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QUARESMA-PÁSCOA
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O sentido da Páscoa |
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O SENTIDO DA
PÁSCOA
A Páscoa, a
mais importante das datas Cristãs, é comemorada em todo o mundo simbolizando o
perdão, a alegria, o recomeço, a redenção, a nova vida e o sentido do
sacrifício. Para os cristãos, há mais de dois mil anos a Páscoa celebra a
Ressurreição de Jesus Cristo. Festeja a passagem de Cristo da morte para a vida
e das trevas para a luz.
Como muitos outros rituais do Cristianismo, o período pascal incorpora outro
mais antigo: do hebreu Pessach, a Páscoa Judaica é uma comemoração
judaica que recorda a passagem dos judeus do Egipto até à Terra Prometida -
marcada pela travessia do Mar Vermelho – e significa a passagem da escravidão
para a liberdade.
CURIOSIDADES
A Páscoa é uma das datas móveis do nosso calendário e ocorre 47 dias depois do
Carnaval.
O dia da
Páscoa é o primeiro domingo que ocorre depois da Lua Cheia ou do dia de 21 Março
(a data do Equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a
definida nas Tabelas Eclesiásticas. A Igreja, para obter consistência na data
da Páscoa decidiu, no Concílio de Niceia em 325 D.C, definir a Páscoa
relacionada a uma Lua imaginária - conhecida como a "lua
eclesiástica".
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e, portanto, a
Terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Este é o período da
Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande
conhecimento astronómico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo
no mínimo em 22 de Março e no máximo em 24 de Abril, transformando a Páscoa
numa festa "móvel". De facto, a sequência exacta de datas da Páscoa
repete-se aproximadamente a cada 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.
Os símbolos
da Páscoa
1. Cordeiro: representa o sacrifício do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo;
2. Luzes, velas e fogueiras: marcas da chama da luz e da esperança;
3. Ovos – simbolizam
a nova vida que retorna à natureza;
4. Coelhos – representam a fertilidade, o nascimento e a nova vida.
Páscoa no
mundo
China – O “Ching-Ming” é uma
festividade que ocorre na mesma época da Páscoa, onde são visitados os túmulos
dos ancestrais e feitas oferendas em forma de refeições e doces, para os deixar
satisfeitos com os seus descendentes.
Europa – A tradição é decorar ovos
cozidos e fazer brincadeiras como rolá-los pela ladeira abaixo, onde será vencedor
o ovo que rolar mais longe sem quebrar. Nos países da Europa Oriental, as
crianças que forem bem comportadas na noite anterior ao Domingo de Páscoa e
deixarem um boné num lugar escondido, ganham do coelho doces e ovos coloridos.
Estados
Unidos – As
crianças brincam na caça ao ovo. Os ovos cozidos e decorados com tintas são
escondidos pelos pais para serem descobertos na manhã de Páscoa. Nalgumas
cidades, a brincadeira é feita na praça pública.
Brasil e
América Latina – O mais comum é as crianças montarem os seus próprios ninhos e enchê-los
de palha ou papel picado. Os ninhos são deixados para o coelhinho colocar doces
e ovinhos na madrugada de Páscoa. A caça ao ovo também é utilizada.
Bélgica e
França – Os sinos
das igrejas não tocam entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa. Uma
lenda local diz que os sinos voam para Roma e, quando voltam, deixam cair ovos
para todos encontrarem. As crianças fazem ninhos para que o coelho os encha de
ovos.
Bulgária – Os ovos cozidos são coloridos
após a missa na Quinta-feira Santa e são feitos pães pascais, os kolache ou
kozunak. Um pão, decorado com um número ímpar de ovos vermelhos, é levado à
igreja na madrugada de sábado para ser abençoado e, depois, oferecido à
família. Cada pessoa da família pega num ovo e todos começam a batê-los uns
contra os outros. Quem ficar com o ovo inteiro terá um ano de sorte.
Suécia – É semelhante ao Halloween
americano. Na Quinta-feira Santa ou na véspera da Páscoa, as crianças vestem-se
de bruxos, visitam os vizinhos e deixam um cartão decorado, para conseguir doce
ou dinheiro.
OVO DE
PÁSCOA: PRESENTE DESDE A ANTIGUIDADE
Ao que
tudo indica, a comemoração da Páscoa foi inspirada na Antiguidade. No período
do paganismo, a primavera era saudada com uma festa para o renascimento da
terra, acompanhada de promessas de esperança, saúde e prosperidade.
Calcula-se, ainda, que por volta do século 13 a.C. os chineses celebravam o
início desta estação oferecendo ovos de pata pintados em cores fortes aos
parentes e vizinhos. Era a celebração da volta à vida, após o inverno e os
longos meses em que a natureza ficava coberta de neve.
Mais tarde este hábito foi adoptado por egípcios e persas, que costumavam
tingir ovos com cores alegres para presentear os amigos. Os cristãos primitivos
da Mesopotâmia foram os primeiros a usar ovos coloridos na Páscoa para
representar a alegria da ressurreição e o reconhecimento do sacrifício.
Na época dos czares da Rússia – período anterior à revolução bolchevique –,
eles ganharam outro valor. Os imperadores encomendavam ao mais famoso joalheiro
da corte, Peter Carl Fabergé, estes objectos que eram feitos de ouro e cunhados
com pedras preciosas.
O surgimento do ovo de chocolate na Páscoa deu-se a partir do Séc. XVIII, em
meados de 1828, com o desenvolvimento da indústria chocolateira na Inglaterra e
a substituição dos ovos duros e pintados que eram escondidos nas ruas e nos
jardins para serem caçados.
Foram os confeiteiros franceses que inventaram este modo atraente de apresentar
o chocolate. No início os ovos eram apenas chocolate com leite. Depois,
começaram a surgir os ovos crocantes. Castanhas de caju, amêndoas e avelãs
davam um toque especial aos chocolates, deixando-os ainda mais gostosos. Não
demorou muito e a iguaria conquistou toda a população europeia. De lá, o hábito
ganhou o mundo.
O costume de usar estes ovos e bombons como forma de presentear na Páscoa é,
entretanto, uma criação do Século XX, como mais uma forma de estabelecer de vez
o consumo do chocolate no mundo inteiro como um presente recheado de
significados, que é não só gostoso, como altamente nutritivo, um rico
complemento e repositor de energia.
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Itinerário Quaresmal |
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ITINERÁRIO QUARESMAL
A Quaresma é um
tempo favorável à prática penitencial da Igreja. Como ensina o Catecismo da
Igreja Católica (CIC), “estes tempos são particularmente apropriados aos
exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, peregrinações em sinal de
penitência, privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna
(obras de caridade e missionárias)” (CIC, número 1.438). É um tempo de
renascimento espiritual e de renovação na fé, no qual se pede aos fiéis maior
interesse pelas coisas divinas, uma frequência mais assídua à Santa Missa e aos
ofícios litúrgicos, maior correção nas próprias ações e um treinamento no
controle de suas próprias paixões e sentimentos.
Lamentavelmente,
hoje em dia a palavra “penitência” provoca mal-estar em muita gente.
Entretanto, se consultarmos os Evangelhos, veremos que Jesus começou a Sua
pregação exortando-nos à penitência: (Mt 4,17) “Fazei penitência, porque está
próximo o Reino dos céus”. Rejeitar a penitência é rejeitar a pregação de
Cristo desde o princípio.
A palavra
“penitência” significa simultaneamente duas coisas que, embora distintas, estão
indissociavelmente ligadas: uma virtude e um sacramento, a virtude da
penitência e o sacramento da penitência.
A virtude da penitência
A virtude da
penitência exige também o propósito de reparar o mal cometido e de não tornar a
pecar no futuro. Assim, a penitência projeta-se nos sentidos do tempo: para o
passado, o arrependimento; para o presente, a reparação; e para o futuro, o
propósito de emenda.
Tenhamos todos uma
boa e santa Quaresma. «Desde então começou Jesus a pregar e a dizer: “Fazei
penitência, porque está próximo o Reino dos céus”» (Mt 4,17). E se está
próximo, é porque não está distante: «O Senhor está perto de toda pessoa que o
invoca» (Sl 144,18).
Qual penitência
escolher para viver este período da Quaresma?
Algumas sugestões…
1. Penitências gastronómicas:
– Trocar a carne por
peixe ou ovos ou legumes;
– Comer menos comida
para sair da mesa com um pouco de apetite;
– Eliminar todos os doces,
refrigerantes, chocolate e demais guloseimas;
– Nas refeições,
acrescentar algo que seja desagradável, como diminuir a quantidade de sal ou
colocar um condimento que quebre um pouco o sabor;
– Comer algum legume
ou verdura de que não se goste muito;
– Diminuir ou mesmo
tirar as refeições intermediárias (como o lanche da tarde);
– Evitar o café;
– Reservar algum dia
para o jejum total ou parcial.
2. Penitências corporais:
(Ajudam a não
perdermos o sentido do sacrifício ao longo do dia, a não sermos relaxados).
– Dormir sem
travesseiro;
– Sentar-se apenas
em cadeiras duras;
– Rezar alguma
oração mais prolongada de joelhos;
– Não usar
elevadores ou escadas rolantes;
– Cuidar da postura
corporal;
– Sair uma paragem
antes do transporte público e fazer uma parte do caminho a pé;
– Deixar de usar o
carro e andar em transportes públicos.
3. Penitências Morais:
(São as mais
importantes)
– Não reclamar das
contrariedades do dia, mas agradecer e louvar a Deus;
– Sorrir sempre,
mesmo quando alguma inquietação;
– Moderar a
frequência às redes sociais, telemóvel e computador (reduzir a poucas vezes ao
dia);
– Desligar as
notificações do telemóvel;
– Fazer os serviços
mais incómodos na casa e no trabalho, ajudando os outros;
– Acordar mais cedo
para fazer oração;
– Não ouvir música
no carro;
– Não assistir à TV,
mas dedicar este tempo à leitura;
– Não jogar jogos
eletrónicos;
– Fazer algum
trabalho voluntário;
– Rezar mais pelos
outros, do que por si mesmo;
– Reservar dinheiro
para dar esmolas, mas sobretudo, atenção aos mendigos;
– Não se defender
quando alguém o acusa;
– Falar bem das
pessoas que se gostaria de criticar;
– Ouvir as pessoas
incómodas sem as interromper;
– Dormir no horário,
mesmo sem vontade.
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O que é a QUARESMA? |
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O que é a Quaresma?
“A Quaresma é um tempo de jejum e de penitência, instituído pela Igreja por tradição apostólica” (São Pio X, Catecismo Maior, 35). Para que foi instituída a Quaresma?
“A Quaresma foi instituída: 1° Para nos fazer conhecer a obrigação que temos de fazer penitência em todo o tempo da nossa vida, da qual, segundo os Santos Padres, a Quaresma é a figura; 2° Para imitar de algum modo o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo fez no deserto; 3° Para nos preparar por meio da penitência para celebrar a festa da Páscoa” (Idem, 36).
Por que se chama dia das Cinzas o primeiro dia da Quaresma? “Chama-se o primeiro dia da Quaresma dia das Cinzas, porque a Igreja impõe naquele dia as cinzas na cabeça dos fiéis” (Idem, 37).A Igreja no-lo indica nas orações recitadas pelos seus ministros: “Deus, que não quereis a morte, mas a conversão dos pecadores tende piedade da fragilidade humana e abençoai estas cinzas que pretendemos colocar sobre a nossa cabeça, como sinal de humildade cristã por nós professada, e em sinal de penitência para obtermos perdão”. É, pois, a penitência que a Igreja nos quer ensinar pela cerimónia deste dia. Já no Antigo Testamento os homens cobriam-se de cinzas para exprimir a sua dor e humilhação (Job 42, 6). Nos primeiros séculos da Igreja, os penitentes públicos apresentavam-se nesse dia ao bispo ou penitenciário, pediam perdão revestidos de um saco; e como sinal da sua contrição, cobriam a cabeça de cinzas. Mas como todos os homens são pecadores, diz Santo Agostinho, estenderam esta cerimónia a todos os fiéis, para lhes recordar o preceito da penitência. Por que é que a Igreja impõe as cinzas no princípio da Quaresma?“A igreja, no princípio da Quaresma, impõe as cinzas para que nós, lembrando-nos de que somos feitos de pó, e de que após a morte nos havemos de reduzir a pó, nos humilhemos e façamos penitência dos nossos pecados, enquanto temos tempo” (Idem, 38).
Entremos nos mesmos sentimentos. Deploremos as nossas faltas ao recebermos das mãos do ministro de Deus as cinzas bentas pelas orações da Igreja. Quando o sacerdote nos disser: “Lembra-te que és pó e em pó te há de tornar”, humilhemos o nosso espírito pelo pensamento da morte, que, reduzindo-nos ao pó, nos porá sob os pés de todos. – Assim dispostos, longe de lisonjearmos o nosso corpo destinado à dissolução, decidir-nos-emos a tratá-lo com dureza, a maltratar o nosso paladar, os nossos olhos, os nossos ouvidos, a nossa língua, todos os sentidos; a observar, o mais possível, o jejum e abstinência que a Igreja nos prescreve.
Com que disposição devemos receber as cinzas?“Devemos receber as cinzas com o coração contrito e humilhado, e com a santa resolução de passar a Quaresma em obras de penitência” (Idem, 39).A Igreja termina a bênção das cinzas por uma exortação aos fiéis: admoesta-nos a não nos contentarmos com sinais externos de penitência, mas a lhe bebermos o espírito e os sentimentos. Jejuemos, diz ela, como o Senhor deseja, mas acompanhemos o jejum com lágrimas de arrependimento, prostremo-nos diante de Deus e deplorando a nossa ingratidão na amargura dos nossos corações. Mas essa contrição, para ser proveitosa, deve ser acompanhada de confiança. Por isso a Igreja acrescenta, a seguir, que o nosso Deus é cheio de bondade e misericórdia, sempre pronto a perdoar-nos. Forte motivo este para esperarmos firmemente a remissão das nossas faltas, se delas nos arrependermos! Deus não despreza jamais um coração contrito e humilhado. Que devemos fazer para passar bem a Quaresma, segundo o espírito da Igreja?“Para passar bem a Quaresma, segundo o espírito da Igreja, devemos fazer quatro coisas:1ª. Observar o jejum e mortificar-nos não só nas coisas ilícitas e perigosas, mas ainda, quanto pudermos, nas coisas lícitas;2ª. Fazer orações, esmolas e outras obras de caridade cristã para com o próximo, mais do que em qualquer outro tempo; 3ª Ouvir a Palavra de Deus, não por mero costume ou curiosidade, mas com o desejo de pôr em prática as verdades que ouvirmos; 4ª Ter grande cuidado em nos prepararmos para a confissão, para tornar mais meritório o jejum, e para nos dispormos melhor para a Comunhão pascal “(Idem, 40).
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O ExercÃcio Quaresmal do JEJUM |
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O Exercício Quaresmal do JEJUM Remédio contra o Pecado
Se a oração atinge o relacionamento do homem com Deus, o jejum celebra-o no seu relacionamento com os bens criados na virtude da esperança.
No seu relacionamento com a natureza criada, o homem é chamado a ser livre, a ser senhor da criação. Acontece porém, que muitas vezes se torna escravo dela. Por isso, a Igreja convida o homem a realizar um gesto de liberdade e de respeito em relação aos bens criados, através do rito do jejum.
O rito do jejum não vale pelo que é, mas pelo que significa. Na acção de comer e de beber é que o homem mais se apropria das coisas. Ele mesmo consome a comida; ele faz com que ela se torne parte de si mesmo. Não só se apodera dela, mas muitas vezes, apoderando-se dela, torna-se escravo dela. Por isso, o alimento e a bebida tornam-se símbolo de tudo quanto envolve o homem.
Jejuar é abastecer-se de um pouco de comida ou bebida. É estabelecer o correcto relacionamento do homem com a natureza criada. A atitude de liberdade e de respeito diante do alimento torna-se símbolo da sua liberdade e respeito para com tudo quanto o envolve e o pode escravizar: bens materiais, qualidades, opiniões, ideias, apegos e assim por diante.
Jejuar significa fazer espaço em si. Fazer espaço para Deus, fazer espaço para o próximo, fazer espaço para os valores que permanecem. Jejuando, a Igreja evoca Cristo jejuando quarenta dias no deserto, Cristo na sua atitude de liberdade e de domínio sobre a natureza e sobre o mal. Evocando-o, torna-o presente hoje.
A Igreja constitui o prolongamento do Cristo livre, do Cristo rei da criação. A Igreja exercita e celebra a atitude de liberdade e respeito diante da natureza durante a Quaresma, para que os cristãos vivam sempre esta atitude de harmonia com a natureza, usando dos bens para o seu crescimento em Deus.
Temos, portanto, um exercício de conversão.
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Entremos no deserto |
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Entremos no deserto
O tempo da Quaresma é a nossa oportunidade de uma caminhada intensa e sincera na vida de conversão. Cada dia é uma luz nova no nosso caminho. A Quaresma é um grande retiro, de quarenta dias, quando a nossa vida passa profundamente marcada pelo jejum, pela penitência e pela oração. É o tempo de entrarmos no deserto, com Cristo, e renovarmos a aliança com o Senhor. Isto é o que faremos solenemente na Vigília Pascal, renovando as promessas batismais. Mas para que cheguemos até lá com esta disposição, supõe-se uma caminhada intensa de conversão.
A Palavra que o Senhor nos dirige logo no Primeiro Domingo é uma séria advertência neste sentido. A leitura do Génesis mostra a ação de Deus que faz aliança com o seu povo: "Eis que vou estabelecer a minha aliança convosco e com todos os seres vivos! Nunca mais criatura alguma será exterminada pelas águas do dilúvio". E, de modo poético, comovente, o Senhor colocou no céu o seu arco, o arco-íris, como sinal de paz, de ponte que liga a criatura ao Criador: "Ponho o meu arco nas nuvens, como sinal de aliança entre mim e a Terra"! Com esta imagem tão sugestiva, a Escritura Sagrada diz que os pensamentos do Senhor em relação a nós são de paz e salvação. Podemos rezar como o Salmista: "Mostrai-me, ó Senhor, os vossos caminhos; sois o Deus da minha salvação! Recordai, Senhor, meu Deus, a vossa ternura e a vossa salvação, que são eternas! O Senhor é piedade e rectidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores"!
Se a aliança após o dilúvio já revelava a benignidade do coração de Deus, é em Cristo que tal bondade, tal misericórdia, tal compaixão se nos revelam totalmente: "Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus"! É este Mistério tão grande que vamos celebrar na Santa Páscoa. Nosso Senhor, morto na sua natureza humana, isto é, morto na carne, foi justificado, ressuscitado pelo Pai no Espírito Santo para nos dar a salvação definitiva, selando connosco a aliança eterna, da qual aquela de Noé era apenas uma prefiguração. Deus nos salvou em Cristo, dando-nos o seu Espírito Santo recebido por nós nas águas do Batismo, que purificam mais do que as do dilúvio! Nunca esqueçamos: fomos lavados, purificados, gerados de novo, no santo Batismo. O dilúvio lavou a antiga humanidade e começou um novo tempo: assim a vida batismal: somos lavados do velho homem para ressurgirmos como novas criaturas, lavados no sangue de Cristo.Somos membros do povo da aliança nova e eterna, somos uma humanidade nova, nascida "não da vontade do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 1,12). Somos o povo santo de Deus, povo resgatado pelo sangue de Cristo, povo que vive no Espírito Santo que o Ressuscitado derramou sobre nós.
Uma grande miséria dos cristãos destes tempos é terem perdido a consciência de que somos um povo sagrado, vivendo entre os outros povos do mundo. Aqueles que crêem em Cristo e nele foram batizados são a sua Igreja, são o povo santo de Deus, congregado no Corpo do Senhor Jesus para formar um só templo santo no Espírito de Cristo! Somos um povo que vive espalhado por toda a Terra, Igreja dispersa pelo mundo inteiro, que deve viver no mundo sem ser do mundo! A nossa miséria é querermos ser como todo mundo, viver como todo mundo, pensar e agir como todo mundo. Isto é trair a nossa vocação de povo sagrado, povo sacerdotal, povo que deve, com a vida e a boca, cantar as maravilhas Daquele que nos chamou das trevas para a sua luz admirável! (2Pd 2,9) Convertamo-nos! Sejamos dignos da nossa vocação! Eis o tempo favorável!
Na Quaresma somos convidados a retomar a consciência de ser este povo santo. E como fazê-lo? Como Jesus, o Santo de Deus, que passou quarenta dias no deserto em combate espiritual, sendo tentado por Satanás. A Quaresma é um tempo de deserto, de provação, de combate espiritual contra Satanás, o Pai da mentira, o enganador da humanidade. Sem combate não há vitória e não há vida cristã de verdade! A Igreja nos dá as armas para o combate: a oração, a penitência e a esmola. A Igreja pede, neste tempo, que combatamos os nossos vícios com mais atenção e empenho; a Igreja recomenda a leitura da Sagrada Escritura e de livros edificantes, que unjam o nosso coração. Entramos no deserto para o encontro com Deus, para aprendermos a combater o maligno e para aprendermos a depender só de Deus.Deixemos a preguiça, cuidemos do combate espiritual! Que cada um programe o que fazer a mais de oração. Há tantas possibilidades: rezar um salmo todos os dias, rezar todo o saltério ao longo da Quaresma, rezar a via-sacra às quartas e sextas-feiras. Quanto à penitência, não enganemos o Senhor! Que cada um tire generosamente algo da comida durante todos os dias da Quaresma (excepto aos domingos); que se abstenha da carne às sextas-feiras, como sempre pediu a tradição ascética da Igreja, que tire também algo das conversas inúteis, dos pensamentos levianos, dos programas de TV tão nocivos à saúde da alma! E a esmola, isto é, a caridade fraterna? Há tanto que se pode fazer: acolher melhor quem bate à nossa porta, aproximar-nos de quem necessita de nossa ajuda, reconciliar-nos com aqueles de quem nos afastamos, visitar os doentes e presos.
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Quaresma, Tempo de Renovação |
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QUARESMA, TEMPO DE RENOVAÇÃO O tempo de Quaresma, ocasião privilegiada de renovação espiritual, deve levar-nos a examinar, antes de mais, o nosso próprio modo de recorrer ao Sacramento da Penitência, nomeadamente, se cumprimos as quatro condições de uma boa Confissão: sério exame de consciência, contrição sincera dos nossos pecados, confissão clara das nossas faltas e satisfação completa da penitência que nos for imposta.Mas há um aspecto da contrição em que talvez convenha insistir. Não nos referimos à clássica distinção entre contrição «perfeita» e «imperfeita», distinção muito importante e que deveríamos explicar com frequência aos fiéis; referimo-nos ao chamado «propósito de emenda».É certo que a contrição implica, por natureza, uma «conversão», isto é, a disposição de não voltar aos pecados confessados e perdoados, conversão que também se diz «metanóia», mudança interior do afastamento de Deus para o cumprimento, doravante, da sua Vontade. Mas quantas vezes até os mais piedosos fiéis se «queixam» de que, apesar do seu empenho, acabam por repetir «as mesmas faltas», sem emenda efectiva, e o confessor tem de consolá-los usando a velha comparação da nossa lavagem diária ou da limpeza periódica da casa…Neste ponto, contudo, devíamos reflectir: é verdade que as paixões e os maus hábitos não desaparecem por encanto, mas o propósito de emenda nalgum resultado prático se há-de traduzir. Porque não? Não será porque limitamos a nossa compunção a um – sincero – desejo de mudança, mas não nos dispomos a mudar as circunstâncias que nos arrastam para a tentação? Um jovem que se arrepende de tomar drogas, mas continua a frequentar os meios onde ela se vende…; alguém que se deixa arrastar pela luxúria, mas continua apegado à «navegação» internética para se «relaxar»…; ou simplesmente um pai que deseja tratar melhor os filhos, mas chega sempre a casa tarde, cansado e mal alimentado…; um piedoso fiel que fez o propósito de rezar o Terço, mas continua a deixá-lo para «antes de se deitar»…«Vinho novo, em odres novos» (cf. Lc 5, 37). A verdadeira contrição, se quer ser eficaz, não se reduz a uma boa disposição interior; exige habitualmente uma «reorganização» da nossa vida quotidiana.Se queremos realmente evitar as nossas fraquezas, faremos o que é óbvio quando adoecemos: diagnosticar ou pedir que nos diagnostiquem a enfermidade. Só depois descobriremos o remédio adequado, que, embora não seja de efeito imediato, algum bom efeito terá. Pois, se nos conformamos com as nossas faltas, sem esperança de melhoras, a compunção não passará de uma pena, do desgosto de «sermos assim». Será mesmo uma autêntica contrição?
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O amor de Deus é sem medida |
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O
amor de Deus é sem medida
O verdadeiro
Cristianismo, que passa pela cruz, mas não pára nela.
O amor de
Deus é sem medida, como diz São Paulo, esse amor é infinito. Mas a pergunta que
devemos fazer é: Quem Deus ama? Porque se Ele tem esse amor todo, com certeza,
é destinado a alguém.
Por vezes, durante o nosso dia, Deus manifesta-se nesse amor incondicional, mas
estamos tão ocupados com outras coisas que ele passa despercebido aos nossos
olhos.
A própria Palavra de Deus ilumina o nosso caminhar e permite que enxerguemos o
projecto de amor d'Ele na nossa vida. Sem o amor nada acontece, por isso o Amor
fez-Se carne e habitou no meio de nós.
Num mundo tão globalizado, onde os sentimentos parecem estar cada vez mais
vazios, o amor também perdeu a sua verdadeira essência e significado. E, muitas
vezes, não conseguimos ter noção do significado de sermos amados por alguém, a
ponto de abrir mão da própria vida para a nossa salvação. E o mais maravilhoso
é que, mesmo conhecendo tudo sobre nós, o Senhor continua a amar-nos. Deus sabe
tudo sobre ti e também sabe que tu precisas de ser salvo.
Não importa o teu passado, as coisas que já fizeste, Ele não olha para o teu
passado, pois sabe que mereces uma segunda chance. O amor do Senhor é sem
medida, a ponto de dar o Seu único Filho para nossa salvação.
Infelizmente, nos dias de hoje, o amor virou comércio. Nós amamos esperando
algo em troca, nunca é um amor gratuito, sempre à espera de algo físico ou
material. Mas, ao contrário disso, Deus ama-te sem esperar nada em troca, Ele
não ama esperando que será amado de volta.
São Paulo diz que nada é mais intenso do que o amor de Deus, nem os nossos
sofrimentos. Mas é fácil reconhecer o amor de Deus nos momentos difíceis?
Infelizmente não, mas é exatamente nessa hora que precisamos de fazer a
experiência com Ele, assim como o filho que busca refúgio no colo do pai.
Nós somos
discípulos da cruz, por isso a nossa fé passa por ela, mas, diferentemente do
que muitos pensam, a nossa fé não pára nela, muito pelo contrário, ela é apenas
o começo. Por isso, em cada um dos sofrimentos que enfrentamos Deus mostra a Sua
face e, através deles, nos faz crescer.
Talvez te seja difícil entender isto hoje, mas é necessário a coragem de mudar
a maneira de ver as nossas dores. O amor do Senhor também se manifesta com a
ajuda do “não”, pois nem tudo o que é bom nos convém.
Muitas vezes, chegamos a Deus com pedidos nobres, rectas intenções, mas mesmo
assim ouvimos um "não" d'Ele. A reacção mais natural nesse momento é revoltarmo-nos
sem tentarmos entender o real motivo da Sua resposta negativa. Talvez Ele
esteja a preparar-nos para um "sim" muito maior que está para vir.
Não pautes a tua experiência com Deus por meio daquilo que podes receber, mas
sim, pelo que estás disposto a doar. Reconhece o Seu amor e abre-te para o
novo, Ele tem um plano de amor maravilhoso para a tua vida. Mas, para o viveres
em plenitude, deves estar disposto a compreender e viver o verdadeiro Cristianismo,
que passa pela cruz, mas não pára nela.
Na
Sexta-feira Santa os católicos não adoram a cruz de material, mas o “Mistério
da Cruz”, isto é, a Cristo que por nós morreu na cruz (Fl 3,18; 1 Cor 1,23).
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Quaresma, Tempo Especial |
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QUARESMA, Tempo Especial
Neste tempo especial de graças que é a Quaresma devemos aproveitar ao máximo para fazermos uma renovação espiritual em nossa vida. O Apóstolo São Paulo insistia: "Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!" (2 Cor 5, 20); "exortamos-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação." (2 Cor 6, 1-2). Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demónio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Daí surgiu a Quaresma.
Na Quarta-Feira de Cinzas, quando ela começa, os sacerdotes colocam um pouquinho de cinzas sobre a cabeça dos fiéis na Missa. O sentido deste gesto é de lembrar que um dia a vida termina neste mundo, "voltamos ao pó" que as cinzas lembram. Por causa do pecado, Deus disse a Adão: "És pó, e ao pó tu hás de tornar". (Gén 2, 19)Este sacramental da Igreja lembra-nos que estamos de passagem por este mundo, e que a vida de verdade, sem fim, começa depois da morte; e que, portanto, devemos viver em função disso. As cinzas humildemente nos lembram que após a morte prestaremos contas de todos os nossos atos, e de todas as graças que recebemos de Deus nesta vida, a começar da própria vida, do tempo, da saúde, dos bens, etc.
Estes quarenta dias, devem ser um tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola ("remédios contra o pecado"). É tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos Santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc.) com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.
Na Oração da Missa de Cinzas a Igreja reza: "Concedei-nos ó Deus todo poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma para que a penitência nos fortaleça contra o espírito do Mal."Sabemos como devemos viver, mas não temos força espiritual para isso. A mortificação fortalece o espírito. Não é a valorização do sacrifício por ele mesmo, e de maneira masoquista, mas pelo fruto de conversão e fortalecimento espiritual que ele traz; é um meio, não um fim.
Quaresma é um tempo de "rever a vida" e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, pornografia, sexismo, gula, ira, inveja, preguiça, mentira, etc.). Enfim, viver o que Jesus recomendou: "Vigiai e orai, porque o espírito é forte mas a carne é fraca".
Embora este seja um tempo de oração e penitência mais profundas, não deve ser um tempo de tristeza, ao contrário, pois a alma fica mais leve e feliz. O prazer é satisfação do corpo, mas a alegria é a satisfação da alma.Santo Agostinho dizia que "o pecador não suporta nem a si mesmo", e que "os teus pecados são a tua tristeza; deixa que a santidade seja a tua alegria". A verdadeira alegria brota no bojo da virtude, da graça; então, a Quaresma nos traz um tempo de paz, alegria e felicidade, porque chegamos mais perto de Deus.
Para isso podemos fazer uma Confissão bem feita; o meio mais eficaz para se livrar do pecado. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20,22) dizendo-lhes: "a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados". Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Jesus quis que nos confessemos com o Sacerdote da Igreja, seu ministro, porque ele também é fraco e humano, e pode nos compreender, orientar e perdoar pela autoridade de Deus. Especialmente aqueles que há muito não se confessam, têm na Quaresma uma graça especial de Deus para se aproximar do Confessor e entregar a Cristo nele representado, as suas misérias.
Uma prática muito salutar que a Igreja nos recomenda durante a Quaresma, uma vez por semana, é fazer o exercício da Via Sacra, na igreja, recordando e meditando a Paixão de Cristo e todo o seu sofrimento para nos salvar. Isto aumenta em nós o amor a Jesus e aos outros.
Não podemos esquecer também que a Santa Missa é a prática de piedade mais importante da fé católica, e que dela devemos participar, se possível, todos os dias da Quaresma. Na Missa estamos diante do Calvário, o mesmo e único Calvário. Sim, não é a repetição do Calvário, nem apenas a sua "lembrança", mas a sua "presentificação"; é a atualização do Sacrifício único de Jesus. A Igreja nos lembra que todas as vezes que participamos bem da Missa, "torna-se presente a nossa redenção".
Assim podemos viver bem a Quaresma e participar bem da Páscoa do Senhor, enriquecendo a nossa alma com as suas graças extraordinárias; podendo ser melhor e viver melhor.
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LIÇÃO DA QUARESMA |
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«O imortal escritor francês Chateaubriand, no seu livro La bonne suffrance, revela as confissões sacrílegas que fez na sua mocidade, como revela também a alegria que inundou a sua alma no dia em que fez uma confissão geral, dizendo corajosamente a sua falta e reparando todas as confissões mal feitas:
«…e gritei: Não, não disse tudo! O confessor abraçou-me a soluçar e disse-me: - Coragem, meu filho, coragem! - Dita a primeira palavra, o resto nada me custou. Eu chorava de alegria. Aquilo era um partilhar da felicidade dos anjos!»
O Padre Matéo acabava de pregar. Vencido pela graça, um dos seus ouvintes faz publicamente esta confissão:
- «Há trinta e nove anos.., aqui dentro.., um sacrilégio! Há trinta e nove anos!».
Quando Deus mostrou a S. João Bosco o inferno, ele viu muitos condenados por causa desta culpa, que lhe foi revelada:
- «Os pecados contra a castidade, confessaram-nos mal ou calaram-nos. Quem tinha quatro ou cinco pecados, disse ter só dois ou três. Alguns cometeram este pecado na sua infância e sempre tiveram vergonha de o confessar, ou confessaram-no mal ou não disseram tudo. E outros não tiveram dor e propósito. Alguns, em vez do exame de consciência, pensavam no modo de enganar o confessor. E quem morre com tal resolução, decide ser réprobo por toda a eternidade».
- Como nós compreendemos toda a ânsia do Coração de Jesus, dirigindo-nos a todos o mesmo pedido que dirigia a S. Jerónimo na gruta de Belém:
- Jerónimo, dá-me os teus pecados!”.
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Confessar-se para quê ? |
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É comum encontrarmos dificuldades em nos recordar dos nossos pecados
O orgulho leva-nos à falsa convicção de que não temos pecados. Devemos ter a humildade de reconhecer as nossas faltas e de as confessar ao sacerdote. Não raras vezes é comum encontrarmos dificuldades em nos recordar dos pecados cometidos. Por ser um facto frequente, leia os Mandamentos da Lei de Deus e siga o roteiro abaixo descrito, o qual servirá como um verdadeiro auxílio para a revisão de vida:
EXAME DE CONSCIÊNCIA (com base nos 10 Mandamentos)
1º. Amar a Deus sobre todas as coisas.
- Tive vergonha de testemunhar o meu amor a Deus;
- Fui relaxado e não cultivei a minha união com Deus. Não fiz a leitura e meditação da Palavra;
- Revoltei-me contra Deus nas horas difíceis. Alimentei superstições;
- Durante o dia nunca ou raramente dirijo o pensamento a Deus. Faltei à oração de cada dia;
- Duvidei da presença de Deus na minha vida? Não alimentei a minha fé;
- Não fui fiel à oração com a minha esposa-esposo e filhos?
2º. Não invocar o nome de Deus em vão.
- Jurei falsamente ou jurei desnecessariamente;
- Usei o Nome de Deus ou símbolos religiosos sem o devido respeito;
- Busquei a Deus e a Igreja somente nas horas de necessidade?
3º. Guardar os Domingos e dias Santos.
- Faltei à Missa aos Domingos e dias Santos por preguiça, por conveniência;
- Vivi o meu Domingo para comer, beber, dormir e ver televisão;
- Sem precisar, entreguei-me ao trabalho aos Domingos;
- Obriguei os meus funcionários ao trabalho aos Domingos;
- Não usei dos Domingos para estar com a minha família, para visitar alguém?
4º. Honrar pai e mãe.
- Agredi o meu pai ou a minha mãe com palavras, gestos, atitudes;
- Descuidei-me deles na hora da doença ou na velhice;
- Não procurei ser compreensivo com eles;
- Deixei passar longo tempo sem os visitar;
- Por orgulho, tive vergonha dos meus pais?
5º. Não matar.
- Pratiquei o aborto, fui cúmplice ou apoiei alguém que abortou;
- Usei drogas, fui além dos limites na bebida alcoólica e no cigarro;
- Não cuidei da minha saúde ou da saúde das pessoas que dependem de mim;
- Feri as pessoas com olhar, ou as agredi fisicamente ou grosseiramente;
- Alimentei desejos de vingança, ódio, revoltas e desejei mal aos outros;
- Neguei o perdão a alguém;
- Não gastei, ao menos um pouquinho do meu dinheiro, para ajudar os necessitados;
- Pensei ou tentei o suicídio;
- Fui racista e preconceituoso, ou não combati o racismo e os preconceitos?
6º. Não pecar contra a castidade.
- Descuidei-me em lutar pela minha santificação;
- Não disciplinei os meus sentidos, instintos, vontade;
- Dei espaço à sensualidade, erotismo, pornografia;
- Gastei tempo e dinheiro com filmes, revistas, espectáculos e sites da internet desonestos;
- Caí na masturbação;
- Assediei alguma pessoa, induzi alguém ao pecado;
- Vesti-me de maneira provocante;
- Entrei na casa do Senhor com trajes inadequados;
- Fui malicioso em minhas relações de amizade?
7º. Não furtar.
- Aceitei ou comprei algo que foi roubado;
- Estraguei bens públicos ou de outras pessoas;
- Desperdicei dinheiro em jogos, bebidas e diversões desonestas;
- Prejudiquei alguém, usando de pesos e medidas falsas, enganando nas mercadorias e negócios;
- Explorei alguma pessoa ou não paguei o justo salário;
- Não administrei bem os meus bens e deixei de pagar as minhas dívidas?
8º. Não levantar falso testemunho.
- Envolvi-me em mentiras, difamações, calúnias, maus comentários, fiz mau juízo dos outros;
- Fingi doença ou piedade para enganar os outros;
- Desprezei pessoas simples, pobres e idosas, deficientes físicos ou mentais;
- Dei maus exemplos contra a Religião, na família, na escola, na rua, no trabalho?
9º. Não cobiçar a mulher do próximo.
- Alimentei fantasias desonestas, envolvendo outras pessoas;
- Deixei de valorizar o meu cônjuge;
- Pratiquei adultério (uniões sexuais antes ou fora do casamento);
- Não soube desenvolver um namoro maduro e responsável, enganando a (o) namorada (o);
- Não fugi das ocasiões ou lugares próximos do pecado?
10º. Não cobiçar as coisas alheias.
- Tenho sido invejoso;
- Apoiei movimentos políticos que se organizam com o fim de invadir e tomar as propriedades alheias;
- Violei segredos, usei de mentiras, ou não tenho combatido o egoísmo;
- Sou dominador, não aceitando a opinião ou sucesso dos outros;
- Fico descontente ou com raiva diante da prosperidade material e financeira do meu próximo?
Catecismo da Igreja Católica
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Via Sacra |
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PROMESSAS DE JESUS AOS DEVOTOS DA VIA SACRA
Na idade de 18 anos, um jovem espanhol, chamado Estanislau, ingressou no noviciado, na vida religiosa, este jovem fez os votos de religião que são: O cumprimento dos regramentos; avançar na perfeição cristã e alcançar o amor puro. O mês de Outubro de 1926, este irmão se ofereceu a Jesus por intermédio de Maria Santíssima.
Pouco depois de ter feito esta doação heróica de si mesmo, o jovem religioso ficou doente e foi obrigado a descansar. Morreu santamente no mês de março, 1927. Segundo o mestre de noviços, este religioso era uma alma escolhida de Deus; e que recebia mensagens do Céu. Os confessores do jovem, assim como os teólogos, reconheceram estes feitos sobrenaturais. O director espiritual do irmão Estanislau lhe havia ordenado escrever todas as promessas transmitidas por Nosso Senhor. Isto seria para o bem espiritual dos que fossem devotos da Via Crucis.
Eis as promessas do Senhor Jesus Cristo:
1) Tudo o que se pedir durante a Via Sacra será atendido.
2) Prometo a vida eterna a todos que com devoção rezarem a Via Sacra muitas vezes.
3) Estarei com eles durante a sua vida e os socorrerei na hora da morte de modo especial.
4) Mesmo se alguém tiver pecado mais do que as ervas dos prados e mais do que a areia na beira do mar, por meio da oração da Via Sacra tudo será apagado. Esta promessa, porém, não exclui o dever de confessar os pecados graves, de modo especial antes da sagrada Comunhão.
5) Os que frequentemente rezarem a Via Sacra receberão uma glória especial no céu.
6) Livrá-los-ei do Purgatório se lá estiverem, e isto, na primeira terça-feira ou primeira sexta-feira após a sua morte.
7) A Minha bênção estará com eles cada vez que rezarem a Via Sacra e a Minha bênção estará com eles na morte, no céu e na eternidade.
8) Na hora da morte não permitirei que o demónio os tente. Empregarei todas as Minhas forças para que repousem nos Meus braços.
9) Se rezarem a Via Sacra com amor, farei de cada um deles um cibório vivo, onde com alegria derramarei as Minhas Graças.
10) Fitarei com os Meus olhos aqueles que rezarem frequentemente a Via Sacra. Os Meus braços estão sempre estendidos para os proteger.
11) Como estou pregado na Cruz, assim sempre estarei com aqueles que Me honrarem rezando a Via Sacra.
12) Já não mais poderão separar-se de Mim, pois comunicar-lhes-ei a graça de ficarem preservados de todo o pecado grave.
13) Na hora da morte consolá-los-ei com a Minha presença e juntos iremos para o céu. Para os que frequentemente rezarem a Via Sacra, a morte será suave.
14) A Minha Alma será para eles um manto protector; virei sempre em seu socorro, para que encontrem em Mim repouso.
"São poucas as almas que contemplam a Minha Paixão com um verdadeiro afecto. Concedo as graças mais abundantes às almas que meditam piedosamente sobre a Minha Paixão."
"Às três horas da tarde implora à Minha Misericórdia, especialmente pelos pecadores, e, ao menos por um breve tempo, reflecte sobre a Minha Paixão... Esta é a hora de grande Misericórdia para o mundo inteiro...
Nessa hora nada negarei à alma que Me pedir em nome da Minha Paixão."
"Procura rezar nessa hora a Via-Sacra, na medida em que te permitirem os teus deveres."
Jesus à Irmã Faustina
I Estação
1ª. ESTAÇÃO: JESUS É CONDENADO À MORTE
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: “Pilatos perguntou: ‘Que farei com Jesus, que é chamado o Cristo?’. Todos gritaram: ‘Seja crucificado!’. Pilatos disse: ‘Mas, que mal fez ele?’. Eles, porém, gritaram com mais força: “Seja crucificado!” Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: ‘Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. A responsabilidade é vossa!’O povo todo respondeu: ‘Que o sangue dele recaia sobre nós e sobre os nossos filhos’. Então Pilatos soltou Barrabás, mandou açoitar Jesus e entregou-o para ser crucificado”. (Mt 27,22-26)
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
A morrer crucificado
teu Jesus é condenado
por teus crimes, pecador (bis).
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
II Estação
2ª. ESTAÇÃO: JESUS CARREGA A CRUZ
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: “Pilatos, então, entregou-lhes Jesus para ser crucificado. Eles tomaram conta de Jesus. Carregando a sua cruz, ele saiu para o lugar chamado Calvário (em hebraico: Gólgota). Lá O crucificaram com outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio.” (Jo 19,16-18)
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
Com a cruz é carregado,
e do peso acabrunhado,
vai morrer por teu amor. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
III Estação
3ª. ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do livro do profeta Isaías: “De tal forma ele já nem parecia gente, tanto havia perdido a aparência humana, que muitos se horrorizaram com ele, assim também causará surpresa à multidão das nações. Por sua causa, reis levarão a mão à boca, pois estarão vendo coisas que ninguém jamais lhes tinham contado, das quais nunca ouviram falar” (Is 52,14-15).
Pai Nosso...Ave Maria...Glória ao Pai...
Pela cruz tão oprimido,
cai Jesus desfalecido,
pela tua salvação. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
IV Estação
4ª. ESTAÇÃO: JESUS ENCONTRA-SE COM SUA MÃE MARIA
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: “Simeão disse a Maria, a mãe de Jesus: ‘Este menino será causa da queda e de ressurgimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição – uma espada trespassará a tua alma! – e assim serão revelados os pensamentos de muitos corações” (Lc 2,34-35).
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai..
De Maria lacrimosa,
no encontro lastimosa
vê a imensa compaixão. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
V Estação
5ª. ESTAÇÃO: SIMÃO CIRINEU AJUDA A JESUS A CARREGAR A CRUZ
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: “Enquanto levavam Jesus, chamaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo e mandaram-no carregar a cruz de Jesus. Seguia-o uma grande multidão do povo” (Lc 23,26-27)
Pai Nosso...Ave Maria...Glória ao Pai..
Em extremo desmaiado,
deve auxílio tão cansado,
receber do Cireneu. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
VI Estação
6ª. ESTAÇÃO: A VERÓNICA ENXUGA A FACE DE JESUS
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do livro do profeta Isaías: “Não fazia vista, nem tinha beleza a atrair o olhar, não tinha aparência que agradasse. Era o mais desprezado e abandonado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem se desvia o olhar” (Is 53,2-4).
Pai Nosso...Ave Maria...Glória ao Pai…
O Seu rosto ensanguentado,
pela Verónica enxugado,
eis no pano apareceu (bis).
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
VII Estação
7ª ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do livro do profeta Isaías: “Era o mais desprezado e abandonado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem a gente desvia o olhar, repelente, dele nem tomamos conhecimento” (Is 53,3).
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai…
Outra vez desfalecido,
pelas dores abatido,
cai por terra o Salvador (bis).
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
VIII Estação
8ª ESTAÇÃO: JESUS CONSOLA AS FILHAS DE JERUSALÉM
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: “Seguia-o uma grande multidão do povo, bem como de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. Jesus, porem, voltou-se para elas e disse: ‘Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! Porque dias virão em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que nunca deram à luz e os seis que nunca amamentarem...’” (Lc 23,27-29).
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
Das mulheres piedosas,
de Sião filhas chorosas,
és Jesus consolador. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
IX Estação
9ª ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do livro do profeta Isaías: “Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores, que levava às costas. E a gente achava que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e massacrado” (Is 53,4).
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai…
Cai terceira vez prostrado,
pelo peso redobrado,
dos pecados e da cruz. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
X Estação
10ª ESTAÇÃO: JESUS É DESPOJADO DAS SUAS VESTES
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: “Depois que crucificaram Jesus, os soldados pegaram nas suas vestes e dividiram-nas em quatro partes, uma para cada soldado. A túnica era feita sem costura, uma peça só de cima em baixo. E combinaram: ‘Não vamos rasgar a túnica. Vamos tirar sortes para ver de quem será’. Assim cumpriu-se a Escritura: ‘Repartiram entre si as minhas vestes e tiraram à sorte sobre minha túnica’” (Jo 19,23-24).
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai…
Dos vestidos despojado,
por algozes maltratados,
eu vos vejo meu Jesus. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
XI Estação
11ª ESTAÇÃO: JESUS É PREGADO NA CRUZ
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galileia, se mantinham à distância, olhando essas coisas.” (Lc 23,33.49)
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai…
Sois por mim na cruz pregado,
insultado, blasfemado,
com cegueira e com furor. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
XII Estação
12ª ESTAÇÃO: JESUS MORRE NA CRUZ
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: “Jesus deu um forte grito: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito’. Dizendo isto, expirou. O centurião, vendo o que acontecera, glorificou a Deus dizendo: ‘Realmente! Este homem era justo!’. E as multidões que tinham acorrido para assistir à cena, viram o que tinha acontecido e foram embora, batendo no peito” (Lc 23, 46-48).
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai…
Por meus crimes padecestes,
meu Jesus por mim morrestes,
como é grande a minha dor. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
XIII Estação
13ª ESTAÇÃO: JESUS É DESCIDO DA CRUZ E SUA MÃE RECEBE-O EM SEUS BRAÇOS
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: “Junto à cruz de Jesus, estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’ A partir daquela hora, o discípulo acolheu-a em sua casa”. (Jo 19,25-27).
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai…
Do madeiro vos tiraram,
e a mãe os entregaram
com que dor e compaixão. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
XIV Estação
14ª ESTAÇÃO: JESUS É DEPOSITADO NO SEPULCRO
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: “Havia um homem bom e justo, chamado José, membro do sinédrio, o qual não tinha aprovado a decisão nem a acção dos outros membros. Ele era da Arimateia, uma cidade da Judeia, e esperava a vinda do Reino de Deus. José foi ter com Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Desceu o corpo da cruz, enrolou-o num lençol e colocou-o num túmulo escavado na rocha, onde ninguém ainda tinha sido sepultado” (Lc 23,50-53)
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai…
No sepulcro vos deixaram,
sepultado vos choraram
magoado coração. (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)
XV Estação
JESUS RESSUSCITOU
Dirigente: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
Todos: Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!
Leitor(a): Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: “Em verdade, em verdade, vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto” (Jo 12,24).
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai…
Meu Jesus por vossos passos,
recebei em vossos braços
a mim, pobre pecador (bis)
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus. (bis)

ORAÇÃO FINAL:
Pai eterno, que enviastes o Vosso Filho Jesus para socorrer a humanidade, morrendo na cruz, fazei com que por esta cruz e pelos sofrimentos de Cristo, a humanidade encontre sempre o auxílio e o socorro de que tanto necessita e a verdadeira protecção que vem de Vós. Por nosso Senhor Jesus Cristo...
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VIA SACRA |
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Oração Inicial
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
R. Amen.
Irmãos e irmãs,
aqui reunidos, somos convidados a meditar
a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Ele uniram-se muitas gerações
de mártires ao longo dos séculos.
Inclinemo-nos com respeito e veneração
perante as testemunhas de todos os tempos
e de cada lugar
e peçamos a sua intercessão
para sermos também fortes na fé
e generosos no seguimento de Jesus Cristo.
Reunindo aqui connosco,
num abraço de caridade sem confins,
todos os homens que vivem e
sofrem hoje sobre a terra,
percorramos juntos o caminho da cruz,
para chegar a contemplar com o olhar da fé
a vitória da alegria sobre a angústia,
do Amor sobre o ódio,
da Vida sobre a morte.
Breve pausa de silêncio.
Rezemos.
Ó Pai, que nos amaste
até sacrificar o Teu Dilectíssimo Filho,
enche-nos do Teu Santo Espírito:
Faz de nós verdadeiros discípulos de Cristo
experimentados na sabedoria da cruz
e alegres na esperança da salvação eterna.
Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor.
R. Amen.
Primeira Estação
Jesus é condenado à morte
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Disse-lhes Pilatos: "Que hei-de fazer então de Jesus chamado Cristo?". Eles responderam: "Seja crucificado!". E ele acrescentou: "Mas que mal fez Ele?". Eles então gritaram mais forte: "Seja crucificado!". Então soltou-lhes Barrabás e, depois de ter feito flagelar Jesus, entregou-O aos soldados para que fosse crucificado (Mt 27,22-23.26)
Meditação
«Seja crucificado!»
Senhor Jesus, este grito de condenação, este berro desumano, continua a levantar-se contra Ti de uma multidão concitada, irresponsável, sugestionada e alucinada pelo mal. Não é a Ti, que agora és o Eterno Vivente, mas a si próprio que o homem se condena à morte, quando não se importa que a injustiça prevaleça, quando escolhe a violência e a corrupção, quando esmaga o pequeno e o inocente e despreza a própria dignidade humana como escória que deita no lixo.
Pelo Teu silêncio de humildade e de amor
e pelo profundo sofrimento de Maria Tua Mãe,
Senhor Jesus, tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
escuta a nossa oração,
dá-nos a graça
de imitarmos a Paixão do Teu Filho,
afim de levarmos
com fortaleza e serenidade
a nossa cruz quotidiana.
Amen.
Estava a Mãe dolorosa,
junto da cruz, lacrimosa,
Enquanto Jesus sofria.
Segunda Estação
Jesus toma a cruz aos ombros
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Então os soldados do governador, levando Jesus para o Pretório, reuniram toda a corte. Despiram-n'O e puseram-Lhe uma capa escarlate e, tecendo, uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e uma cana na mão direita; e depois, enquanto se ajoelhavam diante d'Ele, faziam troça, dizendo: "Salve, rei dos judeus!". E cuspindo n'Ele, tiraram-Lhe a cana e batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois, despiram-Lhe a capa escarlate, vestiram-n'O com as suas vestes e levaram-n'O para 0 crucificar (Mt 27,27-31).
Meditação
Jesus, Nosso Senhor, toda a Tua vida sobre a terra foi um caminho de humilhação e de cruz. Foi para carregar o madeiro do suplício que na humildade de Nazaré Te aperfeiçoaste no trabalho diário e depois, indo pelas cidades e aldeias, levaste aos pobres o anúncio do Reino dos céus, o Teu Reino, que não é deste mundo. A tua carga, Senhor, somos nós, nós, duros de coração e lentos de entendimento, somos nós, sempre que atribuímos aos outros o peso da nossa falsa consciência, sempre que em face da pobreza e dos gritos de socorro ficamos parados, como cativos da nossa cobardia.
Ó bom Pastor, que ainda carregas
sobre os Teus sagrados ombros
toda a humanidade, qual ovelha perdida,
tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
que pela Tua grande bondade,
foste conduzido ao suplício
da cruz para a redenção do mundo,
pedimos-Te
que perdoes a nossa falta de solidariedade para
com os sofrimentos dos irmãos
e a pouca aceitação dos nossos limites.
Amen.
Uma longa e fria espada,
Nessa hora atribulada,
O seu coração feria.
Terceira Estação
Jesus cai pela primeira vez
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Ele carregou os nossos sofrimentos, tomou sobre Si as nossas dores como alguém que merece castigo, e é ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado pelos nossos delitos, esmagado pelas nossas iniquidades. O castigo que nos dá a salvação, caiu sobre Ele; por Suas feridas nós fomos curados. Todos nós andávamos errantes como um rebanho, seguindo cada qual o seu caminho; O Senhor fez cair sobre Ele a nossa iniquidade (Is 53,4-6).
Meditação
As Tuas quedas, Senhor Jesus, são um mistério de compaixão para connosco: foi na nossa fraqueza humana que Tu quiseste padecer. "O espírito está pronto - disseste mas a carne é fraca". Tu, Deus-Forte, caíste sob o peso da cruz para que cada homem reconheça a sua fraqueza e não confie em si mesmo, mas encontre na Tua graça a força para se levantar e retomar o caminho carregando atrás de Ti a sua cruz. Tu estás sempre onde e quando o homem desfalece; é com infinita misericórdia que o tomas nos braços para que não caia sobre as pedras da rua, mas se agarre a Ti, Rocha de salvação.
Jesus, Filho de Deus, que carregaste sobre Ti
toda a fraqueza do homem,
tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
concede aos Teus fiéis a sabedoria da cruz,
para que assim como Tu carregaste toda a
fraqueza humana, saibamos também nós levantar-nos
das nossas quedas para cumprirmos generosamente a Tua vontade,
levando a nossa cruz de cada dia.
Amen.
Oh! quão triste e quão aflita,
Padecia a Mãe bendita,
Entre blasfémias e pragas.
Quarta Estação
Jesus encontra a sua mãe
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Simeão disse a Maria, sua mãe: "Eis que este menino vai ser motivo de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição, para que se revelem os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada trespassará a tua alma". Sua mãe conservava todas estas coisas em seu coração (Lc 2,34-35.51).
Diz o Senhor:
"Cessem o teu pranto e as lágrimas dos teus olhos,
porque existe uma recompensa para as tuas penas" (Jr 31,16).
Meditação
Senhor Jesus, ao longo do caminho da cruz, na hora da solidão e do abandono, não podia faltar ela, a Tua Mãe. Desde a Tua infância que trazia no coração a ferida profunda daquela palavra e guardava-a em silêncio porque, nela a dor também era virgem. Que não falte nunca, a nenhum homem que sofre, um coração de mãe atenta e piedosa, uma presença de ternura e de consolação. Possa cada filho reconhecer a mãe, e cada mãe acompanhar o filho no difícil caminho da vida numa fidelidade que jamais desista, mesmo diante do sacrifício extremo.
Ó Jesus, Filho da Bendita
entre todas as mulheres,
pelo amor e pela dor da Tua Mãe,
tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Ó Maria,
a ti elevamos a nossa oração por todas as mães que sofrem pelos filhos
que um dia geraram; e que hoje muitos deles estão envolvidos na droga,
no sexo e na violência.
Amen.
Ao olhar o Filho Amado,
De pés e braços pregado,
Sangrando das Cinco Chagas!
Quinta Estação
Jesus é ajudado por Simão de Cirene
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, de nome Simão e obrigaram-no a carregar a cruz de Jesus (Mt 27,32).
Jesus disse aos Seus discípulos: "Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me" (Mt 16,24).
Meditação
Senhor Jesus, o Teu convite é muito exigente! Nós desejaríamos seguir-Te no caminho da Vida, e o Teu desejo é ver-nos passar pelo caminho da morte! E aqui que deparamos com as nossas cobardias e os nossos medos. Para evitar o encontro com a realidade da cruz, nós, de coração endurecido, trocamos de caminho e fechamos os olhos aos Teus sofrimentos que continuam vivos, no corpo e na alma dos nossos irmãos. Também nós, como Simão de Cirene, precisamos que alguém nos incite a carregar, com amor, a cruz dos outros. Só assim será possível experimentar a grande força de, em conjunto e com uma fé indomável, enfrentar as múltiplas provações da vida.
Jesus, Deus Forte, que Te fizeste fraco
a ponto de recorrer à ajuda do homem,
tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
ensina-nos a levar a Tua cruz, juntamente
com cada homem que sofre e que pões
no nosso caminho.
Opera em nós a conversão do coração.
Amen.
Quem é que não choraria,
Ao ver a Virgem Maria,
Rasgada em seu coração.
Sexta Estação
Verónica enxuga o rosto de Jesus
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Não tem aparência nem beleza para atrair o nosso olhar, nem simpatia que nos leve a apreciá-l'O. Desprezado e rejeitado por todos, homem das dores, familiarizado com o sofrimento; como alguém diante do qual se esconde o rosto... (Is 53,23).
Oiço o meu coração dizer:
"Procurai a Minha face"; a Tua face, Senhor, eu procuro. Não me escondas a Tua face! (SI 27,8-9) .
Meditação
Nenhum semblante é mais formoso que o Teu, Senhor Jesus, que vieste mostrar o resplendor da glória do Pai. Todavia, no caminho da cruz, desfigurado pela fealdade dos nossos pecados, nem sequer tinhas o aspecto de homem. Foi, então, que ela pôs em Ti os olhos do coração; foi ela, a piedosa Verónica, que Te enxugou a face ensanguentada; e Tu presenteaste-a, deixando-a no véu, cheia de fascinação e de inefável mistério. Aquele gesto de viril coragem e feminil gentileza foi como que a revelação da Tua identidade, ó Cristo, Filho de Deus! Que na nossa sociedade em que todo o sentimento puro e delicado é pisado e feito objecto vulgar e desprezado, a mulher seja ainda e sempre, ó Senhor, um suplemento de graça e de bondade, um sagrado ícone do qual irradie a Tua divina e consoladora beleza.
Senhor, doce face do Servo sofredor, tem piedade de nós.
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
conforto dos aflitos, sustento dos atribulados,
ouve o grito da Humanidade
que sofre, afim de que todos se alegrem
por haverem recebido o socorro da Tua misericórdia
nas suas necessidades.
Amen.
Sem poder, em tal momento,
Conter as fúrias do vento
e os ódios da multidão!
Sétima Estação
Jesus cai pela segunda vez
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Eu sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do seu furor. Ele me guiou e me fez andar nas trevas e não na luz... Murou os meus caminhos com pedras lavradas, obstruiu as minhas veredas... Ele quebrou os meus dentes com cascalho estendeu-me na cinza (Lm 3,1-2.9.16).
Não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas enfermidades, pois Ele mesmo foi provado em tudo como nós, excepto no pecado (Hb 4,15).
Meditação
A primeira queda de alguém pode provocar sentimentos de compaixão e de compreensão, a recaída, pelo contrário, provoca muitas vezes escândalo e indignação. Ó Jesus, homem das dores, quem poderá conhecer o mistério de humildade escondido no Teu desfalecimento repetido ao longo do caminho? Na verdade Tu quiseste ser provado em todas as coisas como nós, excepto no pecado. Próprio do amor que Te levou a revestires-Te das nossas enfermidades, tornaste-Te para nós fortaleza e escudo contra os assaltos contínuos do mal. Cairemos, sim, cairemos talvez ainda muitas vezes debaixo do açoite da tentação, mas Tu, Senhor, sustentar-nos-ás, e far-nos-ás caminhar novamente de cabeça levantada, como participes da Tua dignidade real.
Ó Cristo, Bom Samaritano,
piedosamente debruçado sobre as nossas feridas,
tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
volta para nós o Teu olhar,
somos oprimidos com o peso dos nossos pecados,
mas pela Tua grande misericórdia perdoa-nos,
e concede-nos a graça de Te servirmos com liberdade de espírito.
Amen.
Firme e heróica no seu posto,
Viu Jesus, pendendo o rosto,
Soltar o alento final.
Oitava Estação
Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Grita do teu coração ao Senhor, ó virgem, filha de Sião; faz derramar como torrente as tuas lágrimas... levanta para Ele as mãos pela vida dos teus amados filhos que morrem de fome em cada esquina da rua (Lm 2,18.19).
Grande multidão O seguia, e as mulheres batiam no peito e lamentavam-se por causa d'Ele. Jesus, porém, voltando-Se para as mulheres, disse: "Filhas de Jerusalém, não choreis sobre Mim, mas antes sobre vós mesmas e sobre os vossos filhos. Dias virão em que se dirá: Felizes as estéreis cujas entranhas nunca deram à luz e cujos seios nunca amamentaram. Pois se tratam assim o lenho verde, o que acontecerá com o seco?" (Lc 23,27-29.31).
Meditação
Ó Jesus, um dia, uma mulher derramou sobre os Teus pés lágrimas de amor e de arrependimento. Ainda uma mulher - e se chamava Maria -durante uma última ceia havia derramado sobre a Tua cabeça perfume de nardo puríssimo... E agora são as "filhas de Jerusalém", que, a chorar, vêm ao Teu encontro; são mulheres da estirpe de Raquel, para lançar sobre Ti a amarga lamentação. Sim é muito justo que Tu sejas chorado como um filho primogénito, o mais querido, destinado à morte. Mas Tu as convidas a chorar sobre a sua sorte de mães aflitas, de mães despojadas como árvores de fruto atacadas pelo turbilhão. São uma multidão, estas mulheres, sobre a terra... Choram, sim, são mães que choram sobre esta hora trágica da história, mulheres que no Teu e no seio de Tua Mãe derramam o rio das suas lágrimas, para que cada dor tenha a sua compaixão, a graça do amor que redime.
Senhor Jesus,
Primogénito entre muitos irmãos,
tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
que preferes a misericórdia ao sacrifício,
pedimos-Te por todas as mulheres da nossa sociedade,
que são tantas vezes despojadas da sua dignidade humana, e que vertem tantas lágrimas incompreendidas. Amen.
Sobre o ódio que O matava,
fostes o amor, que adorava,
o Filho três vezes santo.
Nona Estação
Jesus cai pela terceira vez
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
É bom que o homem carregue o seu jugo desde a juventude. Que esteja sozinho e fique calado, quando a desgraça cai sobre ele; que ponha a sua boca no pó; talvez haja esperança; que dê a cara a quem o fere até se fartar de insultos, porque o Senhor não o rejeitará para sempre... Embora castigue, também terá piedade segundo a Sua grande misericórdia (Lm 3,27-32) .
Vinde a Mim, vós todos que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração (Mt 11,28-29).
Meditação
Senhor Jesus, no estrondo da terceira queda reconhecemos a miséria das nossas presunções. Tu queres ensinar-nos a esperar a salvação somente em Deus nosso Pai. O Teu silêncio de humildade e o Teu manso padecer fazem-nos perceber o segredo da força interior que impele para a frente no Teu caminho de obediência filial. Possa esta Tua força de amor comunicar-se ao coração de cada homem abatido sob os golpes da provação; ao coração de cada jovem preso nas garras da alienação... Seja quebrado o jugo de toda a escravidão e, reconfortados pelo Teu perdão, todos os homens possam aliviar-se na fonte viva do Teu Amor eterno.
Jesus, nossa força e nossa salvação,
tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
sustenta a nossa fraqueza com a força da Tua misericórdia,
faz-nos humildes para enfrentarmos com
coragem e ânimo as nossas quedas
e recomeçarmos de novo o caminho que Tu mesmo nos indicas.
Amen.
Maria, fonte de amor,
Fazei que, na vossa dor,
Convosco eu chore também.
Décima Estação
Jesus é despojado das suas vestes
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Chegados a um lugar chamado Gólgota... deram-Lhe a beber vinho misturado com fel... (Mt 27,33-34)
Depois de crucificarem Jesus, os soldados dividiram em quatro as suas vestes, ficando cada um com a sua parte. Deixaram de lado a túnica. Era uma peça única e sem costura. Por isso disseram entre si: "Não a rasguemos, mas tiremo-la à sorte para ver com quem fica". Assim se cumpria a Escritura: "Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica" (Jo 19,23-24).
Meditação
Entraste no mundo despojando-Te da Tua glória de Filho de Deus, para nascer filho do homem. Nesta hora tão decisiva da história, a Tua humanidade continua a ser despojada por mãos profanas... O Teu corpo, que tomou forma igual à nossa no seio imaculado da Virgem, é desnudado e feito objecto de irreverência e de vulgaridade. Contudo, Tu eras Rei, Tu eras o único Senhor do mundo! Ver-Te é o mesmo que ver a luz, tocar-Te é como sentir o fogo. Como ousaremos olhar-Te, nós que Te lançámos em cima o barro do nosso pecado? Carregando sobre Ti a nossa vergonha, Tu nos revestes da Tua santidade. A Tua túnica, de uma só peça, é a veste nupcial que dás à Tua queridíssima Igreja.
Por todas as nossas divisões,
Senhor Jesus, tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
que salvas os pecadores e os chamas à Tua amizade,
olha para os nossos corações,
dá-nos o fervor do Teu Espírito, afim de sermos
perseverantes na fé e fervorosos na caridade.
Amen.
Fazei que o meu coração,
Seja todo gratidão,
A Cristo, de quem sois Mãe.
Décima Primeira Estação
Jesus é pregado na cruz
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Depois de O crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. E ficaram ali sentados a guardá-l'O. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus". Com Ele foram crucificados dois ladrões, um à direita, outro à esquerda. E os que passavam perto, injuriavam-n'O, meneando a cabeça e dizendo: "... Se Tu és o Filho de Deus, desce da cruz!".
Também os chefes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos caçoavam d'Ele: "Salvou os outros, e não pode salvar-Se a Si mesmo. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n'Ele (Mt 27,35-42).
Meditação
Como videira viçosa que a tempestade despojou dos seus ramos verdes, assim Tu, pregado no madeiro da cruz, Te converteste no drama entre o céu e a terra. O Teu corpo estendido em dimensão cósmica é a expressão absoluta do dom e do acolhimento. O velho inimigo está todavia ali, pontualmente, para desferir o último e desesperado ataque. < Desce...! Salva-Te a Ti mesmo!". Senhor Jesus, se Tu tivesses descido da cruz todos nós estaríamos perdidos; se Tu tivesses manifestado o Teu poder divino, não teria brotado sobre o mundo o rio de graça que regenera os crentes para a nova vida.
Abençoado aquele madeiro por meio do qual Tu mesmo Te pregaste à vontade do Pai para salvação da humanidade inteira!
Por todas as nossas cobardias e desobediências,
Senhor, tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
que, deste ao ladrão no calvário a graça de passar da cruz à glória do Teu Reino.
Aceita a humilde confissão dos nossos pecados,
e na hora da nossa morte abre-nos também as portas do paraíso.
Amen.
Do vosso olhar vem a luz,
Que me leva a ver Jesus,
Na Sua imensa agonia.
Décima Segunda Estação
Jesus morre na cruz
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
A Mãe de Jesus, a irmã de Sua Mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena estavam junto à cruz. Jesus, vendo a Sua Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à Mãe: "Mulher, eis o teu filho!". Depois disse ao discípulo: "Eis a tua Mãe!" (Jo 19,25-27).
Desde o meio-dia até às três horas da tarde fez-se escuridão em toda a terra. Pelas três horas, Jesus deu um grande grito: "Eli, Eli, lamá sabactâni?", que significa: "Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?"... E Jesus, dando um grande grito, entregou o espírito (Mt 27,45-46.50).
Meditação
O poder das trevas parece prevalecer: Tu, Homem-Deus, tragicamente sozinho, suspenso entre o céu e a terra, és o árbitro da história. Esta é a hora "zero". O Teu grito de morte rasga a atmosfera cinzenta do tempo e ganha para nós o limiar resplandecente da vida eterna. O Teu derradeiro suspiro confiando-Te nas mãos do Pai, torna-se o grito de regozijo no coração da Mãe Igreja, pelo nascimento do homem novo. Grande é este mistério! E Maria, Tua-nossa Mãe, lá está, junto à cruz, envolta na sabedoria do silêncio.
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo,
tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Senhor Jesus,
foi com o sofrimento supremo da cruz,
que nos obtivestes a suprema felicidade.
Concede-nos a graça de compreender
que somos filhos de Deus graças a Ti.
Amen.
Convosco, ó Virgem, partilho
Das penas do vosso Filho,
Em quem minha alma confia.
Décima Terceira Estação
Jesus é descido da cruz
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
Estavam ali muitas mulheres, a olhar de longe; elas tinham seguido Jesus desde a Galileia para O servir... Ao entardecer, chegou um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Ele dirigiu-se a Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos ordenou que lhe fosse entregue (Mt 27,55.57-58).
Meditação
Debaixo da cruz, preparada para Te receber como um cacho maduro despegado da videira, está a Tua Mãe: cálice a transbordar de amor e de sofrimento. Mas também outras mulheres - as mais fiéis -ficam a olhar-Te, de coração em pranto pela dor da Tua morte e a angústia de Maria. Elas representam, todas as mães, todas as filhas, as esposas, as irmãs, todas as mulheres, ministras da consolação e da caridade. Tu precisas delas constantemente na pessoa de quem sofre, de quem morre. Suscita ainda, Senhor Jesus, mulheres da estirpe de Maria, ícones viventes da Tua doce piedade, para que, desde o berço até à sepultura e mais além, cada criatura humana se sinta amada e amparada, no Teu santo Nome, no seio da santa mãe Igreja.
Ó Cristo, cálice da salvação,
tem piedade de nós!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Ó Mãe, faz com que, diante de ti,
os nossos pensamentos e os nossos corações,
se tornem cada vez mais límpidos e luminosos!
Que os penetre a luz da cruz de Cristo,
reflectida no teu Coração Imaculado.
Amen.
Mãos postas, à vossa beira,
Saiba eu, a vida inteira,
Guiar por vós os meus passos.
Décima Quarta Estação
Jesus é sepultado
V. Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te bendizemos.
R. Porque com a Tua santa cruz remiste o mundo.
José, tomando o corpo de Jesus, envolveu-O num lençol limpo e colocou-O num túmulo novo, que mandou escavar na rocha. Em seguida, rolou uma grande pedra para fechar a entrada do túmulo e retirou-se. Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, era frente do sepulcro (Mt 27,59-61).
Meditação
Sobre o monte Calvário desceu, com a tarde, um profundo silêncio. A dor já não tem lágrimas, nem palavras, enquanto, envolvido no branco lençol, o corpo do mais insigne dos filhos do homem é deposto no sepulcro escavado na rocha. José de Arimateia, o bom discípulo, cumpre os últimos gestos de piedade humana e de religiosa devoção para com o Mestre. Agora o Rei dorme, vigiado pelos guardas, mas não está sepultada com Ele a destemida esperança. Sim, porque depois do Seu profundo tormento e de se ter oferecido em expiação, Ele verá a luz. E terá a uma longa descendência (cf. Is 53,10-11). No coração da noite a semente prepara-se para brotar; o ar perfuma-se de uma nova primavera: eis o pressentimento ardente de Maria Madalena e da outra Maria... que numa santa ansiedade aguardam no jardim.
Jesus, nossa Vida e nossa Ressurreição,
nós cremos em Ti!
R. Senhor, tem piedade de nós.
Todos: Pai Nosso, que estais nos céus…
Oração
Deus Pai,
Tu quisestes que fossemos baptizados na morte do Teu Filho Jesus,
nosso Salvador: concede-nos um sincero arrependimento,
afim de que passando com Ele na morte, possamos renascer na
alegria para uma vida nova.
Isto Te pedimos por meio D'Aquele que por nós morreu foi sepultado e
ressuscitou, Jesus Cristo Nosso Senhor.
Amen.
E quando a morte vier,
Eu me sinta adormecer,
No calor dos vossos braços.
Oração
Senhor Jesus Cristo,
não sei se admiro mais os Teus grandes e atrozes sofrimentos
se o imenso amor que tens pelos homens.
Seria ridículo dizer-Te, neste momento, um obrigado.
Eu não sei o que dizer-Te.
Tu sabes bem o que vai dentro de mim!
Não leves em conta as palavras que digo, olha antes, para aquilo que sou.
Tu conheces bem o caminho que eu tenho trilhado.
Viste o meu esforço para o bem e as minhas fraquezas.
Senhor chego ao fim de uma trajectória misteriosa.
Só Te digo uma coisa:
na minha Via-Sacra quero contar conTigo.
Quero ser fiel à vontade do Pai sobre mim.
Aceito as alegrias que a vida me oferece, mas quero aceitar igualmente,
e levar com amor, a minha cruz até ao fim.
Cristo, conta comigo!
Eu também quero contar contigo!
Amen.
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Explicando a Via Sacra |
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A Via Sacra é uma forte oração porque nos relembra o caminho da dor e do sofrimento de Jesus, no caminho do Calvário. De modo heróico, o Senhor aceitou a Cruz para nos redimir e salvar, demonstrando a sua profunda obediência ao Pai e um infinito amor à humanidade. Rezar a Via Sacra é reviver na mente e no coração, a grandeza do Amor de Deus, que para nos libertar de todo o pecado entregou o seu filho único em holocausto. Mas é importante não só rezarmos a Via Sacra, mas colocarmo-nos nas estações, identificando-nos com os personagens desta caminhada de vitória.
MARIA é aquela que acolhe, abraça, compreende, ensina, educa e, sobretudo, ama. A Mãe não deixa o Filho num só minuto da caminhada e está aos seus pés na hora da Sua morte. Maria é aquela que com a morte do Filho, dá início à Igreja, a sua nova família. Ela remete-nos ao ACOLHIMENTO.
SIMÃO CIRENEU é aquele robusto homem que volta do campo e se depara com o ritual da crucificação. É deste encontro involuntário que brota a fé. Simão compreende que é uma graça poder caminhar com Jesus, que sofre calado. Ele remete-nos à CARIDADE.
VERÓNICA é aquela que não se intimida com os soldados e vai ao encontro do Senhor. No princípio ela só vê um rosto maltratado e marcado pela dor. Mas o acto de amor imprime no seu coração a verdadeira imagem de Jesus: no rosto humano coberto de sangue e feridas ela vê o rosto de Deus e da Sua bondade, que nos acompanha mesmo na dor mais profunda. Ela remete-nos à FÉ.
AS FILHAS DE JERUSALÉM são aquelas que choram pela morte de Jesus. E Ele, mesmo naquele momento de profunda dor vem consolá-las, vem alertá-las de que não adianta lamentar os sofrimentos deste mundo se a nossa vida continua igual. Elas remetem-nos à CONVERSÃO.
SOLDADOS são aqueles que maltratam Jesus. Eles cospem, empurram, batem, insultam, fazem troça. Eles remetem-nos ao PECADO.
JOSÉ DE ARIMATEIA é aquele homem rico que sepulta Jesus no seu túmulo ainda intacto, num jardim. Ele é o rico que encontra o modo de passar pelo buraco de uma agulha, porque Deus lhe dá essa graça. Ele remete-nos à CONVERSÃO.
NICODEMOS é aquele que traz uma mistura de mirra e aloés de cem libras destinada a emanar um perfume precioso do Sagrado Corpo do Senhor. Ele remete-nos à OFERTA.
Com quem será que nos assemelhamos?
Muito importante também, são as quedas de Jesus, pois reflectem a nossa fraqueza humana, a nossa tendência ao pecado. Mas em cada uma delas, Jesus levanta-se e levanta-nos com Ele para uma vida nova!
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2ª Via Sacra |
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Oração Preparatória
A Agonia de JESUS no Getsémani
Ó meu Jesus, que para nos salvar carregastes a cruz até ao Calvário, suportando dores, injúrias e humilhações, ajudai-me agora a meditar esses vossos sofrimentos e dai-me forças para não Vos ofender nunca mais. Que esta Via Sacra aumente em mim o amor a Deus e ao próximo. Amém
PRIMEIRA ESTAÇÃO
JESUS É CONDENADO À MORTE
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, os meus pecados gritaram: "Crucifica-o! Crucifica-o!" Mas foi mais a minha ignorância do que a minha malícia que me levou a este desatino. Perdão, Senhor!
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant..) A morrer crucificado, teu Jesus é condenado, por teus crimes, pecador.
Pela Virgem dolorosa, Vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
SEGUNDA ESTAÇÃO
JESUS TOMA A CRUZ ÀS COSTAS.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, os meus pecados tornaram a vossa Cruz ainda mais pesada. Perdão, Eu não quero mais pecar.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Com a Cruz é carregado, e do peso acabrunhado, vai morrer por teu amor.
Pela Virgem dolorosa, Vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
TERCEIRA ESTAÇÃO
JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ DEBAIXO DA CRUZ
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, caístes por terra, cansado e já sem forças. Eu quero ajudar os meus irmãos caídos e prostrados pelo sofrimento, já que eu não Vos dei a mão na vossa queda.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Pela cruz tão oprimido, cai Jesus desfalecido, pela tua salvação.
Pela Virgem dolorosa, Vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
QUARTA ESTAÇÃO
JESUS ENCONTRA-SE COM SUA SANTÍSSIMA MÃE.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó coração aflito de Jesus! Ó Maria, Mãe das Dores! Aliviai as aflições dos filhos longe de sua mãe e consolai as mães separadas dos seus filhos.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). De Maria lacrimosa, Sua Mãe tão dolorosa, vê a imensa compaixão.
Pela Virgem dolorosa, Vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
QUINTA ESTAÇÃO
SIMÃO CIRINEU AJUDA JESUS A LEVAR A SUA CRUZ.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, fazei-me compreender que toda a ajuda que eu dou aos meus irmãos é a Vós que eu ajudo, como o Cireneu Vos ajudou a carregar a Cruz.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Em extremo desmaiado, deve auxílio, tão cansado, receber do Cireneu.
Pela Virgem dolorosa, Vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
SEXTA ESTAÇÃO
VERÓNICA ENXUGA A FACE DE JESUS.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, que o vosso rosto ensanguentado impresso na toalha da Verónica me lembre sempre tudo o que Vós sofrestes por meu amor.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). O seu rosto ensanguentado, pela Verónica enxugado, eis no pano apareceu.
Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
SÉTIMA ESTAÇÃO
JESUS CAI, PELA SEGUNDA VEZ, DEBAIXO DA CRUZ.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Foram as minhas recaídas ó meu Jesus, que Vos fizeram cair de novo em terra. Dai-me a graça de não tornar a cair em pecado para o futuro.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Outra vez desfalecido, pelas dores abatido, cai em terra o Salvador.
Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
OITAVA ESTAÇÃO
JESUS CONSOLA AS FILHAS DE JERUSALÉM.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, que predissestes a Jerusalém a sua ruína e destruição, livrai-me a mim da ruína e socorrei-me com a vossa misericórdia e o vosso perdão.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Das matronas piedosas, de Sião filhas chorosas, é Jesus consolador.
Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
NONA ESTAÇÃO
JESUS CAI, PELA TERCEIRA VEZ, DEBAIXO DA CRUZ.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, pelas dores que sofrestes nesta terceira queda, dai-me a força de me levantar, todas as vezes que a fraqueza me leva a cair em pecado.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Cai terceira vez prostrado, pelo peso redobrado, dos pecados e da Cruz.
Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
DÉCIMA ESTAÇÃO
JESUS É DESPOJADO DE SUAS VESTES.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, que fostes despojado das vossas vestes e recebestes a beber fel e vinagre, fazei-me rejeitar as vaidades e prazeres ilícitos para que eu não me desvie do vosso amor.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Dos vestidos despojado, por verdugos mal tratado, eu Vos vejo, meu Jesus.
Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO
JESUS É PREGADO NA CRUZ.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, pelas dores e angústias que sofrestes na Cruz, dai-me forças para suportar as angústias, tristezas e sofrimentos da minha vida para me purificar dos meus pecados.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Sois por mim à Cruz pregado, insultado, blasfemado, com cegueira e com furor.
Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO
JESUS MORRE NA CRUZ.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, Vós completastes a redenção do mundo pregado na cruz; aceitai os meus sofrimentos como ajuda para a minha redenção.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Por meus crimes padecestes, Meu Jesus por mim morrestes, como é grande a minha dor.
Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO
MARIA RECEBE JESUS MORTO, EM SEUS BRAÇOS.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó Maria, Mãe de Jesus, que recebestes nos braços o corpo do vosso Filho, concedei-me a graça de receber sempre dignamente o Corpo de Cristo, na Santa Comunhão.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). Do madeiro Vos tiraram, e nos braços Vos deixaram, de Maria. Que aflição!
Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO
JESUS É DEPOSITADO NO SANTO SEPULCRO.
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Ó meu Jesus, que a vossa sepultura e ressurreição fortaleçam a minha fé na ressurreição dos mortos e na vida eterna.
(Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...)
V. Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e morte de Jesus Cristo Nosso Senhor.
R. Que quis padecer e morrer na Cruz por nosso amor.
(cant.). No sepulcro Vos deixaram, enterrado Vos choraram, magoado coração.
Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, bom Jesus
ORAÇÃO FINAL
Pai Eterno que enviastes o vosso Filho Jesus para socorrer o mundo e Ele o salvou morrendo na Cruz, fazei que, por esta Cruz e pelos sofrimentos de Cristo, a humanidade encontre sempre o auxílio e o socorro de que necessita.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
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Via Sacra |
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Via Sacra
O exercício espiritual da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram mentalmente a caminhada de Jesus carregando a Cruz desde o pretório de Pilatos até ao monte Calvário, meditando simultaneamente a Paixão do Senhor.
Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve origem na época das Cruzadas (séculos XI/XIII): os fiéis que então percorriam na Terra Santa os lugares sagrados da Paixão de Cristo quiseram reproduzir no Ocidente a peregrinação feita ao longo da Via Dolorosa em Jerusalém.
O número de estações ou etapas desta caminhada foi sendo definido paulatinamente, chegando à forma actual, de catorze estações, no século XVI.
O exercício da Via Sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices, pois ocasiona frutuosa meditação da Paixão do Senhor Jesus.
Compreende catorze estações ou etapas, cada uma das quais representa uma cena da Paixão a ser meditada pelo discípulo de Cristo.
1ª Estação: Jesus é sentenciado à morte.
- Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
- Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.
Jesus foi sentenciado não por um tribunal, mas por todos e por causa dos nossos pecados. Condenado pelos mesmos que O tinham aclamado pouco antes. E Ele cala…
Nós fugimos de ser reprovados. E saltamos imediatamente…
Concedei-me, Senhor, a graça de Vos imitar, unindo-me a Ti pelo silêncio quando alguém me fizer sofrer ou me condene injustamente. Eu mereço-o. Ajudai-me, Senhor!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…
2ª Estação: Jesus carrega a cruz
Que eu compreenda, Senhor, o valor da cruz, das minhas pequenas cruzes de cada dia, dos meus achaques, das minhas doenças, da minha solidão. Que eu não desanime, mas tome a minha cruz de cada dia e te siga, faça dela um instrumento de salvação.
Concedei-me, Senhor, a graça converter em oferta amorosa, em reparação pela minha vida e no apostolado pelos meus irmãos, a minha cruz de cada dia.
3ª Estação: Jesus cai, pela primeira vez, com o peso da cruz.
Tu cais Senhor, para me redimir. Para me ajudar a levantar nas minhas quedas diárias, quando depois de ter me proposto a ser fiel, volto a reincidir nos meus pecados e defeitos quotidianos. Ajuda-me a levantar sempre e a seguir o meu caminho a Ti!
4ª Estação: Encontro com a Virgem Maria
Faz Senhor, com que eu me encontre ao lado de tua Mãe em todos os momentos da minha vida. Com ela, apoiando-me no seu carinho maternal, tenho a segurança de chegar a Ti no último dia da minha existência. Ajuda-me Mãe!
5ª Estação: O Cireneu ajuda o Senhor a carregar a Cruz
Cada um de nós tem a nossa vocação, viemos ao mundo para algo concreto, para nos realizarmos de uma maneira particular. Qual é a minha vocação e como eu a vivo? Mas, há algo, Senhor, que é minha missão e de todos: a de ser Cireneu dos outros, a de ajudar a todos.
Como realizo a minha missão de Cireneu?
6ª Estação: Verónica enxuga o rosto de Jesus
É a mulher valente, decidida, que se aproxima de Ti quando todos Te abandonam. Eu, Senhor, abandono-Te quando me deixo levar pelo “que dirão”, do respeito humano, quando não me atrevo a defender o próximo ausente, quando não me atrevo a replicar uma brincadeira que ridiculariza os que tratam de se aproximar de Ti. E em tantas outras ocasiões. Ajuda-me a não me deixar levar pelo respeito humano, pelo “que dirão”.
7ª Estação: Segunda queda no caminho da Cruz
Cais, Senhor, pela segunda vez. A Via Sacra fala-nos em três quedas no teu caminhar até ao Calvário. Talvez foram mais. Cais diante de todos… Quando aprenderei eu a não temer ficar mal diante dos outros, por um erro, pelo orgulho, por um equívoco? Quando aprenderei que também isto se pode converter em oferenda?
8ª Estação: Jesus consola as filhas de Jerusalém
Muitas vezes, teria eu que analisar a causa das minhas lágrimas. Ao menos, dos meus pesares, das minhas preocupações. Talvez haja neles um fundo de orgulho, de amor próprio mal entendido, de egoísmo, de inveja. Deveria chorar pela minha falta de correspondência aos teus inúmeros benefícios de cada dia, que me manifestam Senhor, quanto me queres.
Concedei-me, Senhor, a graça de uma profunda gratidão e correspondência à tua misericórdia.
9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez
Terceira queda. Mais perto da Cruz. Mais esgotado, mais falta de forças. Cais desfalecido, Senhor. Eu digo que me pesam os anos, que não sou o mesmo de antes, que me sinto incapaz.
Concedei-me, Senhor, a graça de Te imitar nesta terceira queda e faz com que o meu desfalecimento seja benéfico para outros, porque eu os dou a Ti para eles.
10ª Estação: Jesus é despojado das suas vestes
Arrancam as tuas vestes, agarradas a Ti pelo sangue das tuas feridas. A infinita distância da tua dor, eu senti, às vezes, como algo que arrancava dolorosamente de mim pela perda dos meus seres queridos.
Senhor Jesus, que eu saiba oferecer a lembrança das separações que me desgarraram, unindo-me à tua paixão a consolar os que sofrem, fugindo do meu próprio egoísmo.
11ª Estação: Jesus é pregado na Cruz
Senhor, que eu diminua as minhas limitações com o meu esforço e assim possa ajudar os meus irmãos. Quero pregar na cruz contigo todos os meus pecados, o meu homem velho, os meus vícios, egoísmos e auto-suficiências…
E que quando o meu esforço não consiga diminuí-las, eu me esforce em as oferecer também por eles.
12ª Estação: Jesus morre na Cruz
Eu Te adoro, meu Senhor, morto na Cruz para me salvar. Adoro e beijo as tuas chagas, as feridas dos cravos, o golpe de lança no lado, de onde jorrou sangue e água fonte de misericórdia para nós… Obrigado Senhor, obrigado! Morreste para me salvar, para salvar a todos nós e nos dar a vida em plenitude.
Concedei-me, Senhor, a graça responder ao teu amor com amor, cumprir a tua Vontade, trabalhar pela minha salvação, ajudado pela tua graça. E dai-me a graça de trabalhar com afinco pela salvação dos meus irmãos e pela defesa da vida.
13ª Estação: Jesus nos braços de sua mãe
Deixa-me estar ao teu lado, Mãe, especialmente nestes momentos da tua incomparável dor. Deixa-me estar ao teu lado. Mais te peço: que hoje e sempre me tenhas perto de Ti e te compadeças de mim. Nos momentos de dor e sofrimento põe-me no teu colo.
Olhai-me com compaixão, não me deixes, ó minha Mãe!
14ª Estação: Jesus é depositado no Sepulcro.
Tudo está terminado. Mas não: depois da morte, vem a Ressurreição. Ensina-me a ver tudo o que passa, o transitório e passageiro, à luz do que não passa. E que esta luz ilumine todos os meus actos. Que eu nunca perca a esperança, pois o amor é mais forte do que a morte!
Coloco no sepulcro vazio todos os meus pecados e o homem velho. Assim seja.
Oração Final:
Eu Te suplico Senhor, que me concedas,
por intercessão de tua Mãe a Virgem Maria,
que cada vez que medite na tua Paixão,
fique gravado em mim
com marca de actualidade constante,
o que Tu fizeste por mim
e os teus constantes benefícios.
Faz Senhor, que me acompanhe,
durante toda a minha vida,
um agradecimento imenso à tua Bondade. Amém
“Olha para Cruz: esta é a minha maior prova: ninguém te ama como Eu!”
A Via-Sacra segundo os Evangelhos
O Santo Padre João Paulo II introduziu nova sequência das cenas na Via Sacra que promove no Coliseu, em Roma, optando pelas narrações dos Evangelistas. É esta sucessão que estamos propondo aqui, com as próprias palavras da Sagrada Escritura.
As novas Estações são:
1. Jesus ora no Horto de Getsémani, Monte das Oliveiras
Mt 26,36-46; Mc 14,32; Lc 22,39; Jo 18,1
2. Jesus, traído por Judas, é aprisionado
Mt 26,47-56; Mc 14,43; Lc 22,47; Jo 18,2
3. A condenação de Jesus perante o Sinédrio
Mt 26,57-66; Mc 14,53; Lc 22,54; Jo 18,19
4. As negações do Apóstolo Pedro
Mt 26,69-75; Mc 14,66; Lc 22,55; Jo 18,15
5. Jesus entregue a Pilatos
Jo 18,28; Mt 27,11; Mc 15,2; Lc 23,2
6. A flagelação e a coroação de espinhos de Jesus. Ludíbrio.
Jo 19,1; Mt 27,24; Mc 15,15; Lc 23,24
7. Jesus carrega a Cruz
Lc 22,26; Mt 27,31; Mc 15,20; Jo 19,16
8. Jesus e Simão Cireneu
Lc 22,26; Mt 27,32; Mc 15,21
9. O encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém
Lc 22,27; Mt 27,33
10. A crucificação de Jesus
Jo 19,18; Mt 27,35; Mc 15,24; Lc 23,33
11. Jesus e o bom ladrão
Lc 23,35; Mt 27,39; Mc 15,29; Lc 23,35
12. Maria Santíssima e o Apóstolo João ao pé da Cruz de Jesus
Jo 19,25-27
13. A morte de Jesus
Mt 27,45; Mc 15,33; Lc 23,44; Jo 19,28
14. Jesus deposto no sepulcro
Mc 15,42; Mt 27,57; Lc 23,50; Jo 19,38
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DEZ SÍMBOLOS DA QUARESMA |
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A quaresma começa, precisamente, com um símbolo bem conhecido e consolidado: a Cinza, que nos lembra a condição efêmera da vida e seu destino de eternidade em Deus. A Cinza de cada ano, recorda também a árvore da Cruz Ressuscitada da Vigília Pascal do ano anterior.
1.- A quaresma é DESERTO. É aridez, solidão, jejum, austeridade, rigor, esforço, penitência, perigo, tentação.
2.- A quaresma é PERDÃO. As histórias bíblicas de Jonas e de Nínive e a parábola do filho pródigo são exemplos dele.
3.- A quaresma é ENCONTRO, é abraço de reconciliação como na parábola do filho pródigo ou na conversão de Zaqueu ou no diálogo de Jesus Cristo com a mulher adúltera.
4.- A quaresma é LUZ, como se põe em evidência, por exemplo, no evangelho do cego de nascimento. É a passagem das trevas para a luz. Jesus Cristo é a luz do mundo.
5.- A quaresma é SAÚDE, símbolo manifestado nos textos como na cura do paralítico ou do filho do centurião.
6.- A quaresma é AGUA. É a passagem da sede de nossa insatisfação para a água viva, a água de Moisés ao povo de Israel no deserto ou de Jesus à mulher samaritana.
7.- A quaresma é superação vitoriosa das provas e dificuldades. É LIBERTAÇÃO, TRIUNFO. Algumas figuras bíblicas, que sofrem graves perigos e vencem na prova, são José filho de Jacó, a casta Suzana, Ester, o profeta Jeremias e, sobretudo, Jesus, tentado e transfigurado.
8.- A quaresma é CRUZ. Sinal e presença permanente durante toda a quaresma. Prefigurada no Antigo Testamento e manifestada com o exemplo de Jesus Cristo e com seu convite de carregá-la como condição para o seguimento.
9.- A quaresma é TRANSFIGURAÇÃO. É a luz definitiva do caminho quaresmal, preanunciada e vivida na cena da transfiguração de Jesus. Pela cruz para a luz".
10.- A quaresma é o esforço para retirar o fermento velho e incorporar a FERMENTAÇÃO NOVA DA PÁSCOA RESSUSCITADA E RESSUSCITADORA, agora e para sempre.
ENTRANDO NA SEMANA SANTA
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Quaresma, tempo para reflectir em família |
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Um tempo de renovação
Vamos viver um tempo profundo na espiritualidade familiar?
Que cada membro da nossa família viva intensamente este grande retiro espiritual que o tempo quaresmal nos oferece.
Recordando o povo de Deus outrora no deserto, peregrinando durante 40 anos... Lembrando os 40 dias de jejum de Jesus...
Mais uma vez vamos viver este tempo de conversão!
O número quarenta é símbolo de uma geração, ou seja, evoca a história de cada um de nós, também a nossa história de família.
Quem durante a vida não experimenta situações de deserto? Quem não vive momentos de profunda solidão e sofrimento? Tudo isto faz parte da nossa peregrinação por aqui. Neste tempo queremos aprofundar a nossa espiritualidade cristã e familiar.
Queremos colocar em Cristo as nossas dores, as nossas chagas, os nossos sofrimentos, as nossas desilusões. Ele saberá o que fazer com tudo, aliás, já assumiu para si, de antemão, todas estas situações. Desejamos viver este tempo como resgate de esperança e, tomados pelas mãos do Senhor, queremos atravessar o "deserto", certos de que acharemos uma terra nova, um novo momento celebraremos, o novo se dará. Num mundo cercado por violência e injustiças, no qual a insegurança passa a fazer parte da vida de todos, vamos tomar para nós os ideais de paz e justiça do nosso Mestre. Seguros nas Suas mãos experimentaremos uma vida nova.
Como pais e filhos, como marido e mulher, como irmãos, vamos deixar a Liturgia da Igreja iluminar a nossa vida.
Que em cada domingo da Quaresma consigamos dar os passos desejados. Vivenciaremos um encontro com Aquele que nos serve pelos Seus anjos (cf. Mc 1, 13 - 1º domingo);
contemplaremos o Senhor que se transfigura em luz e ilumina a caminhada (cf. Mc 9,2-3- 2º domingo);
cresceremos no zelo pelo que é do Senhor, a começar por nossa história pessoal (cf. Jo 2,17 - 3º domingo); olharemos para Aquele que tem o poder de nos curar definitivamente
e amaremos não as trevas, mas a Luz (cf. Jo 3, 19 - 4º domingo).
E com os discípulos de outrora exclamaremos: queremos ver Jesus! (cf. Jo 12, 21 - 5º domingo da Quaresma).
Que travessia abençoada será esta! Aproveitemos este tempo de reconciliação.
Na celebração da Páscoa, findando a travessia do deserto, chegaremos à margem onde está o Ressuscitado; e faremos a experiência da "madrugada da Ressurreição, momento lindo de se viver!" Chegaremos ao nosso porto seguro e proclamaremos a quantos nos queiram ouvir: vale a pena atravessar o deserto, pois sabemos em quem colocamos as nossas esperanças! E, se por ventura, encontrarmos alguém à margem do caminho, às vezes até dentro da nossa casa, faremos a nossa parte.
Somos um convite vivo de Deus para que todos experimentem Vida Nova!
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Quaresma… Jejuar e festejar |
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A Quaresma deverá ser um tempo para “jejuar” alegremente de certas coisas e também para “fazer festa” de outras.
Neste tempo deveremos:
- jejuar de julgar os outros e festejar porque Deus habita neles.
- jejuar do fixarmo-nos sempre nas diferenças e fazer festa por aquilo que nos une na vida.
- jejuar das trevas da tristeza e celebrar a luz.
- jejuar do ódio e festejar a paciência santificadora.
- Jejuar de pensamentos e palavras doentias e alegrarmo-nos com palavras carinhosas e edificantes.
- jejuar de desilusões e festejar a gratidão.
- jejuar de pessimismos, e viver a vida com optimismo como uma festa contínua.
- jejuar de preocupações, queixas e egoísmos; festejar a esperança e a Divina Providência.
- jejuar de pressas e angústias; fazer festa em oração contínua à Verdade Eterna.
Quaresma tempo de encontro com Deus
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A Quaresma contemplada com a Virgem Maria |
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A Quaresma contemplada com a Virgem Maria
O tempo Quaresmal é propício para a contemplação dos
sofrimentos de Jesus Cristo, que se tornam mais frutuosos na presença materna
da Virgem Maria.
Nesta Quaresma, nós que somos filhos e consagrados da
Santíssima Virgem Maria, podemos viver este tempo e contemplar os santos
mistérios com ela, que permaneceu com o seu Filho Jesus Cristo até à morte na
cruz. Neste tempo fecundo que é a Quaresma, preparemo-nos para morrer com Jesus
Cristo e ressuscitar com Ele para uma vida nova. Neste caminho de conversão, Nossa
Senhora quer estar connosco e ajudar-nos a preparar para entrar espiritualmente
no mistério pascal de Cristo, na Sua paixão, morte e ressurreição.
A Virgem Maria como modelo de contemplação
São João Paulo II afirma que “a contemplação de Cristo tem em
Maria o seu modelo insuperável”. O rosto do Filho de Deus pertence a sua Mãe
Santíssima de modo muito especial. Pois, foi no seu ventre imaculado que Ele,
na sua carne humana, foi gerado pelo Espírito Santo. Jesus Cristo recebeu da
Virgem Maria uma semelhança humana que evidencia uma intimidade espiritual
certamente ainda maior. “À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou
com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de
algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito
Santo; nos meses seguintes, começa a sentir a sua presença e a pressagiar os
contornos” da sua face. Quando finalmente deu à luz em Belém, os seus olhos de
carne também puderam fixar-se com ternura no rosto do Filho. Neste momento de
grande alegria, podemos imaginar com que amor, devoção e reverência Nossa
Senhora envolveu o Menino Jesus em faixas e O reclinou numa manjedoura.
Desde então, o olhar materno da Virgem de Nazaré não se
separará mais do Filho de Deus. Algumas vezes será um olhar questionador, como
aconteceu na perda de Jesus no templo: “Filho, porque nos fizeste isto?”
Algumas vezes, o seu olhar materno será um olhar penetrante, capaz de ler no
íntimo de seu divino Filho, a ponto de perceber os seus sentimentos mais escondidos
e prever as suas decisões, como na festa de casamento em Caná. Outras vezes,
será um olhar doloroso, principalmente aos pés da cruz, onde haverá ainda, de
certa forma, o olhar da parturiente. Pois, no Calvário, a Virgem Maria não se
limitará a compartilhar a paixão e a morte do seu Filho Unigénito, mas acolherá
o novo filho, que somos todos e cada um de nós, entregue a ela na pessoa do
Discípulo amado. Na manhã da Páscoa, será um olhar radioso pela alegria da
ressurreição e, enfim, um olhar ardoroso pela efusão do Espírito Santo no dia
de Pentecostes.
A meditação dos mistérios dolorosos com Nossa Senhora
Se todos os dias somos chamados a meditar com profundidade os
mistérios do Rosário da Virgem Maria, muito mais o devemos fazer neste tempo
favorável de conversão e encontro com Deus que é a Quaresma. Todos os mistérios
podem e devem ser rezados neste tempo. No entanto, rezar, meditar e contemplar
os mistérios dolorosos do Rosário da Virgem Maria torna-se ainda mais
significativo o tempo Quaresmal. Pois, nos mistérios da dor contemplamos os
mistérios da paixão e morte do Senhor e na Quaresma preparamo-nos para o
memorial destes na Semana Santa.
Os Evangelhos dão grande importância aos mistérios da dor de
Jesus Cristo. Com base na antiga tradição, no Rosário contemplamos alguns
destes mistérios da paixão do Senhor, fixamos neles o olhar do coração e os
revivemos. “O itinerário meditativo [dos mistérios dolorosos] abre-se com o
Getsémani, onde Cristo vive um momento de particular angústia perante a vontade
do Pai, contra a qual a debilidade da carne seria tentada a revoltar-se”. No
jardim das Oliveiras, Cristo coloca-Se no lugar de todas as tentações da
humanidade de todos os tempos, e diante de todos os seus pecados, para dizer ao
Pai: “Não se faça a minha vontade, mas a Tua”. Este seu “sim” a Deus, muda o
“não” dos nossos primeiros pais no jardim do Éden. “E o quanto Lhe deverá
custar esta adesão à vontade do Pai, emerge dos mistérios seguintes, nos quais,
com a flagelação, a coroação de espinhos, a subida ao Calvário, a morte na
cruz, Ele é lançado no maior desprezo: Ecce homo!”
Neste desprezo, revela-se não somente o amor Deus para com
toda a humanidade, mas também o sentido da vida do homem. “Ecce homo [eis o
Homem]: quem quiser conhecer o homem, deve saber reconhecer o seu sentido, a
sua raiz e o seu cumprimento em Cristo, Deus que Se rebaixa por amor ‘até à
morte, e morte de cruz’”. Assim, os mistérios dolorosos conduzem-nos “a reviver
a morte de Jesus Cristo, pondo-nos aos pés da cruz junto de Maria, para com Ela
penetrar no abismo do amor de Deus pelo homem e sentir toda a sua força
regeneradora”.
O Rosário coloca-nos diante destes mistérios, oferecendo-nos
o “segredo” para nos abrir mais facilmente ao conhecimento profundo e empenhado
de Cristo. O Rosário é o caminho de Maria. Nele, reconhecemos o seu exemplo de
mulher de fé, de silêncio e de escuta. Ao mesmo tempo, o Rosário é o caminho de
uma “devoção mariana animada pela certeza da relação indivisível que liga
Cristo à sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são também, de certo modo,
os mistérios da Mãe, mesmo quando não está diretamente envolvida, pelo facto de
Ela viver d’Ele e para Ele”. Assim, podemos dizer que ao meditar os mistérios
de Cristo, meditamos também, ainda que indiretamente, os mistérios de Maria.
A oração da Via-sacra com Nossa Senhora das Dores
A piedade cristã, desde tempos imemoriais, especialmente na
Quaresma, “deteve-se em cada um dos momentos da Paixão, intuindo que aqui está
o ápice da revelação do amor e a fonte da nossa salvação”, através do exercício
da Via-sacra. Na contemplação deste acontecimento histórico, no qual Jesus
Cristo sofreu dores indizíveis, estava presente sua Mãe, a quem a piedade
católica aplica as palavras do profeta Jeremias: “Ó vós todos que passais pelo
caminho, parai e vede se há dor semelhante à minha dor”. A este respeito, São
João Crisóstomo dizia que: “Quem estivesse no Calvário veria dois altares, onde
se consumavam dois grandes sacrifícios: um era o corpo de Jesus, o outro o
coração de Maria”.
No livro “A Paixão”, ditado por Jesus Cristo à confidente
estigmatizada Catalina Rivas, o próprio Senhor dá-nos a conhecer, na
contemplação do Seu encontro com sua Mãe na quarta estação da Via-sacra, a
íntima união do Seu Coração com o Coração de Maria: “Segui Comigo uns momentos
e, a poucos passos, ver-Me-eis na presença de Minha Mãe Santíssima que, com o
Coração trespassado pela dor, sai ao Meu encontro com dois objetivos: para
recobrar nova força de sofrer à vista do Seu Deus e para dar a Seu Filho, com a
Sua atitude heróica, alento para continuar a obra da Redenção.
Considerai o martírio destes dois Corações. Quem mais ama
Minha Mãe é Seu Filho. […] Não pode dar-Me nenhum alívio e sabe que o facto de
vê-la aumentará ainda mais os Meus sofrimentos; mas também aumentará a Minha
força para cumprir a vontade do Pai. Quem mais amo na terra é Minha Mãe; e não
apenas não a posso consolar, como o estado lamentável em que Me vê proporciona
ao Seu coração um sofrimento semelhante ao Meu. […] A morte que sofro no Meu
Corpo, recebe-a Minha Mãe no Seu Coração! […] Como se cravam em Mim os Seus
olhos e os Meus se cravam também n’Ela! Não pronunciamos uma só palavra, mas
quantas coisas dizem os Nossos Corações neste doloroso olhar”.
Na contemplação da segunda queda de Jesus, na sétima estação,
mais uma vez Ele se dirige a nós: “Filhos Meus, que seguis os Meus passos, não
solteis a vossa cruz por mais pesada que esta vos pareça. Fazei isto por Mim,
pois carregando a vossa cruz ajudar-Me-eis a carregar a Minha e, pelo duro
caminho, encontrareis Minha Mãe e as almas santas que vos irão dando ânimo e
alívio”. Através destas palavras do Senhor, compreendemos que os nossos
sofrimentos, a cruz de Cristo nas nossas vidas, nos concedem a graça de nos
unir aos Seus sofrimentos e de ajudá-lo a carregar a Sua cruz. Além disso, ao
carregar a nossa cruz, nos encontraremos com a sua Mãe Santíssima, com quem Ele
mesmo se encontrou a caminho do Calvário, e também com as almas caridosas que
nos darão ânimo e alívio nos sofrimentos.
A íntima união do Coração de Jesus com o Coração de Maria
Nesta Quaresma, contemplemos o rosto de Jesus Cristo tendo
como nosso modelo a Virgem Maria. Durante este tempo, aprendamos com a Mãe de
Deus a contemplação dos mistérios divinos, para que nos preparemos bem para
participar da Grande Semana, na qual viveremos o memorial da Paixão, morte e
ressurreição de Jesus Cristo. Entretanto, a Virgem Maria não é somente modelo
de contemplação, mas presença materna em nossas vidas, especialmente nos
momentos de sofrimento, como esteve presente na vida de seu Filho, de modo
particular nos seus maiores sofrimentos.
Assim, juntamente com Nossa Senhora, contemplemos os
mistérios do Santo Rosário, especialmente os mistérios dolorosos, que nos
colocam não somente diante dos sofrimentos de Cristo, mas também das dores de
sua Mãe Santíssima. Pois, como dizia São Boaventura, doutor da Igreja, a
respeito da presença de Nossa Senhora aos pés da cruz de Jesus, no Calvário “só
havia um altar, a cruz, onde a Mãe era sacrificada com o Cordeiro Divino”. Por
isso, contemplar os mistérios dolorosos de Cristo significa também contemplar o
mistério da espada de dor que transpassou o coração de sua Mãe.
Na oração da Via-sacra, também devemos ter a consciência
desta íntima união entre o Sacratíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração
de Maria. Assim, conheceremos muito mais os verdadeiros sentimentos de Cristo,
não somente os seus sofrimentos físicos, pela flagelação, coroação de espinhos
e crucifixão, e os causados pelos nossos pecados e os de toda a humanidade, mas
também os causados pelos sofrimentos de sua Mãe Santíssima. Conheceremos melhor
também os sofrimentos da Mãe de Deus, que por sua intimidade com o Filho,
sofreu muito mais do que qualquer outra mãe, não somente por que viu os
sofrimentos de Seu Filho, mas principalmente por que sabia quanto Ele estava a
sofrer.
Portanto, depois de conhecer a íntima união do Sagrado
Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria, sabemos que quanto mais nos
aproximamos da Mãe, mais nos aproximamos do Filho. Sendo assim, nesta Quaresma,
aproximemo-nos cada vez mais da Mãe de Deus, para que o nosso coração esteja
mais próximo de Jesus Cristo. Contemplemos os mistérios da paixão do Homem das
dores, juntamente com a Mulher das dores, como fez o Discípulo amado, para que
a entrega destes Corações intimamente unidos num só sacrifício produzam os
frutos de conversão que o Pai quer realizar em nós, pela força do Espírito
Santo. Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!
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Oito conselhos para viver a Quaresma |
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Santuário de Fátima dá oito conselhos para viver a Quaresma
1 - Dedique 20 minutos diários à oração, segundo o conselho de Jesus em Mt 6, 6: «Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te».
2 - Trate o seu corpo como dom de Deus e templo do Espírito Santo. Dê-lhe o alimento necessário e poupe-lhe qualquer excesso, de comida, bebida, trabalho, e descanso ou divertimento.
3 - Faça uma lista dos amigos e vizinhos que estão no hospital, na cadeia ou em casa sozinhos, e programe uma visita a cada um.
4 - Combine com o cônjuge e os filhos que nesta Quaresma não haverá em casa nem ralhos nem palavrões.
5 - Reduza o tempo de televisão o que lhe parecer razoável, e diga não a programas fúteis ou imorais.
6 - Se está em casa, siga a Eucaristia e o Rosário do Santuário de Fátima, às 11h00 e às 18h30, pela TV Canção Nova ou pela Rádio Renascença.
7 - Leia a Mensagem Quaresmal do Papa Bento XVI.
8 - Imitando os Beatos Francisco e Jacinta Marto, recite muitas vezes, especialmente quando esta Quaresma lhe exigir algum sacrifício, a oração que Nossa Senhora lhes ensinou: «Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria».
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29 perguntas sobre a Quaresma |
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29 PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE A QUARESMA
O QUE É A QUARESMA?
Chamamos Quaresma o período de quarenta dias reservado a preparação da Páscoa, e indicado pela última preparação dos catecúmenos que deveriam receber nela o baptismo.
DESDE QUANDO SE VIVE A QUARESMA?
Desde o século IV se manifesta a tendência para constituí-lo no tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, menos em um princípio, nas igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma vem sido cada vez maior no ocidente, mas deve se observar um espírito penitencial e de conversão.
POR QUE A QUARESMA N A IGREJA CATÓLICA?
"A Igreja se une todos os anos, durante os quarenta dias da Grande Quaresma, ao Mistério de Jesus no deserto" (n. 540).
QUAL É, POR TANTO, O ESPÍRITO DA QUARESMA?
Deve ser como um retiro colectivo de quarenta dias, durante os quais a Igreja, propondo a seus fiéis o exemplo de Cristo em seu retiro no deserto, se prepara para a celebração das solenidades pascais, com a purificação do coração, uma prática perfeita da vida cristã e uma atitude penitencial.
O QUE É A PENITÊNCIA?
A penitência, tradução latina da palavra grega que na Bíblia significa a conversão (literalmente a mudança do espírito) do pecador, designa todo um conjunto de actos interiores e exteriores dirigidos a reparação do pecado cometido, e o estado de coisas que resulta dele para o pecador.
Literalmente mudança de vida, se diz do ato do pecador que volta para Deus depois de haver estado longe Dele, ou do incrédulo que alcança a fé.
QUE MANIFESTAÇÕES TEM A PENITÊNCIA?
"A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobre tudo em três formas: o JEJUM, a oração, a missa, que expressam a conversão com relação a si mesmo, com relação a Deus e com relação aos demais. Junto a purificação radical operada pelo Baptismo ou pelo martírio, citam, como meio de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para reconciliar-se com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação pela salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade "porque a caridade cobre a multidão dos pecados" (1 Pedro, 4,8.)." (C I C, n. 1434).
SOMOS OBRIGADOS A FAZER PENITÊNCIA?
"Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados pela lei divina a fazer penitência; não obstante, para que todos se unam em alguma prática comum de penitência, se fixaram uns dias de penitência para os fiéis que se dedicam de maneira especial a oração, realizam obras de piedade e de caridade e se negam a si mesmos, cumprindo com maior fidelidade suas próprias obrigações e, sobre tudo, observando o jejum e a abstinência." (Código de Direito Canónico, c. 1249).
QUAIS SÃO OS DIAS E TEMPOS PENITENCIAIS?
"Na Igreja universal, são dias e tempos penitenciais todas as Sextas-feiras do ano e o tempo de quaresma." (Código de Direito Canónico, c. 1250).
QUE DEVE SE FAZER TODAS AS SEXTAS-FEIRAS DO ANO?
Em lembrança do dia em que Jesus morreu na Santa Cruz, "todas as sextas-feiras, a não ser que coincidam com uma solenidade, deve se fazer a abstinência de carne, ou de outro alimento que seja determinado pela Conferência Episcopal; jejum e abstinência se guardarão na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa." (Código de Direito Canónico, c. 1251).
QUANDO É A QUARESMA?
A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina imediatamente antes da Missa Vespertina no Domingo de Páscoa. Todo este período forma uma unidade, podendo-se distinguir os seguintes elementos:
1. A Quarta-feira de Cinzas.
2. Os domingos, definidos como, I-II; III, IV e V; e o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor.
3. A Missa Crismal.
4. As férias.
O QUE É QUARTA-FEIRA DE CINZAS?
É um princípio da Quaresma; um dia especialmente penitencial, em que manifestamos nosso desejo pessoal de CONVERSÃO a Deus.
Quando vamos aos templos em que nos impõem as cinzas, expressamos com humildade e sinceridade de coração, que desejamos nos converter e crer de verdade no Evangelho..
QUANDO TEVE ORIGEM A PRÁTICA DAS CINZAS?
A origem da imposição da cinza pertence a estrutura da penitência canónica. Começou a ser obrigatória para toda a comunidade cristã a partir do século X. A liturgia actual, conserva os elementos tradicionais: imposição da cinza e jejum rigoroso.
QUANDO SE ABENÇOA E SE IMPÕEM A CINZA?
A bênção e a imposição da cinza tem lugar dentro da Missa, após a homilia; embora em circunstâncias especiais, se pode fazer dentro de uma celebração da Palavra. As formas de imposição da cinza se inspira na Escritura: Gn, 3, 19 e Mc 1, 15.
DE ONDE PROVEM A CINZA?
A cinza procede dos ramos abençoados no Domingo da Paixão do Senhor, do ano anterior, seguindo um costume que se remonta ao século XII. A forma de bênção faz relação a condição pecadora de quem a recebeu.
QUAL É O SIMBOLISMO DA CINZA?
O simbolismo da cinza é o seguinte:
1. Condição fraca do homem, que caminha para a morte;
2. Situação pecadora do homem;
3. Oração e súplica ardente para que o Senhor os ajude; Ressurreição, já que o homem está destinado a participar no triunfo de Cristo;
A QUE NOS CONVIDA A IGREJA NA QUARESMA?
A Igreja persiste nos convidando a fazer deste tempo como um retiro espiritual em que o esforço de meditação e de oração deve ser sustentado por um esforço de mortificação pessoal cuja medida, a partir deste mínimo, permanece a liberdade e generosidade de cada um.
O QUE DEVE SE CONTINUAR VIVENDO NA QUARESMA?
Se vive bem a Quaresma, deverá se alcançar uma autêntica e profunda CONVERSÃO pessoal, preparando-nos, deste modo, para a maior festa do ano: o Domingo da Ressurreição do Senhor.
O QUE É A CONVERSÃO?
Converter-se é reconciliar-se com Deus, apartar-se do mal, para estabelecer a amizade com o Criador.
Supõe e inclui deixar o arrependimento e a Confissão (ver o Guia da Confissão) de todos e cada um de nossos pecados.
Uma vez em graça (sem consciência de pecado mortal), temos de mudar desde dentro (em atitudes) tudo aquilo que não agrada a Deus.
POR QUE SE DIZ QUE A QUARESMA É UM "TEMPO FORTE" E UM "TEMPO PENITENCIAL?
"Os tempos e os dias de penitência ao largo do ano litúrgico (o tempo de QUARESMA, cada Sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações como sinal de penitência, o jejum, a comunhão cristã de bens (obras caritativas e missionárias)." (Catecismo Igreja Católica, n. 1438)
COMO CONCRETIZAR MEU DESEJO DE CONVERSÃO?
De diversas maneiras, mas sempre realizando obras de conversão, como , por exemplo:
1. Ir ao Sacramento da Reconciliação (Sacramento da Penitência ou Confissão) e fazer uma boa confissão: clara, concisa, concreta e completa.
2. Superar as divisões, perdoando e crescer em espírito fraterno.
3. Praticando as Obras de Misericórdia.
QUAIS SÃO AS OBRAS DE MISERICÓRDIA?
As Obras de Misericórdia espirituais são:
1. Ensinar ao que não sabe.
2. Dar bons conselhos ao que necessita.
3. Corrigir ao que erra.
4. Perdoar as injúrias.
5. Consolar ao triste.
6. Sofrer com paciência as adversidades e fraquezas do próximo.
7. Rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos
As Obras de Misericórdia corporais são:
1. Visitar ao enfermo.
2. Dar de comer ao faminto.
3. Dar de beber ao sedento.
4. Socorrer ao cativo.
5. Vestir ao desnudo.
6. Dar abrigo ao peregrino.
7. Enterrar a os mortos.
QUE OBRIGAÇÕES TEM UM CATÓLICO EM QUARESMA?
Tem que cumprir com o preceito do JEJUM e a ABSTINÊNCIA, assim como a CONFISSÃÓ e COMUNHÃO anual.
EM QUE CONSISTE O JEJUM?
O JEJUM consiste em fazer uma única refeição ao dia, sendo que se pode comer algo menos que o de costume pela manhã e a noite. Não se deve comer nada entre os alimentos principais, salvo em caso de doença.
A QUEM SE OBRIGA O JEJUM?
Se obriga a viver a lei do jejum, todos os maiores de idade. (cfr. CIC, c. 1252).
O QUE É A ABSTINÊNCIA?
Se chama abstinência a proibição de comer carne (vermelha ou branca e seus derivados).
A QUEM SE OBRIGA A ABSTINÊNCIA?
A lei da abstinência se obriga aos que já tem catorze anos.(cfr. CIC, c. 1252).
PODE SER MUDADA A PRÁTICA DA ABSTINÊNCIA?
"A Conferência Episcopal pode determinar com mais detalhes o modo de observar o jejum e a abstinência, assim como substituirmos em parte por outras formas de penitência, sobre tudo por obras de caridade e práticas de piedade." (Código de Direito Canónico, c. 1253).
O QUE IMPORTA DE VERDADE NO JEJUM E NA ABSTINÊNCIA?
Deve se cuidar no viver o jejum ou a abstinência com alguns mínimos, mas como uma maneira concreta como a que nossa Santa Mãe Igreja nos ajuda a crescer no verdadeiro espírito de penitência.
QUE ASPECTOS PASTORAIS CONVÊM RESSALTAR NA QUARESMA?
O tempo de Quaresma é um tempo litúrgico forte, em que toda a Igreja se prepara para a celebração das festas pascais. A Páscoa do Senhor, o Baptismo e o convite a reconciliação, mediante o Sacramento da Penitência, são suas grandes coordenadas.
Sugere-se a participação, se possível diária, na liturgia quaresmal, nas celebrações penitenciais e, sobretudo, na recepção do sacramento da penitência: "são momentos fortes na prática penitencial da Igreja" (CEC, n. 1438), que leve a detestar o pecado enquanto é ofensa a Deus"; participar em exercícios espirituais, em peregrinações, como penitência assinam, fazer privações voluntárias como o jejum, a caridade.
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