|
A morte |
|
|
|
Já pensaste na tua morte?
Pensar na morte não
é exagero, mas ajuda a trilhar um caminho de santidade
A tradição cristã
sempre ensinou a meditar na morte como objectivo, porém, de buscar a perfeição
proposta pelo Evangelho. São João Bosco por exemplo, instituiu para os
salesianos o retiro da boa morte.
O livro “A imitação
de Cristo” no trecho -XXIII – Da meditação da morte – ajudam-nos a aprofundar esta reflexão:
“Mui depressa
chegará o teu fim neste mundo; vê, pois, como te preparas: hoje está vivo o
homem, e amanhã já não existe. Entretanto, logo que se perdeu de vista, também
se perderá da memória. Ó cegueira e dureza do coração humano, que só cuida do
presente, sem olhar para o futuro!
De tal modo te deves
haver em todas as tuas obras e pensamentos, como se fosse já a hora da morte.
Se tivesses boa consciência não temerias muito a morte. Melhor fora evitar o
pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã?
O dia de amanhã é incerto, e quem sabe se te será concedido?”
Olha, meu caro
irmão, de quantos perigos te poderias livrar e de quantos terrores fugir, se
sempre andasses temeroso e desconfiado da morte.
Procura agora de tal
modo viver, que na hora da morte te possas antes alegrar que temer. Aprende
agora a desprezar tudo, para então poderes voar livremente a Cristo. Castiga
agora o teu corpo pela penitência, para que possas então ter legítima
confiança.”
Para a fé cristã a
morte não é um fim, mas uma passagem. Ao meditar sobre a morte o cristão não
está a desejar morrer, mas viver bem, para bem morrer.
“A fé faz que
saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatifica, termo da
nossa caminhada nesta Terra. Então veremos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12),
«tal como Ele é» (1 Jo 3, 2). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna:
«Enquanto, desde já, contemplamos os benefícios da fé, como reflexo num espelho,
é como se possuíssemos já as maravilhas que a nossa fé nos garante havermos de
gozar um dia» (40).” Catecismo da Igreja Católica 163
O Advento do Senhor
O Advento do Senhor
virá para todos, mesmos os não crentes. Contudo, para os crentes, conscientes
dessa verdade, torna-se necessário estar bem preparados. O Senhor virá a cada
um em particular, ou virá para todos no fim dos tempos. Essa certeza, deve
incutir na nossa alma a alegria e esperança e não desespero.
Jacobe de Varazze,
em Legenda Áurea Vida dos Santos, cita Agostinho ao relatar sobre a morte
humana e sobre o primeiro e o último advento do Senhor:
“Agostinho fornece
três motivos da utilidade do Advento de Cristo: Neste século entregue à
malícia, nada há além de nascer, trabalhar e morrer. Estas são nossas
mercadorias, e foi para obtê-las que o mercador desceu. Como todo o mercador dá
e recebe, dá o que tem e recebe o que não tem, Cristo, neste mercado, dá o que
tem e recebe o que existe aqui na terra em abundância, o nascimento, o trabalho
e a morte. Em troca permite renascer, ressuscitar e reinar eternamente. Esse
mercador celeste vem a nós para receber desprezo e dar honras, para sofrer a
morte e outorgar a vida, para esgotar a ignomínia e dar a glória.
Sendo assim,
enquanto peregrinos desta terra, procuremos viver cada dia como se fosse o
último!
|
|
|
O último pedido de Santa Mónica |
|
|
|
O último
pedido de Santa Mónica
Antes de morrer, a mãe de Santo Agostinho não se preocupou
com o seu corpo, “não desejou ter um rico monumento, nem mesmo ter sepultura na
própria pátria”. O seu último desejo era outro, bem diferente…
Na Nova Lei nós temos o santo Sacrifício da Missa, do qual os
vários sacrifícios da lei mosaica eram apenas frágeis figuras. O Filho de Deus
o instituiu, não só como uma digna homenagem prestada pela criatura à Divina
Majestade, mas também como uma propiciação pelos vivos e pelos mortos, isto é,
como um meio eficaz de aplacar a Justiça Divina, afrontada pelos nossos
pecados.
O santo Sacrifício da Missa era celebrado pelos defuntos
desde o tempo da fundação da Igreja. “Nós celebramos o aniversário do triunfo
dos mártires”, escreve Tertuliano no século III (De Corona, c. 5), “e, de
acordo com a tradição de nossos pais, nós oferecemos o santo Sacrifício pelos
defuntos no aniversário das suas mortes.”
“Não restam dúvidas”, escreve por sua vez Santo Agostinho
(Serm. 34, De Verbis Apost.), “que as orações da Igreja, o santo Sacrifício, as
esmolas distribuídas pelos falecidos, aliviam essas santas almas e incitam Deus
a tratá-las com mais clemência do que merecem os seus pecados. Trata-se da
prática universal da Igreja, uma prática que ela observa por ter recebido dos
seus antepassados, isto é, dos Apóstolos.”
Santa Mónica, a valorosa mãe de Santo Agostinho, quando
estava prestes a expirar, pediu ao seu filho uma só coisa: que ele se lembrasse
dela diante do altar do Senhor. Este santo Doutor, por sua vez, ao relatar em
suas Confissões (l. IX, c. 11-13) esse incidente comovedor, suplica a todos os
seus leitores que se unam a ele e encomendem a sua mãe a Deus durante o santo
Sacrifício da Missa.
Querendo voltar para a África, Santa Mónica foi com Santo
Agostinho até Óstia, para embarcar; mas ela caiu doente e rapidamente sentiu
que o seu fim se aproximava. “Enterrai este corpo em qualquer lugar”, disse ela
ao seu filho, “e não vos preocupeis com ele. Faço-vos apenas um pedido: lembrai-vos
de mim no altar do Senhor, seja qual for o lugar em que estiverdes”.
Não nos parecia justo celebrar o funeral com lamentos e
choros, pois estas demonstrações servem usualmente para deplorar a morte como
infelicidade ou aniquilamento total, ao passo que esta morte não era uma
desgraça, nem era para sempre. Estávamos certos disso pelo testemunho dos seus
costumes, pela sinceridade da sua fé e por outros motivos bem fundados. O que é
que me fazia então sofrer interiormente, senão a chaga recente causada pela
ruptura inopinada de um hábito tão suave e querido da vida em comum? […]
Curado já o meu coração da ferida, pela qual podia ser
repreendido por um apego demasiadamente carnal, derramo agora diante de ti, meu
Deus, pela tua serva, um tipo bem diferente de lágrimas, as que brotam de um
coração comovido pelos perigos que corre todo o homem que deve morrer em Adão.
É verdade que ela, regenerada em Cristo, ainda antes de ser
libertada da carne, vivia de tal modo que o teu nome era glorificado na sua fé
e nos seus bons costumes. Contudo, não ouso afirmar que desde o tempo em que a
regeneraste pelo batismo não tenha escapado da sua boca alguma palavra contra a
tua Lei. […] Ai do homem, mesmo de vida irrepreensível, se tu o julgares sem
misericórdia! […]
Por isso, Deus do meu coração, minha glória e minha vida,
esquecendo por um momento as boas obras da minha mãe, pelas quais te dou graças
alegremente, peço-te perdão pelos seus pecados. Ouve-me, pelos méritos daquele
Médico das nossas feridas, que foi suspenso no madeiro e que, sentado à tua
direita, intercede por nós.
Sei que ela agiu sempre com misericórdia e que perdoou de
coração as faltas contra ela cometidas. Perdoa-lhe também as suas faltas, se
algumas cometeu em tantos anos de vida depois do baptismo. Perdoa, Senhor,
perdoa, eu te suplico, e “não chames a juízo a tua serva” (Sl 142, 2). Que a
misericórdia triunfe sobre a justiça. As Tuas palavras são verdadeiras, e
prometeste misericórdia aos misericordiosos. […]
Eu creio que já fizeste tudo o que peço, mas acolhe, Senhor,
as livres oferendas dos meus lábios. Aproximando-se o dia da sua morte, a minha
mãe não se preocupou em ter o seu corpo sumptuosamente revestido ou embalsamado
com aromas, não desejou ter rico monumento, nem mesmo ter sepultura na própria
pátria. Não nos pediu nenhuma destas coisas, mas desejou somente que nos
lembrássemos dela diante do teu altar, ao qual ela não deixou um só dia de
servir, porque sabia que aí se oferece a Vítima santa, pela qual ‘foi destruído
o libelo contra nós’ (Cl 2, 14). […]
Que ela repouse em paz ao lado do marido, antes e depois do
qual a ninguém ela desposou. Serviu a ele, oferecendo-te os frutos da paciência
para o ganhar para ti. E inspira, meu Senhor e meu Deus, inspira aos teus
servos, aos meus irmãos, aos teus filhos, aos meus senhores, a quem sirvo com o
coração, com a voz e com a pena, a fim de que, ao lerem estas páginas, se
lembrem, diante do teu altar, de Mónica tua serva, e de Patrício, outrora seu
esposo, pelos quais me introduziste misteriosamente nesta vida. Que se lembrem
com piedosa emoção dos que foram meus pais nesta vida transitória […].
Assim, o último desejo da minha mãe será satisfeito, graças
às minhas Confissões, e mais abundantemente com as orações de muitos, do que
somente com as minhas.
Esta bela passagem de Santo Agostinho mostra-nos qual era a
opinião deste grande Doutor quanto aos sufrágios oferecidos pelos defuntos, e
fazem-nos ver claramente que o maior de todos os sufrágios é o santo Sacrifício
da Missa.
|
|
|
Será possível comunicar com os falecidos? |
|
|
|
Será possível
comunicar com os falecidos?
- Por Dom Frei
Boaventura Kloppenburg
Nós, cristãos católicos, acreditamos na imortalidade da alma
e professamos a nossa fé “na comunhão dos santos”. Não seria possível, então,
que os falecidos comunicassem connosco?
Nós cristãos católicos admitimos e proclamamos a imortalidade
da alma. Cremos na sua sobrevivência consciente logo depois da separação do
corpo pela morte. Acreditamos que as almas dos falecidos continuam solidárias
com os que ainda vivemos nesta peregrinação terrestre. Professamos a nossa fé
na comunhão dos santos. Podemos comunicar com os falecidos mediante a oração
invocativa.
Não seria possível, então, que os falecidos também comunicassem
connosco?
A doutrina cristã sobre a comunhão dos santos refere-se à
comunicação mútua de bens espirituais, no plano inteiramente imperceptível da
fé. É certo que a Bíblia menciona várias vezes aparições perceptíveis de
espíritos do além. Assim o evangelista Lucas relata que “o anjo Gabriel foi
enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem
desposada com um varão chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era
Maria. Entrando na casa onde ela estava, disse-lhe: Alegra-te, cheia de graça,
o Senhor é contigo” (Lc 1, 26-28). Jesus ressuscitado apareceu a Saulo a
caminho de Damasco e falou com ele (cf. At 9). A Igreja aprovou aparições de
Nossa Senhora em Lourdes e em Fátima.
Trata-se, nestes casos, evidentemente, de comunicações
perceptíveis vindas do além. A fé cristã, por conseguinte, admite não somente a
mera possibilidade de comunicações sensíveis, mas afirma factos reais deste
tipo de trato entre o além e o aquém.
Não devemos, porém, esquecer que Lucas diz que o Anjo “foi
enviado por Deus”. Quem negará a Deus todo-poderoso a capacidade de nos enviar os
seus mensageiros?
Quando Deus manda, a iniciativa é sua; e a consequente
manifestação do além toma para nós um caráter espontâneo.
Bem outra é a situação quando a iniciativa é nossa, querendo
nós provocar alguma conversação com entidade do além. Quem pretende provocar a
manifestação de algum falecido para dele receber mensagem ou notícia pratica um
ato chamado pelos antigos de necromancia, expressão que vem do grego nekrós =
falecido e manteia = adivinhação. E quem intenta comunicar com o além com o fim
de o pôr ao serviço do homem realiza um ato já conhecido pelos antigos como
magia. Quando a esperada ação da evocada entidade do além é a favor do homem ou
para o bem, chama-se magia branca, mas será sempre “magia”. E se for para o
mal, será magia negra ou malefício, feitiçaria, bruxaria.
Tais comunicações provocadas do além, na forma de
necromancia, ou na de magia (branca ou negra, pouco importa), são conhecidas
também como evocação. Há diferença fundamental entre invocação e evocação: esta
sempre pretende uma comunicação perceptível provocada por iniciativa do homem;
aquela é apenas uma forma de prece ou súplica.
É evidente que a invocação é um ato bom e cristão, expressão
da comunhão dos santos.
Mas que dizer da evocação?
Para esta pergunta recebemos da revelação divina resposta
clara e insistente:
•Êxodo 22, 17: “Não deixarás viver os feiticeiros”. Aqui, a
palavra “feiticeiros” engloba todos os que praticam qualquer tipo de evocação:
necromantes e magos, sem excluir os que se entregam à magia branca. Deviam ser
condenados à morte.
•Levítico 19, 31: “Não vos voltareis para os necromantes nem
consultareis os adivinhos, pois eles vos contaminariam. Eu sou Iahweh, vosso
Deus”.
•Levítico 20, 6: “Aquele que recorrer aos necromantes e aos
adivinhos para ter comunicação com eles, voltar-me-ei contra esse homem e o
exterminarei do meio do seu povo”. Portanto são condenados também os que
simplesmente consultam os necromantes.
•Levítico 20, 27: “O homem ou a mulher que entre vós forem
necromantes ou adivinhos serão mortos; serão apedrejados, e o seu sangue cairá
sobre eles”.
•Deuteronómio 18, 10-14: “Que no teu meio não se encontre
alguém que faça presságio, oráculos, adivinhação ou magia, ou que pratique
encantamentos, que interrogue espíritos ou adivinhos, ou evoque os mortos, pois
quem pratica estas coisas é abominável a Iahweh, e é por causa destas
abominações que Iahweh teu Deus os desalojará em teu favor. Tu serás íntegro
para com Iahweh teu Deus. Eis que as nações que vais conquistar ouvem oráculos
e adivinhos. Quanto a ti, isso não te é permitido por Iahweh, teu Deus”.
•2 Reis 17, 17, enumerando as infidelidades de Israel, pelos
quais foi castigado: “… Praticaram a adivinhação e a feitiçaria e venderam-se
para fazer o mal na presença de Iahweh, provocando a sua ira. Então Iahweh
irritou-se sobremaneira contra Israel e arrojou-o para longe da sua face…”
•2 Reis 21, 6: descrição dos crimes do rei Manassés:
“Praticou encantamentos e a adivinhação, estabeleceu necromantes e adivinhos e
multiplicou as ações que Iahweh considera más, provocando assim a sua ira”.
•Isaías 8, 19-20: o profeta levanta-se contra aqueles que
dizem: “Consultai os necromantes e os adivinhos que sussurram e murmuram”.
•Destaque especial merece a consulta do rei Saul à necromante
de Endor, narrada em 1 Samuel 28, 3-25. Estando em dificuldades na guerra
contra os filisteus, e sem saber o que fazer, o rei Saul disse aos seus servos:
“Buscai-me uma necromante para que eu lhe fale e a consulte”. Informaram-no os
servos que havia uma na localidade de Endor, ao sul do monte Tabor. Saul então
disfarçou-se e, de noite, acompanhado de dois homens, foi à casa da necromante
(os espíritas diriam “médium”) e pediu-lhe para evocar o falecido Samuel.
Segundo o texto, Samuel de facto compareceu e disse a Saul: “Por que perturbas
o meu repouso, evocando-me?” Saul respondeu: “É que estou em grandes angústias.
Os filisteus guerreiam contra mim, Deus afastou-se de mim, não me responde
mais. Então vim chamar-te para que me digas o que tenho que fazer”. Respondeu
Samuel: “Por que me consultas, se Iahweh se afastou de ti e se tomou o teu
adversário?” E anunciou-lhe os castigos de Deus.
•Em Eclesiástico 46, 20 lemos a respeito deste caso de
evocação: “Mesmo depois de morrer, (Samuel) profetizou, anunciou ao rei (Saul)
seu fim, do seio da terra elevou a sua voz para profetizar, para apagar a iniquidade
do povo”. Segundo os textos citados, parece que se deve admitir que o falecido
Samuel, evocado pela necromante de Endor, realmente compareceu. Todo o
contexto, todavia, deixa evidente que se trata de caso excepcional, sendo a
evocação não a causa, mas a ocasião aproveitada por Deus para autorizar o
comparecimento do falecido profeta e anunciar os castigos ao rei desobediente e
infiel. Deste episódio singular não se pode inferir que nos outros casos os
necromantes e magos conseguissem de facto fazer comparecer os falecidos
evocados.
•Aliás, em 1 Crónicas 10, 13-14, somos assim informados
acerca do fim do rei: “Saul pereceu por se ter mostrado infiel para com Iahweh,
não seguira a palavra de Iahweh e, além disso, interrogara e consultara uma
necromante. Não consultou a Iahweh, que o fez perecer e transferiu a realeza a
David, filho de Jessé”.
Clara, repetida, enérgica e severíssima é, pois, a proibição
divina de evocar os falecidos. E este mandamento divino não foi revogado na
Nova Aliança. Eis alguns exemplos:
•Em Atos 13, 6-12, Paulo e Barnabé encontram em Patos um
judeu “mago e falso profeta”, que se opunha à missão apostólica dos dois.
Paulo, repleto do Espírito Santo, disse-lhe: “Filho do diabo, cheio de toda a
falsidade e malícia, inimigo de toda a justiça, não cessas de perverter os
retos caminhos do Senhor? Eis que agora o Senhor faz pesar sobre ti a sua mão”.
•Em Atos 16, 16-18, Paulo, estando em Filipos, dá com uma
jovem escrava “que tinha um espírito de adivinhação e obtinha para os seus amos
muito lucro, por meio de oráculos”. Paulo disse ao espírito que estava na
jovem: “Eu te ordeno em nome de Jesus Cristo: sai desta mulher!” E o espírito
saiu no mesmo instante.
•Em Atos 19, 11-20 descreve-se a atividade e a pregação de
Paulo em Éfeso, com este resultado: “Muitos daqueles que haviam crido vinham-se
confessar e revelar as suas práticas. Grande número dos que se tinham dado à
magia amontoavam os seus livros e queimavam-nos na presença de todos. E estimaram
o valor deles em cinquenta mil peças de prata”. Deviam ser muitos os livros de
magia! O facto de eles queimarem estes livros só se explica se admitirmos que o
Apóstolo falou fortemente contra as práticas da magia.
•Na carta aos Gálatas (5, 20-21) declara o mesmo Apóstolo que
os que praticam a magia “não herdarão o Reino de Deus”.
•E São João, no Apocalipse, revela que a porção dos magos se
encontra no lago ardente de fogo e enxofre (21, 8); e que, na hora do
julgamento, os magos ficarão de fora da Cidade Eterna (22, 15).
Posteriormente, a Igreja sempre se manteve fiel a esta
rigorosa interdição divina de evocar os falecidos. No último Concílio, o
Vaticano II, em 1964, a Constituição Lumen Gentium, temendo que a doutrina
sobre a nossa comunicação espiritual com os falecidos pudesse dar azo a
interpretações do tipo espiritista, acrescentou ao texto do n. 49 a nota n. 2
(no site do Vaticano, n. 147), “contra qualquer forma de evocação dos
espíritos“, coisa que, esclareceu a comissão teológica responsável pela redação
do texto, nada tem a ver com a “sobrenatural comunhão dos santos”. A comissão
definiu então mais claramente o que se proibia: “A evocação pela qual se
pretende provocar, por meios humanos, uma comunicação perceptível com os
espíritos ou as almas separadas, com o fim de obter mensagens ou outros tipos
de auxílio”.
O Concílio Vaticano II remete-nos então a vários documentos
anteriores da Santa Sé (já no dia 27 de setembro de 1258 o papa Alexandre IV
falara disso), principalmente à declaração de 4 de Agosto de 1856 (cf. Denz. 2823-2825)
e à resposta de 24 de Abril de 1917 (cf. Denz. 3642). Na declaração de 4 de Agosto
de 1856, precisamente quando Allan Kardec se iniciava no espiritismo, era
repetida a proibição de “evocar as almas dos mortos e pretender receber as suas
respostas”. No documento de 24 de Abril de 1917 declara-se ilícito “assistir a
sessões ou manifestações espiritistas, sejam realizadas ou não com o auxílio de
um médium, com ou sem hipnotismo, sejam quais forem estas sessões ou
manifestações, mesmo que aparentemente simulem honestidade ou piedade; quer
interrogando almas ou espíritos, ou ouvindo-lhes as respostas, quer assistindo
a elas com o pretexto tácito ou expresso de não querer ter qualquer relação com
espíritos malignos”.
No dia 31 de Março de 1892 a Santa Sé publicou a sua resposta
oficial a um caso imaginado de evocação no qual as circunstâncias descritas
eram as mais favoráveis. Eis a exposição do caso, a pergunta e a resposta:
“Tito, depois de
excluir qualquer comunicação com o mau espírito, tem o costume de evocar as
almas dos defuntos. Costuma proceder da seguinte maneira: Quando está só, sem
outra preparação, dirige uma prece ao príncipe da milícia celeste para obter
dele o poder de comunicar com o espírito de determinada pessoa. Espera algum
tempo; depois, enquanto conserva a mão pronta para escrever, sente um impulso
que lhe dá a certeza da presença do espírito. Expõe então as coisas que deseja
saber e a sua mão escreve as respostas a estas questões. Tais respostas
concordam inteiramente com a fé católica e a doutrina da Igreja acerca da vida
futura. Geralmente elas falam sobre o estado em que se encontra a alma do tal
falecido, pedem sufrágios etc. É lícito proceder desta maneira?” — A resposta
oficial, aprovada pelo papa Leão XIII, foi categórica: ”O que foi exposto não é
permitido“.
|
|
|
O significado das exéquias para os cristãos |
|
|
|
Qual é o
significado das exéquias para os cristãos?
O Catecismo da Igreja Católica ajuda-nos a compreender o que
são as exéquias
A palavra exéquias provém do verbo latino exsequi, que
significa “seguir” e refere-se ao cortejo fúnebre que segue o corpo do defunto
até ao túmulo. Para entender o significado cristão disto, encontramos uma
profunda explicação das exéquias no Catecismo da Igreja Católica.
A primeira parte do Catecismo apresenta-nos as verdades da fé,
o Credo. A segunda parte refere-se à Celebração do Mistério Cristão; a terceira
parte à moral cristã, definida como “vida em Cristo”; e a última parte à oração
cristã (na qual se destaca o comentário sobre o ‘Pai-Nosso’).
A reflexão sobre as exéquias encontra-se na segunda parte,
depois da explicação sobre os sacramentos (Batismo, Confirmação, Eucaristia,
etc.).
Reflexões
Algumas reflexões do Catecismo sobre as Exéquias.
Antes de tudo, há um item sobre “A última Páscoa do cristão”.
Aqui, lembra-se que a Morte e a Ressurreição de Cristo revelam para nós o
sentido da nossa morte: o cristão que morre em Cristo Jesus “abandona este
corpo para ir morar junto do Senhor” (2 Coríntios 5,8).
A Igreja, como mãe, acompanha o cristão no termo da sua
caminhada para entregá-lo ‘nas mãos do Pai’. Em seguida, fala-se explicitamente
sobre “A celebração das exéquias”.
A morte não nos separa dos falecidos: nós permanecemos “em
comunhão” com eles. Eles estão em Deus e rezam por nós; e vice-versa. Na vida
presente, muitas vezes, a fé é misturada com pecados de fraqueza e egoísmo,
que, mesmo assim, não rompem de maneira radical a comunhão com Deus e com os
irmãos. Então, logo após a morte, os cristãos vão completar a sua conversão: e
aqui encontramos a fé católica na existência do Purgatório. Vivos e falecidos
permanecem, pois, unidos, e rezam reciprocamente uns pelos outros, para que a
conversão total a Cristo seja completa.
A esse respeito, é bom lembrar a origem da palavra
“cemitério”. Na língua grega koimeterion (κοιμητήριον) significa “lugar de
repouso”, dormitório. Sim, mas quem vai dormir, depois do descanso, levanta-se.
E nós nos levantaremos, também, no dia da ressurreição: para viver com Cristo,
que destruirá a morte para sempre. A palavra “cemitério” aponta, pois, para o
sentido profundamente cristão da morte.
Quanto à Missa de sétimo dia, é importante lembrar que a
Eucaristia é a celebração mais solene dos cristãos, na qual anunciamos a morte
do Senhor que ressuscitou, que nos ressuscitará e está presente na Eucaristia
como semente de ressurreição. Podemos, então, afirmar que este é o “momento
forte” das exéquias cristãs.
Nós cristãos somos chamados a ser missionários, quer dizer,
anunciadores da morte-ressurreição de Cristo, que dá um novo sentido à vida e à
morte. As exéquias são, pois, um “momento de graça” para renovar a nossa fé e
para a proclamar.
|
|
|
Dúvidas sobre a morte, purgatório, céu, inferno |
|
|
|
Dúvidas sobre morte, purgatório, céu,
inferno - Pe. Reginaldo Manzotti
A vida é um dom de
Deus, porém estamos de passagem neste mundo e a qualquer momento podemos perder
alguém querido, alguém que amamos. Quem não perdeu é bom estar preparado, pois
se existe algo certo na vida, é a morte. Ao olharmos para a morte devemos
valorizar a vida, como uma forma e oportunidade de nos prepararmos para a
eternidade com Deus.
O próprio Jesus
garante que é da vontade do Pai que não se perca nenhum daqueles que lhe deu, e
que todo aquele que n’Ele crê tenha a vida eterna, e o ressuscitará no último
dia (Jo 6, 37-40).
Como cristão
católico, como encarar a morte, como lidar com a dor da perda?
Para os que crêem, a
vida não é tirada, mas transformada. Assim como a semente que, ao cair na terra
morre e dessa morte brota a nova vida, cremos que a morte é a passagem para a
ressurreição, a nova vida em Cristo.
O fundamento para
nossa fé em torno da vida nova que começa na morte, está na ressurreição de
Jesus Cristo. Este é o ponto principal de tudo, Jesus venceu a morte e
ressuscitou, esta certeza da fé descarta completamente qualquer ideia de
reencarnação.
Deus ressuscitou seu
filho Jesus, como nos exorta São Pedro: Bendito seja Deus, o Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela
ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para
uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós
nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa
fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos” (1Pd1,3-5).
Mas existe o
purgatório, o céu e o inferno?
O novo catecismo da
Igreja Católica coloca-nos em base a dois fundamentos: primeiro é a bíblia; o
segundo é o magistério da Igreja.
Magistério da igreja
é a tradição comum das comunidades, por isso vamos olhar para a bíblia e para o
magistério. Quando rezamos o Credo, dizemos: Creio na ressurreição dos mortos…
A Igreja ensina que
na hora da morte no momento em que fechamos os olhos, toda a pessoa passa pelo
chamado juízo particular.
O que é o Juízo
particular?
Afirma o Catecismo
da Igreja Católica: “Cada homem, na sua alma imortal, recebe a retribuição
eterna a partir da sua morte, num Juízo Particular feito por Cristo, juiz dos
vivos e dos mortos” (CIC 1051).
No Juízo particular
a vida passa como um filme diante de nós, na hora da morte. Ninguém sabe se é
por uma fracção de segundos, mas a vida passa diante dos nossos olhos. E, nesse
juízo particular a pessoa vê toda a sua vida, mas vê-a sob a luz da verdade. E
a luz da verdade é Cristo.
Continua o Catecismo
da Igreja Católica: “Cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna
a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca a sua vida em
relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação, seja para entrar de
imediato na felicidade do céu, seja para se condenar de imediato e para sempre”
(CIC 1022).
Então, acreditamos
que imediatamente após a morte a nossa alma já terá o seu destino eterno
definido.
O céu, para aqueles
que morreram em estado de beatitude, como por exemplo: Nossa Senhora e os
santos. Cremos que foram directos para Deus.
O purgatório para
aqueles que estão destinados ao céu, mas antes têm de viver o estado de
purificação.
E o inferno, para
aqueles que não aceitam a salvação, concedida por Deus.
Existe um céu?
O céu é o anseio último
de toda a alma. O ser humano foi feito para ficar junto com Deus, então o que o
céu é o estado de profunda comunhão com Deus, um estado de intimidade de amor
com Deus. Jesus garante que na casa do Pai há muitas moradas e que nos iria preparar
um lugar (Jo 14,2).
E o inferno?
O inferno existe
sim, começa aqui e vai além.
Deus não condena
ninguém ao inferno. O inferno é uma auto- exclusão da graça, é uma pessoa que
no uso do seu livre arbítrio rompeu com Deus, em pecado grave e insistiu em
permanecer no pecado grave.
Mas há almas,
pessoas que na hora da morte no juízo particular não romperam com Deus, ainda
há muito que ser purificado e é nesta dimensão que existe o purgatório.
O que é o
purgatório?
Purgatório não é
lugar, mas um estado de purificação das almas após a morte. O nosso Catecismo
ensina: “Aqueles que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente
purificados, estão certos da sua salvação eterna, mas sofrem uma purificação
após a morte, para obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu” (CIC
1030).
A Igreja chama
Purgatório a esta purificação final dos eleitos que é absolutamente distinta do
castigo dos condenados. (CICI 1031).
Biblicamente a
crença na existência do purgatório encontra-se no Antigo Testamento, em 2
Macabeus 12, 39-45.
O Novo Testamento
faz algumas alusões sobre o purgatório (Mt 12, 31; Lc 12, 45-48.58-59)
A Igreja também viu
uma figura do purgatório nos textos da Primeira Carta de São Pedro: “Pois
também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados – o Justo pelos injustos –
para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte na sua carne, mas foi vivificado
quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que
eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido
rebeldes, Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que,
embora sejam condenados na sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto
ao espírito”. (1Pd 3,18-19; 4,6)
São Gregório Magno,
Papa e doutor da Igreja, falou a respeito da existência do purgatório: “No que concerne a certas faltas leves,
deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que
afirma Aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver cometido uma
blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século
nem no século futuro (Mt 12,31). Desta afirmação podemos deduzir que certas
faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século
futuro”. (dial. 4, 39)
Por que rezar pelos
mortos?
Este ensinamento
apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada
Escritura diz: “Eis porque ele [Judas Macabeu] mandou oferecer esse sacrifício
expiatório pelos que tinham morrido, para que fossem absolvidos do seu pecado”
(2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos
defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício
eucarístico (DS 856), para que, purificados, eles possam chegar à visão
beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as
obras de penitência em favor dos defuntos. (CIC 1032)
A respeito da oração
pelos mortos diz o Didaqué (ou doutrina dos 12 Apóstolos): “Ao fazerdes as
vossas comemorações, reuni-vos, lede as Sagradas Escrituras… tanto em vossas
assembleias como nos cemitérios. O pão duro que o pão tiver purificado e que a
invocação tiver santificado, oferecei-o orando pelos mortos”.
E São João Paulo II,
ensina: ”Orando pelos mortos, a Igreja contempla, antes de tudo, o mistério da
Ressurreição de Cristo que nos obtém a vida eterna”.
Mas quem está no céu
não precisa de oração, e, quem está no inferno sinceramente as nossas orações
de pouco vão valer, mas aqueles que estão no purgatório, para estes sim devemos
rezar.
Novamente, como
razão porque devemos rezar pelos mortos, volta-nos o texto de Mateus, onde
Jesus diz, quem pecar contra o espírito esse pecado não pode ser purificado nem
neste século nem no século seguinte, é o que nos faz entender que pecados
cometidos em vida podem ser purificados em séculos vindouros. (Mt 12, 31)
É daí que vem o
fundamento de mandar rezar missas, pois assim podemos adiantar o estado de
purificação dos que morreram.
A morte nunca foi
vontade de Deus, ela entrou no mundo pelo pecado original. Deus fez os seus
filhos para a eternidade. A morte é uma contingência humana, faz parte da
fragilidade do ser humano.
O Filho de Deus foi
para a morte e depois Deus ressuscitou-O.
Deus fez-nos para
vivermos para sempre.
Por isso a tristeza,
a amargura e o desânimo, isto tudo é somente a vida que nos traz. Deus fez-nos
para vivermos em intimidade com ele. Nós somos feitos para sermos santos, como o
nosso Deus é Santo.
|
|
|
10 coisas de que não me vou arrepender de fazer antes de morrer |
|
|
|
10 coisas de que nunca me
vou arrepender de fazer antes de morrer:
1. Fazer o
bem a todos;
2. Não falar
mal de ninguém;
3. Reflectir
antes de falar;
4. Não falar
quando eu estiver agitado;
5. Ajudar os
menos afortunados;
6. Admitir os
meus erros;
7. Ser
paciente com todos;
8. Ouvir,
mas não para fofocar;
9. Não
acreditar em coisas desagradáveis sobre os outros;
10. Preparar-me
para a morte.
|
|
|
O maior segredo para viver bem |
|
|
|
O maior
SEGREDO para viver bem!
Se quiseres viver bem, procura, durante o tempo de vida que
te resta, viver a pensar sempre na morte.
Ao veres um túmulo, ao assistires às exéquias de um amigo ou
parente, ao veres um cadáver a ser levado à sepultura, contempla nisso a tua
própria imagem e o que um dia há de ser de ti.
Reflecte então e diz contigo: dentro de poucos anos, talvez
meses ou dias, tudo acabará para mim; o meu corpo será apenas podridão e
vermes. Estando então perdida a alma, tudo estará perdido para mim, e perdido
para sempre.
Assim fizeram os Santos, que agora reinam no Céu; desta maneira
chegaram a desprezar todos os bens desta terra, venceram as tentações mais
fortes, e subiram a alta santidade.
Job dizia à podridão: Tu és meu pai; e aos vermes: vós sois
minha mãe e minha irmã.
São Carlos Borromeu conservava sempre sobre a mesa uma
caveira, para a ter continuamente diante dos olhos.
O cardeal Barónio fez gravar no seu anel estas palavras: “Lembra-te
da morte”. O Bem-aventurado Juvenal, bispo de Saluzzo, escreveu sobre uma
caveira estas palavras: O que tu és, fui eu; o que eu sou, tu serás um dia.
Outro santo solidário, perguntado na hora da morte porque
estava tão alegre, respondeu: Sempre tive a lembrança da morte diante dos
olhos; por isso, agora que ela vem, não vejo coisa nova.
São Camilo de Lelis, ao ver os túmulos, dizia: Se estes
defuntos voltassem ao mundo, quanto não fariam pela vida eterna! E eu, que
ainda tenho tempo, que faço pela minha alma?
Mas tu, meu irmão, tens talvez razão para temer que sejas
aquela figueira sem fruto da qual disse o Senhor: Já há três anos que venho
procurar fruto nesta figueira, e não o acho.
Tu que estás no mundo há mais de três anos, que fruto tens
produzido? Considera, diz São Bernardo, que o Senhor não te procura somente
flores; mas quer também frutos; isto é, bons desejos e propósitos, e também
obras santas.
“Considera-te desde já
como morto”
Saibamos aproveitar o tempo que Deus nos dá na sua misericórdia,
e não esperemos para fazer o bem até que não haja mais tempo, e se nos diga: É
tempo de partir deste mundo; vamos depressa; o que está feito, está feito.
Considera-te, diz São Lourenço Justiniano, considera-te desde
já como morto, já que é certo que deves morrer. Se já estivesses morto, quanto
não quererias ter feito!
Diz São Boaventura que o piloto para bem governar o navio,
coloca-se na popa: assim o homem, para levar uma vida boa, deve considerar-se
sempre como se estivesse para morrer.
Foi isto que fez São Bernardo dizer: considera os pecados da
tua mocidade e cora; considera os pecados da idade viril e geme; considera as
desordens da idade actual e treme e apressa-te em os remediar.
Eis-me aqui, meu Deus, sou aquela árvore que há tantos anos
mereceu ouvir a sentença: Corta-a; para que ocupa ainda a terra?
Sim, porque nos muitos anos em que estou no mundo, ainda não
dei outros frutos senão cardos e espinhos de pecados.
Mas Vós, Senhor, não quereis que eu desespere. Vós dissestes
que o que Vos procurar, Vos achará: Procuro-Vos, meu Deus, e desejo a Vossa
graça.
Detesto de todo o coração todas as ofensas que Vos fiz, e
quisera morrer de dor. Quero empregar o resto da minha vida em Vos amar e
honrar.
Sim, amo-Vos, ó meu soberano Bem, e, com o Vosso auxílio,
quero viver e morrer fazendo actos de amor a Vós, que por meu amor morrestes
sobre a cruz. Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.
Fonte: “Meditações para
todos os dias e festas do ano” de Santo Afonso de Ligório.
|
|
|
Como superar o sentimento de culpa durante o luto |
|
|
|
Como superar
o sentimento de culpa durante o luto
O luto saboreado ajuda a superar os transtornos e as
tristezas da sempre dolorosa perda de alguém querido
Não existe nenhuma pessoa, que não tenha passado pela
experiência da perda de um ente querido. Esta é uma experiência humana e
profundamente dolorosa.
Diante da morte, as reações são absolutamente únicas. Alguns
tentam ignorar a tristeza, outros acabam por se fechar em si mesmos. Existem
ainda os que reprimem a dor. Nada disso adianta! A dor é real e precisa de ser
corretamente vivida.
O luto é o tempo de que precisamos para retomar a nossa vida.
É um tempo difícil, mas muito importante. Muitas vezes, a pessoa sente um misto
de emoções: revolta, tristeza, conformismo, raiva, angústia e indignação. É
normal misturar sentimentos. O coração não é uma mesa com várias gavetinhas
onde separamos sentimentos, emoções e outros bichos. Por isso, é preciso
aprender a desabafar em Deus, mostrando-Lhe o coração ferido e magoado.
Fiz pelo falecido tudo o que estava ao meu alcance?
O luto saboreado ajuda a superar também as situações que
ficaram sem solução. Não é incomum a pessoa perguntar-se: Fiz pelo falecido
tudo o que estava ao meu alcance? Será que poderia ter feito de modo diferente?
Por que não fiquei mais tempo a seu lado?
O triste destas – inevitáveis – perguntas é que a pessoa
acaba por se autocondenar sempre. Com isto, tenta achar uma desculpa ou uma
justificativa. Alguns chegam a pensar que foram os culpados pela morte ou pela
doença da pessoa. Outros passam o resto da vida a tentar encontrar os porquês.
E se houver culpa?
Se houve culpa ou negligência, agora é hora de se apresentar
diante de Deus, com as suas dores e tristezas, mas, acima de tudo, com o
coração confiante de que Ele é misericordioso e poderoso o suficiente para
curar o seu coração ferido e magoado. Deus não nos condena, e a pessoa falecida
também não. A morte purifica tudo, inclusive as imperfeições dos nossos
relacionamentos.
Muitas vezes, uma boa confissão ajuda bastante nestas horas.
Diante de um sacerdote, abra o seu coração ferido. Não tenha medo de reconhecer
a sua culpa. Entregue a pessoa falecida a Deus. Fale com o sacerdote sobre as
dificuldades de relacionamento que tinha, sobre os pecados partilhados, as
palavras pesadas e omissões, e também sobre tudo o que acha que ficou a dever
ao ente querido.
Quando tenho a certeza de que o meu falecido está em Deus,
então não posso temer nenhuma conta a pagar. Quem está em Deus está livre.
Nenhuma ofensa atinge aquele que está no coração de Deus, porque quem morre no
Senhor chega à sua plenitude. Agora, do coração de Deus a pessoa vê com os
olhos iluminados pela graça e compreende os motivos pelos quais agiu ou deixou
de agir. Ao encontrar Deus, na plenitude da vida, tudo o que era imperfeito
será purificado.
É necessário saborear o luto
O luto saboreado ajuda a superar os transtornos e as
tristezas da sempre dolorosa perda de alguém querido.
Pena que muitos não pratiquem mais nenhum ritual de luto.
Tudo aparenta ser normal. Parece que nada mudou. No íntimo, todos sentem a
perda. Precisamos de saborear as etapas próprias do luto.
Velório, sepultamento, silêncio, missa de sétimo dia, de um
mês, de um ano. Durante os primeiros dias, reservamo-nos para acolher melhor a
dor da perda. Não adianta tomar remédio para amenizá-la; ela não deve ser
amenizada, mas sentida, saboreada de forma madura e equilibrada.
|
|
|
O que responder a uma criança quando ela perguntar se vai morrer |
|
|
|
O que
responder a uma criança quando ela perguntar se vai morrer?
Santa Teresinha do Menino Jesus dá-nos um bom ponto de
partida para a resposta
Depois do falecimento de uma pessoa próxima, as crianças costumam
fazer algumas perguntas sobre a morte, inclusive sobre a própria morte. Querem
saber se elas vão morrer também. E quando conseguimos – com a ajuda de algumas
piruetas e suave eufemismo – explicar-lhes a verdade, os pequenos continuam a perguntar:
“mas quando é que eu vou morrer?”
Nesse momento, temos que ter em conta a idade da criança e,
por fim, desistir de falar sobre a expectativa de vida e escolher entre o fácil
e o tranquilizador. É nessa hora que vem a famosa e simples resposta: “só Deus
sabe”.
Não esconder a verdade
Os psicólogos concordam: é importante não esconder a verdade
às crianças. Se elas fazem uma pergunta, é porque querem entender. Daí a
necessidade de dedicar um tempo para as ouvir (e tirar as dúvidas delas). Uma
criança ficará menos inquieta se souber a verdade.
A lição de Santa Teresinha
Os cristãos têm a sorte de poder oferecer uma resposta cheia
de esperança às perguntas sobre a morte:
A morte é a porta de entrada para a vida eterna.
Santa Teresa de Lisieux, quando escreveu ao abade Maurice
Bellière em Junho de 1887 (ela morreu em Setembro do mesmo ano), explicou:
“Desejaria dizer-lhe,
querido pequeno irmão, mil coisas que só agora, que estou às portas da
Eternidade, entendo. Mas eu não morro, entro na vida”.
Esta era uma intuição que ela já tinha desde muito pequena, quando
desejava a morte dos seus pais durante os seus arrebatos de ternura. A mãe de
Teresa, Célia Martin, citou numa carta: “As crianças são espertas sem igual,
[Teresa] acaba de me acariciar, desejando-me a morte: ‘Oh, quanto eu gostaria
que morresses, minha pobre mãe. Mas é para que vás ao Céu, pois me disseste que
é preciso morrer para ir até lá’”.
Sim, Santa Teresinha do Menino Jesus aprendeu que a
verdadeira pátria é o Céu. Por isso, nunca demonstrou medo diante da morte.
Como pais, tentemos incentivar um pouco esta confiança às almas atormentadas
dos nossos filhos.
|
|
|
O Vaticano recorda a proibição de espalhar as cinzas cremadas |
|
|
|
O Vaticano
recorda a proibição de espalhar as cinzas cremadas
A Nova instrução sobre sepultura e cremação sublinha
a importância de manter os restos mortais nos cemitérios ou locais sagrados
A Congregação para a Doutrina da Fé (Santa Sé) publicou no
dia 25 de Outubro uma instrução sobre a sepultura, recordando a proibição de
espalhar as cinzas da cremação e a necessidade de as conservar nos cemitérios
ou locais sagrados.
“Para evitar qualquer
tipo de equívoco panteísta, naturalista ou niilista, não seja permitida a
dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água ou, ainda, em qualquer outro
lugar”, refere a instrução ‘Ad resurgendum cum Christo’, assinada pelo cardeal
Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
A Igreja Católica deixa aos fiéis, desde 1963, a liberdade de
escolher a cremação do seu próprio corpo, embora prefira “a antiga tradição
cristã” da sepultação.
“Mediante a sepultura
dos corpos nos cemitérios, nas igrejas ou em lugares específicos para tal, a
tradição cristã conservou a comunhão entre os vivos e os mortos e opõe-se à
tendência a esconder ou privatizar o acontecimento da morte e o significado que
ela tem para os cristãos”, explica a nota.
Àqueles que tiverem optado pela cremação, concede-se a
possibilidade de celebrarem as exéquias cristãs, evitando práticas como as de
espalhar as cinzas ou conservá-las fora do cemitério ou de uma igreja.
O texto apresenta uma série de indicações sobre a conservação
dos restos mortais, em caso de cremação, sublinhando que esta prática “não
implica uma razão objetiva que negue a doutrina cristã sobre a imortalidade da
alma e da ressurreição dos corpos”.
No documento sublinha-se que a Igreja Católica exclui ainda a
conservação das cinzas cremadas “sob a forma de recordação comemorativa em
peças de joalharia ou noutros objetos”.
“No caso de o defunto
ter claramente manifestado o desejo da cremação e a dispersão das mesmas na
natureza por razões contrárias à fé cristã, devem ser negadas as exéquias,
segundo o direito”, acrescenta a nota.
Salvo em “circunstâncias gravosas e excecionais”, também não
é consentida a conservação das cinzas em casa; mesmo nos casos em que isso
aconteça, refere-se que as mesmas não devem ser divididas “entre os vários
núcleos familiares”.
“Quaisquer que sejam
as motivações legítimas que levaram à escolha da cremação do cadáver, as cinzas
do defunto devem ser conservadas, por norma, num lugar sagrado, isto é, no
cemitério ou numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim
determinado pela autoridade eclesiástica”, insiste a Santa Sé.
A nova instrução sustenta que as orientações agora divulgadas
pretendem evitar o “risco de afastar os defuntos da oração e da recordação dos
parentes e da comunidade cristã”, ou “práticas inconvenientes ou
supersticiosas”.
A Santa Sé rejeita que a cremação possa servir para promover
nos católicos conceções “erróneas” sobre a morte, como a do “aniquilamento
definitivo”, a “fusão com a Mãe natureza”, uma “etapa no processo da
reincarnação” ou a “libertação definitiva da ‘prisão’ do corpo”.
“Enterrando os corpos
dos fiéis defuntos, a Igreja confirma a fé na ressurreição da carne e deseja pôr
em relevo a grande dignidade do corpo humano como parte integrante da pessoa da
qual o corpo condivide a história”.
Em 2006 foi publicado em Portugal o novo Ritual das Exéquias,
com a principal novidade da presença de um capítulo especialmente orientado
para o caso em que se faz a cremação do cadáver.
|
|
|
Se pensas que ela se foi... |
|
|
|
SE PENSAS QUE ELA SE FOI...
A
ti que choras pela saudade
que ela deixou no coração...
A ti que se pergunta, entre lágrimas:
Por que se foi? Sabe que
Ela não foi...
Continua entre nós, de um modo diferente.
Está viva, de um modo diferente,
com certeza, do modo PERFEITO,
do modo de Deus viver em nós.
Não perguntes por que já foi, tão jovem...
Pergunta-te: por que veio?
Por que Deus nos teria dado esta pessoa?
O que ela veio fazer entre nós?
Ela veio porque tinha uma missão,
a missão de amar e ensinar a amar.
Foi um raio de luz, uma mensagem de Deus.
Veio e foi...
Mas a sua passagem tão breve
deixou tanto BEM, tanto AMOR
que hoje só podemos agradecer a Deus
por nos ter dado este presente...
a vida dela vivida connosco.
Deus, nosso Pai,
hoje sofremos a dor da saudade,
a dor de não poder mais abraçar este anjo de luz.
Mas, mesmo entre lágrimas,
nós Te agradecemos.
Obrigado por nos teres permitido viver
com esta pessoa tão especial.
Obrigado pelo tempo que passou connosco.
Dá-nos hoje a generosidade de devolvê-la a Ti.
Toma-a, Senhor, agora ela é tua, inteiramente tua,
embora, continue nossa também.
Que ela seja um anjo entre nós e Ti;
a mensageira a levar a nossa oração
ao teu coração de Pai. Amém.
|
|
|
|
Se tivesses de morrer hoje, para onde iria a tua alma? |
|
|
|
Se tivesses de morrer hoje, para onde
iria a tua alma? - Rev. Pe.
David Francisquini
Não sabes suportar uma centelha caída de
uma vela sobre a tua mão, e poderás suportar a permanência num abismo de fogo
devorador, desolado e desamparado de todos, por toda a eternidade?
– Ah, quantos na mesma idade que tu,
talvez conhecidos e companheiros teus, estão agora a arder naquela fornalha
ardente, sem a mínima esperança de poderem remediar a sua desgraça!
Agora talvez não te importe perder o
paraíso e Deus;
mas conhecerás a tua
cegueira,
quando vires os bem-aventurados em triunfo e no gozo do reino dos céus, e tu,
como um cão lazarento, fores excluído daquela pátria feliz, da bela presença de
Deus, da companhia de Maria Santíssima, dos Anjos e dos Santos.
Então gritarás enfurecido: Ó paraíso de
felicidades, ó Deus, Bem infinito, não sois nem sereis jamais para mim!
Ânimo!
Faz penitência, muda de vida; não esperes
que não haja mais tempo para ti. Pede a Jesus, pede a Maria que tenham piedade
de ti.
Aqui tendes Senhor, a vossos pés, o desgraçado
que tão pouco caso fez da vossa graça e dos vossos castigos.
Ai de mim! Quantos anos já devia estar
abandonado por Vós e a arder na fornalha do inferno!
Mas vejo que me quereis salvar a todo o
preço, porque com tanta bondade me ofereceis o perdão, se eu quiser detestar os
meus pecados; ofereceis-me a vossa graça e o vosso amor, se eu Vos quiser amar.
Sim, meu Jesus, quero sempre chorar as
ofensas que Vos fiz e amar-Vos de todo o meu coração.
– Fazei-me saber o que quereis; quero
satisfazer-Vos em tudo.
Permiti que eu viva e morra na
vossa graça; não me mandeis para o inferno onde não Vos poderia
mais amar, e disponde de mim segundo a vossa vontade.
– Ó Maria, minha esperança, guardai-me sob
a vossa maternal proteção, e não permitais que eu venha a perder o meu Deus.
|
|
|
Como podemos falar sobre a morte às crianças? |
|
|
|
Como podemos
falar sobre a morte às crianças?
As crianças são espirituais e elas entendem além do que a
razão adulta consegue compreender
Para sabermos como falar com as crianças a respeito da morte,
antes precisamos de saber como nós pais, lidamos com ela. Somos de outro tempo.
Quando éramos crianças, os falecidos eram velados em suas próprias casas, e
quem trocava a roupa, fazia a barba do falecido, geralmente, eram os filhos ou
alguém muito próximo. As crianças estavam presentes, correndo em volta da casa
e do caixão. Os velórios reuniam um grande número de pessoas, que ficavam o
tempo todo acompanhando a família, muitos amigos permaneciam a noite inteira.
Muitas das vezes, não se morre em casa, mas sozinho nas UTIs.
Assim, perdemos o momento “máximo” da vida de uma pessoa.
Hoje, muitas pessoas passam para dar um abraço e ficam 10, 15
minutos; depois, seguem as suas vidas. Isto tudo é uma pena, porque a morte
põe-nos em xeque a respeito do sentido da vida. É um momento de paragem, é
inevitável não pensar, diante de um caixão, na própria morte ou na morte de
alguém muito querido.
A criança sabe do sobrenatural, porque ela é espiritual
E as crianças? Ficavam em volta, brincavam, mas também
observavam o que acontecia. Ninguém me ensinou sobre a morte, ninguém nunca
falou a respeito dela, mas como nós fazíamos parte de todo este “sagrado”, de
todo este ritual, simplesmente nós entendíamos. Entendíamos que era um momento
de muita dor. Eu, por exemplo, vi o meu pai a chorar o velório inteiro ao lado
do caixão do meu avô, quando eu era bem pequena. Por dentro eu perguntava: “Por
que é que eu não choro?”
Só mais tarde, quando cresci, entendi que a dor de um adulto
é diferente da dor da criança; primeiro, porque a criança não tem noção sobre o
tempo, ela não entende que o avô partiu e nunca mais vai voltar. Crianças
pequenas não têm noção de quanto é uma semana, um mês, dez anos, muito menos do
nunca, e isto suaviza a dor. Mais bonito e surpreendente é que a criança é
espiritual e entende além do que a nossa razão adulta consegue compreender. Ela
sabe do sobrenatural, porque ela é espiritual.
Não se fala de morte
É uma pena que o evento morte esteja cada vez mais escondido,
camuflado. O velório já é dentro do cemitério, os cemitérios parecem grandes
jardins, os cortejos desapareceram das grandes cidades ou se camuflam no meio
do trânsito. Enfim, nos nossos tempos modernos, não se fala de morte,
camufla-se, e quando se fala, é só nas tragédias e assassinatos, o que deixa a
imagem da morte sempre muito negativa.
Lembro-me, perfeitamente, do meu avô doente na casa dele, no
seu quartinho. Houve um momento em que ficámos a sós, ele olhou para mim e disse:
“O vovô vai morrer”. Eu, querendo animá-lo (embora soubesse que no fundo aquilo
era verdade), disse: “Não, o senhor vai ficar bom, rápido!” E ele, olhando-me
nos olhos, disse: “Não! O vovô não vai ficar bom”.
Enfim, alguém chegou ao quarto e ficámos calados, foi o nosso
segredo. Ele preparou-me para a morte. No dia em que ele morreu, a minha mãe
veio acordar-me, de manhã, para me contar, e ela não precisou de dizer uma
palavra. Eu sentei-me na cama e disse: “Já sei, o vovô morreu”. Sou grata pelo
meu avô ter tido a coragem que os meus pais não tiveram.
Paradoxo da vida
A tanatóloga Wilma Torres, durante toda a sua vida académica,
estudou sobre a morte. Era o seu trabalho. Quando interrogada se isto afetava,
de alguma forma, a vida dela, respondeu: “Pelo contrário, quanto mais estudo a
morte, mais aprendo a viver”. Acho que isto nos ajuda a fazer as pazes com a morte,
ressignificar dentro de nós mesmos o seu sentido. Só assim saberemos como falar
sobre ela com os nossos filhos. Ela é o grande paradoxo da vida.
Ricardo Petrarca, autor do livro ‘A chama e a morte’, cita
frases belíssimas ditas pelos índios Guaranis, com quem conviveu algum tempo:
“A morte é um ser, é irmã da noite e do silêncio. Ela gosta de ficar perto do
nosso coração, e fica muito triste quando não gostamos dela. Como ela mora no
nosso coração, então a pessoa que não gosta dela, fica triste também. A morte e
a vida são geminadas, irmãs gémeas. Tu perdeste um parente, parte de ti morre.
Fica um lugar como uma caverna, mas esta caverna pode ser um caminho para a
vida”.
A beleza da morte
O coração das crianças tem a simplicidade e a sabedoria
semelhantes à profundidade e sabedoria do povo indígena. Elas saberão ver a
beleza da morte. Se tiverem histórias bonitas para contar sobre a morte (como a
minha com o meu avôzinho), contem aos seus filhos, isto prepara-os. As crianças
são geniais, são muito capazes de imaginar a cena que descrevemos ao contar as nossas
histórias. A criança não pode ver a morte como um monstro, como uma inimiga,
porque ela não é, a morte faz parte da vida.
A primeira vez que levar o seu filho a um velório, explique,
antes de chegar ao local, que ele verá pessoas a chorar, um caixão onde estará
deitado quem faleceu, flores… Diga que isto é normal e que está tudo bem, que é
assim mesmo. Não devemos forçar a criança a nada, como pegar na mão do defunto.
Se perceber algum tipo de ansiedade na criança, fique um pouco do lado de fora,
fique um pouco mais afastado, devagarinho ela mesma vai-se aproximando, no
tempo dela.
Um pedaço do céu
A Fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich
preferiu morrer em casa, deitada na sua cama, no seu quarto simples, diante da
imagem de Jesus Abandonado. As pessoas, os consagrados, jovens que faziam parte
do movimento, fizeram uma longa fila para passar diante dela, e muitos apenas
agradeciam, e ela olhava-os profundamente nos olhos. Era a despedida, neste
caso, um pedaço de céu. Não havia desespero, mas paz.
|
|
|
Orações pelos moribundos |
|
|
|
ORAÇÕES PELOS MORIBUNDOS
EM NOME DO PAI + DO
FILHO E + DO ESPÍRITO SANTO.
V. Deus, vinde em
nosso auxílio.
R. Senhor,
socorrei-nos e salvai-nos.
Ó Clementíssimo
Jesus, que Vos abrasais de amor pelas almas, eu Vos suplico pela agonia do
Vosso Sacratíssimo Coração e pelas dores da vossa Mãe Imaculada, que
purifiqueis no Vosso Sangue os pecadores de todo o mundo que agora estão em
agonia e hoje mesmo têm de morrer. Amén.
Coração agonizante
de Jesus, tende piedade dos moribundos.
NOSSA SENHORA DA BOA
MORTE, ROGAI POR NÓS E PELOS MORIBUNDOS DESTE DIA/DESTA NOITE.
Eterno Pai, pelo
amor que tendes a São José, escolhido por Vós para ser o Vosso representante na
terra, tende misericórdia de nós e dos pobres moribundos.
Pai-Nosso, Ave-Maria
e Glória.
Eterno Filho, pelo
amor que tens a São José, Vosso guarda fidelíssimo, tende misericórdia de nós e
dos pobres moribundos.
Pai-Nosso, Ave-Maria
e Glória.
Eterno Espírito
Santo, pelo amor que tendes a São José, zelosíssimo guarda da Santíssima Virgem
Maria, Vossa amada Esposa, tende misericórdia de nós e dos pobres moribundos.
Pai-Nosso, Ave-Maria
e Glória.
São José, pai
adoptivo de Jesus Cristo e verdadeiro esposo da virgem Maria, rogai por nós e
por todos os agonizantes deste dia/desta noite.
* * *
Ladainha dos Moribundos
Senhor, tende
piedade de nós.
Cristo, tende
piedade de nós.
Senhor, tende
piedade de nós.
Santa Maria, Mãe de
Deus, rogai por ele/ela(s)
Santos Anjos e Arcanjos,
Santo Abel,
Coro dos justos,
Santo Abraão,
São João Batista,
São José,
Santos Patriarcas e
Profetas,
São Pedro,
São Paulo,
Santo André,
São João,
Santos Apóstolos e
Evangelistas
Santos Discípulos do
Senhor,
Santos Inocentes,
Santo Estevão,
São Lourenço,
Santos Mártires,
São Silvestre,
São Gregório,
Santo Agostinho,
Santos Pontífices e
Confessores,
São Bento,
São Domingos,
São Francisco,
São Camilo,
São João de Deus,
Santos Monges e
Eremitas,
Santa Maria
Madalena,
Santa Luzia,
Santas virgens e
viúvas,
Santos e santas de
Deus, intercedei por ele(s).
Sede-lhe(s)
propício, perdoai-lhe(s), Senhor.
Sede-lhe(s)
propício, escutai-o(s), Senhor.
Da Vossa ira,
livrai-o(s), Senhor.
Do perigo da morte,
De uma morte má,
Das penas do
Inferno,
De todo mal,
Do poder do Demónio,
Pelo Vosso
nascimento,
Pela Vossa cruz e
Paixão,
Pela Vossa morte e
sepultura,
Pela Vossa gloriosa
Ressurreição,
Pela Vossa admirável
Ascensão,
Pela graça do
Espírito Santo Santo Consolador,
No dia do Juízo,
Nós, pecadores, Vos
pedimos - ouvi-nos, Senhor.
Que lhe(s) perdoeis,
nós Vos pedimos, ouvi-nos, Senhor.
Senhor, tende
piedade de nós.
Cristo, tende
piedade de nós.
Senhor, tende
piedade de nós.
São Miguel Arcanjo, defendei-o/a(s)
no combate.
MEU JESUS,
PERDOAI-NOS E LIVRAI-NOS DO FOGO DO INFERNO; LEVAI AS ALMAS TODAS PARA O CÉU,
PRINCIPALMENTE AS QUE MAIS PRECISAREM DA VOSSA MISERICÓRDIA.
Sai, alma cristã,
deste mundo, em nome de + Deus Pai Todo Poderoso, que te criou; em nome de +
Jesus Cristo Filho de Deus Vivo, que por ti padeceu e morreu; em nome do +
Espírito Santo, que copiosamente se te comunicou. Aparta-te e sai deste corpo
mortal com o favor e protecção da Santíssima Mãe de Deus e tua Mãe Imaculada, a
Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria; Vai, alma cristã, ao encontro do teu
Senhor, com o amparo dos Anjos e Arcanjos; dos Tronos e Dominações; dos
Querubins e Serafins; dos Patriarcas e Profetas; dos Santos Apóstolos e
Evangelistas; dos Santos Mártires, Confessores, Monges, religiosos e eremitas;
das santas Virgens e esposas de Jesus Cristo, e de todos os Santos e Santas de
Deus, o Qual Se digne dar-te lugar de descanso e gozo de paz eterna na cidade
santa da celestial Sião, onde O louves por todos os séculos dos séculos. Ámen.
Ao morrer o
moribundo:
Acudi-lhe, Santos de
Deus.
Vinde, Anjos do
Senhor, tomai esta alma e levai-a à presença do Altíssimo.
V. Dai-lhe, Senhor,
o descanso eterno.
R. Entre os
esplendores da luz perpétua, que descanse em paz.
Senhor, tende
piedade de nós.
Cristo, tende
piedade de nós.
Senhor, tende
piedade de nós.
Pai-Nosso…
V. O repouso eterno,
dai-lhe, Senhor.
R. Sobre ele brilhe
a eterna luz.
V. Da porta do
Inferno.
R. Livrai-o, Senhor.
V. Descanse em paz.
R. Amén.
V. Senhor, ouvi a
minha oração.
R. Chegue até Vós o
meu clamor.
Oração:
A Vós, Senhor,
encomendamos a alma do Vosso servo N., que defunto para este mundo, viva agora
conVosco; E os pecados que cometeu pela fragilidade humana, perdoe-lhe a Vossa
benigníssima Misericórdia. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.
|
|
|
Não mascarar a morte |
|
|
|
Devemos viver bem, para morrer bem
Todos passamos ou vamos passar pela experiência da perda de um ente querido, do mesmo jeito que todos sabemos que um dia morreremos.
A vida não nos pertence, assim como os nossos entes queridos não nos pertencem. Somos de Deus. Estamos aqui de passagem; não temos morada definitiva aqui, mas caminhamos para a Jerusalém celeste. O céu é a nossa pátria.
A misericórdia infinita de Deus reserva um lugar para cada um de nós. Ninguém deve temer o dia do Juízo Final. Para muitos, este será o grande momento de redenção perante o mundo, já que foram vítimas de calúnias, injustiças, mentiras e sofrimentos. O Juízo será o momento histórico de reabilitação. Nunca deveríamos ter medo de nos encontrar com o Juiz verdadeiro, que é Deus, porque Ele não é um juiz que me julga: Ele acima de tudo é um juiz que me ama.
Nós experimentamos a morte como herança do pecado. A morte é obra-prima do demónio, conforme está no livro de Sabedoria 2; foi por inveja dele que a morte entrou no mundo, e por isso, sofremos tanto.
Também por isso é fundamental redescobrirmos o sentido cristão da morte. Sem isso é quase impossível a cura dos nossos traumas.
O ser humano foi criado para a imortalidade, por isso, não gosta de reflectir e muito menos conversar sobre a morte, o que não nos livra dela. Muito mais prudente é pensar no assunto, já que a nossa alma é imortal.
Pensar na morte ajuda-nos a preparar melhor para esse grande e inevitável dia. Todos iremos morrer, e logo depois da morte vem o Juízo.
"A morte é terrível para o pecador, mas não para o justo". Pois "o justo, na morte, é como uma árvore que tomba para produzir, na eternidade, frutos ainda mais belos; o pecador é a árvore cortada na raiz para ser atirada ao fogo, conforme ensina a Palavra: “Toda a árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo” (Mt 3,10).
A alma fixa-se no estado em que se encontra. Não escolhemos a hora da morte – mas escolhemos o modo de vida (ou de morte) da nossa alma.
Todos somos predestinados ao Céu – Deus quer a salvação de todos.
Mas Ele não nos obriga a querer o mesmo.
Como “não sabemos o dia nem a hora”, a sabedoria consiste em estar sempre preparados. Somos todos julgados após a morte. É o juízo particular. Penetrando na eternidade, apresentamo-nos diante do rei – e a nossa veste deve ser branca (Mt 22, 1s). Por isso devemos viver bem para morrer bem. Assim, a morte não nos apavora. Em vez de medo, há confiança.
|
|
|
AS PORTAS DA MORTE |
|
|
|
Já que somos cristãos, já que sabemos que havemos de morrer e que somos imortais, saibamos usar da morte e da mortalidade: tratemos desta vida como mortais, da outra como imortais.
Pode haver loucura mais rematada, pode haver cegueira mais cega, que empregar-me na vida que há-de acabar, e não tratar da vida que há-de durar para sempre?
Cansar-me, matar-me pelo que forçosamente hei-de deixar, e do que hei-de lograr ou perder para sempre não fazer nenhum caso?
Tanto medo, tanto receio da morte temporal, e da eterna nenhum temor?
Mortos, mortos, desenganai estes vivos!
Dizei-nos que pensamentos e que sentimentos foram os vossos, quando entrastes e saístes pelas portas da morte.
A morte tem duas portas:
uma porta de vidro, por onde se sai da vida; outra porta de diamante, por onde se entra na eternidade.
Entre estas duas portas se acha subitamente um homem no instante da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem adiar, senão entrar para onde não sabe, e para sempre.
Oh que transe tão apertado! Oh que passo tão estreito! Oh que momento tão terrível!
Aristóteles disse que entre todas as coisas terríveis, a mais terrível é a morte.
Disse bem, mas não entendeu o que disse.
Não é terrível a morte pela vida que acaba, senão pela eternidade que começa.
Não é terrível a porta por onde se sai; a terrível é a porta por onde se entra.
Se olhais para cima, uma escada que chega até ao céu; se olhais para baixo, um precipício que vai parar no inferno. E isto incerto!
Mostrou Deus uma visão ao profeta Amós, (que era um homem do campo), e perguntou-lhe o que via.
Respondeu o profeta:
- Senhor, vejo uma vara comprida e farpada, com que os rústicos alcançamos a fruta e a colhemos das árvores.
Pois essa vara que vês, – diz Deus, – é a morte.
Todo esse mapa do mundo é um pomar. As árvores, umas altas, outras baixas, são as diversas gerações e famílias.
Os frutos, uns mais maduros, outros menos, são os homens. A vara, que alcança os ramos mais levantados, é a morte: colhe uns e deixa os outros.
Ah, Senhor, que essa é a morte como havia de ser, e não como é!
Quem entra a colher num pomar, passa pelos pomos verdes e colhe os maduros. Mas a morte não faz assim; deixa os maduros e colhe os verdes.
E já se colhera só os frutos verdes, colhera frutos:
mas a queixa minha é, que deixa de colher os frutos e colhe as flores.
Alerta, flores, que a Primavera da vida é o Outono da morte! A foice segadora que traz na mão, instrumento é do Agosto e não do Abril.
Arma-se com ardilosa impropriedade a morte: ameaça as espigas, para que se desacautelem as flores.
António Vieira
|
|
|
Fiquemos atentos às visitas de Jesus! |
|
|
|
A oração e o sacrifício de alguém por nós, salva-nos. As nossas lágrimas sinceras tocam o coração de Deus. Jesus viu a viúva de Naim, que acabara de perder o seu filho único, e encheu-se de compaixão: "Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e disse-lhe: Não chores! Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: Jovem, eu te ordeno, levanta-te! O que estava morto sentou-se e começou a falar" (Lc 7,13-15).
O Senhor não se cansa de visitar o seu povo constantemente, e nós precisamos de estar atentos às Suas visitas.
O Senhor é um Deus atento às nossas necessidades, até aquelas que para nós, aparentemente, são insignificantes. A única coisa de que precisamos é reconhecer a bondade e a misericórdia do Senhor na nossa vida e deixar-nos vivificar por Ele. Deixemo-nos envolver pela força da ressurreição, para que a nossa vida inaugure já hoje, um tempo novo.
Senhor, eu sei que Tu queres, hoje, dar-me uma nova vida, e eu estou aberto a acolhê-la. Cumpre em mim a tua plena vontade, porque o que tens para mim é o melhor.
Alminhas que já fostes como eu
e eu hei-de ser como vós.
Pedi ao Senhor por mim,
que eu peço ao Senhor por vós.
Rezar 1 Pai nosso e 1 Avé Maria.
|
|
|
Morte do Rei de França |
|
|
|
No dia de Natal de 1792, prevendo a morte que em breve lhe ia ser aplicada, Luís XVI, rei de França, redigiu o seu testamento na cadeia:
Eis algumas passagens:
Em nome da Santa Trindade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Hoje, 25° dia de Dezembro de 1792, eu Luís XVI de nome, Rei de França, estando há quatro meses com a minha família na Torre do Templo, em Paris, por aqueles que eram meus súbditos e privado de toda e qualquer comunicação com a minha família, além disso incriminado num processo cujo resultado me é impossível prever, por causa das paixões dos homens, não tendo senão a Deus por testemunha dos meus pensamentos, declaro aqui na sua presença, as minhas últimas vontades e os meus sentimentos:
Entrego a minha alma a Deus, meu Criador, peço-Lhe que a receba na sua Misericórdia, que não a julgue segundo os meus merecimentos, mas sim pelos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se ofereceu em sacrifício a Deus seu Pai por nós homens, mesmo indignos, dos quais eu sou o primeiro. Morro em união com a nossa Santa Madre Igreja Católica, Apostólica e Romana que, por uma sucessão, não interrompida, recebeu os seus poderes de S. Pedro, ao qual Jesus Cristo os tinha confiado.
Creio firmemente e confesso tudo quanto está contido no Credo e nos Mandamentos de Deus e da Igreja, nos Sacramentos e mistérios, tais quais a Igreja Católica os ensina e sempre ensinou...
Peço a Deus que me perdoe todos os meus pecados; procurei escrupulosamente conhecê-los, detestá-los e humilhar-me na sua presença. Não me podendo servir do ministério de um sacerdote católico, peço a Deus que receba a confissão que Lhe fiz e, sobretudo, o meu arrependimento profundo.
Peço a Deus que aceite a firme resolução em que estou, se para isso me conceder vida, de me servir logo que for possível do ministério dum sacerdote católico, para confessar todos os meus pecados e receber o sacramento da Penitência.
Peço a todos aqueles a quem porventura ofendi por inadvertência (pois não me lembro de ter feito conscientemente qualquer ofensa a ninguém) ou a quem talvez tenha dado maus exemplos ou escândalos, que me perdoem o mal que crêem eu ter-lhes causado; peço a todos que têm caridade que unam as suas orações às minhas para alcançar de Deus o perdão dos meus pecados.
Perdoo de todo o meu coração àqueles que se tornaram meus inimigos sem que eu lhes tenha dado qualquer motivo para isso. Peço a Deus que lhes perdoe como também àqueles que por um falso zelo ou por um zelo mal entendido me fizeram muito mal...
Recomendo ao meu filho que tenha em vista a dívida sagrada que contraí com os filhos ou parentes daqueles que morreram por mim e também daqueles que caíram na desgraça pela fidelidade que me dedicaram.
Se muito sensivelmente me amarguraram a ingratidão e deslealdade de pessoas às quais não fiz outra coisa senão benefícios, a eles ou aos parentes ou amigos, também, por outro lado, tive a consolação de experimentar a dedicação e interesse que muitas pessoas gratuitamente me demonstraram. Peço-lhes que aceitem os meus agradecimentos...
Termino declarando diante de Deus e, prestes a comparecer perante o seu tribunal, que não me acho culpado de nenhum dos crimes que me são atribuídos».
Como este cristianíssimo rei, devemos preparar-nos para a morte com a recepção dos sacramentos, sobretudo da Confissão ou Reconciliação.
Deste momento supremo, dependem a nossa felicidade ou desgraça eternas.
|
|
|
CRISTO VIVO NA FAMÍLIA |
|
|
|
Disse Jesus: “Dão grande prazer ao meu Coração os que a Ele se consagrarem e renovarem esta consagração com frequência”.
EXEMPLO
Estava tudo preparado para a entronização na Sexta-feira seguinte. A casa era rica. Na segunda-feira porém o chefe de família adoeceu repentinamente e de doença grave.
O doente, depois de receber os Sacramentos, diz à esposa: «Vou morrer e não quero sair desta casa sem deixar quem me substitua.» A senhora ouviu e guardou no seu coração as palavras do marido, o seu testamento.
É Sexta-feira. No caixão está o corpo do falecido chefe da família. Cercam-no os amigos. Alguns momentos antes da saída do enterro, entra na sala onde repousa o cadáver do marido, a viúva que traz uma imagem do Sagrado Coração e diz: «meus senhores, desejo cumprir a última vontade do meu marido." Coloca então o quadro do Coração de Jesus nas mãos do falecido que repousa no caixão, pede aos presentes que a acompanhem na oração do Credo e no acto de consagração. A Imagem é em seguida tirada e convenientemente entronizada no lugar de honra da sala. Tomando de novo a palavra, a viúva diz: «Agora podeis levar este cadáver. Levai-o. A ocupar o seu lugar, fica nesta família, Cristo vivo.»
A convivência com Cristo no lar é encantadora: por ela a família merece prémio, e que prémio!?
|
|
|
A cultura da morte |
|
|
|
A cultura da
morte e como se desenvolveu nas últimas décadas
A cultura da morte é uma nova ordem social imposta
Em 25 de julho de 1995, São João Paulo II, alerta a Igreja
acerca de uma realidade que se fixou depois dos anos 60 e que se agrava até
hoje de forma ininterrupta. A encíclica Evangelium Vitae é uma análise e, ao
mesmo tempo, um alerta sobre a situação cultural que se impunha com a
finalidade de se opor aos valores da vida e da família. O Santo Papa conseguiu
perceber uma crescente desconstrução que criou bases de actuação dentro e fora
da Igreja, influenciando o mundo inteiro, o que ele denominou de “cultura de
morte” e segundo ele, “é activamente promovida por fortes correntes culturais,
económicas e políticas”.
Esta orientação confirma-se com o apelo que, Paulo VI fez em
25 de Julho de 1968 na sua encíclica Humanae Vitae, deixando claro a
imoralidade dos métodos de controle de natalidade, que se espalhavam pelo mundo
com uma onda crescente e surpreendente de uma mentalidade mortífera e nada construtivista
da vida, em particular, a intrauterina. Isto mostra que os Papas estavam
atentos aos processos de mudança que estavam a atingir o mundo e tiveram maior
impacto após os anos 60.
Podemos perceber, tanto em Paulo VI, como em João Paulo II,
que algo de grave estava a acontecer no mundo, e não era fruto de uma onda
espontânea de “evolução” como querem que pensemos. Cabe aqui, ainda que de
forma superficial, analisar e aprender o que é a cultura de morte e como ela se
desenvolveu nas últimas décadas.
Imposição da cultura da morte
A cultura da morte é uma imposição que quer formar uma nova
ordem social a partir da desconstrução da cultura cristã, que foi a construtora
da civilização ocidental. Ela actua na modificação de todos os conceitos de
vida e família, através de vários meios, patrocinada por grandes fundações
internacionais que querem um novo modelo de ser humano. Para isso, é motivado a
legalização do aborto, eutanásia, ideologia de género, sexualização de
crianças, entre outros. Isto já pode ser percebido em escala mundial.
Documentos mostram uma actuação no meio intelectual e
político de uma estratégia que visa a implementação desta cultura. Em novembro
de 1967 num artigo escrito para a revista Science, Kingsley Davis, um sociólogo
patrocinado pela Fundação Rockfeller, discute sobre uma forma que seria a mais
eficiente possível para conseguir controlar o crescimento populacional e a
solução que, segundo ele, seria perfeita, é a legalização do aborto, mediante
uma acção cultural que ele propõe de fazer com que a mulher odeie ser mãe.
Ele sugeriu de forma clara políticas que visam a alteração
dos conceitos de casamento, de complementaridade sexual, defende a exposição
sexual das mulheres entre outras várias estratégias que, segundo ele, seria o
ideal para desmantelar a família. Para ele, a mulher sendo atingida e
modificada, toda a família e a cultura seria consequência.
Alguns anos mais tarde uma emitiu um planeamento de trabalho
intitulado em português: “Saúde reprodutiva: uma estratégia para os anos 90”,
que trata de uma acção de financiamento político para uma imposição da agenda
abortista deixando clara a reconceitualização de saúde reprodutiva, sendo
encarado como algo normal o aborto, como medida de saúde para mulheres.
Clima social
Consta no documento, também, o financiamento de ONGs
feministas para criar um debate que favorecesse um clima social de aceitação
dessas medidas. Nele percebe-se que os seus autores sabem que o pensamento da
sociedade é diferente aos propósitos que eles estão a empreender. Todavia, isto
não os impede, pois eles deixam claro que: a atuação na mídia, a infiltração
nos meios de educação e no financiamento junto aos governos dos países, são
feitos para atingirem o fim que desejam.
As acções propostas nestes documentos ganharam actuação
política de facto quando as conferências da ONU de 1994 (Cairo) e 1995
(Pequim), que teriam temas relacionados às mulheres, foram tomadas por ONGs
feministas, financiadas pelas fundações já citadas, e que, segundo o documento
“Agenda de género”( The Gender Agenda), escrita por Dale O’Leary, o conteúdo de
reivindicações eram totalmente em favor da cultura da morte.
No documento há declarações por parte das ONGs feministas de
querer implantar o aborto como direito humano, baseando-se em argumentos de que
as mulheres não podem aceitar a sua biologia, mostrando desejar uma acção a
nível mundial para influenciar a mudança do papel feminino.
Além disso, propuseram a implantação do termo género que
esvazia a identidade sexual, com a intenção de isso ser aplicado às nações,
segundo estas ONGs: “a heterossexualidade, assim como a maternidade, necessita
ser reconhecida e estudada como uma instituição política. Num mundo de genuína
igualdade, onde os homens fossem não-opressivos e educados, todos seriam
bissexuais”. Estas medidas que foram em grande parte impedidas pelas delegações
pró-vida e pró-família ainda são impostas através de pressão cultural, social e
política sem legitimidade.
Papel dos cristãos
É papel do cristão estudar, especializar-se e mobilizar os
que estão à sua volta para uma resposta a essa ditadura do relativismo, que
quer destruir as bases da nossa cultura.
Ligar para os nossos legisladores reivindicando o cumprimento
das leis; e é muito importante estar por dentro dos processos e das pautas para
saber o que está a ser aprovado. Os grupos de mobilização e estudos pró-vida e
pró-família têm crescido e cumprido um papel importante para assegurar os
valores fundamentais.
Não permitamos que as nossas famílias sejam destruídas por
essa onda da cultura da morte.
|
|
|
A protecção da Virgem Santíssima |
|
|
|
Santo Afonso Maria de Ligório escreve: «No Natal, na Páscoa e festas solenes da Santíssima Virgem, Ela desce ao Purgatório acompanhada por muitos anjos e livra muitas almas daquelas penas».
"Contaram a uma senhora da alta sociedade que o seu filho tinha sido assassinado, e que o assassino se havia refugiado no seu palácio. Lembrou-se a pobre mãe de que também a Santíssima Virgem perdoara aos que crucificaram o seu filho; em lembrança das dores da Virgem perdoou generosamente ao refugiado. Não contente com isso, mandou dar cavalos, dinheiro e roupa ao criminoso, para que se salvasse pela fuga. Apareceu então a esta senhora o seu filho, dizendo que não só se salvara, como também fora livre do purgatório pela Mãe de Deus, por causa do perdão generosamente concedido ao inimigo. De contrário, ter-lhe-ia sido muito longo o purgatório, mas que naquele momento ia entrar no Céu".
|
|
|
O Escapulário do Carmo |
|
|
|
I – No dia 16 de Junho de 1251 Nossa Senhora aparecendo a São Simão Stock, Superior Geral da Ordem do Carmo, disse-lhe:
"Todo o que morrer com este escapulário será livre do fogo eterno. É um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial protecção".
As graças do escapulário são:
1. Especial protecção de Nossa Senhora durante a vida.
2. Morte na graça de Deus, isto é, a salvação.
Escreveu o Papa Pio XII a 11 de Fevereiro de 1950: "Não é coisa de pequena importância tratar-se da aquisição da vida eterna, segundo a tradicional promessas da Virgem Santíssima. Trata-se, com efeito, da empresa mais importante e do meio mais seguro de a levar a cabo".
II – "O Padre Leblanc, jesuíta, visitava uma noite o dormitório dos alunos dum Colégio de Tolosa, França. Com surpresa vê um rapaz de joelhos junto à cama.
- Porque não estás ainda deitado? - perguntou.
- Entreguei o meu escapulário ao porteiro para mo consertar e ainda não mo veio trazer. Não me atrevo a deitar-me com medo de morrer esta noite, sem o meu escapulário.
- Não tenhas medo, deita-te. Amanhã terás o teu escapulário. Agora, dorme descansado.
- Ó Senhor Padre, não me posso deitar. Pode ser que morra esta noite. E, pronunciando estas palavras, chorava com não sei que pressentimento.
O sacerdote, impressionado com tão piedosas disposições, desceu à portaria, tomou o escapulário e levou-o ao estudante que o beijou devotamente e o pôs ao pescoço. Deitou-se logo, invocando o nome de Maria.
No dia seguinte, o padre Leblanc faz a costumada visita para averiguar se todos os rapazes estavam levantados. Vê ainda deitado aquele aluno. Aproxima-se da cama, abana-a. O estudante não responde, estava morto, apertando entre as mãos o seu escapulário.
Feliz dele por ter expirado com este sinal de predestinação."
O Purgatório faz parte do Reino de Maria. Lá se encontram também alguns dos seus filhos que, em dolorosos transes, esperam o nascimento para a glória eterna. S. Vicente Ferrer, S. Bernardino de Sena, Luís de Blois e outros, declaram explicitamente que Maria é Rainha do Purgatório.
|
|
|
A cura do medo da morte |
|
|
|
A Cura do medo da morte
A alegria de Deus é a cura para o medo da morte
Esta é uma certeza: as pessoas que nós amamos e morreram, um
dia estarão reunidas conosco!
Leiamos o evangelho em Lucas 7, 11-17:
“No dia seguinte
dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e
muito povo. Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a sepultar,
o filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade. Vendo-a o
Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores! E aproximando-se,
tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: Jovem, eu te ordeno,
levanta-te. Ele sentou-se e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe.
Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta
surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo. A notícia deste facto
correu por toda a Judeia e por toda a vizinhança”.
Deus tem compaixão de nós
Qual é o sentimento do coração de Jesus por ti que perdeste
uma pessoa amada? Tu que perdeste um filho, um marido, uma mãe. Tu que vendo
tantos casamentos desfazendo-se por pouca coisa, enquanto tu vivias bem e o teu
cônjuge se foi, tu que tinha o teu pai como teu melhor amigo, enquanto outros
vivem apenas em atritos, e o perdeste. Tu que não poderás mais ver essa pessoa
nos olhos, dar-lhe um beijo, um abraço. E qual é o sentimento de nosso Senhor
Jesus Cristo para com a tua dor? O sentimento d’Ele por ti é o mesmo que ele
teve por aquela viúva: “Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela,
disse-lhe: Não chores!”
Existe um dom do Espírito Santo que se chama “Palavra de
Ciência”, pelo qual Deus revela coisas do passado, presente e futuro para
ajudar uma pessoa. Certa vez num grupo de oração, ao explicar a respeito deste
dom, passei para algumas pessoas que receberam oração e revelações, dando-lhes
a tarefa de que quando chegassem em casa colocassem no papel aquilo que lhe foi
dito e aquilo lhes trouxe.
Um dos testemunhos mais marcantes foi de uma senhora de pouco
mais de 60 anos, ela recebeu a revelação de uma imagem, uma cabana de tábuas,
cujas tábuas já estavam espaçadas porque a cabana já era velha. Dentro desta
cabana havia um saco de milho lançado ao chão, e milho espalhado pelo chão.
Então a senhora confessou que aquela foi a cena que ela presenciou quando era
criança, um dia quando chegou à cozinha da sua casa e encontrou a sua mãe caída
morta no chão. A partir daí, segundo essa senhora, ela tornou-se insensível e
apática à vida, não conseguindo experimentar nem tristeza nem alegria, apenas
sentimentos superficiais. Mas a partir daquela revelação Deus, trabalhou no
coração dela e ela voltou a sentir uma alegria imensa, com a certeza de que um
dia voltaria a reunir-se com a sua mãe.
Quantos de nós somos atormentados por lembranças, muitas
vezes no momento da morte, pelo choque, não conseguimos derramar lágrimas. Mas
passado algum tempo, quando sentimos o peso da perda, então vemo-nos
arrependidos e angustiados pela perda daquela pessoa querida.
Jesus trás esperança aos corações
No evangelho lido vemos que Jesus ia a uma cidade chamada
Naim, estando com os discípulos e uma grande multidão. Eis que Jesus se
encontra com uma mulher viúva, num cortejo fúnebre, que ia enterrar o único
filho. Já é algo triste de lermos isto hoje, mas se contextualizarmos e
entendermos que aquela mulher não perdia só um filho, mas tudo o que ela
possuía. Ela também era acompanhada por uma multidão que a consolava, vejamos a
disparidade: de um lado um cortejo de vida, do outro um cortejo fúnebre.
A indignação comum das pessoas é “Deus tirou-me fulano ou sicrano”,
mas Deus não nos tira ninguém, ele dá-nos! Se somos pais, mães, esposas e
maridos é por que Deus nos deu uma pessoa para amar. E quem quer mal a uma
pessoa querida, em especial a um filho? Tenho certeza de que tu e eu daríamos
se preciso fosse, a própria vida para salvar um filho, quanto mais Deus! Estamos
num mundo frágil e nele nós vamos passar pela experiência da doença, da dor e
da morte. E como é que Deus vai nos ajudar? Estando ao nosso lado como estava
ao lado daquela viúva!
Quem se compadece não só olha, mas faz-se presente! Quem tem
compaixão tenta ajudar como se a dor fosse sua. Apesar de que há pessoas, que
não tem freios na língua nem o devido tato, cuja melhor atitude é manter-se
distante, pois quando ela vai num enterro e aquilo que ela diz só trás mais dor
e sofrimento.
Diante da morte por vezes voltamo-nos contra Deus, sentimos
dor, sofremos e chegamos a sentir raiva. Mas se passaste por isso, fica
tranquilo, Ele entende-te, ele aguenta, ele conhece as tuas limitações e a tua
dor. Podes chorar, podes depositar em Deus a tua dor, pois só Ele tem o
verdadeiro consolo.
Quem foi não volta, então toda a contenda, todo o arrependimento,
tudo, morre com a pessoa. Aqueles que partiram estão na glória de Deus, a
pessoa está bem; quem muitas vezes quem não está bem? Quem ficou. Quem fica
precisa de cuidado, pois o coração está um turbilhão de sentimentos, que nem
sempre conseguimos digerir e acabamos nos envenenar. Se não libertas o teu
coração não terás condições de ser a pessoa que precisas ser na vida daqueles
que continuam vivos! O Senhor dá-nos motivos para viver, dá-nos esperança de
reencontrar aqueles que partiram.
Quando a nossa dor se encontra com o Filho de Deus
Quando a nossa dor se encontra com o Filho de Deus, então o nosso
coração encontra esperança e alegria. Quando Deus visita alguém tudo o que
matava aquela pessoa tem que ceder, quando Deus entra na tua vida tudo o que te
matava tem de ceder. Seja o pecado, o mundo, a doença, nada disso pode impedir
a obra de Deus. No evangelho lido vemos que a compaixão do Filho de Deus
devolveu aquele filho à sua mãe. Da mesma forma um dia Deus vai te devolver a
pessoa que perdeste. No céu não existe cansaço, não tem dor nem sofrimento, mas
tu vais lembrar e ter tudo de bom com essa pessoa amada.
As maiores alegrias que tiveste nesta vida serão apenas um quase
nada perto de toda a alegria que experimentarás no céu. Deus não nos veio tirar
ninguém, porque ele vai nos permitir estar eternamente com aqueles que amamos!
Quem vai enxugar as tuas lagrimas e consolar o teu coração
será Jesus, e isto será apenas uma amostra de tudo aquilo que desfrutarás
quando os teus dias nesta terra acabarem. A morte vai passar, como tudo nesta
vida passa, só Deus não passa, e o que ele tem para nós é a eternidade.
|
|
|
TENHO PRESSA |
|
|
|
Um sacerdote brasileiro conta o seguinte: No 1º de Novembro, festa de Todos os Santos, encontrava-me na capela, nas margens do rio Maroim, no estado de S. Catarina. O dia era de calor. O horizonte ia-se cobrindo de nuvens escuras, ameaçando chuva. O vento assobiava, quando veio a correr para mim um jovem, que me disse:
A tempestade aproxima-se. Moro a três quilómetros de distância. Tenho pressa de voltar para casa. Amanhã, é dia de finados. Desejava comungar pelas almas do purgatório. O Senhor padre não poderá confessar-me? Tenho pressa.
- Pois, sim, meu filho!
O rapaz confessou-se na capela e correu, em seguida, para casa, procurando escapar ao furacão. No dia seguinte, na comemoração dos Fiéis Defuntos, este jovem encontrava-se na missa. No fim, acompanhou a procissão ao cemitério e regressou satisfeito para sua casa. Passando à beira do rio, escorregou numa pedra e caiu para dentro da água, de onde foi retirado cadáver. No dia 3 de Novembro, procedeu-se ao enterro.
A terra acolheu os restos mortais do jovem que teve pressa em se confessar pela última vez, em preparação para a morte repentina e inesperada.
O Evangelho avisa: Estai preparados; a morte vem como um ladrão, quando menos se espera: «Estai vós também preparados, porque à hora em que menos pensais é que vem o Filho do Homem». Lc 12,40.
|
|
|
Na morte de um amigo |
|
|
|
NA MORTE DE UM AMIGO
Tu
sabes, Senhor,
quanta
dor e tristeza sinto dentro de mim!
Porquê
a morte, porquê?
Ninguém
me sabe responder, ninguém me pode consolar.
Nada
compreendo, nada sei dizer...
Acolhe,
Senhor, este meu amigo morto;
recebe-o
na festa da vida
onde
Tu és, para sempre,
a
medida plena de cada homem.
Também
Tu experimentaste o que hoje estou a viver.
Também
Tu choraste
com
as irmãs de Lázaro, com a viúva de Naim.
Deixa-me
hoje chorar contigo...
Também
Tu morreste em plena força da vida,
cravado
numa cruz, condenado pelo ódio;
mataram-Te
a Ti que passaste fazendo o bem…
Neste
momento de dor e amargura,
quero
contemplar-Te morto
e
aprender de Ti.
Morreste
porque amaste sem medida,
morreste
para ressuscitar
vencendo
a morte para sempre.
Com
a Tua morte, Senhor,
abriste-nos
o caminho da Vida.
Agora
sei que a morte
não
é a palavra definitiva…
O
último, o definitivo
é
a Vida contigo para sempre!
Acolhe,
Senhor, este meu amigo morto;
recebe-o
na festa da vida
onde
Tu és, para sempre,
a
medida plena de cada homem.
|
|
|
Nem todos morrerão |
|
|
|
Nem todos morrerão
‘A única certeza da vida é a morte’. Nem todos
morrerão. Nós cremos firmemente e a palavra de Deus nos garante isto.
Nem todos
morreremos, mas todos seremos transformados.
A maior luta do
homem é contra a morte, pois é uma realidade que não pode ser mudada.
Precisamos de cuidar da nossa saúde porque queremos viver mais tempo… cuidamos
da alimentação, praticamos actividades físicas, usamos medicamentos,
trabalhamos, descansamos, fazemos cirurgias, tratamentos e tantas outras coisas
em vista do nosso bem-estar por causa de um objectivo último que é permanecer
vivo. No entanto, todos nós sabemos que tudo isto tem um limite, a nossa vida
tem um limite. Podemos evitar a morte temporariamente, momentaneamente mas não definitivamente.
Um dia todos nós vamos morrer, sim?
Não! Quem estiver
vivo no dia em que Jesus voltar, estes não morrerão, mas serão transformados,
os que viveram em Cristo, e os que morreram em Cristo serão ressuscitados. E
quem não viveu em Cristo? Também não morrerá, mas não terá um corpo glorioso
porque o seu destino não será o céu. Paulo está a falar aqui para a comunidade
cristã e não para os pagãos, não para os perseguidores, não para os que negam a
fé em Jesus Cristo. Mas, sabemos que muitos serão julgados pela sua índole e
pelas boas obras ainda que não sejam cristãos, e na sua ignorância fizeram o
bem. (Cf Rm 2, 14-16) (Mt 25, 31-46) e (Mc 16, 16)
Então, não devemos
temer a morte se temos fé em Jesus Cristo e procuramos viver segundo a sua
vontade. O que devemos temer é a vida que estamos a levar pois ela continuará
na eternidade com Deus ou não de acordo com o modo que eu viver agora neste
tempo, nesta terra. Se o meu tempo é limitado e a morte, inevitável o que devo
fazer? Quem tem fé, viverá de tal modo a tomar posse da salvação que Jesus
Cristo já nos conquistou gratuitamente. (Jo 3, 16).
E o que devo fazer
agora?
Uma revisão de vida;
um exame de consciência; uma tomada de decisão para uma vida nova. Corrigir os
erros.
Como fazer isso?
Reserva um tempo
para a oração, um dia para um retiro pessoal. Procura um lugar que favoreça a
oração e não cause distrações.
Escreve num papel
tudo o que fazes:
Começa pelas
obrigações, as coisas que não podem deixar de ser feitas porque são essenciais.
Anota tudo o que
pensas que é importante.
Anota agora o que
gostas de fazer.
Anota o que gostarias
de fazer.
Agora filtra isso: vê
tudo o que fizeste e escreve o que julgas estar certo ou errado.
Feita a lista, com a
palavra de Deus, faz a leitura da 1 carta de são João inteira, sem pressa, e se
souberes fazer o diário espiritual, faz novamente.
Reza com esta
palavra e deixa Deus falar contigo na oração.
Pega na tua lista e
compara-a com os 10 mandamentos de Deus.
Anota todos os teus
pecados.
Procura a confissão.
Esta proposta
simples de revisão de vida é uma em muitas que podem ser feitas. Se quiseres,
podes adotar esta para ti.
Lê o trecho em I Cor
15, 51-58
Promessas
I Cor 15, 51-55
“Vou ainda revelar-vos um mistério: nem todos
morreremos, mas todos seremos transformados. Num instante, num piscar de olhos,
ao soar da trombeta final – pois a trombeta soará –, não só os mortos
ressuscitarão incorruptíveis, mas nós também seremos transformados. Pois é
preciso que este ser corruptível se vista de incorruptibilidade e este ser
mortal, se vista de imortalidade. E quando este ser corruptível estiver vestido
de incorruptibilidade, então estará cumprida a promessa da escritura: A morte
foi tragada pela vitória; onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó
morte, o teu aguilhão?”
Ordens
I Cor 15, 58
“Portanto, amados irmãos, sede firmes,
inabaláveis, progredindo sempre na obra do Senhor, certos de que as vossas
fadigas não são em vão no Senhor.”
Princípios Eternos
I Cor 15, 53.56-57
“Pois é preciso que este ser corruptível se
vista de incorruptibilidade e este ser mortal se vista de imortalidade.”
“Ora, o aguilhão da morte é o pecado e a força
do pecado é a Lei. Graças sejam dadas a Deus que nos dá a vitória por nosso
Senhor, Jesus Cristo.”
Qual a mensagem de
Deus para mim, hoje?
Ninguém entra no céu
sem ser transformado.
Como posso pôr isto
em prática?
Viver para Deus,
para ser santo e, fazendo a minha parte e assim, esperar nEle a salvação
definitiva.
|
|
|
Não sei perder |
|
|
|
Não sei perder
É preciso aprender a perderDesde criança, nunca gostámos de perder. Então, é preciso aprender a perder!A vida é uma constante de vitórias e de derrotas. Faz parte da dinâmica da nossa existência. E no movimento de alegrias e tristezas, de conquistas e de ruínas, em Fevereiro de 2007, tive a minha pior derrota: perdi o meu pai.Na morte do meu pai senti falta de não ter aprendido a perder. Nessa perda, a maior da minha vida, tive vontade de desistir de tudo, de me revoltar contra Deus, de brigar e reclamar, como fazia quando perdia qualquer disputa na minha infância, mas uma situação interessante aconteceu. No momento do enterro tudo foi muito doloroso. Só quem já passou por essa situação sabe como é. Eu estava de braços cruzados e de repente uma mão se enfiou por debaixo do meu braço e segurou a minha mão.Não olhei para ver de quem era aquela mão. Na verdade, nem sabia ao certo quem eram as pessoas daquela multidão que acompanhava o enterro. O que importava é que alguém me deu a mão, alguém segurava a minha mão no momento em que eu perdi, no momento da derrota. Assim que terminou o enterro aquela mão soltou-se e a pessoa voltou-se para trás. Depois fui saber quem me dera o apoio, mas na hora nem pensei em procurar o dono daquela mão, pois sabia que aquela era a mão de Deus.Ainda não aprendi a perder. Ainda sofro com as derrotas. Mas essa experiência tem me feito buscar nas derrotas a presença de Deus, que não me deixa só. A mão de Deus que me ampara. A presença de Deus que me faz crer que depois da morte vem a ressurreição. E a ressurreição é vida nova. Mudanças positivas acontecem. Novidades aparecemÂ…De lá para cá continuei a perder, mas por meio dessas derrotas, tenho tentado permitir que Deus, com a sua mão, não somente me ampare, como fez no dia do falecimento do meu pai, mas que também me conduza pelos caminhos que Ele tem para mim. Afinal: “Somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou” (Rm 8,37).
|
|
|
O que farias no último dia da tua vida? |
|
|
|
O QUE FARIAS NO ÚLTIMO DIA DA TUA VIDA ?
“Vós
também, ficai preparados, pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do
Homem”.
Aqui o
tema é a vigilância. Eu e tu precisamos de estar preparados. Se soubesses que
hoje seria o último dia da tua vida, o que farias, meu amigo? Quantas respostas?
Talvez dirias: “Eu correria para a Igreja para fazer uma boa confissão”, ou “Eu
vou perdoar todas as pessoas que me ofenderam; “eu iria pedir perdão a todos a
quem ofendi”; “eu iria repartir o que tenho a mais com os pobres”.
O que te impede de fazer isto hoje
mesmo sabendo que, talvez, este não seja o último dia da tua vida? Fazer assim
é estar preparado. Não sabemos nem o dia nem a hora. Eu preciso de viver como
se este dia e esta hora fossem os últimos na minha vida. Se eu viver assim o
dia de hoje, tenho a certeza que estarei preparado, porque se o Senhor vier no
dia de hoje, não haverá desespero para mim. Por quê? Porque estou a viver este
dia como sendo o último e esta hora como sendo a última.
E o que farias no último dia da tua
vida? Certamente farias dele o melhor dia já vivido: irias amar a todos,
perdoar a todos, servir a todos. O que te impede de viver assim o dia de hoje?
Então, vive assim! Busca fazer o bem, amar e perdoar a todos, lutar pela
verdade e pela justiça, cuidar de quem sofre, amar os mais pobres, socorrer os
necessitados, consolar os aflitos. É assim que o Senhor nos quer encontrar na
Sua segunda vinda.
Agora, seria muito triste eu não
zelar, não administrar bem o que o Senhor me confiou, ou seja, os talentos. “A
quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais
será exigido!” É verdade. Deus confiou-me muitas coisas, Ele deu-me
muitos dons, confiou-me uma obra. Então, eu tenho que ser fiel àquilo que o
Senhor me confiou. Tenho que administrar bem aquilo que Ele me deu, mesmo
sabendo das minhas fraquezas e pecados.
O Pai confiou-te uma família, um
trabalho, enfim, tantas coisas. Deus confiou-te uma comunidade, confiou filhos
e pais. Ele confiou-te o que está à tua volta para que tu cuidasses com toda a
fidelidade e pudesses estar vigilante, porque hoje o Senhor vai vir.
Os primeiros cristãos viviam sempre
na iminência da segunda vinda de Cristo. Assim como eles, também estejamos
vigilantes, porque Jesus voltará. Ele pode voltar hoje pela manhã, pela tarde
ou durante a noite. Vivamos então, meu amigo, preparados para que o Senhor nos possa
encontrar assim. Pai, leva-me a tomar consciência de que muito será exigido de
mim, pois muito me foi dado. Que a minha vida seja compatível com a minha
condição de discípulo do Teu Reino. Amém!
|
|
|
7 coisas que deves dizer a quem amas, antes de morrer |
|
|
|
7 coisas que deves
dizer a quem amas, antes de morrer
Ninguém gosta de pensar sobre a morte, seja ela a própria
morte ou a de um ente querido. Mas uma parte inesperada do processo de luto
pode ser alegria e o reconhecimento por ter conhecido uma pessoa boa ou ter
vivido uma vida plena. É por isso que o médico de Stanford, VJ Periyakoil,
especialista em estudos de envelhecimento multicultural e geriatria, fundou o
Stanford Friends and Family Letter Project (Projeto de Carta de Amigos e
Famílias de Stanford). O objetivo é ajudar a todos a evitar qualquer tipo de
arrependimento e, em vez disso, incentivar a gratidão e o amor.
No ano passado, Periyakoil e a sua equipa criaram um modelo
gratuito de “última carta” em oito idiomas. Qualquer pessoa pode usar o modelo
para reconhecer, perdoar e apreciar familiares e amigos antes de morrer.
O modelo aborda sete passos do que Periyakoil chama de
“tarefas de revisão de vida”:
Tarefa 1: Reconhecer as pessoas importantes da sua vida.
Tarefa 2: Lembrar-se de momentos preciosos da sua vida.
Tarefa 3: Se feriu alguém que ama, peça desculpa.
Tarefa 4: Se alguém que você ama o magoou, perdoe.
Tarefa 5: Expressar a gratidão por todo o amor e cuidado que recebeu.
Tarefa 6: Informar os amigos e familiares quanto os ama.
Tarefa 7: Arranje um tempo para dizer “adeus”.
Embora cada um faça a sua “última carta” de forma diferente,
Periyakoil percebeu certos temas conectivos entre os textos.
Num artigo recente para o New York Times, Periyakoil escreve
que “o sentimento mais comum que as pessoas expressam é o arrependimento, elas lamentam-se
por nunca terem tirado um tempo para consertar amizades e relacionamentos
quebrados; lamentam que nunca tenham dito aos amigos e familiares quanto eles
são importantes; lamentam por serem lembrados pelos filhos como mães
hipercríticas ou pais exigentes e autoritários”.
Outros sentimentos comuns incluíam o orgulho pelos filhos,
desculpas que não obtiveram e perdão por rancores causados.
Periyakoil assegura aos leitores que o melhor momento para
escrever a última carta é enquanto ainda está saudável. Esta é a oportunidade de
dizer em voz alta o que nunca disse às pessoas de quem mais gosta na vida. A
carta pode ser especialmente valiosa para uma pessoa mais reticente, mas a
verdade é que todos nós nos podemos dar ao luxo de expressar mais amor e
gratidão na nossa vida diária.
“Uma vez escrita, pode escolher compartilhar a carta com os seus
entes queridos imediatamente”, escreve Periyakoil. “Também pode guardá-la num
lugar seguro ou com uma pessoa confiável para ser entregue à sua família, no
futuro. Algumas pessoas preferem usar a carta como um documento vivo e
atualizá-la ao longo do tempo”, conclui o especialista.
Certamente o esforço de Periyakoil e a sua equipa incentivam
este tipo de reflexão positiva sobre a vida – o que só trará mais amor às
pessoas.
|
|
|
O homem que nunca teve tempo para Deus |
|
|
|
Em criança quiseram ensiná-lo, mas alguém se opôs: «É muito cedo para pensar em Deus. Ainda não compreende nada».
Quando criança, acharam bem mandá-lo à catequese, mas alguém disse: «É muito criança para pensar em Deus».
Na juventude, foi convidado para um grupo de jovens. Estava entretido com a namorada e alguém respondeu por ele: «Está muito apaixonado para pensar em Deus».
Como homem casado, a esposa pedia-lhe que fosse à Missa aos Domingos, mas ele respondia: «Estou muito ocupado para pensar em Deus».
Houve pregações na aldeia. Quiseram convidá-lo, mas os amigos responderam: «Deixem-no. Está muito cansado para pensar em Deus».
Uma vez, ocupado com negócios, convidaram-no a fazer a Confissão Pascal. Ele, porém, respondeu: «Estou muito preocupado para pensar em Deus».
Quando já era idoso, convidaram-no a fazer uma revisão da sua vida. Os netos objectaram: «Está muito velho para pensar em Deus».
Ao ser levado para o cemitério, podemos dizer: «Agora é tarde para pensar em Deus».
|
|
|
O que a Igreja ensina sobre a morte |
|
|
|
Nada há a temer, o caminho é seguir Jesus
Não passaríamos pela morte como ela é hoje se não houvesse o pecado
A Igreja ensina que, em consequência do pecado original, o homem deve sofrer "a morte corporal, à qual teria sido subtraído se não tivesse pecado" (Gaudium et Spes, 18; Gn 2,17).
Não passaríamos pela morte como ela é hoje se não houvesse o pecado.
A Igreja reconhece que "é diante da morte que o enigma da condição humana atinge o seu ponto mais alto" (idem). São Paulo ensina que "o salário do pecado é morte" (Rom 6, 23); é dele que advém todo o sofrimento da criatura humana; mas que para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também da sua Ressurreição (Rom 6, 3-9).
Embora o homem tivesse uma natureza mortal, Deus destinava-o a não morrer. "Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e fê-lo à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demónio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demónio prová-la-ão". (Sab 2, 23).
A morte foi, portanto, contrária aos desígnios de Deus criador e entrou no mundo como consequência do pecado; e será o "último inimigo" do homem a ser vencido (1Cor 15,26).
A realidade inexorável da morte deve recordar-nos de que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade (...) antes que o pó volte à terra de onde veio, e o sopro volte a Deus que o concedeu" (Eclo 12, 2.7).
Mas a morte foi transformada por Cristo. Jesus, o Filho de Deus, sofreu Ele também a morte, própria da condição humana; assumiu-a num acto de submissão total e livre à vontade do seu Pai. A obediência de Jesus transformou a maldição da morte em bênção (Rom 5, 19-21). Por isso, graças a Cristo a morte cristã tem um sentido positivo.
São Paulo disse: "Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro" (Fl 1, 21).
"Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos" (2Tm 2, 11).
O Catecismo da Igreja Católica ensina que "A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Baptismo, o cristão já está sacramentalmente 'morto com Cristo' para viver uma vida nova; e, se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma este 'morrer com Cristo' e completa, assim, a nossa incorporação a ele no seu acto redentor" (§1010).
Deus chama o homem a si na sua morte. São Paulo estava certo disso:
"O meu desejo é partir e estar com Cristo" (Fl 1, 23); então, o cristão deve transformar a sua morte num acto de obediência e de amor ao Pai, a exemplo de Cristo (Lc 23, 46). Santa Teresinha dizia: "Não morro, entro para a vida."
A visão cristã da morte é expressa de forma privilegiada na liturgia da Igreja: "Senhor, para os que crêem em Vós, a vida não é tirada, mas transformada.
E, desfeito o nosso corpo mortal, é-nos dado, nos céus, um corpo imperecível."
A morte encerra o "tempo de graça e de misericórdia" que Deus oferece a cada um para realizar a sua vida terrestre segundo o projecto divino e para decidir o seu destino último. Não há reencarnação; ensina a Igreja que: Quando tiver terminado "o único curso da nossa vida terrestre" (LG, 48), não voltaremos mais a outras vidas terrestres.
"Os homens devem morrer uma só vez" (Hb 9,27).
Pela morte, a alma é separada do corpo, mas na ressurreição Deus restituirá a vida incorruptível ao nosso corpo transformado, unindo-o novamente à nossa alma (cf. Cat. §1016).
Que é "ressuscitar"? Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que a sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida ao seu corpo glorificado.
Deus na sua omnipotência restituirá definitivamente a vida incorruptível aos nossos corpos unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus (Cat. §997).
Todos os homens que morreram ressuscitarão. "Os que tiverem feito o bem sairão para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento.” (Jo 5, 29; cf. Dn 12,2).
Cristo ressuscitou com o seu próprio Corpo: "Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!" (Lc 24, 39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma nele "todos ressuscitarão com o seu próprio corpo, que tem agora", ensinou o IV Concílio do Latrão, (DS, 801); porém, este corpo será "transfigurado em corpo de glória" (Fl 3,21), em "corpo espiritual" (1Cor 15,44).
Quando será a ressurreição? O Catecismo responde: Definitivamente "no último dia" (Jo 6, 39-40.44.54;11,24); "no fim do mundo" (LG, 48).
A ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo (§1001).
A "Imitação de Cristo" ensina-nos: "Em todas as tuas acções, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesses de morrer hoje. Se a tua consciência estivesse tranquila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã?"
E S. Francisco de Assis, no "Cântico das Criaturas", rezou assim: "Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal."
|
|
|
Posso lançar as cinzas de um defunto ao mar? |
|
|
|
Posso lançar as cinzas
de um defunto ao mar?
O que a Igreja Católica realmente ensina sobre este tema
Durante muito tempo, na Igreja Católica (fora de casos
especiais de pestes ou epidemias) era severamente proibido incinerar os
cadáveres, pois isso era considerado uma rejeição da fé na vida eterna.
Com a mudança de mentalidade e as necessidades do mundo
atual, a partir de 1963, surgiram na prática católica outras disposições
apresentadas atualmente no Código de Direito Canónico: “A Igreja recomenda
vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos;
mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido preferida por razões
contrárias à doutrina cristã” (Cânon 1176, 3).
O Catecismo da Igreja Católica também ensina: “A Igreja permite
a incineração quando com ela não se questiona a fé na ressurreição do corpo”
(n. 2301).
Os ritos funerais, sobretudo nas grandes cidades, podem ser
celebrados diante do defunto (exéquias de corpo presente), somente com as
cinzas ou simplesmente em memória do defunto, seja em uma casa, em uma capela,
na igreja ou no cemitério, levando em consideração também as disposições legais
próprias de cada região.
Em todos os casos, a oração pelos defuntos deve acompanhar
estas práticas que celebram o fato de que todos nós somos chamados à
ressurreição, à semelhança e pelos méritos de Cristo, que por nós morreu e
ressuscitou. Os ritos funerários também proporcionam consolo e esperança às
famílias cristãs.
As cinzas devem receber o mesmo respeito e trato que o corpo
humano, do qual procedem, porque foi templo do Espírito Santo e está chamado à
gloriosa ressurreição. O trato adequado das cinzas inclui um recipiente digno
(urna) e o depósito apropriado em um lugar designado para guardar estes restos,
seja em um templo ou outro edifício reservado para isso, ou inclusive em um
cemitério tradicional, mas não dentro do recinto das igrejas destinadas ao
culto litúrgico público.
Espalhar as cinzas no mar, em um rio ou na terra são práticas
incoerentes com a fé cristã. Tampouco é aconselhável, por razões de
sensibilidade emocional, conservar as cinzas na residência da família da pessoa
falecida.
A Igreja revisou a doutrina sobre a incineração de cadáveres
porque foram levados em consideração outros motivos, como: os costumes de algumas
culturas, o custo elevado do enterro tradicional e dos caixões, bem como
questões de higiene.
A doutrina católica concede, no entanto, muito atenção ao
sentido religioso dos povos cristãos, para não ferir os sentimentos ao
introduzir práticas desconhecidas ou alheias para eles.
|
|
|
Somente de passagem |
|
|
|
Um turista americano foi á cidade do Cairo, no Egipto, para visitar um famoso sábio. Chegou e ficou surpreendido ao ver que o sábio morava num quartinho, muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão os seus móveis? – perguntou o turista. E o sábio, bem depressa, perguntou também: - E onde estão os seus?...
- Os meus? Surpreendeu-se o turista. Eu estou aqui só de passagem!
– Eu também…concluiu o sábio.
A vida na terra é somente uma passagem… no entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes.
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso há momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
|
|
|
Pessoas célebres diante da morte |
|
|
|
“Durante os poucos dias que passei na prisão entre a vida e a morte, recebi de Deus a fé”
Diante da morte, este momento singular e decisivo, o homem torna-se mais sério e mais honesto; parece que nesta hora a realidade supera o orgulho alimentado durante a vida. Muitos ateus, na hora da morte, em poucas palavras, negaram tudo o que viveram ou ensinaram em vida.
Vejamos o que muitos ateus disseram próximo da morte.
Engels principal propagandista do ateísmo, voltou a reconhecer Deus: “A vida tem que ser devolvida Àquele que morreu na cruz por todos os homens” (Atheismus – ein Weg. P. 170).
Lenine, no fim da sua vida pediu perdão por todos os seus erros a Deus, ao mundo:
“Cometi um grande erro. A sensação de viver perdido num oceano de sangue derramado por inumeráveis vítimas, persegue-me. Mas já não podemos voltar atrás. Para salvar a Rússia tínhamos precisado de homens como são Francisco de Assis. Dez homens como ele e ter-la-íamos salvo” (Prof. Möbius. Bildpost und Pilger).
Sinoviev, presidente da Internacional Comunista e colaborador de Lenine, exclamou antes de morrer: “Escuta, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Deus”. (R. Wurmbrand, Antwort auf Moskaus Bibel. Seewis, 1984. P. 47).
Hans Frank, alemão, ministro do Governo nacional-socialista de Hitler, disse antes de ser executado: “Aceito a morte como expiação pela grave injustiça cometida por nós. Mas espero que a misericórdia divina ainda nos possa salvar” (Prof. Möbius. Bildpost und Pilger).
J. V. Ribbentrop, ministro alemão dos Negócios Estrangeiros do Governo nacional-socialista, disse antes de morrer: “Espero poder ainda ser salvo e obter misericórdia graças ao Sangue redentor de Cristo” (H. Weesling. Was seid ihr traurig).
Heinrich Heine (1797-1856), o grande blasfemo, conhecido de Marx e Moses Hess, reconhece honestamente antes da sua morte: “A velha lira despedaçou-se na rocha que se chama Cristo! Esta lira, dominada por um espírito maligno, celebrou festas maliciosas. A lira, que apelou à revolta, que cantou a dúvida, a blasfêmia, a queda. Oh Senhor, oh Senhor, eu ajoelho-me, perdoa, perdoa-me as minhas canções”.
A empregada de Karl Marx, depois da sua morte, revelou o seguinte:
“Era um homem temente a Deus. Quando esteve gravemente doente, rezava sozinho no seu quarto, à luz de muitas velas e punha uma espécie de fita em volta da testa” (S. M. Rii, Karl Marx Master of Fraud, Nova Iorque, 1962. p. 2).
Marx um dia disse: “Tenho a certeza de que perdi o céu por culpa própria. A minha alma que antes pertencia a Deus, está destinada ao inferno. Ah, a eternidade é o nosso tormento, o nosso martírio eterno.” (D. blasse Maid, Seg. ME. Vol I-1. P. 55-57).
Mao Tse Tung, dirigente comunista da China, declarou em 1971 a um jornalista britânico:
“Em breve vou comparecer diante de Deus”. Em 1936 Mao adoeceu gravemente e como Membro do Comité Central do Partido Comunista “pediu para ser baptizado. Foi uma freira católica que o baptizou”(Antw.auf Mosk.Bibel (Nr. 35). P. 47).
Jaroslavski, presidente do Movimento Ateu Internacional pediu, já no seu leito de morte, a Stalin: “Queimem todos os meus livros!”. “Olhem, vejam os Santos! Ele já está há muito tempo à minha espera. Ele está aqui! Queimem os meus livros!” (Antw.auf Mosk.Bibel (Nr. 35). P. 47).
L. Pachmann, campeão de xadrez checo, marxista, secretário do Sindicato Central, detido em 1969: “Durante os poucos dias que passei na prisão entre a vida e a morte, recebi de Deus a fé” (D. Weg u.d. Wahrheit u.d. Leben, ed. pelo Inf. zentr. Ber.der. Kirche. p. 11).
“O único mérito no conhecimento da verdade consiste na disponibilidade da alma de não querer resistir a aceitar uma verdade eterna, que já não luta contra a sua revelação. Num momento de tal importância abre-se o caminho que nos leva à verdadeira felicidade”.
|
|
|
SE ME AMAS, NÃO CHORES! |
|
|
|
Se conhecesses o mistério imenso
do céu onde agora vivo,
este horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!
Estou já absorvido no encontro de Deus,
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o seu amor,
uma enorme ternura,
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo,
pensa nesta casa onde, um dia,
estaremos reunidos para além da morte,
matando a sede na fonte inesgotável
da alegria e do amor infinito.
Não chores,
se verdadeiramente me amas!
Santo Agostinho
|
|
|
No Juízo Final |
|
|
|
No Juízo
Final, os nossos pensamentos serão expostos a todos?
Pergunta
- No Juízo Final, os nossos pensamentos serão expostos a todos? Se cometemos um
pecado contra a castidade, consentindo num pensamento impuro, mas nos
arrependemos e fomos perdoados, e dele nos purificamos no Purgatório, mesmo
assim este pecado será exposto ao mundo todo? Se a confissão é secreta e
individual, por que então os pecados seriam revelados no Juízo Final?
Resposta de Monsenhor José Luiz Villac - O Juízo Final é
realmente um dia tremendo, como diz o responsório da Missa de Defuntos:
- Livrai-me,
Senhor, da morte eterna, naquele dia tremendo; quando os céus e a terra forem
abalados: quando vierdes julgar o mundo pelo fogo.
- Eu tremo e estou atemorizado, pensando no dia do juízo e da ira [de Deus].
Quando os céus e a Terra forem abalados.
- Dia de ira, aquele dia de calamidade e de miséria, grande dia cheio de
amargura. Quando vierdes a julgar o mundo pelo fogo.
Portanto, para todos os homens, bons e maus, o dia do Juízo Final será um “dia
de ira, aquele dia de calamidade e de miséria, grande dia cheio de amargura”. Mas,
não o será igualmente para bons e maus, e aqui começa a grande diferença!
Antes do Juízo Final, o juízo particular
O Juízo Final é necessário, mas, na verdade, antes dele cada homem terá passado
por um juízo particular, logo depois da morte. Poucos cristãos têm isto
presente quando comparecem a um velório e vêem o defunto estendido na câmara
mortuária; mas ali está um homem que já foi julgado por Deus e recebeu a sua
sentença definitiva: Céu ou Inferno!
Se aquele homem ou mulher morreu na graça de Deus, está destinado ao Céu. Pode
ser que, embora tenha morrido em estado de graça, não tenha pago
suficientemente por todos os pecados cometidos; neste caso, passará antes pelo
Purgatório, para satisfazer completamente a Justiça divina até ser purificado
da mais leve mancha de pecado.
Depois disto a sua alma será levada ao Céu, ali aguardando a ressurreição geral
dos corpos, quando então se unirá ao seu corpo restaurado para nunca mais
morrer. Será nestas condições que ele se apresentará diante de Nosso Senhor
Jesus Cristo no dia do Juízo Final, portanto certo da sua absolvição pelo
Divino Juiz.
Quanto aos maus, que morreram em pecado mortal, as suas almas serão enviadas ao
Inferno imediatamente após a morte, e também lá ficarão aguardando a
ressurreição geral dos corpos, para se unirem aos seus corpos tenebrosos e
receberem diante de toda a humanidade a confirmação da sentença terrível
exarada no juízo particular.
Portanto, bons e maus não entram no grande anfiteatro do Juízo Final nas mesmas
condições: uns já sabem que se salvaram, e portanto estão tranquilos e felizes;
e outros já têm conhecimento de que se condenaram, e portanto estão
desesperados e aterrorizados.
Estes últimos, para a sua vergonha, terão os seus pecados, mesmo os mais
ocultos, desvendados aos olhos de todo o mundo, que assim verá como Deus foi
justo ao condená-los.
E os pecados dos bons, também serão exibidos?
A necessidade do Juízo Final
Poucos cristãos têm presente, quando comparecem a um velório e vêem o defunto
estendido na câmara mortuária, que ali está um homem que já foi julgado por
Deus e recebeu a sua sentença definitiva — Céu ou Inferno!
Uma pergunta óbvia, ao se tratar do Juízo Final, é sobre a necessidade dele.
Pois, se logo após a morte a alma é julgada por um juízo particular, e o seu
destino eterno já está selado, nada mudará com o Juízo Final. Qual, pois, a sua
razão de ser?
O Juízo Final - ou Juízo Universal, como também é chamado - é o grande ajuste
de contas dos homens com Deus, como também dos homens entre si.
Comecemos por este último, apesar de ser menos importante. Menos importante,
aliás, não quer dizer não importante. Até porque Jesus Cristo deu-lhe grande
importância.
Com efeito, quando São Lucas introduz a questão da revelação dos pecados
ocultos (cap. 12, 1-2), é justamente a propósito dos grandes hipócritas do
tempo de Jesus, que eram os fariseus: “Começou Ele [Jesus] a dizer aos seus
discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Porque
nada há de oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não
venha a saber-se”.
Importa pois que, no dia do Juízo Final, todos aqueles que quiseram passar por
virtuosos aos olhos dos homens, mas estavam cheios de pecados ocultos, sejam
publicamente desmascarados.
Ampliando este quadro, vemos quantas pessoas são caluniadas ou injustiçadas —
em qualquer campo que se considere: moral, familiar, social, político,
cultural, artístico, científico, técnico, laboral, etc. — e consequentemente
menosprezadas ou preteridas em favor de outras francamente incompetentes,
oportunistas ou desonestas. É preciso que a justiça seja feita aos olhos de
toda a humanidade. É este grande ajuste de contas, em nível particular, que o
Juízo Final propiciará.
Pode entretanto acontecer que alguns - ou muitos - que praticaram injustiças se
tenham depois arrependido e salvado a sua alma. É claro que a injustiça
praticada por essas pessoas também deve ser manifestada no Juízo Final, para
reparar a honra dos lesados.
O facto de que, no sacramento da Confissão, se garanta o segredo absoluto sobre
os pecados confessados, é uma condição necessária da vida nesta Terra: todo o convívio
humano se tornaria insuportável se cada um ficasse a saber dos pecados ocultos
dos outros. Porém, no dia do Juízo, essa necessidade cessa, pois o convívio a
partir de então será na morada celeste, em condições totalmente outras.
Ademais, no Juízo se revelará também a seriedade da contrição e o rigor da
penitência com que cada um lavou os seus pecados. O que lhe servirá de louvor. E
não é um mérito pequeno. Pelo contrário, é altamente valioso aos olhos divinos
ter alguém a coragem de olhar de frente os próprios defeitos e corrigi-los.
Arrancar de si um defeito dói mais do que arrancar um braço, e só se consegue
com um auxílio especial da graça, a qual Deus não nega a quem lhe pede. Assim,
o mérito da penitência cobre o demérito do pecado; e onde abundou o delito,
superabundou a graça, como disse São Paulo (Rom, 5, 20).
No fim das contas, a revelação dos nossos pecados ocultos, no dia do Juízo
Final, não resulta em opróbrio, mas em motivo de acção de graças a Deus, que
deste modo triunfou nas nossas almas, e em reconhecimento do mérito havido no
arrependimento.
Porém, o Juízo Final não se restringe ao acerto de contas entre os indivíduos e
destes com Deus. Nele serão julgadas também as famílias, as sociedades de
várias ordens, os povos e as nações. Nele, como diz o Catecismo da Igreja
Católica, Jesus Cristo “pronunciará a sua palavra definitiva sobre toda a
história da humanidade” (nº 1040). Será uma grande aula de História.
Não é, pois, sem propósito que a eleição dos papas se faça na Capela Sistina,
sob o tecto decorado com o célebre fresco de Miguel Ângelo sobre o Juízo Final.
O que ali se decide, de cada vez, é o rumo que tomará a Santa Igreja, cuja barca
arrasta atrás de si a História de toda a humanidade!
|
|
|
O maior SEGREDO para se viver bem |
|
|
|
O maior SEGREDO para se
viver bem!
Se quiseres viver bem, procura, durante o tempo de vida que
te resta, viver pensando sempre na morte.
Ao veres um túmulo, ao assistires às exéquias de um amigo ou
parente, ao veres um cadáver sendo levado à sepultura, contempla nisso a tua
própria imagem e o que um dia há de ser de ti.
Reflete então e diz contigo: Dentro de poucos anos, talvez
meses ou dias, tudo acabará para mim; o meu corpo será apenas podridão e
vermes. Estando então perdida a alma, tudo estará perdido para mim, e perdido
para sempre.
Assim fizeram os Santos, que agora reinam no Céu; por este
meio chegaram a desprezar todos os bens desta terra, venceram as tentações mais
fortes, e subiram a alta santidade.
Job dizia à podridão: Tu és meu pai; e aos vermes: vós sois
minha mãe e minha irmã.
São Carlos Borromeu conservava sempre sobre a mesa uma
caveira, para tê-la continuamente diante dos olhos.
O cardeal Barónio fez gravar no seu anel estas palavras:
“Lembra-te da morte”. O Bem-aventurado Juvenal, bispo de Saluzzo, escreveu
sobre uma caveira estas palavras: O que tu és, fui eu; o que eu sou, tu serás
um dia.
Outro santo solidário, perguntado na hora da morte porque
estava tão alegre, respondeu: Sempre tive a lembrança da morte diante dos
olhos; por isso, agora que ela vem, não vejo coisa nova.
São Camilo de Lelis, ao ver os túmulos, dizia consigo: Se
estes defuntos voltassem ao mundo, quanto não fariam pela vida eterna! E eu,
que ainda tenho tempo, que faço pela minha alma? – o Santo falava assim por
humildade.
Mas tu, meu irmão, tens talvez razão para temer que sejas
aquela figueira sem fruto da qual disse o Senhor: Já há três anos que venho
procurar fruto nesta figueira, e não o acho.
Tu que estás no mundo há mais de três anos, que fruto tens
produzido? Considera, diz São Bernardo, que o Senhor não procura em ti somente
flores, mas quer também frutos; isto é, bons desejos e propósitos, e também
obras santas.
“Considera-te desde já como morto”
Saibamos aproveitar o tempo que Deus nos dá na sua
misericórdia, e não esperemos para fazer o bem até que não haja mais tempo, e
se nos diga: É tempo de partir deste mundo; vamos depressa; o que está feito,
está feito.
Considera-te, diz São Lourenço Justiniano, considera-te desde
já como morto, já que é certo que deves morrer. Se já estivesses morto, quanto
não quererias ter feito!
Diz São Boaventura que o piloto para bem governar o navio,
coloca-se na popa: assim o homem, para levar uma vida boa, deve considerar-se
sempre como se estivesse para morrer.
Foi isto que fez São Bernardo dizer: considera os pecados da
tua mocidade e cora; considera os pecados da idade viril e geme; considera as
desordens da idade atual e treme e apressa-te em os remediar.
Eis-me aqui, meu Deus, sou aquela árvore que há tantos anos
mereceu ouvir a sentença: corta-a; para que ocupa ainda a terra? Sim, porque
nos muitos anos que estou no mundo, ainda não dei outros frutos senão cardos e
espinhos de pecados.
Mas Vós, Senhor, não quereis que eu desespere. Vós dissestes
que o que Vos procurar, Vos achará: procurai e encontrareis. Procuro-Vos, meu
Deus, e desejo a Vossa graça.
Detesto de todo o coração todas as ofensas que Vos fiz, e
quisera morrer de dor. Quero empregar o resto da minha vida em Vos amar e
honrar.
Sim, amo-Vos, ó meu soberano Bem, e, com o Vosso auxílio,
quero viver e morrer fazendo atos de amor a Vós, que por meu amor morrestes
sobre a cruz.
Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.
|
|
|
O mundo não pensa na morte |
|
|
Precisamos de ter cuidado com a vida que levamos
No dia 2 de Novembro celebramos o Dia dos Fiéis Defuntos. Um dia no qual muitas pessoas vão ao cemitério rezar pelos entes queridos que já partiram deste mundo.
Mas, este dia, bem como a celebração de exéquias, algum velório ou enterro, é um momento propício para reflectir não somente na morte, mas na vida através da morte. Pois… tal vida…tal morte. A doutora da Igreja, Santa Teresa de Lisieux, mais conhecida por Santa Teresinha do Menino Jesus, dizia que a morte é o fim de todo o ser humano e que, por isso, precisamos de tomar cuidado com a vida que levamos. Dizia ela:
“Os amigos que tínhamos eram muito dados ao mundo, e usavam as suas tretas para conciliar, demasiadamente, as alegrias da terra com o serviço de Deus. Não pensavam bastante na morte e, no entanto, veio a morte visitar grande número de pessoas minhas conhecidas, jovens, ricas e ditosas!” (“História de uma Alma” – pag. 87-88).
Somos tentados, a todo o instante, a acreditar que a nossa vida se resume a conquistar riquezas, fama e poder aqui na terra. Ou que podemos conciliar uma vida de serviço a Deus e a busca das riquezas terrenas. Santa Teresinha continua a sua reflexão afirmando: “E vejo que debaixo do sol tudo é vaidade e aflição de espírito […] que o único bem consiste em amar a Deus de todo o coração e ser pobre de espírito aqui na terra […]”.
Assim, como Santa Teresinha nos ensina, precisamos amar a Deus de todo o coração, e a partir daí, pensar sobre qual é o nosso projecto de vida. Projectamos a nossa vida para o Reino dos Céus ou para alcançar as riquezas aqui na terra? Pensemos mais na nossa morte e em como vale a pena viver bem…para morrer bem.
O nosso projecto de vida precisa de ser o Reino dos Céus, pois, vivendo o céu aqui na terra, continuaremos a vida, ressuscitados com Jesus, no Reino de Deus, nos Céus, pois somente Cristo tem o poder de vencer a morte! Aleluia!
O PADRE ANTÓNIO VIEIRA FALA SOBRE A MORTE:
1. “Quem se contenta a se salvar uma só vez, muito se arrisca a não se salvar nenhuma: querer-se salvar na morte, é temer o inferno; salvar-se em toda a vida, isto é amar a Deus. Quem se salva só na morte, quando muito, foge para Deus; quem se salva em toda a vida, este é só o que anda com Deus”.
(Sermão das Exéquias do Conde de Unhão))
2. “O Amor de Cristo para com os homens foi tão grande que não se contentava com dar uma só vida por eles, mas desejou dar muitos milhares de vidas; e como a vida de Cristo era uma só, buscou traçar o seu amor para dar a mesma vida muitas e muitas vezes, que foi o Sacramento e Sacrifício do altar, onde Cristo, sem morrer, está morrendo sempre”.
(Sermão das Exéquias de Dom Duarte)
3. “Morrer de muitos anos, e viver muitos anos, não é a mesma coisa. Ordinariamente os homens morrem de muitos anos, e vivem poucos. Porquê? Porque nem todos os anos que se passam, se vivem. Uma coisa é contar os anos, outra vivê-los; uma coisa é viver, outra durar. Também os cadáveres debaixo da terra; também os ossos nas sepulturas acompanham os cursos dos tempos, e ninguém dirá que vivem. As nossas acções são os nossos dias; por elas se contam os anos, por elas se mede a vida: enquanto obramos racionalmente, vivemos; o demais tempo, duramos”.
(Sermão das Exéquias do Conde de Unhão)
|
|
|
A dor da separação |
|
|
|
A dor da Separação
A sabedoria popular afirma que uma das certezas absolutas da
nossa vida é a de que um dia iremos morrer. No entanto, passamos toda a nossa
vida sem nos preocuparmos com a preparação desse momento que, embora o
desconheçamos, sabemos que chegará.
Todas as experiências humanas exigem uma reflexão. Em se
tratando da experiência da perda de um ente querido, podemos considerá-la como
uma das mais difíceis da nossa vida.
A morte da pessoa amada provoca muitos sentimentos:
perplexidade, perda do sentido da vida, vazio, depressão, raiva, revolta contra
Deus, culpabilidade, impotência... Estes sentimentos podem ser vividos de uma
forma adequada, permitindo o desempenho do trabalho quotidiano, apesar
sofrimento.
A perda da pessoa amada tem repercussões na experiência da
fé. Daí a necessidade da solidariedade na promoção de espaços que propiciem
acolhimento, ajuda afectiva e espiritual. Na Sagrada Escritura podemos
perceber, principalmente nos salmos, a expressão dos sentimentos inerentes às
perdas e aos sofrimentos.
Se tu estás a passar por momentos de dor, crise e sofrimentos
pela morte de um ente querido, mantém a tua mão segura nas mãos de Deus, pois,
só Ele pode sustentar-te e dar-te forças nessas ocasiões dolorosas.
Que a Palavra do Senhor: “Eu estarei convosco todos os
dias...”, “Não se perturbe o vosso coração...” e a certeza de que o teu ente
querido já se encontra junto de Deus, confortem o teu coração e o de toda a tua
família. Fica a saber que sempre há alguém a rezar por ti.
Tem fé e confiança no Senhor, Ele nunca te abandonará.
|
|
|
Como viver bem as fases do luto? |
|
|
|
Como
viver bem as fases do luto?
“Ninguém está preparado para perder o outro”,
mas viver bem a fase do luto é indispensável
Todas as pessoas,
quando sofrem alguma grande perda na vida (seja a morte de um ente querido, o
diagnóstico de uma doença grave, um processo de falência ou a traição de uma
pessoa muito próxima, uma separação, uma punição criminal etc.), passam em
maior ou menor intensidade por aquilo que chamamos de processo de luto.
Para lidar com essa
situação, a falecida psiquiatra suíça Elisabeth Kubler-Ross pesquisou sobre
esse tema e descreveu cinco fases do processo de luto.
A reacção psíquica
determinada pela experiência da morte (perda) foi descrita por Elisabeth
Kübler-Ross em seu livro ‘Sobre a morte e o morrer’, no qual explica que esses
estágios nem sempre ocorrem na mesma ordem, nem todos são experimentados pelas
pessoas. Ela afirmou que uma pessoa sempre apresentará, pelo menos, duas dessas
fases.
São elas:
1) A negação – Surge
na primeira fase do luto. É o momento em que nos parece impossível a perda,
quando não somos capazes de acreditar nela. A dor da perda é tão grande, que
parece não ser possível nem real.
A negação é uma
defesa psíquica que faz com que o indivíduo acabe negando o problema, tentando
encontrar algum jeito de não entrar em contacto com a realidade, seja da morte
de um ente querido ou uma perda. É comum que a pessoa também não queira falar
sobre o assunto.
Nessa fase, a pessoa
nega a existência do problema ou da situação. Pode não acreditar na informação
que está recebendo, tenta esquecê-la, não pensar nela ou ainda busca provas ou
argumentos de que o fato não é real.
• “Isso não é
verdade!”
• “Vai passar”
• “Sempre dou um
jeito em tudo, vou resolver isso também”
A pessoa continua se
comportando como antes (ignorando a situação) e não consegue aderir ao
tratamento (no caso de doença) ou não falar sobre o assunto (no caso de morte,
desemprego ou traição).
2) Raiva - A raiva
surge depois da negação. Mesmo assim, apesar da perda já consumada, negamo-nos
a acreditar nela. É quando surge o pensamento: “Por que comigo?”. É comum que
surjam, nesta fase, sentimentos de inveja e raiva, quando qualquer palavra de
conforto nos parece falsa, custando acreditar na sua veracidade.
Nessa fase, a pessoa
expressa raiva por aquilo que ocorreu. É comum o aparecimento de emoções como
revolta, inveja e ressentimento. Geralmente, essas emoções são projectadas no
ambiente externo, percebendo o mundo, os outros e Deus como causadores de seu
sofrimento. A pessoa sente-se inconformada e vê a situação como uma injustiça.
• “Isso não é justo!”
• “Por que fizeram
isso comigo?”
Ela perde a calma
quando fala sobre o assunto, evita o tema e se recusa a ouvir conselhos.
3) Negociação – A
negociação surge quando o indivíduo começa a encarar a hipótese da perda e,
diante disso, tenta negociar para que esta não seja verdade. Ele busca fazer
algum tipo de acordo, de maneira que as coisas possam voltar a ser como eram
antes. Essa negociação, geralmente, acontece dentro do próprio indivíduo ou, às
vezes, voltada para a religiosidade.
As negociações com
Deus são normalmente sob forma de promessas ou sacrifícios, pactos e outros
similares, são muito comuns e muitas vezes ocorrem em segredo. No caso de uma
traição, a pessoa buscar agradar o outro.
• “Vou ser uma pessoa
melhor, serei mais gentil e simpático com as pessoas, terei uma vida saudável.”
• “Vou acordar cedo
todos os dias, tratar bem as pessoas, parar de beber, procurar um emprego e
tudo ficará bem.”
• “Vou pensar mais
positivamente e tudo se resolverá.”
• “Deus, deixe-me
ficar bem de saúde, só até meu filho crescer.” (pessoa ao saber que está
doente)
• “Vou mudar minhas
atitudes, meu comportamento, e tudo se resolverá”.
4) Depressão - A
depressão surge quando o indivíduo toma consciência de que a perda é inevitável
e incontornável. Ele sente o “espaço” vazio da pessoa (ou coisa) que perdeu e
percebe que não há como escapar da perda. Toma consciência de que nunca mais
verá aquela pessoa (ou coisa); e com o desaparecimento dela, todos os sonhos,
projectos e todas as lembranças associadas a essa pessoa ganham um novo valor.
Nessa fase ocorre um
sofrimento profundo. Tristeza, desolação, culpa, desesperança e medo são
emoções bastante comuns. É o momento em que acontece uma grande introspecção e
necessidade de isolamento. A pessoa retira-se para seu mundo interno,
isolando-se, sentindo-se melancólica e impotente diante da situação.
• “Não tenho
capacidade para lidar com isto.”
• “Nunca mais as
coisas ficarão bem.”
• “Eu odeio-me.”
Afastar-se das
pessoas e comportar-se de maneira autodestrutiva são situações comuns nessa
fase.
5) Aceitação – Última
fase do luto. É quando a pessoa aceita a perda com paz e serenidade, sem
desespero ou negação. Nesta fase, o espaço vazio deixado pela perda é
preenchido. É um período que depende muito da capacidade da pessoa de mudar a
perspectiva e preencher o vazio. Voltando-se para a religiosidade, para a fé ou
com a ajuda de um profissional num processo de psicoterapia.
Nessa fase,
percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. As emoções não estão
mais tão à flor da pele e a pessoa se prontifica a enfrentar a situação com
consciência das suas possibilidades e limitações.
• Não é o fim do
mundo.”
• “Posso superar isto.”
• “Posso aprender com
isto e melhorar.”
A pessoa buscar ajuda
para resolver a situação, conversar com outros sobre o assunto e consegue
planejar estratégias para lidar com a questão.
É importante entender
que:
As pessoas não passam
por essas fases de maneira linear, ou seja, elas podem superar uma fase, mas,
depois, retornar a ela (ir e vir), estacionar em uma delas sem ter avanços por
um longo período ou ainda suplantar todas as fases rapidamente até a aceitação.
Não há regra. Porém, sabe-se que, comumente, que a fase mais longa é da
depressão para a aceitação.
Tudo depende do
histórico de experiências da pessoa e das crenças que ela tem sobre si mesma e
sobre a situação em questão. Existem pessoas que podem passar meses ou anos num
vai e vem e não chegar à aceitação nunca. Outras, em poucas horas ou dias fazem
todo o processo. Isso varia também em função da perda sofrida.
“Ninguém está preparado para perder o outro; é
normal não conseguirmos nos desapegar. Temos a tendência de ficarmos presos em
uma relação mesmo quando não a queremos mais. A única saída, então, é ter
coragem, enfrentar os desafios que virão e avaliar honestamente nossos
sentimentos e emoções.”
O papel de um
psicólogo num processo de luto:
O papel de um
psicólogo num processo de luto pode ser muito útil para ajudar o indivíduo a
identificar o estágio em que se encontra. A resolução do estágio exige a
vivência de sentimentos e pensamentos que o indivíduo tenta evitar. A tarefa do
psicólogo é permitir que o paciente vivencie o luto. Entendendo que superar não
é esquecer nem fingir que nada aconteceu, significa aceitar e continuar a
viver, retomar a rotina, o trabalho, voltar-se para os amigos e outros
familiares.
Neste processo, a
vivência da fé, para os que crêem, é de fundamental importância, pois ajuda-nos
a entender que o sofrimento faz parte da condição humana, e a morte e as perdas
acontecem a todos.
Jesus veio para nos
ensinar que estará sempre junto de nós em todos os momentos, ajudando-nos a
carregar a cruz de cada dia, lembrando-nos sempre de que tudo nesta vida é
passageiro e que Sua morte na cruz nos dá, todos os dias, a graça de, juntos
com Ele, vivermos por toda a eternidade.
|
|
|