|
QUARESMA-PÁSCOA
|
Teste para "medir" a tua espiritualidade |
|
|
|
Teste para «medir» a espiritualidade pessoal na Quaresma
A atitude ante a oração ou os actos de piedade, a convivência com os demais ou simplesmente a capacidade para estar em silêncio, podem dar pistas sobre a «temperatura» da vida espiritual de cada um.
TESTE
Como está a tua espiritualidade?
Ainda que a fé não se possa medir, estas perguntas podem ajudar-te a saber como está a tua vida espiritual:
1. Custa-te muito manteres-te em silêncio e quando estás sozinho preferes ligar todos os electrodomésticos que há em tua casa?
2. Costumas dedicar tempo para rezar, nalgum momento do dia?
3. Aos domingos, participas da Santa Missa e compartilhas em família?
4. Os actos de piedade aborrecem-te e foges de tudo o que é religioso porque te enfada?
5. Sofres de ansiedade continuamente e o mau génio apodera-se de ti com facilidade?
6. Vives bem, mas sentes que a tua vida está vazia e algo te faz falta?
7. Desfrutas com plenitude do tempo e tens tempo para tudo?
8. És tolerante e encontras o lado positivo nas situações difíceis?
9. Criticas os outros e cansas-te por impor o teu critério?
10. Sentes que Deus não te escuta, não te quer ou esqueceu-se de ti?
11. És capaz de reconhecer os teus erros e pedir perdão?
12. Agradeces a Deus e aos outros os favores recebidos?
Respostas:
- 1 Sim. 2 Não. 3 Não. 4 Sim. 5 Sim. 6. Sim. 7. Não. 8 Não. 9 Sim. 10 Sim. 11 Não. 12 Não. Tens totalmente descuidada a tua vida espiritual; isto pode produzir-te um grande desequilíbrio. É hora de voltares para Deus.
- 1 Não. 2 Sim. 3 Sim. 4 Não. 5 Não. 6 Não. 7 Sim. 8 Sim. 9 Não. 10 Não. 11 Sim. 12 Sim. Aparentemente esforças-te por cultivar a tua vida espiritual, mas tem cuidado, pois ninguém é tão perfeito.
- Se as tuas respostas não são Sim ou Não, mas “Às vezes”: seguramente deves ser mais ordenado e paciente, mas estás no caminho. Ânimo!
- As outras múltiplas opções de resposta indicam que estás em processo de conversão. Aproveita a Quaresma para fortalecer o Espírito.
|
|
|
47 "dicas" para viver a Quaresma |
|
|
|
47 “dicas” - uma para cada dia da Quaresma
(de 4ª feira de Cinzas até Domingo de Páscoa)
>Para falar ao vento, bastam palavras.
>Para falar ao coração, são precisas obras. (P. António Vieira, s.j.)
>A Quaresma é um tempo em que somos convidados (como pessoas e como comunidade) a fazer um esforço para melhorar, para nos deixarmos converter e transformar por dentro.
>É esta preparação com vista a podermos celebrar mais profundamente a “passagem” (que é a Páscoa) que Jesus Cristo nos propõe cada ano.
>É preciso voar em direcção aos outros e a Deus.
Cada um dos 47 rectângulos de papel pode ser recortado, dobrado e colocado num recipiente que esteja perto do local onde a Família se costuma reunir
Quando a Família estiver reunida para começar este “jogo” basta que alguém tire um papel, o desdobre, leia metade do provérbio alto (tentando os outros adivinhar o que lhe falta...) leia a parte da Bíblia correspondente e falem um pouco acerca do seu conteúdo. Depois, toca a cada um tentar viver essa ideia na prática, ao longo das 24 horas seguintes. No dia seguinte, conversa-se acerca do esforço feito, reza-se um pouco e tira-se novo papel. E assim cada dia...
>Árvore ruim...nunca dá boa sombra.
>Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. (Lc 6,43 )
>As aparências...iludem.
>O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração. (1Sam 16,7 )
>Com peso e medida...governa-se a vida.
>Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias. Avaliai tudo, conservando o que for bom. (1Tes 5,19-21 )
>Da pausa...sai a dança.
>De madrugada, ainda escuro, Jesus levantou-Se e saiu: foi para um lugar solitário e ali Se pôs em oração. ( Mc 1,35 )
>De árvore caída...todos fazem lenha.
>Quem de vós estiver sem pecado, atire-lhe a 1ª pedra. (Jo 8,1-11)
>De pequenino...é que se torce o pepino.
>E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens. ( Lc 2,52 )
>Em casa de ferreiro...espeto de pau.
>Jesus acrescentou: Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. ( Lc 4,24 )
>Em casa escura...não entra alegria.
>Jesus disse: Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no cimo de um monte. (Mt 5,14 )
>Uma das mãos lava a outra...e as duas lavam o rosto.
>Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo. (Mt 6,3-4 )
>Grão a grão...enche a galinha o papo.
>Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte...Os discípulos aproximaram-se d’Ele e, tomando a palavra, começou a ensiná-los. (Mt 5,1-2 )
>Há muitas maneiras...de apanhar moscas.
>Fiz-me tudo para todos para salvar alguns. (1Cor 9,22 )
>É melhor prevenir...que remediar.
>Todo aquele q escuta as Minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. (Mt 8,24)
>Não há caminho tão plano...que não tenha algum barranco.
>O jovem retirou-se contristado porque tinha muitos bens. (Mt19,16-26 )
>Não há melhor espelho...que o amigo velho.
>Senhor... Tu conheces-me! (Sl 139 (138),1)
>Não é com vinagre...que se apanham moscas.
>As pessoas ficavam maravilhadas com o ensinamento de Jesus. (Mc1,22)
>Ninguém é bom juiz...em causa própria.
>Senhor, vê se é errado o meu caminho e guia-me pelo caminho da eternidade. (Sl 139(138),24 )
>Nem tudo o que luz...é ouro.
>O fruto da árvore devia ser bom para comer, pois era de atraente aspecto e precioso para esclarecer a inteligência. (Gn 3,6 )
>No melhor pano...cai a nódoa.
>Pedro negou-O, dizendo: não O conheço, mulher! ( Lc 22,57 )
> Nos perigos...se conhecem os amigos.
>Tomé disse aos companheiros: vamos nós também para morrermos com Ele. (Jo 11,16)
>O homem põe...e Deus dispõe.
>Não vos inquieteis quanto à vossa vida...o vosso Pai celeste bem sabe do que tendes necessidade. (Mt 6,25.32 )
>Oração breve...depressa chega ao céu.
>Quando rezardes, dizei: Pai nosso... (Mt 6,9 )
>Os bons e as nuvens... só recebem para dar.
>Esta pobre viúva deitou no tesouro mais do que todos os outros... porque deitou tudo quanto possuía. (Mc 12,43-44 )
>Os pobres...têm tempo.
>Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5,3)
>Parecer sem ser...é fiar sem tecer.
>Porque Me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o q Eu digo? (Lc 6,46 )
>Pensa duas vezes...antes de falar uma.
>Maria conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração. (Lc 2,19)
>Não há boa terra...sem bom lavrador.
>O Reino do Céu é como um homem que, ao partir para fora, confiou a outros os seus bens (Mt 25,14-30)
>Os dedos da mão...não são iguais.
>Há diversos dons, mas o Espírito é o mesmo. (1Cor,12,4 )
>Os peixes...não vêem a água.
>Ó Senhor, nosso Deus, como é admirável o Teu nome em toda a terra! (Sl 8,1)
>Onde choram...não cantes.
>Jesus viu que Maria e os judeus que vinham com ela estavam a chorar. Então, Ele perturbou-Se e ficou comovido.... Jesus começou a chorar. (Jo 11,33-35
>Mãos generosas...mãos poderosas.
>Deus formou o Homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o Homem transformou-se num ser vivo. (Gn 2,7 )
>Quando o ouro fala...tudo cala.
>Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. (Lc 16,13 )
>Sabe Deus...as linhas com que cada um se cose.
>Não julgueis para não serdes julgados. (Mt 7,1 )
>Quem tem telhados de vidro...não atira pedras aos do vizinho.
>Tira primeiro a trave da tua vista e então verás melhor para tirar a palha da vista do teu irmão. (Mt 7,5 )
>Pequeno machado...derruba grande sobreiro.
>E inclinando a cabeça, Jesus entregou o espírito. (Jo 19,30 )
>Palavras sem obras...são cítara sem cordas.
>Jesus foi provado, em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. (Heb 4,15 )
>Quando todos fiamos...todos andamos.
>Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. (Act 2,44
>Que bem prega Frei Tomás...faz o que ele diz e não o que ele faz.
>Fazei e observai tudo o que os fariseus disserem, mas não imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem. (Mt 23,3 )
>Bem sabe mandar...quem bem sabe obedecer.
>Não vos deixeis tratar por ‘mestre’ pois um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. (Mt 23,8)
>Quem me avisa...meu amigo é.
>Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. ( Mt 24,42 )
>Mais depressa se apanha um mentiroso...que um coxo.
>Não há nada escondido que não venha a descobrir-se. ( Mc 4,22 )
>Se te pedirem de comer...não dês um peixe, ensina a pescar.
>Jesus disse-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer. ( Lc 9,13 )
>Mais vale um “toma” que dois “te darei”.
>Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo. ( Lc 3,11 )
>Mais vale quem Deus ajuda...que quem muito madruga.
>Jesus disse a Simão: Não tenhas medo, de futuro serás pescador de homens. (Lc 5,10 )
>Quem tudo quer...tudo perde.
>Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante. (Lc 6,38 )
>Feliz é... quem só quer o que pode e só faz o que deve.
>O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o que é bom. (Lc 6,45)
>O amor e a fé...nas obras se vê.
>O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (1Cor 13,7)
>Deus é bom trabalhador...mas gosta que O ajudem.
>A messe é grande mas os trabalhadores são poucos. (Mt 9,37)
|
|
|
Oração, jejum, misericórdia |
|
|
|
O que pede a oração, alcança-o o jejum e recebe-o a misericórdia
Há três coisas pelas quais se confirma a fé, se fortalece a devoção e se mantém a virtude: a oração, o jejum e a misericórdia. O que pede a oração, alcança-o o jejum e recebe-o a misericórdia.
Oração, jejum e misericórdia: três coisas que são uma só e se vivificam mutuamente.
O jejum é a alma da oração, e a misericórdia é a vida do jejum. Ninguém tente dividi-las, porque são inseparáveis. Quem pratica apenas uma das três, ou não as pratica todas simultaneamente, na realidade não pratica nenhuma delas. Portanto, quem ora, jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede, pois aquele que não fecha os seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.
Quem jejua, entenda bem o que é o jejum: seja sensível à fome dos outros, se quer que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso, se espera alcançar misericórdia; compadeça-se, se pede compaixão; dê generosamente, se pretende receber. Muito mal suplica quem nega aos outros o que pede para si.
Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a prontidão que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e prontidão.
Façamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum e misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única operação sob três formas distintas.
Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não o saber apreciar; imolemos pelo jejum as nossas almas, porque nada melhor podemos oferecer a Deus, como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido; Deus não despreza um coração contrito e humilhado.
Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo fica em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa porque todos se podem oferecer a si mesmos. Mas para que esta oferta seja aceite a Deus, deve acompanhá-la a misericórdia; o jejum não dá fruto se não for regado pela misericórdia; seca o jejum se secar a misericórdia, o que a chuva é para a terra é a misericórdia para o jejum. Por muito que cultive o coração, purifique a carne, extermine os vícios e semeie virtudes, nenhum fruto recolherá quem jejua, se não abrir os caudais da misericórdia.
Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros.
Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu o não possuirás.
(Dos Sermões de S. Pedro Crisólogo, bispo)
|
|
|
A Minha Semana Santa |
|
|
|
Olá amigo! De novo me ponho em contato contigo. Já notas que me agrada comunicar-me. Terás notado que durante a minha vida terrena eu nunca escrevi nada. É verdade que freqüentei a escola, onde aprendi a ler e escrever. Escrevi até muitos pergaminhos sobre textos sagrados.
Mas nada disso se conservou. Durante a minha vida pública preferia falar, falar muito, porque já sabes que sou o Verbo, a Palavra do Pai. E os meus discípulos já se encarregaram de escrever parte do que eu disse e fiz, e isso o encontras nos Evangelhos. Só uma vez, quando queriam apedrejar uma pobre mulher, surpreendida em adultério, diante da gritaria daquela gente e das perguntas capciosas, me inclinei e escrevi umas palavras no chão.
Foi apenas um sinal, uma mensagem de amor. Mas logo se apagaram com o pisar das pessoas. Ao menos parece que ficaram gravadas em seus corações, pois nada fizeram contra aquela pobre mulher. Somos muito duros na hora de julgar, e nos custa perdoar.
Hoje desejaria falar-te da MINHA SEMANA SANTA.
Sim, esta semana podemos considerá-la como mais minha que as outras,
já que vou celebrar com os meus amigos acontecimentos muito importantes da minha vida e de todos os que me seguem. Nestes dias, em quase todos os povos, me levam para as ruas com uma imensa variedade de imagens. Vou ocupar, infelizmente, o centro de muitos olhares, vou ser o protagonista.
A mesma coisa que aconteceu naquela semana da minha Paixão e Morte. Também fui o centro de muitos olhares. Alguns partilharam comigo certos acontecimentos, não todos. Outros apenas me contemplavam calados. Outros planeavam o modo de me eliminar. A massa, desconcertada, deixou-se levar pelos de sempre. Realmente foi uma semana de alegrias e de dores profundas. Entrei alegre em Jerusalém, a cidade sagrada, e acompanhava-me uma grande multidão com palmas e ramos de oliveira. Celebrei a Última Ceia com os meus Apóstolos num ambiente íntimo, profundo, tenso... Falei muito de amor, de fraternidade, de unidade.
- Ali fiz a minha maior loucura de amor: o milagre da Eucaristia e do poder de consagrar aos sacerdotes para estar sempre convosco.
- Ali quis dar uma lição concreta de humildade e serviço, lavando os pés aos meus amigos.
-Ali insisti muito que o mandamento principal do cristão, do filho de Deus é o amor...
- E ali provei a dor profunda da traição de um dos meus.
Assim são as coisas humanas. E assim é o respeito que meu Pai e Eu temos pela liberdade dos homens.
Veio aquela dramática oração no Jardim das Oliveiras... E tudo o que tu já sabes. Já podes imaginar a dor moral e física para um Coração que só queria amar o homem e salvá-lo do pecado. E o homem, os homens, não aceitaram os planos de Deus. Nesta semana santa, vamos recordar outra vez todos aqueles acontecimentos, mas desejaria que os recordasse com um sentimento de gratidão à Vontade do Pai. Não se trata de que me exibam em cruzes e cenas comoventes para provocar sentimentalismo.
Desejaria que a Semana Santa servisse para compreender a gravidade do Pecado, o estrago que faz no homem, e o que supõe de ofensa ao Plano de Deus. Foi precisamente o pecado que provocou tudo o que nestes dias vamos recordar e celebrar. Mas, eu te diria mais, que desejaria que esta semana santa servisse também para compreender como é grande a misericórdia de Deus. O muito que amamos o homem, nossa imagem.
Sim, grava bem em teu coração: tudo o que eu fiz, o que se vai recordar tantas vezes pelas ruas e praças nestes dias, foi por ti, e por todos. Pelos que me conhecem e me traem, e pelos que não têm a mínima ideia de quem sou eu. Não me importa. Eu amo-os a todos. Eu quero-os a todos. Não desejaria servir de espectáculo para que nestes dias se divirtam, ou se danem, os que não pensam como eu, os que não se recordam nunca de mim.
Eu escrevo-te para te pedir uma coisa: se queres de verdade dar-me uma alegria, ajuda-me a levar a cruz pesada dos pecados e aberrações que hoje se cometem impunemente, e que estão a destruir a pessoa humana.
Dói-me, mas vamos conquistar o coração dos que ficam afastados, dos que olham indiferentes, dos que se divertem, dos que riem, dos que negoceiam... Eu quero consolar e agradecer os sentimentos bons daqueles que sabem valorizar o que o Pai, o Filho e o Espírito Santo fazem para os servir e os ajudar a ser melhor.
Desejaria que esta Semana Santa fosse de verdade Santa. Vem ao meu lado e vamos percorrer juntos o caminho do Calvário. Depois nos veremos na Ressurreição para juntos nos alegrarmos. Um abraço. Não me abandones.
- Teu amigo JESUS.
|
|
|
VIVENDO A SEMANA SANTA |
|
|
|
1. Domingo de Ramos
O Vaticano II restaurou a ordem dos domingos da quaresma. De facto, na Segunda metade do século VII, o quinto domingo da Quaresma começou a chamar-se primeiro domingo da Paixão ou Domingo de Ramos. O Vaticano II recolocou em vigor o quinto Domingo da Quaresma antes da Páscoa: chama-se agora “Domenica in Palmis de Passione Domini”. Estas modificações na liturgia deste Domingo suscitam um problema antigo. A Antiga tradição romana celebrava antes de tudo a Paixão do Senhor, no Domingo antecedente à Páscoa. Na lógica dos factos ocorridos, seria melhor celebrar apenas a entrada do Senhor em Jerusalém, como se fazia na Espanha, na Gália e no Oriente. Em Roma, as comunidades estavam afeiçoadas à celebração do Domingo da Paixão também a entrada de Jesus em Jerusalém.
A reforma do Vaticano II prevê três tipos de celebração da entrada de Jesus em Jerusalém:
a) A primeira forma consiste numa procissão que vem de fora e tem como ponto de partida um lugar de reunião dos fiéis, fora da igreja. A celebração inicia-se com um cântico, por exemplo, Hosana ao filho de David. O celebrante saúda os presentes e convida-os a participar activamente da celebração, dando significado ao que se recorda e se quer actualizar hoje.
Há a proclamação do evangelho que conta a entrada de Jesus em Jerusalém e inicia-se a procissão para a igreja. Chegando ao altar, que pode ser incensado, omite-se o rito de introdução e diz-se a oração da missa. O sacerdote, desde o início da celebração, deve usar paramentos de cor vermelha e não mais roxa.
b) A Segunda forma tem como cenário a própria igreja. Há uma entrada solene, os fiéis estão reunidos diante da porta da igreja, tendo nas mãos ramos de oliveira ou de palmeira. Benzem-se os ramos, proclama-se o evangelho. Tudo se faz num local apropriado no corpo da igreja e, depois, o celebrante dirige-se ao cadeirão, onde reza a colecta da missa.
c) A terceira forma é mais simples e consiste num canto de entrada que comemora a entrada de Jesus em Jerusalém. Onde não se puder realizar nem a procissão nem a entrada solene na Igreja, pede-se que se faça uma celebração da palavra que recorde o episódio da vida de Jesus que se quer comemorar.
2. A manhã da Quinta-feira Santa
O Vaticano II introduz algumas modificações na reforma litúrgica de 1955. A bênção dos santos Óleos e a consagração do Crisma são ocasião para reunir o clero em torno do bispo. Assim, Quinta-feira Santa torna-se um dia sacerdotal, com a renovação das promessas próprias dos sacerdotes, durante a missa crismal. E a concelebração durante a ceia vespertina é um sinal da unidade do sacerdócio.
Hoje é muito importante que a missa do Crisma não seja celebrada apenas pelo bispo e pelo clero, mas se dê a todos a oportunidade de solenizar o sacerdócio comum dos fiéis, valorizando o ministério ordenado e os outros ministérios da Igreja. Devido às dificuldades em participar de duas celebrações no mesmo dia, uma de manhã e outra à noite, a celebração do Crisma pode ser antecipada para outro dia próximo da Páscoa.
3. A tarde da Quinta-feira Santa
A Quinta-feira Santa é um dia de Alegria, Amor e Gratidão. Recorda-se o exemplo de Jesus que quis lavar os pés dos discípulos, dando-nos o testemunho de serviço e humildade. Recorda-se principalmente a celebração da Ceia do Senhor, na qual Ele se dá como pão da Vida e Vinho da Salvação. Foi nessa ceia de despedida que ele nos deixou o sacerdócio ministral, para a perpetuação de seu Corpo e Sangue no meio de nós como Presença de Compromisso, Partilha e Missão.
4. Segunda, terça e quarta-feira da semana santa
A ideia central destes três dias da Semana Santa resume-se nas Palavras do Prefácio da Paixão II: “Já se aproximam os dias da sua Paixão salvadora e Ressurreição Gloriosa, pelos quais é vencida a soberba do antigo inimigo e se faz memória do Sacramento da nossa redenção”.
As leituras do profeta Isaías continuam a apresentar os cânticos do Servo de Javé, descrevendo Jesus Cristo na sua missão de Messias Redentor.
Os evangelhos retomam cronologicamente os últimos acontecimentos da vida de Jesus, deixando clara a posição de Judas Iscariotes como ladrão ganancioso, traidor e covarde.
Ele representa o inimigo, dominado pelo mal. Ele é a expressão do mundo das trevas. Representa o inimigo maior que persegue o justo. Isto notamos nas antífonas e salmos das liturgias.
As orações das colectas, orações sobre as oferendas e de acção de graças lembram os méritos da Paixão como remédio, fonte de vida eterna, perdão, graça da ressurreição e esperança da vida eterna. A Paixão de Cristo, a sua morte que celebramos, não são lembranças de um facto passado, mas da vida em plenitude. Na Quarta-feira faz-se aceno à ressurreição. Toda a celebração culmina sempre na esperança e certeza da ressurreição, meta de todo o Mistério Pascal de Jesus.
Note-se que há uma ligação com Pedro, o discípulo que segue Jesus de perto, passando pelo sofrimento que ele passou. É a imagem do discípulo fiel e fraco que merece da parte de Jesus esta palavra: satanás pediu insistentemente para peneirar-te como trigo, mas eu orei para que a tua fé não desfaleça. Estas lembranças de Pedro provêm das diversas Igrejas de Roma, onde se fazem as Estações nestes dias.
5. Tríduo pascal
Chegámos ao ponto culminante de toda a liturgia da Igreja. É o Tríduo Pascal. Não se trata de um Tríduo preparatório para a festa da Páscoa, mas são três dias de Cristo Crucificado, morto e ressuscitado. Tem início na celebração da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa, na missa vespertina, terminando com o Domingo de Páscoa.
Estas celebrações não são mais do que uma lembrança do passado. Não têm a finalidade de contar a história, mas tornar presente, actualizar, tornar vivo o mistério da Cristo, que se entrega ao Pai por nós, e fazer-nos participantes deste seu dom, vida e comunhão com o Pai. Celebrando, vivemos tudo aquilo que fazemos através dos ritos celebrados. A Palavra de Deus anuncia a Salvação presente e os sinais sacramentais tornam presente ao cristão esta salvação. Cada cristão é convocado a participar activamente das celebrações, conhecendo e sabendo o Dom oferecido pela participação. Na oração, meditação da Palavra, na fraternidade celebrativa, no esforço de entrar em comunhão com Cristo sofredor e ressuscitado, chegaremos ao que a Igreja nos propõe: renovados pelos sacramentos pascais, possamos chegar à glória da ressurreição. A melhor maneira de celebrar o Tríduo Pascal é a participação atenta nas leituras, que proclamam o mistério da salvação presente e a comunhão com os símbolos e ritos realizados, não só com o corpo, mas com o coração cheio de fé.
|
|
|
Actos litúrgicos da Semana Santa |
|
|
|
Alguns actos litúrgicos da Semana Santa
A Semana Santa tem uma série de tradições que revelam alguns aspectos da religiosidade popular. Muitos desses costumes ganham conotações variadas de acordo com a região.
Algumas das comemorações da semana tão importante para a Igreja:
Domingo de Ramos
O Domingo de Ramos abre, por excelência, a Semana Santa. Ele relembra e celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão por onde o Senhor passaria montado num jumento. Com isso, Ele despertou nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para O condenar à morte.
Procissão do Encontro
Em muitas paróquias realiza-se a famosa "Procissão do Encontro" na Quarta-feira Santa. A imagem de Nosso Senhor dos Passos sai dum lado e de outro vem a imagem com Nossa Senhora das Dores. Acontece, então, o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. E aí se proclama o célebre "Sermão das Sete Palavras" fazendo uma reflexão que chama os fiéis à conversão e à penitência.
Santos Óleos
Abençoar os santos óleos que vão ser usados no ano inteiro nas paróquias, é uma das cerimónias litúrgicas da Quinta-feira Santa. Ela conta com a presença de bispos e sacerdotes de toda a Arquidiocese. É um momento de reafirmar o compromisso de servir a Jesus Cristo. São três os óleos abençoados nesta celebração: o do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos.
Missa de Lava-pés
No 13º capítulo do seu Evangelho, São João fala sobre Jesus, fraco, pequeno, que terminará por ser condenado e morto na cruz como um blasfemador, um fora-da-lei ou um criminoso. O começo deste capítulo é bastante significativo: "Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado aos seus, que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. Começada a ceia, tendo já o demónio posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a determinação de O entregar, sabendo que o Pai tinha posto nas suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto, e pegando numa toalha cingiu-se com ela" (Jo 13,1-4).
Sexta-feira da Paixão
A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama incomensurável da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo vai levantada como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe trespassou o lado. Há um acto simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da Santa Cruz, momento em que é apresentada solenemente a cruz à comunidade.
Sábado de Aleluia
Sábado de Aleluia é o dia em que o Círio Pascal é aceso, uma grande vela que simboliza a luz de Cristo, que ilumina o mundo. Nela estão gravadas as letras gregas Alfa e Ómega, que querem dizer "Deus é o princípio e o fim de tudo”.
Depois do anoitecer, no Sábado Santo, a Vigília Pascal é celebrada dando início à Páscoa.
Páscoa
É o dia santo mais importante da religião cristã. Depois de morrer crucificado, o corpo de Jesus foi colocado num sepulcro, onde permaneceu, até à ressurreição, quando o seu espírito e o seu corpo foram reunificados. Do hebreu "Peseach", Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. Comemora-se a passagem de Cristo – "deste mundo para o Pai", da "morte para a vida".
|
|
|
As Sete Palavras de Cristo na Cruz |
|
|
|
As Sete Palavras de Cristo na Cruz
Com o Domingo de Ramos entramos na SEMANA SANTA, onde se centraliza todo o Mistério da nossa Salvação em Cristo Jesus.
A crucificação de Jesus Cristo é narrada nos quatro evangelhos, dando o quadro completo do sacrifício do Cordeiro de Deus pela Salvação do mundo (Lc. 23,33-49; Mt. 27,32-56; Mc 15,21-41; João 19,17-37).
È uma tradição antiga da Igreja, dos grandes pregadores reflectirem e mergulharem na espiritualidade das Sete Palavras de Cristo na Cruz.
Hoje podemo-nos prostrar diante do crucificado e beijando as Suas Santas Chagas receber os frutos desta santa devoção.
Às três horas da tarde, dizem os Evangelhos, Jesus morre por amor de mim e de ti, esta é a Hora da Misericórdia.
“Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós!”
Dentro desta espiritualidade, meditemos nas sete últimas Palavras de Cristo na cruz, dando a vida por mim e por ti:
1 - “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem”. (Lc. 23,34)
Jesus deixa-se crucificar pelos nossos pecados.
2 - “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43)
Jesus deixa-se crucificar pela salvação dos perdidos. (Dimas o bom ladrão).
3 - “Mulher, eis aí o teu filho… Eis ai a tua mãe” (João 19, 26, 27)
Jesus recomenda sua mãe a João e João a sua mãe, proclamando a grande fraternidade da família de Deus a Igreja.
4 - “Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste”. (Mt 27,46) e Mc 15,34)
Jesus deixa-se crucificar no lugar dos pecadores, Ele faz-se pecador. (II Cor. 5,21)
5 - “Tenho sede” (João 19,28)
Jesus morre de sede, para dar a Água da vida ao mundo.
6 - “Tudo está consumado” (João 19,30).
Jesus fica satisfeito ao ver consumada a sua obra de redenção, a sua Vitória sobre a morte.
7 - “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46)
Jesus expira nas mãos do Pai, para nos ensinar a viver e morrer.
O mundo tem sede de Deus, de beber do manancial da salvação, que é o Coração aberto de Jesus na Cruz. O sangue de Jesus Cristo nos lave de Todo o mal, de todo o pecado, e nos conceda a Vida, a saúde e a paz…
“Um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água”. (Jo 19,34).
Oração: Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso dilectíssimo Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos pecados do mundo inteiro. Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.
|
|
|
DOMINGO DE RAMOS |
|
|
|
INTRODUÇÃO
Em Jerusalém, Jesus entrava de modo triunfante, aclamado pelas multidões. Hoje, na mesma cidade, cristãos de todo o mundo fazem o mesmo percurso que Jesus fez, manifestando a fé e conservando a mesma fé, embora com um sofrimento muito grande, por causa das perseguições que lá ainda existem. Nós fazemos o mesmo gesto com a mesma fé. Santo André de Creta ensina: “Corramos, pois, com aquele que se dirige a Jerusalém para chegar à Paixão, e imitemos aqueles que foram ao seu encontro. Não vamos com ramos de árvores, mas para colocar debaixo da sua pessoa as nossas próprias pessoas com um Espírito de humanidade e coração sincero, para ouvir a sua palavra que vem a nós e dar lugar a Deus”.
A celebração de hoje tem dois momentos: Bênção dos ramos, com a procissão entusiasmada de louvor, e a Missa, onde retomamos o caminho da Quaresma na reflexão sobre a Morte e Ressurreição do Senhor. Os ramos são abençoados; e nós os levaremos para casa num sinal de compromisso com Aquele que aclamamos.
A multidão, crianças e estrangeiros, aclama. Marca o momento da ruptura de Jesus com os aristocratas e com os chefes dos Judeus. Podemos ver que é o mesmo povo que receberá a intervenção de Pentecostes. São aqueles a quem foram revelados os segredos do reino (Lc 10,21). São os verdadeiros adoradores do Pai (Jo 4,23).
Jesus vem como o Messias predito pelo profeta Zacarias: manso, na montadura do povo, como Davi, indicando um projecto de reino da Justiça, do Amor e da Paz, tendo quebrado toda a violência. Toda a natureza o acolhe: são os ramos de palmeira e oliveira. São crianças que, se forem caladas, falarão as pedras. Os ramos de palmeira significam a vitória de Cristo sobre a morte, pela ressurreição, e o sentido da vida. Os ramos de oliveira significam a sua unção espiritual. É Cristo, do qual nos vem toda a força, toda a vida.
Com todo o nosso ardor celebremos e aclamemos, exultando com a sua glória. Este amor nasce no nosso coração quando nós somos tão amados de Cristo. Não se trata de um acto do passado, de uma recordação. O hoje do mistério celebrado leva a reconhecer a divindade de Jesus. Somos chamados a compartilhar da sua paixão e ser instrumento para a redenção do mundo.
A - BÊNÇÃO E PROCISSÃO
1. BÊNÇÃO DOS RAMOS
A bênção dos ramos evoca a caminhada de Jesus à Jerusalém terrestre. Estimula-nos e convida a continuar a caminhada até a Jerusalém celeste, o céu.
2. EVANGELHO DA ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM
A narração da entrada de Jesus em Jerusalém mostra o gesto de Jesus, como o rei da paz, cuja vitória está na humildade que quebra as armas da violência. É também realização do Deuteronómio (Dt 18,15) que fala do profeta como Moisés. Assim temos as características do seu reino: simplicidade, acolhimento de todo o tipo de pessoa. Mostra igualmente a vitória sobre a sua dolorosa Paixão. Se houver a recusa pelos chefes que o crucificaram, já houve uma vitória, uma aceitação fundamental por parte do povo, os pobres de Javé, aqueles que cantam para Deus. Como o acolhe hoje o nosso povo? A glorificação por parte de muitíssimos do povo é já o anúncio da sua glorificação da cruz. É também a sua gloriosa ressurreição, meta final da sua caminhada para Jerusalém. Os discípulos compreenderão mais tarde, à luz da ressurreição. Ano A: Ano B: Ano C:
3. PROCISSÃO
Nós imitamos o gesto das multidões que acolheram Jesus como Bendito que vem em nome do Senhor. Entramos com Ele na cidade, aclamamos e tendo nele as mais profundas esperanças. Com a mesma disposição façamos a caminhada para a nossa cidade, firme manifestação de que temos uma opção: Jesus é o centro da nossa vida. Os ramos serão a lembrança do compromisso e deste encontro de hoje; nós os usaremos nos momentos de tempestades na vida, para nos dar segurança naquele que vem em nome do Senhor. Mais que uma recordação, é a nossa caminhada com Cristo para a sua entrega a Deus, acto central da nossa redenção.
B. MISSA
1. ORAÇÃO
A celebração da Eucaristia começa com a oração da missa. A missa tem carácter de reflexão sobre a Paixão, mudando o festivo da procissão. É no acolhimento da sua palavra, da sua pessoa redentora que nos tornaremos participante do seu mistério. A oração da missa, lembrando o exemplo de humildade de Cristo demonstrada no seu sofrimento, conduz a comunidade a aprender da sua paixão para chegar à sua ressurreição.
2. PRIMEIRA LEITURA (IS 50,4-7)
A leitura da Palavra traz Cristo na sua Paixão. Ela não é só um sofrimento, mas uma escolha que o Filho de Deus fez, na sua encarnação, de chegar ao extremo da sua igualdade com as pessoas, para fazer a ressurreição de todos.
A primeira leitura é o terceiro cântico do Servo de Javé. A liturgia identifica este servo com Jesus que, pelo sofrimento e humilhação (Arrancar a barba) e resistência, nos entende e ensina a aprender da dor e do sofrimento a aproximar-nos das pessoas e falar com elas.
3. SEGUNDA LEITURA (Fl 2,6-11)
O servo de Javé, Jesus, humilhou-se ao extremo sofrimento: morte de cruz. A Sua aniquilação é a Sua exaltação. Somos convidados a Ter os mesmos sentimentos de Jesus: participar de sua morte para chegar à sua ressurreição. Este é o seu Evangelho.
4. A. EVANGELHO (Paixão do Senhor)
Ano A: (Mt 26,14-27 ,66;27,11-54)
Jesus realiza a sua paixão na total entrega ao Pai, na plena liberdade do seu Dom. é abandonado, traído, renegado. É o homem que morre pelo povo.
B. EVANGELHO (Paixão do Senhor)
Ano B: (Mc 14,1-15,47; ou 15,1-39)
O sofrimento e a morte de Jesus levam a crer: este homem é Messias, Filho de Deus. A fé é completa quando passamos por Jesus na cruz para chegar à ressurreição com ele. Quando o véu do templo se rasga, podemos também entrar no santuário do novo relacionamento de Deus com seu povo.
C. EVANGELHO (Paixão do Senhor)
Ano C: (Lc 22,14-23,56; ou 23,1-49)
A caminhada de Jesus desde a Galiléia chega aos seus passos finais com a proclamação do letreiro da cruz: este é o rei dos judeus! Fala também: lembra-te de mim quando estiveres no teu reino, diz o ladrão. E Jesus: hoje estarás comigo no paraíso. O centurião dá glória a Deus: este homem era justo.
MENSAGEM
Acolhamos a chegada de Cristo para implantar o reino de Deus em nós. Acolhamos a sua Paixão. Agora, durante este tempo que nos separa da sua Ressurreição, estejamos firmes na palavra, seguros na sua cruz, procurando entender os caminhos que nos levam a segui-los de perto para estar no momento mais alto da ressurreição.
C - PREPARAÇÃO:
Introdução
O documento conciliar Sacrosanctum Concilium (SC) e a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), ao se referirem à actuação na liturgia, falam de serviço, função, parte, encargo, ministério, ministério particular, ofício (Cf. SC 11, 14, 19, 21, 26, 28;IGMR nn. 58-73.127-152).
Olhando para as celebrações litúrgicas da Semana Santa, devemos considerar como um serviço litúrgico as actividades, funções e papéis que ajudam na participação activa e consciente da assembleia e na realização plena da celebração.
São actividades exercidas pelos fiéis, movidos pela fé.
Não precisam do reconhecimento da comunidade. Devem ter certa consistência e estabilidade, vistas como necessárias à realização das acções litúrgicas.
Preparar:
- Ramos;
- carvão;
- incenso;
- talha de barro ou turíbulo;
- água benta;
- cruz processional;
- mesa pequena;
- paramentos vermelhos (capa ou casula para o sacerdote);
- livro dos Evangelhos.
|
|
|
O Tríduo Pascal |
|
|
|
Entrevista da Voz da Verdade ao Cónego Luís Manuel, pároco da Sé de Lisboa
VOZ DA VERDADE – Um dos grandes frutos do Concílio Vaticano II foi a reforma litúrgica. No documento de reflexão sobre o período após o Congresso Internacional para a Nova Evangelização, a liturgia aparece como uma das prioridades pastorais de Lisboa. Quais são os principais pontos da renovação litúrgica onde o Departamento da Liturgia sente que se deve fazer maior investimento?
CÓNEGO LUÍS MANUEL – Em primeiro lugar, parece-me que é necessário percebermos que a renovação da Igreja passa pela renovação da liturgia. Desta forma, é fundamental a formação de todos os cristãos – fiéis e ministros ordenados – para uma vida e uma vivência litúrgica em todas as suas dimensões, não só de uma maneira técnica mas também de uma forma espiritual. Assim, os cristãos poderá descobrir que a liturgia é a fonte da nossa vida cristã, da nossa espiritualidade e que é na liturgia que toda a Igreja se revê e se alimenta. Por fim, é fundamental que haja maior ligação entre a liturgia e a vida, para a santificação do Homem e para a glorificação de Deus, como aliás nos diz a constituição sobre a Sagrada Liturgia.
VOZ DA VERDADE – Na sua opinião o que é que marca esta espiritualidade litúrgica de que fala o Concílio Vaticano II?
CÓNEGO – A Constituição Litúrgica centra a liturgia no Mistério Pascal de Cristo. Poderíamos quase dizer que a Igreja nada mais tem a celebrar senão a Páscoa do Senhor Jesus. Mesmo quando celebramos memorias de Santos ou de mártires não estamos a celebrar outra coisa senão o mistério de Cristo e da sua Páscoa. A primeira fonte da Liturgia é a Páscoa do Senhor Jesus e também terá que ser essa a primeira fonte de toda a espiritualidade cristã. O exemplo claro disso é importância que a Igreja dá à celebração do Domingo. Toda a espiritualidade cristã tem de ser uma espiritualidade que não pode por de lado a importância e a vivência do Domingo como Páscoa semanal, como celebração comunitária do mistério da fé.
O Ano Litúrgico é a celebração não de datas mas de uma pessoa que é o Senhor Jesus, nos diferentes mistérios da sua vida e da sua morte, tornando-se uma fonte de espiritualidade, uma educação para a fé e, ao mesmo tempo, uma fonte de vivência espiritual enriquecida pelas diferenças do Ano Litúrgico.
O terceiro ponto essencial é toda a importância dada ao Tríduo Pascal e à Semana Santa. Já Pio XII em 1951 tinha restaurado a Vigília Pascal colocando-a como Vigília, à noite. O Concílio continuou esta linha mas valorizou muito a celebração do Tríduo Pascal. Tudo para Ele conflui e tudo dele dimana. A celebração da Páscoa é a celebração central de todos nós cristãos.
VOZ DA VERDADE – Quarenta anos depois do Concílio muitos católicos continuam a participar apenas na celebração do Domingo de Páscoa. Qual a importância do Tríduo Pascal?
CÓNEGO – Enquanto q para grandes sectores da Igreja a celebração do Tríduo Pascal foi assumida – muitas vezes pelo trabalho de sacerdotes e agentes de Pastoral – temos q reconhecer q para alguns cristãos a celebração do Tríduo Pascal passa despercebida. Isto tem a ver com uma certa cultura ambiente q liga muitas vezes a Palavra Páscoa às Férias da Páscoa.
Muitos reduzem a celebração da Páscoa à vivência do Domingo da Páscoa, no entanto, nunca assim foi na Igreja primitiva! Santo Agostinho nas explicações que faz aos cristãos de Hipona, lembra que a celebração verdadeira da Páscoa deve ser a celebração do Tríduo Pascal.
Hoje, constatamos, ainda, que se estão a reavivar algumas tradições ligadas à Páscoa que acabam, às vezes, por ser mais atraentes para alguns cristãos, mas não nos centram no mistério Pascal. A Igreja propõe a maneira de celebrar a Páscoa com o Tríduo Santo da Páscoa. Começa com a missa da Ceia do Senhor em Quinta-feira Santa e termina com a Eucaristia de Ressurreição no Domingo de Páscoa.
VOZ DA VERDADE – Quais são os principais mistérios que se celebram em Quinta-feira Santa, na Missa da Ceia do Senhor?
CÓNEGO – A liturgia põe-nos perante três grandes elementos. Por um lado, a Instituição da Eucaristia, onde celebramos o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Toda a Igreja celebra, com Cristo, este memorial do seu mistério redentor que Ele, historicamente, celebrou depois em Sexta-feira, Sábado e Domingo de Páscoa. Um segundo elemento que a Liturgia da Missa da Ceia do Senhor nos recorda é a Instituição do Sacerdócio Ministerial. È também na e da Eucaristia que nós vemos que o Senhor Jesus institui o sacerdócio ministerial, não só no mandato “fazei isto em memória de Mim”, mas em toda a ambiência da Ceia do Senhor. O terceiro elemento que aparece é o mandamento novo do amor, expresso naquilo que o Senhor Jesus faz quando se levanta da mesa e lava os pés aos discípulos. Interessante ver que o Senhor Jesus diz depois daquele gesto, quase as mesmas palavras que diz no que se refere à Eucaristia “assim como eu fiz vós o deveis fazer também”.
Na missa da Ceia do Senhor temos estes três grandes elementos e a própria liturgia realça isso. No caso da Eucaristia, toda a celebração é o memorial da Ceia do Senhor, continuada com a transladação do Santíssimo Sacramento – feita com uma pequena procissão – para um lugar digno e especial. Muitas comunidades reúnem-se no silêncio da noite para uma oração junto desta reserva eucarística presente num lugar de destaque na Igreja.
Muitas das nossas Celebrações têm um sinal visível deste mandamento novo do amor, por exemplo, no lava-pés. Existem comunidades que têm o cuidado de escolher os representantes das áreas, ou dimensões da comunidade que fazem a experiência da dor, do sofrimento. Muitas vezes estes doze que são convidados para o lava-pés são idosos, doentes, pobres. Gente que faz uma experiência da fragilidade humana.
VOZ DA VERDADE – Porque é que em Sexta-feira Santa a Igreja não celebra Eucaristia concentrando a celebração na adoração da Cruz do Senhor?
CÓNEGO – De facto, a Sexta-feira Santa é um dia em que não há celebração da eucaristia. Todo o dia de Sexta-feira Santa está centrado na adoração da Cruz do Senhor. Aliás, se há dia no ano litúrgico em que a Cruz do Senhor como que “impera” sobre toda a Igreja esse dia é a sexta-feira Santa. A “Solene Acção Litúrgica da Paixão do Senhor” é composta de três grandes partes: A liturgia da Palavra, a liturgia da adoração da Cruz e a distribuição da Sagrada Comunhão. A Liturgia da Palavra centra-se no mistério redentor de Jesus. A morte redentora de Jesus: O livro de Isaías, a Carta aos Hebreus e o Evangelho de São João.
Mergulhamos no sentido mais profundo do mistério da Cruz do Senhor: a sua morte! O texto de Isaías dá-nos a imagem do que acontecerá em Jesus com a imagem do “Servo Sofredor”. Aqui vemos a imagem já da morte redentora do Senhor Jesus. O “servo sofredor” é Cristo que assume a nossa condição pecadora e tudo o que na nossa existência consideramos de “infeliz destino”, o mal, o pecado. É uma expressão pequena que o texto apresenta mas elucidativa disto mesmo: “nas suas chagas fomos curados”. A Carta aos Hebreus olha de novo este mistério redentor e leva-nos a entender que a verdadeira imolação de Jesus, e essa, esteve na sua obediência até à morte e morte de Cruz. Jesus leva até ao fim o desígnio redentor de Deus. A morte na cruz é a realização concreta do acto primeiro, que houve em Cristo e que foi o acto de se entregar voluntariamente. O verdadeiro sacrifício do Senhor Jesus começa com a decisão e a vontade de acolher o desígnio do Pai. Aqui está o sacrifício, ao assumir livremente redimir os homens e passar por aquilo que passou. A morte da Cruz é a realização histórica desta imolação que o Senhor Jesus já tinha feito de si próprio. O verdadeiro martírio está na tomada de decisão do Senhor Jesus. O evangelho é a leitura da paixão do Senhor Jesus, carregada de simbolismo e interpretação teológica. São João salienta todos os elementos, como o véu do templo, todos os sinais ao longo do relato da paixão, que nos centram na Cruz.
A Liturgia da Palavra tem, depois, um dos elementos mais antigos da Sexta-feira Santa que é a grande Oração Universal, com a qual termina a Liturgia da Palavra. De facto, nas dez intenções propostas pelo missal estão todas as necessidades e todas as realidades da Humanidade. È a oração mais antiga que serviu de inspiração às nossas orações dos fieis.
A liturgia da adoração da Cruz. Como sabemos depois de Quinta-feira Santa os templos ficaram sem cruzes, sem elementos de adorno, o próprio altar não tem toalha, neste sinal de completo despojamento. A tradição vê nesse gesto o abandono de Jesus no jardim das Oliveiras em Quinta-feira Santa. Mas é de facto um completo e total despojamento de tudo. A própria celebração começa: sem anda. É trazida a Cruz do Senhor, de forma solene, e apresentada à comunidade. Existe um elemento comum nas duas formas de apresentação da Cruz à comunidade. São as palavras pronunciadas por aquele que a apresenta: “Eis o madeiro da cruz, na qual esteve suspensa a Salvação do mundo”. A Igreja apresenta a Cruz olhando-a por “dentro”. Não se fica pelo aspecto exterior do sangue e da morte, mas percebe que naquela Cruz esteve suspensa a Salvação do Mundo. A Cruz é o lugar onde se deu o destino do Homem e do Mundo. Como nos diz a sequência da Páscoa “a morte e a vida travaram duelo admirável”. A Cruz é o lugar desse duelo. Aí Ele amou e lutou até ao fim no campo da própria morte para nossa salvação. Neste dia os fiéis olham para a Cruz com intensidade e amor porque entendem que ali se jogou o nosso destino. Desde cedo os cristãos percebem isso mesmo! Basta ver as palavras de São Paulo “toda a nossa gloria está na cruz de Jesus”.
VOZ DA VERDADE – De que forma se faz essa adoração?
CÓNEGO – Somos todos convidados a venerar, adorar a Cruz do Senhor. Com um beijo, uma inclinação, uma reverencia ou uma prostração. Depende das diferentes comunidades. Há uma coisa que se poderia corrigir em alguns lugares. A Cruz levada à adoração deve ser só uma. É uma comunidade que venera a mesma Cruz.
Terminada a veneração a cruz é colocada num lugar de honra. Neste dia a Cruz tem a mesma veneração, ao nível do gesto que o Santíssimo Sacramento. Por isso devemos ajoelhar perante a cruz.
A terceira liturgia é a da distribuição da Sagrada comunhão, algo que o Papa Pio XII introduziu quando restaurou não só a Vigília Pascal mas a Semana Santa. Os nossos irmãos ortodoxos não comungam neste dia. Nós comungamos mas retiramos a reserva eucarística do templo recordando as palavras de Jesus “dias viram em que o noivo lhes será tirado e aí jejuarão”. Em sexta-feira é importante que toda a Igreja medite na morte de Jesus.
VOZ DA VERDADE – Em Sábado Santo toda a Igreja repousa...
CÓNEGO – Sim! Repousa no silêncio de quem espera o seu Senhor. Toda a Igreja está expectante à porta do túmulo para que o senhor Jesus ressuscite. No entanto, é um dia marcado pela dimensão da Cruz, da sua Morte e do seu Repouso no seio da terra.
VOZ DA VERDADE – A Vigília Pascal é a noite da Iniciação Cristã. Quais são os sinais da Páscoa que nos aparecem nessa celebração?
CÓNEGO – A Vigília Pascal é sempre uma vigília baptismal para quem vai receber o baptismo ou, também, para quem já recebeu os sacramentos da Iniciação Cristã há a renovação das promessas baptismais. Mesmo que não haja baptismos a Vigília Pascal celebra sempre a vigília baptismal, quer com a bênção da água, quer com a renovação das promessas baptismais e também com o rito de aspersão. Em todo o caso deve haver bênção da água, porque servirá para os baptismos que são feitos durante o tempo pascal e também é dessa água que se faz o rito da aspersão da assembleia.
Quando há baptismos, as coisas ainda se realçam mais, porque toda a liturgia baptismal – depois das ladainhas – começa com a bênção da água, a renúncia dos eleitos e depois o baptismo e o crisma dos eleitos. Mas depois de se fazer isto há novamente a renúncia e a profissão de fé, porque o resto da assembleia faz a renovação das promessas do baptismo.
As ladainhas são outro dos elementos fundamentais. Antes das grandes acções sacramentais (como o baptismo e a ordem, por exemplo) a Igreja canta as ladainhas porque na sua liturgia se realiza sempre a unidade entre Cristo e a Igreja. Isso está expresso na Constituição sobre a Sagrada Liturgia, no número sete quando diz que “Cristo associa a si a Igreja, sua esposa”. Portanto, o Corpo Místico de Cristo – do qual Cristo é a Cabeça – é a Igreja Peregrina e a Igreja da Glória e todo este Corpo está presente na liturgia. A Igreja pede a intercessão dos santos porque este Corpo Místico de Cristo é um Corpo vivo que comunica entre si. Quando a Igreja canta as ladainhas associa a si toda a Igreja da Glória e faz dela sua intercessora, por isso respondemos a cada invocação, “rogai por nós”. Outra coisa interessante é que depois de se fazer memória da história da salvação a Igreja também faz memória da sua própria história, porque aqueles homens e mulheres fazem parte da vida da Igreja que, de diferentes maneiras e com diferentes carismas, foram vivendo a força redentora do Mistério Pascal de Cristo.
VOZ DA VERDADE – Há alguns sinais próprios que devem ser realçados quando há baptismos?
CÓNEGO – Normalmente quando se rezam as ladainhas não se reza a oração dos fiéis, no entanto, isto não acontece na Vigília Pascal, porque aqueles que foram baptizados estão, pela primeira vez, de pleno direito e totalmente integrados na comunidade dos crentes. Assim, eles unem-se a toda a assembleia e, pela primeira vez, dirigem a Deus a oração dos fiéis, porque agora são fiéis. Até ao seu baptismo participam na Eucaristia durante a liturgia da Palavra e depois são despedidos, antes do credo e da oração dos fiéis.
Também o Pai-nosso é rezado pela primeira vez, porque embora já o tenham recebido na Tradição da Oração Dominical (Pai-nosso), a verdade é que naquela Noite Santa da Páscoa já estão baptizadas e rezam com todos os cristãos a oração própria dos filhos de Deus.
|
|
|
QUINTA-FEIRA SANTA |
|
|
|
A - MISSA VESPERTINA DA CEIA DO SENHOR
1. INTRODUÇÃO
A celebração abre o Tríduo Pascal e é início dos acontecimentos do Mistério Pascal de Cristo.
Estão presentes nesta celebração todos aqueles momentos pelos quais passou o Senhor Jesus e aos quais ele associa a sua Igreja.
Nesta noite, temos diversos elementos que encontramos na Palavra de Deus e nas orações: lembramos aquela Ceia Pascal que já, desde o Egipto, é celebrada pelo povo de Deus. Cristo, dentro desta Ceia, continua a caminhada do seu povo e dá-lhe novo sentido. Não será mais o memorial da saída da escravidão do Egipto, como veremos na primeira leitura, onde Cristo que, com oseu sangue na cruz e a sua ressurreição, realiza a nova passagem da morte para a vida.
Jesus celebra uma ceia que contém não somente um passado e um presente, onde ele actualiza de maneira ritual o seu mistério, mas o futuro. Já se celebram o Corpo que é entregue e o Sangue que é derramado para a vida e salvação de todos. Nós celebramos a eucaristia e temos fé no memorial que ela realiza, tornando presente tudo o que Cristo fez para nos levar ao Reino de Deus, seu Pai. Jesus, ao celebrar a sua Ceia Pascal, antecipa e torna presente tudo o que ele realizará nos próximos dias. Vemos aí a unidade do Mistério Pascal: uno na sua realidade e diverso na sua realização.
Cristo, sumo sacerdote, associa a si os seus, para que continuem a fazer o que ele fez: “Fazei isto em memória de mim”. Todas as vezes que comemos o pão e bebemos o vinho, anunciamos a morte do Senhor, proclamamos s sua presença salvadora e santificadora. Nisto associa a si os apóstolos, como continuadores da sua missão sacerdotal, sacerdotes a serviço do povo sacerdotal naquelas coisas que se referem a Deus.
Dentro desta Ceia ele dá um mandamento, que é o seu, o único: o que vos mando é que vos ameis uns aos outros e que sejais um. O corpo unido dos fiéis conservará a memória. A Sua Eucaristia e amor reduzem-se a um gesto que Ele mesmo fez: tomou uma bacia e lavou os pés dos discípulos. Quem não aceita este modo de ser não tem parte com ele como diz a Pedro. E seremos seus discípulos se fizermos como ele fez. O amor que faz ser autêntica a Eucaristia será o serviço humilde e dedicado, o modo de ser dos ministros de Cristo, o que Cristo foi como sacerdote. A Sua presença permanente no Santíssimo Sacramento estimula-nos e anima a viver sempre os frutos salutares da sua paixão para chegar à Ressurreição.
2. ORAÇÃO
Deus constituiu Cristo Sacerdote para seu povo. Unidos a Ele vivemos o seu mistério. (Pág. 121, no 7)
3. PRIMEIRA LEITURA (Êx 2,1-8.11-14)
A Saída do Egipto, libertação do povo de Deus, é lembrada no memorial da Ceia Pascal que continua a tornar presente a acção libertadora de Deus. É prefiguração da Eucaristia que é memorial do Cristo que salva e liberta o seu povo. Nós, no Salmo Responsorial, damos graças a Deus oferecendo o cálice da salvação.
4. SEGUNDA LEITURA (1 Cor 11,23-26)
No ambiente de fraternidade de uma Ceia, Jesus institui a Eucaristia. Oferece à Igreja o mais preciso Dom: no sinal do pão e do vinho dá o seu Corpo e Sangue e a sua entrega a Deus. Participando da Eucaristia, sacrifício que ele oferece e do qual participamos, entramos em comunhão com Deus e com os irmãos.
5. EVANGELHO (Jo 13,1-15)
Cristo manifesta o fundamental da sua pessoa: o servo que se humilha e se põe ao serviço inaugurando um novo modo de ser diante de Deus, mostrando o sentido da sua missão redentora: um serviço a Deus e aos homens, que se realiza na sua paixão e morte. Chama à imitação: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”. Só serão reais no mundo a morte e ressurreição do Senhor no momento em que o serviço fraterno e caridoso se tiverem implantado. Aí teremos passado da morte para a vida.
Lava-pés: No momento central da celebração há a memória do gesto de Jesus que dá sentido a todo o seu mistério. É a escola de ser cristão e de atingir a maturidade da fé cristã: descobrir o serviço fraterno como o elemento que nos faz unidos ao mistério de Cristo.
6. ORAÇÃO EUCARÍSTICA
A oração que agora fazemos, acompanhando o sacerdote, é a Grande Acção de Graças (Eucaristia) pela obra de Jesus no seu mistério de Morte e Ressurreição. Nela, por Cristo no Espírito damos glória ao Pai. A oferta, a oblação que fazemos, como diz a prece eucarística, é para honrar o dia em que Cristo confiou aos seus discípulos a celebração dos mistérios do Seu Corpo e Sangue (Cânon Romano). Acentua-se o hoje da celebração: Celebramos o dia santíssimo no qual Jesus Cristo foi entregue á morte por nós.
7. TRANSLADAÇÃO E ADORAÇÃO DA EUCARISTIA
Terminada a celebração eucarística, o Santíssimo Sacramento é levado para o altar, onde ficará para a adoração dos fiéis. É um gesto necessário para a celebração da Sexta-feira Santa. A comunidade assume este momento para manifestar a sua adoração e agradecimento pelo imenso Dom de Cristo presente e permanente entre nós. A Eucaristia conservada para levar aos doentes é uma oportunidade no mundo a que seja fraterno.
8. DESNUDAÇÃO DO ALTAR
A cerimónia que encerra a celebração da Ceia do Senhor e dá o sentido para o dia seguinte é a manifestação exterior da mente da Igreja: despojar-se de tudo para se centrar em Cristo sofredor que faz a sua imolação. São retirados do altar todos os objectos e enfeites, ficando completamente despojado de tudo. O Centro é Cristo no seu mistério de total abaixamento. É o modo como devem viver os cristãos nestes dois dias: reflexão, recolhimento, deixando de lado a distracção e ocupar-se só com Cristo.
B - SUGESTÕES
1. Introdução:
Eucaristia, Sacerdócio, Mandamento do Amor costumam marcar esta celebração nitidamente pascal. A Quinta feira santa não deveria ser sentida como um hiato de alegria durante a Semana Santa, mas como a abertura do Tríduo Pascal. Ele oferece o rito que antecede, confere significação e perpetua o acontecimento pascal.
A Adoração e o silêncio que enceram a celebração não devem aparecer como expressão penitencial, mas como convite à interiorização e contemplação da novidade e da perfeição da Nova Páscoa realizada por Jesus e oferecida a nós em forma de Sacramento.
C - PREPARAÇÃO
a) em lugar conveniente do presbitério:
- vaso(s) ou âmbula(s) com partículas para consagrar para a comunhão do dia seguinte;
- véu de ombros;
- carvão, incenso;
- talha de barro ou turíbulo;
- tochas e velas.
b) no lugar onde se faz o lava-pés:
- assentos para as pessoas designadas;
- jarro com água e bacia;
- toalhas para enxugar os pés;
- toalha para o celebrante cingir a cintura;
- material necessário para se lavarem as mãos após o lava-pés.
c) na capela onde guarda o Santíssimo Sacramento:
- sacrário ou cofre para a reposição;
- luzes (velas, lamparina);
- flores e outros ornamentos adequados.
- Durante o canto do Glória, tocam-se os sinos, que permanecerão silenciosos até a Vigília Pascal;
-Não sendo possível tirar as cruzes da Igreja, é conveniente cobri-las.
|
|
|
SEXTA-FEIRA SANTA |
|
|
|
A - Celebração da Paixão do Senhor
1. Introdução
Hoje não celebramos a Eucaristia, porque a Igreja tem esta longa tradição de não Celebrar missa na Sexta-feira Santa.
Nós reunimo-nos para comemorar e reviver a paixão do Senhor. A Igreja contempla Cristo que, morrendo, se oferece como vítima ao Pai, para libertar toda a humanidade do pecado e da morte. Nós adoramos nesta celebração o mistério da nossa salvação e dispomos o nosso coração na fé e no arrependimento, para que possamos ser curados e santificados pelo sacrifício de Cristo.
Aos pés da Cruz, a Igreja em oração quer trazer as dores de toda a humanidade, para que o sangue precioso de Cristo possa curar todos os males e fazer crescer a semente do reino plantada pela sua Palavra, regada com o seu sangue e cuidada com a força da sua Ressurreição.
A celebração de hoje tem 4 partes:
• Paixão proclamada: Liturgia da palavra
• Paixão invocada: Solene Oração Universal
• Paixão venerada: Adoração da Cruz
• Paixão comungada: Comunhão eucarística.
Proclamando o acontecimento da Paixão, nós tornamo-nos participantes e recebemos a força da sua Cruz. Assim, diante do mistério da morte de Cristo, nós sentimo-noss impelidos a não deixar ninguém fora deste sangue que nos liberta e lava. Cheios de amor, veneramos a cruz, num gesto de adoração àquela que se entregou até à última expressão do Amor. Nada faltou da parte de Deus, para nos amar e demonstrar a verdade da sua proposta de vida nova.
Comungando, fazemos um só corpo com ele e com todo o povo de Deus. Como diz a oração final da celebração: “Ó Deus, que nos renovastes pela santa morte e ressurreição do vosso Cristo, conservai em nós a obra da vossa misericórdia, para que, pela participação deste mistério, Vos consagramos sempre a nossa vida”.
B - LITURGIA
1. INÍCIO DA CELEBRAÇÃO
Os celebrantes e ministros aproximam-se em silêncio do altar.
Todo o povo se ajoelha.
Os celebrantes podem prostrar-se ou ajoelhar-se, em sinal de profunda reflexão e compenetração no mistério que vão celebrar. Após alguns instantes, levantam-se e dirigem-se aos seus lugares.
O povo fica de pé.
Voltando para o povo, o celebrante que preside reza a oração.
2. ORAÇÃO
Pedimos a Deus que, pelo sangue de Cristo derramado na cruz, se lembre das suas misericórdias e nos santifique pela sua constante protecção.
PAIXÃO PROCLAMADA
Liturgia da Palavra
3. PRIMEIRA LEITURA ( Is 52,13-53,12)
A Palavra de Deus apresenta o cântico do Servo de Javé, uma profecia sobre Cristo sofredor que assumiu as nossas dores, curando-nos pelas suas chagas. Ele ofereceu a sua vida como expiação. A Sua morte é vida para todos nós, pecadores. O salmo reza com Jesus na Cruz a sua entrega a Deus: “Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito”. A morte de Jesus culmina num grande grito de certeza de vida que está nas mãos de Deus: “ Senhor, eu ponho em Vós a minha esperança”. No servo sofredor estamos todos nós, também para viver.
4. SEGUNDA LEITURA
A Palavra de Deus desta leitura explica quem é servo de Javé, sofredor: Ele é o sumo sacerdote, aquele que nos dá plena segurança de nos aproximarmos do trono da graça, “para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno”. Ele é o mediador e sabe entender nossas enfermidades, pois passou por elas, menos no pecado. Pela sua obediência, teve seus clamores ouvidos. Deus o ressuscita. Dá-nos assim garantia que nossa luta contra todo mal será ouvida e temos uma ressurreição semelhante à sua. “Por isso Deus o elevou acima de tudo”, nos diz São Paulo (F12,9). Por meio de seu sofrimento e morte temos na casa do Pai um medidor, da nossa parte, a nos garantir.
5. EVANGELHO ( Paixão do Senhor) (Jo 18,1 - 19,42)
João narra a Paixão não somente um fim trágico de Cristo, mas como o caminho de sua glorificação. Jesus dizia: Quando for exaltado da terra atrairei todos a mim. Jesus não morre empurrado por um sistema. Tem plena consciência de sua missão de unir todos os dispersos. Tem plena consciência de sua missão de unir todos os dispersos. Tem força suficiente para crer que sua paixão e morte são Revelação do amor do Pai: O Pai amou tanto o mundo que deu seu Filho.
Esta morte está direcionado exercendo total influxo na Igreja, figurada por Maria ao pé da Cruz recebendo o discípulo.
Ali nascem os sacramentos do sangue, Eucaristia e água, batismo. Ele culmina com o Dom do Espírito: Inclinando a cabeça, entregou o Espírito. Bem dizem os santos padres: Do lado de Cristo adormecido na Cruz nasceu a nova Eva, a Igreja, fecundada pelo Espírito, gerando filhos para Deus.
PAIXÃO INVOCADA
6. SOLENE ORAÇÃO UNIVERSAL
No dia da celebração da paixão de Cristo para a salvação de todos, a Igreja abre os braços e o coração para realizar uma oração de intercessão pela salvação do mundo, A Igreja, que tem por cabeça Cristo Sacerdote, em nome e por meio dela apresenta ao Pai as suas grandes intenções. Toda a humanidade é trazida nesta oração aos pés da Cruz, na qual Cristo morre. É o primeiro resultado da morte de Cristo: abrir-se e preocupar-se com o mundo inteiro.
PAIXÃO VENERADA
7. ADORAÇÃO DA CRUZ
A liturgia está centrada no sacrifício de Cristo. Por isso se apresenta a Cruz para a adoração. Não adoramos a madeira da Cruz, mas a pessoa de Cristo crucificado e o mistério significado por esta morte por nós. Mesmo sendo um momento de morte, a liturgia não deixa de estabelecer que Cristo está vivo e ressuscitado.
Adoramos a vossa Cruz, Senhor, louvamos e glorificamos a vossa santa Ressurreição, pois pelo lenho da Cruz veio a alegria ao mundo inteiro.
A Cruz é sinal da vitória de Cristo que arrebenta as portas do mal. É a expressão máxima do amor do Pai: “Deus tanto amou o mundo, que lhe deu o seu único Filho” (Jo 3,16).
A Cruz é a árvore da vida, cujo fruto bendito nos faz viver eternamente. Não podemos esquecer que na Cruz está o projecto de morte de todos os males do mundo. Ela é libertação.
PAIXÃO COMUNGADA
8. COMUNHÃO EUCARÍSTICA
O momento da comunhão é a profissão de fé em Cristo que está vivo e que, pela comunhão, nos torna um só corpo com ele. O sangue que nos remiu nos livrou da morte e do mal, afastou o tentador, que queria dominar sobre nós e estabelecer em nós o mal, e introduziu-nos no Reino de justiça, de amor e de paz.
Assim nós estamos em comunhão com Cristo e com toda a Igreja, e fazemos da nossa vida a vida de Cristo. Comungando Cristo, comungamos os seus sentimentos, ao se entregar ao Pai, e comungarmos a vida que ressurge.
ENCERRAMENTO
9. ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Pedimos a Deus que, pela nossa participação no mistério da paixão e morte de Cristo, conserve em nós a obra da sua misericórdia.
10. ORAÇÃO SOBRE O POVO
O sacerdote pede para o povo a bênção de Deus, perdão, consolo e crescimento na fé, e que a redenção se confirme em nós.
Assim termina esta celebração, mas a vivência do Tríduo Pascal continua. Mesmo a celebração das tradições populares da Procissão do Enterro e das Dores de Maria não nos devem desviar daquele pensamento central da Igreja para os dias de hoje e de amanhã: meditação, silêncio e reflexão diante do túmulo de Jesus, que morreu e “desceu à mansão dos mortos” como rezamos no Credo. É a solidariedade de Cristo com todos os mortos, como foi solidário com todos os vivos. Significa que Cristo é Salvação de todos, em todos os tempos. A Sua morte é uma vez por todas. Sejamos solidários com Cristo que é solidário connosco.
A PREPARAR
- paramentos de cor vermelha
- a cruz (coberta com o véu; para prender o véu, usa-se alfinete ou fita crepe);
- dois castiçais;
- tapete, almofadas ou genuflexórios desguarnecidos (para a prostração);
- Missal;
- Leccionários;
- toalhas;
- corporais.
|
|
|
VIGÍLIA PASCAL |
|
|
|
INTRODUÇÃO
Noite mais clara que o dia! Assim canta a Igreja na Vigília Pascal, mãe de todas as celebrações da Igreja. Com o acender do círio pascal, na noite escura, dá-se início à celebração. Assim a Ressurreição de Jesus dentre os mortos ilumina o mundo com a serenidade da sua luz.
A Vigília Pascal foi restaurada, mas ainda não se tem consciência da sua riqueza e necessidade. A “Semana Santa” não termina com a sepultura de Jesus, nem a Páscoa consiste o seu sentido a partir da Ressurreição da Jesus. Nela também nasce e toma sentido toda a vida cristã. Celebrar esta noite santíssima é ressuscitar com Cristo. A vitória de Cristo é a vitória de todo o cristão.
A Páscoa cristã tem a sua história no Antigo Testamento. A ordem de Deus era que fosse celebrada sempre. Recordando as maravilhas operadas por Deus na História da salvação olhamos também para o futuro: a realização de todas as promessas garantidas pela Ressurreição e a realização da vida nova e vida de cada um que nasceu de novo.
A celebração da Vigília Pascal tem quatro momentos:
Liturgia da Luz
Liturgia da Palavra
Liturgia Baptismal
Liturgia Eucarística
I - LITURGIA DA LUZ
1. BÊNÇÃO DO FOGO E PREPARAÇÃO DA CÍRIO
Segundo antiga tradição, o fogo aceso com pederneira (tirado da pedra), simboliza Cristo, a luz que sai do túmulo de pedra. Com ele acende-se o Círio Pascal. Ele é a imagem e símbolo de Cristo ressuscitado, luz do mundo, que entra pela Igreja escura e vai iluminando lentamente, até atingir o clarão total. A luz é Cristo.
O Círio é preparado: faz-se nele uma cruz explicando que Cristo salvou pela Cruz. São colocadas as letras A e Z, dizendo que Cristo nos salva pelas suas chagas. Acende-se o Círio e inicia-se a procissão em direcção ao altar. É a coluna de fogo que guia o novo povo resgatado de uma escravidão e salvo pelas águas do baptismo. Entrando no Reino de Deus, presente na Eucaristia.
2. PROCLAMAÇÃO DA PÁSCOA
Canto da proclamação da Páscoa (Precónio): na alegria de Cristo Ressuscitado são proclamadas as festas pascais. Celebram-se as maravilhas de Deus nesta noite. Celebra-se a alegria da luz. Não se esquece da abelhinha que produziu a cera com a qual foi feito o Círio, imagem e símbolo de Cristo que conduz o seu povo.
II - LITURGIA DA PALAVRA
1. INTRODUÇÃO
A celebração da Vigília Pascal tem um elemento forte: a liturgia da Palavra. Nela celebra-se Cristo que é Palavra do Pai, luz do mundo. Ele está presente na Palavra lida na comunidade. É a proclamação da História da Salvação e das maravilhas realizadas por Deus, até chegar a Cristo, maravilha que permanece não como uma história passada, mas como vida da qual participamos. São 7 (sete) leituras do Antigo Testamento, sendo uma da Carta de São Paulo aos Romanos e outra dos Evangelhos. Do Antigo Testamento não é obrigatório ler todas. Recomenda-se, porém, que sejam escolhidas pelo menos três. E a leitura do Êxodo (14,15-15,1) não pode ser omitida. A Igreja recomenda que o critério de escolha das leituras seja o pastoral e não a comunidade. Elas são uma excelente catequese do Ministério Pascal de Cristo.
2. PRIMEIRA LEITURA (Gn 1,1-2,2 ou 1,1.26-31a)
A Criação do mundo e do homem, primeiro gesto de salvação de Deus: Criação e Ressurreição vêm juntas, pois em Cristo ressuscitado faz-se presente a nova criação. A criação em Cristo encontra o seu 7o dia, dia do repouso, e o homem, o ingresso no Paraíso. Em Cristo todas as coisas se fazem novas. Todo o mundo criado, juntamente com o povo fiel, canta a glória do Cristo. O homem é o centro da criação. Em Cristo, novo homem, novo Adão da história, a criação e toda a humanidade tomam novo sentido e têm nele a sua garantia. O mundo é o lugar da salvação.
3. SEGUNDA LEITURA (Gn 22,1-18 ou 22,1-2.9a.10-13.15-18)
O Sacrifício de Abraão, nosso Pai na Fé.
Abraão é chamado por Deus a constituir o povo de Deus. Tantas são as promessas. Mas Abraão é colocado à prova. Responde com fé e generosidade!
O povo de Deus é nascido não do sangue, mas da fé no Deus que chama a compartilhar do seu plano de vida. Cristo é o novo cordeiro que está em nosso lugar, na resposta total e fiel a Deus. A Sua descendência será grande como as areias da praia.
4. TERCEIRA LEITURA (Êx 14,15-15,1)
Passagem do Mar Vermelho.
O povo de Deus tem uma forte experiência de libertação através das águas do mar. São as maravilhas de Deus que acompanham a criação e formação do povo de Deus.
O novo povo passa pelas águas do baptismo, que lhe dão não uma liberdade humana, mas a passagem da morte de cada cristão através da sua passagem com Cristo nos sacramentos.
5. QUARTA LEITURA ( Is 54,5-14)
A Nova Jerusalém caminha para o esplendor da luz do Senhor.
A Nova Jerusalém é figura da Igreja, novo povo de Deus, reunido em Cristo numa só família pelo seu sacrifício pascal. Novo povo, na unidade do Pai, do Filho e do Espírito, é instruído pela Palavra de Deus. Será povo Santo.
6. QUINTA LEITURA ( Is 55,1-11)
A salvação é oferecida gratuitamente a todos os povos.
O povo de Deus não isolado e fechado. A salvação é como um banquete oferecido a todos os povos. É uma aliança prometida a todos. Deus é generoso em sua promessa, sua Palavra não cai em vão, mas produz sempre o fruto.
7. SEXTA LEITURA ( Br 3,9-15.32-4,4)
Fonte de vida e sabedoria.
Fazemos parte de um povo novo pelo Baptismo. Somos constantemente chamados a procurar a sabedoria e a caminhar na luz da sua lei, que é um jugo suave e de leve peso. A lei dos ressuscitados é o amor de Cristo.
8. SÉTIMA LEITURA ( Ez 36,16-17a.18-28)
Um coração novo e um Espírito novo.
Pela Ressurreição de Cristo todos serão transformados e reunidos num único povo purificado pela água do Baptismo. O coração transformado receberá um Espírito novo, estabelecendo-se uma aliança de amor e de mútua pertença, fruto da Páscoa. A oração que segue a leitura evoca a acção de Jesus restaurador de todas as coisas. A Igreja reunida é o ponto de chegada de todo o caminho de salvação iniciando no gesto criador de Deus.
9. HINO DE LOUVOR
Canto do Glória:
Depois de uma longa Quaresma, tempo de reflexão e penitência, chegamos ao momento de celebrar a alegria da Ressurreição. É o hino de louvor e adoração a Cristo vivo, na unidade do Pai e do Espírito.
10. ORAÇÃO
Rezemos a alegria desta noite santíssima iluminada pela Ressurreição. Pedimos a Deus o espírito filial e o reavivamento da comunidade cristã.
11. OITAVA LEITURA (Epístola) (Rm 6,3-11)
Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais.
Pelo Baptismo estamos unidos à morte de Cristo, com ele caminhamos na Vida nova. Somos semelhantes a ele. A morte não tem mais domínio sobre ele. Consideremo-nos mortos ao pecado e vivos para Deus.
12. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
(Canto do Aleluia)
Aleluia! Louvado seja Deus!
O sacerdote entoa solenemente a Aleluia que significa: Louvores a Deus. É o momento da explosão de alegria. Santo Agostinho dizia ao seu povo: com o canto do Aleluia nós exprimimos o tempo da alegria, do repouso e do triunfo representados pelos dias pascais. Não temos ainda o objectivo do nosso louvor, mas caminhamos para ele, Cristo, no seu reino definitivo.
13. EVANGELHO
Ano A: (Mt 28,1-10)
Ao raiar do dia, surge a nova luz. O anúncio feito às mulheres é simples: “Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito”. Tornam-se elas as primeiras anunciadoras: “Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos”.
Ano B: (Mc 16, 1-7)
As mulheres entram no túmulo e viram um jovem vestido de branco. Tiveram medo. Disse ele: “Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde o puseram. Ide, dizei aos discípulos e a Pedro que ele irá à vossa frente, para Galileia. Lá o vereis”.
Ano C: (Lc 24, 1-12)
“Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!” Voltaram as mulheres do túmulo e foram contar aos discípulos. Pedro correu ao túmulo e foram contar aos discípulos. Pedro correu ao túmulo, debruçou-se, mas só viu as ligaduras. Voltou para casa admirado com o sucedido.
III - LITURGIA BAPTISMAL
1. EXORTAÇÃO
A Igreja, desde os primeiros séculos, ligou a noite pascal com a celebração do Batismo. Toda a celebração é estruturada sobre o tema do Baptismo e a nossa vida em Cristo Ressuscitado. Baseia-se no pensamento de Paulo que o Baptismo é uma imersão em Cristo, na sua morte e o ressurgimento com Cristo na sua ressurreição.
Nas comunidades de muitos catecúmenos, neste momento da celebração recebem o Baptismo aqueles que devem se baptizados.
Se houver Baptismo de adultos, estes recebem também o Crisma e a Eucaristia. Baptismo, Crisma e Eucaristia formam um só sacramento da iniciação cristã.
Com palavras próprias ou seguindo a fórmula do Missal Romano, o Celebrante faz breve exportação ao povo sobre o significado e a importância do Baptismo.
2. LADAINHA DE TODOS OS SANTOS
O rito da Liturgia Baptismal inicia-se com a ladainha de todos os santos. Invocamos a presença de toda a Igreja celeste e terrestre para que esteja orando junto, implorando o Dom do Baptismo não é algo pessoal, mas pertence a todo o povo de Deus no qual é inserido o baptizado. Todos enxertados em Cristo.
3. BÊNÇÃO DA ÁGUA BAPTISMAL
A solene bênção relembra e faz memória de todas as maravilhas operadas por Deus mediante a água do Jordão.
Coloca-se o Círio dentro da água, pedindo a Cristo que infunda nesta água a força do Espírito Santo, para que quem nela for baptizado seja sepultado na morte com Cristo e ressuscite com ele para a vida.
Segue-se o rito do Baptismo, se houver pessoas para serem baptizadas.
4. RENOVAÇÃO DAS PROMESSAS DO BAPTISMO
Terminado o rito do Baptismo, a comunidade faz a renovação de suas promessas baptismais e do seu aprofundamento na fé. É o momento em que nos inserimos mais profundamente no mistério de Cristo Ressuscitado, através dos ritos da Igreja.
Ficam todos de pé com as velas acesas.
IV - LITURGIA EUCARÍSTICA
ORAÇÃO EUCARÍSTICA
É o momento culminante da celebração. A comunidade, reunida em torno da Páscoa, renova o mistério da imolação e glorificação de Cristo.
Baptizados em Cristo, ungidos por seu Espírito, entramos em comunhão total com ele, fazendo sua a nossa vida, participando do seu mistério.
Transformados em homens e mulheres novos, nesta noite santíssima fazemos uma acção de Graças a Deus, pelo que Deus realizou em Cristo: ele é o cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo; morrendo, destruiu a morte e, ressuscitando, restaurou-nos a vida.
Vivos em Cristo, com ele viveremos no amor. O abraço da paz será o símbolo da paz instaurada por Cristo. Paz que dá testemunho ao mundo da vitória do Ressuscitado. As promessas cumpriram-se: surgiu um novo céu e uma nova terra no gesto de amor e de fraternidade universal.
A Preparar
a) para a bênção do fogo:
- uma fogueira (num lugar fora da igreja, onde o povo se reúne);
- o Círio Pascal;
- cinco grãos de incenso; um estilete;
- utensílio adequado para acender a vela com o fogo novo;
- lanterna para iluminar os textos a serem lidos;
- velas para os que participam da vigília;
- incenso; talha de barro ou turíbulo;
- utensílio para se tirar as brasas acesas do fogo novo e deitá-las na talha de barro ou turíbulo;
- tochas ( acompanharão o Círio Pascal).
b) para a proclamação da Páscoa ( Exultet) e para a liturgia da palavra:
- candelabro para o Círio Pascal, posto junto à mesa da Palavra;
- uma estante para o (a) cantor(a) proclamar o Exulte e para os leitores da liturgia da palavra;
- Leccionários;
- foguetes e sino.
c) para a liturgia baptismal:
- potes, jarros ou recipientes adequados, com água;
- hissope ou um ramo apropriado para se lançar a água benta;
- quando se administram os sacramentos da Iniciação cristã: óleo dos catecúmenos, santo crisma,
vela baptismal, Ritual do Baptismo.
|
|
|
DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR |
|
|
|
Transbordando de alegria Pascal (Prefácio)
1. INTRODUÇÃO
A liturgia do Domingo de Páscoa é passagem da morte para a vida, pois celebramos de maneira eminente a Ressurreição do Senhor. Neste momento vivemos uma realidade passada e ao mesmo tempo presente e actual: vencida a morte, celebra-se a vida. Jesus Cristo, o Cordeiro imolado, tirou o pecado do mundo; morrendo destruiu a morte, ressurgindo deu-nos nova vida. O mundo exulta. A mão do Senhor, que pousou sobre Cristo, pousa agora sobre nós. O que realizou em Cristo realiza em nós: faz-nos viver. Hoje é um imenso dia. É o dia eterno: “estou sempre convosco”.
Iniciamos a oitava da Páscoa. Uma semana toda em que, antigamente, os que eram baptizados na noite da Páscoa continuavam vestidos com vestes brancas. Nesta semana vivemos o dia Pascal. A liturgia repete cada dia: “Hoje é o dia que o Senhor fez. Exultemos e alegremo-nos nele”. Ë um dia que dura oito dias. Um só dia é pouco para viver todo o mistério. Iniciamos o tempo Pascal, que vai até a Ascensão e Pentecostes. São 50 dias. Sto. Anastácio chama-lhe grande Domingo. Todo o tempo pascal é uma oportunidade que a Igreja recebe para conhecer, amar, celebrar e viver o mistério do nosso amado Redentor Ressuscitado.
A reflexão deste tempo volta-se para a Eucaristia, que está inteiramente voltada para o Mistério Pascal, pois nele tem o seu início. A liturgia da palavra faz o anúncio do facto da Ressurreição: ele ressuscitou, não está mais no túmulo. Nós comemos e bebemos com ele. Apareceu a Simão. Ele é a pedra que os construtores rejeitaram e tornou-se pedra angular. Os apóstolos são testemunhas. Neste anúncio todos são chamados a viver uma vida nova, a partir da sua ressurreição. Demos graças a Deus, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia.
2. HINO DE LOUVOR
Glória! A alegria da Páscoa invade o coração da comunidade que canta a glória de Jesus Cristo, Cordeiro imolado, nossa Páscoa a quem pertence o Reino e a Glória.)
3. PRIMEIRA LEITURA (AT 10,34a.37-43)
Pedro vai ao encontro de Cornélio em Cesaréia. Testemunha Cristo morto e ressuscitado, tema fundamental da fé. Cristo vive! Comemos e bebemos com ele. Todo homem, sem distinção pode ser transformado por ele.
4. SEGUNDA LEITURA (CL 3,1-4)
Os sacramentos da iniciação cristã, que nos fazem participar da Ressurreição de Cristo, exigem uma vida inspirada numa visão nova da realidade, aquela que nasce da cruz gloriosa de Cristo. A moral cristã é pascal.
SEGUNDA LEITURA (Opcional) (1Cor 5,6b-8)
Paulo exorta a comunidade a viver uma vida de fé pura e autêntica. O cristão purificado à luz da ressurreição torna-se digno de celebrar a Páscoa.
5. SEQUÊNCIA
É uma poesia em forma de diálogo, que fala da Ressurreição e da bela experiência que Maria Madalena faz ao encontrar-se com Cristo Ressuscitado
6. EVANGELHO (Jo 20,1-9)
Pedro, João e Madalena são as primeiras testemunhas da Ressurreição. Por seu intermédio o anúncio de Cristo Ressuscitado chega a todos, como uma mensagem de vida e de esperança. O Sepulcro vazio é o testemunho silencioso daquele que coloca vida no nosso mundo.
7. ORAÇÃO EUCARÍSTICA
Os discípulos reconheceram Jesus no partir do pão.
Quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, reconhecer-mos a presença do Cristo ressuscitado que nos faz participantes do seu mistério de morte e ressurreição.
Disponhamo-nos a participar deste Dom da Eucaristia, que é fonte da nossa vida de ressuscitados.
8. MENSAGEM
A Ressurreição de Cristo leva ao complemento toda a obra da imensa misericórdia de Deus. Nesta celebração do Dia do Senhor, tornam-se presentes para nós todos os grandes momentos e mistérios da nossa ressurreição: É a nova criação, a nova aliança, o Dom do Espírito Santo que nos faz viver na esperança da vinda do Senhor. Celebrando, vivendo no amor, estamos ressuscitados. Vivemos já e agora a vida eterna.
|
|
|
A Páscoa é o início da Nova Criação |
|
|
|
|
PÁSCOA |
|
|
|
Todos os cristãos sabem que Páscoa é o aniversário da ressurreição de Jesus. Muitos ignoram que Páscoa foi uma festa,
uma grande festa, muito antes de Jesus, no mundo.
O Evangelho, entretanto, convida-nos a reflectir nela. Ele não nos diz somente que cada ano Jesus ia a Jerusalém para a festa da Páscoa; ele não diz somente que a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus tinham lugar durante as festas da Páscoa; ele mostra-nos Cristo a ensinar aos seus discípulos que "a sua hora", era aquela da Páscoa: "Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco".
A Páscoa cristã saiu da Páscoa judaica, como de uma velha árvore um ramo cheio de seiva.
A Igreja aí não se engana. Durante a Semana Santa e especialmente na 6a Feira e Sábado Santo, ela multiplica as suas alusões à antiga Páscoa. Se queremos com ela celebrar a Páscoa Cristã, precisamos de ver a Páscoa judaica e retomar, para ultrapassar, a emoção e a alegria dos judeus quando eles iam cada ano a Jerusalém para festejar a Páscoa.
1. A PÁSCOA JUDAICA
Era a maior festa do ano. Para celebrá-la todo o judeu, a partir dos 12 anos, subia a Jerusalém. Era na cidade santa que se comia o cordeiro pascal. Mas por quê estas cerimónias? Por quê esta festa?
a) Uma intervenção de Deus
Naquele tempo, quer dizer, doze ou catorze séculos antes de Jesus Cristo, os judeus eram escravos no Egipto, sujeitos a duros trabalhos. O rei do Egipto, o Faraó, havia ordenado que fossem mortas todas as crianças do sexo masculino. Ele queria exterminar a raça. Factos recentes nos permitem compreender a grosseria da luta e o drama horrível das famílias.
Deus intervém para salvar este povo, e não somente para salvar, mas para lhe dar uma missão. Porque este povo devia preparar no mundo a vinda do Messias.
A libertação faz-se em três tempos: (Ex 12,1-14; 21-28)
1- Uma preparação misteriosa. Sob a ordem de Deus em cada família, matava-se um cordeiro e comia-se um cordeiro e comia-se à pressa, depois de ter colocado o seu sangue nos batentes das portas.
2- Uma situação desesperadora. Logo após esta ceia o povo colocar-se-ia sob a condução de Moisés. Mas Faraó e os seus exércitos alcançaram os judeus no momento em que eles chegaram ao Mar Vermelho. Encurralados no mar, sem armas, eles vão ser aniquilados. Os sobreviventes deveriam sujeitar-se a uma escravatura pior ainda que aquela que já conheciam.
3- Um milagre se processa. É então que Moisés, sob a ordem de Deus, estende a mão em direcção ao mar, e as águas abrem-se para dar passagem aos hebreus. Assim que eles terminaram de passar e que Faraó quer tomar o mesmo caminho, o mar volta ao seu percurso matando os egípcios e todo o seu exército. A alegria brilha. Um cântico de acção de graças ecoou. O povo está são e salvo, é livre. Vai assim caminhar para a Terra Prometida.
b) Uma Festa anual
A passagem do Mar Vermelho é a maior data histórica nacional dos judeus e uma das maiores da história religiosa do mundo.
Neste dia, graças à intervenção de Deus, os Judeus passaram (Páscoa quer dizer passagem) da escravidão à liberdade, do exílio à pátria, da terra dos ídolos à do verdadeiro Deus, do país de escravidão à terra prometida. Ontem eles esperavam a morte, hoje a vida é-lhes dada. Um tal acontecimento não poderia ficar na sombra.
Cada ano, na data do aniversário da passagem do Mar Vermelho, os judeus dirigiam-se a Jerusalém para ir celebrar uma festa: a Páscoa. Como outrora os seus pais, antes de deixar o Egipto, eles refaziam a misteriosa preparação, comiam um cordeiro, o cordeiro pascal; depois, durante a ceia, cantavam como os seus pais, outrora, depois da passagem do Mar Vermelho, salmos de louvor a Deus que libertou o seu povo.
2. A PÁSCOA DE CRISTO
Cada ano, Jesus celebrava a festa da Páscoa e comia o cordeiro pascal. Mas Ele sabia o que significava este alimento misterioso. Era Ele, o verdadeiro Cordeiro de Deus cujo sangue derramado sobre o madeiro da Cruz nos abriria o caminho do céu.
Uma Páscoa, uma outra passagem O esperava. Leiamos um trecho do evangelho de São Lucas, que nos coloca dentro desta realidade (Lucas 22,7-20).
É o início da Páscoa de Cristo...

a) Uma preparação misteriosa. Na Quinta Feira Santa, com os seus discípulos, Ele toma a ceia pascal, e pela primeira vez celebra a eucaristia. Ceia misteriosa também.
b) Uma situação desesperadora. Na Sexta Feira Santa, depois de uma agonia, dois processos, a flagelação, a coroação de espinhos e a pregação na cruz, Ele morre. Todas as esperanças desaparecem. Tudo parece perdido.
c) Um milagre sem precedente. Mas na manhã da Páscoa, Jesus ressuscitou. Ele só passou pela morte para entrar na vida. Passou agora da morte à vida, da vida do tempo àquela da eternidade, da escravidão para a liberdade, do sofrimento para a alegria, da terra dos ídolos àquela de seu Pai, do exílio à Pátria.
Esta passagem, esta Páscoa de Cristo, é a verdadeira Páscoa. A Páscoa antiga não é senão figura da nova Páscoa.
3. A PÁSCOA DOS CRISTÃOS
a) O Baptismo: É o Baptismo que nos associa à Páscoa de Cristo e traz até nós os seus benefícios. O Baptismo faz-nos passar, nós também, da terra dos ídolos à do verdadeiro Deus, do exílio à Pátria, do Império de Satã ao reino de Deus, da vida da terra à do Espírito, da escravidão do pecado para a liberdade dos filhos de Deus. Ele introduz-nos na Igreja, de que a terra prometida era uma figura.
Ele faz-nos passar da morte do pecado à vida da graça. Como a primeira Páscoa, ele opera-se na água. Como a Páscoa de Cristo ele dá-nos a vida eterna.
b) Uma Festa anual: A festa da Páscoa é a grande celebração anual da Páscoa de Cristo e do Baptismo. Toda a nossa liturgia nos convida a seguir, passo a passo, os gestos de Cristo durante os últimos dias da sua vida mortal e durante as primeiras horas da sua ressurreição. E quando chega o momento mais solene desta semana, no ofício do Sábado Santo, o Baptismo torna-se a grande preocupação da Igreja. Pelo Baptismo nós reproduzimos a morte e a ressurreição de Jesus.
Páscoa é um aniversário. Muito mais que um aniversário. Da mesma forma que os judeus, celebrando a sua Páscoa, davam graças a Deus pela sua libertação, assim também durante os dias da grande Semana da Páscoa, nós louvamos a Deus que nos resgatou e que faz de todos nós o seu povo.
E desde já, sabendo que a paixão, morte e ressurreição de Cristo nos merecem o céu, nós aspiramos por esta última Páscoa, que, um dia fará todos os baptizados entrarem no canto de acção de graças na verdadeira e definitiva Terra Prometida.
Os dias da Semana Pascal formam um todo. Páscoa não é um dia. Páscoa é uma passagem. A passagem da vida, restrita no tempo, à vida, marcada pela eternidade. A celebração desta passagem, na liturgia da Páscoa, começa no Domingo de Ramos e caminha até a aurora da ressurreição.
Não se deve separar o que Deus uniu. Não se deve olhar a cruz sem antever a ressurreição. Não se pode contemplar o Cristo Ressuscitado sem ver o seu corpo glorioso marcado pelas cicatrizes da Paixão.
São os sinais da sua passagem pela morte. São as provas irrecusáveis de que Ele nos mereceu a graça de passar da terra dos homens àquela de Deus.
A Páscoa é o início da NOVA CRIAÇÃO
Do sepulcro, Deus Pai fez sair o HOMEM NOVO, redimido pelo CORDEIRO PASCAL.
Da Páscoa nasce o NOVO POVO, A IGREJA.
O Baptismo é o sacramento pascal. A morte do pecador foi vencida pela morte do INOCENTE, livremente aceita por Jesus. “NINGUÉM ME TIRA A VIDA, mas SOU EU QUE A OFEREÇO LIVREMENTE” (cf Jo 10,18).
Quando perguntaram a Jesus qual o sinal que apresentava para assim agir Ele respondeu: “Destruí este templo e Eu O reconstruirei em 3 dias”(Jo 2,18.19).
Jesus falava do templo do SEU CORPO...e os discípulos acreditaram nas palavras de Jesus” (Jo 2, 21.22)
Graças à Ressurreição de Cristo “Nós somos cidadãos do Céu...Jesus TRANSFORMARÁ O NOSSO CORPO tornando-o semelhante AO SEU CORPO GLORIOSO”(Fp. 3 ,20.2 1). “Irmãos se ressuscitastes com Cristo procurai as coisas do alto...”(cf. Cl.3,1 ...).
Depois da celebração da Páscoa, todos devemos partir como os Reis Magos, “Por outro caminho”na vida cristã, familiar, profissional e no lazer. Com Deus em nossa vida e na família todos os problemas se resolvem mais facilmente.
Tempos novos, VIDA NOVA.
Esta é a Páscoa do Cristão.
PARA VIVER O TEMPO DA PÁSCOA
O Ciclo da Páscoa tem como ponto de partida a Quarta-feira de Cinzas e encerra com a hora de Vésperas da Solenidade do Pentecostes.Inclui, do mesmo modo que o do Natal, um tempo de preparação (Quaresma), tempo festivo (oitava da Páscoa) e um prolongamento do tempo festivo (desde a oitava da Páscoa até ao Pentecostes). Com a Celebração da Missa Vespertina comemorativa da Ceia do Senhor começa o Tempo Pascal.A Páscoa anual culmina na solenidade do Pentecostes. O Pentecostes (paramentos de cor vermelha) celebra-se no quinquagésimo dia da Páscoa, ou seja, 7 semanas depois dela (Lv 23,15-22). No Pentecostes, os judeus celebram a entrega do Dom da Lei (Torá) feita a Moisés no Sinai; os cristãos celebram o Dom do Espírito Santo à Comunidade reunida no Cenáculo (Act 2,1-13), consagrando-a como Igreja (o novo Povo de Deus) e inaugurando a sua expansão pelo mundo começada nesse mesmo dia, perante as pessoas de várias terras que acorreram junto do Cenáculo, atraídas pelo ruído – semelhante a uma rajada de vento ou a um trovão – que acompanhou a vinda do Espírito Santo.
Algumas sugestões para o Tempo Pascal
Recolhemos do Calendário Romano, n.º 22:
«Os cinquenta dias que se prolongam desde o Domingo da Ressurreição até ao Domingo do Pentecostes celebram-se na alegria e exultação com um único dia de festa, melhor, como um ‘grande domingo’. São os dias em que de modo especial se canta o Aleluia». Cristo ressuscitou no primeiro fia da semana e habituou os cristãos a este ritmo de encontro dominical: neste mesmo dia apareceu às santas mulheres, visitou e confortou os Apóstolos no Cenáculo, reconquistou os discípulos de Emaús; num domingo também, oito dias depois, voltou ao Cenáculo para dissipar as dúvidas de Tomé; e foi também num Domingo (Pentecostes) que a Igreja fez a sua aparição solene perante o mundo.Além disso, o primeiro dia da semana – em breve conhecido pelo nome de Domingo – dies dominica, dia do Senhor – aparece com uma nova dinâmica: enquanto o sábado é a paragem para descansar do trabalho duma semana, o domingo é o primeiro dia, o reabastecimento de forças para enfrentar uma semana de trabalho. O sábado é ponto de chegada; o domingo é ponto de partida.Para nós, cristãos, o Domingo é a Páscoa de cada semana, porque nele celebramos o mistério Pascal de Cristo.Cada domingo é, pois, uma celebração especial da Páscoa, como sendo a Páscoa prolongada liturgicamente ao longo de todos os domingos do ano. Na verdade, a liturgia especificamente cristã tem como centro o Mistério Pascal.
Cruz florida Da Árvore (madeiro) da Cruz, venerado na Quaresma, em especial na Sexta-Feira Santa, passamos à exaltação e veneração da Árvores da Vida que nos remete para a Primeira Criação do Génesis. Não podemos ficar apenas com a cruz da dor, do sofrimento, da morte. A Liturgia expressa-o bem: «Adoramos, Senhor, a vossa cruz, louvamos e glorificamos a vossa ressurreição: pela árvore da cruz veio a alegria ao mundo inteiro» (Ant. Laudes de Sexta-Feira Santa). Sugere-se que, para a caminhada Pascal, se utilize esta Cruz florida.Permanecerá levantada ao longo dos 50 dias ou das 7 semanas da Páscoa até ao Pentecostes, e pode ser enriquecida com frases da liturgia referentes a cada Domingo da Páscoa.
Sugerimos, para cada Domingo:
1º Domingo: RESSUSCITOU!
2º Domingo: A PAZ ESTEJA CONVOSCO
3º Domingo: EMAÚS
4º Domingo: O BOM PASTOR
5º Domingo: O CAMINHO
6º Domingo: VOU PARA TI
7º Domingo: ASCENSÃO
È preciso inculcar nos fiéis a verdade de que a Páscoa não acabava neste dia: os 7 Domingos seguintes são Domingos da Páscoa e não Domingos depois da Páscoa.
SINAIS, GESTOS, ATITUDES, ACÇÕES PASCAIS
A Igreja, tal como na Quaresma, sugere formas que nos podem ajudar a viver esta Cinquentena do Aleluia, para uso individual, em família, nos Grupos, na Catequese, na Comunidade que celebra a Eucaristia: Eis alguns:
Cor Litúrgica Branca A cor da liturgia, em contraponto da cor roxa na Quaresma
Via Lucis. Com textos e encenações das Manifestações do Ressuscitado, em paralelismo com a Via-Sacra.
Aleluia! Expressão por excelência neste Tempo: no canto, nos cartazes...
Círio pascal. Em lugar de destaque, adornado, até ao Pentecostes, simboliza Cristo ressuscitado. Deve ser colocado junto do ambão e aceso durante a Celebração da Santa Missa.
Aspersão da assembleia com Água. É o Acto Penitencial sob a forma de aspersão da água benzida, em recordação do Baptismo e mais recomendado neste tempo em que a recordação do Baptismo está especialmente presente.
Fonte Baptismal. Procure-se valorizar o Baptistério: flores, iluminação, ícone... e convidar os fiéis, Catequese, Grupos a irem aí recolher-se em recordação do dia do seu baptismo.
Outras Cruzes. Com lindas flores: nas nossas casas, Grupos, Catequeses.
Cruzeiros. Enfeitar os cruzeiros dos nossos caminhos com coroas de flores.
Cruz. Grande cruz no adro, com frases ao ritmo das 7 Semanas (Ver acima).
Bíblia. Colocada em lugar de destaque, adornada, aberta nos textos pascais, nas famílias e nas salas dos Grupos
Salmos. Particularmente os 104, 105 e 106 (salmos do ALELUIA!) Compasso. Onde for costume, promova-se a sua dignidade e proveito pastoral. É o anúncio da Ressurreição levado a cada família. A presença dos leigos ajuda a compreender que a Boa Nova não está apenas ao cargo dos sacerdotes, mas de todos os fiéis, segundo o mandato de Jesus Cristo.
Trindades.
Em vez de «O Anjo do Senhor», diz-se a antífona «Rainha do Céu...».
V. Rainha do Céu, alegrai-Vos!R. Aleluia!V. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventreR. Aleluia!V. Ressuscitou como disse,R. Aleluia!V. Rogai por nós a DeusR. AleluiaV. Alegrai-Vos e escutai, ó Virgem MariaR. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia! OremosÓ Deus que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos, pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Por Cristo Nosso Senhor. Amen.
Rezar às refeições.
Família reunida que partilha a refeição à luz do Ressuscitado. A oração (bênção da mesa) poderá ser feita pelo chefe de família ou pelos seus membros à vez.
Uso do Incenso. Tempo próprio para realçar as celebrações litúrgicas da Páscoa.
Toque festivo dos Sinos. Um repicar de sinos mais expressiva da Alegria Pascal
Festa do Bom Pastor. Depois de Valorizarmos a Semana das Vocações (3a semana), o Dia do Bom Pastor (4o Domingo), com a Celebração do Dia Mundial de Oração pelas Vocações tem aqui o seu espaço próprio.
Dia da Mãe. Ocorre sempre dentro do tempo pascal. É preciso valorizar este Dia também na perspectiva da Páscoa.
Rosário. Havemos de salientar e valorizar os Mistérios da Luz e da Alegria (Mistérios Gloriosos).
Domingo da Misericórdia. Celebra-se no 2º Domingo – Oitava da Páscoa. Foi instituído pelo Servo de Deus João Paulo II.
Vigília de Pentecostes. É um Tempo de Oração, à noite, preparando a vinda do Espírito Santo.
Neófitos: Tempo da «Mistagogia» dos que receberam o Baptismo na Páscoa.
Convívio Pascal Das Comunidades e Grupos (mais significativos que as “Ceias de Natal”..).
Rogações Procissão, bênção dos campos: quinta-feira da VI Semana da Páscoa Pentecostes – 8.º Domingo: Festa do Espírito Santo. No fim da Eucaristia ou II.as Vésperas, valorizar o acto de retirar do Círio Pascal, como encerramento do Tempo da Páscoa O círio, a água, o incenso, as flores, a cor dos paramentos e toalhas, os cantos apropriados (esse aleluia repetido alegremente, como um pássaro litúrgico cantando a primavera do Reino), as leituras bíblicas, o sacramento do Baptismo e, sobre tudo, a Eucaristia, todos esses sinais e símbolos nos convidam à celebração da Páscoa. Na Ceia eucarística, a partilha e o serviço, no maior amor, até o extremo da Cruz; na vitória da Ressurreição sobre o pecado, a escravidão e a morte. O problema está em passar da liturgia para a vida, em fazer da vida uma liturgia, em viver pascalmente a vida toda. Porque toda a nossa vida é, deve ser, tempo pascal. Tempo de conversão, de renovação, de vida nova, pessoalmente, familiarmente, comunitariamente, socialmente. Praticando a partilha, a solidariedade, o serviço fraterno, o verdadeiro amor, de modo especial e com peculiar atenção aos mais carenciados, neste tempo de crise. Carregando a cruz natural de nossa condição de criaturas e a cruz libertadora do trabalho e a luta. Celebrando a Natureza respeitada, a comum igualdade humana de todas as pessoas de todos os povos, a festa da Vida e as vitórias da Justiça, da Liberdade e da Paz... Passando – Páscoa é passagem – do Pecado e suas consequências à Graça e suas florações.Páscoa não foi apenas um dia. Sempre é Páscoa. A própria liturgia gosta de repetir, nas celebrações, que se trata de um «hoje» que é cada dia: o hoje do Deus libertador em Jesus Cristo, neste nosso pequeno hoje diário. Até chegarmos àquele Hoje sem ocaso da Páscoa plenamente desabrochada.
Da Revista Celebração Litúrgica - Coordenou Fernando Silva
|
|
|
Homilia de Bento XVI na missa da Ceia do Senhor de Quinta-Feira Santa – 2007 |
|
|
|
Na leitura do Livro do Êxodo vem descrita a celebração da Páscoa de Israel, como era regulamentada na lei mosaica. Na origem poderia ser uma festa de primavera dos nómadas. Para Israel, todavia, ela foi transformada em uma festa de comemoração, de acção de graças e, ao mesmo tempo, de esperança. No centro da ceia pascal, ordenada segundo determinadas regras litúrgicas, estava o cordeiro como símbolo da libertação da escravidão no Egipto. Por isso o haggadah pascal era parte integrante da refeição à base de cordeiro: a lembrança narrativa do fato de que foi o próprio Deus quem libertou Israel «com a mão levantada». Ele, o Deus misterioso e oculto, revelou-se mais forte que o faraó com todo o poder que tinha à sua disposição. Israel não devia se esquecer que Deus tinha pessoalmente levado nas mãos a história de seu povo e que esta história era continuamente baseada na comunhão com Deus. Israel não devia esquecer-se de Deus.
A palavra da comemoração era circundada pela palavra de louvor e de acção de graças trazida pelos Salmos. O agradecer e bendizer a Deus tinha seu cume na berakha, que em grego é dita eulogia ou eucaristia: o bendizer a Deus se torna bênção para aquele que o bendiz. A oferta doada a Deus retorna abençoada ao homem. Tudo isso erguia uma ponte do passado ao presente e frente ao futuro: ainda não estava completa a libertação de Israel. A nação ainda sofria como pequeno povo no campo das tensões entre as grandes potências. O fato de lembrar com gratidão o agir de Deus no passado torna assim, ao mesmo tempo, súplica e esperança: leva a cumprimento o que foi iniciado! Dá-nos a liberdade definitiva!
Esta ceia com múltiplos significados foi celebrada por Jesus com os seus na tarde antes de sua Paixão. Como base, neste contexto devemos compreender a nova Páscoa, que Ele nos deu na Santa Eucaristia. Nos relatos dos evangelistas existe uma aparente contradição entre o Evangelho de João, por um lado, e o que, por outro, nos comunicam Mateus, Marcos e Lucas. Segundo João, Jesus morre sobre a cruz precisamente no momento no qual, no templo, eram imolados os cordeiros pascais. A sua morte e o sacrifício dos cordeiros coincidem. Isso significa, porém, que Ele morreu na Vigília da Páscoa e, portanto, não pôde pessoalmente celebrar a ceia pascal – isso, ao menos, é o que parece. Segundo os três Evangelhos sinópticos, ao contrário, a Última Ceia de Jesus foi uma ceia pascal, em forma tradicional. Ele insere a novidade do dom de seu corpo e de seu sangue. Esta contradição até alguns anos atrás parecia insolúvel. A maioria dos exegetas era da opinião que João não quis comunicar-nos a verdadeira data histórica da morte de Jesus, mas preferiu uma data simbólica para tornar assim evidente a verdade mais profunda: Jesus é o novo e verdadeiro cordeiro que derramou seu sangue por todos nós.
A descoberta dos escritos de Qumran nos conduziu, entretanto, a uma possível solução convincente que, ainda que não seja aceita por todos, possui, todavia, um alto grau de probabilidade. Podemos agora dizer que o que João relatou é historicamente preciso. Jesus realmente derramou seu sangue na vigília da Páscoa, na hora da imolação dos cordeiros. Ele, porém, celebrou a Páscoa com seus discípulos provavelmente segundo o calendário de Qumran, pelo menos um dia antes --celebrou-a sem cordeiro, como a comunidade de Qumran, que não reconhecia o templo de Herodes e estava à espera de um novo templo. Jesus, portanto, celebrou a Páscoa sem cordeiro - não, não sem cordeiro: no lugar do cordeiro deu-se a si mesmo, seu corpo e seu sangue. Assim, antecipou sua morte de modo coerente com sua palavra: «Ninguém me tira a vida, mas a ofereço por mim mesmo» (Jo 10, 18). No momento no qual apresentava aos discípulos seu corpo e seu sangue, Ele dava real cumprimento a esta afirmação. Ele mesmo ofereceu sua vida. Só assim a antiga Páscoa obtinha seu verdadeiro sentido.
São João Crisóstomo, em sua catequese eucarística, escreveu uma vez: O que está dizendo Moisés? O sangue de um cordeiro purifica o homem? Salva-o da morte? Como pode o sangue de um animal purificar o homem, salvar o homem, ter poder contra a morte? De facto - continua Crisóstomo - o cordeiro podia constituir só um gesto simbólico e, portanto, a expressão da espera e da esperança em Alguém que pode cumprir isso que o sacrifício de um animal não era capaz. Jesus celebrou a Páscoa sem cordeiro e sem templo e, todavia, não sem cordeiro e sem templo. Ele mesmo era o Cordeiro esperado, verdadeiro, como havia preanunciado João Batista no início do ministério público de Jesus: «Eis o cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo!» (Jo 1, 29). E é Ele mesmo o verdadeiro templo, o templo vivente, no qual habita Deus e no qual nós podemos encontrar Deus e adorá-lo. Seu sangue, o amor Daquele que é ao mesmo tempo Filho de Deus e verdadeiro homem, um de nós, cujo sangue pode salvar. Seu amor, aquele amor no qual Ele se doa livremente por nós, é isso que nos salva. O gesto nostálgico, de qualquer modo privado de eficácia, que era a imolação do inocente e imaculado cordeiro, encontrou resposta naquele que por nós se tornou juntamente Cordeiro e Templo.
Assim, no centro da nova Páscoa de Jesus estava a cruz. Desta vinha o novo dom trazido por Ele. E assim, ela permanece sempre na Santa Eucaristia, na qual podemos celebrar com os Apóstolos, através dos tempos, a nova Páscoa. Da cruz de Cristo vem o dom. «Ninguém me tira a vida, mas eu a ofereço por mim mesmo». Agora Ele a oferece a nós. A haggadah pascal, a comemoração do agir salvífico de Deus, tornou-se memória da cruz e ressurreição de Cristo – uma memória que não recorda simplesmente o passado, mas nos permite entrar na presença do amor de Cristo. E assim a berakha, a oração de bênção e acção de graças de Israel torna-se nossa celebração eucarística, na qual o Senhor abençoa os nossos dons – pão e vinho – para doar neles a si mesmo.
Peçamos ao Senhor que nos ajude a compreender sempre mais profundamente este mistério maravilhoso, a amá-lo sempre mais e nisso amar sempre mais Ele mesmo. Peçamos-lhe que nos ajude a não reter nossa vida para nós mesmos, mas a doá-la a Ele e assim actuar junto a Ele, a fim de que os homens encontrem a vida – a vida verdadeira que pode vir só d’Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Amém.
|
|
|
A Data da Páscoa |
|
|
|
OS CRISTÃOS E A DATA DA PÁSCOA
A maior festa cristã, que é a Páscoa, vem actualmente celebrada em duas datas diferentes. Em 1997, por exemplo, os católicos e a maioria dos protestantes celebraram-na no dia 30 de Março, ao passo que os ortodoxos orientais e alguns protestantes celebraram-na quase um mês mais tarde, ou seja, a 27 de Abril. Esta diferença decorre de um desacordo no tocante à reforma do calendário efectuada pelo Papa Gregório XIII no século XVI.
Vejamos, pois, os antecedentes do problema e o actual modo de o colocar.
1. CALENDÁRIO: O QUE É?
Calendário provém do termo latino Calendae e da raiz grega kal, a qual significa chamar (donde kalein = chamar, em grego; calare, em latim). Em latim, o uso da palavra era restrito à linguagem sacral, servindo para designar a convocação do povo para o Campidoglio, feita por um dos sacerdotes quando a Lua entrava na sua fase crescente, convocação que visava a comunicar ao público os dias das nonas (isto é, do quarto crescente) e dos idos (da Lua cheia). Calendae, consequentemente, passou a significar o primeiro dia do mês (dia da convocação); por extensão, o mesmo termo designava mais tarde o mês inteiro. Calendarium vinha a ser, entre os romanos, o registro no qual os banqueiros anotavam os juros no primeiro dia de cada mês. Por fim, calendarium tomou o significado actual, designando o sistema de medir o tempo, sistema nitidamente relacionado com os fenómenos astronómicos. Principalmente a religião (nas suas diversas fases e modalidades) se interessou pelo calendário, pois todos os povos tiveram sempre consciência de que o tempo é algo de sagrado, que convém observar fielmente.
2. O CALENDÁRIO GREGORIANO
O Calendário Gregoriano supõe o calendário chamado "juliano". Este, por sua vez, foi ocasionado por certo impasse ocorrente na contagem do tempo em Roma.
Nos primeiros tempos de Roma, os meses eram de 29 ou 30 dias, contando-se, a partir de Numa Pompílio (715-672 a.C.), doze meses num ano. Mais tarde, Roma adoptou o ano civil de 365 dias, com os seus meses de 28, 30 e 31 dias, ficando apenas uma diferença de aproximadamente 6 horas entre ano civil e o ano trópico.
Sob Júlio César, a diferença acumulada entre um e outro destes já era de 85 dias. O Imperador resolveu então remediar a situação, decretando que o ano de 46 a.C. (708 de Roma) teria 85 dias a mais (donde se originou o chamado annus confusionis, ano de confusão). A seguir, conforme o parecer do astrónomo alexandrino Sosígeno, resolveu que de então por diante se atribuiriam ao ano civil 365 dias e 6 horas (quando na verdade o ano trópico consta de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos); pelo que, de quatro em quatro anos se acrescentaria ao ano um dia complementar chamado dia bissextil. Este nome deve-se ao facto de que a inserção se fazia entre 23 e 24 de Fevereiro; ora, o dia 24 de Fevereiro sendo o Sextus calendas martii, o dia intercalado ou suplementar, passou a ser bissextus calendas martii, e o ano correspondente tomou o nome de ano bissextil.
O Calendário juliano assim concebido era sistema assaz esmerado. Contudo, a diferença de menos de 12 minutos que nele distanciava o ano civil do ano trópico, havia de provocar a diferença de um dia em 128 anos. No tempo de César, após a reforma, o equinócio da primavera caía no dia 24/3; 128 anos mais tarde, caía no dia 23/3; 256 anos depois, no dia 22 do mesmo; por ocasião do concílio de Niceia (325) estipulou-se o dia 21/3. Em fins do séc. XVI o equinócio da primavera já cairia perto do dia 11/3; caso o processo continuasse, as estações do ano viriam a deslocar-se por completo dos seus meses habituais. Sendo assim, bispos e sábios medievais, conscientes de tais falhas, pediam reforma do calendário vigente.
Em 1232, o monge escocês João de Holywood, na sua obra "De anni ratione", sugeria mudança no sistema de intercalação do dia bissextil. Rogério Bacon (†1294), no seu "Opus maius ad Clemente IV", propunha ao Pontífice uma reforma do calendário. O Papa Clemente VI em 1345 encarregou dois matemáticos franceses de a estudar. Os Concílios de Constança (1414) e Basileia (1436) também trataram do assunto. Sixto IV (†1484) chamou a Roma, a fim de estudar a reforma, o famoso astrónomo Regiomontano (João Müller de Königsberg), o qual, porém, morreu antes de terminar o seu projecto. O Papa Leão X, no Concílio V de Latrão (1513-1517), deu novo impulso à reforma do calendário. Por fim, o Concílio de Trento pediu-a expressamente ao Papa.
Gregório XIII (1572-85), assim solicitado, abriu um concurso entre os astrónomos, valendo-se da colaboração dos mais famosos matemáticos da época (os irmãos Aloísio e António Lílio, o dominicano Inácio Danti, o jesuíta alemão Cristóvão Clau e o espanhol Pedro Chaón); após deliberar longamente sobre as fórmulas apresentadas, o Pontífice houve por bem dar preferência à de Aloísio e António Lílio; mandou então em 1577 cópias do projecto a todos os príncipes e Estados católicos. Apoiado por estes, publicou finalmente, cinco anos mais tarde, a 24 de Fevereiro de 1582 (pela bula "Inter gravissimas"), o novo calendário (ou calendário "novo estilo", em oposição ao calendário "velho estilo").
A primeira norma da reforma, visando a extinguir a diferença entre ano civil e ano trópico, mandava que a quinta-feira 4 de Outubro de 1582 fosse imediatamente seguida da sexta-feira 15 de Outubro do mesmo ano (tal medida não provocaria hiato entre os dias da semana); assim, doravante o dia 21 de Março coincidiria, como supunha o concílio de Niceia I (325), com o equinócio da primavera.
Era preciso, porém, evitar a repetição do desajuste... Já que este provinha do facto de que o ano civil era desde Júlio César (e continuava sendo) considerado 1/128 de dia (11 minutos e 12 segundos) mais longo do que o ano trópico (isto é, mais ou menos três dias em 400 anos), Gregório XIII dispôs não fossem considerados bissextos os anos do século não divisíveis por 400 (assim em todo período de 400 anos, três dias eram suprimidos). Por conseguinte, seriam bissextos os anos de 1600, 2000, 2400, ñ porém, os de 1700, 1800, 1900, 2100. Este correctivo (chamado equação solar) tornar-se-ia plenamente eficaz pelo prazo de mais de 3.000 anos: de 3.320 em 3.320 anos, porém será preciso suprimir um dia.
A reforma gregoriana aos poucos foi sendo adoptada pelos povos cultos. Na Espanha, em Portugal e em parte da Itália a supressão de dez dias fez-se na mesma data que em Roma. Na França ela realizou-se pouco depois: o dia seguinte ao domingo 9/12/1582 foi contado como segunda-feira 20/12. A Polónia adoptou a mudança em 1586; a Hungria, em 1587. Nos Estados protestantes, porém a resistência fez-se sentir: a Alemanha só aceitou o calendário "novo estilo" em 1700; a Inglaterra, em 1752.
Quanto aos cristãos cismáticos orientais, ainda seguem o calendário juliano, ao menos na Liturgia. É de crer, porém, que não tardarão a reconhecer as vantagens do calendário corrigido. Antes de empreender a sua reforma, Gregório XIII, aliás, consultou o Patriarca de Constantinopla sobre o assunto; mas, longe de obter resultado, o seu sistema foi explicitamente condenado por um sínodo oriental em 1593. Contudo em 1923, o patriarcado de Constantinopla, as circunscrições eclesiásticas de Atenas, Chipre, da Polónia (cismática) e da Roménia adoptaram o calendário gregoriano para designar ao menos as suas festas fixas (o dia seguinte a 30 de Setembro foi dito 14 de Outubro de 1923). Em 1948, o sínodo "pan-ortodoxo" de Moscou resolveu deixar liberdade de escolha, no caso, a todas as comunidades cristãs da órbita soviética. De resto, têm-se registrado nos últimos tempos adesões notáveis: a Turquia adoptou o calendário gregoriano em 1924; o Japão já o introduzira em 1873; a China, em 1912; a Bulgária, em 1916. Muçulmanos e israelitas ainda ñ o reconhecem no plano religioso.
3. E A DATA DA PÁSCOA?
Para pôr termo a hesitações existentes nos primeiros séculos, o Concílio geral de Niceia em 325 determinou que a Páscoa seria celebrada no domingo seguinte à primeira Lua cheia após o equinócio da primavera do hemisfério Norte (21/3). Com o passar dos séculos, porém, a contagem do equinócio da primavera foi-se desfasando. Daí a reforma promulgada pelo Papa Gregório XIII em 1582, reforma que não foi aceite pelos cristãos ortodoxos orientais e outros povos. Todavia, já que tal divergência hoje em dia se manifesta como algo de totalmente despropositado, as comunidades cristãs de diversas partes do mundo procuram saná-la.
|
|
|
Testamento de Jesus |
|
|
EU, JESUS DE NAZARÉ,
vendo próxima a minha hora e estando na posse das minhas plenas faculdades para assinar este documento, desejo repartir os meus bens entre as pessoas que ME são mais próximas.
Mas, sendo entregue como CORDEIRO para a salvação da humanidade, creio ser conveniente repartir entre todos.
E assim deixo-lhes:
Todas as minhas coisas que desde o meu nascimento estiveram presentes na minha vida, e a marcaram de um modo significativo:
A ESTRELA:
Aos que estão desorientados e necessitam ver claro para continuar em frente, e a todo aquele que desejar ser guiado e/ou servir de guia.
O LUGAR DA MANJEDOURA:
Aos que não têm nada, nem sequer um lugar para se albergar ou um fogo onde acalentar-se e poder falar com um amigo.
AS MINHAS SANDÁLIAS:
São suas as sandálias e daqueles que desejarem empreender um caminho em que estejam sempre dispostos a caminhar COMIGO.
A BACIA:
Onde lhes lavei os pés é para quem quiser servir, para quem desejar ser “pequeno” diante dos homens, pois será “grande” aos olhos de MEU PAI.
O PRATO:
Onde vou partir o pão. É para os que vivem em fraternidade, e aos que estiverem dispostos a AMAR acima de tudo, e a todos.
O CÁLICE:
Deixo-o para os que estiverem sedentos de um mundo melhor, e de uma sociedade mais justa.
A CRUZ:
É para todo aquele que estiver disposto a carregá-la.
A MINHA TÚNICA:
A todo aquele que estiver NU e com frio.
Também quero deixar como legado à humanidade inteira, as atitudes que guiaram a minha vida: Que elas sejam a sua estrela e guia.
A MINHA PALAVRA:
E o ensinamento que Me confiou o MEU PAI, a todo aquele que a Escutar e a puser em prática.
A ALEGRIA
a todos os que desejarem partilhá-la.
A HUMILDADE
é para quem estiver disposto a trabalhar pela expansão do Reino dos Céus.
O MEU OMBRO:
À todo aquele que necessite de um amigo em quem possa reclinar a cabeça, ao abatido pelo cansaço do caminho para que possa descansar, ganhar forças e continuar a caminhada.
O MEU PERDÃO:
ESTENDO A TODOS.
É para os que dia após dia, pecado após pecado, queiram voltar ao PAI.
“Naturalmente sinto especial predilecção pelos mais débeis”.
Tudo isto e ainda mais queria deixar-lhes mas, sobretudo, é a MINHA VIDA o que lhes ofereço.
"SOU EU mesmo que fico convosco para continuar a caminhar ao vosso lado, partilhando preocupações e problemas, alegrias e gozos”.
"Sim, Eu sou a VIDA, mas vós podeis transmiti-la …
Nada mais. Mantenham-se unidos e amem-se de verdade.
EU VOS AMEI ATÉ AO EXTREMO, E VOS LEVO NO MEU
|
|
| << Início < Anterior | 1 2 3 | Seguinte > Final >>
| | Resultados 43 - 60 de 60 | |