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Deus é Amor

Papa Bento XVI

 
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Corpo de Deus
Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo Imprimir e-mail
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Festa ao Corpo de Cristo, Festa do Corpo de Deus. É uma data adoptada na Igreja Católica, para comemorar a presença real de Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia, pela mudança da substância do pão e do vinho na do seu corpo e do seu sangue.

A origem da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XII. A Igreja sentiu necessidade de realçar a presença real do “Cristo todo” no pão consagrado. Esta necessidade se aliava ao desejo do homem medieval de “contemplar” as coisas. Surgiu nesta época o costume de elevar a hóstia depois da consagração. Disseminava-se uma controvertida piedade eucarística, chegando ao ponto das pessoas irem à igreja mais “verem” a hóstia do que para participarem efectivamente da eucaristia.

A Festa de Corpo de Deus foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de Agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. O Papa Urbano IV foi o cónego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.

Juliana nasceu em Liège em 1192 e participava da paróquia Saint Martin. Com 14 anos, em 1206, entrou para o convento das agostinianas em Mont Cornillon, na periferia de Liège. Com 17 anos, em 1209, começou a ter ‘visões’, (que retratavam um disco lunar dentro do qual havia uma parte escura. Isto foi interpretado como sendo uma ausência de uma festa eucarística no calendário litúrgico para agradecer o sacramento da Eucaristia). Com 38 anos, em 1230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège, que 31 anos depois, por três anos, será o Papa Urbano IV (1261-1264), e tornará mundial a Festa do Corpo de Deus, pouco antes de morrer. A ‘Fête Dieu’ começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica.

A festa mundial do Corpo de Deus foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos. Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colónia na Alemanha, onde o Corpo de Cristo é celebrada antes de 1270. O ofício divino, seus hinos, a sequência ‘Lauda Sion Salvatorem’ são de Santo Tomás de Aquino (1223-1274), que estudou em Colónia com Santo Alberto Magno. Corpo Cristo tomou seu carácter universal definitivo, 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando o Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canónico mundial. Em 1317, o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.

O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa do Corpo de Deus, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como acção de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

Em 1983, o novo Código de Direito Canónico – cânon 944 – mantém a obrigação de se manifestar ‘o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia’ e ‘onde for possível, haja procissão pelas vias públicas’, mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeria vez na Quinta-Feira Santa, o Corpo de Deus celebra-se sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.
 
 
 
 
 
Corpus Christi Jo 6,51-58 Imprimir e-mail
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Corpus Christi é uma festa móvel da Igreja Católica que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia. É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade. Para nós católicos é obrigatório participar da Missa neste dia.

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Santa Igreja sentiu necessidade de realçar a presença real do “Cristo todo” no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de Agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.

O cónego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. A ‘Fête Dieu’ (Festa de Deus) começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica.

O ofício foi composto por São Tomás de Aquino o qual, por amor à tradição litúrgica, serviu-se de parte de Antífonas, Lições e Responsórios já em uso em algumas Igrejas.

A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264. O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas propagou-se por algumas igrejas, como na diocese de Colónia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colónia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.

A única e grande novidade é a Eucaristia que nos remete a vivência de um dos sete sacramentos. Ela foi instituída na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo… Isto é o meu sangue… Fazei isto em memória de mim’. Portanto, comer a carne e beber o sangue de Cristo é fazer memória do que Cristo fez naquela Ceia derradeira. Ao redor da mesa eucarística, a comunidade faz a experiência da comunhão com o ressuscitado.
Jesus está presente realmente entre nós. Isto exige de mim e de ti um assimilar a realidade humana de Jesus e nos identificar com ele no cumprimento da vontade do Pai. Crendo em Jesus nós não só assimilamos a doutrina. Mas a comunhão, a unidade com o próprio Jesus e com os irmãos na comunidade. Esta comunhão de amor traduz-se em gestos concretos em vista à libertação dos oprimidos e no empenho no desabrochar e na restauração da vida em plenitude.

Celebrando a Eucaristia nós fazemos um acto de amor com Deus e com o próximo. Aliás o Concílio Vaticano II diz: A Eucaristia é fonte e cume de toda e qualquer acção litúrgica da Igreja. E Cristo é a acção fundante. Pois Ele é, o Alimento e a Fonte deste amor e desta vida que é eterna. Peçamos ao Senhor a graça de estar sempre com Ele e n’Ele.
Jesus, faz-me ter cada vez mais fome e sede de Vos comer e beber para que eu tenha a vida eterna.
 
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Estar - caminhar - ajoelhar

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Se quisermos compreender o significado da solenidade do Corpo de Deus, basta observar, simplesmente, os gestos litúrgicos que a Igreja usa para celebrar e viver o sentido desta festa. Para além do que tem de comum com as outras festas cristãs, há três aspectos que exprimem o específico da celebração deste dia festivo.
Temos primeiro a reunião comunitária à volta do Senhor, o estar perante o Senhor e para o Senhor e implicitamente, o estar com os outros.
Depois temos o caminhar com o Senhor em procissão.
Por fim, relacionado com isto, o centro e o ponto culminante de tudo, o ajoelhar perante o Senhor, a adoração e exaltação e a alegria pela sua proximidade. Estar perante o Senhor, caminhar com o Senhor e ajoelhar, são os elementos básicos deste dia. Vamos reflectir sobre cada um deles.

Estar perante o Senhor
A Igreja antiga usava o termo statio para exprimir esta atitude. Recordar esta expressão é tocar ao mesmo tempo as raízes mais profundas do que acontece com a festa do Corpo de Deus e com o seu significado. À medida que o cristianismo se estendia por todo o mundo, os seus mensageiros insistiam em que houvesse em cada cidade um só bispo e um só altar. Assim se devia expressar a unidade de um só Senhor que nos abraça a partir da Cruz, fazendo de todos um só povo, derrubando as fronteiras que a história humana vai construindo. O sentido mais profundo da Eucaristia consiste precisamente em que na medida em que comungamos do mesmo pão, entramos neste dinamismo de um organismo vivo, e nos tornamos o Corpo do Senhor.

A Eucaristia não é assunto privado de um círculo de amigos, num clube de sócios, onde se encontram os que têm interesses afins. A realidade é outra. Assim como o Senhor se deixou publicamente crucificar às portas da cidade, perante os olhares do mundo, assim a celebração eucarística é a liturgia de todos os que o Senhor chama, independentemente da sua condição social.

Pertence à essência da celebração eucarística aquilo que o Senhor fez durante a sua vida terrena: chamados pela sua palavra e pelo seu amor, reuniram-se homens de partidos diferentes, de vários estratos sociais e de vários quadrantes de pensamento. Faz parte da Eucaristia, que no mundo mediterrâneo, onde o cristianismo começou por expandir-se, se juntassem lado a lado o aristocrata que se converteu ao cristianismo, o estivador de Corinto, e o miserável escravo, que segundo o direito romano nem era considerado ser humano, mas uma mercadoria. Faz parte da Eucaristia que o filósofo se sente ao lado do analfabeto, a prostituta convertida e o convertido cobrador de impostos ao lado do asceta, que encontrou o caminho para Cristo.

Podemos ainda ver pelos textos do Novo Testamento, como muitas vezes os homens resistiram a uma tal convivência e se fechavam no seu círculo, ao mesmo tempo que se afirmava o sentido da Eucaristia, que era o de reunir, de vencer as fronteiras e, a partir do Senhor, congregar os homens numa nova unidade.

Quando o cristianismo cresceu em número, a exigência de uma só Eucaristia e de um só altar na cidade, não se podia manter. Já nos tempos da perseguição se formaram em Roma Igrejas locais, precursoras das futuras paróquias. Naturalmente que a celebração que reúne as pessoas, que de outra forma não se encontrariam, continuou pública e aberta a todos. Mas aquele encontro aberto num mesmo espaço já não era tão visível. Daí que se tenha instituído a statio. Isto significava que o Papa, bispo de Roma, sobretudo durante o tempo da Quaresma, celebrava a Eucaristia em todas as igrejas locais, para toda a cidade. Os cristãos reuniam-se, seguiam em conjunto para a igreja e assim, o sentido da universalidade era vivido e sentido em cada uma das igrejas locais.

É esta ideia original que o Corpo de Deus revive. É a statio urbis: Abrimos a igreja paroquial, dirigimo-nos dos vários cantos da cidade e reunimo-nos em nome do Senhor, para, a partir d'Ele, sermos um só. Estamos juntos, apesar das fronteiras de partidos e grupos, somos governantes e governados, homens do mundo do trabalho e da ciência, homens de todos os quadrantes. O essencial, é justamente que o Senhor nos reúna aqui e que nos leve ao encontro uns dos outros. Devia partir deste momento o apelo de nos aceitarmos também no nosso íntimo, de nos abrirmos e irmos ao encontro uns dos outros. Que na dispersão do dia-a-dia conservemos este apelo à comunhão no Senhor.

Estamos conscientes de que as nossas cidades se tornaram em lugares de uma solidão até agora desconhecida. Nunca os homens se sentiram tão sós e abandonados como nos grandes condomínios, ali onde vivem concentrados. Um amigo meu contou-me que alugou um desses apartamentos numa cidade do norte da Alemanha. Um dia saudou um dos vizinhos que ia a sair de um dos apartamentos. Foi com espanto que este o olhou e disse: "Deve estar enganado". Numa sociedade massificada, uma saudação é um equívoco. Mas o Senhor reúne-nos e abre-nos, para que nos aceitemos e nos acolhamos, de forma que, no caminhar para Ele, vamos também ao encontro uns dos outros. Justamente na Praça de Maria (Praça central de Munique), experimentamos esta vivência profunda. Quantas vezes, nos cruzamos aqui sem nos olharmos. Hoje é o lugar do encontro, encontro que continua connosco como graça e missão.

Certamente que há muitas assembleias. Acontece que muitas vezes o que nos une é mais aquilo com discordamos, do que aquilo com que estamos de acordo. E acontece muitas vezes que o interesse que nos une, se dirige contra outros interesses. Mas o que nos une hoje não é um interesse privado de um qualquer grupo, mas o interesse que Deus tem em nós, e no qual nós depositamos todos os nossos interesses. Estamos aqui por causa do Senhor. E quanto mais estivermos com o Senhor e perante o Senhor, tanto mais unidos nos sentimos com os outros e mais cresce em nós a força para nos compreendermos como seres humanos, de nos reconhecermos como irmãos e irmãs, e em conjunto construirmos a humanidade.

Caminhar com o Senhor

Estar com o Senhor em comunidade, teve desde o princípio como consequência também o caminhar para o Senhor. Na vida real, não estamos juntos. A realidade da statio só é possível, se antes nos juntarmos e caminharmos em procissão. Este é o segundo desafio do Corpo de Deus. Só nos podemos aproximar, só podemos chegar ao Senhor se nos dispusermos a sair e a ir ao encontro, vencendo os nossos preconceitos, os nossos limites e bloqueios, e sairmos em direcção ao local do encontro. Isto aplica-se tanto ao âmbito eclesial como ao âmbito mundano.

Ainda hoje conhecemos na Igreja - que Deus nos perdoe - a separação, as divisões, a desconfiança. Processio, procedere, colocar-se a caminho para Ele, submeter-se aos seus critérios, na fé comum no Deus feito homem, que se nos oferece como pão, é um desafio à confiança renovada uns nos outros, à abertura aos outros, para nos deixarmos conduzir por Ele.
A procissão, que já na antiga Roma fazia parte da celebração do encontro na statio, deu, efectivamente, uma nova dimensão ao Corpo de Deus, deu-lhe um sentido mais profundo. A procissão do Corpo de Deus não é unicamente um caminhar para o Senhor, para a celebração eucarística, é também caminhar com o Senhor, faz parte da celebração eucarística, é uma dimensão do acontecimento eucarístico. O Senhor, que se tornou o nosso pão é assim sinal e caminho que nos conduz.

Desta forma, a Igreja reinterpreta a história do êxodo, a caminhada de Israel pelo deserto. Israel caminho pelo deserto. Nas miragens do deserto, pode encontrar o caminho, porque o Senhor vai à frente como nuvem e coluna de fogo. Pode viver na aridez das dunas sem vida, porque o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Assim, nesta caminhada pelo deserto revela-se a profundidade de toda a história humana. Israel encontrou uma terra, e depois de a perder continuou a subsistir, porque não se alimentou só de pão, mas encontrou na palavra a força da vida que o conduziu, durante séculos, por todos os becos sem saída e por todos os desterros. Por isso, continua um sinal levantado para todos nós.

O ser humano só encontra caminho, se se deixar conduzir por Aquele que é ao mesmo tempo palavra e pão. Só caminhando com o Senhor, podemos levar a bom termo a caminhada da nossa história. Assim, a festa do Corpo de Deus explica o que é a nossa vida e o que é a história deste mundo: uma peregrinação para a terra prometida, que só pode chegar a bom termo, se caminharmos com Aquele que é pão e palavra no meio de nós.

Sabemos hoje, mais que em tempos passados, que na realidade toda a vida neste mundo e a história dos homens é movimento, uma mudança permanente e um caminhar contínuo. A ideia do progresso transmite-nos um sabor quase mágico. Mas também sabemos, entretanto, que o progresso só pode ter sentido, se nos levar aonde queremos chegar. O movimento em si não é progresso. Pode ser também uma corrida veloz para o abismo. Assim, para que o progresso aconteça, teremos de perguntar pelo seu critério e pelo seu objectivo - e este não pode ser um mero crescimento de produtos materiais.

O Corpo de Deus explica a história. Apresenta-nos Jesus Cristo, feito homem e pão eucarístico, a mostrar-nos o caminho, como critério da nossa peregrinação pelo mundo. Certamente que isso não resolve todos os problemas. Nem é este o sentido do agir de Deus. Para isso, temos a nossa liberdade e as nossas capacidades, que nos pedem esforço, atitude de busca e de luta. Mas o critério fundamental está lançado. Quando Ele é o ponto de referência e a meta do nosso caminhar, está dado o critério, que torna possível a escolha do caminho. Caminhar com o Senhor é sinal e compromisso destes dias.

Ajoelhar perante o Senhor
Por fim, temos o ajoelhar perante o Senhor, a adoração. Porque o Senhor está realmente presente na Eucaristia, a adoração fez sempre parte desta festa. Mesmo que esta forma de celebração só se tenha desenvolvido na Idade Média, não se trata de uma mudança ou desvio, mas a valorização de algo que sempre esteve presente. Na verdade, se o Senhor se dá a nós, recebê-I'O só pode significar prostrar-se, glorificar e adorar o Senhor.

Dobrar o joelho numa atitude de obediência, mesmo hoje, não vai contra a dignidade, a liberdade e a grandeza do ser humano. Quando O negamos e deixamos de O adorar, só nos resta a eterna necessidade da matéria. Então somos verdadeiramente escravos, um grão de poeira que, arremessado no grande moinho do universo, em vão procura conquistar a liberdade. Só se Ele for o criador, então a liberdade é o fundamento de todas as coisas e nós podemos ser livres. A nossa liberdade não é anulada quando se prostra perante Ele, antes é verdadeiramente assumida e torna-se definitiva. Mas neste dia há algo mais. Aquele que nós adoramos, não é um poder distante. Ele mesmo se debruçou sobre nós para nos lavar os pés. Isto transforma a nossa adoração em liberdade, em esperança e alegria, porque nos prostramos perante Aquele que se debruçou a si mesmo. Debruçamo-nos sobre o amor, que não escraviza, antes transforma.

Peçamos ao Senhor, que nos conceda tal conhecimento e tal alegria, para que nós, a partir deste dia, possamos ser luz para a nossa terra e para o nosso tempo.




 
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Na véspera da sua Paixão, durante a Ceia pascal, o Senhor tomou o pão em suas mãos e, após pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai, este é o meu corpo».
Depois tomou o cálice, deu graças, distribuiu-o e todos beberam dele. E disse: «Este é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado em favor de todos» (Marcos 14, 22-24).
Toda a história de Deus com os homens se resume nestas palavras. Não só lembram e interpretam o passado, mas antecipam também o futuro, a vinda do Reino de Deus ao mundo. Jesus não só pronuncia palavras. O que Ele diz é um acontecimento, o acontecimento central da história do mundo e da nossa vida pessoal. Estas palavras são inesgotáveis. 

Meditemos um pouco num só aspecto.
Jesus, como sinal da presença, escolheu o pão e o vinho. Com cada um dos dois sinais se entrega totalmente, não só uma parte de si. O Ressuscitado não está dividido. Ele é uma pessoa que, através dos sinais, se aproxima de nós e se une a nós. Os sinais, contudo, representam de maneira clara cada um dos aspectos particulares do seu mistério e, com a sua maneira típica de se manifestar, querem que aprendamos a compreender algo mais do mistério de Jesus Cristo.
Durante a procissão e na adoração, nós vêmos a Hóstia consagrada, a forma mais simples de pão e de alimento, feito simplesmente com um pouco de farinha e de água. A oração com a qual a Igreja, durante a liturgia da missa, entrega este pão ao Senhor apresenta-o como fruto da terra e do trabalho do homem. Nele fica recolhido o cansaço humano, o trabalho quotidiano de quem cultiva a terra, de quem semeia, colhe e finalmente prepara o pão. Contudo, o pão não é só um produto nosso, algo que nós fazemos: é fruto da terra e, portanto, é também um dom. O facto de que a terra dê fruto não é mérito nosso; só o Criador podia dar-lhe a fertilidade.
E agora podemos também ampliar um pouco esta oração da Igreja, dizendo: o pão é fruto da terra e ao mesmo tempo do céu. Pressupõe a sinergia das forças da terra e dos dons do alto, ou seja, do sol e da chuva. E a água, da qual temos necessidade para preparar o pão, não podemos produzi-la nós mesmos. Num período no qual se fala da desertificação e no qual escutamos denunciar o perigo de que os homens e os animais morram de sede nas regiões sem água, voltamos a perceber a grandeza do dom da água e de que não podemos proporcioná-la por nós mesmos. Então, ao contemplar mais de perto este pequeno pedaço de Hóstia branca, este pão dos pobres, é-nos apresentada uma espécie de síntese da criação. Unem-se o céu e a terra, assim como a actividade e o espírito do homem. A sinergia das forças que torna possível em nosso pobre planeta o mistério da vida e da existência do homem vem ao nosso encontro em toda a sua maravilhosa grandeza.
Deste modo, começamos a compreender por que é que o Senhor escolhe este pedaço de pão como seu sinal. A criação, com todos os seus dons, aspira, além de si mesma, a algo que é ainda maior. Além da síntese das próprias forças, além da síntese de natureza e espírito que em certo sentido experimentamos no pedaço de pão, a criação está orientada à divinização, para a santa aliança, para a unificação com o próprio Criador.
Mas ainda não explicamos plenamente a mensagem deste sinal de pão. O Senhor fez referência ao seu mistério mais profundo no Domingo de Ramos, quando lhe apresentaram o pedido de uns gregos que queriam encontrar-se com Ele. Na sua resposta a esta pergunta, encontra-se a frase: «Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica só; mas se morre, dá muito fruto» (João 12, 24). No pão, feito de grãos moídos, esconde-se o mistério da Paixão. A farinha, o grão moído, pressupõe o morrer e o ressuscitar do grão. O ser moído e cozido manifesta uma vez mais o mesmo mistério da Paixão.
Só através do morrer chega o ressurgir, chega o fruto e a nova vida. As culturas do Mediterrâneo, nos séculos anteriores a Cristo, haviam intuído profundamente este mistério. Baseando-se na experiência deste morrer e ressurgir, conceberam mitos de divindades, que morrendo e ressuscitando davam nova vida. O ciclo da natureza parecia-lhes como uma promessa divina no meio das trevas do sofrimento e da morte que se nos impõem. Nestes mitos, a alma dos homens, em certo sentido, orientava-se a este Deus que se fez homem, que se humilhou até à morte na cruz e que deste modo abriu para todos nós a porta da vida. No pão e em seu devir, os homens descobriram uma espécie de expectativa da natureza, uma espécie de promessa da natureza de que isto teria tido que existir: o Deus que morre deste modo leva-nos à vida. Sucedeu realmente com Cristo o que nos mitos era uma expectativa e o que o próprio grão esconde como sinal da esperança da criação. Através do seu sofrimento e da sua morte livre, Ele converteu-se em pão para todos nós e, deste modo, em esperança viva e crível: Ele acompanha-nos em todos os nossos sofrimentos, até à morte. Os caminhos que Ele percorre connosco e através dos quais nos conduz à vida são caminhos de esperança.
Ao contemplar em adoração a Hóstia consagrada, o sinal da criação fala-nos. Então encontramo-nos com a grandeza do seu dom; mas encontramo-nos também com a Paixão, com a Cruz de Jesus e com a sua ressurreição. Através desta contemplação em adoração, Ele atrai-nos para si, penetrando no seu mistério, por meio do qual quer transformar-nos, como transformou a Hóstia.
A Igreja primitiva encontrou no pão outro sinal. A «Doutrina dos doze apóstolos», um livro redigido por volta do ano 100, refere nas suas orações a afirmação: «Que assim como este pão partido estava espalhado sobre as colinas e é reunido numa só coisa, do mesmo modo a tua Igreja seja reunida desde os confins da terra em teu Reino» (IX, 4). O pão, feito de muitos grãos de trigo, encerra também um acontecimento de união: o converter-se em pão de grãos moídos é um processo de unificação. Nós mesmos, dos muitos que somos, temos que converter-nos num só pão, no seu corpo, diz-nos São Paulo (I Coríntios 10, 17). Deste modo, o pão converte-se ao mesmo tempo em esperança e tarefa.
De maneira semelhante nos fala o sinal do vinho. Pois bem, enquanto o pão faz referência ao quotidiano, à simplicidade e à peregrinação, o vinho expressa a beleza da criação: através deste sinal, menciona a festa de alegria que Deus quer oferecer-nos no final dos tempos e que antecipa agora, sempre de novo. Mas o vinho também fala da Paixão: a videira tem que ser podada repetidamente para poder purificar-se; a uva tem que amadurecer sob o sol e a chuva, e tem que ser pisada: só através desta paixão amadurece um vinho apreciado.
Na festa do Corpus Christi contemplamos, sobretudo, o sinal do pão. Ele recorda-nos também a peregrinação de Israel durante os quarenta anos no deserto. A Hóstia é o maná com o qual o Senhor nos alimenta, é verdadeiramente o pão do céu, com o qual Ele verdadeiramente faz a entrega de si mesmo.
Na procissão, seguimos este sinal e deste modo seguimos a Ele mesmo.
E lhe pedimos: guiai-nos pelos caminhos da nossa história! Olhai a humanidade que sofre, que caminha insegura entre tantas dificuldades; olhai a fome física e psíquica que a atormenta! Dai aos homens o pão para o corpo e para a alma! Dai-lhes trabalho! Dai-lhes luz! Dai-Vos a Vós mesmo! Purificai e santificai a todos nós! Fazei-nos compreender que só através da participação na vossa Paixão, através do «sim» à cruz, à renúncia, às purificações que Vós nos impondes, a nossa vida pode amadurecer e alcançar o seu autêntico cumprimento. Reuni-nos desde todos os confins da terra. Uni a vossa Igreja, uni a humanidade dilacerada! Dai-nos a vossa salvação! Amém!
Orvieto, cidade italiana fundada pelos Etrucos situada sobre uma pedra vulcânica chamada Rupe está localizada no centro do país na região Termi e conta hoje com mais de 20 mil habitantes. Uma bela cidade medieval que dá a possibilidade de navegar em um território onde a história, arte e cultura encontram mais expressões.
Foi nesta cidade que se deu início à Solenidade de Corpus Christi, uma festa instituída para adorar, louvar e agradecer publicamente ao Senhor, que “no Sacramento Eucarístico continua a amar-nos até ao fim, até à doação do Seu Corpo e do Seu Sangue”.No ano de 1263 um padre da Boemia, Alemanha, que tinha dúvidas sobre a verdade da transubstanciação presenciou um milagre.
Durante uma viagem que fazia da cidade de Praga a Roma, ao celebrar a Santa Missa na tumba de Santa Cristina na cidade de Bolsena, Itália, no momento da consagração viu escorrer sangue da Hóstia Consagrada banhando o corporal e os linhos litúrgicos. O sacerdote impressionado com o que viu, correu até à cidade de Orvieto, onde morava o Papa Urbano IV, que mandou a Bolsena o Bispo Giacomo para ter a certeza do ocorrido e levar até ele o linho ensanguentado.
O Pontífice foi ao encontro do Bispo até à ponte do Rio Claro, hoje actual Ponte do Sol, que levava para Orvieto o linho manchado do Sangue de Cristo, e mostrou-o à população da cidade.No dia 11 de Agosto de 1264 proclamou a bula “Transiturus”, que instituía para todo o cristianismo a Festa de Corpus Christi, em resposta aos Patarinis que negavam o Sacramento da Eucaristia.
Algumas semanas antes de pronunciar este importante acto, no dia 19 de Julho, o Papa juntamente com alguns cardeais e uma multidão de fiéis, fizeram uma solene procissão pelas ruas da cidade com o corporal manchado com o Sangue de Cristo.
Esta foi a primeira procissão da festa de Corpus Christi.Desde então, todos os anos, num domingo depois da solenidade de Corpus Christi, a procissão segue pelas ruas principais com o corporal do Milagre levado dentro de um precioso relicário conduzido por 400 figurantes vestidos tradicionalmente da época.  
Solenidade do Corpo de Deus  
"Há mais de oito séculos que a Igreja celebra a festa do Corpo de Deus... O Povo de Deus mostra as­sim a sua vontade de exprimir e expandir a sua alegria por este tão grandioso Dom de Deus — Festa de alegria e júbilo pela Presença Real; festa dos louvores e aplausos; festa do amor agradecido, Festa de ac­ção de graças. A Eucaristia é o grande Dom do amor de Cristo à humanidade... Jesus é o Filho de Deus - o Pão descido do céu para a vida do mundo: «quem Me come viverá por Mim»; «quem comer deste pão terá a vida eterna»... O mistério pascal de Cristo, está as­sim presente e revela-se de forma perfeita na Eucaristia. 
O Papa Bento XVI deixou-nos já dois documentos preciosos: 
- Deus é caridade (amor); - Sacra­mento (a Eucaristia) da caridade (do amor)Neste documento, o Papa diz-nos três grandes ideias:
a) este é mistério acreditado; é a fé da Igreja, faz a Igreja; é sacramento constitutivo do ser e do agir da Igreja, do ser e viver cristão...;
b) é mistério celebrado - todos os sacramentos ligam à Euca­ristia;
c) recebem luz e calor da Euca­ristia; esta alimenta e ilumina toda a liturgia e oração..." Algumas condições para a Eucaristia dar mais fruto: "- arte de celebrar e de participar activamente na Eucaristia- arte de escutar e interiorizar a Palavra- arte da intercessão pelo mundo e por todos- arte da oferta e do dom - dar-se, oferecer-se- arte do encontro, do convívio e da comunhão- arte do agradecimento e da ac­ção de graças-  adoração eucarística - culto do Santíssimo Sacramento - comunhão espiritual" 
Finalmente,
d) é mistério vivido - toda a vida é eucarística-  anunciar e testemunhar Cristo aos outros: «amai-vos uns aos ou­tros...»-  enviados a repartir os dons: «dai-lhes vós de comer...»- pão partilhado, partido e repar­tido - amor dos pobres"
"A Eucaristia é escola e alimento de santidade; a Eucaristia faz o Domingo - dia do Senhor" 
CELEBRAR O CORPO DE DEUS
A Solenidade do Corpo de Deus, do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, coloca diante de nós, mais uma vez, a grandeza do amor misericordioso de Deus Pai que nos dá Jesus, o Verbo, o Pão Vivo descido do Céu. Centrar a nossa alma, o nosso coração, a nossa oração, o nosso amor, na Santíssima Eucaristia, é contemplar o mistério louco e apaixonado do amor que Se faz pão e vinho, que Se humilha e aniquila, para ser nosso alimento, A Hóstia é Ele, o Redentor, o Salvador, o Rei dos reis, o Senhor da glória, o Verbo do Pai feito homem no seio da Virgem Maria e agora, feito Pão Vivo, feito alimento sagrado.

Como nos ensinou o Papa João Paulo II, a Eucaristia tem três pólos: a celebração, a comunhão e o sacrário. Na Solenidade do Corpo de Deus queremos dar atenção aos três pólos pois quanto melhor celebrarmos e melhor comungarmos, mais nos sentiremos atraídos pelo Senhor Jesus, que é a Hóstia Santa: seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Tudo centrado na Eucaristia, como cume, como fonte, como tesouro da nossa vida cristã. Ela é o centro para o Qual tudo deve convergir, o centro do Qual tudo vem, pois nos vem o próprio Deus e com Ele todos os dons e graças.

Precisamos de aprender a mergulhar a nossa vida na Eucaristia para que tudo fique divinizado, para sermos “hóstias vivas’; “oferenda permanente’; com Cristo, por Cristo, em Cristo. Vida em oferta para sermos colaboradores da redenção, para ajudarmos à salvação do mundo. Mergulhados em Jesus, como a gota de água no vinho, para sermos divinizados e a nossa vida oferecida para que o mundo tenha vida e vida em abundância. Fazemos do dia inteiro uma Eucaristia, pois levamos tudo para o altar e oferecemos com Jesus.
Dádiva da Trindade, a Eucaristia é o maior sacramento, o acto mais divino da nossa vida, o mais solene.

O Pai oferece Jesus Cristo, como o fez há dois mil anos. O Pai é que nos dá o Pão do Céu. Por outro lado Jesus, por amor e livremente, oferece-Se a Si mesmo, entrega-Se totalmente: Tomai e comei; tomai e bebei. E, finalmente o Espírito consagra o pão e o vinho e converte em Jesus Cristo, no seu Corpo e seu Sangue. É a Trindade que nos dá a Eucaristia E nós na Eucaristia nos devemos dar à Trindade.

Celebrar a Solenidade do Corpo de Deus é também aprender a levar a Eucaristia para a vida, ou seja, Ela é escola de caridade e precisamos de aprender com Jesus no altar a darmo-nos aos outros, a servi-los, a entregar-nos sem reservas ao próximo no amor, na delicadeza, na misericórdia, na justiça, no desejo de sermos ‘tudo para todos’ Jesus dá-Se a nós para nos ensinar a darmo-nos aos outros. A Eucaristia é semente de uma nova humanidade, de novas famílias, de paróquias e comunidades a viver o amor, a colocar em prática o Evangelho.
Na Solenidade do Corpo de Deus temos, por todo o lado, a graça de festejarmos a Eucaristia com exposições solenes do Santíssimo, com procissões eucarísticas, com tempos de adoração. Não cesse o nosso louvor, a nossa adoração, a nossa gratidão, os testemunhos da nossa alegria pois o Corpo de Deus é o próprio Jesus Vivo e Glorioso, Filho de Deus e Filho de Maria. É o Cordeiro de Deus Imolado e Imaculado, é o Pão Vivo descido do Céu, fonte da nossa vida e santidade. Ele é digníssimo de todo o louvor. A Ele honra, louvor e glória pelos séculos. Bendita e louvada seja a divina Eucaristia, fruto do ventre sagrado da Virgem Puríssima, Santa Maria. Graças e louvores se dêem a todo o momento, ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento. Não cessemos de cantar os louvores a Jesus Eucaristia. 
 
 Este é o pão que desceu do céu
Intensa alegria pela instituição da Eucaristia 
"Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele".
Este é o pão q desceu do céu... "Quem come deste pão viverá para sempre" (Jo 6,55-56.58).
Eucaristia, Corpo de Cristo. Festa instituída pela Igreja há mais de sete séculos, na qual, diferentemente do contexto pascal da Quinta-feira Santa, os fiéis podem exprimir mais apropriadamente a intensa alegria pela instituição da Eucaristia.
O Papa Urbano IV, a 11 de Agosto de 1264, publicou a Bula "Transiturus", reconhecendo, instituindo e ampliando a Festa de Corpus Christi, prática antes restrita às comunidades belgas. Instituída como festa de toda a Igreja, fixou a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes como dedicada à celebração do Corpo do Senhor. A festa actualmente é celebrada na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.
A solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo põe em relevo o sacramento da Eucaristia, como fonte e ápice de toda a vida cristã. Pão consagrado, matéria sob a qual divindade e humanidade se dão as mãos. Pão vivo que dá vida ao homem.
A Eucaristia é o Pão do Céu que a Igreja guarda, zelosamente, nos sacrários, a qual veneramos nos altares e adoramos em tantos momentos. Ocasiões em que nos aproximamos do sacrário da divina graça, do altar do sacrifício do Senhor e nos prostramos, igualmente gratos e penitentes, diante do Senhor presente na hóstia consagrada! Ali nos colocamos diante do augusto mistério: "Cristo, nossa Páscoa, foi imolado" (1 Cor 5,7).
Celebramos a festa do pão sem fermento. O pão da rectidão e da verdade, fundamentos do homem novo (Ef 4,23-24).
O Pão do Céu é alimento para a vida espiritual. É a presença sacramental de Jesus que se entrega oblactivamente para que, em nós, a rectidão, a verdade e a justiça do Reino tomem corpo.
"Tomando o pão, deu graças, partiu-o e deu-o aos seus discípulos dizendo: Tomai todos e comei. Isto é o meu corpo que será entregue por vós. Fazei isto em memória de mim". Com estas palavras e gestos, o Senhor tornou o pão e o vinho sinais eloquentes, simples, densos da acção do Espírito Santo, sinais através dos quais Deus comunica profundamente a salvação, em Cristo Jesus, a toda criatura que, de forma adequada, deles se apropriam.
Por fim, podemos dizer que a Eucaristia é verdadeiramente o alimento viatorum para os fiéis a caminho na história, rumo à vida eterna. Ela torna-nos verdadeiramente livres, plenos e fiéis em Cristo.
É deste augusto mistério que a celebração de Corpus Christi nos convida a contemplar, a celebrar. Todos nós participamos do mesmo pão da unidade. Da unidade do corpo do Senhor, a Sua Igreja.
  
 Fazer festa pela passagem de Cristo na cidade 
 “Em cada domingo celebramos, na verdade, o mistério do Corpo e Sangue do Senhor. E todavia a Igreja dedica dois dias especiais a este mistério da fé, ao longo do ano litúrgico: a quinta-feira santa e, no fim do tempo pascal, esta quinta-feira da festa do Corpo de Deus”.
Esta festa “é caracterizada pela grande procissão citadina para reafirmar os laços entre a eucaristia e a humanidade, entre a eucaristia e a cidade”. “É justo fazer festa à passagem do Senhor e é oportuno e significativo que se faça publicamente. Não só cada um de nós em particular tem necessidade do Senhor na sua intimidade. Também a nossa sociedade, as nossas cidades e toda a vida associada tem necessidade de um homem como Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
Temos necessidade de que o Senhor continue a caminhar pelas nossas ruas como fazia nos anos da sua vida terrena”, porque “só ele é capaz de falar ao nosso coração por vezes triste e desanimado, acompanha os nossos passos no difícil caminho da vida, se comover pelas multidões deste mundo tantas vezes abandonadas ao seu destino triste, sabe cuidar de nós e curar os nossos sofrimentos e as nossas feridas íntimas, dá luz, conforto, alegria e paz, corrige com paciência o nosso modo de viver mesquinho, egoísta e avaro, nos atrai, nos aproxima uns dos outros, nos reconcilia e une para além das diferenças e divisões”.
Atravessar as ruas das nossas cidades e aldeias não é uma procura “para receber um tributo exterior de homenagem, mas para atravessar os caminhos do nosso coração, das nossas relações, dos nossos encontros e desencontros e tornar-nos mais semelhantes a Ele”.
 

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