tem uma janela: a Cruz e a Ressurreição de Jesus”.

“Ter fé é acreditar que neste preciso momento a pedra do sepul­cro rolou para o lado”.

“Há momentos na vida, tão dolo­rosos, tão dolorosos, que a única coisa, minimamente coerente e com sentido que podemos fazer, é rezar”.

 

“Porque sofrem as crianças inocentes?”

“Eu não sei, mas Tu, sabes”.

De facto, eu não sei. E já não faço perguntas. Fico em silêncio, rezo, adoro. São coisas de Deus...

 

“Quem dirigiu o espírito do Senhor, qual foi o conselheiro que Lhe deu lições? De quem recebeu Ele con­selho para julgar, para Lhe ensinar o caminho da justiça? Quem Lhe ensinou a sabedoria, e Lhe mostrou o caminho da prudência?' (Is 40,12).

 

E isto basta.

E, aconteça o que acontecer, des­cansaremos nos braços de Deus.

'Recebe-me, Pai eterno, no teu Peito, misterioso lar: nele descansarei, pois venho desfeito de tanto lutar’’.

 
O Papa aos doentes Imprimir e-mail
A resposta ao enigma da dor e da morte está em Cristo

A vida do homem é um valioso cofre a guardar e cuidar com todas as atenções…
A participação na Santa Missa imerge no Mistério da morte e da ressurreição e cada celebração eucarística é memorial perene de Cristo Crucificado e Ressuscitado, que venceu os poderes do mal com a omnipotência do Seu Amor. É, portanto, na «escola» de Cristo Eucarístico onde se ensina a amar sempre a vida e a aceitar a nossa aparente impotência diante da enfermidade ou da morte, e diante da dor que estas deixam, no seu significado, sempre insondáveis para a nossa morte.
O Evangelho mostra Jesus que afugenta os maus espíritos com a Sua Palavra e cura os enfermos (Mt 8,16), indicando o caminho da conversão e da fé como condições para obter a cura do corpo e do espírito. A Luz que vem «do Alto» ajuda-nos a compreender e a dar sentido e valor também à experiência do sofrimento e da morte.
Peçamos à Santíssima Virgem Maria que dirija o seu maternal olhar a todos os enfermos e às suas famílias, para as ajudar a levar, com Cristo, o peso da Cruz.
 
 
 
 
 
É possível ser feliz Imprimir e-mail
Nós andamos sempre em busca de propostas de felicidade, mas, muitas vezes, a felicidade que adquirimos é a curto prazo. Toda a pessoa nasce com anseio de felicidade.

Jesus é o Mestre de fazer as pessoas felizes, Ele quer guiar-nos neste caminho, pois é o especialista em felicidade.

‘Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados; Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia; 8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus; 9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus; 10 Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.’ (Mateus 5, 1ss).

Deus é amor, e onde existe amor existe felicidade.

Bem-aventurado, significa felicidade. Esta Palavra é revolucionária, e a partir destes versículos percebemos que a lei do homem é diferente da lei de Deus, a matemática de Deus é diferente da nossa: ‘Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus’, isto é loucura para o mundo.

O mundo prega que feliz é quem é esperto, quem é corrupto, quem não paga impostos. Os factos dizem o contrário do que Jesus prefere. A sociedade esmaga aqueles que são bons e justos. Na nossa cabeça é impossível conciliar sofrimento e alegria, mas Jesus diz que isto é possível. Quando sofremos e estamos ao lado de Jesus, este sofrimento leva-nos à redenção. Isto é revolucionário.

Muitas vezes, o prazer leva-nos à infelicidade. Jesus mostra-nos que é possível viver o sofrimento e ser feliz. Precisamos de nos libertar da mentalidade que afirma que o sofrimento certamente é infelicidade. Felicidade completa, só a teremos no céu. Tu podes idealizar a felicidade perfeita, mas esta, de facto, só existirá no céu.

Podes promover momentos de felicidade para ti e para os outros; mas a tua felicidade não pode estar baseada em prazer, para satisfazer as tuas carências.

“Feliz quem sabe viver o sofrimento”
A borboleta, para voar, precisa de passar pelo processo doloroso de deixar de ser lagarta. Para chegar à felicidade é preciso ser borboleta, que necessita de sair do casulo para voar.

Muitos jovens são indecisos, inseguros, moles, mas é preciso ser firme, ter garra para viver as bem-aventuranças. Imagina a loucura que Jesus viveu, Ele viveu as bem-aventuranças na carne. Deus, para assumir as nossas dores, teve de se rebaixar até nós.

Nada nesta vida é alcançado sem esforço. Jesus quer dar-nos uma nova visão. O Cristianismo ensina-nos a ver além. Mergulha a tua dor à luz de Jesus para teres a felicidade, para seres chamado bem-aventurado. Com os “óculos” de Jesus vamos abraçar a dor. Isto não significa que vamos correr atrás de sofrimentos, mas se eles chegarem, vamos vivê-los com Jesus. Precisamos de ter os “óculos” de Cristo para o sofrimento, porque a partir daí podemos transformar o corpo, a alma e o psíquico. Feliz de quem sabe viver o sofrimento. Não podemos parar nele, não vamos encarar o sofrimento só como sofrimento, mas como matéria-prima para crescer para Deus.
 
 
 
 
 
E quando chegar a doença? Imprimir e-mail

E quando chegar a doença? - O exemplo de Job

Impressionante exemplo de conformidade com a vontade de Deus na doença, temos na pessoa de Job, um santo homem. Ao perder os bens e a família, Job exclamou:
"O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor" (Job1,21).
A Igreja tem um sacramento especial para os que se encontram doentes: a Unção dos Enfermos. O Senhor diz: "Está alguém doente entre vós? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre o doente, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o aliviará. E se tiver pecados, ser-lhe-ão perdoados" (Tgo 5,14-15).
Esta receita do Médico dos médicos é para pobres e ricos, graças a Deus, não custa dinheiro, somente fé. Vamos praticá-la quando necessário e ajudar os da nossa família e os nossos amigos a usufruir deste direito que todo o filho de Deus possui. Não adiemos para amanhã o que podemos fazer hoje.
Meu Senhor Sacramentado, eu Vos adoro com profundo respeito, e quero viver sempre com o Vosso Amor. Não consigo compreender os Vossos desígnios, mas ensinai-me a aceitar os sofrimentos e as provações desta vida, em total conformidade à Vossa Santa vontade.
Jesus, eu confio em Vós!

 
A alegria vem depois da tristeza Imprimir e-mail

Espera confiantemente, a alegria vem depois da tristeza.

Pediste-me que te escrevesse palavras de consolação, a fim de reconfortar o teu ânimo amargurado por tantos golpes dolorosos.
Mas se a tua prudência e sensatez não estão adormecidas, a consolação já chegou, porque as próprias palavras mostram sem sombra de dúvida que Deus te está instruindo como a um filho para alcançares a herança. Assim o indicam claramente estas palavras: Filho se queres servir a Deus, permanece na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação (Eclo 2,1-2). Onde existe o temor e a justiça, a prova de qualquer adversidade não é tormento de escravos, mas antes correção paterna.
Porque até o bem-aventurado Job, quando diz no meio dos flagelos da infelicidade: Quem dera que Deus me esmagasse que estendesse a sua mão e pusesse fim à minha vida, logo acrescenta: Terei a minha consolação, porque me atormenta com dores e não me poupa (Job 6,10).
Para os eleitos de Deus, aprovação divina é consolação, porque, através das dores momentâneas que suportam, progridem a grandes passos na firme esperança de alcançar a glória da felicidade eterna.
É para isso que o martelo bate no ouro: para que o ourives possa extrair a escória; é para isso que se usa a lima: para que a veia do vibrante metal brilhe com mais fulgor. É no forno que se experimenta o vaso do oleiro, é na tribulação que se experimentam os homens justos (Eclo 27,5, Vulg.). Porque também diz São Tiago: Considerai como motivo de grande alegria, irmãos, as diversas provações por que tendes passado (Tg 1,2). É a bom título que se devem alegrar aqueles que neste mundo suportam a tribulação temporária pelos seus pecados, mas tem guardada para si no Céu uma recompensa eterna pelas boas obras que praticaram.
Portanto, enquanto te atingem os golpes da desgraça, enquanto és castigado pelos açoites da correção divina, não te deixes vencer pelo desalento, não te queixes nem murmures não te deixes amargurar pela tristeza nem impacientar pela fraqueza de ânimo; mas conserva sempre a serenidade no teu rosto, a alegria no teu coração, a ação de graças na tua boca. São certamente dignos de todo o louvor os desígnios de Deus, que atinge nesta vida os seus para os poupar aos flagelos eternos; abate para elevar, fere para curar, humilha para exaltar.
Portanto, robustece o teu espírito na paciência com estes e outros testemunhos das Escrituras divinas, e espera confiadamente a alegria que vem depois da tristeza. Que a esperança daquela alegria te reanime e a caridade te inflame, de tal modo que o teu espírito, santamente inebriado, esqueça os sofrimentos exteriores e anseie com entusiasmo pelo que interiormente contempla.
Das Cartas de São Pedro Damião, bispo (Liv. 8,6: PL 144, 473-476) (Séc. XI).

 
A Jacinta de Fátima e o sofrimento Imprimir e-mail

Jacinta de Fátima: sem o sofrimento nada de grande se faz

Como sabemos, dos três videntes de Fátima dois morreram, por desígnio e previsão de Nossa Senhora, e ficou Lúcia, a qual recebeu novas revelações.

Quanto à razão pela qual Nossa Senhora quis que Jacinta e Francisco morressem, é bem evidente e eles também a declararam: eram necessárias pessoas que sofressem. Ou seja, vítimas que associassem a todo o mistério de Fátima e a toda a fecundidade, que Nossa Senhora desejava na ordem sobrenatural para os fatos de Fátima, a sua dor, o sacrifício muito penoso de suas vidas (ambos morreram em circunstâncias extraordinariamente difíceis e a sofrer muito).

Isto porque todas as grandes obras de Deus se fazem com a participação dos homens quando se trata da salvação de outros homens. E, em geral, com almas que lutaram, que sofreram e que rezaram para que de fato aquela obra fosse levada a cabo. Quer dizer, é sempre preciso a participação do sofrimento humano. E sem o sofrimento humano, nada de grande se faz.

Isto é especialmente frisante no que diz respeito a Fátima. É uma intervenção direta de Nossa Senhora. Esta aparição fez-se atestada por milagres estupendos, como por exemplo, a rotação do sol, tantas vezes e em distâncias tão grandes. É uma mensagem das mais importantes – ou talvez a mais importante – que Nossa Senhora tenha dado ao longo de toda a História.

Nesta ocasião e nestas circunstâncias a Mãe de Deus quis o sacrifício de duas almas que se imolassem e oferecessem as suas vidas para que todo aquele plano da Providência tivesse a fecundidade necessária. Nós podemos compreender bem, por aí, como o apostolado do sofrimento é verdadeiramente insubstituível. E como é ele que verdadeiramente abre os caminhos à Igreja.

Houve um pintor alemão que uma ocasião pintou Nosso Senhor como Bom Pastor, batendo à porta de uma choupana. E alguém lhe comentou:

- O sr. fez um erro na confecção desse seu quadro, porque a porta não tem fechadura.

Ele disse:

“É verdade. Mas isto não é um erro. Esta porta simboliza a porta do coração humano. Nosso Senhor bate ali, mas não há fechadura do lado de fora, apenas do lado de dentro. Porque um certo tipo de abertura de alma é da alma para consigo mesma, só. E aqui ninguém consegue intervir. É uma coisa fechada mesmo”.

Com efeito, o jeito que há para conseguir que as almas se abram é precisamente por meio da oração e dos sacrifícios.

É por meio da dor, carregando amorosamente a Cruz de Nosso Senhor, que encontramos a vida, compreendendo que é normal que se sofra.

E que a pessoa só é grande na medida em que sofre. Quem carrega os grandes sofrimentos por amor de Deus são os únicos grandes homens da História. É nessa medida que se é verdadeiramente fiel a Nosso Senhor e acaba por ser um grande homem. As pessoas decisivas nos rumos da História são as que souberam sofrer tudo.

É claro que o sofrer não é apenas passivo, deixar cair as pancadas em cima da cabeça. É um sofrer ativo. Quer dizer, é muitas vezes tomar a iniciativa da luta – sempre segundo a Lei de Deus e dos homens.

É combater, é romper com aqueles a quem a gente estima, é arrostar a opinião dos outros, é aceitar ficar posto em situações difíceis, contrafeitas, contraditórias, enfim todo o sofrimento da batalha mais intrépida, mais ousada e mais cheia de iniciativa. Tudo isto é sofrer e até sofrer por excelência. Mas é preciso saber sofrer.

A aceitação do sacrifício é necessária para se combater o mito holywoodiano do “happy end”

Precisamente isto é-nos dito muito pelo sacrifício de Jacinta e pelo sacrifício de Francisco. Devemo-nos lembrar disto e pedir à Jacinta que interceda a Nossa Senhora de Fátima para obter o sentido do sofrimento, indispensável para que qualquer católico seja verdadeiramente um católico generoso e dedicado.

A aceitação da cruz é contrária ao mito do homem de hoje, ao mito do happy end, de que a vida normal é a que termina bem, e que tudo é alegria, tudo é luz, e que o sofrimento é uma espécie de bicho de sete cabeças que malucamente invade a vida das pessoas.

É o contrário! A vida que não tem cruzes é uma vida que não vale nada. São Luiz Maria Grignion de Montfort chega até a dizer que quando uma pessoa não sofre, deve – naturalmente com autorização do diretor espiritual – pedir cruzes, fazer peregrinações e orações intensíssimas. Porque a pessoa que não tem sofrimentos, a quem Deus não enviou sofrimentos, deve desconfiar da sua salvação eterna.

Devemos pedir à Jacinta a graça de Deus para que grave esta grande verdade profundamente em nossas almas, por meio das preces de Nossa Senhora.

 
São Paulo aos doentes Imprimir e-mail
Jesus evangelizava curando. Os doentes foram a sua prioridade e o campo privilegiado da sua acção.
Em cartas às comunidades cristãs, o apóstolo São Paulo também direccionava a sua pregação aos doentes e sofredores. Que as palavras de São Paulo sejam de conforto para os que passam por noites de sofrimento.

“Penso que os sofrimentos do momento presente não se comparam com a glória futura que deverá ser revelada em nós.”(Rm 8,18)
“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? E acrescento: o sofrimento?” (Rm 8, 35)
“Deus concedeu-vos não só a graça de acreditar em Cristo, mas também de sofrer por ele.” (Fl 1, 29)
“Alegro-me de sofrer por vós, pois completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, a favor do seu corpo, que é a Igreja” (Cl 1, 24)
“Se com Ele morremos, com Ele viveremos; se com Ele sofremos, com Ele reinaremos.” (2Tm 2, 11-12)
“Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, a perseverança produz a fidelidade, e a fidelidade produz a esperança. E a esperança não engana.” (Rm 5, 3-5)
“E é por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, e sofrimentos por causa de Cristo, pois quando sou fraco, então é que sou forte.” (2Cor 12, 10)
“Embora o nosso físico se vá desfazendo, o nosso homem interior vai-se renovando cada dia. Pois a nossa tribulação momentânea é leve em relação ao peso extraordinário da glória eterna que ela nos prepara.” (2 Cor 4, 16-17)
 
 
 
 
 
Não desperdices o teu sofrimento! Imprimir e-mail
Uma das coisas que mais impressionavam em Jesus era a capacidade que Ele tinha de se compadecer do sofrimento das pessoas.
Ele olhava para cada pessoa em particular e vivia com ela os seus sofrimentos.
Independentemente do que vivemos, Jesus está sempre unido a nós, pois Ele tem um olhar especial pelos que sofrem. É no sofrimento que mais nos parecemos com Ele.
Vivemos num mundo que busca o prazer a qualquer custo, no qual a ideia de prazer foi vinculada à felicidade. Por isso, falar de sofrimento é ir contra a corrente.
Acredita-se que somente seremos felizes se tivermos prazer em tudo o que fazemos.
Desta forma, o sofrimento virou sinónimo de infelicidade.
O cristão é convidado a mostrar ao mundo um testemunho diferente. Mostrar que se damos sentido e significado aos nossos sofrimentos, neles encontramos a felicidade.
Talvez o maior problema hoje seja este: as pessoas andam a desperdiçar o seu sofrimento.

Se eu dou sentido ao sofrimento que vivo, santifico-me. Tu é que escolhes o sentido que vais dar a esta palavra na tua vida. Quantas pessoas – com doenças graves – encontraram sentido para as suas vidas a partir do momento em que começaram a ajudar outras pessoas com o mesmo problema.
O que tornou tantos homens e mulheres santos na história não foi o sofrimento que viveram, mas o sentido que deram ao seu sofrimento. Aprenderam a não desperdiçar estes momentos para se aproximar de Deus e dos outros.

É preciso que aprendamos a sofrer. É preciso que dêmos sentido aos nossos sofrimentos. Uma mulher que vai dar à luz uma criança sofre, mas não pensa nas suas dores; ela só pensa no filho que carregará nos braços e verá crescer. A mãe entende que a alegria que virá depois será muito maior do que o sofrimento presente. São Francisco de Assis dizia: “É tão grande o bem que espero, que todo o sofrimento me é um grande prazer”.

Não há sofrimento grande ou pequeno. Qualquer sofrimento é capaz de nos levar à santidade e lançar no céu. Assim, é preciso que cada um de nós aprenda a viver intensamente as visitas de Deus nos momentos de dor.

A escolha é de cada um. Sofrer por sofrer ou sofrer com sentido – mesmo nos momentos de dor. Usa o teu sofrimento para ir além das tuas limitações, para ir além do que te vês capaz de fazer ou viver. Supera-te!

Se não desperdiçares o teu sofrimento, surgirá nos teus lábios um sorriso capaz de ressuscitar muitos que estavam a prestes a morrer. Isto é santidade. Não desperdices o teu sofrimento!
QUE AGRADÁVEL É MORRER, QUANDO SE TEM VIVIDO SOB A CRUZ
 

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